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Numero do processo: 10880.908535/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
ÔNUS DA PROVA.
Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar.
Numero da decisão: 3201-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 85 35 /2 01 2- 68 Fl. 200DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 154 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 140 que negou provimento para a Manifestação de Inconformidade de fls. 61, mantendo em parte o Despacho Decisório de fls. 7. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: "1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 18262.14983.231009.1.3.047616, fls. 002 a 006), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 23/10/2009, que teria por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Cofins cumulativa (Código 2172), apresentando o DARF as seguintes características: 1.1. O “Valor Original do Crédito Inicial” informado, que corresponderia ao indébito, é de R$ 251.855,49. 1.2. Na DCOMP foi utilizado todo aquele suposto crédito, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Cofins cumulativa, relativo a setembro de 2009, no valor de R$ 259.839,31, com vencimento em 23/10/2009. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 01/03/2012, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 019153975 (fls. 007), devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DERAT/São Paulo –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 15/03/2012 (fls. 009). 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, passando o débito indevidamente compensado a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 16/04/2012, Manifestação de Inconformidade (fls. 012 a 017, mais anexos), na qual, em apertada síntese, diz que deixou de computar estornos de medição feitos pela PETROBRÁS em junho de 2009, o que lhe daria um crédito referente a parte do pagamento da Contribuição feito para aquele período. 3.1. Inicialmente, pede a suspensão da exigibilidade do débito considerado como indevidamente compensado. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.908535/201268 Acórdão n.º 3201004.931 S3C2T1 Fl. 201 3 3.2. Detalhando mais as suas razões de fato, diz que o valor do DARF apontado na DCOMP (R$ 785.394,13) foi parcialmente utilizado para pagamento do débito da Cofins relativa a junho de 2009, restando um crédito decorrente de estornos de medição efetuados pela PETROBRÁS, no valor de R$ 4.214.980.00 + R$ 3.143.110,59 + R$ 355.188,09 + R$ 681.904.46, que totalizam R$ 8.395.183,14 (receita que, considerando a alíquota de 3 %, representa um valor da Contribuição de R$ 251.855,49, o qual, atualizado pela Selic, alcança os R$ 259.839,31 utilizados para compensação). 3.2.1. Anexa cópias de três documentos emitidos pela PETROBRÁS (fls. 055 a 057), os quais seriam: Um Memorando comunicando o Estorno de Medição, datado de 30/06/2009, que faz referência ao Contrato 160.2.020.046 (4600163066), correspondência UNPC/PCM/PROJ 0906/2009; Um “Relatório de Multa/Dedução”, emitido em 03/07/2009 e assinado pelo Gerente do Contrato em 06/07/2009, no valor de R$ 681.904,46, referindose ao Contrato 4600163839, “Estorno de medição – Ônus e Bônus conforme UNBC/PCM/PROJ 0905/2009”; Outro “Relatório de Multa/Dedução”, emitido em 08/07/2009 e assinado pelo Gerente do Contrato em 19/07/2009, no valor de R$ 355.188,09, referindose ao Contrato 4600163066, “Estorno de medição – Ônus e Bônus conf. notificação UN BC/PCM/PROJ 0904/2009”. 3.2.2. O teor do Memorando é o seguinte: “Conforme nossa correspondência UNBC/PCM/PROJ 0906/2009 – Estorno de Medição correspondente ao subitem 1.2.2.10 do Anexo II – Pintura (Air Less) – informamos que será realizado, nesta medição (Junho/2009), estorno correspondente ao valor da diferença apurada entre o valor total em P0 (R$ 4.214.980,00) e o valor total reajustado. Portanto, o valor a ser estornado, correspondente ao reajuste, é de R$ 3.143.110,59 ...” 3.2.3. Anexa ainda (fls. 058) o que seria a cópia de uma folha do Livro Razão, Conta “Abatimento Receita Cert Contr Orig Local”, “Empresa BR05”, somente com dois lançamentos, ambos datados de 30/06/2009, nos valores de R$ 7.713.278,68 (EST MED PETROBRAS CONTRATO 160.2.02) e de R$ 681.904,46 (EST MED PETROBRAS CONTRATO 160.2.04), totalizando os alegados R$ 8.395.183,14. 3.3. Em sua peça contestatória, aduz que “tinha a Autoridade Fiscal a obrigação de solicitar ao contribuinte o devido esclarecimento da questão que apresenta Fl. 202DF CARF MF 4 divergência/inconsistências; e não restringirse à não homologação das compensações ... Portanto, a presente manifestação tem por finalidade maior, demonstrar a verdade material, ou melhor, a verdade dos fatos, de modo a assegurar ao contribuinte a devida análise dos créditos utilizados ... eis ... que advém de crédito válido/existente, conforme amplamente demonstrado acima, sendo certo que qualquer erro cometido por este contribuinte, fora superado com a apresentação dos documentos em anexo ...” 3.4. No seu Pedido, além da suspensão da exigibilidade, requer, no mérito, “seja reformada a r. decisão proferida pelo lustre Auditor Fiscal, HOMOLOGANDOSE A COMPENSAÇÃO declarada ...” e “Suplementarmente, caso não entenda ser o caso de homologação, requer seja determinada a nulidade do r. despacho, ora recorrido, ordenandose o retorno dos autos à autoridade de origem, para fins de análise dos créditos utilizados nas compensações, observandose, em tudo, a verdade material”. É o que importa relatar." Essa decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SC, foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 RECONHECIMENTO DE DIREITO A REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. EXIGÊNCIA. É imprescindível a retificação da DCTF para comprovação de pagamento indevido ou a maior. Por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco. (Parecer Normativo Cosit Nº 2, de 28/08/2015 Ementa e Subitem 10.5) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.908535/201268 Acórdão n.º 3201004.931 S3C2T1 Fl. 202 5 Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Em resumo, o Recurso Voluntário reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade. Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte pleiteou o reconhecimento de créditos de Cofins por pagamentos indevidos, mas conforme Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, sequer é possível entender por qual razão o contribuinte considerou os pagamentos de Cofins no regime cumulativo indevidos. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. É igualmente importante registrar que a decisão de primeira instância abordou de forma específica a questão da necessidade da retificação da DCTF, ponto que sequer foi combatido pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Fl. 204DF CARF MF 6 Ou seja, a decisão de primeira instância enfrentou de forma específica diversos razões sobre as quais o crédito não poderia ter sido reconhecido e o contribuinte, em seu recurso voluntário, se limitou em fazer alegações genéricas a respeito de seu crédito. A simples alegação de que possui o crédito e de que teria oferecido à tributação as receitas das quais teriam sido abatidos estornos e juntar o razão contábil, não é o mesmo que quantificar, linha por linha e valor por valor o seu crédito, de forma que fique líquido e certo, conforme determinado no próprio Art. 170 do CTN. Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, em especial com o determinado no §4.º (em negrito): "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.908535/201268 Acórdão n.º 3201004.931 S3C2T1 Fl. 203 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.902507/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 25 07 /2 01 5- 07 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13896.902507/201507 Acórdão n.