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Numero do processo: 10245.720081/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2401-006.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10245.720068/2008-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10245.720068/2008-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 00 81 /2 00 8- 12 Fl. 124DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.548 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720081/2008-12 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.546, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10245.720068/2008-55, paradigma deste julgamento. “URZENI DA ROCHA FREITAS FILHO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do arbitramento do valor da terra nua - VTN. O contribuinte apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a decisão a quo entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, para considerar o VTN constante do Laudo Técnico, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, inova nas razões da impugnação, pugnando preliminarmente pela nulidade do lançamento, uma vez eivado de vícios insanáveis. Aduz ser incabível a aplicação da multa por não ter agido com má-fé. Afirma que devem ser excluídas do cálculo do imposto às áreas de preservação permanente, bem como áreas de reserva legal. Insurge-se acerca da sujeição dos atos públicos e da motivação do lançamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Fl. 125DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.548 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720081/2008-12 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.546, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10245.720068/2008-55, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.546, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.546 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE - PRECLUSÃO Na impugnação o sujeito passivo nada argumenta a respeito sobre às áreas de preservação permanente e reserva legal, bem como sobre da imposição da multa. No recurso, apresentou inovação ao alegar que devem ser observadas a área de preservação permanente, bem como a área de reserva legal, no computo do cálculo do imposto e a impossibilidade da cobrança da multa. Nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ademais, verifica-se da Notificação de Lançamento, bem como da própria DITR, que não há declaração da existência das referidas áreas, assim como não foram objeto do lançamento. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, além de ser estranha a lide. PRELIMINAR DE NULIDADE O recorrente entende que o seu direito de defesa, constitucionalmente consagrado, foi violado pelas autoridades fiscais. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão Fl. 126DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.548 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720081/2008-12 recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura da Notificação de Lançamento, especialmente a “Descrição dos fatos e enquadramento legal" e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram-se maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo e demais, se confundem com o mérito, como já dito, não ensejando em nulidade Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 127DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.548 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720081/2008-12 Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100369/2009-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente proceda a juntada dos Anexo Documentos de Prova constante do processo 11065.001325/2009-18.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente proceda a juntada dos “Anexo Documentos de Prova” constante do processo 11065.001325/200918. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: “A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de PIS nãocumulativo dos meses de janeiro a março de 2009, conforme pleito constante dos autos. A DRF de origem fez diligências para auferir o pleito da contribuinte, opinando pelo deferimento parcial, devido a glosas da contribuição nãocumulativa, nos termos do Relatório Fiscal/ Auto de Infração de fls.82 a 90. Neste, a Autoridade Fiscal verificou que em auditoriafiscal realizada junto à empresa Henrich & Cia Ltda, foram constatadas situações fáticas que levaram ao entendimento de que terceiras empresas todas optantes do sistema SIMPLES e, a partir de 01/07/2007, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .1 00 36 9/ 20 09 -2 0 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 480 2 optantes do SIMPLES Nacional , funcionam como interpostas utilizadas pela autuada para contratar trabalhadores com redução de encargos previdenciários e criação fictícia de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos. As empresas interpostas são as seguintes: 1) Civitanova Indústria de Calçados Ltda (CNPJ 08.164.075/000110); 2) RHH Indústria de Calçados Ltda (CNPJ 06.075.927/000177) e, 3) Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda (CNPJ 03.389.395/000154). A constatação da simulação entre as empresas decorre de várias constatações, como o parentesco entre os sócios; a empresas localizadas no mesmo endereço, com recepção única (RHH e Monte Bianco); muitos empregados da impugnante são dispensados e passam a figurar como empregados das outras; sócios substituídos por exempregados da impugnante (Civitanova); empregados com alternância de vínculo de emprego somente entre as empresas envolvidas; exclusividade na prestação de serviço (unicamente à impugnante); faturamento oriundo exclusivamente em razão de uma única prestação de serviço; ausência de máquinas, equipamentos e móveis para fazer frente à sua atividade fim tudo obtido da litigante/contribuinte, por meio de comodato; falta de autonomia financeira: operacionalmente as empresas contratadas tem prejuízo e sobrevivem às custas de empréstimos da impugnante. Estas constatações estão mais detalhadas no Relatório Fiscal do Auto de Infração de crédito previdenciário, contido no processo administrativo 11065.001325/2009 18, que consta nas fls.59 a 81 do presente processo. Como os supostos serviços de industrialização pelas empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, RHH Indústria de Calçados Ltda e Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda são custos relativos à folha de pagamento da mãodeobra da contribuinte (Henrich & Cia Ltda), pois, na realidade, formam uma única entidade controlada e dirigida pela contribuinte, não podem gerar crédito das contribuições nãocumulativas, pois mãodeobra não gera direito creditório, nos termos do art.3°da Lei 10.637/2002 e da 10.833/2003. É informado que a representação penal foi formalizados nos processos administrativos n°s 11065.001328/200951 e 11065.001329/200904. Então, fundamentado nas provas/evidências da simulação acima transcritas, foram glosados os créditos de insumos de PIS nãocumulativo decorrentes da aquisição dos fornecedores/prestadores de serviço (Civitanova Indústria de Calçados Ltda, RHH Indústria de Calçados Ltda e Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda ) nos meses de julho a setembro de 2009, resultando no indeferimento parcial do pleito da contribuinte, conforme consta do Despacho Decisório de fl.92. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, de fls.120 a 143. Nesta, alega que o fiscal autuante enquadrou como simulação a prestação dos serviço das empresas contratadas Civitanova Ind. de Calçados Ltda, RHH Ind. de Calçados Ltda e Ind. de Calçados Monte Bianco Ltda, com fundamentos nas constatações do processo administrativo 11065.001325/200918, desconsiderando a relação de emprego e jurídico tributária por suposta simulação na terceirização de atividades produtivas da litigante, baseando o seu entendimento em simples presunção, com argumentos fundados em análises superficiais, sem provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 481 3 NULIDADE E INCOMPETÊNCIA Argumenta, inicialmente e de forma preliminar, que o processo administrativo (11065.001325/200918) que serviu para fundamentar as conclusões da Auditoria Fiscal, ainda se encontra em discussão administrativa, mas que não se encontraria nos autos em litígio prova dos pressupostos legais da relação empregatícia das empresas terceirizadas com a litigante, fazendo com que o relatório ficasse incompleto, acarretando o cerceamento de defesa. Agregase a este fato que a competência administrativa para o reconhecimento da existência de relação de emprego é do M.T.E — Ministério do Trabalho e Emprego, através dos Auditores Fiscais do Trabalho, nos termos do art. 11 da Lei n° 10.593, de 06/12/2002, sendo que a recente Lei n° 11.941, de 27/05/2009 deu nova redação ao art. 26 da Lei n° 8.212/91, ratificando o âmbito de atuação dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, não incluindo as relações de emprego, o mesmo sendo observado em relação ao disposto no parágrafo único do art. 626 da CLT Consolidação da Leis do Trabalho, definindo que é ilegal a desconstituição do vínculo empregatício efetuada pela Auditora Fiscal da Receita Federal, ainda mais, de forma indireta, como fundamento para efetuar as glosas de crédito da contribuição. Ademais, em se tratando de relações empregatícias, a competência para julgar passa a ser da Justiça do Trabalho, nos termos do art. 114, VI, da CF, motivo pelo qual a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, outra vez, extrapolou sua competência. Afirma que no caso em tela temse uma terceirização lícita, até decisão transitada em julgado, pois não há ingerência da tomadora na atividade da prestadora, bem como o serviço realizado é atividademeio e não atividade fim. PARENTESCO ENTRE SÓCIOS Continuando sua defesa, a contribuinte ataca a constatação de parentesco entre os sócios das empresas, pois isto decorreria da relação familiar e de afetividade, que se estenderia para as relações profissionais, onde, por tradição, os conhecimentos do ofício são passados de pai para filho, não afetando a personalidade jurídica da pessoa jurídicas, que são diferentes das dos sócios. Embora tenha havido, por algum tempo relação de parentesco entre as empresas terceirizadas (prestadoras/fornecedoras de serviços), este fato não afetaria a personalidade jurídica, regularmente registradas, não sendo elemento suficiente para configuração de simulação/constituição irregular de empresas, já que não há nenhuma ilegalidade, sendo livre a iniciativa da atividade econômica, nos termos do art. 170 da CF. Além disso, a desconsideração da personalidade jurídica da empresa somente pode ocorrer quando existe abuso por parte da empresa, objetivamente provado, já que existe autonomia entre o patrimônio das pessoas físicas e jurídicas, segundo entendimento jurisprudencial. ESTABELECIMENTOS EM MESMO ENDEREÇO RELAÇÃO JURÍDICA EMPREGATÍCIA No pertinente à constatação de que no estabelecimento da contribuinte estarem sendo realizadas as atividades de empresas terceirizadas/prestadoras de serviço, esta argumenta que usa, para a maioria do serviço de beneficiamento, da mãode obra das empresas onde ocorrem os serviços terceirizados. Todavia, tal fato não condiz com a afirmação da Autoridade Fiscal de que "em tese" as empresas Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 482 4 prestadoras de serviços/terceirizadas não teriam personalidade jurídica, sendo uma extensão da litigante, pois estão em espaços separados e cada uma possui personalidade jurídica própria Transcreve excertos de decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) em decisão de 23/01/2008, que decide pela inexistência de simulação para o desmembramento das atividades com o objetivo de racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. As empresas estariam próximas umas das outras (a contribuinte litigante e as terceirizadas/prestadoras de serviço) por uma questão de logística, para redução de custos, mas mantendo sua independência de funcionamento, sendo que as terceirizadas RHH Indústria de Calçados Ltda e Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda, estão estabelecidas em Santa Maria do Herval, cidade diferente da litigante (Dois Irmãos) Além disso, em relação aos fatos apurados contra a contribuinte, esta informa que possui em torno de 1400 empregos diretos; que a filial que estaria funcionando no mesmo endereço de uma das terceirizadas Civilanova está desativada e que nunca coexistiu com a prestadora de serviço; nega que as terceirizadas RHH e Monte Bianco sejam duas empresas funcionando no mesmo prédio, fazendo analogia com o planejamento logístico da General Motors do Brasil GMB em relação às sistemistas; salienta que o Relatório Fiscal em momento algum relata o cotidiano da relação empregatícia, à luz do princípio da primazia da realidade, a fim de configurar a suposta situação fática aduzida. E para a ocorrência ou não da relação de emprego, devese analisar um conjunto de requisitos, de forma pontual e realista, quais sejam: não eventualidade, subordinação e pagamento de remuneração. Ao mesmo tempo, devem ser analisados os requisitos pertinentes às empresas terceirizadas, quais sejam: exercício de atividade de apoio e não subordinação dos trabalhadores cedidos. Afirma que no caso, ainda que se admita a legitimidade da auditora fiscal para desconsiderar a relação de emprego, ainda assim a ilustre fiscal deixou de demonstrar de forma fática qualquer vínculo de subordinação dos empregados das empresas terceirizadas perante a empresa Henrich (litigante). TERCEIRIZADAS COM A MESMA CONTADORA Na afirmação da Autoridade Fiscal de existência de duas empresas (Civitanova Indústria de Calçados Ltda e Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda) terceirizadas/prestadoras de serviço com a mesma contadora serem um indício do esquema simulatório, a litigante alega que este fato não é proibido pela legislação, sendo livre a escolha de profissionais para a prestação de serviço, ainda mais de que estes tenham experiência no ramo de negócios do empregador. Observa ainda que o fato de terem a mesma contadora não faz com que as empresas terceirizadas/prestadoras de serviço percam sua personalidade jurídica e independência, nem há prova de nenhuma irregularidade desta profissional, até porque a contribuinte/litigante não pode ser responsável por atos de terceiros, distintos de seus próprios atos. MIGRAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS DA CONTRIBUINTE PARA TERCEIRIZADA Continuando sua defesa, a contribuinte/litigante alega que a contratação de seus funcionários despedidos pela empresa terceirizada Civitanova Indústria de Calçados Ltda não apresenta nenhuma irregularidade, haja vista que os empregados despedidos podem escolher trabalhar na mesma área de atuação e em outra empresa próxima. