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Numero do processo: 13048.000084/00-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2000
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de atualização monetária do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164)
Numero da decisão: 9303-004.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso do contribuinte e, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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BASE DE CÁLCULO Recorrente XINGULEDER COUROS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2000 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Por meio do especial aviado, o sujeito passivo pretendeu contestar, na íntegra, decisão da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara que negara provimento ao seu recurso voluntário. Do relatório do processo elaborado para aquela decisão extraio A recorrente acima protocolou em 19/09/2000 o pedido de ressarcimento de IPI, no valor de R$ 70.835,10 (setenta mil oitocentos e trinta e cinco reais e dez centavos), referente ao período de 1° de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2000, cumulado com pedidos As fls. 170/174, protocolados nas datas de 28/09/2000 e 09/11/2000, visando A compensação de débitos vencidos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins). Posteriormente foi apensado a este processo o de n° 10675.002332/200210, protocolado em 05/09/2002, visando A compensação de débitos de IRRF. Analisados os pedidos, a DRF em Santa Maria, RS, deferiu, na integra, o valor solicitado, conforme relatório de verificação fiscal e despacho decisório A fl. 169, datado de 06/11/2002. Em recurso voluntário, o sujeito passivo postulou a atualização monetária pela Selic do seu direito creditório, tendo como marco inicial a data de protocolo do seu pedido e a não inflição de acréscimos moratórios aos débitos que quis compensar. Denegados, foram todos objetos do recurso especial. Ele somente foi admitido, no entanto, quanto à pretendida incidência da taxa selic, mesmo nada tendo sido posteriormente acrescido ao que já fora deferido pela DRJ. Sobre ela, a decisão, prolatada em 2009, ratificou a distinção entre ressarcimento e restituição. Como paradigma, apresentou decisão com a seguinte ementa Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 13048.000084/0097 Acórdão n.º 9303004.636 CSRFT3 Fl. 3 3 5) CORREÇÃO MONETÁRIA 0 instituto da correção monetária em relação a tributos e contribuições deixou de existir a partir de 01.01.95, nos termos dos artigos 5º e 6° da Lei nº 8.981/95, a partir de quando os mesmos deixaram de ser apurados em UFIR e passaram a ser apurados em reais. TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso parcialmente provido." É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido na medida em que tanto o paradigma quanto o recorrido são anteriores à decisão do STJ no Resp 993.164 e foram ambas prolatadas na vigência de regimentos internos que não exigiam tal aplicação como hoje exige. Conheço, pois, do recurso. Mas a ele nego provimento. Com efeito, a questão em discussão foi definitivamente enfrentada no Resp acima mencionado, de observância obrigatória pelos Conselheiros membros nos termos doa rt. 62 do atual RICARF. Reproduzoo, como manda o Regimento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO Fl. 1916DF CARF MF 4 DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 13048.000084/0097 Acórdão n.º 9303004.636 CSRFT3 Fl. 4 5 jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não Fl. 1918DF CARF MF 6 cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seus termos, portanto, não há, de ordinário, direito à "atualização monetária" de créditos escriturais de IPI, somente passando a ser ela devida se oposta resistência infundada por parte da administração. Como já dito, no presente caso, o ressarcimento postulado foi integralmente deferido desde a DRF, nenhum óbice tendo sido a ele erigido por parte da Administração. Voto, assim, por negar provimento ao recurso do contribuinte. Júlio César Alves Ramos Fl. 1919DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001201/2010-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Portanto, ausente a comprovação da divergência jurisprudencial, não deve ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9303-005.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Portanto, ausente a comprovação da divergência jurisprudencial, não deve ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Portanto, ausente a comprovação da divergência jurisprudencial, não deve ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 12 01 /2 01 0- 48 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 15586.001201/201048 Acórdão n.º 9303005.283 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3301002.061, de 25/09/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência que o julgador considerar prescindível ao deslinde do litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor da Cofins, apurado no regime da não cumulatividade em relação ao 3º trimestre de 2008. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 15586.001201/201048 Acórdão n.º 9303005.283 CSRFT3 Fl. 4 3 Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade legal de aproveitamento de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação aos custos/despesas com serviços de desestiva e despachante utilizados na aquisição, por meio de importação, de matériasprimas destinadas ao uso do fabricante. O recurso especial foi admitido, de forma parcial, somente em relação a esta matéria, por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF e confirmado por meio do Despacho de Reexame assinado pelo Presidente da CSRF. A matéria não admitida referese à possibilidade de aproveitamento extemporâneo dos créditos acumulados da Cofins. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou tempestivas contrarrazões, nas quais pede o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e merece ser apreciado quanto aos demais aspectos de admissibilidade. Conhecimento do recurso especial Em suas contrarrazões o contribuinte defende o não conhecimento do recurso calcado em duas razões. Primeiro que o paradigma indicado não serviria para comprovar a divergência jurisprudencial e, segundo que no recurso especial, a Fazenda Nacional não efetuou a demonstração analítica das teses divergentes apontadas. No que tange à demonstração analítica, assim dispõe o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, cuja redação em nada difere do Regimento Interno anterior. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 15586.001201/201048 Acórdão n.º 9303005.283 CSRFT3 Fl. 5 4 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...) Pois bem, não vejo razão a este argumento do contribuinte. Embora de maneira suscinta, o recorrente indicou o acórdão paradigma e apontou com clareza o ponto focal da divergência entre os dois. Após destacar trechos da ementa do paradigma que estariam em desacordo com o acórdão recorrido, consta ainda a seguinte análise transcrita do recurso especial: (...) Ressaltese que a tese em discussão nos acórdãos paradigma e recorrido é exatamente a mesma, qual seja, quais itens podem ser considerados como insumos para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo, sendo que a decisão a quo considerou as despesas com desestiva/despachante como insumo, enquanto o acórdão paradigma afastou a referida interpretação e, por não se aplicar diretamente no processo produtivo, afastaram o crédito decorrente de despesas semelhantes. (...) Quanto à alegação de que o acórdão paradigma apresentado não serve para comprovar a divergência jurisprudencial, o contribuinte afirma que no acórdão paradigma não foi enfrentada a matéria referente à tomada de créditos da Cofins não cumulativa sobre serviços de desestiva (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem de matérias primas no armazém alfandegado). De fato não há no acórdão paradigma a discussão sobre aproveitamento de créditos de forma específica para a atividade citada. Só este fato, no meu entendimento, não seria suficiente para não conhecer do recurso especial. Defendo, nas situações de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, que não há necessidade da divergência ser específica aos itens glosados, bastando para tanto que os acórdãos, recorrido e paradigma, divirjam frontalmente quanto ao conceito de insumos adotados de forma que, adotando a tese do Fl. 681DF CARF MF Processo nº 15586.001201/201048 Acórdão n.º 9303005.283 CSRFT3 Fl. 6 5 paradigma seria impossível a concessão ou não concessão, conforme o caso, do crédito então glosado. Porém, no Acórdão nº 3201000845, apresentado como paradigma, não há definitivamente o enfrentamento da matéria específica, objeto do recurso especial, e também não há a adoção de uma tese divergente suficiente para contrapor a tese aplicada no acórdão recorrido. Observem que este fato foi detectado já no despacho de admissibilidade do recurso especial, do qual transcrevo excertos relevantes a esse respeito. (...) Constatase no acórdão paradigma que tanto a relatora quanto o redator designado afastam a definição de insumo pela legislação do IPI como aplicável à sistemática da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Concluiu a relatora: “os conceitos encontrados no IPI não são suficientes, portanto, para abarcar todos os custos que poderiam gerar crédito”, afastando, de certo modo, as disposições das instruções normativas que se utilizaram de elementos do IPI. Porém, ao tratar especificamente de alguns créditos, a relatora retoma as disposições das IN SRF 247, de 2002 e 404, de 2004, para lastrear a glosa: (...) Verificase que há no paradigma apresentado votos vencedores afastando o conceito de insumo lastreado na legislação do IPI e do IRPJ e, paradoxalmente, há tese no sentido de aplicação do conteúdo das IN SRF nº 247, de 2002 e nº 404, de 2004, as quais transcrevem parte do conceito de insumo trazido no Parecer Normativo nº 65, de 1979 (que trata do IPI). Por sua vez, o Parecer Sefis nº 83, de 2010, fundamentou a glosa dos créditos sobre os serviços de desestiva e despachante por os considerar serviços não enquadrados no conceito de insumo, de acordo com o art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833, de 2003 e o art. 8º, §4º c/c §9º da IN SRF 404, de 2004, que um dos dispositivos legais utilizados no paradigma para fundamentar a glosa de serviços de manutenção predial e de construção civil. Destarte, dada a existência de julgamento no paradigma glosando créditos com fundamento na mesma legislação utilizada no Parecer Sefis nº 83, de 2010, que fundamentara a glosa de desestiva/despachante em contraposição à decisão recorrida que afastou a referida glosa, considerase comprovada a divergência alegada. (...) Da leitura do acórdão paradigma, não é possível extrair a adoção de uma tese uniforme que, ao aplicála, seria impossível utilizar o entendimento constante do acórdão recorrido de que a legislação da Cofins permitiria o aproveitamento de créditos da não cumulatividade sobre os serviços de desestiva/despachante utilizados na importação de matériasprimas. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 15586.001201/201048 Acórdão n.º 9303005.283 CSRFT3 Fl. 7 6 Não concordo com o raciocínio perpetrado no Despacho de Exame de Admissibilidade ao buscar no Parecer Sefis nº 83/2010 os mesmos fundamentos utilizados no paradigma. Segundo consta, referido parecer deu entendimento quanto à impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos aos serviços de desestiva/despachante com os mesmos fundamentos da glosa mantida no acórdão paradigma em relação a análise dos itens serviços de manutenção predial e de construção civil. Não é possível fazer esta ligação, primeiro porquê no paradigma não se faz qualquer referência ao Parecer Sefis nº 83/2010, não se podendo dizer que ele tenha sido utilizado para a manutenção da glosa, segundo porque este parecer não consta dos presentes autos, desconhecendo este relator o seu conteúdo, e terceiro porquê a divergência deve ser analisada à luz do que foi decidido no paradigma, não sendo cabível fazer ilações a elementos estranhos aos autos. Diante do exposto, em que pese este relator entender não ser possível o aproveitamento dos créditos da não cumulatividade em relação aos serviços de desestiva/despachante aplicados na importação de matériasprimas, a recorrente não logrou demonstrar a existência de divergência jurisprudencial na interpretação da lei tributária. Por esta razão, voto pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903345/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.986
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 45 /2 01 1- 77 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.903345/201177 Acórdão n.º 3302003.986 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.513. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.903345/201177 Acórdão n.º 3302003.986 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.903345/201177 Acórdão n.º 3302003.986 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.903345/201177 Acórdão n.º 3302003.986 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.903345/201177 Acórdão n.º 3302003.986 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.721265/2015-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ERRO NA DIRF.
Deve ser cancelada a exigência fiscal de omissão de rendimentos quando as provas dos autos comprovam o erro da fonte pagadora na apresentação da DIRF.
