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Numero do processo: 13884.002979/2003-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 22/32 em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 02 97 9/ 20 03 -5 5 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13884.002979/200355 Resolução nº 3201000.461 S3C2T1 Fl. 442 2 períodos entre janeiro e dezembro de 1998, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 351.542,82. O enquadramento legal encontrase à fl. 25 e 28. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1/2, na qual alegou ter efetuado a compensação dos valores devidos conforme processos relacionados na DCTF, cujas cópias dos pedidos de ressarcimento e compensação apresentou anexas à impugnação. Em análise da DRF em São José dos Campos, apurouse que apenas um dos pedidos de compensação apresentados pela contribuinte possuía indicação de recepção pela SRF – o qual não se refere a período de apuração constante do auto de infração – e nenhum deles estava cadastrado no sistema PROFISC, que controla os processos com débitos. Intimada a prestar esclarecimentos (fl. 56), a interessada respondeu, à fl.62, que os pedidos de compensação foram entregues anexos aos pedidos de ressarcimento objeto dos respectivos processos, apresentando cópias de “todas” as suas peças. Pelo despacho de fls. 179, a DRF encaminhou o presente para julgamento, informando que os processos de ressarcimento encontram se arquivados, tendo sido negado provimento aos recursos voluntários referentes a todos eles (fls. 174/178). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto acatou parcialmente o lançamento, conforme Decisão DRJ/POR nº 20.192, de 22/08/2008: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ANOCALENDÁRIO: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonerase a multa de ofício imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação do art. 18 da Lei nº 11.488, de 2007. Lançamento Procedente em Parte. Em face da decisão, é interposto Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13884.002979/200355 Resolução nº 3201000.461 S3C2T1 Fl. 443 3 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do processo, contra a recorrente foi lavrado auto de infração de fls. 22/32 em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI de períodos entre janeiro e dezembro de 1998, no valor total de R$ 351.542,82. Do lançamento realizado, parte foi afastada na decisão recorrida e parte reconhecida pela empresa. Restando apenas a discussão quanto aos lançamentos de maio de 1998. Como a notificação do lançamento se deu apenas em junho de 2003, resta decaída esta parcela restante, caso tenha ocorrido pagamento parcial daquela competência de 1998. Ante o exposto, voto por baixar em diligência o processo para que a autoridade preparadora informe se houve pagamento de IPI pelo contribuinte referente ao mês de maio de 1998, qual o valor e a data em que foi realizado. Realizada a diligência, deve ser dado vista ao recorrente por quinze dias. Após, devem ser devolvidos os autos, dado vista à PGFN e, após, retornar para julgamento. Sala de sessões, 27 de fevereiro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001640/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presumem-se oriundos de receitas omitidas os recursos depositados em contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo quando este, regularmente intimado para tanto, deixa de comprovar sua origem.
Numero da decisão: 1201-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário e em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para restabelecer a exigência dos tributos incidentes sobre a base de cálculo de R$ 420.142,36.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior (Vice-presidente).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumem-se oriundos de receitas omitidas os recursos depositados em contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo quando este, regularmente intimado para tanto, deixa de comprovar sua origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário e em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para restabelecer a exigência dos tributos incidentes sobre a base de cálculo de R$ 420.142,36. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior (Vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.001640/200363 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.044 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes FRIOZEM ARMAZÉNS FRIGORÍFICOS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Não dá causa à nulidade do lançamento tributário a auditoria realizada em desacordo com o respectivo mandado de procedimento fiscal, ou com a legislação a este pertinente, cabendo apenas, se for o caso, a imputação de penalidade administrativa ao auditor que assim procedeu. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumemse oriundos de receitas omitidas os recursos depositados em contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo quando este, regularmente intimado para tanto, deixa de comprovar sua origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário e em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para restabelecer a exigência dos tributos incidentes sobre a base de cálculo de R$ 420.142,36. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Baeta Ippolito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 16 40 /2 00 3- 63 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.044 S1C2T1 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior (Vice presidente). Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos dos arts. 33 e 34, I, do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 7.455, exarado pela DRJ em Campinas SP. Em seu termo final de fiscalização a autoridade administrativa acusa a contribuinte em epígrafe de, apesar de regularmente intimada e reintimada para tanto, não haver logrado êxito em comprovar a origem de parte dos recursos depositados nas contas correntes bancárias de sua titularidade no anocalendário de 1998, razão pela qual o auditor, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, presumiu que tais depósitos têm origem em receitas omitidas (fl. 215 e ss.). Em virtude do ilícito acima descrito a autoridade exigiu de ofício o IRPJ, a contribuição para o PIS, a Cofins e a CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora (fl. 219 e ss.). Inconformada com a autuação a contribuinte propôs impugnação ao lançamento alegando, em breve síntese, o seguinte (fl. 242 e ss.): a) é ilegal e nula a exigência, uma vez que a auditoria foi realizada com base em mandados de procedimento fiscal (MPF) vencidos; b) os recursos depositados em suas contas correntes bancárias advêm, em sua maioria, de mútuos contratados com empresas controladas, conforme documentação apresentada. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente o lançamento para afastar a omissão de receitas relativamente aos depósitos em relação aos quais entendeu estar provada a origem dos recursos depositados. Ademais, por haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor superior a seu limite de alçada, o órgão de primeiro grau submeteu sua decisão a reexame por este Conselho (fl. 511 e ss.). Irresignada com a parcela mantida, a contribuinte interpôs recurso voluntário reproduzindo, em resumo, os mesmos argumentos aduzidos na impugnação ao lançamento (fl. 541 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade dos Recursos Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.044 S1C2T1 Fl. 4 3 2) Do Recurso de Ofício A DRJ de origem considerou que parte dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da contribuinte, no valor total de R$ 2.016.127,00, teve sua origem comprovada por meio de depósitos identificados, e referemse a mútuos contratados junto empresas controladas. O órgão a quo também entendeu que estava provada a origem do depósito no montante de R$ 420.142,36, referente à liquidação de parte de direitos de crédito que a contribuinte mantinha junto a uma empresa controlada. Em relação aos mútuos contratados junto a controladas, no total de R$ 2.016.127,00, os comprovantes dos depósitos relacionados às folhas indicadas no demonstrativo de fl. 523 realmente atestam a origem dos recursos. O mesmo não se pode dizer quanto à liquidação parcial do mútuo concedido à controlada. De fato, em se tratando de pessoas ligadas, que portanto têm interesse comum, o simples registro do depósito na contabilidade de ambas as empresas não é suficiente para provar a origem dos R$ 420.142,36. Necessária seria a apresentação do comprovante do depósito identificado, tal como feito para os depósitos no montante de R$ 2.016.127,00. 3) Do Recurso Voluntário Preliminarmente pede a recorrente seja declarado nulo o lançamento, sob o argumento de invalidade do MPF. Não assiste razão à recorrente. Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o MPF é instrumento de controle interno da RFB, daí porque eventual auditoria realizada em desacordo com as regras que regem aquele instrumento não dá causa à nulidade do lançamento, podendo o autor da ação fiscal, se for o caso, responder perante a Administração. No mérito, alega a defesa que os documentos carreados aos autos comprovam a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, no valor total de R$ 3.497.678,49. Pois bem, pelo exame dos documentos acostados aos autos é possível constatar que são registros contábeis da contribuinte e de pessoas a ela ligadas, DARFs, extratos bancários, etc., por meio dos quais não é possível identificar a origem dos depósitos questionados pela fiscalização. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a exigência dos tributos incidentes sobre a base de cálculo de R$ 420.142,36, e por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 902DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.044 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 903DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10166.726512/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IRPJ.
Deve ser suspensa a isenção do IRPJ e da CSLL, prevista no art. 15 da Lei 9.532/97, quando não atendida a condição estabelecida no art. 12, § 2º, d, do mesmo diploma legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ART. 42 da Lei 9.430/96.
O fato de os ingressos nas contas bancárias terem sido escriturados em contas patrimoniais não significa necessariamente que houve a escrituração, em contrapartida, de receitas e, consequentemente, o oferecimento delas à tributação, mormente quando se verifica que a quase totalidade do montante dos ingressos não foi declarada na Ficha 39 da DIPJ/98.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos das contribuições para o PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Ausente o Conselheiro Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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IRPJ. Deve ser suspensa a isenção do IRPJ e da CSLL, prevista no art. 15 da Lei 9.532/97, quando não atendida a condição estabelecida no art. 12, § 2º, “d”, do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ART. 42 da Lei 9.430/96. O fato de os ingressos nas contas bancárias terem sido escriturados em contas patrimoniais não significa necessariamente que houve a escrituração, em contrapartida, de receitas e, consequentemente, o oferecimento delas à tributação, mormente quando se verifica que a quase totalidade do montante dos ingressos não foi declarada na Ficha 39 da DIPJ/98. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos das contribuições para o PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 65 12 /2 01 2- 11 Fl. 13011DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Ausente o Conselheiro Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0352.229 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA Associação civil que não cumpra os requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, terá sua isenção suspensa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. A prorrogação do MPF poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. NULIDADE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Só se cogita da nulidade do ato praticado pela autoridade administrativa, quando presentes os pressupostos dispostos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, em havendo no lançamento informações e justificativas que permitam ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não há de se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. CONSTITUCIONALIDADE É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ARBITRAMENTO DE LUCRO O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 28/06/2013 (cf. Termo a fls. 12917) e interpôs recurso voluntário em 19/07/2013 (doc. a fls. 12918 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que a notificação do despacho decisório e do ato declaratório é nula, por força da patente invalidade do respectivo MPF – PAF 10166.726512/201211 Fl. 13012DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.726512/201211 Acórdão n.º 1302001.487 S1C3T2 Fl. 13.004 3 (suspensão da isenção) e PAF 10166.729970/201201 (lançamento de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); a.1) que diversas prorrogações do MPF em questão ocorreram fora do prazo regulamentar de 60 dias; a.2) que o MPF data de 2008 e a notificação só foi lavrada em 2012, em patente afronta aos princípios constitucionais da duração razoável do processo e da proporcionalidade, além do malferimento aos regramentos da espécie estabelecidos pela própria RFB; a.3) que, quando de sua suposta prorrogação, o MPF em tela já se encontrava extinto, conforme art. 14 da mencionada Portaria RFB nº 11.371/07; a.4) que, com o decurso do prazo, o MPF é considerado extinto e outro deverá ser formalizado, caso a Fiscalização entenda que o trabalho fiscal deva ser prosseguido; a.5) que, na hipótese de expiração do prazo de validade do MPF, para que seja dada continuidade à ação fiscal, outro Auditor Fiscal deverá ser designado, ficando impedido o Auditor Fiscal que anteriormente era encarregado da respectiva fiscalização, conforme determina o art. 15 da referida Portaria; a.6) que isso não é mera irregularidade, como faz crer a Delegacia de Julgamento, pois a manutenção do procedimento fiscal pelo prazo ininterrupto de 05 anos afronta os princípios da duração razoável do processo, da economia processual, da razoabiliadade e da proporcionalidade; b) que a notificação é nula por violação da motivação dos atos administrativos, contraditório e ampla defesa; b.1) que o despacho decisório não poderia apenas repetir o Ato Declaratório, pois sequer havia Ato Declaratório quando o despacho foi proferido; b.2) que a notificação é totalmente inepta e que os expedientes que a confirmaram (como o despacho decisório, o ato declaratório e o acórdão recorrido) estão eivados indelevelmente da mesma nulidade que por natureza é insanável; b.3) que o ato administrativo que inaugurou o procedimento que culminou com o ato declaratório impugnado é nulo de pleno direito por não observar, como deveria, a forma; b.4) que, não obstante todos os esforços da recorrente em atender durante 6 anos consecutivos as diversas solicitações, foi lavrada a notificação de fiscalização, em 18/06/2012, acerca do período fiscal de 2007; b.5) que, pela simples leitura da notificação, ressalta evidente a dificuldade em delimitarse e compreender a conclusão alcançada pela D. Autoridade Fiscal, sendo que o mesmo se aplica ao seu objeto, tendo em vista a maratona ininterrupta de solicitações relatadas que se estendem indefinidamente pelos anos, desde o início quase imemorial do procedimento; b.6) que o relatório da notificação não aponta qualquer conduta da recorrente suficiente, por sim a ensejar a suspensão da imunidade posteriormente determinada; b.7) que a D. Autoridade Fiscal limitouse a transcrever os dispositivos legais que versam sobre a suspensão de isenção tributária sem efetuar a necessária subsunção do fato à norma; Fl. 13013DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 b.8) que, faltando descrever qual ou quais as condutas da recorrente, é impossível saber do que está sendo acusada; c) que o Despacho Decisório tentou salvar a inepta notificação, sendo que o Chefe da Diort, ao confirmar a notificação, interpretou a seu modo o que o D. Auditor Fiscal estava querendo dizer, para sustentar que a recorrente descumpriu o comando inserto no art. 12, § 2º, alínea “d” da Lei 9.532/97 c/c o art. 15, §3º, do mesmo diploma; d) que os autos de infração é nulo por violação ao princípio contraditório e ampla defesa; d.1) que a Delegacia julgadora considerou que seria difícil acreditar que a contribuinte não teria cópias de seus documentos, porém, conforme adiante será demonstrado, os documentos foram apreendidos no bojo da chamada Operação Aquarela; d.2) que a Fiscalização exigiu comprovantes e demonstrações fora do âmbito das possibilidades da recorrente, desconsiderando as justificativas apresentadas e impondo limitações e sanções justamente pelo seu não atendimento; d.3) que o Chefe da Diort registrou que o Auditor Fiscal quis dizer que a recorrente infringiu a legislação tributária ao deixar supostamente de conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, os documentos que comprovem a origem e suas receitas e a efetivação de suas despesas, porém a recorrente jamais se esquivou de seus deveres instrumentais e de suas obrigações tributárias; d.4) que também a Delegacia de Julgamento, ao proferir o acórdão recorrido, ignorou o fato de que, exatamente em 2007, a recorrente foi compelida, por ordem judicial, a entregar toda a sorte de documentos pessoais, em cujo bojo, naturalmente, estava parte da documentação referida neste procedimento; d.5) que a ordem judicial foi cumprida em 14/06/2007, de forma que todos os documentos fiscais da associação, inclusive aqueles que comprovavam “origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas”, foram levados pela Polícia Civil e, na época da lavratura da Notificação, encontravamse à disposição do Poder Judiciário; d.6) que, demonstrando boafé, quando do protocolo da impugnação ao Ato Declaratório de suspensão da isenção, a recorrente apresentou todos os documentos que comprovam a aplicação de suas receitas, gerados em data posterior à apreensão levada a efeito por ordem judicial, ou seja, documentos datados entre os dias 16/06/2007 e 31/12/2007, totalizando 6 mil folhas; d.6) que a recorrente peticionou ao MM. Juiz da 1ª Vara Criminal requerendo a restituição dos aludidos documentos e, assim que houve o deferimento, a recorrente protamente acorreu aos autos e fez juntar o restante dos documentos, totalizando 12 mil folhas; d.7) que a DRJ se furtou de sua obrigação de analisar e confrontar os documentos, preferindo manter as decisões impugnadas por meio de evasivas superficiais; e) que deve ser sobrestado o julgamento dos presentes autos, por força do art. 62, § 2º, do RICARF, enquanto tramitar no Supremo Tribunal Federal o RE nº 601.314/SP; f) que se impõe, com base no art. 5º, XII, da CF/88 e nos arts. 1º e 10 da LC 105, a anulação do auto de infração, em função da flagrante e inconstitucional violação do sigilo de dados bancários da ora recorrente; g) que a negativa do Órgão Julgador de primeira instância em analisar a extensa documentação carreada aos autos implica nulidade do acórdão recorrido, em face do flagrante cerceamento do direito de defesa; Fl. 13014DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.726512/201211 Acórdão n.