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Numero do processo: 10580.722178/2008-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10507.000734/2008-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 78 /2 00 8- 41 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10507.000734/200815. Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas à título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o Contribuinte argui serem as verbas recebidas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando da promulgação da sua Resolução nº 245 a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possuía natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.361, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.361): Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Nos termos da Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 5 4 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 6 5 À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 7 6 Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012MARCO AURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 8 7 tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas. Diante do exposto, no que tange a natureza da verba recebida, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista a decisão da maioria do Colegiado, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 9 8 Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 16 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 10 9 referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Vale mencionar que a maioria do colegiado, nos termos da jurisprudência em especial do RE1.227.133/RS, entende que apenas não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Assim, diante do exposto, quanto à incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora quanto à natureza da verba em litígio, ouso discordar quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 11 10 natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 12 11 decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, colacionada inclusive em um dos paradigmas trazidos pela recorrente (Acórdão 2801002.742), que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. b) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 13 12 Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10580.722178/200841 Acórdão n.º 9202006.363 CSRFT2 Fl. 14 13 Adicionalmente, caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 10, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, opinando pela natureza remuneratória das verbas recebidas sob análise, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.721867/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/12/2004
AGRAVANTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A ausência de prova do dolo, fraude ou simulação para justificar o agravamento da multa aplicada implicam na redução do valor da penalidade para o valor mínimo previsto na legislação de regência.
Numero da decisão: 2201-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 06/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A ausência de prova do dolo, fraude ou simulação para justificar o agravamento da multa aplicada implicam na redução do valor da penalidade para o valor mínimo previsto na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 18 67 /2 00 9- 47 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 207 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1268.285 13a Turma da DRJ/RJ1, o qual julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória de deixar de apresentar à fiscalização diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A descrição dos fatos foi feita de modo elucidativo pela decisão de piso, nos termos seguintes: Tratase de Auto de Infração (AI n° 37.146.3726) lavrado contra a empresa acima identificada, por infringência ao comando contido no art. 33, §§2° e 3o, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, combinado com os art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. Esclarece o relatório (fls. 146/149) que a autuada, embora intimada através do TIAF, do TIAD de 22/05/2008 e 11/06/2008, do TIF n° 001, TIF n° 002 (cópias anexas), deixou de apresentar à fiscalização diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, listados abaixo: Folhas de pagamento da competência 13/2004 de todos os segurados (documentação solicitada nos termos: TIAF, TIAD de 22/05/2004, TIF n° 001); Documentação relacionada ao saláriofamília: Termo de responsabilidade, fichas de saláriofamília e certidão de nascimento dos filhos (documentação solicitada no Documentação relativa ao saláriomaternidade: atestados médicos, fichas e recibos de saláriomaternidade (TIAF); Documentação comprobatória que embasaram os lançamentos contábeis nas contas: 91101010014 (Transporte e Alimentação); 91101010015 (Aviso Prévio e Indenizações);91101010016 (Curso e Treinamentos com Pessoal); 91101010011 (ValeAlimentação);91101010012 (Cesta Básica); 91101010009 (Assistência Médica); 91101030001(Serviços Prestados PF); 91101010003 (Comissões); 91101030014 (Promoções e Eventos); 9110103001 (Serviços de Manutenção e Conservação); 91101020012 (Manutenção e Conservação Patrimonial); 91101010018 (Seguro de Vida) documentos solicitados no TIAD de 11/06/2008; Documentação que embasou o lançamento a débito na conta 21101010079 (LinoBartolomeu), em 19/03/2004 no valor de R$ 17.374,00 (n° de lançamento 1966) documentos solicitado no TIAD de 11/06/2008; Registro de empregados e recibos de pagamentos dos trabalhadores relacionados no anexo I do TIF n° 002. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 208 3 Folhas de pagamento de outubro e novembro de 2004 (TIF n° 002); Folhas de pagamento dos trabalhadores lotados na administração de 01/2004 a 05/2004 e 07/2004 a 12/2004. Esclarecemos que nessas competências, apenas, foram apresentadas folhas de pagamento relacionadas com os tomadores de serviço (CLT e MOT). Livro Razão do exercício de 2004. Registrese que a empresa forneceu relatório, em meio papel, de algumas contas de despesas e de algumas contas do passivo, conforme protocolo de 12/05/2008, 20/05/2008, 15/08/2008 e 12/06/2008 (cópias anexas). ” Ressalta o autuante que estas omissões ocorreram de forma sistemática, não se configurando exceções que poderiam ser reputadas a erro ocasional. Também não foram apresentados os arquivos digitais e nem o livro razão, bem como foi omitido da contabilidade o reconhecimento da despesa com a contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos realizados aos prestadores de serviço. Relata ainda o Auditor que os documentos que lastreiam os lançamentos contábeis nas contas relativas aos pagamentos de pessoa física não foram disponibilizados e que o registro dos históricos dos lançamentos contábeis, na maioria das vezes, apresentase de forma imprecisa e confusa, não obedecendo ao disposto nas Normas Brasileiras de Contabilidade, dificultando bastante a identificação de fatos geradores e dos beneficiários de pagamentos. Devido a tais fatos, foi realizado o agravamento da multa aplicada, conforme previsto no art. 290, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Da impugnação Cientificada do lançamento em 26/08/2009, a autuada apresentou sua impugnação em 25/09/2009, através do instrumento de fls. 153/161, aduzindo, em síntese, o seguinte: Alega que não há mandados de procedimento que comprovam a prorrogação tempestiva do prazo de fiscalização, pelo que defende a nulidade do auto de infração. “... apenas no dia 09/outubro/2008, quando já expirado há mais de 4 (quatro) meses o prazo fatal para a conclusão da fiscalização, é que foi lavrado novo TERMO DE CIÊNCIA E DE CONTINUAÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL, lavrado, justamente pelos mesmos Auditores Fiscais que iniciaram o procedimento fiscal” Ressalta a adoção de regime de tributação pelo lucro presumido, razão pela qual enquadrase em exclusão da obrigação de escriturar o Livro Diário ou Razão; Entende que “caberia ao Auditor Fiscal apurar as informações contidas no LIVRO CAIXA ainda que o LIVRO RAZÃO tivesse registrado na JUCEPE, Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 209 4 posto que, conforme exposto anteriormente, tal livro NÃO É OBRIGATÓRIO ” Rebate a afirmativa do Auditor de que sua receita bruta de prestação de serviços ultrapassa a cifra de 10,8 milhões de reais. Argumenta que tal fato não é verdade, pois o valor que ultrapassa essa quantia é o simples somatório dos valores brutos das Notas Fiscais emitidas, o que não, necessariamente, representa a receita de serviços. A DRJ Rio de Janeiro I proferiu decisão (acórdão de fls. 179/186), nos termos da seguinte ementa: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Deixar a empresa de exibir à fiscalização quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social caracteriza infração ao art. 33, §2° da Lei 8.212/91. MOTIVOS E VALOR DA MULTA NÃO CONTESTADOS. EFEITOS PROCESSUAIS. A teor do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A ciência dessa decisão ocorreu em 09/07/2015 e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 30/07/2015 (fls.195/201). Em suas razões recursais o sujeito passivo reitera os termos expendidos na peça defensiva, no tocante à nulidade do lançamento em virtude de vícios verificados no Mandado de Procedimento Fiscal MPF e da impossibilidade de utilização das informações contidas no Livro Diário. Não houve recurso em relação ao mérito da autuação. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da nulidade Ausência de prorrogação tempestiva do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 210 5 Argumenta o recorrente que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi prorrogado diversas vezes, com a continuidade dos trabalhos pelo mesmo AuditorFiscal. No seu entendimento, a prorrogação obrigatoriamente demandaria um novo AuditorFiscal para a continuidade do procedimento, sendo nulo o lançamento por ter sido lavrado por autoridade incompetente, inteligência do art. 14, inciso II4 e 155 da Portaria/RFB n.° 11.371/2007 c/c art. 59, inciso I, do Decreto n.