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4656574 #
Numero do processo: 10530.001678/92-58
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 1996
Ementa: IRPF. Anulado o lançamento do crédito tributário no processo principal (Ac. 107-3.467), adota-se igual procedimento ao decorrente. Exigência cancelada. Recurso provido, à unanimidade. Recurso provido.
Numero da decisão: 107-03491
Decisão: PUV, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Maurílio Leopoldo Schmitt

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4658212 #
Numero do processo: 10580.010718/92-67
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRF - REVELIA - Não se toma conhecimento do recurso quando a decisão recorrida alega a intempestividade da Impugnação e esta questão não é objeto do recurso, como questão de mérito.
Numero da decisão: 106-08589
Decisão: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Orlando Marconi

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMTUR EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS DA BAHIA S/A. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, Não Conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. D I Ziair4 : S DE O Din IRA ID I 'QUE ORLANDO MARCONI RELATOR FORMALIZADO EM: 21 MAR 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MÁRIO ALBERTNO NUNES, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, ROMEU BUENO DE CAMARGO e ADONIAS DOS REIS SANTIAGO. Ausente o Conselheiro GENESI° DESC S. I p% H A mi' n4_ • • MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Isr. : 10580/010.718/92-67 ACÓRDÃO N°. : 106-08.589 RECURSO N'. : 04.757 RECORRENTE : EMTUR - EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS DA BAHIA S/A RELATÓRIO EMTUR - EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS DA BARU S/A, empresa já qualificada às fls. 01 dos presentes autos, recorreu a este Colegiado em 04/11/94, da Decisão N° 579/93, e o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem, conforme Resolução N° 106-0855, de fls. 47. Leio em sessão o Relatório e Voto de fls. 48/50 expendidos por este mesmo Conselheiro em 20/01/96. O processo foi encaminhado à DRF/SALVADOR/BA e o atendimento à diligência, que também leio em sessão, se encontra às fls. 53 Os Processos N° 10580/010719/92-20 e 10580/010729/92-83 mencionados pelo Apelante foram julgados pela Terceira Câmara e o Acórdão N° 103-17.634, referente ao último deles, foi acostado aos autos. É o Relatórimi f" MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10580/010.718/92-67 ACÓRDÃO N°. : 106-08.589 VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE ORLANDO MARCONI, RELATOR Em seu Apelo de fls. 43, o Contribuinte tão somente requer sejam consideradas "como se aqui estivessem transcritas as razões constantes dos Recursos acostados aos autos dos procedimentos de N° 105801010719192-20 e 10580/010729/92-83, após as providências de estilo." Na Terceira Câmara, onde referidos processos foram julgados, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento dos recursos, que receberam os respetivos números 109732 e 109730, conforme Acórdãos N° 103-17664 e 103-17634. Em seu voto, o ilustre Relator Otto Cristiano de Oliveira Glasner assim se manifesta : "A Recorrente, em seu Recurso, não se insurge contra a alegação de que houvera comparecido ao processo para impugnar o lançamento, intempestivamente." E encerra : "De qualquer sorte, a única matéria que poderia ser objeto do presente Recurso seria a revelia declarada pela Autoridade Julgadora de 1.a Instância. A questão sequer foi argüida. Como a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, porque intempestiva a Impugnação, não cabe apreciação por parte deste Conselho do ato administrativo que resultou na revisão do lançamento. O julgamento se encerrou quando não apreciadas as razões de mérito da então Impugnante, porque intempestivo seu comparecimento ao processo. A revisão "ex officio" do lançamento constitui ato administrativo autônomo, não se incluindo entre os atos processuais passíveis de revisão. Ademais, estou convencido do caráter meramente protelatório doi,;# MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10580/010.718/92-67 ACÓRDÃO N". : 106-08.589 presente recurso, vez que não foi contraditada a alegação de intempestividade da Impugnação, nem contraditada a informação prestada pelo Governo do Estado da Bahia acerca do volume dos recursos transferidos. Por outro lado, também não restou provado que parte das transferências se destinavam a investimentos na Autuada. Em face de todo o exposto, VOTO no sentido de NÃO TOMAR CONHECIMENTO do Recurso, face à intempestivadade da Impugnação." Uma vez que também foi intempestiva a Impugnação constante do presente processo, conforme Relatório de fls. 32, não vejo motivo para não adotar idêntico entendimento ao do Voto proferido pelo Conselheiro Otto Cristiano de Oliveira Glasner. Assim, DEIXO também de TOMAR CONHECIMENTO do Recurso, em face da intempestividade da Impugnação. Sala das Sessões - DF, em 24 de fevereiro de 1997 HENRIQUE ORLANDO MARCONI Page 1 _0115000.PDF Page 1 _0115100.PDF Page 1 _0115300.PDF Page 1

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4655117 #
Numero do processo: 10480.014592/2001-34
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPF - Uma vez comprovado que os rendimentos, retidos na fonte indevidamente, correspondem a rendimentos isentos e não tributáveis, faz jus o contribuinte à restituição do imposto pago. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-19.865
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues

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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EDUARDO LUIZ DE LIMA COELHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEILA ARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE I ROD IGUES ELATORA FORMALIZADO EM: 24 HM 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSE PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, ALBERTO ZOUVI (Suplente convocado), OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. 4,4C:44 MINISTÉRIO DA FAZENDA :-1.2tt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10480.014592/2001-34 Acórdão n°. : 104-19.865 Recurso n°. : 136.984 Recorrente : EDUARDO LUIZ DE LIMA COELHO RELATÓRIO EDUARDO LUIZ DE LIMA COELHO, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 38) contra a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE, que julgou procedente o auto de infração de fls. 03 a 05, no qual é cobrado devolução da restituição indevida, relativamente ao ano-calendário 1995, do Imposto de Renda de Pessoa Física, no valor original de R$ 1.324,27 (um mil, trezentos e vinte e quatro reais e vinte e sete centavos). O recorrente, cientificado do auto de infração lavrado, apresentou impugnação aduzindo, em síntese, que entregou declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, ano base 1995, com restituição de imposto no valor de R$ 1.256,00. Mas, refere que quando se desligou da Previdência Privada do banco do Brasil, PREVI- em função de adesão ao programa de demissão voluntária, foi retido indevidamente a quantia de R$ 1.324,27, por se tratar de rendimento isento e não tributável. Relata o recorrente que foi orientado pela receita Federal a efetuar uma declaração retificadora, alterando o campo de rendimentos isentos e não tributáveis e de imposto a restituir. Anexa documentação e memória de cálculo da devolução da reserva de poupança da PREVI. 2\ • 4.0n5:,a MINISTÉRIO DA FAZENDA 1:_sePjRail PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10480.014592/2001-34 Acórdão n°. : 104-19.865 O pedido foi indeferido, (fls. 32 a 34), pela DRJ de Recife - PE, tendo como fundamento o fato de que o documento apresentado pelo recorrente, emitido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil — PREVI, não preenche os requisitos previstos pela Instrução Normativa SRF n° 66/1995, que aprova o modelo de Comprovante de rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, eferente à Declaração de Ajuste Anual do exercício de 19996 das pessoas físicas. Refere a autoridade julgadora que simples memória de cálculo da devolução da reserva de poupança não possui força comprobatória. Cientificado da decisão de primeiro grau, o recorrente apresentou suas razões de inconformidade tempestivamente, a este Conselho, alegando, em síntese as mesmas razões de sua Impugnação, acrescentando nesta fase processual declaração da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil — PREVI, de que relativos ao resgate da reserva de poupança do ex-participante, ora recorrente, realizado em agosto do ano de 1995, os valores são: Rendimentos tributáveis: R$ 6.048,76. Rendimentos isentos e não-tributáveis: R$ 22.009,27. Imposto retido na fonte: R$ 1.324,27. Ainda, o recorrente junta comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, onde constam todos o dados de identificação do mesmo. É o Relatório. 3 ‘?:11» nN if;',,:•;;:.1' MINISTÉRIO DA FAZENDA <ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -ezlePt>. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10480.014592/2001-34 Acórdão n°. : 104-19.865 VOTO Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No presente feito, a discussão cinge-se ao dato de ter o recorrente efetuado declaração retificadora na qual requer a restituição de imposto de renda retido na fonte de forma indevida. Isto porque, tendo aderido ao programa de PDV, acabou tendo retido na fonte, de forma indevida, os rendimentos percebidos pela Caixa de Previdência Privada dos Funcionários do Banco do Brasil. Como o recorrente requereu, através de declaração retificadora a restituição destes valores e os recebeu, a fiscalização entendeu por bem que não havia comprovação de que os referidos rendimentos tratavam-se de isentos ou não tributáveis, oriundos de resgate junto a entidades de previdência privada, correspondente apenas às contribuições cujo ônus tenha sido do participante. No entanto, conforme se pode verificar, através da documentação acostada a este recurso voluntário, o recorrente logrou comprovar que os rendimentos, retidos na fonte indevidamente, correspondem a rendimentos isentos e não tributáveis e que o mesmo faz jus à restituição recebida, sendo improcedente o lançamento efetuado. Ademais, há que se ressaltar que pelo principio da Verdade Material, o recorrente pode apresentar documentos em todos os momentos do processo, desde que o 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA :ltL--7.-Ot PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10480.014592/2001-34 Acórdão n°. : 104-19.865 faça antes da decisão final. Há prevalecer sempre a verdade dos fatos para que o julgado seja a expressão da Justiça. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões (DF), 17 de março de 2004 I AN SA_Q1S4D UES 5 Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.002181/2002-59
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IRPF - INCONSTITUCIONALIDADE - LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 - Publicada uma lei, pressupõe-se que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que cuida do controle a posteriori, não pode deixar de ser aplicada se estiver em vigor. OMISSÃO DE RENDIMENTOS --– DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizam-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal. Recurso negado.
Numero da decisão: 106-13494
Decisão: : Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Orlando José Gonçalves Bueno e Edison Carlos Fernandes, que davam provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: Thaisa Jansen Pereira

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Enquanto não for declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que cuida do controle a posteriori, não pode deixar de ser aplicada se estiver em vigor. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracterizam-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do art. 42, do citado diploma legal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGAMENON FERREIRA DE SOUZA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Orlando José Gonçalves Bueno e Edison Carlos Femandes que davam provimento. • JOSt I: • M • :IS/PENHA PRESIDENT: ct THAA184ANSEN PEREIRA R ORA „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 FORMALIZADO EM: 22 OUT 2003 FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, LUIZ ANTONIO DE PAULA e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. i 02 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 Recurso n°. : 133.599 Recorrente : AGAMENON FERREIRA DE SOUZA RELATÓRIO Agamenon Ferreira de Souza, já qualificado nos autos, recorre da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, por meio do recurso protocolado em 22.08.02 (fls. 136 a 146), tendo dela tomado ciência em 23.07.02 (fl. 134). Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração de fls. 09 e 10, o qual constituiu o crédito tributário no valor de R$ 127.904,76 de imposto de renda pessoa física, que, acrescido dos encargos legais, totalizou R$ 332.974,45 em 28.02.02. O lançamento foi feito em virtude da constatação de omissão de rendimentos presumida em virtude de depósitos bancários, sobre os quais o contribuinte não logrou comprovar as origens. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 13 e 14) esclarece que foi identificada uma movimentação bancária no montante de R$ 1.299.652,00 em nome do Sr. Agamenon Ferreira de Souza. De posse desta informação, foram requisitados os extratos bancários ao contribuinte, que se negou a apresentá-los, sob o argumento de que se estaria quebrando o seu sigilo bancário, o que é inconstitucional (fls. 57 a 63). Em vista de tal negativa, o fiscal autuante intimou as instituições bancárias, com base na Lei Complementar n° 105/01, as quais forneceram os dados solicitados. O sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos créditos em suas contas correntes. Pediu prorrogação, ao que foi atendido, porém não apresentou qualquer resposta, o que deu margem legal à imposição da multa agravada de 112,5% pelo não atendimento da intimação. 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 Em sua impugnação (fls. 105 a 112), o Sr. Agamenon Ferreira de Souza apresenta os seguintes argumentos, em síntese: > Depósitos bancários não podem ser considerados fato gerador do tributo em questão, posto que não significam disponibilidade econômica; > Evidenciam somente mobilidade dos recursos; > Decerto, a passagem de recursos na conta corrente do indivíduo pode dar-se a título de vários negócios ou operações, muitos deles gratuitos, outros isentos ou não tributáveis, e outros ainda já tributados na fonte. Não raro, os recursos em poder do depositário sequer são de sua propriedade (fl. 109); > A imposição para que o contribuinte justifique cada depósito é invasão da privacidade, o que o ordenamento jurídico não permite, conforme jurisprudência transcrita; > Deve-se lembrar da Súmula n° 182, do TFR; > Os dados obtidos ferem os direitos constitucionalmente garantidos, como os que dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem; > As informações bancárias somente podem ser disponibilizadas ao fisco com autorização judicial; > Na sua ausência, toma-se clara a ilicitude das provas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (fls. 125 a 131), por meio de sua Terceira Turma, por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedente o lançamento. A sua fundamentação, resumidamente, consiste em: 4 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 D A Administração Pública se rege pelo principio da legalidade estrita, sendo que o acesso do fisco às informações bancárias está previsto na Lei Complementar n° 105/01 e no seu regulamento, que é o Decreto n° 3.724/01; D Não se trata de uma invasão à intimidade do indivíduo, mas sim uma atividade amparada em lei e que transmite à Secretaria da Receita Federal o dever de sigilo dos dados; D Logo, não há o que se falar em ilicitude das provas; D A base para a imposição tributária é o art. 42, da Lei n° 9.430/96, que dispõe que os valores creditados em conta corrente ou de investimento caracterizam omissão de rendimentos, quando não justificada a sua origem; D É uma presunção júris tantum, o que significa dizer que admite prova em contrário por parte do contribuinte; D Tal comprovação não foi oferecida pelo sujeito passivo; D A Súmula n° 182, do TFR não mais possui eficácia, diante do novo diploma legal vigente. Em seu recurso (fls. 136 a 146), o Sr. Agamenon Ferreira de Souza reitera os termos de sua impugnação. Oarrolamento dos bens pode ser comprovado pelos documentos de fls. 147a 151, bem como pelo despacho de fl. 152. É o Relatório.i i 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 VOTO Conselheira THAISA JANSEN PEREIRA, Relatora O recurso é tempestivo e obedece a todos os requisitos legais para a sua admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme já explanado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, as informações bancárias podem ser requisitadas às instituições financeiras pela Secretaria da Receita Federal, em especial depois de editada a Lei Complementar n° 105/01, a qual autoriza expressamente tal solicitação, ao contrário do que entende o contribuinte. Do seu texto podemos extrair os seguintes trechos de interesse neste processo: Art. 1°. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § • 3°. Não constitui violação do dever de sigilo: IV — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos fiscais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V ▪ I — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. § 4°. A quebra de sigilo poderá ser decretada, quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial, e especialmente nos seguintes crimes: Art. ▪ 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (grifos meus) Da leitura dos preceitos legais constata-se que o sigilo bancário não é considerado violado pelo fato de serem repassadas, pelas instituições financeiras, as informações relativas às contas de depósito e aplicações do contribuinte, que está sob procedimento fiscal, ao fisco. A exigência de decisão judicial é para o caso de quebra do sigilo bancário, o que não ocorre quando o fisco delas toma conhecimento, pois tem o dever de mantê-las, também, em sigilo. A jurisprudência citada pelo contribuinte não contempla a Lei Complementar n° 105/01, logo, as situações não podem sequer ser comparadas. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, por desrespeito aos direitos à intimidade, vida privada, honra e imagem, como já vimos existe uma Lei Complementar que dá suporte ao procedimento fiscal, assim, sabemos que ela passou pelo controle de constitucionalidade a priori, ou seja, na fase de sua confecção. O controle da constitucionalidade das leis pode ser feito a priori ou a posteriori. No primeiro caso, no controle preventivo, observa-se a preocupação com o respeito aos princípios e determinações constitucionais por quem elabora as leis. Portanto, uma vez em vigor, pelo princípio da presunção de legitimidade, toda norma 7 0-11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.00218112002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 jurídica é acolhida como constitucional até que se prove a existência de um vício de inconstitucionalidade. O controle repressivo, ou a posteriori, é realizado pelos órgãos jurisdicionais por meio do controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Conforme as palavras contidas no livro Teoria Geral do Processo': O sistema brasileiro não consagra a existência de uma corte constitucional encarregada de resolver somente as questões constitucionais do processo sem decidir a causa (como a italiana). Aqui, existe o controle difuso da constitucionalidade, feito por todo e qualquer juiz, de qualquer grau de jurisdição, no exame de qualquer causa de sua competência — ao lado do controle concentrado, feito pelo Supremo Tribunal Federal pela via de ação direta de inconstitucionalidade. O Supremo Tribunal Federal constitui-se, no sistema brasileiro, na corte constitucional por excelência, sem deixar de ser autêntico órgão judiciário. Como guarda da Constituição, cabe-lhe julgar: a) a ação declaratória de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual perante a Constituição Federal (inc. I, a), inclusive por omissão (art. 103, § 2); b) o recurso extraordinário interposto contra decisões que contrariem dispositivo constitucional, ou declararem a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal ou julgarem válida lei ou ato do governo local contestado em face da Constituição (art 102, inc. III, a, b e c); c) o mandado de injunção contra o Presidente da República ou outras altas autoridade federais, para a efetividade dos direitos e liberdades constitucionais etc. (art. 102, inc. Q, c/c art. 5ó, inc. 00a). Portanto, cabe ao Poder Judiciário o exame da constitucionalidade das leis a posteriori. No presente caso, a Lei Complementar já existe e, portanto, já passou pelo controle a priori. Logo, enquanto não for declarada inconstitucional ou modificada por outra lei complementar, não pode deixar de ser aplicada. I DINAMARCO, Cândido Rangel; GRINOVEFt, Ada Pellegrini; CINTRA, Antonio Carlos de Araújo. Teoria geral do processo. 17. ed. São Paulo : Malheiros, 2001, p. 179. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 No que diz respeito à tributação com base nos depósitos bancários, observa-se que o lançamento está fundamentado na Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, que assim determina: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1°. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2°. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3°. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (valores alterados na Lei n°9.481/97) § 4°. Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição. Conforme se depreende da análise dos demonstrativos fiscais, todos os preceitos legais foram obedecidos. Trata-se de presunção legal juris tantum. Isto é, ante o fato material constatado, que são os créditos sobre os quais o contribuinte, 9 id MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores. O efeito de tal presunção relativa é a inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo a apresentação de provas quanto à origem dos rendimentos presumidos. Para tanto, foram-lhe proporcionadas oportunidades desde a fase de investigação fiscal até a fase recursal, sendo que em nenhum momento trouxe qualquer documento que pudesse afastar o arbitramento. O fisco especificou, em seus demonstrativos, cada depósito considerado, logo, a apuração foi precisa. Agiu dentro dos limites e dos ditames legais. Os acórdãos administrativos invocados pelo contribuinte são anteriores à Lei n° 9.430/96. Antes dela, vigorava o § 5 0, do art. 6°, da Lei n° 8.021/90, que vinculava a autuação com base em depósitos bancários aos sinais exteriores de riqueza, porém a autuação não foi fundamentada no art. 6 0, da Lei n° 8.021/90, mas sim no art. 42, da Lei n° 9.430/96, que se refere exclusivamente a valores creditados em conta de depósito ou de investimento sem vincular a presunção aos sinais exteriores de riqueza. Esta convicção se fortalece na medida em que se verifica que no inciso XVIII, do art. 88, da mesma Lei n° 9.430/96, houve expressa revogação do § 5°, do art. 6°, da Lei n° 8.021/90, o qual antes autorizava o arbitramento com base em depósitos ou aplicações perante as instituições financeiras, quando pela via do contribuinte não houvesse comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações e, cumulativamente, pela via da fiscalização fossem evidenciados os sinais exteriores de riqueza. Ou seja, deveria haver um nexo causal entre os depósitos e os dispêndios efetuados. A própria Súmula TRF n° 182, referida pelo recorrente já não tem mais aplicação, posto ser anterior à lei que fundamenta o lançamento. io 1 . ... MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10580.002181/2002-59 Acórdão n°. : 106-13.494 A partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96 passou a dar o respaldo legal ao arbitramento dos rendimentos do contribuinte com base em valores creditados em conta corrente ou investimento perante as instituições financeiras. Assim é que os valores adotados para base de cálculo do tributo são os depósitos bancários, cujas origens não foram justificadas pelo contribuinte como sendo advindos de rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. As provas necessárias ao lançamento são os extratos bancários e aquelas que poderiam atingir a exigência não foram providenciadas por quem tinha o ônus de trazê-las aos autos, que é o contribuinte interessado no cancelamento do Auto de infração. Pelo exposto e por tudo mais que do processo consta, conheço do recurso, por tempestivo e interposto na forma da lei, e voto por NEGAR-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 09 de setembro de 2003 THANSEN PEREIRA çsit:' f 11 Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.010940/00-97
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos a título de adesão aos planos de desligamento voluntário/incentivo à aposentadoria, admitida a restituição de valores recolhidos em qualquer exercício pretérito. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos ou programas de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando ao beneficiário a perda involuntária do emprego. Tratando-se de indenização, não há que se falar em hipótese de incidência do imposto de renda. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-18917
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: João Luís de Souza Pereira