º 1302001.487 S1C3T2 Fl. 13.005 5 g.1) que é falacioso o argumento de que os documentos juntados aos autos não são suficientes para ilidir a infração de omissão de receitas apontada, pois foram juntados em ambos os processos administrativos que foram objeto do acórdão ora recorrido um total de 12 mil páginas de documentação, entre documentos fiscais e comerciais, notas fiscais e etc.; h) que o acórdão recorrido é nulo, pois é contraditória alegação de falta de necessidade de produção de prova pericial diante do extenso conjunto probatório carreado aos autos; i) que a recorrente preenchia plenamente os requisitos para o gozo da isenção; i.1) que o Chefe da Diort registrou que o Auditor Fiscal quis dizer que a recorrente infringiu a legislação tributária ao deixar supostamente de conservar em boa ordem, enquanto o acórdão recorrido diz que a suspensão ocorreu devido a “falta de comprovação da origem dos créditos da contribuinte”; i.2) que o sustentado pelo acórdão recorrido é produto da interpretação daquele ilustre colegiado, pois essa conduta não foi atribuída à recorrente seja na Notificação, seja no Despacho Decisório, seja ainda no Ato Declaratório Executivo; i.3) que é inequívoco o teor da alínea “d” do § 2º do art. 12 da Lei 9.532/97, sendo que a conduta passível de punição com base nesse dispositivo é “não conservar”; j) que as contas, balanços, declarações e movimentações da recorrente em 2007, sob o ponto de vista fiscal, bancário e contábil não apresentam nenhuma irregularidade, tanto que o próprio despacho decisório afirma que: “Analisando os extratos de contas fornecidos pelas citadas instituições bancárias, o AuditorFiscal concluiu pela compatibilidade dos ingressos efetuados com os valores escriturados pela Associação no anocalendário 2007”; j.1) que, como se vê, sequer havia motivo suficiente para requererse documentos, uma vez que a própria fiscalização entendeu pela compatibilidade entre os extratos bancários e a escrituração contábil da recorrente; j.2) que a auditoria independente BDO emitiu laudo de auditoria, o qual sequer foi apreciado pela DRJ; k) que a Fiscalização considerou que a recorrente teria auferido renda no importe absurdo superior a R$ 400 milhões de reais, o qual não se enquadra no conceito de renda e, portanto, não pode servir como base à tributação exigida; l) que a recorrente não é contribuinte do IRPJ e não praticou qualquer irregularidade; l.1) que diversas transferências bancárias foram efetuadas entre contas bancárias de titularidade da recorrente, de forma que não há falar em incidência de IRPJ sobre tais valores; l.2) que não se pode ignorar as despesas havidas pela recorrente nem as perdas no recebimento de créditos, de tal sorte que, caso se pudesse conceber a recorrente como contribuinte do IRPJ no AC 2007, a base de cálculo nãos eria outra senão R$ 7.555.440,94; Fl. 13015DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 m) que, com relação à CSLL, PIS e COFINS, a recorrente não é contribuinte desses tributos nem levou a efeito qualquer irregularidade, bem como, a exemplo do caso do IRPJ, impõese a observação das deduções legalmente instituídas antes de se pretender determinar qualquer valor como base de cálculo das referidas contribuições; n) que os juros só poderá incidir a partir do momento em que a exigência se tornar definitiva, ou seja, a partir do momento em que a decretação da suspensão da isenção se tornar definitiva, decidida em última instância no âmbito administrativo; o) que não há falar em aplicação de qualquer multa no importe de 75%, uma vez que, conforme comprovado, o caso dos autos de infração ora impugnados não é o de omissão de receita; p) que a multa é confiscatória, razão pela qual deve ser reduzida; q) que se impõe a anulação do acórdão recorrido, para que a DRJ proceda a análise da documentação juntada aos autos; r) que o processo espúrio que culminou com a lavratura dos autos de infração ora combatidos precisa ser esclarecidos por meio de perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 44, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, ressalto que, embora tenham sido formados dois processos: PAF 10166.726512/201211 (suspensão da isenção) e PAF 10166.729970/201201 (lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e a recorrente tenha apresentado duas impugnações (a fls. 412/432 e a fls. 6334 e segs.), a DRJ/BSB apensou o PAF 10166.729970/201201 ao PAF 10166.726512/201211 (vide Termo de Apensação a fls. 590 do PAF 10166.729970/201201) e proferiu uma única decisão (Acórdão 0352.229 a fls. 12.889 destes autos). Assim sendo, o recorrente interpôs um único recurso voluntário e, por consequência, está em julgamento nesta assentada tanto a suspensão da isenção (Ato declaratório nº 87/2012), objeto deste PAF, como os lançamentos de IRPJ e reflexos, objeto do PAF em apenso. DA ALEGAÇÃO DE INVALIDADE DO MPF Inicialmente, ressalto que, ao meu juízo, ainda que fossem inválidas as prorrogações do MPF, nenhuma consequência teria sobre o lançamento efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Isso porque a atribuição privativa para efetuar o lançamento tributário é do AuditorFiscal por força de Lei (art. 6º, I, da Lei 10.593/02), razão pela qual o descumprimento de qualquer procedimento estabelecido em norma infralegal não teria o condão de macular o crédito regurlarmente constituído. Nesse sentido, vejamos o que se segue. O MPF surge, incialmente, com o art. 2º do Decreto nº 3.724, de 2001, o qual assim dispõe: Fl. 13016DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.726512/201211 Acórdão n.º 1302001.487 S1C3T2 Fl. 13.006 7 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ( Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 ). § 1º Omissis… § 2º Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. ( Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 ) § 3º Omissis… § 4º O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. ( Redação dada pelo Decreto n o 6.104, de 30 de abril de 2007 ) § 5º Omissis… § 6º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. Notese que o dispositivo infralegal acima transcrito é uma norma imperfeita, pois, pela sua violação, não impõe qualquer sanção ou consequência jurídica. Ademais, ressalto que a própria norma diz que o MPF é uma “ordem específica”, logo, deveria ter como destinatário apenas o AuditorFiscal, pois, como já dito, tratase instrumento de controle administrativo, apenas isso. Dessas premissas, não deveria desbordar a Secretaria da Receita Federal ao instituir o MPF. Do ponto de vista formal, o art. 59 do Decreto 70.235/72 só prevê a nulidade do lançamento tributário quando lavrado por pessoa incompetente. Ora, se esse Decreto, como já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, tem força de Lei, somente outra Lei poderia dispor sobre outras hipóteses de nulidade do lançamento tributário por vício de norma procedimental. Por essas razões, fica claro que, se algum efeito tiver o descumprimento das normas de regência do MPF, será unicamente no campo do Direito Administrativo, por descumprimento a normas de controle da administração. Todavia, ainda para aqueles que assim não entendam, cabe alertar que, disso não discorda a norma de regência do MPF à época do início da fiscalização em tela, pois a Portaria nº 11.371/07 assim dispunha: “Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Fl. 13017DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.” Assim, nem mesmo a norma infralegal citada pela recorrente em sua peça de defesa dá suporte a sua alegação de invalidade do MPF, pois o fato de ter sido extinto pelo decurso do prazo (seja o original ou o prorrogado) não impossibilita que se dê prosseguimento ao procedimento de fiscalização, bastando para tal a emissão de novo MPF, com a indicação de outro AuditorFiscal. Por último, equivocase a recorrente quando alega que não houve a indicação de outro Auditor, pois: o Termo de Início (fls. 40 do PAF apenso) foi assinado pelo AFRB Camilo Shimazu (em 25/16/2008); posteriomente, foi informado pelo Termo datado de 03/03/2009 (a fls. 45 do PAF apenso), que a responsável pelos trabalhos passava a ser a AFRFB Maria Barros; pr último, substituída pelo AFRFB Luiz Coelho (conforme Termo de Intimação nº 001 a fls. 68 e seguintes do PAF apenso). Assim, não há falar em qualquer descumprimento à norma de regência do MPF. Quanto à alegação de ofensa aos princípios constitucionais da duração razoável do processo e da proporcionalidade, por ter transcorrido aproximadamente 4 anos entre a emissão do MPF e a data da Notificação Fiscal (a fls. 2), cabe esclarecer que nesta fase (inquisitorial) ainda não há processo, por tratarse de trabalhos internos para a formação do juízo de valor da Fiscalização, razão pela qual há que se afastar essa preliminar de nulidade também. Da mesma forma, também não deve prosperar a alegação de que o despacho decisório não poderia apenas repetir o Ato Declaratório, pois sequer havia Ato Declaratório quando o despacho foi proferido. Ora, o Despacho Decisório não repete o Ato Declaratório, ao contrário, este é que se baseia naquele. Improcedente também a alegação de que o relatório da notificação não aponta qualquer conduta da recorrente suficiente a ensejar a suspensão da imunidade, ele deixa claro que a recorrente não conseguiu demonstrar analiticamente a origem dos valores ingressados em suas contas correntes com documentos hábeis. Ademais, vale ressaltar que, conforme veremos mais a frente, a recorrente não gozava de qualquer imunidade tributária e o que lhe foi suspenso foi a isenção do IRPJ e CSLL de que trata o art. 15 da Lerei 9.532/97. (Ato Declaratório a fls. 151. Quanto à alegação de que não pôde atender às intimações porque sua documentação fora apreendida pela Justiça do Distrito Federal, cabe algumas considerações: a) primeiro, como já salientado, a recorrente já vinha sendo intimada desde 2008 a apresentar a escrituração das receitas e despesas de 2007, sendo que, em 2011, foi intimada a apresentar de forma analítica a composição dos valores consignados na ficha 39 da DIRPJ/2008 (rendimentos de aplicação em renda fixa e outros valores), porém, apenas em 16/10/2012, peticionou em juízo para ter acesso aos documentos relativos ao 1º semestre de 2007, os quais foram objeto de busca e apreensão em junho de 2007 (vide mandado a fls. 454) b) segundo, os documentos relativos ao 2º semestre de 2007 sempre estiveram em poder da recorrente (já que foram apreendidos pela Justiça do Distrito Federal apenas os do 1º semestre) e, mesmo assim, a recorrente não os apresentou quando intimada, só Fl. 13018DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.726512/201211 Acórdão n.º 1302001.487 S1C3T2 Fl. 13.007 9 vindo a fazêlo quando da apresentação da manifestação de inconformidade em face do Ato Declaratório de suspensão da isenção; c) terceiro, o fato de a recorrente ter agora apresentado também a documentação relativa ao 1º semestre em nada modifica o quadro probatório, pois cabia elaborar demonstrativo analítico relativamente aos valores originários dos ingressos de créditos nas contas correntes mantidas em instituições financeiras, inclusive identificando os documentos que provassem valores ingressados em suas contas bancárias que não se constituíam em receitas, já que sua contabilidade e a DIRPJ/2008 registram receitas no montante de R$ 12,64 milhões, quando houve ingressos em suas contas bancárias no montante de R$ 406 milhões. Assim, a simples apresentação, na fase recursal, de 12 mil páginas de documentos, sem articular qualquer defesa baseada no conjunto probatório, não tem o condão de inverter o ônus da prova que cabia ao recorrente, razão pela qual não há falar que houve omissão da DRJ na análise do conjunto probatório apresentado extemporaneamente. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário no ponto em que se insurge contra o Ato Declaratório de suspensão da isenção tributária da recorrente. Não obstante sejam apenas argumentos laterais, há que se ressaltar que há, nos autos, elementos que demonstram o uso da recorrente como escudo para atividades verdadeiramente empresariais e com finalidade lucrativa em favor de terceiros, condutas essas que a descaracterizam como entidade sem fins lucrativos, conforme bem aponta os Ofícios nº 055/2008 e 059/2008 do Ministério Público do Distrito Federal e Território a fls. 159, as declarações feitas pelo Sr. Juarez Cançado a fls. 165, e o relatório da Operação Aquarela a fls. 181 e segs, do qual pinço os seguintes trechos: “Os trabalhos realizados pelo Ministério Público do Distrito Federal, bem como pela Polícia Civil e Receita Federal que deflagaram a denominada “Operação Aquarela” apontando para a existência de uma organização criminosa com indícios para a prática de desvio de dinheiro público, dispensa indevida de licitação, lavagem de dinheiro, peculato, formação de quadrilha e outros crimes contra a Administração Pública, basicamente, originários do BRB – Banco de Brasília S.A., culminou com a prisão temporária de 20 (vinte pessoas que estão sendo investigadas. …. Como se percebe, ASBACEm FUNDAÇÃO ASBACE, ATP TECNOLOGIA E PRODUTOS, e INVESTIMENTOS ATP mantêm estreita vincaulação entre si, a ponto de todas estarem sediadas num mesmo endereço, qual seja, SGAN, Quadra 601, Conjunto L, s/n, Asa Norte, Brasília (DF), sob a administração de JUAREZ LOPES CANÇADO que é amigo íntimo de TARCÍSIO FRAKLIN DE MOURA. Neste endereço funciona ainda a empresa DATALINK. …. Importante destacar, que a ASBACE, pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade civil, sem fins lucrativos, foi presidida por TARCÍSIO FRAKLIN DE MOURA, o qual também foi presidente do BRB no período compreendido entre janeiro de 1999 a abril de 2007. Fl. 13019DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Por sua vez, JUAREZ LOPES CANÇADO, Secretário Geral da ASBACE, também exerce a função de Presidente da FUNDAÇÃO ASBACE DE PREVIDÊNCIA SOCIAL, …. Além da função desempenhada na ASBACE. JUAREZ LOPES CANÇADO é sócio da Investimento ATP S.A. e, ainda, Presidente da ATP Tecnologia S.A., conforme se infere do site http:www.atp.com.br/atp.html. A ASBACE e a ATP desenvolvem os serviços contratados no mesmo ambiente de trabalho sendo impossível realizar a separação entre as empresas. Em outras palavras, o BRBBanco de Brasília contrata a ASBACE que, em tese, possuiria justificativa legal para que seja precedida de dispensa de licitação, mas na prática a realização dos serviços são prestadas pela ATP Tecnologia e Serviços, uma sociedade anônima, além daqueles para a qualfoi diretamente contratada. Segundo reportagem publicada pelo Jornal “Valor Econômico”, em 3 de abril de 2007, o faturamento da ATP no ano de 2006 atingiu o montante de R$ 420 milhões, enquanto o Dossiê Integrado da CPMF aponta movimentação de apenas R$ 61 milhões, no mesmo ano, o que, em princípio sinaliza que R$ 359 milhões de faturamento não teriam transitado pela conta bancária da empresa… Embora constituída sob a forma de ONG, na verdade, a CAMINHAR tem se dedicado à lavagem de dinheiro, mediante “venda”de notas fiscais correspondentes a projetos inexistentes, para empresas interessadas em lavar ativos financeiros ilícitos, mediante a cobrança de comissão de 8% (oito por cento), calculado sobre o valor da nota fiscal “vendida”. Apenas no ano de 2006, a movimentação financeira da CAMINHAR atingiu o montante de R$ 11,7 milhões , sendo que a sua quase totalidade foi sacada por meio de cartões ao portador… Entre os clientes da CAMINHAR figura o GRUPO ASBACE/ATP, que tem usado a aludida ONG para a lavagem do dinheiro desviado do BRB, proveniente dos contratos superfaturados, celebrados sem qualquer procedimento licitatório…”. No tocante aos lançamentos em tela, cabe inicialmente salientar que se tratam de lançamento por omissão de receitas com base em ingressos em conta bancária de origem não comprovada. Ao se compulsar os autos em apenso, verifico algumas questões a serem enfrentadas: a) os ingressos em conta bancária cuja origem não foram comprovadas, objetos do lançamento em tela (no montante de R$ 406.119.651,07), foram contabilizados pela recorrente, se não vejamos o seguinte trecho do Termo de Intimação Fiscal nº 004 (doc. a fls. 187): “As solicitações são imprescindíveis para o exame do Fisco, tendo em vista que apurouse créditos (depósitos, transferência, TED…) contabilizada sob o abrigo das rubricas nº 4.11012 – Banco Conta movimento apresentam a totalização da ordem de R$ 406.119.651,08, no anocalendário de 2007.” b) não consta, dos autos, a escrituração da recorrente de forma que não há como verificar as contrapartidas contábeis aos ingressos na conta nº 4.11012 – Banco Conta movimento, nem o autuante e a recorrente a elas se referem; c) o Termo de Intimação Fiscal nº 004 não individualiza os créditos cuja origem cabia ao recorrente comprovar, pois a planilha a fls. 188 informa apenas o montante de ingresso em cada conta bancária da recorrente no ano de 2007; Fl. 13020DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.726512/201211 Acórdão n.