° 70.235/72. De pronto, afasto a preliminar de nulidade da aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A autoridade fiscal que presidiu o procedimento é ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF (Decreto n° 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. Acerca da alegada irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que macularia o lançamento e provocaria sua nulidade, a decisão recorrida detalhadamente enfrentou o ponto, posição com a qual concordo e adoto como razões de decidir. Está pacificado o entendimento na jurisprudência administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), seja ele de Fiscalização, de Diligência ou Especial, prestase primordialmente a controle de natureza interna da Receita Federal, embora também permita aos contribuintes aferir se a ação fiscal que se realiza é realmente originária do órgão tributário, se o servidor é da carreira de auditoria, quais são os tributos envolvidos, período, etc. Ou seja, é regramento administrativo que dá as diretrizes do procedimento a ser levado a efeito, sem, jamais, suprir a competência legal do servidor responsável pela ação fiscal prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 211 6 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse contexto, cabe ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram a ação fiscal, aí incluídas eventuais circularizações, pesquisas ou obtenção de dados, bem como o procedimento de requerer, internamente, a conversão de um MPF de Diligência em MPF de Fiscalização, se as circunstâncias e os fatos assim exigirem. A jurisprudência do CARF já pacífica acerca do assunto: Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto n° 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão n° 20180670 Relator Maurício Taveira e Silva) E, para que não pairem dúvidas sobre a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal para diligenciar e fiscalizar os contribuintes, observemse os seguintes artigos do RIR/1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999): Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1° A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°). Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°). Em suma, o MPF não é o meio hábil para se considerar iniciada, continuada ou finalizada uma fiscalização, mas instrumento de controle da RFB e que, disponibilizado ao contribuinte, permite Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 212 7 lhe conhecer detalhes do procedimento que será levado a efeito em seu estabelecimento. Como dito alhures, é remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em todas as suas Câmaras, a respeito de nulidades suscitadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, todas improvidas: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO VALIDADE A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n°s 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (Data da Sessão 14/09/2007 Relator Paulo Roberto Cortez Acórdão n° 10196351). Do mesmo modo: Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão n° 10615259 Data da Sessão 25/01/2006 Relator(a) Luiz Antonio de Paula MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Igualmente, os Acórdãos n°s 10809653, Relator Cândido Rodrigues Neuber; 10248948, Relator José Raimundo Tosta Santos; 10422515, Relator Antonio Lopo Martinez. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF n° 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedandose ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 213 8 procedimento de fiscalização se curva ao Decreto n° 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei n° 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuirse nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo (Processo n° 16327.002075/200252 3a Câmara 1° Conselho de Contribuintes Sessão em 28/02/2007 Relator Flávio Franco Corrêa Acórdão 10322886). Assim sendo, resta claro que eventual perda de validade de um Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), não enseja a nulidade do procedimento fiscal, não merecendo provimento o inconformismo do recorrente. Da utilização de informações do Livro Diário Argumenta o recorrente ser optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com base no lucro presumido, sendo que em virtude do disposto no art. 45, parágrafo único, da Lei n. 8.981, de 20.01.1995, não está obrigada a manter o Livro Diário. Lembra que não está impedida de manter tal livro, posto que isto só lhe será uma faculdade. Caberia ao AuditorFiscal apurar as informações contidas no LIVRO CAIXA ainda que o LIVRO RAZÃO tivesse registrado na JUCEPE, posto que em nenhum dos termos de intimação para apresentação de documentos foi solicitado o o Livro Caixa, restringindose a solicitar justamente o Livro Diário e Livro Razão, que, conforme citado anteriormente, são dispensados. Nesse tocante, mandou bem a decisão de piso, ao observar que houve uma aletração legislativa inaugurada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999, que alterou o parágrafo 16 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a expressão “são dispensadas” para “são desobrigadas”, em consonância com o art. 45, parágrafo único, da Lei n. 8.981/1995. Portanto, as empresas habilitadas à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido poderão optar por manter escrituração contábil ou manter o livro caixa, o qual deverá ser escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. Deve ser ressaltado que a escrituração de livros contábeis é uma obrigação acessória, sendo certo que em relação ao Livro Caixa, estava o sujeito passivo desobrigada a cumprila, fato que por si só, não afasta a presteza das informações contidas no referido documento. No caso que se cuida, ainda que tenha sido intimada a apresentar o Livro Diário, a recorrente fez a opção por apresentálo, mesmo estando desobrigada de fazêlo. Em parte, as Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 214 9 informações obtidas através da análise do referido documento foram utilizadas pela Fiscalização como elementos de prova para o presente lançamento. Não há nenhuma irregularidade em tal procedimento. É dever da autoridade admistrativa buscar elementos de prova para supedanear o lançamento, e o Livro Diário, não sendo documento estranho ao contribuinte, é meio válido e idôneo para embasar referido ato administrativo. De igual modo, não há óbice à Fiscalização de considerar o maior valor de base de cálculo dentre os meios de prova apreciados, sejam folhas de pagamento, RAIS ou livros contábeis, razão qual não procede o argumento do recorrente de que houve erro no lançamento em relação à competência dezembro/2014. Destarte, não merece guarida a alegação recursal, devendo ser afastada a preliminar de nulidade suscitada. Do descumprimento da obrigação acessória e do valor da multa aplicada A recorrente se insurgiu contra o valor da multa, sem no entanto, apresentar inconformismo material em relação à decisão recorrida e nem ao presente lançamento. De acordo com a razões recursais, a revisão do lançamento em relação às obrigações principais fulminaria o presente lançamento, eis que seria uma conseqüência lógica, ou seja, inexistindo a obrigação principal, não poderia ser mantida a obrigação acessória. Neste tocante, o julgamento do lançamento relativo à contribuição previdenciária inadimplida refletirá no reconhecimento da violação da obrigação acessória prevista 30 , I alínea “a” da Lei 8212/91 e 4° “caput” da Lei 10.666/03, dada a ausência do desconto da contribuição sobre a remuneração dos segurados. Quanto a este aspecto mandou bem a decisão de piso, ao asseverar ser possível concluir que o resultado do julgamento de lançamento de obrigação principal conexo condiciona o julgamento do presente auto de infração, uma vez que no auto de infração cujo objeto seja exclusivamente a exigência de penalidade tributária decorrente de violação de deveres instrumentais os aspectos ligados à definição da natureza jurídica das parcelas não descontadas dos segurados assumem o papel de mera questão prejudicial ao seu julgamento, ao passo que, na obrigação principal, o mesmo fato tem status de questão principal. Considerando que os autos de infração n° 37.200.3230 (10480.721860/2009 25) e 37.200.3257 (10480.721862/200914) foram julgados parcialmente improcedentes, nesta mesma sessão, este Auto de Infração também se revela procedente em parte. Isso porque, o reconhecimento da improcedência relativa às rubricas citadas bem como a parte da defesa que contesta natureza remuneratória da alimentação fornecida aos empregados confere razão em parte à recorrente na medida em que constitui objeto específico da obrigação principal, conexa a esta. A presente autuação, todavia, diz respeito ao fato de o sujeito passivo não ter exibido livros e documentos do interesse da Fiscalização, sendo que esta conduta restou fato incontroverso. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10480.721867/200947 Acórdão n.º 2201004.086 S2C2T1 Fl. 215 10 Em sua narrativa, a autoridade fiscal assinala que a multa está sendo triplicada em função da agravante prevista no art. 290, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Todavia, não há nenhuma menção às circunstâncias em que se deram a agravante. Inexiste prova de dolo, fraude ou simulação, que justifiquem o agravamento da multa. O lançamento é um ato administrativo, razão pela qual deve a Fiscalização justificar seus atos, apresentando as razões que o fizeram decidir sobre os fatos, com observância do princípio da legalidade. As informações omitidas são indispensáveis à análise da correção do valor da multa aplicada, sendo que a sua ausência retira a agravante da multa aplicada, devendo ser restabelecido o valor mínimo da multa previsto na legislação de regência. Destarte, a exclusão da agravante de penalidade é medida que se impõe. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para retirar a agravante da multa e restabelecêla para o valor mínimo previsto na legislação. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901061/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/02/2005 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2005 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 61 /2 01 2- 25 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901061/201225 Acórdão n.º 3301004.165 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.499. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901061/201225 Acórdão n.º 3301004.165 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901061/201225 Acórdão n.º 3301004.165 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.913311/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.005
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 11 /2 01 1- 91 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 61 PIS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.293, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13839.913311/201191 Acórdão n.º 3402005.005 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.001179/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constatado que os fundamentos do despacho decisório não estão claros o suficiente para que o sujeito passivo exerça seu direito de plena defesa, anula-se parcialmente o despacho decisório para que sejam completados os fundamentos.