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 483 5 Relata que sequer os funcionários das terceirizadas entendem ter a Henrich (litigante) qualquer responsabilidade, sequer no âmbito trabalhista, como pode ser observado na amostragem (uma ação de cada empresa) das reclamatórias trabalhistas interpostas anexas (Anexo 05). INEXISTÊNCIA DE PATRIMÔNIO DAS TERCEIRIZADAS Neste tópico, a litigante argumenta que seria uma razão vazia para fins da constatação da simulação, pois as empresas ligadas ao SIMPLES, em sua maioria, não dispõem de patrimônio. Por isso, a litigante faz questionamento como: se ausência de patrimônio das empresas no SIMPLES é um fenômeno geral e nacional, o Fisco fiscalizara, uma a uma, para desconsiderar suas operações e glosar os créditos das contribuições? Tal consideração seria necessária, levando em conta o princípio constitucional da isonomia e legalidade, ao qual a Autoridade Fiscal é submetida. Então, considerando toda sua defesa, a contribuinte conclui que não há razões de fato nem de direito que dêem guarida à desconsideração da relação jurídica entre as prestadoras de serviço e a impugnante, pois as razões levantadas pela autoridade Fiscal fazem parte das técnicas industriais e comerciais do mundo contemporâneo, sendo as empresas juridicamente distintas, com personalidade jurídica própria: sócios, empregados, faturamentos, contabilidade, contadores distintos e domicílio. Por conseguinte, as empresas tidas com o fito de burlar o Fisco são pessoas jurídicas inconfundíveis e legalmente constituídas, sendo um direito do contribuinte, para fazer frente ao mercado externo, escolher entre as várias alternativas legais, a menos onerosa no planejamento de sua produção industrial, nos termos da doutrina. Por fim, finalizando sua manifestação de inconformidade, a contribuinte/litigante solicita o ressarcimento imediato da parcela glosada, devidamente corrigida pela taxa SELIC” A DRJ de Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 1034.579 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA E INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL – NÃO COMPROVAÇÃO IMPROCEDÊNCIA. A preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e incompetência da Autoridade Fiscal não restaram comprovadas pela contribuinte/litigante, acarretando a improcedência da alegação da defesa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. A realização da prestação de serviço de industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 484 6 materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a consequente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, nos termos da legislação específica. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e rebatendo o disposto na decisão de piso. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da proposta de conversão do julgamento em diligência A presente discussão versa sobre a Pedido de Ressarcimento de PIS nº 30861.95950.130509.1.1.081701 referente ao 1º Trimestre de 2009 no valor de R$228.030,72. Deste valor foram glosados R$15.000,67 referente a desconsideração dos serviços prestados pelas empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda e RHH Indústria de Calçados Ltda por considerar que os valores relacionados a estes Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 485 7 serviços a bem da verdade seriam custos relacionados a própria folha de pagamento da Henrich & Cia Ltda e que não poderia se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãode obra por expressa vedação legal. A glosa cujo relatório encontrase no documento intitulado “Auto de Infração” efls. 82 a 90 tomou por base o Relatório do Auto de Infração do processo 11065.001325/2009 18 no qual concluiu que “as empresas Civitanova, RHH e Monte Bianco, empresas optantes pelo SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, constituem empresas interpostas utilizadas pela empresa HENRICH para contratarem empregados com redução de encargos previdenciários". A Recorrente alega preliminarmente, em seu Recurso Voluntário, que há necessidade do trânsito em julgado do processo 11065.001325/200918 para aplicação dos efeitos práticos no presente processo. No mérito, afirma que não foi comprovada a relação de emprego entre a recorrente e as prestadoras de serviço bem como da incompetência da Receita Federal para desconsideração da relação de emprego. Concordo em parte com o entendimento da Recorrente no sentido de que havendo decisão no processo 11065.001325/200918, bem como outra decisão sobre o mesmo ponto em comum aqui no presente processo teríamos o risco de haver conflito de decisões. Contudo, cabe destacar que estamos diante de tributos e fundamentos distintos nos quais podem e devem ser julgados de modos independentes. No processo 11065.001325/200918 está sendo analisado a aferição indireta das remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais para cobrança das contribuições da empresa (recorrente) tendo por base as folhas de pagamento das empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda e RHH Indústria de Calçados Ltda. Entretanto, no presente processo está se tratando de glosa de créditos das contribuições ao PIS não cumulativas por ocasião de pedidos de ressarcimento na qual foi relatada e fundamentada conforme “auto de infração” de efls 82 a 90 cuja base é a desconsideração das notas fiscais das empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda e RHH Indústria de Calçados Ltda. Percebese que o ponto em comum está relacionado à estreita ligação entre a recorrente e as empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda e RHH Indústria de Calçados Ltda. Apesar de já haver decisão deste Conselho no processo 11065.001325/2009 18, o Acórdão 2402005.258 decidiu declarar a nulidade do lançamento por vício formal sem adentrar no mérito. Ou seja, não houve julgamento do ponto em comum acima assinalado e, portanto, entendo haver a possibilidade de julgamento por parte desta turma sem que haja decisões conflitantes. O relatório intitulado “auto de infração” do presente processo (efls. 82 a 90) toma por base fatos observados na ação fiscal e que fundamentaram a ligação entre a recorrente e as empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda e RHH Indústria de Calçados Ltda, quais sejam: a) Grau de parentesco entre os sócios da Henrich e seus fornecedores; b) Atividade desenvolvida no mesmo endereço; c) Mesma contadora; Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11065.100369/200920 Resolução nº 3001000.244 S3C0T1 Fl. 486 8 d) Migração dos funcionários da Henrich para a recém constituída Civitanova; e) Emissão de notas fiscais sequenciais; f) Ausência de patrimônio das terceirizadas; g) Dependência financeira das terceirizadas. Os documentos que suportaram estas afirmações encontramse no processo 11065.001325/200918 e que não foram juntados aos presentes autos. Diante do exposto voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda a juntada dos “Anexo Documentos de Prova” constante do processo 11065.001325/200918. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, para atendimento da diligência. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013725/2005-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-004.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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CONCOMITÂNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CRONUS FOMENTO MERCANTIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 37 25 /2 00 5- 48 Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 10980.013725/200548 Acórdão n.º 9101004.227 CSRFT1 Fl. 2.632 2 conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls.1218 e ss. do vol.1) contra o acórdão abaixo, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: Acórdão nº 10515.957, de 20/09/2006 DECADÊNCIA DOLO, FRAUDE, SIMULAÇÃO Quando a autoridade lançadora demonstra que ocorreu dolo, fraude ou simulação, a decadência regese conforme o disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional tendo em vista que o sujeito passivo utilizouse de artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador. BASE DE CÁLCULO RECEITA FORNECIDA PELO PRÓPRIO SUJEITO PASSIVO Tendo sido a receita extraída de planilhas elaboradas pelo, próprio sujeito passivo, descabe a reclamação de que os demonstrativos que instruem o lançamento inviabilizam a compreensão dos cálculos. MULTA AGRAVADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A declaração a menor de valores relevantes de receitas, praticada de forma reiterada, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração. PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CRONUS FOMENTO MERCANTIL LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e o pedido de perícia, no mérito por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães que mantinha a multa isolada, e os Conselheiros José Carlos Passuello e José Clóvis Alves que reduziam a multa de ofício proporcional para 75%. (grifouse) Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 10980.013725/200548 Acórdão n.º 9101004.227 CSRFT1 Fl. 2.633 3 No voto condutor do acórdão recorrido, quanto à matéria "multa isolada por insuficiência de recolhimento da estimativa", restou consignado: A autoridade lançadora calculou, em função das infrações relacionadas no auto de infração, diferença de estimativa a recolher, lançando sobre esta a multa isolada de ofício, de 75%, conforme anexos XIII e XIV de fls. 1.663 e 1.664 com fundamento no artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, tendo em vista que o contribuinte optou pelo pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no lucro estimado. Conforme se pode verificar ao fazer o reajustamento da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro sobre as quais deveria incidir a estimativa e aplicarlhes a multa de 75%, e em seguida, ao tributar os valores que serviram de reajuste a referida base de estimativa, aplicandolhes também a multa de ofício, no presente caso de 150%, ou mesmo que fosse de 75%, está a fiscalização utilizandose da mesma base para de cálculo para a aplicação da multa ofício, matéria que já tem jurisprudência formada no Primeiro Conselho de Contribuintes e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: [...] Cientificada, a Fazenda Nacional, com base no inciso I do art. 7° do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007, interpôs recurso especial por contrariedade à lei e à evidência da prova, insurgindose contra o acórdão recorrido na parte em que deu parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de oficio, lançada com base no art. 44, inc. I e seu parágrafo 1°, inc. IV, da Lei nº 9.430/96, em função do descumprimento, pelo contribuinte, do modo de pagamento do IRPJ e CSSL sobre base de cálculo estimada (art. 2° da Lei nº 9.430/96). Após ter sido negado e agravado, foi dado seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade de agravo de fls.1247 e ss. do vol. 6. O contribuinte foi cientificado do recurso especial da PFN e do despacho que o admitiu e apresentou contrarrazões (fls.1287 e ss. do vol.6), em que sustenta a manutenção do acórdão recorrido. Nessa oportunidade, também apresentou recurso especial pedindo, em síntese, a anulação integral dos autos de infração. O recurso não foi admitido, conforme despacho de admissibilidade efls.189/192, confirmado pelo despacho de reexame de admissibilidade de efls.410/411. É o relatório. Voto Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 10980.013725/200548 Acórdão n.º 9101004.227 CSRFT1 Fl. 2.634 4 Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento O recurso sob exame foi interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e admitido com fulcro no art. 56, inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes RICC, combinado com artigos 7, inciso I e 15 §1° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, ambos aprovados pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. O art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, assim dispunha: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; [...] § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. A Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, por sua vez, ao aprovar o Regimento Interno do CARF (RICARF) anterior ao atual, expressamente fez consignar a tramitação dos recursos especiais por contrariedade à lei conforme o regimento anterior, conforme abaixo: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Essa regra de transição foi garantida pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprova o atual RICARF, estabelecendo: Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Assim, para fins de conhecimento, não se aplica o disposto no atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 356, de 2015, que se destina apenas o recurso especial de divergência, verbis: Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 10980.013725/200548 Acórdão n.