Numero da decisão: 2202-003.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ERRO NA DIRF. Deve ser cancelada a exigência fiscal de omissão de rendimentos quando as provas dos autos comprovam o erro da fonte pagadora na apresentação da DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 12 65 /2 01 5- 29 Fl. 83DF CARF MF 2 Foi lavrado contra o contribuinte CLOVIS SPIANDORELLO Notificação de Lançamento (fls. 43/47), em virtude de uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 8.554,03, decorrente de aluguéis. A infração foi apurada na revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF do exercício de 2013, anocalendário 2012, quando foram identificadas inconsistências entre os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do IRPF e aqueles declarados pela fonte pagadora. O autuado apresentou impugnação tempestiva alegando que os valores foram indevidamente declarados pela fonte pagadora, uma vez que declarou o valor de R$ 8.554,03 como recebido de pessoa física, conforme contrato de locação anexo à impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) DRJ/REC julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS BASE DIRF. É de se manter a omissão de rendimentos, quando não comprovado nos autos que houve erro na informação quando da elaboração da declaração de ajuste anual. O Contribuinte foi cientificado da decisão em 05/10/2015, por via postal (A.R. à fl. 62), tendo interposto recurso voluntário em 23/10/2015 (fls. 64/77), no qual alega o seguinte: a) A DIMOB entregue pela administradora de imóveis TRENTON em 28/02/2013, com informações do locatário Paulo Sergio D Elaqua, está incorreta; b) foi efetuada DIMOB retificadora declarando corretamente o locatário Igreja Universal do Reino de Deus. Anexa ao recurso a DIMOB retificadora, cópia do contrato de locação residencial e cópia do Demonstrativo para Declaração do Imposto de Renda. É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Conselheiro Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. Tratase de Notificação de Lançamento contra o contribuinte CLOVIS SPIANDORELLO, em virtude de uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 8.554,03, decorrente de aluguéis. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13839.721265/201529 Acórdão n.º 2202003.888 S2C2T2 Fl. 84 3 O Recorrente alegou que a DIMOB entregue pela administradora de imóveis TRENTON em 28/02/2013, com informações do locatário Paulo Sergio D Elaqua, está incorreta, pois na realidade o correto seria informar como locatária a Igreja Universal do Reino de Deus, conforme DIMOB retificadora. Foram anexados ao recurso a DIMOB retificadora, cópia do contrato de locação residencial e cópia do Demonstrativo para Declaração do Imposto de Renda, sendo que os dois últimos já haviam sido apresentados por ocasião da impugnação. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Dessa forma, os documentos trazidos aos autos pelo Recurso Voluntário devem ser acolhidos neste caso. Pela análise da documentação acostada aos autos, concluise que, de fato, o valor tido como omitido na declaração de ajuste anual do Contribuinte, decorrente do recebimento de aluguéis da Igreja Universal do Reino de Deus, no valor de R$ 8.554,03 foi realmente declarado como recebido de pessoa física, por equívoco. Vêse que o Contribuinte foi levado a erro por causa das informações que lhe foram passadas pela empresa que administra seus imóveis, a TRENTON, que informou que o locatário do imóvel seria Paulo Sergio D Elaqua, CPF 016.144.73846, conforme documento de fl. 30 e DIMOB apresentada (fl. 56). Posteriormente, a própria empresa TRENTON reconheceu o erro, apresentando DIMOB retificadora (fl. 66). Observase ainda que o total líquido declarado na DIMOB, R$ 49.025,69, após a dedução da comissão de corretagem, corresponde ao valor total declarado pelo Contribuinte como recebido de aluguéis recebidos de pessoas físicas. Dessa forma, entendo que os valores lançados como omissão de rendimentos foram realmente declarados pelo Contribuinte, não se sustentando o lançamento fiscal. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. Fl. 85DF CARF MF 4 Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008344/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2001 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/02/1006 a 28/02/2006
OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. OMISSÃO EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Acolhem-se os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3201-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
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CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. OMISSÃO EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Acolhemse os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 83 44 /2 00 7- 11 Fl. 2142DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão n° 3201 002.310, de 24/08/2016, que foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/02/1006 a 28/02/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIFERENÇA APURADA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO/PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constituise de ofício a diferença do PIS entre valores escriturados e confessados em DCTF. RETORNO DE DILIGÊNCIA. Não há como reconhecer neste momento processual, saldo de crédito do PIS, desacompanhados de comprovação/documentos, à época da apuração. Recurso a que se nega provimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário. Versa o presente processo onde foram constatadas divergências entre os valores escriturados para o PIS, e os valores confessados em DCTF. Discutese nos autos, dentre outros, a base de cálculo do PIS. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente a impugnação apresentada pela empresa, exonerando alguns valores, conforme tabela no final do voto do acórdão da primeira instância. Ou melhor: 1) reconheceu a decadência quanto aos lançamentos referentes aos períodos de apuração de 05/2001 a 08/2002; observando que a ciência do auto de infração ocorreu em setembro de 2007, tendo em vista pagamentos nesse período, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN; e 2) considerou o pagamento superior ao valor declarado em DCTF nos períodos de apuração de 06/2005, mantendo o valor principal lançado, porém exonerando a multa de ofício proporcionalmente à parcela paga (conforme orientação da Solução de Consulta Interna de n° 8/2007) (e com recomendação da alocação dessa parcela paga ao crédito tributário mantido). 3)Bem como, considerou os valores de PIS pagos e declarados em DCTF, exonerando parcialmente os valores lançados relativos aos períodos de apuração de 12/2002, 04/2003, 05/2003 e 06/2003. (conforme comprovantes de recolhimentos que a empresa anexou). O sujeito passivo apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando vícios (omissão, contradição e obscuridade) a serem sanados, de forma sintética, da seguinte forma ao acórdão ora recorrido: Desse modo, deve ser afastada a exigência relativa à contribuição para o PIS e à Cofins contida nos autos, porquanto relativas a receita financeira não insertas na base de cálculo pela recorrente, exatamente por entender Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.829 S3C2T1 Fl. 2.143 3 inconstitucional o comando legal que determinava a tributação de tal parcela. Portanto, temse por inquestionável e indubitável que as receitas financeiras jamais poderiam ser tributadas pelo PIS/COFINS, pelo que o o v. acórdão de fls. deve ser revisto, para cancelar por completo o auto de infração objurgado, nos termos acima lançados" (grifado no original). De seu turno, o v. acórdão ora embargado passou ao largo destes vastos argumentos, o que justifica a oposição dos presentes embargos, para que tal omissão seja sanada. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a Decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Ressaltase que, quando da análise dos referidos arestos, o Presidente desta Turma Ordinária admitiu os aclaratórios interpostos e portanto deles se toma conhecimento. A embargante, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, argumenta omissão, contradição e/ou obscuridade no acórdão, como relatado acima, a fim de serem excluídas as receitas financeiras do Auto de InfraçãoAI, tendo em vista o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, por conta da inconstitucionalidade declarada Pelo STF em sede de Recurso Extraordinário, quando argumenta que não foi analisado no acórdão ora embargado essa matéria. Inicialmente, entendese por omissão o vício decorrente da falta de alguma declaração que a decisão deveria abarcar. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. Por sua vez, contradição que autorizaria o cabimento de embargos de declaração é aquela existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão em discussão. Fl. 2144DF CARF MF 4 Para entendimento do julgamento do acórdão embargado, é salutar relembrar que o mesmo versa sobre lançamento de ofício pela falta/insuficiência de recolhimento do PIS, tendo em vista divergências entre os valores escriturados para o PIS, e os valores confessados em DCTF. Discutese nos autos, dentre outros, a base de cálculo do PIS. Como relatado, a Delegacia de Julgamento julgou parcialmente a impugnação apresentada pela empresa, exonerando alguns valores, conforme tabela no final do voto do acórdão da primeira instância. Ou melhor: 1) reconheceu a decadência quanto aos lançamentos referentes aos períodos de apuração de 05/2001 a 08/2002; observando que a ciência do auto de infração ocorreu em setembro de 2007, tendo em vista pagamentos nesse período, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN; e 2) considerou o pagamento superior ao valor declarado em DCTF nos períodos de apuração de 11/2004 e 06/2005, mantendo o valor principal lançado, porém exonerando a multa de ofício proporcionalmente à parcela paga (conforme orientação da Solução de Consulta Interna de n° 8/2007) (e com recomendação da alocação dessa parcela paga ao crédito tributário mantido). 3)Bem como, considerou os valores de PIS pagos e declarados em DCTF exonerando parcialmente os valores lançados relativos aos períodos de apuração de 12/2002, 04/2003, 05/2003 e 06/2003 (conforme comprovantes de recolhimentos que a empresa anexou). No entanto, em relação ao tema em análise, observase o seguinte, no item BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA, à efl. 1836, do voto da decisão de piso, que transcrevo para fins de esclarecimento: A impugnante alega que o autuante considerou como base de cálculo do PIS o próprio saldo da conta contábil passiva de PIS a pagar, sem considerar todos os ajustes que deveriam ser feitos antes do pagamento. Alega ainda que recolheu os valores corretamente, após aplicar a alíquota prevista (0,65% até março de 2003 e 1,65% a partir da Lei n° 10.637/02) sobre a receita bruta da empresa, sendo inconsistente o auto de infração. Todavia, a impugnante deixou de apresentar o essencial neste ponto, isto é, a indicação e a comprovação dos alegados "ajustes" que teriam sido feitos antes do pagamento. A documentação anexa à impugnação se resume a cópias dos balancetes analíticos dos períodos de dezembro de cada ano, que não se prestam a evidenciar as bases de cálculo mensais do PIS, muito menos se pode inferir, a partir de tais balancetes, quais seriam os alegados "ajustes" nos valores de PIS a recolher. Ou seja, não basta alegar que teriam havido ajustes não considerados pelo autuante, mas deve a interessada comprovar as alegações com meios de prova idôneos, nos termos dos artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235/1972. É assente em direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A impugnante afirma ainda que, tendo calculado o PIS sobre a receita bruta, teria recolhido até mais tributo do que o devido, visto que o Supremo Tribunal Federal declarou, através do RE 3460846, a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao entender que as contribuições sociais incidiriam apenas sobre o faturamento. Registrese, todavia, que a contribuinte não é parte da citada ação judicial. Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.829 S3C2T1 Fl. 2.144 5 Até a presente data, o STF só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes, como pretende a contribuinte. De acordo com o art. 1.0, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. Portanto, descabe a afirmação da impugnante de que teria recolhido PIS a maior que o devido, em face da suposta inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998. Constatouse que a DRJ acolheu a questão prejudicial de incompetência relacionada à declaração de inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no entanto, enfrentou o mérito quando comentou que: a impugnante deixou de apresentar o essencial neste ponto, isto é, a indicação e a comprovação dos alegados "ajustes" que teriam sido feitos antes do pagamento. Prossegue: A documentação anexa à impugnação se resume a cópias dos balancetes analíticos dos períodos de dezembro de cada ano, que não se prestam a evidenciar as bases de cálculo mensais do PIS, muito menos se pode inferir, a partir de tais balancetes, quais seriam os alegados "ajustes" nos valores de PIS a recolher. Como posto, no relatório do acórdão embargado, diante dos fatos relevantes, a turma entendeu em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para prestar algumas explicações, nos termos abaixo (primeira Resolução): – Esclareça se a contribuinte apurou o PIS pela modalidade não cumulativa no período lançado e sobre qual período? 