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Numero do processo: 13971.001962/2003-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do Decreto n. 70.235/72, a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ocorrendo termo inicial para a contagem do prazo prescricional.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA.
Instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11.
INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não há nos autos elementos que possam vincular o crédito tributário objeto do presente processo administrativo em parcelamento especial, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF, e encontram-se em aberto nos sistema da Receita Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO.
Em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3201-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente Justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do Decreto n. 70.235/72, a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ocorrendo termo inicial para a contagem do prazo prescricional. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. Instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11. INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há nos autos elementos que possam vincular o crédito tributário objeto do presente processo administrativo em parcelamento especial, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF, e encontram-se em aberto nos sistema da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do Decreto n. 70.235/72, a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ocorrendo termo inicial para a contagem do prazo prescricional. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. Instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11. INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há nos autos elementos que possam vincular o crédito tributário objeto do presente processo administrativo em parcelamento especial, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF, e encontramse em aberto nos sistema da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 19 62 /2 00 3- 00 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente Justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Relatório Referese o presente processo a auto de infração, referente ao anocalendário de 1998, para a exigência de R$ 5.807,88, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, a título de PIS, uma vez que os valores de débitos informados na DCTF não foram localizados. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: A contribuinte teve ciência do lançamento em 22 de julho de 2003 (v.folha 17). Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresenta impugnação, em 22 de agosto de 2003, à folha 3, alegando que o valor lançado, de R$ 5.807,88, relativo aos períodos de apuração de agosto, novembro e dezembro de 1998, foram incluídos no PAES – Parcelamento Especial, homologado em 31 de julho de 2003, mediante Pedido de Parcelamento Especial, encaminhado em 29 de julho de 2003. Diante da alegação da contribuinte, a autoridade fiscal informa, à folha 22, que, da análise dos autos e consultando os sistemas envolvidos, concluiu que os débitos de PIS não foram incluídos no parcelamento do PAES, conforme documentos de folhas 18 e 19, bem como não havia registro em outro parcelamento especial e, portanto, não foi efetuada a revisão de ofício do lançamento. Ciente do Despacho da autoridade fiscal, a contribuinte apresenta aditamento à impugnação, às folhas 35 a 43, na qual, após a descrição dos fatos, expõe suas razões de contestação. No primeiro tópico das preliminares – Da Prescrição – Apresentação de Esclarecimentos – a contribuinte alega que não Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13971.001962/200300 Acórdão n.º 3201001.611 S3C2T1 Fl. 94 3 impugnou o lançamento constante do Auto de Infração, apenas apresentou esclarecimentos acerca da inclusão dos débitos no Pedido de Parcelamento Especial PAES e, portanto, a pretensão para cobrança do débito fiscal estaria fulminada pela prescrição. Como segunda preliminar – Da prescrição intercorrente – a contribuinte alega que, como protocolou esclarecimentos em 20 de agosto de 2003 e somente em 06 de setembro de 2011 foi notificado da decisão administrativa que determinou a complementação da impugnação, teriam passados mais de cinco anos entre o protocolo da defesa e a decisão, caracterizando o lapso temporal da prescrição intercorrente, nos termos do artigo 24 da Lei nº11.457/2007. No mérito, a contribuinte repete a alegação de que os débitos foram incluídos no PAES, protocolado em 29 de julho de 2003. Explica que a inclusão do débito no PAES impedia a contribuinte de discutir administrativamente sua legalidade, mediante impugnação, nos termos o artigo 4º da Lei nº 10.684/2003. A contribuinte argumenta, ainda, que transcorridos mais de oito anos entre o protocolo do PAES e o recebimento da intimação para aditar a impugnação, não tem como verificar quais foram os fatos que impediram o correto processamento da opção de inclusão das parcelas do referido débito no PAES. Defende a interessada que a autoridade fiscal deveria, em tempo hábil, informar que, apesar de os débitos relacionados no auto de infração integrarem aqueles inscritos no PAES, a opção não restou processada. E, por fim, solicita o reprocessamento do Pedido de Parcelamento Especial nos termos da Lei nº 10.684/2008. No tópico denominado Da multa moratória e da multa de ofício, a contribuinte alega que espontaneamente incluiu o valor dos débitos no PAES e, portanto, resta afastada a multa de ofício, nos termos do artigo 138 do CTN, cabendo apenas a cobrança de multa moratória. No tópico seguinte – Da multa confiscatória – a contribuinte alega que a aplicação da multa de ofício tem caráter confiscatório, bem como afronta os princípios de proporcionalidade e razoabilidade. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1998 IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO. CONTENCIOSO. A apresentação de petição contestando o lançamento efetuado pela Delegacia de Receita Federal, mediante auto de infração, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 caracteriza impugnação e inicia o contencioso, nos termos do Decreto nº 70.235/72. PROVA MATERIAL. COMPROVAÇÃO. Em sede de impugnação, somente poderão ser considerados os argumentos de caráter material, tais como a alegada inclusão dos débitos em programa de recuperação fiscal (PAES), que sejam comprovados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido ex officio pela autoridade fiscal, aplicamse as multas de ofício previstas na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que: i. a Recorrente somente solicitou Pedido de Parcelamento Especial – PAES após a ciência do lançamento de ofício dos débitos de PIS, observandose que teve ciência do lançamento em 22 de julho de 2003 e somente em 29 de julho, do mesmo mês, protocolou pedido de parcelamento, o qual foi homologado em 31 de julho (2003); ii. ao solicitar o julgamento da improcedência do lançamento, com sua declaração de nulidade, teria contestado o auto de infração e dado início ao contencioso administrativo, nos termos do que estabelece o Decreto nº 70.235/72; iii.quanto à prescrição intercorrente, esta não se aplica no âmbito do processo administrativo fiscal,conforme se depreende da manifestação exarada por intermédio do Parecer COSIT nº 1, de 4 de janeiro de 2007 e súmulas do Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13971.001962/200300 Acórdão n.º 3201001.611 S3C2T1 Fl. 95 5 iv.no mérito, quanto à inclusão do crédito tributário lançado no PAES, que o deferimento ou não deste pedido não estaria dentro dos limites de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, que estaria restrita a apreciar as razões do sujeito passivo que se relacionam diretamente com a regularidade do lançamento tributário formalizado; v.os pedidos de parcelamento devem ser dirigidos diretamente à unidade da RFB que jurisdiciona o domicílio da contribuinte; vi. não se considera “espontaneamente declarado” débito informado como pago em DCTF, à época dos fatos geradores, de maneira que a falta de recolhimento do tributo, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no artigo 44, da Lei n. 9.430/96; vii. a alegação de inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício de 75% nas instâncias administrativas não podem ser apreciadas, por falta de competência. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, a Recorrente alega preliminar de prescrição, pois teria apresentado petição de esclarecimentos, que não teriam a natureza de impugnação ao lançamento, portanto, constituído o crédito à época. A decisão recorrida é irretocável nesse ponto, uma vez que independentemente, do nomen iuris que a Recorrente tenha dado à petição apresentada, apresenta a natureza de defesa, nos termos do Decreto n. 70.235/72, o que é corroborado pela sua própria atuação processual até o presente recurso voluntário, de sorte que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, assim, não há sua constituição definitiva, para efeitos de termo inicial para a contagem do prazo prescricional. Portanto, não há de ser acatada a preliminar de prescrição. Quanto à segunda preliminar, de prescrição intercorrente, da mesma forma não pode ser acatada, mantendose a decisão recorrida, na medida em que este é instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11 que enuncia: “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. No mérito, quanto à inclusão do crédito tributário lançado no PAES, a decisão recorrida afirma que o deferimento ou não deste pedido não estaria dentro dos limites Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, restringindose a apreciar a regularidade do lançamento tributário formalizado. Não obstante, é certo que se de fato houve a inclusão dos referidos débitos PIS código 8109 ref. 08/1998, 11/1998 e 12/1998 em parcelamento especial, ainda que após a notificação de lançamento, haveria a probabilidade de haver duplicidade de cobrança do crédito tributário, e o enriquecimento sem causa do Estado. Na própria decisão recorrida, fazse menção ao pedido de parcelamento e à sua homologação. Contudo, ao se compulsar os autos, especialmente as fls. 04 e 05, em que consta cópia de DARF de recolhimento no valor de R$2000,00 (dois mil reais), bem como o formulário de adesão ao PAES, não há quaisquer elementos que possam vinculálos ao crédito tributário objeto do presente processo administrativo, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF e encontramse em aberto nos sistema da Receita Federal. Em relação à aplicação da multa de ofícios e aos juros moratórios, o fato de a adesão ao PAES ter ocorrido após a ciência do lançamento de ofício, pois a contribuinte teve ciência do lançamento em 22 de julho de 2003 e somente em 29 de julho, do mesmo mês, protocolou o pedido, impede que se aplique a regra do art.138 do CTN, como requereu a Recorrente, como, aliás, tem se posicionado de forma assente, essa Corte Administrativa. Finalmente, em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2, que determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002476/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1997,1998,1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Recurso Voluntário Provido- Crédito Tributário Extinto
Numero da decisão: 2803-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 1997,1998,1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido- Crédito Tributário Extinto
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Extinto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 24 76 /2 00 7- 31 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 36202.002476/200731 Acórdão n.º 2803003.267 S2TE03 Fl. 514 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de contribuições incidentes sobre pagamentos aos funcionários a título de seguro de vida de forma irregular, realizadas a título de indenização referentes aos períodos entre 01/01/1997 a 30/11/1999, a ciência do lançamento foi em 13.06.2007. O recurso foi tempestivo, e alegou a extinção da decadência total dos créditos, em razão do prazo qüinqüenal do art. 150,§4º, do CTN. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 36202.002476/200731 Acórdão n.º 2803003.267 S2TE03 Fl. 515 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 01/01/1997 a 30/11/1999, a ciência inaugural do lançamento ocorreu em 13.06.2007. Neste caso, a natureza das contribuições lançadas são tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), em que conforme os relatórios de discriminativos da fiscalização houve pagamentos parciais nas referidas competências. Conforme a súmula n. 99, do CARF, assim, deverseá aplicar a regra decadencial disposta no art. 150, §4º, CTN, ou seja, da ocorrência de decadência e extinção do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito após de 5(cinco) anos a partir da data do fato gerador, em que nas competências houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias. De qualquer forma, em razão da diferença de datas, mesmo na regra do art. 173, I, do CTN, o resultado seria o mesmo. Dessa forma, por qualquer uma das regras, haveria a extinção do credito lançado, em razão da decadência da obrigação tributária. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 36202.002476/200731 Acórdão n.º 2803003.267 S2TE03 Fl. 516 4 Isso posto, voto por conhecer o recurso, para, no mérito, darlhe total provimento, no sentido de reformar a decisão recorrida, decretar o cancelamento do lançamento e extinguir o respectivo crédito, em razão da ocorrência da decadência prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 529DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 13308.000190/2002-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
O direito ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não se prestando a tal desiderato conjunto probatório insuficiente e/ou inconsistente, que não permita a realização das aferições necessárias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto, Jean Cleuter e Ângela Sartori, que davam provimento. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. O Conselheiro Júlio Ramos fará declaração de voto.
Júlio César Alves Ramos Presidente e Declaração de Voto
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. O direito ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não se prestando a tal desiderato conjunto probatório insuficiente e/ou inconsistente, que não permita a realização das aferições necessárias. Recurso voluntário negado.
