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Numero do processo: 12585.000238/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
Ementa:
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3301-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 38 /2 01 0- 71 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 09648.75118.131008.1.1.112484, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 06 a 08). O Pedido de Ressarcimento da COFINS referese ao crédito atinente ao 2º. trimestre de 2005, no montante de R$ 11.186.197,08 (onze milhões cento e oitenta e seis mil, cento e noventa e sete reais e oito centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 82/83): O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento de supostos créditos de COFINS nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2005. Em despacho decisório exarado nas fls. 20/24, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pedido de ressarcimento, devido à falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela autoridade fiscal. Em 09/11/2011, apresentou o contribuinte a Manifestação de Inconformidade anexa às fls. 30/69, na qual alega em síntese que: “todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobado apenas pelo termo combustível”; foi desejo do legislador que, no regime nãocumulativo, não houvesse qualquer vedação ao creditamento; existe nítida distinção entre os conceitos de “produtor” e “distribuidor”. Os distribuidores que apurem o IRPJ pelo lucro real “foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade”; o art. 3°, I, alínea “b” da lei n° 10.833/2003 referese apenas a produtores e importadores, de modo que não há lei vedando o aproveitamento de crédito pelos distribuidores de combustíveis; a tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; o art. 17 da lei n° 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes sujeitos ao regime da nãocumulatividade, ainda que faturem com alíquota zero, têm direito a creditarse de PIS e COFINS; o regime nãocumulativo do PIS e da COFINS diverge em vários aspectos daqueles adotados no âmbito do IPI e do ICMS. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 113 3 Concluindo, requer o deferimento do creditamento pleiteado, bem como a homologação da compensação a ele vinculada. A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 81/86) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontrase prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.833/2003. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em analise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência da COFINS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO Averiguada a inexistência do direito creditório pleiteado, deve se Indeferir o pedido de ressarcimento. AQUISIÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DO CREDITAMENTO A aquisição para revenda de derivados de petróleo — particularmente gasolina A e óleo diesel — produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica, não gera créditos por força de vedação expressa contida na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 92 a 108), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 114 4 afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 115 5 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 06 a 08), referente ao 2º Trimestre de 2005, no valor de R$ 11.186.197,08. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.833/2003, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 116 6 O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo COFINS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.833/2003, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 117 7 Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 118 8 Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.833/2003, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.833/2003, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo da COFINS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 119 9 expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 120 10 sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 121 11 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 06 a 08), referente ao 2º Trimestre de 2005, no valor de R$ 11.186.197,08. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 122 12 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 123 13 sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 124 14 Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 125 15 Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000238/201071 Acórdão n.º 3301002.335 S3C3T1 Fl. 126 16 cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 21/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13808.006114/97-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). No caso concreto, não há se falar em omissão, pois o acórdão embargado foi devidamente fundamentado, inclusive com a indicação dos documentos que lastrearam o deferimento do direito creditório.
Numero da decisão: 1103-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Restituição/compensação. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BROTHER INTERNATIONAL CORPORATION DO BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). No caso concreto, não há se falar em omissão, pois o acórdão embargado foi devidamente fundamentado, inclusive com a indicação dos documentos que lastrearam o deferimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 61 14 /9 7- 25 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.006114/9725 Acórdão n.º 1103001.116 S1C1T3 Fl. 692 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 10/5/10 (fls.671/673), em face do acórdão nº 110300.009, de 30/7/09, que recebeu a seguinte ementa (fls.663/667): RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DA CSLL Tendo a empresa declarado sob as penas da lei de que não se utilizou do crédito do anocalendário de 1995 e tendo comprovado que houve mero erro de preenchimento de DIPJ de exercício posterior, quando da indicação de compensação com créditos anteriores, reconhecese o direito creditório do saldo negativo da CSLL. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERSÃO EM DCOMP DÉBITOS DE FILIAL Constatado que os pedidos de compensação não se referem a débitos de terceiros, mas sim a débitos de filial, cuja compensação é possível nos termos do art. 12 e §§ 9° e 10° da IN SRF 21/97, devese homologar os pedidos convertidos em DCOMP, que foram protocolizados há mais de 5 anos da ciência do despacho decisório, em função do disposto no § 4° do art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637/2002; havendo saldo a restituir de CSLL, devese compensar com os débitos indicados no pedido convertido em DCOMP protocolizado há menos dos 5 anos da ciência do despacho decisório, no limite do crédito reconhecido. A Embargante aduz ter o acórdão incorrido em omissão. Sustenta, verbis: “[...] Conforme doravante será demonstrado, o voto condutor do acórdão embargado omitiuse no exame individualizado de ponto essencial ao deslinde do feito. Com efeito, a e. Relatora considerou que os registros fiscais levam à conclusão de que houve mero erro de preenchimento da DIRPJ/98 (fl.667) sem fundamentar de qualquer modo como chegou a tal conclusão. Em sentido diametralmente oposto ao entendimento esposado pela autoridade julgadora de primeira instância, a e. Relatora conclui pelo provimento do direito creditório da contribuinte uma vez que a empresa declarou, sob as penas da lei, por meio da declaração de fls.150, que não se utilizou dos valores declarados no processo para compensação de outros débitos que não os do processo identificado. Ocorre que tal declaração desacompanhada do demonstrativo de origem do crédito tributário utilizado para compensação da CSLL não é suficiente para amparar o deferimento do pleito do contribuinte. É indispensável, pois, que sejam apontados especificadamente quais registros fiscais fizeram concluir pelo atendimento do pedido do contribuinte. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.006114/9725 Acórdão n.º 1103001.116 S1C1T3 Fl. 693 3 Restou, assim, infringido o dever legal de fundamentação, uma vez que não foram apontados especificadamente os elementos que justificaram o acolhimento das alegações do contribuinte. Com efeito, é imprescindível que a autoridade julgadora aponte, de forma específica, qual foi o caminho percorrido até chegar à sua conclusão, ou seja, indique quais foram os documentos/motivos que considerou suficientes para dar provimento ao pleito do contribuinte, a fim de que seja amplamente garantido à Fazenda Pública o direito ao contraditório. Tal omissão levou ao reconhecimento do direito creditório no valor de R$294.967,95 já referido acima.” É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Não obstante no cabeçalho do acórdão embargado constar que teria sido proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, na realidade foi exarado pela Terceira Turma Ordinária, conforme respectiva ata de julgamento (fls.683/690), razão pela qual devem os embargos de declaração ser por este colegiado apreciados, conforme art.49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: “Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” (destaquei) Considerandose a data de entrada dos autos na PGFN (6/4/10 – fl.670) e a devolução em 10/5/10, os embargos de declaração são tempestivos à luz do art.23, §9º, do Decreto nº 70.235, de 6/3/72: “Art. 23. Farseá a intimação: ..... §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.006114/9725 Acórdão n.º 1103001.116 S1C1T3 Fl. 694 4 §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo.” (destaquei) A tempestividade também se caracteriza se a data considerada for aquela aposta à fl.668 (5/5/10), quando da ciência pessoal da I. Procuradora da Fazenda Nacional. Nos termos do Regimento Interno do CARF (Anexo II), os embargos de declaração são manejados em situações bastante específicas, sendo um remédio destinado a sanar obscuridade, omissão ou contradição existentes no acórdão: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Entende a Embargante que a omissão no acórdão caracterizase quando deixaram de ser apontados os registros fiscais que teriam levado à conclusão sobre o erro de preenchimento da Declaração de Rendimentos referente ao anocalendário 97. O processo trata de pedido de restituição de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1995, composto pelo pagamento de estimativas, devidamente confirmado pela autoridade administrativa. Ainda consoante o acórdão embargado, alguns pedidos de compensação não se referiam, ao contrário do que entendeu a decisão de primeira instância, a débitos de terceiros, mas “...a débitos de outro estabelecimento do mesmo sujeito passivo, ou seja, o CNPJ do titular do crédito é 62.202.189/000152, enquanto que o CNPJ dos débitos é 62.202.189/000314”. Além do mais, o contribuinte, ao formulálos, utilizou indevidamente o Anexo IV, não o Anexo II da Instrução Normativa SRF nº 21/97, reservado à compensação de créditos com débitos do próprio contribuinte. Relativamente a alguns desses pedidos reconheceuse a homologação tácita. Especificamente sobre o ponto embargado, os membros da Terceira Turma Ordinária afastaram o fundamento da DRJ, de que no valor a título de compensação, declarado na Linha 26 (“Saldo Negativo de Períodos Anteriores”) da Ficha 11 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido” fl.329) da Declaração de Rendimentos relativa ao ano calendário 97, poderia estar incluído o saldo negativo apurado em 1995, ora pleiteado: “[...] Em relação à apreciação do crédito, não está em discussão o valor do montante do crédito da contribuinte relativo ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1995, mas sim, o fato da autoridade administrativa e a Turma Julgadora terem indeferido o pedido de restituição em razão de constar na DIRPJ do ano calendário de 1997, que a contribuinte compensou saldos credores de períodos anteriores no valor de R$ 7.018.603,82, ou seja, entenderam a autoridade administrativa e a Turma Julgadora que a contribuinte não demonstrou a origem dos Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13808.006114/9725 Acórdão n.º 1103001.116 S1C1T3 Fl. 695 5 saldos credores anteriores, assim o saldo credor do ano calendário de 1995 poderia compor esse valor compensado. Conforme intimação de fls.148, a contribuinte foi intimada a apresentar demonstrativo da origem do crédito tributário utilizado para compensação da CSLL, constante da linha 26 da ficha 11 da DIRPJ/98 e a apresentar declaração, sob as penas da lei, de não haver utilizado o valor do crédito tributário solicitado no processo para compensação com outros débitos. Por meio da declaração de fls.150, a contribuinte declara, que não se utilizou dos valores declarados no processo para compensação de outros débitos que não os do processo identificado. A recorrente argumenta que houve mero erro de preenchimento, que não apura lucro desde 1994, não podendo haver crédito tributário de tal monta. Apresenta cópia dos livros diário e Lalur entre 1994 a 1997 e pede diligência para confirmação. Entendo que a contribuinte tem direito à restituição, uma vez que seus registros fiscais levam à conclusão de que houve mero erro de preenchimento da DIRPJ/98. Ademais, a empresa declarou, sob as penas da lei, por meio da declaração de fls.150, que não se utilizou dos valores declarados no processo para compensação de outros débitos que não os do processo identificado.” Vêse que o colegiado acolheu a alegação do contribuinte quanto ao erro de preenchimento, pois não teria apurado lucro desde 1994, conforme Diário e Lalur escriturados entre 1994 e 1997, fato este reforçado pela declaração de que o valor pleiteado não foi utilizado em outras compensações (fl.150). As cópias dos mencionados livros referidos no acórdão embargado, acostadas ao recurso voluntário, constam das fls.534/632. Logo, ao contrário do que entendeu a PGFN, os registros fiscais foram apontados especificadamente no acórdão embargado, inexistindo omissão quanto aos “...documentos/motivos que considerou suficientes para dar provimento ao pleito do contribuinte”. Ausentes, portanto, os pressupostos de admissibilidade. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10630.720384/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM:11/7/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM:11/7/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM:11/7/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Tratase de Auto de Infração de fl. 07 a 10, lavrado para a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 2003, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 139.705,07, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora. Consoante a decisão de primeira instância o lançamento decorreu das seguintes irregularidades: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 30 .7 20 38 4/ 20 08 -8 3 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 3 2 1) Que o presente lançamento teve origem em reexame de período já fiscalizado no MPF 0610300200600373. Tal reexame foi autorizado nos termos do art. 906 do RIR199 e da Portaria RFB n° 11.371/2007, tendo em vista a incompletude das averiguações (fls. 02 e 03); 2) 0 já encerrado MPF 0610300200600373 resultou em Auto de Infração controlado pelo processo administrativo 10630.001432/200831, onde o fiscalizado foi autuado por omissão de rendimentos, a partir de variação patrimonial não justificada, relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005; 3) No decorrer daquela fiscalização já encerrada, o contribuinte foi intimado por duas vezes a apresentar extratos bancários de suas contas correntes e aplicações financeiras no Brasil e no exterior. Não tendo atendido o solicitado, foi providenciada Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira do fiscalizado junto ao Banco Bradesco S/A. Em resposta o Banco Bradesco S/A apresentou extratos de duas contas correntes em agências diversas. Tais extratos foram juntados aos autos do presente lançamento; 4) Assim, foi dado inicio ao reexame dos anoscalendário 2003 a 2005, partindo da análise dos extratos bancários citados. Após conciliação, foi encontrado o valor total de R$ 36.752,87, R$ 257.538,41 e R$ 362.121,09 de depósitos nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, respectivamente; 5) A partir dessa observação, o contribuinte foi intimado, por meio de Termo de Inicio de Fiscalização, emitido em 22/08/2008 (fls. 52 a 58), a comprovar a origem dos recursos utilizados em 246 operações de crédito/depósito feitas em suas contas correntes. Tais operações compreendem todas aqueles créditos/depósitos superiores a R$ 12.000,00, no anocalendário 2003 (já que não excedido o valor de R$ 80.000,00 para este ano), mais todas as operações de crédito/depósito nos anos calendário 2004 e 2005; 6) Em resposta (fls. 61 a 63 e 86 a 325), o contribuinte anexou documentação composta de 238 folhas e fez referência a documentação apresentada quando do MPF 0610300200600373; 7) Considerando que tais documentos não comprovavam a origem dos depósitos bancários, foi emitido Termo de Intimação n° 1, em 10/11/2008 (fls. 64 e 65), solicitando, novamente, a apresentação de documentação apta a comprovar a origem dos recursos. Em resposta (fls. 70 a 72), o contribuinte não logrou comprovar o solicitado, fazendo alegações diversas. Dessa forma foi emitido o presente Auto de Infração; 8) Para justificar a origem dos depósitos bancários, o contribuinte limitou se A informar que se tratava de operações comerciais das pessoas jurídicas das quais é sócio, sem sequer identificar quais seriam essas pessoas jurídicas; e, 9) De acordo com o principio fundamental da contabilidade denominado "principio da entidade", aprovado pela resolução CFC n° 750, de 29 de dezembro de 1993, não se confundem os interesses e contabilizações da pessoa jurídica (entidade) Fl. 405DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 4 3 com os interesses dos respectivos sócios. Caso não tenha havido observância a esse postulado, mais um motivo há para sobre o contribuinte recair o ônus de provar suas alegações. Discordando da exigência fiscal (fls.328/335) o interessado, por meio de seu procurador devidamente constituído, fls. 338, segundo relatório de primeira instância, contesta o lançamento alegando, em síntese: 1) A inconstitucionalidade do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e, do Decreto 3.724/2001, razão pela qual não pode ser válida uma autuação fiscal baseada em extratos bancários inconstitucionalmente obtidos; 2) Ausentes os pressupostos do art. 149, IX, do Código Tributário Nacional, é inválido o fruto do trabalho do reexame, mesmo se constitucional fosse a quebra do sigilo bancário do Impugnante; 3) Findo o primeiro trabalho fiscal, aceitas as justificativas do impugnante, homologado o lançamento, não pode o impugnante ser penalizado por ter destruído toda a documentação analisada e devolvida pela fiscalização; 4) Movimentação financeira não é base de cálculo do imposto de renda, já o tendo sido da CPMF; 5) É a diferença entre os saldos bancários do último dia de cada ano que representa mais propriamente a variação patrimonial, independentemente do que tenha ocorrido no percurso. E o que pensam os tribunais; e, 6) Se apesar de todo o exposto, ainda subsistir o trabalho fiscal, o que se admite pelo amor ao debate, inafastável a redução do valor de R$ 60.000,00 (valor comprovadamente enviado por uma das empresas do impugnante) da base de cálculo autuada. