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Numero do processo: 10510.003835/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - TERCEIROS - FNDE - FATOS GERADORES CORRELATOS -
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
ABONO ÚNICO - PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA - ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
A PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária.
O parecer que resultou na elaboração do referido ato declaratório, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigando-a a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. ] Acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no referido acordão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade.
SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO.- RESTRIÇÃO AO ACESSO DE TODOS OS EMPREGADOS - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, mais precisamente quando a empresa cria restrições que impossibiltam a livre concessão do benefício a todos os empregados e dirigentes.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de participação nos lucros entendo que uma vez descumprida a regras da lei 10.101,correto a inclusão dos valores na base de cálculo de contribuições previdenciárias
Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.
PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL - DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES.
Além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a norma que a impede de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no PLR 2004. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal.
ESTAGIÁRIOS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI - CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS
A contratação de estagiários em desconformidade com a lei 6494/77, em especial vinculação do curso com o serviço prestado, gera a caracterização de vínculo de emprego para efeito previdenciários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento: a) o levantamento ABN - Abono; o levantamento PA2, ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI; b) o levantamento P26 , PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; c) do levantamento PM2, MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, as competências 02/2005 e 08/2005. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que excluía tão somente o levantamento ABN, Abono. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ABONO ÚNICO PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. O parecer que resultou na elaboração do referido ato declaratório, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigandoa a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. ] Acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 38 35 /2 00 9- 61 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 referido acordão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. RESTRIÇÃO AO ACESSO DE TODOS OS EMPREGADOS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, mais precisamente quando a empresa cria restrições que impossibiltam a livre concessão do benefício a todos os empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de participação nos lucros entendo que uma vez descumprida a regras da lei 10.101,correto a inclusão dos valores na base de cálculo de contribuições previdenciárias Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES. Além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a norma que a impede de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no PLR 2004. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal. ESTAGIÁRIOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS A contratação de estagiários em desconformidade com a lei 6494/77, em especial vinculação do curso com o serviço prestado, gera a caracterização de vínculo de emprego para efeito previdenciários. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 718 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento: a) o levantamento ABN Abono; o levantamento PA2, ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI; b) o levantamento P26 , PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; c) do levantamento PM2, MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, as competências 02/2005 e 08/2005. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que excluía tão somente o levantamento ABN, Abono. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.230.1711, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais (diretores e conselheiros), no período compreendido entre 01/2005 a 12/2005. O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.157.8710, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, , no período de 01/2005 a 02/2006 . Conforme descrito no relatório fiscal OS LEVANTAMENTO contidos no presente AI referemse: ABN: Abono; ETD, ETP, Z3 E Z4: estagiários e P26, PA2 E PM2: participação nos lucros paga em desacordo.com a lei 10.101/000 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 09/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 16/11/2009. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 94 a 116 . Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 162 a 169. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 558 a 596, onde, em síntese a recorrente alega: 1. Nulidade do AI face descumprimento do art. 142 do CTN, incorreção na determinação da matéria tributável, quando faz no relatório, referência a contribintes individuais, quando o lançamento referese apenas a empregados. 2. A improcedência do AI em face da inequívoca inconstitucionalidade e ilegalidade da incidência da contribuição relativa ao salário educação sobre os valores pagos à título de: abono único, bolsa de estudo, bolsa estagiário e bolsa paga a estagiário, bem como em relação aos valores pagos de participação nos lucros. 3. Não pode o acórdão recorrido determinar o recolhimento pelo recorrente, no que se refere ao aluguel e condomínio em benéfico dos diretores Srs. André Tavares Andrade e Jair Araújo, bem como quanto a diferença de remuneração paga ao ultimo citado e ao sr. Edgard D’Avilla, uma vez que se tratam de diretores que jamais foram empregados 4. Ao contrário do entendimento adotado pela autoridade fiscal o valor dos abonos pagos aos segurados empregados não consiste em salário de contribuição, primeiramente Fl. 721DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 719 5 porque não se trata de pagamento habitual, pelo contrário é paga uma única vez ao ano; ademais, existe expressa previsão em convenção coletiva para o pagamento. 5. Demonstrado que os valores dos abonos não constituem remuneração deve ser reformada a decisão. 6. Os pagamento feitos à título de bolsa para o estagiário não constituem salário de contribuição, sendo equivacado o entendimento que caracterizou os estagiários como segurados empregados, basenadose primeiramente no fato de que a Resolução CNE/CEB n. 1 de 2004, não pode ultrapassar os ditames legais, fixando jornada de trabalho do estagiário. 7. Quanto a alegação de que o estágio encontravase irregular, posto que não eram exercidas atividades vinculadas estritamente a grade curricular do curso que o estagiário estava cursando, ressaltase que nada impede que uma aluno de radicalismo não poderia exercer a profissão bancária, tão antiga quanto o capitalismo, mais antiga que a previdência social. Ademais, a simples leitura do acordão observase que a autoridade fiscal atribuiu a quase totalidade dos estagiários as mesmas funções sem observar as peculiaridades de cada contrato celebrado. 8. Mesmo para os estagiários de agência, que em regra tem a pretensão de tornaremse bancários, senão não teriam buscado estágio nessa área, queda clara a aquisição de conhecimento. 9. Todos os compromissos de estágio foram submetidos as instituições de ensino que chancelaram integralmente os termos firmados. 10. Resta absurda a pretensão da decisão ora recorrida de formar vínculo face a existência dos requisitos do vínculo de emprego, atribuindose a condição de juiz do trabalho. 11. Ademais, para ingressar nos quadros do banco necessária a realização de concurso público, não se admitindo que se determine vínculo de emprego com os estagiários. 12. Quanto ao pagamento de PLR, ressaltese que os critérios encontramse detalhadamente previstos nos programas das moedas, descritos pela Resolução 000218/2002 e ratificado pelo acordo coletivo 2005/2006. Assim, não obstante que os critérios estejam claras e plenamente disponíveis, já que o programa de moedas está anexo ao AC. 13. O papel da autoridade julgadora, no processo administrativo é a de atuar com imparcialidade, buscando por todos os meios atuar com imparcialidade, na busca da verdade material. 14. Em tempo algum as regras chanceladas no respectivo acordo ou os valores distribuídos à título da verba em questão foram questionados pela autoridade administrativa, a qual preferiu restringirse a ausência de transcrição das respectivas regras (plenamente conhecidas no acordo coletivo. 15. Além disso, a referida lei exige apenas que os instrumentos de negociação contem regras claras e objetivas para distribuição dos resultados, o que efetivamente ocorreu. Observa se que a lei não exige que as regras constem “no” dispositivo, mas tão somente “do” dispositivo. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 16. Assim, como a distribuição dos valores inequivocadamente obedeceu todos os requisitos previstos em lei, não há como se alterar a natureza jurídica do pagamento. 17. Por fim, quanto ao suposto pagamento em mais de duas parcelas anuais, cumpre verificar que estes recolhimentos não refletem novas distribuições, mas apenas complementação da parcela antecipada em montante menor que o firmado na Convenção Coletiva de Trabalho, fato este que não é capaz por si só de desvirtuar a natureza jurídica do pagamento. 18. O maior exemplo de que o plano encontrase correto é que a empresa nunca foi demandada judicial na esfera trabalhista, para que se questione a natureza dos pagamentos. 19. Face o exposto, requer a nulidade da autuação, tendo em vista que ao desconsiderar o limite do salário de contribuição do segurado ofendeu o art. 142 do CTN. 20. Caso assim, não entenda, seja reformada a decisão posto que não incidem contribuições sobre os valores pagos a título de abono, participação no lucros e bola estágio. 21. Caso, seja mantida qualquer contribuição, requer seja determinada a realização de diligência para o recálculo pela fiscalização, a fim de adequála a legislação em vigor. O processo retornou a origem face solicitação da mesma para realização de desmembramento do débito, nos termos da resolução 2401021, fls. 681, abaixo transcrita: O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.37.157.8710, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, no período de 01/2005 a 02/200. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 71 a 86, o lançamento compreende os seguintes levantamentos: ABN Abono Rubrica 1045; ETD, ETP, Z3, Z4 Estagiários caracterizados como empregados, P26, PA2, PM2 remuneração de empregados paga em desacordo com a lei 10.101/00. Foi encaminhado a este Conselho o Memorando n. 31/2012/ACAT/DRFAJU/ SRRF05/RFB/MFSE, de 14 de março de 2012, acerca da Solicitação de Devolução do Processo n. 10510.003835/200961, com o objetivo de que possa ser realizado o desmembramento do débito, seguindo orientação dada pela DRJ/SDR/BA. Assim, restituímos o processo à origem para as providências cabíveis. A DRFB efetuou o desmembramento do débito, excluindo do lançamento em questão os levantamentos: AFN – RESSARC. DESP. ATIVIDADE FÍSICA; RDN – REM N DCL GFIP (PARCIAL);. Assim, remanescem no presente AI os levantamentos: ABN – Abono; BEM – Bolsa de estudo, ETD – ESTÁGIO DESACORDO LEI DEVIDO; ETP – ESTÁGIO DESACORDO LEI PAGO; MDN – DESPESA COM MORADIA; P26 – PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; PA2 – ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI, PM2 – MAIS D 2 PARC Fl. 723DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 720 7 PLR DESACORDO LEI, RDN – REM N DCL GFIP (PARCIAL), conforme DADD – Discriminativo Analítico desmembrado. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 638. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Preliminarmente, alega o recorrente a inobservância do art. 142 do CTN, face a exigência de contribuições, sem que a mesma tenha previsão legal, alegando que encontram se lançadas contribuições à título de salário educação, sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Todavia, destacase que a alegação de imprópria a cobrança de contribuições a título de salário educação dos diretores Srs. André Tavares Andrade e Jair Araújo, bem como quanto a diferença de remuneração paga ao ultimo citado e ao sr. Edgard D’Avilla, posto que não são empregados da autuada, mas contribuintes individuais. Todavia, na decisão de primeira instância, restou evidenciado perante os sistemas previdenciários, ratificado pela própria declaração de imposto de renda de um dos beneficiários da condição de assalariado. Neste caso, não colacionou o recorrente, após a decisão proferida, qualquer documento que demonstrasse suas alegações ou mesmo que rebatesse os argumentos trazidos pelo julgador. DO MÉRITO Cumpre observar, primeiramente, que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Outro ponto que merece destaque é que o Auto de Infração de Obrigação principal correspondente a parte patronal (contribuição da empresa), já foi objeto de apreciação no âmbito deste Conselho, por meio do acórdão 230201.858, de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora. Em sendo julgados em separado, a matéria deve ser submetida em sua totalidade novamente ao colegiado, para que o mesmo aprecie todos os fatos geradores elencados no presente AI. Assim, feita a correlação dos processos, devese destacar, que no AI principal, constam levantamentos, ou seja fatos geradores de obrigações patronais, mas que não ensejam constribuições destinadas a terceiros (mais especificamente ao FNDE), quais sejam: Cooperativas de Trabalho e retenção de 11%. Da mesma forma, importante destacar que parte do crédito foi desmembrada (diligência requerida pela DRFB), considerando a não impugnação pelo autuado de parte do crédito para inclusão em parcelamento. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 721 9 Assim, remanescem no presente AI os levantamentos: ABN – Abono; BEM – Bolsa de estudo, ETD – ESTÁGIO DESACORDO LEI DEVIDO; ETP – ESTÁGIO DESACORDO LEI PAGO;; P26 – PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; PA2 – ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI, PM2 – MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, RDN – REM N DCL GFIP (PARCIAL), conforme DADD – Discriminativo Analítico desmembrado. Dessa forma, considerando que os levantamentos descritos no presente AI foram integralmente apreciados pela ilustre conselheira Liege Lacroix e como mencionado anteriormente a contribuição destinada a terceiros fundase nos mesmos argumentos jurídicos e fáticos já apreciados no acórdão 230201.858. Contudo, considerando a independência entre os processos, passo a apreciar isoladamente cada fato gerador, valendome em determinadas ocasiões do voto proferido no acórdão. Importante salientar, ainda, que o julgador de primeira instância já havia julgado procedente em parte o lançamento de acordo com a exclusão da parcela atinente a ajuda de custo contida no levantamento MDN.. Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados à título de abonos, participação nos lucros em desconformidade com a lei, bem como bolsas de estagiários. CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De pronto para efeitos de esclarecimento, convém trazer a definição do conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 722 11 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” ABONO ÚNICO PAGO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Embora tenha a Colnselheira Liege quando do julgamento da parte patronal, determinado a procedência da autuação em relação a rubrica ABONO, valhome do da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, para apreciar a questão sob outro enfoque. Assim, prescreve a referida lei.: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 723 13 Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Conforme descrito, a referida norma orienta a impossibilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigandoa a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. Não discordo do posicionamento adotado pelo auditor, bem como pela ilustre julgadora da parte patronal, em relação ao ABONO, considerando os aspectos descritos na lei previdenciária e nos atos normativos; todavia convém analisar a questão considerando não apenas a literalidade do texto legal, mas em especial, os atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional a respeito da questão. Nesse sentido, acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no referido acordão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 724 15 desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Neste ponto, entendo que o resultado em questão deva acompanhar o da obrigação principal, acórdão 230201.858, nos fatos geradores correlatos aos dois AI, destacando apenas que por força do Ato Declaratório n. 16/2011 da PGFN deva ser excluído do presente lançamento o levantamento ABN. QUANTO A CARACTERIZAÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS Quanto a caracterização dos estagiários como segurados empregados, citese que não houve a pretensão da autoridade fiscal de investirse de magistrado do trabalho como alegado pelo recorrente, mas tão somente em constatando que a realidade dos fatos descreve que a contratação de estagiários encontravase desvirtuada, descumprindo os preceitos da lei 6.494/77, haverseia de caracterizar os trabalhadores como segurados empregados para efeitos previdenciários. Notese que para a regular caracterização, deve os auditor identificar o dispositivo descumprido, bem como a presença dos requisitos do vínculo de emprego, quais sejam: continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade, o que entendo logrou êxito o auditor. Convém destacar que o relatório fiscal, fls. 34 a 40, descreveu o auditor individualmente os estagiários, as respectivas funções descritas pelo termo de compromisso, a formação do estagiário, a jornada cumprida, além dos requisitos ensejadores. Ao contrário do entendimento trazido pelo recorrente, concordo com a autoridade fiscal, ao definir que para os estudantes de nível médio, os preceitos da legislação de estágio descumpridos dizem respeito a jornada superior ao limite estabelecido pela Resolução CNE/CEB n. 01/2004. À época da lei 6494, já existia expressa previsão de que a jornada do estágio deveria ser compatível com a escola, sendo que a referida resolução estabele jornada máxima de 4 horas, razão porque entendo que restou descumprida a legislação do estágio em relação aos alunos do ensino médio. Já quanto aos estagiários de nível superior descritos no relatório ressaltese que ao contrário do entendimento do recorrente, não entendo que um estudante de radialista, possa realizar serviços bancários, como extensão de sua educação profissionalizante. Assim, como exposto pelo auditor, para que o estágio seja regular tem que estar diretamente relacionado ao que o estudante está estudante, pois caso contrário tornase meio fraudulento de obtenção de mão de obra barata. Face o exposto entendo que logrou êxito o auditor em demonstrar que a legislação pertinente a contratação de estagiários restou descumprida devendo ser formado o vínculo como segurado empregado para efeitos previdenciários. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 BOLSA DE ESTUDOS DE GRADUAÇÃO, PÓSGRADUAÇÃO, MESTRADO E CURSO DE LÍNGUAS Em relação ao levantamento BOLSA DE ESTUDOS – BEM, dois foram os argumentos apontados pelo auditor: 1) que o art. 28, § 9º da lei 8212/91, não exclui do conceito de salário de contribuição as bolsas destinadas a cursos superior, pósgraduação e curso de línguas; 2) e que o regulamento do programa de bolsa de estudos em vigor no primeiro semestre de 2005, destacam como requisitos para participação: não possuir punições disciplinares em vigor ou não ter sido dispensado da função por motivo de desempenho, pelo período de um ano e não possuir processos judiciais contra o banco. Dessa forma, descreveu a autoridade fiscal, que a bolsa graduação, pós graduação, mestrado e língua estrangeira, não se enquadra nas exclusão prevista no art. 28, § 9, “t” da lei 8212/91, razão pela qual constitui salário de contribuição. Vejamos o dispositivo que trata da questão: O artigo 28, § 9°, "V', da Lei n°. 