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Numero do processo: 16561.000042/2009-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei.
O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA.
O termo inicial da contagem do prazo extintivo de que cuida o art. 150, §4º, do CTN é a ocorrência do fato gerador. Havendo o sujeito passivo optado pela apuração anual das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os fatos geradores desses tributos ocorrem no dia 31 de dezembro de cada ano. Somente a partir desse momento é que se inicia a contagem do prazo decadencial.
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 9101-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito da inclusão ou não das despesas de frete, seguro e tributos incidentes na importação no preço parâmetro, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (1) quanto à decadência, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN 243/2002 para o cálculo do método do PRL-60, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento e (3) quanto à incidência de juros sobre a multa, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Cristiane Silva Costa, que lhe deram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. O termo inicial da contagem do prazo extintivo de que cuida o art. 150, §4º, do CTN é a ocorrência do fato gerador. Havendo o sujeito passivo optado pela apuração anual das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os fatos geradores desses tributos ocorrem no dia 31 de dezembro de cada ano. Somente a partir desse momento é que se inicia a contagem do prazo decadencial. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 42 /2 00 9- 71 Fl. 6203DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito da inclusão ou não das despesas de frete, seguro e tributos incidentes na importação no preço parâmetro, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (1) quanto à decadência, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN 243/2002 para o cálculo do método do PRL60, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento e (3) quanto à incidência de juros sobre a multa, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Cristiane Silva Costa, que lhe deram provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, bem como de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em epígrafe com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Os referidos recursos especiais têm por objetivo atacar o acórdão nº 1102 001.238, da lavra da Segunda Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF (efl. 5418 e ss.), que julgou parcialmente procedente o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, e cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. A regra geral do IRPJ e da CSLL é a do fato gerador trimestral. No caso de apuração com base no lucro real, o contribuinte pode optar por pagamentos mensais, sendo certo que isso deslocará o fato gerador daqueles tributos para o dia 31 de dezembro do correspondente ano e, Fl. 6204DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 3 3 consequentemente, também o termo inicial da regra de decadência do artigo 150, § 4º, do CTN. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda” no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. PREÇO PRATICADO. FRETE. SEGURO. TRIBUTOS. É incabível a inclusão do frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado a ser comparado com o PRL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. TRANSAÇÕES CONTROLADAS. PERÍODO DE APURAÇÃO. Pela sistemática explicitada no artigo 45 da Lei nº 10.637/02, as transações controladas num determinado período de apuração são apenas aquelas importadas no próprio período. Entre elas, incluemse também os itens importados que não comporão o resultado tributável do período. Eventual excesso de custo sobre essas transações, deverá ser registrado na conta de ativo dos respectivos itens importados ou em subconta própria. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇOS PRATICADOS. ESTOQUES INICIAIS E FINAIS. Constatado que os estoques iniciais não haviam sido submetidos ao controle dos preços de transferência de períodos anteriores, há que se concordar com a sua inclusão no controle do próprio período de apuração e, consequentemente, sua inclusão no cálculo da média ponderada dos preços praticados. Constatado que os estoques finais não foram impactados pelo controle dos preços de transferência do período de apuração, há que se proceder a sua exclusão no cálculo da média ponderada dos preços praticados. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PIC. PRESUNÇÃO DE VINCULAÇÃO. Inexiste presunção de vinculação quando o contribuinte deixa de apresentar a documentação comprobatória dos preços utilizados nos cálculos do PIC. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. VINCULAÇÃO. É correta a exclusão de operações de “revenda” maculadas por evidências de vinculação nos cálculo do PRL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. SIMILARIDADE. A similaridade deve ser verificada na fidedignidade dos ajustes efetuados. Há que se verificar se foram efetuados ajustes de natureza física ou de conteúdo, considerando os custos relativos à produção do bem, exclusivamente nas partes que corresponderem às diferenças entre os modelos objeto da comparação. Fl. 6205DF CARF MF 4 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CPL. DEMONSTRATIVOS DE CUSTOS. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. Impossível assumir como verdadeiros os dados que pretensamente justificam a composição dos custos de bens importados, contidos num documento elaborado por empresa de auditoria situada no exterior, juntado aos autos em sede de impugnação, sem que este se faça acompanhar de qualquer elemento probatório dos valores e condições inseridos nos respectivos demonstrativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. (...) Inconformada com a parcela da exigência afastada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando, em síntese, que a decisão recorrida emprestou à lei tributária interpretação divergente da acolhida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, no que toca à inclusão dos valores pagos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado, quando adotado o método PRL (efl. 5492 e ss.). Referido recurso foi admitido por despacho exarado pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF (efl. 5512 e ss.). Por sua vez o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda Nacional reproduzindo, em síntese, as razões expostas no recurso voluntário para a não inclusão, no cálculo do preço praticado, dos valores pagos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação (efl. 6034 e ss.). Ademais, inconformado com a parcela da exigência mantida pelo acórdão nº 1102001.238, o sujeito passivo também contra ela interpôs recurso especial tendo como objeto divergência interpretativa emprestada à lei tributária por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, sobre os seguintes temas (efl. 5529 e ss.): a) decadência; b) ilegalidade do cálculo dos preços de transferência estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que concerne ao método PRL60; c) ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso do sujeito passivo foi admitido por despacho do Presidente da Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF (efl. 6176 e ss.). Por fim, apresentou a Fazenda Nacional contrarrazões ao especial do sujeito passivo, repisando as razões que sustentaram o lançamento de ofício (efl. 6184 e ss.). É o relatório. Fl. 6206DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 1) DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Alega a Fazenda Nacional que, ao contrário do decidido pela Turma recorrida, os valores pagos pelo sujeito passivo a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação devem ser adicionados ao valor FOB de aquisição do produto importado, para fins de cálculo do preço praticado quando adotado o método PRL, nos termos do art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96, que assim estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (g.n.) (...) §6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (g.n.) (...) Explica a Fazenda Nacional que a interpretação emprestada pela Turma recorrida ao art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96 diverge da contida nos acórdãos paradigmas nos 1302001.588 e 1402001.403. Em suas contrarrazões ao recurso o sujeito passivo arrola os seguintes argumentos: a) ao contrário do que afirma a Fazenda Nacional, o comando contido no §6º não é "inócuo" pois complementa/excepciona a norma contida no caput do art. 18; b) da mesma forma, é também inaceitável o argumento da "comparabilidade", conforme já decidido pela CSRF no âmbito do acórdão nº 9101001.166; c) igualmente, não procede o argumento do "falso problema" já que, acaso a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não implicasse qualquer limitação à dedutibilidade dessas parcelas, não teria havido autuação. Pois bem, não há reparos a fazer no despacho decisório que deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. Portanto, voto por conhecer do recurso. No mérito, há que se reconhecer que a correta interpretação do art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96 é aquela defendida pela Fazenda Nacional. Vejamos. Em primeiro lugar, pelo exame da norma em comento sob o ponto de vista meramente linguístico, é possível concluir que "o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação" (§6º), integram os "custos, Fl. 6207DF CARF MF 6 despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada" (caput), para fins do cálculo do preço praticado. Em segundo lugar, esse significado linguístico está em perfeita sintonia com a finalidade da lei, a qual determina a realização de ajuste no resultado fiscal quando o "preço praticado" na importação de bem junto à pessoa vinculada residente no exterior for superior ao preço que seria praticado acaso a operação de importação fosse realizada entre pessoas não vinculadas ("preço parâmetro"). Noutros termos, a lei determina que seja realizada uma comparação entre o "preço praticado" na importação do bem junto à pessoa vinculada residente no exterior, e o "preço parâmetro". Assim, se o "preço praticado" for superior ao "preço parâmetro", a diferença entre eles deverá ser adicionada ao lucro líquido para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Caso contrário, não haverá ajuste. Sendo uma comparação, é necessário que ambos os "preços" estejam em pé de igualdade a fim de que a diferença entre eles seja fruto, somente, da eventual manipulação do preço do bem importado pelas pessoas ligadas, manipulação essa que não aconteceria se a transação fosse realizada entre pessoas não ligadas (Arm's Length Transaction). Assim, por exemplo, para ficarem em pé de igualdade, se no "preço praticado" estão embutidos juros em razão de pagamento a prazo na importação do bem, e no "preço parâmetro" não estão embutidos tais juros (pagamento à vista), então, para fins da comparação entre aqueles "preços", das duas uma, ou os juros serão expurgados do "preço praticado", ou serão incluídos no "preço parâmetro". Não fosse assim, como em um "preço" estão embutidos juros, e no outro não, a diferença entre eles não seria fruto, somente, de uma possível manipulação do preço do bem importado. O que foi dito acima em relação aos juros vale, igualmente, para os valores pagos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. No caso do método PRL, ora sob exame, o preço parâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de bens importados junto a pessoa vinculada residente no exterior (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Pois bem, o pressuposto legal para o emprego do método PRL é que o bem seja revendido a uma pessoa não vinculada. Pois em transações entre pessoas não vinculadas é de se pressupor que o revendedor (no caso, o sujeito passivo) revenda o bem importado por um valor superior ao de importação, a fim de obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro em tais condições é de 20% o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preço parâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preço parâmetro PRL20) inclui não só o preço estimado de aquisição do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes Fl. 6208DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 5 7 sobre a importação deste produto. Resumindo, preço parâmetro PRL20 é um preço CIF + tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a comparação direta entre o preço de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preço parâmetro PRL20 (CIF + Trib. sobre importação), seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se o sujeito passivo e a pessoa a ele ligada residente no exterior estão, ou não, manipulando artificialmente o preço do bem importado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição ao preço parâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, e apenas para efeito dessa comparação, é necessário adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso obteremos o preço praticado de que cuida o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação devem integrar tanto o preço praticado como o preço parâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não integrar nem o preço praticado nem o preço parâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preço parâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem estarão incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96), ou bem não estarão incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines). Concluindo, seja do ponto de vista meramente linguístico, seja do ponto de vista da finalidade da lei (comparação entre preço praticado e preço parâmetro, com vistas a expurgarse os efeitos de uma possível manipulação de preços entre pessoas vinculadas), o art. 18, §6º, da Lei nº 9.430/96 deve ser interpretado no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integram o preço praticado com vistas a sua comparação com o preço parâmetro calculado segundo o método PRL. 2) DO RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO No item III de seu recurso, intitulado "Do Cabimento do Recurso Especial", o sujeito passivo procura demonstrar tanto o prequestionamento das matérias (item III.1) quanto a divergência interpretativa da lei tributária (item III.2) acerca de três temas, a saber: a) decadência; b) ilegalidade do cálculo dos preços de transferência estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que concerne ao método PRL60; c) ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 6209DF CARF MF 8 Todavia, no item IV do especial, intitulado "Dos Motivos Determinantes para Reforma do Acórdão Recorrido", a recorrente, além daqueles três temas acima mencionados, arrola outros cinco temas que com aqueles não mantêm vinculação, quais sejam: a) indevido aperfeiçoamento do lançamento promovido pelo acórdão recorrido (item IV.3 do recurso); b) ônus da prova na presunção de vinculação para fins de preços de transferência (item IV.4 do recurso); c) comprovação de custos para fins de aplicação do método CPL (item IV.4 do recurso, que, pela numeração seguida pela recorrente, deveria ser o item IV.5); d) abusividade da multa de ofício aplicada, equivalente a 75% do valor dos tributos lançados (item IV.6.1 do recurso); e) impossibilidade de incidência de juros Selic sobre o principal (item IV.6.2 do recurso). Em relação a esses cinco temas a recorrente não procurou demonstrar o prequestionamento, e sequer apontou acórdãos paradigmas da suposta divergência interpretativa. Isso posto, em relação a esses cinco temas não há como se conhecer do recurso especial do sujeito passivo, a teor do disposto no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CASRF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Quanto aos três primeiros temas é de se conhecer do especial do sujeito passivo, pois presentes os pressupostos para sua admissibilidade. 2.1) DA DECADÊNCIA Alega o sujeito passivo que a Turma recorrida emprestou à lei tributária interpretação divergente da acolhida nos acórdãos paradigmas nos 910100.120 e 910100.037, no que toca ao termo de início da contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.) Explica que na apuração anual do IRPJ e da CSLL, com antecipações mensais calculadas por estimativa desses tributos, os respectivos fatos geradores ocorrem mensalmente, daí porque devese reconhecer a decadência dos créditos tributários verificados antes de 4 de maio de 2004, já que o lançamento foi a ele cientificado apenas em 5 de maio de 2009. Fl. 6210DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 6 9 Pois bem, de acordo com o art. 1º da Lei nº 9.430/96, a partir de 1º de janeiro de 1997 a determinação lucro real deverá ser realizada trimestralmente. Todavia o art. 2º da mesma Lei facultou aos sujeitos passivos optarem pela determinação anual do lucro real, caso em que deverão recolher mensalmente, por estimativa, antecipações do imposto devido ao final do anocalendário. Ademais, por força do disposto no art. 28 daquela Lei, os acima referidos arts. 1º e 2º aplicamse à determinação da base de cálculo da CSLL. Assim sendo, em caso de opção pela determinação anual das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, como no caso dos presentes autos, os fatos geradores desses tributos ocorrem apenas ao final do anocalendário. Não há que se falar em ocorrência de fatos geradores mensais de IRPJ e de CSLL ao longo do ano de 2004, como sustenta a recorrente, até porque a falta de pagamento das estimativas mensais não autoriza a realização de lançamento de ofício com vistas à exigência de tributo, mas apenas a exigência da multa isolada prevista no art. 44, §1º, IV, "b", da Lei nº 9.430/96. Isso posto, tendo em vista que, no caso, os fatos geradores mais antigos do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31 de dezembro de 2004, não há que se falar de decadência dos respectivos créditos tributários pois, como dito anteriormente, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 5 de maio de 2009, antes de decorrido o prazo de 5 anos previsto no art. 150, §4º, do CTN. 2.2) DO MÉTODO PRL60 LEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 Em seu recurso especial alega o sujeito passivo que a Turma recorrida decidiu pela legalidade do cálculo do preço parâmetro PRL60 estabelecido na Instrução Normativa nº 243/2002, decisão essa que divergiu do entendimento estampado nos acórdãos nos 1101000.864 e 1301001.235, cujas ementas abaixo se transcreve: Acórdão nº 1101000.864: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (...) Fl. 6211DF CARF MF 10 Acórdão nº 1301001.235: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2007 (...) RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (...) Explica a recorrente que a mencionada ilegalidade advém das seguintes constatações: a) a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430/96; b) o emprego, pela autoridade lançadora, da fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 resultou em ajuste às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em montante superior àquele que decorreria da aplicação do art. 18 da Lei nº 9.430/96; c) a majoração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL só pode ser instituída por lei, daí porque revelase ilegal a fórmula de cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto no art. 12 da IN SRF nº 243/2002; d) o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008 (que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei), e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstra a ilegalidade anterior desse ato normativo. 2.2.1) O PRL60 e a Lei nº 9.430/96 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 frente à Lei nº 9.430/96, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430/96 acerca do PRL60. Isso porque, para verificarmos a existência, ou não, de violação da Lei nº 9.430/96 pela IN SRF nº 242/2002, é necessário que antes determinemos exatamente o que aquela Lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) Fl. 6212DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 7 11 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir encontrase a representação matemática dessas duas interpretações: (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA (3B) PParam = 40%*PLV VA onde: • PParam é o preço parâmetro do bem importado junto a pessoa vinculada residente no exterior • PLV é o preço líquido de venda de um determinado produto produzido no Brasil, em cuja fabricação foi empregado o bem importado. • VA é o valor agregado no país. A equação (3A) representa a interpretação defendida pelo sujeito passivo para o art. 18 da Lei nº 9.430/96, enquanto a equação (3B) representa a interpretação da Fazenda Nacional para a mesma norma. A demonstração matemática das equações (3A) e (3B) encontrase, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto. No anexo 3 demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pelo sujeito passivo (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pela Fazenda Nacional (3B). A interpretação (3A), advogada pela recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38/1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113/2000, posteriormente revogada pela Fl. 6213DF CARF MF 12 Instrução Normativa SRF nº 32/2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B), sustentada pela Fazenda Nacional, é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430/96. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Argumento Linguístico Para melhor compreendermos o art. 18 da Lei nº 9.430/96 sob o ponto de vista meramente linguístico é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preço parâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) O cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. Reconheçase inicialmente que o texto legal em sua nova redação, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro. Fl. 6214DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 8 13 Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro. Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País” contida no texto legal deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento LógicoEconômico Mas se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pelo sujeito passivo só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Fl. 6215DF CARF MF 14 Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual pode ser definido como sendo o preço presumivelmente praticado na importação de um bem acaso essa operação seja realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preço parâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado produto produzido no Brasil a pessoa não vinculada, produto esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado. Em outras palavras, no preço de venda do produto produzido no país logicamente estará incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é economicamente lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60 é necessário que, do preço de venda do produto produzido no país sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como representado na equação (3B). Ocorre que no cálculo do preço parâmetro PRL60 defendido pelo sujeito passivo o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido no país, é a ele adicionado, conforme demonstra a equação (3A). Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógica econômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é aquela sustentada pela Fazenda Nacional, e representada matematicamente pela equação (3B), e não aquela defendida pelo sujeito passivo e representada matematicamente pela equação (3A). 2.2.2) Da Legalidade da IN SRF 243/2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser declarada ilegal. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243/2002. Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; Fl. 6216DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 9 15 IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preçoparâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme dito anteriormente, a questão da legalidade, ou não, do art. 12 da IN SRF 243/2002 frente ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 somente pode ser apropriadamente examinada tomandose por base a correta interpretação desta última norma, qual seja, aquela matematicamente representada na já referida equação (3B). Fl. 6217DF CARF MF 16 Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o cálculo do preço parâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 corretamente interpretado, conforme demonstrado no anexo 6. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Portanto, ainda que seja verdadeira a afirmação da recorrente segundo a qual a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430/96, é falsa a conclusão de que os ajustes ao lucro líquido resultantes da IN são superiores àqueles resultantes da Lei, pois, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6, tais ajustes são sempre iguais ou inferiores. Por fim, alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional. 2.3) DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Alega o sujeito passivo que a Turma recorrida, ao acolher a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, emprestou ao art. 61 da Lei nº 9.430/96 interpretação divergênte da sustentada nos acórdãos paradigmas nos 9202002.600 e 1202001.096. Explica que inexiste previsão legal para a aludida incidência de juros sobre multa. Não assiste razão à recorrente. Isso porque a multa de ofício é parte integrante do crédito tributário, sobre o qual incidem os juros de mora. É o que estabelece o art. 161 do CTN, in verbis: Fl. 6218DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 10 17 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (g.n.) (...) Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (...) Embora essa decisão não possua efeito vinculante perante esse Conselho, é importante ressaltar que o STJ vem reiteradamente admitindo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em decisões proferidas por ambas as Turmas de sua Primeira Seção. Da mesma forma, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que é cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme acórdãos nos 910100.539, 9101001.474, 9101001.657, 9303002.399, 9303002.400 e 9101001.678. 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto: a) por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional; b) por NÃO CONHECER do recurso especial do sujeito passivo relativamente às seguintes matérias: (i) indevido aperfeiçoamento do lançamento promovido pelo acórdão recorrido; (ii) ônus da prova na presunção de vinculação para fins de preços de transferência; (iii) comprovação de custos para fins de aplicação do método CPL; (iv) abusividade da multa de ofício aplicada, equivalente a 75% do valor dos tributos lançados; e (v) impossibilidade de incidência de juros Selic sobre o principal; c) por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do sujeito passivo quanto às demais matérias. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 6219DF CARF MF 18 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA Fl. 6220DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 11 19 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Fl. 6221DF CARF MF 20 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%*VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 6222DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 12 21 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLV ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 6223DF CARF MF 22 Anexo 5 Istrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI®PP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI®PP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI®PP 60%*PartBI®PP (3C) PParam = 40%* PartBI®PP, onde: PartBI®PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI®PP = %PartBI>PP*PLV, onde: %PartBI>PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Fl. 6224DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 13 23 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 6225DF CARF MF 24 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 – Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI>PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 6226DF CARF MF Processo nº 16561.000042/200971 Acórdão n.º 9101002.514 CSRFT1 Fl. 14 25 Fl. 6227DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721559/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE DOS RECURSOS. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS PROBATÓRIO
Cabe à autoridade lançadora comprovar o auferimento de rendimentos não declarados. Feita essa prova, cabe ao contribuinte comprovar que os recursos recebidos pertenciam a terceiros.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF nº 14.
