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Numero do processo: 16327.001538/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, mormente quando a incorporação se deu dentro do mesmo grupo econômico.
INCORPORAÇÃO - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUÇÃO - A dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio obedece aos limites estritamente excludentes estipulados no § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sob tal regramento, a dedução é limitada a partir do lucro líquido do período de pagamento ou dos lucros acumulados e reserva de lucros apurados em períodos anteriores. Em havendo evento especial de incorporação de parcela do patrimônio de outra empresa, não se aplica a incorporação horizontal, inadmissível em nosso ordenamento jurídico, sendo desconsiderado a situação contábil e jurídica da incorporada que se extinguiu e teve seu acervo líquido direcionado para compor a conta de capital social sob a forma de subscrição de ações como se de subscrição de bens se tratasse. Entendimento diverso pressuporia também que a Lei permitiria a possibilidade de duplo aproveitamento de mesmo critério da mesma na empresa incorporada e na incorporadora, para efeito de dedutibilidade do juros sobre capital próprio.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, .por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de ofício.Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARAM provimento, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, negaram provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Karem e Mauricio; 2) Por maioria de votos, em relação à matéria de mérito remanescente. Vencido o Conselheiro Maurício Peereira Faro.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, mormente quando a incorporação se deu dentro do mesmo grupo econômico. INCORPORAÇÃO JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUÇÃO A dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio obedece aos limites estritamente excludentes estipulados no § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sob tal regramento, a dedução é limitada a partir do lucro líquido do período de pagamento ou dos lucros acumulados e reserva de lucros apurados em períodos anteriores. Em havendo evento especial de incorporação de parcela do patrimônio de outra empresa, não se aplica a incorporação horizontal, inadmissível em nosso ordenamento jurídico, sendo desconsiderado a situação contábil e jurídica da incorporada que se extinguiu e teve seu acervo líquido direcionado para compor a conta de capital social sob a forma de subscrição de ações como se de subscrição de bens se tratasse. Entendimento diverso pressuporia também que a Lei permitiria a possibilidade de duplo aproveitamento de mesmo critério da mesma na empresa incorporada e na incorporadora, para efeito de dedutibilidade do juros sobre capital próprio. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 38 /2 01 0- 79 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 68 2 Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, .por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de ofício.Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARAM provimento, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, negaram provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Karem e Mauricio; 2) Por maioria de votos, em relação à matéria de mérito remanescente. Vencido o Conselheiro Maurício Peereira Faro. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Conforme o Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 105110, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir: 1. Dos fatos A empresa Santander Brasil Arrendamento Mercantil S/A (Santander AM) tem por objeto social principal, conforme contrato social às fls.53, a prática de operações de arrendamento mercantil, além de quaisquer operações autorizadas ou que venham a ser autorizadas pelo Banco Central (BC) para sociedades dessa espécie. Em 13/11/2006, a Santander AM e a Santander Banespa Companhia de Arrendamento Mercantil (Banespa AM), CNPJ 42.291.245/000165, celebraram protocolo de incorporação da Banespa AM pela Santander AM (fls. 7279), que se daria pela transferência do acervo líquido contábil da incorporada para o patrimônio da Incorporadora. No anocalendário de 2007 a Santander AM distribuiu juros sobre o capital próprio (JCP) no valor de R$27.480.000,00, conforme a respectiva DIPJ de fls.92. 2. Do Direito A incorporação foi por transferência do acervo líquido contábil da incorporada para o patrimônio da Santander AM, e os saldos das contas de Lucros Acumulados de R$37.746.500,34 e de Reserva de Lucros de R$9.056.028,37 da incorporada foram transferidos para as contas Lucros Acumulados e Reserva de Lucros da Incorporadora (Santander AM). Porém, a soma aritmética de contas, no caso, Lucros Acumulados e Reserva de Lucros, é prática de incorporação "linha a linha" (incorporação horizontal), não admitida no ordenamento. Conforme os artigos 226 e 227 da Lei n° 6.404/76, e o Parecer Normativo (PN) CST 462/71, a incorporação pressupõe um aumento de capital, aprovado na assembleia geral da incorporadora, no valor do patrimônio líquido a ser vertido para a formação do novo capital social. Esse acervo líquido vertido da incorporada para a incorporadora sensibiliza somente a conta de capital social da incorporadora, nunca as demais contas do patrimônio líquido desta. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 70 4 Em razão disso, os saldos das contas Lucros Acumulados e Reserva de Lucros, da incorporadora, não deveriam ter sido alterados. De acordo com o art.347 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, o limite para dedução do JCP fica condicionado à existência de lucros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Assim, o limite de JCP a ser distribuído pela Santander AM no anocalendário de 2007 é R$13.365.360,22. Como o JCP distribuído foi de R$27.480.000,00, houve um excesso de JCP distribuído no valor de R$14.114.639,78, conforme planilha a seguir: Excesso de juros sobre capital próprio (R$) Anocalendário 2007 Balanço utilizado (c) Valores transferidos dos saldos da incorporada em 2006 (d) Balanço sem os saldos da incorporada (cd) Reserva de Lucros (a) 12.007.842,30 9.056.028,37 2.951.813,93 Lucros Acumulados (b) 61.525.406,85 37.746.500,34 23.778.906,51 Total (a+b) 73.533.249,15 26.730.720,44 JCP distribuído (e) 27.480.000,00 27.480.000,00 Limite 50% [f=(a+b)/2] 36.766.624,58 13.365.360,22 Excesso de JCP (ef) 14.114.639,78 O excesso de JCP distribuído não é dedutível, devendo ser adicionado na apuração do Lucro Real, fato que não ocorreu. Assim, a contribuinte não respeitou o limite de dedutibilidade do JCP condicionado à existência de lucros, antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (art. 347, § 1 o do RIR/99). O excesso de JCP (R$14.114.639,78) deduzido foi glosado, sendo lavrados os autos de infração de fls. 194219, fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 123148, acompanhada dos documentos de fls. 149190, alegando, em síntese: 1. Da inexistência de vedação legal para a incorporação "linha a linha" desrespeito pela fiscalização ao princípio da legalidade Inexiste vedação no ordenamento jurídico para a realização da incorporação "linha a linha". Os artigos 226 e 277 da Lei n° 6.404/76 determinam que a incorporação pressuponha algum aumento de capital, mas não que a incorporação resulte apenas em aumento do capital social. O PN CST ° 462/71 não determina que na incorporação haja somente aumento de capital, além de abordar outro assunto e ser norma infralegal. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 71 5 Assim, o procedimento da impugnante está de acordo com as normas, pois houve aumento do capital social, na mesma proporção do capital social da incorporada. A autoridade fiscal não pode restringir o procedimento da empresa, sob pena de afronta ao princípio da legalidade (artigos 5°, inciso II, e 150, inciso I, da CF/88, e art.3° do CTN). Além disso, o procedimento adotado pela impugnante foi homologado pelo Banco Central (BC), no exercício da competência prevista no art.10 da Lei n° 4.595/64. Se o BC aprovou a operação de incorporação, é porque não houve afronta às normas legais contábeis e societárias, razão pela qual o procedimento não pode ser questionado pela autoridade fiscal, que não possui competência para tanto. A operação em exame incorporação linha a linha foi validada por empresa de auditoria, sem ressalvas, conforme notas explicativas dos balanços dos anoscalendário de 2006 e 2007 (fls. 168170, 172173 e 179192). Destaquese ainda que, se a empresa incorporada tivesse pago JCP antes da incorporação, faria jus à dedução do montante correspondente à metade das reservas de lucros e lucros acumulados. Esse direito não pode desaparecer em razão da incorporação, pois o art.227 da Lei n° 6.404/76 determina que os direitos da incorporada sejam transferidos à incorporadora. 2. Da iliquidez e incerteza dos lançamentos erro na determinação da base tributável Os autos de infração são nulos por serem ilíquidos e incertos, eis que houve erro de cálculo na apuração dos valores. De acordo com o art. 9° da Lei n° 9.249/95, os JCP só podem ser deduzidos do lucro real se o lucro do período ou os montantes de reservas de lucros e lucros acumulados sejam pelo menos o dobro do valor dessa despesa. Contudo, como se pode observar pelo demonstrativo de fls. 109 do TVF, a fiscalização considerou apenas o segundo limite legal para cálculo do suposto excesso de dedução, sem considerar o limite do lucro do exercício de 2007. Considerandose o lucro de R$45.814.972,71, apurado no anocalendário de 2007, o limite dedutível seria R$22.907.486,36, de modo que a diferença a adicionar seria de R$4.572.513,64, conforme tabela a seguir: Cálculo dos JCP (R$) (a) Total de receitas 663.728.856,86 (b) Total de despesas (647.608.036,53) (c) Lucro do exercício (a+b) 16.120.820,33 (d) JCP 27.480.000,00 (e) Provisão para o IRPJ 2.214.152,38 (f) Lucro ajustado (c+d+e) 45.814.972,71 (g) Limite de dedução (50% de f) 22.907.486,36 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 72 6 (h) Suposta parcela a adicionar (dg) 4.572.513,64 O erro de cálculo cometido pelo agente fiscal na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL acarreta falta de liquidez e certeza aos lançamentos ora combatidos, tornando os nulos nos termos do art.142 do CTN e artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, pois não foi mensurado corretamente o excesso de despesa. Frisese que a Turma Julgadora não poderá apenas reduzir a base de cálculo para R$4.572.513,64, mas deverá cancelar integralmente a autuação, pois lançamentos ilíquidos e incertos não podem ser consertados pelo Órgão Julgador. 3. Da ausência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis Conforme o art.2° da Lei n° 7.689/88, a única adição permitida ao resultado do exercício, para apuração da base de cálculo da CSLL, é o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido. Inexiste, portanto, previsão legal para a adição, ao lucro líquido, de qualquer despesa considerada indedutível, tal como a despesa ora em análise. Apesar de o IRPJ e a CSLL possuírem as mesmas regras de apuração e pagamento, tais tributos não observam as mesmas regras de dedutibilidade de despesas. Existem normas específicas para as adições e exclusões ao lucro líquido para determinação da base de cálculo da CSLL. Assim, o lançamento de CSLL deve ser cancelado, pois não existe base legal para a adição, na base de cálculo desse tributo, de despesa considerada indedutível pela fiscalização. 4. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa O art.13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora, remete ao art.84 da Lei n° 8.981/95, que estabelece a cobrança desses acréscimo apenas sobre tributos. E conforme os artigos 3° e 113 do CTN, a multa não é tributo. O art.43 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é o caso dos autos. Assim, exigir juros sobre a multa constitui afronta ao princípio da legalidade, pelo que devem ser cancelados os juros sobre a multa lançada nesta autuação. Pelo exposto, a impugnante pede a extinção dos créditos lançados e o arquivamento do presente processo. Conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária de 30/11/2009, fls.26, a contribuinte foi incorporada pela Santander Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ 47.193.149/000106 em 30/11/2009. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo e RECORREU DE OFÍCIO da parte cancelada: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 73 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos Juros sobre Capital Próprio obedece o limite de 50% do saldo de Reservas de Lucros e Lucros Acumulados, ou de 50% do Lucro Líquido do Exercício, o que for maior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração para o IRPJ. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 INCORPORAÇÃO DE EMPRESAS. AUMENTO DE CAPITAL DA INCORPORADORA. A incorporação de empresa pressupõe o aumento de capital da incorporadora, e a extinção da empresa incorporada, sendo, portanto, irrelevante se esta possuía, antes de ser absorvida, valores como Reservas de Lucros ou Lucros Acumulados em seu patrimônio. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A nulidade por ilegitimidade passiva, nos seguintes termos: (...) da análise dos autos de infração, lavrados em 29/11/2010, a constituição do crédito tributário se deu contra o SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, inscrito no tributários, nos termos do que já restou decidido, de forma reiterada, por esse E. Conselho (...)”. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 74 8 Ocorre, contudo, que no momento da lavratura do auto de infração (29/11/2010), o banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A já havia sido definitivamente extinto, em razão de sua incorporação pelo SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL, ora Recorrente, inscrita no CNPJ/MF sob o número 47.193.149/000106. Com efeito, conforme atestam os documentos societários (docs.anexos), a extinção do SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A ocorreu em 13/11/2009, ou seja, anteriormente à lavratura dos autos de infração originários deste processo. Ademais, mencionese que nos sistemas da própria Receita Federal do Brasil, a situação do CNPJ do banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A consta como "baixada" desde 30/11/2009 (doc. anexo). (...). É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 75 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Ilegitimidade passiva Antes de se adentrar ao mérito do Recurso de Ofício cabe analisar de plano a argüição de nulidade por ilegitimidade passiva. A depender do julgamento dessa matéria o Recurso de Ofício pode ser ou não prejudicado. A princípio cabe esclarecer que essa questão veio à baila apenas por ocasião do recurso voluntário não sendo matéria impugnada. Porém, como uma nulidade por ilegitimidade passiva pode ser a princípio, a depender do caso concreto, uma nulidade absoluta e, portanto, pode se afigurar como matéria de ordem pública, tomo conhecimento dessa matéria sem declarála preclusa. A Recorrente propugna a nulidade por ilegitimidade passiva, nos seguintes termos: (...) da análise dos autos de infração, lavrados em 29/11/2010, a constituição do crédito tributário se deu contra o SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, inscrito no tributários, nos termos do que já restou decidido, de forma reiterada, por esse E. Conselho (...)”. Ocorre, contudo, que no momento da lavratura do auto de infração (29/11/2010), o banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A já havia sido definitivamente extinto, em razão de sua incorporação pelo SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL, ora Recorrente, inscrita no CNPJ/MF sob o número 47.193.149/000106. Com efeito, conforme atestam os documentos societários (docs.anexos), a extinção do SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A ocorreu em 13/11/2009, ou seja, anteriormente à lavratura dos autos de infração originários deste processo. Ademais, mencionese que nos sistemas da própria Receita Federal do Brasil, a situação do CNPJ do banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A consta como "baixada" desde 30/11/2009 (doc. anexo). (...) Dessa forma, como os autos de infração foram lavrados contra empresa extinta, resta evidente o erro na determinação do sujeito passivo, de tal modo que deverá ser reconhecida a nulidade dos lançamentos. Marcos Vinicius Nader de Lima, em seu livro “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª Edição, Dialética, pp. 464/465, forte em Seabra Fagundes, Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover, entre outros renomandos juristas, defende que a Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 76 10 nulidade se dá em graus, ou seja, a anulabilidade do ato existe no Direito Público, e que diante da mesma importa sempre sopesar as suas conseqüências diante de valores como justiça, paz social, segurança, efetividade, e, sobretudo, considerar o princípio do prejuízo como a ‘viga mestre’ do Sistema de Nulidades, senão vejamos: “Para Seabra Fagundes, ´se a invalidez do ato jurídico, como sanção à infringência à lei, importa consequências mais nocivas que as decorrente de sua validade, é o caso de deixálo subsistir´1 Este posicionamento vai, aliás, ao encontro das aspirações gerais por maior eficiência no processo. Cândido Rangel Dinamarco sustenta, com muita propriedade, que o processo deve buscar sua efetividade e celeridade. Para ele ´a ciência processual deste fim de milênio deve buscar maior efetividade e celeridade. (...) Como vem sendo dito, cumpre, agora, revisitar as velhas técnicas e moldálas segundo as premissas teleológicas que passaram a dominar, ou seja: tornar a elas com consciência de que o processo não é fim em si mesmo nem mero instrumento técnico, nem ligado com exclusividade à ordem jurídicomaterial e obsessivamente voltado à preservação da letra da lei´2 Embora o autor se refira especificamente, ao processo civil, suas idéias aplicamse, perfeitamente, ao processo administrativo. Dentro desse espírito, devese dar maior atenção aos valores pretendidos pelo processo, entre os quais, incluemse os alores justiça, paz social, segurança e efetividade. O valor justiça relacionase com a finalidade jurídica do processo, o da paz social insta a que se tente solucionar com presteza os conflitos, o da segurança referese à preservação do direito objetivo como um todo, enquanto a efetividade é consentânea à realização dos direitos e das reais necessidades da sociedade atual. Estes valores devem ser considerados conjuntamente, sempre com a atenção voltada para as finalidades do processo e o interesse público. Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminandose o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada Pellegrini Grinover, “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação.´. Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma ainda a renomada autora que ´o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito, sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do atuo quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida´3.(grifos acrescidos) Como se vê, a invalidade do ato administrativo só deve ser levado em consideração quando “a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida”. E qual foi o prejuízo causado ou alegado pela Recorrente? Prejudicou sua defesa? Vai responder por tributo de pessoa diversa? Conforme demonstrarei abaixo, não houve nenhum prejuízo à Recorrente, muito menos foi alegado algum, a não ser o mero descumprimento formal, que de tão irrelevante, passou ao largo da defesa na primeira instância, tendo sido quiçá percebido pela mesma no momento em que a DRJ saneia o processo 1 Fagundes, Miguel Seabra. O Controle dos Atos Administrativos pelo Poder Judiciário, Forense, Rio de Janeiro, 1969, p.53 2 Dinamarco, Cândido Rangel, “Os Gêneros de Processos e o Objeto da Causa” 3 Grinover, Ada Pelegrini e outros. As Nulidades no Processo Penal, 6ª ed. RT, São Paulo, 1997, pp. 26/27. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 77 11 indicando no seu relato a ocorrência de tais fatos e ao lado do nome da empresa autuada (incorporada) incluiu a razão social e CNPJ da empresa incorporadora. Vamos ao caso concreto. De fato, no auto de infração consta razão social e CNPJ diverso da incorporadora. É incontroverso que o auto foi formalizado em face da incorporada Porém, a empresa incorporadora, sucessora e responsável perante o Fisco com relação às obrigações fiscais da antiga empresa recebeu todas as intimações no mesmo endereço da incorporada, o recebimento e acompanhamento da fiscalização se deu pelos mesmos funcionários ao longo do tempo (Luciana Pereira), tomou conhecimento do procedimento fiscal efetuado, tomou ciência dos autos de infração lavrados, defendeuse na primeira instância sem nada alegar, enfim, exerceu tão plenamente o seu direito de ampla defesa nos presentes autos que convenceu os julgadores de primeira instância a cancelar parcela significativa do auto de infração que é motivo inclusive de Recurso de Ofício que se analisará mais a frente. Um fato curioso que se destaca é que apesar de a empresa formalmente já ter sido extinta, os funcionários atendiam à fiscalização em nome da empresa sucedida, formalizando documentos em que constava a razão social e CNPJ da sucedida e não da sucessora. Como é o caso do documento de fls.21 confeccionado em 14/04/2010 e assinado por Luciana Pereira, de fls. 25 (24/05/2010), entre outros. Ora, considerando que a incorporadora efetivamente foi fiscalizada, respondeu as intimações, foi notificada do auto de infração, apresentou impugnação, tomou ciência da decisão da DRJ e interpôs recurso., como dizer que o auto de infração foi lavrado contra pessoa estranha à Recorrente? No presente caso, não ocorreu puramente a extinção da pessoa jurídica que cometeu a falta, mediante distrato devidamente registrado e baixado perante a Receita Federal. Neste caso, a responsabilidade do sócio somente ocorre em caso de comprovação do seu uso indevido com objetivo de esconder as atividades do sócio (art. 50 do Código Civil), sendo inclusive necessário a utilização do artifício da desconsideração da pessoa jurídica; dissolução irregular da pessoa jurídica, ou dissolução de sociedade que seja considerada de pessoas (art. 134, VII, do CTN). Como se vê, nas situações retratadas acima, o formalismo deve ser levado às suas últimas conseqüências mesmo. É que o sócio da pessoa jurídica não é automaticamente responsável por dívidas da empresa extinta, tal como acontece no caso concreto de incorporação societária (art. 207 do RIR/99 e art. 227 da Lei 6404/76), onde a incorporadora responde com as obrigações da incorporada para todos os efeitos, inclusive fiscais. Esse contexto discrepa completamente dos casos em que a jurisprudência tem assentado a nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva. Neste sentido se manifesta a jurisprudência do CARF: "SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. INDICAÇÃO DA INCORPORADA COMO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO APÓS A INCORPORAÇÃO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário devido pela incorporada, devendo aquela (incorporadora) constar do auto de infração na condição de sujeito passivo. No entanto, é válido o auto de Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 78 12 infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora. Publicado no D.O.U. n° 230 de 30/11/2007."(Data da Sessão: 24/05/2007; Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe; Decisão: Acórdão 10323043) "PRELIMINAR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INCORPORAÇÃO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA A indicação no pólo passivo da obrigação tributária de pessoa jurídica constituída à época dos fatos, após a data da incorporação, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade do lançamento, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa, mormente quando o próprio responsável pela primeira toma ciência do lançamento e subscreve as defesas apresentadas nos autos. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer.."(Data da Sessão: 14/06/2007; Relator: Caio Marcos Cândido; Decisão: Acórdão 10196215) NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE FORMAL ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida."(Data da Sessão: 19/10/2004; Relator Designado: Marcos Vinícius Neder de Lima; Acórdão: CSRF/0105.113) . Nesse caso, a verdade real deve prevalecer sobre a verdade meramente documental A nulidade somente deve ser declarada quando restar claro o prejuízo à defesa do contribuinte ou impedir a solução do litígio pela autoridade seguinte. Dessa forma, por não vislumbrar qualquer prejuízo causado ao amplo direito de defesa que a sucessora teve, afasto a preliminar de ilegitimidade passiva. Enfrento agora o mérito propriamente dito do recurso voluntário antes do Recurso de Ofício, pois a depender do deslinde do primeiro, o segundo automaticamente se resolve, por ficar prejudicado. Tratase de glosa de excesso de JCP distribuído e considerado não dedutível pela fiscalização porque o contribuinte não respeitou o limite de dedutibilidade do JCP condicionado à existência de lucros no exercício (primeiro limite) ou de lucros acumulados de períodos anteriores e reservas de lucros (segundo limite), em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (art. 347, § 1 o do RIR/99). No caso, foram lavrados autos de infrações do IRPJ e CSLL. Segundo o cálculo da fiscalização o limite de JCP a ser distribuído pela Santander AM no anocalendário de 2007 seria de R$13.365.360,22. Como o JCP distribuído foi de R$27.480.000,00, houve um excesso de JCP distribuído no valor de R$14.114.639,78, conforme planilha a seguir: Excesso juros sobre capital próprio (R$) Anocalendário 2007 Balanço utilizado (c) Valores transferidos dos saldos da incorporada Balanço sem os saldos da incorporada (cd) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 79 13 em 2006 (d) Reserva de Lucros (a) 12.007.842,30 9.056.028,37 2.951.813,93 Lucros Acumulados (b) 61.525.406,85 37.746.500,34 23.778.906,51 Total (a+b) 73.533.249,15 26.730.720,44 JCP distribuído (e) 27.480.000,00 27.480.000,00 Limite 50% [f=(a+b)/2] 36.766.624,58 13.365.360,22 Excesso de JCP (ef) 14.114.639,78 Ressaltese que está em litígio neste tópico apenas o cálculo do segundo limite lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados que foi retificado pela fiscalização, pois o outro limite (primeiro limite) relacionado ao lucro do exercício de 2007, a DRJ apontou um erro por não considerálo uma vez que este se tornou maior do que o outro limite após as retificações feitas pela fiscalização e não foi considerado esse fato para efeito do cálculo final do apontado excesso. Porém, este assunto fica para ser tratado no próximo tópico (Recurso de Ofício), caso o mesmo não fique prejudicado pelo que se decide agora. Conforme se verifica na tabela acima, o ponto relevante da questão recai no impacto que o evento especial de incorporação no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador possa ter na apuração do segundo limite (lucros acumulados de períodos anteriores e reservas). Por outras palavras, a pergunta que se impõe é saber se a incorporadora pode aproveitar depois da incorporação os saldos das contas de lucros acumulados de períodos anteriores e de reservas presentes na contabilidade da incorporada no momento da ocorrência do evento especial de incorporação, tudo isso para efeito de cálculo desse segundo limite, dessa feita na incorporadora. A resposta a meu ver é negativa, pois a partir do momento que ocorre a extinção da incorporada o seu passado contábil, por óbvio não é mais relevante na medida em que a incorporadora pertencente ao mesmo grupo econômico da incorporada, ao invés de ações, recebe o total da riqueza patrimonial devidamente avaliada, sob uma outra forma, sob uma outra natureza, qual seja, sob a forma de um acervo líquido, uma universalidade composta de bens e direitos subtraídos de obrigações, isto é, o patrimônio líquido vertido a que se refere o art. 226 da Lei das S/A, que irá compor o capital social da incorporadora. Por outras palavras, essa sistemática pressupõe necessariamente que se siga o caminho tãosomente do “aumento de capital social” de certa sociedade, denominada Incorporadora, mediante entrega, do total da riqueza patrimonial devidamente avaliada, por outra sociedade, a incorporada, não havendo, pois, que se falar mais na existência de reservas ou muito menos de lucros acumulados da empresa extinta. Ora, se a incorporação pressupõe a extinção da empresa incorporada como pode sobreviver o regime jurídica da empresa morta na empresa incorporadora? Nesse ponto a DRJ foi muito feliz ao dizer que: Assim, com a operação de incorporação, a situação anteriormente existente na empresa absorvida deixa de ter qualquer efeito na empresa sucessora. Por outro lado, uma vez integralizado o capital da empresa incorporadora, esta seguirá regime jurídico próprio, de acordo com sua capacidade de se habilitar às exigências legais, no caso, a dedução de valores pagos a título de JCP. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 80 14 Dessa forma, descabido o entendimento da Recorrente de que, pelo art.227 da Lei das S/A, poderia transferir à incorporadora os valores das "Reservas de Lucros" e "Lucros Acumulados", para assim poder aproveitar a dedução que a incorporada teria se tivesse pago JCP antes da incorporação. A Recorrente na prática adotou o que se chama de incorporação “linha a linha” ou incorporação horizontal não permitida por nosso ordenamento jurídico. E não se alegue que no nosso ordenamento jurídico não existe nenhuma lei que contenha dispositivo que proíba, em letras garrafais, esse expediente. Tratandose de sociedades anônimas, o instituto da incorporação, fusão e cisão está muito bem disciplinado e regrado na Lei das S.A. (Lei nº 6.404/76), não podendo a empresa fugir desse regramento. Se um caminho formal lá é indicado precisamente, por óbvio que as empresas não possuem a liberdade de seguir outro caminho, como fez a Recorrente. Utilizase nesse caso de um argumento e interpretação a “contrario sensu”. E o art. 227¸§1º da Lei da S.A não deixa dúvida quanto ao caminho a ser seguido, ou seja, passa pela necessidade de se aumentar o capital social mediante a versão do seu patrimônio líquido (acervo líquido) após avaliação pericial : A assembléia geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporadora mediante a versão de seu patrimônio liquido, e nomear os peritos que o avaliarão. Para melhor elucidação da matéria destaca abaixo a legislação correlata, qual seja, os artigos 226 e 227 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S/A), que tratam do instituto da incorporação, bem assim outros: Transformação, Incorporação, Fusão e Cisão (Redação dada pela Lei n° 11.638/2007) Art. 226. As operações de incorporação, fusão e cisão somente poderão ser efetivadas nas condições aprovadas se os peritos nomeados determinarem que o valor do patrimônio ou patrimônios líquidos a serem vertidos para a formação de capital social é, ao menos, igual ao montante do capital a realizar. § 1° As ações ou quotas do capital da sociedade a ser incorporada que forem de propriedade da companhia incorporadora poderão, conforme dispuser o protocolo de incorporação, ser extintas, ou substituídas por ações em tesouraria da incorporadora, até o limite dos lucros acumulados e reservas, exceto a legal. § 2° O disposto no § 1° aplicarseá aos casos de fusão, quando uma das sociedades fundidas for proprietária de ações ou quotas de outra, e de cisão com incorporação, quando a companhia que incorporar parcela do patrimônio da cindida for proprietária de ações ou quotas do capital desta. § 3o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de fusão, incorporação e cisão que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Incorporação Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 81 15 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1° A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2° A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3° Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (destaques nosso) Não restam dúvidas pelos dispositivos acima que o caminho da incorporação “linha por linha” é ilegal, na medida em que está claro que a incorporação consiste na transferência do patrimônio da incorporada para a formação do capital social da incorporadora, via tão somente aumento do capital da incorporadora, com a consequente extinção da incorporada e desaparecimento, portanto, das contas contábeis de lucros acumulados de períodos anteriores e reservas da incorporada. Esse caminho seguido pelo nosso legislador pátrio tem sua razão de ser. Primeiro porque se valoriza o princípio da entidade, onde não se confunde os balanços individuais de empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, com o balanço consolidado que servem no Brasil tão somente para fins de divulgação, sem qualquer efeito societário ou tributário. Segundo, a prevalecer o caminho da incorporação “linha a linha”, onde se preserva a conta lucros acumulados, por simetria, também se preservaria a situação de prejuízos acumulados. Tal situação daria margem para que os prejuízos acumulados da empresa incorporada fossem “herdados” para a empresa incorporadora, sendo que tal lógica não é admitido sob forma alguma em nosso ordenamento jurídico. Nesse sentido, o Parecer Normativo (PN) CST n° 462/71, diferentemente do que defende a Recorrente, trata sim do referido tema, sendo bastante conclusivo e na mesma pisada do que aqui se defende: 6. Sem maiores esforços de interpretação, da leitura dos textos legais salta à vista de pronto uma formalidade essencial à realidade do ato jurídico: se efetue a incorporação tendo por base o patrimônio líquido da incorporada, avaliável, inclusive por peritos nomeados. Em última análise, impõese à operação a obediência às mesmas formalidades exigíveis na subscrição de capital mediante ingresso de bens. (destacouse) A doutrina de Jeferson R. Nonato, em artigo intitulado “Incorporação horizontal”, que tratou minudentemente desse tema, também converge para nosso entendimento: V Conclusão Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 82 16 A Incorporação de Empresa (também denominada incorporação de acervo líquido) é um ato jurídico complexivo (dependente do encadeamento lógico de vários atos válidos) e solene ( forma especial de contratação de observação obrigatória). Portanto todas as formalidades do ato devem ser observadas, a ponto de afirmarse que não existe incorporação de fato. Formalizada a incorporação, desaparece do universo jurídico a pessoa da incorporada, sendo que seus direitos e obrigações são transferidos por sucessão universal à incorporadora. Ora esta figura da sucessão universal de direitos e obrigações não deve levar o operador do direito a equívocos. Os direitos e obrigações referidos, na sucessão, dizem respeito àquelas relações jurídicas existentes no momento da consumação da incorporação em que a pessoa jurídica da incorporada estava presente como contraparte, isto é como credora ou devedora, ou como titular de direitos aperfeiçoados. De longe não se cogita em sucessão de regime jurídico. Não há direito adquirido em matéria de regime jurídico, aliás, como já decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Subscrito e integralizado o capital social da incorporadora, na forma da Lei, será esta posta como destinatária dos regimes jurídicos que lhe aprouverem, segundo suas próprias qualificações jurídicas, econômicas, societárias e contábeis. Não mais há relevância na situação antes existente na incorporada. Destarte se a incorporada dispunha de Lucros Acumulados em seu Patrimônio Líquido e sobre este saldo pudesse calcular Juros Sobre o Capital Próprio, não significa que a Lei Comercial ou Tributária autorize o mesmo procedimento na incorporadora, caso esta incorporadora não disponha de lucros acumulados. Não nos esqueçamos que durante o processo de incorporação a figura dos "lucros acumulados", presentes na incorporada, desaparece do mundo jurídico para ser substituída por outro conceito legal, que é o do Patrimônio Líquido Vertido (acervo líquido). Enfim, subscrevese e integralizase capital social com bens e direitos, reduzidos devidamente pelas obrigações, e não com rubricas contábeis. (destacouse) Queremos crer que não há planejamento tributário na incorporação linha a linha e sim ilegalidade tributária de conduta se houver majoração das bases de cálculo dos Juros Sobre Capital Próprio ou mesmo aumento indevido dos Dividendos a Distribuir. A forma contábil de registro de negócios societários não tem o condão de alterar a dimensão financeira de institutos jurídicos arquitetados de forma rígida e isonômica. Não se pode confundir a liberdade de contratar e contabilizar com a inobservância de normas cogentes nestas matérias. (destacouse) Quanto aos argumentos da Recorrente afirmando que seu procedimento estaria respaldado por relatório de auditoria externa e teria sido homologado pelo BC. Cabe salientar que o Banco central é um Órgão regulador dos mercados de capitais, não se imiscuindo na seara tributária, onde não tem competência. Outrossim, os pareceres de auditores externos não são de forma alguma vinculantes. Por fim, apenas para argumentar mais um motivo para se negar provimento ao recurso, nesse caso tratase de um argumento subsidiário, mas que reforça o argumento anterior. É que apesar daquelas reservas se referirem a “exercício anterior” e, se admitido a incorporação “linha a linha” poderem ser consideradas também assim em seu fechamento em 31/12/2006, mesmo assim seria um contrasenso lógico utilizála em duplicidade: uma vez na empresa incorporada e outra na incorporadora. