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Numero do processo: 15165.002071/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2006 a 15/08/2006
DRAWBACK. DECADÊNCIA.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Como no caso em questão não ocorreu o pagamento no desembaraço das mercadorias, o entendimento a ser adotado é o do inciso I do artigo 173, do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele no qual poderia ter havido o lançamento, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao registro das Declarações de Importação.
DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de drawback - modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback.
O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, em relação à decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza; b) por voto de qualidade, em relação à fungibilidade. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrente NEOPLASTICA BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2006 a 15/08/2006 DRAWBACK. DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Como no caso em questão não ocorreu o pagamento no desembaraço das mercadorias, o entendimento a ser adotado é o do inciso I do artigo 173, do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele no qual poderia ter havido o lançamento, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao registro das Declarações de Importação. DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 20 71 /2 00 7- 16 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 681 2 Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, em relação à decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza; b) por voto de qualidade, em relação à fungibilidade. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação da Recorrente. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 682 3 Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida de fls. 576 e seguintes, verbis: Trata o presente processo de quatro autos de infração por suposto descumprimento do compromisso de destinação de insumos importados sob regime aduaneiro especial de Drawbacksuspensão. Alega a fiscalização que ao final do prazo estabelecido no regime de cada um dos Atos Concessórios de Drawback, não houve a exportação dos produtos acabados ou a adoção de qualquer uma das providências listadas no artigo 342 do RA2002. 0 primeiro auto de infração trata do Imposto de Importação, juros de mora e multa de oficio. Valor da autuação R$ 922.443,07. 0 segundo auto trata do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio. Valor da autuação R$ 796.573,62. 0 terceiro auto trata da Cofins, juros de mora e multa de oficio. Valor da autuação R$ 167.144,84. 0 quarto auto trata do Pis/Pasep, juros de mora e multa de oficio. Valor da autuação R$ 36.287,97. Das folhas 113129, a fiscalização apresenta cada um dos vinte e um atos concessórios da contribuinte e, dentre estes, os atos concessórios inadimplidos. A maioria atos concess6rios é considerada inadimplente pela existência de sobras de insumos importados no estoque da empresa. Para parte destes Atos Concessórios, a autuação se deve ao fato de as DI's dos insumos terem sido desembaraçadas em data posterior ao último embarque dos Registros de Exportação de produtos nacionais, o que também geraria sobra de insumos. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 484525. Seguem as alegações da contribuinte autuada/interessada/impugnante, em arábicos. 1. Inicialmente, devese observar que, no período submetido à fiscalização (dezembro de 2001 a agosto de 2006), a empresa detinha um total de trinta e sete Atos Concessórios (ACs), sendo que destes vinte e um foram auditados. Destes vinte e um ACs, em somente quatorze foram encontradas as supostas "sobras" nos estoques das matériasprimas importadas sob regime de Drawback que não foram nacionalizadas com consequente recolhimento de tributos, fato que motivou a autuação fiscal. 2. A finalidade do regime especial de Drawbacksuspensão é o emprego dos insumos importados na industrialização de produtos nacionais a serem exportados, o que foi integralmente cumprido pela impugnante. Logo, descabida a exigência sobre as supostas "sobras". 3. lid decadência dos créditos tributos referentes As DIs registradas até 18/10/2002 em virtude do decurso do prazo qüinqüenal. O fato de o pagamento estar suspenso pelo regime especial não impede o lançamento fiscal e não afasta a decadência do crédito tributário. 4. 0 principio da vinculação física invocada pela fiscalização como justificativa da autuação não tem o alcance e o sentido pretendidos. Devese interpretar tal principio em consonância com a finalidade do regime especial de Drawbacksuspensão e com as características intrínsecas das matérias primas e insumos importados, cuja fungibilidade é indiscutível. 5. A jurisprudência reconhece a inaplicabilidade do principio da vinculação fisica. Cita os ADNs Cosit n° 12/1979 e 20/1996. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 683 4 6. Dada a fungibilidade dos insumos importados, tornase impossível comprovar que o insumo (ex. tereftalato de. Polietileeno — PET) utilizado na fabricação de um produto especifico adveio da importação amparada em Ato Concessório X, Y ou Z. Mesmo com o controle rígido de estoque adotado, é impossível estabelecer tal vinculação fisica. 7. Não houve descumprimento do compromisso de exportar. Os eventuais excedentes de insumos quando apurados pela própria impugnante foram aplicados integralmente no processo produtivo de mercadorias que foram efetivamente exportadas, conforme documentação em anexo. 8. Apresenta excertos doutrinários e jurisprudenciais. 9. 0 auto de infração se baseia na presunção de que os excedentes erroneamente apurados foram destinados à fabricação de produtos para comercialização no mercado interno, sendo que não há qualquer comprovação deste fato, o que representa ofensa aos princípios da estrita legalidade e da vinculação da atividade administrativa. 10. Defende a fungibilidade dos insumos importados. Em precedente da CSRF, reconheceuse a dificuldade para o importador em cumprir o compromisso de exportação assumido e impede que o Fisco parta da "presunção de descumprimento do beneficio concedido" nas hipóteses de importação de insumos fungíveis. Para se considerar cumprido o ato concessório basta que o importador comprove que exportou produtos finais em quantidade compatíveis com a meta de exportação, não se exigindo vinculação fisica. 11. Dos 37 atos concessórios da impugnante, somente 21 foram selecionados para revisão aduaneira, dos quais 7 foram considerados adimplidos e 14 inadimplidos. A fiscalização errou na apuração do estoque ao considerar cada ato concess6rio individualmente considerado sem comparar com outros atos concessórios vigentes no mesmo período, submetidos ou não à revisão aduaneira. 12. Se houvesse tal comparação, seria constatado que não ha qualquer sobra, sendo que as "sobras" apuradas pela fiscalização foram na verdade consumidas, utilizadas em produtos destinados à exportação, restando plenamente atendido o objetivo do regime especial. 13. Como exemplo, cita o primeiro AC inadimplido (n° 20010031731), em que foi apurada uma sobre da ordem de 10.552,23 kg de Copolimero de Etileno e monômeros com radicais carboxílicos — adesivo (fl. 68). Observa se que, no mesmo prazo deste AC (expirado em 01/06/2003), a impugnante obteve outros dois ACs, (n° 20010014713 e 20010014730, ambos validos até 19/06/2003). Para a fabricação dos produtos finais vinculados a estes dois últimos ACS seriam necessários, no mínimo, mais 9.853,445 kg da mesma matériaprima, que teria sobrado no primeiro AC mencionado. Acrescentando a isto o valor de perdas reconhecidas e não questionadas no processo produtivo, fica comprovada a utilização integral da matériaprima. 14. Esta análise é possível para outros atos concessórios, sendo que à folhas 521 repete o mesmo argumento do parágrafo anterior para o AC n° 2002.0011881 (fl. 69). 15. É equivocado o critério de calculo de 5% das perdas. Este equivoco reside na aplicação do percentual de 5% sobre as quantidades exportadas quando, na verdade, as perdas deveriam ser calculadas sobre as quantidades de produtos industrializados, número superior ao primeiro. Se as perdas são Fl. 683DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 684 5 verificadas no processo produtivo, calculamse primeiro as quantidades industrializadas a partir das matériasprimas importadas, 5% maiores que as exportadas, para depois aplicar sobre aquelas o percentual de perdas, as quais serão deduzidas das quantidades exportadas. As folhas 523524, ha pedido de perícia técnica com quesitos. Solicita a improcedência da autuação. A folha 573, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. É o relatório. Em sua decisão, a DRJ/FNS, através do acórdão nº 0725.006, de 24 de junho de 2011, por maioria, houve por bem julgar improcedente, mantendo o auto de infração. A ementa do acórdão foi assim formulada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/02/2002 a 05/01/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que tenha sido ignorada pela parte autora ou não tenha sido expressamente impugnada pela parte ré. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Improcede pedido de produção de prova pericial de fato que poderia ser comprovado na impugnação ao auto de infração. Dispensável a complementar produção de provas quando os documentos integrantes dos autos se revelam suficientes para formação de convicção e consequente deslinde do feito. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/02/2002 a 05/01/2006 DRAWBACK. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial dos créditos tributários suspensos por força do regime especial Drawback suspensão se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao término do regime. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em Atos Concessórios e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos relativos as mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de Drawback suspensão, acrescidos dos encargos previstos em lei. DRAWBACK SUSPENSÃO. FORMALIDADES PROCEDIMENTAIS. ESPECIFICIDADES DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA NO RESPECTIVO REGIME. DESCUMPRIMENTO. INAPLICABILIDADE DO INCENTIVO. A outorga tributária concernente à suspensão e posterior isenção, via Drawback suspensão, implica no cumprimento de diversos requisitos condicionantes ao seu beneficiamento, dentre as quais, a observação do "Principio da Vinculação Física", quando Fl. 684DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 685 6 da utilização dos insumos importados nos produtos posteriormente exportados, por ser decorrência lógica do beneficio fiscal auferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente protocolou recurso voluntário reiterando seus argumentos anteriormente apresentados em relação à decadência e à vinculação física. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DECADÊNCIA A decisão ora recorrida assenta que “Por estar o pagamento suspenso durante a vigência do regime de Drawbacksuspensão, fica obstada a cobrança do crédito tributário oriundo da importação de mercadorias estrangeiras, ou seja, seria ilícita a cobrança de crédito tributário advindo da importação de mercadorias. Por esta razão, durante a vigência do regime, não há inicio ou decurso do prazo decadencial... Dado que durante a vigência do regime especial de Drawback não é possível o lançamento tributário, o prazo decadencial somente se inicial a partir de 1° de janeiro do exercício seguinte ao término do regime especial”. Este, no entanto, não me parece ser o melhor entendimento em relação ao tema. Decadência é a perda do direito da fiscalização efetuar o lançamento tributário em decorrência da omissão do seu exercício dentro do prazo legalmente estipulado. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso dos tributos alfandegários objetos do AIIM em questão, a disciplina da decadência é dada pelo artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento Fl. 685DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 686 7 sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) “§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento por homologação é a forma de constituição do crédito tributário por meio da qual o contribuinte antecipa o pagamento do tributo, efetuando o seu recolhimento em momento anterior ao registro da declaração de importação e sua homologação pela fiscalização alfandegária, momento que se configura como fato gerador. Conforme constante no dispositivo do CTN tratado em questão, o fato gerador dos tributos ora analisados é o momento em que se inicia o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário. O benefício do drawback suspensão consiste na autorização de entrada de determinadas mercadorias, livres dos tributos normalmente incidentes sobre os procedimentos de importação, os quais têm o pagamento suspenso até que se efetive a exportação ou ocorra o inadimplemento, momento no qual os tributos voltam ser exigidos. A questão que se faz mister destacar é que o drawback suspende, por força do seu regime, o pagamento dos tributos alfandegários, e não o acontecimento do fato gerador tributário, que ocorreu quando do registro das DIs dos produtos importados. O fato gerador dos tributos alfandegários, conforme se extrai da legislação tributária brasileira, ocorre na entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, o que se efetiva com o registro da DI e, desde logo revela que a obrigação tributária se constitui plena e imediatamente, conforme disposto no parágrafo primeiro do artigo 113 do Código Tributário Nacional (“CTN”), o qual dispõe ter a obrigação tributária principal nascimento com a ocorrência do fato gerador. Tais tributos, porém, tem seu pagamento antecipado pelo importador, não impedindo, o regime de drawback, a ocorrência do fato gerador dos tributos alfandegários e a constituição da obrigação tributária, mas sim suspendendo o pagamento de uma obrigação já existente. Consequentemente, como houve a ocorrência do fato gerador, temse início a contagem do prazo para sua formalização da obrigação tributária, que ocorre com o lançamento Fl. 686DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 687 8 tributário, evento este que deve ocorrer no prazo improrrogável e ininterrupto de 5 (cinco) anos, conforme disposto no artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Resta claro que o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados do registro da DI, evento configurado pela legislação como sendo o fato gerador dos tributos aduaneiros. Dessa forma, o lançamento tributário decai no prazo ininterrupto e improrrogável de cinco anos contados da data do registro da importação. Cumpre destacar que, mesmo estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, o Fisco está autorizado a efetuar o lançamento para prevenir a decadência, constituindo o crédito, o qual poderá ser exigido assim que cessar o evento responsável pela suspensão da exigibilidade. Nesse sentido, podese citar os ensinamentos de José Eduardo Soares de Melo: O registro da importação (fato gerador do imposto de Importação), e o conseqüente desembaraço aduaneiro (fato gerador do IPI), decorrem de atos praticados pelos importadores objetivando a liberação das mercadorias, representando mera colaboração dos importadores, jamais caracterizam lançamento. O regime de drawback suspensão apenas suspende o pagamento (liquidação) dos tributos, impedindo sua exigibilidade, não modificando os fatos geradores. (...) Mesmo no caso de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, é permitido o lançamento para evitar a decadência, ficando paralisado o processo até final decisão administrativa. (José Eduardo Soares de Melo. Importação de Bens Sob Regime de Drawback e a Decadência no Lançamento dos Tributos. Revista de Direito Tributário n 3, páginas 80 e 81.) Alberto Xavier segue o mesmo entendimento, conforme se pode verificar no trecho transcrito a seguir: O Imposto de Importação é tributo submetido à sistemática de auto lançamento, eis que o seu pagamento é anterior ao registro da declaração de importação,isto é, ao inicio do procedimento administrativo de despacho de importação. (...) Fl. 687DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 688 9 Conseqüentemente, este tributo encontrase submetido ao prazo de decadência de que trata o art. 150, par. 4º do CTN, e não ao do artigo 173 do mesmo Código. Conseqüentemente, o prazo de decadência é de 5 (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.” (Alberto Xavier. Do Prazo de Decadência em matéria de Drawback Suspensão. Direito Tributário, Coordenação Luis Eduardo Schoueri, páginas 540 e 541) O entendimento supra já encontrou respaldo na jurisprudência administrativa, conforme o seguinte julgado do Conselho de Contribuintes: DRAWBACK SUSPENSÃO.(...) DECADÊNCIA. O prazo decadencial no Regime Especial de Drawback suspensão iniciase na data do fato gerador, considerando o registro da DI por se tratar de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN.(...) (Processo nº 10480.017309/200126, Recurso 126.764, acórdão 30331.745, 3º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Relator Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, julgado em 01/12/2004) Especificamente em relação ao drawback, a Ministra Denise Arruda frisa muito bem que “A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário” (REsp 1.006.535/PR, julgamento em 03/02/2009). Por fim, malgrado não ser aplicável ao caso concreto, ainda que o artigo 752, § 3°, da RA/2009 tenha dito que o prazo decadencial do drawback suspensão se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação, o fato é que não há qualquer fundamentação legal para tal assertiva. Por outro lado, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, inclusive, já pacificou entendimento no sentido de que a suspensão da exigibilidade do crédito não impossibilita a sua regular constituição pelo Fisco: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. (...) 