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CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. O direito ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não se prestando a tal desiderato conjunto probatório insuficiente e/ou inconsistente, que não permita a realização das aferições necessárias. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto, Jean Cleuter e Ângela Sartori, que davam provimento. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. O Conselheiro Júlio Ramos fará declaração de voto. Júlio César Alves Ramos – Presidente e Declaração de Voto Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Robson José Bayerl Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 90 /2 00 2- 22 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Canindé Calçados Ltda em face de acórdão proferido pela delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém (PA) (fls. 458/468), cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo artigo 10 da Lei n° 9.363/1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. DEPENDÊNCIA. A declaração de compensação só pode ser homologada em razão do deferimento dos correspondentes créditos em pedido de ressarcimento. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 13 3 Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. A contribuinte formulou, em 08/10/2002, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 1.548.353,13 (fl. 01), referente ao 2° trimestre de 2002, com fundamento no artigo 1º da Lei no 9.363/1996. Também constam do presente processo os pedidos de compensação de fls. 7682 e 104110 (valores repetidos em relação às fls. 7682; e o apensamento do processo n° 10380.001180/200324 com pedido de compensação na fl. 01. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pelo contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 116/144). Em 09.03.2006, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 286289, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou, em 08.06.2006, a manifestação de inconformidade de fls. 297325, na qual alegou, em síntese: a) Vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal induziriam ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Início. Outrossim, por ocasião da despacho decisório, além de expedir um Comunicado, ameaçando a inclusão dos débitos (para os quais o contribuinte requerera a compensação) em dívida ativa, nada mencionou sobre a possibilidade de o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade em relação decisão à unidade de origem; b) A matéria referente ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS/Cofms, instituído pela Lei n° 9.363/1996, é de simples compreensão e aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos. Com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem foram adquiridas no mercado nacional; se tais aquisições amparavam se em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se as exportações informadas foram efetivamente realizadas; se as receitas totais correspondem àquelas informadas em outras declarações decorrentes de obrigações acessórias; se o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais encontravase correto; e se o cálculo do crédito presumido encontravase correto. Ressalta que, "com um pouco de boa vontade", poderseia facilmente constatar "onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte", que é empresa "quase que exclusivamente exportadora". c) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que "o agente fiscal tinha certeza de que a empresa não Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 teria condições de atender as solicitações, no formato pedido", sendo que "sua intenção era alegar improcedentes os pedidos do contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal". d) Acresce que "disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado", documentos os quais seriam "mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção". Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender as informações requeridas, a fiscalização "levaria décadas para analisálas", indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação dos calçados exportados, bastaria haverse "multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo". e) Invoca o art. 90, IV, do Decreto n° 2.637/1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI/1998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente àss operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, afirma que "nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem à contribuinte, inclusive o crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e Cofins". Aduziu também a ementa do Acórdão n° 20214.834 do Conselho de Contribuintes. f) Registra que o não reconhecimento do direito líquido e certo ao crédito presumido causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. A DRJ de Belém não acolheu as ponderações da contribuinte, indeferindo o pedido de ressarcimento e considerando não homologadas as declarações de compensações. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 471/496), reiterando as alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando a reforma da decisão com o consequente deferimento do ressarcimento da contribuinte. Remetidos os autos a este Conselho, foi distribuído para a 2ª Turma, da 2ª Câmara da Segunda Seção, cabendo a relatoria à conselheira Nayra Bastos Manatta, a qual converteu o julgamento em diligência, entendendo necessário que a fiscalização se pronunciasse sobre o cumprimento de cada um dos requisitos previstos na Lei n° 9.363, de 1996, para fruição do benefício em tela, respondendo, objetivamente, se, à vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos: a) calculando o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e; b) apurando as receitas operacional bruta e de exportação. Solicitou a conselheira, ainda, que se apurasse a base de cálculo e o crédito presumido, na forma da Lei nº 9.363, de 1996, apresentando ainda descrição detalhada do processo produtivo da recorrente (fls. 499/450). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 14 5 Baixado o processo em diligência, a DRF não apresentou o quanto solicitado, limitandose a informar que foram solicitados os arquivos á contribuinte, por diversas vezes, e esta não os apresentou. O processo retornou a este Conselho, cabendo a mim a relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO MÉRITO DO RECURSO Ainda que a diligência solicitada pela Conselheira Nayra Bastos Manatta não tenha sido cumprida pela DRJ na forma requerida, entendo que o processo encontrase apto a apreciação, mormente porque a matéria aqui discutida não é nova neste Conselho, bem como a própria contribuinte já teve diversos casos análogos apreciados, razão pela qual adoto as razões de decidir do Conselheiro Flávio de Sá Munhoz, no Processo nº 13308.000054/9994, da mesma contribuinte. Como ressaltado, observo que há nos autos elementos suficientes à apreciação do pedido (foram juntadas aos autos as Notas Fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, as Fichas Quantitativas de Controle de Estoques, as Notas fiscais de Exportação, etc) e que, por ocasião da execução da decisão terá a autoridade oportunidade de conferir os documentos juntados aos autos, confrontando os com as bases de cálculo adotadas para o cálculo do incentivo, inclusive ajustando o calculo de acordo com o método PEPS, se tal alterar o valor do pedido formulado. Também observo que não há nos autos discussão nem evidência de que teriam sido incluídos na base de cálculo do crédito presumido valores cobrados pelos industrializadores a titulo de mãodeobra pelas industrializações procedidas, cuja validade entendo restrita às hipóteses nas quais a industrialização realizada seja operação intercalar seguida de nova industrialização pelo encomendanteexportador, conforme orientação jurisprudencial das e, Câmaras deste Segundo Conselho e da c. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 20215.733. Rel. Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Sessão de 11/8/2004 e Ac. CSRF/0201.906, Rel. Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 12/4/2005). No caso dos autos, ficou demonstrado que os pedidos incluíram apenas o valor das aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pela Recorrente e por esta remetidos para industrialização em estabelecimentos de Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 terceiros, dentre os quais diversas cooperativas de trabalhadores constituídas de acordo modelo provido ao empreendimento da Recorrente pelo Governo do Estado do Ceará. De acordo com as informações fiscais e a documentação que integra os autos, observase de inicio que tais cooperativas sempre funcionaram dentro do estabelecimento da Recorrente, e as industrializações foram realizadas com a utilização de maquinário de propriedade desta, cedido em comodato, razão pela qual podese afirmar que não houve, propriamente, saídas para industrialização, sendo correto também a firmar que tais penas consubstanciaram operações fictas, o que torna de menor relevância as alegadas irregularidades nas remessas e retornos de industrialização que, de fato, não ocorreram. Feitas essas considerações prévias, passo A análise do direito postulado. O direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI tem por fundamento o art. 1° da Lei n° 9.363, de 13 de Dezembro de 1996, assim redigido: "Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior." Observo que para a configuração do direto é necessário que a a exportação seja decorrente de produção no país e com a utilização de MatériasPrimasMP, Produtos IntermediáriosPI e Material de EmbalagemME adquiridos no mercado interno. É, portanto, um incentivo à produção nacional e à exportação da produção ao exterior, mediante o ressarcimento de tributos que presumidamente oneraram o ciclo produtivo (5,37% correspondia a duas vezes em forma composta a soma das alíquotas das exações internas PIS e Cofins). É fato que as aquisições de MP, PI e ME colacionadas nas NotasFiscais que integram os autos foram procedidas no mercado interno e que os fornecedores se sujeitaram às exações PIS e Cofins (embora essa incidência na fase imediatamente anterior não seja necessariamente relevante no entendimento prevalente no âmbito deste e. Conselho). Nesse sentido, a base de cálculo do incentivo à exportação criado vem definida nas disposições do art. 2°da citada Lei n° 9.363/96: "Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. §1º. O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% obre a base decálculo definida neste artigo. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 15 7 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. §3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Resta analisar se, para os fins do direito pleiteado, deve ser adotado o conceito de "empresa produtora" ou de "estabelecimento produtor” tal com definidos na legislação de regência do In ou se tal utilização, indicada subsidiária pela Lei n° 9.363/96, eliminaria por completo, no modelo de produção adotado pela Recorrente, o incentivo outorgado às exportações. Conforme acima mencionado, de fato, as operações de industrialização foram realizadas no próprio estabelecimento da Recorrente, em operações fictas de industrialização, razão suficiente à consideração do direito aos créditos postulados em face do enquadramento da Recorrente no conceito de estabelecimento produtor. Ainda que assim não fosse, estaria a Recorrente equiparada a estabelecimento produtor e, como tal, teria o direito ao crédito do IPI. Nesse sentido, confirase a redação dos dispositivos a seguir transcritos: Lei n°9.363/96: Art.3º. Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem." A Lei n° 4.502, de 30 de Novembro de 1964 estabelece o conceito de estabelecimento produtor: "Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo ártico. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente ao consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica; IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. "Art. 4° Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: (...) III os que enviarem a estabelecimento de terceiro, matériaprima, produto intermediário, moldes, matrizes ou modelos destinados à industrialização de produtos de seu comércio." De acordo com as disposições da Lei n° 4.502/64 reproduzidas linhas atrás, são equiparados a produtores e, portanto, dotados de todos os direitos e obrigações decorrentes da equiparação os estabelecimentos remetentes de insumos para industrialização em estabelecimento de terceiros, tal como procedido no presente caso, razão que considero suficiente ao reconhecimento do direito ora postulado. Observo finalmente que ainda que se entenda não alcançada a situação em análise no conceito de produtor fixado pela lei por equiparação, o que se admite apenas por amor à argumentação, ainda assim, digno de nota e relevante ao desfecho da controvérsia aqui instaurada, o posicionamento da C. 3 Câmara deste e. Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, embora analisando situação diversa, de produção de produtos NT, não sujeitos ao imposto, corretamente decidiu pelo direito ao crédito em razão da finalidade precípua da norma, conforme transcrição da ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI CONCEITO DE PRODUTOR PARA EFEITO DO RESSARCIMENTO ASSEGURADO PELA LEI N° 9.363/96. A Lei n° 9.363/96 somente reclama o aproveitamento da legislação regente do IPI nos casos especificamente aludidos no parágrafo único, de seu artigo 3 0, no qual não se inclui a figura do 'produtor'. Não se pode invocar o conceito de produtor, prescrito no artigo 3° da Lei n° 4.502/64, na tentativa de restringirse a fruição do crédito presumido de IPI, posto ser inconciliável com a teleologia do incentivo, notadamente a de promover as plenas recuperações do PIS e da Cofins que gravaram as passagens da produção da mercadoria conduzida à exportação. Recurso provido"(Acórdão 20310.269, Relator César Piantavigna, julgado em sessão de 07 de julho de 2005) Por derradeiro, deve ser apreciado o pedido relativo à aplicação da taxa Selic. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, razão pela qual as regras atinentes à restituição também devem ser aplicadas ao ressarcimento. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 16 9 Assim, incide a taxaSelic sobre o valor a ser ressarcido, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, em decorrência da aplicação do art. 39, § 40 da Lei n° 9.250/95. A matéria já se encontra pacificada na jurisprudência da C. Segunda Turma da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais , nos termos do Acórdão CSRF/0201.160, relatado pelo I. Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, a seguir parcialmente transcrito: Ora, diante de tais considerações, por imposição, dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular do crédito incentivado de IPI, a quem, antes desta suposta extinção da correção monetária, se garantia, por aplicação analógica do artigo 66, § 3o, da Lei 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, I, do Código Tributário Nacional, direito à correção monetária e sem que tenha existido disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame , se garanta agora direito à aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95 que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido , crédito este que em caso contrário restará minorado pelos efeitos de uma inflação enfraquecida, mas ainda verificável sobre o valor da moeda. Isto posto, deve ser aplicada a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Com essas considerações, voto pelo provimento parcial do presente recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento do IPI calculado sobre o valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem procedidas pela Recorrente e aplicados na industrialização por terceiros de produtos exportados pela Recorrente, na forma prevista pela Lei n° 9.363/96, acrescido pela variação da taxa Selic a partir da formulação dos pedidos. Fica ressalvado o direito de a administração conferir os cálculos procedidos, confrontandoos com os valores da Notas Fernando Marques Cleto Duarte Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Com as costumeiras vênias, divirjo do posicionamento estampado no voto proferido pelo eminente Conselheiro Relator. Revendo o inteiro teor do caderno processual, concluí que o contribuinte não instruiu adequadamente o seu pedido de ressarcimento, tampouco logrou êxito em atender as demandas apresentadas pelas autoridades fiscais com a finalidade de proceder aos exames necessários ao reconhecimento do direito creditório. Com efeito, inicialmente, o contribuinte apresentou cópia do Livro Registro de Apuração do IPI e DCTF. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Iniciada a ação fiscal, após intimação, a empresa descreveu o seu processo de produção, indicando que se trataria de industrialização por encomenda. Na oportunidade foi apresentado apenas um extrato do que seria um registro de controle da produção e do estoque (fls. 200/203), além de um pedido de prorrogação de prazo para atendimento à intimação, datado de 23/03/2004. Em 08/04/2004 a empresa apresentou parte da documentação solicitada. Em 19/04/2004 o contribuinte deduziu arrazoado onde afirmou que toda a documentação e questionamentos realizados já fora atendido em outras fiscalizações realizadas anteriormente, bem como, citou jurisprudência para defender a desnecessidade de todos os elementos exigidos para reconhecimento do direito de crédito vindicado. Na ocasião foi apresentado um rol de insumos adquiridos para industrialização e demonstrativo de valores da DCP. Na seqüência da fiscalização, o que se vê é uma série de respostas evasivas onde o contribuinte reiteradamente se esquiva de apresentar os documentos exigidos e atender à fiscalização, ora defendendo a desnecessidade dos elementos exigidos, ora afirmando que, de certa forma, já os teria apresentado ou atendido, ora simplesmente requerendo dilação de prazo. Segundo despacho de fls. 286/288 o direito de crédito não foi denegado pela ausência do direito postulado, mas sim pela insuficiência de sua comprovação, haja vista que os elementos disponibilizados pelo contribuinte não conduziam à procedência do pedido. Em manifestação de inconformidade o contribuinte se limitou a questionar o procedimento fiscal e as exigências formalizadas pela autoridade fiscal, não apresentando qualquer elemento novo que pudesse respaldar a sua pretensão, ressalvada a referência a um acórdão exarado pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que examinou pedido semelhante da mesma empresa e, em tese, acolhera seu pleito. Ora, sob o aspecto da instrução probatória do processo, por parte do contribuinte requerente, não merece qualquer reparo a decisão de primeira instância administrativa. Destarte, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, seria atribuição do contribuinte a demonstração e prova do direito alegado, eis que, segundo aludido dispositivo, o ônus de provar o fato constitutivo do direito pertence ao autor, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, o Estado, representado pelo Fisco Federal. Nestes autos, a incumbência da prova caberia então ao requerente, que não se desvencilhou de produzila, não se prestando as diligências e perícias a suprir uma obrigação que seria sua, isto é, não é o escopo de tais procedimentos a produção de prova, seja para a Administração Tributária, seja para o contribuinte. No caso vertente, pelo exame dos termos de intimação lavrados, não há qualquer documento ou informação exigida que não encontre respaldo nos atos administrativos que normatizam o crédito presumido, tais como o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), a Portaria MF 38/97 e as Instruções Normativas SRF 021/97 e 103/97, então vigentes, como bem salientado pela decisão recorrida. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 17 11 Como não bastasse, dos documentos apresentados, várias inconsistências foram apontadas pela autoridade fiscal para reputar estes elementos de prova como imprestáveis à demonstração do direito. Outrossim, o fato de a fiscalização exigir várias informações e documentos para reconhecimento de valores a ressarcir não milita em favor do contribuinte, pois, além de consubstanciar decorrência natural dos procedimentos administrativos, presumese que todo o documentário fiscal apto a demonstrar e quantificar o direito requerido já esteja em perfeita ordem desde o momento da formalização de seu requerimento, principalmente porque, no caso dos autos, este não era o primeiro procedimento de conferência a que se submetia o requerente. Tenho, também, que não compita ao contribuinte aquilatar a necessidade de entrega de tal ou qual documento ou informação exigidos pela autoridade fiscal com respaldo na legislação vigente e mediante termo próprio, mormente quando não aponta qualquer elemento exigido que não estivesse, de alguma forma, amparado em diplomas legais e normativos. De outra banda, supostas antipatias e celeumas suscitadas ao longo do procedimento fiscal, envolvendo autoridades administrativas e contribuinte, devem ser resolvidas no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, porquanto não é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o árbitro de tais disputas. Por derradeiro e com todo o respeito ao relator, reafirmo a minha divergência em relação ao seu entendimento que haja elementos suficientes nos autos que amparem o pleito do contribuinte, ora recorrente, e conduzam à conclusão de que lhe assista razão. Da mesma forma, entendo descabida a remissão da conferência dos cálculos quando do retorno do processo à Unidade de jurisdição do contribuinte, haja vista que a ausência de documentos palpáveis para reconhecimento do direito de crédito foi justamente o cerne da discussão em todo o contencioso administrativo, sendo este fato suficiente para o indeferimento do pedido formulado. Como registrado alhures, a denegação do pleito não se deu pela ausência do direito invocado, mas pela falta de sua comprovação, como estampa com clareza o despacho decisório de fls. 286/288, razão porque parece inócua e despiciente a discussão a respeito do direito, em si, ao ressarcimento do crédito presumido, uma vez que, segundo velho adágio jurídico, alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. (“allegatio et non probatio, quasi non allegatio”). A produção do conjunto probatório necessário ao reconhecimento do crédito presumido pleiteado deveria ocorrer ao longo do processo e não se concretizou, de forma que todas as oportunidades para sua realização já se esgotaram, não havendo que se falar em novo momento para dedução de prova, pois o processo administrativo fiscal também estabelece momentos próprios para sua produção/formalização, que, se não observados, redundam em preclusão. Não fosse assim, o caos processual e a balburdia restariam instalados, transformando o contencioso em algo tumultuado, confuso e infindável, o que não se compagina com seu desiderato. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na linha do que decidido pela decisão de primeiro grau administrativo. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei conveniente explicitar as razões pelas quais acompanhei a posição do dr. Robson, negando o direito postulado, porque, no processo por ele mencionado, julgado na Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, concordei em admitir o crédito em situação semelhante. Apesar de já distante no tempo, lembro que naquela ocasião, a defesa sustentou da tribuna (o que não ocorreu neste caso) que não se trataria, em verdade, de industrialização por encomenda, na medida em que toda a operação teria ocorrido dentro do estabelecimento fabril da postulante. Neste, no entanto, tal assertiva não se faz presente, seja no recurso entregue, seja em qualquer outra peça que pudesse ser posteriormente produzida, a exemplo de memoriais e da sustentação oral, que, como dito, são completamente ausentes. Na situação em que toda a industrialização do produto que vem a ser exportado se dá em estabelecimento distinto daquele que faz a exportação – caso das industrializações integrais por encomenda – a jurisprudência administrativa, desde o Conselho de Contribuintes, se firmou no sentido de que não há direito ao crédito presumido, na medida em que o estabelecimento exportador não é produtor e o produtor não é exportador. Isso se aplica ainda que os estabelecimentos sejam da mesma empresa se o direito for postulado descentralizadamente. Aqui, tratase de empresas distintas. A industrialização por encomenda somente tem sido admitida quando se trata de industrialização complementar àquela que seja realizada pelo exportador, que, neste caso, continua caracterizado como produtorexportador, como exige a Lei 9.363. Assim, mantido que se trata mesmo de industrialização integral por encomenda, que é o que o recurso aduz, não há direito ao crédito presumido mesmo que se admitisse a possibilidade de sua quantificação com os elementos constantes dos autos. Essa a minha razão adicional para negálo. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11080.008474/2002-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
INTEMPESTIVIDADE. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO.
O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: Relator
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INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 84 74 /2 00 2- 43 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida de Recurso Voluntário contra a decisão que acolheu parte da impugnação e afastou a multa de ofício do lançamento decorrente de auditoria interna em DCTF motivado por não ter sido confirmado o crédito vinculado. A recorrente indicou como meio de extinção crédito oriundo do processo de nº 11080.0007979/9716, referente crédito de pagamento indevido ou a maior de FINSOCIAL, o qual não restou confirmado pelo Profisc, que informa tratarse de procedimento inexistente, segundo consta do Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados. A decisão recorrida afastou a multa de ofício por tratarse de débito informado em DCTF e manteve o crédito principal e juros ao argumento do indeferimento dos pedidos de restituição de créditos opostos em compensação objeto do processo de nº 11080.0007979/9716. Disse também que no regime da IN 21/97 competia à autoridade administrativa proceder à compensação, mediante a emissão do Documento Comprobatório de Compensação – DCC, marco da extinção dos Débitos. Concluiu que a falta de confirmação do pagamento justifica o lançamento de ofício para a respectiva exigência. Em razões recursais aduz que a decisão em sede de Recurso Voluntário nos autos de 11080.0007979/9716 teria sido acolhida para anular a decisão e devolver à competência do julgador de Piso para julgar o mérito, e, menciona o Acórdão de nº 302.36.039. A Recorrente tomou ciência do decido nesse processado em 14 de agosto de 2008, como se vê do “AR” de fl. 171. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso é intempestivo e por isto não se conhece, nos termos do art. 33 do Decreto número 70.235/72. Preliminarmente, verifico que a interposição deuse após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de primeira instância. Extraíse do aviso de recebimento do “AR” de fls. 171 que a Recorrente tomou ciência da decisão em 14 de agosto de 2008 (quartafeira), em sendo assim, o prazo recursal iniciouse em 15 de agosto de 2008 (sextafeira), exaurido em 13 de setembro de 2008 (sextafeira). O Recurso foi interposto em 15 de setembro de 2008 (segundafeira) como se vê à fl. 172, em que pese não existir nos autos informação da autoridade com relação à intempestividade, essa resta configurado pelo lapso temporal entre a data da ciência e o momento do protocolo, constatando que ultrapassava os trinta dias previstos para interposição do recurso voluntário. Diante do exposto não conheço do recurso por ser perempto. É o voto. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11080.008474/200243 Acórdão n.º 3403003.121 S3C4T3 Fl. 4 3 Domingos de Sá Filho Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915928/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 28 /2 00 8- 41 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/10/2002). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 3.041,59 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915928/200841 Acórdão n.º 3801003.855 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.911737/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2007
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911737/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.466 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2007 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 37 /2 00 9- 76 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911737/200976 Acórdão n.º 3802003.466 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.007843/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
INFRAÇÃO EM PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE.
Constatada a ocorrência de infração em período decadente e não decadente deve ser mantida a multa integralmente, quando esta é fixa, não dependente da quantidade de infrações para sua mensuração.
NÃO ATENDIMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NEGATIVA DA INFRAÇÃO. ARGUMENTO SEM PROVAS. INVALIDADE.
O argumento da empresa de que teria apresentado os livros e documentos que deram ensejo à lavratura não deve ser aceito, posto que não foram apresentados os elementos que pudessem comprovar tal alegação.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO.