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PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos ou programas de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando ao beneficiário a perda involuntária do emprego. Tratando-se de indenização, não há que se falar em hipótese de incidência do imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ CAETANO DOS SANTOS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. di/S-..kt-a LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE i à ji1111 I J • • LUÍS DE S• it PEjpIRA ROR MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';'•:":-1,4,1:>. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 FORMALIZADO EM: 19 SET 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 _ it'-4.4 :i .;_tri, MINISTÉRIO DA FAZENDA nitilli,t,:ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 Recurso n°. : 128.998 Recorrente : JOSÉ CAETANO DOS SANTOS RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - BA que manteve o indeferimento de restituição do IRPF, relativo ao exercício de 1992, ano-calendário 1991, formulado pelo sujeito passivo em razão de ter aderido ao programa de incentivo à aposentadoria promovido pelo ex- empregador. Através do requerimento de f1.01, o sujeito passivo apresenta seu pedido de restituição motivado pela adesão a programa de aposentadoria incentivada e anexa os documentos de fls. 02 a 13. A Delegacia da Receita Federal em Salvador - BA, através do despacho de fls.14 e 15, indeferiu o pedido de restituição, cuja motivação está expressa na seguinte ementa: 'DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA EM CINCO ANOS - INDEFERIMENTO. É intempestivo o pedido de restituição protocolizado após cinco anos da data da extinção do crédito tributário." lrresignado, o sujeito passivo apresenta sua manifestação de inconformismo, de fl.16/26, sustentando, em apertada síntese, que o requerimento de restituição foi 1? apresentado em tempo hábil. D______\ 3 ___ t 44 ----- MINISTÉRIO DA FAZENDA..t, 'w. ., rt • 3 ., ,,:; k;. - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 As fls. 28/36, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA indeferiu o pleito do sujeito passivo em decisão assim ementada: "EXTINÇÃO DO DIREITO DE REQUERER A RESTITUIÇÃO - O direito de o contribuinte pleitear a restituição extingue-se no prazo de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário, inclusive com relação aos fatos geradores que posteriormente venham a ser declarados legalmente como não tributáveis. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - No lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado do tributo é o marco inicial para a contagem do prazo em que se extingue o direito de o contribuinte pleitear a restituição. Solicitação indeferida". Regularmente intimado desta decisão em 28 de novembro de 2001, o contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 05 de dezembro de 2001, através do qual basicamente ratifica suas manifestações anteriores. Processado regularmente em primeira instância, o recurso é remetido a este Conselho para apreciação do recurso voluntário interposto. É o Relatór-eio. 4 — MINISTÉRIO DA FAZENDAvi--t*: 4- tiTØ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 VOTO Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA, Relator O recurso é tempestivo e está de acordo com os demais pressupostos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. A matéria em discussão nestes autos refere-se à questão de saber se os rendimentos recebidos pela adesão aos chamados planos de incentivo à aposentadoria estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Também está em discussão a adequação do prazo para a apresentação do requerimento de restituição. Há de ficar ressaltado que em momento algum as autoridades que se manifestaram pelo indeferimento do pedido negaram o fato de os rendimentos decorrerem da adesão ao chamado programa de incentivo ao desligamento promovido pelo ex- empregador do recorrente. Este Colegiado, tem se manifestado no sentido de que os valores recebidos a titulo de adesão a programas de desligamento voluntário encontram-se fora da esfera de incidência do imposto, isto é, trata-se de não incidência, conceito diverso de isenção. Como bem esclarece o eminente jurista JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA adverte que "Concedo legal do falo gerador é a kléé abstrata usada peia lei para representar,' genenbamente, a situação de fato cajá oconéncia faz nascer a obrigação 5 ..4k • ".à - '9- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 Inbutána; mas cada obn:gação paitiviar não nasce do conceito lega/ de falo gerado,; e sim de acontecimento concreto compreendido nesse concedo° (cfr. Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, Justec-Editora, 1979, vol. 1, pág. 166/7). Mas, quais foram os motivos que levaram ao entendimento de que os valores recebidos a título de incentivo ao desligamento compreendem hipótese de não- incidência do imposto? Inegavelmente, as decisões proferidas caracterizaram a natureza meramente indenizatória de tais rendimentos. Por sua vez, a conclusão pela indenização decorre da constatação de que os planos de incentivo ao desligamento não têm nada de voluntário. A suposta adesão ao "planos" ou "programas" não se manifesta em ato voluntário do beneficiário dos rendimentos, daí porque as verbas recebidas caracterizam, na verdade, uma indenização. Vale dizer, na retribuição devida a alguém pela reparação de uma perda ocorrida por fato que este - o beneficiário - não deu causa. As indenizações, portanto, restringem-se a restabelecer o statas duo ante do património do beneficiário motivado pela compensação de algo que, pela vontade do próprio, não se perderia. Nesta ordem de idéias, as reparações estão fora da esfera de incidência do imposto, já que não acrescem o patrimônio. Portanto, chega-se à conclusão que os rendimentos oriundos dos planos de desligamento voluntário, recebidos no bojo das denominadas verbas rescisórias, estão a reparar a perda involuntária do emprego, indenizando, portanto, ao beneficiário a perda de algo que este, voluntariamente, repito, não Perde,.> iï—"S 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA -tt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 E nem se diga que a adesão aos referidos planos ou programas se dá de forma voluntária. A uma, porque não seria crivei que aquele que se desligasse da empresa durante a vigência do "plano" pudesse receber, tão somente, as verbas previstas em lei. A duas, porque como bem asseverou o Min. DEMÓCRITO REINALDO, "no programa de incentivo à o'isso/ução do pacto /abora4 objetiva a empresa (ou órgão da adastração pública) thufr a despesa com a folha de pagamento de seu pessoa4 provio'ênciá que executada com ou sem o assentimento dos trabalhadores, em gera4 e a aceitação, por estes, visa a evitar a rosa:são sem justa causa, prejudiCh9/ aos seus interesses" (Recu rso Especial n° 126.767/SP, STJ, Primeira Turma, DJ 15/12/97). Com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, vejo que a causa para o recebimento da indenização é o rompimento do contrato de trabalho por motivo alheio à vontade do empregado. Esta é a verdadeira causa para o recebimento da g ratificação/indenização. Nesta mesma ordem de idéias, decido em relação aos rendimentos recebidos a titulo de incentivo à aposentadoria. Parecem-me equivocadas as manifestações que pretendem fazer incidir o imposto pelo fato do contribuinte continuar a receber rendimentos — de aposentadoria - após a adesão ao Plano. A causa para o recebimento da indenização decorrente da aposentadoria é a mesma daquela vinculada ao PDV, isto é, a extinção do contrato de trabalho por vontade exclusiva do empregador. Se o contribuinte permanecerá recebendo outros rendimentos, se tais rendimentos decorrem da aposentadoria, pouco importa, porque nenhuma destas circunstâncias, repito, deu causa ao recebimento da indenizaçã-<r ci. 7 5 tjí MINISTÉRIO DA FAZENDA .g.t.Ej4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n-k(14 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 Indiscutivelmente, o termo inicial para o beneficiário do rendimento pleitear a restituição do imposto indevidamente retido e recolhido não será o momento da retenção do imposto. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 168, simplesmente não contempla esta hipótese. A retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário pelas simples razão de tal imposto não ser definitivo, consubstanciando-se em mera antecipação do imposto apurado através da declaração de ajuste anual. Mas também não vejo que seja a entrega da declaração o momento próprio para a contagem do o'tás a Que para o requerimento de restituição. A fixação do termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pela fonte pagadora eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual. Isto quer dizer que, antes do reconhecimento da improcedência do imposto, tanto a fonte pagadora quanto o beneficiário agiram dentro da presunção de legalidade e constitucionalidade da lei. Diante deste ponto de vista, não hesito em afirmar que somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 6 de janeiro de 1999) surgiu o direito de o recorrente pleitear a restituição do imposto retido, porque esta Instrução Normativa estampa o reconhecimento da Autoridade Tributária pela não-incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário. O dia 6 de janeiro de 1999 é o termo inicial para a apresentação dos requerimentos de restituição de que se trata nos autos. vet...--> 8 - tr. `• vp: MINISTÉRIO DA FAZENDA •,,,jrjeziztt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.010940/00-97 Acórdão n°. : 104-18.917 E, atendido aquele prazo, a restituição poderá alcançar o imposto recolhido em qualquer momento pretérito. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito à restituição do imposto de renda requerida pelo recorrente. Sala das Sessões - DF, em 2 agosto de 2002 e 1 OR• UiS S•U• • P: IRA 9 Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10510.002268/99-20
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF - RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV - JUROS SELIC - O imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV equivale a pagamento indevido e, portanto, passível de restituição, que deve ser corrigida pela taxa selic, desde a retenção. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-21.509
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Remis Almeida Estol

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MINISTÉRIO DA FAZENDA4, ":;:,t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44M-4' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10510.002268/99-20 Recurso n°. : 146.087 Matéria : IRPF - Ex(s): 1998 Recorrente : JAILSON BATISTA SANTOS Recorrida : r TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Sessão de : 23 de março de 2006 Acórdão n°. : 104-21.509 IRPF - RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV - JUROS SELIC - O imposto retido ria fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV equivale a pagamento indevido e, portanto, passível de restituição, que deve ser corrigida pela taxa selic, desde a retenção. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JAILSON BATISTA SANTOS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - ÁLtrIA 1-1S-460TTA CAcLtrRD O PRESIDENTE - R MIS ALMEIDA ESTO RELATOR FORMALIZADO EM: 13 Nov 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10510.002268/99-20 Acórdão n°. : 104-21.509 Recurso n.°. : 146.087 Recorrente : JAILSON BATISTA SANTOS RELATÓRIO O contribuinte JAILSON BATISTA SANTOS, inscrito no CPF sob o n°. 085.427.915-68, requer que a restituição do imposto de renda que incidiu sobre verbas de incentivo à participação em programa de demissão voluntária seja paga com acréscimo da taxa SELIC a partir da data da retenção do imposto na fonte, em 1997, e não da data prevista para a entrega da declaração. Resumindo, requer a restituição da diferença resultante da aplicação da taxa SELIC na forma pleiteada. A DRF de Aracaju, através do Despacho Decisório de fls. 79, que aprovou o Parecer Técnico n°. 35/2005 da SAORT às fls. 80/83, indeferiu o pedido do contribuinte que, por sua vez, se insurgiu contra a decisão, argumentando, em síntese, conforme relatou a DRJ/SRF, às fls. 92: "Que não se trata de restituição de imposto regularmente retido na fonte, que se daria normalmente através da declaração, mas de retenção indevida do tributo, uma vez que não se configurou o fato gerador. A restituição deveria obedecer as regras para a restituição de pagamento indevido, e não como imposto antecipado, compensável na declaração de ajuste anual." A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu pelo indeferimento da solicitação de restituição, através do ACÓRDA0 - DRJ/SDR n°. 06.648, de 09 de março de 2005, às fls. 91/93, com os seguintes argumentos: "Logo, o valor retido sobre o incentivo à participação em PDV não deixou formalmente de submeter-se às normas relativas ao imposto de renda na fonte, especialmente no que se refere à forma da sua restituição através da declaração de ajuste anual. Além disso, a Instrução Normativa SRF n°. 21, de 1997, em seu artigo 6.0, prevê que a restituição do imposto de renda da 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10510.002268/99-20 Acórdão n°. : 104-21.509 pessoa física se fará através. da declaração de ajuste anual. Deste modo, o imposto retido deve ser compensado na declaração e, em obediência às regras especificas, restituído com o acréscimo de juros SELIC calculados a partir data limite para entrega da declaração. Firmando este entendimento no âmbito administrativo, a Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n°. 02, de 02 de julho de 1999, dispõe, em seu item 9, que, no caso do PDV, a restituição será acrescida de juros SELIC, correspondentes ao período compreendido entre o primeiro dia do mês subsequente ao previsto para entrega tempestiva da declaração até o mês anterior ao da liberação da restituição, e de 1% no mês em que o recurso for colocado no banco à disposição do contribuinte. Dessa forma, voto pelo indeferimento da solicitação de restituição." Devidamente cientificado dessa decisão em 04/05/2005, ingressa o contribuinte com tempestivo recurso voluntário em 10/05/2005, às fls. 98/101, aduzindo, em síntese: • que em decorrência de decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, a favor dos contribuintes, trata-se de não incidência tributária; • que não ocorrendo o fato gerador, o indébito não se caracteriza como antecipação na fonte do imposto de renda, mas sim como pagamento indevido; • que, pelos artigos 162, § 4° e 165, I e II do CTN, bem como artigo 876 do Código Civil/2002, fica evidente que quando foi para definir a maneira de devolver o valor principal da retenção indevida de PDV, quem tinha o poder de decidir como seria, não foi alertado para o fato de que a devolução não seria um acerto de contas do exercício anterior, e sim, de que se tratava de uma devolução referente a uma situação não rotineira, porque era uma devolução de valores retidos indevidamente, portanto a Zire—*a". 3 1nÃtNISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10510.002268/99-20 Acórdão n°. : 104-21.509 forma escolhida não foi a mais correta, gerando desse modo um enorme prejuízo para o contribuinte; • transcreve lições dos civilistas Maria Helena Diniz e Silvio Rodrigues; • cita jurisprudência desse Egrégio Conselho; e • requer, ao final, a improcedência da decisão estampada no Acórdão DRJ/SDR n°. 06.648 de 09 de março de 2005. É o Relatório. 4 J - PITNISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10510.002268/99-20 Acórdão n°. : 104-21.509 VOTO Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A matéria a ser apreciada nos autos, se refere aos juros do valor a ser restituído a titulo de PDV, que, sem dúvida, devem ser atualizados desde a data da retenção, isto pela aplicação do comando expresso no art. 165, 1 do CTN, que assegura ao sujeito passivo, independentemente de prévio protesto, a restituição do pagamento indevido. De fato, sendo indevida a retenção, o termo inicial é aquele em que o sujeito passivo teve desfalcado seu patrimônio, ou seja, a data da retenção, razão porque a atualização do valor a ser restituído, à exemplo do que ocorre com os créditos da Fazenda Nacional, recomendam a aplicação das disposições contidas no art. 896 do RIR/99, a seguir transcritas: "Art. 896. As restituições do imposto serão (Lei n°. 3.383, de 1991, art. 66. § 3.°, Lei n°. 8.981, de 1995, art. 19, Lei n°. 9.069, de 1995, art. 58, Lei n°. 9.250, de 1995, art. 39, § 4• 0, e Lei n°. 9.532, de 1997, art. 73): I - atualizadas monetariamente até 31 de dezembro de 1995, quando se referir a créditos anteriores a essa data; II - acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente; a) a partir de 1.° de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 1997, a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da 5 .4, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10510.002268/99-20 Acórdão n°. : 104-21.509 restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; b) após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subsequente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Lei n°. 9.250, de 1995, art. 16, e Lei n°. 9.430, de 1996, art. 62)." Destarte, não ocorrendo o fato gerador, o indébito não se caracteriza como antecipação na fonte do imposto de renda, mas sim como pagamento feito indevidamente e, portanto, não se submeteria às regras especificas para a compensação através da declaração anual de ajuste. Em sendo assim, incide em favor do contribuinte a taxa selic desde a retenção (11/97) até a data de entrega da declaração (04/98). Assim, com as presentes considerações, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 23 de março de 2006 /101. REMIS ALMEIDA ESTOL 6 Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1

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Numero do processo: 10530.001870/2002-31
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - ARROLAMENTO - Não se conhece do recurso à Segunda Instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando o mesmo não se fizer acompanhar do arrolamento de bens e direitos de valor equivalente a 30% da exigência fiscal definida na decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 104-21.925
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por falta de arrolamento de bens, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa

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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOAQUIM NEVES DOS SANTOS. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por falta de arrolamento de bens, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. a-eocat- ~111I-11n41r COTTA CARD Presidente 25\- Processo n.° 10530.001870/2002-31 • Acórdão n.° 104-21.925 Fls. 2 7E,RIN2A1lAri 1). ‘1°MiLR 1211.ULO PEREIRA BARBOSA Relator FORMALIZADO EM: 1 1 DE Z 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann, Oscar Luiz Mendonça de Aguiar, Heloisa Guarita Souza, Maria Beatriz Andrade de Carvalho, Paulo Roberto de Castro (Suplente convocado) e Remis Almeida Estol.rc Processo n.° 10530.001870/2002.31 Acórclito n.° 104-21.925 Fls. 3 Relatório Contra JOAQUIM NEVES DOS SANTOS foi lavrado Auto de Infração para formalização de exigência de crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, decorrente de revisão de sua DIRPF referente ao exercício de 2001, ano-calendário 2000, que apurou imposto suplementar no valor de R$ 4.378,09, acrescido de juros de mora e multa de oficio. O imposto suplementar apurado decorreu de glosas de deduções a título despesas com dependentes, despesas médicas e, ainda, dedução indevida a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. Impugnação O Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 01/04 onde defende a dedução de dependentes sob a alegação de que, embora os indigitados dependentes tenham mais de dezoito anos e não sejam universitários, vivem às suas expensas por razões diversas, que aponta. Defende a dedução das despesas médicas ao argumento de que, embora parte se refiram a terceiras pessoas, estas seriam seu dependência; e quanto às despesas consigo próprio estas referem-se ao fato de que o seu comprovante de pagamento menciona essa despesa. Sobre a glosa de dedução de IRRF, diz que o valor correspondente ao imposto retido na fonte encontra-se depositado em juízo, em decorrência de decisão judicial proferida em Mandado de Segurança Coletivo. Aduz que não é cabível a exigência de multa de oficio posto que a declaração apresentada apurou imposto a restituir e não a pagar. Decisão de Primeira Instância A DRJ-SALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento para restabelecer a dedução do valor de R$ 883,94 a título de despesas médicas. Essa decisão está baseada, em síntese, nas seguintes considerações: que o Contribuinte não logrou comprovar a condição de dependentes que autorizariam a dedução; que, salvante o valor de R$ 883,94, os demais valores deduzidos a título de despesa médica e que foram glosados, referem-se a pagamento de despesas de pessoas não consideradas dependentes e, portanto, indedutíveis; que o valor de IRRF informado pelo Contribuinte em sua declaração não constou de DIRF apresentada pela fonte pagadora. Recurso Cientificado da decisão de primeira instância em 14/01/2005 (fls. 77), e com ela não se conformando, o Contribuinte apresento; em 11/02/2005, o Recurso de fls. 79, com as alegações a seguir resumidas. O Contribuinte pede, inicialmente, seja desconsiderado o DARF que acompanhou a intimação da decisão por ter sido este expedido após ultrapassado o prazo nele fixado para pagamento. I I Processo o.° 10530.001870/2002-31 Actkao n.° 104-21.923 Fls. 4 Quanto ao mérito, insurge-se especificamente contra a parte da decisão que não acolheu suas alegações quanto à compensação do 1RRF. Reafirma que o valor correspondente ao IRRF foi depositado em juízo, pela fonte pagadora (PETROS) e que esses valores foram descontados dos pagamentos feitos a título de Rendimentos do Trabalho Assalariado no período de janeiro a dezembro de 1999. Afirma que a decisão de primeira instância não considerou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, ano-calendário 2000, expedido pela PETROS e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — D1RF — Retificadora (fls. 71). É o Relatório. Processo n.° 10530.001870/2002-31 • Acórdão n.° 104-21.925 Fls. 5 Voto Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator Cumpre examinar, inicialmente, o pressuposto de admissibilidade do recurso em face das questões referentes ao arrolamento de bens. O Decreto n° 70.235 de 1972, com a alteração sofrida através da Lei n° 10.522 de 2002, dispõe em seu artigo 33, §§ 2° e 3°, verbis: Au. 33 (.) § 2°. Em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente o instruir com prova do depósito de valor correspondente a, no mínimo, trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão. § 3°. Alternativamente ao depósito referido no parágrafo anterior, o recorrente poderá prestar garantia ou arrolar, por sua iniciativa, bens e direito de valor igual ou superior à exigência fiscal definida na decisão, limitados ao ativo permanente de pessoa jurídica ou ao património se pessoa física. O cumprimento dessa exigência, portanto, é pressuposto de admissibilidade do recurso. No caso, embora intimado, o Contribuinte não o cumpriu. Apresentou Nota Promissória que, como se pode ver da norma acima reproduzida, não atende aos requisitos legais, que se refere a bens ou a depósitos judiciais. Diante desse quadro, é forçoso concluir pelo não atendimento de condição de admissibilidade do recurso. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2006 2M2. A4215(à2(LBOSA Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1