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à Fl. 688DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 689 10 regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. (REsp 1259346 / SE, rel. Min. Mauro Campbell Marques) De tal sorte, pela regra de decadência contida no artigo 150, § 4º, do CTN, a autoridade fiscal teria o prazo de cinco anos, que teve seu termo em 18/10/2007, para proceder ao lançamento tributário das operações de importação ocorridas antes de 18/10/2002. Diante disso, entendo que teria restado extinto, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN, em 18/10/2007 o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 18/10/2002. Ocorre, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria da decadência na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito Fl. 689DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 690 11 tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I, do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 691 12 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como no caso em questão não ocorreu o pagamento no desembaraço das mercadorias, o entendimento a ser adotado é o do inciso I, do artigo 173 do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele no qual poderia ter havido o lançamento, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao registro das Declarações de Importação. Como as primeiras Declarações de Importação foram registradas no ano de 2002, o termo inicial do prazo decadencial seria o dia 1° de janeiro de 2003. Portanto, não há que se falar em decadência no caso concreto, já que a fiscalização teria até o início do ano de 2008 para efetuar o lançamento. VINCULAÇÃO FÍSICA E FUNGIBILIDADE Fl. 691DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 692 13 A principal controvérsia no presente processo advém da acusação da fiscalização de existência de sobras de mercadorias estrangeiras no estoque da empresa, sendo que, por força do principio da vinculação física previsto no artigo 341 do Regulamento Aduaneiro vigente à época (Decreto n° 4.543/2002), as mercadorias importadas devem ser aquelas utilizadas na industrialização do produto a ser exportado. A Recorrente, por sua vez, defende que a existência de sobras de insumos ou matériasprimas não invalida o cumprimento do regime em decorrência da fungibilidade dos insumos (principio da fungibilidade). Entendo que o princípio da fungibilidade é o que melhor se adequa à resolução da presente demanda. Isto já ficou consignado no voto vencido do acórdão recorrido, conforme trecho abaixo transcrito, com o qual concordo: Todavia, apesar de respeitável o entendimento da autoridade aduaneira, entendo que o mesmo desvia do objetivo primordial do regime especial que vem a ser estimular a produção industrial nacional, notadamente para exportação, mediante a concessão de beneficios fiscais na importação condicionados a exportação de produtos industriais mais complexos. Diante de tal condição primordial, em análise sistemática, entendese que o principal elemento a ser provado a fim de comprovar o cumprimento do regime vem a ser a efetiva exportação dos produtos industrializados. Como já observado, o regime especial de Drawback visa primordialmente viabilização e ao aumento da exportação de produtos nacionais, sendo que, em sua modalidade suspensiva, o beneficio fiscal é devido diante da comprovação da exportação de bens industrializados cujos processos produtivos demandem estes insumos que foram objeto de beneficio fiscal previsto em Ato Concessório. (...) O principio da fungibilidade se fundamenta na qualidade intrínseca do insumo ou matériaprima de ser fungível. Consequentemente, havendo vários lotes de insumo ou de matériaprima, não haveria lógica a restrição de utilização no processo produto de matérias nacionais ou estrangeiros de outros lotes (Atos Concessórios) no processo produtivo do produto a ser exportado. Igualmente, também não haveria lógica na restrição de que o lote de produtos a ser exportado tenha sido fabricado a partir de insumos de diferentes origens (nacionais ou de lotes de Atos Concess6rios diversos) caso tal procedimento seja necessário para maior praticidade comercial ou agilidade logística. Em casos de insumos que sejam bens fungíveis, ainda que não sejam especificamente do lote importado ou sejam de lotes importados, mas de Ato Concessório diverso, haveria cumprimento do regime haja vista haver vinculação física do insumo previsto em Ato Concessório com o produto exportado cujo processo produto inclua o insumo fungível. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 693 14 Logo, em relação ao drawbacksuspensão, é possível a utilização de bens fungíveis com o principio da vinculação física, até mesmo porque tal hipótese não acarreta qualquer dano ao Erário, sendo que, de modo contrário, melhor viabiliza o processo fabril e proporciona uma maior agilização e efetivação das exportações. Nesse sentido são os seguintes precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a respeito da plena aplicabilidade do princípio da fungibilidade em casos semelhantes ao destacado na presente demanda: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 25/08/1993 a 03/09/1993 DRAWBACK. Regime sob dupla jurisdição. Regime econômico regido por normas do MIDC e regime aduaneiro regido por normas do MF/SRF. DRAWBACK. PRINCIPIO DA FUNGIBILIDADE. SO se admite a obrigatoriedade da vinculação física quando os produtos importados sob o regime de drawback suspensão sejam identificáveis, individualmente. Produtos equivalentes, em especial quando podem ser utilizados no mesmo processo produtivo, servem para comprovar a utilização dos importados. Não ha obrigatoriedade de segregação de estoques prevista na legislação de regência Recurso Especial do Procurador Negado. Decisão Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso especial Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, José Adão Vitorino de Morais e Carlos Alberto Freitas Barreto A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarouse impedida de votar. (Nº Recurso: 329759 Número do Processo:10830.006961/9831 Órgão Julgador: Terceira Turma Especial/Terceira Seção de Julgamento – Contribuinte: GE DAKO S/A Tipo do Recurso: Recurso de Divergência do Procurador Negado Provimento Por Maioria Data da Sessão: 16/09/2009 – Relatora: Judith Do Amaral Marcondes Armando Nº Acórdão: 930300211 grifamos) **** Regimes Aduaneiros Anocalendário: 1999 DRAWBACKSUSPENSÃO. A essencialidade para fruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão está no cumprimento do compromisso de exportação, e, uma vez cumprido tal compromisso, faz jus o contribuinte ao direito de não pagar os tributos incidentes na importação dos insumos com benefício fiscal. FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados permite a sua substituição por similar no gênero, quantidade e qualidade, não descaracterizando a exportação objeto do compromisso do importador, no regime Drawback, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial negado. Decisão Fl. 693DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 694 15 Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. A Conselheira Anelise Daudt Prieto acompanhou a Conselheira Relatora pelas suas conclusões. Fez sustentação oral o advogado da contribuinte Dr. Edison Aurélio Corazza, OAB/SP nº 99.769.” (Nº Recurso: 330113 Número do Processo: 10831.006402/9939 Órgão Julgador: Terceira Turma/Câmara Superior de Recursos Fiscais – Contribuinte: Usina Acucareira Ester S/A Tipo do Recurso: Recurso de Divergência do Procurador Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão – Relatora: Susy Gomes Hoffmann Nº Acórdão:CSRF/0305.573 grifamos) **** “DRAWBACKSUSPENSÃO. A essencialidade para fruição do Regime Aduaneiro Especial de DrawbackSuspensão está no cumprimento do compromisso de exportação, e, uma vez cumprido tal compromisso, faz jus o contribuinte ao direito de não pagar os tributos incidentes na importação dos insumos com benefício fiscal. FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados permite a sua substituição por similar no gênero, quantidade e qualidade, não descaracterizando a exportação objeto do compromisso do importador, no regime Drawback, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial negado. Decisão Por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto que deu provimento ao recurso.” (Nº Recurso: 327803 Número do Processo: 10735.001961/9724 Órgão Julgador: Terceira Turma/Câmara Superior de Recursos Fiscais – Contribuinte: Petroflex Indústria e Comércio S/A Tipo do Recurso: Recurso de Divergência do Procurador Negado Provimento Por Maioria Data da Sessão – Relatora: Susy Gomes Hoffmann Nº Acórdão: CSRF/0305.562 grifamos) Apesar de não aplicável ao caso concreto, destaco que, em 20 de dezembro de 2010 foi publicada a Lei 12.350, que trouxe importantes alterações relacionadas ao drawback. Dentre tais alterações, destacase a contida em seu artigo 32, a qual consiste na aplicação plena do princípio da fungibilidade no drawback, permitindo então a substituição das matériasprimas inicialmente importadas com a suspensão dos tributos, por outras similares da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno em um segundo momento com o recolhimento integral dos tributos. Vejamos o dispositivo legal: Art. 32. O art. 17 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 695 16 “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (grifo nosso) § 1º O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (grifamos) Noto, entretanto, como apontado no voto vencido do acórdão recorrido, que, para algumas importações, a questão a ser analisada não é a eventual existência de sobras de mercadorias importadas no estoque da empresa, e sim outras questões, notadamente o fato de a importação de insumos estrangeiros ser posterior à exportação dos produtos completos nacionais, senão vejamos: No tocante A DI 03/11136928, o registro da importação de 17/12/2003 (desembaraço em 26/12/2003) é muito posterior à última exportação de produto (23/05/2003), conforme folhas 179180. Esta é a mesma situação da DI n° 06/00181191, cujo desembaraço ocorreu em 06/01/2006, data muito posterior à última exportação de 11/07/2005, conforme folhas 205 206. Também este é o caso da DI n° 05/05925030, que foi desembaraçada em 09/06/2005 quando o último embarque ao exterior se deu em 07/05/2005, conforme folhas 207 208. Igualmente, conforme explicado As folhas 120121 (12° AC), este é o mesmo caso das DIs n° 04/06525921, 03/06599273 e 03/10906398. Conforme exposto, várias REs relativas a este Ato Concessório (20020190638) foram embarcadas ao exterior em data anterior ao desembaraço das DIs. O lapso temporal mais comum é de seis meses, havendo, no entanto, diferença de treze e quatorze meses. No caso das DIs observadas nos três parágrafos acima, observase que não havia insumo estrangeiro apto a ser fungível com insumo de outra origem. Logo, para estes casos, o principio da fungibilidade não se aplica, razão pela qual são procedentes os lançamentos a eles relativos. No tocante ao 15° Ato Concessório (RE 05/003286001), não houve exportação do produto final no prazo do Ato Concessório uma vez que, conforme exposto pelo Fisco A folha 123, a RE é de 03/01/2005 e o prazo do AC é de 23/12/2004 (fl. 152). Logo, procede o lançamento referente a única DI (03/05491207), conforme folha 198. Além do acima exposto, a contribuinte não contestou esta alegação do Fisco. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 696 17 Diante do exposto, julgo PROCEDENTE EM PARTE o recurso voluntário da recorrente, MANTENDO os créditos tributários relativos às DIs 03/11136928, 06/00181191, 05/05925030, 04/06525921, 03/06599273, 03/10906398 e 03/05491207. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. Da divergência A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese à aplicação do chamado princípio da fungibilidade, em detrimento do princípio da vinculação física. O Conselheiro Relator votou por dar provimento parcial ao recurso voluntário por entender que o princípio da fungibilidade é o que melhor se adequa à resolução da presente demanda. A Turma, entretanto, por voto de qualidade, entendeu que deveria ser mantida a autuação fiscal em decorrência da aplicação do princípio da vinculação física, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor, nesta parte. Portanto, o presente voto analisará apenas esta questão. Da natureza jurídica do regime aduaneiro especial de drawback – modalidade suspensão O drawback foi instituído no Brasil de forma extremamente incipiente através do Decreto nº 994, de 28 de julho de 1936. Contudo, foi apenas com a edição do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que o regime drawback foi inserido na legislação brasileira no formato e modalidades vigentes até os dias atuais, com algumas pequenas alterações. O artigo 78, inciso II, deste DecretoLei dispõe: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I – (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III – (...) (negritamos) Fl. 696DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 697 18 O Regulamento Aduaneiro de 1985 RA/85, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85), em seu artigo 314 praticamente transcreveu os dispositivos constantes do artigo 78 do DL 37/66, entretanto, inovou ao atribuir a denominação drawback ao regime, verbis: Art. 314 Poderá ser concedido pela Comissão de Política Aduaneira, nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o benefício do “drawback” nas seguintes modalidades (Decretolei no. 37/66, artigo 78, I a III): I – suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (...) (negritamos) O Regulamento Aduaneiro de 2002 RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002), em seu artigo 335, manteve o mesmo texto do RA/85, da mesma forma que o artigo 383 (1) do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), atualmente vigente. Por fim, importante registrar que os países membros do MERCOSUL aprovaram em 03 de agosto de 2010, durante reunião de cúpula em San Juan, na Argentina, o Código Aduaneiro Comum – CAM (MERCOSUL/CMC/DEC. Nº 27/10). O Código, composto por 181 artigos, tem por objetivo facilitar a plena operação da União Aduaneira, na medida em que buscará harmonizar conceitos, regras e procedimentos relativos ao comércio exterior entre os países signatários. O atual regime de “drawback modalidade suspensão”, ao que nos parece, foi tratado pelo CAM com a denominação “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo”, conforme prescreve o disposto de seu artigo 56, verbis: “Art. 56 A admissão temporária para aperfeiçoamento ativo é o regime pelo qual a mercadoria é importada sem o pagamento dos tributos aduaneiros, com exceção das taxas, para ser destinada a determinada operação de transformação, elaboração, reparo ou outra autorizada e à posterior reexportação sob a forma de produto resultante, em prazo determinado”. (negritamos) 1 Art. 383. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (DecretoLei no 37, de 1966, art. 78, caput; e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 698 19 Todos os dispositivos legais acima citados (decretolei, regulamentos e CAM) nos levam a concluir, sem maiores dificuldades, que o regime aduaneiro de drawback – modalidade suspensão permite a importação de mercadorias (“insumos”) destinadas, sempre, ao processo produtivo (beneficiamento, fabricação, complementação, acondicionamento) de outra mercadoria a ser exportada. Não há dúvidas quanto a isso! É certo, também, que a compreensão dos fundamentos jurídicos desse regime especial é premissa essencial para a discussão e posicionamento sobre os aspectos polêmicos que o envolvem no plano pragmático. Nesse diapasão, entendemos que independentemente da sistemática utilizada para a concessão, operacionalização e comprovação das cinco modalidades existentes de drawback (denominadas “suspensão”, “suspensãointegrado”, “isenção”, “isençãointegrado” e “restituição”), a natureza jurídica do regime será sempre de isenção, ou seja, o crédito tributário será excluído, ao fim e ao cabo, pela isenção, exceto no caso do “drawback isenção integrado” quanto ao IPI, o PIS/Pasep e a Cofins onde teremos uma redução de alíquota para zero (art. 7º da MP 497/2010). Expliquemos. O exegeta deve partir dos enunciados prescritivos (“texto da lei”) sobre determinado tema, analisar suas interrelações com o sistema a qual está inserido e, daí, construir o sentido das normas a serem aplicadas. Não devemos ficar restritos à literalidade do texto da lei, às palavras isoladamente, mas sim, buscar construir o sentido a partir da compreensão de todo o ordenamento jurídico (interpretação sistemática) e da finalidade da norma (interpretação teleológica). Ademais, não raras vezes, o texto de lei trás palavras ou expressões impróprias, imprecisas e inconciliáveis com as demais prescrições do sistema, erros esses que decorrem de falhas humanas de quem os elaborou, e no caso do drawback, aliese, ainda, à inovação do tema que até então (edição do DL nº 37 em 1966) pouco tinha sido estudado e compreendido em nosso País. À bem da verdade, o regime drawback foi adaptado de legislações de outros países sem maiores análises e aprofundamentos. No drawback modalidade suspensão, a meu sentir, houve impropriedade por parte do legislador ao afirmar que há a suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada. Não há como conciliar esta “suspensão de tributos” com as demais prescrições do nosso sistema tributário, notadamente com dispositivos do CTN. Fazendose uma interpretação sistemática, temos que o artigo 146, inciso III, da CF/88 preceituou caber à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, Fl. 698DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 699 20 especialmente sobre “obrigação” e “crédito” (alínea “b”). Neste sentido, a Lei nº 5.172/66 – CTN, recepcionada pela CF/88 com eficácia de lei complementar, previu as seguintes hipóteses de suspensão do crédito tributário (artigo 151): (i) moratória, (ii) o depósito do seu montante integral, (iii) as reclamações e recursos, (iv) a concessão de medida liminar em mandado de segurança, (v) a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial e (vi) o parcelamento. Entendemos esta relação como numerus clausus, exaustiva. Portanto, claro está que o regime drawback certamente não se enquadra em nenhuma destas hipóteses. Como então falarmos que um ato concessório drawback “suspende” a exigibilidade do crédito tributário? Não há previsão no CTN para tanto. Não tem como! Não se pode criar uma nova modalidade de suspensão por decretolei. Há um conflito entre o decreto lei e a lei complementar, sendo que esta deve prevalecer por ser hierarquicamente superior. Logo, parecenos mais adequado, como já afirmamos, falarmos em isenção de tributos, mais precisamente isenção condicionada à ocorrência de um evento futuro a reexportação (no caso do “drawback modalidade suspensão”, por exemplo). Havendo a ocorrência do evento previsto na norma de incidência tributária, após o seu relato na linguagem jurídica competente (descrição do “fato jurídico tributário”), havendo subsunção do fato à norma estabelecese a relação jurídica tributária entre o Fisco e o sujeito passivo. O sujeito ativo tem o direito de exigir o crédito tributário e o sujeito passivo, por sua vez, tem o dever jurídico de prestar o objeto, ou seja, pagar o débito tributário. Nascem juntos a obrigação tributária e o crédito tributário, sendo que ambas têm a mesma natureza – são duas faces da mesma moeda. Não vejo como “nascer” a obrigação tributária/crédito tributário e o seu pagamento ficar “suspenso”, exceto nas hipóteses enumeradas no artigo 151 do CTN. Em outro giro, fazendose uma interpretação teleológica dos dispositivos insculpidos no DecretoLei nº 37/66 percebese claramente que o drawback (artigo 78) e a admissão temporária (artigo 75) estão no mesmo capítulo III, denominado de “Importações Vinculadas à Exportação”. Com isso, a meu sentir, fica evidenciada a intenção do legislador em criar dois regimes, com finalidades distintas, mas ambos destinados à reexportação de mercadorias anteriormente importadas. Registrese, em reforço a esse argumento, que o CAM (MERCOSUL/CMC/DEC. nº 27/2010), aprovado após mais de 40 anos da edição do Decreto Lei nº 37/66, manteve a mesma finalidade para o regime drawback, agora denominação Fl. 699DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 700 21 admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, qual seja que a mercadoria importada sem o pagamento dos tributos deve ser destinada a operações de transformação, elaboração, reparo ou outra autorizada e à posterior reexportação sob a forma de produto resultante. Portanto, pareceme evidente o desacerto no uso da expressão “suspensão” pela legislação relativa ao drawback. Deste modo, para tentar elucidar esta questão é que afirmamos ter o drawback, em todas as modalidades, a natureza jurídica de uma isenção condicionada à reexportação de mercadorias. Em outras palavras, no caso do drawback – suspensão, quando atendidas todas as condições previstas no regime, aplicável a regramatriz de isenção. Em caso de descumprimento das condições previstas para a fruição do regime, então, aplicase a regra matriz de incidência tributária para a cobrança dos tributos devidos. Explico: como já comentado, no caso de uma importação sob a égide de regime aduaneiro especial, não há a incidência imediata e definitiva dos tributos, pelo fato que as mercadorias entram no território aduaneiro com alguma finalidade específica. No caso do drawback, as mercadorias (insumos) são importadas com a finalidade de serem destinadas a fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser reexportada ou, ainda, serem beneficiadas no país e depois reexportadas, a teor do que prescreve o artigo 78 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Assim, a não incidência tributária decorre da exclusão do crédito tributário (art. 175, I, CTN) em função da concessão de uma isenção condicionada (art. 176 c/c 179 do CTN). E a isenção está condicionada ao cumprimento de dois requisitos, cumulativamente: i. Aplicação na finalidade específica – processo produtivo; ii. Reexportação, dentro de termos, prazos e limites previstos na legislação. Atendidos os dois requisitos, a regramatriz de isenção exclui o crédito tributário. Não cumpridas essa condições, as operações de importação passam a receber o tratamento tributário do Regime de Importação Comum, com a aplicação da regramatriz de incidência tributária. A isenção condicionada, no caso, deve ser efetivada por despacho da autoridade administrativa no momento do despacho aduaneiro de importação, podendo ser revogada, posteriormente, em procedimento de fiscalização caso fique comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório, como prescreve o artigo 179/CTN. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 701 22 Em conclusão, podemos afirmar que o regime aduaneiro especial denominado drawback é um incentivo às exportações, operacionalizado por meio da isenção condicionada dos tributos incidentes nas importações e/ou nas aquisições no mercado interno de insumos a serem utilizados ou consumidos no processo produtivo de mercadorias reexportadas. Temos um negócio sinalagmático: a União e Estadosmembros concedem isenção tributária às empresas interessadas, estas, por sua vez, assumem compromissos junto àqueles entes tributantes. Pacta sunt servanda! Da comprovação da efetiva exportação Como visto a legislação brasileira historicamente adotou o princípio da vinculação física para o drawback suspensão: tanto o artigo 78 do DecretoLei nº 37/66 já se referia expressamente a tal exigência, todos os Regulamentos Aduaneiros mantiveram tal prescrição, assim como o CAM – Código Aduaneiro do MERCOSUL também estipula tal exigência, de modo que a mercadoria importada ao amparo do regime deve, necessariamente, ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, impondo, portanto, que seja integralmente empregada no processo produtivo da mercadoria exportada. Logo, o beneficiário do regime deve comprovar que aplicou os insumos importados no processo produtivo de mercadoria efetivamente exportada. É condição para utilização do regime. Muito bem. E como se comprova a exportação sob a égide do regime especial de drawback suspensão? Quais sãos os procedimentos a serem adotados pelo beneficiário do regime para comprovar o preenchimento das condições previstas na legislação? Vejamos o que prescrevem os dispositivos normativos que tratam da matéria. O artigo 325 do RA85, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, assim como o artigo 352 do Decreto nº 4.543, de 27/12/2002, dispõem: “A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório de exportação”. Relembremos que o documento comprobatório de exportação, na sistemática operacionalizada pelo SISCOMEX, é o RE Registro de Exportação devidamente averbado, nos termos do que dispõe o Comunicado DECEX nº 21/97 (Consolidação das Normas de Drawback), verbis: Fl. 701DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 702 23 “21.1 Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: I Declaração de Importação (DI); II Registro de Exportação (RE) averbado; III Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; IV Nota Fiscal de venda no mercado interno”. O Comunicado DECEX nº 21/97 prescreve, ainda, em seu item 19.4 a necessidade da vinculação do RE – Registro de Exportação ao Ato Concessório, nos seguintes termos: “19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório”. Cabe, também, transcrever os itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado DECEX nº 21/97 que dispõe sobre o procedimento exigido para a comprovação do regime, verbis: “3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo”I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” No mesmo sentido, a Portaria SECEX nº 4/97 (DOU de 12/06/1997), em seu art. 37: “Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade Suspensão, Registro de Exportação (RE), devidamente vinculado ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor”. Do cotejo dos dispositivos normativos mencionados (artigos 314 e 325 do RA/85 e artigos 335 e 352 do RA/2002), bem como a legislação complementar da SECEX/MDIC, constatase que todas as disposições pertinentes à concessão do referido incentivo à exportação foram rigorosamente disciplinadas, podendose inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime, assim como a legislação da SECEX/MDIC prescreve os procedimentos a serem adotados na comprovação da exportação das mercadorias resultantes do processo produtivo. Todos esses procedimentos exigidos em relação à comprovação das exportações são necessários para que o Fisco possa efetivamente controlar tanto a utilização dos insumos importados com desoneração tributária como a destinação dos bens (efetiva Fl. 702DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 703 24 exportação). Não fossem esses controles, restaria caracterizada a ineficácia do incentivo em tela, na medida em que tornaria vulnerável a indústria nacional pelo ingresso de produtos estrangeiros no território nacional, sem o pagamento dos tributos devidos. Ao beneficiar determinadas empresas o Estado/Fisco deve ter a precaução de não se criar uma situação de desigualdade com outras empresas do mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão de tributos, em decorrência do regime drawback, fossem “desviados” para o mercado interno. É evidente que a “vinculação física” entre as mercadorias importadas e as mercadorias exportadas deve estar claramente demonstrada, e isto só pode ocorrer se os Registros de Exportação estiverem devidamente vinculados aos Atos Concessórios emitidos pela SECEX. Ademais, também é indiscutível que as exportações beneficiadas e abrigadas por um regime aduaneiro especial devem estar identificadas como tal, o que é feito pelo código da operação respectivo, conforme indicado nas tabelas constantes do Anexo I da Portaria SCE nº 02/92. No caso vertente, a empresa utilizou o código 80.000 exportação normal e 81.301 exportação sujeita a registo de venda, quando deveria utilizar o código 81.101 drawback suspensão comum. Este “simples erro de preenchimento” do Registro de Exportação, na verdade, mascara a operação de exportação, dissimulandoa. Os Registros de Exportação REs que não contiverem ou que contiverem de forma inexata as informações relativas aos códigos de operação de Drawback, assim como os REs que não contemplem a informação do número do Ato Concessório ao qual deveria estar vinculado, não fazem prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso do regime drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório em análise não permite que se conclua que o produto objeto de exportação venha a conter insumos importados sob a égide do citado regime, o que, de forma lógica, impede que o Registro de Exportação seja utilizado para fins de comprovação do adimplemento do que foi compromissado em Ato Concessório. Da exegese das normas acima referidas, concluise que a utilização do benefício deve estar devidamente consignada no documento comprobatório de exportação (RE). Para isso, necessário a informação do código correto da operação no Registro de Exportação – RE, bem como a sua correta vinculação ao Ato Concessório. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 704 25 Corroborando esse raciocínio, transcrevemos a seguir, trecho do Parecer COSIT Nº 53, de 22 de julho de 1999: “9. No tocante à questão apresentada no item 4 possibilidade de aceitação, pela SRF, de Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios, informese que sobre o assunto, o art. 37 da mencionada Portaria Secex nº 4, de 1997, estabelece que ‘somente poderão ser aceitos para comprovação do regime de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor’.” 9.1 Assim, de acordo com a legislação vigente, nem a Secex nem a SRF poderão aceitar Registro de Exportação que não esteja vinculado ao respectivo ato concessório. Enfatizese, ainda, que compete à SRF proceder ao desembaraço das mercadorias a serem exportadas, autenticando o competente comprovante de exportação, o qual será encaminhado à Secex, pelo beneficiário do regime, a fim de que se verifique a adimplência do compromisso de exportação. .................................................................................................. Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios não serão aceitos pela SRF, para fins de comprovação do regime de drawback”. (negritei). É certo que a legislação estabelece um “procedimento” para a comprovação das exportações, o que evidencia, sem dúvida, norma de direito tributário formal (“deveres instrumentais” / “obrigações acessórias”). Por outro lado, a informação no RE a respeito de sua relação com Ato Concessório tem implicação de inegável caráter substancial, na medida em que assegura e comprova a vinculação da mercadoria por ele amparada ao regime drawback, reputandose, assim, imprescindível para conferir legitimidade ao incentivo fiscal. A ausência destas escorreitas informações nos documentos de exportação – REs não se restringe apenas ao campo das questões “meramente formais”, indo muito além, inserindose, pelo Princípio da Vinculação Física, no pressuposto básico de comprovação do regime, consubstanciandose, assim, em elemento essencial no adimplemento do compromisso de exportar. Registrese, portanto, que não se tratam de apenas equívocos no preenchimento de documentos, meros erros formais, mas sim de descumprimento de procedimentos previstos na legislação que implicam na ausência de comprovação do adimplemento do compromisso de exportar. A título de comparação, podemos vislumbrar a seguinte situação: um “erro formal” no preenchimento de uma nota fiscal, por exemplo, trocandose um dígito no valor da mercadoria (onde deveria constar R$ 900.000,00, constou R$ 100.000,00) pode levar a uma modificação substancial na base de cálculo; ou um “equívoco” na classificação fiscal do produto pode implicar em alterações relevantes de Fl. 704DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 705 26 alíquotas. Tratase de “erros formais” com repercussão na relação jurídicotributária/ obrigação tributária. Assim, entendo que a empresa beneficiária do regime de drawback deve, obrigatoriamente, em atendimento ao Princípio da Vinculação Física: i. Quando das importações dos insumos com suspensão dos tributos, efetuar a correta escrituração dos documentos fiscais: Declaração de Importação, Notas Fiscais de Entrada e Livro de Registro de Entrada; ii. Durante o processo produtivo, manter, através de livros fiscais próprios (Livro do Registro de Controle da Produção e Estoques), controles e registros em separado de estoques dos insumos estrangeiros importados em regime aduaneiro de drawback, bem como manter controles e registros em separado dos estoques de produtos finais elaborados com os insumos importados no regime; iii. Quando das exportações dos produtos elaborados com os insumos importados, efetuar a correta escrituração dos documentos fiscais: Registros de Exportação, Declaração de Despacho de Exportação, Notas Fiscais de Saída e Livro de Registro de Saídas. A correta escrituração fiscal, além de obrigatória aos contribuintes, faz prova do cumprimento de suas obrigações tributárias. Cumpre destacar que a mera alegação de que as exportações ocorreram não pode ser considerada como argumento capaz de vincular um Registro de Exportação a um determinado Ato Concessório de drawback. Isso não é suficiente para se comprovar que os bens importados foram efetivamente utilizados na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não fazem prova a favor do beneficiário do regime. O art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil impõe ao sujeito passivo o dever de provar fato constitutivo do seu direito, ou seja, no caso em tela, deve provar que cumpriu as condições previstas na legislação para gozar dos incentivos proporcionados pelo regime especial de drawback – suspensão. Não se pode atribuir ao Fisco o dever de comprovar que as exportações não dizem respeito ao Ato Concessório. O ônus, neste caso, é do sujeito passivo que deveria fazêlo mediante a adoção do procedimento fixado na legislação de regência ou pelo menos empreender esforços no sentido de carrear ao processo elementos que, alternativamente, fizessem prova do cumprimento dos requisitos. Não o fez! Fl. 705DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 706 27 Nos casos de isenção condicionada, a concessão do incentivo deve ser revogada em procedimento de fiscalização caso fique comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório, como prescreve o artigo 179/CTN Deste modo, a meu sentir, restou demonstrado que a Recorrente não pode utilizarse da desoneração tributária decorrente do regime de drawback – suspensão para as exportações que não foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório. Por fim, destaco que a posição adotada neste voto está em sintonia com recentes julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo transcritas: (i) Acórdão CSRF nº 930301.248, sessão de 06 de dezembro de 2010: DRAWBACK SUSPENSAO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação à ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. Recurso Especial do Procurador Provido. (ii) Acórdão CSRF nº 930300.210, sessão de 15 de setembro de 2009: DRAWBACK SUSPENSÃO. O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. Recurso Especial do Procurador Provido. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 706DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002071/200716 Acórdão n.º 3202000.878 S3C2T2 Fl. 707 28 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 24/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19482.000052/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 14/04/2008
SUBFATURAMENTO. DIVERGÊNCIAS APONTADAS PELA AUTORIDADE FISCAL E NÃO COMBATIDAS PELA RECORRENTE. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
In casu, a autoridade fiscal apontou divergência entre os valores constantes em outros documentos e na DI. Como a Recorrente não contestou a divergência, resumindo-se a fazer alegações genéricas, deve ser mantido o lançamento.
Numero da decisão: 3401-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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DIVERGÊNCIAS APONTADAS PELA AUTORIDADE FISCAL E NÃO COMBATIDAS PELA RECORRENTE. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. In casu, a autoridade fiscal apontou divergência entre os valores constantes em outros documentos e na DI. Como a Recorrente não contestou a divergência, resumindose a fazer alegações genéricas, deve ser mantido o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 00 00 52 /2 00 9- 85 Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls.05/08), lavrado em razão de suposta diferença encontrada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado em importação, cuja DI (Declaração de Importação) foi registrada no dia 15/04/2008. Em razão disso, foi lançada a multa de 100% sobre a diferença encontrada, o que totalizou o montante de R$ 173.199,48. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.1.256/1.281), mas a DRJ São Paulo II/SP manteve o lançamento, ao prolatar acórdão (fls.1.292/1.325) com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/04/2008 Os preços de medicamentos e outros produtos declarados na fatura e na DI não expressam os preços reais da lista de preços publicada pelo fabricante. Dada a prática da infração capitulada no inciso II do artigo 169 do Decreto Lei 37/66, o autuado incorre na multa de 100% (cem por cento) da diferença apurada. Impugnação Improcedente”. Conforme certidão de fl.1.377, a Recorrente foi intimada por seu quadro societário nos dias 14/04/2012 e 16/04/2012, conforme ARs constantes nas fls.1.344/1.347, e interpôs recurso voluntário em 14/05/2012 (fls.1.349/1.354), com as alegações resumidas abaixo: 1 Houve apenas um erro, sem dolo, passível de retificação na DI e recolhimento dos tributos, cometida pela empresa comissária de despacho aduaneiro, Kanayama, ao indicar a Recorrente como responsável direta pela importação; 2 É indevida a aplicação concomitante de multa e pena de perdimento; 3 A Administração não pode presumir o subfaturamento com base em pautas anteriores, haja vista a grande variação do dólar e a redução de preço dos produtos americanos, em razão da crise econômica nos últimos cinco anos. Ao fim, a Recorrente pediu a exclusão de sua responsabilidade em razão do equívoco. Alternativamente, pediu a redução da multa. E, por fim, pediu que, em qualquer caso, fosse restituída a mercadoria apreendida. É o Relatório. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19482.000052/200985 Acórdão n.º 3401002.408 S3C4T1 Fl. 1.380 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A autoridade fiscal encontrou irregularidades em importação praticada pela Recorrente, motivo que levou à lavratura de dois autos de infração e ao perdimento da mercadoria, divididos em três processos diferentes, quais sejam: · Processo 19482.000052/200985, ora analisado, cujo objeto é o auto de infração fundamentado em subfaturamento na importação; · Processo 19482.000053/200920, cujo objeto é auto de infração em razão de cessão do nome do importador ao real adquirente; · Processo 19482.000054/200974, que trata da pena de perdimento, em razão da ocultação do real adquirente da importação. Esclarecido isso, insta salientar que neste julgamento será analisada somente a questão do subfaturamento, vez que a multa e o perdimento em decorrência da ocultação do real adquirente não são objetos deste processo. Por essa razão, desde já, descartase as alegações de equívoco no preenchimento da DI e de impossibilidade de aplicação simultânea de multa e perdimento. 1. Do subfaturamento No tocante à acusação de subfaturamento, a Recorrente limitouse a alegar que as constantes mudanças do câmbio e dos valores das mercadorias americanas baixaram o valor das importações, de modo que a autoridade fiscal não pode fazer lançamento com base em pautas anteriores. Ocorre que o lançamento não foi feito com base em pautas anteriores. O subfaturamento foi constatado na grande diferença entre os valores sugeridos nos contratos apresentados pela HP Brasil, fabricante do produto importado, e o valor declarado na DI, conforme demonstrado na fl. 51, bem como das divergências entre os valores do contrato de câmbio e do valor declarado em DI, conforme esclarecido na fl.53. As DIs anteriores, citadas pela autoridade, serviram apenas para reforçar a fundamentação de subfaturamento, vez que nelas os preços são bem superiores aos declarados na DI que deu origem ao auto de infração do presente processo. Como a Recorrente não contestou as divergências de preços apontadas pelo auditorfiscal, nem apresentou qualquer documento que demonstre a declaração correta do valor da importação, não há como afastar o lançamento. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Por esse motivo, deve ser mantido o lançamento. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto, para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10480.722140/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando atendeu às disposições do art. 10 do citado decreto e não houve transgressão alguma ao devido processo legal.