º 1302001.487 S1C3T2 Fl. 13.008 11 c) a DIPJ/2008 (a fls. 312 e segs. dos autos apenso), na Ficha 39, informa receitas no total de R$ 12.644.371,29; d) em resposta ao Termo de Intimação nº 004 (doc. a fls. 189), a recorrente solicitou a dilação do prazo e disponibilização dos extratos obtidos pela Receita Federal, para que pudesse cruzar os dados com a documentação que dispunha à época, sendo que, conforme Termo de Devolução de Documentos nº 002 (a fls. 190), os extratos foram disponibilizados à recorrente em meio magnético ( não consta degravação dos extratos nestes autos); e) em sua defesa, a recorrente não apresenta qualquer demonstração da origem dos ingressos em conta bancária e alega que: não foi levada em conta as despesas e perda no recebimento de créditos; não praticou nenhuma irregularidade; há transferência entre contas de mesma titularidade que não foram abatidas (sem contudo indicar alguma); e que não é contribuinte de CSLL, PIS e COFINS. Com relação à primeira questão, cabe lembrar que o fato de os ingressos nas contas bancárias terem sido escriturados não significa que houve a escrituração como contrapartida de receitas nesse montante, aliás, se os ingressos no montante de R$ 406 milhões eram efetivamente receitas, a Ficha 39 da DIPJ/98 deixa claro que quase a totalidade deles não foi escriturada em contrapartida de receita, já que esta declara uma receita total de R$ 12,64 milhões. É verdade que nem o autuante nem a recorrente tratam das contrapartidas dos ingressos na conta Banco Movimento, todavia, entendo que o cotejo entre o montante dos ingressos e o valor que foi declarado na Ficha 39, deixa claro que a contrapartida não foi, na sua quase totalidade, a conta de receita. Notese também que, intimada, a recorrente não conseguiu demonstrar a relação entre os recursos declarados na Ficha 39 (R$ 12,64) com ingressos em conta bancária, mas o autuante considerou como receita omitida apenas o total dos ingressos nas contas bancárias (ou seja, considerou que as receitas declaradas na Ficha 39 estavam contidas nesse valor). Assim, a desconstituição da presunção de omissão de receita careceria da apresentação pela recorrente de documentos hábeis que comprovassem que os R$ 406 milhões que ingressaram em suas contas bancárias não eram receitas tributáveis, algo que ela não logrou fazer. O § 3º do art. 42 dispõe que os créditos em conta bancária deverão ser analisados individualizadamente, o que poderia levar à nulidade da autuação em tela, já que o Termo de Intimação nº 004 informa apenas os totais por conta bancária. Não obstante, entendo que essa regra visa garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa, o que, no presente caso, foi atendido já que disponibilizados os extratos bancários à recorrente. Ademais, lembro que todos os ingressos em tela haviam sido escriturados na conta Banco Movimento, razão pela qual a recorrente tinha inteiro conhecimento dos valores individualizados deles. Por sua vez, os extratos bancários não foram juntados aos autos, já que gravados em meio eletrônico, porém não me parece que careça determinar a sua juntada, tendo em vista que a recorrente, embora tenha tido acesso a eles, nenhuma questão levantou que levasse a necessidade de verificação dos seus registros. É verdade que a recorrente alega que há transferência entre contas de sua titularidade, mas não aponta uma sequer transferência nessa condição. Equivocase a recorrente quanto questiona o fato de não ter sido levada em conta as suas despesas e perdas no recebimento de créditos no cálculo da base tributável, já que estamos tratando de lucro arbitrado. Equivocase também quando alega que não é contribuinte da CSLL, PIS e COFINS, pois apenas as entidades beneficentes de assistência social no gozo da imunidade tributária de que trata o art. 195, § 7º, CF/88 podem alegar não ser contribuinte Fl. 13021DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 de tais contribuições. Ademais, foi suspensa, pelo Ato Declaratório nº 87, a isenção tributária de IRPJ e CSLL que a recorrente gozava. Sobre o pedido de sobrestamento do julgamento até o trânsito em julgado do RE nº 601.314/SP, cabe informar que não é mais cabível tal providência, já que fora revogado o § 1º do art. 62A do RICARF. Com relação às alegações de inconstitucionalidade da LC 105 já que os procedimentos para requisições de extratos bancários adotados obedeceram os estritos limites estabelecidos por esta lei e suas regulamentações cabe alertar que nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aliás, também se aplica a mesma Súmula CARF nº 02, para afastar, no âmbito deste julgamento, as alegações de confiscatoriedade da multa de ofício imposta. Por sua vez, a incidência de juros de mora é regulada por lei federal e, nos termos da Súmula CARF nº 4, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, ou seja, são devidos desde o vencimento do tributo se este vier a ser considerado devido ao final do processo administrativo fiscal. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e, assim, manter os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 13022DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.007447/2004-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
Substituição Tributária. Combustíveis. Base de Cálculo. Preço de Venda.
A comercialização de mercadorias a varejo, sujeitas ao regime de substituição tributária, por preço inferior ao da base de cálculo presumida do tributo, fixada em lei, sobre a qual o tributo foi apurado e pago pelo substituto, não gera direito a restituição da diferença.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Duroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 Substituição Tributária. Combustíveis. Base de Cálculo. Preço de Venda. A comercialização de mercadorias a varejo, sujeitas ao regime de substituição tributária, por preço inferior ao da base de cálculo presumida do tributo, fixada em lei, sobre a qual o tributo foi apurado e pago pelo substituto, não gera direito a restituição da diferença. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Duroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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Combustíveis. Base de Cálculo. Preço de Venda. A comercialização de mercadorias a varejo, sujeitas ao regime de substituição tributária, por preço inferior ao da base de cálculo presumida do tributo, fixada em lei, sobre a qual o tributo foi apurado e pago pelo substituto, não gera direito a restituição da diferença. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Duroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 74 47 /2 00 4- 22 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição protocolado em 20/12/2004, no valor de R$ 112.513,77, correspondente a pagamentos de Cofins sobre o faturamento de combustíveis, nos períodos de apuração entre 01/01/1999 a 30/06/2000. Em seu pedido, a contribuinte fundamenta da seguinte forma sua pretensão: Nos termos da legislação tributária vigente na época (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998), a requerente, na qualidade de contribuinte substituída, sofreu a retenção de valores a título de COFINS, por parte da refinaria de petróleo, contribuinte substituída, calculado sobre uma base de cálculo presumida, conforme valores lançados nas respectivas notas fiscais de vendas, emitidas pelas distribuidoras no período compreendido entre 1º de janeiro de 1999 à 30/06/2000. Ocorre que, os preços efetivos e comprovadamente praticados pela requerente, nas suas vendas de combustíveis a consumidor final, foram inferiores àqueles calculados de forma presumida pela refinaria. A DRF de Campinas indeferiu o pedido com base nos seguintes argumentos: Percebese, portanto, que a substituição tributária para os combustíveis é uma previsão legal e imputada à pessoa que faz as vezes do substituto tributário. Sendo, pois, um tributo recolhido pelo distribuidor, não cabe ao comerciante varejista pleitear indébito nesse sentido, pois fica claro não ter sido este último quem arcou com o ônus dos recolhimentos dos tributos questionados. (...) Concluise, então, que não existe direito creditório a ser reconhecido ao interessado, conforme pleiteado, pois primeiramente não se configura a relação jurídica de sujeito passivo e sujeito ativo para esse fim, pois conforme demonstrado o sujeito passivo na situação aludida é o distribuidor de combustível, portanto, cabe a ele, se for o caso, pleitear qualquer pagamento a maior que porventura tenha efetuado, desde que baseado em documentação hábil e legal para tal. Além disso, é importante ressaltar que a condição de substituto tributário é estabelecida em Lei, de acordo com os atos legais citados anteriormente, ficando expressamente determinado em lei quem seja o sujeito passivo de direito na relação existente. Em consulta ao sistema SIEF e COMPROT/Internet, constatei que, até o presente momento, não há Declaração de Compensação vinculada a este processo, conforme telas impressas dos sistemas, folhas 65 e 66. Em sua manifestação de inconformidade a interessada alegou, em síntese, que Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.007447/200422 Acórdão n.º 3302002.244 S3C3T2 Fl. 99 3 a) o indeferimento em tela foi alicerçado em total dissonância às mais recentes jurisprudências havidas sobre a mesma matéria, qual seja, baseou tal decisão, num prematuro e irrelevante fundamento, sobre a ilegitimidade do contribuinte, ora requerente. Melhor dizendo, a este título, está pacífico em nossos Tribunais, que o ora Requerente (contribuinte substituído), por ser ele quem sofre efetivamente o ônus da imposição fiscal, é parte legítima ad causam para requerer a restituição dos valores recolhidos a título de tributo (COFINS). Desta feita, não merece prevalecer o entendimento do presente julgado, eis que, segundo este, tal legitimidade seria da refinaria de petróleo e ou distribuidora, ora ambas contribuintes SUBSTITUTAS; b) o Requerente, perante o regime da Substituição Tributária, é considerado o CONTRIBUINTE SUBSTITUÍDO das operações realizadas. (...) Conveniente, porém, se torna para o caso, a aplicação obrigatória da interpretação literal dessa legislação tributária, pois, esta é clara, quando se refere que a refinaria de petróleo e ou as distribuidoras de álcool, somente são obrigadas a cobrança (retenção) e o seu posterior recolhimento (repasse à União), mas que, na verdade quem sofre o ônus da carga tributária nessas operações, é o contribuinte SUBSTITUÍDO; c) fica claro que a intenção da Lei, é reduzir as fases de cobrança dos tributos, deixando assim, a refinaria como responsável pela retenção e recolhimento desses, pertinente aos contribuintes varejistas, e não a reconhecendo como parte legítima ao mesmo pleito. A DRJ de Campinas, por sua vez, após analisar os argumentos oferecidos na manifestação, entendeu por bem indeferir o pedido em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: : 01/01/1999 a 30/06/2000 Restituição. Legitimidade Ativa. A falta de prova de legitimidade ativa inviabiliza o deferimento de pedido de restituição/compensação. Substituição Tributária. Fato Gerador Presumido. No caso de substituição tributária só é cabível a restituição da quantia paga na hipótese de não se realizar o fator gerador presumido. Solicitação Indeferida. Contra referida decisão foi interposto Recurso Voluntário que, citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, requer a reforma da decisão para determinarse a legitimidade do comerciante varejista de combustíveis para pleitear a restituição da diferença dos valores entre a base de cálculo retida pela refinaria e o da venda real aos contribuintes. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. São dois os temas submetidos à análise no presente processo: (i) a legitimidade do Recorrente para solicitar eventuais retenções de COFINS efetuadas a maior por conta do regime de substituição; e, (ii) o direito a restituição da diferença entre o valor retido, a título de substituição tributária, e o valor real de venda ao consumidor final. A sistemática da substituição tributária encontra fundamento legal em nossa Constituição que assim prescreve: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Em relação a COFINS a Lei 9.718/98 assim regulou a substituição tributária em relação a cadeia de comércio dos combustíveis derivados de petróleo: Art. 4º. As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Importante observar que a na substituição tributária não há alteração dos contribuintes do imposto. Ocorre apenas a determinação de que um dos elos da cadeia comercial será responsável pela retenção e recolhimento das contribuições devidas pelos demais. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.007447/200422 Acórdão n.º 3302002.244 S3C3T2 Fl. 100 5 No presente caso, a Refinaria retem e recolhe a COFINS devida pela distribuidora e pelo comércio varejista de combustíveis em relação a operações comerciais que cada uma delas efetua. Não há modificação do contribuinte, ou do sujeito passivo. Tratase, na verdade, de mera técnica de arrecadação, uma vez que o substituto recolhe as contribuições que incidirão nas operações a serem realizadas pela Distribuidora e pelos postos de combustíveis. A questão da legitimidade para postular a devolução dos alegados recolhimentos a maior em virtude da não ocorrência do fato gerador presumido tem encontrado muita divergência na jurisprudência. Em decisões recentes o STJ tem se manifestado no seguinte sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COFINS. SUBSTITUIÇÃO PARA A FRENTE. LEGITIMIDADE ATIVA DO SUBSTITUÍDO. PRECEDENTES. 1. Hipótese em que o embargante se insurge contra decisão que entendeu pela legitimidade ativa do substituído para questionar a exigência da Cofins, defendendo que o direito de pleitear a repetição do indébito, mediante restituição ou compensação, depende da demonstração de que o substituído suportou o encargo, não repassando o preço cobrado para o consumidor final. 2. No regime de substituição tributária para a frente, o comerciante varejista de combustível, substituído tributário, é parte legítima para questionar a exigência do Pis e da Cofins incidentes no comércio de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes. Precedente: EREsp 648.288/PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 11/9/2006. 3. Agravo regimental não provido. 1 Ocorre, contudo, que esta discussão perde relevância diante da inexistência do direito a devolução da diferença entre a base de cálculo estimada e o valor real da operação, nos termos proclamados pelo Supremo Tribunal Federal. O Tribunal Pleno do STF, responsável maior pela interpretação dos dispositivos constitucionais, ao analisar a sistemática prevista no § 7º, do art. 150 da Carta Magna, nos autos da ADI 1.815/AL, fixou o entendimento de que "o fato gerador presumido, por isso mesmo, não é provisório, mas definitivo, não dando ensejo a restituição ou complementação do imposto pago, senão, no primeiro caso, na hipótese de sua não realização final. Admitir o contrário valeria por despojarse o instituto das vantagens que determinaram a sua concepção e adoção, como a redução, a um só tempo, da máquinafiscal 1 AgRg no REsp 1098320/RS Agravo Regimental no Recurso Especial nª 2008/02224026. 1ª Turma. Relator Ministro Benedito Gonçalves. DJE 25/09/2009. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 e da evasão fiscal a dimensões mínimas, propiciando, portanto, maior comodidade, economia, eficiência e celeridade às atividades de tributação e arrecadação No presente caso, tratase de pedido de restituição da diferenças entre a base de cálculo presumida e o valor real praticado, ou seja, o fato gerador realizouse ao final. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907581/2011-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 75 81 /2 01 1- 54 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 64), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907581/201154 Acórdão n.º 3802002.929 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014650/2007-43
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ e de CSLL.
COMPETÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO.
Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá-lo, sob pena de nulidade. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF.
