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Numero do processo: 14751.000789/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
Numero da decisão: 2201-004.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe
provimento
Nome do relator: Douglas Kakazu Kushiyama
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AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 07 89 /2 00 9- 67 Fl. 219PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 191 a 197) da decisão de fls. 173 a 184 que julgou procedente o lançamento decorrente de aferição indireta, através do Custo Unitário Básico CUB. O lançamento objeto de discussão referese à exigência de contribuições destinadas a terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI, e SEBRAE), incidentes sobre o valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços de obra de construção civil. De acordo com a fiscalização, após o exame da escrituração contábil do Autuado constatou os seguintes fatos: a) O contribuinte lançou de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para o registro de pessoas físicas, notadamente na conta “l0l0205.0106SERVIÇO DE TERCEIRO PF”, no período de 01/2004 a 02/2005, conforme cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão/2004 e cópias das notas fiscais de serviço que ensejaram tais lançamentos; ` b) No período de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou mãodeobra sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. c) A empresa deixou de lançar na contabilidade a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme valores apurados nas folhas de pagamento. d) A empresa empregou o serviço de gesseiro e graniteiro que pode ser comprovado pela aquisição de grande quantidade de gesso e granito para o Ed. Hannover, conforme notas fiscais anexas. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esses serviços. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o pagamento a esses profissionais, a empresa não atendeu à requisição fiscal. Assim, o fisco concluiu que a contabilidade omite informação, não reflete a realidade dos custos incorridos na obra e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. Em conseqüência, procedeu à aferição indireta do valor do saláriodecontribuição necessário à execução da obra, nos termos dos §§3°., 4°. e 6°. do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Pela infração à legislação previdenciária, foi aplicado o auto de infração n°. 37.215.7726. A aferição indireta foi feita com base no Custo Unitário Básico (CUB) divulgado pelo Sindicato da Construção Civil (SINDUSCON). A área construída, de 10.245,51m2 , foi obtida no quadro I das informações para arquivo no registro de imóveis fornecidas pelo Autuado (f. 100 do AI 37.215.7700). Como o contribuinte não discriminou as áreas passíveis de aplicação de redutores no projeto arquitetônico, foram considerados os redutores identificados pelo Autuado no mesmo quadro, Fl. 220PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 213 3 chegandose a uma área construída de 8.478,50m2 (f. 100 do AI 37.215.770O). O lançamento também levou em consideração as remunerações lançadas em GFIP dos empregados vinculados à obra. Os elementos de prova foram juntados no AI 37.215.7700, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual os autos estão apensado. Cientificado do crédito tributário em 08/04/2010 (f. 1), o ora Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 35/56) alegando em apertada síntese: 1. a tempestividade da impugnação; 2. cerceamento do direito de defesa, já que: 2.1. a fiscalização não demonstrou em pormenores, no relatório fiscal da infração (item 6.2, “c”) quais os trabalhadores em gozo de férias e os indenizados com os seus respectivos valores para que a impugnante os examinasse; 2.2. no item 6.2, “b” não cita o nome dos trabalhadores que supostamente eram gesseiros prestadores de serviços e suas remunerações inferidas pelo Fisco. De igual modo não foram citados os nomes dos graniteiros no item 6.2, “d”; 3. não há embasamento para a desconsideração da contabilidade para fins previdenciários; 4. que no lançamento de folha 165 e 191 no livro Razão houve equívoco na classificação dos documentos e, por conseguinte, lançado na conta de pessoa física. Constatado até mesmo pelo Fisco, este fato não acarretou qualquer prejuízo para a Previdência Social, uma vez que 0 lançamento contábil não é gerador de obrigação tributária. Houve falha, mas não omissão de registro. A impugnante não o fez por simulação para mascarar o resultado; 5. Os serviços para a aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005 foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro, sendo todos com registro profissional em carteira de trabalho, conforme documentos anexos (doc. 37/ 108). São serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra, não havendo necessidade de contratação de pessoal uma vez que a lmpugnante já possuía pessoal que deslocou para o serviço, aliás, prática essa usada durante todo o período de execução da obra. Não existem nos autos elementos de prova que justifiquem que aqueles serviços foram prestados por pessoas outras contratadas pela Impugnante. 6. Quanto aos valores supostamente não contabilizados (item 6.2, “c” do relatório fiscal): 6.1. as referencias feitas às indenizações e férias não citam os nomes dos beneficiários, o valor por eles recebido e a data do Fl. 221PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 pagamento, que e' fundamental para se saber se a contabilidade registrou o pagamento na data certa; 6.2. a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos referentes àqueles documentos, com exceção do lançamento da mãodeobra na conta de materiais na competência 04/04. Mesmo assim, não houve prejuízo para a Previdência Social, uma vez que houve recolhimento sobre a totalidade da folha do mês. 6.3. Os valores foram contabilizados conforme segue: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 04/04 12.793,18 2.058,28 10.734,90 05/06 09/04 8.583,20 8.583,20 07/08 10/04 7.046,40 7.046,40 09/10 11/04 6.273,75 6.273,75 11/21 6.4. não houve indenizações/rescisões na competência 09/2004; 6.5. As férias foram corretamente contabilizadas conforme os seguintes valores: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 10/04 963,87 963,87 12/12 11/04 208,76 208,76 22/23 7. Quanto à utilização de gesseiro/graniteiros: 7.1. os serviços já se encontravam concluídos em 10/12/2004, data do habitese, em flagrante contradição com o item 8, “h” do relatório fiscal, que considera o encerramento da obra em 05/2005, ocasionando o arbitramento de mais 6 meses para determinar a área decadente; 7.2. o auditor não trouxe elementos de prova para assegurar que a houve aplicação de mãodeobra por pessoas outras, que não as registradas; 8. Quanto aos princípioscontábeis da oportunidade e competência, ambos foram seguidos à risca pela contabilidade do Impugnante, e os saldos das contas do balanço e do resultado estão corretos. Ao afirmar que os saldos das contas estão defeituosos, o Fisco deveria obrigatoriamente demonstrar essa discrepância; 9. O livro Diário não tem rasura, os lançamentos têm forma contábil, possuem termo de abertura e encerramento e cumpriu todas as formalidades internas e externas; 10. Quanto à aferição indireta: 10.1. O lançamento das contribuições previdenciárias somente poderá ser aferido indiretamente quando a fiscalização não Fl. 222PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 214 5 possuir os meios necessários à valoração do fenômeno que se quer medir; 10.2. Não há que se falar em desqualificação da escrita, uma vez que os registros estão corretos e são confiáveis; 10.3. não há legalidade no emprego do CUB, criado em conseqüência da Lei 4.591/64 para fim diverso daquele determinado no instrumento legal; 10.4. O cálculo da área é feito para apuração de orçamento com auxílio do CUB. Os custos informados na NBR 12.721 são custos orçados, ainda não executados, e que, portanto, inservíveis para serem utilizados no cálculo das contribuições apuradas por aferição indireta, devendo ser utilizada a área anotada no Alvará expedido pela Prefeitura (doc. 32), cuja metragem da área é de 8.000,55m2; 10.5. o mês de conclusão da obra foi 12/2004, como afirmado pelo Fisco em algumas oportunidades do seu relatório. A prova está no alvará fornecido pela Prefeitura (doc. 24); 10.6. ao calcular o período decadente, amplia o prazo em mais 5 meses sob a alegação de que a Impugnante deveria ter consignado despesas com pessoal, de 12/2004 a 05/2005; 10.7. o inciso V do art. 480 da IN 100/2003 determina que 0 último mês a ser considerado é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra. Como o fisco não comprovou a realização de serviços e sim a existência de notas fiscais de materiais, o término efetivo da obra se deu em 12/2004; 10.8. Assim, o cálculo correto seria 9 meses nao decadentes, em lugar dos .14, o que corresponderia a 18/75% do período total de 48 meses. Ao final, apresenta jurisprudência administrativa e judicial. Com a impugnação, o Autuado apresentou cópia dos seguintes documentos: contrato social (fls. 57/61); MPF (fls. 62); documento de identificação de representante legal (fls. 63/64); Folhas de pagamento e diário (fls. 65/97); registro de empregados (fls. 98/ 108). Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), decidiram por julgar o Lançamento Procedente, com os seguintes fundamentos, de forma resumida: (...) Das deficiências apontadas na contabilidade A desconsideração da contabilidade para fins previdenciários, nos termos empregados pelo Fisco no seu relatório (fl. 11), teve fundamento no art. 33, §§3°., 4°. e 6°. da Lei n°. 8.212/91. Fl. 223PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Da leitura do relato fiscal, conjuntamente com os dispositivos legais indicados, vêse que o Fisco está a apontar as falhas verificadas na contabilidade do Autuado que caracterizam a sua apresentação deficiente, nos termos do §3°., art. 33 da Lei n°. 8.212/91 c/c par. único do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99. Assim, referindose à desconsideração da contabilidade, o Fisco está a dizer que, em conseqüência da sua apresentação com vício, a contabilidade não poderia ser utilizada para apuração das contribuições devidas, porque não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em outras palavras, a contabilidade não poderá ser utilizada para fins de apuração das contribuições previdenciárias. Quanto ao lançamento de receitas de serviços prestados por pessoas jurídicas na conta de serviços prestados por pessoas físicas, a lmpugnante reconhece o equívoco apontado pelo Fisco. E o lançamento de informação diversa da realidade é circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do já citado par. único do an. 233 do RPS. Embora a hipótese não exija a verificação ou comprovação da ocorrência de prejuízo, ele de fato ocorreu, ao contrário do que afirma o Impugnante, na medida em que dificultou a fiscalização e impossibilitou a apuração das contribuições devidas com base na remuneração dos segurados, exigindo a aferição indireta das bases de cálculo. A ausência de simulação, como argúi o Impugnante, também não tem o condão de afastar a deficiência na escrituração. A empresa reconhece, ainda, o emprego de mãodeobra para aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005, mas alega que os serviços foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro. Deveria, portanto, ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na GFIP associada à obra, bem como apropriado os respectivos custos. Não havendo assim procedido, agiu com acerto a Fiscalização, ao apontar falha na contabilidade, por não apropriar o custo da mãodeobra empregada na construção do ed. Hannover no período de 12/2004 a 04/2005. Observese que, em nenhum momento, o Fisco afirmou que tais serviços não teriam sido executados por empregados da Impugnante, mas reclamou da total ausência de registro de pagamento de remuneração para a obra nesse período. Quanto às remunerações apontadas pelo Fisco como não contabilizadas (fl. 14), vejamos: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 Fl. 224PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 215 7 de obra set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 Férias 1.185,47 225 208,76 208,76 Consoante registrado no relatório fiscal, os valores das remunerações foram apurados pelo Fisco nas folhas de pagamentos, conforme cópias juntadas aos autos (fls.213, 222 e 225). De notarse que os valores das remunerações constantes das folhas de pagamentos trazidas com a impugnação (fls. 271/278) são inferiores àqueles registrados nos documentos fornecidos à Fiscalização (fls. 213, 222 e 225). Não havendo a Impugnante justificado a divergência, temse por corretas as remunerações apuradas nos documentos apresentados pela empresa ao Fisco, e entendese que, na impugnação, 0 sujeito passivo apenas apresentou parcialmente as folhas de pagamentos das competências indicadas. Assim, não comprovado qualquer erro nos documentos, nada há que retificar no lançamento. O Impugnante, por sua vez, reconhece que R$ 10.734,90 referente a remunerações, foram lançadas em conta de materiais, na competência 04/2004. Embora reconheça o equívoco, o Autuado não apresenta qualquer justificativa para o mesmo. A falha apontada representa o lançamento de informação diversa da realidade, sendo circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do parágrafo único do art. 233 do RPS. Ressaltese que, no caso sob exame, a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados, que foi escriturada em conta com outra destinação. A autoridade lançadora nada mencionou acerca da existência de rasuras nos livros contábeis, que os lançamentos não têm forma contábil, não possuem termo de abertura e encerramento ou de não foram cumpridas formalidades internas e externas. Não havendo controvérsia, nada há que pronunciar sobre o tema. ' Quanto às demais competências, inclusive nos lançamentos a título de férias e indenizações/rescisões, o Autuado argúi que a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos, apontando como contabilizados, os mesmos valores apurados na Fl. 225PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 contabilidade pelo Fisco. No entanto, não se desincumbiu de comprovar onde estão contabilizadas as diferenças de remunerações, já que os valores apurados nos documentos trazidos pelo Fisco (fls. 213, 222 e 225) são superiores àqueles contabilizados. Assim, não comprovada a escrituração da totalidade das remunerações constantes nas folhas de pagamentos, resta caracterizado, mais uma vez, que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em conseqüência, autorizada a aferição indireta das remunerações utilizadas na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Uma vez que a contabilidade deixou de registrar as despesas com a obra, restou violado o princípio contábil da competência que, como diz o Impugnante (fl. 253), “obriga que as receitas e despesas sejam elas, recebidas e pagas ou não, lançadas no exercício em que surgirem” (sic). Resta demonstrado, a violação aos princípios contábeis, conforme declinado pelo Fisco. Da data da conclusão da obra O impugnante pretende considerar como data de conclusão da obra, a data constante do “Habitese”, 10/12/2004. No entanto, após a expedição do Habitese, diversos serviços complementares continuaram sendo executados, inclusive pequenos reparos. O próprio Autuado reconhece, na sua impugnação (fl. 249), que se trata de “serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra”. O autuado informa que utilizou pessoal próprio. Nesse caso, deveria ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na respectiva GFIP, bem como apropriado os custos à obra, conforme determina o §9°. do art. 225 do RPS. Como o Autuado reconhece a utilização de mãodeobra própria (f. 249), e conseqüente realização de serviços após 10/2004, concluise que a obra teve seguimento após o alvará de habite se. Não houve, em conseqüência, a argüida