Aplicação da Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito defraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conversão em diligência, suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator). Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação ao ano-calendário 2003, por falta de objeto. Na parte conhecida: i) por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares; ii) quanto à infração 001: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; iii) quanto à infração 002: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 294.824,51, referente a 30/04/2006; iv) quanto à infração 003: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento ao recurso nessa parte; v) quanto à multa qualificada: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para desqualificá-la, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Cecília Dutra Pillar, que negaram provimento ao recurso nessa parte e mantiveram a multa qualificada. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator.
(assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE DOS RECURSOS. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS PROBATÓRIO Cabe à autoridade lançadora comprovar o auferimento de rendimentos não declarados. Feita essa prova, cabe ao contribuinte comprovar que os recursos recebidos pertenciam a terceiros. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF nº 14. Aplicação da Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito defraude do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conversão em diligência, suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator). Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação ao ano-calendário 2003, por falta de objeto. Na parte conhecida: i) por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares; ii) quanto à infração 001: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; iii) quanto à infração 002: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 294.824,51, referente a 30/04/2006; iv) quanto à infração 003: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento ao recurso nessa parte; v) quanto à multa qualificada: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para desqualificá-la, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Cecília Dutra Pillar, que negaram provimento ao recurso nessa parte e mantiveram a multa qualificada. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. (assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE DOS RECURSOS. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS PROBATÓRIO Cabe à autoridade lançadora comprovar o auferimento de rendimentos não declarados. Feita essa prova, cabe ao contribuinte comprovar que os recursos recebidos pertenciam a terceiros. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF nº 14. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 59 /2 00 9- 84 Fl. 751DF CARF MF 2 Aplicação da Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito defraude do sujeito passivo”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conversão em diligência, suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator). Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação ao anocalendário 2003, por falta de objeto. Na parte conhecida: i) por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares; ii) quanto à infração 001: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; iii) quanto à infração 002: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 294.824,51, referente a 30/04/2006; iv) quanto à infração 003: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento ao recurso nessa parte; v) quanto à multa qualificada: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para desqualificála, reduzindoa ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Cecília Dutra Pillar, que negaram provimento ao recurso nessa parte e mantiveram a multa qualificada. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. (assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente supra identificado para constituir IRPF em função de omissão de rendimentos. Intimado, o Contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada parcialmente procedente. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário que já foi analisado neste e.CARF, mas cujo julgamento foi convertido em diligência. Realizada esta, vieramse os autos para análise. Tendo resumido a lide, passamos ao relato pormenorizado dos autos. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 752 3 Em 13/08/2009 foi lavrado auto de infração (fls. 438/464) em desfavor do Recorrente para constituir IRPF referente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 no valor de R$ 440.399,65, além de juros e de multas de ofício no valor de 75% e de 150%, a depender da infração, e ainda de multa isolada. Foram, efetivamente, identificadas cinco diferentes infrações: 1. Omissão de rendimentos de alugueis e royalties recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnêleão; 2. Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais; 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; 4. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; 5. Multa isolada Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. Conforme o TVF (fls. 465/476), em 2008 foi lavrado auto de infração, objeto do processo nº 14041.001390/200829, relativo ao exercício de 2003, devido ao encerramento parcial da fiscalização. A fiscalização continuou, contudo, sendo lavrado novo auto de infração, objeto do presente processo, referente aos fatos geradores ocorridos em 2004, 2005 e 2006. Intimado do lançamento em 05/09/2009 (fl. 500), o Contribuinte apresentou impugnação em 28/09/2009 (fls. 503/520 e docs. anexos fls. 521/599). Recebidos os autos em primeiro grau, a DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 0337.075, de 26/05/2010 (fls. 601/627), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa e vício na origem do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. É devido o lançamento de ofício sobre rendimentos de aluguéis percebidos pelo sujeito passivo. Não havendo comprovação inequívoca das alegações apresentadas na impugnação que ataca o lançamento fundamentado em Fl. 753DF CARF MF 4 relatório detalhado da autoridade lançadora, a infração apurada há de ser mantida. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. Constatada a omissão, é devido o lançamento de ofício para tributar, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. Para apuração do imposto, considerase o valor da alienação deduzido do custo de aquisição, sendo permitido excluir da base de cálculo a corretagem suportada pelo alienante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. É devido o lançamento quando comprovado que os rendimentos percebidos pelo sujeito passivo não foram oferecidos à tributação por meio da Declaração de Ajuste Anual. MULTA ISOLADA DE 50%. CARNÊLEÃO. Verificada a impossibilidade de identificar a fonte pagadora dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo sujeito passivo, a multa isolada deve ser cancelada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Constatada a ocorrência de prática dolosa tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, é devida a aplicação da multa de ofício qualificada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeiro grau em 08/11/2010 (fl. 640), o Contribuinte, insatisfeito, interpôs recurso voluntário em 29/11/2010 (fls. 641/670), argumentando, em síntese: · Que a fiscalização induziu o Contribuinte ao erro, quando deixou de solicitar documentos específicos para posteriormente autuálo, gerando assim nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; · Que o lançamento é nulo vez que o Contribuinte não foi intimado a comprovar, individualizadamente, os depósitos feitos em seu favor; Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 753 5 explicou ainda que, no extrato, constavam lançamentos universais, somandose todos os depósitos feitos em uma única movimentação; · Que empresa da qual era sócio utilizava suas contas bancárias para movimentar recursos; · Que administrava imóveis do espólio de seu pai, recebendo os valores dos alugueis, mas que esses recursos eram divididos com seus seis irmãos e a mãe; · Que as empresas locatárias retiveram o valor referente ao imposto de renda, visto que se trata de recolhimento exclusivo de fonte; · Que parte dos depósitos pertencem a sua esposa, que também tinha alugueis, os quais o Contribuinte meramente administrava; · Que o Contribuinte comprovou ter declarado e pago o IR sobre o valor de R$ 25.200,00 recebido a título de aluguel de uma casa; · Que, ainda que tivesse havido omissão de rendimento, tendo o Contribuinte comprovado que os recursos de aluguel são provenientes de empresas, e não de pessoas físicas, não estava sujeito ao carnêleão; · Que, no tocante ao empréstimo feito no ano de 2002 ao sr. Carlos Lorenço Bahouth, no valor de R$ 200.000,00, cujos recursos foram restituídos em 2003, não pode a autoridade fiscalizadora desconsiderar o negócio de mútuo pelo simples fato de que não tenha data de vencimento nem estabelecimento de juros; conforme explica, tratandose, os contratantes, de amigos íntimos, dispensaram a remuneração do dinheiro e, em função da amizade e confiança, muitas outras formalidades. Ainda assim, esclarece, não deixou de cumprir nenhuma das exigências do Código Civil; · Que é descabida a multa qualificada de 150%, vez que os dados obtidos pela autoridade fiscalizadora foram apresentados pelo próprio Contribuinte, que sempre se dispôs a corrigir os eventuais erros constatados durante a fiscalização, não tendo a intenção de ocultar nada; · Contestou, individualizadamente, os valores lançados como ganho de capital referente a vendas de imóveis, buscando comprovar ou explicar, para cada negócio jurídico, a causa e o valor efetivamente envolvido; · Que os rendimentos recebidos de pessoas físicas no anocalendário de 2003, não apenas não lhe pertenciam integralmente como que a autoridade fiscalizadora não solicitou, em momento algum, documentos comprobatórios; · No tocante aos depósitos bancários de origem não comprovada, que a Lei nº 9.430/1996 e a fiscaliação, in casu, apresentaram exigência de prova impossível de ser obtida pelo Contribuinte. Segundo esclarece, para conseguir explicar cada depósito feito em suas contas bancárias seria Fl. 755DF CARF MF 6 necessário obter as microfilmagens dos cheques, cujo acesso não é permitido pelos bancos em função da Lei do Sigilo Bancário. Em outras palavras, a exigência da comprovação da origem dos recursos leva ao cerceamento do direito de defesa; · Que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 exige a análise individualizada dos depósitos feitos perante instituições financeiras, e não a análise do somatório dos depósitos efetuados em um mesmo dia. Ao intimar o Contribuinte a comprovar a origem do valor (somatório) lançado no extrato, a autoridade fiscalizadora está induzindo o sujeito passivo a erro, vez que não existe depósito naquele valor, mas apenas nos valores que o compõem; · Que a Lei isenta o Contribuinte de comprovar a origem dos depósitos de pequena monta, específicamente no limite de R$ 12.000,00; · Que se trata de conta conjunta, devendo todos os cotitulares ser intimados; · Que não há Lei obrigando a pessoa física a manter contabilidade, de forma que é impossível lembrar a origem de toda a sua movimentação financeira e, portanto, não pode ser presumida a omissão de rendimento estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, regra essa em completo descompasso com a Carta Magna; · Que não é possível cumular a multa isolada com a multa de ofício; Chegando ao CARF, o processo foi sobrestado em 20/03/2012 nos termos do art. 62A do RICARF então vigente, em função da existência de Repercussão Geral perante o STF da discussão sobre o acesso direito aos dados bancários (fl. 677). Em 12/02/2015 o processo foi levado a julgamento, quando foi proferida a Resolução CARF nº 2202000.610 (fls. 680/693). Nesta, os Conselheiros julgadores reconheceram a verossimilhança das alegações do recorrente e entenderam ser cabível abrirlhe novo prazo para apresentação de provas, determinando especificamente que: i. Intime o contribunte a apresentar relatório, possivelmente em forma de planilha que explique individualizadamente os depósitos bancários, correlacionando com os cheques que alega teram sido utilizados para dar origem aquele depósitos. Indispensável a apresentação de documentos para respaldar suas alegações. Esse relatório deve ser compreensivo, ou seja voltado a cada depósito lançado que se encontrará, individualizadamente, identificado no termo de verificação fiscal. Não podem ser aceitas explicações exemplificativas, mas apenas aquelas suportadas por documentação. ii. Que a autoridade fiscal realize intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; iii. Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações presentes nesse relatório e a validade das provas apresentadas, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 754 7 prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Nesse contexto, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fls. 696/711) para intimar o Contribuinte a apresentar os dados solicitados. O Contribuinte, por sua vez, apresentou respostas (fls. 712/720; 723/732 e 733/745). Enfim, foi elaborado Relatório de Diligência Fiscal (fls. 748/749), que foi assim concluído: Decorrido mais de cinco meses do início do procedimento fiscal, tendo sido o contribuinte intimado e reintimado por duas vezes, mas não tendo sido capaz de apresentar documentos que respaldassem suas alegações, encerrouse então a diligência realizada em Luiz Ribeiro Petrucce. Destacase que não foi elaborado um relatório conclusivo, uma vez que não havia provas, documentos ou planilhas a serem analisados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Por outro lado, é importante frisar que o Contribuinte inclui, em sua peça recursal, argumentos acerca de fatos ocorridos em anoscalendário diversos daqueles elencados no auto de infração que instaurou o presente processo administrativo. Especificamente, o Contribuinte recorre de fatos ocorridos em 2003 e que não foram incluídos no presente auto de infração, que versa sobre os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Tais fatos (de 2003) estão sob julgamento no processo administrativo nº 14041.001390/200829, segundo informa a autoridade lançadora no TVF. Registrase que também a DRJ conheceu apenas parcialmente da impugnação, pelos mesmos motivos. Portanto, conheço apenas parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer os argumentos direcionados a fatos não imputados e não incluídos no presente processo. Convém chamar atenção para o fato de que a multa isolada (infração 005) já foi cancelada pela DRJ, e que não houve recurso de ofício em relação a essa matéria. PRELIMINARES Cerceamento do direito de defesa: O recorrente argumenta ter sofrido cerceamento do seu direito de defesa em decorrência de atuação proposital da autoridade fiscalizadora, que o teria induzido a erro. Fl. 757DF CARF MF 8 Nesse contexto, indica como ato específico, que a autoridade fazendária direcionou a fiscalização, solicitando diversos documentos específicos mas deixando de exigir diversos outros documentos (tais como contratos de alugueis ou outras comprovações dos alugueis), que, posteriormente, foram considerados relevantes para a lavratura do auto de infração. Ademais, contesta a conclusão da DRJ, afirmando que a mera apresentação de impugnação não é suficiente para sanear o cerceamento do direito de defesa. Não assiste razão ao Contribuinte. Só é possível falar em nulidade do lançamento quando não forem atendidos os requisitos básicos do art. 10, do Decreto nº 70.235/1972, ou quando incorrer em uma das hipóteses do art. 59 do mesmo diploma. Ainda, quando a Lei exigir algum procedimento específico, como o faz o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. In casu, o contribuinte argumenta que haveria nulidade do lançamento por suposta atuação parcial da autoridade fiscalizadora, que apenas exigira a apresentação de determinados documentos, e não de outros. Em primeiro lugar, é imperioso anotar que os Termos de Intimação Fiscal lavrados pela autoridade fiscalizadora sempre foram abrangentes e relativamente abertos. Nesse contexto, sempre fora solicitada a informação e comprovação da origem dos recursos. Se o Contribuinte possuía os documentos comprobatórios dos alugueis, poderia têlos apresentado, ainda que não fossem especificamente solicitados. Em segundo lugar, instaurado o processo administrativo, o Contribuinte teve, como bem chamou atenção a DRJ, a oportunidade adequada de efetuar sua defesa pela apresentação de impugnação, hipótese na qual deveria ter juntado aos autos todas as provas que dispunha e que entendesse suficientes para comprovar a inadequação do lançamento. De qualquer forma, esse e. CARF já tem jurisprudência consolidada no sentido de que a fiscalização é processo inquisitivo. Entre outros: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. (acórdão CARF nº 2401004.165, de 18/02/2016) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 755 9 do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. Os pedidos de esclarecimento mediante termo, no curso do procedimento de fiscalização, não decorrem da observância de um dever correspectivo a um direito individual de acesso aos fatos apurados pelo Fisco e de se manifestar sobre eles; decorrem, sim, da necessidade de reunir evidências que possibilitem aferir a legalidade dos atos praticados pelo fiscalizado ou terceiros. (acórdão CARF nº 1301002.018, de 04/05/2016) A falta de exigência de provas específicas tampouco é suficiente para caracterizar o cerceamento do direito de defesa durante a fiscalização, posto que o Contribuinte teria a oportunidade adequada quando da impugnação ao lançamento. Não fosse suficiente, o CARF já proferiu, analisando os autos, a Resolução nº 2202000.610, de 12/02/2015 (fls. 680/693), quando abriu ao recorrente, mais uma vez, a oportunidade de apresentar a explicações e documentação que entendesse relevante. Enfim, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte, porquanto a atuação da autoridade fiscalizadora não extrapolou nem deixou de atender a quaisquer comandos legais, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. Da inconstitucionalidade e da desproporcionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 O Recorrente argumenta, longamente, acerca da impossibilidade de produzir as provas exigidas pela Lei e pela fiscalização, vez que, para comprovar a origem dos depósitos, seria necessário obter as microfilmagens dos cheques, cujo acesso seria vedado pelos bancos. O que é mais, argumenta que inexiste Lei obrigando a pessoa física a manter escrituração contábil. Conclui, portanto, pela não sintonia do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 com o sistema jurídico pátrio, especialmente com a Carta Magna. Em primeiro lugar, ressaltamos que a Súmula CARF nº 2 veda a análise de constitucionalidade da Lei tributária por este órgão administrativo. Em segundo lugar, anotamos que se trata de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, Fl. 759DF CARF MF 10 exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que a prova é impossível, haja vista que é exigida por Lei quando o Contribuinte for devidamente intimado. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Da intimação prévia e individualizada para comprovar a origem dos depósitos bancários O Recorrente levanta, isso sim, discussão relevante: segundo ele, a autoridade fiscalizadora o intimou a comprovar a origem de creditamentos em valores que não condiziam com a realidade. Para explicar, afirmou que o banco lançava no extrato bancário valores globais, mas que os depósitos haviam sido feitos em diversos valores menores. Assim, explica, tornavase impossível comprovar a origem de créditos quando inocorreram tais operações em tais valores. A título exemplificativo, enumerou 23 lançamentos do extrato que representavam, em verdade, mais de uma operação de creditamento. Para ilustrar o presente julgamento, anotamos o exemplo nº 13: depósito identificado no extrato do mês de set/2004 no valor de R$ 789,75 é, na verdade, a soma de seis depósitos menores. In casu, a autoridade fiscalizadora não o intimou a comprovar cada uma das seis operações, mas apenas o creditamento de R$ 789,75. Nesse contexto, chama atenção que a Lei (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) exige a intimação individualizada para comprovar a origem dos recursos. Também esclarece que havia chamado atenção para esse equívoco na forma de intimação, pela autoridade fiscalizadora, já durante a fiscalização. Efetivamente, compulsando os autos é possível observar que, já em sua resposta de 10/07/2009 (fls. 198/207), em resposta à Intimação Fiscal nº 4 (fls. 193/196), o recorrente havia chamado atenção para o fato de que os valores elencados no anexo à intimação não condiziam com a realidade. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 756 11 Não custa transcrever os comandos pertinentes: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) (grifamos) Pois bem. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma inversão do ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. Caso essa comprove a ocorrência de creditamentos em conta mantida pelo Contribuinte em instituição financeira, cabe a este comprovar a origem de tais recursos, bem como provar que foram oferecidos à tributação. Exatamente por inverter o ônus da prova, a Lei exigiu que a autoridade fiscalizadora intimasse o Contribuinte, antes do lançamento, para que comprove a origem dos referidos recursos. Efetivamente, a tese levantada pelo Contribuinte é adequada: a intimação deve indicar, individualizadamente, os créditos feitos em seu favor, em contas de depósito ou de investimento, para os quais a autoridade fiscalizadora deseja a comprovação. A intimação para comprovar, genericamente, todos os valores lançados em sua conta bancária não é suficiente. Portanto, se se demonstrar que a autoridade fiscalizadora não intimou o Contribuinte a comprovar a origem de determinado e especifico creditamento durante a fiscalização, não pode esse valor ser incluído na base de cálculo do lançamento. Igualmente, se o Contribuinte comprovar que o crédito incluído na base de cálculo não ocorreu seja porque não ocorrereu na data indicada, porque o valor foi equivocadamente indicado, ou ainda pela cumulação de ambos os elementos , então também esse valor deve ser excluído da apuração. In casu, o Contribuinte alega que realizou diversas operações de depósito qual seja, entrega de dinheiro e de cheques em um único momento. O banco tem obrigação de, nesses casos, registrar individulizadamente cada crédito apresentado, como efetivamente fez e será demonstrado a seguir. Se essa instituição financeira apresentou à fiscalização extratos consolidados dessas operações de depósito, e se a autoridade fiscalizadora confiou cegamente nesses extratos bancários, o Contribuinte não pode ser penalizado. Penalizado sim, pois, como insistentemente defendido na sua defesa, a produção de provas já é suficientemente difícil quando é identificado cada crédito, fica enormemente mais complicada quando os créditos que se deseja comprovar não são indicados de maneira individualizada pela autoridade fiscalizadora. Efetivamente, o Contribuinte juntou em anexo à impugnação (fls. 547/549) oito comprovantes de depósito, demonstrando que a instituição financeira, recebendo recursos Fl. 761DF CARF MF 12 de diversas fontes em uma mesma data (tais como dinheiro e cheque, ou diversos cheques), realizava um único lançamento global, somando os valores, ao invés de lançar no extrato cada operação individualizadamente. Ora, ainda que o ato de entregar os recursos tenha ocorrido em uma única oportunidade, não é absurdo imaginar que cada recurso tenha uma causa ou fonte diversa. Pelo contrário: é crível que o Contribuinte, recebendo cheques ou dinheiro em pagamento a diversas obrigações, vá uma única vez ao dia à instituição financeira, depositando os recursos em uma única oportunidade. Nem por isso, tornamse um único depósito ou creditamento. Para reforçar o argumento, aceitar que todos os recursos entregues em um mesmo dia podem ser consolidados em um único lançamento é o mesmo que aceitar a consolidação mensal dos créditos, ou mesmo anual. Se não se aceita estas consolidações, exigindose a análise individualizada, tampouco podem ser aceitas aquelas, diárias. Enfim, analisando os oito comprovantes apresentados por amostragem, percebemos que: 1. 10/05/2004 R$ 3.100,00: consta na lista anexa ao auto de infração nessa data um lançamento a crédito nesse valor, com a descrição de "Depósito cheque/dinheiro" (fl. 479); o mesmo lançamento consta no extrato bancário apresentado pela instituição financeira (fl. 98). O Contribuinte junta aos autos, entretanto, prova de que esse valor, nessa data, é o somatório de dois depósitos: R$ 1.000,00 em dinheiro e R$ 2.100,00 por meio de cheque (id. n. 001456) (fl. 547); logo, vez que foram realizados dois creditamentos, e não um, aos quais o contribuinte não foi intimado a comprovar, tal valor deve ser excluído da base de cálculo; 2. 06/08/2004 R$ 913,00: consta na lista anexa ao auto de infração nessa data um lançamento a crédito nesse valor, com a descrição de "Depósito em cheque" (fl. 479); o mesmo lançamento consta no extrato bancário apresentado pela instituição financeira (fl. 102). O Contribuinte junta aos autos, entretanto, prova de que esse valor, nessa data, é o somatório de Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 757 13 três depósitos: R$ 399,00 cheque (id. n. 900260); R$ 402,00 cheque (id. n. 001337); e R$ 112,00 cheque (id. n. 001957); logo, vez que foram realizados três creditamentos, e não um, aos quais o contribuinte não foi intimado a comprovar, tal valor deve ser excluído da base de cálculo; e 3. 27/07/2005 R$ 2.501,99: consta na lista anexa ao auto de infração nessa data um lançamento a crédito nesse valor, com a descrição de "Transf. entre agenc. cheque" (fl. 483); o mesmo lançamento consta no extrato bancário apresentado pela instituição financeira (fl. 118). O Contribuinte junta aos autos, entretanto, prova de que esse valor, nessa data, é o somatório de sete depósitos: R$ 330,00 cheque (id. n. 900045); R$ 122,85 cheque (id. n. 019387); R$ 135,00 cheque (id. n. 019420); R$ 262,10 cheque (id. n. 016542); R$ 848,75 cheque (id. n. 019482); R$ 473,29 cheque (id. n. 019519); e R$ 330,00 cheque (id. n. 000026) (fl. 548); logo, vez que foram realizados sete creditamentos, e não um, aos quais o contribuinte não foi intimado a comprovar, tal valor deve ser excluído da base de cálculo. Nesse contexto, se é verdade que o Contribuinte juntou aos autos apenas oito comprovantes dessa natureza, também é verdade que essas provas são suficientes para pôr em dúvida todos os extratos bancários apresentados pela instituição financeira. Também, percebendo que o Contribuinte apresentou comprovantes de depósito nos quais a instituição financeira identificou a forma como cada recurso foi creditado, é possível afirmar que o banco também registrou em seu sistema essas diferentes fontes do lançamento. Entendo, portanto, ser possível e necessário converter o julgamento em diligência para: · Que a autoridade fiscalizadora intime a instituição financeira a apresentar extratos pormenorizados (não consolidados) de todo o período autuado; · Recebido os novos extratos, que seja efetuada análise comparativa, identificando os lançamentos que representam um único crédito e aqueles que, a despeito de representar mais de um crédito, haviam sido registrados de forma consolidada no extrato apresentado anteriormente; · Sejam elaborada lista nos quais se identifiquem apenas os lançamentos com crédito único e que o Contribuinte fora devidamente intimado durante a fiscalização, excluindose da base de cálculo os demais valores; · Seja intimado o Contribuinte, concedendolhe prazo de 30 dias para se manifestar sobre a diligência; · Enfim, retornem os autos para julgamento. Da cotitularidade exigência de intimação de todos os cotitulares Vencido em relação à diligência acima, continuo o julgamento recurso voluntário. Fl. 763DF CARF MF 14 Argumenta o Contribuinte, em seu recurso voluntário, que a conta bancária que levou à autuação por depósitos bancários de origem não comprovada era, em verdade, uma conta conjunta, mantida por ele e por sua esposa. Nesse contexto, relembrando o quanto estabelece o art. 42, §6º, da Lei nº 9.430/1996, afirma que o auto de infração deve ser cancelado, vez que a cotitular não foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados na referida conta. Acontece que não encontramos nos autos qualquer prova ou mesmo indício de que a conta corrente era mentida em conjunto. Pelo contrário, os extratos fazem referência tão somente ao recorrente, sem a aposição de "e/ou", como é costumeiro. Nem se argumente que o demonstrativos mensal do cartão de crédito (fls. 208/210) é prova da existência de conta conjunta, vez que o extrato é do cartão de crédito e não da conta corrente. É possível normal que certa pessoa emita cartão de crédito em nome de outra pessoa, permitindo que esse terceiro utilize o seu crédito e responsabilizandose pelo pagamento da fatura. Nesse sentido, ante a falta de comprovação de que havia cotitular, não é possível exigir a intimação dessa terceira pessoa, tampouco sendo possível cancelar o auto de infração por esse argumento. Da ilegitimidade passiva utilização da conta bancária para receber recursos de terceiros O Contribuinte afirma, ainda, que a sua conta bancária era utilizada por terceiros, especificamente sua esposa e por empresas das quais era sócio. Também que, sendo inventariante do espólio de seu pai, administrava os bens deixados, recebendo valores e efetuando pagamentos de sua própria conta bancária. A despeito dessas alegações, como bem chamou atenção o acórdão recorrido, o Contribuinte, ora recorrente, não trouxe aos autos provas hábeis e idôneas a comprovar quais dos recursos depositados pertenciam a terceiros: · Não há nos autos provas de que as empresas utilizassem sua conta bancária para movimentar recursos; · A simples comprovação de que ele pagava despesas da esposa e de filhos não prova que eram depositados em sua conta bancária recursos em favor dessas pessoas; · Igualmente, a simples apresentação de procuração autorizandoo a administrar os bens da mãe não implica na conclusão de que eram depositados em sua conta bancária recursos em favor da genitora; e · Enfim, o simples fato de que o Contribuinte era inventariante não comprova que os bens do espólio rendiam frutos, não comprova que tais recursos eram depositados em sua conta bancária, nem comprova, tampouco, que havia posterior rateio com os demais herdeiros. A verdade é que o CARF já tem jurisprudência consolidada sobre a matéria: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 758 15 quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Em suma, ante à falta de provas ou mesmo de indicação de quais os recursos que pertenceriam a terceiros, impossível dar provimento ao pleito ora analisado. MÉRITO: Da infração 001 Rendimentos recebidos de pessoas físicas: Referindose à infração 001, o contribuinte afirma simplesmente que os valores mensais de R$ 5.200,00 são referentes a aluguel de imóvel do espólio, mas que apenas uma parte lhe pertence, sendo o restante divido entre os demais herdeiros. Argumenta ainda que já juntou aos autos prova de que era inventariante e que jamais lhe fora solicitada provas acerca do contrato de aluguel. A despeito de suas alegações, o Contribuinte juntou aos autos apenas provas de que era inventariante. Nenhuma prova ou mesmo alegação foi apontada em relação à forma como os recursos eram compartilhados. Não se estabeleceu qual era a sua parte nem qual era a parte dos demais herdeiros. Tampouco demonstrou que transferiu as respectivas cotas para essas pessoas. Enfim, como o recorrente teve ampla oportunidade de apresentar provas ao longo do processo, inclusive pela realização de diligência exclusivamente com essa finalidade, não pode se escusar na alegação de que não fora solicitada documentação especifica em relação ao aluguel. Assim, ante à falta de provas, impossível dar provimento ao pleito do Contribuinte. Infração 002 Ganho de capital na alienação de bens e direitos: Casa residencial Lote 17/19 na QSA 14 Taguatinga/DF A autoridade lançadora identificou que o Contribuinte adquiriu e alienou um imóvel residencial, com ganho de capital, sem declarar qualquer uma das duas operações em sua DIRPF. O Contribuinte admite o tributo, contestando a multa qualificada, argumentando que não declarou a operação por lapso, e não por dolo. Lojas 01, 02, 03 e 04, situadas na C01, Lote 02, Taguatinga/DF A autoridade lançadora identificou que o Contribuinte declarou, em suas DIRPFs, ter permutado esses imóveis por outros, da empresa Carla Clínica Médica Ltda. Ainda em seu TVF, entretanto, aponta que a permuta não foi efetivada e que o Contribuinte alienou o imóvel em 2006. Registra também que o imóvel da referida empresa continuou sendo dela durante todo o período fiscalizado. Enfim, conclui que o negócio de permuta foi feito apenas para mascarar a operação de venda. O Contribuinte, mais uma vez, admite a tributação, argumentando tão somente contra a multa qualificada. Explica que deixou de corrigir a sua DIRPF e de declarar o ganho de capital por equívoco, e não por dolo; como indício, aponta que a permuta tampouco foi declarada pela empresa Carla Clínica Médica Ltda. Fl. 765DF CARF MF 16 Loja 74, Bloco C, Quadra 02, Ed. OK, SCS, Brasília/DF A autoridade fiscalizadora anota que o Contribuinte, mais uma vez, deixou de declarar a aquisição e a alienação do imóvel em suas DIRPFs. Também, que na escritura pública foi declarado como valor de alienação o mesmo valor da aquisição, que não é crível pelo decurso de 7 anos entre os atos, e pela notória valorização da região. Nesse contexto, arbitrou o valor da alienação no patamar do valor venal estabelecido pela Administração Tributária do Distrito Federal (R$ 1.020.136,56), nos termos do art. 20 da Lei nº 7.713/1988. Tendo o Contribuinte impugnado tal lançamento, a DRJ manteve a infração tal como descrita pela autoridade fiscalizadora, fundamentandose na falta de produção de provas, pelo impugnante; e também no fato de que o impugnante deixara de declarar as operações e que admitira, em relação a outros imóveis, ter negociado em valores diversos daqueles declarados na escritura pública. Esse último argumento, entretanto, configurase inovação, não constando no TVF. Ainda insatisfeito, o sujeito passivo recorreu da decisão e do lançamento. Admite, por um lado, ter adquirido e alienado o imóvel. Contesta, isso sim, o valor arbitrado pela autoridade fiscalizadora. Conforme defende, o arbitramento foi feito pela autoridade administrativa sem qualquer prova além da "notória" valorização da região; também, que foi desconsiderado o valor registrado na escritura pública (R$ 500.000,00) sem apontar porque tal documento, que tem fé pública fora rejeitado; e ainda que a autoridade fiscalizadora deixou de citar e de aceitar a declaração do adquirente, que confirmou o valor estabelecido na escritura pública. Enfim, também contestou o valor atribuído pela administração distrital, apontando as constantes discussões judiciais entre a administração pública e os contribuintes em relação ao valor venal dos imóveis. Pois bem. O art. 20 da Lei nº 7.713/1988 realmente atribui à autoridade fiscalizadora o poder de arbitrar o preço da coisa quando o valor informado pelo Contribuinte não merecer fé por ser notoriamente diferente do preço de mercado. Efetivamente, há grande divergência entre o valor declarado pelo Contribuinte e o valor venal estabelecido pela administração pública distrital. Essa não é, entretanto, prova cabal do preço efetivamente exercido entre as partes, mas mero indício. A autoridade fiscalizadora não indicou no TVF como esse valor foi pago; tampouco anotou a existência de depósitos que fossem correlacionados entre as partes. Apenas arbitrou o valor com base em outro valor (valor venal) que é, por si mesmo, também arbitrado pela administração pública. De outro lado, como bem chamou atenção o Contribuinte, a própria fiscalização intimou o adquirente em 20/02/2009 (fls. 354/356) a "informar e comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, qual a forma, condições de pagamento (...) relativos a aquisição dos imóveis abaixo relacionados". O adquirente, por sua vez, informou que efetivamente pagou o valor declarado na escritura pública (R$ 500.000,00), na forma de dois cheques emitidos em favor do recorrente (fls. 357/358). Enfim, tendo em vista que não há presunção a favor do fisco, nesses casos, convinha à fiscalização aprofundar a investigação uma vez recebida a resposta da adquirente. Poderia ter averiguado se o pagamento admitido ocorreu, e como. Poderia ter buscado comprovar que houveram outros pagamentos advindos da referida compradora etc. Nesse sentido, entendo que assiste razão ao Contribuinte, vez que há nos autos escritura pública apontando o valor de venda em R$ 500.000,00 (fl. 361/362) e a Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 759 17 autoridade fiscalizadora não apontou outras provas de que o preço esta inadequado além de indícios de "notória" valorização da região. Deve ser excluído da base de cálculo, portanto, o valor de R$ 294.824,51, apropriado como ganho de capital no anocalendário de 2006. Casa 01, Tipo 02, Lote 01, Quadra B, Rua A, Vila Santa Fé, Condomínio Taperapuan, Porto Seguro/BA Que o Contribuinte alienou 03 casas em Porto Seguro entre 2004 e 2005, apesar de não ter registrado em sua DIRPF a aquisição das mesmas ou o ganho de capital referente às mesmas. Intimado, o Contribuinte afirmou ter adquirido os imóveis em 2003, por R$ 270.000,00. Intimado o alienante original, este confirmou o preço. Nesse sentido, ante à falta de indicação ou prova do valor individual, foi apropriado como custo de aquisição R$ 90.000,00 por imóvel. Tendo o Contribuinte alienado os mesmos por R$ 100.000,00, foi apurado ganho de capital de R$ 10.000,00. O Contribuinte admite o ganho de capital, mas contesta a qualificação da multa, afirmando que se tratou de mero equívoco, e não de dolo. Argumentou que o equívoco