º 3201004.969 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.562, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13896.902507/201507 Acórdão n.º 3201004.969 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13896.902507/201507 Acórdão n.º 3201004.969 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000436/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, até aquela fase processual: Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1997, lavrado em 22/02/2002, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 697.359,68, discriminado em Contribuição para o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 02 .0 00 43 6/ 20 02 -1 1 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13702.000436/200211 Resolução nº 3402001.770 S3C4T2 Fl. 247 2 Financiamento da Seguridade Social – COFINS, multa de ofício vinculada e juros de mora, relativo a falta de recolhimento de débitos do 2º trimestre/97 (PA 0104/97 a 0106/97) e declaração inexata, porque não comprovado o processo judicial (nº 95.02.008294) que ensejou a compensação sem DARF do crédito tributário, cuja infração foi enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de efls. 10. A contribuinte foi cientificada do auto de infração, por via postal, em 28/03/2002. Inconformada, apresentou impugnação, em 17/04/2002, acompanhada de documentos. Alega ter ingressado com ação judicial (MS nº 94.00014880) “para fazer valer o seu direito de compensar os montantes recolhidos a maior a título de Finsocial decorrentes da aplicação de alíquotas superiores a 0,5%, com débitos vincendos de Contribuição Social para financiamento da Seguridade Social – COFINS”. E que, tendo sido negada a segurança, impetrou Recurso de Apelação (nº 95.02.008294), o qual foi provido para assegurar à Impetrante o direito de realizar as compensações. Acrescenta ter sido interposto Recurso Especial pela União, o qual não foi admitido, de sorte que, não havendo Agravo de Instrumento, ocorreu o trânsito em julgado da ação em 28/05/1999. Demais disso, alega que a própria RFB convalidou tal procedimento de compensação, nos termos da IN SRF nº 32, de 09/04/1997. Encerra protestando pelo cancelamento do auto de infração. Apresenta os seguintes documentos em comprovação: [...] Em seu despacho de encaminhamento a autoridade preparadora presta as seguintes informações: “Cuidase de impugnação administrativa aos lançamentos de ofício consubstanciados pelo presente administrativo e seus apensos, consolidados nos autos de infração nº 0020364 e 0011385, referentes à COFINS no período de apuração compreendido entre 04/1997 a 09/1997. Referidas exações foram encetadas tendo em vista a constatação da exigibilidade do crédito tributário suspenso sponte propria na DCTF daquele período, após exame das alegações de que a decisão judicial proferida no âmbito da ação mandamental tombada pelo nº 94.00014880 afastava a regra matriz de incidência tributária. Para melhor elucidação dos fatos, impende compendiar o andamento da indigitada demanda judicial, cuja baixa data de 15/03/1999, em razão do trânsito em julgado. Pois bem, o objeto da lide se subsume à declaração de inexistência de relação jurídica tributária adstrita à incidência do FINSOCIAL, sobejamente no que tange à majoração da alíquota de 0,5 por cento e, por desdobramento, o direito à compensação tributária com débitos vincendos de COFINS. Em 30/05/1994, a sentença denegou a segurança, o que foi reformado pela superior instância, em 03/09/1996, com o provimento do recurso de apelo da autora, assegurando o direito líquido e certo de efetuar as pretendidas compensações. Após a interposição de recurso especial pela União, o qual foi inadmitido, e do regular agravo de instrumento, houve o trânsito em julgado nos termos e limites do acórdão proferido anteriormente, ou seja, colocouse a cobro a possibilidade de compensar eventuais valores recolhidos com a aplicação da alíquota majorada, com débitos da mesma espécie, procedimento Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13702.000436/200211 Resolução nº 3402001.770 S3C4T2 Fl. 248 3 sob ulterior apreciação da autoridade administrativa acerca dos encontros de contas. Ocorreu que, inicialmente, ao compulsar os administrativos, não se verificou a existência de quaisquer elementos que trouxessem certeza e liquidez ao direito creditório perquirido, como os livros contábeis (diário e razão) onde se encontram açambarcadas as rubricas ligadas ao faturamento do contribuinte, memórias de cálculo, DARFs de recolhimento (os quais sequer foram confirmados na base de pagamentos) e mapa de compensação, tendo em vista que, à época dos fatos, observavamse os ditames introduzidos pelo art. 66 da Lei 8383/91, compensação realizada internamente na própria escrituração e apuração fiscal, considerando subsequente apuratório acerca dos débitos de mesma espécie. Ante a referida ausência, o que inquinava a formação de um acurado juízo de valor sobre a certeza e liquidez do direito creditório, intimouse o contribuinte a apresentar livros e documentos que comprovassem a tese do recolhimento indevido albergada na decisão judicial definitiva. Em resposta, contribuinte apresentou cópias de DARFs de recolhimentos – vale dizer, tais pagamentos não foram localizados na base de dados RFB, planilhas com a demonstração dos encontros de contas, quedandose inerte, contudo, na apresentação dos livros comerciais que amparassem os lançamentos ínsitos à base de cálculo do FINSOCIAL. Registrese que, em substituição a estes documentos, trouxe aos autos cópias do livro registro de apuração do IPI, o que em nada contribui para o deslinde dos fatos, pois, como se sabe, deve ser considerada a efetiva base de cálculo do tributo definida no art. 1º do Decretolei nº 1940/82, bem como a aferição da natureza das operações engendradas, de modo que se possa concluir se há somente venda de mercadorias, de prestação de serviços, ou ambas, o que tem relação escorreita com a majoração declarada inconstitucional. Neste sentido, verificase a impossibilidade fática de se realizar uma análise acerca do direito creditório alegado, de modo que não há possibilidade de se produzir os efeitos fiscais pretendidos, não obstante o provimento jurisdicional favorável, em face da incerteza do quantum debeatur, não havendo falar em anulação do auto de infração regularmente lavrado anteriormente. Pelo exposto, considerando que a impugnação administrativa inaugura a fase litigiosa do procedimento, por força do art. 14 do Decreto nº 70235/72, pugna se pela manutenção do lançamento de ofício, bem como pelo posterior encaminhamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ 2), para que aquele colegiado aprecie as questões de fato e de direito encartadas naquela peça recursal e profira exame de legalidade do ato administrativo, de acordo com suas atribuições regimentais.” (destaques acrescidos) A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1461.097 (fls. 122 a 127), sessão de 30 de maio de 2016, julgou parcialmente procedente a Impugnação e manteve parcialmente o crédito tributário, cancelando a multa de lançamento de ofício, sem prejuízo da incidência da multa de mora. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13702.000436/200211 Resolução nº 3402001.770 S3C4T2 Fl. 249 4 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Mantémse a exigência fiscal dos valores declarados em DCTF, cuja compensação não tenha sido comprovada na escrituração. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificada Acórdão de Impugnação, o contribuinte apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário (fls. 135 a 156), com as seguintes alegações, em síntese: (i) preliminarmente, a divergência entre a motivação/fundamento da autuação e do acórdão recorrido; (ii) a suficiência dos documentos apresentados pela Recorrente de forma a demonstrar o direito creditório do FINSOCIAL a que fazia jus para extinguir débitos de outros tributos federais; (iii) a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir crédito de FINSOCIAL, não podendo a fiscalização questionar os valores apresentados no momento da compensação efetivada pela Recorrente; e (iv) a conversão em diligência, para que a autoridade fiscal analise os documentos juntados (livro Diário), em complemento com os DARF’s anteriormente apresentados, a fim de comprovar seu direito creditório. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A questão devolvida a este colegiado cingese a quantificação do direito creditório da Recorrente, a partir do trânsito em julgado de decisão favorável prolatada no MS 94.00014880, cujo objeto era o direito de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com débitos de COFINS. A Recorrente foi autuada após o procedimento de auditoria interna da DCTF por não ter conseguido comprovar a origem do crédito de FINSOCIAL utilizado na compensação dos valores devidos de COFINS. Devido ao não atendimento satisfatório de intimações para Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13702.000436/200211 Resolução nº 3402001.770 S3C4T2 Fl. 250 5 comprovar a certeza do direito creditório alegado, especialmente quanto à correta base de cálculo do FINSOCIAL, de forma a confrontar com os valores efetivamente recolhidos, a autoridade fiscal não reconheceu o valor do crédito em face da incerteza da quantia devida da contribuição. Apesar de reconhecer a validade do direito à compensação pela decisão judicial, sob ulterior apreciação da autoridade administrativa acerca dos encontros de contas, o julgador a quo confirmou o entendimento da autoridade fiscal no sentido de ausência da comprovação do indébito de forma a processar a pretendida compensação dos débitos, devido à falta da apresentação da sua escrituração contábil e fiscal. Também foi alegada a falta de localização dos pagamentos de FINSOCIAL. Transcrevo excerto da decisão recorrida com seu fundamento: “Nesse contexto, à falta da escrituração pertinente, bem como à falta da localização dos pagamentos de FINSOCIAL, inexiste nos autos a comprovação do direito líquido e certo acerca do indébito de FINSOCIAL alegado e da sua efetiva utilização no encontro de contas com a COFINS, razão porque correta se mostra a lavratura do auto de infração.” Entretanto, a Recorrente alega que apresentou os DARF’s de recolhimento, e que não lhe foram imputados qualquer falsidade material. Quanto à escrituração contábil, apesar de alegar que não precisaria apresentála, tendo em vista a apresentação dos comprovantes de recolhimento, junta cópia do livro Diário às fls. 164 a 215. Dessa forma, tornase imprescindível, para o deslinde da questão e cumprimento do disposto na decisão judicial, a apreciação da autoridade fiscal dos novos documentos apresentados de forma a recompor a base do FINSOCIAL, em complemento dos anteriormente apresentados, e verificar se haveria valores recolhidos a maior de forma a compensar os valores de COFINS, conforme alegado pela Recorrente. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para a autoridade preparadora: (i) analisar os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário (fls.164 a 236), de forma a recompor a base de cálculo do FINSOCIAL; (ii) analisar os comprovantes de recolhimento apresentados, confrontandoos com os valores registrados nos sistemas informatizados da RFB, e sua autenticidade, e confirmar sua idoneidade ou falsidade, inclusive anexando as telas dos sistemas de recolhimento de tributos; (iii) apresentar novo demonstrativo do direito creditório e compensações, considerando a recomposição da base de cálculo do FINSOCIAL e os valores efetivamente recolhidos e compensados. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13702.000436/200211 Resolução nº 3402001.770 S3C4T2 Fl. 251 6 Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. A turma resolveu pela distribuição do processo conexo 13702.000815/2001 12, por dependência, a este Relator, para julgamento em conjunto. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.900989/2009-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 1003-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 09 89 /2 00 9- 37 Fl. 289DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente, às fls. 77/79, por discordar do Acórdão de 0930.830, proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 4950, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecendo o direito credito pleiteado. Fazendo uma retrospectiva para melhor entendimento da questão, a Recorrente efetuou Declarações Eletrônicas de Compensação DCOMP transmitidas em 18/09/2006, 05/02/2004, 05/02/2004, 28/02/2004 e 29/03/2004, cujo objeto foi a compensação de débitos da CSLL, períodos de apuração 10/2003 a 02/2004, com crédito oriundo de saldo negativo da mesma exação, relativo ao anocalendário de 2001, no valor de R$5.259,98 (fls. 9 a 16). Por sua vez, a DRF de Governador Valadares emitiu, em 25/03/2009, o Despacho Decisório Eletrônico de flS. 02, por meio do qual homologou, parcialmente, as declarações de compensações, em razão da insuficiência do crédito reconhecido. A Recorrente, não satisfeita, apresentou apresenta Manifestação de Inconformidade (fl. 1), visando a homologação total da compensação efetuada, e para tanto, alegou: “...o valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito que o referido Despacho demonstra é de R$ 3.300,81 (três mil e trezentos reais e oitenta e um centavos, valor este que, é de nosso desconhecimento, pois no Termo de Identificação de Irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP datado de 31/08/2006, no qual foi solicitado a retificar a DIPJ, foi corretamente efetuado a retificação, conforme cópias em anexo. Sendo, portanto o valor correto do crédito, RS 5.259,98 (cinco mil duzentos e cinqüenta e nove reais e noventa e oito centavos)". A DRJ, ao apreciar dita Manifestação de Inconformidade, prolatou acórdão, fls. 4950, decidindo pela manutenção do Despacho Decisório eletrônico, de fls. 02, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SOBRE o LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência de crédito, além daquele reconhecido no Despacho Decisório, ratificase a não homologação da compensação realizada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10630.900989/200937 Acórdão n.º 1003000.419 S1C0T3 Fl. 3 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 7778, pugnando por sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese, que "o crédito solicitado, do exercício de 2001, ano base 2000, para as compensações dos débitos da CSLL, dos meses de junho a setembro de 2002, nos valores de R$ 928,49; R$ 949,91; R$ 959,71 e R$ 842,95, respectivamente, e não crédito solicitado do exercício de 2002, ano base 2001, conforme demonstra o Relatório do Acórdão". Por fim, solicitou o encerramento dos processos 10630.90l.378/200914; 10630.901.379/200951 e 10630.901.3801200985, pois os mesmos, de acordo com o argumento da recorrente já teriam sido objeto de compensação. É o relatório. Voto Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 0930.830, proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA, em 27/08/2010 (fls. 73) e apresentou o recurso somente em 30/09/2010 (fls. 7779). O recurso voluntário interposto, portanto, não atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele não conheço ante sua intempestividade. Expliquese. O Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina que, do julgamento de primeira instância, cabe apresentação de recurso voluntário total ou parcial no prazo de 30 (trinta dias) contados da ciência da decisão recorrida, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ainda, o