º 9101004.227 CSRFT1 Fl. 2.635 5 Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. [...] Nesse sentido, conheço do recurso especial da PFN no presente caso, nos termo do despacho de admissibilidade de agravo de fls.1247 e ss. do vol. 6. Mérito A questão a ser dirimida cingese à imposição de multa de ofício lançada isolamente de forma concomitante com a multa de ofício em relação ao mesmo período. Sobre o tema, em que pese o entendimento desta relatora em sentido contrário, acabou por prevalecer no âmbito do CARF, o entendimento consolidado pela Súmula CARF nº 105, aprovada na sessão do Pleno da CSRF de dezembro de 2014, de observância obrigatória por todos os conselheiros, que dispõe: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012 O referido art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação vigente à época dos fatos assim dispunha: Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 10980.013725/200548 Acórdão n.º 9101004.227 CSRFT1 Fl. 2.636 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...](grifouse) Com edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, os casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais passaram a ser previstos com incidência de multa isolada à alíquota de 50% sobre o valor apurado no mês, conforme abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: [..1 II — de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [..] Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 10980.013725/200548 Acórdão n.º 9101004.227 CSRFT1 Fl. 2.637 7 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Considerando que a súmula trata de hipótese prevista no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, e que todos os paradigmas em que se baseou se referem à interpretação dada a fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da alteração promovida no referido dispositivo pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, entendo que o enunciado da súmula se aplica aos casos referentes à imposição de multa isolada até o ano calendário de 2006, como é o caso destes autos. Sendo assim, uma vez aplicado o enunciado da súmula acima referida ao presente litígio, não prospera a autuação referente às multas isoladas, devendo prevalecer a multa de ofício lançada no período, como decidiu o acórdão recorrido. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da PFN. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2637DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004530/2006-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ENTREGA DE PARTE DA ÁREA NA REGULARIZAÇÃO DO IMÓVEL.
A entrega de parte da área em favor do Estado para que este regularize a situação do imóvel que se encontrava invadido por dezenas de famílias, realizando assentamento sobre a área e garantindo ao possuidor adquirente o direito de permanecer com o restante, se constitui em dispêndio realizado com a conservação do bem, não sendo lícito excluir do custo da aquisição o valor correspondente a área destinada ao Estado. Não se pode ignorar que a regularização de imóvel agrega valor à propriedade e refletirá na apuração do ganho de capital.
Numero da decisão: 9202-007.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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CUSTO DE AQUISIÇÃO. ENTREGA DE PARTE DA ÁREA NA REGULARIZAÇÃO DO IMÓVEL. A entrega de parte da área em favor do Estado para que este regularize a situação do imóvel que se encontrava invadido por dezenas de famílias, realizando assentamento sobre a área e garantindo ao possuidor adquirente o direito de permanecer com o restante, se constitui em dispêndio realizado com a conservação do bem, não sendo lícito excluir do custo da aquisição o valor correspondente a área destinada ao Estado. Não se pode ignorar que a regularização de imóvel agrega valor à propriedade e refletirá na apuração do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 45 30 /2 00 6- 18 Fl. 379DF CARF MF 2 Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional relativo à contrariedade à lei ou à evidência da prova em face do Acórdão n.º 10249270, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2002, 2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência deve ser apreciado pela autoridade julgadora, que pode indeferir aqueles relacionados com diligências prescindíveis e desnecessárias a solução da lide CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O indeferimento de pedido de diligência prescindível a solução da lide não acarreta cerceamento do direito de defesa do contribuinte. GANHO DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIÇÃO ENTREGA DE PARTE DA ÁREA NA REGULARIZAÇÃO DO IMÓVEL REGULARIZAÇÃO QUE AGREGA VALOR AO IMÓVEL IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DO VALOR CORRESPONDENTE À FRAÇÃO ENTREGUE PARA REGULARIZAÇÃO DA PROPRIEDADE. A entrega de parte da área em favor do Estado para que este regularize a situação do imóvel que se encontrava invadido por dezenas de famílias, realizando assentamento sobre a área e garantindo ao possuidor adquirente o direito de permanecer com o restante, se constitui em dispêndio realizado com a conservação do bem, não sendo lícito excluir do custo da aquisição o valor correspondente a área destinada ao Estado. Não se pode ignorar que a regularização de imóvel agrega valor à propriedade e refletirá na apuração do ganho de capital. Preliminar afastada. Recurso provido. Referido acórdão foi julgado em sessão plenária de 11/09/2008. O Recurso foi considerado tempestivo e como se trata de decisão não unânime e a sessão de julgamento é anterior à 30/06/2009, a Fazenda Nacional entende que haveria contrariedade ao comando contido no artigo 128, caput, do regulamento do Imposto de Renda, ao adotar o § 8.º em contraposição ao § 7.º em sentido de considerar alargado o prazo de aplicação de referido dispositivo, ou seja, entre 1.º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10120.004530/200618 Acórdão n.º 9202007.840 CSRFT2 Fl. 380 3 1995. Em seu entender, a data de aquisição válida é a data de formalização da propriedade, que terseia dado em 1997. Houve Embargos da entidade preparadora e no Acórdão 2202004.050, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO. Cabem embargos inominados para corrigir lapso manifesto de escrita ou cálculos. CUSTO DE AQUISIÇÃO. EXPRESSÃO MONETÁRIA. DECISÃO EMBARGADA. A intenção da decisão embargada é que deve ser incluído no custo de aquisição do imóvel sobre o qual recai a apuração do ganho de capital, o valor de Cr$ 1.650.000,00, na data de 05/12/1978, correspondente à área de 3.300 ha que foi alienada ao ITERMA. A expressão monetária a ser utilizada é Cruzeiro (Cr$). Cientificado, o Contribuinte quedouse silente. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Não há reparos quanto à admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que tempestivo e na sistemática de contrariedade à Lei. Entretanto, entendo que não deva ser provido, adotando como razão de decidir o inconteste voto vencedor do ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva: Pelo que se depreende do relatório feito pela ilustre Conselheira relatora, o recorrente adquiriu a posse de uma área de 8.075,55ha, sendo que para regularizar a documentação despendeu o valor correspondente a 3.300,73ha. Para ser mais preciso, conforme afirmado no relatório, em 1996 a área foi invadida por dezenas de famílias e o titular da posse celebrou Termo de Acordo, fis. 22/23, com a interveniência do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão kerma, sendo acordado que uma área de 3.300,7301 hectares seria desmembrada do total do imóvel, para assentamento dos ocupantes e o Iterma se comprometia a regularizar a documentação do imóvel Fl. 381DF CARF MF 4 conferindo o domínio da área restante em favor do recorrente que passaria de possuidor a proprietário. Em resumo, do que se depreende dos autos, o sujeito passivo pagou o valor equivalente a 8.075,55ha, mas só recebeu 4.774,82ha (8.075,55 — 3.300,73 = 4.774,82), área esta que alienou e que gerou ganho de capital. A controvérsia está no fato da fiscalização, na apuração do ganho de capital, ter excluído do custo de aquisição o valor correspondente aos 3.300,73 (Cr$ 1.350.000,00) entregues ao Instituto de Terras do Maranhão para que este regularizasse a documentação do imóvel, pois, conforme dito, o adquirente tinha apenas a posse e para transformála em domínio, com título de proprietário e não de posseiro, viu sua área de 8.075,55ha ficar reduzida à 4.774,82ha, em números aproximados. Na apuração de ganho de capital de imóvel rural adquirido antes de 1" de janeiro de 1977, aplicase o disposto no parágrafo único do artigo 19 da Lei n° 9.393, de 1966, que assim dispõe: Art. 19. A partir do dia 1" de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o V77V declarado, na forma do artigo 8", observado o disposto no artigo 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no artigo 17 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Ao tratar das despesas correspondente ao custo de aquisição a ilustre conselheira relatoria faz referência às disposições do § 7° do 128, do Regulamento do Imposto de Renda. No entanto, se observarmos o caput do artigo 128, a seguir transcrito, veremos que as hipóteses elencadas no § 7° dizem respeito aos bens adquiridos a partir de 1° de janeiro de 1992. Nesse sentido, assim dispõe o caput do artigo ao qual se refere o citado § 7°: Art. 128 O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de I" de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995. será o valor de aquisição (Lei n" 8.383, de 1991, artigo 96, § 4", e Lei no 8.981, de 1995, artigo 22, inciso 0. sublinhei. Ao meu sentir, a solução jurídica para o caso não está no § 7° do artigo 128, mas sim no § 8°, que malgrado encontrarse vinculado ao caput do artigo 128 do Regulamento do Imposto de Renda, se constitui em norma jurídica que poderia ser considerada autônoma, e que assim dispõe: § 8" Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10120.004530/200618 Acórdão n.º 9202007.840 CSRFT2 Fl. 381 5 Da análise sistêmica dos §§ 7° e 8° do artigo 128, do Regulamento do Imposto de Renda, temse que o primeiro trata das situações correspondentes aos imóveis adquiridos a partir de P' de janeiro de 1992 e o segundo para os imóveis adquiridos antes de 1° de janeiro de 1992, como é o caso da situação dos autos. No exercício da atividade de julgar há oportunidades em que nos defrontamos com processos que requerem solução única, que não podem ser comparadas com proposições prontas, aplicadas como se os fatos da vida revelassem situações idênticas. No caso dos autos temse como fato incontroverso de que a área do recorrente foi invadida por dezenas de famílias. Diante desta circunstância, sem outra solução que lhe parecesse mais viável, em vez de perder a integralidade da área aos invasores, o recorrente se dirige ao Estado do Maranhão e juntos encontram solução por meio da qual o primeiro cedeu ao segundo 3.300,73ha para que pudesse permanecer, de forma regularizada, com a área remanescente de 4.774,82ha (8.075,55 —3.300,73 = 4.774,82). Com a devida vênia da posição adotada pela ilustre relatora e por quem o acompanhou, ninguém duvida que o valor correspondente aos 3.300,73ha que foram destinados para assentamento se constituem em dispêndio para a conservação da área. Se os 3.300,73 não fossem dispêndio para conservação da área, tal fração teria que ter sido objeto de desapropriação e indenização pelo Estado. Ademais, não de pode ignorar de que a legalização de área rural, que se encontra invadida por dezenas de famílias, agrega valor comercial ao imóvel. O custo correspondente aos 3.300,73ha só estaria excluído do valor da aquisição correspondente ao restante alienado (4.774,82ha, em número aproximado), se tal área tivesse sido objeto de desapropriação e indenização. No entanto, não foi isto que ocorreu. Para ver legalizada a área o recorrente arcou com o custo correspondente a 3.300,73ha, que apesar da impropriedade da comparação se assimila com contribuição de melhoria. O Estado, com a regularização do imóvel, agregou valor à propriedade e, em troca, o proprietário cedeu ao Estado, para assentamento, a fração correspondente a 3.300,73ha. Em face do exposto, o valor correspondente a aquisição de 3.300,77ha (Cr$ 1.350.000,00), pagos quando da primeira aquisição — 05/12/1978 , deve ser considerado no custo de aquisição da área alienada que gerou o ganho de capital. Entende a maioria do colegiado entende que a não incidência se dá em consequência da interpretação sistemática da legislação tributária quanto ao ganho de capital, que tem como objetivo da norma. Outrossim, partindo destes pressupostos lógicos irrepreensíveis, conheço do Recurso Especial do Fazenda Nacional e Negolhe provimento. Fl. 383DF CARF MF 6 Patrícia da Silva Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002198/2005-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA.