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4655114 #
Numero do processo: 10480.014575/92-63
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - Não há que falar em cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos, a capitulação legal e as provas juntadas ao processo permitem a correta compreensão da acusação que é imposta ao sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO - As notas fiscais simplificadas, os orçamentos, vales e os pedidos de materiais não são documentos hábeis para comprovar despesas operacionais dedutíveis, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL- PIS/FATURAMENTO - No uso da competência estabelecida no inciso X do art. 52 da Constituição Federal de 1988, o Senado Federal, através da Resolução n° 49, de 1995, suspendeu a execução dos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. O lançamento, efetuado conforme as prescrições contidas nesses diplomas legais, não pode mais prosseguir. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Nos lançamentos de ofício, as multas aplicáveis são as previstas nos incisos II e III do art. 728 do RIR/80, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.218/91. Incabível a cobrança da multa de que trata o art. 17 do Decreto-lei n° 1.967/82, específica para os procedimentos espontâneos do contribuinte. DÉBITOS NÃO LIQUIDADOS - JUROS DE MORA - TAXA REFERENCIAL DIÁRIA - O disposto no art. 192, § 3°, da Constituição Federal não impede a exigência adicional da TRD como juros pelo atraso de débitos não pagos no vencimento. Somente quando houver silêncio do legislador, os juros de mora serão de calculados à razão de 1% ao mês (art. 161, § 1° do C.T.N.). Os encargos introduzidos pelo art. 3° da Lei n° 8.218/91, calculados segundo a variação da Taxa Referencial Diária, têm incidência sobre débitos para com a Fazenda Nacional a partir de agosto de 1991. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. (Publicado no D.O.U de 17/03/1999).
Numero da decisão: 103-19829
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR PRELIMINAR SUSCITADA E, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO PARA EXCLUIR A EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS.
Nome do relator: Sandra Maria Dias Nunes

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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - Não há que falar em cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos, a capitulação legal e as provas juntadas ao processo permitem a correta compreensão da acusação que é imposta ao sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO - As notas fiscais simplificadas, os orçamentos, vales e os pedidos de materiais não são documentos hábeis para comprovar despesas operacionais dedutíveis, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL- PIS/FATURAMENTO - No uso da competência estabelecida no inciso X do art. 52 da Constituição Federal de 1988, o Senado Federal, através da Resolução n° 49, de 1995, suspendeu a execução dos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. O lançamento, efetuado conforme as prescrições contidas nesses diplomas legais, não pode mais prosseguir. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Nos lançamentos de ofício, as multas aplicáveis são as previstas nos incisos II e III do art. 728 do RIR/80, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.218/91. Incabível a cobrança da multa de que trata o art. 17 do Decreto-lei n° 1.967/82, específica para os procedimentos espontâneos do contribuinte. DÉBITOS NÃO LIQUIDADOS - JUROS DE MORA - TAXA REFERENCIAL DIÁRIA - O disposto no art. 192, § 3°, da Constituição Federal não impede a exigência adicional da TRD como juros pelo atraso de débitos não pagos no vencimento. Somente quando houver silêncio do legislador, os juros de mora serão de calculados à razão de 1% ao mês (art. 161, § 1° do C.T.N.). Os encargos introduzidos pelo art. 3° da Lei n° 8.218/91, calculados segundo a variação da Taxa Referencial Diária, têm incidência sobre débitos para com a Fazenda Nacional a partir de agosto de 1991. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. (Publicado no D.O.U de 17/03/1999).

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T10:51:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T10:51:35Z; Last-Modified: 2009-08-05T10:51:36Z; dcterms:modified: 2009-08-05T10:51:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T10:51:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T10:51:36Z; meta:save-date: 2009-08-05T10:51:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T10:51:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T10:51:35Z; created: 2009-08-05T10:51:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-08-05T10:51:35Z; pdf:charsPerPage: 2263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T10:51:35Z | Conteúdo => - k . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10480.014575/92-63 Recurso n° : 116.589 - Voluntário Matéria : IRPJ - Exs. de 1988 a 1991 Recorrente : AGROPECUÁRIA MARANHÃO LTDA. Recorrida : DRJ em RECIFE/PE Sessão de : 26 de janeiro de 1999 Acórdão n° :103-19.829 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE Não há que falar em cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos, a capitulação legal e as provas juntadas ao processo permitem a correta compreensão da acusação que é imposta ao sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO As notas fiscais simplificadas, os orçamentos, vales e os pedidos de materiais não são documentos hábeis para comprovar despesas operacionais dedutíveis, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS/FATURAMENTO. No uso da competência estabelecida no inciso X do art. 52 da Constituição Federal de 1988, o Senado Federal, através da Resolução n° 49, de 1995, suspendeu a execução dos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. O lançamento, efetuado conforme as prescrições contidas nesses diplomas legais, não pode mais prosseguir. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Nos lançamentos de ofício, as multas aplicáveis são as previstas nos incisos II e III do art. 728 do RIR/80, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.218/91. Incabível a cobrança da multa de que trata o art. 17 do Decreto-lei n° 1.967/82, específica para os procedimentos espontâneos do contribuinte. DÉBITOS NÃO LIQUIDADOS - JUROS DE MORA TAXA REFERENCIAL DIÁRIA.. O disposto no art. 192, § 3 0, da Constituição Federal não impede a exigência adicional da TRD como juros pelo atraso de débitos não pagos no vencimento. Somente quando houver silêncio do legislador, os juros de mora serão de calculados à razão de 1% ao más (art. 161, § 1° do C.T.N.). Os encargos introduzidos pelo art. 30 da Lei n° 8.218/91, calculados segundo a variação da Taxa Referencial Diária, têm incidência sobre débitos para com a Fazenda Nacional a partir de agosto de 1991. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. . 1"));\ MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 N .b' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f; Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGROPECUÁRIA MARANHÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência da contribuição ao PIS e a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. C 'NB e ODR1GUE BER — ESIDENTE d~t/Ifertebradddl~ SANDRA MARIA DIAS NUNES RELATORA FORMALIZADO EM: 26 FEV 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros EDSON VIANNA DE BRI- TO, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, EUGÊNIO CELSO GONÇALVES (Suplente Convocado), SILVIO GOMES CARDOZO, NEICYR DE ALMEIDA e VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE. 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •-()- :" Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 Recurso n° :116.589 Recorrente : AGROPECUÁRIA MARANHÃO LTDA RELATÓRIO Recorre a este Colegiado AGROPECUÁRIA MARANHÃO LTDA, já qualificada nos autos, da decisão proferida em primeira instância que manteve, em parte, os lançamentos consignados nos Autos de Infração de fls. 628, 677, 723, 771, 816 e 864, relativos ao imposto de renda pessoa jurídica, ao imposto de renda retido na fonte, à Contribuição Social sobre o Lucro, ao PIS/Dedução, ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL e ao PIS/Faturamento, devidos nos exercícios de 1988 a 1991. Em ação fiscal realizada na empresa, a Fiscalização constatou as seguintes irregularidades descritas no Termo de Encerramento de fls. 623: 1.DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS caracterizada por documentos que não preenchem os requisitos previstos na legislação pertinente. A documentação glosada constitui-se, em sua maioria, de notas fiscais de consumidor, sem a devida identificação do adquirente das mercadorias ou serviços, recibos sem constar o CPF, endereço e, em alguns casos, o nome do beneficiário. Exercício de 1988 Cz$ 295.977,39 Exercício de 1989 Cz$ 2.008.097,00 Exercício de 1990 NCz$ 7.133,64 Exercício de 1991 Cr$ 399.056,00 Exercício de 1992 Cz$ 1.379.588,00 2. DESPESAS INDEDUTíVEIS caracterizada pela contabilização de despesas cujos gastos não têm qualquer vinculação com a atividade da empresa: Exercício de 1988 Cz$ 124.580,00 Exercício de 1990 NCz$ 4.900,00 3. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS verificada mediante confronto dos valores informados na declaração de IRPJ e os valores apurados junto aos bancos Comercial Bancesa S/A, Sudameris do Brasil e Banco Cidade S/A. Exercício de 1989 Cz$ 453.006,49 Exercício de 1990 tNCz$ 18.461,16 4...: . MINISTÉRIO DA FAZENDA. .. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 4.RECEITA DECLARADA A MENOR. Correspondente à diferença entre o montante da receita informada na Demonstração de Resultado do Exercício, transcrita no livro Diário, e o valor da receita não operacional constante na declaração IRPJ. Exercício de 1989 Cz$ 1.187.189,73 Exercício de 1990 NCz$ 18.341,97 5. OMISSÃO DE RECEITAS. Da análise da documentação bancária, constatou-se que a fiscalizada realizou depósitos, em sua conta corrente no Banco Mercantil de Pernambuco S/A em montante superior às receitas declaradas no exercício de 1992, no valor de Cr$ 36.757.475,43 6. MULTA SOBRE INFRAÇÃO APURADA. Multa correspondente a 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto de renda lançado, com fulcro no art. 17 do Decreto-lei n° 1.967/82. Exercício de 1988 Cz$ 147.195,08 Exercício de 1989 Cz$ 1.094.487,96 Exercício de 1991 Cr$ 119.716,80 A autuação está fundamentada nas disposições dos arts. 154, 157, § 1°, 158, 191 e §§, 253, 387, incisos I e II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 85.450/80 (IRPJ); art. 8° do Decreto-lei n° 2.065/83 (IRRF); art. 1° ao 4° da Lei n° 7.689/88 (CSL); art. 3°, alínea "a", § 1°, da Lei Complementar n° 7/70 com as alterações introduzidas pelos Decretos-lei n°s 2.445 e 2.449/88 (PIS). Dentro do prazo regulamentar, a autuada apresentou a impugnação de fls. 638, alegando que os autuantes, relativamente à glosa das despesas, não apontaram os requisitos exigidos pela legislação que foram descumpridos, fato que constitui evidente cerceamento ao direito de defesa. Aduz que o Decreto n° 70.235/72 é peremptório nesse sentindo, não deixando brechas para que o autuante apenas invoque evasivamente fatos e preceitos legais que não guardam consonância entre si. No que se refere à "omissão de receitas financeiras" (sic), a autuada argumenta que os agentes do Fisco, ao agirem na apuração dos fatos, infringiram o § 7° do art. 38 da Lei n° 4.595/64, ferindo o princípio constitucional da legalidade (art. 37 da CF), fatos que nulificam a imputação sob foco para todos os fins e efeitos de direito. Por fim, questiona a aplicação rgt da Taxa Referencial Diária como juros de mora ao pretenso crédit t utárigiz g n • 1/4 41 5MINISTÉRIO DA FAZENDAi, • : T' -.. P .., e PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 A autuada aceita o lançamento relativo ao item Despesas Indedutíveis e não contestou os itens 4 e 5 do Auto de Infração (Receita declarada a menor e omissão de receitas). Às fls. 644, a fiscalização analisa os argumentos apresentados na impugnação, concluindo pela manutenção do lançamento. A decisão proferida às fls. 647 foi declarada nula pela autoridade ad quem tendo em vista que a peça decisória continha ilícitos tributários não suscitados no Termo de Esclarecimento da Ação Fiscal. O Acórdão de n° 103-17.770, de 18/09/96, está assim ementado: NULIDADE DA DECISÃO - CERCEAMENTO DE DEFESA. É nula a decisão que traz ao conhecimento do sujeito passivo uma série de infrações não contempladas na peça básica, ferindo, frontalmente, o art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Nova decisão às fls. 922, na qual a ação fiscal foi julgada parcialmente procedente. Com efeito, afastada a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, a digna autoridade cancelou os lançamentos da contribuição social correspondente ao resultado apurado em 31/12/88, do imposto de renda na fonte correspondente aos fatos geradores a partir de 01/01/89, e do Finsocial (na parcela excedente à alíquota de 0,5%) Quanto ao PIS/Faturamento, excluiu a parcela correspondente às receitas financeiras. No mais, reduziu a omissão de receita de Cr$ 36.757.475,43 para Cr$ 35.900.497,43 em razão dos equívocos cometidos pelo autuante na transcrição de valores, ajustando-se os lançamentos reflexos; reduziu a multa de lançamento de ofício de 100% para 75% e subtraiu a aplicação de juros de mora calculados segundo a variação da TRD no período de 04/02 e 29/07/91. Fundamentou sua decisão nas disposições do art. 18, inciso I, da Medida Provisória n° 1.542/97 (CSL), no Ato Declaratório CST n° 6196 que reconheceu a derrogação do art. 8° do Decreto-lei n° 2.065/83 (IRRF), no art. 18, inciso III, da Medida Provisória n° 1.542/97, quer determinou o cancelamentocréditos tributáriost ta~ MINISTÉRIO DA FAZENDA 6 • : PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - ;9- Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 para o FINSOCIAL, correspondente à parcela excedente ao calculado com alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento). No que se refere ao PIS/Faturamento, a r.decisão subtraiu 'a aplicação dos Decretos inconstitucionais da capitulação constante do auto de infração de fls. 864/869 (...) a , excluiu da base de cálculo a parcela que incidiu sobre as receitas financeiras e manteve a contribuição do período-base de 1991 porque "o valor dessa contribuição, calculada com base nos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88, é menor do que a fundamentado na Lei Complementar 7/70 (...) não havendo, portanto, excedente a ser cancelado." Ciente em 10/11/97 (AR de fls. 951), a autuada interpôs recurso protolocando seu apelo em 03/12/97. Em suas razões, argüi cerceamento do direito de defesa porque os autuantes descreveram, genericamente, a suposta conduta delituosa, concluindo que o Auto de Infração é omisso. No mais, reitera os argumentos expendidos na inicial, transcrevendo trechos de SAMUEL MONTEIRO e da Apelação em Mandado de Segurança sobre sigilo bancário. Quanto à TRD, e inobstante reconhecer a justeza da decisão quanto a inaplicabilidade da TR/TRD no período de 04/02/91 a 29/07/91, aduz que a cobrança da TR/TRD é inaceitável em qualquer época. Cita o art. 161, § 1°, do CTN para afirmar que a sentença 'a que é equivocada quando admite que os juros de mora podem ser equivalentes à TRD acumulada com base na Lei n° 8.218/91 porque tal dispositivo agride a Constituição Federal, a Lei Complementar (o CTN) e a Lei Civil. É o Relatório 7. MINISTÉRIO DA FAZENDA • P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';,'S • f; > Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 VOTO Conselheira SANDRA MARIA DIAS NUNES, Relatora Inicialmente cumpre esclarecer que os itens "Despesas Indedutíveis", "Receita Declarada a Menor e "Omissão de Receitas' não constituem matéria litigiosa. O primeiro, a Recorrente expressamente acatou o lançamento e, quanto aos últimos, não foram oferecidas as razões de defesa. Conforme relatei, o apelo da Recorrente foi interposto antes da edição da Medida Provisória n° 1.621, de 12/12/97. Portanto, o recurso merece ser conhecido independentemente do prévio depósito de, no mínimo, trinta por cento da exigência fiscal. A preliminar suscitada pela Recorrente há de ser rejeitada pela Câmara. Com efeito, não vislumbro no Auto de Infração irregularidades que poderiam prejudicar o direito constitucional da ampla defesa. A uma porque o dispositivo citado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal está de acordo com a infração apurada. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 157 do RIR/80). Ou seja, a escrituração deve obedecer aos preceitos da legislação comercial e da Lei n° 6.404/76 e aos princípios e convenções da contabilidade geralmente aceitos, dentre eles, a convenção da objetividade, segundo o qual "os registros devem ter suporte, sempre que possível, em documentos de transações, normas e procedimentos escritos e práticas geralmente aceitas no ramo comercial específico "(DE JUDICIBUS, Sérgio, e outros. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo, Ed. Atlas, 1980, p.79). Para que a despesa possa ser aceita como dedutível é necessário que a documentação que lastreia os lançamentos se constitua em documentos fiscais emitidos por terceiros, a fim de que se possa averiguar se possuem os requisitos de normalidade, usualidade e necesjade para a obtenção da receita operacionajtid •• là ,-, MINISTÉRIO DA FAZENDA 8, • :- '4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-‘,..-ii's, • Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 A duas porque despiciendo, diante dos documentos de fls. 152 a 529, ta- los como hábeis para a comprovação de despesas operacionais. A legislação do imposto de renda não impede que a empresa contabilize tickets, nota fiscal simplificada, pedidos ou notas sem qualquer identificação. O que não se admite é deduzi-Ias como despesas operacionais, devendo adicioná-las ao lucro líquido para efeito de determinar o lucro real, ex vi do art. 387, inciso I, do RIR/80. No mérito, melhor sorte não acolhe a Recorrente. A autoridade de primeira instância, na Decisão de fls. 922, analisou exaustivamente os questionamentos sobre as despesas operacionais não comprovadas; a omissão das receitas financeiras, inclusive os meios utilizados pela fiscalização na obtenção das provas; e da aplicabilidade da TRD e da UFIR , não merecendo, neste aspecto, qualquer reparo. Ouso discordar, data máxima venia sobre duas matérias: a contribuição ao PIS/Faturamento e a multa por atraso na entrega da declaração sobre as infrações apuradas. Com efeito, verifico no Auto de Infração do PIS que o lançamento considerou a alíquota de 0,65%, prevista nos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88, diplomas retirados no mundo jurídico por força da Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal. Pois bem, entendeu a digna autoridade que o lançamento efetuado é menor do que fundamentado na Lei Complementar n° 7/70, cuja alíquota é de 0,75%. Ora, não se trata de lançamento a menor ou não, mas de suspensão da execução dos referidos Decretos-lei. Neste sentido, como conseqüência jurídica da suspensão da execução, as regras declaradas inconstitucionais não podem mais ser aplicadas. Portanto, não restam dúvidas que o lançamento, feito conforme as prescrições contidas nos citados Decretos-lei, não pode mais prosseguir. Na esteira dessas considerações, dou provimento ao recurso do PIS/Faturamento. Quanto à multa por atraso na entrega da declaração, determinada em furforão das infrações apuradas, a exigência também é impr 1ente. A jurisprucaa , .. 1 (.. 9....5. . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° : 103-19.829 deste Colegiado é mansa e pacífica no sentido de não se aplicar, nos procedimentos de oficio, a penalidade prevista no art. 17 do Decreto-lei n° 1.967/82, específica para o contribuinte que, espontânea e extemporaneamente, cumpre sua obrigação acessória. Com efeito, nos lançamentos de ofício, são aplicáveis as multas previstas nos incisos II e III, do artigo 728 do RIR/80, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.218/91. Portanto, é de se declarar a insubsistência da multa por atraso. Por fim, e quanto aos argumentos tecidos sobre a inaplicabilidade da TRD e da UFIR sobre o crédito tributário, concordo plenamente com as razões de decidir da autoridade monocrática. Conforme relatei, a r.decisão já excluiu a incidência da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, nos moldes da Instrução Normativa n° 32/97. De fato, neste período é incabível a incidência da Taxa Referencial Diária porque cobrada a título de indexador de tributos porquanto o art. 30 da Lei n° 8.218/91, ao dar nova redação ao art. 90 da Lei n° 8.177/91, pretendeu alcançar fatos geradores anteriores a sua publicação, ferindo princípios constitucionais. Neste sentido também, as conclusões da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais consubstanciadas no Ac. n° CSRF/01-1.773/94. Mas em relação aos juros moratórios cobrados a partir de agosto de 1991, entendo perfeitamente lícito o seu cálculo segundo os índices da TRD. Não vislumbro ofensa à Carta Constitucional, em especial, ao § 3° do art. 192 porque este dispositivo está inserido dentro das normas inerentes ao Sistema Financeiro Nacional, estruturado pela Lei n° 4.595/64 e porque a limitação ali contida refere-se a taxa de iuros reais como remuneração de crédito concedido. Ora, conceder significa permitir, facultar, dar, admitir. O dispositivo, então, diz respeito a operações de crédito cujo elemento causal seja a vontade das partes, não alcançando o crédito tributário decorrente de obrigação ex lege. O § 3° do art. 192 ao estabelecer que as taxas de juros reais não poderão ser superiores a doze por cento ao ano, determinando que 0e sua conceituação se (sal/ - • . ,-, MINISTÉRIO DA FAZENDA 10 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 incluam comissões e quaisquer outras remunerações, deixa nítida a idéia de que se referem à concessão de crédito. Não se trata, à evidência, de juros cobrados em decorrência da inadimplência, do atraso do devedor, a título de compensar o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário, desde o dia previsto para o seu pagamento. O fato de não guardarem Restrita' proporcionalidade com o dano pela não-disponibilidade do tributo no tempo certo e poderem ser fixados ex lege constitui privilégio da Fazenda Pública. (COÉLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e Prática das Multas Tributárias. Rio de Janeiro, Forense, 2 Ed., 1993, p.77). Com efeito, dispõe o art. 161 do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de '1% (um por cento) ao mês, formulada pelo devedor dentro do prazo legal parta pagamento do crédito;(...) (Grifei). Portanto, independente do motivo determinante da falta, o crédito não pago de modo integral no vencimento é acrescido de juros de mora. O pagamento de juros, entretanto, não invalida a possibilidade de aplicação das penalidades cabíveis ou de quaisquer outras medidas de garantia previstas na legislação tributária. Ao contrário do que entende a Recorrente, o dispositivo da lei complementar da Constituição admite a cumulação da multa (sanção) e dos juros de mora (ou pela mora). Por outro lado, caso não haja dispositivo em lei em contrário, os juros de mora deverão ser calculados à taxa de um por cento ao mês. Portanto, somente nos casos de silêncio o ouanturn dos juros será de 1% ao mês. Podj,r pois, ser fixados por lei, conforme se vê do art. 30 da Lei n° 8.218/91: • • b. MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 Art. 30 - Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, incidirão: I - juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária - TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; (..) Isto posto, conheço o recurso por tempestivo e interposto na forma da lei, rejeitada a preliminar suscitada para, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir a exigência do PIS/Faturamento e cancelar a multa por atraso na entrega da declaração. Sala das Sessões (DF), em 26 de janeiro de 1999. SANDRA RIA DIAS NUNES Lt MINISTÉRIO DA FAZENDA 12 " P ., •"' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10480.014575/92-63 Acórdão n° :103-19.829 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 55, de 16/03/98 (D.O.U. de 17/03/98). Brasília-DF, em 2 6 FEV 1999 d!„ /4s- C ,wt I-"DO RODRIGUES NEUBER PRESIDENTE Ciente em, "I" dade NILTON CÉ OIn ELLI PROCU • I OR DA • ENDA NACIONAL • Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043100.PDF Page 1 _0043300.PDF Page 1 _0043500.PDF Page 1 _0043700.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.001878/2003-93
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. INFORMAÇÕES AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações bancárias por parte do Fisco não configura quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e que passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. LEI ADJETIVA. As leis meramente adjetivas, que apenas instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram quaisquer dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando apenas a atividade do lançamento, são aplicáveis na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que alcancem fatos geradores pretéritos, e diferem das leis materiais, as quais integram o próprio objeto do lançamento. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nas hipóteses de comunhão de interesses de duas ou mais pessoas na situação em que se traduza o fato gerador, todas essas pessoas, caso tenham concorrido para sua efetiva realização, ressalvadas aquelas cuja participação não reste suficientemente comprovada, devem figurar como sujeitos passivos solidários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. No caso de inexistência ou de falta de apresentação da escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo, fica autorizado o arbitramento do lucro apurado com base no valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/FATURAMENTO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento).
Numero da decisão: 107-07754
Decisão: Por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento pela aplicação retroativa à Lei Complementar nº: 105/2001 e Lei nº: 10174/01, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Octávio Campos Fischer e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da imputação de responsabilidade as pessoas indicadas no voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello

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Recorrida : r TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Sessão de : 12 de agosto de 2004. Acórdão n° : 107-07.754 INCONSTITUCIONALIDADES. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. INFORMAÇÕES AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações bancárias por parte do Fisco não configura quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e que passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. LEI ADJETIVA. As leis meramente adjetivas, que apenas instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram quaisquer dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando apenas a atividade do lançamento, são aplicáveis na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que alcancem fatos geradores pretéritos, e diferem das leis materiais, as quais integram o próprio objeto do lançamento. SUJEITO PASSIVO. RESPONSACIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nas hipóteses de comunhão de interesses de duas ou mais pessoas na situação em que se traduza o fato gerador, todas -9 eive MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 essas pessoas, caso tenham concorrido para sua efetiva realização, ressalvadas aquelas cuja participação não reste suficientemente comprovada, devem figurar como sujeitos passivos solidários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. No caso de inexistência ou de falta de apresentação da escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo, fica autorizado o arbitramento do lucro apurado com base no valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/FATURAMENTO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. FRAUDE. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NJS PARTICIPAÇÕES LTDA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA -•-er, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *já' ,s-Oft SÉTIMA CAMARA ';;;e"Pri• Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento pela aplicação retroativa à Lei Complementar n°: 105/2001 e Lei n°: 10174/01, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Octavio Campos Fischer e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da imputação de responsabilidade as pessoas indicadas no voto do relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MAR• O" V ICIUS NEDER DE LIMA PR =SI NTE MARCOS RODRIGUES DE MELLO RELATOR FORMALIZADO EM: 2? CUT 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ MARTINS VALERO, NATANAEL MARTINS, NEICYR DE ALMEIDA e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA e • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • t" • 't SÉTIMA CÂMARAno" Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Recurso n° : 140324 Recorrente : NJS PARTICIPAÇÕES LTDA. RELATÓRIO Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes ao ano-calendário de 1998, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, às fls. 10 a 14, no valor de R$4.243.051,41 (quatro milhões, duzentos e quarenta e três mil, cinqüenta e um reais e quarenta e um centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, às fls. 15 a 18, no valor de R$288.914,90 (duzentos e oitenta e oito mil, novecentos e quatorze reais e noventa centavos); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, às fls.19 a 22, no valor de R$888.968,98 (oitocentos e oitenta e oito mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e oito centavos); e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, às fls. 23 a 26, no valor de R$426.705,12 (quatrocentos e vinte e seis mil, setecentos e cinco reais e doze centavos), acrescidos das cominações legais pertinentes. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro, nos quatro trimestres do ano-calendário de 1998, com base em depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não foi comprovada, em virtude de a Contribuinte não apresentar seus livros e documentos contábeis e fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal e documentação, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 47, inciso III, da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995; como também aos artigos 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Houve o agravamento da multa de lançamento de oficio para o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, em virtude da alegada caracterização de fraude, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e no processo de n° 10580.001956/2003- 50, relativo à Representação Fiscal para Fins Penais, apensado ao presente processo. O Auto de Infração relativo ao PIS decorreu da falta de recolhimento dessa contribuição, nos meses de janeiro a dezembro de 1998, detectada na fiscalização do imposto de renda. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07, de 7 de setembro de 1970; Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n°142, de 15 de julho de 1982; artigo 24, § 4 es.1>r MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 2°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; artigos 2°, inciso 1, 30, 8°, inciso I, e 9° da MP n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998. O Auto de Infração relativo à COFINS foi proveniente da falta de recolhimento dessa contribuição, nos meses de janeiro a dezembro de 1998, detectada na fiscalização do imposto de renda.. O enquadramento legal aponta infração aos artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e artigo 24, § 2°, da Lei n°2.249, de 1995. O Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido decorreu da falta de recolhimento dessa contribuição, nos quatro trimestres do ano-calendário de 1998, com enquadramento legal apontando infração aos artigos 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; artigos 19 e 24 da Lei n°9.249, de 1995; e artigo 29, inciso I, da Lei n°9.430, de 1996. Ressalte-se que foram tributariamente responsabilizados os Srs. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Jorge Luiz Christ Mussumesci, Rafael Lustig — esses considerados seus verdadeiros sócios —, Aloísio Sandes Santana, Marcus Aurélio Sandes Nunes, João Reis Batista dos Santos e a Sra. Ângela Isabel Gomes Aguiar. O Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar foi, também, apontado como responsável perante a Secretaria da Receita Federal. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 28 a 45, as Autuantes, resumidamente, relatam que: • constatamos a existência das seguintes irregularidades: I — utilização de interpostas pessoas, as quais tiveram suas assinaturas falsificadas; II — movimentação de conta bancária, no montante superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais), no ano de 1998, através de procuração inidõnea, incluindo procuração pública na qual consta assinatura inautêntica; III — realização de operações envolvendo câmbio de moedas estrangeiras, acordadas com terceiros, pessoas físicas e, sobretudo, jurídicas, cujos valores transitaram por contas bancárias em nome da fiscalizada; IV — existência de uma rede de relações constituída para operacionalizar a prática das irregularidades acima. Tais irregularidades ensejaram o não pagamento de tributos, caracterizando a sonegação fiscal; DADOS CADASTRAIS • o termo de inicio de ação fiscal datado de 27/03/2001 (fls. 127/128) foi encaminhado ao endereço constante no cadastro da Receita Federal, tendo sido devolvido pelos correios, em 02/04/2001, com a informação de que o contribuinte era desconhecido (fls. 129/131). Em 11/04/2001, encaminhamos o mesmo termo (fls. 132/133) para o endereço do sócio, e representante • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4•4.1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • 1"' .---**-.rf1/2 SÉTIMA CÃMARA 41/24-tif> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 perante a SRF, Sr. Romildo Nascimento de Souza, que o teria recebido (fls. 134). Em 18/05/2001, não obtendo resposta, enviamos novo termo de intimação (fls. 135/136) ao Sr. Romildo Nascimento de Souza, reiterando o teor do termo anterior, tendo sido, então, devolvido pelos correios com a informação de que o sócio havia se mudado (fls. 137/139). Desta forma, consideramos que não havíamos localizado o Sr. Romildo Nascimento de Souza, e que não podíamos estar certas de que ele havia de fato recebido o primeiro termo entregue pelos correios no seu endereço cadastral; • em 26/07/2001, comparecemos ao endereço cadastral da empresa (rua Lauro de Freitas, 177, São Cristóvão, Salvador/BA) e não localizamos o número indicado. Lavramos, pois, nesta mesma data, termo de constatação (fls. 140) com a Sra. Itânia Femandes Araújo Fiúza, que reside no n° 148 da referida rua há, aproximadamente, 20 anos, e que nos informou ser a numeração da rua irregular, bem como desconhecer a empresa sob fiscalização. Vez que a Interessada, assim como seu responsável perante a SRF, não foram localizados em seus endereços cadastrais, elaboramos representação fiscal, protocolizada sob o número 10580.004787/2001-48, na qual sugerimos que a fiscalizada fosse declarada inapta (fls. 141/163). Através do Ato Declaratório Executivo n° 104, datado de 18/10/2001, publicado no Diário Oficial da União em 24/10 /2001 (fls. 159), a Interessada foi declarada inapta; • tendo-nos sido fornecido (fls. 164/ 73) pela Junta Comercial do Estado da Bahia, cópia dos atos arquivados em nome Interessada, observamos que não fora registrada qualquer alteração contratual e que o endereço do Sr. Romildo Nascimento de Souza ali constante (fl. 171) era Travessa Sambra, 5E, Salvador/BA, divergindo, portanto, daquele constante dos nossos cadastros. Observamos, também, que o endereço do outro sócio, Sr. Roque Reis de Jesus Gonçalves, constante do contrato social (fls. 171), também divergia daquele constante dos nossos cadastros (fls. 174); • em 18/10/2001, fomos procuradas pelo Sr. Romildo Nascimento de Souza, que nos informou, conforme termo de constatação de fis .175/176, o que se segue: jamais foi sócio da empresa sob fiscalização, não tendo assinado o contrato de constituição da empresa e nunca tendo movimentado valores em nome desta; não outorgou poderes a terceiro para assinar documentos ou movimentar valores em seu nome; desconhece o endereço cadastral da empresa, e nunca ouviu falar dela; desconhece o outro sócio da Interessada, Sr. Roque Reis de Jesus Gonçalves; tendo comparecido ao Banco do Brasil e ao Bradesco, observou que as assinaturas ali constantes não foram realizadas por ele; está desempregado no momento e já teve seus documentos de identificação extraviados; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • solicitamos (fls. 180/181), de acordo com os incisos VIII e XI do artigo 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, a emissão de Requisição de Informações Financeiras (RMF) para o Banco do Brasil e para o Banco Bradesco (fls. 182/183 e 200/201), os quais nos encaminharam (fls. 184 e 202) informações cadastrais (fls. 185/199 e 203/213) e extratos bancários da fiscalizada, em meio magnético; de posse desses extratos, eliminamos todas as transferências entre as contas, resgates e aplicações, financiamentos, estornos e valores irrelevantes; DADOS FORNECIDOS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS • verificamos constar do cadastro do Banco do Brasil (fls. 185 e 188), como sede da empresa, ora a rua dos Algibebes, 06, Comércio, ora o n° 167 da rua Lauro de Freitas, em São Cristóvão; como grupo empresarial junto ao Banco do Brasil, consta "Ultra Intelig S/A"; como referência para outras informações cadastrais, a empresa "Travel Importação"; e como testemunhas, os senhores Marcos Aurélio Nunes e Marcelo Oliveira Landim (fls. 188). O contabilista responsável pelo balanço patrimonial apresentado ao Banco do Brasil é o Sr. José Everaldo Maia, CPF n° 176.934.115-34 (fls. 189). Intimado, em 11/02/2003 (fls 548/550), a comparecer á sede da DRF- Salvador, ele deixou de fazê-lo, bem como de se pronunciar; • essa instituição financeira, além de cópia do contrato social (fls. 191/193), que tem como data 02/12/1997, apresentou-nos cópias de procurações públicas (fls. 194/195), registradas no Tabelionato do 6° Oficio de Notas da Comarca de Salvador, datadas de 05/02/1998 e 15/01/1999, através das quais o Sr. Romildo Nascimento de Souza, supostamente, teria outorgado poderes ao Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, para movimentar contas bancárias em nome da fiscalizada. O Banco do Brasil nos forneceu, ainda, cópia dos cartões de autógrafos, em nome dos sócios cadastrais da empresa (fls. 196, 198 e199) e do procurador, Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar (fl. 197), sendo que o Sr. João Reis Batista dos Santos aparece como testemunha das assinaturas dos sócios cadastrais; • cabe ressaltar que as assinaturas constantes do cadastro dessa instituição financeira, em nome de Romildo Nascimento de Souza, sejam nos cartões de autógrafos (fls. 196 e 199), sejam na ficha cadastro de abertura de conta (fl. 188), divergem bastante daquelas constantes do próprio contrato social (fl. 193) e das procurações públicas (fls. 194/195) em poder do Banco do Brasil, causando-nos estranheza que se pudesse ter crido terem sido realizadas pela mesma pessoa. As assinaturas constantes do contrato social e das procurações públicas guardam semelhança com as constantes dos documentos de identidade que nos foram apresentados pelo Sr. Romildo Nascimento de Souza (fl. 179), bem como com aquelas efetuadas por ele em nossa presença — e que constam do termo de constatação datado de 7 1-3.7 . , MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-• 1 SÉTIMA CÂMARA 1, t i 'CP Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 18/10/2001 (fl. 176) —, embora, como veremos a seguir, sejam inautênticas. Enfatizamos, pois, que as assinaturas constantes dos documentos bancários junto ao Banco do Brasil (ficha de cadastro, cartão de autógrafos e mesmo cheques), em nome de Romildo Nascimento de Souza divergem bastante dos próprios documentos apresentados a esta instituição financeira em nome deste senhor (procuração pública e contrato social); • no cartão de autógrafos em nome de Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, fornecido pelo Banco do Brasil, consta como endereço a av. ACM, 3.247/203, Ed. Empresarial Delta (fl. 197). Esse endereço é o mesmo endereço cadastral da empresa Travei Importação Exportação e Assessoria Ltda (fl. 653). Essa empresa, por sua vez, tem como sócios (fl. 654) os senhores Marcus Aurélio Sandes Nunes e João Reis Batista dos Santos — testemunhas da fiscalizada e de seus sócios cadastrais junto ao Banco do Brasil, conforme já mencionado —, já tendo participado do seu quadro societário, na sua constituição, o Sr. Aloisio Sandes Santana (fls. 656/663); • nos dados do procurador, Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, fornecidos pelo Banco Bradesco, observamos constar como seu endereço a rua Graviola, Ed. Marina di Napoli, apt. 601, Caminho das Árvores, Salvador/Ba. (fl. 206). O Banco Bradesco também nos forneceu cópia das procurações públicas e dos cartões de autógrafos em nome de Romildo Nascimento de Souza e Luiz Marcelo Pereira de Aguiar (fls. 209/213), sendo aplicáveis a estes documentos as mesmas observações que tecemos ao analisarmos os dados que nos foram apresentados pelo Banco do Brasil, inclusive quanto à divergência dos padrões gráficos das assinaturas em nome do sócio cadastral; • solicitamos, através de RMF (fls. 475/478 e 484) aos Bancos Itaú, Bradesco e do Brasil, cópia dos documentos de identificação apresentados pelas pessoas físicas, desde a abertura da conta corrente até o seu encerramento. Observa-se que as assinaturas dos sócios constantes da proposta de abertura de conta corrente apresentada ao Banco Itaú (fls. 487/490, 494, 499 e 506) também não correspondem àquelas constantes das fichas de identificação fornecidas pelo Instituto de Identificação Pedro Mello, em nome de Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, sendo, mesmo, bastante divergentes. Verifica-se que o padrão gráfico das assinaturas em nome de Romildo Nascimento de Souza, constantes dos cartões de autógrafos junto às instituições financeiras, bem como da proposta de abertura de conta bancária, é bastante semelhante ao padrão gráfico do Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes; • consta do depósito de fl. 280, como favorecido, não a fiscalizada, mas sim o Sr. Marcos Sandes. Constam como testemunhas, junto ao Banco Itaú, Maria do Carmo Viegas Ramos, CPF n° 506.016.285-00, e Sheilla M. Azevedo 8 , MINISTÉRIO DA FAZENDA IL :44 - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ."* SÉTIMA CÂMARA •10/zr •Cir Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Aguiar, CPF n° 335.940.905-16 (fl. 489). O Sr João Reis Batista dos Santos, bem como a empresa Uno Turismo Ltda., constam, junto a essa instituição financeira, como referências do Sr. Romildo Nascimento de Souza (fl. 494). Junto ao Banco Itaú, como bens dos sócios, constam veículos de luxo e importados, como o modelo Cherokee, da marca Chrysler (fl. 494), o que é incompatível com a formação e endereço dos sócios cadastrais; EXISTÊNCIA DE PROCURAÇÃO PÚBLICA • comparecemos ao Tabelionato do 6° Oficio de Notas da Comarca de Salvador, tendo sido recebidas pela tabeliã titular, Sra. Ivanise Pinto Varela, a qual reconheceu, conforme termo de constatação de 22/02/2002 (fl. 214), como autênticos os instrumentos de procuração em nome da fiscalizada, cujas cópias nos haviam sido fornecidas pelas instituições financeiras. A tabeliã nos informou, também, que o Sr. Romildo Nascimento de Souza não possuía firma registrada nesse tabelionato; • comparecemos, em 01/03/2002, ao endereço constante do cadastro do Bradesco, em nome do Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar — rua Graviola, Ed. Marina di Napoli, apt. 601, Caminho das Árvores, Salvador/Ba. —, e fomos recebidas pelo Sr. Aloísio Sandes Santana — ex-sócio da "Travei" —, o qual nos informou, conforme termo de constatação (fl. 352), ser inquilino do imóvel há, aproximadamente, 7 anos, e que Luiz Marcelo Pereira de Aguiar não mais residia no local há cerca de 3 anos, sendo mesmo amigo da família e tendo ali residido para estudar, desconhecendo, porém, sua atual residência. Solicitamos (fls. 353/354), então, ao Instituto de Identificação Pedro Mello, cópia das fichas de identificação ali arquivadas, em nome de Romildo Nascimento de Souza, Roque Reis de Jesus Gonçalves, Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e Aloísio Sandes Santana. De posse desses documentos (fls. 355/359), observamos que, como endereço do Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, constava, também, o da rua Graviola, no Caminho das Árvores; • fomos procuradas — provavelmente em face de informação que lhe fora dada pelo Sr. Aloisio Sandes Santana — pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, no dia 05/03/2002, que nos informou, conforme termo de constatação (fls. 360/361), que: em 1998, foi procurado pelos Srs. Jorge Pinheiro e Rafael, originários de São Paulo, que lhe propuseram, tendo ele aceito, trabalhar como procurador, para movimentar conta bancária e receber, para tanto, a quantia de R$ 500,00; assinou cartões de autógrafos, junto ao Banco do Brasil e ao Banco Bradesco, e em torno de 10 talões de cheques, em nome da empresa "NJS Ltda", entregando-os àqueles senhores; desconhece tanto o endereço da empresa quanto os endereços residenciais e comerciais dos dois senhores, só tendo estado em companhia destes por cerca de 4 vezes; o contato com eles era feito através de ligações de telefones públicos para 9 el"fr • „ MINISTÉRIO DA FAZENDA eztle.:k4 - --' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES it SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 seus aparelhos celulares, não mais recordando seus números; assinou procuração e a entregou aos mencionados senhores; não forneceu aos bancos ou aos citados senhores qualquer endereço seu e jamais lhes forneceu qualquer documento comprobatório de residência; em 1997, morava na rua Graviola, 327, Ed. Marina di Napoli, apt. 601, Caminho das Árvores, local onde reside sua irmã, Ângela Isabel Gomes Aguiar, tendo ali residido por apenas seis meses; sua irmã desconhece as suas atividades como procurador da fiscalizada; o Sr. Aloisio Sandes Santana é namorado de sua irmã; desconhece qualquer pessoa com o nome de Romildo; RELAÇÕES COM A UNO CÂMBIO E TURISMO LTDA. • em 18/04/2002, tendo intimado o Sr. João Reis Batista dos Santos, na qualidade de responsável perante a SRF por outra empresa então sob fiscalização — a "Travei" —, a qual aparece como referência para informações cadastrais da fiscalizada junto ao Banco do Brasil, fomos informadas por ele (fls. 364/365), com relação à fiscalizada, que: fora convidado, em 1996, pelo Sr. Aloísio Sandes Santana a trabalhar na empresa Uno Cambio e Turismo Ltda, a qual funcionava na Av. ACM; 3.247, Ed. Empresarial Delta, 1° andar; na "Uno", onde também trabalhavam o Sr. Aloisio Sandes Santana, o Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes e a Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo, os dois últimos sobrinhos do primeiro; a "Uno", necessitando utilizar uma conta bancária, solicitou a abertura de uma nova empresa que, em seu nome, movimentasse valores; o Sr. Aloisio Sandes Santana ofereceu — em reunião em que estavam presentes, além dele, os sócios da "Uno", Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig — a empresa "Travei", para que, em seu nome, fossem movimentados valores da "Uno"; o Sr. Aloisio Sandes Santana convidou o Sr. João Reis Batista dos Santos, que aceitou, a compor o quadro societário da "Travei", vez que os sócios desta apresentavam problemas de cadastro; foram então abertas contas bancárias em nome da "Travel", e os talões de cheques lhes eram apresentados pela Sra Vilsara Sandes Santana Araújo — antiga sócia da 'Travel", de quem ele, supostamente, teria adquirido a participação na empresa — e, assinados em branco, eram entregues a ela ou ao Sr. Aloisio Sandes Santana; desconhece as operações que deram origem à movimentação financeira, bem como os destinatários dos cheques, sabendo apenas que eram operações feitas em dinheiro ou cheques, não sendo utilizados cartões de crédito; em virtude do montante movimentado nas contas, em 1998, o Sr. Aloisio Sandes Santana propôs que se encerrassem tais contas bancárias, tendo, também, sido dada baixa na inscrição da empresa junto à SRF; os sócios da "Uno" moravam no Rio de Janeiro, vindo, ocasionalmente, a Salvador, sendo o Sr. Aloisio Sandes Santana o responsável pelo estabelecimento de Salvador e pelos contatos com os sócios da "Uno"; to MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES áb SÉTIMA CÂMARA .vp ;SIN. Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • verifica-se (fls. 648 e 650) que a "Uno", com inscrição no CNPJ sob o número 35.819.382/0001-64, e endereço no Rio de Janeiro, teve, em 1996, a sua razão social alterada para Winter Turismo e Câmbio Ltda e, em 1999, foi cancelada sua inscrição no CNP J. A filial 0003 (fl. 647) dessa empresa, "Winter", com endereço na Av. ACM, 3.247, sala 103, Salvador/Ba, ou seja, também no Ed. Empresarial Delta, foi constituída em 1995 e cancelada em 1997. Havia, também, uma filial em São Paulo (0002), constituída em 1994 e cancelada em 1999 (fl. 646). Em 1996, foi alterado o CPF do responsável pela 1/Vinter" perante a SRF, o qual deixou de ser o Sr. Sergio Martins Vilhena e passou a ser o Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci (fls. 651/652); • nessa mesma data, 18/04/2002, lavramos termo de constatação e intimação fiscal (fl. 366) com o Sr. João Reis Batista dos Santos, para registrar as informações fornecidas por ele de que desconhecia Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e a empresa "NJS", bem como os senhores Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, e intimá-lo a esclarecer as razões pelas quais abonou junto ao Banco do Brasil as assinaturas dos dois últimos, os quais lhes são desconhecidos. Em resposta (fl. 368), datada de 24/04/2002, o Sr. João Reis Batista dos Santos ratificou desconhecer Romildo Nascimento e Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves e atribuiu o abono de suas assinaturas a solicitação por parte do gerente do banco ou de qualquer funcionário da instituição financeira ou mesmo de algum conhecido seu. Assim, foi solicitado (fls. 220/264 e 303/333) aos bancos, através de nova RMF, os documentos apresentados quando da abertura da conta corrente e documentos que deram origem a lançamentos a crédito e a débito, conforme demonstrativo em anexo elaborado por nós, no qual levamos em consideração as transferências entre contas, resgates, aplicações, financiamentos, estornos e valores irrelevantes; • INFORMAÇÕES DE TERCEIROS QUE REALIZARAM OPERAÇÕES BANCÁRIAS COM A FISCALIZADA — CÂMBIO DE MOEDA ESTRANGEIRA • de posse dos mais de 4.000 documentos comprobatórios dos débitos e créditos fornecidos pelas instituições financeiras, elaboramos demonstrativo, no qual consta o beneficiário do débito ou responsável pelo crédito na conta da fiscalizada. Realizamos pesquisas nos sistemas cadastrais (CPF e CNPJ) da SRF e identificamos pessoas físicas e jurídicas responsáveis pelos créditos ou beneficiárias dos débitos nas contas bancárias da fiscalizada. Intimamos, então (anexos I a V, onde os termos de intimação fiscal, seus avisos de recebimento e respostas dos contribuintes estão organizados por ordem alfabética), tais contribuintes a identificar as operações que deram causa ao pagamento/recebimento dos valores em questão (documentos bancários constam dos anexos VI a IX, ordenados por ordem alfabética), 11 • • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.14:•:0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CAMARA p. • Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 identificar os responsáveis pela empresa com os quais foram mantidos contatos e identificar o local onde foram realizadas as operações; • parte dos contribuintes deixou de responder a nossos questionamentos. Quanto aos que nos responderam, suas respostas convergem para a realização de operações de câmbio de moeda estrangeira, acordada com terceiros, tendo sido utilizada, para tanto, a conta bancária da fiscalizada, como veremos a seguir (demonstrativo de fls. 113/122). Diversos contribuintes, inclusive pessoas jurídicas, responderam não se recordar da operação e não possuir comprovantes de qualquer transação realizada com a fiscalizada. Outros afirmaram tratar-se de pagamento a credores, por empréstimos tomados, desconhecendo a fiscalizada, tendo efetuado o depósito por solicitação e indicação dos credores. Algumas pessoas físicas, como os senhores Antonio Carlos Francisco de Oliveira e Jailton Balbino da Silva, sacaram diversos cheques em valores elevados, não tendo sido possível localizá-los, vez que as correspondências retornaram ou eles deixaram de atender nossa intimação. Tais beneficiários não apresentam em seus dados constantes do cadastro da SRF compatibilidade com o montante recebido, e suas assinaturas demonstram grafismo simplificado, fazendo-nos crer tratar-se de interpostas pessoas, que foram utilizadas tão-somente para retirada dos valores das instituições financeiras; • o Sr. Gileno Gomes Passos, tendo sido o destinatário de cheques nominais em total superior a R$4.000.000,00, durante o ano de 1998, compareceu (fls. 664/668) à sede DRF-Salvador, em 28/10/2002, e nos informou (fls. 669/671) que: trabalhando como moto-boy autônomo junto a um delivery de comida chinesa, foi convidado por dois senhores, chamados Rafael Lustig e Jorge, para trabalhar com eles, sacando dinheiro junto ao Banco do Brasil; aceitou o trabalho, passando a ser contatado por telefone celular e comparecendo à agência do Banco do Brasil, no Caminho das Árvores, em Salvador, quando lhe era entregue, pelos citados senhores, o cheque a ser sacado e a carta de solicitação da disponibilização dos valores pela instituição financeira, os quais eram apresentados ao caixa; após realizar o saque, entregava o dinheiro aos Srs. Rafael e Jorge, recebia a quantia de R$100,00 pelo serviço prestado, observando que os dois senhores dirigiam-se à sala reservada da agência bancária; desconhece os endereços deles, sabendo apenas ser um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro; • observando que o Sr. João Reis Batista dos Santos recebeu R$80.000,00 da fiscalizada, através de cheque nominal, o intimamos (fls. 673/675) a esclarecer o fato, tendo ele respondido (fl. 676) não ter maiores informações sobre o referido cheque, que foi depositado em sua conta bancária, pois, como já dissera antes, essa conta era movimentada pelos senhores Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig; 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SÉTIMA CÂMARA '41 •%;‘.41.):1> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • a empresa Adeltur Agência de Viagens Ltda nos informou ter sido procurada pelo Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci, sócio gerente da "Winter", para comprar dólares de turistas que visitaram Porto Seguro, onde está localizada a agência de viagens, e que acreditava que os depósitos em sua conta bancária fossem efetuados diretamente pela "Winter", só tomando conhecimento de que a fiscalizada fora a responsável por tais créditos em sua conta corrente com o recebimento do nosso termo de intimação fiscal; • todas as respostas obtidas estão consolidadas no demonstrativo de fls. 113 a 122. Além das já citadas acima, algumas delas serão aqui relatadas (vide itens 60 a 98 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 36 a 39). Observa-se a convergência dos que prestaram informações ao Fisco, no sentido de que as operações realizadas através da conta bancária da fiscalizada reportarem-se a operações de câmbio com moeda estrangeira. Além disso, as respostas afluem para a empresa "Uno", cuja razão social foi alterada para "Winter"; • através do Oficio Decif/Gabin 2002/236 (fls. 677/683), datado de 28/04/2002, o Banco Central do Brasil comunicou à SRF que a empresa Votoserv Empreendimentos e Participações Ltda realizou operações de venda de câmbio, classificadas como Investimento Direto no Brasil — Participações em Empresas no País ou em subsidiárias/filiais no País, relativas à integralização de seu capital subscrito por sua sócia Vindat Trade Sociedade Anônima (Uruguai); todavia, os recursos em moeda nacional provenientes de tais contratos foram destinados a inúmeras contas correntes, entre as quais a conta da "NJS". Consta, ainda, do referido Oficio: "cabe registrar que a "Votoserv" fomentou transferências internacionais irregulares em moeda nacional, a título de disponibilidades no exterior ou investimentos em títulos externos (...)". Verifica-se, pois, mais uma vez, o aparecimento de indicativos a operações de câmbio relacionadas com movimentação financeira em conta da fiscalizada; EXISTÊNCIA DE UMA TEIA DE RELAÇÕES • na declaração de rendimentos do Sr. Aloísio Sandes Santana, relativa ao exercício de 1999 (fls. 604/608), constam como bens quotas da empresa Unitour Turismo e Cambio Ltda, US$22.100,00 (vinte e dois mil e cem dólares norte americanos) — como saldo da aquisição de US$61.000,00 junto à Cash Tour — e dinheiro em espécie, no valor de R$175.000,00, sendo bastante implausível a guarda desta quantia em moeda nacional fora de instituições financeiras, sendo que, no ano seguinte, este valor aumenta para R$215.000,00. Em 1999, o Sr. Aloísio Sandes Santana foi excluído do quadro societário da "Unitour", passando esta a ter como sócios Vilsara Sandes Santana Araújo (fls. 642/644) — que também já fez parte do quadro societário da "Travel" (fls. 659/661) e foi citada, pelo Sr. João Reis Batista dos Santos, como a pessoa para quem eram entregues os cheques 13 Jr. MINISTÉRIO DA FAZENDA”?. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Y& k 4!4 CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 assinados em branco desta empresa (fls. 364/ 65) — e Marcos Antonio Brito de Araújo; • tais elementos demonstram a existência de operações envolvendo câmbio de moeda estrangeira, o que vem ao encontro das informações prestadas por pessoas que realizaram operações vinculadas a lançamentos nas contas bancárias da Interessada. Da análise dos documentos connprobatórios dos lançamentos fornecidos pelas instituições financeiras, observamos, entre outros, que o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar fora beneficiado com valores que giram em tomo de R$270.000,00 (fls. 270/279), e não com R$500,00, como nos havia afirmado (fls. 360/361). Intimamos (fls. 396/397), em 09/07/2002, o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar a comparecer à sede da DRF-Salvador, para prestar esclarecimentos, o que ele veio a fazer em 31/07/2002, ratificando todas as informações que nos foram prestadas anteriormente, constantes do termo de constatação lavrado em 05/03/2002, inclusive quanto a ter recebido, por sua participação nas atividades da empresa sob fiscalização, tão-somente a quantia de R$500,00, e afirmou ter assinado apenas cheques em nome da "NJS" (fl. 398); • verifica-se, também, que a Sra. Angela Isabel Gomes Aguiar, irmã de Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ao contrário do que este afirmara, com relação a sua ignorância de suas atividades como procurador da fiscalizada, foi beneficiária de créditos oriundos da Interessada (fls. 283/290). Diante da existência de correspondências, em papel timbrado, em nome da fiscalizada, dirigida à instituição financeira (fls. 340/341), assinadas pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, através das quais foi solicitada a movimentação de valores, fica constatado que ele faltou com a verdade ao prestar esclarecimentos ao Fisco, pois este fato contradiz suas declarações quanto à forma de operar com a conta bancária e mesmo quanto a assinar tão- somente cheques em nome da Interessada; • podemos observar, nas declarações de rendimentos de Aloisio Sandes Santana (fls. 590/612), identificado como namorado de sua irmã pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, que ele possuía sala comercial no mesmo endereço que o informado pelo procurador ao Banco do Brasil — Ed. Empresarial Delta, na Av. ACM —, sendo este também o endereço cadastral da "Travel" e da "Winter" (nova razão social da "Uno"), em Salvador. Ressaltamos que o Sr. Aloísio Sandes Santana, como já mencionado, reside, juntamente com a Sra. Angela Isabel Gomes Aguiar, no imóvel de propriedade desta, conforme declaração de rendimentos apresentada por esta (fls. 557/567), cujo endereço foi fornecido pelo procurador, Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, irmão desta senhora, ao Banco Bradesco, visando ao recebimento de correspondências. Pelo acima relatado, verificamos haver coincidência de endereços (comerciais e residenciais) entre o Sr. Luiz 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA LM• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' té;- - í SÉTIMA CÂMARA•,:fr -pra Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Marcelo Pereira de Aguiar e o Sr. Aloísio Sandes Santana, denotando a existência de interesses em comum; • verifica-se, também, conforme declaração de rendimentos apresentada por Aloísio Sandes Santana (fls. 606), que este teria vendido, no ano de 1998, a Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, sete linhas telefônicas, o que, além de apontar para relações comerciais entre os dois, indica que o Sr. Luiz Marcelo não teria razões para utilizar telefones públicos ao telefonar para os dois senhores, que, segundo ele, o teriam convidado a participar da movimentação financeira da Interessada. Na mesma data, 31/07/2002, intimamos (fls. 399/472) o Sr. Luiz Marcelo a pronunciar-se acerca do teor do termo de constatação lavrado com o Sr. Romildo Nascimento de Souza, bem como a justificar valores lançados a crédito em contas bancárias da Interessada, e a identificar os beneficiários dos lançamentos a débito em tais contas; • em 04/06/2002, ele respondeu (fls. 473/474) não ter qualquer conhecimento de quem seja o Sr. Romildo Nascimento de Souza, desconhecer a destinação dos cheques e não saber identificar as operações relativas à movimentação financeira nas contas bancárias. Acrescenta, ainda, que localizou umas anotações suas, e que, dentre as mesmas, estava um papel contendo o nome e CPF dos Srs. Jorge P. Christ Mussumesci, que se apresentava como Jorge Pinheiro, CPF n° 838.526.727-00, e Rafael Lustig, CPF 093.360.038-51, porém, não mais teve qualquer contato com eles. Observa-se que estes senhores são os sócios da "Winter", nova razão social da "Uno"; • enviamos termo de intimação (fls. 542/547) ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, sócio da "Travei", citado como favorecido em um depósito bancário realizado em conta da fiscalizada, tanto para o seu endereço constante do cadastro da SRF, quanto para o constante da procuração pública, cuja cópia nos foi fornecida pelas instituições financeiras, tendo ambas retornado, uma delas com a informação de que o endereço era desconhecido e outra que o endereço era insuficiente. Enviamos, também, correspondências (fls. 371/394) para os endereços cadastrais dos sócios da "Winter", que retomaram com a informação de que eles haviam se mudado. Cabe ressaltar que algumas dessas correspondências foram recebidas e, posteriormente, devolvidas com a informação acerca da mudança do destinatário. Tendo sido informadas pelo Sr. João Reis Batista dos Santos (fl. 676) de novos endereços dos sócios da "Winter", enviamos correspondências para tais endereços (fls. 530/541). A intimação enviada para o Sr. Rafael Lustig foi devolvida com a informação de que ele era desconhecido. Já o termo de intimação fiscal enviado para o Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci, foi rer 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARAz».-7-z4zt '4;178-t> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 recebido em 20/12/2002 pela Sra. Caroline G. Mussumesci, porém ele não se pronunciou; RELAÇÕES COM A "TRAVEL" • Existem diversos elementos que aproximam a Interessada da empresa "Travel", dentre os quais citamos, além dos já relatados acima: o contador das duas empresas é o Sr. José Everaldo Maia, CPF 176.934.115-34 (fls. 189 e 645); os beneficiários dos débitos e responsáveis pelos créditos nas contas bancárias coincidem por diversas vezes (conforme demonstrativo de fls. 123/126); as agências bancárias onde as duas empresas mantiveram contas são coincidentes, sendo que sócios da 'Travei" serviram de testemunhas para as assinaturas dos sócios da fiscalizada, e mesmo o nome da "Travei" foi citado como referência; a "Travel" encerrou suas atividades, sugerindo que as contas da "NJS" passaram a ser utilizadas nas atividades que, até então, eram da primeira; há coincidência de endereços para correspondência, seja de sócios, procuradores, ou mesmo das empresas; os nomes das pessoas envolvidas efou citadas apresentam muita coincidência, formando mesmo uma rede de relações; constam em alguns documentos fornecidos pelas instituições financeiras depósitos em conta da fiscalizada, tendo como beneficiário a "Travei", cujo nome foi riscado e preenchido o da "NJS", citando-se, como exemplo, o depósito realizado em 04/03/1998 (fl. 281); existem, também, documentos relativos a depósitos em conta da fiscalizada, onde fora preenchido como beneficiário o Sr. Marcus Sandes (fl. 280), que faz parte do quadro societário da "Travei"; no verso de alguns cheques emitidos pela fiscalizada há a observação: "conf. Marcus"ou "Confirmado com Marcus tesoureiro" (fls. 342/351); CARACTERIZADA FALSIDADE IDEOLÓGICA • fomos procuradas pelo Sr. Romildo Nascimento de Souza, em 19/03/2002, que nos informou (fls. 509/510) ter descoberto, ao solicitar certidão de ações cíveis e criminais, estar sendo utilizado como "laranja" em mais duas empresas: AG Materiais de Construção Ltda, CNPJ n° 16.374.365/0001-16 e Bellofrios Comercial de Alimentos Ltda, CNPJ n° 42.081.778/0001-12, tendo como sócio em todas elas o Sr. Roque Reis de Jesus Gonçalves. Afirmou também ter prestado queixa junto à Delegacia de Crimes Econômicos e contra a Administração Pública — DECECAP, a qual solicitou ao Instituto de Criminalistica Afrânio Peixoto a realização de exames para se detectar a autenticidade gráfica de documentos que teriam sido por ele assinados. Foi- nos fornecida cópia (fls. 511/515) do laudo de exame pericial ICAP n° 2002.006933 01, realizado pelo referido Instituto, no qual fica constatado que as assinaturas em nome de Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, constantes do contrato social da fiscalizada, não foram realizadas por seus respectivos punhos, ou seja, foram falsificadas; 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t A:44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • em 16/08/2002, intimamos (fls. 516/522) Roque Reis de Jesus Gonçalves, que compareceu à sede da DRF-Salvador, em 27/08/2002, e nos afirmou (fl. 523): não ser sócio da empresa sob fiscalização, não reconhecendo como suas as assinaturas constantes do contrato social da empresa e do cartão de autógrafo em seu nome fornecido pelo Banco do Brasil; desconhecer o endereço cadastral da Interessada, bem como seus verdadeiros sócios ou suas atividades; só ter ouvido falar da fiscalizada, bem como de Romildo Nascimento de Souza, ao ser intimado a comparecer à DECECAP, em virtude de denúncia feita por este; desconhecer os senhores João Reis Batista dos Santos e Luiz Marcelo Pereira de Aguiar; • solicitamos (fls. 525/529) ao Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto que fosse realizado exame grafotécnico, para se detectar a autenticidade das assinaturas em nome dos sócios da Interessada, constantes do contrato social, dos cartões de autógrafos e das procurações públicas através das quais foram outorgados poderes a Luiz Marcelo Pereira de Aguiar. O laudo ICAP n° 2002.01908 01 (fls. 684/721) aponta para a inautenticidade das assinaturas em nome de Romildo Nascimento dos Santos e Roque Reis de Jesus Gonçalves, constantes do contrato social, das procurações públicas e dos cartões de autógrafos, o que indica a intenção clara da inserção de elementos não verdadeiros em tais documentos; CARACTERIZAÇÃO DE DOLO • diante do exposto, está demonstrada a existência de acordo entre diversas pessoas físicas e jurídicas visando à utilização de contas bancárias em nome de terceiros — o que, por si só, já caracteriza o dolo. Diversos outros aspectos dos procedimentos adotados pelos responsáveis pela movimentação financeira através das contas bancárias da fiscalizada denotam a intenção de iludir e de evitar suas reais responsabilidades. Para atingir seus objetivos — esquivar-se a suas responsabilidades, ou realizar operações não permitidas — os responsáveis praticaram diversas ações irregulares, como falsificar assinaturas, realizar operações em nome de interpostas pessoas e prestar informações falsas a funcionários públicos no exercício de suas funções; TRIBUTAÇÃO • o contribuinte não apresentou DCTF referente ao ano de 1998, tendo apresentado declaração de inatividade para o período. Tendo em vista que ele não apresentou qualquer livro ou documento, não nos resta outra alternativa a não ser arbitrarmos o lucro pela não apresentação de livros e documentos (artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99). Em conformidade com o artigo 42 da Lei 9.430/96, valores creditados em conta bancária cuja origem não foi 17 •. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARA St. 4`P414.1> a's Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 justificada são considerados omissão de receitas. Foi aplicado o percentual de 38,4 To (serviços em geral), conforme previsto no artigo 532 do RIR/99 e encontrado o lucro arbitrado, base de cálculo para o Imposto de Renda; • da análise dos fatos acima relatados, observa-se ter havido dolo nos procedimentos adotados pelo contribuinte, ficando ele sujeito à aplicação das penalidades cabíveis. Aplicamos a multa prevista no artigo 957, inciso II, do RIR199, vez que fica, caracterizada a fraude, com a utilização de artifícios, tais como falsificação de assinaturas, prestação de informações falsas às autoridades fiscais, produção de documentos inidôneos, existência de interpostas pessoas ("laranjas"), reunião de diversas pessoas e empresas com finalidades escusas e apresentação de declaração falsa de inatividade, com o objetivo de burlar o fisco e evitar suas responsabilidades perante terceiros; RESPONSABILIDADES • procederemos à alteração cadastral, de oficio, no quadro societário da empresa, passando os Srs. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, CPF n° 613.652.385-04, Jorge Luiz Christ Mussumesci, CPF n° 834.526.727-00, e Rafael Lustig, CPF n° 093.690.038-51, a compor o referido quadro. Entendemos que os Srs. Aloísio Sandes Santana, CPF n° 003.293.125-53, Marcus Aurélio Sandes Nunes, CPF n° 504.919.205-63, João Reis Batista dos Santos, CPF n° 028.941.815-15, e Ângela Isabel Gomes Aguiar, CPF n° 263..700.935-72, colaboraram para a realização dos atos acima relatados, tendo conhecimento de sua irregularidade, sendo, pois, responsáveis pelos mesmos, juntamente com os senhores citados em primeiro lugar. Como o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar é, de fato, o responsável pela movimentação financeira em nome da Interessada, tendo, inclusive, obtido proveito financeiro com tais operações, deixando de colaborar para melhor esclarecimento dos fatos, passa ele, de oficio, a constar como responsável pela empresa perante a SRF. Às fls. 734 a 758, Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Aloisio Sandes Santana, Marcus Aurelio Sandes Nunes, João Reis Batista dos Santos e Ângela Isabel Gomes Aguiar —representados por procurador legalmente constituído — inconformados com a responsabilidade que a autoridade lançadora lhes atribui, em relação à empresa NJS PARTCIPAÇÕES LTDA, apresentam impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: PRELIMINAR 11.01 embora as pessoas acima mencionadas não aceitem a responsabilidade que a fiscalização lhes atribuiu, pelas razões de direito abaixo mencionadas, ainda assim, ad argumentando tantum, procurarão contestar o 18 Nie „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA grtti> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 lançamento, com vistas a resguardar os seus direitos, na eventualidade de lhes ser negado o direito de serem excluídas do processo; OS FATOS 11.02 a autuação busca o pagamento do imposto de renda e contribuições sob a alegação de omissão de rendimento no exercício de 1998, evidenciada pelos depósitos bancários efetuados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras. Alega a autoridade lançadora que a origem dos recursos utilizados nessas operações não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea. Dito lançamento deve ser declarado improcedente pelas razões a seguir; DO DIREITO SOBRE A OMISSÃO DE RENDIMENTOS 11.03 a pretensão do fisco procura estribo no art. 42 da Lei n° 9.430/96 (transcreve). O dispositivo transcrito pretendeu criar uma presunção legal. Com efeito, a presunção, como lembra Alfredo Augusto Becker (Teoria Geral do Direito Tributário, p.508), "é o resultado do processo lógico mediante o qual o fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência e provável”. Em resumo, entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concretização; 11.04 no que respeita às pessoas físicas, é evidente essa inadequação na presunção legal do citado art. 42. Várias razões militam contra a possibilidade de materialização dessa correlação lógica: a) a experiência demonstra que não há uma correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos, pois o fato desconhecido pode ser de outra natureza, por exemplo: uma doação; um empréstimo; operações de factoring; movimentação conjunta de uma associação de pequenos comerciantes; compra e venda de dólar; agenciador de aquisição de gado; etc. Nestes casos, a movimentação bancária não implica em omissão de renda, pois esta, segundo preceitua o art. 43, inciso I, do CTN, é "o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos". Ora, a tributação do depósito implica na tributação do capital e não do produto deste; b) a permissão legal deferida pela lei complementar (art. 143, CTN) ao legislador ordinário é tributação de fatos geradores que resultem em aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda O depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial; c) nesse sentido, tem decidido a jurisprudência administrativa e judicial; 11.05 bastante elucidativo é o artigo "Os Depósitos Bancários de Pessoas Físicas como base para a Presunção Legal de Omissão de Rendimentos" 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA t.