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Numero do processo: 18473.000104/2010-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 28/12/2000
IPI - PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS - ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
É nulo o lançamento efetuado em nome do estabelecimento filial já regularmente baixado, devendo nessa hipótese o lançamento ser efetuado em nome do estabelecimento da matriz.
Numero da decisão: 3403-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso para cancelar o lançamento em virtude de erro na identificação do sujeito passivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Rubens Pellicciari, OAB/SP nº 21.968.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sá Filho, Robson Jose Bayerl.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 28/12/2000 IPI PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO É nulo o lançamento efetuado em nome do estabelecimento filial já regularmente baixado, devendo nessa hipótese o lançamento ser efetuado em nome do estabelecimento da matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso para cancelar o lançamento em virtude de erro na identificação do sujeito passivo. Sustentou pela recorrente o Dr. Rubens Pellicciari, OAB/SP nº 21.968. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sá Filho, Robson Jose Bayerl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 3. 00 01 04 /2 01 0- 01 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 169/177), lavrado em 19/12/2003, para lançamento de ofício do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por entender o Fisco que o contribuinte teria dado saída, entre 07/1998 e 02/2000, a veículos de sua importação, com destino a empresas interdependentes, adotando como base de cálculo para o IPI, valor inferior ao Valor Tributável Mínimo – estipulado pelo artigo 123, do RIPI (Decreto 2.637/98). Foi apurado um crédito tributário no importe de R$ 45.940.443,05, sendo a obrigação principal no valor de R$ 13.734.962,71, R$ 10.890.794,36, referentes juros de mora, R$ 20.602.443,96, referentes à multa proporcional e R$ 712.242,02, referente à multa do IPI não lançado. Termo de Encerramento da Ação Fiscal: Para melhor compreensão da matéria, fazse necessário um breve resumo dos fatos na forma exposta no Termo de Encerramento da Ação Fiscal: A Saint Michel Distribuidora de Veículos Ltda., com matriz no Rio de Janeiro, foi até janeiro de 2001 a única importadora brasileira dos veículos marca CITROEN que eram procedentes da França e do Uruguai. As importações eram realizadas via porto de Itajaí/SC, por meio da filial Florianópolis/SC — CNPJ 64.052.897/001070 — objeto da fiscalização. Formalizada a importação, a filial realizava remessa para empresas interdependentes, localizadas em diversos Estados da Federação, com os valores de saídas acrescidos de, em média, 8% em relação ao custo de aquisição (Quadro 04, nos Anexos VIII e IX do Termo de Encerramento). A fiscalização buscou demonstrar que quando a filial de Florianópolis/SC remetia veículos para uma única empresa não interdependente, denominada Paris Veículos Peças e Serviços Ltda, localizada em Fortaleza/CE, praticava a média ponderada percentual das saídas de 52,88% em relação ao preço de aquisição (Quadro 03 do Apêndice do Termo de Encerramento, fls. 193), e por esse motivo entendeu o Fisco que a contribuinte não praticou com as empresas interdependentes o chamado Valor Tributável Mínimo, obrigatoriedade exigida pelo art. 123 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, Decreto 2.637/98, então vigente. Entendeu ainda a Fiscalização que, por não ter a contribuinte praticado o valor tributável mínimo com as empresas com as quais mantinha relação de interdependência, teria praticado ajuste doloso do preço com intuito de sonegação fiscal, e, por esse motivo, aplicoulhe a multa de 150%. Como em resposta apresentada durante a fiscalização a contribuinte informou que: "no período em questão nossa empresa era importadora exclusiva no Brasil da Marca CITROEN" (fls. 35), entendeu o Fisco que sendo o produto de procedência estrangeira e não existindo mercado atacadista na praça do remetente, deveria tomar por base de cálculo: “o valor que serviu de base do Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal, conforme prevê o inciso I, do parágrafo único, do Artigo 124 do RIPI.” Fl. 910DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 910 3 O Fisco considerou como margem de lucro normal a que foi apurada em relação à “única empresa comercial não interdependente — a PARIS VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.” — no período da fiscalização. Conforme relato do Auditor Fiscal, assim conclui o Termo de Encerramento (às fls. 185 dos autos): Ela foi calculada conforme está demonstrada na Página 4/4 do "QUADRO 03 — RELAÇÃO DE TODOS OS VEÍCULOS VENDIDOS À PARIS VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS E CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO NORMAL NO PERÍODO DE JULHO DE 1998 A FEVEREIRO DE 2000", isto é, pela divisão entre o valor total das notas fiscais de saída pelo valor total das notas fiscais de entrada. Deste modo, o valor total de aquisição da mercadoria, acrescido da margem de lucro normal, será o Valor Tributável Mínimo. O valor total de aquisição da mercadoria é o valor da mercadoria constante na Nota Fiscal de Entrada, uma vez, que no caso de importação todos os demais encargos devem estar incluídos nela. (grifos acrescidos) Agora, retornando ao relato do ocorrido no processo, vêse que logo no início da fiscalização ocorreu desaparecimento parcial dos autos do processo administrativo, autuado sob o n.º 11516.003213/200351, conforme certidão de fl. 1, e o Fisco efetuou a sua restauração integral, porém, algumas peças processuais estão fora da ordem cronológica, pois teriam sido autuadas fora da sequência, sem, no entanto, prejudicar o perfeito conhecimento da causa. A autuada tomou ciência do Auto de Infração e apresentou Impugnação (fls. 438/460), na qual, em suma, alegou: a) Preliminarmente: o descumprimento da Portaria SRF 3.007, de 07 de outubro de 2002, que o contribuinte entende resultar na incompetência dos AuditoresFiscais para o procedimento de fiscalização realizado e a decadência de parte do 1PI lançado no auto de infração, visto não ter sido provada a existência de dolo. a.1) O Mandado de Procedimento Fiscal [...] foi emitido em 23 de maio de 2003, determinando a fiscalização do contribuinte registrado no CNPJ sob o número 64.052.897/001070, domiciliado em Florianópolis. Porém, de acordo com Certidão de Cancelamento de Inscrição [...], esse estabelecimento, foi cancelado em 16 de março de 2001. Adicionalmente, consta [...] que o domicilio tributário da pessoa jurídica que possui o estabelecimento em tela está situado à Av. das Américas, 1155, sala 2007, Barra da Tijuca, Rio de JaneiroRJ. Desta forma, alega o contribuinte que o Mandado de Procedimento Fiscal [...] não poderia ser emitido com o endereço do estabelecimento já cancelado. Finalmente, é alegado que a DRFFlorianópolis efetuou fiscalização de empresa situada no Rio de JaneiroRJ sem a apresentação de Ordem de Serviço ou autorização do CoordenadorGeral de Fiscalização, o que o contribuinte entende ser irregular, nos termos da Portaria 3.007, de 2002, e do artigo 405 do RIPI198, resultando em nulidade do lançamento. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 a.2) Sendo o IPI um tributo lançado por homologação, nos termos do disposto no artigo 150 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), o prazo decadencial expira em cinco anos, contados da data do fato gerador. Considerando que o auto de infração se refere a fatos ocorridos a partir de julho de 1998 e que foi lavrado em 19 de dezembro de 2003, os fatos geradores ocorridos até 19 de dezembro de 1998 já estariam decaídos, visto que não teria sido provado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. a.3) Também requereu o cancelamento do agravamento da multa de oficio pelo fato de não ter ficado demonstrado, no auto de infração, o cometimento do crime de sonegação ou a máfé do contribuinte na escrituração de livros e documentos contábeis e fiscais. b) No mérito, o contribuinte alegou a existência de um contrato que justificaria a diferença de preços praticados nas saídas efetuadas para a empresa Pariscar Veículos, Peças e Serviços Ltda., em relação aos das saídas efetuadas para empresas interdependentes e os seguintes erros na apuração do Valor Tributável Mínimo: b.1) ocorrência de arbitramento sem que a escrituração tenha sido desclassificada; b.2) a utilização de média global de preços em detrimento de médias diferenciadas para cada produto, e; b.3) coincidência de datas para a ocorrência do fato gerador e para o vencimento do respectivo tributo. c) Foi apresentado na Impugnação um contrato [...], celebrado em 31 de março de 1997, entre a Saint Michel Distribuidora de Veículos Ltda. (à época denominada Importadora de Veículos XM Ltda.) e a Pariscar Veículos, Peças e Serviços Ltda., onde consta que esta deverá pagar a importância de R$ 1.500.000,00 (Hum milhão e quinhentos mil reais) àquela, a titulo de uso da marca e despesas afins, através de majoração de preço dos veículos por ela adquiridos. Alegouse, ainda, que tal expediente é de uso absolutamente normal e corriqueiro entre as empresas que se dedicam a importação e revenda de automóveis no Brasil. d) Afirma ainda ser incoerente o fato da fiscalização ter arbitrado a base de cálculo do Imposto sem ter efetuado, anteriormente, a desclassificação da escrituração, citando os termos do artigo 125 do RIPI/98. e) No cálculo do IPI devido, foi considerada a média global dos valores dos produtos adquiridos pela empresa não interdependente (Pariscar Veículos, Peças e Serviços Ltda), para cálculo da margem de lucro aplicada ás saídas destinadas às interdependentes, para apuração do Valor Tributável Mínimo. O contribuinte entende que a fiscalização incorreu em erro na apuração deste Valor Tributável Mínimo, pelo seu procedimento estar em desacordo com o disposto no artigo 124 do RIPI/98, segundo o qual deveria ser considerada separadamente uma média ponderada para cada produto. Afirma, ainda, ser inaplicável a margem de lucro apurada pela fiscalização por não ter levado em consideração os valores de saída de vários modelos de veículos que, não tendo sido adquiridos pela Pariscar Veículos, Pegas e Serviços Ltda., foram adquiridos por várias das empresas interdependentes. f) Finalmente, alegou erro na apuração do crédito tributário, pelo fato de que no auto de infração terem sido consideradas Fl. 912DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 911 5 como datas de vencimento do tributo as mesmas datas dos correspondentes fatos geradores, o que estaria em desacordo com o disposto no artigo 185, III do RlPI/98, que determina o recolhimento do imposto até o último dia útil do decêndio subsequente ao da ocorrência do fato gerador. Inobstante as razões apresentadas na Impugnação, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (RS) julgou a Impugnação improcedente, conforme se constata no acórdão n.º 3435, fls. 402/412, do qual se extrai a seguinte ementa, in verbis: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — MPF consiste em mero instrumento de controle interno e transparência da ação fiscal, de maneira que o eventual descumprimento de exigências formais da Portaria SRF 3.007, de 07 de outubro de 2002, não repercute em nulidade dos atos praticados. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA — o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário mediante lançamento não decai em cinco anos contados da data do fato gerador nos casos de dolo, fraude e simulação. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA Cabível a aplicação de multa majorada por infração qualificada baseada em elementos que comprovem a ação dolosa do sujeito passivo. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO — Nas saídas destinadas a empresas interdependentes, o 1PI deve ser apurado com base no Valor Tributável Mínimo, conforme determinado nos artigos 123 a 125 do Decreto 2.637, de 25 de junho de 1998”. Notase que após a apresentação da impugnação, a autuada aditou sua impugnação através de “razões aditivas” (fls. 467/469), protocolizadas em 26/02/2004, alegando unicamente erro na eleição do sujeito passivo, uma vez que a filial autuada, CNPJ 64.052.897/001070, estaria regularmente extinta e baixada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica dois anos antes da data da autuação. As razões aditivas não foram inicialmente conhecidas pela autoridade julgadora de primeira instância, e por esse motivo, a Recorrente alegou preliminar de cerceamento do direito de defesa em seu primeiro Recurso Voluntário (fls. 471/495), apresentado em 14/05/2004. A referida preliminar foi acatada pela 3ª. Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que proferiu, no dia 13/04/2005, o Acórdão n.º 20310.101 (fls. 415/419), que, por unanimidade de votos entendeu por: “anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive”, pelos seguintes fundamentos, in verbis: “Ora, a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, assim como de decadência, tendo em vista a notória ausência de vinculação legal necessária à validade do lançamento, pode ser declarada em qualquer instância, independentemente de ser suscitada pela autuada, o que permite concluir que tais matérias não comportariam o instituto da preclusão e, sendo assim, nada obstaria que esse colegiado apreciasse a argüição de ilegitimidade passiva que não foi examinada na 1ª instância e foi Fl. 913DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 argüida na peça recursal. Contudo, uma vez que manifestação desfavorável à recorrente pode caracterizar supressão de instância, entendo que os autos devem retornar para a DRJ de Porto Alegre para que aprecie o referido aditivo, ainda que apenas para declarar a preclusão da matéria, se for esse o entendimento da Turma de Julgamento. Assim sendo, voto pela anulação do processo a partir da decisão de 1ª instância, inclusive, para que outra decisão seja proferida, com manifestação sobre todos os pontos de defesa da autuada apresentados na impugnação e aditivos”. Assim, cumprindose com essa determinação, foram anulados todos os atos praticados no processo a partir da prolação da decisão de primeira instância (inclusive), sendo proferido, por isso, novo Acórdão pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (RS), n.º 10 10.557, de fls. 420/432, em 09/11/2006. Contudo, notase que a referida turma de julgamento de primeira instância manteve exatamente o mesmo entendimento declinado no acórdão anulado, no entanto, consignando expressamente o não conhecimento da impugnação apresentada fora do prazo regulamentar para a defesa, conforme se extrai da ementa do julgado, in verbis: “IMPUGNAÇÃO ADITIVA Não se conhece das razões apresentadas em uma segunda impugnação, aditiva, apresentada fora do prazo regulamentar para a defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF consiste em mero instrumento de controle interno e de transparência da ação fiscal, de maneira que o eventual descumprimento de exigências formais da Portaria SRF 3.007, de 07 de outubro de 2002, não repercute em nulidade dos atos praticados. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA Na ocorrência de dolo, fraude e simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial começa no primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA Cabível a aplicação de multa majorada por infração qualificada baseada em elementos que comprovem a ação dolosa do sujeito passivo. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO Nas saídas destinadas a empresas interdependentes, o IPI deve ser apurado com base no Valor Tributável Mínimo, conforme determinado nos artigos 123 a 125 do Decreto 2.637, de 25 de junho de 1998. Lançamento Procedente”. O acordão supracitado, como já exposto, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve integralmente o crédito tributário. Restou consignado na decisão que se encontrava precluso o direito de apresentar razões de impugnação sobre matéria nova. A ora Recorrente, por sua vez, tomou ciência da nova decisão prolatada em primeira instância e, novamente irresignada, interpôs novo Recurso Voluntário (fls. 500/533) em 13/02/2007. Em suas razões de recurso voluntário a Recorrente teceu a mesma argumentação trazida em sua peça de Impugnação. Nessa esteira, elucida a Recorrente que apoia sua defesa sobre dois principais pontos, a saber: Fl. 914DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 912 7 “(1) preliminarmente: (i) a existência de um erro na identificação do sujeito passivo, cometido pela fiscalização quando autuou um estabelecimento filial que já estava extinto até mesmo antes de se iniciar o procedimento fiscal, (ii) decadência, pois, no seu entender, não teria sido devidamente comprovada a existência manifesta de dolo, fraude ou simulação e que, portanto, teria ocorrido a decadência de parte dos créditos apurados referentes ao ano de 1998 (2) no mérito: erros cometidos pela fiscalização ao apurar um valor tributável mínimo, para fins de tributação de IPI, deixando de considerar os diversos produtos saídos do estabelecimento (automóveis), cada um per si, e tomando o número total de carros num período de vinte meses, prazo que também fere a lei, uma vez que está dito no Regulamento do IPI que o período das saídas a ser considerado é o mês precedente”. Em seus pedidos finais, postulou pelo provimento integral do Recurso Voluntário apresentado, com fito de que as preliminares de nulidade fossem acatadas, frente à incorreção na identificação do sujeito passivo ou, eventualmente, no mérito, que fossem providas as argumentações, cancelandose, com isso, o auto de infração. Juntou documentos. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. 