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Numero do processo: 10280.904425/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 42 5/ 20 11 -1 3 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904425/201113 Resolução nº 3803000.520 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003018/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430, de 1996 impõe aos titulares das contas bancárias, regularmente intimados, o ônus da comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, restando, no presente processo, comprovada a origem em relação ao valor de R$10.000.000,00.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
Para que seja aceita como origem de recursos no acréscimo patrimonial a descoberto, a operação de mútuo deve estar lastreada em meios efetivos de prova, tais como: transferência de numerário coincidente em datas e valores, registro nas Declarações de Ajuste do mutuante e mutuário e escrituração contábil, no caso de pessoa jurídica.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário sem origem comprovado o crédito de R$10.000.000,00 efetuado em 28/03/2006.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430, de 1996 impõe aos titulares das contas bancárias, regularmente intimados, o ônus da comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, restando, no presente processo, comprovada a origem em relação ao valor de R$10.000.000,00. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para que seja aceita como origem de recursos no acréscimo patrimonial a descoberto, a operação de mútuo deve estar lastreada em meios efetivos de prova, tais como: transferência de numerário coincidente em datas e valores, registro nas Declarações de Ajuste do mutuante e mutuário e escrituração contábil, no caso de pessoa jurídica. Recurso Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 557 1 556 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003018/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.147 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARA DAISY GIL DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430, de 1996 impõe aos titulares das contas bancárias, regularmente intimados, o ônus da comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, restando, no presente processo, comprovada a origem em relação ao valor de R$10.000.000,00. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para que seja aceita como origem de recursos no acréscimo patrimonial a descoberto, a operação de mútuo deve estar lastreada em meios efetivos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 18 /2 01 0- 71 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 prova, tais como: transferência de numerário coincidente em datas e valores, registro nas Declarações de Ajuste do mutuante e mutuário e escrituração contábil, no caso de pessoa jurídica. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário sem origem comprovado o crédito de R$10.000.000,00 efetuado em 28/03/2006. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 20/10/2010 (fls. 376/383), contra a contribuinte acima qualificada, relativo ao AnoCalendário 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 9.351.133,86, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 30/09/2010. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes às fls. 378, segundo o Fisco, restou constatada a Omissão de Rendimentos tendo em vista a Variação Patrimonial a Descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, bem como Omissão de Rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 392/398), no qual consta as seguintes informações: a) MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA: A fiscalizada apresentou documentação contábil correspondente ao lançamento de R$ 10.000.000,00, como a "antecipação de dividendos" para Mara Daisy G. Dias, por meio de recebimento da Bertin Ltda. Porém verificase que a fiscalizada não tem vínculos societários com a sociedade "Bertin Ltda" e, por outro lado, a teor dos registros eletrônicos desta Secretaria, a sociedade "Curuá Energia", da qual é sócia, não noticiou ter efetuado distribuição de dividendos durante o período fiscalizado. Portanto, restou não documentada a origem do crédito bancário, no valor de R$ 10.000.000,00. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 558 3 b) Embora regularmente intimada, a fiscalizada deixou de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem e a natureza de grande parte dos recursos creditados/depositados, no curso do anocalendário de 2006 e nas contas de depósitos que manteve junto às instituições financeiras Bradesco, Santander/Banespa e HSBC. Concretiza se, portanto, a presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com limites alterados pelo artigo 4º da Lei n° 9.481/97 e com §§ acrescidos no artigo 58 da Lei n° 10.637/2002: esses recursos não comprovados serão tomados como rendimentos omitidos. c) Para efeitos de tributação esses rendimentos omitidos, a teor do disposto nos §§ 1 e 4 o do artigo 42, foram reunidos por mês na tabela que se segue: ANO 2006 Subtotais (R$) jan/06 33.154,12 fev/06 19.280,54 mar/06 10.027.723,72 abr/06 49.048,72 mai/06 27.280,43 jun/06 22.942,00 jul/06 511.630,80 ago/06 422.439,28 set/06 47.013,23 out/06 127.881,96 nov/06 124.509,85 dez/06 46.033,58 Total anual 11.458.938,23 d) EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. Na análise que se procedeu, buscouse apurar eventual acréscimo patrimonial a descoberto correspondente ao excesso de aplicações e dispêndios, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Para este fim, valendose dos documentos trazidos no curso desta fiscalização, de informações recuperadas dos sistemas informatizados desta Secretaria e informações coletadas de fontes externas, mensalmente, cotejaramse todas as disponibilidades da fiscalizada (declaradas ou não) com todas as identificadas aquisições de patrimônio, dispêndios efetuados e outras aplicações de recursos; Fl. 559DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 e) Cabe esclarecer, que se alocaram as aplicações de recursos, com data de realização indefinida, no mês de dezembro, por ser este o mês mais favorável ao fiscalizado no cômputo final da análise. Da mesma forma, os recursos, com data de realização indefinida, foram alocados no início do anocalendário, mês de janeiro, por ser este o mês mais favorável à fiscalizada (art. 112 do Código Tributário Nacional); f) os recursos e origens utilizados no cálculo encontramse especificados em fls. 397 e 398; g) como resultado da análise da Evolução Patrimonial e Financeira do anocalendário de 2006, consubstanciado no anexo Demonstrativo da variação patrimonial, apurouse ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, no mês de dezembro no valor de R$ 4.715.927,49 não justificado pelos rendimentos tributáveis (inclusive os rendimentos omitidos e decorrentes de depósitos não comprovados), isentos e não tributáveis e tributáveis. Cientificada da exigência tributária em 26/10/2010 (fl. 384), e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a contribuinte apresentou impugnação em 25/11/2010 (fls. 417/424), alegando, o que segue: 1. a contribuinte apresentou às fls. 352 dos autos, comprovante de TED bancária em nome de Mara Daisy Gil Dias, enviada pela empresa Bertin Ltda. Primeiramente importante salientar que o Grupo Bertin, detentor das ações da empresa Bertin Ltda, é sócio da empresa Curuá Energia S/A, através da empresa MAFE Energia e Participações Ltda (docs. De fls. 239 a 243), o que pode ainda ser comprovado através de certidão da Junta Comercial do Estado do Pará, emitida em 01/10/2010, que indica o Sr. Fernando Antônio Bertin, sócio do Grupo Bertin, como Diretor Administrativo Financeiro da empresa Curuá Energia; 2. também, foi juntado aos autos pela Contribuinte o Balancete da empresa Curuá Energia S/A (fls. 331 e 332 dos autos), Balanço ano de 2006 da empresa Curuá Energia S/A (fls. 357 doas autos), onde consta o recebimento desse valor pela empresa Bertin ltda e Livro razão nº 4 da Curuá Energia S/A (fls. 358 dos autos), com a mesma informação; 3. nos balanços da empresa Curuá Energia S/A referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, devidamente auditados, comprovase que o valor de R$ 10.000.000,00 referese a “adiantamento” a acionista Mara Daisy Gil Dias, registrado no campo “Partes Relacionadas – Saldo Ativo”. Tal informação encontrase: às fls. 10 do Relatório de Auditoria da empresa Curuá Energia S/A referente ao balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 2007; 2 – às fls. 05 do Relatório de demonstrações Contábeis da empresa Curuá Energia S/A referentes aos exercícios findos em 31 de dezembro de 2008 e 2008; 3 – fls. 05 do Relatório de Demonstrações Contábeis da empresa Curuá Energia S/A referentes aos exercícios findos em 31 de dezembro de 2009 e 2008, documentos estes que são juntados nesta oportunidade; 4. salienta que tais demonstrativos contábeis ora apresentados também comprovam o vínculo societário com empresas do grupo Bertin, haja vista estar devidamente registrado saldos em relação às empresas Heber participações Ltda, Bracol Holding Ltda, Mafe Energia e Participações Ltda e Gaia Energia e Participações Ltda, todas as empresas pertencentes ao Grupo Bertin; Fl. 560DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 559 5 5. Daisy Gil Dias, acionista da empresa Curuá Energia S/A, foi a título de empréstimo, cujo saldo continua em aberto, comprovandose portanto a origem e destinação dos recursos; 6. foi apresentada ainda pela fiscalização, a tabela constate de fls. 05 do AI, onde a mesma alga que tais recursos não tiveram sua origem comprovada. Ocorre que a contribuinte, ao longo do período de fiscalização, encaminhou extratos bancários e demais comprovantes de rendimentos afetos à origem de seus créditos, exceto o valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), recebido em março de 2006, cuja origem foi comprovada e esclarecida nos tópicos anteriores, a maior parte dos valores apresentados, conforme verifica se em planilha de crédito anexa ao AI, são valores abaixo de R$ 12.000,00 (doze mil reais), e que portanto devem ser desconsiderados, conforme vem se manifestando a jurisprudência, com decisões do Conselho de Contribuintes; 7. complementa dizendo que, também há entendimentos que devem ser cancelados os lançamentos baseados exclusivamente no somatório de depósitos bancários, conforme ementas de Acórdãos do então Conselho de Contribuintes; 8. Em relação a Evolução Patrimonial e Financeira do ano calendário de 2006, o Fisco apurou Acréscimo Patrimonial a Descoberta, no mês de dezembro no valor de R$4.715.927,49 sendo que deixou de considerar os documentos apresentados , que por si só justificam tais movimentações, ou seja, as AÇÕES DAS EMPRESAS CURUÁ ENERGIA S/A E BURITI S/A ADQUIRIDAS DA EMPRESA GLOBALBANK. Foram devidamente registrado na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física do ano de 2006, que a contribuinte adquiriu ações da empresa Globalbank, ações essas das empresas Curuá Energia S/A e Buriti Energia S/A, no valor total de R$ 9.852.500,00; 9. toda a documentação referente a essa transação foi apresentada pela contribuinte, bem como pela empresa Globalbank, e constam dos autos, sendo que a empresa Globalbank, devidamente intimada pela fiscalização, apresentou às fls. 270 a 285, o respectivo Contrato de Compra e Venda de Ações e Distrato a Contrato de Mútuo, além do Contrato de Mútuo (Anexo I do Contrato), que comprovam a operação de aquisição de ações; 10. o Auditor Fiscal autuante, entretanto, não considerou a documentação apresentada, por entender que a ausência do registro público dos contratos geram a sua invalidade como forma de comprovação da operação. Salvo melhor juízo, não há qualquer referência em lei que exija o registro público de contrato de mútuo para sua validação. Todos os demais requisitos foram cumpridos em relação aos contratos, inclusive a assinatura de testemunhas; 11. faz citação de acórdãos do CARF, a fim de corroborar seu entendimento; 12. DO ERRO NA ANÁLISE NA AQUISIÇÃO DAS AÇÕES DE CURUÁ E BURITI. Consta da análise da fiscalização que a operação de mútuo, além dos contratos, deveria estar acompanhados de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários para o mutuário; 13. ocorre que, conforme demonstram os documentos juntados aos autos, não foi considerado pela fiscalização as dívidas e ônus reais constantes da declaração de renda, dívida gerada entre a contribuinte e a empresa da qual também é cotista – Brasil Central Engenharia Ltda, que tem registrado em seu balanço o crédito para com a contribuinte. Para Fl. 561DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 que tal operação fosse comprovada, foi juntado aos autos cópia do balanço da empresa Brasil Central Engenharia à fls. 258 e 259, onde consta o registro de tal ônus; 14. conforme planilha anexa ao AI, que demonstra a suposta variação patrimonial negativa, conforme já alegado, a fiscalização não considerou as dívidas e ônus reais dívida essa para a Brasil Central Engenharia Ltda) decorrente de negócios entre as empresas, que faz a contrapartida com os valores declarados no campo das aplicações (mês de maio), onde a aquisição das ações de Curuá e Buriti adquiridas da Globalbank. Nesse caso, as dívidas passariam a ser “origem” e a aquisição consta como aplicação. No caso do demonstrativo, a fiscalização considerou apenas a aplicação, deixando de considerar a dívida; 15. não se pode deixar de considerar o empréstimo declarado no quadro de dívidas e ônus, pois este empréstimo financiou a aquisição das ações, sendo que esta dívida está devidamente registrada no balanço da empresa Brasil Central Engenharia (fls. 258 e 259 dos autos), como valores a receber; 16. conforme foi declarado, os valores constantes do contrato de mútuo com a Globalbank nos valores de R$ 2.322.100,00 e R$ 4.151.700,00, cujo contrato de mútuo foi regularmente apresentado, acrescido do recibo emitido pela Globalbank o valor total da operação; 17. o recibo que a contribuinte faz juntada nesta oportunidade, relata a forma e os valores que foram pagos à Globalbank, não restando portanto qualquer dúvida sobre a legalidade da operação; 18. isto posto, deve tal operação ser excluída do cálculo para apuração de eventual patrimônio a descoberto, considerando os documentos e justificativas apresentadas; 19. DO EMPRÉSTIMO FEITO A CARLOS EDUARDO ZARZUR E ANDRÉIA ZUGAIR. Também consta de demonstrativo de variação patrimonial o empréstimo a Carlos Eduardo Zarzur e Andréia Zugair, no valor total de R$ 1.240,000,00, cujos comprovantes de depósito foram apresentados à fiscalização, constante de fls. 342 a 344, o que deve ser considerados como comprovantes de tal operação, ao menos quanto ao valor da somatória dos depósitos apresentados; 20. DO DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. De acordo com os documentos e justificativas apresentadas, impugna o demonstrativo elaborado pela fiscalização, que faz parte do AI, e apresenta novo demonstrativo que, considerando os ajustes a serem feitos quanto aos valores a serem considerados para cálculo da evolução patrimonial, temse então uma variação patrimonial positiva no valor de R$ 247.256,65; 21. DOS JUROS E MULTA APLICADOS. No caso em tela, não há que se falar na aplicação da multa proporcional eis que os documentos juntados foram apresentados, estando portanto irregular o lançamento de ofício, devendo os valores apresentados a título de multa serem excluídos, ou aplicados somente nos casos em que não houve a comprovação da movimentação financeira, excetuando aquelas operações cujos documentos e justificativas foram apresentados, o que não justifica o lançamento de ofício e conseqüentemente a aplicação da multa; 22. quanto ao juros aplicados, estes devem ser calculados levando em consideração o fato gerador de cada operação financeira autuada, o que não foi obedecido pela fiscalização; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 560 7 23. especialmente no que se refere aos valores de movimentação financeira a cobrança de juros incidente sobre o imposto supostamente devido deverá levar em conta a data do depósitos, respeitandose ainda o prazo de prescrição qüinqüenal para a cobrança; 24. DOS PEDIDOS. (...) “Requer finalmente o direito a provar o alegado por qualquer meio de prova em direito admitido, inclusive a determinação de perícia técnica para comprovação de validade dos documentos contábeis apresentados.”. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF – Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Na relação Jurídica Tributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco demonstrar a ocorrência do fato jurídico tributário. Ao sujeito passivo compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação de multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável, sempre, nos lançamentos de ofício. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1756.681 da 7ª Turma da DRJ/SP2 em 22/03/2012 (fl. 511). Fl. 563DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Sobreveio Recurso Voluntário em 23/04/2012 (fls. 517/348), acompanhado dos documentos de fls. 549 e seguintes, no qual, em síntese, ratificou a impugnação, deixando de se insurgir quanto a multa e a taxa selic. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento em Omissão de Rendimentos tendo em vista Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD e Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, relativamente ao anocalendário de 2006. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A omissão de rendimentos, com fundamento em Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD, apurada pelo Fisco foi no valor de R$ 4.715.927,49. Contatase na DAA – Declaração de Ajuste Anual de fls. 3 a 7, que a Recorrente declarou os rendimentos, o acréscimo patrimonial, bem como o endividamento, podendose extrair o seguinte resumo: “Rendimentos Tributáveis = 76.802,28 Rendimentos Isentos e não Tributáveis = 2.497,86 Rendimentos Tributados exclusivamente na Fonte = 509.708,22 () IR pago – Carnê Leão = 3.621,40 Rendimentos Líquidos = 585.386,96 Bens e Direitos 31/12/2005 = 12.670.270,77 Bens e Direitos 31/12/2006 = 23.011.696,49 Variação Patrimonial = 10.341.425,72 Dívidas e Ônus Reais 31/12/2005 = 7.881.625,89 Dívidas e Ônus Reais 31/12/2006 = 17.881.300,00 Aumento da dívida = 9.999.674,11 Ingressos financeiros totais em 31/12/2006 = (9.999.674,11 + 585.386,96) = 10.585.061,07” Tanto no Termo de Início de Fiscalização (fl.09) bem como no Termo de Intimação Fiscal (fl.12), ambos no respectivo item 9 (nove), o Fisco exigiu da Recorrente a comprovação dos créditos recebidos em decorrência dos respectivos contratos de mútuo, vejamos: Fl. 564DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 561 9 “Documentação Comprobatória de Contratos de Mútuos efetuados com as empresas Curua Energia S/A e Buriti Energia S/A; e toda a comprovação dos créditos recebidos em decorrência destes contratos nos valores de R$ 2.322.100,00 e R$ 4.151.700,00;” No Termo de Verificação Fiscal fls. 363 e seguintes consta, novamente, a indispensabilidade de que a Recorrente comprove, através de provas inequívocas a efetiva transferência dos numerários para o mutuário, não bastando a simples apresentação de contrato particular, sem o devido registro público. Constase que em todo o processo de fiscalização a falta de registro do contrato complementa os fundamentos do Fisco e, a recorrente se ateve a contestar a desnecessidade de registro deixando de comprovar o essencial, ou seja, a efetiva transferência de numerário. Portanto, sem o subsídio de elementos concretos que comprovem a movimentação financeira resultante da transação, não poderá ser considerado como prova da origem de recursos para justificar o acréscimo patrimonial. Compulsandose os autos constatase que a recorrente apenas comprova a aplicação que gerou o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, ou seja, caracterizado pela aquisição de ações da empresa Globalbank, ações essas das empresas Curuá Energia S/A e Buruti Energia S/A adquiridas da empresa, que totalizam o valor de R$ 9.852.500,00, tal aquisição foi realizada a partir de empréstimo mediante Contrato de Mútuo existente entre Mara Daisy Gil Dias e a empresa Globalbank Participações e Investimentos S/A, tendo como intervenientes anuentes a Curuá Energia S/A e Buruti Energia S/A nos valores respectivos de R$ 2.322.100,00 e R$ 4.151.700,00, os quais encontramse declarados na DIRPF de 2006, deixando de comprovar a efetiva origem dos respectivos contratos de mútuo. Ao apurar o valor da APD, em fl. 375, no Demonstrativo da Variação Patrimonial, resta comprovado que o Fisco não considerou na apuração para janeiro de 2006, os valores constantes da DAA, relativos aos bens e direitos dos Contratos de Mutuo da Recorrente, por falta de apresentação de fluxo financeiro que comprovasse a origem dos contratos, salientando, ainda, que os mesmos não apresentavam registro público, itens 24 e 25 da DAA, abaixo transcritos: CREDITO DECORRENTE DE CONTRATO DE MUTUO COM A EMPRESA GLOBALBANK PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS S.A., ORIUNDOS DOS NEGÓCIOS DA BURITI ENERGIA S.A, EXTINTO PELO PAGAMENTO PARCIAL DA COMPRA DE 3.576.300 AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA BURITI ENERGIA S.A. EM 15/05/2006 – BRASIL no valor de R$ 2.322.100,00; CREDITO DE CONTRATO DE MUTUO COM A EMPRESA GLOBALBANK PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS S.A, ORIUNDO DOS NEGÓCIOS COM CURUA ENERGIA S.A. EXTINTO PELO PAGAMENTO PARCIAL NA COMPRA DE 6.276.200,00 AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA CURUA ENERGIA S.A. EM 15/05/2006 – BRASIL, no valor de R$ 4.151.700,00. Em relação a comprovação da existência de empréstimo para a aquisição das ações, temse que os documentos apresentados pela recorrente, quer na fase de fiscalização quanto na impugnação ou no recurso, no que tange os contratos de mútuo, não elucidaram quanto a existência de fato dos alegados empréstimos, pois, tãosomente foram apresentados Fl. 565DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 documentos que presumemse verdadeiros perante as partes, deixando de comprovar o fluxo financeiro que deu origem a estes mútuos. Assim, sem documentos concretos que comprovem a movimentação financeira resultante da transação, apenas os contratos de mútuo entre as partes, inclusive sem registro, não poderá ser considerado como prova da origem de recursos para justificar o acréscimo patrimonial. Quanto ao empréstimo efetuado a Carlos Eduardo Zarzur e Andréia C. Zugair Marcondes, constante da análise da variação patrimonial da contribuinte, em fl. 404, à título de “aplicações”, no valor de R$ 1.240.000,00, distribuído da seguinte forma: R$ 50.000,00 em setembro/2006; R$ 5.100,00 em outubro/2006; R$ 55.000,00 em novembro/2006; e R$ 1.129.900,00 em dezembro/2006, no recurso voluntário, sem apresentar provas (fls. 522) a recorrente apenas afirma que “Com relação ao empréstimo de R$ 1.240.000,00 a Carlos Eduardo Zarzur e Andréia C. Zugair Marcondes, a Recorrente esclareceu que o valor efetivamente transferido a tais pessoas ao longo do exercício de 2006 foi de R$ 360.000,00, sendo este o acréscimo patrimonial decorrente de tal empréstimo.” Há contradição nos esclarecimentos e provas apresentadas, razão pela qual também ratifico a decisão a quo, por seus próprios fundamentos, conforme segue: “[...] Sob este tema o impugnante manifestase, ipsis litteris: “Também consta de demonstrativo de variação patrimonial o empréstimo a Carlos Eduardo Zarzur e Andréia Zugair, no valor total de R$ 1.240,000,00, cujos comprovantes de depósito foram apresentados à FTE constante de fls. 342 a 344, o que devem ser considerados como comprovantes de tal operação, ao menos quanto ao valor da somatória dos depósitos apresentados.” Da leitura da manifestação acima transcrita, não é possível entender o que reivindica o impugnante. Claramente ele não tem o propósito de afirmar que não houve o empréstimo às pessoas citadas, mesmo porque tal empréstimo foi expressamente declarado em sua DIRPF/2007, ano de 2006, contudo, não foi possível interpretar o seu texto, ficando prejudicada qualquer análise a respeito. [...]” Pelas razões acima expostas, nego provimento a este item do recurso. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADO POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS O Auto de Infração de fls. 376 a 383, restou lavrado também com fundamento na Omissão de Rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2006. Consta no Auto de Infração em fls. 378 e 379 que as omissões de rendimentos caracterizadas por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos seriam as abaixo relacionados: FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL 31.01.2006 R$ 33.154,12 28.02.2006 R$ 17.280,54 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 562 11 31.03.2006 R$ 10.027.723,72 30.04.2006 R$ 37.298,72 31.05.2006 R$ 27.280,43 30.06.2006 R$ 20.342,00 31.07.2006 R$ 511.630,80 31.08.2006 R$ 422.439,28 30.09.2006 R$ 47.013,23 31.10.2006 R$ 127.881,96 30.11.2006 R$ 124.509,85 31.12.2006 R$ 45.333,58 Totais R$ 11.441.888,23 Entre os depósitos supra relacionados consta um depósito de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) datado de 28/03/2006, o qual foi declarado pela Recorrente na DAA, na sua relação de Dívidas e Ônus Reais, como sendo: Antecipação de Dividendos da empresa CURUÁ ENERGIA S/A. Tal condição é corroborada pelos Demonstrativos Contábeis conforme Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2006, da empresa CURUÁ ENERGIA S/A, a fl 294, onde consta: No grupo de ATIVO NÃO CIRCULANTE, subgrupo REALIZÁVEL A LONGO PRAZO, conta Parte Relacionadas, o valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), correspondente a Antecipação de Dividendos a Mara Daisy Gil Dias, conforme as NOTAS EXPLICATIVAS, item 4, na fl. 300 (pdf 310). A razão contábil, encontrase reproduzida à fl. 357 (pdf 386), confirmando a transferência por conta de Dividendos. A Recorrente apresentou justificativa para esta transferência bancária à fl. 347 (pdf 376), no qual consta Planilha de Créditos anexa ao Termo de Intimação Fiscal de 01/08/10, que informa o seguinte: DATA CONTA BANCO HISTÓRICO VALOR ORIGEM 28/03/2006 0272957 Santander Ted CipTit R$10.000.000,00 Bertin Ltda “JUSTIFICATIVA: A contribuinte faz, neste ato, a juntada de documento emitido pelo Banco Itaú (que incorporou o Bank Boston), de comprovante de TED enviada pela empresa BertinLtda, a favor de Mara Daisy Gil Dias, na data de 28/03/2006, no valo de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), valores esse enviados a título de ANTECIPAÇÃO DE DIVIDENDOS, conforme consta da declaração anual da contribuinte, considerando que a empresa Bertin Ltda é sócia da empresa Curuá Energia S/A.” Em fls 366 e 367, o Fiscal, desconsidera a comprovação, inicialmente afirmando que a Contribuinte lançou o valor em sua DAA2007 na ficha Dívidas e Ônus Reais, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 ao invés de utilizar a ficha Rendimentos Isentos e não Tributáveis. Em sequência afirma, ainda, que a Recorrente não possui vínculos societários com a empresa Bertin Ltda e que a empresa CURUÁ ENERGIA S/A, não noticiou ter efetuado a distribuição de dividendos. Efetivamente não ocorreu Distribuição de Dividendos, e sim uma Antecipação de Dividendos, conforme demonstrado à fl. 357 (pdf 386), da razão contábil da empresa CURUÁ ENERGIA S/A. A empresa Bertin Ltda., é parte relacionada com a empresa CURUÁ ENERGIA S/A, conforme confirma à fl. 295 (pdf 302), no BALANÇO PATRIMONIAL encerrado em 31/12/2006, no grupo PASSIVO NÃO CIRCULANTE, subgrupo EXIGÍVEL A LONGO PRAZO, na conta Partes Relacionadas o valor de R$ 73.101.494,01, que está descrito e individualizado nas NOTAS EXPLICATIVAS, item 9, a fl. 302 (pdf 312), onde consta o aporte da empresa Bertin Ltda, no valor de R$ 65.292.946,89. A lavratura do Auto de Infração teve como fundamento legal o art. 849 do Decreto n.º 3000, de 26 de março de 1999, o qual regulamenta os §§ 1º e 2º do art. 42, da Lei nº 9.430/96, o qual preceitua: “Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º Em relação ao disposto neste artigo, observarseão (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §§ 1º e 2º): I o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; II os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 2º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, incisos I e II, e Lei nº 9.481, de 1997, art. 4º): I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. § 3º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o Fl. 568DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 563 13 crédito pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 4º).” No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996, regulamentado pelo art. 849 do Decreto nº 3000/1999, há uma presunção legal relativa, vez que, intimada para comprovar a origem dos depósitos, a contribuinte tem o ônus da comprovação. Portanto, a presunção legal de omissão de receitas admite prova em contrário, visto que só caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso em que o depósito cuja origem foi informada pelo contribuinte, embora o Fisco entenda que não foi suficientemente comprovado, este não poderá utilizar a presunção legal como fundamento do lançamento, uma vez que para que sejam considerados receita/ou rendimentos caberá ao Fisco diligenciar, investigar, pois tal depósito passa a ser apenas marco inicial da investigação pela autoridade fiscal. Noutras palavras, não é possível acolher o procedimento do Fisco, que, diante dos depósitos bancários com origem informada e justificada pelo contribuinte, tenha como finda a investigação e faça incidir a tributação sobre tais depósitos como omissão de receita/rendimentos. Em assim agindo, o emprego da presunção estabelecida na Lei 9.430/96 restaria ampliada pelo Fisco, pois acabaria por atingir o que não é renda nem receita tributável, alargando a autorização do legislador ordinário. A origem do depósito de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), constante do extrato bancário do Banco Santander, realizado no dia 28 de março de 2006, restou cabalmente comprovada, pela identificação do depositante, pelos registros contábeis, além de ter sido devidamente informado na DAA – Declaração de Ajuste Anual realizada pela Recorrente, e em todos os registros consta que tratase de antecipação de distribuição de dividendos. Salientase que neste processo não se discute a legalidade da respectiva antecipação de dividendos. Pelo exposto, neste item, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada o valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), mantendo na base de cálculo para a respectiva tributação, por falta de comprovação da respectiva origem, mediante documentação hábil ou idônea, o valor de R$1.441.888,23. Em relação aos depósitos, no valor de R$1.441.888,23, que no entendimento desta relatora não restou comprovada a origem, não cabe acolher o argumento da Recorrente de que os valores de movimentação financeira deverão ser levados em conta a data dos depósitos, respeitandose ainda o prazo de prescrição quinquenal para a cobrança, pois a Súmula CARF n.º 38, preceitua que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do anocalendário, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Fl. 569DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Com efeito, não merece guarida também a alegação da recorrente de impossibilidade de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A tributação sobre os mesmos deve ser mantida com fundamento no disposto pelo art. o art. 42, da Lei n. 9.430/1996, regulamentado pelo art. 849, do Decreto n.º 3000, de 26 de março de 1999, isso porque, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é matéria pacificada neste E. Conselho, através da Súmula nº 26, in verbis: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o já citado art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. A recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame do contexto probatório dos autos, a interessada, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas suas contas bancárias. Portanto, não há qualquer óbice de se considerar como omissão de rendimentos os valores de R$1.441.888,23 depositados em contas bancárias da contribuinte, quando esta, regularmente intimada, não se desincumbiu do ônus de comprovar a origem de tais rendimentos. Por ser assim, dada a análise dos autos e o contexto probatório, considerando que a Contribuinte logrou comprovar a origem do depósito bancário em relação ao valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) na conta de sua titularidade, tal valor deve ser excluído da base de cálculo do Auto de infração, mantendose o lançamento à título de omissão de receita ou rendimento caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem no valor de R$1.441.888,23 e mantendose o lançamento em relação à APD. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 570DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.003018/201071 Acórdão n.º 2102003.147 S2C1T2 Fl. 564 15 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10825.721248/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERA. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
A teor do que apontam as disposições do Decreto 70.235/72, compete ao contribuinte a instauração da fase contenciosa do procedimento com a apresentação de sua impugnação, onde deve destacar todos os seus argumentos e provas na defesa do direito contra o lançamento efetivado.
