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Numero do processo: 13884.900905/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.934
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 05 /2 00 8- 91 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13884.900905/200891 Acórdão n.º 3401004.934 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.595, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13884.900905/200891 Acórdão n.º 3401004.934 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.900905/200891 Acórdão n.º 3401004.934 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.900905/200891 Acórdão n.º 3401004.934 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.900905/200891 Acórdão n.º 3401004.934 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912804/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2005
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912804/200941 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.565 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria PIS. INCIDÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. Recorrente FEDERAÇÃO INTERF. DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 04 /2 00 9- 41 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3201001.256, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação gerada pelo Contribuinte pelo programa PER/DCOMP, transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese exclusivamente à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. A Segunda Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, que teve seu provimento negado pelo Colegiado a quo. Prevaleceu o entendimento de que as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %., bem como de que a restituição/compensação de indébito tributário está condicionado à certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. O Contribuinte opôs embargos de declaração, sendo que estes foram rejeitados. O Contribuinte interpôs então o Recurso Especial de Divergência ora em apreço, suscitando divergência quanto à incidência da Contribuição PIS sobre a Folha de Salários. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, foi apresentado e apreciado o acórdão 3403002.500, nos termos do § 5º, art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que fosse mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.545, de 10 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.912761/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.545): Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que, à época dos fatos, as sociedades cooperativas estavam sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. O acórdão paradigma nº 3403002.500 decidiu, em sede de embargos de declaração, que havia omissão no acórdão embargado, passível de integração e com efeitos infringentes, adotando, por derradeiro, o Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 5 4 entendimento de que, com base no que fora expresso na Solução de Consulta 412/2004, a empresa, por não preencher as condições para o tratamento fiscal do art. 13, não estava sujeita à Contribuição sobre a Folha de Salários. Com estas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS/Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. No presente caso devemos inicialmente analisar a Solução de Consulta n.º 412/2004, que tem efeito vinculante para o Contribuinte. Verificase que da análise da Solução de Consulta n.° 412/2004, a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Ou seja, a própria Receita Federal afastou a Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 6 5 Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Coftns as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos) Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários" (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS/ Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima, o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Quanto a aplicação do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98, que informa que a sociedade cooperativa, estaria sujeita ao recolhimento do Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 8 7 PIS/folha de salário. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei 9.715/98, perdeu seu fundamento desde a edição da edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Notase que a MP nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 9 8 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § I o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a Vdo caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim, pela leitura do dispositivo acima, fica demonstrado que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, refere se a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos Ia V, do Decreto n" 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 10 9 todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o Contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. O entendimento do CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 11 10 1999, somente as receitas dos atos nãocooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não cooperados. Recurso Negado.” (destaques nossos) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/ 3ª Seção –Processo n.º 10825.002.833/200588 – Acórdão n.º 340100.680 – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Sessão de 29/04/2010) Destaquese segue o trecho do voto do acórdão acima, reconhecendo (i) a revogação do dispositivo que previa a exigência do PIS Folha às cooperativas, e (ii) a necessidade de haver alguma das exclusões permitidas, constantes da Medida Provisória 1.8586/99, atual MP n.º 2.15835/01, para que se possa exigir o PIS Folha das cooperativas: “A MP IV 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; (...) MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha.” Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto n. 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende ao próprio ato realizado pela Solução de consulta 412/2004. Desta maneira, a cooperativa de serviços médicos não tem direito à apuração do PIS sobre a folha de salários, como previsto no art. 15, §2º, I, da MP 2.158/01, uma vez que não se está diante de operações mencionadas nos incisos I a V do "caput" do art. 15 da referida medida provisória. Por fim, transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que trata da solução de consulta e de caso semelhante a esse e que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 12 11 Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 9303006.565 CSRFT3 Fl. 13 12 PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido, e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 458DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.000725/97-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. ARTIGO 8º DO AVA. PARCELA DO RESULTADO DE QUALQUER REVENDA, CESSÃO OU UTILIZAÇÃO. CONDIÇÃO DE VENDA. CONTRAPRESTAÇÃO. ACRÉSCIMO AO VALOR DA TRANSAÇÃO.
Deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, assim como a condição ou contraprestação exigida, na medida em que sejam quantificáveis.
Numero da decisão: 9303-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos Recursos Especiais dos Contribuintes, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que não conheceu dos recursos. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em negar-lhes provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhes deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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AJUSTES. ARTIGO 8º DO AVA. PARCELA DO RESULTADO DE QUALQUER REVENDA, CESSÃO OU UTILIZAÇÃO. CONDIÇÃO DE VENDA. CONTRAPRESTAÇÃO. ACRÉSCIMO AO VALOR DA TRANSAÇÃO. Deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, assim como a condição ou contraprestação exigida, na medida em que sejam quantificáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos Recursos Especiais dos Contribuintes, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que não conheceu dos recursos. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em negarlhes provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhes deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 07 25 /9 7- 33 Fl. 5697DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.698 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência interpostos pela Contribuinte CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX (fls. 5.317 a 5.344) e pelo Responsável Solidário PEUGEOTCITRÕEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA (fls. 5.495 a 5.522) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3102001.501 (fls. 1.242 a 1.257) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 22/05/2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário:1993, 1994, 1995, 1996 AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não se exige que as razões de decidir no julgamento de primeira instância sejam idênticas às encontradas no auto de infração. A introdução de novas considerações acerca do assunto não constitui modificação de critério jurídico adotado pela Fiscalização. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. ARTIGO 8º DO AVA. PARCELA DO RESULTADO DE QUALQUER REVENDA, CESSÃO OU UTILIZAÇÃO. CONCIÇÃO DE VENDA. CONTRAPRESTAÇÃO. ACRÉSCIMO AO VALOR DA TRANSAÇÃO. Deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias Fl. 5698DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.699 3 importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, assim como a condição ou contraprestação exigida, na medida em que sejam quantificáveis. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, como tal caracterizado na importação, por pessoa jurídica importadora, de produtos comercializados no país por ou por ordem de pessoa jurídica que atua sob a forma de associação exclusiva com o exportador estrangeiro. Recurso Voluntário Negado O processo originouse de auto de infração (fls. 12 a 35), lavrado em procedimento de revisão aduaneira, para exigência de diferenças de tributos aduaneiros (II e IPI vinculado à importação), incidentes sobre a internação de veículos da marca "PEUGEOT", por declaração a menor do valor aduaneiro dos mesmos. Na ação fiscal, a aduana comunicou a possível influência da vinculação entre importador e exportador sobre o preço da transação. A Fiscalização afirmou existir vínculos societários entre a AUTOMOBILES PEUGEOT e a PEUGEOT DO BRASIL, além de uma associação legal de negócios entre a COIMEX e as demais firmas envolvidas, descrevendo o funcionamento da relação comercial nos seguintes termos (fls. 15): FUNCIONAMENTO DA OPERAÇÃO COMERCIAL Pretendendo que fossem vendidos veículos da marca "PEUGEOT" no Brasil, foi montada uma operação comercial em que eram importados veículos utilizandose de uma empresa intermediária em Vitoria/ES para usufruir dos benefícios do FUNDAP (basicamente diferimento do pagamento do ICMS devido e financiamento de parte do mesmo pelo Banco do Governo daquele Estado). A operação por si só já demonstra a vinculação entre o exportador e o importador, mas coloca um intermediário na tentativa de declararse não vinculada. A responsabilidade pelas obrigações tributárias foi atribuída à COIMEX pois as declarações e o respectivo lançamento do imposto constam em nome da mesma, sendo a PEUGEOT DO BRASIL responsável solidária, nos termos do art. 124, inciso II do Código Tributário Nacional CTN, por determinar a forma de introdução dos veículos no território nacional. A fiscalização consignou no auto de infração que a empresa COIMEX emitiu notas fiscais de venda dos veículos da marca "PEUGEOT" em valor a menor, caracterizando infração ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, por ter deixado de recolher o imposto sobre a base de cálculo majorada. No Fl. 5699DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.700 4 entanto, o lançamento efetuado adotou como base o Acordo de Valoração Aduaneira, base de cálculo do IPI, deixando de fazêlo com fundamento no RIPI. No transcurso da ação fiscal, foram obtidas as seguintes provas: [...] 1 Contrato entre a COIMEX e a PEUGEOT DO BRASIL, tendo como interveniente a AUTOMOBILES PEUGEOT, que comprova que a transação era feita entre a AUTOMOBILES PEUGEOT e a PEUGEOT DO BRASIL, atuando a COIMEX como mera intermediária para obtenção dos benefícios do FUNDAP, caracterizando bem as responsabilidades tributárias da PEUGEOT DO BRASIL, bem como seu poder de mando na operação, pois a COIMEX agia sempre a conta e ordem da mesma. Registrese também que no contrato estão claras restrições a cessão ou utilização das mercadorias pela COIMEX. 2 Contratos entre a PEUGEOT DO BRASIL e os revendedores da PEUGEOT, em que a primeira se declara como encarregada da importação e distribuição de veículos PEUGEOT no Brasil, e aparecem cláusulas em que o poder de ditar preços é sempre da primeira e se prevê a cobrança de uma "comissão" pelo revendedor à PEUGEOT. 3 Cópias de Notas Fiscais Faturas de Serviços, emitidos pela PEUGEOT DO BRASIL para seus revendedores, em que são cobrados dos mesmos a título de "assessoria na importação de veículos da marca PEUGEOT". 4 Cópia do Instrumento Particular de Assunção de Dívida, de Controle de Abertura de Crédito e Contrato de Compra e venda com garantia de PENHORA MERCANTIL, em que se explicou como são efetuadas as transações de venda de veículos. O auto de infração descreveu, ainda, as penalidades a que está sujeita a contribuinte, fazendo ressalva à aplicação de parte delas em razão do art. 11 do Acordo de Valoração Aduaneira prever o direito do importador de apresentar recurso sem imposição de nenhuma penalidade. No que tange à apuração do valor aduaneiro, a Fiscalização entendeu existir a vinculação societária entre as empresas AUTOMOBILES PEUGEOT e a PEUGEOT DO BRASIL e uma associação legal de negócios entre a COIMEX e as demais empresas envolvidas, influenciando o preço da transação, com base nos seguintes fundamentos: APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO O Código de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto 92.930/86, de 16 de julho de 1986, diz "que se o importador e o exportador forem vinculados, deverão demonstrar que o preço da transação não foi influenciado pela vinculação", sendo que a maneira desta demonstração a de que o "preço da transação se aproxima muito de um dos valores citados no item "b" do parágrafo segundo do artigo primeiro do Acordo". Fl. 5700DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.701 5 Nos termos do Acordo, para haver a vinculação, entre outras hipóteses, é necessário existirem vínculos societários (como entre a AUTOMOBILES PEUGEOT e a PEUGEOT DO BRASIL) ou uma associação legal de negócios (como no caso da COIMEX e as demais empresas envolvidas). É tão claro o Acordo quanto a estes pontos, que inclusive declara que no caso de agente, distribuidor ou concessionário, já são declarados vinculados, restando apenas o enquadramento em uma das hipóteses do item 4 do artigo décimo quinto, e não como interpretação restritiva que as vezes possa se querer dar. O Importador foi cientificado regularmente de que a Aduana tinha motivos para considerar que havia vinculação e que esta estava influenciando o preço da transação, podendo ter contestado tal afirmação e também foi cientificado para comprovar que os preços se aproximavam muito de um dos valores citados. O Importador nas suas respostas, não comprovou não haver a vinculação e não demonstrou nada com relação aos valores da transação. Existe ainda o fato, de que os contratos apresentados preveem que existem restrições à COIMEX para que esta comercialize os veículos, restrição esta impeditiva da utilização do primeiro método. Havendo a vinculação e esta influenciando o preço da transação, poderíamos não aceitar o primeiro método de valoração e consequentemente o valor declarado pelo importador. Na diligência realizada na empresa PEUGEOT DO BRASIL, foi verificado conforme consta no Termo de Diligência anexado, que o valor cobrado através de Notas de Serviço a título de "assessoria de importação", e a diferença entre o preço faturado pela COIMEX e o preço de venda de cada veículo, valor este que consta inclusive dos Contratos de Assunção de Dívida e Abertura de Crédito e das contas próprias, que cada revendedor tem na contabilidade da PEUGEOT DO BRASIL. O Acordo em seu artigo oitavo porém, como acontece no presente caso, manda que sejam feitos ajustes acrescentandose ao preço da transação, os valores pagos aos representantes dos exportadores, como "ASSESSORIA DA IMPORTAÇÃO", eis que a mesma é suportada pelo comprador (que e quem paga a referida comissão cada vez que compra veículo) e não se trata de uma "comissão de compra" nos termos das Notas Interpretativas do Artigo 8 do Acordo em seu parágrafo 1 (a) (i). As citadas "comissões", por outro lado, não se confundem com, qualquer de outros custos que sejam suportados pelos compradores, muitos deles também passiveis de serem ajustados tenham. Resta dizer que, embora a vinculação exista neste caso especifico, o Acordo não dispõe que para haver ajustes no artigo oitavo deve haver vinculação entre as partes interessadas nos ajustes, como pode se ver por exemplo no caso de fretes e seguros. O Acordo também não dispõe que o beneficiário do citado ajuste deva ser obrigatoriamente o exportador. Consequentemente, aceitamos o preço da transação declarado, com o ajuste da "assessoria de importação", cobrada pela PEUGEOT DO Fl. 5701DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.702 6 BRASIL, reservandose o direito a Fazenda Nacional de efetuar outros ajustes de valoreis suportados pelos compradores dos veículos, caso os mesmos sejam comprovados. Os novos valores aduaneiros estão discriminados no local próprio, todos com incorporação do valor da comissão cobrada. [...] Cientificada da autuação, sobreveio a apresentação de impugnação da empresa COIMEX (fls. 391 a 439), com fulcro nos argumentos sintetizados no acórdão da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis (fls. 707 a : Autuada e intimada do lançamento a peticionária ingressou com a impugnação de fls. 382 a 430, por meio da qual alega em síntese: 1 inexistência de vínculo entre a exportadora Automobiles Peugeot e a peticionária, uma vez que a mesma não é agente distribuidor ou concessionário exclusivo da primeira, pois trabalha com outras marcas, tais como Mitsubishi e Honda, por esse motivo o valor aduaneiro a ser aplicado é o da transação, conforme fez a autuada em suas importações; 2 a requerente, também, não é mera intermediária entre a exportadora e a Peuogeot do Brasil, que presta às distribuidoras os serviços de assessoria técnica de marketing e publicidade, porquanto sendo uma trading comercializa os veículos que adquire, por sua conta e risco; 3 no que se refere ao ato de se imputar à Peugeot do Brasil a solidariedade passiva há que se refutálo (transcreve o art. 124, incisos I e II do C'TN, apresentando argumentação especial quanto aos termos do art. 124,1), pois a impugnante é a importadora e não quer que tal fato (imputação de solidariedade passiva) provoque a ocorrência de risco à sua confiabilidade em face aos seus clientes; 4 por sua exigência a fiscalização violou os termos do Código de Valoração Aduaneira, aprovado em acordo internacional (apresenta argumentação a respeito de acordos internacionais no ordenamento jurídico brasileiro), além do que ao alegar que deve ser aplicado o método previsto no parágrafo 2, letra "h" do artigo 1, do Código de Valoração Aduaneira, não indicando os motivos factuais nem fazendo provas não se propiciou as devidas condições de defesa à impugnante; 5 a fiscalização se confundiu diante do fato de o comprador arcar com as despesas de "assessoria de importação", portanto, sujeito a ajuste com base no art. 82 do Acordo GATT . Aquele valor não foi pago pela impugnante à Automobiles Peugeot, não podendo, dessa forma, servir de elemento de ajuste previsto no art. 82, parágrafo 1, letra,"a", item "i" do Código de Valoração Aduaneira; 6 ressaltese, também, que a fiscalização pretendeu que a autuada apresentasse provas negativas instando que a mesma comprovasse que os valores das transações não foram influenciados pela vinculação; Fl. 5702DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.703 7 7 além do mais a própria fiscalização admite que não houve caracterização de subfaturamento, destruindo, assim, toda sua linha de argumentação e motivo de lavratura dos autos de infração em tela. De se observar que os acréscimos cobrados pela Peugeot do Brasil aos revendedores dos veículos importados não são comissões; 8 a fiscalização violou, também os termos da IN/SRF nº 39/94 que deve ser observada em situações relacionadas à valoração aduaneira e mostrase contraditória em suas conclusões relativamente às intimações, não possibilitando à importadora que prestasse as devidas informações sobre o caso violando, adicionalmente, a determinação da Notas 1nterpretativas do Código de Valoração Aduaneira no seu parágrafo 2, item 3 e seu direito de defesa; 9 notese, ainda, que o fisco não apresentou memórias de cálculo ou outro elemento que possibilitasse à impugnante ou a qualquer analista contábil, compreender como foram encontradas as alíquotas do II e IPI indicadas no auto de infração em questão; 10cumpre lembrar que o mercado brasileiro de veículos importados conduzse pelas necessidades do consumidor e o seu suprimento se dá através de estudos e outros procedimentos levados a cabo pelo representante da marca no Brasil. Esse é que licencia os revendedores, cuida de contratar e remunerar os serviços de publicidade