1. Análise das preliminares: 1.1. Incompetência jurisdicional da Fiscalização: Alega a Recorrente que a fiscalização teria ocorrido fora da jurisdição do Auditor Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração, uma vez que a fiscalização realizada no estabelecimento do Rio de Janeiro/RJ fora efetuada por autoridades pertencentes aos quadros da Receita Federal de Florianópolis/SC. No tocante a esse item, nego provimento, pelo fato da matéria já estar sumulada no CARF, ex vi do texto da Súmula nº 27, verbis: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 1.2. – Erro na eleição do sujeito passivo Alega também a Recorrente, cuja matriz é do Rio de Janeiro/RJ, que a fiscalização teria se iniciado no ano de 2003 e, o auto de infração fora lavrado no mesmo ano contra o estabelecimento filial, situado em Florianópolis/SC, estabelecimento esse que já havia sido regularmente encerrado e baixado desde 2001, portanto, teria ocorrido erro na eleição do sujeito passivo, motivo pelo qual deve ser cancelada a exigência fiscal. Então, passo à análise dos fatos: O Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01) foi emitido em 23 de maio de 2003, determinando a fiscalização do contribuinte registrado no CNPJ sob o número 64.052.897/001070, filial domiciliada em Florianópolis. Porém, de acordo com a Certidão de Cancelamento de Inscrição emitida pela Secretaria da Receita Federal (fls. 23), esse estabelecimento já havia sido cancelado no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ desde 16 de março de 2001, por baixa regular, conforme Alteração Contratual, datada de 31/01/2001, e arquivada em 16/03/2001 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (fls. 24 e 25). A sede da empresa, CNPJ 64.052.897/000180, permaneceu no mesmo local, à Avenida das Américas, nº 1155, sala 2007, Barra da Tijuca, Rio de JaneiroRJ. Assim, é de se estranhar que o Termo de Início de Ação Fiscal (fls.11 a 14), cientificado em 07/10/2003, A.R às fls 18, tenha sido lavrado em CNPJ e endereço de estabelecimento já cancelado na Receita Federal. O próprio contribuinte informou à fiscalização em sua primeira resposta, apresentada em 08/10/2003, acerca do encerramento da filial – CNPJ 64.052.897/001070, conforme petição às fls. 20 a 21, verbis: A filial objeto da ação fiscal (CNPJ 64.052.897/001070), teve suas atividades encerradas em 31 de Janeiro de 2001, conforme XXVII Alteração do Contrato Social (cópia anexa) e comunicado de cancelamento junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ da Secretaria da Receita Federal em 16 de Março de 2001 (Certidão de Cancelamento de Inscrição cópia anexa); A empresa não possui mais nenhuma atividade econômica ou estabelecimento fiscal no Estado de Santa Catarina, onde se encontra vossa Delegacia; Os documentos da filial objeto da ação fiscal, encontrase em nosso estabelecimento matriz sito no Estado do Rio de Janeiro. Mesmo com essa informação prestada pela empresa fiscalizada, o Auto de Infração foi lavrado, em 18/12/2003 (fls. 169), também contra o estabelecimento regularmente baixado e com CNPJ cancelado! É preciso relembrar o princípio da autonomia dos estabelecimentos, ou seja, para efeitos do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IPI, os estabelecimentos consideramse autônomos, em relação a cada fato gerador que decorra dos atos que praticar. Esse comando está previsto no parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional, e repetido em diversos dispositivos do Regulamento do IPI (RIPI/98 vigente à época dos fatos) conforme se verifica dos artigos 23, parágrafo único, 291 e principalmente no comado contido Fl. 916DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 913 9 no artigo 487, que faz parte do Título XI “Disposições Gerais e Finais Conceitos e Definições”, verbis: Art. 487. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: ... III a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica; (grifos acrescidos) O próprio CARF, já se manifestou acerca do assunto, tanto no sentido de impossibilidade de transferência de créditos escriturais de IPI entre um estabelecimento e outro, exatamente por serem autônomos, como no sentido de não poder formalizar lançamento tributário contra um determinado estabelecimento quando a infração é imputada a outro, decretando a imprestabilidade do lançamento mesmo nos casos em que o auto fora lavrado em nome da matriz, conforme se pode verificar da seguinte ementa: IPI. AUTONOMIA ENTRE ESTABELECIMENTOS CONTRIBUINTE DO IPI. ERRO IDENTIFICAÇÂO DO SUJEITO PASSIVO. Para a legislação do IPI os estabelecimentos são autônomos não podendo um, mesmo que seja a matriz, responder pelas obrigações tributárias e infrações praticadas por outro (filiais). O lançamento constituído em nome da matriz, mas que se refere a infrações praticadas pelas filiais é nulo em decorrência de erro na identificação do sujeito passivo. Resultado: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso de ofício. (Acórdão 20401.144, Henrique Pinheiro Torres–Presidente Relatora: Nayra Bastos Manatta) –grifos acrescidos Nesse julgado citado, por óbvio, não havia ocorrido o encerramento da filial, e por esse motivo deveria ter sido o auto de infração lavrado constituído em nome dela, filial, e não em nome da matriz. Porém, no caso ora em análise, tendo sido o auto de infração constituído em nome de estabelecimento já extinto e regulamente baixado no CNPJ, entendo também ocorreu erro na eleição do sujeito passivo, uma vez que o auto de infração deveria, aí sim, ter sido lavrado em nome da matriz, cujo CNPJ estava ativo à época da autuação, e que passou a responder pelos atos praticados pela filial baixada desde a data do respectivo encerramento na Junta Comercial e nos cadastros da Receita Federal. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 Isso porque, nos casos de encerramento de estabelecimento filial, quem continua a responder por eventuais débitos tributários do estabelecimento baixado é a matriz! A própria Receita Federal em suas orientações relativas ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (extraída do site: www.receita.fazenda.gov.br) assim determina, verbis: Baixa de Inscrição de Estabelecimento Filial A baixa de inscrição no CNPJ de estabelecimento (filial), deverá ser solicitada até o 5º (quinto) dia útil do segundo mês subsequente ao da ocorrência do evento de extinção por encerramento da liquidação voluntária, judicial ou extrajudicial, ou conclusão do processo de falência. Para efeito de baixa de inscrição no CNPJ de estabelecimento de filial, a verificação restringirseá à análise formal do ato registrado, sendo que as pendências fiscais serão exigidas do respectivo estabelecimento matriz. Para fins de responsabilidade tributária, o efeito da baixa de estabelecimento tem o mesmo efeito da fusão, transformação e incorporação, em que o sucessor responde pelos eventuais débitos tributários apurados em nome do sucedido, nos termos do artigo 121 a 132 do Código Tributário Nacional. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Esse comando é claro e inconteste, uma vez que não há como efetuar lançamento de ofício em nome de empresa extinta ou já baixada. Nesse mesmo sentido existem inúmeras decisões, tanto judiciais, como administrativas, conforme se verifica da deliberação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa se transcreve: Processo n° :10680.000365/200175 Recurso n° :105132490 Acórdão n° : CSRF/0105.352 LANÇAMENTO PESSOA JURÍDICA EXTINTA LIQUIDAÇÃO – O artigo 121 estabelece que o sujeito passivo é quem estiver obrigado ao pagamento do tributo, que pode ser o contribuinte ou o responsável indicado na lei. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que não é possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa extinta, pois ela é inexistente no mundo jurídico. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO – PESSOA JURÍDICA EXTINTA É inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica extinta, bem como a transferência do pólo passivo da relação jurídica tributária no curso do processo administrativo a um dos sócios da empresa sem o devido processo legal para identificar o responsável conforme previsto no Código Civil e no Código Tributário Fl. 918DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 914 11 Nacional (arts. 128 a 135), abrindo a possibilidade do direito à ampla defesa e ao contraditório. Da mesma forma que não se pode constituir crédito tributário contra pessoa jurídica extinta ou baixada, não há como lavrar auto de infração contra filial baixada, pelos mesmos fundamentos. Assim, pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos para efeitos de cumprimento das obrigações tributárias do IPI, cada estabelecimento é considerado autônomo e, nos casos de baixa de filial, quem deve responder pelos tributos do estabelecimento baixado é a matriz, até mesmo porque não há como promover lançamento tributário contra estabelecimento extinto, por não mais existir no mundo jurídico. Dessa forma, entendo que no caso dos autos o lançamento tributário deveria ter sido formalizado contra a matriz e não contra a filial baixada há mais de dois anos e, por se tratar de lançamento de IPI, resta claro que ocorreu erro na eleição do sujeito passivo. Pelas razões expostas, entendo que a preliminar suscitada, mesmo que trazida em razões aditivas à impugnação, que não foram conhecidas pela primeira instância de julgamento. Preliminar essa que foi novamente repisada no Recurso Voluntário mereceria pronto acolhimento, como bem colocado pela Conselheira Silvia de Brito Oliveira no Acórdão n.º 20310.101 (fls. 415/419), verbis: “a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo assim como de decadência, tendo em vista a notória ausência de vinculação legal necessária à validade do lançamento, pode ser declarada em qualquer instância, independentemente de ser suscitada pela autuada”. No entanto, tendo examinado detidamente as questões de fundo, vejo que há também razões de mérito que convergem para a improcedência do lançamento, fundamentos esses que se acolhidos por este Colegiado, permitem que seja superada a mencionada preliminar em prol do exame de mérito ser favorável ao sujeito passivo, aplicandose a sabedoria da regra estampada no parágrafo 3º. do art. 59 do Decreto n. 70.235/72. 1.3. Decadência Pelas razões já expostas, deixarei de apreciar a questão da decadência de parte do lançamento por entender estar prejudicada, uma vez que já antecipei o encaminhamento do voto para dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração, tanto pelas razões preliminares que entendo possam ser superadas, como pelas razões de mérito, conforme passo a demonstrar. 2. Do Mérito Valor Tributável Mínimo e Margem de lucro O auto de infração tem como principal fundamento o fato do estabelecimento filial da Recorrente ter praticado diferente margem de preço quando comercializava veículos, pela filial importados, para empresa interdependente e empresa não vinculada, e que por esse motivo não teria praticado com as empresas interdependentes o chamado Valor Tributável Fl. 919DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 12 Mínimo, obrigatoriedade exigida pelo art. 123 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, Decreto 2.637/98 então vigente, verbis: Art. 123. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente: a) quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei n.º 34, de 1966, art. 2º , alteração 5ª ); Demonstrou a fiscalização que quando a filial da autuada de Florianópolis/SC remetia veículos para uma única empresa não interdependente, denominada Paris Veículos Peças e Serviços Ltda, localizada em Fortaleza/CE, praticava margem de lucro de 52,88% em relação ao preço de aquisição (Quadro 03 do Apêndice do Termo de Encerramento, fls. 193), enquanto que as remessas para empresas interdependentes, localizadas em diversos Estados da Federação, a margem de lucro praticada era de 8,26% em relação ao preço de aquisição. A Recorrente alega que essa diferença de margem de lucro praticada com a empresa não interdependente, “Paris Veículos”, decorre em virtude do contrato de Concessão de Veículos, Uso de Marca, Prestação de Assistência Técnica e Outras Avenças relativas aos produtos “Citroen”, juntado aos autos do processo (fls. 258 a 273). Segundo o referido contrato, a “Paris Veículos, Peças e Serviços Ltda.” assumiu a obrigação de pagar R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) à Saint Michel Distribuidora de Veículos Ltda., a título de uso de marca e despesas afins, mediante a majoração do preço dos veículos a serem faturados. Assim, em nenhum momento a Recorrente alega que não possuía relação de interdependência com as empresas com as quais praticou margem considerada reduzida pelo Fisco, e com base na especificidade do referido contrato busca justificar essa margem majorada com a empresa desvinculada. No caso dos autos, a própria empresa admite que 98% das saídas no período em questão foram realizadas entre empresas 'interdependentes’, não havendo dúvida quanto à necessária aplicação do “Valor Tributável Mínimo”, estabelecido pela legislação do IPI. Temse ainda como relevante que, como em resposta apresentada durante a fiscalização a contribuinte informou que: "no período em questão nossa empresa era importadora exclusiva no Brasil da Marca CITROEN" (fls. 35), entendeu o Fisco que sendo o produto de procedência estrangeira e não existindo mercado atacadista na praça do remetente, deveria tomar por base de cálculo: o valor que serviu de base do Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal, conforme prevê o inciso I, do parágrafo único, do Artigo 124 do RIPI. (grifos acrescidos) Seguindo esse indicativo, o Fisco considerou como “margem de lucro normal” a que foi apurada em relação à “única empresa comercial não interdependente — a PARIS Fl. 920DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 915 13 VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.” — no período da fiscalização. Conforme relato do Auditor Fiscal, assim conclui o Termo de Encerramento (às fls. 185 dos autos): Ela [a margem de lucro] foi calculada conforme está demonstrada na Página 4/4 do "QUADRO 03 — RELAÇÃO DE TODOS OS VEÍCULOS VENDIDOS À PARIS VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS E CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO NORMAL NO PERÍODO DE JULHO DE 1998 A FEVEREIRO DE 2000", isto é, pela divisão entre o valor total das notas fiscais de saída pelo valor total das notas fiscais de entrada. Como se pode verificar do referido Quadro 03, a fiscalização somou todas as notas fiscais de venda, no período fiscalizado, para a empresa “Paris Veículos” que totalizaram R$ 3.220.263,07; simultaneamente, somou todas as notas fiscais de entrada dos mesmos veículos, emitidas no desembaraço aduaneiro, que totalizaram R$ 2.106.381,43, apurando assim a margem de bruta de 52,88% mediante a divisão de um total pelo outro, e tomoua como “margem de lucro normal”. Assim, passo agora à análise dessa metodologia utilizada no auto de infração para encontrar o chamado “Valor Tributável Mínimo”, bem como, a “margem de lucro normal”. Prevê o já transcrito artigo 123 do RIPI/98 que nas remessas, para estabelecimento de empresa com a qual o remetente mantenha relação de interdependência, o “Valor Tributável Mínimo” não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. Além do próprio Auditor Fiscal ter registrado a “inexistência de mercado atacadista na praça do remetente”, vêse que nos casos de produtos importados o referido dispositivo legal deve ser analisado em conjunto com o artigo 124 do RIPI/98, que assim dispõe, verbis: Art. 124. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I, II e IV do artigo anterior, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; (grifos acrescidos) Para esclarecer como encontrar o “valor tributável mínimo”, para efeito de cálculo do IPI, foi editado o Parecer Normativo CST 44/1981 que procurou esclarecer sobre os critérios a serem observados para determinação de alguns conceitos, principalmente acerca da “praça comercial” e “mercado atacadista”: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 14 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79 (redação idêntica ao artigo 124 do RIPI/98) (grifos acrescidos) Posteriormente, a Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório Normativo 5/1982, para esclarecer o termo “produto”, descrito no mencionado PN CST 44/81, que está vazado nos seguintes termos: DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados, que o termo produto, constante do subitem 6.1 do Parecer Normativo CST nº 44, de 23 de novembro de 1981, indica uma mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número (..). DECLARA, igualmente, que, do produto assim caracterizado, para efeito de cálculo da média ponderada de que trata o artigo (...), deverão ser consideradas as vendas efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI. (grifos acrescidos) Como se pode depreender do PN 44/81 e do AD CST 5/82, a Secretaria da Receita Federal se preocupou em fixar critérios claros para que o “valor tributável mínimo”, a ser apurado pelo Fisco, venha a ser o mais próximo possível do valor de mercado de cada produto, pois é esse valor que deverá ser utilizado para o cálculo do IPI devido nos casos que a lei assim determina. No caso em questão, a essência do comando do PN 44/81 não se aplica, pois os veículos eram importados exclusivamente pela autuada e não havia outro atacadista na praça do remetente, Florianóplis/SC, já que era a única importadora e revendedora da marca Citroën à época, segundo declaração da própria contribuinte, que foi reconhecida pela fiscalização. Por esse motivo, restou consignado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal que no caso em questão a “margem de lucro normal” adotada pelo Fisco fora aquela praticada com um único revendedor de veículo não interdependente, a “Paris Veículos”. Dessa forma, a fiscalização calculou o que entendeu por “margem de lucro normal” pela divisão entre: “o valor total das notas fiscais de saída pelo valor total das notas fiscais de entrada. Deste modo, o valor total de aquisição da mercadoria, acrescido da margem de lucro normal, será o Valor Tributável Mínimo”, conforme consignado no Termo de Encerramento, às fls. 185 dos autos, que assim conclui: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 916 15 Sendo o valor da mercadoria aquele constante na Nota Fiscal de Entrada, isto é a diferença entre o Valor Total da Nota Fiscal de Entrada e o Valor do IPI destacado na mesma nota, o Valor Tributável Mínimo é o Valor da Mercadoria multiplicado pela margem de lucro normal. (fls. 186) Ou seja, para encontrar a “margem de lucro normal” a fiscalização simplesmente somou todas as notas de saída e dividiu esse total pela soma das notas de entrada do período fiscalizado, relativa aos 20 meses fiscalizados, sem fazer qualquer distinção entre marca e modelo, ano, e tipo de veículo, e encontrou uma margem genérica de lucratividade com a empresa não interdependente de 52,88%. Contudo, o procedimento utilizado pela fiscalização não está de acordo com o que dispõe o artigo 124 do RIPI/98, nem com o que prevê o AD CST 5/82, ambos já transcritos. Isto porque, não se pode ignorar que a regra prevista no inciso I do parágrafo único do art. 124 do mencionado RIPI, exclusiva para produto importado, diz expressamente que é “para aplicação do disposto neste artigo”, pelo que não pode ser aplicada isoladamente, mas exige que seja conjugada com o caput do mesmo dispositivo que prevê a específica periodicidade mensal para determinação do valor tributável mínimo, que deve ser encontrado pela: média ponderada do preço de cada produto (perfeitamente individualizado e caracterizado), vigente no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele, e aplicado ao valor que serviu por base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal. É possível constatar, pelo que restou consignado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que a fiscalização não respeitou esses critérios fundamentais. Primeiro, não observou o critério de individualização do produto para encontrar a referida margem de lucro, uma vez que tomou por base todas as notas fiscais de saída e dividiu a soma de seus valores pela soma das notas de entrada de todos os veículos, indistintamente, sem discriminar, modelo, ano, opcionais. Em segundo lugar, ao fazer média de operações de 20 meses, não observou a curta periodicidade mensal prevista na lei (mês anterior ou na sua falta o mês imediatamente precedente); e por último, não cumpriu o mandamento legal que exige “média ponderada” das operações de cada mês, critério que não é condizente