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Numero do processo: 18471.001454/2008-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2001
NFLD. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. RELANÇAMENTO. POSSIBILIDADE DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL ORIGINÁRIO.
O auto de infração é considerado nulo por vício formal este pode se valer do prazo elastecido do art. 173, II, do CTN, enquanto que o auto de infração nulo por vício material, pode ser relançado no prazo exíguo dos 5 anos constantes do art.173, I, do CTN, ou ainda do art. 150 §4, do CTN, de acordo com análise das demais questões a serem verificadas pela Turma a quo, as quais vão indicar o termo inicial a ser utilizado.
Numero da decisão: 9202-007.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2001 NFLD. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. RELANÇAMENTO. POSSIBILIDADE DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL ORIGINÁRIO. O auto de infração é considerado nulo por vício formal este pode se valer do prazo elastecido do art. 173, II, do CTN, enquanto que o auto de infração nulo por vício material, pode ser relançado no prazo exíguo dos 5 anos constantes do art.173, I, do CTN, ou ainda do art. 150 §4, do CTN, de acordo com análise das demais questões a serem verificadas pela Turma a quo, as quais vão indicar o termo inicial a ser utilizado.
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LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. RELANÇAMENTO. POSSIBILIDADE DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL ORIGINÁRIO. O auto de infração é considerado nulo por vício formal este pode se valer do prazo elastecido do art. 173, II, do CTN, enquanto que o auto de infração nulo por vício material, pode ser relançado no prazo exíguo dos 5 anos constantes do art.173, I, do CTN, ou ainda do art. 150 §4, do CTN, de acordo com análise das demais questões a serem verificadas pela Turma a quo, as quais vão indicar o termo inicial a ser utilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 54 /2 00 8- 82 Fl. 1909DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402004.913, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de lançamento substitutivo da NFLD 35.521.0517, de 25/09/02, tornada nula através da Reforma de DN nº 17.401.4/0294/2004, de 16/03/04, e referese a crédito, apurado com base nos elementos indicados no item 14 do Relatório Fiscal, pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, no montante de R$ 414.202,76 (quatrocentos e quatorze mil, duzentos e dois reais e setenta e seis centavos), consolidado em 25/07/2005. A apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato relativo à construção civil pela empresa CALORISOL ENGENHARIA LTDA, CNPJ 45.658.945/000133. Em decorrência de a notificada integrar grupo econômico, foram chamadas outras empresas partícipes a se manifestarem nos autos, contandose o termo para apresentação de defesa a partir da última empresa cientificada. A empresa tomadora dos serviços contestou o lançamento através do instrumento de fls. 89/97, anexando os documentos de fls. 98/99, os quais comprovam a capacidade postulatória do advogado que assina a impugnação. Notificada por integrar grupo econômico com a contratante dos serviços, a Petrobras Distribuidora S/A impugnou o lançamento às fls. 73/79. Regularmente intimada, conforme se verifica às fls. 67, a empresa prestadora deixou transcorrer in albis o prazo para impugnar o lançamento. Às fls. 163/171, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, através da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0105/2005, julgou procedente o lançamento. Após a interposição dos recursos, às fls. 299, o Serviço de Contencioso Administrativo da DRPRJ, determinou o retorno dos autos à Junta Notificante para que esta se manifestasse sobre os termos do recurso da empresa recorrente (PETROBRÁS S/A). Sobreveio resposta às fls. 308, através de novo relatório fiscal do lançamento, cuja conclusão fora a de se excluir do lançamento as competências de 06/2000 e 04/1999, tendo em vista que fora apresentada documentação específica apta a elidir a responsabilidade. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1682/1691, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2001 Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 18471.001454/200882 Acórdão n.º 9202007.279 CSRFT2 Fl. 10 3 NFLD. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL ANULADO EM DECORRÊNCIA DA AUSÊNCIA CLARA E PRECISA ACERCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VÍCIO INSANÁVEL. NOVO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista que o lançamento original foi anulado pela própria Secretaria da Receita Previdenciária, em decorrência de ofensa o disposto no art. 37 da Lei 8.212/91, por ausência da clara descrição da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, tendo sido, na oportunidade, considerado como erro insanável, caracterizado, portanto, com vício de natureza material, não há que se falar na possibilidade de novo lançamento. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 1693/1695, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, alegando que, em que pese constar na decisão da NFLD originária que o vício que atingia o lançamento tinha natureza formal (falta de descrição clara do fato gerador), a 2ª Turma Ordinária houve por bem reanalisar a questão, concluindo estar a NFLD substituída eivada de vício material. Os Embargos de Declaração restaram rejeitados, às fls. 1698/1699. Às fls. 1701/1705, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: Decadência Vício material Lançamento substitutivo. Apontou a semelhança entre as matérias, pois, temse a lavratura de NFLD (ou Auto de Infração) substitutiva de outra anulada por vício material. Neste caso, o Colegiado a quo foi taxativo em dizer que o lançamento anulado por vício material não permite a lavratura de lançamento substitutivo. Por outro lado, os paradigmas apontados explicitaram que a nulidade de um lançamento por vício material não impede a lavratura de um novo, desde que seja observado que a ciência da nova autuação deve ser dar de acordo com o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4º ou art. 173, I. No caso de vício material, alegou a Fazenda Nacional não caber o prazo mais elástico exposto no inciso II do artigo 173 do CTN. Às fls. 1708/1712, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência relativa à Decadência Vício material Lançamento substitutivo. Cientificada, conforme mensagem de fl. 1715, a Contribuinte PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS apresentou Contrarrazões, às fl. 1720/1737, alegando, preliminarmente, a inadmissibilidade do recurso do Contribuinte por não atender aos requisitos estabelecidos no Regimento Interno do CARF, pois não anexou a cópia do inteiro teor dos acórdãos paradigmas. No mérito, ratificou os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida. Encaminhado para julgamento, a Presidente em Exercício desta c. Turma, às fls. 1787/1788, determinou o saneamento do processo para que retornasse à Unidade de Origem, para cientificar os responsáveis solidários do Acórdão nº 2402004.913, do Recurso Especial interposto pela PGFN e do respectivo Despacho de Admissibilidade. Fl. 1911DF CARF MF 4 À fl. 1790, a Unidade de Origem listou todos os responsáveis solidários, conforme segue: • RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: *EMPRESA: CALORISOL ENGENHARIA LTDA; CNPJ: 45.658.945/000133; ENDEREÇO:R. ANNITA 100 JARDIM CANHEMA – DIADEMA – SP; CEP:09941640 *EMPRESA: PETROBRAS DISTRIBUIDORA S.A.; CNPJ: 34.274.233/000102; ENDEREÇO: R CORREIA VASQUES 250 BAIRRO : CIDADE NOVA RIO DE JANEIRORJ; CEP:20211140 *EMPRESA: PETROBRAS GÁS S.A.; CNPJ: 42.520.171/000191; ENDEREÇO: AV HENRIQUE VALADARES 28 SALA 1.402 CENTRO RIO DE JANEIRORJ; CEP: 20231030 *EMPRESA: PETROBRAS TRANSPORTE S.A – TRANSPETRO; CNPJ: 02.709.449/000159; ENDEREÇO: AV. AV PRESIDENTE VARGAS 328 02 AO 11 – ANDARES CENTRO RIO DE JANEIRORJ CEP: 20091 060 *EMPRESA: PETROBRAS QUÍMICA S.A – PETROQUISA CNPJ: 33.795.055/000194 – INCORPORADA PELA PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A – CNPJ: 33.000.167/000101 As empresas solidárias foram citadas, conforme fls. 1801 (CALORISOL); 1802 (PETROBRAS GAS); 1806 (PETROBRAS DISTRIBUIDORA) e 1807 (TRANSPETRO). Às fls. 1815/1817, a empresa CALORISOL ENGENHARIA LTDA apresentou contrarrazões, ratificando, no mérito, os argumentos da decisão. Às fls. 1841/1848, a empresa PETROBRAS DISTRIBUIDORA S/A apresentou contrarrazões, alegando, em sede de preliminar, ausência de juntada de acórdãos paradigmas divergentes e ausência de conexão entre as matérias decididas pelos acórdãos paradigmas e recorrido. No mérito, reforçou os argumentos da decisão. Às fls. 1852/1863, a empresa PETROBRAS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO apresentou contrarrazões, aduzindo, preliminarmente, as mesmas alegações da empresa anterior, quanto à ausência de juntada de acórdãos paradigmas divergentes e ausência de conexão entre as matérias decididas pelos acórdãos paradigmas e recorrido. No mérito, tratou sobre existência do vício insanável da NFLD e da prova impossível, já que todas as notas fiscais emitidas pela Prestadora de Serviço estavam atreladas no ano de 2001 sob efeito de liminar que impedia a retenção para a seguridade social. Retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 18471.001454/200882 Acórdão n.º 9202007.279 CSRFT2 Fl. 11 5 DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, contudo, face alegação do Contribuinte em sede de contrarrazões deve ser pontuada as razões do conhecimento. Analisando as situações fáticas do acórdão recorrido e paradigma, observase que em ambos o lançamento original foi anulado por vício material, acórdãos, recorrido e paradigmas, chegaram a conclusões divergentes. Enquanto o primeiro entende que o vício material não permite que seja levado a efeito um novo lançamento; os últimos sustentam que esse fato não proíbe uma nova autuação, porém a ciência desse segundo auto deve ocorrer observando o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º ou 173, I do CTN, e não o prazo mais extenso do art. 173, II. Decadência é matéria de norma geral do Direito, logo, para análise da similitude fática tomase como base a regularidade ou não do auto de infração e não o tipo tributários cuja exação foi imputada ao sujeito passivo. Desse modo, resta evidenciada por fim a divergência interpretativa, motivo pelo qual o Recurso Especial da Fazenda deve ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de lançamento substitutivo da NFLD 35.521.0517, de 25/09/02, tornada nula através da Reforma de DN nº 17.401.4/0294/2004, de 16/03/04, e referese a crédito, apurado com base nos elementos indicados no item 14 do Relatório Fiscal, pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, no montante de R$ 414.202,76 (quatrocentos e quatorze mil, duzentos e dois reais e setenta e seis centavos), consolidado em 25/07/2005. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à interpretação da aplicação da Decadência Vício material Lançamento substitutivo. Insurgese a União (Fazenda Nacional) em face de acórdão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF que concedeu provimento ao recurso voluntário. Eis a ementa do acórdão recorrido: Fl. 1913DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2001 NFLD. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL ANULADO EM DECORRÊNCIA DA AUSÊNCIA CLARA E PRECISA ACERCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VÍCIO INSANÁVEL. NOVO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista que o lançamento original foi anulado pela própria Secretaria da Receita Previdenciária, em decorrência de ofensa o disposto no art. 37 da Lei 8.212/91, por ausência da clara descrição da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, tendo sido, na oportunidade, considerado como erro insanável, caracterizado, portanto, com vício de natureza material, não há que se falar na possibilidade de novo lançamento. Recurso Voluntário Provido. (Destaque nosso) Nos termos do artigo 156 do CTN, a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Decadência é a perda do direito de constituir o crédito tributário, após o transcurso de determinado lapso de tempo. Prescreve o artigo 173 do CTN que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos corridos: a) da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento; b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; c) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Importante ainda registrar que, eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos (nos casos em que este tenha superado o previsto no art. 173, I do CTN) Ainda, em havendo o segundo lançamento deve ser apenas parcialmente cancelado, de forma que somente a parte do lançamento referente aos fatos inovados deve ser considerada como decaída, devendo ser mantida a regra de decadência estabelecida pelo art. 173, II, do CTN para os demais fatos. Isso por que o Lançamento Substitutivo deve restringirse tão somente a “ corrigir” o vício que o anulou. Os aspectos relevantes da relação tributária, a exemplo de base de cálculo, sujeito passivo, e descrição dos fatos geradores, devem permanecer os mesmos, sob pena de se configurar nova autuação a partir da utilização de novos critérios, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 18471.001454/200882 Acórdão n.º 9202007.279 CSRFT2 Fl. 12 7 Assim podemos concluir que, se o auto de infração é considerado nulo por vício formal este pode se valer do prazo elastecido do art. 173, II, do CTN, enquanto que o auto de infração nulo por vício material, pode ser relançado no prazo exíguo dos 5 anos constantes do art.173, I, do CTN, ou ainda do art. 150 §4, do CTN, de acordo com análise das demais questões a serem verificadas pela Turma a quo, as quais vão indicar o termo inicial a ser utilizado. Verificase que os fatos apontados no Recurso Especial da Fazenda Nacional inferemse ao ano 2001 e a ciência da segunda NFLD se deu em julho de 2005, a ser analisada sua decadência ou não restritivamente a este fato gerador. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, com retorno dos autos a Turma Ordinária para julgamento das demais questões. É como voto (assinatura digital) Ana Paula Fernandes. Fl. 1915DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002700/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO DECORRENTE DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ.
Quando o lançamento para exigência do IPI é originado em fatos apurados na fiscalização de IRPJ, deve-se declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF.
Numero da decisão: 3201-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência a Primeira Seção do CARF. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: Tatiana Josefovicz Belisário
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LANÇAMENTO DECORRENTE DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ. Quando o lançamento para exigência do IPI é originado em fatos apurados na fiscalização de IRPJ, devese declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência a Primeira Seção do CARF. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 00 /2 01 0- 25 Fl. 4204DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 1433.633, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que assim relatou o feito: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 899/905, lavrado em 31/08/2010, com ciência da contribuinte em 08/09/2010, totalizando o crédito tributário de R$ 26.780.755,05. Segundo a descrição dos fatos de fls. 901/905 e o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 836/882, no período de janeiro a dezembro de 2005, foram constatadas diversas irregularidades em relação ao IPI. 1. Falta de lançamento do IPI, em virtude da saída de produtos do estabelecimento sem a emissão de nota fiscal, apurada através de créditos em conta corrente mantida em instituição bancária, cuja origem não foi comprovada; 2. Falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados, por não ter a contribuinte considerado sua atividade como industrial; 3. Falta de recolhimento do IPI lançado; 4. Falta de recolhimento do IPI pela utilização de créditos indevidos. Integram os autos os Termos de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 617/634 e 635/660) lavrados em desfavor de SPA Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda. e Estaleiro Kiwi Boats Ltda., respectivamente, segundo os quais as operações e a escrita fiscal daqueles contribuintes confundemse com as da interessada, em desacordo com o princípio contábil da entidade, circunstância que motivou a apuração da base imponível de forma consolidada na pessoa da impugnante, tendo a documentação relativa aos procedimentos sido anexada aos presentes autos, passando a compor o processo em pauta. Segundo consta do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 836/882) e dos autos, em decorrência de reiteradas negativas do contribuinte em entregar livros contábeis e fiscais a que estava obrigado, o que caracterizou embaraço à fiscalização, foi proposta aplicação do Regime Especial de Fiscalização (REF). Ao prolatar o despacho decisório que concluiu por implementar tal sistemática, a autoridade fiscal fundamentouse não só no embaraço à fiscalização, como também na confusão patrimonial e de atividade, caracterizada pela localização de três empresas na mesma planta de execução de função única, com expressa ressalva de que tal circunstância, por si só, não implica ilegalidade, desde que as sociedades empresárias participantes sejam distintas (processo n° 11516.000605/201097, fls. 581/588v). Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.205 3 Registra o termo em referência que em face da implementação do REF constatouse infração à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no mês de maio 2010, tratado no procedimento administrativo autuado sob n° 11516.002635/201038. Relativamente à linha de produção, segundo consta do termo (fls. 839 e ss) existem três empresas instaladas na planta fabril, ocupando galpões distintos, porém, interligados, em que...há um galpão onde se inicia a produção dos cascos pela empresa Estaleiro Kiwi Boats Ltda. (laminação, fotos fls. 604 e 605). Esse galpão tem acesso direto a outros três galpões para onde são encaminhados os cascos, conforme o tamanho (fls. 606 e 607), e concluído o processo de fabricação dos cascos nos setores de acabamento. Nos cascos nus, acabados, são montados os acessórios e motores pela empresa ESTALEIRO SCHAEFER LTDA. (fotos 608 a 610), e obtémse como produto final os barcos, conforme catálogos de fls. 611 a 616. Para cada barco a ser construído é criada uma ordem de produção (OP) antes de se iniciar o processo de fabricação (em alguns casos quando a embarcação é vendida antecipadamente). A identificação de cada barco é pelo número da OP, que é constituído (sic) por cinco dígitos: os dois primeiros dígitos identificam o modelo do barco e os três dígitos seguintes o número de série daquele modelo. A construção do barco se inicia somente se existir a OP, que vai acompanhálo desde o inicio da moldagem do casco (Estaleiro Kiwi Boats Ltda.) até a embarcação totalmente concluída, montada com lodos os equipamentos e acessórios (Estaleiro Schaefer Yachts Ltda.). Importantíssimo destacar que não existe um único documento fiscal que dê suporte à transferência do casco nu da empresa Estaleiro Kiwi Boats Ltda. para a Estaleiros Schaefer Yachts Ltda., nem há nesta última, qualquer registro de entrada desses cascos. [...]Desde 11/05/2010, as três empresas estão sob o Regime Especial de Fiscalização, e o que já foi constatado é que atualmente, toda a produção e comercialização de embarcações é realizada pela Estaleiro Schaefer Yachts Ltda. sem que nenhuma mudança na linha de produção tenha sido implementada, ou seja, o grupo assumiu a entidade única da Estaleiro Schaefer Yachts Ltda. Por considerar que a distinção entre as sociedades empresárias era apenas formal, porquanto, materialmente a movimentação era canalizada para Estaleiros Schaefer Yachts Ltda., a imposição tributária englobou as contribuintes SPA Comércio de Fl. 4206DF CARF MF 4 Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda. e Estaleiro Kiwi Boats Ltda. Das intimações No curso da ação fiscal foram endereçadas intimações às três contribuintes para justificar a origem de créditos bancários efetuados em conta de depósitos. Spa Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda. A contribuinte Spa Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda. respondeu que Os valores registrados na conta representam o registro contábil dos depósitos e transferências efetuadas pelos clientes no Banco, para que a empresa efetua o pagamento dos equipamentos e materiais comprados em nome do cliente para serem empregados na montagem de seus kits de embarcação. [...]A empresa não possui documentos que comprovem a realização dos depósitos, exceto o registro da entrada do recurso em sua conta bancária ou no Caixa, quando recursos são entregues pessoalmente pelos clientes. As contabilizações da empresa foram efetuadas com base nos extratos bancários. Instada a descrever suas atividades respondeu que seu objeto principal é a assessoria e