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Numero do processo: 10650.001176/2005-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A ausência de apreciação, pelo colegiado julgador de primeira instância, de todos os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória, constitui preterição do direito de defesa e determina a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, a teor do disposto no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-000.987
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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CERCEAMENTO DE DEFESA. A ausência de apreciação, pelo colegiado julgador de primeira instância, de todos os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória, constitui preterição do direito de defesa e determina a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, a teor do disposto no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Fl. 113DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001176/200509 Acórdão n.º 180300.987 S1TE03 Fl. 109 2 EMPRESA DE TRANSPORTES LIDER LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ JUIZ DE FORA (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de lançamento de ofício de multa regulamentar – multa por atraso de entrega de DCTF , relativa aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2004. Tempestivamente, insurgiuse a contribuinte alegando em síntese: a) Que com relação as DCTF do 2º e 3º Trimestres houve erro de fato na informação dos valores e que já foram retificados recentemente, sendo a retificação possível ante o princípio da verdade material, não se aplicando nestes casos o art. 147, § 1º do CTN, devendo em consequência ser revisto o lançamento; b) Que aplicar a multa todo o mês sobre os valores já recolhidos tem caráter confiscatório e extrapola os limites da razoabilidade; c) Que em conseqüência deve ser aplicada apenas a penalidade fixa prevista na própria Lei nº10.426/02 (art. 7º, § 3º). A JUIZ DE FORA/MG, através do acórdão 0921.304, de 22 de outubro de 2008 (fls. 94/96), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO. DCTF. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. As alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade fogem à competência dessa instancia administrativa. Ciente da decisão em 17/11/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 98), apresentou o recurso voluntário em 15/12/2008 fls. 635/661, onde reitera os argumentos da inicial e aduzindo que a multa isolada foi abolida pela MP 303/2006, devendo aplicarse nestes casos o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 112 do CTN, mesmo com a perda da eficácia da Medida Provisória. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Fl. 114DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001176/200509 Acórdão n.º 180300.987 S1TE03 Fl. 110 3 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso das DCTF’s relativas aos 03 (três) primeiros trimestres de 2004. Conforme exposto no relatório, argue a recorrente de que efetuou a retificação das DCTF relativas ao 2º e 3º trimestres de 2004, que devem ser consideradas ante o princípio da verdade material, não havendo nestes casos o óbice previsto no art. 147, § 1º do CTN. Afirma ainda que a cobrança sobre os valores devidos e já pagos configura excesso que ofende o princípio da razoabilidade, sendo ilegal e abusiva a cobrança de multa mês a mês, merecendo aplicação apenas de multa fixa prevista na Lei nº 10.426/2002. Por derradeiro, afirma que a Medida Provisória 303/2006, revogou as multas isoladas e que mesmo tendo perdido eficácia deve ser considerada, cancelandose o lançamento ante o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 112 do Código Tributário Nacional. Antes da apreciação dos argumentos expostos pela recorrente, impende considerar questão preliminar de nulidade que aflora no presente processo. Com efeito, embora tenha a contribuinte aventado em sua impugnação de que houve erro de fato no preenchimento das DCTF’s dos 2º e 3º Trimestres de 2004, juntando inclusive demonstrativos (fls. 14/15) e cópias das declarações retificadoras (fls. 53/90), tal matéria não mereceu qualquer apreciação por parte da decisão de primeira instância. Considerando que a multa aplicada nos termos do inciso I, art. 7º da Lei nº 10.426/2002, está diretamente vinculada aos valores dos débitos declarados e que foram retificados para menos nas declarações retificadoras, as alegações guardam íntima relação com o deslinde do presente litígio. Neste contexto, a não apreciação de ponto alegado na impugnação configura evidente cerceamento de defesa e por conseqüência eiva de nulidade a decisão de primeira instância nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto, voto por declarar nula a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida sanando a irregularidade apontada. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 115DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10650.001176/200509 Acórdão n.º 180300.987 S1TE03 Fl. 111 4 Fl. 116DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000861/2003-04
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário: 1998
PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade.
Numero da decisão: 1803-000.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 447 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 278 a 284, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa à apuração de preços de transferência nas operações de importação de empresas vinculadas, durante o anocalendário de 1998, foi verificado o seguinte: Da empresa A contribuinte é uma empresa que, mormente, atua como distribuidora de bacalhau importado, em sua grande maioria, de vinculadas, sem realizar qualquer tipo de industrialização. Do histórico dos procedimentos A contribuinte foi intimada a apresentar as seguintes informações, para fins de verificação da observância da legislação de preço de transferência, no que tange às importações realizadas no anocalendário de 1998: 1) demonstrativo das pessoas físicas ou jurídicas consideradas vinculadas; 2) método(s) adotado(s), por bem, serviço ou direito, para a apuração do preço de transferência; e 3) planilhas de memória de cálculo de suporte ao método adotado. A empresa optou pelo método PIC, tendo apresentado as planilhas com a memória de cálculo dos preçosparâmetro, juntamente com todas as importações de 1998 e os respectivos preços praticados, além das faturas de compras de empresas não vinculadas e os tipos de bacalhau similares. Intimada a justificar uma diferença existente entre o valor total de importações e o valor computado na DIPJ99 (anocalendário de 1998) como Compras de mercadorias a Prazo, em Custo das Mercadorias Revendidas, a contribuinte apresentou documentos comprobatórios dos custos, que não apresentaram qualquer diferença relevante. Da metodologia adotada Previamente ao início da auditoria, a fiscalização pesquisou o funcionamento da comercialização do bacalhau. Adotou como unidade de medida comercial a "caixa", que é a forma usual de revenda praticada no mercado. Conforme o tipo de bacalhau, as caixas podem ser de papelão (25 kg) ou de madeira (50 kg). Os bacalhaus foram divididos em 5 tipos: 1) Porto (caixas de 50 kg); 2) Cod (caixas de 25 kg); 3) Ling (caixas de 25/50 kg); 4) Saithe (caixas de 25 kg); e Zarbo (caixas de 25 kg). A distinção Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 448 3 entre Porto e Cod deuse em função de este ser comercializado em caixas de 25 kg, e, aquele, em caixas de 50 kg. Esses 5 tipos foram subdivididos em subcategorias, de acordo com a quantidade de peixes dispostos em cada caixa. Evidenciouse que, para cada tipo, caixas com uma menor quantidade de peças (peixes maiores e com melhor corte) eram negociadas a valores mais elevados. Da apuração dos preços de transferência Na ficha 20 da DIPJ99, não foi informado o método para a apuração do preço parâmetro. Só foi informado que não havia ajustes a serem feitos e a lista das empresas vinculadas. Por ocasião da fiscalização, a contribuinte optou pelo método PIC, uma vez que seria de apuração mais simplificada, além de resultar em um ajuste menor, comparado ao PRL (faculdade legal da contribuinte). Ademais, como as vinculadas no exterior realizaram operações com empresas não vinculadas no Brasil, a obtenção de dados para apuração do preçoparâmetro tornar seia mais factível. Comparandose os dados sobre importações de vinculadas fornecidos pela contribuinte com os constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal (SRF), observouse consistência, sendo irrelevantes as diferenças encontradas. Na apuração dos preçosparâmetro houve divergência, uma vez que a contribuinte não computou em seu cálculo algumas faturas, e, em outras, considerou como FOB preços que já embutiam o frete, majorando o valor do preçoparâmetro. Além disso, para a apuração dos preçosparâmetro, a fiscalização utilizou, por uma questão de coerência, somente dados de operações entre vinculadas no exterior com não vinculadas no Brasil e importações da própria contribuinte de não vinculadas, constantes nos sistemas da SRF. Dessa feita, a contribuinte não poderia alegar desconhecimento de tais operações, nem mesmo discordar, quando, em alguns casos (detalhados às fls. 283 e 284), a similaridade entre tipos informada pela contribuinte não foi considerada, em virtude de, nos sistemas da SRF, existirem operações com tipo idêntico. Dos ajustes Após análise de todo material disponível, a fiscalização concluiu, pelos motivos expostos às fls. 283 e 284, que haveria ajuste em 11 subcategorias (planilhas anexas, fls. 285 a 288, 290 a 292, e 293 a 303), a seguir relacionadas: Cod 10/12 Ling 25 16/20 Zarbo 10/12 Cod 13/15 Ling 50 08/10 Zarbo 13/15 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 449 4 Cod 16/20 Ling 50 11/15 Zarbo 16/20 Cod 21/30 Ling 50 16/20 O total geral do ajuste foi de R$ 208.038,26 (fls. 290 a 292). (...) DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 17/03/2003 (fls. 306 e 310), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 336), apresentou, em 14/04/2003, a impugnação de fls. 321 a 335, alegando, em síntese, o seguinte: DO DIREITO Não foi informado pela impugnante ajustes na DIPJ99 pois, verificando todas as importações realizadas no exercício, e levando em consideração a época em que foram realizadas relativamente à variação cambial, as condições reais de negócio e a margem de tolerância diferencial, entendeu por não haver situações às quais pudesse imputar a ocorrência de eventuais ajustes. Tal situação está pautada em disposição legal, qual seja a Lei n° 9430/96, regulamentada pela IN SRF n° 243/2002 (artigo 9°). Ademais, sendo certo que as comparações em vários casos foram feitas entre produtos similares, aplicarseá, sem prejuízo do artigo supracitado, o artigo 10 da referida IN. Contudo, nada impede que, por vezes, algumas diferenças irrelevantes sejam encontradas nas declarações prestadas pelos contribuintes, e, conforme podese depreender da própria autoridade fiscal, a impugnante obteve êxito em demonstrar cabalmente a inexistência ou irrelevância das demais diferenças apontadas pelo Fisco. Nesse particular, importante observar que a autoridade fiscal procedeu à exclusão de aproximadamente 14 produtos, o que vem a corroborar com o fato de que realmente a contribuinte não detinha qualquer obrigação de informar ajustes, pois que não existiam. Infelizmente, por não levar em consideração determinados aspectos fáticos e legais, a autoridade fiscal acusou ajustes a serem realizados em 11 produtos, que igualmente deverão ser desconsiderados. Senão vejamos: Da variação cambial Não obstante a necessidade de apuração das operações realizadas no exercício investigado, em se tratando de operações internacionais (importações), a variação cambial entre uma e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 450 5 outra época das operações a serem comparadas dentro do mesmo exercício é de fundamental relevância. Qualquer cálculo matemático que ignore tal fator encontrará resultado diverso do real, pois que considerados valores diferentes, em épocas diferentes, como se equivalentes fossem. Infelizmente, foi como procedeu a autoridade fiscal, realizando os cálculos e ignorando qualquer variação cambial, a despeito da enorme discrepância entre as taxas de conversão encontradas, ou, então, utilizandose de outros critérios de cálculo do preçoparâmetro, em dissonância do estabelecido em lei. Nesse sentido, observese o artigo 11 da IN SRF n° 243/2002. Assim não procedeu a fiscalização, como bem se pode verificar pelas planilhas ora acostadas (docs. 3 a 13). Os períodos de aquisição foram desconsiderados, e não houve o ajuste cambial determinado pela legislação vigente, de modo que não se poderá firmar convicção quanto a eventual conduta passível de autuação da contribuinte, vez que a situação cambiária nacional foi extremamente oscilante no decorrer de 1998, mormente em seu segundo semestre. Da margem de divergência A legislação pátria (artigo 38 da IN SRF n° 243/2002) também estabelece um índice de tolerância, até o qual não haverá o guerreado ajuste. A contribuinte apresenta, então, novas planilhas, simplificadas, com os cálculos estimados, e a cada uma delas a correspondência com as planilhas elaboradas pelo Auditor Fiscal, acostadas aos autos. Em todas as planilhas os cálculos foram feitos considerandose os mesmos períodos de apuração. Além do já exposto acerca da variação cambial e da margem de divergência, destaquese as seguintes observações da impugnante (fls. 327 a 334): Cod 10/12 (planilha doc. 3) A comparação feita entre os mesmos períodos, sem variação cambial prejudicial ao cálculo, importou na ausência de ajuste a ser realizado. Cod 13/15 (planilha doc. 4) Aplicandose a margem legal de divergência de 5%, percebese não haver ajuste a ser realizado. Cod 16/20 (planilha doc. 5) Da planilha apresentada pela autoridade fiscal podese depreender não haver possibilidade de comparação em razão Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 451 6 das épocas em que se deram os negócios investigados. Sem o ajuste cambial, tornase impraticável qualquer ajuste. Cod 21/30 (planilha doc. 6) O Auditor Fiscal informou que não aceitou como tipo similar o Cod 13/15, indicado pela contribuinte como parâmetro, pois entendeu que o Cod 16/20 aproximarseia muito mais em termos de características e preço de mercado. Ora, a legislação (artigo 28 da IN SRF n° 243/2002) define o conceito de similaridade, não podendo o contribuinte ficar sujeito a discricionariedades através das quais possa ser prejudicado. O Cod 13/15 é, nos termos da lei, igualmente similar ao Cod 21/30, cabendo à contribuinte a escolha entre os dois. Também nesse caso, o preço praticado não excede o preço parâmetro, inexistindo ajuste a ser aplicado. Ling 25 16/20 (planilha doc. 7) A planilha demonstra uma grande diferença entre os preços praticados em dólar pela empresa vinculada e pela não vinculada. No período que deve ser verificado para efeito de apuração de eventual ajuste, qual seja, março de 1998, a impugnante adquiriu em quantidade de mercadoria o número de 256 de sua empresa vinculada (Nord Morue S.A.), enquanto que a aquisição de empresa não vinculada (Sunnmorfisk AS) somou 550 em quantidade de mercadoria, significando uma compra maior em mais de 50%, de tal sorte que facilmente se nota a existência de uma negociação em termos de preço da mercadoria, aliás, nada mais natural na prática mercadológica. O próprio artigo 9°, §1°, inciso II, da IN SRF n° 243/2002 reconhece tal possibilidade, que deveria ter sido aplicada pela autoridade fiscal quando da auditoria realizada. Com isso, impossível qualquer comparação, pois que dela fatalmente advirá resultado que não corresponderá à realidade. Ling 5008/10, Ling 50 16/20 e Zarbo 10/12 (planilhas docs. 8, 10 e 11) A similaridade argüida pela contribuinte não foi acatada pela autoridade fiscal, preferindo considerar a seu critério outras operações, conforme depreendese da planilha.Ora, a escolha não cabe à autoridade, mas sim ao contribuinte, nos termos do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002. O artigo 8 da IN SRF n° 243/2002 é claro ao dar a opção de escolha do método PIC, não fazendo qualquer menção a qualquer dispositivo que autorizasse o Fisco a não aceitar as operações utilizadas como parâmetro. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 452 7 Assim carente de qualquer respaldo legal as planilhas apresentadas pelo Fisco. Ling 5011/15 (planilha doc. 9) Aqui cabe a adequação, fazendose os cálculos com base nas mesmas épocas de aquisições, com taxas cambiais semelhantes. Zarbo 13/15 (planilha doc. 12) Mister a adequação do preço praticado levandose em conta apenas os períodos equivalentes às operações consideradas como parâmetro. Zarbo 16/20 (planilha doc. 13) Fundamental a adequação do preço praticado levandose em conta apenas os períodos equivalentes às operações consideradas como parâmetro. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a impugnante que seja anulado o Auto de Infração, e a produção de provas periciais e contábeis, caso seja necessário.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: Da variação cambial a) O art. 11 da IN SRF n° 243/2002 é inaplicável ao caso, pois referese a comparações entre importações realizadas em períodos de apuração diferentes, e todas as importações consideradas, tanto de vinculadas quanto de não vinculadas, referemse ao mesmo anocalendário, qual seja, 1998. b) Ao contrário do que entende a impugnante, a variação cambial foi, como deveria ser, considerada na apuração dos preços praticados e dos preçosparâmetro de todos os produtos (vide planilhas de fls. 290 a 303), nos exatos termos do artigo 7° da IN SRF n° 243/2002. c) Dessa forma, carecem de fundamentação os novos demonstrativos apresentados pela contribuinte (de apuração de preços praticados e de preçosparâmetro, apenas com as importações relativas aos meses em que houve importação tanto de vinculada quanto de não vinculada). Dos ajustes Cod 10/12, Cod 13/15, Cod 16/20, Ling 5011/15, Zarbo 13/15, e Zarbo 16/20 d) Para todos esses produtos o questionamento referese, exclusivamente, à variação cambial (argumento improcedente) e à margem de divergência (a ser observada). e) Para todos os produtos supracitados, a margem de divergência supera os 5% estabelecidos pelo artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, conforme demonstrativo: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 453 8 Produto Preço praticado Preçoparâmetro Margem de divergência (%) Cod 10/12 193,61 170,19 12,10 Cod 13/15 185,59 152,60 17,78 Cod 16/20 180,26 138,44 23,20 Ling 50 11/15 365,94 299,47 18,16 Zarbo 13/15 136,01 123,62 9,11 Zarbo 16/20 128,80 118,42 8,06 Margem de divergência = preço praticado preçoparâmetro x 100 preço praticado Cod 21/30 f) Na apuração do preçoparâmetro, tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte, não foram encontradas importações desse exato tipo de bacalhau entre empresas não vinculadas. g) A contribuinte havia utilizado, como tipo similar o Cod 13/15, não aceito pela fiscalização, que entendeu que o Cod 16/20 era o tipo mais próximo ("mais similar"), em termos de características e preço de mercado. h) Os tipos de bacalhau Cod 13/15, Cod 16/20 são relativamente similares ao Cod 21/30 (de menor qualidade, de menor preço), mas sua utilização na apuração do preço parâmetro, por se tratar, evidentemente, de produtos de qualidade diferente, depende de ajuste de preço, nos termos do artigo 90 da IN SRF n° 242/2002. i) Não tendo havido esse ajuste de preços pela contribuinte (o qual reduziria o preço parâmetro), incorreto o preçoparâmetro por ela apurado. j) Quanto à apuração por parte da fiscalização, a falta de ajuste beneficiou a contribuinte (a fiscalização apurou um preçoparâmetro maior que o que seria apurado após o ajuste decorrente da diferença de qualidade), não prejudicando, portanto, a autuação (menor do que deveria ser, quanto a este produto). Ling 25 16/20 k) A contribuinte não informou o preçoparâmetro, nem o tipo similar, tendo a fiscalização utilizado as importações da empresa com não vinculadas. l) Analisandose a planilha de fl. 297 (com todas as importações, sem as indevidas exclusões pleiteadas pela contribuinte, analisadas no item "DA VARIAÇÃO CAMBIAL"), não se verifica a alegada defasagem de quantidade. m) Os preços de aquisição, de vinculadas e de não vinculadas, estão num mesmo patamar, à exceção, na importação de vinculada 230 unidades ao preço unitário de US$ 230,07. Essa importação contradiz toda a argumentação da impugnante, pois pratica o maior preço exatamente em sua maior aquisição. n) Além disso, a contribuinte não comprova que em suas importaçõe de em te . as não vinculadas houve redução de preço por maior quantidade adquirida. Destaquese que, a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 454 9 contribuinte teria condições para trazer aos autos essa prova (são aquisições da própria contribuinte), nos termos do artigo 9° da IN SRF n° 243/2002. Ling 50 16/20 o) No cálculo do preçoparâmetro desse produto, a contribuinte utilizou apenas 2 importações (fl. 36) e a fiscalização outras 4 (fl. 330). p) Não houve, no caso, prejuízo à contribuinte, pois os preços considerados pela fiscalização, em todas as importações de não vinculadas, são superiores aos considerados pela contribuinte. q) Dessa forma, há que se manter a exigência relativa ao ajuste correspondente a esse produto (margem de divergência de 9,72%). Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, reproduz os argumentos tecidos na impugnação, acrescentando apenas argumentos relativos à exorbitância da multa aplicada, e seu caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 03/12/2007, uma segundafeira (AR de fls. 392). O recurso foi protocolado em 04/01/2008, uma sextafeira (fls. 397). A autoridade administrativa que encaminhou os autos a este Conselho exarou despacho com o seguinte teor (fls. 445): “Analisada a documentação do Recurso Voluntário apresentado, foi constatada a irregularidade quanto à representatividade para interposição deste. Em 30/04/2008, o contribuinte recebeu intimação de n° 08.180/1810/2008 (fl. 414) para que providenciasse, no prazo de 05(cinco) dias, a documentação necessária para regularização do citado recurso, ou seja: • Identificação do signatário do recurso; • Instrumento de mandato devidamente outorgado ao signatário mediante Procuração e Contrato Social atualizado. Em resposta à intimação, o contribuinte protocolizou nesta EQCOB os documentos de fls. 415 a 443 que não atendem ao solicitado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 455 10 Conforme as irregularidades apresentadas e ainda tendo em vista a apresentação intempestiva de Recurso Voluntário, fls. 397 a 412, proponho o encaminhamento dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento da admissibilidade do presente recurso conforme artigo 35 do Decreto 70.235/72.” Por ocasião da resposta à intimação para regularizar a represetação processual, a recorrente ratificou o recurso voluntário interposto, e pleiteou o seu julgamento, em face da juntada de todos os documentos pertinentes para comprovar a regularidade processual. Ocorre que a questão da regularidade processual sequer necessita ser analisada, uma vez que a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 04/01/2008, depois de transcorridos mais de 30 (trinta) dias da ciência da decisão, implicando, portanto, na sua perempção, exvi do artigo 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. O prazo para interposição do recurso voluntário encerrouse em 02/01/2008, uma quartafeira. Ante todo o exposto, não conheço do recurso, por perempto. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10120.911981/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que logrou êxito demonstrar, parcialmente, após diligência efetuada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado foi parcialmente comprovado.
PER. DIREITO CREDITÓRIO. PARTE INCONTROVERSA.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Esteve presente ao julgamento o Dr. Matheus Lyon, OAB/DF nº 52.552.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que logrou êxito demonstrar, parcialmente, após diligência efetuada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado foi parcialmente comprovado. PER. DIREITO CREDITÓRIO. PARTE INCONTROVERSA. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que logrou êxito demonstrar, parcialmente, após diligência efetuada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado foi parcialmente comprovado. PER. DIREITO CREDITÓRIO. PARTE INCONTROVERSA. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 19 81 /2 00 9- 56 Fl. 378DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Esteve presente ao julgamento o Dr. Matheus Lyon, OAB/DF nº 52.552. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito de COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, a ser compensada com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, prolatada pela DRJ em Brasília (DF) no Acórdão nº 0345.483, de 20/10/2011, que transcrevo a seguir: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 19906.30097.171008.1.3.042548, transmitida eletronicamente em 17/10/2008, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: (...). A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...). Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 5), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10120.911981/200956 Acórdão n.º 3402004.104 S3C4T2 Fl. 369 3 principal correspondente aos débitos informados é de R$ 51.401,39. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 27), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório A Delegacia de Julgamento em Brasília (DF) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 380DF CARF MF 4 Em 16/12/2011, a Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ (fl. 63). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, em 13/01/2014, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que (fls. 66/75): (i) houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); (ii) a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; (iii) embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; (iv) não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; (v) a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; (vi) por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 24/07/2013, os membros da 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª Sejul, enntendem que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 3202000.122, nos seguintes termos (fls. 219/223): "(...) Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10120.911981/200956 Acórdão n.º 3402004.104 S3C4T2 Fl. 370 5 Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestando se sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Goiânia (GO), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a Intimação da Recorrente e a conclusão dos trabalhos, prolatou a Informação Fiscal de fls. 356/358. Conforme consta no item 11 da referida Informação Fiscal (fl. 358), o Fisco consignou que: "(...) 11. Nos termos do §1º, artigo 15, da Lei 10.865/04, há direito ao crédito de Pis/Cofins em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 12. Sendo assim, os valores informados no Dacon retificador devem ser acatados. Conclusão 13. Diante de todo exposto, concluo que há saldo credor no montante de R$ 49.334,28". Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução 3202 000.122, processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. 1. Do direito A recorrente utilizou em Declarações de Compensação (DCOMP) o pagamento do tributo COFINS, código de receita 5856, apurado em Maio de 2008, arrecadado em 20/06/2008, no valor originário de R$ 184.836,65. Fl. 382DF CARF MF 6 Compulsandose os autos, verificase que a questão posta em discussão, é que o pedido de compensação feito pela Recorrente foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábil fiscal) que corroborase as informações apresentadas na DCTF retificadora. Em suas razões recursais, a Recorrente, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ/Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou vários documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada e requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado. Como é cediço, é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, o presente julgamento foi convertido em diligência (Resolução nº 3202000.122), com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. A DRF de Goiânia, cumprindo os termos da Resolução, proferiu a Informação Fiscal, apresentado as seguintes informações: "(...) 06. O código de receita 5856 trata da incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins NãoCumulativa. Em consulta ao Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), constatei as alterações em destaque: (...). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10120.911981/200956 Acórdão n.º 3402004.104 S3C4T2 Fl. 371 7 07. Por meio do Termo de Intimação Fiscal Seort nº 100/2015 (fl. 227), a contribuinte foi compelida a se manifestar sobre as alterações destacadas acima. 08. Em resposta à intimação, apresentou cópia de notas fiscais de entrada. 09. Em consulta as informações extraídas do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), verifiquei que os nºs das Declarações de Importação indicadas nas notas fiscais apresentadas estão compatíveis com as informações extraídas do Siscomex (fls. 348/355). 10. Constatei ainda que os valores de Pis/Cofins indicados nas notas fiscais são compatíveis com os valores do Siscomex. 11. Nos termos do §1º, artigo 15, da Lei 10.865/04, há direito ao crédito de Pis/Cofins em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 12. Sendo assim, os valores informados no Dacon retificador devem ser acatados. Conclusão 13. Diante de todo exposto, concluo que há saldo credor no montante de R$ 49.334,28. 14. Encaminho à EAT6 para cientificar a contribuinte desta informação, ressalvandolhe o direito de apresentar manifestação no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência e posterior encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". Através da Comunicação nº 1.255/2015 (fls. 360/362) a Recorrente foi cientificado do teor da Informação Fiscal (Relatório de Diligência Fiscal) de fls. 356/358. Assim, transcorrido o prazo para apresentação de manifestação, o que não foi efetuado pela Recorrente, os autos retornaram a este CARF para prosseguimento do julgamento. Conforme já dito, é necessário, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos pleiteados neste processo, o que, no caso, NÃO pode ser confirmados em sua totalidade, uma vez que restou demonstrado que há saldo credor disponível para utilização nesta compensação no montante de R$ 49.334,28. Como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), e uma vez comprovada nos autos a existência PARCIAL de direito creditório líquido e certo da Recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, há que ser reconsiderado a decisão dada pela autoridade administrativa e reconhecer o saldo credor no valor de R$ 49.334,28, nos exatos termos como restou consignado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco (fl. 358). Fl. 384DF CARF MF 8 Conclusão Pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado, concluindo que há saldo credor no montante de R$ 49.334,28, para a Declaração de Compensação de nº 19906.30097.171008.1.3.042548. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721839/2011-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 18 39 /2 01 1- 26 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 9202004.827 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16539.720007/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2008
Ementa:
NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016)
CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF.
