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Numero do processo: 16561.720068/2011-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS DEVIDAS A ERROS DE ESCRITA.
Constatada inexatidão material devidas a erros de escrita, cabe a correção na redação da decisão embargada.
Numero da decisão: 9101-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificar o Acórdão nº 9101-002.323, de 03/05/2016, sem efeitos infringentes, a fim de que se exclua a expressão "com retorno dos autos à Turma a quo".
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INEXATIDÕES MATERIAIS DEVIDAS A ERROS DE ESCRITA. Constatada inexatidão material devidas a erros de escrita, cabe a correção na redação da decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, reratificar o Acórdão nº 9101002.323, de 03/05/2016, sem efeitos infringentes, a fim de que se exclua a expressão "com retorno dos autos à Turma a quo". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 68 /2 01 1- 54 Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 16561.720068/201154 Acórdão n.º 9101003.281 CSRFT1 Fl. 4.222 2 Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório São embargos inominados (efl. 4213/4214) previstos no art. 66, Anexo II do RICARF, opostos pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, na época o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em face do Acórdão nº 9101 002.323, de 3 de maio de 2016 (efls. 4164/4208), proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso da LG ELETRONICS DO BRASIL LTDA ("Contribuinte") e determinou o retorno dos autos para a turma a quo. Aduz o embargante que a determinação do retorno dos autos para a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento teria sido equivocada, vez que a decisão embargada apenas ratificou o decidido pela turma ordinária, e que teria restado caracterizado o lapso manifesto na redação do acórdão. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 4217/4219 concluiu no sentido de se admitir os embargos. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Transcrevo o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (...) (Grifei) Conforme demonstrado pelo embargante, restou demonstrada a incorreção na redação do acórdão embargado, ao determinar o retorno dos autos para a turma a quo. Adoto as razões dos embargos inominados transcritas a seguir: Ora, equivocada a determinação de retorno dos autos à Turma a quo, pois a decisão da CSRF apenas ratificou tudo quanto decidido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Sejul, se Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 16561.720068/201154 Acórdão n.º 9101003.281 CSRFT1 Fl. 4.223 3 não vejamos a ementa e a parte dispositiva do Acórdão 1302001.162 da 2ª TO: (...) Salientese que não houve sequer a apreciação pela Turma ad quem de qualquer preliminar processual ou de mérito, tendo sido decidido o mérito da questão posta em julgamento, razão pela qual, nada justificaria o retorno dos autos para novo julgamento da Turma a quo. Além do fato, como já dito, que decisão da Turma ad quem apenas ratificou tudo quanto dito pela decisão da Turma a quo. Assim, como foi exaurida a atividade julgadora da 2ª TO/3ªCâmara/1ª Sejul, fica patente o lapso manifesto cometido no Acórdão nº 9101002.323, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, razão pelo qual são opostos os presentes embargos inominados. Nesse sentido, cabe a correção na redação do acórdão embargado, para excluir a expressão " com retorno dos autos à Turma a quo". Segue o texto retificado: Acordam os membros do colegiado, conhecer por unanimidade de votos do Recurso Especial da Contribuinte e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 4223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954394/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2001
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 94 /2 00 8- 79 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.954394/200879 Acórdão n.º 3401004.158 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.772, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.954394/200879 Acórdão n.º 3401004.158 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.954394/200879 Acórdão n.º 3401004.158 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.954394/200879 Acórdão n.º 3401004.158 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722310/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS.
Incabível a exclusão de depósitos bancários que se alega serem provenientes de transferências entre contas de mesma titularidade quando não comprovadas com documentação hábil e idônea.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ausente comprovação de dolo, fraude ou simulação, em relação aos tributos em que houve comprovação de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial se dá a partir da data de ocorrência do fato gerador.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE
Omissão de receita baseada em presunção legal, sem qualquer outra circunstância ligada à ocorrência do fato gerador não pode ensejar a qualificação da penalidade. O fato de a pessoa jurídica estar constituída em nome de interpostas pessoas não altera qualquer característica atinente à ocorrência do fato gerador, inclusive no que toca à identificação de movimentação financeira incompatível com a renda, uma vez que as contas bancárias em questão estavam todas em nome da pessoa jurídica autuada, não se aplicando o disposto na Súmula CARF nº 34, mas sim os enunciados das Súmulas CARF nº 14 e nº 25.
MULTA AGRAVADA. REDUÇÃO.
Incabível a aplicação da multa de ofício majorada em 50%, quando não se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto deelementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DEPESSOAS. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário.
Numero da decisão: 1301-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários dos coobrigados. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild acompanharam pelas conclusões o voto do Relator em relação aos recursos dos coobrigados. II) Em relação à exigência do crédito tributário da pessoa jurídica: (i) por unanimidade de votos rejeitar as arguições de nulidade; (ii) por maioria de votos acolher a arguição de decadência para exonerar o crédito tributário de IRPJ e de CSLL referente ao 4º trimestre de 2008, e aos 1º e 2º trimestres de 2009, e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por negar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ME E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. Incabível a exclusão de depósitos bancários que se alega serem provenientes de transferências entre contas de mesma titularidade quando não comprovadas com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ausente comprovação de dolo, fraude ou simulação, em relação aos tributos em que houve comprovação de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial se dá a partir da data de ocorrência do fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 23 10 /2 01 4- 05 Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.938 2 Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE Omissão de receita baseada em presunção legal, sem qualquer outra circunstância ligada à ocorrência do fato gerador não pode ensejar a qualificação da penalidade. O fato de a pessoa jurídica estar constituída em nome de interpostas pessoas não altera qualquer característica atinente à ocorrência do fato gerador, inclusive no que toca à identificação de movimentação financeira incompatível com a renda, uma vez que as contas bancárias em questão estavam todas em nome da pessoa jurídica autuada, não se aplicando o disposto na Súmula CARF nº 34, mas sim os enunciados das Súmulas CARF nº 14 e nº 25. MULTA AGRAVADA. REDUÇÃO. Incabível a aplicação da multa de ofício majorada em 50%, quando não se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto deelementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DEPESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários dos coobrigados. Os Conselheiros Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.939 3 José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild acompanharam pelas conclusões o voto do Relator em relação aos recursos dos coobrigados. II) Em relação à exigência do crédito tributário da pessoa jurídica: (i) por unanimidade de votos rejeitar as arguições de nulidade; (ii) por maioria de votos acolher a arguição de decadência para exonerar o crédito tributário de IRPJ e de CSLL referente ao 4º trimestre de 2008, e aos 1º e 2º trimestres de 2009, e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.940 4 Relatório JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA. ME e coobrigados recorrem a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1460.547) que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Em razão do montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 03, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Ressaltese que mesmo com o advento da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que elevou o limite para interposição de recurso de ofício para R$ 2.500.000,00, o montante exonerado ainda exige novo pronunciamente desta Corte Administrativa. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foram constatadas, nos anoscalendário de 2008 (novembro e dezembro), 2009 e 2010, as seguintes infrações: 1) omissão de receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. 2) arbitramento de receitas declaradas provenientes de prestação de serviços em geral; Foi arbitrado o lucro da pessoa jurídica, com fundamento no art. 530, III, do RIR/1999, tendo em vista que a contribuinte, sendo intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: TRIBUTO VALOR DO TRIBUTO R$ VALOR DOS JUROS DE MORA R$ VALOR DA MULTA R$ VALOR TOTAL R$ IRPJ 3.775.484,26 1.654.074,58 6.801.887,54 12.231.446,38 PIS 181.360,60 82.941,86 408.061,35 672.363,81 CSLL 803.566,95 365.429,15 1.808.025,63 2.977.021,73 COFINS 837.048,90 382.808,65 1.883.360,04 3.103.217,59 TOTAL 18.984.049,51 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.941 5 Consta no processo que foi lavrado o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, solicitando a apresentação dos livros Diário, Caixa, Registro de Entradas de Mercadorias, Registro de Saídas de Mercadorias, Registro de Apuração de ICMS, notas fiscais de saídas de mercadorias e/ou serviços, arquivos digitais de notas fiscais de entrada e saída e extratos bancários de contas em instituições financeiras. Consta também que foi enviado um Termo de Ciência para o domicilio tributário do sócio cadastrado no sistema da Receita Federal do Brasil, como responsável pela contribuinte, Sr Mauro José Abbud, CPF: 076.439.30813, em 19/10/2012. O Termo de Ciência do Sr Mauro Jose Abbud foi enviado por via postal através do AR RQ884821906BR, e entregue no dia 24/10/2012. Em 22/11/2012 foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, com ciência da empresa em 07/12/2012, através do Edital SEFIS/DRF/BRE n° 77/2012 reintimando a contribuinte a apresentar os documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal. O contribuinte não atendeu a nenhuma destas intimações. Em 07/03/2013 compareceu a esta delegacia o Sr Adalberto Palhinha Martins CPF: 024.570.67804, que alegou ser o contador do contribuinte, mas não apresentou procuração, informando verbalmente que a empresa não possui os documentos solicitados, inclusive os Livros Contábeis e Fiscais. Como a contribuinte não apresentou a documentação solicitada nos Termos acima citados, ela se enquadrou no § 5o do artigo 2o e incisos VII e XI do artigo 3o do Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que ensejam a lavratura de Requisição de Movimentação Financeira (RMF): Foi expedida RMF para o HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo, que informou (por meio da Dimof) uma movimentação de recursos no montante de R$ 3.325.240,00, R$ 39.084.414,75 e R$ 61.817.558,73, nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, respectivamente. Contudo, o sujeito passivo declarou em DIPJ nos referidos anos calendário o montante de R$ 164.220,00, R$ 20.535.241,60 e R$ 47.905.087,20. Assim sendo, ficou demonstrada a hipótese de indispensabilidade do exame das informações financeiras do contribuinte, conforme previsto no inciso VII, e XI do artigo 3o do Decreto n° 3.724/2001. De posse das informações fornecidas pela instituição bancária em atendimento à RMF, a contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, mas não logrou fazêlo. Em 01/10/2013 a Polícia Federal deflagrou uma ampla operação baseada nas investigações primárias da CPMI do Cachoeira, com ampla cobertura da mídia nacional, chamada "Operação Saqueador", com busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD em São Paulo, entre elas a JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA ME. As empresas controladas pelos Sr Adir Assad e Marcello José Abbud, e investigadas por essa operação são todas registradas em nome de interpostas pessoas (laranjas), todas com vínculos profissionais e pessoais com este senhor e as provas serão exaustivamente relatadas neste relatório. A decisão do MM. Juiz Federal Substituto no exercício da Titularidade da 7a Vara Federal Criminal da Capital/RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, processo n° 080231542.2013.4.02.5101, que autorizou a busca e apreensão nas empresas de fachada Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.942 6 controladas pelos Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD em São Paulo, entre elas a JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA. ME, autorizou no seu item 8 o compartilhamento dos dados obtidos na investigação com a RFB. Em 12/05/2014 compareceu a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri o Sr Adalberto Palhinha Martins, contador da contribuinte, que mesmo não possuindo procuração, informou que "a empresa e o Sr ADIR ASSAD não poderiam atender a fiscalização devido ao fato de todos os documentos terem sido apreendidos pela Polícia Federal no seu escritório, e que a mesma estaria de posse desta documentação até a presente data". Cumpre esclarecer que do primeiro Termo lavrado nesta fiscalização, o Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 03/10/2012, com ciência da contribuinte em 18/10/2012, até o dia da apreensão dos documentos pela Polícia Federal na Rua Capitão Otávio Machado, 491 casa, Chácara Santo Antônio São Paulo / SP, conforme Mandado de Busca e Apreensão e Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação, de 01/10/2013, em anexo a este, passaramse 348 (trezentos e quarenta e oito) dias sem que a empresa apresentasse os Livros Contábeis e Fiscais. O próprio contador Sr Adalberto Palhinha Martins já havia comunicado à fiscalização da inexistência destes Livros. A fiscalização, de acordo com o compartilhamento autorizado pela Justiça, recebeu todos os documentos apreendidos pela Polícia Federal, e ainda, utilizou cópia das Notas Fiscais neste procedimento, mas não havia qualquer Livro Contábil ou Fiscal entre os documentos apreendidos. Dentre a documentação apreendida pela Polícia Federal e compartilhada com a fiscalização, constavam Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela contribuinte, compreendendo os anos calendários de 2008 a 2010, e que estão demonstrados no Anexo 2 Notas Fiscais JSM Polícia Federal. Foram abertas diligências nas empresas que supostamente tomaram serviços da JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA — ME, solicitandolhes a apresentação das notas fiscais (que constam no Anexo 1) e dos contratos de prestação de serviços nos anoscalendário de 2008 a 2010. Além das notas fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços, foram apreendidas notas fiscais pela Polícia Federal, compreendendo os anoscalendário de 2009 e 2010, as quais estão demonstradas no Anexo 2. A contribuinte foi considerada inapta, com o motivo de localização desconhecida , conforme Ato Declaratório Executivo ADE nº 40, de 27/07/2012. Sua inscrição cadastral foi baixada de ofício nos termos do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 32, de 29/08/2014. A Prefeitura do Município de Santana de Parnaíba, em resposta ao Ofício SEFIS/DRF/Barueri n° 12/2013 informou que "a empresa JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA. ME, CNPJ No 10.361.606/000106, possui cadastro neste Município sob o CCM n° 63.363, encontrase bloqueada, até que, apresente os documentos conforme solicitado, de acordo com a Lei n° 1.826, de dezembro de 1993". Outro dado a reforçar este entendimento é que, apesar da empresa ter uma elevada movimentação financeira, nos anos calendários de 2008 a 2010, não consta na base de dados da RFB qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a constituição da empresa, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP — Guia Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.943 7 de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, ou mesmo retenções de imposto de renda na fonte declarada através de DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo à prestação de serviços por empregados ou prestadores de serviços pessoa física e todas as RAIS — Relação Anual de Informações Sociais, estão negativas, indicando a inexistência de vínculos empregatícios ou prestadores de serviços pessoa física para este contribuinte, e confirmando que uma empresa de prestação de serviços da área da construção civil não conseguiria operar sem a existência de funcionários para lhe prestar serviços. O objeto social da contribuinte são: "obras de terraplenagem e serviços de engenharia". Para se atingir os objetivos sociais da empresa, é necessário que esta tenha em sua posse maquinas e equipamentos necessários à execução destes serviços. Foi solicitado que a empresa apresentasse documentação que indicasse a obtenção das máquinas e equipamentos necessários à execução dos serviços tais como: notas fiscais de compra de equipamentos, notas fiscais / contratos de locação ou arrendamento das máquinas e dos equipamentos, contratos de prestação de serviços, medições dos serviços prestados, notas fiscais de movimentação dos equipamentos aos locais das obras, placas dos veículos e CRLV Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, mas nenhum documento foi apresentado. O Detran, em resposta à solicitação da RFB, informou que o único veículo encontrado nos seus registros em nome da JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA ME. é uma moto cor preta, modelo Yamaha / XT 660R, Placa EJR 3728, RENAVAM 201231387, adquirida em 18/02/2011 e transferida em 23/09/2011. Uma empresa que apresenta uma receita tributável (conforme relatamos neste Termo) no montante de R$ 3.325.240,00, no ano calendário de 2008, R$ 40.685.304,75, no ano calendários de 2009 e R$ 63.385.143,96, no ano calendário de 2010, tendo como atividade principal o “aluguel de máquinas e equipamentos", e dispõe de apenas um veículo (moto) para cumprir este objetivo, não nos parece crível que consiga realizar uma real prestação de serviços sem ter em seus ativos as máquinas, equipamentos, veículos e caminhões para tal fim. Também na análise dos extratos bancários ficou comprovado que nos débitos efetuados pela JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda. não se encontram pagamentos efetuados para a manutenção operacional de qualquer empresa de engenharia ou terraplenagem, tais como, pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamento a escritórios de contabilidade. Também não localizamos alguns outros pagamentos extremamente necessários e básicos para que uma empresa de locação de máquinas e equipamentos possa funcionar, tais como, compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços. Tais pagamentos não foram encontrados simplesmente porque não foram necessários já que a empresa não existe e foi constituída apenas para operar o seu esquema fraudulento. Foram abertas diligências nas empresas que supostamente tomaram serviços da JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA ME. Para estas empresas, discriminadas no quadro 4, também foi solicitado que apresentassem "a documentação que identifica estes veículos tais como: placas dos veículos e CRLV Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, bem como identificação das máquinas e equipamentos, notas fiscais de transporte destes equipamentos". As empresas Consórcio Desenvolvimento Viário CNPJ: 10.840.761/000105, EIT Empresa Industrial Técnica S/A CNPJ: 08.402.620/004156 e Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.944 8 Santa Bárbara Engenharia S/A CNPJ: 17.290.057/000175 apesar de reiteradamente intimadas não apresentaram nenhum documento ou informação que pudessem identificar tais veículos, máquinas e equipamentos. A empresa Constran S/A Construções e Comércio CNPJ: 61.156.568/0001 90 deu a seguinte resposta a esta intimação: Quadro 7 Resposta á intimação Constran S/A Construções e Comércio Por fim, informa a Requerente que não dispõe de documentos de propriedade dos equipamentos locados, bem como que, por acordo entre as partes, o transporte dos equipamentos e seus acessórios, do local de origem até a obra e seu retorno, foi efetuado por conta e ordem da LOCADORA, sem a emissão, pela Locatária, das Notas Fiscais de devolução dos equipamentos locados. A empresa S/A Paulista de Construções e Comércio CNPJ: 60.332.319/000146 respondeu a esta intimação nos seguintes termos: Quadro 8 Resposta á intimação S/A Paulista de Construções e Comércio O contribuinte vem encontrando dificuldade em reunir as informações e documentos solicitados nos itens 1 e 2, tendo em vista sua grande quantidade e, especialmente, o nível de detalhamento solicitado, bem como por se tratar de informações antigas (2010), não controladas dentro da contabilidade e cuja obtenção somente pode se dar no local de cada obra. Por tais razões, não pudemos reunir as informações e documentos solicitados até o momento. A partir das respostas, e ausência destas, dadas pelas construtoras intimadas concluiuse que as Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA ME são inidôneas, pois foram emitidas por pessoa jurídica sem existência de fato, ou seja, mesmo que constituída formalmente, não possuiu existência real de fato e ainda se encontra baixada por órgão competente, e por isto não refletem as operações ali discriminadas, "aluguel de máquinas e equipamentos sem operador". Todas as construtoras intimadas não lograram êxito em comprovar através de provas robustas que os serviços foram prestados, e estes documentos inidôneos jamais poderão servir para amparar saídas ou entradas de valores (receitas), ou mesmo sustentar despesas ou valores atribuídos aos custos operacionais de uma empresa do Lucro Real, ou qualquer outro tipo de tributação federal da qual seja optante, e não serão considerados para se efetuar qualquer lançamento de crédito tributário neste procedimento. Conforme já mencionado, a contribuinte, sendo intimada a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, nada apresentou, sendo tributada com base no LUCRO ARBITRADO na totalidade de suas receitas tributáveis, com base na sua Receita Bruta Conhecida (ou seja, receita confessada em DCTF e depósitos bancários de origem não comprovada), conforme artigo 532 do Regulamento do Imposto de Renda RIR / 99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). Sobre os valores da omissão apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada a multa de 150%, tendo em vista a configuração de ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.945 9 obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento,. Também, pelo fato de a contribuinte não ter, em momento algum do procedimento fiscal, apresentado esclarecimentos para o não atendimento das intimações, que foram várias, Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Reintimação, Termo de Constatação e Reintimação, Termo de Intimação Fiscal n° 1 e Termo de Intimação e Reintimação, houve o agravamento da multa de lançamento de ofício, aumentada pela metade, conforme § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Foi atribuída responsabilidade solidária a Mauro José Abbud, Marcello José Abbud, Sandra Maria Branco Malago, Sonia Mariza Branco, Adir Assad, Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Four’s Empreendimentos Imobiliários Ltda. Cientificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação, na qual alega: ● Decadência do crédito tributário. Ocorreu a decadência dos débitos relativos ao anocalendario de 2008, uma vez que o presente auto de infração foi lavrado em 04/09/2014, isto é, posteriormente aos termos finais da decadência seja com fulcro no artigo 150, § 4o ou no artigo 173, inciso I do CTN. Quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009, ocorreu a decadência, pois, de acordo com o art. 150, § 4º do CTN, somente poderia ser constituído o crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 04/09/2009. Não se aplica o disposto no art. 173, I, do citado Código, uma vez que houve pagamento antecipado e não ocorreu fraude. ● Nulidade do auto de infração. Incorreta identificação do sujeito passivo. A rigor do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o contribuinte dos tributos exigidos com fundamento da constatação de depósitos bancários sem origem comprovada é o "efetivo titular da conta de depósitos", ou seja, o suposto interponente. Este, por conseguinte, não é responsável tributário, mas o próprio contribuinte, sujeito passivo principal da obrigação tributária. No campo específico de aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o legislador determinou a obrigatoriedade da intimação do titular da conta de depósito como medida de garantia, já neste momento, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso, defendeuse a tese da interposição de pessoa que foi desenvolvida de maneira conturbada no decorrer do auto de infração, como se vê: (i) de um lado: a Impugnante seria a titular dos montantes depositados, e, por conseguinte, a contribuinte dos tributos devidos sobre as receitas supostamente omitidas (tributos, repitase, calculados sobre bases de cálculo e mediante a aplicação de alíquotas às quais se sujeitam as pessoas jurídicas); (ii) de outro lado: Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.946 10 a) a Impugnante seria "empresa de fachada" de Adir e Marcello; b)a Impugnante, embora fosse "empresa de fachada", seria ela própria a interponente, utilizado os seus sócios (de direito) como "laranjas" para ocultar os seus "sócios de fato"; c) os sócios (de direito) seriam "laranjas" de Marcello e Adir; d) Sônia e Sandra seriam "laranjas" apenas de Adir. O que a autoridade fiscal defende é que a "empresa de fechada" teria sido utilizada por terceiros (embora também diga que ela teria se valido de "laranjas") para a movimentação de recursos financeiros. Em um caso tal não se justifica, em absoluto, a desconsideração do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Ora, se os valores dos depósitos bancários pertencem, em última análise, somente a Adir e Marcello ou ainda que pertencessem a estes e a Sônia, Sandra e Mauro, o que excluiria a possibilidade desses últimos serem "laranjas" dos primeiros não podem pertencer, por imperativo da lógica, à Impugnante. Seria, sob tais circunstâncias, imperiosa a aplicação do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, por força do qual os interponentes da pessoa jurídica deveriam reputarse contribuintes, não responsáveis tributários. Nem se cogite da possibilidade de equiparar a identificação dos supostos interponentes como responsáveis tributários ao que seria correto, isto é, a identificação destes como contribuintes. A uma, porque, diante das contradições encontradas no decorrer do auto de infração, nem mesmo é possível saber quais seriam os interponentes efetivamente tachados como tal pela autoridade fiscal; Sônia e Sandra, por exemplo, são consideradas, ao mesmo tempo, como interponentes e como "laranjas". A duas, porque o regime tributário dos contribuintes é aquele que deve ser levado em conta para a válida constituição do crédito tributário fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, mas a inclusão dos supostos interponentes no rol de responsáveis em nada influencia a definição da matéria tributável, da base de cálculo e da alíquota dos tributos exigidos. E, por fim, a três, porque a própria titularidade dos recursos depositados (fator que determina a aplicação do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96) é descrita de maneira ilógica no auto de infração, pois a tentativa de incluir outras pessoas jurídicas supostamente relacionadas às pessoas físicas no rol de responsáveis tributários (Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. ME e Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda. ME) leva a autoridade fiscal a defender que, no final das contas, o dinheiro movimentado pela "empresa de fachada" lhes pertenceria. Embora a autoridade fiscal tenha afirmado que a pessoa jurídica é "empresa de fachada", jamais intimou os Srs. Adir e Marcello, por exemplo, para, especificamente, demonstrarem ou comprovarem a origem dos montantes depositados em conta bancária mantida pela "empresa de fachada", e cuja titularidade lhe estava sendo imputada, diante da suspeita de ter ocorrido interposição fraudulenta. A falta de intimação do titular da conta bancária no procedimento de aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 é causa de nulidade material do auto de infração. Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.947 11 O erro na identificação do sujeito passivo traz consequências concretas para a válida constituição do crédito tributário, pois, além de desrespeitar o caráter vinculado a que se refere o artigo 142 do CTN, pode acarretar: (i) a inadequada definição da base de cálculo (trocar o lucro arbitrado, presumido, ou real, por rendimentos brutos de pessoa física, ou viceversa); (ii) a inadequada definição do aspecto temporal do fato gerador (trocar apuração mensal por trimestral, ou mensal por anual); (iii) a inadequada definição da alíquota (trocar 15% mais adicional de 10% por tabela progressiva, ou viceversa); e (iv) a inadequada definição da matéria tributável (cobra PIS/COFINS de pessoa física, ou IRPF de pessoa jurídica). Como, no presente caso, não seria possível nomear qualquer "efetivo titular" do dinheiro movimentado pela "empresa de fachada" que fosse pessoa jurídica, resta evidente que "omissão de receitas" é matéria tributável errada; poderseia, no máximo, cogitar de "omissão de rendimentos", mas a autoridade fiscal não se deu conta disso. A motivação do auto de infração não se pode dizer ausente, mas é sem dúvida, imprestável. Daí a nulidade material do lançamento ora combatido. ● Indevido uso de informações bancárias obtidas sem autorização judicial. Os extratos bancários utilizados pela Autoridade Fiscal para fundamentar a presente autuação foram obtidos diretamente das instituições bancárias mediante mera Requisição de Movimentação Financeira (RMF), sem qualquer autorização judicial para a quebra do sigilo bancário da Impugnante. O presente lançamento é nulo de pleno direito, tendo em vista que efetuado com base em prova ilícita decorrente da ilegal quebra de sigilo bancário não autorizada por ordem judicial específica. É oportuno esclarecer que o plenário do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do Recurso Extraordinário n° 389.808/PR realizado em 15/12/2010, colocou fim à discussão quanto à quebra do sigilo bancário dos contribuintes para fins fiscais, afastando a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário. Segundo o Tribunal Pleno do STF, o artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizou a quebra do sigilo bancário da Impugnante encontrase eivado de inconstitucionalidade. ● Violação do art. 5º, X e XII, e do art. 145, § 1º, da Constituição Federal pela Lei Complementar nº 105, de 2001. ● INCORRETA APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO NECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.948 12 A autoridade fiscal afirma que os sócios de fato seriam os verdadeiros “donos do dinheiro”, logo, efetivos titulares das contas bancárias mantidas apenas formalmente em nome da pessoa jurídica autuada. Afirma, por mais de uma vez, que os tais "sócios de fato" da pessoa jurídica autuada seriam, também, "sócios de fato" de outras pessoas jurídicas. Aduz, a autoridade fiscal, que haveria uma "rede" de "empresas de fachadas", e esta circunstância seria confirmada pela circunstância de que as outras "empresas de fachada" teriam relações com os "sócios de fato" da empresa autuada. Sendo assim, a referida autoridade deveria ter constatado que : (i)muitos dos depósitos autuados provieram de outras empresas que, segundo o auto de infração, seriam "empresas de fachada" dos mesmos sócios de fato que os da empresa autuada; (ii)segundo o auto de infração, o dinheiro movimentado por estas empresas não lhes pertenceria, mas aos sujeitos interponentes, que delas se utilizariam para manter na penumbra grandes somas de dinheiro; e (iii)logicamente, à luz das duas afirmações anteriores, os depósitos provenientes de todas as outras "empresas de fachadas" proviriam de contas cujos "efetivos titulares" os únicos que interessam para a aplicação da lei, nos termos do já citado § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 são os mesmos "efetivos titulares" que os das contas mantidas "apenas formalmente" em nome da empresa autuada. A autoridade fiscal tentou promover uma desconsideração de personalidades jurídicas generalizada. Nesse contexto, seria impossível não concluir que estarseia diante, na espécie, de valores de mesma titularidade (efetiva) circulando entre contas bancárias mantidas, apenas formalmente, pelas "empresas de fachada". Tal espécie de movimentação bancária, por força do inciso I do § 3o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não poderia dar azo à aplicação da presunção fundada em depósitos bancários. ● NECESSIDADE DE EXCLUIR OS VALORES JÁ TRIBUTADOS DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Como se vê no Quadro 10 contido na página 25 do Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante declarou em DCTF os valores considerados devidos por ela. Assim, como parte dos valores ora cobrados foram objeto de declaração por meio de DCTF, esses já se encontravam constituídos de modo pelo qual não poderiam ser exigidos novamente por meio de auto de infração lançado posteriormente. Diante disso, resta evidente a necessidade de cancelamento dos débitos lavrados sob a rubrica "receita bruta apurada com base nos valores informados em DCTF", haja vista que, antes mesmo da lavratura em tela, os débitos nela exigidos já haviam sido declarados em DCTF. A autoridade fiscal reconhece que houve montantes declarados como receitas nas DIPJs da empresa autuada, e que sobre estes montantes foram calculados os tributos pertinentes, conforme consta das DCTF correspondentes aos períodos autuados. Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.949 13 Nada obstante, afirma que não seria possível excluir tais montantes da base de cálculo do lançamento porque, não tendo a empresa autuada apresentado condições de disponibilizar os seus livros contábeis e fiscais, teria se tornado impossível realizar o cotejo entre as receitas supostamente omitidas, e aquelas espontaneamente declaradas. Tal justificativa não pode prosperar. Como se extrai do auto de infração, a autoridade fiscal optou por sujeitar a empresa autuada ao lucro arbitrado. Insta salientar, nesta ordem de idéias, que o lucro arbitrado não é uma grandeza que pode ser adicionada a outra forma de apuração do lucro tributável, nomeadamente o lucro real ou o lucro presumido. Ao optar por sujeitar a contribuinte ao lucro arbitrado, a autoridade fiscal assume que aquelas receitas que ela identificou é o total das receitas do contribuinte. Nestes termos, os valores declarados e tributados espontaneamente pelo contribuinte devem ser excluídos do lançamento, como reconhecimento de que a adoção do lucro arbitrado possui um efeito substitutivo com relação ao lucro real ou presumido, e, uma vez realizada, dá origem a um único lucro tributável. ● DESCABIMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E MAJORADA A autoridade fiscal fundamenta a qualificação da multa de ofício a partir de dois pressupostos: (i) a omissão de receitas; e (ii) a utilização de "laranjas". Ocorre, todavia, que nenhum destes fundamentos é hábil a autorizar a exasperação da penalidade, como pretendido pela autoridade fiscal. Em primeiro lugar, cabe notar que a simples omissão de receitas não é suficiente para concluir ter havido evidente intuito de fraude. Nesse sentido, confirase a Súmula CARF 14: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Registrese, nesse passo, que não há, no auto de infração, nem a afirmação, e muito menos a prova, de que a omissão de receitas teria sido prática reiteradamente adotada pela empresa autuada. Segundo a autoridade fiscal, aqueles depósitos bancários sem origem comprovada pertenceriam, na realidade, a terceiros. Ora, é por isso mesmo que não há como saber se a omissão, no caso, engloba o "total das receitas", pois este total tentandose interpretar coerentemente o auto de infração somente poderia ser identificado após a analisarse a situação tributária do(s) efetivo(s) titular(es) dos depósitos bancários. Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.950 14 Como isso não foi feito pelo autuante, deve prevalecer o entendimento da Súmula 14 do Carf. Quanto à utilização de “laranjas”, o que se tem é a descrição de suposta fraude cometida pelo suposto "sócio de fato", o qual, no presente caso, figura como "responsável tributário". Não há, no auto de infração, a demonstração de qualquer conduta dolosa da própria "empresa de fachada". Tudo o que se diz que foi fraudulento, em última instância, teria sido, supostamente, cometido pelos responsáveis, não pela "empresa de fachada". Segundo a autoridade fiscal, a utilização de "laranjas" não teria sido utilizada para impedir o conhecimento ou a ocorrência do fato gerador, nem ocultar quaisquer condições pessoais do contribuinte. A utilização de "laranjas" dilo a autoridade fiscal teria se prestado a ocultar o responsável tributário, e o artigo 73 da Lei n° 4.502/64 (assim como os artigo 71 e 72, aos quais ele remete) não fazem qualquer menção ao conhecimento da responsabilidade ou às condições pessoais do responsável. Nestes termos, impõese o cancelamento da qualificação da multa de oficio, em vista, sobretudo, da ausência de prova do evidente intuito de fraude, tal qual previsto e descrito na legislação pertinente. ● Ausência de Embaraço à Fiscalização. Não houve, no presente caso, embaraço à fiscalização em sentido próprio. Ocorreu, simplesmente, que a autoridade fiscal não gostou da resposta que recebeu, desaprovou o conteúdo do que lhe foi reportado. Mas não há, nisto, o elemento do embaraço, que permite o agravamento da penalidade. Até porque, diante da informação recebida, não poderia, jamais, a autoridade fiscal vislumbrar embaraço, mas um caminho certo para prosseguir com a ação fiscal: a via do arbitramento. Ao dizer que os livros não existiam, a Impugnante, muito longe de embaraçar, criou as condições necessárias a que a autoridade fiscal prosseguisse com o arbitramento. Sob tais circunstâncias, é descabido cogitarse de embaraço à fiscalização. Pelo exposto, deve ser cancelado o agravamento da penalidade, diante da ausência do seu pressuposto, qual seja, o embaraço à fiscalização. ● Diante do exposto, a Impugnante requer seja declarada a nulidade material da presente autuação. Caso assim não entenda, seja reconhecida a ilegitimidade da quebra do sigilo bancário da Impugnante e, subsidiariamente, a exclusão das multas aplicadas. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida Angélica, n° 2.163, conjunto 61, em atenção a RAFAEL PINHEIRO LUCAS RISTOW, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante dos autos. Finalmente, a Impugnante protesta por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.951 15 Sendo cientificadas da autuação, Sonia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Four’s Empreendimentos Imobiliários Ltda. Me, apresentaram impugnação (fls. 1123 a 1168), na qual alegam: ● Decadência do crédito tributário relativamente ao anocalendário de 2008, seja em função do disposto no artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional (CTN) ou até mesmo do artigo 173, Incido I, também do CTN. Quanto ao anocalendário de 2009, tendo em vista o disposto no art. 150, § 4º do CTN, o fisco somente poderia constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 04/09/2009. É inaplicável ao presente caso o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que houve declaração dos débitos federais por meio de DCTF e DIPJ e não há que se falar em dolo, fraude ou simulação das impugnantes. ● Nulidade da autuação. Erro na identificação do sujeito passivo. A tese condutora do auto de infração é a de que a pessoa jurídica bem como as Impugnantes teriam servido de interpostas pessoas. Essa tese é desenvolvida de maneira conturbada no decorrer do auto de infração, podendose notar afirmações que se opõem: (i) de um lado: a pessoa jurídica autuada seria a titular dos montantes depositados, e, por conseguinte, a contribuinte dos tributos devidos sobre as receitas supostamente omitidas (tributos, repitase, calculados sobre bases de cálculo e mediante a aplicação de alíquotas às quais se sujeitam as pessoas jurídicas); (ii) de outro lado: a) a pessoa jurídica autuada seria "empresa de fachada" de Adir e Marcello; b) a pessoa jurídica autuada, embora fosse "empresa de fachada", seria ela própria a interponente, utilizado os seus sócios (de direito) como "laranjas" para ocultar os seus "sócios de fato"; c) os sócios (de direito) seriam "laranjas" de Marcello e Adir; d) Sônia e Sandra seriam "laranjas" apenas de Adir. Vêse o que a autoridade fiscal defende é que a "empresa de fachada" teria sido utilizada por terceiros (embora ela também diga que ela teria se valido de "laranjas") para a movimentação de recursos financeiros. Assim, não se justifica, em absoluto, a desconsideração do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Ora, se os valores dos depósitos bancários pertencem, em última análise, somente a Adir e Marcello ou ainda que pertencessem a estes e às Impugnantes, o que excluiria a possibilidade dessas últimas serem "laranjas" dos primeiros , não podem pertencer, por imperativo da lógica, à pessoa jurídica. Seria, sob tais circunstâncias, imperiosa a aplicação do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, por força do qual os interponentes da pessoa jurídica deveriam reputarse contribuintes, não responsáveis tributários. Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.952 16 Como consequência, os “efetivos titulares” do dinheiro é que deveriam ter sido intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários. Nem se cogite da possibilidade de equiparar a identificação dos supostos interponentes como responsáveis tributários ao que seria correto, isto é, a identificação destes como contribuintes. A uma, porque, diante das contradições encontradas no decorrer do auto de infração, nem mesmo é possível saber quais seriam os interponentes efetivamente tachados como tal pela autoridade fiscal; Sônia e Sandra, por exemplo, são consideradas, ao mesmo tempo, como interponentes e como "laranjas". A duas, porque o regime tributário dos contribuintes é aquele que deve ser levado em conta para a válida constituição do crédito tributário fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, mas a inclusão dos supostos interponentes no rol de responsáveis em nada influencia a definição da matéria tributável, da base de cálculo e da alíquota dos tributos exigidos. E, por fim, a três, porque a própria titularidade dos recursos depositados (fator que determina a aplicação do § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96) é descrita de maneira ilógica no auto de infração, pois a tentativa de incluir outras pessoas jurídicas supostamente relacionadas às pessoas físicas no rol de responsáveis tributários (Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. ME e Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda. ME) leva a autoridade fiscal a defender que, no final das contas, o dinheiro movimentado pela "empresa de fachada" lhes pertenceria. Como já se pode notar, o erro na identificação do sujeito passivo traz consequências concretas para a válida constituição do crédito tributário, pois, além de desrespeitar o caráter vinculado a que se refere o artigo 142 do CTN, acarretou: (i) a inadequada definição da base de cálculo (trocar o lucro arbitrado, presumido, ou real, por rendimentos brutos de pessoa física, ou viceversa); (ii) a inadequada definição do aspecto temporal do fato gerador (trocar apuração mensal por trimestral, ou mensal por anual); (iii) a inadequada definição da alíquota (trocar 15% mais adicional de 10% por tabela progressiva, ou viceversa); e (iv) a inadequada definição da matéria tributável (cobrar PIS/COFINS de pessoa física, ou IRPF de pessoa jurídica). ● A Maior das Nulidades decorre da Inconsistência Lógica do Auto de Infração (Vício de Motivação). As contradições são numerosas. Vale a pena rememorar: (i) "empresa de fachada": a pessoa jurídica nomeada como contribuinte é, ao mesmo tempo, "empresa de fachada" e dona do dinheiro que por sua conta bancária circulou; como seria possível ser "empresa fantasma" e "efetiva titular" da conta de depósitos ao mesmo tempo? Além disso, afirmase que ela teria utilizado "laranjas" para mascarar a identidade de seus "sócios de fato"; como se isto fosse possível (aqui valeria, à autoridade fiscal, uma revisão das noções fundamentais do direito societário), e como se não fosse insólita a afirmação de que uma "empresa fantasma" pudesse ela própria estar por detrás de outros "fantasmas"; Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.953 17 (i) Adir e Marcello: são apontados como interponentes (mentores de todo o suposto esquema de sonegação), mas, ao mesmo tempo, são tidos como apenas dois dos "sócios de direito" da "empresa de fachada"; (iii) impugnantes: são tidas como interponentes dos "sócios de direito", mas, concomitantemente, são descritas como "laranjas"; como poderia um "laranja" usar outros "laranjas"? Mas as contradições do auto de infração não param por aí. Quando tenta, com notável esforço, atribuir "responsabilidade" a quem, se fosse o caso, deveria ser contribuinte, na realidade a autoridade fiscal invoca, indistintamente, as hipóteses do artigo 124 e 135 do CTN. Não se dá conta, porém, do fato de que o artigo 124 disciplina a obrigação solidária, e o artigo 135 trata da responsabilidade pessoal. A motivação do auto de infração (requisito material, à luz do artigo 142 do CTN e do artigo 50 da Lei n° 9.784/99) não se pode dizer ausente, mas é sem dúvida, imprestável. Daí a nulidade material do lançamento ora combatido. ● AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA OU PESSOAL DAS IMPUGNANTES. Inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN. Se é verdade que as impugnantes são interpostas pessoas de Adir e Marcello, os recursos presumidamente furtados à tributação (i) não têm origem nelas e (ii) nem foram destinados a elas. Desde o início do TVF, a Autoridade Fiscal repete como um mantra que os sócios da empresa autuada eram interpostas pessoas. A Autoridade Fiscal afirma que as pessoas físicas impugnantes são responsáveis solidárias pelo débito em discussão porque seriam sócias administradoras da pessoa jurídica autuada. E é só. Entretanto, esse fato não leva ao "interesse comum". Não se demonstrou o auferimento de benefícios pelas impugnantes, não há provas de que as impugnantes agiram em conjunto com Adir e Marcello em atos fraudulentos; ou que existiu o interesse jurídico, mas tão somente o interesse econômico. Quanto à empresa Four’s as acusações são (i) ter sido constituída em endereço coincidente com a da empresa Rockstar menos de dois anos depois, mudouse para a Vila Guarani, também na cidade de São Paulo, (ii) ter recebido todo o patrimônio da Sra. Sônia, (iii) suas quotas foram doadas pelas Sras. Sônia e Sibely para a filha da Sra. Sibely e para a sua irmã, (iv) as sócias de direito são diferentes das sócias de fato que seriam a Sra. Sônia e a Sra. Sibely, (iv) esses expedientes teriam o intuito de blindar o patrimônio das pessoas físicas contra a fiscalização da Receita Federal do Brasil. Tais acusações não têm o condão de conferir à Four's o interesse comum exigido pelo artigo 124, inciso I, do CTN, para que ela fosse considerada responsável solidária dos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada. Inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN. Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.954 18 Não houve a separação das condutas que levaram à responsabilidade solidária e à responsabilidade pessoal, para que as impugnantes pudessem exercer seu direito de defesa com plenitude. Não foi demonstrado pela autoridade fiscal a conduta com excesso de poderes ou fraude à lei e não há prova de atos de gestão por parte das impugnantes, muito menos relacionados à suposta fraude relatada no presente auto de infração. ● Questões subsidiárias: Impossibilidade de responsabilização das impugnantes pelas multas aplicadas. A Constituição Federal determina, no art. 5º, XLV, que as multas punitivas, na qualidade de penalidades, não podem atingir pessoa diversa daquela que cometeu a infração e foi por tal ato condenada, de maneira que nenhuma multa poderia ser objeto de responsabilização solidária das Impugnantes. E ainda, segundo o art. 137 do CTN, a responsabilidade pela obrigação principal pode comportar a solidariedade, mas a responsabilidade pelas penalidades decorrentes de infrações será apenas do agente que as praticar quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. ● Ainda que seja mantida a responsabilidade pela penalidade aplicada, as Impugnantes não podem responder pelo agravamento. As condutas descritas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 constituem crimes tributários tipificados na Lei n° 8.137/90, de maneira que, em conformidade com os incisos I e II do artigo 137 do CTN, a penalidade gerada por qualquer dessas infrações não poderia passar da pessoa do agente que a cometeu e, portanto, não poderia ser objeto de responsabilização solidária das Impugnantes. ● Impossibilidade de Qualificação da Multa por Embaraço Mesmo Contra a Pessoa Jurídica Autuada. Antes mesmo de mencionar que a qualificação da multa por embaraço não pode ser imputada às Impugnantes, devese notar que tal aumento da pena sequer poderia ter sido perpetrado contra a própria pessoa jurídica autuada. Isso porque, toda vez que a inércia da contribuinte tiver alguma consequência agravante prevista na legislação, seja ela o arbitramento ou a presunção de omissão de receitas, a multa não poderá ser agravada por embaraço, pois a conduta não gera prejuízo ao Fisco. Quanto ao embaraço, segundo o § 2o do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, temse que ele também depende do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137, do CTN. Dessa forma, é inoponível às Impugnantes por três razões. A primeira delas é consequência da própria narrativa do TVF, pois, se é verdade que as Impugnantes não são administradoras de fato da pessoa jurídica autuada, não poderiam embaraçar a fiscalização. A segunda razão para que tal agravamento não seja oponível às Impugnante é que elas jamais receberam qualquer notificação para apresentação de documentos referentes à Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.955 19 fiscalização da pessoa jurídica autuada, o que demonstra a completa impossibilidade de não terem atendido a um chamado do Fisco, pois tal chamado não foi feito. ● Diante do exposto, as Impugnantes requerem seja declarada a nulidade material da presente autuação. Caso assim não entenda, seja reconhecida a decadência; excluída a sua responsabilização e, subsidiariamente, a exclusão das multas aplicadas. ● Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida Angélica, n° 2.163, conjunto 61, em atenção a RAFAEL PINHEIRO LUCAS RISTOW, bem como sejam enviadas cópias ao Impugnante, no endereço constante dos autos. Finalmente, as Impugnantes protestam por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. Marcello José Abbud, ingressou com a impugnação de fls. 1181 a 1193, na qual alega: ● Ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2008, uma vez que tomou ciência do auto de infração em 11 de setembro de 2014, portanto, há mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, quer seja considerandose o art. 150, § 4º, ou art. 173, I, ambos do CTN. ● Da impossibilidade de responsabilização solidária. O Impugnante, como reconhecido pelo próprio termo de verificação fiscal, retirouse do quadro societário da empresa Legend em 12/12/2007, ou seja, anteriormente aos fatos geradores que deram origem à presente cobrança (2008). No último parágrafo reservado ao Impugnante (10.15.2), o Fisco apresenta a parte final de um suposto contrato firmado entre a empresa autuada e o Consórcio Triunfo Copasa. Segundo a Fiscalização, o referido contrato seria capaz de comprovar a gerência e administração do Impugnante sobre a empresa autuada. Em primeiro lugar, o mencionado documento foi apresentado parcialmente pelo Fisco, sendo impossível verificar suas características, como, por exemplo, o seu objeto. Na realidade, somente é possível identificar a data de assinatura e as partes que assinaram o suposto contrato. Antes mesmo de demonstrar cabalmente que a pretensa "prova" trazida no termo de verificação fiscal não serve a demonstrar qualquer ato ilícito ou interesse comum por parte do Impugnante, devese atentar que ela não obedece sequer a um critério temporal razoável. Como se verifica do termo de verificação fiscal, os supostos fatos geradores foram praticados nos anos de 2008 a 2010, todavia, a única "prova" apresentada referese a 26 de agosto de 2011. Frisese: nada há qualquer prova no tocante aos anos calendário autuados. Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.956 20 A Fiscalização não demonstrou a existência de atos de gestão com interesse comum e com excesso de poderes ou contra a lei que pudessem responsabilizar pessoal e solidariamente o Impugnante pelos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada. ● Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada. A Fiscalização afirma que deveria ser aplicada no presente caso a multa qualificada (150%), uma vez que a pessoa jurídica autuada teria ocultado a maior parte das suas receitas. Ocorre que tal argumentação não pode ser mantida, haja vista o disposto ria Súmula 14 do CARF, a qual atesta que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Analisando a referida súmula também é possível verificar que a multa qualificada somente é cabível quando a fiscalização demonstrar adequadamente o seu elemento subjetivo, qual seja, o dolo especifico. Como já referido, a Fiscalização alegou apenas que "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas". Ora, como se vê, o Fisco afirma que a empresa autuada teria agido com o intuito de ocultar suas receitas, mas em momento algum aduz que tal conduta foi tomada pelo Impugnante. O presente auto de infração também comina multa agravada, com fulcro no artigo 44, § 2o, da Lei n° 9.430/96, por suposta falta de prestação de esclarecimentos à Fiscalização. Segundo o Fisco, a referida multa seria devida uma vez que a empresa autuada não teria apresentado informações solicitadas durante o trâmite da fiscalizarão. Ocorre que tal imputação de falta de prestação de informações não pode transcender a pessoa jurídica autuada. Isso porque as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada. Na realidade, nem que as intimações houvessem sido encaminhadas ao Impugnante, ele poderia ser sujeito à multa em tela. Não há dúvidas que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, uma vez que objetivavam a apresentação de documentos que somente ela poderia possuir, tais como Livro Diário, Livro Caixa etc. Não bastasse isso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já reconheceu que em casos como o presente, em que ocorre a presunção de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não é cabível o agravamento da multa em razão de ausência de prejuízo ao fisco, uma vez que a presunção legal corre em seu favor. ● Requer o reconhecimento da decadência parcial dos créditos tributários constituídos por meio do auto de infração ora impugnado e, no mérito, a exclusão do Impugnante do rol dos responsáveis solidários pelo débito em testilha. Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.957 21 ● Protesta, outrossim, pela juntada de novos documentos, em especial aqueles comprobatórios das razões pelas quais não seria cabível a exigência em questão, além da produção de quaisquer provas adicionais que se façam necessárias ao bom deslinde do feito. Por fim, o Impugnante protesta, com fulcro no artigo 5º, parágrafo 1o, da Lei n° 8.906/1994, pela posterior juntada de procuração conferindo poderes aos presentes patronos. Adir Assad, sendo notificado da autuação, ingressou com a impugnação de fls. 1206 a 1229, na qual alega: ● Decadência quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008. ● Da impossibilidade de responsabilização solidária. Como exposto no termo de verificação fiscal, o Impugnante foi considerado responsável solidário pelos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada, com arrimo nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, ambos do CTN. Entretanto, as provas apresentadas pelo fisco se referem aos anos de 2008, 2012 e 2013. Não há prova no tocante aos anoscalendário de 2009 e 2010. Notese: (i) os emails são de 2008; (ii) as correspondências bancárias e DARFs são de 2008 e 2012; (iii) as guias da Previdência Social são de 2012; (iv) a lista de documentos enviada ao contador é de 2012, e (v) os recortes da revista Veja são de 2012 e 2013. Será demonstrado adiante que as "provas" trazidas no termo de verificação fiscal não são capazes de gerar qualquer conclusão quanto à participação do Impugnante em conjecturado esquema fraudulento, e em muitas delas sequer se observa o nome ou qualquer referência ao Impugnante. AS pretensas "provas" trazidas não vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada. Além de as "provas" expostas no termo de verificação fiscal não se referirem aos anoscalendário de 2009 e 2010, devese ter em mente que grande parte delas somente trata das empresas Rock Star Marketing Ltda. e Legend Engenheiros Associados Ltda. Efetiva ausência de provas da responsabilidade pessoal e solidária: O Termo de Verificação Fiscal traz assertivas e evidências imprestáveis a demonstrar qualquer fraude. Emails Mencionese novamente que os emails recortados e colados no termo de verificação fiscal, (i) não se referem aos anos de 2009 e 2010, (ii) boa parte sequer envolve o nome do Impugnante e (ii) o domínio envolvido é "@rstar", que se refere à Rock Star Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.958 22 Marketing Ltda., empresa da qual o Impugnante foi sócio no passado, isto é, jamais poderia vincular o Impugnante à pessoa jurídica autuada. Quanto ao conteúdo, o primeiro email trazido tem título "confirmação de agendamento", e nele não há referência ao nome do Impugnante, nem a qualquer ato referente à fraude imputada à pessoa jurídica. Este email foi encaminhado, provavelmente, para uma agência de turismo. O segundo email, sob título "valor para depósito", menciona de passagem o nome do Impugnante em uma aquisição de duas motocicletas uma Sundown Motard e uma Sundown Future. É notório que o valor dessas duas motocicletas, somados, não chegam a R$ 20.000,00. É impossível aferir dessa comunicação algum ato praticado com excesso de poderes ou contra a lei frisese, as pessoas do email estão combinando a compra de duas motos! O terceiro email, sob título "doido", foi enviado pelo Impugnante para Sônia Branco e se refere a um depósito de R$ 1.000,00, aparentemente sobre uma aquisição de um "capacete do Heman". Por fim, o quarto email constante do termo de verificação fiscal, sob título "conta do Bradesco Jesus", referese a uma palestra provavelmente ministrada por um professor da Faculdade Getúlio Vargas, em algum evento que tenha sido organizado pela Rock Star Marketing Ltda. Nesse email, é solicitado ao Sr. Adir e à Sra. Sibely o depósito do valor referente à palestra, todavia, tendo o Impugnante sido sócio da empresa em questão em anos anteriores, e mantendo uma boa relação com os sócios atuais da empresa indicando clientes, muitas vezes nada mais natural que o próprio cliente se refira também a ele na comunicação. Mesmo assim, é impraticável entender que esse quarto email demonstre que o Impugnante fosse gestor da empresa. Mas ainda que essa comunicação desse ensejo a alguma dúvida quanto à participação do Impugnante na gestão da empresa, falta a demonstração do dolo, do ato ilícito, com excesso de poderes, ou que demonstrasse a existência de interesse comum do Impugnante em relação aos atos ilícitos. Correspondências bancárias, DARF e Guias da Previdência Social Quanto às correspondências bancárias recebidas em nome do Impugnante no mesmo endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda., vale lembrar que ele foi sócio dessas empresas em períodos anteriores. Além disso, esta constatação não traz consigo qualquer possibilidade de vincular o Impugnante à pessoa jurídica autuada, pois a Legend Engenheiros Associados Ltda. é outra empresa, com CNPJ e operações distintos. Enfim, é de se indagar por mais essa vez como os endereços dessas correspondências vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada, vez que não demonstram qualquer ato de gestão e muito menos ato com excesso de poderes ou contra a lei. Aliás, sequer se trata de conduta. Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.959 23 E qual seria o interesse comum emanado pelo endereço constante da correspondência bancária do Impugnante? Nenhum. Quando muito, a correspondência em questão poderia servir como ponto de partida para outras verificações, tais como um vínculo empregatício, a prestação de serviços ou, quem sabe, até mesmo uma sociedade oculta. Mas tudo isso não poderia ser presumido. A sequência de Darf e GPS aponta para existência de pagamentos de tributos da Rock Star Marketing Ltda. por uma empresa denominada Legend Eng Associados Ltda., e para pagamento de tributos do Impugnante por essa mesma empresa denominada Legend. A uma, onde é que a empresa autuada entraria nessa estória e qual com o Impugnante demonstrado por esses DARFs e GPS? A duas, a constatação de que a empresa Legend pagou tributos em favor do Impugnante e da Rock Star Marketing Ltda., quando muito, serviria para vincular o Impugnante à Legend, e não à empresa autuada. Por fim, a verificação de que alguns tributos das pessoas referidas acima pela empresa Legend nada tem a ver com a fraude imputada à pessoa jurídica, e muito menos com a suposta gestão com excesso de poderes dela pelo Impugnante. Lista de documentos enviada ao contador Segundo a Fiscalização, a lista de documentos enviada ao contador, Sr. Adalberto Palhinha, revelaria que o Impugnante seria o responsável pelo termo de verificação fiscal. Não se fala sobre quem enviou a lista, mas apenas que ela foi "enviada ao contador". Simples assim. Como se isso não fizesse diferença. Além disso, como exaustivamente referido, a documentação enviada ao contador, não se sabe por quem, tem aparentemente Darf, guias da Previdência e do INSS com vencimento em 2012, ou seja, completamente fora do período autuado. Segundo a Fiscalização, "os documentos abaixo demonstram mais uma vez o relacionamento existente" entre diversas pessoas jurídicas e o Impugnante, todavia, esqueceu se a Fiscalização de justificar seu raciocínio. Aparentemente, as empresas e o Impugnante seriam relacionados simplesmente por supostamente terem o mesmo contador. Este ponto merece uma pausa, pois se essa assertiva é verdadeira, todas as empresas do país que contratam contabilidade externa deverão, antes de fazêlo, proceder a uma auditoria para saber quais são os demais clientes do contador a ser contratado. Caso contrário, todas essas empresas poderão ser colocadas no mesmo "cesto" de eventuais fraudadores, ou, mesmo, terão de responder a autos de infração com os quais não têm qualquer relação. Recortes da Revista Veja Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.960 24 A utilização, como "prova", de um recorte de revista é talvez a prova mais emblemática de um auto de infração sem conteúdo. Como dito de início, se fosse mesmo verdade que existe uma fraude latente praticada pelo Impugnante, certamente não seria necessário colacionar nos autos um recorte de revista. Não é possível que, mesmo se utilizando de provas emprestadas de um processo criminal (não concluído), resultante de uma operação com quebra de todos os sigilos possíveis e imagináveis de todos os suspeitos, a Fiscalização só conseguiu uma meia dúzia de recortes de correspondências bancárias, emails sobre assuntos triviais e algumas reportagens da Revista Veja. Apenas por boa vontade, e não mais do que isso, o Impugnante analisa a seguir se (i) realmente as reportagens se referem ao que menciona a Fiscalização e (ii) se, por ela, demonstrase qualquer relação do Impugnante com atos fraudulentos. As datas das reportagens foram mencionadas pela própria Fiscalização no termo de verificação fiscal (2012 e 2013), o que leva o Impugnante a novamente mencionar que nada há em relação aos anos de 2009 e 2010. Notese, também, que o início do parágrafo dá a entender que a mídia em geral publicou reportagens sobre o tema, mas, na realidade, a única fonte da Fiscalização é revelada ao final a Revista Veja. No que se refere ao conteúdo das reportagens, afirma a Fiscalização que o Impugnante admite que as empresas são suas, todavia, nas referidas reportagens não há assertiva alguma nesse sentido. Diferente disso, em uma delas consta que o Impugnante "não quis dar entrevista". Refutase, também, de toda a fonte utilizada como prova, pois a Revista Veja é o veículo de comunicação que já condenou à forca o expresidente Luis Ignácio Lula da Silva, a Presidente Dilma Roussef, metade do Congresso Nacional, boa parte dos Governadores e Prefeitos do país, e todo e qualquer cidadão que tenha alguma tendência que não seja a extrema direita. Não se condena que a Revista exponha seu ponto de vista com a parcialidade que lhe é peculiar, pois isso faz parte do "jogo democrático", mas há um grande salto entre ler e compartilhar dessas idéias e utilizar essa pregação ideológica como prova em um processo administrativo fiscal. Ao final, devese realizar o juízo que vem sendo exercido desde o início da presente defesa, com o intuito de verificar se a "prova" colacionada serve para demonstrar (i) interesse comum, (ii) ato de gestão e (ii) conduta com excesso de poderes. O Impugnante deixa ao intérprete que tire suas próprias conclusões quanto ao conteúdo das reportagens, mas não é possível aduzir do texto algo que forneça ao Impugnante a condição de gestor da pessoa jurídica autuada. Se nem isso é possível, que se pode dizer, então, da demonstração do ato com excesso de poderes e do interesse comum? Depósitos feitos pela empresa autuada ao Impugnante Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.961 25 Adiantese que, mais uma vez, nenhum depósito feito em favor do Impugnante foi constatado para os anoscalendário de 2009 e 2010 e não trazem, por si, qualquer demonstração de que o Impugnante tem relação com a fraude imputada à pessoa jurídica. Mais uma vez, essa "prova" trazida sem qualquer contexto ou explicação é incapaz de demonstrar ato de gestão do Impugnante ou interesse comum, e muito menos a prática de atos de gestão com o dolo específico capaz de gerar responsabilização pessoa ou solidária. Nesta esteira, jamais se poderia falar em responsabilização do Impugnante por milhões de reais, em razão de depósitos que são ínfimos em relação à quantia exigida no auto de infração. Quando muito, e apenas por hipótese, a responsabilização pessoal do Impugnante poderia se dar em relação ao valor de R$ 62.579,90 do total exigido pelo auto de infração. Síntese sobre as "provas " constantes do Termo de Verificação Fiscal Os recortes trazidos pela Fiscalização que tinham o intuito de vincular o Impugnante à pessoa jurídica autuada não cumprem o seu papel. Da maior parte das "provas" não se extrai nem mesmo um vínculo entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada. E daquelas "evidências" que, de alguma forma, atrelam o Impugnante a uma ou outra pessoa jurídica, nenhuma delas é capaz de comprovar um ato de gestão sequer praticado pelo Impugnante. Por consequência, se não há demonstração de condutas do Impugnante junto à pessoa jurídica autuada, impossível que se verifique o interesse comum na fraude e a conduta com excesso de poderes ou contrária à lei. A maior parte das provas sequer se refere ao Impugnante, e naquelas situações em que se verifica algum contato entre o Impugnante e a pessoa jurídica, não há sequer indícios de algum ato de gestão para os períodos autuados. Diante disso, e constatandose com toda certeza que o auto de infração é falho no que tange à produção de provas, não merece prosperar a responsabilização pessoal e solidária do Impugnante no presente caso. ● Ausência de fundamentação da responsabilidade solidária e pessoal. O fisco no TVF simplesmente diz qual documento trará a seguir e afirma que esse documento comprovaria que a impugnante seria gestora da pessoa jurídica autuada. Não se trata de fundamentação, mas de mera afirmação sem supedâneo algum. A Fiscalização afirma que há emails, e que estes provam algo, mas esquecese de explicar como e por quê. No que tange à acusação de responsabilidade pessoal, a Fiscalização simplesmente repete a acusação feita contra a pessoa jurídica autuada, mas não explica qual Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.962 26 teria sido o ato de gestão com excesso de poderes ou contra a lei que teria sido praticado pelo Impugnante. Sequer menciona o interesse comum no termo de verificação fiscal. ● Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada. A Fiscalização afirma que deveria ser aplicada no presente caso a multa qualificada (150%), uma vez que a pessoa jurídica autuada teria ocultado a maior parte das suas receitas. Ocorre que tal argumentação não pode ser mantida, haja vista o disposto ria Súmula 14 do CARF, a qual atesta que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Analisando a referida súmula também é possível verificar que a multa qualificada somente é cabível quando a fiscalização demonstrar adequadamente o seu elemento subjetivo, qual seja, o dolo especifico. Como já referido, a Fiscalização alegou apenas que "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas". Ora, como se vê, o Fisco afirma que a empresa autuada teria agido com o intuito de ocultar suas receitas, mas em momento algum aduz que tal conduta foi tomada pelo Impugnante. O presente auto de infração também comina multa agravada, com fulcro no artigo 44, § 2o, da Lei n° 9.430/96, por suposta falta de prestação de esclarecimentos à Fiscalização. Segundo o Fisco, a referida multa seria devida uma vez que a empresa autuada não teria apresentado informações solicitadas durante o trâmite da fiscalização. Ocorre que tal imputação de falta de prestação de informações não pode transcender a pessoa jurídica autuada. Isso porque as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada. Na realidade, nem que as intimações houvessem sido encaminhadas ao Impugnante, ele poderia ser sujeito à multa em tela. Não há dúvidas que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, uma vez que objetivavam a apresentação de documentos que somente ela poderia possuir, tais como Livro Diário, Livro Caixa etc. Não bastasse isso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já reconheceu que em casos como o presente, em que ocorre a presunção de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não é cabível o agravamento da multa em razão de ausência de prejuízo ao fisco, uma vez que a presunção legal corre em seu favor. Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.963 27 ● Requer o reconhecimento da decadência parcial dos créditos tributarios constituidos por meio do auto de infração ora impugnado e, caso assim não se entenda, no mérito, a exclusão do Impugnante do rol dos responsáveis solidários pelo débito em testilha. ● Protestase pela juntada de novos documentos, em especial aqueles comprobatórios das razões pelas quais não seria cabível a exigência em questão, além da produção de quaisquer provas adicionais que se façam necessárias ao bom deslinde do feito. ● Por fim, requer que as intimações relativas ao presente processo Administrativo sejam endereçadas ao Impugnante na Rua Armando Petrella, 431, torre 8, unidade 9, Jardim Panorama, São Paulo/SP. Mauro José Abbud ingressou com a impugnação de fls. 1330 a 1339, na qual alega: ● Decadência do crédito tributário relativamente ao anocalendário de 2008, seja em função do disposto no artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional (CTN) ou até mesmo do artigo 173, Incido I, também do CTN. ● Da impossibilidade de responsabilização solidária Como exposto no termo de verificação fiscal, o Impugnante foi considerado responsável solidário pelos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada, com arrimo nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, ambos do CTN. Evidente que a Fiscalização teria que demonstrar a existência de atos de gestão com interesse comum e com excesso de poderes ou contra a lei para que pudesse responsabilizar pessoal e solidariamente o Impugnante pelos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada. O Fisco limitase a afirmar que o Impugnante foi sócio da empresa autuada desde de 26/02/2010, mas em momento algum prova (nem mesmo alega) a ingerência do Impugnante sobre a empresa autuada, muito menos sua participação em conjeturado esquema fraudulento. ● Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada A Fiscalização afirma que deveria ser aplicada no presente caso a multa qualificada (150%), uma vez que a pessoa jurídica autuada teria ocultado a maior parte das suas receitas. Ocorre que tal argumentação não pode ser mantida, haja vista o disposto ria Súmula 14 do CARF, a qual atesta que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Analisando a referida súmula também é possível verificar que a multa qualificada somente é cabível quando a fiscalização demonstrar adequadamente o seu elemento subjetivo, qual seja, o dolo especifico. Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.964 28 Como já referido, a Fiscalização alegou apenas que "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas". Ora, como se vê, o Fisco afirma que a empresa autuada teria agido com o intuito de ocultar suas receitas, mas em momento algum aduz que tal conduta foi tomada pelo Impugnante. O presente auto de infração também comina multa agravada, com fulcro no artigo 44, § 2o, da Lei n° 9.430/96, por suposta falta de prestação de esclarecimentos à Fiscalização. Segundo o Fisco, a referida multa seria devida uma vez que a empresa autuada não teria apresentado informações solicitadas durante o trâmite da fiscalização. Ocorre que tal imputação de falta de prestação de informações não pode transcender a pessoa jurídica autuada. Isso porque as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada. Na realidade, nem que as intimações houvessem sido encaminhadas ao Impugnante, ele poderia ser sujeito à multa em tela. Não há dúvidas que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, uma vez que objetivavam a apresentação de documentos que somente ela poderia possuir, tais como Livro Diário, Livro Caixa etc. Não bastasse isso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já reconheceu que em casos como o presente, em que ocorre a presunção de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não é cabível o agravamento da multa em razão de ausência de prejuízo ao fisco, uma vez que a presunção legal corre em seu favor. ● Requer o reconhecimento da decadência parcial dos créditos tributários constituídos por meio do auto de infração ora impugnado e, no mérito, a exclusão do Impugnante do rol dos responsáveis solidários pelo débito em testilha. ● Protesta pela juntada de novos documentos, em especial aqueles comprobatórios das razões pelas quais não seria cabível a exigência em questão, além da produção de quaisquer provas adicionais que se façam necessárias ao bom deslinde do feito. ● Por fim, o Impugnante protesta, com fulcro no artigo 5a, parágrafo 1o, da Lei n° 8.906/1994, pela posterior juntada de procuração conferindo poderes aos presentes patronos. Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. ingressou com a impugnação de fls. 1342 a 1358, alegando: ● Os fatos indicados no relatório fiscal para indevida inclusão da Impugnante não conferem com a realidade, pois os condutores da Impugnante são independentes, não há identidade ou comunhão de serviços contábeis; o endereço da Impugnante é diverso da empresa responsável tributada autuada, a sede da Impugnante é na Rua Joaquim Nabuco, 1898, sala 14, São Paulo e a receita obtida é oriunda de um patrimônio familiar constituído há quase trinta anos, ou seja, inexistiu desde sua constituição qualquer relação comercial ou financeira entre as empresas. Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.965 29 Portanto, a arbitrária e equivocada inclusão da Impugnante como responsável tributária, de forma vertical e indireta, baseada por suposta presunção de que o pai das sócias da Impugnante, Sr. Adir Assad, houvera exercido cargo de gerência em uma das empresas fiscalizadas, e por este fato constituido a sociedade Impugnante para blindar seu patrimônio é um erro, posto que seu pai não foi e não é sócio da empresa autuada, bem como a constituição da empresa Santa Sônia se deu em 20/04/1988 há mais de 26 anos (Doc. 01), e seus bens constituídos antes mesmo da ação fiscal, o que foi confessado pelo próprio relatório fiscal. ● Da equivocada e insubsistente inclusão da Impugnante no pólo passivo do auto de infração. Não há como aduzir responsabilidade em razão do simples fato de que o pai das sócias supostamente teria vínculo com a empresa autuada, pois a Impugnante foi constituída há 30 anos como iria blindar um patrimônio futuro de fatos futuros, só se o casal fosse vidente! O fato isolado de que uma outra pessoa jurídica, a Rock Star Produções, tenha pago uma conta de telefone no valor de R$ 309,39, jamais poderia justificar a sujeição passivo do auto, posto que é uma relação econômica que em nada se vincula ao uma relação jurídica que possa configurar responsabilização pelo pagamento de tributos para os quais de forma alguma tenha concorrido. A sociedade Impugnante não participou fática ou juridicamente do fato gerador constante do auto, requisito básico e essencial para caracterizar sua responsabilização tributária. Com efeito, a Impugnante não prestou qualquer serviço, venda mercantil, ou beneficiouse de qualquer espécie das operações narradas pelo auto de infração, o que torna incompatível com sua inclusão no auto combatido. Não bastasse isto a Impugnante não se beneficiou de qualquer bem, direito ou ativo em seu patrimônio, posto ter sido este constituído anteriormente com origem completamente distinta e dissociada das atividades da contribuinte autuada. ● Da inexistência de relação jurídica tributária da Impugnante com o fato gerador objeto da ação fiscal. A empresa Santa Sônia, ora impugnante, constituída há quase 30 ANOS, teve sua existência e constituição oriunda de patrimônio anterior constituído, sendo totalmente independente de relação comercial com a empresa fiscalizada. Não há razão, que justifique a responsabilidade tributária no auto de infração combatido à sociedade impugnante, o fato isolado de o pai das sócias da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda ter sido funcionário ou exercido suposta gerência sobre uma das empresas fiscalizadas não apresenta base legal para extensão vertical indireta da sujeição passiva do auto ora impugnado. Portanto inexiste qualquer vínculo ou relação capaz de subsumir a sujeição passiva indevidamente imposta, haja vista que a lavratura do auto se dá sobre débitos constituídos por fatos geradores totalmente dissociados das atividades e patrimônio das empresas fiscalizadas. Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.966 30 ● Da insubsistência e ausência de razoabilidade na inclusão da Impugnante na condição de sujeito passivo. A indevida inclusão no pólo passivo do débito resultou na constrição de bens da sociedade, bens estes adquiridos pelos frutos dos sócios e da sociedade impugnante, isto anterior a própria constituição o que demonstra a desproporcionalidade e arbitrariedade da ação fiscal. De certo, todos os bens adquiridos pela empresa, constituída há quase 30 (trinta) anos, são frutos do trabalho lícito e de direitos do casal, de herança; e não de negócios das empresas referidas nos autos de infração que deram causa ao presente processo administrativo. O equivocado argumento de que haveria usufruto na doação das cotas pelos pais é inexistente, uma vez que o próprio Instrumento Contratual anexo (Doc. 03) comprova a inexistência da condição de usufruto narrado no Termo Fiscal. Podese extrair do próprio Termo de Vistoria Fiscal: "Em 20/04/2010 foi alterado o objeto social da sociedade para “incorporação de emprendimientos imobiliários e construções de edifícios". Em 01.08.2012 aconteceu a ultima alteração cadastral retirandose da sociedade o Sr. ADIR ASSAD e sua esposa SÔNIA REGINA ASSAD e sendo admitidas como sócias administradoras as filhas do casal Nicole Ferreira Assad CPF 408.981.96876 e Natalie Ferreira Assad CPF 371.171.47814. Importante frisar, que a grande maioria dos bens do casal Adir Assad e Sônia Regina Assad encontra se registrado nesta empresa, e todos eles, a exceção de um automóvel BMW, foram adquiridos antes desta última alteração cadastral. Os fatos narrados no relatório fiscal não guardam relação com a empresa Impugnante cujo objeto é patrimonial e sua atividade voltada única e exclusivamente para a administração de seus próprios bens. A Impugnante não tem relações outras senão estas, não presta serviços, nem tampouco contrata, comercializa ou faz empreitadas, atividade esta apenas adstrita a sociedade autuada. A inclusão indevida da empresa Santa Sônia, ora Impugnante, fere o princípio da legalidade, a autoridade fiscal na consecução do auto de infração extrapolou as limitações ao poder de tributar do fisco, além de tal sujeição ferir o texto constitucional disposto no artigo 5°, inciso II da Constituição Federal, assim como o disposto do artigo 121 do Código Tributário Nacional, haja vista que a Impugnante não tem e nunca teve qualquer relação pessoal e direta com os fatos e negócios da empresa autuada, portanto, não tem condição necessária para sujeição do ônus do tributo. Ressaltase que, a extensão da solidariedade em face da empresa Impugnante é medida demasiada arbitrária, ilegal e indevida, pois, realizada face uma presunção descabida, posto que a Impugnante tratase de pessoa jurídica autônoma, com atividade patrimonial independente, cuja origem que não guarda qualquer relação jurídica direta ou indireta com as demais empresas fiscalizadas ou seus administradores, nem tampouco qualquer responsabilidade por atos praticados por terceiros a caracterizar solidariedade ou subsidiariedade no cumprimento de obrigações. Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.967 31 ● Ilegitimidade passiva da Impugnante ao presente processo administrativo inocorrência de hipótese de responsabilidade solidária. Não se aplica à Impugnante a imputação indireta da condição da responsabilidade solidária, posto que nunca houve o compartilhamento ou benefício de qualquer espécie da empresa objeto da fiscalização com a existência ou não dos bens imóveis pertencentes à empresa Impugnante. Os bens imóveis de propriedade da Impugnante foram adquiridos e pagos antes da ocorrência do fato gerador, e antes da ação fiscal, além de inexistir vínculo entre as empresas e a Impugnante, não podendo se falar em "interesse comum". Portanto, a simples presunção de que o exsócio da Impugnante teria suposto interesse nas operações realizadas pela empresa que sofreu fiscalização são insuficientes para sua validade, quais sejam; a prática direta ou em conjunto com o sujeito passivo e o mesmo intuito a realização do fato gerador, o que incorreu. Para que se configure o interesse comum é necessária de presença de condições que não se encontram presentes no caso em tela. A primeira delas seria a participação da Impugnante no mesmo grupo econômico das demais empresas com relações jurídicas comuns, interesse jurídico comum, benefícios de qualquer ordem e coligados de forma habitual entre si. A outra seria a prática de conluio ou fraude, ambas munidas de dolo, o que também não se evidencia por inexistir qualquer nexo patrimonial ou negocial entre as empresas. O relatório fiscal traz como fundamento para caracterização da sujeição passiva o pagamento de uma conta telefônica, ou fatos e matérias jornalísticas falaciosas que nada se relacionam com o real histórico da Impugnante. A comprovação do vínculo ou da solidariedade, sobretudo em sede de direito tributário não se presume, mas depende efetiva comprovação da coordenação dos entes empresariais, o que não ocorreu no caso em tela. ● Inexistência de relação jurídica entre a Impugnante e a contribuinte autuada. ● Questão de Ordem Pública Ilegalidade das provas colhidas inexistência de intimação no processo administrativo. A ação fiscal se baseou em documentos e informações colhidas por meios ilegítimos, da qual não teve ciência a Impugnante, bem como todo o processo administrativo afrontou os princípios constitucionais consignados no disposto artigo 5o. Inciso LV da CF. ● Da ocorrência da decadência referente ao fato gerador do ano base 2008, nos termos do parágrafo 4o inciso 150 do Código Tributário Nacional. ● Em razão de todo exposto, requer seja provida a presente Impugnação, expondo para tanto, os seguintes pedidos: "a" seja excluída a Impugnante na qualidade de responsável solidária da obrigação tributária; Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.968 32 "b" seja reconhecida a nulidade do processo administrativo em razão da inocorrência de intimação da Impugnante para exercício de pleno direito de defesa e afronta aos princípios constitucionais, determinandose o retorno dos autos à autoridade fiscal a fim de que reabra o prazo para o contraditório; "c" seja reconhecida a decadência parcial do crédito tributário referente ao fato gerador ano base 2008, nos termos do parágrafo 4o inciso 150 do Código Tributário Nacional. Analisando a impugnação apresentada, a decisão recorrida julgoua parcialmente procedente, acolhendo parcialmente a preliminar de decadência do lançamento relativa aos fatos geradores de PIS e de Cofins referentes ao mês de novembro de 2008, bem como reduzindo a multa de ofício de 225% para 150% por entender não caracterizado embaraço à fiscalização necessário ao agravamento da penalidade em 50%. Houve interposição de recurso de ofício. Contribuinte e coobrigados foram cientificados da decisão de primeira instância e apresentaram recursos voluntários, conforme discriminado a seguir: Contribuinte / Coobrigado Data Ciência Data de Interposição de Recurso Voluntário Fls. do Recurso Voluntário JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA 14/06/2016 (fl. 1525) 22/06/2016 (fl. 1535) 15361538 FOURS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA 03/06/2016 (fl. 1530) 24/06/2016 (fl. 1637) 16381675 MARCELO JOSÉ ABBUD 03/06/2016 (fl. 1529) 29/06/2016 (fl. 1687) 16871697 ADIR ASSAD 27/06/2016 (fl. 1532) 08/07/2016 (fl. 1710) 17101732 MAURO JOSÉ ABBUD 03/06/2016 (fl. 1528) 29/06/2016 (fl. 1698) 16981707 SÔNIA MARIZA BRANCO 03/06/2016 (fl. 1527) 22/06/2016 (fl. 1594) 15941635 SANDRA MARIA BRANCO MALAGO 03/06/2016 (fl. 1526) 22/06/2016 (fl. 1594) 15941635 SANTA SONIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA ME 27/06/2016 (fl. 1533) 07/07/2016 (fl. 1535) 17391752 Em resumo, reafirmaram os termos de suas impugnações. Após o processo ser incluído em pauta de julgamentos a recorrente anexou aos autos cópias de inúmeros documentos, em especial a respeito de delações premiadas homologadas envolvendo os responsáveis pela pessoa jurídica autuada, em que, em resumo, assumese que somente um percentual da movimentação financeira em questão teria ficado a disposição dos delatores, sendo o restante repassado a diversos outros beneficiários do esquema narrado em suas delações. É o relatório. Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.969 33 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício deve ser conhecido, uma vez que exonerada parcela de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00. De igual forma, devem ser conhecidos também os recursos voluntários, posto que tempestivos e dotados dos demais pressupostos legais de admissibilidade. 2 RECURSO DE OFÍCIO A turma de julgamento a quo recorreu de ofício a este Colegiado em razão da exoneração de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00. O provimento parcial à impugnação se deu pelo reconhecimento da decadência de PIS e de Cofins relativamente ao período de apuração de novembro de 2008, posto que o lançamento foi cientificado ao contribuinte após o lapso temporal previsto no art. 173, I, do CTN, bem como em pela redução da multa de ofício do percentual de 225% para 150%, haja vista o entendimento da turma julgadora de que não houve embaraço à fiscalização. Mostrase correta a decisão recorrida. No que diz respeito à decadência, conforme bem analisado pelo ilustre relator a quo, ainda que o prazo decadencial seja contado com base no art. 173, I, do CTN, conforme já pacificado pelo STJ no julgamento do REsp 973.733 para os casos em que haja dolo, fraude ou simulação, ou ainda ausência de pagamento antecipado, em relação ao PIS e a Cofins relativos ao mês de novembro de 2008, o crédito somente foi constituído após transcorrido o prazo de cinco anos, ainda que o prazo de decadência seja apurado a partir do primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado (o lançamento poderia ter sido realizado ainda em 2008, e o início da contagem do prazo se deu em 1º de janeiro de 2009, extinguindose em 31 de dezembro de 2013, tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte somente no segundo semestre de 2014). Convém ressaltar que tal precedente do STJ foi julgado na forma do art. 543 C do Código de Processo Civil/1973, implicando, portanto, a adoção cogente de tal entendimento por este Colegiado, conforme determina o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No que atine ao agravamento da penalidade em 50%, nos termos do § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, correta a conclusão da decisão recorrida de que a previsão para o agravamento é a falta de prestação de esclarecimentos, o que não ocorreu no caso concreto, onde o contribuinte prestou os esclarecimentos, informando não possuir os livros contábeis e fiscais solicitados. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.970 34 Especificamente em relação ao agravamento da penalidade na hipótese em que houve ausência de apresentação de livros e documentos, e tal omissão implicou o arbitramento de lucros, a impossibilidade de agravamento da penalidade é pacífica, a ponto de ser alvo de enunciado de Súmula1, nos termos a seguir reproduzidos: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 3 RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1 PRELIMINARES 3.1.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. Em seu recurso voluntário, aduz a recorrente que o lançamento seria nulo em razão da quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, procedimento que entende ser inconstitucional. Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucionalidade, 1 A observância do entendimento firmado em súmulas do CARF é obrigatória aos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.971 35 retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o EstadoAdministração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, analisando o tema, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.972 36 Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Desse modo, voto por não conhecer do recurso no que atine às arguições de inconstitucionalidade. Passo a tratar das nulidades suscitadas nos recursos voluntários. Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.973 37 § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando o processo, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo dos recorrentes. Compulsando os autos constatase que nenhuma das hipóteses legais de nulidade ocorreu. Salientese que não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez o contribuinte, as sócias e todos os coobrigados foram intimados, desde o início do procedimento fiscal, a comprovar a origem dos créditos bancários efetuados nas contas correntes da pessoa jurídica autuada. De igual forma, contribuinte e coobrigados foram cientificados da autuação e da sujeição passiva solidária que lhes foi imputada, sendolhes aberto prazo para apresenta impugnação. Apresentadas suas defesas, todas foram apreciadas pela DRJ e, cientificados individualmente dessa decisão, apresentaram recurso voluntários ora em análise. Foilhes concedido o prazo legal para impugnação, direito que foi exercido plenamente pela contribuinte e pelos responsáveis solidários, com apresentação de defesa, ora em análise. Tanto nas impugnações apresentadas, quanto nos recursos voluntários, alegouse que, se a pessoa jurídica autuada é "empresa de fachada" que teria sido utilizada por terceiros para a movimentação de recursos financeiros, os valores dos depósitos bancários não pertenceriam à pessoa jurídica, mas sim aos interponentes. Ante a esses fatos, argumentouse que deveria ser aplicado o disposto no § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que os interponentes da pessoa jurídica deveriam ser considerados contribuintes, e não responsáveis tributários. Entendo que esse argumento não se sustenta. A esse respeito, assim concluiu a decisão recorrida: Tal argumento não procede. Em momento algum se afirmou que os depósitos bancários não pertenciam à contribuinte, a qual estava constituída perante os órgãos de registro e Receita Federal, teve uma vultosa movimentação financeira incompatível com os valores declarados à Receita Federal e, sendo intimada a comprovar a origem de tal movimentação, não logrou fazêlo. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.974 38 Cabe enfatizar que o citado art. 42, “caput”, da Lei nº 9.430/1996, consigna que se caracterizam também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No presente caso, a JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda., figura como efetiva titular da conta bancária investigada no procedimento fiscal, cabendo a ela o ônus de comprovar que os recursos não lhe pertenciam, situação que não se caracterizou nos autos. Quanto à aplicação do § 5º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, devese ressaltar que ele dispõe que quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. No caso dos autos, a fiscalização não menciona que os valores não pertencem à contribuinte, nem esta agrega prova de que os recursos efetivamente pertencem a terceiras pessoas. Repitase, ainda, que Adir Assad, Sonia Mariza Branco, Mauro José Abbud, Sandra Maria Branco Málago e Marcello José Abbud, responsáveis tributários arrolados, foram intimados (fls. 877, 888, 867, 857, 847) a se manifestarem acerca dos créditos bancários apurados, sem que nenhum deles tenha se pronunciado a respeito. Portanto, não há erro na identificação do sujeito passivo e não há que se falar em erro na determinação da base de cálculo, da alíquota ou que houve vício na motivação. Consta claramente nos autos a indicação dos dispositivos legais aplicados no lançamento e os motivos de fato que ensejaram a lavratura dos autos de infração, ou seja, a apuração, em investigação realizada pela Polícia Federal, da existência de empresas controladas por Adir Assad, entre elas a JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda., as quais omitiram receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. O que se observa, na realidade, é que, longe de haver erro na identificação do sujeito passivo, há, sim, uma constatação clara de que a pessoa jurídica autuada foi utilizada como instrumento de fraude, não havendo que se falar em sua desconsideração para fins de aplicação do que dispõe o art. 42 da lei nº 9.430, de 1996. Argui ainda a pessoa jurídica recorrente que haveria ofensa ao art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, pois os extratos bancários em que se basearam o lançamento teriam sido obtidos sem a intimação prévia a que alude o dispositivo regulamentar em questão. Não assiste razão à recorrente. Basta observarse o Termo de Início do Procedimento Fiscal que se constata que já no primeiro termo lavrado solicitouse à recorrente a apresentação de seus extratos. Desse modo, voto por rejeitar as preliminares suscitadas. A respeito da arguição de decadência, deixarei para apreciála após análise da exigência da multa qualificada. Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.975 39 3.2 INCORRETA APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO – NECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR A pessoa jurídica autuada, em seu recurso voluntário, aduz que a autoridade fiscal deveria ter excluído da tributação as transferências feitas entre as contas bancárias das empresas integrantes do grupo Rock Star. A autuada é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 374, inciso IV, do Código de Processo Civil – CPC/2015 – equivalente ao art. 334, inciso IV, do CPC/1973), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.976 40 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A autuada, e também todos os coobrigados, foram intimados a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente não o fazendo nem durante o procedimento fiscal, tampouco nas impugnações e recursos voluntários apresentados. É importante ressaltar que a autoridade fiscal autuante intimou a empresa a esclarecer e comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes e a contribuinte não logrou fazêlo. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem de todos os depósitos durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada. Para que a comprovação da origem dos valores creditados em contas bancárias seja aceita, há de se comprovar que tais valores já foram oferecidos à tributação ou se referem a valores não tributáveis. Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.977 41 Nesse contexto, perfeita a conclusão da decisão de primeira instância ao concluir que, “se existem depósitos não tributáveis provenientes de contas bancárias de outras empresas (ainda que do mesmo grupo), é ônus da contribuinte a comprovação de tal ocorrência, o que não foi feito até o momento”. Assim sendo, mostrase improcedente o argumento de defesa a respeito de suposta impossibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados, assim como a arguição de nulidade do lançamento, devendo ser mantida a exigência. 3.3 NECESSIDADE DE EXCLUIR OS VALORES TRIBUTADOS DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A contribuinte questiona o fato de a fiscalização não ter excluído os valores declarados da base de cálculo do lançamento, sob argumentando que como não foram apresentados os livros contábeis e fiscais, teria se tornado impossível realizar o cotejo entre as receitas omitidas e as declaradas. Aduz que ao se realizar o lançamento com base no lucro arbitrado, a autoridade tributária teria assumido que aquelas receitas lançadas de ofício equivaleriam ao total das receitas auferidas pela autuada. Nesse contexto, requer que os valores declarados e tributados espontaneamente pela autuada sejam excluídos da base de cálculo do lançamento. Mais uma vez, não assiste razão à contribuinte. Uma vez arbitrado o lucro, toda a receita auferida deve ser tributada com base nesse regime, não havendo que se falar em tributação somente das receitas omitidas. Para se excluir as receitas declaradas da omissão de receitas apontadas, deveria a contribuinte demonstrar quais depósitos referirseiam às receitas já declaradas, o que não foi realizado até esse momento, conforme já discorrido no tópico anterior deste voto. Problema haveria se a autoridade fiscal não tivesse excluído do lançamento os valores de tributos já declarados/pagos pela contribuinte, o que, efetivamente, não ocorreu, pois, após computar as receitas omitidas às já declaradas, apurouse o montante global de tributo devido pelo contribuinte, excluindose os valores já confessados em DCTF. Com esse procedimento determinouse efetivamente os tributos devidos pela contribuinte, incidindo sobre esse montante a penalidade aplicada e os juros moratórios correspondentes. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. 3.4 MULTA DE OFÍCIO DE 150% Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.978 42 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] É importante ressaltar que qualquer questionamento a respeito da constitucionalidade de tais normas é tema que foge da competência desta Corte Administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 22. Conforme se observa, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original, terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No caso concreto, em primeiro lugar, há de relembrar que a exigência baseouse em presunção legal. 