inobservância ao disposto no inciso V do art. 480 da IN 100/2003, dado que mencionando comando determina que o último mês a ser considerado para o período decadente, é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra, sendo este último o que efetivamente se observou no caso em apreço. A continuidade da obra até 05/2005 e corroborada pela aquisição de material destinado à mesma. Acrescentese, por fim, que a escrituração contábil vai confirmar a continuidade dos serviços após a expedição do Habitese, somente encerrando a conta contábil da obra do Ed. Hannover em 07/2005, conforme cópia do Livro Diário trazida pelo Autuado na impugnação (fl. 294). Fl. 226PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 216 9 Rejeitada, portanto, a reclamação quanto à data de encerramento da obra. Em decorrência, não acatando a revisão da data de encerramento da obra, nada há que retificar no cálculo das competências decadentes. Da aferição indireta Como já dito, uma vez demonstrado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados, resta autorizada a aferição indireta da mãodeobra utilizada na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. O emprego do custo unitário básico (CUB) para a aferição indireta da jmãodeobra tem autorização legal no §4°., art. 33, da já referida lei de custeio da Seguridade Social. Vejamos: Art. 33 Omissis §4º Na falta de prova regular e formalizado, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n” 449, de 2008) Nos termos do relatório fiscal (fi. 16), a área construída de 10.245,51m2 foi obtida no Quadro I das informações para arquivo da obra no registro de imóveis (NBR 12.721/92), juntadas pelo Fisco (fls. 101). Como o contribuinte não discriminou, no projeto arquitetônico, as áreas passíveis de aplicação de redutores, foram considerados os redutores identificados no mesmo quadro, chegando à área de 8.478,50m2. O lmpugnante, por sua vez, requer que seja utilizada a área constante do Alvará de licença para construção, expedido pela prefeitura em 21/12/2000 (fl. 299). A área constante desse documento demonstra apenas a autorização para a construção, não comprovando a área efetivamente construída. Observese que não basta que o Autuado requeira que seja considerada outra área, mas é necessário que demonstre que a área utilizada pelo Fisco está errada. Em principio, a área constante nos assentos do registro de imóveis (e utilizada pelo Fisco) tem fé pública, somente merecendo revisão com a apresentação da comprovação do erro. Ademais, observese que o Alvará de licença para construção foi expedido em 21/12/2000, data anterior àquela constante do quadro para registro do imóvel (jan/2001). Fl. 227PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Assim, agiu com acerto o Fisco ao considerar a data da última declaração feita pelo Autuado. Não havendo se desincumbido do ônus da prova em contrário, nada há que revisar na área construída. Conclusão Pelas razões já expostas, rejeitadas todas as reclamações do autuado, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 190 a 196), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: ll. 1 Das Preliminares 1.1 Do Cerceamento do direito de defesa O Acórdão ora atacado não se encontra suficientemente claro, de modo a permitir o sagrado direito de defesa tendo em vista que julga procedentes os argumentos apresentados quanto aos profissionais gesseiros e graniteiros cujos nomes não foram citados,( item 62d) do relatório fiscal verbis: “A empresa empregou em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (...)que pode ser comprovado pela grande quantidade de gesso e granito” (...) o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez Persiste então o cerceamento de defesa pois a DRJ/REC não diligenciou para emitir seu julgamento considerando a aferição correta, quando nesses casos há nítida necessidade de comprovação do afirmado. Ademais vêse no corpo do relatório fiscal (item 6) DA DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS, na verdade observase que o Fisco inovou, ao criar um título ou capítulo não contemplado em nenhuma legislação tributária, pelo que se requer, in limine, a completa anulação do presente Acórdão. II.2 Do Mérito Acaso ultrapassada a preliminar suscitada, o que não se espera, no mérito alega a impugnante quanto ao Acórdão prolatado pela 7”. Turma da DRJ/REC em seus itens seguintes: Fl. 228PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 217 11 Em primeiro lugar,considerando que os julgadores ao emitir o Acórdão acima epigrafado 0 fizeram sem considerar o resultado do auto de infração (37.215.7726) aplicado em razão de suposta irregularidade na contabilidade. Considerando que a contabilidade da recorrente é merecedora de crédito e fé pública, até porque arquiva seus livros contábeis na Junta Comercial deste Estado, também comprovado. Considerado que no auto de infração aplicado em razão da contabilidade há a citação de documentos atingidos pela prescrição/decadência. Considerando que o resultado do julgamento do auto de infiação da contabilidade a favor da recorrente desencadeará a anulação de todos os demais autos dele dependente, considerando por fim o princípio da ampla defesa e da transparência, requer por absoluta cautela, sejam todos os autos, objeto de RECURSO VOLUNTÁRIO, apreciados em conjunto, requerendose a juntada dos mesmos nesta oportunidade, sendo eles: Processo 1475l.000794/200970 AI n°. 37.215.7726 “ “ 1475l.000793/200925 AI n°. 37.315.7734 “ “ l475l.000790/200991 AI n°. 37.215.7700 “ “ l475l.000789/200967 AI n°. 37.215.7696 Do direito de defesa. Este item não merece prosperar porque ao longo da impugnação (docs processo) ficou comprovado que a contabilidade efetuou os registros e todos foram devidamente apresentados inclusive com o demonstrativo elucidativo às fls. ll da defesa administrativa que não foi devidamente observada pela turma julgadora. A folha de pagamento de abril/04 foi lançada realmente na conta Materiais, mesmo assim consta do registro contábil, não podendo dizer que houve falha de omissão de registro. Quanto as remunerações apontadas pelo fisco às fls. 180, a recorrente apresentou uma relação explicativa desses lançamentos contábeis, que sequer foram considerados pelos julgadores da primeira instância. Da data da conclusão da obra A Receita Federal do Brasil não emite CND nem considera que a DISO (Declaração sobre a Obra) seja apresentada sem que a obra seja concluída, e, um documento extremamente necessário e definitivo é a carta de habitese, onde a Prefeitura local atesta a regularidade da edificação, depois de fiscalizar a obra in loco, fornecendo o referido documento. Do mesmo modo, para começo da obra a Prefeitura emite um Alvará de construção tomando por base os dados do projeto arquitetônico. Para este documento a fiscalização reconhece plenamente, para o término não aceita Fl. 229PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 o constante no final na carta de habitese. São dois pesos e duas medidas que ficam exclusivamente ao sabor da auditoria fiscal, produzindo assim sérios prejuízos ao contribuinte, pela absoluta falta de critério. A conclusão de que a obra teve seqüência após o habitese é infundada, até porque os trabalhadores são destacados de outras obras para serviços emergenciais, e relacionados em GFIP, o que aliás digase a bem da verdade nenhuma irregularidade foi observada quanto à emissão de GFIP. A aferição indireta é medida extrema que ao Fisco somente é permitido quando é absolutamente impossível e impraticável exercer a plena e completa fiscalização. Não é esse o caso telado Senhores Julgadores, pois a contabilidade da recorrente é de excelente qualidade, pelo que não se deve desconsiderála, a não ser no interesse dela utilizar para fim de cobrança previdenciária. Portanto a recorrente mantém os argumentos esposados na impugnação. A NBR 12. 721 estabelece, ao contrário do INSS que toma este valor como "definitivo e representativo" das obras , que este calculo área x custo unitário básico somente deve ser utilizado no início das incorporações, quando ainda não se dispõe de todos os projetos construtivos. Ou seja, é um orçamento simplificado que deverá ser corrigido no andamento da obra Por fim convém reafirma que o Relatório Fiscal da autuação como se observa, contém uma cadeia de citações visando incluir a recorrente em qualquer situação que se possa apresentar, não se fixando como deveria no cerne preciso da questão. Desqualificase a contabilidade e o mais será acrescentado esse entendimento do Fisco deve de pronto ser rejeitado. Os relatos fiscais são confusos, o auditor notificante procurou enquadrar a recorrente em situações que levassem a Receita Federal a ampliar seus créditos, com o uso de autuações várias, cujos relatos são semelhantes e geram dúvidas não somente para quem defende, como também para os julgadores, quer na primeira instância como nas superiores. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Fl. 230PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 218 13 Rejeito as preliminares arguídas, tendo em vista que acabam por se confundir com o mérito discutido nos presentes autos. Conforme se verifica do relatório, o lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: Fl. 231PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; Da análise dos autos, verificase que não é o caso de aferição indireta, conforme preceitua a IN SRP nº 3, de 2005, uma vez que só se aplica a casos extremos e que não se verifica nos presentes autos. A aferição indireta é uma forma presumida de apuração da base de cálculo dos tributos que só pode e deve ser adotada em casos excepcionais em que a contabilidade não registra o real movimento da remuneração dos segurados ou a receita ou o faturamento ou até mesmo o lucro; quando o contribuinte não apresenta ou se recusa a apresentar documentos, sonega informações ou mesmo apresenta documentação insuficiente, ou mesmo quando as informações prestadas não merecem fé. Somente com a constatação de uma das circunstâncias mencionadas acima é que autoriza o emprego desta medida extrema. Mesmo se identificada uma das hipóteses acima mencionada, a meu ver, deve haver uma correlação lógica que justifique a utilização deste método de aferição do tributo. Ao adotar esta atitude de forma legítima, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Do relatório (fls. 11/19) consta a seguinte afirmação para justificar a medida extrema: (...) 6.2 Assim sendo, foi analisada a escrituração contábil da empresa em todo o periodo fiscalizado,Livros Diário n° 11 e 12 referentes aos anos de 2004 e 2005 e Livros Razão de 2004 e 2005 e ainda a documentação apresentada pelo contribuinte, solicitada através de TIPF e TIF, e constatamos as seguintes impropriedades: , a. O contribuinte lançou, de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para _o registro de pessoas fisicas, notadamente na Fl. 232PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 219 15 conta 10102050106 “SERVIÇO DE TECEIRO PF", Tal fato ocorreu no período de 01/2004 a 02/2005. Como prova, seguem, anexas, cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão de 2004 e cópias de notas fiscais de serviço NFS que ensejaram tais lançamentos. b. No periodo de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, no exame dos livros contábeis, em especial os Livros Razão de 2004 e 2005, na conta 1010205.0022 "Materiais", foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. Da análise das notas fiscais que ensejaram os lançamentos, podese perceber que tratase de material que exige mãodeobra especializada para a sua aplicação tais como tomadas, tubos de pvc, luvas de pvc, lavatórios, tinta acrílica dentre tantos outros. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou de mãodeobra própria sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. Copias de notas fiscais de aquisição de material e de lançamentos no Livro Razão seguem anexas a esse relatório . c. No confronto dos lançamentos contábeis com os valores constantes das folhas de pagamento e os resumos da folhas entregues a fiscalização, foi verificado que a empresa deixou de lançar a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Copias da folhas do Livro Razão e dos resumos das folhas de pagamento, que comprovam os fatos, seguem anexas ao relatorio. Tal fato ocorreu nas competèncias e nos valores discriminados na planilha abaixo: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 Férias 1.185,47 225 208,76 208,76 Fl. 233PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 d. A empresa empregou, em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (especialista em corte e assentamento de granito) que pode ser compravado pela aquisição de grande quantidade de gesso e de granito. Cópias de notas fiscais de compra de gesso e granito para o Ed. Hannover encontramse anexas a esse relatório. Os serviços já se encontram concluídos desde 10 de dezembro de 2004, data do habitese. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esse serviço e não foram encontrados, em sua contabilidade, os lançamentos dos valores pagos a esses prestadores de serviços, Cabe salientar que ao contribuinte foi solicitada, através do TIF n° 5, a apresentação dos documentos que comprovassem os pagamentos a esses profissionais, assim como indicasse quais foram os lançamentos contábeis correspondentes. A empresa não atendeu a solicitação. 6.3 A prova de que os lançamentos de fatos contábeis (sejam eles permutativos ou modificativos) não foram efetuados ou foram efetuados em desrespeito aos Principios Contábeis, principalmente os da Oportunidade e da Competência, significa_que os demonstrativos contábeis não refletem a real situação patrimonial .da empresa induzindo, portanto, os usuários da contabilidade a erro na sua análise. Se, por exemplo, os saldos finais no exercício encerrado estão incorretos, evidente que os saldos iniciais do exercício subsequente também o estarão, e assim, sucessivamente em todos exercícios posteriores. Embora alguns dos fatos contábeis relacionados acima não constituam fato gerador de contribuições previdenciárias, o fato desses valores não se encontrarem registrados, reforça a evidência de que a contabilidade verdadeira, e não reflete a realidade dos custos incorridos na obra. 6.3.1 O principio contábil da Oportunidade referese, simultaneamente, à tempestividadee à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações; determina que os registros do patrimônio e de suas variações sejam feitos de imediato e com a extensão correta, Como resultado da observância desse principio, surge a necessidade de se efetuar provisões, pois o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência. Já o princípio da Competência estabelece que as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do periodo em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou de pagamento. 6.4 Todos os fatos acima expostos possibilitaram a fiscalização constatar que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte demonstra impropriedades no tocante aos preceitos definidos na Legislação Previdenciária, mormente o previsto no inciso ll e § 13 do art. 225, do Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto n° 3.048/99, de 06/05/99), e na Legislação Empresarial, especificamente às formalidades intrínsecas que este último ramo do direito determina, bem com não registra a totalidade dos custos envolvidos na execução da obra de Fl. 234PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 220 17 construção civil e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. 6.5 De todo o relatado, verificase que não restou a fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução .das referidas obras, conforme previsto nos §§ 3°, 4° e 6°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 473, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. (...) Neste sentido, razão assiste ao Recorrente quando diz: Ora Doutos julgadores o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez. Em outros termos, o Fiscal se utiliza da contabilidade para apontar as deficiências e ato seguinte, acaba por desconsiderálas por completo, causando dúvida quanto a legitimidade da aferição indireta utilizada. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição Fl. 235PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente Fl. 236PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14751.000789/200967 Acórdão n.º 2201004.400 S2C2T1 Fl. 221 19 demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Os §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, é claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recursos. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 237PB JOAO PESSOA DRF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0919.10360.5S9W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RICARDO HENRIQUE FARIAS DE VASCONCELOS em 19/10/2018 11:22:00. Documento autenticado digitalmente por DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA em 06/05/2018. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 17/05/2018 e DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA em 06/05/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.0919.10360.5S9W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 32F70A9B10F444BBDF19A437B0803DC403899753CCEEF262A44D95ADD9EC8FF4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 14751.000789/2009-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13017.000101/2003-02