IRPJ. GANHO DE CAPITAL. PESSOA JURÍDICA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR CONTÁBIL.
Para fins de apuração do ganho de capital pelas pessoas jurídicas, em face da obrigatoriedade de observância do regime de competência, deve ser considerado como custo de aquisição o valor contábil do bem alienado.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EM PARTIDAS MENSAIS. INCERTEZA DO LANÇAMENTO.
A realização de lançamentos em partidas mensais, sem que os mesmos estejam detalhados em livros auxiliares é causa para arbitramento do lucro o que, por si só, afasta a possibilidade de utilização da mesma escrita contábil para apuração de saldo credor de caixa. A apuração do saldo credor de caixa pressupõe que os lançamentos sejam realizados diariamente na conta Caixa, pois a verificação da ocorrência de saldo credor deve ser aferida com relação aos saldos diários daquela conta. Tendo os lançamentos sido agrupados em partidas mensais, resta comprometido o fluxo de caixa real, tornando incerto o lançamento de tais valores. O sujeito passivo é o responsável pela sua escrituração contábil deficiente, mas a apuração de omissão de receitas com base em saldo credor de caixa, conquanto decorra de uma presunção legal, não tem o caráter de penalidade. Ou seja, não deve ser aplicado simplesmente porque o contribuinte registrou valores de forma equivocada em sua contabilidade.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 14.
Numero da decisão: 1302-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2008 Ementa: NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016) CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. IRPJ. GANHO DE CAPITAL. PESSOA JURÍDICA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR CONTÁBIL. Para fins de apuração do ganho de capital pelas pessoas jurídicas, em face da obrigatoriedade de observância do regime de competência, deve ser considerado como custo de aquisição o valor contábil do bem alienado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EM PARTIDAS MENSAIS. INCERTEZA DO LANÇAMENTO. A realização de lançamentos em partidas mensais, sem que os mesmos estejam detalhados em livros auxiliares é causa para arbitramento do lucro o que, por si só, afasta a possibilidade de utilização da mesma escrita contábil para apuração de saldo credor de caixa. A apuração do saldo credor de caixa pressupõe que os lançamentos sejam realizados diariamente na conta Caixa, pois a verificação da ocorrência de saldo credor deve ser aferida com relação aos saldos diários daquela conta. Tendo os lançamentos sido agrupados em partidas mensais, resta comprometido o fluxo de caixa real, tornando incerto o lançamento de tais valores. O sujeito passivo é o responsável pela sua escrituração contábil deficiente, mas a apuração de omissão de receitas com base em saldo credor de caixa, conquanto decorra de uma presunção legal, não tem o caráter de penalidade. Ou seja, não deve ser aplicado simplesmente porque o contribuinte registrou valores de forma equivocada em sua contabilidade. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 14.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.262 1 2.261 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16539.720007/201174 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.084 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2017 Matéria Omissão de Receitas Recorrente ALCASTLE IMOBILIÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2008 Ementa: NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016) CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 07 /2 01 1- 74 Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.263 2 defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. IRPJ. GANHO DE CAPITAL. PESSOA JURÍDICA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR CONTÁBIL. Para fins de apuração do ganho de capital pelas pessoas jurídicas, em face da obrigatoriedade de observância do regime de competência, deve ser considerado como custo de aquisição o valor contábil do bem alienado. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EM PARTIDAS MENSAIS. INCERTEZA DO LANÇAMENTO. A realização de lançamentos em partidas mensais, sem que os mesmos estejam detalhados em livros auxiliares é causa para arbitramento do lucro o que, por si só, afasta a possibilidade de utilização da mesma escrita contábil para apuração de saldo credor de caixa. A apuração do saldo credor de caixa pressupõe que os lançamentos sejam realizados diariamente na conta Caixa, pois a verificação da ocorrência de saldo credor deve ser aferida com relação aos saldos diários daquela conta. Tendo os lançamentos sido agrupados em partidas mensais, resta comprometido o fluxo de caixa real, tornando incerto o lançamento de tais valores. O sujeito passivo é o responsável pela sua escrituração contábil deficiente, mas a apuração de omissão de receitas com base em saldo credor de caixa, conquanto decorra de uma presunção legal, não tem o caráter de penalidade. Ou seja, não deve ser aplicado simplesmente porque o contribuinte registrou valores de forma equivocada em sua contabilidade. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 14. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.264 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão nº 1270.239, proferido em 13 de novembro de 2014 pela 8ª Turma da DRJ/RJO, mediante o qual aquele colegiado acordou por unanimidade de votos em dar provimento parcial à impugnação apresentada pelo sujeito passivo, para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, conforme sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF é mero instrumento administrativo de controle interno da atividade fiscal, por conseguinte documento sem qualquer feição atribuidora de poderes à autoridade fiscal para a realização do lançamento, prerrogativa funcional esta decorrente de lei. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Lei Complementar nº 105/2001 permite que o Fisco examine informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso. ARBITRAMENTO. NORMA COGENTE. Constatado que o contribuinte escriturou o Livro Razão de forma resumida, por partidas mensais, sem o uso de livros auxiliares e, intimado, não apresenta tais livros auxiliares, o lançamento deverá ser feito com base no lucro arbitrado. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Somente cabe a qualificação da multa para o percentual de 150% quando comprovada a intenção do agente em praticar fraude. Nos autos de infração foram apontadas as seguintes infrações: I omissão de receitas em virtude de saldo credor de caixa, ano de 2006; Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.265 4 II omissão de ganhos de capital, ano de 2008. A infração relativa à omissão de receitas, por saldo credor de caixa apurado, refletiuse também nas contribuições ao PIS e à COFINS. A decisão recorrida cancelou as exigências relacionadas à infração de saldo credor de caixa por entender que o lançamento deveria ter sido realizado com base no lucro arbitrado, desconsiderandose a escrituração contábil apresentada e não pelo Lucro Presumido. Foi, ainda, reduzida a multa de ofício qualificada aplicada (150%) para o percentual normal (75%), por entender que não ficou caracterizada a prática de ação ou omissão dolosa por parte do sujeito passivo. O presidente do colegiado a quo recorreu de ofício da decisão. Cientificada do acórdão recorrido em 12/12/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/01/2015, sustentando, em síntese: a) A nulidade do lançamento em face da quebra de sigilo bancário da contribuinte, sem a prévia e indispensável autorização judicial. b) A nulidade do lançamento relativamente ao anocalendário 2008, não incluído no Mandado de Procedimento Fiscal original e de cuja ampliação não foi intimada. c) A impossibilidade de tributação da receita apurada como Ganho de Capital, uma vez que se trata de receita decorrente de alienação de imóveis (terrenos), por se tratar de receita operacional uma vez que o objeto social da recorrente é de incorporação de empreendimentos imobiliários e compra e venda de imóveis próprios. d) Que a simples verificação da atividade imobiliária exercida pela Recorrente evidencia que os resultados obtidos em operações de alienação de imóveis próprios, como apontado no Auto de Infração, constituem clara receita operacional e assim deve ser tributada, nos termos do art. 30 da Lei nº 8.981/95. e) Que a decisão recorrida alterou os fundamentos e critérios jurídicos da autuação, procedendo às seguintes inovações ao sustentar, verbis: Ø Que os empréstimos tomados pela Recorrente para aquisição dos terrenos não teriam sido pagos por ela, uma vez que tal obrigação teria sido transferida para a sua controlada; e Ø Que não teria havido receita operacional porque o acréscimo do capital na controlada "revelou aumento de investimento." f) Que a "incorporação de fundamentos novos à autuação evidencia a nulidade do Auto de Infração por vício de forma, ou seja, ausência de descrição circunstanciada dos fatos/motivação". g) Que "ao trazer à tona o suposto não pagamento de empréstimo como fundamento do lançamento e, ainda, alegar que a integralização de capital social por meio da transferência de imóvel justificariam a existência de ganho de capital, invocando ambos os fatos novos como razões/fundamentos para "salvar" o lançamento, está a revelar, sem dúvida alguma, que a exação, tal como formulada, simplesmente, Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.266 5 não se sustenta, eis que agride o "conceito" de certeza de que reclama o Art. 142 do CTN, mais precisamente porque: Não foi corretamente identificada a matéria tributável contida no lançamento e nem respeitado o princípio legal da tipicidade/atividade vinculada à Lei."] h) Que os fatos apontados na decisão recorrida "não tem o condão de transformar receita "operacional" em "não operacional" de forma a justificar a tributação como "Ganho de Capital"." i) Que ainda que se considerasse possível a descabida tributação como Ganho de Capital, sem dúvida alguma o custo de aquisição identificado pela fiscalização está equivocado, pois o auditorfiscal considerou no custo apenas os valores das parcelas pagas (no total de R$ 60.547.361,09), desconsiderando o valor constante da Escritura de Compra e Venda (R$ 73.000.000,00), além de "ter feito tabula rasa dos dispêndios incorridos com a legalização e melhoria dos terrenos ocorridos no ano de 2005 (aquisição) que, como já dito, período esse que sequer foi objeto da ação fiscal". Ao final a recorrente requer, verbis: Assim, com as presentes considerações e diante das evidências e provas produzidas, espera e confia a Recorrente, com base nas preliminares arguidas, seja declarado nulo o lançamento: a) Por quebra ilegal do Sigilo Bancário; e b) Por ilegalidade no Mandado de Procedimento Fiscal. Na remota hipótese de serem rejeitadas as preliminares acima apontadas, a Recorrente pugna, no mérito, pela improcedência da ação fiscal, por quaisquer dos seguintes motivos: a) Pelo fato de estar evidente que eventual receita na operação de alienação de imóveis próprios é Operacional, tal como prevista em seu Contrato Social; b) Pela impossibilidade jurídica de se considerar a operação praticada como qualquer das hipóteses de incidência caracterizadora da tributação a título de Ganho de Capital; c) Pela desconsideração dos demais valores que compuseram o custo dos imóveis alienados, fazendo surgir "Ganho" inexistente e/ou pela evidência que, no máximo, a operação praticada poderia ser tida como "Permuta", no caso sem torna, inibindo, da mesma forma, a tributação pretendida pelo fisco. É o relatório. Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.267 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Tratase de apreciar os recursos voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão 1270.239, proferido em 13 de novembro de 2014 pela 8ª Turma da DRJ/RJO. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Preliminares de nulidade A recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do lançamento em face da quebra de sigilo bancário da contribuinte, sem a prévia e indispensável autorização judicial. Preliminarmente, impõese registrar que, embora a fiscalização tenha efetuado a Requisição de Movimentação Financeira da interessada junto às instituições financeiras, nos termos da LC 105/2001, nenhuma das infrações apuradas tiveram por base créditos ou depósitos de origem não comprovada. Não obstante, ainda que isto tivesse ocorrido, nenhuma mácula teria o lançamento. O acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal: Art. 145 ... § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. E o CTN, com status de lei complementar, assim já previa, in verbis: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A LC nº 105, de 10 de janeiro de 2001, veio regular, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.268 7 Art.1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Na sequência foram editados a Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, a tentativa de vincular esta atividade tãosó ao Poder Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade necessária à garantia Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.269 8 do direito fundamental à intimidade ou à inviolabilidade de dados. Os atos legais e regularmente mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscreverse a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida. Cabe observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5o, e art. 6o, parágrafo único, ambos da LC nº 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. A constitucionalidade da requisição de movimentação financeira pelo Fisco, diretamente às instituições financeiras, sem intervenção judicial, prevista na LC. 105/2001, foi objeto de questionamentos perante o STF tanto em recursos extraordinários, quanto por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADI. Em julgamento conjunto de cinco processos (RE 601.314 E ADI's 2390, 2386, 2397 e 2859) pelo pleno do STF, finalizado em 24/02/2016, prevaleceu o entendimento, por maioria de 9 votos a 2, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Eis o acórdão relativo às ADI's: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão “do inquérito ou”, constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.270 9 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão “do inquérito ou”, constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PE AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.271 10 práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários . ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos e nos termos do voto do Relator, em julgar improcedente o pedido formulado na ação direta, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Reajustou o voto o Ministro Roberto Barroso para acompanhar integralmente o Relator. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro Dias Toffoli Relator. Assim, restou confirmada pelo STF a constitucionalidade da LC. 105/2001, afastando de vez a existência de qualquer violação aos dispositivos constitucionais que visam preservar a intimidade, privacidade e o sigilo de dados. Pelo exposto, rejeito a primeira preliminar suscitada. A recorrente suscita, também, a nulidade do lançamento relativamente ao anocalendário 2008, não incluído no Mandado de Procedimento Fiscal original e de cuja ampliação não foi intimada antes de formalizado o lançamento. Os argumentos da recorrente não tem procedência, como passo a demonstrar. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.272 11 O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal, estabelecida no art. 6º da Lei nº 10.593, de 08 de dezembro de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007, para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido1. Na condição de autoridade administrativa que detém a competência para realizar o lançamento tributário, o AuditorFiscal não possui discricionariedade para não realizálo ao se deparar, no curso de procedimento fiscal regularmente instaurado, com infrações, ainda que estas não estejam previstas no escopo original da fiscalização, devendo praticar o ato, sob pena de responsabilidade funcional. Ocorre que a atividade de realizar o lançamento deriva do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifei) 1 Lei nº 10.593/2002, (com a redação dada pela Lei nº11.457/2007) Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.273 12 Normas administrativas que regem o procedimento fiscal não têm o condão de modificar a competência do auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, fixada em lei. Nesse sentido a Portaria RFB nº 11.371/2007 “dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil” disciplinando administrativamente a execução dos procedimentos fiscais. É dentro desse contexto de normas de planejamento do trabalho da fiscalização que está inserido o MPF, cuja característica essencial é dar visibilidade ao sujeito passivo que o procedimento fiscal está sendo instaurado em nome da administração tributária, obedecendo ao princípio da impessoalidade. Equivocase, portanto, o recorrente ao vislumbrar o MPF como instrumento necessário para conferir competência ao AuditorFiscal para agir no caso concreto. Tal raciocínio decorre, muito provavelmente, do infeliz nome dado ao documento instituído para deflagrar, nos controles internos da RFB, a instauração do procedimento fiscal2. O termo “mandado” induz o raciocínio equivocado de que o AuditorFiscal estaria executando o procedimento em nome do detentor da função administrativa que o emitiu, como se este último detivesse a competência do lançamento e a delegasse ao AuditorFiscal. Nada mais errôneo, pois como vimos quem detém a competência legal para a fiscalização e lançamento dos tributos federais é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, devendo executála nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Ao detentor da função gerencial é dado apenas planejar a execução dos procedimentos fiscais. Assim, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal mero instrumento de controle administrativo da fiscalização não pode ensejar a nulidade do lançamento, especialmente no que diz respeito à competência do agente, no caso o AuditorFiscal da Receita Federal. Esse entendimento é corroborado por vários julgados do extinto Conselho de Contribuintes e do próprio CARF, como os abaixo: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADES. VALIDADE DO LANÇAMENTO. O mandado de procedimento fiscal constitui controle administrativo das ações fiscais prescindível para a validade do ato de lançamento tributário realizado por servidor competente nos termos da lei. (Acórdão nº 10322704, Sessão de 08/11/06 (DOU de 08/01/07, Seção 1, fl.37), 1º CC, 3ª Câmara) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma 2 Até 1999 o documento interno da Receita Federal que deflagrava a instauração do procedimento fiscal denominavase Ficha Multifuncional FM. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1265/1999, veio substituir a Ficha Multifuncional nos controles internos da Receita Federal, passando a ser entregue aos contribuintes quando da instauração dos procedimentos fiscais, junto com o Termo de Início de Ação Fiscal, com intuito primordial de dar visibilidade aos administrados de que a ação fiscal estava sendo realizada em nome da administração tributária, cuja autenticidade podia ser aferida mediante consulta ao sítio da Receita Federal na rede mundial de computadores. Em regulamentação posterior, o MPF passou a ser conferido apenas eletronicamente, mediante código próprio informado no Termo de Início de Ação Fiscal para acesso aos dados no sítio da RFB. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.274 13 infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal”. (Acórdão nº 20308483, de 16/10/02, 2º CC, Terceira Câmara) PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. (Acórdão nº 201 77049, de 02/07/2003, 2º CC, 1ª Câmara). NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade do ato (...). (Acórdão nº 20214949, de 02/07/2003, 2º CC, 2ª Câmara). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração Tributária. Impropriedades na sua emissão não invalidam o procedimento fiscal e não levam à nulidade de auto de infração regularmente lavrado.(4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção do CARF, Acórdão nº 140100.399 – 16/2/2010) O último julgado citado, da lavra do eminente conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região no mesmo sentido do entendimento ora exposto. O Acórdão da 3ª turma do TRF/5, que reproduzo abaixo, ressalta a autonomia do lançamento pela autoridade fiscal e entende não haver vinculação do lançamento a qualquer ato de cunho meramente administrativo: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.275 14 atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(destaquei) (3ª Turma, AC 434330/SE, Rel. Élio Wanderley de Siqueira Filho, Julgamento em 15/05/08, DJ 31/07/08) Não se vislumbra, no presente caso, qualquer violação ao estatuto do processo administrativo fiscal. Os autos lavrados atendem a todos os requisitos fixados no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (grifei) Assim não apresenta qualquer vício a ensejar a sua nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.276 15 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) Não obstante e, apenas para constar, no presente caso, antes da lavratura e ciência dos autos de infração, o Mandado de Procedimento Fiscal foi alterado para incluir entre os procedimentos a fiscalização do IRPJ do período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2008 (doc. efls. 1110/1112). Ante ao exposto, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que é a autoridade administrativa competente nos termos do art. 142 do CTN e do inc. I, “a” e “c” do art. 6º da Lei 10.593/02 e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do instrumento de controle administrativo denominado Mandado de Procedimento Fiscal. Mérito No mérito a recorrente alega a impossibilidade de tributação da receita apurada como Ganho de Capital, uma vez que se trata de receita decorrente de alienação de imóveis (terrenos), por se tratar de receita operacional uma vez que o objeto social da recorrente é de incorporação de empreendimentos imobiliários e compra e venda de imóveis próprios. Sustenta que a simples verificação da atividade imobiliária exercida pela Recorrente evidencia que os resultados obtidos em operações de alienação de imóveis próprios, como apontado no Auto de Infração, constituem clara receita operacional e assim deve ser tributada, nos termos do art. 30 da Lei nº 8.981/95. Aponta que a decisão recorrida alterou os fundamentos e critérios jurídicos da autuação, ao sustentar que os empréstimos tomados pela Recorrente para aquisição dos terrenos não teriam sido pagos por ela, uma vez que tal obrigação teria sido transferida para a sua controlada e que não teria havido receita operacional porque o acréscimo do capital na controlada "revelou aumento de investimento." Alega que a "incorporação de fundamentos novos à autuação evidencia a nulidade do Auto de Infração por vício de forma, ou seja, ausência de descrição circunstanciada dos fatos/motivação". Adverte que os fatos apontados na decisão recorrida "não tem o condão de transformar receita "operacional" em "não operacional" de forma a justificar a tributação como "Ganho de Capital"." Entendo que a decisão recorrida não inovou nos fundamentos do lançamento, apenas fez uma observação adicional, a partir dos documentos dos autos, para reforçar seu entendimento de que está correto o procedimento fiscal que deu tratamento de ganho de capital à alienação dos imóveis e não como receita operacional, como quer a recorrente. É o que se extrai dos excertos do voto do acórdão recorrido abaixo transcritos, verbis: Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.277 16 [...] A Interessada também alegou que a sua atividade é "Compra e Venda de Imóveis Próprios". Assim, a alienação do imóvel constitui operação que traduz obtenção de "Receita Operacional", jamais "Ganho de Capital". Determina o RIR/99, no que se refere à tributação com base no lucro presumido: “Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1o e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. (...) Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). No capítulo referente a ganhos de capital e outras receitas do RIR/99, determina o artigo 521: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). Assim, a despeito de a Interessada ter como atividade a compra e venda de imóveis próprios, verificase nos autos que os terrenos adquiridos serviram para que houvesse o aumento de capital de sua controlada CIDADE DO PORTO CONSULTORIA IMOBILIÁRIA LTDA pela cessão dos mesmos. Além disto, os empréstimos que propiciaram a aquisição dos terrenos pela Interessada não foram pagos por ela, uma vez que a responsabilidade pelo pagamento dos empréstimos foi transferida para a acima mencionada controlada. Desta forma, a alienação do imóvel constitui operação que traduz obtenção de ganho de capital, (receita não operacional), e não de receita operacional, pois o acréscimo do capital na sua controlada revelou aumento de investimento, devendo ser mantido o reconhecimento de ganho de capital no valor de R$3.912.450,49. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.278 17 Entendo que está correto o entendimento trazido no acórdão recorrido de que a operação de transferência dos imóveis para o patrimônio da empresa controlada pela recorrente, por meio de subscrição de capital, não tem caráter de receita operacional, pois não se trata, a toda evidência, de operação de compra e venda de imóvel ou de incorporação imobiliária. O próprio registro dos terrenos no Balanço Patrimonial da recorrente (único que encontrei nos autos fls. 882), no ano de aquisição (2006), foi registrado no ativo permanente da empresa e não no ativo circulante, que seria o correto, caso tais imóveis tivessem sido adquiridos para comercialização. Outro ponto a observar é o de que, conforme informado à página 4 do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 1029) a empresa não declarou qualquer receita de venda de imóveis nos anoscalendário 2006 a 2008, ou seja, não estava operando de fato como empresa imobiliária. Assim entendo que a operação de transferência do imóvel para a empresa Cidade do Porto Consultoria Imobiliária Ltda, não se caracteriza como uma atividade operacional, mas simples alienação de um ativo imobilizado no qual apurou se ganho de capital, na medida em que a transferência se deu por valor superior ao custo de aquisição original. A recorrente questiona também o custo de aquisição do imóvel utilizado pela fiscalização para a apuração do ganho de capital. Alega que o custo de aquisição identificado pela fiscalização está equivocado, pois a autoridade fiscal considerou no custo apenas os valores das parcelas pagas (no total de R$ 60.547.361,09), desconsiderando o valor constante da Escritura de Compra e Venda (R$ 73.000.000,00), além de "ter feito tabula rasa dos dispêndios incorridos com a legalização e melhoria dos terrenos ocorridos no ano de 2005 (aquisição) que, como já dito, período esse que sequer foi objeto da ação fiscal". Com relação a esta argumentação, tem razão a recorrente, pelo menos em parte. De fato, resta comprovado no autos que o custo de aquisição dos terrenos foi de R$ 73.000.000,00, conforme escrituras e matrículas de Registro de Imóveis (fls. 635/650 e 849/877). Equivocado o procedimento da fiscalização e o entendimento da decisão de primeiro grau ao considerar como custo do imóvel apenas as parcelas efetivamente pagas pela recorrente até o momento da aquisição do imóvel. Esta fórmula de apuração do custo só se aplica ao ganho de capital das pessoas físicas (art. 128, § 2º do RIR/1999). Para as pessoas jurídicas, em face da obrigatoriedade de observância do regime de competência, deve ser considerado como custo de aquisição o valor contábil, nos termos do § 2ª do art. 225 do RIR/1999, verbis: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.279 18 anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). (grifei) Ora, o valor contábil do bem, registrado no ativo permanente da recorrente é de R$ 73.000.000,00, sendo irrelevante a forma de quitação desse valor. Assim, há que se considerar como custo original de aquisição este valor. Porém, a recorrente alega que há que se considerar dispêndios incorridos com a legalização e melhoria dos terrenos ocorridos no ano de 2005 (aquisição), porém não apresentou comprovação de que teria incorrido em tais custos e nem sequer indicou qual seria o seu montante no recurso. O próprio Balanço Patrimonial de 2006, apresenta o valor de R$ 73.000.000,00 dos Terrenos constantes do seu Ativo Imobilizado (fls. 882). Compulsando os autos, tampouco encontro elementos que pudessem corroborar a alegação. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como custo de aquisição dos imóveis alienados, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de R$ 73.000.000,00, reduzindose, assim o ganho de capital tributável para R$ 26.731.866,00. Recurso de Ofício Em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02;2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A exoneração parcial do crédito decorreu do cancelamento do lançamento relativo a infração que apurou omissão de receitas decorrente de saldo credor de caixa e da exoneração parcial da multa de ofício aplicada pelo cancelamento da sua qualificação. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.280 19 A decisão recorrida fundamentou a exoneração relativa à infração de omissão de receitas nestes termos: [...] Da omissão de receitas decorrente de saldo credor de caixa. Conforme relatado, a Fiscalização após examinar o Livro Razão do ano de 2006, constatou a ocorrência de saldo credor em alguns meses na conta CAIXA (1101010000), conforme demonstrado às fls.1.033, tendo sido lançados os valores demonstrados às fls.1.034. Por sua vez, alegou a Interessada que inexistiram os saldos credores de caixa, conforme comprovam documentos que anexou. Exposta a controvérsia, cabem as seguintes observações. Determina o artigo 527, do RIR/99: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Do exame da DIPJ referente ao ano calendário de 2006, constatase na Ficha 58B, linha 22, que a Interessada optou pela escrituração contábil, isto é, não utilizou a prerrogativa prevista no parágrafo único, acima transcrito, que determina que se a pessoa jurídica mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária, não precisará manter a escrituração contábil nos termos da legislação comercial. Portanto, a Interessada, no ano de 2006, estava obrigada a manter a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, vale dizer, o Livro Razão e o Diário. Neste sentido, determina o artigo 259, do RIR/99, que o Livro Razão deverá ter a sua escrituração individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. O que se constata dos autos, cópia do Livro Razão às fls.886/910, é que a Interessada não manteve a escrituração do Livro Razão de forma individualizada, tanto que a própria Fiscalização às fls.1.034, registrou, literalmente: “Cabe registrar que os livros DIÁRIO e RAZÃO foram escriturados em partidas mensais, sendo que a empresa não Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.281 20 apresentou livros auxiliares em partidas diárias, conforme solicitado através dos Termos nº.s 12 e 13.” Em complemento a este entendimento, temse o artigo 530, inciso VI, do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Em síntese, se o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, deverá ser tributado com base no lucro arbitrado. Na sua impugnação, a interessada alegou que houve equivocada interpretação de sua escrituração, acostando aos autos os documentos e livros abaixo assinalados. Às fls.1.135/1.242, constam livros 12 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de dezembro de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs, documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.243/1.268, consta livro 13 “Razão Caixa” contendo movimentação de todos os meses do ano de 2006. Às fls.1.271/1.366, constam livros 10 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de outubro de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.367/1.431, constam livros 11 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de novembro de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.434/1.504, constam livros 6 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de junho de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.505/1.560, constam livros 7 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de julho de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.561/1.635, constam livros 8 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de agosto de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.636/1.684, constam livros 9 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de setembro de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.687/1.801, constam livros 3 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de março de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.282 21 Às fls.1.802/1.866, constam livros 4 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de abril de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.867/1.868, constam livros 5 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de maio de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.1.971/2.063, constam livros 1 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de janeiro de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Às fls.2.064/2.186, constam livros 2 “CréditoCaixa” e “DébitoCaixa” do mês de fevereiro de 2006, acompanhados de notas fiscais, recibos, DARFs e documentos bancários e conciliação bancária. Do exame destes documentos, notadamente, do assim denominado pela Interessada, “Livro 13 Razão Caixa”, às fls.1.243/1.268, verificase que a Interessada juntou aos autos informações que desconstituem os valores que constaram no Livro Razão, fls.886/910, que subsidiaram a análise da Fiscalização. Os documentos acima mencionados não podem ser considerados como livros auxiliares em partidas diárias aptos a susidiar o Livro Razão nem mesmo fichas que pudessem ser utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, porque os mencionados documentos vieram justamente contradizer o que constou no Livro Razão. Claro está, então, que a Interessada não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão nem mesmo fichas que pudessem ser utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Portanto, correta teria sido a desclassificação da escrita contábil e o conseqüente arbitramento do lucro, pois a Interessada escriturou o Livro Razão de forma resumida, por partidas mensais, sem o uso de livros auxiliares tendo sido, conforme já mencionado, intimada pela Fiscalização a apresentar os ditos livros auxiliares em partidas diárias, e não o fez, impossibilitando a apuração do lucro presumido. A autuação deveria ter sido realizada com base no lucro arbitrado, norma cogente, e não conforme os moldes realizados. Voto por dar provimento à impugnação da Interessada. Entendo que, de fato o lançamento relativo à omissão de receitas apurado com base no saldo credor de caixa não pode subsistir. Com efeito, a escrituração apresentada pela recorrente apresentava deficiências evidentes. A realização de lançamentos em partidas mensais, sem que os mesmos estivessem detalhados em livros auxiliares, como defende a decisão recorrida, daria causa ao arbitramento do lucro relativo ao anocalendário 2006 o que, por si só, afastaria a possibilidade de utilização da mesma escrita contábil para apuração de saldo credor de caixa. Ainda que se admitisse a utilização da escrituração apresentada como válida, o que se coloca apenas para argumentar, a apuração do saldo credor de caixa pressupõe que os lançamentos sejam realizados diariamente na conta Caixa, pois a verificação da ocorrência de saldo credor deve ser Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.283 22 aferida com relação aos saldos diários daquela conta. Tendo os lançamento sido agrupados em partidas mensais, resta comprometido o fluxo de caixa real, tornando incerto o lançamento de tais valores. A explicação dada pela autuada em sua impugnação exemplificada pelo lançamento de ajuste ocorrido no mês de dezembro, ilustra bem a completa ausência de confiabilidade da escrituração para se aferir a existência de saldo credor de caixa, verbis: Como antecipado no item "introdução" e, ainda que o próprio Livro Razão os aponte em determinados meses, fato é que inexistem os indigitados "Saldos Credores de Caixa". No mês de dezembro/2006 foram feitos lançamentos à Débito de Caixa de forma agrupada, mas que dizem respeito a operações acontecidas ao longo do ano, como por exemplo: 1. No último lançamento do ano (R$.7.960.000,00) o histórico revela: "Valor Operações Exercício 2006", significando que o total lançado contempla operações realizadas ao longo do ano. 2. A contrapartida do lançamento indica a conta n.° 214442 representativa de Obrigação Passivo, significando dizer que inúmeros pagamentos durante o exercício não foram efetivados pela contribuinte. Cumpre sinalizar que, ainda que não tenham sido compreendidos, esses fatos foram esclarecidos à fiscalização e constam do Relatório Fiscal (fls. 9 de 13), na parte em que diz: " que tratase de lançamentos efetuados através do regime de caixa, onde todos os pagamentos e recebimentos transitam pela conta Caixa" Em outras palavras e tendo como base o exemplo acima, temos que foram feitos lançamentos a Débito de Caixa (recebimentos) e a Crédito de Caixa (pagamentos) sem que houvesse "efetividade" em nenhuma das situações, ou seja, não fosse o critério adotado pela empresa, os lançamentos seriam: a Débito uma conta do Ativo que não o Caixa e a Crédito uma conta do Passivo que não o Caixa, de modo que, simplesmente, desapareceriam os alegados Saldos Credores de Caixa sem qualquer alteração patrimonial na empresa. É certo que o sujeito passivo é o responsável pela sua escrituração contábil deficiente, mas a apuração de omissão de receitas com base em saldo credor de caixa, conquanto decorra de uma presunção legal, não tem o caráter de penalidade. Ou seja, não deve ser aplicado simplesmente porque o contribuinte registrou valores de forma equivocada em sua contabilidade. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, neste ponto. Com relação ao cancelamento da multa qualificada, o acórdão recorrido, assim se posicionou: [...] Da multa agravada de 150%. Como fundamento para agravar a multa de ofício, a Fiscalização informou que, desde o anocalendário 2006, ao menos até 2008, a Interessada vem declarando nas DIPJ não ter auferido receita alguma. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.284 23 Acrescentou a Fiscalização que, por ter omitido receitas, conforme demonstrado pela existência de saldo credor de Caixa, e entregar DIPJ contendo a informação que não auferiu quaisquer receitas e não demonstrar de forma clara e inequívoca, em sua contabilidade, a ocorrência do ganho de capital, a fiscalizada foi autuada com multa de 150%. A Interessada alegou que não foi provado que ocorreu a prática de Fraude. Exposta a controvérsia, cabem as seguintes observações. Quanto à movimentação financeira, a Fiscalização acatou a alegação da Interessada que as mesmas decorreram de empréstimos do exterior. No que se refere à omissão de receita decorrente de saldo credor de caixa, a mesma foi desconstituída neste julgamento, devendo ser ressaltado que a Fiscalização a detectou pela própria contabilidade da Interessada, sem necessidade de ter sido promovida qualquer averiguação mais detalhada. Em suma, os saldos credores mensais foram retirados diretamente do Livro Razão. Quanto à omissão de receita decorrente do ganho de capital, o fato de a contabilidade não ter demonstrado de forma clara e inequívoca a ocorrência do mencionado ganho, não caracteriza por si só, a intenção de fraudar o Fisco. A omissão de receita verificada neste julgamento, dentro de um critério de razoabilidade, deve ser penalizada com a cobrança dos tributos remanescentes acompanhados da multa correspondente à denominada responsabilidade objetiva, conforme se extrai do que prevê o artigo 44 da Lei nº. 9.430 de 1996. Tendo por base que a qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim, revelase incabível a aplicação da multa qualificada. Voto por dar provimento à impugnação para reduzir a multa de ofício para 75%. A autoridade fiscal justificou a qualificação da multa nestes termos: [...] Ao omitir receitas, conforme constatação da ocorrência de saldo credor de Caixa, ao entregar DIPJ contendo a informando de que não auferiu quaisquer receitas e ao não demonstrar de forma clara e inequívoca, em sua contabilidade, a ocorrência do ganho de capital, a empresa pretendeu ocultar da administração tributária sua real situação financeira, enquadrandose, portanto, no disposto no artigo 71 da Lei 4.502/64: [...] Entendo que não restou suficientemente caracterizada a hipótese de qualificação da multa. A autoridade fiscal apenas inferiu o intuito doloso da contribuinte, sem agregar outros elementos que o comprovem de fato. Me parece que a situação em questão se amolda ao disposto na Súmula CARF nº 14, verbis: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 16539.720007/201174 Acórdão n.º 1302002.084 S1C3T2 Fl. 2.285 24 necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, entendo que está correta a decisão recorrida que exonerou a multa qualificada. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Por todo o que foi exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e de negar provimento ao recurso de ofício, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 2285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720361/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
LEI N. 8.218/1991, ARTIGO 11. MANUTENÇÃO DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS EM MEIOS INFORMATIZADOS. ALCANCE DESSE ARTIGO DA LEI.
O artigo 11 da Lei n. 8.218/1991: (i) não obriga a pessoa jurídica a adotar sistema informatizado para registrar negócios e atividades econômico-financeiras, (ii) não obriga que a pessoa jurídica que adote esse tipo de sistema de processamento de dados o faça para todos os seus negócio e atividades econômico-financeiras, mas possa incluir no sistema de processamento as partes de seus negócios e atividades e registros contábeis e empresariais que lhe for conveniente e possível, (iii) não pode obrigar a pessoa jurídica a incluir nesses arquivos os documentos que não foram emitidos por terceiros ou que não foram entregues à pessoa juridíca.
PAF. COMPETENCIA DO JULGADOR PARA EXCLUIR PENALIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL OU PARA REFORMAR DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVA.
Está assente a base de lei para o Colegiado, em processo administrativo, decidir pela exclusão da penalidade proposta pela autoridade fiscal ou pela administração tributário fiscal ou decide afastar as razões da autoridade de administração para reconhecer ou negar direito ou pretensão do administrado ou contribuinte. O exercício dessa competência e atribuição não colide com o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN, ao contrário, confirma-a na medida em que ela é a expressão dos Princípios maiores que regem o ordenamento jurídico a e a aplicação do direito, em especial a garantia do devido processo legal, do amplo direito de defesa e do contraditório.