administração na compra de embarcações, em que o cliente deposita os valores em sua conta corrente para que eia efetue a aquisição dos materiais necessários à montagem da embarcação. Foram encaminhadas intimações para contribuintes que constavam dos contratos apresentados pela SPA, sendo que alguns enviaram cópias de notas fiscais de aquisição de cascos, montagens, kits e motores, outros afirmaram desconhecer ditos contratos. Novamente intimada a esclarecer a origem dos recursos que transitaram pela conta de depósitos, as alegações da contribuinte não foram satisfatórias, além de levarem a concluir, dentre outras ponderações, que A empresa SPA Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Lida. nunca funcionou no endereço cadastral (uma pequena sala de aproximadamente 20 m2, atulhada de pastas e caixas de documentos), conforme depoimento da proprietária do imóvel que está locado para a empresa Emhracom Empreendimentos Ltda., CNPJ 85.135.283/000131 (fls. 534 e 535) e que no mesmo endereço outras empresas estão cadastradas para se beneficiarem dos favores fiscais do município, que arrecada o Imposto sobre Serviços com base em estimativa; Os sócios, que seriam os profissionais que prestariam os serviços (fls. 158), estão confortavelmente instalados no endereço das empresas Estaleiro Kiwi Boats Ltda. e Estaleiro Schaefer Yachts Ltda., sito a Rod BR 282, n. 18500. Como já foi relatado, as três empresas encontramse, desde 11/05/2010, em Regime Especial de Fiscalização. Em resposta ao Termo de Intimação, a SPA declarou, por escrito (fls. 1138): "A empresa tem sua sede social em Antonio Carlos/SC, mas desenvolve suas Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.206 5 atividades no endereço: Rod BR 282, km 18, 18500, Aririu, Palhoça/' SC"; Que os supostos serviços prestados pela empresa, conforme alegado nas fls. 149 e 150, "assessoria e administração na compra de embarcações" e que A empresa administra todas as fases envolvidas na aquisição de uma embarcação, verifica o material empregado e os acessórios que compõe a embarcação encomendada (motor, acessórios, rádio, televisão, etc.) " não estarão elencados no Contrato Social (fls. 4 a 8) e estão em contradição com as alegações de fls. 839: "não possuímos registros que permitam individualizar a entrega de numerário efetuada pelos clientes uma vez que o controle dos materiais empregados e colocados nas embarcações era efetuado pelos proprietários "; [...]Com relação aos valores creditados em conta corrente o contribuinte não justificou um único valor, e é indiscutível que tratamse (sic) de valores depositados por adquirentes das embarcações fabricadas pelo Estaleiro Schaefer Yachts Ltda. nos cascos de fibra fabricados por Estaleiro Kiwi Boats Ltda. (obs: a referência a número de fls. diz respeito ao grupo de volumes designado Anexo I) No quadro descrito no tópico 7.3 do termo (fls. 633) a autoridade fiscal consolidou, mensalmente, as importâncias decorrentes de créditos bancários cuja origem não fora justificada e considerados omissão de receita, para efeitos de imposição tributária. Estaleiro Kiwi Boats Ltda. No que diz respeito à contribuinte Estaleiro Kiwi Boats Ltda. a autoridade fiscal registrou no termo de fls. 635/660 que ficara comprovado que suas operações e escrita fiscal e contábil se confundem com as do Estaleiro Schaefer Yachts Ltda. que dispõe da mesma planta industrial para exercer suas atividades sem, contudo, segregálas contabilmente. Intimada a exibir seus livros fiscais, a contribuinte os apresentou sem o devido registro na Junta Comercial, tendo, por fim, apresentado o Livro Diário registrado após sucessivas instâncias da autoridade fiscal. Quanto aos arquivos magnéticos, alegou que houve problemas na recuperação e não teria como apresentálos. Relativamente aos livros de Controle de Produção e Estoque, de Registro de Inventário e de Apuração do Lucro Real não os exibiu sob a alegação de que não dispunha de elementos que possibilitassem a emissão dos Livros de Registro de Inventário e de Registro de Produção e Estoque. No que se refere aos créditos em conta de depósitos, intimada a justificar a origem dos lançamentos descritos no demonstrativo Fl. 4208DF CARF MF 6 de As. 443/448Anexo II, a contribuinte informou que transitam pelas contas bancárias "valores decorrentes dos recebimentos de valores para pagamentos de materiais adquiridos em nome dos nossos clientes para a instalação em suas embarcações", sem, contudo, apontar sua origem. Intimada a manifestarse acerca da discrepância entre as receitas declaradas na DIPJ e aquelas constantes dos balancetes (fls. 167/246Anexo II), a contribuinte informou que a DIPJ estava preenchida incorretamente, circunstância que ensejou consideraremse receitas os valores declarados nos balancetes antes referidos. No demonstrativo de fls. 649 destes autos a autoridade fiscal elaborou resumo das importâncias que se integraram ao conjunto formado pelas demais coligadas (Estaleiro Schaefer e Spa), consubstanciadas em receita declarada nos balancetes e créditos bancários de origem não comprovada. Ao final, na conclusão dos procedimentos de fiscalização, dentre outras ponderações, a autoridade tributária consignou que: As empresas SPA Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda. CNPJ 07.029.802/000173, Estaleiro Kiwi Boats Ltda., CNPJ 86.994.993/0001¬ 80 e Estaleiros Schaefer Yachts Ltda., CNPJ 03.178.348/000161 desenvolvem suas atividades no mesmo endereço: Rod BR 282, km 18, Palhoça/SC, e tem como principal acionista o sr. Márcio Luz Schaefer (95% do capital das empresas Estaleiro Kiwi Boats Ltda. e Estaleiro Schaefer Yachts Ltda., e 90% da empresa Spa Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda.; O objetivo dessas empresas é projetar, construir e comercializar embarcações de luxo, entre 8,08 m (Phantom 260) e 14,97 m (Phantom 480) de comprimento. As embarcações têm a marca Schaefer Yachts e, segundo matéria jornalística divulgada em noticiário local, os preços variam de R$300.000,00 (a menor/mais barata) a R$3.000.000,00 (a maior/mais cara): No exame das escritas contábeis, comparadas com os extratos bancários, ficou constatado que as empresas não observam o Principio da Entidade, pois a movimentação de recursos entre as contas correntes das empresas não observa o principio da autonomia patrimonial de cada empresa, conforme ficou comprovado com as respostas aos termos de intimação, analisados no item 3 deste Termo; Em observância ao art. 287 do RIR/99, os recursos provenientes de depósitos nas contas correntes da empresa cuja origem não tenha sido justificada, serão tributados na empresa Estaleiro Schaefer Yachts Ltda., que é a empresa que representa a entidade contábil do grupo; A Apuração do Resultado do Exercício do anocalendário 2005, feita pelo contribuinte (fls. 441) não considerou, por deficiencia da escrita (jls. 330), o custo das mercadorias vendidas no período, o que a torna imprestável para apuração do Lucro Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.207 7 Real, devendo ser aplicado o dispositivo da apuração pelo lucro arbitrado; Estaleiro Schaefer Yachts Ltda. Intimada a justificar a origem de depósitos bancários alegou tratarse de importâncias que seriam destinadas a adquirir materiais em nome de clientes para utilização nas embarcações por eles encomendadas. Apresentou relação de importâncias creditadas, "decorrentes de faturamento contra clientes que geravam liquidações de cobranças, descontos de cheques prédatados, liquidações de exportações e liberações de leasing". Novamente notificada a esclarecer a forma como eram contabilizados os ingressos de tais recursos, com vistas a justificar sua origem, a contribuinte informou que "os valores transferidos pela empresa SPA Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda. foram contabilizados a débito das contas Caixa e Banco Bradesco tendo como contrapartida a conta Contrato de Clientes e se referem ao fornecimento de recursos pelo cliente para a compra de equipamentos náuticos." Em vista de que não houve comprovação da origem, a autoridade fiscal sintetizou na planilha de fls. 867/868, após excluir transferências e empréstimo, os créditos bancários cuja origem não fora identificada de titularidade de SPA Comércio de Embarcações e Equipamentos Náuticos Ltda., Estaleiro Kiwi Ltda. e Estaleiro Schaefer Yachts Ltda. Instada a manifestarse sobre as divergências entre o que havia sido registrado no Livro Razão e nos balancetes de suspensão, entregues sob intimação, e no Balanço Patrimonial consignado no Livro Diário, bem assim a justificarse acerca da divergência entre o lucro líquido constante da Demonstração do Resultado do Exercício (R$6.608.899,40) e aquele registrado como Resultado do Exercício no Balanço Patrimonial (R$301.342,91), a contribuinte alegou que a DIPJ estava errada e afirmou que não havia encontrado as referidas divergências, que atribuiu a possível erro em relação aos relatórios encadernados que haviam sido apresentados, ao mesmo tempo em que juntou centenas de folhas avulsas identificadas como Livro Diário. Em vista de que as informações apresentadas peia contribuinte não foram satisfatórias e sob a óptica da autoridade fiscal caracterizaram embaraço à fiscalização, lavrouse Termo de Embaraço e Reintimação (fls. 556/562), no qual foram relatados os fatos apurados, além de a contribuinte ter sido novamente intimada a apresentar Livro Diário registrado na Junta Comercial, haja vista que havia se comprometido a substituir o livro anteriormente entregue. Conquanto em sua resposta a contribuinte alegara que já havia apresentado os livros Diário e Razão, a autoridade fiscal consignou que a contribuinte apenas juntara algumas folhas Fl. 4210DF CARF MF 8 avulsas que não apresentavam os requisitos mínimos para classificálas como livro fiscal. Em face de que a intimada mantevese renitente em não apresentar os livros fiscais, bem assim pelo fato de a apuração do resultado não atender aos preceitos legais a autoridade fiscal utilizouse da norma prescrita no Regulamento do Imposto de Renda, art. 530, I, II e III para arbitrar o lucro. Para tanto, considerou como única entidade contábil as sociedades empresárias Estaleiro Kiwi Boats Ltda. e Estaleiro Schaefer Yachts Ltda., ao mesmo tempo em que consolidou as receitas declaradas de ambas contribuintes, conforme consta do demonstrativo de fls. 863. No cálculo do tributo lançado foram deduzidas as importâncias recolhidas por Estaleiro Kiwi e pela contribuinte, a título de IRPJ e CSLL, conforme descrito na fl. 864. Imposto Sobre Produtos Industrializados Pela falta de distinção entre as operações das empresas, a apuração do IPI também foram consolidadas para as três empresas. As seguintes irregularidades foram constatadas em relação ao IPI: /. Falta de recolhimento do IP!pela utilização de créditos indevidos. A contribuinte foi intimada a apresentar notas fiscais que estavam registradas no Livro Registro de Entradas (fls. 261/264 do anexo II) e não estavam arquivadas. Foram glosados os créditos de IPI referentes às notas fiscais não apresentadas que estão demonstradas às fls. 557/558 do anexo II. A contribuinte foi intimada a justificar o crédito de IPI referente a 5 notas fiscais listadas à fl. 654, que apresentavam distorções em relação ao valor e/ou ao emitente. Em sua resposta (fl. 351/352 do anexo II) reconheceu os erros o que resultou na glosa dos créditos. Também foram glosados os créditos referentes às notas fiscais de retorno de mercadorias ou bens remetidos para demonstração cujas notas fiscais de saída não foram localizadas ou cujas notas fiscais de saídas foram emitidas no anos de 2004, porque a contribuinte não escritura o Livro Registro de Controle de Produção e Estoque, nem registra em sua escrita contábil essas operações, o que torna impossível a verificação do débito do imposto quando da saída das mercadorias. Os valores glosados estão demonstrados à fl. 559 do anexo II. A fl. 656, a fiscalização apresentou resumo das glosas efetuadas. 