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Numero do processo: 13826.000491/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatado erro de fato no acórdão recorrido, devem ser acolhidos os embargos declaratórios para corrigir a contradição apontada.
IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CARÁTER PERSONALÍSSIMO.
A isenção do imposto de renda relativa a rendimentos recebidos por portadores de moléstia grave tem caráter personalíssimo e, portanto, não alcança proventos auferidos pelo dependente do contribuinte.
Numero da decisão: 2201-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, corrigindo o erro de fato apontado no Acórdão nº 2201-002.067, de 16/04/2013, alterar o voto, bem como o resultado do julgamento, para dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o rendimento recebido da Bradesco Vida e Previdência S/A, no valor de R$ 12.138,10.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatado erro de fato no acórdão recorrido, devem ser acolhidos os embargos declaratórios para corrigir a contradição apontada. IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. A isenção do imposto de renda relativa a rendimentos recebidos por portadores de moléstia grave tem caráter personalíssimo e, portanto, não alcança proventos auferidos pelo dependente do contribuinte.
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ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatado erro de fato no acórdão recorrido, devem ser acolhidos os embargos declaratórios para corrigir a contradição apontada. IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. A isenção do imposto de renda relativa a rendimentos recebidos por portadores de moléstia grave tem caráter personalíssimo e, portanto, não alcança proventos auferidos pelo dependente do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, corrigindo o erro de fato apontado no Acórdão nº 2201002.067, de 16/04/2013, alterar o voto, bem como o resultado do julgamento, para dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o rendimento recebido da Bradesco Vida e Previdência S/A, no valor de R$ 12.138,10. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 04 91 /2 00 7- 10 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 09/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.355,65, calculados até 31/08/2007. A fiscalização apurou, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 04): ... omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Beneficio Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 23.276,20 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 1) O contribuinte estava com câncer e acabou falecendo em 27/06/2006, conforme certidão de óbito em anexo. 2) Nos termos da legislação vigente, o contribuinte tem direito à isenção de imposto de renda sobre os proventos recebidos a título de aposentadoria e sobre os valores recebidos a título de previdência privada. 3) Junta declaração emitida pelo Dr. Renato Prado Costa, médico do hospital do Câncer de Jaú, que comprova que o contribuinte era portador de neoplasia de próstata metastático em 26/06/2006, vindo a falecer em 27/06/2006. (...) Em 21/11/2007 anexa documentos de fls. 21/22 emitido pela Fundação Amaral Carvalho. A 7ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO Para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. Lançamento Procedente Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13826.000491/200710 Acórdão n.º 2201002.250 S2C2T1 Fl. 3 3 Intimado da decisão de primeira instância em 26/06/2009 (fl. 38), Felipe Martins de Andrade apresenta Recurso Voluntário em 27/07/2009 (fls. 42/43), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Em 16 de abril de 2013 o processo foi julgado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, por meio do Acórdão nº 2201002.067, decidiram, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Transcrevese a ementa do Julgado: IRPF. ISENÇÃO DE RENDIMENTOS. MOLESTIA GRAVE. Tendo o contribuinte comprovado com documentação hábil que é portador de moléstia grave, à luz do art. 6º da Lei n° 7.713/1988, deve ser acatada a isenção do IRPF, relativa aos proventos de aposentadoria. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs tempestivamente Embargos de Declaração, com base no art. 65 da Portaria MF nº 256/2009, alegando, essencialmente, que apenas uma parte do rendimento isento foi recebido pelo contribuinte (R$ 12.138,10) e a outra parcela do rendimento (R$ 11.138,10), tido como isento pela Turma Julgadora, foi recebida por sua dependente, Mariana Diva Brizzi de Andrade, conforme se pode observar dos documentos de fls. 26/27. Assevera a Fazenda Nacional que, “Assim considerando que a isenção em tela tem caráter personalíssimo, não há respaldo para que a dependente do contribuinte também usufrua do benefício legal ora comprovado através do laudo médico de fl. 44”. Por meio de Despacho, a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF acolheu os Embargos e solicitou a reinclusão dos autos em pauta para reanálise. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah Os Embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Cuida o processo de isenção de rendimentos por moléstia grave, relativo a resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Beneficio Livre, e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual do Bradesco Vida e Previdência S.A. O Acórdão nº 2201002.067, de 16 de abril de 2013, deu provimento integral ao recurso do contribuinte, pois considerou que o Laudo Pericial emitido pelo Centro de Saúde da Prefeitura Municipal de Cândido Mota/SP, fl. 44, confirmou a isenção do imposto por moléstia grave, na forma do art. 6º da Lei n.º 7.713/1988. Contudo, compulsandose os autos, verificase que a exigência fiscal considerou a omissão de duas fontes pagadoras, a saber: Bradesco Vida e Previdência S.A, CNPJ nº 51.990.695/000137, no valor de R$ 12.138,10, recebida pelo contribuinte; e Bradesco Vida e Previdência S.A, CNPJ nº 51.990.695/000137, no valor de R$ 11.188,10, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 recebida pela sua dependente, Mariana Diva Brizzi Andrade, conforme documentos de fls. 04, 26, 27 e 29. Assim, como bem ponderou a Embargante, a isenção em tela tem caráter personalíssimo e, portanto, não há respaldo legal para que a dependente do contribuinte também usufrua do benefício legal comprovado por meio do laudo médico de fl. 44. Nesses termos, voto por acolher os Embargos para, corrigindo o erro de fato apontado no Acórdão nº 2201002.067, de 16/04/2013, alterar o voto, bem como o resultado do julgamento, para dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o rendimento recebido da Bradesco Vida e Previdência S/A, no valor de R$ 12.138,10. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13826.000491/200710 Acórdão n.º 2201002.250 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13826.000491/200710 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.250. Brasília/DF, 18 de setembro de 2013. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000438/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
DESISTÊNCIA DA INICIAL ANTES DA CITAÇÃO DA FAZENDA. NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 1 DO CARF. PRINCÍPIO DA UNIDADE DA JURISDIÇÃO.
A desistência propositura pelo sujeito passivo de ação judicial antes da citação da Fazenda não implica renúncia às instâncias administrativas. Não havendo possibilidade de que sobrevenha decisão judicial, uma vez que houve disponilização de um direito subjetivo antes que surgisse à parte contrária interesse correspondente, não há como falar em concomitância de tutela administrativa e judicial ou prejuízo ao princípio da unidade da jurisdição.
Numero da decisão: 1101-000.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Alexandre Jaguaribe (OAB/DF n. 6.712).
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Manoel Mota Fonseca. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 DESISTÊNCIA DA INICIAL ANTES DA CITAÇÃO DA FAZENDA. NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 1 DO CARF. PRINCÍPIO DA UNIDADE DA JURISDIÇÃO. A desistência propositura pelo sujeito passivo de ação judicial antes da citação da Fazenda não implica renúncia às instâncias administrativas. Não havendo possibilidade de que sobrevenha decisão judicial, uma vez que houve disponilização de um direito subjetivo antes que surgisse à parte contrária interesse correspondente, não há como falar em concomitância de tutela administrativa e judicial ou prejuízo ao princípio da unidade da jurisdição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Alexandre Jaguaribe (OAB/DF n. 6.712). (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Manoel Mota Fonseca. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.000438/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.818 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2012 Matéria IRPJ e Reflexos Arbitramento Recorrente ENERGY INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DESISTÊNCIA DA INICIAL ANTES DA CITAÇÃO DA FAZENDA. NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 1 DO CARF. PRINCÍPIO DA UNIDADE DA JURISDIÇÃO. A desistência propositura pelo sujeito passivo de ação judicial antes da citação da Fazenda não implica renúncia às instâncias administrativas. Não havendo possibilidade de que sobrevenha decisão judicial, uma vez que houve disponilização de um direito subjetivo antes que surgisse à parte contrária interesse correspondente, não há como falar em concomitância de tutela administrativa e judicial ou prejuízo ao princípio da unidade da jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Alexandre Jaguaribe (OAB/DF n. 6.712). (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 04 38 /2 00 9- 66 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Manoel Mota Fonseca. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ENERGY INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por unanimidade de votos, NÃO CONHECEU da impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/01/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.915.875,62. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 05 a 08), da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 13 a 16), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 21 a 24) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 29 a 31), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 2.915.875,62 (valores principais, multas e juros). 2.De acordo com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 87 a 90), o lançamento decorreu do arbitramento do lucro que se fez necessário ante a não apresentação do livro caixa (optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido). Agravouse a multa (112,5%), nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 3.Apresentouse impugnação em 20.02.2009 (fls. 110 e 111), contrapondose, em síntese, que: a) o percentual aplicado no arbitramento do lucro teria sido incorreto, b) o agravamento da multa teria sido indevido e c) não teriam sido levadas em conta retenções efetuadas pelos tomadores de serviços. 4.Nessa mesma data, comunicouse, ao Delegado da DRF Maceió, a propositura de ação judicial para anulação do lançamento (petição inicial, fls. 95 a 108), cujo processo foi extinto sem julgamento do mérito, nos termos do inciso VIII do art. 267 do CPC (sentença de extinção, fl. 399). A Turma julgadora, com fundamento no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3/96, não conheceu da impugnação, na medida em que a contribuinte propôs ação judicial anulatória do lançamento. Destacou o disposto no item “e” do referido Ato, que orienta neste sentido mesmo que o processo já tenha sido extinto, no Poder Judiciário, sem julgamento do mérito. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/07/2011 (fl. 409), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 04/08/2011 (fls. 410/413), no qual declarou a compatibilidade entre os itens “a” e “b” do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3/96 e a Súmula CARF nº 1, mas ressalvou que, no presente caso, jamais coexistiram o processo administrativo e o processo judicial, uma vez que, no dia 05 de março de 2009, antes da citação da Fazenda Nacional, a Recorrente desistiu da ação. Aduziu que a desistência foi comunicada ao Delegado da Receita Federal, acompanhada da sentença de extinção da ação judicial, prolatada em 06 de março de 2009, e reitera que esta extinção se deu antes que a relação processual fosse completada pela citação Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 5 4 da Fazenda, ou seja, antes da formação do processo. Concluiu que não houve concomitância ou litispendência, impondose o conhecimento da impugnação. Acrescentou, ainda, que, de toda sorte, a autoridade julgadora deveria ter apreciado as matérias da impugnação distintas da constante do processo judicial, pois nesta foi pedida a anulação do lançamento exclusivamente em razão do erro na alíquota aplicada para determinação da base de cálculo, ao passo que na impugnação também foi pedida a desconsideração do agravamento da multa de lançamento de ofício de 112,5% para 75%, bem como que fossem consideradas, para dedução dos créditos que restassem lançados, as retenções efetivadas. Pediu, assim, a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de 1a instância conheça da impugnação ou, ao menos, aprecie as matérias distintas da constante da ação judicial. Em 24/08/2011, a autoridade preparadora declarou a impossibilidade de interposição de recurso voluntário, na medida em que a decisão recorrida declarou a definitividade do crédito tributário. Às fls. 452/453 há notícia de decisão proferida em 11/10/2011 nos autos do Mandado de Segurança nº 000513927.2011.4.05.8000, extinguindo o processo sem julgamento do mérito, por falta de interesse de agir da impetrante, porque demonstrado pela impetrada que desde 24/08/2011, não remanesce qualquer recurso em aguardo de julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Observouse que em nenhum momento a impetrante questiona o conteúdo da decisão lavrada pela 3a Turma da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife, mas tãosomente debate a recusa do Fisco em expedir – mesmo após a interposição de recurso voluntário apto a suspender a exigibilidade da obrigação tributária por ela devida – Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. Frisouse que o estudo acerca da retidão do teor dos provimentos administrativos relativos ao caso foge aos limites daquele writ, cabendo a interessada, se entender pertinente, ingressar com ação própria para tanto. Em 29/11/2011 a autoridade administrativa encaminhou os autos ao CARF, ante a decisão proferida em 21/11/2011 no Mandado de Segurança nº 0006727 69.2011.4.05.8000, no qual a contribuinte foi beneficiada com liminar para determinar ao Delegado da Receita Federal em Maceió que promova o regular seguimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 10410.000438/200966 contra o Acórdão nº 1133.855 da 3a Turma da DRJ/REC, encaminhandoo ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF (fls. 461/466). Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A apreciação do recurso voluntário presente nestes autos foi determinada por ordem judicial, a exigir, inicialmente, a definição dos contornos do pedido da impetrante e da decisão proferida pelo Poder Judiciário. Não consta dos autos a petição inicial do Mandado de Segurança nº 0006727 69.2011.4.05.8000, mas apenas a decisão concessiva da liminar. De seu relatório extraise: ENERGY INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA impetrou o presente writ no intuito de obter decisão judicial para dar o regular seguimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal n° 10410.000.438/200966 contra o Acórdão n° 1133.855 da 3a Turma da DRJ/REC, encaminhandoo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 2. Em pedido liminar cumulativo requer a expedição de Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa CPD EN, e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, objeto do Processo Administrativo Fiscal referido, enquanto estiver pendente o julgamento do recurso voluntário na esfera administrativa. 3. Relata a impetrante que em janeiro de 2009, houve a autuação da Secretaria da Receita Federal, através do Processo Administrativo Fiscal (PAF) n° 10410.000.438/200966, tendo sido lançado créditos tributários relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, PIS/PASEP, Contribuição para o financiamento da Seguridade Social e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 4. Sucede que, em 20.02.2009, a impetrante ofereceu impugnação aos lançamentos realizados pela Receita Federal, e, ao mesmo tempo, informou que havia interposto naquela mesma data uma ação anulatória dos lançamentos. 5. No dia 19.03.2009, a impetrante aditou a impugnação do PAF. 6. No dia 20.03.2009, a empresa comunicou ao Delegado da Receita Federal sobre a desistência da ação anulatória de lançamento tributário, des stencia esta formulada na esfera judicial em 05.03.2009 e homologada, por sentença, em 06.03.2009, antes da citação da Fazenda Nacional. 7. No entanto, em 16.07.2011, através da intimação nº 140/2011 a DRF em Maceió deu ciência à impetrante do Acórdão n° 1133.855 da 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Recife, que não conheceu da impugnação e manteve o crédito tributário lançado, sob o fundamento de que a propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. 8. Ciente disto, a impetrante recorreu para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, requerendo a declaração de nulidade da decisão recorrida para que a impugnação seja conhecida e apreciada na instância de piso. 9. Sucede que, em 25.08.2011, a impetrante ajuizou um Mandado de Segurança visando obter Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, pois defendia que a exigibilidade do crédito encontravase suspensa em face da interposição do recurso voluntário para CARF, logo, estava pendente o julgamento do recurso voluntário. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 7 6 10. Em conseqüência, houve o deferimento de liminar, no entanto, ao prestar suas informações, a autoridade coatora apontou que inexistia o recurso voluntário junto ao CARF contra a decisão da DRJ, já que havia sido negado seguimento ao pedido, em obediência às normas internas da RFB. 11. Portanto esvaziouse o objeto do pedido do Mandado de Segurança, autuado sob o n° 000513927.2011.4.05.8000, razão pela qual houve a extinção sem julgamento do mérito. 12. Em decorrência disso, impetra a empresarequerente o presente mandamus no desiderato de obter decisão judicial para dar o regular seguimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal n° 10410.000.438/200966 contra o Acórdão n° 1133.855 da 3a Turma da DRJ/REC, encaminhandoo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 13. Ademais, defende a impetrante o seu direito a obter a Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa CPD EN, enquanto aguarda o julgamento do recurso voluntário pela segunda instância, e, na seqüência, seja deferido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. 14. Informa que o FISCO, atualmente, negase a fornecer a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, apontando como justificativa os débitos/pendências do processo n° 10410.000.438/200966. 15. De outro lado, narra a impetrante a existência de contratos filmados com a Companhia Energética do Piauí CEPISA e a Companhia Energética de Alagoas – CEAL estando obrigada a apresentar mensalmente a prova da regularidade fiscal, inclusive a Certidão Conjunta de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Divida Ativa da União, sem a qual não lhe serão pagos os serviços executados. 16 Caso não haja a prorrogação, por culpa da impetrante, haverá a sua responsabilização pela inexecução dos contratos, com todas as consequências disto decorrentes. Ainda, nos fundamentos da decisão, o MM. Juiz Federal reportase a argumentação da impetrante em defesa do exercício de seu direito de petição, e contrário à definitividade do crédito tributário antes de decisão deste Conselho e ressalta: O objeto deste novo mandamus não adentra no conteúdo da decisão administrativa desfavorável ao contribuinte, entretanto, pretende o contribuinte obter decisão da segunda instância sobre o seu não enquadramento na situação descrita pelo Ato Declaratório Normativo n° 03, de 14.02.1996, expedido pela CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT, ou seja, não houve a coexistência de processos judiciais e administrativos, em face da desistência, nos autos judiciais, antes da citação da Fazenda Nacional. Acrescenta, ainda, que a impetrante, no recurso voluntário, em pedido alternativo, requer o julgamento das matérias distintas da constante ação judicial. Diante deste contexto, disse a autoridade judicial: Considerando que o impetrante nega a configuração da situação fática descrita na alínea "a" do Ato Declaratório Normativo n° 03/96, que justificou a decisão da DRJRecife, em exame superficial, entendo que não é razoável a própria DRFMaceió ratificar a decisão da DRJRecife, e dar o caráter de definitividade ao crédito tributário, quando o órgão administrativo competente para o julgamento de recursos voluntários de decisão de primeira instância é o próprio Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, consoante o art. 1°, do Anexo II, da Portaria n° Fl. 511DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 8 7 256/09. Daí que, ante a plausibilidade do direito vindicado pela impetrante e do perigo na demora na obtenção da tutela de urgência, foi deferida a liminar nos termos descritos no Relatório. A Fazenda Nacional ingressou com Agravo de Instrumento, mas em 13/03/2012 foi declarada a perda de seu objeto, em razão da notícia da prolação de sentença na ação de origem, e, de fato, em 27/01/2012 fora proferida sentença mantendo a decisão liminar, no sentido de determinar à autoridade coatora que desse seguimento ao recurso voluntário interposto nestes autos, encaminhandoo a este Conselho. Nesta decisão foram adotados os mesmos fundamentos antes mencionados para concessão da liminar, mas em razão das informações prestadas pela autoridade coatora, constaram os seguintes apontamentos na sentença: 17. Quanto à questão referente ao seguimento do recurso voluntário por parte da Receita Federal, não merece amparo as razões lançadas pela autoridade coatora no sentido ratificar a decisão administrativa de veto ao conhecimento do recurso voluntário interposto, sob o fundamento de que a propositura de ação anulatória pelo contribuinte inibiria a discussão da matéria na seara administrativa, eis que o impetrante comprovou a desistência da referida ação judicial antes da efetiva citação da Fazenda pública. 18. Em consulta ao TEBAS, mais precisamente no processo de nº 2009.80.00.01020 8, constatase que a impetrante realmente requereu a desistência da referida ação anulatória antes de efetivada a citação da Fazenda Nacional, na data de 06/03/2009. Ocorre que, em 19/05/2011, a Receita Federal decidiu por tornar definitiva a formação do crédito tributário em razão do não conhecimento do recurso. 19. Com efeito, entendo que fora equivocada a decisão administrativa e, neste ponto, ratifico o teor da decisão de fls. 283/285, eis que a Fazenda Nacional não teve qualquer conhecimento da demanda, já que não houve a formalização da citação, só tomando conhecimento da ação judicial pela própria iniciativa do demandante, na esfera administrativa, por simples petição. 