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Numero do processo: 11128.005339/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.090
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator,
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11128.005339/2002-52 Recurso n° 342.282 Resolução n° 3101-00.090 — la Câmara / pi Turma Ordinária Data 28 de abril de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente NUTRON ALIMENTOD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento ern diligência nos termos do voto do relator, Henrique Pinheiro Tort - .Presidente Luiz Robert Domingo .- Relator EDITADO EM: 27/07/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corinth° Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 141/167) interposto contra decisão de primeira instância (fls.124/135) que julgou procedente o lançamento (fls. 01/21), por meio do qual se constituiu o crédito referente A. ausência de recolhimento do Imposto de Importação, em razão da aplicação da aliquota de 0% sobre o valor aduaneiro da mercadoria declarada pela DI n°02/0657331-0 (fls.22125), classificada na posição 2936.21.12 da TEC, enquanto que a fiscalização entende que se trata de mercadoria classificável na posição 2309.90.90, tributada com uma aliquota de 9,5%. 0 lançamento compreendeu a constituição do crédito tributário do Imposto de Importação, da multa de oficio, da multa do controle administrativo por falta de Licença de Importação determinada pelo inciso II do art. 526 do Decreto 91.030/85 e da multa em razão da classificação incorreta atribuida à mercadoria, prevista na MP 2.158/01. Conforme consta da DI foram importados 6.000 Kg de Vitamina A a 650.000I.U./g — SUPLEMENTO VITAMÍNICO PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL, classificada na posição 2936.21.12 da TEC, correspondente ao ACETATO DE VITAMINA A. A Fiscalização, por sua vez, escorada por laudo pericial emitido pelo LABANA (fls.40/41), entendeu tratar-se de: Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, Etoxiquina (Antioxidante) e excipientes como Amido, Maltose, Sacarose, Glicose, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, Silica, Sódio, na forma de microesferas. Essa descrição levou a Fiscalização a concluir que a substância deveria ser classificada segundo a TEC 2309.29.29. Intimada do lançamento, a Recorrente interpôs Impugnação (fis.72/81) aduzindo sucintamente que o laudo da análise laboratorial confirmou que se trata de Vitamina A para suplemento de alimentação animal, mas que teria sido interpretado equivocadamente pelo auditor Fiscal e que as substâncias encontradas servem para estabilizar o principio ativo, tornando possível sua utilização, além de informar que existe solução de consulta COANA classificando a mercadoria na posição 2936.21.12, juntada as fls.83/88. Em primeira instância, negou-se procedência à Impugnação, conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação —II Data do fato gerador: 24/07/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, Etoxiquina e Excipientes como Amido, Maltose, Sacarose, Glicose, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas a base de Fosfato, Silica e Sódio, na forma de micoresferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias de ração, classifica-se no código NCM 2309.90.90. Multa de oficio — corretamente aplicada pela falta de recolhimento do imposto de importação quando do registro da declaração de importação. Cabível a multa do controle administrativo das importações, capitulada na alínea "b" do inciso I do art.169 do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 2' da Lei n°6.532/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamnte descrita na declaração de importação, conforme Ato Declarattirio Normativo COSIT n° 12/67. 2 Processo n° 11128.005339/2002-52 S3-C1T1 Resolução n.°3101-00.090 FL 2 Cabivel a multa por classificação fiscal incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prev ê o inciso 1 do art. 84 da MP 2.158-35, de 24/08/2001. Lançamento procedente. A Recorrente foi intimada dessa decisão em 19/02/2008 (fls, 138 — verso) e interpôs Recurso Voluntário em 14/03/2008 (fls. 141/167), oportunidade em que repisou os argumentos da Impugnação, acrescentando que: (i) houve violação das Regras Interpretativas de n° 1 e 3 do Sistema Harmonizado; (ii) devem ser aplicadas as Soluções de Consulta COANA nos 003 e 14 de 24/04/1999, uma vez que têm efeito vinculante perante a administração. Junta Parecer Técnico emitido pela Unicarnp para subsidiar sua interpretação e seu pleito. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo - Relator Ainda que haja a viabilidade de serem aplicadas as Soluções de Consulta COANA, conforme alegado pela Recorrente, é imprescindível que haja coincidência entre o produto importado e o produto objeto da análise que originou as referidas soluções de consulta. Assim é que oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligencia, para que o Labana complemente o laudo pericial já emitido (fls. 40/41), e esclareça o que segue: 1 — a Substância contém no mínimo 500.000 unidades de acetato de vitamina A(20%) por grama de sólido? 2 - É constituído por urna mistura de gelatina (35%) e lactose (33%), formando urn revestimento protetor, contendo ainda uma pequena quantidade de Butil-Hidroxitolueno (BHT) (7%), que age como um antioxidante e dgua(5%)? 3 — Caso a resposta ao item 2 seja negativa, os componentes encontrados exercem a função de revestimento protetor e de agente antioxidante? Quais os componentes e em que quantidades estão presentes na substância e quais as funções que exercem? Após a conclusão da diligencia, proceda-se h. intimação da Recorrente para que, no prazo de 30 dias manifeste-se acerca da conclusão da diligência, se assim quiser, para posteriormente, retorno dos_ autos a ons ho para julgamento. LUIZ ROBERTO D MINGO 3
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000080/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/10/1989 a 31/05/1991
O prazo para pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, rege-se pelo art. 168 do CTN, e em atenção ao posicionamento do STJ, proferido no Resp 1.002.932 em sede procedimento de recurso especial repetitivo, o prazo para repetir os pagamentos indevidos antes de 09/06/2005, é de cinco anos mais cinco a partir do pagamento, enquanto aqueles efetuados a partir de 09/06/2005, o prazo é de cinco anos.
Recurso Voluntário negado provimento.
Numero da decisão: 3102-01.609
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/1989 a 31/05/1991 O prazo para pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, rege-se pelo art. 168 do CTN, e em atenção ao posicionamento do STJ, proferido no Resp 1.002.932 em sede procedimento de recurso especial repetitivo, o prazo para repetir os pagamentos indevidos antes de 09/06/2005, é de cinco anos mais cinco a partir do pagamento, enquanto aqueles efetuados a partir de 09/06/2005, o prazo é de cinco anos. Recurso Voluntário negado provimento.
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Recurso Voluntário negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 18/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 80 /2 00 2- 22 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e Winderley Moreis Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão 1419.849 da 1ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente o pedido de restituição. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: Trata o presente processo de pedido de restituição de pagamentos indevidos para o Finsocial, no montante de R$ 10.327,37, referente a pagamentos efetuados entre 23/11/1989 a 12/06/1991, conforme DARF de fls. 18/25, referentes aos períodos de apuração de outubro de 1989 a maio de 1991. Verificouse a existência de ação judicial impetrado pelo interessado visando a compensação de valores pagos a maior a titulo de Finsocial. Intimado, f1. 39, o interessado esclareceu que a ação não se refere a repetição de indébitos, mas sim de garantia da compensação dos créditos, fl. 41. Juntou cópia da petição inicial Mandado de Segurança de n° 2000.61.11.0073576, fls. 42/70. Pesquisas nos sites da Justiça Federal de 1° Instância e no do Tribunal Regional Federal da 3a Região, fls. 77/91, mostram que o pedido de liminar foi indeferido, a sentença denegou a segurança em razão da prescrição do direito à compensação do crédito, fato confirmado pelo TRF. Recurso especial impetrado pelo interessado aguarda julgamento O pedido foi indeferido pela DRF em Bauni, através do Despacho Decisório Saort n° 431/2008, fls. 94 a 98, com base na Súmula 271 do Supremo Tribunal Federal, que dispõe que o Mandado de Segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretéritos e fundamentando o indeferimento no disposto no Ato Declaratório (AD) SRF n° 96, de 26/11/1999, que tem sua base legal nos arts. 168, I, e art. 165, 1, ambos do Código Tributário Nacional — CTN. O contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 03/04/2008, fls. 99 e apresentou manifestação de inconformidade em 28/04/2008, fls. 103 a 123, onde, em breve síntese, alega que o referido AD 96/99 deixou de aplicar, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o disposto no art. 150, 4°, do CTN, ou seja, que a extinção do crédito tributário se dá somente quando da homologação tácita do pagamento antecipado e, somente a partir desse momento, iniciase o prazo para o contribuinte exercer o direito de pleitear a restituição. Que, aplicando tal regra, o contribuinte tem direito ao prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Coleciona várias decisões do Conselho de Contribuintes e de Tribunais Superiores para ilustrar a alegação. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13832.000080/200222 Acórdão n.º 3102001.609 S3C1T2 Fl. 232 3 Após analisar a manifestação de inconformidade, decidiu a 1ª Turma da DRJ/RPO, pelo indeferimento da manifestação de inconformidade nos termos da ementa do voto abaixo: ASSENTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERIODO DE APURAÇÃO: 31/10/1989 a 31/05/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão acima, o contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) teria pago a maior ou indevidamente crédito a título de FINSOCIAL de acordo com as majorações impostas, o que teria ocorrido no período de 1989, 1991 e 1992. Para tanto, o prazo de pleitear a restituição restaria extinto no prazo de 05(cinco) anos apenas depois da homologação tácita ou expressa do tributo declarado, a qual também teria o mesmo lapso temporal, conforme o art. 150 §4º do CTN. b) Com base em seus argumentos e nos dispositivos elencados, o prazo prescricional, no caso em liça, seria de 10 (dez) anos. Sustenta essa interpretação através de inúmeras jurisprudências, como do STJ e do Conselho de Contribuintes. c) O interesse público deve prevalecer sobre o privado, de maneira que o Ato Declaratório não pode estipular prazos prescricionais diversos do CTN, razão pela qual devem ser observadas as normas constitucionais, infraconstitucionais e as decisões judiciais. d) Em razão aos princípios constitucionais e à realização de justiça, deve haver a correção monetária integral dos Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 valores pagos indevidamente. Requerendo, por fim, a inclusão dos índices OTN, BTN, IPC e UFIR. e) Por todo o exposto, requer que a compensação seja efetuada dentro do lapso temporal de 10 (dez) anos, visto que o tributo é daqueles por lançamento por homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Busca a recorrente em suas razões recursais demonstrar a possibilidade de ser reconhecida a existência do crédito de FINSOCIAL a ser restituído o pagamento de R$ 10.327,37(dez mil, trezentos e vinte e sete reais e trinta e sete centavos) realizados entre 23/11/1989 a 12/06/1991, referente aos períodos de apuração de outubro de 1989 a maio de 1991, nos termos das DARF’s de fls. 18/25 Pois bem, o art. 168, I, do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso de 05(cinco) anos contatos a partir da extinção do crédito tributário, que de fato na verdade se dá com o recolhimento indevido, já que o crédito tributário teoricamente não existia. No caso dos autos o pagamento do FINSOCIAL ocorreu entre novembro de 1989 a junho 1991, enquanto o pedido de restituição foi realizado apenas em 22/04/2002, ou seja, após mais de 10(dez) anos. Percebese que sequer cabe discutir o posicionamento do STJ, proferido no Resp 1.002.932 em sede procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art. 543C do CPC, no qual restou definido que 1) sobre os pagamentos indevidos antes de 09/06/2005, o prazo para requerer a repetição é de cinco anos mais cinco contados da data do pagamento; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 09/06/2005, o prazo é de cinco anos contados da data do pagamento indevido; Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento, mantendo a decisão recorrida. Sala de sessões 23 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13832.000080/200222 Acórdão n.º 3102001.609 S3C1T2 Fl. 233 5 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 18/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 19515.001683/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade decorrente de uma suposta falta de caracterização do fato gerador e da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para exclusão do auxílio-transporte e para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade decorrente de uma suposta falta de caracterização do fato gerador e da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 83 /2 00 9- 97 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para exclusão do auxíliotransporte e para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 60/87) informa que a empresa deixou de informar em GFIP os seguintes valores: 1. ValeTransporte pago em dinheiro. A empresa substituiu o Vale Transporte por antecipação ou reembolso de despesas em dinheiro, em caráter de habitualidade, contrariando a Lei 7.418/85 e o Decreto Regulamentador 95.247/87. Levantamentos: (i) VT1 Vale Transporte em Dinheiro pago a Empregado nas competências janeiro a dezembro de 2004; e (ii) VT2 Vale Transporte em Dinheiro pago a Contribuinte Individual nas competências Janeiro e Setembro de 2004; 2. Caracterização de Segurados Empregados. A empresa remunerou mensalmente durante o ano de 2004 segurados pessoas físicas por serviços prestados de natureza urbana em caráter não eventual, sob sua subordinação, a título de salários, abonos, comissões, férias e décimo terceiro salário; 3. Remuneração a Contribuintes Individuais. A empresa remunerou segurados pessoas físicas sem vínculo empregatício, pela prestação de serviços diversos (advocatícios, manutenção, propaganda em pedágio, comissão), sem ter incluído em Folha de Pagamento, sem ter contribuído à previdência social e sem ter informado em GFIP; 4. Ganho Eventual/Abono. Conforme Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo e o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo; 5. PróLabore. É segurado obrigatório da previdência social como contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que receba remuneração decorrente de seu trabalho na sociedade por cotas de responsabilidade limitada; 6. Diferença de Remuneração de Segurado Empregado. A empresa efetuou pagamentos por serviços diversos lançados na contabilidade para os segurados empregados, sem ter incluído em Folhas de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pagamento, em GFIP e sem recolhimento de contribuição previdenciária. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/06/2009 (fls. 01/02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 95/113), alegando, em síntese, que: 1. no presente caso houve cerceamento de defesa, vez que ao contribuinte estão sendo imputados fatos os quais a princípio desconhece o teor, não lhe sendo apresentados quaisquer documentos que comprovem a ocorrência dos fatos geradores apontados no Auto de Infração e Imposição de Multa; 2. o auto não merece prosperar, vez que a presente autuação foi lavrada em 01/06/09, ultrapassando, portanto, o prazo decadencial, no que tange o período de janeiro a maio de 2004; 3. Da Multa. A Medida Provisória (MP.) 449/08 trouxe uma redução das multas incidentes sobre o descumprimento das obrigações acessórias relacionadas com as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212/91. No presente caso devido a ausência de indicação de qual multa deve ser aplicada, ou seja devido a ausência de relatório comparativo, não se pode precisar qual multa está sendo aplicada, se a da MP 449/08 ou a anterior. Da Diligência Fiscal. A planilha comparativa de multa mais benéfica a ser aplicada a este Auto de Infração, encontrase nos Anexos 1 (resumo) e 2 (analítica), fls. 137/138. A conclusão da diligência é pela aplicação da multa de mora como a menos severa, conforme apurado anteriormente no auto em referência. Às fls. 134, o Contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 01/06/2010 (fls. 133). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1628.072 da 12a Turma da DRJ/SP1 (fls. 146/162) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou a aplicação da multa de acordo com a retroatividade benéfica (inciso II do art. 106 do CTN), nos seguintes termos: “(...) a multa de ofício de 75% é aplicável, ainda, às competências anteriores a 12/2008, se resultar cm aplicação de penalidade mais benéfica em comparação com as multas”. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 60/87). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/90) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 09/52) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 53/54) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 60/87. Registrase que não será acatada a alegação de que o Relatório Fiscal não foi apresentado pelo Auditor Fiscal autuante na entrega do auto. Esse entendimento decorre do fato de que, no dia 01/06/2009, o Procurador da Recorrente declarouse ciente do Auto de Infração e seus Anexos (fls. 01/02) e, às fls. 02, o mesmo declara que recebeu a 2a via do RELATÓRIO FISCAL. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/90) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 05/2004, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, constatase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991. Entretanto, a decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 5 7 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, §4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Assim – como a autuação se deu em 01/06/2009, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01/02), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/2004 a 12/2004, percebese que as competências posteriores a 12/2003 não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 12/2003 não estão abarcadas pela decadência tributária. Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, considerando os princípios da autotutela e da legalidade, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, eis que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. A Constituição Federal expressamente consignou que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional, complementando a matéria, estabelece que: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 7 11 previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro (levantamentos VT1 e VT2 Vale Transporte em Dinheiro), deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal e, por consectário lógico, não serão fundamentos para a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, que é o caso dos autos. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais e o valor da comercialização da produção rural própria. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos Anexos de fls. 60/87. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 8 13 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais e o valor da comercialização da produção rural própria – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, não acato a alegação da Recorrente de que estaria sendo duplamente penalizada (bis in idem) e o valor da multa aplicada seria desproporcional à infração da autuada, pois não ocorre uma dupla penalização, e sim ocorreu a aplicação de uma multa pelo descumprimento de obrigação acessória e a apuração do fato gerador da obrigação principal. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001683/200997 Acórdão n.º 2402004.650 S2C4T2 Fl. 9 15 No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/19961, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. 1 Lei 9.430/1996. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 432 da mesma lei. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos os valores apurados nos levantamentos VT1 e VT2 Vale Transporte pago em dinheiro; e (ii) após exclusão dos valores concernentes ao valetransporte em dinheiro, seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. 2 Lei 9.430/1996. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.721620/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO.
Tendo em vista o deferimento do PERC, com a consequente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido
Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano-calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entende-se que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte.
REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC.
Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entende-se o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade.
DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN nº 166/1999.