ARGUMENTOS NOVOS. ÔNUS DA PROVA.
Não tendo a contribuinte apresentado qualquer documento em relação às argumentações apresentadas - nem mesmo quando da realização da fiscalização -, não teria ela se desincumbido no ônus probatório, não podendo agora exigir providências a serem promovidas pelas autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1301-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Gilberto Baptista, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERA. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. A teor do que apontam as disposições do Decreto 70.235/72, compete ao contribuinte a instauração da fase contenciosa do procedimento com a apresentação de sua impugnação, onde deve destacar todos os seus argumentos e provas na defesa do direito contra o lançamento efetivado. ARGUMENTOS NOVOS. ÔNUS DA PROVA. Não tendo a contribuinte apresentado qualquer documento em relação às argumentações apresentadas - nem mesmo quando da realização da fiscalização -, não teria ela se desincumbido no ônus probatório, não podendo agora exigir providências a serem promovidas pelas autoridades julgadoras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Gilberto Baptista, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERA. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. A teor do que apontam as disposições do Decreto 70.235/72, compete ao contribuinte a instauração da fase contenciosa do procedimento com a apresentação de sua impugnação, onde deve destacar todos os seus argumentos e provas na defesa do direito contra o lançamento efetivado. ARGUMENTOS NOVOS. ÔNUS DA PROVA. Não tendo a contribuinte apresentado qualquer documento em relação às argumentações apresentadas nem mesmo quando da realização da fiscalização , não teria ela se desincumbido no ônus probatório, não podendo agora exigir providências a serem promovidas pelas autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 12 48 /2 01 1- 29 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Gilberto Baptista, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721248/201129 Acórdão n.º 1301001.376 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Destacando os termos do relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, observo: Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, relativa ao ano calendário de 2007, foi efetuado lançamento para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 527.606,42 (quinhentos e vinte e sete mil e seiscentos e seis reais e quarenta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl. 2, que resultou na lavratura dos seguintes autos de infração: I – Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) – fls. 16/22 Imposto: R$ 163.293,14 Juros de mora: R$ 62.075,95 Multa proporcional: R$ 122.469,85 Total: R$ 347.838,94 Enquadramento legal: Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, arts. 530, 541 e 841. II – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – fls. 23/28 Contribuição: R$ 84.281,91 Juros de mora: R$ 32.274,15 Multa Proporcional: R$ 63.211,42 Total: R$ 179.767,48 Enquadramento legal: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2o e §§, e Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 29; Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37. Segundo consta da descrição dos fatos, foi arbitrado o lucro, com base no RIR/1999, art. 531, tendo em vista que a contribuinte, não autorizada a optar pelo lucro presumido, se autoarbitrou, em virtude de não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, porém por valores inferiores aos apurados pela fiscalização. Na ação fiscal, foi apurada insuficiência de recolhimento e/ou declaração do IRPJ e da CSLL devidos, do cotejo entre os dados declarados em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e em Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) e os recolhimentos efetuados. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Notificada do lançamento em 12/08/2011, conforme aviso de recebimento de fl. 32, a interessada, representada pelo advogado João Joel Vendramini Junior (procuração de fl. 63), ingressou, em 12/09/2011, com a impugnação de fls. 37/43, na qual alegou, em suma: ∙ Ilegalidade da aplicação da Selic como juros de mora; ∙ Inexigibilidade da multa, tendo em vista a denúncia espontânea; ∙ Caso não seja esse o entendimento, deve ser aplicada a multa moratória, no percentual máximo de 2%, de acordo com a Lei nº 9.298, de 1º de agosto de 1996; ∙ Afronta ao princípio da proporcionalidade e vedação ao confisco. Requereu seja julgada procedente a impugnação para o fim de se adequar o valor dos juros de mora cobrado e afastar a cobrança da multa ou fixála no percentual de 2% (dois por cento). Analisando as circunstâncias fáticas apresentadas, entendeu a douta 3a Turma da DRJ/POR pela procedência do lançamento, destacando, na ementa do acórdão, o seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO DE TRIBUTOS. A denúncia espontânea pressupõe o respectivo pagamento dos tributos ou confissão de dívida, mediante DCTF, e deve ocorrer antes do início da ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, a contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão de primeira instância e a integral desconstituição do lançamento. É o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10825.721248/201129 Acórdão n.º 1301001.376 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Analisando os termos do recurso interposto, em que pese as considerações trazidas tanto no “Termo de Revelia”, expressamente constante dos autos, quanto, ainda, a especifica consideração apresentada pela r. decisão de primeira instância a respeito da limitação as argumentações apresentadas pela contribuinte em relação aos termos trazidos a debate em sua impugnação, bem como, ainda, as limitações para o debate em sede recursal, verificase que ela, ainda assim, inova as considerações em seu recurso, pretendendo, com isso, ver desconstituído o lançamento. A inovação apresentada, verificase, referese à indicação de que a contribuinte, à época dos lançamentos, encontravase submetida ao regime próprio do SIMPLES, não podendo, assim, ser autuada com base na sistemática geral aplicável às demais pessoas jurídicas, exceto se, no caso, fosse verificável a expressa menção de sua extirpação de ofício, o que aqui, efetivamente não aconteceu. Ocorre que, em que pese tratarse de inovação de defesa em sede recursal, é importante salientar que mesmo se assim não fosse, mesmo que eventualmente fosse admitida a análise dessas considerações, é relevante observar que, à época da fiscalização, a empresa contribuinte foi devidamente intimada a apresentar suas informações e documentos, mantendo se, entretanto, completamente silente, não podendo agora, simplesmente, afirmar (e não provar) situação própria que, de alguma forma, poderlheia favorecer. Na verdade, além de não ter apresentado tal informação a tempo e modo devido, no presente caso, deveria a contribuinte apresentar as específicas provas de suas alegações, o que, é bem verdade, aqui também não se verifica, o que, até não poder, demonstra a completa e total insubsistência de suas argumentações. Em relação à suposta invalidade da aplicação da taxa selic como critério para a Atualização da mora nos débitos inadimplidos, tal tema já se encontra, hoje, completamente pacificado pela doutrina e jurisprudência nacional, não havendo que se falar, seriamente, em quaisquer considerações a serem desenvolvidas a seu respeito. Nada obstante, a respeito da matéria, relevante se faz, sobretudo, o destaque às disposições da SÚMULA CARF No 2, que, espancando, definitivamente, qualquer possibilidade de discussão da validade constitucional dos comandos legais que prevêem a aplicação da Taxa Seli, assim, inclusive, especificamente aponta: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, a respeito da pretensão de verem aplicadas as disposições do art. 138 do CTN, melhor sorte não assiste à recorrente, sobretudo porque, definitivamente, o instituto Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 da “denúncia espontânea” possui critérios, limites e particulares próprias, que, definitivamente, não autorizam a sua aplicação por analogia e/ou arrasto, da forma como pretende a recorrente, sendo certo, e completamente induvidoso, que a aplicação de suas disposições exigem, indubitavelmente, a configuração da espontaneidade da denúncia e o imediato e integral pagamento da totalidade do montante devido, o que, com toda a certeza, efetivamente não se verifica nos presentes autos. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendo, assim, na integralidade, o lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13971.005360/2010-42
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/05/2009
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Estando o auto de infração amparado pela legislação competente, propiciando ao contribuinte a apresentação de defesa bem fundamentada, não há que se falar em desrespeito a ampla defesa e ao contraditório.
MULTA DE MORA. NORMA MAIS BENÉFICA
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRERROGATIVA DO JULGADOR.
A realização de perícia é prerrogativa do órgão judicante quando aquela for necessária, não ficando o julgado obrigado a solicitá-la por mero pedido do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/05/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Estando o auto de infração amparado pela legislação competente, propiciando ao contribuinte a apresentação de defesa bem fundamentada, não há que se falar em desrespeito a ampla defesa e ao contraditório. MULTA DE MORA. NORMA MAIS BENÉFICA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRERROGATIVA DO JULGADOR. A realização de perícia é prerrogativa do órgão judicante quando aquela for necessária, não ficando o julgado obrigado a solicitála por mero pedido do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 53 60 /2 01 0- 42 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005360/201042 Acórdão n.º 2803003.621 S2TE03 Fl. 103 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005360/201042 Acórdão n.º 2803003.621 S2TE03 Fl. 104 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SCHUHMACHER E FILHO LTDA EPP , em face de acórdão proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/27), tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas aos Terceiros, tratandose de fatos geradores e contribuições presentes na folha de pagamento e omitidos na GFIP. O crédito apurado, consolidado em 30/11/2010, com ciência pessoal pelo interessado em 06/12/2010, consubstanciase no valor originário de R$23.959,15, que acrescido de multa e juros totaliza a quantia de R$37.306,42, sendo relativo ao período de apuração de 01/2006 a 05/2009. (DEBCAD: 37.290.9876). 3.Foram juntados por apensação aos autos o processo número: 13971.005358/201073. 4. A empresa, após ter sido devidamente intimada, impugnou o lançamento tempestivamente. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu considerar improcedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (fls.71/80), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/05/2009 TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE FORO INADEQUADO. O foro administrativo é inadequado para discussões de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas, eis que cabe à Administração Pública o estrito cumprimento das normas em vigor. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005360/201042 Acórdão n.º 2803003.621 S2TE03 Fl. 105 4 MULTA. TERCEIROS. APLICAÇÃO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Aplicase a lei vigente à época do fato gerador quando da cobrança da multa de ofício em relação às contribuições sociais devidas aos Terceiros. JUROS. SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 5. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 83 a 96), no qual aduz em síntese: a) Que não foi observado o princípio da ampla defesa e do contraditório; b) Deve ser reconhecida a ilegalidade da multa de 75%, sendo também confiscatória, havendo ofensas a princípios constitucionais, devendo ser reduzida a 20%; c) Que a notificação de lançamento omite as normas específicas dadas como infringidas, além de não esclarecer adequadamente quais artigos infringidos, capitulando, em sua fundamentação legal, um sem fim de legislações e artigos, situações que tornam o lançamento nulo, pois não permitem o exercício dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, garantidos a Impugnante pela Constituição Federal; d) Ser inaplicável a taxa de juros Selic; e) Que seja feita perícia, eis que os requisitos especificados na lei do PAF não foram seguidos, em um gesto de ilegalidade na obtenção de provas carreadas ao AI impugnado; f) por fim, requer que seja dado provimento ao presente recurso, para decretar a improcedência da presente autuação, haja vista à patente ilegalidade da autuação. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005360/201042 Acórdão n.º 2803003.621 S2TE03 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. A contribuinte alega que o acórdão de primeira instância seria inválido, em razão da notificação de lançamento omitir as normas especificas dadas como infringidas, além de não esclarecer adequadamente quais artigos infringidos, capitulando, em sua fundamentação legal, um sem fim de legislações e artigos. 3. Contudo, não há que se falar, na hipótese, de cerceamento de defesa, visto que houve o devido apontamento dos dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. Da mesma forma, a autoridade julgadora enfrentou as principais alegações que nortearam a defesa da contribuinte. 4. Não obstante o bom arrazoado trazido pela recorrente na busca de ver seu pleito acolhido, razão não lhe assiste. Cumpre ressaltar, ainda, que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei nº. 9.784/99. Desta forma, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, por não haver vício. 5. Nesse sentido, entendo que a decisão de primeira instância não deve ser retificada nesse ponto. Assim, rejeito a alegação de irregularidade. DA MULTA APLICADA 6. No tocante à multa aplicada, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao sujeito passivo. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 7. Assim, no presente caso, identificando o Fisco benefício a contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005360/201042 Acórdão n.º 2803003.621 S2TE03 Fl. 107 6 entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 8. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 9. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 10. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para a contribuinte, como bem decidiu a DRJ. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 11. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei nº 8.212/91. 12. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 13. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. 14. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005360/201042 Acórdão n.º 2803003.621 S2TE03 Fl. 108 7 “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...).” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177). 15. E quanto às alegações de multa confiscatória, devese concluir que não possuem fundamento, pois o valor da multa não corresponde ao valor da contribuição. Tal constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa. DA DESNECESSIDADE DE PERÍCIA 16. Não obstante o argumento da recorrente solicitando perícia, não vislumbro no caso qualquer necessidade, não subsistindo nos autos qualquer razão que a indique para seu provimento. 17. Ressalto, ademais, que a realização da perícia é uma prerrogativa do julgador para quando entendêla necessária, não bastando simples requerimento da parte para seu deferimento. Destarte, estando os autos aptos a julgamento, não vislumbro qualquer razão para o deferimento da perícia pleiteada. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento, pelos motivos acima aduzidos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10283.720039/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir os acréscimos patrimoniais de julho e agosto de 2002 para R$ 86.703,50 e R$ 47.100,50, respectivamente.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir os acréscimos patrimoniais de julho e agosto de 2002 para R$ 86.703,50 e R$ 47.100,50, respectivamente. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 39 /2 00 6- 75 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.720039/200675 Acórdão n.