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 26658.69870.040806.1.7.03.4609 em 04.08.2006, fls. 4043, e nº 10135.04159.230903.1.7.032728 em 23.09.2003, fls. 4450, bem como Declarações de Compensação, fls. 0203, 1213, 2324, 2629, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002 no valor total original de R$19.415,12, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 00 01 01 /2 00 3- 02 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 208 2 Consta no Despacho Decisório DRF/CLX/RS nº 811, de 21.09.2010, fls. 158 162, e nas Planilhas de fls. 151157, que o pedido foi deferido em parte do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 no valor de R$18.167,07 (dezoito mil, cento e sessenta e sete reais e sete centavos). Cientificada em 07.02.2011, fl. 177, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 10 34.631, de 30.09.2011, efls. 190194: COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. A contagem do prazo prescricional para a cobrança de crédito tributário compensado indevidamente se inicia somente depois de transitada em julgado a decisão que não homologou a compensação. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo se dá quando transcorrido o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação, sem que tenha havido manifestação da autoridade competente para a sua apreciação. DIPJ PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. AUTORIDADE COMPETENTE. RITO PROCEDIMENTAL 1. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010). 2. Se a contribuinte não discorda das razões do despacho decisório, discorrendo sobre situações de fato não analisadas na origem, a competência para apreciar esse pedido é, em regra, do titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo (art. 57 da IN RFB 900/2008). Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 11.10.2011, efls. 198199, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 31.10.2011, efls. 200205, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I Os Fatos Verificando a escrituração contábil, constatamos a inexistência do débito e um erro de preenchimento da DIPJ Ex 2000, dando origem ao Despacho Decisório n° 811 DRF/CXL de 21/09/2010. II O Direito II.1 PRELIMINAR Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 209 3 O Débito em cobrança originouse de um erro no preenchimento da DIPJ Ex 2000 que resultou em valores errados relativos ao saldo negativo da CSLL e IRPJ, passando a ser inexistente com o preenchimento correto da declaração, II. 2 MÉRITO No preenchimento da DIPJ Ex.:2000 Ficha 29 ocorreu lançamentos de valores inexistentes nos meses de Fevereiro, Março, Outubro, Novembro e Dezembro do anocalendário de 1999 à título de 1/3 da COFINS efetivamente paga, reduzindo, no primeiro momento, o valor da CSLL à pagar, tendo em vista que nunca foi considerado 1/3 da COFINS para cálculo do Lucro Líquido. Na ficha 30, constatamos a informação indevida relativa ao valor de R$2.782,19 na linha 12. Outras adições, mesmo valor lançado equivocadamente como dedução na linha 25 ()1/3 da COFINS efetivamente paga, alterando os valores das linhas 21 e 23 cujo valor correto é R$24.644,80 e na linha 24 o valor correto de R$2.500,05; linha 25 zerada; linha 31 com valor de R$12.648,15. Tendo ocorrido este erro de adição na ficha do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, levamos a análise até a ficha 10A Demonstração do Lucro Real e constatamos que o mesmo valor de R$2.782,19 também foi informado equivocadamente nesta ficha na linha 16 Outras Adições, causando alterações subseqüentes nos valores das linhas 30, 33 e 38 desta ficha. Concernente ao pedido expõe que: III A CONCLUSÃO Tomando por base as alterações acima descritas, solicitamos que seja retificada a DIPJ ex 2000, reconstituindo novamente o crédito à partir daquela data, tanto para Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quanto para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, comprovando assim a inexistência do crédito tributário. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. No que se refere aos argumentos atinentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) cabe ressaltar que esta matéria não é objeto do presente processo que trata da análise do saldo negativo de CSLL apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 210 4 compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 211 5 A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. Excepcionalmente no anocalendário de 1999, conforme art. 7º, art. 8º e art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 006,de 29 de janeiro de 1999, o valor correspondente a até um terço da Cofins efetivamente paga pode ser compensado com a CSLL devida. No caso de pessoas jurídicas que apuram a CSLL anualmente, a compensação pode ser efetuada por ocasião do pagamento dos valores devidos por estimativa ou do saldo apurado em 31 de dezembro. No pagamento por estimativa, a compensação poderá abranger a parcela compensável da Cofins correspondente ao próprio mês a que se referir ou a meses anteriores do mesmo anocalendário. Na apuração do saldo devido em 31 de dezembro da CSLL apurada poderá ser deduzido até um terço da Cofins relativa aos meses correspondentes ao próprio ano calendário. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. As informações constantes nos sistemas da RFB referentes aos anos calendário de 1996 a 2002 estão compiladas às fls. 151157, e na Tabela 1. Tabela 1. Valor dos saldos da CSLL dos anoscalendário de 1997 a 2002 AnoCalendário de 1996 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 31,23 CSLL Retida na Fonte 0,00 CSLL Estimativa Paga 2.438,87 CSLL Estimativa Compensada 0,00 Saldo a Compensar (2.407,64) AnoCalendário de 1997 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 1.900,00 CSLL Retida na Fonte 0,00 CSLL Estimativa Paga 6.730,69 CSLL Estimativa Compensada 2.407,65 Saldo a Compensar (7.237,49) AnoCalendário de 1998 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 124,71 CSLL Retida na Fonte 0,00 CSLL Estimativa Paga 3.607,09 CSLL Estimativa Compensada 7.237,49 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 212 6 Saldo a Compensar (10.179,87) AnoCalendário de 1999 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 2.782,20 CSLL Retida na Fonte 0,00 1/3 da Cofins (valor confirmado) 215,21 CSLL Estimativa Paga 1.689,36 CSLL Estimativa Compensada 13.458,84 Saldo a Compensar (12.581,21) AnoCalendário de 2000 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 3.211,55 CSLL Retida na Fonte 0,00 CSLL Estimativa Paga 0,00 CSLL Estimativa Compensada 18.705,82 Saldo a Compensar (15.494,27) AnoCalendário de 2001 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 4.057,16 CSLL Retida na Fonte 0,00 CSLL Estimativa Paga 0,00 CSLL Estimativa Compensada 23.254,28 Saldo a Compensar (19.197,12) AnoCalendário de 2002 Discriminação Valores R$ CSLL Devida 5.263,04 CSLL Retida na Fonte 0,00 CSLL Estimativa Paga 0,00 CSLL Estimativa Compensada 23.430,11 Saldo a Compensar (18.167,07) Restou comprovado no Despacho Decisório DRF/CLX/RS nº 811, de 21.09.2010, fls. 158162: Fundamentos A interessada, conforme demonstram os extratos do sistema interno IRPJ Cons relativos à Declaração de Rendimentos Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anexados às fls. 53/90, apresentou base de cálculo positiva de CSLL nos anos calendário de 1996 até 2002, sendo os valores devidos de CSLL inferiores ao efetivamente quitado a título de estimativa. Constatouse, da análise das DIPJ's acima citadas, que parte do crédito pleiteado no presente processo tem origem no saldo negativo apurado no ano calendário de 1996, tendo em vista a requerente ter se utilizado de compensações efetuadas diretamente na escrita contábil para quitar estimativas dos anos subseqüentes. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 213 7 Assim, com o fito de apurar o crédito em tela, elaborouse as planilhas de fls. 151/157, reconstituindose o crédito deste a data acima referida. Da referida recomposição, cabe observar que, no anocalendário de 1999. a requerente utilizouse como dedução da CSLL devida o valor de R$ 2.782,19, à título de 1/3 da cofins efetivamente paga, todavia, consoante extrato do sistema sinal 10 de fl. 150, o somatório dos valores de COFINS pagos no anocalendário de 1999 totalizam R$ 645,64, sendo 1/3 deste valor o montante de R$ 215,21. Ainda, na DCTF de fls. 138/149, constatouse que o total dos débitos de Cofins declarados para o referido período também totalizam R$ 645,65. Por conseguinte, verificase que a requerente utilizouse da dedução em montante superior a que teria direito o que resultou em aumento do saldo negativo apurado no período em comento. [...] Deste modo, procedeuse o recálculo do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999, limitando a dedução à título de 1/3 da cofins ao valor confirmado de R$ 215,21, conforme demonstrado na planilha de fl. 154. Uma vez diminuído o saldo negativo do anocalendário de 1999 de R$ 15.148,19 para R$ 12.581,21, e como a requerente utilizavase dos saldos apurados em suas DIPJs em compensações de débitos de estimativas de anos subseqüentes, a referida redução teve como efeito uma diminuição dos saldos negativos apurados nos anos seguintes, devido insuficiência dos créditos frente aos débitos de estimativas compensados, consoante planilhas de fls. 154/156. Conforme planilha de fl. 156, a situação descrita no parágrafo anterior culminou em falta do crédito do anocalendário de 2001 para quitar a totalidade das estimativas com ele compensadas, remanescendo descoberto o valor de R$ 279,90, referente a estimativa de outubro de 2002. Todavia, consoante § 12 do artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzido pela Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito, deveria a requerente, para compensar o débito de estimativa de outubro de 2002, utilizarse de Declaração de Compensação entregue, à época, à Secretária da Receita Federal SRF, pois, a partir de Io de outubro de 2002, não poderia a requerente utilizarse de autocompensação, ou seja, compensação efetuada diretamente na escrita contábil. [...] Assim, foi diminuído do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 o valor de R$ 1.955,61, referente a parte da estimativa de outubro de 2002 compensada em inconformidade com o texto legal acima transcrito. Dessa forma, é passível de compensações, o valor de R$ 18.167,07 (dezoito mil, cento e sessenta e sete reais e sete centavos) referente à CSLL anocalendário de 2002, de acordo com a planilha de fl. 157, nos termos do artigo 6º, § 1º, II e 28 da Lei n° 9.430, de 27/12/96. Por outro lado, devese observar o disposto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o qual prevê o prazo de cinco anos para que a autoridade fazendária se manifeste sobre a homologação da compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): [...] Assim, constatase a homologação por disposição legal das declarações de compensação apresentadas em 23/09/2003 e 17/11/2004 de fls 44/50 e 23. Decisão Em face do exposto e mais o que dos autos consta, homologo em parte a compensação dos débitos objeto das declarações de compensação vinculadas ao Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 214 8 presente processo, até o limite do valor de R$ 18.167,07 (dezoito mil, cento e sessenta e sete reais e sete centavos), e que deverão ser acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial Selic, de acordo com o artigo 72, § Io, IV, da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, e reconheço a homologação por disposição legal das Declarações de Compensação apresentadas em 23/09/2003 e 17/11/2004 de fls 44/50 e 23. (grifos acrescentados). A Recorrente, contudo, não apresenta um conjunto probatório robusto a afastar as constatações apresentadas pela DRF/CLX/RS no sentido de que "o somatório dos valores de COFINS pagos no anocalendário de 1999 totalizam R$ 645,64, sendo 1/3 deste valor o montante de R$ 215,21", conforme pagamentos efetuados confirmados à fl. 150. Consta no Acórdão da Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1034.631, de 30.09.2011, efls. 190194, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): DECADÊNCIA O contribuinte, ao final de sua impugnação, requereu que seja levado em conta o prazo decadencial previsto na Lei nº 10.833, de 2003, e no artigo 150, do Código Tributário Nacional, mas não diz sobre que fatos devem ser considerados os prazos decadenciais. De qualquer sorte, o artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, dispõe que o prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. No caso do PER/DComp nº 26658.69870.040806.1.7.03.4609, a data da entrega foi em 04/08/2006, a decisão que homologou parte das compensações declaradas foi proferida em 21/10/2010 e a ciência em 07/02/2011, portanto quando ainda não tinha transcorrido o prazo para a homologação da compensação. Por outro lado, observase em face do disposto no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional que as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Considerandose que prazo decadencial diz respeito ao direito de o fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento e que, no caso, não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de cobrança de crédito tributário confessado pelo sujeito passivo, que está subordinada ao prazo de cinco anos previsto no artigo 174 do Código Tributário Nacional. Assim, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, somente depois de cessada a suspensão é que se iniciará a contagem do prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, situação que somente vai ocorrer quando do for julgada de forma definitiva a manifestação de inconformidade contra o ato que não homologou as compensações declaradas. MÉRITO O contribuinte concorda com os fundamentos do Despacho Decisório que homologou parte de suas compensações declaradas. Entretanto, busca a alteração dos valores declarados da DIPJ do anocalendário de 1999, alegando que incorreu em erro no preenchimento das Fichas 29 e 30 ao informar indevidamente como adição das bases de cálculo da CSLL e IRPJ o valor de R$ 2.782,19. Tal adição Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13017.000101/200302 Acórdão n.