Não havendo provas no sentido de que o Contribuinte esteve impossibilitado (pela SRF) de promover a entrega de DCTF no prazo fixado, impõe-se a cobrança de penalidade pecuniária por atraso no cumprimento dessa obrigação tributária.
Numero da decisão: 9101-004.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ATRASO NA ENTREGA. MULTA. Não havendo provas no sentido de que o Contribuinte esteve impossibilitado (pela SRF) de promover a entrega de DCTF no prazo fixado, impõese a cobrança de penalidade pecuniária por atraso no cumprimento dessa obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 21 98 /2 00 5- 09 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10845.002198/200509 Acórdão n.º 9101004.222 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 4051) interposto pela PGFN com fundamento no artigo 56, II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria Ministerial n. 147/07, contra acórdão 30335.278 (fls. 3038) da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL. RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato • Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, tomase não devida a multa haja vista que com relação â data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via intemet. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Descabe a alegação de denúncia espontânea quando a multa decorre tão somente da impontualidade do contribuinte quanto a uma obrigação de fazer, cuja sanção da norma jurídico tributária é precisamente a multa. A PGFN pleiteia reforma da decisão recorrida, sob o argumento de que não há, no caso em apreço, motivo para prover o recurso uma vez que quando foram detectados problemas técnicos no sistema eletrônico de envio da declaração, o Secretário da Receita Federal, em 08/04/2005, editou o ADE n° 24, através do qual considerou tempestivas as declarações transmitidas nos dias 16 a 18/02/2005. O contribuinte, no entanto, só apresentou a mencionada DCTF em 23/02/2005, portanto, muito depois do prazo concedido pelo aludido ADE. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10845.002198/200509 Acórdão n.º 9101004.222 CSRFT1 Fl. 1.385 3 O presente recurso tem como motivação a interpretação divergente da legislação tributária da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do art. 7°, inciso II c/c o art. 15, § 2° do Regimento supramencionado. Despacho de Admissibilidade Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 6264) foi dado seguimento ao recurso. Contrarrazões ao Recurso Especial A contribuinte apresentou contrarrazões na qual alega que entregou a sua DCTF referente ao 4° trimestre de 2004 via site da Receita Federal em 23/02/05, portanto, apenas 3 dias após o término do prazo, estipulado pelo ADE SRF n. 24/05, já que os dias 19/02/05 e 20/02 foram dias não úteis (sábado e domingo) e não três semanas após o prazo legal que fora o caso apresentado na decisão paradigma. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento A presente lide trata de multa por atraso na entrega de DCTF no ano calendário de 2004 em razão de problemas técnicos no site da Receita Federal na data limite de envio, que é exatamente a situação tratada no acórdão paradigma n. 30238.631, assim, me parece indubitável a similitude fática. A divergência jurisprudencial também se mostra patente vez que o acórdão recorrido não admitiu a cobrança de multa por atraso na entrega da DCTF na hipótese em que problemas técnicos de congestionamento do site da Receita Federal impossibilitou o envio da declaração ao passo que o acórdão paradigma expressamente decidiu pela validade da cobrança da multa. Assim, conheço do Recurso Especial. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10845.002198/200509 Acórdão n.º 9101004.222 CSRFT1 Fl. 1.386 4 Mérito No presente caso a Contribuinte não conseguiu efetivar o envio da DCTF referente ao 4°trimestre de 2004 em razão de problema técnico de congestionamento de dados no site da Receita Federal. A efetiva ocorrência de tal situação de impossibilidade de envio da DCTF não é objeto de questionamento, vez que a própria Receita Federal identificou e reconheceu o problema nos sistemas de responsabilidade do Serpro e por isso editou o Ato Declaratório EXECUTIVO n. 24 de 08/04/05 no qual considerou como entregues tempestivamente as declarações enviadas até 18/02/2005. Contudo, tendo em conta que a Contribuinte logrou êxito em enviar sua declaração somente em 23/02/2005, instaurouse a presente controvérsia. Primeiramente é preciso observar que o fato gerador da falta de envio da DCTF do período em questão dentro do prazo legal foi causado pela própria autoridade fiscal que não logrou êxito em disponibilizar sistema que fosse capaz de receber a DCTF de todo o universo de contribuintes sujeito à tal obrigação. Me parece que não pode a autoridade fiscal exigir o cumprimento de uma obrigação pelo contribuinte ao mesmo tempo em que não disponibilizar os meios adequados a tal cumprimento, como foi o caso. Além disso, apesar do reconhecimento de tal problema pela própria Receita Federal que culminou na edição do Ato Declaratório EXECUTIVO n 24 de 08/04/05 que "concedeu" prazo adicional até 18/02/05 para envio da DCTF, não há qualquer evidência de que o problema técnico havia sido solucionado ou não mais existiu até 18/02/05. Cabe ressaltar que no presente caso, o novo prazo fatal para envio (18/02/05) caiu numa sextafeira sendo que a contribuinte enviou a declaração em 23/02/05, ou seja, três dias úteis após tal prazo suplementar. Apesar da similitude fática já reconhecida em relação ao acórdão paradigma, é preciso reconhecer que para fins de convicção deste julgador, é muito relevante a diferença entre o envio três dias após o vencimento ou três semanas, como fora o caso do paradigma. Adiconalmente, é preciso também levar em consideração que o Ato Declaratório n. 24 foi publicado no Diário Oficial da Unido somente no dia 12/04/2005, de forma que, levandose em conta que a eficácia dos atos expedidos pelo Poder Público está condicionada a sua publicidade, temos que devem ser consideradas tempestivas as entregas de DCTF, relativas ao 4° trimestre de 2004, efetuadas até o dia 12/04/2005. Tratase de situação muito pontual o que está sendo aqui discutido que gerou controvérsia específica, tendo em conta envolver normativo próprio que é o ADI n. 24/05. Contudo, verifiquei existir outras decisões a este respeito, que trago abaixo: Acórdão n. 30335.282 da 3° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO AUSÊNCIA DE Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10845.002198/200509 Acórdão n.º 9101004.222 CSRFT1 Fl. 1.387 5 COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. Uma vez que a própria Receita Federal, través do Ato Declaratório Executivo SRF n. 24 de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, tornase não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. Acórdão n. 30335.302 da 3° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes ASSUNTO : OBRIGAÇÕES ACESSSORIAS Ano — calendário : 2004 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Tendo em vista o Ato Declaratório SRF n.° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4.° trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005 e, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 23/02/2005. Assim, concluo que são improcedentes as alegações da Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10845.002198/200509 Acórdão n.º 9101004.222 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada O Conselheiro Relator restou vencido em seu entendimento de que deveria ser tomada como tempestiva a entrega de DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2004, efetuada até o dia 12/04/2005. A maioria do Colegiado decidiu reiterar o entendimento já manifestado por esta 1ª Turma no Acórdão nº 910100.803, de 15 de dezembro de 2010, cujo voto condutor de lavra do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho assim expressa: Entendo que o recurso da Fazenda Nacional merece provimento. Com a devida vênia ao entendimento do acórdão recorrido, pareceme que o que o fato de o Contribuinte não ter conseguido entregar sua declaração no prazo assinalado por problemas de informática supervenientemente reconhecidos pela SRF não tem o condão de tornar incerto ou indefinidamente prorrogado o prazo em referência. Os regramentos sobre prazos são uniformes em reconhecer que eventual impossibilidade material para cumprimento de determinado prazo em sua data fatal o transfere para o dia útil imediatamente posterior àquele originariamente previsto. Nesses termos, pareceme razoável entender que o Contribuinte deveria ter insistido em cumprir a obrigação acessória nos dias subseqüentes ao prazo originariamente fixado, o que notadamente não foi feito na hipótese. Sobre o ponto, digase que, mesmo advertido em 22.02.2005 por prepostos da SRF que não deveria aguardar por manifestação do Fisco a respeito, o Contribuinte levou ainda outros 6 (seis) dias para entregar a declaração a que estava obrigado. É do Contribuinte (e não da Fazenda Nacional) o ônus de comprovar que os problemas de recepção de documentos pela SRF teriam perdurado até a data imediatamente anterior à entrega respectiva, no caso 28.02.2005. Incumbe ao Contribuinte, e não à Fazenda Nacional, comprovar que estava impossibilitado de cumprir suas obrigações no prazo estabelecido pela norma ou, no caso, em período posterior àquele fixado pela SRF após a alegada solução do problema nos sistemas de informática. Tal assertiva é corroborada pelo fato de que inúmeros contribuintes entregaram suas declarações no período imediatamente posterior ao encerramento do prazo originariamente previsto pela SRF (15.02.2008), as quais foram consideradas tempestivas pela SRF por meio de ato declaratório. Embora relevantes, os fatos alegados pela Contribuinte de que (i) teria havido tentativa de entrega e recusa de preposto da Secretaria da Receita Federal em receber o documento na repartição; (ii) os problemas de recepção de documentos pela SRF teriam perdurado por período superior aos 3 (três) dias previstos no ato declaratório (18.02.2005); não podem ser reconhecidos por absoluta carência de provas. Não há nos autos elementos que permitam concluir que o Contribuinte realmente ficou impossibilitado de entregar sua DCTF nos dias imediatamente posteriores ao prazo originalmente estabelecido pela SRF. Tais fatos poderiam ser provados com relativa facilidade, por meio de documentos (ex. notificação extrajudicial à SRF para entrega do documento) ou depoimentos de testemunhais (que afirmassem a recusa do recebimento da DCTF pelos agentes do Fisco Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10845.002198/200509 Acórdão n.