8.212/91, estabelece que não integra o saláriodecontribuição: "O valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada. pela Lei n°9.711, de 20.11.98)" (grifo nosso) • • Assim, podemos destacar que dois são os fundamentos da autoridade fiscal, o primeiro por simplesmente tratarse de educação superior e o segundo por não ser extensível a todos os empregados. Quanto a questão da educação superior entendo que o argumento de que os cursos de capacitação e qualificação profissionais abrangem os cursos superiores, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário, o art. 39, abaixo transcrito, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n° 9.394/96, seja em sua redação original, vigente à época dos fatos geradores, como na dada pela Lei n° 11.741/2008, vigente época da lavratura do Auto de Infração, de fato estabelece a possibilidade de os cursos superiores abrangerem os cursos profissionais: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, a ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. (redação original). Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso a educação profissional. (redação original) Fl. 733DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 725 17 Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei n° 11.741, de 2008) (..) § 29 A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos:(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) III — de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) Ocorre que a não basta simplesmente fornecer, mas devese relacionar com a atividade desenvolvida na empresa, como preceitua o dispositivo da lei 8212/91. Só que essa informação deve ser requerida pela autoridade fiscal, quando identifica a concessão dos benefícios aos empregados de empresa alvo de procedimento fiscal, o que não ocorreu, ensejando a exclusão desse argumento para que se determine o descumprimento da lei. O que entendo é que a imputação fiscal não se mostrou clara ao descrever esse fundamento como lançamento. Contudo, ainda restanos enfrentar outro ponto: qual seja, a não extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da empresa. Nesse ponto, entendo correto o lançamento, considerando que estabelecer restrições para o acesso ao benefício, em especial inexistência de processos judiciais contra o banco, restringe o direito dos empregados a valer do benefício de acesso a qualificação profissional. Independente do tipo de restrição, a lei é enfática e não cria possibilidades: , “desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”. Isto posto, mantenho o lançamento em relação ao levantamento BOLSA DE ESTUDOS. QUANTO A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Com relação aos levantamentos referentes aos pagamento de participação nos lucros aos empregados, entendo que razão também não assiste ao recorrente Os argumentos trazidos pela autoridade fiscal para consideração dos valores pagos à título de PLR configurarem salário de contribuição foram: ausência de metas estipuladas no acordo e pagamento em periodicidade acima do previsto em lei. Quanto ao primeiro argumento, esclareceu a autoridade fiscal que a empresa institui Programa “Moedas”, que consiste de uma sistema de premiação, criado em 2002, unilateralmente pela empresa. Neste sentido, descreve o auditor que a Lei 10.101 descreve a necessidade de fixação de metas no instrumento que previu o pagamento de PLR, contudo, considerando que os acordos são de 2004, 2005 e 2006, e o programa de metas é de 2002. Assim, não houve negociação das metas que deveriam ser alcançados pelo empregado para que o mesmo tenha conhecimento do quanto seu trabalho irá interferir no capital da empresa, estimulando a sua participação e engajamento. Às fls. 37 consta informação, clara que as metas eram fixadas unilateralmente, sem negociação prévia. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Alegou o recorrente, de que os acordos e convenções acabavam por ratificar o referido programa de metas, contudo, não consegui identificar no autos dita ratificação, razão porque correto o posicionamento do auditor. Contudo, entendo que não é só este ponto que enseja a configuração dos valores como base de cálculo de contribuições., conforme descrito pela autoridade fiscal. Ou seja, o pagamento em mais de duas parcelas também foi elemento relevante para definir que o valores pagos constituem salário de contribuição. Quanto a isso manifestouse o recorrente no seguinte sentido Por fim, quanto ao suposto pagamento em mais de duas parcelas anuais, cumpre verificar que estes recolhimentos não refletem novas distribuições, mas apenas complementação da parcela antecipada em montante menor que o firmado na Convenção Coletiva de Trabalho, fato este que não é capaz por si só de desvirtuar a natureza jurídica do pagamento. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Se confirmada a alegação da empresa, que tratase de meras diferenças, esses valores, não merecem ser tratados como outra parcela de PLR, mas simples ajuste do mesmo, como o fim de realizar o pagamento correto após apuração. No presente caso, entendo que razão assiste ao recorrente.no sentido, que o simples fato de existirem mais pagamentos, não desnatura o PLR. Contudo, o ANEXO VI – , fl. 296, Relação de empregados que receberam o PPR mais de duas vezes no ano calendário 2009, descreve empregado a empregado, aqueles que receberam em mais de duas parcelas, e não entendi, como os meros complementos. Muitos pagamentos extras, apresentam o mesmo valor da ultima parcela, mesmo que em valores menores que a parcela inicial. Assim, embora, aceite o argumento teórico do recorrente, não consegui identificar nos presentes autos que os terceiros pagamentos, representem simples diferença, tendo o auditor identificado pontualmente cada um dos beneficiados. CONCLUSÃO: entendo que para a relação apresentada pela autoridade fiscal, foi descumprido o limite máximo de salário de contribuição, razão pela qual deve consistir base de cálculo de contribuição. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 726 19 FUNDAMENTO: descumprimento do §2o do art. 3 da lei 10.101/2000. Quanto a verba participação nos lucros e resultados em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, para ilustrar o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das Fl. 736DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 727 21 Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, bem como incluir as metas estabelecidas em acordo coletivo próprio dando respaldo ao pagamento do PLR. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 728 23 Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir o levantamento ABN – Abono, nos termos do voto proferido, mantendo os demais levantamentos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Minha discordância do voto da Ilustre Relatora resumese às suas conclusões acerca da incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros, levantamentos P26, PA2 e PM2. Concordando com o posicionamento do fisco, a Relatora manifestou o entendimento de que os Acordos Coletivos de Trabalho – CCT tratando da PLR não continham as regras claras e objetivas exigidas pelo § 1. do art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Extraí do relatório fiscal que, nos ACT 2004/2005 e 2005/2006, o pagamento da PLR estava condicionado ao alcance de metas fixadas no Plano de Premiação por Atingimento e Superação de Metas, o chamado “Programa das Moedas”. O fisco ponderou que o “Programa das Moedas” foi fixado unilateralmente pela empresa 14/02/2002, portanto, em período anterior aos ACT, por isso não atenderia aos ditames da lei específica, haja vista não ter sido objeto de negociação entre patrão e trabalhadores. Entendo de forma diversa. Na Lei n. 10.101/2000 o legislador quis privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR. Percebese que no próprio § 1. do art. 2. os critérios e condições são citados apenas a título de exemplo, não estando as partes impedidas de fixarem outros parâmetros. Também não há a exigência de que as regras claras e objetivas para aquisição do direito à percepção da verba estejam escritas no corpo do instrumento de negociação, o que sugere que essas normas podem vir em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Nesse sentido, patrão e empregados agiram em conformidade com a norma quando dispuseram no ACT que as regras para pagamento da PLR seriam aquelas tratadas no “Programa das Moedas”. Embora os critérios deste tenham sido fixado pela Diretoria do Banco, as partes concordaram que o pagamento da participação ficasse condicionado ao alcance das metas ali fixadas. A jurisprudência do CARF tem se inclinado no sentido de aceitar que estam em conformidade com a Lei os instrumentos de negociação que mencionem documento apartado que apresente regras que serão utilizadas na fixação dos valores a serem repassados a título de PLR. É o que se pode ver de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, consubstanciada no Acórdão n. 9202003.105, de 25/03/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 729 25 capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de pagamentos igualitários a todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE ACORDO PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. MAIOR ESPECIFICIDADE EM SISTEMA DE GESTÃO DE DESEMPENHO DA PRÓPRIA EMPRESA. VALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Acordo Coletivo com a explicitação de regras claras e objetivas, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias, ainda que a contribuinte tenha instrumentalizado aludido regramento em ato próprio denominado Sistema de Gestão de Desempenho, o qual contempla com maior especificidade as condições e fórmula de cálculo para concessão de referida verba, mormente quando fora devidamente informado aos beneficiários, os quais tem comissão permanente para tratar da matéria. Recurso especial negado. De se concluir que não há desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, o fato das partes haverem resolvido que as regras para pagamento da PLR seriam aquelas constantes em programa específico elaborado pelo Banco e instituído em data anterior aos ACT. Ouso também discordar do brilhante voto da Relatora na parte que diz respeito à apreciação do descumprimento da periodicidade legal para pagamento da PLR relativa ao anobase de 2004.. Em relação à periodicidade da distribuição dos lucros ou resultados, o fisco indicou que a autuada distribuiu lucros, no exercício de 2005, em três ocasiões qual sejam: 02/2004; 08/2004 e 10/2005 (Levantamentos PA2 e PM2). Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Todavia, verificase que no levantamento PA2 a parcela distribuída em 10/2005, diz respeito apenas a resíduos, posto que o valor constante naquela parcela totaliza apenas R$ 56.885,15, que corresponde apenas a 3,8% do total da PLR distribuída para aquele grupo de trabalhadores. Assim, os Auditores concluíram que as contribuições previdenciárias deveriam incidir sobre todas as parcelas pagas em 2005 pela empresa a título de participação nos lucros e resultados para o programa de 2004. Tal entendimento foi mantido pela DRJ e adotado pela Relatora. Peço vênias para discordar desse posicionamento. O art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, limita o pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR a duas vezes ao ano, em periodicidade não inferior a um semestre civil: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Da leitura da legislação (Lei 10.101/00) acima mencionada, verificase que não há nenhuma exceção em relação aos pagamentos referentes às competências anteriores ou posteriores, ou seja, ainda que se trate de antecipação ou complementação, tal parcela será considerada na aplicação da regra da periodicidade. Contudo, havendo mais de um pagamento no mesmo semestre civil, entendo que não se pode tributar a totalidade dos pagamentos efetuados, mas apenas aquele pagamento que acabou por violar a regra de periodicidade prevista na lei. Esse posicionamento vem sendo manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto a judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições. (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 730 27 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Desse modo, apenas sobre as parcelas dos lucros ou resultados pagas ou creditadas em inobservância à regra legal devem incidir as contribuições previdenciárias. Já as parcelas pagas em observância ao art. 3º, §2º da Lei n. 10.101/2000 – uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano – devem ser excluídas. Como já se disse, as parcelas foram distribuídas, respectivamente, em 02/2004; 08/2004 e 10/2005. Assim, pelo raciocínio acima, somente houve o descumprimento em relação à parcela paga em 10/2005, posto que distribuída no mesmo semestre civil que a parcela anterior. Todavia, os pagamentos efetuados em 02/2005 e 08/2005 não padecem de qualquer contrariedade a norma encartada no § 2. do art. 3. da Lei n. 10.101/2000. Quanto a parcela paga no levantamento PA2, para a competência 10/2005, conforme ponderei acima, tratase apenas de diferenças, não devendo ser considerada. Portanto, das parcelas pagas a título de PLR, devem ser excluídas do lançamento: a) Levantamento P26: competência 02/2006 (existência de regras claras); b) Levantamento PA2: competências 02/2005 e 08/2005 (existência de regras claras e respeito à periodicidade) e competência 10/2005 (valor relativos a diferenças); c) Levantamento PM2: competências 02/2005 e 08/2005 (existência de regras claras e respeito à periodicidade). Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as parcelas pagas a título de PLR a seguir: o levantamento P26, o levantamento PA2 e, do levantamento PM2, MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, as competências 02/2005 e 08/2005 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 744DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11610.010145/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.474
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. RELATÓRIO e VOTO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas anexas ao presente processo administrativo. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n° 38/97, referente ao 1º trimestre de 2001, no montante de R$ 152.645,28, valor a ser aproveitado na compensação declarada pelas Dcomp acostadas às fls. 192 a 197 do processo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 10 14 5/ 20 02 -2 7 Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.010145/200227 Resolução nº 3201000.474 S3C2T1 Fl. 4.685 2 A Delegacia de origem, em 4/02/2010, mediante despacho decisório, indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não esclarecer a origem do ressarcimento solicitado (base legal) e, conseqüentemente, não homologou as compensações relacionadas no processo. Regularmente cientificada, em 09/04/2010 (doc fls. 203verso), do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • A recorrente protocolou, exatamente no dia 28/01/2010 (ultimo dia do prazo dado para entrega de documentos), documento solicitando a prorrogação do prazo, visto que não conseguiria atender a intimação no prazo concedido tendo em vista que os documentos solicitados datam de 10 anos e, acreditando que seu crédito já estava homologado, os documentos estavam no arquivo morto fora da sede da empresa; • Motivos de força maior (fortuito) impediram a empresa de atender a intimação fiscal, já que os documentos estavam no arquivo morto, fora da sede da empresa, que fora atingida por sinistro causado por fortes chuvas em 2008; • A empresa neste ato exibe, para que seja apreciado por quem de direito, toda a documentação exigida pelo termo de intimação fiscal n° 211/2009 e o faz amparada nos preceitos constitucionais do direito de impugnação administrativa, direito ao contraditório, direito à cognição formal e material ampla, direito à produção de provas, direito a recurso hierárquico; • Deve ser acolhida a pretensão da ora recorrente em ter apreciado, nesta instância, os documentos ora acostados, por analogia do preceituado no artigo 517, do Código de Processo Civil: "As questões de fato, não propostas no juízo inferior, poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que deixou de fazêlo por motivo de força maior"; • O motivo de força maior encontrase sobejamente provado por meio dos documentos juntados na manifestação que demonstram não ter havido a máfé da ora recorrente em não apresentar a documentação objeto da intimação fiscal dentro do prazo concedido, seja pelo sinistro j á comentado, seja pela mudança do sistema de informação, seja até pela sua ignorância na contagem do prazo, visto que, chegaria à raia da teratología imaginar que o contribuinte, tendo toda a documentação exigida, deixar de apresentála ao fisco, j á que está apresentando neste ato; • Inaplicabilidade da IN n° 900/2008, já que o pedido foi efetivado no ano de 2000. Verificase que, no caso concreto, o pedido de ressarcimento foi efetivado no ano de 2000, embasando o despacho decisório em legislação não vigente à data da ocorrência do fato gerador. Por sua vez, a IN n° 21/97, vigente à época dos fatos, bem como a que lhe sucedeu (IN n° 210/2002), contém disposição muito mais genérica, que Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.010145/200227 Resolução nº 3201000.474 S3C2T1 Fl. 4.686 3 apenas assegura à fiscalização a possibilidade de diligenciar no estabelecimento da pessoa jurídica para obtenção de informações. Existe uma diferença entre "determinar a realização de diligência", conforme previsto pelas IN n° 21/97 e 210/02 e "condicionar o reconhecimento do direito creditório", conforme previsto pela IN n° 900/08; • É obrigação da autoridade fazendária perquerir a verdade material em determinado caso concreto. Importante notar que no caso concreto a verdade material não foi alcançada, eis que o despacho de indeferimento do pedido baseouse em formalismo exarcebado, sendo nulo o despacho decisório; • O despacho decisório afronta não só o Princípio da Verdade Material como também os Princípios da Razoabilidade e o da Proporcionalidade. Por fim, solicitou que seja conhecida a presente manifestação de inconformidade para, após ser deferida, determinar que sejam analisados os documentos acostados aos autos, deferir o pedido de ressarcimento e homologar as declarações de compensação vinculadas ao crédito solicitado neste processo. Protestou, ainda, pela produção de provas que se julgar necessárias no intuito de comprovar a veracidade dos fatos alegados nesta, inclusive por perícia, com a finalidade de comprovação do sinistro relatado, bem como a mudança de seu sistema de informação. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação do direito reclamado. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.010145/200227 Resolução nº 3201000.474 S3C2T1 Fl. 4.687 4 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário, reiterando os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Na oportunidade, anexou os documentos de fls. 934 a 4.674, solicitados pela autoridade fiscal, entendendo restar comprovado seu direito creditório. É o relatório. Do exposto, constatase que o pleito da recorrente foi negado devido a falta de atendimento de intimação para prestar esclarecimentos e comprovar o crédito. A recorrente, em sede de recurso voluntário, anexou aos autos documentos suficientes para comprovar a existência de um direito creditório, todavia não é possível verificar o montante deste direito. Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de origem: a) proceda com a análise dos documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário; b) verifique junto aos documentos fiscais da recorrentes o montante de seu direito creditório. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 11516.002791/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO.
A escrituração que não contemple a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária e, ademais, contenha vícios e erros que impossibilitem a apuração do lucro real é causa para o arbitramento do lucro.
LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO.
O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES ZERADAS.
Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declarações (DIPJ, DCTF e DACON) com valores zerados, em períodos consecutivos, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964.