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 83 17 Digo que é um contrasenso “lógico” porque no momento que faço esse raciocínio sou obrigado a trabalhar no mundo hipotético e não no mundo empírico real, pois estou trabalhando com a lógica da Lei, com a lógica do ordenamento jurídico. Pouco me importa se a empresa incorporada, no mundo do SER, utilizouse ou não efetivamente da prerrogativa estabelecida em quaisquer um dos 2(dois) critérios lógicos de dedutibilidade do JCP disponíveis, ou mesmo, indo mais avante, se a empresa incorporada utilizouse efetivamente ou não da dedução de JPC. O que importa é que, no mundo do DEVER SER, ou melhor, no mundo do PODER SER, ela poderia ter utilizado quaisquer um dos critérios e distribuído os JCP baseando em qualquer um deles. Tinha essa liberdade para tanto. E se isso é o caso, como podemos assumir que a Lei permita a possibilidade de uma mesma variável (reserva de lucros) ser utilizada duplamente: uma na empresa em que ocorreu o evento especial (incorporada) e outra vez na empresa que incorporou esse mesmo pedaço de reserva de lucros (recorrente)? Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse item. Da indedutiblidade do excesso de JCP na base de cálculo da CSLL A Recorrente apregoa que não há previsão legal expressa para adição do excesso de juros sobre capital próprio na base de cálculo da CSLL, mas tão somente do IRPJ. Ora, o que se está em questão antes de tudo é a possibilidade de dedução do pagamento de juros sobre capital próprio do cálculo do lucro real. A apuração do IRPJ e da CSLL parte do lucro líquido. A legislação do IRPJ determina os limites de dedutibilidade para os JCP (art.347 do RIR/99), tributandose o excesso de JCP pagos e deduzidos como despesa pela contribuinte, igualmente deve ser adicionado na apuração da base de cálculo da CSLL esse excesso de JCP, ex vi art. 57 da Lei n. 8.981/95. A seguir rigidamente o raciocínio da Recorrente não haveria previsão legal para a dedução desse pagamento na base da CSLL e a glosa deveria ser integral e, não parcial como foi. Porém, isso não aconteceu, pois as Instruções Normativas SRF n° 93/97 e 390/2004 consolidaram as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL, repetindo em seus artigos 49 e 3°, respectivamente, o mesmo comando da referida lei. Cabe nesse ponto ressaltar o que fora colocado pela decisão de piso: Portanto, a obrigatoriedade para se aplicar à CSLL as mesmas regras e condições de dedutibilidade de amortização existentes para o IRPJ decorre de expressa previsão legal, estando consubstanciada nos citados atos normativos, os quais corroboram o entendimento da Administração Tributária sobre a aplicabilidade do dispositivo à hipótese aqui tratada. Além disso, existe norma específica o referido dispositivo da IN SRF n° 390/2004 determinando a adição do excesso de JCP deduzidos pela contribuinte à base de cálculo da CSLL. Portanto, mantenho a referida glosa. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 84 18 Juros de mora sobre Multa de Ofício Insurgese a Recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 85 19 (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. RECURSO DE OFÍCIO Tomo conhecimento do Recurso de ofício em face de o mesmo atender os requisitos de admissibilidade. A matéria submetida a recurso de ofício relacionase à imputação de erro cometido pelo autuante ao não considerar para efeito de cálculo dos limites de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio o maior valor entre dois critérios estabelecidos em Lei. Destaco da decisão de piso o ponto relevante de seus fundamentos que ensejou o Recurso de Ofício: Assim, de acordo com a legislação, os limites para dedução dos valores pagos a título de JCP são 50% do lucro líquido (antes da provisão para o IRPJ e da dedução dos JCP) correspondente ao período de pagamento dos JCP, ou 50% das Reservas de Lucros e Lucros Acumulados, o que for maior. No caso presente, a empresa calculou os valores de JCP aplicando a variação da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido (planilhas de fls.48 e 49), apurando um valor de JCP a deliberar de R$27.480.000,00, o qual foi deduzido na DIPJ do anocalendário 2007 (fls.92). A fiscalização calculou o limite de 50% do saldo de Reservas de Lucros e de Lucros Acumulados às fls. 109 do Termo de Verificação Fiscal, apurando excesso de JCP deduzidos de R$14.114.639,78. No entanto, o limite de 50% do lucro líquido (antes da provisão para o IRPJ e da dedução dos JCP) não foi examinado, devendo, pois, ser objeto de análise neste julgamento. Na DIPJ do anocalendário de 2007, a empresa informou um lucro líquido do período de R$16.120.820,33, que somado à Provisão para o IRPJ (R$2.214.152,38) e aos JCP deliberados para esse ano (R$27.480.000,00), resulta no valor de R$45.814.972,71. Calculandose 50% de R$45.814.972,71, temse R$22.907.486,35. Portanto, os JCP deduzidos (R$27.480.000,00) excederam esse limite em R$4.572.513,65, sendo este o valor correto da base de cálculo para o lançamento relativo ao excesso de dedução de JCP no período em tela. Os valores de IRPJ e CSLL, e respectivas multas, ficam reduzidos para: IRPJ e CSLL (R$) Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 86 20 Base de cálculo IRPJ (a) Adicional IRPJ (b) Multa (75% sobre a+b) CSLL (c) Multa (75% sobre c) 4.572.513,65 685.877,04 457.251,36 857.346,30 411.526,22 308.644,66 Assim, irreparável a decisão piso nesse aspecto, pois nada mais fez do que reparar erro material do autuante ao não considerar o maior critério entre dois estabelecidos por Lei. O autuante preocupouse apenas em retificar para menor o critério relacionado à Reservas de Lucros e de Lucros Acumulados, esquecendose do critério relacionado ao lucro líquido do período (50%) que seria no caso maior que o primeiro limite após a retificação feita pelo fiscal e já tratada em tópico anterior. Nesse ponto, retorno ao Recurso voluntário para afastar a preliminar de nulidade levantada pela Recorrente nesse ponto específico. O seu raciocínio é o seguinte: Já que foi admitido erro parcial no lançamento, ele seria ilíquido e deveria ser anulado. Ora, o erro no aspecto quantitativo da base de cálculo da regra matriz de incidência é a operação mais comezinha que os órgãos julgadores fazem sem macular todo o lançamento. Tratase de matéria mansa e pacífica na jurisprudência administrativa. Nesse caso, não há “contaminação” do todo pela parte. Rejeito, portanto esta outra preliminar de nulidade. Por todo exposto, nego provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso.. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10120.005375/2010-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP
Na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a omissão de fatos geradores nas GFIPs, determina a lavratura de Auto de Infração ao tempo em que para imputação de penalidades implica observar o comando do artigo 32-A, da Lei n° 8.212/91 cujas irregularidades do gênero, até sua edição, subsumiam-se ao preceituado no revogado artigo 32, inciso IV, 5 do mesma Lei n 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO.
Não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetem-se ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA
O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
MULTA
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2403-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Ewan Teles Aguiar
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP Na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a omissão de fatos geradores nas GFIPs, determina a lavratura de Auto de Infração ao tempo em que para imputação de penalidades implica observar o comando do artigo 32-A, da Lei n° 8.212/91 cujas irregularidades do gênero, até sua edição, subsumiam-se ao preceituado no revogado artigo 32, inciso IV, 5 do mesma Lei n 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. Não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetem-se ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. MULTA Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Ivacir Júlio de Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Ewan Teles Aguiar
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP Na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a omissão de fatos geradores nas GFIPs, determina a lavratura de Auto de Infração ao tempo em que para imputação de penalidades implica observar o comando do artigo 32A, da Lei n° 8.212/91 cujas irregularidades do gênero, até sua edição, subsumiamse ao preceituado no revogado artigo 32, inciso IV, 5 do mesma Lei n 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. Não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetemse ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. MULTA Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 53 75 /2 01 0- 33 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32 A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Ewan Teles Aguiar Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.005375/201033 Acórdão n.º 2403001.471 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A primeira instância produziu o relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi: “ Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO. A empresa apresentou impugnação com as mesmas alegações trazidas nos autos do processo principal de n° 10120.005376/201088 que julgado em sede recursal, nesta mesma sessão de hoje, no mérito, não logrou prosperar. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 48 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília – DF DRJ/BSB, em 27 de janeiro de 2011, exarou o Acórdão n ° 0341.370 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, anexo 1 do volume 1, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.005375/201033 Acórdão n.º 2403001.471 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE. Consta nos autos, parte final, despacho de encaminhamento, sem número que atesta a tempestividade do Recurso. Presentes requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O lançamento tratase de descumprimento de obrigações acessórias diretamente vinculadas ao Recurso Voluntário do processo de obrigação principal de número 10120.005376/201088 que julgado nesta mesma sessão, no mérito, os argumentos da Recorrente não obtiveram provimento. Desse modo, por idênticas as alegações trazidas nesta peça recursal, por economia processual não as enfrento ao tempo que, por coerência, negolhes provimento. DA MULTA O auto de infração em apreço, foi lavrado por ofensa a legislação vigente preceituada no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna., verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.005375/201033 Acórdão n.º 2403001.471 S2C4T3 Fl. 5 7 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, é pertinente o recálculo da multa que se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA MULTA DE OFÍCIO Muito embora não constar do Relatório Fiscal o descumprimento vinculase ao período 01/06/2007 a 31/12/2009 observado irregular no processo principal. A instância “ ad quod ” relatou e anuiu o procedimento da Autoridade Fiscal que aplicou multa de ofício às competências 12/2008 em diante. Neste sentido há que reformar o “decisium” em razão de que não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetemse ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, “ verbis ”: “ Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) . I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) ” Desse modo, são nulas as penalidades impostas sob multa de ofício. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10855.903120/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário:
2004
Ementa:
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS.
INEXISTÊNCIA.
Conforme reconhecido pela própria contribuinte, à época da apresentação de
sua Declaração de Compensação existiam efetivos erros nos registros de suas
declarações fiscais (DIPJ e DCTF), atingindo, assim, diretamente, a certeza
do direito creditório pretendido.
Numero da decisão: 1301-000.888
Decisão: Os membros da turma acordam, POR UNANIMIDADE, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 Ementa: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. INEXISTÊNCIA. Conforme reconhecido pela própria contribuinte, à época da apresentação de sua Declaração de Compensação existiam efetivos erros nos registros de suas declarações fiscais (DIPJ e DCTF), atingindo, assim, diretamente, a certeza do direito creditório pretendido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004 Ementa: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. INEXISTÊNCIA. Conforme reconhecido pela própria contribuinte, à época da apresentação de sua Declaração de Compensação existiam efetivos erros nos registros de suas declarações fiscais (DIPJ e DCTF), atingindo, assim, diretamente, a certeza do direito creditório pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, POR UNANIMIDADE, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Por sinteticamente descrever a ocorrência apresentada nos autos, adoto o relatório indicado pela r. decisão recorrida, quando destaca: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Sorocaba SP, através do Despacho Decisório n° 781241017 (fl. 3), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. * Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$35.787,67 * Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 20/08/2008 (fl. 7), apresentou, em 19/09/2008, manifestação de inconformidade (fls. 8/12). Nesta peça, alega, em síntese, que: houve erro de fato no preenchimento da DIPJ; o erro foi corrigido por DIPJ retificadora, eliminandose a razão da não homologação; embora existisse erro de fato, tinha direito ao crédito, conforme jurisprudência. Às fls. 122/125, foi juntada cópia da Portaria RFB/SUTRI n° 1.036/2010, que transfere a competência para julgamento deste processo para a DRJ/RJO 1. Apreciando as razões da manifestação de inconformidade da contribuinte, assim sumariamente se manifestou a DRJ de origem: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita com o resultado do julgamento, a contribuinte apresenta, conforme de petição de fls. 140, seu “requerimento” no sentido de serem reapreciadas as suas razões, o que, pela sistemática própria do Decreto 70.235/72, fora então recebido como Recurso Voluntário e, assim, encaminhado a este CARF para apreciação e julgamento. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Tempestivo o recurso, dele conheço. O tema tratado nos presentes autos referese à pretensão de compensação efetivada pela contribuinte por meio das PER/DCOMP’s apontadas, com a utilização de um direito creditório que, conforme destacado nos autos, não se encontrava, à época da Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903120/200829 Acórdão n.º 1301000.888 S1C3T1 Fl. 2 3 apresentação das respectivas DCOMP’s, nos respectivos sistemas fazendários, alimentados pelas Declarações próprias do contribuinte (DIPJ, DCTF, etc.). A contribuinte, por sua vez, reconhece, de fato, que à época da apresentação das DCOMP’s, existia efetivo “erro de fato” em suas declarações, o que, entretanto, somente posteriormente teria sido retificado, sendo a controvérsia apontada, então, apenas e exclusivamente a discussão em torno da possibilidade (ou não) de utilização de retificadora ulterior para a validação da Declaração de Compensação inicialmente apresentada. Em que pese todo o esforço pretendido pela contribuinte, verificase restar, no caso, completamente incontroverso que, à época da pretendida efetivação de Compensação (apresentação das PER/DCOMP’s apontadas) o direito creditório pretendido efetivamente não gozava dos atributos específicos de certeza e liquidez, não podendo, assim, de forma alguma, ser admitida a apresentação ulterior das retificadoras com vistas a admitir, destarte, o processamento da pretendida compensação. A esse respeito inafastáveis se apresentam as disposições do Art. 147 do CTN, que, em seu parágrafo primeiro, inclusive, assim expressamente destaca: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Nesses termos, sendo incontroverso nos autos que, de fato, o pretendido direito creditório apontado pela contribuinte em sua pretendida DCOMP não se havia apresentado na competente DIPJ anterior, e que, em que pese regularmente intimada para tanto, somente fora promovida a retificação após o Despacho decisório que rejeita a compensação pretendida, não se pode aqui, de forma alguma, admitir a pretensão da recorrente de se ver validados os seus procedimentos, que, como se vê, encontram óbices específicos na competente legislação de regência. Diante dessas circunstâncias, encaminho meu Voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, mantendose, assim, em todos os seus termos, a r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10508.000395/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. SAÍDA DE PRODUTOS IMPORTADOS DIRETAMENTE. SUJEIÇÃO PASSIVA.
O estabelecimento importador de produtos estrangeiros é contribuinte do IPI em relação às saídas de tais produtos, independentemente de operar exclusivamente no varejo, excludente que se aplica unicamente a estabelecimentos que não tenham importado os produtos.
CRÉDITOS. PRODUTOS ACABADOS. DIREITO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste direito de crédito de IPI relativamente a produtos acabados e não consumidos no processo de industrialização.
RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES E DE ESTABELECIMENTOS VAREJISTAS.
As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples e de estabelecimento varejistas não ensejam, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto.
ISENÇÃO. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL.