‘Z.14 twn ti. • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARA ""i$14 4 :;W4a Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 (transcreve trecho), de autoria do ilustre Prof. Antônio Airton Ferreira, ex- Delegado de Julgamento da Receita Federal. Esse entendimento foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos, como exemplifica o Acórdão CSRF/01-0, cuja ementa transcreve. Na área Judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Conclui-se, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatou-se não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Em síntese, a experiência desaconselha a adoção dessa indigitada presunção; 11.06 além desse vício de origem, essa presunção encontra sérios obstáculos técnicos. Para Aires Femandino e Cléber Giardino, a caracterização do sinal de riqueza, para fins de descoberta do sinal exterior de riqueza, depende de vários requisitos, que os depósitos bancários, por si sós, não satisfazem, a saber: perfeita identificação do sinal; fixação da renda tributável relacionada com o sinal; demonstração da natureza tributável do rendimento; demonstração de que tal renda já não foi tributada. O Ministro Carlos Mário da Silva Velloso, da Suprema Corte, assim também entende, quando afirma que os depósitos representam o marco inicial de investigação, pois subjacentes a tais valores pode estar, por exemplo, presente um empréstimo, uma doação, uma atividade comercial indevidamente exercida em nome da pessoa física, a movimentação financeira de atividades proibidas (doleiros, agiotas), etc. Ora, se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, vale dizer, esses depósitos não podem sustentar uma presunção legal, posto que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte. Para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida; 11.07 no tocante à pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada na experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; o encargo probatório é totalmente transferido para contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida. Assim, não deve o lançamento prosperar, em respeito ao fato de depósito e renda serem inconfundíveis. Não é juridicamente possível fundar, exclusivamente sobre depósitos, uma presunção de omissão de rendimentos pela inexistência de correlação natural entre renda (fluxo) e depósito bancário (estoque). Esses depósitos poderiam ser apenas indício de omissão. A autoridade lançadora deveria ter aprofundado a investigação da verdade com vistas a determinar a renda nz.tr" 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• yr SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 resultante dessas operações, em conformidade com os artigos 43 e 44 do CTN (transcreve); 11.08 assim, só permite a lei complementar (CTN, art. 44) que se tribute o montante real, presumido ou arbitrado, de renda ou de acréscimos patrimoniais. Ora, para atender à letra, à finalidade e ao sentido da lei maior, a autoridade lançadora deveria ter investigado qual o saldo bancário (em todos os bancos) existente ao final do ano, quais os bens imóveis adquiridos pelos autuada, quais os veículos possuídos pela mesma, etc, a fim de aquilatar, com propriedade, o montante da renda e dos acréscimos patrimoniais que reverteram em beneficio da mesma. Somente após essa investigação é que se poderia chegar ao montante tributável. Como o procedimento da fiscalização está em gritante descompasso com a lei complementar que permite, apenas, a tributação de renda ou de acréscimo patrimonial não justificado o lançamento deve ser declarado improcedente; QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E A IRRETROATIVIDADE DA LEI. 11.09 a ilegalidade está presente, também, quando a autoridade lançadora quebra o sigilo bancário do contribuinte sem a sua permissão, e contraria o disposto no art. 11, § 3 0 , in tine, da Lei n° 9.311/96 (transcreve), que instituiu a CPMF. Dita proibição vigorou desde o ano de 1996 até a publicação da Lei n° 10.174/2001, em janeiro de 2001, cujo art. 11, § 3° (transcreve), permitiu fossem essas informações utilizadas para instauração de procedimento fiscal. Então, a proibição, que vigorou até o advento dessa lei, resultava para o contribuinte numa garantia legal de que a SRF não se utilizaria desses dados para o lançamento de outros tributos. Essa garantia redunda num direito do contribuinte, oponível à SRF, de não ser tributado no período em que vigorou dita proibição. Estamos, portanto, tratando de direitos adquiridos, cuja revogação não pode ser retroativa por força dos princípios constitucionais da irretroatividade e da não surpresa; 11.10 no que respeita à retroatividade do art. 60 da LC 105/2001, podemos argumentar que ninguém de sã consciência pode duvidar que todos os cidadãos brasileiros tinham, até a sua publicação, o direito adquirido à inviolabilidade do seu sigilo bancário. Esse direito foi-lhes reconhecido em inumeráveis decisões dos tribunais superiores. A lei nova não pode, agora, retroagir para alcançar situações protegidas por direito que já se incorporou ao patrimônio da impugnante e que dele já fazem parte. Pois bem, se estamos discutindo direito adquirido, estamos na esfera do direito substantivo e não do direito adjetivo. A revogação da proibição de utilização das informações obtidas através da CPMF, veiculada pela Lei n° 10.174/2001, art.11, § 3°, e a possibilidade de quebra do sigilo bancário pelas autoridades e agentes do fisco, concedida pelo art. 6° da LC 105/2001, são normas de direito substantivo, criam situações jurídicas novas que atingem direitos subjetivos. A norma de regência, pois, é o caput, e não o § 1° do art. 144 do CTN. A regra do parágrafo é aplicável somente às alterações de procedimento administrativo, quando não estão em jogo direitos adquiridos. O lançamento contra 21 %ri) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "i";. SÉTIMA CÂMARAypj.•;,‘,4, re-ÉPat4fr Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 o qual se rebelam os reclamantes está em discordância com a jurisprudência assente nos Tribunais Superiores (transcreve acórdãos); DESRESPEITO AO PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA 11.11 também, não se respeitou o princípio constitucional da capacidade contributiva insculpido no art. 145, § 1°, da Carta Magna (transcreve). Ora, a administração tributária usou, indevidamente, os seus poderes para quebrar o sigilo bancário da "NJS". Mas, quando devia diligenciar para aquilatar a capacidade contributiva da mesma não o fez. Como se pode inferir pela declaração de bens dos impugnantes e pelos imóveis em que residem (a maioria de aluguel), a sua capacidade contributiva é tão pequena que soa como disparate o lançamento fiscal no montante realizado. Para que a Constituição seja cumprida à risca, é dever do fisco proceder com a mesma diligência com que se dedicou ao exame dos extratos bancários do contribuinte e investigar minuciosamente seu patrimônio, seus rendimentos e suas atividades econômicas, para que o lançamento resultante seja condizente com esse principio constitucional; DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA a) A Lei a Doutrina e a Jurisprudência: 11.12 mesmo que admitamos a validade do lançamento, ainda assim, a exigibilidade do crédito seria somente contra a pessoa jurídica titular dos depósitos bancários e não contra terceiros que não são sócios, administradores, mandatários, etc, da empresa responsável pelos depósitos. Relembrando o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, o responsável pelo crédito tributário é sem dúvida, no presente caso, a sociedade "NJS". A responsabilidade tributária é sempre do contribuinte, salvo naqueles casos em que a Lei atribua a terceiros, necessariamente vinculados ao fato gerador da obrigação tributária, como reza o art. 128 do CTN. Desse dispositivo, resulta evidente: a) que só a Lei pode atribuir a terceira pessoa a responsabilidade pelo crédito tributário; b) que essa terceira pessoa deve estar diretamente vinculada com o fato gerador da respectiva obrigação; c) que a atribuição de responsabilidade a terceira pessoa exclui a responsabilidade do contribuinte ou lhe atribui esta em caráter supletivo. Estas conclusões podem ser obtidas também do art. 121 e parágrafo único do CTN (transcreve), quando define o sujeito passivo da obrigação principal; 11.13 Ora, no caso da tributação de depósitos bancários como omissão de receita, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 refere-se tão-somente ao titular da conta. Este, portanto, o único responsável pelo crédito tributário dai decorrente. É impossível atribuir responsabilidade pelo crédito tributário a terceiras pessoas sem que haja disposição expressa de lei. Como não existe nenhuma lei atribuindo responsabilidade a terceiros pelo crédito tributário referente a depósitos bancários considerados como omissão de receita, é inevitável concluir-se que falta 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA ettiPt- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA 4%;~ Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 embasamento legal à atribuição de responsabilidade tributária, aos impugnantes, pela digna autoridade lançadora; 11.14 resta-nos examinar a hipótese do art. 135, do CTN, já que não há razão para se falar em sucessão (arts. 129/133) ou em Responsabilidade de Terceiros (art. 134). Trata este artigo 135 daquelas hipóteses em que o crédito tributário deixa de ser responsabilidade do contribuinte principal para ser responsabilidade de terceiros qualificados pelos artigos 134 e 135. Na hipótese dos autos, em que o sujeito passivo é uma sociedade limitada, diz o artigo 135 que os sócios, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de: a) atos praticados com excesso de poderes, ou b) atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatuto. Ora, em nenhum momento a digna autoridade lançadora tentou ou conseguiu demonstrar que algum dos impugnantes tenha procedido com excesso de poderes, ido de encontro ao contrato social da "NJS" ou tenham agido com infração de lei; 11.15 transcreve a lição do renomado mestre Prof. Renato Lopes Becho, colhida na sua obra Sujeição Passiva e Responsabilidade Tributária. Transcreve, também, comentário de Sacha Calmon Navarro Coelho sobre o art. 135 do CTN, concluindo que somente os atos praticados com excesso de poderes, ou atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatuto por sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes são passíveis de imputação de responsabilidade pelo pagamento das obrigações resultantes desses atos. Somente essas pessoas e não outras podem ser responsabilizadas por créditos tributários, desde que fique plenamente provada a prática dos atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto, e, o que é mais importante, que ditos atos sejam individualizados. Sim, porque sendo a responsabilidade pessoal do agente, ele somente poderá ser responsável por atos próprios e não de terceiros; 11.16 resta-nos, nesse passo, verificar se os impugnantes satisfazem essas condições estabelecidas em lei; se satisfizerem, se os atos foram devidamente caracterizados; se caracterizados, se foi atribuída a cada impugnante, individualmente, somente a responsabilidade pelos atos praticados ou se a autuação atribuiu, generalizadamente, a todos a responsabilidade pelo crédito tributário apurado; b) A autuação: 11.17 o auto de infração foi lavrado contra a "NJS Participações", em cujo nome foram efetuados os depósitos considerados como omissão de receita. Os responsáveis legais pela "NJS" seriam os seus sócios Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves. Segundo apurou autoridade lançadora, ditas pessoas negam esse fato e, também, que tenham assinado contrato social, 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA -4' • h. 42, ;-, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 passado procuração ou outorgado "poderes a terceiros para assinar documentos ou movimentar valores e seus nomes". Quem teria, então, forjado toda a documentação para a operacionalização da "NJS"? Isso a fiscalização não conseguiu apurar; 11.18 mas, num exaustivo trabalho de investigação, ouviu dezenas de pessoas físicas e jurídicas que depositaram dinheiro nas contas bancárias da "NJS" ou cujas contas bancárias recebem créditos dessa empresa e concluíram que: as repostas convergem para a empresa "Uno", cuja razão social foi alterada para "Winter"; as operações realizadas através das contas bancárias da fiscalizada dizem respeito a operações envolvendo câmbio com moedas estrangeiras; os nomes dos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig são citados inúmeras vezes; que a "Uno" era uma empresa com sede no Rio de Janeiro, com filiais em Salvador e São Paulo e Miami, e que aqueles senhores são sócios da "Winter"; 11.19 das informações colhidas pela fiscalização, fica evidente que a "Uno" trabalhava com uma rede de hotéis em todo o País. Observa-se que a "NJS" é apenas uma das pernas dessa organização, que tinha como principal finalidade a movimentação bancária de parte dos seus negócios. Essa organização tinha como sócios somente os senhores Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, como apontam todos os depoimentos colhidos pela fiscalização. Sua estratégia consistia em movimentar grandes quantias, sempre em nome de terceiros inocentes, com vistas a que seus negócios escusos, mas aparentemente legais para esses terceiros, não pudessem ser ligados aos seus nomes. Assim, foram usados os nomes de empresas como a "Travel" e os nomes do Sr. Gileno Gomes Passos, do Sr. Luiz Marcelo Pereira Aguiar e de outras tantas pessoas que, inadvertidamente, em busca de alguma receita que completasse o seu orçamento, acabavam sendo envolvidas em operações de legalidade duvidosa; 11.20 eis, Srs. Julgadores, como agiam esses senhores. A eles, e somente a eles, deve ser atribuída responsabilidade penal e tributária. Enquanto sócios ostensivos, gerentes e únicos responsáveis da empresa "Uno" — "Winter" — em cujo nome os depósitos eram realizados, embora em conta da "NJS". Face ao exposto, como aceitar a atribuição de responsabilidade tributária ao Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ao Sr. Aloísio Sandes Santana, ao Sr. João Reis Batista dos Santos, ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, ou ainda à Sra. Ângela Isabel Gomes Aguiar, se contra eles não existe prova de que tenham sido sócios ostensivos ou ocultos, diretores, gerentes, representantes, mandatários ou prepostos da "NJS" ou da "Uno"? Onde está o fundamento legal? Examinemos qual foi a participação de cada uma dessas pessoas aos olhos da fiscalização, seguindo de perto os itens do Termo de Verificação Fiscal; 11.21 Luiz Marcelo Pereira de Aguiar: imputa-se-lhe o fato de ser procurador da "NJS" para movimentar a conta bancária, o que é verdade. Ele próprio declara que aceitou o trabalho em troca do pagamento de R$ 500,00. Sua atividade nunca 24 n/- , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES WI SÉTIMA CÂMARA :A Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 foi além disso: procurador para movimentar conta bancária. Em umas poucas ocasiões sacou cheques em seu nome, mas o dinheiro foi depositado em conta de pessoas indicadas pelo Sr. Rafael Lustig. Se a procuração não era legítima a culpa não foi sua. Ela lhe foi entregue pelos Srs. Jorge Pinheiro e Rafael. No exercício desse mandato não praticou nenhum ato com excesso de poderes. Também não se tem notícia de que tenha infringido nenhuma lei pertinente à economia da sociedade. Não se pode falar nem mesmo em responsabilidade penal. A procuração que recebeu em nome da "NJS", que a fiscalização argüi seja falsa, não se lhe pode atribuir culpa alguma; 11.22 com efeito, admitindo-se que conhecesse a assinatura dos sócios (que não conhecia), ainda assim, não poderia descobrir que estava sendo enganado, pois as assinaturas constantes do contrato social e das procurações públicas são tão semelhantes que tanto a fiscalização como os peritos criminalistas ficaram em dúvida sobre a sua falsidade. A fiscalização observa que há semelhança com as constantes dos documentos de identidade que nos foram apresentados pelo Sr. Romildo, bem como com aquelas efetuadas por ele em nossa presença. Já os peritos criminalistas concluem, no primeiro caso, pela inautencidade gráfica, em vista dos padrões gráficos apresentados, enquanto, no segundo caso, afirmam que são inautênticas. E que dizer do Tabelião que atestou a autenticidade das assinaturas nas procurações? E os funcionários dos três bancos foram capazes de constatar alguma diferença entre as assinaturas do contrato social e a do cartão de autógrafo, ou entre estas e as constantes das procurações? Ora, se os técnicos, e até mesmo os peritos, encontraram dificuldade em averiguar autenticidade desses documentos, que esperar de um leigo, um jovem de 24 anos, estudante, inexperiente, que acabava de chegar do interior? 11.23 Aloísio Sandes Santana: contra ele pesa o fato de haver participado, em 1996, da "Travel"; o fato de o Sr. Luiz Marcelo haver morado por seis meses com a irmã, Sra. 'Angela Isabel Gomes Aguiar, sua companheira há mais de sete anos; o fato de trabalhar na empresa "Uno"; e, finalmente, o fato de haver declarado, em 1999, quotas da empresa Unitour Turismo e Câmbio Ltda., no valor de R$24.000,00, saldo de US$ 22.100,00 adquiridos da Cash Tour, e cerca de R$ 175.000,00 em dinheiro. Os dois primeiros fatos são irrelevantes. O auto de infração é contra a "NJS" e não contra a 'Travel". O período fiscalizado é o ano-calendário de 1998, e ele foi sócio da "Travei" somente até fevereiro de 1997. Logo, não há como estabelecer qualquer correlação entre esses fatos. Quanto ao fato de o Sr. Luiz Marcelo haver morado por seis meses, quando chegou a Salvador, com sua irmã, que vive maritalmente com o Sr. Aloísio, também não significa coisa alguma. Entre esses fatos e os depósitos efetuados na conta da "NJS", não existe nenhuma relação jurídica ou de causa e efeito que se possa, daí, inferir qualquer tipo de responsabilidade tributária ou penal. São juridicamente irrelevantes; 11.24 resta analisar a participação do Sr. Aloísio na "Uno". Já vimos que os Srs. Rafael Lustig e Jorge eram os únicos sócios dessa Empresa e que eles 25 •ir . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES * SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 administravam diretamente os seus negócios, a ponto de os saques pessoais serem acompanhados pessoalmente, enquanto o Sr. Gileno Gomes Passos (moto- boy) efetuava os saques. Logo, também, não era gerente. Nos autos, não há nenhuma referência de que ele pudesse ser qualificado como diretor, gerente, representante, mandatário, preposto, nem tampouco, que tivesse praticado algum ato com excesso de poder, infração de lei (societária), contrato social ou estatutos. Também, não há nenhum registro de queixa dos sócios ou da sociedade contra atos praticados com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos que se pudesse invocar para responsabilizá-lo pelo pagamento de qualquer crédito tributário devido pela "Uno". O auto de infração é contra a "NJS" e não contra a "Uno". O fato de prestar serviços a uma, não implica em responsabilidade tributária pelas infrações cometidas pela outra, apesar de os sócios da segunda serem responsáveis, como já vimos, pelos atos praticados pela primeira; 11.25 finalmente, o fato de haver declarado ter em moeda, em 31/12/1998, cerca de R$200.000,00, sendo parte em reais (R$ 175.000,00) e outra em dólares (US$ 22.100,00), equivalentes, na época, a R$24.752,00, não pode, nem deve, causar nenhuma espécie. O que deveria causar estranheza seria o fato de o contribuinte possuir o dinheiro e não declarar, e não o fato de havê-lo declarado. Mas a razão é muito simples. O Sr. Aloísio Sandes é portador de cardiopatia grave, conforme documentos constantes do Anexo 02, e já foi, várias vezes, aos EUA para tratamento de saúde, algumas em caráter de urgência. Com receio de que volte a precisar viajar em caráter emergencial, mantinha, por precaução, uma reserva em moeda corrente. Uma parte em dólares e outra em reais. No final de 1998, o saldo em reais estava elevado porque coincidiu com o período em que seu estado de saúde agravou-se, mas, felizmente, teve uma melhora e só voltando aos EUA em 2000 e 2001, conforme documentos constantes do Anexo 03. O fato em si poderia ser objeto de uma investigação nas declarações da pessoa física do Sr. Aloisio, com vistas a averiguar seu aumento patrimonial. Assim, o Sr. Aloísio não comete nenhuma infração tributária ou penal no âmbito destes autos, não tendo, portanto, porque se lhe atribuir qualquer tipo de responsabilidade; 11.26 João Reis Batista dos Santos: contra ele aponta-se o fato de ser testemunha da fiscalizada e de seus sócios junto ao Banco do Brasil e constar como fonte de referências da Empresa junto ao Banco ltaú; o fato de ser sócio da "Travei"; e o fato de ter recebido da "NJS" cheque no valor de R$ 80.000,00. Ora, Emérita Turma, abonar o cartão de autógrafo de uma pessoa, ou de ser fonte de referência em qualquer estabelecimento bancário não significa compactuar com os negócios realizados por essa pessoa. É comum gerentes e subgerentes solicitarem para clientes abonarem um cartão de autógrafo de outro, ou servir de testemunha num contrato de empréstimo, etc. Sabe-se, também, do empenho dos estabelecimentos bancários na abertura de novas contas de depósito, mormente se o correntista declara possuir veículos de luxo importados, como foi o caso. Pode-se 26 f»Pr- .3+ , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES blW-'arf SÉTIMA CÂMARAwrc'S .;Pitst Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 imaginar o empenho do funcionário do banco em consumar a abertura de uma conta tão promissora. Não. Definitivamente isso não é prova suficiente; 11.27 quanto ao fato de ter sido sócio da "Travei", não há referências no auto de negócios realizados entre a "Travel" e a "NJS". Logo, não há porque o sócio da "Travel" responder por operações realizadas pela "NJS". Finalmente, o fato de o Sr. João Reis haver recebido um cheque no valor de R$ 80.000,00 da autuada. Como prestador de serviço da "Uno", acabou conhecendo os Srs Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, que lhe propuseram efetuar alguns depósitos e saques em sua conta bancária. Entre os depósitos efetuados, já levantados pelo fisco, encontrava-se esse cheque emitido pela "NJS". Esse fato em si não o torna responsável pelos débitos da "NJS", não fora assim todas as pessoas que de alguma forma realizaram qualquer operação com a "NJS" deveriam ter sido, também, responsabilizados; 11.28 Marcus Aurélio Sandes Nunes: contra este senhor consta o fato de ser sócio da empresa "Trave!"; o padrão gráfico das assinaturas constantes de cartões de autógrafos e proposta de abertura de conta bancária ser bastante semelhante ao padrão gráfico do Sr. Marcus; depósito no valor de R$ 150,00, em que ele aparece como favorecido; em alguns cheques emitidos pela "NJS" há a observação "conf. Marcus" e em outro cheque consta no verso "Confirmado com Marcus tesoureiro". Quanto ao fato de ter sido sócio da "Travei", repetimos que não há referências no auto de negócios realizados entre a 'Travel" e a "NJS". A alegação de semelhança do padrão gráfico da assinatura do Sr. Marcus e as assinaturas constantes em cartões de autógrafos, para ser considerada, deveria vir respalda com uma prova conclusiva. Na falta desta, a suspeita não deve ser considerada. Não existe depósito, no valor de R$ 150,00, em que o Sr. Marcus aparece como favorecido. O equivoco é evidente. Não é o Sr. Marcus quem aparece como favorecido, mas a própria "NJS". O Sr. Marcus foi apenas o depositário. A Conta creditada é a 295.401-X. (ver cópia do depósito à fl. 280 dos autos). 