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.979 43 A esse respeito foram editadas as Súmulas CARF nº 14 e 25, assim vazadas: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Analisando os argumentos da autoridade fiscal que lavrou a exigência, bem como da decisão recorrida, entendo que a penalidade qualificada não deve prosperar. A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal, e corroborados pela decisão de primeira instância não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a sonegação a que alude o artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. Em primeiro lugar porque a autuação baseiase única e exclusivamente em presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários sem comprovação de origem. Nesse contexto, não havendo qualquer outra circunstância ligada à ocorrência do fato gerador, não se pode dar ensejo à qualificação da penalidade. Não se desconhece o teor da Súmula CARF nº 343. Contudo, o fato de a pessoa jurídica estar constituída em nome de interpostas pessoas não caracteriza ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, hipótese que caracteriza a fraude a que alude o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Frisese que tal hipótese inclusive não gera qualquer dificuldade por parte do Fisco no que toca à identificação de movimentação financeira incompatível com a renda, uma vez que as contas bancárias em questão estavam todas em nome da pessoa jurídica autuada, não se aplicando o disposto na Súmula CARF nº 34, mas sim os enunciados das Súmulas CARF nº 14 e nº 25, que trata da simples omissão de receita, ou de omissão de receitas baseadas em presunção legal. Vejase que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria pessoa jurídica autuada. Portanto, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. 3 Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.980 44 Neste mesmo sentido, já decidi que nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontrase em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tenha qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica.4 Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição. A respeito da pretensa prática reiterada justificar a exasperação da penalidade, saliento que de nenhuma maneira alterouse o panorama inicial: o lançamento continuou a estar embasado em mera presunção legal. Portanto, entendo que não há que se falar em qualificação da multa. Desse modo, voto por reduzir a penalidade ao percentual de 75%. 3.5 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC/1973) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O 4 A esse respeito, vejase o Acórdão 1402002.120, por mim relatado e julgado por esta turma na sessão de 01 de março de 2016, cujo o seguinte excerto do voto condutor do aresto é elucidativo: “[...]A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Em primeiro lugar porque a autuação baseiase única e exclusivamente em presunção legal de omissão de receitas, sendo que as contas bancárias em que se apoia o lançamento estavam em nome da própria empresa. No mais, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Vejase que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria RECORRENTE. Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição.” Fl. 1980DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.981 45 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.982 46 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, caso o colegiado acompanhe meu voto no sentido de reduzir a multa de ofício para 75%, afastase a ocorrência dolo, fraude ou simulação. E considerandose que no próprio relatório fiscal constam menções a pagamentos antecipados de IRPJ e CSLL, a contagem do prazo decadencial deve se reger pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contado a partir da ocorrência do fato gerador. Em relação ao PIS e a Cofins não há prova do recolhimento antecipado, logo, a contagem do prazo decadencial há de ser feita com base no art. 173, I, do CTN. Portanto, considerandose que o crédito referente ao mês de novembro de 2008 já foi exonerado a partir da confirmação da decisão de primeira instância, o período de apuração mais longínquo é dezembro de 2008. Nesse caso, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2009, iniciando o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, 01/01/2010. Desse modo, o lançamento poderia ter sido realizado até 31/12/2014, mas foi constituído em setembro de 2014. Assim sendo, não há que se falar em decadência em relação ao crédito tributário remanescente de PIS e de Cofins. Com efeito, tendo sido o lançamento constituído no mês de setembro de 2014, e o IRPJ e a CSLL foram lançados com base em apuração trimestral (lucro arbitrado), o crédito tributário referente ao 4º trimestre de 2008, e aos 1º e 2º trimestres de 2009 também deve ser cancelado. 3.6 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Conforme já me manifestei quando da análise da multa qualificada, nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontrase em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica.5 5 A esse respeito, vejase o Acórdão 1402002.120, por mim relatado e julgado por esta turma na sessão de 01 de março de 2016, cujo o seguinte excerto do voto condutor do aresto é elucidativo: “[...]A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Em primeiro lugar porque a autuação baseiase única e exclusivamente em presunção legal de omissão de receitas, sendo que as contas bancárias em que se apoia o lançamento estavam em nome da própria empresa. No mais, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Vejase que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato Fl. 1982DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.983 47 Nesse mesmo sentido, assim decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão 9101002.349, na sessão de 14 de junho de 2016: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicandose, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. (Acórdão 9101002.349, Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo) [...] No caso concreto, há imputação de responsabilidade tributária tanto em relação aos sócios que constavam como efetivos administradores – e que, comprovadamente, se não eram sócios, ao menos administravam as operações levadas a efeito pela pessoa jurídica autuada – como por pessoas físicas que seriam as proprietárias de fato da autuada. Há ainda imputação de responsabilidade a empresas, da mesma titularidade dos sócios e/ou cobrigados em que se constatou atuação negocial conjunta ou ainda que teriam servido tão somente para tentar blindar o patrimônio dos sócios e coobrigados. Em relação a esse último ponto, peço vênia para destacar novamente a parte inicial da ementa do acórdão 9101002.349: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria RECORRENTE. Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição.” Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.984 48 Além das conclusões da denominada “CPMI do Cachoeira”, e dos resultados da “Operação Saqueador”, “Operação Monte Carlo” e “Operação Vegas” levadas a efeito pela Polícia Federal quanto à condição de controle dos senhores Adir Assad e Marcello José Abbud em relação a diversas empresas do denominado “Grupo Rock Star”, entre elas JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda – ME (autuada), em relação ao senhor Adir Assad e Sônia Mariza Branco pesa ainda robusta acusação de envolvimento na “Operação Lava Jato”, como se pode observar da sentença proferida pelo Excelentíssimo Dr. Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, disponível no link https://www.conjur.com.br/dl/sentencacaixapartido.pdf. Destaco as conclusões da sentença que levaram ambos a iniciarem o cumprimento da pena fixada em regime fechado desde então: 15. Para alguns repasses, no montante de R$ 38.402.541,40, foi utilizado grupo criminoso dirigido por Adir Assad. Para tanto, seguiuse inicialmente similar caminho ao já relatado acima quanto à Diretoria de Abastecimento. Foram, primeiro e como já visto, simulados contratos entre o Consórcio Interpar e a empresa Setal, no montante de R$ 111.700.000, 00, esta última dirigida por Augusto (fls. 115 116 da denúncia). Os valores respectivos foram repassados para outras empresas controladas por Augusto Mendonça, como a SETEC (antiga Setal Engenharia), Tipuana Participações, Projetec Projetos e Tecnolocia e PEM Engenharia. Os valores foram então repassados mediante celebração de contratos simulados com as empresas Legend Engenheiros Associados, a Power To Ten Engenharia Ltda., a Rock Star Marketing Ltda., a Soterra Terraplanagem e Locação de Equipamentos, a SM Terraplanagem Ltda. e a JSM Engenharia e Terraplanagem. Essas empresas foram indicadas a Augusto por Dario Teixeira e Sueli Mavali. Dario e Sueli, em realidade Sueli Maria Branco, já falecida, faziam parte, juntamente com Sonia Mariza Branco, de grupo dirigido por Adir Assad, que atuou no caso como intermediador financeiro da propina e da lavagem de dinheiro. O grupo dirigido por Adir Assad encarregouse então de realizar os repasses à Diretoria de Serviços mediante pagamentos em espécie e remessas ao exterior, entre março de 2009 a março de 2012. Nas fls. 154 172, há descrição detalhadas das operações efetuadas. [grifos nossos] [...] 423. Já Adir Assad, em seu álibi (evento 1.025), alegou, em síntese, que se afastou das empresas antes dos fatos delitivos, passando a se dedicar somente aos esportes. 424. O álibi não é, porém, consistente com os documentos. 425. Adir afastouse da Legend e da Power To Ten somente em 23/03/2009, como visto acima, mas o contrato entre a Setal Engenharia e a Legend Engenheiros Associados é de 05/08/2008, ou seja, anterior. [grifos nossos] 426. A quebra judicial de sigilo fiscal e bancário (decisão judicial de 16/03/2015, evento 3, processo 501170922.2015.404.7000) ainda revelou que o afastamento foi meramente formal. Adir recebeu R$ 3.616.885,63 da Legend Engenheiros Associados, sendo que R$ 2.227.227,59 entre 07/04/2009 a 26/04/2013, conforme resumo constante no Relatório de Análise 068/2015, do MPF (evento 927, out2, fl. 5). Também identificados, em menor volume, transferências da Rock Star e da Power To Ten após a saída formal de Adir Assad do quadro social e ainda transferências em seu favor da SM Terraplanagem, mesmo sem ter ele feito parte do quadro social dessa empresa (evento 927, out2, fl. 6). Apesar de ser relatório elaborado pelo MPF, ele apenas resume os dados constantes nos extratos Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.985 49 bancários enviados por sistema eletrônico pelas instituições financeiras decorrentes da quebra de sigilo bancário. As transações específicas podem ser visualizadas nos próprios extratos no evento 927. Assim, por exemplo, em 26/02/2010, Adir Assad recebeu R$ 30.000,00 da Legend Engenheiros, em 02/03/2010 mais R$ 25.000,00 e em 05/03/2010 mais R$ 50.000,00 da mesma empresa (evento 927, out4, p. 164165). [grifos nossos] 427. Não há justificativa para o recebimento de valores milionários por Adir Assad após o seu afastamento formal das empresas, isso não só da Rock Star, mas também da Legend, Power to Ten e SM Terraplanagem, máxime quando as últimas são empresas de fachada, sem atividade real. O fato, para o qual não foi prestada explicação pelo acusado ou sua Defesa, infirma o álibi e confirma que ele permaneceu no comando de fato das empresas. Deve ser tido como responsável pelos crimes. [...] 667. Adir Assad Para os crimes de lavagem: Adir Assad não tem antecedentes registrados no processo. As provas colacionadas neste mesmo feito, pelo volume de operações das empresas de fachada com as empreiteiras envolvidas no esquema criminoso da Petrobrás e de outros indicam que se trata de profissional da lavagem de dinheiro, o que deve ser valorado negativamente a título de personalidade. Culpabilidade, conduta social, motivos, comportamento da vítima são elementos neutros. Circunstâncias devem ser valoradas negativamente. A lavagem, no presente caso, envolveu especial sofisticação, com a realização de diversas transações subreptícias, simulação de prestação de serviços, contratos e notas fiscais falsas, com o emprego de pelo menos quatro empresas de fachada e uma outra, de existência real, mas com ocultação dos recursos criminosos por contratos de prestação de serviços fraudulentos. Tal grau de sofisticação não é inerente ao crime de lavagem e deve ser valorado negativamente a título de circunstâncias (a complexidade não é inerente ao crime de lavagem, conforme precedente do RHC 80.816/SP, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1ª Turma do STF, un., j. 10/04/2001). Consequências devem ser valoradas negativamente. A lavagem envolve a quantia substancial de cerca de dezoito milhões de reais. Mesmo considerando as operações individualmente, os valores são elevados, tendo só uma delas envolvido cerca de catorze milhões de reais. A lavagem de grande quantidade de dinheiro merece reprovação especial a título de consequências. Considerando três vetoriais negativas, fixo, para o crime de lavagem de dinheiro, pena de cinco anos de reclusão. [grifos nossos] A operação de lavagem, tendo por antecedentes crimes de cartel e de ajuste fraudulento de licitações (art. 4º, I, da Lei nº 8.137/1990, e art. 90 da Lei nº 8.666/1993), tinha por finalidade propiciar o pagamento de vantagem indevida, ou seja, viabilizar a prática de crime de corrupção, devendo ser reconhecida a agravante do art. 61, II, "b", do CP. Entretanto, não há prova de que o condenado tinha ciência desta destinação específica, não sendo aplicável, para ele, essa agravante. Não há também atenuantes, ficando a pena inalterada nessa fase. Fixo multa proporcional para a lavagem em cento e dez dias multa. Entre todos os crimes de lavagem, reconheço continuidade delitiva. Considerando a quantidade de crimes, pelo menos seis vezes vezes, elevo a pena do crime mais Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.986 50 grave em 2/3, chegando ela a oito anos e quatro meses de reclusão e e cento e oitenta e dois dias multa. Considerando a dimensão dos crimes que leva à presunção da elevada capacidade econômica de Adir Assad, fixo o dia multa em cinco salários mínimos vigentes ao tempo do último fato delitivo (03/2012). Para o crime de associação criminosa: Adir Assad não tem antecedentes criminais informados no processo. As provas colacionadas neste mesmo feito, pelo volume de operações das empresas de fachada com as empreiteiras envolvidas no esquema criminoso da Petrobrás e de outros indicam que se trata de profissional da lavagem de dinheiro, o que deve ser valorado negativamente a título de personalidade. Considerando que não se trata de associação criminosa complexa, circunstâncias e consequências não devem ser valoradas negativamente. As demais vetoriais, culpabilidade, conduta social, motivos e comportamento das vítimas são neutras. Motivos de lucro são normais em associações criminosas, não cabendo reprovação especial. Fixo pena pouco acima do mínimo, de um ano e seis meses de reclusão. Não há atenuantes ou agravantes. Não há causas de aumento ou de diminuição, sendo esta pena definitiva. Entende este Juízo que a associação criminosa em questão perdurou pelo menos até a saída de Renato Duque da Diretoria de Serviços da Petrobrás, em abril de 2012, tendo havido pagamento de propina no mês imediatamente anterior. Entre os crimes de corrupção, de lavagem e de associação criminosa, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a nove anos e dez meses de reclusão, que reputo definitivas para Adir Assad. Quanto às multas deverão ser convertidas em valor e somadas. Considerando as regras do art. 33 do Código Penal, fixo o regime fechado para o início de cumprimento da pena. Na mesma sentença, assim consta em relação a Sônia Mariza Branco: 417. "Sueli Mavali" é Sueli Maria Branco, irmã falecida de Sonia Mariza Branco. 418. Em Juízo, Sonia Mariza Branco (evento 1.025) admitiu que trabalhava na Rock Star, mas negou que realizasse atividades para as outras empresas, atribuindo toda a responsabilidade à irmã falecida. 419. Ocorre que a alegação não é consistente com a documentação acima referida, que revela que ela, além de ser a representante legal das empresas Rock Star, Legend Engenheiros Associados, Power to Ten Engenharia Ltda., Soterra Terraplanagem e SM Terraplanagem, assinou todos os contratos, de valores milionários, delas com as empresas de Augusto Mendonça. 420. Além disso, quebra judicial de sigilo fiscal e bancário (decisão judicial de 16/03/2015, evento 3, processo 501170922.2015.404.7000) revela que Sonia Branco recebeu no período dos fatos recursos vultosos desssas empresas, não só da Rock Star, R$ 960.617,58, mas também da Legend Engenheiros (R$ 883.967,38) e da SM Terraplanagem (R$ 246.451,57), conforme resumo constante no Relatório de Análise 068/2015, do MPF (evento 927, out2, fl. 19). Apesar de ser Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.987 51 relatório elaborado pelo MPF, ele apenas resume os dados constantes nos extratos bancários enviados pelas instituições financeiras decorrentes da quebra de sigilo bancário. As transações específicas podem ser visualizadas nos próprios extratos no evento 927. 421. Não é minimamente crível a alegada ignorância de Sonia Branco, já que assina os contratos milionários e é beneficiária de valores vultosos repassados por pelo menos duas das empresas de fachada. [grifos nossos] 422. Sonia Branco foi, portanto, responsável por esses fatos. [grifos nossos] [...] 668. Sônia Mariza Branco Para os crimes de lavagem: Sônia Mariza Branco não tem antecedentes registrados no processo. As provas colacionadas neste mesmo feito, pelo volume de operações das empresas de fachada com as empreiteiras envolvidas no esquema criminoso da Petrobrás e de outros indicam que se trata de profissional da lavagem de dinheiro, o que deve ser valorado negativamente a título de personalidade. Culpabilidade, conduta social, motivos, comportamento da vítima são elementos neutros. Circunstâncias devem ser valoradas negativamente. A lavagem, no presente caso, envolveu especial sofisticação, com a realização de diversas transações subreptícias, simulação de prestação de serviços, contratos e notas fiscais falsas, com o emprego de pelo menos quatro empresas de fachada e uma outra, de existência real, mas com ocultação dos recursos criminosos por contratos de prestação de serviços fraudulentos. Tal grau de sofisticação não é inerente ao crime de lavagem e deve ser valorado negativamente a título de circunstâncias (a complexidade não é inerente ao crime de lavagem, conforme precedente do RHC 80.816/SP, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1ª Turma do STF, un., j. 10/04/2001). Consequências devem ser valoradas negativamente. A lavagem envolve a quantia substancial de cerca de dezoito milhões de reais, considerando apenas as operações em reais. Mesmo considerando as operações individualmente, os valores são elevados, tendo só uma delas envolvido cerca de catorze milhões de reais. A lavagem de grande quantidade de dinheiro merece reprovação especial a título de consequências. Considerando três vetoriais negativas, fixo, para o crime de lavagem de dinheiro, pena de cinco anos de reclusão. A operação de lavagem, tendo por antecedentes crimes de cartel e de ajuste fraudulento de licitações (art. 4º, I, da Lei nº 8.137/1990, e art. 90 da Lei nº 8.666/1993), tinha por finalidade propiciar o pagamento de vantagem indevida, ou seja, viabilizar a prática de crime de corrupção, devendo ser reconhecida a agravante do art. 61, II, "b", do CP. Entretanto, não há prova de que o condenado tinha ciência desta destinação específica, não sendo aplicável, para ela, essa agravante. Não há também atenuantes, ficando a pena inalterada nessa fase. Fixo multa proporcional para a lavagem em cento e dez dias multa. Entre todos os crimes de lavagem, reconheço continuidade delitiva. Considerando a quantidade de crimes, pelo menos seis vezes vezes, elevo a pena do crime mais grave em 2/3, chegando ela a oito anos e quatro meses de reclusão e e cento e oitenta e dois dias multa. Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.988 52 Considerando a dimensão dos crimes que leva à presunção da elevada capacidade econômica de Sônia Mariza Branco, fixo o dia multa em cinco salários mínimos vigentes ao tempo do último fato delitivo (03/2012). Para o crime de associação criminosa: Sônia Mariza Branco não tem antecedentes criminais informados no processo. As provas colacionadas neste mesmo feito, pelo volume de operações das empresas de fachada com as empreiteiras envolvidas no esquema criminoso da Petrobrás e de outros indicam que se trata de profissional da lavagem de dinheiro, o que deve ser valorado negativamente a título de personalidade. Considerando que não se trata de associação criminosa complexa, circunstâncias e consequências não devem ser valoradas negativamente. As demais vetoriais, culpabilidade, conduta social, motivos e comportamento das vítimas são neutras. Motivos de lucro são normais em associações criminosas, não cabendo reprovação especial. Fixo pena pouco acima do mínimo, de um ano e seis meses de reclusão. Não há atenuantes ou agravantes. Não há causas de aumento ou de diminuição, sendo esta pena definitiva. Entende este Juízo que a associação criminosa em questão perdurou pelo menos até a saída de Renato Duque da Diretoria de Serviços da Petrobrás, em abril de 2012, tendo havido pagamento de propina no mês imediatamente anterior. Entre os crimes de corrupção, de lavagem e de associação criminosa, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a nove anos e dez meses de reclusão, que reputo definitivas para Sônia Mariza Branco. Quanto às multas deverão ser convertidas em valor e somadas. Considerando as regras do art. 33 do Código Penal, fixo o regime fechado para o início de cumprimento da pena. Evidentemente, tratandose de processo criminal em relação ao qual ainda não há trânsito em julgado, há de analisar com certas ressalvas as conclusões da sentença em questão. Contudo, essa narrativa pode facilitar a compreensão dos fatos que levaram a autoridade fiscal a incluir coobrigados no polo passivo da obrigação tributária, inclusive pessoas jurídicas utilizadas para tentar blindar o patrimônio de muitos dos coobrigados. No que diz respeito aos debates sobre individualização de conduta para fins de qualificação da multa, há de se ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça vem entendo, de fato, ser necessária identificação da conduta dos acusados dos chamados “crimes societários”. Contudo, há reiteradas decisões no sentido de que mostrase suficiente para tal individualização de conduta a comprovação de que o acusado detinha poderes de administração da pessoa jurídica. Vejase, por exemplo, o decidido no AgRg no REsp 1.551.783/SP: [...] Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, não há como reconhecer a inépcia da denúncia se a descrição da pretensa conduta delituosa foi feita de forma suficiente ao exercício do direito de defesa, com a narrativa de todas as circunstâncias relevantes, permitindo a leitura da peça acusatória a Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.989 53 compreensão da acusação, com base no artigo 41 do Código de Processo Penal (RHC 46.570/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 20/11/2014, DJe 12/12/2014). Não se desconhece que esta Corte Superior tem reiteradamente decidido ser inepta a denúncia que, mesmo em crimes societários e de autoria coletiva, atribui responsabilidade penal à pessoa física, levando em consideração apenas a qualidade dela dentro da empresa, deixando de demonstrar o vínculo desta com a conduta delituosa, por configurar, além de ofensa à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, responsabilidade penal objetiva, repudiada pelo ordenamento jurídico pátrio (RHC 35.687/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 18/09/2014, DJe 07/10/2014). Assim, nos chamados crimes societários, embora a vestibular acusatória não possa ser de todo genérica, é válida quando, apesar de não descrever minuciosamente as atuações individuais dos acusados, demonstra um liame entre o seu agir e a suposta prática delituosa, estabelecendo a plausibilidade da imputação e possibilitando o exercício da ampla defesa, caso em que se consideram preenchidos os requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal (RHC 77.050/PE, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 06/12/2016, DJe 01/02/2017). Nessa linha, os seguintes julgados: PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR. ADULTERAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE. CARÊNCIA DE JUSTA CAUSA NÃO EVIDENCIADA. INDEPENDÊNCIA DAS ESFERAS PENAL E ADMINISTRATIVA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP ATENDIDOS. RECURSO DESPROVIDO. [...] 4. A alegação de inépcia da denúncia deve ser analisada de acordo com os requisitos exigidos pelos arts. 41 do CPP e 5º, LV, da CF/1988. Portanto, a peça acusatória deve conter a exposição do fato delituoso em toda a sua essência e com todas as suas circunstâncias, de maneira a individualizar, o quanto possível, a conduta imputada, bem como sua tipificação, com vistas a viabilizar a persecução penal e o exercício da ampla defesa e do contraditório pelo réu. Na hipótese em apreço, por certo, a inicial acusatória preenche os requisitos exigidos pelo art. 41 do CPP, porquanto descreve a conduta atribuída ao ora recorrente, permitindolhe rechaçar os fundamentos acusatórios. 5. Malgrado seja imprescindível explicitar o liame do fato descrito com a pessoa do denunciado, importa reconhecer a desnecessidade da pormenorização das condutas, até pelas comuns limitações de elementos de informações angariados nos crimes societários, por ocasião do oferecimento da denúncia, sob pena de inviabilizar a persecução penal. A acusação deve correlacionar com o mínimo de concretude os fatos delituosos com a atividade do acusado, não sendo Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.990 54 suficiente a condição de sócio da sociedade, sob pena de responsabilização objetiva. 6. Narra a denúncia que o recorrente seria o administrador da empresa varejista e responsável imediato por todos os contratos de compra e venda celebrados, não podendo tal conclusão, lastreada em elementos probatórios amealhados aos autos, ser infirmada em sede de writ. 7. Recurso desprovido. (RHC 34.684/MG, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 07/12/2016). RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. PEÇA EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 41 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CPP. CRIME SOCIETÁRIO. POSSIBILIDADE DE DENÚNCIA GERAL. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. RECURSO DESPROVIDO. [...] 3. Nos crimes societários, não se exige a descrição individualizada das condutas de cada acusado, bastando para se assegurar o direito à ampla defesa a descrição do fato delituoso e a indicação da participação de cada autor na empreitada criminosa. Assim, no caso dos autos, não há falar em responsabilidade penal objetiva, tendo em vista que ficou demonstrado na denúncia o liame subjetivo na conduta imputada ao recorrente, que, como sócio e administrador da pessoa jurídica, supostamente teria sonegado tributo mediante a omissão de informação às autoridades fazendárias e fraude na fiscalização tributária. Recurso ordinário em habeas corpus desprovido. (RHC 70.805/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016) [grifos nossos] RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. DELITO SOCIETÁRIO. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA DOS RECORRENTES. PEÇA INAUGURAL QUE ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS EXIGIDOS E DESCREVE CRIME EM TESE. AMPLA DEFESA GARANTIDA. INÉPCIA NÃO EVIDENCIADA. CONSTRANGIMENTO AFASTADO. [...] 4. Não pode ser acoimada de inepta a denúncia formulada em obediência aos requisitos traçados no artigo 41 do Código de Processo Penal, descrevendo perfeitamente a conduta típica, cuja autoria é atribuída aos recorrentes devidamente qualificados, circunstâncias que permitem o exercício da ampla defesa no seio da persecução penal, na qual se observará o devido processo legal. 5. Nos chamados crimes societários, embora a vestibular acusatória não possa ser de todo genérica, é válida quando, apesar de não descrever minuciosamente as atuações individuais dos acusados, demonstra um liame entre o seu agir e a suposta prática delituosa, estabelecendo a plausibilidade da imputação e possibilitando o exercício da ampla defesa, caso em que se consideram preenchidos os requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal. 6. No caso dos autos, de acordo com a peça vestibular, os recorrentes, na qualidade de administradores da Drogaria Principal do Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.991 55 Bairro Ltda., teriam fraudado a fiscalização tributária, omitindo receita relativa a saídas de mercadorias tributadas em documento exigido pela lei fiscal, creditandose, indevidamente, do ICMS incidente sobre tais operações, o que teria resultado em prejuízo à Fazenda Estadual superior a 2 (dois) milhões de reais, descrição que atende de forma satisfatória as exigências legais para que se garanta ao réu o exercício da ampla defesa e do contraditório. [...] 2. Recurso desprovido. (RHC 67.183/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 9/8/2016, DJe 24/08/2016). PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME SOCIETÁRIO. LEI 8.137/90, ART. 1º, II E V. IMPOSSIBILIDADE DA SUSPENSÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA ESTATAL SE A ADESÃO AO PROGRAMA DE PARCELAMENTO OCORRE APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. COAÇÃO INEXISTENTE. PEÇA INAUGURAL QUE ATENDE AOS REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP. AMPLA DEFESA GARANTIDA. INÉPCIA NÃO EVIDENCIADA. RECURSO DESPROVIDO. [...] II A exordial acusatória cumpriu todos os requisitos previstos no art. 41 do Código de Processo Penal, sem que a peça incorresse em qualquer violação do que disposto no art. 395 do mesmo diploma legal. Cuidase, in casu, de denúncia geral, aceita pela jurisprudência pátria. (Precedentes). III Nos delitos societários, a peça acusatória (ainda que não possa ser de toda genérica) é válida quando demonstra um liame entre a atuação dos denunciados e a conduta delituosa (mesmo que não individualize as condutas de cada um), a revelar a plausibilidade da imputação deduzida e permitindo o exercício da ampla defesa com todos os recursos a ela inerentes. IV Na hipótese em análise, a peça inaugural da acusação revela que os denunciados, por meio da empresa CPI Engenharia Ltda, teriam suprimido valores realtivos ao ICMS, através da inserção de elementos inexatos em documentos fiscais e utilização de documentos inexatos, conforme auto de infração e outros documentos do processo criminal. V Quanto à autoria, o liame entre o agir do denunciado e o crime imputado está estabelecido em face da condição de responsável que ostenta perante a sociedade. Por isso, no caso, ao contrário do que se alega na peça recursal, verificase a possibilidade de plena defesa do acusado a partir da imputação do Ministério Público. Recurso ordinário desprovido. (RHC 67.089/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 04/08/2016, DJe 17/08/2016) Com efeito, se tal interpretação é dada pelo próprio STJ no julgamento de recursos no âmbito criminal derivados de procedimentos fiscais, não há como se distanciar, em relação aos mesmos fatos, no que diz respeito à individualização de conduta para fins de apuração de responsabilidade tributária. Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.992 56 No mais, não havendo novos argumentos trazidos pelos recorrentes, valho me de excertos da decisão recorrida para manter integralmente a imputação de responsabilidade tributária a todos os coobrigados6: Foi imputada responsabilidade solidária a Adir Assad, Sonia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Málago, Mauro José Abbud e Marcello José Abbud, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, ambos do CTN, e a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Four’s Empreendimentos Imobiliários Ltda. com base no art. 124, I, daquele Código. A respeito da atribuição de responsabilidade com base no artigo 124, I, do CTN, expõe Rubens Gomes de Souza (Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p. 67): [...] É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, e comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; (sublinhei) E Marcos Vinicius Neder aduz o seguinte (ensaio publicado na Revista sobre Responsabilidade Tributária: Dialética. São Paulo: 2007. p.42.): “(...) Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário.” (sublinhei) Segundo Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, 12ª ed., Saraiva, p. 314), há a solidariedade passiva quando duas ou mais pessoas podem apresentarse na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada um obrigandose por toda a dívida, o que dá ao sujeito ativo a prerrogativa de exigila de qualquer um dos devedores até realização integral da obrigação (sublinhei). Relativamente ao art. 135, inciso III, do CTN, ele estabelece a responsabilidade tributária dos diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. É preciso esclarecer, que a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa não exclui a responsabilidade do contribuinte, salvo quando a lei assim prescrever, na dicção do art. 128 do CTN. No caso do art. 135 do CTN, não há exclusão expressa da responsabilidade do contribuinte, de modo que permanece ele respondendo pelo crédito tributário lançado. Nesse sentido, é a lição de Hugo de Brito Machado: A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não diz que sejam as únicas. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte 6 Com a ressalva de que meu entendimento a respeito da aplicação do art. 124, I, do CTN, no sentido de que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal não se refere a interesses de fato ou econômicos, mas sim a interesse jurídico. No caso concreto, a tese de inclusão de outras pessoas jurídicas no polo passivo da obrigação tributária devese ao intuito doloso dos coobrigados que transferirem seus bens a essas pessoas jurídicas com o intuito de evadirse ao pagamento dos tributos. Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.993 57 decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional...” (Curso de Direito Tributário. 21ª ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 142) Esse entendimento é compartilhado por Luís Eduardo Schoueri, conforme se observa do seguinte excerto: Descartada a possibilidade de o contribuinte afastar se do debitum, cabe ver se lhe resta a responsabilidade. A leitura do artigo 128 indica a situação do contribuinte: de regra, uma vez apontada, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito a terceira pessoa, pode a lei, também de modo expresso: Excluir a responsabilidade do contribuinte, ou Atribuir a responsabilidade ao contribuinte em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Ocorre que o art. 135 silencia acerca da responsabilidade do contribuinte. Não a exclui nem a atribui em caráter supletivo. Ora, se o referido artigo 128 dispõe dever a lei regular o assunto de modo expresso, não há como concluir pela exclusão ou subsidiariedade da responsabilidade do contribuinte. (Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 511) Como se vê, a responsabilidade solidária obriga os responsáveis pelo crédito tributário total, obrigandose cada um pela dívida toda e não apenas pelos tributos exigidos. Dessa forma, é improcedente a alegação de que os responsáveis solidários não podem arcar com as penalidades aplicadas, uma vez que os arts. 113, § 1º e art. 139 do CTN, determinam que a multa faz parte do crédito tributário. Quanto à comprovação da responsabilidade solidária pela fiscalização, cabe registrar que, na busca pela verdade material – princípio esse informador do processo administrativo fiscal –, a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma préestabelecida hierarquização dos meios de prova, sendo perfeitamente regular a formação da convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada, a qual, aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do(s) infrator(es), coisa que, como se infere, dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.994 58 Ao indício, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, dá azo à convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil; se do cruzamento de vários indícios se chega não a um resultado único, mas a mais de um, não se pode ter por comprovado o que quer que seja. No presente caso, foi criada a CPMI destinada a investigar práticas criminosas do senhor Carlos Augusto Ramos, conhecido vulgarmente como Carlinhos Cachoeira, desvendadas pela operação "Saqueador" da Polícia Federal. Essa Comissão apurou a existência de uma série de "empresas (dentre elas a JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA. – ME.) controladas por interpostas pessoas", colaboradores, todas com vínculos profissionais ou pessoais com o Marcello José Abbud, Adir Assad e Mauro José Abbud, verdadeiros responsáveis por essas sociedades. Constatouse que todas essas empresas têm sócios em comum. O Sr. Marcello José Abbud é exsócio da J.S.M. e da Legend (além da Power to Ten). A Sra. Sônia Mariza Branco atualmente é sócia da Rock Star e da Soterra (além da S.M.). Já a Sra. Sandra Maria Branco é sócia, atualmente, da Rock Star e da S.P.Terraplenagem, e exsócia da JSM e da Soterra. Vêse, portanto, a estreita interligação entre todas essas empresas. Tais empresas fizeram parte do esquema montado por estes empresários, os quais, posteriormente e paulatinamente, foram sendo sucedidos, ou mesmo constituíram novas empresas, cujos quadros societários são constituídos por pessoas que lhe são próximas, caso das irmãs Sonia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago. Como exemplo, temos a Legend Engenheiros Associados que foi aberta pelos sócios Adir Assad e Marcello José Abbud e já sofreu sucessivas mudanças societárias. Uma que chamou a atenção foi a da Sra. Sônia Mariza Branco, que além de ser proprietária de uma série de empresas "laranjas" já figurou como sócia desta empresa e, também, da LEGEND ASSESSORIA E CONSULTORIA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE MARKETING LTDA. Esta última alterou seu nome empresarial para S.M. TERRAPLENAGEM LTDA. Segundo a fiscalização, a contribuinte utiliza o endereço da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda – CNPJ: 07.794.669/000141, Rua Iraí, 1.292 – Planalto Paulista – São Paulo /SP – CEP: 04082003, para o recebimento de correspondências e o próprio Adir Assad, sua esposa Sonia Regina Assad e as sócias Sonia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago também utilizam este endereço com o mesmo fim. A própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud. Da leitura das conclusões do Relatório Final da CPMI do Cachoeira, temse que não restaram dúvidas ao trabalho investigativo promovido pelo Congresso Nacional, do vínculo societário e profissional das pessoas físicas aqui citadas, e que todas elas direta ou indiretamente participaram ativamente da administração dos negócios da JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda. ME, sob a orientação e direção dos senhores Marcello José Abbud e Adir Assad. Constatouse que os contadores destas sociedades (todas ligadas a Adir Assad) são sempre os mesmos: i) ADALBERTO PALHINHA MARTINS; e ii) AMAURY PONTALTI. Boa parte dessas sociedades encontramse "sediadas" em endereços coincidentes, todos invariavelmente incompatíveis com as atividades prestadas e com as receitas milionárias que foram auferidas e que hoje se encontram na situação cadastral de BAIXADAS DE OFÍCIO (motivação: inexistente de fato). Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.995 59 Além disso, foi levantado um conjunto de provas, quais sejam, compra de passagens aéreas para o Sr Adir Assad e para a sua esposa Sra Sonia Regina Assad feita e paga pela sociedade Rock Star Marketing Ltda, cuja sócia é SÔNIA MARIZA BRANCO; e mail nos quais Adir Assad, Sonia Mariza e Sibely utilizam a extensão “@rstar” em suas caixas de mensagem (indicativo do Grupo Rock Star, composto por várias empresas controladas pelo Sr. Adir Assad) e que comprovam de forma clara o poder de gerência de Adir Assad; Darf de pagamentos de tributos de Adir Assad pela empresa JSM; a apresentação de Adir Assad como representante da Rock Star; os depoimentos constantes no processo (de Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago), etc. Tais provas, isoladamente, têm pouca força probante, mas ganham relevo quando tomadas conjuntamente, levandose à comprovação do vínculo existente entre as empresas e à constatação feita na investigação policial de que Adir Assad, apesar de não ter participado formalmente do quadro societário da contribuinte, exercia o controle sobre ela por meio de pessoas que lhe são próximas (Sônia Mariza Branco, Sandra, Mauro José e Marcello). Foi apreendida pela Polícia Federal uma relação de documentos enviada ao contador comum das empresas (Adalberto Palhinha Martins), na qual são remetidos, além dos documentos da Legend Engenheiros Associados Ltda., da JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda. ME, da Power To Ten Engenharia Ltda. ME, da SM Terraplenagem Ltda. ME, da Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda. ME e da SP Terraplenagem Ltda. – ME, documentos pessoais de Adir Assad e de outra empresa de Marcello José Abbud (Marcello José Abbud Planejamento Est.). Foi apreendido, também, o email, de 05/04/2010, em que Sandra Maria Branco, sócia administradora da Rock Star Marketing Ltda., encaminha ao Sr Amauri Pontalti (contador das empresas administradas de fato por Adir Assad), informações relativas às Notas Fiscais das empresas Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda., Rock Star Marketing Ltda., Legend Engenheiros Associados Ltda., Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda. e SM Terraplanagem Ltda. , nos seguintes termos: ■ Rock Star Prod. NF 483 cancelada esta nota eu mandei o jogo todo para a gráfica ela vai ser cancelada. ■ Rock Star Marketing NF1468 foi emitida p/ Inst. Tomie Ohtake valor 6300,00 e a nota 1482 p/ BMG 1.300,00 a Sueli vai tirar um Xerox e trazer as originais. O Marcello deve ter comido as copias ou.....................e a 1470 e cancelada foi também um jogo completo da nota para gráfica que ela vai me mandar. ■ Rock Star Promoções e Eventos as notas que você passou a relação estão todas canceladas a Sueli vai trazer. ■ SM essas notas quando nos separamos os talões esse joguinho de notas sumiram não sei aonde foi parar não achamos revirei tudo e não encontramos. ■ LEGEND 1232/1233/1235 canceladas a Sueli vai trazer. E mais, nos depoimentos prestados pela sócia Sandra Maria Branco Malago e por Sonia Mariza Branco, em 13/06/2012, não resta a menor dúvida da participação e Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.996 60 gerência do Sr Adir Assad na condução dos negócios comerciais e financeiros das sociedades em que estas senhoras configuram como sócias. Outro documento que comprova o vínculo societário e a subordinação de Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago ao Sr. Adir Assad são as procurações por elas concedidas a ele, que, apesar de relacionadas a outras sociedades, demonstram que elas são interpostas pessoas daquele senhor, que as utiliza de forma freqüente, tentando se ocultar da responsabilidade dos atos praticados pelas citadas empresas. Todas essas constatações demonstram o modo de agir de Adir Assad na realização da fraude com a participação de um grupo de pessoas e empresas, todos agindo em conjunto com o objetivo de sonegar tributos. Constatouse, em todo o procedimento levado a efeito nas empresas investigadas, a existência do interesse jurídico antes mencionado, caracterizado pela existência de direitos e deveres comuns aos participantes do esquema de sonegação. O conjunto de provas (já citadas) reunidas na investigação policial e no procedimento fiscal levam à conclusão de que Adir Assad participa e é gerente na condução dos negócios comerciais e financeiros das sociedades. Quanto à alegação feita por Adir Assad de que não há provas relativas aos anos calendário de 2009 e 2010, cabe registrar que a ação fiscal englobou os anos calendário de 2008 a 2010 e as ações praticadas em 2008 foram perpetradas nos anos seguintes, nos quais referida pessoa figurava como sócio de fato da contribuinte. Marcello José Abbud foi sócio administrador da contribuinte de 11/09/2008 até 26/02/2010 e depois retornou como sócio administrador em 05/02/2013. Entretanto, de acordo com documentos constantes no processo, continuou a exercer a gerência da empresa, pois, em 2011, assinou como representante da contribuinte em contrato de prestação de serviço. Além disso, participou da gerência de outras empresas (Power To Tem, Legend Engenheiros Associados Ltda.) integrantes do grupo de pessoas jurídicas constituídas para sonegar tributos. Sonia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malaga tinham interesse jurídico a que se refere o art. 124, I, do CTN, pois tinham conhecimento dos fatos e participaram da realização, conjuntamente com outras pessoas, da situação que constituiu o fato gerador. Participaram como sócias administradoras de várias empresas controladas por Adir Assad, que foram alvo de investigação pela Polícia Federal, quais sejam, SM Terraplenagem Ltda., Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda., SP Terraplenagem Ltda. (Sandra e Sonia), Rock Star Marketing Ltda., Rock Star Marketing, Promoções e Eventos Ltda., Rock Star Produções, Comércio e Serviços Ltda. e Solu Terraplenagem Ltda.. Essas empresas foram alvo de investigações pela “Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada pelo requerimento nº 1, de 2012CN, destinada a investigar práticas criminosas do Sr. Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, desvendadas pelas operações “Vegas” e “Monte Carlo” da Polícia Federal”, que concluiu que todas as empresas acima citadas são controladas pelo Sr Adir Assad. Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.997 61 E, ainda, Sonia Mariza Branco, apesar de não integrar formalmente o quadro societário da JSM, assinava cheques desta empresa, demonstrando que administrava e participava da gestão financeira da contribuinte. Mauro José Abbud é sócio administrador da contribuinte desde 26/02/2010 e é apontado pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na da DRF/Barueri, como interposta pessoa do Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD nas seguintes empresas: JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda. ME, Legend Engenheiros Associados Ltda e Power To Ten Engenharia Ltda. – ME. Assim, tinha interesse jurídico a que se refere o art. 124, I, do CTN, pois tinha conhecimento dos fatos e participou da realização, conjuntamente com outras pessoas, da situação que constituiu o fato gerador. Todas essas pessoas citadas, sendo sócias administradoras, são responsáveis solidárias pelo crédito tributário por se enquadrarem na hipótese prevista no art. 135, III, daquele Código, uma vez que exerciam a gerência da sociedade e, no julgamento do mérito do lançamento, restou demonstrada a ocorrência de fraude, nos termos da Lei nº 4.502, de 1964, art. 72, portanto a ocorrência do dolo e a infração à lei. Com relação à responsabilidade solidária atribuída à empresa Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda., é fato comprovado no processo que, no período fiscalizado, era mais uma das empresas controladas por Adir Assad (nesse caso era sócio de fato e de direito), sendo nela registrado a maioria dos bens do casal (Adir e Sônia Regina Assad) adquiridos no período de 2007 a agosto de 2012, época em que houve a transferência, mediante doação (inclusive, constando inicialmente, reserva de usufruto para o citado casal) das quotas da empresa para as suas filhas. Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.998 62 Constatouse, também, que, depois, da referida “doação” das quotas de capital da Santa Sônia foi outorgada uma procuração concedendo amplos poderes para que Adir Assad e sua esposa Sônia Regina Assad pudessem exercer todos os atos de gerência da citada empresa. Não há dúvida de que, apesar de as duas filhas do mencionado casal aparecerem como sócias de direito desta sociedade, o real sócio de fato, administrador e gerente dos negócios é Adir Assad que continua com poderes totais de gestão financeira e patrimonial da sociedade Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. Dessa forma, restou clara a configuração do interesse comum (econômico e jurídico) tipificado no art. 124, I, do CTN, uma vez que era empresa controlada por Adir Assad, responsável pelo planejamento do esquema de sonegação, para a qual se destinou o produto da sonegação de tributos, ou seja, o patrimônio construído em beneficio de Adir Assad, que por meio dos fatos antes narrados tentou blindar este patrimônio. A empresa Four’s Empreendimentos Imobiliários Ltda. foi constituída em 29/07/2008, tendo como sócias as filhas da Sônia Mariza Branco, Sibely Coelho e Soiany Coelho, e tendo o mesmo endereço que foi domicílio tributário de várias empresas do grupo Rock Star. Ressaltese que a totalidade dos bens de Sônia Mariza Branco foi doada para a empresa. Em dezembro de 2012, as citadas sócias retiraramse da sociedade e foram admitidas como sócias administradoras Nathaly Coelho Adesso (filha de Sibely Coelho) e Simone Coelho Adesso (filha de Sonia Mariza Branco). Em 09/02/2012 foi lavrada no 12° Tabelião de Notas de São Paulo/SP uma procuração tendo como outorgante Simone Coelho Guimarães, constituindo sua bastante procuradora a Sra Sonia Mariza Branco, sua mãe, com amplos poderes para gerir seu patrimônio, representála perante órgãos e repartições públicas, receber e movimentar contas bancárias, representála perante juízo, instância ou tribunal. Em 04/01/2013 foi lavrada outra procuração no 12° Tabelião de Notas de São Paulo/SP, constituindo como sua procuradora Sibely Coelho, tendo como outorgantes a sua irmã Sra Simone Coelho Guimarães CPF: 246.278 76823 e a sua filha Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 13896.722310/201405 Acórdão n.º 1301002.748 S1C3T1 Fl. 1.999 63 Nathaly Coelho Adesso CPF: 387.642.92851, concedendo amplos poderes para que esta pudesse exercer todos os atos de gerência da sociedade Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda.. Ou seja, apesar de sua irmã e filha aparecerem como sócias de direito da sociedade, as reais sócias de fato, administradoras e gerente dos negócios são a Sra SÔNIA MARIZA BRANCO (que disponibilizou a totalidade de seu patrimônio através de doação para esta sociedade) e da sua filha Sra SIBELY COELHO que continua com poderes totais de gestão financeira e patrimonial da sociedade Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda.. Dessa forma, restou clara a configuração do interesse comum ([...] e jurídico) tipificado no art. 124, I, do CTN, uma vez que era empresa controlada por Sônia Mariza Branco, que era sóciaadministradora de várias empresas participantes do esquema de sonegação, cujo patrimônio adquirido com o produto da referida sonegação de tributos foi destinado à empresa em questão. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por: (I) negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários dos coobrigados; II) em relação à exigência do crédito tributário da pessoa jurídica: (i) rejeitar as arguições de nulidade; (ii) acolher a arguição de decadência para exonerar o crédito tributário de IRPJ e de CSLL referente ao 4º trimestre de 2008, e aos 1º e 2º trimestres de 2009; e (iii) no mérito, dar provimento parcial aos recursos para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1999DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.004769/2003-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49, que prevê a impossibilidade de incidência do art. 138 do CTN no caso de multa por atraso na entrega de declaração, em razão da responsabilidade objetiva do agente.