com o comodismo adotado no Auto de Infração, que fez média simples dividindo a soma das vendas pela soma das compras de todo o período fiscalizado (20 meses) para encontrar a média adotada. Esse desrespeito aos critérios previstos em lei se constata também pela simples análise visual do Quadro 3, anexo ao “Termo de Encerramento”, intitulado “RELAÇÃO DE TODOS OS VEÍCULOS VENDIDOS À PARIS VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS E CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO DO PERÍODO DE JULHO DE 1998 A FEVEREIRO DE 2000” (fls.196/199), que mesmo sem constar a identificação do modelo do veículo, já se pode verificar que o Fisco não tomou por base os mesmos veículos para encontrar a média, pois existem, em cada mês, notas fiscais de entrada de veículos dos valores mais variados, como no mês 07/1998 (vide fls. 197 dos autos) que tem nf´s de entrada nos valores de R$ 9.345,00, de R$ 15.050,84, de R$ 8.578,16. A distorção causada na margem de lucro de 52,88%, apurada em relação ao período tomado (de 20 meses), é gritante. É possível demonstrar essa anomalia, tomando por base os números do mesmo Quadro 3 (“RELAÇÃO DE TODOS OS VEÍCULOS VENDIDOS À PARIS VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS E CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO DO PERÍODO DE JULHO DE Fl. 923DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 16 1998 A FEVEREIRO DE 2000”) pelo mesmo critério utilizado pela fiscalização (divisão das notas de saída pelo valor das notas de entrada), só que agora fazendose a apuração por mês: Mês Total das Notas de Entrada Total das Notas de Saída “Margem de Lucro” Jul/98 R$ 109.181,59 R$ 196.472,45 79,95% Set/99 R$ 164.324,40 R$ 161.815,00 1,53%. Esse simples cálculo demonstra, não só a distorção do critério adotado pela fiscalização, como também a própria racionalidade do critério fixado na lei de tomar por base a média do mês anterior, para se encontrar a margem de lucro que será aplicada à base de cálculo do produto. Isto porque, a margem de lucratividade de cada produto apresenta variações de acordo com as condições de mercado, que se alteram de um mês para o outro. Assim, é impraticável calcular a margem de lucratividade anual, quem dirá apurar uma margem de lucratividade de um produto em 20 meses, para determinar o valor do IPI devido em cada período, e muito menos aplicar essa média genérica desde o primeiro mês, sabendose que está influenciada por valores atualizados nos 19 meses seguintes. Assim, o critério adotado pela fiscalização para encontrar a “margem de lucro normal” não tem qualquer respaldo na lei, e não segue qualquer critério lógico, nem atende à razoabilidade e proporcionalidade, critérios esses que devem ser, sim, observados no caso em questão, conforme já admitiu a própria Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Consulta nº 55/2001 da 10ª Região Fiscal, que tratou exatamente do valor tributável mínimo e da margem de lucro normal, que assim dispõe: essa margem varia conforme a atividade e o local em que a empresa está estabelecida devendo sua determinação atender aos critérios de razoabilidade e de proporcionalidade. Ora, além dos vícios já apontados, não pode ser considerado razoável, nem proporcional, utilizar como “margem de lucro normal”, exclusivamente, a margem praticada com uma única empresa não interdependente, responsável apenas por 1,19% dos veículos comercializados no período fiscalizado (20 meses), sem elevar em conta nenhum outro fator, tais como, custos com frete de Florianópolis/SC para Fortaleza/CE, ou os custos com o contrato de licença e uso da marca, comprovado nos autos. Assim sendo, por não ter a fiscalização observado, nem os critérios estabelecidos em lei, nem os critérios de razoabilidade e proporcionalidade para determinação da margem de lucro normal, e consequentemente para a determinação do valor tributável mínimo, VOTO por reformar o acórdão de primeira instância para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelamento do auto de infração. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 924DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 18473.000104/201001 Acórdão n.º 3403001.723 S3C4T3 Fl. 917 17 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 11444.000352/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/04/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, ficando sujeitos os agentes políticos e as respectivas pessoas jurídicas de direito público interno às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. LEGITIMIDADE AD PROCESSUM.
Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da pessoa jurídica de direito público interno, sempre que a auditoria fiscal se desenvolver no órgão público da administração direta, seguido da identificação do órgão fiscalizado, devendo constar do relatório fiscal a identificação dos respectivos dirigentes e os correspondentes períodos de gestão.
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA.
Não enseja nulidade do lançamento a lavratura de Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico em que se houve por lavrado o auto. Súmula nº 6 do CARF.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
CARF. COMPETÊNCIA.
À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e sobre a aplicação de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser recalculada levando-se em consideração as disposições fixadas no inciso II do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, o qual, na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212/91.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, ficando sujeitos os agentes políticos e as respectivas pessoas jurídicas de direito público interno às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. LEGITIMIDADE AD PROCESSUM. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da pessoa jurídica de direito público interno, sempre que a auditoria fiscal se desenvolver no órgão público da administração direta, seguido da identificação do órgão fiscalizado, devendo constar do relatório fiscal a identificação dos respectivos dirigentes e os correspondentes períodos de gestão. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 52 /2 01 0- 42 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Não enseja nulidade do lançamento a lavratura de Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico em que se houve por lavrado o auto. Súmula nº 6 do CARF. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CARF. COMPETÊNCIA. 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A multa deve ser recalculada levandose em consideração as disposições fixadas no inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, o qual, na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 122 3 turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOA: 19/04/2010. Data da Ciência do AIOA: 27/04/2010. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de o município ter apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, referentes às competências 06/2007 a 11/2008, com omissões consistentes na não informação da totalidade das contribuições devidas à Previdência Social incidentes remunerações pagas aos exercentes de mandato eletivo municipal Vereadores, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, a fls. 12/17. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa houvese por aplicada de acordo com o critério descrito no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fls. 18/20, resultando num total de R$ 25.394,22 (vinte e cinco mil e trezentos e noventa e quatro reais e vinte e dois centavos), conforme Demonstrativo Comparativo de Aplicação de Multa a fls. 21/22. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 27/59. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 77/87, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11 de abril de 2011, conforme Avisos de Recebimento a fls. 91/92. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 93/117, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade total da presente autuação, por ausência de capacidade jurídica do poder legislativo local; · Nulidade da autuação pelo não atendimento aos requisitos mínimos de lavratura de auto infracional; · Desnecessidade de recolhimento de contribuições previdenciárias por parte de agentes políticos; Ao fim, requer o Recorrente a declaração de nulidade do Auto de Infração. Requer, ainda, a expedição de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa até a decisão final dos Autos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 11/04/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Superado o pressuposto temporal, presente os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA ALEGADA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Alega o Recorrente nulidade total da presente autuação, por ausência de capacidade jurídica do poder legislativo local. Pugna, igualmente, pela nulidade da autuação pelo não atendimento aos requisitos mínimos de lavratura de auto infracional. A razão, todavia, não lhe sorri. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 123 5 O Recorrente introduziu nos autos extenso arrazoado acerca da legitimidade ad processum do Poder Legislativo Municipal, máxime em razão da carência de capacidade jurídica da Câmara municipal, desperdiçando a específica oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos, no pleno exercício do seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa, para atacar os reais motivos ensejadores da autuação e espancar os fatos sobre os quais se escorou o órgão julgador a quo, no juízo negativo de provimento da impugnação. Com efeito, como muito bem reconhecido pelo Autuado, a Câmara Municipal não detém personalidade jurídica, tampouco capacidade processual para figurar no polo passivo da relação jurídica tributária, sendo o município a pessoa jurídica própria a ser demandada nos eventuais lançamentos de ofício visando à constituição de crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores específicos apurados nas ordens daquele Órgão Legislativo Municipal, em atenção ao preceito inscrito no inciso II do art. 12 do Código de Processo Civil. Código de Processo Civil Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, por seus procuradores; II o Município, por seu Prefeito ou procurador; (...) Ocorre, todavia, que, conforme avulta da Folha de Rosto do Auto de Infração ora em apreciação, o lançamento sobre o qual nos debruçamos não se houve por lavrado em face da Câmara Municipal do Município de Guaimbê, como assim identificaram os olhos do Recorrente, mas, sim, em desfavor do próprio Município de Guaimbê, pessoa jurídica de direito público Interno, CNPJ 49.890.171/000122, contribuinte do Regime Geral de Previdência Social nos termos do art. 15, I da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (grifos nossos) II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 III os Municípios; (grifos nossos) IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107/2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regemse, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. As normas e procedimento internos de auditoria da RFB não se distraíram em tal cuidado, determinando expressamente que nos procedimentos fiscais desenvolvidos em órgãos da administração pública direta, as eventuais notificações de lançamento devem ser emitidas em nome do ente estatal, com a identificação do CNPJ dos respectivos órgãos, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão, a teor do art. 639 da IN SRP nº 3/2005. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 639. Em se tratando de órgão da Administração Pública direta, a NFLD será lavrada em nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão. Correto, portanto, o procedimento conduzido pelo agente fiscal ao lavrar o vertente Auto de Infração de Obrigação Principal em nome da pessoa jurídica de direito público interno, in casu, o município de Guaimbê, e ao notificar a pessoa do Prefeito Municipal, representante legal do ente público em questão, inexistindo qualquer vício de legitimidade a justificar a alegação de nulidade do procedimento tão credulamente defendida pelo Recorrente. Também se revela improcedente a alegação de carência de requisitos mínimos para a lavratura da vertente notificação de lançamento. Reza o art. 37 da Lei nº 8.212/91 que, constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias a fiscalização tem, por dever de ofício, que lavrar a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Compulsando os autos do processo verificase que o Relatório Fiscal destacou com clareza solar os motivos ensejadores da lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Principal, consubstanciados nas remunerações pagas a exercentes de mandatos eletivos municipais (Vereadores), qualificados pela Lei de Custeio da Seguridade Social como integrantes da categoria de “segurados empregados", nos termos da alínea “j” do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, fatos geradores esses que deixaram de ser declaradas nas respectivas GFIP, como assim determina taxativamente o inciso IV do art. 32 do Diploma Legal em foco. Na mesma esteira, o Discriminativo de Débito a fls. 06/13 descreve, de forma analítica, discriminados por estabelecimento do Recorrente, competência, levantamento, código e descrição do lançamento, o montante da base de cálculo apurada, a descrição e valor Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 124 7 de cada rubrica lançada, bem como suas correspondentes alíquotas de incidência, valor líquido devido em cada competência assim como os respectivos acréscimos legais. O montante da base de cálculo lançada também pode ser sindicado e conferido pelo confronto com as Relações de Pagamentos dos Vereadores fornecidos pelo próprio ente fiscalizado, a fls. 63/107 dos autos. Os Relatórios Fiscais integrantes do Processo Administrativo Fiscal em foco descrevem pormenorizadamente toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico ao lançamento tributário ora em julgo, com especial destaque ao FLD Fundamentos Legais do Débito, a fls. 14/15, o qual houvese por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao Increpado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF e TEPF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restandolhe garantido, dessarte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Em cumprimento às determinações estatuídas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72, verificamos que todos os elementos essenciais pertinentes ao instrumento de lançamento nele previsto encontramse presentes no Auto de Infração de Obrigação Principal em foco. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Cumpre alertar o Recorrente, dada a sua relevância, que o preceito inscrito no inciso II do referido art. 10 do Decreto n° 70.235/72 exige que no Auto de Infração conste, expressamente, o local, a data e a hora de sua lavratura, estando o termo “local” empregado em seu sentido de “localidade”, para fins de determinação de jurisdição e competência da autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Olhando com os olhos de ver, constatase que a lei que rege o Processo Administrativo Fiscal não exige que o Auto de Infração seja lavrado nas dependências do estabelecimento do Autuado, como assim interpreta de forma tendenciosa e equivocada o Recorrente, nada impedindo que seja formalizado na própria repartição fiscal circunscricionante, e não propriamente no local onde foi praticada a infração, desde que a autoridade lançadora possua os dados e informações necessárias e indispensáveis à sua formalização. Nesse sentido já se posicionou a jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se depreende dos termos que textualizam o verbete de sua Súmula nº 6, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 125 9 contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Não se deve olvidar que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o Notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido, hipótese em que não é instaurada a fase contraditória. Ao revés, pode ele, também, exercendo o seu direito de defesa, impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de nulidade tão veementemente erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DO EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Alega o Recorrente a desnecessidade de recolhimento de contribuições previdenciárias por parte de agentes políticos. Razão não lhe assiste. O §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, acrescentou ao inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 a alínea “h”, a qual qualificava como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. Ocorre que, quando da edição da citada Lei Ordinária 9.506/97, o artigo 195 da Constituição Federal dispunha que: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Com fundamento na tese de que o inciso II do já visto art. 195 da CF/88 não comportava os agentes políticos, forte no argumento de que eles não poderiam ser qualificados como "trabalhadores", e em razão de não se tratar de instituição de contribuição sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros", o disposto no art. 13, §1º da Lei nº 9.506/97 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Decisão proferida em 08/10/2003 nos autos do RE nº 351.717/PR, DJ de 21/11/2003, eis que, segundo o Excelso Pretório, a criação de uma nova figura de segurado obrigatório da Previdência Social somente poderia ter ocorrido por meio de lei complementar, nunca por Lei Ordinária. Em virtude de tal decisão ter sido proferida no trâmite do Controle Difuso de Constitucionalidade, tal veredictum beneficiou, à época, tão somente, o impetrante da ação judicial em relevo. Nessa perspectiva, em decorrência própria da aludida decisão da Suprema Corte, o Senado Federal suspendeu, com fundamento no art. 52, X da CF/88, a execução da norma inscrita na alínea "h" do Inciso I do Art. 12 da Lei nº 8.212/91, conforme Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005, in verbis: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; RESOLUÇÃO Nº 26, DE 2005 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 126 11 Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. O entrave constitucional acima abordado veio a ser desbloqueado com a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, a qual conferiu nova redação ao Inciso II do art. 195 da Constituição Federal de 1988, que passou a ter a seguinte redação: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, A Emenda Constitucional nº 20/98 incluiu, ainda, o §13 no art. 40 da nossa Lei Soberana, nos seguintes termos: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 40. O servidor será aposentado: (...) §13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Nesse contexto, com as alterações constitucionais introduzidas pela Emenda Constitucional nº 20/98, ficou afastada a reserva da lei complementar para a instituição de nova categoria de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, possibilitando que nova lei ordinária, tão só, formalizasse legalmente a sua criação. E foi exatamente o que se sucedeu em 18 de junho de 2004 com a promulgação da Lei nº 10.887/2004, que acrescentou ao tão comentado inciso I do art. 12 da Lei 8212/91 a alínea ‘j’, com a mesma redação da extirpada alínea ‘h’ já