A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos sonegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO EM PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. Constatada a ocorrência de infração em período decadente e não decadente deve ser mantida a multa integralmente, quando esta é fixa, não dependente da quantidade de infrações para sua mensuração. NÃO ATENDIMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NEGATIVA DA INFRAÇÃO. ARGUMENTO SEM PROVAS. INVALIDADE. O argumento da empresa de que teria apresentado os livros e documentos que deram ensejo à lavratura não deve ser aceito, posto que não foram apresentados os elementos que pudessem comprovar tal alegação. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos sonegados. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de impugnar ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO EM PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. Constatada a ocorrência de infração em período decadente e não decadente deve ser mantida a multa integralmente, quando esta é fixa, não dependente da quantidade de infrações para sua mensuração. NÃO ATENDIMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NEGATIVA DA INFRAÇÃO. ARGUMENTO SEM PROVAS. INVALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 78 43 /2 00 7- 91 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O argumento da empresa de que teria apresentado os livros e documentos que deram ensejo à lavratura não deve ser aceito, posto que não foram apresentados os elementos que pudessem comprovar tal alegação. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos sonegados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.007843/200791 Acórdão n.º 2401003.707 S2C4T1 Fl. 195 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 14.887 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.115.3646. A lavratura em questão referese à aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar todos os livros e documentos relacionados às contribuições sociais, nos termos do § 2. do art. 33 da Lei n. 8.212/1991. Nos termos do relatório fiscal, fls. 14/19, a empresa, mesmo regularmente intimada deixou de exibir: Livro Diário/Razão do ano de 1998; Comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT Laudo Técnico de Condições Ambientais — LTCAT; Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional — PCMSO; Programa de Prevenção a Riscos Ambientais — PPRA; Folha de Pagamento da competência agosto/2000 da filial de São Paulo, CNPJ 02.857.954/000574; Arquivos digitais da DIRPJ e da GFIP (SEFIPCR.RE) das filiais de Natal, Rio de Janeiro e São Paulo, originalmente entregues à rede bancária; Relatórios da GFIP das competências fev/99, mar/99, fev/2002 da filial de Natal; capa e relatórios da GFIP das competências set/2000, nov/2000 e jul/2001 da filial do Rio de Janeiro; relatórios da GFIP das competências mar/99, abr/99 e jun/99 da matriz; capa e relatórios da GFIP competência fev/99 da matriz; Cópia dos comprovantes de residência e dos documentos de identificação dos representantes legais e do contador. A empresa ofertou defesa, na qual apresentou as seguintes alegações: a) o AI merece ser anulado, posto que a sua confecção não obedeceu às normas aplicáveis, prejudicando o direito de defesa do sujeito passivo; b) a multa relativa ao período de 01/1999 a 08/2002 foi alcançada pela decadência; c) apresentou todos os documentos exigíveis pela legislação contábil e fiscal, deixando de exibir apenas aqueles inexistentes ou não contemplados na legislação; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 d) o valor da multa deveria ter sido fixado na proporção entre os documentos solicitados e aqueles não apresentados. A DRJ não acatou os argumentos defensórios, fato que motivou a interposição de recurso voluntário, fls. 177/180, contendo os mesmos argumentos lançados na impugnação. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.007843/200791 Acórdão n.º 2401003.707 S2C4T1 Fl. 196 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminar de nulidade Para o sujeito passivo a falta de clareza na exposição dos fatos e das normas aplicáveis seria causa de nulidade do AI. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta os documentos e livros que, embora tenham sido objeto de intimação específica, não foram apresentados pelo sujeito passivo. A base legal e os critérios para fixação da penalidade encontramse claramente expostos no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, fl. 20. Nesse sentido, vejo que o AI e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar à conclusão da ocorrência da infração. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa, encaminho por afastar essa preliminar. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.007843/200791 Acórdão n.º 2401003.707 S2C4T1 Fl. 197 7 No caso sob apreciação, por se tratar de lançamento por descumprimento de obrigação acessória, aplicase para contagem do lapso decadencial a norma do inciso I do art. 173 do CTN. Considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 17/08/2007, poderiam ser exigidos documentos a partir da competência 12/2001, posto que o período anterior já estaria decadente. Verificase que a requisição documental atingiu todo o exercício de 2002, portanto, não há o que se falar em decadência, posto que, embora haja na presente autuação competências alcançadas pela decadência, verificase que há infrações de cuja ocorrência não havia transcorrido o lustro decadencial. Tendose em conta que a multa para esse tipo de infração é aplicada em valor fixo, não dependendo do número de ocorrências verificadas, uma só infração constatada em período não decadente é suficiente para justificar a aplicação da penalidade. Portanto, descabe a alegação de que a decadência excluiria parte da multa. Mérito Alegou a empresa que deixou de apresentar apenas os documentos inexistentes ou não exigíveis nos termos da legislação aplicável. Não devo concordar com tal assertiva. É que esse argumento não restou demonstrado. Sequer a empresa cuidou de juntar na defesa ou no recurso os elementos que o fisco assinalou terem sido sonegados durante a ação fiscal. Vejo que a recorrente apenas argumenta, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não devo acatar o argumento de inexistência da infração. Quanto à suposta irregularidade no cálculo da multa não a detectei. O argumento de que a penalidade deveria ser aplicada na proporção dos documentos não exibidos não tem razão de ser. É que, conforme já assinalei, a multa para este tipo de infração é fixa, independendo da quantidade de ocorrências verificadas. Ou seja, um só documento que deixe de ser apresentado dá ensejo a imposição da multa no valor mínimo, conforme aplicado pelo fisco em obediência à alínea “j” do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e a decadência suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10384.004539/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
DECISÃO ADMINISTRATIVA. PRAZO LEGAL. DESCUMPRIMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA.
O descumprimento do prazo legal no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 não implica nulidade do lançamento ou da autuação fiscal e nem da decisão proferida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PRAZO LEGAL. DESCUMPRIMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. O descumprimento do prazo legal no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 não implica nulidade do lançamento ou da autuação fiscal e nem da decisão proferida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 45 39 /2 00 9- 71 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/10/2009 com base nos valores pagos a estagiários, caracterizados como segurados empregados. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais; autenticados pelo auditorfiscal da RFB. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA; Estando o auto de infração devidamente instruído com os documentos e demonstrativos que embasaram os valores lançados, não há que se falar em cerceamento de defesa. Tendo o contribuinte tomado ciência regularmente do lançamento, do qual recebeu cópia integral, descabe a alegação de cerceamento de defesa por falta de recebimento de cópias dos documentos que instruem o processo, se este estava à sua disposição para vista ou obtenção de cópia. ... A autoridade fiscal informa no Relatório Fiscal (fls. 52/57) que constitui fato gerador da contribuição previdenciária a prestação de serviço remunerados realizados, junto ao autuado, por estagiários não enquadrados nas normas da Lei n° 6.494/1977, pois foi solicitado por meio do Termo de Intimação Fiscal 01 a documentação comprobatória da forma de contratação de estágio, sendo que o órgão se limitou a apresentar ofícios e cadastros internos relativamente a cumprimento de estágios. Ressalta que o sujeito passivo efetuou, inclusive, pagamento de décimo terceiro salário aos estagiários, o que constituiu verba salarial exclusiva de empregado. Em conseqüência, os estagiários foram enquadrados pela fiscalização como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência, no tipo categoria "empregado" de acordo com o item 12, inciso I, alínea "a", combinado com o art. 15, inciso I, ambos da lei 8.212/91. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: O arquivo eletrônico encaminhado juntamente com as notificações, à evidência, não é cópia anexada ao processo. Ainda que o INSS queira informatizar os procedimentos Fl. 199DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10384.004539/200971 Acórdão n.º 2402004.236 S2C4T2 Fl. 199 3 administrativos, não poderá fazêlo em prejuízo do direito constitucional, que assiste ao contribuinte, à ampla defesa e contraditório. Após a análise do CD, constatouse que o mesmo contém vícios e omissões insanáveis. A título exemplificativo, citase o caso do auto de infração 37.243.8660, cujo relatório fiscal alude às fls. 165/185, 186, 187, 195/208, 209/215, 216/218, 219/229, sendo que, o arquivo gravado no CD, alusivo ao mencionado auto, é ali apresentado com apenas 107 páginas em seu "anexo II", com 21 páginas em seu anexo, com 1 página em seu anexo III e com 1 página em seu anexo IV. Os demais anexos, perfazendo um total de 12, simplesmente não estão numerados; Na procuradoria Geral do Estado, os processos são distribuídos de maneira individualizada a Procuradores distintos, que assim formulam suas respectivas defesas de maneira isolada, individual, conquanto devam seguir diretrizes de defesa que traduzem a orientação dos órgãos administrativos da Instituição. Cada Procurador deverá contar com os elementos necessários à elaboração da defesa que lhe foi delegada, dentre os quais deverão estar as informações consignadas em um CD único entre à PGE quando da notificação dos autos de infração. O INSS, na medida que oferece apenas um CD, no qual estão todas as informações referentes aos 12 autos de infração, força o Estado à extração de cópias para cada Procurador, sem as quais a defesa seria uma aventura no vazio, totalmente despossuída de qualquer concretude; Impende considerar que a formalização do ato de notificação fezse mediante a aposição da assinatura do Procurador Geral do Estado em somente um dos autos de infração (AI 37.243.866 7) e, também, no recibo de entrega do arquivo eletrônico. Em que pese à menção, no relatório fiscal do aludido auto de infração, aos demais com ele foram lavrados, não consta de nenhum dos outros o recibo do Procurador Geral. Conforme se sabe, todos os processos individualmente, devem merecer específica notificação que deflagre, para cada qual, a abertura de prazo para elaboração de defesa. Sabese que uma só citação por meio de um só mandado, pretendase formalizar a angulação processual própria a todos os demais processos. Isso a evidencia, é também uma agressão incoercível aos princípios do contraditório e da ampla defesa. E ainda que o lançamento seria nulo por não ter sido observado o prazo de 360 dias para a decisão administrativa. O recorrente faz referência a jurisprudência do STJ determinando o cumprimento do aludido prazo: Na esteira desta diretriz constitucional e a fim de efetivar a segurança jurídica nas relações entre Fisco e contribuinte, o legislador editou a lei 11.457/2007, a qual em seu art. 24 fixa prazo para o julgamento de recursos e defesas dos contribuintes perante a Receita Federal em seus diversos órgãos: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." É o Relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10384.004539/200971 Acórdão n.º 2402004.236 S2C4T2 Fl. 200 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Nos arquivos magnéticos constam todas as informações necessárias para conhecimento das razões e fundamentos da autuação, de forma pormenorizada e individualizada. Os eventuais equívocos de formalização não impedem e nem mesmo dificultam o exercício da ampla defesa e contraditório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10384.004539/200971 Acórdão n.º 2402004.236 S2C4T2 Fl. 201 7 Caso ainda assim desejasse algum esclarecimento, o recorrente tem ao longo do curso do processo todo o direito de se dirigir à repartição; no entanto, não consta nos autos qualquer iniciativa nesse sentido. Preferiu a recorrente adotar uma estratégia de invocála para a nulidade da autuação ao invés de buscar a elucidação de alguma eventual dúvida que sequer fora demonstrada. Ressaltase também que a recorrente não se insurgiu diretamente contra o mérito da autuação. Nada alegou quanto aos pagamentos realizados às pessoas físicas relacionadas nos anexos ao relatório fiscal. Quanto ao prazo legal para que seja proferida uma decisão no processo administrativo, não há em lei qualquer preceito no sentido de invalidação do ato administrativo. Para os casos de não cumprimento do prazo no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 compete ao interessado exigilo da autoridade competente. A conseqüência jurídica assentase em regra genérica de responsabilização funcional, mas sem qualquer previsão de tornar nulo o ato pendente de decisão ou a própria decisão. Assim, rejeito as preliminares argüidas. No mérito, a recorrente não trouxe nos autos comprovação da forma de contratação dos estagiários, a fim de que a fiscalização verificasse a sua regularidade. Com a não apresentação de documentos relacionados à verificação dos fatos invertese o ônus da prova em desfavor do interessado. Reputase que a prestação de serviço apresenta as características da relação de emprego. Ressaltase que mesmo no curso deste processo administrativo de revisão a recorrente nada apresentou que afastasse as razões de fato e direito trazidas no lançamento: Lei nº 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11128.004003/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/05/2008
ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2
Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, Sendo-lhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2).