Numero da decisão: 1002-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49, que prevê a impossibilidade de incidência do art. 138 do CTN no caso de multa por atraso na entrega de declaração, em razão da responsabilidade objetiva do agente.
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49, que prevê a impossibilidade de incidência do art. 138 do CTN no caso de multa por atraso na entrega de declaração, em razão da responsabilidade objetiva do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 47 69 /2 00 3- 91 Fl. 36DF CARF MF 2 Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 30 à 32) interposto contra o Acórdão n° 5.364, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (efls. 17 à 25), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, em decisão cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1999 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. É devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação e o contribuinte não estava enquadrado entre aqueles dispensados de cumprir a obrigação acessória. Os argumentos apresentados pelo Recorrente na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, no qual requer a improcedência do crédito tributário consignado no auto de infração, utilizandose como fundamento a inaplicabilidade da multa em face da denúncia espontânea e com base na argüição a seguir sintetizada. "1 De acordo com as Normas do Direito Tributário, o mesmo tem a função de assegurar o exato cumprimento das determinações da Lei, assim são previstas sanções de caráter penal administrativas, ficando condicionado a importância da transgressão. Dessa forma a mora tem o sentido de indenização ao fisco pelo atraso da satisfação da obrigação tributária. Prevê ainda, o Direito Tributário, ao lado das obrigações tributárias principais, as obrigações tributárias acessórias que se referem a fiscalização, estas sujeitas as sanções. (...) 3 Houve sim, na realidade, um erro por parte de nosso funcionário que literalmente não sabia da obrigação da entrega destas informações! Nos dias em que vivemos, o custo para uma empresa deste pequeníssimo porte como é a nossa, manterse atualizada tributariamente é substancialmente elevado em nosso País e praticamente impossível de ser seguido para aqueles que não dispõem de mão de obra especializada ou capital para adquiri~Ia no mercado especializado sem contar ainda que são editadas um sem números de leis diariamente! (...) Fl. 37DF CARF MF Processo nº 11831.004769/200391 Acórdão n.º 1002000.107 S1C0T2 Fl. 3 3 6 Lembramos que, tanto é nossa ilibada conduta, que por livre iniciativa de nossa parte que tomamos a atitude de declarar o atraso das informações, do que nos vale então admitirmos espontaneamente este fato se de nada obtivermos em troca de uma atitude transparente como essa? E digase de passagem, nos dias de hoje com tanta corrupção solta e vergonhosamente impune de milhões de reais que se testemunha através dos meios de comunicação! (...) 7.3 Lembrando que nosso Pais é o País dos Impostos, como preconiza diariamente a Rádio Jovem Pan, e que colocamonos envergonhadamente nos primeiríssimos lugares do mundo a arrecadar exorbitantes quantias da sociedade em impostos sem quase nada lhes prover em troca. Solicitamos: A revisão desse valores de multa para um patamar JUSTO e PROPORCIONAL ao VALOR do imposto arrecadado e NÃO a um valor 'Mínimo', onde perguntamos 'Mínimo para qual bolso?' os das Multinacionais? Afinal o Brasil deseja ou não que as pequenas empresas cresçam e se tornem grandes fornecedoras de mão de obra e de riquezas? Seria ou não coerente? 7.4 Solicitamos sim, que se pesem os valores envolvidos, e que se busquem alternativas reais e proporcionais aos danos que porventura poderiam ter sido causados.a nossa sociedade brasileira, mas que na realidade não nos parecem terem ocorrido dado que os pagamentos foram efetuados dentro da lei, com o intuito de minimizar o desestímulo e os entraves aos pequenos empresários que procuram desenvolver nosso pais com galhardia, coragem e sobretudo com um garra fenomenal comparada a outros países do mundo!" Ao final o Recorrente requer a redução proporcional da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Fl. 38DF CARF MF 4 Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse na denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57, do Regimento Interno do CARF RICARF, transcrever os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir: "6. Conforme auto de infração de fl. 05, o contribuinte efetuou a entrega das declarações, referentes ao 1° , 2° , 3° e 4° trimestres de 1999, em 28/11/2001.O prazo final para a entrega destas declarações consta do auto de infração e era respectivamente: 21/05/99 (1° trimestre), 13/08/99 (2° trimestre), 12/11/99 (3°trimestre) e 29/02/00 (4° trimestre). 7. Portanto, fica claro que a entrega das declarações ocorreu de forma intempestiva. Este fato, inclusive, não é contestado pela defesa. 8. O artigo 7° da Lei n° 10.426/02 determina que a penalidade a ser imposta ao contribuinte que efetuar a entrega da DCTF em atraso será de no mínimo R$ 500,00. A seguir se transcreve o texto legal: 'Art 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 °; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3°; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § I° Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e 11 do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da Fl. 39DF CARF MF Processo nº 11831.004769/200391 Acórdão n.º 1002000.107 S1C0T2 Fl. 4 5 declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2° Observado o disposto no § 3°, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3°A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n” 9.317, de 1996; ll R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. ' 9. Portanto, a multa de oficio deve ser preservada." Assim, não há reparos a fazer na decisão exarada pela instância a quo sobre o tema ora em debate. Com relação às alegações do Recorrente de ausência de prejuízo do fisco e de que o valor cobrado da multa é exorbitante, consigno que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Isto significa que a incidência da multa não depende da vontade do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado da inobservância das regras formais, eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzido: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento, razão pela qual VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Fl. 40DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.989999/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.086
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 99 99 /2 00 9- 61 Fl. 137DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.989999/200961 Acórdão n.º 3402005.086 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 139DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.989999/200961 Acórdão n.º 3402005.086 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 141DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.989999/200961 Acórdão n.º 3402005.086 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000074/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Aplica-se a denúncia espontânea ao recolhimento efetuado a destempo, acompanhado de juros de mora, efetuado antes da confissão do débito em DCTF.
Numero da decisão: 1201-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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MULTA DE MORA. Aplicase a denúncia espontânea ao recolhimento efetuado a destempo, acompanhado de juros de mora, efetuado antes da confissão do débito em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 00 74 /2 00 7- 81 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13840.000074/200781 Acórdão n.º 1201001.978 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), em face do Acórdão nº 1803002.256, da 1ª Seção, 3ª Turma Especial do CARF, de 30 de julho de 2014. 2. Os embargos foram admitidos. 3. A Embargante questiona que Com a devida vênia, não identificamos, no acórdão mencionado, a necessária distinção (distinguishment) entre o caso concreto em análise e o enunciado da Súmula CARF n° 49, que diz: "Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Por contrariar texto expresso de Súmula deste Conselho, cremos ser necessário um arrazoado capaz de afastar, por peculiaridades fáticas somente existentes neste caso, a aplicação da Súmula. Nisto repousa a omissão do julgado, merecendo, portanto, ser sanado ou ter retificado seu entendimento. Ressaltese que a Súmula, nada mais é que a representação de entendimento uníssono do CARF nesta temática, (...) Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 4. Consta do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (...) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. 5. Haja vista a extinção da Turma a que pertencia o relator do acórdão embargado, passo à análise e voto. 6. O Acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário e a decisão está assim ementada: DECLARAÇÃO E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13840.000074/200781 Acórdão n.º 1201001.978 S1C2T1 Fl. 4 3 devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 7. Tratase de auto de infração resultante de verificações de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do 1º trim/2004, no qual se exige Multa isolada, porque o contribuinte efetuou o pagamento do tributo após o vencimento, porém desacompanhado da multa de mora devida pelo atraso. 8. À pág. 62, consta que o débito 5706 IRRF Juros sobre capital próprio, no valor de R$1.875.000,00, cujo vencimento foi em 07/01/2004, foi recolhido em 31/03/2004, sem a devida multa de mora, cujo montante alcançava R$375.000, 00, que foi o objeto do lançamento, com base nos arts. 43 e 61 e §§ da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Acréscimos Moratórios, Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 9. Vigia em 2004, a Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, que determinava: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13840.000074/200781 Acórdão n.º 1201001.978 S1C2T1 Fl. 5 4 Do Local e do Prazo de Entrega Art. 5º A DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. 10. Portanto, a DCTF referente ao 1º trim/2004, tinha prazo de entrega até 14/05/2004. 11. Tendo sido a DCTF do 1º trim/2004, Retificadora, entregue em 24/05/2006. depois de pago o IRRF, verificase que o recolhimento a destempo, em 31/03/2004, foi espontâneo, antes da confissão da dívida na DCTF. 12. Cabe destacar ainda que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ/CPS já havia considerado procedente o lançamento com base em Súmula do STJ, que se reproduz “DCTF. REVISÃO INTERNA. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. SÚMULA N° 360 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Rel.Min. Eliana Calmon, em 27/08/08.Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 75) (Grifouse.) 13. Caso o pagamento tivesse sido feito depois de confessado o débito em DCTF, seria aplicável a súmula supra. 14. Citemse Acórdãos CARF, pertinentes: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 24/07/2017 Nº Acórdão 3401003.861 Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioData do fato gerador: 05/12/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. TRIBUTOS REGULARMENTE DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.Nos termos da Súmula 360/STJ, e dos REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, ambos na sistemática do art. 543C do antigo CPC (artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados (v.g. em DCTF), mas pagos a destempo. (Grifouse) Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 26/04/2017 Nº Acórdão 3301003.463 Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13840.000074/200781 Acórdão n.º 1201001.978 S1C2T1 Fl. 6 5 RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos, pagamento da diferença, juntamente com juros de mora, e posteriormente declaração da diferença, antes de qualquer procedimento de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração; decisão do STJ sob a sistemática do art. 543B do CPC anterior combinado com o art. 62A do RICARF determinada a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, à multa moratória. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. (Grifouse.) 15. Quanto à citada Súmula CARF nº 49, não se aplica ao presente caso, pois não se trata de penalidade por atraso na entrega de declaração. Conclusão. Voto por acolher e NEGAR provimento os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002916/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/10/2004
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental.
JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, cujo efeito legal de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tem o condão de afastar a mora.
Numero da decisão: 3402-004.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/10/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, cujo efeito legal de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tem o condão de afastar a mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/10/2004 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, cujo efeito legal de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tem o condão de afastar a mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 29 16 /2 00 8- 25 Fl. 123DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Por bem retratar o feito, reproduzo abaixo trechos do relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls.2/10) formalizado para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$ (...), aí incluídos os juros de mora Consta na descrição dos fatos dos Auto de Infração que: o contribuinte acima identificado, promoveu a importação, sob o Regime Especial de Admissão Temporária, autorizada pelo processo Administrativo 10611.000902/200443, em arrendamento operacional, pelo prazo de 120 meses, de uma aeronave Cessna Modelo 560, S/N 5600653, ano de fabricação 2004 e Prefixo PRSCR, em 25/10/2004, através da Declaração de Importação 04/1079147 9, registrada nesta repartição em 25/10/2004; devido a sua inconformidade com a exigência do II e IPI, o contribuinte impetrou um Mandado de Segurança no. 2004.38.00.0281687, alegando inconstitucionalidade. Como o pedido de liminar foi indeferido, foi feito um depósito judicial do tributo para o desembaraço da aeronave; constitui Fato Gerador do imposto o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira conforme art. 34 inciso I do Regulamento do Imposto sobre produtos industrializados (Decreto no. 4.544/02); o art. 75 do decreto 37/66 estabelece que poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidem sobre a importação de bens que devam permanecer no pais durante prazo fixado; a Lei 9.430/96 no seu artigo 79, passa a exigir que os bens admitidos temporariamente, para utilização econômica, fiquem sujeitos ao pagamento do imposto sobre produtos industrializados, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território aduaneiro; o art. 329 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4543/02 diz que a Secretariada Receita Federal poderá editar ato complementar A implementação da Admissão Temporária para Utilização Econômica e em atendimento; considerando que o arrendamento operacional não esta incluído nos casos de não incidência do imposto, concluí que o contribuinte esta sujeito ao pagamento decorrente do desembaraço aduaneiro da aeronave arrendada pelo prazo de utilização. Ciente do Auto de Infração em 13/01/2009 (fl. 41), a interessada apresentou a impugnação de fls. 46/52, em 09/02/2009, onde em síntese do necessário alegou: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10611.002916/200825 Acórdão n.º 3402004.842 S3C4T2 Fl. 3 3 em manifesto desrespeito às normas de competência para a instituição do imposto, a Lei no 9.430/96, em seu art. 79, previu a incidência do imposto nas operações de admissão temporária, como é o caso da importação de bens sob o regime de arrendamento mercantil; o Impugnante foi obrigado a realizar o depósito judicial do valor devido a titulo de IPI em 25/10/2004, antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo, que somente se deu em 28/10/2004, com o desembaraço aduaneiro da aeronave; uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de depósito judicial em montante integral, não pode o Fisco exigir do contribuinte os acréscimos legais, sob pena de enriquecimento ilícito; requer o cancelamento do Auto de Infração, subsidiariamente, requer a revisão do lançamento, para se excluir, do crédito tributário constituído, o valor apurado a título de juros de mora. A Impugnação do Contribuinte não foi conhecida sob fundamento de concomitância, pelo que foi interposto o Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo. O objeto central da lide é a discussão sobre a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, relativo à importação de aeronave realizada pela impugnante. Constatase do Auto de Infração que a o contribuinte impetrou um Mandado de Segurança nº 2004.38.00.0281687, alegando inconstitucionalidade na incidência do IPI na importação, sob o Regime Especial de Admissão Temporária, em arrendamento operacional, de uma aeronave Cessna Modelo 560, S/N 5600653, ano de fabricação 2004 e Prefixo PRSCR, através da Declaração de Importação 04/10791479, registrada em 25/10/2004. Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte argumentou o seguinte (fl.95): Fl. 125DF CARF MF 4 Como se vê, o argumento invocado na seara administrativa também foi a inconstitucionalidade do IPI, de modo que se pode concluir, portanto, que o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança supra tratam do mesmo objeto, qual seja, a discussão sobre a constitucionalidade da exigência do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados na importação da aeronave acima descrita. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em seu art. 62: Art.62.A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, conforme abaixo: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10611.002916/200825 Acórdão n.º 3402004.842 S3C4T2 Fl. 4 5 A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica porque a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, declara que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. O ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. Desse modo, não deve ser conhecido o presente Recurso Voluntário. Quanto ao questionamento relativo à cobrança de juros de mora, o contribuinte tem razão, em vista da suspensão da exigibilidade do crédito tributário através do depósito do montante integral do tributo, nos termos do art. 151 do CTN, conforme documento de fl.33 (numeração física). Nesse sentido é a súmula CARF nº 05: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Ante o exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário na parte relativa à cobrança do IPI, e na parte conhecida, dou provimento integral para afastar juros de mora. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.006478/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006
PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS.
Constitui-se de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007
COFINS. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS.