Numero da decisão: 3401-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e André Henrique Lemos, que sequer conheciam dos embargos.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LEI N. 8.218/1991, ARTIGO 11. MANUTENÇÃO DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS EM MEIOS INFORMATIZADOS. ALCANCE DESSE ARTIGO DA LEI. O artigo 11 da Lei n. 8.218/1991: (i) não obriga a pessoa jurídica a adotar sistema informatizado para registrar negócios e atividades econômico financeiras, (ii) não obriga que a pessoa jurídica que adote esse tipo de sistema de processamento de dados o faça para todos os seus negócio e atividades econômicofinanceiras, mas possa incluir no sistema de processamento as partes de seus negócios e atividades e registros contábeis e empresariais que lhe for conveniente e possível, (iii) não pode obrigar a pessoa jurídica a incluir nesses arquivos os documentos que não foram emitidos por terceiros ou que não foram entregues à pessoa juridíca. PAF. COMPETENCIA DO JULGADOR PARA EXCLUIR PENALIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL OU PARA REFORMAR DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVA. Está assente a base de lei para o Colegiado, em processo administrativo, decidir pela exclusão da penalidade proposta pela autoridade fiscal ou pela administração tributário fiscal ou decide afastar as razões da autoridade de administração para reconhecer ou negar direito ou pretensão do administrado ou contribuinte. O exercício dessa competência e atribuição não colide com o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN, ao contrário, confirmaa na medida em que ela é a expressão dos Princípios maiores que regem o ordenamento jurídico a e a aplicação do direito, em especial a garantia do devido processo legal, do amplo direito de defesa e do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 61 /2 01 0- 81 Fl. 823DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e André Henrique Lemos, que sequer conheciam dos embargos. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n° 3401003.219, que possui a seguinte ementa: Acórdão 3401003.219 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DESCABIMENTO Somente é aplicável a multa do inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991 quando ficar comprovado que a contribuinte omitiu ou prestou informação incorreta de atividade, negócio, documento ou registro empresarial, contábil ou fiscal daquilo que ela abrangeu pelos seus sistemas informatizados, e que deve ser mantido em ordem à disposição da autoridade tributáriofiscal por 10 anos. O artigo 11 dessa Lei não obriga o contribuinte a incluir todas as suas atividades, negócios, documentos e registros em sistemas informatizados. O Ato Declaratório COFINS 15/2001 não obriga a contribuinte a incluir em seu sistema informatizado os documentos emitidos por terceiros e por ela não recebidos. NOTAS FISCAIS SIMBÓLICAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. A não inclusão nos sistemas informatizados das notas fiscais simbólicas emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não configura o sentido e o tipo infracional dado pelo inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991, pois ela não constitui omissão de informação solicitada, ou de prestação incorreta de informação solicitada, além do fato delas não terem expressão de efetiva operação, mas apenas de controle formal adjetivo. Recurso voluntário provido. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10283.720361/201081 Acórdão n.º 3401003.747 S3C4T1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Waltamir Barreiros participou do julgamento e proferiu voto em sessão de julho/2016. Fez sustentação oral, pela recorrente, Cristiane Romano, OABDF n° 1.503A. Robson José Bayerl Presidente e Relator. Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. A Embargante afirma que o acórdão deixou de justificar o afastamento do artigo 97, inciso VI do CTN, pois afastou imotivadamente o comando da lei que motivou o lançamento, e terminou por criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, violando o Princípio da Legalidade. Conclui pedindo que a E. Câmara se manifeste a respeito e justifique o afastamento desse dispositivo do CTN, uma vez que, em seu entendimento, isso correspondeu a verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto. In verbis a argumentação da Ilustre embargante: A fiscalização identificou, com base no exame dos dados constantes dos arquivos digitais fornecidos pela autuada, referentes ao exercício fiscal 2006, a omissão do registro de retornos de mercadorias ou materiais remetidos para deposito ou para industrialização, respectivamente. Diante dessa constatação, considerou ter havido infringência aos requisitos legais estabelecidos para a elaboração dos referidos arquivos, eis que ausentes informações de fornecimento obrigatório, nos termos do ADE COFINS n° 15/2001, que tem fundamento legal nos arts. 11 e 12 da Lei n°8.218/91. [...] Consta na legislação tributária, a determinação de que os arquivos digitais obrigatórios devem conter todas as notas fiscais referentes às entradas e saídas ocorridas na pessoa jurídica, emitidas pela empresa ou por terceiros, ainda que não haja movimentação física de mercadorias ou a geração de débitos ou créditos tributários. Não existe na legislação, hipóteses de exclusão da citada imposição. No entanto, apesar da ausência dessa previsão legal, a e. 1a Turma Ordinária suprimiu a multa, sem, contudo, justificar o afastamento do art. 97, VI do CTN. Eis a redação do art. 97, VI do CTN: "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) Ao afastar imotivadamente o referido comando, a e . P Turma terminou por criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. [..] Ora, se não há dúvida de que o contribuinte praticou a conduta prevista no art. 12, II da Lei n° 8.218/91, não há qualquer possibilidade de se admitir, neste caso, um procedimento Fl. 825DF CARF MF 4 discricionário da autoridade fiscal, em que esta poderia deixar ou não de aplicar a penalidade, segundo sua mera conveniência. Por fim, ressaltase que não se pretende aqui, com a presente peça, alterar o entendimento do acórdão ora embargado. O que se busca é a manifestação do C. Colegiado sobre esse inafastável ponto. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso, para que esta e. Câmara justifique o afastamento do art. 97, VI do CTN, fato que correspondeu à verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Este processo tem como objeto auto de infração que constituiu e exige multa por ausência de informações em arquivos magnéticos, baseada no art. 12, II da Lei n° 8.218/91. De acordo com o relator do acórdão recorrido, "... foi constatada expressiva movimentação de valores sob os títulos "Remessa para Industrialização", CFOP 5.901, e "Remessa para Depósito Fechado", CFOP 5.905, sem a indicação, nos arquivos magnéticos, dos respectivos retornos, segundo o contribuinte, realizados nos CFOPs 1.902, 1.903, 1.906 e 1.907. Intimado a justificar a situação e apresentar as notas fiscais correspondentes, o contribuinte inicialmente apresentou alguns documentos, porém, não incluídos nos arquivos magnéticos, informando, posteriormente, que as notas fiscais de retorno eram meramente simbólicas, não possuindo qualquer relevância no controle das operações." Na instância a quo, no mérito, os julgadores havia mantido a autuação, como se vê pelo entendimento firmado no trecho especifico da sua ementa, in verbis: ARQUIVOS DIGITAIS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INFRAÇÃO DE MERA CONDUTA. MULTA Os dados das notas fiscais de retorno de mercadorias ou produtos remetidos para depósito ou industrialização devem estar inclusos nos arquivos digitais de fornecimento obrigatório ao Fisco, conforme se extrai das disposições contidas nos Itens 4.3 e 4.9 do Anexo Único do ADE Cofis n° 15/2001, que tem amparo legal no art. 11, § 3°, da Lei n° 8.218/91. A ausência dessas informações configura infração que, nos termos do caput do art. 12 do referido Diploma Legal, é de mera conduta, ensejando assim a aplicação da multa prescrita no inciso II desse mesmo artigo, independentemente das consequências dessa omissão, ou de sua vinculação a outras irregularidades eventualmente apuradas." Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10283.720361/201081 Acórdão n.º 3401003.747 S3C4T1 Fl. 4 5 Mas o Colegiado de 2º piso adotou entendimento diferente, e deu provimento ao recurso voluntário, como podemos ver na ementa reproduzida acima, e agora questionada pela Procuradoria da Fazenda Nacional por recurso singular em sede de Embargos. Vou expor aos Senhores Conselheiro as razões por que entendo que ele deve ser conhecido, mas, no mérito, não deve ser acolhido. Primeiramente, a embargante afirma que seriam de inclusão obrigatória nos registros, arquivos e sistemas informatizados e digitais (indicados nos artigos 11 e 12 da Lei n. 8218/1991) as notas fiscais simbólicas referentes a retorno de mercadorias/materiais para depósito ou para industrialização, Invoca o ADE COFINS n. 15/2001 para sublinhar que a legislação tributária traz determinação mandatória da inclusão de todas as notas fiscais "referentes às entradas e saídas ocorridas na pessoa jurídica, emitidas pela empresa ou por terceiros, ainda que não haja movimentação física de mercadorias ou a geração de débitos ou créditos tributários." Consciente de que a Embargante certamente não pretenderia rediscutir o contraditório e a matéria, apressome a trazer ao Colegiado o entendimento de que o acórdão recorrido adotou interpretação da legislação diametralmente oposta à esposada pela recorrente, e também pelos Julgadores a quo e pela autoridade de lançamento. Inicialmente, na visão do Colegiado o disposto no artigo 11 da Lei n. 8.218/1991: (i) não obriga a pessoa jurídica a adotar sistema informatizado para registrar negócios e atividades econômicofinanceiras, (ii) não obriga que a pessoa jurídica que adote esse tipo de sistema de processamento de dados o faça para todos os seus negócio e atividades econômicofinanceiras, mas possa incluir no sistema de processamento as partes de seus negócios e atividades e registros contábeis e empresariais que lhe for conveniente e possível, (iii) não pode obrigar a pessoa jurídica a incluir nesses arquivos os documentos que não foram emitidos por terceiros ou que não foram entregues à pessoa juridíca. Do mesmo modo o ADE COFIS n. 15/2001, que não pretende ir além do disposto na Lei, e não pretende impor que na pessoa jurídica adote sistema informatizado, ou o faça para a totalidade de seus negócios, atividades e registros, e não pretende que ela seja obrigada a incluir documentos que ela não tenha recebido. Naturalmente que a pessoa jurídica passa a estar obrigada a manter em ordem os arquivos e documentos dos negócios e das atividades e dos registros que tenham passado a ser tratados por sistema de processamento de dados. E esses arquivos e documentos eletrônicos devem estar à disposição da autoridade tributário fiscal. Ademais, a decisão recorrida apontou que o fato descrito não correspondeu ao tipo infracional: Fl. 827DF CARF MF 6 Ademais, nesse caso, a autoridade fiscal utilizou os registros de controle do estoque para demonstrar a ocorrência da infração. Entendemos que o controle do estoque pode demonstrar que houve uma falha nos registros de movimentação, justamente que seria saneado pela nota fiscal de movimentação simbólica. Mas, em nossa análise, essa constatação não se confunde com a base e a descrição da infração aqui em discussão: o fato de encontrar registro de movimentação de estoque a que se imputa falta de registro de nota fiscal simbólica não tem identidade com o fato de não estar mantida em meio digital nota fiscal simbólica. As suas materialidades são distintas. Se a infração fosse a existência de um controle de estoque em que se constata a falta de registro correspondente à nota fiscal simbólica, certamente o texto da lei não deixaria de apontar isso com precisão e clareza. Não procede imputar omissão de informação ou prestação incorreta de informação solicitada pela falta de inclusão nos sistema informatizados e nos arquivos digitais de notas fiscais simbólicas (que seriam emitidas pelos terceiros) deduzida a partir simplesmente da movimentação dos estoques, sem demonstrar que elas foram emitidas e chegaram à posse da contribuinte. De outro lado, o controle do estoque trazia a verdade dos fatos, ele não tinha recebido as notas fiscais simbólicas. Essa situação corresponde, a nosso ver, à forma que se espera de uma escrituração, que seja verdadeira, que não esteja trazendo informações inverídicas, falsas. A falta de registro das notas de movimentação simbólica emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não corresponde ao tipo infracional (omissão e prestação incorreta de informações solicitadas e indiretamente o não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos). Com essas breves considerações, que, em resumo, sugerem que o fato (falta de notas fiscais de movimentação simbólica que seriam emitidas por terceiros, a partir do registro de movimentação de estoque) NÃO CORRESPONDE AO TIPO INFRACIONAL (omissão e prestação incorreta de informações solicitadas e indiretamente não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos por não manter digitalizadas as notas fiscais de movimentação simbólica), e que FALTOU COMPROVAÇÃO DO IMPUTADO (pois não demonstrado que a contribuinte não incluiu no sistema informatizado e nos arquivos digitais todas essas notas e que a contribuinte as tinha em sua posse), é que entendemos deverseia dar provimento ao recurso voluntário, de forma a cancelar a exigência. Daí o firmado na Ementa do acórdão recorrido: ARQUIVOS MAGNÉTICOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DESCABIMENTO Somente é aplicável a multa do inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991 quando ficar comprovado que a contribuinte omitiu ou prestou informação incorreta de atividade, negócio, documento ou registro empresarial, contábil ou fiscal daquilo que ela abrangeu pelos seus sistemas informatizados, e que deve ser mantido em ordem à disposição da autoridade tributáriofiscal por 10 anos. O artigo 11 dessa Lei não obriga o contribuinte a incluir todas as suas atividades, negócios, documentos e registros em sistemas informatizados. O Ato Declaratório COFINS 15/2001 não obriga a contribuinte a incluir em seu sistema informatizado os documentos emitidos por terceiros e por ela não recebidos. NOTAS FISCAIS SIMBÓLICAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10283.720361/201081 Acórdão n.º 3401003.747 S3C4T1 Fl. 5 7 A não inclusão nos sistemas informatizados das notas fiscais simbólicas emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não configura o sentido e o tipo infracional dado pelo inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991, pois ela não constitui omissão de informação solicitada, ou de prestação incorreta de informação solicitada, além do fato delas não terem expressão de efetiva operação, mas apenas de controle formal adjetivo. Por isso, considero que o recurso da embargante parte de pressupostos (por exemplo: "Ora, se não há dúvida de que a contribuinte praticou a conduta prevista no artigo 12, inciso II da Lei n. 8.218/1991,,") que foram analisados e afastados pela decisão recorrida, e temos que cuidar para que não incorramos em reapreciar o mérito nesta oportunidade. Em segundo ponto, a Embargante sugere que decisão recorrida deixou de estar motivada para afastar o comando do inciso II do art. 12 da Lei n. 8.218/1991, e que a exclusão da penalidade desatendeu o Princípio da Legalidade e deixou de justificar o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN. Pareceme que está assente a base de lei para o Colegiado, em processo administrativo, decidir pela exclusão da penalidade proposta pela autoridade fiscal ou pela administração tributário fiscal. A meu ver, a motivação desse tipo de decisão pelo Colegiado, e a sua legalidade, residiria: · nos incisos XXIV, LIV, LV e LVI do artigo 5º da Constituição Federal CF/1988, · Lei n. 5.172, de 1966 (em especial artigos 7º, 96, 100, 149, 156 inciso IX, 170 a 173, título IV), · Decretolei n. 37, de 1966 (em especial artigos 97 a 103 e 125 ma 136), · Decretolei n. 822/1969, · Decreto 70.235, de 1972 (em especial os artigos 25 e 37), · Lei n. 9.784/1999, · Portaria MF n. 343 e Regimento Interno do CARF (em especial os artigos 1º, 2º e 63 do Anexo II do RICARF) Quando, por exemplo, o Colegiado decide que o fato descrito pela autoridade fiscal não se subsume à hipótese da lei, ela está afastando a exigência ou desconstituindoa com suporte na competência e na atribuição dada pelo conjunto legal acima listado. Analogamente quanto decide afastar as razões da autoridade de administração para reconhecer ou negar direito ou pretensão do administrado ou contribuinte. O exercício dessa competência e atribuição não colide com o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN, ao contrário, confirmaa na medida em que ela é a expressão dos Princípios maiores que regem o ordenamento jurídico a e a aplicação do direito, em especial a garantia do devido processo legal, do amplo direito de defesa e do contraditório. Fl. 829DF CARF MF 8 Por essas brevíssimas considerações é que espero ter conseguido apresentar a solicitada justificativa e que entendo não ter se dado as supostas ilegalidade ou declaração de inconstitucionalidade. Concluo propondo a este Colegiado seja negado provimento ao recurso interposto pela zelosa Procuradoria da Fazenda Nacional em sede de Embargos. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 830DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901620/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO.
No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO.
É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida.
