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Numero do processo: 19647.010903/2004-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
PROCESSOS ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO.
A desistência do recurso encerra a lide, sendo fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 1802-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso em face a sua desistência tácita, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSOS ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO. A desistência do recurso encerra a lide, sendo fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso.
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IMPORT. E EXPORT. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSOS ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO. A desistência do recurso encerra a lide, sendo fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso em face a sua desistência tácita, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 09 03 /2 00 4- 63 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 19647.010903/200463 Acórdão n.º 1802002.353 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos considerou procedente em parte o lançamento. Por economia processual, passo a adotar o relatóorio da DRJ: “Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, as fls. 07 a 125, para exigência de créditos tributários, referentes aos anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003 adiante especificados: (…) Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES, do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, e "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", o autuante descreve todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: I. Da autuação. A fiscalização procedeu ao levantamento da receita bruta mensal auferida pela contribuinte através dos valores de vendas declaradas ao Fisco Estadual através da GIAM, fls. 205/309, e dos Livros de Apuração do ICMS (fls.130/202), consolidado no demonstrativo de fls. 126/127. Confrontando os valores apurados com os valores declarados pela contribuinte, cópia anexa as fls. 310/338, a fiscalização procedeu ao lançamento dos valores apurados a maior, conforme discriminados no "Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta". A fiscalização apurou os valores constantes dos presentes lançamentos, apontando a seguinte infração: 1) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, os meses de maio a dezembro de 2000; maio a dezembro de 2001; abril a dezembro de 2002 e março a dezembro de 2003, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente Fl. 561DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 19647.010903/200463 Acórdão n.º 1802002.353 S1TE02 Fl. 38 3 aplicável sobre a receita bruta constante das Declarações Simplificadas relativas aos respectivos anoscalendários. 2) DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO, dos anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente dos valores não declarados ou pagos pela contribuinte originária da diferença entre as bases de cálculo informadas nas Declarações Anuais Simplificadas e as bases de cálculo apuradas conforme "Demonstrativo de Receitas Auferidas", fls. 126 a 127, relativa aos anos calendários de 2000 e 2001, pelas cópias das GIAM, fls. 205/309, e relativo aos anos calendários de 2002 e 2003 pelos Livros Registros de Apuração do ICMS, aplicandose a aliquota apropriada a cada período de apuração. II Da impugnação. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, as fls. 377, na qual questiona integralmente os autos de infração, alegando em síntese que requereu o parcelamento dos débitos para com o SIMPLES, de conformidade com a Lei n.° 10.925/2004, via internet, consoante "Confirmação de Recibo de Parcelamento do SIMPLES" fls. 379. Que os débitos consolidados já foram apresentados à SRF em 10/12/2004, consoante "Confirmação do Pedido de Parcelamento", as fls. 387/388. Tendo em vista que a impugnante tomou ciência dos autos de infração em lide em 16/11/2004, os débitos em lide já haviam sido confessados pela empresa, portanto a fiscalização não poderia lançar a multa de oficio. Diante das razões apresentadas requer a improcedência dos lançamentos em lide.” A DRJ em Recife (PE) julgou parcialmente procedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PARCELAMENTO DE DÉBITOS. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 19647.010903/200463 Acórdão n.º 1802002.353 S1TE02 Fl. 39 4 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos imposto e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobrase através de lançamento de oficio as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de aliquota inferior a efetivamente aplicável. BASE DE CALCULO APURADA. Excluemse da base de cálculo dos lançamentos os valores declarados espontaneamente nas declarações anuais simplificadas. Lançamento Procedente em Parte” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 15/03/2007, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (efls. 464) em 12/04/2007, onde alega: a) a preliminar de nulidade por quebra do princípio da isonomia; b) a preliminar de nulidade da lavratura do auto de infração com base em prova emprestada; c) a preliminar de nulidade de aplicação de multa moratória e multa de ofício; d) a denúncia espontânea efetuada pelo contribuinte. Em seguida a Recorrente apresentou em 28/05/2014 pedido de parcelamento dos débitos oriundos do presente processo. Este é o Relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 19647.010903/200463 Acórdão n.º 1802002.353 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. É fato incontroverso que os débitos em discussão nestes autos foram parcelados junto a Receita Federal do Brasil, conforme informação prestada pela própria Recorrente Partindo dessa premissa, passo a análise dos demais requisitos de admissibilidade do recurso apresentado. O direito a recorrer está sujeito à observância de requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subsequ ente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O Professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo Professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Regressando aos autos, conforme já dito, o recorrente fez opção ao parcelamento em 28 de maio de 2014, conforme efls 492 a 537, incluindo os débitos discutidos nestes autos. Nos termos do art. 78 do Regimento Interno do CARF, a adesão a qualquer parcelamento importa na renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto. “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 19647.010903/200463 Acórdão n.º 1802002.353 S1TE02 Fl. 41 6 § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” Assim sendo, ao incluir os débitos ora em discussão em um parcelamento, o sujeito passivo desistiu tacitamente deste recurso voluntário. Por isso voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 565DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000012/2007-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/11/2002
IPI. ISENÇÃO. VEÍCULO. LEI 8.989/1995. DISTROFIA MUSCULAR CONGÊNITA. PROVA INEQUÍVOCA. RECONHECIMENTO.
A distrofia muscular progressiva, devidamente atestada em Laudo Médico, na forma do Anexo IX da Instrução Normativa SRF nº 988/2009, implica a alteração de segmento do corpo humano com comprometimento da função física, o que se subsume a hipótese do art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003. Aplicação isenção reconhecida.
Recurso Voluntário Provido.
Sem Crédito em Litígio.
Numero da decisão: 3802-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 10/11/2002 IPI. ISENÇÃO. VEÍCULO. LEI 8.989/1995. DISTROFIA MUSCULAR CONGÊNITA. PROVA INEQUÍVOCA. RECONHECIMENTO. A distrofia muscular progressiva, devidamente atestada em Laudo Médico, na forma do Anexo IX da Instrução Normativa SRF nº 988/2009, implica a alteração de segmento do corpo humano com comprometimento da função física, o que se subsume a hipótese do art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003. Aplicação isenção reconhecida. Recurso Voluntário Provido. Sem Crédito em Litígio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 39 1 38 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13981.000012/200764 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.059 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de abril de 2014 Matéria IPI ISENÇÃO Recorrente ANDRESSA LUIZA SANTIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/11/2002 IPI. ISENÇÃO. VEÍCULO. LEI 8.989/1995. DISTROFIA MUSCULAR CONGÊNITA. PROVA INEQUÍVOCA. RECONHECIMENTO. A distrofia muscular progressiva, devidamente atestada em Laudo Médico, na forma do Anexo IX da Instrução Normativa SRF nº 988/2009, implica a alteração de segmento do corpo humano com comprometimento da função física, o que se subsume a hipótese do art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003. Aplicação isenção reconhecida. Recurso Voluntário Provido. Sem Crédito em Litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 12 /2 00 7- 64 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), assim ementado (fls. 32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação de médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência, bem como não atesta o comprometimento da função física dos membros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A aplicabilidade da isenção foi indeferida pelo despacho decisório de fls. 18, com fundamento parecer fiscal de fls. 15. A DRJ manteve a decisão por entender que a doença da Recorrente (CID10 Q87,8) não estaria prevista no art. 1°, § 1°, da Lei n° 8.989/1995, bem como em razão da ausência de atestado médico do comprometimento da função física dos membros da interessada. O sujeito passivo, em suas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de que seria deficiente física, anexa laudo da Prefeitura Municipal de Fraibrugo, Estado de Santa Catarina (fls. 3627). Requer o exame do laudo e a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 22/09/2009 (fls. 31) e o protocolo do recurso, em 16/10/2009 (fls. 33). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Os requisitos para a aplicabilidade da isenção do IPI encontramse previstos no art. 1o, IV, § 1º, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei no 10.690/2003, bem como no art. 4º, I, do Decreto nº 3.298/1999, que assim estabelecem: “Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13981.000012/200764 Acórdão n.º 3802003.059 S3TE02 Fl. 40 3 combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) [...] IV pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003).” “Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004)”. No caso em exame, a habilitação ao benefício foi indeferida com fundamento no Parecer Fiscal de fls. 15 e ss., que assim se manifestou: “Procedendo a análise do laudo de avaliação (fl. 04) anexo ao processo, encontramos o que segue: TIPO DE DEFICÊNCIA: deficiência física CID10: · Q 87.8 (outras síndromes com malformações congênitcas especificadas, não classificadas em outra parte) DESCRIÇÃO DETALHADA DA DEFICIÊNCIA: · Portadora de miopatia crônica · Sugestivo de distrofia muscular congênita (resultado de biópsia muscular). Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 O texto do § 1º, art. 1º, da lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, ao discorrer sobre as deficiências físicas ensejadoras da concessão do benefício de isenção de IPI na aquisição de veículos, não faz menção a qualquer tipo de distrofia muscular, por si só, como sendo necessária e suficiente para a concessão do favor fiscal em questão. Para tanto deveria estar evidenciada a dificuldade para o exercício das funções. [...]”. Esse entendimento foi mantido pela DRJ, que também ressaltou a ausência de atestado médico do comprometimento da função física dos membros da interessada. Após a decisão da DRJ, a Recorrente instruiu o processo com um “laudo médico para caracterização de deficiência física para fins de aquisição de veículo automotor adaptável as necessidades da deficiente” (fls. 3637), emitido por médico da Prefeitura Municipal de Fraiburgo/SC. Todavia, considerando que este não foi apreciado pela instância a quo, entendo que deve ser desconsiderado no julgamento do presente recurso. Do exame dos autos, por sua vez, verificase que o laudo de avaliação que instruiu o pedido de habilitação (fls. 06) assinado por dois médicos classificou a doença da Recorrente como “deficiência física”, Código Q87.8 (“Outras síndromes com malformações congênitas especificadas, não classificadas em outra parte”), da Classificação Internacional de Doenças – CID 10, publicada pela Organização Mundial da Saúde. Foi atestado ainda que a interessada é “portadora de miopatia crônica”, “sugestivo de distrofia muscular congênita (resultado de biópsia muscular)”. Além disso, por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, foi apresentado um atestado reiterando o diagnóstico de distrofia muscular progressiva (Síndrome da Espinha Rígida), assinado por médico do Hospital Abreu Sodré, ligado à Associação de Assistência à Criança Deficiente (fls. 24). O Parecer Fiscal, entretanto, entendeu que a referida doença não justificaria a aplicação da isenção, porque o § 1º, art. 1º, da Lei nº 8.989/1995, não se aplica às distrofias musculares. Além disso, não haveria prova da dificuldade para o exercício das funções. A DRJ manteve essa interpretação, acrescentado que, de acordo com o Dicionário Aurélio, “distrofia” constitui uma “perturbação grave da nutrição, principalmente muscular”. Ademais, ainda segundo o acórdão recorrido, “não restou medicamente atestado o comprometimento da função física dos membros da interessada” (fls. 30). O comprometimento da função física, entretanto, é inerente à natureza da doença da Recorrente, conforme explicação disponibilizada no site da Rede SARAH: “Miopatias Congênitas As miopatias congênitas são doenças musculares que se apresentam ao nascimento decorrentes de defeitos em genes que codificam proteínas musculares. A perda ou disfunção dessas proteínas leva ao aparecimento de características morfológicas específicas nos músculos, que podem ser observadas em estudos ao microscópio (biópsia).” “Distrofia Muscular Progressiva As distrofias musculares são doenças hereditárias caracterizadas por uma desordem progressiva dos músculos. Os músculos tornamse fracos e atrofiam com o tempo. A distrofia muscular tipo Duchenne é a mais comum das distrofias. Nesta distrofia, durante o primeiro ano de vida, não se observa qualquer alteração clínica aparente. Um pequeno atraso na aquisição da marcha e quedas mais freqüentes do que o normal Fl. 42DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13981.000012/200764 Acórdão n.º 3802003.059 S3TE02 Fl. 41 5 são às vezes relatadas pelos pais. Em seguida, observase dificuldade para subir e descer escadas. Andar vai ficando cada vez mais difícil e, geralmente, entre 10 e 12 anos de idade a criança passa a precisar de cadeira de rodas para se locomover” (disponível em: http://www.sarah.br/Cvisual/Sarah/AA Doencas/po/p_11_distrof_musc_progres.html e http://www.sarah.br/Cvisual/Sarah/AA Doencas/po/p_15_Miopatias_Congenitas.html. Acesso: 07/04/2014). Não há dúvidas, assim, de que se trata de deficiência física severa, que se enquadra na hipótese do art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003, uma vez que a sua incidência implica a alteração de segmento do corpo humano, com comprometimento da função física. Por fim, cumpre destacar que, devido a raridade da incidência da doença, ao buscar maiores informações sobre a síndrome descrita no atestado médico, os resultados da pesquisa no “Google” direcionam à página do site da Universidade do Oeste do Estado de Santa Catarina, que descreve o estado de saúde da Recorrente nos termos seguintes: “Andressa Luiza Santin, estudante da 10ª fase do curso de Direito, da Unoesc campus Videira, conquistou uma das melhores notas do Brasil no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil OAB, realizado no segundo semestre de 2011. Na primeira fase da prova no mês de julho, Andressa acertou 80% das questões. Na segunda fase, no dia 21 de agosto, foram 93% de acertos, com nota de 9,35. A acadêmica conta que não existe segredo ou macete para ter êxito na prova. "Estudei muito ao longo do curso, aproveitei o máximo das aulas e ensinamentos dos professores, e nas duas semanas que antecederam o exame, dediquei mais tempo à leitura, efetuando revisão geral do conteúdo. Isso foi fundamental para conseguir meu objetivo que era a aprovação pela OAB", garantiu. Ela explica que nem mesmo a limitação de alguns movimentos, devido à distrofia muscular congênita, que provoca perda da tonicidade muscular, e síndrome da espinha rígida, que impede a mobilidade da coluna, tirou a vontade em cursar o ensino superior e estudar Direito, área pela qual sempre teve paixão, e contou ainda, com a influância do avô que tinha vários amigos advogados. [...] Foram cinco anos de muita luta e esforço, dos quais Andressa afirma que pôde contar com a ajuda de muitas pessoas, em especial seus familiares, o irmão Carlos Alberto Santin, os professores do curso, da direção da universidade, que sempre possibilitou o acesso para cadeirante em todos os departamentos. "Sintome bastante satisfeita pelo resultado e Fl. 43DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 gostaria de compartilhar com todos que me apoiaram e incentivaram para que eu chegasse neste estágio. Ninguém alcança o sucesso sozinho", enaltece a aluna.” (Disponível em http://www.unoesc.edu.br/noticias/formandadocursode direitoedestaquenacionalemprovadaoab. Acesso: 08/04/2014) De qualquer sorte, independente disso, entendo que, diante dos elementos probatórios que foram apresentados nos autos, encontramse presentes os requisitos do art. 1º, IV, da Lei nº 8.989/1995, na redação da Lei nº 10.690/2003. Voto, assim, pelo conhecimento e provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720052/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado dos julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 52 /2 00 9- 81 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 528 2 A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado dos julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 410416 com a exigência do crédito tributário no valor de R$483.010,89 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2005. O lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade pela falta de registro das compras, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores das mercadorias adquiridos pela Recorrente das seguintes pessoas jurídicas fornecedoras: Eleva Alimentos S/A, CNPJ 92.776.665/009085, fls. 54194, Companhia Muller de Bebidas, CNPJ 03.485.775/002560, fls. 195271, Hiléia Indústrias de Produtos Alimentícios S/A, CNPJ 05.388.392/000202, fls. 272323, Paineira Alimentos Ltda, CNPJ 61.120.309/000100, fls. 324387 e Cinco Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda, CNPJ 76.648.559/000194, fls. 388409. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 529 3 Ressaltese que, no período, houve a aquisição de mercadorias no valor de R$2.122.037,00 em cotejo com o valor de R$751.166,81 informado a título de receita bruta na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0215, em que a Recorrente apurou os tributos utilizandose do lucro presumido. Depois de reiteradamente intimada, fls. 1653, a Recorrente não apresentou da escrituração obrigatória ao argumento de que os assentos contábeis estavam na posse da Secretaria da Receita Estadual do Pará (SEFA), sem entretanto comprovar essa circunstância. Desse modo, restou evidenciado que o Livro Caixa e o Livro de Registro de Inventário foram de fato escriturados. Os tributos foram então apurados de ofício com no lucro arbitrado, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 426440. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso V do art. 535 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 417426 a exigência do crédito tributário no valor de R$196.073,54 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 55 da Lei nº 20 de janeiro de 1995. Houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em face do sócio Sebastião Chaves Lima, CPF 145.435.08220, com base no art. 135 do Código Tributário Nacional. Cientificada, a Recorrente e o responsável solidário, Sebastião Chaves Lima, apresentaram apresentou as impugnações, fls. 446452 e 461467, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: Segundo o Auditor Fiscal a Impugnante não apresentou os documentos solicitados, porém, justificou sem a devida atenção da autoridade fiscal, presume, por falta de interesse de agir do Auditor Fiscal, que optou pelo arbitramento do lucro [...]