se deve à grande quantidade de imóveis que tinha e à quantidade de negócios que realizava. Casa 02, Tipo 02, Lote 01, Quadra B, Rua A, Vila Santa Fé, Condomínio Taperapuan, Porto Seguro/BA Que o valor de aquisição foi R$ 90.000,00 (vide item anterior), e que no contrato particular foi declarado valor de alienação em R$ 120.000,00, a ser pago por depósito em conta no exterior. Nesse sentido, desconsiderou o valor estabelecido na escritura pública (R$ 60.000,00), estabelecendose um ganho de capital de R$ 30.000,00. A DRJ reduziu o ganho de capital para R$ 20.000,00, vez que foi comprovada a despesa com corretagem em R$ 10.000,00. Insatisfeito, o Contribuinte afirmou ter firmado o negócio em R$ 100.000,00, admitindo que, devido ter recebido R$ 107.448,00 devido à variação cambial. Também, insiste que inocorreu dolo, mas mero equívoco, não sendo adequada a qualificação da multa. Não tendo o Contribuinte trazido aos autos prova dessa divergência de valores, nem mesmo tabela de cálculo da variação cambial, não é possível dar provimento ao seu pleito. Casa 09, Tipo 02, Lote 01, Quadra B, Rua A, Vila Santa Fé, Condomínio Taperapuan, Porto Seguro/BA Mais uma vez, foi considerado o valor de aquisição em R$ 90.000,00. Considerando que a escritura pública registrava o valor de R$ 50.000,00, muito diferente daqueles mesmos preços efetuados pelo próprio Contribuinte, a autoridade fiscalizadora arbitrou o valor tomando como referência o valor venal do imóvel, em R$ 105.630,00. A DRJ, por sua vez, reduziu o valor de alienação para R$ 100.000,00, valor confessado pelo Contribuinte na impugnação. Insatisfeito, o Contribuinte recorreu afirmando que, mais uma vez, o negócio foi efetuado em moeda estrangeira, o que o levou a sofrer perdas pela variação cambial. Também, que teve de pagar comissões. Enfim, argumenta uma vez mais pela inadequação a qualificação da multa, pelos mesmos motivos acima. Fl. 767DF CARF MF 18 A verdade é que o Contribuinte não colacionou provas aos autos. Especificamente em relação à comissão, o único recibo juntado se refere à alienação da casa nº 02, já considerado pela DRJ no item anterior. Portanto, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte no sentido de reduzir o ganho de capital. Conclusão em relação à infração 002 Ante o exposto acima, concluise que o Contribuinte admite o ganho de capital em relação a três dos seis imóveis identificados. Em relação aos demais, deixou de produzir provas em relação a dois. Impende, entretanto, dar provimento ao pleito em relação à Loja 74, Bloco C, Quadra 02, Ed. OK, SCS, Brasília/DF, excluindose o ganho de capital na ordem de R$ 294.824,51 da base de cálculo do lançamento pelas razões já expostas. Infração 003 Depósitos bancários de origem não comprovada Tendo em vista que fui vencido em relação à realização da diligência, entendo que o auto de infração não pode ser mantido em relação à infração 003 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Efetivamente, analisando os extratos das contas mantidas perante as instituições financeiras e as provas juntadas pelo Contribuinte (de que em diversas oportunidades foram realizados depósitos de diferentes valores e origens cheques diversos; valores em pecúnia e em cheque na mesma data), é possível constatar que a instituição bancária lançava nos extratos uma única movimentação global, reunindo as diversas operações de depósito como se fossem uma única operação. Os exemplos foram transcritos acima. Porquanto a Lei nº 9.430/1996 exige a comprovação individualizada de cada operação de crédito em favor do sujeito passivo, bem como exige a intimação prévia ao lançamento para que apresente tal comprovação, então concluise que a Lei exige que essa intimação prévia seja acompanhada de uma indicação igualmente individualizada dos créditos cuja comprovação deve ser realizada. Ora, se não é possível identificar os créditos individualizadamente no extrato bancário e na intimação realizada durante a fiscalização, então concluise que a autoridade lançadora intimou o Contribuinte a comprovar valores globais, o que está em desacordo com a Lei. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto, para que seja cancelada a infração 003 Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. Da multa qualificada Remontando ao TVF, percebese que a qualificação da multa foi fundamentada na transcrição dos artigos de Leis, especificamente o art. 44, da Lei nº 9.430/1996, arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990, e arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, e explicação de que a multa só foi qualificada quando houve ocultação de bem e não declaração quando da sua alienação. A DRJ, por sua vez, manteve a qualificação da multa ao argumento de que restou efetivamente comprovado o dolo de sonegar imposto. Por sua vez, o Contribuinte reclama o afastamento da multa qualificada, afirmando que ocorreu meros equívocos, e que não constam nos autos quaisquer provas de dolo, fraude ou simulação. Pois bem. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 760 19 A multa foi qualificada exclusivamente em relação à infração 002, qual seja, "omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos". O fundamento da autoridade fiscalizadora, em que pese sucinto, foi claro: o Contribuinte deixou de declarar a aquisição e a alienação de imóveis em reiteradas oportunidades, deixando de oferecer à tributação os respectivos ganhos de capital. O argumento da defesa não convence; alega o Contribuinte que deixou de declarar os imóveis por lapso, fundamentandose ainda na tese de que, por possuir muitos imóveis e por realizar muitos negócios do gênero, seu erro era aceitável. A verdade é que a aquisição de imóveis, especialmente em valores dessa grandeza (R$ 315.000,00, R$ 500.000,00 e R$ 270.000,00), e a subsequente alienação dos mesmos em valores não inferiores não é fato que se aceite passíveis de esquecimento, vez que envolve valores milionários, quando analisados em conjunto. O que é mais, em suas DIRPFs (fls. 14/26) referentes aos anoscalendário 2004 e 2005, o Contribuinte declarou possuir como bens e direitos valor total de R$ R$ 626,304,70 e R$ 643,197,49, respectivamente. Enfim, há claros indícios de dolo na atuação do Contribuinte, que deixou de declarar suas negociações até que fosse fiscalizado. Nesse sentido, entendo ser necessário manter a qualificação da multa. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário em relação aos argumentos referentes a 2003. Na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo da base de cálculo da infração 002 o valor de R$ 294.824,51, referente a 30/04/2006, e por cancelar a infração 03 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada pelas razões supra expostas. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o bem fundamento voto do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para divergir em relação aos seguintes pontos: I) necessidade de diligência; II) infração 003 Depósitos bancários de origem não comprovada; III) qualificação da multa de ofício. I) Necessidade de diligência: O Relator suscitou a preliminar de diligência, para que a autoridade fiscal intimasse a instituição financeira a apresentar extratos pormenorizados (não consolidados) e Fl. 769DF CARF MF 20 excluísse os valores que representassem mais de um crédito e tivessem sido registrados de forma consolidada nos extratos bancários. Entendo que não merece prosperar essa tese, visto que o Contribuinte foi devidamente intimado, durante a ação fiscal, a justificar todos os créditos consignados em seus extratos bancários. Diferentemente do alegado pelo Recorrente, a instituição bancária não lançava valores globais, mas apenas agrupava em um só lançamento no extrato os depósitos efetuados em uma mesma operação, em um mesmo momento. Na infração de depósitos de origem não comprovada, ocorre a inversão do ônus da prova, conforme disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Caberia então ao fiscalizado, quando intimado, apresentar a comprovação da origem de todos os créditos efetuados em suas contas bancárias, não podendo se negar a fazê lo, sob pena de arcar com as consequências previstas na legislação, qual seja, a tributação dos valores não comprovados. O fato de a instituição bancária ter efetuado um único registro para os depósitos efetuados em um mesmo momento, os quais constituíam uma única operação, não tem o condão de afastar a obrigação de o Contribuinte comprovar a origem dos créditos. Dessa forma, penso ser desnecessária a realização da diligência. II) Infração 003 Depósitos bancários de origem não comprovada: Tendo sido vencido na proposição de realização de diligência, o Relator votou por cancelar a infração 003 Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, por entender não ter sido possível identificar os créditos individualizadamente nos extratos bancários e na intimação realizada durante a fiscalização, conforme já exposto no item da preliminar de diligência. Peço vênia ao ilustre Relator para divergir do seu entendimento, uma vez que a intimação efetuada seguiu os parâmetros legais, em conformidade com o art. 42 da lei nº 9.430/96. De acordo com o já evidenciado acima, no item da preliminar de diligência, o fato de o banco ter agrupado em um só lançamento os depósitos efetuados em uma mesma operação, em um mesmo momento, constituindo uma única operação, não é suficiente para retirar a obrigação de o Contribuinte comprovar a sua origem. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 761 21 Sendo assim, como o Contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em sua conta corrente, está correto o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Adoto, ainda, como razões de decidir, os argumentos expostos no voto condutor da decisão recorrida, consoante excertos abaixo transcritos (fls. 621/623). Em oposição ao que afirma o sujeito passivo, denotase que a autoridade lançadora anotou à fl. 472 que “[...] os cheques devolvidos e os créditos de origem comprovada foram excluídos do total de depósitos de origem não comprovada”, fato confirmado pelo conteúdo das planilhas constantes do Termo de Verificação Fiscal, fls. 465/499. O contribuinte assevera a impossibilidade de comprovar os depósitos realizados em conta bancária, porque praticamente todos que foram listados pela autoridade lançadora são compostos por vários cheques ou cheques e dinheiro. Citou como exemplo os depósitos de R$ 3.372,42, R$ 3.100,00, R$ 913,00, R$ 5.000,00, R$ 2.501,99, R$ 720,57, R$ 1.205,00 e R$ 640,00, realizados nos dias 13/01/2004, 10/05/2004, 06/08/2004, 11/08/2004, 27/07/2005, 18/08/2005, 14/11/2005 e 04/01/2006, respectivamente. Menciona que despesas de cartões de crédito de seus filhos e de sua esposa, bem como prestações de financiamento de veículo da esposa, eram debitadas em sua conta, a qual também era utilizada para movimentar valores relacionados ao inventário do espólio de seu pai e transações monetárias das pessoas jurídicas Auto Posto e Ribeiro Ltda, Ribeiro e Januário Empreendimento Eletrônicos Ltda e Carla Clínica Médica. Contudo, as alegações resumidas nos dois parágrafos anteriores são insuficientes para afastar a ocorrência do fato gerador da infração em apreço, haja vista que, em nenhum momento, tais argumentos do sujeito passivo tiveram o condão de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos e créditos relacionados pela fiscalização na omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários. Não prospera a menção feita na impugnação que as explicações foram solicitadas pela autoridade lançadora com imprecisão, tendo em vista que está evidente nos autos que a fiscalização solicitou justificativas ao contribuinte e requereu comprovação da origem dos depósitos como foram consignados nos extratos bancários. O contribuinte não trouxe aos autos cópias dos livros comerciais (diário/razão/caixa) em nome das pessoas jurídicas Auto Posto e Ribeiro Ltda, Ribeiro e Januário Empreendimento Eletrônicos Ltda e Carla Clínica Médica para especificar e demonstrar de forma individualizada a escrituração dos créditos/depósitos que alega pertencer a transações bancárias de tais instituições. Fl. 771DF CARF MF 22 O sujeito passivo relaciona e apresenta justificativas referentes alguns depósitos, conforme tabela abaixo: [...] Depreendese que os argumentos constantes da tabela acima são praticamente os mesmos apresentados no decorrer da ação fiscal. Todavia, em consonância com o dispositivo legal antes transcrito, a autoridade lançadora explicou, às fls. 471/474 do Termo de Verificação Fiscal, os motivos pelos quais não aceitou tais justificativas. Em obediência aos ditames da legislação pertinente, especificamente o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, do cotejo das justificativas e dos documentos acostados ao presente feito, extraise a impossibilidade de se estabelecer uma relação lógica entre os depósitos listados na tabela acima com o produto das vendas dos imóveis que menciona e com a suposta devolução de empréstimos realizados a terceiros, conforme amplamente combatido pela autoridade lançadora às fls. 471/474. Sem fundamento a alegação de que a autoridade fiscal poderia fiscalizar terceira pessoa para obter a origem do depósito de R$ 180.000,00. É importante reafirmar que compete ao sujeito passivo a comprovação da origem de depósitos/créditos efetuados em conta corrente, que deve ser feita de forma individualizada, como expressamente determina o caput do dispositivo legal colacionado no início deste tópico. No tocante à alegação de que parte dos valores objeto da presente infração pertence à sua esposa, cumpre elucidar que, para tributar referida omissão entre titulares de conta bancária, o § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, dispositivo legal antes colacionado, além da apresentação da declaração em separado, exige que as contas abrangidas pela fiscalização sejam mantidas em conjunto. Todavia, no caso concreto, a esposa do contribuinte foi declarada como dependente do impugnante nos anoscalendário 2004 e 2005, e a conta corrente abrangida pela fiscalização pertence exclusivamente ao contribuinte autuado e foi por ele movimentada de forma individual junto ao Bradesco S/A. Tais circunstâncias afastam definitivamente o propósito do contribuinte no sentido de tributar a omissão dos depósitos sem origem comprovada na forma do disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. As planilhas acostadas às fls. 476/488 mostram a existência de depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00. No entanto, em todos os anoscalendário autuados, o somatório de tais depósitos (igual ou inferior a R$ 12.000,00) supera o montante de R$ 80.000,00 dentro de cada um dos períodos. Assim, não há que se falar em exclusão de tais valores dos rendimentos tributáveis, haja vista o não cumprimento, cumulativamente, dos requisitos legais estabelecidos no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Importa enfatizar que não basta confirmar a realização de depósitos em conta corrente do sujeito passivo, pois como Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 762 23 manifestou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, esta afirmativa isoladamente não comprova a origem dos recursos, requisito imprescindível para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. Portanto, depois de analisar detidamente todos os argumentos de defesa expostos na peça impugnatória, concluise que o impugnante não logrou comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos/depósitos de forma individualizada. Infração mantida. III) Qualificação da multa de ofício: A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%), em relação à infração 002, por ter entendido que o fiscalizado deixou de declarar a aquisição e a alienação de imóveis em reiteradas oportunidades, deixando de oferecer à tributação os respectivos ganhos de capital, caracterizando o dolo de sonegar imposto, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. A decisão de primeira instância manteve a qualificação da multa, tendo concluído o seguinte: Com efeito, com base nos fatos explicitados no Termo de Verificação Fiscal, fls. 467/471 e 475/476, a autoridade lançadora demonstra que, em tese, houve a prática de fraude – não mero erro sustentado pelo autuado – e, em cumprimento ao disposto na legislação pertinente, aplicou a multa de 150% sobre o imposto apurado em decorrência da omissão de rendimentos de Ganho de Capital na alienação de vários bens imóveis nos anoscalendário 2004 e 2006. Convém salientar que o procedimento administrativo de lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, como determina o parágrafo único do artigo 142 da Lei no 5.172/1966, CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Logo, no caso concreto, a multa de ofício de 150% foi aplicada por restar provado o intuito doloso de sonegar imposto, conforme previsto no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/1996. Fl. 773DF CARF MF 24 Com o devido respeito ao entendimento da autoridade fiscal e dos julgadores da DRJ, penso que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, entendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte da Contribuinte. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a falta do recolhimento do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital. No entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim definem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10166.721559/200984 Acórdão n.º 2202003.580 S2C2T2 Fl. 763 25 A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois não consigo identificar a ocorrência de fraude ou simulação, embora concorde ser reprovável a conduta do Contribuinte acerca da omissão das alienações em suas declarações anuais e por isso é imposta a multa de ofício de 75%. Portanto, é de se aplicar a Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no seguinte sentido: a) rejeitar a preliminar de conversão em diligência, suscitada pelo Relator; b) não conhecer do recurso em relação ao anocalendário 2003, por falta de objeto, e rejeitar as demais preliminares, acompanhando o voto do Relator; c) quanto à infração 001: negar provimento ao recurso, acompanhando o voto do Relator; d) quanto à infração 002: dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 294.824,51, referente a 30/04/2006, acompanhando o voto do Relator; e) quanto à infração 003: negar provimento ao recurso, divergindo do voto do Relator, que deu provimento ao recurso nessa parte; f) quanto à multa qualificada: dar provimento ao recurso para desqualificála, reduzindoa ao percentual de 75%, divergindo do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 775DF CARF MF 26 Fl. 776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000672/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva.
RELEVAÇÃO DA MULTA. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos legais insculpidos no artigo 291 do RPS, vigentes à época do lançamento e da interposição da defesa, impõe-se reconhecer o direito de relevação da multa, ainda que posteriormente tais normas tenham sido revogadas e/ou alteradas, não podendo novas disposições legais retroagirem à época da prática do ato quando suas inovações prejudicarem o contribuinte.