vista anteriormente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; Dessarte, efetivadas as comentadas modificações legislativas, os servidores ocupantes exclusivamente de cargos eletivos – aqui incluídos os agentes políticos federais, estaduais e municipais , não vinculados a regime próprio de previdência social, passaram a ser segurados obrigatórios do RGPS, sujeitando os agentes políticos ora referidos, bem como os entes públicos respectivos, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Desta forma, a partir de 21 de junho de 2004, data da publicação da Lei nº 10.887/2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004, por força da anterioridade específica prevista no art. 195, §6º da CF/88, tornouse indiscutível e obrigatória a contribuição previdenciária dos Entes Públicos Federativos incidentes sobre a remuneração paga a seus exercentes de mandato eletivo, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, bem como a contribuição previdenciária a cargo destes, incidentes sobre os seus respectivos subsídios, observado o limite máximo do Salário de Contribuição, conforme art. 20 do mesmo diploma Legal, desde que tais agentes políticos não estejam vinculados a regime próprio de previdência social. No entanto, é de salientar que, se a vinculação a regime próprio de previdência for concomitante com outras atividades remuneradas, situação bem comum no caso de vereadores, o agente político será segurado obrigatório em relação a cada atividade desenvolvida, mesmo se a vinculação se der a regimes previdenciários diferentes, podendo ser, como exemplo, contribuinte de regime próprio de previdência social na qualidade de servidor público titular de cargo efetivo e contribuinte do regime geral de previdência social, na qualidade de vereador. Nesse sentido assim ilumina o art. 6º, XIX da IN SRP nº 3/2005, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 127 13 autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (grifos nossos) (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Outra não é a norma tributária inscrita no art. da IN RFB nº 971/2009 Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Chamamos a atenção para a clareza do dispositivo infralegal ao determinar que, nas hipóteses de o exercente de mandato eletivo municipal ser filiado, concomitantemente, a Regime Próprio de Previdência Social, para não contribuir ao Regime Geral de Previdência Social pelos valores auferidos pelo exercício do cargo na Câmara Municipal, como vereador, deve estar oficialmente afastado da sua atividade como servidor titular de cargo efetivo, exercendo apenas a vereança. Assim, sendo mantendo as duas atividades simultaneamente e auferindo remuneração em ambas, o vereador servido contribuirá ao RPPS pelo salário na atividade de servidor público efetivo e para o RGPS, pelos subsídios recebidos como vereador. Nesse contexto, sendo as pessoas físicas exercentes de mandato eletivo municipal qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, eis que não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, no período de apuração do crédito tributário objeto do vertente Auto de Infração, ou por auferirem, simultaneamente, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 remuneração pelo exercício da vereança e de cargo efetivo municipal como servidor titular, procedente é o lançamento levado a cabo pela autoridade fiscal. 3.2. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA VIOLADA O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. De outro canto, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 128 15 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, os artigos 32 e 33 da citada lei de custeio da Seguridade Social estabeleceram uma série de obrigações instrumentais a serem observadas pela empresa, dentre elas, a obrigação instrumental positiva de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, além do dever jurídico de exibir ao Fisco todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, bem como o de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. (grifos nossos) Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 129 17 incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifos nossos) Tal obrigação acessória evidenciase como contínua, não se extinguindo com a mera apresentação do documento em tela nos meses anteriores. Em assim sendo, a entrega da GFIP em um determinado mês não exime nem dispensa o obrigado a efetuar a mesma entrega na competência seguinte, ainda que as informações a serem declaradas sejam exatamente as mesmas informadas na declaração do mês anterior. No caso em apreciação, faz prova o Auto de Infração em desfavor do Recorrente que este houvera deixado de informar nas GFIP a totalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos exercentes de mandato eletivo municipal – vereadores, deixando assim de declarar ao fisco federal as contribuições a cargo do município destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições previdenciárias a cargo dos vereadores. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representa ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Cabe ressalvar, de modo a nocautear qualquer dúvida, que a missão de estruturar e dar efetividade à obrigação acessória em relevo foi confiada à lei nº 8.212/91, cujo art. 32, IV estatuiu de maneira isenta de rodeios que a empresa é obrigada a informar mensalmente ao INSS, por intermédio de GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da citada autarquia previdenciária. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, e , ao fim, devidamente somadas. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, o inciso II do art. 284 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de observar a obrigação instrumental em debate, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 130 19 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 31 de dezembro de 2009, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF nº 350/2009, que fixou em R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) o valor da multa indicada no inciso I do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, que é o valor mínimo sobre o qual incide o multiplicador previsto no art. 284 do Regulamento da Previdência Social, para a determinação da pena pecuniária pela entrega de GFIP com omissões e/ou incorreções. PORTARIA MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009 Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) a R$ 141.077,93 (cento e quarenta e um mil setenta e sete reais e noventa e três centavos); 3.3. DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONEXA Cumpre citar, por relevante, que a obrigação principal associada ao vertente Auto de Infração houvese por formalizada nos Processos Administrativos Fiscais nº 11444.000350/201053 (contribuição patronal e SAT) e 11444.000351/201006 (segurados), os quais foram julgados procedentes por esta mesma 2ª Turma Ordinária da 3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em sessão realizada em 17 de outubro de 2012. Dessarte, restando configurada como devidas as contribuições previdenciárias objeto dos Processos Administrativos Fiscais acima citados, passam a figurar como incorretas e omissas as informações declaradas pelo Recorrente nas correspondentes GFIP, circunstância que representa violação objetiva à obrigação acessória prevista no inciso Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 131 21 IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a qual implica a inflição da penalidade pecuniária prevista no §5º desse mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. (grifos nossos) (...) §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). O art. 32, IV da Lei nº 8.212/91 determina que a empresa é obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Nesse contexto, ao não informar em GFIP a remuneração do exercentes de mandato eletivo municipal, o município deixou de declarar ao fisco os valores devidos da contribuição previdenciária, a cargo da empresa, destinada ao custeio da seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições devidas pelos segurados em foco, violando dessarte a obrigação acessória a todos imposta mediante lei formal, de observância compulsória. 3.4. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 132 23 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 133 25 entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 134 27 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3.5. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS O Recorrente protesta, ainda, por provar o alegado por todos os meios de provas admitidos por lei. Tal rogativa não encontra ambiente legislativo propício para florescer. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 135 29 processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, não logrando o Recorrente comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.6. DA CONCESSÃO DE CND O Recorrente requer a expedição de Certidão Positiva com Efeito de Negativa até a decisão final destes autos. Ocorre, todavia, que a esta 2ª Seção houvese por outorgada, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Foge à competência deste Colegiado, por óbvio, a atribuição de conceder Certidão Positiva com Efeito de Negativa, motivo pelo qual tal pedido não poderá ser apreciado. Cumpre esclarecer, nada obstante, que qualquer assunto pertinente à emissão de certidões que atestem a inexistência de débitos perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB deve ser tratado diretamente na Delegacia da Receita Federal do Brasil circunscricionante do domicílio do peticionário, não possuindo regimentalmente este Conselho Administrativo competência para a apreciação e deliberação de pedidos a respeito do tema, a teor do art. 1º do Capítulo I, Título I do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Regimento Interno do CARF ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4°. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000352/201042 Acórdão n.º 2302002.139 S2C3T2 Fl. 136 31 Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. §2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 14041.000208/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-001.715
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 08 /2 00 9- 01 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000208/200901 Acórdão n.º 2403001.715 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0338.566 da 7ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD n° 37.210.0813, em 03/02/2009, no qual foram incluídas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados (cota patronal e cota destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), além dos juros e multa correspondentes, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 24.861,59. 0 período fiscalizado é de 03/1996 a 03/2001, sendo que o lançamento abrange a(s) competência(s) 09/1997 a 12/1997. O Relatório Fiscal de fls. 20/28 informa que o presente lançamento é realizado em substituição as Notificações de Lançamento de Débito — NFLD, n° 35.019.6095 e 35.019.608 7, lavradas em nome do contribuinte Via Engenharia S/A. Referidas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD mencionadas foi cientificada à Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CTN, a Fazendo Pública pode constituir o crédito em epígrafe em até 5 anos contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nas notificações julgadas nulas considerouse a existência da responsabilidade solidária entre os prestadores (e subempreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãode obra (Via Engenharia S/A); diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não ter apresentado os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS, etc). As NFLD foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de subempreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional — CTN. Isto porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, à época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do débito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124, I, do CTN. O Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores foram verificados mediante análise dos seguintes elementos: Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de serviço/faturas, Contratos de prestação de serviços, Folhas de Pagamentos e Guias de recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteiros, contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteiros, Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteiros, apresentados pela empresa Via Engenharia S/A na ocasião da lavratura das NFLD substituidas. Nas NFLD substituidas também consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informações referentes a data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal/fatura, preitador de serviço/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição .a.purado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do débito apurado. A empresa Via Engenharia S/A foi intimada a apresentar as Guias de Recolhimento e folhas de pagamento ou GFIP referentes aos pagamentos constantes da planilha, com fins de elidir a responsabilidade solidária. Também foi oportunizada a referida empresa a apresentação de outros elementos, caso discordasse dos percentuais aplicados para efeitos de aferição do salário de contribuição. Em análise dos contacorrentes dos prestadores de serviços, verificouse que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados e outros sequer apresentavam recolhimento. Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimento genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia • de recolhimento com valor inferior ao previsto, apresentara declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fi , foram abatidos do débito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentos inferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000208/200901 Acórdão n.º 2403001.715 S2C4T3 Fl. 4 5 Na substituição dos débitos. anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram Seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendO que o salário de contribuição foi calculado aplicando percentuais sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado nas planilhas anexadas pela autoridade fiscal. No que concerne h responsabilidade *solidária, o Relatório Fiscal acrescenta que, conforme artigo 896 do Código Civil, a mesma não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. No caso, o arbitramento pelo faturhinento para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mão deobra, está previsto no .aitigo 33 da Lei 8.212/91. 0 procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, ná , do lançamento, na OS/INSS/DAF no 176/1997 e, antes, pela OS/INSS/DAF no 83/1993.. Para o período anterior a vigência da Lei149.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da.: .solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação à solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento* legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta, As fls. 29/30, Termo de Sujeição Passiva Solidária, cientificado em 23/03/2009 ao sujeito passivo solidário RECAP LOCAÇÕES E SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA, 36.722.085/000173, conforme documento de fls. 31, juntamente com o Auto de Infração sob comento. Do resultado do julgamento foi dado ciência exclusivamente à Via Engenharia. Inconformada com a decisão, a empresa Via Engnharia apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade do crédito lançado. · Decadência. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · Até o momento da apresentação da impugnação não havia sido notificado o contribuinte do lançamento do crédito tributário em discussão. Disso decorre que o crédito, indiscutivelmente, também já decaiu para o contribuinte. · A cobrança da multa é indevida por que a contribuinte não participou do comportamento, nada sonegou, nenhum ato ilícito cometeu daí a inviabilidade de ser punida por ato de terceiro. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000208/200901 Acórdão n.º 2403001.715 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Apesar do vício constatado, somente dar ciência a 1 devedor do resultado do julgamento de primeira instância, por economia processual, passo a analisar o presente processo. DECADÊNCIA – PRESTADOR DO SERVIÇO Consta do processo, folhas 29/30, Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a empresa RECAP LOCAÇÕES E SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA em 03/02/2009. A ciência ao contribuinte foi dada em 23/03/2009. Os fatos geradores ocorreram entre 09 e 12/1997. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do prazo decenal para a decadência dos créditos previdenciários devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Pelo intervalo de tempo decorrido entre os fatos geradores e a ciência do sujeito passivo constatase que ocorreu a decadência do crédito tributário por qualquer critério estabelecido pelo CTN. DECADÊNCIA – TOMADOR DO SERVIÇO O acórdão administrativo de última instância (CaJ/CRPS) que reconheceu a nulidade do crédito lançado foi prolatado em 31 de outubro de 2003. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A notificação do contribuinte ocorreu em 2004. Segundo o CTN, a decadência opera decorridos 5 anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Estabelece o Decreto 70.235/72 que são definitivas as decisões de segunda instância de que não caiba recurso. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. O Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, vigente à época da anulação, estabelecia a Câmara de Julgamento como única instância para julgar os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes. PORTARIA MPAS Nº 2.740, DE 26 DE JULHO DE 2001 DOU DE 03/08/2001 Art. 13.Compete às Câmaras de Julgamento: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000208/200901 Acórdão n.º 2403001.715 S2C4T3 Fl. 6 9 I julgar, em última instância, os recursos interpostos contra as decisões proferidas pelas Juntas de Recursos que infringirem lei, regulamento ou ato normativo ministerial; e II julgar, em única instância, os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes, inclusive a que indefere o pedido de isenção de contribuições, bem como, com efeito suspensivo, a decisão cancelatória da isenção já concedida podendo, para tanto, anular os atos da constituição do crédito previdenciário e os que impõem penalidade administrativa. Entendo que quando prolatada a decisão pela Câmara de Julgamento do CRPS, a decisão tornouse definitiva. Com base no acima exposto, entendo que se operou a decadência visto que o prazo, da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (31/10/2003) até o novo lançamento (18/02/2009) foi maior que 5 anos. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso em razão da decadência. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.939253/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
COFINS. COMPENSAÇÃO. PER/DECOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO.
Não havendo o crédito informado na declaração de compensação formalizada perante a RFB, não se pode deferi-la, ainda que o contribuinte alegue ter cometido erro, hipótese em que deverá formalizar pedido de compensação retificadora.