mesmo Decreto, esclarece como deve ser realizada a forma de contagem dos prazos no âmbito dos processos administrativos, vide abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Ora, no caso dos presentes autos, a Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ no dia 27/08/2010, fls. 73, (sextafeira), tendo início a contagem do prazo recursal no dia seguinte, qual seja, 30/08/2008 (segundafeira). Contados os 30 (trinta) dias para interposição do competente Recurso Voluntário, o trigésimo dia, prazo fatal, recaiu em 28/09/2010 (terçafeira). Fl. 291DF CARF MF 4 Ocorre que, segundo carimbo de recebimento do recurso voluntário, este foi protocolizado apenas em 30/09/2010 (fls. 77), portanto, de forma extemporânea, em que pese a equivocada certidão de tempestividade de fls. 279. Afinal, o que deve prevalecer é a data do carimbo, chancelando o recebimento do documento pelo órgão, e não a mera data inserida pelo próprio contribuinte em sua peça recursal. Assim sendo, conforme já mencionado. o recurso voluntário analisado não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do mesmo já havia transcorrido na data em que foi protocolada a peça recursal. Logo, resta flagrante a intempestividade do recurso apresentado. Registrese que a conferência do prazo foi efetuada nos moldes legais, contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. MÉRITO Quanto ao mérito, aplicase ao caso o art. 28 do Decreto nº 70.235/72 o qual prevê que na decisão em que a preliminar for incompatível com o mérito, este não é julgado: "Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso". Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em virtude de sua apresentação intempestiva e deixar de apreciar o mérito com fulcro no art. 28 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907492/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-005.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 92 /2 01 2- 80 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907492/201280 Acórdão n.º 2202005.005 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907492/201280 Acórdão n.º 2202005.005 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907492/201280 Acórdão n.º 2202005.005 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907492/201280 Acórdão n.º 2202005.005 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907492/201280 Acórdão n.º 2202005.005 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907492/201280 Acórdão n.º 2202005.005 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.011972/2003-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO DA COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR.
Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 72 /2 00 3- 51 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10580.011972/200351 Acórdão n.º 9303008.030 CSRFT3 Fl. 407 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte SALVADOR PILOTS SERVIÇOS DE PRATICAGEM DOS PORTOS DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS S/C LTDA. com fulcro nos artigos 9, inciso I, 64, inciso II e 67, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vigentes à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão nº 340100.387, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003. REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10580.011972/200351 Acórdão n.º 9303008.030 CSRFT3 Fl. 408 3 EXPRESSA DO ART. 3º, §1°, LEI N° 9.718/98 PELA LEI N° 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor à época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, alegada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada. COFINS. ISENÇÃO. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. SOCIEDADES CIVIS As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada deixaram de ser isentas da Contribuição para a Seguridade Social — Cofins a partir de abril de 1997, conforme disposto no art. 56 da Lei n 2 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. O decisum foi confirmado pelo despacho que não admitiu os embargos de declaração interpostos pela Contribuinte, pois inexistentes a contradição e a omissão apontadas. Na sequência, não resignada com a decisão, a Contribuinte insurgese por meio de recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à necessidade de aplicação pelo CARF da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS no regime cumulativo, trazido pelo §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, no julgamento dos recursos extraordinários n.º 357950, 390840, 358273 e 346084. Para comprovar o dissídio de interpretações, trouxe como paradigmas os acórdãos nº 310100.553 e 3803000.839. Nas suas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) deve ser aplicado pelo CARF o julgado do STF, proferido em sede de repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, que havia introduzido o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, consoante artigo 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vigente anteriormente à prolação do acórdão de recurso voluntário; (b) a Lei n.º 11.941/09, que revogou expressamente o §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, entrou em vigor em maio de 2009, portanto, antes da prolação do acórdão recorrido em 20/10/2009, a qual poderia ter sido aplicada pelo Colegiado; (c) em consonância com a declaração de inconstitucionalidade do §1º, art. 3º da Lei em comento, Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10580.011972/200351 Acórdão n.º 9303008.030 CSRFT3 Fl. 409 4 pelo STF, a tributação pelo PIS e COFINS recai somente sobre a receita de vendas, de prestação de serviço ou da combinação de ambas; e (d) por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho nº 340000.105, de 20 de março de 2014 (efl. 316), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional teve ciência da interposição do recurso especial, mas não apresentou contrarrazões (efl. 382). O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época, e reproduzido pela Portaria MF nº 343/15, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de aplicação da decisão do STF, mais especificamente, a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, prolatada no julgamento dos recursos extraordinários n.º 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR, em sede de repercussão geral. Da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10580.011972/200351 Acórdão n.º 9303008.030 CSRFT3 Fl. 410 5 sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por� elas desenvolöida e da classiæiCação contábil adoôada. (RÅ 390840, Relator(!): Min. MARCO AURÉLIO¬ tribunal Pleno julgado åm 09/11/2°05, DJ 15082006 PP00 24 EMENT VOL0224203 PP00372 Nessa linha relacional, as decisÕes profEridas pelo SuprEmo tribunal Fedåral qåe tenham sido afeTadas À siótemática Da repårsussão geral� são de observância obrigatória Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10580.011972/200351 Acórdão n.º 9303008.030 CSRFT3 Fl. 411 6 por este órgão administrativo de julgamento, confo2me redaçë/ Do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Adminisprativo de Recu2sos FisCais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nª 343/2015, atualmente em vigor e que obòiGa os ConselHeiros� à sua aplécAção: Art 62. Fica vedalo aos membòos das 4urmas de juLgamento do cARF afastar a aplicáção ou deixar de Observar trat`do, acordo internacional,$lei ou� decreto, sob fundaMento� de )nconstitucionalidade. �[..] b)`Decisão DeæiNitiva do Supremï Tribunal FederAl ou do Surerior Tribunal dE Êustéça, em sede de julgamenTo reaLijado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. No caso dos autos, portanto, não deve incidir a contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS do regime cumulativo sobre as receitas financeiras e as receitas não operacionais da Contribuinte que, conforme explicitado pela Recorrente, são as receitas de aplicações financeiras e receitas de juros cobradas de clientes em atraso no pagamento dos valores devidos à Recorrente, por não se enquadrarem no conceito de faturamento. Diante do exposto, dáse provimento o recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722361/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas pelo declarante a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família quando decorrentes de cumprimento de decisão judicial, comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-006.