2 – Se positivo o item anterior, deve ser verificada a correção dos procedimentos adotados pela recorrente na apuração PIS, confrontando com os balancetes e, principalmente, analisando o direito aos créditos previstos na legislação específica. No caso de verificação de alguma irregularidade, dar parecer conclusivo sobre seu motivo. 3 – Por fim, deve ser esclarecido se a autoridade lançadora abateu estes créditos quando da apuração do tributo lançado. Assim como, através da segunda Resolução, em que pese a resposta da primeira diligência, foram solicitados outros esclarecimentos: 1 – A autoridade preparadora validou os créditos pretendidos e realizados de forma extemporânea? Se negativo, favor verificar qual o montante devido de crédito e o motivo do indeferimento; 2 – Em se utilizando os créditos apurados extemporaneamente, qual o valor remanescente do auto de infração? Fl. 2146DF CARF MF 6 3 – Informar se foram também tributadas as parcelas informadas na petição de fls. 1183 e, caso positivo, informar a motivação desta tributação: Transcrevese o voto embargado, relativamente ao resultado da diligência e conclusão do mesmo: Como relatado, o processo foi convertido em diligências, que das respostas das demandas (efls. 35/37 e 2042/2044), extraí alguns trechos, abaixo: .... Diligência Fiscal autorizada pelo MPF D 0510100 2011 00805 onde o contribuinte foi intimado a entregar documentos necessários a auditoria fiscal, onde se concluiu que dos valores a pagar do PIS lançados na contabilidade, o contribuinte quer agora abater créditos do PIS não contabilizados na época de apuração, ou seja, apurados créditos extemporâneos do PIS devido à revisão tributária efetuada por auditoria externa, pretende por esta via processual utilizar os saldos remanescentes de créditos do PIS. Cabe observar que a forma de utilização de créditos do PIS está disciplinada na IN RFB n° 900/2008 e alterações posteriores, onde deverão ser observadas as regras para utilização destes créditos e o momento de utilização, já que em vários períodos ocorreu a prescrição, pois foram apurados após cinco anos do período de apuração correspondente. ........ Foi feita a informação que a utilização dos créditos do PIS relativos a não cumulatividade devem seguir as regras de compensação previstas na legislação tributária. A lei faculta ao contribuinte na apuração do PIS abater créditos gerados por suas operações. Acontece que tais créditos foram apurados de forma extemporânea e após a autuação, portanto não devem ser utilizados na apuração. ........ Constam no processo planilhas de apuração efetuadas pelo contribuinte. Os valores remanescentes do auto de infração após o acórdão da DRJ constam na planilha em anexo. ...... (a) venda de peças sujeitas à incidência monofásica (tributadas em etapa anterior a comercialização art. 10 da Lei n° 10.147/00 c/c art. 1 0, § 30, III, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03); (b) venda de caminhões, também tributadas pela alíquota zero (0) na operação levada a efeito pela empresa, pois sujeitos à substituição tributária em etapa anterior (art. 10 da Lei n° 10.147/00 c/c art. 1 0, § 3o, III, das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03); (c)descontos incondicionais, não sujeitos à contribuição (art. 1 0, § 30, V, 'a', das Leis n" 10.637/02 e 10.833/03); e, Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.829 S3C2T1 Fl. 2.145 7 (d)venda de ativo imobilizado, tampouco tributada (art. 1 § 30, VI, da Lei n" 10.637/02 e art. 1 0, § 30, II, da n° 10.833/03). Resposta Intimado por duas vezes o contribuinte não indicou quais as Notas Fiscais que deram causa a tributação indevida. Concluímos, informando que entendemos que não foi constatado nenhum fato que altere os valores lançados mantidos na DRJ/SDR. Verificase, inicialmente, que a própria fiscalização com base na documentação apresentada, informa queevidenciam créditos do PIS não utilizados (por conta do laudo de auditoria independente), motivo dos autos terem sido convertidos em diligências; portanto, não obstante a isso, entendo que se trata de um pedido extemporâneo, não contabilizado, à época, e não seria através deste processo, a via correta para o pleito de se obter esse crédito, pois à época de apuração, não houve a comprovação documental. Vide conclusão da diligência: .....contribuinte foi intimado a entregar documentos necessários a auditoria fiscal, onde se concluiu que dos valores a pagar do PIS lançados na contabilidade, o contribuinte quer agora abater créditos do PIS não contabilizados na época de apuração, ou seja, apurados créditos extemporâneos do PIS devido à revisão tributária efetuada por auditoria externa, pretende por esta via processual utilizar os saldos remanescentes de créditos do PIS. Cabe observar que a forma de utilização de créditos do PIS está disciplinada na IN RFB n° 900/2008 e alterações posteriores, onde deverão ser observadas as regras para utilização destes créditos e o momento de utilização, já que em vários períodos ocorreu a prescrição, pois foram apurados após cinco anos do período de apuração correspondente. Em sendo assim, o citado Auto de Infração do PIS, referese a diferença apurada, através de confronto das provisões a pagar contabilizadas nos livros diários do recorrente com os valores declarados e pagos em DCTF. A recorrente insiste que a Administração não reconheceu créditos, o que impõe a revisão do lançamento, para correta apuração da base de cálculo e que a mesma entende que as questões foram devidamente comprovadas, sendo inconsistente o auto de infração. Ao caso, argumenta a mesma que foram desconsiderados os ajustes sobre a base de cálculo do PIS, e que teriam sido feitos antes do pagamento. A questão crucial é que não há comprovação dos alegados “ajustes” que teriam sido feitos antes do pagamento, pois a documentação anexada à época se resume a cópias dos balancetes analíticos dos períodos de dezembro de cada ano, que não se prestam a evidenciar as bases de cálculo mensais do PIS, Fl. 2148DF CARF MF 8 muito menos se pode inferir, a partir de tais balancetes, quais seriam os alegados “ajustes” nos valores de PIS a recolher. Dessa forma, concluiuse que os valores que a recorrente pretende abater do débito são créditos extemporâneos do PIS, apurados por auditoria externa, e posterior à autuação, não observando, assim, a legislação de regência. Bem como, a recorrente não indicou as Notas Fiscais, apesar de alegar que a tributação foi indevida quanto às vendas de peças sujeitas à incidência monofásica, venda de caminhões, descontos incondicionais e venda do ativo imobilizado. Enfim, não obstante toda juntada de documentação, frisese, que não se pode confundir a instância do contencioso administrativo, com a de auditoria. Prudente, registrar que o objeto da empresa, de acordo com o contrato social tem como objetivos: A Sociedade tem como objetivos: prestação de serviços, comércio atacadista, importação e exportação, peças para veículos, ferramentas, ferragens, componentes, acessórios, comércio e corretagem de veículos, podendo ainda participar como quotista ou acionista em outras sociedades, negócios e empreendimentos de qualquer natureza. Por sua vez, o enquadramento legal do AI, reporta à seguinte legislação: Art. 149 da Lei n° 5.172/66; arts. 1 ° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art.1°, parágrafo único, da Lei Complementar no 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF no 142/82; Arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei no 9.715/98; Arts. 2° e 3° , da Lei no 9.718/98; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3° , 10, 26 e 51 do Decreto no 4.524/02. Em que pese as exclusões efetuadas já e argumentos da DRJ, as alegações do recurso voluntário remetem em relação à matéria em análise dos embargos, especificamente sobre a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, quando a empresa invoca revisão da base de cálculo do Auto de Infração a título de receita financeira com base na citada Lei; o acórdão embargado, de fato omitiu a análise pormenorizada sobre legislação, a inconstitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, enfim, os ajustes sobre a base de cálculo do PIS; no entanto, esses argumentos intrinsecamente invocados pela empresa foram levados em conta, quando o processo foi convertido nas duas diligências, com intuito de verificar os ajustamentos comprobatórios alegados. É tanto que em resposta ao solicitado, concluiu a fiscalização: .....contribuinte foi intimado a entregar documentos necessários a auditoria fiscal, onde se concluiu que dos valores a pagar do PIS lançados na contabilidade, o contribuinte quer agora abater créditos do PIS não contabilizados na época de apuração, ou seja, apurados créditos extemporâneos do PIS devido à revisão tributária efetuada por auditoria externa, pretende por esta via processual utilizar os saldos remanescentes de créditos do PIS. É tanto que diante dos fatos, o voto embargado conclui o seguinte: Portanto, concluise, que à época, a recorrente não comprovou o que alegou e posteriormente, observase que os valores a pagar Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.829 S3C2T1 Fl. 2.146 9 do PIS provisionados na contabilidade, que a recorrente deseja abater créditos da contribuição não contabilizados na época de apuração, enfim, são créditos extemporâneos do PIS, por conta de revisão tributária realizada por auditoria externa, não há como se utilizar desse crédito, por esta via processual, tendo em vista regramentos à época da apuração, bem como, inclusive, vários períodos já foram prescritos. Logo, não há como reconhecer neste momento, saldo de crédito do PIS (extemporâneos), por conta de trabalho de auditoria externa realizado em 05/02/2010 (posterior ao julgamento de primeira instância). Destarte, concluise que tendo em vista diligência realizada, nenhum fato foi constatado em que pudesse alterar os valores mantidos pela decisão a quo. Portanto, acrescentese no voto embargado, clareamento sobre a legislação e a conclusão de mérito, pois, quando da verificação dos documentos, à época do AI, que se concluiu pela falta de comprovação quanto aos ajustes, antes do recolhimento; assim como registrese que o processo, inclusive, foi convertido em duas diligências, com intuito de verificar esses ajustamentos alegados, o que não se comprovou e os documentos trazidos foram considerados extemporâneos. Então, incluase no voto ora embargado: PIS foi instituído pela Lei Complementar n.° 7, de 7 de setembro de 1970, passando por diversas alterações na sua base legislativa e posteriormente, na sistemática cumulativa pela Lei n.° 9.718 de 27 de novembro de 1998. Dentro da sistemática da cumulatividade, o PIS possui a seguinte regra matriz de incidência tributária nos termos do art. 2.° da Lei 9.718/98, consiste no faturamento das Pessoas Jurídicas, entendendose este, nos termos do artigo 3°, § 1° da mesma lei como a receita bruta das pessoas jurídicas, ou seja, a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Logo, com a publicação da Lei n° 9.718/98, artigos 2° e 3°, a base de cálculo do tributo foi ampliada, de forma a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas: Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3°.O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei n° 11.941, de 2009) Fl. 2150DF CARF MF 10 Observase, portanto, que as receitas oriundas das receitas financeiras enquadramse no conceito estabelecido pelo §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, haja vista a base de cálculo do tributo atingir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tal dispositivo, contudo, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B): EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n° 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJde 1°.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, § 1°, da Lei n°9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por naioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Esta decisão enquadrase à hipótese prevista pelo caput do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, diante da inconstitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, a base de cálculo do PIS apurado no regime cumulativo compreende o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondendo este a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Concluindo, portanto, diante das diligências, já foram verificados os alegados ajustes, o que não se comprovou e os documentos trazidos foram considerados extemporâneos com esse intuito. Pelo exposto, acolhemse, os embargos de declaração interpostos, tendo em vista omissão, visto que a decisão, de fato, da maneira como posta, não indicou a legislação sobre a inconstitucionalidade, logo, merecem os esclarecimentos, mas que nada altera o seu resultado; portanto, os embargos são sem efeitos infringentes. Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.829 S3C2T1 Fl. 2.147 11 Ressaltesese, pois, o que busca a embargante é a efetiva rediscussão da matéria já julgada, passível de ser realizada na via recursal própria e não por meio de Embargos. Da conclusão dos Embargos Assim, por ter enfrentado o argumento subsidiário da embargante, ainda que de forma sintética, entendo que o acórdão recorrido possui vício de omissão apontado pela mesma, no tocante à legislação sobre a inconstitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Diante do exposto, voto para que seja acolhido o recurso formulado pela embargante, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720924/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL NÃO CORRESPONDENTE A TOTALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. JUROS CABÍVEIS.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração.
In casu, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade.
