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Numero do processo: 13312.720264/2012-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta confirme que as provas apresentadas são suficientes para se concluir que os débitos constantes do Termo de Indeferimento estavam com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta confirme que as provas apresentadas são suficientes para se concluir que os débitos constantes do Termo de Indeferimento estavam com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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score : 1.0
Numero do processo: 14751.002618/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamento à 3ª Câmara da 1ª Seção, a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com o processo 14751.000142/2005-10, do qual este é decorrente.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamento à 3ª Câmara da 1ª Seção, a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com o processo 14751.000142/200510, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 51 .0 02 61 8/ 20 09 -7 2 Fl. 681DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Resolução nº 1402000.138 S1C4T2 Fl. 658 2 Energisa Paraíba Distribuidora de Energia S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 02 a 04), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 07 a 10), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 23.657.382,32 (valores principais, multas e juros). 2. De acordo com o Relatório da Revisão de Declaração das fls. 156 e 157, o lançamento decorreu de compensações indevidas de prejuízo e de base de cálculo negativa de CSLL, de períodos anteriores, na apuração anual do imposto e da contribuição, respectivamente. 3. Apresentouse impugnação, às fls. 160 a 255, argumentandose, em essência, que por o lançamento ser conseqüência dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, consubstanciados no Processo n° 14751.000142/200510, haveria necessidade de sobrestar o seu julgamento até o julgamento definitivo deste — o que se requereu ao final. 4. É o que importa relatar.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1130.889 (fls. 578581) de 26/08/2010, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de prejuízos de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de bases de cálculo negativas de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado.” Fl. 682DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Resolução nº 1402000.138 S1C4T2 Fl. 659 3 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/10/2010 (A.R. de fl. 584) a interessada interpôs recurso voluntário em 16/10/2010 (fls. 592631) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Resolução nº 1402000.138 S1C4T2 Fl. 660 4 Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. O lançamento decorre da desconsideração da apuração de prejuízo fiscal contabilizado pela Recorrente. Em seu lugar, o Fisco utilizou os valores, a título de prejuízo fiscal, constantes no sistema SAPLI da RFB. A divergência entre os valores apurados pela Recorrente e aqueles constantes nos sistemas da Receita Federal decorre de glosas promovidas em procedimento fiscal precedente, que deu origem ao Processo Administrativo n° 14751.000142/200510, referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001. Tais glosas dizem respeito a diversas adições e exclusões computadas, pela Fiscalização, ao lucro tributável dos anoscalendário de 2000 e 2001 que refletem em toda a apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL relativa aos exercícios seguintes da Recorrente. Nesse sentido, o próprio Auditor Fiscal autuante, em seu Relatório de Revisão de Declaração, assim se manifestou: "Realmente o problema apresentado é conseqüência inicial dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL constantes no processo 14751.000142/200510, pois o contribuinte não alterou o seu LALUR com os dados da fiscalização, juntamente com as revisões de declaração dos anoscalendário 2005 e 2006, que também apresentaram as mesmas inconsistências da presente revisão, do anocalendário 2007." De acordo com aquela Autoridade Fiscal, "os dados do SAPLI mostram os valores corretos, já atualizados com o auto de infração inicial, citado pelo contribuinte, e com o auto de infração oriundo da revisão das declarações dos anoscalendário de 2005 e 2006". Por certo não poderia a Recorrente promover quaisquer alterações em seus registros contábeis de modo a alterar sua base tributável, em função das glosas promovidas no auto de infração que deu origem ao Processo Administrativo n° 14751.000142/200510, simplesmente porque tais glosas vêem sendo questionadas nos autos daquele processo. Com efeito, no próprio voto condutor da Decisão atacada, a Autoridade Julgadora de 1ª instância reconhece que o lançamento em análise foi consectário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL constantes do Processo n° 14751.000142/200510. Assim se pronunciou aquela autoridade: O inconformismo da defesa, como se relatou, corporificouse, em essência, no pleito para que o julgamento do caso em questão fosse sobrestado até a decisão definitiva daquele processo — houve recurso contra a decisão de 1ª instância, cujas contraposições, transcritas na impugnação, não serão objeto de apreciação, por estarem à margem da lide —, para evitarse "conflito de julgados". Dessa forma, há que se concordar com a Recorrente no sentido de que a decisão proferida no Processo Administrativo n° 14751.000142/200510 interfere diretamente no resultado do julgamento do presente processo. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Resolução nº 1402000.138 S1C4T2 Fl. 661 5 De fato, na medida em que os prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 2007 pela Recorrente são desconsiderados pela fiscalização, para fazer valer as bases tributáveis constantes nos sistemas da Receita Federal, em razão do cômputo de glosas referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001, concluise que os argumentos despendidos naquele Processo Administrativo n° 14751.000142/200510 devem ser os mesmos do presente. Nesse sentido, estando em apreciação o lançamento constante do Processo Administrativo n° 14751.000142/200510 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, informação que se obteve por consulta ao sistema eprocesso em 11/09/2012, entendo que o presente processo deve seguir o mesmo destino e ser analisado por aquela e.Turma. Precedentes: Acórdão nº 130200.811, de 31/01/2012, cuja ementa se transcreve abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2002 Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. Diante do exposto, voto por declinar a competência do julgamento à 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com o processo 14751.000142/200510, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 685DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000636/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO-BABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA.