º 2102002.761 S2C1T2 Fl. 263 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CHUANG TSUNG JEN foi lavrado Auto de Infração, fls. 154/162, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 e 2002, exercícios 2002 e 2003, no valor total de R$ 153.294,64, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/06/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração, foi omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de fevereiro de 2001 e julho, agosto e setembro de 2002. Os acréscimos patrimoniais a descoberto foram evidenciados em razão dos seguintes fatos: aquisição de imóvel e remessas de recursos ao exterior, conforme apurado durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento e estão apurados nos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimoniais, fls. 147/152. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 170/174, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para excluir dos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimoniais, os valores relativos às remessas de recursos ao exterior, de modo que foram cancelados os acréscimos patrimoniais de fevereiro de 2001 e setembro de 2002. (Acórdão DRJ/BEL nº 0110.625, de 10/03/2008, fls. 214/218. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 220, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 222/224, em 13/05/2008, no qual traz as alegações a seguir transcritas: SÍNTESE DO AUTO DE INFRAÇÃO O Requerente foi notificado a recolher o valor de R$ 39.825,35 (trinta e nove mil, oitocentos e vinte e cinco reais e trinta e cinco centavos), acrescido de multa no percentual de 75% (setenta e cinco reais) valor apurado, em tese, a título de variação patrimonial a descoberto, verificado nos anos base de 2001 e 2002, respectivamente exercícios 2002 e 2003 , nas DIRPF do Recorrente e sua esposa. Por ocasião do procedimento fiscal a autoridade fiscalizadora decidiu que os rendimentos auferidos pelo Recorrente e declarados nos anos calendários de 2001 e 2002 , fossem somados aos rendimentos de sua esposa, CHU AI MEI, CPF n° Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.720039/200675 Acórdão n.º 2102002.761 S2C1T2 Fl. 264 3 507.993.80210, vez que, fora apresentados alguns bens que teriam sidos adquiridos em conjunto pelo casal. Não cabe razão à essa SRFB como se demonstra: 2001 2002 CHUANG Rend.Trib. 18.000,00 36.000,00 Isentos 32.000,00 74.619,00 CHU Rend.Trib. 12.000,00 12.000,00 Isentos 13.200,00 18.000,00 Rendimentos 75.200,00 140.619,00= R$ 215.819,00 Variação Patrim. 45.000,00 153.000,00= R$ 198.000,00 Saldo a favor do Requerente R$ 17.819,00 Insta esclarecer que deve ser considerado o valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) que foram emprestados ao Recorrente por sua empresa, valor este não levado em conta por esse Órgão ao argumento de que não comprovado. Ressalta o Recorrente que sua empresa é optante pelo Sistema Simples, atual Super Simples e que o tratamento pelo Fisco nessa condição, deve ser diferenciado , sem exigências não contempladas pelo legislador comum, no caso, contabilização do valor de tal empréstimo , o qual fora declarado na sua prestação de ajuste , gozando de presunção de verdade. Pelo exposto requer, O acolhimento do presente recurso e seu provimento, no sentido de ser reformado o acórdão guerreado, anulandose o auto de infração do qual decorreu o débito tributário. É o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.720039/200675 Acórdão n.º 2102002.761 S2C1T2 Fl. 265 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que neste voto somente será apreciado o acréscimo patrimonial apurado no anocalendário 2002, exercício 2003, posto que a decisão recorrida cancelou integralmente o acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2001, exercício 2002. Para o anocalendário 2002 a autoridade fiscal havia apurado acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de julho, agosto e setembro, sendo certo que em razão das alterações promovidas na decisão recorrida cancelouse o acréscimo patrimonial a descoberto de setembro. No Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 150, elaborado pela autoridade fiscal, foram considerados os seguintes recursos: Rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas – R$ 1.500,00 em cada mês, perfazendo a quantia de R$ 18.000,00, lucros (R$ 42.000,00 em dezembro) e rendimentos tributáveis da esposa (R$ 1.000,00 em cada mês, perfazendo R$ 12.000,00, no ano). Por sua vez, a decisão recorrida assim se manifestou: 13. O contribuinte alega que teve rendimentos tributáveis e isentos (distribuídos) oriundos de sua empresa (CNPJ 34.528.315/000128) suficientes para justificar a variação patrimonial. Alertese de que deveria o contribuinte comprovar que teve distribuído lucro, através da contabilidade da empresa, pois somente esta distribuição é isenta de IRPF. Computandose os rendimentos tributáveis pagos pelas pessoas jurídicas do casal (CNPJ 34.528.315/000128 e CNPJ 02.622.681/000155), segundo informações de suas DIRPFs Exercício 2003 e 2002, chegase aos seguintes valores: 14. Mas, estes valores não podem ser considerados em seus valores anuais, e sim de acordo com a disponibilidade em cada mês, conforme o informado pelo contribuinte, e demonstrativos de fls. 186/187. Os rendimentos isentos, distribuídos, foram considerados em dezembro de cada ano. Os saldos foram os Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.720039/200675 Acórdão n.º 2102002.761 S2C1T2 Fl. 266 5 informados nas DIRPFs. O empréstimo alegado não foi comprovado. Desta forma, retirandose os dispêndios representados pelas remessas ao exterior remanescem as seguintes variações: jul/2002 R$ 97.203,50 ago/2002 R$ 48.600,50 IRPF AC 2002 = R$ 39.825,35 Ou seja, para o anocalendário 2002, a decisão recorrida aumentou os rendimentos tributáveis para R$ 36.000,00 e os lucros recebidos pelo contribuinte para R$ 74.619,00 e acrescentou os lucros recebidos pela esposa do contribuinte, no valor de R$ 18.000,00. Contudo, todos os novos recursos admitidos pela decisão recorrida foram incorporados ao Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial apenas no mês de dezembro, de modo que permaneceu inalterado o acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de julho e agosto de 2002. No que diz respeito aos rendimentos tributáveis, vêse nos autos dois extratos, fls.11 e 12, onde estão discriminados mês a mês os rendimentos do contribuinte. Logo, incorreta a conduta da decisão recorrida de considerar que a totalidade dos rendimentos foram recebidos em dezembro. Nestes termos, devese alterar o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 150, para considerar que os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas seja de R$ 3.000,00 em cada mês, em lugar de R$ 1.500,00 por mês. Já no que se refere aos lucros recebidos pelo contribuinte, correta a decisão recorrida em reconhecer que tais valores somente foram recebidos em dezembro, posto que assim está escriturado no Livro Caixa, fls. 130, apresentado pelo contribuinte, durante o procedimento fiscal. Quanto aos lucros recebidos pela esposa do contribuinte, que constam informados na Declaração de Ajuste Anual (DAA) e foram reconhecidos pela decisão recorrida como recebidos no mês de dezembro de 2002, temse que o contribuinte não trouxe provas da data em que os mesmos foram distribuídos. Aliás, sequer há nos autos provas de que de fato tais lucros tenham sido recebidos pela esposa do recorrente, Ora, tratandose de valores que o contribuinte pretende sejam usados para justificar acréscimo patrimonial a descoberto, temse que caberia ao recorrente a demonstração da data em que tais valores foram disponibilizados. Sem tal demonstração, correta a decisão recorrida em reconhecer tais lucros como disponíveis somente em dezembro. No que concerne ao empréstimo de R$ 30.000,00, que consta informado na DAA/2003 do recorrente, temse que durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi devidamente intimado a apresentar a documentação comprobatória do referido mútuo, conforme Termo de Intimação, fls. 100. Em resposta, fls. 102, o contribuinte esclareceu que o empréstimo corresponde ao total de vários pequenos empréstimos informais obtidos de sua empresa Chuang Tsung Jen, CNPJ 34.528.315/000128. Ocorre que no Livro Caixa da referida pessoa jurídica, fls. 118/131, não há nenhum registro de empréstimos concedidos ao contribuinte. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.720039/200675 Acórdão n.º 2102002.761 S2C1T2 Fl. 267 6 Nestes termos, não há como acolher a pretensão do recorrente de ver reconhecido o empréstimo de R$ 30.000,00, em razão da falta de comprovação do seu efetivo recebimento. Devese, ainda, esclarecer que o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado mês a mês (arts. 1° a 3° e parágrafos e art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; artigos 1° a 4° da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990; art. 6º e parágrafos da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990 e arts. 4º a 6º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991), na forma como procedeu a autoridade fiscal, sendo certo que o demonstrativo, elaborado pela defesa, no recurso, por ser anual, não se presta para demonstrar a ausência de acréscimo patrimonial a descoberto. Concluindo, devese alterar o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 150, para considerar que os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas seja de R$ 3.000,00 em cada mês, reduzindose os acréscimos patrimoniais de julho e agosto de 2002 para R$ 86.703,50 (97.203,50 – 7x1.500,00) e R$ 47.100,50 (48.600,00 – 1.500,00), respectivamente. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir os acréscimos patrimoniais de julho e agosto de 2002 para R$ 86.703,50 e R$ 47.100,50, respectivamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10880.721174/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
NULIDADE - VÍCIO MATERIAL - ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. NULIDADE VÍCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 11 74 /2 01 2- 47 Fl. 17771DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento Julio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 17772DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.721174/201247 Acórdão n.º 2402004.338 S2C4T2 Fl. 812 3 Relatório Tratase de auto de infração referente à incidência de contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, inclusive GILRAT, incidentes sobre a receita de exportação da produção rural efetivada através de ‘tranding companies’, também denominada exportação indireta. Relatório Fiscal às fls. 16/36. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 302/323 (e documentos de fls. 324/17700), que restou julgada improcedente nos termos do acórdão de fls. 17702/17708 sob os seguintes fundamentos: 1) Há renúncia ao campo contencioso administrativo quanto a imunidade sobre operações de exportação diretas ou indiretas da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural prevista no art. 22A da Lei n° 8.212/91 em razão da existência de Mandados de Segurança em que a Recorrente trata da mesma matéria; 2) Quanto às alegações de erro material na determinação da base imponível, não há respaldo na medida em que foram utilizadas informações prestadas pela própria Recorrente no momento da fiscalização quando assim solicitado; 3) O erro material alegado não restou provado e, sobretudo, não partiu da fiscalização, o que afasta o argüido. Ciente do resultado do julgado (fls. 17725), a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 17728/17744 segundo o qual: 1) As provas juntadas em sede de impugnação foram ignoradas no julgamento, implicando em cerceamento de defesa e, por conseqüência, em nulidade contemplada no art. 59 da Lei do Processo Administrativo Fiscal; 2) O acórdão merece reforma com relação ao erro material promovido pela Fiscalização ao adotar como base de cálculo para o lançamento receitas de exportações da produção rural da Recorrente realizada de forma direta enquadrandoas como indiretas, acarretando a nulidade da autuação por pautada em fatos inexistentes; 3) Em havendo erro por parte da Autoridade Fazendária no que diz respeito à determinação da base de cálculo do tributo, visto que enquadra como indiretas as exportações que foram realizadas diretamente, necessariamente se impõe o reconhecimento e a decretação da nulidade do lançamento. Fl. 17773DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ao final, a Recorrente requer a anulação do auto de infração por erro material ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para apuração das alegações. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 17774DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.721174/201247 Acórdão n.º 2402004.338 S2C4T2 Fl. 813 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O recurso voluntário atende ao requisito da tempestividade, razão pela qual dele conheço em parte para exclusão da parte em que se discute matéria objeto de Mandado de Segurança, conforme adiante explicitado. Da concomitância de processo administrativo e judicial Na questão de mérito o julgador de primeira instância decidiu e a própria Recorrente ratificou o entendimento de que em se tratando de matéria discutida em sede de mandado de segurança, não cabe análise pela via administrativa. Nesse sentido, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo importa na renúncia a instancia administrativa: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Em igual sentido são as decisões deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Não se conhece o recurso apresentado, pois o contribuinte que ingressa no poder judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo, está renunciando o direito à instância administrativa. Aplicação Súmula CARF nº 1. Recurso voluntário não conhecido. (CARF – Processo n° 10865.000671/200143, Acórdão n° 3202 001.101, Sessão de 27 de fevereiro de 2014) “PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Renuncia ao direito à instância administrativa o contribuinte que ingressa no Judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.” (CARF – Processo n° 10768.005734/200661, Acórdão nº 2201 002.334, Sessão de 19 de fevereiro de 2014. Fl. 17775DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 “AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIDADE DE OBJETOS E DISCUSSÕES. RENÚNCIA CONFIGURADA. SÚMULA CARF. N. 01. No caso da existência de processo judicial no qual a discussão ali travada e os pedidos seja idênticos ao constante nos autos do processo administrativo, sobre eles operase a renúncia à esfera administrativa, em homenagem a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. (...) (CARF – Processo. 15901.000467/200839, Acórdão n° 2402 002.705) O caso sob análise enquadrase perfeitamente na hipótese prevista pela Súmula/CARF e pela jurisprudência, razão pela qual não cabe a esta Turma a apreciação do mérito do recurso voluntário, qual seja, a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas já mencionadas. Da Nulidade do Auto de Infração – Constatação do Vício Pretende a Recorrente a anulação do auto de infração sob alegação de que teria a Fiscalização cometido erro material na determinação da base imponível, ao considerar como indiretas as exportações realizadas diretamente pela empresa. Acosta inúmeros documentos na tentativa de demonstrar o alegado equívoco. Pois bem. A questão que ronda o presente processo administrativo foge da seara técnica e trata exclusivamente da questão fática envolvida. De um lado a Fiscalização, com ratificação pelo Sr. Julgador de primeira instância, entende que as exportações utilizadas como base para a lavratura do auto de infração foram efetuadas de forma indireta, mediante empresas interpostas. De outro lado, a empresa Recorrente alega que não houve apuração real e correta pela Fiscalização das planilhas e documentos apresentados. Aduz, ainda, que o julgador de primeira instância cerceou seu direito de defesa ao considerar tão somente as informações fornecidas pela fiscalização, sem analisar efetivamente os inúmeros documentos acostados junto à impugnação. Passemos à análise da questão fática, com base nos documentos acostados, tendo em vista que em sede de processo administrativo devese buscar a verdade material (Acórdão 920200.818, Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF). Durante o procedimento fiscalizatório, a Recorrente, atendendo a solicitação do Sr. Auditor, apresentou demonstrativo de receitas do ano de 2008. Dentre as informações apresentadas, constou lista denominada “Receitas Export Indireta” (fls. 109) que, posteriormente, foi utilizada pela fiscalização para lançamento a título de exportação indireta. Tal informação pode ser verificada na comparação entre os valores apontados na referida planilha apresentada pela Recorrente e o Relatório Discriminativo de fls. 05/06. A Recorrente, todavia, alega que a nomenclatura dada à lista apresentada não diz respeito às transações nela arroladas. De acordo com a empresa, o termo ‘indireta’, em verdade, significa que os produtos advieram de outra empresa com a finalidade específica de exportação pela Recorrente. Por tal razão, as operações teriam sido registradas pela Recorrente Fl. 17776DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.721174/201247 Acórdão n.