EXTRAVIO DE MERCADORIA. VISTORIA ADUANEIRA. OCORRÊNCIA DE FURTO. INEXISTÊNCIA DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO.
É correta a cobrança do Imposto de Importação, do IPI , do PIS-Importação e da Cofins-Importação e da Multa por extravio, responsabilidade do depositário, quando constatado o extravio de mercadoria por este recebida, em face de ocorrência do furto, que não se caracteriza como "caso fortuito ou força maior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita; Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/05/2008 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, Sendo-lhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). EXTRAVIO DE MERCADORIA. VISTORIA ADUANEIRA. OCORRÊNCIA DE FURTO. INEXISTÊNCIA DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. É correta a cobrança do Imposto de Importação, do IPI , do PIS-Importação e da Cofins-Importação e da Multa por extravio, responsabilidade do depositário, quando constatado o extravio de mercadoria por este recebida, em face de ocorrência do furto, que não se caracteriza como "caso fortuito ou força maior. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita; Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/05/2008 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, Sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). EXTRAVIO DE MERCADORIA. VISTORIA ADUANEIRA. OCORRÊNCIA DE FURTO. INEXISTÊNCIA DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. É correta a cobrança do Imposto de Importação, do IPI , do PISImportação e da CofinsImportação e da Multa por extravio, responsabilidade do depositário, quando constatado o extravio de mercadoria por este recebida, em face de ocorrência do furto, que não se caracteriza como "caso fortuito ou força maior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 40 03 /2 00 8- 68 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 190 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita; Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela MARIMEX DESPACHOS,TRANSPORTES,SERVIÇOS LTDA. O recurso voluntário visa desconstituir a decisão proferida em 26 de abril de 2012 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 16 38.105 24a Turma da DRJ/SP1, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo a totalidade do crédito tributário exigido, consubstanciado na Notificação de Lançamento de efls 02 a 12, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/05/2008 EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Transcrevese o relatório constante no Acórdão recorrido, registrando como se deu o lançamento e os argumentos da impugnação: “Conforme consta da notificação de lançamento, em ato de vistoria aduaneira da carga documentalmente contida no container NYKU 266.2978, i.e., 20.000,000 kg de ferro vanádio,amparados pelo Conhecimento Marítimo n° . NYKS 7357007270 exnavio NYK E TRELA, procedente do Porto de Durban, África do Sul, entrado n/Porto em 08/03/2008, constatouse que a mercadoria foi totalmente extraviada e no interior do cofre de carga, foi encontrado apenas um estrado de madeira em mau estado. O extravio foi quantificado para fins de crédito tributário, conforme demonstrado PLANILHA DE FALTAS DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS, tendo sido imputada à Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 191 3 responsabilidade ao Depositário, pelos fatos que passamos a expor O container foi recebido no terminal Alfandegado supracitado, em 09/03/2008, sem qualquer termo de avaria e portanto o lacre de origem (0082496) . Segundo comunicação do depositário, recebida nesta Alfandega em 14/03/2008, o container durante o procedimento rotineiro de "inspeção de madeira"(sic), não foram encontradas as mercadorias descritas no Conhecimento de Embarque citado e na mesma data foi lavrado o Boletim de Ocorrência n° 58/2008 na Delegacia de Investigações Gerais de Santos e que outros procedimentos investigatórios seriam encetados, visando coibir repetições de ocorrências como a de que trata a Vistoria Aduaneira. Considerando que o depositário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle, no período em que essas lhe estejam confiadas e que devem zelar pela integridade das mesmas, cuidando, guardando, conservando até a efetiva e boa entrega dos bens a quem de direito. Considerase que Boletim de Ocorrência não é prova da ocorrência de furto, mas da sua comunicação à autoridade policial. Mesmo havendo comprovação desse fato, ônus exclusivo do contribuinte, a ocorrência do caso fortuito e força maior ainda requereria prova de ausência de culpa. O furto não se enquadra na excludente de responsabilidade de caso fortuito ou de força maior. O desaparecimento da carga, por qualquer que tenha sido o motivo, representou prejuízo para a Fazenda Pública, uma vez que a mercadoria importada foi internalizada no país, e o crédito tributário deve ser exigido. Considerando o TERMO DE RESPONSABILIDADE, assinado por ocasião da concessão do serviço público, em que declarou assumir para todos os efeitos legais, a condição de fiel depositário das mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, objeto de operações de carga, descarga, movimentação, armazenamento ou passagem e, nessa condição, assumiu a responsabilidade pelos tributos e demais encargos decorrentes, apurados em relação a extravio, avaria ou acréscimo de mercadorias sob sua custódia, assim como danos a elas causados, nas operações realizadas por seus prepostos. Por todo o exposto e de acordo com o art. 591, foi imputada a responsabilidade pela falta ao Depositário MARIMEX INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS ALFANDEGADAS, lavrando a notificação de lançamento exigindo os seguintes créditos tributários: Crédito Valor (R$) II 60.213,97 Multa por extravio 30.106,98 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 192 4 Multa lei 9430/96 II 45.160,47 IPI 53.189,00 Multa lei 9430/96 IPI 39.891,75 PIS 23.224,56 Multa S/ PIS 17.418,42 COFINS 106.972,33 Multa S/ COFINS 80.229,25 TOTAL 456.406,73 Cientificada do lançamento, a autuada apresentou impugnação em 30/06/2008 (fls. 75 e ss), alegando em síntese que: A mercadoria em questão não entrou no território nacional, não ocorrendo no caso o fato gerador. Não podem ser exigidas as multas por falta de previsão legal. Ao final requer a improcedência da ação.” Por intermédio da Intimação nº103/2012 (efl 111), a contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 1638.105 24a Turma da DRJ/SP1 em 14/05/2012 (AR de efl. 184) e, inconformada, interpõe em 13/06/2012 o recurso voluntário de efls.127 a , por meio do qual, depois de fazer um breve relato dos fatos, apresenta seus argumentos de defesa segundo os itens e subitens a seguir destacados: DO DIREITO DA FALTA E DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA FALTA DE PRESUNÇÃO LEGAL DA JURISPRUDÊNCIA DA CONFIGURAÇÃO DO CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR DAS MULTAS DO PEDIDO Requer seja julgado procedente o presente recurso voluntário, cancelando o auto de infração, como medida de mais lídima justiça. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído.[ É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 193 5 Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente por advogado devidamente nomeado e constituído, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como relatado, a lide versa sobre a exigência de crédito tributário (II, IPI, PIS e Cofins na importação, com as respectivas multas de ofício e Multa por extravio), lançado em razão do extravio de mercadoria após entrada em terminal Alfandegado Marimex, em 09/03/2008, sem qualquer termo de avaria (efl. 22) e portanto com lacre de origem (0082496). Supostamente a mercadoria(ferro vanadium) fora objeto de furto, conforme consta do Boletim de Ocorrência n° 58/2008 na Delegacia de Investigações Gerais de Santos, datado de 13/03/2008, de efl. 23. Constatase que nesta fase recursal o sujeito passivo (responsável tributário) não mais contesta a ocorrência do fato gerador. Na peça impugnatória a contribuinte alegava a não ocorrência do fato gerador, uma vez que, segundo suas palavras, não haveria prova da entrada da mercadoria. No recurso voluntário passa a alegar a Ilegitimidade Passiva, em contraposição ao decidido pela DRJ/SP1. Assim, a ocorrência do fato gerador passou a ser matéria não mais controvertida. A recorrente reconhece que o extravio da mercadoria apenas faz presumir a ocorrência do fato gerador e que por força de Lei, a constatação da falta de mercadoria manifestada e efetivamente embarcada autoriza a fiscalização a lançar o crédito tributário e as multas, mas, aduz que, de forma alguma impõe a responsabilidade por si só, devendo para tanto serem cumpridos os procedimentos atinentes a vistoria aduaneira para a identificação do responsável tributário. Ainda utilizase dos seguintes argumentos: a) falta de presunção legal para atribuir a responsabilidade tributária à recorrente, afirmando que o art. 593 do RA impõe que a vistoria aduaneira consiga, por um conjunto probatório, configurar a responsabilidade de algum agente vinculado ao fato gerador (ex vi lege do art. 128, do CTN); b) vício de legalidade de qualquer ato que importe responsabilização tributária de terceiro com base em presunções infralegais (Art. 593, parágrafo único do Decreto 4.543/03), seja individual (auto de infração) ou geral (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 12, de 31 de março de 2003), c) a configuração de caso fortuito ou força maior, em face de que o extravio se deu por furto qualificado por fraude, agravado por formação de quadrilha e que o Boletim de Ocorrência é prova suficiente para demonstrar a materialidade do evento de caso fortuito e força maior (cita jurisprudência do CARF). Passase à análise de seus argumentos recursais. Da Inconstitucionalidade/Ilegalidade da legislação tributária De antemão, cabe registrar que a autoridade administrativa não tem competência para análise de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação tributária, pois Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 194 6 encontrase estritamente vinculada aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, de modo que a apreciação de tais matérias são de exclusiva atribuição do Poder Judiciário, que detém a palavra final sobre o assunto, nos termos do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Também, há expressa vedação constante no Art.26A, caput, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), segundo o qual, “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por outro lado, o artigo 7° da Portaria MF n° 258/2001 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. No mesmo sentido, o entendimento referendado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a publicação, no Diário Oficial da União de 12 de janeiro de 2011, da seguinte súmula, que se transcreve, para maior clareza: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sobre a questão aduzida acerca da correta interpretação da lei, não se visualizou nenhuma incorreção, posto que tanto o lançamento, quanto a decisão de 1ª instância cuidaram da devida aplicação da legislação tributária atinente aos fatos. Especificamente nesta questão da vinculação da autoridade julgadora de 1ª instância à legislação tributária, é de ressaltar, que tal vinculação advém da Lei n° 8.112 de 11/12/1990, no inciso III de seu artigo 116, que elenca como um dos deveres do servidor observar as normas legais e regulamentares. O artigo 96 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25/10/66) estabelece: “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” Portanto, as normas complementares enquanto atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (art. 100, inciso I, do CTN), caracterizamse como verdadeiras fontes do Direito Tributário, produzindo efeitos que se presumem válidos enquanto não expurgados formalmente do mundo jurídico, vinculando indistintamente, em caráter geral e obrigatório, contribuintes e agentes públicos. De modo que, estando aquelas autoridades vinculadas, por determinação legal, às normas legais e regulamentares, sob este aspecto, não se encontra incorreção sobre a decisão adotada pela autoridade de primeira instância, consoante será demonstrado na análise do mérito. Da responsabilidade tributária Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 195 7 É inconteste a ocorrência do extravio. A Autoridade lançadora assim esclarece o fato: “Às 09:30 hs do dia 20/05/2008, compareci ao TERMINAL ALFANDEGADO MARIMEX, para realizar a VISTORIA ADUANEIRA da carga documentalmente contida no container NYKU 266.2978, i.e., 20.000,000 kg de ferro vanádio,amparados pelo Conhecimento Marítimo n° . NYKS 7357007270 exnavio NYK ESTRELA, procedente do Porto de Durban, África do Sul, entrado n/Porto em 08/03/2008. Nossa missão seria verificar a ocorrência de avaria e/ou extravio, identificar o responsável e apurar o credito tributário dele exigível, nos termos do art. 581. parágrafo I1º (DecretoLei 37/66, art. 60), atendendo requerimento na inicial (fls.01) . No ato da vistoria, foi constatado que a mercadoria havia sido totalmente extraviada e no interior do cofre de carga, vide fotos de fls. 24 a 38) encontramos apenas um estrado de madeira em mau estado) , sem qualquer carga.” O Art. 60 do Decretolei n º 37, de 18 de novembro de 1966, reproduzido no art. 591 do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 1stabelece: “Art.60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II extravio toda e qualquer falta de mercadoria.