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO PARTE ALEGAÇÕES RECURSAIS.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
Numero da decisão: 2401-004.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL NÃO CORRESPONDENTE A TOTALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. JUROS CABÍVEIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. In casu, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO PARTE ALEGAÇÕES RECURSAIS. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL NÃO CORRESPONDENTE A TOTALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. JUROS CABÍVEIS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. In casu, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO PARTE ALEGAÇÕES RECURSAIS. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 09 24 /2 01 0- 58 Fl. 932DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10680.720924/201058 Acórdão n.º 2401004.930 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório FUNDAÇÃO LOGOSOFPICA EM PROL DA SUPERAÇÃO HUMANA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 8a Turma da DRJ em Belo Horizonte/BH, Acórdão nº 0232.732/2011, às fls. 624/633, que julgou procedente o lançamento fiscal, referentes às contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho RAT apurados com base nas informações contidas na Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, em relação ao período de 01/2006 a 13/2007, conforme Relatório Fiscal, às e fls. 524/536 e demais documentos que constituem o lançamento. Conforme descrito no relatório fiscal, a fundação apresentou os seguintes documentos: Atestado de Registro no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, datado em 20 de maio de 1997; Certidão do CNAS, onde consta o deferimento do pedido de renovação do Certificado, período 01/01/2004 a 31/12/2006, com base no artigo 37 da Medida Provisória 446 de 07/11/2008. Embora regularmente intimada, a fundação não apresentou à fiscalização o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária. Mas declara em sua GFIP, o código FPAS 639, reservado às entidades com isenções deferidas, o que inibe o cálculo da contribuição patronal e das destinadas a outras entidades/fundos. No entanto, o contribuinte vem realizando depósitos judiciais relativos ao Mandado de Segurança n° 2002.34.00.0366979, no qual postula a isenção das contribuições previdenciárias constantes do artigo 195, §7° da Constituição Federal. O processo encontrase em fase recursal tendo em vista que as postulações do contribuinte não foram atendidas pela Justiça Federal, em primeira instancia. Dessa forma, por encontrarse o crédito com a exigibilidade suspensa, em razão dos depósitos judiciais efetuados, o presente lançamento tem por finalidade a prevenção da decadência, ficando suspensos os atos de execução da divida. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 639/641, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, sustentando que conforme relatado pela Fiscalização, vem realizando depósitos judiciais relativos ao Mandado de Segurança n° 2002.34.00.0366979 no qual postula a isenção das Contribuições Previdenciárias. Fl. 934DF CARF MF 4 Aduz cumprir todos os requisitos necessários à fruição da isenção do pagamento de contribuições previdenciárias nos termos da lei, "razão pela qual reitera sua discordância em relação à exigência em foco" Explicita encontrarse o presente crédito com exigibilidade suspensa em razão dos depósitos judiciais efetuados, sendo o presente Auto de Infração AI lavrado para prevenir a decadência com a incidência de juros, contudo a exigência desses juros não pode prosperar uma vez que o valor principal já está sendo remunerado com base na tabela da Justiça Federal. Requer ao final, o cancelamento do presente Auto de Infração haja vista conter exigência indevida como acima demonstrado. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 11 de março de 2015, foi proposta resolução pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 651/655, in verbis: "[...] Destacase de pronto, que a única matéria a ser apreciada diz respeito ao pretendido sobrestamento e exclusão de juros, tendo em vista concomitância do lançamento com ação judicial sobre mesmo fundamento, conforme descrito no relatório. Contudo, embora tenha constado no relatório fiscal, que o lançamento tem por base depósitos judiciais, não restou claro se ocorreu o depósito do montante integral dentro do prazo de vencimentos de cada uma das contribuições previdenciárias. [...] Assim, entendo que, antes mesmo de apreciar o argumento em relação a exclusão de juros, deva a DRFB manifestarse acerca dos valores depositados, indicando se representam o montante integral da contribuição devida em cada competência, bem como se os mesmos foram realizados na época oportuna de vencimento das contribuições previdenciárias, especialmente em relação a indicação do recolhimento centralizado e de depósito de 13 salário em competência diversa.[...]" Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou uma "Informação Fiscal" às efls. 693/696 e anexos seguintes, informando o seguinte: Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10680.720924/201058 Acórdão n.º 2401004.930 S2C4T1 Fl. 4 5 Regularmente intimada do resultado da diligência, a contribuinte apresentou manifestação às efls. 699/701, apresentando os seguintes argumentos: Sustenta ter a contribuinte efetuado depósitos a MAIOR, diferentemente do argüiu a autoridade fazendária. Explicita ter a própria autoridade afirmar que "diversos depósitos foram efetuados fora do prazo de vencimento das respectivas contribuições, entretanto acrescidos de juros e multas." Aduz que o total de depósitos realizados em todo o período abrangido supre o total dos créditos tributários nominados nos referidos autos. Esclarece sobre as eventuais inconsistências ou divergências nos valores planilhados, sendo decorrentes pelo fato da contribuinte ser uma instituição sem fins lucrativos e sem estrutura empresarial, contando com dezenas de filiais, que procedem cada qual aos seus recolhimentos, como se denota pela identificação das variações do CNPJ. Apresenta planilha e as guias dos depósitos judiciais, infirmando ser os "Anexos" que instruem a informação fiscal inconsistentes e não confiáveis, não refletindo a realidade dos fatos. Afirmar ser a contribuinte credora e não devedora do Estado, conforme planilha anexada a manifestação. Por fim, pugna para que sejam conhecidos os argumentos exarados na manifestam, assim como os documentos anexados, devendo ser desconstituído o lançamento. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 936DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Destacase de pronto, que a única matéria a ser apreciada diz respeito a exclusão de juros, tendo em vista concomitância do lançamento com ação judicial sobre mesmo fundamento, conforme descrito no relatório. Na esteira desse entendimento, tornase defeso a este Colegiado se manifestar a propósito das razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte opondose quanto o direito a isenção das contribuições previdenciárias, uma vez que tais questões encontramse sob a tutela do Poder Judiciário em processo judicial próprio/específico. Alias, o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, em seu artigo 78, § 2º, prescreve que a propositura de ação judicial contemplando a mesma matéria submetida a análise deste Colendo Tribunal, representa desistência do recurso administrativo, determinante, portanto, ao não conhecimento da peça recursal, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” (grifamos) Neste sentido, impõese manter o Acórdão recorrido, igualmente, quanto ao não conhecimento da discussão a propósito da pretensa isenção das contribuições. DA INCIDÊNCIA DE JUROS Discutese nestes autos o lançamento referente às contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho RAT apurados com base nas informações contidas na Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, em relação ao período de 01/2006 a 13/2007, conforme Relatório Fiscal, às efls. 524/536. Dispõe o Relatório Fiscal que o contribuinte vem realizando depósitos judiciais relativos ao Mandado de Segurança n° 2002.34.00.0366979, no qual postula a isenção das contribuições previdenciárias constantes do artigo 195, §7° da Constituição Federal. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10680.720924/201058 Acórdão n.º 2401004.930 S2C4T1 Fl. 5 7 Contudo, o fato de a matéria estar também em discussão perante o Poder Judiciário, não afasta a possibilidade de o Fisco efetuar o lançamento, notadamente para prevenir a decadência. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração, conforme dispõe o Enunciado nº 03 do CARF. Por sua vez, o sujeito passivo insurgese quanto a exigência dos juros, não podendo prosperar, uma vez que o valor principal já está sendo remunerado com base na tabela da Justiça Federal. Conforme relatado, a Turma em oportunidade anterior, decidiu por converter o julgamento em diligência para que a DRFB manifestese acerca dos valores depositados, indicando se representam o montante integral da contribuição devida em cada competência, bem como se os mesmos foram realizados na época oportuna de vencimento das contribuições previdenciárias, especialmente em relação a indicação do recolhimento centralizado e de depósito de 13 salário em competência diversa. Em resposta a diligência encimada, a autoridade fiscal elaborou informação fiscal, concluindo constar diferenças relativas a contribuições não incluídas totalmente em depósitos judiciais realizados, não representando o montante integral da contribuição devida em cada competência, anexando aos autos duas planilhas (anexos I e II). A contribuinte intimada da informação acima, por ser de direito, apresentou manifestação aduzindo que o total de depósitos realizados em todo o período abrangido supre o total dos créditos tributários nominados nos referidos autos, estando o fiscal equivocado em sua conclusão. Pois bem, feito os esclarecimentos acerca dos fatos que permeiam o lançamento, passaremos a análise do mérito da questão. A legislação previdenciária prevê que o crédito tributário deve ser constituído acrescido de juros de mora sempre que não for pago no prazo previsto na legislação, conforme estabelecido na Lei n° 8.212/1991, artigo 34, na redação vigente à época dos fatos geradores. Cumpre salientar que o lançamento tributário efetuado para prevenir a decadência não deve incluir os juros e multas, segundo pressupõe a legislação e a jurisprudência uníssona deste Tribunal, inclusive com elaboração de súmulas como veremos a posteriori. No entanto, para que não haja a incidência das multas e dos juros, os depósitos judiciais devem corresponder a integralidade das contribuições devidas, conforme dispõe os enunciados das Súmulas CARF n° 17 e 5, in verbis: Súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 938DF CARF MF 8 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Em análise a informação fiscal e ao manifesto da contribuinte, especialmente as planilhas (auditor fiscal) e guias (recorrente) acostadas, concluise ter razão a autoridade fazendária, pois não vislumbro nas guias o depósito correspondente a totalidade das contribuições, bem como, os apontamentos constantes das planilhas são demais precisos nas inconsistências nos depósitos. Então, relativamente aos depósitos judiciais efetuados pela contribuinte não representarem a integralidade da exigência fiscal, não há se falar em afastamento dos juros e multa de mora, em tempo, referidos valores aguardarão a decisão final a ser exarada nos autos do mandado de segurança impetrado pela autuada, convertendose em renda na hipótese de não acolhimento de sua pretensão, ou objeto de levantamento se obtiver êxito em sua empreitada. Quanto às demais alegações da contribuinte, em especial o pedido do sobrestamento, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905001/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 01 /2 01 2- 78 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10865.905001/201278 Acórdão n.º 3301003.557 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.462. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10865.905001/201278 Acórdão n.º 3301003.557 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10865.905001/201278 Acórdão n.º 3301003.557 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10865.905001/201278 Acórdão n.º 3301003.557 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10865.905001/201278 Acórdão n.º 3301003.557 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10865.905001/201278 Acórdão n.º 3301003.557 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900353/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Ausência de Questão Fática a Ser Esclarecida. Erro de Direito no Preenchimento de Declaração. Descabimento de Diligência.
Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso.
Compensação. Alegado Pagamento Indevido de Estimativa. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação.