institucional da marca, honra a garantia dada ao produto, monta a logística adicional de distribuição, etc. É essa a origem das notas fiscais de serviços emitidas pela Peugeot do Brasil para as suas concessionárias [apresenta exemplo à fl. 426, indicando, também, nessa mesma folha, no número 121 (1 a 3, este último à. fl. 122) a forma de cálculo dos valores do ajuste do artigo oitavo]; 11 no que concerne ao IPI a argumentação fiscal colide com as disposições regulamentares ao chamado princípio da autonomia dos estabelecimentos, segundo o qual cada contribuinte é autônomo no cumprimento das obrigações relativas ao IPI (art. 22, parágrafo único e art. 392, IV do Regulamento do TI). Por esse motivo, se algum valor tivesse sido excluído não teria origem nas operações de importação, mas nas realizadas por terceiro, de quem deveria ser exigido o tributo em pauta. Pede que se declare improcedente a exigência, protesta pela juntada de novos documentos, bem como pela eventual realização de perícias e diligências. Intimada a firma Peugeot do Brasil Automóveis Ltda. (fl. 507) esta ingressou com a petição de fls. 509 a 515 por meio da qual procura se eximir da responsabilização solidária que lhe é atribuída, além de esboçar algumas alegações já feitas pela COIMEX. Às fls. 543 a 545 a autuada requereu a juntada aos autos de cópias das Decisões COSIT n 14 e 15, juntadas às fls. 546 a 555. Encaminhado o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, competente à época para julgar a questão, ela converteu o julgamento em diligência, conforme Lis. 556 a 558. Foram respondidas várias perguntas e juntados inúmeros documentos. Finalmente o processo foi remetido a esta DRF/FNS (fl. 653) para julgamento. [...] Fl. 5703DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.704 8 A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis SC, por meio do Acórdão DRJ/FNS nº 0.748, de 19 de abril de 2002 (fls. 707 a 731), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA Caracterizase a solidariedade passiva tributária entre o representante exclusivo para comercialização de veículos de determinada marca e terceiro importador (mandatário para os efeitos legais), quando este terceiro, ainda que seja uma trading, realiza em nome próprio importações e revendas de veículos dessa marca. Assunto: Imposto sobre a Importação lei Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: VALOR ADUANEIRO Integram o valor aduaneiro as parcelas cobradas das concessionárias, pela detentora da exclusividade de comercialização, que caracterizem assessoria na importação e na distribuição de veículos e representação da marca no Brasil, compreendendo propaganda e marketing institucional, programação, planejamento, administração, logística, consultoria técnica e de pósvenda, ainda que a tais parcelas se dêem quaisquer outras denominações. DECISÕES DA COSIT EM PROCESSO DE CONSULTA. As Decisões da COSIT em processo de consulta produzem efeitos somente em relação à matéria nelas tratada. Tais tipos de Decisões, por se constituírem exegese de textos legais específicos, não comportam interpretação extensiva. MULTA DE OFICIO O importador não está sujeito a penalidade pelo simples fato de exercer o direito de apresentar pedido de reconsideração de valor aduaneiro estabelecido pela fiscalização, conforme previsto no Acordo VII do GATT. A multa de lançamento de oficio não é equiparável a penalidade por pedido de reconsideração, acima mencionada, pois tratase de multa por motivo diverso, qual seja, o do não recolhimento dos tributos devidos, nos prazos legais. Lançamento Procedente Fl. 5704DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.705 9 Não resignada, a contribuinte COIMEX interpôs recurso voluntário (fls. 736 a 783) reforçando os argumentos trazidos na impugnação e pleiteando, ao final, a reforma da decisão. Ao recurso voluntário da COIMEX foi negado provimento pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão nº 3102001.501, de 22 de maio de 2012 (fls. 1.242 a 1.257), consignando entendimento de que "deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, assim como a condição ou contraprestação exigida, na medida em que sejam quantificáveis." A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, para o qual a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por dar provimento para anular todos os atos processuais ocorridos a partir da ciência da decisão de primeira instância, em razão da falta de intimação da empresa indicada como responsável solidária PEUGEOT retornando os autos à autoridade preparadora para intimação dos dois sujeitos passivos acerca do julgado da DRJ/FNS e, eventualmente, apresentação de novo recurso voluntário. Após devidamente intimadas, as partes interpuseram novo recurso voluntário, sobrevindo novo julgamento nos termos do Acórdão nº 3102001.501, de 22/05/2012, ora recorrido, negando provimento a ambos os recursos. Referida decisão foi rerratificada pelo Acórdão nº 3102002.315, que analisou embargos de declaração para acrescer os fundamentos quanto à ponderação de alíquotas (fls. 5.267 a 5.283). Em face da referida decisão, as Contribuintes interpuseram recurso especial de igual teor (fls. 5.317 a 5.344 COIMEX e fls. 5.495 a 5.522 PEUGEOTCITROEN), alegando divergência jurisprudencial quanto (a) à exclusão do cálculo do valor aduaneiro das comissões pagas pelo uso da marca no país e (b) fixação de alíquotas pela fiscalização. Indicaram como paradigmas os acórdãos nºs 930300.208 e 9303002.350; e 3403002.463. Nas razões recursais, as Recorrentes sustentam, em síntese, que: (a) as parcelas relativas aos pagamentos pelos serviços prestados pela detentora da marca no país, não devem integrar o valor aduaneiro; e (b) é ilegal a utilização de alíquota média de II e IPI, com base em apuração mensal, para constituição do crédito tributário. Foram admitidos os recursos especiais por meio do despacho s/nº, de 28 de julho de 2015 (fls. 5.663 a 5.669), proferido pelo ilustre Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à inclusão das comissões pagas pelo uso da marca no cálculo do valor aduaneiro e à ponderação de alíquotas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 5.671 a 5.695) postulando a negativa de provimento dos recursos especiais. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 5705DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.706 10 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os recursos especiais de divergência interpostos pelas Contribuintes atendem os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecidos. No mérito, centrase a controvérsia: (a) na possibilidade de ajuste do valor aduaneiro, mediante a inclusão das remunerações pagas pelos concessionários à detentora do uso da marca no País, a título de licença do uso da marca, com base no art. 8º, §1º, alíneas c e d, do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16/07/1986 e (b) na ponderação de alíquotas. Com relação ao valor aduaneiro, adotase como razões de decidir aquelas constantes do acórdão nº 9303004.215, proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 09 de agosto de 2016, de relatoria desta Conselheira, tratando de caso idêntico ao dos presentes autos, in verbis: [...] O valor aduaneiro é aquele atribuído ao produto para efeitos de tributação sobre a importação, constituindose na base de cálculo do imposto de importação (II) e do imposto sobre produto industrializado vinculado à importação (IPI vinculado). O mesmo é aferido na forma definida no art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT e no Acordo para Implementação do art. VII do GATT, denominado de Acordo de Valoração Aduaneira, regulamentado pelo Decreto nº 2.498/98, vigente à época dos fatos geradores, posteriormente revogado pelo Decreto nº 4.543/2002, por sua vez revogado pelo Decreto nº 6.759/2009. O Acordo de Valoração Aduaneira, tratado multilateral que busca estabelecer regras para o comércio internacional não predatório entre os países participantes, foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 92.930/86, e assim dispõe em seus artigos 1º e 8º: ARTIGO 1º 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8º, desde que: a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: Fl. 5706DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.707 11 i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do artigo 8º, e d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor da transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste artigo. 2. a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador, ou obtidas por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito. b) No caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes no mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo tempo: i) o valor da transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação para o mesmo país de importação; ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do artigo 5º; iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do artigo 6º; iv) o valor de transação, em vendas a compradores não vinculados, para exportação para o mesmo país de importação, de mercadorias idênticas às mercadorias importadas, exceto pelo fato de terem um país de produção diferente, desde que os vendedores, nas duas transações comparadas, não sejam vinculados. Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no artigo 8º e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador sejam vinculados. Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.708 12 c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2 (b) devem ser utilizados por iniciativa do importador e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b). [...] ARTIGO 8º 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1º, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãodeobra e com materiais; b) o valor, devidamente apropriado, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar; i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de "design" , e planos e esboços, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação; c) "royalties" e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais "royalties" e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. Em procedimento de revisão aduaneira, nos termos dos artigos 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, realizada nas declarações de importação da empresa COIMEX relativas à Fl. 5708DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.709 13 internação de veículos da marca "MITSUBISHI" para transporte de passageiros, apontou a Fiscalização ter sido declarado a menor o valor aduaneiro das mercadorias, razão pela qual foi lavrado o auto de infração. Portanto, tratase de litígio relativo à valoração aduaneira dos veículos automotores importados pela COIMEX, exportados pela Mitsubishi Motors Coporation (MMC do Japão), fabricante sediado no Japão, o qual mantém com a MMC Automotores do Brasil Ltda. contrato para distribuição e comercialização da marca Mitsubishi no território nacional. A relação entre as empresas MMC Automotores do Brasil Ltda., Companhia Importadora e Exportadora COIMEX e Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão), dáse da seguinte forma bem sintetizada nas contrarrazões ao recurso especial: a) a MMCB é a distribuidora dos produtos da MMC e MC no Brasil, sem exclusividade, podendo importálos, formar rede de concessionários autorizados à venda dos produtos, fazer uso da marca e permitir aos concessionários a utilização da mesma, promover a propaganda e divulgação da marca e autorizar terceiros a importar os produtos; b) por meio de "Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento, Uso de Marca, Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Outras Avenças), a MMCB constitui concessionários e assume a obrigação de fornecimento de produtos, diretamente ou através de terceiros, pelos preços acordados; autoriza o concessionário a utilizar a marca; comprometese com o treinamento dos empregados do concessionário, habilitandoos a prestar assistência técnica aos adquirentes finais dos produtos; c) a MMCB e os concessionários acordam os serviços que a primeira irá prestar aos segundos, através de Contrato de Prestação de Serviços: "preparação e promoção de campanhas publicitárias visando a divulgação e colocação dos produtos Mitsubishi no mercado interno; autorização ao concessionário para uso da marca para fins de comercialização dos produtos; serviços de assistência técnica, mediante treinamento de pessoal do concessionário. Estabelecem também os preços dos aludidos serviços e que a importação dos produtos será cometida à COIMEX, com a interveniência da MMCB, na forma definida nos "contratos de compra e venda por encomenda". d) COIMEX, concessionário e MMCB celebram "Contrato de Compra e Venda por Encomenda", figurando a última como Interveniente. No pacto, determinam que as importações serão realizadas pela COIMEX, atendose esta aos produtos discriminados pelos concessionários e aos preços acordados, convencionandose ainda que a MMCB providenciará a indicação da COIMEX como consignatária, nas faturas próforma, e repassará para a COIMEX as cartas de crédito relativas às importações, indicandoa como consignatária, nos referidos efeitos. Fl. 5709DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.710 14 A MMC Automotores do Brasil Ltda. detém o direito de uso da marca Mitsubishi no Brasil, sem exclusividade, tendo referido contrato de distribuição, sendolhe atribuída a responsabilidade pela divulgação dos produtos da marca, razão pela qual cria e mantém rede de concessionários, sendo remunerada pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, etc. Portanto, a remuneração recebida pela MMCB não se caracteriza como "comissões de venda", por se tratar de contrapartida pela prestação de serviços aos concessionários no Brasil, e não ao exportador, e pela cessão do uso da marca. Nos termos da Nota Explicativa 2.1, do AVA, itens 2, 4, 5 e 7, os serviços prestados pela MMCB e a cessão do uso da marca não se confundem com os serviços de agenciamento de vendas ou de compras. As quantias pagas ao distribuidor pelos concessionários, que não são importadores, no caso em exame, não são comissões. Por isso, a MMCB não é uma agente de vendas da MMC do Japão, mas sim sua distribuidora, conforme consta das cláusulas 2 e 3 do Contrato de Distribuição (fls. 1.150 a 1.175): CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO Este Contrato, feito e celebrado aos 15 dias de março de 1993, entre a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, uma companhia organizada e existente sob as leis do Japão, com sede em 338, Shiba 5chome, Minatoku, Tóquio, Japão (aqui de agora em diante referida como "MMC"), e a BRABUS AUTOSPORT LTDA., uma companhia (sociedade de propriedade única) organizada e existente de acordo com as leis da República Federativa do Brasil, com sede na Rua Funchal 651 B, CEP 04558060, São Paulo, Brasil (aqui de agora em diante referida como DISTRIBUIDOR). [...] Artigo 2. DESIGNAÇÃO 1. Sujeito aos termos e condições deste Contrato, a MMC designa por este instrumento o DISTRIBUIDOR como importador e distribuidor dos Produtos no Território, em uma base não exclusiva, pelo prazo especificado no Artigo 22 deste Contrato, e o DISTRIBUIDOR por este instrumento aceita tal designação. 2. A participação da MMC neste Contrato está condicionada à participação pessoal ativa, substancial e contínua na administração da organização do DISTRIBUIDOR das pessoas listadas abaixo e sua participação, se houver, na porcentagem especificada no capital do DISTRIBUIDOR ou outros interesses societários, conforme o caso: [...] 3. A MMC pode celebrar um contrato com MITSUBISHI CORPORATION, uma companhia organizada e existente sob as leis do Japão, com sede em 63 Marunouchi 2chome, Chiyodaku, Tóquio (aqui de agora em diante referida como MC) e pode fornecer a totalidade ou parte dos Produtos sendo vendidos de acordo com este através da MC atuando como exportadores. No caso da MMC fornecer qualquer Produtos através da MC, a MMC pode delegar à MC qualquer ou todos seus direitos ou obrigações contidos neste Contrato. Fl. 5710DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.711 15 4. Em adição a qualquer e todos os outros direitos reservados à MMC de acordo com este (incluindo, mas não limitandose a, aqueles direitos reservados provenientes em virtude da natureza não exclusiva da designação pela MMC, de acordo com este, do DISTRIBUIDOR como importador e distribuidor dos Produtos no Território), a MMC se reserva o direito de vender os Produtos diretamente ou através de qualquer companhia trading ou qualquer outra entidade designada pela MMC para qualquer governo nacional, estadual ou municipal, agência ou autoridade do Território ou do Japão, a qualquer organização internacional localizada no Território, a qualquer companhia considerada geralmente como sendo uma parte do Grupo Mitsubishi, a qualquer empregado de qualquer tal governo, agência, autoridade, organização internacional ou companhia, a qualquer entidade cuja compra está sendo financiada na totalidade ou em parte por qualquer entidade para uso em conexão com a construção de uma fábrica ou projeto e/ou a qualquer usuário final. Artigo 3. RELACIONAMENTO ENTRE AS PARTES Todos os Produtos fornecidos ao DISTRIBUIDOR de acordo com este, serão comprados pelo DISTRIBUIDOR por sua própria conta e risco e revendidos apenas de acordo com os termos e condições deste Contrato. Fica entendido que o relacionamento entre a MMC e o DISTRIBUIDOR não será aquele de principal e agente, mas sim o de vendedor e comprador, e o DISTRIBUIDOR não estará autorizado a atuar como agente da MMC de qualquer maneira que seja e não deverá concluir qualquer contrato ou acordo em nome da MMC, fazer qualquer declaração ou garantia vinculando a MMC ou agir de outro modo em nome de e/ou em representação da MMC. (grifouse) Depreendese das disposições contratuais, portanto, não se enquadrarem os valores recebidos pela MMCB como sendo "comissões de venda", sendo incabível o ajuste do valor aduaneiro com base no art. 8º, 1, "a", "i" do Acordo de Valoração Aduaneira. Aliás, consta expressamente no artigo 3º do Contrato de Distribuição não estar a MMCB (distribuidora) autorizada a atuar como agente da MMC, não se podendo considerála, portanto, como um agente de vendas, mas tão somente como distribuidora. A remuneração da MMCB decorre dos serviços prestados, no Brasil, aos concessionários e pela cessão do uso da marca, não se confundindo com os serviços de agenciamento de vendas ou de compras, nos termos da Nota Interpretativa 2.1, do AVA, itens 2, 4, 5 e 7 (IN SRF nº 17/1998). Nessa linha relacional, a Administração Tributária, por meio das Decisões Cosit nºs 14 e 15, de 1997 (fls. 1.703 a 1.712), manifestou entendimento no sentido de que os valores pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca, a título de prestação de serviços e de cessão do uso da marca, não integram o valor aduaneiro da mercadoria para fins de cálculo do II e do IPI, in verbis: Decisão Cosit nº 14, de 15/12/1997 Assunto: Imposto de Importação II. Fl. 5711DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.712 16 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no Pais, pelos serviços, efetivamente contratados e prestados no Brasil, não constituirão acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria, para cálculo do Imposto de Importação. As comissões pagas pelas Importadoras às Detentoras do Uso da Marca no País, pelo agenciamento de compras de veículos, no exterior, não serão acrescidas ao valor de transação, para fins de cálculo do Imposto de Importação, se comprovado que esses valores foram pagos diretamente pelo importador ao agente de compra. Se as comissões forem assumidas pelo exportador, serão, obrigatoriamente, acrescidas ao preço efetivamente pago ou a pagar pelos veículos, para fins de apuração do valor aduaneiro, independentemente de o exportador retribuir, diretamente, os serviços do intermediário, ou, no momento da venda, contratar junto ao importador que este assumirá, além do preço faturado, a comissão a ser paga ao intermediário. [...] (grifouse) Decisão Cosit nº 15, de 15/12/1997 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ementa: BASE DE CÁLCULO DO IPI NA IMPORTAÇÃO. Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no País, em retribuição aos serviços de pesquisa mercadológica, treinamento de pessoal, divulgação, sustentação e representação da marca no País, não integram a base de cálculo do IPI incidente nas importações de veículos, realizadas pela Importadora, ainda que as Detentoras do Uso da Marca no País tenham atuado como Agente de Compra das Importadoras. Os valores pagos pelas Importadoras às Detentoras do Uso da Marca no País integrarão a base de cálculo do IPI incidente na importação, sempre que esses valores forem acrescidos ao valor de transação da mercadoria, para fins de cálculo do Imposto de Importação. [...] (grifouse) Portanto, a parcela devida à MMCB pelas concessionárias, objeto da presente autuação, decorre da efetiva prestação de serviços, depois que o contrato de compra e venda já se consumou, conforme reconhecido pela própria Fiscalização. Não há relação dos valores pagos à MMCB com a operação de importação contratada entre a Coimex e as concessionárias. Com relação ao enquadramento dado pela decisão de primeira instância aos valores pagos pelos concessionários à MMCB, no art. 8º, item 1, alíneas "c" ou "d", inovando os fundamentos trazidos no auto de infração, também não há como prosperar. Fl. 5712DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.713 17 Isso porque nos contratos celebrados entre as empresas não há cláusula estipulando, como condição de venda das mercadorias importadas, o pagamento à MMC de qualquer importância a título de "royalties" ou direitos de licença relacionados com as mercadorias. Ainda, na expressão "condição de venda" o significado de "venda" é o de exportação para o país de importação, nos termos do item 2 da Nota Interpretativa ao parágrafo 1, "c", do artigo 8º, do AVA: Nota ao artigo 8º [...] Parágrafo 1 (c) 1. Os royalties e direitos de licença referidos no artigo 8.1 (c) poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2. Os pagamentos efetuados pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação, das mercadorias importadas. (grifouse) De outro lado, as verbas objeto da autuação não podem ser caracterizadas como "parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor", como definido no art. 8º, parágrafo 1º, item "d", do AVA. Conforme esta cláusula do Acordo, o montante a ser adicionado ao valor aduaneiro deve reverter ao vendedor, e por vendedor, digase, exportador. Nesse sentido é o entendimento da própria Administração Tributária, conforme disposto no art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 327/03, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, in verbis: Art. 10. O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor, assim considerados: I comprador, a pessoa que adquire a mercadoria e se compromete a pagar ao vendedor o preço negociado, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de importação; II vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se Fl. 5713DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.714 18 compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. Os valores questionados na presente autuação não decorrem da revenda efetuada pelos concessionários e não há parcela do resultado da revenda, direta ou indiretamente, repassada ao exportador. As quantias são pagas à MMCB pelos serviços prestados e pela cessão do uso da marca, independentemente de qualquer revenda efetuada pelos concessionários. Além disso, não há prova nos autos de que o preço de revenda praticado pela COIMEX não seja o efetivamente devido, até porque este não foi questionado expressamente pela Fiscalização, bem como impossível afirmar serem os valores constantes das notas fiscais da MMCB decorrentes de parcela do preço de revenda. A importadora COIMEX revendeu os veículos para os concessionários e recebeu o preço estabelecido nos contratos, não tendo transitado por ela quaisquer valores relativos à autorização do uso da marca, prestação de serviços de assistência técnica e reembolso de despesas de propaganda, os quais são pagos diretamente à MMCB pelos concessionários. A tese da defesa vem confirmada pelos documentos que instruem os autos, pois não há notas fiscais juntadas da COIMEX e nas notas fiscais da MMCB consta a expressão "remuneração pela autorização, pelo uso da marca Mitsubishi Motors, pela divulgação da marca e prestação de serviço, assistência técnica através do treinamento do pessoal". (fls. 1.275 a 1.282) Consignese, ainda, que as parcelas recebidas pela MMCB não constituem resultado de revenda ou utilização posterior de mercadorias importadas e também não reverteram direta ou indiretamente ao exportador, nem mesmo a título de valorização da marca, inexistindo justificativa para o ajuste do valor aduaneiro. Nesse ponto, pertinente transcreverse parte dos fundamentos expendidos no acórdão nº 930300.208, proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em processo envolvendo as mesmas partes, in verbis: [...] Essa comissão, citada em notas fiscais fatura de serviços, que pode ser qualquer coisa pois não consta nas notas fiscais acostadas ao processo comissão de que, (aparecem como comissão sobre importação mas não há operação de importação vinculada à nota fiscal) segundo rege o AVA, não são agregadas ao valor aduaneiro quando paga por importadores às detentoras do uso da marca no país. É essa a interpretação dada pela COSIT em 1997, com a qual concordo. Ora, se são valores que robustecem a marca, ou se são valores de fato ligados a prestação de garantias de manutenção dos serviços com o padrão de qualidade requerido pela marca, ou se são meros repasses indiretos para o grupo no Brasil, tais valores jamais influenciariam no preço do produto no curto prazo. Na realidade a valorização da marca por qualquer razão leva ao aumento dos lucros, tanto pelo aumento do mercado, como pela possibilidade de aumento futuro Fl. 5714DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.715 19 no preço da mercadoria. Meros repasses indiretos ao grupo deveriam ser tratados ou na esfera dos preços de transferência imposto de renda. [...] Diante dessas considerações, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Pertinente mencionar, ainda, que a existência de cláusula de assunção de dívida pela PEUGEOTCITRÖEN, detentora da marca no Brasil, em nome das concessionárias, não influencia a determinação do valor aduaneiro das mercadorias, tendo em vista tratarse de aspecto relativo à relação comercial travada entre as partes, não significando uma condição de venda. Além disso, a propriedade das mercadorias importadas é das concessionárias e não da detentora do uso da marca no país, não alterando tal condição a existência de uma cláusula de garantia. Portanto, não devem integrar o valor aduaneiro as quantias pagas aos detentores da marca no território nacional, restando extinto o crédito tributário. Consequentemente, resta prejudicada a análise do tópico referente à ponderação de alíquotas, pois uma vez exonerada a cobrança pela argumentação relativa ao valor aduaneiro, não há de se adentrar à análise das alíquotas aplicáveis a título de II e IPI. Diante do exposto, dáse provimento aos recursos especiais das Contribuintes. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator designado Designoume o Presidente para a redação do acórdão que não seguiu o voto da n. relatora face às considerações que expendi em sessão e que, sucintamente, são como segue. Fl. 5715DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.716 20 Em processos anteriores envolvendo a mesma comercial exportadora e outros fabricantes de veículos temos decidido, por maioria na qual me incluí, acolher o argumento principal se não, único dos sujeitos passivos concernente no não enquadramento das situações neles versadas nas disposições do Acordo de Valoração Aduaneira ventiladas pelas autoridades administrativas. Para demonstrar as diferenças deste processo, vale aqui, portanto, descrever as razões que me levaram àquela conclusão e que fundamentaram, mesmo, um dos votos por mim proferidos como redator: Em sessão de março de 2013 julgamos recurso em tudo semelhante a este. Na ocasião, também relator o dr. Rodrigo, a maioria do colegiado divergiu do seu voto, tendo sido eu designado para formalizar o acórdão. Do relatório lido em sessão, constato não haver quaisquer diferenças entre os recursos, inclusive no que tange à instrução processual, fato confirmado oralmente pelo relator. Limitome, por isso, a transcrever aqui as razões que nos levaram a negar provimento àquele apelo fazendário: Fui distinguido pela Presidência para redigir o acórdão em razão de a maioria ter divergido da proposta do i. relator, que mantinha o lançamento. Nesse mister, tornase necessário primeiro fazer aqui as complementações ao relatório da DRJ a que o n. relator fez referência no início do seu relatório. É que a peça de recurso buscou fundamento em divergência jurisprudencial e citou como paradigma o acórdão nº 30130602 proferido no processo n° 12466.000833/9897. E essa fundamentação veio a ser contestada em contrarazões, dado que a posição ali defendida calhou de ser reformada pela Câmara Superior, por meio, entre outras, da decisão nº 9303 00.208, proferida por maioria em favor da empresa. Aventou, por isso, o recorrido a disposição regimental do art. 67, § 10. Na reanálise de admissibilidade feita pelo Colegiado, restou consignado pelo i. Conselheiro e Presidente desta Seção, dr. Henrique Pinheiro Torres, único integrante da atual composição que participara daquela votação, que a razão fundamental para que, naqueloutro processo, a empresa tivesse obtido a maioria fora que não se confirmara a afirmação feita pelo relator na Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de que: A recorrente, COIMEX ... c) o preço constante de suas notas fiscais para as concessionárias correspondia ao preço de aquisição dos veículos, acrescido de parcela destinada à MMC do Brasil, correspondente a um percentual do valor do veículo, exigido pela "autorização pelo Fl. 5716DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.717 21 uso de marca", tendo como parâmetro a lista de preços do fabricante estrangeiro. Segundo o Presidente Henrique, quando da votação, na Câmara Superior, do recurso especial do procurador no processo 12466.001106/9838 (acórdão 9303.00.208), foi afirmado pela relatora que, naqueles autos, não havia notas fiscais emitidas pela COIMEX que permitissem afirmar que o valor em discussão delas constava, como fizera o relator do acórdão ora impugnado. Essa, então, a fundamentação para que ele, Conselheiro Henrique, além de outros, tenha acompanhado a relatora pelas conclusões. E esse aspecto daquele julgamento justificou a admissibilidade deste recurso, na medida em que, entendeuse, uma votação com essas peculiaridades não atende aos requisitos do dispositivo regimental alegado pela defesa. Tal informação é de suma importância na medida em que, nestes autos, se passa exatamente o mesmo, apesar da peremptória afirmação em contrário constante do relatório da DRJ reproduzido pelo n. relator. Com efeito, em nenhuma das mais de mil e quatrocentas folhas que compõem o processo digital (e que, necessariamente, devem corresponder às que compõem os autos em papel) consta uma só nota fiscal emitida pela COIMEX. Quanto às notas emitidas pela MMCB, há apenas sete delas (fls. 433/439). Em todas consta sempre a expressão: “Remuneracao pela autorização, pelo uso da marca MITSUBISHI MOTORS, pela divulgacao da marca e prestacao de servico, assistencia tecnica através do treinamento do pessoal (sic) Esses documentos parecem confirmar a tese da defesa segundo a qual os valores em discussão são cobrados diretamente pela MMCB aos concessionários, não transitando pela COIMEX ou sendo por ela cobrados em suas notas fiscais, até porque, do contrário, haveria dupla cobrança pelos mesmos valores. Essa conclusão poderia, é certo, ser afastada pelo exame das notas fiscais da COIMEX, estivessem elas nos autos. Cumpre ainda registrar em complemento – ou correção – ao relatório da DRJ, que a acusação fiscal em momento algum cita os itens “c” ou “d” do parágrafo 1 do artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, que foram usados por aquela instância de julgamento como fundamentos para manter a autuação. Lá só existe referência ao “artigo 8 do Acordo em seu parágrafo 1 (a) (i)” (fls. 08). E isso porque a fiscalização entendeu serem as parcelas cobradas pela MMCB (fls. 08): Fl. 5717DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.718 22 "comissão pelo uso da marca", eis que a mesma e suportada pelo comprador (no caso presente quem esta importando a mercadoria, sendo no caso o comprador, e cada concessionario que e quem paga a referida comissão cada vez que importa um veiculo) e nao se trata de uma "comissão de compra" (ipsis litteris) E essa é a única passagem do auto de infração que faz expressa menção ao dispositivo do Acordo de Valoração Aduaneira em que, supostamente, estaria baseada a autuação. Essa conclusão se impõe, na medida em que o “enquadramento legal” apenas cita (fls. 23): ENQUADRAMENTO LEGAL: II Artigos 87, inciso I; 89, inciso II; 220; 499 e 542, do RA, aprovado pelo Decreto 91.030/85. IPI Artigos 29, inciso I; 55, inciso I, alinea "a"; 63, inciso I, alinea "a" e 112, inciso I, do RIPI, aprovado pelo Decreto 87.981/82. Vale esclarecer que não há aqui autuação de IPI embora o enquadramento legal mencione o seu regulamento. Destarte, o que se tem é um lançamento que interpretou as rubricas em discussão como sendo comissão enquadrável na disposição do art. 8, parágrafo 1, letra, a), item i, do Acordo de Valoração Aduaneira e que foi mantido pela DRJ sob interpretação completamente distinta. De fato, consignou o acórdão da primeira instância (fls. 683/684) Tendo em vista ditas condições negociais foi proposto o ajuste do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, segundo critérios acordados no âmbito do GATT, estando contidos no artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, que assim dispõe: "Artigo 8 Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Art. 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; Fl. 5718DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.719 23 (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. "(destaquei) Conforme tais disposições, estão sujeitas a ajuste de preço somente as mercadorias cujo valor aduaneiro tenha por base o valor de transação, que, por sua vez, tem sua adoção condicionada às regras estabelecidas no art 1 do referido acordo, que determina: "Art. 1° O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o pais e importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, desde que: (C) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) e que não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou se houver, que o valor de transação sej a aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo."(os destaques não pertencem ao original)". Depreendese desse disciplinamento que o ajuste do valor aduaneiro declarado pelo importador não está condicionado aos mesmos critérios a serem obedecidos para a desqualificação do valor de transação. Pelo contrário. Representando tal ajuste um aperfeiçoamento desse valor, sua prática somente está autorizada quando for esse passível de aceitação. Despiciendo, portanto, comprovar a existência de vínculo entre o vendedor e o comprador. O ajuste, conforme previsto e definido no já mencionado artigo 8, revelase, de acordo com as condições negociais, um instrumento de uso obrigatório nas valorações decorrentes da aplicação do método do valor de transação, aplicável nas mais comuns das operações de importação: aquelas contratadas entre pessoas cuja relação não possa ser identificada com as circunstâncias enumeradas nos parágrafos 4 e 5 do artigo 15 do Acordo de Valoração Aduaneira Somadas tais razões à inexistência nos autos de acusação da ocorrência de subfaturamento, haja vista ter sido acolhido para todos os fins, inclusive para fins do ajuste proposto, o valor de transação constante da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, temse por insubsistentes os argumentos insistentemente trazidos pela impugnante, no sentido de demonstrar a inexistência de vínculo entre ela e as demais empresas envolvidas com a operação de importação em causa Muito embora irrelevante para a sustentação da presente ação fiscal o vínculo legal entre o exportador e o importador, é de se notar que a empresa MMC do Brasil Ltda, detentora do direito de comercialização no território Fl. 5719DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.720 24 nacional dos veículos importados e da marca que os distingue,..é quem autoriza, sob condições por ela estabelecidas, a contratação direta das importações, firmadas entre os Concessionários da marca e a autuada. E prossegue o relator de então para fundamentar a exigência nas disposições não cogitadas pelos autuantes: A respeito do que representa a marca para o ativo das empresas, é vasta a doutrina. Constituindo parte de seus ativos intangíveis, reunidos sob a denominação de fundo de comércio, à marca vem sendo, a cada dia, atribuído maior valia, a ponto de nos depararmos com as ditas empresas virtuais, que sequer encontramse estabelecidas, cujo faturamento obtido apenas com a concessão de uso da marca atinge cifras inimagináveis. Indiscutível tratarse esse de bem cuja concessão de uso, ainda que não prevista legalmente no acordo para fins de vinculação entre cedente e cessionário, bem traduz o fático interesse negocial comum que se estabelece entre as diversas empresas responsáveis por sua inserção no mercado consumidor. Representando um dos mais valiosos bens do ativo das empresas, é igualmente indiscutível que os investimentos dos quais decorre a valorização da marca revertemse, necessariamente, em beneficio direto para seu proprietário, no caso o fabricante exportador. É assim, ainda que a retribuição pelo seu uso não se dê pela via direta do pagamento, porém em decorrência de cláusula contratual onerosa que condiciona sua utilização à realização, por conta e ordem de seu cessionário e distribuidor, de publicidade exaustiva do produto negociado, conforme sucede no contrato de fls. , firmado entre a Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão) e a empresa Brabus Autosport Ltda, atualmente denominada MMC Automotores do Brasil (MMC do Brasil), cujo artigo 13 assim reza: "Artigo 13. PROPAGANDA O DISTRIBUIDOR reconhece que uma ampla campanha promocional será necessária para estabelecer de maneira bem sucedida um mercado para os Produtos no Território. O DISTRIBUIDOR concorda em assumir tais responsabilidades de propaganda e em apresentar à MMC, para sua aprovação, uma descrição geral de sua estratégia de propaganda, incluindo se sua propaganda será realizada através de cartazes, jornais, revistas, rádio, televisão ou de outra forma. O DISTRIBUIDOR não irá utilizar, ou fazer com que ou permitir que qualquer de seus concessionários utilize qualquer tendência de propaganda para prejudicar a MMC ou para enganar o público. O DISTRIBUIDOR concorda em gastar não menos que os valores periodicamente pactuados pela MMC e pelo DISTRIBUIDOR para a propaganda dos Produtos. (...)" Fl. 5720DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.721 25 Ditos encargos, sabidamente onerosos, são transferidos pelo Distribuidor da marca no Brasil aos seus concessionários autorizados, arrebanhando recursos para implementar a clausula contratada, mediante a emissão de notas fiscais de serviço em que são faturados valores a titulo de licença de uso da marca, conforme previsão contratual estabelecida entre o Distribuidor, o Importador e o Revendedor. Evidente, pois, o interesse negocial em comum nas importações realizadas, ratificados por contratos sociais suficientes para satisfazer os requisitos estabelecidos no art. 15, §§ 4 e 5, do Acordo de Valoração Aduaneira, ao comprovar o liame entre a comercial operadora da importação, a distribuidora e as concessionárias. Igualmente evidente o fato de que a maior interessada na importação em questão, a distribuidora de veículos MMC do Brasil, incorre, como condição—de—venda, despesas promocionais da marca comercializada, segundo dão conta as cláusulas obrigacionais estipuladas em contrato firmado entre o fabricante e importador. Conforme consta desse contrato, a marca permanece na propriedade do fabricante, bem como todos os seus direitos, e os valores faturados como concessão do seu uso, ao invés de serem remetidos para o exterior, são investidos no seu fortalecimento, razão por devem ser adicionados ao valor de transação_para_ fins do ajuste obrigatório do valor aduaneiro, previsto nos itens c e d do art. 8° do Acordo de Valoração Aduaneira, a ser efetuado consoante os procedimentos determinados no art. 6° do Decreto n° 2.498, de 1998. De se notar que o Acordo de Valoração Aduaneira ao prever o ajuste de preço, nos termos de seu art. 8°, além de instituílo como procedimento obrigatório, determina que os custos ali relacionados, desde que suportados pelo comprador e não inclusos no preço pago ou a pagar pela mercadoria, sejam acrescentados nesse preço, sem qualquer restrição quanto à modalidade operacional da importação, independentemente de convenções particulares não oponíveis à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Observase que a decisão da DRJ omitese de afirmar se as rubricas adicionadas são mesmo comissões, como defendera a autoridade autuante. É de se depreender que o n. relator entenda que não, na medida em que não poderiam ser, ao mesmo tempo, comissões, parcela de revenda posterior e direitos de licença. Ocorre que se essa dedução estiver correta, entendo que o lançamento somente poderia, em segundo grau, vir a ser mantido se entendêssemos correta a acusação fiscal, isto é, se de comissões mesmo se tratasse. Em outras palavras, defendo, como em tantos outros processos, que a autoridade julgadora Fl. 5721DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.722 26 não pode “reenquadrar juridicamente” o lançamento, devendo guardar respeito não apenas aos fatos mas também aos fundamentos jurídicos que embasam a peça de acusação. Pois bem, uma vez enquadrada pelos autuantes como comissões previstas no item a do parágrafo 1 do artigo 8º do AVA, entendo que a análise a ser promovida pelas instâncias julgadoras somente pode levar a uma de duas conclusões: ou se trata mesmo de comissões, aí enquadráveis e sujeitas a adição ao valor aduaneiro, cabendo manter o lançamento, ou, ao contrário, disso não se trata e cabe declarar sua improcedência. Não cabe ao julgador perquirir se é enquadrável em alguma outra hipótese ensejadora de inclusão no valor aduaneiro se esta outra sequer foi cogitada na peça de acusação. E para se concluir que não se trata mesmo de comissões não parece necessário muito esforço. Demonstrouo a defesa pela transcrição