º 2402004.338 S2C4T2 Fl. 814 7 através do CFOP 7501 – Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação. Para verificar e apurar as afirmações, relacionamos os documentos acostados, por amostragem, em comparação com a planilha apresentada pela Recorrente às fls. 345/355: Comp. Nota Fiscal Data Fls. Memorando de exportação (Registro) Data Fls. Destino da mercadoria Valor da Transação (R$) 01/2008 63.450 04/01/08 526 07/2121470001 27/02/08 525 Estados Unidos R$ 832.898,13 01/2008 66.015 16/01/08 573 08/0016632001 27/02/08 572 Holanda R$ 547.529,62 03/2008 77.566 04/03/08 718 08/0359652001 31/03/08 717 Chile R$ 20.055,92 07/2008 23.587 10/07/08 13669 08/1109258001 11/08/08 13668 Líbia R$ 14.735,75 01/2009 64.581 23/12/08 15525 08/1899119001 16/01/09 15523 Rep. Da Coreia R$ 539.546,07 Ou seja, com base nos dados acostados aos autos e ora minuciosamente analisados, verificase que as notas fiscais emitidas pela empresa Recorrente e enquadradas pela fiscalização como sendo referentes a exportações indiretas em verdade dizem respeito a exportações diretas realizadas pela Recorrente (consta nas NFs inclusive o destino das mercadorias). Portanto, viciado o auto de infração. Da natureza do vício constatado Há situações capazes de gerar a invalidade do lançamento, tornandoo nulo ou anulável. Tais situações podem decorrer de vício formal ou material. Basicamente, o que os diferencia é o fato de o vício estar no instrumento de lançamento (vício formal) ou no próprio lançamento (vício material). Tratase da corriqueira distinção entre o chamado erro de fato e erro de direito. O Professor Paulo de Barros Carvalho conceitua estes dois institutos e ensina: “[...] erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lingüísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem as vezes de prova. Esse vício na composição semântica de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica no enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. [...] Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. Fl. 17777DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 [...] Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no conseqüente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da conseqüência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regrapadrão de incidência.” (CARVALHO, Paulo de Barros; Curso de Direito Tributário. 22ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2010. P. 485/486) Ou seja, se no erro de fato se tem vício relacionado ao lançamento em si, no erro de direito – que resulta no vício material – se verifica incorreção na relação entre a norma tributária (hipótese de incidência) e o fato jurídico tributário. No caso em tela, a fiscalização ao considerar como indiretas as exportações realizadas diretamente pela empresa Recorrente e, ainda, utilizar tais receitas como base de cálculo da obrigação previdenciária, deixou de determinar corretamente a matéria tributável e calculou de forma viciada o montante do tributo devido. Senão vejase: A Instrução Normativa SRP n° 03/2005, vigente à época dos fatos geradores, ao tratar das contribuições sociais incidentes sobre exportação estabelecia: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. (Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Para se determinar a exigência fiscal nos termos da lei e fixar o montante do crédito tributário lançado, é necessária a correta fixação da base de cálculo e da alíquota do tributo. É somente a partir disso que se torna líquido o crédito tributário. Ou seja, nos termos da IN SRP vigente à época, era imprescindível à verificação da ocorrência do fato gerador e determinação da matéria tributável o correto enquadramento das exportações efetivadas pela Recorrente, se indiretas ou diretas. A afronta a requisito disposto pelo art. 142 do CTN que, por sua vez, reflete os critérios da norma jurídica tributária (ou RMIT), incrustados no seu antecedente (critérios material, espacial e temporal) e conseqüente (critério pessoal e quantitativo), é motivo suficiente para inquinar o ato administrativo de modo inegável. Dessa forma, verificada inobservância ao critério material da regra matriz de incidência tributária, estarseá diante de nulidade absoluta decorrente de problemas inerentes ao conteúdo do lançamento (vício material). Fl. 17778DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.721174/201247 Acórdão n.º 2402004.338 S2C4T2 Fl. 815 9 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento 1ª Turma, já reconheceu a nulidade do lançamento quando detectado erro na apuração da base de cálculo do tributo cobrado: Delegacia da Receita Federal de Julgamento em / 1a. Turma / DECISÃO em 24.03.2005 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. MULTA ISOLADA Nos termos do parágrafo 6º do artigo 37 da Lei nº 08.981, de 1995, quando o sujeito passivo não recolhe qualquer valor a título de IRPJ por estimativa, e nem elabora os balancetes de redução ou suspensão, incabível a aplicação de multa isolada, pois a forma de apuração do lucro é trimestral e definitiva, devendo ser desconsiderada a DIRPJ apresentada indicando a opção pela apuração anual. IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO NULO. VÍCIO MATERIAL É nulo, por vício de ordem material, o lançamento que não observou o correto período de apuração, transformando de mensal/trimestral para anual o período de apuração. A jurisprudência do CARF também é firme em reconhecer que o auto é nulo, sempre que se apoiar em base de cálculo imprestável, como se vê da ementa do Acórdão 2402 01319, da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária: “ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO MONTANTE AUTUADO. USO INDEVIDO DE AFERIÇÃO INDIRETA. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de base de cálculo equivocada altera os elementos essenciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade por vício material.” Nesse mesmo sentido, o 1° Conselho de Contribuintes decidiu: “[...] A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. [...]” (1° Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10807.556, em 15/10/2003). “NULIDADE – VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Preliminar acolhida.” (1° Conselho de Contribuintes, 2ª Turma Especial, Acórdão 19200.015, em 08/09/2008) Fl. 17779DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tratase, portanto, de vício material, na medida em que atingido um dos elementos substanciais do fato gerador. Em outras palavras o vício evidenciado nos autos atinge um dos elementos enumerados no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim estabelece: Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em razão de vício material no lançamento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 17780DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002229/2003-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE COMPARABILIDADE.
Acórdão que entendeu não impugnado item do auto de infração não contestado na impugnação não serve de paradigma para confronto com decisão que decidiu sobre matéria expressamente impugnada pelo contribuinte por fundamentos de direito distintos daqueles invocados na peça recursal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE COMPARABILIDADE. Acórdão que entendeu não impugnado item do auto de infração não contestado na impugnação não serve de paradigma para confronto com decisão que decidiu sobre matéria expressamente impugnada pelo contribuinte por fundamentos de direito distintos daqueles invocados na peça recursal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 29 /2 00 3- 59 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Sergio Meireles Carneiro foi lavrado o auto de infração de fls. 374/378, objetivando a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física relativo ao exercício de 1999, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10617.245, que se encontra às fls. 418/425 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta torna insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 ATÉ O LIMITE SOMADO DE R$ 80.000,00. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 18471.002229/200359 Acórdão n.º 9202003.365 CSRFT2 Fl. 7 3 Conforme preconiza o artigo 42, § 3°, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, no caso de pessoa física não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, os depósitos bancários sem origem comprovada de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 até o limite somado de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Recurso voluntário provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade votos, deu provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal por ausência de intimação dos cotitulares. Intimada do acórdão em 05/05/2009 (fls. 427), a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 430/438, sustentando divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 10708.760, no tocante à preclusão das pretensões não foram préquestionadas em sede de impugnação. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2201 0157/2009, de 14/10/2009 (fls. 444/444v). Regularmente intimado do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 447/450. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do recurso especial interposto. A decisão de primeira instância, ao analisar a impugnação de fls. 380/387, deu parcial provimento ao lançamento para reduzir a base de cálculo do lançamento de R$ 152.231,33 para R$ 144.669,07, em razão dos cheques devolvidos. Cientificado da decisão de primeira instância, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 403/410, por meio do qual reiterou as razões apresentadas na impugnação quanto à ilegalidade da autuação com base em depósitos bancários. Ao analisar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, o acórdão recorrido entendeu que, por força do princípio da legalidade, o lançamento era insubsistente tendo em vista a ausência de intimação dos cotitulares da conta de depósito objeto da autuação, conforme se verifica do seguinte trecho: “No caso e embora o contribuinte não tenha se manifestado sobre a aplicação ao caso da regra do artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96, não posso deixar de destacar, por força do princípio da legalidade, que a conta bancária do Itaú era conjunta, tinha 4 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 titulares e essa informação era de conhecimento da autoridade lançadora desde a ação fiscal, conforme se verifica na manifestação de fls. 20. (...) No caso, a Sra. Maria Edite Pinho Meireles e os Srs. Sérgio de Pinho Meireles e Alexandre de Pinho Meireles (cotitulares) não foram intimados em nenhum momento para comprovar a origem dos depósitos bancários identificados junto ao Banco Itaú, agência 0312, conta corrente 028293, além do que a declaração de ajuste anual apresentada pelo autuado não era em conjunto (fls. 0405). Tais fatos, segundo penso, tornam insubsistente a exigência fiscal relativa aos créditos de tal instituição, que somam, após a decisão de primeira instância, RS 136.013,17, os quais devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento.” Assim, analisando as razões de inconformidade do contribuinte em face do lançamento fiscal o acórdão recorrido declarou a ilegalidade do lançamento por ofensa ao disposto no art. 42, § 6º, da Lei 9.430/96, determinando a exclusão de parte do crédito tributário e, posteriormente, o cancelamento da exigência tendo em vista o fato de que os depósitos remanescentes eram inferiores aos limites estabelecidos no § 3º, inciso II, do art. 42 da Lei 9.430/96. Em suas razões de recurso especial a recorrente sustenta divergência entre o acórdão descrito acima e o acórdão nº 10708.760, no tocante a preclusão dos pedidos que não foram préquestionados em sede de impugnação. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. O não questionamento de matéria na impugnação implica em preclusão, nos termos do art. 17 do PAF aprovado pelo Decreto n° 70.235/72.” Verifico constar do voto condutor do referido paradigma: “Trata o presente processo, de auto de infração, que resultou na exigência do IRPJ do anocalendário de 1998 em razão de glosa de custos por falta de comprovação, de custos/despesas não necessários e em razão de antecipação de custos. Também foi lavrado auto de infração de CSLL relativo à glosa de custos. Os lançamentos relativos a glosa de custos por falta de comprovação e das despesas consideradas desnecessárias foram considerados improcedentes pela Turma Julgadora e não houve recurso de ofício. Portanto, somente restou em discussão o lançamento do IRPJ em razão de custos apropriados indevidamente no exercício, com a conseqüente redução do lucro do exercício. (...) Da autuação, após a decisão de primeira instância, restou o lançamento do crédito tributário relativo à infração de antecipação de custos, não impugnado quando da apresentação da impugnação. A recorrente afirma que embora não tenha discutido essa matéria na impugnação é dever da administração Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 18471.002229/200359 Acórdão n.º 9202003.365 CSRFT2 Fl. 8 5 pública, analisar a autuação como um todo. Pede que em nome dos princípios da justiça tributária e da verdade material, seja apreciado seu recurso. Também discute o lançamento da multa de 75% por considerála confiscatória e a cobrança dos juros de mora com base na Taxa Selic. (...) Ressaltese que não se trata no caso de inovação de prova, não apresentada quando da impugnação. Simplesmente o lançamento correspondente a essa infração não foi impugnado.” A meu ver as situações fáticas envolvidas no presente caso e no paradigma apresentam diferenças relevantes que impedem o confronto de teses aptas a permitir o conhecimento do recurso especial de divergência. O paradigma indicado pela Recorrente trata da preclusão em situação na qual determinada matéria não foi objeto de impugnação pelo contribuinte. Examinando tal paradigma verifico tratar de situação na qual determinado contribuinte foi autuado sendo identificadas três infrações (i) a existência de custos não comprovados, (ii) custos/despesas não eram necessários e (iii) a existência de antecipação de custos. A decisão de primeira instância, no caso colacionado como paradigma, entendeu que os lançamentos relativos a glosa de custos por falta de comprovação e das despesas consideradas desnecessárias eram improcedentes e manteve o lançamento somente em relação aos custos apropriados indevidamente no exercício, tendo em vista a ausência de impugnação. O acórdão paradigma, assim, entendeu que o CARF não poderia se pronunciar sobre o tema tendo em vista a preclusão pela ausência de impugnação tempestiva quanto a determinada infração. No presente caso, diversamente do que se verificou no paradigma, o contribuinte apresentou impugnação questionando a integralidade do lançamento. Consta da impugnação, bem como do recurso voluntário, que o contribuinte sustentou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, questionou a tributação por depósitos bancários sem origem comprovada. O acórdão recorrido, ainda que por fundamentação jurídica diversa daquela apresentada pelo contribuinte, entendeu por bem cancelar o lançamento ante a sua ilegalidade face à ausência de intimação dos cotitulares. Assim, no presente caso, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte que, desde sua impugnação, sempre se insurgiu contra o lançamento pela sua ilegalidade. Não há, portanto, a existência de preclusão pela ausência de impugnação como se verifica no acórdão paradigma. Em outras palavras, no caso presente não houve infração não impugnada, e sim decisão por argumento jurídico diversos daqueles invocados pelo recurso, mas em relação ao mesmo pedido de cancelamento da exigência. Dessa forma, não verifico a similitude de situações fáticas com resultados distintos a comprovar a divergência. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Destarte, entendo que não restou caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual NÃO CONHEÇO do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 19396.720005/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE.