Integra o salário-de-contribuição o benefício auxílio-babá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99.
A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxílio-babá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010.
Numero da decisão: 9202-006.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO-BABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Integra o salário-de-contribuição o benefício auxílio-babá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxílio-babá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIOBABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Integra o saláriodecontribuição o benefício auxíliobabá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxíliobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 36 /2 00 8- 81 Fl. 810DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2402002.399, proferido pela 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 20/01/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11941/09, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, como se vê: Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIO BABÁ. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62ª DO RICARF. O auxílio babá não é espécie de benefício distinta do auxílio creche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Como tal, deve ser dispensado à essa modalidade do benefício o mesmo tratamento tributário do auxílio creche: Súmula STJ nº 310, de 11/05/2005 e Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19740.000636/200881 Acórdão n.º 9202006.173 CSRFT2 Fl. 811 3 Recurso voluntário este provido por unanimidade conforme ementa supra. Para o contribuinte, que se manifesta por meio das contrarrazões nos seguintes termos: Fl. 812DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por tudo, entendo que deve ser dispensado à modalidade do benefício titulada auxíliobabá, o mesmo tratamento tributário do auxílio creche. Tendo a fiscalização se convencido de que os valores são efetivamente relativos ao benefício, a parcela tem natureza indenizatória e fica, portanto, dispensada a comprovação da despesa do empregado com a babá. Para se afastar a incidência sobre os valores pagos ou reembolsados pela empresa, é suficiente a identificação do responsável e do dependente através de certidão de nascimento ou de outro documento onde também se possa comprovar a idade da criança. Ademais, esta Câmara Superior já pacificou o entendimento no sentido do constante do Acórdão 9202005.674, da ilustre Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que transcrevo: Cingese a controvérsia sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobres valores pagos aos segurados empregados a título de reembolso babá. No entender do recorrente aplicase ao caso a Súmula 310 do STJ e o Parecer PGFN nº 2600/2008, pois tal verba possui a mesma natureza jurídica do auxílio creche. Em que pense o debate travado nos autos, devemos destacar a existência do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 que, encerrando definitivamente a controvérsia ora analisada, reconheceu expressamente que o reembolsobabá não compõe o saláriode contribuição em razão da sua natureza indenizatória. Tal parecer foi editado, exatamente, para solucionar as dúvidas relativas a abrangência da Súmula 310 e Parecer 2.600/08. Vejamos trechos do citado Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2271/2013: Tributário. Imposto de Renda e Contribuição Previdenciária. Reembolsobabá. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. Matéria infraconstitucional. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. ... 3. A análise em comento decorre da dúvida que surgiu acerca da abrangência do Ato Declaratório 13/2011. Isto é, se o ato Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19740.000636/200881 Acórdão n.º 9202006.173 CSRFT2 Fl. 812 5 também abarca o reembolsobabá, tendo em vista a equiparação dos institutos pela jurisprudência, bem como diante das diferentes acepções do termo “auxíliocreche” na legislação. ... 7. Os Tribunais, notadamente o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao tratar do benefício, trata indistintamente o auxílio creche e o auxíliobabá como institutos congêneres. Com efeito, conforme tratado no PARECER PGFN/CRJ/N.º 13/2011 o STJ quando instado a se manifestar sobre as ações judiciais que tratam acerca do auxíliocreche e do auxíliobabá, não demarca os limites e a abrangência das citadas expressões. Somente descrevem, de modo genérico, que estas verbas correspondem a um reembolso (indenização) de despesas efetuadas pelo trabalhador por ter sido privado de obrigação legalmente imposta ao empregador. ... 9. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o reembolsobabá não possui natureza indenizatória, ao contrário, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deveria haver incidência tanto no imposto de renda como na contribuição previdenciária. 10. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual os valores percebidos a título de reembolsobabá têm caráter indenizatório, não incidindo, por isso, imposto de renda ou contribuição previdenciária. ... 23. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos a título de reembolsobabá (auxíliobabá), como na hipótese objeto deste Parecer, a competência para representar a União é da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, já que se trata de matéria fiscal (art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993); e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de se reconhecer a não incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos moldes acima delineados. ... 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: Fl. 814DF CARF MF 6 (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. ... Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Destaco que, referido ato declaratório decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Segundo o citado artigo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19740.000636/200881 Acórdão n.