A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ERRO DE DIREITO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO DE DILIGÊNCIA. Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso. COMPENSAÇÃO. ALEGADO PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 53 /2 00 8- 51 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 185 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1429.596, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, na sessão de 11 de junho de 2010, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 02/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 186 3 que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia às autoridades fiscais diligenciar junto à. empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao principio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que "a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário"; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. É o relatório Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório e requerendo sejam conhecidas as provas juntadas, em atendimento ao princípio da busca da verdade real, provas que alega comprovarem a existência de saldo negativo passível de recuperação; que houve um erro de forma em seu pedido, não podendo restar frustrado seu direito líquido e certo ao indébito e; que já foi atingido pela decadência o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, não podendo ser este alterado. Na verificação de regularidade do recurso proposto e ao tomar conhecimento da informação fiscal de existência de processos do mesmo contribuinte com a mesma causa de Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 187 4 pedir, solicitei a distribuição dos nove processos, entre os quais o presente, por conexão, independentemente de sorteio, para que os recursos pudessem ser analisados conjuntamente, conforme art. 6, § 1º, I, cumulado com os § 2º e 3º deste mesmo artigo, todos do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo tal requisição deferida pelo Presidente da 1ª da Seção, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 188 5 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em sede preliminar, sustenta o interessado a impossibilidade de revisão do saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, diante do transcurso do prazo qüinqüenal, afirmando ter ocorrido homologação tácita em 2007, ocasião em que extinguiuse o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150 § 4º do Código Tributário Nacional. Pois bem. Em primeiro lugar cabe esclarecer que a lide não diz respeito ao prazo decadencial para se proceder ao lançamento, mas da análise da compensação realizada pelo contribuinte. Nesses termos, estarseia tratando de algo de outra natureza: aferição da liquidez e certeza do pleito creditório de interesse da interessada e não simplesmente de lançamento. Assim, não se pode concluir a partir daí que o órgão administrativo em pedidos que envolvem restituições deva simplesmente “homologar” o saldo negativo de CSLL, e proceder à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Nesse sentido, embora o Fisco não possa mais exigir eventuais diferenças.ou débitos, relativos a fatos acontecidos, atingidos pelo prazo decadencial, por haver decorrido o prazo legal para tanto, por outro lado, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Logo, não há razão em se afirmar, como o fez o contribuinte, que no ano de 2007 o saldo negativo de CSL não era mais passível de análise. Por outro lado, devese verificar se ocorreu a chamada homologação tácita do débito declarado pelo contribuinte por Per/Dcomp, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996. De acordo com este disposto legal, começa a fluir o prazo qüinqüenal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, na data da entrega da respectiva declaração de compensação, sendo considerado tacitamente homologado o débito (ou crédito tributário) após o decurso do prazo de cinco anos. Confirase a redação do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). No caso em tela, tendo sido apresentada a DComp retificadora na data de 08/03/2004, deslocase o citado prazo a quo para a data da entrega dessa DComp retificadora. Nesse sentido, dispõe o art. 91 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, ainda vigente, a seguir transcrito: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 189 6 Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve nem mesmo homologação tácita da compensação declarada, pois na data que ocorreu o despacho decisório (em 24/04/2008), ainda não havia se consumado o citado prazo qüinqüenal de homologação tácita do procedimento compensatório. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de decadência. DA PRELIMINAR DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, na hipótese de ser apontado equivocadamente a origem do crédito, considerando "pagamento indevido" de estimativa mensal, quando na verdade o direito creditório resulta de saldo negativo formado pelo somatório destas mesmas estimativas, exclusivamente. Não há como negarlhe o direito ao crédito, enquanto que o valor foi efetivamente pago em excesso, e por isso entendo haver maior relevância neste fato do que nos procedimentos formais de restituição, ressarcimento e compensação dirigidos pela Receita Federal do Brasil. No caso concreto, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Convergente a este entendimento, o Colegiado que primeiro analisou o processo nº 10865.900336200813, que motivou o despacho de conexão, resolveu converter os autos em diligência, esclarecendo, naquela oportunidade, inclusive, suas razões pelas quais desconsidera o erro formal de o contribuinte indicar nos PER/DCOMP como crédito os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. De acordo com a resolução anterior, se o método de solicitar a restituição, o ressarcimento e a compensação se mostrou inadequado sob a ótica formal, o processo administrativo fiscal é que deve acertar o procedimento guiandose pelo princípio matriz, da busca pela verdade real. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 190 7 Porém, esta diligência não se realizou, em face da informação fiscal da existência de outros processos desse mesmo contribuinte que objetivam a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de CSLL, no mesmo anocalendário, propondo sejam analisados conjuntamente, além de noticiar que esta foi a solução dada nos processos relativos ao IRPJ deste mesmo ano, onde o relator daqueles processos solicitou que lhe fossem distribuídos tais processos por conexão Foi exatamente por esta razão, foi requisitada a distribuição do presente processo a este relator, em conformidade com o despacho de conexão anteriormente mencionado e deferido pelo Presidente da 1ª Seção. Sendo assim, entendo que deve ser permitido retificar a Per/Dcomp., por ser patente o erro no seu preenchimento, configurado em divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado, como já se disse, no próprio contexto em que foi feita a declaração. Assim, inclinome pela realização de uma diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2001; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido; c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. DO MÉRITO Ultrapassadas as preliminares acima mencionadas, em especial, o encaminhamento de conversão do julgamento em diligência, impõese, de acordo com as regras regimentais, analisar o mérito da lide, no estado em que se encontra os autos. No caso em tela, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era, fato este admitido pela Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 191 8 própria recorrente. Tratavase, segundo seu recurso, de recolhimento de estimativas que formavam o saldo negativo, apurado no final do anocalendário 2001. Ocorre que a Dcomp., na forma em que apresentada, não informa que se trata de saldo negativo: o código de receita informado na Dcomp é o código do pagamento por estimativa; o período de apuração indicado também é o da estimativa. Portanto, de acordo com o documento, o crédito mencionado é pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Embora ter alegado erro, o fato é que a recorrente não apresentou uma outra declaração de compensação, utilizandose do saldo negativo mencionado para compensar seus débitos. Ao invés, preferiu a correção de sua declaração através deste Processo Administrativo Fiscal. Porém, para atingir seu êxito dentro do presente processo, necessário seria a correção de sua declaração, através de proposta de diligência, oportunidade em que seria intimado a apresentar suas informações ou retificações. Porém, como se viu, em face do indeferimento pelo Colegiado da proposta de conversão do julgamento em diligência, tal oportunidade não ocorreu, restando, unicamente, a retificação da declaração no âmbito extraprocessual, na forma da legislação em vigor, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado O exame da preliminar que propõe a conversão do julgamento em diligência se confunde com o próprio exame do mérito. Na proposta, o ilustre Conselheiro relator afirma estar convencido de que, no caso concreto, não ocorreu mesmo pagamento indevido de estimativa. O crédito seria saldo negativo apurado no final do período. A requerente teria apenas confundido crédito de saldo negativo com as estimativas que o compõem. Aqui está o problema: o erro cometido pela contribuinte não consiste em mera imprecisão material ou em simples erro de preenchimento da declaração. É erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência. Para sanar o problema seria necessário refazer integralmente a declaração de compensação, o que já não se admite nesta fase. A diligência seria cabível apenas se houve alguma questão de fato a ser esclarecida, mas não há. Os fatos são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 192 9 valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em saldo credor apurado no final do período base. A matéria não é nova. Esta turma, em outra oportunidade, já teve chance de se manifestar sobre problema idêntico. Nessa ocasião, prevaleceu entendimento no sentido de rejeitar a diligência e negar provimento ao recurso. Estes foram os fundamentos que então embasaram a decisão deste Colegiado: A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10865.900353/200851 Acórdão n.º 1301002.230 S1C3T1 Fl. 193 10 No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Com esses fundamentos, voto por rejeitar a preliminar. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001546/2004-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jul 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
INEXISTÊNCIA DE MATÉRIA A SER APRECIADA PELO COLEGIADO. EXTINÇÃO DO LITÍGIO.
Quando não há matéria a ser apreciada nesse Colegiado, cabe declarar extinto o litígio do presente processo, sendo definitivo o Acórdão CSRF nº 9900-000317 - Pleno, o qual confirmou que o prazo decadencial aplicável ao presente caso é o previsto no art. 173, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 9303-005.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, declarando extinto o litígio, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para as providências cabíveis, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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EXTINÇÃO DO LITÍGIO. Quando não há matéria a ser apreciada nesse Colegiado, cabe declarar extinto o litígio do presente processo, sendo definitivo o Acórdão CSRF nº 9900 000317 Pleno, o qual confirmou que o prazo decadencial aplicável ao presente caso é o previsto no art. 173, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, declarando extinto o litígio, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para as providências cabíveis, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 15 46 /2 00 4- 08 Fl. 1764DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de acórdão nº 9900000.317 que consignou, por maioria de votos, o provimento do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional pela 3ª Turma da CSRF com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62ª do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10660.001546/200408 Acórdão n.º 9303005.201 CSRFT3 Fl. 1.765 3 INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. ” Consta do voto do relator o que segue (Grifos meus): [...] Portanto, à luz destas considerações, concluise que: i) o disposto no art. 62A não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial; ii) a finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil; iii) e que a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. (...) ” No caso dos autos, não havendo nos autos comprovação de nenhum pagamento antecipado e nem apresentação de declaração constitutiva de débito, procedem as argumentações da Fazenda Nacional. Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso especial. É como voto. [...]” Fl. 1766DF CARF MF 4 Em atenção à essa decisão, foi emitido Despacho de Encaminhamento à Câmara Ordinária para providências, vez que havia sido enviado equivocadamente à DRF/VARMG. Não obstante, foi encaminhado equivocadamente à 1ª Turma da CSRF. E, posteriormente, remetido para a 3ª Turma da CSRF. Foi sorteado, assim, ao Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. O que, por conseguinte, em face do término de seu mandato, foi sorteado o processo para essa Conselheira. Dessa forma, em atenção ao decidido pelo colegiado da 3ª turma da CSRF, propôs essa Conselheira retornar os autos desse processo para a Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso especial. Não obstante de forma equivocada, eis que em Despacho à fls. 1763, os autos foram encaminhados novamente à essa conselheira, manifestando que o recurso especial deve ser julgado pela CSRF, e não pela turma ordinária. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, para melhor elucidar, importante trazer a íntegra do relatório apreciado pela CSRF – acórdão CSRF 0203.793: “Tratase de recurso especial, com fulcro no art. 32, II, do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/98, no qual o sujeito passivo alega divergência jurisprudencial quanto: 1) à possibilidade dos motivos de sentença judicial fazerem parte do dispositivo que forma a coisa julgada material; 2) aos efeitos da coisa julgada material perante orientação da própria Administração Pública Federal em sentido mais favorável aos demais contribuintes em idêntica situação; 3) ao prazo para a constituição, pela Fazenda Nacional, do crédito tributário do IPI. Quanto à matéria, o prazo para a constituição, pela Fazenda Nacional, do crédito tributário do 1PI, a decisão, fls. 1077/1084, Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10660.001546/200408 Acórdão n.