Numero da decisão: 1302-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que votaram por reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. A escrituração que não contemple a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária e, ademais, contenha vícios e erros que impossibilitem a apuração do lucro real é causa para o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES ZERADAS. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declarações (DIPJ, DCTF e DACON) com valores zerados, em períodos consecutivos, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que votaram por reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 91 /2 01 0- 07 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.340 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BENDO TRANSPORTES E CONSULTORIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1444.782, de 17/09/2013, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, do qual extraio os trechos a seguir transcritos: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi tributada, nos anos calendário de 2006 e 2007, receita provenientes de transporte. Foi arbitrado o lucro, com base no art. 530, II do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), tendo em vista que a escrituração mantida pela contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude de erros e falhas relatadas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVF). Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: [Quadro à fl. 1300] O enquadramento legal para o lançamento dos tributos deuse como a seguir demonstrado: [...] Consta no TVF (fls. 394 a 402) que a contribuinte apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) com opção de tributação pelo lucro presumido para o ano calendário 2006 e pelo lucro real para o ano calendário 2007, tendo informado nessas declarações, no entanto, valores zerados de receitas tributáveis. Apresentou Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTFs) para os 1° e 2º semestres de 2006 e para o 2º semestre de 2007, também com valores totalmente zerados (fls. 38 a 41). Não apresentou DCTF para o 1º semestre de 2007. Não procedeu a nenhum recolhimento de tributos federais relativos aos períodos sob fiscalização (2006 e 2007). Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.341 3 Relatou o autuante que a contribuinte foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão ou o livro Caixa, e o livro Registro de Saídas ou o livro fiscal no qual constem os registros dos conhecimentos de transporte. Em resposta, apresentou livros Registro de Entradas, de Saídas, Apuração de ICMS, Diário e Razão, sendo que esses dois últimos livros possuíam escrituração somente até o mês de setembro de 2007. Informada da irregularidade, a fiscalizada apresentou posteriormente livros complementares referentes ao período de outubro a dezembro de 2007, protocolados na JUCESC em 26/05/2010, conforme cópias dos Termos de Abertura e Encerramento às fls.77 e 78 (Diário), 243 e 264 (Razão). Apresentou também cópias de extratos com movimentação financeira dos bancos Bradesco, Unibanco, Safra e da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Sul Catarinense CREDISULCA. Verificou a fiscalização que os livros Diário e Razão apresentados não continham a escrituração da movimentação financeira de nenhuma das contas correntes referentes aos extratos apresentados. Os valores de receitas tributáveis constantes nos livros Registro de Saídas (fls. 265 a 347) e Diário/Razão (fls. 79 a 264) são os abaixo destacados: [Quadros às fls. 1301 e 1302] Objetivando identificar alguma consistência na escrituração contábil, que suprisse a inexistência dos registros bancários e evitasse a adoção do arbitramento como forma de apuração das bases de cálculo, a fiscalização listou, de forma individualizada, os créditos e débitos superiores a R$20.000,00 nos demonstrativos "Créditos superiores a R$20.000,00" e "Débitos superiores a R$20.000,00" (as fls. 52 a 58), constantes dos extratos bancários disponíveis, e intimou a contribuinte a identificar, nos livros Diário e Razão apresentados, os valores listados nos citados demonstrativos. Intimou, ainda, a contribuinte a ratificar ou retificar os valores de receitas escrituradas nos livros Diário, Razão, Registro de Saídas e Apuração de ICMS anteriormente destacadas. Em 26/07/2010, a contribuinte protocolou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, à fl. 60 a 69, quando ratificou os valores escriturados nos Livros Diário, Razão, Registros de Saídas e Apuração de ICMS. Não se manifestou sobre a identificação, nos Livros Diário e Razão, dos valores listados nos demonstrativos "Créditos superiores a R$20.000,00" e "Débitos superiores a R$20.000,00". Tendo em vista que a fiscalizada apresentou Livros Diário e Razão nos quais não constavam a escrituração da movimentação bancária de nenhuma das contas correntes de 04 (quatro) instituições financeiras, foi arbitrado o lucro com base na receita constante nos livros Registro de Saídas e Apuração do ICMS. Tendo em vista que a contribuinte apresentou, por 2 anos consecutivos, DIPJs e DCTFs em branco (no 1º semestre/2007 a DCTF não foi apresentada), DACONs, apenas para o 2º semestre de 2007 (fls. 348 a 355), também zeradas, e não procedeu ao recolhimentos (mesmo que parciais) de nenhum dos tributos relacionados a este procedimento (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) foi aplicada a multa de 150% e foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.342 4 Sendo notificada da autuação em 13/08/2010, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 461 a 479, subscrita pelo procurador Fabiano Ferreira (fls. 453 a 459), alegando: · Mantinha a escrituração comercial e fiscal, nas quais constavam os montantes das receitas tributáveis. Portanto, sobre estes deveriam ser calculados os tributos objeto da autuação. · Não há que se falar, também, em imprestabilidade da escrituração contábil, pelo fato de não constar a escrituração da movimentação bancária, e imputar à impugnante o arbitramento do lucro por fato de terceiro. O contador, por liberalidade, por inexperiência, desconhecimento ou desídia, preferiu não incluir a movimentação bancária nos registros. O artigo 268 do Regulamento do Imposto de Renda dispõe sobre a responsabilidade do contador na manutenção da escrituração da empresa. Os proprietários da empresa são pessoas com poucos estudos e sem qualquer conhecimento técnico em contabilidade. Diante dessa situação, seu contador foi quem decidiu permanecer inerte em relação à solicitação do fisco, não incluindo na escrituração as movimentações financeiras. · Não existem motivos suficientes para a desconsideração dos registros existentes e para o arbitramento do lucro, tendo em vista que a escrituração dá conta dos valores tributáveis nos exercícios de 2006 e 2007, devendo servir de base de cálculo para as contribuições e para o imposto de renda, este na base de 8% (conforme IN SRF nº 93/1997, art 3º, e RIR/1999, art. 223) · No caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, deverá ser de 12%, em se tratando de serviço de transporte de cargas (IN SRF nº 390/2004, arts. 88 e 89). Por sua vez, a Contribuição para o PIS e a COFINS deverão ser tributadas na ordem de 1,65% e 7,6%, respectivamente. · A fiscalização informa que tomou como base para verificar a existência de infração, arbitrando o lucro, a não comprovação da procedência dos valores acima de R$ 20.000,00 contidos em conta bancária. Entretanto, o agente fiscal não demonstrou que tais movimentações referiamse a receitas da empresa e acabou imputandolhe infração com base em indícios e presunções (prova indireta). · A fiscalização tributária lançou tributo e lavrou auto de infração contra a impugnante, pois deduziu que os depósitos de valores na conta da empresa autuada se consubstanciaram em receita operacional omitida (fato desconhecido). Deduziu, porque não evidenciou (comprovou) através de elementos probatórios válidos (documentos, testemunhos, etc), que aquele numerário depositado em sua conta corrente era total ou em parte, base de cálculo para os tributos lançados (ganho de capital, faturamento e lucro líquido). Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.343 5 Notase, que a comprovação por parte da administração fiscal da ocorrência do fato gerador do tributo, ou ainda, da circunstância qualificada pela legislação como infração, é impositiva, tendo em vista a aplicação do artigo 9º do Decreto 70.235/72. Acrescentese que os incisos IV, V, VI e VII do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) também expressamente obrigam a autoridade administrativa tributária a comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e do ato infracional praticado. · Assim, não tendo a fiscalização comprovado a ocorrência dos fatos geradores e das supostas infrações imputadas à impugnante em relação às movimentações financeiras e diante da existência e veracidade das escriturações apresentadas, mostramse insubsistentes os lançamentos de ofício efetuados e os autos de infração lavrados com base no lucro arbitrado. · A autoridade lançadora dos tributos aplicou para a infração do item 3.3 a multa de 150%, com base no § 1º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. A redação do referido parágrafo foi dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488 de 15 de junho de 2007 (e antes pelo artigo 14 da MP n° 351, 22 de janeiro de 2007), ou seja, o seu texto entrou em vigor em momento posterior a ocorrência dos fatos geradores (2006 e 1 ° semestre de 2007). Em razão disso, a autoridade fiscal impôs penalidade que foi instituída em data posterior à ocorrência dos fatos geradores das infrações, aplicando uma norma tributária a fato pretérito (aplicação retroativa), o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, consoante dispõe os artigos 1º e 6° do Decreto Lei n° 4.657/42 (Lei de Introdução ao Código Civil) e artigo 105 do CTN. Alternativamente a Multa Qualificada deve ser convertida em Multa Formal, na base de 75%. · Frente aos argumentos tecidos anteriormente, somados ao fato de as declarações dos anos de 2006 e 2007 terem sido confeccionadas pelo profissional contábil contratado e este, por vontade própria, as apresentou conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, é imperativo a retirada da Representação para Fins Penais. · Solicita o deferimento de prova pericial contábil, a fim de que se possa aferir a receita operacional pelo regime de lucro presumido, conforme os quesitos apresentados a seguir, desejando que seja nomeado como perito assistente o Sr. Gilberto Augusto Oliveira de Freitas, brasileiro, contabilista, inscrito no CPF sob o n° 135.304.370 34, com escritório profissional na Avenida Soledade, n° 442 Bairro Pretópolis, Porto Alegre, RS CEP 90.470 340. 1. É possível com a documentação apresentada, quantificar a receita operacional da empresa Bendo Transportes e Consultoria Ltda., nos anos de 2006 e 2007, com base no regime de apuração pelo lucro presumido? Em caso negativo, por que? 2. Em caso de resposta positiva ao quesito anterior, qual seria a base de cálculo para apuração do quantum a pagar em relação ao a). Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lucro Presumido; b) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.344 6 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;.c) Contribuição para o Programa de Integração Social; d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social? · Requer que todas as notificações e/ou intimações, acerca de todos e quaisquer atos relativos ao presente processo administrativo, sejam feitas, sob pena de nulidade, em nome de EVERALDO JOÃO FERREIRA, advogado, inscrito na OAB/SC sob. n° 1.967, MAURI NASCIMENTO, advogado, inscrito na OAB/SC sob n° 5.938 e FABIANO FERREIRA, advogado, inscrito na OAB/SC sob o n° 30.142, todos com escritório profissional na Avenida Nereu Ramos, n° 1699, em Sombrio/SC, CEP 88.960000. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1444.782, de 17/09/2013 (fls. 1298/1310), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. A escrituração que contenha vícios e erros e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. CSLL. PIS. COFINS. A escrituração que contenha vícios e erros e não reflita toda a movimentação bancária da empresa enseja a adoção da forma de tributação pelo lucro arbitrado para apuração do IRPJ e CSLL, bem como a adoção da sistemática cumulativa para apuração do PIS e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.345 7 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO REDUÇÃO. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, não há que se falar em redução da multa de ofício. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO CONTADOR. É descabida a pretensão de afastar a aplicação da lei pela autoridade administrativa sob a alegação de que a escrituração e as declarações incorretas são de responsabilidade do contador. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para se manifestar sobre processo de formalização de representação fiscal para fins penais. Ciente da decisão de primeira instância em 20/11/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1318, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/11/2013 conforme carimbo de recepção à folha 1320. No recurso interposto (fls. 1321/1337), a interessada repisa, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos anteriormente em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que o recurso voluntário interposto não se dirige contra a decisão recorrida, mas sim contra o lançamento. Os argumentos trazidos, idênticos àqueles que constam da peça impugnatória, já foram apreciados e fundamentadamente rejeitados em primeira instância. Diante de tal constatação, cumpre a este Colegiado efetuar uma revisão do lançamento, verificando sua correção, bem assim a correção da decisão de primeira instância que o manteve integralmente. O primeiro ponto de aparente divergência é quanto às receitas auferidas pela interessada. E digo que a divergência é apenas aparente, pois o Fisco lançou mão das receitas escrituradas pela própria interessada em seus livros de Registro de Saídas (LRS) e de Registro Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.346 8 e Apuração de ICMS (LRAICMS). Não obstante as irregularidades encontradas na escrita contábil (assunto que será abordado mais adiante, neste voto), foi possível ao Fisco cotejar as receitas escrituradas nos LRS/LRAICMS com aquelas que constavam dos livros Diário e Razão, com diferenças irrisórias. Ainda, o Fisco solicitou à então fiscalizada que ratificasse ou retificasse os valores de receitas que constavam de sua escrituração, e a resposta da interessada foi no sentido de expressamente ratificar as receitas escrituradas. Insisto: o lançamento não se baseou em presunções, legais ou não, não foram lançadas receitas apuradas com base em créditos bancários, como parece crer a recorrente. As receitas objeto de lançamento foram exclusivamente aquelas escrituradas pela própria interessada (prova direta) e por ela expressamente ratificadas ainda antes do lançamento. Não há, pois, qualquer litígio acerca das receitas auferidas pela interessada, devendo ser rejeitados quaisquer argumentos que versem sobre presunções, prova indireta ou movimentações bancárias. Estabelecido este ponto, é de se verificar se o procedimento do Fisco, ao arbitrar o lucro da interessada com base nas receitas conhecidas, foi ou não correto. No anocalendário 2006, a DIPJ apresentada pela interessada foi na forma do lucro presumido, muito embora todos os valores estivessem zerados. No anocalendário 2007, a forma da declaração foi o lucro real, também com valores zerados. Em qualquer caso (lucro presumido ou lucro real), a contribuinte estaria obrigada à apresentação de escrituração contábil completa, nos termos da legislação comercial. No caso do lucro presumido, a escrita contábil poderia ser dispensada, caso fosse apresentado Livro Caixa, no qual deveria constar toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, arts. 251 e segs. e art. 527). Pois bem. O Fisco constatou que a escrita contábil apresentada pela interessada não continha a escrituração de nenhuma das contas correntes referentes aos extratos bancários apresentados de quatro instituições financeiras: Bradesco, Unibanco, Safra e CREDISULCA. De imediato, tal constatação já implicaria infração às disposições relativas à escrituração, referidas no parágrafo anterior e o consequente arbitramento dos lucros. A fiscalização não se satisfez com essa constatação e aprofundou as investigações. Foi então lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 001, onde consta o que segue (fl. 74): Objetivando verificar alguma consistência nos livros contábeis apresentados e sanar as dificuldades com a correta identificação de valores recebidos ou pagos, nos livros Diário e Razão apresentados, procedemos à intimação que se segue. A fiscalizada foi intimada a identificar, nos livros Diário e Razão apresentados, valores de créditos e débitos, todos superiores a R$ 20.000,00, listados em demonstrativos anexados à intimação. Esses demonstrativos, às fls. 76/87, relacionam doze páginas de lançamentos (créditos e débitos) bancários. A interessada permaneceu silente sobre esse item da intimação. Diante disso, outra alternativa não havia para a fiscalização a não ser a aplicação do art. 530 do RIR/99, que determina o arbitramento do lucro na situação em que o Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.347 9 contribuinte não escriture sua movimentação financeira, inclusive bancária, ou quando a escrita apresentada contiver tais deficiências que a tornem imprestável para a apuração do lucro real. Correto, pois, o arbitramento do lucro, tal como decidido em primeira instância. No que tange aos percentuais aplicados ao arbitramento e à determinação das contribuições, também não merece reparo a decisão recorrida, que peço vênia para transcrever e adotar também aqui como razões de decidir (fls. 1306/1307). É improcedente a alegação de que devem ser aplicados, para a apuração da base de cálculo, o coeficiente de 8% (IRPJ), pois sendo arbitrado o lucro aplicase o disposto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) II dezesseis por cento: a) para atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; (...) Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Com relação ao PIS e à Cofins, as Leis nº 10.637/2002 (art. 8º) e nº 10.833/2003 (art.10), ao estabelecerem o regime nãocumulativo, determinaram que as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanecem sujeitas às normas da legislação vigentes anteriormente. E, como foi arbitrado o lucro da empresa, deve ser aplicado o Decreto nº 4.524/2002, que fixou a alíquota de 0,65% para o PIS e de 3% para a Cofins. Quanto à CSLL, verificase no auto de infração que foi aplicado o coeficiente de 12% para apuração da base de cálculo. Assim não há como acatar as objeções da defesa ao arbitramento do lucro e as conseqüentes exigências de IRPJ e CSLL, bem como de PIS e Cofins pela adoção da sistemática cumulativa. No que tange à multa de 150% aplicada ao lançamento, as reclamações da recorrente de que teria sido empregada base legal inexistente à época dos fatos geradores já foi detalhadamente esclarecida e refutada em primeira instância. Tratase, aqui, da modificação na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com o advento do art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. Com isso, a multa de 150%, que Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.348 10 era prevista no inciso II do art. 44, passou a constar do inciso I e § 1º do mesmo artigo. Não obstante, a previsão legal para a aplicação da multa nunca deixou de existir, e os enquadramentos estão minuciosamente explicitados, para cada período de apuração, no demonstrativo de multa e juros de mora, às fls. 409/410, pelo que os reclamos da recorrente não podem ser acolhidos. Ainda sobre a qualificação da multa, tenho por correto o procedimento do Fisco, que considerou presente o intuito de fraude, especificamente a sonegação, conforme previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Com efeito, a entrega de declarações com valores zerados, em períodos consecutivos, leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Ressaltese, ainda, que não se trata da presunção de ocorrência dos fatos geradores, mas de prova direta, visto que as receitas foram extraídas dos livros Registro de Saídas e de Apuração de ICMS da recorrente, em expressivos montantes. Essa situação foi bem caracterizada no acórdão recorrido (fl. 1308), confirase: No presente caso, a contribuinte, apesar de ter auferido receita tributável nos anoscalendário de 2006 e 2007 nos totais de R$ 12.045.068,61 e R$ 11.290.753,61, respectivamente, não declarou qualquer valor à Receita Federal, entregando as DIPJ (AC 2006 e 2007), DCTF e Dacon com valores zerados (1º e 2º semestres de 2006 e 2º semestre de 2007) e não efetuou o recolhimento dos tributos federais devidos relativos a esses anoscalendário. Esse procedimento reiterado na entrega de declarações com informações inexatas sobre o auferimento de receitas e a falta de pagamento dos tributos devidos demonstram a intenção da contribuinte de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, tal como previsto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Pelo exposto, nego provimento a este item do recurso, mantendo a multa aplicada no percentual de 150%. A recorrente pede a retirada da Representação Fiscal para Fins Penais. Essa matéria é objeto da Súmula CARF nº 28, a seguir transcrita, o que dispensa maiores considerações. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. O pedido de perícia contábil deve também ser rejeitado, pois todos os elementos necessários à formação da convicção e decisão dos julgadores já se encontram presentes nos autos. Desta forma, indefiro o pedido, tal como já havia feito a autoridade julgadora em primeira instância, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.349 11 Finalmente, quanto à solicitação de que futuras intimações sejam feitas em nome dos advogados e a eles endereçadas, já foi esclarecido no acórdão recorrido que o processo administrativo fiscal contém regras específicas quanto à intimação do sujeito passivo, as quais impedem o atendimento a essa solicitação. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 17546.001041/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 31/01/2005
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REVISÃO DE OFÍCIO.