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente HELCIO ALMEIDA DE MENDONCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas pelo declarante a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família quando decorrentes de cumprimento de decisão judicial, comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 23 61 /2 01 2- 71 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10640.722361/201271 Acórdão n.º 2401006.107 S2C4T1 Fl. 90 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 03/06 e 58/61), anocalendário 2010, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 18.360,00, por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) e documentos (fls. 07/08), considerada tempestiva, alegando que tem “direito a dedução por ter a pensão sido homologada pela justiça, não tendo ainda anexada por estar aguardando o desarquivamento do processo de divórcio, cujo prazo é de 40 dias”. (fls. 08/15). Em 28/08/2012 (fls. 09), foi solicitada juntada de petição (fls. 10) apresentando cópia não autenticada de decisão judicial de divórcio (fls. 11/14). Do Acórdão atacado (fls. 66/68), em síntese, extraise que (a) a Impugnação foi apresentada em 17/07/2012 e, até o momento, o Contribuinte não juntou a decisão judicial homologatória do divórcio para comprovar a obrigatoriedade do pagamento da pensão para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda; e (b) os documentos trazidos aos autos não são suficientes para confereir direito ao restabelecimento da dedução. Intimado em 10/10/2014 (fls. 72), o contribuinte interpôs em 29/10/2014 (fls. 74) recurso voluntário (fls. 74), em síntese, alega: em 27/08/2012 encaminhou cópia da decisão judicial de divórcio com a qual comprovava o pagamento da pensão alimentícia, documentos que novamente apresenta (fls. 76/80). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O Acórdão de piso considerou como não comprovada a pensão alimentícia judicial em face da documentação apresentada. As cópias apresentadas não estão autenticadas (fls. 20/21 e 23/48) e parte significativa da cópia dos recibos está ilegível (fls. 42/48). Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10640.722361/201271 Acórdão n.º 2401006.107 S2C4T1 Fl. 91 3 Com o recurso, foi apresentada novamente a mesma decisão judicial em cópia não autenticada (fls. 77/80), a revelar que a sentença teria sido emitida em 13 de agosto de 1992. Não foi apresentada certidão judicial explicitando a manutenção de tal decisão em relação ao anocalendário de 2010. Sendo o lançamento pertinente ao anocalendário de 2010, a cópia de decisão judicial proferida em 1992 desacompanhada de certidão judicial atualizada ou contemporânea ao anocalendário não tem o condão de gerar convicção acerca da manutenção de pensão judicial a ser paga no ano de 2010. Além dísso, as cópias parcialmente legíveis do que se supõe serem os recibos de pagamento (fls. 42/48) também não geram convicação acerca de ter havido o efetivo pagamento. Logo, o recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o cabimento da dedução postulada (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3º; e Decretolei nº 352, de 1968, art. 4°). Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto a dedução do montante pago a título de pensão alimentícia, capaz de ensejar a reforma do Acórdão Recorrido, como passaremos a demonstrar. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: A legislação de regência autoriza a dedução pretendida, nos termos do disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 (vigente à época do fato gerador): Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10640.722361/201271 Acórdão n.º 2401006.107 S2C4T1 Fl. 92 4 título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. (...) Em relação ao assunto, a alinea “f” do inciso II do art. 8° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispôs sobre dedução de pensão alimentícia na declaração de rendimentos: Art. 8°A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será o diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveís exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) ƒ) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. inclusive a prestação de alimentos provísionais. Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, pensão alimentícia, deverão preencher dois requisitos legais. O primeiro, a comprovação do pagamento aos alimentandos. O segundo, que tais pagamentos sejam realizados em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou decorrentes de previsão estabelecida em escritura pública de separação/divórcio consensual. Na hipótese vertente, a discussão nesta oportunidade cingese a existência/comprovação da sentença/homologação do divórcio, uma vez que a comprovação dos valores pagos não fora questionado pela autoridade lançadora, sendo matéria incontroversa. Vejamos o que diz a acusação fiscal: Poderão ser deduzidas as importâncias pagas a titulo de Pensão Alimentícia em cumprimento de acordo ou decisão judicial, somente a partir da data da homologação judicial. No presente caso, o contribuinte limitouse a apresentar a petição relativa a ação de divórcio consensual, sem a prova de sua homologação. (grifamos) Pois bem! Em seu recurso voluntário, o contribuinte traz aos autos a sentença homologatória do divórcio, efls. 77/78, rechaçando, portanto, a pretensão fiscal. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10640.722361/201271 Acórdão n.º 2401006.107 S2C4T1 Fl. 93 5 Ademais, extraise do voto condutor do Ilustre Relator que não há nos autos cópia da certidão judicial atualizando o estado da pensão e parte dos recibos estariam inelegíveis, nesse diapasão não pode o julgador inovar a notificação de lançamento e solicitar algo que a autoridade autuante não o fez ou impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Com efeito, tivesse o fiscal a intenção de impor outros requisitos à concessão de referida benesse, teria feito de forma explícita e clara no bojo da notificação, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o julgador conferir interpretação que extrapola o próprio auto de infração e o texto legal. Repito, tratase de inovação ao lançamento, mesmo se observarse os requisitos inovados, melhor sorte não resta a decisão ora guerreada, pois o controle da moléstia não configura impedimento para a concessão da isenção, não sendo necessário que para se fazer jus ao benefício precise o contribuinte estar adoentado ou recolhido a hospital, basta observar os requisitos legais. Neste diapasão, como se observa dos autos, está mais que provado ter o recorrente rechaçado a acusação fiscal, restando comprovado por o pagamento dos valores a titulo de pensão (fato incontroverso) e ser decorrente de decisão judicial, cumulando assim os dois requisitos legais para fazer jus a dedução pleiteada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para restabelecer a dedução com a pensão alimentícia, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.906607/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade da peça recursal, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 3401-006.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal intempestivamente apresentada.