Numero da decisão: 1803-002.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/2007-65 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ e de CSLL. COMPETÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO. Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá-lo, sob pena de nulidade. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/2007-65 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ e de CSLL. COMPETÊNCIA. ATO ADMINISTRATIVO. Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá lo, sob pena de nulidade. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/200765 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 46 50 /2 00 7- 43 Fl. 3568DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.569 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0522 com a exigência do crédito tributário no valor de R$225.222,18 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional pelo regime de cumulatividade no período de janeiro a dezembro dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, e pelo regime de nãocumulatividade no período de fevereiro a abril de 2004 tendo em vista a falta de recolhimento. Consta na Descrição do Fatos: Omissão de Receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada, conforme explicado a seguir: No termo de inicio anexo a folha 74, intimamos o contribuinte a apresentar os extratos das contas bancárias da empresa. O contribuinte respondeu, conforme anexo à folha 80, apresentando os extratos da conta 212.0003 da agência 36552 do Banco do Brasil S/A, não informando, no entanto, sobre a existência de qualquer outra conta. Porém, no curso da fiscalização e, examinando a venda de um apartamento feita pelo proprietário da empresa, sr. Rui Castelo Branco, verificamos que o comprador havia depositado, o valor da compra, na conta corrente número 210.060 6 da agência 36552 do Banco do Brasil S/A, de propriedade da empresa CCB – Construtora Castelo Branco. Conta, esta, cuja existência não havia sido informada e cuja movimentação financeira não era contabilizada pela empresa. Intimei, então, o contribuinte a apresentar o extrato da referida conta bancária e identificar suas entradas (depósitos). A empresa apresentou os extratos e identificou suas entradas (recebimentos). identificou todos os depósitos como tendo sido feitos pelos proprietários dos prédios (condomínios) em construção, conforme planilhas anexas às fls. 86/143. Resumi os depósitos identificados pelo contribuinte, nos anos de 2002, 2003 e 2004, nas Colunas A das planilhas mostradas às folhas 24/25. Parte destes depósitos foram transferidos para as contas bancárias dos condomínios, conforme informou o contribuinte nos documentos apresentados às folhas 52/73 deste Auto de Infração. Consolidei essas transferências nas Colunas B das planilhas mostradas às folhas 24/25. Transportei para as Colunas C das mesmas planilhas, os valores dos pagamentos das despesas de construção dos condomínios, feitos com valores saídos, diretamente, da conta bancária da CCB, conforme informou o contribuinte, às folhas 27/32. Nas Colunas D, apurei, por subtração (o total da Coluna A, menos o da coluna B, menos o da Coluna C), os totais anuais dos recursos, dessa conta bancária, utilizados sem identificação de finalidade. Considerei que a empresa utilizou, em beneficio próprio, apenas os 12% acordados nas atas de constituição dos condomínios (receita esta que registrei nas Colunas F, no mês de dezembro). A construtora CCB movimentava livremente os recursos da conta bancária omitida sem fazer qualquer registro contábil. Não contabilizava o recebimento destes valores e, também, não contabilizava (conforme verifiquei em sua escrita Fl. 3569DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.570 3 contábil), a utilização dos mesmos. Utilização que pode ter sido para as aquisições de materiais de construção, despesas gerais de construção dos condomínios ou, para qualquer outra finalidade. As comissões de administração (receitas) contabilizadas pela CCB (docs. anexos às fls. 41/49, referiamse, apenas aos custos e despesas gerais de construção pagos com cheques emitidos pelos condomínios. Referiamse, pois, apenas aos custos e despesas de construção pagas com a utilização dos recursos depositados nas contas correntes dos condomínios. A empresa silenciava sobre os recursos depositados em sua conta bancária como, também, sobre as comissões sobre os mesmos. Conforme identificou o contribuinte, no documento apresentado às folhas 96/143 parte dos depósitos efetuados para a construção dos apartamentos eram feitos na conta bancária "oculta" da Construtora CCB. Parte dos depósitos, aí realizados, eram, posteriormente, transferidos (vide doc. anexo as fls. 52/73 ) para as contas dos condomínios. Sobre a parte que permanecia na conta da Construtora e que era utilizada para o pagamento de custos e despesas das construções, ou que tinha qualquer outro destino, a empresa mantinha total silêncio contábil/fiscal. A empresa utilizava essa parte dos depósitos que permaneciam em sua conta bancária e a omitia como receita ou como base de cálculo da receita (comissão de administração da obra 12%). Ressaltese aqui, que as atas de constituição dos condomínios estabeleciam que a taxa de administração da construção a ser paga A construtora CCB, seria de 12% do custo global da construção. Exemplificando, anexei a ata do Condomínio Emilio Hinko, no qual, em seu parágrafo primeiro do artigo sexto, fixa esta taxa de administração (vide fl. 148). Relacionei (doc. anexo à f1. 41) toda a receita lançada na contabilidade da empresa, referente aos anos de 2002 a 2004. Constatei, então, a ausência de contabilização das receitas dos serviços prestados, em diversos meses, aos diversos condomínios de prédios em construção. Questionei sobre a omissão dos valores depositados na sua conta corrente e intimei (doc. anexo à fl. 90) o contribuinte a apresentar os documentos referentes a essas receitas. Ao que ele respondeu conforme documento anexo às fls. 92/93, 54/73 e 26/32. No documento da folha 26 ele informa, em vermelho, o total de receita não faturada, e, em azul, o total da receita faturada. Nos documentos anexos às folhas 27/32 ele informa os totais das despesas e custos gerais de construção pagas a partir das contas dos condomínios e aquelas pagas a partir da conta bancária da CCB. A receita total, faturada ou não faturada mostrada, pelo contribuinte, na planilha da folha 26, foi calculada pela multiplicação das despesas de construção mostradas às folhas 26/32, pela taxa de 12% fixada nos contratos. Para tornar mais clara a forma de cálculo das receitas omitidas pelo contribuinte, apresentei as planilhas anexadas às fls. 33/38 . Nelas, separei as receitas não faturadas (quadro 2), conseqüentes de despesas de construção pagas a partir da conta bancária da CCB (quadro 3), das receitas não faturadas (quadro 4), oriundas de despesas de construção pagas a partir das contas bancárias dos condomínios (quadros 5). No quadro 2 da folha 33 , está demonstrado como o contribuinte calculou, para o ano de 2002, R$305.287,95 de receita não faturada sobre os R$2.544.066,25 de despesas dos condomínios pagos com valores sacados diretamente da conta bancária da CCB. Na planilha mostrada na folha 24, verificamos que do total depositado na conta bancária da CCB (R$4.889.946,54), R$ 2.544.066,25 foram utilizados para o pagamento de despesas e custos gerais de construção dos condomínios, R$2.405.495,60 foram transferidos para as contas bancárias dos condomínios, e que houve, adicionalmente, uma utilização de R$216.337,50 dos Fl. 3570DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.571 4 depósitos feitos em sua conta. Para calcular a receita não faturada sobre esses R$216.337,50 fizemos o mesmo procedimento de cálculo da receita não faturada sobre os desembolsos identificados (R$305.287,95 = 12% x 2.544.066,25). Calculamos uma omissão de receita adicional, em 2002, de R$25.960,50 (12% x R$ 216.337,50) sobre os valores utilizados sem identificação de finalidade. Nas planilhas mostradas nas folhas 24/25 mostramos os cálculos das receitas omitidas nos anos de 2003 (R$117.889,48) e 2004 (R$148.465,40), sobre os recursos depositados na conta bancária da CCB, cuja utilização não foi identificada pelo contribuinte fiscalizado. Procedimentos de cálculo semelhantes ao explicado, no parágrafo anterior, para o ano de 2002. [...] O contribuinte vendeu, em 14.10.2004 (conf. documentação anexa às fls. 156/160) , sua cota de participação no condomínio Mucuripe Plaza (apartamento 1500, a ser construído), por R$900.000,00. Destes, R$ 430.000,00 referiamse à taxa de adesão ao Condomínio (valor que é, pois, base de cálculo da COFINS cumulativa) e os R$470.000,00, restantes, referiamse ao valor estimado a ser gasto na construção do apartamento. Os R$470.000,00 foram, posteriormente, utilizados pelo Condomínio para a construção do apartamento e, sobre este valor, foi calculada, com a utilização do percentual de 12%, na infração anterior, a receita omitida pela CCB. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º. art. 3º e art. 5º da Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. O lançamento de Cofins é decorrente das exigências de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) formalizadas no processo nº 10380.014657/200765, que se encontra com o regular julgamento do litígio instaurado em segunda instância de acordo com o Acórdão 1ª TO/1ª Câmara/1ª SJ nº 1101000935, de 10.09.2013, fls. 35363554 e ainda com o Recuso Especial oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), fls. 35553567, em que questiona o reconhecimento da decadência dos primeiro e terceiro trimestres do anocalendário de 2002. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 172177, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e alega que: A fiscalização imputou ora impugnante omissão de receitas descritas em dois tópicos, a saber 1) receitas não contabilizadas de prestação de serviços (taxa de administração da construção de imóveis) e 2) resultados não operacionais não declarados, referente à venda de cota de participação em condomínio. Para exame das questões, não só quanto a preliminar de decadência; para os fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 2002, quanto ao mérito, reportase as razões apresentadas no processo principal de exigência de IRPJ e CSLL, que faz anexar por cópia ao presente, visto que solicitou a reunião dos processos para exame em conjunto. Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.572 5 Entretanto, outras razões adicionais para o PIS e COFINS são necessárias visto que houve a concordância relativa ao item 2 do auto de infração, mas somente quanto ao IRPJ e CSLL, discordando da exigência para essas contribuições. Isto, porquanto não há incidência dessas contribuições para venda de bens do ativo imobilizado, como foi o caso da venda de cota de participação em condomínio que integra o Ativo Permanente da requerente. Em relação a tributação efetivada para a contribuição ao PIS, fatos geradores de dezembro/2002 a abril de 2004; e COFINS, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, esta não pode prosperar, dado que as exigências foram lançadas sob a sistemática da nãocumulatividade inserida no ordenamento jurídico pátrio através das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Ocorre, que, por força de comandos legais da Lei nº 10.833, de e 2003, as receitas da ora Impugnante permanecem tributadas sob o regime de cumulatividade, haja vista os dispositivos insertos no artigo 10, inciso XI, alínea "b", inciso XX, e art. 15 da citada lei. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, conversão da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, instituiu o regime nãocumulativo para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), produzindo efeitos, no que tange a introdução deste regime, a partir de 1º de dezembro de 2002. O regime nãocumulativo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) teve origem na Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, a qual foi posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, produzindo efeitos com relação a sistemática da nãocumulatividade a partir de 1º de fevereiro de 2004. Entretanto, a Lei n° 10.833, de 2003, manteve como obrigatoriamente sujeitas à sistemática anterior, ou seja, sob incidência cumulativa do PIS e da COFINS, sem direito a créditos e sem alteração de alíquota, um extenso rol de receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, listadas em seu art. 10, dentre as quais se incluem as receitas auferidas pela ora impugnante [...]. Assim, verificase que a Lei n° 10.833, de 2003, em seu art. 10, estabelece as receitas percebidas pelas pessoas jurídicas que devem ser excluídas da sistemática da nãocumulatividade, dentre as quais, na alínea "b" do inciso XI e no inciso XX, encontramse listadas as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços, e as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. A mesma regra encontra aplicabilidade para a contribuição ao PIS, conforme dispõe o inciso V, do art. 15, da mesma lei. Desta forma, em virtude de as receitas da ora impugnante se enquadrarem nos dispositivos legais acima transcritos é imperioso que se reconheça a impropriedade em que incorreu a fiscalização ao tributar referidas, receitas utilizando as regras da sistemática da nãocumulatividade. Conclui que: À vista do exposto, reclama a impugnante pelo acolhimento da preliminar de decadência e, no mérito pela improcedência dos lançamentos decorrentes, ou ainda, Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.573 6 pela decretação da improcedência da autuação para a contribuição para o PIS, fatos geradores de dezembro de 2002 a abril de 2004, e para a COFINS, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, bem como a exclusão da incidência sobre a venda de bens do ativo imobilizado. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0823.614, de 08.06.2012, fls. 34253456 que a impugnação é procedente em parte, tendo em vista: reconhecimento da decadência para os fatos geradores janeiro/2002 a outubro/2002, excluída a competência abril/2002: PA Valor Tributável (R$) Alíquota (%) Valor Decaído (R$) Jan/2002 30.807,65 3,00 924,23 Fev/2002 31.366,62 3,00 940,99 Mar/2002 14.071,80 3,00 422,15 Mai/2002 31.601,77 3,00 948,05 Jun/2002 38.950,99 3,00 1.168,53 Jul/2002 67.875,68 3,00 2.036,27 Ago/2002 63.358,78 3,00 1.900,76 Set/2002 73.904,61 3,00 2.217,14 Out/2002 87.760,93 3,00 2.632,83 Total 13.190,90 alteração dos valores lançados nos meses de dezembro dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, processada nos seguintes termos: PA Receita Lançada Receita Cancelada Receita Mantida Cofins Lançada Cofins Mantida Cofins Cancelada Dez/2002 150.946,30 124.985,80 25.960,50 4.528,39 778,82 3.749,57 Dez/2003 181.197,63 117.889,48 63.308,15 5.435,93 1.899,24 3.536,68 Dez/2004 224.903,95 148.465,40 76.438,55 6.747,12 2.293,16 4.453,96 Totais 16.711,44 4.971,22 11.740,22 manutenção do lançamento para os fatos geradores dos meses de abril e novembro de 2002; janeiro a novembro de 2003; e janeiro a novembro de 2004. Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. FATOS GERADORES JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2004. CIÊNCIA EM 29/11/2007. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL. Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.574 7 Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Por outro lado, nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível (art. 173, inc. I, do CTN). VENDA DE COTA DO CONDOMÍNIO MUCURIPE. ALEGAÇÃO DE TRATARSE DE ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO PERMANENTE, A SER EXCLUÍDA DA RECEITA BRUTA NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões de prova que possuir, devendo a prova documental ser apresentada conjuntamente com a impugnação. Não o fazendo, preclui o direito do sujeito passivo, a menos que demonstre haver incidido alguma das condições expressamente elencadas no § 4º do art. 57 do Decreto nº 7.574, de 2011. TRIBUTAÇÃO DA COFINS SOB A SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE NOS MESES DE FEVEREIRO/2004 A ABRIL/2004. IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Em face da produção dos efeitos legais estabelecidos pela Lei nº 10.865, de 2004, consoante o regramento geral determinado pelo art. 53 da referida norma, somente as receitas havidas a partir de 1º de maio de 2004, decorrentes da execução por administração de obras de construção civil, sujeitamse às regras da cumulatividade da apuração da Cofins e do PIS/Pasep. Em assim sendo, a não cumulatividade alcança o período compreendido entre fevereiro/2004 e abril/2004. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. RECONHECIMENTO DA RECEITA. PRINCÍPIO DA REALIZAÇÃO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A receita é considerada realizada, sendo devido o seu registro contábil, à medida que os serviços são prestados, configurandose a omissão de receitas na hipótese de o sujeito passivo não contabilizar tais valores, na proporção em que os serviços são prestados. CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS. EXECUÇÃO DA OBRA POR ADMINISTRAÇÃO. CONTACORRENTE NÃO CONTABILIZADA. PAGAMENTO DE DISPÊNDIOS COM RECURSOS DA CONTA NÃO ESCRITURADA. OMISSÃO DE RECEITA EQUIVALENTE À APLICAÇÃO DA TAXA DE ADMINISTRAÇÃO SOBRE TAIS VALORES. NÃO CONTABILIZAÇÃO DE DESPESAS DOS CONDOMÍNIOS PAGAS COM RECURSOS DEPOSITADOS NAS CONTAS DOS CONDOMÍNIOS. REGULARIDADE DA TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS SOBRE DESPESAS NÃO IDENTIFICADAS. TRIBUTAÇÃO NA CONDIÇÃO DE RECEITAS OMITIDAS. INCORREÇÃO. PROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. Fl. 3574DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.575 8 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamento efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, ressalvado o disposto em normas especiais. Constatada imputação distinta, formalizada pela autoridade lançadora, a parcela do lançamento deve ser cancelada, exonerandose o sujeito passivo de sua cobrança. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificada em 24.11.2012, fl. 3516, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.08.2012, antecipadamente, fls. 34643470, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: DA VENDA DE COTA DE PARTICIPAÇÃO NO CONDOMÍNIO MUCURIPE PLAZA (AP. 1500) Em 14 de outubro de 2004, a Construtora Castelo Branco vendeu uma cota de participação no Edifício Diogo de Leppe do Condomínio Mucuripe Plaza (ap. 1500), bem integrante do seu ativo permanente. Sobre a receita proveniente de operações dessa natureza, não há se falar em incidência da Cofins nem da contribuição para o PIS. DO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE Não podem prosperar a exigência da contribuição para o PIS, fatos geradores de dezembro de 2002 a abril de 2004, nem a exigência da Cofins, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, porque lançadas sob a sistemática da não cumulatividade inserida no ordenamento jurídico pátrio por intermédio das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Com efeito, por força de comandos legais da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas da ora impugnante permanecem tributadas sob o regime de cumulatividade, consoante determina o seu artigo 10, inciso XI, alínea "b", e inciso XX, bem como o seu artigo 15. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, conversão da Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002, instituiu o regime nãocumulativo para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), produzindo efeitos, no que tange à introdução deste regime, a partir de 1º de dezembro de 2002. O regime nãocumulativo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) teve origem na Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003, a qual foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, produzindo efeitos com relação à sistemática da nãocumulatividade a partir de 1º de fevereiro de 2004. Entretanto, a Lei n° 10.833, de 2003, manteve como obrigatoriamente sujeitas à sistemática anterior, ou seja, sob incidência cumulativa do PIS e da COFINS, sem direito a créditos e sem alteração de alíquota, um extenso rol de receitas percebidas pelas pessoas jurídicas, listadas em seu art. 10, dentre as quais se incluem as receitas auferidas pela ora impugnante [...]. Fl. 3575DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.576 9 Assim, verificase que a Lei n° 10.833, de 2003, em seu art. 10,estabelece as receitas percebidas pelas pessoas jurídicas que devem ser excluídas da sistemática da nãocumulatividade, dentre as quais, na alínea "b" do inciso XI e no inciso XX, encontramse listadas as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, e as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil.a mesma regra encontra aplicabilidade para a contribuição ao PIS, conforme dispõe o inciso V, do artigo l5, da mesma lei. Dessa forma, em virtude de as receitas da ora impugnante se enquadrarem nos dispositivos legais acima transcritos é imperioso que se reconheça a impropriedade em que incorreu a fiscalização ao tributar referidas receitas utilizando as regras da sistemática da nãocumulatividade. Conclui que: Pelo exposto, requer, o integral provimento deste recurso voluntário com a consequente declaração de insubsistência do remanescente lançamento dos créditos tributários litigiosos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica. Estes atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 3576DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.577 10 O Auto de Infração foi lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do crédito tributário de Cofins constituído pelo lançamento de ofício. O lançamento de Cofins é decorrente das exigências de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) formalizadas no processo nº 10380.014657/200765, que se encontra com o regular julgamento do litígio instaurado em segunda instância de acordo com o Acórdão 1ª TO/1ª Câmara/1ª SJ nº 1101000935, de 10.09.2013, fls. 35363554 e ainda com o Recuso Especial oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), fls. 35553567, em que questiona o reconhecimento da decadência dos primeiro e terceiro trimestres do anocalendário de 2002. Tem cabimento transcrever o Voto condutor do Acórdão 1ª TO/1ª Câmara/1ª SJ nº 1101000935, de 10.09.2013, fls. 35363554: Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo, consoante atesta o despacho de encaminhamento de fls. 4140, de modo que imperioso o seu conhecimento. Tendo em vista o quanto decidido pela DRJ – e dada a não interposição de Recurso de Ofício –, discutese unicamente a fração do lançamento atinente à suposta omissão de receitas de Taxa de Administração de Obras conduzidas pela autuada. De acordo com a fiscalização, a autuada não ofereceu à tributação as receitas correspondentes à aplicação do percentual de 12% sobre uma série de despesas dos condomínios, despesas essas pagas tanto com recursos da conta bancária da contribuinte quanto com recursos das próprias contas dos condomínios. Inicialmente, rejeito a preliminar suscitada pelo ora Recorrente, eis que não visualizo o pretenso desprezo à verdade material suscitado pelo sujeito passivo. Com efeito, as autuações imputam à Recorrente a omissão de receitas aqui controvertida em decorrência das avenças existentes, que atestam inequivocamente 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 3577DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.578 11 que o sujeito passivo faria jus à Taxa de Administração de 12% sobre o custo global das obras que administrava. Assim sendo – e a não ser que haja prova em contrário –, o fato de haver algum dispêndio atinente a tais obras acarretava o nascimento de um direito creditório em favor da construtora, direito creditório esse cujo advento importa reconhecimento contábil de receita, ante a imperiosidade do regime de competência na situação em vergaste. O lançamento, na única fração que ainda é controvertida, cingese a inequívocos dispêndios com os condomínios – arcados pela conta bancária da Recorrente ou pelas contas dos próprios condomínios –, que, apesar de tal circunstância, não compuseram a base da Taxa de Administração em testilha, exclusão essa que se não coaduna com os termos das avenças firmadas com os condomínios. Frisese que não há dúvidas de que todos os ingressos aqui discutidos são oriundos dos condôminos – circunstância essa afirmada pelo contribuinte e aceita pela fiscalização –, inexistindo dúvida também no que tange ao emprego desses valores, que foram utilizados em prol das edificações. Tais assertivas demonstram que, hialinamente, o labor fiscal foi no sentido de cotejar os inequívocos fatos com as previsões contratuais – induvidosos gastos com os condomínios e receita empresarial calculada a partir do custo global –, donde – frisese, por essencial: a não ser que houvesse prova em sentido contrário – obviamente emergiria a receita tributável, base das exigências aqui encerradas. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Em relação ao mérito, penso que o Recurso Voluntário deve ser parcialmente provido. Com efeito, no que tange à pretensa inexistência de receitas derivadas de dispêndios com os condomínios antes que esses estivessem formalmente constituídos –argumentação atinente aos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill –, entendo que não tem razão o sujeito passivo. Deveras, os próprios atos constitutivos desses condomínios atestam que, ao tempo dessa constituição formal, os terrenos nos quais seriam edificadas as construções já tinham sido adquiridos, sendo que o próprio contribuinte admite que a existência de sua conta transitória deviase também ao fato da necessidade de pagamento de despesas antes dessa formalização. Ora, os valores aqui discutidos são oriundos dos próprios condôminos e foram empregados em benefício do condomínio, inexistindo qualquer elemento que leve a afastar o entendimento de que tais dispêndios integram o custo global das ditas obras, e isso ainda que incorridos antes da constituição formal dos condomínios. A corroborar esse entendimento, temse que, em situação parecida, logrou o contribuinte trazer aos autos um elemento que, salvo melhor juízo, mostrase determinante, a saber, a declaração prestada pelo Condomínio Mucuripe Plaza (fl. 914) no sentido de que certos gastos anteriores à constituição do condomínio não compuseram o custo global da obra, razão pela qual não ensejaram a taxa de administração à Recorrente. No caso do Condomínio Mucuripe Plaza – ao contrário dos casos dos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill –, existe o elemento que dá suporte às Fl. 3578DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.579 12 afirmações de préoperacionalidade das despesas discutidas, prestadas pelos próprio condomínio, que, entendo, jamais declararia à Receita Federal que não pagou uma quantia efetivamente desembolsada. Esse o discrimen entre as duas situações, a determinar a procedência dos lançamentos em relação às despesas dos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill, e a improcedência no que tange ao Mucuripe Plaza. Em relação aos Condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko, entendo que devem ser mantidos os lançamentos fiscais. De fato, o contribuinte trouxe aos autos acordos firmados com tais condomínios no sentido de que a Recorrente apenas receberia os valores correspondentes às taxas de administração quando da alienação de todas as unidades. A validade desse acordo não pode ser questionada. Contudo, tais avenças – que postergam o recebimento das taxas de administração por parte da Recorrente – não têm o condão de afastar a aplicação do regime de competência a que está submetida a autuada, de modo que, em se perfectibilizando a situação que dá origem ao crédito da Recorrente em desfavor dos condomínios, de rigor o reconhecimento das correspondentes receitas, sendo que os ditos créditos surgem à medida que os custos da construção se materializam (leiase, à medida em que são feitos dispêndios com a obra). Salientese que a empresa alega, em seu Recurso Voluntário, que certas desses pagamentos postergados de taxa de administração sequer tinham tido lugar ao tempo da interposição do recurso. É o que se depreende da leitura do seguinte trecho, constante desse inconformismo, litteris: No curso da ação fiscal, em resposta a Termo de Intimação específico, a fiscalizada informou o montante que havia faturado, bem como identificou a sua expectativa de faturamento futuro, fato, naquele momento, ainda pendente da anuência de cada uma das Comissões de Representantes dos respectivos condomínios, portanto, meras contingências. Com o passar do tempo, essa expectativa de faturamento não se confirmou. (fl. 4.094; sem grifos no original) A ser correta a assertiva da contribuinte, ela só teria que reconhecer as receitas da taxa de administração ao tempo do seu pagamento, o que significaria dizer que ela poderia convencionar acerca do regime de competência, de modo a vir a ser regida pelo regime de caixa, o que não pode prosperar. Por fim, penso que o contribuinte tem razão em relação às despesas atinentes aos Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco. Quanto a esses, há nos autos declarações de cada um dos condomínios atestando que teria havido majorações no custo global das obras, sendo que a Recorrente não teria feito jus à taxa de administração em relação a esses gastos suplementares e em relação aos valores residuais, que correspondem a dispêndios realizados após a entrega das obras. A exemplo do que se passa em relação ao Condomínio Mucuripe Plaza, entendo que tais declarações são contundentes e não podem ser desprezadas, os Fl. 3579DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.580 13 condomínios não declarariam à Receita Federal que não desembolsaram valores vertidos à Recorrente pelos serviços prestados. Nada obstante, as despesas do mês de junho/2002 não são alcançadas pelas declarações prestadas pelos condomínios Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco, de modo que a exigência sobre elas deve prevalecer. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as exigências atinentes às despesas havidas com o Condomínio Mucuripe Plaza, Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco – ressalvadas, quanto aos dois últimos, as despesas atinentes ao mês de junho/2002, sobre as quais incide a Taxa de Administração. Deve ser refeita a compensação de prejuízos apurados até 2001, para que, obedecendo aos limites percentuais normativamente previstos, seja ajustada ao resultado deste julgamento. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autuada trabalha com construção de imóveis sob o regime de administração, cuja taxa de administração, fixada em contrato, é cobrada sobre todos os gastos reais mensais da obra, conforme por ela declarado às fls. 62/65. Os agentes fiscais identificaram conta bancária por ela mantida e não contabilizada. Intimada, a contribuinte identificou todos os depósitos como tendo sido feitos pelos proprietários dos prédios (condomínios) em construção. Informou também, à fiscalização, as transferências feitas a partir daquela conta para os condomínios de 2002 a 2004, bem como os pagamentos efetuados diretamente, relativos a compras destes condomínios (fls. 74/102). A autoridade fiscal tomou por referência os depósitos bancários não contabilizados excluídos das transferências e dos pagamentos de despesas de construção dos condomínios, apurando os recurso, dessa conta bancária, utilizados sem identificação de finalidade. E, a partir deles, considerou que a empresa utilizou, em benefício próprio, apenas os 12% acordados nas atas de constituição dos condomínios. Registrou, ainda, que a autuada somente reconheceu como receitas as comissões de administração referentes aos custos e despesas pagos com cheques emitidos pelos condomínios, silenciando sobre a parte que permanecia na conta da Construtora e que era utilizada para o pagamento de custos e despesas das construções ou que tinha qualquer outro destino. Intimada a demonstrar as transferências feitas para cada um dos condomínios, bem como as despesas mensais de cada um deles (fl. 72), a contribuinte indicou nos demonstrativos de fls. 97/103 as despesas e custos gerais de construções pagos a partir da conta bancária da CCB, e a receita não faturada, correspondente a 12% do primeiro montante. No anocalendário 2002, a autuação teve em conta a receita não faturada calculada naqueles demonstrativos pela contribuinte (R$305.287,95 = R$ Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.581 14 2.544.066,25 x 12%), bem como a parcela de R$ 25.960,50, equivalente a 12% de outros depósitos também utilizados pela contribuinte naquele período mas não identificados pela fiscalizada. Nos anoscalendário 2003 e 2004, as receitas omitidas totalizaram R$740.678,73 e R$604.583,33, como informado pela contribuinte às fls. 106/108, e foram acrescidas da parcelas R$117.889,48 e R$148.465,40, também em razão de despesas não identificadas, consoante cálculos da Fiscalização às fls. 110/111. Impugnando a exigência, a contribuinte alegou, dentre outros aspectos, que restou acorda entre a construtora e os condôminos que estes cobririam o rateio das unidades remanescentes (não vendidas) e a CCB não cobraria taxa de administração naquele momento, até que todas as unidades fossem vendidas, ou na medida de saldo disponível de caixa, sendo feito um “acerto de contas” ao final do empreendimento e conclusão das vendas. Observou que no caso do Condomínio Santiago de Compostela a taxa aplicada foi inferior à contratada e no caso do Condomínio Emílio Hinko não houve qualquer pagamento de taxa, por ainda possuir unidades à venda. Mais à frente, enfatizou que os valores informados à Fiscalização corresponderiam a valor a faturar no futuro, e abordou o procedimento a ser observado para faturamento em face dos condomínios. A Turma Julgadora de 1ª instância reconheceu a decadência das exigências pertinentes ao 1º e 3º trimestres/2002, dado que no 2º trimestre/2002 não foram apurados recolhimentos. A recorrente não reitera a argüição de decadência, mas tratandose de matéria de ordem pública, entendo que devem ser afastadas, também, as exigências verificadas no 2º trimestre/2002, dado que os recolhimentos somente não se verificaram porque houve a apuração de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, consoante consta às fl. 598verso e 601verso, correspondentes à reprodução da DIPJ apresentada pela contribuinte. Esclareço que esta conclusão é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.582 15 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraio deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Vejo claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.583 16 orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como é possível inferir a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4ª do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindo aqui a livre convicção acerca de sua definição. Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, dentre os quais se insere a recorrente, ao optarem pela apuração do lucro real anual. Cumprelhes escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o lucro real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a base de cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. No cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL. Neste caso, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. E isto porque há uma situação intermediária na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja feito se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. E, para esta hipótese intermediária, não vejo como negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. Por tais razões, encerrado o período de apuração em 30/06/2002, tinha o Fisco a possibilidade de constituir o crédito tributário não recolhido até 30/06/2007, motivo pelo qual DECLARO a decadência do crédito tributário constituído em 30/11/2007. Em conseqüência, restabeleço para a interessada o prejuízo fiscal de R$1.529,34 originalmente apurados pela contribuinte, bem como o prejuízo fiscal de R$25.485,26 e a base de cálculo negativa de R$25.945,07 utilizados pela autoridade julgadora para reduzir as exigências, inclusive permitindo sua utilização em períodos subseqüentes autuados, caso mantidas as demais exigências. Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.584 17 A Turma Julgadora também cancelou as exigências sobre as receitas presumidas a partir das despesas não identificadas. Excluiu da base de cálculo as parcelas de R$25.960,50 em 2002; R$117.889,48 em 2003; e R$148.465,40 em 2004 acolhendo os argumentos da interessada contra a presunção construída pela Fiscalização, e complementando que em caso de despesas não identificadas, o lançamento deveria ter sido fundamentado no art. 61 da Lei nº 8.981/95. Além disso, como já antes apontado, embora mantendo as demais infrações imputadas à interessada, a autoridade julgadora de 1ª instância admitiu a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados até 31/12/2001, reduzindo não só as exigências do 2º trimestre/2002, como também do 1º ao 3º trimestre/2003 e no 1º trimestre/2004, no que tange ao IRPJ, e do 4º trimestre/2002 a 2º trimestre/2003 relativamente à CSLL. As demais exigências foram mantidas especialmente porque: A ata de constituição dos condomínios fixam a taxa de administração para construção do edifício residencial em 12% do custo global de construção, e estipulam seu pagamento até o terceiro dia útil do mês seguinte àquele a que se referem as despesas; A contribuinte não justificou o por quê da não contabilização da conta; As receitas deveriam ter sido reconhecidas em observância ao regime de competência, em conformidade com o progresso das obras, quando verificada a disponibilidade jurídica da receita calculada a partir dos serviços praticados; Ainda que comprovado tratarse de dispêndios préoperacionais, estes ensejariam a taxa de administração, porque inseridos no valor global da obra; A celebração de acordos com os condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko para diferir o pagamento da taxa de administração não pode prevalecer ante a aplicabilidade do regime de competência, até porque não foi demonstrado em que momento as receitas diferidas teriam sido oferecidas à tributação; Ofenderia a praxe de mercado a afirmação de que a partir do 2º semestre de 2002 não mais incidiu a taxa de administração sobre os valores que não se enquadravam no orçamento original previsto para os Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco. Se houve trabalho prestado, sobre ele deveria se reconhecida a disponibilidade jurídica da renda, ainda que o seu posterior não recebimento pudesse ensejar outros reflexos contábeis. Frente a este cenário, preliminarmente acompanho o I. Relator em suas razões para REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento. Acrescento, apenas, que a motivação da exigência não foi a inobservância do regime de competência, e a abordagem do voto condutor do acórdão recorrido neste sentido decorreu da alegação incomprovada da impugnante de que as receitas teriam sido diferidas para recebimento em momento futuro. A acusação fiscal está fundamentada na constatação de receitas que não foram faturadas no momento em que despesas foram incorridas para execução das obras em referência. Logo, se há justificativa para estas receitas competirem a período futuro, e não àqueles autuados, esta matéria toca ao mérito da exigência e será mais à frente apreciada. Quanto às alegadas despesas préoperacionais, as justificativas apresentadas pelo I. Relator para rejeitálas em relação aos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill, além de suportadas nos atos constitutivos dos condomínios, também Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.585 18 encontram amparo especificamente no art. 6º, parágrafo único, daqueles atos, que estabelecem o cálculo da taxa de administração a partir do custo global da construção, sem restringir a base de cálculo aos valores empenhados após a constituição do Condomínio. Ademais, o Artigo Quarto da Ata de Constituição dos Condomínios evidencia a existência de um orçamento inicial da obra elaborado em momento passado (março/2001 para o Condomínio Maison Cheverny e janeiro/2003 para o Condomínio Notting Hill), a partir do qual foram fixadas as contribuições dos condôminos, a vincular a autuada à execução da obra deste então. Acrescento que não se verifica, no caso, presunção de omissão de receitas, mas sim de receitas comprovadas pela Ata de Constituição dos Condomínios e pelo reconhecimento de que despesas foram incorridas nas correspondentes obras, o que traduz disponibilidade jurídica de renda em favor da autuada, equivalente a 12% daqueles gastos. Assim, também voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às receitas omitidas em razão de taxas de administração devidas pelos Condomínios Maison Cheverny e Notting Hill. Já com referência ao Condomínio Mucuripe Plaza, o I. Relator exonera a exigência em razão do documento que integra a fl. 808 dos autos (digitalizada à fl. 918), no qual José Nasser Hissa e Francisco Nasser Hissa, afirmandose integrantes da Comissão de Representantes do Condomínio Mucuripe Plaza, declaram a pedido da autuada: Que a CCB, administradora da obra sob o regime de Administração a Preço de Custo, fez jus à remuneração de 12% dos custos da obra por todo o período de execução, de 2004 a 2006, exceto nos meses de janeiro a março de 2004, período em que embora tenham sido incorridos algumas despesas, as mesmas foram consideradas despesas préoperacionais por terem sido ocorridas antes do início da obra e até mesmo antes da abertura do CNPJ de número 06.133.836/000140 que é datado de 10 de março de 2004 [...]. Não tendo sido reconhecido qualquer serviço prestado pela CCB ao condomínio naquele período que justificasse a remuneração da taxa de administração. Esta informação, ora prestada, sem dúvida está respaldada na total ausência de emissão de faturas por parte da Construtora bem como ausências de emissão de Nota Fiscal de Serviço neste período. Inicialmente registro que a Ata de Constituição do Condomínio acusa Francisco Nasser Hissa como membro da Comissão de Representantes, e José Nasser Hissa apenas como suplente. Indica como presidente da Comissão e Síndica Andréa Rios de Alencar, que não subscreve a referida declaração. Naquele ato, Andréa Rios de Alencar foi representada por Francisco Abner Peixoto de Alencar, que está indicado na subscrição da declaração em referência, mas não a assinou. Além disso, a Ata de Constituição do Condomínio atribui à Comissão de Representantes o poder de representação, de onde se infere que a declaração deveria ser firmada por todos os integrantes da comissão. Para além disso, a contribuinte informou à fl. 108 a existência de receita a faturar em face do Condomínio Mucuripe Plaza nos valores de R$6.474,58 em janeiro/2004, R$3.914,22 em fevereiro/2004 e R$39.459,12 em março/2004. A partir daí a planilha está zerada, de onde se infere que todas as receitas foram faturadas, mormente tendo em conta que a decisão recorrida afastou a omissão de receita residual imputada pela Fiscalização nos meses de dezembro de cada ano. Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.586 19 O documento de fl. 807 indica a abertura da inscrição do Condomínio no CNPJ em 10/03/2004. A Ata de Constituição do Condomínio decorre de assembléia realizada em 15/12/2003, mas segundo carimbo do Registro de Títulos e Documentos foi apresentada para registro em 10/03/2004. Contudo, o artigo oitavo da Ata diz que em 15/12/2003 foi apresentado orçamento geral atualizado de custo da obra, e que a variação entre este e o orçamento original foi aceita por todos os condôminos. Por sua vez, o artigo nono fixa a obrigação de pagamento da taxa de administração até o quinto dia útil do mês subseqüente àquele a que se refere a despesa. Assim, alinho meu entendimento àquele expresso pela autoridade julgadora de 1ª instância: se tais recursos foram pagos para fazer face a despesas dos condomínios, como afirmado pela litigante durante a auditoria fiscal, não há dúvida de que sobre os mesmos incidiu a taxa de administração de 12%, consoante cláusula contratual estabelecida em todas as atas de constituição dos condomínios. Por tais razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário também em relação às receitas vinculadas ao Condomínio Mucuripe Plaza. Quanto aos Condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko, acompanho o I. Relator porque vislumbro no acordo abaixo transcrito apenas a postergação do recebimento das receitas, e não do direito da autuada à correspondente receita: A Comissão de Representantes do Condomínio Edifício Santiago de Compostela, investida das atribuições de representar os interesses de todos os condôminos, vem por meio desta requerer de V.Sa., que tendo em vista que o Condomínio, ora está sendo instalado sem que todas as unidades estejam vendidas e vendidas sejam por nos custeadas ate a efetiva venda e ainda tendo em vista que é que diante do pleito dessa Construtora de que nessas 8 (oito) unidades ainda vendidas sejam por nós custeadas até a efetiva venda e ainda tendo em vista que é sabida a adesão insuficiente de alguns últimos condôminos adquirentes que ainda não atingiram o grau médio de contribuição, para se dar inicio às obras de forma segura e continuada e tendo sido solicitado por essa construtora um aumento na quota, para fazer compensar essas faltas. Essa comissão propõe à CCB a diminuição do ritmo das obras, bem como a postergação do pagamento da taxa de administração da Construtora. Essa proposta revestese de sentido prático, vista que em contato com diversos condôminos sentimos a inviabilidade desse adicional para cobrir as unidades não vendidas bem como os déficits das adesões recentes, mesmo sabendo que esses valores serão a nós ressarcidos, no faturo por ocasião das vendas das unidades remanescentes. Em aceitando a nossa proposta evitaríamos possível discussão judicial, ficando o acerto da remuneração da obra para após a viabilidade de CAIXA e vendidas todas as unidades autônomas. Observo, ainda, que a recorrente também menciona, aqui, a imputação de receitas anteriores à constituição do Condomínio, argumento que não merece acolhida pelas razões antes expostas. Desta forma, também NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às receitas decorrentes das obras nos Condomínios Santiago de Compostela e Emílio Hinko. Por fim, o I. Relator propõe a exclusão de parte das receitas vinculadas aos Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco em razão Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.587 20 das declarações juntadas aos autos atestando que em razão das majorações no custo global das obras, a recorrente não teria feito jus à taxa de administração em relação a esses gastos suplementares e em relação aos valores residuais, que correspondem a dispêndios realizados após a entrega das obras. A declaração referente ao Condomínio Forest Hill consta à fl. 731 nos seguintes termos: Que a CCB fez jus à remuneração de 12% dos custos da obra por todo o período de execução, exceto no período posterior a julho de 2002, até o final da obra em 31 de janeiro de 2003, por terem sido despesas incorridas acima do valor do orçamento, aprovado no inicio da obra, gerando um aumento do custo da obra de cerca de 5% (cinco por cento). Houve, portanto de julho de 2002 até 31 de janeiro de 2003 despesas adicionais de obra e seus reflexos residuais ate junho de 2003, sem que houvesse o reconhecimento do trabalho da CCB por serem estes gastos considerados um"PLUS" ao orçamento original e por ter sido entendido como mínimo o trabalho prestado pela Construtora nesta fase final da obra. Esta informação ora prestada, sem dúvida está respaldada na total ausência de emissão de faturas por parte da Construtora, ausências de emissão de Nota Fiscal de Serviço neste período, bem como esses fatos se encontram escriturados na contabilidade do Condomínio registrado à época da construção [...]. A declaração está assinada por Carlos Roberto Barroso Bessa e Marcos Costa Oliveira. Vera Mamede Acioly consta da subscrição, mas não assinou o documento. De outro lado, estas três pessoas compõem a Comissão de Representantes do Condomínio, e Marcos Costa de Oliveira está indicado como Síndico. Assim, referida declaração pode ser admitida. Quanto ao seu conteúdo, observo que os condôminos estavam obrigados ao pagamento de parcelas calculadas a partir de um orçamento inicial da obra elaborado em abril/99, corrigidos mensalmente pelo INCC, mas arcariam com tudo aquilo que disser respeito à construção em si, suportando os encargos da obra dentro do fator de proporcionalidade da fração ideal do terreno. A remuneração da construção, por sua vez, seria calculada sobre o custo global da construção, inexistindo qualquer disposição específica acerca dos gastos que excedessem o valor orçado originalmente, ou que fossem realizados depois da alegada inauguração do edifício, que a recorrente pretende provar por meio de imagem da placa que estaria afixada no prédio. Assim, é razoável admitir que esta omissão fosse decidida pela Assembléia Geral do Condomínio, acordandose que a recorrente não faria jus à remuneração sobre as parcelas que excedessem o custo da obra. Todavia, este ajuste não se prova mediante declaração do Condomínio, mas sim por meio de Ata de Assembléia. Na medida em que os gastos com a obra foram realizados pela interessada, em princípio vigora a Ata da Assembléia Geral de Constituição do Condomínio que obrigava os condôminos a remunerála pelo serviço. Se houve um acordo informal que dispensou os obrigados deste recolhimento, ele não se presta a desconstituir a receita auferida com a execução da obra, e poderia apenas ensejar o reconhecimento posterior de uma perda, desde que devidamente provado. Quanto aos gastos incorridos depois da inauguração do edifício, a imagem da placa a ele afixada não permite afirmar que a construção foi concluída. Esperado seria, ao menos, a apresentação do “Habitese” para suportar esta alegação. Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.588 21 As declarações prestadas pelo Condomínio Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco estão assinadas por pessoas que integravam a Comissão de Representantes dos Condôminos, sendo um deles o Síndico nomeado. Contudo, seu teor e as deliberações expressas na Ata de Constituição do Condomínio são idênticas àquelas abordadas em relação ao Condomínio Forest Hill. Por estas razões, divirjo do I. Relator e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às receitas vinculadas aos Condomínios Forest Hill, Regina Castelo Branco e Ruy Castelo Branco. Ao final, portanto, em razão da declaração da decadência do crédito tributário lançado no 2º trimestre/2002, admito que o prejuízo fiscal originalmente apurado no 2º trimestre/2002 (R$1.529,34), bem como o prejuízo fiscal utilizado para reduzir a infração daquele período (R$25.485,26), sejam utilizados até o limite legal de 30% para compensação com o lucro real apurado pela Fiscalização a partir do 2º trimestre/2003, quando esgotada a utilização, pela autoridade julgadora de 1a instância, dos saldos acumulados até 31/12/2001. Quanto à base de cálculo negativa utilizada para reduzir a incidência de CSLL no 2º trimestre/2002 (R$25.486,27) sua utilização também se torna possível, pelas mesmas razões, a partir do 2º trimestre/2003. Em conseqüência, os quadros finais da decisão recorrida, evidenciando o crédito tributário remanescente nestes autos, são assim reconstituídos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) PA Receita Omitida Prejuízo DIPJ Prejuízo Per. Anteriores Vl a Tributar Imposto Adicional Total Devido 4º trim/2002 303.904,19 91.171,26 212.732,93 31.909,94 15.800,89 47.710,83 1º trim/2003 179.065,94 1.501,46 53.269,34 124.295,14 18.644,27 6.429,51 25.073,78 2º trim/2003 236.744,27 18.963,69 65.334,17 152.446,41 22.866,96 9.244,64 32.111,60 3º trim/2003 206.622,04 27.301,43 20.936,55 158.384,06 23.757,61 9.838,41 33.596,01 4º trim/2003 215.021,04 215.021,04 32.253,16 21.502,10 53.755,26 1º trim/2004 221.265,94 39.041,55 182.224,39 27.333,66 12.222,44 39.556,10 2º trim/2004 102.393,60 102.393,60 15.359,04 10.108,90 25.467,94 3º trim/2004 151.826,90 151.826,90 22.774,04 15.182,69 37.956,73 4º trim/2004 462.727,66 462.727,66 69.409,15 41.304,01 110.713,16 Totais 2.079.571,58 86.808,13 230.711,33 1.762.052,12 264.307,82 41.304,01 405.941,41 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) PA Receita Omitida BC Negativa CSLL Adicional Total Devido 4º trim/2002 303.904,19 91.171,26 17.018,63 2.127,33 19.145,96 1º trim/2003 179.065,94 53.719,78 11.281,15 11.281,15 2º trim/2003 236.744,27 71.023,28 14.914,89 14.914,89 3º trim/2003 206.622,04 21.139,90 16.693,39 16.693,39 4º trim/2003 215.021,04 19.351,89 19.351,89 1º trim/2004 221.265,94 19.913,93 19.913,93 2º trim/2004 102.393,60 9.215,42 9.215,42 3º trim/2004 151.826,90 13.664,42 13.664,42 4º trim/2004 462.727,66 41.645,49 41.645,49 Totais 2.079.571,58 237.054,22 163.699,23 2.127,33 165.826,56 Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.589 22 Os sistemas de controle de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL devem ser ajustados para: 1) restabelecer o prejuízo declarado no 2º trimestre/2002, no valor de R$1.529,34; 2) desconstituir, no 2º trimestre/2002, a compensação de prejuízos fiscais no valor de R$25.486,27 e de bases negativas no valor de R$25.945,07; 3) destinar o valor assim disponibilizado para aumentar a compensação de prejuízos fiscais no 2º e 3º trimestres/2003 e de base negativa de CSLL nos 2º e 3º trimestres/2003, nos valores acima indicados. É como voto. (documento assinado digitalmente) Voto Vencedor EDELI PEREIRA BESSA Conselheira O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 2. Os lançamentos de PIS e de COFINS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados às exigências de CSLL e de IRPJ. Temse que nos estritos termos legais que aos procedimentos ficais não cabe qualquer reparo, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, a Recorrente apresenta razões em especial, que “não podem prosperar a exigência da contribuição para o PIS, fatos geradores de dezembro de 2002 a abril de 2004, nem a exigência da Cofins, fatos geradores de fevereiro de 2004 a abril de 2004, porque lançadas sob a sistemática da não cumulatividade inserida no ordenamento jurídico pátrio por intermédio das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003”. O Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; Um dos elementos do ato administrativo é a competência, que é a condição primeira para a validade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticálo, sob pena de nulidade. Nesse sentido, 2 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.014650/200743 Acórdão n.