Restando provado que não há, no período autuado, portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos objeto da autuação, é procedente o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente há que se falar em nulidade do lançamento nas hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar as argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas regularmente editadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. SAÍDA DE PRODUTOS IMPORTADOS DIRETAMENTE. SUJEIÇÃO PASSIVA. O estabelecimento importador de produtos estrangeiros é contribuinte do IPI em relação às saídas de tais produtos, independentemente de operar exclusivamente no varejo, excludente que se aplica unicamente a estabelecimentos que não tenham importado os produtos. CRÉDITOS. PRODUTOS ACABADOS. DIREITO. INEXISTÊNCIA. Inexiste direito de crédito de IPI relativamente a produtos acabados e não consumidos no processo de industrialização. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES E DE ESTABELECIMENTOS VAREJISTAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 03 95 /2 01 0- 73 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 952 2 As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples e de estabelecimento varejistas não ensejam, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. ISENÇÃO. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há, no período autuado, portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos objeto da autuação, é procedente o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 929 a 948) apresentado em 28 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 1529.255, de 15 de dezembro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 909 a 925), cientificado em 02 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro a dezembro de 2006, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 953 3 Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar as argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas regularmente editadas. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há, no período autuado, portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos objeto da autuação, é procedente o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. DÉBITOS. Constatada a saída de produtos do estabelecimento industrial sem o devido destaque do imposto deve ser lançado o imposto devido na escrita fiscal da contribuinte e apurado o tributo devido por período de apuração considerando o sistema de débitos e créditos do IPI. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 954 4 É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater os débitos do imposto não lançado. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. As provas devem ser produzidas juntamente com a impugnação, exceto nos casos previstos no inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, situação não demonstrada pela contribuinte. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 26 de julho de 2010, de acordo com o termo de fls. 839 a 852. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de lançamento de oficio, fls. 845 a 851, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência da multa de IPI não lançado, com cobertura de crédito, no valor total de R$ 310.925,11. Na Descrição dos Fatos, fls. 847 a 850, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram apuradas as seguintes infrações: (i) Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal. IPI não lançado – equiparado a industrial; (ii) Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal. Utilização indevida da isenção pelo remetente do produto (bens de informática); e (iii) Créditos indevidos – crédito básico indevido. No Relatório de Fiscalização, fls. 831 a 844, consta que foram apuradas as seguintes irregularidades: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de Saída escrituradas com IPI nulo – Isenção; e (v) Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo – revenda de mercadorias importadas. Ao final, informa que apurou o IPI devido pelo contribuinte para o ano de 2006, levado a termo na planilha “APURAÇÃO DO IPI”, fls. 827 a 830, que demonstrou: (i) saldo credor, ao final do mês de março de 2006, passível de ressarcimento (processo nº 14033.000063/200778), no valor de R$ 817.966,11; (ii) saldo credor, ao final do mês de junho de 2006, passível de ressarcimento (processo nº 14033.001007/200751), no valor de R$ 676.000,38; (iii) saldo credor, ao final do mês de setembro de 2006, passível de ressarcimento, no valor de R$ 525.621,33; (iv) saldo credor, ao final do mês de dezembro de 2006, passível de ressarcimento, no valor de R$ 198.877,56; e (v) multa de IPI não Fl. 955DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 955 5 lançado com cobertura de crédito no valor de R$ 310.925,11, objeto deste auto de infração. Cientificada da decisão, em 26/07/2010, a contribuinte apresentou, em 25/08/2010, a impugnação de fls. 862 a 897, alegando, em síntese, que: o auto de infração está fundamentado em dispositivo legal ( art. 80, I, da Lei nº 4.502/64, com redação dada pelo art. 45, da Lei nº 9.430/96) com inciso revogado, pela Lei nº 11.488/2007, há mais de 2 anos; tal inconsistência viola o disposto no art. 10, do Dec. nº 70.235/72, razão pela qual requer a nulidade do auto do infração; o relatório de diligência fiscal que baseou a decisão ora contestado é nulo de pleno direito, uma vez que não foi acompanhado de nenhum documento probatório das alegações do fisco que comprovassem a glosa de créditos efetuada e a suposta falta de recolhimento do IPI nas saídas destacadas; assim, por ter sido abalizada em relatório nulo por falta de provas de suas conclusões, o auto de infração ora impugnado é nulo; muito embora entendesse que a utilização dos créditos gerados nas operações de entradas, referente aos materiais enquadrados como matériaprima, produtos intermediário ou material de embalagem, ou mesmo, referentes às compras oriundas de material de embalagem, ou mesmo, referentes às compras oriundas de optantes pelo SIMPLES, ou ainda, referentes às entradas de produtos importados, fosse absolutamente legítima e amparada pelo regulamento do imposto, o fato é que acabou por estornar referidos créditos do seu livro de apuração do imposto; ao efetuar a glosa dos créditos tomados pela impugnante, mesmo após os mesmos terem sido estornados pela empresa, estarseá tributando duas vezes o mesmo fato jurídico; desta forma, requer a procedência da presente defesa administrativa, tendo em vista a ilegalidade da autuação, que deixou de considerar os estornos dos créditos realizados pela empresa impugnante; a incorporação de novos componentes ao produto final da impugnante é considerada como industrialização pelo conceito legalmente definido. Para comprovar sua tese cita o § único do art. 46 do CTN e o art. 4º do Dec. nº 4.544/02; a agregação de componentes eletrônicos é forma de industrialização, pois gera um novo produto. Tratase de espécie de montagem, já reconhecida pela jurisprudência administrativa como forma de industrialização; Fl. 956DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 956 6 não resta dúvida de que os teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, monitores, microfones com pedestal, cadeados, etc. são, na verdade, insumos adquiridos pela Novadata para a industrialização, na modalidade montagem, dos equipamentos fabricados, que compõem o produto final “computador”; assim, os créditos de IPI requeridos são legítimos, pois todos os produtos mencionados são insumos essenciais utilizados no processo de industrialização por montagem do produto final computador; o direito de crédito do IPI, como supedâneo do princípio da nãocumulatividade, não pode sofrer qualquer limitação por ato administrativo ou legislação infraconstitucional, sendo certo que qualquer norma que assim o faça está em manifesto confronto com a Constituição Federal (inciso II, do § 3º, do art. 153); a Constituição Federal somente faz restrição ao creditamento quando há isenção no meio da cadeia produtivo no caso do ICMS, mantendo o direito ao creditamento do IPI em todo e qualquer caso. Afirma que este entendimento restou confirmado pelo STF, no julgamento do RE 212.4842/RS, relator ministro Nelson Jobim, DJU 27.11.1998. em relação às aquisições de produtos de empresas varejistas ou optantes pelo SIMPLES, os créditos jamais poderiam ser glosados, sob pena de afronta ao próprio princípio da não cumulatividade que cerca o IPI; ora, se mesmo na entrada de produtos isentos é admitida a tomada do crédito, o que se dirá da aquisição de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES que, apesar de escrituração diferenciada e unificada de seus impostos, não são desonerados do IPI, o que leva ao fato de que os preços dos produtos adquiridos destas empresas estão com os valores dos tributos neles inseridos. também nesse aspecto se revela improsperável a pretensão da fiscalização de glosa dos créditos relativos aos insumos adquiridos de comerciantes supostamente varejistas. a condição jurídica da empresa fornecedora jamais poderia afetar um direito constitucional de crédito do IPI, sob pena de violação a todo o arcabouço jurídico que cerca este tributo; em relação a alegação de que a impugnante teria promovido a saída de modelo de produto não elencado na lista emitida pelo Ministério das Ciências e Tecnologia – MCT, (portaria nº 6/02, 519/02 e 895/02), a conclusão do auditor fiscal não procede, uma vez que todos os produtos comercializados pela impugnante estão abrangidos pelo benefício fiscal exposto no art. 56 do RIPI/02; Fl. 957DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 957 7 a fiscalização fez incidir o IPI na saída do produto “SUR BULL NOVASCALIE 4040”, mencionado na nota fiscal nº 112385, como se fosse fabricação própria; o referido produto foi internado através da nota fiscal nº 1849, de 12/11/2004 e, posteriormente, transferido para a matriz em Brasília, através da nota fiscal 80077, de 12/11/2004, com o destaque do referido imposto. Assim, não houve destaque do imposto na nota fiscal considerada pela fiscalização, que seria a segundo operação realizada, uma vez que amparada pelo disposto no art. 37, II, do RIPI (vigente à época dos fatos); assim, deve ser afastado o imposto constituído através das ilegítimas conclusões adotadas pela Auditor Fiscal; com relação a suposta falta de recolhimento do IPI nas revendas de mercadorias importadas, como destacou o agente fiscal no relatório de diligência, os créditos decorrentes destas operações foram estornados pois não se tratavam de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; assim, pela não apropriação dos créditos nestas operações, não houve destaque do imposto nas conseqüentes saídas, não havendo o que se falar em falta de recolhimento do IPI; de fato, pela própria forma de constituição do IPI, a ausência de tomada de crédito, como no caso das mercadorias importadas, acarreta em anulação do imposto incidente na saída; o recolhimento no desembaraço aduaneiro, cumulado com o fato de não haver crédito na entrada da mercadoria importada, anula, pela própria forma de cálculo do tributo, qualquer débito que possa ocorrer; ainda que não exista destaque do imposto na saída, a ausência de crédito em conta gráfica, na entrada da mercadoria, do tributo recolhido no desembaraço aduaneiro, o que justifica o procedimento da impugnante, pois, de fato, o IPI destacado seria nulo; sem embargos dos argumentos acima, o fato é que a multa também não deve ser aplicada em razão da inocorrência de prejuízo à fiscalização, uma vez que não há imposto a ser recolhido pela impugnante, mas sim crédito a lhe ser ressarcido, embora em valor menor do que aquele que a empresa entende por devido, o que afasta a possibilidade de ser aplicada a multa na forma como posta pela fiscalização; diante da inexistência da intenção dolosa, a escusabilidade do erro, a inevitabilidade da conduta infratora e a ausência de culpa são fatores que podem levar à exclusão da penalidade; todo o conteúdo fático que envolve a autuação indica pela impossibilidade de manutenção da multa, merecendo ser a mesma afastada; Fl. 958DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 958 8 a penalidade consubstanciada em multa excessiva caracterizase como pena confiscatória, vedada pela Constituição Federal; por fim, requer a nulidade do auto de infração, por inconsistências formais e ausência de provas, ou então, no mérito, que seja o auto julgado totalmente improcedente, afastandose a multa aplicada, por inexistência de conduta infratora, ou então, que seja, ao menos, reduzido o valor da multa; protesta ainda pela juntada de novos documentos e declarações, bem como pela produção de outras provas que se fizerem necessárias. No recurso, a Interessada tratou das seguintes matérias: nulidade do auto de infração por inconsistência formais; indevida desconsideração dos estornos realizados pela recorrente; improcedência das glosas de créditos na aquisição de computadores; improcedência das glosas de créditos nas aquisições de optantes pelo Simples e varejistas; inexistência de falta de recolhimento em relação aos benefício fiscal do art. 56 do Ripi e em relação a produtos importados; abusividade da multa. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, devese afirmar a concordância integral com as razões do acórdão de primeira instância, adotandose os seus fundamentos com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, pelas razões sucintamente abaixo expostas: Não há nulidade no auto de infração, uma vez que todas as infrações foram descritas e capituladas corretamente e os valores foram apurados por meio de demonstrativos analíticos, permitindo a identificação dos itens apurados. Não há vícios formais no auto de infração, como demonstrado pela Primeira Instância. Descabe a apreciação de matéria constitucional no âmbito do Processo Administrativo Fiscal e, especialmente, no âmbito do Carf, à vista das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) e da Súmula Carf n. 2. A legislação, especialmente o Ripi, que é editado por Decreto, determina que não há direito a crédito na aquisição de optantes do Simples e de varejistas. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 959 9 Quanto à isenção, sua utilização foi indevida para o produto descrito na planilha "notas fiscais de saída de modelos que não constam nas portarias de isenção publicadas até junho de 2006", elaborada pela fiscalização, fl. 808, cuja descrição diverge dos modelos habilitados pelas Portarias do MCT/MDIC/MF n° 06, de 2002, n° 519, de 2002 e n° 895, de 2003. Em relação ao alegado crédito já estornado pela contribuinte, equivocouse a Interessada, “pois na apuração do imposto, a fiscalização desconsiderou o estorno realizado pela contribuinte e deduziu os valores referentes aos créditos indevidos constantes do livro registro de apuração de ÍPI.” Além do acima exposto, cabem as seguintes considerações. Em relação à saída para o mercado interno de produto importado, o estabelecimento importador é contribuinte do IPI, independentemente de se tratar de estabelecimento atacadista ou varejista, como demonstrado a seguir. A respeito da matéria, dispõe o CTN (Lei n. 5.172, de 1966): Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador1: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. 1 Todos os grifos não constam do original. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 960 10 É importante notar que o art. 46 do CTN especifica três espécies distintas de fato gerador do IPI: o desembaraço, a saída de estabelecimento e a arrematação. Esse último caso não interessa à presente análise. O contribuinte da primeira espécie de fato gerador é o importador e, nesse caso, não há que se falar em saída do estabelecimento, uma vez que o produto importado entra no País e seu desembaraço é o fato gerador. O contribuinte da segunda espécie de fato gerador é qualquer dos estabelecimentos especificados no art. 51: o importador ou equiparado, o industrial ou equiparado e o comerciante que forneça o produto ao importador ou ao industrial. Nesse caso, o fato gerador é a saída e, portanto, o produto tem que haver entrado anteriormente no estabelecimento. Devese ainda notar que o CTN dispõe que o importador ou equiparado é contribuinte no desembaraço (art. 46, I, c/c art. 51, I); que o importador ou equiparado é contribuinte na saída do produto importado de seu estabelecimento (art. 46, II, c/c art. 51, I e parágrafo único); que o industrial ou equiparado é contribuinte na saída do produto industrializado de seu estabelecimento (art. 46, II, c/c art. 51, II e parágrafo único). Portanto, o CTN não trata o estabelecimento importador como equiparado a industrial, na saída do produto importado de seu estabelecimento, situação que difere da conferida ao importador, no caso de saída de produto industrializado, pela Lei n. 4.502, de 1964, que será analisada a seguir. Devese, entretanto, notar que o CTN não faz restrição alguma à qualificação do importador como contribuinte do IPI, na saída de produto importado de seu estabelecimento. Em relação à Lei n. 4.502, de 1964, dispõem os seus arts. 2º e 4º: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. § 1º Quando a industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização do produto, fora de estabelecimento produtor, o fato gerador considerarseá ocorrido no momento em que ficar concluída a operação industrial. § 2º O impôsto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. (Incluído pela Fl. 961DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 961 11 Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (Vide Medida Provisória nº 320, de 2006) Art. 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; II as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III os que enviarem a estabelecimento de terceiro, matéria prima, produto intermediário, moldes, matrizes ou modelos destinados à industrialização de produtos de seu comércio. IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) V (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997) § 1º O regulamento conceituará para efeitos fiscais, operações de venda e bens compreendidos no inciso IV dêste artigo. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) § 2º Excluemse do disposto no inciso II os estabelecimentos que operem exclusivamente na venda a varejo. (Renumerado pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Em relação à Lei n. 4.502, de 1964, há que se ter em conta, inicialmente, que se trata de lei anterior ao CTN, que é de 1966. Dessa forma, algumas de suas disposições foram alteradas pelo CTN, que é lei de normas gerais e, portanto, em termos de definição do fato gerador sobrepõe à lei, nos termos do art. 146, III, a, da Constituição de 1988. Uma das diferenças mais fundamentais é a incidência do IPI na saída do estabelecimento importador, como já se observou anteriormente. O CTN define tal fato gerador diretamente, sem conceituar o estabelecimento importador a equiparado a industrial. A Lei n. 4.502, de 1964, entretanto, especifica em seu art. 2º, I e II, que o fato gerador do IPI, em relação a produtos importados, seria apenas o seu desembaraço aduaneiro, e, em relação aos de produção nacional, apenas as saídas no mercado interno. A redação, à primeira vista, exclui da definição de fato gerador do IPI as saídas de produtos estrangeiros no mercado interno, o que contradiria explicitamente o CTN. Vale dizer, a leitura isolada dos incisos em questão levaria à conclusão de que os produtos estrangeiros não seriam tributados nas saídas do estabelecimento importador e de qualquer estabelecimento equiparado a industrial. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 962 12 Entretanto, o art. 4º equipara o estabelecimento importador a industrial em seu inciso I. Essa equiparação, é importante que se note, referese à saída do produto industrializado do estabelecimento importador. Como já se observou anteriormente, não há que se falar em equiparação a estabelecimento industrial no desembaraço aduaneiro, pois no aí não há saída de produto do estabelecimento e o importador é, como importador e não como equiparado, contribuinte do imposto. Esse conceito é idêntico no CTN e na Lei n. 4.502, de 1964. Portanto, a disposição do art. 4º, I, referese ao art. 2º, II, da Lei n. 4.502, de 1964. Tal disposição, vale ressaltar pela terceira vez, não pode referirse à hipótese do art. 2º, I, uma vez que não há que se falar em equiparação a estabelecimento industrial nem em saída de estabelecimento no que diz respeito ao fato gerador do IPI representado pelo desembaraço aduaneiro. Daí decorrem três conseqüências. A primeira é de que a disposição do art. 2º, II, não se refere apenas a produtos de fabricação nacional, à vista das disposições posteriores do CTN e do art. 4º, II, da Lei n. 4.502, de 1964, como se verá mais adiante. A segunda é que a disposição do art. 4º, II, da Lei n. 4.502, de 1964, nada tem a ver com a incidência do IPI na saída do estabelecimento importador, pois, se a disposição do art. 4º, I, não pode referirse à hipótese do art. 2º, I, ela tem que se referir à do art. 2º, II, da Lei n. 4.502, de 1964. A terceira é que a restrição contida no art. 4º, § 2º, não se refere às saídas do produto do estabelecimento importador. À evidência, a hipótese de equiparação contida no art. 4º, I, referese à saída do produto industrializado do estabelecimento importador. Já a hipótese do art. 4º, II, referese às saídas de produtos industrializados de “filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte”, que não sejam importadores, uma vez que a equiparação do estabelecimento importador consta do inciso I. Nessa hipótese é que o estabelecimento que “opere exclusivamente na venda a varejo” não é equiparado. Além disso, dispõe o seguinte o art. 35 da referida lei: Art . 35. São obrigados ao pagamento do impôsto I como contribuinte originário: Fl. 963DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 963 13 a) o produtor, inclusive os que lhe são equiparados pelo art. 4º com relação aos produtos tributados que real ou ficticiamente, saírem de seu estabelecimento observadas as exceções previstas nas alíneas "a"e "b" do inciso II do art. 5º. b) o importador e o arrematante de produtos de procedência estrangeira com relação aos produtos tributados que importarem ou arrematarem. [...] Antes de analisar as disposições do Regulamento do IPI Ripi (Decreto n. 4.544, de 2002), cumpre justificar a correta interpretação que deve ser dada ao disposto no art. 2º, II, da Lei n. 4.502, de 1964. O art. 4º, II, da referida lei equipara a industrial o estabelecimento não exclusivamente varejista que comercializar produto “importado, industrializado ou mandado industrializar”. Assim, se um determinado estabelecimento atacadista der saída, exclusivamente, a produto importado, será ele equiparado a industrial e, portanto, contribuinte do IPI. Nesse contexto, não faria sentido algum a equiparação do estabelecimento a industrial se o referido produto (importado, não fabricado no País) não fosse tributado. Daí, concluiuse que, se na saída para comércio (posterior) o produto importado é tributado pelo IPI, não poderia deixar de ser na saída do estabelecimento importador (anterior). Repisese, ainda, no fato de que o CTN é lei posterior e previu clara e expressamente a incidência do IPI na saída do produto importado do estabelecimento importador. Cumpre, agora, analisar as disposições do art. 24 do Ripi: Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b); II o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); e IV os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou Fl. 964DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 964 14 editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade prevista no inciso I do art. 18 (Lei nº 9.532, de 1997, art. 40). Parágrafo único. Considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei nº 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único). Confirma claramente o Ripi que somente faz sentido falar em equiparação, para efeito de definição do contribuinte do imposto, em relação a saídas de produtos importados ou fabricados do estabelecimento equiparado. Portanto, em relação a produtos importados na matéria sob análise, existem três ordens distintas de fato gerador do IPI: no desembaraço aduaneiro, sendo o importador o contribuinte; na saída do estabelecimento importador (primeira saída do produto importado para o mercado interno), sendo o importador o contribuinte; e na saída de “filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte” (a partir da segunda saída do produto importado no mercado interno), quando não operem exclusivamente na venda a varejo, sendo o respectivo estabelecimento equiparado a industrial o contribuinte. Em relação aos insumos, o entendimento oficial da RFB considera que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp Fl. 965DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 965 15 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 966 16 Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. Há, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE AÇO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATÁRIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE É FABRICADO O PRODUTO FINAL. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. ART49 DO CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Constou o seguinte do voto do ministro Relator: Como observa o acórdão recorrido o ilustre relator Carlos Mário Veloso, há, no processamento da ação, refratários que se consomem, e nesse caso a dedução se impõe, e refratários que integram o meio de produção, que se não consomem, apenas se desgastam e devem ser substituídos. Portanto, podese concluir que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, como os dos autos, peças e partes de máquinas etc. Assim, descabe razão à Interessada em relação aos produtos de que trataram o auto de infração: Fl. 967DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000395/201073 Acórdão n.º 3302002.171 S3C3T2 Fl. 967 17 Ao analisar as planilhas entregues pelo contribuinte, verifiquei que constam nelas diversas notas fiscais de entradas de produtos acabados e de compras de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES, que deveriam ter o crédito estornado, e ainda, de notas fiscais de entrada de produtos importados, que foram revendidos pela empresa, que como veremos mais adiante, não devem ser estornados. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 968DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11080.015070/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
IOF. RECURSOS DA CONTROLADA EM CONTA DA CONTROLADORA. CONTA CORRENTE. RAZÃO DE SER DA HOLDING.