Numero da decisão: 1402-000.691
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular parcialmente o despacho decisório da DRF, para que elabore novo despacho aprimorando a fundamentação das parcelas cujo reconhecimento do direito creditório foi negado, viabilizando o direito da plena defesa pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constatado que os fundamentos do despacho decisório não estão claros o suficiente para que o sujeito passivo exerça seu direito de plena defesa, anula se parcialmente o despacho decisório para que sejam completados os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular parcialmente o despacho decisório da DRF, para que elabore novo despacho aprimorando a fundamentação das parcelas cujo reconhecimento do direito creditório foi negado, viabilizando o direito da plena defesa pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 516DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14033.001179/200643 Acórdão n.º 140200.691 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório A contribuinte transmitiu DCOMP de fls. 2 a 9 e 50 a 133, consolidadas na tabela 10 de fls. 143, cujo crédito se refere ao saldo negativo de imposto de renda do ano calendário de 2005, no valor original de R$ 145.678.797,17, com débitos próprios que somavam R$ 29.824.028,78. A este processo foi juntado, por apensação, o de número 10166.013742/2003 17, onde teve os valores lançados em auto de infração mantidos, e compensou o valor dos débitos apurados por meio de DCOMP, tratada neste processo. Ressaltou a autoridade administrativa que de todas as DCOMP transmitidas restaram 3 originais e 6 retificadoras (tabela 11, fls.144). Quanto à análise do crédito, a autoridade administrativa reconheceu o valor de R$ 118.539.294,02, sendo esse valor insuficiente para a compensação com os débitos. Na manifestação de inconformidade, a interessada alegou que a Receita Federal glosou R$ 27.139.502,80, a título de imposto de renda mensal pago por estimativas. Diz que demonstra em planilha, a totalidade dos valores pagos a título de estimativa do IRPJ para o anocalendário de 2005, e a apuração informada na ficha 12, demonstração da base de cálculo do IRPJ da DIPJ2006. Apresentou cópia de DARF e cópia de DCOMP originais e retificadoras (anexos 14 a 17). Discute as DCOMP não admitidas (2 DCOMP retificadoras), que visaram corrigir erros. A Turma Julgadora afirmou que em relação à alegação da interessada de que o valor das estimativas mensais inseridas no saldo negativo do anocalendário de 2005 foi quitado com saldo negativo do anocalendário de 2004 e saldo de pagamento a maior de IRRF de juros sobre capital próprio, não procede, pois, tanto o saldo negativo do anocalendário de 2004, como o IRRF não estão demonstrados nos autos, e que inclusive, o saldo negativo do anocalendário de 2004 não foi suficiente para quitar os débitos parcialmente homologados constantes do processo 14033.000286/200573. As ementas proferidas são as seguintes: Compensação Saldo Negativo de IRPJ Impossibilidade Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, a interessada não logrou comprovar na totalidade a certeza e liquidez de seus créditos de IRFF (juros sobre o capital próprio) e Saldo Negativo de IRRI/AC2004. Constitucionalidade e/ou Ilegalidade de Normas Legais A instância administrativa não é foro apropriado para discussões Fl. 517DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14033.001179/200643 Acórdão n.º 140200.691 S1C4T2 Fl. 3 3 desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a—prerrogativa dos 'mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Solicitação Indeferida A ciência da decisão foi dada em 09.04.2008, e o recurso voluntário foi apresentado em 09.05.2008. A recorrente argumenta que análise dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte não levou em consideração a íntegra dos créditos que foram utilizados e validados em DCOMPs por outros processos e em DARFs de recolhimento. Apresenta cópia de todos os DARFs relativos ao código 2362, relativos ao anocalendário de 2005, que totalizariam R$ 145.693.320,82. Apresenta também: a)cópia de DCOMPs original e retificadora, no valor de R$ 15.825.461,84, crédito utilizado para quitação de parte do valor devido referente ao mês de janeiro de 2005, com vencimento em 25.02.2005, homologada por meio do despacho decisório no PA 14033.000286/200573, à fl. 258, anexo 14; b) cópia de DCOMP original, cujo crédito foi utilizado para quitação de parte do valor devido referente ao mês de fevereiro de 2005, vencimento em 31.03.2005, no valor de R$ 3.944.053,04 (anexo 15), que até àquele momento encontravase pendente de validação pela Receita Federal, razão pela qual estaria extinto o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação; c) cópia de DCOMP original, cujo crédito foi utilizado para quitar parcialmente valor devido relativo ao mês de fevereiro, vencimento de 31.03.2005, no valor de R$ 3.873.537,27 (anexo 16), também ainda pendente de validação; d) cópia de DCOMP original, homologada pelo despacho decisório no PA 14033.000286/200573, à fl. 175, e posteriormente retificada, cujo crédito foi utilizado para quitação de parte do valor devido referente ao mês de fevereiro de 2005, com vencimento em 31.03.2005, no valor de R$ 4.349.167,27 (anexo 17). Discute a não aceitação de DCOMP retificadora em virtude de mudança de código de receita e alteração de período de apuração informados na DCOMP original. Alega que 3 DCOMP retificadoras não foram admitidas com base na IN SRF 600/2005, art. 59. Explica que tratouse de simples inexatidão material no preenchimento das DCOMP. Argumenta que a disposição do art. 59 da IN mencionada vulnera o Código Tributário e extrapola os ditames da Lei 9.430/96, que não contém qualquer vedação quanto ao direito de retificar declaração já entregue. Entende ter havido equívoco no indeferimento das retificadoras, pois representariam correção de erros formais, no sentido de que os valores informados nas originais não representavam a verdade dos fatos, que somente foram apurados posteriormente. Salienta que a administração analisou somente aspectos formais, sendo que deveria buscar a Fl. 518DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14033.001179/200643 Acórdão n.