11.29 alega a autoridade fiscal que, em alguns cheques, há a observação "conf. Marcus" ou "Confirmado com Marcus Tesoureiro". Com efeito, entre as centenas de cheques emitidos ela "NJS" consta no verso de apenas quatro deles "conf. Marcos" e em apenas 1 (um) "Confirmado com Marcos tesoureiro". Note-se que Marcos, nos cinco cheques, está grafado com "o" e não com "u". A autoridade fiscalizadora, por dever de oficio, tem obrigação de ser fiel nas suas transcrições. Essa anotação, em si, não quer dizer quase nada. Em primeiro lugar, não está assinada; em segundo, o Sr. Marcos poderia ser o tesoureiro da agência em que o cheque foi descontado; em terceiro, mesmo que esteja a referir-se ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, essa anotação entre centenas de cheques é pouco relevante; em quarto, mesmo que estivesse caracterizada a condição de Marcus como tesoureiro da "NJS", o que não está, a autoridade fiscalizadora teria de provar que ele, na condição de empregado, agiu com excesso de poder, infração de lei ou contrato social, a teor do que dispõe o art. 135 do CTN; 27 .35)r . . MINISTÉRIO DA FAZENDA itt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA .441.4.1°I> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 11.30 finalmente, contra a Sra. Ângela Isabel Gomes Aguiar, consta o "crime" de ser irmã do Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e companheira do Sr. Aloísio Sandes Santana. O primeiro, por ter morado com ela durante seis meses, quando chegou do interior, e o segundo por residir no mesmo teto numa convivência de mais de sete anos. Se isso é motivo suficiente para que uma pessoa seja responsabilizada com crédito tributário de terceiros, então se mude a lei. O outro fato em que se arrima a fiscalização, para justificar a eleição da Sra. Angela Isabel como responsável, é ela ter sido beneficiária de três cheques nos valores de: R$ 15.000,00, em 02/04/1998, R$ 10.000,00 e R$ 10.000,00, ambos em 15/05/1998 (fls. 283/290). No afã de incriminar a Sra. Ângela, a fiscalização junta duas cópias do mesmo cheque, de R$ 10.000,00, de n° 000158, emitido em 15/05/1998 (fls. 287/290). O depósito de R$ 7.200,00, de fls. 285, foi efetuado na conta 295.401-X, cuja titularidade é da "NJS"; 11.31 assim, a Sra. Ângela somente foi titular de dois cheques entre os milhares de cheques emitidos pela "NJS", e não de três cheques, e um depósito. Esses dois cheques foram depositados em sua conta a pedido do Sr. Aloísio Sandes, seu companheiro, pela venda, à "Uno", de parte dos dólares que sobraram de sua recente viagem aos EUA, ocorrida em 22/02/1998. Bem, se o fato de haver sido beneficiária de dois cheques, no valor de R$ 25.000,00, é motivo para figurar como responsável pelos créditos tributários da "NJS", então o mesmo deveria ocorrer com todas as pessoas cujos nomes constam dos autos e que realizaram operações com a "NJS". De acordo com o critério da fiscalização, todas essas pessoas devem ser arroladas como responsáveis solidários pelo montante do crédito, em atenção ao princípio constitucional da isonomia; c) Conclusão: 11.32 é evidente que a responsabilidade tributária só pode resultar da lei. Que o CTN disciplinou essa matéria no Capítulo V, artigos 128 a 138. Vimos que as hipóteses levantadas pela fiscalização estão sob a regência do art. 135, que limita a responsabilidade tributária aos sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privados, se, e somente se, as obrigações tributárias resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vimos, também, que o STF, seguindo a Doutrina, já assentou que infração de lei não é infração de qualquer lei, mas àquela que diz respeito à economia da sociedade. Vimos, finalmente, que os impugnantes não reúnem as condições estabelecidas pelo art. 135 do CTN. Os atos praticados por eles não configuram as relações jurídicas qualificadas pelo legislador complementar como aptas para suscitar a incidência do art. 135 citado. Destarte, não existe fundamento legal para mantê-los na condição de responsáveis tributários pelo crédito devido pela "NJS"; DO PEDIDO 28 „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ws--4;:-fr SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 11.33 requer seja declarada a improcedência do lançamento e/ou excluídos todos os impugnantes do rol de responsáveis pelo crédito tributário por falta de amparo legal. 12. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 759 a 792. A DRJ proferiu decisão ementada como abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. INFORMAÇÕES AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. O acesso ás informações bancárias por parte do Fisco não configura quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e que passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. LEI ADJETIVA. As leis meramente adjetivas, que apenas instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram quaisquer dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando apenas a atividade do lançamento, são aplicáveis na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que alcancem fatos geradores pretéritos, e diferem das leis materiais, as quais integram o próprio objeto do lançamento. 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA "10 Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nas hipóteses de comunhão de interesses de duas ou mais pessoas na situação em que se traduza o fato gerador, todas essas pessoas, caso tenham concorrido para sua efetiva realização, ressalvadas aquelas cuja participação não reste suficientemente comprovada, devem figurar como sujeitos passivos solidários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. No caso de inexistência ou de falta de apresentação da escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo, fica autorizado o arbitramento do lucro apurado com base no valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/FATURAMENTO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento). 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA ';Prelti)- Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Em recurso de fls. 867 a 885, os contribuintes Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Aloísio Sandes Santana, Marcus Aurélio Sandes Nunes e João Reis Batista dos Santos, aos quais foi atribuída responsabilidade tributária, de forma genérica, reafirmam a argumentação desenvolvida na impugnação e, de forma especifica, se insurgem contra a responsabilidade tributária a eles atribuída. Com relação à responsabilidade tributária os recorrentes argumentam: - "como a autoridade fiscalizadora não encontrou um fundamento para responsabilizar os recorrentes, a autoridade julgadora para justificar a autuação ..., lança mão da hipótese de solidariedade prevista no inciso I, do artigo 124, do CTN." (fls. 869); - "antes de aprofundarmos o seu exame, vejamos o que é o instituto da solidariedade no Direito Civil, tendo em mira o disposto no art. 110, do CTN, segundo o qual "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado..." - "que o artigo 896 do Código Civil de 1916 reza: A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes." - Que, em resumo, a solidariedade não se presume, que tem como fontes exclusivas o contrato e a lei e que a obrigação solidária resulta, necessariamente, de uma coincidência de interesses. Vale dizer, do fato gerador da obrigação devem participar, necessariamente, pessoas que tem um fim comum." - Que a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 somente ocorrerá quando duas ou mais pessoas participarem de uma mesma situação (fato gerador concreto) da qual resulte em renda para elas (renda=interesse comum).; - Que trata-se de auto de infração contra Pessoa Jurídica. Os depósitos foram efetuados pela pessoa jurídica ou por dezenas de pessoas que com ela realizaram negócios, conforme consta dos autos.; 31 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA cc - --• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • tti, ter: -a, SÉTIMA CÂMARAms,-*.;zt Processo no : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 - Que cada depósito realizado, de origem não comprovada, configura uma situação jurídica constitutiva do fato gerador do imposto de renda. Para que se configure a solidariedade pretendida pela autoridade julgadora, seria necessário que estivesse provado nos autos a participação conjunta de todos os recorrentes em cada um dos depósitos efetuados e a renda auferida por cada um deles a cada depósito efetuado, pois, como vimos, em se tratando de imposto de renda, o interesse comum que denota a solidariedade é auferir renda conjunta e simultaneamente à ocorrência do fato gerador do imposto; - Pedem ao final a exoneração do crédito tributário e o afastamento da responsabilidade tributária com relação aos recorrentes. É o relatório. 32 . • . , MINISTÉRIO DA FAZENDA ittr:77, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .4"st SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 VOTO Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator. Os recorrentes foram intimados da decisão de 1 a instância em 17/03/2004 e apresentaram recurso em 16/04/2004, sendo, portanto, o mesmo tempestivo. Nos documentos de fls. 886 a 894 demonstra-se a apresentação bens a arrolar. Assim sendo, deve o recurso ser conhecido. Inicialmente se deve esclarecer que os recorrentes não enfrentam diretamente a decisão de 1 0 instância, afirmando apenas que: ''reafirmamos toda a argumentação desenvolvida na impugnação, que passa a fazer parte integrante deste recurso, e apresentamos o presente recurso face ao enquadramento pretendido pela digna autoridade julgadora". Prestigiando os princípios da ampla defesa e do contraditório, recebo o recurso da forma solicitada, tornando a impugnação parte integrante do mesmo. Na impugnação, os recorrentes insurgem-se contra a utilização da presunção legal trazida pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, trazendo doutrina e jurisprudência contrária à utilização desta presunção pela fiscalização. Neste ponto não cabe razão aos recorrentes, pois é permitido e até mesmo essencial a utilização de presunções pelo fisco, desde que estas estejam previstas em lei, requisito este cumprido no caso concreto. A presunção não transformou o fato movimentação financeira em renda, mas permitiu ao fisco que, havendo movimentação financeira cuja origem não fosse comprovada, concluísse que aqueles depósitos tiveram origem em receita omitida. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a comprovação da origem dos depósitos e não o fazendo, correta a postura do fisco em aplicar o dispositivo legal citado. Com relação ao argumento de que seria ilegal a quebra de sigilo bancário pois a lei 10.174/2001 teria retroagido para atingir fatos anteriores à sua 33 en>"" . . J. MINISTÉRIO DA FAZENDA - = PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,n SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 vigência, também não assiste razão à recorrente. Tratando tal norma de regra procedimental, que explicita poderes da fiscalização, aplica-se o art. 144 do CTN, podendo a nova regra atingir fatos anteriores à sua vigência. O que o sistema jurídico pátrio não permite na área tributária é que a nova regra que traga componentes da regra-matriz de incidência possam atingir fatos pretéritos e isso não ocorreu com a citada lei. Quanto à violação do princípio da capacidade contributiva, também não há como dar razão á recorrente, pois este princípio foi bem aplicado não somente pelo legislador da norma geral e abstrata como também pelo aplicador, criador da norma individual e concreta. No caso, e recorrente está se referindo ao não respeito ao principio pelo aplicador. No entanto, o exaustivo trabalho fiscal buscou justamente o respeito ao principio citado, ao diligenciar no sentido de identificar os reais interessados nos atos praticados pela empresa autuada, que, segundo as provas dos autos teria sido utilizada como interposta pessoa. Quanto ao mérito da atribuição da responsabilidade tributária, deixo para uma melhor análise posterior. Não se insurgindo o contribuinte contra outros pontos do lançamento e não sendo aceitos os argumentos acima citados, pode-se concluir que o lançamento está prefeito no que se refere ao critério quantitativo, restando analisar o aspecto pessoal do mesmo. Importante ressaltar que a fiscalização arbitrou o lucro da empresa autuada, tendo identificado a receita a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto ao critério pessoal, importa salientar que o lançamento foi realizado tendo como sujeito passivo a empresa NJS e tendo os recorrentes como responsáveis tributários. Outros dois responsáveis, Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig não apresentaram recurso. O fisco demonstrou à exaustão que a empresa autuada foi utilizada como interposta pessoa para movimentação de valores que na verdade pertenciam a outras empresas, no caso as empresas Uno, Travel e Winter. Isso foi provado não somente pela inexistência de fato da autuada, mas também como resultado da 34 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 0-`411- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 circularização realizada entre os depositantes e beneficiários de recursos oriundos da conte corrente da fiscalizada. Decidiu-se, então, realizar o lançamento na empresa e responsabilizar pelo pagamento as pessoas físicas que tiveram participação na atividade da empresa (procurador, sócios das empresas Uno, Travel Winter, gerente de fato da Uno). Exposto isso, passo a fazer algumas considerações sobre a posição adotada pelo fisco. Inicialmente, esclareço que não é item essencial de um lançamento tributário a inclusão dos responsáveis, embora seja desejável, pois facilita o trabalho a ser realizado posteriormente pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No entanto, a falta da identificação dos responsáveis não impede que a Procuradoria venha a redirecionar a execução a outras pessoas, desde que tenham praticado os atos relacionados nos artigos 129 a 137 do CTN. O que se quer aclarar é que o lançamento será feito no contribuinte e, não sendo possível a este satisfazer a obrigação tributária, a fazenda poderá incluir outras pessoas na execução, mesmo que estas não constem do lançamento tributário. No caso presente, o fisco decidiu realizar o lançamento na própria empresa, mesmo tendo evidências da interposição de pessoa e, já no lançamento, incluir os responsáveis tributários. Esta inclusão, em nada afeta o lançamento, que se encontra pronto e acabado, pois está provada a ocorrência do fato gerador (por presunção), definida a base de cálculo, a aliquota e estão definidos os sujeitos ativo e passivo. Como o fisco incluiu também os responsáveis e deu ciência do lançamento a estes, toma-se possível abordar também esta questão na decisão. Mas deve ficar claro que a Procuradoria poderá incluir outras pessoas no momento da execução, desde que sejam aquelas previstas no CTN. Com relação ao recorrente Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ficou demonstrado que o mesmo agia como procurador da autuada e que era remunerado para essa atividade. Diferentemente dos sócios formais Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, que demonstraram desconhecer sua "participação" no quadro societário da autuada e que não participaram de qualquer ato de gestão da empresa, o Sr. Luiz Marcelo confessa 35 , MINISTÉRIO DA FAZENDA• --- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 't SÉTIMA CÂMARA 4-; Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 que agia como procurador da empresa e que era remunerado para esta atividade. Se o valor que recebia para exercer tal tarefa era de R$500,00 ou se atingiu R$270.000,00, como demonstrado pela fiscalização, pouco importa para qualificar o comportamento do recorrente. O que foi demonstrado pela fiscalização é que o recorrente era quem movimentava a conta corrente da empresa. Quanto à alegação de que "apenas" assinava os cheques a pedido dos senhores Jorge Luiz e Rafael, em nada altera a responsabilidade pelos tributos e pelos ilícitos praticados. É uma máxima do direito brasileiro de que ninguém alegar o desconhecimento da lei para justificar seu descumprimento, sendo apenas uma causa de redução de pena no direito penal. No caso concreto, trata-se de um jovem, na época com o 2° grau completo, longe, portanto de poder ser considerado desinformado a ponto de ser utilizado de boa-fé em uma trama que movimentou valores tão vultosos. Ficou demonstrado que o Sr. Luiz Marcelo geria a conta bancária da autuada utilizando uma procuração materialmente falsa, pois as assinaturas apostas na mesma não eram dos sócios da empresa, como demonstrado pelos laudos acostados. Diante desses fatos a fiscalização considerou o recorrente como sócio de fato da empresa e, tendo em vista as irregularidades praticadas que configuram violação à lei e ao contrato social da autuada, permitindo que se responsabilize o recorrente pelos tributos e penalidades decorrentes dos atos praticados pela empresa, com participação direta do recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de manter-se a responsabilidade do recorrente Luiz Marcelo pelos tributos e penalidades aplicadas no auto de infração lavrado contra a empresa NJS, considerando-o sócio de fato da mesma e responsável por irregularidades que levam à responsabilidade pessoal do contribuinte. Quanto à atribuição de responsabilidade tributária aos contribuintes Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, embora os mesmos não tenham se pronunciado sobre o lançamento e sobre a atribuição de responsabilidade tributária, em respeito ao principio da verdade material e da necessidade de controle da legalidade dos atos da administração, considero que deve este Conselho se manifestar sobre a questão.Ficou provado nos autos que os contribuintes Jorge 36 ., MINISTÉRIO DA FAZENDA te- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Luiz e Rafael eram os maiores interessados nos atos praticados pela autuada e que utilizavam a mesma para acobertar atos de empresas de titularidade dos dois (Uno e Winter). Também fica evidenciado que eles estavam no comando dos atos praticados pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e que a própria criação da empresa autuada atendeu aos interesses deles e de suas empresas. Assim sendo, correta a posição da fiscalização em identifica-los como sócios de fato da empresa autuada e de atribuir-lhes responsabilidade pelos atos praticados e, como conseqüência, pelos tributos e penalidades lançados. Desta forma, voto no sentido de manter a responsabilidade tributária dos contribuintes Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig. Já com relação ao contribuinte Aloísio Sandes, a quem foi atribuída responsabilidade tributária a situação é diferente. A fiscalização demonstra que o contribuinte respondeu pelo estabelecimento da Winter até 1997 e que ele se relacionava diretamente com os senhores Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, sócios da Uno, que viria a utilizar a conta bancária da autuada para mascarar suas operações próprias. Que também, o Sr. Aloísio nada recebia pelo trabalho na Winter. Que o contribuinte declarou recursos em espécie nos valores de R$35.000,00 em 1997, R$175.000,00 em 1998 e R$215.000,00 em 1999 e que a manutenção desses valores em espécie não era crível. Que foi o Senhor Aloisio quem convidou o Senhor João Reis Batista dos Santos para participar do quadro societário da Travei e que também foi ele quem decidiu encerrar as contas bancárias da Travei, em virtude do grande volume de recursos movimentado nas mesmas. Que a estreita relação do Sr. Aloísio Sandes Santana com os Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig está comprovada, não sendo exagero afirmar que ele era o braço direito daqueles senhores em Salvador. Que a atividade da Winter nesta cidade era conduzida pelo Sr. Aloísio Sandes. Como se observa, embora se faça diversas afirmações sobre o comportamento do Senhor Aloísio, nenhum destes fatos narrados tem ligação direta com as atividades da autuada e também não há elementos de prova de que o citado contribuinte tenha se beneficiado dos atos praticados na autuada. Também não houve motivação para 37 e-3yr No-o• , t . MINISTÉRIO DA FAZENDA As..4. , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ""n 't SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 enquadrar o recorrente como sócio ou responsável pela empresa, nem que tenha exercido qualquer das funções enumeradas nos artigos 134, 135 e 137 do CTN. Assim sendo, embora os fatos descritos pela fiscalização sejam indiciários de que o contribuinte possa ter participado dos atos ilícitos que levaram à autuação, não se mostram esses indícios suficientes para a responsabilização tributária. O afastamento da responsabilidade, no entanto, não impede que a Procuradoria, obtendo provas suficientes, venha a responsabilizar o contribuinte, redirecionando contra ele a execução fiscal. Voto, portanto, pelo afastamento da responsabilidade tributária do Sr. Aloisio Sandes, por falta de provas que permitam enquadra-lo nas situações descritas nos artigos 128 a 137 do CTN. Não merece melhor sorte a responsabilização do recorrente Marcus Aurélio Sandes Nunes pelos tributos e penalidades lançadas contra a empresa NJS. A demonstração de que ele serviu de testemunha das informações cadastrais da autuada junto ao Banco do Brasil; de que o padrão gráfico das assinaturas falsas em nome de Romildo Nascimento de Souza é de semelhança inconteste com a grafia do Sr. Marcus Sandes e que isso poderia ser comprovado por um teste grafotécnico, que não foi realizado porque o Sr. Marcus deixou de responder às intimações que lhe foram encaminhadas; que o Sr. Marcus trabalhou na Uno e que participou do quadro societário da Travei; e que houve um depósito de R$150,00 (fls. 280) que tinha como beneficiário o Sr. Marcus e no entanto a conta corrente era da NSJ, tudo somado, leva a existência de indícios de que o Sr. Marcus possa ter trabalhado na empresa e, até mesmo que tenha tido algum beneficio da atividade da mesma. No entanto, como reconhece a decisão de 1° instância, não foi realizado o exame grafotécnico, ficando prejudicada a ilação de que o recorrente possa ter falsificado as assinaturas do Sr. Romildo, pois, a prova disso seria, necessariamente, o exame. Também me parece insuficiente o fato de ter sido empregado da Uno ou sócio da Travei, pois o presente processo trata da NSJ e não destas. Voto, portanto, no sentido de afastar a responsabilidade tributária do Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, acrescentando a ressalva da possibilidade de sua posterior inclusão pela Procuradoria, se obtiver novas provas. 38 .• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Em relação ao Sr. João Reis Batista dos Santos, a fiscalização afirma que o mesmo assinou, como testemunha, as fichas cadastrais, no Banco do Brasil, das duas interpostas pessoas utilizadas como sócios da autuada (Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves) e que seu nome consta como referência do Sr. Romildo; e que ele trabalhou na empresa Winter e que foi sócio da Travel, de quem a Uno também utilizou contas bancárias para movimentar recursos próprios; e que foi encontrado cheque da autuada na conta bancária do recorrente no valor de R$80.000,00e que esta afirmara (doc. de fls. 676), que essa conta era movimentada pelos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, não sabendo informar a razão do depósito. Embora o Sr. João Reis Batista seja confessadamente um "laranja" dos Srs. Luiz Christ e Rafael e, realmente trabalhou para empresas dos mesmos, não me parece possível atribuir-lhe responsabilidade tributária por débitos da NJS. Vejamos: o fato de ter assinado como testemunha as fichas cadastrais, realmente pode leva-lo a ser investigado pelo crime de falso; por ter trabalhado na empresa Winter e ter sido sócio da Travei, pode levar a indício de que participava dos ilícitos praticados por Luiz Christ e Rafael, mas o único vínculo objetivo com a NJS foi o cheque de R$80.000,00 que, não comprovado que foi devidamente tributado, levaria à tributação da pessoa física do recorrente. No entanto, apenas um cheque, mesmo neste valor, não leva ao beneficiário à responsabilidade tributária, pois, embora haja indícios, faltam provas de que tenha se beneficiado dos fatos atribuídos à autuada e que tenha sido sócio, procurador, gerente ou qualquer das pessoas enumeradas nos artigos 129 a 137 do CTN. Assim sendo, voto pelo afastamento da responsabilidade tributária do Sr. João Reis Batista dos Santos, ressalvado o direito da Procuradoria, havendo novas provas, incluí-lo em posterior execução. Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do lançamento pela aplicação retroativa à Lei Complementar n°: 105/2001 e Lei n°: 10174/01, mantendo integralmente o lançamento tributário mantendo a responsabilidade tributária de Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Jorge Luiz Christ 39enyr • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QW1i-:.1 SÉTIMA CÂMARA '4; ‘41Z7> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Mussumesci e Rafael Lustig e afastando a responsabilidade tributária dos demais citados. Sala das Sessões - DF, em 12 de agosto de 2004. MARCOS RODRIGUES DE MELLO 40 Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1 _0038800.PDF Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1 _0040700.PDF Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.013667/2002-12
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO OU INCENTIVADO (PDV/PDI) - VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO À ADESÃO - NÃO INCIDÊNCIA - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA - JUROS MORATÓRIOS - TAXA SELIC - TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA - As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Assim, reconhecida a não incidência tributária, inexiste fato gerador do imposto, razão pela qual no cálculo da restituição do imposto de renda na fonte retido indevidamente, sobre estas verbas indenizatórias, deve ser agregada a atualização monetária desde a data da retenção indevida ou maior até 31/03/95, e após essa data, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-19.781
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Nelson Mallmann