º 1803002.303 S1TE03 Fl. 3.590 23 em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, deve ser declinada a competência de julgamento à 3º Seção/CARF. Em assim sucedendo, voto por: (1) negar provimento ao recurso voluntário, em relação à matéria do IRPJ e da CSLL decorrente do processo nº 10380.014657/200765 e (2) em relação à matéria diferenciada e específica de Cofins, declinar a competência de julgamento à 3º Seção, nos termos do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15540.000306/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório do Relator.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Carlos de Figueiredo Neto- Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório do Relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ João Carlos de Figueiredo Neto- Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório do Relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .0 00 30 6/ 20 07 -1 9 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.616 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão no. 1224.531 (fls. 1421/1431) proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), em sessão de 10 de junho de 2009, que, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo, com isto, o prejuízo fiscal declarado (IRPJ) e a base de cálculo negativa da CSLL. Em suma, o ato inaugural deste processo foi a lavratura do auto de infração pela DRF Niterói (RJ), anocalendário 2002, que consistiu no ajuste do prejuízo fiscal (do IRPJ) e da base de cálculo negativa (da CSLL) no montante de R$ 3.009.993,09 (fls. 13/16) através da glosa de determinados valores. Importante citar primeiro que a Recorrente teve suas contas relativas ao ano calendário de 1998 fiscalizadas, resultando no Processo Administrativo n° 10730.003796/200312, já julgado pela Quinta Câmara do Conselho de Contribuintes, através do Acórdão no. 10517.247, em sessão de 15/10/2008 (fls. 1383). Naquele processo, que ainda carece de apreciação de Recurso da Recorrente à Câmara Superior, restou apreciado que esta não comprovou empréstimos obtidos perante a empresa Tozzco / Brasnefro e perante a NMC do Brasil Ltda. Referidos valores continuam mantidos em seu balanço estando sujeitos a variação de juros. A fiscalização retornou a apreciar as contas da Recorrente e, conseqüentemente, lavrou auto de infração em decorrência de efeitos continuados. O Acórdão ora combatido foi assim fundamentado pela autoridade fiscalizadora (fls. 1.423): “2.1 Custos ou despesas não comprovadas (R$ 418.350,01) – para comprovação dos pagamentos à empresa Morita Importação e Exportação Ltda, o interessado apresentou notas fiscaisfaturas, sendo que grande parte delas constituídas de outras vias que não as lª vias e de cópias. Não apresentou as duplicatas ou qualquer outro documento comprovando a quitação dos valores contabilizados. 2.2 Glosa de despesas financeiras (R$ 2.591.643,08) – despesas financeiras referentes a empréstimos não comprovados em fiscalização anterior (processo n°10730.003796/200312), sendo R$ 485.993,28 da Brasnefro Participações Ltda (antiga Tozzco Participações S/C Ltda) e R$ 2.105.649,80 da NMC do Brasil Ltda.” Os integrantes da DRJ/RJ1, por unanimidade, julgaram procedentes em parte os lançamentos, ou seja, mantiveram a glosa de despesas financeiras no valor de R$ 485.993,28, conseqüentemente o prejuízo fiscal declarado (IRPJ) ficou alterado de R$ 4.560.072,32 (fl. 22) para R$4.074.079,04, igual valor para a base negativa da CSLL (fls. 1.427/8). Os fundamentos apresentados no Acórdão combatido (nº 1224.531), para redução do auto de infração, podem ser assim resumidos (Fls. 1421/1.431): Custos ou despesas não comprovadas R$ 418.350,01 (fls. 1426) O fiscal deveria ter demonstrado o efeito no resultado de transferir valores que estavam no ativo; a despeito de o contribuinte não ter apresentado a 1ª via da NF, apresentou as demais que possuem valor jurídico; a dedutibilidade de custo ou despesa independe de pagamento; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.617 3 o lançamento realizado não foi acertado, tornandoo inapto e incerto, ocasionando, portanto, sua inexigibilidade. Glosa de despesas financeiras “não cabe nova apreciação do passivo com a Brasnefro, pois significaria rever o acórdão do Conselho de Contribuintes [Processo no. 10730.003796/200312,]. Em sendo assim, se este passivo é ficto, a respectiva despesa financeira, de R$ 485.993,28, deve ser glosada.” (fls. 1427). “Por outro lado, o passivo e a despesa financeira do empréstimo com a NMC será apreciado, visto que no lançamento anterior não houve exame de documentos (a matéria foi considerada preclusa, por falta de questionamento à primeira instância)”. “Com relação a estes empréstimos (da NMC – valor de R$ 2.105.649,80), os documentos juntados às fls. 673/688 comprovam a existência do passivo, não se justificando a autuação.” (fls. 1427). assim, mantida a glosa da despesa financeira com a Brasnefro no valor de R$ 485.993,28; logo, o prejuízo fiscal declarado (IRPJ) fica alterado de R$ 4.560.072,32 (fl. 22) para R$ 4.074.079,04.” (fls.. 1427). CSLL “Na apreciação dos documentos relativos aos empréstimos com a Brasnefro, o Conselho de Contribuintes considerou o passivo ficto. Ora, se inexiste contabilmente o passivo, consequentemente inexiste a despesa financeira e o resultado apurado pelo interessado deve ser ajustado, excluindose tal despesa. Se assim não fosse, estaria fazendo da legislação comercial tabula rasa, ou seja, qualquer valor poderia ser contabilizado sem qualquer compromisso com a verdade. Portanto, com a glosa da despesa financeira, no valor de R$ 485.993,28, a base de cálculo negativa da CSLL declarada (fl. 32) fica alterada de R$ 4.560.072,32 para R$ 4.074.079,04.” (fls. 1428) Intimada a Recorrente em data de 20/07/2009 via AR. (fls. 1603), apresentou Recurso Voluntário em data de 19/08/2009 (fls. 1607 e segs.). No recurso interposto pelo contribuinte, foram apresentadas as seguintes razões para reforma do capítulo do Acórdão nº 1224.531, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, referente à glosa de despesas financeiras no valor de R$ 485.993,28: Da nulidade do acórdão recorrido a) “ainda que ambos os processos tratem de matérias relacionadas, a análise do conjunto de argumentos e provas constituído no presente processo administrativo não tem qualquer relação de dependência com o primeiro e, justamente por este motivo, deve haver sua necessária apreciação.” Fl. 1.613; b) “Tanto isto é verdade, que, se, ao contrário, o primeiro lançamento tivesse sido cancelado pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, a exigência feita nestes autos não estaria automaticamente afastada, podendo ser, inclusive, proferida decisão no sentido de sua manutenção.” Fl. 1.613; c) “Não é demais lembrar que o resultado obtido nos autos daquele processo administrativo deveuse, em grande parte, ao fato de que a apresentação das provas para o afastamento da exigência ocorreu apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o que acabou por interferir na sua correta apreciação.” Fl. 1.614; d) “Ademais, não se deve olvidar que a decisão proferida nos autos daquele processo administrativo não é definitiva, tendo em vista que, além de não ter a Fl. 856DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.618 4 Recorrente sido formalmente dela intimada, ainda poderá apresentar recursos para a sua reforma.” Fl. 1.615; e) “a Recorrente ainda poderá dispor de todos os recursos previstos na legislação para a sua reforma, bem como poderá discutir judicialmente a exigência.” Fl. 1.615; f) Alega que, pelos motivos acima elencados, “a e. Turma Julgadora incorreu na nulidade prevista pelo art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72”; g) Pediu, por fim, a anulação do acórdão no capítulo referente à “à glosa de despesas financeiras relativas à empresa Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.), para que outro seja proferido, analisandose os documentos apresentados.” Fl. 1.616; No mérito h) Cita que, no processo administrativo nº 10730.003796/200312, houve entendimento por parte da Fazenda que a Brasnefro Participações Ltda. e a ora recorrente eram a mesma pessoa jurídica; Fl. 1.617; i) Em face dos documentos apresentados pela Recorrente em sua impugnação, não é possível manterse tal conclusão, pois possuem CNPJ diferentes, objetos sociais diferentes, endereços diferentes, etc.” Fl. 1.617; j) Alega que, por ausência de previsão legal, não há como pretender aplicar à CSLL às disposições da legislação do IRPJ para fins de glosa de despesas não comprovadas (Fl. 1.621). Invoca o art. 5º, II, da CF/88, os arts. 97 e 108, do CTN, a Lei nº 7.689/88 e a Instrução Normativa nº 390/04; k) A fiscalização procedeu à glosa de despesas no valor de R$ 485.993,28, objeto de juros incorridos no exercício 2002, incidente sobre o valor total de R$ 4.275.378,61, composto de (Fl. 1.624): Pessoa Jurídica Valor Operação Conta Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 1.861.343,00 Empréstimo 2.1.1.13.007 Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 1.476.101,89 Cessão de direitos e obrigações 2.1.1.13.007 Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 125.020,00 Empréstimo 2.1.1.13.007 Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) R$ 812.913,72 Empréstimo 2.1.1.13.007 TOTAL R$ 4.275.378,61 l) Alega que o passivo não é fictício, e apresenta informações e documentos. Da não liquidação dos empréstimos Os passivos permanecem em aberto, “em virtude dos investimentos que tiveram que ser realizados em cumprimento às disposições legais.” (Fl. 1.692); Alega que a clínica teve de recorrer a financiamento junto a terceiros para realizar investimentos e para atender às necessidades de caixa (Fl. 1.694); Fl. 857DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.619 5 Da ilegitimidade da glosa de despesas financeiras a título de juros sobre empréstimos “...uma vez comprovado que os empréstimos realizados caracterizavamse, efetivamente, como passivos, como exaustivamente demonstrado, e como tal estão contabilizados, não se pode admitir a glosa dos valores relativos a juros, porque decorrentes da obrigação principal (empréstimos).” Fl. 1.696; Do pedido Por fim, pediu a anulação do acórdão nº 1224.531, e, na eventualidade, o provimento do recurso voluntário (fls. 1.697) Em decorrência da inclusão deste processo na pauta de julgamento, a recorrente apresentou Memorial, noticiando que: Em 25/04/2006, os débitos com a Brasnefro (antiga Tozzco) foram renegociados e consolidados, incluídos os valores de R$ 1.861.343,00, R$ 125.020,00, R$ 1.476.101,89 e R$ 812.913,72. Definiuse que o débito consolidado da CDR frente à Bransnefro era R$ 9.269.418,22, sendo R$ 4.005.438,84 (R$ 125.020,00 + R$ 1.206.162,12 + R$ 1.861.343,00 + R$ 812.913,72) de principal e R$ 5.263.979,38 de juros, até 31/03/2006; Foi estabelecido novo termo para pagamento do débito, o dia 31/12/2010; Estabeleceuse, também, que sobre o principal incidiria 1% de juros ao mês; Em 01/07/2008, a Brasnefro utilizou o crédito de R$ 10.343.336,60 que possuía frente à Recorrente para integralizar a totalidade do aumento do capital social, qual seja, R$ 34.449.390,00, tornandose, assim, acionista da CDR; A capitalização do crédito ocorreu após a Recorrente ter aumentado seu capital social de R$ 489.376,58 para R$ 34.938.766,58; Essa operação tem fundamento legal no § 2º, do art. 171, da Lei nº 6.404/1976; A liquidação dos empréstimos comprovam que não há passivo fictício a legitimar a glosa da despesa financeira. Juntou cópia do “Instrumento particular de consolidação de empréstimos, confissão de dívida e outras avenças” e a “Ata de assembléia geral extraordinária realizada em 1 de julho de 2008”. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.620 6 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre delimitar as questões que foram postas à apreciação desta Turma, quais sejam: · Decidir se as transações financeiras travadas entre a Recorrente e a pessoa jurídica Brasnefro Participações Ltda. (antiga Tozzco Participações S/C Ltda.) estão efetivamente provadas ou não, se os montantes correspondem aos valores neste processo apontados. · No que tange à CSLL, julgar se as despesas da pessoa jurídica precisam ser comprovadas para que sejam consideradas na determinação da base de cálculo deste tributo; Não deve ser relevado neste momento a decisão proferida no Acórdão combatido nº. 1224.531 (fls. 1421/1431) proferido pela 2ª Turma da (DRJ/RJ1): · “não cabe nova apreciação do passivo com a Brasnefro, pois significaria rever o acórdão do Conselho de Contribuintes . Em sendo assim, se este passivo é ficto, a respectiva despesa financeira, de R$ 485.993,28, deve ser glosada.” Fl. 1.427. isto deve ao fato da existência do processo administrativo nº 10730.003796/200312 Acórdão de nº 10517.247. Em verdade, o próprio auditor fiscal afirmou que as despesas financeiras decorrentes dos empréstimos nos valores de R$ 1.861.343,00, R$ 1.476.101,89, R$ 125.020,00 e R$ 812.913,72, devidos à empresa Tozzco / Brasnefro, deveriam ser glosadas, pois, em verdade, não houve transação financeira, mas omissão de receita, especialmente porque em anterior fiscalização considerouse pela inexistente de tal obrigação. Assim fundamentou o auto de infração. Em contrapartida, merece atenção a cópia de Ata de Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 1 de julho de 2008, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, onde a credora – Tozzco / Brasnefro converte seus haveres em ações do capital da Recorrente. Desse modo, conduzo o voto no sentido de ser necessário o retorno dos autos à unidade de origem, para que autoridade fiscal analise o direito com base em todas as provas constantes dos autos, e com a utilização das premissas definidas neste julgamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte para que, desejando, entregue documentos, informações e planilhas para a melhor análise da fiscalização; Fl. 859DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 15540.000306/200719 Resolução nº 1102000.249 S1C1T2 Fl. 4.621 7 b) analise todas as provas e argumentos trazidos sob as seguintes premissas, verificando: b.1) a existência ou não dos contratos firmados com as empresas cedentes de financiamento; b.2) o registro dos contratos pela Recorrente buscando constatar a real movimentação financeira entre as partes envolvidas; b.3) o efetivo registro contábil do passivo na empresa Recorrente; b.4) a efetiva tributação da receita financeira pelas empresas que emprestaram os valores à Recorrente; b.5) declarar se a despesa financeira lançada a resultado está ou não provada, podendo ou não ser considerada dedutível e o porquê, em caso contrário; c) caso se considere impossível a utilização do critério de rateio do item “b.3”, enviar ao contribuinte documento com a exposição detalhada das dificuldades do cálculo, intimandoo a comprovar o rateio que entende correto, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto; d) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando o total de despesas com variações cambiais a que o contribuinte tem direito, e, por consequência, qual o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 passível de restituição/compensação; e) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 860DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13906.000091/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 00 00 91 /2 00 3- 82 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000091/200382 Acórdão n.º 9303003.036 CSRFT3 Fl. 258 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, interposto em face do Acórdão nº 280300.030. Eis a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 extinguese em cinco anos, contados de 10/10/1995, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 49. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 1.212, de 1995, extinguese em cinco anos, contados a partir da publicação do acórdão definitivo que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN. Recurso Provido em Parte. A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase de pedido de restituição protocolado em 31 de março de 2003, relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01/04/1993 a 30/09/1995. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000091/200382 Acórdão n.º 9303003.036 CSRFT3 Fl. 259 3 Não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Não haverá, no presente caso, prescrição. Tendo em vista que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 31/03/2003, somente os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu in casu. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, existe parte do período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002891/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão Rerratificado
Numero da decisão: 3102-002.258