A Administração Tributária tem o dever de revisar de ofício o lançamento fiscal em todos os casos em que restar constatado erro na apuração dos fatos geradores, seja em razão tão só de sua efetiva existência, quanto, também, de sua substancialidade, aqui incluídas a magnitude da sua base de cálculo, sua natureza jurídica e demais circunstâncias materiais da obrigação tributária ou condições pessoais do Contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos, para apreciar o Recurso de Ofício. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 31/01/2005 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. A Administração Tributária tem o dever de revisar de ofício o lançamento fiscal em todos os casos em que restar constatado erro na apuração dos fatos geradores, seja em razão tão só de sua efetiva existência, quanto, também, de sua substancialidade, aqui incluídas a magnitude da sua base de cálculo, sua natureza jurídica e demais circunstâncias materiais da obrigação tributária ou condições pessoais do Contribuinte. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos, para apreciar o Recurso de Ofício. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/01/2005 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. A Administração Tributária tem o dever de revisar de ofício o lançamento fiscal em todos os casos em que restar constatado erro na apuração dos fatos geradores, seja em razão tão só de sua efetiva existência, quanto, também, de sua substancialidade, aqui incluídas a magnitude da sua base de cálculo, sua natureza jurídica e demais circunstâncias materiais da obrigação tributária ou condições pessoais do Contribuinte. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos, para apreciar o Recurso de Ofício. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 41 /2 00 7- 33 Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.001041/200733 Acórdão n.º 2302003.307 S2C3T2 Fl. 4.004 3 Relatório Período de apuração: 01/09/2000 a 31/01/2005. Data da lavratura da NFLD: 15/07/2005. Data da Ciência da NFLD: 15/07/2005. Temse em pauta Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância por esta proferida que reconheceu a procedência parcial do lançamento aviado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 36.830.5756, de 15/07/2005. De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 2048/2049, o presente lançamento tem por objeto contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, bem como as contribuições previdenciárias a cargos dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição. Constituemse fatos geradores do lançamento as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, bem como as remunerações pagas ou creditadas a segurados transportadores autônomos, cujos valores encontramse discriminadas nas folhas de pagamentos, nas GFIP e nos Registros Contábeis apresentados pela empresa. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls. 2056/2077. Da análise da impugnação apresentada, a Seção do Contencioso Administrativo da então Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo houve por bem baixar os autos em diligência fiscal para que o Auditor Fiscal notificante se manifestasse acerca das alegações da empresa, conforme Despacho a fl. 3424. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 3430/3436, prestando os devidos esclarecimentos e propondo a retificação do lançamento, nos termos consignados no Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos – FORCED, a fls. 3437/3447. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo baixou o feito uma vez mais em diligência fiscal para que o Auditor Fiscal notificante se pronunciasse a respeito de divergências apontadas pelo setor responsável pelo julgamento administrativo de primeira instância, conforme Despacho a fl. 3449. Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Por meio da informação fiscal a fls. 3462/3464, cortejada pelo respectivo Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos – FORCED, a fls. 3451/3461, a Autoridade Lançadora pugnou pela retificação do lançamento, excluindo todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores apurados pela Fiscalização no presente lançamento, à exceção, tão somente, daqueles ocorridos nas competências 11/2001 e 12/2001. Promovida a ciência das referidas Informações Fiscais ao Sujeito Passivo e reaberto o prazo normativo para manifestarse nos Autos do processo, fls. 3466/3467, o Notificado apresentou aditamento à impugnação a fls. 3474/3477. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP baixou o feito mais uma vez em Diligência Fiscal para que a Autoridade Lançadora se manifestasse a respeito das alegações e dos documentos juntados pela Notificada, conforme Despacho a fls. 3788/3790. Em atendimento à Diligência requerida, a Autoridade Lançadora produziu a Informação Fiscal a fls. 3815/3816, aviando planilha explicativa a respeito dos fatos geradores ainda mantidos no lançamento. Devidamente cientificada da Informação Fiscal acima referida, a Notificada apresentou aditamento à sua defesa administrativa a fls. 3824/3828. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 0532.291 8ª Turma da DRJ/CPS, a fls. 3852/3859, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para retificar o crédito tributário na forma proposta pela Autoridade Lançadora em seus Relatórios da Diligência Fiscal, nos termos expostos no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 3860/3870, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/02/2011, conforme Aviso de Recebimento A FL. 3872. Inconformado com a decisão exarada pelo Órgão Administrativo Julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 3873/3883. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF/DF lavrou Decisão Administrativa de 2ª Instância textualizada no Acórdão nº 2302 001.801 – 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, a fls. 3985/3990, negando provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Notificado, porém não se pronunciando a respeito do Recurso de Ofício. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, verificando que o Recurso de Ofício interposto pela DRJ/CPS não se houve por apreciado pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, retornou o autos do processo a esta Turma Ordinária para a devida apreciação da Remessa Necessária, conforme Despacho a fl. 3996. Nessa vertente, foi o processo em pauta sorteado a este subscritor para a apreciação do Recurso de Ofício. Relatados sumariamente os fatos de maior relevo. Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.001041/200733 Acórdão n.º 2302003.307 S2C3T2 Fl. 4.005 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 0532.291 8ª Turma da DRJ/CPS, a fls. 3852/3859, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para retificar o crédito tributário na forma proposta pela Autoridade Lançadora em seus Relatórios da Diligência Fiscal, nos termos expostos no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 3860/3870, e recorrendo de ofício de sua decisão. Não merece reparos, nesse particular, a decisão de 1ª Instância Administrativa. Pelas razões expostas nas Informações Fiscais a fls. 3430/3436 e a fls. 3462/3464, a Autoridade Lançadora propôs a retificação do crédito tributário objeto do vertente lançamento na forma determinada nos FORCED a fls. 3437/3447 e a fls. 3451/3461, reproduzidos do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. fls. 3860/3870. Como é cediço, a Administração Tributária tem o dever de revisar de ofício o lançamento fiscal em todos os casos em que restar constatado erro na apuração dos fatos geradores, seja em razão tão só de sua efetiva existência, quanto, também, de sua substancialidade, aqui incluídas a magnitude da sua base de cálculo, sua natureza jurídica e demais circunstâncias materiais da obrigação tributária ou condições pessoais do Contribuinte. A retificação do lançamento é, portanto, medida que se impõe nos casos em que as circunstâncias objetivas e subjetivas do caso concreto, reportadas pela Fiscalização no lançamento, não refletirem de maneira adequada e ajustada a hipótese genérica e abstrata prevista na lei. No caso presente, com a juntada de nova documentação aos autos do processo pela Impugnante, pode verificar a Autoridade Lançadora a existência de erros no que se refere à apuração da matéria tributável. Tratase, portanto, de erro de fato e não erro de direito, que assegura a revisão do lançamento nos termos dos artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional. Nessa prumada, considerando que a própria Autoridade Lançadora, dentro dos parâmetros da legalidade e tipicidade tributária, pelas razões expostas em suas Informações Fiscais, reviu de ofício a matéria tributável do lançamento e propôs a retificação do crédito tributário; Considerando que o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 exigidas por lei, e considerando que o Sujeito Passivo foi cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, favorecendo, assim, a contradita dos termos do lançamento e o devido processo legal, entendo correta a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, razão pela qual pugnamos pela negativa de provimento ao Recurso de Ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso de ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10580.727314/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura da Bahia, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730.
Numero da decisão: 2102-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que dava provimento parcial para excluir a multa de ofício.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), .Núbia Matos Moura, Alice Grechi, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura da Bahia, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que dava provimento parcial para excluir a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 14 /2 00 9- 70 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 134 2 Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), .Núbia Matos Moura, Alice Grechi, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 84 a 108, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 76 a 81, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 02 a 09 dos autos, lavrado em 16/11/2009, relativo aos anoscalendário 2004, 2005, 2006, com ciência da RECORRENTE em 23/11/2009 (fl. 33). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 155.282,48, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05 a 07, o presente lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O Sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a titulo de ‘URV’, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 135 3 Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com o sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo Imposto de Renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenização” ou “valores indenizatórios”. Assim, resta claro que os valores recebidos pelo sujeito passivo em virtude de diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, denominadas “Valores indenizatórios de URV”, são tributáveis. (...) Fato Gerador Valor Tributável ou imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 23.896,97 75,00 31/12/2005 R$ 23.896,97 75,00 31/12/2006 R$ 23.896,97 75,00 Enquadramento Legal Arts. 1° a 3° e §§, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; Arts. 39 e 43 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 136 4 Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei nº 11.311/06.” O cálculo de apuração do imposto devido encontrase disposto em planilha acostada à fl. 10 dos autos. DA IMPUGNAÇÃO Em 15/12/2009, a RECORRENTE, por meio de seus representantes, outorgados por meio da procuração de fl. 61, apresentou sua impugnação de fls. 35 a 59. São os argumentos centrais de sua defesa: I. a Receita Federal seria parte ilegítima para cobrar o imposto de renda sobre tais rendimentos, tendo em vista que tais valores pertencem aos Estados que descontaram na fonte de pagamento de seus servidores o valor do tributo, conforme art. 157, I, da Constituição Federal de 1988 e art. 868 do RIR/99; II. as diferenças de conversão da URV pagos em atraso, em razão de sua natureza indenizatória, não deveriam ser tributado pelo imposto de renda; III. o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; IV. cita precedentes judiciais bem como do antigo Conselho de Contribuintes, assim como solução de consulta, no sentido de que os valores recebidos a título de diferenças URV não se sujeitariam ao imposto de renda; V. entendeu que houve erro na apuração do imposto devido, visto que os juros de mora incidentes sobre o crédito de URV não poderia ser incluído na base de cálculo do imposto de renda, haja vista a natureza indenizatória dos referidos juros de mora, conforme art. 404 do Código Civil; VI. caso seja mantido o lançamento de imposto de renda, não deveriam ser cobrados os juros e a multa de ofício aplicada, nos termos dos arts. 100 e 112 do CTN, em razão da boafé da RECORRENTE, que foi induzida a erro ante o lançamento incorreto da fonte pagadora. Requereu, às fls. 74/75, prioridade do julgamento, invocando o art. 71, § 3º, da Lei nº 10.741/03 (Estatuto do Idoso). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 137 5 DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 76 a 81 dos autos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributários, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada da decisão da DRJ em 17/10/2011 (fl. 119), a RECORRENTE apresentou o recurso voluntário de fls. 84 a 108 em 27/10/2011. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou os termos de sua impugnação. Posteriormente, a RECORRENTE acostou aos autos petição de fls. 121 a 125 informando dos termos da decisão proferida pelo STF quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 684168 (em que houve reconhecimento da existência de repercussão geral da questão constitucional), no sentido de que há ausência de interesse da União em fiscalizar e arrecadar o imposto de renda quando o produto da sua arrecadação pertence ao Estado, nos termos do art. 157, I, da Constituição Federal. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 138 6 Assim, afirmou a RECORRENTE que o entendimento do STF deveria ser aplicado ao caso em questão, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, uma vez que o imposto ora cobrado pertenceria ao Estado da Bahia. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Conforme exposto, a autoridade lançadora entendeu que a RECORRENTE classificou indevidamente como isentos e não tributáveis os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. A questão envolvendo a tributação das verbas classificadas como “Valores Indenizatórios de URV”, recebidas pelos membros da magistratura da Bahia (Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003) bem como pelos membros do Ministério Público daquele estado (Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003), já foi objeto de apreciação por esta turma julgadora. Assim, peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, quando se apreciou a questão envolvendo a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 139 7 Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 140 8 Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 141 9 Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 142 10 diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões acima destacadas, entendo que deve ser cancelado o lançamento em exame no que diz respeito à tributação das diferenças auferidas pelos membros da Magistratura da Bahia com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003 (diferenças URV). Ademais, a questão envolvendo a tributação das “diferenças URV” foi por diversas vezes apreciada por esta Colenda Turma julgadora. Assim, transcrevo abaixo recentes ementas de casos similares ao ora em debate, em que se manteve o reiterado entendimento de afastar a tributação sobre tais verbas, verbis: “NÃO INCIDÊNCIA. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do Ministério Público Federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Juridicamente não é razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas ao mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Provido (10580.725147/201066; julgado em 17/09/2013; relator: Conselheira Alice Grecchi)” *** “RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 143 11 MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido (10580.720391/200907; julgado em 14/08/2013; relator: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos)” Ante o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de cancelar o lançamento de IRPF. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13984.721411/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/06/2011
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta em seu não conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/06/2011 INTEMPESTIVIDADE. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta em seu não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 14 11 /2 01 2- 08 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os lançamentos consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: DEBCAD 51.031.2489– no valor de R$ 726.799,80, período de 2/2009 a 6/2011, consolidado em 19/9/2012, referente às contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, incluindo a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, lançadas em razão da subrogação decorrente da aquisição de produção rural (toras de pinus) de produtores rurais pessoa física, não declarada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP; • DEBCAD 51.031.2497– no valor de R$ 69.959,87, período de 2/2009 a 6/2011, consolidado em 19/9/2012, referente às contribuições destinadas a terceiros (Senar), lançadas em razão da subrogação decorrente da aquisição de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, não declarada em GFIP. Cientificada do Auto de Infração, a recorrente apresentou defesa, sendo proferido acórdão julgando procedente os lançamentos. Conforme despacho de fls. 279, foi dada ciência do acórdão à recorrente por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização na Caixa Postal (Módulo eCAC do Site da RFB), sendo considerada a ciência por decurso de prazo em 19/11/2013. A recorrente interpôs, em 14 de janeiro de 2014, o recurso de fls. 283 e seguintes. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13984.721411/201208 Acórdão n.º 2302003.293 S2C3T2 Fl. 325 3 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Da análise dos autos, constato que o recurso voluntário é intempestivo, não merecendo ser conhecido. Conforme despacho de fls. 279, foi dada ciência do acórdão à recorrente por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização na Caixa Postal (Módulo eCAC do Site da RFB), sendo considerada a ciência por decurso de prazo em 19/11/2013. Segundo o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para apresentar o Recurso Voluntário é de 30 (trinta dias). No caso em análise, o recurso foi interposto em 14 de janeiro de 2014, portanto, após o decurso do prazo legal. Assim, tendo o Recurso Voluntário sido protocolizado após o prazo legal para sua apresentação, voto no sentido de NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905887/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 58 87 /2 00 9- 32 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, relativo ao período de apuração 01.03.2004 a 29.03.2004 no valor de R$ 12,58 (doze reais e vinte e oito centavos). Insurge contra a não homologação da Per/Dcomp 25463.75448.150405.1.3.040408, em 14/03/2005, sob alegação de que o crédito é oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo (código de receita 6912), que pretende compensar com débito de março de 2005. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403000.293 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurada a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), como se infere do relatório a fl. 187. Instado a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedou se. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905887/200932 Acórdão n.º 3403002.707 S3C4T3 Fl. 8 3 Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando com embasamento para decidir os cálculos contidos da diligência (fl.188) conforme transcrito aqui: “... após análise, foi apurado que o valor do PIS em 03/2004 foi totalmente amortizado pelos créditos e pelas retenções na fonte, não havendo saldo a pagar. Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de PIS disponíveis para compensação é de R$ 656,70. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, três (3) já foram homologadas, enquanto que quinze (15) permanecem em discussão administrativa. À consideração superior. (Assinado digitalmente) Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 1.220.539 Data: 09/04/2013 De acordo. Encaminhese o processo à Eqorc/Seort/DRF/RPO para que o contribuinte seja cientificado da Resolução de fs. 170172 e deste despacho, e apresente manifestação no prazo de 30 dias, se assim desejar. Após a ciência, retornar este processo ao CARF.(Assinado digitalmente” Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 187/188 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior do PIS/PASEP disponível para compensação ou restituição no total de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para assegurar o direito de compensar os débitos até o limite do valor reconhecido, desde que o pagamento esteja disponível. A decisão é parcial em razão de inexistir nos autos informação sobre ter ou não sido utilizado o pagamento para outras compensações. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10925.901468/2012-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 68 /2 01 2- 97 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 29105.04151.211209.1.3.043208, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Contribuição para o PIS não cumulativa, com apuração em 30/09/2008. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 52 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 53 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002203/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE.
Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril e são utilizadas após o encerramento do processo produtivo.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PEÇAS E MATERIAIS DE REPOSIÇÃO. POSSIBILIDADE
Geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças e materiais de reposição que foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO.
Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os diversos estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor.
CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO.
O direito de descontar créditos decorrentes de despesas de energia elétrica está condicionado a efetiva comprovação das despesas.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, no sentido de:
I) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.016.217,36;
II) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99;
III) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 430.648,48;
IV) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21;
V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas.
Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral nas seguintes matérias: embalagens, material de conservação e limpeza, e fretes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril e são utilizadas após o encerramento do processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. PEÇAS E MATERIAIS DE REPOSIÇÃO. POSSIBILIDADE Geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças e materiais de reposição que foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 22 03 /2 00 9- 17 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 11 2 Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os diversos estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO. O direito de descontar créditos decorrentes de despesas de energia elétrica está condicionado a efetiva comprovação das despesas. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, no sentido de: I) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.016.217,36; II) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99; III) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 430.648,48; IV) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21; V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 12 3 Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral nas seguintes matérias: embalagens, material de conservação e limpeza, e fretes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 13 4 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, no valor de R$ 359.261,62, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção ou suspensão da contribuição, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Termo de Verificação Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisições de bens para revenda: foram excluídos da linha 01 do Dacon os valores dos bens adquiridos de pessoas físicas e os valores referentes às aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, os quais não dão direito a crédito; (b) aquisições de bens não enquadrados como insumos: relata a Autoridade Fiscal que foram excluídos da linha 02 do Dacon a diferença havida entre o valor informado na memória de cálculo e o informado no Dacon e os valores das notas fiscais de aquisição de materiais não enquadrados como insumos, mas correspondentes a “despesas gerais, necessárias as operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à Cofins”. Conforme o relato fiscal os materiais são: a) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa encolhível, entre outros. Em diligência a empresa, no dia 17 de dezembro de 2009, verificouse que as embalagens apresentadas como cx"s, filmes e etc são utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias; b) Aquisição de produtos com alíquotas zero: Citrato de sódio, nisina; c) Peças em geral: Adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, e etc; d) Material de Construção: Cimento, areia, ferragem, e etc; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 14 5 e) Conservação e limpeza: Acido nítrico, soda liquida, detergente, e etc; f) Outros itens: baralho, boné, avental, cadeado, grama, e etc; (c) aquisições de serviços – valores excluídos da “Linha 03 Serviços utilizados como insumos”: relata a Autoridade Fiscal que a contribuinte não apresentou a memória de cálculo conforme solicitado por meio de intimação fiscal, não tendo sido informado o CNPJ do fornecedor a descrição ou nome comercial do serviço, razão pela qual restou impossível determinar o enquadramento ou não dos serviços como insumos; (d) energia elétrica: foram glosadas a despesas com energia elétrica referente ao mês de outubro por não terem sido apresentado o comprovante de pagamento; (e) frete na operação de venda – valores excluídos da “Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”: relata a Autoridade Fiscal que a memória de cálculo apresentada pela requerente não contemplam as informações solicitadas por meio da Intimação Saort; não foi informado o campo número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios Tirol, referente a cada frete na operação de venda. Conclui que, em face disto, restou totalmente prejudicada a análise do direito de crédito sobre as despesas com o frete na operação de vendas, devido a impossibilidade de se estabelecer a correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda. Relata, ainda: que foi solicitado por amostragem algumas notas fiscais que compõem o valor informado a título de fretes nas operações de venda; que algumas notas indicadas na intimação não foram trazidas; e que dentre as cópias apresentadas, verificamse notas fiscais de frete na aquisição de insumos, frete na venda de mercadorias e frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol, em relação ao qual, acrescenta que não há previsão legal para creditamento; (f) depreciação de bens do Ativo Imobilizado: foram glosados valores referentes a encargos de depreciação/amortização sobre bens adquiridos antes de 01/05/2004, correção monetária do imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de transportes, veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda; (g) outras operações com direito de crédito: relata a Autoridade Fiscal que foi glosado o valor referente a despesas com combustível e/ou lubrificantes, informado na linha 13 das fichas 06 e 12 do Dacon, em razão de os produtos indicados na memória de cálculo apresentada não consistirem de insumos; informa que o valor informado na memória de cálculo é inferior ao valor informado no Dacon; Além das glosas acima a Autoridade Fiscal realizou ajuste nos valores referentes ao crédito presumido – Atividade agroindustrial. Foram glosados valores referentes a notas fiscais Fl. 692DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 15 6 de aquisição de insumos de pessoas física que não foram apresentadas, números 3454, 405 e 360, e as diferenças verificadas entres o valores informados na memória de cálculo e os informados no Dacon. Manifestação de inconformidade 1.A contribuinte, inicialmente, alega ilegalidade das glosas procedidas pela Autoridade Fiscal em face da ofensa ao Princípio da Não Cumulatividade, “termo utilizado pelo § 12, do art. 195 da CF/88”. Nesse sentido, argumenta que, como a contribuição para o PIS e a Cofins, a teor das leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, incidem sobre “o total das receitas auferidas pela pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, seus respectivos créditos também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção das receitas e não somente sobre insumos e bens adquiridos para revenda, sob pena de tornar tais contribuições cumulativas, ainda que em parte, numa “clara infração ao art. 111 do CTN”. 2.Contesta as glosas dos valores referentes aos bens e serviços utilizados como insumos argumentando que os dispositivos legais que tratam da possibilidade de desconto de créditos referemse a insumos em sentido amplo, sem quaisquer restrições. Bens utilizados como insumos 3.Segue contestando as glosas dos valores referentes a aquisição de embalagens para transporte dizendo que os itens glosados pela fiscalização, aplicados ao final do processo de industrialização, consistem de embalagens de apresentação, não podendo ser considerados como embalagens utilizadas apenas para o transporte. Explica que o processo de acondicionamento ao qual o leite e seus produtos derivados são submetidos possui o objetivo de promover o produto através de sua apurada apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade. A fim de demonstrar o que defende traz fotos das referidas embalagens. Em que pese esta alegação, argumenta ainda: que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para transporte de produtos industrializados são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção; que tais embalagens não são passíveis de reutilização, e oneram o custo final do produto, da mesma forma que a matériaprima; que a legislação que trata da contribuição para o PIS e da Cofins não faz distinção entre as “embalagens de apresentação” e as “embalagens para transporte”, não cabendo, portanto, à fiscalização desconsiderar as disposições normativas, impondo restrições ao desconto de créditos sobre as aquisições de embalagens destinadas ao transporte, quando a lei não o fez; que a distinção entre embalagem de apresentação e para transporte, estabelecida no caput do art. 6º Regulamento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), aprovado pelo Fl. 693DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 16 7 Decreto n° 4.544/2002, é válida somente “Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto” e não pode ser transposta para o âmbito da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. 4.A interessada contesta a glosa dos valores de aquisição de citrato de sódio e de nisina defendendo que tais produtos, enquanto “estabilizante de proteína utilizado nos produtos UHT e também no doce de leite” e “conservante utilizado em requeijão”, são produtos utilizados como insumo na elaboração e ou beneficiamento de laticínios. Argumenta, ainda, que a Autoridade Fiscal classifica tais produtos como tributados à alíquota zero, contudo, sem indicar o dispositivo legal infringido em que se baseia. 5. Quanto à glosa de valores relativos às aquisições de peças em geral – os quais lista como “(adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, etc)” , sob o argumento de que tais bens não se enquadram no conceito de insumos, inicialmente a contribuinte alega que a Autoridade Fiscal “não aponta com exatidão todos os bens glosados sob este fundamento e sequer quantifica o montante dos créditos glosados, prejudicando o direito de defesa do Contribuinte”. A seguir diz que, não obstante, pode constatar que foram glosadas da base de cálculo dos créditos valores decorrentes da aquisição de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos de sua linha de produção, conforme lista em planilha que traz em anexo. Segue, então, argumentando que referidos materiais destinamse à manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de laticínios, com o objetivo de garantir que a sua linha de produção opere com o nível de desempenho desejado, proporcionando, ao final, produtos de qualidade. Acrescenta que a possibilidade de desconto de créditos sobre os materiais de manutenção está amparada pelo art. 3º, inciso II da Lei n° 10.833/2003 e pelo art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF n° 404/2004 e menciona a Solução de Consulta n° 27, de 02 de dezembro de 2008, da DISIT 03 e a Solução de Consulta n° 30, de 26 de janeiro de 2010, da DISIT 09. 6.Em relação à glosa de valores relativos às aquisições de produtos de conservação e limpeza – os quais lista como (ácido nítrico, soda líquida, detergente, etc.)” , reclama que “Da mesma forma como descrito no item anterior, não houve a adequada individualização de todos os produtos e do respectivo montante glosado no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal” e diz que apresenta em anexo planilha com relação dos referidos produtos. Traz um quadro onde lista os produtos e sua destinação, e menciona a Solução de Consulta n° 13, de 06 de janeiro de 2010, da DISIT 08, por meio da qual, argumenta, a Secretaria da Receita Federal afirma que a Contribuinte tem direito de incluir na base de cálculo da COFINS nãocumulativa os produtos de limpeza. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 17 8 7. A contribuinte contesta ainda a glosa de aquisições de outros produtos utilizados como insumos. Alega que, ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa, os produtos descritos como CAIXAS CREME DE LEITE RECE, LACTOMIX 8012/2 e MAXILACT LX5000, consistem de insumo gerando direito a crédito que alega. Informa que o MAXILACT LX5000 consiste de “ensima ‘lactase’ utilizado no processo de elaboração do doce de leite para hidrolisar a lactose” e o LACTOMIX 8012/2 de “um estabilizante/espessante usado na elaboração de produtos fermentados (iogurte)”. Serviços utilizados como insumos 8.A interessada, inicialmente, informa que dentre os valores glosados há valores que se referem a serviços que são utilizados como insumo. Argumenta, então, que a Autoridade Fiscal agiu de forma arbitrária ao glosar todo o valor informado a esse título, mesmo considerando o fato de a memória de cálculo apresentada estar em desconformidade com o solicitado. A fim de comprovar a existência de valores que geram créditos, junta uma amostra das notas fiscais relacionadas à presente glosa (Doc. 10). Por fim, pugna pela realização de diligência, caso se entenda que os documentos acostados não sejam suficientes a comprovar o que pretende. 9.Em relação as despesas com energia elétrica, argumenta que os pagamentos foram devidamente escriturados no Livro Diário (Doc. 11) e que este livro somado a cópia da fatura (Doc. 12), mostrase suficiente para comprovar a despesa. 10. Em relação aos fretes nas operações de venda, alega que, conforme consta do termo fiscal, em atendimento a Intimação SAORT, apresentou cópia de notas fiscais, o que é reconhecido pela própria Autoridade, comprovando as aquisições dos serviços de fretes. Conclui, então, que a Autoridade Fiscal, apesar de reconhece a existência das mencionadas notas fiscais, promoveu a glosa do valor informado a título de frete nas operações de venda, desconsiderando, inclusive, os valores das notas fiscais que já se encontram anexadas ao presente processo. 11.Defende que o direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes na aquisição de insumos, fretes de transferências de matériaprima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria) está assegurado em lei e argumenta que a inclusão de tais valores na linha do Dacon própria para informar fretes na venda tratase de mero equívoco, que não pode obstar a manutenção dos créditos a que tem direito. 12.Já em defesa do direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes entre a indústria (produção) e os pontos de venda, a contribuinte alega que os custos com tais fretes consistem de despesas de venda, pois a operação é realizada com esse propósito (de venda) e que o ônus é por ela suportado. Aduz que a despesa de frete na venda pode ocorrer de forma direta, quando os produtos vendidos são remetidos diretamente Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 18 9 para o estabelecimento do adquirente, ou de forma indireta, como é o caso, quando os produtos são remetidos do estabelecimento produtor para os pontos de venda. E diz que “O envio do produto final para os ponto de venda é uma etepa essencial à sua comercialização, sem o qual não seria possível fornecêlos às mais diversas e longínquas regiões do país”. Encargos de Depreciação 12.Em relação à glosa dos encargos de depreciação, defende que é indevida a glosa relativa a uma parcela dos bens que, conforme alega, além de serem utilizados no processo produtivo, são indispensáveis ao mesmo, conforme é possível constatar da descrição de sua aplicação/destinação constante da planilha (Doc. 13) e das respectivas imagens que anexou ao presente processo (Doc. 14). Defende que, de acordo com o parecer normativo nº 7, de 23 de julho de 1992, da Coordenação do Sistema de Tributação – CST definiu quando uma máquina ou equipamento é utilizado no processo industrial, para fins de fruição de benefícios fiscais na esfera do imposto de renda e IPI , consideramse utilizados na produção as máquinas e os equipamentos "empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico". Conclui, então, que como os bens indicados são máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda (e não para fins comerciais ou domésticos), e foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dão direito a crédito, já que preenchem todos os requisitos legais a sua concessão. Diante disso, defende que não pode a Autoridade Fiscal, “sem qualquer amparo técnico, glosar os créditos sob a singela alegação de que os equipamentos e máquinas apresentadas pela Recorrente nos pedidos administrativos não são utilizados na produção de seus bens destinados à venda”. Combustíveis e lubrificantes 13.Em relação aos combustíveis e lubrificantes, cujos valores de aquisição, informados como “Outras Operações com Direito de Crédito”, foram glosados, alega que tais produtos consistem de insumos consumidos no processo de fabricação dos produtos vendidos. Diz que, a fim de comprovar que a aquisição dos produtos “constitui em custo de produção”, traz em anexo cópia do Livro Diário e o plano de contas (Doc. 11) que atestam os efetivos dispêndios, bem como que as referidas aquisições representam custo de produção. Crédito presumido 14. Em relação ao crédito presumido a contribuinte manifestase dizendo que com o objetivo de demonstrar a existência das aquisições de leite in natura anexa o livro Diário e o Plano de Contas e uma amostra das notas fiscais dessa operações. Requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade e reformado o Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 19 10 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: além dos custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda, somente dão direito à crédito as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 20 11 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma “operação de venda”, não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá a efetiva venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: DA EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL – DIGITAÇÃO DE VALORES ERRONEAMENTE E DESCONSIDERAÇÃO DE ALGUNS PRODUTOS CUJO CRÉDITO FOI DEFERIDO NO CÁLCULO DO MONTANTE HOMOLOGADO ao elaborar o mapa dos valores cujo crédito foi homologado a Autoridade administrativa incorreu em erro material, considerando valores diversos daqueles realmente incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 21 12 PRELIMINAR TARIFAÇÃO DAS PROVAS OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE REAL E AMPLA DEFESA DESCONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA CONTRIBUINTE: o acórdão recorrido, em manifesto equívoco, faz uma tarifação de provas, ao desconsiderar os documentos carreados aos autos que comprovam a existência do direito creditório da Recorrente, exigindo outras, desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas; a tarifação de provas promovida pela Delegacia de Julgamento conflita com o princípio de que todas as provas em direito admitidas são, em regra, hábeis a comprovar a existência ou inexistência de um fato jurídico; o princípio da verdade real ou material que rege o processo administrativo recomenda uma análise acurada dos elementos de prova com vistas à realidade dos fatos e não uma verificação meramente formal e que atenda eventual comodidade do julgador; a resistência da autoridade julgadora a análise dos documentos apresentados afronta aos princípios da verdade real, da oficialidade, da legalidade, da proporcionalidade, do informalismo e do interesse público, os quais devem ser observados pela administração pública por expressa previsão constitucional QUANTO AO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE NOÇÃO GERAL DE SEU OBJETIVO: a autoridade julgadora emprega, entretanto, interpretação restritiva incompatível com o desiderato da não cumultatividade; a violação à nãocumulatividade se dá por ofensa às leis ordinárias que regulamentaram a nãocumulatividade constitucionalmente previstas, como será demonstrado em cada item específico; QUANTO AO CONCEITO DE INSUMOS: A Autoridade Julgadora utilizando legislações diversas da matéria em comento, cria óbices ilegais ao aproveitamento dos créditos de PIS e de COFINS nãocumulativos; a uma, porque o fato gerador do PIS e da COFINS é auferir receitas, já o do IPI