( Vide Medida Provisória nº 320, de 2006 ) ( Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010 ) Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.( Vide Medida Provisória nº 320, de 2006 ) “ Ao contrário do alegado, como bem ressaltado pelo o Acórdão ora recorrido, a responsabilidade tributária pelo extravio de carga depositada em recinto alfandegado é prevista pelo art. 593 do RA (Decreto n° 4.543/02), que assim dispõe: “Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto.” 1 Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 196 8 Pois bem, em 17/03/2008 a contribuinte emite o certificado de efl 22 nos seguintes termos: “Certificamos para os devidos fins, que foi recebido neste IPA III MARIMEX em 09/03/2008. descarregado do navio "NYK ESTRELA" o container NYKU266.2975, amparado pelo BL: NYKS7357007270. Desta forma, informamos que esta unidade encontrase depositada em nosso terminal.” Não consta em tal certificado emitido pela Marinex o registro de qualquer ressalva acerca de avarias ou extravio no volume recebido e não há elementos nos autos capazes de infirmar a presunção de recebimento integral das mercadorias pelo depositário, razão pela qual é de concluir que o depositário recebeu a totalidade das mercadorias, container NYKU266.2975, amparado pelo BL: NYKS7357007270. E, ademais, como foi lembrado pela autoridade lançadora, por ocasião da concessão do serviço público, a contribuinte assinou o termo de responsabilidade, em que declarou assumir para todos os efeitos legais, a condição de fiel depositário das mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, objeto de operações de carga, descarga, movimentação, armazenamento ou passagem e, nessa condição, assumiu a responsabilidade pelos tributos e demais encargos decorrentes, apurados em relação a extravio, avaria ou acréscimo de mercadorias sob sua custódia, assim como danos a elas causados, nas operações realizadas por seus prepostos. Desta forma, é de se aplicar ao caso a presunção de responsabilidade do depositário consoante previsto no art. 593, parágrafo único do RA (Decreto n° 4.543/02) acima transcrito. Da configuração de caso fortuito ou força maior Pretende a recorrente excluir a sua responsabilidade tributária também sob a alegação de que o Boletim de Ocorrência acerca do furto se consubstancia em prova suficiente para demonstração dos fatos em que se observa a ocorrência de caso de força maior, consoante a jurisprudência que cita. Traz novas provas acerca do furto, referente ao indiciamento, prisão e denuncia de várias pessoas, nos autos do processo 562.01.2008.0185170, em tramite perante a 6a Vara Criminal de Santos, da Justiça Estadual de São Paulo, justificando sua anexação apenas no recurso voluntário por força do art. 16, § 4, b, do Decreto 70.235/72,uma vez que os documentos foram produzidos em data posterior a impugnação e no curso do inquérito policial. Improcede tal alegação. O Regulamento Aduaneiro prevê a exclusão de responsabilidade pela comprovação de ocorrência de caso fortuito ou de força maior, consoante se demonstra pela transcrição do seu Art. 595: “Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 197 9 demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1º Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2º As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria.” Buscase no Direito Civil, Lei nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002, o conceito sobre tais excludentes: “Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.”(Grifei). Em face de tal conceito, já contido no Código Civil anterior (Lei n° 3.071, de 01.01.1916, art.1.058), consoante registrou a autoridade lançadora, foi emitido o Parecer Normativo CST n°39/1978, publicado no DOU de 04.05.1978, esclarecendo: “3. [...] Fortuito é, no sentido exato de seu significado (acaso, imprevisão, acidente), o evento que não se pode prever e que, quando ocorre, se mostra superior as forças ou vontade do homem, para que seja evitado. Caso de força maior é o fato que se prevê ou é previsível, mas que não se pode, igualmente, evitar, visto que é mais forte que a vontade ou ação do homem. Assim, ambos se caracterizam pela irresistibilidade e se distinguem pela previsibilidade ou imprevisibilidade . [...], ao passo que os casos de outras espécies mostram ação de quem os praticou ou se converteram em efeito, em função das causas de imprevidência, negligência, imprudência, imperícia, complacência, conivência, inércia, omissão, etc. Entre outros, se consideram casos fortuitos e de força maior os seguintes: tempestade, borrasca, inundação, terremoto, granizo, maremoto, naufrágio, incêndio, geada, nevasca, tufão, furacão, etc, ou quaisquer outros acontecimentos dessa ordem, imprevisíveis ou previsíveis, mas inevitáveis. (grifei) 4. Por princípio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de força maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém, (grifei) “ Exatamente por considerar tais conceitos legais é que a autoridade lançadora concluiu: “Por conseguinte, somente se atribuirá uma situação a caso fortuito, ou de força maior, se cumpridas duas condições indissociáveis , a saber:1. ausência de imputabilidade: o evento não pode decorrer da ação humana. É o chamado Act of God , como classificam os ingleses. Se o acontecimento originouse da Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 198 10 atuação de terceiros, a lei dá a quem for nomeado responsável, o direito regressivo contra o agente. Por esse motivo, o incêndio só será um caso fortuito, ou de força maior, se demonstrada a inexistência de interveniência humana, ou seja, não foi ele provocado por assaltantes ou por vingança, exemplificativamente; 2. inevitabilidade ou irresistibilidade: o sujeito passivo não pode concorrer, sob qualquer forma negligência, imperícia, imprudência, culpa in vigilando ou in eligendo, inércia, omissão, etc. , para o episódio lamentado. Se a sua postura facilitou ou permitiu o evento danoso, não se pode falar em fortuito, mas se deve debitar, a esse comportamento, a origem parcial ou total do fato malsinado. Como exemplo, mencionese a construção de imóvel, ou benfeitoria, em região reconhecidamente sujeita a inundações imprudência.Em síntese, podese afirmar que o caso fortuito, ou de força maior, ocorre inexoravelmente, sem que o homem tenha, de alguma forma, interferido, e sem que possa, de qualquer modo, impedi lo.”(grifos do original). Há quem defenda que existem fatos humanos considerados como casos fortuitos e de força maior, mas que estes, limitarseiam aos atos cujo autor seja indeterminado ou indeterminável (as guerras, as revoluções, as greves, os motins, os assaltos à mão armada, etc.) e os fatos do príncipe, cuja verificação seja imprevisível em concreto ou cujos efeitos não possam ser impedidos, ainda que os fatos sejam previstos. 2 Esta foi a linha adotada na Jurisprudência do STJ trazida pela recorrente. Não é o caso dos autos. Aqui, a ocorrência foi de furto, sem emprego de violência ou ameaça que impeça ou diminua a capacidade de resistência da vítima, e, portanto, não pode, de forma nenhuma, tipificar a ocorrência de caso fortuito ou força maior. E, mesmo qualificado, tratase de evento previsível a quem explora comercialmente qualquer armazém ou depósito, o qual deve adotar medidas preventivas visando evitálo. Como já disse o autuante, “tanto o furto como o roubo são riscos previsíveis, inerentes à própria atividade exercida pela depositária de mercadorias estrangeiras, para os quais deve ela estar permanentemente acautelada e aparelhada, tornandoos evitáveis.” Alegar, como o fez a ora recorrente, que a astúcia dos agentes e a formação de quadrilha com a participação de funcionários da empresa caracteriza fato imprevisível e impossível de ser resistida, na verdade, caracteriza alegar, em seu favor, a própria falta de cuidado e diligência. É certo, portanto, que no caso, deuse a culpa “in vigilando”exclusivamente da Recorrente, uma vez que a mercadoria foi furtada quando se encontrava sob sua custódia. A esse respeito cuidou bem a decisão singular ao reportarse ao Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 12, de 31/03/04, reproduzindo trecho da mesma, sem deixar dúvidas quanto ao fato de que a tese sustentada pela ora recorrente em nada lhe aproveita. Para contrapor a jurisprudência trazida pela recorrente na linha por ela defendida de que o Boletim de Ocorrência é prova suficiente para demonstrar a materialidade do 2 J. M. Antunes Varela, na obra “Direito das Obrigações”, Ed. Forense, vol. II, pg. 70 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 199 11 evento de caso fortuito e força maior, colacionase ementas de julgados já proferidos nesta turma e na CSRF,em sentido oposto: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 24/07/2007 TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO DA CARGA POR ROUBO. Não comprovada a conclusão da operação de Trânsito Aduaneiro, em decorrência do extravio das mercadorias por alegado roubo, é correta a cobrança do Imposto de Importação, do PISImportação e da CofinsImportação, obrigações fiscais suspensas e assumidas em Termo de Responsabilidade. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº3302002.266– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20 de agosto de 2013. WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator.) “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 13/12/2006 VISTORIA ADUANEIRA. TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA O registro da ocorrência de roubo em Boletim de Ocorrência perante a autoridade policial é insuficiente para a exclusão de responsabilidade tributária. Em decorrência da falta de comprovação de força maior, pelo interessado, mantémse a sua responsabilidade pela falta de mercadorias apurada em procedimento de vistoria aduaneira. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 3302002.539– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014. MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora). “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES REGIME DE TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO DE MERCADORIAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Boletim de ocorrência não é prova conclusiva quanto ao roubo de carga, mas de sua comunicação à autoridade policial. A não conclusão do trânsito aduaneiro, em razão do extravio de mercadorias, torna exigível os tributos e seus acréscimos moratórios, além de multa prevista no Regulamento Aduaneiro. Recurso especial provido”.(Acórdão CSRF nº 0306.052, de 08 de setembro de 2008). Igualmente, colacionase ementa do Acórdão nº 30232.442, sessão de 11 de novembro de 1992, no qual ressalta que o furto não caracteriza caso fortuito ou força maior: “FALTA DE MERCADORIA, CONSTATADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO Responsabilidade do Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11128.004003/200868 Acórdão n.º 3302002.658 S3C3T2 Fl. 200 12 depositário, imunidade tributária que não se aplica. Não caracterizado "caso fortuito ou força maior" na ocorrência do furto.” Portanto, neste ponto, devese manter a decisão recorrida. DAS MULTAS Quanto às multas, a contribuinte questiona no recurso voluntário unicamente as multas proporcionais de 75% sobre o valor do tributo não pago, lançado com base no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não se refere à multa por extravio. Portanto, tornase definitivo o decidido no acordo recorrido sobre a multa por extravio. Também não merece reforma a decisão recorrida, relativamente às multas de ofício, lançadas proporcionalmente, posto que, como bem ressalvou, restando configurada a hipótese legal, ou seja, falta de pagamento, cabível a aplicação da penalidade capitulada no art. 44, I da Lei 9430/96, para os tributos e contribuições devidos. CONCLUSÃO De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10630.001304/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002, 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA.
Constatada a omissão de receitas, em tal montante a ponto de exceder o limite que autoriza a permanência no SIMPLES, deve ser mantido o Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do sistema integrado de pagamentos, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente àquele em que ultrapassado o limite. Nenhum prejuízo há pelo fato de que as omissões tenham sido constatadas e objeto de lançamento e discussão em outro processo administrativo fiscal, e mantidas em decisão administrativa definitiva.
SIMPLES. EXCLUSÃO. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEIS.
A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vale dizer que seus lucros serão apurados segundo os critérios do lucro real, presumido ou arbitrado.
ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO POR OUTRA FORMA. PROCEDÊNCIA.