de ato da própria Administração (IN SRF 17/98) que a define como a receita proveniente de intermediação. Segundo a Instrução Normativa, ela é devida “a um agente que compra ou vende mercadorias, às vezes em seu próprio nome, porém sempre por conta de um comitente”. Esse agente “participa da conclusão de um contrato de venda, representando seja o vendedor, seja o comprador”. Tal remuneração do agente é “geralmente expressa em uma percentagem do preço das mercadorias”. Em outras palavras, comissões de venda são valores pagos a um agente que atuará, no exterior, para a colocação dos produtos objeto de exportação. E não é por outro motivo que devem integrar o valor de transação quando suportadas pelo importador. Ora, poderseia atribuir tal caracterização ao valor recebido pela COIMEX, pois é ela quem “participa da conclusão de um contrato de venda”. A parcela objeto da autuação, porém, devida que é à MMCB, não decorre, de nenhum modo, de participação desta última em tal contrato. Ela decorre da efetiva prestação de serviço, depois que o contrato de compra e venda já se consumou, conforme reconhecido pelas próprias autoridades autuantes. Essas considerações, pois, bastariam a mim para desconstituir o lançamento. Ao assim interpretar a disposição do art. 282, III do CPC, filio me à corrente – sabidamente minoritária – que entende não ter o código adotado em sua inteireza a teoria da substanciação. Para ela, ainda que o código exija a descrição completa dos fatos, exige igualmente sua fundamentação jurídica, não sendo legítimo concluir daí ter ele ratificado o princípio de que apenas aos fatos está adstrito o julgador. Como se sabe, tem prevalecido em nossos tribunais, a tese contrária, que admite ser o juiz inteiramente livre na interpretação jurídica dos fatos expostos na inicial, o que lhe Fl. 5722DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.723 27 permite, até mesmo, fazer o que neste caso concreto fez a DRJ: adotar fundamentos completamente ausentes na peça de acusação. Reconhecendo ser minoritária essa minha posição é que passo ao exame da posição defendida pela instância de piso e reiterada pelo n. relator, dr. Rodrigo Pôssas, isto é, que as verbas objeto da autuação constituam “parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor” (art. 8º, parágrafo 1, item d, com destaques meus). Inicialmente, e como se observa do destaque que fiz, de modo algum se sustenta a afirmação contida na passagem do voto do Conselheiro Luiz Novo Rossari citada pelo dr. Rodrigo. Tudo ao contrário, o Acordo é expresso no sentido de que o valor a ser adicionado segundo a cláusula d do parágrafo 1 do art. 8º deve reverter ao vendedor. E que no AVA tal expressão se refere ao exportador não parece merecer discussão, até porque é a definição que lhe dá a própria Administração Tributária (IN SRF 327/03, art. 10): Art. 10. O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor, assim considerados: I comprador, a pessoa que adquire a mercadoria e se compromete a pagar ao vendedor o preço negociado, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de importação; II vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. (destaquei) Essa transcrição, ao meu ver, já basta para afastar a pretensão fazendária. Em primeiro lugar, porque os valores aqui discutidos não constituem parcela de revenda subseqüente efetuada pelos concessionários, ainda que se admitisse, como dizem os autuantes, serem eles, concessionários, os importadores. Do que se extrai dos autos, ao contrário, tais valores são pagos à distribuidora no Brasil independentemente de qualquer revenda efetuada pelos concessionários e presumivelmente antes que ela ocorra. E que esses aspectos não sejam claramente esclarecidos nos autos se justifica por não terem sido os fundamentos dos autuantes... Fl. 5723DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.724 28 Não bastasse isso, induvidoso que tais parcelas não revertem diretamente ao exportador. É que por reversão direta, parece me, só se pode conceber a efetiva transferência de numerário, nem sequer cogitada na autuação. Ela, a meu sentir, nem se aproxima da “valorização da marca” aduzida pelo n. relator. Sobre isso, aliás, partilho, in totum, os fundamentos expendidos pela Conselheira Judith do Amaral Marcondes no já referido voto condutor do acórdão 930300.028 e em outros envolvendo as mesmas operações: eventual valorização da marca decorrente de um bom trabalho realizado pela distribuidora no País pode reverter futuramente em benefício da exportadora pela ampliação de seu mercado no Brasil. Significará ela maiores vendas ou maiores preços, que, quando concretizados, se refletirão em maior imposto arrecadado. Todavia, no momento mesmo em que a marca é protegida nenhuma reversão ocorre, nem mesmo indiretamente. O n. relator procura validála na hipótese de reversão indireta prevista no dispositivo e um tanto obscura porquanto não objeto de definição pelo próprio AVA. A lacuna pode, no entanto, ser preenchida pelo recurso à analogia, tomandose emprestada a definição de “pagamento indireto” prevista no Acordo. Assim o fez o artigo da Instrução Normativa acima transcrito: reversão indireta é o ato de saldar algum compromisso do exportador junto a terceiro. Ou seja, fosse esse o enquadramento dado pelas autoridades autuantes, a elas caberia a demonstração de que a MMCB era credora da empresa japonesa, obrigação essa que estivesse sendo adimplida pelos concessionários mediante o pagamento das rubricas objeto do lançamento. Notese, ademais, que isso exige novamente que se considerem os concessionários os verdadeiros importadores ainda que contra eles não se dirija o lançamento. Não se precisa dizer que nenhuma prova disso há nos autos, novamente porque da hipótese não cogitaram os autuantes... Por fim, lembrandose que discutimos autuação de imposto de importação, parece realmente estranho que se conclua por aplicar um dispositivo que exige sejam os importadores pessoas que não figuram como sujeitos passivos no lançamento. Foi com essas considerações que votei pela improcedência do lançamento, sendo este o acórdão que me coube redigir. Esses mesmos argumentos nos fizeram negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional também neste processo. Este o acórdão que, novamente, me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS REDATOR PARA O ACÓRDÃO. Fl. 5724DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.725 29 Acredito que isso baste para fundamentar meu voto pelo não conhecimento do recurso. É que o paradigma apresentado é exatamente de uma daquelas autuações. Mas este processo apresenta contornos bem distintos. Com efeito, em primeiro lugar, a acusação fiscal aqui não se limitou a afirmar que as parcelas que a autoridade fiscal pretendeu tributar constituíssem comissões sobre vendas enquadráveis no art. 8, I, a do AVA. Confirase do Relatório da decisão recorrida: O motivo do lançamento deveuse ao fato de a fiscalização considerar que ao preço de venda de veículos "PEUGEOT", importados nas datas listadas às fls. 09/10, deixouse de acrescentar as parcelas do resultado das revendas subseqüentes, cobradas das concessionárias e, que reverteram indiretamente ao vendedor. A autoridade fiscal, conforme expõe às fls. 02 a 08 e 52/53 encontrou, após a análise dos inúmeros documentos fornecidos pela autuada e pela PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda. o valor aduaneiro que deveria ser utilizado no pagamento dos tributos relativos às importações em comento, tomando o preço declarado das transações e ajustandoos mediante acréscimo do valor, cobrado a título de "assessoria na importação e na distribuição de veículos e representação da marca Peugeot no Brasil, compreendendo propaganda e marketing institucional, programação, planejamento, administração, logística, consultoria técnica e de pósvenda", pela PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda., das concessionárias dos veículos marca PEUGEOT, conforme Notas Fiscais de Serviços constantes entre os documentos de fls. 220 a 378. Ademais, nos processos que julgamos não houve sequer menção a qualquer operação de assunção de dívida envolvendo concessionários no Brasil e fabricantes/distribuidores no exterior, fato que é tão destacado no voto da decisão recorrida. E, mais relevante ainda, aqui se demonstrou cabalmente, a partir das informações que vieram aos autos em cumprimento de diligência demandada, que o valor objeto de controvérsia consubstancia precisamente a diferença entre o que foi assumido como base de cálculo do II e o valor total devido às empresas no exterior quando considerada a tal assunção de dívida. Disse o dr. Ricardo: Em resposta às questões apresentadas por este Colegiado, a Fiscalização Aduaneira prestou os esclarecimentos requeridos, confirmando entendimento expresso no Auto de Infração objeto da lide. De sua parte, a PeugeotCitröen do Brasil Automóveis Ltda, manifestouse refutando as conclusões do Fisco, que considera elaboradas “de modo confuso, (...) informações desconexas a realidade dos fatos e aos quesitos solicitados, partindo de premissas infundadas, confusas, na tentativa de justificar a autuação ora guerreada, trazendo prejuízo para elaboração de defesa (...)”. Fl. 5725DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.726 30 O primeiro dos questionamentos dizia respeito à conclusão informada nos autos pela Fiscalização de que as cobranças efetuadas às concessionárias estavam vinculadas à diferença entre o valor de um financiamento de venda a elas concedido somado ao valor faturado pela Coimex. A fiscalização esclarece que os demonstrativos de composição do valor do contrato de assunção de dívida para conciliação apresentamse separados por concessionária e distribuídos por veículo. Mais adiante, em resposta à terceira pergunta, assevera. Conforme constou na resposta ao Quesito 1, diversos documentos do volume I (fls. 195 a 265), apresentados pela Peugeot em diligência de 15/01/1997 (fls. 108 e 109), que estão identificados como "DEMONSTRATIVO DE COMPOSIÇÃO DO VALOR DO CONTRATO DE ASSUNÇÃO DE DIVIDA P/ CONCILIAÇÃO — VENDAS PEUGEOT E COIMEX", demonstram, de forma muito clara, que o valor do veiculo corresponde à somatória dos valores cobrados pela COIMEX e o valor cobrado pela PEUGEOT como serviços. 3.1.4. Os documentos das folhas 250 a 252, demonstram que o valor faturado como serviço, corresponde ao valor indicado na planilha de composição do valor do contrato de assunção de divida, para a concessionária MAISON COM DE VEÍCULOS (NFS 519 de 27/02/1995). À folha 250 do processo encontrase a Nota Fiscal de Serviços nº 519, emitida pela Peugeot do Brasil Automóveis Ltda contra Maison Comércio de Veículos Ltda, no valor total de R$ 105.544,20. À folha 251 e 252 está o Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação, emitido pela Peugeot para a concessionária Maison Comércio de Veículos Ltda. Ao final da coluna “NS R$” identificase a mesma quantia de R$ 105.544,20, valor que corresponde à soma dos lançamentos por modelo de veículo e por nota fiscal. Esses elementos permitem concluir que, seja qual for a natureza do valor cobrado na Nota Fiscal nº 519, não há razão para duvidar que ele é composto pela soma de valores individualizados por veículo vendido pela Concessionária, conforme assevera a Fiscalização. Contudo, até este ponto não vejo porque tais valores não pudessem corresponder, como defende a autuada, a valores por serviços prestados às concessionárias no assessoramento de venda dos produtos importados. Afinal, embora seja de todo razoável o entendimento manifesto pela Fiscalização Federal na resposta ao segundo questionamento de que “a base de cálculo” para a cobrança pelos serviços prestados “deveria ser a distribuição dessa despesa, que seria rateada e distribuída entre as concessionárias (...), entendo que não se poderia, a priori, e sem um exame acurado do negócio, recusar a hipótese de que as partes tenham avençado cobrança com base no quantitativo de veículos negociados, ainda que tal critério possa parecer Fl. 5726DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.727 31 impróprio ou mesmo inusual. A recorrente, inclusive, manifestouse à folha 636 do processo neste sentido, se não vejamos. A Peugeot estima a venda de automóveis durante um certo período (em geral 12 meses) e programa as atividades de apoio às concessionárias (especialmente marketing e treinamento), distribuindo as despesas proporcionalmente a cada veiculo, por este determinado período. Assim sendo, o concessionário sabe, ao comprar um veiculo da Coimex, que arcará com despesas, proporcionalmente alocadas a cada veiculo, num valor conhecido. De se destacar que a recorrente, ao longo de sua intitulada Manifestação à Diligência Fiscal, não logrou esclarecer o critério adotado para quantificação dos valores cobrados de cada concessionária. Restringiuse a contestar os apontamentos da Fiscalização, a não ser pelas breves considerações a seguir reproduzidas. Da leitura do trecho acima destacado, concluise que o agente fiscal parte da premissa que a Peugeot vendia carros acobertados por Notas Fiscais da COIMEX. Tal informação vai de encontro à realidade dos fatos, senão vejamos. Em um primeiro momento, a COIMEX vendia os carros às concessionárias, para que estas revendessem diretamente aos consumidores finais, os referidos veículos, o que, de fato, foi o ocorrido. Em seguida, a Peugeot, simplesmente, assumiu a divida dos concessionários perante A Automobiles Peugeot, Sevel Argentina S/A e AFSA Automotriz Franco Uruguaia. Por outro lado, a Peugeot do Brasil prestava diversos serviços de apoio às concessionárias tudo com o fim de manter um padrão de qualidade da marca, tais como: assessoria na importação de veículos e na distribuição de veículos, divulgação e representação da marca, compreendendo propaganda, marketing institucional, promoção, planejamento administrativo, logístico, consultoria técnica e pósvenda, serviços de despachante de veiculo importado para uso diplomático, dentre outros. Ora, em momento algum a Peugeot do Brasil vendia carros ou remetia para o exterior a receita oriunda dos serviços, até mesmo porque tais serviços foram efetivamente prestados integralmente pela Peugeot do Brasil, de modo a estarem fora do campo de incidência do II e, consequentemente, do IPI. Isso posto, percebese, do exame dos documentos carreados aos autos, alguns aspectos que chamam atenção e merecem ser considerados. Assim é o título sob o qual encontramse os Fl. 5727DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.728 32 cálculos do valor devido pelas concessionárias à Peugeot, que essa defende tratarse de valor por serviços prestados. Como já amplamente comentado, as planilhas contendo os valores devidos a título de serviços de importação denominamse “Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação”. Por outro lado, a recorrente reconhece que efetivamente teria assumido a dívida das concessionárias perante os exportadores estrangeiros, empresas a ela vinculadas ao afirmar, como acima reproduzido, que “Em seguida, a Peugeot, simplesmente, assumiu a divida dos concessionários perante A Automobiles Peugeot, Sevel Argentina S/A e AFSA Automotriz Franco Uruguaia”, Ora, se de fato (i) houve assunção da dívida das concessionárias por parte da Peugeot perante os exportadores estrangeiros, (ii) há planilhas de cálculo intituladas Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação nas quais o valor devido pelas concessionárias à Peugeot é calculado em face da unidade de veículo vendido e integra o cálculo do preço total considerado, (iii) o valor total calculado na planilha equivale ao valor cobrado da concessionária a título de serviços de assessoria na importação, então, não vejo como escapar à interpretação de que os valores indicados nas notas fiscais de serviço estão relacionados ao preço pago pelos veículos e vinculamse a uma dívida das concessionárias perante os exportadores estrangeiros assumida pela Peugeot. São essas as inconsistências que vem sendo apontadas desde o começo pela Fiscalização Federal. Como explicar que planilhas de cálculo do valor devido por serviços prestados (i) estejam vinculadas à unidade de veículos vendidos e não propriamente aos serviços efetivamente prestados, (ii) que tais planilhas, em lugar de denominaremse Demonstrativo de Cálculo dos Serviços Prestados ou qualquer outra designação que referisse os serviços que a recorrente afirma ter efetivamente prestado, foram denominadas Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação e (iii) em circunstâncias nas quais de fato houve a assunção, pela Peugeot, da dívida das concessionárias com os exportadores estrangeiros? Ademais, em resposta ao quesito número 03, solicitando esclarecimentos quanto à assertiva presente nos autos de que o valor total dos veículos era constituído pelo soma do valor do financiamento assumido pela Peugeot do Brasil perante a Peugeot da França e repassado ás concessionárias mais o valor faturado pela Coimex, a Fiscalização traz provas irrefutáveis da existência da dívida das concessionárias perante a Peugeot, vinculada a veículos negociados e não a serviços prestados. Resposta O INSTRUMENTO PARTICULAR DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA, celebrados entre a Peugeot e as distribuidoras, considerado o que foi apresentado como padrão celebrado com Fl. 5728DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.729 33 a CHAMONIX VEÍCULOS LTDA (fls.143 a 145), identifica claramente que o valor assumido pelas CONCESSIONARIAS é o valor do veiculo, e esse valor corresponde à somatória dos valores cobrados pela COIMEX e aquele cobrado como serviços pela PEUGEOT: "2. A PEUGEOT DO BRASIL tem dividas contraídas em moeda estrangeira junto a diversas empresas, tais como AUTOMOBILES PEUGEOT, SEVEL ARGENTINA S/A e AFSA AUTOMOTRIZ FRANCO URUGUAIA S/A, decorrentes da importação de veículos da marca PEUGEOT, suas peças e acessórios correlatos vendidos ao distribuidor e aos demais integrantes de sua rede de distribuição de veículos no Pais;" "3. As partes, contrariamente ao disposto no Art. 4 item 6 da DISTRIBUIÇÃO acordaram que o preço dos veículos seria pago a vista, mediante a assunção de parte da divida da PEUGEOT DO BRASIL pelo DISTRIBUIDOR;" "RESOLVEM celebrar o presente contrato de Assunção de Divida e outros pactos que será regido pelas seguintes clausulas e condições:" 1. Em pagamento da venda dos veículos descritos no Anexo I o DISTRIBUIDOR assume, cumulativamente, a divida da PEUGEOT DO BRASIL descrita e caracterizada no anexo II num montante de US$ 32.551,00 equivalente a R$ 32.420,80 em 21/05/1996." 3.1.1. No anexo I (fl. 147) seguem descritos os veículos negociados, conforme o pedido da DISTRIBUIDORA (N. IFF — 96/06449) já no anexo II (fl. 145) está registrado o valor da ASSUNÇÃO — US$ 32.551.00, correspondente à somatória do valor dos veículos negociados. Na página 147 do processo, no anexo I ao Instrumento Particular de Assunção de Dívida contrato 03051/412616, assinado por Chamonix Veículos Ltda e Peugeot do Brasil Veículos Ltda, especificamse os valores de 17.087,00 e 15.464,00, respectivamente para veículos PICK UP GRD e PICK UP GD. Esses valores estão estipulados também no corpo do contrato. Em pagamento da venda dos veículos descritos no Anexo I o DISTRIBUIDOR assume, cumulativamente, a divida da PEUGEOT do BRASIL descrita e caracterizada no Anexo II num montante de US$ 32.551,00 equivalente a R$ 32.420,00 em 21/05/96. 2. O DISTRIBUIDOR se obriga a liquidar a divirta ora assumida mediante o pagamento à PEUGEOT DO BRASIL das seguintes parcelas: . 