. O Auditor Fiscal para encerrar a fiscalização optou por arbitrar o lucro com base NAS COMPRAS, por falta de atendimento dos documentos solicitados, escolhendo como fonte de tributação para constituir o auto de infração as informações recebidas das empresas identificadas no seu trabalho fiscal Relatório de Verificação Fiscal, sem antes pesquisar com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional e atender as solicitações exigidas pela Impugnante. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 530 4 Diante das informações fornecidas por terceiros, aplicou o auto de infração atribuindo o Crédito Tributário no valor de R$679.084,43 RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS EMPRESAS COMERCIAIS. [...] Não era necessário o Auditor Fiscal lançar mão do arbitramento. Era necessário ter notificado a Secretaria da Fazenda do Estado do Pará Tribunal Administrativo, para levantar o que estava afirmando a Impugnante. [...] Entende a Impugnante que o Auditor Fiscal não procedeu à ação fiscal com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigo 37 da Lei 9.784/99, quando não investigou o que afirmou a Impugnante, que os documentos encontram se no Tribunal Administrativo da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará. [...] Todas as intimações foram atendidas, discorda a Impugnante do Auditor Fiscal quando envia os termos identificando como: "Termo de Reintimação." A impugnante discorda do Auditor, se não atendeu satisfazendo a vontade do Auditor Fiscal, não pode ser considerada "Reintimação", quando foi atendida, demonstrando o Auditor Fiscal falta de interesse de agir. Quanto às informações obtidas com os fornecedores, importante iniciativa, já que não dispunha a Impugnante das informações no momento, em virtude de toda documentação encontraremse a disposição do Tribunal Administrativo da Sefa. [...] É importante mencionar, que o Auditor Fiscal de posse da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da Impugnante, tem a obrigação de saber qual foi o regime tributário escolhido pela Impugnante, antes de exigir documentos em desacordo com o regime escolhido, evitando assim, que seja taxado o termo de "Reintimação", devido não atendimento de informações indevidas. [...] A Impugnante optou pelo Lucro Presumido, dispensada do Livro Diário, Livro Razão e Lalur e mesmo tendo conhecimento da opção pelo regime do lucro presumido, o Auditor Fiscal solicita documentação indevida. Quanto aos documentos que atende o Lucro Presumido, a Impugnante justificou que estava em poder do Tribunal Administrativo da Sefa e deveria o Auditor Fiscal fazer e não fez, solicitar informação, artigo 37 da Lei 9.784/99, para cientificarse e não aplicar auto de infração não duvida ou por falta de interesse de agir. O quadro demonstrativo apresentado no item 10 do termo de verificação fiscal, identificando o valor de R$2.122.037,00, como compras no período de 2005, através dos fornecedores, demonstra que a Impugnante adquiriu mercadorias neste valor e sua Receita identificada pelo Auditor Fiscal no valor de R$751.166,81 [...], não podendo ser penalizada pelo arbitramento, já que possuí o valor das compras e receitas, enquanto deveria ter sido autuada por possível Omissão de Receita, já que o Lucro Presumido não é apurado pelas operações, é pela receita. Pertinente ao lucro arbitrado, defende a seguinte tese: Que resultado daria os livros fiscais ao Auditor Fiscal, se ele já possuía os valores das compras e receitas, elementos essenciais para apuração do lucro presumido. O arbitramento do lucro sem antes investigar as informações repassadas, é um absurdo, procedimento extremado, sem antes aplicar o princípio da razoabilidade. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 531 5 Portanto, não teria como o Auditor Fiscal escolher o arbitramento do Lucro, quando havia uma situação pendente, a de consultar a Secretaria da Fazenda do Estado do Pará Tribunal Administrativo, para saber se existia um processo no mesmo período que estava sendo fiscalizado pelo Auditor Fiscal Leomar Padilha sendo julgado e se os documentos estavam servindo como prova para o Recurso Voluntário junto ao Tribunal Administrativo. Sem essa situação, não seria passível de arbitramento, já que a mesma mantém escrita fiscal regular, não tendo como o fisco federal vilipendiar o arbitramento, já que é a única forma de se alcançar o lucro arbitramento, seria o Auditor Fiscal não conhecer a Receita Bruta, Compras e o Volume de Depósitos. Todos esses elementos o Auditor Fiscal tomou conhecimento. O próprio Auditor Fiscal declara no Termo de Verificação Fiscal, que recebeu as respostas dos termos de intimação, até transcreve as respostas, então, poderia ter notificado a Secretaria Fazenda do Estado do Pará Tribunal Administrativo antes de concluir a fiscalização, arbitrando o lucro. Os acórdãos apresentados pelo Auditor Fiscal do Primeiro Conselho de Contribuintes, nenhum demonstraram vínculo com a escolha do Auditor Fiscal pelo arbitramento do lucro. Ao contrario, favorece a Impugnante. [...] Pelas respostas ás intimações como alega o Auditor Fiscal, não deveria a Impugnante sofre penalidade por arbitramento, quando o próprio Auditor Fiscal, declara omissão de rendimentos. [...] O Auditor Fiscal em suas alegações declina que existem na DIPJ diversos vícios, porém, declina apenas a suposta falta de escrituração que está obrigada. O Auditor Fiscal não pode afirmar que a Impugnante não possui escrita regular sem antes ter atendido ao pedido de notificar o Tribunal Administrativo da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará. Diante da afirmativa de que a Impugnante omitiu receita, porque o Auditor Fiscal não aplicou a penalidade por Omissão de Receita? Porque identifica uma situação, Omissão de Receita e aplica auto de infração por arbitramento do lucro, se foi identificado o valor das compras valor da receita e valor dos depósitos bancários. No que se refere à sujeição passiva solidária suscita: Quanto a sujeição passiva, escolhendo o sócio gerente, nenhum enquadramento legal foi identificado pelo Auditor Fiscal, para responsabilizar o sócio gerente. Apenas comenta, sem enquadramento legal, base jurídica para manter a sujeição passiva. O Auditor Fiscal não identificou o excesso de poder que o sócio gerente exerceu, apenas comenta sem apresentar um exemplo e o vinculo. Portanto, sem nenhum critério técnico não pode o Auditor Fiscal atribuir responsabilidade apenas por imaginar que tenha criado situação para deixar de arrecadar para a União, enquanto deveria analisar a situação de mercado, a exorbitante carga tributaria penaliza o contribuinte que causa prejuízo à classe produtora que gera emprego e riqueza para a União, Estados e Municípios. Os comentários do Auditor Fiscal, não possuem amparo legal. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 532 6 Portanto, não deve o sócio gerente assumir responsabilidade pela situação da economia, culpa e responsabilidade de nossas autoridades. Em relação às multas menciona que: A Impugnante em nenhum momento tentou obstruir o trabalho da fiscalização, ao contrario, respondeu todos os termos de intimações, apontando onde estavam os documentos, se houve falta de interesse de agir, foi do Auditor Fiscal que não solicitou da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará Tribunal Administrativo, pois tomou conhecimento que os documentos encontramse lá, servindo de prova para julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Portanto, não pode ser aplicada à multa de 112,5%, já que a falta de interesse de agir, partiu do Auditor Fiscal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Diante do exposto, requer a Improcedência integral do auto de infração, desconsiderando o termo de verificação fiscal, por entender a Impugnante que o Auditor cerceou o direito da ampla defesa, quando mantevese em silêncio diante do pedido para notificar o Tribunal Administrativo da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 23.178, de 06.10.2011, fls. 477485: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 IRPJ.LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. INTIMAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos comerciais e fiscais, a que estiver obrigado a escriturar. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. ABANDONO DA ESCRITA CONTÁBIL. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. A escrituração imprestável deve, tanto do ponto de vista dos lançamentos, como da documentação não conter vícios isolados, mas de conjunto;impedir, ou dificultar sobremaneira, o conhecimento da verdade material; casões vícios sejam isolados, não há que se falar em arbitramento de lucros RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Ao fisco é obrigatória a fundamentação da responsabilidade pessoal do sócio da empresa impugnante; sendo necessária a prova de que as pessoas elencadas. no Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 533 7 art 135 da Lei 5172/66 agiram; a) com excesso de poderes ou infração de lei; b)contrato social; ou c) estatutos, para que o tipo legal esteja desenhado. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. O agravamento da multa de ofício decorre da "não apresentação" de respostas à fiscalização, mas não da valoração dada pela fiscalização à resposta apresentada. A conseqüência da "não apresentação de respostas à solicitação da fiscalização" é o agravamento da multa; ao passo que, a conseqüência da "não apresentação dos livros fiscais obrigatórios" é o arbitramento do lucro tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Consta no Voto condutor: 5 CONCLUSÃO Diante do exposto voto por considerar: a) improcedente a impugnação relativa aos créditos tributários, de IRPJ e CSLL, apurados pela fiscalização, mantendo os respectivos créditos tributários; b) procedente a impugnação relativa ao agravamento da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%; c) procedente a impugnação relativa á sujeição do sócio Sr. Sebastião Chaves Lima, excluindoo do pólo passivo das obrigações tributárias. Notificada em 17.04.2012, fl. 497, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.05.2007, fls. 498519, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na peça impugnatória. Sobre a preclusão, fundamentase no art. 49 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e no art. 24 da Lei nº 11.457, de 19 de março de 2007, para sustentar a tese de que a decisão deve ser proferida no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo da peça de defesa. Nesse sentido argui que: Observase, portanto, que o prazo fatal para o auditor fiscal é de 360 dias, improrrogáveis, segundo a recente regulação. É o caso da recorrente que não teve o encerramento do procedimento dentro do prazo de 360 dias, desobedecendo aos ditames legais que está vinculado, Lei nº 8.112/1990, artigo 116, inciso III, "(observar as normas legais e regulamentares)”. Concluise , assim, que a preclusão processual é instituto que se encontra presente no processo administrativo tributário inclusive em razão do princípio constitucional do devido processo legal. Contudo, em razão da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência, que devem estar sempre presentes no processo administrativo, é possível a aplicação mitigada da preclusão temporal nos julgamentos administrativos. Com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), relativamente à prova não admitida por lei alega que: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 534 8 Observando que o Nobre Fiscal autuou apenas com base em extratos bancários não fornecidos pelo Impugnante e nem autorizados por decisão judicial. [...] Como percebemos, desde o ano de 2010, os tribunais superiores mudaram seu posicionamento, que antes era com base na superioridade do interesse público ao interesse privado. Todavia, prevalece hoje de forma unânime que o interesse público não é superior ao estabelecido na Constituição Federal. O interesse público não pode atropelar as regras constitucionais. A administração pública não pode usar de meios ilegais na justificativa de aplicar a "legalidade”. Se não seria dizer para o contribuinte fazer diferente do que faz o fisco neste auto, usar da ilegalidade. Atinente aos fatos, assevera que: A recorrente veio a ser autuada pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal, DRF Santarém, exigindo Imposto de Renda Pessoa Física, com aplicação de Juros de Mora e multa proporcional, tudo conforme Auto de Infração nos autos do processo, com alegação de que a impugnante mantinha em sua conta corrente Depósitos Bancários de Origem não comprovada Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários com Origem não comprovada. No que toca ao cerceamento do direito de defesa, afirma que: A recorrente em toda fase de investigação administrativa manteve as mesmas justificativas, não alterou nenhuma resposta, inclusive, solicitando o encerramento da fiscalização, pela dificuldade em atender, devido que as documentações solicitadas encontramse em poder do Órgão Julgador, vinculado a Secretaria da Fazenda do Estado do Pará. Quanto à inversão do ônus da prova faz referência ao art. 24 da Lei nº 11.457, de 19 de março de 2007 e ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal para destacar que: Ou seja, ainda que não seja o titular dos recursos creditados, o contribuinte sofrerá a cobrança dos tributos devidos mesmo indicando e declarando os nomes ou a razão social das pessoas jurídicas responsáveis pelos depósitos bancários. Por outro lado, a Receita Federal há tempos obtém os dados bancários sem prévia autorização judicial. Inicialmente com o cruzamento de dados da CPMF (autorizado pela Lei n° 10.174/2001) e, após a extinção desta contribuição, através do envio às instituições financeiras das malsinadas "requisições de informações sobre movimentação financeira", as chamadas RMF's , pelas quais o banco fica obrigado a fornecer os extratos bancários do contribuinte fiscalizado, com fundamento na Lei Complementar n° 105/2001. Em que pese à existência da precitada lei complementar, entendemos que este diploma é incompatível com a garantia constitucional do sigilo bancário, a qual resulta dos incisos X e XII do art. 5° da CF/88. [...] O Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria de votos, que imprescindível a prévia autorização judicial para a quebra do sigilo bancário. [...] O entendimento do STF se consolidou de forma favorável aos contribuintes, os extratos bancários fornecidos sem ordem judicial constituirão prova ilícita desprovida de validade jurídica, a teor do que dispõe o art. 5o , LVI da CF/88, pelo qual "são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos". Também são aplicáveis o art. 332 do Código de Processo Civil e o art. 157 do Código de Fl. 534DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 535 9 Processo Penal, já que tais dispositivos regulam em nível infraconstitucional aquela cláusula pétrea. O auto de infração foi constituído com base em extratos bancários fornecidos sem prévia autorização judicial e conforme decisão do Supremo Tribunal Federal deve ser declarado nulo, seja na esfera administrativa ou na judicial, salvo se o lançamento tiver por fundamento outra prova do fato gerador, suficiente em si mesma (autônoma) para legitimar a exigência do crédito tributário. Para tento, não deve haver "contaminação", conforme resulta da devida aplicação da teoria dos "frutos da árvore venenosa", oriunda do direito penal, mas plenamente aplicável no procedimento de constituição do crédito tributário, face sua eficácia como concretizadora do [...] art. 5º , LVI da Lei Maior. Assim, qualquer outra prova que decorra da violação ilícita do sigilo bancário também deverá ser declarada nula. A respeito da falta de interesse de agir do Erário justifica que: os depósitos bancários não constituem fato gerador de tributo, tampouco acréscimo patrimonial; com base no art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à autoridade tributária identificar a renda consumida, o aumento da riqueza ou o benefício econômico; no caso de aplicação da presunção legal, cabe à autoridade tributária evidenciar o fato indiciário e o sujeito passivo deve provar que o fato acontecido não foi aquele presumido em lei; no caso, é imprescindível a comprovação de sinais exteriores de riqueza; é dever da Fazenda Nacional provar que o sujeito passivo foi beneficiado pelos recursos depositados; o procedimento iniciado em 01.01.1997 poderia se valer de norma processual anterior; de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional houve modificação no recurso processual probatório posto à disposição da Administração Pública e a mera circunstância da titularidade da conta bancária não é suficiente para o emprego da presunção, já que a prova direta prevalece sobre a indireta; é hábil e idônea a declaração prestada pelo sujeito passivo; para que a presunção seja levada a efeito é necessária a exposição analítica de todas as razões que o levaram a presumir a omissão de rendimentos; é equivocado o entendimento de que o comando normativo para análise individualizada dos depósitos bancários equivale a dizer que o valor tributável, em certo período de apuração, seria a soma algébrica de todos os créditos analisados e tidos como não comprovados; e com amparo no princípio da verdade material, somente é cabível a mencionada presunção no caso em que forem também verificados os saques correspondentes. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 536 10 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: 1 Que seja recebida o presente recurso, reformando o acórdão em questão, anulando o auto de infração pelos vícios formais ocorridos no procedimento administrativo que deu causa ao crédito tributário; 2. Apreciando as preliminares relevantes, como prejudiciais, declarar nulos, o lançamento fiscal, a cobrança da multa confiscatória, a inscrição na dívida ativa, pela Preclusão; ou 3. Declarar pelo mérito, improcedente o auto de infração que exige o crédito tributário e a multa confiscatória e cumulada com os juros de mora; 4. Que seja declarado improcedente o auto de infração por ter sido constituído por Depósitos Bancários, considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Repercussão Geral, estendendo a decisão a Administração Pública, Delegacias de Julgamentos e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Visto que a prova não foi autorizada pelo Poder Judiciário e nem fornecida pelo contribuinte, o que a faz desta forma, prova ilícita. Observando que a legalidade não foi feita apenas para os contribuintes, mas também para o fisco. 5 Que seja levantada em diligência as receitas da recorrente que deixou de ser considerada visto que foram depositadas. 6 Que seja considerada procedente a impugnação relativa à: a) aos créditos, de IRPJ e CSLL, e; b) agravamento de multa, de 75 % . Pelo exposto, de hialina clareza se afigura que os valores dos "depósitos" levantados pelo Fisco Federal não têm como ser considerados OMISSÃO DE RECEITA, suscetível de gerar a tributação pelo Imposto de Renda, razão do que não se legitima o crédito fiscal, objeto da execução embargada, devendo ser decretada a improcedência do auto de infração. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 536DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 537 11 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente afirma que houve preclusão, já que a decisão deve ser proferida no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo da peça de defesa (art. 24 da Lei 11.457, de 17 de março de 2007). A preclusão pode ser entendida como a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Sobre a matéria tem cabimento aplicar o enunciado da Súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Ressaltese que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Logo, não lhe cabe razão neste particular. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 538 12 Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. Em relação ao argumento de que “as questões postas para apreciação da primeira instância administrativa, embora haja divergência de sua possibilidade de arguição, devem ser apresentadas sob pena de ferir de morte o princípio da legalidade, da ampla defesa e supressão de instância”, a Recorrente não indica minuciosamente as questões que entende não foram enfrentadas naquela ocasião, demonstrando o prejuízo processual supostamente experimentado. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 410426 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0123.178, de 06.10.2011, fls. 477485, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 539 13 formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente indica pormenorizadamente argumentos pertinentes à possibilidade jurídica da aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e a quebra do sigilo bancário. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Atinente à receita bruta, não conhecida, o lucro arbitrado, em regra, é determinado mediante a utilização 150% do lucro real anual ou 4% da dos valores do ativo ou 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 540 14 7% do valor do capital ou 5% do valor do patrimônio líquido ou 40% do valor mensal das compras de mercadorias ou 40% do valor mensal da soma da folha de pagamento e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem ou 80% do valor mensal devido a empregados ou 90% do valor mensal do aluguel devido. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal7. Temse que o presente lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores das mercadorias adquiridos pela Recorrente das seguintes pessoas jurídicas fornecedoras: Eleva Alimentos S/A, CNPJ 92.776.665/009085, fls. 54194, Companhia Muller de Bebidas, CNPJ 03.485.775/002560, fls. 195271, Hiléia Indústrias de Produtos Alimentícios S/A, CNPJ 05.388.392/000202, fls. 272323, Paineira Alimentos Ltda, CNPJ 61.120.309/000100, fls. 324387 e Cinco Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda, CNPJ 76.648.559/000194, fls. 388409. Ressaltese que, no período, houve a aquisição de mercadorias no valor de R$2.122.037,00 em cotejo com o valor de R$751.166,81 informado a título de receita bruta na 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 541 15 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0215, em que a Recorrente apurou os tributos utilizandose do lucro presumido. Depois de reiteradamente intimada, fls. 1653, a Recorrente não apresentou da escrituração obrigatória ao argumento de que os assentos contábeis estavam na posse da Secretaria da Receita Estadual do Pará (SEFA), sem entretanto comprovar essa circunstância. Desse modo, restou evidenciado que o Livro Caixa e o Livro de Registro de Inventário foram de fato escriturados. Os tributos foram então apurados de ofício com no lucro arbitrado, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 426440, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 4. Inicialmente, em 02/10/2008, o sujeito passivo foi intimado, termo 361/2008, fls 16 a 18, a apresentar, entre outros elementos, sua escrituração. Em resposta a esse termo, fls 22 a 30, protocolada no dia 31/10/2008, ele informou que não possui Livro Diário, Livro Razão e LALUR, pois não "optou pelo lucro real". Também declarou que não possui qualquer bem. Ainda, informa que deixa de apresentar o Livro Caixa, o Livro Registro de Inventário e o Livro Registro de Saída, tendo em vista não os ter encontrado e acredita que esses livros se encontram na SEFA (Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Pará). 5. Na tentativa de a fiscalização ter acesso aos livros que o sujeito passivo está obrigado a escriturar e a manter em boa guarda e ordem e, quando requisitado, apresentar a Administração Tributária, o reintimamos por mais três vezes, termos 422/2008, fls 31 a 363, 456/2008, fls 36 a 38, e 481/2008, fls 43 a 45. 6. Em resposta a esses termos, o sujeito passivo informou que os livros poderiam estar na SEFA, conforme consta nas fls 35, 40 e 47, sem apresentar qualquer documento que comprovasse que tais livros encontravamse em poder da SEFA, limitandose a apresentar um protocolo, fls 41, que indagava daquele órgão se os livros encontramse naquela instituição. 8. A fim de obtermos as informações e os documentos necessários ao andamento da ação fiscal, intimamos as empresas, abaixo relacionadas, a informarem os valores das compras efetuadas pelo sujeito passivo, bem como apresentar notas fiscais e comprovantes de pagamentos: Termo de Intimação Fiscal n° 368/2008, Eleva Alimentos S/A, CNPJ 92.776.665/009085, fls 53 a 55; Termo de Intimação Fiscal n° 369/2008, Companhia Muller de Bebidas, CNPJ 03.485.775/002560, fls 152 a 154; Termo de Intimação Fiscal n° 370/2008, Hileia Industrias de Produtos Alimentícios S/A, CNPJ 05.388.392/000202, fls 227 a 229; Termo de Intimação Fiscal n° 371/2008, Paineira alimentos Itda, CNPJ 61.120.309/000100, fls 277 a 279; Termo de Intimação Fiscal n° 372/2008, Cinco Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda, CNPJ 76.648.559/000194, fls 328 a 330; 9. As empresas apresentaram os seguintes documentos: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 542 16 Eleva Alimentos S/A planilha com notas fiscais de venda e datas de recebimentos, fls 72 a 74, diário auxiliar, fls 78 122, e notas fiscais, fls 123 a 151; Companhia Muller de Bebidas planilha com notas fiscais de venda e datas de recebimentos, fls 158 a 161, comprovantes de recebimentos, fls 170 a 224, sendo que deixou de apresentar notas fiscais por ter ocorrido sinistro, conforme documentos de fls 163 a 169; Hileia Industrias de Produtos Alimentícios S/A planilha com notas fiscais de venda e datas de recebimentos, fl 233, relação de duplicatas emitidas, fls 234 e 235, relatório do banco referente a recebimento de duplicatas, fl 240267 a 276, duplicatas recebidas em carteira, fls x, e notas fiscais, fls 241 a 266; Paineira alimentos ltda planilha com notas fiscais de venda e datas de recebimentos, fls 293, notas fiscais e comprovantes de recebimentos, fls 285 a 290 e 294 a 327; Cinco Produtos Químicos e Farmacêuticos fiscais de venda e datas de recebimentos, fls 331 e 332, notas fiscais, fls 333 a 342, e comprovantes de recebimentos, fls 343 a 349; 10. Da análise dos documentos apresentados pelas empresas acima mencionadas, constatamos que, em 2005, o sujeito passivo efetuou compras no valor de R$ 2.122.037,00, detalhadas na Tabela I, anexa a este termo, e consolidadas em valores mensais no quadro abaixo: Mês [AnoCalendário 2005] Total [R$] Janeiro 116.141,15 Fevereiro 102.051,75 Março 282.420,86 Abril 299.845,64 Maio 99.200,59 Junho 133.581,82 Julho 244.832,90 Agosto 121.833,70 Setembro 171.650,09 Outubro 80.396,20 Novembro 254.625,50 Dezembro 215.456,80 Total Global 2.122.037,00 [...] 11. A apuração do resultado, de regra, é feita por meio da escrita contábil e fiscal e a base de calculo do tributo é o Lucro Real, porém o contribuinte, desde que atenda aos requisitos da lei, pode optar, no momento oportuno, pelo Lucro Presumido, ou, sem apurar o resultado, recolher seus tributos e contribuições pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Ainda, em situações excepcionais, ele pode adotar o auto arbitramento, conforme estabelece o art 531 do RIR/99 (Dec 3.000/99). 12. A escrituração do Livro Caixa em substituição à escrita contábil é facultada ao contribuinte optante pelo Lucro Presumido, porém, para que fique dispensado da escrita contábil, ele deve cumprir as condições que a lei impõe, ou Fl. 542DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 543 17 seja, escriturar, no Livro Caixa, toda sua movimentação financeira, inclusive a bancária, conforme assevera o art 45 da Lei 8.981/1995 [...]. 13. Inicialmente, intimamos o sujeito passivo, termo 361/2008, fls 16 a 18, a apresentar sua escrita, em resposta, fl 22, ele informou que não mantém escrita contábil, "por não ter optado pelo lucro real", já em relação ao Livro Caixa, Livro Registro de Inventário, Livro Registro de Saídas, declarou o seguinte: "Deixamos de apresentar (...) por não ter sido encontrado, acreditamos que se encontra na Coordenação da Sefa em Santarém, por ter sido fiscalizado e estamos aguardando o auditor fiscal, para saber com ele se foi devolvido". 14. Como o contribuinte não apresentou qualquer documento comprovando que os livros encontramse junto a SEFA, o reintimamos, termo 422/2008, [...], a apresentar o Livro Caixa, Livro Registro de Inventário, Livro Registro de Saídas, ainda, esclarecemos o seguinte: "vossa senhoria deve comparecer a SEFA e solicitar cópia autêntica desses livros, ou então declaração do fiscal que os mesmos se encontram com ele e que não será fornecido os Livros, tendo em vista que a argumentação de que os livros se encontram com outro órgão não exime da responsabilidade de providenciar cópia autêntica ou os originais para apresentar a Receita Federal do Brasil". 15. Em resposta a esse termo, documento de fl 35 protolado no dia 17/11/2008, o sujeito passivo declarou o seguinte: "a empresa foi submetida à fiscalização da Coordenação Tributária e não Tributária da Secretaria da Fazenda, com sede em Santarém 4a Região Fiscal e como a empresa foi autuada e o Auditor não se encontra em Santarém não temos certeza se os documentos foram entregues ou se acompanhou para ser submetido a julgamento". 16. Como o contribuinte apresentou meras alegações, não apresentou qualquer documento para comprovar que entregou os livros à fiscalização da SEFA, tampouco demonstrou qualquer interesse em atender a intimação, conforme foi esclarecido por esta fiscalização, ou seja, comparecer à SEFA e solicitar os livros, ou cópia deles, novamente, reintimamos o sujeito passivo a apresentar os livros que tem por obrigação manter escriturado, termo 456/2008, fls 36 a 38, também, para que não restasse dúvida de sua obrigação de apresentar os livros a que está obrigado, reiteramos o esclarecimento constante no termo 422/2008, fls 31 a 33, conforme segue: "Em 02/10/2008, recebeu o termo de início da ação fiscal 361/2008, Em documento protocolado em 31/10/2008 e 17/11/2008 (mais de 45 dias após recebimento do termo 361/2008) vossa senhoria protocolou documentos em resposta ao termo 361/2008 e 422/2008, respectivamente, informando que deixa de apresentar o Livro Caixa, Livro Registro de Saída e o Livro Registro de Inventário, alegando que acredita que os mesmos encontramse na Coordenadoria Tributária e não Tributária da Secretaria da Fazenda, porém não apresenta qualquer documento que comprove que tais livros foram entregues a SEFA ou que encontramse na SEFA (como termo de retenção, protocolo de documentos, etc), também não comprovou que solicitou a SEFA tais livros para apresentar a RFB (tal como protocolo de requerimento dos livros junto a SEFA). Assim, vossa senhoria deve comparecer a SEFA e solicitar cópia autêntica desses livros ou os próprios livros, ou então declaração do fiscal que os mesmos se encontram com ele e que não será fornecido os Livros, tendo em vista que a argumentação de que os livros se Fl. 543DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 544 18 encontram com outro órgão não exime da responsabilidade de providenciar cópia autentica ou os originais para apresentar a Receita Federal do Brasil" 16. No dia 04/12/2008, mais de 60 (sessenta) dias após ter sido intimado pela primeira vez a apresentar sua escrituração, o sujeito passivo protocolou cópia do documento que encaminhou a SEFA, em que indagava daquela Secretaria se o Livro Registro de Inventário, conforme recibo de protocolo de fl 41, e o Livro Caixa, conforme requerimento de fl 42, encontramse naquele órgão. 18. Como o protocolo feito pelo sujeito passivo junto a SEFA é datado de 04/12/2008, conforme cópia do recibo de protocolo de fl 41, em 03/02/2004, passados dois meses do protocolo junto a SEFA, reintimaos novamente o sujeito passivo a apresentar o Livro Caixa, o Livro Registro de Saída e o Livro Registro de Inventário, termo 481/2008, fls 43 a 45. Em resposta a esse termo o sujeito passivo, sem apresentar qualquer documento comprobatório, informou o seguinte: "informo que os documentos exigidos acompanham a defesa elaborada junto o Tribunal Administrativo da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará, como antes informado nas justificativas dos termos de intimações, anteriormente enviados. Vamos apresentar no momento oportuno, ou seja, no momento que receber do Tribunal Administrativo." 19. Então vejamos, o contribuinte optou por escriturar o Livro Caixa em substituição a escrita contábil, dessa forma ele está obrigado a manter esse livro escriturado e em boa ordem e guarda, bem como o Livro Registro de Inventário e apresentálos a Administração Tributária quando intimado. 20. Não obstante, ele não sabe onde estão os livros, acredita que podem estar na SEFA, tendo em vista, segundo ele, ter sido fiscalizado por aquela Secretaria, porém não apresenta qualquer documento que comprove que foi fiscalizado, tal como número do processo administrativo. Também, não possui qualquer documento que comprova que o livro foi entregue àquele órgão, o que nos causa estranhes, pois como ele poderia entregar um documento de suma importância para uma empresa sem nenhum protocolo. 21. Mesmo tendo sido intimado, por duas vezes, a comparecer na SEFA em Santarém, cidade do domicílio do sujeito passivo, que, segundo ele, é onde acredita estarem os livros, e solicitar, no mínimo, uma cópia dos livros para apresentação à fiscalização, ele simplesmente protocola um requerimento questionando se os livros se encontram naquela Secretaria, sendo que, caso efetivamente exista um processo administrativo, a qualquer momento ele tem direito a retirar cópia desse processo. 22. Dessa forma, bastaria o sujeito passivo comparecer, conforme foi orientado pela fiscalização, à SEFA e retirar uma cópia dos livros. 23. Ainda, em resposta a ultima intimação, o contribuinte informa a fiscalização que vai apresentar o livro "no momento oportuno, ou seja, no momento que receber do Tribunal Administrativo", cabe ressaltar que ele não solicitou os livros à SEFA, apenas indagou se eles se encontram naquele órgão. Assim, caso os livros não estejam na SEFA, ele nunca vai receber de volta esses livros e conseqüentemente nunca vai apresentálos à fiscalização, o que é inquestionável, tendo em vista que ele não comprovou que o Livro Caixa e o Livro Registro de Inventário foram entregues àquela Secretaria. Ou então, como o processo administrativo, se existir, pode estenderse por tempo indeterminado, a fiscalização, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 545 19 também, tem que ficar aguardando por tempo indeterminado a apresentação desses livros. [...] 25. [...] Conforme demonstrado, tentamos de todas as formas fazer com que o sujeito passivo apresentasse o Livro Caixa e o Livro Registro de Inventário e ele negouse, injustificadamente, a apresentar esses livros, tendo em vista que: primeiro, ele não comprovou que os livros encontramse na SEFA; segundo, caso esses livros efetivamente se encontrem naquele órgão, bastaria ele retirar uma cópia, conforme orientado por duas vezes pela Fiscalização, tendo em vista que a lei garantelhe esse direito; terceiro, ele não solicitou cópia desses livros, apenas indagou se eles se encontravam em poder daquele órgão, dessa forma os livros não lhe serão entregues; quarta, desde a primeira intimação, em 02/10/2008, até o presente momento, já se passaram mais de 140 dias, ou seja, tempo mais que suficiente para apresentar sua escrita, inclusive, tempo suficiente para refazer a escrita desses livros. 26. Nessas circunstâncias, como o sujeito passivo, não possui escrituração comercial e Fiscal, conforme ele mesmo declara, fls 22, e não apresentou o Livro Caixa e o Livro Registro de Inventário, não resta qualquer outra alternativa para fiscalização, senão apurar o resultado do sujeito passivo pelo Lucro Arbitrado, conforme determina o Art 530, III do RIR/99 (Decreto 3.000/99), [...]. 28. Preferencialmente, devese adotar a receita conhecida como critério de arbitramento, ocorre que esta fiscalização está impossibilitada de aplicar esse critério para o sujeito passivo, pelos seguintes motivos: a) ele não possui escrita comercial e fiscal, não apresentou o Livro Caixa e o Livro Registro de Inventário; b) na DIPJ de fls 02 a 15, ele informa que não efetuou nenhuma compra de mercadoria no ano de 2005, fl 11, enquanto, na realidade comprou R$2.122.037,00, conforme documentos obtidos pela fiscalização, já mencionado alhures; c) também declarou em DIPJ que auferiu receitas no valor de R$751.166,81 e que não tinha nada em estoque, fl. 11, ou seja, seu estoque no final de 2004 era zero, bem como que não tinha nada em estoque no final de 2005, ou seja, também era zero, como ele efetuou compras em 2005 no valor de R$2.122.037,00 e não possuía estoque inicial nem final, podese afirmar que ele vendeu toda a mercadoria adquirida, e se considerarmos que as receitas constantes na DIPJ, apresentada pelo sujeito passivo, correspondem a totalidade de suas receitas, também vamos aceitar como verdade que ele vendeu toda a mercadoria que custou R$ 2.122.037,00 por R$ 751.166,81; d) ainda, na DIPJ ele declara que o saldo de caixa e bancos no final de 2004, eram zero, fl 11, ou seja, não tinha nada de dinheiro em caixa ou no banco e no final do ano de 2005 o saldo em caixa e bancos também era zero, o que nos leva a questionar como ele pagou as compras no valor de R$2.122.037,00, se não tinha nada de saldo em caixa no início de 2005 e obteve receitas no valor de R$751.166,81, conforme ele declara em DIPJ. 29. Pelos motivos expostos no parágrafo anterior, a DIPJ de fls 02 a 15, apresentada pelo sujeito passivo, não merece fé, dessa forma, a fiscalização não conhece a totalidade das receitas auferidas pelo sujeito passivo, e como a fiscalização conhece o valor de R$ 2.122.037,00 de compras efetuadas por ele em 2005, o critério para arbitrar o lucro do sujeito passivo é o coeficiente das compras efetuadas no período, ou seja, quatro décimos do valor das compras efetuadas no Fl. 545DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 546 20 período, conforme estabelece o estabelecido no art 51, V da Lei 8.981/95 e o Art 535, V do RIR/99, [...]. Lei 8.981/95 Art. 51. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: V 0,4 (quatro décimos) do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; [...] 30. Da análise das respostas às intimações e dos documentos obtidos pela fiscalização, bem como dos dados constantes nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal, constatamos as seguintes infrações: 1. OMISSÃO DE RENDIMENTOS 31. Em decorrência dos motivos anteriormente expostos, a DIPJ do sujeito passivo apresenta diversos vícios e como o sujeito passivo não apresentou a escrituração que está obrigado, a fiscalização fica impossibilitada de determinar com precisão a receita do sujeito passivo, com isso o sujeito passivo omitiu rendimento, tendo em vista que o lucro apurado pela fiscalização, com base no lucro arbitrado, é de R$848.814,80 (R$2.122.037,00 x 0,4) e o sujeito passivo declarou em DIPJ, com base no lucro presumido, rendimentos no valor de R$60.093,34. Assim o sujeito passivo omitiu rendimentos no valor de R$788.721,46 (R$848.814,80 R$60.093,34) no ano de 2005. Nesse sentido, houve apuração do valor tributável partir de provas diretas não havendo que se falar em presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que Fl. 546DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 547 21 pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos8. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 10.. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10215.720052/200981 Acórdão n.º 1803002.360 S1TE03 Fl. 548 22 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.679828/2009-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/05/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 28 /2 00 9- 27 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679828/200927 Acórdão n.º 3803006.304 S3TE03 Fl. 205 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 05/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 17 de maio de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 14 de junho de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679828/200927 Acórdão n.º 3803006.304 S3TE03 Fl. 206 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11020.001078/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA 02 DO CARF.
O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro.
IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.527
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA 02 DO CARF. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 10 78 /2 00 8- 95 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio do Auto de Infração, de fls. 350, lavrado em 03/03/2008, exigese do Contribuinte FLÁVIO DIMAS FRANZOI o montante de R$ 442.186,29 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 178.790,65 de juros de mora e R$ 331.639,70 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 952.616,64 (atualizado até a data da autuação), referente aos anoscalendários 2003, 2004 e 2005, em decorrência de Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. A partir de registros de movimentações financeiras incompatíveis com os valores declarados em Declaração de Imposto de Renda (DIRPF) pelo Contribuinte, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal n° 001/2007 (fls. 1718) para que o Contribuinte apresentasse documentos e comprovantes hábeis e idôneos, referentes aos valores depositados em suas contas correntes nos anoscalendário de 2003 a 2005. Sem resposta, o Contribuinte foi novamente intimado mediante Termo de Intimação Fiscal nº 001/2007A, no dia 14/05/07 (fls. 1314). O Contribuinte atendeu à intimação (fls. 2122), esclarecendo que: (i) possui como conta corrente de movimentação financeira apenas a lotada no Banco do Brasil; (ii) a poupança aberta na Caixa Econômica Federal tem por finalidade apenas depósitos de honorários de ações previdenciárias; (iii) o valor de CPMF pago referese a empréstimos feitos a pessoas físicas diversas, cujo pagamento operouse ou por depósito em conta tipo “TED” ou por entrega de cheques de terceiro; (iv) cobrava juros de 1% ao mês em relação aos cheques de terceiro; (v) a maioria das operações tinha início e fim no mesmo período fiscal; (vi) o empréstimo contraído pelo Sr. Fernando Boff abarcou mais de um exercício financeiro e seus juros foram devidamente lançados no livro caixa e tributados na forma da lei; (vii) os valores isentos e não tributáveis são fruto do espólio de seu pai; (viii) juntou, ainda, petição referente a acordo de reclamatória trabalhista, no qual recebeu o valor de R$ 40.000,00 de indenização pelo não pagamento de FGTS (fls. 2728), comprovantes de recebimento do valor de FGTS (fls. 2325), recibo de empréstimo, no valor de R$ 20.000,00 (fl. 29), documentos referentes alienação fiduciária de um trator da marca John Deere, no valor de R$ 30.231,00 (fls. 3042). O Contribuinte foi novamente intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 002/2007 – fl. 43), já que em sua manifestação não apresentou extratos bancários referentes às movimentações bancárias dos anos calendário de 2003 a 2005, tampouco juntou a Certidão de Óbito do Sr. Vasco Franzoi. A fiscalização requereu, ainda, a comprovação das transferências patrimoniais, informadas no anocalendário 2002. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001078/200895 Acórdão n.º 2201002.527 S2C2T1 Fl. 3 3 O Contribuinye manifestouse no sentido da inconstitucionalidade da Lei Complementar n º 105/01, sendo vedada, assim, a quebra de sigilo bancário (fls. 4480). Fez referência, ainda, à violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Anexou a certidão de óbito do Sr. Vasco Franzoi (fl. 87) juntamente com recibo de recebimento do seu quinhão hereditário (fl. 89). Em razão da inércia do Contribuinte em apresentar os documentos solicitados, a fiscalização solicitou a emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) (fl. 9096), com base nos itens IV e XI do art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001. Sendo assim, o RMF foi remetido às instituições financeiras Banco do Brasil (fl. 9293) e Caixa Econômica Federal (fl. 9495). Após análise dos documentos enviados pelas instituições financeiras, o Fisco intimou novamente o Contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 004/2007), para que apresentasse a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, mantidas junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O Contribuinte também deveria informar se sua cônjuge, Sra. Monica Bergozza, movimenta valores nas referidas contas bancárias. Sem resposta, o Fisco intimou novamente o Contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 004/2007). O Contribuinte, no dia 10/09/2007, solicitou maior prazo para apresentação de documentos e referiu que Sra. Monica Bergozza não possui responsabilidade em relação aos valores movimentados em suas contas bancárias (fl.206). A fiscalização concedeu novo prazo de 20 dias 207/208). Não havendo manifestação, no dia 04/10/2007, a fiscalização intimou novamente o Contribuinte mediante Termo de Intimação Fiscal nº 006/2007 (fls. 210/228). O Contribuinte manifestouse (fls. 232/235) apresentando informações e documentos. Informou que sua cônjuge, Sra. Monica Bergozza, não tem responsabilidade quanto aos créditos informados. Insatisfeita com as declarações e documentos apresentados, a fiscalização intimou o Contribuinte por meio de Termo de Intimação Fiscal n. 001/2008 (fls. 273/276), restando ciente o Contribuinte no dia 10/01/2008 (fl. 277), a apresentar esclarecimentos e documentos. Após solicitação de prorrogação de prazo (fl. 288), tendo em vista as reiteradas intimações para que o Contribuinte apresentasse documentos e esclarecimentos, a Fiscalização decidiu lavrar a autuação. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 12/03/2008 (AR Postal fl.366), tendo apresentado Impugnação (de fls. 367), em 11/04/2008, na qual trouxe as seguintes alegações: · Há precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido da ilicitude de provas obtidas por meio de quebra de sigilo bancário. Complementa que a movimentação bancária não pode ser utilizada como base para o lançamento de Imposto Sobre a Renda, bem como que os valores que passam pela conta bancária do contribuinte – e que resultam em pagamento de CPMF não podem servir como base de cálculo para recolhimento de Imposto de Renda. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Apresenta declaração de recebimento de valores com fins de recibo (fls. 324327), no valor de R$ 3.059.770,00, valor referente aos anos calendário de 2003 a 2005, assinado pelo Sr. Ivanir Mascarello, declarando que estes valores foram depositados na conta corrente do Contribuinte. A 8ª Turma da DRJ/POA na sessão de 25/11/2010 pelo Acórdão 1028.636, de fls. 379, julgou improcedente a Impugnação nos seguintes termos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM N ÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Após diversas tentativas de notificação, nas quais o Contribuinte não foi encontrado, procedeuse intimação por edital, fls. 413, que foi fixado no mural da Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul em 11/04/2011 e desafixado em 26/04/2011. O Recurso Voluntário foi apresentado em 06/05/2011, às fls. 415, aduzindo a nulidade do lançamento uma vez que houve por parte do servidor administrativo a apropriação de dados de forma ilegal e imoral, decorrente da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Neste contexto alega a inconstitucionalidade da LC nº 105/01. Junta jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Através da Resolução nº 2202000.407 de 22/01/2013, às fls. 466, a 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário n º 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, § 1º, do CPC, combinado com art. 323, § 1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei no 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos possibilitando o prosseguimento do feito. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001078/200895 Acórdão n.º 2201002.527 S2C2T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O Contribuinte argui a nulidade do presente Processo Administrativo Fiscal, visto que o Auto de Infração está embasado em extratos bancários obtidos com base na Lei Complementar nº 105/01 que alega ser inconstitucional, vez que viabiliza o acesso pela Administração Tributária às informações bancárias dos contribuintes sem prévia autorização judicial. Em que pese a argumentação do Contribuinte, já é posição consolidada nos tribunais administrativos o entendimento de que a arguição de inconstitucionalidade de lei não deve ser objeto de apreciação nesta esfera, a menos que já exista manifestação do Supremo Tribunal Federal, uniformizando a matéria questionada. No Processo Administrativo Federal tal matéria já foi consolidado através da Súmula do CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A referida Súmula decorreu das reiteradas decisões da presente Corte administrativa, com base no parágrafo único do art. 4º do Decreto nº. 2.346/97: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O fundamento constitucional está na atribuição, com exclusividade, conferida pela Constitucional da República ao STF de guarda da Constituição, através dos controles concentrado e difuso previstos no art. 102 da CRFB/88: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (...) III julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. Na criação do controle difuso da constitucionalidade das leis a Carta Magna, no Capítulo pertinente ao Poder Judiciário, estabelece através do art. 97, a reserva de plenário para matéria constitucional, possibilitando, assim, a apreciação, pelos demais órgãos judiciais (outros que não o STF) a matéria constitucional. Dispositivo semelhante não se encontra seja no capítulo pertinente ao Poder Executivo seja no Capítulo pertinente à Administração Publica: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Neste diapasão resta esclarecido que o controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Desta feita, não se conhece as alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Contribuinte. Isso posto, diante da atividade plenamente vinculada a qual está jungida a Administração Tributária, seja quanto a cobrança do tributo (art. 3º do Código Tributário Nacional CTN), seja quanto ao procedimento de lançamento do fato gerador (art. 142 do CTN), é poder dever da presente Corte Administrativa aplicar a legislação vigente ao tempo do fato gerador sob pena de responsabilidade funcional. Por decorrência, a Autoridade Tributária não só pode, como deve, com base no art. 6º da LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001078/200895 Acórdão n.º 2201002.527 S2C2T1 Fl. 5 7 Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento foi procedida dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC 105/01encontrase vigente e eficaz. Cabe apenas destacar que atualmente a matéria está em sede de recurso repetitivo no STF no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Uma vez que até o presente momento o Contribuinte não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, mantémse a autuação na forma do art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 18088.000164/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
É de se descartar a nulidade do lançamento quando não restar comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, uma vez tendo sido garantidos ao autuado; a) o conhecimento de todos os fundamentos de fato e de direito da autuação e de todos os atos processuais e b) seu direito de reação e resposta.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte
DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, art. 44, da Lei nº 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2101-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, a fim de a) excluir, dos montantes tributados a título de omissão de rendimentos, os valores de R$ 31.786,32 para o ano-calendário de 2003 e R$ 56.769,76 e R$ 500,00 para o ano-calendário de 2004, uma vez que declarados como rendimento pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual;. b) Reduzir o percentual da multa de ofício aplicável, de 150% para 75%; uma vez não caracterizado o evidente intuito de fraude pelo autuado.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), Mara Eugênia Buonanno Caramico e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se descartar a nulidade do lançamento quando não restar comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, uma vez tendo sido garantidos ao autuado; a) o conhecimento de todos os fundamentos de fato e de direito da autuação e de todos os atos processuais e b) seu direito de reação e resposta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, art. 44, da Lei nº 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 64 /2 00 8- 45 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 633 2 contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, a fim de a) excluir, dos montantes tributados a título de omissão de rendimentos, os valores de R$ 31.786,32 para o anocalendário de 2003 e R$ 56.769,76 e R$ 500,00 para o anocalendário de 2004, uma vez que declarados como rendimento pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual;. b) Reduzir o percentual da multa de ofício aplicável, de 150% para 75%; uma vez não caracterizado o evidente intuito de fraude pelo autuado. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), Mara Eugênia Buonanno Caramico e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 2.723.906,62, decorrente de omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, para os anoscalendário de 2003 e 2004. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 634 3 A propósito dos referidos depósitos, verificase que, em sede de ação fiscal, o contribuinte foi inicialmente regularmente intimado a apresentar relação e extratos de contas correntes, de poupança e de investimentos (contendo bancos, agências e número da conta) mantidas no período de janeiro/2003 a dezembro/2004 (vide fls. 15 e 16), tendo regularmente cumprido a intimação, na forma de fls. 21 a 135. A seguir, o contribuinte foi instado a comprovar a origem de valores creditados em sua corrente, na forma de termo de fls. 136 a 161, tendo, após solicitação de prorrogação de fls. 162, respondido que (vide fls. 165/166): “1 – Como cediço tratase de pessoa física, que, portanto, não possui e tampouco lhe é exigido à confecção de livro caixa; 2 Que a análise dos depósitos relacionados evidencia que os mesmos foram efetuados por meio de cheques, fato esse que torna impossível a circularização dos mesmos, pelo simples fato de que foram cártulas recebidas e não emitidas, bem como porque junto a instituição bancária apenas seria possível a expedição de cópias dos depósitos havidos, que também seria desnecessário, uma vez que já dispostos nos extratos apresentados; 2.1 Destacase que foram realizadas amplas buscas a fim de que fossem encontrados eventuais anotações e controles sobre os depósitos, inclusive junto ao banco, que infelizmente não lograram êxito; 3 Que o conceito jurídico disposto no artigo 43, da Lei Federal 5.172/66, traz em seu bojo o conceito jurídico legal de renda, não sendo admissível e tampouco aceitável a ilação disposta na intimação de que os depósitos serão considerados renda, mormente, porque a receita bruta não é juridicamente renda; 4 Que foram entregues informações anteriores e em nenhum momento foi embaraçada a fiscalização.” Na forma de termo de verificação de fl. 13, verificase ter a autoridade fiscal considerado que: “Apesar das alegações, o contribuinte não carreou aos autos nenhuma comprovação dos fatos alegados. Simples ilações não são provas robustas e idôneas para justificar a movimentação financeira de mais de "30" vezes seus rendimentos declarados à Receita Federal.”, tendo assim promovido a autuação por não oferecimento a tributação dos valores evidenciados na planilha denominada "ANEXO DO TERMO DE INTIMAÇÃO” (fls. 137 a 161), aplicando ainda a multa qualificada de 150%, por entender caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que o contribuinte omitiu rendimentos da declaração, em 02 (anos) anos do período fiscalizado. Inicialmente, insurgiuse o contribuinte contra o auto de infração através de impugnação de fls. 209 a 257, a qual foi julgada improcedente, na forma do Acórdão no 17 28.816, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (fls. 397 a 411). Inconformado com a decisão de 1a. instância, protocolizou o autuado Recurso de fls. 419 a 466, tendo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais optado, quando da análise do mencionado recurso, por anular a decisão de 1a, instância inicialmente proferida, na forma do Acórdão CARF no. 2.10201.620, de lavra da 2a. Turma Ordinária desta 1a. Cãmara, na forma de ementa, decisão e voto condutor abaizo (efls. 501 a 508): Ementa/Decisão ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 635 4 A ausência de fundamentos que confrontem as alegações específicas de erros na composição da base de cálculo da autuação o apresentadas pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Princípio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, para que outra seja proferida, apreciando todos os argumentos do impugnante. Voto vencedor (...) Está claro que merece reparo a decisão recorrida, que não apreciou a impugnação do contribuinte, como se explica a seguir. Verificase que a contribuinte contestou em sede de impugnação, apontando erros de valores que teriam sido transportados equivocadamente e erros de cálculo. O impugnante elaborou planilhas copiadas na impugnação e juntou vários extratos bancários. Vejamos especialmente os itens da impugnação: Fls. 212: 1 Do erro na apuração de cheques devolvidos e estornados nas contas bancárias do impugnante. (...) Contudo, era de se esperar que o Auditor Fiscal procedesse a análise criteriosa e promovesse simples operação matemática de soma dos cheques depositados e estorno ocorridos. Entretanto, como de depreende da planilha abaixo, os valores apresentados pelo Auditor não refletem a realidade dos fatos ocorridos. Fls. 214: 2 Do erro na análise dos extratos bancários gerando elevação indevida na apuração de valores depositados em conta corrente. (...) O Banco do Brasil, ao emitir os extratos dos meses de OUTUBRO/2003, NOVEMBRO/2003, JANEIRO/2004, MAIO/2004, JUNHO/2004, AGOSTO/2004 E OUTUBRO/ 2004, acabou por demonstrar os depósitos ocorridos e BLOQUEADOS e os depósitos LIBERADOS, que são exatamente a mesma operação. Fls. 217: 5 — Erro na apuração dos valores efetivos de depósito pelo critério legal disposto no artigo 43, CTN. (..) A planilha abaixo demonstra que os valores de depósito, segundo a critério legal do artigo 43 do Código Tributário Fl. 635DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 636 5 Nacional diverge do montante irreal apresentado pelo agente fiscal no auto de infração. Fls. 218: 6 Do erro ocorrido consistente em desprezar as declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte. (...) O agente fiscal não promoveu como deveria fazêlo, ao abatimento da renda já lançada, declarada e tributada em suas declarações de imposto de renda do período fiscalizado. Os extratos juntados constam às fls. 275 a 393. A decisão da Delegacia de Julgamento, fls. 397 a 412 foi absolutamente formalista, ancorandose simplesmente em aspectos da viabilidade legal sem adentrar em nenhum dos pontos acima elencados. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos carreados na impugnação, no sentido de refutar o procedimento fiscal, sejam descaracterizados pela autoridade julgadora para a manutenção do lançamento. Dessa forma, obrigatoriamente a decisão recorrida deveria ter apreciado tal pleito, não podendo se ancorar em formalidades legais em dissonância com a real pretensão deduzida pelo contribuinte na impugnação, sempre lembrando que o processo administrativo fiscal é um processo vocacionado à busca da verdade real. Por tudo, a decisão recorrida incorreu em claro cerceamento do direito de defesa do impugnante, devendo ser anulada, para que outra ser proferida, apreciando o todos argumentos do pedido do contribuinte em sua impugnação (...)” Prolatado, então, a seguir novo Acórdão DRJ, de no 1642.370, de 05 de dezembro de 2012 (efls. 531 a 550 e planilhas de efls. 518 a 530), julgando novamente o lançamento integralmente procedente. Cientificado do mesmo em 19/12/12 (AR efls. 554), protocoliza o contribuinte em 18/01/2013 (efls. 556) novo Recurso Voluntário, de efls. 584 a 603 e 606 a 626, onde reproduz exatamente os mesmos argumentos do Recurso de fls. 419 a 466, adotandose assim aqui, para fins de brevidade, o teor do Relatório do Acórdão CARF 2.102 01.620, que resume, assim, exatamente também a síntese do novo Recurso aqui sob análise: “(...) DA DECISÃO RECORRIDA. Ab initio era de se esperar que diante da demonstração clara a respeito dos inúmeros erros técnicos promovidos nas apurações efetuadas pelo auditor fiscal a turma de julgamento procedesse a uma análise criteriosa, ampla e exaustiva. Lamentavelmente a postura da turma julgadora ficou restrita apenas a tergiversar acerca de todos os pontos aduzidos na Fl. 636DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 637 6 impugnação e a transcrever artigos da legislação em vigência como se apenas tal ato pudesse aferir validade e veracidade a atecnia resultante da fiscalização. II. Deveria o Sr. Auditor Fiscal ter analisado as planilhas apresentadas, verificado a inconsistência da base presumida que estava a utilizar. O caminho assumido foi o da desídia e o desprezo a verdade documental dos autos. Novamente fazse mister remeterse as inúmeras planilhas e demonstrativos exaustivos encetados na impugnação efetuados com base nos documentos constantes dos autos, que induz inapelavelmente a conclusão que o ônus da impugnação específica foi atendido em sua integralidade. É curioso imaginar outra forma de identificação das imprecisões e inconsistências, posto que as planilhas e os documentos que deram origem aos apontamentos foram trazidos aos autos em toda sua extensão e profundidade. Bastaria a turma julgadora ter demonstrado procedido análise técnica criteriosa, pois se assim o tivessem feito não teriam tergiversado a respeito de pontos fulcrais A conclusão de que não se analisou com critério e acuidade indispensável a defesa apresentada é inafastável, posto que verificase uma profusão de reproduções de textos legais, sem existir um real enfrentamento dos pontos descritos na impugnação. Absolutamente não é dessa forma que um processo administrativo deve ser analisado. IV. Nesse contexto fazse mister repisar os argumentos jurídicos já trazidos em sede de impugnação, a fim de demonstrar com propriedade as assertivas relacionadas a nulidade do auto de infração levado a efeito e corolariamente a integral reforma da decisão exarada no acórdão guerreado. V. DOS ERROS OCORRIDOS NA FASE DE APURAÇÃO DE VALOR PASSÍVEIS DE TRIBUTAÇÃO PELO IRPF. INOBSERVÂNCIA DE CRITÉRIOS TÉCNICOS. Discorre sobre os seguintes erros: 1. Do erro na apuração de cheques devolvidos e estornados nas contas bancárias do Recorrente. 2. Do erro na análise dos extratos bancários gerando elevação indevida na apuração de valores depositados em conta corrente. 3. Do erro da apuração dos valores mediante desconsideração de despesas expressas lançados nos extratos apresentados pelo contribuinte. 4. Erro decorrente da não consideração de valores recolhidos mensalmente a titulo de CPMF na apuração do montante. 5. Erro na apuração dos valores efetivos de depósito pelo critério legal disposto no artigo 43, CTN. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 638 7 6. Do erro ocorrido consistente em desprezar as declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte. VI. DO MÉTODO UTILIZADO PELO SR. FISCAL PARA PROCEDER O LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. No caso em tela o Sr. Fiscal não se preocupou nessa fase de AVALIAÇÃO QUALITATIVA em demonstrar a ocorrência do Fato Jurídico Tributário, pois, o mesmo limitouse a identificar os valores depositados em contacorrente da Recorrente, como se isso fosse suficiente para caracterizar o nascimento da obrigação tributária. Da maneira como foi lançado o tributo, não restou comprovado se houve a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda entendida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda, pois, trabalhando apenas com os valores creditado em contacorrente não é possível aferir se elas representam ou não renda ou proventos de qualquer natureza para fins tributários. VII. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCARIA PARA REALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DO IRPF. Se os Egrégios Tribunais já enfrentaram a questão e decidiram que os extratos e depósitos bancários não se prestam ao lançamento do imposto de renda arbitrado, como conceber que a Autoridade Administrativa, com fulcro em norma írrita, pretenda promover eventuais lançamentos tendo como parâmetros apenas a movimentação bancária, ou sejam, extratos e depósitos bancários? É evidente que o Fisco Federal, na sanha da cada vez mais auferir receitas tributárias, despreza até mesmo os limites objetivos traçados pela Súmula 182 do TFR. VIII. Apresenta argumentos e jurisprudência para desconstituir o lançamento com base em depósitos bancários discorrendo sobre O ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL DO IRPF – ADIÇÃO PATRIMONIAL; DA INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR PRESUMIDO; DA AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO (FATO GERADOR); Conceito de Renda não está à disposição do legislador infraconstitucional; IX. DA MULTA FISCAL (CONFISCO QUEBRA DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA). A multa aplicada fere os Princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, Vedação ao Confisco e Principio da Capacidade Contributiva. Encaminhamse, assim os autos para apreciação desta turma julgadora. É o relatório. Voto Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 639 8 Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR , Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, em especial quanto ao limite de alçada, motivo pelo qual dele conheço. a) Preliminarmente: Quanto ao cerceamento do direito de defesa e eventual nulidade do lançamento. Verifico que, na forma de do voto condutor do Acórdão Recorrido, foi, desta feita, realizada análise detalhada, pela autoridade julgadora competente, acerca dos erros levantados pelo contribuinte em sede de impugnação, com base em planilhas e documentos, não havendo, agora, que se falar em cerceamento de direito de defesa em sede da decisão recorrida. Ainda, acedo às argumentações do recorrido, no que diz respeito à inocorrência de outras hipóteses de nulidade ou de cerceamento de direito de defesa no âmbito do presente feito, adotando aqui as razões de decidir do mesmo, verbis: “(...) Considerando que os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração, não há que se falar em nulidade do lançamento. No tocante aos aspectos relativos a nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Da leitura dos dispositivos legais anteriormente transcritos, depreendese que somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para efetuar o lançamento, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal, conforme designação pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.22.002008000661. Examinandose os autos, verificase que os fatos que deram suporte ao lançamento estão adequadamente descritos, tendo sido mencionados os procedimentos realizados pela fiscalização durante o curso da ação fiscal, a irregularidade apurada, a Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 640 9 fundamentação legal a ela dada e a demonstração da reconstituição da base de cálculo do imposto. Observase, também, que o auto de infração está acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o lançamento atende a todos os requisitos legais, não existindo qualquer violação ao princípio da legalidade. O autuado, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendolhe sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Além disso, após cientificado do lançamento em referência, o interessado teve 30 (trinta) dias para apresentar sua impugnação e anexar aos autos todas as provas que julgasse relevantes para elidir a exigência. Na peça impugnatória, fica evidenciado que o lançamento foi perfeitamente assimilado pelo litigante, que demonstrou pleno conhecimento das infrações apontadas ao contrapôlas pormenorizadamente com suas alegações, não se constatando em sua impugnação qualquer dificuldade para o exercício do seu direito de defesa. Nenhum procedimento administrativo dificultou ou o impediu de apresentar sua impugnação e comprovar suas alegações, não tendo sido violado qualquer direito assegurado pela Constituição Federal. Nesse diapasão, vale transcrever ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes que corrobora o entendimento aqui exposto: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais e o seu direito de resposta ou de reação se encontram plenamente assegurados.”(Acórdão nº 10416357 de 03/06/1998) (...)”. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade do auto de infração, bem como da decisão guerreada ou de quaisquer atos processuais outros por preterição do direito de defesa, uma vez que: a) O interessado teve oportunidade de apresentar, no curso do procedimento fiscal (e mesmo na fase impugnatória), todos os documentos, informações e esclarecimentos capazes de influenciar a convicção da autoridade julgadora, admitidas, inclusive, na fase impugnatória, todas as provas produzidas pelo contribuinte, nos termos facultados pelo artigo 16, inciso III, e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e alterações introduzidas pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 641 10 b) O contribuinte conheceu plenamente das acusações que lhe foram imputadas, constatada, ainda a existência da devida fundamentação legal (fundamentos de direito), a partir do conjunto probatório carreados aos feitos (fundamentos de fato), rebatendo as, bem como da totalidade dos atos processuais e tendo lhe sido assegurado também, acerca de cada um destes, o direito de reação ou defesa. Foram, ainda, também, na nova decisão emanada da DRJ, devidamente analisados todos os elementos anexados em sede de impugnação e recursal pelo contribuinte. Caracterizado assim, o pleno respeito ao contraditório e ampla defesa, considerandose e descartandose também a ocorrência de qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do mesmo Decreto 70.235, de 1972, e, assim AFASTO a preliminar de nulidade do auto em questão. Passo, assim, à análise do mérito. b) Quanto ao mérito: b.1) Quanto aos erros levantados pelo contribuinte na fase de apuração da base de cálculo do IRPF. b.1.1) Quantos aos valores de cheques devolvidos e estornados considerados pelo Auditor Fiscal: Foram aqui validados, através dos extratos de efls. 21 a 135 e anexo de fls. 137 a 161, os montantes constantes da coluna Devol. Cheques (Voto) de quadros de efls. 543 e 544, sem divergências, desconstituindose, assim, a hipótese de haver os erros apontados pela recorrente, nesta seara, no vergastado. Notese que a sistemática utilizada pela autoridade lançadora de só considerar os cheques devolvidos e estornos superiores a R$ 200,00, não gera qualquer efeito no auto de infração, uma vez que também no que tange a créditos objeto de tributação se fez tal “corte”, não havendo que se falar em estorno de valores que não entraram no cômputo da base presumida (vide fls. 137 a 161, onde não se constata a existência de qualquer valor de crédito inferior a R$ 200,00). Assim, não há reparo a se fazer ao auto quanto aos valores de cheques devolvidos e estornados considerados, ressalvada também aqui a impossibilidade de reformatio in pejus, pelo fato dos valores apurados no auto passíveis de estorno serem superiores aos considerados pelo recorrido, aqui validados (R$ 311.862,74 vs. R$ 302.158,99). b.1.2) Quanto à duplicidade de valores a título de valores bloqueados e declarados para os meses de outubro/2003, novembro/2003, janeiro/2004, maio/2004, junho/2004, agosto/2004 e outubro/2004. Da análise da planilha de efl. 530, também aqui devidamente validada, através de extratos de fls. 21 a 135 e anexo de fls. 137 a 161, concluise que, para os meses questionados, excetuado o mês de janeiro de 2004, não houve, em nenhum momento, tributação dos valores quando de seu crédito em conta bloqueado, mas tão somente quando do seu desbloqueio (vide código 631 nos extratos). Para o mês de janeiro de 2004, o lapso ocorrido ao listar os depósitos bloqueados de 02/01/2004, nos valores de R$ 8.239,50 e R$ 7.537,80, como depósitos liberados terminou por favorecer ao contribuinte, uma vez que não computada, posteriormente, Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 642 11 dentro do mesmo mês, a liberação destes e de outros depósitos, ocorrida em 05/01/2004, no valor de R$ 32.515,46, vedada também aqui a reformatio in pejus. Notese que nos meses de novembro de 2003, maio e julho de 2004, ocorreu de valores desbloqueados não serem considerados como parte da base presumida por parte da fiscalização, favorecendo, também assim o contribuinte. Assim, também rejeito a argumentação da recorrente nesta seara. b.1.2) Quanto à não consideração de valores a título de transferências de conta corrente/aplicações e resgates, pagamentos efetuados a título de energia elétrica e empréstimo e valores pagos a título de CPMF Anexa, então o contribuinte, planilhas onde tenta demonstrar que deveriam ser abatidos da base presumida: a) Valores debitados em contacorrente, referentes à aplicações/transferências realizadas da conta corrente à conta de poupança (R$ 10.000,00, em 03/01/2003, R$ 20.000,00 em 30/06/2003 e R$ 20.000,00 em 18/07/2003) e a fundos de investimento (R$ 30.000,00 em 20/01/2004 e R$ 60.000,00 em 05/02/2004). Não se localizou, no extrato de efls. 46 a 50 qualquer valor adicional transferido para a conta de poupança em junho de 2003 que, quando considerado, totalizasse os R$ 30.000,00 alegados pelo contribuinte. b) Valores debitados em seus extratos mensais a título de pagamentos de impostos, de energia elétrica, de empréstimos, e de valores devidos a título de CPMF (vide colunas de títulos “Pgto. Impostos “, “Energia Elétrica” e “Empréstimos” do item 3 de efl. 592 e item 4 de efl. 593). c) Valores creditados oriundos de saques de poupança, no valor de R$ 10.000,00 (data de 25/04/2003), de Resgate de Título de Capitalização Ourocap (R$426,72 em 09/05/2003) e “TED devolvida” (R$ 24.800,00 em 19/08/2003): Em linha com o recorrido, entendo que, quando da utilização da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, quando combinado com o art. 4o da Lei no. 9.481, de 13 de agosto de 1997, só é de se admitir a exclusão: a) dos créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; b) no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, dos créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Rejeitase assim, a possibilidade de dedução dos itens “a” e “b” supracitados quando da utilização da presunção supra, uma vez que se tratam de valores a débito da contacorrente sob análise. Quanto ao item “c”, verifico que os valores ali mencionados não foram objeto de tributação (vide fls. 140, 141 e 144/145), não havendo que se falar em exclusão dos referidos valores. b.1.3) Erro na apuração dos valores efetivos de depósito. Entende o recorrente que, segundo o art. 43, do CTN, que os saldos líquidos de contacorrente ao final de determinado mês (reproduzidos em tabela neste item recursal) deveriam ser os valores tributados como depósitos efetivos, posicionamento que não possui qualquer suporte quando da utilização da presunção legal disposta no art. 42 da Lei no 9.430, Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 643 12 de 1996, e nem mesmo guarda qualquer relação com o conceito de rendimentos auferidos em determinado mês, o qual não se confunde com o conceito de saldo patrimonial ao final de determinado mês, como parece querer alegar o contribuinte. A omissão de rendimentos presumida na forma da lei é composta de créditos realizados em conta corrente, e não de saldos. Assim, quanto à argumentação contida neste item, também nenhum reparo a ser feito a vergastado. b.1.4) Quanto ao erro de desprezar as declarações de ajuste anual do contribuinte: Finalmente, alega o recorrente que deveria ser abatida a renda tributável declarada pelo fiscalizado em suas declarações de ajuste anual. Entendo, nesta seara, assistir razão ao recorrente, em linha com posicionamento majoritário deste CARF acerca do tema. Reproduzo a propósito excerto do brilhante voto de lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no âmbito do Acórdão no 10617.117, exarado pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e que representa de forma fidedigna meu posicionamento acerca do tema, e que, assim, adoto como razões de decidir, verbis: “(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231) (...)” Assim, entendo que devam ser excluídos dos montantes tributados a título de omissão de receita, resumidos à fl. 196, os valores de R$ 31.786,32 para o anocalendário de Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 644 13 2003 (Declaração de fls. 197 a 199) e R$ 56.769,76 e R$ 500,00 para o anocalendário de 2004 (Declaração de fls. 202 a 204), uma vez que declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual. b.2) Quanto à possibilidade de tributação com fulcro nos depósitos em contacorrente, da necessidade de ocorrência de acréscimo patrimonial e violação ao art. 43 do CTN e a preceitos constitucionais. Passa, então, o contribuinte a discorrer extensamente, acerca dos seguintes pontos: b.2.1) Necessidade de correta VALORAÇÃO QUALITATIVA verificação da ocorrência do Fato Jurídico Tributário (Fato Gerador) e VALORAÇÃO QUANTITATIVA identificação da real mensuração do imposto devido, para fins de legalidade do processo de constituição do crédito tributário. Aqui, alega que a autoridade lançadora desenvolveu tal avaliação qualitativa com base apenas no rol de depósitos existentes na conta corrente do Impugnante, sendo que, para fins de Imposto de Renda, exigiria o art. 43, incisos I e II, da Lei ni 5.172, de 1966 (CTN), a concreta aferição de disponibilidade econômicofinanceira como marco determinante autorizativo do lançamento tributário, defendendo o recorrente a necessidade de acréscimo patrimonial para fins de caracterização, assim, da ocorrência do fato gerador na situação sob análise. b.2.2) Entende, assim, que o lançamento por presunção apenas é admissível quando o perfil do tributo possibilitar sua aplicabilidade, ou seja, no caso de tributos cujo critério material contempla receita bruta. Propugna necessário que sejam, para fins de apuração do IR devido, cotejados não apenas o ingresso de numerários mas também sua saída e o saldo daí advindo, ou seja, a adição patrimonial, que deve ser comprovada em sede do referido tributo para fins de caracterização da ocorrência do fato jurídico tributário e sem a qual também não se pode falar da existência de renda e proventos de qualquer natureza. b.2.3) Alega a aplicabilidade da Súmula TFR 182 ao caso em questão, que estabeleceria a impossibilidade de lançamento arbitrado com base em extratos bancários e da necessidade à observância do princípio da verdade material e da ampla defesa, vedada, assim a tributação por presunção, ou seja a ocorrência de fato gerador presumido, entendendo que os preceitos legais consignados no Auto de Infração padecem nitidamente de vício de origem e falta de respaldo constitucional, alegando aqui violação a dispositivos constitucionais diversos. b.2.4) Insurgese, ainda contra a inversão do ônus da prova no caso em questão e ressalta a impossibilidade de aplicação do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, por não estar o conceito de renda disponível ao legislador infraconstitucional. Por fim, colaciona vasta doutrina e jurisprudência administrativa que sustentaria seu posicionamento, cabendo observar, desde já, quanto a esta última, que a mesma não vincula este Colegiado, por não se tratar, ali, de matérias sumuladas ou de normas complementares da legislação tributária na forma do art. 100, II do CTN. Ainda, quanto à tal nãovinculação, o mesmo pode se dizer com relação aos demais precedentes judiciais colacionados na peça do contribuinte, também não vinculantes dado que não julgados na forma dos arts. 543B ou 543C do Código de Processo Civil Analiso. Verifico, quanto a tais itens, que o recorrido muito apropriadamente discorreu sobre os temas supra, em argumentação que também reflete, de forma perfeita, o meu Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 645 14 entendimento acerca do regramento das matérias argüidas, com fulcro no histórico da legislação aplicável à hipótese em questão. Uso, assim, de excerto daquele vergastado (efls. 538 a 542 e 546) como razões de decidir no âmbito do presente voto, in verbis: “ (...) Oportuno se faz um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei n° 8.021, de 12/04/1990, que assim dispunha em seu art. 6º e parágrafo: “Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. §6º Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte.” À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 646 15 1990, com a edição da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, no art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Diz o referido texto legal, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 647 16 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não lograsse comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando a necessidade de demonstrar os sinais exteriores de riqueza requeridos pela Lei nº 8.021/1990. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Portanto, não se trata de considerar os depósitos bancários como fato gerador do imposto de renda, que se traduz na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN); mas a desproporcionalidade entre o seu valor e o dos rendimentos declarados constitui indício de omissão de rendimentos. Desta forma, não logrando, o titular, comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte (g.n.). Verificase, então, que a lei, ao prever a hipótese de incidência, não estabeleceu o requisito de se comprovar que aos depósitos correspondem alterações patrimoniais positivas do contribuinte. Basta, para a ocorrência do fato gerador, a existência de depósitos de origem não comprovada. Há nesse caso, portanto, a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável.. Assim, ao impugnante cabe refutar a presunção contida na lei, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 648 17 No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Observese que a existência de depósitos bancários em nome do contribuinte representa, inicialmente, um indício de que tais depósitos se realizaram a partir de rendimentos deste mesmo contribuinte, merecendo investigação mais apurada. E nesse ponto, o contribuinte deve ser ouvido, para indicar a origem desses depósitos. Mas não se trata de simplesmente prestar a informação, pois a lei é bastante clara ao exigir que o contribuinte comprove a origem dos recursos. E esta não comprovação, tem o poder de transformar os depósitos, que eram meros indícios, em meios de prova em favor do Fisco. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos do real beneficiário dos depósitos bancários e intimálo, como o titular das contas bancárias, a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Por comprovação de origem, entendese a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidência de datas e valores, não cabendo a “comprovação” feita de forma genérica fundada em meras alegações e indícios indiretos. Nesse sentido, em observância estrita às normas legais pertinentes, a autoridade fiscal, após analisar os elementos contidos nos extratos bancários, intimou o contribuinte, conforme atesta o Termo de Intimação de fls. 144/169, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias. Entretanto, o contribuinte não carreou aos autos nenhum documento que demonstrasse a origem dos depósitos efetuados, que foram considerados como rendimentos omitidos, com Fl. 648DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 649 18 fundamento no disposto no art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96. Resta evidente, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um crédito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. Neste sentido, a tributação por omissão de rendimentos decorrente de uma presunção legal se insere perfeitamente no conceito legal de fato gerador a que se refere o art. 43 do CTN, uma vez que vem no sentido de reforçar o fato de que o sujeito passivo adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica dos valores creditados em contas correntes bancárias por ele mantidas. É indispensável esclarecer que a Súmula nº 182 do antigo TFR, citada pelo contribuinte, referese a um momento histórico distinto, onde não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários. Ocorre, entretanto, que a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, o disposto na Súmula nº 182 está superado, não se aplicando ao presente caso, uma vez que anterior à Lei nº 9.430/96. Ademais disso, a questão já está pacificada no âmbito do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se observa na Súmula a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, improfícua a jurisprudência trazida pelo contribuinte, porque relativa a lançamentos respaldados em leis anteriores à edição da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. (...) Refutase, ainda, a argumentação do interessado de que deveriam ser cotejados, não apenas o ingresso de numerários, mas também a sua saída e o saldo daí advindo, ou seja, a adição patrimonial. Diferentemente do que pretende fazer crer o interessado, não houve, no presente caso, a tributação por acréscimo patrimonial não justificado, mas, sim, por depósitos Fl. 649DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 650 19 bancários, para os quais não foi devidamente comprovada a origem dos recursos. A legislação prevê as duas infrações: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto (arts. 55, XIII, e 807, do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) e omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada (art. 849 do RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 42 da Lei nº 9.430/1996). Tratase de infrações distintas, previstas em dispositivos legais distintos, com sistemáticas de apuração também distintas. Se na primeira deve verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); na segunda, que é a hipótese de que aqui se trata, basta que se demonstre a existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Nada além disso. (...)” A propósito, concluo, com fulcro nas considerações acima que o contribuinte tenta, em seu extenso arrazoado, se insurgir contra a escorreita aplicação, pela autoridade fiscal, em plena observância ao princípio da legalidade e moralidade e ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, de dispositivo legal vigente (a saber, o art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996), dispositivo este que permite, de forma cabal, a aplicação da presunção de ocorrência de omissão de rendimentos, assim, com reflexo no cálculo da base imponível, prevista no art. 43 do CTN, sempre que não houver comprovação através de