Numero da decisão: 1102-001.334
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Excesso de destinação ao FINOR. PERC. Recorrente BANCO VOTORANTIM S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PERC. PRAZO. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE MARCO INICIAL. O PERC é, em essência, uma medida processual. À falta de determinação legal expressa, aplicase a regra do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Não se observando marco inicial para a contagem do prazo pela falta de Extrato de Emissão ou outro documento que cientifique a Contribuinte do indeferimento de sua opção impossível identificar a intempestividade. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO. Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entendese que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte. REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC. Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entendese o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade. DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 20 /2 01 1- 02 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 428 2 impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN nº 166/1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Tendo em vista o deferimento do PERC, com a consequente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por BANCO VOTORANTIM S.A. contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pelo indeferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC – e pela consequente procedência do lançamento efetuado. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 429 3 O crédito tributário lançado, no âmbito da Deinf/SP, referente ao IRPJ, devido no período de apuração correspondente ao anocalendário de 2006, totalizou o valor de R$ 9.696.414,51. O lançamento foi fundamentado no excesso de destinação feita ao Fundo de Investimentos do Nordeste – FINOR. No auto de infração, a fiscalização informa que o lançamento foi efetuado de acordo com os elementos constantes do processo apenso que trata de auditoria de revisão da DIPJ/2007. O relatório da referida auditoria (fls. 3 do processo nº 16327.721003/201107) tem o seguinte teor: Trata a presente auditoria de Revisão de Declaração Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário de 2006, exercício de 2007, objetivando apurar o valor do imposto de renda pessoa jurídica recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM e/ou FUNRES, conforme § 7º do art. 601, Decreto n° 3.000/1999 (RIR); e §§ 6º e 7º do art. 4º, Lei n° 9.532/1997. O contribuinte em questão recolheu DARF com código específico para o FINOR, no anocalendário de 2006, conforme cópias em anexo (código 9344). A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com base no(s) DARF recolhido(s) com código(s) específico(s) para o FINOR, e/ou com base na opção efetuada na DIPJ 2007 Ficha 27, apurou o Incentivo Fiscal a que o contribuinte teria direito, de acordo com as cópias das telas do sistema IRPJCONS, anexas a este dossiê. Ao final do processamento das opções por incentivos, foi emitido extrato para a empresa, com os valores acolhidos pela RFB. O processamento apurou pendência fiscal e o incentivo pleiteado não foi reconhecido, com base no art. 60 da Lei 9.069/95. No sistema IRPJOEIF não consta registro de PERC referente ao ano calendário de 2006, o que indica não ter havido manifestação por parte do interessado no prazo legal, que para esse anocalendário foi até 30.09.2009 (§ 4º do art. 603 do Decreto n° 3.000/1999). Elaborouse Demonstrativo de Apuração Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais (FINAMFINORFUNRES) em Detrimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – anocalendário 2006 (com base na DIPJ 2007 ND 1513369), que se encontra de acordo com o preconizado na NE Codac nº 01, de 11 de janeiro de 2011, tendo sido apurado crédito tributário de imposto no valor de R$ 4.287.982,36, a ser constituído pelo setor competente da RFB, conforme Solução de Consulta Interna n° 26, de 20 de setembro de 2004, da CoordenaçãoGeral de Tributação, com o fim de evitar a decadência que ocorrerá em 31/12/2011. Nos termos relatados pela própria recorrente (fls. 347 e 348), os seguintes fatos se sucederam: 10. Pois bem, em face da referida autuação, a Recorrente apresentou a competente Impugnação, demonstrando, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da autuação, por violar pressupostos básicos necessários ao lançamento tributário, bem como partir de premissa absolutamente equivocada (i.e., irregularidade fiscal no Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 430 4 átimo da auditoria de DIPJ e não da Opção); (ii) no mérito, a comprovação do direito da Recorrente de usufruir do Incentivo Fiscal que pleiteia em sua Opção, em vista de sua regularidade fiscal; e (iii) subsidiariamente, requereuse o sobrestamento da autuação até o desfecho final do Procedimento Administrativo nº 16327.720152/201221, bem como o necessário cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora. 11. Paralelamente, diante da informação do indeferimento de sua Opção, nos autos do Procedimento Administrativo nº 16327.721003/201107, a Recorrente apresentou, tempestivamente, o competente PERC, visando ao reconhecimento de seu direito ao Incentivo Fiscal e à necessária expedição da respectiva Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal (“OEIF”), o qual tramitava nos autos do Procedimento Administrativo nº 16327.720152/201221 (“Processo de PERC”). 12. Entretanto, a D. Autoridade Fiscal proferiu Despacho Decisório, naqueles autos, indeferindo o PERC e não reconhecendo o direito da Recorrente à Opção, sob a alegação de (i) intempestividade do PERC; (ii) Irregularidade fiscal da Recorrente; e (iii) que a DIPJ Retificadora, transmitida em 08/06/2011, de per se, anularia o direito da Recorrente ao Incentivo Fiscal. 13. Contudo, por acreditar ser improcedente o entendimento da D. Autoridade Fiscal, a Recorrente apresentou a competente Manifestação de Inconformidade, demonstrando que o PERC fora apresentado dentro do qüinqüênio previsto no Código Tributário Nacional (“CTN”), não procedendo a alegação de sua intempestividade. 14. Ademais, a Recorrente encontravase em situação fiscal regular à época da formalização da Opção, pelo que também não se admite o indeferimento do Incentivo Fiscal fundamentado em irregularidade fiscal. 15. Por derradeiro, requereuse a reforma do Despacho Decisório pelo fato de a Opção ter sido formalizada na competência correta, mediante DARF específico, recolhido em 30/03/2007, e evidenciada na própria DIPJ Original, também entregue dentro da competência correspondente, sendo certo que a DIPJ Retificadora não consubstanciou nova Opção, tampouco acarretou acréscimo ao Incentivo Fiscal atrelado à Opção efetuada. A 10ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I, ao apreciar o feito fiscal, determinou a apensação do processo nº 16327.720152/201221 ao presente processo. Assim, analisou conjuntamente a impugnação e a manifestação de inconformidade interpostas, proferindo o Acórdão nº 1648.420, de 11 de julho de 2013, por meio do qual decidiu pelo indeferimento do PERC e pela consequente procedência do lançamento efetuado. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 431 5 INCENTIVO FISCAL. FINOR. PERC. PRAZO. O pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC deve ser efetuado até o dia 30 de setembro do terceiro ano subsequente ao anocalendário a que corresponder a opção. INCENTIVO FISCAL. FINOR. PERC. DIPJ RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO. A pessoa jurídica que apresentar DIPJ retificadora após o encerramento do exercício não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais se alterar o valor ou fundo de investimento da opção exercida na declaração entregue dentro do exercício de competência. INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. LANÇAMENTO. Não sendo reconhecido o direito de usufruir o incentivo fiscal, o valor recolhido em DARF específico é considerado aplicação de recursos próprios da pessoa jurídica investidora, sendo exigível o valor do imposto de renda correspondente. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Em caso de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa Selic, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. PERC. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROTESTO GENÉRICO. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 432 6 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descritos os fatos e apontadas as infrações que motivaram o lançamento fiscal, e tendo o sujeito passivo demonstrado pleno conhecimento das infrações ao impugnar o lançamento, não se verifica a nulidade por cerceamento do direito de defesa, tampouco infração ao disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, deduziu os seguintes argumentos (todos acompanhados de excertos de julgados do CARF): Em caráter preliminar: a) O auto de infração deve ser declarado nulo por ausência de materialidade da regra matriz de incidência. A autoridade fiscal fundamentou seu feito por terem sido constatadas irregularidades fiscais detectadas em 15/11/2008. Houve equívoco na eleição deste momento. A DRJ entendeu que não houve prejuízo para a defesa porque a empresa contestou o lançamento de forma minuciosa. Mas, o vício da motivação não pode ser superado pela apresentação da defesa. Além disso, a autoridade julgadora inovou o fundamento da autuação ao afirmar que a recorrente estaria em situação irregular quando da data da entrega da DIPJ original, qual seja, 28/06/2007. Nada obstante, a regularidade fiscal deve ser verificada no átimo da opção, in casu, quando se deu o recolhimento do DARF específico em 30/03/2007. b) O PERC foi apresentado tempestivamente, uma vez que dentro do prazo decadencial quinquenal previsto pelo próprio CTN. Esse é o entendimento da jurisprudência atual do CARF. A DRJ se equivocou ao invocar o artigo 15, § 5º, do DecretoLei nº 1.376/74, o qual trata de prazo destinado à administração fiscal e aos gestores dos fundos de investimentos. Ademais, uma vez que o PERC é um procedimento sem previsão legal, ainda que ele fosse intempestivo, não haveria prejuízo para o exercício do direito de defesa quanto ao lançamento. Afinal, o fundamento da autuação é o não reconhecimento do incentivo fiscal por supostas pendências fiscais. No mérito: c) A fiscalização não reconheceu a opção feita devido a “duas supostas pendências fiscais” detectadas em 15/11/2008. Porém, o momento correto para a aferição da regularidade fiscal é o da opção pelo incentivo fiscal. Consoante o previsto no artigo 4º da Lei nº 9.532/97, a opção foi exercida com o recolhimento do DARF específico em 30/03/2007. Esse é o entendimento do CARF. Ao analisar a Súmula nº 37 do CARF, a DRJ reconheceu o equívoco da fiscalização. Mas, também se equivocou ao escolher a data entrega da DIPJ original, isto é, em 28/06/2007, como o momento da verificação da regularidade fiscal. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 433 7 d) Com a manifestação de inconformidade, foram apresentadas certidões de regularidade fiscal referentes à época do recolhimento do DARF específico e aos dias atuais (fls. 701 a 709 do processo nº 16327.720152/201221). Essas certidões são suficientes para a comprovação exigida nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95 e do artigo 47 da Lei nº 8.212/91. e) Para manter o auto de infração, a DRJ se utilizou de um argumento invocado pela unidade de origem para indeferir o PERC. Ocorre que esse argumento não existia na fundamentação do auto de infração. Trata se do fato de ter sido apresentada uma DIPJ retificadora em 08/06/2011 que modificou o valor destinado ao FINOR. Contudo, não houve alteração no percentual de destinação e/ou modalidade, nem mesmo houve aumento do valor destinado. A retificadora apenas promoveu uma pequena redução do IRPJ devido no anocalendário e, reflexamente, do valor destinado ao FINOR. A diferença desse valor poderia, no máximo, ser considerada aplicação com recursos próprios, mas, jamais, dar causa ao indeferimento integral do incentivo fiscal. Ademais, não há qualquer disposição legal que vede a manutenção da opção (fundo e percentuais) em declaração retificadora. f) É necessária a transferência, ao IRPJ, do excesso de destinação ao FINOR, no valor de R$ 124,64, pelo fato de se tratar de um equívoco cometido. Ignorar isso redundaria na obrigação de a recorrente manter uma aplicação não desejada e no risco de cobrança em duplicidade do IRPJ. g) A multa de ofício é incabível porque o PERC está pendente de análise. O fato de este ter sido apresentado após a lavratura do auto de infração, alegado pela DRJ, não é motivo para afastar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A suspensão da exigibilidade impede a cobrança do débito e a exigência da multa punitiva consoante o que prevê o artigo 63 da Lei nº 9.430/96. A fiscalização, inclusive, disse que a autuação teve o intuito de prevenir a decadência. h) Descabe a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ao final, requer o integral provimento do recurso para deferir o PERC e cancelar o auto de infração. Subsidiariamente, pede que sejam cancelados a multa de ofício e os juros incidentes sobre a mesma. Protesta, ainda, pela produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente prova documental suplementar. É o relatório. Voto Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 434 8 Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de caso idêntico ao contido no processo nº 16327.721619/201170 (Contribuinte: BV FINANCEIRA SA CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO). Tal como aqui, naquele processo principal foi lavrado, pela mesma autoridade fiscal, um auto de infração para a exigência do IRPJ e nos processos a ele apensos constam o resultado da auditoria de revisão da DIPJ/2007 e o PERC protocolado juntamente com a impugnação do auto de infração. Os elementos de prova que motivaram o feito fiscal são idênticos: DARF com código específico para o FINOR recolhido em 30/03/2007, DIPJ/2007 original entregue em 28/06/2007 e suposta existência de pendências fiscais. A mesma turma da DRJ analisou ambos os casos e proferiu idêntica decisão. Além disso, os recursos foram elaborados pelo mesmo patrono e contém idênticas alegações. Considerando que aquele caso foi recentemente julgado por este Colegiado, peço vênia para adotar as razões do voto que inspirou a decisão unânime então proferida no Acórdão nº 1102001.298, de 03 de março de 2015, com relatoria do Conselheiro João Carlos Figueiredo Neto (alertese que no voto há referências aos processos daquele caso e suas respectivas folhas, nada obstante, os elementos de prova são idênticos aos do presente caso, estando apenas contidos em folhas ligeiramente distintas neste processo e seus apensos): II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são: PERC 1. O PERC foi protocolado tempestivamente? 2. Entendendo pela tempestividade do PERC, 2.1 Quando a Contribuinte fez a opção ao FINOR? 2.2 Há nos autos prova da regularidade fiscal da Contribuinte na data da opção ao FINOR? 2.3 A apresentação de DIPJ Retificadora tem o condão de impedir a opção pelo investimento no FINOR? 3. Caso não tenha ocorrido inovação por parte da DRJ, qual o efeito do envio de DIPJs retificadoras na opção ao FINOR? AUTO DE INFRAÇÃO Mantido o capítulo do r. Acórdão da DRJ referente ao PERC: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 435 9 4. Eventual ausência de “uma das hipóteses da regra matriz de incidência tributária” é causa de nulidade do auto de infração ou diz respeito ao mérito? 5. Há fundamento legal para a aplicação da multa de 75%, em decorrência do lançamento de ofício? 6. Há fundamento legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício? III. O FINOR Convém, inicialmente, fazer uma breve explicação da natureza do Fundo de Investimentos do Nordeste (FINOR) e do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Conforme estabelecem o art. 592 e seguintes do RIR/99, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real poderão optar pela aplicação de parcela do IRPJ devido em determinados fundos de investimento, tal como no caso o FINOR, deduzindose tais valores do montante total do imposto devido. Recebendo (ou exatamente pela não emissão) o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, o contribuinte poderá questionar aos valores ali descritos, bem como as infrações imputadas, através do protocolo de um Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Aproveitando lição do site da Receita Federal, vêse que: “O protocolo do Perc deverá ser preenchido à vista do contribuinte e encaminhado, juntamente com os demais documentos apresentados, ao setor competente para abertura de Processo Administrativo (Assunto e Código: “INCENTIVOS FISCAIS IRPJ 20215.0”) com posterior envio ao setor responsável pela análise de Perc nas DRF, Demac, Derat ou Deinf jurisdicionante.” 1 Observase que o PERC é a “petição inicial” do respectivo processo administrativo, pela qual a Contribuinte deverá apontar as provas e alegações que desejar para ver reformada a decisão da Fazenda Pública quanto ao incentivo fiscal. Assim, analisando o PERC, caso seja deferido, haverá emissão de uma Ordem de Emissão Adicional – OEA. Caso seja indeferido, deverá a Contribuinte ser intimada para que se defenda, apresentando novas alegações e provas, caso queira. Deste ponto em diante, assemelhase a qualquer outro processo administrativo fiscal, sendo analisado primeiro pela DRJ e depois, em caso de Recurso de Ofício ou Recurso Voluntário, como no presente, pelo CARF. Tendo estabelecido as premissas básicas, retomase ao processo. IV. O PERC 1 http://www.fazenda.gov.br/GuiaContribuinte/PERC.htm; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 436 10 IV.1. PRELIMINAR INTEMPESTIVIDADE Considerando as premissas supra estabelecidas, entendemos que o PERC é um ato processual de defesa do interesse da Contribuinte. Pois bem, no presente litígio o PERC foi protocolado em 27/12/2011 (fl. 132), constituindo o processo de nº 16327.720153/201276, apensado neste em 09/10/2012 (fl. 300). Neste processo apenso, a DIORT decidiu que o PERC era intempestivo com base no art. 1º, §5º do DecretoLei nº 1.752/792. Apresentada Impugnação, o Acórdão DRJ/SP1 nº 1648.418, ora recorrido, também entendeu que este PERC era intempestivo, desta vez fundamentando com base no próprio art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376/74 (fl. 315). No Recurso Voluntário, a Contribuinte explica que esta norma não se aplica ao caso concreto, posto que trata de situações em que a Administração Pública concede o benefício, mas a contribuinte não se apresenta para assumir as cotas do Fundo de Investimento. Neste caso, foilhe negado o direito a tal benefício, conclui. Efetivamente, neste aspecto, assiste razão à contribuinte. Não deve ser aplicada a regra do DecretoLei nº 1.376, posto que não detém relação com o caso em tela. Neste sentido, diversos julgamentos da CSRF, como o Acórdão CSFR nº 9101001.412, de 17/07/2012, que afirmou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA –IRPJ Exercício: 1994 PERC. PRAZO. APRESENTAÇÃO. ARTIGO 15 DO DECRETO N° 70.235/72. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE A DATA DA CIÊNCIA DO EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS. O PERC é medida processual contra o indeferimento da opção do contribuinte pelo incentivo fiscal. Como tal, regese, o respectivo prazo, pelo artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. Não constando dos autos informação sobre a data da ciência de tal indeferimento, não há como se concluir pela intempestividade do PERC. No voto, explicou: “Com efeito, o artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74 dispõe sobre a hipótese em que o contribuinte (pessoa jurídica) que optou pelo incentivo fiscal não procurarem pelos valores das ordens de emissão, de sorte que estes retornarão para os Fundos de Investimento. Não se cuida, pois, de indeferimento do respectivo pedido. Contra este cabe uma medida própria, de defesa, que é o PERC. 2 Fl. 399 do Processo 16327.720153/201276. Na prática, este dispositivo altera o art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376/74. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 437 11 Obviamente, meio de defesa que é, imprescindível que haja contra o quê o contribuinte deve defenderse. Na hipótese, o indeferimento da sua opção. Este, inequivocamente, mais propriamente a ciência por parte do contribuinte do indeferimento, devese considerar o termo inicial para a apresentação, por parte do contribuinte, do PERC. Pois bem, neste sentido, não se pode considerar a aplicabilidade do artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74. (...) Contra o não reconhecimento do direito, cabe uma medida processual, que é justamente o PERC. Não havendo regra própria, e cuidandose de uma medida processual, mais acertada a incidência, conforme decidido no acórdão impugnado [pela Fazenda Nacional], do artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. (...) Como, nos autos, não se tem comprovação de quando ocorrera a ciência do contribuinte por meio de AR, não se tem como considerar como intempestivo o PERC apresentado.” No mesmo sentido, ver Acórdão CSRF nº 910100.353, de 26/08/2009: PERC. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Se o legislador estabeleceu que compete à Receita Federal expedir extrato à pessoa jurídica optante pelo incentivo, quando tal fato não ocorre, não se pode aplicar o prazo de que trata o § 5° do art. 15° do DecretoLei n° 1.376, de 1974. Na ausência de disposição legal específica, por analogia, aplicase o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, salvo se Administração Tributária não tiver concedido prazo maior, contandose o prazo de 30 dias, a partir da ciência da decisão que denega a emissão do certificado. Quando não há essa ciência, devese tomar como tempestivo o PERC. Citando o art. 3º do DecretoLei nº 1.752/793, o supracitado acórdão entende que é ônus da fazenda pública informar a contribuinte quanto à sua decisão dos incentivos fiscais através de um extrato. Conclui: “Mas a discussão não é quanto ao prazo para pleitear algum direito e sim um prazo para manifestar sua discordância quanto à negativa da Administração Tributária à emissão de certificados de incentivos fiscais, como bem coloca a ementa do acórdão recorrido. E, se estamos tratando de prazo para manifestar uma discordância a um ato da Administração Tributária, a regra é 3 Que afirma: "Art. 3º A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada exercício, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimentos e na EMBRAER" Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 438 12 processual, e o gênero mais próximo, aplicandose a analogia, seria utilizar a regra de apresentação de manifestação de inconformidade ou impugnação de que trata o Decreto n° 70.235/72, art. 15, ou seja, 30 dias contados da data da ciência da decisão que negou a emissão do certificado de incentivo. A decisão que nega a emissão dos certificados, na verdade, ocorre quando a então Secretaria da Receita Federal emite o Extrato. Assim, a data para a empresa se insurgir com o ato da Administração Tributária seria 30 dias da ciência dessa decisão, salvo, é claro, se a Administração Tributária tiver estabelecido prazo maior, pois, neste caso, em razão da especificidade da orientação, e como é emanada em benefício do sujeito passivo, tal data é que deve prevalecer. Ocorre que não consta dos autos qualquer informação quanto à data de ciência da empresa optante do extrato de que trata o art. 3° do DecretoLei n° 1.752, de 1979, ou de qualquer outro documento que comunique ao contribuinte o indeferimento de seu pedido ao benefício fiscal.” Ainda outro acórdão CSRF, nº 9101001155, de 03/08/2011: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Ainda, conforme o acórdão CARF nº 1102000.771, de 04/07/2012, esta mesma turma já decidiu neste sentido: PERC. NORMA PROCESSUAIS. PRAZO. O PERC tem natureza de recurso administrativo contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos, e deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da ciência das alterações promovidas pela autoridade administrativa, consubstanciadas no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido. Enquanto não decidido recursos administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. Pois bem, sigo o mesmo entendimento: não é aplicável, no caso em tela, a regra do art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376 para a contagem do prazo de apresentação do PERC. Tendo em vista que a Contribuinte fez o pedido de incentivo fiscal na DIPJ 2007, cabia à Administração Pública, conforme art. 3º do DecretoLei nº 1.752/79, Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 439 13 emitir extrato para a Pessoa Jurídica optante do investimento, informando os valores considerados como imposto e aqueles aceitos como investimentos. A partir deste momento, caso discorde, a Contribuinte terá direito de pedir reconsideração, a este pedido dáse o nome de PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Assim, observase que, sendo procedimento para contestar decisão da Administração Pública, é necessário antes que haja dita decisão, para somente então começar a correr o prazo. À falta de prazo determinado em lei, seguimos novamente os acórdãos citados, aplicando o art. 15, do Decreto nº 70.235/72, garantindo assim um prazo de 30 dias contados da data da ciência do extrato – ou de qualquer outra decisão que negue o pedido do benefício. Compulsando os autos, não se encontra dito extrato. Pelo contrário, notase carta do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), na qual há informação de que “a última emissão de cotas do FINOR liberada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB ocorreu em 27/01/2011, referente ao exercício de 2007, anocalendário 2006” (fl. 13). Na mesma carta, a instituição financeira informava à Contribuinte, inclusive, que haviam sido emitidas cotas em seu nome referentes ao exercício 2007 (fl. 15). Analisando o processo administrativofiscal nº 16327.720997/201136 (apensado aos presentes autos – fls. 48/49), que trata da auditoria na qual fundamentouse o Auto de Infração contestado neste presente processo, tampouco ali se apresenta data fiável de intimação da Contribuinte. É possível identificar um AR (fl. 5 daquele processo) destinado à BV Financeira. Acontece que não é possível identificar a data nele constante – apesar de ser deduzível tratarse de alguma data anterior a 01/01/2010. Tampouco há referência ao documento nele contido. Considerando ainda que o relatório final, que entende pelo lançamento do Auto de Infração (fl. 3 daquele processo), faz referência à NE Codac nº 01, de 11 de janeiro de 2011, e que as Consultas (fls. 6 e seguintes daquele processo) são datadas de 07/02/2011, certo que aquele AR não representa intimação à contribuinte de decisão de indeferimento do benefício fiscal, pois, reiterese, tratarse de alguma data anterior a 01/01/2010. Assim, não se observou nenhuma data anterior a 25/11/20114, uma sexta feira, em que a contribuinte restasse intimada do indeferimento da opção pelo investimento. Considerando ainda que o PERC foi protocolado em 27/12/2011, uma terçafeira, tempestivo o PERC. IV.2. MÉRITO Afastada a preliminar, quanto ao PERC, passase ao mérito desta parte do litígio. A decisão da autoridade julgadora da DIORT, que faz a primeira análise do PERC, entende pelo indeferimento do Pedido com base em três fundamentos: a) Intempestividade – art. 1º, §5º, do DecretoLei nº 1.752/79; b) A contribuinte não apresenta provas de que estava quite com os tributos e contribuições federais ao tempo da opção – Art. 60 da Lei nº 9.069/95; 4 Data em que foi intimada da lavratura do Auto de Infração, fl. 3. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 440 14 c) Apresentação de DIPJ Retificadora, após o fim do exercício de competência, alterando o valor da opção de investimento em Fundo de Incentivo – Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Quanto ao primeiro, foi analisado no tópico acima, posto tratarse de questão preliminar. Passase agora ao segundo ponto. IV.2.1. DA REGULARIDADE FISCAL DA CONTRIBUINTE Apresentado o PERC, a DIORT entendeu, no processo administrativofiscal nº 16327.7230153/201276, que tal pleito deveria ser indeferido porque a contribuinte não comprovou a sua regularidade fiscal no momento da opção, qual seja, a DIPJ. A contribuinte, discordando desta decisão, apresenta Manifestação de Inconformidade na qual explica que o momento da análise da situação de regularidade é o da Opção pelo Incentivo Fiscal, o qual se configura, em seu entendimento, ou na entrega da DIPJ ou no pagamento do DARF. No caso, explica que referese ao anocalendário de 2006, e somente este período pode ser analisado. Apresenta diversos julgados neste sentido, os quais apontam o momento da apresentação da DIPJ (ou equivalente) como o da Opção. Por fim, fundamenta que Certidões são documentos hábeis para provar a regularidade fiscal. Por fim, cita súmula CARF nº 37. A DRJ então decide que confirma a aplicabilidade da Súmula CARF nº 37, ressalvando, entretanto, que o momento de prova da regularidade é a DIPJ, o que aconteceu em 28/06/2007 (fls. 316/317). Assim, observando as Certidões apresentadas pela contribuinte, registra que elas não abarcam o período da apresentação da DIPJ, concluindo que a Contribuinte não comprovou a regularidade fiscal no momento da opção. Tendo em vista tal acórdão, apresenta a Contribuinte, no Recurso Voluntário, explicando que, conforme o processo administrativofiscal nº 16327.720997/2011 36, a Autoridade Fiscal não reconhece a Opção feita pela Recorrente com base em supostas pendências fiscais detectadas em 15/11/2008 e 04/12/2008, apresentando imagens das páginas 18 e 19 daquele processo. Explica, entretanto, que a análise da regularidade deve se ater ao momento da Opção pelo Incentivo Fiscal, o que se consubstancia na entrega da DIPJ ou no pagamento do DARF, conforme seu entendimento. Conclui que o indeferimento do Incentivo Fiscal depende da comprovação de pendências no momento da Opção, o que o Sr. Fiscal não teria feito. Neste sentido, não tendo fundamentado em provas o indeferimento da Opção inicial, o Auto de Infração que nele se baseia deveria ter sido anulado. Ademais, explica que o momento da Opção, no caso concreto, foi em 30/03/2007, quando fez o Recolhimento do DARF específico. A DIPJ, no caso, teria sido apenas uma confirmação da destinação ao FINOR já efetivada anteriormente. IV.2.1.1. DO MOMENTO DA ANÁLISE DA REGULARIDADE Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 441 15 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou súmula sobre o tema, citada inclusive pela própria Recorrente: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não restam dúvidas – o que sequer é questão litigiosa – que não pode o benefício ser indeferido com base em irregularidade fiscal posterior. Entretanto, o ponto fulcral é definir se o exame da regularidade deve se ater somente ao dia específico da apresentação da DIPJ, ou se outras datas também. Neste sentido, impende analisar alguns dos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da súmula: No acórdão nº 19800080, de 09/12/2008, a ementa afirma: INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Neste acórdão, o Conselho entendeu no sentido de que a prova da regularidade (ou irregularidade) deveria ser feita com relação ao momento da opção, e não naquele a análise do PERC. Entendeu, ademais, que o momento da opção é aquele da entrega da DIPJ. No acórdão nº 195.00110, de 10/12/2008, a ementa ficou assim: Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do benefício, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Interessantíssimo o acórdão. Novamente entendeu o CARF que a data da opção é aquela da entrega da Declaração. Por outro lado, aponta ainda que é possível a comprovação da regularidade dos débitos que deram causa ao indeferimento em qualquer momento do processo, ou seja, em data posterior à entrega do PERC – e logo, também posterior à opção. Indica, portanto, que a questão não é tanto a regularidade no dia da entrega, mas sim garantir que a Contribuinte venha a quitar seus débitos (ou provar a inexigibilidade deles). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 442 16 Por fim, e de grande relevo, afirma também que, caso a Administração Tributária não comprove irregularidade fiscal no momento da opção pelo benefício, então o PERC deve ser deferido. Seguindo em frente, observase o voto que fundamenta o acórdão nº 108 09808, de 19/12/2008: “Ora, conforme aduzido pelo próprio Recorrente, a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida quanto ao período relacionado à opção, que, no presente caso, deveria ser de 1995 ou, no máximo de 1996, ano de entrega da declaração de rendimentos.” Analisando o texto da súmula com a visão exposta neste voto, resta plausível compreender que a Súmula CARF nº 37, ao afirmar a prova “deve se ater ao período a que se referir a Declaração”, referese não apenas ao dia exato da Declaração em si, mas também ao anocalendário sobre o qual trata a declaração de rendimentos. Este voto, portanto, permite que a Contribuinte comprove a regularidade em momento anterior àquele da opção, propriamente dito. Portanto, deixa claro que o investimento no Fundo deve ser visto como um benefício, o que efetivamente é, e não um estorvo para a Contribuinte. Neste mesmo sentido, outro acórdão paradigma da Súmula CARF nº 37, a decisão de nº 10709202, de 18/10/2007, o qual afirma no voto: “No caso de que se cuida, junto com PERC, a contribuinte trouxe à colação duas Certidões Positiva com efeito de Negativa fornecidas, uma pela SRF (fl. 17) e outra pela PGFN (fl. 18 e 18v), ambas dentro do prazo de validade. Portanto, a necessária prova da quitação de tributos e contribuições federais foi efetuada pela contribuinte. E não poderia a autoridade administrativa negar validade às certidões negativas, ou, em face da demora na análise do pedido, exigir nova quitação de tributos com validade na data do Despacho Decisório, ou ainda, indeferir o PERC em face da existência de débitos posteriores à data de protocolo do pedido. Isso traria insegurança jurídica, ficando o contribuinte à mercê da administração, que poderia indeferir o pleito assim que verificasse a falta de pagamento de qualquer parcela de tributo ou contribuição. (...) Primeiramente, entendo que a exigência de quitação dos tributos e contribuições está vinculada ao momento em que o contribuinte faz a opção pelo incentivo, portanto, a data da entrega da declaração de rendimentos. De fato, se o benefício fiscal está condicionado à prova da quitação dos tributos e contribuições, só se pode entender que essa prova deve ser produzida no momento da opção. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 443 17 Por outro lado, o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício fiscal, mas sim condicionar o deferimento do incentivo à quitação do débito. Assim, mesmo na existência de débitos por ocasião da opção pelo incentivo, não haverá óbice ao deferimento do pleito, se o contribuinte comprovar a sua regularidade fiscal em relação a esses débitos, em qualquer fase do processo.” De grande valia este acórdão, posto que analisa o sentido do benefício: incentivar a contribuinte a investir nos fundos. Como tal, a burocracia excessiva acaba atrapalhando o propósito final, que é captar recursos para investimentos nas regiões especificadas e oferecer um benefício às Contribuintes. Comprovando a Contribuinte quitação dos tributos, em qualquer momento – mesmo que a quitação tenha ocorrido após a opção – então o pedido deve ser deferido. Ademais, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 – que exige a quitação dos tributos e contribuições federais para a concessão do benefício – não se refere especificamente a nenhum momento específico. Assim, se é adequado exigir que a Contribuinte, para ter um benefício, esteja quite com suas obrigações (tributárias), não há previsão expressa em lei ou jurisprudência estabelecida que limite a comprovação da regularidade pela contribuinte, à data da apresentação da DIPJ. Pelo contrário, assiste razão à Recorrente quando afirma que a opção pelo investimento pode ser feita tanto pela apresentação de DIPJ quanto pelo pagamento de DARF específico. Esta é a regra do art. 601 do Decreto 3000 de 1999 (RIR): Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei n º 9.532, de 1997, art. 4º5). § 1 º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei n º 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): Equivocase a DRJ, portanto, quando afirma que a opção é feita somente na apresentação da DIPJ. E, neste ponto, merece reforma a Decisão recorrida. 5 Importante notar que este artigo 4º da Lei nº 9.532/97 foi revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001. Entretanto, com base no art. 100 Código Tributário Nacional, o decreto, e mesmo o ato normativo expedido por autoridade administrativa, têm validade como norma tributária. Assim, o Decreto 3000/99 (RIR) tem competência para tratar da matéria, especialmente considerando tratarse de mera obrigação acessória, que não causa ônus ao contribuinte, pelo contrário, regulalhe o acesso a um benefício. Não havendo prejuízo, resta o artigo do RIR/99 válido. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 444 18 Em verdade, considerando tratarse de benefício – o que significa algo favorável à Contribuinte –, entendo que o “período a que se referir a Declaração” ou então o “momento da opção” é noção vaga, podendo referirse tanto ao momento da apresentação da DIPJ ou ao momento pagamento do DARF – conforme teses esposadas pela DRJ e pela Recorrente – quanto também ao anocalendário ou ainda momento posterior. Frisase, apresentando certidões de regularidade em momento posterior, a contribuinte deixa claro que não tem nenhum ônus perante a Fazenda Nacional, o que retroage para o período da opção, que se deu no pagamento do DARF específico, em 30/03/2007 (fl. 17, do apenso nº 16327.720997/2011 36). Assim, a norma estará efetivamente alcançando seu objetivo, que é captar recursos para o fundo e, ao mesmo tempo, incentivará as Contribuintes a quitar suas pendências tributárias. O que veda a Súmula, enfim, é a exigência, pela Administração Pública, que a contribuinte comprove regularidade posteriormente. Em suma, tratandose de benefício fiscal, a compreensão deve ser favorável à contribuinte, aceitandose como comprovação de regularidade, tanto a apresentação da DIPJ, do pagamento do DARF ou mesmo referente a 31/12/2006 – o final do anocalendário, e que prova que não tinha dependências referentes ao período da apuração do IRPJ. IV.2.1.2. DAS PROVAS APRESENTADAS Tendo estabelecido os momentos em relação aos quais se aceitará prova da regularidade, convém analisar ainda o que significa prova de regularidade fiscal. A DIORT fundamenta o indeferimento do PERC no art. 60, da Lei nº 9.069/97, o qual afirma, in litteris: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Portanto, a concessão ou reconhecimento do benefício fiscal depende da comprovação, pela contribuinte, de quitação de tributos e contribuições fiscais. A DRJ reafirma a mesma fundamentação legal, acrescentando o art. 47, I, “a” da lei nº 8.212/91, que também exige Certidão Negativa de Débitos para a concessão de benefícios. A contribuinte, em seu Recurso, explana que, conforme art. 1º do Decreto 6.106/07 e art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03/07, bem como no art. 47 da lei 8.212/91, são suficientes para comprovar a Regularidade Fiscal as certidões emitidas pela Receita Federal/PGFN, Previdência Social e FTGS. Tendo em vista a redação das leis colacionadas, parece ter razão o entendimento da contribuinte. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 445 19 Resta saber, neste ponto, se a contribuinte comprova regularidade em algum momento dentre aqueles estabelecidos acima. Para tanto, consignamos antes a lição apresentada no acórdão nº 10323546, de 14/08/2008, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37. Se acórdão afirma, no voto: “A análise do favor fiscal caminhou em sentido diverso da jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração (e não na data do pedido de revisão ou do despacho administrativo ou em outro qualquer). (...) Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava regular em 1998; por outro lado, também não há prova em contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova. É cediço que a SRF orienta a apresentação da prova da regularidade relativamente à data do pedido, assim como no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos.” Este acórdão traz lição no sentido de determinar a distribuição dos ônus de prova. Entendese que, tendo a Administração Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à Contribuinte a possibilidade de comprovar que os débitos não existiam, ou não eram exigíveis. Entretanto, caso nenhuma das duas partes consiga comprovar nada, então a presunção é que deve ser aceito o pleito da Contribuinte. Compulsando os autos do processo nº 16327.720997/201136, no qual realizouse auditoria que fundamenta o presente litígio, observase que a Autoridade Lançadora não logrou apresentar nenhuma prova de irregularidades da Contribuinte ao tempo da opção pelo investimento. Apontou apenas, à fl. 15, haver as seguintes ocorrências: . CNPJ C/ PROCESSO FISCAL SIST. PROFISC . CONTR. COM PENDÊNCIAS JUNTO AO INSS À fl. 18, explica que o processo fiscal é de nº 16327001505/200723, com data inicial da situação em 06/09/2007 e processamento em 15/11/2008. Já à fl. 19, esclarece que as pendências junto ao INSS decorrem de Declaração Retificadora entregue em 31/12/2007, com processamento em 14/12/2008. Tampouco fundamentou a DIORT, no processo 16372.720153/201276, sua decisão em nenhuma prova de irregularidade, mas tão somente em falta de prova de regularidade. Assim, considerando os acórdãos que servem de embasamento para a Súmula, é possível afirmar que o indeferimento inicial do incentivo pressupõe prova de que a Contribuinte estava irregular no momento da opção – o que não foi feito. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 446 20 Considerando ainda que, no decorrer o PERC a contribuinte pode comprovar a sua regularidade (mesmo que obtida em momento posterior), analisamos o Recurso Voluntário detidamente. A Recorrente junta no Recurso Voluntário Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa emitida pela Receita Federal/PGFN em 29/05/2007 e validade até 25/11/2007 (fl. 409)6, bem como Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa, emitida pela Previdência Social em 12/02/2007 e com validade até 11/08/2007 (fl. 410)7 e ainda Certificação de Regularidade do FTGS, perante a Caixa Econômica Federal válida entre 31/07/2013 e 29/08/2013 (fl. 411)8. Ademais, no decorrer da elaboração deste voto, averiguamos a regularidade da contribuinte diretamente no Site da Receita Federal/PGFN, sendo emitida Certidão Positiva com efeitos de Negativa, com validade até 14/02/2015. Observando o site da Previdência Social, foi emitida Certidão Positiva com efeitos de Negativa em 27/08/2014 e tem validade até 23/02/2015. Já em consulta ao site da CAIXA Federal, observouse Certidão de Regularidade com relação ao FGTS, com validade até 04/11/2014. Enfim, observase ainda que já tinha apresentado, em sede de Impugnação, Certidão Positiva com efeito de negativa de tributos federais da BV emitida em 10/11/2006 e válida até 09/05/2007 (fl. 137); Certidão Negativa de debito previdenciário da BV emitida em 21/08/2006 e válida até 17/02/2007 (fl. 138) e Certidão de Regularidade do FGTS emitida em 12/12/2011 e válida até 10/01/2012 (fl. 139). Portanto, seja em decorrência de prova de regularidade em 31/12/2006 – data final do período de apuração do tributo –, de prova de regularidade ao tempo da apresentação da DIPJ, seja em função de regularidade no momento desta análise do PERC, impende entender que a Contribuinte está regular com a Fazenda Nacional, não sendo adequado indeferir o seu PERC por este argumento. Por fim, consignase que a Contribuinte registrou, na DIPJ 2007, sua opção pelo incentivo do FINOR – Ficha 17 – “Aplicações em Incentivos Fiscais” (fl. 36). IV.2.2. DA APRESENTAÇÃO DE DIPJ RETIFICADORA Em sede de Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte insurgese contra o terceiro ponto. Alega que a opção pelo investimento foi realizada no momento do Recolhimento do DARF específico e a confirmou no momento da entrega da DIPJ original. Explica que a DIPJ 2007 retificadora, apresentada em 29/04/2011 não gera nova Opção ao incentivo Fiscal, nem tampouco aumenta o valor desta, em verdade reduzindo o valor do incentivo optado, concluindo: “Portanto, inconteste que não houve alteração do percentual de IRPJ destinado (i.e. 12%) e tampouco do fundo de investimento (i.e. FINOR), pelo que se verifica que não houve, in casu, nova Opção com a entrega da DIPJ Retificadora, sendo inaplicável as 6 Foi conferida a originalidade da certidão no site da Receita Federal em 14/10/2014. 7 Foi conferida a originalidade da certidão no site da Previdência Social em 14/10/2014. Registrese que a contribuinte emitiu 61 certodões desde 25/02/1997. Em teste aleatório a maioria foi Certidão Negativa de Débito. 8 Foi conferida a originalidade da certidão no site da Caixa Econômica Federal em 14/10/2014. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 447 21 disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e da Nota SRF/COSAR nº 131/2001.” – fl. 426 do processo 16327.7230153/201276. A DRJ, por sua vez, reconhecendo que a contribuinte apresentou DIPJ Retificadora, mantém a decisão da DIORT com base nos mesmos fundamentos. Argumenta a Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, que a DRJ equivocouse ao cumular a declaração de intempestividade do PERC com a aceitação do argumento da DIORT, no processo administrativofiscal nº 16327.7230153/201276, no sentido de ser improcedente o PERC pela apresentação de DIPJ retificadora. Em seu entendimento, a DRJ inovou o fundamento do Auto de Infração, de sorte a indeferir o pleito da ora Recorrente. Após apresentar este fundamento, que seria causa de nulidade do acórdão recorrido, reafirma o quanto afirmado na Manifestação de Inconformidade: que formalizou a opção no momento em que Recolheu o DARF específico, posteriormente confirmada pela DIPJ; que é inaplicável Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Inicialmente, afastase alegação de que a DRJ inovou na fundamentação do Auto de Infração. Em verdade, o acórdão julga ao mesmo tempo o PERC e o Auto de Infração, em decorrência do apensamento dos processos. O mesmo fazemos neste acórdão do CARF. Portanto, ainda que não conste do Auto de Infração, o presente tópico foi aventado na Decisão da DIORT. Ademais, a própria Contribuinte apresentou, em sua Manifestação de Inconformidade, contestação ao indeferimento do PERC com base nesta infração. Destarte, repetese, não há inovação da DRJ, mas apenas enfrentamento de todos os pontos controvertidos. Tendo definido esta “preliminar”, passase à análise do fundamento apresentado pela DIORT: o incentivo não deve ser deferido em decorrência da apresentação de DIPJ Retificadora em 29/04/2011 que, ademais, alterou o valor destinado ao FINOR. Tal fato vai de encontro ao Ato Declaratório (Normativo) CST nº 26/1985 e a Nota SRF/Cosar nº 131/2001. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu sobre o tema no acórdão nº 9101001.438, de 19/07/2012, que ficou assim ementado: DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REGRAS ATUAIS. EFEITOS. A partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora têm a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997. No voto, explica a sua fundamentação: “Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber se é possível as empresas obterem a Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais na situação em que a pessoa jurídica beneficiada apresentou a declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 448 22 O acórdão recorrido posicionase no sentido de que é possível, já que entende que, a partir da IN nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1º, §2º, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Não há dúvidas de que o Ato interpretativo, (Nota SRF/Cosar nº 131/2001), informou que somente seriam acatadas aplicações em incentivos provenientes de declaração retificadores entregues depois de encerrado o exercício referido se, cumulativamente, a declaração original fosse entregue dentro do exercício e não houvesse retificação que alterasse o valor da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício. Por outro lado, o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995, vincula a concessão do reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, tãosomente, à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. A bem da verdade, apenas nas normas interpretativas consta a proibição do gozo do incentivo quando há declaração retificadora fora do prazo. Ora, tem toda a razão a Recorrente quando invoca o artigo 1º da IN nº 166, de 1999, que autorizou retificar todas as informações contidas na declaração originária. E o §1º estendeu a autorização aos anos calendários anteriores. Os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres da própria norma normativa, teria a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 1997. (...) Ora, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais temse solidificado no sentido de que não se pode desconhecer os princípios da verdade material, do formalismo moderado e da razoabilidade da sanção, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Nesta linha de raciocínio não há razões aparentes para não aceitar que a declaração retificadora substitui a original em todos os seus efeitos. (...) Assim sendo e provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora.” Pedindo vênia pela longa transcrição, esta era necessária posto que o acórdão e votos citados aplicamse integralmente ao ponto ora em julgamento: há discussão, por parte da Fazenda Nacional/DIORT, alegando aplicabilidade da Nota SRF/Cosar nº 131/2001, pela qual a apresentação de DIPJ retificadora após o fim do exercício, especialmente se modificar o valor do investimento, é suficiente para que o benefício seja indeferido. A CSRF, fundamentando em Lei, bem como em IN e ainda em princípios do processo administrativo, afasta tal entendimento. Considerando por um lado que a empresa (tanto no caso do acórdão da CSRF quanto no presente processo) apresentou DIPJ original no prazo e com a opção pelo investimento, que não há prejuízo na apresentação de DIPJ retificadora. Assim, seguindo a decisão da CSRF, neste processo entendo pelo afastamento deste ponto, reconhecendo a procedência do PERC. Temse por prejudicada a Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721620/201102 Acórdão n.º 1102001.334 S1C1T2 Fl. 449 23 análise do Auto de Infração; já que o benefício deve ser concedido à contribuinte, não há mais crédito a ser constituído. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário com consequente cancelamento do Auto de Infração lavrado. Voltando ao presente caso, cumpre atestar que, em 11/03/2015, foi confirmada a regularidade presente da recorrente no site da Caixa Econômica Federal. Independentemente do fato de não se conseguir atestar a regularidade presente perante à Receita Federal/PGFN e à Previdência Social, (o site da Receita Federal/PGFN informa que, a partir de 03/11/2014, não há mais a emissão da certidão previdenciária, a Receita Federal emite uma certidão única abrangendo a regularidade das contribuições previdenciárias, contudo, verificouse que “as informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB sobre o contribuinte 59.588.111/000103 são insuficientes para a emissão de certidão por meio da Internet”), importa notar que o voto acima transcrito firmou o entendimento de que a contribuinte pode comprovar a sua regularidade no decorrer de todo o processo que discute o PERC. Neste sentido, como alegado no recurso voluntário, já haviam sido apresentadas certidões de regularidade fiscal referentes à época do recolhimento do DARF específico e à época da interposição da manifestação de inconformidade (fls. 701 a 709 do processo nº 16327.720152/201221). Assim, diante de todo o exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13984.720022/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. BALANÇO DE ABERTURA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INCIDÊNCIA DE IRPF.
É tributável na pessoa física beneficiária os rendimentos distribuídos a partir da diferença apurada entre contas patrimoniais do ativo e do passivo para a formação do patrimônio líquido no Balanço de Abertura de pessoa jurídica, desprovida de qualquer sustentação contábil e lançada como lucros acumulados de exercícios anteriores.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados.
MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4.
É cabível a aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários conforme Súmula n° 04 do CARF, in verbis: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais".
Numero da decisão: 2201-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica classificados indevidamente na DIRPF). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA.