Os recursos financeiros das empresas controladas que circulam nas contas da controladora não constituem de forma automática a caracterização de mútuo, pois dentre as atividades da empresa controladora de grupo econômico está a gestão de recursos, por meio de conta-corrente, não podendo o Fisco constituir uma realidade que a lei expressamente não preveja.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3101-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator) e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Designado redator para o acórdão o conselheiro Luiz Roberto Domingo.
Tarásio Campelo Borges - Presidente Substituto
Corintho Oliveira Machado - Relator
Luiz Roberto Domingo - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IOF. RECURSOS DA CONTROLADA EM CONTA DA CONTROLADORA. CONTA CORRENTE. RAZÃO DE SER DA HOLDING. Os recursos financeiros das empresas controladas que circulam nas contas da controladora não constituem de forma automática a caracterização de mútuo, pois dentre as atividades da empresa controladora de grupo econômico está a gestão de recursos, por meio de contacorrente, não podendo o Fisco constituir uma realidade que a lei expressamente não preveja. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator) e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Designado redator para o acórdão o conselheiro Luiz Roberto Domingo. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Corintho Oliveira Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 50 70 /2 00 8- 00 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Luiz Roberto Domingo Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de impugnação ao auto de infração de fl. 88, e seus anexos, o qual, consoante Relatório de Ação Fiscal de fls. 95/100, imputa ao contribuinte o não recolhimento do IOF sobre operações de mútuo entre a autuada e sua controladora, OLVEBRA INDUSTRIAL S/A, que detem 99,99 % do seu capital. O Relatório de Ação Fiscal (fls. 94/100) consigna que a autuada “no período fiscalizado, ...realizou operações financeiras com sua controladora...contabilizadas como – Ativo realizado a Longo Prazo, na conta 1.2.02.02 – conta denominada Olvebra Industrial S/A – Empresa Controladora, verificandose saldos devedores”. Intimada pela fiscalização a apresentar “o contrato de mútuo realizado entre a MULTICORP e a OLVEBRA INDUSTRIAL S/A, referente ao fluxo de valores creditados e debitados, através da conta corrente bancária, no Banco Bradesco S/A, conta 525.2636, agência 2682, contabilizados e lançados pela MULTICORP como depósitos bancários e créditos com pessoas ligadas”, a empresa declarou (fl. 66) “que não há contrato de mútuo..., visto que se não se trata de uma operação de mútuo e sim de condomínio entre duas empresas do mesmo grupo econômico procurando maximizar os recursos oriundos de suas operações comerciais e industriais”. Concluiu o Fisco que as referidas operações de créditos correspondem a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitas à incidência de IOF nos termos do art. 13 da Lei 9.779, sendo cobrado o IOF não recolhido de acordo com os saldos devedores, consoante planilhas de fls. 67/81. Não resignada, a autuada impugnou o lançamento alegando que as operações de crédito não se tratam de mútuo, pois se referem a movimentos de operações de fomento mercantil com empresas de crédito realizadas pela sua controladora, onde os valores líquidos dessas operações eram creditados diretamente na conta corrente da mesma, ratificando os termos das informações prestadas à fiscalização em 21/10/2008. Alude, ainda, que se de mútuo tratasse a operação em causa, a exigência do imposto, nos termos do § 2º do artigo 13 da Lei 9.779/99, deveria ter sido direcionada contra a sua controladora, a Olvebra Industrial S/A, eis que ela é que depositava o valor na conta da impugnante. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 3101001.094 S3C1T1 Fl. 162 3 A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou o lançamento procedente, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS Os valores depositados por uma pessoa jurídica em conta de outra pessoa jurídica têm natureza de mútuo se a empresa não provar por contrato ou outros documentos natureza jurídica distinta. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 151 e seguintes, onde repisa os argumentos esgrimidos por ocasião da peça vestibular de defesa. Ao final, requer a improcedência do auto de infração. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Vencido O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria é iterativa neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, porém ainda não foi discutida detidamente neste Colegiado. Sabese que a incidência de IOF em contratos de mútuo em que não participam instituições financeiras é um dos temas discutidos pelo e. Supremo Tribunal Federal, onde tramita na sistemática da Repercussão Geral (Leading Case: RE 590186; Relatora Ministra Cármen Lúcia), porém como não se tem notícia Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 de sobrestamento dos processos que tratam do assunto por ordem daquela Corte Suprema, tem se decidido regularmente os contenciosos no âmbito administrativo. Vale a pena trazer à colação alguns dos pronunciamentos dos tribunais pátrios concernentes ao assunto: IOF SOBRE CONTRATO DE MÚTUO. ART. 13 DA LEI 9.779/99. LEGALIDADE DA INSTITUIÇÃO E COBRANÇA. 1. Inexiste a necessidade de participação de instituição financeira como condição para a incidência do IOF, mesmo em relação a operações financeiras entre pessoas jurídicas ou entre estas e pessoas físicas, sendo constitucional e legal a sua cobrança. Precedentes do STF. 2. A Lei nº 9.779/99 não criou imposto novo, somente aumentou seu alcance subjetivo, possibilitando a tributação de transações efetuadas por pessoas jurídicas não pertencentes ao sistema financeiro. TRF4 AC 200371070076760 Des. Federal MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA D.J.U. de 24/11/2004 TRIBUTÁRIO. IOF. OPERAÇÃO DE CRÉDITO. A Constituição não exige que o contrato de mútuo seja celebrado com instituição financeira, o que, inclusive, já restou afirmado pelo STF quando, inobstante entendimentos doutrinários em contrário, apontou, ainda que em sede cautelar, a constitucionalidade da incidência do IOCrédito sobre operações de factoring. A primeira lei instituidora do então IOF limitara o âmbito de incidência às operações praticadas por operações financeiras, o que não restou estabelecido constitucionalmente, tampouco no CTN, de modo que não há mesmo impedimento a que o legislador ordinário faça incidir sobre operações de crédito entre outras pessoas. TRF4 AC 200271070059951 Juiz LEANDRO PAULSEN D.E. de 10/05/2007 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTRE SI, EMPRESAS DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO. LEI Nº 9.779/99. PRECEDENTES. 1. Mandado de Segurança mercê do qual as Impetrantes se eximir de recolher o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), incidente sobre as operações de mútuo que realizam entre si, sob o argumento de serem empresas do mesmo grupo societário, e não se enquadrarem como contribuintes do referido tributo, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 5.143/1966. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 3101001.094 S3C1T1 Fl. 163 5 2. "A Lei 9.779/99, dentro do absoluto contexto do art. 66 CTN, estabeleceu, como hipótese de incidência do IOF, o resultado de mútuo". (STJ, REsp nº 522294/RS, Segunda Turma, julg. em 9 122003, DJ de 832004, p. 221). 3. Ao apreciar a ADIMC nº 1.763/DF, a Corte Maior entendeu desnecessária a presença de instituição financeira no mútuo, para fins de incidência do IOF, e afastou, por via reflexa, a necessidade da edição de lei complementar para a implementação da mudança contra a qual se insurgem as Apelantes. Apelação improvida. TRF5 AMS 200683000040668 Des. Federal GERALDO APOLIANO D.J.U. de 29/05/2007 Dito isso, adentrase à questão de fundo da lide. Penso que restou caracterizado o mútuo entre as pessoas jurídicas (recorrente e sua controladora), na medida em que há encontro de contas mensal entre elas, com resultado de saldo devedor para a recorrente no período, consoante Livro Razão anexo. Significa dizer que a recorrente sempre foi credora de sua controladora no período considerado. Em virtude de o recurso voluntário reprisar os argumentos oferecidos em primeira instância, oportuno adotar também as razões de decidir da decisão recorrida, por escorreitas: Ao contrário do que afirma a autuada, no período objeto do lançamento, conforme consta da conta (1.2.02.02) do seu Razão (fls. 67/81), os saldos diários sempre foram devedores, o que significa que em todo o período, a Multicorp foi credora da Olvebra Industrial S.A. Portanto, de início, afastase a alegação de que o imposto deveria ter sido cobrado da empresa controladora, eis que arrimada em premissa falsa. Com base nesses fatos e legislação regente à época, art. 13 da Lei 9.779/99 e Decreto 4.494/2002 se chegou ao quantum debeatur pelo somatório mensal dos saldos devedores diários, sobre o qual se fez incidir a alíquota de 0,0041%. Fatos esses incontestes, assim como a inexistência de contrato de outra natureza a respaldar essas transferências de valores entre a impugnante e sua controladora. Tenho que a mens legis da redação do art. 13 da 9.779 foi justamente para evitar a promiscuidade nas relações entre empresas controladoras e suas controladas, e viceversa, caso contrário não teria razão jurídica para a criação de uma nova empresa, como no caso sob comento, em que a Olvebra Industrial S.A. (fl. 95) detém 99,99994% da Multicorp. Em verdade, o que temos é uma conta corrente entre elas que se Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 arrasta por 2 anos, no mínimo, sem qualquer respaldo contratual que aponte para outra causa jurídica que não o mútuo nos termos da norma jurídica insculpida naquele artigo, o que torna presumível a disponibilização do crédito, sem contrapartida, como mútuo. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do apelo voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Voto Vencedor Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Designado, Apesar de excelente a fundamentação trazida pelo Ilustre Conselheiro Relator, Corintho Oliveira Machado, ouso discordar da conclusão acerca da incidência do Imposto sobre Operações Financeira no exercício da atividade de gestão de recursos que é característica de Holdings, controladoras de grupos econômicos. É que entendo que o Fisco incorre em equívoco na interpretação dos fatos jurídicos colhidos para aplicação das normas relativas ao IOF. Isso porque, diferentemente do que interpretou a Fiscalização, não houve a contratação de mútuo entre a Recorrente e sua Controladora, da qual é controlada, mas sim, entendo ser contrato de contacorrente pelo qual a Holding administra o caixa do Grupo. O direito civil tem previsão para as duas modalidades de contrato e não cabe ao Fisco decidir qual deles está sendo implementado no caso em apreço. Apesar de o Fisco apresentar coerente com as práticas de fiscalização que vem desenvolvendo nos últimos anos, há muito que a jurisprudência administrativa tem feito a correta distinção entre contratos de mútuo e contratos de contacorrente. No contrato de mútuo o credor dá em empréstimo coisa fungível ao devedor que se obriga a restituir “coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade”. O tomador tem a prerrogativa de realizar as operações que melhor lhe prover com os valores emprestados, Já o contrato de contacorrente não há um empréstimo, propriamente dito, as partes estabelecem uma relação na qual cada uma das partes pode estar simultaneamente na posição de credor e devedor o que lhe dá a característica de contrato bilateral, com direitos e obrigações recíprocas. Ocorre que aquele que tem a posse do numerário não está livre para fazer dele o que quiser, pois se o depositante requerer o numerário, aquele deverá restituílo imediatamente. Somente por estas diferenças essenciais entre o contrato de mútuo e o contrato de conta corrente é que não poderia o Fisco, definir, a partir de um saldo contábil definir o tipo de contratação que se opera. Outra questão cabível à apreciação referese ao alargamento do campo de incidência do IOF por meio de Ato Declaratório. É que a Lei nº. 9.779/99 ao prever a incidência do IOF sobre as operações de créditos realizadas fora do Sistema Financeiro Nacional restringiua às operações de mútuos. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 3101001.094 S3C1T1 Fl. 164 7 A Secretaria da Receita Federal, por sua vez, mas à revelia do limite legal, editou Ato Declaratório SRF nº. 007/1999, criando uma equiparação entre os contratos de mútuo e os contratos de contacorrent: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, declara: 1. No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo, realizado por meio de conta corrente, o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, devido nos termos do art. 13 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: a) incide somente em relação aos recursos entregues ou colocados à disposição do mutuário a partir de 1° de janeiro de 1999; b) será calculado e cobrado no primeiro dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, relativamente a cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o mês, e recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente; c) os encargos debitados ao mutuário serão computados na base de cálculo do IOF a partir do dia subseqüente ao término do período a que se referirem.” Tal equiparação cria tributação por analogia o que é vedado pelo art. 108 do Código Tributário Nacional: “Art. 108 Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.” Não poderia uma norma de nível hierárquico inferior a lei introduzir norma que crie nova tributação ou alargue o escopo da tributação definido por lei. A edição do Ato Declaratório não só confirma a diferença entre os contratos de mútuo e os contratos de conta corrente como estabelece uma tributação por analogia que, como vimos, é vedada pelo CTN (art. 108, § 1º) A tentativa de tributação por meio de Ato Declaratório não é nova. Cabe trazer à baila jurisprudência que afastou a tributação de operações de mútuo criada pela Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Instrução Normativa SRF 07/1999, em afronta ao art. 77 da Lei n.º 8.981/95 que previa isenção “nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, exceto se a mutuária for instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil”. Abaixo, ementa do Acórdão nº 10613917, de 14/04/2004, cujo voto condutor afasta a instituição do Imposto de renda Fonte sobre operações de mútuo antes da publicação da Lei n. 10.833/2003: Relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto Decisão: Acórdão 10613917 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE “Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. OPERAÇÕES DE MÚTUO REALIZADAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS Nos termos do art. 144 do CTN a obrigação tributária de pagar o imposto é definida pela lei aplicável à época da ocorrência do fato gerador. A isenção do imposto de renda na fonte incidente nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, fixada pelo inciso II, art. 77 da Lei n° 8.981/1999, deixou de existir apenas com a edição da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que no inciso III de seu art. 94, revogoua. Incabível a exigência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos dessa espécie nos anos calendários de 2000 e 2001. Recurso provido.” O irretocável voto condutor da Eminente Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Brito conclui que: “Concluise que, em que pese a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 007/1999 citada pelo autor do lançamento (fl. 4), ter estabelecido a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos oriundos dessas operações, essa insenção só veio a ser revogada com a edição da Lei nº. 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (DOU de 30/12/2003, que em seu artigo 94, inciso III, assim determinou: Art. 94. Ficam revogados: (...) III – o inciso II do art. 77 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Desta forma e considerando a regra do art. 144 do CTN, de que a lei que define a obrigação tributária de pagar o imposto é aquela vigente à época da ocorrência do fato gerador, o imposto de renda na fonte exigido, pelo lançamento, aqui examinado, deve ser cancelado.” Portanto, entendo que o Ato Declaratório SRF nº 007/1999, não pode alargar o campo de incidência do IOF, assim como à fiscalização não cabe escolher e definir o tipo de Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.015070/200800 Acórdão n.º 3101001.094 S3C1T1 Fl. 165 9 contrato firmado a partir do registro contábil de saldo devedor nas transferências financeiras entre empresas controladora e controlada, para constituir exigência de IOF. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.720891/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA.