documentação hábil e idônea de valores creditados na contacorrente de contribuinte sob ação fiscal, o que, se verifica ser a hipótese para todos os depósitos listados às fls. 137 a 161, objeto de tributação no âmbito do presente lançamento. Tudo em plena observância ao princípio da verdade material, a partir dos extratos carreados ao feito e do comando emanado pelo legislador tributário com plena observância ao devido rito de produção legislativa, tendo sido plenamente garantida ao contribuinte, no âmbito processual, a ampla defesa quanto à infração que lhe foi imputada, conforme já anteriormente mencionado no presente voto. Ainda, ressalto, por fim, que é de se notar que não cabe a este CARF tecer qualquer consideração acerca de eventuais inconstitucionalidades explícitas ou implícitas, argüidas pelo contribuinte, de forma a tentar afastar a aplicabilidade do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, consoante regrado na forma da Súmula CARF no 02 e art. 62, caput, da Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portaria MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 650DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 651 20 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, nenhum reparo a fazer à decisão recorrida também neste item. b.3) Multa de Ofício Insurgese, por fim, o recorrente, contra a multa de ofício aplicada que, em seu entendimento, possuiria caráter confiscatório, violaria os princípios da proporcionalidade e razoabilidade e da capacidade contributiva, não sendo, destarte, aplicável ao caso em questão, uma vez que o contribuinte não teria embaraçado a fiscalização, tendo apresentado todos os extratos bancários de maneira espontânea. Ainda que note não haver relação direta do dispositivo legal que rege a multa aplicada em questão com o instituto do embaraço à fiscalização, e ressaltando, uma vez mais, a impossibilidade de apreciação deste CARF de inconstitucionalidades em dispositivos legais vigentes, verifico que não foram trazidos aos autos, pela autoridade lançadora, elementos probatórios ou indícios outros que comprovem a ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502, de 1964, tendo a autoridade julgadora de 1a. instância mantido a qualificação da multa de ofício (ou seja, sua aplicação no patamar de 150%) com base em duas considerações fundamentais: a) o elevado montante de rendimentos tributáveis omitido frente ao montante de rendimentos declarados; b) A reiteração de conduta do contribuinte por dois anoscalendário. A propósito, em linha com entendimento amplamente esposado neste Colegiado e também na Câmara Superior de Recursos Fiscais, rejeito tal posicionamento expresso no recorrido, por entender que, ao se tratar de qualificação da multa, é necessário estar caracterizado o evidente intuito de fraude pelo contribuinte, na forma da Súmula CARF no. 14, consoante muito bem detalhado no voto de lavra do relator, Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, no âmbito do Recurso 2.10100.291, exarado por este mesmo Colegiado em 18 de setembro de 2013, in verbis: “ (...) Sobre a questão este Egrégio Colegiado em recentes decisões vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada e/ou em razão do volume da movimentação bancária do contribuinte, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei nº 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários Fl. 651DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 652 21 em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo nº 12571.000050/200786 – Acórdão nº 920201.742–2ª Turma – Sessão de 27/09/2011 – Relator: Marcelo Oliveira)” Destarte, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. Vejo que a referida autoridade não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente a sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta do autuado por 02 (dois) anos consecutivos, ou mesmo o montante elevado da omissão. Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Derradeiramente, quanto à alegação da natureza confiscatória e da violação a outros princípios constitucionais explícitos (capacidade contributiva), agora quando da aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, entendese que, na forma da mesma Súmula CARF nº 02, não é este Colegiado competente para apreciação da matéria. Por fim, é de se ressaltar inexistir qualquer violação aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade ao se aplicar multa no patamar legalmente estabelecido, diante da inequívoca caracterização de sua hipótese de incidência (como no caso), não cabendo a este Conselho negar aplicação a dispositivo legal vigente e não sendo este o foro adequado para se tentar afastar do ordenamento dispositivos legais emitidos consoante o regular processo legislativo, sejam estes de caráter punitivo ou não. Assim, neste quesito voto pela redução do percentual da multa de ofício aplicável, de 150% para o patamar de 75%; uma vez não caracterizado o evidente intuito de fraude pelo autuado. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso do Contribuinte para: a) Excluir dos montantes tributados a título de omissão de rendimentos os valores de R$ 31.786,32 para o anocalendário de 2003 (Declaração de fls. 197 a 199) e R$ Fl. 652DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 2101002.598 S2C1T1 Fl. 653 22 56.769,76 e R$ 500,00 para o anocalendário de 2004 (Declaração de fls. 202 a 204), uma vez que declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual. b) Reduzir o percentual da multa de ofício aplicável, de 150% para 75%, uma vez não caracterizado o evidente intuito de fraude pelo autuado. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 653DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.001839/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
Ementa:
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA EM UM ÚNICO ANO-CALENDÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DA INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não se pode admitir que, em sede de defesa, o contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. Ademais, o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância em que a infração foi apurada relativamente a um único ano-calendário.
Numero da decisão: 1301-001.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros, Carlos Augusto de Andrade Jenier, relator, Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto de Andrade Jenier
Relator
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA EM UM ÚNICO ANO CALENDÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DA INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não se pode admitir que, em sede de defesa, o contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. Ademais, o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância em que a infração foi apurada relativamente a um único anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros, Carlos Augusto de Andrade Jenier, relator, Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 39 /2 00 8- 59 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 811 2 Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 812 3 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/05/2008 (fls. 490, 498, 506, 514 e 522), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 467 a 473), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada; 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 475 a 481. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 90 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJSimples (fls. 490 a 493) com base nos artigos 186, 188 e 199 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2°, § 2°, 3°, § 1 0, alínea "a", 5°, 7°, § 1 0, e 18 da Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário calculado até 30/04/2008 no montante de R$267.502,81; 3.2. PIS (fls. 498 a 501) com base no artigo 3 0, alínea "h" da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1 0, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/04/2008, no montante de R$267.502,81; 3.3. CSLL (fls. 506 a 509) com base nos artigos 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2°, § 2°, 3°, § 1 0, alínea "c", 5°, 70, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/04/2008, no montante de R$411.542,87; Fl. 958DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 813 4 3.4. COFINS (fls. 514 a 517) com base nos artigos 1° e 2° Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2°, § 2°, 3°, § 10 , alínea "d", 5 0, 70, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/04/2008, no montante de R$823.085,76; e 3.5. Contribuição para a Seguridade Social — INSS (fls. 522 a 525) com base nos artigos 2°, § 2°, 3 0, § 1°, alínea "f', 5°, 7 0, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 30/04/2008, no montante de R$1.769.634,39. 4. O enquadramento legal da multa de oficio aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n°9.317/1996. 0 enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n°9.430/1996 (fls. 487, 495, 503, 511 e 519). 5. Irresignada com os lançamentos, em 26/06/2008, a autuada apresentou, representada por sócia administradora (fl. 536), a impugnação de fls. 531 a 536, instruída com os documentos de fls. 537 a 733, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. o arrolamento de bens efetuado fere os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal e do direito à propriedade, porque realizado antes do exaurimento da fase de defesa administrativa e, portanto, sem a presunção de legalidade e veracidade do crédito reclamado pelo Fisco, o que o torna ainda não constituído, conforme trecho transcrito de voto de ministro do Supremo Tribunal Federal; 5.2. três dos veículos arrolados não são mais de propriedade da impugnante, conforme cópias de documentos de fls. 543 e 544; 5.3. as inconsistências apuradas pela fiscalização eram totalmente desconhecidas por si, posto que simplesmente emitia as Notas Fiscais e pagava os impostos sem questionar conforme calculados pelo contador numa relação de confiança; 5.4. com a fiscalização tomou conhecimento de que houve erro na transcrição das notas fiscais no Livro Fiscal e conseqüente erro na memória de cálculo dos tributos recolhidos; 5.5. com a descoberta de tantos desacertos, contratou outro profissional da área que constatou que houve erro também na opção pelo Simples e na elaboração da Declaração Simplificada relativa ao anocalendário 2003, enquanto o correto seria lucro real ou lucro presumido; 5.6. a impugnante, que desconhecia totalmente estes erros e em demonstração de boa fé, pretende pagar as diferenças devidas, não de acordo com o auto fundado em alíquotas do Simples, mas nas corretas alíquotas baseadas no lucro real ou presumido; 5.7. sua ignorância e boafé são amplamente comprovadas pelo fato de que em momento algum embaraçou a fiscalização, mas apresentou os livros fiscais e contábeis da empresa, o ato constitutivo e suas alterações e até documentos que não eram obrigatórios, como por exemplo, os extratos bancários; Fl. 959DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 814 5 5.8. além disto, há créditos e depósitos bancários que são decorrentes de transferências de outras contas bancárias da própria empresa que não deverão ser considerados como omissão de receita, nos termos do inciso I do § 3 0 do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; 5.9. a tabela contida no item 1.3.1 do Termo de Verificação é frágil e eivada de erros, pois considera como receitas movimentações bancárias que não possuem este caráter, tais como resgate de capitalização, resgate de CDB, Saúde/Vida, empréstimos, além de transferências entre contas bancárias da própria impugnante; e 5.10. diante do exposto requer a não aplicabilidade dos valores constantes no auto de infração, a exclusão da multa de oficio, a liberação dos bens constantes do Termo de Arrolamento e autorização para: mudar a opção de tributação para o lucro presumido ou real, recalcular os tributos de acordo com as apurações de entrada e saída, retificar a DIPJ com base nestas alterações e entregar DCTF. Analisando os termos e fundamentos apresentados pela contribuinte em sua impugnação, entendeu então a douta 1a Turma da DRJ/SP1 pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, em acórdão assim então ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 815 6 As normas relativas ao imposto de renda devem ser na determinação e exigência dos créditos tributários devem ser aplicadas em conformidade com o Simples. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de oficio é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada a contribuinte, por ela foi então interposto o seu respectivo Recurso voluntário, pretendendo a reforma da decisão de primeira instância e, com isso, o reconhecimento da integral insubsistência do lançamento, nos termos ali então especificamente apresentados. Em rápida síntese, esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 816 7 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Trata, a discussão contida nos autos, de apontamento a respeito da existência de omissão de receitas praticada pela contribuinte em relação a todo o ano de 2003, decorrente da suposta ausência de contabilização de diversos ingressos identificados em sua conta corrente, que, assim considerados, deram azo então à lavratura do presente lançamento, com a indicação de todos os valores ali apurados como receita, importando na aplicação das disposições da Lei 9.317/96, especificamente em relação às disposições de seu art. 23, que, em seu parágrafo 3o assim então, inclusive, expressamente determinava: Art. 23: (...) § 3º A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do anocalendário, exceder ao limite a que se refere o inciso II do art. 2º, adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2º, 3º, inciso III ou IV, e § 4º, inciso III ou IV, todos do art. 5º, acrescidos de 20% (vinte por cento), observado o disposto em seu §1o. Inconformada com a decisão proferida na primeira instância, a contribuinte interpõe então, regularmente, o seu competente recurso voluntário, trazendo ao debate, assim, diversas considerações que, segundo entende, seriam suficientes para rechaçar por completo o lançamento efetivado. Analisando os termos apresentado no referido recurso, sem prejuízo de todos os demais elementos ali então especificamente considerados, relevante se faz o destaque específico a um tema já antes muito debatido neste Conselho, hoje, entretanto, perfeitamente já pacificado que, no caso, referese às conseqüências jurídicas próprias do reconhecimento da aplicação da chamada “Prática reiterada”, ressaltandose das disposições contidas no recurso analisado as seguintes e específicas razões: 32. Neste segundo.ponto, a Recorrente chama a atenção desta C. Turma Julgadora, inicialmente para a redação do inciso V do artigo 14 da lei em questão: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a" pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; (...)" 33. Em seguida, vejase a "análise da relação que a jurisprudência dos tribunais administrativos da Receita Federal têm traçado entre a conduta supostamente praticada pela Recorrente e o supracitado artigo: Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 817 8 EXCLUSÃO DO SIMPLES A fato de o contribuinte declarar, durante meses consecutivos, apenas parte de sua receita, configura infração reiterada, circunstância prevista no inciso V do art. 14 da Lei n". 9.316/96 como causa de exclusão do sistema. ACÓRDÃO 110200.107 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF la. Seção 2a. Turma da la. Câmara Decisão — . Processo 13411.000963/200536,j.06.11.2009) . 34. . Tirase, assim, do relato factual feito no Auto,de Infração como' configurada a hipótese do inciso V do artigo 14 da lei do Simples. 35. Por.fim, uma vez constatada a conduta considerada como infratora, e realizado seu enquadramento nas possibilidades previstas pela legislação vigente, não resta' alternativa à Fiscalização, se não a de aplicar a penalidade vinculada àquele tipo normativo. 36. No caso específico, à penalidade apropriada encontrase transcrita nos artigos 15 e 16 da Lei em análise: Art. 15. A exclusão'do SIMPLES, nas condições de que tratam os arts. 13 e 14, surtirá efeito: (...) V a partir, inclusive, DO MÊS DE OCORRÊNCIA DE QUALQUER DOS FATOS mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. (...) Art. 16°. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 37. Ao considerarmos que (i) a fiscalização afirma que a Recorrente teria infringido a lei de regência ao omitir rendimentos tributáveis; e que (ii) tal conduta é enquadrada no inciso V do artigo 14 da Lei n° 9.317/96; obrigatória se faria a penalização nos termos dos artigos supra transcritos. 38. Em outras palavras, a Fiscalização deveria ter determinado a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, surtindo seus efeitos a partir, inclusive, do mês de "ocorrência" da suposta infração, ou seja, durante o próprio ano corrente de 2003. 39. Como conseqüência da aplicação da lógica legal, a Recorrente deveria sujeitarse, também a partir do próprio ano de 2003 (período em que se processaram os efeitos da exclusão), "às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas." Pela análise que se faz do trecho destacado, considerando que a contribuinte, conforme apontado pela fiscalização, cometera, indubitavelmente, a infração reiterada de não incluir em sua contabilidade boa parte dos depósitos bancários apontados, verificase que, a rigor, configurada se mostra a hipótese legal do art. 14, inciso V da Lei 9.317/96, sendo, nessa linha, inafastável a verificação que a regular autuação seria feita, somente se, antes devidamente efetivada a sua exclusão de ofício, tratando todos os fatos apurados, portanto, a partir da aplicação da sistemática aplicável às demais pessoas jurídicas, sendo esse feito, por si só, argumento suficiente para a integral desconstituição do lançamento, conforme, inclusive, atualmente temse assentado na jurisprudência deste Conselho. Senão, vejamos: Número do Processo 16004.000716/200953 Contribuinte FRIGOPOTI FRIGORIFICO POTI LTDA Fl. 963DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 818 9 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) GERALDO VALENTIM NETO Nº Acórdão 1202001.038 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DONASSOLO – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) GERALDO VALENTIM NETO Relator. EDITADO EM: 22/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan (Suplente convocado) e Geraldo Valentim Neto. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005, 2006 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DECADÊNCIA NOTAS FISCAIS “FRIAS” DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTOS JÁ RECOLHIDOS PELO SIMPLES MULTA QUALIFICADA Nas situações em que for constatada conduta dolosa do contribuinte na prática de infrações tributárias, o prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É correta a imputação ao contribuinte das receitas auferidas em operações por ele realizadas e ocultadas por meio de notas fiscais “frias” emitidas por terceiros. Presumemse receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Uma vez demonstrado que a escrituração contém vícios que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, correto é o arbitramento do lucro. Devem ser deduzidos dos créditos tributários apurados os valores já recolhidos pela sistemática do SIMPLES. A aplicação de multa qualificada foi devidamente fundamentada, pois o contribuinte informou na DIPJ do anocalendário 2003 somente valores referentes a prestação de serviços, não declarou débitos em DCTF, não comprovou a origem dos créditos ingressados em suas contas bancárias e utilizou notas fiscais “frias” emitidas por terceiros para a comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, com o objetivo de não recolher os tributos devidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AUTO REFLEXO. Aplicamse à CSLL as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AUTO REFLEXO. Aplicamse à COFINS as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO. Aplicamse ao PIS/PASEPas mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: EXCLUSÃO DO SIMPLES PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Uma vez constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõese a exclusão do SIMPLES, com efeitos retroativos ao mês da ocorrência das infrações, nos termos do art. 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O art. 151 do CTN não se aplica por analogia, pois trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). (grifos e destaques nossos) A partir dessas considerações, verificase que, de fato, tendo sido considerada a caracterização da prática reiterada no presente feito, induvidosa e inafastável, verificase, é a Fl. 964DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 819 10 aplicação da penalidade apontada, relativa à exclusão de ofício do contribuinte da sistemática própria do SIMPLES e, com isso, a apuração dos montantes devidos a partir da tributação própria e regular das demais pessoas jurídicas, o que, por sua vez, não fora efetivamente verificado nos presentes autos, devendo aqui, então, ser devidamente reconhecido, nos termos apontados pelas disposições contidas no Recurso Voluntário interposto. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, acolhendo, no caso, o apontamento a respeito da obrigatoriedade de reconhecimento, pela fiscalização, da materialização da prática reiterada da infração apontada, com a imediata exclusão de ofício da contribuinte da sistemática própria do SIMPLES e, com isso, reconhecer a NULIDADE da autuação realizada, determinando, assim, a integral desconstituição do lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 965DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001839/200859 Acórdão n.º 1301001.374 S1C3T1 Fl. 820 11 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, redator designado. Em que pese a argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado decidiu de forma diversa, relativamente ao RECURSO VOLUNTÁRIO interposto pela contribuinte. Com efeito, rejeitou, pelo voto de qualidade, a preliminar de nulidade acolhida, sendo essa a única divergência em relação ao pronunciamento do relator. A nulidade vislumbrada no voto atacado diz respeito ao fato de que, considerados os elementos reunidos ao processo, estaria caracterizada a PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES, o que implicaria em tributação nos moldes aplicados às demais pessoas jurídicas, e não na sistemática do SIMPLES. O argumento foi rejeitado eis que o conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não sendo pacífico o entendimento de que ela resta caracterizada na circunstância em que a infração foi apurada relativamente a um único ano calendário. Entendeu o Colegiado que a Recorrente, ao sustentar que praticou de forma reiterada a infração imputada pela autoridade fiscal, busca, em última análise, beneficiarse da sua própria torpeza, o que, convenhamos, não se pode admitir. De fato, não é admissível que, em sede de defesa, o contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. Ademais, como bem destacado por ocasião dos debates que antecederam o julgamento, o agente fiscal não detém competência para, a partir da caracterização de uma suposta prática reiterada de infrações, decretar a exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10630.000567/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002,01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004
a 30/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DIF - PAPEL IMUNE. COMPETÊNCIA.