001) US$ 17, 087.00, até 05/07/96 Chassi SA4D3700055195890 Fl. 5729DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.730 34 002) US$ 15,464.00, até 05/07/96 Chassi SA4D3700055203667 Entre as folhas 195 a 219 do processo, a Fiscalização Aduaneira apresenta extratos de alguns Demonstrativos de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação para diferentes Concessionárias. Repetidas vezes os veículos acima descritos, PICK UP GRD e PICK UP GD, encontramse listados. O valor exato de 15.464,00 para o veículo PICK UP GD é identificado no Demonstrativo da Le Lac Veículos (folhas 195 a 210) por mais de dez vezes. Outras tantas em valor próximo, como às folhas 196, extrato correspondente à Concessionária Ravel Veículos e Peças Ltda, pelo valor de 15.280,16. Esse valor é sempre obtido pela soma dos valores registrados nas colunas intituladas “VALOR RS” e “NS RS”, e o total desta última é lançado pela Peugeot em nota fiscal de serviço, tal como apontou a Fiscalização em relação à Concessionária Maison Comércio de Veículos Ltda, e que também pode ser confirmado à folha 245, Nota Fiscal de Serviços nº 572, emitida pela Peugeot contra a Concelles Veículos Ltda, no valor de 5.832,15, idêntico ao valor da coluna “NS R$” do Demonstrativo de Conciliação da mesma Concessionária às folhas 246. O problema é que, como se viu, o valor total de US$ 15.464,00 corresponde ao valor de aquisição do veículo. É isso o que diz textualmente o contrato acima transcrito Em pagamento da venda dos veículos descritos no Anexo I (...). Ou seja, ainda que se admita a efetiva prestação dos serviços de assessoria na importação, o fato é que o valor total do veículo previamente estipulado indiscutivelmente inclui o quantum que é lançado nos Demonstrativos de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação na coluna “NS R$”. Anotese que a própria recorrente confirma que o valor dos serviços integra o preço dos veículos. Abaixo manifestação contida às folhas 635 do processo. Estas despesas eram cobradas com base numa estimativa que combinava projeção de venda de veículos anual, por modelo, com projeção destas despesas de apoio ao concessionário, cujo critério está explicado em resposta ao item 3 abaixo. Em geral, eram parcelas fixas e pré estabelecidas, de tal forma que o concessionário pudesse compor o preço de custo "posto concessionária", inclusive frete e impostos do veiculo, e programar, consequentemente, o valor de venda do mesmo. O artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, relaciona alguns dos elementos que devem ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar na determinação do valor aduaneiro segundo as disposições do artigo 1º, se não vejamos. Artigo 8 Fl. 5730DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.731 35 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: (i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; (iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãode obra e com materiais; (b) o valor, devidamente atribuído, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de "design", e planos e esboços, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação; (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. Por outro lado, o Acordo considera razão para rejeição do primeiro método de valoração, além da vinculação entre importador e exportador quando essa afetar o preço, a circunstância na qual a venda ou o preço estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração. Fl. 5731DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.732 36 Por meio da Opinião Consultiva nº 16.1, o Comitê de Valoração Aduaneira emitiu parecer sobre a rejeição do primeiro método frente à alternativa de recomposição do valor aduaneiro nas situações em que o valor decorrente da condição ou contraprestação é quantificável. Opinião Consultiva 16.1 Tratamento aplicável a uma situação em que a venda ou o preço depende de alguma condição ou contraprestação cujo valor pode ser determinado em relação às mercadorias objeto de valoração 1. Qual o tratamento aplicável a uma situação em que a venda ou o preço depende de alguma condição ou contraprestação cujo valor pode ser determinado em relação às mercadorias a valorar? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: A alínea (b) do artigo 1, parágrafo 1, dispõe que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base no valor de transação se a venda ou o preço dependem de alguma condição ou contraprestação cujo valor não possa ser determinado com relação às mercadorias a valorar. O disposto na alínea (b) do artigo 1, parágrafo 1, deveria ser interpretado no sentido de que, se o valor da condição ou contraprestação pode ser determinado, o valor aduaneiro das mercadorias importadas deve ser, sob reserva de outras disposições e condições do artigo 1, o valor de transação segundo este artigo. As Notas Interpretativas ao artigo 1 e o Protocolo estabelecem claramente que o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado pelo comprador ao vendedor, ou em benefício deste; que o pagamento pode ser efetuado direta ou indiretamente; e que o preço inclui todos os pagamentos efetuados ou a efetuar pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a um terceiro. Assim, o valor da condição, quando for conhecido e estiver relacionado com as mercadorias importadas, faz parte do preço efetivamente pago ou a pagar. Incumbe à cada administração decidir sobre o quê considera como informações suficientes para determinar concretamente o valor de uma condição ou contraprestação. O que fica claro é que, seja pela rejeição do primeiro método, seja pela sua manutenção com a inclusão dos valores pagos pelos elementos descritos no artigo 8º ou mesmo nele não incluídos, o Acordo de Valoração Aduaneira visa preservar sempre a indicação de uma base tributável que corresponda a um preço praticado em condições normais para aquela mercadoria, em circunstâncias nas quais o valor da negociação não tenha sido influenciado por particularidades da transação comercial específica. Fl. 5732DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.733 37 Anexo à Instrução Normativa nº 318/03 encontrase o Estudo de caso 3.1 – Restrição e Condições no Contexto do artigo 1. Nele, ao enfrentar questão relativa aos efeitos sobre a base de cálculo dos tributos aduaneiros da estipulação de serviços prestados no país de importação por importador não vinculado ao exportador estrangeiro, como condição de venda das mercadorias, o Comitê de Valoração Aduaneira assim manifestouse. (...) e) D deve manter salões de exposição, empregar um quadro específico e suficiente de vendedores treinados e estabelecer uma cadeia de concessionárias com assistência técnica. Esta disposição corresponde a uma prática usual de negócio que deveria ser tratada como uma condição ou contraprestação relativa à comercialização das mercadorias importadas. (...) No caso concreto, a autuada, Peugeot do Brasil Automóveis Ltda, é detentora de exclusividade na venda de veículos da marca Peugeot no Brasil e, como tal, vinculada ao exportador estrangeiro. Assim define o artigo 15 do Acordo de Valoração Aduaneira, parágrafos 4 e 5, a seguir transcritos. 4. Para os fins deste Acordo, as pessoas serão consideradas vinculadas somente se: a. uma delas ocupar cargo de responsabilidade ou direção em empresa da outra; b. forem legalmente reconhecidas como associadas em negócios; c. forem empregador e empregado; d. qualquer pessoa, direta ou indiretamente, possuir, controlar ou detiver 5% ou mais das ações ou títulos emitidos com direito a voto de ambas; e. uma delas, direta ou indiretamente, controlar a outra; f. forem ambas, direta ou indiretamente, controladas por uma terceira pessoa; ou g. juntos controlarem direta ou indiretamente uma terceira pessoa; h. forem membros da mesma família. 5. As pessoas que forem associadas em negócios, pelo fato de uma ser o agente, o distribuidor ou o concessionário exclusivo da outra, qualquer que seja a denominação utilizada, serão consideradas vinculadas para os fins deste Acordo, desde que se enquadrem em alguns dos critérios do parágrafo 4 deste artigo. Fl. 5733DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.734 38 A importação dos veículos cujo Valor Aduaneiro aqui se discute foi realizada por empresa não habilitada a operar no mercado interno, sob o controle e por ordem da detentora de exclusividade na comercialização da marca. O fato de a Coimex apresentarse como importador não tem o condão de alterar o papel e a titularidade das partes intervenientes. A manifestação do Comitê de Valoração Aduaneira antes anotada deixa claro que valores de serviços exigidos como condição de venda de mercadorias devem ser considerados como fator de influência no preço. Por outro lado, uma vez que quantificáveis, também conforme entendimento do Comitê, devem ser integrados à base de cálculo dos tributos. Certamente, não será pelo fato de a importação, por questões de praticidade ou conveniência ter sido realizada com a intermediação de pessoa jurídica importadora, que tais serão considerados de maneira distinta. O que importa é determinar se o negócio apresenta a evidência de uma operação capaz de influenciar o preço acertado entre as partes e, quanto a isso, não vejo razão para duvidar. Uma vez que tais valores possam ser quantificados, como no caso concreto puderam, é de menor importância denominalos parcelas de operação posterior, condição ou contraprestação, basta que sejam identificados e que lhes seja possível atribuir as características aqui enunciadas. Inadmissível é a hipótese de que tais serviços não tenham integrado a negociação de venda das mercadorias. Que tenham sido deliberadamente oferecidos pela Peugeot do Brasil de maneira independente, imprevisível e casual, sem qualquer afetação do preço negociado. Noutro giro, é também das manifestações do Comitê de Valoração Aduaneira supra transcritas, tratarse de prática habitual do mercado que operações desta natureza incluam a exigência de que o importador disponha de uma estrutura de serviços e coloqueos à disposição do esforço de vendas. Como se viu, o valor exigido pela Peugeot do Brasil das concessionárias a título de prestação de serviços constituise em prestação associada ao preço do veículo que as últimas obrigatoriamente pagavam à primeira ao adquirilos. Assim, não há também qualquer necessidade de perquirir sobre a efetiva prestação dos serviços, ou se eles estiveram determinados em contrato escrito entre a Peugeto do Brasil e o exportador estrangeiro, pois trataramse de valores antecipa e compulsoriamente exigidos das concessionárias na negociação e correspondentes a uma prestação típica das negociações empresarias entre empresas sediadas em países diferentes, cuja afetação do preço prescinde de formalidade e de sua efetividade, por trataremse de condição prévia e inerente ao negócio. Finalmente, de se acrescentar que não é necessário que o valor tenha sido remetido ao exterior ou pago diretamente ao exportador das mercadorias para que seja integrado ao Valor da Fl. 5734DF CARF MF Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 9303004.711 CSRFT3 Fl. 5.735 39 Transação. Vejase mais uma vez o teor da Opinião Consultiva 16.1 acima transcrita. (...) As Notas Interpretativas ao artigo 1 e o Protocolo estabelecem claramente que o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado pelo comprador ao vendedor, ou em benefício deste; que o pagamento pode ser efetuado direta ou indiretamente; e que o preço inclui todos os pagamentos efetuados ou a efetuar pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a um terceiro (...) (grifos meus) Assim, seja qual for o ângulo sob o qual se examine o negócio, inevitável reconhecer a existência de uma parcela adicional paga pelas concessionárias à Peugeot do Brasil que, seja por influenciar o preço, seja por constituirse em parte dele, deve, por todas as razões acima pormenorizadas, ser acrescentado ao Valor da Transação. Ou seja, os esclarecimentos prestados na resposta à diligência solicitada são taxativos em demonstrar que os concessionários pagam o valor integral que é devido pelo importador real (a Peugeot do Brasil) ao exportador no exterior. Por isso, não há como, neste processo, deixar de reconhecer que há uma clara triangulação por meio da qual a exportadora no exterior recebe um valor total, pelos concessionários, mas não é esse valor total o que é usado como base de cálculo na importação. Para tanto, uma parte é tratada como serviços prestados pela Peugeot do Brasil, parte essa que consta em Nota de Serviços, mas que nada mais é do que a diferença entre o preço devido à exportadora e aquele cobrado pela COIMEX e que serve de base ao II. Essa triangulação se processa por meio dos tais contratos de assunção de dívida e é precisamente essa circunstância que distingue este processo dos demais já julgados por nós favoravelmente à COIMEX sobre matéria correlata. Repitase que a falta de comprovação, pelo fisco, de que os recursos discutidos eram repassados, ainda que indiretamente, ao exportador no exterior fora, precisamente, a razão para que houvéssemos afastado a tributação nos outros processos julgados sobre matéria correlata. Essas as razões que me levaram, primeiro, a não conhecer do recurso e, vencido quanto a isso, a negarlhe provimento. E esse é o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 5735DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.721603/2016-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE.
Prova documental - cumprimento de requisito.
Numero da decisão: 2002-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcilia Ferreira Campêlo, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez- Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcilia Ferreira Campelo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Prova documental - cumprimento de requisito.
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MOLÉSTIA GRAVE. Prova documental cumprimento de requisito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcilia Ferreira Campêlo, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcilia Ferreira Campelo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 16 03 /2 01 6- 44 Fl. 74DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância, que negou provimento a impugnação da contribuinte, para manter o crédito tributário exigido. Responde a recorrente por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação da Justiça Federal. Corrigidos os rendimentos conforme informações constantes na DIRPF da fonte pagadora e de comprovante de Retenção de Imposto de Renda Depósito Judicial emitido pela fonte pagadora. Inconformada com o auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, requerendo a nulidade ou insubsistência do auto pelos seguintes fundamentos: que a União não pagou o salário integral durante 5 anos. Em 1993 entrou com ação, por intermédio da Associação de Pensionistas das Forças Armadas, para receber a diferença da pensão no período de 1988 a 1993; que em julho de 2013 teve prolatada sentença favorável; que recebeu o precatório em 11/12/2014; que é isenta do pagamento do imposto de renda por ser portadora de cardiopatia grave, sendo injusta a cobrança do valor de R$ 7.441,44. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a impugnação improcedente, para manter o crédito tributário exigido. A r. decisão de primeira instância entende que a tributação do Imposto de Renda é exigida pelo regime de caixa, para os Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Diz que a contribuinte não apresentou as planilhas e demais documentos do processo judicial, o que permitiria identificar o valor e as verbas originárias corrigidas. Diz que a impugnante não juntou aos autos laudo médico oficial, que comprovasse a moléstia grave, por ela alegada. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator O Recurso Voluntário, foi aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O documento de fls 13, diz que a recorrente em 28/02/2002, era portadora de: Coronariopatia aterosclerótica, com comprometimento obstrutivo do tronco da artéria coronária esquerda e das origens das artérias descendente anterior e diagonal. O referido laudo é do Hospital Central do Exército do Ministério da Defesa. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 15463.721603/201644 Acórdão n.º 2002000.063 S2C0T2 Fl. 3 3 Na data de 07/03/2002, a recorrente sofreu cirurgia de revascularização do miocárdio. Observamos que no documento juntado pela recorrente, de fls 22, "Consulta Processual", referese a um precatório, que a mesma teria direito a receber, pois bem, o precatório referese ao pagamento de índice da URV, Lei 8.880/1994 Reajuste da Remuneração, Saldo, Proventos ou Pensão Servidor Militar Direito Administrativo e outras matérias do Direito Público, e o mais importante, referese a "alimentos". Assim sendo, entende este relator, que a recorrente implementou as condições, para a isenção, pois os proventos são de aposentadoria ou reforma e pensão, e a inequívoca doença que acomete a recorrente. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e dáse provimento. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.914402/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 44 02 /2 01 1- 43 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.774, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de COFINS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.914402/201143 Acórdão n.º 3301004.457 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917589/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 89 /2 01 1- 46 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10480.917589/201146 Acórdão n.º 3201003.602 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.498, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10480.917589/201146 Acórdão n.º 3201003.602 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10480.917589/201146 Acórdão n.º 3201003.602 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720851/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. HIPÓTESES DE INDISPENSABILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO
Lançamento embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), devem ser firmados na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001.
As hipóteses de indispensabilidade do exame de movimentação financeira foram elencadas no art. 3º do Decreto 3.724/2001. A autoridade fiscalizadora deverá, em relatório circunstanciado, descrever de forma precisa e clara os fatos que motivaram o enquadramento do caso na hipótese de indispensabilidade e demonstrar a razoabilidade da situação.
Numero da decisão: 1301-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento, e dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Milene de Araújo Macedo que votaram por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: Milene de Araújo Macedo
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. HIPÓTESES DE INDISPENSABILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO Lançamento embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), devem ser firmados na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. As hipóteses de indispensabilidade do exame de movimentação financeira foram elencadas no art. 3º do Decreto 3.724/2001. A autoridade fiscalizadora deverá, em relatório circunstanciado, descrever de forma precisa e clara os fatos que motivaram o enquadramento do caso na hipótese de indispensabilidade e demonstrar a razoabilidade da situação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento, e dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Milene de Araújo Macedo que votaram por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 359 1 358 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720851/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.847 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria IRPJ Omissão de Receitas com Base em Depósitos Bancários Recorrente NOVO TRIANGULO COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. HIPÓTESES DE INDISPENSABILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO Lançamento embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), devem ser firmados na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. As hipóteses de indispensabilidade do exame de movimentação financeira foram elencadas no art. 3º do Decreto 3.724/2001. A autoridade fiscalizadora deverá, em relatório circunstanciado, descrever de forma precisa e clara os fatos que motivaram o enquadramento do caso na hipótese de indispensabilidade e demonstrar a razoabilidade da situação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento, e dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Milene de Araújo Macedo que votaram por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 51 /2 01 0- 15 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 360 2 (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0124.507, da DRJ/BRL, que julgou procedente os autos de infração de IRPJ R$ 233.157,76, CSLL R$ 138.865,19, COFINS R$ 385.736,65 e PIS R$ 83.576,22, acrescidos de multa do ofício de 75% e juros de mora. A fiscalização apurou a infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido os extratos bancários obtidos nos termos da Lei Complementar nº 105/01, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, posto que a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os extratos bancários porém não atendeu às intimações. Os valores objeto do lançamento de ofício foram apurados mediante o confronto entre o total de créditos mensais constantes dos extratos bancários, excluídos os valores não tributáveis identificados no Relatório de Encerramento de Procedimento Fiscal, e os valores das receitas informadas na DIPJ/2007 e declaradas em DCTF. Cientificada dos autos de infração a contribuinte apresentou impugnação, cujas alegações foram assim sintetizadas pelo acórdão recorrido: 1. o resultado final do trabalho fiscal não foi obtido dentro do prazo de fiscalização constante do Mandado de Procedimento Fiscal, não houve ciência do contribuinte da prorrogação de validade do MPF, motivo pelo qual é indiscutível que o trabalho da fiscalização foi obtido por servidor incompetente para a prática do ato; 2. é ilegal a obtenção de documentos bancários, por contrariar a lei, tendo ocorrido grave atentado contra o direito são sigilo de dados garantido pelo art. 1° da LC 105/2001 e prova obtida de forma ilícita; 3. os extratos bancários não são considerados documentos fiscais ou tributários para qualquer fim legal; Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 361 3 4. a autuação da forma proposta equiparase a uma condenação, os tribunais pátrios vêm decidindo rigorosamente contra o cerceamento de defesa, com os meios a ela inerentes; 5. os valores relativos a cobrança do PIS e da COFINS são absoluta e totalmente indevidos porque suas alíquotas foram reduzidas a zero, conforme Lei Federal 10.925; 6. é necessária perícia técnica nos livros e documentos fiscal de ICMS apresentados pela contribuinte, a fim de identificar a parcela de produtos que se enquadram na redução para zero da alíquota do PIS e da Cofins; 7. a contribuinte está sendo obrigada a recolher as contribuições do PIS e da Cofins sobre o faturamento bruto, em verdadeira afronta ao real conceito de faturamento, o mesmo deve ser aplicado relativamente ao cálculo do IRPJ e da CSLL, vez que a tributação estadual não pode ser entendida como faturamento da empresa; 8. a multa imposta caracterizase pela condenação sumária do Defendente, a possibilidade de se defender do auto de infração não descaracteriza a violência da condenação. Ao apreciar a impugnação, a DRJ/BEL manteve integralmente os lançamentos efetuados, conforme acórdão nº 0124.507, de 15 de março de 2012, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ AnoCalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos os demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado o prazo regulamentar de defesa, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporiS", não há porque se acatar os argumentos de nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 362 4 indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. IRPJ. CSLL. COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O faturamento inclui todas as receitas de vendas e o ICMS faz parte dele, por estar embutido no preço da Nota Fiscal de venda, integrando, portanto, o preço de venda das mercadorias. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo já contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" No Despacho de Encaminhamento às fls. 346, consta que a intimação ARF/CAS nº 069/2012, cientificando o contribuinte do resultado do julgamento foi postada em 28/05/2012 e, em 26/06/2012, o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário de fls. 313 a 336, efetuando, em apertada síntese, as seguintes alegações: Preliminarmente requer a nulidade do lançamento: (i) por ilicitude na obtenção dos extratos bancários posto que não foi demonstrada nenhuma das hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001; (ii) por ausência de prorrogação tempestiva do Mandado de Procedimento Fiscal, tendo a fiscalização extrapolado os prazos de conclusão do trabalho fiscal; (iii) por cerceamento do direito de defesa, visto que a multa imposta na autuação equiparase a uma condenação sumária da recorrente. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 363 5 Requer a realização de perícia técnica nos livros e documentos fiscais de ICMS a fim de identificar a parcela de produtos que se enquadram na redução para zero da alíquota da COFINS e PIS, pois pelo menos 90% dos produtos por ela comercializados são classificados nos códigos constantes do inciso V, do art. 1º da Lei nº 10.925/04, os quais tiveram suas alíquotas reduzidas para zero; Requer a exclusão do ICMS pago ao Estado do Pará da base de cálculo da COFINS e PIS, visto que o conceito de faturamento previsto constitucionalmente não inclui os repasses a título de ICMS realizados aos Estados; Defende a exclusão do ICMS também da base de cálculo do IRPJ e CSLL pois a aplicação do percentual de presunção do lucro sobre as receitas estatais gera uma tributação em cascata. Na sessão de julgamento realizada em 06/08/2013, esta Turma Ordinária determinou o sobrestamento do julgamento, por meio da Resolução nº 1103000.101, em obediência ao disposto no art. 2º da Portaria Carf nº 1/12. Consta da referida resolução que o Supremo Tribunal Federal, no RE nº 601314/RG/SP, então pendente de julgamento, atribuiu repercussão geral à questão da legalidade do fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Foram anexados ao processo a Lista de Postagem Registrados com AR e o comprovante do remetente emitido pelos Correios (fls. 337 a 338) onde consta que em 28/05/2012 foi expedida a Intimação nº 069/2012 (fls. 339 a 442) com o objetivo de cientificar o sujeito passivo do resultado do julgamento em primeira instância. Em 26/06/2012 foi protocolizado o recurso voluntário (fls. 313 a 336), assim, nos termos do art. 23, § 2º, II, o qual estabelece que a intimação considerase realizada quinze dias após a expedição da intimação nos casos em que a data de recebimento é omissa, tenho o recurso por tempestivo. DAS PRELIMINARES Em sede de preliminares argúi a recorrente que o lançamento é nulo por ilicitude na obtenção dos extratos bancários, pois nenhuma das hipóteses de indispensabilidade de exame dos documentos bancários previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 foi cabalmente demonstrada por decisão fundamentada pelo Auditor Fiscal. Acrescentou a recorrente que os extratos bancários não são considerados documentos fiscais ou tributários para qualquer fim legal, cabendo impugnação direta da legalidade de sua exigência no mandado de procedimento fiscal, vez que o não atendimento da requisição acarreta crime contra a ordem tributária previsto na Lei nº 8.137/90. O art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 permitiu o acesso à movimentação bancária dos contribuintes nos casos em que houvesse procedimento fiscal instaurado ou em Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 364 6 andamento e o exame desses documentos fosse considerado indispensável pela autoridade administrativa competente. O Decreto nº 3.724/2001, ao regulamentar as hipóteses de indispensabilidade de exame dos documentos relativos às contas de depósitos e de aplicações financeiras, assim dispunha em seu art. 3º, com a redação vigente à época do procedimento fiscal: Art. 3º Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; IIobtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; IIIprática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IVomissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; Vrealização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VIremessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VIIprevistas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIIIpessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IXpessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; Xnegativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XIpresença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1oNão se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 365 7 §2 Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: Ias informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; IIa ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. Assim, para que a fiscalização tenha acesso aos dados da movimentação dos contribuintes junto às instituições financeiras fazse necessária a existência de procedimento fiscal e a incidência em uma das hipóteses de indispensabilidade acima elencadas. Diversamente do alegado pela recorrente, na "Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF"(fls. 8, 9) o fiscal responsável pelo procedimento fiscal informou como hipótese de enquadramento o inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/01 e fundamentou o pedido com base na falta de atendimento às intimações para apresentação dos extratos bancários enviadas em 02/09/2009 e 29/09/2009. O inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/01 estabelece que o acesso aos dados da movimentação bancária dos contribuinte é indispensável nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 366 8 V prática reiterada de infração da legislação tributária; VI comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária. § 1º O regime especial de fiscalização será aplicado em virtude de ato do Secretário da Receita Federal. § 2º O regime especial pode consistir, inclusive, em: I manutenção de fiscalização ininterrupta no estabelecimento do sujeito passivo; II redução, à metade, dos períodos de apuração e dos prazos de recolhimento dos tributos; III utilização compulsória de controle eletrônico das operações realizadas e recolhimento diário dos respectivos tributos; IV exigência de comprovação sistemática do cumprimento das obrigações tributárias; V controle especial da impressão e emissão de documentos comerciais e fiscais e da movimentação financeira. § 3º As medidas previstas neste artigo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, por tempo suficiente à normalização do cumprimento das obrigações tributárias. § 4º A imposição do regime especial não elide a aplicação de penalidades previstas na legislação tributária. § 5o Às infrações cometidas pelo contribuinte durante o período em que estiver submetido a regime especial de fiscalização será aplicada a multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 desta Lei, duplicandose o seu percentual. (Redação dada Lei nº 11.488, de 2007) Da análise dos autos verifico que o sujeito passivo foi regularmente intimado no Termo de Início de Procedimento Fiscal, ciência em 02/09/09 (fls. 02 a 05) e no Termo de Intimação Fiscal nº 001, ciência em 29/09/09 (fls. 06 e 07), a apresentar os extratos bancários de todas as contascorrentes mantidas junto ao HSBC Bank Brasil S.A e Banco Bradesco S/A, entretanto, não apresentou nenhuma resposta à fiscalização. Assim, procedeu corretamente a fiscalização ao emitir a "Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF", fundamentandoa na hipótese prevista no inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/01, face à negativa injustificada em apresentar os extratos bancários, situação prevista no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96. Com relação às alegações de que os extratos bancários não são considerados documentos fiscais ou tributários para qualquer fim legal, cabendo impugnação direta da Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 367 9 legalidade de sua exigência no mandado de procedimento fiscal, vez que o não atendimento da requisição acarreta crime contra a ordem tributária previsto na Lei nº 8.137/90, também não assiste razão à recorrente. Os extratos bancários são documentos que podem ser solicitados no curso do procedimento fiscal, tanto que a recusa injustificada de sua apresentação,caracteriza hipótese de indispensabilidade do exame e autoriza sua requisição diretamente às instituições financeiras via Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, exatamente como ocorreu no presente processo. Diante do exposto, considerando que as provas foram licitamente obtidas, afasto a preliminar de nulidade requerida pelo sujeito passivo. As demais questões preliminares arguídas pela recorrente, bem assim, as questões de mérito, tiveram sua análise prejudicada em virtude do entendimento da maioria da Turma que concluiu pela nulidade do lançamento por ilicitude na obtenção dos extratos bancários. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por ilicitude na obtenção dos extratos bancários. (asssinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento da ilustre Relatora sobre o mérito da lide, durante as discussões em sessão, surgiu divergência que levou a conclusão diversa a que chegou, por ter sido acolhida a preliminar alegada relativa à ausência de fundamentos para expedição da denominada Requisição de Movimentação Financeira. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte sustenta a nulidade do lançamento efetivado com base na movimentação bancária. Afirma que a fiscalização não demonstrou adequadamente nenhuma das hipóteses de indispensabilidade de exame dos documentos bancários previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001, tendo havido, assim, violação das normas que disciplinam a matéria, caracterizandose prova obtida de forma ilícita. No entendimento da I. Relatora, não existiu o vício insanável alegado, pois o fiscal responsável pelo procedimento fiscal informou como hipótese de enquadramento o inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/01 (hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996), e fundamentou seu pedido na falta de atendimento às intimações para apresentação dos extratos bancários. Porém, como dito, este não foi o entendimento da maioria do Colegiado. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 368 10 De acordo com autos, o presente lançamento está embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), firmado na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. Na esteira do entendimento do E. Supremo Tribunal Federal, firmado no julgamento da ADI 2.859DF, é imprescindível que os atos que envolvem a obtenção de documentos e extratos bancárias observem os referidos diplomas legais. Em tal julgamento, além de declarar a constitucionalidade do acesso direto pelo Fisco à movimentação financeira do contribuinte, a Suprema Corte fez expressa referência na ementa do acórdão ao Decreto nº 3.724, para consignar que Estados e Municípios só poderiam ter acesso direto àquelas informações, quando a matéria estivesse devidamente regulamentada, por eles, de maneira análoga à do Decreto nº 3.724. Assim, as disposições do Decreto nº 3.724, no que concerne às exigências para requisição de informações financeiras aos bancos, devem ser observadas com a mesma reverência com que se cumpre a própria lei. Da observância à disciplina do referido decreto regulamentar depende a legitimidade do acesso aos dados bancários e, por conseguinte, a validade do próprio lançamento que se apóie em tais informações. Nessa linha, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, impõe que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União somente podem examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, acaso cumpridos dois requisitos, quais sejam: i) a existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso e; ii) a indispensabilidade do exame de prova ou documento para a investigação fiscal: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto à primeira das condições, inexiste controvérsia, eis que contra a recorrente foi instaurado, de forma regular, procedimento fiscal. No tocante à indispensabilidade do exame das informações, o citado Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º acima referenciado, relacionou objetivamente as hipóteses em que os exames são considerados indispensáveis. Ou seja, o seu art. 3º determina taxativamente todas as situações nas quais as informações serão consideradas indispensáveis, in verbis: Art. 3º Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 369 11 IIobtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; IIIprática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IVomissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; Vrealização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VIremessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VIIprevistas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIIIpessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IXpessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; Xnegativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XIpresença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1oNão se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. §2 Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: Ias informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; IIa ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 370 12 b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. Dentre as hipóteses listadas, não tenho dúvidas que encontro aquela apontada pela autoridade fiscal (inciso VII: previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996). Contudo, apesar da indicação, a referida autoridade, em relatório por demais econômico, simplesmente afirma que o contribuinte foi intimado para apresentar os extratos bancários e não o fez. O art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, elenca as seguintes hipóteses: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; V prática reiterada de infração da legislação tributária; VI comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária. Das hipóteses acima listadas, a única situação que se associa aos motivos descritos pela autoridade fiscal é a estampada no item I acima: embaraço à fiscalização. Nesse trilho, o embaraço estaria caracterizado pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10280.720851/201015 Acórdão n.º 1301002.847 S1C3T1 Fl. 371 13 Se foi essa a direção adotada pelo agente fiscal, penso que o relatório circunstanciado de fls. 8 e 9, deveria ter reunido elementos capazes de caracterizar o embaraço à fiscalização, pois, considerada uma interpretação sistemática da legislação, a simples ausência de apresentação de extratos bancários não autoriza o acesso à movimentação financeira do contribuinte por meio de requisição às instituições bancárias. Observese que, se assim fosse, todas as demais hipóteses previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 tornarseiam dispensáveis, visto que bastaria intimar o contribuinte a apresentar os documentos bancários e, uma vez não tendo sido apresentada resposta satisfatória, expedir a competente requisição aos estabelecimentos bancários. A meu ver, o embaraço à fiscalização fica configurado a partir de condutas que, não obstante isoladamente pouco possam significar, no seu conjunto deixam clara a intenção do contribuinte de obstaculizar o prosseguimento da ação fiscalizadora. Nesse cenário, a autoridade fiscal deve robustecer a acusação (de embaraço), trazendo aos autos elementos capazes de demonstrar tal intenção. Entretanto, não os identifico nos autos. Com efeito, a recorrente foi intimada por duas vezes a apresentar os extratos bancários, e não os fez. Nada mais há nos autos capaz de refletir condutas que justifiquem o enquadramento da pessoa jurídica na hipótese estampada no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, ou em qualquer das outras hipóteses ali discriminadas. Ora, não há razoabilidade em obrigar o contribuinte a possuir os aludidos extratos, muito menos que os entregue ao fisco. Como se sabe, as instituições bancárias costumam cobrar para expedilos, não sendo razoável que a Administração Tributária imponha ao fiscalizado este ônus, e muito menos há preceito legal que obrigue a guardar os extratos bancários provenientes de suas operações junto às instituições bancárias. Conclusão Por esses fundamentos, voto por acolher a preliminar de nulidade do lançamento, e dar provimento ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado o auto de infração lavrado. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934796/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.608
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 79 6/ 20 09 -1 8 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06035.932. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.934796/200918 Resolução nº 3301000.608 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000976/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto.
Numero da decisão: 3302-005.396
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 09 76 /2 01 0- 74 Fl. 1189DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 218.807,94, referente a fatos geradores entre 30/04/2005 e 30/04/2006. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 23/04/2010; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS não cumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.018.095,80, referente a fatos geradores entre 30/04/2005 e 30/04/2006. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 23/04/2010.