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
MÚTUO, SEM PRAZO, DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA-CORRENTE. BASE DE CÁLCULO.
Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de conta-corrente, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês.
LANÇAMENTO. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE ERROS NA CONTABILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Tendo sido o lançamento fundamentado nos registros contábeis da autuada, cabe a esta comprovar a inexatidão destes registros, e, quando não logra fazê-lo, deve ser mantida a autuação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando atendeu às disposições do art. 10 do citado decreto e não houve transgressão alguma ao devido processo legal. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. MÚTUO, SEM PRAZO, DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTACORRENTE. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de contacorrente, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. LANÇAMENTO. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE ERROS NA CONTABILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 21 40 /2 01 0- 11 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 3 2 Tendo sido o lançamento fundamentado nos registros contábeis da autuada, cabe a esta comprovar a inexatidão destes registros, e, quando não logra fazê lo, deve ser mantida a autuação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IOF, relativo a fatos geradores ocorridos no ano de 2006, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada efetuou operações de crédito com outras pessoas jurídicas ligadas sem reter o IOF, conforme escrituração dos livros Diário e Razão. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: II.1. Das alegações de nulidade: Fl. 687DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 4 3 8. Em face do lançamento, do qual foi cientificada aos 02/09/2010 (fl. 04), a contribuinte – que registra, inicialmente, ser sucessora, por incorporação, de CIMENTO POTY S/A e de CIMENTO SERGIPE S/A interpôs a referenciada impugnação, na qual ergue, preliminarmente, nulidade da autuação por: (i) falta de enquadramento legal; e (ii) deficiência de prorrogação dos prazos de fiscalização constantes de Mandado de Procedimento Fiscal –MPF. 9. Fundamenta a recorrente a ocorrência da primeira nulidade no “não enquadramento legal da infração apontada no item ‘Descrição dos fatos e enquadramento legal’, o que fere o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72” e, para corroborar seu entendimento, copia ementa de julgamento proferido pela 2ª Câmara do então 2º Conselho de Contribuintes e encerra o temário emoldurado acentuando ser “nulo de pleno direito o presente auto de infração por erro formal, o que há de ser declarado pela autoridade julgadora de logo”. 10. Já a segunda nulidade, após reproduzir os comandos dos arts. 12 e 13, da Portaria SRF nº 6.087, de 21/11/2005 (que tratam dos prazos de validade do mandado de procedimento fiscal e de suas prorrogações), a impugnante tem caracterizada pelo fato de não ter recebido “as notificações obrigatórias da prorrogação dos atos de fiscalização, o que teria inviabilizado o controle da legalidade formal da fiscalização, atingindo assim a sua ampla defesa”. 11. Quanto à questão antecedente, vazou excerto do voto proferido pela Ilma. Sra. Conselheira Sandra Maria Faroni no julgamento do Recurso 138868 e, na seqüência, conclui que “por descumprimento no (sic) previsto na legislação acima mencionada, deve ser considerado nulo o presente auto de infração, o que desde já se requer, seja por não ter ocorrido da (sic) prorrogação da fiscalização nos 60 dias obrigatórios, seja pela não intimação do contribuinte”. II.2. Da alegação de cerceamento do direito da ampla defesa e do contraditório: 12. Prosseguindo, desfia que lançamento tributário padeceria de vício de ilegalidade, na medida em que desobedecido o direito constitucional da impugnante à ampla defesa e ao contraditório ao desconsiderar “informações sobre a incorporação ocorrida em junho de 2006, considerando o exercício de 2006 como integral para efeito de apuração”. 13. Acerca do enfocado aspecto, sustenta que “ao atribuir operações correspondentes dos meses de janeiro a dezembro de 2006, há evidente prejuízo ao trabalho fiscal, já que tais informações deveriam obrigatoriamente serem lançadas de forma isolada, determinando assim uma quebra no exercício de 2006, ano da incorporação e extinção das incorporadas” e que “o Agente Fiscal, ao apontar o crédito tributário reclamado, não procedeu de maneira precisa, evidenciando, dessa forma, a despreocupação com a análise mais apurada da realidade dos contribuintes tornandose mais fácil imputar e deixar que o contribuinte saia à caça da prova de seu Direito”. 14. Dado o exposto, reputa ferido seu direito à ampla defesa e ao contraditório, que a contribuinte diz estar constitucionalmente assegurado inclusive nos processos administrativos (art. 5º, LV, da CF/88), e sobre este direito transcreve opiniões doutrinárias de Marcos Maia Júnior e de Celso Ribeiro Bastos. II.3. Da alegação de descabimento da cobrança de multa – sucessão por incorporação: Fl. 688DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 5 4 15. Em continuação, aduz “que, relativamente aos supostos débitos de IOF anteriores a 30 de junho de 2006, nenhuma multa poderá ser exigida da impugnante”, pois “como se verifica da própria documentação anexada pelas autoridades fiscais, o Auto de Infração foi lavrado contra VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S.A. (CNPJ no 10.656.452/000180), quando, é certo, as alegadas irregularidades teriam sido cometidas pela CIMENTO POTY S.A. (CNPJ no 08.567.539/000139). A reclamante responde, pois, a parte deste contencioso, na condição de sucessora, e sucessora por incorporação havida antes do advento do malsinado lançamento. De fato, a incorporação ocorreu em 30 de junho de 2006 (documentos anexos), enquanto o Auto de Infração ora guerreado somente foi lavrado agora, em 2009 (sic)” 16. Estriba a pretensão no art. 132, caput e parágrafo único, do CTN, bem como em decisões proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, cujas ementas exibiu. II.4. Das considerações da recorrente a respeito das operações tributadas: 17. Avante, pronuncia que, conforme contratos juntados ao recurso, “não se tratam de operações de mútuo e sim operações societárias entre as empresas do mesmo grupo societário, mais especificamente transferências de ações contabilizadas de forma errônea pela contabilidade”. 18. Fala que junta “aos autos os contratos de compra e venda de ações internas do grupo, ocorridas à época que justificam os valores lançados na contabilidade que se encontram longe de hipótese de incidência do IOF” e que “não houve disponibilização do crédito, operação que é básica para a imposição do IOF”. 19. Afirma que “cruzados os dados se comprova materialmente que não houve a feitura de mútuos e sim mera operação societária que desconfigura por total o presente auto de infração”. 20. Depois de transcrever o caput do art. 13, da Lei nº 9.779/99, pondera que “para que seja imposto o mesmo tratamento jurídico do IOF necessário que o mútuo entre pessoas jurídicas e físicas apresente natureza onerosa, o que não se adéqua ao presente caso, uma vez que os supostos mútuos detiveram origem gratuita”. 21. E assim conclui a recorrente o epigrafado tópico: “Em suma, inviável a autuação, seja pela operação autuada não ser condizente com a realidade (não se trata de operação de mútuo), seja pela impossibilidade de cobrança de IOF sobre mútuos gratuitos, sob pena de se afrontar os conceitos de Direito Privado, o que é proibida (sic) pelo Código Tributário Nacional”. II. 5. Da alegação de “necessidade de presença de instituição financeira como base para imposição de IOF nas operações de mútuo”: 22. Outrossim, articula ser inviável a imposição do IOF “em operações que não detenham a figura do ente bancário ou de instituição financeira, uma vez que o espírito constitucional que deu origem à norma tinha por base um controle parafiscal das atividades de crédito no país, mais especificamente no mercado bancário e financeiro”. 23. Transcreve o art. 13, caput e parágrafos, da Lei nº 9.779/99, e diz que “O parágrafo segundo do supracitado artigo consigna que o responsável pela cobrança e recolhimento do IOF/crédito é a pessoa jurídica que conceder o crédito, no caso, a controladora da Impetrante (sic)” e que “Ao mesmo tempo o caput do artigo 13 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 6 5 dispõe que tal incidência seguirá as normas aplicáveis às operações com instituições financeiras (Eis aqui o motivo de inserir o Delegado da Deinf como autoridade coatora junto com a Delegada de Administração Tributária) (sic)”. 24. Em seguida, reproduz o art. 153, V, da CF/88, bem como os arts. 63 e 64, do Código Tributário Nacional, e assevera que “ao instituir o IOF/Crédito entre pessoas não financeiras o legislador extrapolou o permissivo constitucional contido no artigo 153 (supracitado), na medida em que o mesmo limita a tributação às operações de crédito, atividade privativa das instituições financeiras”. 25. Ampara a impugnante a tese ora comentada em opinião doutrinária de Roberto Quiroga Mosquera e fecha a questão declarando que “como a suposta operação ocorreu entre empresas do mesmo grupo econômico não sendo qualquer delas instituição financeira ou bancária não há que se falar em fato gerador do IOF, sob pena de desnaturação do sistema, devendo ser considerado improcedente o presente auto de infração, o que desde logo se requer”. II.6. Da alegação de erro na base de cálculo e nos cálculos apresentados: 26. Avançando, o sujeito passivo explicita que, conquanto se considerasse devido o IOF sobre as questionadas operações, haveria três vícios que inabilitariam “a manutenção do presente processo”. 27. O primeiro deles, consistiria na forma de cálculo utilizada, que leva em conta mútuos sem prazo certo, “traduzindoos em formato de conta corrente, onde, após a cumulação dos saldos devedores do mês há lançamento da alíquota. Ocorre que tal método não é aplicável ao caso uma vez que não havia disponibilização de valores sem prazo certo, e sim contratos que embasam o crédito demonstrando as referentes datas. Quer dizer, inviável o método utilizado na apreciação do tributo, o que torna nula a autuação efetuada”. 28. O segundo vício, estaria na circunstância de que, “mesmo que se considerasse possível o cálculo nas bases expostas, em virtude da SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 101 de 11 de setembro de 2006 da Receita Federal (1ª Região Fiscal), o valor apurado não estaria de acordo com a realidade”; após descortinar a ementa da Solução de Consulta, diz a defendente que “o formato de cálculo utilizado não é viável para uma análise correta dos valores, motivo pelo qual há que ser anulada a autuação”. 29. Por fim, o terceiro vício residiria no fato de que “mesmo que se levasse em conta uma análise de débitos e créditos no presente auto, consoante aplicado pela fiscalização, mesmo assim se encontrariam vícios nos cálculos apresentados que, consoante planilha anexada, chegariam ao valor de R$ 55.982,39 (cinqüenta e cinco mil novecentos e oitenta e dois reais e trinta e nove centavos). Quer dizer, o cálculo apresentado pela fiscalização não se apresenta com confiabilidade suficiente para embasar o auto de infração”, pelo que entende que “mais uma vez demonstrada a necessidade de anulação do auto de infração ou, ao menos, da sua revisão no que toca à base de cálculo e valor apurado”. II.7. Das operações efetuadas com a Cimento Poty S/A e com a Cimento Sergipe S/A: 30. Empós, afiança a interessada que “Mais um vício da autuação é relativa a manutenção em análise até dezembro de 2006 dos créditos e débitos da autuada com a Cimento Poty S/A e com a Cimento Sergipe S.A. – CIMESA, mesmo sabendo que Fl. 690DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 7 6 tais empresas foram incorporadas pela autuada em 30/06/2006 o que, pelo instituto jurídico da confusão colocou fim a todos estes supostos mútuos”. 31. Garante, ainda, que “Assim, a operação efetuada sem levar em conta a plena incorporação em junho/2006 causa considerável diferença nos valores apurados, atingindo de forma insanável a avaliação feita pela fiscalização”. 32. Ao final deste item, expressa que estaria “mais uma vez demonstrada a ausência de base e a existência de vícios nos autos, motivo pelo qual deve ser anulada a presente autuação”. II.8. Da alegação de inconstitucionalidade da multa de 75% aplicada e de “Falta de indicação de dispositivos acerca da multa e juros”: 33. Também assevera a defendente que a multa de 75% aplicada seria confiscatória e afrontaria a disposição embutida no art. 150, IV, da CF/88, remetendose a peticionante a decisão proferida pelo STF no sentido de que as multas tributárias também estão submetidas à limitação constitucional imposta. 34. Dado o exposto, afirmou que “a multa de 75% deve ser revista ou excluída, uma vez que contrária à Constituição Federal de 1988”. 35. Além, disto, levanta que inexistiria “indicação dos dispositivos legais que embasam a multa e os juros de mora aplicados, pois os percentuais são estranhos, principalmente no que toca aos juros de mora, onde não está determinado juros fixos ou SELIC” e que “Partindo disso, sob pena de afronta à ampla defesa, inviável a cobrança de tais itens, o que desde já se requer”. II.10. Da necessidade de perícia: 36. Dando seguimento, ressalva a impugnante que “De toda feita, para comprovar os argumentos da defendente, há de ser observada a necessidade de perícia, pois, hão de ser reavaliados os cálculos apresentados uma vez que comprovada a sua incorreção”, diante do que a recorrente indicou seu perito e apresentou quesitos, que detalharei quando decidir o pleito de realização de perícia. II.11. Conclusão: 37. Em razão do exposto, a recorrente requereu: 37.1. o deferimento do pleito de perícia técnica, inclusive com a juntada de novos documentos, sem que se opere a preclusão; 37.2. que seja julgada improcedente a autuação e conseqüente multa imposta, por falta de amparo legal e fático. 38. Dentre outros documentos, a impugnante acostou ao recurso de fls. 384/397 os Contratos de Compra e Venda de Ações de fls. 413/415, 419/421, 425/427 aos quais se vinculam as notas promissórias fls. 416/418, 422/424 e 428/430, respectivamente – bem como os instrumentos particulares de Assunção de Dívida juntados às fls. 436/437, 438/439, 440/441, 442/443, 444/445, 446/447, 448/449, 450/451 e 452/453. Além disto, anexou, também, cópias de (i) Atas de Assembléias da autuada realizadas aos 30/05/2006 (fl. 412), aos 30/06/2006 (fl. 410) e aos 29/06/2007 (fl. 407); (ii) Ata de Assembléia realizada aos 30/06/2006 por Cimento POTY S/A (fl. 408); e (iii) Ata de Assembléia realizada aos 30/05/2006 por CIMENTO SERGIPE S/A – CIMESA (fl. 412). Fl. 691DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 8 7 III. Da diligência determinada: 39. Ao se examinar inicialmente os presentes autos, resolveuse, na esteira do Despacho de Diligência de fls. 471/477 – cujas ponderações, naquilo que importantes ao julgamento, serão mais adiante retomadas no voto proferido por este Relator –, determinar à Unidade de Origem a realização de diligência no sentido de: 39.1. intimar a autuada a: 39.1.1. “apresentar os atos societários dos anos de 2003 a 2006 atinentes às alterações do patrimônio líquido das empresas incorporadas naquele período, especialmente aqueles relacionados ao capital social, cujo número de ações e correspondentes valores ao longo do período devem ser informados”; 39.1.2. “apresentar os atos societários ocorridos a partir do ano de 2003 que ocasionaram alteração do patrimônio líquido da autuada, mormente os relacionados ao seu capital social, cujo número de ações e correspondentes valores ao longo do período devem ser informados”; 39.1.3. “identificar, de modo claro, dentre os registros constantes de sua contabilidade embasadores do lançamento censurado, quais se relacionam a operações societárias supostamente registradas por equívoco na contabilidade como contratos de mútuo, apresentando cópias autenticadas dos documentos comprobatórios destas operações e das respectivas efetividades”; 39.1.4. “discriminar quais valores embutidos no lançamento aqui tratado entende deveriam ser excluídos em virtude de confusão patrimonial com as incorporadas CIMENTO POTY S/A e CIMENTO SERGIPE S/A – CIMESA”; 39.1.5. “identificar quais registros de sua contabilidade, atinentes a fatos geradores ocorridos até 30/06/2006, supostamente de responsabilidade originária de CIMENTO POTY S/A, teria integrado o lançamento debatido e em relação ao qual reputa ser indevida a incidência de multa de ofício”; 39.2. juntar aos correntes autos os documentos da contabilidade da empresa com fundamento nos quais foram elaborados os Demonstrativos dos Razões Analíticos das contas “1210103 – Títulos a Receber” (fls. 274/276), “1250103 – Valores a Receber” (fls. 277/296) e “1250105 – Contratos de Mútuo” (fls. 297/306); 39.3. verificar, em função dos registros contábeis da empresa, dos documentos por ela apresentados no curso da diligência ou, ainda, de outros elementos pertinentes, a efetividade das alegações da autuada prestadas em resposta às questões, bem como investigar eventual ausência de propósito negocial das operações envolvidas, a moldes assemelhados ao decidido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes nos processo administrativo nº 10882.002039/200398; 39.4. adotar outras medidas e/ou prestar outras informações necessárias à solução da lide e anexar aos presentes autos os documentos comprobatórios das conclusões atingidas; 39.5. elaborar relatório conclusivo sobre as questões mencionadas nos antecedentes itens “39.3” e “39.4” e a respeito cientificar o sujeito passivo, facultandolhe se pronunciar no prazo de 30 (trinta) dias. 40. A Unidade de Origem expediu, então, o Termo de Intimação Fiscal de fls. 483/484, de que a autuada tomou ciência aos 25/08/2011 (fl. 484), por meio do qual Fl. 692DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 9 8 solicitou que a contribuinte, no prazo de 20 (vinte) dias, adotasse as medidas reportadas nos itens 39.1.1 a 39.1.5 acima. 41. Por meio da petição de fls. 485/486, protocolizada aos 24/10/2011, a interessada encaminhou, em atendimento às solicitações dos itens 39.1.1 e 39.1.2, os documentos de fls. 487/568 e, quanto às demais questões, assim respondeu: “é impossível a avaliação de todos os lançamentos por mera petição, devendo ser deferida perícia técnica, contudo, para embasar ainda mais seus argumentos, faz o cruzamento de alguns contratos com os lançamentos identificados na planilha do auto de infração, juntado os documentos autenticados, conforme a listagem abaixo: [deixo de aqui apresentar a relação dos documentos anexados, pois serão detalhados oportunamente no item 154 do voto a seguir proferido] (...) Quanto ao item 04, tal só poderá ser identificado efetivamente por perícia. Quanto ao item 05, além dos contratos juntados, também devem ser excluídos outros que serão identificados na fase pericial.” 