Constitui-se de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Constitui-se de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 COFINS. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Constitui-se de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Constituise de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 COFINS. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Constituise de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 64 78 /2 00 9- 72 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 387 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados em 01/12/2009 (fls1. 03/12 e 17/27) e cientificados em 04/12/2009 (AR à fl. 113), para exigência de PIS/PASEP e COFINS cumulativas e acréscimos legais, com base na LC nº 07/70 e Decreto nº 4.524/02, no valor original de R$ 226.510,10, por insuficiências de recolhimentos, no cotejamento dos valores a pagar em DACON com os valores confessados em DCTF, nos anos de 2005 a 2007, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento legal, parte integrante dos Autos de Infração. Inferese da Descrição dos Fatos dos AI, que a infração foi motivada pela falta de recolhimento do PIS e da Cofins e foi apurada do cotejo com os dados informados no DACON e os declarados na DCTF, estando relatado que o contribuinte não apresentou os livros e documentos solicitados pela Fiscalização, justificando que os mesmos teriam sido extraviados e, após ser intimado, apresentou uma publicação em jornal sobre o indigitado extravio, efetuada posteriormente ao início da ação fiscal, além de DCTF retificadoras, que não foram consideradas no presente lançamento. Cientificada dos Autos de Infração, em 04/12/2009 (AR à fl. 113), apresentou Impugnação, em 30/12/2009 (fls. 115/158), em síntese, emprestada da decisão recorrida: "3.1. Afirma ter apresentado sua DIPJ/DCTF para os anos de 2006, 2007 e 2008 (períodosbase de 2005, 2006 e 2007) pelo regime tributário do lucro presumido, o qual foi indevidamente informado com a alíquota de 32%, quando o correto seria, por conta de sua atividade, utilizar uma alíquota menor (12% para o IRPJ e 8% para a CSLL). 3.2. Alega que, em função disso, retificou as DIPJ e DCTF antes do início de qualquer procedimento fiscal. 3.3. Aponta que os valores registrados nos Autos de Infração foram cumulados em duplicidade, tendo em vista que nos rodapés dos demonstrativos do Imposto de Renda e da CSLL tais dados já se encontravam no "contacorrente fiscal". 3.4. Assevera que aderiu ao Parcelamento Especial (Lei nº 11.941/2009) relativamente aos débitos declarados e não pagos. 3.5. Sustenta o seu direito de retificar a DIPJ, alegando sua espontaneidade, ter mantido o mesmo regime de tributação originalmente informado e ter acostado aos autos provas (documentação hábil e idônea). 3.6. Defende que o Direito Pátrio não impede a retificação de DCTF/DIPJ caso o crédito tributário tenha sido inscrito em Dívida Ativa da União, alega que em qualquer fase processual a mesma pode ser retificada e argumenta 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 388 3 que até mesmo após o início da ação fiscal a declaração retificadora possui eficácia. 3.7. No tópico denominado "A POSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO" arremata que "a retificação tem eficácia plena, conseqüentemente, eventuais valores pagos a maior devem ser ressarcidos à teor do instituto da compensação". 3.8. Adentrando no tópico "DO DIREITO AO RESSARCIMENTO DE EVENTUAIS VALORES PAGOS/DECLARADOS À MAIOR COM DÉBITOS JUNTO A SECRETARIA DA REC. FED. BRASIL", alega que: "[...] a compensação, o ressarcimento de créditos tributários do litigante devem ser recepcionados pela Autoridade julgadora, independentemente de estar ou não o débito em dívida ativa, ajuizado ou não, sendo suficiente que o direito não tenha decaído. Em havendo dúvida sobre a legitimidade do creditamento, deverá ser procedida diligência fiscal para apuração da licitude do pedido 'cabendo ao órgão tributário fiscalizar a respectiva operação contábil'.". 3.9. Na seqüência, assevera que a compensação com crédito líquido e certo pode, sim, ser procedida de ofício na órbita administrativa: "Observese, por pertinente, que o IRRF da Peticionaria, incidente sobre a CSLL nos 3º e 4º trimestres de 2006 declarado em DIPJ/DCTF pela Impugnante nos valores de R$ 1.311,33 e R$ 1.156,60, não foram compensados com os saldos dos trimestres posteriores, como de lei. Somente os valores efetivamente compensados R$ 10.127,53 e R$ 10.461,75, o foram com a CSLL Apurada nos mesmos valores. De igual forma, a diferença entre Cofins declarado em DCTF/DACON, julho/2006, não foi objeto de retificação ex officio. (...) Ademais, na espécie, considerando que haverá saldo a compensar da diferença de Lucro Presumido ao percentual de 8°% hemodiálise, e 32% aplicável às demais atividades prestadoras de serviços médicos vide Questão de Mérito desta petição, caberá compensação de ofício dos valores majorados indevidamente fisco/contribuinte, sobre 'tributos e contribuições vencidos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil'." 3.10. Afirma que a autoridade fiscal, no Demonstrativo do IRPJ Lucro Presumido, no 2º Trimestre de 2006; 1º e 4º Trimestres de 2007, aplicou o percentual presumido de 8% para efeito de base de cálculo, porém nos 1º, 3º e 4º Trimestres de 2006, inexplicavelmente, aplicou o percentual inexistente de 40%, o que violaria o art. 142 do CTN. 3.11. Ao final requer: (i) Que sejam solicitados à Procuradoria da Fazenda Nacional em Rio Grande do Norte os Processos FiscalAdministrativos de IRPJ e CSLL da impugnante, para fins de adequação às tributações de 8% de IRPJ e 12% de CSLL, consoante Declarações de IRPJ e DCTF retificadoras, relativamente aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, períodos base 2005, 2006 e 2007. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 389 4 (ii) De igual forma, proceda relativamente aos créditos tributários de IRPJ/CSLL, PIS e COFINS inclusos no contacorrente fiscal da RFB DRF/Natal. Em decorrência, recepcione a espontaneidade relativamente aos informes fiscais em questão. (iii) Recepcione os valores das declarações retificadas, anos calendários 2005, 2006 e 2007, porque majorados nas DIPJ/DCTF retificadoras, para o mesmo período fiscal. (iv) Proceda às compensações dos valores declarados/pagos a maior, à alíquota presumida de 32% relativamente à 8%, permitindo compensações com débitos posteriores, preferencialmente vencidos. Liquidados estes, com débitos vincendos, como de lei. (v) Recepcione as declarações/laudos expedidos pela vigilância sanitária Secretaria de Estado da Saúde/RN e Vigilância Sanitária PMN, o que comprova a adequação da Peticionaria aos parâmetros de que trata a RDC n° 50, de 2002, da Anvisa, adicionalmente aos demais elementos trazidos à instrução processual, inclusive Contrato Social e Aditivo n° 08. (vi) Se entender que os elementos trazidos à colação não são suficientes à formação da convicção, querendo, determine a realização de uma diligência fiscal. (vii) Sejam utilizados todos os meios admitidos em Direito para o total e seguro deslinde da questão. (viii) Nulidade dos autos de infração em lide, pelos vícios preliminares e meritórios dissertados. 4. Em 11/02/2010 o sujeito passivo autuado encaminha documento (fls. 206 231) intitulado "Aditamento à impugnação contra os autos de infração de PIS e COFINS. Processo 16707.006478/200972", do qual se extrai, em resumo, o seguinte: 4.1. Discorre sobre seu direito de apresentar provas antes da decisão, citando o caráter subsidiário da Lei n° 9.784, de 1999, ao Processo Administrativo Fiscal. 4.2. Alega que apresentou a DIPJ e o DACON originais tempestivamente, anterior ao início da ação fiscal, em 02/06/2009, solicitando que fossem acostadas aos autos as respectivas cópias dos recibos de entrega. Pondera que apenas as retificadoras foram entregues no curso da ação fiscal, destacando o entendimento do então Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário, quanto ao caráter confessional destes demonstrativos, razão por que os valores confessados nestes demonstrativos não podem ser objeto de lançamento de ofício. 4.3. Cita que a IN SRF n° 14, de 14/02/2000, exclui do rol de débitos confessados passíveis de inscrição na DAU os saldos a pagar constantes da declaração de rendimentos das pessoas jurídicas, em absoluta afronta ao DecretoLei n° 2.124, de 1984. Neste sentido, faz menção ao Parecer AGU n° GM15, de 29/12/2000. 4.4. Sustenta a improcedência do lançamento de ofício, por falta de DCTF, quando, a exemplo do caso vertente, anteriormente ao início da ação fiscal ou Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 390 5 medida de Fiscalização, a Demandante fez entrega, tempestivamente, das DIPJ/DACON, conforme comprovado nos autos, afirmando ainda que são improcedentes as multas por atrasos nas entregas das DCTF. 4.5. Reporta o suposto equívoco promovido pela autoridade fiscal relatada no item 3.11 deste Voto, requerendo a aplicação da Súmula n° 473 do STF, que estabelece a revisão de ofício do ato administrativo quando o motivo nele inscrito não existiu e que a Administração deve anular o ato administrativo quando eivado de vício de legalidade, devendo nesta hipótese ser aplicado o art. 147 do CTN, especificamente o parágrafo 2°, ou seja, a retificação de ofício a ser promovida na DIPJ/DACON, na hipótese de existência de “erros cometidos nas declarações e apuráveis pelo seu exame”. 4.6. Com amparo em decisão do então Conselho de Contribuintes, enfatiza: "Os valores recolhidos à maior de tributo ou contribuição federal, que não tenham sido objeto de pedido de restituição ou compensação, devem ser considerados na apuração das diferenças devidas, para efeito de exigência por meio de auto de infração." 4.7. Informa que o Poder Judiciário pátrio, através do Superior Tribunal de Justiça S.T.J, entende que o erro de fato na base de cálculo do tributo, a exemplo do caso vertente, constitui nulidade insanável. 4.8. Expõe que a ação fiscal foi concluída em 04/12/2009, indicando que em 09/11/2009 aderiu ao Parcelamento Especial (Lei n° 11.941, de 27/05/2009) e, no caso, considerando que os débitos de IRPJ, período base 2006, foram declarados a maior, estes valores deverão ser automaticamente absorvidos ao Parcelamento Especial, adicionalmente àqueles declarados em DIPJ/DACON, conforme anteriormente demonstrado e comprovado, porque inseridos no contacorrente fiscal da Receita Federal. 4.9. Ao final pede: (i) Que o presente aditamento seja acostado aos autos do processo administrativo em questão, para efeito de instrução processual, conhecimento e julgamento da presente lide. (ii) Que sejam feitas as retificações de ofício, inclusive no conta corrente fiscal, para ajustamento do Parcelamento Especial Lei n° 11.941, de 2009 ao ordenamento jurídico vigente. (iii) Que seja decretada a nulidade das referidas atuações." A decisão de primeira instância, proferida em 27/02/2013 (fls. 270/279) foi pela procedência do lançamento, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECLARAÇÕES. DIFERENÇAS. A diferença a maior apurada entre o valor da contribuição devida informada no DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) e declarada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) deve ser objeto de lançamento de ofício. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 391 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECLARAÇÕES. DIFERENÇAS. A diferença a maior apurada entre o valor da contribuição devida informada no DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) e declarada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) deve ser objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 30/06/2006, 01/05/2007 a 31/12/2007 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR às fls. 285/286), em 23/04/2013, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 289/376, em 22/05/2013, reproduzindo os argumentos da impugnação anteriormente interposta e aduzindo outros, relativos a pedidos de nulidades: do lançamento do PIS faturamento, por afronta ao art. 6ª, da LC n° 07/70, e à Sumula CARF nº 15; e dos autos de infração do PIS/COFINS, por afronta ao parágrafo único, da Portaria RFB n° 4.066/07, e da jurisprudência do CARF citada. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. PRELIMINAR NULIDADES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Na impugnação, embora tenha sido mencionada com caráter geral, a ora recorrente suscitou que fosse decretada a nulidade das referidas atuações, obtendo manifestação contrária ao pedido, sob a justificativa de que no lançamento tributário em Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 392 7 questão não houve a incompetência ou a inobservância do direito de defesa, de que tratam os incisos I e II, do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, por terem sido os atos e termos lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, pessoa legalmente habilitada para a prática dos mesmos, respeitando os comandos previstos no art. 10, daquele Decreto, em rigorosa obediência ao princípio do devido processo legal, em razão disso, afastandose a preliminar de nulidade. No recurso voluntário, inova a recorrente, argüindo nulidades do lançamento do PIS faturamento, por afronta ao art. 6°, da LC n° 07/70, e à Sumula CARF nº 15; e dos autos de infração do PIS/COFINS, por afronta ao parágrafo único, do art. 16, da Portaria RFB n° 4.066/07, e de jurisprudência do CARF citada; matérias preclusas, pois, sem prequestionamento prévio explícito, no sentido da questão trazida com o recurso voluntário ter sido debatida na impugnação e sobre ela o colegiado recorrido ter emitido expresso juízo, em consonância com os arts. 16 e 17, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Além disso, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do PAF: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A leitura do artigo supracitado leva ao entendimento de que, no caso de auto de infração, ato administrativo formalizado por termo próprio e resultante do conjunto de outros atos e termos fiscais, só há nulidade se for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), falandose em defesa cerceada somente quanto aos despachos e decisões (art. 59, II), não importando em nulidade, as irregularidades, incorreções e omissões sanáveis (art. 60). Como ato administrativo, o auto de infração deve respeitar os requisitos mínimos do artigo 10, do PAF: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 393 8 Estando o auto de infração revestido de suas formalidades, no que tange ao seu conteúdo necessário e respectivas provas, serão analisados junto com o mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Portanto, não acolho nenhuma das preliminares de nulidade suscitadas. MÉRITO INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS Como bem ressalvado na decisão recorrida, a lide a ser dirimida neste processo administrativo trata de exigência de créditos tributários, constituídos de ofício, a título de PIS e Cofins e que a discussão sobre eventual direito creditório com origem na apuração do IRPJ e da CSLL, tal como invocado pela ora recorrente, é matéria estranha ao litígio em exame, comportando procedimento específico, disciplinado por regras próprias (art.74, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser apreciada no julgamento deste processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. Notar que a impugnação (fls. 115/158) apresentada tempestivamente, em 30/12/2009, diz respeito especificamente ao IRPJ e à CSLL, referindose ao PIS e à COFINS apenas de forma reflexa, quanto a possibilidade de compensação do supracitado direito creditório, e quanto aos efeitos das informações prestadas nas declarações originais e retificadoras. Entendeu a decisão recorrida, por bem, conhecer o documento encaminhado pelo sujeito passivo, apenas em 11/02/2010, intitulado "Aditamento à impugnação contra os autos de infração de PIS e COFINS. Processo 16707.006478/200972", basicamente, reiterando o pedido de improcedência dos lançamentos de ofício, por falta de DCTF, em razão de alegado caráter confessional das DIPJ e dos DACON apresentados espontaneamente, além de sustentar a possibilidade de retificação de ofício a ser promovida nas DIPJ e nos DACON, na hipótese de existência de erros cometidos nas declarações. Portanto, a impugnação, mesmo aditada, concentrouse nos efeitos confessionais dos DACON originais, na transmissão de declarações retificadoras: DCTF (1º e 2º semestres/2007) e DACON (1º semestre/2007), além da viabilidade de retificação de ofício de eventuais erros nos valores apurados espontaneamente nos DACON originais [Ficha/Linha 08A/26 (2005) e 08A/04 (2006) PIS/PASEP; e 18A/04 (2007) COFINS]. Quanto à essas matérias, no que diz respeito aos efeitos confessionais dos DACON, entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o referido demonstrativo possui caráter meramente informativo, diferentemente dos valores declarados em DCTF, que possuem caráter de confissão de dívida e instrumento suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União, segundo prescrito no art. 5º, §1º, do Decretolei nº 2.124/84; e, com base na legislação tributária (arts. 149 c/c 150 do CTN), os valores declarados em DACON, que excedam a confissão prestada em DCTF, devem ser objeto de lançamento de ofício. No que diz respeito à existência de declarações retificadoras, transmitidas em 15/10/2009, DCTF (1º e 2º semestres/2007) e DACON (1º semestre/2007), também, no mesmo sentido da decisão recorrida, entendo que desde o início do procedimento fiscal, valores declarados extemporaneamente, após o inicio da fiscalização (02/06/2009) e termos fiscais subseqüentes (14/07/2009, 09/10/2009, 03/11/2009, 19/11/2009 e 04/12/2009), encontravamse Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 394 9 com a espontaneidade excluída, nos termos do §1º, do art. 7º, do PAF, e parágrafo único, do art. 138, do CTN, prevalecendo a apuração prévia espontânea nos DACON e os valores apurados e constituídos de ofício por meio do auto de infração. Já no que diz respeito a possibilidade de retificação de ofício de eventuais erros nos valores apurados espontaneamente nos DACON, no presente caso, mostrase inviável, tendo em vista que o contribuinte não apresentou os livros e documentos solicitados pela Fiscalização, justificando que os mesmos teriam sido extraviados e, após ser intimado, apresentou uma publicação em jornal sobre o indigitado extravio, efetuada posteriormente ao início da ação fiscal, restando concluir, assim como na decisão recorrida, no que atine a defesa das diferenças de PIS e Cofins aferidas, o contribuinte não apresentou justificativas e/ou provas que tivesse o condão de infirmar o levantamento efetuado pela autoridade fiscal. Por fim, quanto às matérias não oportunamente impugnadas, em consonância com os arts. 16 e 17, do PAF, consideradas preclusas, desde a análise das preliminares, ainda que admitido seus conhecimentos, em nada socorreria a recorrente no presente julgado, seja a alegada afronta ao art. 6º, da LC n° 07/70 e à Sumula CARF nº 15; ou ao parágrafo único, do art. 16, da Portaria RFB n° 4.066/07 e de jurisprudência do CARF citada. A Súmula CARF nº 15, diz respeito ao PISsemestralidade, do citado art. 6°, da LC n° 07/70, cuja simples leitura das ementas dos precedentes que resultaram no enunciado, nos levam à conclusão de tratarse de matéria absolutamente estranhas aos fatos geradores objetos da presente autuação, referentes aos anos de 2005 e seguintes, dez anos após as mudanças do regime, com a edição da MP nº 1.212, de 28/11/1995. Vide ementa do paradigma Acórdão n° 20216301, de 17/05/2005: PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Jurisprudência consolidada do Egrégio Superior Tribunal de Justiça e, no âmbito administrativo, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso provido. Já o parágrafo único, do art. 16, da Portaria RFB n° 4.066/07, e a citada jurisprudência do CARF, dizem respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, matéria também absolutamente alienígena aos fatos objetos da presente autuação, que dizem respeito à procedimento de revisão das declarações DIPJ, DACON e DCTF, não sendo exigido o MPF nas hipóteses de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações, nos termos do inciso IV, do art. 11, da mesma norma citada. Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais); Assim, ratificando a decisão recorrida, quanto à infração de insuficiências de recolhimentos, entendo deva ser mantida, pelos seus próprios fundamentos. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 16707.006478/200972 Acórdão n.º 3401004.416 S3C4T1 Fl. 395 10 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.000594/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 29/04/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 05 94 /2 01 0- 31 Fl. 138DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.257.5250, no valor total de R$ 10.500,00 (dez mil, quinhentos reais), em confronto com a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com omissões, conforme Relatório Fiscal da Infração de fl. 5, nas competências 11/05, 01/06 a 12/06, 01/07 a 06/07, 08/07 e 09/07. De acordo com o Relatório Fiscal da Multa Aplicada, fls. 5/6, a multa cabível está prevista na Lei 8.212/91, artigo 32A, caput, inciso I e parágrafos 2º e 3º, na redação dada pela Lei 11.941/09. A ação fiscal teve inicio com o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de fls. 39/40. A interessada foi cientificada do presente auto de infração AI em 06/05/2010, conforme documento de fl. 1. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/04/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402004.066 (fls. 101/107), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja adequada a multa aplicada ao artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13609.000594/201031 Acórdão n.º 9202006.465 CSRFT2 Fl. 3 3 Constitui infração apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 05/09/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/09/2014, Recurso Especial (fls. 109/117). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 23/12/2015 (fls. 120/124). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91 em relação aos fatos geradores anteriores a MP 449/2008, convertida na lei 11941/2009 em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. assim, descreveu a ilustre procuradora e, seu recurso: Assim, para o período até 11/2008, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada instrução normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Cientificado do Acórdão nº 2402004.066, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 29/04/2016, o contribuinte apresentou em 12/05/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 131/135). Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que a União confundiu os conceitos expostos nos artigos 35A e 32A, embolando os termos tributo e obrigação Fl. 140DF CARF MF 4 acessória, e, por conseguinte, a respectiva aplicação de cada um destes comandos ao caso em tela. Argumenta que há diferença brutal entre as regras estabelecidas nos artigos 32A e 35A, ambos da Lei nº 8.212/91 e que pagamento e GFIP são questões distintas, e ainda que não exista contribuição previdenciária a pagar, estará o contribuinte obrigado a atender a norma do art. 32A, cujo comando inserto é o de multar o contribuinte por não prestar informações ao Fisco e, ao mesmo tempo, instálo a fazer tal prestação o mais breve possível, independente de haver ou não tributo a recolher. Afirma que quando o contribuinte é intimado a entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extra fiscal (acessório) que é a correção da base de dados da Previdência Social, que não estando devidamente atualizado, não estaria apto a coordenar a concessão dos benéficos a que se propõe, tratandose de multa punitiva e não moratória, como propõe o art. 44 da Lei nº 9.630/96. Diz que por essas razões a norma do art. 44 da Lei nº 9.630/96 não pode ser aplicada ao presente caso, isto é, em situações de infração cometida sobre a GFIP, prevalecendo, no caso, a regra mais específica, que á a do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Acrescenta que, diante desse contexto, com o advento da Lei nº 11.941/09, devese aplicar, aos fatos, a novel regra mais benéfica, consoante determina o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13609.000594/201031 Acórdão n.º 9202006.465 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 120. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Primeiramente, importante destacar que tratase de obrigação acessória, cujo resultado da procedência da multa sobre os fatos geradores encontrase diretamente ligado ao resultado dos processos conexos de obrigação principal: 13.609.000594/201097, em julgamento nesta mesma sessão de julgamento, restando proferido o Acórdão nº 9202006.464 de 30/01/2018. Transcrevo a seguir, a integra da decisão proferida e aqui aplicável com relação ao mérito da exigência de informação em GFIP. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO DOENÇA E AUXÍLIO ACIDENTE. Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença/acidente caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AVISO PRÉVIO. Considerandose que o aviso prévio faz parte da retribuição que remunera o contrato de trabalho e que inexiste previsão de sua exclusão na norma tributária previdenciária impõese a exigência do tributo sobre essa rubrica da folha de pagamento quando o empregador não efetua seu recolhimento. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 214, §4º, DO DECRETOnº 3048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de Fl. 142DF CARF MF 6 contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do STJ acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto 3048/99 quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Restando procedentes os lançamentos em relação aos fatos geradores omissos em GFIP, passemos à análise da multa aplicada. Primeiramente, convém esclarecer que embora o Recurso da PGFN pareça não ter objeto, tendo em vista a simples análise da decisão proferida, destacase que a procuradoria, busca na verdade, que prevaleça a tese de que a melhor interpretação é aquela adotada pela Portaria PGFN nª 14/2009. Assim, embora a decisão possa parecer a mesma, a interpretação adotada no acórdão recorrido diverge daquela adotada no lançamento e no recurso da PGFN. Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, para aplicar a tese da Portaria n. 14/2009, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente alegue que a norma do art. 44 da Lei nº 9.630/96 não pode ser aplicada ao presente caso, isto é, em situações de infração cometida sobre a GFIP, Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13609.000594/201031 Acórdão n.º 9202006.465 CSRFT2 Fl. 5 7 prevalecendo, no caso, a regra mais específica, que á a do art. 32A da Lei nº 8.212/91, bem como que, com o advento da Lei nº 11.941/09, devese aplicar, aos fatos, a novel regra mais benéfica, consoante determina o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, entendo não ser a interpretação mais adequeda. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo Fl. 144DF CARF MF 8 tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13609.000594/201031 Acórdão n.º 9202006.465 CSRFT2 Fl. 6 9 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 146DF CARF MF 10 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13609.000594/201031 Acórdão n.º 9202006.465 CSRFT2 Fl. 7 11 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 148DF CARF MF 12 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13609.000594/201031 Acórdão n.º 9202006.465 CSRFT2 Fl. 8 13 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, devendo ser mantida a multa e a interpretação nos moldes como aplicada no lançamento fiscal. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902591/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 91 /2 00 9- 39 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.902591/200939 Acórdão n.º 1401002.234 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 175DF CARF MF
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