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0930.989 de 19 de agosto de 2010, que se encontra às fls. 341/347, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NÃO NECESSIDADE. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 5 4 bancária de seus clientes, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. LANÇAMENTO. REEXAME. Havendo autorização escrita da autoridade superior, no presente caso, do Delegado da Receita Federal do Brasil, para um segundo exame, relativo ao mesmo exercício, não há que se falar em nulidade do lançamento decorrente, constituindose em requisito suficiente e necessário à formação do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. BASE DE CÁLCULO. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A base de cálculo é a omissão de rendimentos presumida, por falta de comprovação de sua origem. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA Os lançamentos efetuados com base em presunções "juris tantum" transferem o ônus da prova ao contribuinte a fim de descaracterizálos. GUARDA DE DOCUMENTOS. 0 contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 02/09/2010, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 350. À vista disso foi protocolizado, em 29/09/2010, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls.360/372 , no qual o pólo passivo, apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: · A inconstitucionalidade do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e, do Decreto 3.724/2001, razão pela qual não pode ser válida uma autuação fiscal baseada em extratos bancários inconstitucionalmente obtidos mediante a quebra do sigilo bancário. É o Relatório. · Caso se ultrapasse a preliminar atinente à inconstitucionalidade da quebra do sigilo fiscal do impugnante, mesmo assim o trabalho fiscal Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 6 5 não poderá prosperar tendo em vista o inaceitável/injustificável reexame de um anterior trabalho fiscal. Senão vejamos: 1. Nos acórdãos a 6a Turma não fez qualquer pronunciamento inerente ao preceituado no artigo 149 do Código Tributário Nacional; 2. CTN Artigo 149 O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. · Em momento algum a Fiscalização demonstrou a existência dos pressupostos imprescindíveis ao reexame do lançamento, quais sejam: fraude ou falta funcional por parte do Auditor Fiscal JOSÉ ANTÔNIO DA COSTA NETO, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial; · Ausentes os pressupostos necessários, nulo o Auto de Infração decorrente do reexame. · Caso admissível l fossem a inconstitucional quebra do sigilo bancário do impugnante e o reexame sem os pressupostos previstos no artigo 149, IX, do Código Tributário Nacional, mesmo assim o trabalho fiscal ora impugnado não poderia ser validado, já que o Impugnante foi induzido a entender estar totalmente homologado o lançamento inicial, não mais sendo necessário a manutenção da documentação já analisada e devolvida: 1. 0 AuditorFiscal JOSÉ ANTONIO DA COSTA NETO, após analisar a farta documentação que lhe foi apresentada, inclusive pessoalmente e que estranhamente não constou do Processo Administrativo, devolveua afirmando que estavam sanadas todas as suas dúvidas relacionadas As movimentações financeiras; 2. 0 AuditorFiscal JOSÉ ANTÔNIO DA COSTA NETO, acreditase, no desempenho de suas funções legais, afirmou não ter mais necessidade da farta documentação apresentada, já que a pouca que ficaria nos autos seria suficiente A comprovação da regularidade das movimentações bancárias; 3. Emitido o Auto de Infração e quitado o crédito tributário decorrente, encerrado estava o trabalho de fiscalização, que para o Impugnante; era definitivo. 4. Confiante na seriedade e na competência legal do Auditor Fiscal JOSÉ ANTONIO DA COSTA NETO, que naquele Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 7 6 momento era a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria RFB n°. 11.371/2007 — artigo 2°), o Impugnante queimou toda a documentação que lhe fora devolvida pelo citado AuditorFiscal; 5. Sobre a presunção de legalidade, um dos atributos do ato administrativo, ensina Celso Antônio Bandeira de Mello — Curso de Direito Administrativo — editora Malheiros — 12ª edição, 2ª tiragem, p. 358 — que "6 a qualidade, que reveste tais atos, de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em contrário. Isto 6, milita em favor deles uma presunção júris tantum de legitimidade; salvo expressa disposição legal, dita presunção s6 existe até serem questionados em juízo. Esta característica é comum aos atos administrativos em geral"; 6. Se o ato administrativo realizado pelo AuditorFiscal JOSÉ ANTONIO DA COSTA NETO estava conforme ao Direito (ausentes os pressupostos previstos no artigo 149, IX, CTN), não pode o Requerente ser penalizado por acreditar na veracidade do referido ato. 7. Imprescindível destacar que o Recorrente tinha o dever legal de guardar somente os extratos do último dia do exercício, que foi a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. · Não há nenhuma lei determinando que os Contribuintes pessoas físicas guardem a documentação referente a todas as suas movimentações bancárias; · Ultrapassado o pedido de cancelamento do Auto de Infração, o que se admite somente pelo extremo apego ao debate: 1. 0 reconhecimento da consumação do prazo decadencial com relação aos fatos geradores ocorridos até maio de 2004, já que o Recorrente tomou ciência da presente autuação somente na data de 15/05/2009; 2. Que a base de cálculo seja correspondente a diferença entre os saldos bancários do último dia de cada ano, o que representa mais propriamente a variação; 3. A redução, na base de cálculo, de todos os valores enviados por qualquer uma das empresas das quais o Recorrente compõe o seu quadro societário, tais como o TED de R$ 45.000,00 enviado pelo Posto Gentil Ltda. na data de 15/10/04. É o relatório. Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 8 7 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de sobre Omissão de Rendimentos Caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A fiscalização esclarece que : 1. o presente lançamento teve origem em reexame de período já fiscalizado no MPF 0610300200600373. Tal reexame foi autorizado nos termos do art. 906 do RIR199 e da Portaria RFB n° 11.371/2007, tendo em vista a incompletude das averiguações (fls. 02 e 03); 2. o já encerrado MPF 0610300200600373 resultou em Auto de Infração controlado pelo processo administrativo 10630.001432/200831, onde o fiscalizado foi autuado por omissão de rendimentos, a partir de variação patrimonial não justificada, relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005; 3. no decorrer daquela fiscalização já encerrada, o contribuinte foi intimado por duas vezes a apresentar extratos bancários de suas contas correntes e aplicações financeiras no Brasil e no exterior. Não tendo atendido o solicitado, foi providenciada Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira do fiscalizado (fls. 30) junto ao Banco Bradesco S/A. Em resposta o Banco Bradesco S/A apresentou extratos de duas contas correntes em agências diversas. Tais extratos foram juntados aos autos do presente lançamento; Importa destacar que as intimações fiscais, por se tratarem de atos administrativos, se revestem de presunção de legalidade, bem como a lei que fundamenta o acesso às informações bancárias (LC 105/2011), possui presunção relativa de constitucionalidade. Daí a colaboração do contribuinte na colheita de provas na fase fiscalizatória, não pode ser chamada de “espontânea”. A negativa na entrega dos extratos bancários, de acordo com a legislação vigente e válida por ocasião da realização dos atos preparatórios do lançamento, implicaria na inevitável, por vinculada, expedição de RMF. Logo, a não entrega dos dados bancários solicitados, se tornaria medida apenas protelatória. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que, em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n.1/2012. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 9 8 Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 10 9 PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN –PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10630.720384/200883 Resolução nº 2802000.153 S2TE02 Fl. 11 10 DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao disposto no art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF( Portaria 256/2009) c/c Portaria CARF Nº 1/2012,, ratificado pelas decisões acima transcritas, de modo a impedir a apreciação do mérito do presente feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 413DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 14479.000919/2007-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DESISTÊNCIA PARCIAL DE RECURSO VOLUNTÁRIO
Na hipótese do contribuinte desistir parcialmente de Recurso Voluntário, considera-se não contestada a matéria objeto de desistência de forma a manter-se a tributação nela incidente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.635
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para: (i) em preliminar reconhecer a decadência parcial das competências 03/2001 e 04/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CNT. No Mérito: (ii) em função da desistência parcial do recurso administrativo , manter a tributação nas demais competências 11/2002; 05/2003 e 07/2003. Fez sustentação oral o Dr. Murilo Marco, OAB/SP nº 238689.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DESISTÊNCIA PARCIAL DE RECURSO VOLUNTÁRIO Na hipótese do contribuinte desistir parcialmente de Recurso Voluntário, considera-se não contestada a matéria objeto de desistência de forma a manter-se a tributação nela incidente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/07/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESISTÊNCIA PARCIAL DE RECURSO VOLUNTÁRIO Na hipótese do contribuinte desistir parcialmente de Recurso Voluntário, considerase não contestada a matéria objeto de desistência de forma a manterse a tributação nela incidente. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 09 19 /2 00 7- 76 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para: (i) em preliminar reconhecer a decadência parcial das competências 03/2001 e 04/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CNT. No Mérito: (ii) em função da desistência parcial do recurso administrativo , manter a tributação nas demais competências 11/2002; 05/2003 e 07/2003. Fez sustentação oral o Dr. Murilo Marco, OAB/SP nº 238689. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 441 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1623.717 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.014.0702, no montante original de R$ 57.270,28, retificado para R$ 44.344,85. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.014.070 2, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de informar e/ou informou incorretamente em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP: Em 21/09/2006, a autuada foi intimada a apresentar, a partir do início do expediente do dia 28/09/2006 e durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal, os documentos e elementos arrolados no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD. 2) Durante os trabalhos de auditoriafiscal, constatouse que a autuada apresentou Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois omitiu do referido documento pagamentos ou créditos de remunerações efetuados a empregados, bem como a contribuintes individuais(autônomos), relacionados nos anexos 1 a 3( que fazem parte integrante deste relatório), a título de prêmios(efetivados por meio do sistema FLEXCARD, meio de pagamento eletrônico, utilizado como forma de premiação, por meio de cartões, administrado pela empresa Incentive House S/A., CNPJ 00.416.126/000141 ) , conforme relação de beneficiários fornecida pela autuada, anexos 4 a 6(que fazem parte integrante deste relatório). 3) De comum acordo entre a empresa incentive house S/A. e a autuada, aquela, após faturar contra esta, mediante uma taxa de administração, dispunha a disposição de empregados e prestadores de serviços da autuada, valores sacáveis, que na escrituração contábil da autuada foi registrada como despesas com pagamentos de Prêmios(conta contábil 4210114) e Comissões a Distribuidores PF(conta contábil 422011414). Para subsidiar o presente relatório juntase os anexos 4 a 6, e cópia do contrato de prestação de serviços acordado entre a Incentive House S/A. e a autuada. 4) Procedendo assim, infringiu o artigo 32, inciso IV, c/c o parágrafo 5o. do mesmo artigo, da Lei n. 8.212/91 e artigo 284, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 inciso I I , por violação ao preceito do artigo 225, inciso IV, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. 5) No relatório CORESP, onde está escrito sóciogerente,Jeiase Diretor, conforme anexo 7(que faz parte integrante deste relatório). O período do débito, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Multa, é de 03/2001; 04/2001; 11/2002; 05/2003; e 07/2003. A Recorrente teve ciência do AI no dia 26.10.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, tempestiva, Houve solicitação de Diligência Fiscal, nos seguintes termos: Manifestação, de forma conclusiva, sobre o efetivo pagamento de prêmios aos contribuintes individuais autônomos na competência 03/2001, indicando o montante eventualmente despendido a este título; Ciência do Sujeito Passivo do teor da resposta a presente diligência fiscal, fornecendolhe cópia e abrindolhe prazo para manifestação, conforme determinado na legislação. Posteriormente, houve a Resposta à Diligência Fiscal, em 03.12.2008, com a conclusão da AuditoriaFiscal de que efetivamente houve pagamentos ou créditos de remunerações profissionais, a título de Prêmios e Comissões, a contribuintes individuais autônomos na competência 03/2001, no montante de R$ 53.922,23. Contudo, erroneamente, tal valor foi considerado, para fins de lançamento, com o valor da contribuição efetivamente devida e não, como correto seria, valor do saláriodecontribuição. Tal equívoco ocasionou cobrança indevida, na competência de 03/2001, no montante de R$ 43.137,78 , equivalente à diferença resultante da entre R$ 53.922,23 (valor equivocadamente considerado) e 10.784,45 (valor de contribuição devido). A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1623.717 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/04/2001, 01/11/2002 a 30/11/2002, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003 AUTO DE INFRAÇÃO GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 442 5 Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a lei. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Obrigações acessórias previdenciárias decaem no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, pois, não há que se falar cm lançamento por homologação e conseqüente antecipação de pagamento para as mesmas. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. DUPLICIDADE NA APLICAÇÃO DAS MULTAS. A Lei 8.212, em seu artigo 35, na redação vigente até a MP 449/08, adotou a filosofia civilista quanto às sanções tributárias entendendo que a multa a ser aplicada sobre as contribuições sociais cm atraso seria, cm qualquer caso, decorrente e proporcional à mora do sujeito passivo revelando, desta sorte, característica claramente indenizatória, compensatória, como uma forma de ressarcir o Erário Público. No concernente às contribuições previdenciárias e para os fatos geradores ocorridos após o advento da MP 449/08, atribuise às sanções tributárias natureza penal, que objetiva a garantir a inteireza da ordem jurídica, não havendo, assim, característica indenizatória, pois até nas penalidades "moratórias" os valores exigidos suplantam a simples reparação do dano. RETROAÇÃO MULTA MORATÓRIA. INAPLICABILIDADE. A possibilidade aventada no art. 106, II, 'c', do CTN. faz menção à cominação de penalidade que não se coaduna com a natureza indenizatória da multa aplicada em virtude de mora. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 NÃO HAVENDO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, A NORMA MAIS BENÉFICA APLICÁVEL É O ART. 35A DA LEI N° 8.212/91. No caso de omissão em GFIP de fatos geradores para os quais não houve recolhimento da respectiva contribuição previdenciária, não é aplicável o art. 32A da Lei n.° 8.212/91 acrescentado pela MP n.° 449/08, convertida na Lei n.° 11.941/09, mas o art. 35A da mesma Lei também introduzido pelas citadas MP e Lei. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indefere se o pedido de perícia e diligência, quando nâo são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acórdão Acordam os membros da 13a Turma de Julgamento, pelo voto de qualidade, julgar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, MANTENDOSE EM PARTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO, em virtude da correção de erro material, nos termos do voto redigido pelo julgador SANDRO ZAIA PINETTI, vencido o Relator NILTON GULARTE DOS SANTOS e o julgador ALCIDES DE SOUZA PINTO, que votaram pela comparação, para fins de retroação benéfica, com fulcro no art. 32A da Lei 8.212/91. O valor mantido do crédito tributário corresponde ao montante de R$ 44.344,85 (quarenta e quatro mil e trezentos e quarenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos). Deixase de recorrer de ofício em razão do valor exonerado não ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o artigo 366, inciso II, parágrafo 2o do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 6.224, de 04/10/2007, combinado com o artigo Io da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008. Ainda, a decisão de primeira instância reduziu o valor da multa, com fulcro no art. 32A, Lei 8.212/1991: 22.2. A multa foi corretamente aplicada, conforme previsto nos artigos 32, inciso IV e parágrafo 5o, 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91, e nos artigos 284, inciso II, c 373 do RPS aprovado pelo Decreto n° 3048/99. Frisese, por oportuno, que em decorrência da Diligência Fiscal solicitada, a Autoridade Lançadora demonstrou a necessidade de alteração do crédito lançado, conforme fls. 156/157. 22.3. Contudo, o valor da multa foi reduzido em função da superveniência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, c em atendimento ao Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 443 7 disposto no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega, em apertada síntese: Em sede Preliminar (i) DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO 10. Cumpre esclarecer que o Auto de Infração ora combatido, quando de sua lavratura, estava eivado de mácula insanável, tendo em vista o erro cometido pela Douta Autoridade Administrativa relativamente ao cálculo das contribuições supostamente devidas na competência de março de 2001. 12. No entanto, através da revisão do lançamento determinada pela Douta Autoridade Julgadora, o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração em comento foi alterado, diminuindose, para o estabelecimento "000196", o valor da exigência. 13. Ocorre que a ora Recorrente foi cientificada desse novo lançamento, que está a lhe exigir um valor diferente do primeiro, em 09/12/2008, ou seja, já passados mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, o que não é permitido pelo Código Tributário Nacional, mormente quando a alteração do valor corresponde à correção após Impugnação e em época que já havia sido extinto o crédito tributário em razão da decadência, tudo aliado ao evidente erro na quantificação do tributo supostamente devido. 14. Pelo que se pode notar, a Douta Autoridade Administrativa poderia rever o lançamento de ofício, porém, dentro do prazo decadencial para o lançamento. 15. Ora, o período revisto pela Douta Autoridade Fiscal é relativo a março de 2001, ou seja, já atingido, quando da notificação da pretendida correção do lançamento em dezembro de 2008, pelo prazo decadencial previsto tanto pelo artigo 150, § 4o1, quanto pelo artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional, pelo que não poderia, referido período, ser objeto de revisão de lançamento. Reforça tal raciocínio a impossibilidade, inclusive, da manutenção da multa aplicada neste período, tendo em vista as alterações havidas pela Medida Provisória 449/2008, vez que na capitulação legal da presente autuação a Douta Autoridade Fiscalizadora citou o artigo 35, incisos I, II e III, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 239, inciso III, alíneas a, b e c, §§ 2o ao 6o e 11, e com o artigo 242, §§ Io e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. (ii) DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Como bem asseverou a decisão recorrida, o Colendo Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, sendo que tal entendimento foi, inclusive, OBJETO DA SÚMULA N° 8, EDITADA COM EFEITOS VINCULANTES, PELA COLENDA CORTE SUPREMA. Esta súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, "a" da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004, e também do disposto nos artigo 64A e 64B da Lei n° 9.784. Sendo assim, é evidente que no caso em tela a contagem do prazo decadencial deve partir da ocorrência do fato gerador, posto que a notificação de lançamento ora combatida pretende exigir diferença de recolhimento das contribuições previdenciárias. A autuação cingese às premiações recebidas pelos funcionários e terceiros, do que se pode concluir que os pagamentos autuados foram os recebidos em função do atingimento de metas pelos beneficiários, não a integralidade da folha de salários. Em sendo assim, a Recorrente efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, tendo somente isentado desse recolhimento os valores que não entende como sendo verbas salariais. A corroborar com isso, a Recorrente juntou aos autos uma GPS para cada ano objeto da cobrança, demonstrando que não se trata de não recolhimento de tributo sujeito ao lançamento por homologação, mas apenas do fato de a Recorrente ter declarado e recolhido os valores entendidos como devidos, de maneira que não há que se cogitar a hipótese de não recolhimento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. 27. Se assim é, ainda que se adote a contagem do prazo decadência do artigo 150 § 4o somente quando houver recolhimento parcial, não há como deixar de aplicar esta regra para o lançamento de ofício em questão, isso porque, exatamente para os períodos de competência de março e abril de 2001, foram recolhidas exatamente as contribuições previdenciárias objeto do lançamento, sendo certo que os montantes ora exigidos são supostas diferenças, tant que na parte dos empregados houve o desconto das contribuições já recolhidas com a observância do teto máximo do salário de contribuição. DO MÉRITO. (iii) DA NATUREZA DO CONTRATO FIRMADO ENTRE A RECORRENTE E A EMPRESA INCENTIVE HOUSE S/A. Do conceito de Prêmio. Da não incidência das Contribuições Previdenciárias sobre os Prêmios. Com o intuito de fomentar as vendas dos produtos por ela comercializados firmou contrato (s) com a empresa Incentive House S/A, a qual ficou responsável pela prestação de serviços de planejamento de programa de motivação e incentivo, mediante a elaboração de campanha (s) de marketing de incentivo. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 444 9 Em decorrência de tal contrato, foram criadas campanhas de marketing, nos moldes em que contratadas, as quais compreendiam a premiação de empregados da Recorrente atuantes na área de marketing e comercial, bem como aos empregados de seus prestadores de serviços (pessoas jurídicas), em decorrência do cumprimento das metas "plus" como forma de reconhecimento do empenho de tais colaboradores. Assim, sob qualquer hipótese é infundada a conclusão a que chegou a autoridade julgadora prolatora da decisão recorrida ao asseverar que os prêmios recebidos pelos funcionários da Recorrente teriam natureza jurídica salarial, visto que não estão presentes a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade nos pagamentos, como inclusive reconhecido pela r. decisão recorrida. Ao contrário do que apontado na respeitável decisão recorrida, não se trata de contraprestação por evento ou circunstância tida por relevante pelo empregador, mas pagamento de prêmio por parte da Recorrente. Os pagamentos realizados pela Recorrente enquadramse, portanto, no conceito de ganhos eventuais, os quais, conforme o artigo 28, § 9o, "e", 7 da Lei n° 8.212/91, não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. (ivi) Da incorreta aplicação da multa e o seu caráter confiscatório Uma vez cabalmente demonstrada a insubsistência do lançamento do principal, também insubsistente o lançamento de qualquer penalidade, uma vez que o acessório segue o principal. Pelas razões apresentadas no presente Recurso Voluntário, descabe o lançamento de ofício efetuado contra a Recorrente, inexistindo, por conseguinte, fundamento para a imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. A Recorrente atravessou uma petição nos autos, requerendo a desistência parcial do recurso administrativo interposto, às fls. 195, nestes termos: EDITORA ÁTICA S.A , inscrita no CPF/CNPJ sob n° 61.259.958/000196. requer, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a desistência PARCIAL da impugnação ou do recurso interposto constante do processo administrativo n° 37.014.0702 PA 36266.010481/200691 . Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso. A desistência parcial acima mencionada referese aos seguintes débitos: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Código 4200 4200 4200 Período de Apuração 11/2002 05/2003 07/2003 Valor do Debito Principal 16,57 Principal 11.569,50 Principal 9.619,78 A Recorrente, no transcurso da Sessão de Julgamento realizada em Janeiro/2012, na qual o correlato processo principal nº '14479.000920/200709 era o item 79 da pauta de janeiro/2012, apresentou Memoriais na qual, dentre outros pontos ratificando os argumentos do Recurso Voluntário, colaciona cópias de Guias da Previdência Social – GPS recolhidas no ano 2001, com código de pagamento 2100: competência 03/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; competência 04/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; Em Sessão de Julgamento realizada em 23.01.2013, esta Colenda Turma de Julgamento do CARF resolveuse por baixar o processo em Diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 e 04/2001; (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 a 07/2003. A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF com cópia das telas do sistema MF/RFB COGPS Consulta Detalhes da GPS: em relação ao contribuinte Editora Ática S.A., CNPJ nº 61.259.958/000196, às fls. 624 a 634: Guias da Previdência Social GPS com recolhimento nas competências: 03/2001; 04/2001; 05/2003; 07/2003 em relação ao contribuinte Editora Ática S.A., CNPJ nº 61.259.958/0011 68, às fls. 635 a 636: Guias da Previdência Social GPS com recolhimento nas competências: 03/2001; 04/2001; 05/2001; 06/2001; 07/2001. em relação ao contribuinte Editora Ática S.A., CNPJ nº 61.259.958/0033 73, às fls. 637 a 638: Guias da Previdência Social GPS com recolhimento nas competências: 03/2001; 04/2001; 05/2001; 06/2001; 07/2001. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 445 11 O Contribuinte atravessou Manifestação no sentido da aplicação do critério decadencial do art. 150, § 4º, CTN, considerandose o posicionamento do STJ no caso de recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 436. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da desistência parcial A Recorrente atravessou uma petição nos autos, às fls. 195, requerendo a desistência parcial do recurso administrativo interposto, nestes termos: EDITORA ÁTICA S.A , inscrita no CPF/CNPJ sob n° 61.259.958/000196. requer, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a desistência PARCIAL da impugnação ou do recurso interposto constante do processo administrativo n° 37.014.0702 PA 36266.010481/200691 . Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso. A desistência parcial acima mencionada referese aos seguintes débitos: Código 4200 4200 4200 Período de Apuração 11/2002 05/2003 07/2003 Valor do Debito Principal 16,57 Principal 11.569,50 Principal 9.619,78 Temos que o período do débito, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Multa, é de 03/2001; 04/2001; 11/2002; 05/2003; e 07/2003. Desta forma, serão analisadas apenas as competências 03/2001 e 04/2001 posto que não incluídas no requerimento de desistência parcial atravessado pela Recorrente. Portanto, em função da desistência parcial do recurso administrativo interposto deve ser mantida a tributação incidente nas demais competências: 11/2002; 05/2003 e 07/2003. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 446 13 (ii) Das GPSs apresentadas A Recorrente, no transcurso da Sessão de Julgamento realizada em Janeiro/2012, na qual o presente processo era o item 79 da pauta de janeiro/2012, apresentou Memoriais na qual, dentre outros pontos ratificando os argumentos do Recurso Voluntário, colaciona cópias de Guias da Previdência Social – GPS recolhidas no ano 2001, com código de pagamento 2100: competência 03/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; competência 04/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; Em Sessão de Julgamento realizada em 23.01.2013, esta Colenda Turma de Julgamento do CARF resolveuse por baixar o processo em Diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 e 04/2001; (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 a 07/2003. A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF com cópia das telas do sistema MF/RFB COGPS Consulta Detalhes da GPS: em relação ao contribuinte Editora Ática S.A., CNPJ nº 61.259.958/000196, às fls. 422 a 432 Guias da Previdência Social GPS com recolhimento nas competências: 03/2001; 04/2001; 05/2003; 07/2003 em relação ao contribuinte Editora Ática S.A., CNPJ nº 61.259.958/0011 68, às fls. 433 a 434: Guias da Previdência Social GPS com recolhimento nas competências: 03/2001; 04/2001; 05/2001; 06/2001; 07/2001. em relação ao contribuinte Editora Ática S.A., CNPJ nº 61.259.958/0033 73, às fls. 435 a 436: Guias da Previdência Social GPS com recolhimento nas competências: 03/2001; 04/2001; 05/2001; 06/2001; 07/2001. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Desta forma, a Unidade da RFB de jurisdição do contribuinte confirmou que houve recolhimentos feitos pelo contribuinte em: 03/2001 a 07/2001; 05/2003; e 07/2003. (iii) Da Decadência Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 447 15 § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; " Fl. 454DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, a Unidade da RFB de jurisdição do contribuinte confirmou que houve recolhimentos feitos pelo contribuinte em: 03/2001 a 07/2001; 05/2003; e 07/2003, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Neste mesmo sentido, temos a Súmula CARF no 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O período do débito, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Multa, é de 03/2001; 04/2001; 11/2002; 05/2003; e 07/2003. A Recorrente teve ciência do AI no dia 26.10.2006, conforme fls. 01. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados nas competências 03/2001 e 04/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000919/200776 Acórdão n.º 2403002.635 S2C4T3 Fl. 448 17 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência parcial das competências 03/2001 e 04/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; no Mérito: (ii) em função da desistência parcial do recurso administrativo interposto pela Recorrente, manter a tributação nas demais competências 11/2002; 05/2003; e 07/2003. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 456DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11065.724154/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA.
Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade.
No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso.
NORMAS GERAIS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA.
Nos casos de lançamento de ofício deves ser aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte.
O percentual de multa será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
A fim de qualificar a multa nos lançamentos de ofício, duplicando-a, cabe ao Fisco, subsumir o fato verificado nos sujeitos passivos ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, em obediência ao devido processo legal.
No presente caso, a subsunção não foi feita, motivo da retirada da qualificação da multa, com seu percentual sendo mantido em setenta e cinco por cento.