Cobra-se o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas.
MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO.
Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. PRAZO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. No caso de evidente intuito de fraude, a regra para contagem do prazo decadencial deslocase para a do art. 173, I, do CTN e iniciase, assim, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ser exigido. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A presença de circunstância qualificativa, reveladora de dolo na conduta o sujeito passivo, autoriza a exasperação da penalidade pecuniária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria não impugnada não faz parte do litígio e não pode ser apreciada em sede de recurso voluntário. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 DESINFETANTES. Os desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto têm enquadramento nos códigos de classificação fiscal da NCM, 3808.94.10, de 01/10/2007 a 31/12/2007, e 3808.94.19, a partir de 01/01/2008, com alíquota de 5%, por força dos textos de posição, das notas de capítulo e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 91 /2 01 1- 66 Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.776 2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 2725 a 2766) apresentado em 29 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 1436.182, de 21 de dezembro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 2675 a 2717), cientificado em 08 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2010, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.777 3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESINFETANTES. Os desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto têm enquadramento nos códigos de classificação fiscal da NCM, 3808.94.10, de 01/10/2007 a 31/12/2007, e 3808.94.19, a partir de 01/01/2008, com alíquota de 5%, por força dos textos de posição, das notas de capítulo e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPOSTO NÃO LANÇADO. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, por conta de classificação fiscal e alíquota erradas. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A presença de circunstância qualificativa, reveladora de dolo na conduta do sujeito passivo, autoriza a exasperação da penalidade pecuniária. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Incide a multa de ofício se ocorrer a falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída, mesmo que haja a cobertura de créditos na escrita fiscal, ou seja, independentemente da existência ou não de saldo de imposto a recolher. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas exclusivamente ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 28/04/2006 DECADÊNCIA. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.778 4 A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, indicadora de dolo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração foi lavrado em 28 de abril de 2011, de acordo com o temo de fls. 2196 a 2221. A Fiscalização informou que a ação fiscal teve início em função de pedidos de ressarcimento de créditos básicos de IPI, tendo sido apurado erro na classificação fiscal de produtos, “dentre os quais se destacam: “1 DESINFETANTES: produtos HIDROSAN PENTA, HIPOCLOR, HIDROSAN PLUS, HCL PLUS, HIDROSAN PLUS EFERVECESCENTE, TABLETE DE TRICLORO, SANTAB, DUO TAB, HCL TAB 3 EM 1, HIPERCLOR 60 e 90, HCL 56, 60, 90, 200 e HCL PENTA que foram classificados pelo contribuinte no código 2933.69.19 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “2 FLOCULANTES/CLARIFICANTES/AUXILIARES DE FILTRAÇÃO: produtos HIDROFLOC que foram classificados pelo contribuinte no código 2827.49.21 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “3 ALGICIDAS: produtos HCL ALGICIDA que foram classificados pelo contribuinte no código 3808.30.29 e 3808.93.49 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero; “4 – DETERGENTES: produtos LIMPA BORDA HIDROSAN que foram classificados pelo contribuinte no código 3402.90.39 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 5%; e “5 REGULADORES DE EQUILÍBRIO FÍSICOQUÍMICO (equilíbrio de PH e alcalinidade) : produtos HIDRO PH ESTÁVEL, HIDRO PH+, HIDRO PH que foram classificados pelo contribuinte no código 2836.30.00 , 2815.12.00 e 2806.10.20 da TIPI, com alíquota de IPI igual a zero. “Analisandose os livros fiscais, documentos e os arquivos magnéticos de notas fiscais fornecidos pelo contribuinte, bem como os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, constatouse que o contribuinte fabricou e comercializou com erros de classificação/alíquota, os produtos DESINFETANTES e DETERGENTES: “1 Os DESINFETANTES HIDROSAN PENTA, HIPOCLOR, HIDROSAN PLUS, HCL PLUS, HIDROSAN PLUS EFERVECESCENTE, TABLETE DE TRICLORO, SANTAB, JÜO TAB, HCL TAB 3 EM 1, HCL 200 e HCL PENTA, foram classificados indevidamente pelo contribuinte no código 2933.69.19 da Tabela de Incidência do IPI da TIPI, com Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.779 5 alíquota de IPI igual a zero. A classificação correta, para o período de outubro/2007 a dezembro/2007, é a posição 3808.94.10 da TIPI, e para o período de janeiro/2008 a dezembro/2010, é a posição 3808.94.19 da TIPI com alíquota de IPI igual a 5%, conforme demonstrado a seguir; “2 Os DETERGENTES LIMPA BORDA HIDROSAN foram classificados pelo contribuinte na posição 3402.90.39, de acordo com os arquivos magnéticos entregues, mas nas notas fiscais constatouse as posições 3808.40.10 e 3402.11.40 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 0%. A classificação correta, para o período de janeiro/2006 a dezembro/2010, é a posição 3402.90.39 da TIPI, com alíquota de IPI igual a 5%, conforme demonstrado a seguir .” “DA TRIBUTAÇÃO “Desta forma, de acordo com o acima exposto, analisandose os livros fiscais e os arquivos magnéticos de notas fiscais fornecidos pelo contribuinte, bem como os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificouse que: “1 no período de 05 de outubro/2007 a dezembro/2010, o contribuinte fabricou e comercializou DESINFETANTES, que foram indevidamente classificados na posição 29.33.69.19, pois, conforme anteriormente descrito, classificamse nas posições 3808.94.10 (de 05/10/2007 a 31/12/2007) e 38.08.94.19 (de 01/01/2008 a 31/12/2010) da Tabela de Incidência do IPI TIPI; e “2 no período de janeiro/2006 a dezembro/2010, o contribuinte fabricou e comercializou DETERGENTES, que foram classificados na posição 3402.90.39, da Tabela de Incidência do IPI TIPI, mas que apresentaram erro de alíquota.” “Com base nos arquivos magnéticos de notas fiscais de saída, identificouse as que deixaram de ter o devido destaque do IPI, ou seja: “1 aquelas que tiveram saída com os códigos CFOP "5101", "5116", "6101", "6116", "5113", "6113", "5118", "6118", "5122", "6122", "5401" e "6401", e Classificação Fiscal igual a 2933.69.19, sem o correspondente destaque de IPI na nota fiscal, pois deveriam ter sido classificadas na posição 3808.94.10 (de 05/10/2007 a 31/12/2007) e 38.08.94.19 (de 01/01/2008 a 31/12/2010), com alíquota de IPI de 5%, emitidas no período de 05/10/2007 a dezembro/2010;e “2 aquelas que tiveram saída com os códigos CFOP "5101", "5116", "6101", "6116", "5113", "6113", "5118", "6118", "5122", "6122", "5401" e "6401", e Classificação Fiscal igual a 3402.90.39, sem o correspondente destaque de IPI na nota fiscal, apesar da alíquota de IPI ser de 5%, emitidas no período de 01/01/2006 a dezembro/2010.” Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.780 6 “DAS MULTAS “O presente Auto de Infração está sendo lavrado com exigência de imposto, juros moratórios , multa qualificada, multas sobre a falta de recolhimento e multas sobre a falta de destaque do IPI nas saídas dos produtos. “MULTA QUALIFICADA “Conforme descrito anteriormente, os detergentes LIMPA BORDA HIDROSAN foram classificados pelo contribuinte no código 3402.90.39 da TIPI. “No entanto constatouse que: “a) na comparação entre as cópias das notas fiscais, selecionadas por amostragem, com os arquivos de Notas Fiscais de Saídas apresentados, houve divergência na informação da classificação fiscal do produto LIMPA BORDA HIDROSAN, pois nos arquivos a classificação fiscal estava correta, ou seja, 3402.90.39, mas nas notas fiscais a classificação fiscal era 3808.40.10 ou 3402.11.40 , ambas com alíquota zero. “A posição 3402.11.40 (Mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos) foi incluída na TIPI, com efeitos a partir de 01/07/2006, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 30, de 10/07/2006, com alíquota de 5% . “O produto LIMPA BORDA é detergente, no entanto a posição 38.08.40.10 referese a desinfetantes, inclusive em sua resposta de 12/04/2011, o contribuinte informou que a classificação fiscal para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN era a 3808.40.10. “b) . apesar da posição 3402.90.39 estar correta, não houve o destaque de IPI em grande parte das Notas Fiscais (a alíquota de IPI é igual a 5%). A partir de 11/2007, ocorreram destaques de IPI em algumas notas fiscais de saídas relativas às vendas de DETERGENTES, sendo a maioria delas para os códigos CFOP 5922 e 6922. “Intimado, o contribuinte informou que nas operações de vendas para entrega futura, o destaque de IPI ocorria no momento da venda (CFOP 5922 e 6922) e não na entrega da mercadoria (CFOP 5116 e 6116). No entanto, constatouse irregularidade no destaque de IPI nos códigos CFOP "5101", "6101", "5922", "6922", "5113", "6113", "5401" e "6401". “Na verdade, o contribuinte sempre teve ciência da posição correta, pois os arquivos entregues a esta fiscalização informaram a classificação fiscal 3402.9039, de 01/01/2006 até 31/12/2010, para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN.” “Pelos motivos acima descritos, a infração constatada em relação ao produto DETERGENTE LIMPA BORDA HIDROSAN está sendo aplicada com a multa qualificada de 150% prevista no inciso II do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 , no artigo 45 da Lei n° 9.430/96 e no artigo 13 da Lei n° 11.488/2007, pois a conduta Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.781 7 irregular do contribuinte ao fazer a tributação do IPI , durante os 5(cinco) anoscalendário, caracteriza o intuito de fraude . “Não foram somente as operações de venda para entrega futura com códigos CFOP 5116 e 6116 x 5922 e 6922 que apresentaram irregularidade de destaque de IPI. Constatouse que houve operações de vendas nos códigos CFOP 5101 e 6101 que também tiveram destaque de IPI, ou seja, o contribuinte tinha ciência do dever de destacar o IPI, não o fez deliberadamente, ou seja, deu tratamentos tributário distintos ao mesmo fato. “O contribuinte revelou conhecimento a respeito da natureza tributável da operação, não podendo alegar que desconhecia a natureza jurídica da venda, pois chegou a destacar IPI sobre o mesmo tipo de operação. “O destaque do IPI na Nota Fiscal, ocorrido em operações da mesma natureza, evidencia a consciência do contribuinte de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade, o que justifica a qualificação da multa. “MULTA DE OFÍCIO "IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO" “Observese que o valor total de IPI lançado foi de R$ 6.649.921,23 (vide quadro da pagina 18), mas o valor do imposto, exigido no presente Auto de Infração, foi de R$ 3.566.359,57. A diferença entre o valor lançado e o valor exigido corresponde a R$ 3.083.561,66, e significa que este valor foi coberto com créditos existentes no RAIPI. “Além disso, para o produto DETERGENTE LIMPA BORDA HIDROSAN, houve meses em que o contribuinte destacou o IPI em valor superior ao apurado, no total de R$ 34.420,88.” No recurso, a Interessada contestou o acórdão de primeira instância, alegando, em resumo, o seguinte: Assim, por se tratar de compostos clorados de origem orgânica de constituição química definida, apresentados isoladamente, os DESINFETANTES comercializados pela Recorrente foram classificados no Capítulo 29, da TIPI, com fundamento na Nota 1, alínea "a", do referido Capítulo. Neste contexto, cumpre destacar que a 1 a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1), estabelece o seguinte: "A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.782 8 “Regra 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...)” O texto da subposição 29.33 da NESH comporta "Compostos heterocíclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto)". A subposição de 1 o nível 2933.6 abrange "Compostos cuja estrutura contém um ciclo triazina (hidrogenado ou não) não condensado". Portanto, sendo a maioria dos DESINFETANTES comercializados pela Recorrente (objeto do Auto de Infração) comprovadamente compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente "cuja estrutura contém um ciclo triazina (hidrogenado ou não) não condensado", a Recorrente houve por bem classificálos na subposição 29.33.69.19 da TIPI. [...] Pois bem. No que diz respeito aos DESINFETANTES listados na Tabela 1, a autoridade fiscal considerou correta a classificação fiscal utilizada pela Recorrente, qual seja, a da posição 2933.69.19. No entanto, no que diz respeito aos mesmos DESINFETANTES contidos na Tabela 2, a autoridade autuante entendeu que deveriam ter sido classificados na posição 3808.94.10 (de 05.10.07 a 31.12.07) e 3808.94.19 (de 01.01.08 a Dez/10). Portanto, verificase que foi utilizado o critério "peso" contido na descrição das embalagens dos DESINFETANTES para definir aqueles que devem ser classificados na posição 3808, e aqueles que devem permanecer classificados na posição 2933.69.19. Significa dizer que, segundo o critério utilizado pela autoridade fiscal, os DESINFETANTES acondicionados em embalagens com descrição de peso inferior a 45kg, ainda que apresentados de forma isolada, devem ser classificados na posição 3808 da TIPI. Alegou que, em caso de dúvida, aplicarseia a regra geral n. 3, tratando, a seguir, dos princípios que devem nortear o lançamento. Acrescentou o seguinte: Adicionalmente aos argumentos apresentados nos itens antecedentes referentes às operações com DESINFETANTES, que por si só, impõem o total cancelamento das exigências fiscais vertentes, imperioso ressaltar que os procedimentos adotados pela Recorrente foram reiteradamente aceitos pelas autoridades administrativas uma vez que, em período anterior à fiscalização que resultou no presente Auto de Infração, a Recorrente apresentou pedidos de ressarcimento/declarações de compensação fundamentados na mesma classificação fiscal ora Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.783 9 questionada (posição 2933.69.19), sendo que, à época, tal classificação fiscal foi perfeitamente aceita pelo Fisco federal. [...] Portanto, mostrase plenamente aplicável a diretriz do artigo 100, do CTN, [...] Alegou, na sequência, que teria ocorrido decadência em relação às operações com detergentes, uma vez que o auto de infração fora lavrado em abril de 2011, “em operações envolvendo detergentes realizadas no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010”. Ainda alegou que não se poderia aplicar a multa de 150% e que o critério adotado para o seu cálculo seria inadequado, por considerar o valor total das notas fiscais, antes do abatimento do saldo credor. Contestou também a ordem para efetuar o estorno do saldo credor, sob as alegações de que seria incompreensível e desprovida de amparo legal. Também contestou a aplicação da multa sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito Por fim, referiuse ao que considerou serem equívocos do acórdão de primeira instância: caracterização de dolo para efeito do deslocamento do prazo decadencial para o do art. 173, I, do CTN; não caracterização das condições para aplicação do art. 100 do CTN; não impugnação da matéria relativa aos detergentes; caracterização de fraude para aplicação da multa qualificada; possibilidade de aplicação de multa sobre o imposto não lançado com cobertura de crédito. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. 1 – Matéria não impugnada Em relação aos detergentes, a Primeira Instância considerou a matéria não impugnada, havendo a Interessada contestado tal conclusão no recurso. Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.784 10 Conforme constou do relatório, a classificação fiscal dos detergentes foi objeto do item 2 do assunto “Da tributação”, relativamente ao período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010. Na impugnação, as únicas referências efetuadas aos detergentes são as reproduções do termo de verificação fiscal, as menções à fraude, à multa de 150%, à decadência parcial do lançamento e às saídas para entrega futura. Portanto, de fato a Interessada não impugnou a questão relativa à classificação dos detergentes, o que torna a matéria preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235, de 1972. 2 – Ocorrência de fraude Para justificar a qualificação da multa, a Fiscalização considerou que houve divergência na classificação fiscal entre notas fiscais de mesmo produto, “pois nos arquivos a classificação fiscal estava correta, ou seja, 3402.90.39, mas nas notas fiscais a classificação fiscal era 3808.40.10 ou 3402.11.40 , ambas com alíquota zero.” Ademais, apesar de estar correta a classificação dos arquivos, “não houve destaque de IPI em grande parte das Notas Fiscais”: [O destaque do] IPI ocorria no momento da venda (CFOP 5922 e 6922) e não na entrega da mercadoria (CFOP 5116 e 6116). No entanto, constatouse irregularidade no destaque de IPI nos códigos CFOP "5101", "6101", "5922", "6922", "5113", "6113", "5401" e "6401", Na verdade, o contribuinte sempre teve ciência da posição correta, pois os arquivos entregues a esta fiscalização informaram a classificação fiscal 3402.9039, de 01/01/2006 até 31/12/2010, para o produto LIMPA BORDA HIDROSAN. Por fim, a Fiscalização considerou que a conduta reiterada durante cinco anos caracterizaria o intuito de fraude: Não foram somente as operações de venda para entrega futura com códigos CFOP 5116 e 6116 x 5922 e 6922 que apresentaram irregularidade de destaque de IPI. Constatouse que houve operações de vendas nos códigos CFOP 5101 e 6101 que também tiveram destaque de IPI, ou seja, o contribuinte tinha ciência do dever de destacar o IPI, não o fez deliberadamente, ou seja, deu tratamentos tributário distintos ao mesmo fato. O contribuinte revelou conhecimento a respeito da natureza tributável da operação, não podendo alegar que desconhecia a natureza jurídica da venda, pois chegou a destacar IPI sobre o mesmo tipo de operação. O destaque do IPI na Nota Fiscal, ocorrido em operações da mesma natureza, evidencia a consciência do contribuinte de que poderia agir para evitar a lesão ao bem jurídico. Desse modo, sua decisão acerca da inação se dirigiu finalisticamente ao Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.785 11 resultado típico, deixando de executar a ação que lhe era possível, por efeito de sua vontade, o que justifica a qualificação da multa. Tais circunstâncias, ao contrário do alegado pela Interessada no recurso, caracterizam evidente intuito de fraude, uma vez que não decorrem de erro ou divergência de interpretação da legislação. Tratase de condutas específicas, que revelam a prática doloso de ato visando evitar a incidência do IPI, conforme destacado pela Primeira Instância. 