Numero da decisão: 2201-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. RELEVAÇÃO DA MULTA. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos legais insculpidos no artigo 291 do RPS, vigentes à época do lançamento e da interposição da defesa, impõese reconhecer o direito de relevação da multa, ainda que posteriormente tais normas tenham sido revogadas e/ou alteradas, não podendo novas disposições legais retroagirem à época da prática do ato quando suas inovações prejudicarem o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Tatiane Thome OAB/SP 223.575. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 06 72 /2 00 7- 05 Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Trata o presente de AutodeInfração de Obrigações Acessórias – AI – CFL 68, Debcad n.º 37.072.8840, de 03/10/2007, lavrado por ter o sujeito passivo apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de cumprir a obrigação prevista no art. 32, IV e § 5.º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, combinado com art. 225, IV e § 4.º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração RF (fls. 14/15), a autuada, no período de 01/1999 a 12/2006, apresentou GFIP preenchidas com omissão dos seguintes fatos geradores de contribuições sociais: valores pagos a segurados empregados a título de bolsa de estudo no período de 01/1999 a 12/2006, conforme demonstrativos de fls. 22/169; remunerações pagas a contribuintes individuais no período de 04/2003 a 03/2006, conforme demonstrativos de fls. 171/181. Informa ainda o RF que, no caso das bolsas de estudo, a entidade, no período de 01/1999 a 12/2001, reconheceu tais valores como saláriodecontribuição, incluindoos em folhas de pagamento, efetuando a retenção da parte dos segurados bem como o recolhimento e que, relativamente ao período de 01/2002 a 12/2006, não tendo sido reconhecidos como saláriodecontribuição, foram objetos de lançamento de débito através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD. Foi aplicada multa no montante de R$ 528.709,78 (quinhentos e vinte e oito mil, setecentos e nove reais e setenta e oito centavos), fundamentada no art. 32, § 5.o da Lei 8.212/91 combinado com os art. 284, II e 373 do RPS, com valor atualizado pela Portaria MPS n.º 142, de 11/04/2007 (DOU 12/04/2007), conforme demonstrativo de fls. 19/20. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 16/17), a multa relativa aos contribuintes individuais foi aplicada com atenuação de 50% nas competências de 04/2003 a 11/2005 e 03/2006, conforme previsão do art. 292, V do RPS, tendo em vista a apresentação, durante a ação fiscal, de GFIP com a inclusão das remunerações dos contribuintes individuais e a inexistência de autos de infração lavrados contra o contribuinte em ações fiscais anteriores. Primeira Impugnação: Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.000672/200705 Acórdão n.º 2201003.222 S2C2T1 Fl. 3 3 Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 309/337, na qual traz as seguintes argumentações, em resumo: Foram consideradas três situações distintas em que ocorreram as supostas omissões em GFIP: 1.ª situação: os valores relativos a bolsa de estudo pagos aos segurados empregados foram reconhecidos como saláriodecontribuição, com inclusão em folhas de pagamento, retenção da parte dos segurados e recolhimento das contribuições sociais decorrentes (01/1999 a 12/2001); 2.ª situação: os valores relativos a bolsa de estudo pagos aos segurados empregados que não foram reconhecidos como saláriodecontribuição, não sendo incluídos em folhas de pagamento e não efetuada a retenção da parte dos segurados (01/2002 a 12/2006); 3.ª situação: a remuneração paga a contribuintes individuais não constante em folhas de pagamento (04/2003 a 03/2006). Por terem sido três situações distintas que ensejaram o presente AI, a impugnante requer que, por se tratarem de ocorrências peculiares, sejam apreciadas de maneira separada, ou seja, o desmembramento do AI em três, para que possa ser proferido julgamento acerca de cada uma destas circunstâncias em separado. Com relação à 1ª situação, entende a autuada que não estava obrigada a informar tal situação em GFIP, visto que os valores pagos a título de bolsa de estudo aos segurados não são parte integrante do saláriodecontribuição, conforme expresso no art. 28, § 9º, “t” da Lei n° 8.212/91, ficando evidenciado que a impugnante possuía entendimento equivocado acerca do tema. No caso de entendimento diverso, a multa deve ser relevada, visto que houve a correção da falta, por meio da retificação da GFIP, com a informação na mesma dos valores relativos a bolsas de estudo antes de findo o prazo para apresentação de impugnação, além do fato de a defendente ser primária e não ter ocorrido qualquer circunstância agravante, tudo de acordo com o art. 291, § 1.º do RPS. Ou, ainda, a multa deverá ser reduzida em 50%, de acordo com o art. 292, V cumulado com o art. 291, ambos do RPS, pela situação atenuante da penalidade por ter a autuada entregue GFIP corrigindo a falta antes do prazo para apresentação da defesa administrativa. Argumenta o sujeito passivo sobre os valores pagos a título de bolsa de estudo não serem considerados saláriodecontribuição, citando o art. 458, § 2.º, II da CLT, o art. 28, § 9.º, “t” da Lei 8.212/91 e as convenções coletivas de trabalho para professores e auxiliares de administração escolar de 1999 a 2001, nas quais constam a obrigatoriedade da concessão de bolsas de estudo e o reconhecimento que tais pagamentos não tem caráter remuneratório, não fazendo parte, portanto, do salário decontribuição. Traz jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ. Com relação à 2.ª situação, a impugnante traz os mesmos argumentos apresentados para a 1.ª situação, no sentido de que os valores pagos a título de bolsa de estudo aos segurados não são parte integrante do saláriodecontribuição, conforme expresso no art. 28, § 9.º, “t” da Lei 8.212/91 e nas convenções coletivas de trabalho de professores e auxiliares de administração escolar. No tocante à 3.ª situação – omissão em GFIP de remuneração paga a contribuintes individuais, a própria auditora fiscal, quando da lavratura do presente Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 AI, deixou consignado que o sujeito passivo apresentou as retificadoras da GFIP, corrigindo as omissões apontadas e que a multa aplicada foi atenuada em 50%. Dessa feita, determina o art. 291, § 1.º do RPS que a multa seja relevada. Ao final, anexando os documentos de fls. 338/1.164, requer: o desmembramento do presente AI para que cada uma das três situações distintas que ocasionaram a autuação sejam apreciadas em separado; quanto à primeira situação, o reconhecimento da multa aplicada como indevida, anulandoa, relevandoa, ou, no mínimo, reduzindoa a 50%; quanto à segunda situação, o reconhecimento da multa aplicada como indevida, anulandoa; quanto à terceira, o reconhecimento da multa aplicada como indevida, anulandoa ou relevandoa; provar o alegado por todos os meios de prova em direito admissíveis, tais como documentais, testemunhais e outros que se fizerem necessários. Manifestação da auditora autuante: Em função das alegações e pedidos efetuados pela autuada em sua impugnação, fezse necessária a solicitação de manifestação por parte auditora autuante (fls. 1.167/1.168) para os seguintes esclarecimentos: a) todos os motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo na alínea “t” do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212/91; b) acerca da efetiva e integral correção da falta na competência não abrangida pela decadência quinquenal, ou seja, 12/2001, observandose a redação conferida ao art. 291 do RPS pelo Decreto 6.032/07. c) sobre a concessão do benefício de atenuação ou relevação da multa, condicionada ao saneamento integral, em cada competência, da infração ensejadora da autuação para os autos de infrações lavrados a partir da revogação do § 6.º do art. 656 da Instrução Normativa MPS/SRP n.º 03, de 14/07/2005 IN 03. Em atendimento, foi emitida informação fiscal de fls. 1.217/1.221, na qual a auditora autuante esclarece que, de acordo com o art. 28, § 9.º, “t” da Lei 8.212/91 “não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente (...) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”. Aduz que a Lei 9.394/96, que versa sobre as diretrizes e bases da educação nacional, definiu, em seu art. 21, que a Educação Básica é formada pela Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, ficando, dessa forma, evidente que todo plano educacional desenvolvido pela empresa que vise seu empregado cursar qualquer série até o Ensino Médio está isenta de contribuição previdenciária, não integrando o salário de contribuição os cursos de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades desenvolvidas pelos trabalhadores na empresa. Destaca que as bolsas de estudo concedidas a funcionários, a título de mestrado ou pósgraduação, não integraram a base de cálculo para as contribuições exigidas. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.000672/200705 Acórdão n.º 2201003.222 S2C2T1 Fl. 4 5 Também, ainda que a concessão de bolsas de estudo esteja prevista nas convenções coletivas de trabalho dos professores e auxiliares administrativos, que tem força de lei entre as partes, não pode contrariar o disposto em Lei, e esta, no caso a Lei 8.212/91, é clara ao dispor, em seu artigo 28, que, sobre todas as utilidades fornecidas aos trabalhadores incidirão contribuições previdenciárias. Dessa forma, sendo a autuada uma instituição de ensino superior, as bolsas de estudo, parciais ou totais, concedidas a segurados empregados e a seus dirigentes, assim como a seus dependentes integram o saláriodecontribuição por não se amoldarem à hipótese excludente do § 9.º, “t”, do art. 28 da Lei 8.212/91. Esclarece também que, para o período de 01/1999 a 06/2001, a impugnante procedeu à entrega de GFIP substitutivas, dentro do prazo de impugnação, indicando todas as remunerações dos segurados que serviram de base ao cálculo da multa aplicada com relação ao pagamento de bolsas de estudo aos segurados, havendo, desta forma, o saneamento integral da infração neste período. Para o período de 07/2001 a 12/2001, foram incluídos, nas GFIP substitutivas, somente os valores pagos a título de bolsa de estudo aos dependentes dos segurados, não havendo, assim, a correção integral da falta ensejadora da autuação nestas competências. Para o período de 01/2002 a 12/2006, não foram elaboradas GFIP substitutivas relacionadas com os valores pagos a título de bolsa de estudo. Com a revogação do § 6.º do art. 656 da IN 03 pela Instrução Normativa MPS n.º 23, de 30/04/2007, ficou definido, a partir da mencionada revogação, que representa condição indispensável à concessão do benefício da atenuação ou relevação a correção integral da falta ensejadora da autuação, ou seja, o saneamento integral da infração em cada competência. Assim sendo, tendo a autuada, durante o procedimento fiscal, incluído em GFIP somente as remunerações dos contribuintes individuais no período de 04/2003 a 03/2006, deixando de informar os valores pagos a título de bolsa de estudo a seus trabalhadores, considera a autoridade fiscal que passou a ser aplicada a multa no valor integral, desconsiderandose as atenuações anteriormente efetuadas para este período e também para a competência de 12/2001, que não foi abrangida pela decadência quinquenal e, para a qual, também não foi procedida a correção integral, conforme anteriormente tratado. Finalmente, auditora autuante informa que o valor do presente AI fica retificado de R$ 528.709,78 para R$ 504.751,27, conforme demonstrativo de fls. 1.216 e concede ao sujeito passivo prazo de 10 dias para sua manifestação. Foram anexados os documentos de fls. 1.172/1.216. Segunda Impugnação: Cientificada da informação fiscal e demonstrativos, a autuada, tempestivamente, se manifestou através da impugnação de fls. 1.224/1.236, na qual, após traçar um resumo do processo até aquele momento, inicialmente protesta contra o prazo de 10 dias estipulado para sua manifestação a respeito do conteúdo do relatório fiscal complementar, aduzindo que tal prazo, quando da lavratura de auto de infração é de 30 dias e esclarecendo que, embora se manifeste dentro do prazo de 10 dias, resguardase no direito de apresentar outras informações e documentos no prazo remanescente para se completar os 30 dias oportunizados por lei. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Alega a defendente que, com relação aos motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo na alínea “t” do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212/91 a auditora não trouxe qualquer argumento forte o suficiente para justificar seu posicionamento e reitera integralmente a argumentação trazida na impugnação inicial com relação à não inclusão de bolsas de estudo como saláriodecontribuição e da consequente não obrigatoriedade de informação de tais valores em GFIP. Também mantém sua convicção de que o AI deve ter sua multa relevada devido ao fato de ter corrigido integralmente a falta, regularizando as GFIP tanto com relação aos contribuintes individuais para o período de 04/2003 a 03/2006 bem como aos pagamentos de bolsas de estudo no período de 01/1999 a 12/2001. Embora entenda que a multa, no que tange aos contribuintes individuais, deva ser relevada por completo, no caso de entendimento diverso, aponta a ocorrência de um erro quando a auditora fez o novo cálculo do valor do AI, posto que esqueceuse de, no mínimo, reduzir a multa aplicada em 50%, conforme já havia sido por ela mesmo feito quando de sua lavratura, nos termos do art. 292, V do RPS, devendo ser refeito o cálculo, aplicandose a redução. Finalmente, após reiterar a íntegra das aduções trazidas na impugnação, bem como os documentos colacionados, também reitera, na íntegra, o requerimento formulado em sede de impugnação administrativa e, tendo em vista que o prazo designado para apresentação de nova defesa foi de apenas 10 dias, se resguarda do direito de apresentar outras informações e documentos no prazo remanescente para se completar os 30 dias previstos em lei. Nova autuação em procedimento fiscal distinto: Em razão da expedição de ato cancelatório de isenção das contribuições sociais com efeito a partir de 01/08/2003, o sujeito passivo foi objeto de nova ação fiscal que culminou com a lavratura, em 11/2008, de outros autos de infração relativos a obrigações principais e acessórias concernentes a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais e a valores pagos pelos serviços prestados por cooperados através de cooperativa de trabalho médico. Nessa ação fiscal foi lavrado, em 14/11/2008, o auto de infração Debcad n.º 37.138.1606, processo n.º 1444.001482/200888, com o mesmo fundamento legal (CFL68) e mesmas competências do AI ora em análise, tendo sido, em 16/07/2009 (fls. 1261), apensado ao presente, devendo, por este motivo, serem ambos os processos julgados em conjunto. Nova manifestação da auditora autuante: Ante à superveniência de modificação introduzida pela Medida Provisória n.º 449, de 04/12/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009 no cálculo da penalidade aplicada, que revogou o § 5.º do art. 32 e introduziu o art. 32 A, ambos da Lei 8.212/91, bem como em razão do disposto no art. 106, II, “c” do CTN, que determina, ao ato não definitivamente julgado, a aplicação retroativa de lei posterior que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, fezse necessário o exame e manifestação da autoridade autuante quanto à penalidade mais benéfica à autuada. Em atendimento, foi emitida Informação Fiscal – IF de fls. 1.256/1.260, na qual a auditora autuante elaborou o anexo denominado “Demonstrativo Comparativo da Penalidade Mais Benéfica, em Face da MP 449/2008, Convertida na Lei n.º 11.941/2009”, de fls. 1.254/1.255, no qual é feita a comparação do valor da multa calculado pela legislação anterior à MP 449 com a trazida pela referida MP, levando em conta todos os autos de infração correlatos lavrados nas duas ações fiscais Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.000672/200705 Acórdão n.º 2201003.222 S2C2T1 Fl. 5 7 distintas, tudo para o atendimento da previsão legal de aplicação da penalidade menos severa ao contribuinte trazida pelo art. 106, II, “c” do CTN. Relata a IF que, efetuadas as devidas comparações, detalhadas nas planilhas a ela anexadas, a auditoria conclui que o valor da multa para o presente AI deve ser alterado para R$ 303.475,32. Terceira Impugnação: Cientificada da informação fiscal e demonstrativos, a autuada, tempestivamente, se manifestou através da impugnação de fls. 1.264/1.269, na qual, após traçar um resumo do processo até aquele momento, contesta a premissa na qual se baseou a autoridade fiscal para efetuar os novos cálculos do valor da multa, aplicando o disposto no art. 44, I da Lei 9.430/96, segundo o qual é prevista a aplicação de multa única de 75%. Segundo a autuada, não é essa a nova regra instituída pela MP 449 para regular os autos, mas, sim, a prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, cujo inciso I preconiza a aplicação de multa no valor de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas em GFIP e, além disso, deveria ter sido aplicada a redução de 75% contida no inciso II do § 2.º do mesmo artigo, porquanto a autuada apresentou GFIP retificadoras conforme já discorrido nas peças já apresentadas. Finalmente, reiterando na íntegra as aduções dispostas na impugnação, bem como nas demais peças apresentadas, requer que seja julgado totalmente improcedente o presente lançamento, ou ao menos seja reduzida a multa aplicada nos termos expostos. A 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, conforme ementas transcritas: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS EM RELAÇÃO A DADOS RELACIONADOS A FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ficando o responsável sujeito a penalidade (multa). DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO. Integram o saláriodecontribuição as bolsas de estudo, exceto aquelas relativas a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não substitua Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdenciário deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. Autuação Procedente em Parte Com Manutenção Parcial da Multa Aplicada. A conclusão do julgado foi no seguinte sentido: Conclusão: Diante do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da presente impugnação, com MANUTENÇÃO EM PARTE do crédito tributário exigido, em função do reconhecimento da decadência quinquenal para as competências de 01/1999 a 11/2001 e aplicação da penalidade mais benéfica prevista no art. 106, II, “c” do CTN, retificandose seu valor para o montante de R$ 283.616,62 (duzentos e oitenta e três mil, seiscentos e dezesseis reais e sessenta e dois centavos). Como são procedentes as ocorrências, há que se manterem as multas aplicadas (a menor) originalmente pela fiscalização, nas competências de 04/2003 a 11/2005 e 03/2006. Embora aplicada somente nos valores de 50% (quando deveriam ser de 100% porque não cabível a atenuação) das omissões relativas aos contribuintes individuais, fica sugerido à unidade lançadora, caso entenda cabível, o lançamento do valor remanescente de 50%, respeitados os limites legais mensais, por competência. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 14/01/2011, fl. 1306, e apresentou recurso voluntário em 15/02/2011 (fls. 1307/1345), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Trata o presente de lançamento de Obrigações Acessórias – AI – CFL 68, Debcad n.º 37.072.8840, de 03/10/2007, lavrado por ter o sujeito passivo apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração a autoridade autuante consignou que (fl. 17): Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.000672/200705 Acórdão n.º 2201003.222 S2C2T1 Fl. 6 9 2. Após análise dos documentos solicitados, dentre os quais, as Folhas e Recibos de Pagamento, Rescisões de Contrato, Recibos de Férias, etc., constatouse que no período entre 01/1999 a 12/2006, embora a empresa tenha apresentado as GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social de todo período, foram omitidos das mesmas fatos geradores de contribuições previdenciárias, como segue: a) Valores pagos a segurados empregados, a título de bolsa de estudos, relativos ao período de 01/1999 a 12/2006, conforme discriminados nas planilhas que compõem o anexo II denominado “BOLSA DE ESTUDOS". Ressalvamos que a entidade reconheceu tais valores como SaláriodeContribuição no período de 01/1999 a 12/2001, incluindoos em Folhas de Pagamento, efetuando a retenção da parte de segurados bem como o recolhimento. Relativamente ao período de 01/2002 a 12/2006, tais valores em não tendo sido reconhecidos como SaláriodeContribuição, foram objeto de lançamento de debito, passando a fazer parte da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD nº 37.072.8866; b) Remunerações pagas a contribuintes individuais, no período de 04/2003 a 03/2006, os quais foram relacionados nas planilhas que compõem o Anexo IV, denominado “CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS". Do exposto, verificase que a autuada, no período de 01/1999 a 12/2006, apresentou GFIP preenchidas com omissão dos seguintes fatos geradores de contribuições sociais: valores pagos a segurados empregados a título de bolsa de estudo no período de 01/1999 a 12/2006, conforme demonstrativos de fls. 22/169; remunerações pagas a contribuintes individuais no período de 04/2003 a 03/2006, conforme demonstrativos de fls. 171/181. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/1991, assim prevê: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) Ementa PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.000672/200705 Acórdão n.º 2201003.222 S2C2T1 Fl. 7 11 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não tem caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não tem a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Portanto, como a verba não está alcançada pela tributação, também não deve incidir sobre os consectários legais. No que tange às remunerações pagas a contribuintes individuais, no período de 04/2003 a 03/2006, os quais foram relacionados nas planilhas que compõem o Anexo IV, alega a recorrente que “... a multa deve ser relevada, posto que a falta foi corrigida antes mesmo da apresentação da impugnação, tanto é que a própria Sra. Fiscal reconheceu tal fato, reduzindo a multa, já no momento da lavratura do auto, em 50%. Ocorre que em situações destes jaez, a multa deve ser não apenas reduzida, mas sim totalmente relevada, de acordo com o disposto no art. 291, § 1.° do Regulamento da Previdência Social”. Sobre o pedido de relevação da multa, manifestou a autoridade recorrida no seguinte sentido: Conforme anteriormente tratado, com a revogação do § 6.º do art. 656 da IN 03 pela IN MPS 23, de 30/04/2007, a partir da mencionada revogação, é condição indispensável à concessão do benefício da atenuação ou relevação a correção integral da falta ensejadora da autuação, ou seja, o saneamento integral da infração em cada competência. De acordo com a manifestação da auditora autuante às fls. 1.167/1.168, tal condição não foi cumprida, pois, para o período de 07/2001 a 12/2001, foram incluídos, nas GFIP substitutivas, somente os valores pagos a título de bolsa de estudo aos dependentes dos segurados e, para o período de 01/2002 a 12/2006, não foram elaboradas GFIP substitutivas relacionadas com os valores pagos a título de bolsa de estudo. Assim sendo, não há que se falar em relevação ou redução da multa, tendo em vista a não correção integral da falta ensejadora da autuação nestas competências. Quanto às GFIP substitutivas relacionadas com os valores pagos a título de bolsa de estudo, o voto foi no sentido de que tais valores não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, portanto, não há que se falar em omissão na GFIP, sendo, consequentemente, improcedente a multa. Quanto à possibilidade de relevação/atenuação da multa, relativamente às remunerações pagas a contribuintes individuais, a autoridade autuante informou em seu Relatório Fiscal à fl. 16 que: Considerando que tenha havido a apresentação da GFIP com a inclusão das remunerações dos Contribuintes Individuais, durante a ação fiscal, no período de 04/2003 a 03/2006, a multa foi atenuada em 50% conforme disposto no artigo 292, inciso V do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/99. (...). Pelo que se vê, a contribuinte corrigiu a falta, em relação apresentação da GFIP com a inclusão das remunerações dos contribuintes individuais, antes da decisão de primeira instância, aliás, ainda no decorrer da ação fiscal, o que ensejou a atenuação da multa. Além do mais, verificase que a recorrente é primária e não incorreu em circunstâncias agravantes (Relatório Fiscal item 4 fl. 16), além de ter efetuado o pedido de relevação em sua defesa. Assim, devese aplicar à espécie o art. 291 do RPS Decreto n° 3.048/1999, vigentes à época do lançamento e interposição da defesa: Decreto n° 3.048/1999 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11444.000672/200705 Acórdão n.º 2201003.222 S2C2T1 Fl. 8 13 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007). § 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007). § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Ressaltese que o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional somente estabelece a retroatividade de novas normas à época da prática do ato quando for mais benéfica ao contribuinte. Portanto, ainda que tais normas tenham sido revogadas e/ou alteradas posteriormente, não pode as novas disposições legais retroagirem à época da prática do ato quando suas inovações prejudicarem o contribuinte. Dessa forma, com arrimo na legislação vigente à época do lançamento e da peça impugnatória, impõese reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 16/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11080.722566/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Devendo ser analisada os valores das parcelas individualmente para eventual cobrança de imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento, em maior extensão, para exonerar o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Devendo ser analisada os valores das parcelas individualmente para eventual cobrança de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 66 /2 01 2- 10 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento, em maior extensão, para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 11080.722566/201210 Acórdão n.º 2401004.466 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 23/01/2012, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2009, AnoCalendário 2008, na qual foi constatada a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 98.259,66 (noventa oito mil, duzentos e cinquenta nove reais e sessenta seis centavos), recebidos pelo titular em decorrência da aposentadoria. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que tais valores referemse a rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) provenientes de aposentadoria concedida em 28/08/1995, com mais de 65 anos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada por meio de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora.” “O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº DRF/POA nº 537/ 2012, que manteve a exigência total do lançamento. O contribuinte, no prazo assegurado na decisão, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 65, por meio da qual solicitou prazo maior “no sentido de refazer o desmembramento do montante recebido de pessoa jurídica, em virtude do mesmo ser provento de ação trabalhista de período de aproximadamente dez anos.” Apresentou cópias de peças processuais proc. nº. 2000.71.000015226/ RS. Posteriormente, em 29/10/2012 solicitou a anexação aos autos dos documentos de fls. 83/85 (demonstrativo de valores período janeiro de 1995 a junho 2003). Convém referir que o Termo Circunstanciado anexo do Despacho Decisório 537/2012, registra que o limite de isenção por idade acima de 65 anos, para o exercício 2009, restringese a R$ 17.846,53, sendo este valor limite utilizado relativamente os rendimentos recebidos da fonte pagadora identificada com o CNPJ 02.520.619/000152, conforme a DAA, Declaração de Ajuste Anual, do interessado, (fls. 42 e 55). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 Esclarece também o Termo, que na DAA Original, ND 10/26.180.425, o contribuinte omitiu completamente os rendimentos provenientes da decisão judicial. Na DAA Retificadora, ND 10/36.649.363, declarou tais rendimentos como Transferências Patrimoniais isentas/não tributáveis. E por fim, em sua DAA Retificadora, ND 10/36.681.803, declarou os rendimentos isentos por moléstia grave; sem, contudo, apresentar laudo médico que comprove tal condição (fls. 42 e 55). Consta também no Termo Circunstanciado “que não foram apresentados elementos que justifiquem a isenção pretendida sobre esses rendimentos recebidos no ano de 2008 e por esta razão ficou mantido o lançamento”. Considerando que a Manifestação de Inconformidade limitouse apenas a solicitar prorrogação de prazo para apresentação extemporânea de documentos. Considerando que não foram apresentados argumentos/provas que modificassem o entendimento esposado no Despacho Decisório nº 537/2012, ratifico aquela decisão nos termos e fundamentos contidos no Termo Circunstanciado. O documento extemporaneamente apresentado (demonstrativo de valores do período de 01/1995 a junho de 2003), não é suficiente para modificar o entendimento indicado no Despacho Decisório.” Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, alegando que: “A r. decisão não pode prevalecer, pois não levou em conta os documentos juntados às fls. 83/85, dos autos do processo, em que resta comprovado que os rendimentos recebidos, acumuladamente, em 2008, dizem respeito as diferenças salariais deixadas de receber no período de janeiro/1995 a junho/2003, com exceção dos meses de setembro/1997 a fevereiro/2008. Ora o valor recebido de R$ 98.259,66 divido pelo numero de parcelas a que corresponde 104, sendo que 8 delas com tributação exclusiva na fonte, por se tratar de gratificações natalinas, resulta numa diferença mensal R$ 944,80, isenta de pagamento, conforme TABELA PROGRESSIVA MENSAL DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DO TRABALHO E OUTROS, vigente em 2008, estabelecida pela Lei nº 11.482, de 31/05/2007. Assim, devidamente comprovado que tivesse o requerente recebido, mensalmente, os valores que lhe foram reconhecidos e pagos numa única oportunidade, não haveria retenção na fonte, impõese seja reformada a R. decisão e anulado o lançamento, eximindoo do pagamento do imposto de renda, multa, juros e demais encargos.” É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 11080.722566/201210 Acórdão n.º 2401004.466 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 14/12/2012, conforme AR às fls. 95, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 09/01/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 98.259,66 (noventa oito mil, duzentos e cinquenta nove reais e sessenta seis centavos), recebidos pelo titular, em virtude de ação judicial que determinou o pagamento em uma única parcela de atualização dos proventos recebidos a título de aposentadoria a partir do mês de março de 1994, conforme vislumbrase da leitura da sentença do processo nº 2000.71.00.0015226, anexada aos autos nas fls. 10 a 22. O recorrente apresentou com a impugnação cópia da decisão judicial que concedeu o pagamento dos proventos, comprovando que se tratam de proventos recebidos acumuladamente em virtude de atualização dos seus proventos de Aposentadoria. 2.1. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Em razão do exposto, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Ficou sedimento o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos atrai a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Por outro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 prevê a prerrogativa do Fisco de rever o lançamento. Assim, como a época do Lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, deve o fisco rever o lançamento de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 11080.722566/201210 Acórdão n.º 2401004.466 S2C4T1 Fl. 5 7 I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Por todo o exposto, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” Assim, deve ser levada em consideração os valores mensais para possível incidência do imposto de renda e analise de possível isenção. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000881/2003-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
PRELIMINAR. CONHECIMENTO DE PROVAS DOCUMENTAIS JUNTADAS AOS AUTOS APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo sido determinado a elaboração de novo despacho decisório pela Unidade de origem, para apreciar o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, resta prejudicada a apreciação prévia do conhecimento de provas documentais juntadas aos autos após a impugnação ou recurso.
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Homologam se tacitamente após 5 anos as declarações de compensação regularmente apresentadas na vigência do art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pelo Lei 10.637/2002. Processo volvido à Unidade de origem para proferir novo despacho decisório.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que não conheceram do recurso. Pelo voto de qualidade, recurso provido com retorno a câmara a quo. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado), João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 PRELIMINAR. CONHECIMENTO DE PROVAS DOCUMENTAIS JUNTADAS AOS AUTOS APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo sido determinado a elaboração de novo despacho decisório pela Unidade de origem, para apreciar o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, resta prejudicada a apreciação prévia do conhecimento de provas documentais juntadas aos autos após a impugnação ou recurso. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Homologam se tacitamente após 5 anos as declarações de compensação regularmente apresentadas na vigência do art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pelo Lei 10.637/2002. Processo volvido à Unidade de origem para proferir novo despacho decisório. Recurso Especial do Procurador Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 08 81 /2 00 3- 53 Fl. 3440DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que não conheceram do recurso. Pelo voto de qualidade, recurso provido com retorno a câmara a quo. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado), João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS. Relatório Adoto, por necessário e suficiente para compreensão do processo, no que interessa, o relatório do despacho de admissibilidade, do qual transcrevo excertos, a seguir: “Tratase de RECURSO ESPECIAL (fls.3.215/3.228) interposto tempestivamente em face do acórdão nº 140200.454 (fls.3.181/3.210). O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: PRELIMINAR. CONHECIMENTO DE PROVAS DOCUMENTAIS JUNTADAS AOS AUTOS APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo sido determinado a elaboração de novo despacho decisório pela Unidade de origem, para apreciar o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, resta prejudicada a apreciação prévia do conhecimento de provas documentais juntadas aos autos após a impugnação ou recurso. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, §4º, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. Fl. 3441DF CARF MF 3 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Homologamse tacitamente após 5 anos as declarações de compensação regularmente apresentadas na vigência do art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pelo Lei 10.637/2002. De acordo com o voto vencedor, não poderia a fiscalização apreciar a composição do lucro real após o transcurso de cinco anos do respectivo período de apuração, em especial para verificar se rendimentos relacionados a retenções na fonte teriam sido oferecidos à tributação. Vejamos: “(...) Constatase que em todos esses anoscalendário a autoridade, a administrativa apesar de ter feito verificações do regular retenção e recolhimento de imposto de renda pelas fontes pagadoras do contribuinte, considerou apenas um percentual desse valor para fins de reconstituição do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do contribuinte. Esse artifício, a meu ver, destinouse a contornar o transcurso do prazo decadencial para rever a apuração do lucro real do contribuinte, e não pode ser admitido. Repito, o correto seria reconstituir o lucro real incluindo eventuais receitas omitidas, obviamente com análise da escrituração do contribuinte. No presente caso, à luz da legislação e da jurisprudência, o Fisco tinha 5 (cinco) anos para fiscalizar a apuração do lucro real do contribuinte, mas somente realizou o procedimento em março de 2008, quando todos os anoscalendário já haviam sido atingidos pelo transcurso do prazo decadencial. É certo que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. Porem, não pode haver auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a Fl. 3442DF CARF MF 4 documentação pertinente. Todavia, não foi apenas essa a situação que se verificou no presente caso: além de verificar o IRFonte, a Autoridade Administrativa realizou, indiretamente, a auditoria do lucro real. Diante do exposto, quanto a essa matéria, cumpre determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que a autoridade administrativa mediante novo despacho decisório apure o direito creditório, levando em conta a totalidade do IRRF comprovado, sendo incabível verificar se os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação, haja vista o transcurso do prazo decadencial para retificar a apuração dos tributos devidos pelo contribuinte, à data da ciência do despacho decisório.” Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outros colegiados à lei tributária, consubstanciada nos seguintes julgados: IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DECADÊNCIA ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de ano calendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatandose que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em anocalendário abarcado pela decadência. (CSRF, 4ª Turma, Acórdão nº CSRF/0400.054, de 21/06/05) IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. IRPF ATIVIDADE RURAL PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS CORREÇÃO MONETÁRIA Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei n° 8.23/90, artigos 14 e 15 , são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado, o óbice administrativo à sua correção plena, por índices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensação. (1ºCC, 4ª Câmara, Acórdão nº 10419.219, de 27/02/03). Como visto, no acórdão recorrido empregouse como fundamento para não se aceitar a revisão da apuração de períodos anteriores o alcance pelo prazo decadencial. Ao revés, nos paradigmas, apesar de as situações não se referirem a apurações de saldos negativos, possibilitouse a análise de apurações anteriores. Fl. 3443DF CARF MF 5 (...)” O recurso foi admitido, e a recorrida apresentou contrarazões, as fls. 3257. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se reveste de extrema simplicidade. Tratase pois de decidirmos se a Fazenda Pública, para atender a um pleito do contribuinte relativo à compensação de créditos tributários, pode ou não analisar documentação relativa a prazos anteriores a cinco anos da solicitação feita. Vejamos, por exemplo, o voto condutor do acórdão nº 10419.219, paradigma apresentado pela recorrente,: “(...) De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência. Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. Aliás, o próprio CTN ratifica o entendimento, através de seu artigo 195, invocado pela autoridade recorrida. Este dispositivo infraconstitucional, ao introduzir, na área tributária, o artigo 10, §3º do Código Comercial, expressamente determina, em seu § único, "verbis”: "§ único — Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorre a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." (grifos não do original). A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita Fl. 3444DF CARF MF 6 influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente.” Elucidativo e chega a extrapolar os limites da necessidade, o voto paradigma, para a análise da questão. Para este Conselheiro, basta somente a constatação de que não nenhuma base legal que obrigue a Administração Pública a ressarcir créditos ao contribuinte sem que lhe seja permitido verificar a certeza e liquidez de tais valores. Imaginem, senhores conselheiros, que um dos senhores estivesse sendo executado por uma dívida, supostamente constituída pela emissão de uma nota promissória, cujo suposto credor se recusasse a apresentála ao Judiciário. A “nota promissória” do contribuinte credor da Fazenda Pública são os documentos comprobatórios dos seus créditos. Por absoluta falta de previsão legal, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Retornese o processo à Câmara a quo para prosseguimento. E como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 3445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914804/2012-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.266
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.804, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 04 /2 01 2- 11 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 9303004.266 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 9303004.266 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10517.720006/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2010, 2011
VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são contundentes. Implicam a conclusão de que ocorreu subfaturamento dos preços de mercadorias e remessa de divisas de forma ilícita ao exterior em pagamento de tais importações.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Evidenciada a participação da empresa solidária na fraude fiscal, é de ser mantida sua responsabilização.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2010, 2011 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são contundentes. Implicam a conclusão de que ocorreu subfaturamento dos preços de mercadorias e remessa de divisas de forma ilícita ao exterior em pagamento de tais importações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Evidenciada a participação da empresa solidária na fraude fiscal, é de ser mantida sua responsabilização. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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EPP E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2010, 2011 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são contundentes. Implicam a conclusão de que ocorreu subfaturamento dos preços de mercadorias e remessa de divisas de forma ilícita ao exterior em pagamento de tais importações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Evidenciada a participação da empresa solidária na fraude fiscal, é de ser mantida sua responsabilização. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 7. 72 00 06 /2 01 3- 63 Fl. 4073DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: O interessado — SYBERIA COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. EPP (SYBERIA) — foi autuado em face das infrações “DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DA MERCADORIA (VALOR DE TRANSAÇÃO INCORRETO)” e “MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO – NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA”. Segundo o “Relatório de Fiscalização” (fls. 551585): 1. A fiscalização originouse da análise de documentos e arquivos eletrônicos apreendidos na “Operação Hércules”, realizada pela Polícia Federal. Constatouse que a empresa adquirente das mercadorias importadas, DISTRIBUIDORA HORBICENTER EIRELI, CNPJ 04.535.566/000179 (HORBICENTER) promovia remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras. 2. Em outubro de 2011 foi deflagrada a “Operação Heráclitas”, cujos alvos foram empresas clientes dos “doleiros” indiciados em decorrência da citada “Operação Hércules”. 3. HORBICENTER operou no comércio internacional por meio de SYBERIA (importação por encomenda ou conta e ordem), comprando materiais e equipamentos de informática e/ou eletrônicos. As declarações de importação (DI) foram registradas e desembaraçadas com valores inferiores aos preços efetivamente praticados nas operações, com vistas a sonegar tributos incidentes nas importações. 4. A declaração de preços inferiores aos efetivamente praticados referiase às mercadorias adquiridas dos fornecedores SHENZEM SOHOO TECNOLOGY CO, LTD e CHINA ELECTRONICS SHENZEM COMPANY. Por esse motivo, em relação a esta fraude, a fiscalização restringiu a análise a estes Fl. 4074DF CARF MF Processo nº 10517.720006/201363 Acórdão n.º 3402003.772 S3C4T2 Fl. 4.074 3 dois fornecedores e tratou de reconstituir os preços efetivamente praticados. 5. “Para as operações, em relação às quais não foi possível identificar ou individualizar seus elementos específicos, tendo em vista a evidente ocorrência de fraude, procedemos ao arbitramento dos preços, utilizando sempre informações decorrentes de operações comerciais efetivamente ocorridas entre o comprador e o vendedor, e determinamos, assim, o valor aduaneiro de cada uma das importações, a partir do qual foi possível calcular o montante dos tributos sonegados.” (fl. 556). 6. A administração e o controle das aquisições de produtos estangeiros era realizada diretamente pelo sócio administrador da HORBICENTER, MOACIR ATILO DAMMANN ou por intermédio da funcionária DANIELA CONTE (Gerente Financeira), com participação de outros funcionários (fl. 557). 7. Apresenta diálogo eletrônico entre funcionários da HORBICENTER, o qual evidencia o “subfaturamento” (fls. 557 e 558). 8. Apresenta cada uma das declarações de importação (DI) em que houve registro a menor do valor de transação: item 3.1 (fls. 558 e ss.) — DI 10/13933410, 10/14721549 e 10/15795112: “(…) Finalmente, relatamos que, no fechamento do negócio, os valores incorridos foram os seguintes: 1. USD 85.512,50 – este valor representou 50% do valor efetivo da transação internacional. Foi o valor efetivamente declarado nas 3 (três) DIs, conforme PLANILHA I antes referida. Registrase que os valores das 3 (três) faturas apensadas às DIs montam USD 84.780,50. 2. USD 170.240,00 – este foi o valor real (efetivo) da importação, conforme provas acostadas aos autos (ver faturas “reais” anexas – Docs. 06, 07 e 08, folhas 119 a 124). (…) Pelo exposto, constatase que o “câmbio” foi fechado em valor menor (subfaturado) do que o REALMENTE contratado. A seguir, expõemse as informações fiscais relativas a cada uma das 3 (três) DIs, no sentido de se comprovar o subfaturamento. 3.1.1. DI nº 10/13933410, registrada em 13/08/2010: A fatura (invoice) que instruiu esta declaração de importação foi a de nº 10XY3201, cujo valor é de USD 14.562,00, consoante extrato anexo (Doc. 09, folhas 125 a 136), no entanto foi Fl. 4075DF CARF MF 4 declarado o valor de USD 14.912,00, consoante Anexo das Importações, Planilha I (Doc. 03, folhas 81 a 108). Levantaramse 2 (dois) arquivos eletrônicos relacionados a essa DI, os quais foram copiados no estabelecimento da HORBICENTER: a) “calculo.xls” (Doc. 10, folhas 137 a 145) a planilha “custo” registra o valor da importação “POR FORA”. Segundo a coluna “T”, linhas 03 a 16, o valor POR FORA foi de R$ 28.479,75, ou seja, de USD 16.123,96 (taxa de conversão na data de registro da DI = R$ 1,7663). Considerando que o valor real da importação foi USD 31.025,96, houve portanto SUBFATURAMENTO em torno de 50%. (…) 3.1.2. DI nº 10/14721549, registrada em 25/08/2010: A fatura (invoice) que instruiu essa declaração de importação foi a de nº 10XY3201, cujo valor é de USD 32.711,40, consoante extrato anexo (Doc. 11, folhas 146 a 154), no entanto foi declarado o valor de USD 32.981,90, conforme Anexo das Importações, Planilha I. Identificamos 2 (dois) arquivos eletrônicos relacionados a essa DI, os quais foram copiados no estabelecimento da HORBICENTER: a) “calculo do preço.xls” (Doc. 12, folhas 155 a 169) a planilha “custo” registra o valor da importação “POR FORA”. Segundo a coluna “U”, linhas 03 a 24, o valor POR FORA foi de R$ 64.251,33, ou seja, de USD 36.533,42 (taxa de conversão na data de registro da DI = R$ 1,7587). Considerandose que o valor real da importação foi 69.515,32, houve portanto SUBFATURAMENTO em torno de 50%. (…) 3.1.3. DI nº 10/15795112, registrada em 10/09/2010: A fatura (invoice) que instruiu essa declaração de importação foi a de nº 10XY3203, cujo valor é de 37.507,10, consoante extrato anexo (Doc. 13, folhas 170 a 177), no entanto foi declarado o valor de USD 37.618,60 conforme Anexo das Importações, Planilha I (Doc. 03, folhas 81 a 108). Levantaramse 3 (três) arquivos eletrônicos relacionados a essa DI, os quais foram copiados no estabelecimento da HORBICENTER: a) “preço de venda.xls” (Doc. 14, folhas 178 a 198) a planilha “custo” registra o valor da importação “POR FORA”. Segundo a coluna “V”, linhas 03 a 25, o valor POR FORA foi de R$ 73.252,92, ou seja, de USD 42.512,28 (taxa de conversão na data de registro da DI = R$ 1,7231). Fl. 4076DF CARF MF Processo nº 10517.720006/201363 Acórdão n.º 3402003.772 S3C4T2 Fl. 4.075 5 Considerando que o valor real da importação foi USD 80.130,88, houve portanto SUBFATURAMENTO em torno de 50%. (…)” item 3.2 (fls. 566 e 567) — DI 10/11187053: subfaturamento em torno de 50%. item 3.3 (fl. 567) — DI 11/000806204: subfaturamento em torno de 50%. item 3.4 (fls. 567 e ss.) — DI 11/00995082 e 11/01250412: valores declarados nas DI estão próximos de um subfaturamento de 50%. item 3.5 (fls. 570 e 571) — DI 11/12645146: subfaturamento em torno de 50%. item 3.6 (fls. 571 e 572) — DI 11/00813561: “Os itens de produtos importados registrados por esta DI (Doc. 27, folhas 472 a 479) estão sendo arbitrados com base em documentos vinculados a outras DIs em razão da descrição dos produtos.” item 3.7 (fl. 572) — DI 11/08707213: arbitramento. item 3.8 (fl. 572) — DI 11/11025250: arbitramento. 9. O arbitramento da base de cálculo dos tributos observou o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro (inclusão dos custos de transporte e seguro). 10. Conclui que SYBERIA incorreu em “importação com registro a menor dos valores de operação (subfaturamento)” (fl. 578). 11. Cita artigo 31, inciso I, do DecretoLei nº 37/1966 — o importador é contribuinte do imposto sobre a importação (II). 12. O adquirente de mercadoria estrangeira (no caso de “importação realizada por sua conta e ordem”), bem como o “encomendante predeterminado”, é responsável solidário pelo II (DecretoLei nº 37/1966, artigo 32, parágrafo único, “c” e “d”). 13. Tanto SYBERIA quanto HORBICENTER encontramse na condição de sujeito passivo, por força do artigo 121 do Código Tributário Nacional (CTN). 14. Fundamenta a aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento (fl. 581). 15. Fundamenta a multa do lançamento de ofício agravada (fl. 583). Fl. 4077DF CARF MF 6 16. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Foram lançados tributos, juros e multas, no valor total de R$ 1.941.485,94. A repartição de origem informa as fls. em que foram juntadas impugnações e documentos de intimação dos autuados (fl. 3989). SYBERIA foi intimada em 20/12/2013 (fls. 693 e 694). Apresentou impugnação em 20/1/2014 (fls. 700 a 715). Alega: 1. A autuação da Syberia se deu por imposição indevida (artigo 31, inciso I, do DecretoLei nº 37/1966), que estabelece o importador como contribuinte do imposto. 2. SYBERIA não tinha conhecimento de negociação de preços entre HORBICENTER e o fornecedor estrangeiro. Procedeu às importações com as informações e documentos disponibilizados pela tomadora do serviço (HORBICENTER). 3. SYBERIA prestou serviços de importação por conta e ordem de HORBICENTER. Firmouse contrato, foram emitidas notas fiscais e houve pagamento de R$ 27.833,68 (fl. 702). 4. Não participou da intermediação da relação comercial com fornecedor estrangeiro. 5. Não pode ser apenada por atos de terceiro. 6. Por conseguinte, não tem condições de questionar a base de cálculo arbitrada/apurada pela Receita Federal. 7. Não pode a pena de dano ao Erário (artigo 618, § 1º, Decreto nº 4.543/2002) ser aplicada a pessoa que não causou prejuízo ao Erário, não adquiriu produtos e desconhecia preços e condições de pagamento entabulados entre HORBICENTER e a exportadora. 8. Não há qualquer suposição de que havia conluio da SYBERIA ou conhecimento de ilegalidade de qualquer documento ou operação da adquirente das mercadorias. Cita legislação e julgados. 9. Nenhuma pena passará da pessoa dos condenado (Constituição Federal, artigo 5º, inciso XLV). 10. SYBERIA não concorreu para a infração capitulada pela Receita Federal. 11. Os tributos na importação são desembolsados pelo adquirente, sendo que o importador apenas repassa os valores ao Fisco. 12. Os valores, neste caso, sequer foram depositados para a importadora. Coube tal providência ao despachante aduaneiro contratado pela HORBICENTER. 13. O contribuinte de fato da obrigação tributária é exclusivamente o adquirente HORBICENTER. Fl. 4078DF CARF MF Processo nº 10517.720006/201363 Acórdão n.º 3402003.772 S3C4T2 Fl. 4.076 7 14. Também é o adquirente que possui relação pessoal com a situação (entrada de produtos em território brasileiro), pois é o destinatário dos produtos. 15. SYBERIA não pode ser apenada por multa agravada em função de fraude, sonegação ou conluio. 16. O disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/1966 alcançaria apenas o imposto sobre a importação (II), não podendo se estender aos demais tributos —imposto sobre produtos industrializados (IPI), Pis/Pasep e Cofins. 17. A Receita Federal calculou o Pis/Pasep e a Cofins na forma disciplinada na Lei nº 10.865/2004, artigo 7º. A legislação ultrapassa o limite constitucionalmente estabelecido (Constituição Federal, artigo 149, § 2º, III, “a”). 18. O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) não permite a inclusão de outras rubricas estranhas na composição do valor aduaneiro. Faz citações. 19. Requer seja julgado improcedente o auto de infração contra SYBERIA. HORBICENTER foi intimada em 20/12/2013 (fls. 664 e 692). Apresentou impugnação em 21/1/2014 (fls. 770 a 782). Alega: 1. Não possuía qualquer informação e não tinha como saber das irregularidades apontadas pela fiscalização. Os pagamentos foram realizados, na forma legal, à fornecedora das mercadorias adquiridas. Inexistem subfaturamento e evasão fiscal. Os pagamentos realizados em agências de turismo foram feitos a pedido dos fornecedores e sob orientação destes. A impugnante entregava valores em reais e não retirava dólares. 2. A impugnante sentese na condição de vítima de pessoas que se utilizaram da boafé da impugnante. 3. Não podem ser imputadas a HORBICENTER irregularidades porventura praticadas por seus fornecedores. Adquiriu mercadorias com notas fiscais e pagou regularmente, na forma da lei. 4. Não pode a impugnante, adquirente de boafé, ser responsabilizada por atos de importadores inescrupulosos. As mercadorias tinham origem em fornecedores nacionais. 5. Discorre sobre a boafé. Faz citações. 6. São infundadas as assertivas da fiscalização, vez que todas as aquisições foram alicerçadas em documentos fiscais idôneos e os valores efetivamente correspondiam com os preços praticados no mercado. 7. A fiscalização concluiu, de forma equivocada, que haveria irregularidades nas importações. O auto de infração é insubsistente. Fl. 4079DF CARF MF 8 8. Os juros são muito acima de 6% e a multa é abusiva, constituindo confisco, que é vedado pela Constituição. 9. A multa deveria ser reduzida para o máximo de 20% sobre o montante devido a título de impostos. 10. Faz citações a respeito da multa com efeitos confiscatórios. 11. Questiona a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. 12. Requer: o recebimento da impugnação; que os documentos juntados com a impugnação constante do processo 10517.720005/201319 sejam considerados como prova emprestada; a nomeação de perito para realizar laudo e identificar o enquadramento dos produtos e o respectivo valor, permitindose à impugnante apresentar perito assistente e formular quesitos; seja julgada procedente a impugnação e declarado insubsistente o auto de infração. A DRJ/SPO, em 12/11/2014, julgou improcedente a impugnação (fls. 3991/4012). A empresa importadora Syberia, intimada por edital (fl. 4023), não recorreu da r. decisão. A responsável solidária, Distribuidora Horbicenter EIRELI, interpôs recurso voluntário (fls. 4025/4035), no qual, em suma, alega: em preliminar postula "a realização de perícia técnica na documentação constante dos autos administrativos, para efeito de identificar, enquadrar e apurar o respectivo valor dos produtos importados, facultandolhe a apresentação de quesitos e indicação de assistente técnico". Averba que tal se impõe porque o levantamento foi feito de forma unilateral, não lhe tendo sido propiciado fazer questionamentos e ponderações, "a fim de evitar cerceamento de defesa"; no mérito consigna que as mercadorias foram adquiridas com documentos idôneos, pontuando que a empresa Syberia encontravase regularmente inscrita, tendo tomado a precaução de certificarse quanto à regularidade da documentação daquela empresa junto às Receitas estadual e federal. Afirma que não tinha como saber das irregularidades apontadas pela fiscalização e que os pagamentos foram realizados em agências de turismo a pedido dos fornecedores e sob orientação destes, sendo que entregava valores em reais "e não retirava os dólares que estes eram por conta e ordem dos fornecedores". Pugna que não lhe pode ser imputada as irregularidades praticadas por seus fornecedores, vez que adquiriu mercadorias com notas fiscais e as pagou na forma da lei, de boafé; entende infundadas as assertivas feitas pela fiscalização e acolhidas pela r. decisão quando se refere que a recorrente teria introduzido mercadorias no país de forma clandestina e subfaturadas, "uma vez que todas as aquisições se encontravam alicerçadas em documentos fiscais idôneos e os valores efetivamente correspondiam com os preços praticados no mercado; insurgese contra a multa agravada, entendendo que no percentual de 150% constituise "em verdadeiro confisco", vedado pela legislação constitucional. Postula a redução daquela "para o máximo de 20% sobre o montante eventualmente devido a título de imposto"; Fl. 4080DF CARF MF Processo nº 10517.720006/201363 Acórdão n.º 3402003.772 S3C4T2 Fl. 4.077 9 por fim, insurgese contra a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, "em vista de sua flagrante inconstitucionalidade". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Inicialmente, gizese que a empresa importadora Syberia não apresentou recurso voluntário, pelo que em relação à ela o crédito tributário está com sua plena exigibilidade. Assim, o que passamos a analisar é, exclusivamente, o recurso interposto pela responsável solidária Distribuidora Horbicenter Eireli EPP. Quanto ao pedido de perícia, há de ser indeferido por absolutamente prescindível à solução da lide. Primeiro, porque a Fazenda provou documentalmente que os valores de várias importações foram subfaturados de forma fraudulenta, de acordo com a vasta documentação apreendida nas operações Hércules e Heráclitas, sobre as quais a recorrente quedase silente. Os demais foram arbitrados de acordo com os parâmetros legais estipulados pelo Regulamento Aduaneiro, cuja metodologia não foi contestada. E, segundo, porque o pedido de perícia não atendeu aos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, sequer apontando quesitos e perito. Portanto, denego tal pleito. Como relatado, a fiscalização originouse da análise de documentos e arquivos eletrônicos apreendidos na “Operação Hércules”, realizada pela Polícia Federal. Constatouse que a empresa adquirente das mercadorias importadas, a DISTRIBUIDORA HORBICENTER EIRELI, CNPJ 04.535.566/000179 (HORBICENTER), ora recorrente, promovia remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras. As DI objeto da revisão dos valores aduaneiros (efetivos ou arbitrados) estão arroladas à fl. 573 (relatório fiscal). Os valores arbitrados o foram com arrimo no art. 88, I, da MP 2.15835/2001 (preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar). A recorrente, operou no comércio internacional por meio de SYBERIA (importação por encomenda ou conta e ordem), comprando materiais e equipamentos de informática e/ou eletrônicos. As declarações de importação (DI) foram registradas e desembaraçadas com valores inferiores aos preços efetivamente praticados nas operações com vistas a sonegar tributos incidentes nas importações. A declaração de preços inferiores aos efetivamente praticados referiase às mercadorias adquiridas dos fornecedores SHENZEM SOHOO TECNOLOGY CO, LTD e CHINA ELECTRONICS SHENZEM COMPANY. Por esse motivo, em relação a esta fraude, a fiscalização restringiu a análise a estes dois fornecedores e tratou de reconstituir os preços efetivamente praticados. Tais fatos são incontroversos e sobre os mesmos a recorrente sequer fez menção. Em seu recurso, restringese a alegar que as mercadorias foram compradas de forma idônea e que a importadora, Syberia, encontravase regularmente inscrita nos fiscos federal e estadual, e que não teria como saber das irregularidades apontadas no auto de infração. Não é o que as provas carreadas aos autos demonstram. Afirma a fiscalização na motivação do lançamento: Fl. 4081DF CARF MF 10 a) a HORBICENTER promovia remessas clandestinas de divisas para pagamento de mercadorias estrangeiras. Dentre as empresas identificadas nas referidas operações em conjunto com a polícia federal, como supostos clientes do esquema criminoso figurava a DISTRIBUIDORA HORBICENTER LTDA, razão pela qual a mesma foi objeto de diligências policiais e fiscais, tendo sido apreendidos em seu estabelecimento grande quantidade de documentos e computadores encontrados no local. Toda a documentação foi digitalizada e os arquivos eletrônicos copiados, com autorização do juiz federal da 1ª Vara de Porto Alegre, sendo os mesmos analisados minuciosamente, conforme se denota da leitura do acurado relato fiscal (fls. 551/585). b) A administração e o controle das aquisições de produtos estangeiros era realizada diretamente pelo sócio administrador da HORBICENTER, MOACIR ATILO DAMMANN ou por intermédio da funcionária DANIELA CONTE (Gerente Financeira), com participação de outros funcionários (fl. 557). c) Apresenta diálogo eletrônico entre funcionários da HORBICENTER, o qual evidencia o “subfaturamento” (fls. 557 e 558). Vejase, a título ilustrativo: d) Apresenta detalhes do subfaturamento em relação às DI autuadas (itens 3.1 a 3.8 do “Relatório de Fiscalização”). Fl. 4082DF CARF MF Processo nº 10517.720006/201363 Acórdão n.º 3402003.772 S3C4T2 Fl. 4.078 11 Assim, o argumento da recorrente de que não tinha como saber das irregularidades, chega a ser um disparate ante o robusto conjunto probatório, no qual, inclusive, como acima ilustrado, as correspondências eletrônicas deixam isso mais que evidenciado. Portanto, quanto ao mérito do subfaturamento, entendo que não cabe maiores digressões, assim como a efetiva participação da recorrente na fraude perpetrada contra o Erário federal. Em relação às DI que o Fisco conseguiu documentar o valor subfaturado, sem discussão, pois baseada nas próprias correspondências arroladas no proficiente trabalho fiscal. As demais tiveram seu valor arbitrado, e não contestado, nos termos legais já referido. Por conseguinte, quanto à recomposição do valor aduaneiro, sem reparos à exação. Em conclusão, é de ser rechaçada a alegação de boafé da empresa solidária, uma vez comprovada a atuação da mesma na fraude fiscal. Em consequência, resta mantida a responsabilidade solidária da empresa Distribuidora Horbicenter Eireli EPP. Quanto à multa de ofício qualificada, esta foi aplicada de acordo com o art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96 (fl. 583), com a redação da Lei 11.488/2007, que tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) De acordo com a motivação do lançamento e com o até aqui exposto, resta evidente que a empresa agiu com o dolo específico de sonegar tributos, assim incidindo na espécie o art. 71 da Lei 4.502/64, alem do que, com seu agir fraudulento, prejudica deslealmente a concorrência, o que afronta sobremaneira não só a receita tributária como a economia como um todo. Portanto, escorreita a multa aplicada. Quanto à alegação de que a mesma no percentual de 150 % teria natureza confiscatória, refoge sua análise a competência deste colegiado administrativo, porque para tal teríamos que adentrar em mérito constitucional, o que nos é vedado. Quanto à essa questão, a matéria está pacificada nos termos do enunciado da súmula CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale o mesmo raciocínio em relação aos juros de mora cobrados de acordo com a taxa SELIC. Ademais, quanto a esta, também matéria sumulada por este CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 4083DF CARF MF 12 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário da empresa solidária. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 4084DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.722577/2013-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 25 77 /2 01 3- 59 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10825.722577/201359 Acórdão n.º 9202004.517 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física por meio de notificação de lançamento – NL (efls. 31 a 34), acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 128.212,69 recebidos pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal. A inclusão dos valores omitidos implicou em imposto suplementar de valor originário de R$ 22.601,48, que acrescido e multa de ofício de R$ 16.951,11 e juros de mora de R$ 4.890,96, montou a R$ 44.443,55, calculados até 30/09/2013. Impugnação Cientificada à contribuinte em 20/09/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 22/10/2013, às efls. 02 a 04 dos autos, a qual tratou exclusivamente de pagamentos de tributo não considerados na NL e da isenção de tributos que haviam sido recolhidos. Tal manifestação foi tomada como manifestação de inconformidade aos valores da NL, com pleito de sua revisão. Tal manifestação foi apreciada em despacho decisório às efls. 39 a 41, em 25/09/2014, que concluiu pela correção da NL. Ciente da denegação em 24/10/2013 (efl. 50) a contribuinte interpôs impugnação em 19/11/2014, às efls. 53 a 67. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/BEL que, por unanimidade, em 26/03/2015, no acórdão 0131.778, às efls. 95 a 102, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 06/04/2015, a contribuinte, em 04/05/2015, apresentou recurso voluntário, às efls. 116 a 125, no qual alega, em resumo, que: a) o direito à prioridade na tramitação do processo, em razão de ser idosa; b) o IRPF, segundo entendimento do STJ, só pode incidir sobre o principal, e não sobre os juros moratórios, na medida em que estes possuem natureza indenizatória; c) o imposto foi calculado erroneamente, na medida em que foi feito de acordo com o regime de caixa (rendimentos acumulados), em afronta à orientação também pacificada no Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10825.722577/201359 Acórdão n.º 9202004.517 CSRFT2 Fl. 4 3 âmbito do STJ, segundo a qual deve ser observado, in caso, o regime de competência. Acórdão CARF A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 11/05/2016, resultando no acórdão n° 2201003.165, às efls. 130 a 135, assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. O acórdão acima expresso decorreu do entendimento de que, em face da citada decisão do STF, o lançamento seria maculado por vício material e por isso deveria ser cancelada a infração de omissão de rendimentos. RE Fazenda Em 07/06/2016, foi apresentado Recurso Especial de Divergência – RE da Procuradoria da Fazenda, às efls. 137 a 148, contestando o afastamento da integralidade do tributo suplementar lançado, com os consectários legais. O procurador afirma que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja determinado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. Como paradigma da divergência, indica o acórdão nº 9202003.695 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, da sessão de 27/01/2016. Admissibilidade do RE da Fazenda A Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 17/06/2016, através do despacho de efls. 150 a 152, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que fosse reapreciada a questão da manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10825.722577/201359 Acórdão n.º 9202004.517 CSRFT2 Fl. 5 4 Contrarrazões da contribuinte A contribuinte recebeu intimação (efl. 154) para ciência do acórdão do recurso voluntário e do RE da Fazenda em 24/06/2016 (efl. 155), tendo apresentado contrarrazões, em às efls. 158 a 168, em 11/07/2016. Nas contrarrazões, argumenta que o cálculo do IR eventualmente devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no teor de entendimentos do STJ, deve ser apurado de acordo com o regime de competência. Na sequência, reafirma seus argumentos sobre a não incidência de tributo sobre os juros moratórios recebidos, pois estes teriam natureza indenizatória. Reforça ainda sua boafé no procedimento de declaração, alegando mero erro de preenchimento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo que o acórdão que julgou o recurso voluntário apesar de ter atendido ao pedido de cancelamento da notificação de lançamento, ao final daquele recurso, não considerou que a própria fundamentação do pedido reconhecia a aplicação do regime de competência ao cálculo do fisco, sem jamais tratálo por nulo ou materialmente viciado. Veja se à efl. 125: ... o imposto supostamente devido foi calculado erroneamente, na medida em que foi feito de acordo com o regime de caixa (rendimentos acumulados), em afronta à orientação também pacificada no âmbito do STJ, segundo a qual deve ser observado, in casu, o regime de COMPETÊNCIA. O RE da Fazenda, por sua vez, trouxe como paradigma o acórdão nº nº 9202 003.695, prolatado no processo nº 11040.001165/200561, de cujo julgamento participei, tendo o voto vencedor, de lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, sido por mim esposado. Por isso, adoto as razões de decidir nele postas e me furto de repetir os argumentos contidos na transcrição da Procuradora no quadro às efls. 140 a 142. Contudo, conviria também destacar, do mesmo voto, os seguintes argumentos: Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10825.722577/201359 Acórdão n.º 9202004.517 CSRFT2 Fl. 6 5 receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Conclusão Pelas razões expostas, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional para a) determinar a manutenção do auto de infração; b) determinar a retificação do montante do crédito tributário, pela aplicação do regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS; e c) retornar o feito à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca da alegação do recurso voluntário de que não incidiria tributação sobre os juros moratórios correspondentes aos valores recebidos, não enfrentada no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10825.722577/201359 Acórdão n.º 9202004.517 CSRFT2 Fl. 7 6 Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934833/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.761
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 48 33 /2 00 9- 80 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.934833/200980 Acórdão n.º 3402003.761 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de PIS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.934833/200980 Acórdão n.º 3402003.761 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.934833/200980 Acórdão n.º 3402003.761 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.934833/200980 Acórdão n.º 3402003.761 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.721046/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2005 a 30/06/2008
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI NA EXPORTAÇÃO PARA RESSARCIMENTO PIS/COFINS. APURAÇÃO CENTRALIZADA PELA COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE.
A apuração do Crédito Presumido do IPI para ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS incidentes na cadeia produtiva dos produtos exportados, introduzida pela Lei nº 9.363/96 (seja ou não pelo regime alternativo de cálculo da Lei nº 10.276/2001), ainda que as exportações sejam feitas por cooperativa centralizadora de vendas, deve ser feita pelo estabelecimento matriz de cada um dos cooperados (inteligência da Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003, especificamente direcionada à autuada).
Numero da decisão: 3402-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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APURAÇÃO CENTRALIZADA PELA COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. A apuração do Crédito Presumido do IPI para ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS incidentes na cadeia produtiva dos produtos exportados, introduzida pela Lei nº 9.363/96 (seja ou não pelo regime alternativo de cálculo da Lei nº 10.276/2001), ainda que as exportações sejam feitas por cooperativa centralizadora de vendas, deve ser feita pelo estabelecimento matriz de cada um dos cooperados (inteligência da Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003, especificamente direcionada à autuada). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 10 46 /2 00 9- 74 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração do IPI, abrangendo diversos períodos de apuração, de 31/03/2005 a 30/06/2008, lavrado em razão da constatação, pela DRF/Ribeirão Preto, de creditamentos indevidos pelo estabelecimento filial de valores do Crédito Presumido do IPI para ressarcimento PIS/Cofins nas exportações recebidos por transferência da matriz da cooperativa centralizadora de vendas. Por razões de economia, reproduzirseá abaixo o relatório da DRJ: Em dez das quatorze páginas do Relatório da Ação Fiscal (fls. 265 a 278), fundamenta a autoridade fiscal sua autuação na Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003, provocada pela própria COPERSUCAR e a ela, portanto, especificamente direcionada. Não penso ser conveniente transcrevêla aqui na íntegra, pois é bastante extensa, sendo bem mais razoável trazer somente as suas conclusões que interessam ao caso em discussão (o inteiro teor da mesma foi por mim anexado às fls. 328 a 335): 21. Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação específica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas específicas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que diga respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.721046/200974 Acórdão n.º 3402003.212 S3C4T2 Fl. 3 3 21.4 Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias. 2.1. Após a análise de toda a documentação solicitada, a Fiscalização verificou que os Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP foram apresentados centralizadamente pela matriz da COPERSUCAR, ou seja, foi ela que apurou, de forma centralizada, o crédito, quando isto deveria ter sido feito por cada uma das matrizes das cooperadas, sendo então indevidas as transferências feitas para a filial autuada. 2.2. Pondera a autoridade fiscal inclusive que “Não existe nenhuma relação entre os valores dos créditos presumidos do IPI transferidos para a fiscalizada com os valores das vendas (mercado interno e/ou exportação) da produção do Cooperado, ou seja, mesmo se toda a produção do Cooperado tivesse sido vendida para o mercado interno, a autuada teria se utilizado, indevidamente, dos créditos presumidos transferidos do estabelecimento Matriz para a contribuinte”. 2.3. Após as glosas dos Créditos Presumidos do IPI irregularmente transferidos, a Fiscalização procedeu à reconstituição da escrita fiscal, para ajustar os saldos e efetuar os devidos lançamentos de ofício. 3. Irresignada, a autuada apresentou Impugnação (fls. 284 a 310) – considerada tempestiva pela DRF/Ribeirão Preto, conforme Despacho às fls. 324 –, na qual, em apertada síntese, defende que o Fisco procedeu ao lançamento por desconhecimento do modus operandi do sistema cooperativo, que tem como um dos seus basilares a manutenção de um estoque único, formado por remessas de todos os cooperados, sendo impossível (além de indesejável, para não caracterizar a concessão de privilégios), saber quem produziu e quanto do açúcar foi exportado ou destinado ao mercado interno em determinada operação ou período. 3.1. Também seria impraticável determinar o custo de cada produto exportado, pois além de não ser individualizado, a própria Cooperativa também diz adquirir insumos para “complementação” do processo industrial em alguns casos, como o aperfeiçoamento da qualidade. 3.2. Há também remessas entre filais para a formação de estoques estratégicos, buscando otimizar a comercialização, o que dificulta ainda mais a adoção dos procedimentos determinados pela Nota Cosit nº 234/2003, que a impugnante reputa, em sua grande maioria, inexeqüíveis. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 3.3. Outro argumento utilizado na defesa é o de que a COPERSUCAR é a substituta tributária do IPI devido por suas cooperadas e também é a responsável pelo recolhimento da Cofins e da Contribuição para o PIS das mesmas, conforme art. 66 da Lei nº 9.430/96, o que reforçaria o seu status de centralizadora da apuração do discutido crédito. A DRJ julgou improcedente a impugnação da Recorrente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2005 a 30/06/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI NA EXPORTAÇÃO PARA RESSARCIMENTO PIS/COFINS. APURAÇÃO CENTRALIZADA PELA COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. A apuração do Crédito Presumido do IPI para ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS incidentes na cadeia produtiva dos produtos exportados, introduzida pela Lei nº 9.363/96 (seja ou não pelo regime alternativo de cálculo da Lei nº 10.276/2001), ainda que as exportações sejam feitas por cooperativa centralizadora de vendas, deve ser feita pelo estabelecimento matriz de cada um dos cooperados (inteligência da Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003, especificamente direcionada à autuada). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 1. Preliminarmente: Dos fundamentos da decisão recorrida. Por se tratar de questão de ordem pública, há que se analisar de ofício um POSSÍVEL vício nos fundamentos da decisão recorrida em função de inovação no fundamento jurídico. O relator motiva a decisão recorrida nos seguintes termos: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.721046/200974 Acórdão n.º 3402003.212 S3C4T2 Fl. 4 5 De toda forma, ainda que não existisse este pronunciamento da Administração, o convencimento deste julgador seria o mesmo. 6.1. Vejamos o que diz a Lei nº 9.363/96 (grifei): Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. ................... § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (Esclareçase que a Lei nº 10.276/2001 apenas criou uma forma alternativa de cálculo. Em nada inovou, no que tange aos pilares do instituto aqui em discussão). 6.2. O Crédito Presumido do IPI é um incentivo à exportação, que visa a desonerar a cadeia produtiva do produto exportado da Cofins e da Contribuição para o PIS (quando cumulativas, obviamente) incidentes nas etapas anteriores, o que se justifica pela idéia de não “exportar tributo”, dando maior competitividade à indústria nacional no disputadíssimo mercado internacional. 6.3. Podese entender que há sutis diferenças entre incentivos e benefícios fiscais, mas, de toda forma, a legislação que os rege deve sempre ser interpretada Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 restritivamente, seguindo o que reza o art. 111 do Código Tributário Nacional e, acima de tudo, visando à proteção do patrimônio público de investidas que possam deturpar o verdadeiro objetivo do favorecimento. 6.4. Assim, se o Crédito Presumido é dado ao produtor exportador, só ele pode apurálo. Socorrese a decisão recorrida do art.111 do CTN para afastar a incidência do art.1º da lei 9.363/96 às cooperativas que realizam vendas de forma comum, via matriz. Todavia, como se verifica no TVF de fls. 265278, tal argumento não é em momento algum utilizado para fundamentar a autuação. Ao contrário, reconhece o AuditorFiscal que as cooperativas estão sujeitas ao regime previsto na lei 9.363/96, como fica evidente em suas conclusões (fls.275276) já mencionadas na leitura do relatório deste acórdão. Desse modo, há uma inovação no fundamento jurídico, prática que pode conduzir à nulidade da decisão no que pertine a essa motivação. Todavia, em vista da existência de outras bases fundantes para a decisão recorrida, essas perfeitamente adequadas aos fundamentos da autuação fiscal, não há que se proferir qualquer nulidade da mesma. 2. Do Mérito Versa a lide sobre a forma de apuração e utilização do crédito presumido de IPI decorrente do art.1º da Lei nº 9.363/96 por parte das cooperativas centralizadoras de vendas. Vejamos, inicialmente, o conteúdo da Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.721046/200974 Acórdão n.º 3402003.212 S3C4T2 Fl. 5 7 § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art.4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único.Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2o do art. 2o, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. A celeuma se dá, em grande parte, por razão da Nota Cosit Nº234 de 2003, que determina que para fins de fruição do crédito presumido de IPI, as cooperadas são consideradas como produtorexportador, e não a matriz que concentra a atividade de vendas. À partir daí, teceuse a ilação de que o direito ao créditopresumido seria do produtorvendedor (cooperado) e não de terceiros (cooperativa) que apenas se limitaram a comercializar a produção. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que parte do açúcar sofre atuação industrial para conferir atributos mercadológicos que lhes estimulem a comercialização e lhes assegurem preços adequados, com o propósito de conferir padrão de excelência aos produtos que comercializa, submetendoos a procedimentos de "homogeneização da granulação, da coloração, do grau de pureza, das condições de conservação e das propriedades alimentares." Tal condição de indústria, se comprovada, afastaria aplicabilidade da Nota Cosit nº 234/2003, visto que se aplica apenas a cooperativas exclusivamente centralizadoras de vendas. Todavia, como se verifica nos autos, essa informação foi somente alegada, sem que qualquer prova a respeito. Sobre o tema diversas vezes o conselho se manifestou, como se verifica nos acórdãos abaixo, todos relativos a processos da Recorrente: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito à apuração e ao aproveitamento do crédito presumido do IPI pertence à usina cooperada, sendo inadmissível a apuração centralizada por parte da cooperativa, porque os valores de receita bruta, aquisições de insumos (ou custo do produto) e o percentual de exportação precisam ser calculados individualmente por cooperada, impedindo que o crédito Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 presumido de uma usina cooperada seja utilizado na compensação de tributos de outra. (Acórdão nº 20178.165, 2º Conselho de Contribuintes/1ª Câmara, Sessão de 26/01/2005) CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. (Acórdão nº 20181.396, 2º Conselho de Contribuintes/1ª Câmara, Sessão de 03/09/2008) CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. APURAÇÃO E APROVEITAMENTO DO BENEFÍCIO PELAS COOPERADAS. O direito de aproveitar o Crédito Presumido de IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, quando a comercialização e exportação forem efetuadas por meio de cooperativa centralizadora de vendas, é de cada uma das cooperadas ou estabelecimentos industriais filiais, sendo inadmissível a apuração centralizada na cooperativa porque os valores da receita de exportação, aquisições de insumos e receita bruta operacional devem ser calculados individualmente por cooperada, tudo conforme a Nota Cosit n° 234/2003, elaborada em resposta a consulta formulada pela Copersucar e aplicável às suas cooperadas. (Acórdão nº 3401001.616, 3º Seção do CARF/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 06/10/2011) Pois bem, diante da ausência de prova de circunstância que, a meu juízo, poderia alterar o deslinde do feito, está absolutamente correto o entendimento proferido na acerca desta questão pela decisão a quo, pelo que subscrevo seus fundamentos. A Nota Cosit nº 234/2003 é clara a respeito da impossibilidade de apuração do Crédito Presumido pela cooperativa centralizadora de vendas, mas tão somente pelos cooperados, e é direcionada especificamente à COPERSUCAR, então não haveria, a rigor, nada mais a discutir, pois o órgão responsável pela uniformização da interpretação das normas tributárias pela RFB é taxativo a respeito. Independente da sistemática diferenciada das cooperativas, a fruição do benefício fiscal deve atender ao disposto em lei, não podendo ser franqueado o aproveitamento do crédito à Cooperativa com fundamento apenas na associação entre esta e a cooperada. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário,. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.721046/200974 Acórdão n.º 3402003.212 S3C4T2 Fl. 6 9 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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