º 140200.691 S1C4T2 Fl. 4 4 verdade real. Destaca que ao inadmitir as retificadoras, não cumpriu a Fazenda o seu dever de análise e penaliza o contribuinte que deverá efetuar novo pedido de compensação, tendo que se submeter aos acréscimos legais, pelos quais o mesmo não foi responsável. Aduz que se pode fazer um paralelo entre o raciocínio jurídico desenvolvido, para delinear o conceito de “inexatidão material”, no âmbito do art. 463, I, do CPC, e o conteúdo da expressão utilizada no art. 58 da IN SRF 600/2005, para concluir que houve mera correção de informações referentes aos códigos informados, na DCOMP original, tratandose de erro material, porquanto a retificação de dados mediante uso de DCOMP retificadora, em nada prejudicou o fisco, ficando afastada a hipótese de aumento de valor do débito compensado, vedada pelo art. 59 mencionado. Também discute o cálculo de juros de mora na apuração do débito devido, conforme carta de cobrança recebida. Esses juros selic representariam majoração extorsiva e ilegal do débito porque seriam juros remuneratórios. Salienta que a incidência de juros com base na taxa selic afrontou diversos princípios constitucionais, bem como o disposto no art. 161, § 1º do CTN e 192, § 3ºda CF, e que ademais, esse índice não foi sequer instituído por lei, mas sim por circulares do Banco Central, autarquia que não tem competência para tributar, conduta vedada por unanimidade na doutrina e jurisprudência, tendo em vista o disposto no art. 5º, II, da CF. Ao final, pede: a) sejam julgadas improcedentes as glosas de créditos do IRPJ do saldo negativo do anocalendário 2003 (sic), no que tange aos créditos de IRRF sobre aplicações financeiras e sobre os valores informados em PER/DCOMP retificadora e não acatados pela Receita Federal; b) para que os autos sejam baixados em diligência para que se proceda à validação dos documentos de pagamentos anexados pela contribuinte e que as PER/DCOMPs enviadas para compensação dos valores de estimativa mensal sejam processados e deferido o direito à compensação da contribuinte; c) se remanescer alguma exigência, que dela seja expurgada a aplicação da multa de ofício, por entender ser autêntico confisco, e que também se extinga a parcela de juros moratórios selic, que seriam extorsivos, ilegais e afrontosos ao art. 161 do CTN e à CF; d) que sejam produzidas todas as provas admitidas em direito, inclusive a realização de diligências que entenderem necessárias à elucidação dos fatos, em homenagem ao princípio da verdade real que deve prevalecer no contencioso administrativo. Em 13.08.2008, a contribuinte apresentou requerimento relativo a este e ao processo 14033.000286/200573, por meio do qual requerer que fosse determinada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários referentes ao Pis e Cofins, cobrados por meio de Termo de Intimação, de 10.03.2008, originados de erro no preenchimento de DCTF e objeto de manifestações de inconformidade e recursos a este Conselho, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96 e do Decreto 70.235072. Explica que com a finalidade de obter o reconhecimento do direito creditório concernente a parte do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2004, no montante não Fl. 519DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14033.001179/200643 Acórdão n.º 140200.691 S1C4T2 Fl. 5 5 atualizado de R$ 5.078.685,66, transmitiu, em 24.03.2005, DCOMP original.Esse direito creditório foi alocado para quitação do débito de estimativa do IRPJ, de fevereiro de 2005, do mesmo valor. Em 14.12.2006, por meio de DCOMP retificadora, o mencionado valor foi recalculado para R$ 4.349.167,27, realocandose o saldo do crédito a outros débitos, devidamente atualizados até à data da transmissão do PER/DCOMP, conforme decomposição. Afirma que não houve aumento de valores de débitos e/ou créditos em relação à DCOMP original, uma vez que o valor do direito creditório permaneceu o mesmo, e os valores dos débitos compensados na DCOMP retificadora foram quitados com a incidência dos acréscimos legais devidos, não gerando lesão ao fisco, situação semelhante à que seria efetuada se houvesse o preenchimento de outra DCOMP para compensação dos mesmos créditos. Após o envio das DCOMP, a Receita Federal procedeu à análise e homologação das compensações efetuadas pela contribuinte exarando despachos decisórios nos processos 14033.000286/200573 (saldo negativo do anocalendário de 2004) e 14033.001179/200643 (saldo negativo do anocalendário de 2005). Dos despachos decisórios exarados, apresentou manifestações de inconformidade que foram denegadas pela DRJ, e posteriormente, recursos voluntários que se encontram pendentes de julgamento no 1º CC. Sintetiza a sua irresignação da seguinte forma: a) No primeiro processo, não foi homologada a DCOMP retificadora enviada em 14.12.2006, com a alegação de que foram efetuadas novas inclusões de débitos, homologando o original transmitido em 24.03.2005, no valor original de R$ 5.078.685,66. Salienta que tal procedimento contrariou o que ocorreu na apuração de débitos da contribuinte, no sentido de que o valor homologado correspondeu equivocadamente ao débito do IRPJ de estimativa para a competência 02/2005, originalmente informado, quando o valor correto e apurado em DCTF foi de apenas R$ 4.349.167,27; b) Na análise do segundo processo, a autoridade fiscal considerou apenas o valor de R$ 4.349.167,27, a título de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005, utilizado na DCOMP retificadora que compõe o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2005, e não o valor de R$ 5.078.685,66, homologado e compensado no processo 14033.000286/200573; c) afirma que foram perpetrados equívocos ao se efetuar uma glosa de créditos, que foram homologados a maior do que o devido em processo administrativo diverso, equívocos que foram detectados e informados nas manifestações de inconformidade; d) salienta que ao utilizar da faculdade de retificar a DCOMP, agiu dentro da estrita legalidade e que Receita Federal efetuou a cobrança dos valores dos débitos compensados na DCOMP retificadora não acatados na análise dessas declarações, não respeitando o que determina a legislação quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário considerado devido, apesar da apresentação de recurso; e) em diligências e petições efetuadas junto à DRF de Brasília foram informados de que o entendimento em questão seria mantido, contrariando a legislação, no sentido de que quaisquer cobranças vinculadas a débitos quitados mediante a compensação, a que se referem a processos administrativos pendentes de julgamento, se encontram suspensos, nos termos do art. 151, III, do CTN, e §§ 9º, 10 e 11, do art. 74 da Lei 9.430/96,; Fl. 520DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14033.001179/200643 Acórdão n.º 140200.691 S1C4T2 Fl. 6 6 f) pede que seja determinado à Receita Federal que se proceda à suspensão dos débitos de Pis e Cofins, para a competência 05/2004, cobrados por meio do Termo de Intimação citado, em virtude de se encontrarem vinculados a processos administrativos, cuja decisão ainda não foi exarada na esfera administrativa, O Presidente do 1º CC, determinou o retorno dos autos à Unidade de origem para análise das alegações, resposta à contribuinte e retorno do processo para julgamento do recurso. A autoridade administrativa manifestouse no sentido de que a vedação constante no art. 59, devese à combinação dos artigos 28 e 61 da IN SRF 600/2005, e que o fato de a contribuinte declarar os juros e multa devidos sobre os novos débitos até à data da transmissão da declaração retificadora não altera o disposto no art. 61, que prevê que a valoração dos débitos se dará na forma prevista da legislação até à data de transmissão da DCOMP original, ou seja, a admissão resultaria em uma renúncia fiscal dos juros e multa devidos destes novos débitos até à data de transmissão da declaração retificadora. A empresa foi cientificada e o processo retornou para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. A contribuinte apresentou diversas DCOMP e algumas declarações retificadoras, tendo como crédito o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2005. O