A apuração dos lucros deve ser feita, regra geral, pelo lucro real. Por opção do contribuinte, segundo o lucro presumido. O arbitramento deve ser a alternativa quando as duas anteriores se mostrarem inviáveis. No caso concreto, a falta da escrituração contábil completa e LALUR tornaram inviável a apuração segundo o lucro real. O lucro presumido dependeria de pagamento espontâneo do imposto devido, ausente, até mesmo porque o contribuinte estava sob fiscalização. O arbitramento dos lucros se mostrou a única forma ao alcance do Fisco, conclusão que se estende à CSLL.
PIS. COFINS.
O entendimento da Autoridade Julgadora em primeira instância, de que o arbitramento do lucro teria sido descabido, não leva à conclusão da invalidade dos lançamentos de PIS e COFINS, posto que baseados no faturamento, e não nos lucros.
Numero da decisão: 1302-001.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA. Constatada a omissão de receitas, em tal montante a ponto de exceder o limite que autoriza a permanência no SIMPLES, deve ser mantido o Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do sistema integrado de pagamentos, com efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que ultrapassado o limite. Nenhum prejuízo há pelo fato de que as omissões tenham sido constatadas e objeto de lançamento e discussão em outro processo administrativo fiscal, e mantidas em decisão administrativa definitiva. SIMPLES. EXCLUSÃO. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEIS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vale dizer que seus lucros serão apurados segundo os critérios do lucro real, presumido ou arbitrado. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO POR OUTRA FORMA. PROCEDÊNCIA. A apuração dos lucros deve ser feita, regra geral, pelo lucro real. Por opção do contribuinte, segundo o lucro presumido. O arbitramento deve ser a alternativa quando as duas anteriores se mostrarem inviáveis. No caso concreto, a falta da escrituração contábil completa e LALUR tornaram inviável a apuração segundo o lucro real. O lucro presumido dependeria de pagamento espontâneo do imposto devido, ausente, até mesmo porque o contribuinte estava sob fiscalização. O arbitramento dos lucros se mostrou a única forma ao alcance do Fisco, conclusão que se estende à CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 13 04 /2 00 6- 25 Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.444 2 PIS. COFINS. O entendimento da Autoridade Julgadora em primeira instância, de que o arbitramento do lucro teria sido descabido, não leva à conclusão da invalidade dos lançamentos de PIS e COFINS, posto que baseados no faturamento, e não nos lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório LUNAR TURISMO LTDA., já qualificada nestes autos, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317/1996, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 01, de 03/01/2007 (fl. 18). Na seqüência, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 1.299.801,99, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 482. Da Exclusão do SIMPLES Durante procedimento fiscal tendente a apurar eventuais irregularidades tributárias nos anoscalendário 2002 e 2003, a fiscalização constatou a omissão de receitas no anocalendário 2002, e fez lavrar os competentes autos de infração no processo administrativo fiscal nº 10630.720209/200624. A impugnação naquele processo foi rejeitada, bem assim o recurso voluntário interposto. Os embargos declaratórios não foram admitidos, e o recurso especial teve seu seguimento negado. Desde que as receitas omitidas apuradas pelo Fisco em 2002 faziam com que o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES fosse excedido, a fiscalização Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.445 3 representou ao chefe da Unidade Local de jurisdição do contribuinte. Foi, então, expedido o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 01, de 03/01/2007 (fl. 18) pela Sra. Delegada da Receita Federal em Governador Valadares/MG, mediante o qual a contribuinte foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2003. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 29 e segs) contra o ADE. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro – I / RJ analisou a manifestação de inconformidade e, por via do Acórdão nº 1216.443, de 04/10/2007 (fls. 181/188), a indeferiu, em decisão assim ementada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE DE RECEITA. OMISSÃO DE RECEITA. DECORRÊNCIA. O ato declaratório de exclusão da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) cuja edição dimane meramente da acusação da prática de alguma infração à legislação tributária colhe a mesma sorte dela, em virtude da relação de causa e efeito existente entre ambos. Cientificados dessa decisão em 09/06/2008 (AR à fl. 402) e com ela inconformados, a contribuinte e o responsável tributário apresentaram recurso voluntário em peça única (fls. 405/439) em 07/07/2008 conforme carimbo no envelope de postagem à folha 467. Seguem suas razões, em breve síntese. Preliminarmente, os recorrentes se insurgem contra o que denominam “exclusão sumária” do SIMPLES. Por sua ótica, o ato administrativo questionado deveria necessariamente ser precedido do contraditório, de forma a garantir a ampla defesa. Não haveria como prevalecer o entendimento do acórdão recorrido, pelo que pedem a nulidade do ADE nº 1/2007. No mérito, sustentam que a decisão proferida nos autos do processo nº 10630.720209/200624, ainda não transitada em julgado, não poderia ser fundamento para a procedência de sua exclusão do SIMPLES, como entendeu o acórdão recorrido. Passam, então, a combater aspectos dos lançamentos formalizados naquele outro processo, por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2002, em especial, a obtenção de dados de sua movimentação bancária sem autorização judicial e a consideração, como receita omitida, dos valores dos depósitos bancários sem comprovação de origem. Caso seus argumentos anteriores não sejam aceitos, pleiteiam que os efeitos da exclusão somente se iniciem a partir de 01/01/2007, já que somente teriam tomado conhecimento do ADE em janeiro daquele ano. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.446 4 Dos Autos de Infração por fatos geradores ocorridos no AC 2003 Excluída a contribuinte do sistema simplificado de pagamentos a partir de 01/01/2003, a fiscalização prosseguiu com os exames para o anocalendário 2003, estando os procedimentos descritos detalhadamente no Termo de Verificação Fiscal de fls. 519 e segs. Em apertadíssima síntese: · Foram constatadas omissões de receitas, apuradas com base em depósitos bancários para os quais, devidamente intimada, a contribuinte não logrou comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. · Para a obtenção dos extratos bancários foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) às instituições bancárias, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001. · Intimada a refazer sua escrita e a apresentar os livros e documentos obrigatórios, a interessada deixou de fazêlo. Assim, o fisco procedeu ao arbitramento dos lucros. A base do arbitramento foram as receitas declaradas (R$84.846,16) adicionadas às receitas omitidas (R$2.897.840,54). Dos tributos assim apurados, foram deduzidos os valores pagos na sistemática do SIMPLES. · A multa aplicada às infrações foi de 75% para as receitas declaradas e de 150% para as receitas omitidas, em face do entendimento do fisco de que, neste último caso, estaria caracterizada a subsunção às hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. · O fisco considerou o Sr. Hamilton Mafra Filho como responsável tributário pelos créditos tributários constituídos (vide item 44 do TVF, fl. 533 e as folhas de rosto de cada um dos autos de infração). Foram lavrados autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ (fl. 483 e segs.), PIS (fl. 493 e segs.), COFINS (fl. 501 e segs.) e CSLL (fl. 509 e segs.). O total do crédito tributário apurado foi de R$1.299.801,99, aí incluídas as multas de ofício e os juros de mora calculados até a data do lançamento (vide demonstrativo à fl. 482). Cientificados dos lançamentos e com eles irresignados, a contribuinte e o responsável tributário apresentaram impugnação em uma única peça (fls. 195 e segs.). Cumpre esclarecer que, muito embora a peça impugnatória mencione o processo 10630.720209/2006 24, seu teor é pertinente às autuações por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2003, portanto, ao presente processo nº 10630.001304/200625. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro – I / RJ analisou a impugnação e, por via do Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395), deulhe provimento e cancelou integralmente os lançamentos, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.447 5 CONTRIBUINTE NÃO OBRIGADO À APURAÇÃO DO LUCRO REAL. APRESENTAÇÃO DE LIVROCAIXA. IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. O contribuinte não obrigado à apuração do lucro real que escritura regularmente sua movimentação financeira em livro caixa não se sujeita a arbitramento do lucro. CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos cuja origem coincida com a do auto de infração relativo ao imposto de renda colhem a mesma sorte deste, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Na sequência, a contribuinte foi cientificada do acórdão que cancelou integralmente os lançamentos do anocalendário 2003 (AR à fl. 402). Em 06/11/2013 o processo foi trazido a julgamento perante o CARF. Na oportunidade, mediante a Resolução nº 130200.276 (fls. 1402/1406), este Colegiado considerou a necessidade de providências saneadoras, pelo que converteu o julgamento em diligência para proposição do recurso de ofício do Acórdão nº 1218.849, e para a ciência do responsável Sr. Hamilton Mafra Filho. Em 06/12/2013, mediante o Despacho de fls. 1410/1411, o Sr. Presidente da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 apresentou o competente recurso de ofício ao CARF, nos termos do inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, relativamente ao Acórdão nº 12 18.849. O Sr. Hamilton Mafra Filho foi cientificado do Acórdão nº 1218.849 e da interposição de recurso de ofício em 19/12/2013 (AR à fl. 1414). Mediante o documento de fls. 1419/1420, o responsável tributário houve por bem se manifestar contrariamente ao recurso de ofício interposto. Resumidamente, seu entendimento é de que o recurso de ofício não deveria ser conhecido, por intempestivo, já que a Autoridade a quem incumbia sua apresentação, apesar de alertada, deixou de apresentálo na época própria, só vindo a fazêlo após a Resolução deste CARF. Afirma, ainda, que “quanto à alegação da d. 6ª Turma de que ‘Hamilton Mafra Filho é sujeito passivo solidário do crédito tributário em discussão’, ressalta o Requerente que não há nos autos do Processo Administrativo nº 10630.001304/200625 tal consideração”. O processo retornou a julgamento perante este Colegiado em 08/04/2014. Na oportunidade, o julgamento foi convertido em nova diligência, desta feita para aguardar decisão administrativa definitiva do processo nº 10630.720209/200624. (Resolução nº 1302 000.303, fls. 1429/1433). Em cumprimento, a Unidade Preparadora fez acostar ao presente processo o Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 1435/1438) e o Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 1439/1441), ambos referentes ao processo nº Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.448 6 10630.720209/200624. As autoridades competentes do CARF negaram seguimento ao recurso especial interposto naquele processo, tornando definitivo, no âmbito administrativo, o quanto decidido no acórdão nº 180200.381, de 11/03/2010. O processo retorna, agora, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário de fls. 405 e segs., interposto contra o Acórdão nº 12 16.443, de 04/10/2007 (fls. 181/188), o qual manteve o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 01, de 03/01/2007 (fl. 18), (mediante o qual a contribuinte foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2003) é tempestivo, e dele conheço. Preliminarmente, os recorrentes se insurgem contra o que denominam “exclusão sumária” do SIMPLES. Por sua ótica, o ato administrativo questionado deveria necessariamente ser precedido do contraditório, de forma a garantir a ampla defesa. Não haveria como prevalecer o entendimento do acórdão recorrido, pelo que pedem a nulidade do ADE nº 1/2007. Não assiste razão aos recorrentes. A exclusão do SIMPLES se deu em conformidade com o que estabelece a lei, e o direito à ampla defesa e ao contraditório se verificam no curso do processo administrativo fiscal, tudo conforme disposição do parágrafo 3º do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, confirase: § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Diante disso, tenho por correto o procedimento da Autoridade Fiscal que, ao constatar a ocorrência de uma das hipóteses de exclusão do SIMPLES, fez lavrar os competentes autos de infração e, ato contínuo, representou ao Chefe da unidade administrativa, para a lavratura do Ato Declaratório Executivo de fl. 18. Os interessados puderam exercer com amplitude e desenvoltura seu direito à ampla defesa e ao contraditório, como o fizeram, mediante a apresentação de manifestação de inconformidade contra o ato e, neste momento processual, de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância que lhes foi desfavorável. Não vislumbro aqui qualquer nulidade, pelo que rejeito a preliminar suscitada. No mérito, sustentam os recorrentes que a decisão proferida nos autos do processo nº 10630.720209/200624, ainda não transitada em julgado, não poderia ser fundamento para a procedência da exclusão do SIMPLES, como entendeu o acórdão recorrido. Passam, então, a combater aspectos dos lançamentos formalizados naquele outro processo, por Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.449 7 fatos geradores ocorridos no anocalendário 2002, em especial, a obtenção de dados de sua movimentação bancária sem autorização judicial e a consideração, como receita omitida, dos valores dos depósitos bancários sem comprovação de origem. Não é demais lembrar que o processo nº 10630.720209/200624, mencionado pelos recorrentes, é aquele no qual foram constituídos créditos tributários por irregularidades (omissão de receitas) apuradas no anocalendário 2002. A impugnação naquele processo foi rejeitada, bem assim o recurso voluntário interposto. Os embargos declaratórios não foram admitidos, e o recurso especial teve seu seguimento negado. A decisão lá proferida se tornou, assim, definitiva no âmbito administrativo. Quanto aos demais argumentos de mérito, é de se constatar que não se dirigem contra o Ato Declaratório, em si, mas contra o lançamento do processo nº 10630.720209/200624. Por certo, tais argumentos já foram ali apreciados e definitivamente rejeitados pelas várias instâncias julgadoras. Descabe, neste processo, conhecer de argumentos contrários ao lançamento objeto de outro processo. Mantida a autuação por omissão de receitas no anocalendário 2002, em tal montante a ponto de exceder o limite que autoriza a permanência no SIMPLES, nenhum reparo se há de fazer ao Ato Declaratório Executivo de fl. 18, que excluiu a contribuinte do sistema simplificado de pagamentos a partir do anocalendário 2003. Melhor sorte não assiste aos interessados, no que toca ao seu pedido subsidiário, de que os efeitos da exclusão somente se iniciem a partir de 01/01/2007, já que somente teriam tomado conhecimento do ADE em janeiro daquele ano. É que os efeitos do ADE decorrem de expressa disposição legal, a saber, o art. 15, inciso IV, da Lei nº 9.317/1996: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; [...] Vale lembrar que os incisos I e II do art. 9º, supramencionado, são exatamente aqueles que estabelecem os limites anuais de receita bruta para fins de permanência no sistema simplificado, seja como microempresa, seja como empresa de pequeno porte. O principal dos efeitos da exclusão é aquele do art. 16 do mesmo diploma legal: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1216.443, de 04/10/2007 (fls. 181/188), mantendo integralmente o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 01, de 03/01/2007 (fl. 18). Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.450 8 RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Tal disciplina encontra seu fundamento no art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – [...] § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (demonstrativo à fl. 482), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Confirase o quadro abaixo: DISCRIMINAÇÃO VALOR (R$) IRPJ – tributo 262.337,84 IRPJ – multa 387.397,85 PIS – tributo 18.835,88 PIS – multa 28.253,79 CSLL – tributo 59.857,41 CSLL – multa 88.715,31 COFINS – tributo 86.935,16 COFINS – multa 130.402,70 TOTAL DE TRIBUTOS E MULTAS 1.062.735,94 Observese que não existe um prazo estabelecido para a interposição do recurso de ofício, e que a própria norma que determina sua interposição prevê as providências a serem tomadas para saneamento de sua eventual falta. Tal é o caso dos autos, pelo que rejeito o pedido de desconhecimento do recurso de ofício formulado pelo Sr. Hamilton Mafra Filho. O recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Esclareço que se trata de recurso de ofício interposto em face do Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395), o qual cancelou integralmente os lançamentos de IRPJ (fl. 483 e segs.), PIS (fl. 493 e segs.), Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.451 9 COFINS (fl. 501 e segs.) e CSLL (fl. 509 e segs.) por fatos geradores ocorridos no ano calendário 2003. Em apertada síntese, entendeu aquele Colegiado ter sido equivocado o arbitramento dos lucros, porque a interessada não estaria incluída em qualquer das situações previstas no art. 246 do RIR/99 (pessoas jurídicas obrigadas à apuração do lucro real). Ainda, tendo sido apresentado o livro Caixa, não seria caso de arbitramento, a teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 35/1994. Com o devido respeito à Autoridade Julgadora em primeira instância, penso que tal decisão merece reparos. Em primeiro lugar, tenho por incontroverso que, mantidos os efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 1/2007, a interessada deverseia sujeitar às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, não integrantes do sistema simplificado de pagamentos instituído pela Lei nº 9.317/1996. Ora, tais normas estabelecem três formas de apuração da base tributável pelo imposto de renda, a saber, o lucro real, o lucro presumido e o lucro arbitrado. Como regra geral, temse o lucro real apurado trimestralmente. Como alternativa, à opção do contribuinte, o lucro real poderia ser apurado anualmente, desde que recolhidas estimativas mensais baseadas na receita bruta e acréscimos ou em balanços de suspensão/redução do imposto, nos termos da lei. Embora algumas pessoas jurídicas (aquelas especificadas no art. 246 do RIR/99, citado pela decisão a quo) estivessem obrigadas a essa forma de apuração (lucro real), ressalto que essa forma não era vedada a qualquer pessoa jurídica, motivo pelo qual se afirma tratarse da regra geral, exatamente por estar disponível a qualquer contribuinte. No caso específico da interessada, consta dos autos que, no anocalendário 2003, não estava disponível a escrita contábil completa, na forma da lei comercial, nem o LALUR. A contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar esses livros, deixando de fazê lo, por não concordar com sua exclusão do SIMPLES. A descrição desses fatos se encontra nos itens 23 a 31 (fls. 526/528) do Termo de Verificação Fiscal. Com isso, considero afastada a possibilidade de apuração do lucro pela regra geral do lucro real. Como forma alternativa de apuração do lucro, à opção do contribuinte, o lucro presumido. No entanto, a interessada se encontrava em situação especial. Passou a sujeitarse às normas de tributação aplicáveis a todas as pessoas jurídicas, mas sua espontaneidade se encontrava excluída, posto que sob procedimento fiscalizatório. Em assim sendo, não poderia, como de fato não o fez, optar pela tributação com base no lucro presumido. Lembro que, se possível fosse tal opção, deveria se dar mediante o “pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário”, na dicção do § 4º do art. 516 do RIR/991. Inexistente tal pagamento e excluída a espontaneidade, tal opção não poderia mesmo ser exercida, como não o foi, o que afasta também a possibilidade de que o lançamento fosse feito com base no lucro presumido. A Autoridade Julgadora em primeira instância, embora não o afirme textualmente, dá a entender que seria possível a exigência do imposto com base no lucro 1 Base legal: art. 26, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.452 10 presumido, forte nas disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 35/1994. Eis o conteúdo do normativo em questão: Dispõe sobre o lançamento de ofício, por falta ou insuficiência do recolhimento do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, no decorrer do anocalendário, por empresas optantes pelo pagamento dos referidos tributos, calculado por estimativa. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147. , inciso III, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MEFP nº 606, de 3 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto nos arts. 40 e 41 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e na Instrução Normativa nº 98, de 10 de dezembro de 1993, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais e aos demais interessados que a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, no curso anocalendário, está sujeita a lançamento de ofício, observado o disposto no art. 2º e §§ da IN SRF nº 98/93. 2. A exigência do imposto e da contribuição social devidos será efetuada com base nas regras de arbitramento somente no caso em que, após o decurso do prazo previsto na intimação, a pessoas jurídica: a) obrigada à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar escrituração contábil, na forma de legislação comercial; b) não obrigada à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar o LivroCaixa devidamente escriturado, quando não mantiver escrituração contábil. O ADN acima foi editado na vigência da Lei n 8.541/1992, e cuidou de disciplinar a situação prevista nos artigos 40 e 41 daquela lei: Art. 40. A falta ou insuficiência de pagamento do imposto e contribuição social sobre o lucro previsto nesta lei implicará o lançamento, de ofício, dos referidos valores com acréscimos e penalidades legais. Art. 41. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto sobre a renda mensal, no anocalendário, implicará o lançamento, de ofício, observados os seguintes procedimentos: I para as pessoas jurídicas de que trata o art. 5° desta lei o imposto será exigido com base no lucro real ou arbitrado; II para as demais pessoas jurídicas, o imposto será exigido com base no lucro presumido ou arbitrado. O contexto normativo então vigente era de imposto de renda apurado e pago segundo o lucro real mensal e buscavase disciplinar os procedimentos aplicáveis àqueles contribuintes que não houvessem efetuado qualquer pagamento no curso do anocalendário. A leitura açodada do art. 41, acima, poderia levar ao entendimento de que, no caso do inciso I, o lançamento poderia ser feito com base no lucro real ou arbitrado, sem maiores considerações, ou seja, ao talante da autoridade lançadora. O mesmo no que toca ao inciso II, lucro presumido ou arbitrado. O ADN veio, então, reafirmar antigo entendimento já assente na jurisprudência, de que o arbitramento é medida extrema, somente aplicável quando impossível outra forma de apuração do lucro. Assim, no caso do inciso I, o arbitramento somente seria levado a efeito Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.453 11 diante da ausência da escrituração contábil completa e, no caso do inciso II, diante da falta do livro Caixa, adequadamente escriturado. Mas insisto: era a lei então vigente que autorizava o lançamento segundo o lucro real, presumido ou arbitrado. O quadro normativo por ocasião dos fatos geradores aqui discutidos já era diverso. Não mais existia o lucro real mensal, e sim o lucro real trimestral ou anual, com base nas leis nº 9.249/1995 e nº 9.430/1996. A possibilidade de opção entre as três formas de apuração do lucro foi integralmente disciplinada, bem assim os procedimentos a serem aplicados ao lançamento de ofício em caso de descumprimento de algum dos requisitos para a tributação com base no lucro real ou no lucro presumido. Diante disso, tenho que a regra do art. 41 da Lei nº 8.541/1992 foi derrogada tacitamente, o mesmo vindo a suceder com o ADN que nela buscou validade. Nessa linha de raciocínio, afasto a conclusão de que a existência de livro Caixa pudesse autorizar o lançamento com base no lucro presumido, no caso em questão. Reafirmo que a opção por essa forma de tributação exigiria o pagamento espontâneo do imposto correspondente ao primeiro trimestre do anocalendário. Ausentes tanto o pagamento quanto a espontaneidade, impossível seguir por essa linha. Resta, finalmente, a apuração do imposto com base no lucro arbitrado. Com efeito, essa é a forma residual, a ser aplicada quando se demonstrar a impossibilidade de apuração com base no lucro real (aqui, por falta de escrituração completa) ou no lucro presumido (aqui, diante da impossibilidade de opção). Por todo o exposto, considero correto o procedimento da fiscalização, ao adotar o lucro arbitrado como forma de apuração da base do imposto no anocalendário 2003. O mesmo se aplica ao lançamento da CSLL, pelo que voto pelo provimento do recurso de ofício, quanto aos autos de infração do IRPJ e CSLL. Uma observação final: a autoridade julgadora em primeira instância estendeu os efeitos de sua decisão também aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS. Quanto à CSLL, já me manifestei no parágrafo anterior. Quanto ao PIS e à COFINS, os lançamentos têm por base o faturamento, e a decisão de afastar o IRPJ ao argumento de que o arbitramento seria descabido em nada poderia afetar essas duas contribuições. Assim, por mais este fundamento, devem ser restabelecidos também os lançamentos de PIS e COFINS, pelo que voto pelo provimento do recurso de ofício, também aqui. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício interposto em face do Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395). CONCLUSÃO Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário e dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10630.001304/200625 Acórdão n.º 1302001.459 S1C3T2 Fl. 1.454 12 Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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