(Assinado Digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
(Assinado Digitalmente)
Francisco Marconi de Oliveira - Redator do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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BALANÇO DE ABERTURA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INCIDÊNCIA DE IRPF. É tributável na pessoa física beneficiária os rendimentos distribuídos a partir da diferença apurada entre contas patrimoniais do ativo e do passivo para a formação do patrimônio líquido no Balanço de Abertura de pessoa jurídica, desprovida de qualquer sustentação contábil e lançada como lucros acumulados de exercícios anteriores. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42. Excluemse da presunção apenas os valores devidamente comprovados. MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4. É cabível a aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários conforme Súmula n° 04 do CARF, in verbis: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 00 22 /2 01 3- 38 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica classificados indevidamente na DIRPF). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. (Assinado Digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. (Assinado Digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira Redator do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Em sessão plenária do dia 10 de março de 2015 foi julgado no CARF o processo nº 13984.720022/201338, porém até o momento o Conselheiro Relator não formalizou o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, nos termos do art. 17, inciso III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, conforme Despacho de fl. 592. Transcrevese a minuta do relatório lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): O contribuinte acima identificado insurgese contra Auto de Infração de fls. 410/413, acompanhado dos Demonstrativos de fls. 414/418 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 419/426, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, por meio do qual foi apurado crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 863.208,53 Multa de Ofício (passível de redução) 647.406,40 Juros de Mora (cálculo válido até 31/01/2013) 235.519,05 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13984.720022/201338 Acórdão n.º 2201002.693 S2C2T1 Fl. 120 3 Valor do Crédito Tributário Apurado 1.746.133,98 1.1. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 412/413), a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: INFRAÇÃO 0001. Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Classificados Indevidamente na DIRPF Fato Gerador Valor tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/07/2009 1.095.115,05 75 Enquadramento legal: Art. 14 da Lei Complementar nº 123/06; art. 6º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, alterado pela Resolução CGSN nº 14, de 23 de julho de 2007; arts. 37, 38, 39, 43, 45, 56 e 83, do RIR/99; art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07. INFRAÇÃO 0002. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada/Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada Fato gerador Valor tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/01/2009 111.500,00 75 28/02/2009 107.078,59 75 31/03/2009 61.200,00 75 30/04/2009 106.848,92 75 30/06/2009 245.300,00 75 31/07/2009 604.973,00 75 31/08/2009 133.000,00 75 30/09/2009 127.450,00 75 31/10/2009 221.529,20 75 30/11/2009 113.206,12 75 31/12/2009 40.344,67 75 Enquadramento legal: art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07; arts. 37,38,83 e 849 do RIR/99. INFRAÇÃO 0003. Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos – Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Reais Fato Gerador Valor tributável ou Imposto (R$) Multa (%) Fl. 595DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 04/05/2009 439.013,87 75 Enquadramento Legal: art. 21 da Lei nº 8.981/95; arts. 23 e 24, da Lei nº 9.250/95; arts. 38 e 40 da Lei nº 11.196/05; arts. 117, 118, 120, 121,do RIR/99. 1.2. Durante realização do procedimento fiscalizatório, restou constatado, de acordo com o supracitado Termo de Verificação Fiscal, que: 1.2.1. Da análise da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF, constatouse que o fiscalizado informou rendimentos isentos a título de distribuição de lucros da empresa MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO URIO LTDA, CNPJ 00.295.973/000103, no valor de R$ 1.178.100,00, no anocalendário 2009. Na declaração DIPJ 2010 da empresa, na Ficha 38, Linha 01, consta saldo de lucros acumulados no valor de R$1.197.728,51 e na Linha 11 consta que o lucro acumulado foi parcialmente incorporado ao Capital Social (R$1.190.000,00). A 13ª alteração contratual, registrada em 29/07/2009, corrobora o que consta da DIPJ, pois sua CLÁUSULA PRIMEIRA assim dispõe: “Que o capital social no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), fica neste ato,elevado para R$ 1.240.000,00 (um milhão duzentos e quarenta mil reais), cujo aumento líquido de R$ 1.190.000,00 (um milhão cento e noventa mil reais) é integralizado com o saldo de Lucros Acumulados, constante dos registros contábeis”. Foi então aberta diligência na empresa MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO URIO LTDA, CNPJ 00.295.973/000103, intimandoa a apresentar a escrituração contábil que demonstrasse a formação do saldo da conta Lucros Acumulados no valor de R$1.197.728,51. Em resposta, a empresa informou ter apurado lucro acumulado ao longo dos anos em BALANÇO DE ABERTURA, com o levantamento de Ativo e Passivo. Desta forma, os lucros distribuídos em 01/07/2009 pertencem a exercícios anteriores, conforme Balanço de Abertura apresentado pela empresa. Portanto, devem se pautar pela legislação pertinente à situação da empresa no exercício anterior, ou seja, pelo Simples Nacional, e a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço a partir do resultado do exercício se sujeita à incidência do IR com base na tabela progressiva mensal prevista no art. 620 do RIR/99. Constatouse que a participação societária do autuado equivale ao percentual de 99% e o valor recebido a título de lucro distribuído declarado foi de R$ 1.190.000,00. Considerando que lhe caberia R$ 83.823,18 a título de lucro isento, o valor excedente sujeito a tabela progressiva apurado foi de R$ 1.095.115,05. 1.2.2. O contribuinte, regularmente intimado, após depuração dos extratos bancários examinados e apresentação de planilha de valores a comprovarem, não comprovou a origem dos recursos que transitaram pela conta corrente, salvo os relativos à atividade rural, sendo que, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, os depósitos não comprovados caracterizamse como omissão de receitas e serão tributados no mês em que considerados recebidos, observandose o limite inferior previsto no inciso II do §3º do mesmo artigo. 1.2.3. Foi possível constatar, da diligência junto ao contribuinte José Walter Camargo de Souza e da resposta do fiscalizado quanto à quitação de suposto empréstimo entre eles, que o real valor da alienação do terreno vendido pelo segundo ao primeiro foi de R$ 1.050.000,00, e não de R$ 300.000,00 conforme Fl. 596DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13984.720022/201338 Acórdão n.º 2201002.693 S2C2T1 Fl. 121 5 apuração de Ganho de Capital pelo fiscalizado, de modo que foi revisto o Ganho de Capital, que passou a ser de R$ 439.013,87, após as deduções previstas na legislação, sobre o qual aplicouse a alíquota de 15%. 1.3. Informa ainda a autoridade autuante que os valores apurados nas infrações Classificação Indevida de Rendimentos e Movimentação Financeira Incompatível foram levados à tributação na declaração de ajuste anual do contribuinte, com as alíquotas e tabelas vigentes à época da percepção dos rendimentos, sendo que na apuração do imposto devido sobre Ganho de Capital foi deduzido o valor pago pelo contribuinte. 1.4. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, consubstanciada no processo nº 13984.720024/201327, apenso ao presente, por supostos ilícitos cominados nos arts. 1º, inciso I, e 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. 2. Cientificado por via postal da exigência tributária, na data de 10/01/2013, conforme AR de fls. 429, o contribuinte apresenta sua impugnação de fls. 432/483, por intermédio de procuradores qualificados em fls. 485, onde, em resumo, informa o seguinte: 2.1. Preliminarmente, a impugnação é tempestiva, tendo sido intimado em 10/01/2013, com prazo final para impugnação em 09/02/2013 (sábado de carnaval), o que deslocou a data limite para 13/02/2013, data da interposição da peça impugnatória. 2.2. Sem razão o lançamento tributário em comento, que entendeu que o impugnante classificou indevidamente como isentos, na DIRPF 2010, rendimentos recebidos da pessoa jurídica Materiais de Construção Urio Ltda, da qual participava com 99% das cotas sociais, tendo havido aumento do capital social da referida empresa de R$ 50.000,00 para R$ 1.240.000,00, sem o devido recolhimento do Imposto de Renda. Conforme se infere da justificativa e documentos apresentados (fls. 310/327), a origem do aumento do capital social restou efetivamente comprovada, em decorrência de Lucro Acumulado ao longo dos anos da atividade da empresa, consoante consta no levantamento do Ativo/Passivo Real, Balanço de Abertura, etc., já tendo havido recolhimento dos impostos correspondentes, durante todo o período. Não há que se falar em novo recolhimento de imposto pelo impugnante, sob pena de recolhimento em duplicidade de imposto, caracterizandose como “bis in idem”, expressamente vedado pela nossa legislação de regência e pelos nossos Tribunais. 2.3. Sem qualquer razão o autuante ao afirmar que não houve comprovação pelo impugnante da origem dos recursos que transitaram em sua conta corrente no ano de 2009, pois, conforme a justificativa e documentos de fls. 22/252 e 347/352, toda a movimentação financeira do período teve a sua origem comprovada pelos empréstimos realizados juntos às instituições financeiras e pessoas físicas, aquisição/alienação de bens móveis e imóveis, prólabore, atividade rural, etc. Não bastasse, de se ressaltar que o lançamento de imposto por arbitramento, com base em extratos ou depósitos bancários é ilegítimo, nos termos da Súmula nº 182 do TFR, além da jurisprudência e doutrina que colaciona. Assim, havendo comprovação da movimentação financeira do impugnante, bem como considerando que o lançamento tributário somente se ateve aos extratos Fl. 597DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 bancários, em verdadeira afronta à Súmula 182 do TFR, bem como da uníssona jurisprudência, deve ser declarado nulo de pleno direito o lançamento do imposto de renda em questão. 2.4. Também sem razão o autuante ao alegar que o impugnante obteve ganho de capital superior ao declarado originalmente ao fisco, na alienação de imóvel ao contribuinte José Walter Camargo de Souza pelo valor de R$ 1.050.000,00, pois o real valor da venda do imóvel em questão foi de R$ 300.000,00, consoante se infere da escritura pública de Compra e Venda de fls. 360/362. O valor de R$ 1.050.000,00 referese a empréstimo realizado entre as partes e representado pela nota promissória de fls.358, que restou quitado em 03 parcelas de R$ 350.000,00, conforme se infere dos recibos constantes no verso do referido documento, nas datas de 30/09/2009, 30/10/2009 e 18/11/2009, e informado pelo próprio Sr. Walter em sua defesa de fls. 356. De ressaltar, ainda, que o extrato trazido pelo Sr. Walter ao presente procedimento, fls. 363, confirma a origem do empréstimo, demonstrando a saída exata do valor de sua conta corrente em data de 04/05/2009, de modo que resta impugnado o lançamento em epígrafe, tendo em vista que o real e efetivo valor da alienação do imóvel foi de R$ 300.000,00, documentalmente comprovado. 2.5. As normas regulamentares do imposto de renda desautorizam o arbitramento quando se trata de contribuinte que apresentou declaração de renda e não houve diligências e averiguações dos agentes lançadores, que possam oferecer dados concretos de sua apuração pessoal e específica, não podendo a autoridade fiscal impor sanções ou efetuar lançamentos com base em presunções. Assim, constituir o crédito fiscal mediante presunção, sem buscar a verdade material que deve dar substância ao lançamento, além de violação do princípio da reserva legal, constitui afronta às garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, pois, como já declarado pelos tribunais, a suspeita deverá ser perfeitamente comprovada pelos agentes fiscais, não se exonerando a Administração do ônus probandi. Ademais, descumpriu o autuante o art. 79, § 1º, do Decretolei nº 5.844/43, quando deixou de solicitar esclarecimentos do contribuinte, realizando a autuação sem realizar, pois, qualquer averiguação que pudesse oferecer elemento concretos para a imputação feita, quando a lei diz que somente com elemento seguro de prova podem os lançadores impugnar informações dos contribuintes. A norma tipificadora do art. 43 do Código Tributário Nacional reclama seja comprovada e não meramente suposta ou atribuída a existência do que nela se contém, ou seja, fazse indispensável demonstrar o fato da disponibilidade jurídica ou econômica da renda, e nenhuma circunstância pode dispensar a fiscalização do imposto de renda de apurar a verdade material de resultados estimados. Por outro lado, ainda quando fosse o caso de projetarse a presunção legal, esta depende de harmonia com os princípios norteadores do direito, especialmente do direito constitucional e, mais do que isso, também com os princípios lógicos da identidade, nãocontradição e do resultado comprovado. Não tendo a autoridade fiscal aceito os dados e registros do contribuinte, impõese lembrar que o próprio art. 678, em seu § 2º, diz que para tanto, o lançador precisa oferecer elemento seguro de prova, ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Para respeitável corrente doutrinária, a presunção é absolutamente incompatível não somente com os princípios da legalidade tributária, mas, ainda Fl. 598DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13984.720022/201338 Acórdão n.º 2201002.693 S2C2T1 Fl. 122 7 todos os princípios constitucionais explícitos e implícitos que regem a imposição tributária, além de atentar contra a qualificação constitucional de cada tributo. 2.6. A aplicação da taxa SELIC para a parcela denominada “juros de mora” é inviável, não podendo ser utilizada para fins tributários, consoante decidido pelo STJ em acórdão tendo relator o Ministro Franciulli Netto. 2.7. No caso concreto o valor da multa restou estipulada em 75% do valor devido a título de imposto de renda, sendo que a Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com fim de confisco, aplicandose o princípio do nãoconfisco igualmente às multas referente ao nãorecolhimento de imposto, como depreende da doutrina e jurisprudência colacionada. Se o Estado, ao regular as obrigações firmadas entre particulares, limitou a multa punitiva da falta de pagamento em 2%, quando antes do Código de Defesa do Consumidor esse percentual era de livre disposição do credor, impõese dar aplicação benéfica à lei fiscal quanto a penalidade pecuniária. A prática de encargos de mora composto por multa e juros superior de 75% configura exercício abusivo de poder, ainda quando se faça sob o discurso que coloca como interesse público aquilo que sequer pode ser considerado interesse fazendário, por sua inequívoca ofensa ao princípio da moralidade administrativa; o interesse fazendário não se confunde, nem muito menos sobrepaira o interesse público, ao qual deve subordinação e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Por unanimidade de votos, a DRFBJ (fls. 512 / 532) afastou as preliminares argüidas e julgou procedente em parte a impugnação, excluindo a omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel (infração 0003), mantendo o imposto suplementar de R$ 815.359,21, correspondente às infrações 0001 e 0002. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário (fls. 537 / 588) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator had doc para formalizar o acórdão. Transcrevese a minuta do voto lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Passo, então, à análise de cada um dos tópicos impugnados em sede recursal. Inconstitucionalidade da lei tributária Fl. 599DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 De início, rejeito a arguição de inconstitucionalidade dos enunciados legais que suportam o lançamento, com fulcro na Súmula CARF n. 2. Isenção na distribuição de lucros acumulados mediante balanço de abertura Insurgese o recorrente contra o lançamento tributário relativo à classificação indevida de rendimentos como isentos, na DIRPF 2010, rendimentos recebidos da pessoa jurídica Materiais de Construção Urio Ltda, da qual participava com 99% das cotas sociais, tendo havido aumento do capital social da referida empresa de R$ 50.000,00 para R$ 1.240.000,00, sem o devido recolhimento do Imposto de Renda, justificando que a origem do aumento do capital social restou efetivamente comprovada, em decorrência de Lucro Acumulado ao longo dos anos da atividade da empresa, consoante consta no levantamento do Ativo/Passivo Real, Balanço de Abertura, etc., já tendo havido recolhimento dos impostos correspondentes, durante todo o período. A questão em julgamento consiste na possibilidade de se considerar, para fins de distribuição de lucros acumulados existentes por ocasião da realização de balanço de abertura, vez que a recorrente, optante do lucro presumido, não efetuou escrituração contábil em exercícios sociais anteriores. Vale dizer, no caso das empresas tributadas pelo lucro presumido que não tenham efetuado escrituração contábil em exercícios sociais anteriores e queiram regularizar essa situação (quer por mudança de tributação para o lucro real, quer para atender à disposição do Código Civil) se apurarem lucros acumulados em seus balanços de abertura, poderão efetuar a distribuição desses lucros aos sócios, com o benefício da isenção do Imposto de Renda, de que trata o RIR/1999, art. 662? A DRJ não acolheu o pleito do contribuinte, sob o seguinte fundamento: Do exposto, entendemos que os lucros acumulados apurados em Balanço de Abertura não estão isentos do Imposto de Renda, tendo em vista que a Lei nº 9.249/1995, art 10, dispõe que somente os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir de janeiro/1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, real ou arbitrado, é que estão isentas desse imposto, além de não integrarem a base de cálculo do Imposto de Renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica. A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do Imposto de Renda com base na tabela progressiva mensal prevista no RIR/1999, ar. 620. Essa afirmativa vem ao encontro do Código Tributário Nacional – CNT (Lei n° 5.172/1966), art. 111, do qual se deve interpretar literalmente a legislação sobre a outorga de isenção. A razão dessa tributação decorre de que, no Balanço de Abertura, não foram apurados resultados do anocalendário, mas inclusos na conta lucros acumulados da diferença entre contas patrimoniais do ativo e passivo para a formação do patrimônio líquido. Em que pese o argumento exposto pela instância a quo, entendo que a lei n. Lei nº 9.249/1995, art 10, ao dispor que somente os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir de janeiro/1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, real ou arbitrado, estão isentas do IRPF, não fez qualquer distinção quanto à forma de apuração do lucro, se mediante escrituração contábil contemporânea aos exercícios ou se realizada mediante balanço de abertura, muito menos fez qualquer distinção quanto à forma de Fl. 600DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13984.720022/201338 Acórdão n.º 2201002.693 S2C2T1 Fl. 123 9 apuração do lucro, se proveniente ou não de lucros acumulados de resultados passados. Dado o “ubi Lex non distinguit nec nos distinguere devemus” (onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir), possível a distribuição de lucros realizada ao amparo da regra isentiva. Ademais, a literalidade imposta pelo artigo 111 do CTN à interpretação de dispositivos que versem sobre isenção não significa restrição a direitos outorgados pelo legislador, mas apenas implica em vedar a aplicação da analogia em prol dos demais métodos hermenêuticos de exegese.. Nesse sentido, inclusive, lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 222): Não obstante se preceitue a interpretação literal nas matérias assinaladas, não pode o intérprete abandonar a preocupação com a exegese lógica, teleológica, histórica e sistemática dos preceitos legais que versem as matérias em causa.” No mesmo sentido Almeida Júnior (Interpretação Conforme a Constituição e Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p.74): Devese entender, por exemplo, o disposto no art.111 do Código Tributário Nacional, o qual estabelece que se interpretará “literalmente” a legislação tributária que disponha sobre “outorga de isenção”. Dele resulta somente uma proibição à analogia, e não uma impossibilidade de interpretação mais ampla”. Pela possibilidade de distribuição de lucros acumulados, desde que amparados por registros contábeis idôneos, já decidiu este E. Sodalício: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Quando cumpridas todas as formalidades previstas na Instrução Normativa n. 16/84 quanto ao Livro Diário, devidamente registrado e autenticado pelo órgão competente, e quando a contribuinte demonstra por meio de demonstrativo de mutação patrimonial da empresa, por ocasião do encerramento do exercício, que já possuía lucros acumulados passíveis de distribuição, aplicase aos rendimentos a isenção do imposto de renda distribuídos à pessoa física. (CARF 2a. Seção 1A CAMARA/1ATURMA ORDINARIA. ACÓRDÃO: 2101002.318). Posto isso, voto por cancelar o item 1 do Auto. Depósitos bancários de origem não comprovada Se insurge o recorrente contra a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, alegando em Voluntário que se tratam de valores oriundos de empréstimos com instituições financeiras e pessoas físicas, atividade rural, pró labore etc. , sem entretanto, individualizar os depósitos, e justificar a sua origem mediante a indicação de datas e valores. Logo, não afastada a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da lei n. 9.430/96. Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o Fl. 601DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Na realidade, tratase de autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Por isso, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Nesse sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) Taxa Selic A discordância em relação à cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente, relativamente à exigência em apreço, também não procede, por se tratar de matéria já sumulada por este Tribunal (Súmula CARF n. 4). É cabível a aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários conforme Súmula n° 04 do CARF, in verbis: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Multa de ofício Insurgese o recorrente contra a cobrança da multa de ofício sob a alegação de que é abusiva e confiscatória e que viola o princípio da proporcionalidade. Rejeito o pleito com fulcro na Súmula CARF n. 2. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso, para afastar a acusação do item 1, relativa à distribuição de lucros e dividendos relativos a lucros acumulados decorrentes de balanço de abertura. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc para formalização do acórdão (Despacho de efl. 592) Voto Vencedor Fl. 602DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13984.720022/201338 Acórdão n.º 2201002.693 S2C2T1 Fl. 124 11 Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Redator designado. Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Relator German Alejandro San Martín Fernández, de quem ouso divergir da tese que sustenta, na qual seria possível considerar, para fins de distribuição, os lucros acumulados informados no balanço de abertura de empresa que não efetuou escrituração contábil em exercícios sociais anteriores. O nobre Conselheiro entende em seu voto que a Lei nº 9.249/1995, ao dispor sobre a distribuição de lucros no art. 10, não fez qualquer distinção quanto à forma de apuração do lucro, se mediante escrituração contábil contemporânea aos exercícios ou se realizada mediante balanço de abertura, muito menos fez qualquer distinção quanto à forma de apuração do lucro, se proveniente ou não de lucros acumulados de resultados passados. Compulsando os autos, observase que a forma de apuração do lucro acumulado ao longo dos anos no balanço de abertura, foi um levantamento de ativo e passivo, conforme respondeu a empresa Materiais de Construção Urio Ltda. em atendimento à diligência promovida pela fiscalização. A citada empresa era optante pelo Simples Nacional, portanto, a distribuição dos lucros apurados anteriormente deveria se pautar pela legislação pertinente. De acordo com a legislação do Simples Nacional, a isenção de Imposto de Renda na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário fica limitada ao valor resultante da aplicação dos percentuais de presunção do lucro subtraído do valor devido na forma do Simples Nacional no período, relativo ao IRPJ. Ainda que a distribuição dos lucros isentos possa ser feita em escrituração contábil, no caso específico não há essa comprovação. Assim, descabe aplicar a tipifificação do art. 10 da Lei nº 9.249/1995. Apenas o valor de R$ 83.823,18, conforme apurado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal com base na receita bruta do ano 2008, pode ser considerado como parcela isenta. Os demais rendimentos não apurados a partir do resultado do exercício, inclusos como “lucros acumulados” pela diferença entre contas patrimoniais do ativo e do passivo para a formação do patrimônio líquido, estão sujeitos à incidência do IR com base na tabela progressiva mensal. Isto posto, voto em NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao item 1 do Auto de Infração rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica classificados indevidamente na DIRPF. (Assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 603DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13660.000069/2003-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC.
Para ensejar o direito à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é necessário que a administração, mediante atos normativos infralegais, tenha obstaculizado o aproveitamento dos créditos por parte do sujeito passivo, o que não se confunde com a mora da administração na análise/deferimento do pleito. Não ocorrendo a oposição ilegítima do Fisco, inexiste o direito à atualização.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente em exercício
assinado digitalmente
Maria Teresa Martinez López Relatora
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, substituído pela Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Para ensejar o direito à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é necessário que a administração, mediante atos normativos infralegais, tenha obstaculizado o aproveitamento dos créditos por parte do sujeito passivo, o que não se confunde com a mora da administração na análise/deferimento do pleito. Não ocorrendo a oposição ilegítima do Fisco, inexiste o direito à atualização. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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A. PEDRAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Para ensejar o direito à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é necessário que a administração, mediante atos normativos infralegais, tenha obstaculizado o aproveitamento dos créditos por parte do sujeito passivo, o que não se confunde com a mora da administração na análise/deferimento do pleito. Não ocorrendo a oposição ilegítima do Fisco, inexiste o direito à atualização. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente em exercício assinado digitalmente Maria Teresa Martinez López – Relatora assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 00 69 /2 00 3- 62 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000069/200362 Acórdão n.º 9303003.215 CSRFT3 Fl. 318 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, substituído pela Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada). Relatório Tratase de recuso especial de divergência, interposto pela contribuinte contra Acórdão n° 20219.528, de 03/12/2008, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 DILIGÊNCIAS. PERÍCIA. São dispensáveis as diligências e perícias quando o julgador puder emitir seu juízo a partir dos elementos constantes dos autos. IPI. CRÉDITOS. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente são admitidos os créditos do imposto relativos às aquisições de matériasprimas e produtos intermediários que sofram desgaste por ação diretamente exercida no produto industrializado ou por ele sofrida e que não estejam compreendidos no ativo permanente. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos. Recurso negado. As controvérsias suscitadas pelo Recorrente foram quanto as seguintes matérias: a) correção monetária do crédito presumido do IPI objeto de ressarcimento: Acórdãos n° 20214.833 e CSRF/0202.076; b) crédito presumido do IPI relativo à aquisição de Energia Elétrica: Acórdãos n° 20215.817 e 20209.744; c) crédito presumido do IPI relativo à aquisição de óleo diesel: Acórdão n° 20174.322 ; d) crédito presumido do IPI relativo às transferências de matériasprimas: Acórdãos n° 20212.299 e 20214.833. Por meio do Despacho nº 330000.203 3.a Câmara, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto apenas quanto a correção do ressarcimento pela taxa Selic. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000069/200362 Acórdão n.º 9303003.215 CSRFT3 Fl. 319 3 Contrarrazões apresentadas pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, onde pede a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López – Relatora Presentes os pressupostos legais para admissibilidade do recurso, dele tomo conhecimento. Trata o presente de Pedido de Ressarcimento do Credito Presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI com fundamento na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, relativo às aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados durante o primeiro trimestre de 2000. O pedido encontrase cumulado com compensação de IRPJ. A matéria objeto de apreciação por esta E. CSRF diz respeito à possibilidade de correção do ressarcimento pela taxa Selic. O tema foi objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão deve ser adotada no CARF, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Vejase os referidos comandos legais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 319DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000069/200362 Acórdão n.º 9303003.215 CSRFT3 Fl. 320 4 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Voltando aos autos, consta do DESPACHO DECISÓRIO DRF/VAR/SAORT (fls. 107/108) – de 19 de outubro de 2006. DESPACHO DECISÓRIO DRF/VAR/SAORT Ressarcimento de IPI COMPENSAÇÃO: Tendo sido apurado saldo credor de IPI, no 1º trimestre/2000, em valor inferior ao solicitado, devese reconhecer parcialmente o direito creditório e homologar em parte a compensação. Observese que a discussão já leva mais de 10 anos, considerando que o pleito é de 2003. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu (AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717) que: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF nº 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). CONCLUSÃO: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13660.000069/200362 Acórdão n.º 9303003.215 CSRFT3 Fl. 321 5 Em face ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, de forma a permitir a atualização monetária pela Taxa SELIC. assinado digitalmente Maria Teresa Martinez López – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com o devido respeito à relatora, discordo de seu entendimento quanto à incidência da Selic no ressarcimento de créditos do IPI no caso específico deste processo. Ocorre que, no caso em apreço, não houve resistência ilegítima do Fisco a impedir o aproveitamento dos créditos pela contribuinte (oposição estatal), impedimento esse que garantiria o direito à atualização de seus créditos conforme decisão do STJ sobre a matéria, que tem sido aplicada no CARF por força do art 62A do RICARF, conforme explanado no voto da relatora. Vejamos: a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte, que, além da incidência da Selic, requeria o reconhecimento de direito de crédito sobre determinados insumos, direito esse não reconhecido pela unidade de origem e tampouco pela DRJ. Ou seja, não houve, em sede do julgamento administrativo, reconhecimento de qualquer montante de direito creditório além do que já havia sido deferido/compensado pela unidade de origem. Concluise, portanto, que não houve oposição estatal, mediante atos normativos infralegais, a obstaculizar o aproveitamento dos créditos pela contribuinte. Ressaltese que, no caso presente, sequer houve mora lesiva por parte da administração, pois o montante do direito creditório reconhecido pela DRF/Varginha/MG, mediante Despacho Decisório, foi imediatamente utilizado na compensação declarada pela contribuinte, o que não lhe ocasionou prejuízo. Isto porque a compensação é efetuada retroagindose à data de apresentação da declaração de compensação, e não na data de reconhecimento do direito creditório pela unidade de origem. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres – redator do voto vencedor Fl. 321DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/ 2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORR ES, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10746.001472/2006-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DE DECISÃO.
Nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decisão proferida com cerceamento do direito de defesa, deve ser declarada nula. Processo que se anula a partir da decisão da Delegacia de Julgamento de origem, inclusive.