20. De fato, é sabido que o processo é formado por dois elementos associados: o procedimento, que retrata um conjunto de atos coordenados no intuito de alcançar um fim, que é a prestação jurisdicional; e a relação jurídicoprocessual, vínculo que une o autor, réu e juiz. Neste sentido, ausente a angularização da relação jurídico processual, mediante a citação efetivamente concretizada, não se pode presumir a existência de ação judicial, por carência de elemento estrutural. A sentença está assim ementada no documento transcrito no sítio da Justiça Federal de Alagoas na Internet: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CND. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA HOMOLOGADA ANTES DA CITAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. SEGURANÇA CONCEDIDA. 1. O procedimento da Receita Federal em negar conhecimento ao recurso voluntário interposto pelo impetrante e, por conseguinte, tornar definitivo o crédito tributário ofende o Código Tributário Nacional, o qual é expresso em exigir prévio conjunto de atos para constituir validamente o crédito tributário, inexistentes neste caso. Imprescindível, no meu entender, a análise derradeira do pleito autoral no âmbito administrativo antes de cobrar a dívida, como, aliás, vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 9 8 2. Não merece amparo as razões lançadas pela autoridade coatora no sentido ratificar a decisão administrativa de veto ao conhecimento do recurso voluntário interposto, sob o fundamento de que a propositura de ação anulatória pelo contribuinte inibiria a discussão da matéria na seara administrativa, eis que o impetrante comprovou a desistência da referida ação judicial antes da efetiva citação da Fazenda Nacional. 3. Segurança concedida. (negrejouse) Contudo, em que pese o teor do trecho acima destacado na ementa da sentença, o objeto do Mandado de Segurança em referência, como expresso na decisão liminar, não adentra no conteúdo da decisão administrativa desfavorável ao contribuinte, pretendendo a contribuinte, apenas, obter decisão da segunda instância sobre o seu não enquadramento na situação descrita pelo Ato Declaratório Normativo n° 03, de 14.02.1996, expedido pela CoordenaçãoGeral de Tributação – COSIT. Por sua vez, as decisões proferidas (liminar e sentença), em seus dispositivos, limitaramse a determinar o encaminhamento do recurso voluntário para este Conselho, sem qualquer definição acerca da validade, ou não, do ato proferido pela 3a Turma da DRJ/Recife, embora referências desfavoráveis a ela tenham sido inseridas no corpo da sentença. Para maior clareza, transcrevese o dispositivo da sentença em referência: 27. Diante do exposto, CONFIRMO A LIMINAR DEFERIDA E CONCEDO A SEGURANÇA, determinando que a autoridade coatora dê seguimento ao recurso voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal 10410.000.438/200966 contra o Acórdão n° 1133.855 da 3ª Turma da DRJ/REC, encaminhandoo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, observando o devido processo legal e a ampla defesa, bem como que a mesma se abstenha de negar à impetrante Certidão Negativa de Débito CPDEN em face do aludido Processo Administrativo Fiscal, enquanto este não for definitivamente julgado. Diante de tal contexto, é de se concluir que o conteúdo da decisão recorrida não é objeto de discussão judicial, o que permite, no presente julgamento, a expressão da livre convicção dos Conselheiros. Relevante registrar, ainda, que já se verificou o reexame necessário da sentença proferida no Mandado de Segurança nº 000672769.2011.4.05.8000, bem como a apreciação da apelação interposta pela Fazenda Nacional. Do acórdão publicado em 21/06/2012, obtido em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 5a Região, extraise a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CND. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA HOMOLOGADA ANTES DA CITAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO COLENDO STJ. 1. A sentença concedeu segurança para determinar que a autoridade coatora dê seguimento ao recurso voluntário ofertado no Processo Administrativo Fiscal PAF indicado, encaminhandoo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , observados o devido processo legal e a ampla defesa, e que a mesma se abstenha de negar à impetrante Certidão Negativa de Débito CPDEM. 2. O procedimento da Receita Federal em negar conhecimento ao recurso voluntário oposto pela impetrante e, por conseguinte, tornar definitivo o crédito tributário ofende o Código Tributário Nacional, o qual é expresso em exigir prévio Fl. 513DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 10 9 conjunto de atos para constituir validamente o crédito tributário, inexistentes neste caso. Imprescindível a análise derradeira do pleito autoral no âmbito administrativo antes de cobrar a dívida. Precedentes do colendo STJ. 3. Comprovada a desistência da ação judicial antes da efetiva citação da Fazenda Nacional, descabe ratificar a decisão administrativa de veto ao conhecimento do recurso voluntário interposto, sob o fundamento de que a propositura de ação anulatória pelo contribuinte inibiria a discussão da matéria na seara administrativa. 4. Apelação e remessa oficial nãoprovidas. (negrejouse) Como se vê no destaque, o acórdão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5a Região também teria comentado a invalidade da interpretação adotada na decisão recorrida ao declarar a concomitância dos processos administrativo e judicial. Mas isto porque a Procuradoria da Fazenda Nacional, no recurso de apelação, suscitando o ajuizamento, concomitantemente, de ação judicial com o escopo de anular os mesmos créditos lançados no PAF indicado, o que, nos termos do referido dispositivo legal, implica renúncia à faculdade de questionar administrativamente crédito fiscal submetido ao crivo judicial, como expresso no relatório do acórdão. De fato, para rebater esta alegação, o voto condutor do acórdão limitase a reproduzir as bemelaboradas motivações esposadas pelo juízo de 1a instância, antes transcritas, decidindo negar provimento à apelação e à remessa oficial. Os autos da apelação e da remessa oficial permanecem, desde 11/07/2012, aguardando ciência da decisão à Fazenda Nacional. Definido, portanto, o âmbito de atuação desta Turma de Julgamento, passase à apreciação dos argumentos da recorrente, inicialmente no que tange ao seu pedido principal de declaração de nulidade da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de 1a instância conheça da impugnação. Entende a recorrente que não coexistiram os processos administrativo e judicial, na medida em que o processo judicial não se formou, vez que formalizada a desistência pela autora antes da citação da Fazenda Nacional. Como relatado, em 28/01/2009 a contribuinte foi cientificada do lançamento (fl. 113), facultandolhe a interposição, no prazo de 30 (trinta) dias, de impugnação. À fl. 95 há DARF recolhido em 05/02/2009 para obtenção de cópia do presente processo administrativo e, na seqüência, consta cópia da petição inicial da Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2009.80.00.0010208 (fls. 96/108), assinada em 20/02/2009 e expressando o seguinte pedido: a) que seja julgada procedente a presente ação, para o fim de se anular o lançamento tributário, Auto de Infração IRPJ n° 10410.000438/200966, com a alíquota majorada incidente sobre a prestação de serviços, sem a cautela desta prestação ser por empreitada com utilização de materiais próprios, e, por via de conseqüência o PIS/PASEP, o CONFINS e a Contribuição Social (CSLL); b) a concessão da tutela antecipada, com suspensão da exigibilidade do tributo; c) a citação da ré, na pessoa de seu representante judicial; d) a condenação da ré no pagamento das verbas da sucumbência; Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 11 10 e) produção de provas por todos os meios admitidos em direito, principalmente provas documentais. Consulta ao sítio da Justiça Federal de Alagoas, na Internet, permite verificar que referida ação foi proposta em 20/02/2009. Na mesma data foi proferida decisão negando a antecipação de tutela requerida pela interessada, sob os seguintes fundamentos: Não identifico a plausibilidade das alegações autorais. Isso porque os fatos afirmados pelo autor passam pela análise de situações de fato incabíveis de serem feitas em sede liminar. A tese do demandante, escorada principalmente na utilização inadequada da alíquota do imposto cobrado e desconsideração dos valores cobrados na fonte, assentase em fatos cuja veracidade exige dilação probatória, somente reveláveis em momento processual vindouro. Há de se considerar também que os atos administrativos são dotados da presunção de legitimidade, somente desfeita a partir de robustos elementos apresentados pelo impugnante, o que, como se percebe a partir das ponderações acima, não ocorreu no caso sub judice, nomeadamente em casos que houve o devido procedimento fiscal referente a apuração consubstanciada no Auto de Infração IRPJ nº 10410.000438/200966. Ademais, a autora não realizou nenhuma medida visando garantir o juízo para amparar, em sede de medida antecipatória, a suspensão da exigibilidade do tributo. Referida sentença foi publicada em 27/02/2009 e em 05/03/2009 há o registro de ingresso de petição, seguida de sentença proferida em 06/03/2009 e publicada em 12/03/2009, declarando extinto o processo, sem julgamento do mérito, na medida em que o requerimento foi feito antes da citação da ré. Também em 20/02/2009 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 110/111 na qual requereu o provimento de sua defesa para o fim de: a) ser desconsiderado o percentual de 38,40% utilizado na determinação das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL e ser utilizado o percentual de 9,6%; b) ser desconsiderado o agravamento da multa de oficio, sendo esta reduzida para o percentual de 75%; c) serem consideradas, para dedução dos créditos tributários que restem lançados, as retenções efetivadas. Em 19/03/2009 a impugnante aditou sua defesa, ampliando seus fundamentos jurídicos para os mesmos pedidos acima transcritos, e juntando os documentos de fls. 122/393. Em 20/03/2009 a contribuinte comunicou a desistência da Ação Anulatória nº 2009.80.00.0010208, apresentando a sentença homologatória (fls. 397/400). Diz o Ato Declaratório COSIT nº 3/96: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona et matéria diferenciada (...); Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 12 11 c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá à inscrição em divida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC) Como bem reconhece a recorrente, o conteúdo dos itens “a” e “b” do referido Ato Declaratório está também expresso em Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Contudo, ambos os atos apontam a propositura de ação judicial como ato suficiente para impedir a apreciação, no contencioso administrativo, de matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Não se exige, portanto, a coexistência dos processos administrativo e judicial para se concluir pela renúncia às instâncias administrativas, mas apenas o ato de propor ação judicial por qualquer modalidade processual. Diz o Código de Processo Civil: Art.263. Considerase proposta a ação, tanto que a petição inicial seja despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. A propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art. 219 depois que for validamente citado. [...] Art.284. Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) dias. Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. Nestes termos, poderseia afirmar que não houve propositura de ação, apenas, se a petição inicial fosse declarada inepta, possibilidade esta excluída no presente caso, na medida em que o pedido de antecipação de tutela nela contido foi apreciado e negado pela autoridade judicial. Em que pese a interpretação em sentido contrário, colacionada sem conteúdo vinculante nas decisões judiciais antes reproduzidas, adotase aqui o entendimento de que a contribuinte declinou de seu direito à discussão administrativa quando optou por submeter a matéria ao Poder Judiciário. Para que a desistência pudesse ser eficaz, necessário seria que ela se verificasse antes de transcorrido o prazo para impugnação ao lançamento. Contudo, como Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 13 12 visto, ela somente foi requerida em 05/03/2009, depois de negada a antecipação de tutela em 27/02/2009, mesma data em que se encerrou o prazo para impugnação ao lançamento. Portanto, no período em que lhe era possível impugnar o lançamento, a contribuinte praticou ato incompatível com sua conduta na esfera judicial. Na medida em que optara por lá debater a utilização de alíquota majorada incidente sobre a prestação de serviços, sem a cautela desta prestação ser por empreitada com utilização de materiais próprios, deixou de ter o direito de questionar a mesma matéria na esfera administrativa. De outro lado, porém, tem razão a recorrente ao defender seu direito de ver apreciados os demais argumentos deduzidos em sua impugnação. De fato, caso a ação judicial tivesse curso, declarandose a validade da forma de cálculo adotada para determinação do lucro arbitrado no período autuado, seria necessário definir se o crédito tributário seria devido na integralidade, ou se caberiam as deduções em razão das retenções alegadas na impugnação, bem como se a exigência deveria ser feita com multa de 112,5% ou 75%, consoante também argüiu a contribuinte. Entendeu a autoridade julgadora de 1a instância que a propositura de ação anulatória do lançamento seria suficiente para o não conhecimento integral da impugnação. Todavia, embora haja semelhança entre os pedidos da ação judicial e da impugnação, na medida em que ambos pretendiam a desconstituição do lançamento, resta claro que na impugnação foi apresentada argumentação subsidiária não deduzida em juízo. Assim, firmandose aqui entendimento distinto da autoridade julgadora de 1a instância, impõese a declaração de nulidade parcial da decisão recorrida, para que não haja cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, determinandose o retorno dos autos DRJ/Recife para apreciação dos argumentos de defesa que não integraram o objeto da Ação Anulatória nº 2009.80.00.0010208. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O princípio da unidade da jurisdição determina que, havendo concomitância entre o objeto da discussão administrativa e o da lide judicial, tendo ambos origem em uma mesma relação jurídica de direito material, tornase prejudicada a defesa na via administrativa, uma vez que esta se subjuga àquela, em face da preponderância do mérito pronunciado na instância judicial. É certo que prestação da tutela jurisdicional se inicia mediante a provocação do Estadojuiz, segundo o sistema dispositivo da formação do processo. A propositura da ação determina a formação do processo, com o estabelecimento da relação processual entre o autor o Estadojuiz; porém a estabilização do processo só se opera com a citação do réu. Citado o réu, o Estado também se obriga perante o réu a prestarlhe jurisdição, restando completa a relação processual. Efetivada a citação, ambos, autor e réu, têm direito à tutela jurisdicional, e a desistência da ação por parte do autor só se realiza com a concordância do réu, porque ambos passam a ter direito à tutela jurisdicional e à prolação de uma sentença de mérito. Ocorre que, optando pela desistência da ação antes de realizada a citação do réu, não se operou a estabilização do processo, e a renúncia à tutela jurisdicional cingese à disponibilização de um direito subjetivo do autor. A desistência da ação antes da citação do réu não provoca prejuízo a direito ao curso da ação pela Fazenda Nacional, porque pretenso direito não nascera, não sendo esta credora da tutela jurisdicional. Ademais, a inteligência da súmula CARF nº 1, que estabelece que a propositura de ação judicial implica renúncia às instâncias administrativas, é no sentido de que o contribuinte, em seu direito de obter uma resposta do Estado, abdica da tutela administrativa quando seu estado em juízo importará outra decisão que, ou ratificaria a decisão administrativa, ou a ela sobreporseia. A ideia contida na renúncia às instâncias administrativas, então, pautase pela desnecessidade da decisão administrativa face à decisão judicial. Quando o jurisdicionado desiste da ação, ele não obterá decisão judicial, e negarlhe a oportunidade de defenderse na esfera administrativa implicaria priválo de exercer um direito subjetivo garantido pelo Estado Democrático de Direito. Não havendo possibilidade de que sobrevenha decisão judicial, uma vez que houve disponilização de um direito subjetivo antes que surgisse à parte contrária interesse correspondente, não há como falar em concomitância de tutela administrativa e judicial ou prejuízo ao princípio da unidade da jurisdição. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10410.000438/200966 Acórdão n.º 1101000.818 S1C1T1 Fl. 15 14 Diante o exposto, voto por anular a decisão ora recorrida, e determino que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento examine a peça impugnatória, proferindo nova decisão. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10120.007577/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médica e enseja a qualificação da multa de ofício. (Súmula CARF nº 40)
Numero da decisão: 2202-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fabio Brum Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médica e enseja a qualificação da multa de ofício. (Súmula CARF nº 40) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fabio Brum Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 75 77 /2 01 0- 10 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório ROSANA DE LIMA SOARES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 87) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 25/35, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, no valor de R$ 6.792,50, acrescido de multa de ofício (qualificada) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 19.379,53. A infração que ensejou o lançamento foi a dedução indevida de despesas médicas. Segundo o relatório fiscal as despesas glosadas referemse a pagamentos declaradamente feitos a Valeria Lobo Silveira, considerando que os recibos emitidos por essa profissional no período de 2006 a 2008 foram declarados ideologicamente falsos por ato da Secretaria da Receita Federal, Ato Declaratório nº 124, de 17/05/2010, publicado no DOU em 18/05/2010, por terem sido emitidos sem a devida contraprestação dos serviço. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os contribuintes ouvidos no processo que deu causa ao Ato Declaratório nº 124 eram todos servidores públicaos do quadro da Saneago, enquanto a impugnante tem como única fonte de renda a empresa bbot Laboratórios do Brasil Ltda; que apesar de ter plano de saúde UNIMED, há limitações de consultas anuais de audiologia; que por ser profissional de área de marketing laboral faziase indispenável uma boa dicção para a apresentação dos produtos; que realizou vária consultas com a profissional Valéria Lobo Silveira a um custo de R$ 100,00 cada; que a autuação é ilegítima por falta de subtrato fático e jurídico, que a autuaçao distorce a realidade; que a autuação excedeu ao lapso temporal cujos recibos foram emitidos, pois alcançou o ano calendário de 2005; que a presunção de legitimidade do lançamento não dispensa a Fazenda Pública de demonstrar a metodologia seguida para o arbitramento do imposto; que a autuação não apresentou provas conclusivas da inidoneidade dos recibos; que o lançamento baseiase apenas em indícios. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, diferentemente do que alegado pela defesa, há sim nos autos elementos que justificariam a autuação na forma como foi feita; que consta dos autos o Ato Declaratório que declarou inidôneos os recibos emitidos pela profissional Valéria Lobo Silveira que trazem informações suficientes para que a contribuinte conhecesse os fundamentos para as glosas; que a contribuinte não comprovou a efetividade dos pagamentos e da prestação dos seviços, e que a matéria da glosa de despesas declaradamente pagas a profissionais em relação aos quais se declarou a inidineidade é matéria sumulada pelo CARF. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 21/07/2011 (fls. 105) e, em 15/08/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 107/118, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnaçao e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: Ante o acima exposto, requerse Vossa Excelência o conhecimento e provimento do presente Recurso para reformar a decisão que julgou improcedente a impugnação, decretando, por conseguinte: a) a exclusão imediata da autuação dos valores referentes ao anocalendário 2005, não abrangidos pelo atodeclaratório executivo nº 124, de 17 de maio de 2010, e que totalizam o Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10120.007577/201010 Acórdão n.º 2202002.441 S2C2T2 Fl. 3 3 montante de 6.874,32, pois os recibos emitidos neste período não foram declarados inidôneos; b) concomitantemente com o pedido anterior, que seja decretada a total ilegalidade da exação em razão da efetiva contraprestação dos serviços descritos nos recibos anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de valores declarados como despesas médicas. Tratase de pagamentos declaradamente feitos a Valeria Lobo Silveira os quais foram glosado em razão de recibos emitidos por essa profissional no período de 2006 a 2008 terem sido declarados ideologicamente falsos por ato da Secretaria da Receita Federal. Tratase do Ato Declaratório nº 124, de 17/05/2010, publicado no DOU em 18/05/2010, por terem sido emitidos sem a devida contraprestação dos serviço. Pois bem, embora a Contribuinte argumente que efetivamente realizou os pagamentos, o fato é que não apresentou provas, seja da efetividade dos serviços contratados, seja dos pagamentos declaradamente feitos. Nestas condições, aplicase o entendimento consagrado na jurisprudência deste Conselho quanto à ineficácia dos recibos apresentados para comprovar as despesas. Tratase da Súmula CARFnº 40, que tem o seguinte enunciado: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicasa e enseja a qualificação da multa de ofício. A Recorrente argumenta que o Ato Declaratório nº 124 referese apenas aos anoscalendário de 2006 a 2008, mas o lançamento compreende também o anocalendário de 2005. Todavia, com relação a este ano, a Contribuinte também não apresentou elementos de prova da efetividade dos serviços e dos pagamentos e, portanto, também em relação a eles não comprovou a efetividade da despesa. Notese que a súmula é um ato que formaliza, em caráter geral a ineficácia dos recibos emitidos por determinado profissional, mas a ausência da súmula não representa, necessariamente, que os recibos por si só comprovem as despesas. Havendo dúvida fundada sobre a efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados, e neste caso, é evidente que há, cumpriria à contribuinte comprovar os pagamentos efetuados, o que não fez. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Quanto à qualificação da multa de ofício, a própria súmula CARF já se refere ao seu cabimento. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001830/96-75
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/10/1996
ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido recurso especial por divergência quando nos Acórdãos recorrido e paradigma há similaridade entre a situação fática e divergência entre as soluções jurídicas dadas ao caso.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUBRIZOL PRODUCT 0969.0. ADITIVO PARA ÓLEOS LUBRIFICANTES.