º 9101004.222 CSRFT1 Fl. 1.389 7 ou a manutenção dos problemas nos sistemas da SRF até a véspera da entrega feita pelo contribuinte). Tendo o Contribuinte entregue sua declaração apenas 10 dias após o encerramento do novo prazo estabelecido para a SRF para esta finalidade, e não havendo prova no sentido de demonstrar que ele esteve impossibilitado de fazêlo em momento imediatamente posterior ao prazo originariamente fixado, impõese o restabelecimento da penalidade pecuniária. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento. (destaques do original) No presente caso, a contribuinte apresentou a DCTF pertinente ao 4º trimestre de 2004 em 23/02/2005, depois de expirado o prazo prorrogado pela RFB, até 18/02/2005. Se, de um lado, como alega a contribuinte em contrarrazões, é possível que vários contribuintes tenham entregue suas declarações depois do novo prazo fixado, mas preferiram recolher a multa imposta sem contestála, vários outros contribuintes permaneceram tentando promover a entrega e o fizeram dentro do prazo prorrogado, não se sujeitando à penalidade. A contribuinte, no entanto, somente promoveu a entrega dias depois daquele em que a RFB admite ter solucionado o problema verificado, inexistindo prova de a impossibilidade de entrega ter se estendido para além daquele marco. Assim, por todo o exposto, deve ser restabelecida a penalidade aplicada nestes autos. Estas as razões, portanto, para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720371/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2009
VALOR DA TERRA NUA. SIPT
Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim.
ITR. EXCLUSÃO. ÁREA DE UTILIZADA.
Não tendo sido apresentados documentos que evidenciem a efetiva utilização das áreas informadas em DITR como ocupadas por pastagens ou com produtos vegetais, é correta a ação fiscal que desconsidere tais informações para fins de apuração do Imposto Rural.
Numero da decisão: 2201-005.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente),.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2009 VALOR DA TERRA NUA. SIPT Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim. ITR. EXCLUSÃO. ÁREA DE UTILIZADA. Não tendo sido apresentados documentos que evidenciem a efetiva utilização das áreas informadas em DITR como ocupadas por pastagens ou com produtos vegetais, é correta a ação fiscal que desconsidere tais informações para fins de apuração do Imposto Rural.
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SIPT Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim. ITR. EXCLUSÃO. ÁREA DE UTILIZADA. Não tendo sido apresentados documentos que evidenciem a efetiva utilização das áreas informadas em DITR como ocupadas por pastagens ou com produtos vegetais, é correta a ação fiscal que desconsidere tais informações para fins de apuração do Imposto Rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente),. Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 06103./00069/2014 (fl. 2 a 6), pela qual a Autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 111.876,57, já incluídos Multa de Ofício de 75% e juros de mora de calculados até 23/06/2014. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 71 /2 01 4- 52 Fl. 59DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720371/2014-52 O lançamento é relativo ao exercício de 2009 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 1.426.707-1 e com o nome de Fazenda Botequim e Água Branca. Ao descrever os fatos que levaram ao lançamento, fl. 3/4, o Auditor-Fiscal sustenta que o contribuinte, mesmo regularmente intimado, não comprovou a área efetivamente utilizada para plantação com produtos vegetais declarada ou ocupada com pastagens, as quais foram glosadas. Ademais, não comprovou o Valor da Terra Nua - VTN informado em sua DITR, sendo o mesmo arbitrado com base no Sistema de Preços de Terras - SIPT. Ciente do lançamento em 02 do julho de 2014, fl 35, o contribuinte, inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 14/15, na qual expôs as razões e os fundamentos que entende lastrear a insubsistência do lançamento, as quais foram assim sintetizadas pela Decisão de 1ª Instância: - afirma não existir imóvel com a dimensão de 1.196,0 ha, pois essa área é formada por duas partes distintas, as quais vinham sendo erradamente declaradas como único imóvel; - foi providenciado, junto ao Incra, o desmembramento das áreas, gerando um novo CCIR com o código 950.157.797.189-9 para a área de 393,0 ha, constante do registro 15.439 do Livro 3-F, cuja área foi subtraída do antigo CCIR de código 408.026.003.123-4; - para sanar esse problema, também junto à RFB, promoveu a abertura de um novo NIRF, desde 2012, conforme se verifica dos recibos anexos, já fazendo corretamente as declarações, tanto do novo NIRF (8.074.452-4, de 393,0 ha), como do NIRF já existente (1.426.707-1, de 803,0 ha); - reconhece que houve inércia na retificação da DITR dos anos anteriores a 2012, até porque, devido a sua desorganização, não possui mais os recibos das declarações originais; - portanto, afirma ser proprietário de dois imóveis, um com 803,0 ha e outro com 393,0 ha, formando uma área de 1.196,0 ha; - entende que lhe deve ser dada nova oportunidade, pois não seria justo efetuar lançamento para imputar-lhe cobranças sobre uma área irreal, fato decorrente de seu próprio erro na DITR; - a simples retificação na área do imóvel, por si só, já acarretará uma alteração generalizada em todo quadro, notadamente quanto ao grau de utilização e à alíquota de cálculo; - quanto ao valor atribuído ao imóvel, chega a ser assombroso, pois se trata de uma das regiões mais miseráveis do país, extremamente seca e sem grandes perspectivas de melhorias, pela escassez de investimentos por parte dos poderes públicos, não se justificando, assim, uma avaliação tão elevada do imóvel, independentemente de sua área; - por fim, requer seja acolhida sua impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Debruçada sobre a matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF exarou o Acórdão de fl. 38/48, acatado por unanimidade de votos, em que considerou parcialmente procedente a impugnação para acolher o pleito de redução da área total da propriedade, de 1.196,0 ha para 803,0 ha. As conclusões do voto condutor podem ser assim resumidas: Da Duplicidade de Declaração Fl. 60DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720371/2014-52 Assim, conforme demonstrado, cabe reduzir a área total declarada, do imóvel do presente Processo, de 1.196,0 ha para 803,0 ha, por duplicidade de declaração do ITR, pelo fato de a área de 393,0 ha estar inserida na área total do imóvel de NIRF nº 1.426.707-1, e ter sido declarada de forma desmembrada no NIRF nº 8.074.452-4, cabendo, por conseqüência, reduzir o VTN total do imóvel de R$ 598.000,00 (R$ 500,00/ha x 1.196,0 ha) para R$ 401.500,00 (R$ 500,00/ha x 803,0 ha), em função da redução da área total apurada. Além da alteração do VTN, em função da redução da área total, cabe reduzir, também, a alíquota de cálculo, que passará de 8,60% para 4,70%, prevista para a sua dimensão, que mudou de faixa (de > 1.000 ha até 5.000,0 ha para >500,0 ha até 1.000,0 ha), observada a legislação de regência da matéria (art. 10, § 1º, inciso VI, da Lei 9.393/96 e a Tabela de Alíquotas anexa a essa Lei). Das Áreas Utilizadas pela Atividade Rural Dessa forma, considerando que não houve a apresentação de documentos comprovando uma área de produtos vegetais, tampouco o rebanho necessário para justificar uma área de pastagens, para o exercício de 2009, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização. Do Valor da Terra Nua (VTN). Subavaliação Não tendo sido apresentado Laudo de Avaliação, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de 01/01/2009, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela fiscalização. No presente processo, devido ao acatamento da redução da área total do imóvel, o VTN total arbitrado de R$ 598.000,00 (R$ 500,00/ha x 1.196,0 ha) será ajustado para R$ 401.500,00 (R$ 500,00/ha x 803,0 ha). Ciente do Acórdão da DRJ em 27 de julho de 2017, fl. 51, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 52/53, em que reitera as razões apresentadas em sede de impugnação. Nos termos do 1º do art 47 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o presente processo é paradigma do lote de recursos repetitivos O2.SNG.0119.REP.019. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Após breve resumo da lide administrativa, a recorrente afirma que o provimento parcial de sua impugnação não lhe fez justiça. Sustenta que é impossível atender a exigência de comprovação das áreas utilizadas na produção vegetal, por se dedicar exclusivamente à produção em pequena escala, para consumo próprio e sem comercialização, não existindo projeto técnico, tampouco mão de obra especializada. Aduz que, na composição dos animais que utilizaram as pastagens no período estão incluídas ocupações decorrentes de aluguel da área de pasto, o que tem se constituído no Fl. 61DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720371/2014-52 único meio de sobrevivência do recorrente. Ademais, afirma que a única maneira que teria de comprovar seria por meio de declaração dos locatários. Questiona a exorbitância dos valores Terra Nua fixados e que a exigência de apresentação de laudo de avaliação serviu apenas para demonstrar o quanto é refém de entraves burocráticos, afirmando que é impossível se avaliar, de forma razoável, uma propriedade considerando valores praticados em época pretérita, concluindo que tal exigência foi feita exatamente por se saber que não poderia ser atendida. Resumidas as razões da defesa, fica evidente que o descontentamento do contribuinte autuado alcança as duas alterações efetuadas no curso da ação fiscal, a saber, glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais, pastagens e o arbitramento do VTN a partir dos preços constantes do Sistemas de Preços de Terras- SIPT. Sobre esses temas, salutar trazermos à balha a legislação correlata: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua - VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto-avaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; (...) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 "Art. 12. Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(...) § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder-se-á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendo-se o preço da terra a ser indenizado em TDA. Fl. 62DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720371/2014-52 § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 Art. 17. Área efetivamente utilizada pela atividade rural é a porção da área aproveitável do imóvel rural que, observado o disposto nos arts. 23 a 29, tenha, no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR: I - sido plantada com produtos vegetais; (...) II - servido de pastagem, nativa ou plantada, observados, quando aplicáveis, os índices de lotação por zona de pecuária a que refere o art. 24; Art. 19. Para fins de enquadramento nas hipóteses previstas nos arts. 17 e 18, o contribuinte poderá valer-se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário, comodatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento, comodato ou parceria. (...) Art. 24. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos em ato da SRF, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola. § 1º Para fins do disposto no caput, é considerada área servida de pastagem a área ocupada por forrageira de corte efetivamente utilizada para alimentação de animais do mesmo imóvel rural. § 2º Aplicam-se, até ulterior ato em contrário, os índices constantes da Tabela nº 5, Índices de Rendimentos Mínimos para Pecuária, aprovada pela Instrução Especial do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nº 19, de 28 de maio de 1980, aprovada pela Portaria nº 145, de 28 de maio de 1980, do Ministro de Estado da Agricultura, constantes no Anexo I a esta Instrução Normativa. § 3º Estão dispensados da aplicação dos índices de lotação por zona de pecuária os imóveis rurais com área inferior a: I - mil hectares, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense; II - quinhentos hectares, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; III - duzentos hectares, se localizados em qualquer outro município. § 4º As regiões e os municípios a que se refere o § 3º estão relacionados no Anexo I a esta Instrução Normativa. Art. 25. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, observando-se que: I - a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela soma da quantidade média de cabeças de animais de grande porte e da quarta parte da quantidade média de cabeças de animais de médio porte existentes no imóvel; II - a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel. Fl. 63DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720371/2014-52 § 1º Consideram-se, dentre outros, animais de médio porte os ovinos e caprinos e animais de grande porte os bovinos, bufalinos, eqüinos, asininos e muares, independentemente de idade ou sexo. § 2º Caso o imóvel rural esteja dispensado da aplicação de índices de lotação por zona de pecuária, considera-se área servida de pastagem a área efetivamente utilizada pelo contribuinte para tais fins. No que tange ao arbitramento do Valor da Terra Nua, como visto nos excertos da legislação acima colacionados, a norma prevê tal possibilidade nos casos de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Prevê, ainda, que o VTN refletirá o valor de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT e será considerado auto-avaliação. Assim, como o próprio contribuinte é que faz a avaliação do imóvel para fins de declaração, nada mais adequado que a Receita Federal abra espaço para demonstrar a forma como chegou a tais valores, assim como o fez, por meio de procedimento de intimação que, conforme já visto acima, tem plena regularidade. É evidente que há situações em que imóveis com características muito semelhantes apresentem valores de mercado muito diferentes, sejam por conta de limitações decorrentes da legislação ambiental, seja por características de relevo, acesso, transportes, etc. Assim, objetivando alcançar maior justiça fiscal, é que a norma legal trouxe mais liberdade para o proprietário rural, abrindo a possibilidade de avaliação regular do seu imóvel para que o tributo incida sobre uma base cada vez mais próxima da realidade particular de sua propriedade. Contudo, ao mesmo tempo em que a norma dá liberdade ao sujeito passivo, impõe o dever de acompanhar o mercado imobiliário ano a ano, para apurar o valor total de sua propriedade e de suas benfeitorias para, ao fim, chegar ao VTN a ser declarado. Portanto, a obrigação de demonstrar o valor declarado é do contribuinte, restando ao Agente Fiscal, quando não comprovadas as informações, efetuar o arbitramento nos termos da legislação supracitada. Neste sentido, após a efetiva intimação ao contribuinte para comprovar o VTN declarado, sem sucesso, correto é o procedimento da fiscalização de socorrer-se do sistema criado pela Portaria SRF 447/2002 (SIPT), que nada tem de ilegal, já que expressamente previsto no art. 14 da Lei 9.393/96. Ademais, os valores arbitrados decorrem de informações prestadas pelas Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem assim de valores de terra nua declarados por contribuintes da mesma região em DITR. Naturalmente, tratando-se de valores médios, pode ocorrer alguma divergência, para mais ou para menos, de acordo com as peculiaridades de cada propriedade. Contudo, a comprovação dos valores declarados ou a adequação dos valores lançados pelo fisco ao valor considerado adequado pelo proprietário do imóvel dependerá de apresentação de laudo devidamente formalizado para este fim, o qual deve considerar os requisitos mínimos para documentos dessa natureza. Ocorre que o contribuinte informou em sua DITR um VTN que deveria ter sido por ele, à época, apurado e, muitos anos depois, alega que é impossível levantar um valor de mercado praticado no passado. Ora, não é razoável tal afirmação. São inúmeros os casos de laudos elaborados por profissionais habilitados que chegam a este Conselho e que atestam VTN apurados em momento posterior, mas que se valeram, como métrica de pesquisa e avaliação, da realidade existente na época da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 64DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.720371/2014-52 Igualmente pouco razoável é a alegação de que é impossível comprovar áreas ocupadas com produtos vegetais ou de pastagens. Ora, estamos diante de um imóvel rural cujo tamanho, em muito, escapa ao que se conhece como uma pequena gleba rural. A própria afirmação da defesa de que só produz para consumo próprio, sem nada comercializar, já aponta para a correção da glosa levada a termo pela fiscalização, já que foram declarados, originalmente 25 ha de áreas como produtos vegetais e 950 ha de áreas de pastagens. Não há como conceber que nenhum controle haja em uma propriedade que soma mais de 800 ha. Ademais, não se justifica o pouco zelo com as informações e documentos que deveriam ser guardados pelo proprietário do imóvel, que não juntou uma única nota fiscal de compra de insumos ou de venda de produção ou um único contrato de arrendamento das pastagens de sua propriedade. Nota-se que, mesmo no caso de arrendamento, comodato, etc, caberia ao contribuinte demonstrar documentalmente tal operação. Mas preferiu o contribuinte apenas afirmar que é impossível apresentar provas, laudos, quando, na verdade, acatar seus argumentos seria o mesmo que um órgão encarregado da avaliação do cumprimento da legislação tributária incentivar a desordem fiscal. Assim, não merecem retoques a decisão recorrida. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.971442/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2015 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 42 /2 01 6- 01 Fl. 75DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.971442/201601 Acórdão n.º 3401006.494 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900628/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 28 /2 01 4- 14 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.344 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900628/2014-14 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.344 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900628/2014-14 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.344 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900628/2014-14 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 69DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.344 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900628/2014-14 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 70DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.344 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900628/2014-14 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000963/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de ilegitimidade passiva deve ser afastada, uma vez que a análise dos documentos carreados aos autos evidencia a responsabilidade da recorrente pelo extravio ocorrido em trânsito aduaneiro.
VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE.
Verificada em vistoria aduaneira o extravio de mercadoria em trânsito aduaneiro responde, em razão de previsão legal, o Beneficiário/Transportador do contêiner pelos tributos/contribuições relacionados às mercadorias extraviadas.