Numero da decisão: 9101-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, anulado a partir da decisão DRJ. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora) e João Carlos de Lima Júnior, que anulavam apenas parcialmente a decisão da DRJ. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DE DECISÃO. Nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decisão proferida com cerceamento do direito de defesa, deve ser declarada nula. Processo que se anula a partir da decisão da Delegacia de Julgamento de origem, inclusive.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10746.001472/200613 Recurso nº 160.891 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101001.322 – 1ª Turma Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente SUPERMERCADOS O CAÇULINHA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DE DECISÃO. Nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decisão proferida com cerceamento do direito de defesa, deve ser declarada nula. Processo que se anula a partir da decisão da Delegacia de Julgamento de origem, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, anulado a partir da decisão DRJ. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora) e João Carlos de Lima Júnior, que anulavam apenas parcialmente a decisão da DRJ. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 14 72 /2 00 6- 13 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 3 2 Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n° 10197.096, proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário de 2004 e 2006, em razão de, respectivamente, “omissão de receitas, caracterizada pela insuficiência de contabilização de bens de natureza permanente, com aplicação de multa de 225%” e de “omissão de receitas operacionais, decorrente da revenda de mercadorias, com aplicação de multa de 112,5%.” O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerado o lançamento parcialmente procedente, cancelando a autuação no tocante à “omissão de receitas, caracterizada pela insuficiência de contabilização de bens de natureza permanente” (ano de 2004), bem como reduzindo a multa de ofício para 75%. Sobrevieram, então, Recurso de Ofício, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10197.096, o qual, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a exigência do anocalendário de 2004, com multa de 75%, e negou provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004, 2005. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – Caracterizamse como omissão de receitas as divergências apuradas entre os valores declarados ao Fisco e os dispêndios da Contribuinte acordados em contrato de compra e venda regularmente firmado, em relação ao qual esta não apresentou prova do não pagamento da obrigação no anocalendário acordado. MULTA AGRAVADA – Para que seja aplicada multa agravada, a autoridade fiscal deverá demonstrar a recusa da Contribuinte em prestar os esclarecimentos ou documentação solicitada, com a intenção de obstar o procedimento fiscal. Se a Contribuinte apresenta parte da documentação solicitada, tendo requerido a dilação do prazo para a entrega dos demais, não deve ser agravada a penalidade. ARBITRAMENTO DO LUCRO – CABIMENTO – Se a Contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil e fiscal solicitada, tendo apresentado apenas o livro do ICMS, é correto o arbitramento dos lucros, com base na receita bruta. RO Provido em Parte e RV Negado. O contribuinte apresentou Recurso Especial em face da decisão que negou provimento ao recurso voluntário, bem como Recurso Voluntário, em face da parte em que o acórdão recorrido deu provimento ao recurso de ofício. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 4 3 Em seu Recurso Voluntário, discutiu o restabelecimento do auto de infração referente à omissão de receitas caracterizada pela ausência de escrituração de bem do ativo imobilizado em 2004. Argumentou que o fisco aplicou um mero raciocínio presuntivo, sem trazer elementos necessários que caracterizassem omissão de receitas no anocalendário de 2004. Aduziu, ainda, que não é possível fundamentar o lançamento no artigo 281 do RIR/99, já que ausente sua menção no auto de infração. Desta forma, defende ser impossível a correção do enquadramento legal pelo acórdão recorrido. Em seu Recurso Especial, requer a reforma do acórdão na parte em que rejeitou preliminar de nulidade do acórdão de 1ª instância , em razão de cerceamento de seu direito de defesa. Alega não ter sido cientificada do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 334/336) para se pronunciar sobre o resultado apurado. O despacho de fls. 680/681 deu seguimento ao Recurso Especial do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões ao Recurso Voluntário 690/696 e ao Recurso Especial às fls. 683/689. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que a Conselheira Karem Jureidini Dias, relatora do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em abril de 2012, passo a formalizar o voto da relatora: Tratase de julgamento de Recurso Voluntário e Recurso Especial de Divergência, ambos interpostos pelo contribuinte. Comprovada a tempestividade, bem como a divergência do Recurso Especial, a que foi dado seguimento em exame de admissibilidade, conheço de ambos os Recursos. Cumpre esclarecer que os recursos não são prejudicais entre si. O Recurso Especial se refere à ausência de intimação da diligência acerca da retificação dos cálculos efetuados relativos ao item 002 do lançamento (“omissão de receitas operacionais, decorrente da revenda de mercadorias”), o qual se reporta ao anocalendário de 2006. Já o Recurso Voluntário diz respeito ao item 001 do lançamento (“omissão de receitas, caracterizada pela insuficiência de contabilização de bens de natureza permanente”), o qual se reporta ao ano calendário de 2004. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 5 4 Inicio pela análise do Recurso Voluntário (item 001 do lançamento), interposto em face da parte do acórdão que deu provimento ao Recurso de Ofício, para restabelecer a exigência do anocalendário de 2004, com multa de 75% (não restabelecendo a multa de 225%). O contribuinte argumentou em seu recurso que o fisco aplicou um mero raciocínio presuntivo, sem trazer elementos necessários que caracterizassem a omissão de receitas no anocalendário de 2004. Aduziu, ainda, que não é possível fundamentar o lançamento no artigo 281 do RIR/99, já que ausente sua menção no auto de infração. Desta forma, defende ser impossível a correção do enquadramento legal pelo acórdão recorrido. O acórdão recorrido fundamenta sua decisão no fato de que o contribuinte teria declarado, mas não comprova, a realização de pagamento no anocalendário de 2005, de operação realizada no ano anterior, envolvendo aquisição de bem do ativo imobilizado não escriturado. O lançamento da “omissão de receitas, caracterizada pela insuficiência de contabilização de bens de natureza permanente” foi fundamentado no artigo 24 da Lei n° 9.249/95; e nos artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 274, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99. Conforme afirma o contribuinte, na decisão reformada, não houve menção expressa à hipótese legal da presunção de omissão de receitas aplicável ao caso, qual seja, o artigo 281 do RIR/99 que assim dispõe: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A referida ausência de fundamentação legal no auto de infração é mencionada ainda no acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que assim fundamenta seu entendimento: A propósito, embora não mencionado no enquadramento legal, o art. 281, inciso II, do Dec. n°. 3.000, de 1999 (RIR/99), cuja matriz legal é o art. 40 da Lei n°. 9.430, de 1996, expressamente autoriza a tributação presuntiva de pagamentos não escriturados pela pessoa jurídica. Sobre o tema, o erro apenas é passível de correção e, portanto, o lançamento passível de ajuste, caso mantida a norma geral e abstrata que fundamentou o lançamento e mantido o mesmo fato jurídico tributário, tudo desde que não tenha ocorrido prejuízo à defesa. No presente caso, a autoridade fiscal não apontou corretamente o enquadramento legal, ou seja, não apontou a norma geral e abstrata que fundamentaria a tributação. É uma questão de competência jurídica, que deveria ser exercida pela autoridade fiscal e que não pode ser delegada ao julgador administrativo. Isto porque, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a competência jurídica para efetuar o lançamento de ofício é atribuída apenas à autoridade fiscal, não sendo estendida à autoridade julgadora, que fica impossibilitada de ajustar o lançamento para corrigir ausência de fundamento legal expresso. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 6 5 Do contrário, estaríamos permitindo um novo lançamento de ofício, por autoridade que não aquela que possui competência jurídica. Sem dúvida que, diferentemente de caso de capitulação legal em excesso, no caso de absoluta ausência de referência a dispositivo legal que remeta à presunção legal que parece ter sido adotada pelo autuante, cerceia o direito de defesa. Nesse sentido, inclusive, é a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que sempre caminhou pelo entendimento de que a autoridade julgadora (Delegacia da Receita Federal de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) não possui competência para aperfeiçoar o lançamento quando ausente a capitulação legal que faz referência à presunção legal que, em tese, autorizaria o lançamento: IRPJ INOVAÇÃO QUANTO AO LANÇAMENTO NO ATO DECISÓRIO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE O dever poder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não cabendolhe aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. (...). (Acórdão nº 10320.754, sessão de 17/10/2001). IRPJ. PRINCIPIO DA TIPICIDADE. SUPERFICIALIDADE DA INVESTIGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA ACUSATÓRIA. O princípio da tipicidade revela que o instituto da competência impositiva fiscal deve ser exaustiva. Todos os critérios necessários à descrição tanto do fato tributável como da relação jurídicotributária reclamam uma manifesta e esgotante previsão legal. O lançamento fiscal não pode se valer de sua própria dúvida. A certeza e segurança jurídicas envoltas no princípio da reserva legal (CTN, arts. 32 e 142) nãocomportam infidelidades nos lançamentos fiscais. (Acórdão 10320709, sessão de 19/09/2001). IRPJ NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ — FUNDAMENTO DISTINTO DO LANÇAMENTO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — É nula a decisão que mantiver o lançamento com fundamentos distintos dos que basearam o auto de infração, em razão de não permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte em face da inovação após a sua impugnação. (Acórdão nº 10808.967) De se esclarecer que no presente caso, não só deixou a autoridade fiscal de mencionar o artigo 281 do RIR/99, e especificar em que inciso o lançamento estaria enquadrado, como, e aí reside a minha convicção sobre o cerceamento de defesa e a nulidade por vício material do lançamento, sequer foi mencionado o artigo 40 da Lei nº 9.430/96, que serviria de fundamento legal para a presunção que parece ter sido adotada pela fiscalização. De mais a mais, não bastasse a preliminar de nulidade por vício material, também por outro razão entendo que merece reforma o acórdão recorrido, restabelecendose o quanto acertadamente decidido pela Delegacia de Julgamento. Se de um lado é possível a tributação com base em presunção legal, por outro lado, deve ser rechaçada a prática de tributação fulcrada na malfadada “presunção da presunção”. Considerando que não existe Fl. 854DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 7 6 referência ao fundamento legal adotado, pressuponho, assim como fez a DRJ, que o mesmo fulcrouse na falta de escrituração de pagamentos efetuados. Ora, a aplicação da referida presunção pressupõe a prova pelo fisco de que houve tais pagamentos, sendo insuficiente a referência ao contrato. Se o indício não resta objetivamente comprovado, a dúvida milita a favor do contribuinte, não em relação à consequência da presunção legal, mas em relação à existência de requisitos mínimos para sua aplicabilidade. Recentemente tive a oportunidade de participar de julgamento na Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção (Processo Administrativo nº 19515.001619/2002 30), em que justamente afastouse a acusação fiscal pela impossibilidade de aplicação do disposto no artigo 40 da Lei nº 9.430/96 quando o lançamento está fulcrado em falta de escrituração dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, sem a comprovação pela fiscalização dos respectivos pagamentos. Ao que parece, o acórdão recorrido teria reformado a decisão da DRJ tomando por premissa que, apesar de o contribuinte ter escriturado a aquisição no ano calendário seguinte, seria ônus do contribuinte demonstrar o ônus do pagamento no respectivo ano. Filiome, neste ponto, à decisão da Delegacia de Julgamento que, acertadamente, aplicou, na dúvida, a possibilidade de não ter sido caracterizado efetivamente o indício necessário à aplicação da presunção legal e, acrescento que, in casu, tal discussão pode sequer ter sido aventada pelo contribuinte, pelo cerceamento de defesa que causa a falta de indicação da lei ou do regulamento, apontando para a aplicação de uma específica presunção legal. Por essas razões, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, entendendo que não merece reparos nesta primeira parte a decisão de primeira instância. Passo, então, a análise do Recurso Especial do contribuinte. Como dito, o contribuinte requer a reforma do acórdão na parte em que este rejeitou a preliminar de nulidade do acórdão de 1ª instância, em razão de cerceamento de seu direito de defesa. Entendo que no presente caso deve ser reformado o acórdão recorrido, para acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Como esclarecido inicialmente, não há, no presente caso, qualquer impedimento à declaração de nulidade parcial do lançamento. Isto porque, tratase de itens de lançamento não prejudiciais entre si, que se referem a infrações distintas e, inclusive, anos calendário diferentes. No tocante ao Recurso Especial, ora em análise, a alegação limitase à preliminar de nulidade em razão da ausência de intimação da diligência, em que restaram retificados os cálculos relativos ao item 002 do lançamento (anocalendário de 2006). Por tal razão, entendo que a nulidade da decisão recorrida, no presente caso, deve ser apenas parcial, ou seja, apenas quanto ao decido sobre o item 002 de lançamento. Conforme esclarece Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed., São Paulo, Dialética, 2010, p. 567) “nem sempre é necessário que se anule integralmente a decisão. Embora formalizados num só ato, uma decisão pode englobar diversos julgamentos, em razão de terem sido cumulados diversos pedidos”. Desta forma, tampouco há que se considerar prejudicados o julgamento de todos os itens do lançamento, se apenas um deles o julgamento de um deles está afetado por vício. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 8 7 Ainda, conforme esclarecem os autores, o próprio Decreto 70.235/72 permite que se considere definitiva parte de uma decisão não submetida a recurso. Por analogia, nada impede que uma parte da decisão seja anulada e submetida a novo julgamento, enquanto a parte não afetada pela nulidade possa ter o mérito transitado em julgado. Não havendo prejuízo quanto à declaração de nulidade parcial de decisão, passo a fundamentála. Verifico que a realização de diligencia pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento foi corretamente determinada, em razão da alegação do contribuinte de que alguns de seus pagamentos não haviam sido contabilizados pela autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Neste passo, de fato verificouse a procedência de tal alegação, procedendose à consideração dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte e alterandose o valor constituído pelo lançamento. Ocorre que, encerrada a diligência (fls. 334/336), não houve a intimação do contribuinte para que se manifestasse sobre o resultado da diligência, sendo certo que a decisão de 1ª instância foi proferida sem que houvesse tal manifestação. Posteriormente, quando intimado da decisão de 1ª instância, o contribuinte arguiu a nulidade da decisão, a qual foi rejeitada pelo acórdão recorrido, e novamente trazida em sede de Recurso Especial. Conforme esclarecido, a nulidade da decisão de 1ª e 2ª instância é a única alegação trazida no Recurso Especial do contribuinte. Não reside discussão que os atos processuais devem ser cientificados a ambas as partes. Tratase de mandamento intrínseco ao respeito ao contraditório e à ampla defesa. Sem dúvida que se tratam de princípios que devem ser aplicados no processo administrativo fiscal. É a partir da ciência dos atos no decorrer do processo e da oportunidade de que as partes se manifestem, que se legitima o processo e a decisão dele decorrente. Ainda que no presente caso, por se tratar de imputação de pagamento, a ausência de intimação de diligência possa, em tese, não causar prejuízo à defesa, de se considerar que uma decisão casuística tornaria sem parâmetro os julgamentos acerca do processo administrativo fiscal por esta Corte Administrativa. Ora, se existe uma regra sobre procedimentos necessários, dentre os quais se inclui a necessidade de se cientificar às partes dos atos processuais, essa regra precisa ser privilegiada, sob pena de se acolher outras situações, tais como o conhecimento de um recurso intempestivo, independente da questão que este verse. Enquanto não me convencer disso, entendo que haverá nulidade de decisão que aprecia mérito do lançamento, sem intimar uma das partes para se manifestar sobre a diligência. Esse entendimento não pode prevalecer, para que não corramos o risco de violar à ampla defesa e o contraditório. Nessa toada, considero relevante reformar o acórdão recorrido, porquanto data máxima vênia, discordo do posicionamento de que a intimação só se faria necessária se houvesse uma agravamento da exigência. A meu ver, a alteração da exigência, por si só, é motivo suficiente para tornar necessária a intimação de ambas as partes, não bastasse a necessidade de intimação dos próprios critérios e dados obtidos na diligência. Ainda que a imputação de pagamentos aparentemente tenha sido benéfica ao contribuinte, podemos aventar situação em que nem todos os pagamentos efetuados foram objeto de consideração pela autoridade que diligenciou. Nessa última hipótese, há claro Fl. 856DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 9 8 prejuízo ao direito do contribuinte e até, um agravamento da exigência correta. Não pode o crédito tributário ser constituído nem a mais nem a menos, deve ser constituído na exata medida determinada pela lei. Desta forma, justificase a necessidade de intimação para a hipótese ocorrida no presente caso, uma vez que se enquadra ao disposto no artigo 28 da Lei nº 9.784/99: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Por fim, considerando que não vigora no processo administrativo fiscal, a instância única, mas o duplo grau de jurisdição, podendo o contribuinte se manifestar e ter seu julgamento desde a primeira instância, entendo que, apesar do acerto de decisão da DRJ ao determinar a diligencia, esta deve ser anulada a partir do retorno da diligência, para que outra seja proferida, após a intimação do contribuinte para se manifestar, se assim desejar, acerca do respectivo resultado (diligência). Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência do item 001 do lançamento e voto por DAR provimento ao Recurso Especial do contribuinte, para determinar a nulidade parcial da decisão recorrida, tão somente quanto ao item 002 do lançamento, determinando que nova decisão seja proferida após a intimação do contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência, seguindo o processo os demais trâmites legais. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado A relatora, em seu voto, assim se pronunciou sobre a não intimação da contribuinte acerca da realização da diligência: “Verifico que a realização de diligencia pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento foi corretamente determinada, em razão da alegação do contribuinte de que alguns de seus pagamentos não haviam sido contabilizados pela autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Neste passo, de fato verificouse a procedência de tal alegação, procedendose à consideração dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte e alterandose o valor constituído pelo lançamento. Ocorre que, encerrada a diligência (fls. 334/336), não houve a intimação do contribuinte para que se manifestasse sobre o resultado da diligência, sendo certo que a decisão de 1ª instância foi proferida sem que houvesse tal manifestação. Posteriormente, quando intimado da decisão de 1ª instância, o contribuinte arguiu a nulidade da decisão, a qual foi rejeitada pelo acórdão recorrido, e novamente trazida em sede de Recurso Especial. Conforme Fl. 857DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 10 9 esclarecido, a nulidade da decisão de 1ª e 2ª instância é a única alegação trazida no Recurso Especial do contribuinte. Não reside discussão que os atos processuais devem ser cientificados a ambas as partes. Tratase de mandamento intrínseco ao respeito ao contraditório e à ampla defesa. Sem dúvida que se tratam de princípios que devem ser aplicados no processo administrativo fiscal. É a partir da ciência dos atos no decorrer do processo e da oportunidade de que as partes se manifestem, que se legitima o processo e a decisão dele decorrente. Ainda que no presente caso, por se tratar de imputação de pagamento, a ausência de intimação de diligência possa, em tese, não causar prejuízo à defesa, de se considerar que uma decisão casuística tornaria sem parâmetro os julgamentos acerca do processo administrativo fiscal por esta Corte Administrativa. Ora, se existe uma regra sobre procedimentos necessários, dentre os quais se inclui a necessidade de se cientificar às partes dos atos processuais, essa regra precisa ser privilegiada, sob pena de se acolher outras situações, tais como o conhecimento de um recurso intempestivo, independente da questão que este verse. Enquanto não me convencer disso, entendo que haverá nulidade de decisão que aprecia mérito do lançamento, sem intimar uma das partes para se manifestar sobre a diligência. Esse entendimento não pode prevalecer, para que não corramos o risco de violar à ampla defesa e o contraditório. Nessa toada, considero relevante reformar o acórdão recorrido, porquanto data máxima vênia, discordo do posicionamento de que a intimação só se faria necessária se houvesse uma agravamento da exigência. A meu ver, a alteração da exigência, por si só, é motivo suficiente para tornar necessária a intimação de ambas as partes, não bastasse a necessidade de intimação dos próprios critérios e dados obtidos na diligência. Ainda que a imputação de pagamentos aparentemente tenha sido benéfica ao contribuinte, podemos aventar situação em que nem todos os pagamentos efetuados foram objeto de consideração pela autoridade que diligenciou. Nessa última hipótese, há claro prejuízo ao direito do contribuinte e até, um agravamento da exigência correta. Não pode o crédito tributário ser constituído nem a mais nem a menos, deve ser constituído na exata medida determinada pela lei. Desta forma, justificase a necessidade de intimação para a hipótese ocorrida no presente caso, uma vez que se enquadra ao disposto no artigo 28 da Lei nº 9.784/99: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Por fim, considerando que não vigora no processo administrativo fiscal, a instância única, mas o duplo grau de jurisdição, podendo o contribuinte se manifestar e ter seu Fl. 858DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10746.001472/200613 Acórdão n.º 9101001.322 CSRFT1 Fl. 11 10 julgamento desde a primeira instância, entendo que, apesar do acerto de decisão da DRJ ao determinar a diligencia, esta deve ser anulada a partir do retorno da diligência, para que outra seja proferida, após a intimação do contribuinte para se manifestar, se assim desejar, acerca do respectivo resultado (diligência). Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência do item 001 do lançamento e voto por DAR provimento ao Recurso Especial do contribuinte, para determinar a nulidade parcial da decisão recorrida, tão somente quanto ao item 002 do lançamento, determinando que nova decisão seja proferida após a intimação do contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência, seguindo o processo os demais trâmites legais.” Após exaustivos debates, esta Câmara, por maioria, entendeu que a hipótese de nulidade da decisão está perfeitamente caracterizada no brilhante voto transcrito; no entanto, entendeu esta Câmara que a nulidade, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não está contemplada como passível de ser declarada parcialmente. Senão, vejamos, o que dispõe o referido artigo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...)” A ocorrência do cerceamento do direito de defesa, como no caso em tela, contamina todo o ato proferido, não sendo possível, no entendimento deste relator e na maioria desta Câmara, a declaração de nulidade parcial do mesmo. Sendo assim, concordando em parte com a relatora, no que se refere à agressão ao artigo 59 supracitado, voto no sentido de que seja declarada a nulidade do processo a partir da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, inclusive, devendo outra ser proferida, com o saneamento do vício apontado. È como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 859DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10746.720373/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS EM ATIVIDADE DE DIRETOR EXECUTIVO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA
São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vínculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, art. 3º,§ 4º). Os rendimentos auferidos pela prestação individual de serviços em atividade de Diretor Executivo, que são prestados de forma pessoal, são tributados na pessoa física.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA.
Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64.
EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE TRIBUTAÇÃO NA FIRMA INDIVIDUAL PRESTADORA DO SERVIÇO DO IMPOSTO APURADO NA PESSOA FÍSICA. A BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO DEVE SER O MONTANTE DO IMPOSTO APÓS A EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS NA FIRMA INDIVIDUAL PRESTADORA DO SERVIÇO.
A despeito do equívoco de tributar os rendimentos do trabalho na firma individual, deve-se aproveitar, na quantificação do imposto devido, os pagamentos feitos, abatendo-os do imposto devido, remanescendo dessa forma um imposto de renda na pessoa física minorado, que passa a ser a base de cálculo da multa de oficio
LANÇAMENTO. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora.
Numero da decisão: 2201-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, bem como determinar a compensação dos tributos eventualmente pagos pela firma individual, passíveis de compensação, relativos aos rendimentos objeto da autuação. Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP 174.745.