valor pleiteado de saldo negativo corresponde ao valor de R$ 145.678.797,17, enquanto que foi reconhecido o crédito de apenas R$ 118.539.294,02, tendo em vista que parte das estimativas que compuseram o saldo negativo não foi confirmada, no valor de R$ 27.139.503,15. A contribuinte argumenta que quitou estimativas utilizandose do IRRF retidos por órgãos públicos no valor de R$ 9.959.671,64 mais IRRF – demais no valor de R$ 264.519,92, efetuou pagamentos em DARF no valor de R$ 145.693.320,82, e que efetuou compensações de débitos de estimativas com créditos que ainda não haviam sido apreciadas ou que estavam em discussão no processo 14033.000286/200573 (valor total de R$ 27.992.219,42), totalizando estimativas no valor de R$ 183.909.731,80. Verificase que o sujeito passivo não entendeu na integralidade o despacho decisório, pois parte dos pagamentos foram acatados pela autoridade administrativa, bem como, parte das estimativas (que foram extintas por compensação), assim, caberia ao sujeito passivo defenderse do que não foi acatado. Entretanto, se verifica que para a elaboração do despacho decisório, a autoridade administrativa se baseou em informações contidas em tabelas, porém, não estão claros os fundamentos que foram utilizados para o indeferimento de parte dos valores pleiteados pelo sujeito passivo, o que dificulta o trabalho do julgador. Fl. 521DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14033.001179/200643 Acórdão n.º 140200.691 S1C4T2 Fl. 7 7 Por exemplo: a) Quais recolhimentos de estimativas efetuados por meio de DARF foram levados em consideração na apuração do crédito reconhecido? Quais recolhimentos de estimativas efetuados por meio de DARF não foram acatados e sob quais justificativas? b) Quais estimativas tidas como compensadas pelo sujeito passivo e que integrariam o saldo negativo do anocalendário de 2005, não foram acatadas por falta de homologação da compensação? Transcrevo o caput do art. 59, II, do PAF, que trata de nulidades de despachos e decisões: Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim sendo, o despacho decisório deve ser melhor fundamentado, para possibilitar ao sujeito passivo o amplo direito de defesa. Por economia processual, a autoridade administrativa deverá levar em conta na sua análise, o resultado da apreciação das DCOMP que têm relação com os débitos de estimativas que integraram o saldo negativo do anocalendário de 2005, que à época do despacho decisório, ainda não haviam sido apreciadas pela autoridade administrativa, ou que embora apreciadas, tiveram o resultado alterado em função de decisão de primeira ou segunda instâncias. Do exposto, voto por anular parcialmente o despacho decisório da DRF, para que elabore novo despacho aprimorando a fundamentação das parcelas cujo reconhecimento do direito creditório foi negado, viabilizando o direito da plena defesa pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 522DF CARF MF Emitido em 07/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721993/2015-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
SIMPLES NACIONAL. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade de locação de imóveis próprios, fica impedida de opção de ingresso no Simples Nacional, salvo quando se referir à prestação de serviços tributados pelo ISS.
Numero da decisão: 1001-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 SIMPLES NACIONAL. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade de locação de imóveis próprios, fica impedida de opção de ingresso no Simples Nacional, salvo quando se referir à prestação de serviços tributados pelo ISS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 93 /2 01 5- 15 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11080.721993/201515 Acórdão n.º 1001000.435 S1C0T1 Fl. 60 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão nº 0440.754, de 17/05/2016 (efls. 38/42), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido tendo em vista: a) atividade econômica vedada: CNAE 6810 2/02 –aluguel de imóveis próprios; e b) a existência de 10 (dez) débitos relativos ao PIS e 9 (nove) débitos da Cofins, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, incisos V e XV, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 12/02/2015 (fls. 0810). Apresentou manifestação de inconformidade em 10/03/2015 (fls. 02), alegando, em síntese, que os débitos foram regularizados em tempo hábil, tendo efetuado pedido de parcelamento, conforme documentos anexos. Aduziu, ainda, que possui uma atividade não exercida no seu CNPJ, objeto da referida vedação no contrato social, contudo, amparada pelo art. 17, § 1º, da LC nº 123/2006, não há vedação quando uma atividade não exercida conste no cadastro juntamente com outras que são exercidas e não são objetos de vedação. Por fim, requereu sua inclusão no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 03 e seguintes. A manifestação de inconformidade foi julgada procedente por esta Turma de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0440.492, de 12 de abril de 2016 (fls. 2325). Baixado o processo para prosseguimento, a autoridade preparadora devolveuo por meio do Despacho de fls. 30, alegando que “O Termo de Indeferimento do SN, fl. 08, contempla, além dos débitos, um CNAE vedado, e esta questão não foi objeto de análise do Acórdão desta DRJ cfe. fls. 23 a 25”. A DRJ reformou a decisão e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Deve ser recebido como embargos de declaração o despacho da unidade de origem que pede seja revisto o acórdão que não apreciou parte da matéria impugnada, relativa à atividade vedada. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. É vedada a opção ao Simples Nacional à empresa que tem por objetivo a atividade de locação de imóveis próprios, salvo quando se referir à prestação de serviços tributados pelo ISS. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11080.721993/201515 Acórdão n.º 1001000.435 S1C0T1 Fl. 61 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 27/05/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 45, a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/06/2016 (efls. 48/56), conforme carimbo à efl. 48. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social. A base legal do indeferimento foi o inciso XV, do art. 17, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XV que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir a prestação de serviços tributados pelo ISS. (...) § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5ºB a 5ºE do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11080.721993/201515 Acórdão n.º 1001000.435 S1C0T1 Fl. 62 4 todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera a alegação apresentada em sede de primeira instância de que empresa não exerce a atividade vedada de locação de imóveis próprios. Acrescenta e que "só exerce a atividade de compra e venda de imóveis de terceiros, conforme seu contrato social, já anexo anteriormente, e conforme o que consta no CNPJ da filial, sendo assim não sendo impedida de optar pelo simples nacional". Aduz, ainda, que "nunca possuiu bem imóvel em seu nome, inclusive o faturamento desta foi com relação à imóveis de terceiros, impossibilitando esta que tenha exercido atividade diferente à compra e venda e locação de bens de terceiros, sendo esta atividade única e principal, não sendo vedada" e que "A mera menção à atividade vedada à inclusão no simples nacional, não pode ser objeto de vedação, observado o principio da verdade material".