Numero da decisão: 3302-007.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INEXISTÊNCIA. A preliminar de ilegitimidade passiva deve ser afastada, uma vez que a análise dos documentos carreados aos autos evidencia a responsabilidade da recorrente pelo extravio ocorrido em trânsito aduaneiro. VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE. Verificada em vistoria aduaneira o extravio de mercadoria em trânsito aduaneiro responde, em razão de previsão legal, o Beneficiário/Transportador do contêiner pelos tributos/contribuições relacionados às mercadorias extraviadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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INEXISTÊNCIA. A preliminar de ilegitimidade passiva deve ser afastada, uma vez que a análise dos documentos carreados aos autos evidencia a responsabilidade da recorrente pelo extravio ocorrido em trânsito aduaneiro. VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE. Verificada em vistoria aduaneira o extravio de mercadoria em trânsito aduaneiro responde, em razão de previsão legal, o Beneficiário/Transportador do contêiner pelos tributos/contribuições relacionados às mercadorias extraviadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 09 63 /2 00 9- 08 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 157 2 Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 16 78.502 22ª Turma da DRJ/SPO, com os adendos necessários a melhor esclarecimento: Trata o presente processo de notificação de lançamento com exigência de II (R$ 361.951,29), IPI (R$ 495.589,81), PIS (R$ 16.695,26) e COFINS (R$ 76.899,34). Fundamento Legal às fls.10, 18, 25 e 33. Em face de pedido de vistoria aduaneira processo n° 10907.002080/2004 10, tendo em vista divergência de peso e ausência de lacre de origem, constituiuse a Comissão de Vistoria Aduaneira, com fins a apurar a extensão da falta e apurar a responsabilidade tributária respectiva, nos termos do art. 650 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6759/09 (RA). Em 23/08/2004 nas dependências do Entreposto Franco do Paraguai, na presença dos senhores representantes do transportador, importador e depositário, os membros da Comissão de Vistoria Aduaneira procederam à verificação da mercadoria e possível extravio ou avaria sofrido. No exame realizado, constatouse a falta de 377 volumes conforme termo de vistoria n° 242. Segundo o BL PCA671033 e a fatura 3967 de 24/05/2004, o container INKU 6129569 deveria conter 1188 caixas. Ao final da vistoria, apurouse a responsabilidade do Beneficiário/Transportador pelo trânsito do contêiner do TCP até o Entreposto Franco do Paraguai, visto não ter havido constatação da falta do lacre de origem pela fiscalização no ato da liberação para o trânsito, e que no TCP o contêiner foi recebido sem ressalvas. No presente caso, incidiu a multa prevista no RA, em seu art. 702, inciso III, alínea "c". Intimada do Auto de Infração em 25/06/2009 (fl. 55), a interessada apresentou impugnação e documentos em 30/06/2009, juntados às fls. 57 e seguintes, alegando em síntese: · A APPA é uma autarquia e, portanto, imune à incidência dos impostos ora exigidos; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 158 3 · A APPA, em 26/06/1995, também firmou com o Depósito Franco Paraguaio um Termo de Acordo na qual não assume, nem assumirá, qualquer responsabilidade por eventuais casos de furto, roubo ou violação dos contêineres depositados na área objeto deste acordo, sendo, portanto, ilegítima para responder às exigências tributárias; · A mercadoria estrangeira importada por importador do Paraguai e descarregada para transbordo no Porto de Paranaguá, só está sujeita a taxas ou preços públicos, mas não a impostos (art.19, CTN) ainda que eventualmente tenha sido extraviada; · Há de ser declarada nula a Notificação feita pela Receita Federal, pois a mercadoria com destino ao Paraguai, em trânsito pelo Porto de Paranaguá, não está sujeita ao pagamento do imposto de importação, pois o fato gerador do referido tributo não ocorreu, visto que tal não se destinava ao Brasil; · A mercadoria importada pelo Paraguai, em trânsito no Porto de Paranaguá, não está sujeita a recolher imposto para o Fisco brasileiro, ainda que eventualmente tenha sido extraviada; · A Receita Federal supôs que a mercadoria, em decorrência do furto, adentrou e ficou em território nacional, configurando a hipótese de incidência do IPI. A mera presunção de fato não gera a cobrança de tributo, que é decorrente de lei, e esta, através do Decreto n° 50.259A61, diz que a mercadoria apenas transita pelo pais, sem permanecer, excluindo o Porto de Paranaguá de qualquer responsabilidade, mesmo que por furto ou avaria; · No presente caso não há a incidência do PIS e de COFINS por inconstitucionalidade da medida provisória 164/04, em razão de cobrança bis in idem com o imposto de importação (Decreto n° 50.259 a161 — entreposto aduaneiro); · É o relatório. À fl. 51 do processo consta informação que tratase de Notificação de Lançamento lavrada em função da constatação de falta (Avaria) em Vistoria Aduaneira e refeita devido ao Acórdão DRJ/FNS n° 9.446 de 09/03/2007 Fls (15 a 17, cópias tiradas do processo 10907.002080/200410) ter julgado pela nulidade da Notificação anterior por ilegitimidade da parte passiva. Em 05/07/2017, a 22ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 159 4 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE. Verificada em vistoria aduaneira o extravio de mercadoria depositada em entreposto aduaneiro responde, em razão de previsão legal, o depositário pelos tributos/contribuições relacionados às mercadorias extraviadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão, em 06/07/2017, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem de fl. 114, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 04/08/2017, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual alegou preliminares de: 1) prescrição intercorrente; e 2) ilegitimidade passiva; no mérito, invoca imunidade tributária; impossibilidade da incidência de PIS e COFINS, por não ser contribuinte pessoa jurídica de direito privado; impossibilidade de incidência de imposto de importação e IPI vinculado à importação sobre mercadoria em trânsito; não incidência do PIS e Cofins, por inconstitucionalidade da mp 164/04, cobrança bis in idem com o imposto de importação e a questão do Decreto nº 50.259A. Por fim, requer nulidade da Notificação de Lançamento ou a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente invoca agora, pela primeira vez, a preliminar de prescrição intercorrente; e, novamente, traz a preliminar de ilegitimidade passiva, só que agora de maneira diversa da invocada em primeira instância. Passase a analisar. DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Em sede impugnatória não foi aventada a hipótese de prescrição intercorrente, razão pela qual não se deve conhecer da matéria que está preclusa, sob pena de supressão de instância. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 160 5 Demais disso, cumpre dizer obiter dictum que a respeito do tema existe a Súmula CARF nº 11, vinculante conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA No que tange à ilegitimidade passiva, em primeira instância, a então impugnante acenou com tal alegação com arrimo no artigo 1° do Decreto n° 50.259A/611 combinado com § 3º da cláusula 4ª do Termo de Acordo firmado pela recorrente com o Depósito Franco Paraguayo2. Em sede de recurso voluntário, aquela primeira abordagem foi abandonada. Agora a ilegitimidade passiva decorreria do fato de que a APPA teria figurado na qualidade de depositária durante o tempo em que a mercadoria esteve em Paranaguá, não de transportadora, tampouco de beneficiária (destinatária), consoante o Termo de Vistoria Aduaneira nº 242, juntado a estes autos digitais sob a fl. 46. Ao meu sentir, no ponto a preliminar se confunde com o mérito, uma vez que para elucidar a questão da legitimidade é necessário analisar todos os fatos ocorridos, o que direciona fatalmente para a responsabilização pelo extravio das mercadorias. Assim, por ora afastase a preliminar de ilegitimidade passiva, e passase a analisar o mérito da responsabilização pelo extravio das mercadorias, de acordo com os documento carreados aos autos. DA VISTORIA ADUANEIRA APÓS O TRÂNSITO ADUANEIRO O Termo de Vistoria Aduaneira apontado pela recorrente não é capaz de esclarecer os fatos ocorridos quando do extravio das mercadorias de per si. Fazse necessário analisar também o Certificado de desembaraço para Trânsito Aduaneiro, fl. 40, que demonstra o trânsito entre o TCP Terminal de Conteineres de Paranaguá e o Entreposto de Depósito Franco do Paraguai (localizado no pátio da APPA), bem como o Acórdão DRJ/FNS n° 9.446 de 09/03/2007, fl. 48, que julgou pela nulidade da Notificação de Lançamento anterior, por ilegitimidade da parte passiva (naquela oportunidade o TCP). Sendo ainda relevantes o Termo 1 "Art. 1º. De conformidade com o disposto nos Convênios assinados entre o Brasil e a República do Paraguai em 14 de junho de 1941 e 20 de janeiro de 1956, ficam estabelecidos entrepostos de depósito franco em Santos e Paranaguá, para o recebimento, a armazenagem e a distribuição das mercadorias de procedência e origem paraguaia, bem como para o recebimento, armazenagem e expedição das mercadorias destinadas ao Paraguai. Essas mercadorias ficarão em regime aduaneiro livre, mas sujeitas ao pagamento das taxas portuárias e alfandegárias devidas pela prestação de serviços." 2 "CLÁUSULA QUARTA: Além das obrigações aqui assumidas, e de outras oriundas da legislação vigente e dos regulamentos da APPA, o DEPÓSITO se compromete ainda: (...) C) Responder perante a APPA e/ou terceiros, por quaisquer danos e/ou prejuízos que venha a causar, em decorrência deste acordo. (...) PARÁGRAFO TERCEIRO: A APPA não assume, nem assumirá, qualquer responsabilidade por eventuais casos de furto, roubo ou violação dos contêineres depositados na área objeto deste acordo, constituindo ônus exclusivo do DEPÓSITO, tais ocorrências, bem como a guarda e vigilância da área, dos contêineres, instalações e equipamentos." Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 161 6 de Avaria na chegada do trânsito, fl. 43. E a análise de todos esses documentos, bem como da defesa efetivada pela recorrente, leva a concluir pela responsabilidade da APPA. Pois bem, da análise dos documentos ficam comprovados os seguintes fatos o extravio das mercadorias foi constatado no Entreposto de Depósito Franco do Paraguai, depois do trânsito aduaneiro entre o TCP e o Entreposto. A Vistoria Aduaneira apontou o TCP como o culpado, porém a DRJ/FNS anulou o lançamento decorrente da Vistoria, por ilegitimidade passiva. Em virtude de não haver decaído do direito de lançar, o Fisco constituiu o crédito tributário em face do único sujeito passivo que restou a APPA, que figurava no trânsito aduaneiro como Beneficiário/Transportador. Na sua primeira defesa, a APPA alegou ilegitimidade passiva, por conta de Acordo firmado com o Entreposto de Depósito Franco do Paraguai. A decisão de primeiro grau assim se manifestou: O fato de a interessada ter firmado em 26/06/1995, com o Depósito Franco Paraguaio, Termo de Acordo na qual não prevê qualquer responsabilidade por eventuais casos de furto, roubo ou violação dos contêineres depositados não é aceitável tendo em vista que a responsabilidade tributária por tributos decorrente de sinistros cabe ao responsável pela integridade das mercadorias, as quais lhe foram confiadas pela administração tributária. A mercadoria estrangeira importada por importador do Paraguai e descarregada para transbordo no Porto de Paranaguá está sujeita a impostos (art.19, CTN), pois o extravio das mesmas ocorreu em território nacional e, assim, houve a sua internalização/nacionalização. Portanto, conforme bem mencionado pela Fiscalização, cabe o lançamento dos tributos aduaneiros contra o responsável. No recurso voluntário, a recorrente diz que é ilegítima porque figurou como depositária, e não transportadora/beneficiária, consoante Termo de Vistoria Aduaneira, todavia, como se viu anteriormente, o extravio das mercadorias foi constatado no Entreposto de Depósito Franco do Paraguai, depois do trânsito aduaneiro entre o TCP e o Entreposto. E o Certificado de desembaraço para Trânsito Aduaneiro, fl. 40, evidencia como transportadora/beneficiária justamente a APPA. Destarte, impõese não só manter a recorrente como parte legítima, mas também responsabilizála pelo extravio ocorrido. DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA No que diz com a alegação de imunidade tributária, notase que já foi devidamente analisada em primeiro grau, razão por que merecem ser adotadas tais razões como causa de decidir: Imunidade tributária Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 162 7 A contribuinte defende que a APPA é uma autarquia e, portanto, imune à incidência dos impostos