(grifei). Foi produzido Relatório de Fiscalização, onde registrou a autuante (excertos): (...) Relativamente ao conceito de insumo devese considerar os termos constantes da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, atos estes de caráter vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. Tais atos administrativos, ao explicitarem o que se deve ter por insumo para os fins colimados pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 (...). Em relação aos cerealistas, o artigo, 9o, inciso I da Lei nº 10.925/2004, incluído pela Lei n° 11.051/04, dispõe que tal suspensão referese à venda de produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos (...). Os termos e condições sob os quais deveria ser aplicada a suspensão da exigibilidade das contribuições PIS/COFINS de que trata o artigo 9º, incisos I a III foram atribuídos à RFB, de acordo com o artigo 9°, § 2o da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei n° 11.051/04. Tais termos e condições somente foram regulamentados pela RFB com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 636, de 24/03/2006, posteriormente substituída pela Instrução Normativa SRF n° 660, de 17/07/2006, a qual estabeleceu, em seu artigo 11, inciso I, que a suspensão da exigibilidade das contribuições entrou em vigor apenas a partir do dia 04/04/2006, data da publicação da IN/SRF n° 636/2006. A IN/SRF n° 660/2006 é bastante clara ao definir a não aplicabilidade da suspensão no período de 01/08/2004, data de produção de efeitos dos artigos 8o e 9° da Lei n° 10.925/2004, disposta no artigo 17, inciso III da mesma Lei, e 03/04/2006, Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.190 3 data imediatamente anterior à data de publicação da IN/SRF n° 636/2006. De acordo com os Mapas de Apuração, a empresa apurou receita decorrente da venda de mercadorias e serviços. (...) As receitas da empresa são, no período de abril/2005 a abril/2006, quase que exclusivamente para o mercado interno. (...) a empresa revendeu soja em grãos (...) referente a "remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação", as quais representam exportações indiretas nos termos dos artigos 5o, inciso III e 6o, inciso III das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que dispõem que as contribuições PIS/COFINS não incidirão sobre as receitas decorrentes das operações de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. O artigo 46, § 1o da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21/11/2002, que regulamenta as contribuições PIS/COFINS, dispõe que consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (...) a empresa calculou os créditos de PIS/COFINS ano calendário 2005 considerando os valores correspondentes à compra de embalagens, despesas de energia elétrica e compra de combustíveis, e no período de janeiro a abril/2006 com base na compra de embalagens. Os valores consignados nas planilhas são confirmados pelos arquivos contábeis apresentados (...). (...) a legislação faz distinção entre as embalagens incorporadas ao produto durante o processo de industrialização e outras incorporados apenas depois de concluído ò processo produtivo e que se destinam, por conta disso, tãosomente ao transporte dos produtos acabados. No presente caso, a contribuinte não realiza processo de industrialização, portanto, não há que se considerar as embalagens adquiridas como insumos para fins de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. (...) combustíveis e lubrificantes, que podem ser considerados como insumos no cálculo dos créditos de PIS e COFINS de acordo com o disposto na legislação, não podem ser considerados no cálculo dos créditos da contribuinte sob fiscalização, haja vista não serem consumidos em processos de industrialização ou na prestação de serviço, pelo contrário, os valores estão contabilizados como despesas com vendas. Em 24/05/2010 a contribuinte apresentou longo arrazoado impugnatório onde argumentou, em síntese: • os lançamentos estão assentados nos motivos a seguir resumidos: a) tributação exoffício das receitas de vendas de produtos de origem vegetal in natura (no caso, soja, milho e trigo em grãos), Fl. 1191DF CARF MF 4 ocorridas no período de 04/2005 a 04/2006, pelo fato (segundo o Fisco) de não terem a exigibilidade suspensa; b) glosa de créditos (PIS/COFINS) com embalagens, energia elétrica e combustíveis, por não serem considerados (pelo Fisco) como insumos utilizados especificamente no processo de industrialização. • a empresa sustenta que as vendas de grãos in natura (soja, milho, trigo), por ela efetuadas no período de 04/2005 a 04/2006, não estavam sujeitas à incidência do PIS/COFINS. Tais vendas se encontravam abrangidas pela suspensão da exigibilidade, prevista no art. 9º , I, da Lei n° 10.925/2004. Examinada a lei em referência (nº 10.925/2004), verificase que seu art. 17 estabelece, literalmente, que o disposto nos seus anteriores artigos 8o e 9º produzem efeitos a partir de 01.08.2004. Portanto, este é, temporalmente, o termo inicial da suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS, que o legislador fixou nas vendas realizadas pelas cerealistas; • examinado o texto do art. 5º da IN SRF n° 636/2006, verificase que ele dispõe que a citada IN entrou em vigor na data da sua publicação (04/04/2006),produzindo efeitos a partir de 1° de agosto de 2004. Como não poderia ser juridicamente diferente, nada mais fez que repetir o disposto no art. 17 da Lei n° 10.925/2004, vigente desde 01/08/2004. Assim sendo, todas as vendas com suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS ocorridas antes e durante a vigência da INSRF n° 636/2006, estão abrangidas pela interpretação oficial nela expressa. Como a IN 636/2006 foi revogada pela IN SRF nº 660/2006, a conclusão que se impõe é que as vendas de grãos in natura efetuadas pela empresa nos períodos de apuração de 04/2005 a 04/2006 estão acobertadas pela suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS; • há uma quase completa identidade de conteúdo entre o texto legal do art. 9º da Lei n° 10.925/2004, e o texto regulamentar do art. 2° da IN SRF nº 636/2006. Tal fato autoriza concluir pela autoaplicabilidade dos comandos insertos no art. 9º e incisos da Lei n° 10.925/2004; • se a empresa, hipoteticamente, não tem direito à suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS, o Agente Fiscal deveria ter calculado e computado crédito presumido existente nas compras feitas de grãos in natura, feitas antes e durante os períodos de apuração que foram objeto dos lançamentos. Se de um lado o § 4° do art. 8º da Lei n° 10.925/2004 vedava o aproveitamento de crédito na ocorrência de vendas com suspensão, de outro, infere se que tal direito existe quando as vendas ocorrem sem a suspensão. E uma decorrência lógica que se impõe, não só à autoridade lançadora, mas, também, por dever de ofício, à autoridade julgadora, visto que a atividade vinculada obriga o exato cumprimento da lei; • no período 04/2005 a 04/2006 a empresa efetuou a venda da quase totalidade dos grãos in natura para empresas comerciais exportadoras, isto é, com fim específico de exportação. Além de pequenas vendas intributáveis para a empresa Louis Dreyfus, Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.191 5 efetuou grandes vendas com fim específico de exportação para outras players de comodities do mercado internacional. Tratandose do mesmo tipo de operações, a conclusão que se impõe é de que igual tratamento tributário lhes deve ser dado; • a empresa se mostra inconformada com a glosa de créditos: a) no caso do material de embalagem, porque o conceito de produção expresso no § 6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, em que pese referirse ao café, no que tange aos trabalhos de padronização, beneficiamento e separação (classificação por densidade) é aplicável integralmente ao soja/milho/trigo. As embalagens foram utilizadas no acondicionamento de sementes (uma das hipóteses de industrialização), e, ainda, que a venda das mesmas, por imposição dos órgãos oficiais de controle, só pode ocorrer acondicionada fracionadamente em embalagens (não a granel). As embalagens utilizadas, não só por conterem, grafados, a identificação dos lotes e quantidades produzidas, mas, sobretudo, porque acondicionam sementes tratadas quimicamente com produtos químico/tóxicos (fungicidas, etc), não podem ser reaproveitadas. Significa dizer: o seu uso, uma só vez, gera danos irreversíveis, ou seja, não permite seu reaproveitamento para o mesmo ou qualquer outro fim; b) no caso da energia elétrica, porque a energia elétrica configura insumo consumido no processo produtivo (recebimento/expedição, secagem, limpeza, armazenamento, etc) das sementes e grãos comerciais in natura, vendidos pela empresa. Ao fundamentar o procedimento nas alegações genéricas, ou seja, ao mencionar apenas nominalmente a glosa dos créditos com energia elétrica, o Agente Fiscal deixou de efetuar uma clara descrição do fato, vício este que macula (nulifica) o lançamento, por obstar o exercício da plena defesa. A necessidade e o efetivo uso deste insumo se dá em toda a cadeia do processo produtivo; c) no caso dos combustíveis, porque os combustíveis configuram insumo consumido no processo produtivo (recebimento/expedição, secagem, limpeza, armazenamento, etc) das sementes e grãos comerciais in natura, vendidos pela empresa. Existe a necessidade de uso deste insumo no processo produtivo. Além disso, nos anos de 2005 e 2006, em face da concorrência, a empresa suportou os custos dos combustíveis concernentes ao transporte de grãos das propriedades rurais de seus fornecedores até seus armazéns, o que, insofismavelmente, caracterizase como custo de produção. • refere à utilização de conceitos e dispositivos regradores do IPI; • pede o cancelamento das exigências de PIS e COFINS, com o arquivamento do processo fiscal. Fl. 1193DF CARF MF 6 A repartição preparadora anotou como tempestiva a peça impugnatória. Posteriormente foi anexada grande quantidade de cópias de NFs/Memorandos de Exportação, bem como de planilhas/demonstrativos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO PIS. ART. 9º DA LEI Nº 10.925 DE 2004.VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS nãocumulativo em relação às vendas efetuadas nos moldes do previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. PERÍODOS A PARTIR DE AGOSTO DE 2004. No regime da nãocumulatividade, o enquadramento legal para apuração de eventual crédito presumido dependia da condição da empresa atuar como agroindústria ou como cerealista. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS.INSUMOS. No cálculo da contribuição o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.192 7 consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/200 REGIME NÃOCUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DA COFINS. ART. 9º DA LEI Nº 10.925 DE 2004.VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade da COFINS nãocumulativa em relação às vendas efetuadas nos moldes do previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. PERÍODOS A PARTIR DE AGOSTO DE 2004. No regime da nãocumulatividade, o enquadramento legal para apuração de eventual crédito presumido dependia da condição da empresa atuar como agroindústria ou como cerealista. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS.INSUMOS. No cálculo da contribuição o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 04/12/2012, conforme AR de fl. 1.101, apresenta em 02/01/2013, fls. 1.109/1.132, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos. Através da Resolução Carf nº 3302000.517, de 26/04/2016, fls.1.163/1.170, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: Dado o volume de documentos e informações a serem coletadas, proponho a conversão deste em diligência para que a autoridade fiscal intime a recorrente a apresentar: 1. Os conhecimentos de transporte relativos às notas fiscais apresentadas como sendo de operações com o fim específico, identificando que o destino se trate de recinto alfandegado ou embarque de exportação, à época; Fl. 1195DF CARF MF 8 2. Esclarecer a divergência entre o local de entrega no contrato CTR/Nº 1314P50196S com a nota fiscal corrrespondente que indica o TERGRASA; 3. Intime a adquirente a apresentar: 3.1 O registro no Livro Registro de Entradas das notas fiscais relativas às aquisições, informando o CFOP registrado, conforme art. 46, III do Livro II do RICMS/RS; 3.2. A nota fiscal relativa à saída simbólica, conforme art. 46, IV do Livro II do RICMS/RS; Intime os armazéns ou depósitos apresentar o registro no Livro Registro de Entradas com as informações previstas no art. 46, II do Livro II do RICMS/RS. A autoridade fiscal deve esclarecer se os armazéns ou depósitos nos quais foram entregues as mercadorias eram recintos alfandegados à época e, para efeito de formação de convicção dos demais conselheiros, se a adquirente se apropriou de créditos da nãocumulatividade em relação às operações mencionadas. Ao final, a elaboração de relatório à vista dos documentos e informações apresentadas, separando as operações que se refiram às vendas com o fim específico das vendas que se afigurem para o mercado interno. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência não cumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Às fls. 1.175 consta despacho da EAC01/SACAT/DRF/STM/RS, encaminhando referido processo à SAFIS/DRF/STM/RS, para cumprimento da diligência solicita. Posteriormente, às fls. 1.176/1.186, foram acostadas peças judiciais. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Inexistência de Nulidade Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.193 9 A recorrente repisa os argumentos de cerceamento de defesa já aduzidos em sede impugnatória, nesse sentido, em vista dos fundamentos da decisão de piso acerca da matéria, tomo de empréstimo tais fundamentos, como razão de decidir, quanto à preliminar arguida. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Da análise dos autos, depreendese que os fatos foram perfeitamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente. Consubstanciaramse no entendimento da autoridade fiscal acerca das infrações apontadas. Demais disso, a fiscalização elaborou um conjunto de elementos (Relatório/demonstrativos/planilhas), os quais, combinado com os termos e a descrição dos fatos nos autos de infração, demonstram cabalmente a forma como foram apuradas e calculadas as contribuições devidas, caracterizando plenamente todos os fundamentos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Ademais, a interessada demonstrou, mediante as razões de impugnação ofertadas, ter compreendido os motivos das autuações, rebatendo as infrações apontadas, não havendo de se cogitar de violação a qualquer princípio constitucional ou administrativo (contraditório e ampla defesa).(grifei) Rejeitase, pois, a argumentação posta na impugnação. Assim, os Autos de Infração estão formalizados com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, não se vislumbrando qualquer vício que comprometa a validade dos lançamentos, uma vez que foram atendidas todas as disposições específicas dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de1972. Rejeitase portanto a preliminar arguida. MÉRITO Verificase da Sentença, fl.1.176/1.186, proferida nos autos da AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) N° 500305968.2015.4.04.7102/RS: Cuidase de ação ordinária em que a parte autora objetiva desconstituir crédito tributário (PF n° 10.1.03.002010.000098) apurado relativamente ao PIS e a COFINS incidentes nas operações de venda de produtos in natura de origem vegetal, no período de 04/2005 a 04/2006. Postulou, em sede de antecipação de tutela, a suspensão da exigibilidade do crédito. Alegou que foi autuada em razão de que as vendas de produtos in natura de origem vegetal realizadas no período de 04.2005 a 04.2006 ocorreram com a suspensão da contribuição Fl. 1197DF CARF MF 10 PIS/COFINS. Argumentou que agiu de acordo com o contido na Lei n° 10.925/04, alterada pela Lei n° 11.051/04, que instituiu, em benefício dos contribuintes lá elencados, a suspensão do pagamento das contribuições PIS/COFINS. Alegou, ainda, que o Fisco atribui entendimento diverso ao não reconhecer a aplicabilidade da referida suspensão a partir da data da vigência das referidas leis, ao fundamento da legalidade da Instrução Normativa SRF n° 660, de 17/07/2006 que, alterando a Instrução Normativa SRF 636, de 24/03/2006, estabeleceu no art. 11, inciso I, que a suspensão da exigibilidade das contribuições teria entrado em vigor apenas a partir de 04/04/2006, data da publicação da IN/SRF 636/2006. Por fim, discorreu acerca da executoriedade da Lei n° 10.925/04, alterada pela Lei n° 11.051/04 e pela ilegalidade e afronta à segurança jurídica estabelecida pela IN/SRF 660/2006. Requereu, por fim, a o benefício da AIG, por estar em dificuldades financeiras, em fase de recuperação judicial. (...) No momento da análise do pedido de antecipação de tutela, foi proferida a seguinte decisão: A Lei n.° 10.925/04, em seus artigos 8°, § 1°, I e 9°, I, concedeu a suspensão da incidência de PIS e COFINS nas vendas de produtos in natura de origem vegetal, quando essa operação for efetuada por empresa cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenamento e comercialização destes bens. Esse benefício passou a vigorar a partir de 1° de agosto de 2004, segundo expressamente prevê o artigo 17, inciso III, dessa mesma norma. Para regulamentar esse benefício, foi editada a Instrução Normativa SRF n°. 636/06, a qual objetivava disciplinar a suspensão dos créditos de PIS/COFINS na comercialização de produtos agropecuários que tivessem sido realizadas desde 1° de agosto de 2004, na medida em que esse regulamento foi expresso ao determinar a produção de efeitos em caráter retroativo (artigo 5°). Sobreveio a Instrução Normativa SRF n°. 660/06, que revogou o regulamento anterior e, quanto a produção de efeitos do benefício de suspensão da incidência de PIS/COFINS na venda de produtos in natura, previu o seguinte: (...) Com base nessa regulamentação, a Receita Federal passou a entender que o contribuinte não possui direito ao benefício antes dessa data 04 de abril de 2006 embora a própria lei que concedeu o benefício tenha previsto que o direito à suspensão passaria a surtir efeitos desde 1o de agosto de 2004. Esse quadro revela ter havido extrapolação do poder regulamentar que cabia à autoridade administrativa, na medida Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.194 11 em que a instrução normativa restringiu indevidamente o alcance de benefício tributário que havia sido concedido pela lei. No mesmo sentido, os seguintes precedentes do TRF da 4a Região: (...) Nada mais é preciso ser acrescentado, pois a decisão de antecipação de tutela acabou enfrentando as alegações (...) DISPOSITIVO Ante o exposto, com base no artigo 269, I, do CPC, julgo procedente o pedido para: reconhecer o direito à suspensão das contribuições sociais PIS e COFINS, prevista no artigo 9, I, da Lei n° 10.925/04, de 04/2005 a 04/2006, conforme postulado; desconstituir definitivamente o crédito tributário constituído por meio do procedimento fiscal 10.1.03.002010.000098 ressaltando que no documento anexo ao evento 1, OUT3 consta o n.° 1010300/00009/10; Confirmo a antecipação de tutela. Condeno a União, ainda, a restituir as custas adiantadas pela parte autora e ao pagamento de honorários advocatícios, estes fixados em R$ 28.800,00 (vinte e oito mil reais), corrigidos pelo IPCAE até o efetivo pagamento, com base nos §§ 3o e 4o do art. 20 do CPC. Assim fixado tendo em vista a natureza da demanda, apesar do alto valor atribuído à causa. Sentença sujeita ao reexame necessário. Em homenagem aos princípios da instrumentalidade, celeridade e economia processual, eventuais apelações interpostas pelas partes restarão recebidas no efeitos legais (só devolutivo, em razão do deferimento da tutela), salvo no caso de intempestividade ou ausência de preparo, que serão oportunamente certificados pela Secretaria.(grifei). Assim registram a ementa e os excertos do voto do Acórdão do TRF4, no exame da Apelação/Remessa necessária: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. LEI N° 10.925/2004. INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/2006. O art. 9o da Lei 10.925/2004, que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários, é norma de eficácia contida, condicionandose sua aplicabilidade à regulamentação. Fl. 1199DF CARF MF 12 A Instrução Normativa no 660, ao determinar como termo 'a quo' para produção de seus efeitos a data da publicação da Instrução m1 636, por ela revogada, não só extrapolou o poder delegado na lei de regência da matéria, como alterou a substância desta, incorrendo, por tal razão, em ofensa ao princípio da legalidade.(grifei). Excertos do voto: A dúvida, portanto, reside em saber quando a suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS e da COFINS, prevista no art. 9o, da Lei n. 10.925/2004, com redação dada pela Lei 11.051/2004, passou a ser eficaz: se a partir de 30 de dezembro de 2004 data da publicação da Lei n. 11.051/2004, que ampliou o beneficio em favor da parte autora , ou a partir de 04 de abril de 2006, nos termos do artigo 11,da Instrução Normativa n. 660/06. Neste contexto, entendo que a parte autora faz jus à suspensão da exigibilidade das contribuições em tela desde 30 de dezembro de 2004. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito dos contribuintes à fruição do beneficio a partir de 10.8.2004; no caso da contribuinte, desde 30.12.2004 (data de publicação da Lei 11.051, que ampliou o beneficio em seu favor), contrariando o disposto na lei. Configurase, assim, violação ao princípio da legalidade, na medida em que o ato normativo desbordou de sua competência regulamentar. Registrese que, apesar de se entender que o disposto na Lei n. 10.925/2004, com a redação dada pela Lei n. 11.051/2004, seria norma de eficácia limitada, pois dependeria de regulamentação a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, uma vez regulamentada a matéria, a observância das determinações previstas em Lei são obrigatórias, não havendo espaço para o instrumento meramente regulamentador inovar no mundo jurídico em sentido contrário à lei. (...) Dessa forma, confirmo a sentença que, reconhecendo o direito da autora à suspensão das contribuições sociais PIS e COFINS, prevista no artigo 90, I, da Lei no 9.925/04, no período postulado na inicial de 04/2005 a 04/2006 (artigo 34, III, da Lei no 11.051/04), desconstituiu o crédito tributário (PF no 10.1.03.002010.000098 ressaltando que no documento anexo ao evento 1, OUT3 consta o n.o 1010300/00009/10).(grifei) Ante o exposto, depreendese que a questão meritória, posta na via administrativa está submetida ao crivo do Poder Judiciário, já que expressamente analisada na peça decisória acima demonstrada. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.195 13 Nesse mister, verificase quanto a essas matérias a concomitância de pedidos, nas esferas administrativas e judicial, estando portanto afastadas do âmbito decisório na via administrativa, sendo importante ressaltar que, pela sistemática constitucional temse que o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada pelo 1art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria estava à época da apresentação da impugnação normatizada pelo Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), in verbis: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto;(grifei). b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento 1 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 1201DF CARF MF 14 normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;” Atualmente referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Pelo que está posto, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitiva e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 11060.000976/201074 Acórdão n.º 3302005.396 S3C3T2 Fl. 1.196 15 administrativo, podendo tão somente sobrestálo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça, se for o caso. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902174/2013-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo para repetição de indébito relativo a saldos negativos de IRPJ ou CSLL, é de cinco anos contados da data do final no período de apuração a que se refere o crédito. Os PER/DCOMP apresentados após o decurso deste prazo devem ser considerados não-homologados.