A competência para julgamento de recurso voluntário que versa sobre a imposição de multa pecuniária pelo atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao controle de Papel Imune - DIF/Papel Imune, na forma do artigo 21, inciso I, alínea "a", do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, é da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por competir a aquele Colegiado julgar os recursos relativos ao imposto sobre produtos industrializados (IPI).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-000.064
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do voto do relator
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS fr TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10630.000567/2005-36 Recurso n° 139.382 Voluntário Acórdão n° 3102-00.064 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2009 Matéria Multa Diversa Recorrente CÉLIO CAMPOS ARREGUY DE SENA - ME Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DIF - PAPEL IMUNE. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de recurso voluntário que versa sobre a imposição de multa pecuniária pelo atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao controle de Papel Imune - DIF/Papel Imune, na forma do artigo 21, inciso I, alínea "a", do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, é da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por competir a aquele Colegiado julgar os recursos relativos ao imposto sobre produtos industrializados (IPI). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do voto do relator. Mé(cia Helena Traj ano DamNim - Presidente , t\ /r.ki (-1-e)0‘ arcelo Ribeiro Nogueira - Relator EDITADO EM: 04/11/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajam Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Contra a contribuinte retro qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/09 para exigência de Multa no valor de R$ 210.000,00, decorrente da falta ou atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF-Papel Imune), relativamente aos trimestres 30 e 4°/2002. 1° ao 4°/2003 e 1"e 2°/2004. O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fls. 04), merecendo destaque o art. 16 da Lei n° 9.779/99, o art. 57 da Medida Provisória n°2.158-35/2001 e os arts. 1°e 10 da IN SRF IV' 71/2001. Após ciência do Auto de Infração por via postal, em 15/06/2005 01. 20) e inconformada com o lançamento, apresentou a contribuinte, em 01/07/2005, a impugnação delis. 22/33, na qual alega, em síntese: 1°) jamais efetuou qualquer operação com papel imune, razão pela qual acreditou não ser necessária a entrega da DIF; 2°) a não apresentação da DIF não implicou qualquer prejuízo à Receita Federal, tanto em suas funções arrecadadoras (por inexistir valor a recolher) quanto em suas funções controlatícias (por inocorrência de operação com papel imune); 3°) em nenhum dos dispositivos legais registrados nas peças fiscais se encontra expressa determinação legal de que a DIF deve ser entregue, ainda que não tenha havido operações com papel imune, portanto, o lançamento não atendeu ao principio da legalidade, motivo pelo qual, deve ser cancelado; 4°) a penalidade aplicada é desproporcional e fere os princípios da razoabilidade, da reserva legal proporcional, do não- confisco, da capacidade contributiva; 5°) por fim, requer seja julgada procedente a impugnação e cancelado o lançamento ou, caso assim não entenda a autoridade administrativa, seja reduzida a R$ 5.000,00 a multa aplicada (em razão da impossibilidade da multa isolada ser proporcional ao tempo), incidindo-se o desconto de 70% previsto para o caso presente (por se tratar a autuada de optante pelo Simples). A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: 2 Processo n° 10630.000567/2005-36 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.064 Fl. 89 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumem-se revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questioná-las ou negar-lhes aplicação. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator A matéria era de competência do Segundo Conselho de Contribuintes, por força do disposto no inciso artigo 21, inciso I, alínea 'a' do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, instituído pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Neste mesmo sentido, já decidiu, por decisão unânime, a Terceira Câmara deste Conselho de Contribuintes: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF - Papel hnune). COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Considerando que o fundamento legal das Declarações Especiais de Informações Relativas ao controle de Papel Imune (DIF - Papel Imune) está relacionado com a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deve ser declinada a competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes por competir a esse julgar os recursos relativos ao imposto sobre produtos industrializados (IPI), nos termos do artigo 21, inciso I, alínea "a", do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte. DECLINADA A COMPETÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO (3" Câmara, unânime, Relatora Nanci Gama, Recurso n° 137.864) Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e transferidas as competências acima para a Segunda Seção daquele Conselheiro, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência para julgamento a uma das Câmaras da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. I\ ja crtn, et celo Ribeiro Nogueira 4
score : 1.0
Numero do processo: 15771.722007/2011-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/11/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
MULTA DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO ANTERIOR AO FATO IMPONÍVEL.
No caso de propositura de ação judicial é afastada a multa de mora sobre o crédito tributário, no período que vai da concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo.
Numero da decisão: 3803-006.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em dar provimento parcial, para cancelar a multa de mora.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 07/11/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. MULTA DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO ANTERIOR AO FATO IMPONÍVEL. No caso de propositura de ação judicial é afastada a multa de mora sobre o crédito tributário, no período que vai da concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em dar provimento parcial, para cancelar a multa de mora. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/11/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. MULTA DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO ANTERIOR AO FATO IMPONÍVEL. No caso de propositura de ação judicial é afastada a multa de mora sobre o crédito tributário, no período que vai da concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 20 07 /2 01 1- 93 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em dar provimento parcial, para cancelar a multa de mora. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.722007/201193 Acórdão n.º 3803006.474 S3TE03 Fl. 417 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/11/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 31/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.722007/201193 Acórdão n.º 3803006.474 S3TE03 Fl. 418 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.722007/201193 Acórdão n.º 3803006.474 S3TE03 Fl. 419 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Exclusão da multa de mora Com razão a Autuada, nesta questão. A regra do § 2º, do artigo 63, da Lei n° 9.430/96, não obstante tratar de interposição de ação judicial, portanto manejada no curso do processo administrativo, aplicase também na hipótese de ação proposta antes da ação fiscal: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Grifos acrescidos) Nesta caso, o fato imponível configurado com o registro da declaração de importação ocorreu após Sentença que ratificou a Tutela Antecipada deferida em favor desta Entidade. Logo, somente haverá mora, e a cobrança dos correspectivos juros, na hipótese de nova decisão vir a considerar devidos os tributos e o pagamento ser realizado após o prazo de 30 dias da decisão judicial. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e por dar provimento parcial para cancelar a multa de mora. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12268.000433/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
ARBITRAMENTO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL INSANÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Realizar arbitramento da base de cálculo sem que haja a devida motivação, sem indicação da fundamentação legal e sem explicitar os métodos utilizados implica em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser decretada a nulidade da autuação.
Em razão do lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, tal nulidade deve ser reconhecida pela ocorrência de vício material. Este, por tratar de aspectos substanciais quanto à devida descrição e quantificação do fato gerador da obrigação tributária, configura-se como vício insanável.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. INOCORRÊNCIA.
O Lançamento Substitutivo deve restringir-se tão somente a corrigir o vício que o anulou. Os aspectos relevantes da relação tributária, a exemplo de base de cálculo, sujeito passivo, e descrição dos fatos geradores, devem permanecer os mesmos, sob pena de se configurar nova autuação a partir da utilização de novos critérios, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN.
NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO EXTINTO PELA DECADÊNCIA.
Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que o novo lançamento realizado após terem se passado mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador encontra-se fulminado pela decadência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que acolhia a decadência tão somente para os responsáveis solidários.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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FALTA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL INSANÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Realizar arbitramento da base de cálculo sem que haja a devida motivação, sem indicação da fundamentação legal e sem explicitar os métodos utilizados implica em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser decretada a nulidade da autuação. Em razão do lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, tal nulidade deve ser reconhecida pela ocorrência de vício material. Este, por tratar de aspectos substanciais quanto à devida descrição e quantificação do fato gerador da obrigação tributária, configurase como vício insanável. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. INOCORRÊNCIA. O Lançamento Substitutivo deve restringirse tão somente a “corrigir” o vício que o anulou. Os aspectos relevantes da relação tributária, a exemplo de base de cálculo, sujeito passivo, e descrição dos fatos geradores, devem permanecer os mesmos, sob pena de se configurar nova autuação a partir da utilização de novos critérios, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO EXTINTO PELA DECADÊNCIA. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que o novo lançamento realizado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 04 33 /2 00 8- 79 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 após terem se passado mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador encontrase fulminado pela decadência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que acolhia a decadência tão somente para os responsáveis solidários. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000433/200879 Acórdão n.º 2401003.716 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por WDL TÊXTIL LTDA. (sucessora da DELARA BRASIL LTDA.), ALL – AMERICA LATINA LOGISTICA S/A e ALL – AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, em relação à cobrança de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.171.7248, período de apuração entre 01/01/2000 a 31/12/2000, cuja ciência foi obtida, respectivamente, pelas empresas retrocitadas em 15/09/2008 (fl. 03), 18/09/2008 (fl. 48) e 18/09/2008 (fl. 48). Transcrevo a seguir, trechos do relatório do Acórdão de primeira instância (Acórdão DRJ nº 0633.680 – 5ª Turma da DRJ/CTA), o qual sintetiza bem os fatos alegados pela autoridade autuante acerca do lançamento, bem como o quanto alegado pelas referidas empresas em suas respectivas impugnações: “Trata o presente de Auto de Infração em que se exige da empresa acima indicada e das solidárias relacionadas a seguir, no valor total de R$ 1.187.410,05, sendo R$ 456.456,06 de contribuições previdenciárias devidas pela empresa, R$ 136.936,83 de multa e R$ 594.017,16 de juros de mora, estes calculados até 10/09/2008. Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração: 1.4 O presente lançamento substitui a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.513.8433 julgada nula em 28/11/2006 conforme acórdão 2059/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. Conforme artigo 45, II da Lei 8.212/91, o prazo decadencial para lançamento das presentes contribuições sociais voltou a fluir na data em que se tornou definitiva a referida decisão(em 29/12/2006 conforme certificado no verso da fl. 2262 do processo 12268.000179/200817 referente à NFLD 35.513.8433). ... 3. O objeto do presente lançamento são as contribuições previdenciárias devidas pelo referido contribuinte, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas ao Instituto Nacional do Seguro Social, correspondentes à participação dos empregados, incidentes sobre gratificações pagas pela empresa a segurados que lhe prestaram serviços conforme registros na conta contábil despesas extraordinárias. As contribuições dos segurados deveriam ter sido retidas pelo contribuinte Delara Brasil Ltda. 4. Os fatos geradores identificados foram devidamente lançados conforme relatório RL (Relatório de Lançamentos). O código de levantamento utilizado foi “REF” que nesse auto de infração detalha os valores encontrados na contabilidade da empresa (livros “Diário” números 153 a 188, ano 2000, contas contábeis 5.1.14.01.26.11000 a 5.1.1.14.01.26.608010 do grupo contábil 5.1.14.01.26 de título “Despesas Extraordinárias”). Nas referidas contas constam lançamentos descritos de forma genérica como “despesas extraordinárias”, bem como lançamentos em cuja descrição constam as expressões “comissões”, “incentivo”, “serviço prestado”, “pagto por fora”, “serv. Extra” associadas a nomes de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 pessoas ou às palavras “colaborador” e “ motorista”. Esse conjunto de lançamentos conduz à presunção de que se relacionam diretamente a pagamentos por trabalhos realizados. 4.1 Cópias das folhas dos livros “Diário” onde constam os referidos registros contábeis encontramse juntadas no Auto de Infração Debcad nº 37.171.7256. 5. Os registros descritos como “movimentos caixa bancos” levam à presunção de serem autorizações ou ordens de transferência de valores das contas bancárias da Delara para os “colaboradores” que lhe prestaram trabalho. 6. A fim de confirmar essas constatações o contribuinte foi intimado, em 07/04/2008 e 12/06/2008, para apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos nas contas contábeis em comento. Até a presente data não se atendeu às intimações. Nada restou à fiscalização a não ser tomar por ocorridos os fatos presumidos (pagamentos de remuneração extra folha), aferir indiretamente as bases de cálculo da exação e lançar as contribuições previdenciárias incidentes à espécie. 6.1. Em razão da não apresentação de documentos foi emitido o auto de infração debcad nº 37.171.7221. 7. Os valores encontrados e totalizados por competência foram lançados conforme o código “BC”. A alíquota utilizada é de 8% (oito por cento), alíquota mínima, já que não foi possível identificar os beneficiários dos pagamentos. Face a não apresentação de documentos não é possível verificar se algum dos beneficiários já havia sofrido retenção de contribuição previdenciária até o limite máximo do salário de contribuição. 8. Os registros contábeis referentes aos grupo de contas “despesas extraordinárias” estão transcritos, ipsis verbis, a seguir. Ao final de cada competência inseriuse a respectiva totalização. Na seqüência o Relatório Fiscal do Auto de Infração relacionada uma a uma, conta por conta, todas as despesas consideradas como remuneração no presente lançamento, discriminadas por competência e com indicação do histórico resumido do lançamento contábil, seu código, data e respectivo valor. Em seguida, informa que: 13. Os fatos geradores da exação ora lançada são as remunerações pagas a empregados em decorrência (sic) trabalhos prestados conforme esmiuçado nos itens 4 a 8 retro. ... As remunerações e contribuições sociais objeto do presente Auto de Infração não foram declaradas em GFIP (guias de Recolhimento do fundo de garantia e Informações à Previdência Social). Essa omissão já foi relatada em Representação Fiscal para Fins Penais vinculada à NFLD 35.513.8433, ora vinculada à ação penal 2003.70.00.0447174 em trâmite na 1ª Vara Criminal de CuritibaPR. Será comunicado ao juízo da substituição do lançamento. Após essa demonstração dos fatos que levaram ao lançamento, o Relatório Fiscal do Auto de Infração passa a discorrer relativamente aos motivos que levaram à Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000433/200879 Acórdão n.º 2401003.716 S2C4T1 Fl. 4 5 autuação das empresas ALL – América Latina Logística S/A e América Latina Logística Intermodal Ltda, na condição de responsáveis solidárias pelo crédito apurado pela formação de grupo econômico. Regularmente intimadas do lançamento, a autuada e mais as duas empresas acima indicadas apresentaram impugnação nos autos, abaixo resumidamente expostas: DELARA BRASIL LTDA · o lançamento seria nulo de pleno direito, tendo indicado que se trata de lançamento substitutivo da NFLD nº 35.513.8433, a Fiscalização necessariamente deveria ter juntado aos autos o inteiro teor daquela NFLD a fim de que o contribuinte dela pudesse ter inteiro conhecimento e, assim, poder exercer plenamente sua defesa; · além disso, em 2008, ano do presente lançamento, os fatos geradores de contribuição previdenciária ocorridos em 2000 já teriam sido todos atingidos pela decadência, especialmente os descritos nos autos, uma vez que a decisão do CRPS que decidiu pelo cancelamento da NFLD anterior o fez por ali constatar um vício material insanável e não um vício formal, como pretende a Fiscalização ao invocar o artigo 45, inc. II da Lei nº 8.212/91 como fundamento para a exigência; · por fim, tendo o artigo 45 da Lei nº 8.212/91 sido considerado inconstitucional, não seria possível utilizarse da previsão do citado inciso II como fundamento do presente lançamento. ALL LOGÍSTICA S/A e ALLINTERMODAL S/A Em petições distintas, mas sob o patrocínio do mesmo escritório jurídico e em petições assinadas pelos mesmos advogados, alegam exatamente o mesmo: o ilegitimidade passiva da requerente pois, no seu entendimento, não haveria formação de grupo econômico no presente caso uma vez que o contrato comercial firmado entre a requerente e a autuada seria um contrato de arrendamento de ativos e não de incorporação comercial como alega a Fiscalização; o da mesma forma que a autuada, mas sem reproduzir a argumentação relativa à nulidade do primeiro lançamento ser por vício material ou formal, alega simplesmente que os fatos geradores de que tratam os autos já teriam sido atingidos pela decadência em função da Súmula Vinculante nº 08, do STF; Recebidas as peças de defesa e anexadas aos autos, foi informado pela EQCOP da SECAT/DRFCTA, que foram anexados os autos da NFLD nº 35.513.8433 ao presente lançamento, sem, contudo, que disso fossem cientificadas a autuada ou qualquer das solidárias, tendo os autos sido remetidos para julgamento nesta DRJ. É o relatório.” À fl. 105 consta a informação que o presente processo foi apensado ao PAF de nº 12268.000434/200813. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Instada a se manifestar acerca das Impugnações apresentadas às fls. 49/53 (“Delara”); fls. 69/78 (“All – Logística”) e fls. 86/95 (“All – Intermodal”), a 5ª Turma da DRJ/CTA proferiu o Acórdão de nº 0633.680, abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 AIOP nº 37.171.7248 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA A falta de juntada aos autos da notificação anteriormente anulada pela segunda instância administrativa somente seria motivo de nulidade do procedimento por cerceamento de defesa com relação às empresas que antes não tivessem sido cientificadas do teor daqueles autos, hipótese que não se pode acolher quando o sujeito passivo e o sujeito ativo de ambos lançamentos são os mesmos. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA. VÍCIO FORMAL Não configura vício material e sim formal a falta de indicação do fundamento legal e da descrição dos fatos que justificariam a apuração da base de cálculo do tributo por meio de aferição indireta, situação em que, para fins de contagem do prazo decadencial, se aplica o disposto no inciso II, do artigo 173 do CTN, com vistas à lavratura do lançamento substitutivo. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Não configura novo lançamento o lançamento lavrado em substituição ao anteriormente julgado nulo por vício formal, desde que não tenha ocorrido nova auditoria fiscal, apuração de novos fatos geradores ou ampliação da auditoria anterior. RESPONSABILIDADE PELA SUCESSÃO Estando caracterizada a sucessão empresarial, pela aquisição do fundo de comércio, são as empresas adquirentes responsáveis pelo pagamento dos créditos tributários inadimplidos pela empresa sucedida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimadas do acórdão de primeira instância (fls. 127/129), as empresas apresentaram tempestivamente Recurso Voluntário dirigido a este Conselho alegando, em síntese: · Às fls. 131/139 – WDL TÊXTIL LTDA. (sucessora da DELARA BRASIL LTDA.): Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000433/200879 Acórdão n.º 2401003.716 S2C4T1 Fl. 5 7 o preliminarmente, que seja declarado nulo o acórdão de primeira instância, por ausência de enfrentamento das razões contidas na impugnação que apontam o cerceamento de defesa da recorrente, por não ter sido disponibilizado, nestes autos, as peças referentes ao processo da NFLD substituída; o seja reconhecida a decadência do lançamento na medida em que a última competência teria ocorrido em dezembro de 2000, tendo em vista a anulação da NFLD substituída por vício insanável, sendo este material, e não formal como sustenta o fiscal autuante, e ainda a impossibilidade de amparo no art. 45, II da Lei 8.212/91, artigo este declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante nº 8, tampouco no art. 173, II do CTN, por não tratarse de vício formal. · Às fls. 140/150 – ALL – AMERICA LATINA LOGISTICA S/A e fls. 151/161 – ALL – AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A (as empresas apresentaram recursos em peças distintas, mas sob o patrocínio dos mesmos advogados, alegando exatamente a mesma matéria): o ilegitimidade passiva da Recorrente pois, no seu entendimento, não haveria formação de grupo econômico no presente caso, uma vez que o contrato comercial firmado entre a empresa e a autuada seria um contrato de arrendamento de ativos (locação com duração de 5 anos) e não de incorporação comercial como alega a Fiscalização, alegando ainda que os fatos exigidos remontam ao ano de 2000, e o contrato foi firmado em 2001, não guardando nenhuma conexão com os fatos geradores ocorridos àquela época, como alegou o fiscal autuante; o cerceamento de defesa, tendo em vista que o presente lançamento se autodeclara substitutivo da NFLD 35.513.8433, a qual foi julgada nula, e na qual a recorrente (All Logística e All Intermodal) não foi incluída no polo passivo da demanda, só vindo a ocorrer no presente lançamento em 2008. Alegam que, por não participarem da lide anterior no tocante à NFLD anulada, não puderam ter ciência de absolutamente nada do teor daqueles autos, pois não lhes foi disponibilizado cópia dos autos tampouco do Acórdão do lançamento originário, sendo patente o cerceamento do direito de defesa; o da extinção do lançamento pela decadência, em virtude das contribuições exigidas remontarem às competências de janeiro a dezembro de 2000, a partir das mudanças instauradas pela Súmula Vinculante nº 8, não se aplicando as disposições do art. 173, II do CTN por se tratar claramente de vício material, insanável, que determinou a anulação da NFLD originária, como restou claramente demonstrado no voto vencido do acórdão de primeira instância; É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Os Recursos Voluntários da WDL TÊXTIL LTDA., sucessora da DELARA BRASIL LTDA. (“WDL/Delara”), ALL – AMERICA LATINA LOGISTICA S/A (“All Logística”) e ALL – AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A (“All Intermodal”) são tempestivos razão pela qual deles tomo conhecimento. Como se pôde perceber do relatório, as peças recursais veiculam matérias preliminares, não adentrando no mérito da exigência consubstancializada no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.171.7248, lançado em substituição da NFLD DEBCAD de nº 35.513.8433. Passemos então analisar as razões recursais. CERCEAMENTO DE DEFESA As recorrentes, em seus recursos voluntários alegam a ocorrência de cerceamento de defesa em relação ao presente lançamento, por não terem sido colacionadas à autuação as peças dos autos referentes à NFLD de nº 35.513.8433, anulada anteriormente. Há que se observar, no entanto, que o processo referente à NFLD de nº 35.513.8433, anulada pelo acórdão nº 2059/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, tratouse de autuação diretamente contra a DELARA BRASIL LTDA, atual WDL TÊXTIL LTDA. Esta empresa, ora recorrente, nos autos do Processo Administrativo no qual veio a ser anulada a NFLD de nº 35.513.8433, foi devidamente cientificada daquela autuação, apresentou impugnação, recurso, foi intimada do resultado de julgamento que anulou a referida NFLD, entre outros atos realizados no curso do processo administrativo, como se observa da documentação juntada no PAF de nº 12268.000434/200813, ao qual este foi apensado, às fls. 339/2645, antes do julgamento de primeira instância. Ora, a WDL/Delara alegar eventual desconhecimento dos fatos ocorridos nos autos referentes a NFLD de nº 35.513.8433, de modo a implicar cerceamento de defesa, vai de encontro ao alegado pela própria empresa naqueles autos, obtendo lá uma decisão favorável que culminou na anulação do referido lançamento originário. Em relação a essa Recorrente, compartilho do posicionamento adotado pelo relator do acórdão de primeira instância, cuja parte do voto transcrevo abaixo: “De fato, o Relatório Fiscal do Auto de Infração indica indubitavelmente que o presente lançamento se deu em substituição à NFLD nº 35.513.8433 e, conforme indicado acima no relatório deste voto, os autos desta NFLD somente foram juntados aos autos após a ciência do lançamento ao sujeito passivo e às solidárias e, como também aqui já indicado, desta juntada não foram as empresas cientificadas. É certo que no campo puramente formal, estamos diante de uma falha que pode, sim, levar ao cerceamento da defesa da autuada e, até mais, das arroladas como solidárias, afinal se este é mero lançamento substitutivo de outro anteriormente anulado, até Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000433/200879 Acórdão n.º 2401003.716 S2C4T1 Fl. 6 9 mesmo para que se possa comparar um e outro para efeito de se apurar se, de fato, tratase de lançamento substitutivo, o primeiro lançamento deveria ter sido juntado aos autos. Entretanto, é preciso lembrar que o Processo Administrativo Fiscal não se rege pelo Princípio da Verdade formal, mas pelo Princípio da Verdade Material. E sob este aspecto, ao menos no que diz respeito à autuada, é absurdo supor que não tenha conhecimento do teor do lançamento anterior, afinal foi ele lavrado contra ela própria!” No entanto, situação completamente diferente se deu em relação às recorrentes All Logística e All Intermodal. Analisando as cópias dos autos referentes ao PAF nº 12268.000179/200817 (juntado nos autos do PAF nº 12268.000434/200813, do qual o presente é apenso), verifico que tanto a NFLD 35.513.8433 de fls. 341/355, quanto seu relatório fiscal de fl. 372, apenas trazem como sujeito passivo a DELARA BRASIL LTDA., não falando em sujeição passiva solidária em relação às empresas ALL – AMERICA LATINA LOGISTICA S/A e ALL – AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A. Logo, penso que novel atribuição de responsabilidade tributária às referidas empresas no auto de infração em análise ensejaria, necessariamente, a obrigação de disponibilizar os fatos anteriormente alegados no lançamento originário que foi anulado. Afinal, em sua peça acusatória, o autuante faz clara referência que o presente lançamento é realizado em substituição a um procedimento fiscal anterior, processo este que até então a elas era desconhecido. E como vimos no relatório, as peças referentes à NFLD anulada foi disponibilizada somente antes do julgamento de primeira instância, não tendo sido cientificada nem a autuada, tampouco as empresas solidárias. Assim, resta nítido que houve cerceamento de defesa, pois, ao contrário do que consta na ementa do acórdão recorrido, as partes dos presentes autos não se tratam das mesmas que compõem o PAF referente à NFLD de nº 35.513.8433. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa em relação à WDL/Delara, e acolhêla em relação às recorrentes All Logística e All Intermodal. DECADÊNCIA Afirmam as Recorrentes que o Acórdão de nº 2059/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, que determinou a anulação da NFLD nº 35.513.8433, o fez sob a justificativa de ocorrência de vício insanável que implicou em cerceamento de defesa. Segue trecho do citado acórdão: Embora tenha efetuado um arbitramento da base de cálculo utilizada, a auditoria fiscal não informou ao contribuinte que realizou esse procedimento. Não inseriu a fundamentação legal que autoriza o arbitramento no relatório Fundamentos Legais do Débito e, também, não informou no Relatório Fiscal. Toda a motivação e fundamentação que serviram de base ao lançamento devem ser informadas ao notificado. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Entendo que deixar de reconhecer e informar ao contribuinte que efetuou um procedimento de arbitramento, a auditoria fiscal cerceou o direito de defesa do mesmo e tal vício não me parece passível de saneamento. Como se sabe, somente os vícios formais são passíveis de saneamento, de modo que é permitido, a depender do caso (e do tipo de vício formal), corrigir o erro durante o próprio processo, desde que oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo autuado, ou até mesmo se socorrer no caso previsto no art. 173, inciso II do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No entanto, para que se subsuma à hipótese prescrita no inciso II do art. 173 do CTN, se faz necessário que o novel lançamento restrinjase tão somente a “corrigir” o vício formal que o anulou. Ou seja, o suporte fático, fatos geradores, base de cálculo, sujeito passivo, enfim, os aspectos relevantes da relação tributária sejam exatamente os mesmos, corrigindose apenas a formalidade anteriormente não atendida. Daí falarse em “Lançamento Substitutivo” para correção de vício formal. Na presente situação, a meu ver, há três fatores que obstam a aplicação do referido dispositivo. O primeiro se diz respeito à fundamentação legal utilizada pelo fiscal autuante. Como sinalizado no relatório, o presente lançamento foi lastreado no art. 45, inciso II da Lei 8.212/91, cujo caput foi declarado inconstitucional pelo STF, e posteriormente retirado integralmente do ordenamento jurídico pela Lei Complementar n 128/2008. Logo, sequer há fundamentação do lançamento no art. 173, inciso II do CTN, de modo que não há como sustentar aplicação do mesmo (situação excepcional) ao presente caso. Segundo. Como visto acima, o acórdão CRPS que anulou a NFLD nº 35.513.8433, o fez por “ocorrência de vício insanável”, por claro cerceamento do direito de defesa do autuado, vez que o crédito exigido não era dotado de certeza e de liquidez, por ausência de fundamentação legal e fática dos métodos utilizados pelo fiscal autuante para aplicação do “arbitramento de base de cálculo”. Logo, tratavase de vício material insanável, e não de vício formal. Se vício formal fosse, o novo lançamento cingirseia à correção da “formalidade da lavratura do auto de infração” que não foi atendida, não sendo este o caso. Trazemos abaixo um precedente da Câmara Superior que, em situação semelhante a dos autos, por não ter a autoridade fiscal se desincumbido do ônus de realizar com perfeição a descrição da ocorrência do fato gerador, bem como da matéria e metodologia utilizada para a quantificação do tributo exigido, foi declarada a nulidade por vício material, vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. [...] Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na decisão dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000433/200879 Acórdão n.º 2401003.716 S2C4T1 Fl. 7 11 [...] Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullitésansgrief ou o princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistemas rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Processo n. 36944.005076/200612, recurso n. 248.835, sessão de 06 de novembro de 2012). Terceiro. Igualmente, como aqui já firmado, para ser Lançamento Substitutivo o lançamento deveria lastrearse no mesmo suporte fático e elementos da relação jurídicotributária. Ora, de pronto observase que o fiscal autuante incluiu no pólo passivo mais 2 empresas (solidárias), o que não fora realizado quando do primeiro lançamento, o que permite concluir que se trata, na verdade, de novel autuação, e, desta forma, para estas jamais poderia se aplicar a regra contida no art. 173, II do CTN, em razão da ausência das mesmas (All Logística e All Intermodal) no lançamento original, estando em curso o prazo decadencial desde a ocorrência dos fatos geradores. Analisando as cópias dos autos referentes ao PAF nº 12268.000179/200817 (juntado nos autos do PAF nº 12268.000434/200813, do qual o presente é apenso), verifico que tanto a NFLD 35.513.8433 de fls. 341/355, quanto seu relatório fiscal de fl. 372, apenas trazem como sujeito passivo a DELARA BRASIL LTDA., não falando em sujeição passiva solidária em relação às empresas ALL – AMERICA LATINA LOGISTICA S/A e ALL – AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A. Outro aspecto que permite concluir que se trata de nova autuação se dá a partir da utilização de bases de cálculo distintas para o mesmo período de apuração, logo, os fatos geradores considerados não foram os mesmos. Por demonstrar de forma clara e objetiva a ausência de vício formal, bem como a impossibilidade de os lançamentos substitutivos inovarem os aspectos intrínsecos do lançamento original, trago os fundamentos esposados no voto do relator do acórdão de primeira instância, Auditor Caio Eduardo Zerbeto Rocha, com os quais convirjo: Como se pode ver, a determinação da base de cálculo da exação é parte fundamental da imposição tributária e, por conseguinte, a correta e indubitável indicação seja do fundamento legal, seja Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 dos fatos que levaram à apuração desta base por meio de aferição indireta é elemento do núcleo do lançamento tributário. E como tal, o vício que se apure relativamente à fundamentação legal e à indicação fática que levou à sua adoção como critério de apuração da base de cálculo do lançamento é certamente um vício material. (...) Analisando o lançamento presente em confronto com o lançamento ao qual se propõe ser substitutivo, se apura que as bases de cálculo apuradas num e noutro não coincidem nas competências 03, 04, 06 e 12/2000. (...) A apuração de bases de cálculos diferentes para as mesmas competências é um indicativo explícito que o segundo lançamento não se trata de mero lançamento substitutivo do primeiro, mas sim de novo lançamento, apurado sobre os mesmos fatos, mas com apuração diversa da base de cálculo. E isso é reforçado pela indicação de que o contribuinte foi novamente intimado a apresentar documentos para que fossem feitas novas verificações (...) Extraise da informação acima que os documentos utilizados para a primeira aferição da base de cálculo foram os mesmos utilizados nesta segunda, afinal, intimado, o contribuinte não apresentou a documentação requisitada e, por isso, foi autuado. Mas se a documentação foi a mesma, se as bases apuradas foram diversas nas competências acima é um indicativo de que foi feita nova apuração dos valores devidos. E um lançamento substitutivo não se presta a novas apurações do montante devido, conforme se extrai dos julgados abaixo: AC. 10247829, de 16/08/2006, publicado no DOU de 23/11/2007, p. 131, rel. MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA (designado) VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. AC.10806.850, de 20/02/2002, publicado no DOU de 03/05/2002, p. 18, rel. NELSON LÓSSO FILHO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Quando o lançamento originalmente constituído for anulado por vício formal e o novo lançamento resultar em aprimoramento da exigência inicial, a contagem do prazo decadencial deslocase do disposto no inciso II, art. 173 do CTN, para encontrar abrigo no art. 150 e seu parágrafo 4º CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Assim, seja porque o procedimento anterior foi anulado por vício material, seja porque este procedimentos não se poderia ser meramente substitutivo daquele, resta inaplicável ao caso a Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000433/200879 Acórdão n.º 2401003.716 S2C4T1 Fl. 8 13 regra do artigo 173, II, do CTN e, por isso, devese aplicar ao caso concreto a regra decadencial ordinária. E no caso dos autos, seja pela aplicação da regra do §4º, do artigo 150, seja pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, ambas do Código Tributário NacionalCTN, é certo que em 15/09/2008, data da ciência pessoal do lançamento à DELARA BRASIL LTDA, ou em 18/09/2008, data da ciência por via postal do termo de sujeição passiva aos responsáveis solidários, os fatos geradores de tratam estes autos, todos relativos ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2000, já haviam sido atingidos pela decadência. Logo, não há como sustentar a aplicação do art. 173, inciso II do CTN para as recorrentes. Como visto nos acórdãos citados no voto acima transcrito, bem como nos julgados trazidos pelos recorrentes em seus Recursos Voluntários, tal tema é absolutamente pacificado no âmbito deste CARF. Transcrevo abaixo um dos julgados mais recente sobre tal tema, que demonstra inexoravelmente o acerto e a vigência atual deste entendimento: NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO MATERIAL O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. A nulidade do lançamento por vício material, não permite lançamento substitutivo escudado no artigo 173,II, do Código Tributário Nacional. (CARF. Acórdão 2302003.295 –3ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 13 de Agosto de 2014) Por fim, trazemos abaixo entendimento externalizado também recentemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o mesmo assunto de normas gerais de direito tributário: NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ACOLHIMENTO DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que encontrase colhido pela decadência o lançamento feito há mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, cabendo seu acolhimento de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública Recurso especial conhecido e negado. (CSRF. Acórdão 9202002.898 – 2ª Turma. Sessão de 12 de Setembro de 2013) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Diante de tudo o que fora exposto, tendo em vista que os débitos do Auto de Infração em questão de nº 37.171.7248 referemse a fatos geradores ocorridos entre 01/01/2000 a 31/12/2000, e intimação ocorrida em 15/09/2008 (WDL/Delara, fl. 03), e 18/09/2008 (All Logística e All Intermodal, fl. 48), voto no sentido de reconhecer a decadência integral do crédito tributário exigido através do presente lançamento, seja com base na regra do §4º, do artigo 150, seja pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, ambas do CTN, declarandoo extinto por força do art. 156, inciso V também do CTN. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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