Numero da decisão: 3301-003.220
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO. No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 20 /2 00 6- 19 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 16327.901620/200619 Acórdão n.º 3301003.220 S3C3T1 Fl. 130 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por economia processual, adoto o relatório deste Tribunal administrativo constante da Resolução nº 3301000.152 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária (fls. 97/101): BANCO ITAÚ S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 39/44 contra o acórdão nº 0528.811, de 17/05/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, fls. 31/34, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22/05/2003 (fl. 15), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 16327.901620/200619 Acórdão n.º 3301003.220 S3C3T1 Fl. 131 3 c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de ofício as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 39/44, acrescido dos documentos de fls. 45/95, apresentando os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2º do CTN; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720018/200844 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste Tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos (fls. 97/101): Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16327.901620/200619 Acórdão n.º 3301003.220 S3C3T1 Fl. 132 4 Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionado ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$ 601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$ 271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. Realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fl. 111): Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16327.901620/200619 Acórdão n.º 3301003.220 S3C3T1 Fl. 133 5 Respondendo aos quesitos levantados pelo Conselho: a) de fato, a PER/DCOMP nº 01175.43760.220503.1.3.044217 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 12,07, conforme demonstrativo de fls. 29. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 9,35, informado no demonstrativo de fls. 29, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme tela de fls. 110. Em seguida, o contribuinte foi intimado (fls.112 a 114 ) e se manifestou nos seguintes termos: Diante disso, a DEINF/SPO emitiu Termo de Ciência nº 1233, respondendo aos quesitos levantados pelo Conselho, reconhecendo que "(...) de fato, a PER/DCOMP nº 01175.43760.220503.1.3.044217 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 12,07, conforme demonstrativo de fls. 29. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada" Com relação ao crédito, consignou que "o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior (...)". Sobre essa questão, o Peticionante esclareceu que se tratava de um erro de preenchimento do DCTF e do PERDCOMP que não efetuaram a devida abertura do crédito. Ou seja, como se vê, restaram esclarecidos todos os questionamentos suscitados pelo CARF, principalmente o erro de preenchimento do PERDCOMP nº 01175.43760.220503.1.3.044217, relativo ao valor que se pretendia compensar, o que confirma as alegações trazidas no Recurso Voluntário. Diante do exposto, requerse o prosseguimento do feito, com remessa dos autos ao CARF, para que seja reconhecida a integralidade do crédito e o equívoco na informação sobre o débito a ser compensado, homologandose, assim, a compensação pleiteada, ou quando menos, caso não seja confirmada a existência do crédito, que seja efetuada a cobrança do débito no valor efetivamente devido no montante de R$ 12,07, conforme reconhecido pela autoridade fiscal. (grifos no original) É o relatório. Voto Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16327.901620/200619 Acórdão n.º 3301003.220 S3C3T1 Fl. 134 6 Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. O objeto deste processo corresponde às questões respondidas na diligência solicitada por meio da Resolução no 3301000.152 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. A diligência (fl. 125) foi conclusiva no sentido de que a PER/DCOMP nº 01175.43760.220503.1.3.044217 realmente estava incorreta, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 12,07. Assim, não sendo homologada a compensação, é este o valor que deve ser cobrado. Concluise também na diligência que o alegado direito creditório no valor de R$ 9,35 não foi devidamente comprovado e nem foi encontrado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não devendo portanto, este ser reconhecido Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o erro alegado pelo contribuinte na declaração do débito e, consequentemente, reconhecer o débito no valor correto de R$ 12,07; e, por outro lado, não reconheço o crédito pleiteado no valor de R$ 9,35. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720728/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio.
Numero da decisão: 1301-002.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016) o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016)
O julgamento teve início na sessão de 5 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, sendo naquela ocasião interrompido por pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros. Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. O conselheiro Marcelo Malagoli da Silva não participou deste julgamento.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. Designado redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016) o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator ad hoc (Portaria CARF nº107/2016) O julgamento teve início na sessão de 5 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, sendo naquela ocasião interrompido por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 28 /2 01 2- 51 Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.093 2 pedido de vista. Diante do afastamento definitivo do Conselheiro relator, o julgamento prosseguiu nesta sessão nos termos da Portaria CARF nº 107/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros. Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. O conselheiro Marcelo Malagoli da Silva não participou deste julgamento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 3374 e seguintes, em face da decisão da 10ª Turma da DRJ/SP1, face a improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte Banco Itaú BBA, relativo ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 30593138. A ação fiscal empreendida junto à contribuinte objetivou o lançamento de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário 2007 a 2010, decorrentes de amortização indevida de ágio gerado em reorganização societária do grupo Itaú, e respectivas multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas dos referidos tributos. Foram lavrados os autos de infração acostados às fls. 30163058, cuja ciência deuse em 14/09/2012. Contudo, conforme Proposta de Revisão de Ofício de fls.3170, datado de em 10/10/2012, foi constatado pela fiscalização que os valores de R$1.182.201.746,85 (Lucro Real Antes das Compensações) e de R$232.783.409,88 (Compensação de Prejuízos Fiscais), informados pela contribuinte na DIPJ do anocalendário 2005, não constavam do sistema Sapli, refletindo no valor dos tributos lançados no anocalendário de 2007, em razão de uma compensação indevida de prejuízo fiscal nesse período (fls.31723174). Desta forma, o lançamento foi revisto nos termos do art.149, VIII, do CTN, conforme o TVF de fls.32183297, que descreve os fatos a seguir resumidos. Tratase de análise da amortização, para fins tributários, do ágio na operação de compra, pelo Banco Itaú BBA S/A, da totalidade das ações do Banco Itausaga S/A (Itausaga),CNPJ 59.601.047/000153, vendidas pelo Banco Itaú S/A, CNPJ 60.701.190/0001 04. Referida operação constituiu uma etapa do processo de absorção do Bank Boston Banco Múltiplo S/A (BKB), CNPJ 60.394.079/000104, pelo grupo Itaú. Passo a descrever de forma resumida as etapas da operação em exame: ETAPAS: · Incorporação/aquisição das ações do Bank Boston Banco Múltiplo S/A (BKB) e da Libero Trading Internacional Ltd (LTI), pelo Banco Itaú Holding Financeira S/A (BIHF), holding do grupo Itaú, em 25/08/2006, por força de acordo do Grupo Itaú com o Bank Of America Corporation, Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.094 3 para aquisição da atividade do BKB no Brasil. Tal incorporação gerou ágio no valor de R$ 2.597.837.360,40; · Incorporação das ações do BKB e da LTI pelo Banco Itaú em 02/10/2006, pelo valor de R$ 4.625.335.493,26, com o objetivo de não reduzir o valor do ágio a ser futuramente amortizado pela empresas do grupo Itaú, mantendose inalterado o valor do ágio de R$ 2.597.837.360,40, entre a primeira e a segunda aquisição. · Cisão parcial do BKB (com versão do segmento Corporate para o Banco Itausaga, e do segmento de cartões para a Rudá Administração e Participações S/A), ambas em 02/10/2006; Cisão parcial do Itausaga (com versão do patrimônio cindido para o Banco Banestado S/A) e · Venda das ações do Itausaga para o ItauBBA, e venda das ações de outra empresa, a Rudá para o Itaucard, ambas em 02/10/2006; · Incorporação da Rudá pelo Itaucard em 02/10/2006, e incorporação do Itausaga pelo ItauBBA em 31/01/2007 ; · Cisão parcial do BKB, com incorporação da parcela cindida pelo Banco Itaú em 31/01/2007; O cerne da questão diz respeito ao ágio amortizado pelo ItauBBA: se este seria realmente uma parcela do mesmo ágio pago pelo BHIF na aquisição do BKB e teria fundamento em expectativa de rentabilidade futura do negócio (relativamente ao segmento Corporate). A 10ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário sob os seguintes fundamentos: que a sequência de operações ocorreu em curto espaço de tempo (no mesmo dia) e também que houve a utilização de uma empresa (Itausaga), cuja função foi apenas servir de veículo para possibilitar a transferência de ágio; que o único objetivo da inclusão da Itausaga no processo de reestruturação foi permitir a indevida transferência do ágio para o ItauBBA, o qual passou a deduzir de seus resultados a respectiva amortização, não havendo nenhum propósito negocial apto a justificar a participação do Itausaga. que houve a tentativa de transferência fictícia de um ativo (ágio) para o ItauBBA, por meio de diversas operações que não possuem qualquer substrato do ponto de vista econômico; que o ágio resultante da aquisição, pelo Banco Itaú, das ações do BKB de propriedade do BIHF, distinguese do ágio apurado na incorporação, pelo BIHF, das ações do BKB de propriedade do Bank of America. e que da mesma forma, após a cisão parcial do BKB, com versão da carteira Corporate para o Itausaga, o ágio registrado no Banco Itaú não pode ser transferido para o Itausaga, por não se tratar de fusão, cisão ou incorporação do Banco Itaú. Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.095 4 O ágio pago pelo ItauBBA na compra das ações do Itausaga nada tem de ver com os outros ágios ocorridos no processo de reestruturação societária aqui analisado. tratase de um ágio interno, eis que surgido entre empresas do mesmo grupo econômico (grupo Itaú) e, portanto, dependentes entre si. que tanto o incorporado (Itausaga) como o incorporador (ItauBBA) eram controlados pela mesma empresa (BIHF), não há como se admitir o ágio interno gerado em decorrência de transação dos acionistas com eles próprios, num processo fora do ambiente de livre mercado e sem independência entre as duas companhias. o ágio passível de amortização é aquele fundamentado no valor dos resultados de exercícios futuros da avaliada. BKB foi adquirido pelo grupo Itaú em razão de seus ativos relativos aos segmentos de operações de cartões de crédito, corporate e varejo, e não propriamente em função da rentabilidade futura das operações da instituição financeira BKB. Desta forma, entendeu a C. 10ª Turma da DRJ que não restou comprovada a rentabilidade futura como fundamentação econômica dos ágios em tela, mantendo, portanto, os lançamentos de IRPJ e de CSLL, assim como a aplicação da multa isolada e dos juros sobre a multa de ofício. Recurso Voluntário Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: (i) o ágio foi amortizado pela impugnante de acordo com a legislação fiscal, e a reorganização societária em comento foi feita por razões empresariais e econômicas, sem motivação fiscal; (ii) não se trata de novo ágio, nem de ágio interno, tratase do mesmo ágio registrado em diferentes momentos, e cujo fundamento econômico está demonstrado nos laudos de avaliação que não foram questionados pela autoridade fiscal; (iii) que deve ser desconstituída a alegação do Fisco de que o ItauBBA incorporou o Itausaga apenas para poder amortizar o ágio originado na aquisição do BKB; (iv) que as operações ocorreram em um curto espeaço de tempo por razões empresariais e com inexistência de abuso; (v) que grupo Itaú teve intenção de adquirir o BKB e assim o fez, pagando um preço que continha um ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, o que é atestado por laudos de avaliação e pelo estudo de fundamentação do ágio e; (vi) impugnou a aplicação de multa isolada e multa de ofício. Requer o provimento do recurso a fim de que seja declarada a improcedência da exigência fiscal. Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.096 5 Este é o Relatório. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator Reprodução do voto proferido pelo Relator na sessão de julgamento de 5 de abril de 2016. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 16/03/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado, via correio, em 16/04/2013 e posteriormente protocolado perante o CARF. Contudo, apesar da apresentação ao correio ter acontecido às 21:25 h do último dia do prazo, foi o documento regularmente aceito. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do v. Acórdão de fls. 3374/3408, proferido pela 10ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte e manteve o crédito tributário objeto dos autos de infração em análise. O ponto central da controvérsia diz respeito ao ágio amortizado pelo ItauBBA: se este seria uma parcela do mesmo ágio pago pelo BHIF na aquisição do BKB e se teria fundamento em expectativa de rentabilidade futura deste (relativamente ao segmento Corporate). Ou seja, diz respeito a uma das etapas de absorção do BKB pelo Grupo Itaú, que consistiram basicamente nas seguintes operações societárias: · 1. Venda das ações do BKB, pertencentes ao Bank of America, ao BIHF em 25/08/2006, na qual foi pago um ágio de R$2.597 milhões (laudo de avaliação das ações do BKB às fls.20512079). · 2.Incorporação das ações do BKB pelo Banco Itaú, operação em que qual foi pago um ágio de R$2.597 milhões (laudo de avaliação das ações do BKB de fls.20932119). · 3.Cisão parcial do Itausaga (com versão do patrimônio cindido para o Banco Banestado S/A) e cisão parcial do BKB (com versão do segmento Corporate para o Itausaga, e do segmento de cartões para a Fl. 4096DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.097 6 Rudá Administração e Participações S/A), quando foi transferido parte do ágio registrado no BKB para as empresas Rudá e Itausaga; · 4.Venda (com ágio de R$760 milhões conforme laudo de fls.2239 2258), pelo Banco Itaú, das ações do Itausaga para o ItauBBA; · 5.Venda, pelo Banco Itaú, das ações da Rudá para o Itaucard; · 6.Alienação do Itausaga para o ItauBBA, sendo que, ao final de 10/2006, os ativos e passivos que compunham a carteira Corporate do BKB foram transferidos para o ItauBBA; · 7.Incorporação da Rudá pelo Itaucard. · 8.Incorporação do Itausaga pelo ItauBBA em 31/07/2007 e posterior cisão parcial do BKB, com incorporação da parcela cindida pelo Banco Itaú em 31/01/2007 De acordo com a data das operações societárias, constatase que seis delas (itens 2 a 7 acima) foram realizados no mesmo dia 02/10/2003, em sequência, assim como evidenciase a a utilização da Itausaga como empresa veículo cuja função foi apenas possibilitar a transferência de ágio. Sustenta a Recorrente que a participação da Itausaga no processo foi apenas uma alternativa entre tantas outras, a fim, não de evitar ou reduzir pagamento de tributo, mas para evitar alteração na composição acionária deste. Não entendo suficiente para a manutenção da infração o entendimento de que a operação de compra e venda poderia perfeitamente ser feita diretamente entre o BKB e o ItauBBA, se a impugnante quisesse realizar a operação sem intermediários, o que consequentemente geraria um ganho de capital para BKB. Os fatos estão postos para serem examinados e, ao que parece, a operação foi realizada ao abrigo da lei tributária que contemplou a formação de ágio, quando da aquisição de participação societária valorizada sob o critério de rentabilidade futura. Considerarse que a Itausaga foi incluída no processo de reestruturação com o propósito certo de permitir a indevida transferência do ágio para o Itau BBA, o qual passou a deduzir a respectiva amortização de ágio, é, no meu entendimento, forçar por demais a realidade: para o Grupo Itáu, a utilização de empresas interpostas, para evitar alteração na composição societária de outras empresas pode ser negocialmente relevante. Podese entender até como estratégia de planejamento tributário objetivando à transferência de ágio gerado na compra do BKB de uma empresa para outra, sem que a lei, por tal motivo, seja violada. Também entendo que a operação estruturada em sequência, transportou ágio de parte da atividade do BKB para o ItaúBBA, empresa essa que acabou por ficar com a parcela "Corporate" do BKB que, lá na origem de toda a operação, foi adquirida de maneira valorizada com base na rentabilidade futura. Não se trata, pois, de ágio novo. Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.098 7 Nos termos da Lei nº 9.537/97, em seu art. 7º, é permitida a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação, o que efetivamente ocorreu neste caso, mesmo que de forma encadeada. Assim sendo, o ágio resultante da aquisição, pelo Banco Itaú, das ações do BKBde propriedade do BIHF, é parte do ágio apurado na incorporação, pelo BIHF, das ações do BKB de propriedade do Bank of America. Se se considerar que o ágio é o mesmo, e vem desde a origem da operação, considerado sobre a aquisição da fatia "Corporate" do BKB, afastado fica o raciocínio de ágio interno, o qual, particularmente, não aceito. Não se trata, esclareçase, de ágio gerado internamente entre empresas de um mesmo grupo econômico e com os mesmos interesses em criar um ágio interno, sem fundamentação econômica, que possibilitasse sua posterior dedução fiscal em outra empresa do mesmo grupo. ´ Da rentabilidade futura Além de entender ser ágio novo de que se trata e, portanto, produzido internamente, ou seja, por empresas interdepententes, o V. Acórdão ainda analisa de forma desfavorável ao contribuinte Recorrente o conceito de rentabilidade futura na operação concretamente realizada. Isso porque, segundo o inciso III do art.7º da Lei nº 9.532/97, o ágio passível de amortização é aquele fundamentado no valor dos resultados de exercícios futuros da avaliada. Ficou demonstrado pela documentação acostada aos autos que o BKB foi adquirido pelo grupo Itaú em razão de seus ativos relativos aos segmentos de operações de cartões de crédito, Corporate e varejo. A tudo isso foi atribuída rentabilidade futura e gerado ágio na operação. Ao contrário do alegado pelo V. Acórdão, vejo sentido e legitimidade em se fazer projeções de rentabilidade futura de uma instituição financeira que conterá a carteira de outra, inclusive baseada em demonstrações financeiras passadas que continham receitas obtidas com a marca BKB. Por todo o exposto, entendendo ser legítima a geração do ágio com base na rentabilidade futura da atividade "Corporate"; ser legítima e revestida dos pressupostos legais a transferência do ágio como perpetrada na operação em comento, que acabou por ser contabilizado no ItauBBA, não se tratar de ágio novo; não se tratar de ágio interno e não ver irregularidade na utilização da dita "empresa veículo", DOU provimento ao recurso para reconhecer legítima a amortização do ágio, da forma em que perpetrada. Por decorrência, fica cancelado o lançamento de multa isolada. É o meu voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Fl. 4098DF CARF MF Processo nº 16327.720728/201251 Acórdão n.º 1301002.182 S1C3T1 Fl. 4.099 8 Fl. 4099DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.929116/2009-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 16 /2 00 9- 42 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 9303004.506 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.951, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 9303004.506 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 9303004.506 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 9303004.506 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 9303004.506 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001862/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007
DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO
De acordo com a Súmula CARF 99 acima, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas.
VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA
A discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontra-se definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Numero da decisão: 2401-004.752
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 12/03, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007 DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO De acordo com a Súmula CARF 99 acima, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA A discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontra-se definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 12/03, e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007 DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO De acordo com a Súmula CARF 99 acima, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA A discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 62 /2 00 8- 72 Fl. 446DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 12/03, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16327.001862/200872 Acórdão n.º 2401004.752 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou, por unanimidade de votos, considerar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o julgado, a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO, conforme ementa do Acórdão nº 1622.768 (fls. 253/273): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições destinadas a terceiros a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições terceiros, mencionadas no artigo 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração foi realizado no prazo quinquenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de valetransporte em desacordo com a Lei n.º 7.418/85 e o Decreto n." 95.247/87. CON\/ENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o contribuinte de suas obrigações definidas por lei. TERCEIROS. INCRA. Fl. 448DF CARF MF 4 A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural. TERCEIROS. SALÁRIOEDUCAÇÃO. A contribuição do SalárioEducação é constitucional, sendo devida pelas empresas vinculadas à Seguridade Social, ressalvadas as exceções legais. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo é composto pelos Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.014.4660 (fls. 03/42), referente ao período de 01/09/2003 a 31/08/2007, consolidado em 15/12/2008, referente a contribuições destinadas às entidades e fundos (Terceiros) – SALÁRIO EDUCAÇÃO (FNDE – Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação) e INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), incidente sobre valores pagos aos empregados a título de vale transporte, não declarados em GFIP e não recolhidos, no montante de R$ 301.675,09, incluídos juros de mora e multa de ofício (Levantamento VTF – VALE TRANSPORTE FOLHA). O Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 37/40), em síntese, informa que: · Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 08.1.66.00200800730, foi instaurado o procedimento de fiscalização, do período de 09/2003 a 08/2007 · Durante a fiscalização, verificouse que a rubrica Vale Transporte, presente na folha de pagamento, foi paga e/ou creditada aos empregados na forma de pecúnia, razão pela qual passa a integrar o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária, por não estar em conformidade com a legislação, conforme disposto no art. 28, § 9º, alínea f, da Lei 8.212/91, nos art. 2º e art. 4º da Lei 7.418/85, e no art. 5º do Decreto 95.247/87; · Toda a base de cálculo objeto deste levantamento não está declarada em GFIP, motivo pelo qual foi lavrado o AI; · Não foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais já que os dados estavam presentes nas folhas de pagamento e em sua contabilidade, o que, em tese, não configura crime de sonegação de contribuição previdenciária; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16327.001862/200872 Acórdão n.º 2401004.752 S2C4T1 Fl. 4 5 · As alíquotas aplicadas sobre os salários de contribuição, nas respectivas competências, estão discriminadas no relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito, que integra este AI; · O crédito lançado encontrase embasado na legislação constante do relatório FL.D Fundamentos Legais do Débito, que integra este AI. · No levantamento VTF Vale Transporte Folha, foram lançados os valores da rubrica Vale Transporte que deveriam integrar os salários de contribuição dos segurados empregados. O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do AI em 17/12/2008 (fl. 03), tendo apresentado tempestivamente, em 15/01/2009, sua Impugnação (fls. 44/83 e anexos às fls. 84/249), onde requer a reunião dos processos relativos aos DEBCADs nºs. 37.014.4651, 37.014.4660 e 37.014.4678, e alega: · Decadência do direito de constituir as contribuições relativas a fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos; · A regularidade dos pagamentos de Vales Transporte em dinheiro conforme estipulado em Convenção Coletiva; · Incompetência do agente fiscal para invalidar estipulações de Convenções Coletivas; · A não incidência de contribuições sociais sobre os valores pagos de Vales Transporte porque não possuem natureza remuneratória e não integrarem o salário de contribuição; · A ilegalidade da aplicação da taxa Selic para atualização do crédito constituído pelo AI. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 11ª Turma da DRJ/SP1, foi julgado IMPROCEDENTE mantendo o crédito constituído pelo AI. Intimada do Acordão nº 1622.768 em 23/10/2009 (AR fl. 276), apresentou tempestivamente, em 19/11/2009, seu Recurso Voluntário (fls. 278/309 e anexos às fls. 310/440) onde alega: · A decadência do direito de constituir as contribuições de períodos anteriores a dezembro do ano de 2003, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; · A regularidade dos pagamentos de Vales Transporte em dinheiro conforme estipulado em Convenção Coletiva; · Incompetência do agente fiscal para invalidar estipulações de Convenções Coletivas; Fl. 450DF CARF MF 6 · A não incidência de contribuições sociais sobre os valores pagos de Vales Transporte porque não possuem natureza remuneratória e não integrarem o salário de contribuição; · A invalidade da exigência das contribuições ao SalárioEducação e ao INCRA após a Emenda Constitucional nº 33/2001. Por fim, requer que o seja determinado a reforma integral da decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, julgando procedente o Recurso Voluntário, cancelando o AI. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.001862/200872 Acórdão n.º 2401004.752 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de decadência Preliminarmente, a Recorrente alega que parte do crédito tributário encontra se atingido pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A DRJ entendeu que não há antecipação de pagamento tendo em vista que a empresa não efetuou o recolhimento sobre as contribuições incidentes sobre o fato gerador vale transporte em pecúnia, atraindo a incidência do art. 173, I do CTN. Como se vê do Termo de Verificação Fiscal – TVF, a presente autuação abarcou o período de setembro de 2003 a agosto de 2007 (fl. 37). O lançamento se perfectibilizou em 17 de dezembro de 2008, quando da ciência do contribuinte (fl. 3). Com efeito, para fins de aplicação da regra decadencial, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, submetido ao rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorra o pagamento antecipado, ou comprovada a existência de fraude ou simulação, deve ser aplicado o prazo estabelecido no art. 173, I do CTN; aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, quando o sujeito passivo antecipa, ainda que parcialmente, parte do pagamento do tributo devido, senão vejamos a ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 452DF CARF MF 8 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.001862/200872 Acórdão n.º 2401004.752 S2C4T1 Fl. 6 9 (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Por outro lado, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi editada a Súmula 99, que estabelece o seguinte: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Feitas essas considerações, passase ao exame da norma aplicável para a contagem do prazo decadencial no caso concreto. De acordo com a Súmula 99 acima mencionada, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas. Segundo se verifica no TVF, apenas a rubrica vale transporte presente na folha de pagamento, deixou de ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária da empresa, ocorrendo, por conseguinte, pagamentos parciais de valores de contribuições previdenciárias devidas no período levantado, embora de outra natureza. Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº 973.733, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º, do CTN, observandose o prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 17 de dezembro de 2008, encontramse fulminados pela decadência os créditos tributários até a competência dezembro de 2003. Assim, acato a preliminar de decadência suscitada pela parte Recorrente. Mérito Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe com vista à constituição de crédito referente a parte terceiros – Salário Educação e Incra, em virtude da rubrica vale transporte, presente na folha de pagamento, ter sido paga e/ou creditada aos empregados na forma de pecúnia, não ter integrado o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. A DRJ entendeu que o auxílio transporte pago em pecúnia deve integrar o salário de contribuição para efeito de incidência da contribuição social previdenciária. Fl. 454DF CARF MF 10 Em seu Recurso voluntário o contribuinte pleiteia a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de vale transporte, na medida em que não possuem natureza remuneratória e não integram o salário de contribuição. Tratase de matéria com trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal em 24/02/2012, que, em sua composição plenária firmou entendimento no sentido de que não incide da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, tendo em vista a sua natureza indenizatória. Trago à colação trechos dos Votos prolatados no RE 478.410/SP: Ministro Luiz Fux: Em outras palavras, o que consta do acórdão embargado é a afirmação de que o só pagamento em dinheiro do valetransporte não modifica a natureza do benefício, de modo que não se mostra válida, apenas por conta disso, a pretensão de incidir a contribuição previdenciária prevista no art. 195, I, da CF, que, reiterese, pressupõe rendimento do trabalho (CF, art. 195, I), o que é repetido, em termos relativamente distintos, pelo teor do § 4º do art. 201 da CF [...] Daí se compreende a menção, nos votos dos Mins. Cezar Peluso e Eros Grau, à infringência ao princípio da legalidade tributária. Ministro Eros Grau: Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. Pois é certo que, a admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. Ministro Cezar Peluso: Estou de absoluto acordo não apenas com a fundamentação teórica do Ministro Relator, mas também com a conclusão de que o fato de a lei prever determinado instrumento para cumprimento da obrigação de pagar não altera essa obrigação e não descaracteriza a natureza do instituto. Ele continua sendo valetransporte, seja pago mediante pedacinho de papel escrito "valetransporte", ou seja paga em dinheiro. [...] O descumprimento da norma legal pode conduzir, em defesa, vamos dizer assim, da verdade salarial, da verdade do pagamento, a outro tipo de sanção, não, porém, a uma que equivaleria a cobrar tributos sem lei que o preveja. Ministro Ayres Brito: E cobrar tributos sobre uma verba que não é salarial. Tem caráter indenizatório, tanto que não integra os benefícios do trabalhador quando da aposentadoria nem a pensão dos seus dependentes. Ministra Cármen Lúcia: [...] independentemente da forma de pagou do meio pelo qual se dá esse pagamento, pareceme que isso não muda realmente a natureza, que é uma natureza de ressarcimento. Ministro Ricargo Lewandowski: Entendo que, tal como fez o Ministro Eros Grau e outros que o acompanharam, o vale transporte, ainda que pago em dinheiro, tem natureza indenizatória, não remuneratória aliás, o Ministro Ayres Britto já referiu esse tema; portanto, ele não integra o salário para Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.001862/200872 Acórdão n.º 2401004.752 S2C4T1 Fl. 7 11 efeito do cálculo da contribuição previdenciária, ainda que pago habitualmente. Destarte, a discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Assim, entendo que assiste razão a recorrente, razão porque devem ser cancelados os lançamentos efetuados a esse título. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, acolher a preliminar de decadência das competências até dezembro de 2003, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, exonerando o crédito tributário. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 456DF CARF MF
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