Numero da decisão: 2301-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em manter a qualificação da multa.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros
Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. NORMAS GERAIS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. Nos casos de lançamento de ofício deves ser aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. O percentual de multa será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A fim de qualificar a multa nos lançamentos de ofício, duplicandoa, cabe ao Fisco, subsumir o fato verificado nos sujeitos passivos ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, em obediência ao devido processo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 41 54 /2 01 1- 13 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 No presente caso, a subsunção não foi feita, motivo da retirada da qualificação da multa, com seu percentual sendo mantido em setenta e cinco por cento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em manter a qualificação da multa. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 172 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (DEBCAD n° 51.006.0676), e aos Terceiros (DEBCAD n° 51.006.0684) Conforme Relatório Fiscal, o fato gerador da contribuição lançada, é o pagamento de remuneração dos empregados e contribuintes individuais da empresa ISOTEC INDÚSTRIA DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, considerados pela fiscalização como segurados da empresa autuada, apurada por aferição indireta. A autoridade lançadora expõe os motivos pelos quais entende que a empresa ISOTEC foi criada pela autuada com a finalidade de registrar empregados em seu nome, aderir ao regime tributário do SIMPLES, e de se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos no referido Sistema. Observa que a atividade preponderante das duas empresas é a mesma, e que ambas se localizam na mesma rua, funcionando uma ao lado da outra, e os dois imóveis constam de um mesmo contrato de locação, sendo que a responsabilidade pela locação do imóvel de funcionamento da ISOTEC é da POLYU. Ainda conforme relato fiscal, a sócia da ISOTEC, Sra Marilize, era empregada da POLYU até pouco antes da criação da ISOTEC, e a outra sócia, Sra Cínara, incluída no quadro societário a partir de 07/2006, se declarava como isenta do IRPF nos anos anteriores, o que revela pouco ou nenhum rendimento durante 2004 e 2005, situação incompatível com a aquisição de 95% do capital social da ISOTEC, empresa que possui uma Receita Média Anual de, em média, R$2.000.000,00, no período de 2006 a 2010. Elabora quadros para demonstrar a migração de funcionários da POLYU para a empresa optante do SIMPLES, informando que, enquanto a empresa autuada manteve uma evolução ascendente de suas receitas, houve ao mesmo tempo um declínio gradual em seus custos com mão de obra, e elevação continua e expressiva de custos com mão de obra terceirizada. O agente autuante informa que, em 2010, a prestação de serviços à POLYU representa 97% da receita de beneficiamento da ISOTEC, o que deixa claro que sua receita provém quase em sua totalidade da industrialização por encomenda prestada à autuada. Esclarece, ainda, que as duas empresas possuem idêntica estruturação contábil, e que a ISOTEC não possui máquinas e equipamentos registrados em sua contabilidade, o que é incomum para uma empresa cuja atividade principal é industrialização por encomenda. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Conclui que a existência da empresa ISOTEC objetiva reduzir a tributação a que estaria sujeita a POLYU, configurando uma simulação tendente a reduzir as contribuições previdenciárias devidas pela autuada. Informa que foi aplicada a multa prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo a mesma qualificada, passando a 150%, devido aos elementos de fato e de direito expostos. A recorrente apresentou uma defesa para cada Debcad e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1039.758, da 6a Turma da DRJ/POA, julgou a impugnação improcedente, mantendo os créditos tributários. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Alega, em síntese, que: Houve necessidade de demitir parte de seus funcionários, tendo em vista a queda acentuada do faturamento da Polyu, o que é ato totalmente contrário à ilação fiscal de transferência de empregados para a Isotec, e o acórdão recorrido não levou em conta a informação trazida pela recorrente sobre a falência de muitas empresas do setor. A Polyu possuía 131 funcionários, dos quais 93 foram demitidos, sendo que desses, apenas 41 foram admitidos pela Isotec, que também contratou mais 53 funcionários que nunca trabalharam na recorrente, o que demonstra que não houve migração premeditada de mãodeobra, sendo a contratação natural, pois a mão de obra mais experiente é valorizada. Não há qualquer irregularidade na sublocação, pela recorrente, do imóvel que abriga a empresa Isotec, pelo valor de R$5.000,00, pois tal operação rende um lucro bruto à Polyu.de R$2.387,50, exatamente porque não se trata de simulação, e sim de uma sublocação real e comum, como tantas outras, não havendo qualquer passagem interna entre as duas empresas. A cláusula contratual que mantém a responsabilidade do locatário no caso é natural e necessária, e não permite deduzir qualquer relação de dependência e ligação entre as empresas, a ponto de caracterizar simulação, sendo que a proximidade geográfica existente decorreu da possibilidade de conciliar a necessidade que a Polyu tinha em sublocar parte ociosa do prédio, e a necessidade da Isotec de se instalar em um prédio com a metragem disponibilizada pela recorrente, além de essa proximidade proporcionar uma clara conveniência logística e de produção, reduzindo o custo de transporte de materiais. Muitos de seus mais capacitados funcionários saíram da empresa e tornaram se empresários de pequenas indústrias, visando prestar serviços de terceirização para empresas de PU, passando ser fundamental à Polyu terceirizar parte do processo produtivo de PU para empresas com capacitação técnica, produtividade e bom custo. A recorrente cedeu à Isotec máquinas e equipamentos, por meio de contrato de comodato legalmente constituído que atendeu aos interesses das duas empresas, já que na Polyu o referido equipamento estava ocioso, exigindo manutenção e ocupando espaço físico, e sua venda não era uma hipótese viável, por causa da desvalorização do equipamento usado e pela conveniência de a Polyu ter essas máquinas em seu patrimônio, caso seja necessário reiniciar a fase de injeção internamente. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 173 5 A existência do comodato, por si só, vantajoso para ambas as partes, não cria nem caracteriza qualquer relação de dependência ou ligação entre empresas, sendo que a Isotec utiliza o mesmo maquinário para a produção de injetados de PU para outros clientes, sem qualquer restrição. Não há terceirização de atividade fim, como entendeu o acórdão recorrido, uma vez que o PU adquirido da empresa Isotec é posteriormente elaborado pela recorrente, para que se torne em um produto comercializável, inexistindo qualquer .irregularidade na contratação da empresa Isotec pela recorrente. Não há qualquer ligação entre os sócios das referidas empresas, sendo que a Sra Marilize foi funcionária da Polyu até 31/05/2005, quando foi demitida em razão das dificuldades financeiras da empresa, não havendo óbice para que ela seja uma empreendedora, assumindo os ônus e bônus da atividade empresarial, e somente após quatro meses de sua demissão tornouse sócia de empresário com grande experiência no ramo. Três outros exfuncionários da Polyu também iniciaram novas empresas, tornandose concorrentes ou fornecedores, e o fato de a Sra Cínara não ter declarado renda à Receita Federal nos dois anos antes de seu ingresso no quadro societário da Isotec em nada desabona e nem permite qualquer ilação ou presunção contra a Polyu, muito menos serve de prova da simulação, restando claro que a recorrente não tem qualquer ingerência sobre as empresas que lhe prestam serviços terceirizados. A Isotec não foi fundada por empregados da Polyu, nem seus sócios são parentes entre si, devendo ser afastada a tese fiscal de unicidade entre as empresas, não podendo ser atribuído à recorrente contribuições previdenciárias de empregados da terceirizada. A recorrente não tem obrigação de saber qual o regime de tributação de seus fornecedores, sendo ilegal condenar administrativamente a Polyu sem a existência de provas cabais de simulação e conluio entre ela e a Isotec, merecendo reforma o acórdão recorrido. Não há ilegalidade no fato de a receita da Isotec advir do beneficiamento do PU para a recorrente, sendo comum a existência de empresas cuja receita advém em sua quase totalidade do fornecimento de produtos a um único cliente, não podendo a tomadora se manifestar sobre a receita da terceirizada, tendo em vista não possuir ingerência sobre a mesma. A Isotec também presta serviços para outras empresas, de tal modo que sem relevância jurídica, para a responsabilização da Polyu, os dados de faturamento da terceirizada, não merecendo prosperar a tese fiscal, pois não há qualquer demonstração de simulação entre essas duas empresas. A Isotec é prestadora de serviços e, por esse motivo, o custo de mão de obra sempre representará um percentual maior do que representa para a Polyu, que trabalha com beneficiamento da PU, não sendo lógico apenas fazer comparações matemáticas para vincular uma empresa a outra. A Polyu conclui o beneficiamento do PU somente após processos de injeção, refilação, lixação e pintura, agregando valor ao produto final, de modo que a relação de mão de obra versus o faturamento é muito menor, diferente do que ocorre nas outras fases de produção Fl. 538DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 de responsabilidade das empresas terceirizadas, sendo improcedente o entendimento do acórdão recorrido ao considerar a existência de relação de dependência entre a recorrente e a Isotec, pois decorre da comparação entre duas empresas com propostas e objetivos incomparáveis entre si, tratandose de argumento juridicamente incapaz de provar a ligação de dependência pretendida na tese fiscal. O fato de as duas empresas possuírem mesma estruturação contábil, tratase apenas de uma coincidência, pois ambas utilizam um dos maiores sistemas de gestão empresarial do sul do Brasil, utilizado por diversas empresas. As provas constantes do processo administrativo demonstram inexistir qualquer tipo de simulação, sendo que as provas e a realidade fática deixam claro a total independência da recorrente em ralação à Isotec ou a qualquer outra empresa. A multa há que ser reduzida, vez que não há motivação para aplicação da multa qualificada, já que inexistiu qualquer ato ou prática que visasse a simulação, e a contratação de terceirizada não implica na caracterização de sonegação, fraude, conluio ou simulação. Para que seja caracterizada a atitude do contribuinte como passível de multa qualificada, deve restar demonstrado que o mesmo agiu dolosamente, com intenção de fraude, o que não ocorreu por parte da recorrente Polyu que, ao contrário, matem sua escrituração fiscal rigorosamente em dia, como demonstram os documentos juntados aos autos. A multa qualificada resultou da presunção ou suposição da Sra Auditora, pois não há indício que a recorrente tenha procedido de maneira a sonegar alguma informação, fraudar algum documento ou agir em conluio ou simulação. Requer o acolhimento do recurso voluntário e a reforma do acórdão recorrido, com a desconstituição dos Autos de Infração e, caso não seja acolhido o pedido anterior, solicita a redução da multa para o mínimo legal. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 174 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, constatase que a recorrente tenta demonstrar que inexiste qualquer tipo de simulação no procedimento de terceirização por ela adotado, alegando que as provas e a realidade fática deixam claro a total independência da recorrente em ralação à Isotec ou a qualquer outra empresa. Todavia, a autoridade autuante constatou em ação fiscal desenvolvida na empresa e demonstrou no relatório do AI foi a existência de uma simulação no procedimento de terceirização adotado pela autuada em relação às empresas Isotec. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Vale ressaltar, ainda, que a desconsideração da personalidade jurídica não é ato privativo do Poder Judiciário. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1ª Região Apelação Cível 94.01.136211/MG DJ 12/04/2002 “Salientase ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que seus reflexos tributários existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central dos autos cingese à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN...” TRF 4ª Região Apelação Em Mandado De Segurança nº 2003.04.01.0581274 – Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (...) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindose à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicandose o art. 149, VII, do CTN. Acórdão 10708247– Sétima Câmara – 12/09/2005 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 175 9 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITA – INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS – SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizouse de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Ofício. IRPJ – SIMULAÇÃO – MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. As transferências de empregados que ocorreram entre as duas empresas corrobora a afirmação da auditoria fiscal de que não existem vários, mas apenas um empreendimento industrial, ou seja, apenas uma empresa. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 A recorrente alega que houve necessidade de demitir parte de seus funcionários, tendo em vista a queda acentuada do faturamento da Polyu, e que não houve migração premeditada de mãodeobra, sendo a contratação natural, pois a mão de obra mais experiente é valorizada. No entanto, 69 funcionários da Polyu foram demitidos em um dia, e contratados pela empresa Isotec no dia imediatamente seguinte ao da demissão. Entendo que tal fato não se configura em “contratação natural”, e reforça a convicção de que houve, sim, uma migração de empregados de uma empresa à outra. O fato de a recorrente passar por dificuldades financeiras e haver falência de muitas empresas no setor não justifica o procedimento adotado pela recorrente, de simular uma situação de terceirização, ao criar uma outra empresa apenas para absorver parte de sua mão de obra especializada, aderir ao SIMPLES e se beneficiar indevidamente do referido sistema de tributação. A recorrente continuou precisando dessa mão de obra especializada, que lhe prestou serviços por intermédio da Isotec, para atingir seus objetivos sociais Outro elemento que reforça a convicção de que se trata de uma única empresa (matriz e filiail), é o fato de a recorrente ser a locatária do imóvel onde funcionam, lado a lado, as duas empresas. A autuada se defende argumentando que não há qualquer irregularidade na sublocação, pela recorrente, do imóvel que abriga a empresa Isotec, pelo valor de R$5.000,00, pois tal operação rende um lucro bruto à Polyu.de R$2.387,50,. Entretanto não comprova o alegado. O contrato de sublocação apresentado pela recorrente é anterior à própria locação, ou seja, a locação se deu em 12/2008 e a sublocação em 06/2007, além de não possuir testemunhas e de não ter sido registrado em cartório, fato esse não negado pela recorrente em sua peça recursal. O fato de não haver qualquer passagem interna entre as duas empresas não afasta a acusação fiscal de que elas funcionam em imóveis dos quais a recorrente é a locatária e única responsável junto ao locador. A fiscalização constatou, ainda, que a ISOTEC não possui máquinas e equipamentos registrados em sua contabilidade. Verificouse que o maquinário utilizado pela Isotec para beneficiar o produto que vende foram cedidos gratuitamente pela Polyu, em regime de comodato. Ora, entendo que se a recorrente estava passando por dificuldades financeiras e tinha intenção de reduzir custos com a contratação de terceirizadas, conforme afirma, o lógico seria vender ou alugar suas máquinas e equipamentos, obtendo, dessa forma, mais uma fonte de renda , e não cedêlos sem ônus algum para a empresa Isotec, de forma que esta empresa também produzisse produtos a outras empresas. Todos esses fatos, não negados pela recorrente, levam a crer que não havia dois, mas apenas um empreendimento. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 176 11 Quanto ao quadro societário, a recorrente sustenta que a Isotec não foi fundada por empregados da Polyu, nem seus sócios são parentes entre si, devendo ser afastada a tese fiscal de unicidade entre as empresas, não podendo ser atribuído à recorrente contribuições previdenciárias de empregados da terceirizada. De fato, os sócios não são parentes entre si e, isoladamente, essa situação não seria suficiente para caracterizar a simulação. Ocorre que esse não foi o único motivo que levou a fiscalização a concluir que houve uma simulação no procedimento adotado pela recorrente. Como exaustivamente exposto acima, vários foram os fatores que levaram à convicção de que não havia duas, mas sim uma única empresa. Ademais, analisando o quadro societário, constatase que, além de a sócia cotista da Isotec ter sido empregada da autuada até poucos meses antes da constituição da empresa, a outra sócia, que adquiiriu 95% do capital da Isotec, se declarava se isenta, para o Imposto de Renda. Ou seja, a outra sócia não possuía rendimentos antes de adquirir 95% das cotas da Isotec. E isso, somado às outras constatações feitas pela fiscalização, expostas no Relatório Fiscal e devidamente comprovadas nos autos, nos levam à conclusão de que a Isotec é uma empresa de fachada, criada com o objetivo de ocultar o fato gerador da contribuição previdenciária de responsabilidade da Polyu. Verificouse, também, que a Isotec presta serviços quase que exclusivamente para a Polyu, já que 97% de sua receita com beneficiamento de PU advém da prestação de serviços à recorrente. A autuada se defende asseverando que não há ilegalidade no fato de a receita da Isotec advir do beneficiamento do PU para a recorrente, sendo comum a existência de empresas cuja receita advém em sua quase totalidade do fornecimento de produtos a um único cliente. Ocorre que esse cliente é o locatário do imóvel onde funciona a terceirizada, e cede, sem custo algum, todo o maquinário necessário para que essa terceirizada lhe preste serviços. Ademais, esse cliente reduziu seu quadro funcional na mesma época em que a terceirizada iniciou suas atividades, sendo que muitos desses empregados foram demitidos pela cliente em um dia, e contratado pela prestadora no dia seguinte. Dessa forma, entendo que não se trata de uma relação entre cliente e contratada, como quer fazer crer a autuada, e sim entre matriz e filial. Relativamente à constatação fiscal de que a Isotec teve um custo de mãode obra correspondente a 57 e 62% de seu faturamento, enquanto a Polyu teve esse mesmo custo Fl. 544DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 correspondente a 5% do faturamento no mesmo período, a recorrente alega que, por ser a Isotec prestadora de serviços, o custo de mão de obra sempre representará um percentual maior do que representa para a Polyu, que trabalha com beneficiamento da PU, não sendo lógico apenas fazer comparações matemáticas para vincular uma empresa a outra. Entretanto, a Isotec é uma indústria que, segundo afirmado pela própria recorrente, é responsável por uma etapa de industrialização do produto final da Polyu. Assim, a Polyu depende, para atingir seus objetivos, que é o beneficiamento e venda do produto final, do trabalho prestado pelos empregados da Isotec. Portanto, entendo que houve uma contratação de empregados por meio de empresa interposta, o que é ilegal, nos termos do enunciado 331, do Tribunal Superior do Trabalho. Nesse sentido, a empresa Polyu é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados da empresa Isotec. Ou seja, a Isotec foi criada com o único objetivo de deixar de recolher as contribuições sociais, sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. É fato notório que a terceirização é um procedimento legal, com vistas a um planejamento tributário lícito. Entretanto, o que foi constatado na ação fiscal foi uma simulação nos serviços de terceirização, e isso não é lícito, não encontrando amparo legal. E a fiscalização, cuja atividade é vinculada aos mandamentos legais, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e aos terceiros e o não recolhimento das contribuições devidas, lavrou os competentes Autos, em observância aos normativos que regem o lançamento, vigentes à época. Dessa forma, e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal e trazido aos autos, entendo que restou caracterizada a existência de uma única organização empresarial, envolvendo as duas empresas arroladas pela fiscalização, restando clara a relação de matriz filial entre a recorrente e a empresas terceirizada. A recorrente insurgese ainda contra a qualificação da multa, entendendo que não ocorreu as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, devendo, no caso da manutenção do auto, ser retificado o lançamento Entretanto, a fiscalização fundamentou a aplicação da multa qualificada nos referidos dispositivos legais, uma vez que restou comprovada a simulação, já que a conduta adotada pela recorrente foi no sentido de ocultar a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a Lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/2009, autoriza a utilização das multas e juros aplicados aos débitos lançados por meio dos AIs em tela. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente Fl. 545DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 177 13 poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, entendo que deverá ser mantida a multa tal como aplicada pela Autoridade Fiscal ao tempo do lançamento sob exame.. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator designado. Com todo respeito à excelsa relatora, a quem muito admiro, divirjo de sua conclusão sobre o mérito da questão e sobre a qualificação da multa. Quanto ao mérito da questão, a fiscalização desconsiderou o vínculo previdenciário de segurados com a empresa que os contratou e os considerou como segurados empregados do sujeito passivo. Para a fiscalização, as empresas construíram um esquema para reduzir sua carga tributária, com ingresso no Sistema Simples de Tributação. A legislação previdenciária possui regra para a desconsideração de vínculos previdenciários. Decreto 3.048/1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Portanto, a legislação determina que o Fisco desconsidere o vínculo pactuado e enquadre os segurados como segurados empregados, desde que se demonstre e comprove as condições do segurado empregado. Essas condições são: subordinação jurídica, pessoalidade do empregado, não eventualidade e onerosidade. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301004.023 S2C3T1 Fl. 178 15 Pois bem, no relatório fiscal há vários informes sobre a interdependência entre as empresas citadas, mas não há demonstração das condições que caracterizam os segurados de uma empresa como de outra. Assim sendo, deve ser dado provimento ao recurso, no mérito. Quanto a qualificação da multa, é de destacar que a legislação só permite sua duplicação se forem comprovados os casos previstos a Lei 4.502/1964. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nas descrições do Fisco poderíamos, interpretando e acusando, subsumir condutas relatadas à legislação citada, mas iríamos de encontro ao devido processo legal, pois não nos cabe acusar, mas sim manter imparcialidade e decidir os casos presentes nos autos. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 Portanto, como o Fisco não subsumiu as condutas relatadas ao disposto na Lei 4.502/1964, a multa deve ser desqualificada, retornando a seu percentual de setenta e cinco pro cento. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em: 1. Dar provimento ao recurso do sujeito passivo, na questão de mérito, nos termos do voto; 2. dar provimento ao recurso do sujeito passivo, a fim de desqualificar a multa de ofício, a fim de que ela retorne ao percentual de setenta e cinco por cento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 23034.030614/2004-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO - NRD. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. DEFESA ORIGINÁRIA INTEMPESTIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
De acordo com o § 1º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 99 c/c o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-003.752
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO - NRD. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. DEFESA ORIGINÁRIA INTEMPESTIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o § 1º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 99 c/c o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO NRD. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. DEFESA ORIGINÁRIA INTEMPESTIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o § 1º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 99 c/c o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 06 14 /2 00 4- 66 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.030614/200466 Acórdão n.º 2803003.752 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.030614/200466 Acórdão n.º 2803003.752 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Processo Administrativo Fiscal referente à Contribuição Social do SalárioEducação, constituído pelo FNDE com base nos Decretos 3.142/1999 e 4.943/2003, notificado às fls. 54, ciência ao contribuinte às fls. 55, defesa eletrônica às fls. 56/60, deferimento parcial da defesa às fls. 67/68, ciência da decisão às fls. 70, interposição de recurso às fls. 74/82. O Contribuinte devidamente notificado não apresentou defesa formal. Apesar de a empresa não ter apresentado defesa formal, em 03 de dezembro de 2004, o setor competente do FNDE, sugeriu deferimento parcial da “defesa”, situação acatada pelo presidente do órgão. Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso em 16 de fevereiro de 2005, onde solicitou o deferimento total da defesa apresentada. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.030614/200466 Acórdão n.º 2803003.752 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Na Informação nº 2043/2004 – DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC, de 03 de dezembro de 2004 (fl.69), consta o seguinte: A empresa não apresentou defesa formal, porém houve a transmissão tempestiva em 27/07/2004 da informação do Programa RAI, referente ao 2º semestre de 2001, no entanto, o arquivo foi rejeitado, conforme se verifica na Relação de Alunos para Regularização da empresa, fls. 63. (...) Informamos que a origem da presente NRD se refere à ausência parcial de informação perante o Programa RAI, ou seja, a empresa não cumpriu integralmente o disposto no art. 5º, inciso II da Instrução nº 01, de 15 de dezembro de 1997. Diante o exposto, sugerimos o DEFERIMENTO PARCIAL DA DEFESA esclarecendo que, conforme Quadro de atualização de Débito, fls. 66, o débito importa em R$92.131,74 (noventa e dois mil cento e trinta e um reais e setenta e quatro centavos). (grifouse e negritouse) Na parte final do documento acima citado consta a decisão do presidente do FNDE, no sentido do deferimento parcial, com a recomendação do retorno dos autos à origem para que seja dada a oportunidade de o contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE. Comunicado do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou recurso. De acordo com o § 1º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 99 c/c o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por não CONHECER do recurso aviado pelo contribuinte, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.030614/200466 Acórdão n.º 2803003.752 S2TE03 Fl. 6 5 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10746.904190/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 19 0/ 20 12 -1 8 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.839, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904190/201218 Resolução nº 3803000.564 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13839.005589/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Ementa:
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM
Do exame do voto do acórdão recorrido, vê-se houve a devida apreciação da documentação relativa às questões que se tornaram controversas no processo, com a impugnação da recorrente. A análise feita no voto do acórdão parte da conexão entre as intimações feitas e o que fora entregue pela recorrente durante o procedimento fiscal. Ausência de nulidade do acórdão de origem.
NULIDADE NA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO
1 - A questão de aplicação e de inconstitucionalidade da lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26-A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09 e a Súmula CARF nº 2.
2 - As Requisições de Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas somente após recusa da prestação das informações pelo sujeito passivo das informações solicitadas. A emissão das RMF se deu com observância do art. 4º, §§ 1º e 7º, do Decreto 3.724/01, o qual regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01. Inocorrência de nulidade na quebra de sigilo bancário.
ILEGALIDADE DA DETERMINAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS E INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PRESUMIDA
1 - Com o art. 42 da Lei 9.430/96, estabeleceu-se presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado. Encontram-se presentes nos autos o cumprimento dos requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção legal juris tantum de omissão de receitas. Ilegalidade inocorrente para a presunção legal.
2 - A recorrente não apresentou nenhuma comprovação quanto à origem dos créditos individualizados em questão. Ausência de provas a afastar a presunção legal de receitas omitidas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO - IRPJ, CSLL
A recorrente não apresentou Livro Diário, Livro Razão, nem Lalur. Caso de arbitramento do lucro com base em receita conhecida - receitas omitidas por presunção legal. O arbitramento do lucro se deu pela aplicação do coeficiente de atividades gerais de 8% acrescidos de 20% (= 9,6%) sobre as receitas omitidas, para IRPJ, e pela aplicação do coeficiente de 12%, para CSLL. quantificação do lucro arbitrado que não merece reparos.
MULTA QUALIFICADA
A recorrente não tem escrituração contábil. As receitas omitidas para o ano-calendário de 2002 chegam a 65,35% do total de receitas. E, para o ano-calendário de 2003, as receitas omitidas chegam a 60,82% do total de receitas. A conjugação desses dado de fato com o comportamento da recorrente durante os dois anos-calendário leva a concluir pela presença do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para a qualificação da multa.
DECADÊNCIA
Considerando-se a manutenção da multa qualificada, é inegável a aplicação do prazo decadencial, conforme o art. 173, I, do CTN, de modo que não houve a concreção da decadência.
Numero da decisão: 1103-001.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 Ementa: NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM Do exame do voto do acórdão recorrido, vê-se houve a devida apreciação da documentação relativa às questões que se tornaram controversas no processo, com a impugnação da recorrente. A análise feita no voto do acórdão parte da conexão entre as intimações feitas e o que fora entregue pela recorrente durante o procedimento fiscal. Ausência de nulidade do acórdão de origem. NULIDADE NA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO 1 - A questão de aplicação e de inconstitucionalidade da lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26-A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09 e a Súmula CARF nº 2. 2 - As Requisições de Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas somente após recusa da prestação das informações pelo sujeito passivo das informações solicitadas. A emissão das RMF se deu com observância do art. 4º, §§ 1º e 7º, do Decreto 3.724/01, o qual regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01. Inocorrência de nulidade na quebra de sigilo bancário. ILEGALIDADE DA DETERMINAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS E INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PRESUMIDA 1 - Com o art. 42 da Lei 9.430/96, estabeleceu-se presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado. Encontram-se presentes nos autos o cumprimento dos requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção legal juris tantum de omissão de receitas. Ilegalidade inocorrente para a presunção legal. 2 - A recorrente não apresentou nenhuma comprovação quanto à origem dos créditos individualizados em questão. Ausência de provas a afastar a presunção legal de receitas omitidas. ARBITRAMENTO DO LUCRO - IRPJ, CSLL A recorrente não apresentou Livro Diário, Livro Razão, nem Lalur. Caso de arbitramento do lucro com base em receita conhecida - receitas omitidas por presunção legal. O arbitramento do lucro se deu pela aplicação do coeficiente de atividades gerais de 8% acrescidos de 20% (= 9,6%) sobre as receitas omitidas, para IRPJ, e pela aplicação do coeficiente de 12%, para CSLL. quantificação do lucro arbitrado que não merece reparos. MULTA QUALIFICADA A recorrente não tem escrituração contábil. As receitas omitidas para o ano-calendário de 2002 chegam a 65,35% do total de receitas. E, para o ano-calendário de 2003, as receitas omitidas chegam a 60,82% do total de receitas. A conjugação desses dado de fato com o comportamento da recorrente durante os dois anos-calendário leva a concluir pela presença do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para a qualificação da multa. DECADÊNCIA Considerando-se a manutenção da multa qualificada, é inegável a aplicação do prazo decadencial, conforme o art. 173, I, do CTN, de modo que não houve a concreção da decadência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM Do exame do voto do acórdão recorrido, vêse houve a devida apreciação da documentação relativa às questões que se tornaram controversas no processo, com a impugnação da recorrente. A análise feita no voto do acórdão parte da conexão entre as intimações feitas e o que fora entregue pela recorrente durante o procedimento fiscal. Ausência de nulidade do acórdão de origem. NULIDADE NA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO 1 A questão de aplicação e de inconstitucionalidade da lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09 e a Súmula CARF nº 2. 2 As Requisições de Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas somente após recusa da prestação das informações pelo sujeito passivo das informações solicitadas. A emissão das RMF se deu com observância do art. 4º, §§ 1º e 7º, do Decreto 3.724/01, o qual regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01. Inocorrência de nulidade na quebra de sigilo bancário. ILEGALIDADE DA DETERMINAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS E INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PRESUMIDA 1 Com o art. 42 da Lei 9.430/96, estabeleceuse presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado. Encontramse presentes nos autos o cumprimento dos requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção legal juris tantum de omissão de receitas. Ilegalidade inocorrente para a presunção legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 55 89 /2 00 7- 14 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 571 2 2 A recorrente não apresentou nenhuma comprovação quanto à origem dos créditos individualizados em questão. Ausência de provas a afastar a presunção legal de receitas omitidas. ARBITRAMENTO DO LUCRO IRPJ, CSLL A recorrente não apresentou Livro Diário, Livro Razão, nem Lalur. Caso de arbitramento do lucro com base em receita conhecida receitas omitidas por presunção legal. O arbitramento do lucro se deu pela aplicação do coeficiente de atividades gerais de 8% acrescidos de 20% (= 9,6%) sobre as receitas omitidas, para IRPJ, e pela aplicação do coeficiente de 12%, para CSLL. quantificação do lucro arbitrado que não merece reparos. MULTA QUALIFICADA A recorrente não tem escrituração contábil. As receitas omitidas para o ano calendário de 2002 chegam a 65,35% do total de receitas. E, para o ano calendário de 2003, as receitas omitidas chegam a 60,82% do total de receitas. A conjugação desses dado de fato com o comportamento da recorrente durante os dois anoscalendário leva a concluir pela presença do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para a qualificação da multa. DECADÊNCIA Considerandose a manutenção da multa qualificada, é inegável a aplicação do prazo decadencial, conforme o art. 173, I, do CTN, de modo que não houve a concreção da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 572 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, cujos instrumentos específicos se encontram às fls. 296 a 305, e de CSL fls. 306 a 315, referentes ao ano calendário de 2002 e 2003. Foram lavrados em razão de suposta omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. A recorrente apresentou apenas parcela dos elementos solicitados pela autoridade fiscal. E, ainda, os elementos disponibilizados à fiscalização não se encontravam em conformidade com o que fora solicitado. A exemplo disso, a movimentação bancária entregue referiase a avisos enviados pelos bancos, e não aos extratos bancários requeridos. Intimada e reintimada diversas vezes para exigir o cumprimento integral dos itens faltantes, todas as intimações quedaramse sem sucesso. Assim, houve a emissão de RMF para obtenção dos extratos bancários da recorrente junto às instituições financeiras. Houve a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários individualizados. Foi incluído o envio de recursos ao exterior mediante CC5 (transferência internacional em reais) em relação ao qual, em precedente intimação sobre as operações que deram cobertura a tal movimentação, a recorrente negara ter realizado operações e que as desconhecia. Quanto aos valores incomprovados, aplicouse a presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Tal presunção legal foi estendida aos créditos em CC5 (saída de recursos do País), vez que, ainda que do exterior, são da recorrente, a qual persistiu na negativa e desconhecimento de operações que deram causa aos e dos créditos em CC5. Diante da ausência de apresentação da escrituração contábil, procedeuse ao arbitramento do lucro. As autuações foram exaradas com aplicação de multa qualificada. Elas se aperfeiçoaram em 14/12/07 (fls. 295, 301, 311 e 316). Esses autos foram apartados do processo 13839.005588/200761, após o julgamento conjunto pela 5ª Turma da DRJ/Campinas. DAS IMPUGNAÇÕES Em 9/1/2008 a recorrente apresentou impugnação referente aos autos de infração de IRPJ e CSL, de fls. 321 a 343, na qual argui, em síntese, o que segue. Preliminarmente, alega ter ocorrido a decadência dos fatos geradores ocorridos entre 31/11/2001 e 30/11/2001, tendo em vista que os autos de infração foram lavrados em 12/12/2007. Recorre, para tanto, ao art. 150, § 4º, do CTN, e ao art. 156, V, do mesmo diploma, para ser reconhecida a extinção do crédito tributário. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 573 4 Em seguida, a recorrente afirma ter sido “precipitada, indevida e injustificada” a quebra de seu sigilo bancário. Isso porque afirma nunca ter negado o fornecimento de seus extratos bancários. Para comprovar suas alegações, indica a entrega, em 20/07/2007, dos extratos do período de janeiro/2002 a dezembro/2004, através de meio magnético e mediante protocolo do próprio AFRF. Posteriormente, percebendo que havia faltado o extrato da contapoupança 93.4607, do Banco Bradesco, a recorrente protocolizou na DRJ de Jundiaí, em 27/07/2007, cópia da carta de solicitação do respectivo extrato. Bem como, no mês seguinte, entregou os extratos das contas mantidas nos bancos: Cidade, BBV, BCN, Bradesco, Nossa Caixa, BankBoston e Safra. E, em outubro, entregou, em meio magnético, as movimentações bancárias dos anos de 2005, 2006 e 2007, dos bancos: Bradesco, Safra, Nossa Caixa, BankBoston e Itaú. Ainda, em meio impresso, os extratos bancários dos bancos BBV e BCN. Sendo assim, acredita que, não tendo havido recusa da recorrente em fornecer os extratos bancários, tornase injustificada a medida “drástica e inconstitucional” da quebra de seu sigilo bancário. Ainda, respaldada pelo art. 5º, X e XXI, da Constituição Federal, a recorrente alega que o sigilo bancário somente pode ser quebrado através de ordem judicial, sendo vedada, constitucionalmente, qualquer outra forma de quebra de sigilo. Entende que, em hipótese alguma, poderá o sigilo bancário ser quebrado por meio de procedimento de fiscalização. No mérito. Argumenta que não assiste razão à fiscalização na aplicação de multa de 150%, que se baseia no argumento de que a recorrente deixou de atender algumas de suas solicitações. Afirma que todas as intimações foram atendidas desde o início da fiscalização, tendo sido a documentação solicitada pelo Fisco devidamente disponibilizada em uma sala isolada na sede da empresa. De tal sorte que o AFRF poderia, conforme admite a lei, ter procedido à fiscalização, mas que não o fez. Acerca das reintimações, a recorrente afirma que, na verdade, foram realizadas diversas solicitações de novos documentos. Afirma que não se pode confundir complementação documental com pedido reiterado de documentos, conforme o Fisco faz parecer a fim de justificar a aplicação indevida da multa de 150%. A recorrente assevera que os eventuais elementos e dados contábeis que, porventura, não tenham sido entregues, justificamse por estarem contidos nos equipamentos de informática que lhes foram roubados. Assim como foi devidamente informado ao Fisco por meio do boletim de ocorrência 1448, de 6/9/2004. E, além do mais, em carta protocolada pelo próprio AFRF em 19/07/2007, foi relatado que parte das informações contábeis se perderam em razão de substituição de sistemas de informática e infecção por vírus. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 574 5 Nesse sentido, alega que nenhuma culpa pode ser atribuída à recorrente, por tratarse de fatalidade decorrente da insegurança que ocorre no país há anos. De tal sorte que não pode o contribuinte ser multado por ter sido roubado e não ter tido oportunidade de reaver seus equipamentos de informática. Além do prejuízo que teve com o roubo, acredita não ser justo que haja punição pelo Fisco com aplicação de “exorbitante multa de 150%.” Acrescenta, ainda, que protocolizou cerca de dez petições na DRJ de Jundiaí, que continham todas as informações e documentos que possuía, além dos que foram disponibilizados desde abril/2007 e que permaneceram à disposição do Fisco. De forma que não há, sequer, que se cogitar que a recorrente tenha dificultado ou embaraçado a fiscalização. Ademais, caso restasse comprovado o embaraço, deveria ter sido lavrado termo específico neste sentido, o que não ocorreu. Ainda, assevera que não há prova de eventual dolo por parte da recorrente que ensejasse a aplicação da multa de 150%. Reportase ao entendimento do Conselho de Contribuintes e a textos doutrinários no mesmo sentido. Com referência à base de cálculo do IRPJ, entende ser incorreta por corresponder à somatória de todos os depósitos realizados em suas contas. Tratarseia de mera suposição o fato de todos os depósitos bancários constituíremse em base de incidência daquele imposto. E, sendo presunção, entende ser indiscutível que a autuação não se baseou em elementos suficientes capazes de gerar um valor passível de ser lançado e exigido. Socorrendose do art. 114 do CTN, afirma que o fato gerador da contribuição exigida é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica que se realiza na ocorrência da elevação patrimonial de valores, bens ou direitos. Diante disso, os depósitos bancários não configuram sinais exteriores de riqueza, vez que da sua existência não se extrai qualquer ilação quanto a uma riqueza incontestável. Os depósitos bancários não constituem fato gerador da contribuição que aqui se trata por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos. Tratase, portanto, de lançamento ilegítimo, por se basear, exclusivamente, nos citados depósitos. Por fim, requer seja julgado improcedente o auto de infração, extinguindose a cobrança, bem como quaisquer penalidades impostas à recorrente. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de novos documentos. DA DECISÃO DA DRJ Em 16/4/2008, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ de Campinas, por unanimidade de votos, julgar procedentes as exigências fiscais, pelos motivos abaixo sintetizados. Acerca da quebra de sigilo bancário, que se afirmou ter sido feita de forma precipitada e injustificada, tornouse evidente o contrário, tendo em vista ter ocorrido depois de transcorridos seis meses do início da ação fiscal. Neste período, não houve qualquer manifestação do contribuinte em apresentar sua movimentação financeira, “à exceção do tardio e precário fornecimento de informações bancárias em meio magnético no dia 20/07/2007”. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 575 6 Apesar de não ter havido recusa expressa de apresentação dos documentos exigidos, não há como negar a tentativa de embaraço à fiscalização, prevista pelo art. 33, I, da Lei 9.430/96. E, ainda assim, os demais instrumentos postos à disposição do Fisco viabilizaram a constituição do crédito tributário decorrente dos fatos questionados. Diante da conduta do contribuinte no curso da ação fiscal e levandose em consideração a urgência em analisar os fatos pertinentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, concluise, portanto, regular a requisição de informações sobre movimentações financeiras diretamente às instituições bancárias. Inadmissível justificar a não entrega da documentação contábil solicitada com roubo de equipamentos de informática e substituição de sistemas de informática por ocorrência de vírus. Isso porque as intimações fiscais não se limitaram aos arquivos magnéticos, mas também recaíram sobre documentos da escrituração contábil que “minimamente estes deveriam estar guardados e conservados”, conforme exigência da legislação vigente. Acerca da necessidade de autorização judicial para quebra do sigilo bancário, cumpre observar que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento no art. 145, § 1º, da Constituição Federal, assim como já previsto pelo art. 197 do CTN e, posteriormente tratado pela Lei 8.021/90. E, ainda, o art. 1º da Lei Complementar 105/01, seguida pela Lei 10.174/01 e pelo Decreto 3.724/01. Ademais, assente está, nos Tribunais Superiores, que o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder em face de interesse público relevante. E, na sistemática estruturada pela Lei Complementar 105/02 e pelo Decreto 3.724/01, as circunstâncias em que presentes esse interesse são especificadas, inexistindo discricionariedade. Assim, uma vez presente o comando expresso em lei ordinária e complementar autorizando o exame de informações bancárias, deve a autoridade fiscal acatá lo. Não cabe, portanto, ao agente público questionar a constitucionalidade da legislação vigente, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa. Ainda, sobre as alegações de fundarse o lançamento em presunções ou indícios em nada o desabona. São os indícios, ou os fatos conhecidos, as bases para construção da prova. Em face de indícios veementes de ter ocorrido o fato jurídico, o lançamento deve ser formalizado, bastando à fiscalização a demonstração inequívoca dos fatos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração. Acerca da pretensão de ver declarada a decadência do crédito tributário decorrente das infrações verificadas de 1/1/2002 a 11/12/2002, resta clara sua insubsistência, segundo art. 150, § 4º, do CTN, que excepciona as situações em que verificado dolo, fraude ou simulação. Os elementos reunidos pela fiscalização evidenciaram a conduta dolosa do contribuinte e, por se constituírem em indícios convergentes e consistentes, prestamse a provar, por presunção, a fraude. E, ainda que se admitisse ser possível o lançamento no próprio ano de 2002, o prazo decadencial teria seu início em 1/1/2003, e seu término em 31/12/2007, não se cogitando de qualquer vício relativamente ao presente lançamento, cientificado ao contribuinte em 14/12/2007. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 576 7 Sobre a exclusão das receitas que corresponderiam a negócios jurídicos de compra e venda inexistentes, considerando seu inadimplemento absoluto, acrescentase que, em virtude do princípio contábil da competência, as receitas devem ser reconhecidas independentemente de seu recebimento. O inadimplemento do contrato de compra e venda é evento posterior, a ser registrado segundo os critérios contábeis e fiscais fixados, e não representa mero cancelamento de venda. Por fim, na medida em que as exigências de PIS e de Cofins decorrentes das infrações aqui tratadas foram formalizadas nos autos do processo administrativo nº 13839.005588/200761, cumpre à autoridade administrativa, em caso de interposição de recurso voluntário pelo interessado, atentar para a necessária anexação, a estes autos, dos elementos correlatos àquelas exigências. Isso porque cabe ao Primeiro Conselho de Contribuintes tal apreciação, ao passo que eventual recurso voluntário contra as demais infrações isoladas é de competência do 2º Conselho de Contribuintes. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 6/06/2008, recurso voluntário de fls. 511 a 536, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural e acrescentando o que segue. Alegou não terem sido analisados documentos essenciais apresentados pela recorrente. Tais como, por exemplo, o boletim de ocorrência 1448, lavrado em 6/9/2004, em que foi registrado o roubo de equipamentos de informática que possuíam informações contábeis necessárias à elaboração de sua contabilidade. Afirmou que em documento protocolado em 23/7/2007, foi devidamente entregue cópia do referido boletim de ocorrência. Assim, seria possível comprovar que, em virtude do roubo dos equipamentos, não foi capaz de apresentar toda a documentação que possuía. Dessa forma restaria comprovado o fato de ter sido precipitado o procedimento de emissão da RMF. Alegou, ainda, que, todas as intimações foram atendidas desde o início da fiscalização, tendo sido a documentação solicitada pelo Fisco devidamente disponibilizada em uma sala isolada na sede da empresa. De tal sorte que o AFRF poderia, conforme admite a lei, ter procedido à fiscalização, mas que não o fez. A ausência de análise de toda a documentação posta à disposição do Fisco resultou em flagrante prejuízo à recorrente. Nesse caso, houve, portanto, preterição de seu direito de defesa. Colacionou julgados no mesmo sentido para corroborar suas alegações. DA RESOLUÇÃO DO CARF Em sessão do dia 9/8/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante a Resolução nº 110300.071, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, de acordo com o artigo 2º da Portaria CARF 1/12, conforme entendimento abaixo sintetizado. Afirmou que tratase de lançamentos de IRPJ e de CSL referentes aos anos calendários de 2002 e 2003, os quais deram origem aos lançamentos reflexos de PIS e de Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 577 8 Cofins referentes aos mesmos anoscalendários e também ao anocalendário de 2001, e materializados no processo administrativo 13839.005588/200761. Apontou que os presentes lançamentos estão fundados na hipótese legal de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários de origem incomprovada. Colacionou o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, e transcreveu o parágrafo único do artigo 1º, da Portaria CARF 1/12. Acentuou que a matéria discutida no presente processo é objeto do RE 601.314 RG/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Consignou que o Ministro Ricardo Lewandowski, no julgamento, pelo STF, dos Agravos de Instrumento nº 668.843 e nº 765.714/SP, determinou a devolução dos autos referentes a esses feitos aos tribunais de origem a fim de que ocorra o sobrestamento dos feitos, nos termos do art. 543B do CPC, em face do RE 601.314RG/SP, sob repercussão geral, onde é discutida questão idêntica. Registrou que, nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF, se houver a subida ou distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator deve determinar a devolução dos processos aos tribunais de origem, de modo a aplicar os parágrafos do art. 543B do CPC. Por fim, entendeu que, de acordo com o artigo 2º, caput e § 2º, da Portaria CARF 1/12, está caracterizada, no presente processo, a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. DO DESPACHO DE RETORNO AOS AUTOS Tratase de despacho expedido em 24/2/2014 que determina a reinclusão do presente processo, o qual foi sobrestado, na pauta para julgamento. Apontou que a inclusão na pauta para julgamento de processos que tratam de matérias que estão em repercussão geral sem trânsito em julgado no STF, de acordo com o rito do artigo 543B do CPC, derivou do fato de a Portaria MF 545/2013 ter revogado o §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II da Portaria MF 256/2009, o qual aprova o Regimento Interno Do CARF. Por fim, determinou o retorno do presente processo para o CARF, de modo a prosseguir o julgamento, em consonância com o Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 578 9 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Como se viu do relatório, o julgamento do recurso havia sido sobrestado por resolução, em face do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e da Portaria CARF 1/12, diante da existência de RE sob repercussão geral afetada à matéria em jogo. O feito voltou para pauta, por conta da Portaria MF 545/13, que revogou os mencionados §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O sobrestamento do feito se dera por força do RE nº 601.314/SP, sob repercussão geral (art. 543B), em que se discute a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Sobrestamento com espeque nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A recorrente argui nulidade do acórdão a quo, por falta de apreciação da documentação essencial constante nos autos, em especial, do boletim de ocorrência 1448, de 6/9/04. Dessa falta de apreciação dos documentos que instruem o processo, decorreu a preterição do direito de reação, com supressão de instância, e a comprovação da injuridicidade da quebra de sigilo bancário, segundo a recorrente. Do exame do voto da relatora do acórdão recorrido, vejo que houve a devida apreciação da documentação relativa às questões que se tornaram controvertidas no processo, com a impugnação da recorrente. De início, ressaltese que a recorrente não carreara aos autos, nenhuma documentação comprobatória dos fatos controversos e relacionada às questões controvertidas. A análise feita no voto do acórdão a quo parte da conexão entre as intimações feitas e o que fora entregue pela recorrente durante o procedimento fiscal. Transcrevo alguns excertos do voto do acórdão de origem: Evidente, portanto, que tal requisição [referese à requisição de movimentação financeira aos bancos] não se fez de forma precipitada e injustificada, mas sim depois de transcorridos 6 (seis) meses do início da ação fiscal sem que o contribuinte nada apresentasse acerca de sua movimentação financeira, à exceção do tardio e precário fornecimento de informações bancárias em meio magnético no dia 20/07/2007. (fl. 493, anverso, grifamos) [...] Este, portanto, é o momento em que a empresa comunica que solicitara e aguardava o envio dos extratos bancários faltantes: depois de transcorridos quase 10 (dez) meses do início da ação fiscal [...] (fl. 494, anverso, grifamos) Fl. 722DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 579 10 Ainda: Da mesma forma, inadmissível é a justificativa de que elementos e dados contábeis porventura não entregues foram os que estavam contidos nos equipamentos de informática que foram roubados, conforme foi devidamente informado ao fisco por meio do Boletim de Ocorrência 1448, de 0610912004, bem como que parte das informações contábeis se perderam em razão de substituição de sistemas de informática e infecção por vírus. As intimações fiscais não se limitaram aos arquivos magnéticos, mas sim recaíram sobre documentos da escrituração contábil, e minimamente estes deveriam estar guardados e conservados, para se cogitar de alguma boafé da empresa fiscalizada. (fl. 495, verso, negritos nossos) Mais. Não localizei nos autos cópia do boletim de ocorrência 1448/08. Há a resposta, datada de 19/7/07 e recebida em 20/7/07, à intimação feita em 13/7/07, na qual se diz que é encaminhado em anexo o referido boletim de ocorrência (fls. 95 e 96). E no recebimento acusado pelo autuante há o registro manuscrito de “Ressalva com a ausência do BO nº 1448/08 de 06/09/04 e a não aceitação do item 24.” (fl. 96). A recorrente juntou aos autos com a peça impugnatória cópia das respostas às intimações apresentadas – entre as quais a resposta à intimação de 13/7/07 – mas sequer carreou aos autos cópia do acusado boletim de ocorrência. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade do acórdão a quo. A recorrente articula nulidade dos lançamentos por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. A revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF motivou o retorno dos autos para julgamento do recurso, resultando prejudicada a questão da aplicabilidade ou da inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01 ficou prejudicada neste feito. Ocorre que a questão de aplicação e de inconstitucionalidade da lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09; também, consoante o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2 (segundo consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10). Outrossim, rejeito a preliminar de nulidade por inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. O art. 3º do Decreto 3.724/01 regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01: ele descreve as hipóteses de cabimento de quebra do sigilo bancário. O art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01 prevê o relatório circunstanciado contendo a motivação para a solicitação da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). É defesa a emissão de RMF sem que haja prévia intimação do sujeito passivo para apresentação das informações solicitadas; a emissão da RMF podese dar caso haja a Fl. 723DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 580 11 recusa da prestação das informações ou sua apresentação incompleta. Assim impõe o art. 4º, § 2º, do Decreto 3.724/01. A Portaria SRF 180/01 regulamenta o art. 4º, § 1º, do Decreto 3.724/01. Este preceito determina que a requisição de informações atinentes ao sigilo bancário deve ser formalizada por meio de documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigida a cada instituição financeira na qual o sujeito passivo supostamente possua conta corrente bancária, de custódia de títulos e valores mobiliários, etc. Conforme as fls. 10 e 11 (que faz parte da solicitação de RMF, contendo o relatório circunstanciado da motivação para a solicitação), notase que: houve intimação do sujeito passivo para apresentação dos extratos bancários em 18/1/07; houve reintimação em 3/4/07; e nova reintimação em 13/7/07. E a hipótese para a solicitação de RMF é o embaraço à fiscalização caracterizado pela não apresentação justificada das informações sobre movimentação financeira (art. 33, I, da Lei 9.430/96) – fl. 9. Solicitação de emissão de RMF também é feita conforme o Anexo I da Portaria SRF 180/01. Registro que esse embaraço à fiscalização, que autoriza a solicitação e a emissão de RMF nada tem de ver com o chamado embaraço que constitui pressuposto de fato para a aplicação de multa agravada do art. 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Vejo que constam as emissões de RMF às instituições financeiras, nas fls. 12, 13, 14, 17, 19, 21, 23 e 25. As RMFs expedidas, conforme o Anexo II da Portaria SRF 180/01, para apresentação dos extratos bancários do período de 1/1/02 a 31/12/03, contêm os demais requisitos indicados no art. 4º, § 7º, do Decreto 3.724/01. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade por quebra de sigilo bancário. Há preliminar de mérito de decadência invocada pela recorrente. Deixo para enfrentála ulteriormente, após a apreciação da questão relativa à aplicação de multa qualificada. Passo ao exame do mérito. A recorrente articula, em síntese, a ilegalidade da determinação de omissão de receitas que compõem a base de cálculo do IRPJ e da CSL, por presunção. Sobre a questão, de início, observo que os acórdãos citados do STF e do antigo 1º Conselho de Contribuintes são julgados que enfrentam a questão posta pela recorrente à luz da legislação tributária anterior à vigência da Lei 9.430/96. Sob o manto daquela legislação, havia inclusive a Súmula 182 do antigo TRF que rechaçara a presunção de omissão de receitas em dissídio, por falta de nexo causal entre os créditos bancários e as receitas supostamente omitidas, baseandose a pretensão em mera presunção, o que colide com o art. 43 do CTN. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 581 12 Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica1. A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 (reproduzido no art. 287 do RIR/99). Na ausência de um desses requisitos, fica derruída essa presunção legal, restando fulminada de nulidade a pretensão naquela apoiada. É como entendo. Noto que houve intimação para a recorrente comprovar a origem dos créditos bancários individualizados e a escrituração contábil deles – fls. 102 e 103. Os créditos 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) § 4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 725DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 582 13 objetivados na intimação se encontram individualizados, e por instituição financeira, nos relatórios de fls. 105 a 185. A recorrente não apresentou nenhuma comprovação quanto à origem dos créditos individualizados em questão. Nada consta nos autos sobre tal comprovação. Vejo que nas fls. 217 a 280 figuram os créditos individualizados de origem incomprovada (quadros resumos nas fls. 215 e 216). E nas fls. 281 e 282, os créditos individualizados de origem comprovada. Sucede que, conforme o Termo de Conclusão Parcial (fls. 285 a 295) que integra os lançamentos, houve o expurgo de créditos pelo autuante mediante conciliações. Outrossim, encontramse presentes os requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção juris tantum de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Inexiste vício na presunção legal relativa de omissão de receitas em comentário. E, no caso vertente, nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os créditos e depósitos não são representativos de receitas. Por outro lado, receitas omitidas não são renda omitida. Intimada à apresentação dos Livro Diário, Livro Razão, Lalur – fls. 145 e 146 – nada apresentou a recorrente. Não constam nos autos DIPJs da recorrente. Aliás, o autuante diz no Termo de Conclusão Fiscal que as DIPJ/03 e DIPJ/04 não foram entregues pela recorrente. Nas DCTFs há indicação de débitos de IRPJ e de CSL por estimativa, o que leva a crer que a recorrente apurava lucro real – daí serem de rigor os Livros Diário, Razão e Lalur. O caso, portanto, é de arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/99. Arbitramento do lucro com base em receita conhecida, conforme o art. 532 do RIR/99 – receitas omitidas por presunção legal. Para a determinação do lucro (base de cálculo) para fins de IRPJ, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 9,6%, como se constata das fls. 296 e 298, que são dos instrumentos específicos do lançamento. Ou seja, o arbitramento do lucro se deu pela aplicação do coeficiente de atividades gerais de 8% acrescidos de 20% (= 9,6%) sobre as receitas omitidas. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 583 14 Para a determinação do lucro (base de cálculo) para fins de CSL, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 12%, como se comprova nas fls. 306 e 308, que são dos instrumentos específicos do lançamento. Não merece rechaço a aplicação dos coeficientes legais para determinação do lucro arbitrado, para fins de IRPJ e de CSL. Isso, nos termos do art. 532 c/c o art. 518, do RIR/99, e do art. 20 da Lei 9.249/95 c/c o art. 29, I, da Lei 9.430/96 (CSL). Nessa linha de considerações, nego provimento ao recurso sobre a questão de mérito. Sobre a aplicação da multa qualificada, cabem as ponderações que se seguem. Bem se sabe que a presunção legal de omissão de receitas não autoriza, de per se, a aplicação da multa qualificada, ou seja, o juízo de que houve concurso de dolo no comportamento infracional. A meu ver, o juízo da concorrência de dolo específico. Aliás, constitui matéria sumulada no CARF: Súmula CARF nº 25 consolidada pela Portaria CARF 52/102. No caso vertente, a omissão de receitas por presunção legal foi detectada durante dois anoscalendário. Registrese que também há entre as receitas omitidas por presunção legal, transferências ao exterior de recursos tendo como beneficiária a recorrente. O autuante equivocamente chama de créditos em CC5 alusão à antiga CartaCircular Bacen 5/69, que regulava a transferência internacional em reais, e que se denomina há tempos como TIR, transferência internacional em reais. Sucede que só podem ser titulares de contas de TIR os residentes no exterior (e as contas de TIR são em bancos no País). O que houve foi a constatação de créditos bancários em moeda estrangeira em banco estrangeiro tendo como beneficiária a recorrente. Sobre isso ela não se manifestou na peça recursiva. A recorrente, sobre não apresentar nenhuma escrituração contábil, não entregou as DIPJs relativas aos anoscalendário em jogo. A não entrega de declaração não é elemento de relevo, para configuração do elemento subjetivo do tipo, exceto se associada a outros dados de fato relevantes para a valoração do conjunto probatório. Vêse, do Termo de Conclusão Fiscal, a diferença entre a renda omitida (com base no lucro arbitrado) e a renda declarada – supostamente pela divisão dos valores de IRPJ e de CSL declarados nas DCTFs pelas alíquotas de IRPJ e de CSL, diante da ausência das DIPJs. O total do lucro tributável para o anocalendário de 2002 chega a R$ 51.587.705,38 [R$ 38.772.682,82 (diferença) + R$ 5.695.565,58 (IRPJ) + R$ 7.119.456,98 (CSL)] . O lucro tributável omitido chega a 75,15876% do lucro total (R$ 38.772.682,82 / R$ 51.587.705,38). 2 SÚMULA Nº 25 do CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13839.005589/200714 Acórdão n.º 1103001.098 S1C1T3 Fl. 584 15 O total do lucro tributável para o anocalendário de 203 chega a R$ 33.655.592,360 [R$ 24.835.278,84 (diferença) + R$ 3.920.139,34 (IRPJ) + R$ 4.900.174,18 (CSL)]. O lucro tributável omitido chega a 73,79243% (R$ 33.655.592,360 / R$ 24.835.278,84) do lucro total. O montante do lucro (não estamos falando das receitas) omitido em relação ao total do lucro, em ambos os anoscalendário, é expressivamente significativo. A conjugação desse dado de fato com o comportamento da recorrente durante os dois anoscalendário, levame a concluir que esse conjunto de dados de fato denuncia a presença do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para a qualificação da multa. Em tais termos nego provimento ao recurso, sobre a questão da multa qualificada. Passo à apreciação da questão da decadência. Os lançamentos se aperfeiçoaram em 14/12/07 – fls. 295, 301, 311 e 316. Considerandose a manutenção da multa qualificada, é inegável a aplicação do prazo decadencial, conforme o art. 173, I, do CTN – seja para IRPJ, como para a CSL. Mesmo em relação ao IRPJ e à CSL do 1º trimestre de 2002, só se consumaria a decadência do direito de lançar, em 31/12/07. Rejeito, por conseguinte, a preliminar de mérito de decadência. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 728DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11128.003462/2007-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 26/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO. PENALIDADES APLICÁVEIS.
O erro na indicação da classificação fiscal na DI, máxime quando a descrição empregada é capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco, é declaração inexata que enseja a aplicação da multa proporcional ao valor do imposto que deixou de ser recolhido em decorrência do erros; da multa regulamentar de um por cento do valor aduaneiro, em razão do referido erro, e; da multa por infração ao controle administrativo das importações, em razão da falta de licenciamento para a importação da mercadoria efetivamente importada, discrepante da descrita na DI respectiva.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CASSAB INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/03/2003 MERCADORIA COMERCIALMENTE DENOMINADA NEOSORB® 70/70 E NEOSORB® 70/20 Mistura de reação constituída de solução aquosa de sorbitol e polissacarídeos, constituindo um xarope de sorbitol, na forma líquida, classificase no código 3824.60.00 da NCM. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO. PENALIDADES APLICÁVEIS. O erro na indicação da classificação fiscal na DI, máxime quando a descrição empregada é capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco, é declaração inexata que enseja a aplicação da multa proporcional ao valor do imposto que deixou de ser recolhido em decorrência do erros; da multa regulamentar de um por cento do valor aduaneiro, em razão do referido erro, e; da multa por infração ao controle administrativo das importações, em razão da falta de licenciamento para a importação da mercadoria efetivamente importada, discrepante da descrita na DI respectiva. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 34 62 /2 00 7- 43 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório M. CASSAB INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA teve lavrado contra si oS Auto de Infração das fls. 2 a 6, para formalização da determinação e a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa proporcional, e das fls. 9 a 11, para aplicação da multa por infração ao controle de controle administrativo das importações (cominada no art. 84, inciso I, da Medida da Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), tendo em vista a classificação incorreta na NCM e da multa proporcional ao valor aduaneiro, cominada no artigo 169, inciso I, alínea 'b', do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, no valor total de R$ 16.685,71, em vista da exigência de novo Licenciamento de Importação (LI), em virtude dos fatos a seguir descritos. O importador por meio da Declaração de Importação DI nº 03/02532310 (adição única), registrada em 26/03/2003, parametrizada no canal vermelho, submeteu a despacho o produto de nome comercial "NEOSORB 70/70 e 70/20". Como a descrição detalhada da mercadoria informada na DI, qual seja "SORBITOL (DGLUCITOL) NEOSORB 70/20 SIROP DE SORBITOL ASPECTO DO PRODUTO: XAROPE LÍMPIDO, INCOLOR COM SABOR ADOCICADO NOME COMERCIAL NEOSORB 70/70 E 70/20 USO DO PRODUTO: MATÉRIA PRIMA USADA EM INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA (PASTAS, CREMJS, SORVETES, BOMBONS)" (fl. 22), não forneceu os elementos necessários para seu correto enquadramento na NCM, no ato da conferência física retirouse amostra para exame laboratorial da mercadoria em questão, conforme pedido de LAB 862/03/GCOF, de 02/04/2003. Em decorrência da análise efetuada no referido produto, foi emitido o Laudo de Análise de nº 0917.01, em 30/04/2003 (fls. 30 e 31), por meio do qual se constatou divergência entre o declarado pelo importador e o produto analisado, conforme abaixo especificado: LAUDO N° 0917.01 Adição 001: "Não se trata somente de DGlucitol (Sorbitol), um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Tratase de Mistura de Reação constituída de Solução Aquosa de Sorbitol e Polissacarídeo|, um Xarope de Sorbitol, um Produto Diverso das Indústrias Químicas, na forma líquida". Destaca ainda o Laudo: "Não se trata de preparação e nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado. Tratase de Mistura de Reação." Com apoio nesse laudo, a Fiscalização reclassificou a mercadoria declarada no código tarifário NCM 3824.60.00, com alíquotas de II e IPI respectivamente de 23,0% e 10,0%, e detrimento da classificação declarada NCM 2905.44.00, com 36,0% de II e 0,0% de IPI, acrescido da multa de lançamento de ofício proporcional ao valor do imposto; da multa cominada no art. 84, inciso I, da Medida da Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em razão da classificação incorreta na NCM da mercadoria constante da adição 001, e; da Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11128.003462/200743 Acórdão n.º 3403003.363 S3C4T3 Fl. 159 3 multa cominada no art. 169, inciso I, alínea 'b', do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, tendo em vista que já a mercadoria constante da adição 001, descrita no código NCM correto e a descrição inexata da mercadoria exigem novo Licenciamento de Importação (LI). Em impugnação de fls. 52 à 56, o autuado alegou resumidamente que: a) o produto importado Sorbitol é um composto orgânico de constituição química definida e isolada, geralmente utilizado como humectante e emoliente em formulações de cosméticos, e também como adoçante e veículo na indústria farmacêutica. É um composto de constituição química definida, apresentado isoladamente, é um composto químico distinto, de estrutura conhecida que não contém outra substância deliberadamente adicionada durante ou após a fabricação Conforme o disposto no capítulo 29 do texto oficial das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Sistema Harmonizado) são considerados produtos químicos orgânicos não só os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mas também as soluções aquosas desses produtos. b) não se pode desqualificar um produto simplesmente por este apresentarse em solução aquosa, o qual, mesmo diluído, ainda guarda as características químicas definidas e isoladas que lhe são peculiares, dado não lhe terem sido adicionadas deliberadamente, qualquer outra substância que lhe alterasse tais características. c) a análise procedida pelo competente Instituto Nacional de Tecnologia,classifica o produto como DGLUCITOL (SORBITOL), enquadrandose pois, no código 2905.44.000 da Tabela Aduaneira do Brasil, reconhecendo desta forma tratarse de Sorbitol em solução aquosa na porcentagem de 70% (setenta por cento), refutandose categoricamente r a desclassificação advinda do Laudo de Análise elaborado pelo Laboratório Nacional de Análises LABAMA. d) os produtos importados tratase de Sorbitois (DGlucitol) e não misturas de Xaropes de Sorbitois, como afirmaram os peritos do LABANA, no Laudo n° 0917.01, fato que deixa claro que a importação promovida está amparada pela respectiva Guia de Importação. e) o código 3824.60.00, erroneamente apontada pela Fiscalização como a classificação correta, referese exclusivamente para os Xaropes de Sorbitois, geralmente compreendido entre 60% (sessenta por cento) a 80% Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 (oitenta por cento) sobre extrato seco, sendo certo que o Sorbitol 70/70 é classificado em tal posição por ser um Xarope com teor de DGlucitol com 74% de pureza. f) a posição corretamente indicada na DI, sob o código 2905.44.00, referese a Sorbitois (DGlucitol) e suas soluções com teor de DGlucitol, em base seca contrária à descrita no capítulo 3824, uma vez que o Sorbitol 70/20 possui teor de DGlucitol de 93% (noventa e três por cento) a 94 % (noventa e quatro por cento) em base seca, correspondendo a 63 % a 64% em base úmida. A 1ª Turma da DRJ/SP2 julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 17053.948, de 15 de setembro de 2011, fls. 108 a 118, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/03/2003 Importação do produto de nome comercial "NEOSORB 70/70 com classificação fiscal no código NCM 2905.44.00. Laudo de Assistência Técnica apurou que tratase de Mistura de Reação constituída de Solução Aquosa de Sorbitol e Polissacarídeo, com classificação fiscal no código NCM 3824.60.00. O importador omitiu aspecto relevante na descrição do produto: O fato de ser uma Mistura de Reação, o que interfere diretamente na classificação fiscal do produto. Aplicável a multa de controle administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/SP2. O arrazoado de fls. 125 a 138, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a argumentação sobre a correção da classificação fiscal adotada na DI nº 03/02532310. Combate também a aplicação da penalidade cominada no art. 663 Regulamento Aduaneiro, aprovado, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – RA/2002, sob o argumento de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. No seu entender, a referida multa só poderá ser aplicada se o procedimento do Licenciamento de Importação da mercadoria tiver uma exigência superior daquele que é exigido para a mercadoria que se imputa. Colaciona ementas da jurisprudência administrativa. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11128.003462/200743 Acórdão n.º 3403003.363 S3C4T3 Fl. 160 5 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 125 a 138 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP21ª Turma nº 17053.948, de 15 de setembro de 2011. Controvertese a classificação tarifária do produto importado por meio da Declaração de Importação DI nº 03/02532310, registrada em 26/03/2003, e a aplicação de multa de controle administrativo das importações. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE NEOSORB® 70/70 E 70/20 No mérito, tratase da classificação fiscal do produto referido na adição única da DI nº 03/02532310 como "SORBITOL (DGLUCITOL) NEOSORB 70/20 SIROP DE SORBITOL ASPECTO DO PRODUTO: XAROPE LÍMPIDO, INCOLOR COM SABOR ADOCICADO NOME COMERCIAL NEOSORB 70/70 E 70/20 USO DO PRODUTO: MATÉRIA PRIMA USADA EM INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA (PASTAS, CREMUS, SORVETES, BOMBONS)” O autuado, declarante, classificou a mercadoria no código NCM 2905.44.00: No entanto, o laudo técnico nº 0917/01 emitido pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp — Funcamp em 30/04/2003, referente à DI nº 03/02932310, ao identificar a mercadoria descrita da mesma forma acima, concluiu que: "1. Não se trata somente de DGlucitol (Sorbitol), um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Tratase de Mistura de Reação constituída de Solução Aquosa de Sorbitol e Polissacarídeo, um Xarope de Sorbitol, um Produto Diverso das Indústrias Químicas, na forma líquida." (fl. 31) Diante dos fatos, com base na RGISH nº 1 e ao amparo do art. 30, § 3°, do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, em procedimento de conferência física da mercadoria importada, reclassificoua no código NBM/NCM 3824.60.00, ao qual correspondia a alíquota de 10% de IPI: 29.05 Álcoois acíclicos e seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. 2905.4 Outros poliálcoois: 2905.44.00 Dglucitol (sorbitol) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 6 A Nota 1 do Capítulo 29 do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadoria estabelece: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas; b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c) Os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) As soluções aquosas dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima; e) As outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) Os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) Os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f ) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) Os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. 38.24 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições. 3824.10.00 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição 3824.30.00 Carbonetos metálicos não aglomerados, misturados entre si ou com aglutinantes metálicos 3824.40.00 Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos 3824.50.00 Argamassas e concretos, não refratários 3824.60.00 Sorbitol, exceto o da subposição 2905.44 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11128.003462/200743 Acórdão n.º 3403003.363 S3C4T3 Fl. 161 7 O Neosorb® 70/70 ou 70/20, nos termos do laudo técnico já referido, é uma mistura de reação, constituída de solução aquosa de sorbitol e polissacarídeo, apto para usos específicos em várias finalidades (utilizada como humectante e emoliente em formulações de cosméticos; como adoçante e veículo nas indústrias farmacêuticas e alimentícias). Não se trata de preparação, nem de composto orgânico de constituição química definida e isolado. Tratase de Mistura de Reação, do que decorre não atender o requisito previsto no item "a" da Nota I do Capítulo 29, acima transcrito. A mercadoria sob exame tampouco pode ser compreendida na letra "d" da Nota 1, porque não se trata apenas de uma solução aquosa, haja vista também ser composta por polissacarídeos. O laudo técnico nº 0917/01, na resposta ao quesito nº 5, ainda deu conta de que o sorbitol em questão é obtido por hidrogenação de glicose. A propósito, a Nota B, 5 da posição 3824 exemplifica os produtos químicos e preparações nela compreendido (desde que não contrariem as disposições anteriores), entre eles, o sorbitol (excluído o da posição 2905): "Este grupo compreende principalmente os xaropes de sorbitol (Dglucitol), contendo outros polióis, cujo teor em Dglucitol está geralmente compreendido entre 60% e 80% (sobre extrato seco). Obtêmse por hidrogenação dos xaropes de glicose com um teor elevado em di e polissacarídeos sem qualquer processo de separação. Têm a característica de serem dificilmente cristalizáveis e usamse em numerosas indústrias (por exemplo, produtos alimentícios, cosméticos, produtos farmacêuticos, plásticos, matérias têxteis). Assim, empregando a RGISH nº 1, o Neosorb® 70/70 e 70/20 deve ser classificada 3824.60.00, já que se trata de xarope de sorbitol, expressamente excluído da posição 2905 pela Nota 1 a dessa posição. Corroborando essa conclusão, o Acórdão nº 301 32.247, de 9 de novembro de 2007 (Cons. José Luiz Novo Rossari), assim decidiu: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Mistura de Reação constituída de Solução Aquosa de Sorbitol e Polissacarídeos, um Xarope de Sorbitol, na forma líquida, classificase no código 3824.60.00 da NCM. PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para outras importações desde que se trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, em conformidade com o art. 30, § 3, do Decreto n° 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO A Solução de Consulta nº 52, de 24/09/2008 (D.O.U, de 17/12/08), da DISIT/SRRF/8ª RF, também referendou essa classificação: 8ª REGIÃO FISCAL DIVISÃO DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 52, DE 24 DE Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 8 SETEMBRO DE 2008 DOU 17/12/2008 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TEC: Mercadoria 2905.44.00 Xarope de sorbitol, na forma de solução aquosa cristalizável, com concentração de 70% em peso, correspondente a 93% de Dsorbitol em extrato seco, acondicionado em tambores de metal com 275 kg, denominado Neosorb® 70/20. Fabricante: Roquette Frères. DISPOSITIVOS LEGAIS:RGIs 1.ª e 6.ª (textos da Nota 1do Capítulo 29, da posição 2905 e da subposição 2905.44), todas da TEC, do Mercosul (Decreto nº 2.376/1997 Anexos Resolução Camexnº 43/2006 e alterações posteriores), com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto nº 435/1992,alterado pela IN RFB nº 807/2008). SANDRA IVETE RAU VITALI Chefe da Divisão PENALIDADES APLICÁVEIS Multa de lançamento de ofício proporcional Desnecessárias maiores considerações, o erro na indicação da classificação fiscal subsumese ao tipo descrito no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”. Nessa esteira, restando caracterizado que, de fato, a classificação declarada não é a cabível, somente seria possível afastar a penalidade se verificada circunstância excludente expressamente enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, em cujo art. 1º se lê: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. A hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato: reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex. Ademais, o AD(N) Cosit nº 10, de 1997, que respaldava a exclusão da multa em razão de erro de classificação, foi expressamente revogado em 10/09/2002, data anterior ao fato gerador objeto do litígio. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11128.003462/200743 Acórdão n.º 3403003.363 S3C4T3 Fl. 162 9 Multa regulamentar por erro na classificação fiscal Assim como a multa proporcional ao valor dos tributos não recolhidos, entendo como bem aplicada a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM, cominada no art. 84 da Medida da Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, combinado com os arts. 69 e 81 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Multa por infração ao controle administrativo das importações A infração em tela estava cominada no art. 169, inc. I, do DecretoLei nº 37, de 1966, que teve sua redação alterada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, à época regulamentado pelo art 633 do Regulamento Aduaneiro, aprovado, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – RA/2002: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo embarque de mercadoria antes de emitida a licença de importação ou documento de efeito equivalente (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: a) pelo embarque da mercadoria depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, de mais de vinte até quarenta dias (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 2, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 10 IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); IV de dez por cento sobre o valor aduaneiro, pelo embarque da mercadoria, depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, até vinte dias (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 1, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o). § 1o Considerase importada sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, a mercadoria cujo embarque tenha se efetivado depois de decorridos mais de quarenta dias do respectivo prazo de validade (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, § 1o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o). § 2o As multas referidas neste artigo não poderão ser (Decreto lei no 37, de 1966, art. 169, § 2o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I inferiores a R$ 137,60 (cento e trinta e sete reais e sessenta centavos); e II superiores a R$ 1.376,00 (um mil trezentos e setenta e seis reais) nos casos referidos na alínea "b" do inciso II, na alínea "a" do inciso III, e no inciso IV, do caput. § 3o Salvo no caso do inciso I do caput, na ocorrência simultânea de mais de uma infração, será punida apenas aquela a que for cominada a penalidade mais grave (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, § 4o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o). § 4o A aplicação das penas referidas neste artigo (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, § 5o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; e II não prejudica a isenção de impostos de que goze a importação, salvo disposição expressa em contrário. § 5o Não constituem infrações, para os efeitos deste artigo (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, § 7o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I a diferença, para mais ou para menos, por embarque, não superior a dez por cento quanto ao preço, e a cinco por cento quanto à quantidade ou ao peso, desde que não ocorram concomitantemente; II os casos referidos na alínea "b" do inciso II, e nos incisos III e IV do caput, se alterados pelo órgão competente os dados constantes da licença de importação ou documento de efeito equivalente; e III a importação de máquinas e de equipamentos declarados como originários de determinado país, que constituam um todo Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11128.003462/200743 Acórdão n.º 3403003.363 S3C4T3 Fl. 163 11 integrado, embora contenham partes ou componentes produzidos em outros países que não o indicado na licença de importação ou documento de efeito equivalente. Com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída pela Licença de Importação. A Portaria SECEX nº 21/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador, preceituava que: "Art. 7° O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do S1SCOMEX. § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. Art. 8° Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9° Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8°, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto." A disposição expressa no art. 14 da Portaria SECEX nº 21/96 foi reafirmada nas Portarias SECEX posteriores, nº 17/2003 (DOU de 02/12/2003), nº 14/2004 (DOU de 23/11/2004), nº 35/2006 (DOU de 28/11/2006), nº 36/2007 (DOU de 26/11/2007) e nº 25/2008 (DOU de 28/11/2008) nos dispositivos a seguir reproduzidos (na Portaria nº 25/2008, nos artigos 11 e 12): "Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador devera prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. (...) Art. 11. (..) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 12 § 1° A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM PORTARIA MF/MICT nº 291, de 12/12/1996 (DOU de 13/12/1996) ANEXO II 18 Descrição detalhada da mercadoria Descrição completa da mercadoria de modo a permitir sua perfeita identificação e caracterização." A propósito, o AD(N) Cosit nº 12/97 orientou que “não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado , e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por pane do declarante". A autuação foi baseada no fato de que as mercadorias não foram descritas na DI de forma a permitir a sua identificação e caracterização a fim de poder melhor identificar e classificar na TEC/NCM, como determina a legislação de regência. Como as declarações no Siscomex abrangem a licença de importação (art.6º, §1º do Decreto nº 660/92), caracterizada a descrição incorreta/incompleta da mercadoria, configurase a infração ao controle administrativo das importações, já que não houve licença de importação para a mercadoria que foi efetivamente importada. Portanto nego provimento ao recurso também no que diz respeito às penalidades aplicadas. Conclusões Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 16 de outubro de 2014 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11080.930856/2011-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3801-004.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 56 /2 01 1- 46 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930856/201146 Acórdão n.º 3801004.373 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratam os presentes Embargos de Declaração sobre acórdão que decidiu sobre Recurso Voluntário que se insurgia contra decisão Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA). Inicialmente no presente processo houve manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou as compensações. Apresentada impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA) analisou o pedido e julgou improcedente a manifestação e entendeu que a aplicação da redução de alíquota prevista nos art.1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Entendeu que até que fosse publicado tal ato, a norma não poderia produzir seus efeitos. Entendeu que se tratava de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS e do PIS. ART. 1º E 2º DA LEI N.º 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS e do PIS prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A DRJ Porto Alegre destaca, ainda, que pelo art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs),estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 Às fls. 98 a 105, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz, em síntese, que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis e da supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. A 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso voluntário, dandolhe provimento por meio da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que ele não possui o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração alegando a ocorrência de omissão, em razão de não haver o acórdão se pronunciado quanto ao início da vigência, ou seja, partir de qual data deveria ser aplicado o benefício fiscal da Lei nº 10.312/2011. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930856/201146 Acórdão n.º 3801004.373 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. À luz do artigo 65, caput e § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI – CARF) a apresentação dos Embargos de Declaração é tempestiva e atende aos demais pressupostos, portanto dele tomase conhecimento. Conforme esta norma os Embargos de Declaração são cabíveis nos seguintes casos: PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. Alegase ao presente caso a presença de omissão, face a ausência de menção expressa quanto ao início da vigência da norma, ou seja, quanto a data a partir da qual deveria ser aplicado o benefício fiscal previsto na Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001. Neste tema, não obstante esteja no próprio texto da lei, deve ser ratificado que o benefício a que se refere a Lei nº 10.312/2001 somente produzirá efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação, nos termos do art. 4º da referida Lei. Consultados os autos do processo em epígrafe, verificase que o período de apuração a que se pretende a compensação é de 01/05/2001 a 31/05/2001, ou seja, período antecedente a data descrita no art. 4º da Lei nº 10.312/2001, o que vêm a excluir o referido pedido de compensação do requisito necessário ao seu provimento. Ressaltase, afastase de imediato a alegação do efeito retroativo da norma de isenção, visto que o regime de retroatividade benéfica aplicase restritivamente aos casos descritos no art. 106, II do CTN. Dispõe este que a retroatividade será aplicada quando i) a lei deixar de definir o ato ou fato como infração; ii) deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão,desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 falta de pagamento de tributo; e iv) quando aplicar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. No presente caso nenhum dos requisitos apontados se aplica, de tal modo que deve ser considerado como período de início de sua vigência, nos termos da Lei 10.312/2001 o primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da sua publicação. Logo, temse por não abrangido o período de apuração requerido. Assim, no acórdão embargado alterese a redação da parte dispositiva original, onde consta: “Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado.” Substituindose por: “Em face do exposto, por ausência de previsão legal para o reconhecimento do benefício, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.” Igualmente se faz necessária a reforma na Ementa do acórdão embargado alterandose a redação original, onde consta: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Substituase por: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 DECRETO Nº 4.524/02. O início da vigência do benefício previsto, nos termos da Lei 10.312/2001, inicia no primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da sua publicação. Logo, temse por não abrangido o período requerido, dado que anterior à Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.930856/201146 Acórdão n.º 3801004.373 S3TE01 Fl. 11 7 vigência da norma, não se aplicando ao caso o instituto da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Negado. Diante do exposto, entendo que os presentes embargos devem ser acolhidos, sanandose a omissão, e lhes atribuídos efeitos infringentes, para fins de modificar o acórdão outrora exarado, em que se dava provimento ao recurso voluntário, passando o recurso voluntário a ter seu provimento negado. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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