2. Falta de recolhimento do IPI lançado. A empresa não considerou na apuração do IPI os valores do imposto destacados em notas fiscais de saída de sua emissão relativas a devoluções de mercadorias, resultando em recolhimento/apuração menor do IPI devido. Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.208 9 3. Falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados, por não ter a contribuinte considerado sua atividade como industrial. A empresa Estaleiro Kiwi fabrica cascos nus e os transfere, na mesma unidade industrial, para a empresa Estaleiro Schaefer que monta nesse casco diversos componentes tais como equipamentos elétricos e eletrônicos, mobília, estofados, equipamentos de navegação e motores, entregando um barco completo ao cliente. A empresa Estaleiro Schaefer sustenta que sua atividade é de prestação de serviços, e descreve a operação como a venda de um kit, quando na verdade executa uma operação industrial de montagem, recebendo um casco nu e entregando um barco completo. Conseqüentemente, foi lançado o IPI relativo às saídas de barco, demonstradas às fls. 722/726. 4. Falta de lançamento do IPI, em virtude da saída de produtos do estabelecimento sem a emissão de nota fiscal, apurada através de créditos em conta corrente mantida em instituição bancária, cuja origem não foi comprovada. Conforme já descrito acima, na fiscalização do IRPJ foram constatados depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, caracterizando omissão de receitas. Em decorrência, foi lançado o IPI relativo às receitas omitidas, em conformidade com o parágrafo 2o , do art. 448 do RIPI/2002. Às fls. 876/877, a fiscalização elaborou quadro resumo com os valores de IPI glosados/lançados em virtude das infrações relatadas. Por entender que existiu dolo materializado nas figuras qualificadoras de sonegação, fraude e conluio, a multa de ofício imposta foi majorada para 150% dos tributos lançados. Pela circunstância de a contribuinte não ter prestado os esclarecimentos a que fora intimada, além de não ter apresentado os arquivos ou sistemas previstos nos arts. 11 a 13 da Lei n. 8.218/91, a multa imposta foi agravada em 50%. Regularmente intimada da imposição tributária a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 917/989 com alegação preliminar de que: é improcedente o arbitramento por ausência de apresentação dos livros comerciais e fiscais em vista de que foram exibidos à fiscalização; ademais, existe incoerência entre o ato da fiscalização que arbitra o resultado por ausência de livros e os utiliza para apurar a base imponível; padece de legitimidade o lançamento tributário dirigido apenas contra a impugnante e abrangendo as outras sociedades empresárias, mormente quando o então Conselho de Fl. 4212DF CARF MF 10 Contribuintes havia decidido que inexiste simulação na instalação de duas empresas na mesma área geográfica com objetivo de racionalizar operações e diminuir a carga tributária. Ademais, no caso presente, a autoridade fiscal apenas alterou o contribuinte lançado, de Estaleiros Kiwi anteriormente, para Estaleiro Schaefer, sem levar em conta que não houve mudança da natureza jurídica que anteriormente existia; tendo sido notificada do lançamento em 08/09/2010, os fatos geradores anteriores a 08/09/2005 foram atingidos pela decadência em vista de tratarse de lançamento sujeito ao regime de homologação, independentemente de pagamento, em consonância com o entendimento da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, manifestado nos processos 10980.003190/200254, 10280.005672/0021, 13891.000209/00 29 e 10805.002709/9824; a mera existência de erros nas declarações e nos registros contábeis não configura ou evidencia o intuito de fraude para exigência de multa qualificada e majorada, alterada por legislação posterior, advinda com a Lei n. 11.488/2007, que não pode ser aplicada com efeitos retroativos; o lançamento do crédito tributário não foi antecedido de processo regular de arbitramento, com a instituição do contraditório; no caso do IPI a necessidade de processo anterior ao lançamento está previsto no art 138 do RIPI/2002; promove a instalação de equipamentos que são adquiridos no mercado pelos clientes, ou seja, é prestadora de serviços, estando por esse motivo totalmente fora do campo de incidência do IPI; a divergência entre o faturamento declarado e a movimentação bancária decorre de recursos que clientes colocam à sua disposição para adquirir equipamentos náuticos, que se encontra totalmente registrada na conta Caixa da impugnante; é improcedente lançar apenas contra a impugnante, desconsiderando a personalidade jurídica das demais coligadas, por ausência de dispositivo legal que autorize tal procedimento; é improcedente o arbitramento do resultado, por ausência de fundamentação legal, aliada ao fato de que a necessidade de comprovação da imprestabilidade da escrituração deve ser robusta; é incabível adicionarse a receita conhecida aos depósitos bancários para obtenção da base de cálculo da tributação, bem assim não se deduzirem dos depósitos as importâncias que correspondem à receita efetiva da impugnante; o registro contábil dos depósitos bancários na conta caixa justifica sua origem e impede o lançamento por falta de comprovação da origem; Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.209 11 é ilegal a utilização dos depósitos bancários, obtidos por meio de informações relativas à Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), com finalidade de imposição tributária baseada em créditos bancários de origem não justificada, devendo ser aplicada a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos (TFR) cujo enunciado estabelece ser ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; o Superior Tribunal de Justiça, a partir de caso idêntico, ou seja, a instalação de motores em cascos de embarcações já decidiu que não fica configurada a atividade de industrialização; em relação ao IPI lançado com base em receita omitida, reiterase todos os argumentos tratados sobre o lançamento de IRPJ; ao calcular o IPI incidente sobre as receitas auferidas pela impugnante, a fiscalização acabou por incluir na base de cálculo valores relativos a aquisições efetuadas para revenda, os quais devem ser excluídos; devem ser descontados do eventual lançamento os créditos constantes das notas fiscais de mercadoria, que foram ignorados pela fiscalização; inexiste evidente intuito de fraude apto a ensejar a imposição de multa qualificada de 150%; como não industrializa os produtos e não há incidência de IPI nas saídas, o fato de não destacar o IPI nessas operações não pode ser considerado uma fraude; em relação ao creditamento indevido, o fato de os valores estarem registrados nos livros fiscais que foram apresentados pela impugnante, afasta qualquer alegação de tentativa de se impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador; o aumento de 50% da multa imposta é incabível por ausência da tipificação legal; a imposição da taxa Selic é inconstitucional; no que diz respeito à tributação reflexa do Pis, da Cofins e da CSLL valem as mesmas alegações expendidas relativamente ao IRPJ. Ao final propugnou pelo acolhimento de seu pleito. Após exame das Impugnações apresentadas pelos Contribuintes, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MARCO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. Fl. 4214DF CARF MF 12 A sistemática de lançamento por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, conforme preceitua o § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA. Mantémse a glosa de créditos para os quais a contribuinte não apresenta documentação que suporte o creditamento. IMPOSTO LANÇADO E NÃO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO. E devido o imposto lançado nas notas fiscais de saída e não declarado e nem recolhido. INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de embarcações completas, mesmo que mediante a aquisição de cascos nus, caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectarios legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade refoge à competência da instância administrativa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, de 150%, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artificio doloso, visando sonegação fiscal. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. A falta de atendimento para apresentação de arquivos magnéticos enseja a majoração da multa de ofício em 50%. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação descabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e os autos foram remetidos a esta Turma Julgadora. Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.210 13 Em primeira análise, esta Turma houve por bem, em sede de Resolução, determinar o desmembramento do processo de forma a manter nesta Seção especiliazada de julgamento parte dos lançamentos atinentes especificamente ao IPI e declinar a competência daqueles lançamentos tidos como reflexos / decorrentes do IRPJ que, nos termos do RICARF, são de competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Assim foi concluída a Resolução 3201000.696: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade preparadora, a fim de seja formalizado um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (infração reflexa ao IRPJ), devendo permanecer nos presentes autos as demais infrações à legislação do IPI e o crédito delas consequente. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que entendiam que a competência para o julgamento era só da Primeira Seção. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Todavia, quando do recebimento dos autos pela Autoridade Preparadora, foi produzida Manifestação Fiscal nos seguintes termos: Conforme consta do TVF a escrita do contribuinte foi RECONSTITUÍDA, constando desse TVF o Demonstrativo da reconstituição e outras informações, sendo assim, não há como segregar as infrações. Tratase de conta gráfica (confronto de débitos e créditos), com apuração mensal, conforme determina o RIPI. Separar as infrações incorrese no risco de deixar de cobrar parte do tributo ou cobrálo a maior, o resultado não seria o mesmo. Tendo em vista todo o exposto, proponho pela devolução do processo ao CARF, por falta de amparo legal para apurar o IPI de acordo com a Resolução nº 3201000.696. Assim os autos retornaram e foram redistribuídos à miha relatormia, por sorteio, em face do afastamento provisório do Relator originário e Presidente desta Turma, Charles Mayer de Castro Souza, que se encontra compondo a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 4216DF CARF MF 14 Conforme se verifica do relato dos fatos, houve uma primeira manifestação dessa Turma no sentido de desmembramento do feito de forma a possibilitar o exame das matérias de acordo com a sua especificidade e especialização de competência das Seções de Julgamento deste CARF, conclusão por mim acompanhada. Isso porque, a autuação fiscal de origem decorre essencialmente de lançamento reflexo do IRPJ, além de outros aspectos específicos da legislação de IPI. Tenho, em particular, que a conduta proposta visava dar ao feito o mais adequado exame da matéria. Não obstante, diante da impossibilidade até mesmo técnica de se efetuar a devida segregação, tendo sido aventado, inclusive, que esta poderia acarretar a alteração dos valores devidos a favor ou contra o contribuinte e, consequentemente, inadequado zelo com o lançamento tributário e receita pública, bem como a legalidade do lançamento tributário, não vejo alternativa que não a superação do entendimento inicial. Assim, entendo que deve prevalecer o previsto no RICARF quanto à competência das Seções de Julgamento deste CARF que define à Primeira Seção a competência para julgar recursos de oficio e voluntário, dos tributos conexos, decorrentes ou reflexos, cuja exigência esteja lastreada em fatos apurados em fiscalização do IRPJ, conforme previsto art. 2º, inciso IV do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com as alterações promovidas pela Portaria MF nº 151, de 03 maio de 2016, transcrito abaixo. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova;. No caso em tela, sendo inconteste que, não obstante existam aspectos vinculados exclusivamente à legislação do IPI, a autuação fiscal é essencialmente decorrente de fatos apurados em fiscalização de IRPJ, cabe o NÃO CONHECIMENTO do recurso para declinar a competência do julgamento à Primeira Seção do CARF. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 11516.002700/201025 Acórdão n.º 3201002.856 S3C2T1 Fl. 4.211 15 Fl. 4218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675277/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifestese, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 27 7/ 20 09 -2 2 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.675277/200922 Resolução nº 3401001.563 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido A DERAT São Paulo proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Irresignada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes argumentos: (i) que cometeu equivoco no preenchimento do PER/DCOMP, que o crédito é oriundo de recolhimento indevido de PIS e COFINS, conforme demonstrado no DACON, repete que o crédito efetivamente existe e é suficiente para quitar os débitos compensados; (ii) que conforme planilha que anexa, verificase facilmente que o crédito a que a empresa teria direito é bastante superior ao valor das compensações realizadas; (iii) que a SRFB possui diversos documentos para comprovar se os créditos existem e caso considere insuficientes, pode ainda baixar o presente processo em diligência para que tal comprovação seja feita através de análise mais minuciosa; (iv) apela para o princípio da verdade material, por tratarse de atividade humana, tanto o preenchimento de declarações quanto o ato de lançamento estão sujeitos a erros e equívocos e que nesse contexto, é natural que se cogite uma revisão da glosa da compensação com o objetivo de afastar cobrança indevida; (v) requer que após realização de diligência seja declarada homologada a compensação realizada, cancelando se a cobrança do tributo, de juros e de multa; (vi) ao final, por economia processual, requer ainda, que sejam julgados conjuntamente diversos processos que relaciona. Em Primeiro Grau a DRJ/SP1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16033.888. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, sustentando que o crédito teve origem em levantamento contábil das receitas auferidas e de nova apuração das contribuições devidas, considerando que suas receitas se submetem a tributação tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo; que por um mero equivoco na interpretação da legislação atinente a PIS/COFINS, a Recorrente entendia que todas as receitas por ela auferidas deveriam estar sujeitas à sistemática cumulativa, que assim foram declaradas em DCTF e quitadas via DARF.; que retificou o DACON; que a falta de DCTF retificadora não tem o condão de legitimar a cobrança de tributo, levandose em consideração toda a documentação disponibilizada ao Fisco, vindo ao encontro da jurisprudência do CARF sobre o assunto; apela novamente para o princípio da verdade material e a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.675277/200922 Resolução nº 3401001.563 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.559, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.675272/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.559 "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A manifestação inicial da interessada envolve em suas razões de defesa todo o período do levantamento de crédito a ser ressarcido e passível de compensação, composto por uma série de processos, requerendo inclusive, o ajuntamento dos mesmos para que sejam julgados de forma unificada. Diante da negativa colocada pela DRJ/SP1 para julgamento único, por se tratar de créditos envolvendo períodos de apuração distintos, passa então, a Recorrente, em seu recurso, a tratar do crédito pleiteado para o período de apuração 05/2004, destacandose os seguintes pontos: que a atividade explorada pela Recorrente é diversificada, conforme se depreende da cópia do Contrato Social anexada aos autos e tem por atividade empresarial, precipuamente, o desenvolvimento e a exploração do ramo de hotelaria, restaurantes e bares, o desenvolvimento de empreendimentos turísticos em geral, incluída a área de convenções e a prestação de serviços relativos a área de alimentação, bebidas, incluindo banquetes e serviços correlatos, entre outras atividades; que as receitas auferidas com a prestação de serviços de hotelaria permanecem submetidas a apuração cumulativa do PIS, nos moldes da Lei nº 9.718/1998, sob a alíquota de 0,65% e todas as demais receitas estão submetidas ao regime não cumulativo com incidência do PIS sob a alíquota de 1,65%; que toda a segregação de valores das receitas auferidas no mês de maio de 2004, com identificação de sua natureza estão detalhadas no Livro Razão Analítico (anexo), além de ter sido alteradas no DACON retificador, também trazido aos autos; reconhece não ter observado o prazo de 5(cinco) anos para retificar informações declaradas em DCTF, mas todos os dados e informações pertinentes podem ser conferidos pela documentação trazida aos autos (Livro Razão Analítico, Balancete, DACON retificador e planilha de controle de impostos; Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10880.675277/200922 Resolução nº 3401001.563 S3C4T1 Fl. 5 4 O que se depreende dos fatos aqui discutidos, são questões de procedimento de atribuição da contribuinte, quanto a correta apuração da Contribuição devida ao PIS/PASEP do período de apuração 05/2004. Inicialmente a Recorrente, conforme manifestação expressa, havia submetido a totalidade de seu faturamento do período mencionado (05/20054), a sistemática cumulativa (código 8109), quando parte desse faturamento estava sujeito a sistemática não cumulativa. O cálculo de incidência cumulativa deveria atingir somente a receita de serviços de hotelaria, conforme previsto na Lei 10.833/2003, art. 10, XXI e as demais receitas ficariam sujeitas a incidência não cumulativa, a teor do art.15, V,.da mesma lei. A princípio, as provas carreadas aos autos dão conta do que está sendo sustentado pela Recorrente, inclusive, com relação a ausência de DCTF retificadora. Eventuais erros de conduta formal do contribuinte não lhe retiram o direito ao princípio da busca pela verdade material no processo administrativo e da busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Casos semelhantes e recorrentes transitam pelo CARF, cujos julgados nos fornecem diretrizes de procedimento, como se colhe da decisão em destaque: Portanto, erro de preenchimento de DCTF não retira o direito ao crédito quando há outros elementos de prova que podem ser alcançadas em busca da verdade material no processo administrativo tributário. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração Maio/2004, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10880.675277/200922 Resolução nº 3401001.563 S3C4T1 Fl. 6 5 Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 23370.59930.200206.1.3.040283 e promover a compensação de débitos na forma requerida; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração em referência, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; · Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP em apreço e promover a compensação de débitos na forma requerida; · Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720282/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. VALORES EFETIVAMENTE PAGOS NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA
Apenas os valores da contribuição efetivamente pagos na importação geram créditos de COFINS. A ausência de comprovação dos valores pagos na importação implica na glosa dos valores e na não homologação plena da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3402-005.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