º 1003000.179 S1C0T3 Fl. 215 9 indevida alteraria os valores dos saldos negativos do período, o que influenciaria na compensação efetuada da estimativa de outubro de 2002. Ocorre que tal questão não foi objeto de analise no Despacho Decisório combatido. Desse modo não se firmou o litígio hábil a firmar a competência da DRJ – determinada pelo art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587, de 21 de dezembro de 2010 –, que é restrita ao julgamento de questões previamente apreciadas: [...] Não é logicamente possível que o contribuinte manifeste sua inconformidade de questão não apreciada pela unidade de origem. A nova situação de fato alegada pelo contribuinte deve ser analisada pela autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição e homologar a compensação, que, de regra, é o titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio da contribuinte, em face do disposto nos arts. 57 e 63 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008: [...] Portanto, como o contribuinte traz fato novo, não analisado no Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas, esta Turma de Julgamento não tem competência legal para o julgamento da questão levantada. (grifos do original) Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 12971.001102/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 28/02/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. NEGATIVA GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem o condão de alterar o lançamento, a simples negativa genérica de inocorrência do fato gerador, desacompanhada do indispensável arrimo probatório.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para reconhecer extinto o tributo lançado para as competências do período de apuração de maio e outubro de 1999. Em relação ao mérito, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA PARCIAL. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. NEGATIVA GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE. Não tem o condão de alterar o lançamento, a simples negativa genérica de inocorrência do fato gerador, desacompanhada do indispensável arrimo probatório. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para reconhecer extinto o tributo lançado para as competências do período de apuração de maio e outubro de 1999. Em relação ao mérito, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 11 02 /2 00 8- 18 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 398 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra Decisão Notificação da então Secretaria da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. As remunerações pagas aos segurados empregados, discriminadas nas folhas de pagamento da empresa, parte dos segurados, as quais foram descontadas e não recolhidas. Foram lançadas na presente NFLD, as contribuições descontadas dos empregados, incidentes sobre os valores constantes da Folha de Pagamento e declarados em GFIP, com o Código de Levantamento “FPG” (valores da Folha de Pagamento declarados em GFIP); Os valores constantes das Folhas de Pagamento e não declarados em GFIP, os quais foram lançados na presente NFLD em levantamento separado (Cód. de levantamento “FP”). Os valores constantes das Folhas de Pagamento e que puderam ser constatados que foram declarados em GFIP, após o início da Ação Fiscal, lançados na presente NFLD em levantamento separado (Cód. de levantamento “FPD”). No procedimento fiscal realizado, verificouse que o Hospital e Maternidade Albert Sabin SB Ltda., sujeito passivo do procedimento fiscal realizado, ora notificado integra grupo econômico de fato, formado pelo mesmo e pelas seguintes empresas: Micromed Assistência Médica S/C Ltda; Sabin Labcenter Diagnóstico e Terapia S/C Ltda; Central de Diagnose por Imagem de Campinas S/C Ltda. PERÍODO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO: 05/1999; 10/1999; 10/2000; 11/2000; 12/2000; 01/2001; 05/2001; 07/2001 a 07/2002; 12/2003; 13/2003; 02/2004; 04/2004 a 06/2004; 09/2004 a a 11/2004 (declarados em GFIP); e 12/2004 a 02/2005 (não declarados em GFIP). Tratamse de empresas com personalidade jurídica próprias, mas se vinculam no seu modo operacional, possuindo, em todas elas, o mesmo quadro societário, com identidade dos sócios. A identidade dos sócios foi constatada através da análise do Contrato Social e Alterações da empresa sob ação fiscal e das demais empresas do grupo (xerox apresentados). Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 399 3 Na mesma ação fiscal foram constituídos os seguintes créditos tributários: NFLD DEBCAD No. 35.774.9740 de 31/03/2005 referente: a contribuições a cargo da empresa quota patronal (Empresa+RAT+Terceiros) sobre a Folha de Pagamento de seus empregados/GFIP/; a contribuições da empresa quota patronal e de seus empregados (não descontadas dos mesmos) sobre Diferenças de Salários constatadas e sobre Pagamentos efetuados a Pessoas Físicas (empregados) extra Folha de Pagamento consideradas como pagamento a contribuintes individuais (autônomos) pela empresa/;a Adicional de RAT ref. Aposentadoria Especial cf. informações obtidas nas FP/GFIP/; a pagamentos efetuados a Autônomos serviços diversos não declarados em GFIP/;a Diferenças de Acréscimos Legais referentes a GRPS/GPS recolhidas; NFLD DEBCAD No. 35.774.9758 de 31/03/2005 referente: a contribuições a cargo da empresa quota patronal (Empresa+RAT+Terceiros) e dos empregados (não retidas) incidentes sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas, prestadores de serviço da área da saúde (médicos e afins), considerados como contribuintes individuais autônomos pela empresa (não declarados em GFIP), enquadrados como empregados pela fiscalização. NFLD DEBCAD No. 35.774.9790 de 31/03/2005: a Retenção (11%) sobre Cessão de Mão de Obra / Empreitada Empresas prestadoras de Serviços Diversos (a partir de 02/1999) NFLD DEBCAD No. 35.774.9766 de 31/03/2005 referente: a Retenção (11%) sobre Cessão de Mão de Obra / Empreitada Empresas prestadoras de Serviços Diversos (a partir de 02/1999) (exceto as da área da saúde lançadas na NFLD acima citada). A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento (fls. 268/274), nos termos da seguinte ementa: PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RETENÇÃO DA PARTE DOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar mediante desconto e recolher a contribuição dos segurados empregados.. PREVIDÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese em dez anos. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente entre si, na forma da lei. PREVIDÊNCIA SOCIAL. ACÉSCIMOS LEGAIS. SELIC. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 400 4 As contribuições sociais, não recolhidas em épocas próprias, estão sujeitas à multa e aos juros equivalentes à taxa SELIC. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/11/205, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 23/12/2005, data da postagem nos Correios, alegando, em síntese: A decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 16/05/2005, data da ciência da NFLD, estando decadentes os fatos geradores ocorridos nas competências entre 05/1999 a 05/2000, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Não há crédito tributário, posto que todos os valores descontados dos empregados foram recolhidos. Em face da exiguidade do prazo para apresentação de defesa e da grande quantidade de documentos, deixa de apresentar a comprovação dos pagamentos nesse momento, prometendo fazêlo em momento oportuno. A inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic. Pleiteia a juntada posterior de documentos. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulado o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência O recorrente alega a prescrição e a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No que tange à prescrição, que é a perda do direito de ação, não há de se cogitar, uma vez que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa com o protocolo da impugnação. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 401 5 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5°do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1°do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 402 6 aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula n° 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados se referem à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, no presente caso, temos que o lançamento se perfectibilizou com a ciência pessoal ocorrida em 16/05/2005 (fl.169). Verificouse que há nos autos prova de que houve antecipação do pagamento relativa ao crédito tributário lançado. O Relatório RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados comprova que há apropriação de pagamentos para o debcad correspondente ao presente lançamento. Desse modo, aplicase a Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 403 7 regra inserta no art. 150, § 4º, do CTN. Ainda que houvesse antecipação de pagamento, deverá ser observada a Súmula CARF nº 106: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Estão atingidas pela decadência, pois, as competências de 05/1999 e 10/1999. Da ocorrência do fato gerador regularidade do lançamento A recorrente faz negativa genérica em relação à existência do crédito tributário, alegando que todos os valores descontados dos segurados foram efetivamente recolhidos. Aduz que possui todos os comprovantes de pagamentos e que irá carreálos aos autos em outro momento, dada a exiguidade do prazo para apresentação de defesa/recurso. Todavia, passados quase três anos da interposição do recurso voluntário, nenhum documento foi juntado comprovando a alegada inocorrência do fato gerador, que resultou no lançamento do presente crédito tributário. De outro lado, temse como regular todo o procedimento de constituição do crédito tributário, tendo a autoridade lançadora cumprido regularmente o poderdever que lhe incumbia, não havendo qualquer mácula ou irregularidade no lançamento que possa ser reconhecida pelo julgador administrativo, com exceção da decadência, que já fora razão do inconformismo recursal. Desse modo, carece de comprovação a alegada inexistência do fato gerador, devendo ser declarado hígido o presente crédito tributário. Da aplicação da Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a argumentação da recorrente quanto a não incidência de juros de mora no presente lançamento. Da afronta a princípios constitucionais Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12971.001102/200818 Acórdão n.º 2201004.641 S2C2T1 Fl. 404 8 A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infrigência aos princípios da estrita legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, em preliminar, reconhecer a decadência das competências 05/1999 e 10/1999 e, no mérito, negar lhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.004613/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
PIS/PASEP. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, INC. I DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF.
Numero da decisão: 9303-007.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, INC. I DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 46 13 /2 00 6- 11 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 9303007.465 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 330201.027, de 02 de junho de 2011 (efolhas 390 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. A decadência dos tributos lançados por homologação operase no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, independentemente de antecipação de pagamento. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 9303007.465 CSRFT3 Fl. 4 3 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 6. PASEP. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PASEP é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos tributários não pagos no vencimento sofrem o acréscimo da SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. INOPORTUNIDADE. A compensação tributária tem procedimentos específicos, não cabendo seu pedido em sede de impugnação de lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 362 e segs) diz respeito à contagem do prazo decadencial do direito que detém a Fazenda de constituir o crédito tributário devido pelo contribuinte. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 399 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos formais e materiais para o seu conhecimento. Mérito Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 9303007.465 CSRFT3 Fl. 5 4 A discussão devolvida a esse colegiado restringese à controvérsia relativa ao termo inicial da contagem do prazo decadencial. Se aplicável o § 4º do art. 150 do CTN, ou o inc. I do art. 173 do CTN. O acórdão recorrido, entendeu que a contagem do prazo decadencial seria de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, pela aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, e que a aplicação deste entendimento independeria da existência ou não de antecipações de pagamento. Por sua vez a Fazenda Nacional defende a contagem do prazo na forma prevista no inc. I do art. 173 do CTN. Transcrevo abaixo esses dispositivos do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A interpretação que faço destas duas regras, sobretudo após a decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, é que a regra geral para contagem do prazo decadencial é a prevista no inc. I do art. 173 do CTN. A aplicação do § 4º do art. 150 do CTN está condicionada a que o contribuinte tenha efetuado antecipações de pagamento e que tenha procedido sem incorrer em qualquer espécie de dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, por aplicação do § 2º do art. 62 do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o Colegiado deve aderir à tese adotada pelo STJ no Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 9303007.465 CSRFT3 Fl. 6 5 julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, cujo acórdão foi submetido ao regime do art. 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 9303007.465 CSRFT3 Fl. 7 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso, como não houve antecipações de pagamentos e nem declarações de débito, o caso encaixase à perfeição à Sumula nº 555 do STJ, abaixo transcrita: Quando não houver declaração de débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015). Pela planilha demonstrativa de efls. 51/55, constatase que a partir do fato gerador de novembro/1999, inclusive, não houve qualquer antecipação de pagamentos a título de recolhimento do PIS/Pasep da contribuinte. O auto de infração foi lavrado em 30/11/2006, efl. 168, e cientificado ao contribuinte em 04/12/2006 AR à efl. 190. Foram lançados os fatos geradores de 01/1997 a 12/2005. Desta forma, pela aplicação do inc. I do art. 173 do CTN, não estão decaídos os créditos lançados referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/2000. O crédito tributário relativo ao PIS/Pasep do mês 12/2000 só tem seu vencimento em janeiro/2001 e só a partir do ano calendário de 2001 é que poderia ter sido efetuado o lançamento, sendo o primeiro dia do exercício seguinte, data do início da contagem do prazo decadencial, o dia 1º/01/2002 e seu encerramento em 31/12/2006. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 04/12/2006, confirmase que não estão decaídos os fatos geradores realizados a partir de 01/12/2000. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 9303007.465 CSRFT3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido no sentido de que não estão decaídos os fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/2000. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720437/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 37 /2 01 5- 45 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10120.720437/201545 Acórdão n.º 1401002.695 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 4º trimestre de 2012, nos valores de R$ 1.355,61 e R$ 1.501,23, transmitida através do PER/Dcomp nº 33125.32077.180613.1.3.022649 e 31845.84539.180613.1.3.027733. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10120.720437/201545 Acórdão n.º 1401002.695 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10120.720437/201545 Acórdão n.º 1401002.695 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10120.720437/201545 Acórdão n.º 1401002.695 S1C4T1 Fl. 6 5 de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720007/2012-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ.