é a industrialização do produto submetido à circulação e consumo; a duas, porque tanto o IPI como o PIS/COFINS possuem legislações específicas quanto as suas regras de incidência e possibilidades de creditamento e, portanto, não devem ser submetidos a apreciações sob a ótica de semelhança com outros tributos; Fl. 699DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 22 13 QUANTO AS AQUISIÇÕES DE MATERIAL DE EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA RECORRENTE: é também importante antecipar que a legislação específica do PIS/COFINS, não distingue embalagens para simples transporte. A interpretação meramente literal das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, assim como das Instruções Normativas nºs. 47/2002 e 404/2004, desautorizam completamente as ilações tiradas pela relatora em seu voto; a "agregação" do material de embalagem ao produto é criação subjetiva das autoridades fiscais, acatadas no julgamento sem amparo legal; ora, a distinção entre embalagens de apresentação e transporte é importante para o IPI apenas e tão somente para caracterizar industrialização, mas não é determinante para assegurar os descontos de créditos de PIS/COFINS; não tem nem lógica e nem o menor sentido exigir que as embalagens para gerar direito ao crédito necessitem se agregar fisicamente ao produto durante o processo de fabricação; QUANTO AS AQUISIÇÕES DE MATERIAIS DE REPOSIÇÃO (PEÇAS EM GERAL) as peças de reposição são, em sua maioria, adquiridas de fornecedores que vendem as máquinas utilizadas no processo fabril dos produtos lácteos, tais como: a) peças adquiridas da empresa Tetra Pak Ltda. que vende máquinas de envase e equipamentos de processamento. b) materiais de manutenção obtidas da empresa Gea Westfalia Separator Do Brasil Indústria de Centrífugas Ltda., que vende máquinas centrífugas; não há que se falar em ausência de prova de sua utilização na atividade da empresa. QUANTO AS AQUISIÇÕES DE PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA o uso dos produtos de conservação e limpeza é essencial à atividade da contribuinte que produz alimentos derivados do leite. A higiene e a sanidade de seus produtos é indispensável e faz parte de todo o processo da sua cadeia produtiva, altamente fiscalizada e regulamentada pelos órgãos oficiais credenciados a zelar pela saúde pública. QUANTO AOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: a autoridade julgadora, bem como, a Autoridade Fiscalizadora apegamse ao equívoco cometido pela Contribuinte no momento da informação no DACON e por esse motivo indeferem Fl. 700DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 23 14 totalmente o direito ao crédito sobre os serviços utilizados como insumos informados na linha 03; é inadmissível o indeferimento, pois as autoridades não chegam nem a analisar o crédito e já o indeferem em função de um erro de preenchimento no DACON, e afirmam que o reconhecimento do crédito limitase ao escopo do que consta lá informado; DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE OS SERVIÇOS GERAIS: os serviços de manutenção industrial, resfriamento de leite, análise laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros serviços prestados à Recorrente correspondem a serviços essenciais ao processo produtivo do parque fabril da empresa, conforme comprovam as notas fiscais juntadas por amostragem e as planilhas apresentadas com a Manifestação de Inconformidade; não há dúvidas que os serviços utilizados no processo produtivo pela Recorrente constituem custo de aquisição de insumos, aumentando o custo de produção e contribuindo para a formação do preço do produto e, consequentemente, da receita; em momento algum o legislador vedou o direito ao desconto de créditos da COFINS sobre os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. QUANTO AS AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES INFORMADOS NA LINHA 13 DO DACON a Recorrente informou erroneamente na linha 13 Outras Operações com Direito a Crédito, as suas aquisições de combustíveis e lubrificantes, insumos que são empregados intrinsecamente no processo de fabricação de laticínios; discorda do procedimento fiscal, entendendo correto o cômputo de tais valores na base de cálculo de créditos da COFINS; o parque fabril é o lugar onde a matériaprima é transformada no produto final. Desta forma, todo o combustível gasto na movimentação de matériaprima, produtos em elaboração, produto acabado, etc. é caracterizado como insumo, pois seu custo integra o custo final do produto, assim, sua possibilidade de crédito tem previsão expressa na legislação da COFINS, não podendo ser excluído da base de cálculo que enseja a apuração dos créditos; são insumos essenciais à movimentação de máquinas e equipamentos que são utilizados diretamente no processo produtivo. Por fim requer que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em respeito ao princípio da nãocumulatividade, insculpido no art. 195, §12, da Fl. 701DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 24 15 Constituição Federal, bem como em face da argumentação específica contida em cada um dos itens (artigos) retro expostos. Requer, ainda, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Em face das alegações da recorrente, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem procedesse conforme abaixo indicado. 1. Intime a contribuinte a: 1.1 Discriminar (relacionar) quais os itens se referem efetivamente a embalagens de apresentação de produto que foram alocados, erroneamente, como embalagens de transporte, demonstrando, com clareza de detalhes, a função/utilização de cada item e não apenas de forma consolidada. 1.2 Detalhar (discriminar) quais das peças relacionadas no item 1.2 (Materiais de Reposição Peças em geral) foram aplicadas na manutenção de máquinas/equipamentos usadas na fabricação de bens destinados à venda, demonstrando a utilização (função) de cada item. 1.3 Detalhar (discriminar) quais dos serviços relacionados no item 1.3 (Serviços utilizados como Insumos) estão diretamente relacionados com o processo produtivo da empresa, ou, no mínimo, quais são indispensáveis à produção de bens destinados à venda. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e por meio de Informação Fiscal esclareceu: 1.1 Embalagens de apresentação – Embalagens de transporte Pelos documentos fotográficos juntados, na hipótese de haver perfeita coincidência entre a descrição constante das planilhas com o que deve estar contido no corpo das respectivas notas fiscais – a contribuinte não juntou nenhuma nota fiscal neste sentido, as embalagens relativas aos itens 1 a 16 tem características de serem classificadas como Embalagens de apresentação por agregar valor comercial ao produto através de sua apresentação objetivando valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Em alguns casos, em verdade, a embalagem faz parte do próprio produto, eis que não é possível vender leite ou iogurte, sem a respectiva embalagem, uma vez que estes produtos encontramse em estado líquido. Neste sentido, portanto, as embalagens nestas condições somariam o montante de R$ 2.031.959,94 – arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader”. Todavia, devese descontar desta importância o valor de R$ 15.742,58, uma vez que, aparentemente, por erro de grafia, teriam contado em duplicidade as notas fiscais nº 2236 e 5227, respectivamente, nos valores de R$ 1.919,35, 2.033,94, 1.919,35, 3.838,70, 1.027,13, 534,11 e 4.470,00, respectivamente. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 25 16 Diferentemente, as embalagens relacionadas nos itens 17 a 33 do arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader” apresentariam características de embalagens de transporte por não manter contato direto com o produto. Meras caixas para acondicionamento, para fins de transporte. De modo algum se podem classificar as embalagens nestas condições (itens 17 a 33) com as embalagens de apresentação, ainda que tragam informações sobre os produtos ou marca, uma vez que sua função principal não é valorizar os produtos que contem, mas de servir como caixas ou engradados que transportam quantidades daquele produto, constituído pela matéria em si e pelo invólucro que a contém. Por óbvio, as garrafas que contêm o “iogurte” não se enquadram na mesma categoria do engradado em que são transportadas. Não nos é possível ignorar, portanto, a dessemelhança entre a embalagem do produto, em sentido estrito, e os invólucros maiores, destinados a conter unidades daquele produto em seu acondicionamento para armazenamento e transporte. Estes não integram o produto, e não devem integrar a base de cálculo do crédito das indigitadas contribuições sociais. 1.2 Material de reposição – peças em geral. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 a Peças. pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 b Demais peças e mats.reposição.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos gastos com equipamentos utilizados na iluminação interna e externa, material utilizado em cercas de proteção e gastos com material de construção que por sua natureza, exigese, que sejam ativados, passando a compor o ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 c Peças e materiais rep...pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, a contribuinte esclarece que não foi possível identificar a “função” de cada peça, ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar a utilização das peças ou bens. Nesta situação foram apontados bens no montante de R$ 82.438,99. 1.3 Serviços Na relação de serviços utilizados como insumo relacionados diretamente com o processo produtivo (arquivo “Item 1.3 c Demais serviços.pdf”) verificase que a contribuinte computou na base de cálculo dos créditos “demais serviços” que não tem relação direta com o processo produtivo, a exemplo de: contratação de Motoboy, Provedor de internet, serviço de sistema de folha de pagamento, serviços hospitalares para tratamento de funcionário da indústria, etc, que a teor da legislação vigente não fazem jus ao crédito. Os serviços em questão montam a R$ 9.136,70. Na relação de serviços utilizados como insumo relacionado diretamente com o processo produtivo (arquivo “Item 1.3 d Serviços cuja função não foi ident.pdf”) a Fl. 703DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 26 17 contribuinte esclarece que não foi possível identificar a “função” de alguns serviços relacionados diretamente com o processo produtivo, ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e corelacionar o serviço com o processo produtivo. Neste situação foram apontados serviços no montante de R$ 86.944,17. 1.4 Despesas de armazenagem e frete na operação de venda Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 e – Transferência prod.acabado.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete interno entre o estabelecimento fabril e o estabelecimento que efetuará a venda, o que não teria amparo na legislação de regência. Com efeito, notese que os dispêndios com fretes realizados por terceiros para transferência de produto acabado, entre unidades, apesar de serem considerados como custos de transporte e, por conseguinte, passíveis de dedução na apuração da base de cálculo do IRPJ (Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), não se subsumem no conceito de insumos a que se referem as Leis nº 10627/2002 e 10833/2003, porquanto apenas aquilo que é consumido ou aplicado diretamente na fabricação ou produção dos bens da interessada pode ser considerado insumo, não alcançado os gastos efetuados após a conclusão da industrialização – etapa posterior. De outro lado, cabe destacar que os custos e/ou despesas de transportes em exame não estão relacionados a fretes decorrentes de operação de venda, uma vez que a venda ainda é uma perspectiva, ela não se concretizou ainda (pode ser que ocorra ou não) nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Estão nesta situação os gastos no montante de R$ 7.993,20. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete como insumo (arquivo “Item 1.4 f – Transferência prod.agrop.p/revenda.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete interno entre o estabelecimento que adquiriu a mercadoria e o estabelecimento que efetuará a venda, o que não teria amparo na legislação de regência. Ora, aqui se trata de bens adquiridos para revenda. Nesse caso, o frete referente à aquisição da mercadoria poderia ser somado ao valor da mercadoria. Todavia, no caso em questão, o frete diz respeito ao transporte de mercadorias em um período posterior à sua aquisição, em uma operação de movimentação de mercadorias interna da empresa. É, portanto, uma despesa que não pode ser englobada no custo dos bens. Neste sentido, a orientação emanada da Solução de Consulta nº 344, SRRF8ª/Disit de 05/10/2009. Estão nesta situação os gastos no montante de R$ 9.602,25. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 g – Compra de Insumos.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago na aquisição de insumos, todavia observase que nem todas as operações de aquisição estão corelacionadas, tendo sido sentida a ausência da indicação da Nota fiscal relativa a mercadoria transportada e a natureza da carga (De que se trata o transporte? É insumo?), ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar se aquele frete pode ser considerado um insumo. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 27 18 Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 h – Compra uso e consumo.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago na aquisição de outros bens, todavia observase que nem todas as operações de aquisição estão corelacionadas, uma vez que a descrição da natureza da carga afigurase genérica ou ausente, a exemplo de: Outras cargas cfe. NF; diversos; produtos diversos, etc. Daí não se sabe de que se trata o transporte. É insumo? Que tipo de insumo? Destarte, não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar se aqueles fretes podem ser considerados um insumo. Nesta situação foram identificados os fretes na compra no montante de R$ 4.737,47. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 k – Consignação.pdf) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago em operações de consignação dos produtos industrializados, todavia observase que nem todas as operações de aquisição estão co relacionadas, uma vez que resulta ausência ou falta de identificação da Nota fiscal relativa a mercadoria transportada, bem assim a falta de especificação do estabelecimento remetente da mercadoria (“Diversos produtores” ou “não informado”). Destarte, não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar a de que aquele frete pode ser considerado um insumo. Nesta situação foram identificados os fretes na compra no montante de R$ 146.811,70. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 m – Compra imobilizado.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago em operações de compra de bens integrantes do Ativo imobilizado, sem que acha previsão legal para tanto. Havendo ocorrido a incorporação ao ativo imobilizado das edificações ou suas reformas, construções ou ampliações e das máquinas e equipamentos utilizados na produção, os fretes (serviço) devem ser agregados aos respectivos bens, uma vez que passam a integrar o seu custo, sendo passível o aproveitamento dos créditos, apenas, em relação aos bens que tenham relação com o produto em fabricação, melhor dizendo, que ele pertença à linha de produção, na forma de futuras depreciações. Neste sentido, não cabe o crédito sobre o montante de R$ 36.501,94. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado no prazo que lhe foi concedido. Discordando da informação fiscal feita pela autoridade fiscal, a recorrente inicialmente pugna pela apreciação pela turma julgadora do conteúdo da mídia que se encontrada juntada ao processo nº 10925.000034/201359 sob pena de caracterizar cerceamento de defesa. Pontua que a planilha elaborada pelos AuditoresFiscais apresenta alguns dados incorretos e não demonstra alguns arquivos digitais que foram apresentados pela recorrente. Apresenta quadro discriminando os erros das autoridades fiscais. Quanto ao item 1.1 “Embalagens de apresentação Embalagens de transporte”, requer a desconsideração da nota fiscal nº 5394, de 07/12/2005 porque ele não foi computada em duplicidade. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 28 19 Em relação às embalagens consideradas como sendo de transporte, as autoridades apresentam informações parciais e imprecisas, tais como: as informações não demonstram todas as características, a função, a descrição do processo de formação de cada embalagem, a sua utilização no processo produtivo e a relação das notas fiscais de aquisição; as fotos apresentadas são relativas a uma parte das embalagens consideradas como de transporte e não contém a respectiva descrição/denominação. Insiste que é de fundamental importância a análise individualizada de cada embalagem considerada como sendo de transporte, a fim de que se possa enquadrálas ou não no conceito de insumo. No que se refere ao item 1.2 “material de reposição – peças em geral”, a recorrente requer que caso prevaleça o entendimento de que tais peças de reposição devem integrar o ativo imobilizado da empresa, seja reconhecido o direito ao aproveitamento dos créditos sobre o valor dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3º, § 1º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003. Admite que no item 1.2 c) Peças e materiais de manutenção cuja função não foi identificada que, de fato, não logrou comprovar seus vínculos à produção. No que tange ao item 1.3 “Serviços”, Serviços utilizados com insumos relacionados diretamente com o processo produtivo e demais serviços, a interessada entende que faz jus ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins sobre os serviços relacionados neste item, por configurarem verdadeiro insumo do processo produtivo. Reconhece que no item 1.3 c) Serviços cuja função não foi identificada que, de fato, não logrou comprovar seus vínculos à produção. Em relação aos itens 1.4 – Despesas de armazenagem e frete na operação de venda, não concorda com a posição da fiscalização em relação aos itens 1.4 e) transferência de produto acabado; 1.4 f) transferência prod. agrop para revenda; 1.4 – g) compra insumos; 1.4 – h) compra uso e consumo 1.4 – k) consignação; 1.4 – m) compra imobilizado, , aduz que também faz jus ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins sobre as operações de frete relacionadas, seja na condição de frete na venda ou como insumo. Por último requer que sejam sanadas as incorreções e omissões relevantes apontadas e que o conteúdo da mídia que se encontrada juntada ao processo nº 10925.000034/201359 faça parte integrante deste processo sob pena de caracterizar cerceamento de defesa. Requer ainda que seu recurso seja julgado procedente e que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 29 20 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Inicialmente analisase o pedido de que a mídia (CDRom) juntada ao processo nº 10925.000034/201359 faça parte integrante deste processo. Em consulta ao site Comprot do Ministério da Fazenda, de fato constatase que este processo tem como documento de origem uma mídia digital e encontrase na SAORT/DRF/JOA, ressaltando que ele não foi cadastrado no sistema eprocesso. De imediato esclareçase que o processo 10925.000034/201359 não foi nem encaminhado nem distribuído a este relator, portanto não se tem acesso ao aludido processo, de sorte que indeferese a juntada da mídia. Ademais, o relator não tem competência para alterar a distribuição efetuada. Quanto à alegação de erro material, incumbe a autoridade administrativa da unidade local sanear eventuais erros de cálculo. A autoridade julgadora não pode alterar este quadro porque nessa matéria não há litígio. Assim, o julgamento será feito com as provas coligidas neste processo sem a mídia juntada em outro processo. Caso julgasse importante esta prova, a recorrente deveria providenciar uma cópia da mídia e juntála neste processo. Em regra, a produção de provas incumbe as partes e não ao julgador. Destacase que as matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as matérias serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 Preliminar – Tarifação das provas A interessada sustenta que o acórdão recorrido, em manifesto equívoco, faz uma tarifação de provas, ao desconsiderar os documentos carreados aos autos que comprovam a existência do direito creditório da Recorrente, exigindo outras, desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) por cerceamento do direito de defesa em face de que a decisão recorrida não examinou os documentos carreados aos autos, violando principalmente o princípio da verdade real. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 30 21 Exemplificando, a propósito da embalagens de transporte, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa com base nas provas apresentadas na manifestação de inconformidade. Confirase trecho do voto condutor: Como se vê, em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte nada acrescentou que fosse capaz de infirmar a situação posta nos autos. Ao contrário. Grande parte das fotos por ela anexadas somente confirmam que as embalagens utilizadas não são de apresentação como defende, mas são próprias para o transporte de seu produto final, conforme distinção acima fixada. As imagens mostram embalagens que comportam quantidades superiores às usualmente vendidas no varejo e não contêm indicações promocionais destinadas à valorização do produto consistem de: caixas de papelão pardo ou branco sem qualquer acabamento especial ou rotulagem de função promocional e que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; fita adesiva; e rede plástica para defumar queijo. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, só é passível de aferição o crédito em relação ao qual o contribuinte define, com clareza, a natureza da operação que o originou e, por óbvio, comprove a ocorrência desta. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que parte do direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por ofensa ao princípio da verdade real. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 31 22 2. Glosa de créditos 2.1 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de embalagens aplicadas aos produtos industrializados. Esta controvérsia tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição em relação às aquisições de embalagens utilizadas no acondicionamento para transporte de mercadorias (item 2.2.2 – a) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal). Para a solução deste tópico é essencial o exame do conceito de insumo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 709DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 32 23 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da referida contribuição. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 710DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 33 24 I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 34 25 Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 35 26 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...)(rgifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo, segundo o disposto na IN 404/2004. Superada essa fase conceitual, passase ao exame deste caso concreto. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 36 27 Como visto, nesta matéria a controvérsia é verificar se determinadas aquisições de embalagens enquadramse no conceito de insumo (item 2.2.2 – a) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal). Assiste parcial razão à interessada. A matéria foi objeto de diligência fiscal. Destarte, nos termos da posição adotada acima, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. A propósito, assim se manifestou a autoridade fiscal encarregada da diligência fiscal: Pelos documentos fotográficos juntados, na hipótese de haver perfeita coincidência entre a descrição constante das planilhas com o que deve estar contido no corpo das respectivas notas fiscais – a contribuinte não juntou nenhuma nota fiscal neste sentido, as embalagens relativas aos itens 1 a 16 tem características de serem classificadas como Embalagens de apresentação por agregar valor comercial ao produto através de sua apresentação objetivando valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Em alguns casos, em verdade, a embalagem faz parte do próprio produto, eis que não é possível vender leite ou iogurte, sem a respectiva embalagem, uma vez que estes produtos encontramse em estado líquido. Neste sentido, portanto, as embalagens nestas condições somariam o montante de R$ 2.031.959,94 – arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader”. Todavia, devese descontar desta importância o valor de R$ 15.742,58, uma vez que, aparentemente, por erro de grafia, teriam contado em duplicidade as notas fiscais nº 2236 e 5227, respectivamente, nos valores de R$ 1.919,35, 2.033,94, 1.919,35, 3.838,70, 1.027,13, 534,11 e 4.470,00, respectivamente. Diferentemente, as embalagens relacionadas nos itens 17 a 33 do arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader” apresentariam características de embalagens de transporte por não manter contato direto com o produto. Meras caixas para acondicionamento, para fins de transporte. De modo algum se podem classificar as embalagens nestas condições (itens 17 a 33) com as embalagens de apresentação, ainda que tragam informações sobre os produtos ou marca, uma vez que sua função principal não é valorizar os produtos que contem, mas de servir como caixas ou engradados que transportam quantidades daquele produto, constituído pela matéria em si e pelo invólucro que a contém. Por óbvio, as garrafas que contêm o “iogurte” não se enquadram na mesma categoria do engradado em que são transportadas. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 37 28 Assim sendo, dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que partes das aquisições que foram objeto de glosa fiscal e que foram caracterizadas como embalagens de transporte (itens 17 a 33) não podem ser consideradas insumos porque não foram aplicadas diretamente na atividade fabril. Destarte, após o confronto das posições da fiscalização e da interessada, é forçoso concluir que parte das embalagens que foram glosadas caracterizamse como acondicionamento para transporte e não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que as embalagens foram aplicadas quando o processo produtivo já havia sido encerrado. Cabe, mais, acrescentar que as provas coligidas são suficientes para formar a convicção deste julgador, sendo desnecessária a análise individualizada de cada embalagem com quer fazer crer a interessada. Quanto à nota fiscal nº 5.394, embora conste no quadro elaborado pela autoridade fiscal, ela não foi computada em duplicidade, fato reconhecido pela recorrente. Destarte, o valor reconhecido neste voto importa em R$ 2.031.959,94 menos a importância de R$ 15.742,58, computada em duplicidade, totalizando uma base de cálculo de R$ 2.016.217,36. Em suma, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação nos termos da diligência fiscal. Assim reconhecese uma base de cálculo de R$ 2.016.217,36. 2.2 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de material de reposição – peças em geral. Como visto, nesta matéria a discussão concentrase no direito de descontar créditos em relação as aquisições de “peças em geral” (item 2.2.2 – c) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal). A propósito desta discussão e em razão de entendimentos divergentes, a RFB consolidou a tese que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme Solução de Divergência COSIT nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Dispositivos Legais: Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.865, de 2004; e IN SRF nº 404, de 2004. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 38 29 Deste modo, é pacífico que a interessada tem o direito de descontar créditos em relação as aquisições de partes e peças de reposição. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal assim relatou: Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 a Peças. pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 b Demais peças e mats.reposição.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos gastos com equipamentos utilizados na iluminação interna e externa, material utilizado em cercas de proteção e gastos com material de construção que por sua natureza, exigese, que sejam ativados, passando a compor o ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 c Peças e materiais rep...pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, a contribuinte esclarece que não foi possível identificar a “função” de cada peça, ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar a utilização das peças ou bens. Nesta situação foram apontados bens no montante de R$ 82.438,99. Como colocado, é incontroverso que as peças e materiais de reposição foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda. A restrição colocada pela autoridade fiscal na diligência fiscal deve ser desconsiderada porque o ônus da prova de que as partes e peças de reposição estavam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente, é da autoridade fiscal. O termo “aparentemente” não é suficiente para concluir que as peças e materiais de reposição deveriam ter sido contabilizados no ativo imobilizado para futuras depreciações. De sorte que não restou provado que as peças adquiridas para reposição representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, segundo dispõe o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR). De outro giro, a recorrente admite que na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 c Peças e materiais rep...pdf”), de fato, não logrou comprovar seus Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 39 30 vínculos à produção. Assim, mantémse a glosa indicada na diligência fiscal no valor de R$ 82.438,99. Deste modo, adotase o valor parcialmente pleiteado pela interessada, assim a base de cálculo que gera direito a crédito importa em R$ 333.559,98 menos o valor de R$ 82.438,99, computado em duplicidade, totalizando R$ 251.120,99. Em remate, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99. 2.3 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de produtos de conservação e limpeza Esta controvérsia tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição sobre as aquisições de produtos de conservação e limpeza. Como já relatado, segundo a Instrução Normativa (IN) nº 404/2004 e o Parecer Normativo CST 65/1979, é requisito essencial, para o direito ao crédito, que as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Por seu turno, a recorrente argumentou que o uso dos produtos de conservação e limpeza é essencial à atividade da interessada que produz alimentos derivados leite. A propósito desses gastos, assim se manifestou a autoridade administrativa na informação fiscal, (item 2.2.2 – c) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal): (...) Itens como material de segurança e de conservação e limpeza, por mais que sejam imposições da legislação trabalhista e de órgãos de vigilância sanitária, não tem previsão legal para o creditamento na aquisição. (...) Do exame desse excerto é incontestável que os gastos anteriormente citados não se enquadram como bens ou serviços aplicados ou consumidos como insumos na fabricação dos bens destinados à venda. Segundo a análise feita pela autoridade fiscal no estabelecimento do contribuinte, os aludidos gastos não foram aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto. Vale ressaltar, que a requerente não colacionou elementos de prova hábeis a infirmar esse fato, apenas discorreu sobre o seu direito. Desta forma, os produtos de conservação e limpeza, não obstante se configurarem como custos/despesas industriais, não foram aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição nãocumulativa. (grifouse) Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 40 31 Em conclusão, neste item não merece reparo a decisão “a quo”. 2.4 Do direito descontar créditos em relação aos serviços utilizados como insumos 2.4.1 Do direito descontar créditos em relação aos serviços gerais utilizados como insumos A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos sobre os serviços gerais caracterizados como insumos no valor de R$ 526.729,35 (valor controverso). Sustenta que o erro no preenchimento do Dacon não pode inviabilizar o seu direito de descontar créditos. Argumenta que os serviços de manutenção industrial, resfriamento de leite, análise laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros serviços prestados à Recorrente correspondem a serviços essenciais ao seu processo produtivo. Nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Segundo a diligência fiscal, na relação de serviços utilizados como insumo relacionados diretamente com o processo produtivo (arquivo “Item 1.3 c Demais serviços.pdf”) verificase que a contribuinte computou na base de cálculo dos créditos “demais serviços” que não tem relação direta com o processo produtivo, a exemplo de: contratação de Motoboy, Provedor de internet, serviço de sistema de folha de pagamento, serviços hospitalares para tratamento de funcionário da indústria, etc, que a teor da legislação vigente não fazem jus ao crédito. Os serviços em questão montam a R$ 9.136,70. Além do mais, a recorrente admitiu que não foi possível identificar a “função” de alguns serviços relacionados diretamente com o processo produtivo, ou seja, não logrou demonstrar e corelacionar o serviço com o processo produtivo no montante de R$ 86.944,17. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços (discriminados acima) que foram objeto de glosa fiscal não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Finalizando o tópico, o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumo é no valor de R$ 526.729,35, deduzidas as glosas apuradas na diligência fiscal nos valores de R$ 9.136,70 e R$ 86.944,17, respectivamente, resultando numa base de cálculo de R$ 430.648,48. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 41 32 2.4.2 Do direito descontar créditos em relação aos serviços de fretes 2.4.2.1 Fretes na operações de venda Este tópico tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição em relação aos fretes nas operações de venda de produtos. Consignese de imediato que o direito de descontar créditos da contribuição calculados em relação ao frete na operação de venda foi previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (..). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) A autoridade fiscal de forma precipitada glosou todas as despesas de frete nas operações de venda. Veja o seu relato: No entanto, a memória de cálculo apresentada pela requerente, com o nome de F04405, não contempla as seguintes informações: nome do emitente, CNPJ do emitente, e o número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios Tirol, no caso de frete na operação de venda. Desta forma fica totalmente prejudicada a análise do direito crédito sobre as despesas com o frete na operação de vendas, devido a impossibilidade de identificação dos fornecedores do respectivo serviço. Assim como, a correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda, evitando desta forma o cômputo dos valores referente aos fretes entre as unidade de coleta e produção e/ou entre a produção e as unidades de vendas. O arquivo digital (memória de cálculo) enviado pela empresa apresenta um total no trimestre com valores menores que o informado na respectiva Dacon. No trimestre a diferença, na Linha 07 Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda, foi de R$ 12.133,87. Conforme Intimação Saort n° 16.059 (fls. 31 a 32), foi solicitado por amostragem algumas notas fiscais que compõem o referido frete na operação de vendas. Entre as cópias apresentadas, verificamse notas fiscais de frete na aquisição de insumos, frete na venda de mercadorias e frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol. Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol, conforme fls. 242 a 253, 255 a 270, 273 a 274 276 a 277, do processo fiscal n° 10925.002189/200943 COFINS, os mesmos não se enquadram como frete de vendas, na Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 42 33 verdade, tratase de despesas operacionais que não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal. Ainda em relação à Intimação n° 16.059, às seguintes notas de frete de vendas não foi apresentada: 833. A partir dessas definições aplicáveis às despesas que não podem ser classificadas como de armazenagem e/ou frete na operação de venda, não ensejando, portanto, direito a crédito, impõemse desta forma a glosa. O total subtraído, por esse critério, do valor da linha 07 das fichas 4 e 6 da DACON, e que se refere às notas fiscais de entradas, conforme Anexo IV, foi, no trimestre, de R$ 10.318.693.85 (Dez milhões trezentos e dezoito mil seiscentos e noventa e três reais e oitenta e cinco centavos). Como se nota, a própria autoridade fiscal admitiu que a empresa efetuou despesas com fretes em operações de venda. A alternativa adotada pelo colegiado para a solução deste litígio foi a conversão em diligência para que a autoridade fiscal efetivamente identificasse as despesas de frete nas operações de venda. Do exame da diligência fiscal e dos documentos acostados neste processo e em outros que estão julgamento nesta sessão, verificase que parte dos fretes nas operações de venda ficaram comprovados. Os fretes em que se admitem os descontos de créditos correspondem apenas aqueles em que o CNPJ de origem e destino são distintos, caracterizando uma operação de venda entre empresas. Deste modo, como o ônus da prova é da recorrente, reconhecese apenas os valores citados no item 1.4 a) venda prod. acabado, no valor de R$ 2.112.601,38 e 1.4 b) venda prod. argop., no valor de R$ 8.350,83, totalizando R$ 2.120.952,21. Assim, a recorrente não tem o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes que não restaram provadas como realizadas em operações de venda. Em síntese, admitese o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21. 2.4.2.2 Fretes na aquisição de insumos A recorrente insurgiuse parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes de despesas de fretes nas aquisições de insumos. É pacífico que o valor dos fretes integra o custo de aquisição dos insumos, desse modo o valor dos fretes também compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição. Neste sentido a Solução de Consulta da Disit 08 nº 197 de 16 de Agosto de 2011: (...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 43 34 matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins. Destarte, do ponto de vista contábil e fiscal não se pode desagregar as despesas de frete dos insumos adquiridos. Pontuese que a vinculação das despesas de transporte ao custo do produto adquirido é prevista na legislação tributária, conforme o art. 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RI), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 2009. Vale lembrar que o § 3o do art. 3º da Lei nº 10.833/03 dispõe que o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. As aquisições de leite in natura de pessoas físicas não dão direito ao chamado crédito básico, uma vez que esse está limitado às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Do exame dos fretes pagos, item 1.4 g – compra insumos, constatase que esta condição foi atendida parcialmente. Consta neste demonstrativo uma série de aquisições de leite in natura, leite, lenha e cavaco de diversos produtores, operações que não geram créditos nos termos da legislação de regência. Por seu turno, não se reconhece o direito de descontar créditos em relação aos fretes que teriam sido pagos na aquisição de outro bens, item 1.4 h – frete na compra de insumos (peças, etc) classificados como de uso e consumo. Segundo a diligência fiscal esse fretes não restaram comprovados, portanto mantémse a glosa no montante de R$ 4.737,47. Cabe registrar, ainda, que o simples erro no preenchimento do Dacon não é suficiente para afastar o legítimo direito ao crédito, que é previsto em lei. Deste modo, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os fretes pago nas aquisições de insumos de pessoas jurídicas, sendo que o valor deverá ser apurado pela autoridade incumbida de executar o acórdão com base no demonstrativo citado (item 1.4 g – compra insumos), excluindose as aquisições denominadas de diversos produtores. 2.4.2.3 Do direito descontar créditos em relação aos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos e produtos A recorrente não se conforma com a glosa da autoridade fiscal em relação aos créditos decorrentes das despesas de fretes com as transferências de insumos e produtos acabados entre os diversos estabelecimentos da empresa (postos de coleta, industriais e centros de distribuição). É certo que os aludidos fretes não estão relacionados a uma operação de venda, portanto, in casu , não se aplica os descontos de créditos previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003, combinado com o art. 15 do mesmo diploma legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (..). Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 44 35 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Como visto, o conceito de insumo é restritivo, portanto não se admite uma interpretação extensiva nesta situação como pleiteia a recorrente. Os valores relativos aos gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Deste modo, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados por pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os demais serviços (fretes) que foram objeto de glosa fiscal não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril, tais como: a) item 1.4 c venda locais presumidos (fretes entre a empresa e seus distribuidores; a) item 1.4 d – transferência CD – frete na transferência de produtos acabados dos estabelecimentos industriais e o centro de distribuição; c) item 1.4 e transferência produtos acabados – frete na transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos industriais; d) item 1.4 f transferência produtos agropecuários para revenda – frete na transferência de produtos agropecuários da matriz até os demais estabelecimentos; e) item 1.4 i e j – transferência PC – frete na transferência de leite in natura dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais; f) item 1.4 k – consignação – frete na transferência de produtos do remetente até o estabelecimento destinatário. g) item 1.4 m – compra imobilizado – frete na compra de bens para o ativo imobilizado.transferência de produtos do remetente até o estabelecimento destinatário. h) item 1.4 n – devolução de vendas i) item 1.4 o – remessa armazenagem j) item 1.4 p – retorno armazenagem k) item 1.4 q – remessa análise l) item 1.4 r – retorno análise m) item 1.4 s – remessa conserto n) item 1.4 t – retorno conserto Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 45 36 o) item 1.4 u – diversos Anotese que a RFB consolidou a tese que o frete pago para transportar insumos e/ou produtos acabados não configura insumo, conforme Solução de Divergência COSIT nº 26/2008, DOU 09.06.2008: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada de forma não cumulativa. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 3º inciso II da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 15 inciso II da Lei nº 10.833, de 2003 e 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.(grifouse) É bem verdade que esses fretes são importantes para o processo produtivo, todavia não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Os fretes em referência são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em suma, mantémse a glosa da fiscalização. 3 Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado A recorrente sustenta o seu direito a manutenção dos créditos decorrentes de apropriação sobre os encargos de depreciação. Como relatado, argumenta que os bens são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, bem como são diretamente utilizados no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda. Como visto, a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, dispunha: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 46 37 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (grifouse) (...) Com efeito, a norma estabelece um requisito para que a pessoa jurídica possa descontar créditos, isto é, as máquinas e equipamentos têm que ser utilizadas na fabricação de produtos destinados à venda. Assim sendo, o problema central é identificar se os aludidos equipamentos e máquinas foram utilizados na fabricação dos produtos. A autoridade fiscal relatou: No período, a partir de 01/08/2004, somente geram direito a crédito os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 47 38 bens destinados à venda ou na prestação de serviços adquiridos a partir de 01/05/2004 , conforme art. 31, da lei n° 10.865/2004. Todavia, foi verificado o creditamento de encargos de depreciação/amortização sobre correção monetária do imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de transportes, veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso especifico a produção de lacticínios, neste caso são outros bens incorporados ao ativo imobilizado não ligados diretamente a produção, razão pela qual efetuouse a glosa dos bens relacionados no anexo V. (grifouse) Embora a recorrente tenha omitido no recurso voluntário as descrições dos bens, para efeito de julgamento adotarseá a identificação mencionada na manifestação de inconformidade e repetida na decisão a quo, ou seja, no geral as aquisições referemse à empilhadeiras, tanques, etc. Como demonstrado pela decisão de primeira instância, as provas colacionadas não são suficientes para reconhecer o direito ao crédito. Desta forma, a interessada não conseguiu descaracterizar a glosa da fiscalização, que teve por fundamento o fato de que as máquinas e equipamentos não foram utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Em síntese, somente geram créditos da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção, o que não ficou caracterizado no caso vertente. 4 Créditos decorrentes de despesas com combustíveis e lubrificantes A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos sobre despesas com combustíveis e lubrificantes. Nesta matéria a grande controvérsia é identificar se os combustíveis e lubrificantes adquiridos enquadramse no conceito de insumo. A fiscalização tributária entendeu que estes produtos não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação. Confira a posição da autoridade fiscal: O contribuinte incluiu na linha 13 das fichas 06 e 12 (Apuração dos créditos) na DACON, despesas com combustíveis e/ou lubrificantes. (... )O combustível ou lubrificante não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). (...) A partir dessa definição, aplicável aos bens que podem ser classificados como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens, constatase que o combustível (gasolina) e/ou lubrificantes, e pneus não se enquadram como insumos, Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 48 39 não ensejando, portanto, direito a crédito, impondose desta forma a glosa dos itens listados abaixo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, estabelecia: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 49 40 Por sua vez, a recorrente alega que combustíveis e lubrificantes são insumos essenciais à movimentação de máquinas e equipamentos que são utilizados no processo produtivo. Deste modo, para descontar créditos, é necessário que os insumos adquiridos pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que a recorrente não logrou êxito em comprovar que, de fato, os combustíveis e lubrificantes são aplicados no processo produtivo. Diferentemente do alegado, não é viável o reconhecimento dos créditos apenas com base nos lançamentos contábeis no Livro Diário. O direito ao crédito requer exame minucioso dos insumos adquiridos e do processo produtivo, ou seja, se, efetivamente, eles foram utilizados na fabricação produtos que asseguram a manutenção e utilização dos respectivos créditos. Insistase que este voto adota uma posição restritiva do conceito de insumo, de sorte que combustíveis e lubrificantes utilizados na movimentação de máquinas e equipamentos não geram direito de descontar créditos da contribuição. Ademais, a recorrente não demonstrou em que máquinas e equipamentos os combustíveis e lubrificantes são utilizados. Os custos de produção devem ser efetivamente comprovados, a exemplo de requisições do almoxarifado, planilhas de gastos de combustíveis por veículos e máquinas etc. Em remate, mantémse a glosa da fiscalização porque a recorrente não comprovou de forma adequada que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo. 5 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.016.217,36; b) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99; c) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 430.648,48; d) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21. e) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 50 41 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720010/2006-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE ÁREAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. In casu, o acórdão recorrido declarou que as glosas constituem matéria não impugnadas porque não foram contestadas especificamente e o recurso voluntário não contém contestação expressa em relação a essa decisão. Portanto, trata-se de matéria preclusa.
IRPF. DECADÊNCIA.
O ITR é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que se considera ocorrido em 1º de janeiro. No caso dos autos, a notificação do lançamento ocorreu dentro desse prazo, portanto, não houve decadência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF nº 11
BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009. REMISSÃO. CARF. INCOMPETÊNCIA.
Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, nem a manifestação de inconformidade protocolada em oposição ao despacho decisório denegatório emitido pela DRF, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente ao valor em litígio.
ITR. GLOSA DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INDEVIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA DO VALOR DAS ÁREAS. ALEGAÇÃO INAPLICÁVEL.
Tendo sido glosadas áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada por falta de comprovação da existência, no processo administrativo-fiscal não se discute valores, portanto, rejeita-se a alegação recursal de indevida inversão do ônus da prova do valor de áreas da propriedade rural.
ITR. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE MÁ FÉ REJEITADA.
A exigência do imposto decorre da ocorrência do fato gerador estabelecido na Lei , é irrelevante que o contribuinte tenha agido de boa fé. Outrossim, a aplicação da multa de ofício independente da intenção do agente.
Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado.
Numero da decisão: 2802-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO, sem prejuízo de a Secretaria da Receita Federal, se entender cabível, apreciar a petição do recorrente no ponto em que instrumentalizou seu inconformismo em face do Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE ÁREAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. In casu, o acórdão recorrido declarou que as glosas constituem matéria não impugnadas porque não foram contestadas especificamente e o recurso voluntário não contém contestação expressa em relação a essa decisão. Portanto, tratase de matéria preclusa. IRPF. DECADÊNCIA. O ITR é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que se considera ocorrido em 1º de janeiro. No caso dos autos, a notificação do lançamento ocorreu dentro desse prazo, portanto, não houve decadência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF nº 11 BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009. REMISSÃO. CARF. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, nem a manifestação de inconformidade protocolada em oposição ao despacho decisório denegatório emitido pela DRF, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente ao valor em litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 00 10 /2 00 6- 35 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 ITR. GLOSA DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INDEVIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA DO VALOR DAS ÁREAS. ALEGAÇÃO INAPLICÁVEL. Tendo sido glosadas áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada por falta de comprovação da existência, no processo administrativofiscal não se discute valores, portanto, rejeitase a alegação recursal de indevida inversão do ônus da prova do valor de áreas da propriedade rural. ITR. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE MÁ FÉ REJEITADA. A exigência do imposto decorre da ocorrência do fato gerador estabelecido na Lei , é irrelevante que o contribuinte tenha agido de boa fé. Outrossim, a aplicação da multa de ofício independente da intenção do agente. Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO, sem prejuízo de a Secretaria da Receita Federal, se entender cabível, apreciar a petição do recorrente no ponto em que instrumentalizou seu inconformismo em face do Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 2002, decorrente de glosa de áreas declaradas como de preservação permanente (325 ha) e utilização limitada (250 ha), com multa de ofício agravada (112,5%), pois, embora intimado para apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA e a documentação comprobatória das respectivas áreas, não atendeu à intimação fiscal. Na impugnação, em resumo, alegouse que: a) o termo de intimação não foi endereçado ao seu domicílio fiscal; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10467.720010/200635 Acórdão n.º 2802003.026 S2TE02 Fl. 112 3 b) o valor apurado não considerou o débito existente com o BNB que ultrapassa o Valor da Terra Nua, inexistindo Imposto Devido; c) as terras estão encravadas no semiárido nordestino, com o reconhecimento do "estado de emergência" pelas autoridades competentes; e d) não cabe agravamento de multa por descumprimento de obrigação acessória que o contribuinte nunca tomou conhecimento. A decisão de primeira instância deferiu a impugnação tão só quanto ao agravamento da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% e declarou não impugnada a infração apontada pela fiscalização. Essa decisão teve a ementa seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE ABORDADA NA IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria, objeto da autuação, a respeito da qual o contribuinte não se manifestou expressamente. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. O estado de calamidade pública para os fins do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, decretado pelo Executivo municipal, terá efeito quando reconhecido pelo Governo Federal. DA MULTA DE OFÍCIO DO AGRAVAMENTO PARA 112,5%. Por não restar caracterizada a falta de atendimento, no prazo, de intimação para prestar esclarecimentos, é de se cancelar o agravamento da multa de ofício de 112,5%, cabendo a mesma ser fixada no percentual de 75%, a incidir sobre o imposto suplementar. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 01/09/2009, o contribuinte apresentou, em 09/09/2009, recurso voluntário com as seguintes razões, em síntese: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 1. Preliminarmente, requereu a remissão do crédito tributário, nos termos do art. 14 da Lei nº 11.941, de 2009, pois “o vencimento da obrigação é 30/09/2002 e até 31/12/2007 faz mais de 5 (cinco) anos e seu valor consolidado fica abaixo do permissivo legal.” 2. No mérito, alegou que a autoridade lançadora não fez a prova da peculiaridade do imóvel rural que o torne diferente dos demais do Município de São Mamede em pleno Sertão do Estado da Paraíba, com estado de emergência reconhecido pelas autoridades federais, transferindo o ônus da prova para que o contribuinte demonstrasse, a custos elevados, o valor da área de preservação permanente e de reserva legal, quando existe jurisprudência mencionada em sua impugnação de que não há necessidade de ato declaratório do IBAMA para esse fim; 3. alegou que praticou um ato de boa fé, em conformidade com o direito, mesmo porque o lançamento remanescente foi remido e deve ser arquivado. O recurso foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara que, por meio da resolução 2202000.332, de 16/10/2012, converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora verificasse se o crédito tributário encontrase remido ou não, nos termos do art. 14 da Lei no 11.941, de 2009, e em seguida, cientificasse o recorrente do resultado da diligência para manifestação. Fruto da diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa emitiu o Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014 por meio do qual rejeitou o pedido para reconhecimento da remissão e intimou o recorrente desse despacho e do Parecer que o integra (fls. 94/98). O contribuinte insurgese contra o despacho, alegando que não foi demonstrado o valor do débito em 31/12/2007 e que ocorreu prescrição e decadência, nos termos dos art. 150, 173 e 174 do CTN; citou precedentes (fls. 104/107). Ao final o contribuinte postulou pela procedência da petição, a intimação em seu domicílio tributário e, no caso de insucesso, cópia integral dos autos para possibilitar adoção de medidas judiciais. Quando do retorno do processo ao CARF, a relatora original não era mais integrante desse Conselho, razão pela qual o processo foi redistribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Recurso já conhecido por ocasião da emissão da Resolução. O §6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF estabelece que, no caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência. Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, nem a manifestação de inconformidade protocolada em oposição ao despacho decisório denegatório Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10467.720010/200635 Acórdão n.º 2802003.026 S2TE02 Fl. 113 5 emitido pela DRF, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente o valor em litígio. Precedentes: Não compete ao CARF manifestarse em pedidos de parcelamento ou de remissão. (Acórdão 2802002.524, de 18 de setembro de 2013) BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009. CARF. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente ao valor em litígio. (Acórdão 2802002.576, de 16 de outubro de 2013) PARCELAMENTO.REMISSÃO. Dessa forma, não se conhece como recurso voluntário as alegações e requerimentos alusivos à remissão do crédito tributário. Das preliminares de decadência e prescrição O fato gerador do ITR2002 ocorreu em 01/01/2002. O lançamento combatido foi notificado ao contribuinte em 17/11/2006 (fls. 16) e a impugnação foi tempestiva. Houve, portanto, regular notificação do lançamento dentro do prazo decadencial do art. §4º do art. 150 do CTN, o que é o suficiente para rejeitar o pleito acerca de decadência. Com a impugnação tempestiva instaurouse o processo administrativofiscal, os precedentes citados são inadequados à situação dos autos, cuja resolução é dada pela Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A questão central deste processo é a glosa das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal por falta do Ato Declaratório Ambiental ADA e de documentos comprobatórios da existência das mesmas. O acórdão recorrido indicou que o lançamento decorre da glosa das Áreas de Preservação Permanente e áreas de utilização ilimitada sem comprovação,e que essas infrações não foram contestadas pelo impugnante, que, em sentido contrário, alegou ter havido erro de preenchimento da DITR2002. O acórdão recorrido também registrou que a Fiscalização (fls. 08) não alterou o VTN do imóvel (fls. 60). Na peça recursal, não é contestada expressamente a decisão de primeira instância no ponto em que declarou matérias não impugnadas, portanto preclusas. Precedente: PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Não se conhece de recurso voluntário cujo única matéria que se objetiva discutir não foi expressamente impugnada, mormente quando o acórdão de primeira instância declarou a matéria não impugnada e não houve contestação dessa declaração. (Acórdão 2802002.523, de 18 de setembro de 2013) Desta forma, as glosas tornaramse definitivas na instância administrativa. O recurso voluntário amparase (a) no pedido de remissão – que não deve ser conhecido pelo CARF –; (b) na alegação de indevida inversão do ônus realizada pela autoridade lançadora ao exigir do contribuinte a prova da peculiaridade do imóvel rural que o torne diferente dos demais do Município de São Mamede em pleno Sertão do Estado da Paraíba, semiárido nordestino, com estado de emergência; e (c) na afirmativa de que o contribuinte não agiu de má fé. Ao alegar a indevida inversão do ônus probatório, o recorrente sustenta que não se pode exigir dele a prova do valor da área de preservação permanente e de reserva legal. Não somente não houve arbitramento do VTN pelo Fisco, como não se discute nos autos os valores de áreas da propriedade ou suas peculiaridades em relação às demais do mesmo município. Portanto, não há que se cogitar de prova nesse sentido, muito menos de inversão do ônus da prova. A exigência do imposto decorre da ocorrência do fato gerador estabelecido na Lei 9.393/1996, é irrelevante que o contribuinte tenha agido de boa fé. Outrossim, a aplicação da multa de ofício de 75% independente da intenção do agente (art. 136 do CTN). Diante do exposto, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO, sem prejuízo de a Secretaria da Receita Federal, se entender cabível, apreciar a petição do recorrente no ponto em que instrumentalizou seu inconformismo em face do Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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