Numero da decisão: 3401-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 17/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 COFINS. COMPENSAÇÃO. PER/DECOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. Não havendo o crédito informado na declaração de compensação formalizada perante a RFB, não se pode deferi-la, ainda que o contribuinte alegue ter cometido erro, hipótese em que deverá formalizar pedido de compensação retificadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. EDITADO EM: 17/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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COMPENSAÇÃO. PER/DECOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. Não havendo o crédito informado na declaração de compensação formalizada perante a RFB, não se pode deferila, ainda que o contribuinte alegue ter cometido erro, hipótese em que deverá formalizar pedido de compensação retificadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 17/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 92 53 /2 00 8- 60 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 1.416,28, referente à Cofins, cujo período de apuração é março/2000. A DERAT/RIO indeferiu o pedido de compensação através de Despacho Decisório (fl.07) sob o fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 08/10), na qual alega, em síntese, que: Foi recolhido indevidamente o valor de R$ 1.416,28, a título de Cofins, referente ao período de apuração 31.3.2000; Foi realizado pedido de compensação por meio de PER/DCOMP, para que o montante fosse utilizado para pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; O que ocorreu foi um erro material, por parte da contribuinte, quando por equívoco informou, no pedido de compensação, a data de vencimento e o período de apuração, diferentes do que consta na DARF, este sim, corretamente preenchido, com período de apuração em março de 2000, vencimento em 14 de abril de 2000. Portanto, a contribuinte agiu de forma correta, trilhando os caminhos que determina a lei, para a realização da compensação requerida; Em 18.5.2011, a 4ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) Apesar de impugnar a decisão, a própria contribuinte admitiu que houve erro na formalização do PER/DCOMP em questão, informando crédito relativo a março de 2000 e não outubro de 2000. b) Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte chama atenção para uma “reratificação” do PER/DCOMP. Nos documentos anexos, havia além da Manifestação de Inconformidade e do Contrato Social, cópia do DARF que comprova seu erro, consulta de postagem, discriminação do PER/DCOMP, bem como situação deste último, figurando “não homologada” e “em julgamento”. c) Realizando pesquisa no sistema da RFB SIEFPER/DCOMP, é possível verificar que o PER/DCOMP nº 39670.22286.12104.1.7.043760 ora em julgamento é que está retificando PER/DCOMP anterior o de nº 00647.79462.25102004.1.1041907 (fl. 25). d) Em suma, o Despacho Decisório que não homologou o pleito está correto. Em 5.7.2011, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 21.7.2011, protocolou Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) A cobrança realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, referente à Cofins, está tramitando em processo administrativo autônomo Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.939253/200860 Acórdão n.º 3401001.960 S3C4T1 Fl. 65 3 de nº 18471.000995/200893. Por este motivo, em observância aos princípios constitucionais, a contribuinte requer o apensamento do presente àquele processo supracitado. b) O que ocorreu, quanto ao recolhimento indevido, que gerou uma carta de cobrança de R$ 4.233,94, foi mero erro material por parte da contribuinte ao realizar o PER/DCOMP em questão, quando, equivocadamente, informou a data de vencimento e o período de apuração diferente do que consta no DARF, este sim, corretamente preenchido e recolhido. c) Tal assertiva pode ser facilmente constatada mediante a simples leitura da cópia do DARF, devidamente autenticada, que fora anexada na Manifestação de Inconformidade. Desta forma, tornase evidente o motivo pelo qual não foi encontrado o DARF em referência nos sistemas da RFB, qual seja, um mero equívoco da Recorrente na prestação de informações na Realização do PER/DCOMP. d) A contribuinte agiu de forma correta, trilhando os caminhos que determina a lei para a realização da compensação requerida. No entanto, por erro material no momento do preenchimento do PER/DCOMP teve seu pedido de compensação indeferido. e) A contribuinte já providenciou a reratificação do PER/DCOMP, como se vê do documento que seguiu em anexo à Manifestação de Inconformidade, razão pela qual não existe mais qualquer impedimento para que a compensação requerida deixe de ser devidamente homologada pela Receita Federal do Brasil. Por fim, a contribuinte requer a reforma da decisão recorrida e homologação da compensação realizada, reconhecendo seu direito creditório. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Analiso, inicialmente, o pedido de apensamento ao PA nº 18471.000995/200893. Pelas razões expostas pela DRJ/RJ2, entendo, não ser necessária a reforma da decisão acerca desta matéria. Consultando o citado processo administrativo, verifico que as únicas características em comum com este processo são: o mesmo contribuinte e a mesma causa de pedir, tratandose também de suposta isenção. Contudo, o processo citado trata de fatos geradores ocorridos a partir de 2003, período este subseqüente ao versado no atual processo. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 O Código de Processo Civil dispõe em seu art.103 que se reputam conexas duas ou mais ações, quando lhes forem comuns o objeto e a causa de pedir. Já continência, conforme disposto no art. 104, darseá entre duas ou mais ações sempre que houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Darseá, portanto, o apensamento de processos quando uma destas duas ou mais ações forem conexas ou continentes, conforme disposto do art. 105 do CPC, que abaixo trago: “Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.” Verificase, que em ambos os processos a causa de pedir é a mesma, entretanto, o objeto não é o mesmo, visto que, tratam de fatos geradores ocorridos em períodos distintos, portanto, indefiro o pedido de apensamento. Acerca da questão do pedido de compensação do crédito decorrente da Cofins, cabe analisar que a argumentação da recorrente é que houve erro material quanto ao preenchimento do PER/DCOMP nº 39670.22286.121104.1.7.043760. Fora informada data divergente entre o PER/DCOMP e o DARF, estando este com os dados corretos. A recorrente frisa que já providenciou a reratificação do PER/DCOMP, como se vê em documento que seguiu anexa à Manifestação de Inconformidade e, que por esta razão, não há qualquer impedimento para a referida compensação. Entretanto, a declaração da recorrente não merece ser lograr sorte, pois como se observa nas fls. 2 e 25, o que houve foi uma retificação da PER/DCOMP de nº 00647.79462.251004.1.3.041907, transformando este documento no de nº 39670.22286.121104.1.7.043760, entretanto não houve retificação deste último de forma a corrigir os erros materiais apontados pela recorrente. Frente a todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto! Sala das Sessões, em Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.939253/200860 Acórdão n.º 3401001.960 S3C4T1 Fl. 66 5 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003741/2007-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 1802-001.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 41 /2 00 7- 24 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 1802001.507 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, consequentemente, manteve a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de maio do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 13.198,11. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, subscrita por procurador devidamente habilitado, por meio da qual, em apertada síntese, alega o seguinte: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 1802001.507 S1TE02 Fl. 38 3 determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/10/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 84 a 88, em 25/10/010, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do anocalendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003. Solicitouse também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2003. Este é o Relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 1802001.507 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no anocalendário de 2005. A DCTF foi instituída pela IN SRF nº 126, de 30/10/1998, tendo posteriormente alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF nº 255, de 11/12/2002. Com periodicidade trimestral, foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no trimestre correspondente, além de outras informações relativas aos pagamentos, débitos, suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A partir do anocalendário de 2005, com a IN SRF nº 482, de 21/12/2004, posteriormente alterada pela IN SRF nº 532, de 30/03/2005, a DCTF passou a ter periodicidade mensal ou semestral. Estavam obrigadas a apresentação da declaração mensalmente: “Art. 2º A partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 3 (três) milhões de reais.” As demais pessoas jurídicas estariam sujeitas a apresentação semestral da declaração: “Art. 3º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar, semestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz.” O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 1802001.507 S1TE02 Fl. 40 5 caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. Pesquisando o site da Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/dipj/1999/Inf_Gerais/Conceito_de_Receita_ Bruta.htm), extraímos a seguinte informação: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Atenção: A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, poderá adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa ou de competência, observandose o disposto na IN SRF n° 104, de 1998. O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 1802001.507 S1TE02 Fl. 41 6 § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Com o retorno da diligência é possível verificar, através da documentação acostada, bem como da informação fiscal (fls. 228 e 229), que a Recorrente no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Neste caso não estaria a contribuinte obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal. Ademais, as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, conforme visto acima, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 1802001.507 S1TE02 Fl. 42 7 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10725.000358/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 5ª Turma que manteve indeferimento de Pedido de Ressarcimento da Cofins, período 4º trimestre de 2004, cumulado com compensação. Conforme o Despacho Decisório indeferitório na origem, datado de 25/09/2009, contra o contribuinte foram lavrados autos de infração do PIS e da Cofins nos períodos de apuração de 12/2003 a 12/2004, discutidos no processo nº 15521.000127/200963, sendo que os créditos aqui pleiteados foram utilizados pela Fiscalização na redução da base de cálculo da Contribuição lançada naquele. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 25 .0 00 35 8/ 20 07 -0 3 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000358/200703 Resolução nº 3401000.561 S3C4T1 Fl. 502 2 Ainda segundo o Despacho Decisório, naquele processo das autuações a fiscalização concluiu que a contribuinte se beneficiou, irregularmente, de receitas tidas como de exportação com vistas à isenção/imunidade do PIS e da Cofins. E como os créditos aqui pleiteados já foram aproveitados naquele, o órgão de origem entendeu configurada a improcedência do ressarcimento, “na medida em que se mostra ausente requisito essencial ao aproveitamento de créditos a este titulo, qual seja, a obtenção de receitas da exportação e se mostra a inexistência dos créditos pleiteados”. A Manifestação de Inconformidade contém, dentre outras, as alegações seguintes, conforme o relatório da DRJ que transcrevo parcialmente: Em 27/08/09, a Manifestante foi surpreendida com lavratura de Auto de Infração (Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000127/200963), sob alegação de classificação indevida de receitas como alcançadas pela isenção própria da exportação de serviços que represente reingresso de divisas no país; Nestes autos, a Autoridade Fiscal houve por bem proferir o presente Despacho Decisório, denegando o direito da Manifestante à apropriação dos créditos de PIS e COFINS vinculados à receita de exportação de serviços, sob a mesma infundada alegação – e argumentos de caracterização indevida de receitas de prestação de serviços para o exterior; Ante a manifesta conexão dos fatos relatados no presente Despacho Decisório e daqueles constantes do Auto de Infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0710400 2008 005458, impõese a suspensão do julgamento do presente feito até a prolação de decisão definitiva quanto ao mérito do referido Auto de Infração, a fim de evitar que venham a ser proferidas decisões contraditórias; Em 2005, a Manifestante foi autuada sob a alegação de que a incorreta contabilização em contas patrimoniais dos valores recebidos de empresa estrangeira havia ocasionado a redução indevida do faturamento e do lucro real demonstrado nos livros contábeis da Manifestante, anocalendário de 2000; A decisão de 1ª instância reconheceu expressamente a natureza de receita de prestação de serviços para os valores glosados, por considerar que houve prestação de serviços a da Manifestante em beneficio de outras empresas do Grupo Noble domiciliadas no exterior, reconhecendo, inclusive, a dedutibilidade dos custos e despesas incorridos na prestação dos serviços; Em decorrência da decisão de lª instância administrativa, acima mencionada, e a fim de evitar novos questionamentos por parte do Fisco Federal, a Manifestante houve por bem adotar, para os anos seguintes, o tratamento fiscal de tais ingressos determinado pela Autoridade Julgadora, assim, (1) reconstituiu sua escrita contábil para reconhecer tais valores como receita de serviços prestados à empresa sediada no exterior; (2) efetuou as respectivas retificações das declarações e demonstrativos fiscais e (3) providenciou a quitação dos tributos, com recolhimento dos devidos encargos moratórios; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000358/200703 Resolução nº 3401000.561 S3C4T1 Fl. 503 3 Em 27 de agosto do presente ano, a Fiscalização decidiu autuar novamente a Manifestante, alegando que a Manifestante havia indevidamente atribuído natureza de receitas de exportação de serviços, para efeito de PIS e COFINS, aos valores correspondentes aos serviços prestados às empresas do grupo Noble domiciliadas no exterior; (...) Requer o Manifestante: Preliminarmente, seja declarada a suspensão do presente feito até a prolação de decisão definitiva do Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000124/200504 e Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000127/200963. Não acolhida a preliminar requer: 1) Seja declarada a Decadência do direito da autoridade administrativa de indeferir compensação de créditos relativos a períodos anteriores a setembro de 2004; 2) Seja declarado integralmente improcedente o Despacho Decisório, em razão do preenchimento pela Manifestante dos requisitos para o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS relativamente à prestação de serviços para o exterior, homologandose por conseqüência o Pedido de Ressarcimento dos referidos créditos e as subseqüentes Declarações de Compensação dos mesmos. Ao manter o indeferimento do ressarcimento e compensações do presente processo, o acórdão recorrido considerou o seguinte, em relação ao pedido de suspensão do feito: Rejeitase a preliminar. Embora haja sem dúvida relação entre os processos, principalmente com o Processo Administrativo Fiscal n° 15521.000127/200963, nestes autos deve ser discutido apenas pontos que naqueles não foram apreciados. Assim, tendo em conta que naqueles autos já existe decisão desta Delegacia de Julgamento, mais ainda desta Turma, quanto ao contencioso instaurado, à controvérsia quanto ao pedido de reconhecimento de direito creditório, e conseqüentemente da homologação das DCOMP’s, deverá ser apreciada fora dos limites circunscritos pelo referido julgado. Portanto, eventual direito creditório, caso haja, que não tenha sido considerado para fins de apuração da contribuição devida, ou mesmo denegado para o mesmo fim, poderá ser aqui examinado. Enfim, aquilo que já se discute nos processos citados deverá lá encontrar solução final, permanecendo, porém, a parte remanescente, se houver, evitandose dessa forma proferimento de decisões contraditórias, conforme almeja o recorrente com a preliminar suscitada. Concluise que é desnecessário suspender julgamento de contencioso, pelo menos neste grau, pois o processo relacionado já fora devidamente apreciado pela mesma instância de julgamento a que se pede a suspensão. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000358/200703 Resolução nº 3401000.561 S3C4T1 Fl. 504 4 Apesar de julgar a Inconformidade, a DRJ assentou no acórdão recorrido o seguinte, verbis: Havendo recurso voluntário encaminhar estes autos ao CARF com a recomendação de juntada por apensação aos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 15521.000127/200963 para análise conjunta. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na procedência do ressarcimento e compensações respectivas, repisando alegação da Manifestação de Inconformidade e combatendo o acórdão recorrido, arguindo ter havido compensação de ofício efetuada pela DRJ. No item III da peça recursal repete o pedido de suspensão deste processo, para julgamento conjunto com os de nºs 15521.000124/200504 e 15521.000127/200963, o primeiro referente a autuações em períodos anteriores aos trimestres do ressarcimento aqui debatido. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais exigidos pelo Processo Administrativo Fiscal, pelo que o conheço. Todavia, não está em condições de ser julgado por depender do desfecho do processo nº 15521.000127/200963, onde são debatidas as autuações do PIS e da Cofins nos períodos de apuração de 12/2003 a 12/2004. Atualmente o referido processo foi devolvido à origem para diligência, determinada nos termos da Resolução nº 3402000386, de 22/03/2012. Destaco que, já no Despacho Decisório, aquele processo das autuações é considerado, o mesmo acontecendo no acórdão recorrido. Primeiro foram lavrados os dois autos de infração, do PIS e Cofins nos períodos de apuração de 12/2203 a 12/2004, e em seguida o ressarcimento objeto do presente processo foi indeferido levandose em conta o entendimento exposto pela fiscalização nessas autuações. Para evitar julgamentos dissonantes cabe aguardar o fim do litígio em relação às duas autuações, cujo desfecho pode afetar a análise. O mais conveniente, inclusive, é que o julgamento seja conjunto, o que de todo modo só pode ser efetivado após o retorno da diligência decidida no processo nº 15521.000127/200963. Quanto ao processo mais antigo, sob o nº 15521.000124/200504, comporta julgamento independente. Embora relacionado indiretamente ao presente, contempla períodos de apuração mais antigos. Este processo retornou ao CARF em 14/12/2010, após diligência determinada em 16/10/2007, nos termos da Resolução nº 10800468. Pelo exposto, voto por novamente converter o julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no processo 15521.000127/200963, Recurso nº 882236 (de ofício e Voluntário). Após decisão definitiva uma cópia deve ser acostada ao presente, com retorno dos autos a este Colegiado para apreciação. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10725.000358/200703 Resolução nº 3401000.561 S3C4T1 Fl. 505 5 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 510DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11128.006516/2007-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 30/06/2003
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Para reconhecer a nulidade de atos processuais, necessário se faz verificar a presença de alguma das hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235/72.
PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO.
A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.
MULTA POR CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ARTIGO 169, I, B, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
Em virtude da reclassificação fiscal das mercadorias importadas pelo sujeito passivo, a LI originalmente obtida deixou de amparar a operação, razão pela qual é legítima a imposição de sanção pecuniária cuja hipótese consiste, justamente, na importação de bens desacompanhada da correspondente licença.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ARTIGO 84, INCISO I, DA MP NO 2.158-35/01.
Está sujeito à sanção pecuniária prevista pelo artigo 84, inciso I, da MP no 2.158-35/01 o importador que promove a importação de mercadorias estrangeiras sob classificação fiscal que se comprova equivocada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-001.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa do artigo 169, inciso I, b do Decreto-Lei no 37/66.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/06/2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Para reconhecer a nulidade de atos processuais, necessário se faz verificar a presença de alguma das hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO. A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. MULTA POR CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ARTIGO 169, I, B, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. Em virtude da reclassificação fiscal das mercadorias importadas pelo sujeito passivo, a LI originalmente obtida deixou de amparar a operação, razão pela qual é legítima a imposição de sanção pecuniária cuja hipótese consiste, justamente, na importação de bens desacompanhada da correspondente licença. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ARTIGO 84, INCISO I, DA MP NO 2.158-35/01. Está sujeito à sanção pecuniária prevista pelo artigo 84, inciso I, da MP no 2.158-35/01 o importador que promove a importação de mercadorias estrangeiras sob classificação fiscal que se comprova equivocada. Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/06/2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Para reconhecer a nulidade de atos processuais, necessário se faz verificar a presença de alguma das hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO. A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. MULTA POR CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ARTIGO 169, I, “B”, DO DECRETOLEI Nº 37/66. Em virtude da reclassificação fiscal das mercadorias importadas pelo sujeito passivo, a LI originalmente obtida deixou de amparar a operação, razão pela qual é legítima a imposição de sanção pecuniária cuja hipótese consiste, justamente, na importação de bens desacompanhada da correspondente licença. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ARTIGO 84, INCISO I, DA MP NO 2.15835/01. Está sujeito à sanção pecuniária prevista pelo artigo 84, inciso I, da MP no 2.15835/01 o importador que promove a importação de mercadorias estrangeiras sob classificação fiscal que se comprova equivocada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 65 16 /2 00 7- 22 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa do artigo 169, inciso I, “b” do DecretoLei no 37/66. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 3/19) para lançamento do Imposto de Importação – II e de multa aduaneira, esta com fundamento no Decreto nº 4.543/02 e no artigo 84, da MP nº 2.15835/01, em razão de classificação incorreta de mercadorias na NCM, por ocasião de importação. Relata a auditoria que, por meio das adições 1 e 2 da DI n° 03/05167027 (fls. 20/23), foi submetida a despacho aduaneiro a mercadoria denominada "óxido manganoso", classificada pela recorrente na NCM sob a posição no 2820.90.10, para a qual incidia II à alíquota de 11,5% e IPI à alíquota 0%. Para a adição 1, o II foi recolhido normalmente, enquanto para a adição 2, o II estava suspenso por conta da concessão de regime de drawback, sob o nº 156003/0000425. Solicitado exame laboratorial (fls. 26), o laudo técnico n° 1856.01 constatou divergência entre a catalogação feita pela recorrente e o produto analisado, em relação à mercadoria indicada na adição 1. Concluiu o laudo que a substância importada não era “óxido manganoso” e sim “tetraóxido de trimanganês” (óxido salino de manganês). Com fundamento nas conclusões do laudo, a auditoria reclassificou as duas mercadorias, relacionadas nas adições 1 e 2, para a posição no 2820.90.30 da NCM, com alíquotas de II e IPI, respectivamente de 11,5% e 0%. Essa reclassificação redundou, ainda, no afastamento no regime de drawback para o produto da adição 2. Exigese, assim, neste auto de infração, (i) a multa prevista no artigo 84, inciso I, da MP n° 215835/01, tendo em vista a classificação errônea das duas mercadorias; (ii) o II, acrescido de multa de ofício e juros de mora referentes à mercadoria objeto da adição 2 e (iii) a multa prevista no artigo 169, inciso I, “b”, do DecretoLei n° 37/66, uma vez que a NCM correta e a descrição inexata da mercadoria exigem nova LI para ambas as adições da DI em questão. Intimada do auto de infração (fls. 60), a recorrente o impugnou (fls. 61/78), alegando, em síntese, que: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11128.006516/200722 Acórdão n.º 3403001.905 S3C4T3 Fl. 8 3 (a) o laudo técnico é suscetível de erro, pelo que seria necessária uma contraprova pericial; (b) o óxido de manganês, matériaprima utilizada para a fabricação dos produtos vendidos pela recorrente, deve conter teor de manganês entre 70,5 e 72% e nenhum dos óxidos estáveis existentes possui tal concentração; (c) assim, o fornecedor da recorrente procede a uma mistura de dois óxidos de manganês – o MnO (óxido manganoso) e o Mn2O3 (trióxido de dimanganês), do que resulta uma substância, de composição instável, que não corresponde a nenhum óxido puro; (d) a matériaprima importada, a depender da concentração de manganês na sua composição, pode se assemelhar ao Mn2O3 ou ao Mn3O4, o que se comprova pelo fato de que o laudo técnico asseverou que o teor de Mn3O4 encontrado é de 96,6% e não 100%, como seria se fosse um óxido puro; (e) em razão da mistura de óxidos, a mercadoria importada não se identifica com nenhum óxido puro, de modo que se questiona qual seria a classificação correta para a mercadoria decorrente dessa mistura de óxidos de manganês; (f) não há, portanto, como exigir da recorrente que saiba qual a concentração de manganês da mercadoria, a fim de classificála em um dos três óxidos existentes na NCM; (g) a melhor classificação parece ser aquela que mantém vínculo com componente original da mercadoria, qual seja, o MnO (óxido manganoso), de forma que é correto classificála no código NCM no 2820.90.10; (h) uma solução intermediária seria reclassificála para a posição NCM no 2820.90.20, referente ao Mn2O3, o que implicaria nulidade da exigência; (i) quanto às multas por erro no preenchimento da LI e por classificação incorreta, o código NCM eleito decorreu de equívoco cometido pelo fornecedor da mercadoria, uma vez que a recorrente não poderia saber, a priori, o teor de manganês, pelo fato de não se tratar de um óxido puro; e (j) quanto à multa de oficio, esta seria indevida, uma vez que a operação estava legalmente amparada pelo regime do drawbackisenção. Em 11.08.2011, a DRJ/São PauloSP desproveu a impugnação (fls. 281/292), aduzindo que (i) está correta a classificação fiscal adotada pela autuante, conforme comprovam inclusive as informações do próprio exportador da mercadoria, (ii) a boafé não afasta a responsabilidade pelas infrações tributárias, (iii) não é aplicável o regime de drawbackisenção, uma vez que o ato concessório respectivo não é válido para a mercadoria efetivamente importada e (iv) são legais todas as multas aplicadas à recorrente, pois possuem fundamento legal. Devidamente intimada, a recorrente apresenta voluntário (fls. 298/324), requerendo nulidade do acórdão da DRJ em razão da ausência de enfrentamento de todos os seus argumentos e sustentando que ofendeu o princípio da legalidade a aplicação da multa ao controle administrativo das importações (art. 169, I, b, do DecretoLei nº 37/66). No mais, reitera os fundamentos presentes na impugnação. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. Para a melhor compreensão do voto, necessário se faz dividilo em capítulos. Iniciemos, assim, pela análise de eventuais nulidades do acórdão da DRJ para, em seguida, verificar o mérito da autuação. 1. Nulidade. A recorrente sustenta ser nulo o r. acórdão proferido pela DRJ de origem, uma vez que esta teria se furtado da análise de todos os argumentos presentes na impugnação. O CARF possui jurisprudência, há muito sedimentada, de que não é necessário o enfrentamento de todos os argumentos trazidos pelo recorrente, desde que a respectiva decisão esteja apoiada em sólidos e consistentes fundamentos, aptos a determinar o resultado do julgamento. Nesse sentido, colaciono abaixo os seguintes precedentes deste Colegiado: “(...) NULIDADE. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não viola o devido processo legal, tampouco nega prestação jurisdicional em âmbito administrativo, a decisão de 1ª instância que, mesmo sem haver enfrentado individualmente todos os argumentos trazidos pelo impugnante, tenha adotado fundamentação robusta e suficiente para decidir, de modo integral e a contento, a controvérsia posta à sua apreciação, não se podendo cogitar de sua nulidade. (...) (CARF, 2ª Seção., 3ª Câmara, RV nº 260.638, acórdão nº 2302001.057, j. em 12.05.2011)” “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPFExercício: 2001, 2002, 2003NULIDADE. DESNECESSIDADE DA AUTORIDADE JULGADORA APRECIAR TODOS OS ARGUMENTOS DO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE APENAS DE FUNDAMENTAR SUA DECISÃO. A autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todas as argumentações do contribuinte, mas deve fundamentar sua decisão. E, no caso em debate nestes autos, a autoridade julgadora a quo lançou os motivos jurídicos que levaram a indeferir a dedução das despesas médicas a partir de serviços prestados ao fiscalizado por seu cônjuge. (...) (CARF, 2ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma, RV nº 170.737, acórdão nº 2102001.214, j. em 13.04.2011)” Fl. 346DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11128.006516/200722 Acórdão n.º 3403001.905 S3C4T3 Fl. 9 5 Portanto, por estar bem fundamentado o acórdão da DRJ, não vejo razões suficientes para reconhecer a nulidade pleiteada, motivo pelo qual passo à análise do mérito recursal. 2. Mérito – DI n° 03/05167027 (Adições 1 e 2) Conforme exposto no relatório, após solicitação do exame laboratorial (fls. 26) e da elaboração do laudo técnico n° 1856.01 (fls. 31), foi constatado que as mercadorias indicadas na DI n° 03/05167027 (fls. 20/23) não eram “óxido manganoso” e sim “tetraóxido de trimanganês” (óxido salino de manganês), pelo que se permitiu reclassificálas para a posição NCM no 2820.90.30. Conforme apontado no relatório, para a Adição 1, foram lançadas apenas as multas por "controle administrativo das importações" e "proporcional ao valor aduaneiro", não tendo sido lançado o imposto de importação e seus consectários legais, uma vez que este foi integralmente recolhido quando do registro da referida DI. Para a Adição 2, contudo, que estava amparada pelo regime de drawback isenção, a reclassificação fiscal da mercadoria implicou lançamento das referidas multas, bem como do imposto de importação e de seus consectários legais. Pois bem. A recorrente elabora longo arrazoado técnico sobre as propriedades do manganês, porém não requer a realização de perícia técnica. A juntada da Nota Técnica de fls. 90/92, que se propõe a demonstrar que o termo genérico "óxido manganoso" (TIPI 2820.9010) seria também adequado para a substância "tetraóxido de trimanganês" (TIPI 2820.9030), não supre tal omissão. Consta das normas gerais de interpretação da TIPI (regra 3.a), aliás, que o código mais específico prevalecerá sobre o mais genérico, de modo que, havendo classificação específica para o "tetraóxido de trimanganês" (TIPI 2820.9030), esta deve ser aplicável. O único elemento probatório, constante dos autos, é o laudo técnico de fls. 31, contrário aos interesses da recorrente, pois desconstituiu a classificação por ela indicada, atestando se tratar de produto semelhante, porém diverso. Caso quisesse, poderia ter solicitado, por exemplo, a elaboração de laudo independente ou de perícia técnica e têlos trazidos a estes autos, conferindo maior suporte às suas alegações. Esta omissão torna aplicável o artigo 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72 ao caso concreto, in verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)" Reforça ainda mais a reclassificação adotada pela autoridade lançadora o fato de que a fatura comercial emitida pela empresa exportadora e a própria embalagem do produto indicam a fórmula química do tetraóxido de trimanganês (Mn3O4) – diferentemente do Fl. 347DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 produto descrito pela recorrente, qual seja, o óxido de manganês (MnO). Apesar de semelhantes, são diferentes e, por isso, possuem classificações fiscais também distintas. Não há como negar, portanto, que as mercadorias indicadas nas adições 1 e 2 sejam, de fato, o tetraóxido de trimanganês, de modo que se confirma o erro cometido pela recorrente, bem como a reclassificação fiscal adotada pelo fiscalização aduaneira. Ratificase, assim, também a constituição do crédito tributário referente ao Imposto de Importação e seus consectários legais. A recorrente tenta, ainda, demonstrar que o laudo técnico de fls. 31 não poderia ter seus efeitos estendidos para a Adição 2, uma vez que se referiu, exclusivamente, à Adição 1. O argumento, contudo, também não deverá prosperar à medida em que se trata de mercadorias idênticas, fato que não é obstado pela recorrente. A elaboração de um laudo para cada adição de uma determinada DI apenas se justifica quando as mercadorias são diferentes, o que não ocorre no caso concreto e que não foi objeto de oposição por parte da recorrente. De acordo com as normas aduaneiras, a adição a uma DI é obrigatória e nela serão explicitadas as informações específicas de cada mercadoria, tais como quantidade, peso, tipo, marca, classificação fiscal e regime de tributação. Este último aspecto, por sua vez, foi decisivo para justificar a presença de duas adições nesta DI, uma vez que o regime de tributação foi distinto para cada uma delas, pois numa delas houve aplicação do "drawback isenção". Portanto, em se tratando de mercadorias idênticas, como no caso concreto, a elaboração de um laudo técnico influenciará e determinará a classificação fiscal adotada para ambas as adições. Com relação às sanções pecuniárias em razão da errônea classificação fiscal, a recorrente foi penalizada com a "multa do controle administrativo das importações", cujo fundamento legal se encontraria no artigo 169, I, "b", do Decretolei n° 37/66 e com a "multa proporcional ao valor aduaneiro", cujo fundamento legal estaria no artigo 84, I, da MP n° 2.15835/01. Eis as referidas disposições legais: "Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria." "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou" Especificamente para a multa de controle administrativo das importações, alega a recorrente que "a importação de determinada mercadoria com guia de importação Fl. 348DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11128.006516/200722 Acórdão n.º 3403001.905 S3C4T3 Fl. 10 7 equivocadamente preenchida não equivale a importação de mercadoria sem guia de importação." O argumento, a meu ver, não procede. É que, reclassificada a mercadoria para outra posição na NCM, a LI (automática ou não) obtida originalmente já não ampara a importação. Daí porque, em nenhuma impropriedade incorre a auditoria ao subsumir a hipótese ao tipo que descreve infração consistente na importação de bens desamparada da respectiva licença. Quanto à segunda multa, aquela proporcional ao valor aduaneiro, prevista no artigo 84, I, da MP n° 2.15835/01, a solução não difere. Não obstante a recorrente tenha demonstrado esforço em atestar que a classificação fiscal da mercadoria por ela importada estaria correta, não há qualquer elemento probatório que confirme esta conclusão, incidindo, como visto, o artigo 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 349DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 11516.001203/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVACAO DE PAGAMENTO
É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado.
CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Numero da decisão: 3803-003.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVACAO DE PAGAMENTO É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVACAO DE PAGAMENTO É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 03 /2 00 9- 76 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP nº 9943.92613.310306.1.1.098660, fls. 2/10, através do qual a contribuinte requer a compensação de credito da COFINS nãoCumulativa Exportação, relativo ao 4º trimestre de 2004, com débitos de IRPJ e CSLL de período de apuração Fevereiro de 2008, no valor de R$ 48.084,82. Após o recebimento do PER/DCOMP foi aberto Termo de Verificação Fiscal pela DRF em Florianópolis, fls. 15/19, através do qual solicita documentos que entende necessários para a avaliação fiscal e contábil do pedido. Com base na documentação apresentada em atendimento ao solicitado pela DRF, foi gerado o Despacho Decisório, fls. 87/96, que reconhece parcialmente o crédito no valor de R$ 32.272,45, glosando valores de aluguel pagos a pessoa física e outros valores não respaldados por notas fiscais de entrada. Irresignada a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade a DRJ em Florianópolis onde alega, em síntese, que: a. Ouve equivoco na conclusão da autoridade fiscal pertinente aos alugueis pagos, haja vista que foram feitos a pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. b. A base de cálculo de créditos para fins de compensação/ressarcimento, referemse ao contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado. c. Sendo assim, merecia ser revista a decisão neste particular, para reconhecer um direito creditório adicional de R$1.203,36. d. Anexa contrato de locação e seus aditivos. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Demonstrou que o valor questionado é de R$ 1.203,36, e o valor glosado de R$ 15.812,37, considerou, portanto, o valor de R$ 12.678,13 incontroverso. Fundamentou sua decisão na falta de notas fiscais que comprovassem o valor gasto com alugueis pagos a pessoa jurídica. Em analise do contrato de locação verificou que apenas após o aditivo nº 01, que a empresa citada passa a ser locadora do imóvel. Ratificou que a contribuinte foi intimada a apresentar as notas fiscais pela DRF de origem. Inconformado o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntario a esta turma julgadora onde argumenta que a exigência de notas fiscais relativas a alugueis é ilegal, pois condiciona o direito ao credito a produção de prova documental inexigível por lei. Ao final pede o deferimento da compensação postulada na origem. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001203/200976 Acórdão n.º 3803003.604 S3TE03 Fl. 11 3 O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte apresentou PER/DCOMP no valor de R$ 32.272,45, que foi homologado parcialmente, tendo sido glosados R$ 15.812,37. Em Manifestação de inconformidade o sujeito passivo questiona apenas o valor de R$ 1.203,36, restando o valor de R$ 12.678,13 incontroverso. O valor glosado referese a despesas com aluguel alegadamente pagas a pessoa jurídica, com isso, firmamos o limite da demanda, exclusivamente, na glosa no valor de R$ 1.203,36. No Recurso Voluntario a contribuinte contesta tão somente a inexigibilidade de Notas Fiscais para comprovar despesas de aluguel. Em analise dos contratos verificamos que os aluguéis passaram a ser pagos a pessoa jurídica após o aditivo nº 01, e que os valores passiveis de serem ressarcidos carecem de provas, pois, a contribuinte anexa para sua defesa apenas declarações (DACON e DCTF), planilha de calculo de PIS/COFINS e contrato de locação. A inexigibilidade de Notas Fiscais de pagamentos de aluguel, não exime a contribuinte de arrolar comprovantes dos valores pagos. A obrigatoriedade de emissão de documento que comprove o pagamento de aluguel (nota fiscal, recibo ou equivalente), está fundamentada na alínea “a”, parágrafo 1o, art. 1o da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994: “Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. 1º O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; ”Grifamos. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No direito tributário cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. A Contribuinte não anexou documentos suficientes a comprovar o efetivo pagamento dos aluguéis, quer seja através de recibos ou documento equivalente, com isso a liquidez e certeza do credito requerido ficou prejudicada. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012253/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea s, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 53 /2 00 8- 98 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 613 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PROLOGI CONSULTORIA E LOGÍSTICA LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.157.0565, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias destinadas a terceiros e incidentes sobre os valores pagos aos seus segurados empregados a título de locação de veículos. Consta do relatório fiscal que foi apurada a existência de conta denominada LOCAÇÃO DE VEÍCULOS na contabilidade. Diante de tal fato, requeridos os esclarecimentos sobre os pagamentos efetuados, a recorrente apresentou à fiscalização extratos bancários e contratos de locação de veículos firmados com os seus segurados empregados. Ao que se depreende das ponderações do fiscal autuante os segurados empregados, proprietários dos veículos, eram os locadores dos veículos à recorrente, tida como locatária. Sobre a natureza dos contratos de locação, assim constou do relatório fiscal da infração: [..]Foi constatado que, apesar de o veiculo ficar em poder do empregado da empresa, não foi apresentada documentação que comprove uma prestação de contas, um controle da quantidade de quilômetros rodados por cada veiculo. A inexistência de documentação que discrimine as despesas realizadas pelos empregados com os veículos locados faz concluir que a auditada não tem controle sobre o uso da coisa por ela locada. Pode o empregado utilizarse do veiculo do modo que lhe convier, tanto para a execução do trabalho como para o seu uso pessoal. 9. 0 valor mensal acordado pela locação entre a auditada (locatária) e o empregado, na condição de suposto locador, 6, em média, equivalente a 59% do valor do salário mensal do trabalhador. [...] 11. Devese ressaltar que a utilização de contratos de locação de veículos não aconteceu de forma esporádica e nem tampouco em casos isolados. Ao longo do ano de 2004, a auditada firmou contratos de locação de veículos com 53 de seus 140 empregados (média do ano), contratos esses que chegaram a um montante total de R$ 183.480,13 (cento e oitenta e três mil, quatrocentos e oitenta reais e treze centavos) no ano de 2004. 12. Vale mencionar que a periodicidade inicial de cada contrato de locação era de um ano, ficando comprovado, dessa forma, a habitualidade dos ganhos por parte do empregado, e que esses contratos poderiam ser renovados sistematicamente enquanto durasse o contrato de trabalho do empregado. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 4 13. Ressaltamos que, o fato de a empresa denominar as parcelas pagas como parcelas do contrato de locação não modifica sua natureza jurídica de remuneração, visto que tal valor acresceu o patrimônio do empregado, tendo sido concedido como um plus na sua remuneração em decorrência do vinculo laboral. [...] 18. Para que o ressarcimento de despesas pelo uso do veiculo se exclua do campo de incidência da contribuição previdenciária, fazse necessário que haja a comprovação de que o pagamento não se reverteu em prol do empregado, mas que representou apenas o reembolso de uma despesa tida como condição imprescindível para a execução do serviço. Caso contrário, o pagamento se situa no caso geral estabelecido pelo artigo 28, I da Lei n° 8.212/91. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 23/07/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 586/590), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que executa a prestação dos serviços em diversos entes de nossa Federação, necessitando que seus empregados realizassem deslocamentos constantes aos locais efetivos da execução dos serviços contratados, motivo pelo qual necessitavam ter à sua disposição veículos a fim de executarem os serviços prestados pela recorrente; 2. que tal fato, contudo, não era, e nunca foi impeditivo à contratação dos empregados. Mas, com fim de cumprir a prestação dos serviços, sempre foi imprescindível a utilização de automóveis (próprios ou não) pelos seus colaboradores; 3. que no período auditado (janeiro de 2004 a dezembro de 2004), conforme contratos juntados, não havia uma única modalidade de locação de yeículos, mas, no mínimo três. 1) locação de empresas especializadas; 2) locação de terceiros pessoas físicas e 3) locação dos próprios funcionários; 4. que nos contratos com empresas especializadas em locação de veículos, os valores praticados eram muito maiores do que os acordados com os empregados que locavam seus veículos à empresa; 5. que na segunda modalidade de locação (terceiros) o pagamento da verba relativa ao aluguel era repassada a terceiros, e não aos seus segurados empregados, o que não permite a sua caracterização como salário; 6. que caso os empregados não possuíssem veículo próprio e o quisessem locar à recorrente, esta disponibilizava ao Fl. 660DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 614 5 mesmo outros veículos ( locados de empresas especializadas ou terceiros pessoas físicas) para que então pudesse exercer suas atividades; 7. que a locação de veículos de empregados era prática excepcional e foi elevada no ano de 2004 em razão das necessidade dos clientes da recorrente; 8. que muitos dos funcionários que constaram no anexo do Auto de Infração não laboraram durante todo o ano na empresa, tendo sido rescindidos os seus contratos de locação; 9. que havia, em alguns contratos, o adicional por quilometro rodado, vez que, existiam funcionários que realizavam um percurso mais extenso para exercer suas atividades laborais. Tal medida se tornava necessária, com o fim de ressarcir o desgaste e a depreciação extra que o veiculo sofria. Este Complemento, por assim dizer, foi estipulado quando o deslocamento superasse os 2.000 km/mês, o que demonstra a preocupação da Recorrente em apenas ressarcir as despesas em virtude de maior desgaste do automóvel utilizado; 10. que os valores pagos eram efetivamente indenizatórios das despesas incorridas com os veículos, não podendo, portanto, estarem sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias; 11. que a cláusula 3.2 dos contratos previam que o valor da locação determinava estarem nele englobados todas as despesas de pedágios, combustível, impostos, licenciamentos, manutenção preventiva, estacionamentos, multas, etc.; 12. cita doutrina e jurisprudência no sentido de que o aluguel de veículos de empregados não pode ser considerado como salário de contribuição; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, cumprenos saber se os valores da locação de veículos dos empregados da recorrente pode ou não ser considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Da análise do relatório fiscal percebese que a recorrente efetuava a locação de veículos de seus empregados, mediante contrato de locação, para que estes pudessem vir a exercer suas funções, que exigiam deslocamento a outras unidades da federação, além dos deslocamentos dentro da própria unidade. A fiscalização, ao analisar os contratos, percebeu que estes deveriam ser considerados como efetivo salário uma vez que a recorrente não demonstrou que os valores pagos eram decorrentes de ressarcimento de despesas incorridas com os veículos locados, motivo pelo qual estaria descumprido aquilo o que preconizado pelo art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, a seguir: " § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; " (grifei) Este foi o fundamento da autuação levada a efeito, qual seja, a ausência de discriminação das despesas incorridas com o veículo. Ressaltese que em momento algum a fiscalização defendeu que o veículo locado não era utilizado pelos empregados para o trabalho, mas apenas que também poderia ser utilizado de forma pessoal, situação, a meu ver, absolutamente normal e lógica, uma vez que o mesmo é o proprietário do veículo. Por sua vez, os contratos de locação foram entabulados consideradas, dentre outras algumas cláusulas que devem ser consideradas para o desate da demanda, que a seguir trasncrevo: OBJETO Fl. 662DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 615 7 0 presente contrato tem por objeto a locação do veiculo FIAT UNO MILLE, 1991 placa KNF5734, que será utilizado por Adão Diniz Alves Madruga, para transporte de pessoas e materiais necessários aos serviços da LOCATÁRIA. VALOR 2.1. 0 valor completo da locação é de R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) por mês de uso efetivo do veiculo; 2.2. Este valor engloba todas as despesas com impostos, licenciamento, seguros, manutenções preventivas ou corretivas e abastecimento do veiculo, bem como toda e qualquer outra despesa oriunda do uso do veiculo, tais como estacionamentos, pedágios, multas, etc.; 2.3. Quando ocorrer do veiculo ficar parado para manutenção, reparo ou qualquer outro motivo não imputável à LOCATÁRIA, os dias relativos a este período serão descontados proporcionalmente no valor mensal da locação; PAGAMENTOS 3.1. Os pagamentos serão efetuados até o quinto dia útil do mês subseqüente ao do aluguel, segundo dados apurados no Relatório Mensal de Veículos de que trata o item 7.4. 0 atraso na entrega do relatório acarretará atraso no pagamento na mesma quantidade de dias. 6. DAS OBRIGAÇÕES DO LOCADOR. 6.2. Responsabilizarse inteiramente pela manutenção dos veículos objeto da locação, arcando com as despesas de combustíveis, lubrificantes, pneus, seguros, licenciamentos, estacionamentos, pedágios, etc., assumindo também, todo o Onus por quaisquer danos por eles provocados, inclusive a terceiros, durante o período de locação, responsabilizandose, ainda, por todos os impostos e taxas correspondentes; 6.3. Afixar nas portas dos veículos objeto da locação os adesivos fornecidos pela LOCATÁRIA; 6.4. Preencher mensalmente o Relatório Mensal de Veículos, encaminhandoo ao gerente deste contrato, definido no item 5, no máximo até o primeiro dia útil do mês subseqüente ao da locação; Pois bem, o contrato em conjunto com o objeto social da recorrente de fato retrata que os veículos locados eram necessários para a execução de serviços habituais. Além disso, verificase que o valor da locação fixado entre as partes já englobava todas as despesas de manutenção, gastos com combustível dentre outros, sendo pagos no mês subseqüente ao do aluguel incorrido. Ou seja, desta forma, independentemente do valor das despesas relativas ao veículo incorridas no mês de maio, por exemplo, somente em junho é que o empregado, no caso locador, as recebia, no limite máximo de R$ 550,00 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 8 (quinhentos e cinqüenta reais) por mês. Logo, em sendo recebidas somente no mês posterior ao aluguel dos veículos, não hã de se falar em qualquer adiantamento de valores pagos. Todavia, o mesmo raciocínio pode ser levado a efeito no caso do empregado ter incorrido em poucas despesas num mês, que nem mesmo alcancem o valor de R$ 550,00 (quinhentos e cinqüenta reais). O ponto interessante a ser considerado é o de que o empregado parece assumir um risco de incorrer em mais ou menos despesas do que aquelas que efetivamente pré determinou com a empresa locatária, pois, em momento algum, o relatório fiscal da infração apontou que em caso de haverem despesas superiores ao valor da locação estas seriam reembolsadas ao locador (empregado). Além disso, o contrato firmado entre as partes determina expressamente que o veículo locado deve ser mantido à disposição da Locatária, quem pode, inclusive, levar a efeito vistorias e reprovar o uso do veículo, rescindindo a locação. Exige, ainda, do locador, o preenchimento de um relatório mensal de veículos, que fez juntar ao presente processo, no qual se verifica que são registrados horários de saída do veículo, chegada, destino e quilometragem rodada. Tais elementos, a meu ver demonstram que ao contrário do que apurou a fiscalização, que a recorrente fiscalizava a execução do contrato, logo, a coisa por ela locada. Ainda entendo que a locação de um veículo, por si só, já enseja uma série de despesas, relativas a manutenção do veículo, em especial as relativas ao combustível gasto. Ora, para que o veículo seja utilizado, o combustível será obrigatoriamente gasto, não há outra saída. E se de fato é o locador (empregado) que vai ter que desembolsar referida quantia para locomoverse durante um mês e recebêlo no mês seguinte, é obvio que está sendo ressarcido de referido valor, pois foi obrigado a ter diminuição patrimonial prévia. O contrato é claro em determinar ao empregado (locador) a assunção das despesas com combustível, por exemplo, situação que a meu ver desobrigaria a necessidade da apresentação da comprovação de gastos, pois estes são obviamente inerentes ao uso da coisa. Ademais, não existem nos autos, elementos que me conduzam à conclusão de se trate no presente caso de uma vantagem concedida pela empresa ao seu empregado, locador do veículo, com o intuito de disfarçar verba salarial concedida, mas sim que se trata efetivamente de um contrato de locação de veículo necessário à execução dos serviços prestados pela recorrente. Ademais, constam dos autos, contrato de locação de veículos também com empresas especializadas no assunto, o que efetivamente reforça a necessidade de que tal providência é efetivamente necessária. Não vejo que os valores pagos a título de aluguel, no presente caso, possam ser considerados como forma de remuneração do empregado, ou mesmo que a utilização do veículo pelo mesmo, de forma, pessoal, também possa refletir referida conclusão. O que exsurge da situação, a meu ver, é situação totalmente diferente, que diante das provas carreadas aos autos enseja uma típica relação de locação e não de concessão de benefício em favor do empregado ou mesmo de situação que necessite da comprovação de gastos incorridos com o veículo, para que tal não se caracterize como salário. Não se trata de caso em que o empregado exerce suas funções em seu veículo e depois vai requerer o ressarcimento da recorrente, mas sim de situação em que o empregado Fl. 664DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 616 9 já colocou à disposição da empresa o seu veículo (bem), via contrato de locação, para que possam ser exercidas as atividades da recorrente. Ao perceber uma contraprestação futura por tal situação, assumindo o risco de efetivamente ter que despender gastos maiores do que o valor que receberia pela locação, não vejo como entender que referida relação possa ser caracterizada como uma contraprestação relativa ao serviços por si prestados. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002950/2005-81
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado.
SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Airton Ferreira, OAB/SP 156.464.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 29 50 /2 00 5- 81 Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Airton Ferreira, OAB/SP 156.464. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 257/262, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.394.296,12, calculados até 30/11/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com aplicação de multa de 75% e da multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal atribuiu ao autuado a movimentação financeira de titularidade do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini, em função da existência de processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas e de investigação da Polícia Federal. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Inicia protestando contra a inclusão no lançamento de movimentação financeira de titularidade de terceiro por representar um ato açodado e destituído de provas, uma vez que os elementos apontados pela Polícia Federal constituem indícios frágeis e insuficientes para referendar decisão tão grave. Insiste que os recursos transitados em sua conta foram justificados pelo Parecer Técnico que apresentou. Afirma que irá demonstrar também que o lançamento está baseado em provas ilícitas. Argumenta que atribuição da titularidade da conta do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Neto Marchesini à sua pessoa já havia sido Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 3 3 feita em relação ao lançamento do ano de 1998 e que já havia refutado tal fato. O único indício apresentado pelo fisco para tal consideração foi o fato de o Sr. Eloy ser funcionário do impugnante trabalhando num estacionamento de sua propriedade. No entanto, afirma que não é proprietário do estacionamento, mas que alugou o terreno a Raul Carneiro de Araújo, firma individual, que é verdadeiramente quem explora o negócio. Segundo entende, esse fato afasta o único indício que amparava a atribuição ao impugnante da movimentação financeira do Sr. Eloy. Chama a atenção para o fato de uma acusação de interposição de pessoa, por sua gravidade, dever ser lastreada em provas consistentes e irrefutáveis, o que não teria ocorrido no caso presente. Entende que os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que a justiça havia determinado a quebra do sigilo apenas para a Delegacia da Polícia Federal e não para a Receita Federal. Mesmo que se pretendesse justificar a aquisição dos extratos com base na LC 105/2001 e Decreto 3.724/2001 haveria o óbice da irretroatividade, uma vez que os extratos dos autos referemse ao anocalendário 2000. Ademais, os requisitos exigidos pelo Decreto 3.724/2001 não estariam preenchidos no presente caso. Acrescenta que o sigilo bancário está ungido pela reserva de jurisdição, o que significa que o alcance dessas informações só pode ser autorizado pelo Poder Judiciário. Sustenta a impossibilidade de aplicação retroativa da LC 105/2001 e da correlata lei 10.174/01 com fundamento no inciso XXXVI do art. 5º da CF e no art. 144 do CTN. Acrescenta que o §1º do art. 144 do CTN não pode ser levantado como suporte para assegurar a retroação da LC 105/2001 e da Lei 10.174/2001 que a regulamenta, pois o parágrafo primeiro do CTN só tem aplicação quando livre o campo para sua influência, o que não se observa no caso concreto, já que esse campo estava bloqueado pela regra do § 3º do art.11 da Lei 9/311/96. Prossegue com o argumento de que teria ocorrido nulidade por erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador, uma vez que o lançamento considerou apenas um único fato gerador ao final de cada anocalendário enquanto o art. 42 da Lei 9.430/96 determina a apuração mensal. Ressalta que a rigidez e o formalismo do lançamento tributário não admitem sejam feitas considerações que o lançamento mensal seria mais gravoso para o contribuinte. Se a lei prevê o lançamento de doze fatos geradores, assim deve ser feito sob pena de nulidade insanável do Auto de Infração. Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A incindibilidade da obrigação tributária é o argumento apresentado para suscitar a nulidade do lançamento por terem sido lançadas duas multas de ofício: uma de 75% e outra de 150%. Considera ter ocorrido a decadência do direito do fisco fazer o lançamento com relação a alguns fatos geradores do ano de 2000. Como o lançamento devia ter sido feito mensalmente, os rendimentos supostamente omitidos de janeiro a novembro de 2000 estariam atingidos pela decadência. Insurgese, então, contra a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 com fundamento em ofensa ao art. 43 do CTN e na existência da Súmula 182 do TFR. Sobre a origem dos recursos referentes aos depósitos bancários afirma que o Parecer Técnico apresentado comprovou que os depósitos questionados têm origem no exercício da atividade econômica de Factoring. A própria Delegada da Polícia Federal teria justificado o pedido de quebra de sigilo bancário afirmando que o impugnante exercia atividade econômica no âmbito das transações com moedas estrangeiras. Se tal afirmação foi decisiva na autorização judicial para quebra do sigilo bancário, deve representar prova préconstituída da existência de atividade econômica vinculada aos depósitos bancários de modo a ratificar as conclusões do Laudo Técnico. Estranha o fato de as sobras de recursos de um mês não terem sido utilizadas no mês subseqüente, trazendo à colação jurisprudência administrativa em seu favor sobre o assunto. A multa de 150% teria sido aplicada erroneamente, pois a interposição de pessoa não ficou demonstrada. Ademais, tendo sido o lançamento feito com base em presunção legal, a cominação da multa de 150% exigiria a produção de prova direta de conduta tida como ilícita. A aplicação da Taxa Selic seria imprópria conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Por derradeiro, protesta pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício. A 3a Turma da DRJ São Paulo/SPOII proferiu Acórdão nº 1717.898, mantendo integralmente o lançamento, conforme se extrai das ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DADOS FORNECIDOS PELO PODER JUDICIÁRIO. INAPLICABILIDADE DA LC 105/2001. Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 4 5 Quando os dados sobre a movimentação bancária do contribuinte são recebidos pela SRF por meio de determinação judicial não há que se falar em aplicação da LC 105/2001. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art.144, § 1º do CTN). ART. 142, §2º DO CTN. REFERIBILIDADE AO CAPUT DO MESMO ARTIGO. INAFASTABILIDADE DA APLICAÇÃO DO ART. 144, §1º DO CTN PARA IMPOSTOS LANÇADOS POR PERÍODOS CERTOS DE TEMPO. O § 2º do art. 144 do C.T.N. dispõe que, em relação aos impostos lançados por períodos certos de tempo, a lei poderá fixar expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. No entanto, quanto aos aspectos meramente formais ou procedimentais, segundo o § 1º do mesmo artigo 144 do C.T.N., aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR ANUAL O fato de a legislação definir que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira define a sistemática de apuração da base de cálculo mês a mês, que a exemplo do acréscimo patrimonial a descoberto submetese à tributação a ser realizada mediante a tabela progressiva anual. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA Na presença de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus da prova de que os depósitos bancários apontados no lançamento referemse ao exercício de atividade que se equipara à atividade de Factoring. A simples apresentação de laudo sem que este esteja amparado em documentos, não constitui prova hábil e idônea para suportar a tese de que exercia atividade similar à empresarial. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72, da Lei 4.500/64 elenca como caracterizadores da fraude , ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Na presença de prova de interposição de pessoa como titular de conta corrente, fica caracterizado o evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, Roberto Moutran apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em questão foi incluindo em pauta no dia 16 de dezembro de 2008 e na ocasião a antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Assim sendo, deverá o processo ser baixado em diligência para que se junte cópia integral: i do processo judicial em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, ou sentença judicial (se houver); ii do inquérito policial; iii da ficha cadastral e procuração (se houver) do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini na instituição bancária; iv outros elementos capazes de conferir certeza à interposição de pessoa. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar. Concluída a diligência, foram extraídas cópias integrais dos seguintes documentos: Processo nº 2000.61.05.0022480 Processo nº 2001.61.05.0057758 Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 5 7 Processo nº 2001.61.05.0104451 Processo nº 2003.61.05.0030609 Processo nº 2003.61.05.0098680 IPL 9078398 (Processo n° 98.06121740) É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2000. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira diz respeito à decadência mensal do imposto e a segunda referese à ilegalidade na quebra do sigilo bancário, especialmente em relação à irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001. Quanto ao momento do fato gerador, atinente a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou Súmula. Tratase da Súmula CARF nº 38, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim sendo, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2000 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Neste sentido, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2001 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2005. Como a ciência do lançamento ocorreu em 26 de dezembro de 2005, o crédito tributário constituído pelo lançamento ainda não havia sido atingido pela decadência. No que tange a arguição de ilegalidade na quebra de sigilo bancário, sobretudo em relação à aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001, este Órgão Administrativo já se posicionou, conforme se verifica da leitura da Súmula CARF nº 35: Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 O art. 11, § 3º, da Lei Nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei Nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Com efeito, o efetivo afastamento do sigilo bancário ocorreu em função da autorização judicial proferida pelo Meritíssimo Juiz Dr. Nelson Bernardes de Souza, conforme Oficio n° 2095/2002 (fl. 297), acompanhado da decisão proferida nos autos do processo 2001.16.05.0022480 (fls. 298/302). Destarte, estéril os argumentos suscitados pela defesa para anular a exigência. Em relação ao mérito, a principal controvérsia reside no fato de a autoridade fiscal ter incluindo no lançamento movimentação bancária de titularidade de terceiro. A conclusão de tal fato decorreu do processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal em Campinas que tem em seus autos toda a investigação da Polícia Federal, a qual, em tese, teria concluído que o recorrente era o beneficiário da movimentação bancária feita em nome do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. De acordo com a autoridade autuante várias são as evidências probatórias sobre a existência de interposta pessoa, cuja conta bancária o recorrente efetuava movimentações financeiras de suas operações. Neste mesmo sentido, foi a conclusão que chegou os membros da 3a Turma da DRJ São Paulo/SPOII, no momento em que considerou procedente o lançamento em função da existência de processo na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas; por não ter o Sr. Eloy apresentado declaração de rendimentos e pelo fato de trabalhar em um estacionamento que funciona no terreno de propriedade do contribuinte. Por outro lado, o recorrente alega ilegitimidade passiva, pois segundo argumenta, no citado inquérito policial não há elementos concretos para a transferência de titularidade da conta bancária. Pois bem, em que pese as várias evidências de utilização fraudulenta da conta bancária do Sr. Eloy pelo recorrente, não se pode perder de vista o fundamento legal insculpido no § 5° do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (grifei) Nas situações em que se comprove ser a conta corrente movimentada por terceiro e não aquele cujo nome aparece como titular, se está diante da possibilidade de tributar o terceiro, na condição de interposta pessoa. Assim sendo, compulsandose os inúmeros documentos juntados por ocasião da diligência, verifico, pois, que não foram trazidos aos autos qualquer elemento novo que Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 6 9 pudesse conferir certeza à interposição de pessoas. Por meio da análise de cerca de 2.000 páginas verifico que os únicos indícios apurados foram os mesmos considerados pela autoridade fiscal no momento da lavratura do lançamento, qual seja, que o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini apresentou declarações de isento para o período fiscalizado; que o Sr. Eloy trabalha no estacionamento que funciona em terreno de propriedade do autuado (fls. 251/252); que o recorrente recebe no local algumas correspondências. De acordo com o “Termo de Conclusão Parcial da Ação Fiscal”, fls. 248/256, a autoridade lançadora atribuiu à totalidade dos depósitos bancários em nome de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ao ora recorrente sem, contudo, fazer qualquer vinculação entre os mesmos. Se a Fiscalização afirma que os créditos bancários de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini são de responsabilidade do recorrente, deveria, pois, ter apresentado provas desse fato. Entretanto, não se encontra nos autos nenhuma tentativa nesse sentido. Assim, em que pese o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ter apresentado movimentação bancária no montante de R$ 1.158.278,20, bem como constar alguns poucos cheques de emissão do recorrente para o Sr. Eloy, sem provas de que o suplicante seja de fato beneficiário dos referidos valores, não há como responsabilizálo. Além do mais, as contas bancárias foram abertas individualmente em nome do Sr. Eloy e sem a indicação de procurador. Citase, outrossim, a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. No caso de lançamento com base em presunção legal, como a do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como se trata de prova indireta, o Fisco não precisa comprovar, diretamente, que o sujeito passivo adquiriu disponibilidade de renda, contudo, como se trata de atribuir ao fiscalizado a responsabilidade por movimentação bancária de terceiro, a autoridade fiscal tem o dever de comprovar que o autuado foi de fato beneficiário dos depósitos bancários de origem não comprovada, situação que a Lei identifica como caracterizadora de omissão de rendimentos (§ 5° do citado artigo). Nessa esteira, impende citar o art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (grifei) Portanto, frente aos documentos constantes dos autos, entendo que não restou suficientemente provada a responsabilidade do recorrente sobre a movimentação bancária pertencente a Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. Em relação ao lançamento efetuado nas contas correntes do autuado a infração deve ser mantida, pois não há nos autos qualquer comprovação da origem dos recursos. A alegação de que os valores depositados são originários da atividade de “factoring”, exercida como pessoa física, carece de comprovação. Com efeito, o Parecer Técnico apresentado que, em tese, demonstraria as operações de crédito, em verdade, nada comprova, Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 posto que necessita, fundamentalmente, de suporte probatório, tais como: cópias de cheques, contratos de mútuo, etc. Pela clareza e precisão dos fundamentos da decisão recorrida, reproduzo o trecho em que a questão é analisada: O Parecer Técnico apresentado pelo impugnante traz elementos sobre várias operações de crédito que supostamente demonstrariam que este realizava operações de crédito de maneira similar a uma factoring. Ocorre que as premissas adotadas e a sustentação fática do laudo retiram sua credibilidade como elemento probatório capaz de demonstrar o que se propõe. Senão vejamos: a. As taxas de juros cobradas são da ordem de 4,5% ao mês sem que qualquer contrato ou outro elemento comprobatório tenha sido juntado para demonstrar a taxa de juros cobrada nas respectivas operações; b. Nenhuma operação teve o “tomador” do empréstimo ou do crédito identificado, bem como nenhum contrato ou documento sobre as supostas operações foram apresentados; c. Não foram apresentados os supostos tomadores que deveriam identificar quais operações, dentre as várias apresentadas, teriam sido feitas em seu nome; d. Os cheques que teriam sido ”descontados” em cada operação não estão identificados quanto à data de depósito e respectiva conta utilizada para tanto pelo impugnante. Os vários cheques que teriam sido “descontados” pelo impugnante, em prazos diversos, precisam ser identificados nos extratos das contas utilizadas para que seja plausível admitir a comprovação da existência das operações de crédito. Sem tais elementos que o sustentem, o Laudo apresentado não passa de um bem elaborado exercício de matemática financeira que nada acrescenta ao conjunto probatório. Por tais razões, o Laudo apresentado não constitui elemento probatório hábil e idôneo para demonstrar que o impugnante realizava operações de crédito de maneira similar a uma pessoa jurídica, nem tampouco para comprovar a origem dos depósitos bancários tributados, conforme previsto no art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Isto posto, não há qualquer reparo a fazer em relação ao entendimento esposado pelo colegiado a quo. Quanto à utilização da taxa Selic, convém citar a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 7 11 Por fim, é devida a imposição dos juros sobre a multa de ofício, pois a Selic incide sobre todo o crédito tributário. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas de titularidade de terceiro. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13839.002950/200581 Recurso nº: 159.617 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.898. Brasília/DF, 20 de novembro de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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