42. Diante do exposto, a diligenciada requereu: 42.1. o deferimento de perícia técnica, em virtude do grande número de lançamentos a serem avaliados; 42.2. a consideração dos lançamentos provados, com sua exclusão, desde já, do auto de infração; 42.3. a exclusão das multas, desde logo, dos lançamentos demonstrados; e 42.4. a improcedência, ao final, do auto de infração. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1137.286, de 14/06/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INCLUSÃO EM TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcede, especialmente quando a contribuinte exerceu seus direitos à ampla defesa e ao contraditório, a alegação de nulidade do lançamento por falta de indicação da fundamentação legal que está incluída em Termo de Encerramento da Ação Fiscal, do qual o sujeito passivo foi cientificado e que é parte integrante do auto de infração. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE VALIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A ausência de intimação da contribuinte quanto às prorrogações do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, que poderiam ter sido consultadas na internet pelo sujeito passivo, não é causa da nulidade do lançamento. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 10 9 INCORPORADORA. RESPONSABILIDADE POR MULTAS DEVIDAS PELA INCORPORADA. A pessoa jurídica de direito privado que incorporar outra é responsável por todos os créditos tributários, inclusive multas, devidos até a data do ato pela incorporada. LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo tributário, aos órgãos de julgamento é vedado, ressalvadas as hipóteses, não configuradas nos autos, previstas do art. 26A, afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. MÚTUO, SEM PRAZO, DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTACORRENTE. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo, realizado por meio de contacorrente, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. LANÇAMENTO. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE ERROS NA CONTABILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO PELA IMPUGNANTE. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo sido o lançamento fundamentado nos registros contábeis da impugnante, cabe a esta comprovar a inexatidão destes registros, e, quando a contribuinte não lograr fazêlo, deve ser mantida a autuação. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE CONHECIMENTO TÉCNICO FORA DO CAMPO DE ATUAÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Incabível a realização de perícia em relação a aspectos que não envolvam necessidade de conhecimento técnico fora do campo de atuação do julgador, especialmente quando os fatos que se pretende demonstrar por meio de sua efetivação pudessem ter sido comprovados pela contribuinte pela apresentação de documentos durante o curso da ação fiscal, por ocasião da impugnação e, ainda mais, em resposta à diligência determinada pela autoridade julgadora. Ciente desta decisão em 14/07/2012 (AR de fl. 651), a interessada ingressou, no dia 10/08/2012, com o Recurso Voluntário de fls. 658/672, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumido, e acrescenta nova preliminar de nulidade do auto de infração por falta de identificação de quem são os credores e devedores dos lançamentos da conta contábil “mútuo” e, portanto, a Fiscalização não identificou a Recorrente como “contribuinte direta” ou como “responsável” no auto de infração. Renovou o pedido de realização de perícia contábil. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 11 10 Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais. Dele se conhece. Como Relatado, da empresa Recorrente está sendo exigido IOF em razão da realização de operações de mútuo com empresas ligadas. Antes de iniciar a análise das alegações de nulidade do auto de infração, suscitadas pela Recorrente, registrese que o lançamento obedeceu rigorosamente às disposições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e os eventuais erros ou incorreções materiais no cálculo do crédito tributário lançado não ensejam a anulação do auto de infração, conforme expressa determinação do art. 60 do mesmo Decreto nº 70.235/72. Os fundamentos da decisão recorrida, relativamente às nulidades suscitadas pela Recorrente, são claros e objetivos. Eles apontam a existência de fundamentação legal, consignada no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, no qual os fatos que ensejaram a autuação estão perfeitamente descritos. Relativamente à alegação de que a Autoridade Fiscal não teria identificado a Recorrente como contribuinte direta o como responsável, também tal alegação não corresponde à verdade dos fatos. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal, parte integrante e inseparável do Auto de Infração, está dito claramente que a Recorrente foi autuada na qualidade de responsável tributária. Disse a autoridade lançadora: Assim sendo, de ofício, levantamos os valores do IOF devidos pela fiscalizada, no período de 01/2006 a 12/2006, nas suas operações de mútuos financeiros com outras PJ ligadas, conforme registro nas contas acima listadas, onde a mesma figura na qualidade de mutuante, portanto, responsável tributária. Quanto à prorrogação do MPF, também a decisão recorrida é clara ao provar que as prorrogações aconteceram regularmente, tendo a Recorrente acesso às mesmas na internet, utilizando o código de acesso a ela fornecido junto com o MPF original, conforme determina o Parágrafo Único do art. 4º da Portaria RFB nº 11.371/2007, abaixo reproduzido. Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 12 11 certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (grifei). Como é cediço, o referido mandado consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão ou prorrogação (o que não é o caso dos autos), não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. Quanto à suposta nulidade do auto de infração sob alegação de que o Agente Fiscal teria desconsiderado as informações sobre a incorporação ocorrida em 30/06/2006, trata se, como disse a decisão recorrida, de matéria de mérito e será apreciada mais adiante. Também não merece prosperar a alegação da recorrente de que houve cerceamento do direto de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia. A autoridade julgadora, para formar sua convicção, entendeu prescindível a realização de uma segunda perícia, já que o primeiro pedido de realização de perícia foi atendido por meio de diligência na qual foi solicitado à Recorrente que apresentasse as provas de suas alegações. Fundamentado sua decisão, está a mesma em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto nº 70.235/72. Pelas mesmas razões e com os mesmos fundamentos, abaixo reproduzidos, entendo prescindível, para o deslinde da questão, a realização da perícia solicitada pela recorrente no Recurso Voluntário. 189. O segundo pedido de perícia – que, para surpresa deste Relator foi deduzido em resposta à diligência determinada, em vez de ter sido atendido o que naquela ocasião se requereu é, rigorosamente, precluso, pois deveria ter sido manifestado quando da apresentação da impugnação, na esteira do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. 190. E, mesmo que não fosse assim, não havia razão para a realização da segunda perícia, pois as questões relativas aos levantamentos solicitados poderiam ter sido comprovadas documentalmente, especialmente de cópias da escrituração contábil da empresa e de memórias dos cálculos realizados pela contribuinte. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 13 12 191. Aqui elucido que o fato de que as verificações a serem realizadas abrangeriam diversos lançamentos contábeis justificam, tãosomente, caso requerida, a prorrogação de prazo para atendimento das intimações expedidas na diligência, mas jamais a realização de perícia. 192. Mas o sujeito passivo, em vez de proceder adequadamente da forma acima, cingiuse a novamente encaminhar documento que quando da impugnação já havia acostado e requerer a realização de perícia. Isto posto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e de indeferir o pedido de realização de perícia. Entrando no mérito da lide, há que se firmar, de pronto, que o fato gerador do IOF, e o momento de sua ocorrência, estão dispostos no Regulamento do IOF, aprovado pelo Decreto nº 6.306/07, nos seguintes dispositivos: Art. 2o O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: [...] c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); [...] Art.3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; [...] § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). (os grifos não são do original). Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 14 13 Vêse claramente que dentre as hipóteses de incidência do IOF há operações de mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem nenhuma restrição ao tipo de pessoa jurídica e nem a necessidade de que o mutuo seja oneroso. O fato de a Recorrente não concordar com estas disposições legais não afasta as autoridades fazendárias, inclusive os Conselheiros do CARF, da aplicação dos dispositivos legais de regência, face à vinculação estrita à Lei a que estão sujeitos. Sobre a multa cominada à sucessora, aos fundamentos da decisão recorrida devo acrescentar que o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 47 (Portaria CARF nº 052/2010), abaixo reproduzida: Súmula nº 47 – Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Quanto à alegação de erro na base de cálculo considerada no lançamento e os cálculos apresentados pela Recorrente, a decisão recorrida foi didática nos seus fundamentos ao demonstrar claramente que no caso os mútuos realizados foram sem prazo e que o procedimento da Recorrente de considerar os montantes debitados e creditados no dia seguinte ao do registro contábil não se coaduna com a forma de apuração da base de cálculo do IOF, que é o somatório dos saldos devedores diários. Se existisse operação de mutuo financeiro a prazo predefinido, que teria sido calculado o IOF como se operação de mutuo sem prazo fosse, deveria a Recorrente trazer aos autos a prova da sua existência para, na forma do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade competente proceder a retificação do lançamento. Se não o fez, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Quanto à alegação de que a autuação teria considerado, mesmo após a incorporação, créditos e débitos em relação à empresas incorporadas, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. No curso da Fiscalização e na diligência solicitada pela DRJ, a empresa Recorrente foi intimada a identificar os mútuos realizados, as operações societárias registradas com erros na contabilidade, discriminar os valores lançados que entende indevidos e apurar o IOF devido. No entanto, a Recorrente não atendeu às intimações do Fisco. Na impugnação alega que, após a data da incorporação, houve a tributação de mútuos de empresa incorporadas. No entanto, como bem demonstrou a decisão recorrida, as operações alegadas pela Recorrente não guardam correspondência com a contabilidade ou não se referem às empresas incorporadas e, portanto, não podem ser excluídas do lançamento. Também é descabida e protelatória a alegação da Recorrente de que no auto de infração não consta a indicação dos dispositivos legais da cobrança da multa e dos juros lançados. Basta ler o “Enquadramento Legal” do “Demonstrativo de Multa e Juros de Mora”, integrante do auto de infração. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da legislação que cita, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, Fl. 698DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 15 14 decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009), abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/962. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, como se aqui estivessem escritos, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722140/201011 Acórdão n.º 3302002.264 S3C3T2 Fl. 16 15 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 700DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 12045.000279/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 02 79 /2 00 7- 79 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000279/200779 Acórdão n.º 2301003.575 S2C3T1 Fl. 622 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 624DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000279/200779 Acórdão n.º 2301003.575 S2C3T1 Fl. 623 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO Fl. 626DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000279/200779 Acórdão n.º 2301003.575 S2C3T1 Fl. 624 7 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 627DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.902941/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 09/04/2001
ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 29 41 /2 00 9- 63 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902941/200963 Acórdão n.º 3302002.339 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 13/09/2006 a empresa Recorrente transmitiu PER/DCOMP pleiteando a restituição integral da Cofins do período de apuração de 28/02/2002, paga no dia 09/04/2002, e declarando a compensação de débitos de CSLL e de IRRF. A DRF de origem indeferiu o pedido de restituição, e não homologou a compensação declarada, alegando que o Darf indicado no Pedido de Restituição fora integralmente aproveitado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, conforme Despacho Decisório de 25/05/2009. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: a decisão emanada pela Delegacia de origem é contrária à legislação, em face de inexistência de instância intermediária, concluindose pela nulidade dessa decisão; o art. 6º da Lei Complementar n° 70/91 isentou do pagamento da Cofins as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, não podendo a lei ordinária, qual seja, a Lei n° 9.430/96. revogar tal isenção; sobre o assunto o STJ editou a Súmula n° 276: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, sendo irrelevante o regime tributário adotado"; a isenção de tais sociedades, como a interessada, são reconhecidas tanto judicialmente como administrativamente, não havendo ainda no presente processo julgamento em última instância; segundo a legislação que rege a matéria, a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB é direito inarredável, uma vez que legítimo o direito da recorrente de se apropriar do crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior; diante do fato de as compensações e os pedidos de restituição que as originou terem sido protocoladas anteriormente à publicação da Lei Complementar n.° 118/2005, não resta dúvida quanto ao direito à restituição da Cofins, recolhida nos últimos 10 anos pela contribuinte, uma vez que o tributo estava sujeito ao lançamento por homologação; o débito levado à compensação é inexigível em face do implemento de condição suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, sendo ilegal qualquer atitude do Fisco no sentido de coagir a contribuinte a proceder o recolhimento de tais valores, seja por meio de cobrança, ou impossibilitando a mesma de obter a CND, fundamental para seus negócios; não olvidando que o direito ora pleiteado é líquido e certo, requer, provimento integral da manifestação de inconformidade, para reformar a decisão da Delegacia de origem, conforme demonstradas as decisões favoráveis aos contribuintes, homologando todas as compensações efetuadas. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902941/200963 Acórdão n.º 3302002.339 S3C3T2 Fl. 4 3 A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 0934.936, de 12/05/2011, cuja ementa está abaixo reproduzida. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar n° 70. de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei n° 9.430. de 1996. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações declaradas. A empresa Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/05/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 25/06/2012, com Recurso Voluntário, no qual discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública e sobre a inconstitucionalidade da revogação da isenção da Cofins por meio de lei ordinária. Com relação ao débito, cuja compensação não foi homologada, a Recorrente noticia que o mesmo foi incluído no parcelamento regido pela Lei nº 11.941/09. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais disposições legais. Dele se conhece. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902941/200963 Acórdão n.º 3302002.339 S3C3T2 Fl. 5 4 Como relatado, o presente processo trata de pedido de restituição de Cofins, combinado com declaração de compensação de débitos de CSLL e IRRF. O crédito pleiteado não foi reconhecido porque o pagamento está alocado a débito regularmente declarado em DCTF. Conseqüentemente, a compensação declarada não foi homologada. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar nº 70/91. A decisão recorrida não conheceu dos argumentos de inconstitucionalidade e manteve o Despacho Decisório que não reconheceu o crédito pleiteado e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, a empresa Recorrente discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública para concluir pelo direito ao crédito pleiteado e, ainda, informa que o débito foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96 e da obrigação da Administração Tributária de os apreciar, a decisão recorrida disse bem que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o direito ao crédito propriamente dito, a empresa Recorrente não trouxe outro argumento, além da suposta inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Quanto à notícia do parcelamento dos débitos de CSLL e IRRF, cuja compensação foi declarada e não foi homologada, diferentemente do entendimento esposado em outros recursos da mesma empresa Recorrente, e com o mesmo objeto, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, a exemplo do Acórdão nº 3802001.513, de 29/01/2013 (Processo nº 10630.902947/200931), entendo que não ocorreu renúncia ao recurso voluntário, relativamente ao crédito pleiteado. Isto porque a discussão do direito ao crédito pleiteado não depende do débito que foi compensado e declarado à RFB. O pagamento ou o parcelamento deste não afeta o direito ao crédito. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902941/200963 Acórdão n.º 3302002.339 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso dos autos, está provado a inexistência do crédito pleiteado, razão pela qual não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto supletivamente (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992). Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.916645/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO INDICADO EM DOCUMENTO RETIFICADOR. INAPLICABILIDADE.