tendo firmado em 26/06/1995, com o Depósito Franco Paraguaio Termo de Acordo na qual não assume, nem assumirá, qualquer responsabilidade por eventuais casos de furto, roubo ou violação dos contêineres depositados. A imunidade tributária é matéria prevista na CF/88 em seu art.150, VI, a, § 2° da Constituição Federal: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI — instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2° a vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, a renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou as delas decorrentes.” O benefício tributário instituído pela Magna Carta restringese à renda auferida decorrente de atividades relacionadas a suas finalidades institucionais. Referida previsão constitucional deve ser vista de forma restritiva e literal, pois em matéria de benefício fiscal, deve ser preservado o interesse público que no caso envolve a Fazenda Pública. A questão encontrase regulada no CTN em seus arts.9º e 12: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 163 8 Art. 12. O disposto na alínea a do inciso IV do artigo 9º, observado o disposto nos seus §§ 1º e 2º, é extensivo às autarquias criadas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, tãosomente no que se refere ao patrimônio, à renda ou aos serviços vinculados às suas finalidades essenciais, ou delas decorrentes.” A contribuinte é responsável tributário em decorrência do disposto no art.32 do DL nº 37/66: “Art. 32. É responsável pelo imposto: (“Caput” do artigo com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1/9/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Inciso acrescido pelo DecretoLei nº 2.472, de 1/9/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Inciso acrescido pelo DecretoLei nº 2.472, de 1/9/1988)” A exigência tributária decorre do descumprimento, por parte da autuada, das obrigações previstas na legislação tributária que é a custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Portanto, não é aplicável o instituto da imunidade tributária na presente hipótese. DA EXIGÊNCIA DO IIIPIPIS E COFINS VINCULADOS À IMPORTAÇÃO Quanto às alegações de impossibilidade da incidência de PIS e Cofins, por a recorrente não ser contribuinte pessoa jurídica de direito privado; impossibilidade de incidência de imposto de importação e IPI vinculado à importação sobre mercadoria em trânsito; não incidência do PIS e Cofins, por inconstitucionalidade da mp 164/04, cobrança bis in idem com o imposto de importação e a questão do Decreto nº 50.259A, releva observar primeiramente que o CARF não detém competência para decidir sobre inconstitucionalidade de medida provisória, inclusive havendo Súmula nesse sentido: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em que pese efetivamente a APPA ser uma autarquia estadual, e não uma pessoa jurídica de direito privado, e haver Regime Aduaneiro Especial de Depósito Franco entre o Brasil e o Paraguai, por força de Acordo internacional, o qual permite, em recinto alfandegado, a armazenagem de mercadoria estrangeira para atender ao fluxo comercial desse país limítrofe com terceiros países, e essas mercadorias, de fato, serem destinadas ao Paraguai, não havendo incidência de impostos, apenas sujeição ao pagamento das taxas portuárias e alfandegárias devidas pela prestação de serviços, isso não tem maior relevo neste caso, pois o referido regime é praticado em conjunto com o Regime Especial de Trânsito Aduaneiro de Passagem, o qual como se viu, foi inadimplido porque o contêiner chegou no Entreposto do Depósito Franco do Paraguai sem o lacre de origem, consoante Termo de avaria de fl.43. Posteriormente, a suspeita de extravio das mercadorias foi verificada, comprovada, quantificada e responsabilizada. Significa dizer que o regime de depósito franco depende da conclusão perfeita de outro regime especial, que é o de trânsito aduaneiro de passagem, e uma Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10907.000963/200908 Acórdão n.º 3302007.261 S3C3T2 Fl. 164 9 vez que este não se concretizou, por constatação de extravio de mercadorias sob a responsabilidade do transportador/beneficiário, há presunção legal de desvio ou consumo de tais mercadorias (fato gerador presumido de importação), sendo pois devidos os créditos tributários respectivos. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720242/2006-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE INFORME DE RENDIMENTO. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO.
Na situação em que a fonte pagadora não fornece o comprovante anual de retenção, a respectiva prova pode ser feita por outros meios, como registros contábeis do beneficiário e respectivos documentos e declarações fiscais.
Numero da decisão: 9101-004.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Nelso Kichel (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE INFORME DE RENDIMENTO. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO. Na situação em que a fonte pagadora não fornece o comprovante anual de retenção, a respectiva prova pode ser feita por outros meios, como registros contábeis do beneficiário e respectivos documentos e declarações fiscais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Nelso Kichel (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE INFORME DE RENDIMENTO. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO. Na situação em que a fonte pagadora não fornece o comprovante anual de retenção, a respectiva prova pode ser feita por outros meios, como registros contábeis do beneficiário e respectivos documentos e declarações fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Nelso Kichel (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 02 42 /2 00 6- 13 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10805.720242/200613 Acórdão n.º 9101004.147 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 638/645) interposto pela PGFN contra o acórdão 1101000.988 da 1° Turma da 1° Câmara que restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas nº 10323.022 e 105 14.858 no tocante à possibilidade de aceitação, como meio de prova passível de ser utilizado para a comprovação de retenções do IRRF, de documentos emitidos pela própria beneficiária, para fins de compensação de estimativas de IRPJ de períodos subseqüentes. Os acórdãos paradigmas estão assim ementados: Acórdão nº 10323.022 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 Ementa: COMPROVANTE DE RETENÇÃO DO IRRF — a escrituração e os documentos subscritos pela própria pessoa, contra ela fazem prova; o contrário, porém, não é verdadeiro. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10805.720242/200613 Acórdão n.º 9101004.147 CSRFT1 Fl. 1.385 3 carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificálos por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusivamente de seu próprio ato de vontade. No que se refere à comprovação do imposto de renda na fonte, o meio probatório adequado, por expressa disposição legal, é o ‘comprovante de retenção’ emitido pelo responsável por substituição. Meras notas fiscais da própria emissão do interessado não são documentos suficientes para o reconhecimento do imposto supostamente retido. Acórdão nº 10514.858 IRRF COMPROVANTE DE RETENÇÃO Não é admitida como prova de retenção de imposto de renda na fonte a juntada de notas fiscais. O reconhecimento de tal retenção se faz através do valor registrado a título de IR FONTE no documento fornecido pela fonte pagadora denominado de ‘Comprovante de Retenção de Imposto de Renda na Fonte’. Recurso improvido. Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial Em despacho de admissibilidade (fls. 648/650), fora dado seguimento ao recurso em relação a ambos os paradigmas apresentados. Não foram apresentadas contrarrazões ao Recurso da PGFN pela Contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade para conhecer do Recurso Especial da PGFN. Mérito Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10805.720242/200613 Acórdão n.º 9101004.147 CSRFT1 Fl. 1.386 4 Em síntese, a controvérsia nos presentes autos decorre do inconformismo da Recorrente face à posição da turma ordinária de aceitar outros meios de prova para fins de comprovação da retenção do IRRF na ausência do Informe de Rendimentos emitido pela fonte pagadora. Assim, no presente voto, deve ser respondida a seguinte pergunta: na ausência de Informe de Rendimentos que comprovem o IRRF, qual documentação pode ser considerada suficiente para aceitação do respectivo IRRF? Pois bem, inicialmente, cabe destacar o disposto no art. 55 da Lei n. 7.450/85: “Art. 55 – O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos” Neste sentido, a Lei n. 7.450/85 é clara ao prever a existência do Informe de Rendimento como condição básica para aproveitamento do IRRF pela pessoa jurídica. Dispõe ainda o art. 4° da IN SRF n. 119/00: “Art. 4° O Comprovante Anual de Rendimentos Pago ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído.” Contudo, também é fato que existe um conjunto amplo de informações, documentos e declarações que envolvem a retenção do IRRF tanto do lado da fonte pagadora quanto do beneficiário, sendo certo que o beneficiário que sofreu o ônus desta tributação não pode depender exclusivamente do Informe de Rendimento que pode não estar disponível, inclusive, em decorrência de falha da fonte pagadora. A própria Receita Federal já se manifestou através da Solução de Consulta SRRF n. 19/2004 da 5° Região Fiscal: Assunto: Obrigações Acessórias Ementa: COMPROVANTE ANUAL DE RETENÇÃO FORNECIDO POR ÓRGÃO OU ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL. AUSÊNCIA. Na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10805.720242/200613 Acórdão n.º 9101004.147 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Dispositivos Legais: art. 64 da Lei n° 9.430, de 1996; arts. 5° e 28 da IN SRF n° 306, de 2003; art. 923 do Decreto n° 3.000, de 1999. Entendo como acertada a posição da Receita Federal externada na Solução de Consulta acima mencionada, isso porque, o beneficiário não consegue por si próprio obrigar que a fonte pagadora forneça o respectivo comprovante de rendimentos. Assim é que deve contar com outras formas de fazer tal comprovação que viabilize o direito de utilizarse da retenção sofrida. Neste sentido, merece destaque o disposto no art. 923 do RIR/99 que a meu ver ratifica o racional adotado pela Solução de Consulta n. 19/2004: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º ). Alinhome integralmente ao racional até aqui exposto e ratificado pela própria Receita Federal no sentido de que na ausência do Informe de Rendimentos, a apresentação de outras informações e documentos, expecialmente a escrita fiscal e contábil da própria beneficiária, pode ser admitida como suficiente para a comprovação do IRRF a ser aproveitado. Este também é o entendimento externado por esta 1° Turma da CSRF no acórdão n. 9101003.437 do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10805.720242/200613 Acórdão n.º 9101004.147 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Essa posição foi recentemente confirmada pela 1°Turma da CSRF no recentíssimo n.9101004.110 de relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por outros meios previstos na legislação tributária. Precedentes. Acórdãos nº 9101002.876 e 9101003.437. Por fim, assim como o fez o Conselheiro André Mendes de Moura no acórdão n. 9101004.110 cuja ementa está acima transcrita, utilizome de trecho do voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no também mencionado acórdão nº 9101003.437: E a razão para isso é bem simples. Não há como prejudicar um contribuinte por falha/infração cometida por outro. No caso, negar o direito de aproveitamento de retenção na fonte sofrida pelo beneficiário de um rendimento em razão de a fonte pagadora descumprir o dever instrumental de emitir e lhe fornecer o respectivo comprovante de rendimentos e de retenção na fonte. Não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). A imagem de um empregado/servidor que recebe pagamento descontado do IRFonte e que não pode computar essa retenção na sua declaração de rendimentos porque a fonte pagadora não emitiu o correspondente informe de rendimentos e de retenção na fonte ilustra bem o que está sendo dito. O sentido que se dá ao texto da lei não pode conflitar de forma tão flagrante com o sistema jurídico. Se a fonte pagadora não emite o referido comprovante, ou se o beneficiário do pagamento não tem como obter esse documento da fonte pagadora (e isso pode ocorrer em função de várias situações), não se pode negar ao beneficiário do pagamento o direito ao aproveitamento da retenção que este sofreu e que consegue comprovar com outros meios de prova. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10805.720242/200613 Acórdão n.º 9101004.147 CSRFT1 Fl. 1.389 7 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 665DF CARF MF
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