º 9202006.173 CSRFT2 Fl. 813 7 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Ante exposto ao NEGO Provimento ao Recurso da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 816DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira Patrícia da Silva para divergir do seu entendimento em relação a exclusão dos pagamentos feitos pelo sujeito passivo, à título de auxílio babá, do conceito de salário de contribuição. Analisando o caso concreto, fica claro que inaplicável o ato declaratório descrito pela relatora, uma vez que as situações ali esplanadas não se subssumem a tese trazida no parecer. De igual forma, inaplicável o julgado transcrito pela relatora do voto vencido, novamente por tratarse de situações fáticas distintas. A lei 8.212/91 é clara em definir no art. 28, §9º, "s", as parcelas excluídas do conceito de salário de contribuição, senão vejamos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; Embora a lei não faça expressa previsão do pagamento feito à título de auxílio babá, o Decreto nº 3048/99 em seu art. 214, §9º, incisos XXIII e XXIV assim dispõem: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: XXIII o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas; (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; e (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Ou seja, o legislador impõe condições para que o auxílio babá possa ser excluído do conceito de salário de contribuição, quais sejam: limitado ao menor saláriode contribuição mensal, condicionado à comprovação do registro na CTPS da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária e observado o limite máximo de seis anos de idade da criança. Contudo, o citado Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, consubstanciado nas decisões reiteradas do STJ, o qual baseouse a relatora para fundamentar seu voto, não acolhe a interpretação por ela adotada. Notese que o próprio trecho do voto Acórdão 9202005.674, transcrito pela relatora, em alusão ao Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, deixa claro a inaplicabilidade ao caso ora sob análise: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19740.000636/200881 Acórdão n.º 9202006.173 CSRFT2 Fl. 814 9 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. Ou seja, a dispensa somente estaria autorizada quando comprovadas as despesas que fundamentaram o seu pagamento. Notese que em virtude do parecer transcrito acima, foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Referido ato declaratório, decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, contudo, restou claro que a sua aplicabilidade estava restrita aos casos em que expressa a comprovação das despesas, o que não é o caso dos autos, senão vejamos trecho do relatório fiscal: 5. SITUAÇÃO FÁTICA 5.1 Na análise das Folhas de Pagamentos do ano de 2004, foi detectada a ocorrência de pagamentos sob o título de Auxílio Creche, Auxílio Creche—Mês Anterior, Auxílio Babá e Auxílio Babá—Mês Anterior. Em anexo, cópia dos os resumos das folhas de pagamento (fls. 1%). 5.2. Foram solicitados os comprovantes de despesas com Creche relativos a todos os empregados que receberam esta Fl. 818DF CARF MF 10 rubrica e a comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária da empregada em relação àqueles que receberam o Auxilio Babá. 5.3. Ocorre que a empresa não logrou apresentar a maior parte dos comprovantes solicitados, apresentando apenas os relativos a treze funcionários, ficando claro que a empresa não observou os requisitos legais para efetuar o pagamento destes valores, passando estes a integrar a base do salário de contribuição previdenciária. 5.4. Em anexo (fls. VSut ), encontrase uma lista com todos os pagamentos efetuados em desobediência aos preceitos legais, ou seja, sem a comprovação das despesas com creche ou babá, contendo as informações do empregado, o valor pago e o mês do pagamento, além de cópia dos 1110 resumos mensais da folha de pagamento. 5.5. Foram excluídos os valores pagos àqueles segurados empregados que apresentaram a documentação bastante e suficiente para comprovar as despesas de acordo com a lei. 5.6. Cabe ressaltar que, quando se trata de comprovação de despesas, formulários preenchidos pelos próprios funcionários quando da solicitação do benefício, não comprovam despesa alguma, comprovam apenas que o funcionário solicitou o recebimento do tal auxílio. No que se refere à cópia da Carteira de Trabalho da babá, não obstante este ser um dos' documentos exigidos pela legislação para que não haja incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio babá, não é bastante e suficiente para a comprovação da efetiva despesa já que não evidencia a continuidade do contrato de trabalho, o efetivo pagamento dos salários devidos à ,babá nem o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Pelos trechos transcritos acima fica claro que não logrou o sujeito passivo apresentar o comprovante de pagamento feito a babá, documento este necessário para demonstrar o caráter indenizatório previsto nas decisões do STJ que culminaram com a publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 e Ato declaratório PGFN nº 01/2014. Dessa forma, inaplicável o entendimento exarado pela relatora, inclusive citando o art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, posto que o citado Ato Declaratório expressamente exclui a situação ora sob julgamento do seu alcance. Conclusão Face o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 13846.000014/2003-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
Numero da decisão: 9303-006.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de nãocontribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 00 00 14 /2 00 3- 84 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 719 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 340300.414, de 30 de junho de 2010 (fls. 492 a 497 do processo eletrônico), proferido Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte, de ressarcimento de créditos presumidos do Imposto de Produtos Industrializados IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996, apurados no 4º trimestre de 2002. O pedido de ressarcimento foi parcialmente deferido. As glosas foram embasadas nas seguintes razões: I) Apesar de ser a matéria prima básica da fabricação do açúcar exportado, a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas não gera o direito ao crédito, por não serem os fornecedores contribuintes do PIS e da Cofins; II) As transferências de matériaprima entre filiais e matriz não se configura aquisição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem e não podem ser utilizadas para cálculo do crédito presumido do IPI. Inconformada, a empresa impugnou a decisão, que foi mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 720 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por maioria de votos, negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de produtos e insumos de pessoas físicas não faz parte da base de cálculo para o crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE MATRIZ E FILIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A transferência entre filial e matriz de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem não integram a base de cálculo para crédito presumido de IPI. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de perícia pressupõe a necessidade de exames e verificações de matéria cujo conhecimento não seja do domínio do julgador. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 505 a 520) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergência suscitadas pelo Contribuinte dize respeito: I à admissão das transferências de insumos entre filial/matriz; e II às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 930300.721, CSRF/0201.653 e CSRF/0202.494. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 721 4 A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição das ementas no corpo da peça recursal e pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos, documento de fls. 522 a 574. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls.578 e 579 sob o argumento que procede apenas em parte a contradição assinalada pelo Contribuinte, pois quanto à admissão das transferências de insumos entre filial/matriz não foi colacionada qualquer decisão que abonasse tal procedimento. No reexame de admissibilidade – fls. 668 a decisão foi mantida, por também entender que o Contribuinte apresentou divergência jurisprudencial apenas em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, pois os acórdãos paradigmas emprestaram interpretação distinta ao tratamento do assunto em relação ao acórdão recorrido, eis que admitiram a inclusão de aquisições de pessoas físicas e cooperativas na apuração do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96. A Fazenda Nacional foi cientificada para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 512 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Entendo que o Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade conforme despacho de fls. 578 e 579 e fls. 668. O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo diz respeito ao direito à apuração do crédito presumido PIS/COFINS sobre as aquisições de pessoas físicas. Tratase de matéria que não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior, pois o tema, foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 722 5 meio da sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), nos autos do REsp n° 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, decidindo a questão, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 723 6 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 724 7 normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 725 8 fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 726 9 Nos termos do art. 62, §1º, II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, cumpre ressaltar que quanto ao cômputo das aquisições não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas) na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, existe Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN dispensando apresentação de contestação para esses casos nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13846.000014/200384 Acórdão n.º 9303006.351 CSRFT3 Fl. 727 10 JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. E no âmbito do STJ, existe inclusive Súmula a respeito deste tema, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Por essas razões, deve ser acolhido o pleito do Contribuinte para reconhecer o direito à inclusão das aquisições de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário de não contribuintes (pessoas físicas) do PIS e da COFINS na base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96. E como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 727DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.001843/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 3.938 1 3.937 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.001843/200904 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.264 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EMPREGADO Recorrente CORPVS CORPO DE VIGILANTES PARTICULARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 43 /2 00 9- 04 Fl. 3938DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 3924/3936) apresentado em face do Acórdão nº 0358.134, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 3901/3912), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 89/104) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo às contribuições dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos empregados, aferida com base no valor dos serviços de vigilância e de transporte de valores prestados pela fiscalizada (AIOP 37.209.9599 fls. 2/85). Segundo o relatório da fiscalização (fls. 76/85), foi aferida a remuneração dos empregados com base na receita obtida através da prestação de serviços de vigilância e de transporte de valores, tendo sido aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor primeira e de 20% (vinte por cento) sobre o valor da segunda. Do resultado dessa apuração, teriam sido deduzidas as remunerações constantes nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa, e sobre o valor assim obtido (diferença) foi aplicada a alíquota de 8%. A aferição indireta realizada teria por base legal o art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. O fundamento fático para esse procedimento seria a não apresentação de parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação, bem como por ter deixado de prestar informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da Receita Federal do Brasil, condutas que teriam justificado a imposição de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias (AIOA nº 37.165.7568 e 37.165.7571). Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 10380.001843/200904 Acórdão n.º 2201004.264 S2C2T1 Fl. 3.939 3 determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. Fl. 3940DF CARF MF 4 Pelos fatos acima narrados, foi realizada aferição indireta tendo por base valores de venda de serviços escriturados nas contas que são identificadas no item 3.4 do relatório fiscal. O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora atacado, que foi precedido da realização de duas diligências determinadas pela autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 2866/2870 e 2891/2894) para fins de averiguação de irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização. Realizados os ajustes determinados pela DRJ (fls. 3858/3864), foi proferida decisão consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE, INCORREÇÕES OU OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo tomado ciência dessa decisão em 16/06/2014 (fls. 3923), o sujeito passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 3924/3936) em 07/07/2014. Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 10380.001843/200904 Acórdão n.º 2201004.264 S2C2T1 Fl. 3.940 5 Em suas razões recursais, alega, em síntese, que: 1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitamse à contabilização de notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006. 