º 9303005.201 CSRFT3 Fl. 1.766 5 considerou que, por não ter havido o pagamento não se aperfeiçoou o lançamento por homologação, incidindo, quanto à decadência, a regra geral, do art. 173, I, do CTN. A respeito, no que tange à matéria, o acórdão recorrido espelha a seguinte ementa, fls. 1077: "DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, e o prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I, do CTN. Precedentes do STJ.". O fundamento basilar da decisão recorrida, quanto à matéria da decadência, foi o entendimento de que a efetivação do pagamento antecipado, com a finalidade de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutiva, é condição sine qua non para o aperfeiçoamento desta modalidade de lançamento desta modalidade de lançamento, uma vez que exigido expressamente no art. 150, §4°, do CTN. Inconformada com a decisão prolatada, a contribuinte opôs embargos de declaração, não acolhidos por meio do Despacho n°202 618/2006. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso especial, fls. 1130/1161, no qual alegou em síntese: por mais que se entenda que a recorrente somente teve direito ao créditoprêmio de IPI em relação ao período posterior a 5 de outubro de 1990, os débitos relativos aos períodos de apuração 10.08.00 e 20.08.99 foram alcançados pela decadência antes de serem constituídos, na forma do art. 150, §4º, do CTN; como rega geral, quando a sistemática do tributo implicar a antecipação do recolhimento de pelo menos parte do total devido, devendo o fisco 'homologar' os pagamentos e declarações apresentadas, aplicase, para verificação da decadência, o prazo de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador; por outro lado, quando não se tratar da espécie de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo — igualmente de 5 anos — Fl. 1768DF CARF MF 6 iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Nesse sentido, todas as obrigações tributárias, sem exceção, estão sujeitas a um prazo decadencial de 5 anos, com termo inicial certo, que pode ser o prescrito no art. 150, §4°, do CTN, ou, ainda, aquele disciplinado pelo art. 173, I, do mesmo codex. Em nenhuma ocasião se permite a existência de um débito fiscal sem a respectiva previsão de um termo inicial para a contagem do prazo decadencial; especificamente no presente caso, é clara a aplicação do prazo decadencial prescrito no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, na medida em que o IPI é, sem dúvida, um tributo sujeito ao lançamento por homologação. O r. acórdão ora recorrido reconhece essa circunstância, mas, de outro lado, afirma que não houve 'antecipação' do pagamento porque naqueles dois decêndios, o créditoprêmio de IPI foi suficiente para ser compensado com os débitos do estabelecimento. Porque créditos e débitos foram iguais, afirmase que não houve 'pagamento' sujeito a homologação. Ora claramente houve pagamento. A diferença é que esse pagamento se deu com créditos apropriados pela recorrente que, posteriormente, foram considerados ilegítimos pela autoridade fiscal; apresenta como paradigma o acórdão n°20177.837. O recurso especial da contribuinte foi admitido, apenas quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário do IPI, por meio do Despacho n° 202 121/2007, fls. 1235/1243. Inconformada com a admissão parcial do recurso especial, a contribuinte interpôs agravo de despacho, fls. 1328/1344, não acolhido por meio do Despacho de fls. 1374/1376. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso especial da contribuinte, com os seguintes fundamentos, fls. 1287/1298: o art. 150, §4° pressupõe a normalidade da conduta do sujeito passivo e prevê um procedimento padrão, donde se inclui apuração/pagamento, não tendo aplicação quando revestidos de anomalias os atos do sujeito passivo; a gravidade da conduta omissiva do contribuinte transcende aos limites da legislação tributária e se transporta para a base principiológica do Direito tributário, onde se situa a isonomia. Ora, colocar os Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10660.001546/200408 Acórdão n.º 9303005.201 CSRFT3 Fl. 1.767 7 contribuintes que realizam pagamentos em situação equivalente àqueles totalmente inadimplentes, ainda que na questão afeta ao direito da Fazenda exigir tributos, vai de encontro à igualdade; inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma do art. 173, I, do CTN, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, havendo que prevalecer o disposto no referido dispositivo; a negativa do sujeito passivo em noticiar ao sujeito ativo da re ação jurídica tributária a concretização no plano dos fatos da situação hipoteticamente descrita na regramatriz de incidência do tributo impede o enquadramento do presente caso à regra prevista no art. 150 do CTN.” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos autos do processo, vêse que, em acórdão de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, o Colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao recurso com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62ª DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser Fl. 1770DF CARF MF 8 reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo.” Sendo assim, aquele Colegiado deu provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional para afastar a decadência mencionado – fatos geradores ocorridos em 10.8.99 e 20.8.99. Não obstante, considerou o voto do acórdão de Recurso Extraordinário (Grifos meus): “Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso especial”. Considerando, assim, o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, é de se recordar que, em Despacho às fls. 1235/1243, apenas foi admitido Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10660.001546/200408 Acórdão n.º 9303005.201 CSRFT3 Fl. 1.768 9 quanto à discussão acerca do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário do IPI. O que fez com que apresentasse agravo, não sendo acolhido, conforme Despacho às fls. 1374/1376. Sendo assim, resta a essa Conselheira esclarecer que, afastada a decadência dos períodos apreciados e não tendo matéria a ser apreciada nessa CSRF, eis que somente havia sido admitida a discussão acerca da decadência trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, fora enfrentada novamente e de forma definitiva quando da apreciação do Recurso Extraordinário, devese considerar como definitiva a decisão prolatada pelo 2º Conselho de Contribuintes constante do acórdão 20217.147. Recordo que aquele Colegiado, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, consignando acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: CRÉDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO. PROGRAMA BEFIEX. COISA JULGADA. Existindo decisão judicial que estabeleceu a data prevista no art. 41, § 12, do ADCT da CF/88 como limite temporal ao aproveitamento do incentivo, a falta de recolhimento do IPI decorrente da glosa dos valores escriturados a partir de 05/10/1990 rende ensejo ao lançamento de oficio. MINISTÉRIO DA FAZENDA DECISÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CARÁTER SUBSTITUTIVO. PARECER GQ 172/98. RESOLUÇÃO N° 71/2005 DO SENADO. Diante do caráter substitutivo da coisa julgada material, são inaplicáveis ao caso concreto a Resolução nº 71/2005, do Senado, e o Parecer AGU/SF01, de 15/07/1998, anexo ao Parecer GQ 172/98. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1772DF CARF MF 10 Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149; V, do CTN, e o prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I, do CTN. Precedentes do STJ. CRÉDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO. TAXA SELIC. Inexistindo direito ao créditoprêmio à exportação gerado a partir de 05/10/1990, perdeu objeto a análise dos argumentos relativos à sua correção. Recurso negado.” Em vista de todo o exposto, voto por declarar extinto o litígio do presente processo sendo definitivo o Acórdão CSRF nº 9900000317 Pleno, o qual confirmou que o prazo decadencial aplicável ao presente caso é o previsto no art. 173, I do CTN. De forma que o processo deve ser devolvido à Unidade de Origem para fins de cumprimento do referido Acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1773DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.004318/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1996 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. CONTAGEM DO DE ACORDO COM O CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
De acordo com a Súmula Vinculante n.º 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
Havendo pagamento antecipado aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 150, §,4, do Código Tributário Nacional.
CESTAS NATALINAS. KITS ESCOLARES. MINI CASES. UTILIDADES. EFEITOS.
Os bens, de mesma quantidade e qualidade, entregues indistintamente aos segurados empregados não ostentam natureza de salário-utilidade, e, portanto, seus valores não integram o salário de contribuição mesmo que ofertados com habitualidade pelo empregador.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FECHADA. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS
Os valores pagos a título de previdência complementar fechada, quando ofertados a todos os empregados e dirigentes, não integram o salário de contribuição, desde que respeitados os ditames dos artigos 9º e 468 da CLT.
VALE TRANSPORTE.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO.
Mesmo antes da edição do inciso XXV do § 9º do art. 214 do RGPS, o seguro de vida em grupo não continha os elementos exigidos para ser caracterizado como salário, dada a forma genérica que era pago para todos os funcionários da empresa.
Numero da decisão: 2201-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros, Daniel Melo Mendes Bezerra e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora), que davam provimento parcial. Os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski votaram por dar provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Redator Designado.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. CONTAGEM DO DE ACORDO COM O CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante n.º 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Havendo pagamento antecipado aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150, §,4, do Código Tributário Nacional. CESTAS NATALINAS. KITS ESCOLARES. MINI CASES. UTILIDADES. EFEITOS. Os bens, de mesma quantidade e qualidade, entregues indistintamente aos segurados empregados não ostentam natureza de salárioutilidade, e, portanto, seus valores não integram o salário de contribuição mesmo que ofertados com habitualidade pelo empregador. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FECHADA. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS Os valores pagos a título de previdência complementar fechada, quando ofertados a todos os empregados e dirigentes, não integram o salário de contribuição, desde que respeitados os ditames dos artigos 9º e 468 da CLT. VALE TRANSPORTE. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 43 18 /2 00 7- 14 Fl. 547DF CARF MF 2 Mesmo antes da edição do inciso XXV do § 9º do art. 214 do RGPS, o seguro de vida em grupo não continha os elementos exigidos para ser caracterizado como salário, dada a forma genérica que era pago para todos os funcionários da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros, Daniel Melo Mendes Bezerra e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora), que davam provimento parcial. Os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski votaram por dar provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Redator Designado. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: 1. Tratase de crédito lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.059.5360 contra PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A, referente às competências 10/96 a 12/96, 01/97, 02/97, 04/97, 05/97, 07/97 a 10/97, 12/97, 01/98 a 08/98, 10/98 a 12/98, 01/99 a 10/99, 01/00 a 12/00, 01/01 a 03/01, 05/01, 07/01 a 12/01, 01/02 a 12/02, 01/03 a 12/03, 01/04 a 12/04, 01/05 a 12/05, 01/06 e 02/06, cujo montante consolidado em 22/12/2006 é de R$ 2.439.827,00 (dois milhões, quatrocentos e trinta e nove mil, oitocentos e vinte e sete reais), recebida em 27/12/2006. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 3 3 2. De acordo com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, fls. 145/156, os valores que integram a presente Notificação referemse às contribuições dos segurados empregados, às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, a destinada a outras entidades (terceiros), não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, dos seguintes levantamentos: 3. CN Cesta Natalina. Anualmente a empresa distribui entre os seus funcionários cestas contendo produtos natalinos. Este levantamento, elaborado com base em notas fiscais de saída registradas na contabilidade, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento dessas cestas aos empregados do estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/000112). 4. CNP Cesta Natalina Pemambuco. Anualmente a empresa distribui entre os seus funcionários cestas contendo produtos natalinos. Este levantamento, elaborado com base em notas fiscais de saída registradas na contabilidade, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento dessas cestas aos empregados do estabelecimento filial (CNPJ 01.278.018/000384), localizado no Estado de Pernambuco. 