(grifo não consta do original) Pede ainda "a apreciação do mérito, com observância ao principio da verdade material, com o exposto pelo contribuinte na documentação, pois em relação à isto dispõe a doutrina ...." Por fim, anexa Dimob Declaração de Informações sobre a atividades Imobiliárias (efls. 53 a 55), e Certidão expedida pelo Registro de Imóveis da Comarca de Capão da Canoa/Rio Grande do Sul (efl. 56). Em relação à atividade vedada, esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, completandoo ao final: (grifos não constam do original) Não obstante a contribuinte ter declarado que não exerce a locação de imóveis próprios, apesar de constar do contrato (fls. 04), o texto legal na parte final do § 1º do art. 17 acima transcrito dispõe que a vedação não se aplica à pessoa jurídica que se dedique exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5ºB a 5ºE do artigo 18, ou a exerça em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput do artigo 17. Explicitando essa matéria, a Solução de Consulta nº 127 – Cosit/RFB, de 2 de junho de 2014, dispõe (excertos): Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11080.721993/201515 Acórdão n.º 1001000.435 S1C0T1 Fl. 63 5 LOCAÇÃO DE IMÓVEL PRÓPRIO VINCULADA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO SUJEITA AO ISS. TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ANEXO III DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO PERCENTUAL DO ISS. A partir de 1º de janeiro de 2009, o exercício da atividade de locação de imóveis próprios, ainda que eventual e estranho ao objeto social da empresa, configura hipótese de vedação ao ingresso no Simples Nacional ou motivo de exclusão desse regime especial, salvo quando se referir à prestação de serviços tributados pelo Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS. (...) 9. Notese que a partir da alteração promovida pela Lei Complementar nº 128, de 2008, no art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, determinouse, com precisão, o alcance da vedação prevista no inciso XV desse artigo: uma vez exercida a atividade de locação de imóveis próprios, a pessoa jurídica que a exerça poderá optar pelo Simples Nacional, tãosomente na hipótese de essa atividade estar caracterizada como prestação de serviços tributados pelo ISS, constante da “Lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003”. 9.1. Como exemplos de atividades de locação de imóveis próprios que se referem a serviços tributados pelo ISS podem ser citados: a exploração de salões de festas, centro de convenções, escritórios virtuais, stands, quadras esportivas, estádios, ginásios, auditórios, casas de espetáculos, parques de diversões, canchas e congêneres, para realização de eventos ou negócios de qualquer natureza (item 3.03 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 2003). 10. Resta evidente que, mesmo que a atividade de locação de imóveis próprios não esteja incluída no objeto social do interessado, basta seu exercício, ainda que eventual, para configurar hipótese de vedação ao ingresso no Simples Nacional ou motivo de exclusão de tal regime de tributação. 15. Ante o exposto, respondese ao consulente que: a) a partir de 1º de janeiro de 2009, o exercício da atividade de locação de imóveis próprios, ainda que eventual e estranho ao objeto social da empresa, configura hipótese de vedação ao ingresso no Simples Nacional ou motivo de exclusão desse regime especial, salvo quando se referir à prestação de serviços tributados pelo ISS; (...) Em suma, (...) , a atividade vedada foi mantida em seu contrato social, o que impede a opção ao Simples Nacional, não tendo comprovado que prestava outros serviços tributados pelo ISS, como dispõe a ressalva prevista na legislação de regência. Conclusão. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11080.721993/201515 Acórdão n.º 1001000.435 S1C0T1 Fl. 64 6 Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento impugnado, por seus próprios e jurídicos fundamentos. Outrossim, está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional, coletânea de diversas orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional, que se houver no contrato social da empresa alguma atividade impeditiva, constante do Anexo VI da Resolução nº 94, de 2011, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar: (grifos não constam do original) 2.4. AS MICROEMPRESAS (ME) E AS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (EPP) QUE EXERÇAM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, SENDO APENAS UMA DELAS VEDADA E DE POUCA REPRESENTATIVIDADE NO TOTAL DAS RECEITAS, PODEM OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada (ver Pergunta 2.2), independentemente da relevância da atividade impeditiva e de eventual omissão do contrato social. 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO À OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VII da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que declare, no momento da opção, que exerce apenas atividades permitidas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (ver Pergunta 2.2). 2.6. A ME OU A EPP INSCRITA NO CNPJ COM CÓDIGO CNAE CORRESPONDENTE A UMA ATIVIDADE ECONÔMICA SECUNDÁRIA VEDADA PODE OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não. A Lei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Elas correspondem a códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) estabelecidas por uma Comissão do IBGE. Os códigos CNAE impeditivos ao Simples Nacional estão listados no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, e os códigos CNAE que abrangem concomitantemente atividades impeditivas e permitidas (CNAE ambíguas) constam do Anexo Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11080.721993/201515 Acórdão n.º 1001000.435 S1C0T1 Fl. 65 7 VII da mesma Resolução ver Pergunta 2.5. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. Quanto à apresentação da Certidão expedida pelo Registro de Imóveis, a mesma não comprova que a recorrente não possui imóveis, apenas serve para comprovar que não possui imóvel na Comarca de Capão da Canoa/Rio Grande do Sul. Quanto à Dimob apresentada, onde constam a venda de três imóveis, esta não vergasta a fundamentação da decisão de primeira instância, de não apresentação de provas de que prestava outros serviços tributados pelo ISS, pois este serviço não está inserido na relação da Solução de Consulta nº 127 – Cosit/RFB, de 2 de junho de 2014, condição exigida na ressalva do dispositivo legal acima transcrito. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905868/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 68 /2 01 2- 01 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.904. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905868/201201 Acórdão n.º 3302005.026 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901385/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. GLOSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS.
Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI e dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI só fazem sentido se concomitantes. Sendo improcedente o auto de infração, é de se afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. GLOSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS. Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI e dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI só fazem sentido se concomitantes. Sendo improcedente o auto de infração, é de se afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos. Recurso voluntário parcialmente provido.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. GLOSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS. Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI e dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI só fazem sentido se concomitantes. Sendo improcedente o auto de infração, é de se afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 13 85 /2 01 3- 21 Fl. 7794DF CARF MF Processo nº 11080.901385/201321 Acórdão n.º 3301004.183 S3C3T1 Fl. 7.795 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, o qual segue transcrito: Trata o presente de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, feito através do PER/DCOMP n° 17555.94708.170912.1.1.012595, no valor de R$ 21.696.235,93, referente ao 2º trimestre de 2009. Ao crédito foram vinculadas as DCOMP abaixo relacionadas: A Delegacia da Receita Federal em Campinas, através do Despacho Decisório, fl. 2.651, deferiu parcialmente o pedido. Reconheceu crédito de IPI no valor de R$11.166.497,41, homologou parcialmente a DCOMP nº 26605.55743.191112.1.3.015742 e não homologou as demais. Segundo consta na informação fiscal, fls. 2178/2179, foi lavrado auto de infração (cópia às fls. 1634/1666), que resultou na reconstituição da escrita fiscal e consequente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Conforme relatado, foi constatada falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal (sobre bens de informática) instituído pela Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991 e por inobservância de alíquota de IPI. Conforme descrição dos fatos constante de auto de infração, fls. 1634/1666, foram constatadas as seguintes infrações: 1. Falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com falta de lançamento nas notas fiscais relacionadas no demonstrativo “RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA SEM O DEVIDO DESTAQUE DO IPI – ANEXO IV”, folhas 1161/1171, por erro de alíquota. Período Março/2009 a junho/2011. 2. Falta de lançamento do imposto em virtude da indevida utilização da redução de alíquota prevista na Lei nº 8.248/91, com a redação modificada pelas Leis nº 10.176/2001, e nº 11.077/2004, nas saídas de bens de informática. Verificouse a falta de lançamento em saídas de produtos ocorridas antes da inclusão desses produtos na Portaria Interministerial, e que foram relacionadas no Anexo II (fls. 259/330), e falta de lançamento nas saídas de produtos que nunca constaram na Portaria Interministerial, que foram relacionadas no Anexo III (fls. 381/385. Demonstrativo geral encontrase às fls. 1172/1545, “RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA COM USO INDEVIDO DE BENEFÍCIO FISCAL – ANEXO V” – Período de Janeiro/2009 a junho/2011. As notas fiscais de saída fazem expressa referência à Portaria Interministerial MCT.MDIC.MF nº 985/2006, porém, esta Portaria, conforme pesquisa no portal da internet relativo ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), não identifica inequivocamente os produtos/modelos discriminados nas notas fiscais. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, em 20/02/2014, a Recorrente, em manifestação de inconformidade, teceu os mesmos argumentos aduzidos na impugnação ao auto de infração do processo n° 10830.726826/201314. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/BEL proferiu o Acórdão nº 0131.457, com a seguinte ementa: Fl. 7795DF CARF MF Processo nº 11080.901385/201321 Acórdão n.º 3301004.183 S3C3T1 Fl. 7.796 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestre calendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. A Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual repisa as razões de sua manifestação de inconformidade e combate ponto a ponto a decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme relatado, a matéria destes autos é a mesma do auto de infração formalizado no processo administrativo nº 10830.726826/201314. É cristalino o fato de que o presente processo é totalmente vinculado a este outro, como bem apontou a decisão de piso: A contribuinte transmitiu declarações de compensação com base em saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2009. A DRF em Campinas deferiu parcialmente o pedido porque constatou falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.191/91, e por inobservância de alíquota de IPI. Em virtude da reconstituição da escrita fiscal e da lavratura de auto de infração, teria sobrado saldo credor a ser ressarcido inferior ao pedido. Fl. 7796DF CARF MF Processo nº 11080.901385/201321 Acórdão n.º 3301004.183 S3C3T1 Fl. 7.797 4 O auto de infração, que contempla o período de apuração 01/2009 a 01/2011, consta do processo nº 10830.726826/201314, e que foi julgado pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR em 12/12/2014, Acórdão nº 15 37.851, cópia às fls. 6988 a 7020. Abaixo transcrevemos o Voto constante do processo em referência, aprovado por unanimidade, que enfrentou as questões apresentadas no presente processo. Por conseguinte, diante da vinculação deste julgamento ao do auto de infração, há que se aplicar a decisão proferida no processo nº 10830.726826/201314, cuja ementa foi assim redigida: IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrado que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido. Diante disso, como todo pedido de ressarcimento depende da existência de um crédito, o qual deve ser reconhecido na exata medida de sua comprovação, a Recorrente deve ter seu direito creditório analisado e apurado pela unidade de origem, dentro dos limites da decisão proferida no auto de infração. Logo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos. (Assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 7797DF CARF MF Processo nº 11080.901385/201321 Acórdão n.º 3301004.183 S3C3T1 Fl. 7.798 5 Fl. 7798DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000553/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/12/2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3301-004.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em face da concomitância entre a via administrativa e judicial.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em face da concomitância entre a via administrativa e judicial. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 05 53 /2 00 7- 76 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11891.000553/200776 Acórdão n.º 3301004.230 S3C3T1 Fl. 123 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 101 a 104) interposto pelo Contribuinte, em 13 de fevereiro de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0735.846 (fls. 89 a 93), de 22 de outubro de 2014, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 33 a 39), mantendo o crédito tributário apurado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 02/10) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 2.587,47, relativo à ausência de recolhimento da contribuição ao PIS – Importação e da COFINS – Importação, em decorrência da importação do equipamento constante da Declaração de Importação n° 07/16912575, registrada em 05/12/2007, com base em decisão liminar deferida em 06/11/2007, pela 22ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, no processo judicial n° 2007.38.00.0350175. A auditoria informa que foram efetuados os recolhimentos dos valores calculados sobre o valor aduaneiro, conforme a determinação judicial, sente este o lançamento da diferença dos tributos, com a exigibilidade suspensa pela liminar concedida em mandado de segurança. Regularmente cientificada (fls. 29/31), a autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 33/39), nas quais, em síntese: Alega que realizou os depósitos judiciais das contribuições, calculadas sobre o valor aduaneiro, conforme o estabelecido na decisão liminar, e que somente esse valor era o devido para que se suspendesse a exigibilidade dos tributos. Sendo assim, no presente caso, o auto de infração é completamente desnecessário, uma vez que o depósito judicial de valor relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação toma dispensável o ato formal de lançamento por parte do Fisco, não se operando a decadência. Aduz que, como o crédito tributário está suspenso por decisão judicial, nos termos do art. 63, da lei 9.430/96, não incide os juros de mora, razão pela qual deve ser afastado de plano. Requer a improcedência do presente auto de infração. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformado o referido Acórdão, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11891.000553/200776 Acórdão n.º 3301004.230 S3C3T1 Fl. 124 3 julgando improcedente e arquivando o Auto de Infração, uma vez que a exigibilidade do tributo já foi, segundo o Contribuinte, declarada inconstitucional. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0735.846, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/12/2007 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário paralisa os atos executórios de cobrança, mas não suspende a prática do ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O ora analisado Recurso Voluntário visa a reforma do referido Acórdão e expõe o seu pedido desta forma (fls. 112): Assim, temse que é totalmente indevida a cobrança objeto do presente auto de infração, na medida em que a matéria está sendo objeto de discussão judicial. Apesar do Contribuinte ter na esfera judicial decisão que suspenda a exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo, esta decisão não tem o condão de suspender a atividade administrativa no que tange o lançamento, que é uma atividade vinculada e obrigatória, uma vez que se a Fiscalização não realizasse este lançamento poderia ser atingido pelo instituto da decadência Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, cabe observar que deve ser mantido o entendimento da decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, uma vez que o Contribuinte buscou na esfera judicial a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que tem por consequência a renúncia à esfera administrativa, como se verifica no recurso voluntário com a citação acima e com o seguinte trecho da decisão recorrida (fls. 90 e 91): Observo que, quanto ao mérito levado à apreciação do Judiciário, o crédito tributário é considerado definitivo na via administrativa, uma vez que, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, a propositura pelo contribuinte de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11891.000553/200776 Acórdão n.º 3301004.230 S3C3T1 Fl. 125 4 ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) implica renúncia às instâncias administrativas. Ressalvase, todavia, que sua exigência fica vinculada ao pronunciamento definitivo do Judiciário, uma vez que é nessa instância que vai ser definida a legitimidade da base de cálculo dos tributos em questão. (Grifouse). Nesse sentido, cabe ressaltar o entendimento exposto quando da publicação da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário por concomitância, visto que o mesmo objeto é discutido tanto na esfera judicial quanto na esfera administrativa. Valcir Gassen Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003006/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2005
GRATIFICAÇÃO DIA DO COMERCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE.
A gratificação recebida pelo trabalhador pelo dia do comerciário enquadra-se na definição de salário de contribuição quando paga com habitualidade.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo.
MULTA MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. APLICAÇÃO.
Aplica-se a multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09, no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo sujeito passivo. Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14/2009.