2. Como foi apresentada toda a documentação relacionada a apuração da contribuição previdenciária, o lançamento por aferição indireta é nulo, por vício formal, uma vez que lhe faltou fundamentação legal. 3. Há também nulidade por vício material, uma vez que restaram demonstrados vários erros na apuração da base de cálculo. 4. As competências anteriores a abril de 2014 já se encontravam atingidas pela decadência quando o lançamento foi realizado. 5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições previdenciárias com base no faturamento. 6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais. 7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores apurados por aferição indireta apenas as folhas de pagamento dos empregados diretamente ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional. 8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.209.9599. Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, registro que, com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972, deixarei de analisar as preliminares (nulidade por vício formal) e prejudiciais de mérito (decadência), pelas razões que serão evidenciadas a seguir. Fl. 3942DF CARF MF 6 O lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Instrução Normativa SRP nº 3, de 1995 Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. (...) Art. 603. Na operação de transporte de cargas ou de passageiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços não poderá ser inferior a vinte por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, observado, quanto ao transporte de cargas, o disposto no inciso V do art. 176. Compulsandose a IN SRP nº 3, de 2005, vêse que os fatos que autorizam a utilização desse mecanismo de apuração da base de cálculo estão descritos no artigo que é abaixo reproduzido: Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 10380.001843/200904 Acórdão n.º 2201004.264 S2C2T1 Fl. 3.941 7 III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Pela redação desse dispositivo, vêse que ele estabelece uma modalidade presumida de apuração da base de cálculo dos tributos, que deve ser adotada em circunstâncias bastante peculiares, quando a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, ou a receita, ou o faturamento ou o lucro; quando há recusa na apresentação de documentos, sonegação de informações ou apresentação insuficiente; ou ainda quando as informações prestadas não merecerem fé. Apenas a constatação de uma das circunstâncias listadas acima autoriza o emprego do expediente excepcional, contudo, mesmo no contexto da identificação de um desses fatos, penso ser necessário haver uma relação de prejudicialidade entre as irregularidades constatadas e a matéria objeto de investigação fiscal e de autuação. Para que se revista de legitimidade, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Com isso se quer dizer que o arbitramento que se faz através de aferição indireta não é uma prerrogativa da fiscalização a ser utilizada conforme juízos de conveniência e oportunidade, mas uma via estreita cujo acesso só é permitido em circunstâncias perfeitamente delimitadas pela legislação e comprovadas dentro do processo através da linguagem adequada, seja através da narrativa empreendida no relatório fiscal, seja através de Fl. 3944DF CARF MF 8 provas. É elemento necessário dessa fundamentação, a demonstração do nexo causal entre as irregularidades verificadas e a impossibilidade de apuração do tributo pelos meios ordinários estabelecidos na legislação tributária. Nessa esteira, tratandose de tributos que têm por base a folha de pagamentos, a aferição indireta baseada no art. 597, I, da IN SRF nº 3, de 2005, por exemplo, estaria justificada pela demonstração de que a "contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço", pois é esta grandeza que se está a quantificar no procedimento de fiscalização. Ou então, seria necessário comprovar a recusa na prestação de informações ou documentos relativos à remuneração dos empregados, o que legitimaria a aferição indireta com suporte no art. 597, II. Estabelecida essa premissa, vêse que o auto de infração descreve irregularidades de duas ordens: não apresentação do livro razão 2005 e 2006 e contabilização de despesas suportadas por documentação fiscal inidônea. Quanto às notas inidôneas, a autoridade fiscal apresenta as seguintes informações: 6.1. No curso do procedimento de fiscalização junto ao contribuinte em referência, verificouse a existência de diversas despesas lançadas sem referência a documento fiscal no histórico dos lançamentos, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em face de tal constatação foi solicitada a apresentação das notas fiscais que embasaram os citados lançamentos os quais diziam respeito A aquisição de fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral. 6.2. A partir do segundo semestre de 2005 e em 2006, os lançamentos verificados nas mesmas contas referenciavam os documentos fiscais, mas foram solicitados também tais comprovantes para esclarecer a natureza das despesas efetuadas. Nas contas que registravam despesas referentes a fardamento, em face dos valores elevados nelas escriturados, foram solicitados os comprovantes de despesas mesmo quando os históricos dos lançamentos referenciavam as notas fiscais. 6.3. A empresa sob fiscalização apresentou parte dos documentos fiscais solicitados, conforme Termos de Constatação e de Retenção anexados ao AIOP n° DEBCAD 37.209.960 2, tendo sido detectados indícios de que tais notas poderiam ser falsas. No sentido de determinar a autenticidade dos mesmos, solicitouse à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara a confirmação da emissão de autorizações para impressão tanto das referidas Notas Fiscais quanto dos selos e foram intimados os fornecedores que teriam emitido os documentos fiscais apresentados pela Corpvs. Já em relação à ausência do livro razão, destaco o seguinte trecho do relatório: 6.5. Relativamente aos exercícios de 2005 e 2006, a empresa não apresentou os Livros Razão. Em face de tal omissão todos os Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 10380.001843/200904 Acórdão n.