5. KE Kit Escolar. Anualmente a empresa distribui entre os seus funcionários kits contendo materiais escolares. Este levantamento destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento desses kits aos empregados do estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/000112). Para os anos de 2000, 2001, 2003 e 2004, as bases de cálculo foram apuradas a partir das notas fiscais de saída de material escolar registradas na contabilidade. Serviram de base à apuração os lançamentos contábeis referentes à distribuição de material escolar registrados em 2002, na Conta 432006 (Gastos com Pessoal), e, em 2005 e 2006, na Conta 402002 (Material de Escritório), haja vista que a empresa não emitiu as notas de saída nos referidos anos. 6. MC Mini Case. Mensalmente a empresa distribui entre os seus funcionários kits contendo produtos Schincariol, Fl. 549DF CARF MF 4 intitulados minicases. Este levantamento, elaborado com base em notas fiscais de saída registradas na contabilidade, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento desses kits aos empregados do estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/0001 12). 7. MCP Mini Case Pernambuco. Mensalmente a empresa distribui entre os seus funcionários kits contendo produtos Schincariol, intitulados minicases. Este levantamento, elaborado com base em notas fiscais de saída registradas na contabilidade, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento desses kits aos empregados do estabelecimento filial (CNPJ 01.278.018/000384), localizado no Estado de Pernambuco. ` 8. PP Previdência Privada. Desde o ano de 2003 a empresa oferece aos seus empregados a possibilidade de adesão a um plano de previdência privada complementar, intitulado PreviSchin. A partir do exame do material explicativo do plano, fls. 374/386, foi constatado que dele poderão participar todos os empregados e dirigentes da empresa, seguindo as regras gerais: os empregados que recebem até R$ 2.460,00 mensais participam do PLANO BÁSICO, custeado integralmente pela empresa, sendo o valor da “Contribuição Compulsória Empresa” mensal equivalente a 2% do Salário Base de Contribuição e, a cada dois anos o saldo é transferido para uma conta denominada “Conta Jubileu”, cujo saldo pode ser resgatado, em qualquer tempo, pelo participante do plano; para os participantes com Salário Base de Contribuição superior a R$ 2.460,00, a contribuição do patrocinador denominase “Contribuição Regular Empresa”, limitada a 6,5% do Salário Base de Contribuição, e, em contrapartida à contribuição do patrocinador, o participante efetua contribuição equivalente a 30% da contribuição da empresa, sendo permitido o resgate apenas em caso de rescisão do contrato de trabalho, falecimento ou invalidez do participante; a Schincariol poderá, ainda, realizar “Contribuição Especial Empresa”, esporádica, para qualquer participante, podendo a mesma ser resgatada pelo participante a qualquer tempo. De acordo com a Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar, o resgate somente será permitido para as contribuições vertidas pelo participante, sendo cabível apenas a portabilidade (transferência de recursos de um plano para outro), para as contribuições vertidas pela empresa. Devido a esta irregularidade, a Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 4 5 fiscalização considerou as despesas com previdência privada complementar, incorridas pela empresa em virtude desse plano, como base de cálculo da contribuição previdenciária. O levantamento foi apurado com base na escrituração contábil (Conta de despesas 431009 Previdência Privada). 9. PPP Previdência Privada Pemambuco. Este levantamento, utilizado para a apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre as despesas com PreviSchin dos empregados do estabelecimento filial (CNPJ 01.278.018/000384), localizado no Estado de Pemambuco,possui a mesma natureza do levantamento PP. O levantamento foi apurado com base na escrituração contábil (Conta de despesas 431009 Previdência Privada). 10. SV1 Seguro de Vida em Grupo até 1998. Este levantamento, elaborado com base na escrituração contábil, referese a débito de contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade na forma de prêmio de seguro de vida em grupo pago pela empresa em benefício de seus empregados, atinente ao período anterior à implantação da GFIP, ou seja, até 12/1998. A notificada contratou seguro de vida em grupo disponível a todos os seus empregados, arcando com a totalidade do prêmio pago à seguradora, fls. 387/393. ll. SV2 Seguro de Vida em Grupo a partir de 1999. Este levantamento, elaborado com base na escrituração contábil, referese a débito de contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade na forma de prêmio de seguro de vida em grupo pago pela empresa em beneficio de seus empregados, atinente ao período posterior à implantação da GFIP, de 01/99 a 10/99. A notificada contratou seguro de vida em grupo disponível a todos os seus empregados, arcando com a totalidade do prêmio pago à seguradora, fls. 387/393. 12. VT ValeTransporte. Este levantamento, elaborado com base na escrituração contábil (Conta de despesa 432003), referese a débito de contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade na forma de valestransportes fornecidos pela empresa aos empregados do estabelecimento filial (CNPJ 01.278.018/000384), localizado no Estado de Pernambuco. A participação mensal no custo de aquisição de valetransporte é de R$ 0,01 (um centavo) de cada empregado, conforme definido nos Acordos Coletivos de Trabalho, fls. 394/418 Fl. 551DF CARF MF 6 13. O estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/000112) possui convênio com as seguintes entidades para recolhimento direto das contribuições: no período de 06/96 a 03/97, não há convênio; no período de 04/97 a 10/98, com o SESI; no período de 11/98 a 04/O1, com SESI e SALÁRIO EDUCAÇÃO; a partir de os/01, com SESI, SALÁRIO EDUCAÇÃO e SENAI. 14. Os valores foram discriminados, por competência, às fls. 46/61,' no Discriminativo Sintético de Débito DSD. 15. Inconformado com a notificação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, em 11/01/2007, de fls. 436/468, alegando, em síntese, que: 16. Preliminarmente, o direito do Fisco de lançar o crédito tributário correspondente ao período de 10/96 a 11/01 achase colhido pela decadência, conforme o Código Tributário Nacional, e por isso, O lançamento não prospera incólume. 17. A adição ao salário de contribuição do valor correspondente às cestas natalinas distribuídas não tem fundamento, pois é procedimento que traduz liberalidade por parte da impugnante. Não há O requisito da habitualidade que permita considerar o valor da cesta natalina como verba salarial. Colaciona jurisprudência. 18. Também não há guarida legal para a exigência de que o valor correspondente aos materiais escolares distribuídos pela impugnante sirva de base de cálculo às contribuições previdenciárias. Essa distribuição é mera liberalidade, que pode ser suprimida a qualquer tempo, não se tratando de ocorrência habitual que autorize a caracterização como verba de natureza salarial. Colaciona jurisprudência. 19. É liberalidade, ainda, a distribuição de produtos de sua fabricação aos seus colaboradores, especialmente em datas festivas, podendo ser suprimida a qualquer tempo. Por isso, o valor correspondente aos produtos distribuídos aos seus colaboradores não pode ser tido como de natureza salarial e não pode servir de base de cálculo de contribuições previdenciárias. 20. A adição à base de cálculo das contribuições dos valores correspondentes aos aportes da impugnante ao plano de previdência privada disponibilizado aos seus empregados é exigência contrária à própria letra da lei, art. 28, §9°, alínea p, da lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e a autoridade fiscal reconhece que o plano é disponibilizado a todos os seus colaboradores, única condição estabelecida pelo referido dispositivo. 21. A autoridade fiscal pretende exigir a tributação do valor correspondente ao seguro de vida em grupo no Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 5 7 período anterior à edição do inciso XXV ao §9° do art. 214, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, contudo o mesmo não inova a ordem jurídica. Apenas reconhece que o seguro de vida em grupo não é verba de natureza salarial e, por conseqüência, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Colaciona jurisprudência. 22. É ilegal a incidência das contribuições previdenciárias sobre o valor correspondente ao valetransporte conferido pela empresa a seus colaboradores, por expressa disposição do art. 28, §9°, alínea f, da Lei n° 8.212, de 1991, c/c o art. 2°, alíneas a e b, da Lei n° 7.418, de 16 de dezembro de 1985. 23. Isto posto, requer seja tido por improcedente o lançamento impugnado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. SALÁRIO UTILIDADE. CESTAS NATALINAS. KITS ESCOLARES. MINI CASES. INCIDÊNCIA. É devida contribuição previdenciária sobre salário utilidade. PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALETRANSPORTE. É devida contribuição previdenciária sobre previdência privada e valetransporte, quando em desacordo com os ditames legais. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. 1 É devida contribuição previdenciária sobre seguro de vida em grupo em período anterior à norma isentiva. Lançamento Procedente Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reiterou, em síntese, os argumentos dispostos na fase de impugnação. É o relatório. Fl. 553DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da decadência parcial Aduz a contribuinte a decadência da exigência relativa aos fatos havidos antes de 22/12/2001, considerando que o lançamento ocorreu em 22/12/2006. A Delegacia de origem afastou a decadência alegada também em fase de impugnação, sob o fundamento da aplicação do prazo decadencial de dez anos. Não obstante tal entendimento, de acordo com a Súmula Vinculante n.º 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, as disposições do Código Tributário Nacional. Assim, tornouse imperiosa a aplicação do prazo decadencial de cinco anos. Resta então analisar qual o termo inicial do prazo, se o contido no art. 150, § 4º, do CTN ou no art. 173, inciso I, do CTN. Conforme se extrai dos autos do processo n.º 10580.004314/200736 decorrente da mesma ação fiscal, houve pagamento antecipado (TEAF fls. 123) e, por tal razão, aplicase o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Corroborando a aplicação do mencionado dispositivo, cabe cita a Súmula CARF n.º 99, que assim determina: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nesse contexto, encontrase decaída a exigência relativa às competências de 10/96 a 11/2001. 2. Do mérito Conforme narrado, o processo em análise trata das contribuições lançadas através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) acima especificada, incidentes sobre salárioutilidade pago pelo contribuinte aos seus empregados, durante o período de 06/1996 a 02/2006. Os levantamentos correspondem às contribuições incidentes sobre salário utilidade identificado sob a forma de despesas com seguro de vida em grupo, previdência Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 6 9 privada (PreviSchin), valestransporte, material escolar (kit escolar), cestas natalinas e produtos Schincariol (mini cases) concedidos a empregados da empresa. 2.1. Das cestas natalinas, dos kits escolares e dos mini cases Sobre a matéria a Delegacia de origem assim se pronunciou: 32. A distribuição de cestas natalinas, kits escolares e mini cases, representam um ganho habitual sob a forma de utilidade, pois é vantagem atribuída ao prestador de serviços (empregado), sem a qual, para alcançálos, teria que arcar com o respectivo ônus e habitual porque existe a reiteração ou continuidade de uma prestação in natura (periódica e uniforme), considerandose tacitamente convencionadas. A liberalidade, quer o empregador queira ou não, desaparece com a repetição. Assim, a distribuição de cestas natalinas, kits escolares e mini cases aos empregados subsumiuse à hipótese de incidência, caracterizandose como saláriodecontribuição. Sustenta a recorrente a inexistência de habitualidade do pagamento das cestas natalinas; kits escolares e mini cases. O Relatório Fiscal descreveu da seguinte forma a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas: 6.1.1. Anualmente a empresa distribui entre os seus funcionários cestas contendo produtos natalinos. Este levantamento, elaborado com base em notas fiscais de saída registradas na contabilidade, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento dessas cestas aos empregados do estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/000112). 6.1.2. O fornecimento de cestas natalinas não consta entre as parcelas não integrantes do saláriodecontribuição mencionadas no § 9° do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, razão pela qual a fiscalização o considerou como base de cálculo de contribuição previdenciária. (...). 6.3.1. Anualmente a empresa distribui entre os seus funcionários kits contendo materiais escolares. Este levantamento destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento desses kits aos empregados do estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/000112). Fl. 555DF CARF MF 10 6.3.2. Para os anos de 2000, 2001, 2003 e 2004, as bases de cálculo foram apuradas a partir das notas fiscais de saída de material escolar registradas na contabilidade. 6.3.3. Para os anos citados a seguir, serviram de base à apuração os lançamentos contábeis referentes à distribuição de material escolar registrados, em 2002, na Conta 432006 (Gastos com Pessoal) e, em 2005 e 2006, na Conta 402002 (Material de Escritório). Tal procedimento foi necessário porque a empresa não emitiu as notas de saída nos referidos anos, conforme ficou constatado. 6.3.4. O fornecimento de materiais escolares não consta entre as parcelas não integrantes do saláriode contribuição mencionadas no § 9° do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, razão pela qual a fiscalização o considerou como base de cálculo de contribuição previdenciária. (...). 6.4.1. Mensalmente a empresa distribui entre os seus funcionários kits contendo produtos Schincariol, intitulados MiniCases. Este levantamento, elaborado com base em notas fiscais de saída registradas na contabilidade, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salárioutilidade identificado na forma do fornecimento desses kits aos empregados do estabelecimento matriz (CNPJ 01.278.018/000112). 