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade da peça recursal, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal intempestivamente apresentada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade da peça recursal, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal intempestivamente apresentada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 66 07 /2 00 9- 11 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10580.906607/200911 Acórdão n.º 3401006.009 S3C4T1 Fl. 205 2 Relatório O presente versa sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 09484.95783.251105.1.1.017130) de fls. 02/138, transmitido em 25/11/2005, invocando crédito presumido de IPI apurado no primeiro trimestre de 2001 referente ao ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS de que trata a Lei n° 9.363/96, regulamentada pela IN/SRF n° 23/96 e pela Portaria MF n° 38/97, no valor de R$ 123.687,73. O Despacho Decisório Eletrônico de fls. 139, datado de 09/06/2009, indeferiu o pedido de ressarcimento, tendo em conta a fiscalização ter glosado integralmente o crédito pretendido pelo contribuinte sob a alegação, contida no Termo de Verificação Fiscal de fls. 146/149, de que “[...] todas as aquisições foram efetuadas junto as (sic) pessoas físicas, não gerando assim o direito ao crédito presumido por não sofrerem incidência de PIS e da COFINS”. Irresignada, a empresa apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 151/176, em que alegou: (a) a ilegalidade da IN/SRF n° 23/97, pois esta teria modificado a Lei n° 9.363/96 ao limitar a concessão de crédito presumido de IPI às aquisições de produtos oriundos da atividade rural efetuadas apenas de pessoas jurídicas contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS; (b) a jurisprudência que lhe é favorável oriunda do então Segundo Conselho de Contribuintes, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região; (c) o desrespeito ao princípio da verdade material, pois os produtos da atividade rural adquiridos de pessoas físicas pelo produtorexportador contem invariavelmente parcelas de PIS e COFINS embutidas em seu valor decorrentes da aquisição de insumos realizada ao longo de todo o processo produtivo, o que por si já justificaria o ressarcimento pleiteado; (d) a dicção do Decreto n° 2.367/98 (RIPI) no sentido de que a base de cálculo do ressarcimento seria o valor total das aquisições. A decisão de primeira instância (fls. 180/185), proferida em 29/05/2013, foi unânime pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Entendeu o julgador de 1ª instância que: (a) o ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins mediante o crédito presumido de IPI previsto pela Lei n° 9.363/96 requer a incidência de tais contribuições na aquisição realizada pelo produtor exportador, o que não se verifica quando esta é realizada junto a pessoas físicas, as quais não são contribuintes do PIS/PASEP e da Cofins (IN/SRF n° 23/97, Parecer PGFN/CAT/N° 3092/2002, Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n° 312/98); (b) a jurisprudência administrativa apontada pela Recorrente não vincula a atuação dos julgadores de 1ª instância, produzindo efeito apenas quanto às partes envolvidas naqueles processos; (c) o julgador de 1ª instância, enquanto autoridade administrativa, está impossibilitado de examinar a legalidade e constitucionalidade de normas e atos administrativos. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.906607/200911 Acórdão n.º 3401006.009 S3C4T1 Fl. 206 3 Ciente do acórdão de piso em 18/10/2013 (fl. 187), a empresa protocolou o Recurso Voluntário de fls. 189/199 no dia 22/11/2013, cuja juntada no eprocesso se deu em 27/11/2013, sustentando em suas razões que: (a) a Lei n° 9.363/96 firmou apenas dois requisitos para a concessão de crédito presumido de IPI, quais sejam, ser o contribuinte produtor e exportador de mercadorias nacionais e efetuar o cálculo com base nas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo; (b) que a IN/SRF n° 313/2003 extrapolou sua competência normativa ao regulamentar a citada lei, pois incluiu um terceiro requisito, o de que as aquisições de produtos oriundos da atividade rural sejam efetuadas de pessoas jurídicas contribuintes do PIS/PASEP e da Cofins; (c) que a IN/SRF n° 315/2013 incorreu em igual situação ao regulamentar a concessão de crédito presumido de IPI prevista na Lei n° 10.276/2001; (d) que as Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais têm acolhido as mesmas razões por ela suscitadas conforme os julgados colacionados. Em 27/11/2013, o presente é encaminhado a este CARF para apreciação da peça recursal, tendo sido sorteado a conselheiro que devolveu o processo à Câmara após renúncia, havendo posterior distribuição a este relator, por sorteio, em 24/10/2018. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Relator Em juízo de admissibilidade, verificase que o presente Recurso Voluntário não atende ao pressuposto da tempestividade, senão vejamos. Determina o Decreto n° 70.235/1972: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10580.906607/200911 Acórdão n.º 3401006.009 S3C4T1 Fl. 207 4 O Recorrente foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade por via postal remetida ao endereço eleito pelo mesmo em seu cadastro junto ao Fisco. Conforme consta do Aviso de Recebimento de fls. 187, a ciência se deu em 18/10/2013. Neste ponto, convém destacar a regularidade da intimação realizada, a teor da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim sendo, o Decreto nº 70.235/1972 é expresso ao determinar que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5º, caput) e que os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5º, parágrafo único). Considerandose que o dia 18/10/2013 foi uma sextafeira, o prazo teve início no dia 21/10/2013, segundafeira, sendo este o primeiro dia do prazo. Por conseguinte, o trigésimo dia do prazo, quando se encerrou o lapso temporal para a interposição do Recurso Voluntário deuse no dia 19/11/2013. O Recurso Voluntário foi interposto no dia 22/11/2013, conforme aposto no carimbo de protocolo às fls. 189. Não consta dos autos manifestação da autoridade preparadora acerca da tempestividade do presente recurso. Ademais, não há prova da ocorrência de eventual fato impeditivo da prática do ato processual carreada aos autos pela Recorrente. Em verdade, na peça recursal não há qualquer menção à interposição tempestiva. Constatase ainda a inocorrência de feriados na cidade de Salvador que modificassem a forma de contagem do prazo acima. Destarte, reconhecida a intempestividade, não é admissível o conhecimento do presente Recurso Voluntário nos termos dos arts. 5º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, tornandose definitiva a decisão de primeira instância como dispõe o art. 42 do mesmo diploma: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.906607/200911 Acórdão n.º 3401006.009 S3C4T1 Fl. 208 5 Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009538/2003-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA.A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2002.Exclusão. Regularidade Fiscal.
REINCLUSÃO.
Descabe conhecer no âmbito administrativo matéria que é objeto de demanda judicial
Numero da decisão: 1102-000.481
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso por concomitância entre processo administrativo e judicia], nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Numero do processo: 19679.009420/2003-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01//1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF.
O contribuinte pode retificar suas declarações, porém, a partir do momento em que a administração tributária lhe dirige exigência baseada nas informações prestadas, deve fazer prova de eventual erro cometido, não estando mais ao abrigo da espontaneidade.