Tendo sido apresentada DCTF retificadora, que importa em confissão de dívida, inaplicável o instituto da denúncia espontânea sobre o montante ali indicado.
Numero da decisão: 3802-001.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes,Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO INDICADO EM DOCUMENTO RETIFICADOR. INAPLICABILIDADE. Tendo sido apresentada DCTF retificadora, que importa em confissão de dívida, inaplicável o instituto da denúncia espontânea sobre o montante ali indicado.
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DÉBITO INDICADO EM DOCUMENTO RETIFICADOR. INAPLICABILIDADE. Tendo sido apresentada DCTF retificadora, que importa em confissão de dívida, inaplicável o instituto da denúncia espontânea sobre o montante ali indicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes,Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 66 45 /2 00 9- 19 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório A contribuinte COMPANHIA HIDRO ELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1133.946, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO NO RECIFE – DRJ/REC, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 35796.11317.050906.1.3.043623 (fls. 001 a 005), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em, 05/09/2006, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS, cobrança nãocumulativa, apresentando o DARF as seguintes características: (...) Na DCOMP foi utilizada uma parcela daquele pagamento, no valor original de R$599.692,10, que, com o acréscimo da SELIC acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito de IRRF, Código 3426, relativo ao 3º decêndio de agosto/2006, vencimento 05/09/2006 (mesma data de transmissão da DCOMP), no valor de R$737.561,31. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, tendo sido o valor do crédito original reconhecido pela autoridade competente – no caso, titular da DRF/Recife, de apenas R$591.283,85, que, valorado até a data da transmissão da DCOMP, permite somente a amortização de R$727.220,00 do débito compensado, levando, por consequência, à cobrança da diferença (R$737.561,31 – R$727.220,00 = R$10.341,31), com os acréscimos legais cabíveis, tudo conforme Despacho Decisório emitido eletronicamente (fls. 006 a 008), do qual o contribuinte foi cientificado, por via postal, em 31/10/2003 (fls. 010). Irresignada a interessada apresentou, em 30/12/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 011 a 013), onde diz, em resumo, que o pagamento a destempo foi decorrente de uma interpretação da legislação, que depois se conformaria equivocada, no que tange ao regime a ser adotado na apuração da Contribuição para o PIS sobre a receita de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003. A empresa vinha se utilizando do regime cumulativo até que, em 2005, passou a entender que, em função dos preços que teriam sido reajustados pelos índices de variação monetária, estaria descaracterizado, em primeira análise, o preço determinado previsto no contrato original, levando à necessária adoção do regime nãocumulativo, inclusive retroativamente, o que Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.916645/200919 Acórdão n.º 3802001.753 S3TE02 Fl. 112 3 implicou o pagamento, em atraso, da diferença decorrente desta mudança. Em 02/05/2005, protocolizou denúncia espontânea (fls. 024 e 025), prevista no art. 138 do CTN, acompanhada de diversos pagamentos, dentre os quais o que seria a origem do crédito utilizado na DCOMP em tela. Conforme já visto, o DARF não contempla a multa de mora, o que a empresa procura justificar na denúncia espontânea, ressaltando que “os valores dos referidos tributos foram recolhidos fora dos seus vencimentos, acrescidos de juros de mora sem incidência de multas, antes do início de quaisquer procedimentos administrativos ou medidas de fiscalização por parte do fisco”. Com o advento da Lei nº 11.196/2005, no entender da interessada, a dúvida teria sido dissipada, já que estaria expresso que a simples correção dos preços não descaracterizaria o preço predeterminado e, portanto, não traria alterações ao contrato original: Art. 109 Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a varação ponderada dos custos de insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Assim, a CHESF voltou a aplicar o regime cumulativo às receitas em questão, também retroativamente, o que levou, após o recálculo, à identificação de valores pagos a maior, os quais se constituiriam então em créditos contra a Fazenda Pública, passíveis de utilização para compensação. Analisando os valores consignados no Despacho Decisório, em confronto com os informados nas DCTF, a empresa chega logo à conclusão de que o objeto da cobrança seria precisamente a multa de mora que deixou de ser incluída no pagamento extemporâneo, procedimento, segundo a reclamante, “justificado mediante denúncia espontânea com características especiais.” “Como a denúncia espontânea ainda está sob análise”, entende que “a referida cobrança neste momento é inadequada, permitindo assim, a utilização do crédito pela PER/DCOMP.” Ao final, requer “o cancelamento do cobrança do débito de R$10.341,31”. É que importa relatar.” Os motivos fornecidos pela 2ª Turma da DRJ de Recife para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denúncia seja espontânea, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. COBRANÇA DA PARCELA NÃO HOMOLOGADA. Constatada insuficiência de crédito para fazer frente aos débitos declarados em DCOMP, cabe a cobrança da parcela não homologada, com os acréscimos legais cabíveis (§§2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega reiterando os argumentos aventados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Inicialmente cumpre esclarecer a situação enfrentada nos presentes autos para que não pairem quaisquer dúvidas acerca do posicionamento aqui adotado. De modo bem sucinto, pelo que se vê da DCTF retificadora (fl. 25 dos autos), o contribuinte confessou originalmente um débito de PIS (R$ 591.864,46 de principal), pago com atraso, superior a outro, resultante de retificação, quitado também com atraso. Do seu pagamento feito com relação ao débito maior (retificado), o contribuinte utilizou uma parte para quitar o débito menor de PIS, retificador (de R$ 42.041,32 de principal). O restante (R$ 599.692,11) foi utilizado para quitar débito de IRRF. Contudo, a RFB entende que o crédito remanescente não é de R$ 599.692,11, e sim R$ 591.283,85. Tal se deve ao fato de que os R$ 42.041,32 (débito decorrente da retificação de seu débito de PIS de agosto de 2004), por terem sido pagos com atraso, sofreram a incidência de multa de mora, no montante de R$ 8.408,26. Essa diferença entre o montante considerado disponível para compensação pela RFB, e aquele que o contribuinte entende disponível, resulta da imputação da multa de mora ao pagamento de PIS de agosto de 2004 feito com atraso. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.916645/200919 Acórdão n.º 3802001.753 S3TE02 Fl. 113 5 A DRJ, ao julgar o feito, indica numericamente o que trouxemos nos parágrafos acima, para concluir que sobre esse pagamento espontâneo deve incidir a multa de mora. Ao meu ver, a decisão recorrida não merece reparos. Isso porque, ao retificar seu débito para menor, o contribuinte não tem condições de formalizar denúncia espontânea, dado que já houvera confessado débito em montante superior – o que impede a elisão da multa de mora. Assim sendo, não se reconhecendo a existência de denúncia espontânea para o débito “retificador”, é de se manter a exigência de multa de mora, o que leva à conclusão de ser correto o levantamento da autoridade administrativa. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11516.720539/2011-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE. ORIGEM COMPROVADA. RENDIMENTOS OMITIDOS.
Os valores depositados em conta corrente cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo do tributo, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Dessa forma, comprovado que o recurso foi transferido por pessoa jurídica na qual o contribuinte atua como procurador, mas não provado que os valores foram oferecidos à tributação, é correto o lançamento por omissão de rendimentos.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Aplicação da Súmula CARF nº 26. O Fisco também é dispensado de provar acréscimo patrimonial ou sinais exteriores de riqueza.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos, alegações desacompanhadas de provas são insuficentes.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2802-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE. ORIGEM COMPROVADA. RENDIMENTOS OMITIDOS. Os valores depositados em conta corrente cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo do tributo, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Dessa forma, comprovado que o recurso foi transferido por pessoa jurídica na qual o contribuinte atua como procurador, mas não provado que os valores foram oferecidos à tributação, é correto o lançamento por omissão de rendimentos. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Aplicação da Súmula CARF nº 26. O Fisco também é dispensado de provar acréscimo patrimonial ou sinais exteriores de riqueza. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 05 39 /2 01 1- 56 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos, alegações desacompanhadas de provas são insuficentes. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente de apuração de omissão de rendimentos sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e de omissão de rendimentos representados por depósitos bancários sem origem comprovada, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 217/244). A contacorrente é conjunta com a esposa, ambos foram intimados para comprovar a origem dos depósitos e a autuação imputou a cada um a sujeição passiva em relação a 50% do crédito tributário. Na impugnação, o contribuinte alegou que não houve omissão de rendimentos, pois os valores tributados como recebidos de pessoa jurídica são da empresa Boeing e apenas transitaram pela sua conta; e os depósitos tributados também são recursos da empresa que utilizou para pagar despesas da mesma, como comprovam os cheques que relacionou e cuja natureza da despesa evidencia ser empresarial e não do contribuinte pessoa física, outros depósitos são justificados pelo recebimento de pagamento pela venda de imóveis ou financiamento de veículo para fazer capital de giro da empresa Multimarcas. Contestou a multa por ter caráter confiscatório. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720539/201156 Acórdão n.º 2802002.569 S2TE02 Fl. 396 3 A impugnação foi indeferida sob fundamento de que cabe ao contribuinte comprovar suas alegações com documentação, cuja falta impede comprovar que os rendimentos são da empresa, quanto aos depósitos bancários foi apontado que a documentação carreada pela fiscalização e a falta de documentação, cuja apresentação era ônus do contribuinte, impedem que se reconheça as origens de recursos alegadas, ao passo que multa e juros estão previstos em lei e não cabe à DRJ afastar aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. A ciência do acórdão ocorreu em 16/02/2012. A peça recursal protocolada em 15/03/2012 contém as seguintes alegações: 1. impossibilidade de presunção de omissão de rendimentos apenas por depósitos bancários, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial; 2. não há omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, pois os valores imputados omitidos no lançamento apenas transitaram na conta corrente do recorrente, sendo os valores utilizados inteiramente para quitação das despesas em nome da empresa; 3. às fls. 363/364 combate a omissão em relação aos depósitos bancários em sua conta pois são valores da empresa Boing Esquadrias que foram depositados diretamente em sua conta para realização de pagamentos de contas da empresa, relaciona cheques e justificativas para comprovar que foram para pagamento de despesas da empresa Boeing, descreve depósitos que teriam decorrido da alienação de imóvel e outros do financiamento de veículo no intuito de obter capital de giro para a empresa Boeing; e 4. a multa aplicada fere princípios constitucionais é confiscatória e, portanto, deve ser afastada, entendimento que tem sido acolhido pela jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Das questões preliminares Ainda que haja Recurso Extraordinário com admissão de repercussão geral, envolvendo a constitucionalidade do acesso aos dados bancários sem autorização judicial, quando efetuado pela Receita Federal diretamente às Instituições Financeiras, neste caso concreto os extratos bancários não foram requisitados pela Receita Federal à Instituição Financeira, foram apresentados pelo contribuinte, tornando inaplicável o sobrestamento do Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 processo a que se referem os parágrafos do art. 62A do Regimento Interno do CARF por não haver identidade em relação à matéria tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314, notadamente pela interpretação restritiva que foi dada pela Portaria CARF nº 01/2012. Registro que, nesse ponto, foram vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano entenderam que se deveria sobrestar o julgamento porque a apresentação de extratos bancários em atendimento à intimação fiscal não deve ser considera um ato espontâneo e equipara a situação à Requisição pela Receita Federal diretamente à Instituição Financeira. Do mérito O acórdão recorrido apontou minuciosamente as razões pelas quais rejeitou cada uma das alegações do impugnante. Caberia ao recorrente fazer contraponto a cada uma das objeções e suprir a carência de prova, entretanto, o recorrente não trouxe outros documentos, limitouse a resumir as principais alegações da impugnação. I Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício No auto de infração é imputado ao contribuinte omissão de rendimentos no valor de R$55.000,00, uma vez que, após intimado para comprovar a origem dos depósitos em sua conta, o contribuinte comprovou que dois depósitos foram efetuados pela empresa Boing, o que levou a fiscalização a tributar esses valores como rendimentos tributáveis. Os valores depositados em conta corrente cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo do tributo, submeter seão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Dessa forma, comprovado que o recurso foi transferido por pessoa jurídica na qual o contribuinte atua como procurador, mas não provado que os valores foram oferecidos à tributação, é correto o lançamento por omissão de rendimentos. Abaixo serão transcritos trechos do voto condutor do acórdão de primeira instância que refutam as alegações que foram feitas na fase de fiscalização, na impugnação e novamente na fase recursal. Pelos documentos apresentados, restou comprovado no procedimento fiscal que os depósitos acima especificados tiveram como origem a empresa Boing Esquadrias. O depósito de R$ 15.000,00 foi transferido da conta corrente da Boing Esquadrias Ltda. para a do contribuinte, e o depósito de R$ 40.000,00 foi efetuado mediante o cheque nº 900001, emitido pelo contribuinte Mauro José Guiss Rausis, para pagamento da compra do apartamento nº 403, do Edifício Saint Peter, de propriedade da Boing Esquadrias Ltda. Outrossim, o detalhamento do depósito fornecido pelo Banco Bradesco S/A, fl. 76, demonstra o ingresso do valor de R$ 40.000,00 na conta corrente do impugnante. (...) No Termo de Intimação nº 612/2010, dentre outros esclarecimentos, a Boing Esquadrias Ltda. foi intimada a informar as datas e valores de todos os pagamentos efetuados ou valores recebidos do contribuinte Marcelo Boing no período de 01/01/06 a 31/12/06, com a especificação a que se refere cada um desses valores; a Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720539/201156 Acórdão n.º 2802002.569 S2TE02 Fl. 397 5 juntar comprovantes (recibos, contratos, cópia de cheques, recibos de depósito ou transferências bancárias, extratos bancários, etc); e, ainda, apresentar cópia das páginas dos Livros Fiscais (Diário e Razão) que contemplem os lançamentos contábeis relativos aos pagamentos e/ou recebimentos efetuados. Como se vê da resposta da empresa, à fl. 165, esta informou que repassou alguns valores ao procurador Marcelo Boing a título de comissão pela intermediação na venda de imóveis de sua propriedade, sem, todavia, especificálos. Tocante à escrituração contábil, deixou de apresentála, justificando que no período “não tinha de forma completa toda a escrituração contábil”. Relatou, também, que se encontrava com problemas perante algumas instituições bancarias, motivo pelo qual grande parte dos montantes recebidos pela alienação dos apartamentos de sua propriedade teriam transitado pela conta corrente do procurador da empresa, Marcelo Boing, para posterior realização de pagamentos a funcionários e de outras obrigações de responsabilidade da empresa. Na oportunidade, a intimada não apresentou qualquer comprovante relativo ao pagamento das despesas que teriam sido efetuados pelo contribuinte em epígrafe. Diante da ausência de prova das alegações do contribuinte, de que os valores tributados como omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício (R$ 55.000,00) pretensamente pertenciam à Boing Esquadrias Ltda. e foram utilizados para pagamento de despesas desta, os créditos acima especificados, comprovadamente oriundos da Boing Esquadrias Ltda., foram tributados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo contribuinte. Em sede de impugnação, consoante já dito, as alegações a serem apreciadas são as mesmas trazidas a conhecimento no procedimento fiscal. O contribuinte elenca uma série de pagamentos efetuados com cheques emitidos vinculados a sua conta corrente, os quais assevera que tiveram como destinação o pagamento de despesas da Boing.. (...) Embora o impugnante defenda que esses pagamentos, por si sós, denotam que valores depositados pela empresa Boing Esquadrias, ora considerados como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, apenas transitaram na sua conta corrente e foram utilizados para quitação das despesas em nome da empresa, não há nenhum elemento de prova nos autos nesse sentido, porquanto o contribuinte somente apresentou as cópias dos cheques emitidos por ele, acima listados (fls. 295 a 314). A vinculação de créditos efetuados pela representada Boing Esquadrias Ltda. na conta corrente do contribuinte a pagamentos de despesas da pessoa jurídica pela pessoa física do contribuinte, enseja a necessária prova, que se dá mediante a apresentação de recibos de pagamentos/notas fiscais emitidos em nome da Boing Esquadrias Ltda., vinculados aos cheques emitidos pelo contribuinte, e, ainda, com a indispensável apresentação da escrituração contábil da pessoa jurídica com o registro das despesas. Assim, as alegações apresentadas pelo contribuinte estão desprovidas de elementos de prova suficientes para comproválas. (grifos acrescidos). Na falta de novos elementos, cuja apresentação é ônus do recorrente, não merece reparo o acórdão recorrido, cujos citados fundamentos ora são adotados como razão de decidir. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 II – Dos depósitos de origem não comprovada Aplicase a Súmula CARF nº 26 para rejeitar as alegações de que não se pode tributar com base em depósitos bancários ou que seja necessário comprovar consumo ou acréscimo patrimonial. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Uma vez intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada, conforme assentado na jurisprudência desse conselho e disposto no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vejamos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 (...)IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos.Recurso parcialmente provido.(acórdão nº 10423276, de 2562008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 (...) Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720539/201156 Acórdão n.º 2802002.569 S2TE02 Fl. 398 7 especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.(...)Recurso voluntário parcialmente provido.(acórdão nº 10616977, de 2662008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: (...)IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COTITULARIDADE NO ANO AUTUADO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CADA DEPÓSITO, INDIVIDUALIZADAMENTE Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. No tocante à presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. Ausente a comprovação de cotitularidade na conta de depósito, afastase as conseqüências dessa realidade. Recurso voluntário provido parcialmente.(acórdão nº 106 17092, de 8102008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Ementa: (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Recurso negado (Acórdão 2802002.004, 2ª Turma Especial, de 20/11/2012.Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Relacionar cheques não aproveita o recorrente neste item do lançamento, pois (a) o ônus a ser exercido é comprovar os créditos e não os débitos; e (b) no item precedente há fundamentação suficiente para demonstrar que o relacionamento, por si, só não foi suficiente para vincular a movimentação na conta do contribuinte com operações da empresa Boeing. O recorrente sustenta que os depósitos de R$13.429,10 (janeiro), R$19.500,00 (fevereiro), R$6.384,00 (março) e R$30.000,00 (junho e não março como informou o recorrente), todos em 2006, decorreram da alienação do apartamento 203 do Edifício Residencial Maria de Fátima. Esta alegação vem sendo feita desde a fase de fiscalização e foi objeto de acurado apontamento no acórdão recorrido. Em relação à decisão recorrida, o único contraponto contido no recurso voluntário referese à falta de documento que comprove as afirmações da autoridade fiscal para desqualificar as justificativas do contribuinte. Essa é uma alegação que não procede, pois a autoridade fiscal intimou o adquirente do imóvel e a documentação alusiva às respostas do intimado constam às fls. 169/174. Diante do exposto, a fundamentação do acórdão recorrido não merece reparo, razão pela qual é transcrita abaixo e adotada como razão de decidir. Intimado, o contribuinte César Aristo da Silva apresentou à fiscalização cópia do Contrato Particular de Compra e Venda do Imóvel, mesmo documento apresentado por Marcelo Boing, celebrado em 13/04/05 (fls. 170 a 172), e o Contrato Particular de Confissão de Dívida de 12/07/05 (fls. 173 e 174). Em sua correspondência de fls. 169, o Sr.César Aristo informou que as parcelas A, B e C da cláusula segunda do Contrato de Compra e Venda, que somam R$ 125.000,00, foram quitadas no ano de 2005, conforme previsto no próprio contrato. Acrescenta que o Contrato Particular de Confissão de Dívida comprova a quitação já na data de 12/07/05, pois registra apenas o débito remanescente de apenas R$ 35.000,00 a ser quitado até março de 2006. Esse último valor corresponde à parcela D da cláusula segunda do Contrato de Compra e Venda. Acerca da forma de pagamento do valor de R$35.000,00, declarou o adquirente que o pagamento ocorreu em dinheiro no início do mês de março de 2006, e o valor (cerca de R$ 40.000,00, em virtude das correções previstas em contrato) foi entregue à irmã do Sr. Marcelo Boing, no local de trabalho do Sr. César Aristo (Deinfra Departamento de Infraestrutura do Estado de Santa Catarina, situado na rua Tenente Silveira, 162, 7º andar, centro, Florianópolis/SC), mediante contraentrega de uma nota promissória emitida por ele em 12/07/05, por ocasião da lavratura do Contrato Particular de Confissão de Dívida. Informou, ainda, que a nota promissória foi destruída após seu resgate. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720539/201156 Acórdão n.º 2802002.569 S2TE02 Fl. 399 9 Como se vê, as informações do adquirente do imóvel são divergentes daquelas prestadas pelo contribuinte, lembrando que a este cabe o ônus de comprovar suas alegações, o qual, por sua vez, não apresentou qualquer documento que comprove que os valores acima listados decorrem de pagamentos da transação imobiliária em referência. Conforme salientado pela autoridade lançadora, o Sr. César Aristo da Silva afirmou que o único pagamento realizado com relação ao imóvel no anocalendário 2006, mais precisamente no mês de março, foi de R$ 40.000,00, e nenhum dos créditos bancários indicados pelo Sr. Marcelo Boing têm relação com a operação de compra e venda do imóvel. Consta do Termo de Verificação Fiscal que os dois primeiros depósitos acima indicados foram em cheque e são anteriores à data de pagamento (11/01/06 e 15/02/06). O depósito de R$ 6.384,00, realizado em data próxima ao recebimento dos valores (20/03/06), também não está vinculado à alienação do imóvel, e, segundo o detalhamento do depósito fornecido pelo Banco Bradesco S/A (fls. 73), foram utilizados 09 (nove) cheques de bancos diversos para a feitura do depósito. Dois deles (um de R$ 496,00 e outro de R$ 200,00), foram, inclusive, devolvidos pelos bancos sacados (fls. 21). O último depósito indicado (R$ 30.000,00 na data de 16/06/06) também não pode ser relacionado com o valor de R$ 40.000,00 pago pelo Sr. César Aristo da Silva, uma vez que ocorreu três meses após o pagamento, que se deu em março de 2006. Ademais, ressaltese que o valor total de R$ 64.617,10 indicado pelo Sr. Marcelo Boing ultrapassa o valor de R$ 40.000,00 pagos pelo Sr. César Aristo da Silva no ano de 2006. Desse modo, não pode ser acolhida mais esta justificativa apresentada. Para outros depósitos, que totalizam R$134.432,01, o recorrente reitera a alegação de que são provenientes da venda do apartamento 72 do Edifício San Diego, pois totalizam valor próximo ao total estipulado no contrato particular de promessa de compra e venda assinado em 01/08/2003 (fls. 101/102), que o contrato é a prova da origem alegada. Entretanto, no lançamento e no acórdão recorrido foi anotado que não fora comprovada essa alegação, uma vez que o contrato desacompanhado de outros elementos não é o suficiente. Andou bem o acórdão recorrido, afinal (a) há divergência de valores e datas, (b) a escritura e o adquirente contradizem a versão do recorrente, (c) por lei o ônus da comprovação é do recorrente, (d) não há elementos nos autos que permitam formar convicção acerca da vinculação da série de cheques depositados de 01/08/2006 a 04/12/2006 com o citado contrato de compra e venda; (e) não há razoabilidade em lavrar uma escritura que dá quitação em outubro de 2006 e receber, após essa data e ao longo do ano, cheques e depósitos em dinheiro em pagamento do imóvel. A aquisição do automóvel junto ao Banco ABN foi por preço vil em razão de ser um veículo recuperado (PT – Perca Total, sic) e não há recibo de transferência porque o veículo foi apreendido pelo Banco, pois pagou apenas 4 parcelas. O recorrente pretende que outros depósitos tenham origem comprovada com base na alegação de ter recebido parcelas de financiamento pelo automóvel. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 À fiscalização o contribuinte informara que os valores do financiamento teriam sido recebidos por uma loja de veículos multimarcas, depositados na conta de um de seus vendedores, que por sua vez, teria repassado em parcelas por meio de depósitos em sua conta corrente no Bradesco, porém o contribuinte não informou a loja de veículos nem o funcionário que teria depositado os valores em sua conta. Essa alegação foi devidamente refutada pela autoridade fiscal. Vejamos: Com relação aos documentos apresentados pelo contribuinte, não há muito que discorrer, uma vez que não guardam relação com o ingresso dos R$ 165.836,06 em sua conta corrente. Chama a atenção, entretanto, que o Recibo de Transferência do veículo da antiga proprietária, Luizete Abrahão Mansur Tuma, para o Sr. Marcelo Boing, no valor de R$ 200.000,00 (fls. 150 e 151), estranhamente, não foi registrado no üetran. Conforme tela de consulta apresentada pelo próprio contribuinte (fls. 154), o veículo foi transferido diretamente da Sra. Luizete Abrahão para a empresa J. Bana Comércio de Pneus e Acessórios Ltda., sem passar pelo nome do Sr. Marcelo Boing. Voltando ao assunto de interesse (a origem dos R$ 165.836,06 depositados na conta corrente do Sr. Marcelo Boing), a versão apresentada pelo contribuinte de que 13 (treze) depósitos de valores e datas diversos procederiam do valor liberado pelo Banco ABN AMRO Real não encontra qualquer respaldo nos documentos trazidos aos autos. Em primeiro lugar, não há prova alguma da alegada circularização do dinheiro, que teria passado por uma loja de carros e por seu vendedor até finalmente aportar na conta corrente do contribuinte. Não foi trazido nenhum documento a respeito dessas transferências e nem mesmo foi informado o nome da empresa e desse funcionário. Além disso, no contrato de financiamento não há a indicação da participação de nenhuma outra pessoa física ou jurídica no negócio celebrado entre o Sr. Marcelo Boing e o banco ABN AMRO Real. O próprio contribuinte afirma que o financiamento não tem nada a ver com a operação de aquisição do veículo, que teria se dado por valor bem abaixo dos R$ 200.000,00 constantes no Recibo de Transferência de fls. 150 e 151. Outra coisa que chama a atenção é que nesses casos de refinanciamento com garantia de veículo próprio (que é o que alega o contribuinte e o que deixa transparecer o contrato de financiamento), os valores são creditados pelo agente financeiro diretamente na conta bancária do mutuário. Entretanto, não há nenhum crédito bancário realizado pelo banco ABN AMRO na conta corrente do Sr. Marcelo Boing. Diante de todas essas incongruências e ausência de provas, não há como considerar que os créditos bancários indicados pelo Sr. Marcelo Boing tenham origem na operação financeira consubstanciada no contrato de fls. 146 e 147.” A ausência de provas das alegações do impugnante levou o acórdão recorrido a refutálas, ratificando o entendimento da autoridade lançadora e, persistindo a falta de provas na fase recursal, resta tão só rejeitar as alegações do recorrente adotando os fundamentos acima transcritos. Os argumentos acima expostos permitem concluir que o acórdão recorrido e o lançamento não padecem de vício de razoabilidade ou proporcionalidade. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720539/201156 Acórdão n.º 2802002.569 S2TE02 Fl. 400 11 A multa de ofício foi aplicada com base em preceito legal, cuja aplicação é dever da autoridade lançadora, ao passo que ao julgador administrativo é vedado deixar de aplicar lei com fundamento em inconstitucionalidade, como ocorreria se o julgador apreciasse o pleito acerca do caráter confiscatório da penalidade. Aplicase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10920.910092/2009-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVAS.
É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição cumulado com declaração de compensação, transmitido em 28/12/2006. Por meio de despacho decisório, notificado ao contribuinte em 15/07/2009, a compensação não foi homologada. O motivo invocado pela autoridade administrativa foi que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 92 /2 00 9- 56 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 valor do DARF vinculado à compensação estava inteiramente alocado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou o contribuinte que sua contabilidade era terceirizada. O profissional contratado desconhecia na íntegra a legislação do PIS e Cofins e durante muito tempo efetuou recolhimentos a maior a contribuição. Tendo percebido o fato, a empresa recalculou os tributos indevidamente recolhidos e passou a compensálo com créditos vincendos. O preenchimento da DCTF e do DACON ocorria por conta do escritório contábil e por diversas vezes desconhecia o conteúdo das declarações apresentadas pelo contador à Receita Federal. A DRJ – Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquele acórdão em 29/11/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2011, alegando, em síntese, o seguinte: 1) houve erro do contador em recolhimentos da contribuição efetuados em períodos anteriores, em razão do não aproveitamento de créditos legítimos aos quais tem direito, conforme demonstrado na planilha anexa; 2) o fato do contador não ter retificado previamente as DCTF e os DACON não obsta o seu direito à compensação; 3) a glosa efetuada pela autoridade administrativa é indevida, pois se havia dúvida quanto à legitimidade do crédito, poderia ter sido feita sua verificação por meio de procedimento de fiscalização; 4) os valores declarados em DCTF não são intocáveis e só se subsumem à condição de confissão de dívida quando efetivamente devidos; 5) invocou o princípio da verdade material e requereu o deferimento de diligência a fim de que reste comprovada a legitimidade da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que no caso concreto o despacho que não homologou a compensação está escorado na inexistência do crédito, pois o valor do DARF informado no PER/DCOMP está integralmente vinculado à quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.910092/200956 Acórdão n.º 3403002.440 S3C4T3 Fl. 3 3 Portanto, cabia ao contribuinte o ônus de comprovar a existência do indébito, a fim de elidir o referido despacho. O contribuinte alegou que efetuara recolhimentos indevidos, em razão de seu contador não ter descontado créditos legítimos da contribuição, os quais estariam demonstrados nas planilhas anexas ao recurso. Invoca, ainda, o princípio da verdade material para requerer diligência, a fim de que a fiscalização verifique a existência do indébito alegado. O art. 74, VI, § 7º da Lei nº 9.430/96 estabelece que no caso de não homologação da compensação declarada, o sujeito passivo será intimado a efetuar o pagamento em 30 dias, ressalvado o disposto no § 9º. O § 9º estabelece que é possível apresentar manifestação de inconformidade, enquanto que e o § 11 estabelece que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguirão o rito do Decreto nº 70.235/72, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Por seu turno, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)” (Grifei) À luz do art. 16, III, do PAF, caberia ao contribuinte ter comprovado os alegados erros cometidos por seu contador, assim como as bases de cálculo das contribuições e os créditos que supostamente não teriam sido descontados por ocasião das apurações mensais. Por não ter trazido a prova da existência do indébito, não restou outra alternativa ao julgador de primeira instância, a não ser indeferir a manifestação de inconformidade. A defesa alegou que a falta de retificação das declarações não afasta o direito à compensação do que pagou a mais e invocou, no recurso voluntário, o princípio da verdade material para justificar a realização de diligência, a fim de que fosse aferida a existência do indébito. Realmente, a falta de retificação da DCTF e do DACON não suprime o direito de o contribuinte reaver eventual indébito por pagamento indevido. Entretanto, é ônus processual do contribuinte demonstrar a certeza e a liquidez do indébito alegado. As diligências se prestam para esclarecer dúvidas e obscuridades decorrentes da análise dos elementos de prova juntados aos autos pelas partes após terem se desincumbido do ônus processual de provar os fatos jurígenos do direito que alegam. Diligências não se prestam para produzir as provas que deveriam ter sido trazidas aos autos pelas partes no momento processual oportuno. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A regra do art. 16, III, do PAF é clara: cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. A planilha apresentada com o recurso voluntário nada comprova, pois veio desacompanhada dos documentos contábeis hábeis a dar suporte aos números alegados. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10865.003726/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO.