Lançamento Procedente
Numero da decisão: 2401-005.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2005 GRATIFICAÇÃO DIA DO COMERCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. A gratificação recebida pelo trabalhador pelo dia do comerciário enquadra-se na definição de salário de contribuição quando paga com habitualidade. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. APLICAÇÃO. Aplica-se a multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09, no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo sujeito passivo. Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14/2009. Lançamento Procedente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. A gratificação recebida pelo trabalhador pelo dia do comerciário enquadrase na definição de salário de contribuição quando paga com habitualidade. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. APLICAÇÃO. Aplicase a multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09, no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo sujeito passivo. Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14/2009. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 06 /2 00 8- 16 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.495 (fls. 40/44) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. GRATIFICAÇÕES. Integra o salário de contribuição as parcelas pagas habitualmente aos empregados a título de gratificação. DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente Às fls. 2 e seguintes, consta Auto de Infração (DEBCAD n° 37.135.0611) lavrado para constituição do crédito tributário, dos estabelecimento CNPJ's 000150; 000665 e 000908, no valor de R$ 2.060,71 (dois mil e sessenta reais e setenta e um centavos), referente às contribuições destinadas a outras Entidades (Salário Educação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae). Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas pela empresa autuada a segurados empregados, nas competências 10/2003, 10/2004 e 10/2005, a titulo de gratificação em homenagem ao “Dia do Comerciário”, originada da cláusula extraída da Convenção Coletiva de Trabalho 2002/2003FECESP/SlNCODIV de 11/12/2002, que ficou válida através de aditamentos e renovações até a convenção 2006/2007. Do relatório da decisão de piso, extraemse, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: Os pagamentos dos abonos salariais aos empregados foram feitos em cumprimento a Acordo Coletivo de Trabalho, no qual consta que sobre tais pagamentos não incidirá contribuição social. A empresa apenas obedeceu a essa determinação. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 4 A empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e qualquer outro lançamento neste período está abrangido pela decadência. No item 8° do Relatório Fiscal há uma informação juridicamente absurda. A representação fiscal para instauração de ação penal por crime contra a ordem tributária só pode ser efetuada após o crédito tributário estiver definitivamente constituído, conforme disposto no artigo 60 da Lei n. 9.430/91. Requer a procedência da impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fls. 57), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010 (fls. 58). Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) antes de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar de decadência Alega a recorrente que já fora fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estariam abrangidos pela decadência. Pois bem. Quanto ao prazo de constituição do crédito tributário (prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça – STJ consagrou o entendimento de que a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do inciso I do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 6 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 7 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Veja, nesse processo estão abrangidas as competências (fatos geradores) de 10/2003, 10/2004 e 10/2005, de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito (fls. 5/6). Como o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 31/07/2008, independente de aplicação da regra do § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do período fiscalizado. Esclarece ainda que o art. 174 do CTN dispõe sobre o prazo de prescrição do crédito tributário, ou seja, tratase do prazo de cobrança que se inicia somente após a constituição definitiva do crédito tributário, após a fase litigiosa. Aduz ainda a recorrente ter sido fiscalizada em 2003 e 2004. Esse informação, por si só, não implica em decadência. Nesse sentido, foi a conclusão da decisão de piso: " ... o simples fato da empresa autuada ter sido supostamente fiscalizada em 2003 e 2004 não implica em decadência do direito do Fisco constituir o crédito previdenciário de qualquer período objeto deste lançamento, nem tão pouco é relevante para o resultado deste julgamento. Apenas o seria se, havendo fiscalização anterior sobre o mesmo período, dela decorresse o lançamento das mesmas contribuições que ora são exigidas, fatos estes que dependem de provas, não produzidas nos autos. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Sem razão a recorrente. Mérito A recorrente argumenta que os autos estão destituídos de fundamento, aleatórios. Sem razão a recorrente. Como se observa, nos termos descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração, as bases de calculo foram obtidas mediante arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros de folhas de pagamentos do 01/2003 a 06/2007. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 8 Além disso, o sujeito passivo demonstra com clareza o teor da infração que lhe foi imputada, pelo que logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento. Reitera os argumentos apresentados na impugnação, nos quais defende que os pagamentos dos abonos salariais, Gratificação do Dia do Comerciário, aos empregados foram feitos em cumprimento a Acordo Coletivo de Trabalho, no qual consta que sobre tais pagamentos não incidirá contribuição social. Pois bem. A controvérsia cingese na natureza da gratificação paga os trabalhadores pelo "Dia do Comerciário" ser considerada ou não salário de contribuição, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Na definição de salário de contribuição, o legislador adotou o conceito bem mais amplo de remuneração para efeitos de apuração da contribuição previdenciária, abrangendo o salário, com todos os componentes, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Neste sentido, também é o § 11 do art. 201 da Constituição Federal: " § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)" Por outro lado, as exceções ao disposto no art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, estão dispostas no §9º, que especifica no item 7 da alínea "e" que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais não integram o salário de contribuição. Ao meu ver, a importância paga a título de gratificação pelo dia do comerciário não é eventual, pois todos anos o trabalhador sabe que naquela data ocorrerá e que o valor será pago, sabendo, em muitos casos, até com antecedência a importância que receberá, não está desvinculada do salário, portanto, tem a natureza de gratificação paga com habitualidade. Neste contexto, é a cláusula 48ª do Convenção Coletiva de Trabalho, reproduzida do Relatório Fiscal 2002/2003 FECESP/SINCODIV de 11/12/2002, que ficou válida por meio de aditamentos e renovações até a convenção 2006/2007, reproduzida do Relatório Fiscal (fls. 24): Em que pese a força das Convenções Coletivas, como garantia constitucional que assegura os direitos trabalhistas entre as categorias dos empregadores e empregados, as mesmas não podem ser opostas ao fisco para estabelecer uma regra de não incidência das contribuições previdenciárias, pois são desprovidas de força normativa, lei em sentido formal. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 9 Além do que, a não incidência é matéria que só compete ao ente tributante, pois a ele cabe definir dentro de sua competência constitucional, o que vai ou o que não vai ser tributado, não sendo tal prerrogativa atribuída aos particulares. Relata a auditoria fiscal que as bases de calculo foram obtidas mediante arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros de Folha de Pagamento do período de 01/2003 a 08/2007 no formato do MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais. As informações foram validadas por meio de testes, por amostragem, realizados por confronto com as folhas de pagamento em meio papel para as amostras 05/2003, 08/2004, 12 e 13/2006 e 08/2007, de onde foram extraídas as bases de calculo das rubricas referentes ao Dia do Comerciário. Pelo exposto acima, entendo que não merece ser reformado o r. acórdão recorrido, que assim concluiu: " ... estas gratificações concedidas pela autuada a segurados empregados, por serem habituais, devem sim integrar o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições sociais, na forma do artigo 28 da Lei n° 8.212/91". Quanto a Representação Fiscal para Fins Penais, impende esclarecer o seguinte: " Súmula nº 28: o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais ". Como bem pontuado na decisão de piso, a alegação de que foram lavrados autos repetitivos não procede, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro. Em relação à aplicação da multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09 que foi reconhecida no r. acórdão recorrido, necessário esclarecer que o órgão responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deve efetuar o cálculo da multa, nos termos em que está disposto no art. 476 da Instrução Normativa nº 971/09, conforme: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13888.003006/200816 Acórdão n.º 2401005.354 S2C4T1 Fl. 0 10 b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) [...] Também, são essas as disposições da Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nos seguintes termos: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). [...] § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 75DF CARF MF
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