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CRÉDITO. VALORES EFETIVAMENTE PAGOS NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA Apenas os valores da contribuição efetivamente pagos na importação geram créditos de COFINS. A ausência de comprovação dos valores pagos na importação implica na glosa dos valores e na não homologação plena da compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 82 /2 01 0- 43 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201043 Acórdão n.º 3402005.855 S3C4T2 Fl. 458 2 Trata presente processo de análise de PER/DCOMP da Recorrente, originado de pagamento de PIS e COFINS, relativos ao 1º trimestre de 2006, alegadamente efetuados a maior. A unidade de origem, por meio do Despacho Decisório de fls. 312 a 314, deferiu parcialmente o pedido do contribuinte, glosando parte dos valores pela constatação de que os créditos que poderiam ser tomados pelo mesmo teriam sido parcialmente utilizados para o abatimento dos débitos da mesma contribuição. O Despacho Decisório adotou os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal Sefis TVF de fls. 209 a 233 e Termo de Informação Fiscal Seort de fls. 309 a 311. Segundo a análise fiscal, os valores glosados referiamse a bens importados que tiveram PIS importação e Cofins importação suspensos e que foram indevidamente informados no item Bens utilizados para insumos do Dacon. Para a autoridade fiscal, apesar de regularmente intimado, o contribuinte não comprovou o pagamento das contribuições incidentes na importação, e também não foram localizados nos sistemas da receita tais pagamentos. Como a lei 10.865/2004 determina o direito ao crédito em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços, os valores foram glosados pela falta de comprovação do pagamento. Devidamente cientificada do Despacho Decisório, a interessada sua Manifestação de Inconformidade, alegando o equívoco da decisão e a existência de saldo superior a ser ressarcido, apresentando demonstrativo e requerendo diligência. A 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1466.108, sessão de 29 de maio de 2017, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. CONTRIBUIÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS NA IMPORTAÇÃO. Só geram créditos no regime não cumulativo das contribuições da Cofins e do PIS os valores efetivamente pagos na importação de bens e serviços. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência/perícia deve ser motivado e acompanhado das razões e quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201043 Acórdão n.º 3402005.855 S3C4T2 Fl. 459 3 Devidamente cientificado da decisão de primeira instância em 21/06/2017, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.400 a 401) em 20/07/2017, manifestando sua insatisfação contra a decisão de primeira instância. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de análise de direito creditório relativo a valores de PIS e COFINS. A autoridade fiscal deferiu parcialmente o direito e glosou parte dos créditos pleiteados relativos ao PIS e COFINS incidentes na importação, pela ausência de comprovação do efetivo pagamento. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: “Intimado o contribuinte não comprovou parte dos valores que alocou como sendo permitido gerar créditos das contribuições, pelo simples fato de não haver comprovação de seu pagamento na importação, portanto, conforme legislação abaixo, se não há efetivamente o pagamento das contribuições da Cofins e do PIS na importação, não houve incidência e tais aquisições não geram créditos. Em sua impugnação o contribuinte apenas alega que havia valores suficientes de créditos para deduzir dos débitos gerados e ainda restariam os saldos dos valores peticionados no PER em discussão. Entretanto, ficou demonstrado nos autos, em especial no TVF onde se encontram todos os recálculos efetuados pela autoridade fiscal, que após as referidas glosas e por conta delas parte dos créditos peticionados foram realocados para fins de dedução dos débitos das contribuições da Cofins e do PIS, fazendo com que, no caso da Cofins, restasse um valor menor a ressarcir que o declarado no PER. [...]” Portanto, tratase de ausência de provas para o deferimento do direito creditório pleiteado. Em seu recurso a Recorrente nada acrescenta ou prova acerca de seu pretenso direito. Transcrevo inteiro teor do Recurso Voluntário (fls.400 a 401): Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201043 Acórdão n.º 3402005.855 S3C4T2 Fl. 460 4 Contatase a total ausência de fundamento da peça recursal, que se limitou a manifestar sua insatisfação contra a decisão de primeira instância. Ela alega seu direito, mas não o fundamenta nem apresenta qualquer elemento comprobatório. Pela ausência de apresentação de qualquer elemento que poderia modificar ou extinguir a decisão de primeira instância, a mesma deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 460DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.922915/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 29 15 /2 00 9- 81 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 2 direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06 036.904proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a negativa de homologação da compensação. O Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, alegou inexistência de saldo de crédito para a compensação requerida. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Regularmente cientificada da decisão do colegiado a quo a Contribuinte tempestivamente interpôs o Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO ACÓRDÃO COM BASE NO ARTIGO 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972, EM RAZÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ARTIGO 31 DO MESMO DIPLOMA LEGAL. MÉRITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98 E DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.686, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.922906/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.686): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preliminar A Recorrente invoca os Artigos 31 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido em razão de ausência de análise dos argumentos expostos em manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de competência para analisar a inconstitucionalidade de lei. Sem razão. A Contribuinte havia alegado em manifestação de inconformidade (fls.12 a 17) que apurou crédito tributário de PIS e COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, aproveitando parte do referido crédito para compensar com débitos de natureza tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Alegou que extinguiu o débito da COFINS, conforme declarado em DCTF, com DARF referente ao período de apuração 31/12/2002 (código de receita 2172) recolhido em 15/01/2003 e, posteriormente, utilizou o crédito tributário referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 746,94, sendo indicado no preenchimento do PERD/COMP que o crédito estava vinculado ao DARF em que deu origem ao recolhimento. Invocou o artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório por concluir que não foi apresentada prova documental sobre a origem do crédito em referência, não Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 4 cabendo à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais, uma vez não se enquadrar nas hipóteses previstas nos Artigos 1º e 4º, Incisos I, II, III, IV e Parágrafo Único do Decreto nº 2.346/1997. Neste caso, não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do decreto nº 70.235/1972, considerando que foram analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade, além de não restar configurada a alegada preterição do direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar invocada no recurso em análise e passo à análise das razões de mérito invocadas pela defesa. Mérito A Recorrente invoca o reconhecimento da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Com razão. O PER/DCOMP n° 33473.53599.130706.1.7.041974 (FLS. 6 a 11), com Código da Receita 585601 (Cofins não Cumulativa), transmitido em data de 13/07/2006 em retificação ao PERD/COMP nº 26378.85333.130706.1.3.044105, teve origem no pagamento indevido ou a maior de COFINS (Código da Receita: 2172), realizado em 15/01/2003 no valor de R$ 71.869,87 (setenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e sete centavos). O crédito indicado se refere a R$ 746,94 (que corresponde a uma parte deste pagamento efetuado em 15/01/2003), e um débito de Cofins, do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Considerando o vencimento do tributo em data de 14/07/2006 e a transmissão do PER/DCOMP em data de 13/07/2006, considerase tempestivo o pedido, afastando a incidência da mora. O despacho decisório (Rastreamento nº 842579517) de fls. 2 a 5, não homologou a compensação declarada por concluir pela localização de um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Manifestação de Inconformidade (fls. 1217) demonstrou a origem do crédito com base na declaração de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 5 inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, em Sessão Plenária de 09/11/05, apontando a base de cálculo utilizada para apuração deste crédito. Cabe consignar que o RE 357.950/RS foi precedente reconhecido em Plenário para julgamento do RE 585235RG QO, com repercussão geral (TEMA 110) e cuja Ementa se transcreve: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Ao que pese o precedente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e vinculado ao RE 585235, a 3ª Turma da DRJ/CTA embasou a decisão por não atribuir o efeito erga omnes ao 357.950/RS. Vejamos o texto extraído da decisão recorrida: Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Este, a propósito, também é o comando contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerálas, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Da análise dos autos, verificase que o ponto controvertido invocado pela DRJ/CTA para negar o crédito requerido pela Contribuinte cingese à produção de efeitos do RE 357950, não havendo dúvidas levantadas quanto à origem e valores lançados na declaração de compensação. Considerando que a matéria suscitada versa sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585235, já citado, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito tempestivamente informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Está correta a Recorrente ao afirmar pela aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por tais razões, deve ser reconhecido o direito creditório da Contribuinte, para que seja analisado o PERD/COMP afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal e, após a devida apuração, proceda à compensação para fins de extinção do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional cumulado com artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.922915/200981 Acórdão n.º 3402005.695 S3C4T2 Fl. 0 8 apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer o Recurso Voluntário e julgálo parcialmente provido, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, reconhecer a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.906438/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece
Numero da decisão: 1402-003.313
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.906442/2012-78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.906442/201278, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 64 38 /2 01 2- 18 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10875.906438/201218 Acórdão n.º 1402003.313 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que “o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado na quitação de débito(s) da contribuinte, não restando crédito disponível". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. que a decisão recorrida não teria levado em conta, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito; 2. que, o princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância se restringido a fazer menção de artigos genéricos da legislação tributária; 3. que, assim, fica inexequível a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada; 4. que, inexistindo fundamentação que sustente a decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitar o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta; 5. que, além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada; 6. que, sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo em cerceamento de defesa. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10875.906438/201218 Acórdão n.º 1402003.313 S1C4T2 Fl. 4 3 Finaliza requerendo o provimento do recurso voluntário e a reforma da decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologou a compensação. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.292, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.906442/2012 78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.292): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Como se vê no recurso voluntário, a recorrente limita se a alegar falta de fundamentação na decisão e até cerceamento de defesa porque não saberia o motivo do indeferimento da compensação. Na verdade, o cenário que se observa é de mera irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. De outra banda, no que interessa, não há, no RV, qualquer contraposição argumentativa ou documental que possa elidir o que consta do Despacho Decisório que, ao contrário do entendimento da recorrente, tem ampla e clara fundamentação. Vejase: “A partir das características do DARF descriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10875.906438/201218 Acórdão n.º 1402003.313 S1C4T2 Fl. 5 4 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Enquadramento legal arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Como se nota acima, o despacho traz de forma explícita e fundamentada a motivação da não homologação da compensação realizada, justificada pela inexistência do crédito utilizado na compensação realizada no Per/Dcomp, haja vista que o pagamento relativo ao DARF ali discriminado foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ confessado em DCTF. Nessa linha, soam até despropositadas as alegações de que a apresentação de provas não foi possível (a recorrente teve amplo campo material para fazer isso e tempo mais que suficiente) ou de que não teria havido motivação para o indeferimento. Ou seja, não se verificando, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante ou influam na solução do litígio, não há se falar em nulidade da decisão, pois não houve ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa e da eficiência, como alega a recorrente, razão pela qual devem ser rejeitadas as ponderações feitas no recurso voluntário. Quanto ao mérito propriamente dito, a simples leitura do recurso voluntário mostra a singeleza dos argumentos que, repitase, tão somente pugnaram pela possível (mas incomprovada) falta de motivação para decidir. Na verdade, caberia à recorrente contrapor provas robustas de que o pagamento de que tenta lançar mão para a compensação intentada não teria sido (ao revés do informado no Despacho Decisório) “integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF apresentado pela própria contribuinte”. Estas provas, argumentativas ou documentais, não vieram aos autos, assim como não se acostaram quaisquer registros contábeis ou fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10875.906438/201218 Acórdão n.º 1402003.313 S1C4T2 Fl. 6 5 Como é cediço, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da indisponibilidade do interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10875.906438/201218 Acórdão n.º 1402003.313 S1C4T2 Fl. 7 6 A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900203/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2004
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2004 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 03 /2 00 9- 71 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13819.900203/200971 Acórdão n.º 3301005.137 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.688. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13819.900203/200971 Acórdão n.º 3301005.137 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13819.900203/200971 Acórdão n.º 3301005.137 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000621/2007-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
O recurso voluntário interposto após o prazo 30 dias, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Numero da decisão: 3001-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a proposta de conversão em diligência suscitada pelo conselheiro Francisco Martins Leite Calvalcante. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Calvalcante que o conheceu.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto após o prazo 30 dias, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto após o prazo 30 dias, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a proposta de conversão em diligência suscitada pelo conselheiro Francisco Martins Leite Calvalcante. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Calvalcante que o conheceu. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 06 21 /2 00 7- 77 Fl. 254DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade emitido pela DRJ de Juiz de Fora que decidiu pela improcedência em parte da manifestação. O presente processo versa sobre Declaração de Compensação – DCOMP 07158.55679.130307.1.3.010534 constante das efls 16 a 101 com crédito de ressarcimento de IPI acumulado no 2º trimestre de 2002 no valor de R$94.312,26 decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização em conformidade com o art. 11 da Lei 9.779/99. O despacho decisório, situado à efl. 140, reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento no montante de R$69.415,20. A glosa parcial ocorreu, conforme descrito no Parecer SARAC/DRF/DOU no 077/2012 (efls 133 a 139), em síntese por causa dos seguintes motivos: (i) não apresentação de todas as notas fiscais de entrada dos insumos que deram origem ao crédito; e (ii) apresentação de notas fiscais de entrada de insumos cujo destinatário era a filial do contribuinte; (iii) créditos originados na entrada de produtos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; (iv) utilização de parte do saldo credor para deduzir débitos de IPI de trimestres posteriores. Diante destes fatos, a despacho decisório homologou parcialmente a DCOMP 07158.55679.130307.1.3.010534. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (i) em relação às notas fiscais não apresentadas, afirmou que seriam apresentadas em 15 (quinze) dias; (ii) em relação às notas não encontradas, que os livros fiscais apresentados refletem a aquisição dos insumos; (iii) que as notas fiscais foram incineradas por serem de período cujo prazo para guarda já havia expirado nos termos do art. 173, CTN; e (iv) que faltavam 5 (cinco) dias para a ocorrência do instituto da decadência. A DRJ de Juiz de Fora julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório conforme Acórdão no 09 41.676 a seguir transcrito: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para a escrituração e legitimação do crédito de IPI é a nota fiscal emitida em nome do estabelecimento titular do direito ao referido crédito e na qual tenha sido registrado o imposto devido por estabelecimento contribuinte. A falta desse documento não pode ser suprida por declaração emitida por fornecedor do contribuinte. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13161.000621/200777 Acórdão n.º 3001000.639 S3C0T1 Fl. 255 3 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância afirmando somente em relação ao item relacionado a não apresentação de notas fiscais que corresponderam ao total da glosa na mota de R$23.640,95. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento Em juízo de admissibilidade do presente Recurso Voluntário constatei que o não preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. O Aviso de Recebimento – AR, de efl. 241, informa que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 23/11/2012. Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão que julga a impugnação e/ou manifestação de inconformidade caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Ressaltese ainda que, conforme estabelecido no parágrafo único do art. 5º do mesmo diploma legal, os prazos somente se iniciam e vencem em dia de expediente normal da repartição pública. Conforme assinalado, a ciência válida da decisão ocorreu em 23/11/2012, sextafeira. Diante deste fato, o início da contagem do prazo para interposição do Recurso Voluntário iniciouse no primeiro dia útil seguinte, qual seja, segundafeira 26/11/2012. Por conseguinte, somandose 30 dias ao marco inicial, o vencimento do prazo ocorreria em 25/12/2012, terçafeira, dia de Natal e feriado nacional. Com isso a data limite para Fl. 256DF CARF MF 4 apresentação da peça recursal é postergada para o dia 26/12/2012. Tendo em vista que o Recurso Voluntário foi protocolado em 28/12/2012, é inconteste a sua intempestividade. Pelo exposto, diante da sua extemporaneidade, voto por não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000206/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA. VÍCIO SANADO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante, sendo necessário o saneamento do vício apontado.