Numero da decisão: 1401-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito relativo a saldos negativos de IRPJ ou CSLL, é de cinco anos contados da data do final no período de apuração a que se refere o crédito. Os PER/DCOMP apresentados após o decurso deste prazo devem ser considerados nãohomologados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 21 74 /2 01 3- 40 Fl. 917DF CARF MF 2 Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a sado negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, do qual, após análise eletrônica dos itens componentes do saldo negativo pretendido, foi emitido despacho decisório eletrônico reconhecendo apenas parcialmente os créditos pretendidos e homologando parcialmente as compensações apresentadas. Dos componentes do crédito objeto de análise constatamos que foram não confirmados integralmente os valores relativos às retenções na fonte apresentadas. Foram ainda não homologadas as compensações apresentadas após o decurso do prazo legal de cinco anos da constituição dos créditos. Cientificada da decisão a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade na qual aduziu os seguintes argumentos. Que a maior parte das retenções não confirmadas decorreu de contratos de mútuo realizados pela empresa e informou ainda de outros equívocos nas informações apresentadas relativas às retenções em valores menores. Conhecendo da manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento proferiu robusta e fundamentada decisão na qual considera improcedente a manifestação apresentada em razão de não ser possível a homologação de compensação declarada após o decurso do prazo de cinco anos da data do fato gerador da apuração dos créditos e, em relação às retenções na fonte porque a recorrente não teria juntado os comprovantes de rendimento capazes de infirmar as não confirmações constantes do relatório componente do despacho decisório. Cientificada da autuação a recorrente apresentou recurso voluntário no qual basicamente repisa todas as argumentações da manifestação, requer a realização de diligência para apuração dos valores da retenção, apresenta outros precedentes do CARF em relação à possibilidade de homologação dos valores compensados após o prazo legal. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais assim dele tomo conhecimento. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 918 3 Iniciando a análise do recurso manejado, primeiro devemos considerar a reiteração do pedido de realização de diligência ou perícia. Com relação a este pedido, que foi negado pela Delegacia de Julgamento, deixaremos de nos pronunciar sobre o seu deferimento ou não porque, em suprimento ao solicitado pelo recorrente, acostamos os extratos da DIRF do ano 2002 em que consta a recorrente como beneficiária e, em complemento, elaboramos planilha com a consolidação dos valores a que a mesma faz jus. Esses extratos e planilha foram anexados ao processo às fls. 370/897 e, por meio destes demonstrase que os valores de retenção na fonte relativos à matriz e filias da recorrente no ano de 2002 totaliza R$ 3.845.593,30. Ocorre, no entanto, que esta constatação não terá o condão de resultar em proveito ao contribuinte pelos motivos que agora serão apresentados. Independentemente de ter sido constatada a existência de valores de retenção de IRPJ em montante maior do que o deferido no despacho decisório inicial, esta diferença de créditos não poderá ser utilizada pela recorrente para compensar os débitos declarados nos PER/DCOMP que foram considerados não homologados em razão de sua apresentação após o decurso de cinco anos do fato gerador da origem dos créditos. Em síntese a problemática neste caso é que os créditos, relativos ao ano calendário 2002, somente poderiam ser utilizados em compensações ou pedido de restituição até 31/12/2007, haja vista a limitação do art. 168, I, do CTN. Em sua defesa a recorrente alega que foram detectados problemas insanáveis que obrigaram ao cancelamento das declarações de compensação apresentadas tempestivamente e a apresentação de novas declarações em sua substituição. Neste sentido, em desfavor da empresa milita a extensão de seu corpo contábil e jurídico que, fazendo parte de uma das maiores empresas do Brasil possuíam, e possuem, capacidade técnica bastante para realizar e retificar suas declarações sem incorrer em perda de prazo conforme se constata neste processo. Por mais problemas que houvessem nas declarações de compensação originárias apresentadas o seu cancelamento implica da desistência do direito a ela relativo a apresentação de nova declaração implica em pedido novo, original, que será analisado diante das normas imputáveis à época de sua apresentação. Importante também destacar que a declaração de compensação que foi objeto de homologação também deve ter apresentado problemas, no entanto, esta foi objeto de retificação, como é o normal e, assim, o registro da utilização do crédito permaneceu inalterado como o do constante da declaração original. Esta divergência de procedimentos da empresa é que resultou na homologação integral do primeiro PER/DCOMP (retificador do original) e na não homologação da duas declarações de compensação posteriores, apresentadas em 2008. Após estes esclarecimentos iniciais que serviram de base a demonstrar a incorreção dos procedimentos adotados pelo recorrente à época da apresentação das Fl. 919DF CARF MF 4 declarações de compensação originais, canceladoras e novas compensações, iremos nos valer da substanciosa análise empreendida pela Delegacia de Julgamento que, esgotando o assunto e indicando por completo todas as normas aplicáveis ao caso, mantiveram o entendimento, comungado por este Conselheiro, de que, em relação às declarações de compensação apresentadas em 2008, estas não mais poderiam ser manejadas em função do esgotamento do prazo quinquenal da utilização do saldo negativo de IRPJ do ano 2002. Vejamos os seus termos. Para utilização do crédito em questão, extraise dos sistemas informatizados (SiefPerDCOMP) que foram apresentados os seguintes documentos, todos do tipo “declaração de compensação”: E, nas DCOMP das quais não desistiu a Interessada, constam os seguintes valores: O Saldo Negativo demonstrado na DCOMP 04579.49692.141008.1.7.02 8936 é formado por 898 retenções na fonte (fls. 52/180) e por pagamentos de estimativas (fls. 181/189). O Despacho Decisório, conforme consta de seu próprio teor e dos demonstrativos que o integram: confirmou integralmente as antecipações por pagamento e parte das antecipações por retenção na fonte, como discriminado às fls. 201/227; reconheceu a existência de Saldo Negativo no valor de R$ 16.622.367,17, o qual foi suficiente para amortizar integralmente o débito da DCOMP 04579.49692.141008.1.7.028936 (inclusive com os acréscimos moratórios cabíveis entre a data de vencimento e a data apresentação da DOMP original, não contemplados pela interessada); Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 919 5 indicou a existência de saldo negativo remanescente, não utilizado no prazo legal, de R$ 2.016.400,17 e não homologou as compensações objeto das DCOMP 12534.33280.141008.1.3.023563 e 03553.78245.141008.1.3.023523, porque transmitidas após o prazo legal. Destaquese que a DCOMP 04579.49692.141008.1.7.028936, integralmente homologada, retificou DCOMP anterior, transmitida no prazo legal. Já as DCOMP de nºs 12534.33280.141008.1.3.023563 e 03553.78245.141008.1.3.023523, não homologadas, são originais e não retificadoras, de modo que injustificável a pretensão de alegar que a compensação nelas veiculadas já teria sido iniciada. Em sua defesa a interessada expõe ter transmitido as DCOMP para atender o princípio da boa fé, consignando que a IN 210/2002, vigente à época das compensações, não exigia a transmissão de PER/DCOMP e defende que, apesar do cancelamento de DCOMP, o crédito nelas utilizado é da mesma origem daquele admitido e teria ocorrido início da compensação dentro do prazo legal. Todavia, não há como prevalecer o entendimento da interessada. Primeiro porque a IN invocada já exigia apresentação de declaração de compensação. Segundo porque, com exceção da DCOMP 36581.72528.300407.1.3.027793 (retificada pela DCOMP 04579.49692.141008.1.7.028936), foram canceladas, a pedido da própria interessada, as demais DCOMP com crédito apurado em 31/12/2002 e que haviam sido transmitidas antes de 31/12/2007. E como admite se verá, a partir da Medida Provisória 66, de 2002, a amortização de débito por compensação somente se dá por meio de declaração de compensação válida. Com efeito, verificase que a extinção do crédito tributário é regulada pelo art. 156 do CTN, que dispõe: “art. 156 Extinguem o crédito tributário: I – o pagamento; II– a compensação; ...” Por outro lado o art. 170 do CTN determina as condições para a compensação, atribuindo à Lei Ordinária a sua regulamentação. Fl. 921DF CARF MF 6 “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A compensação no campo tributário sempre foi tratada de modo diverso daquela das relações civis e comerciais, em razão de a relação jurídico tributária ter em um dos pólos, o Estado, quer na condição de sujeito ativo e credor, quer na condição de sujeito passivo e devedor. Tanto numa como noutra situação a relação EstadoContribuinte tem menos liberdade do que nas relações entre particulares . Durante muito tempo o instituto da compensação foi tratado como uma utopia dentre da relação EstadoContribuinte, como já dispunha o art. 54 da Lei n° 4.320/64: “Art. 54. Não será admitida a compensação da observação de recolher rendas ou receitas com direito creditório contra a Fazenda Pública.” A situação alterouse substancialmente com a edição da Lei n° 8.383/91, que, no art. 66, regulamentou as disposições do art. 170 do CTN, dispondo: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 920 7 Posteriormente, com a edição da Lei n° 9.069/95, nova redação foi dada ao art.66 da Lei n° 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995). § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Na vigência da Lei n° 8.383/91, o contribuinte tinha a faculdade de efetuar a compensação de tributos da mesma espécie, independente de autorização da autoridade administrativa. No entanto, não estava autorizada a compensação entre tributos de espécies diferentes. Com a edição da Lei n° 9.430/96, no seu art. 74, foi regulamentada a compensação de tributos de diferentes espécies, desde que fosse requerido pelo contribuinte e autorizado pela Secretaria da Receita Federal: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Em 2002, o art. 49 da Medida Provisória nº 66/2002 promoveu profunda alteração no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com vigência a partir de 01 de outubro de 2002, passando a exigir, para todas as espécies de compensação, Declaração de Compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 923DF CARF MF 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: a) o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; b) os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. § 6º Para os fins do disposto neste artigo, é vedada a exigência do atendimento das condições a que se referem o art. 195, § 3, da Constituição Federal, art. 27, alínea “a”, da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e quaisquer outras que sejam aplicáveis tãosomente às hipóteses de reconhecimento de isenções e de concessão de incentivo ou benefício fiscal (NR) ... Art. 63. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2002, em relação aos arts. 31 e 49; ...” (negrejouse) Temse portanto um importante divisor nas formas de compensação: até 30.09.2002 após 01.10.2002 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 921 9 Com a vigência do art. 49 da MP 66/2002, a compensação passou a ser admitida “mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A entrega da declaração para a admissão da compensação foi normatizada pelo art. 21 a 23 da IN 210 de 30/09/2002: COMPENSAÇÃO Compensação Efetuada pelo Sujeito Passivo Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: I o saldo a restituir apurado na DIRPF; II os tributos e contribuições devidos no registro da DI; III os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo. § 4º O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". § 5º A compensação de tributo ou contribuição lançado de ofício importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. § 6º A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) Fl. 925DF CARF MF 10 § 7º Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 8º O disposto no § 7º também se aplica aos pedidos de compensação já deferidos pela autoridade competente da SRF. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento . Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de seu direito creditório. Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência.” (negrejouse). Até a modificação introduzida pela Medida Provisória 66/2002, ao contribuinte era facultado: (i) efetuar a compensação por sua conta e risco de tributos da mesma espécie e informar a Secretaria da Receita Federal através da DCTF e (ii) requerer a compensação de tributos e contribuições de espécies diferentes administrados pela Secretaria da Receita Federal. No primeiro caso não havia processo administrativo e nem autorização, ficando o contribuinte sujeito a glosa da compensação efetuada indevidamente, cujo débito fora compensado, enquanto que, no segundo, existia o pedido de compensação, que seria concluído com a autorização da autoridade administrativa. Vêse portanto que a extinção do crédito tributário se dava pela admissibilidade implícita ou expressa da administração tributária em relação à compensação efetuada entre tributos da mesma espécie e por compensação autorizada quando efetuada entre tributos de espécies diferentes. A partir de 01/10/2002, estas formas de compensação foram extintas (inclusive a IN SRF 210/2002, expressamente revogou a IN SRF 21/97), passando o crédito tributário a estar extinto com a entrega da Declaração de Compensação, devendo ser homologada tácita ou expressamente pela autoridade administrativa no prazo de cinco anos. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 922 11 Poderia se argumentar ainda da coexistência da compensação nos moldes do art. 66 da Lei 8.383/91, pois a mesma não teria sido revogada expressamente pela Medida Provisória 66/2002. Verificase no entanto que a modificação provocada pela MP 66/2002 extingue o crédito tributário compensado, introduzindo uma sistemática nova, incompatível com a sistemática anterior. Com esta incompatibilidade, ocorre a revogação tácita, conforme ensinamentos de Maria Helena Diniz: “quando houver incompatibilidade entre a lei nova e a antiga, pelo fato de que a nova passa a regular parcial ou inteiramente a matéria tratada na anterior que nela não conste a expressão “revogamse as disposições cm contrário”, por ser supérflua. A revogação tácita ou indireta operarseá, portanto, quando a lei contiver algumas disposições incompatíveis com as da anterior, hipótese em que se terá derrogação, ou quando a novel norma reger inteiramente toda a matéria disciplinada pela lei anterior, tendose então a abrogação”(Lei de introdução ao código civil brasileiro interpretada, São Paulo, Saraiva, 1999, pág.67) Portanto temse situações totalmente diferentes, até a vigência da MP 66/2002 e após a vigência da mesma, logo, incompatíveis as duas sistemáticas de compensação. Assim sendo, a partir de 01 de outubro de 2002, a extinção do crédito tributário se opera com a entrega da Declaração de Compensação DCOMP, prevista como declaração na Medida Provisória 66/2002 e normatizada nos arts. 21 a 23 da IN SRF 210/2002, seguida pelas IN SRF 460/2004, IN SRF 600/2005, IN RFB 900/2008, IN RFB 1300/2012, essa última recentemente alterada pela IN RFB 1.425/2013 . Notese que, originalmente, a formalização de Declaração de Compensação (ou Pedido de Restituição) se dava por meio de formulário (em papel), o que resultaria na protocolização de processo, sendo, posteriormente, implementado programa eletrônico. As alegações de disponibilidade do crédito e de apresentação de Declaração de Compensação (que o próprio contribuinte cancelou) não são suficientes para a extinção do crédito tributário. Os débitos veiculados em DCOMP canceladas não foram extintos por compensação em razão da não apresentação de documento próprio para a sua operacionalização. Seria o mesmo que dizer que a Interessada tinha recursos financeiros em caixa ou saldo em contacorrente bancária para pagamento de parte dos débitos, mas estornou o agendamento/pagamento que havia efetuado eletronicamente e não recolheu através de Documento de Arrecadação de Receitas FederaisDARF. A extinção por pagamento somente ocorre quando o contribuinte comparece a rede arrecadadora de tributos federais, ou o faz eletronicamente, e efetua o Fl. 927DF CARF MF 12 pagamento através de DARF. A compensação a partir de 01/10/2002 tem a mesma natureza, ou seja, para extinguir um débito através deste instituto deve ser entregue a Declaração de CompensaçãoDCOMP válida, no prazo de cinco anos . Vêse nos autos que as DCOMP nãohomologadas foram apresentadas em 14/10/2008, depois de 5 (cinco) anos contados do encerramento do período no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, 31/12/2002. Por sua vez, o Código Tributário Nacional – CTN assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito – ou promover compensação de crédito passível de restituição –, não se vislumbrando, na legislação, a alegada inaplicabilidade do referido prazo à hipótese de compensação. E esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, pela data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e este se mostra superior ao débito apurado. No regime trimestral, este encontro de contas se dá no último dia do trimestre e, no regime de apuração anual, em 31 de dezembro. Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento é possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 923 13 Ressaltese, inclusive, que não obstante o art. 6o da Lei nº 9.430/96, em seu §2o, inciso II, tenha, no âmbito do regime de apuração anual, postergado o direito à compensação para o mês de abril do ano subseqüente à apuração, bem como a faculdade de pedir restituição para o momento seguinte à entrega da declaração de rendimentos, o Ato Declaratório SRF nº 3/2000, publicado no DOU em 11 de janeiro de 2000, firmou a interpretação de que a restituição/compensação de saldo negativo verificado em apuração anual, à semelhança da apuração trimestral, já seria possível a partir do encerramento do período de apuração: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4o do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1o e 6o da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e d e um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. De fato, com a substituição da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIRPJ pela Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (Instrução Normativa SRF nº 127/98, publicada no DOU de 02 de novembro de 1998) impôsse uma nova interpretação daquela regra que somente permitia a compensação do saldo negativo determinado na apuração anual com o imposto a pagar após a data prevista para entrega da declaração de rendimentos (abril do ano subseqüente), uma vez que deixou de existir o vínculo do ajuste anual com aquela declaração . Coerentemente, assim estava expresso no art. 4o da Instrução Normativa RFB 900/2008, citado no Despacho Decisório recorrido e repetido na Instrução Normativa RFB 1300/2012, atualmente em vigor (com as alterações da IN RFB 1425/2013): Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e Fl. 929DF CARF MF 14 III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. No mesmo sentido já dispunha a Instrução Normativa SRF nº 210/2002 (primeira normatização acerca da nova sistemática de compensação): Art. 6o Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Assim, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, deflagrandose, neste momento, o prazo para o contribuinte agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. E, neste contexto, irrelevante é o fato de o contribuinte ter informado na DIPJ que sua apuração resultou em saldo negativo de IRPJ ou de ter apresentado Declaração de Compensação que ele próprio cancelou. Como expresso no art. 6o da Lei nº 9.430/96, a informação desta apuração na DIPJ não equivale ao exercício do direito de reaver o recolhimento indevido. Este somente se efetiva mediante a prática dos atos próprios de pedir restituição ou promover a compensação, por meio dos instrumentos próprios (PER ou DCOMP e sem que o ato venha a ser voluntariamente cancelado), na forma que a legislação prevê. Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior . Cabível acrescentar que a IN RFB 900, de 2008, vigente à época da transmissão de pedidos de cancelamento, previa a possibilidade tanto de retificação como de cancelamento das DCOMP, como segue: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 924 15 DA RETIFICAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Art. 76. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário em meio papel, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou Fl. 931DF CARF MF 16 II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 81. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 36, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. CAPÍTULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Como se vê, a hipótese de retificação não se confunde com aquela de cancelamento/desistência da DCOMP, pois têm efeitos distintos. A alegação de que a compensação teria sido iniciada se confirma apenas em relação aos débitos contemplados na DCOMP retificadora nº 04579.49692.141008.1.7.02 8936, que, de fato, já havia sido iniciada com a DCOMP retificada de nº 36581.72528.300407.1.3.027793. Para outros débitos que a Interessada pretendia amortizar com Saldo Negativo de IRPJ do Anocalendário de 2002 não foram apresentadas, tempestivamente, declarações de compensação únicos instrumentos hábeis a formalizar a compensação como visto acima. A única possibilidade de utilização, em compensação, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados há mais de 5 (anos) referese à hipótese em que, entre outras condições previstas no § 10 do art. 41 da IN RFB 1.300, de 2012, tenha sido formalizado anterior e tempestivo pedido de restituição : Art. 41. ... ... Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 925 17 § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. ... § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Essa é a hipótese que está contemplada na ementa da decisão do CARF trazida pela defesa (abaixo reproduzida): Mas, no presente caso, reprisese, não há notícia de que tenha sido apresentado Pedido de Restituição (PER) no prazo legal para utilização do crédito. E, na forma da legislação posta, antes referida, a compensação, após outubro de 2002, somente é iniciada por meio da apresentação de Declaração de Compensação válida (e que não seja cancelada). Ainda não é demais lembrar que o princípio da segurança jurídica não admite relação jurídica de duração indeterminada, e exige a fixação de prazos para que elas se estabilizem, ainda que em prejuízo de uma das partes. A interessada alega que teria transmitido pedidos de cancelamento das DCOMP em função do recebimento de intimação apontando inconsistências que não estariam identificadas. Todavia, conforme excerto reproduzido abaixo, o Termo de Intimação que instrui sua Manifestação (fls. 32) é claro ao apontar divergência apenas na DCOMP com demonstrativo do crédito, Fl. 933DF CARF MF 18 de nº 36581.72528.300407.1.3.027793, a qual fora retificada pela contribuinte e as compensações veiculadas na retificadora foram homologadas. Os pedidos de cancelamento das demais DCOMP que haviam sido transmitidas antes de 31/12/2007 foram feitos de forma espontânea, por interesse da contribuinte, e, tendo sido acatados, não são hábeis a produzir efeitos. Nestes termos, em relação aos débitos cuja compensação não restou homologada, nada há nos autos que infirme a conclusão do Despacho Decisório de que a interessada não exerceu seu direito de utilizar o indébito que teria sido apurado no anocalendário 2002, pois, reprisese, como demonstrado, a pretensão de reconhecimento de direito creditório somente se materializa por meio da formalização, dentro do prazo legal, de Pedido de Restituição e/ou de Declaração de Compensação (dos quais não tenha desistido a interessada). Importante registrar ainda o que dispõe o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” [grifos acrescidos]. Nos termos da lei, o pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação, expressa ou tácita, como condição resolutiva confirma a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16682.902174/201340 Acórdão n.º 1401002.335 S1C4T1 Fl. 926 19 Neste sentido, aliás, também são as manifestações recentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO – CSLL O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1º e 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Em se tratando de recolhimento por estimativa, o fato gerador da contribuição ocorre em 31 de dezembro do anocalendário de correspondência, termo inicial da contagem da decadência do direito de pleitear a repetição. Recurso especial negado. [Acórdão CSRF nº 01/06.000, Data da Sessão: 12/08/2008] Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1997 RESTITUIÇÃO O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgotase com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1º e 4º, do Código Tributário Nacional (CTN).Recurso especial negado. [Acórdão CSRF nº 01/05.898, Data da Sessão: 23/06/2008] Observese que esta interpretação está corroborada pelo art. 3º Lei Complementar nº 118/2005, nos seguintes termos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei . Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional”. E ainda que pretendesse a interessada invocar, para o IRPJ, eventual interpretação relativa a prazo de 10 anos para restituição/compensação, não seria ele aplicável ao presente caso, pois as compensações não homologadas na decisão em litígio foram aquelas veiculadas em declarações transmitidas em 2008, após a vigência do referido art. 3º acima transcrito. Acerca da questão, assim tem se manifestado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999, 01/04/1999 a 30/11/1999 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de Fl. 935DF CARF MF 20 junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. (Acórdão 9303002.402 – Sessão de 15/08/2013) Ainda cabível consignar que aos órgãos administrativos de julgamento cumpre, apenas, apreciar a validade dos atos administrativos, mas não das normas gerais e abstratas, que lhes conferem fundamento de validade, editadas pelo Poder Legislativo, no exercício de sua competência precípua. Apenas o Poder Judiciário tem a competência de apreciação da validade formal e material dos preceitos normativos veiculados em normas jurídicas editadas pelo Poder Legislativo. Concluise, por todo o exposto, que quando transmitidas as DCOMP originais em 14/10/2008 já havia expirado o prazo de 5 (cinco) anos, iniciado em 01/01/2003, para o contribuinte valerse, em compensação, de créditos decorrentes de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2002." À luz dos fundamentados argumentos acima expendidos e consoante o preâmbulo alinhado no início deste voto não nos resta outra opção que não a de negar provimento ao recurso voluntário em razão de os dois PER/DCOMP que foram não homologados terem sido apresentados após o prazo limite para utilização do crédito e, ainda, em razão de que não se apresentar de nenhuma utilidade o reconhecimento de qualquer crédito adicional, haja vista que, nem mesmo assim, os débitos declarados nos dois PER/DCOMP poderiam ser homologados, mesmo que parcialmente em razão dos fundamentos acima apresentados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 936DF CARF MF
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