As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações desembaraçadas no regime comum de importação. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade.
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE.
O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de usado do bem. Todavia, in casu, concluiu-se que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de usada para o procedimento aduaneiro.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada.
EDITADO EM: 29/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Walber José da Silva
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações desembaraçadas no regime comum de importação. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE. O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de usado do bem. Todavia, in casu, concluiu-se que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de usada para o procedimento aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor do recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada. EDITADO EM: 29/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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MULTA. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes PAN MARINE DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE. O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de “usado” do bem. Todavia, in casu, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de “usada” para o procedimento aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 05 /2 01 1- 45 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor do recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora designada. EDITADO EM: 29/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de multa por importação, no REPETRO, desamparada de guia de importação ou documento equivalente, e multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, tendo sido nomeado um terceiro como responsável. Inconformadas com a autuação a empresa interessada e a responsável impugnaram o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa por falta de licença de importação e para excluir a SHELL do pólo passivo da obrigação, nos termos do Acórdão no 0726.750, de 21/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008. REPETRO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase também ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008. INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Impugnação Procedente em Parte Desta decisão a Turma de Julgamento recorreu de ofício ao CARF. Ciente desta decisão em 19/12/2011 (fl. 735), a empresa autuada ingressou, no dia 18/01/2012, com o recurso voluntário de fls. 749/776, no qual alega, em síntese, que: 1 não houve omissão da informação de que se tratava de um bem (embarcação) usado. No campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da Mercadoria” consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação a ser admitida temporariamente, sob o regime do Repetro. Não houve, portanto, omissão dessa característica do bem importado. 2 a pretendida não indicação de que o bem era usado ficou superada como conseqüência lógica da aceitação de não ser necessária a Licença de Importação; 3 correta leitura do art. 136 do CTN. A responsabilidade por infração depende de culpa do agente; Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 5 4 4 inexistência de benefício ao contribuinte e dano ao erário. Não há referência neste sentido no processo de revisão aduaneira. A aplicação de tão elevada multa, pela pretendida falta de algo que não fazia falta, fere os princípios basilares de legalidade e razoabilidade; 5 o efeito conclusivo da reexportação da embarcação e conseqüente baixa no termo de responsabilidade. Se algum tributo fosse devido, deveria ser pago antes de autorizada a reexportação. 6 junta parecer do jurista Prof. J. Madeira, como subsídio à impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. E o recurso de ofício também atende aos requisitos legais e merece ser conhecido. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de duas multas: uma pela falta de LI e outra pela falta de indicação, no campo próprio da DI, que o material importado (embarcação) era usado. Além disso, como as embarcações importadas destinavamse a fretamento para a SHELL BRASIL, esta foi incluída no pólo passivo da obrigação tributária constituída pelo lançamento. A decisão recorrida, considerando, entre outras razões, que a exigência da LI davase na habilitação do regime especial REPETRO e que a importação se deu em regime especial, e não em regime comum de importação a que se refere o art. 706, I, “a”, do RA/2009, julgou improcedente o lançamento da multa pela falta da LI. A decisão recorrida manteve a multa pela falta de indicação, no campo próprio da DI, de que o material importado era usado, conforme previsto no item 40, do Anexo Único, da IN nº 680/06, porque de fato tal informação não foi prestada pela empresa importadora e a indicação, na descrição da mercadoria, do ano de fabricação da embarcação não supre a obrigação de informar a condição da mercadoria no campo próprio da DI. Relativamente ao recurso de ofício, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Em matéria de penalidade, o fato tem que se subsumir à norma. No caso concreto, a norma penal tributária é o art. 706, inciso I, alínea “a”, do RA/2009, abaixo reproduzido. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, caput e §6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e §6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o); e Como bem disse a decisão recorrida, o desembaraço aduaneiro se deu no regime especial Repetro e, independente se esta operação estava ou não sujeita à licença prévia de importação, tal exigência deveria ser observada quando da concessão do regime especial e não quando da importação, pelos fundamentos legais que cita. Relativamente à responsabilidade da SHELL BRASIL, perde o objeto em relação à multa exonerada e, em relação à multa remanescente, objeto do recurso voluntário do contribuinte, não há como atribuir à SHELL BRASIL responsabilidade pela declaração inexata prestada pela empresa importadora na DI. Portanto, correta a decisão de excluir a SHELL BRASIL do pólo passivo da obrigação lançada. Quanto ao recurso voluntário da empresa autuada, inicialmente devo registrar que a infração imputada à Recorrente, ainda litigiosa, é só uma: ela deixou de indicar no campo próprio da DI a condição de usado do bem importado. Só isto. Em conseqüência, na análise do recurso voluntário não será apreciado os argumentos da Recorrente relacionados à outra infração objeto do recurso de ofício por ser impertinente e estranha à lide. Ao contrário do defendido pela Recorrente, não há correlação lógica entre a multa aplicada por falta de indicação, no campo próprio da DI, da condição de usado do produto importado e a multa aplicada pela falta de licença de importação. A existência ou a falta de LI não implica na falta ou existência da informação na DI da condição da mercadoria, e viceversa. Da mesma forma, a exigência ou a dispensa da LI não implica na dispensa ou exigência da informação na DI da condição da mercadoria, e viceversa. Portanto, analisarseá, neste voto, somente os argumentos pertinentes à infração litigiosa imputada à recorrente: falta de indicação, na DI, da condição de material usado. A multa lançada, objeto da lide, está prevista no art. 711, inciso III, do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido. Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 7 6 necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. Não procede a alegação da Recorrente de que não houve omissão da informação de que se tratava de um bem (embarcação) usado porque no campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da Mercadoria” consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação. Também não procede o argumento da Recorrente de que o erro cometido não acarretou dano ao Erário e que não houve dolo, sendo injustificável a imposição da penalidade. As razões pelas quais entendo improcedentes os argumentos da Recorrente são os mesmos da decisão recorrida e abaixo reproduzido. Como se percebe, era obrigação da interessada assinalar o indicativo relacionado à condição da mercadoria, dado que efetivamente se tratava de material usado. Tal informação, não era irrelevante ou prescindível, tratavase de obrigação devidamente estabelecida e, necessária ao controle aduaneiro, controle este exercido pela administração fazendária, que por ato específico determinou que tal informação deveria ser prestada pelo importador quando esta condição (material usado) se fizer presente. Neste sentido, o juízo de valor relacionado à necessidade de aposição desta informação é prescindível, posto que determinado em ato normativo. [...] Ocorre que no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade,natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 8 7 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifos do original). Como se sabe, a administração pública regese pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, caput), especialmente em matéria de administração tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, arts. 3º e 142, parágrafo único). Portanto, considerando o erro cometido, e a disposição legal, há que se registrar que os fatos se subsumem à hipótese legal. Também não procede o argumento da Recorrente de que, tendo as embarcações sido reexportadas, se tributo devido existisse deveria ser pago antes de autorizar a reexportação. E não procede porque o lançamento atacado não é de tributo e sim de penalidade por infração ao controle aduaneiro, ou seja, prestação de declaração de importação (DI) inexata. O fato da Recorrente ter cumprido o Termo de Responsabilidade de reexportar as embarcações não a redime da declaração inexata prestada quando da importação das mesmas. No tocante ao parecer do ilustre jurista e professor J. Madeira, anexado ao recurso voluntário, não obstante a respeitabilidade de seu signatário, cabem, aqui, as palavras de Calamandrei, escritas a respeito de como devem ser vistos os pareceristas (citado no Parecer PGFN/GAB nº 859, de 1998 – D.O.U. nº 126, de 06/07/1998, pág. 13) Dirseá que esses senhores nos querem convencer de que nas consultas, pagas a tanto por linha, não fazem obra de partidários de “A” ou de “B”, mas de mestres desinteressados, que não se preocupam com os negócios deste pobre mundo (...) não há meio de se chegar a compreender por que bolas é que nesses pareceres, a verdade, com V grande, coincide sempre com o interesse da parte que os solicitou. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 9 8 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Relator Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Os recursos atendem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme relatado, da decisão de primeira instância administrativa foram apresentados recursos de ofício e voluntário. Do que se depreende dos autos, foram imputadas duas espécies de multa, a primeira por não apresentação de Licença de Importação, a qual seria imprescindível em vista dos bens importados serem usados e a segunda em decorrência da não indicação da qualidade de “usado” para o bem importado. Em relação ao Recurso de Ofício, devem ser analisados os seguintes pontos: (i) a multa por falta de LI e (ii) a solidariedade com a Shell Brasil. Passo a analisar cada ponto debatido. (i) Da Multa por Falta de LI Esta multa está prevista no artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto n° 4.543/02 (Decreto n° 6.759/09, artigo 706, inciso I, alínea “a”), conforme consignado no relatório do auto de infração. Neste ponto a decisão recorrida apresenta dois fundamentos para o cancelamento da multa: (a) o fato de o Regime de Concessão ser concedido e cassado por autoridade competente e (b) o entendimento de que a contribuinte não estava obrigada a apresentar a LI. (a) Do Regime de Concessão No que se refere a este item, as autoridades administrativas de primeira instância concluíram que, sendo a dispensa da Licença de Importação – LI uma conseqüência do Regime Especial de Importação, a aplicação de multa pela não apresentação da LI por via transversa significa o cancelamento do próprio benefício. Neste ponto a decisão recorrida entende que a competência para cancelar o Regime Especial é de autoridade específica, e não do auditor fiscal que está procedendo a fiscalização. Com razão a decisão recorrida. Não tenho dúvidas de que os Regimes Especiais estão sujeitos a regramento específico e a órgãos de controle determinados. Os atos concessórios dos Regimes Especiais são documentos públicos que contam com presunção de veracidade e devem ser desta forma considerados, sob pena, justamente, de estarse negando fé a documentos públicos, o que por si só atenta contra a Constituição Federal/882. 2 “Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencionálos, embaraçarlhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 10 9 Sem mencionar que a competência para cassar o ato é daquele Órgão que o proferiu, os auditores da Receita Federal não podem cassar ato concessório de Regime Especial submetido a regime próprio. Necessário registrar que não consta qualquer apontamento nos autos no sentido de que a contribuinte fiscalizada foi excluída da REPETRO. Na ausência de um ato próprio emanado pela autoridade competente no sentido de cancelar o benefício específico concedido, compete à autoridade administrativa de fiscalização apenas acatar a condição posta (e devidamente demonstrada por documentos públicos) da contribuinte. Na hipótese de serem constatadas irregularidades, a autoridade administrativa deverá noticiar o Órgão competente para que este possa tomar as providências cabíveis quanto à cassação do incentivo. Concluise, portanto, que a contribuinte PAN MARINE está no regime especial da REPETRO e, em decorrência de tal condição, deve ter a si aplicada as prerrogativas deste Regime, inclusive a autorização para realizar importação de bens sem a emissão de LI. (b) Da Licença de Importação Transposto obstáculo inicial, estando aceita a premissa de que a contribuinte PAN MARINE está no regime especial da REPETRO, mister analisar se, por estar neste regime, estaria dispensada da apresentação de LI. Importante registrar que a Licença de Importação foi entendida pela fiscalização como devida in casu em virtude dos bens importados serem usados. A questão aqui é que a contribuinte com base nas Portarias Secex 36/2007 e 25/2008, artigos 6º/7º e 7º/8º, respectivamente entendeu que, em razão de estar procedendo à importação de bens em regime temporário, por meio de regime especial (REPETRO), estava dispensada de realiza a Licença de Importação – LI. “DO LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES Seção I Do Sistema Administrativo Art. 6º O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I importações dispensadas de Licenciamento; II importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). II recusar fé aos documentos públicos; III criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.” Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 11 10 Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (...)” Por outro giro, a fiscalização entendeu aplicável ao caso o artigo 9º da Portaria Secex 36/2007, repetido no artigo 10 da Portaria Secex nº 25/2008, o qual traz uma exceção para a forma de importação no caso de o bem importado ser usado: “Seção III Do Licenciamento Não Automático Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: (...) e) de material usado, salvo a exceção estabelecida no §2º do art. 35 desta Portaria; (...)” Neste sentido entendeu a fiscalização que, ainda que a contribuinte estivesse na REPETRO, deveria apresentar a LI porque os bens importados eram usados. Por este raciocínio, portanto, o fato de o bem ser usado excepcionava a regra geral de “não apresentação de LI”. Colocase, portanto, a questão em julgamento: tratase de exceção aplicável à regra geral? Concordo com a decisão recorrida no sentido de entender que não, que a interpretação da contribuinte é absolutamente possível e lógica. Veja que estamos tratando de dois dispositivos excepcionais: primeiro excepcionase a regra ao prever tratamento diferenciado para o regime de importação temporário pela REPETRO. Depois excepcionase a regra geral em virtude da característica do bem importado: ser usado. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 12 11 Diz a decisão recorrida que “As Portarias SECEX em comento não definiram grau de prioridade entre “dispensa” e “não dispensa” de licença de importação para os casos em que as operações de importação enquadradas no regime aduaneiro especial de admissão temporária ou no regime aduaneiro especial REPETRO possam estar contemplados simultaneamente em situação de “não dispensa”. Sem mencionar que o mesmo dispositivo – Portarias Secex 36/07 e 25/08, artigos 7º e 8º respectivamente – ao tratar da exceção de apresentação de LI para o caso de doação, excepcionou os bens usados: “Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (...) VII – doações, exceto de bens usados; (...)” É de se supor, portanto, que se houvesse intenção em excepcionar também os importadores pelo regime temporário do REPRETO, deveria haver a indicação expressa nas mencionadas Portarias Secex. Sem mencionar que, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, nos idos de 2010, foi publicada a Portaria Secex nº 10 a qual criou uma ordem de preferência às mencionadas exceções, a saber: “Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: ... § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa .” – destaquei. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 13 12 Neste aspecto, uma vez que as normas se aplicam apenas para frente e que à época dos fatos não havia regra de preferência ou norma específica que obrigasse a apresentação de LI, acertada a decisão recorrida. (ii) Da Solidariedade da empresa Shell do Brasil Ainda, a decisão recorrida exonerou a responsabilidade da empresa Shell, por entender que a infração mantida não atendia os pressupostos legais necessários a determinar a aplicação da solidariedade passiva. Neste particular, a única multa mantida pela decisão recorrida foi a multa de “não prestação de informação necessária”, sendo que a informação não apresentada apenas poderia ser realizada por ação da contribuinte PAN MARINE. A solidariedade está fundamentada no artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN e no inciso I do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, in verbis: Código Tributário Nacional CTN “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Decreto Lei 37/66 “Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)” A infração mantida referese à não informação, na Declaração de Importação – DI – de que o bem importado era “usado”. Tratase de obrigação acessória, não principal e para se aferir responsabilidade tornase necessário registrar a relação da Shell com o descumprimento desta obrigação acessória no sentido de entender se o contribuinte (i) poderia impedir/concorrer com a infração e (ii) qual benefício lhe traria esta infração. Ao se tratar do primeiro item, correta a decisão recorrida ao concluir que não havia meios de a contribuinte solidária incorrer na infração, pois as informações na DI somente podem ser incluídas pela importadora, assim a Shell não tinha como realizar a infração. Por conseqüência lógica, não havia meios de a contribuinte indicada como solidária concorrer/colaborar com a ocorrência da infração. No que se refere ao suposto benefício que a infração cometida traria, aplica se o mesmo raciocínio. Isto porque a importação não foi realizada por conta e ordem da contribuinte solidária e a admissão foi em regime temporário, o qual foi cumprido, com o Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 14 13 respectivo retorno do bem importado para o exterior. Inexistiu, portanto, qualquer benefício à Shell que justifique a aplicação da penalidade em apreço. Em vista destes fatos, concordo com a decisão recorrida no que se refere à matéria apresentada a título de Recurso de Ofício, negando provimento a seus termos. No que se refere ao Recurso Voluntário discutese acerca da aplicação da “multa de não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro”, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Como relatado, neste ponto a discussão alcança o fato de o importador (contribuinte PAN MARINE) ter deixado de informar, na Declaração de Importação, que o bem importado era usado. A contribuinte alega em seu favor que não houve prejuízo ao Fisco e que na DI indicou a data da fabricação da mercadoria, o que supriria a mencionada deficiência. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte ainda alegou pela impossibilidade de manutenção da infração em vista da conexão lógica com a obrigação principal – apresentação de LI – que foi cancelada. Ao analisar esta questão, a decisão recorrida entendeu que a indicação da característica de “usada” do bem é de responsabilidade objetiva, e que o dado omitido pretende informar a fiscalização para que seja possível submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço. Ainda, registra a decisão que havia um campo específico na DI para esta informação. A multa lançada encontra supedâneo no inciso III do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro RA, o qual da seguinte forma determina: “Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 15 14 (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. (...)” Pareceme estar com razão a Recorrente. É que o inciso III acima citado trata das informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado seria realmente a emissão prévia de LI, assim, em princípio, poderseia imaginar que a informação do bem usado era necessária para o procedimento de importação. Todavia, conforme decidido inclusive em sede de recurso de ofício, concluiu se que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI (conforme voto da DRJ, que mantive). Desta forma, no meu entender, se a situação em análise não é hipótese de sujeição prévia à LI, esta informação do bem ser “usado” deixou de ser necessária para o procedimento aduaneiro. Nestes termos e por coerência de raciocínio, se a ausência desta informação não se coaduna com a exigência pautada no inciso III, do artigo 711, do RA, não é possível a manutenção da multa da forma como lançada. Ante o exposto, conheço dos recursos apresentados para o fim de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Acórdão Reeditado – Despacho Decisório nº 3302078, de 22/09/2014. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720005/201145 Acórdão n.º 3302002.024 S3C3T2 Fl. 16 15 Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001903/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO SIMPLES. ACÓRDÃO - OMISSÃO
Constatado conteúdo na ementa do Acórdão de tema absolutamente estranho aos autos, acolhem-se os embargos para sanar o vício.
Numero da decisão: 1301-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, embargos de declaração acolhidos para ratificar a decisão prolatada.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO SIMPLES. ACÓRDÃO - OMISSÃO Constatado conteúdo na ementa do Acórdão de tema absolutamente estranho aos autos, acolhem-se os embargos para sanar o vício.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO SIMPLES. ACÓRDÃO OMISSÃO Constatado conteúdo na ementa do Acórdão de tema absolutamente estranho aos autos, acolhemse os embargos para sanar o vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, embargos de declaração acolhidos para ratificar a decisão prolatada. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 19 03 /2 00 5- 51 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10909.001903/200551 Acórdão n.º 1301001.326 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional apontando ocorrência de erro material verificado pela incongruência da ementa com o conteúdo versado no processo. Reputa a zelosa Procuradoria ser aplicável o artigo 66 do Regimento Interno do CARF, requerendo seja sanado o erro material para retificarse a ementa do julgado com a reabertura do prazo recursal. É a sintese do necessário. É o relatório. Voto Assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional. Com efeito, o processo versou exclusão da contribuinte do SIMPLES, ainda na regência da Lei nº 9.317/96, por alegada prática de atividade vedada. Em sede de julgamento do Recurso Voluntário firmouse entendimento de que as atividades desenvolvidas pela contribuinte não eram imeditivas da opçõo pelo sistema simplificado, porquanto se dedicava à construção e reparos de pequenas embarcações. Em flagrante erro material a ementa do Acórdão fez constar conteúdo absolutamente estranho aos autos, versando hiótese de arbitramento de lucro, acoimando o Acórdão com a pecha de contradição e reclamando o acolhiento dos Embargos de Declaração ora apreciados. Registrese, por fim, que a pretendida reabertura do prazo recursal é corolário da integração resultante do provimento dos Embargos de Declaração, evitando assim prejuízo à parte. Pelo exposto, acolho os Embargos de Declaração para cancelar a ementa originalmente lançada e ratificar a decisão prolatada e fazer integrar ao Acórdão como segue: SIMPLES. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO. REPARO E CONSTRUÇÃO DE EMBARCAÇÕES. As atividades de construção, reparo e manutenção de embarcações de pequeno porte não são necessariamente desenvolvidas por profissionais que dependam de habilitação profissional específica. Recurso voluntário provido. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2013. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10909.001903/200551 Acórdão n.º 1301001.326 S1C3T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011839/2007-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
Arbitramento Do Lucro Por Descumprimento De Condições Para Permanência No Simples. Necessidade De Emissão Do Ato Declaratório Executivo De Exclusão.
É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1801-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 Arbitramento Do Lucro Por Descumprimento De Condições Para Permanência No Simples. Necessidade De Emissão Do Ato Declaratório Executivo De Exclusão. É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES.
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NECESSIDADE DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. NECESSIDADE DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 18 39 /2 00 7- 45 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0328.888/09 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 561 a 578, que decidiu julgar procedentes em parte os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências das contribuições de PIS e Cofins, relativas ao anocalendário de 2004, restando devidos os valores de R$ 224.166,00 e R$ 298.888,01, mais acréscimos legais (multa de ofício regular e juros de mora), respectivamente. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: "[...] De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infração, o lançamento decorreu da apuração de recolhimento a menor a título de COFINS e PIS, tendo em vista que a empresa teve ser lucro arbitrado no anocalendário 2004. O arbitramento decorreu do fato de o contribuinte, sujeito a tributação com base no Sistema Integrado de Pagamento e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES não possuir escrituração na forma das leis comerciais, nem ter apresentado à Fiscalização o Livro Caixa referente ao ano calendário 2004. Consta do Auto de Infração que as Contribuições para o PIS e COFINS foram calculadas com base na receita bruta conhecida, conforme Demonstrativo de fl. 153, considerando as informações reveladas nos Mapas de Vendas Relação Mensal 2004 (fls. 80/103) fornecidos pela pessoa jurídica, bem como nos dados informados em sua declaração anual simplificada (fls. 104/147). [...] Em sua impugnação o contribuinte requer o cancelamento total dos lançamentos alegando, em resumo, o seguinte: · Entende que as exigências a título de COFINS e PIS decorrem do procedimento fiscal que "passou a adotar como forma de arbitramento o cálculo com base no regime presumido". · Alega que a Fiscalização utilizou os "Mapas de Vendas Relação Mensal 2004" como "balizadores para aplicação do ato de arbitragem e presunção de lucros e levante de receitas brutas". · Diz que o tema é complexo e que todo o problema se deve à forma de tributação quanto à real receita bruta de vendas da empresa. · [...] · As operadoras de telefonia, ao disponibilizarem seus produtos para fornecimento e distribuição emitem Nota Fiscal, o que as obriga de fazer o recolhimento do valor de PIS e COFINS, repassando a solidariedade apenas da diferença apurada entre o valor total de face Fl. 631DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011839/200745 Acórdão n.º 1801002.150 S1TE01 Fl. 3 3 do produto e o valor já devidamente assumido anteriormente pela fornecedora. · Transcreve a Lei n° 10.637/02, em seu art. 1o, § 3o, inciso III, e a Lei n° 10.833, art. 1o, § 3o, inciso III, que tratam de revenda de mercadoria no caso de substituição tributária. · Afirma que se considera responsável apenas pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre o valor que está comercializando, para não gerar Bitributação. · Considerando que a empresa estava optando pelo regime simplificado de apuração de impostos, a mesma efetuou seus recolhimentos conforme preceitua a lei, lançando o valor apurado segundo seu entendimento legal. · Tomou como base a sua receita bruta correspondente às comissões recebidas, pois não revendia os cartões aos consumidores finais e sim fazia a distribuição e fornecimento do produto da operadora ao ponto de venda e este sim ao consumidor final. · Diz que apresentou essas justificativas à Fiscalização e que pode demonstrálas por meio dos contratos firmados com as operadoras, conforme os que junta aos autos; · Alega que a Fiscalização não considerou suas justificativas, levantando de forma errônea e injusta a base de cálculo do PIS e da COFINS sem considerar sua atividade comercial, a qual é subordinada às regras impostas por seus fornecedores, conforme trecho de contrato que transcreve, referente a fornecimento de cartões telefônicos. · Explica que a empresa está condicionada a ganhos (receitas) conforme cláusula 6.1 de um dos contratos que transcreve: "6.1 Os cartões PréPagos, de qualquer valor, serão adquiridos pela Distribuidora com um desconto de 11% (Onze por cento), sobre o valor facial, devendo ser repassado aos pontos de venda autorizados pela Fornecedora um desconto de no máximo 8% (oito por cento) sobre o valor facial". · Diante disso, afirma que não poderia arcar com um lançamento de crédito tributário de PIS e COFINS onde os resultados são amplamente superiores à margem bruta de ganho da empresa, acrescentando ainda que "está substituída tributariamente pelas operadoras que já pagam o PIS e COFINS integralmente pela emissão de suas Notas de Vendas". · Explica a metodologia utilizada para calcular a margem bruta efetiva, em base a uma nota fiscal específica, explicando acerca do preenchimento do "Mapa de Vendas 2004", no qual informa "o valor em que a empresa distribui/fornece os produtos adquiridos de sua fornecedora aos pontos de vendas finais". Por sua vez, explica que preenche o "Mapa de Vendas Margem Bruta 2004" com os valores que efetivamente detém em cada operação, para fazer face as suas despesas operacionais e ofertar a tributação. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 · Assim, entende que a Fiscalização cometeu erro ao somar a margem da empresa aos valores totais de fornecimento aos pontos de vendas. · Refaz os cálculos na tentativa de demonstrar sua tese de Bi tributação, concluindo que não há outro modo a não ser apurar a base de cálculo sobre a diferença. · Refuta os lançamentos feitos com base em alegação de recolhimento a menor em relação ao pago pelo Simples, mesmo diante de toda documentação apresentada: Notas Fiscais, Mapas de Vendas, apuração da Margem Bruta, explicações e contratos. · Afirma que durante todo o procedimento a Fiscalização enquadrou a empresa no regime de tributação do Simples Federal, tendo inclusive mencionado o art. 7o, § Io da Lei n° 9.317/96 como base para o arbitramento. · Alega que a Fiscalização abandonou suas razões mas admitiu para seu "arbitramento exorbitante" apenas os valores indicados no Mapa de Vendas e não "o valor real que é da empresa", desconsiderando o que já foi assumido pelos fornecedores · Questiona a rejeição da margem bruta como base de cálculo mas a sua consideração como se presumida fosse, concluindo que o fisco aplica punição em forma de majoração de tributos culminado de multa de 75%, por não aceitar a forma de tributação que esta adotou. · Sugere que o lançamento deveria ter considerado o princípio da não cumulatividade para as Contribuições para o PIS e COFINS, o que seria uma forma mais justa e correta, não transformando o tributo em punição, concorrendo para a dissolução da empresa e ao processo de descontinuidade e de inviabilidade econômica. · Detalha a composição do Mapa de Vendas e da Margem Bruta e apresenta planilha indicando o montante das Receitas de Vendas (R$8.272.713,06) e da Margem Bruta (R$ 309.891,17). [...] · Diante de tal erro, entende que o lançamento fiscal é nulo, conforme art. 59, § 1o, do CTN, que transcreve. Diz que tal nulidade deve alcançar as exigência do PIS e da COFINS. [...] VOTO [...] O lançamento fiscal objeto de litígio decorre do arbitramento do lucro de empresa que se encontrava inscrita no SIMPLES e que não apresentou à Fiscalização o livro de escrituração obrigatória Livro Caixa. Em decorrência, as Contribuições para o PIS e COFINS foram calculadas com base na receita bruta conhecida informada pela pessoa jurídica, tendo como base legal o disposto no Decreto n° 4.524/02, artigos 2o, 3o, 10,22 e 51. Cabe inicialmente esclarecer que o procedimento fiscal adotado foi unicamente o arbitramento do lucro e não "regime presumido", como o contribuinte expressa em sua impugnação, misturando figuras distintas. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011839/200745 Acórdão n.º 1801002.150 S1TE01 Fl. 4 5 A presunção não foi parte das exigências objetos dos autos, que se fundamentou em dados reais da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, informada em demonstrativos de sua própria autoria, denominados "Mapas de Vendas Relação Mensal 2004" (fls. 92/103), fundamentando se também nas informações prestadas na declaração PJSI 2005 SIMPLES (fls. 104/147). [...] Alegou a autuada que a Fiscalização teria enquadrado a empresa no regime de tributação do Simples Federal, na medida em que mencionou a Lei n° 9.317/96, que trata do regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte SIMPLES. Na realidade, esta opção foi exercida pela própria empresa ao apresentar sua PJSI 2005 SIMPLES (fls. 104/147). A Fiscalização por sua vez, exerceu sua atribuição legal ao verificar o cumprimento das regras para o enquadramento no referido sistema, tendo constatado o descumprimento do disposto no art. 7o, § 1o da Lei n° 9.317/96, o que implicou no arbitramento do lucro no exercício fiscalizado. Portanto, o arbitramento decorreu do fato de o contribuinte não possuir o Livro Caixa, que é de escrituração obrigatória para as empresas inscritas no SIMPLES Federal, conforme artigo 7o, § Io da Lei n° 9.317/96. Na falta do referido Livro Caixa, a condição legal que possibilitava a dispensa da escrituração comercial restou descumprida e, conseqüentemente, o contribuinte ficou obrigado à escrituração na forma da legislação comercial, cuja inexistência implicou no arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, como determina o precitado art. 530, III, do RIR/99. [...] Portanto, existe vedação expressa à aplicação do regime de não cumulatividade à autuada, que estava inserida no SIMPLES e teve seu lucro arbitrado pela Fiscalização. Com relação à aplicação do regime especial de substituição tributária, não há previsão legal para a utilização do referido regime em operações de venda de cartões telefônicos pelas concessionárias aos revendedores credenciados, sendo também inócuos os argumentos apresentados nesse sentido pela impugnante. Esse tema é objeto da Solução de Consulta que se comentará adiante. Alegou a autuada que estava optando pelo regime simplificado de apuração de impostos, tendo efetuado seus recolhimentos de acordo com a legislação que rege a referida opção, tomando como base a sua receita correspondente às comissões recebidas, alegando ainda que não revendia os cartões aos consumidores finais e sim fazia a distribuição e fornecimento do produto da operadora ao ponto de venda e este sim ao consumidor final. Verificase, inicialmente, que a impugnante entra em flagrante contradição, pois agora alega que não revendia os cartões, enquanto que antes havia solicitado a aplicação dos artigos 1º, § 3°, inciso III das Leis n° 10.637/02 e a Lei n° 10.833/03, que tratam de revenda de mercadoria no caso de substituição tributária. Adicionalmente, verificase que a autuada confunde receita bruta com lucro, figuras distintas. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Ademais, a autuada deixou de cumprir exigência formal para permanecer no referido regime simplificado, na medida em que não apresentou seu Livro Caixa, não deixando outra opção à Fiscalização que não o arbitramento do lucro e o conseqüente cálculo das contribuições sociais com base na receita bruta informada. Também não se vislumbra, nos autos, a figura da bitributação alegada pela impugnante. Em relação ao caso específico de Receitas Provenientes de Venda de Cartões telefônicos, convém esclarecer que a questão relacionada ao tratamento tributário a ser dado às receitas decorrentes da revenda de cartões telefônicos já foi objeto de análise pela Superintendência da Receita Federal da 4a Região Fiscal (Decisão SRRF/4" RF/DISIT N° 70, de 28 de dezembro de 2000), pela Superintendência da Regional da Receita Federal da 7a Região Fiscal (Decisão SRRF/7a RF/DISIT n° 35, de 09 de fevereiro de 2000, e pela Superintendência da Regional da Receita Federal da 2a Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/2a RF/Disit n° 36, de 05/04/2004), sendo que todas no mesmo sentido, ou seja, todas as mencionadas decisões concluíram que a totalidade dos valores percebidos em decorrência de venda de cartões telefônicos integram a receita bruta, sofrendo, assim, incidência não só do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, mas também da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social Pis. Por aplicarse ao caso em questão, devem ser destacados os seguintes trechos da Decisão SRRF/4" RF/DISIT N° 70: [transcreve trechos da Consulta] Com base nos fundamentos acima transcritos, concluise que a totalidade dos valores percebidos pela autuada na revenda de cartões telefônicos integra sua receita tributável, sofrendo, assim, incidência não só do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, mas também da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. É irrelevante o fato de a autuada declarar que não efetua venda mas apenas "distribuição" dos referidos cartões, pois o fato econômico real realizado pela mesma é a venda, conforme refletem inclusive seus próprios demonstrativos: "Mapas de Vendas Margem 2004" (fls. 80/91) e "Mapa de Vendas 2004" (fls. 92/103). Ou seja, em sua impugnação a autuada evita utilizar a palavra venda, por exemplo ao explicar acerca do preenchimento do "Mapa de Vendas 2004", no qual diz que inclui "o valor em que a empresa distribui/fornece os produtos adquiridos de sua fornecedora aos pontos de vendas finais". É evidente que o Mapa de Vendas computa as vendas, nos valores correspondentes às operações realizadas pela autuada. É irrelevante que a autuada afirme que "apenas fornece ou distribui" os cartões, pois os documentos apresentados pela própria atestam que de fato realiza operações mercantis, fornece ou distribui cartões a título oneroso, o que caracteriza a venda. De fato, sua atuação não poderia ser outra senão a revenda, uma vez que a autuada compra os cartões da concessionária, como indicado pela mesma nas "Relações Mensais de Notas de Compras 2004" juntadas à impugnação (fls. 474/486), cujas cópias das Notas Fiscais nelas listadas foram juntadas às fls. 206/441 dos autos. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011839/200745 Acórdão n.º 1801002.150 S1TE01 Fl. 5 7 As cópias de contratos trazidas aos autos também demonstram que a operação entre a concessionária e a autuada é tipicamente mercantil, mencionandose por exemplo as seguintes cláusulas: [transcreve cláusulas dos contratos firmados com as concessionárias] Verificase que embora os referidos contratos utilizem o termo "distribuição", os mesmos evidenciam que a natureza da operação é de venda. O passo seguinte é a revenda, pela autuada, por conta própria, conforme consolidado em seus demonstrativos "Mapas de Vendas Margem 2004" (fls. 80/91) e "Mapa de Vendas 2004" (fls. 92/103). Alegou ainda a autuada que a Fiscalização cometeu erro ao somar as informações contidas nos "Mapas de Vendas Margem 2004" (fls. 80/91) com o "Mapa de Vendas 2004" (fls. 92/103), pois a margem já estaria contida no total das vendas. Analisandose os referidos demonstrativos, constatase que as quantidades vendidas informadas em ambos, em cada mês, são exatamente as mesmas, o que evidencia que de fato a parcela correspondente à "Margem" já estaria considerada no montante informado no "Mapa de Vendas". Ao calcular a receita bruta de vendas que constituiu a base de cálculo das contribuições objeto dos autos a Fiscalização não somou o conteúdo dos dois demonstrativos citados, mas sim considerou, conforme demonstrativo à fl. 153, a Receita Bruta de Vendas informada nos "Mapa de Vendas 2004" (fls. 92/103), e os valores que haviam sido informados ao SIMPLES (fls. 104/147), os quais coincidem em grande parte com os valores indicados nos "Mapas de Vendas Margem 2004" (fls. 80/91). A partir dos esclarecimentos prestados na fase impugnatória, que demonstram que a parcela informada ao SIMPLES era parte da receita bruta de vendas, deve ser excluída da base de cálculo das contribuições sociais a parcela considerada em duplicidade. Esse fato não é motivo de nulidade do lançamento, como alega a impugnante, devendo apenas ser ajustado o montante da exigência de modo a excluir do valor tributável as parcelas referentes à "margem" informada ao SIMPLES, que foram computadas em duplicidade, conforme demonstrativos a seguir, relativos, respectivamente, À COFINS e ao PIS lançados no presente processo: [tabela de valores]" A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 595 a 616, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 04/03/09, efls. 582; Recurso – 30/03/09, efls. 595 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em pesquisa ao sistema eprocesso, constatase que a recorrente teve contra si lavrados Autos de Infração também para as exigências de IRPJ e CSLL, formalizadas no processo administrativo fiscal nº 10120.011840/200770. As autuações de IRPJ, CSLL e as para as exigências de PIS e Cofins, objetos destes autos, referemse ao mesmo anocalendário (2004) e têm a mesma matéria tributável utilizada como base de cálculo, levada à tributação pelo regime do arbitramento, em razão da empresa não apresentar a escrituração contábil, ao menos o Livro Caixa. O litígio relativo às exigências foi apreciado por esta Turma Julgadora em 08 de outubro de 2013, quando foi exarado o Acórdão nº 1801001.678 (anexado aos autos; efls. 623 a 629), que restou assim ementado: IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. NECESSIDADE DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES. Naqueles autos, foi solicitada diligência por este colegiado para que se exibisse o competente ato declaratório de exclusão da empresa do Simples Federal, ato administrativo necessário à alteração do regime de tributação realizado ex officio, de Simples, para o arbitramento do lucro. Esclareceu a autoridade fiscal designada ao cumprimento das verificações que a recorrente não fora excluída do Simples Federal no anocalendário de 2004, mas que se auto excluiu em 2005. Reproduzo os termos da Resolução, proposta pela Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e respectiva resposta: "De outra banda, também é obrigatória nos termos do artigo 15, parágrafo 3º da mesma lei retromencionada (Lei 9.317/1996), a expressa exclusão da empresa do SIMPLES por meio de ato declaratório, com a necessidade de ciência do contribuinte de modo a possibilitar a sua manifestação e eventual demonstração por meio de provas a correta ou não, exclusão, tudo em homenagem ao contraditório, ampla defesa e legalidade afeitos aos processos e procedimentos administrativos. A DRF silenciou acerca da exclusão. E a decisão de primeira instancia silenciou acerca da existência ou não do ato declaratório, embora a lei seja determinante. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, votouse pela conversão do julgamento na realização de diligência para que o ato declaratório de exclusão do SIMPLES FEDERAL seja juntado ao processo bem como comprovante de ciência da Recorrente. [...] Ao final, a d. autoridade preparadora elaborou o Despacho de Encaminhamento que compõe o processo eletrônico no arquivo 50707530. Informa que não foi formalizado ato declaratório de exclusão do SIMPLES, e aponta as razões que entende relevantes para esclarecer o procedimento fiscal." Fl. 637DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.011839/200745 Acórdão n.º 1801002.150 S1TE01 Fl. 6 9 Comprovado nos autos nº 10120.011840/200770 que a empresa não foi excluída do Simples Federal, de ofício, no anocalendário de 2004, defeso estava à autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro da recorrente, por consistir em alteração do regime de tributação ao qual se sujeitava a autuada. Adoto, em todos os termos, o voto proferido por esta Turma Especial na ocasião do julgamento dos autos conexos a este, de lavra do Conselheiro Leonardo Mendonça Marques: "Como se constata nos autos, conforme posto na informação fiscal vinda com a diligência, não foi editado o competente ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O que se tem é: exclusão mediante pedido da recorrente com efeitos a partir do anocalendário de 2005; verificação em procedimento de ofício da extrapolação dos limites de receita para o anocalendário de 2004 (que surtiria efeitos excludentes com relação ao anobase de 2005); arbitramento de ofício promovido com relação a 2004, pela não entrega dos controles contábeis exigidos pela lei (livrocaixa). Portanto, dentre os procedimentos fiscais e aqueles adotados pela própria recorrente, o que importa à resolução da presente lide administrativa, é o arbitramento de ofício com relação ao anocalendário 2004. Para tanto, não se pode prescindir da emissão do correlato ADE, que formalize a exclusão do SIMPLES, apontando os fundamentos fáticos e jurídicos, e permitindo, inclusive, a abertura do contencioso administrativo e/ou judicial pelo sujeito passivo. Esse é o rito indispensável prescrito na Lei n°. 9.317/96, em seu artigo 15, parágrafo 3°, nos seguintes termos: A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Assim, o lançamento formalizado nos presentes autos é insubsistente, por pretender exigir tributo sob regime tributário estranho àquele ao qual a recorrente encontravase submetida no período fiscalizado. A transposição para o regime geral, com o subsequente arbitramento do lucro, carece do ato administrativo definido na norma legal como sendo hábil a tal mister. Digase, por fim, que não se trata de mero vício formal do ato de lançamento destes autos. O defeito extrínseco ora apontado esvazia materialmente a autuação em comento. É insubsistente a base de cálculo e a tributação promovida, por não guardarem relação com a forma de apuração de tributos atrelada à recorrente no anobase 2004. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para determinar o cancelamento do auto de infração, e a exoneração do crédito exigido." Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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