º 2201004.264 S2C2T1 Fl. 3.942 9 valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de saláriomaternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia. 6.6. Tal foi também o procedimento para verificar as despesas constantes das contas acima referenciadas, para as quais, em muitos lançamentos, inexistia referência a documento fiscal. A partir desses excertos entendo correto afirmar que não restou evidenciado como o registro de despesas com "fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral" sem a correspondente documentação fiscal comprometeria a integridade das informações constantes das folhas de pagamento. Embora seja possível a existência de uma vinculação entre essas despesas, ela não foi demonstrada pela narrativa construída pela autoridade fiscal. Da mesma forma, a ausência do livro razão não parece justificar que se negue fé aos documentos e registros que espelham as remunerações pagas, até porque, conforme explicita a própria fiscalização "todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de salário maternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia". Ou seja, parte dos levantamentos foram feitos com base no livro diário e parte com base nos valores escriturados, como revela o item 3.4 do relatório fiscal. Além disso, como resultado do mesmo procedimento fiscal foram realizados lançamentos com base nas folhas de pagamento da empresa, o que pode ser verificado no processo nº 10380.001829/200901. Esses fatos revelam uma conduta contraditória da autoridade fiscal, que nega credibilidade aos documentos apresentados pela empresa ao mesmo tempo em que se vale deles. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 2401 02.161, de lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Fl. 3946DF CARF MF 10 Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 10380.001843/200904 Acórdão n.º 2201004.264 S2C2T1 Fl. 3.943 11 Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãoobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Também no caso sob análise a narrativa apresentada pelo relatório fiscal não evidencia a negativa de prestação de informações/documentos relacionados à remuneração, não restando demonstrada a impossibilidade de apuração dessa grandeza com base na documentação do sujeito passivo. Muito pelo contrário, em diversas oportunidades evidencia se que foi essa documentação utilizada pela fiscalização sem dificuldades maiores que a análise diaadia do livro diário. Merece registro que o Acórdão recorrido faz menção a irregularidades que tangenciam o objeto da fiscalização tal como defendido neste voto no seguinte trecho: No presente caso, a empresa deixou de apresentar os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2006, bem como os contratos de prestação de serviços firmados com empresas tomadoras de serviços, tendo recebido o Auto de Infração 37.165.7563, cuja impugnação da empresa foi julgada improcedente por esta 5a turma de julgamento, por meio do Acórdão 0343.905, de 05/07/2011.(grifouse) Apesar dessa menção na decisão de piso, que trata de irregularidade no atendimento à fiscalização que poderia reforçar as suas motivações para a medida empregada, não encontro no relatório fiscal e na documentação que foi juntada a esse processo a adequada representação desse fato, ou seja, ele não foi convertido em linguagem apta a fazer prova em favor das pretensões da Fazenda Pública. Com efeito, a autoridade fiscal concentrou seus esforços em demonstrar que a empresa registrou despesas com notas de duvidosa procedência. Contudo, a comprovação de que despesas diferentes da remuneração de empregados foram registradas sem os respectivos documentos fiscais poderia justificar a aferição indireta de tributos que tenham por base o lucro, mas não é motivação idônea para a adoção desse procedimento em relação a tributos que incidem sobre a remuneração de empregados. Quando mais não se produziu um único indício ou prova de que os valores contabilizados a esse título não são merecedores de fé. Em consequência, entendo inadequado o critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal para fins de apuração da base de cálculo tributável, razão pela qual o lançamento realizado encontrase maculado por vício de ordem material. Fl. 3948DF CARF MF 12 Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe integral provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 3949DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.723981/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dá-se a partir da data da sua constituição definitiva.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS.
As despesas de construção, ampliação ou reforma apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária.
GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO.
Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária.
Numero da decisão: 2401-005.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dá-se a partir da data da sua constituição definitiva. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS. As despesas de construção, ampliação ou reforma apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS Recorrente GERALDO JOSÉ ÁVILA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dáse a partir da data da sua constituição definitiva. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS. As despesas de construção, ampliação ou reforma apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do imóvel adquirido a partir do ano de 1996 não está sujeito à atualização ou correção monetária. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação do imóvel e o respectivo custo de aquisição, observado a sistemática de cálculo da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 39 81 /2 01 1- 81 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13603.723981/201181 Acórdão n.º 2401005.239 S2C4T1 Fl. 148 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13603.723981/201181 Acórdão n.º 2401005.239 S2C4T1 Fl. 149 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0737.140, de 30/04/2015, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 112/118): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007,2008 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. No âmbito do Direito Tributário, vigora o instituto da responsabilidade objetiva por infrações à legislação tributária, segundo o qual não é permitida, exceto disposição legal em contrário, a perquirição acerca de elementos subjetivos da conduta, a fim de reduzir o montante da penalidade aplicável. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALORES INTEGRANTES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Compete ao alienante comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, os elementos que compõe o custo de aquisição dos imóveis vendidos, sob pena de não serem a ele integrados. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 11/20, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2007 e 2008, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital em alienações imobiliárias a seguir discriminadas: (i) apartamento 101 do Edifício Leones, situado à Rua Leonis, nº 75, Bairro Jardim Riacho das Pedras, cidade de Contagem (MG), no mês de out/2007; (ii) apartamento 201 do Residencial Tanyso, situado à Rua São Paulo, nº 375, e Rua Goiás, nº 255, Bairro Espírito Santo, cidade de Betim (MG), no mês de abr/2007; (iii) lote 27, quadra 13 do Bairro Jardim Riacho das Pedras, cidade de Contagem (MG), no mês de mar/2007; e (iv) casa na Rua Artur Vilaça, nº 303, cidade de Crucilândia (MG), no mês de fev/2008. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13603.723981/201181 Acórdão n.º 2401005.239 S2C4T1 Fl. 150 4 2.1 De acordo com os autos, o contribuinte é casado com Maria Francisca Ávila, pelo regime de comunhão de bens, tendo os cônjuges efetuado a alienação dos imóveis sem apuração de ganho de capital. 2.2 Tratandose de alienação de bens comuns do casal, a fiscalização apurou os rendimentos produzidos na venda dos terrenos e construções na proporção de 50%, isto é, os valores tributáveis restaram divididos igualmente entre os cônjuges. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 02/10. 3. Com ciência pessoal do auto de infração no dia 28/10/2011, o contribuinte impugnou, em 25/11/2011, a exigência fiscal (fls. 03 e 99/101). 4. Intimado em 26/06/2015, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 119/122, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 27/07/2015, em que alega as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 124/127): (i) a cobrança do crédito tributário foi atingida pela prescrição, eis que proferida a decisão recorrida em abril de 2015, relativamente a fatos geradores dos anos de 2007 e 2008; (ii) os imóveis vendidos sofreram reforma e construção, cujos dispêndios do contribuinte foram ignorados na determinação do custo de aquisição para fins de ganho de capital; (iii) o custo de aquisição utilizado pela fiscalização não foi corrigido ou atualizado, além de que caberia observar no cálculo a metodologia do Custo Unitário Básico (CUB), adotado na determinação das contribuições previdenciárias incidentes nas obras de construção civil; e (iv) ainda que imóvel usado, cabe a aplicação da depreciação para a apuração do ganho de capital devido na alienação. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13603.723981/201181 Acórdão n.º 2401005.239 S2C4T1 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 6. Em preliminar, o recorrente alega a ocorrência da prescrição do crédito tributário lançado. Sem razão, contudo. 7. De acordo com o art. 174 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), é de cinco anos o prazo prescricional que atinge a ação de cobrança do crédito tributário, iniciando a contagem, porém, da data da sua constituição definitiva: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) 8. O auto de infração diz respeito a fatos geradores ocorridos nos meses de mar/2007, abr/2007, ago/2007 e fev/2008. O crédito tributário foi constituído quando da ciência do lançamento de ofício pelo sujeito passivo, que se deu em 28/10/2011, não havendo mais que se falar, a partir de então, em decadência, na medida em que a Fazenda Pública exerceu seu direito potestativo antes de escoado o lapso temporal de cinco anos a que alude o CTN (art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I). 9. Impugnado tempestivamente o lançamento pelo contribuinte, por meio da petição protocolada no dia 25/11/2011, instaurouse a fase litigiosa do procedimento, em que houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, podendo resultar, ao final, na alteração do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Nesse sentido, o inciso I do art. 145 e o inciso III do art. 151, ambos do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (...) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13603.723981/201181 Acórdão n.º 2401005.239 S2C4T1 Fl. 152 6 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) 10. Durante a fase contenciosa do processo administrativo fiscal, a Administração Tributária está impedida de exercer atos de cobrança, não fluindo, por consequência, o prazo prescricional. Somente após o término do processo administrativo fiscal, em que o crédito tributário estará definitivamente constituído, o que ainda não aconteceu no presente caso, começará a transcorrer o prazo prescricional de cinco anos para a Fazenda Pública buscar a satisfação do crédito na via judicial. 11. De mais a mais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, conforme enunciado da Súmula nº 11 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mérito 12. As despesas de construção, ampliação ou reforma do imóvel apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do bem quando comprovadas com documentação hábil e idônea. 12.1 Todavia, em que pese oportunizado pela fiscalização a comprovação dos gastos e/ou investimentos nos imóveis, o contribuinte nada apresentou, nem mesmo um único recibo, nota fiscal ou declaração séria. 12.2 No curso do contencioso administrativo a situação mantevese inalterada. Os autos permanecem desprovidos de qualquer documentação comprobatória dos fatos que o interessado pretende fazer prevalecer no processo fiscal. 13. O custo dos imóveis adquiridos a partir do ano de 1996, como é a hipótese dos autos, não está sujeito à atualização ou correção monetária (art. 17, inciso II, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). 14. Por sua vez, o agente lançador observou de modo escorreito a sistemática de cálculo do ganho de capital na alienação dos imóveis retromencionados, inexistindo previsão na legislação relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física para avaliar o custo de aquisição dos imóveis com base nas tabelas do CUB, divulgadas pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil, tampouco para aplicação de taxas de depreciação sobre os bens alienados pelo recorrente. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13603.723981/201181 Acórdão n.º 2401005.239 S2C4T1 Fl. 153 7 15. Acertado o critério utilizado pela fiscalização, que considerou o ganho de capital como o resultado da diferença positiva entre o valor da alienação do imóvel, individualmente considerado, e o respectivo custo de aquisição (art. 3º, § 2º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). 16. Por derradeiro, identifico que para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda devido por ocasião das alienações dos bens imóveis, ocorridas posteriormente a 1º de dezembro de 2005, a autoridade lançadora atentou à aplicação de fatores de redução sobre o ganho de capital apurado (FR1 e FR2), na forma prevista na legislação tributária (art. 40 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e Instrução Normativa SRF nº 599, de 28 de dezembro de 2005). 17. Em suma, o acórdão recorrido, proferido em primeira instância, não merece reforma. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723813/2010-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE CUSTEADO PELA EMPRESA. COMPROVAÇÃO.