Numero da decisão: 3302-006.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ÁCIDO SULFÚRICO D-1.825; ÁLCOOL ABSOLUTO 99 GL; ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTEST-SP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI HIPOCLORITO DE SÓDIO (CLORO) 12%-USO E; PRODUTO P/ TORRE E CALDEIRA; PRODUTOS P/CALDEIRAS; PRODUTOS PARA CALDEIRA.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA. VÍCIO SANADO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante, sendo necessário o saneamento do vício apontado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ÁCIDO SULFÚRICO D-1.825; ÁLCOOL ABSOLUTO 99 GL; ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTEST-SP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI HIPOCLORITO DE SÓDIO (CLORO) 12%-USO E; PRODUTO P/ TORRE E CALDEIRA; PRODUTOS P/CALDEIRAS; PRODUTOS PARA CALDEIRA. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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OMISSÃO VERIFICADA. VÍCIO SANADO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante, sendo necessário o saneamento do vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ÁCIDO SULFÚRICO D1.825; ÁLCOOL ABSOLUTO 99 GL; ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI HIPOCLORITO DE SÓDIO (CLORO) 12%USO E; PRODUTO P/ TORRE E CALDEIRA; PRODUTOS P/CALDEIRAS; PRODUTOS PARA CALDEIRA. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 02 06 /2 00 8- 27 Fl. 2414DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302006.141 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte recorrente em face do acórdão nº 3302004.879, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 25/10/2017. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÂO CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÂO CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302006.141 S3C3T2 Fl. 4 3 CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Faz parte ainda do acórdão a descrição da decisão, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amónia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retomo para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do Fl. 2416DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302006.141 S3C3T2 Fl. 5 4 imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MOD1FME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MOD1FME 17 GI15 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). A embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vícios de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Protocolados tempestivamente os embargos da contribuinte, foi apontada a suposta omissão no seguinte sentido: (i) quanto ao creditamento de insumos descritos nas fls. 1483 a 1485, de seu recurso voluntário e, (ii) quanto ao creditamento sobre fretes tidos como consignação e remessa armazenagem. Promovido o juízo de admissibilidade, apenas o item "i" acima exposto foi admitido sendo afastados os demais. Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302006.141 S3C3T2 Fl. 6 5 Passase então a análise da suposta omissão apontada pela embargante. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. No entendimento da embargante, a decisão embargada não teria analisado a questão relacionada ao creditamento da contribuição de insumos referidos na planilha de fls. 2378 e 2379, motivo pelo qual haveria assim omissão quanto ao assunto. A conclusão do despacho de admissibilidade foi no sentido de haver a omissão apontada, nos seguintes termos: 2 Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF e para os fins do § 7° do mesmo artigo, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho parcialmente os embargos interpostos, para que o Colegiado manifestese expressamente sobre o direito à tomada de créditos nas aquisições dos itens constantes da tabela de fls. 2.378 e 2.379. Analisando o acórdão embargado verificase que realmente não houve menção quanto aos alegados insumos trazidos pela contribuinte em planilha inserta em seus embargos, razão pela qual devem ser submetidos a análise desse Colegiado. O conceito de insumo para crédito das contribuições para o PIS e Confis, embora firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo no REsp 1.221.170, há algum tempo já vinha sendo utilizado por esta C. Turma nas decisões referentes à matéria, conforme podemos notar do corpo da r. decisão oram embargada. Desta feita, não se afasta dos princípios outrora ditos na r. decisão embargada, quanto a análise do conceito de insumo para definir a possibilidade de creditamento das contribuições, motivo pelo qual devem ser submetidos os insumos apontados pela recorrente em seus embargos ao crivo de referida análise. Pois bem. Considerando o entendimento quanto ao conceito de insumo esposado no acórdão embargado, entendo que os produtos indicados pela contribuinte nele se encaixam, não devendo desta forma persistir a glosa dos créditos lançada pala autoridade fiscal. Assim, ressaltando que os créditos relacionado ao insumo amônia foram analisados pelo acórdão embargado, conforme destacado no despacho de admissibilidade dos embargos, devem ser garantidos os créditos da contribuições dos insumos: ÁCIDO Fl. 2418DF CARF MF Processo nº 10925.000206/200827 Acórdão n.º 3302006.141 S3C3T2 Fl. 7 6 SULFÚRICO D1.825; ÁLCOOL ABSOLUTO 99 GL; ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI HIPOCLORITO DE SÓDIO (CLORO) 12%USO E; PRODUTO P/ TORRE E CALDEIRA; PRODUTOS P/CALDEIRAS; PRODUTOS PARA CALDEIRA; descritos na tabela de fls. 2378 e 2379. II Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos opostos pela contribuinte para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ÁCIDO SULFÚRICO D1.825; ÁLCOOL ABSOLUTO 99 GL; ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI HIPOCLORITO DE SÓDIO (CLORO) 12%USO E; PRODUTO P/ TORRE E CALDEIRA; PRODUTOS P/CALDEIRAS; PRODUTOS PARA CALDEIRA.. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 2419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.905884/2008-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
EMENTA
COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
Numero da decisão: 3001-000.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-17T00:03:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-17T00:03:57Z; Last-Modified: 2018-12-17T00:03:57Z; dcterms:modified: 2018-12-17T00:03:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c2b5b8bc-1633-464c-b4c0-11d53b59c21f; Last-Save-Date: 2018-12-17T00:03:57Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-17T00:03:57Z; meta:save-date: 2018-12-17T00:03:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-17T00:03:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-17T00:03:57Z; created: 2018-12-17T00:03:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-12-17T00:03:57Z; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-17T00:03:57Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.905884/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.566 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO INDEVIDA Recorrente MÁQUINAS BECKER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 199118/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJAgRg no REsp 1132743/RS, CARFAcórdão 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e CARFAcórdão 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri – Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 58 84 /2 00 8- 18 Fl. 66DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório O Contribuinte, Máquinas Becker Ltda., apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição, acompanhado de Declaração de Compensação, pelo recolhimento a maior a título de COFINS, visto que não observou a alteração da base de cálculo. Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRFB Porto Alegre não homologou a compensação declarada, por ausência de direito creditório oponível ao Fisco. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte reafirma o direito de compensação. Para tanto, alega que efetuou pagamento de valores devidos a título de PIS e Cofins com a utilização de base de cálculo errônea, utilizando forma de cálculo diversa da disposta na Lei n° 9.718/1998. Afirma, ainda, que deixou de implementar as deduções previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/1998, especialmente aquela prevista no inciso III do § 2° do art.3° da referida norma, deixando de excluir da base de cálculo da contribuição valores repassados a terceiros. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, em sessão realizada em 09 de janeiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/POA não homologou a compensação, cujo fundamento central está retratado no seguinte excerto das razões do voto formulado pelo Relator (fls. 34), a saber: Dessa forma, é de se negar provimento à pretensão da impugnante de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não produzindo efeitos no curso de sua vigência, por não ter sido regulamentado pelo Poder Executivo. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009. Alega, síntese, que “as contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos” (fls. 40). É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por MÁQUINAS BECKER LTDA em face de Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009, subscrito por procurador habilitado, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.905884/200818 Acórdão n.º 3001000.566 S3C0T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão n° 3001000.563, de 20 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11065.905879/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Em síntese, a 1ª Instância não homologou o pedido de compensação por dois fundamentos distintos: (i) ressaltou que não consta dos autos documentação comprobatória do crédito alegado; e, (ii) a alteração da base de cálculo da contribuição de que trata o art. 2º da Lei 9.718/1998 estava com a eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas da base de cálculo da contribuição. No Recurso Voluntário, quanto ao primeiro aspecto, o Contribuinte assinala que “os Darfs e planilhas anexadas ao processo administrativo comprovam a existência de crédito”. No que tange ao outro fundamento, conforme já relatado, assevera que: “As contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos. (...) A leitura do dispositivo legal em comento permite concluir com absoluta clareza, que para obter a base de cálculo das referidas contribuições se faz necessário seguir os passos do artigo 3º e parágrafos da norma, que podem ser resumidos para fins didáticos em dois momentos: 1° Apurar a totalidade da receita auferida pela empresa (art. 3º. § l°); 2° Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2° da Lei 9.718/98, onde destacase as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal. Ora, nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos”. Conquanto a controvérsia tenha motivado acalorados debates a partir da publicação da suposta alteração da base de cálculo da contribuição, já há muito se pacificou entendimento de que a aplicação das deduções dependia de regulamentação, via decreto, pelo Poder Executivo, o que não ocorreu. Nesse sentido trilha a jurisprudência, em âmbito judicial, representada por Fl. 68DF CARF MF 4 acórdão proferido pela Primeira Turma do STJ, nos autos do AgRg no REsp 1132743/RS, em que atuou, como Relator, o Ministro LUIZ FUX, em julgamento ocorrido em 16.12.2010, publicado no DJe 21.02.2011, cujos trechos que interessam ao presente caso seguem abaixoreproduzidos: 'PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (RECURSO REPETITIVO RESP 1.002.932SP). PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI N.º 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. As normas jurídicotributárias admitem a dicotomia entre as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.905884/200818 Acórdão n.º 3001000.566 S3C0T1 Fl. 4 5 deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva.' Nessa mesma linha, vejamos como vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, verbis. 'Ementa: COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, revogada posteriormente pela edição da MP 199118/2000, previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador. Em decorrência deste fato, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedente do STJ – Recurso Especial nº 445.452 RS Nº 2002∕00836607 ( Processo: 19515.002905/200301 Nº Acórdão Nº 20310404, proferido em 13.09.2005).' No mesmo sentido, citamse ainda os acórdãos: (a) 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e, (b) 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do congtribuinte. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11065.905879/200813, em que figura a mesma Recorrente, MÁQUINAS BECKER LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.563, de 20.11.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 70DF CARF MF 6 Fl. 71DF CARF MF
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