3 – Decadência Em relação à decadência, também descabe razão à Interessada, uma vez que, caracterizada a fraude em relação aos referidos produtos, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, conforme bem fundamentado pela Primeira Instância. 4 – Classificação fiscal A classificação restringese aos desinfetantes. As alegações da Interessada são, resumidamente, as de que a classificação deve ser efetuada pelos textos de posição e de notas de posição, de que a Fiscalização teria adotado meramente o critério de peso para alterar sua classificação e de que, no caso de ainda haver dúvidas, aplicarseia a regra geral 3a. A Fiscalização considerou que os produtos com apresentação isolada e embaladas para venda a retalho e os que não têm apresentação isolada classificarseiam na posição 3808.94.19, uma vez que o Capítulo 29 somente admitiria “os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente”. De fato, é o que consta da nota 1a do referido Capítulo. Somente as impurezas, o que não se confunde com substâncias acrescentadas com alguma intenção específica, são admitidas pela referida nota. Ademais, a nota 1a2 do capítulo 38, conforme descrito pela Fiscalização, prevê, claramente, que os desinfetantes apresentados nas formas descritas no texto da posição 38.08 excluemse do Capítulo 29. E o texto de posição 38.08 expressamente referese a “desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações”, conforme destacado pela Fiscalização. A interpretação acima, que já é suficiente para resolver a classificação dos produtos em questão, foi efetuada exclusivamente com base na regra geral 1, não se podendo cogitar da aplicação da regra 3, por não se haver que falar em dúvida. 5 Multa qualificada Quanto à multa qualificada, conforme já analisado, houve prática de fraude pela Interessada, o que a justifica plenamente. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.786 12 Devese observar que não se pode afastar a aplicação da referida multa por supostas ofensas a princípios constitucionais, à vista do disposto nos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) e na Súmula Carf n. 2. 6 – Saídas para entrega futura Conforme esclarecido anteriormente, a única menção específica efetuada pela Interessada na impugnação em relação aos detergentes foi a abaixo reproduzida: Ocorre que tal situação somente ocorreu na medida em que determinadas operações com DETERGENTES correspondem à operações de vendas para entrega futura, de modo que o destaque o IPI ocorre no momento da venda e não no momento da entrega da mercadoria. Não se tratou, portanto, de contestação da classificação fiscal, mas de uma justificativa para as divergências no que disse respeito à acusação de fraude. Entretanto, a própria Fiscalização havia demonstrado que a conduta não se resumiu a tais casos, mas a vários outros, conforme descrito no termo de verificação fiscal. 7 – Multa isolada Quanto à multa aplicada ao imposto não lançado em nota e que teve cobertura de créditos, há previsão na legislação para sua aplicação. No caso do IPI, a multa, conforme já esclarecido anteriormente nos presentes autos, incide sobre o imposto que deixar de ser destacado em nota fiscal ou deixar de ser recolhido. Dessa forma, a base de cálculo da multa é o valor total não destacado na nota, sendo que o auto de infração separa a multa em duas partes, uma sobre a parcela do imposto não recolhido e outra isolada, calculada sobre a diferença, que corresponde à parcela sem cobertura de crédito. Novamente devese lembrar que existe previsão específica para a incidência da multa, não se podendo afastar a legislação que a prevê por suposta inconstitucionalidade. 8 – Art. 100 do CTN Quanto à aplicação do art. 100 do CTN, cabe razão à Primeira Instância, uma vez que não há, no caso, ato normativo ou decisão com efeito de ato normativo, nem prática reiterada observada pelas autoridades administrativas. As práticas reiteradas a que se refere o artigo são o que se chama de “costume” na teoria da origem das normas jurídicas e não a eventual não discordância anterior de classificação fiscal. Tal situação poderia eventualmente enquadrarse na hipótese do art. 146 do CTN, mas para isso seria ainda necessário ato expresso da autoridade administrativa reconhecendo a correção da classificação fiscal adotada pela Interessada, o que não é o caso. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.787 13 Portanto, não se está falando, no caso, de ato da autoridade fiscal, mas em um “não ato”, quer dizer, na ausência de um ato expresso anterior discordando da classificação fiscal adotada pela Interessada. Conforme o próprio contribuinte atestou (fl. 24 da impugnação), tratouse de casos de homologação tácita, em que não houve pronunciamento algum da administração sobre o mérito da matéria. 9 – Estorno dos créditos Quanto ao estorno de crédito, conforme já esclarecido pela Primeira Instância, é uma medida decorrente da compensação dos créditos efetuada no auto de infração. Não se trata de medida ilegal ou abusiva, pois decorre logicamente da autuação. 10 – Intimações Quanto às intimações, tratase de matéria de competência da autoridade preparadora e não da autoridade julgadora, descabendo manifestação do Carf. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de caso de classificação fiscal de produtos (detergente e desinfetante). Discordei do I. Conselheiro Relator no que se refere à consideração de ocorrência de dolo/fraude, o que ocasionou a majoração da multa para 150%. Ocorre que, ao analisar os autos em sessão, constatei que ambas as classificações, da fiscalização e do contribuinte, tratavam de produto com a mesma composição química. A diferenciação estava na forma de apresentação do produto. Ainda, inicialmente, a classificação existente era apenas aquela considerada pela contribuinte, em determinado momento houve a criação de outra classificação fiscal para quando o produto fosse apresentado de outra maneira. Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.720891/201166 Acórdão n.º 3302002.153 S3C3T2 Fl. 2.788 14 Pelo que restou esclarecido no julgamento, esta mudança de “forma de apresentação” representaria uma mudança de “finalidade” do produto vez que, vendido a varejo alcançava outro público, que conferia outra utilidade ao produto. A questão é que, a meu sentir, a fiscalização não obteve êxito em comprovar a ocorrência de dolo/fraude por parte do contribuinte. Não há nos autos notas refletidas, negócio jurídico indireto ou qualquer outra razão que justifique a majoração pretendida. De idêntica maneira, as planilhas indicadas pela fiscalização que justificariam o “conhecimento do contribuinte sobre a classificação correta” não deixa claro que os produtos vendidos pelo contribuinte seriam da “forma” e “peso” necessários para a nova classificação, questão absolutamente relevante, uma vez que ambos os produtos possuem as mesmas características. A par disso o contribuinte é empresas que atua no setor e possui diversos outros produtos, todos neste gênero, sem qualquer problema localizado pela fiscalização. Ante os fatos apresentados, peço vênia ao eminente relator para divergir no que se refere à majoração da multa para 150% e, consequentemente, para reconhecer a aplicação ao artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN – para a contagem do prazo decadencial. É como voto. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 08/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10480.722504/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
No regime não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição concentrada no fabricante e importador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.879
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 30/09/2006, 01/02/2007 a 31/05/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007, 01/09/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime não cumulativo de cobrança da Cofins, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição concentrada no fabricante e importador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição concentrada no fabricante e importador. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 04 /2 00 9- 29 Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A conselheira Andréa Medrado Darzé votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de dois Auto de Infração em que formalizada a cobrança dos débitos da da Cofins (fls. 2/10) dos anos de 2006 e 2007 e da Contribuição para o PIS/Pasep (13/21) do ano de 2006, acrescidos de juros moratório e multa de ofício, em decorrência, em decorrência das irregularidades, relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24/25, atinentes a: (i) divergências em relação aos valores informados no Dacon dos anos 2006 e 2007; (ii) falta de comprovação de parte das despesas relativas a comissões regionais; e (iii) utilização indevida de crédito proveniente de compras de veículos distribuídos como prêmios através de sorteios realizados nos anos de 2006 e2007. No que tange aos citados veículos, informou a autoridade fiscal que eles foram adquiridos pela autuada diretamente de concessionárias, operação que não está sujeita ao pagamento das referidas contribuições, uma vez que tais produtos estão sujeito à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sob regime de tributação concentrada no fabricante e importador, logo, não geram direito a crédito das citadas Contribuições, consoante entendimento exarado na Solução de Consulta Interna SRRF04/Disit nº 03, de 15 de setembro de 2009. Em sede de impugnação (fls. 1.543/1.549), em síntese, a interessada alegou que: a) o regime da não cumulatividade tem por fundamento o custo dos produtos utilizados pelo contribuinte como insumos, sendo indiferente se os produtos adquiridos sofreram ou não a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins; b) o art. 3º, § 1º, da Lei nº 10.833, de 2003, determina o cálculo do valor do crédito a ser utilizado pelo contribuinte mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor das aquisições dos insumos, desconsiderando o valor efetivamente recolhido pelo vendedor dos insumos; c) o regime da não cumulatividade permitia a incidência das exações sobre o resultado das operações (receita menos despesas), o que tornava irrelevante a incidência ou não das contribuições nas operações anteriores; d) a submissão dos veículos ao regime de tributação monofásica não significava desoneração, mas apenas a concentração integral da incidência em um único momento, concentração esta que contempla todas as incidências posteriores, logo, havendo incidência, seria injustificável a proibição do creditamento; e) a interpretação da autoridade lançadora Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10480.722504/200929 Acórdão n.º 3102001.879 S3C1T2 Fl. 10 3 divergia do significado explicitado no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, que permitia a manutenção dos créditos das citadas Contribuições, na hipótese de alienação dos produtos com aplicação de alíquota zero; e f) o direito à manutenção do crédito exigia o pagamento das contribuições nas operações anteriores (operações de aquisição) e a revenda dos produtos com alíquota zero (0%). Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ no Recife/PE, em que, por unanimidade, foi julgada improcedente a impugnação, com base no argumento o insumo, adquirido pelo prestador de serviço, que não tenha se submetido ao pagamento da contribuição, não gera direito a crédito na sistemática nãocumulativa. Em 16/4/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 15/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 1.597/1.606, em que reafirmou os argumentos de defesa aduzidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexiste litígio em relação à matéria de fato. A controvérsia cingese à questão de direito, ou seja, se a Recorrente, submetida ao regime não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode se apropriar de crédito das referidas Contribuições sobre a aquisição de veículos novos, adquiridos de concessionárias, submetidos ao regime monofásico ou concentrado, nos termos do caput do art. 1º, combinado com o disposto no inciso II do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, a seguir transcritos: Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada peloDecreto no4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I – ocaput deste artigo; e(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II – ocaput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no2.18949, de 23 de agosto de 2001.(Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) [...] (grifos não originais) A partir de 1/10/2002, data em que entrou em vigor os referidos preceitos legais, a cobrança das Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre a receita de venda de veículos novos passou a ser realizada de forma concentrada, nos fabricantes e as importadoras, com alíquotas majoradas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. Em compensação, as receitas auferidas pelo atacadista ou varejista ficaram desoneradas da cobrança das referidas Contribuições, com exceção das pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, situação em que não inclui a recorrente. Após a vigência da referido regime de cobrança monofásica, foram editadas as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que introduziram, respectivamente, o regime não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A partir da vigência desses novos diplomas legais, a lado dos regimes de cobrança cumulativo, monofásico e de substituição tributária, anteriormente vigentes, passou a existir o regime não cumulativo de cobrança das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, porém, mantendo cada um desses regimes regramento próprio de incidência das referidas Contribuições. É oportuno ressaltar que as regras de um regime não podem ser aplicadas aos outros, a menos que haja ressalva expressa em lei. Em consequência dessa independência, as regras do regime cumulativo não se aplicam ao regime de substituição tributária, assim como as regras do regime monofásico não se aplicam ao regime não cumulativo. No caso em apreço, alegou a recorrente que tinha direito deduzir os créditos calculados sobre as aquisições de veículos sujeitos ao regime monofásico, ainda que as operações de venda de tais produtos não estejam sujeitas à cobrança das referida Contribuições. Tal pretensão contraria o regramento legal da matéria. O direito à dedução de créditos, no âmbito do regime não cumulativo, é permitido apenas em relação aos custos com as aquisições dos produtos submetidos ao referido regime, que se caracteriza pela cobrança plurifásica das referidas Contribuições. Logo, se não há cobrança das referidas Contribuições nas etapas de comercialização no atacado e varejo de veículos novos, por conseguinte, as aquisições desses produtos por atacadistas e varejistas não geram o direito a crédito. Em consonância com esse entendimento, determina o § 7º do art. 3º das Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10480.722504/200929 Acórdão n.º 3102001.879 S3C1T2 Fl. 11 5 será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados as receitas submetidas ao regime não cumulativo. Em consonância com os referidos preceitos legais, há expressa proibição de apropriação de crédito na aquisição de veículos novos, adquiridos para revenda, submetidos ao regime monofásico, nos termos do art. 3º, I, “b”, combinado com o disposto no do art. 2º, § 1º, ambos da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir reproduzidos: Art. 2º Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. III no art. 1º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais). Da mesma forma, em relação à Cofins, a vedação do crédito encontrase expressamente determinada nos mesmos preceitos legais da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a seguir transcritos: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).(Produção de efeito)(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 [...] III – no art. 1o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, daTIPI;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Produção de efeito)(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] b) no § 1º do art. 2º desta Lei;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Logo, por expressa determinação legal, é vedado o desconto de crédito calculado em relação à veículos novos, submetidos ao regime de cobrança monofásico, quando adquiridos para revenda por comerciantes atacadista ou varejista. Em complementação ao disposto nos referidos preceitos legais, dispõem a alínea “a” do inciso VII do art. 8º1 da Lei nº 10.637, de 2002, e a alínea “a” do inciso VII do art. 102 da Lei nº 10.833, de 2003, que as receitas de revenda de veículos novos estavam sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vigentes anteriormente as referidas Leis. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente no sentido de que seria injustificável a proibição dos créditos em questão. Também não procede a alegação da recorrente de que a interpretação da autoridade lançadora divergia do significado explicitado no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, que permitia a manutenção dos créditos das citadas Contribuições, na hipótese de alienação dos produtos com aplicação de alíquota zero. 1 "Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: [...] VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1º; [...]" 2 "Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] VII as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1º; [...]" Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10480.722504/200929 Acórdão n.º 3102001.879 S3C1T2 Fl. 12 7 Com efeito, a manutenção do crédito, permitida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, aplicase apenas às aquisições de produtos submetido ao regime não cumulativo, vinculados a revendas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, conforme se infere da seguinte redação: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (grifo não original) Em relação ao direito de crédito, o referido preceito legal estendeu aos produtos revendidos com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, o mesmo tratamento conferido aos produtos revendidos com tributação normal ou alíquota positiva, ampliando o direito de apropriação de crédito, no âmbito do regime da não cumulativo das referidas Contribuições, aos custos vinculados aos produtos revendidos ou vendidos com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Em relação a mesma matéria, esse tem sido o entendendo manifestado pelas demais Turmas desta Terceira Seção. A título de exemplo, reproduzo a seguir o enunciado das ementas dos seguintes julgados: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Ac. 3403001.565, de 25/4/2012, rel. Raquel Motta Brandão Minatel) REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO DE COBRANÇA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PISI/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de cobrança da referida Contribuição. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Especial, Ac. 3802001.379, de 23/10/2012, rel. José Fernandes do Nascimento) AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401001.714, de 26/2/2013, rel. José Adão Vitorino de Morais) Esse também é o entendimento que se consolidou no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de acordo com o enunciado da ementa do julgado a seguir transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1217828/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/04/2011, DJe 27/04/2011) – grifos não originais. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a recorrente não fazia jus ao valores dos créditos calculados sobre as aquisições de veículos, submetidos ao regime monofásico instituído no caput do art. 1º da Lei nº 10.485, de 2002, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em apreço. Por todo o exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10480.722504/200929 Acórdão n.º 3102001.879 S3C1T2 Fl. 13 9 Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10865.003523/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 30/04/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO
- NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do
CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos
fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações
que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver
plenamente suas peças impugnatória e recursal.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN
(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação
nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatando-se
dolo, fraude ou simulação, a
regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA
LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de
mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic
para títulos federais. Acrescente-se
que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em dar
provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra
decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência
11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros
Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar
provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II)
Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator
Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b)
em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no
Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a)
Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa
aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais
alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique
Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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EMPRESA DO SIMPLES Recorrente TAMBA CERÂMICA VERMELHA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 30/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Leonardo Pires Lopes – Redator Designado Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 170 3 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 26/11/2007, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 36/39, deixado de reter e recolher a contribuição previdenciária de seus empregados que é devida mesmo para empresas optantes pelo SIMPLES, nas competências 12/1998 a 04/2002, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 39.028,42. A autoridade fiscal utilizouse da aferição indireta com base em dados da GFIP, uma vez que a empresa não apresentou as folhas do pagamento. Após tomar ciência pessoal da autuação em 28/11/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 19/12/2007, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 125/142, julgou o lançamento procedente em parte, com ao reconhecimento da caducidade dos fatos geradores até 11/2001. A recorrente foi cientificada do decisório em 27/01/2009, fls. 65. O recurso voluntário, apresentado em 09/02/2009, fls. 75/88, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Com relação à contribuição da empresa, entende que não foi obedecido o art. 142 do CTN. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Pretende a redução da multa para 12% e contesta sua gradação no tempo. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 171 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Os argumentos da recorrente com relação à contribuição da empresa são impertinentes, uma vez que o caso trata apenas de contribuição dos empregados. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 172 7 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 173 9 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 174 11 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 175 13 Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Não há pagamentos nos autos referentes aos períodos que interessam para a decadência. Logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN de modo a estarem atingidos pela caducidade os fatos geradores até 11/2001. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 176 15 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 177 17 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 178 19 tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a afastar a multa de mora. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Lopes, Redator Designado Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 179 21 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003523/200776 Acórdão n.º 230102.512 S2C3T1 Fl. 180 23 Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002301/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007
REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendo em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 23 01 /2 00 9- 86 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 2402003.315 S2C4T2 Fl. 177 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 15/10/2009 (fl. 01) para exigir contribuições dos segurados, relativamente ao período de 08/2006 a 08/2007. Os créditos tributários foram apurados em virtude de pagamentos realizados aos empregados da empresa Participare a título de comissões sobre produção, denominadas de “Top Premium”. Foi atribuída responsabilidade solidária à empresa Atende Bem Ltda., conforme se verifica no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 (fl. 47/50). A empresa Participare apresentou impugnação pleiteando pela total improcedência da autuação (fls. 54/115). A empresa Atende Bem Ltda. não apresentou defesa. A d. DRJ julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 117/124), sob os argumentos de que: (i) o pagamento de prêmio integra o salário dos empregados, uma vez que visa retribuir a prestação de serviços; e (ii) a aplicação da penalidade independe da intenção do infrator. A Recorrente (Participare) interpôs recurso voluntário (fls. 130/174) alegando que: (i) os prêmios pagos aos empregados têm natureza indenizatória; (ii) não há habitualidade nos pagamentos dos prêmios; (iii) a multa e os juros são indevidos; (iv) não há fato gerador que deixou de ser informado, não podendo ser aplicada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória; e (v) a representação fiscal para fins penais é indevida. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Alega a Recorrente que os valores pagos a título de prêmio não devem compor o salário de contribuição, pois possuem natureza indenizatória. Pontua que “as planilhas de fls. 66/67 revelam que as premiações não eram habituais, mas, sim, eventuais, demonstrando que certos empregados atingiam metas estabelecidas nos programas de forma mais reiterada, mas ainda sim variável e alternadas e outros sequer as alcançavam.” (fl. 146). Entretanto, cumpre esclarecer que os prêmios pagos pela performance do trabalhador são vinculados a fatores de ordem pessoal deste, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional. Uma vez que a condição prevista pelo empregador é atingida por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, sendo uma contraprestação do serviço prestado, possuindo, por consequência, natureza jurídica salarial. Vale ressaltar que, uma vez que os funcionários têm conhecimento de que toda a vez que concluírem determinada tarefa/meta farão jus a certa remuneração, fica clara a habitualidade nesses pagamentos. Outrossim, as tabelas mencionadas pela Recorrente em sua impugnação (fls. 66/67) só demonstram que os pagamentos eram habituais, mormente quando destaca que a funcionária Raquel Caroline Nied recebeu prêmios ao longo dos meses de 06/2006 a 11/2007, quase que de forma ininterrupta. Resta claro, portanto, que as verbas pagas a título de prêmio são destinadas a retribuir o trabalho prestado pelo segurado empregado, perfazendo todos os requisitos do salário de contribuição previstos no art. 28, inc. I, da Lei nº 8.212/1991, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 2402003.315 S2C4T2 Fl. 178 5 Desta forma, constatase que não há razão nos argumentos da Recorrente. Pleiteia a Recorrente também pela total improcedência da representação fiscal para fins penais, haja vista que está pendente o processamento e julgamento definitivo do lançamento. No entanto, como não há qualquer informação no Relatório Fiscal acerca da lavratura de representação fiscal para fins penais. Deixase, portanto, de se manifestar sobre esse ponto. A Recorrente alega que a penalidade não pode ser mantida, posto que a conduta praticada não foi motivada com o intuito de burlar a legislação fiscal. Contudo, a aplicação da penalidade independe da intenção que o agente tinha quando incorreu em infração à legislação tributária. Sem razão, portanto, a Recorrente. No que tange ao argumento de que não deve ser aplicada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, haja vista que não há fatos geradores a ser declarados em GFIP, cabe salientar que tal alegação não diz respeito ao presente processo, motivo pelo deixase de analisála. Por fim, verificase que o cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação principal (Anexos 2A e 2B) está totalmente equivocado. Em relação ao descumprimento de obrigação principal, a penalidade anteriormente prevista, que variava de acordo com a fase processual do lançamento, conforme a redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212/19911, passou a ser regulamentada pelo art. 44, da Lei nº 9.430/962, que prevê multa de 75%, e que foi utilizada pela Autoridade Fiscal na presente autuação. Por sua vez, quando do descumprimento de alguma obrigação acessória, na sistemática anterior, a infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a 1 “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...)” 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 um teto calculado em função do número de segurados da empresa, conforme o extinto § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/19913. Pois bem. Analisando as sanções aplicadas no presente caso à luz das alterações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, verificase, através dos quadros comparativos da multa aplicada, que a Autoridade Tributária equivocouse em suas premissas, trazendo na coluna correspondente ao que seria devido antes do advento da MP nº 449/2008 os valores relativos ao descumprimento da obrigação principal e acessória, e na coluna correspondente ao que seria devido após o advento da já mencionada lei apenas o valor da multa decorrente do descumprimento da obrigação principal. Ou seja, pelo cálculo da autoridade fiscal, a multa atualmente vigente sempre será mais benéfica (com exceção dos casos em que haja limitação da multa antiga em virtude do número de segurados), posto que se está comparando a alíquota de 75% contra uma alíquota de 124%. Na prática, se a autoridade fiscal deixasse de realizar o tendencioso quadro comparativo de multas, e lavrasse duas notificações independentes, uma com base no antigo art. 35 e outra com base no atual art. 35A da Lei nº 8.212/1991, restaria claro que o valor consubstanciado na notificação efetuada com base na legislação antiga seria inferior, em conclusão totalmente contrária ao presenciado neste caso. Da mesma forma, a autoridade administrativa deveria comparar separadamente as multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, contrapondo o cálculo feito com base no antigo art. 32 da Lei nº 8.212/1991 com o atual art. 32A da Lei nº 8.212/1991, vez que ambos versam sobre como proceder nas suas respectivas épocas nos casos de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Destarte, verificase que a autoridade fiscal não pode considerar a multa por descumprimento de obrigações acessórias no cálculo da multa por descumprimento de obrigação principal, sob pena de negativa de vigência ao art. 106 do CTN. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, visto que, até o presente momento, a multa não atingiria o patamar de 75% previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Por fim, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. 3 “§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 2402003.315 S2C4T2 Fl. 179 7 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de determinar o recálculo da multa aplicada no processo, conforme a fundamentação supra. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 11128.001837/2001-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 07/02/1995, 31/05/1995, 23/06/1995, 28/09/1995, 17/10/1995, 09/11/1995, 11/01/1196, 09/02/1996, 15/05/1996, 08/07/1996, 02/08/1996, 06/09/1996, 11/09/1996, 06/11/1996, 29/11/1996, 12/12/1996, 19/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Verificada, em confronto com o acórdão, inocorrência da contradição na decisão apontada pelo Embargante, os mesmos devem ser rejeitados.
EMBARGOS REJEITADOS.
Numero da decisão: 3201-000.178
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração ao Acórdão 303-32182 de 05/07/2005, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: NANCI GAMA
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AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Verificada, em confronto com o acórdão, inocorrência da contradição na 1 decisão apontada pelo Embargante, os mesmos devem ser rejeitados. EMBARGOS REJEITADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1ACORDAM os membros da 2 Q Câmara / 1" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração ao Acórdão 303-32182 de 05/07/2005, nos termos do voto da Relatora. a la MA CELO GUERRA DE CASTRO - Presidente NA I GAb - Re--latora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Pricto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. i . t Processo if 1 I 128.001837/2001-45 S3-C2T1 Aeórfflo n." 3201-00.178 Fl. 416 Relatório Tratam-se de embargos de declaração interpostos pelo contribuinte em face do acórdão n° 303-34.800, mediante o qual foram acolhidos os embargos de declaração anteriormente apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional para reconhecer a ocorrência de erro material no relatório e voto referentes ao acórdão n° 303-32.182, de 05.07.2005, e, por conseguinte, esclarecer que a multa objeto do lançamento, correspondente ao não pagamento de II e IPI - vinculado, foi aplicada em 75% o que foi confirmado na decisão de primeira instância, não tendo ocorrido nenhum agravamento. Dessa decisão, o contribuinte apresenta embargos de declaração alegando contradição na decisão, eis que, uma vez reconhecida que a multa objeto do lançamento foi de 75%, sem que o próprio lançamento fiscal tivesse imputado-lhe fraude, não se pode deixar de reconhecer a aplicação do artigo 150, parágrafo 4°, do CTN e declarar a decadência do direito do fisco em constituir o credito objeto do lançamento fiscal em questão. Esclarece o contribuinte que seu pedido de desistência datado de 14 de setembro de 2006, restringe-se as competências discriminadas em sua petição (cfr. 373/374), especificamente, no período de 15/05/2006 a 19/12/2006. É o relatório. • 1 Processo n" I I I 28.00 I 837/2001-45 83-C211 Acórdão n." 3201-00.178 • Fl. 41.7 Volto Conselheira NANC1 GAMA, Relatora lniciahnente, chamo atenção para tempestividade dos presentes embargos, eis que o contribuinte, ora Embargante, foi intimado do acórdão embargado em 27/02/08 (cfr. fls. 402-verso) e, conforme certidão de fls. 406, protocolizou seus embargos em 03/03/08. A meu ver se faz necessário transcrever parte do acórdão 303-32.182 às fls.357/363, segundo o qual, por maioria de votos, foi afastada a prejudicial de decadência alegada pelo contribuinte nos seguintes termos: "Primeiramente em relação à questão prejudicial de mérito, ou seja, quanto à decadência. Penso .que não ocorreu. De fato ainda que neste processo não se tenha apurado dolo do contribuinte quanto à fraude verificada nos DARF'S, o fato descrito nos autos se subsume à hipótese prevista no parágrafo 4°, do art. 150, do c-rN, para afastar a decadência em relação ao lançamento dos tributos relacionados. A mens legis na norma em comento não exige que a fraude, o dolo, ao a simulação seja atribuido ao contribuinte, apenas determina que esses acontecimentos, sejam quem forem os autores, fazem com que só a partir da ciência pelo fisco, de que ocorreram, è que se inicie a contagem do prazo decadencial de cinco anos." Não obstante, com a devida vênia, discordar do entendimento acima destacado, conforme inclusive me manifestei quando da sessão de julgamento no qual o mesmo foi prolatado, entendo que, ao contrário do alegado pelo Embaruante, o fato de se confirmar a incidência de multa sem o agravamento por fraude, dolo ou simulação, não contraria o entendimento pelo não acolhimento da alegada decadência, em face das razões consignadas no acórdão n° 303-32.182 acima transcritas. Ante o exposto, ausentes os requisitos que justifiquem o cabimento dos embargos de declaração apresentados pelo contribuinte, voto por rejeitá-los. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009. &Cl GA'MA - Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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