Sendo incontroverso que o produto Lubrizol Product 0969.0 se trata de um aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes e com função anticorrosiva correta sua classificação na posição 38.11.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama (Relatora). Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann para redigir o voto vencedor; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Susy Gomes Hoffmann - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/10/1996 ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido recurso especial por divergência quando nos Acórdãos recorrido e paradigma há similaridade entre a situação fática e divergência entre as soluções jurídicas dadas ao caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUBRIZOL PRODUCT 0969.0. ADITIVO PARA ÓLEOS LUBRIFICANTES. Sendo incontroverso que o produto Lubrizol Product 0969.0 se trata de um aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes e com função anticorrosiva correta sua classificação na posição 38.11. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/10/1996 ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido recurso especial por divergência quando nos Acórdãos recorrido e paradigma há similaridade entre a situação fática e divergência entre as soluções jurídicas dadas ao caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUBRIZOL PRODUCT 0969.0. ADITIVO PARA ÓLEOS LUBRIFICANTES. Sendo incontroverso que o produto Lubrizol Product 0969.0 se trata de um aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes e com função anticorrosiva correta sua classificação na posição 38.11. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama (Relatora). Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann para redigir o voto vencedor; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Susy Gomes Hoffmann Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 18 30 /9 6- 75 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência em face do acórdão prolatado pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, para reconhecer que a classificação fiscal por ele adotada na importação do produto Lubrizol Product 0969.0, qual seja, 3811.29.0000, está correta, em detrimento da classificação fiscal adotada pelos fiscais autuantes, isto é, 3823.90.9999. Informa, para fundamentar seu recurso especial, que o acórdão recorrido contraria a decisão proferida pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, AC 30234192, cuja ementa é a seguinte: “ Classificação Tarifária Lubrizol 969.0 – Classificase no código TAB 3823.90.9999, o produto de nome comercial Lubrizol 969.0, conforme Orientação NBM/DIVITRI 7° RF n° 670/91, confirmada pelo Despacho 331/93. Cabível o procedimento de ofício, quando o contribuinte, ciente do resultado da consulta, não adota providências no sentido de aplicar a classificação tarifária correta, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de formalizado o processo, e após a ciência da Orientação. Recurso voluntário parcialmente provido. (AC 30234192, Relator: Paulo Roberto Cucco Antunes, Doc. 1)”. O recurso foi admitido conforme despacho de fls. 768/769. O contribuinte devidamente intimado apresentou tempestivamente suas contrarazões ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando, em síntese, o não cabimento do recurso especial de divergência, e no, mérito que a decisão recorrida não deve ser reformada, uma vez que se encontra correta ao reconhecer a classificação do produto Lubrizol Product 0969 na posição 3811. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Preliminarmente, cumpreme analisar os requisitos de admissibilidade do presente Recurso Especial de Divergência. Nos termos do Regimento Interno vigente a época da interposição do recurso especial de divergência em exame, o Recorrente deveria em seu recurso demonstrar a divergência por ela apontada na interpretação de lei federal que tenha dado uma das Câmaras do extinto Conselho de Contribuintes. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10735.001830/9675 Acórdão n.º 9303000.810 CSRFT3 Fl. 792 3 Com efeito, não bastava que a conclusão a que se chegou os acórdãos confrontados indicasse conclusões distintas, mas as premissas que levaram às referidas decisões deveriam, ao menos, ser semelhantes, a ensejar uma interpretação divergente sobre o mesmo fato. Melhor ainda, era fundamental para que a divergência apontada autorizasse o cabimento do recurso especial que houvesse interpretações divergentes de lei federal. O que se verifica é que o acórdão dito divergente aponta uma classificação fiscal distinta do acórdão recorrido para uma determinada mercadoria, porém, da leitura da ementa do acórdão recorrido, bem como do corpo de seu texto, em comparação ao do paradigma, percebese que as premissas consideradas por ambas decisões são totalmente distintas. O acórdão recorrido ao concluir pelo acerto da classificação fiscal do produto adotada pelo contribuinte e, por conseguinte, determinar o cancelamento do lançamento fiscal, analisa os elementos que compõem o produto e suas características, o que é necessário para a identificação de sua correta classificação fiscal. Todavia, o acórdão dito paradigma, em nenhum momento, aponta para as características do produto, ou sequer se pronuncia sobre a classificação do mesmo. Neste sentido, cabe aqui transcrever a ementa do acórdão trazido aos autos como paradigma: “Classificação Tarifária Lubrizol 969.0 – Classificase no código TAB 3823.90.9999, o produto de nome comercial Lubrizol 969.0, conforme Orientação NBM/DIVITRI 7° RF n° 670/91, confirmada pelo Despacho 331/93. Cabível o procedimento de ofício, quando o contribuinte, ciente do resultado da consulta, não adota providências no sentido de aplicar a classificação tarifária correta, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de formalizado o processo, e após a ciência da Orientação. Recurso voluntário parcialmente provido. (AC 30234192, Relator: Paulo Roberto Cucco Antunes, Doc. 1)”. Com efeito, verificase que a decisão paradigma limitase a aplicação do resultado da consulta fiscal e, por conseguinte, não discute a correção da classificação fiscal adotada pelo contribuinte em face do entendimento da fiscalização, não servindo, portanto, a meu ver, como paradigma capaz de autorizar o cabimento de recurso especial. Vejase que não há sequer como confrontar uma decisão com a outra a ensejar um posicionamento deste colegiado. Não obstante o entendimento desta relatora quanto o não cabimento do recurso especial em exame pelas razões acima mencionadas, passo a analisar o mérito do recurso, eis que restei vencida, uma vez que os demais Conselheiros desta Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF decidiram por conhecer o recurso. Assim, passo ao mérito. Não vejo como prosperar o inconformismo da Recorrente no que respeita a classificação fiscal do Lubrizol 969.0 na posição 3811.29.00, em detrimento da sugerida no processo de consulta fiscal. Como elucidado no acórdão recorrido, tratandose o produto Lubrizol Product 0969.0, de um aditivo para óleos lubrificantes com função anticorrosiva – Fl. 840DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 característica esta com a qual a fiscalização não discorda , não pode ser outra sua classificação, que não na 3811.29.0000, segundo a qual: “Posição 38.11 – Preparações antidetonantes, inibidores de oxidação, aditivos peptizantes, beneficiadores de viscosidade, aditivos anticorrosivos e outros aditivos preparados, para óleos minerais (incluída a gasolina) ou para outros líquidos utilizados para os mesmos fins que os óleos minerais.” (Grifouse) Veja –se que a posição adota pelo contribuinte e confirmada pelo acórdão recorrido se amolda como uma luva em face das características do produto. Ademias, cabe registrar que a posição 3823.90.9999 defendida pela Recorrente, é uma posição residual, eis que a mesma compreende, em observância ao seu próprio texto, produtos que não se enquadram em nenhuma outra posição do Capítulo 38 da Tarifa Aduaneira do Brasil TAB, não se tratando, por óbvio, do caso em questão. Dispõe a posição 3823: “Posição 38.23 – Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição; produtos químicos e preparações das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições; produtos residuais das indústrias químicas ou das indústrias conexas, não especificados nem compreendidos em outras posições.” (Grifouse) Com efeito, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – referentes às posições objeto da controvérsia, prescreve que a posição 38.23 não pode ser aplicada ao caso em questão, conforme já observado no acórdão ora recorrido, uma vez que se trata de uma classificação que engloba produtos não especificados nem compreendidos em outras posições e, como já admitido pelo próprio fisco, em conformidade com o processo de consulta, ao afirmar que o “Lubrizol Product 0969.0 – Aditivo utilizado na fabricação de óleos lubrificantes para engrenagens, com função anticorrosiva”, já demonstra que o produto objeto da análise se constitui, de fato, em aditivo para óleos lubrificantes, o que torna incorreta sua classificação na posição 38.23. Dessa forma, mostrase totalmente incensurável a posição adotada pelo acórdão ora recorrido. Em face do exposto, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo os efeitos produzidos pela decisão ora recorrida. É como voto. Nanci Gama Fl. 841DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10735.001830/9675 Acórdão n.º 9303000.810 CSRFT3 Fl. 793 5 Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora Designada Com o devido respeito ao voto dado pela Nobre Conselheira Nanci Gama, ouso divergir de seu entendimento. Na verdade, tanto o Acórdão Recorrido como o Acórdão paradigma referem se ao mesmo produto e ao mesmo contribuinte e as decisões caminham por lados opostos. O fato de que as razões de decidir terem sido por motivos muito distintos não é impeditivo para o conhecimento do Recurso. O artigo 67 do RICARF prevê que Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. A questão da interpretação divergente que se tem neste caso é sobre a classificação fiscal do produto, de tal modo que se uma Turma julgadora adota uma classificação e outra Turma adota outra classificação fiscal para o mesmo produto, é certo que a divergência está posta. Exigir, para a configuração da divergência que exista ponto de intersecção entre as razões de decidir dos julgamentos divergentes é criar hipótese diversa da prevista no Regimento Interno. O fato de que no Acórdão Paradigma a solução se deu em razão de ser acatada a Solução de Consulta feita pelo Contribuinte, não deixa de adotar uma classificação fiscal, resultando numa interpretação divergente à situação fática (classificação fiscal do produto) dada por outra Turma julgadora. Ademais, cumpre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, solucionar a divergência entre os julgados das Turmas. De tal modo que a divergência se dará quando para casos em que há similaridade dos fatos, foram realizados julgados diversos. Portanto, como resta indubitável que há a mesma moldura fática para os dois julgados – Acórdão Recorrido e Acórdão Paradigma – com soluções jurídicas distintas, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Susy Gomes Hoffmann Fl. 842DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13837.720186/2012-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
Declaração De Benefícios Fiscais. Falta/Atraso Na Entrega. Penalidade Revogada.
A Instrução Normativa RFB nº 1.389/13 revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307/12, que disciplinava sobre a multa por falta de entrega da Declaração de Benefícios Fiscais, em razão da revogação parcial do artigo 57, inciso I, da MP nº 2.158-35/01 pelas disposições da Lei nº 12.766/12 (PN RFB nº 03/13)
Princípio da Retroatividade Benéfica.
Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando deixe de defini-lo como infração e/ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, a e b, Código Tributário Nacional)
Numero da decisão: 1801-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 Declaração De Benefícios Fiscais. Falta/Atraso Na Entrega. Penalidade Revogada. A Instrução Normativa RFB nº 1.389/13 revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307/12, que disciplinava sobre a multa por falta de entrega da Declaração de Benefícios Fiscais, em razão da revogação parcial do artigo 57, inciso I, da MP nº 2.158-35/01 pelas disposições da Lei nº 12.766/12 (PN RFB nº 03/13) Princípio da Retroatividade Benéfica. Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando deixe de defini-lo como infração e/ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, a e b, Código Tributário Nacional)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 134 1 133 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13837.720186/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.686 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2013 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DECLARAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS (DBF) Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE PIRACAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. FALTA/ATRASO NA ENTREGA. PENALIDADE REVOGADA. A Instrução Normativa RFB nº 1.389/13 revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307/12, que disciplinava sobre a multa por falta de entrega da Declaração de Benefícios Fiscais, em razão da revogação parcial do artigo 57, inciso I, da MP nº 2.15835/01 pelas disposições da Lei nº 12.766/12 (PN RFB nº 03/13) PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definilo como infração e/ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, “a” e “b”, Código Tributário Nacional) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 72 01 86 /2 01 2- 78 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 135 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fls. 11, com a exigência do crédito tributário no valor de R$105.000,00 a título de vinte e um mesescalendário de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 20.12.2011 da Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 31.03.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.113, de 28 de dezembro de 2010. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0210, argumentando que discorda do procedimento fiscal com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita que municipalidade desconhecia a doação recebida para suprir o Fundo dos Direitos da Criança e Adolescente. Diz que está amparada pelo instituto da denuncia espontânea. Alega que a Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, está expressamente revogada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. Diz que não pode ser aplicada multa por falta de cumprimento de obrigação acessória e assim a exigência é nula, já que é uma entidade imune. Suscita que a multa te caráter de confisco e por essa razoa é inconstitucional e ainda fere sua capacidade contributiva. Acrescenta que deve ser notificado no endereço de seu representante legal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que a exigência deve ser cancelada . Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0537.404, de 27.03.2012, fls. 94102: Impugnação Improcedente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 136 3 DBF.ATRASO NA ENTREGA.MULTA O contribuinte obrigado a entregar a Declaração de Benefícios Fiscais sujeitase à cobrança da multa de R$ 5000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário de atraso a contar da data de entrega estabelecida em ato normativo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. MULTA POR ATRASO. ALEGAÇÕES DE AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ Alegações de ausência de dolo ou máfé não elidem a aplicação da penalidade por atraso na entrega da declaração de informações, porque a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECISÕES JUDICIAIS. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. VINCULAÇÃO Dada a vinculação plena que a atividade do lançamento impõe não cabe discutir legalidade de um ato normativo através da via do contencioso administrativo. Apenas declarações de inconstitucionalidade direta ou incidental emanadas pelo STF, e esta última após resolução do Senado, vinculam a administração tributária em face do seu alcance erga omnes. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Notificada em 23.11.2012, fl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.12.2012, fls. 5259, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 137 4 A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional2. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 138 5 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Em relação à produção de efeitos da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, vale ressaltar que vigora por força do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001, uma vez que “ as medidas provisórias editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional”. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)6. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 6 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 139 6 No exercício do seu poder regulamentar e com base no art. art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, a RFB instituiu a Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), cuja apresentação é obrigatória para, entre outras entidades, os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional, referentes às doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e Adolescente. O programa e as instruções para preenchimento da DBF estão disponíveis na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e são de livre reprodução. A DBF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao anocalendário imediatamente anterior, por intermédio da Internet, utilizandose o Programa Receitanet, que está disponível no endereço do sítio institucional. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. No que se refere à penalidade, cabe esclarecer que a partir de 04.12.2007, restou estabelecido que a não apresentação da DBF no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Essa multa tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. A partir de 30.12.2010, para a apresentação da DBF relativa a fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. Até 27.12.2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). A partir de 28.12.2012, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea (a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 140 7 Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) 7 Nesse sentido foi editada a Instrução Normativa RFB nº 1.389, de 30 de agosto de 2013, que vigorou a partir de 02.09.2013 e revogou expressamente o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 27 de dezembro de 2012 que previa que a não apresentação da DBF no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo, e (b) multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas (Instrução Normativa RFB nº 311, de 28 de março de 2003, Instrução Normativa RFB nº 789, de 30 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 1.113, de 28 de dezembro de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.120, de 22 de dezembro de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 27 de dezembro de 2012 e Instrução Normativa RFB nº 1.389, de 30 de agosto de 2013). Por via de consequência tem cabimento a aplicação do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. 7 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 141 8 No presente caso está correta a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 20.12.2011 do Declaração de Benefícios Fiscais (DBF)) do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 31.03.2010, independentemente da intenção do agente. Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$31.500,00 pelos vinte e um mesescalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$31.500,00 (trinta e um mil e quinhentos reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada Divirjo do entendimento da Conselheira Relatora, pois o dispositivo legal que previa a penalidade tributária foi revogado, fato reconhecido pela Administração Tributária, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 142 9 devendose aplicar ao caso em concreto o princípio tributário insculpido no artigo 106, do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172/66), conhecido por retroatividade benigna da norma tributária: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] a) quando deixe de definilo como infração; [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A penalidade em questão – multa por atraso/não entrega da Declaração de Benefícios Fiscais – DBF estava prevista inicialmente na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu artigo 57, inciso I, de forma genérica: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.77910, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, nos seguintes termos: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; 10 Lei nº 9.779, de 1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 143 10 II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) Ao analisar as alterações legislativas, que extraíram da aplicação de multas por infração a obrigações acessórias a generalidade, passandose a especificar na norma os sujeitos passivos alcançados e novos valores cominados, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou o Parecer Normativo nº 03 de 10 de junho de 2013, interpretando os efeitos da nova legislação sobre os casos que trata. Dispõe o referido Parecer, explicitamente: (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5ºda Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (e Lalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 144 11 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (eLalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. (grifos não pertencem ao original) E especificamente sobre a DBF – Declaração de Benefícios Fiscais, normatizou no âmbito da RFB: 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. (grifos não pertencem ao original) Impôs, ainda: 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos não pertencem ao original) Daí que a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.389, de 30/08/2013, revogou expressamente o artigo 5º da IN RFB nº 1.307, de 27/12/12: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 145 12 Art. 2º Fica revogado o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.30711, de 2012. Pelo exposto, a penalidade imposta pela ausência da entrega de DBF – Declaração de Benefícios Fiscais, foi expressamente revogada (derrogação), nos casos em que os contribuintes obrigados não foram intimados a apresentála, por norma tributária posteriormente editada, fato reconhecido pelo órgão exator, não podendo subsistir a sua exigência contra a recorrente, por força do princípio da retroatividade benigna da norma tributária que deixa de cominar penalidade por ato anteriormente considerado infração tributária. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes 11 Art. 5º A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (Revogado pela Instrução Normativa nº 1.389, de 30 de agosto de 2013) I multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo; e II multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem por termo inicial o 1º (primeiro) dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13837.720186/201278 Acórdão n.º 1801001.686 S1TE01 Fl. 146 13 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10183.721656/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Excluí-se da base de cálculo do imposto devido os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes ou alimentando, nos limites legais, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior e à educação profissional.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar dedutíveis os valores pagos a título de despesas com instrução dos filhos, no limite admitido pela legislação, de R$ 5.184,58.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Francisco Marconi de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canario da Silva. Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluíse da base de cálculo do imposto devido os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes ou alimentando, nos limites legais, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior e à educação profissional. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar dedutíveis os valores pagos a título de despesas com instrução dos filhos, no limite admitido pela legislação, de R$ 5.184,58. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 16 56 /2 01 0- 01 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canario da Silva. Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório O recurso voluntário é decorrente da dedução indevida de despesas médicas e de pensão alimentícia judicial apurada na Notificação de Lançamento de fls. 30 a 35, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física ano calendário 2008. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: (i) o valor de R$ 13.872,68 se refere a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais resultante da decisão que homologou o acórdão entre as partes no divórcio consensual; (ii) os valores foram pagos a Maria Soliane Poquiviqui (proc. 43.287/2002 – oito salários mínimos mensais) e a Ivonete Aparecida Lorencetti (proc. 959/1998 – quatro salários mínimos mensais), mais as despesas escolares dos filhos Luana L. de Oliveira e Pedro A. L. de Oliveira; (iii) todos os anos tem sido notificado pelo mesmo motivo e sempre tem comprovado a veracidade dos fatos; e (iv) as despesas médicas, no valor de R$ 1.416,45, são do próprio declarante. A DRJ em Campo Grande/MS, por meio do Acórdão nº 0427.230 (fls. 56 a 59), excluiu as despesas médicas. Entretanto, acatou apenas os valores da pensão judicial já reconhecidos pela fiscalização, não aceitando a despesa com instrução por falta de comprovação de seu pagamento. Cientificado em dezessete de fevereiro de 2012 (fl. 65), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em oito de fevereiro de 2012 (fls. 66 e 67), alegando que os contratos são provas da frequência escolar dos filhos e do seu compromisso financeiro. Ao requerimento, junta: a) os recibos de quitação da mensalidade de Luana Lorencetti de Oliveira, no valor de R$ 3.135,60 (fl. 74), e Pedro Alisson Lorencetti de Oliveira, no valor de R$ 2.712,96 (fl. 76). b) as certidões de nascimento dos filhos confirmando que à época eram menores de idade; e c) o Termo de Acórdão de dissolução Consensual de Sociedade de Fato, Partilha de Bens e Guarda dos Filhos e Alimentos, homologado em 1998 pela Juíza de Direito da cidade de Cárceres, no qual consta que, independente das obrigações assumidas, o contribuinte ficaria responsável pelas necessidades médicas, odontológicas e farmacêuticas que seus filhos vierem a necessitar, “bem como pelas despesas com a educação escolar”. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.721656/201001 Acórdão n.º 2101002.286 S2C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Pelo que consta da decisão de primeira instância, a dedução das despesas médicas foi acatada, restando como litígio somente a dedução com a pensão alimentícia, assim descrita na Notificação de Lançamento: Glosa do valor de R$ 13.872,68, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Intimado,contribuinte apresentou os seguintes comprovantes cujos valores divergem dos declarados: MARIA S0LIANE:11 recibos (Banco Itaú) faltando de abril e maio. Jan 3.040, fev 3.320, março 3.040, jun 3.320, jul 3.040, ago 280, set 3.320, out 3.320 + 3.320 e dez 3.320 = 32.360; IVONETE APARECIDA LORENCETTI: 11 rec. faltando abril e julho, jan 1.520, fev 1.520, mar 1.520, mai 1.660, jun 1.660, ago 1.800, set l.660, out 1.660, nov 1.660, + 300, e dez 1.650. Total R$ 16.520,00. Como o valor informado na Declaração de Ajuste Anual foi de R$ 56.392,68, restou a glosa de R$ 12.872,68, conforme tabela a seguir: Beneficiária Declarado Comprovado à auditoria Glosado Maria Soliane Puquiviqui 38.720,00 32.360,00 5.360,00 Ivonete Aparecida Lorencetti 24.032,68 16.520,00 7.512,68 Total 56.392,68 12.872,68 Do valor acima glosado, o requerente pede para ser excluído os valores pagos, por determinação judicial, com despesas escolares dos filhos menores. Compulsando os autos, verificase que no despacho homologatório do acordo realizado entre o contribuinte e a exesposa Aparecida Lorencetti é responsabilidade do acordante varão outras despesas que os filhos vierem a necessitar, entre elas a educação escolar. E que as certidões de nascimento atestam serem Luana Lorencetti de Oliveira e Pedro Alisson Lorencetti de Oliveira filhos comuns do excasal. Também, que nas folhas 74 e 76 há recibos de quitação, nos valores de R$ 3.135,60 e R$ 2.712,96, com o Centro de Educação Anália Franco, referentes as mensalidades escolares dos filhos acima identificados, Nos termos da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, são deduzidas da base de cálculo do imposto devido no ano calendário as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, limitado aos pagamentos efetuados. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Porém, o que o requerente pretende é que sejam considerados os pagamentos realizados a título de despesas com instrução. E, neste caso, há o limite imposto pela legislação do imposto de renda. De acordo com o art. 8º da Lei nº 9.250/1995, excluíse da base de cálculo do imposto devido, no anocalendário, os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, nos limites legais, efetuados a estabelecimentos de ensino infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização), e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. A questão dos pagamentos efetuados por alimentantes está explicitada no Perguntas e Respostas IRPF da Secretaria da Receita Federal do Brasil <http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2013/perguntao/assuntos/deducoes pensaoalimenticia.htm>, pergunta nº 338: [...] as despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, podem ser deduzidas somente na declaração de rendimentos, em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução. O limite permitido para dedução de despesa com instrução com o próprio contribuinte ou com outro dependente ou alimentando, para o anocalendário 2008, e de R$ 2.592,29. O valor dos gastos que ultrapassar esse limite não pode ser aproveitado. Portanto, com base nos documentos apresentados e observado o limite individual por dependente, cabe a dedução das despesas com instrução. Sendo assim, voto em dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução como despesa com instrução, no montante de R$ 5.184,58. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10735.904436/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.
Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 04668.08047.260707.1.7.04-0488 (fls. 02/05), onde consta:
a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA janeiro/2006, data de vencimento 24/02/2006, assim especificado na DCOMP:
- principal: R$ 1.678,48;
-multa moratória: R$ 335,69;
- juros de mora: R$ 119,67;
Total: R$ 2.133,84
b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 2.039,42 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 58.317,80.
O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 31).
A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis:
(...)
3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL
Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 58.317,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..
(...)
Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.
(...)
Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
(...)
Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese:
1) - Preliminar de nulidade do despacho decisório:
- que o referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal;
- que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido;
- que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado;
- que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base na receita bruta (fl. 31);
- que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97;
- que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos;
- que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa.
2) No mérito:
- da plena existência do crédito pleiteado/compensado;
- que quitou o valor informado na DCTF, parte mediante compensação e parte por pagamento DARF;
- juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32);
- que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos;
Por fim, a contribuinte protestou pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e, ainda, conversão do feito em diligência fiscal, caso necessário.
Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis:
(...)
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
(...)
Ciente desse decisum em 27/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando:
a) a preliminar de nulidade do despacho decisório;
as razões de mérito já aduzidas na instância a quo;
c) a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; que o valor correto do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 foi informado na DIPJ;
d) que existe o direito creditório pleiteado do PA março/2006;
d) que quitou o valor informado na DCTF, parte por compensação a que alude a DCTF e parte por pagamento em DARF;
e) juntou cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF;
g) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal.
Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida.
É o relatório.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 04668.08047.260707.1.7.04-0488 (fls. 02/05), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA janeiro/2006, data de vencimento 24/02/2006, assim especificado na DCOMP: - principal: R$ 1.678,48; -multa moratória: R$ 335,69; - juros de mora: R$ 119,67; Total: R$ 2.133,84 b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 2.039,42 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 58.317,80. O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 31). A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis: (...) 3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 58.317,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: 1) - Preliminar de nulidade do despacho decisório: - que o referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal; - que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido; - que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado; - que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base na receita bruta (fl. 31); - que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97; - que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos; - que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa. 2) No mérito: - da plena existência do crédito pleiteado/compensado; - que quitou o valor informado na DCTF, parte mediante compensação e parte por pagamento DARF; - juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32); - que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos; Por fim, a contribuinte protestou pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e, ainda, conversão do feito em diligência fiscal, caso necessário. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando: a) a preliminar de nulidade do despacho decisório; as razões de mérito já aduzidas na instância a quo; c) a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; que o valor correto do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 foi informado na DIPJ; d) que existe o direito creditório pleiteado do PA março/2006; d) que quitou o valor informado na DCTF, parte por compensação a que alude a DCTF e parte por pagamento em DARF; e) juntou cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF; g) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal. Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 04 43 6/ 20 09 -8 5 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 122 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 04668.08047.260707.1.7.040488 (fls. 02/05), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA janeiro/2006, data de vencimento 24/02/2006, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 1.678,48; multa moratória: R$ 335,69; juros de mora: R$ 119,67; Total: R$ 2.133,84 b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 2.039,42 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 58.317,80. O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 31). A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 58.317,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 123 3 (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: 1) Preliminar de nulidade do despacho decisório: que o referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal; que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido; que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado; que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa – com base na receita bruta (fl. 31); que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97; que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos; que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa. 2) – No mérito: da plena existência do crédito pleiteado/compensado; que quitou o valor informado na DCTF, parte mediante compensação e parte por pagamento – DARF; juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32); que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos; Por fim, a contribuinte protestou pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e, ainda, conversão do feito em diligência fiscal, caso necessário. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 124 4 Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando: a) a preliminar de nulidade do despacho decisório; b) as razões de mérito já aduzidas na instância a quo; c) a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; que o valor correto do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 foi informado na DIPJ; d) que existe o direito creditório pleiteado do PA março/2006; d) que quitou o valor informado na DCTF, parte por compensação a que alude a DCTF e parte por pagamento em DARF; e) juntou cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF; g) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal. Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 125 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tribtutária. No caso, a recorrente efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, do débito informado na DCOMP, com utilização de pretenso crédito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, conforme DCOMP retificadora transmitida eletronicamente em 26/07/2007, mediante programa gerador PER/DCOMP (fls.01/05). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal do P.A. março/2006. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que o crédito pleiteado existe, aduzindo: que o valor principal do débito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, confessado na respectiva DCTF, está equivocado; que houve erro material no preenchimento da DCTF; que o débito correto é o informado na DIPJ respectiva, e não o valor constante da DCTF. que não houve retificação da DCTF para ajustar o valor débito, para coincidir com o valor informado na DIPJ, pois o erro material foi constatado após ciência do despacho decisório, o qual impede transmissão eletrônica de DCTF retificadora, pela perda de espontaneidade. Compulsando os autos, constato que atinente ao P.A março/2006: a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 390.877,15, conforme DCTF transmitida eletronicamente em 30/07/2008, cuja cópia consta das fls.27/28; que esse débito confessado na DCTF teria sido adimplido do seguinte modo: a) pagamento por DARF no valor de R$ 249.713,63, data de recolhimento 28/04/2006, cópia do DARF (fl. 32); b) – outras compensações no valor de R$ 141.163,52, mediante utilização de crédito do IPI (DComp: 09231.74003.270406.1.3.018112 e DComp: 07398.18112.270406.1.3.015150) – informação constante da cópia da DCTF (fls. 28/29). que, entretanto, o débito apurado e informado na DIPJ, quanto ao PA março/2006, foi menor, em relação débito informado na respectiva DCTF; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 126 6 Vale dizer, a contribuinte informou débito do IRPJ estimativa mensal, P.A. março 2006, o valor de R$ 326.840,18, na DIPJ 2007, anocalendário 2006, Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 31), transmitida eletronicamente em 29/06/2007, conforme recibo de entrega (fl. 29); Como visto, quanto ao PA março/2006 a contribuinte, em tese, teria adimplido IRPJ estimativa mensal a maior, ou indevidamente, no valor de R$ 64.036,97 e que, desse valor original, utilizou parcela de crédito original de R$ 2.039,42 para compensar débito informado na compensação objeto destes autos. Constato pela cópia da DIPJ que, em princípio, a contribuinte não alterou critério de apuração do IRPJ estimativa mensal de receita bruta e acréscimos para balancete de suspenção/redução. Então, em tese é plausível a alegação de erro material quanto ao débito informado na DCTF. Além do mais, a DCTF foi transmitida eletronicamente, praticamente, 01 (um) ano após a entrega da DIPJ, o que reforça a tese do erro material, quanto ao real valor do débito. No âmbito da DRF/Nova Iguaçu (unidade de origem), não houve intimação da contribuinte para comprovação, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte idôneos dos registros contábeis, a apuração do IRPJ do PA março/2006 e dos demais meses desse anocalendário, para que houvesse esclarecimento cabal, se houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. Simplemente a unidade de origem da RFB emitiu despacho decisório do qual consta que o direito creditório demandado é inexistente, pois os valores adimplidos foram consumidos pelo respectivo débito confessado na DCTF, não restando crédito disponível. Na decisão ora atacada, consta que a DRJ/Rio de Janeiro I, embora a contribuinte tivesse pleiteada a realização de diligência, entendeu não ser cabível o pleito de produção de prova, conforme fundamentação constante do voto condutor (fls. fls. 51/52), in verbis: (...) Quanto ao protesto final pela produção de prova, cabe observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1°, da Lei 8.748/1993, determina que a defesa apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a peça de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Desta forma, é ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante protesto final pela produção de prova. A teor do art. 170 do Código Tributário NacionalCTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito credit6rio alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 127 7 concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. (...) O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que a real situação foi demonstrada na DIPJ (doc. 4), efetivando assim seu direito creditório. A DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de divida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ —Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O darf foi alocado conforme DCTF. A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 27/28, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório. Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz o Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 128 8 Pelo entendimento exarado na decisão recorrida, existindo divergência entre DCTF e DIPJ quanto ao débito apurado e informado, prevalece aquela e não está, pois somente a DCTF tem caratér de confissão de dívida. Esse entendimento não merece prosperar. Embora a DCTF seja o instrumento por excelência para confissão de débito tributário (mas, não o único!), não tem caráter absoluto essa confissão em DCTF, se houver erro material nos valores confessados e, ainda, não prescrito o direito de repetição do indébito tributário. A decisão recorrida refutou o protesto de produção de todas as provas admitidas em direito, fundamentada no entendimento de que as provas deveriam ter sido juntadas aos autos junto com a impugnação e não o foram; que a faculdade processual restou preclusa; que a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; que, no processo de compensação tributária, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito contra o fisco é do autor do pedido. Mas, tanto o despacho decisório, quanto a decisão recorrida, pecam por não apontarem, de forma clara e objetiva, à contribuinte qual o elemento de prova necessário para a comprovação do direito creditório pleiteado, em face do alegado erro material de preenchimento da DCTF. Em momento algum nos autos o fisco solicitou à contribuinte a apresentação da escrituração contábil, para dirimir a dúvida sem houve, ou não, o alegado erro material no preenchimento da DCTF. Apenas o fisco aduziu que, no caso, preponderam os dados constantes da DCTF. As cópias da DCTF, da DIPJ e do DARF, sem a apresentação da respectiva escrituração contábil, não têm o condão de comprovação do direito creditório pleiteado, pois é necessário cotejar a escrituração contábil e a escrituração fiscal, para demonstração do alegado erro material. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois ela é a autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, pois a unidade de origem da Receita Federal, bem como a DRF/Rio de Janeiro I, em relação ao alegado erro material deixaram de intimar a contribuinte para apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos idôneos de suporte dos registros contábeis. Como visto, a instrução processual dos autos está incompleta, não permitindo a formação de convicção do julgador quanto ao direito creditório demandado. Além disso, se restar comprovado o alegado erro material na DCTF, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904436/200985 Resolução nº 1802000.341 S1TE02 Fl. 129 9 RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Em face disso, justamente para afastar eventual prejuízo à defesa (aos princípios do contraditório e da ampla defesa), propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: a) se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29); c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse ano calendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir); d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos. No término da diligência fiscal, a unidade de origem da RFB (DRF/Nova Iguaçu) deverá elaborar relatório circunstânciado com resultado conclusivo, devidamente fundamentado e demonstrado, quanto ao crédito demandado. Do resultado da diligência, a contribuinte deverá ser intimada para apresentação de manifestação nos autos, se quiser, no prazo de trinta dias da sua ciência. Transcorrido o lapso temporal, retornem aos autos ao CARF, para julgamento da lide. Portanto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13749.720203/2011-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 39 1 38 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13749.720203/201185 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.671 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIO FEDERAIS (DCTF) Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 02 03 /2 01 1- 85 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 21.01.2011. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.922, de 27.02.2013, fls. 1820: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 21.01.2011. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720203/201185 Acórdão n.º 1801001.671 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913519/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 19 /2 00 9- 48 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0232.206, proferido em primeira instância pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” De acordo com o órgão julgador a quo “a DCTF na qual foi retificado o débito referente ao período de apuração de 31/05/2003 foi enviada pelo contribuinte apenas em 20/05/2009 sendo que a DCTF originariamente apresentada foi transmitida em 14/11/2003, após cinco anos, portanto, da ocorrência do fato gerador.”. Além disso, “não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência de direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação.”. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, tomase de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/05/2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 02) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restado saldo creditório disponível. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.913519/200948 Acórdão n.º 3802001.455 S3TE02 Fl. 6 3 Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 01, com os argumentos a seguir resumidos. Alega possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de 11/2002 a 09/2005 e que, após a constatação da existência de tais créditos, procedeu à compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressalta que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 14/11/2003, efetuou as devidas correções via DCTF retificadora, transmitida em 20/05/2009, demonstrando a existência do débito. Por fim, requer o reconhecimento do crédito a que faz jus e a consequente homologação da compensação realizada. É o relatório.” Cientificada da decisão de primeira instância em 13/01/2012, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maio o valor do tributo compensado. Acosta aos autos, com o intuito de corroborar suas afirmações: i) relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 31 de maio de 2003; e ii) relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora em 21/05/2009, para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a DCTF originária referente ao fato gerador de 31/05/2003 foi encaminhada em 14/11/2008, ou seja, a retificação para alteração do valor do débito de COFINS somente se deu depois de passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sendo, portanto, intempestiva e ineficaz para os fins pretendidos pela Recorrente. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Nesse sentido é jurisprudência pacífica deste Colegiado, da qual se trazem, a título exemplificativo, as ementas abaixo colacionadas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2001 IRPJ. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF , bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do auto lançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar "pagamentos indevidos", passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. (CARFG, 1ª Seção, 2ª Turma, 4ª Câmara, Acórdão 1402.00.706, Julgamento 05/08/2011, Publicação 28/03/2012) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 (...) RETIFICAÇÃO DA DCTF. Não é possível a retificação da DCTF realizada após o lançamento de oficio e após o decurso do prazo de cinco anos da data da entrega da declaração e do fato gerador, conforme já decidiu o antigo 1° CC, através do ACÓRDÃO Nº 105 12.929/99, publicado no Diário Oficial da União de 11 de fevereiro de 2000. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 1ª Seção, 1ª Turma especial, Acórdão 180100.116, Julgamento 03/11/2009, Publicação 24/01/2011) Ainda que houvesse sido tempestivamente apresentada a DCTF retificadora, sua simples transmissão com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Ademais, cumpre observar que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada em 30/04/2009 (fl. 10), procedendo à retificação da DCTF apenas em 21/05/2009, sendo uma vez mais ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Não bastasse isso, a interessada não anexou ao processo qualquer documentação hábil e idônea para comprovar a existência e disponibilidade do crédito reclamado. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.913519/200948 Acórdão n.º 3802001.455 S3TE02 Fl. 7 5 Com efeito, a contribuinte já em sede recursal acostou aos autos relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 31 de maio de 2003; e relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento; pretendendo, assim, demonstrar através de documentos a exatidão do débito indicado na declaração retificadora e, via de consequência, a legitimidade do direito creditório. Todavia, relatórios sintéticos internos não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, sendo sim um arrazoado destinado a permitir a compreensão e a visualização da prova a ser juntada – documentos fiscais e/ou contábeis que permitam a verificação do direito de crédito pleiteado. Assim sendo, tendo transmitido a destempo a DCTF retificadora e disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912793/2009-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS DE CONSULTA.
Produzindo a Solução de Consulta manifestação dúplice - em parte favorecendo e em parte se opondo à argumentação da consulente-, ambas as consequências devem ser tomadas em conta pelo aplicador (e pelo julgador), sendo incabível a não homologação de compensação com base em entendimento divergente daquele externado na solução de consulta, a menos que presente a situação descrita no art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996.
Numero da decisão: 3403-002.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 29/02/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS DE CONSULTA. Produzindo a Solução de Consulta manifestação dúplice - em parte favorecendo e em parte se opondo à argumentação da consulente-, ambas as consequências devem ser tomadas em conta pelo aplicador (e pelo julgador), sendo incabível a não homologação de compensação com base em entendimento divergente daquele externado na solução de consulta, a menos que presente a situação descrita no art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 225 1 224 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912793/200908 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3403002.500 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Embargante FEDERACAO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DE MG Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS DE CONSULTA. Produzindo a Solução de Consulta manifestação dúplice em parte favorecendo e em parte se opondo à argumentação da consulente, ambas as consequências devem ser tomadas em conta pelo aplicador (e pelo julgador), sendo incabível a não homologação de compensação com base em entendimento divergente daquele externado na solução de consulta, a menos que presente a situação descrita no art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 93 /2 00 9- 08 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Federação Interfederativa das Cooperativas de Trabalho Médico do Estado de Minais Gerais ao Acórdão nº 3403 002.230, de 22/05/2013, em face de “omissão/obscuridade”. A ciência do julgamento ocorreu em 04/07/2013 (AR à fl. 171), tendo os embargos sido interpostos em 09/07/2013 (fl. 173). Argumenta a embargante que este tribunal furtouse a apreciar integralmente a Solução de Consulta nº 412/2004, limitandose a colacionar trecho da conclusão proferida, contrário à empresa, sem discutir excerto da decisão que reconhecia que a empresa não se enquadra no art. 13, V da Medida Provisória no 2.15835/2001, e, portanto, não era contribuinte do “PIS/Folha”. Nos embargos, afirmase ainda que este tribunal não apreciou a questão da legalidade do Decreto nº 4.524/2002 (art. 32, § 4o) e da IN SRF nº 247/2002, “únicas disposições normativas vigentes capazes de ensejar a cobrança do PIS/Folha da embargante”. Conclui a embargante afirmando que não seria possível afirmar a inexistência de documentação comprobatória sem a análise da “validade legal daqueles normativos”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe: “COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP.” Do voto condutor do acórdão embargado, extraise ainda que: “A recorrente alega ainda que a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002, cuja aplicação foi afastada pela Solução de Consulta no 412, de 15/12/2004, e que afronta disposição legal. (...) Vejase que o julgador não identificou pagamento indevido ou a maior (e, por decorrência, crédito em favor da recorrente). Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10680.912793/200908 Acórdão n.º 3403002.500 S3C4T3 Fl. 226 3 Também não encontrou motivação para que o pagamento informado (e confessado em DCTF) tivesse sido indevido ou a maior. A argumentação sobre o § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002 é feita a título exemplificativo, como resta claro na redação do voto, visto que seria uma possível alegação para considerar o pagamento indevido (alegação essa que, como destaca o próprio julgador, o contribuinte não faz em sua manifestação de inconformidade). (...) O julgamento de primeira instância, pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, assim, não teve por base o § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002, mas a falta de comprovação do crédito. Ademais, a Solução de Consulta apresentada (SRRF06/DISIT no 412/2004) é flagrantemente em sentido contrário ao atribuído pela recorrente em sua peça de defesa. Vejase que a conclusão da consulta é no sentido de que a recorrente “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. Não merece prosperar assim a argumentação de que a decisão da DRJ inovou, ou que fundamentou seu indeferimento em matéria que, inclusive, não foi objeto de questionamento na manifestação de inconformidade. Por consequência, incabível a análise em sede inaugural por este CARF de eventual tese de ilegalidade de decreto ou instrução normativa que sequer serviu de base à discussão em primeiro grau. Por fim, reiterese que a documentação carreada em sede de recurso voluntário, além de já estar toda disponível (e ser passível de apresentação) por ocasião da decisão de primeira instância, continua não comprovando a existência e a liquidez do crédito informado na DCOMP. (grifo nosso)” É cristalino, assim, que não há omissão em relação à análise de normas infralegais (Decreto e Instrução Normativa), mas uma expressa (e unânime) decisão pela exclusão de tal análise, pelo julgador, por não ter a matéria sido enfrentada em primeira instância (não tendo sido mencionado o assunto na manifestação de inconformidade e nem tendo constituído pressuposto motivador da decisão de primeira instância). Não se pode confundir omissão com tratamento do tema (exclusão de análise) em desacordo com o que desejava a embargante. Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 1 A Solução de Consulta encontrase integralmente transcrita em Anexo ao Recurso Voluntário (fls. 88 a 95). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10680.912793/200908 Acórdão n.º 3403002.500 S3C4T3 Fl. 227 5 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 14/11/2005 (fls. 7 a 12) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 1.945,88, recolhidos em 15/03/2004) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.473,60). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Rosaldo Trevisan Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
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