O DARF apresentado faz prova de que houve um pagamento, porém, não do valor efetivamente devido. Se pretende demonstrar uma incorreção na DCTF, é necessário que junte outras provas, como sua contabilidade, por exemplo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
São devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Inteligência do enunciado nº 04 da súmula da jurisprudência do CARF.
CTN 136. RESPONSABILIDE POR INFRAÇÕES INDEPENDE DA INTENÇÃO DO AGENTE.
O art. 136 do CTN traz princípio segundo o qual a responsabilidade por infrações tributárias não depende da intenção do agente, o que não significa responsabilidade objetiva. Subjaz à responsabilidade tributária a noção de culpa, pelo menos em sentido estrito, pois ainda que o indivíduo não tenha atuado com conciência e vontade diriga ao resultado (dolo), este pode decorrer de sua falta de diligência (negligência) ou de seus prepostos no trato de seus negócios (pondo-se aí, portanto, também a culpa in eligendo ou in vigilando).
Numero da decisão: 2402-007.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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O contribuinte pode retificar suas declarações, porém, a partir do momento em que a administração tributária lhe dirige exigência baseada nas informações prestadas, deve fazer prova de eventual erro cometido, não estando mais ao abrigo da espontaneidade. O DARF apresentado faz prova de que houve um pagamento, porém, não do valor efetivamente devido. Se pretende demonstrar uma incorreção na DCTF, é necessário que junte outras provas, como sua contabilidade, por exemplo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. São devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Inteligência do enunciado nº 04 da súmula da jurisprudência do CARF. CTN 136. RESPONSABILIDE POR INFRAÇÕES INDEPENDE DA INTENÇÃO DO AGENTE. O art. 136 do CTN traz princípio segundo o qual a responsabilidade por infrações tributárias não depende da intenção do agente, o que não significa responsabilidade objetiva. Subjaz à responsabilidade tributária a noção de culpa, pelo menos em sentido estrito, pois ainda que o indivíduo não tenha atuado com conciência e vontade diriga ao resultado (dolo), este pode decorrer de sua falta de diligência (negligência) ou de seus prepostos no trato de seus negócios (pondose aí, portanto, também a culpa in eligendo ou in vigilando). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 94 20 /2 00 3- 68 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 184 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo de auto de infração eletrônico (fls. 36 a 59) lavrado aos 25/06/2003, decorrente de auditoria interna das DCTF dos 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário 1998, entregues pela recorrente. O valor total da autuação perfaz R$ 558.112,02, incluindo juros de mora calculados até a data da autuação (fls. 36). Foram verificadas as seguintes infrações: Anexo Ia: pagamentos não localizados de débitos de IRRF e compensação com pagamento não localizado (fls. 39/42). Anexo IIa: pagamentos de IRRF efetuados após o vencimento sem acréscimos ou com acréscimos a menor (fls. 43/55). Quanto às duas primeiras infrações, foram lançados os valores do principal cumulados com multa de ofício de 75% e juros de mora (Anexo III fls. 56/57). A terceira infração teve como consequência o lançamento de multa de ofício isolada de 75% e juros de mora isolados (Anexo IV fls. 58/59). A recorrente foi notificada do auto do infração aos 11/08/2003 (fls. 100) e apresentou impugnação aos 10/09/2003 (fls 02/33), alegando, em síntese: em preliminar, a impossilbilidade de utilização da taxa Selic como índice para cálculo dos juros de mora, por apresentar diversas ilegalidades e inconstitucionalidades; no mérito, afirma que pagou os valores lançados no Anexo III, e junta cópias de DARF’s; por fim, requer a seja julgado improcedente o auto de infração. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 185 3 Em procedimento de revisão de ofício do lançamento (fls. 109/118), a autoridade fiscal cancelou parte dos créditos tributários lançados. O processo foi, então, encaminhado para apreciação da impugnação em relação à parte remanescente após a revisão de ofício. Relativamente ao crédito remanescente, a DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. Os DARF apontados na impugnação como suficientes para a extinção dos créditos tributários lançados foram considerados pela autoridade fiscal na revisão de ofício efetuada, restando em aberto dois débitos, quitados parcialmente. Apenas em relação a um desses débitos o contribuinte alega, adicionalmente, que a DCTF apresenta valor incorreto. Tal justificativa não pode ser acatada, posto que desacompanhada de provas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de ofício vinculada deve ser reduzida ao valor correspondente à multa de mora, em conformidade com o artigo 106, II, “c” do CTN, uma vez que o lançamento de ofício previsto no artigo 90 da MP nº 2.15835/ 2001 deixou de ser realizado, a partir da vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, passando o débito declarado em DCTF a ser diretamente inscrito em dívida ativa, com a cobrança de multa moratória. TAXA SELIC. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO À ATUAÇÃO DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Nos termos do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, não cabe ao julgador administrativo se pronunciar sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação que manda aplicar a taxa SELIC a título de juros moratórios. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada dessa decisão aos 08/03/2012 (fls. 138), a recorrente apresentou recurso voluntário a 01/04/2012, no qual reproduziu os mesmos argumentos de sua impugnação (fls. 140 ss.). Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 186 4 Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A recorrente se volta em seu recurso voluntário contra a cobrança de multas isoladas e juros isolados, contantes do Anexo IV e mantida pela DRJ. Relativamente a este ponto, anoto que conforme bem observado na decisão decisão recorrida, "(...) os débitos do Anexo IV (multas isoladas e juros isolados) não foram objeto de impugnação específica. Apenas estão impugnados, indiretamente, os juros de mora isolados, tendo em vista a contestação do contribuinte em relação à taxa Selic. Dessa forma, não será objeto de apreciação neste julgamento o lançamento das multas isoladas constantes do Anexo IV." Ou seja, com relação às multas isoladas, contra as quais não se manifestou a recorrente em sua impugnação, sequer de maneira indireta, tratase de matéria preclusa, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispôem: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...). Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O art. 336 do NCPC, aplicável subsidiariamente aos processos administrativos, ao processo administrativo fiscal, inclusive, dispõe que "incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir". Analisando o seu teor, percebese que sequer seria necessário se valer da aplicação subsidiária do dispositivo em questão ao processo administrativo fiscal, já que seu conteúdo é em tudo e por tudo exatamente o mesmo que se extrai do conjunto dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.234/72. Pois bem. Nessa linha, valendonos, por empréstimo, da lição dos professores Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrada Nery em comentário que fazem ao art. 336 do Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 187 5 NCPC1, o contribuinte deve alegar toda a matéria de defesa que tiver na impugnação, pena de não mais poder fazêlo em momento posterior em face do fenômeno processual da preclusão consumativa: 2. Princípio da eventualidade. Por este princípio, o réu deve alegar, na contestação, todas as defesas que tiver contra o pedido do autor, ainda que sejam incompatíveis entre si, pois, na eventualidade de o juiz não acolher uma delas, passa a examinar a outra. Caso o réu não alegue, na contestação, tudo o que poderia, terá havido preclusão consumativa, estando impedido de deduzir qualquer outra matéria de defesa depois da contestação, salvo do disposto no CPC 342. A oportunidade, o momento processual em que pode defenderse, é a contestação. Sobre os juros de mora isolados, igualmente não foram objeto de impugnação específica, mas podem ser considerados impugnados de maneira indireta nas alegações da recorrente contra a impossibilidade de aplicação da taxa Selic para a apuração dos juros de mora em matéria tributária. A esse respeito, é entendimento pacífico neste tribunal, constante do enunciado de nº 04 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil são corrigidos pela taxa SELIC. A recorrente, em seu recurso, também requer a exclusão da multa punitiva, ao argumento de que quando da realização dos negócios e operações que ensejaram o auto de infração, agiu de boafé, dado que seus atos não visavam prejudicar o Erário ou quem quer que seja e que não houve nenhum tipo de prejuízo. Neste ponto, o art. 136 do CTN2 traz princípio segundo o qual a responsabilidade por infrações tributárias não depende da intenção do agente. Como nos ensina Luciano Amaro, como sempre, de maneira muito lúcida e didática: A doutrina costuma, à vista desse dispositvo, dizer que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, uma vez que não seria necessário pesquisar a eventual presença do elemento subjetivo (dolo ou culpa). (...) ..., Luiz Flávio Fomes diz que o art. 136 é "absolutamente inconstitucional", por tratar da "responsabilidade no sentido 'objetivo' (imposição de sanção sem dolo ou culpa)", conflitando com a "presunção de inocência". Talvez o Código não mereça nenhum desses comentários. O preceito questionado diz, em verdade, que a responsabilidade 1 In COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL NOVO CPC Lei nº 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, 923. 2 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 188 6 não depende da intenção, o que torna (em princípio) irrelevante a presença do dolo (vontade consciente de adotar a conduta ilícita), mas não afasta a discussão da culpa (em sentido estrito). Se ficar evidenciado que o indivíduo não quis descumprir a lei, e o eventual descumprimento se deveu a razões que escaparam a seu controle, a infração ficará descaracterizada, não cabendo, pois, falar em responsabilidade. (...) O art. 136 pretende, em regra geral, evitar que o acusado alegue que ignorava a lei, ou desconhecia a exata qualificação jurídica dos fatos, e, portanto, teria praticado a infração "de boafé", sem intenção de lesar o interesse do Fisco. O preceito supõe que os indivíduos, em suas atividades negociais, conhecem a lei tributária, e, se não a cumprem, é porque ou realmente não a quiseram cumprir (o que não está presumido pelo dispositivo) ou não diligenciaram para conhecêla e aplicála corretamente em relação aos seus bens, negócios ou atividades, ou elegeram prepostos negligentes ou imperitos. Enfim, subjaz à responsabilidade tributária a noção de culpa, pelo menos stricto sensu, pois ainda que o indivíduo não atue com conciência e vontade do resultado [dolo], este pode decorrer de sua falta de diligência (portanto, de negligência) sua ou de seus prepostos, no trato de seus negócios (pondose aí, portanto, também a culpa in eligendo ou in vigilando). Sendo, na prática, de difícil comprovação o dolo do indivíduo (salvo em situações em que os vestígios materiais sejam evidentes), o que preceitua o Código Tributário Nacional é que a responsabilidade por infração tributária não requer a prova, pelo Fisco, de que o indivíduo agiu com conhecimento de que sua ação ou omissão era contrária à lei, e de que ele quis descumprir a lei. 3 Nessa linha, a recorrente não fez prova nos autos de que a infração cometida decorreu de razões que escaparam ao seu controle, ou seja, que fossem aptas a afastar a noção de culpa em sentido estrito e, por conseguinte, de responsabilidade. Com relação aos débitos remanescentes, a recorrente insiste na mesma tese defendida na impugnação, de que o pagamento se deu após a data do vencimento, aos 30.10.98, com os devidos acréscimos de multa e juros legais. No entanto, diz que ao preencher o DARF, por um equivoco, informou incorretamente o CNPJ da empresa. Todavia, efetuou o REDARF e o pagamento do valor TOTAL informado na DCTF (incluindo juros e multa), não havendo prejuízo ao Fisco, ressaltando que mesmo que tivesse havido, teria sido absolutamente involuntário, sem nenhuma intenção dolosa ou fraudulenta. O débito remanescente está demonstrado abaixo: 3 In DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 444/445 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 189 7 Considerando que, neste ponto, a recorrente reproduz em seu recurso as razões de defesa apresentadas em sua impugnação, pedimos vênia para tomarmos de empréstimo os fundamentos da decisão recorrida, com os quais estamos de pleno acordo, que adotamos como razões de decidir, nos termos do art. art. 57, §3º do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Assim, conforme observa a decisão de primeira instância, a recorrente afirma que: o pagamento foi liquidado em 30.10.98, com o acréscimo de multa e juros; o CNPJ constante do DARF foi informado incorretamente como sendo o da empresa matriz; o valor com juros e multa foi informado na DCTF como sendo o principal. Quanto ao erro cometido na informação do CNPJ, verificase que, de fato, foi efetuado Redarf pela unidade de origem (fls. 102). A unidade de origem efetuou a imputação do pagamento ao débito de R$ 12.006,86 e restou saldo em aberto de R$ 2.528,01. Desse modo, "Não é possível aceitar o argumento do contribuinte de que o débito está informado incorretamente na DCTF, tendo ali constado o valor total do pagamento (que inclui juros e multa) como sendo o valor do principal. Isso porque tal afirmação veio desacompanhada de qualquer prova que lhe desse suporte. É certo que o contribuinte pode retificar suas declarações, porém, a partir do momento em que a administração tributária lhe dirige exigência baseada nas informações prestadas, deve ele fazer a prova de eventual erro cometido, não estando mais ao abrigo da espontaneidade. O DARF apresentado faz prova de que houve um pagamento, porém não do valor efetivamente devido. Se pretendia demonstrar uma incorreção na DCTF, seria necessário que a impugnante juntasse outras provas, como a sua contabilidade, o que não foi feito. Dessa forma, o débito remanescente deve ser mantido." Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19679.009420/200368 Acórdão n.º 2402007.142 S2C4T2 Fl. 190 8 Conclusão À vista de todo o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso voluntário e na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 190DF CARF MF
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