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Assim, reconhecida a não incidência tributária, inexiste fato gerador do imposto, razão pela qual no cálculo da restituição do imposto de renda na fonte retido indevidamente, sobre estas verbas indenizatórias, deve ser agregada a atualização monetária desde a data da retenção indevida ou maior até 31/03/95, e após essa data, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ MÁRIO DOS SANTOS FILHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que negava provimento ao recurso. LEILA MARI SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE e c49 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 ett EL 70 - FORMALIZADO EM: 19 MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ALBERTO ZOUVI (Suplente convocado) e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR., 2 sy".. MINISTÉRIO DA FAZENDA •-• 'V aVil— t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Recurso n°. : 136.093 Recorrente : LUIZ MÁRIO DOS SANTOS FILHO RELATÓRIO LUIZ MÁRIO DOS SANTOS FILHO, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n.° 070.466.005-97, residente e domiciliado na cidade de Salvador, Estado da Bahia, à Rua 24 de Janeiro, n° 10— Bairro Roma, jurisdicionado a DRF em Salvador - BA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 16/18, prolatada pela Terceira Turma da DRJ em Salvador - BA, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 20/21. O requerente apresentou através da retificação da declaração de IRPF/1997, pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica, a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). A DRJ em Salvador BA apreciou e concluiu que o pedido de restituição era procedente, porém, a SEORT da DRF em Salvador concluiu que o valor a ser restituído só seria acrescido da taxa SELIC a partir do mês de maio de 1997 (data limite para apresentação da declaração de ajuste anual relativo ao exercício de 1997). 3 e bn ‘4i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 lrresignado com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, tempestivamente, em 10/04/03, a sua manifestação de inconformismo de fls. 12/13, solicitando que seja revisto a decisão para que seja declarado procedente o pedido de correção pela taxa SELIC desde do pagamento indevido do tributo, com base, em síntese, no argumento que não concorda com a correção monetária a partir da data de entrega da declaração de ajuste anual e sim a partir da data da rescisão contratual que ocorreu em 30/09/96. Após resumir os fatos constantes do pedido de revisão do cálculo da incidência de correção monetária a ser aplicada a partir da data da retenção do imposto de renda na fonte, sobre o valor restituído em decorrência da caracterização da verba indenizatória recebida, quando da adesão ao Programa de Demissão Voluntária, como rendimento tributável e as razões de inconformismo apresentadas pela requerente a Terceira Turma da DRJ em Salvador — BA, resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a Decisão da DRF em Salvador - BA, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que a argumentação do interessado, parte da premissa de que não haveria ocorrido a hipótese de incidência tributária. Não ocorrendo o fato gerador, o indébito não se caracterizaria com antecipação na fonte do imposto de renda, mas sim como pagamento indevido. Sobre a sua restituição incidiria a taxa SELIC a partir da data do pagamento, conforme prevê o artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250, de 1995. Não se submeteria assim ás regras específicas para a compensação do imposto de renda na fonte de pessoa física, ou seja, através da declaração anual de ajuste; - que esta premissa não é válida, pois não leva em conta a natureza jurídica das normas administrativas que autorizaram a revisão dos lançamentos, no caso de PDV; es-7 4 tw" `-• . ;95". MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 - que em decorrência de decisões definitivas das Primeira e Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, por meio do despacho de 17 de setembro de 1998, publicado no Diário Oficial da União de 22 de setembro de 1998, baseado no Parecer PGFN/CRJ n° 1278/1998, devidamente aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, dispensou a interposição de recursos e determinou a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não- incidência do imposto de renda na fonte sobre verbas indenizatórias referentes a programas de demissão voluntária: - que o valor retido sobre o incentivo à participação em PDV não deixou forrnalmente de submeter-se às normas relativas ao imposto de renda na fonte, especialmente no que se refere à forma de sua restituição através da declaração de ajuste anual. Além disso, a Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, em seu artigo 6°, prevê que a restituição do imposto de renda da pessoa física se fará através da declaração de ajuste anual. Deste modo, o imposto retido deve ser compensado na declaração e, em obediência às regras específicas, restituído com o acréscimo de juros SELIC calculados a partir da data limite para entrega da declaração; - que firmando este entendimento no âmbito administrativo, a Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02, de 02 de julho de 1999, dispõe, em seu item 9, que, no caso do PDV, a restituição será acrescida de juros SELIC, correspondentes ao período compreendido entre o primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para entrega tempestiva da declaração até o mês anterior ao da liberação da restituição, e de 1% no mês em que o recurso for colocado no banco à disposição do contribuinte. 5 • 4 s 4r. h. 4) 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA afl i jo:tf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/06/03, conforme AR constante às fls. 19, e, com ela não se conformando, o requerente interpôs, em tempo hábil (12/06/03), o recurso voluntário de fls. 20/21, no qual demonstra irresignação contra a decisão acima mencionada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça de manifestação de inconformidade. É o Relatório. 6 • ji 11. 0.1 '• 'e. MINISTÉRIO DA FAZENDA wrzej:Str, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. Discutem-se, nestes, autos, tão-somente, o termo inicial e final de incidência da taxa referencial SELIC, incidente sobre o imposto de renda na fonte retido indevidamente sobre as importâncias pagas a título de indenizações, nos casos de demissões voluntárias, em razão de incentivo à adesão a programas de redução de quadro de pessoal. Da análise dos autos do processo se verifica que o interessado requer que a restituição do imposto de renda que incidiu sobre as verbas de incentivo a participação em programa de demissão voluntária seja paga com o acréscimo da taxa SELIC a partir da data da retenção do imposto na fonte e não da data prevista para a entrega da Declaração de Ajuste Anual, conforme entendeu a autoridade julgadora em Primeira Instância. Ora, é pacífica a jurisprudência administrativa que a partir de 1° de janeiro de 1996, a restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior da restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA we4“2.*:1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,flyào.). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Entendimento este consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 1999, nos seguintes dispositivos: "Art.894. O valor a ser utilizado na compensação ou restituição será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente (Lei n° 9.250, de 1995, art. 39, § 4°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 73): I — a partir de 1° de janeiro de 1996 até 31 de dezembro de 1997, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês que estiver sendo efetuada; II — após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; Art. 895. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei n°8.383, de 1991, art. 66, § 2°, e Lei n°9.069, de 1995, art. 58). § 1° Entende-se por recolhimento ou pagamento indevido ou a maio aquele proveniente de: I — cobrança ou pagamento espontâneo de imposto, quando efetuado por erro, ou em duplicidade, ou sem que haja débito a liquidar, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." 8 je4ilÀ MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘1").„,- • .(1; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Como se depreende do texto legal acima, a obrigatoriedade da apresentação da Declaração Retificadora para solicitar a restituição do imposto de renda retido indevidamente, nada mais foi que um mecanismo utilizado pela Secretaria da Receita Federal e não opção do requerente, razão pela qual não procede o argumento de que o presente processo se trata de imposto apurado em declaração de ajuste anual. É de se ressaltar, que ao determinar a revisão do lançamento à própria Secretaria da Receita Federal reconheceu que o imposto de renda retido sobre o valor recebido a título de indenização por adesão ao Programa de Demissão Voluntária era indevido. Ora, se o imposto é indevido por dedução lógica ele é indevido desde o momento que foi recolhido para os cofres da União. Inadmissível a tese defendida pela autoridade julgadora de Primeira Instância de que este imposto se tomou indevido por ocasião da declaração anual. Além do mais, a legislação de regência prevê atualização monetária e juros moratórios sobre débitos vencidos, desde a data do vencimento do tributo, nada mais lógico e racional que seja dada ao contribuinte idêntica prerrogativa por uma questão de justiça. Nessa linha de raciocínio, não há dúvidas que se o rendimento, por expressa disposição legal, não se sujeitar à retenção ou na declaração de rendimentos, o valor do imposto indevidamente retido deverá ser restituído àquele que, indevidamente, teve seu patrimônio desfalcado, acrescido dos juros SELIC. Como também não há dúvidas, que os rendimentos tributáveis, são passíveis de pagamento de imposto de renda, ainda que possam gerar restituição por '" 7 .. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA •L'Aid." PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t..;-94,7 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 isenção quando da apresentação da declaração de ajuste anual. Porém, as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Assim, em casos de retenção indevida, ao valor da restituição do imposto de renda na fonte retido indevidamente, sobre estas verbas indenizatórias, deve ser agregada a atualização monetária desde a data do pagamento indevido ou maior que o devido até 31/03/95, e após essa data, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Assim, nos termos do artigo 39 § 3°, da Lei n.° 9.250/95 e Parecer AGU GQ96, de 11/01/96, o valor da restituição pleiteada, até o limite da retenção do imposto incidente sobre o valor da indenização decorrente da demissão incentivada, deve ser corrigido desde a data do pagamento indevido. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito à atualização do imposto de renda retido na fonte, relativo ao PDV, a partir da data do pagamento/retenção indevido, cujo valor será apurado na execução do presente acórdão. Sala das Sessões - DF, em 29 de janeiro de 2004 . N S-e. CriA N Nr7 10 Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1

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