(Assinado Digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
(Assinado Digitalmente)
Francisco Marconi de Oliveira - Redator do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS EM ATIVIDADE DE DIRETOR EXECUTIVO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vínculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, art. 3º,§ 4º). Os rendimentos auferidos pela prestação individual de serviços em atividade de Diretor Executivo, que são prestados de forma pessoal, são tributados na pessoa física. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE TRIBUTAÇÃO NA FIRMA INDIVIDUAL PRESTADORA DO SERVIÇO DO IMPOSTO APURADO NA PESSOA FÍSICA. A BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO DEVE SER O MONTANTE DO IMPOSTO APÓS A EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS NA FIRMA INDIVIDUAL PRESTADORA DO SERVIÇO. A despeito do equívoco de tributar os rendimentos do trabalho na firma individual, devese aproveitar, na quantificação do imposto devido, os pagamentos feitos, abatendoos do imposto devido, remanescendo dessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 03 73 /2 01 3- 63 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 forma um imposto de renda na pessoa física minorado, que passa a ser a base de cálculo da multa de oficio LANÇAMENTO. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, bem como determinar a compensação dos tributos eventualmente pagos pela firma individual, passíveis de compensação, relativos aos rendimentos objeto da autuação. Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP 174.745. (Assinado Digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. (Assinado Digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira Redator do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Em sessão plenária do dia 11 de março de 2015 foi julgado no CARF o processo nº 10746.720373/201363, porém até o momento o Conselheiro Relator não formalizou o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, nos termos do art. 17, inciso III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, conforme Despacho de fl. 1190. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 120 3 Transcrevese a minuta do relatório lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 2.920.482,99 (dois milhões, novecentos e vinte mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e noventa e nove centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, anoscalendário de 2008 e 2009, sendo R$ 1.030.993,44 referentes ao imposto, R$ 1.546.490,16 referentes à multa proporcional e R$ 342.999,39 referentes aos juros, em conformidade com o fundamento legal de fls. 725. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 734 a 758) e nos dá conta dos seguintes aspectos: O fiscalizado foi contratado como Diretor Executivo da Carol Cooperativa dos Agricultores de Orlândia, em 8 de maio de 2006, conforme Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração da CAROL, de 15/09/2006, convocada especificamente para o fim, e atuou nesta empresa exclusivamente nesta condição (Diretor Executivo) durante todo o período sob fiscalização; A empresa individual J. E. Senise Consultoria Empresarial teve seu registro protocolado na JUCESP somente em 31 de maio de 2006, portanto, após a contratação do fiscalizado no cargo de Diretor Executivo. A empresa individual não é considerada pessoa jurídica pelo Código Civil; A empresa individual J. E. Senise Consultoria Empresarial tem como objeto social a prestação exclusiva de serviços de assessoria e consultoria empresarial e nunca contratou funcionários conforme consulta a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social Cadastro Nacional de Informações Sociais, não podendo ser equiparada à pessoa jurídica, conforme previsto no Art. 150, § 2o, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); O contrato de prestação de serviços celebrado entre a Carol e a empresa individual do fiscalizado teve com objeto a prestação de serviços profissionais na gestão geral e executiva da CONTRATANTE, compreendendo além das competências da Diretoria Executiva da CONTRATANTE, igualmente, os serviços de assessoria e consultoria empresarial, foi assumido na condição de pessoa física de JOSÉ EDUARDO SENISE e não de sua empresa individual; Os fatos comprovam de maneira inequívoca que o fiscalizado, mesmo tendo celebrado contrato de prestação de serviços entre a sua empresa individual J. E. Senise Consultoria Empresarial e a Carol Cooperativa dos Agricultores de Orlândia, prestou pessoal e exclusivamente os serviços estabelecidos no referido contrato, em especial atuando no cargo de Diretor Executivo, nas dependências da Carol, assessorado pelo corpo de funcionários da contratante; Durante o período sob fiscalização a empresa individual J. E. Senise recebeu exclusivamente da pessoa jurídica Carol; O contrato celebrado entre a empresa individual J. E. Senise Consultoria Empresarial e a Carol foi efetuado única e exclusivamente com o objetivo de obter vantagem para ambas os contratantes: uma tributação mais privilegiada na pessoa Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 jurídica pelo fiscalizado e evitar o recolhimento da contribuição previdenciária de 20% sobre os serviços prestados pela contratante; Concluiu a fiscalização que, no período sob fiscalização, tanto pelo aspecto formal, de que a empresa individual do fiscalizado J. E. Senise Consultoria Empresarial não poderia se equiparar à pessoa jurídica pela legislação de imposto de renda, quanto pela essência dos serviços prestados pelo fiscalizado na Carol no cargo de Diretor Executivo, que somente poderiam ser realizados na condição de pessoa física, TODOS OS RENDIMENTOS DE SERVIÇOS PRESTADOS NA EMPRESA CAROL PELA EMPRESA INDIVIDUAL J. E. SENISE CONSULTORIA EMPRESARIAL DEVEM SER TRIBUTADOS NA PESSOA FÍSICA DO FISCALIZADO. Foram acrescentados à base de cálculo declarada em DIRPF pelo contribuinte os valores de rendimentos de prestação de serviços recebidos da Carol relacionados na Tabela abaixo e que foram indevidamente levados a tributação na J. E. Senise Consultoria Empresarial: Rendimento de R$ 1.825.265,40, no anocalendário 2008 e R$ 1.923.801,66, em 2009. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA E LAVRATURA DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Durante o curso do procedimento fiscal, ficou evidenciado de forma contundente que o fiscalizado, contratado para assumir o cargo de Diretor Executivo da Carol, constituiu a empresa individual J. E. Senise Consultoria Empresarial com o propósito exclusivo de usufruir vantagem de uma tributação menor na pessoa jurídica já que toda a sua atuação, no período sob fiscalização, foi exclusivamente na condição de prestação de serviços privativos de pessoa física. Esta conduta, de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária de modo a reduzir o montante de imposto devido, em tese, poderia ser tipificada como "fraude" conforme previsto no artigo 72 da Lei n° 9.402 de 30 de novembro de 1964 Além disto, o fato de o fiscalizado ter celebrado em nome de sua empresa individual um contrato de prestação de serviços com a Carol Cooperativa dos Agricultores de Orlândia para assumir as "competências da Diretoria Executiva", e de a Carol ter contratado uma "empresa" no cargo de Diretor Executivo, privativo de pessoa física, demonstra de maneira inequívoca o conluio entre as partes, contratante e contratado, que por si só é uma conduta dolosa, conforme artigo 73 da Lei n° 9.402 de 30 de novembro de 1964 Assim, pelas evidências acima apontadas, restando caracterizado o evidente intuito de fraude, mediante conduta dolosa que procura evitar o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, bem assim modificar e excluir características essenciais deste, utilizandose, inclusive, de conluio, foi qualificada a multa em 150%, conforme previsto no parágrafo 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96. Pelas razões acima explanadas e nos termos do Decreto n° 2.730 de 10/08/98 e Portaria RFB n° 2439 de 21 de dezembro de 2010, protocolizouse processo de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo n° 10746.720374/201316), o qual se encontra apensado ao presente, juntamente com os elementos de prova. Em 03/05/2013 foi lavrado o Auto de Infração, tomando o autuado ciência em 08/05/2013, conforme AR de fls. 760. Ingressou com a Impugnação (fls. 780 a 819) em 07/06/2013, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: Em que pese os argumentos apresentados pela Autoridade Fiscal, oportunamente rebatidos no curso da Impugnação, é de se notar que a prestação de serviços de forma pessoal, por si só, não obsta a apuração dos lucros da empresa Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 121 5 segundo o regime de tributação da pessoa jurídica, conforme determinado pelo artigo 146 do Decreto n 0 3.000/1999 ("RIR/1999"); Em outras palavras, o que pretende a Autoridade Fiscal com sua acusação é afirmar que o contrato celebrado entre partes foi simulado, tendo como único objetivo a redução da carga tributária suportada por ambas. Não consta, porém, no Auto de Infração a acusação de simulação, pelo que, qualquer tentativa de se desconsiderar o negócio jurídico pactuado entre os contribuintes, em razão de suposta simulação, esbarra na falta de fundamentação do lançamento de ofício, que conduz, necessariamente à sua nulidade. Notese, neste ponto, que não se encontra no Auto de Infração qualquer alegação quanto à inexistência da J. E. Senise, à inefetividade do negócio jurídico celebrado com a CAROL ou da ausência de prestação dos serviços contratados. Ao contrário, as acusações da Autoridade Fiscal passam à margem destes atos, sem considerálos, mas jamais demonstrando, de forma cabal, o ilícito que, em tese, autorizaria a sua desconsideração. Digase "em tese", pois a vigência do parágrafo único do artigo 116 do CTN, que introduziu a norma antielisiva no ordenamento jurídico brasileiro, autorizando a Autoridade Administrativa a desconsiderar os atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, está condicionado à edição de lei ordinária que o regulamente, a qual ainda não foi editada. A impossibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos celebrados pelo contribuinte (art. 116, § único, CTN). Na falta ausência de lei ordinária que supra a condição estabelecida pelo legislador complementar, a "norma antielisiva" trazida peloparágrafo único do artigo 116 do CTN não pode produzir efeitos. A AUSÊNCIA DE PROVA DA ACUSAÇÃO FORMULADA PELA AUTORIDADE FISCAL. No caso presente, ao imputar à Impugnante as receitas decorrentes do contrato de prestação de serviços celebrado entre a J. E. Senise e a CAROL, afirmando ser a remuneração fixada devida ao Impugnante em razão do cargo de Diretor Executivo ocupado na cooperativa, a Autoridade Administrativa desconsidera o negócio jurídico praticado pelas partes. Não se encontra, porém, nos autos do processo qualquer evidência de que os serviços de consultoria e assessoria empresarial contratados pela CAROL não tenham sido prestados pela J. E. Senise. Ao contrário, as evidências de sua efetiva prestação são várias: O resultado dos projetos de reestruturação e profissionalização da gestão da cooperativa desenvolvidos pela J. E. Senise podem ser constatados no aprimoramento dos processos, costumes, políticas, regulamentos e instituições que regulam a maneira como a CAROL passou a ser dirigida, consignados nos estatutos da cooperativa aprovados após a contratação dos serviços de consultoria e assessoria. O sucesso dos projetos de aperfeiçoamento da governança corporativa foi reconhecido pela CAROL através de aditamento contratual celebrado pelas partes em 11 de fevereiro de 2007 (Doc. 05). estabelecendo remuneração adicional variável em função dos resultados positivos obtidos em razão do trabalho da J. E. Senise. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Também dão conta da efetiva prestação dos serviços pactuados pela J. E. Senise a disparidade entre a remuneração do Impugnante e dos demais membros do Conselho de Administração da CAROL. Tal situação é reconhecida pela própria Autoridade Fiscal que, no Termo de Verificação Fiscal, reconhece não haver a atribuição de qualquer remuneração ao Impugnante em razão da nomeação para o cargo de Diretor Executivo, enquanto a remuneração dos demais membros do Conselho de Administração é fixada em Assembléia Geral. De fato, não é de se esperar que o Diretor Executivo, que, para todos os efeitos, está subordinado aos demais membros do Conselho de Administração da cooperativa, receba, em razão de seu mandato, remuneração mais de três vezes superior à atribuída ao Presidente e ao VicePresidente da CAROL. OS ELEMENTOS FÁTICOS EM QUE SE APOIA O AUTO DE INFRAÇÃO. O CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CELEBRADO ENTRE J. E. SENISE E CAROL. Visando à implementação de diversos projetos de reestruturação e profissionalização da gestão da cooperativa, a CAROL celebrou, em junho de 2006, contrato de prestação de serviços com a J. E. Senise (Doc. 04). tendo por objeto a prestação de serviços de assessoria e consultoria empresarial, visando à melhor evolução das atividades da cooperativa. Como se vê, ao descrever seu objeto, o contrato faz firme distinção entre os serviços de gestão geral e executiva, próprios da Diretoria Executiva, dos serviços de assessoria e consultoria empresarial prestados pela J. E. Senise, que em nada se confundem os primeiros. Importante notar que a referida cláusula não menciona a contratação da pessoa do Impugnante para o cargo de Diretor de Diretor executivo, mas atribui à J. E. Senise, dentre outras obrigações, a prestação de serviços de gestão geral e executiva, compreendidos aqueles de competência da Diretoria Executiva. Não se pode, portanto, inferir do objeto desta avença que o Impugnante, através do contrato celebrado pela J. E. Senise, tenha sido contratado para o cargo de Diretor Executivo da CAROL, nem tampouco que o preço ali fixado diga respeito à remuneração percebida em função das competências da Diretoria Executiva. De fato, através do contrato celebrado com a CAROL, a J. E. Senise se compromete a diversas prestações. Nenhuma delas, no entanto, diz respeito à nomeação do Impugnante para o cargo de Diretor Executivo da cooperativa. Respeitado o quanto pactuado pelas partes ante a alegada impossibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos praticados pelo contribuinte , é desarrazoado atribuir os valores ali fixados à contrapartida de uma prestação que nem sequer foi objeto do contrato. O ESTATUTO SOCIAL E AS ATAS DE REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA CAROL. Visando à implementação de diversos projetos de reestruturação e profissionalização da gestão da cooperativa, a CAROL celebrou, em junho de 2006, contrato de prestação de serviços com a J. E. Senise (Doc. 04). tendo por objeto a prestação de serviços de assessoria e consultoria empresarial, visando à melhor evolução das atividades da cooperativa. Como se vê, ao descrever seu objeto, o contrato faz firme distinção entre os serviços de gestão geral e executiva, próprios da Diretoria Executiva, dos serviços Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 122 7 de assessoria e consultoria empresarial prestados pela J. E. Senise, que em nada se confundem os primeiros. Importante notar que a referida cláusula não menciona a contratação da pessoa do Impugnante para o cargo de Diretor de Diretor executivo, mas atribui à J. E. Senise, dentre outras obrigações, a prestação de serviços de gestão geral e executiva, compreendidos aqueles de competência da Diretoria Executiva. Não se pode, portanto, inferir do objeto desta avença que o Impugnante, através do contrato celebrado pela J. E. Senise, tenha sido contratado para o cargo de Diretor Executivo da CAROL, nem tampouco que o preço ali fixado diga respeito à remuneração percebida em função das competências da Diretoria Executiva. De fato, através do contrato celebrado com a CAROL, a J. E. Senise se compromete a diversas prestações. Nenhuma delas, no entanto, diz respeito à nomeação do Impugnante para o cargo de Diretor Executivo da cooperativa. Respeitado o quanto pactuado pelas partes ante a alegada impossibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos praticados pelo contribuinte , é desarrazoado atribuir os valores ali fixados à contrapartida de uma prestação que nem sequer foi objeto do contrato. O ESTATUTO SOCIAL E AS ATAS DE REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA CAROL. Atribuição ao Impugnante do cargo ocupado no órgão executivo se deu tão somente em virtude de uma exigência dos Estatutos da cooperativa, que requeriam a nomeação de um diretor. Não obstante a designação, as funções pertinentes a este cargo jamais foram de fato prestadas pelo Impugnante, que se limitava a figurar nos quadros sociais, por razões de mera formalidade. Elenca em fl. 14 da Impugnação (fl. 793), as competências da Diretoria Executiva do estatuto Social da CAROL. Ao analisarmos os elementos de prova trazidos pela Autoridade Fiscal aos autos, notamos que os atos praticados pelo Impugnante a título do cargo que lhe foi designado não tratam de atribuições próprias da Diretoria Executiva da cooperativa. Exercesse de fato as funções que lhe eram atribuídas, seria de se esperar que, durante os mais de três anos em integrou a Diretoria Executiva da CAROL, o Impugnante houvesse onerado bens, contraídos empréstimos, constituído procuradores etc. em nome da cooperativa. Nenhum destes atos, porém, pode ser verificado nos documentos juntados aos autos pela Autoridade Fiscal. Este fato, por si só, levanta suspeitas quanto ao efetivo exercício das atribuições da Diretoria Executiva por parte do Impugnante e desacredita a tese sustentada pela fiscalização de que o preço pactuado no contrato de serviços celebrado entre a J. E. Senise e a CAROL na verdade remuneraria o Impugnante em razão das funções exercidas no cargo de Diretor Executivo. AS PROCURAÇÕES PÚBLICAS OUTORGADAS PELA CAROL. Ainda, o Auto de Infração se apoia das procurações públicas outorgadas ao Impugnante pela CAROL. Porém, não se encontra nos autos prova de que o Impugnante tenha, de fato, praticado atos no exercício dos poderes que lhe foram outorgados nas procurações públicas juntadas pela Autoridade Fiscal. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 De fato, a leitura atenta dos referidos documentos demonstra que os instrumentos de mandato estiveram em vigor nos períodos de 24/04/2007 a 10/04/2008 e 06/05/2009 a 30/04/2010. Notase, neste ponto, que, durante boa parte do período autuado, 11/04/2008 e 05/05/2009, o Impugnante não esteve investido dos poderes outorgados pelas procurações públicas. AS CORRESPONDÊNCIAS FÍSICAS E ELETRÔNICAS. A Autoridade Fiscal junta também aos autos correspondências diversas em que o Impugnante trata, prioritariamente, das relações públicas da cooperativa, representandoa perante clientes, fornecedores e parceiros. Tratamse de convites para participar de eventos, cartas de agradecimento, votos de estima e outras cordialidades, que evidenciam o caráter formal do título atribuído ao Impugnante. Tal fato, aliado às verificações anteriores, conduz à constatação de que a nomeação do Impugnante para o cargo de Diretor Executivo da CAROL teve como objetivo o preenchimento de mera formalidade, sendo descabido sustentar que a elevada remuneração por ele percebida mais de cem mil reais por mês tivesse como justificativa o exercício de tais atividades. Desta forma, ainda que fosse possível desconsiderar o contrato celebrado entre a J. E. Senise e a CAROL, não seria razoável afirmar, como quer a Autoridade Fiscal, que a remuneração ali prevista tivesse como justificação a nomeação do Impugnante para o cargo de Diretor Executivo da cooperativa cargo este que, como evidenciado, o Impugnante na prática não exercia. A DISTINÇÃO ENTRE AS OBRIGAÇÕES PACTUADAS NO CONTRATO CELEBRADO ENTRE A J. E. SENISE E A CAROL E AS ATRIBUIÇÕES DA DIRETORIA EXECUTIVA DA COOPERATIVA Ainda que se entendesse haver remuneração atribuída ao Impugnante em razão de sua nomeação para cargo na Diretoria Executiva da cooperativa, este fato, por si só, não obsta o pactuado no contrato entre a J. E. Senise e CAROL. Isto, pois, como se viu, as atividades atribuídas à Diretoria Executiva da cooperativa são bastante diversas dos serviços prestados pela J. E. Senise em virtude do contrato celebrado com a cooperativa. São, pois, atividades distintas, exercidas por uma mesma pessoa sob diferentes titularidades. Em sendo atividades distintas, há que se considerar que os rendimentos delas provenientes também o sejam, não havendo que se imputar à pessoa física os lucro auferido pela empresa individual. Grosso modo, as atribuições da Diretoria Executiva dizem respeito às atividades do dia a dia da cooperativa, ao passo que o serviço prestado pela J. E. Senise trata da apresentação de propostas de aperfeiçoamento da governança corporativa da CAROL. Temse, portanto, que as prestações do Impugnante e da J. E. Senise não são equivalentes, fazendo cada uma delas jus a uma remuneração específica. A Autoridade Fiscal, ao imputar a receita auferida pela J. E. Senise ao Impugnante, afirmando ser impossível que o cargo de Diretor Executivo da CAROL fosse ocupado pela J. E. Senise, ignora a distinção entre as obrigações assumidas pelo empresário, enquanto titular da firma individual, das atribuições do Impugnante em virtude da nomeação para cargo na Diretoria Executiva da cooperativa. Embora o registro dos documentos constitutivos da empresa individual no Registro Público de Empresas Mercantis não faça surgir nova personalidade, há, na Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 123 9 atuação do empresário individual, uma separação abstrata entre os atos praticados na vida civil e no exercício da atividade empresarial. E preciso, portanto, distinguir os atos praticados pelo empresário individual titular da firma J. E. Senise dos atos praticados pelo Impugnante enquanto pessoa física nomeada para o cargo de Diretor Executivo. Esta distinção põe por terra a acusação de omissão de rendimentos formulada pela Autoridade Fiscal. Conforme demonstrado, os valores apontados na autuação são, de fato, devidos à J. E. Senise, que os ofereceu àvibutação na forma determinada pelo artigo 146, II, do RIR/1999. O PRÓPRIO RIR/1999 EQUIPARA A EMPRESA INDIVIDUAL À PESSOA JURÍDICA. “Diversamente do que sugere a Autoridade Fiscal, a J. E. Senise encontrase equiparada à pessoa jurídica para fins de apuração do imposto de renda não por força do inciso II, mas do inciso I do parágrafo 1° do artigo 150 do RIR/1999. Isto, pois, a expressão "firma individual" utilizada pelo legislador tributário equivale à antiga denominação do empresário individual utilizada pelo direito privado antes da edição da Lei n° 10.406/2002, que institui o novo Código Civil de 2002. Assim é que, se na disciplina antiga, o conceito de "firma individual" estava restrito à atividade mercantil, a partir da vigência do Código Civil de 2002 o conceito de empresário individual, a ele equivalente, passou a contemplar não apenas a produção e circulação de mercadorias, mas também de serviços. Assim é que as exceções trazidas pelo parágrafo segundo do artigo 150 do RIR/1999 para a qualificação das pessoas físicas como empresário individual não se aplicam ao caso concreto, vez que a equiparação da J. E. Senise à pessoa jurídica se dá em virtude da hipótese trazida pelo inciso I do parágrafo Io do artigo 150 do RIR/1999 ("firma individual"), e não da contida no inciso II do referido dispositivo. Não obstante esta constatação, o caso concreto também não se subsume a nenhuma das hipóteses trazidas pelo parágrafo segundo do artigo 150, vez que o objeto social da J. E. Senise não encontra qualquer semelhança com as profissões ou atividades ali elencadas.” Temse que, ainda que a J. E. Senise fosse equiparada à pessoa jurídica por força do inciso II do parágrafo Io do artigo 150 do RIR/1999, nenhuma das exceções trazidas pelo parágrafo 2o deste artigo se aplicaria ao caso concreto, devendo prevalecer a sistemática de apuração do imposto de renda segundo as normas aplicáveis à pessoa jurídica. Diante de tal circunstância, a Autoridade Fiscal intenta afastar o regime jurídico aplicável às receitas auferidas pela J. E. Senise em razão da prestação de serviços de consultoria e assessoria empresarial à CAROL através da descaracterização da atividade exercida pela empresa individual. Acrescente que, a ausência do concurso de auxiliares ou colaboradores não descaracteriza a atividade empresarial, pois basta que a organização contenha os elementos necessários à consecução de seu objeto. Caracterizada a organização empresarial, não há dúvidas quanto aos demais elementos da empresa, sendo certo que a atividade é desenvolvida de forma profissional e tem como finalidade a obtenção do proveito econômico decorrente da prestação de serviços de assessoria e consultoria especializada. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Neste ponto, não assiste razão à Autoridade Fiscal quando afirma que a J. E. Senise foi constituída unicamente com o intuito de reduzir a carga tributária incidente sobre as receitas imputadas ao Impugnante. Isto, pois, desde o início de suas atividades, a J. E. Senise prestou seus serviços a diversas empresas, dentre as quais a Dow Brasil S/A (Doc. 07). Por fim, numa última tentativa de descaracterizar a natureza da atividade desempenhada pela J. E. Senise, a Autoridade Fiscal afirma que nem toda a prestação de serviços poderá ensejar o enquadramento da pessoa física como empresa. Invoca, para tanto, o parágrafo único do artigo 966 do Código Civil, que exclui da definição de empresário a pessoa física que exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística. Esquecese, porém, da ressalva trazida pelo próprio dispositivo, que excepciona a hipótese de o trabalho intelectual constituir elemento de empresa: "Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza cientifica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa." (grifo nosso) A noção do "elemento de empresa" de que trata o parágrafo único do artigo 966 do Código Civil é encontrada no próprio conceito jurídico de empresa trazido pelo caput. Assim é que sempre que a atividade econômica, ainda que intelectual, for exercida de maneira organizada e profissionalmente, será considerada empresarial. Afastada, portanto, a tentativa da Autoridade Fiscal de descaracterizar a natureza dos serviços prestados pela J. E. Senise, o irretorquível caráter empresarial de sua atividade impõe a equiparação da empresa individual à pessoa jurídica para fins de apuração do imposto de renda, conforme determinado pelo artigo 146, II c/c o artigo 150, §1°, I, do RIR/1999. Ainda que, a despeito do quanto demonstrado anteriormente, houvesse dúvida quanto ao caráter empresarial da atividade da J. E. Senise, a regra trazida pelo artigo 129 da Lei n° 11.196/2005 sujeitaria a tributação da receita correspondente aos serviços prestados, por sua natureza eminentemente intelectual, à legislação aplicável às pessoas jurídicas. Por intelectuais a ordem jurídica entende aqueles serviços em que o "esforço criativo se implanta na própria mente do autor, que cria o bem ou serviço". Nesse sentido, não há dúvida de que os serviços de consultoria e assessoria empresarial, prestados pela J. E. Senise, devem ser tidos por intelectuais. Pondo fim à discussão, a regra trazida pelo artigo 129 da Lei n° 11.196/2005 foi expressa ao determinar que, para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, em caráter pessoal ou não, com ou sem a designação de obrigações a quaisquer outras pessoas, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas. Descabida, aqui, a pretensão da Autoridade Fiscal de restringir a aplicação do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005 às pessoas jurídicas. Desta forma, ainda que, contrariando todo o quanto demonstrado nos tópicos anteriores, não se admitisse o caráter empresarial da atividade empreendida pela J. E. Senise, a sua receita haveria, de todo modo, de ser tributada segundo o regime de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, por força do comando trazido pelo artigo 129 da Lei n° 11.196/2005. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 124 11 SUBSIDIARIAMENTE. DA NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA. Ainda que, contrariando todo o quanto sustentado anteriormente, a Autoridade Fiscal entenda estar correta a imputação dos rendimentos auferidos pela J. E. Senise à pessoa física do Impugnante, é dever da Fazenda Pública proceder à exclusão do montante do crédito tributário constituído os valores recolhidos pela empresa individual a título de IRPJ e reflexos. A desconsideração da carga tributária já suportada pelo Impugnante impõe ao contribuinte ônus injustificável. A cobrança de valores já pagos é inaceitável e atenta contra o próprio Estado de Direito. Isto, pois, a consequência da reclassificação da receita tributada na pessoa jurídica, é que o tributo por ela pago não era devido, e, portanto, deve ser compensado ou restituído pelo Fisco. Não fazêlo implica coadunar com o enriquecimento ilícito do Estado, o que, em face do Princípio da Moralidade Administrativa, não pode ser admitido. E este o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Desta forma, caso se considere procedente reclassificação das receitas auferidas pela J. E. Senise, antes do cálculo dos acréscimos legais (multa de ofício e retidos pelas fontes pagadoras. A fim de demonstrar a carga tributária já suportada pela J. E. Senise, o Impugnante traz aos autos a planilha de apuração dos tributos incidentes sobre os serviços prestados à CAROL (Doc. 08). Desta forma, procedendose à necessária dedução da carga tributária já suportada pela empresa individual, o crédito tributário constituído pelo lançamento deve ser reduzido pela metade, passando de R$ 1.030.993,44 para R$ 510.482,43: Imposto exigido Imposto retido na fonte Imposto recolhido Diferença tributável 2008 R$ 501.947,98 R$ 112.253,77 R$ 138.498,49 R$ 251.195,72 2009 R$529.045,46 R$ 118.313,70 R$151.445,05 R$ 259.286,71 TOTAL R$ 1.030.993,44 R$ 230.567,47 R$289.943,54 R$ 510.482,43 Ainda, caso seja julgado procedente o lançamento de ofício, os acréscimos legais correspondentes (inclusive, a multa qualificada) deverão ter por base o valor de R$ 510.482,43, e não a integralidade do montante exigido pela autuação. A INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE LEGAL DE QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Por fim, e ainda na hipótese de, a despeito das razões de fato e de direito acima aduzidas, ser mantido o lançamento, deve, ao menos, ser desqualificada a multa lançada de ofício, haja vista não ter ocorrido qualquer das hipóteses previstas no artigo 44, §1° da Lei n° 9.430/96 para a sua qualificação. Em que pese suas alegações, a acusação formulada pela Autoridade Fiscal não procede. Isto, pois, a tipificação das condutas imputadas ao Impugnante depende da constatação de conduta dolosa por parte do contribuinte, o que, a toda evidência, não ocorreu no caso presente. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Ao contrário, ao tributar as receitas correspondentes aos serviços de consultoria e assessoria prestados à CAROL segundo o regime de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, a J. E. Senise agiu em estrita conformidade com a legislação tributária, em especial, os artigos 146, II, e 150 do RIR/1999 e com o artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, não havendo que se falar em dolo. Concluise que o dolo (elemento volitivo) é elemento essencial para a caracterização das condutas tipificadas nos artigos 72 e 73 da Lei n° 9.502/1964. O dolo necessário para fins de qualificação da infração tributária é o dolo específico, adotado pelo Direito Penal e, enquanto tal, requer a caracterização da intenção ou vontade específica de se incorrer no resultado contra o qual se insurge a norma jurídica4. Não estando presente o elemento volitivo, não subsume a conduta apontada ao tipo legal. Caso contrário, deve a lei tributária que comina penalidade ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte, conforme dispõe o artigo 112 do CTN que, em verdade, incorpora o princípio do in dúbio pro reo no direito tributário nacional. Não basta, porém, que se alegue a existência do elemento volitivo. Para que seja procedente a qualificação da multa de ofício, é preciso que a Autoridade Administrativa prove, de maneira inequívoca, o dolo específico na prática das condutas a que se refere o artigo 44, § Io da Lei n° 9.430/96. Neste estado de coisas, caso não seja integralmente excluída, deve ser afastada, desde já, a qualificação da multa de ofício a que procedeu a Autoridade Fiscal. A RELEVAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Conforme demonstrado, o Impugnante cumpriu suas obrigações suas . obrigações tributárias relativas à apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física na mais estrita conformidade com a legislação tributária, em especial com os artigos 146, II, e 150 do RIR/1999 e com o artigo 129 da Lei n° 11.196/2005. Assim, por força do parágrafo único do artigo 100 do CTN, devem ser excluídos da autuação a imposição da multa de ofício e dos juros de mora incidentes sobre o crédito tributário por ventura mantido. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO (ARTIGOS 161 DO CTN E 61, § 3°, DA LEI N° 9.430/96). Na remota hipótese de não serem acolhidos os argumentos de mérito da presente defesa, o que se admite apenas para argumentar, deve essa E. Turma, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3o, daLei n° 9.430/96. Embora não seja objeto do Auto de Infração, o pedido de exclusão dos juros de mora sobre a multa de oficio pretende justamente evitar a futura cobrança desses encargos, razão pela qual a Impugnante pede a sua apreciação. Assim, subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o Auto de Infração com base nas razões de fato e de direito acima arguidas, a exclusão da cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio é medida que se impõe. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, pela improcedência da Impugnação (fls. 1104 / 1128), mantendo o crédito tributário reclamado pela autoridade fiscal. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 125 13 Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (fls. 1134 / 1181) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação, requerendo assim o cancelamento total do lançamento tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator had doc para formalizar o acórdão. Transcrevese a minuta do voto lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Passo ao mérito. Conforme extenso relatório, cumpre fazer a ressalva sobre meu entendimento pessoal a respeito da utilização de pessoas jurídicas ou da pessoas físicas a elas equiparadas (por força do inciso II do parágrafo I do artigo 150 do RIR/1999), para a prestação de serviços em caráter personalíssimo. Não vejo qualquer óbice legal nesse sentido. Entretanto, alguns elementos devem estar presentes justamente para evitar situações nas quais a utilização de pessoas jurídicas ou a elas equiparadas pela legislação tributária, visem exclusivamente acobertar relações nas quais os rendimentos devem se submeter à tributação própria das pessoas físicas. Não vislumbro, no caso em julgamento, qualquer justificativa para adotar aos rendimentos recebidos pela empresa individual. Conforme bem lançada decisão monocrática e bem realizado trabalho de fiscalização, a utilização da "empresa individual" visava acobertar a contratação de Diretor Executivo, exercida pelo recorrente. Ha nos autos provas suficientes sobre o exercício do cargo de Diretor Executivo exercido pelo recorrente (fl. 38). Aliás, há até ata de assembléia (fl. 63, 71) na qual o recorrente é apresentado como novo Diretor Executivo da CAROL, aos cooperados. Como bem afirmado na decisão recorrida: Não resta dúvida, considerando os aspectos destacados no parágrafo supra de que foi o Sr. José Eduardo Senise, pessoa física, quem foi contratado para desenvolver atividades na CAROL, atividades estas próprias de Diretor Executivo. Foi o Sr. José Eduardo Senise, pessoalmente, quem assumiu a responsabilidade pelo trabalho, conforme ficou claro na apresentação do mesmo ao Conselho Administrativo da CAROL, a todos os órgãos e entidades ligados ao cooperativismo, ao agronegócio, órgãos do governo federal e estadual, bem como a fornecedores, parceiros comerciais. Em nenhum momento falouse na empresa J. E. Senise Consultoria Empresarial ou em contrato com esta empresa. Ademais: Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Acrescentese, conforme Contrato, os serviços eram realizados nas dependências da Carol e com o apoio de todo o corpo de funcionários desta empresa, um vez que a J. E. Senise não possuía funcionários. Além das atas acima referidas, documentos coletados em diligência na CAROL demonstram que o fiscalizado enviava e recebia emails e correspondências diversas nos quais assinava como Diretor Executivo da CAROL. Portanto, inequívoco que os serviços contratados não se relacionam com as atividades supostamente desenvolvidas pela J E Senise Consultoria Empresarial, mas sim, derivam de prestação de serviços desenvolvida de modo pessoal e sem o suporte de qualquer estrutura empresarial, por menor que seja, pelo recorrente. Portanto, incabível a invocação do artigo 966 do CC/2002, que apesar de servir de suporte legal para a equiparação de pessoas físicas que exerçam atividade empresarial a pessoas jurídicas, pelo menos para fins fiscais, somente se aplica se presente atividade econômica, ainda que intelectual, for exercida de maneira organizada e profissionalmente. Acertada a decisão recorrida ao afastar a alegação quanto à não aplicação da chamada norma antielisiva, por se tratar, simplesmente, do poder atribuído pelo artigo 149 do CTN de revisão de ofício do lançamento, e constituem a própria essência da atividade de fiscalização. IRPF REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA Não há plausibilidade jurídica em defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, por sócios ou controladores da empresa tomadora do serviço, para a venda de serviço de gestão administrativa unicamente à tomadora. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis seria unicamente a redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos pelos sócios da tomadora do serviço, e não uma atividade econômica específica, esta passível de prestação a um indeterminado número de tomadores. Ora, é notório que uma pessoa jurídica ou pessoa física equiparada à pessoa jurídica deve desempenhar uma atividade econômica que extrapole a mera prestação pessoal de trabalho, sob pena de subverter completamente o regime do contrato de trabalho previsto nas leis pátrias, pois se a tese do recorrente fosse acatada, nada impediria que qualquer grupo de trabalhadores, com vínculo pessoal e subordinação única e direta a uma pessoa jurídica, como no caso vertente, constituísse uma pessoa jurídica, passando os rendimentos do trabalho a serem pagos diretamente a empresa e essa efetuando a distribuição de lucros aos sócios. A constituição de empresa da espécie é um cristalino abuso de direito, que tem o único fim de perseguir uma tributação menos gravosa em face daquela que incidiria sobre os rendimentos do trabalho. O que une tais sócios não é a prestação de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária. Assim, é tributada como rendimento de pessoa fisica a remuneração por serviços prestados, de natureza não comercial e personalíssima, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. (ACÓRDÃO 210200.447). Entretanto, não vislumbro fraude ou conluio na conduta adota pelo recorrente. Apesar de indevida, não vejo simulação ou fraude na conduta adotada. Vislumbro, sim, abusividade, não passível de qualificação da multa, tal qual como apontado pela fiscalização, por se tratar de contribuinte que agia com a convicção de se encontrar sob o abrigo da lei. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 126 15 Tratase de tentativa, frustrada, de se submeter a regra de tributação menos onerosa, sem, contudo, implicar em fraude ou simulação, para as quais se exige dolo específico do agente. Nesse sentido: MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. ACÓRDÃO 2202002.429 Acolho o pleito de compensação dos valores já oferecidos à tributação na firma individual J.E. Senise, dada a identidade, no caso concreto, das grandezas econômicas tributadas, bem como pelo fato de não se aplicar o princípio da entidade em relação à pessoa física e a empresa individual que se beneficia de uma ficção legal para fins de equiparação exclusivamente para fins fiscais. Ademais, após a compensação com os valores já tributados na firma individual é que deve ser calculada a multa de ofício, conforme jurisprudência desta C. 2 Seção. Nesse sentido: EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DO SERVIÇO DO IMPOSTO APURADO NA PESSOA FÍSICA A BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO DEVE SER O MONTANTE DO IMPOSTO APÓS A EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS NA PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DO SERVIÇO A despeito do equívoco de tributar os rendimentos do trabalho dos sócios na pessoa jurídica prestadora do serviço, devese aproveitar, na quantificação do imposto devido, os pagamentos feitos preteritamente ao início da ação fiscal, abatendoos do imposto devido, remanescendo dessa forma um imposto de renda Na pessoa física minorado, que passa a ser a base de cálculo da multa de oficio. (ACÓRDÃO 210200.447). Como bem analisado pelo Conselheiro Rafael Pandofo no Acórdão 2202002.429, os juros moratórios incidirão sobre o “débito”, grandeza utilizada como referência pelo legislador, para verificar a aplicabilidade da Taxa Selic, sendo que “o débito tributário é a relação inversa do crédito tributário, direito subjetivo da Fazenda de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária. Essa, como bem aponta o Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato subsumido à materialidade da regra matriz de incidência. A multa, por sua vez, decorre do descumprimento de ato ilícito e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito”. Nesse contexto, o Código Tributário Nacional em seu art. 161 (caput) prevê que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”. Portanto, como se verifica no enunciado acima referido, sobre o valor devido a título de tributo incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de qualquer medida sancionatória que possa incidir cumulativamente sobre o débito. Isto é, tanto a multa quanto os juros incidem apenas sobre o “débito” tributário. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Nesse sentido: JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. (Acórdão n.º 2202002.571) Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir a qualificação da multa, autorizar a compensação dos valores já tributados na firma individual e excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc para formalização do acórdão (Despacho de efl. 1190) Voto Vencedor Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Redator designado. Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Relator, de quem ouso divergir da tese que sustenta, na qual não incidiriam juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Pelo que dispõe o art. 161 do CTN, chegase à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o tributo, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário legalmente constituído: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora diz, expressamente, no parágrafo único do art. 43 que incidirão juros de mora à taxa Selic, conforme se observa a seguir: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201002.700 S2C2T1 Fl. 127 17 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos nossos) Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal punitiva encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1º/9/2009). Também, no âmbito do CARF, observase esse entendimento nas recentes decisões proferidas nos Acórdão nº 920201.806 e 910100.539, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isto posto, voto em NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10855.724725/2011-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO (FCONT). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, da multa de ofício isolada.
Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes e Artur José André Neto que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO (FCONT). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, da multa de ofício isolada. Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO (FCONT). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, da multa de ofício isolada. Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratando se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada. Vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 47 25 /2 01 1- 51 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 63 2 Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes e Artur José André Neto que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 09 com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.000,00 a título de multa de ofício isolada por um mês de atraso na entrega em 01.12.2011 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 30.11.2011. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mêscalendário ou fração de atraso. [...] Art.16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art 2º da IN RFB nº 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Cientificada em 16.12.2011, fl. 22, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0208, que, por bem relatar, cabe transcrever excerto da decisão de primeira instância de julgamento: Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/8) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que a versão 4.6 do validador de entrega da FCONT somente foi disponibilizada em 29/11/2011 e o sistema de conexão e recepção de arquivos da RFB apresentava lentidão, comprometendo a entrega no prazo. Acrescentou que problemas decorrentes de congestionamento do sistema de recepção já ocorreram e foram retificados pela RFB, por meio de instruções normativas. Reclamou que houve erro no cálculo do valor da multa, que considerou que houvesse dois meses de atraso. Está registrado como ementa Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 38.971, de 11.10.2012, fls. 2931: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO. É devida a multa no caso de entrega de declaração fora do prazo estabelecido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 64 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 12.11.2012, fl. 35, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2012, fls. 3754, esclarecendo: 2.DOS FUNDAMENTOS 2.1. Da ausência de conduta infracional Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 967/ 2009, o prazo para a entrega da declaração FCONT é o mesmo que par entrega da DIPJ: [...] Ocorre que a Instrução Normativa RFB n. 1.164, de 13 de junho de 2011, alterou o prazo para a entrega do FCONT 2011 (ano calendário 2010), dispondo: [...] Diante do dispositivo supramencionado, verificase que recorrente se sujeitava à entrega do FCONT/2011, exercício 2010, até as 23h59m59s do dia 30 de novembro de 2011. Ocorre que a versão 4.6a do validador de entrega da declaração somente foi disponibilizada em 29/11/2011, ou seja apenas um dia antes do fim do prazo de entrega da declaração. Não obstante a tardia disponibilização do programa, sistema de conexão e recepção de arquivos da Receita Federal do Brasil apresentava lentidão pelo acúmulo de entregas de declarações. Diante disso, a entrega da declaração FCONT ficou comprometida. Esclarece a recorrente que realizou diversas tentativas de entrega com antecedência de horas com relação ao limite temporal das 23h59m59s, porém, a conexão não era estabelecida. Assim, em virtude do congestionamento do sistema, em razão da manutenção do sistema ou, ainda, de algum outro não pôde ser apurado pela recorrente, não foi possível a entrega dentro do prazo determinado pelas normas vigentes. É fato que problemas decorrentes do congestionamento ,do sistema de recepção de dados da Receita Federal do Brasil ja ocorreram anteriormente e foram, inclusive, objeto de correção/retificação por parte da Receita Federal do Brasil, anulando, se os efeitos prejudiciais ao contribuinte que agiu dentro do que determina a legislação. A título de exemplo, vejase a Instrução Normativa RFB n° 1.212, de 24/11/2011: [...] Ou seja, reconhecendo a falha no processamento das declarações, em virtude do congestionamento do sistema, a Receita Federal do Brasil cancelou as multas geradas em virtude deste atraso, gerado, exclusivamente, pela demora no processamento das declarações e não pela falta de entrega de dados pelo contribuinte. A recorrente, portanto, foi impedida de apresentar à declaração e obter recibo de entrega dentro do prazo previsto na legislação tributária (23h59m59s) por fatores alheios à sua vontade em virtude dos quais nada poderia fazer. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 65 4 Se à recorrente é imputado o dever de entrega pontual, Receita Federal compete a disponibilização de meios eficazes e ágeis e me proporcionem o cumprimento da obrigação no prazo. Houve sim, um comprometimento da recorrente, que preparou a declaração na forma requerida pelo fisco e realizou diversas tentativas de entrega antes do prazo final, mas que não puderam se efetivar devido à sobrecarga no sistema da Receita Federa do Brasil. Em virtude destes fatos, que demonstram que existe algum comprometimento na performance do sistema de recepção dos arquivos da Receita Federal do Brasil, em especial nos dias em que se encerram os prazos para entrega de declarações, é que se justifica a necessidade de ponderação/anulação de multas em virtude do atraso( na entrega do FCONT. 2.2. Do valor da penalidade aplicada Em atenção ao princípio da eventualidade, caso í. exigência em discussão seja mantida, cumpre destacar que seu valor não está de acordo com os limites previstos pela legislação tributária Da análise da decisão recorrida, verificase que á Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP sequer analisou matéria aqui suscitada quando da apreciação da impugnação apresentada pela recorrente. O artigo 57 da Medida Provisória n° determina que: [...] De acordo com o referido dispositivo legal, o valor dá multa pela entrega fora de prazo da declaração FCONT é de R$5.000,00 por mêscalendário em atraso. No caso em tela, verificase que a recorrente apenas conseguiu efetuar a entrega da declaração em discussão 6 horas após horário limite que era de 23h59min59s do dia 30/11/2011, eis que recepcionada pelo sistema da Receita Federal do Brasil em 01/12/2011, às 06h47min16s, conforme recibo de entrega já juntado aos autos. Portanto, o atraso da recorrente na entrega da declaração em tela corresponde a um mêscalendário, não de dois meses como constou na notificação de lançamento, motivo pelo qual deveria ser fixada no valor de R$5.000,00. Tendo em vista que o valor da multa em discussão não está de acordo com os limites previstos pela legislação tributária, è direito da recorrente de que lhe seja concedida nova possibilidade de efetuar o pagamento do débito, com o benefício previsto no art. 6º, inciso I, da lei n° 8.218/91. Ou seja, realizar o pagamento do débito, com redução de 50%. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, a fim de cancelar a exigência imposta à recorrente. Subsidiariamente, requer a retificação do valor da multa aplicada de R$10.000,00 para R$5.000,00 e a renovação do prazo para pagamento do débito tributário com o benefício previsto no artigo 6o, inciso I, da lei n° 8.218/91. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 66 5 A recorrente reitera o pedido feito na impugnação para que todas as intimações sejam efetuadas em seu endereço. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos sete dias do mês de maio do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, Andar, Sala , em Brasília Distrito Federal , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO RODRIGUES MENDES, WALTER ADOLFO MARESCH, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, ARTHUR JOSE ANDRE NETO e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10855.724725/201151 Recorrente: MELIDA COMERCIO E INDUSTRIA LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.195 Decisão: Por voto de qualidade deram provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes e Artur José André Neto que davam provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento pela Recorrente o Dr. José Augusto Santos, OAB/DF nº 34.126. Votação: Por Qualidade Vencido(s) na votação: ARTHUR JOSE ANDRE NETO SERGIO RODRIGUES MENDES MEIGAN SACK RODRIGUES Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 67 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Inicialmente cabe esclarecer que contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 09 com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.000,00 a título de multa de ofício isolada por um mês de atraso na entrega em 01.12.2011 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 30.11.2011. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)1. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária2. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 3 Sobre a matéria, a Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. 1 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 68 7 A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) decorre, basicamente, do Regime Transitório de Tributação (RTT) e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real, as quais dependem de escrituração contábil e, por conseguinte, estão obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, em sua redação original, determinava que: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...] Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 69 8 § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. À utilização dessa sistemática é necessário a realização dos ajustes legais, não podendo ser substituída por qualquer outro controle ou memória de cálculo. Para fins de escrituração, a pessoa jurídica pode utilizar o critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante dos assentos contábeis. A Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, que aprova o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), prevê: Art. 1º Fica aprovado o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont), de que tratam os arts. 7º a 9º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. § 1º Os dados a serem apresentados por intermédio do Programa consistem em lançamentos referentes aos mesmos fatos, mas considerando critérios diferenciados, são eles: I lançamentos realizados na escrituração contábil para fins societários, que devem ser expurgados; e II lançamentos considerando os métodos e critérios contábeis aplicáveis para fins tributários, que devem ser inseridos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 70 9 § 2º Partindose da escrituração contábil para fins societários, expurgados e inseridos lançamentos conforme os incisos I e II do § 1º pode ser gerado o FCont definido no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. § 3º No caso da pessoa jurídica que tenha adotado a Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007, a escrituração contábil para fins societários, referida no § 2º, será a própria ECD. § 4º No caso da pessoa jurídica que não tenha adotado a ECD e esteja sujeita à apresentação do FCont, a apresentação da escrituração contábil para fins societários fica condicionada à intimação por parte da autoridade fiscal. Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. [...] Art. 5º A apresentação dos dados a que se refere o art. 1º também será exigida da Pessoa Jurídica que se encontre na situação prevista no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1139, de 28 de março de 2011) Verificase que nos anoscalendário de 2008 e de 2009, a pessoa jurídica que não adotasse os critérios contábeis instituídos pela Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, que alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, estava dispensada de fazer o FCONT, porque ainda que adotasse o regime de tributação com base no lucro real não era optante pelo RTT, já que o FCONT destinase obrigatória e exclusivamente àquela sujeita cumulativamente ao lucro real e ao RTT. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. Inferese que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2010, apresentada pela Recorrente espontaneamente consigna expressamente o regime de tributação com base no lucro real e a opção pelo RTT como o exercício de sua faculdade de escolha. O FCont assim tornouse de entrega obrigatória, porque a Recorrente cumulativamente apresentou a DIPJ pelo regime do lucro real e fez opção pelo RTT. O prazo de entrega do FCont para o anocalendário de 2010 foi alterado para 30.11.2011, conforme Instrução Normativa RFB nº 1.164, de 13 de junho de 2011. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 71 10 Sobre a matéria, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, com alterações introduzidas pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, assim determina: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 72 11 deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 73 12 conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) 4 No presente caso para o anocalendário de 2010 a Recorrente optou pelo Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis. Por essa razão ficou vinculada às normas de regência da matéria e tem cabimento a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 01.12.2011 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 30.11.2011, independentemente da intenção do agente. Consta no Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1438.971, de 11.10.2012, fls. 2931: É fato não contestado que a entrega se deu fora do prazo. Assim sendo, a multa foi aplicada conforme previsto na legislação tributária. De acordo com o CTN, art. 97, VI, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple a hipótese invocada como razão para a dispensa da multa em lide. Assim, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. A partir de 28.12.2012, entretanto, a multa por apresentação extemporânea do FCONT passou a ser é de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente à pessoa jurídica que, na última declaração apresentada, tenha apurado lucro real. Aplicando o princípio da retroatividade benigna, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$1.500,00 pelo um mêscalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. Ainda será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. Como a FCont foi apresentada em 01.12.2011, fl. 09, ou seja, antes de qualquer procedimento fiscal, pois a ciência da Notificação de Lançamento se deu em 16.12.2011, fl. 22, o valor da multa de ofício isolada aplicada deve ser reduzido pela metade, isto é, para R$ R$750,00. A alegação assinalada pela defendente,desta forma, tem fundamento em parte. No que se refere aos supostos problemas nos sistemas da RFB a que se referiu a Recorrente, ao relatar as várias tentativas de transmissão, não há nenhum registro e comprovação de indisponibilidade de acesso, nos últimos dias do prazo fixado para entrega relativo ao período de apuração em análise, que tenha impedido a sua transmissão. No caso em que há indisponibilidade permanente no sistema de recepção, a própria Administração reconhece tal fato, como o fez no Ato Declaratório Executivo (ADE) RFB nº 90, de 11 de novembro de 2009, relativo a declarações com prazo final em 07.10.2009. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como improcedente. 4 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 74 13 Relativamente à alegação de boafé temse que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está em conformidade com o princípio da legalidade, a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$750,00 (setecentos e cinquenta reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10855.724725/201151 Acórdão n.º 1803002.195 S1TE03 Fl. 75 14 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10925.721242/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
OMISSÃO. GANHO DE CAPITAL. AUSÊNCIA PROVA. EXIGÊNCIA MANTIDA.
Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos documentos ou fatos que contradigam os elementos de prova utilizados pelo Fisco para sustentar as omissões apuradas.
IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE COMERCIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Numero da decisão: 2201-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 399.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada), que além disso excluíram da exigência o ganho de capital. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA.
(Assinado Digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
(Assinado Digitalmente)
Francisco Marconi de Oliveira - Redator do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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GANHO DE CAPITAL. AUSÊNCIA PROVA. EXIGÊNCIA MANTIDA. Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos documentos ou fatos que contradigam os elementos de prova utilizados pelo Fisco para sustentar as omissões apuradas. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE COMERCIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32. “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 12 42 /2 01 2- 12 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 399.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada), que além disso excluíram da exigência o ganho de capital. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. (Assinado Digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. (Assinado Digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira Redator do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Em sessão plenária do dia 10 de março de 2015 foi julgado no CARF o processo nº 10925.721242/201212, porém até o momento o Conselheiro Relator não formalizou o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, nos termos do art. 17, inciso III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, conforme Despacho de fl. 576. Transcrevese a minuta do relatório lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Trata o presente processo de impugnação (fls. 364374) contra o crédito tributário constituído mediante Auto de Infração (fls. 0215 e 380393) lavrado contra a pessoa física em epígrafe, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anoscalendário 2008 e 2009, que apurou crédito tributário da ordem de R$ 3.400.204,69. Foi instaurado procedimento fiscal mediante MPF nº 09.2.03.00 2011.00443 0, em virtude de seleção por amostragem de contribuintes para verificação do cumprimento das obrigações tributárias no período em comento, relativas às Declarações de Ajuste Anual simplificadas 2009 (fls. 4452) e 2010 (fls. 5359). Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 2201002.692 S2C2T1 Fl. 120 3 Em 27/06/2011, o agora recorrente, foi intimado a apresentar comprovantes mensais de Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica; extratos de contascorrentes e de aplicações financeiras mantidas pelo declarante e dependentes no Brasil e no exterior, acompanhado de ficha de abertura de conta e cartão de autógrafo; bem como comprovantes das origens dos depósitos bancários no período (fls. 6066). Respondeu o contribuinte identificando duas contas bancárias, a saber: BANCO BRADESCO (Agência 014567 c/c 214558) e BANCO DO BRASIL (Agência 06440 c/c 6596X), anexando os correspondentes extratos (fls. 67153). Aditou ainda usar suas contas para acolhimento temporário de valores de terceiros relativos à intermediação de imóveis. Em 08/09/2011 (fls. 154163), foi instado a comprovar a origem de recursos listados em planilha mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, sob pena de subsunção ao art 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Respondeu o recorrente juntando cópias de contratos de compra e venda de imóveis envolvendo a empresa ALMEIDA PRADO COMERCIAL E AGROPECUÁRIA S/A, CNPJ nº 04.806.543/000151, ora como adquirente ora como vendedor, operações que em seu entender justificariam parte dos depósitos bancários em contas de sua titularidade (fls. 165212). Informou ainda ter recebido depósitos de seu filho. Em 24/10/2011, tendo em vista que as supostas origens atribuídas pelo contribuinte não coincidiam em datas e valores, este foi novamente instado a comproválas mediante documentos. Nesta oportunidade também lhe fora pedida prova de transferência de valores à empresa ALMEIDA PRADO COMERCIAL E AGROPECUÁRIA S/A relativos à venda da Agropecuária Tupi Ltda. (fls. 213217). Em resposta foram anexados contratos de compra e venda de imóveis (fls. 218308), operações que teriam dado ensejo aos depósitos verificados nas contas Bradesco e Banco do Brasil. Esclareceu, também, o fiscalizado, ter vendido três bens em nome de ALMEIDA PRADO COMERCIAL E AGROPECUÁRIA S/A, a saber: a Agropecuária Tupi Ltda. por R$ 1.309.500,00 e dois terrenos nos valores de R$ 157.500,00 e R$ 101.250,00, confirmando que tais quantias transitaram por suas contas. Afirma ter repassado à empresa vendedora apenas o fruto da primeira operação. Asseverou que era sócioadministrador da empresa LR TOPOGRAFIA LTDA. tendo esta realizado diversos depósitos (R$ 545.747,50) posteriormente devolvidos a maior (R$ 620.000,00) com objetivo de alcançar as finalidades econômicas da citada empresa. Em 13/02/2012, foram solicitados esclarecimentos quanto ao valor das comissões percebidas nas intermediações imobiliárias em nome de ALMEIDA PRADO COMERCIAL E AGROPECUÁRIA S/A e à aquisição de imóvel matrícula 38.225 mediante apresentação de escritura, bem como os registros contábeis relativos às transferências efetuadas pela LR TOPOGRAFIA LTDA. (fls. 311329). Com vistas a complementar as informações prestadas pelo contribuinte foi efetuada diligência à pessoa jurídica Vivo S/A, com escopo de que esta informasse mensalmente a natureza dos rendimentos pagos ao fiscalizado no período (fls. 330 343), e ao 1º Oficio de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos de Joaçaba, para obter certidão de todos os imóveis em nome do fiscalizado (fls. 350352). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Diante dos elementos de prova colecionados, a Fiscalização lavrou Auto de Infração, consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal de fls 1643 e 394421, apurando as seguintes condutas: · OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, perfazendo total de R$ 4.415.231,65 em 2009, lastreada no art 42 da Lei nº 9.430/96; · OMISSÃO DE RENDIMENTOS – COMISSÕES RECEBIDAS, no valor de R$ 39.285,00 em 2008 e R$ 107.548,78 em 2009; · OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, nos valores de R$ 9.008,14 em 2008 e R$ 9.365,17 em 2009; · OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, no valor de R$ 6.000,00, em janeiro de 2009, com compensação da fonte retida; e · OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS em 31/12/2009, no montante de R$ 23.668,80, apurado com redução consoante Lei nº 11.196,de 2005; · MULTA QUALIFICADA (150%), no valor de R$ 1.882.267,84. Cientificado da exigência em 23/05/2012, segundo informa Aviso de Recebimento (AR) de fl. 356, a parte apresentou impugnação de fls. 364374, datada de 20/06/2012, na qual defende a revisão integral do lançamento mediante a seguinte argumentação: · Diz o recorrente ser sócio das empresas LR TOPOGRAFIA LTDA. e LAR IMÓVEIS LTDA. conforme demonstrariam contratos sociais apensos, exercendo nestas a função de corretor de imóveis, bem como atividades na área de topografia e confecção de levantamentos planimétricos. · Acresce que o desenvolvimento destas atividades exige o trânsito de valores de terceiros em sua conta bancária, acusando o Fisco de têlos tributado como rendimentos das pessoas jurídicas das quais é sócio. · Diz que embora esteja consignado seu nome como pessoa física nas operações de intermediação de compra e venda de imóveis (comissões), aluguéis e ganho de capital, tais atividades decorrem efetivamente do objeto social das pessoas jurídicas das quais é sócio, sendo lá registradas contabilmente. · Assevera também não proceder à omissão presumida sobre depósitos bancários, pois pertencem a terceiros os valores tributados. Explica que para garantir liquidez aos negócios com imóveis recebe o valor de venda dos compradores em conta de sua titularidade e, após lavratura do respectivo documento de transferência, efetua pagamento ao vendedor, não representando ingresso de valores à dita movimentação. · Quanto aos depósitos efetivados pela LR TOPOGRAFIA LTDA. referem se a adiantamentos de recursos para fazer frente a gastos com alimentação, passagem, combustível, contratação de pessoal, etc., necessários quando da realização de serviços externos. Faz menção ao § 5º do art 42 da Lei nº 9.430, de 1996, exigindo a desqualificação do lançamento que deveria ter sido efetuado em nome de terceiro. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 2201002.692 S2C2T1 Fl. 121 5 · Ainda no tocante à omissão apurada via depósitos bancários, entende desnaturada uma vez que o Autuante não teria respeitado premissa essencial à sua manutenção relativa à exclusão de transferências interbancárias entre conta de mesma titularidade. Exemplifica citando crédito na conta 214558 mantida no Bradesco realizada em 01/07/2009 no valor de R$ 180.000,00 cujo histórico é “TRANSF. AG DINH O PRÓPRIO FAVORECIDO”. Entende que raciocínio similar deve ser aplicado aos depósitos feitos pelo próprio impugnante, tais como aqueles ocorridos na conta 214558 no Bradesco em 14/01/2009 (R$ 200,00) e 20/01/2009 (R$ 454,00), eis que não constituem fato gerador do imposto. · Defende que ainda que houvesse valores não tributados a título de aluguéis, comissões e ganho de capital, estes estariam abrangidos pela omissão de depósitos bancários impondose assim a desqualificação das infrações com vistas a evitar a dupla tributação. · Por fim requer que intimações recaiam na pessoa do procurador habilitado nos autos. A DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou improcedente a Impugnação (fls. 451 / 462). Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (fls. 476 / 509) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. E o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator had doc para formalizar o acórdão. Transcrevese a minuta do voto lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Conforme relatório acima, passo a analisar cada uma das alegações postas em Voluntário, com a finalidade de comprovar a origem dos depósitos bancários que deram origem ao presente lançamento por presunção. Dos depósitos pertencentes à terceiros ou pessoa jurídica. Na tentativa de justificar as movimentações bancárias que inicialmente deram origem à fiscalização, alega o recorrente, em sede de Voluntário (fls. 478 e seguintes), que “desempenhava a função de intermediar transações envolvendo imóveis e, com o intuito de garantir a liquidez e também a transparência do negócio, o recorrente recebia o valor da venda desses bens do comprador e, somente após a lavratura do da escritura, é que efetuava o pagamento ao vendedor.” Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Esclarece que era sócio das pessoas jurídicas LR TOPOGRAFIA LTDA. (fls. 280284) e LAR IMÓVEIS LTDA., e que em razão da atividade desenvolvida, era comum que valores pertencentes à pessoa jurídica, transitassem pela conta de sua pessoa física. Sobre a matéria: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Tendo apresentado os respectivos contratos sociais, afirma o recorrente que na posição de sócio das pessoas jurídicas LR TOPOGRAFIA LTDA. (fls. 280284) e LAR IMÓVEIS LTDA. (fls. 423436), muitos valores decorrentes das transações imobiliárias eram depositados em suas contas pessoais. Entretanto, não consegue comprovar satisfatoriamente os valores em glosa, não afastando a presunção admitida para justificar o lançamento tributário do crédito ora em julgamento. Isso porque, conforme jurisprudência deste E. Sodalício, a comprovação de depósitos bancários deve se dar de forma individualizada e não apenas comprovando capacidade econômica para fazer jus aos respectivos dispêndios. Ainda que meu entendimento pessoal não exija a exata coincidência de datas e valores, a conciliação deve se dar ao menos em datas próximas e valores compatíveis, o que à evidência, não foi realizado pelo recorrente. Aliás, até mesmo valores que o recorrente atribui natureza de comissões de venda de imóveis, se referem a imóveis comprados e alienados pelo própria pessoa física, em operação sequer declarada ao Fisco, conforme consta do trecho do TVF e inclusive transcrito pelo próprio recorrente em sua peça recursal. Portanto, não há nos autos elementos suficientes para conciliar, em datas e valores, que os depósitos feitos em sua conta corrente tenham sido necessariamente provenientes de adiantamentos ou de comissões pela venda de imóveis, tal qual como alegado. Aliás, conforme já sumulado por este Sodalício: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Depósitos realizados pelo próprio recorrente e provenientes de contas ou de valores de sua titularidade O recorrente declarou ter apenas a conta nº 214558 no BANCO BRADESCO e a conta nº 6596X no BANCO DO BRASIL (fls. 67). A partir da análise dos extratos acostados aos autos (fls. 72121 e 123153) foram computados como omitidos (fl. 40) dois depósitos na conta nº 21.4558 mantida pelo recorrente no Bradesco (anocalendário de 2009), assim identificados: R$ 180.000,00 em 01/07/2009 (fl. 136) sob rubrica TRANSF AG DINH O PRÓPRIO FAVORECIDO; e R$ 20.000,00 em 29/09/2009 (fl. 147) sob rubrica TEDT ELET DISP REMET. LUIZ ANTONIO RIBEIRO. Do cruzamento de dados das duas contas (fls. 109/152) é possível notar que não há saldo suficiente na conta do BANCO DO BRASIL para efetuar transferência correspondente ao valor atestado na conta do BRADESCO, no valor de 180.000,00, também de titularidade do recorrente. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 2201002.692 S2C2T1 Fl. 122 7 Ademais, depósitos feitos pelo próprio recorrente não são suficientes para provar de que se tratam de valores já depositados em outras contas, em especial quando realizados em dinheiro. Aliás, em Voluntário, o recorrente busca justificar o TED feito para sua c/c Bradesco, no valor de R$ 20.000,00, mediante saque em dinheiro realizado no valor de R$ 20.013,50, no mesmo dia 29/9/2009. Entretanto, não vislumbro a comprovação da origem do depósito, por se tratar de saque em dinheiro de uma conta, no valor de R$ 20.013,50 e depósito por TED, o que inviabiliza a sua comprovação. Dessa forma, concluise que a origem dos recursos dos depósitos de R$180.000,00, em 01/07/2009 e R$ 20.000,00 em 29/09/2009, não foram devidamente comprovados, bem como não há comprovação suficiente em relação aos demais depósitos relacionados nas razões do recurso como sendo oriundos de contas bancárias pertencentes ao próprio recorrente ou de depósitos em dinheiro que já teriam transitados em outras contas de sua titularidade. Omissão de rendimentos do trabalho não assalariado. Essa presunção transfere ao Contribuinte o ônus comprovar a origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado, deve o Recorrente comprovar, se assim puder fazêlo, esclarecer a origem dos depósitos mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos como os apresentados em Voluntário, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Partindo da análise dos autos, é possível verificar que o recorrente não consegue comprovar, por meio de documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade decorrente das atividades desempenhandas como corretor de imóveis, frente à LR TOPOGRAFIA LTDA. e LAR IMÓVEIS LTDA., sem vínculo empregatício. Sequer há nos autos registro contábeis ou bancários que comprovem que os valores depositados na pessoa física do recorrente transitaram na pessoa jurídica ou a ela pertencem, tal qual como afirmado. Omissão de aluguéis. Omissão de ganho de capital Alega o recorrente, que os valores recebidos da VIVO em sua conta bancária, referente a aluguéis, se tratam de receitas pertencentes às pessoas jurídicas da qual é sócio. Entretanto, nada há nos autos que comprove que os rendimentos provenientes dos aluguéis pertencem à pessoa jurídica da qual o recorrente é sócio. Pelo contrário, as informações e as provas são todas no sentido de que se tratam de rendimentos próprios da pessoa física. (fls.165166, 330, 408410, 412, 343, 410412). Para fazer prova do alegado, bastaria juntar cópia do contrato de aluguel firmado entre a Vivo e a pessoa jurídica da qual é sócio e provar o registro das respectivas receitas na contabilidade da empresa. Se ausentes tais provas, não comprovada a origem dos depósitos. Intermediação de negócio realizado entre Duílio Carlos Bianchi, Nelson Nevio, Sérgio e Paulo Bendin. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Assiste razão parcial o recorrente quanto à comprovação de depósitos feitos em sua c/c, no valor total de R$ 399.000,00. Há procuração à fl. 289 e substabelecimento a terceiro à fl. 316, na qual consta venda de imóvel no valor de R$ 399.000,00, conforme consta à fl. 321. Ainda que o valor total dos depósitos feitos pelas pessoas acima indicadas some a importância de R$ 752.295,20, dou por comprovado o valor de R$ 399.000,00, valor da venda do imóvel, realizado pelo recorrente em cumprimento ao mandato que lhe foi outorgado. Impossibilidade de tributação por presunção Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Na realidade, tratase de autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Por isso, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Nesse sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) Inexistência de ganho de capital Com razão o recorrente quanto à improcedência da acusação de omissão de rendimentos provenientes de ganho de capital na alienação de bem imóvel. De acordo com a própria acusação (fl. 35), o custo de aquisição foi de R$ 40.000,00 e o valor da alienação foi de R$ 16.000,00. Logo, não houve ganho, mas sim prejuízo. Multa qualificada Com relação à qualificação da multa, é válido ressaltar que o fato gerador foi determinado pela presunção legal de que os depósitos de origem não comprovada são referentes à rendimentos omitidos. Apesar da validade da presunção para condicionar o lançamento tributário ora contestado, este não é por si só suficiente Fl. 584DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 2201002.692 S2C2T1 Fl. 123 9 para caracterizar o evidente intuito de fraude a justificar a aplicação da multa qualificada. Ademais, a autoridade autuante não demonstra à fl. 36, qual foi a conduta dolosa do recorrente, a justificar a qualificação da multa. Nesse sentido, jurisprudência deste Tribunal: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%. (ACÓRDÃO: 3102002.091.) Como demonstrado no próprio Recurso Voluntário, o recorrente não apresentou provas suficientes que afastassem a presunção legal em que se baseou o Auto de Infração, expedido pela autoridade fiscal. Quanto ao mérito, o recorrente apenas repete os argumentos já expostos por ocasião da Impugnação, sem nada acrescentar em matéria de provas ou de novos argumentos que venham a se contrapor às razões que levaram a DRJ a manter o Auto da forma como lançado. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as acusações referentes a omissão de ganho de capital e justificar a origem dos depósitos no valor de R$ 399.000,00, bem como para excluir a multa qualificada. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc para formalização do acórdão (Despacho de efl. 576) Voto Vencedor Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Redator designado. Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Relator German Alejandro San Martín Fernández, de quem ouso divergir da tese que sustenta, na qual inexistia Ganho de Capital na alienação do imóvel, mas sim prejuízo. O recorrente não arguiu na fase de impugnação que o valor da venda do imóvel tenha sido inferior ao preço de aquisição. Limitase a dizer que as operações, inclusive o Ganho de Capital, seriam de atividades decorrentes do objeto social da pessoa jurídica do qual é sócio e, ainda que não fossem, estas estariam abrangidos pela omissão de depósitos bancários. Na decisão recorrida, em relação às outras infrações, dentre elas a omissão do Ganho de Capital, a razão da improcedência da impugnação foi a falta de comprovação por parte do contribuinte dos elementos que pudesse contradizer o lançamento, ficando no limiar Fl. 585DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 das argumentações de que “se tivesse recebido algum valor a titulo de aluguel, comissão ou ganho de capital, este teria sido objeto de depósito bancário”. Na fase recursal, o Contribuinte levanta que não “houve lucro, mas PREJUÍZO na alienação” e que “o erro cometido pela fiscalização macula o ato fiscal, devendo ser anulado o lançamento, ao menos em relação ao valor de R$ 3.550,32 (três mil quinhentos e cinquenta reais e trinta e dois centavos), e a respectiva multa e juros”. Entretanto, compulsando os autos, observase que o lançamento fiscal é decorrente da venda do imóvel Sorriso, conforme comprovado documentalmente pela fiscalização por meio da Certidão da Matrícula nº 31.676, encaminhada à DRF Joaçaba (SC) em anexo ao Ofício nº 150/2012 do Registro de Imóveis e de Títulos e Documentos da Comarca de Sorriso, em Mato Grosso (fls. 351352). A simples inversão do “valor de alienação” e “custo de aquisição” na tabela constante do Termo de Verificação Fiscal não macula o Auto de Infração, nem significa que tal operação tenha resultado ao contribuinte um prejuízo na alienação do imóvel. Ressaltase que fica mantido do voto vencido a exclusão do valor de R$ 399.000,00 da base de cálculo dos depósitos bancários e a desqualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Isto posto, voto em NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao Ganho de Capital. (Assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 586DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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