6.4.2. O fornecimento de produtos da empresa não consta entre as parcelas não integrantes do saláriode contribuição mencionadas no § 9° do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, razão pela qual a fiscalização o considerou como base de cálculo de contribuição previdenciária. Quanto aos kits escolares, tratamse de utilidades voltadas à educação fornecidas pelo empregador ao segurado empregado, exigindose o requisito da habitualidade no fornecimento dos bens para a integração à base de cálculo previdenciária. Consoante descrito no Relatório Fiscal, houve habitualidade do pagamento do kit escolar sob a periodicidade anual. Assim, deve ser mantida a exigência, de acordo com o art. 22 da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 7 11 disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Aplicase o mesmo entendimento relativamente às cestas natalinas e aos minicases, pois são utilidades entregues aos empregados, igualmente, de forma habitual (periodicidade anual e mensal respectivamente). 2.2. Da previdência privada A respeito da matéria, a Delegacia de Origem consignou que, conforme o material explicativo do plano, fls. 374/386, o plano PreviSchin prevê a possibilidade de resgate das contribuições efetuadas pela patrocinadora, o que contraria os arts. 14 e 15 da Lei Complementar n.º 109, de 29 de maio de 2001, que permitem o resgate apenas da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante e a portabilidade do direito acumulado pelo participante para outro plano. A caracterização da remuneração dos aportes realizados ao suposto plano de previdência complementar não fere ao disposto na Constituição Federal no sentido de que as contribuições do empregador não integram o contrato de trabalho e nem a remuneração dos participantes, pois, diante do desvirtuamento do plano, as contribuições do empregador são, na verdade, remuneração. Além disso, como descrito no Relatório, fls. 153, na previdência contratada pela Schincariol, a situação pode ser ainda mais agravada no que tange à Contribuição Especial Empresa, pois, sem qualquer critério definido, a empresa pode eleger um empregado ou um dirigente para ser contemplado com contribuições adicionais de qualquer valor, que poderão ser resgatadas após período de carência de apenas 60 dias, como descrito no material explicativo examinado. Dessa forma, não assiste razão à recorrente, em seus argumentos. 2.3. Seguro de vida em grupo Aduz o contribuinte que o inciso XXV do § 9º do art. 214 do RGPS não inova a ordem jurídica, mas apenas reconhece que o seguro de vida em grupo não é verba de natureza salarial e, por consequência, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que o lançamento antecede à edição do referido dispositivo. A decisão recorrida mantém o lançamento sob o argumento de que, antes da vigência do dispositivo mencionado, não havia norma que afastasse da base de cálculo das contribuições previdenciárias o valor correspondente ao seguro de vida em grupo. Conforme se extrai dos autos, é incontroverso o fato de que o seguro de vida em grupo estava disponível a todos os empregados (fls. 154), sendo discutido o fato relativo ao período anterior à edição do inciso XXV do § 9º do art. 214 do RGPS. Cabe esclarecer que, mesmo antes da edição do referido dispositivo, o seguro de vida em grupo não continha os elementos exigidos para ser caracterizado como salário, dada a forma genérica que era pago para todos os funcionários da empresa. Fl. 557DF CARF MF 12 Assente em jurisprudência pacífica, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional PGFN, mediante a edição do Ato Declaratório n° 12, de 2011, desistiu de contestar, de interpor recursos e a desistência dos já interpostos, nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, entretanto ressaltou, a exemplo do STJ, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Dessa forma, assiste razão à recorrente quanto à não incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro de vida em grupo. 2.4. Do valetransporte Alega a recorrente que o fato de não ter procedido ao desconto integral correspondente a até 6% do salário de seus empregados como facultado pelo parágrafo único do art. 4º da Lei n.º 7.418/85, não descaracteriza o valetransporte como tal, devendo incidir a norma disposta no inciso "f" do § 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. De fato, a ausência de desconto do valor integral a título de valetransporte não descaracteriza a exigência, pois a Lei 7.418/85 prevê a concessão do benefício da seguinte forma: Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Com a interpretação da referida norma, não se extrai a obrigatoriedade do desconto do percentual de 6%, mas sim a necessidade de complementação pelo empregador dos gastos com deslocamento da parcela que exceder o mencionado percentual. Portanto, não vislumbro desvirtuamento do pagamento do valetransporte. Tal matéria dispensa maiores considerações, já que este Conselho já se manifestou reiteradamente sobre o tema, tendo editado Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, conforme abaixo transcrito: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Assim, assiste razão ao recorrente, devendose excluir dos levantamentos efetuados o valor do débito correspondente à rubrica valetransporte. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência relativa às competências de 10/96 a 11/2001; excluir do lançamento a rubrica seguro de vida em grupo e valetransporte. Assinado digitalmente. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 8 13 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem o brilhantismo e costumeiro acerto da ilustre Relatora, ouso, com o devido pedido de licença, dela discordar no caso concreto. Entendo que o recurso voluntário merece ser provido em sua totalidade. Explico, analisando o voluntário na ordem de suas alegações. DAS CESTAS NATALINAS, DOS KITS ESCOLARES E DOS MINI CASES Segundo o Fisco, com a concordância da decisão de piso, a Recorrente ao realizar a entrega de utilidades ao seus empregados atrai a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores de tais utilidades. Reproduzo parte de decisão de 1ª instância sobre o tema: " distribuição de cestas natalinas, kits escolares e mini cases, representam um ganho habitual sob a forma de utilidade, pois é vantagem atribuída ao prestador de serviços (empregado), sem a qual, para alcançálos, teria que arcar com o respectivo ônus e habitual porque existe a reiteração ou continuidade de uma prestação in natura (periódica e uniforme), considerandose tacitamente convencionadas. A liberalidade, quer o empregador queira ou não, desaparece com a repetição. Assim, a distribuição de cestas natalinas, kits escolares e mini cases aos empregados subsumiuse à hipótese de incidência, caracterizandose como saláriodecontribuição Não se pode concordar. Tais utilidades não ostentam caráter salarial, posto que não se destinam a retribuir o trabalho prestado pelos empregados. A Carta Magna, ao definir os contornos para atribuir competência à União para instituir as contribuições incidentes sobre a o trabalho da pessoa humana destinadas ao custeio do Sistema de Seguridade Social, explicitou no inciso I do artigo 195: "I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidente sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo que sem vínculo empregatício." (negritamos) A leitura atenta das disposições constitucionais e das constantes da Lei de Custeio da Previdência não permitem outra conclusão que não a que assevera que incidência tributária previdenciária se dá sobre valores pagos à título de remuneração. Fl. 559DF CARF MF 14 Como mencionado acima, o conceito de remuneração engloba não só as parcelas pagas como sinalagma direta da relação de trabalho, ou seja, não só a contraprestação pelo trabalho, pelos serviços prestados. Também o tempo à disposição do empregador, os casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, e as disposições contratuais, sejam elas individuais ou coletivas, além por óbvio das disposições legais, integram o conceito de remuneração. Mesmo diante da amplidão conceitual da remuneração, restam ainda verbas corriqueiramente pagas pelo empregador ao empregado que não são abarcadas por esse amplo conceito. Remuneração não é um buraco negro na amplidão cósmica. Não se observa natureza remuneratória nos instrumentos de trabalho, ou bens que mesmo utilizados pelo trabalhador fora dos horários de prestação de serviços ao empregador como um veículo de um vendedor externo posto que destinados ao próprio trabalho avençado. Também não ostenta natureza salarial as indenizações. Por óbvio que não. O conceito mais puro de indenização, que diz essa se destinar a repor a situação ao status quo ante, à condição existente anteriormente, quando devidamente compreendido, por si só demonstra a impossibilidade pertinência da verba indenizatória ao conceito de remuneração. Indenizase dano. Seja esse ocorrido na esfera patrimonial ou de direito do ofendido. Bens ofertados igualmente a todos os trabalhadores sem caráter contraprestacional, os chamados benefícios como por exemplo os seguros de vida, as assistências médicas, os auxílios farmácia não integram o conceito de remuneração. A habitualidade do pagamento de tal verba não tem o condão de alterar sua natureza jurídica. Os benefícios não integram o salário de contribuição simplesmente por não ostentarem natureza salarial, remuneratória. Uma análise direta, porém eficaz, permite a distinção entre uma utilidade (benefício) e um salárioutilidade (remuneração). Assentemos. As utilidades são distribuídas igualmente para todos os empregados e, até porque não, dirigentes da empresa. São benefícios, recursos, bens, distribuídos para todos os empregados da mesma maneira, na mesma quantidade, com o mesmo objetivo: motivar e fidelizar o empregado com os objetivos empresarias. É um método eficiente de promoção dos recursos humanos da empresa. Os benefícios não distinguem o trabalho do empregado, isto é, não é entregue de maneira a diferenciar os trabalhadores. Tal distinção se dá como cediço pelo salário, posto que este sim, pago em função da mais valia que a prestação de serviços do empregado rende para a empresa, faz distinção entre os diversos trabalhadores, alocados em cargos ou funções que ensejam remuneração distinta. Tal fato não ocorre nos benefícios. É justamente tal distinção teórica que justifica que o parágrafo 9º do artigo 28 da Lei de Custeio, explicite, na maioria de seus incisos e alíneas, que as utilidades e verbas ali Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10580.004318/200714 Acórdão n.º 2201003.614 S2C2T1 Fl. 9 15 constantes sejam ofertadas indistintamente a todos os trabalhadores para que não integrem o salário de contribuição. Por fim, mister asseverar: benefícios, embora habituais, não são ganhos do trabalhador, são ofertas do empregador! Somente um neófito em tributação para admitir incidência de contribuição previdenciária sobre um valor ofertado, graciosamente, pelo empregador, indistintamente a todos trabalhadores. Um kit escolar, uma cesta natalina, um kit de produtos da empresa empregadora...salário não são! Diante do exposto, em face da inaplicabilidade do artigo 22, I da Lei de Custeio, dou provimento ao recurso nessa parte. DA PREVIDÊNCIA PRIVADA Segundo a Relatora, apoiada na decisão de piso, há incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência privada pela Recorrente. São seus argumentos: "A respeito da matéria, a Delegacia de Origem consignou que, conforme o material explicativo do plano, fls. 374/386, o plano PreviSchin prevê a possibilidade de resgate das contribuições efetuadas pela patrocinadora, o que contraria os arts. 14 e 15 da Lei Complementar n.º 109, de 29 de maio de 2001, que permitem o resgate apenas da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante e a portabilidade do direito acumulado pelo participante para outro plano. A caracterização da remuneração dos aportes realizados ao suposto plano de previdência complementar não fere ao disposto na Constituição Federal no sentido de que as contribuições do empregador não integram o contrato de trabalho e nem a remuneração dos participantes, pois, diante do desvirtuamento do plano, as contribuições do empregador são, na verdade, remuneração." Não se pode concordar com a posição da ilustre Relatora. Não há vedação de antecipação de resgate nos artigo 14 e 15 da Lei Complementar nº 109. E mais, como bem conclui a Relatora, há expresso afastamento da incidência tributária previdenciária no artigo 68 e 69 da mencionada Lei Complementar. Não obstante todo o exposto, o artigo 28, § 9º, alínea 'p' da Lei nº 8.212/91, expressamente afasta os valores pagos pelo empregador, a título de previdência complementar, aberta ou fechada, da incidência da contribuição previdenciária desde que tal benefício seja extensivo a todos os trabalhadores e haja observância dos artigos 9º e 468 da CLT. Ora, diante da expressa determinação da exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias dos valores pagos a título de previdência complementar, só restaria ao Fisco a comprovação da ocorrência das condições previstas no artigo 9º da CLT, Fl. 561DF CARF MF 16 uma vez que a outra condicionante legal a extensão dos benefícios a todos os trabalhadores não restou atacada pela Administração Tributária. Recordemos a dicção do artigo 9º da Lei Consolidada Trabalhista: "Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação" Forçoso reconhecer que, entendendo o Fisco que a verba paga sob a rubrica de previdência complementar tem natureza salarial, deveria necessariamente comprovar tal natureza, posto que a Lei de Custeio afasta peremptoriamente a incidência exceto no caso de fraude, impedimento ou desvirtuamento da contribuição à previdência complementar, exsurgindo a natureza salarial de tal pagamento. Não se observa tal comprovação no auto de infração. Mera menção a possibilidade de resgate antecipado ou aporte de valores superiores em casos específicos não ensejam a aplicação do artigo 9º da CLT Assim, por expressa disposição da Lei de Custeio, dou provimento ao voluntário nessa parte. CONCLUSÃO Por amor à clareza, ressalto minha concordância com a eminente Relatora, tanto com as conclusões quanto com as razões de decidir nos pontos não analisados neste voto vencedor. Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 562DF CARF MF
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