A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de documentos de emissão do respectivo profissional como prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Súmula CARF nº40.
Numero da decisão: 2002-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de documentos de emissão do respectivo profissional como prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Súmula CARF nº40.
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de documentos de emissão do respectivo profissional como prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Súmula CARF nº40. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 07 /2 01 2- 45 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 122 2 (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.176,97, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 48 dos autos, conforme decisão da DRJ: “III a Os valores pagos ao Plano de Saúde através do Ministério da Saúde foram descontados mês a mês nos contra cheques, o respectivo informe de pagamentos emitido pelo Plano de Saúde, não me foi disponibilizado, mas posso afirmar com toda segurança que o valor informado no Comprovante de Rendimentos do Ministério da Saúde no campo 6 Informações Complementares Despesas MédicoOdontoHospitalares no valor de R$ 1.801,72, que sou a única beneficiária do referido Plano de Saúde; III b Quanto às glosas com os profissionais Alexandre Mendes Tostes, Francisco Carlos Celidônio de Barros, Priscila Britto Pereira, Angélica Barros ereira, Artur José de Freitas Lopes e Roosevelt Mangia, nos valores respectivamente de R$. 510,00, R$. 2.500,00, R$. 2.000,00, R$. 3.000,00, R$. 50,00 e R$. 12.100,00, em referência no item II, estou anexando os comprovantes de pagamentos (30 xeroxs), juntamente com as Declarações de retificação e Ratificação dos profissionais (6 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 123 3 xeroxs), comprovando os respectivos endereços, número de inscrição nos respectivos Conselhos de Classe, CPFs e identificação da beneficiária dos serviços prestados, para a devida comprovação. Face ao exposto, vem pelo presente IMPUGNAR a referida NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO, solicitando o seu arquivamento e que sejam restabelecidos os dados relativos a Declaração Original.” A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que por unanimidade, em 31/07/2015, no acórdão 0958.165, às efls. 61 a 68, julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando a seguinte glosa: No referido comprovante, em nome da contribuinte, fornecido pelo Ministério da Saúde, fica evidenciado que dos rendimentos a ela pagos houve descontos de despesas médicoodontohospitalares no total de R$ 1.801,72, o que afasta a motivação do lançamento calcada na falta de comprovação de efetividade do pagamento. Em que pese a ausência de identificação individual dos beneficiários, o que impossibilita a autoridade julgadora de saber se as despesas médicas foram apenas em favor do(a) próprio(a) contribuinte, consoante alegação passiva, não é cabível, em sede de julgamento, alterar a motivação para a glosa exposta no lançamento. Assim, deve ser restabelecida como dedução de despesas médicas a importância de R$ 1.801,72, o que exime a contribuinte do pagamento de R$ 495,47 (=0,275 x 1.801,72) a título de imposto suplementar. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 74 a 119, no qual reitera as razões da impugnação, juntando documentos e declarações dos profissionais Alexandre Alberto Mendes Tostes, Francisco Carlos Celidônio de Barros, Preiscila Britto Pereira, Angélica Barros Pereira, Artur José de Freitas Lopes e Roosevelt Mangia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/08/2015, efls. 73, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 24/08/2015, efls. 74, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 124 4 A contribuinte foi autuada pela glosa das seguintes despesas médicas: · Artur José de Freitas Lopes R$ 550,00; · Alexandre Alberto Mendes Tostes R$ 510,00; · Ministério da Saúde R$ 1.801,72; · Francisco Carlos Celidônio R$ 2.500,00; · Roosevelt Mangia R$ 12.100,00; · Priscila Britto Pereira R$ 2.000,00; · Angélica Barros Pereira R$ 3.000,00. A DRJ afastou a glosa das despesas médicoodontohospitalares, no valor de R$ 1.801,72, baseado no comprovante de rendimentos da contribuinte emitido pela fonte pagadora (Ministério da Saúde). As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 125 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 126 6 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 127 7 documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 128 8 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, subsistem as seguintes glosas de despesas médicas, que afasto pela análise das declarações dos profissionais e recibos indicados: · Francisco Carlos Celidônio (R$ 2.500,00): declaração efls. 116 e recibos efls. 90 e 91; · Priscila Britto Pereira (R$ 2.000,00): declaração efls. 118 e recibos e fls. 92 a 101; · Angélica Barros Pereira (R$ 3.000,00): declaração efls. 119 e recibos e.fls. 102 a 113; · Alexandre Alberto Mendes Tostes (R$ 510,00): declaração efls. 115 e recibo efls. 12. · Artur José de Freitas Lopes (R$ 550,00): declaração efls. 114 e recibos efls. 37 e 38 Com relação as despesas médicas com o profissional Roosevelt Mangia, no importe de R$ 12.100, 00, mantenho a decisão de piso, nos seguintes termos: Cumpre registrar que dentre os profissionais listados pela declarante está o Sr. Roosevelt Mangia, cujos recibos, nos termos expressos na notificação, “são imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, em face do ‘Ato Declaratório Executivo nº 24, de 14 de outubro de 2011’, publicado no Diário Oficial da União de 26 de outubro de 2011.” Nestes termos, mantenho a glosa das despesas médicas pela aplicação da Súmula 40 do CARF, cujo teor é: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 129 9 Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando as glosas quanto a Francisco Carlos Celidônio (R$ 2.500,00), Priscila Britto Pereira (R$ 2.000,00), Angélica Barros Pereira (R$ 3.000,00), Alexandre Alberto Mendes Tostes (R$ 510,00) e Artur José de Freitas Lopes (R$ 550,00). Mantenho a glosa em relação ao profissional Roosevelt Mangia, no importe de R$ 12.100, 00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 130 10 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas indicadas em seu voto. De fato, em geral, a prova das despesas médicas se faz mediante a apresentação de recibos. Não obstante, a norma legal não dá a esses documentos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 131 11 prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamentos seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13786.720007/201245 Acórdão n.º 2002000.293 S2C0T2 Fl. 132 12 Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, é de se negar provimento ao recurso, mantendose a glosa integral da despesa médica. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.916925/2011-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
IPI. SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO.
O montante do saldo credor passível de ressarcimento num trimestre depende de eventual saldo credor remanescente de período anterior, assim como dos débitos do imposto incorridos no próprio trimestre analisado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. O montante do saldo credor passível de ressarcimento num trimestre depende de eventual saldo credor remanescente de período anterior, assim como dos débitos do imposto incorridos no próprio trimestre analisado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 69 25 /2 01 1- 72 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10983.916925/201172 Acórdão n.º 3002000.391 S3C0T2 Fl. 151 2 Relatório Por bem retratar as vicissitudes do presente processo, reproduzse o relatório do Acórdão recorrido: "Em exame no presente processo o PER nº 17970.56344.220311.1.5.0193872, ao qual foi vinculada a DCOMP nº 32336.08765.220311.1.7.0192473, por intermédio dos quais a pessoa jurídica retro identificada pretendeu utilizar o saldo credor do IPI apurado ao final do 4º trimestre 2009, da ordem de R$ 27.455,49, para a extinção de débitos de igual montante, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Da análise eletrônica do pleito, realizada pelo SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensação, resultou o Despacho Decisório de fl. 25, que concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório, da ordem de R$ 26.372,66 e pela homologação parcial da mencionada DCOMP. A motivação do reconhecimento parcial encontrase indicada no referido ato decisório, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatou se o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 27.455,49 Valor do crédito reconhecido: R$ 26.372,66 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Cientificado do despacho decisório em 18/01/2012 [fls. 26/27], manifestou a contribuinte a sua inconformidade em 08/02/2012 por intermédio do arrazoado de fls. 28/33, no qual: alega que o próprio programa do PER/DCOMP apontou como passível de ressarcimento o valor R$ 27.455,49, depois de proceder as deduções das compensações anteriormente efetuadas e demonstrar um valor de R$ 83.972,05 como saldo credor ajustado do período; acrescenta que não pode ser penalizado por uma análise equivocada no referido despacho decisório e, que a glosa não tem fundamentação legal nem detalhamento de onde foram extraídos os supostos valores não ressarcíveis que haviam sido apontados pelo próprio programa gerador como passíveis de ressarcimento; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10983.916925/201172 Acórdão n.º 3002000.391 S3C0T2 Fl. 152 3 Requer, ao final, a revisão do despacho decisório para homologação integral da compensação declarada." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora (DRJ/JFA) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar demonstrado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento acumulados no trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Passível de Ressarcimento) foi utilizada para abater débitos informados no RAIPI/PGD no trimestrecalendário a que se refere o crédito utilizado na DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 89/93), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10983.916925/201172 Acórdão n.º 3002000.391 S3C0T2 Fl. 153 4 Como relatado anteriormente, a ora recorrente trouxe em seu Voluntário os mesmos argumentos já apresentados na Manifestação de Inconformidade. Basicamente, a recorrente se insurgiu contra o deferimento parcial do seu pedido de ressarcimento no PER/DCOMP nº 17970.56344.220311.1.5.019387 e, conseqüentemente, com a homologação parcial das compensações declaradas no PER/DCOMP nº 32336.08765.220311.1.7.019247 alegando que o saldo credor passível de ressarcimento foi calculado pelo próprio programa da Receita Federal, assim, segundo ela, não restaria razão plausível para a mudança de critério e, ainda, que tal fato gera enorme insegurança jurídica nos contribuintes. Primeiramente, devese esclarecer que o PGD PER/DCOMP se constitui num programa offline gerador de documentos, no qual o sujeito passivo elabora o seu pedido de restituição/ressarcimento e suas declarações de compensação. Contudo, o resultado apresentado pelo programa, por um lado, é meramente informativo, pois depende para a sua confirmação de um processamento realizado posteriormente, que confronta os dados informados nessa declaração com os dados de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, assim como com outras informações presentes no banco de dados da Receita Federal. Por outro, o resultado mostrado pelo PGD depende dos dados alimentados pelo próprio contribuinte, ou seja, o resultado será mais confiável, quanto mais fidedignas forem as informações prestadas. No caso ora analisado, a diferença entre o resultado apresentado pelo programa no momento da transmissão da declaração e o crédito passível de ressarcimento reconhecido através do Despacho Decisório acostado aos autos deveuse a inconsistência da informação sobre o saldo credor do período anterior, como bem demonstrado no voto condutor do Acórdão recorrido: "O programa apura os valores partindo dos dados informados pelo próprio contribuinte, de modo que, se a entrada de dados é falha, o resultado apontado também será falho. Registrese a propósito, que o contribuinte ao informar no PGD o saldo credor advindo de período anterior sequer tomou o cuidado de transcrever o saldo apurado ao final do trimestre anterior. Note se que o saldo credor de período anterior informado no PER 17970.56344.220311.1.5.019387 [do 4º trimestre/2009, em análise no presente processo], da ordem de R$ 68.811,96, é muito superior ao saldo credor apurado ao final do 3º trimestre/2009, no valor de R$ 50.082,78, conforme consulta realizada no PER 23630.04074.220311.1.5.016038, transmitido para utilização do saldo daquele trimestre de apuração. E o mínimo que se poderia esperar é que o saldo de partida do trimestre subseqüente fosse igual ao saldo apurado ao final do trimestre imediatamente anterior. Tal fato resultou, mesmo depois do ajuste dos saldos do RAIPI mediante estorno do valor utilizado do saldo credor do 3º trimestre/2009 [R$ 11.212,57], na transferência indevida de R$ 57.599,39 [R$ 68.811,96 menos R$ 11.212,57] a título de saldo credor advindo do 3º trimestre/2009 para o 4º trimestre/2009. Referido saldo de partida, embora se trate de crédito não ressarcível, pode ser utilizado para a amortização de débitos escriturados no período. Foi o que aconteceu, como relatado no parágrafo anterior do Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10983.916925/201172 Acórdão n.º 3002000.391 S3C0T2 Fl. 154 5 presente voto: todos os débitos escriturados no 4º trimestre/2009 foram amortizados pelo saldo credor advindo do trimestre anterior, resultando na indicação, pelo PGD, de todos os créditos escriturados no trimestre como saldo credor passível de ressarcimento." Dessa forma, não há que se falar em alteração de critérios ou de insegurança jurídica, porquanto o crédito reconhecido no trimestre em questão decorreu do processamento das informações prestadas pelo próprio sujeito passivo tanto na declaração correspondente, como nas declarações referentes aos trimestres anteriores. Ademais, repisese que a recorrente não teceu nenhum comentário em seu Recurso Voluntário sobre as explicações trazidas no Acórdão recorrido. Assim, não há motivos para não se reconhecer a pertinência e justeza da decisão da instância a quo. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722379/2016-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2001-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 79 /2 01 6- 49 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos. Destacamos o seguinte trecho constante do lançamento: “Contribuinte regularmente intimada, não apresentou comprovante de rendimentos. Lançamento conforme dados informados pela fonte pagadora. Também não há direito à isenção, ainda que se trate de rendimentos de aposentadoria, conforme segue. Contribuinte impetrou ação judicial (Processo 2006.34.00.0277007 para conversão de aposentadoria por invalidez por doença não especificada em lei para aposentadoria por invalidez por acidente em serviço, além do reconhecimento de moléstia profissional. Laudo Médico da Câmara dos Deputados conclui pela moléstia profissional, de acordo com a sentença proferida no Processo 2006.34.00.0277007. Como a sentença não transitou em julgado, a Assessoria Técnica da Câmara dos Deputados determinou que fosse aguardado o trânsito em julgado. Diante disso, a contribuinte impetrou nova ação, objetivando, em sede de antecipação de tutela, a suspensão do desconto do IR. Foi proferida sentença, em 24/06/2015 (Processo 033162.78 2015.4.01.3400) deferindo a tutela antecipada. Portanto, isenção do IR concedida judicialmente até o momento, somente a partir de 24/05/2015.” O contribuinte apresentou impugnação, não conhecida por Acórdão da DRJ SÃO PAULO, cuja ementa transcrevese abaixo: " CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido." Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 90/96. Em síntese, alega ser portadora, desde 2009, de moléstia especificada em lei. Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que o Laudo Médico atesta a enfermidade. Insurgese contra a decisão de primeira instância, ao argumento de que não há identidade de objeto entre o processo administrativo e os processos judiciais. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.722379/201649 Acórdão n.º 2001000.411 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Verificase que a pretensão da recorrente (isenção do IR) sujeitase a confirmação de decisão judicial não transitada em julgada. No próprio Laudo apresentado pela contribuinte (em que não há a descrição da moléstia), consta a informação que o documento foi emitido “de acordo com a decisão proferida no processo 2006.34.00.0277007”. Convém citar trecho do Acórdão de primeira instância, que, por considerar irretorquível, adoto integralmente no presente voto: “Verificase na sentença de fls. 39/44, que a contribuinte ingressou com a Ação Ordinária nº 2006.34.00.0277007, na Justiça Federal do Distrito Federal, objetivando a conversão da aposentadoria por invalidez por doença não especificada em lei para aposentadoria total e permanente por invalidez em acidente de serviço. O Laudo de Junta Médica da Coordenação Médica da Câmara dos Deputados, de fl. 37, anexado pela contribuinte conclui que a mesma é portadora de moléstia profissional de acordo com a sentença proferida no processo nº 2006.34.00.0277007. Se o Laudo Médico é requisito para o reconhecimento da isenção dos proventos de aposentadoria por portador de moléstia grave e o Laudo Médico em questão está baseado em sentença proferida nos autos de ação ordinária, encontrase a isenção dos rendimentos considerados omitidos pelo lançamento sub judice. Uma vez submetida ao Poder Judiciário, a matéria não pode ser objeto de apreciação no âmbito administrativo, cuja decisão não poderia se sobrepor à proferida naquela esfera, à qual é dado examinar as questões de forma definitiva, com efeito de coisa julgada, cabendo à contribuinte aguardar o trânsito em julgado para ter reconhecido ou não o pedido de restituição formulado pela entrega da declaração retificadora.” (grifo nosso) Há que se reconhecer no caso a aplicabilidade da Súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 102DF CARF MF 4 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, concluo pelo não conhecimento do recurso voluntário, haja vista a constatação de concomitância do processo na esfera judicial. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720003/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/01/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/01/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 641 1 640 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720003/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.980 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO Recorrente BETRA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/01/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, temse por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplicase a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 03 /2 00 8- 90 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 642 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da DRJ/FOR: Contra a empresa BETRA TRADING S/A, ora impugnante, já devidamente qualificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília (DF), em sede do procedimento especial de fiscalização aduaneira das Declarações de Importações registradas no período de 01/06/2005 a 31/05/2006, em face de interposição fraudulenta em operações de comércio exterior, em que foi apontada como responsável solidário a empresa VIDA INTERNACIONAL LTDA (CNPJ nº 61.608.337 1000170). Por conseguinte, foi lavrado e registrado o AI em causa para aplicação de multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, vez que a mercadoria não foi encontrada ou destinada a consumo, do que restou apurado o crédito tributário total de R$ 255.397,51. A empresa VIDA INTERNACIONAL LTDA promoveu grande parte de suas importações na qualidade de adquirente de mercadorias de procedência estrangeira. Uma das empresas que promoveu as importações na qualidade de importadora foi a BETRA TRADING S/A. A fiscalização teve início com a emissão do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação 001/2007, na data de 03/07/2007, por meio de diligência realizada no estabelecimento da empresa VIDA INTERNACIONAL LTDA, na Rua João Vedovello, 169/A Jardim Santa Cândida Campinas (SP), tendo sido recebida naquela ocasião pelo seu gerente e representante legal, Sr. Antônio Cláudio Barchi (CPF nº 601.069.56868), o qual tomando ciência do procedimento foi intimado a apresentar documentos, livros e esclarecimentos de interesse fiscal. A Fiscalização descreveu no seu relatório um extenso rol de providências investigatórias sobre as atividades do comércio exterior praticadas pela empresa Vida Internacional, bem como uma larga sequência de reintimações fiscais que, ao final, possibilitaram a apuração de diversos fatos, dos quais destacaremos os principais, como segue. 1. A empresa Vida Internacional Ltda foi constituída em 02/05/1989, sob a denominação social de "Airways Comércio Internacional LTDA." O objeto social da empresa constava como "exploração do comércio em geral de artigos nacionais e estrangeiros, inclusive por meio de importação e exportação e a representação de...”. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 643 3 2. O Sr. Antônio Cláudio Barchi (CPF nº 601.069.56868) foi admitido na sociedade com 33% do capital social, alteração esta registrada na JUCESP sob n° 47.499/928 (fls. 330), de 01/02/1992. 3. O capital social foi aumentado para o valor atual de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) com a utilização de Reservas de Correção Monetária e Reserva de Lucros, alteração esta registrada na JUCESP sob n° 54.884/974, em 01/04/1997. 4. O Sr. José Aparecido da Cruz, um dos dois sócios atuais da Vida, entrou na sociedade através da Oitava Alteração e Consolidação do Contrato Social da Empresa Airways Comércio Internacional LTDA, alteração esta registrada na JUCESP em 12/08/2002. Esta alteração contratual informa que a sócia Claudia Maria Barchi, possuidora de 100.000 quotas do valor nominal de R$1,00 cada uma, totalizando R$100.000,00, transferiu as referidas quotas ao Sr. José Aparecido da Cruz pelo valor de R$100.000,00, recebidos em “moeda corrente”. 5. Contradizendo a informação anterior, pela análise da Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) do Sr. José Aparecido da Cruz, relativa ao ano calendário de 2002, verificouse que esta participação societária foi adquirida pelo valor de R$2.300,00, com deságio de R$97.700,00, sendo declarada pelo valor de R$100.000,00 em 31/12/2002. No campo de dívidas e ônus reais, foi informado que este valor de deságio seria compensado com direitos de futuras retiradas de lucros na sociedade. A Fiscalização destacou que em 31/12/2001 o patrimônio deste sócio foi declarado como sendo R$ 2.800,00. Não foram apresentados documentos comprobatórios desta integralização, apesar de terem sido solicitados. 6. O citado Sr. Antônio Claudio Barchi retirouse da sociedade em 10/01/2005 transferindo 50.000 quotas no valor nominal de R$1,00 cada uma, à Sra. Maria Aparecida Barqui Avelar, um dos dois sócios atuais da Vida, totalizando R$50.000,00, recebidos em moeda corrente do país, segundo o registro desta Alteração na JUCESP. 7. Contradizendo a informação do item anterior, pela análise da Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) da Sra. Maria Aparecida Barqui Avelar, relativa ao anocalendário de 2005, verificase que no campo de dívidas e ônus reais, foi informada uma dívida para com o Sr. Antônio Claudio Barchi no valor de R$40.000,00. A Fiscalização destacou que em 31/12/2004 o patrimônio desta sócia foi declarado como sendo R$17.800,00. Não foram apresentados documentos comprobatórios desta integralização, apesar de terem sido solicitados. 8. Os atuais sócios da empresa Vida Internacional não possuem qualquer tradição no Comércio Exterior e os seus rendimentos são incompatíveis com o volume e porte da empresa, que obteve uma Receita Bruta em 2006 de R$4.246.305,59 (dados da Demonstração de Resultados apresentada pela fiscalizada), e um volume de comércio exterior de R$ 596.301,01 no mesmo ano, e que em 2007 já atingira a cifra de R$ 5.467.083,06, segundo último levantamento realizado. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 644 4 9. O Sr. José Aparecido da Cruz declarou que iniciou sua vida profissional em 1970 trabalhando numa churrascaria por aproximadamente cinco anos na função de cozinheiro; que desde então continuou exercendo essa profissão como chefe de cozinha tendo trabalhado em diversos restaurantes nos últimos 37 anos; desconhecendo os fornecedores e clientes da empresa Vida. 10. A Sra. Maria Aparecida Barqui Avelar, por seu turno, declarou que não se recordava do valor da fonte de rendimento pessoal aplicada na constituição do capital social da empresa; que não possuía qualquer experiência empresarial no ramo de atividades do comércio exterior; que nunca trabalhou como funcionária de nenhuma empresa e que desconhecia os fornecedores, clientes e produtos da empresa Vida. 11. O capital social da fiscalizada, declarado no valor de R$150.000,00, não reflete a sua movimentação financeira e tampouco as suas operações do comércio exterior (R$10.775.220,00 somente no primeiro semestre de 2007), tornandose incompatível com a sua capacidade operacional, econômica e financeira. 12. O representante da empresa Vida declarou que os recursos para a importação de cada processo eram oriundos da própria empresa a partir dos lucros gerados, e que não possuía nenhuma origem, disponibilidade ou transferência específica para cada DI. Acrescentou que em alguns casos, conseguiu prazo de pagamento com o fornecedor no exterior, suficiente para nacionalizar a mercadoria, efetuar as vendas e pagar o fornecedor. Em outras situações, efetuou desconto de duplicatas das vendas efetuadas para obter recursos. A Fiscalização concluiu que a fiscalizada não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior no período fiscalizado. 13. Ressaltou que todos os elementos apurados no curso do procedimento indicam que a empresa utilizouse de capital de terceiros desconhecidos para promover as operações de comércio exterior por ela efetuadas, caracterizando assim suas operações como feitas por conta e ordem de terceiros, sem seu devido registro junto à SRF. 14. A Fiscalização registrou que identificou 06 (Seis) Declarações de Importações realizadas no período de 01/06/2005 e 31/05/2006, que totalizaram o valor aduaneiro de R$255.397,51, conforme retratado no quadro demonstrativo abaixo exposto, em que figura como empresa importadora a empresa Betra Trading S/A, ora autuada, constando como adquirente a empresa Vida Internacional Ltda. 15. A conclusão do procedimento resultou na lavratura do AI em causa contra a empresa Betra Trading S/A pelo fato de figurar como importadora para outra empresa (Vida), adquirente das mercadorias importadas que não conseguiu demonstrar a origem e a efetiva disponibilidade dos recursos empregados nessas operações. A Fiscalização registrou que a sua relação com o fato gerador da obrigação decorreu de modo direto, pelo fato de ter registrado as DI’s em questão como importadora em nome de terceira empresa adquirente que jamais conseguiu demonstrar possuir capacidade financeira ou operacional para realizar tais Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 645 5 operações, não havendo comprovação do fluxo financeiro requerido para o seu financiamento, cuja origem e transferência permanecem desconhecidas. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante podem ser sinteticamente assim descritas. A) Preliminarmente, arguiu cerceamento de defesa porquanto a menção feita no procedimento aos atos da Portaria COANA 36, de 2006, Nota COANA/COFIA/DIFIA 2007/00397, Nota Técnica COSIT n° 21, de 2005, e ao Manual de Fiscalização, não estariam acessíveis ao contribuinte, vez que não foram disponibilizadas no sistema de consulta pública da legislação fornecido pela própria RFB. B) Que o procedimento fiscalizatório foi instaurado em face da empresa Vida Internacional Ltda, a quem caberia a responsabilidade isolada e exclusiva pelos ilícitos eventualmente apurados. Que o contrato firmado com aquela empresa adquirente das mercadorias importadas define de forma clara que todos os recursos utilizados na importação são oriundos e provenientes da empresa Adquirente. Que o contrato define, também, que aquela empresa seria a única e exclusiva responsável pela negociação e compra dos produtos no exterior. C) Que aos ilícitos imputados àquela empresa (Nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações do comércio exterior; Ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de comércio exterior) são cominadas apenas a pena de perdimento de mercadorias, não admitindo exigência de pagamento de tributos. Concluiu aduzindo que as regras de solidariedade quanto aos tributos não têm qualquer influência ou aplicabilidade no caso vertente. D) Prosseguiu nos seguintes termos: “aqui, precisamente, está o engano do fundamento mestre do auto de infração em relação à Betra Trading S/A, pois, repitase, o AI não exige tributo, nem seus consectários moratórios. O auto exige única e exclusivamente uma multa, autônoma, não vinculada a um tributo. ademais, já houve o desembaraço aduaneiro”. E) Que os ilícitos verificados no procedimento ensejam responsabilidade também na esfera penal, de ordem pessoal, exigindo dolo específico do seu agente, o que afastaria a sua responsabilidade por aquelas infrações. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 646 6 F) Que o fato da empresa adquirente ter sido originalmente habilitada no sistema RADAR a isentaria de qualquer averiguação de sua capacidade financeira, operacional e econômica, sendo presumível sua boafé no caso. Não houve impugnação da responsável solidária, Vida Internacional Ltda. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/REC, no acórdão n° 1142.165, julgou improcedente a impugnação da Betra Trading. A decisão foi assim ementada: IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA de terceiros nas operações do comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não sejam comprovadas. Considerase dano ao erário a INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente. Em Recurso Voluntário, a Betra Trading repisa os exatos termos de sua impugnação, além do pedido de nulidade da decisão de piso, por terlhe negado a produção de prova com a requisição de informações de terceiros. Ao final, requer: preliminarmente, que seja julgado insubsistente o auto de infração ante a ausência de responsabilidade da Recorrente, na qualidade de importadora, nos termos do art. 603, V, Regulamento Aduaneiro, posto que não há qualquer descrição de ato ou fato que a vincule às infrações em tese alinhadas no auto de infração. E, com base na ofensa à plena garantia do contraditório e ampla defesa, posto que o pedido de provas e diligências em 1ª instancia foi negado à Recorrente na fase instrutória, requer seja decretada a nulidade do feito a partir da fase instrutória de primeira instância e de todos os atos subsequentes, a não ser que o julgamento do presente recurso lhe seja favorável. No mérito, sustenta a improcedência do auto de infração. Não houve apresentação de recurso voluntário da responsável solidária, Vida Internacional Ltda. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 647 7 Preliminar Quanto ao argumento de cerceamento de defesa, em virtude da menção feita no procedimento aos atos Portaria COANA n° 36/2006, Nota COANA/COFIA/DIFIA 2007/00397, Nota Técnica COSIT n° 21/2005 e ao Manual de Fiscalização, os quais não estariam acessíveis ao contribuinte, já que não disponibilizadas no sistema de consulta pública da legislação fornecido pela própria RFB, entendo que não há tal nulidade. Isso porque o “enquadramento legal” da autuação está posto corretamente no auto de infração e no relatório fiscal: arts. 602, 604, IV, 618 e §1° do Decreto n° 4.543/02 e art. 73, §§ 1° e 2º da Lei n° 10.833/03; c/c art. 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76 e c/c o art. 81, III da Lei n° 10.833/03. A autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração foi clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. Portanto, não se vislumbra nulidade do auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Quanto ao argumento de nulidade da decisão de piso, tampouco o acolho. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. As diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte em contraposição ao lançamento. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula o que se expõe. É que o referido princípio se destina à busca da verdade, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no cumprimento do seu ônus probatório. Desta forma, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer pedido de diligência e perícia. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 648 8 Em suma, não acolho as preliminares. Mérito A empresa Vida Internacional Ltda. promoveu importações na qualidade de adquirente de mercadorias de procedência estrangeira, estando na qualidade de importadora por conta e ordem, a Betra Trading S/A, ora Recorrente. A fiscalização autuou a importadora (Betra Trading) e a adquirente das mercadorias (Vida Internacional Ltda) como responsável solidário. Foi aplicado o procedimento da Instrução Normativa n° 228/2002 às operações de importação entre a Betra Trading e a Vida Internacional Ltda, com o fim de: I confirmar o regular funcionamento da Vida Internacional sob os aspectos formal (constituição societária) e material (efetivo funcionamento); II confirmar a condição de real adquirente das mercadorias importadas; III examinar a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, dos recursos necessários à prática das operações de comércio exterior, de forma a atestar a capacidade da adquirente para suportar os dispêndios relativos às operações de importação. Com isso, a fiscalização constatou a ocorrência das infrações: 1 Não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos da empregados em operações de comércio exterior, bem como a origem dos recursos financeiros utilizados para integralização do capital social pela Vida Internacional e 2 Ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de comércio exterior. O parágrafo único do art. 5° da IN SRF 228/2002 determina que, para fins de comprovar a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, o sócio com poder de gerência ou diretor que comparecer à RFB deverá demonstrar que possui conhecimento dos detalhes das operações em curso e poder decisório para sua realização, bem como relacionar os nomes das pessoas de contato junto aos fornecedores estrangeiros, indicando os respectivos números de telefone, fax ou endereço eletrônico. Nenhum dos sócios da Vida Internacional demonstrou que possui conhecimento dos detalhes das operações de comércio exterior e nem poder decisório para sua realização, não comprovando, assim, a condição de real adquirente ou vendedora das mercadorias. Ademais, os sócios não possuíam bens e direitos declarados suficientes para arcar com o aumento do capital social da empresa. Além disso, as informações prestadas pela autuada sobre os diversos adiantamentos recebidos de clientes para nacionalização de processos de importação, indicam que a empresa utilizouse de capital de terceiros, fato que revela a ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de comércio exterior. A disposição legal do art. 23, V, § 2º do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou a multa substitutiva. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 649 9 Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que a empresa autuada comprovar a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Então, na interposição presumida as operações de comércio exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem. Havendo presunção legal, cabe à autoridade administrativa apresentar provas do fato que enseja a aplicação dessa presunção. Entendo que os elementos colacionados aos autos são suficientes para a caracterização da interposição fraudulenta presumida. Isso porque a Vida Internacional Ltda adquirente das mercadorias importadas diretamente pela Betra Trading não detinha capacidade técnica, financeira ou operacional para, minimamente, lastrear as suas operações do comércio exterior. O contexto probatório descrito no relatório fiscal e comprovado por intimações e demais documentos juntados pela fiscalização, é o seguinte: Funcionamento e da capacidade operacional da Vida Internacional Os sócios atuais da Vida Internacional não possuem qualquer tradição no Comércio Exterior e os seus rendimentos são incompatíveis com o volume e porte da empresa, que obteve uma Receita Bruta em 2006 de R$4.246.305,59 (dados da Demonstração de Resultados apresentada pela fiscalizada 6. fl. 314), e um volume de comércio exterior de R$ 596.301,01 no mesmo ano, e em 2007 já atingiu a cifra de R$ 5.467.083,06, segundo último levantamento enviado pelo GPEL; O capital social da fiscalizada, declarado no valor de R$150.000,00, não reflete a sua movimentação financeira e tampouco as suas operações de comercio exterior (R$10.775.220,00 somente no primeiro semestre de 2007), tornandose incompatível com a sua capacidade operacional, econômica e financeira (fls. 443). A empresa foi constituída em 02/05/1989, sob a denominação social de "Airways Comércio Internacional LTDA." O objeto social da empresa constava como "exploração do comércio em geral de artigos nacionais e estrangeiros, inclusive por meio de importação e exportação e a representação de..." (fls. 317). Através do Instrumento de Alteração e Consolidação Contratual da Empresa Airways Comércio Internacional LTDA. registrado na JUCESP sob n° 47.499/928 (fls. 330), de 01/02/1992, o Sr. Antônio Cláudio Barchi, CPF 601.069.56868 foi admitido na sociedade com 33% do capital social (Cr$1.000.000,00), permanecendo como sócio até 10/01/2005, como explicado abaixo. Através do Instrumento de Alteração e Consolidação Contratual da Empresa Airways Comércio Internacional LTDA. registrado na JUCESP sob n° 54.884/974 (fls. 345), de 01/04/1997, ocorreu aumento de capital com utilização de Reservas de Correção Monetária e Reserva de Lucros, atingindo o valor atual de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil reais). O Sr. José Aparecido da Cruz, um dos dois sócios atuais da Vida, entrou na sociedade através da Oitava Alteração e Consolidação do Contrato Social da Empresa Airways Comércio Internacional LTDA. registrado na JUCESP sob n° 210.975/027 (fls. 377), de 12/08/2002. Esta alteração contratual informa que a sócia Claudia Maria Barchi, possuidora de 100.000 quotas do valor nominal de R$1,00 cada uma, totalizando R$100.000,00, transferiu as referidas quotas ao Sr. José Aparecido da Cruz pelo valor de R$100.000,00, recebidos em moeda corrente do pais, contados e achados exatos. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 650 10 Contradizendo a informação supra, da análise da Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) do Sr. José Aparecido da Cruz, relativa ao ano calendário de 2002, verificase que esta participação societária foi adquirida pelo valor de R$2.300,00, com deságio de R$97.700,00, sendo declarada pelo valor de R$100.000,00 em 31/12/2002. No campo de dívidas e ônus reais, foi informado que este valor de deságio será compensado com direitos de futuras retiradas de lucros na sociedade. Observese que em 31/12/2001 o patrimônio deste sócio foi declarado como sendo R$2.800,00. Não foram apresentados documentos comprobatórios desta integralização, apesar de serem solicitados através da Intimação 001. O Sr. Antônio Claudio Barchi retirouse da sociedade como se constata pelo Instrumento de Alteração e Consolidação Contratual da Empresa Airways Comércio Internacional LTDA. registrado na JUCESP sob n° 2.541/051 (fls. 412), de 10/01/2005, transferindo 50.000 quotas do valor nominal de R$1,00 cada uma, a Sra. Maria Aparecida Barqui Avelar, um dos dois sócios atuais da Vida, totalizando R$50.000,00, recebidos em moeda corrente do pais, segundo esta Alteração. Contradizendo a informação supra, da análise da Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) da Sra. Maria Aparecida Barqui Avelar, relativa ao anocalendário de 2005, verificase que no campo de dívidas e ônus reais, foi informada uma dívida para com o Sr. Antônio Claudio Barchi no valor de R$40.000,00. Observese que em 31/12/2004 o patrimônio desta sócia foi declarado como sendo R$17.800,00. Não foram apresentados documentos comprobatórios desta integralização, apesar de serem solicitados através da Intimação 001. O Instrumento de Alteração e Consolidação Contratual da Empresa Airways Comércio Internacional LTDA. registrado na JUCESP sob n° 24.517/057 (fls. 391), de 11/03/2005, estabeleceu: O Capital Social é formado pela importância de R$150.000,00 (CENTO E CINQÜENTA MIL REAIS), totalmente integralizado, neste ato em moeda corrente do pais, dividido em 150.000 (cento e cinquenta mil) quotas de R$1,00 (hum Real) cada uma, e assim distribuído entre os sócios, a saber: JOSE APARECIDO DA CRUZ 100.000 quotas do valor nominal de R$1,00 cada uma R$100.000,00 MAR1A APARECIDA BARQUI AVELAR 50.000 quotas do valor nominal de R$1,00 cada uma R$50.000,00 150.000 quotas do valor nominal de R$1,00 cada uma R$150.000,00 Esta integralização do capital social, naquele ato em moeda corrente não foi comprovada através de documentação hábil, como, por exemplo, extrato bancário. Da análise do depoimento do sócio JOSÉ APARECIDO DA CRUZ, conforme Termo de Declaração juntado ao presente processo (fls. 304), verificase que: 1. O declarante desconhecia o valor exato da fonte de rendimento pessoal aplicada na constituição do capital social da empresa; 2. O declarante não possuía qualquer experiência empresarial no ramo de atividades de comércio exterior; Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 651 11 3. O declarante trabalhou numa churrascaria por aproximadamente cinco anos (iniciando em 1970), como cozinheiro; e que continua como chefe de cozinha há trinta e sete anos em diversos restaurantes; 4. O declarante desconhecia os principais fornecedores e clientes da empresa. Da análise do depoimento da sócia MARIA APARECIDA BARQUI AVELAR, conforme Termo de Declaração juntado ao presente processo (fls. 306), verificase que: 1. A declarante não se recordava do valor da fonte de rendimento pessoal aplicada na constituição do capital social da empresa; 2. A declarante não possuía qualquer experiência empresarial no ramo de atividades de comércio exterior; 3. A declarante não trabalhou como funcionária de nenhuma empresa; 4. A declarante desconhecia os principais fornecedores, clientes e produtos da empresa. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 652 12 Da origem dos recursos Objetivando aferir a capacidade econômicofinanceira da empresa para realização de suas operações no comércio exterior e identificar a origem dos recursos empregados, foram emitidas as intimações acima expostas. Estas intimações destinavamse a reconstituir os recebimentos e pagamentos da empresa relativamente as suas importações e exportações. Não foi possível reconstituir o fluxo financeiro da empresa pelos seguintes motivos: 1. A autuada não apresentou diversas comprovações de fechamento de câmbio de Declarações de Importação, como detalhado anteriormente; 2. A autuada não apresentou todos os extratos bancários com a minuciosa identificação dos lançamentos das saídas dos recursos para os pagamentos das importações e exportações realizadas, como detalhado anteriormente; 3. A autuada não apresentou notas fiscais relativas à aquisição de mercadorias relativas a diversos REs; 4. Não foram comprovadas diversas transferências entre contas bancárias; Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 653 13 5. A fiscalizada não apresentou comprovação sobre os depósitos (notas fiscais ou outros documentos hábeis) relativos a recebimento de clientes; 6. Não foram comprovados os depósitos descritos como fomento mercantil; 7. Não foram comprovados os depósitos descritos como adiantamento para pagamento de matériaprima; 8. Não foram comprovados os depósitos descritos como empréstimo de sócios; 9. Não foram comprovados os depósitos descritos como devoluções de empréstimo. Em conclusão, por motivo de falta de informações devidas pela autuada, não há como constatar se os ingressos ocorridos foram suficientes para suportar os dispêndios relativos às operações de comércio exterior. Para esclarecer a questão da comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, a empresa foi intimada a responder os seguintes quesitos do Termo de Intimação 005 (fl. 104): 1. Comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação desde 2002, separadamente para cada DI; Em resposta, a fiscalizada informou, entre outras coisas, que: 1. Os recursos para a importação de cada processo eram oriundos da própria empresa, e que não possuía nenhuma origem, disponibilidade ou transferência específica para cada DI. Acrescentou que em alguns casos, conseguiu prazo de pagamento com o fornecedor no exterior, suficiente para nacionalizar a mercadoria, efetuar as vendas e pagar o fornecedor. Em outras situações, efetuou desconto de duplicatas das vendas efetuadas, para obter os recursos e pagar o exportador; Analise de outros dados da empresa Vida Internacional Ltda. Atuando como importadora direta, a sua primeira importação data de 17/01/1997, com movimento acumulado até 23/06/2007 de R$475.588,47 (fls. 64). Atuando como adquirente de mercadorias importadas por intermédio de terceiros, a sua primeira importação data de 24/05/2001, com movimento acumulado até 23/06/2007 de R$222.814,15 (fls. 64). A planilha abaixo demonstra o movimento de comércio exterior da empresa, conforme extração do sistema DW (fls. 443). Observase o vertiginoso aumento do volume de comércio exterior de aproximadamente 1.100% entre o ano de 2006 e o primeiro semestre de 2007 (a coluna Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 654 14 LUCRO/PREJUIZO NO ANO foi inserida por mim com base nas informações do sistema consulta IRPJ): Foram apresentados aditivos aos contratos de importação por conta e ordem de terceiros e outras avenças com as seguintes empresas, sem registro junto à Secretaria da Receita Federal. Intimada a apresentar contratos de câmbio e a comprovação de seus efetivos fechamentos referentes às DIs listadas no item 1 do Termo de Intimação 003, a autuada apresentou dados incompletos. Intimada a apresentar os extratos bancários com a minuciosa identificação dos lançamentos das saídas dos recursos para os pagamentos das importações efetuadas referentes às DIs listadas no item 2 do Termo de Intimação 003, a autuada apresentou dados incompletos. Intimada a apresentar dossiês completos das importações efetuadas como adquirente desde janeiro de 2002 (item 3 do Termo de Intimação 003), a autuada apresentou dados incompletos. Intimada a apresentar dossiês completos das importações efetuadas em 2002 (item 1 do Termo de Intimação 004), a autuada apresentou dados incompletos. Reintimada a apresentar documentação descrita nos itens 1, 2, 3 e 4 do Termo de Intimação 005, a autuada nada acrescentou, informando apenas que já cumprira a intimação em sua correspondência de 07/08/2007 (fls. 163). Em 2002, 2004 e 2005, a empresa apresenta prejuízos, e pequenos lucros em 2003 e 2006. Por outro lado, a Betra Trading não trouxe aos autos nenhuma documentação referente às operações de importação das DIs autuadas: Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 655 15 Na importação por conta e ordem, a importadora utiliza os recursos originários da adquirente, para providenciar, entre outros, o despacho de importação em nome desta, atendendo aos requisitos legais exigidos para essa modalidade de importação, dentre eles os arts. 86 e 87 da Instrução Normativa n° 247/2002: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Art. 86. O disposto no art. 12 aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; e III a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. § 2º A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência das contribuições com base no valor da operação. Art. 87. Em virtude do disposto nos arts. 12 e 86, a pessoa jurídica importadora deverá: I emitir, na data em que se completar o despacho aduaneiro das mercadorias, nota fiscal de entrada na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores constantes da fatura comercial, expressos em moeda estrangeira convertidos em reais pela cotação, para compra, divulgada pelo Banco Central do Brasil no dia anterior ao da emissão da nota fiscal de entrada; b) em linhas separadas, o valor de cada tributo incidente na importação; II registrar na sua escrituração contábil, em conta específica, o valor das mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, pertencentes aos respectivos adquirentes; III registrar, no Livro Registro de Inventário, sob títulos específicos, as mercadorias referidas no inciso II, que ainda estiverem sob sua guarda na data do levantamento de balanço Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 656 16 correspondente a encerramento de período de apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido; IV emitir, na data da saída das mercadorias de seu estabelecimento, nota fiscal de saída tendo por destinatário o adquirente, na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores expressos em reais apurados de conformidade com o disposto na alínea "a" do inciso I, acrescidos do valor dos tributos incidentes na importação; b) o destaque do valor do ICMS incidente na saída das mercadorias do estabelecimento da pessoa jurídica importadora, calculado de conformidade com a legislação aplicável. c) o IPI, calculado sobre o valor da operação de saída; e V emitir, na mesma data referida no inciso IV, nota fiscal de serviços, tendo por destinatário o adquirente, pelo valor cobrado a título de serviços prestados para a execução da ordem emanada do adquirente. Parágrafo único. Na nota fiscal de serviços deverá constar o número das notas fiscais de saída das mercadorias a que corresponder os serviços prestados. Art. 88. Relativamente às importações por conta e ordem de terceiros, a pessoa jurídica importadora somente poderá emitir nota fiscal de saída das mercadorias tendo como destinatário o adquirente. Parágrafo único. Caso o adquirente determine que as mercadorias sejam entregues em outro estabelecimento, serão observados os seguintes procedimentos: I a pessoa jurídica importadora emitirá nota fiscal de saída das mercadorias para o adquirente; e II o adquirente emitirá nota fiscal de venda para o novo destinatário, com destaque do IPI, com a informação, no corpo da nota fiscal, de que a mercadoria deverá sair do estabelecimento da importadora, bem assim com a indicação do número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e do endereço da pessoa jurídica importadora. Diante disso, não basta a simples habilitação no sistema RADAR da empresa adquirente, tampouco o contrato com a adquirente das mercadorias importadas definindo que todos os recursos utilizados na importação são oriundos e provenientes desta. A importadora por conta e ordem também deve observa as regras de controle aduaneiro relativo à atuação, fixadas na Instrução Normativa n° 225/2002. A importadora deve obediência às regras pertinentes ao despacho aduaneiro das mercadorias importadas, conforme determina o artigo 3º desse veículo normativo. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 657 17 A Betra Trading não trouxe nenhum documento aos autos, como bem apontou a decisão de piso: Sendo as operações de importação objeto deste procedimento, promovidas diretamente pela importadora, ora impugnante (BETRA), realizadas por conta e ordem da empresa adquirente (VIDA), seria absolutamente indispensável que, diante do alentado quadro indiciário de interposição fraudulenta levantado pela Fiscalização, tivesse comparecido aos autos com a demonstração do fluxo financeiro requerido para o seu financiamento, mediante o registro no sistema financeiro nacional das transferências de numerário praticadas, demonstrando a real origem desses cabedais e que estes foram provenientes da empresa adquirente (VIDA), o que não ocorreu. Por conseguinte, entendo que a interposição fraudulenta, nos termos do art. 23, V, § 2º, do DecretoLei nº 1.455/1976 está caracterizada. Caracterização do dano ao erário Dispõe o art. 23, V, § 2º: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 658 18 O dano ao Erário é presumido quando se configuram as infrações tipificadas nos art. 23 e 24 do Decretolei nº 1.455/76. Tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação”, veiculada pelo dispositivo, está caracterizado o dano ao Erário. Nesse sentido, o Decreto n° 6.759/09, artigo 689, inciso XXII, que assim dispõe: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. O dano ao Erário decorre do texto da própria lei, assim não há que se cogitar da existência ou não de efetivo prejuízo operacional e financeiro ao Poder Público. Portanto, não merece acolhida o pleito de que, na ausência de dano ao Erário, o auto deve ser cancelado. Dessa forma, configurado o dano ao Erário, deve ser aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas, que, caso já tenham sido consumidas ou não forem localizadas, se converterá em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Prescreve o art. 136 do CTN que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por sua vez, o art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966 dispõe que a responsabilidade pela infração se dá conjunta ou isoladamente, referindose a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Por isso, é acertada a responsabilização da importadora ostensiva, nos termos do art. 95, I do DecretoLei n° 37/66. Ademais, entendo que não há reparos a serem feitos quanto à atribuição da responsabilidade tributária à adquirente Vida Internacional. A capitulação do art. 124, I do CTN estatui: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 659 19 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Na conceituação de “interesse comum”, socorrome da lição de Maria Rita Ferragut: O artigo 124, I e II, do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário; e (ii) designação expressa em lei. Iniciemos com o interesse comum. Muito embora o direito positivo não tenha elucidado o conteúdo semântico desse critério, entendemos como sendo a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. Não é necessário que os sujeitos encontremse no mesmo polo da relação jurídica de direito privado, para que se obriguem mutuamente pelo pagamento da dívida tributária (tal como ocorre com o alienante do imóvel, que deseja vendêlo, e do adquirente, que pretende comprálo). (Maria Rita Ferragut, Reponsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2013, p. 80). O interesse comum resta demonstrado, eis que reside no interesse econômico, ou seja, interesse nas consequências oriundas da realização da operação de importação que mostrouse viciada, acarretando dano ao Erário. Ressalto que esta 1ª Turma já se manifestou sobre o cabimento da responsabilidade solidária, no Acórdão nº 3301003.021, Rel. Francisco José Barroso Rios: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 08/03/2006 IMPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIRO OCULTO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAQUELES QUE CONCORRERAM PARA SUA PRÁTICA OU DELA SE BENEFICIARAM. Caracteriza interposição fraudulenta a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10166.720003/200890 Acórdão n.º 3301004.980 S3C3T1 Fl. 660 20 oculto na operação, real adquirente da mercadoria, que responde solidariamente pela infração, juntamente com aqueles que concorreram para sua prática. Dano ao Erário materializado, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro em vista da não localização das mercadorias ou de seu consumo. Recurso Voluntário Negado. Por isso, concluo que a responsabilização solidária, com fundamento no art. 124, I do CTN foi corretamente atribuída à Vida Internacional. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter a integralidade da autuação, em virtude da comprovação de interposição fraudulenta, na forma do art. 23, V, § 2º, do DecretoLei nº 1.455/1976. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 660DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.949436/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 36 /2 00 8- 50 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.088,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 6 5 O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.949436/200850 Acórdão n.º 3402005.449 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 160DF CARF MF
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