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Rerratificado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002891/200814 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102002.258 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria Embargos de Declaração Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado CRISTAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Rerratificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 310200.566, de 03 de dezembro de 2009, que, à época, recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006 DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 91 /2 00 8- 14 Fl. 7197DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 186 2 O prazo decadencial para cobrança de imposto de importação iniciase do primeiro dia útil após o registro da respectiva declaração de importação. Considera se realizado o lançamento na data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. Uma vez que o Contribuinte não logrou desconstituir a presunção do art. 27 da Lei n° 10.637/2002, nem demonstrou que a importação foi realizada por encomenda, devese acolher a presunção legal de que ditas operações foram realizadas por "conta e ordem" de terceiros, com ocultação dos reais importadores. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA QUE NÃO SEJA LOCALIZADA OU QUE TENHA SIDO CONSUMIDA. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. O dano ao erário decorrente desta infração será punido com a pena de perdimento das mercadorias que, no entanto, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei IV Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. A Autoridade Fiscal relata que o Contribuinte promoveu diversas importações de mercadorias, declarando as operações como se fossem por conta própria. O Contribuinte figurava, assim, como importador e adquirente das mercadorias importadas. No entanto, as operações seriam, em verdade, realizadas por conta e ordem de terceiros, mediante a ocultação dos reais importadores, com o uso de recursos deles provenientes. A corroborar com sua afirmação, a Autoridade Fiscal aduz argumentos e documentos que levariam a estas conclusões: a) que as negociações para importação seriam integralmente realizadas por terceiros; b) que o Contribuinte não teria capacidade econômica para arcar com toda a movimentação comercial do período fiscalizado; c) que os preços dos produtos importados estariam subfaturados. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias, como previsto no parágrafo 10 do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, pela caracterização do disposto no inciso V do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias já haverem sido consumidas ou não localizadas, foi lavrado auto de infração para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, como previsto no parágrafo 3° do mesmo artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Fl. 7198DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 187 3 Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência à fl. 2) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas no documento cito às fls. 163 à 199 e 202 à 209, com os documentos de fls. 210 à 273. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente o lançamento, por entender que a houve, de fato, ocultação do real sujeito passivo nas operações de importação, devendo ser aplicada a pena de perdimento. Contudo, a DRJ entendeu que a decadência já teria atingido parte do litígio, motivo pelo qual a declarou sobre o período anterior a 21 de agosto de 2003 (fls. 376383). Contra a decisão regional, o Contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo, lastreado nos seguintes argumentos: a) A Instrução Normativa SRF n° 228/2002 teria sido mal aplicada no caso concreto, porquanto não houve "qualquer inexatidão contábil ou erro documental ou mesmo mera suposição fiscal que faz com que seja imotivadamente instaurado o procedimento especial de fiscalização contra o contribuinte, visando, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, a declaração de inaptidão da sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica" (sic, fl. 415); b) O auto de infração estaria fundamentado em indícios e presunções. Frisa que o contrato de câmbio referente às operações de importação realizadas por conta própria da Recorrente foram devidamente fechados pela mesma, com a remessa oficial da quantia respectiva à exportadora, utilizando se de recursos financeiros próprios (fls. 422423); c) A Recorrente seria tradicional empresa comercial importadora e exportadora, sendo, assim razoável pressupor que ela poderia adquirir mercadorias no exterior para revenda a qualquer interessado, para cumprimento de contrato de compra e venda previamente celebrado com eventual compromissário comprador, no mercado interno. Aplicação do art. 11 da Lei n°11.281/2006 (fls. 423424); d) Distingue as expressões "importações por conta própria" e "por conta e ordem de terceiros"; e) De acordo com a autoridade fiscal, eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome seria de, no máximo, multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação. Cita precedentes. Em face da declaração de decadência, os autos vieram a análise, também, em sede de recurso de oficio. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. Como reconhece o v. Acórdão ora recorrido (f Is. 599/v), estamos diante de um processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º do artigo 23 do Decretolei no. 1.455/1976 com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº. 10.637/2002 verbis: Fl. 7199DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 188 4 "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º, do art. 23 do DecretoLei nº. 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no. 10.637/2002." Daí, observamos as CONTRADIÇÕES, levandose em conta que na ementa e em outro trecho do v. Acórdão ora embargado, consta que o auto de infração se referiu a cobrança de IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, litteris: "DECADÊNCIA. O prazo decadencial para cobrança de imposto iniciase do primeiro dia útil após o registro da respectiva declaração de importação." (f Is. 599, ementa) "Considerando o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ciência do auto de infração, que ocorreu em 21 de agosto de 2008, decaiu o direito de cobrança do Imposto de Importação referentes às Declarações de Importação anteriores a 21 de agosto de 2003, listadas às fls. 147 a 152 do auto de infração." (f Is. 599/v) 3. Ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de serem sanadas as CONTRADIÇÕES ora apontadas, devendo ser analisar apenas a questão da decadência do direito de lançar a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º, do artigo 23 do Decretolei no. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Não se trata de simples erro na confecção da ementa que reduz a decisão ao que nela expresso. Conforme a seguir se vê, também a fundamentação do Voto, que neste particular, ainda que assim intitulado, não é vencido, refere a decadência do direito à constituição do Imposto de Importação, se não vejamos, O acórdão recorrido declarou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos a contar da autuação. De acordo com a DRJ, para a contagem do prazo decadencial do Imposto de Importação, devese considerar a data de ciência do auto de infração, que o perfectibiliza. O início do prazo decadencial, por sua vez, deve ser o registro das Declarações de Importação para consumo, que coincide com o marco de ocorrência do fato gerador para efeito de cálculo do tributo em exame (fls. 282283). Com efeito, há decadência a ser declarada nos autos, uma vez que há Declarações de Importação anteriores ao final do prazo decadencial, registradas entre 10 de janeiro de 2003 e 14 de agosto de 2003. Considerandose o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ciência do auto de infração, que ocorreu em 21 de agosto de 2008, decaiu o direito de cobrança do Imposto de Importação referentes às Fl. 7200DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 189 5 Declarações de Importação anteriores a 21 de agosto de 2003, listadas às fls. 147 à 152 do auto de infração. Aplicação dos arts. 138 e 139 do DecretoLei n° 37/66. Nego provimento ao recurso de oficio. Necessário que tais apontamentos sejam revistos, pois resta incontroverso nos autos que a lide referese exclusivamente à multa equivalente ao valor da mercadoria pela conversão da pena de perdimento dos bens não localizados ou consumidos. Para certificarse disso, basta consultar, à folha 01 do Processo, o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. Portanto, nenhuma razão para que se fale em impostos nem em contagem de prazo decadencial que lhes seja própria. Conforme prescrito pelo Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/88, o prazo para imposição de penalidade se extingue em cinco anos, contados da data da infração. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. É como consta também no texto do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09. Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). No mesmos diploma legal, encontrase descrita a infração de que foi acusada a empresa. A tipificação é a seguinte. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (grifos acrescidos) § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decreto Lei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Salvo melhor juízo, ainda que se possa ventilar do processo de formação do fato imputável, pareceme que a infração somente se perfectibiliza na data do registro da declaração de importação correspondente. Antes de que a importação ocorra, não vejo como se possa cogitar de imposição da pena nem de ocorrência da infração tributária sub examine. Fl. 7201DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 190 6 Embora o Acórdão tenha buscado fundamento em disposição normativa não aplicável ao caso concreto, uma vez que o prazo decadencial tenha sido contado considerando a data de registro das declarações de importação, identificase exata coincidência entre o prazo considerado e o aplicável à lide. Parte da ementa deve ser retificada, para fazer constar: DECADÊNCIA. O prazo para imposição de penalidade aduaneira extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Considerase realizado o lançamento na data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. VOTO por acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para rerratificar o Acórdão. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 7202DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001822/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95.
A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Julianna Bandeira Toscano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 18 22 /2 00 9- 15 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 2 Julianna Bandeira Toscano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2006, decorrente da glosa da dedução indevida com incentivo e com despesas médicas, resultando em cobrança suplementar de IRPF, no valor de R$4.515,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Conforme se depreende da descrição dos fatos e do enquadramento legal da Notificação de Lançamento (fls. 15), o mesmo foi justificado pela falta previsão legal para dedução de doação ao Centro de Apoio de Dependentes e com relação às despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços prestados e por falta de previsão legal para dedução com despesas de cirurgia plástica. O contribuinte apresentou impugnação sustentando ter apresentado à fiscalização recibos e declarações firmadas pelos prestadores de serviços, que consistiria em documentação hábil a comprovar a realização dos serviços, não havendo fundamento legal para a exigência de comprovação do efetivo pagamento. Contenta, ainda a aplicação de multa em patamar superior a 150%, por considerar confiscatória e a aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Curitiba considerou o lançamento impugnado parcialmente, ante a ausência de impugnação expressa acerca das despesas cuja dedução foi considerada sem previsão legal pela autoridade lançadora (nos valores de R$100,00, R$2.500,00 e R$2.405,14) e manteve integralmente a glosa da dedução das despesas médicas, sob o fundamento de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar a procedência das mesmas, em acórdão cuja ementa é a seguinte (fls. 31/34): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em seu recurso voluntário (fls. 50/69 do processo eletrônico) o contribuinte sustenta, em preliminar, que impugnou o débito em sua integralidade, tendo apresentado recibos e declarações firmadas pelos prestadores de serviços à fiscalização, em resposta às notificações recebidas. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10930.001822/200915 Acórdão n.º 2802002.743 S2TE02 Fl. 48 3 No mérito, sustenta que a exigência pela efetiva comprovação do pagamento das despesas não está amparada na legislação vigente, bastando, para comprovar a validade das deduções com despesas médicas, que o contribuinte apresente, quando intimado a tanto, os recibos e declarações dos respectivos prestadores. Insiste o contribuinte no caráter confiscatório da aplicação de multa em patamar superior a 150% e na ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheira Julianna Bandeira Toscano, Relatora. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe afastar a preliminar levantada pelo recorrente, no sentido de que a impugnação apresentada às fls. 01/13 teria abrangido a totalidade do débito lançado. Com efeito, o que se nota na descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento, às fls. 15, é que a fiscalização glosou as deduções efetuadas pelo contribuinte por dois fundamentos diferentes, senão vejamos: “Dedução Indevida de Incentivo Glosa do valor de R$100,00, indevidamente deduzido a titulo de Dedução de Incentivo, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Poderão ser deduzidas a titulo de Dedução de Incentivo, apenas as doações realizadas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, de incentivo à cultura e de incentivo às atividades audiovisuais, até o limite de 6% (seis por cento) do imposto apurado na declaração. No valor de R$100,00 referente a doação ao Centro Apoio a Dependentes.” “Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$16.056,14, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Pela falta de comprovação de forma irrefutável do efetivo pagamento, vale dizer, do trânsito dos recursos financeiros, único meio factível de comprovação (cheques nominais compensados, DOC, TED, depósitos identificados, transferências bancárias identificadas, etc, coincidentes em datas e valores) relativamente aos Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 4 beneficiários CPF 020.717.83999 no valor de R$ 5.175,00 (dentista), CPF 935.044.97904 no valor de R$ 5.976,00 (dentista). OUTROS MOTIVOS: No valor de R$ 2.500,00 referente ao CNPJ 78.613.841/000161, por tratarse de cirurgia plástica pacote mama, lipo, abdomem conforme comprovante apresentado, referente ao CNPJ 33.719.485/000127 no valor de R$2.405,14 não comprovados.” Como se observa, o lançamento decorreu em razão da falta de previsão legal para a dedução de incentivo no valor de R$100,00, da necessidade da comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas nos valores de R$5.175,00 (dentista) e de R$5.976,00 (dentista), da falta de previsão legal para dedução de despesas com cirurgia plástica no valor de R$2.500,00 e pela falta de comprovação da despesa de R$2.405,14. Notase que o teor da impugnação apresentada pelo contribuinte, apesar de pugnar pela improcedência do débito, não contém argumentos expressos acerca das despesas com incentivo, da validade da dedução da despesa com cirurgia plástica e sobre a alegada falta de apresentação de comprovante relativo à despesa no valor de R$2.405,14, estando correto o entendimento da DRJ em Curitiba de que a impugnação foi apenas parcial. Ultrapassada a preliminar, o litígio se resume na necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, do efetivo pagamento das despesas médicas como condição para sua dedutibilidade na DIRPF, na aplicação de multa em patamar superior a 150% e na utilização de juros calculados à taxa SELIC. A DRJ Curitiba manteve o lançamento por entender ser válida a exigência da comprovação do pagamento de despesas médicas. Destacase do referido acórdão o seguinte (fls. 33): “11. Conforme se observa na legislação acima transcrita, de fato, há previsão legal para a dedução de despesas médicas na base de cálculo do Imposto de Renda, sendo que tal dedução está sujeita à comprovação por parte do contribuinte. Além do mais, considerando que na apreciação da prova a autoridade fiscal formará livremente sua convicção, a esta é autorizado exigir outros elementos de prova quando a documentação apresentada não constituir prova inequívoca dos pagamentos, o que aconteceu no presente caso. 12. Acrescentese que o Fisco, por imposição legal, deve tomar as cautelas necessárias a fim de preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 73, do Decreto n° 3.000/99. 13. Cabe esclarecer, ainda, que a glosa também pode ser efetivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas objeto da dedução, haja vista o disposto no § I o do art. 11 do DecretoLei n° 5.844, de 1943.” Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Apenas na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei nº 9.250/95, ou em havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea, estaria a autoridade lançadora autorizada a exigir a prova do efetivo pagamento. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10930.001822/200915 Acórdão n.º 2802002.743 S2TE02 Fl. 49 5 Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento. Com efeito, pela documentação acostada ao recurso voluntário, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: PROFISSIONAL VALOR COMPROVANTE PATRICIA DA SILVA LOPES 5.976,00 Fls. 74/78 (processo eletrônico) FLAVIO JOSÉ SAMBATTI PIERALISI 5.175,00 Fls. 79/83 (processo eletrônico) Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele dar provimento para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$11.151,00, relativas ao exercício de 2006. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO
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