A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao titular da conta-corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte - titular da conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao titular da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte titular da conta corrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 26 /2 00 9- 24 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 386 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 10ª Turma da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 01/12/2009, o Auto de Infração de fls. 02/08, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada, Exercícios 2005 e 2006, correspondentes aos AnosCalendário 2004 e 2005, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 113.398,72, dos quais R$ 70.479,38 correspondem a imposto, R$ 7.047,93 a multa proporcional, e R$ 35.871,41 a juros de mora, calculados até 30/11/2009. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação de Infração Fiscal, às fls. 09/15 e nos dá conta de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. O enquadramento legal está previsto na seguinte legislação: art. 42, da Lei n° 9.430/96, art. 1o da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002, art. 1o da Lei n° 11.119/2005 e art. 849, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Os valores que efetivamente ingressaram na conta corrente do contribuinte, a título de depósitos e/ou créditos, mantidos em instituições financeiras, que não se fez prova da origem dos recursos, encontramse especificados no Demonstrativo do Termo de Verificação de Infração Fiscal e decorrem de procedimento fiscal, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08112002008 10539, de 08/01/2009, em face das divergências havidas entre os valores de receita informados na Declaração de Imposto de Renda pessoa Física DIRPF dos anos calendário de 2004 a 2005 e a sua movimentação financeira informada pelas instituições financeiras à Receita Federal do Brasil através das Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira DCPMF. Intimado a apresentar os extratos dos bancos movimentados no período e justificar a origem dos Fl. 386DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 387 3 recursos ingressos através do Termo de Início de Ação Fiscal, às fls. 30/34, o contribuinte solicitou que os mesmos fossem requisitados pela Receita Federal diretamente às instituições financeiras, o que foi atendido. A partir dos extratos bancários, apurouse os recursos ingressos em conta corrente, expurgandose as transferências de valores entre as contas bancárias de mesma titularidade do contribuinte com coincidências de data, valor e operação, bem como cheques depositados e devolvidos, empréstimos, estorno de débito e outros por não representarem ingresso de novos recursos. Concedidas várias prorrogações de prazo com o atendimento parcial, o contribuinte através da planilha de conciliação de fls. 164, cujas informações sobre a origem de recursos foram consideradas procedentes, por se tratarem de empréstimos bancários. Complementando as informações, o fiscalizado anexou planilha de fls. 169/171, onde identifica as seguintes pessoas como responsáveis por alguns depósitos em suas contas bancárias: Transportadora Gaino Ltda CNPJ 47.005.699/000146; Gaino Distribuição e Logística Ltda CNPJ 04.294.615/000129 e José Aparecido Gaino CPF 868.580.33845. No entanto, não esclareceu a que título deveuse tais operações. Acrescenta a Auditoria Fiscal que, nas declarações prestadas, o contribuinte alegou tratarse de devolução de recursos, os quais teriam sido enviados à transportadora para quitar obrigações junto a fornecedores, pois a mesma estaria passando por dificuldades financeiras. Contudo, tais alegações não vieram acompanhadas de documentação hábil e idônea que as comprovassem. Quanto aos depósitos recebidos da empresa Gaino Distribuição e Logística Ltda, o contribuinte assumiu como rendimentos tributáveis e quanto aos depósitos efetuados por José Aparecido Gaino, foram entendidos como empréstimos entre familiares. Os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada foram consolidados nas planilhas fiscais de fls. 12/13, apurandose os seguintes rendimentos omitidos: “...” Em face do falecimento do contribuinte no ano de 2006 e até o final da ação fiscal não ter ocorrido o encerramento do espólio, todos os atos foram assinados por seu Fl. 387DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 388 4 inventariante, Sr. José Aparecido Gaino CPF 868.580.59878. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 07/12/2009, às fls. 177, tendo ingressado com a impugnação de fls. 180/205 e documentos de fls. 206/231, em 06/01/2010, alegando, em síntese: 1) Requer o cancelamento de parte do Auto de Infração em virtude da ocorrência da decadência para o período de janeiro a novembro de 2004, por se tratar de lançamento por homologação, citando art. 142 e 150, IV do CTN c/c art. 42, § 4o, da Lei n 0 9.430/1996. Cita ainda doutrina e decisões administrativas e judiciais; 2) Não configuração dos depósitos bancários como rendimento tributável, não existe renda presumida a qual deve ser real, devendo ser provado, o nexo causal entre os depósitos e a renda, pelo fisco que é responsável pela apresentação de provas que ensejam o lançamento. Cita art. 849 do RIR/99, Súmula 182 do TFR, arts. 113, § Io e 142 do CTN, art. 5o, § 4o, da Lei Complementar n° 105/2001, doutrina e decisões administrativas; 3) Os depósitos bancários estão identificados e suas origens totalmente evidenciadas, conforme reconhece o fisco por diversas vezes, não havendo razão para serem tratados pelo art. 42, da Lei n° 9.430/1996; 4) Afirma que grande parte dos valores que transitaram na conta corrente não pertencia ao impugnante, que forneceu elementos de comprovação de suas operações bancárias, que é o fisco quem tem o poder de apurar os fatos, não podendo o fiscalizado requisitar a terceiros tais comprovações; 5) A impugnante esclareceu que a Transportadora Gaino Ltda, por não possuir linhas de crédito para realizar negociações, utilizouse da conta corrente do impugnante para efetuar algumas transações comerciais; 6) A fiscalização acatou como comprovados somente as transferências realizadas entre as pessoas da família, sob alegação de que as operações mantidas com as pessoas jurídicas não foram instruídas satisfatoriamente, porém o dinheiro transitou entre as contas, crédito na conta corrente da impugnante corresponde a um débito de igual valor na mesma data da pessoa identificada como titular do crédito; 7) Apresenta reprodução parcial da planilha denominada Valores recebidos de transferências entre as contas Fl. 388DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 389 5 fiscalizadas, enviada ao fisco em 11/11/2009, comprovada através dos históricos bancários; 8) Em virtude do tempo transcorrido, do número de lançamento e das pessoas jurídicas envolvidas, fica prejudicada a alocação dos valores, visto que parte envolve pagamento a. fornecedores, requer prazo para posterior comprovação e juntada de novos documentos; 9) No Auto de Infração das pessoas jurídicas, o fisco aceitou o fato de que os valores das pessoas físicas, transferidos para as pessoas jurídicas, são rendimentos destas últimas, conseqüentemente, nas pessoas físicas deverão os valores serem excluídos da base de cálculo , sob pena de dupla tributação; 10) No ano de 2004 fezse necessário buscar recursos junto a terceiros os quais começaram a adentrar nas contas físicas e jurídicas envolvidas, porém somente em 2006 é que tal dívida foi confessada conforme instrumento particular registrado antes do início da ação fiscal e planilhas elaboradas à época dos fatos encontrandose em desktop disponível à perícia, caso necessário, comprovando sua elaboração antes do início da ação fiscal. Requer prazo para posterior juntada de novos documentos, pois continua diligenciando junto a terceiros; 11)Deveria o fisco proceder a circularizações e diligência fiscal nos eventuais beneficiários de valores que transitaram pelas contas correntes do impugnante, em observância ao princípio da verdade real e do poder/dever que dispõe a fiscalização. Cita doutrina; 12) Necessária conversão em diligências do presente julgamento podendo o auditor autuante se manifestar e também requisitar novos documentos necessários à obtenção da inafastável e imprevisível verdade real; 13) A doutrina pátria declara ilegais e inconstitucionais as multas com efeitos confiscatórios, devendo ser aplicadas como penalidade e não como meio arrecadatório, como se tributos fossem. A multa aplicada fere princípios do Direito Administrativo: proporcionalidade e razoabilidade. Requer revisão da penalidade aplicada. Cita doutrina, decisões judiciais; 14) Requer que as intimações sejam feitas em nome dos patronos do impugnante; 15) Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial sustentação oral, juntada Fl. 389DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 390 6 de novos documentos, perícias e auditoria contábil e quaisquer outras provas necessárias; Requer seja conhecida a impugnação no sentido de cancelarse o Auto de Infração declarandoo insubsistente.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 331/349. Regularmente cientificado daquele acórdão em 05/09/2011 (fl. 353), o inventariante do espólio, representado por seu advogado (fl. 326), interpôs recurso voluntário de fl. 364/382, em 27/09/2011, no qual requer seja reformada a decisão de primeiro grau, para fins de declarar a nulidade do Auto de Infração lavrado, posto que ficou comprovado que não houve omissão de receitas, nem acréscimo patrimonial para fins de configuração da base de cálculo do imposto de renda, além de abranger períodos que se encontram decaídos. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Auto de Infração imputa ao espólio de José Gaino a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e, em se tratando de critério indireto de verificação de ocorrência de fato gerador, necessário se faz o exame prévio do procedimento fiscal, porquanto dele depende o controle da legalidade do lançamento, tarefa que incumbe às instâncias administrativas de julgamento. O lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, do qual abaixo se transcreve o caput: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê, o dispositivo legal acima transcrito estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (juris et jure) e relativas (juris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua inexistência. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 391 7 Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Cabe, portanto, ao titular apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes. No presente caso, o procedimento fiscal iniciouse em 2008, conforme Termo de Início de Fiscalização, fls. 31/36, quando o contribuinte José Gaino já era falecido, conforme Certidão de Óbito, à fl. 288, atestando que o óbito ocorreu em 20/03/2006. É fato que o espólio não só responde pelos tributos relativamente aos bens deixados e pelos que se vencerem até a partilha, mas também pelos do de cujus antes da abertura da sucessão. Contudo, muito embora utilize o mesmo CPF, o espólio não se confunde com o “de cujus”. São entidades diferentes, valendo lembrar que a Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, assim conceitua o termo espólio:considerase espólio o conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida. Do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, depreendese que quem se encontra obrigado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados é o titular da contacorrente. Portanto, não sendo o espólio o titular da contacorrente não há como lhe exigir que comprove os valores depositados nas contascorrentes do de cujus, a não ser que os depósitos se referissem a período posterior à data da abertura da sucessão, ou seja, após o óbito. Aí sim, haveria que se averiguar quem era o responsável pela movimentação: se o espólio, se o inventariante ou qualquer outro sujeito passivo. Porém, não sendo assim, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte – titular da contacorrente – era vivo. Ressaltase que a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o titular, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Assim, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve se conformar aos moldes da lei, sendo imprescindível que os titulares, e somente estes, sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada aos titulares da contacorrente. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contascorrentes em exame veio à óbito em data posterior a movimentação dos recursos e anterior ao procedimento fiscal, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, uma vez que o espólio não é titular da conta bancária nem tampouco o responsável pela movimentação no período fiscalizado, não poderia a autoridade fiscal terlhe autuado pela infração em questão, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.003726/200924 Acórdão n.º 2801003.107 S2TE01 Fl. 392 8 Considerando o acima exposto, devese cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, tornandose desnecessária a análise das argumentações apresentadas pelo recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10950.902905/2009-87
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 05 /2 00 9- 87 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJCTA, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta, não homologando a declaração de compensação número 31928.77930.121206.1.7.047603. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 31928.77930.121206.1.7.047603, às fls. 01/05, em que foram declarados crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ (código 2362) do período 07/2005, pago em 31/08/2005, no valor originário de R$ 2.272,48, e debito de estimativa de IRPJ (código 5993) do período 03/2006. 2. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Maringá, em 20/04/2009, a fl. 06, a autoridade fiscal não homologou a compensação. Cientificado da decisão em 30/04/2009, conforme informação de fl. 09, tempestivamente, em 01/06/2009, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 10/13, acompanhada dos documentos de fls. 14/75, que se resume a seguir: a. Alega que, no ano calendário de 2005, optou pelo lucro real anual, e efetuou, nos períodos de janeiro a agosto, pagamentos de IRPJ por estimativa com base na receita bruta, e a partir de setembro, levantou balancetes de suspensão, pois os valores pagos com base na receita bruta já superavam o IRPJ devido, apurado com base no lucro real; b. Explica que, nos meses de março, abril, maio, junho e julho de 2005, os pagamentos por estimativa foram feitos em valores superiores aos devidos com base na receita bruta, e estes excessos não foram utilizados no final do período de apuração, ou seja, em dezembro de 2005, tampouco compuseram o saldo negativo do IRPJ do período, apurado na DIPJ/2006, portanto, sem qualquer sombra de dúvida, tratamse de pagamentos indevidos; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902905/200987 Acórdão n.º 1802001.825 S1TE02 Fl. 100 3 c. Esclarece que os valores efetivamente devidos durante o ano calendário de 2005 foram regular e tempestivamente declarados nas DCTFs dos primeiro e segundo semestres, bem como na DIPJ do ano; d. Afirma que os créditos gerados pelos pagamentos indevidos em questão foram utilizados em compensações através das Per/Dcomps: 10946.60190.121206.1.7.042276, 42767.79730.171007.1.7.044108, 07345.90110.121206.1.7.043360, 21912.97327.121206.1.7.046259 e 31928.77930.121206.1.7.047603, com débitos de IRPJ e CSLL devidos a partir do período de apuração janeiro/2006, portanto, as compensações somente se efetivaram a partir do exercício seguinte; e. Anexa demonstrativo dos pagamentos a maior e das compensações por período de apuração; f. Frisa que a autoridade fiscal não contestou os valores pagos, cujos recolhimentos geraram os créditos, depreendendose serem os mesmos procedentes, e portanto, compensáveis; g. Para a compensação de que houve pagamentos a maior, junta cópia das fichas relativas ao IRPJ da DIPJ/2006, das DCTFs do primeiro e segundo semestres de 2005 e do livro razão do ano 2005, onde se encontram escriturados os valores devidos e efetivamente recolhidos a titulo de IRPJ, bem como os valores pagos indevidamente; h. Reclama que o auditor fiscal não homologou as compensações sob a alegação de se tratarem os créditos de pagamentos por estimativa, os quais só poderiam ser utilizados no mês de dezembro ou para compor o saldo negativo do IRPJ do próprio exercício; i. Reitera que não se tratam meramente de pagamentos por estimativa, mas sim de pagamentos por estimativas indevidos, ou seja, pagos em valores maiores que os devidos por estimativa; j. Acrescenta que no ano 2005, já no mês de agosto, havia pago IRPJ em valor superior ao efetivamente devido com base no lucro real, fato que se repetiu nos meses seguintes; e que na DIPJ não há linhas disponíveis para lançamentos de valores pagos a maior que os devidos por estimativa; k. Questiona se os valores pagos e comprovadamente indevidos não poderão ser compensados com débitos mesmo que de exercícios futuros; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 I. Aduz que os créditos utilizados nas Per/Dcomps originaramse de pagamentos de tributos federais (IRPJ) a maior ou indevidamente, portanto, passíveis de compensação, conforme preceitua o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002; m. Requer a homologação das compensações e anexa documentos. 3 É o relatório.” Em sua decisão, a DRJCTA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. VIGÊNCIA DA 1N/SRF N° 600/2005. IMPOSSIBILIDADE. Na vigência da IN/SRF n° 600/2005, o pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL somente poderá ser utilizado ao final do período, para ser deduzido na apuração do tributo devido, sendo irrelevante a revogação da limitação pela IN RFB n° 900/2008, a qual não retroage, por força da regra de direito intertemporal do tempus regit actus.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte pleiteia a reforma do julgado, para que seja reconhecido o crédito contido na declaração de compensação submetida e, consequentemente, seja esta última homologada. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Da Admissibilidade A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 15.10.2011, conforme aviso de recebimento e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 04.11.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902905/200987 Acórdão n.º 1802001.825 S1TE02 Fl. 101 5 Do Mérito Durante a construção da sua tese de defesa, a Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJEstimativa (código 2362), referente ao período de apuração de julho de 2005, recolhido em 31/08/2005, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 31928.77930.121206.1.7.047603. A decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902905/200987 Acórdão n.º 1802001.825 S1TE02 Fl. 102 7 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem para análise do PERDCOMP no. 31928.77930.121206.1.7.047603, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 8 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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