Mantém-se a glosa do valor das despesas médicas de plano de saúde custeado pela empresa, pleiteadas com dedução, haja vista não constar dos autos documentos comprobatórios usuais emitidos por uma empresa de que o contribuinte tenha repassado os valores dessa despesa.
Numero da decisão: 2001-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE CUSTEADO PELA EMPRESA. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a glosa do valor das despesas médicas de plano de saúde custeado pela empresa, pleiteadas com dedução, haja vista não constar dos autos documentos comprobatórios usuais emitidos por uma empresa de que o contribuinte tenha repassado os valores dessa despesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.723813/201050 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.129 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente JOAQUIM MANOEL GUEDES CORREIA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE CUSTEADO PELA EMPRESA. COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa do valor das despesas médicas de plano de saúde custeado pela empresa, pleiteadas com dedução, haja vista não constar dos autos documentos comprobatórios usuais emitidos por uma empresa de que o contribuinte tenha repassado os valores dessa despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 38 13 /2 01 0- 50 Fl. 122DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, do anocalendário de 2007. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: "DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa do valor das despesas médicas pleiteadas com dedução, haja vista não constar dos autos documentos comprobatórios do valor efetivamente pago pelo contribuinte." Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Em relação à dedução do plano Medial Saúde apresentou boletos correspondentes a pagamentos efetuados pela pessoa jurídica JBCIndustria Comércio e Representações. Mediante intimação fiscal emitida em 08/09/2010 (registro postal RJ 517882294BR) foi solicitada a comprovação da transferência dos valores deduzidos para a citada pessoa jurídica. Entretanto não houve atendimento à solicitação. Assim, em que pese o fato de que o contribuinte e seu dependente Vitor Barbosa Correa de Oliveira integrarem o rol de beneficiários do plano Medial Saúde contratado pela mencionada pessoa jurídica, não restou comprovado que o mesmo tenha assumido o ônus do valor que deduziu em sua declaração. Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são suficientes, Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10480.723813/201050 Acórdão n.º 2001000.129 S2C0T1 Fl. 3 3 Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, repetimos a fundamentação do lançamento: "foi solicitada a comprovação da transferência dos valores deduzidos para a citada pessoa jurídica. Entretanto não houve atendimento à solicitação. Assim, em que pese o fato de que o contribuinte e seu dependente Vitor Barbosa Correa de Oliveira integrarem o rol de beneficiários do plano Medial Saúde contratado pela mencionada pessoa jurídica, não restou comprovado que o mesmo tenha assumido o ônus do valor que deduziu em sua declaração" O Plano de Saúde foi custeado por empresa. O contribuinte apresentou declaração de diretor da empresa e não uma nota fiscal, ou documento financeiro, ou registro contábil. O lançamento citou a falta de prova de que contribuinte arcou com o ônus das despesas. Declaração de diretor não é o documento usual de registro de valores recebidos em uma empresa. Não foram apresentadas informações contábeis, e tampouco informações financeiras dos pagamentos. Assim, entendo, pelas mesmas razões apresentadas pela DRJ, que não foram comprovadas as despesas médicas pleiteadas, destacando a seguir algumas passagens com as quais concordamos: Vale salientar, que para se beneficiar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples cartão de beneficiário de plano de saúde, sem vinculação do efetivo pagamento. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica, caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos, não envolve apenas ele e o profissional de saúde/plano de saúde, mas também o fisco e, por isso, deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento. O fenômeno econômico deve ficar provado. O cartão de beneficiário do plano informa, tão somente, que se trata de plano empresarial, sem deixar claro a quem cabe o encargo financeiro. Frisese que não se questiona aqui a participação do contribuinte no plano de saúde, empresarial. Interessa para o deslinde da questão a comprovação do efetivo pagamento por parte do contribuinte, para então se reconhecer, ou não, a legalidade da dedução pleiteada na declaração. É oportuno citar, novamente, o art. 333 do Código de Processo Civil: Fl. 124DF CARF MF 4 Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivodo direito do autor. Portanto, o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Conclusão Em razão do exposto, pela falta de apresentação de documentos usuais para o registro de valores recebidos em uma empresa, falta de informações contábeis, e tampouco informações financeiras dos pagamentos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001335/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2006
SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, acordam em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à bolsa de estudos dos dependentes. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2006 SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 35 /2 00 7- 12 Fl. 758DF CARF MF 2 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, acordam em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à bolsa de estudos dos dependentes. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Adotando o relatório do acórdão recorrido, esclareço que: Fl. 759DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 753 3 "Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 219), constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga aos segurados empregados a título de AUXÍLIO EDUCACIONAL e MATERIAL ESCOLAR, incluída em folha de pagamento nas rubricas de proventos e descontos, não declaradas em GFIP e considerados pela fiscalização como remuneração indireta. A autoridade notificante esclarece que, da análise dos comprovantes de despesas apresentados, verificouse que o AuxílioEducacional tem sido destinado exclusivamente para o financiamento da educação dos filhos dos empregados, não restando comprovado caso em que o empregado utilizasse o benefício para financiar a própria educação, motivo pelo qual concluiu que o referido benefício deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Observa, ainda, que parte desse AuxílioEducacional se refere a reembolso de despesas com préescola para os empregados que possuem filhos com idade a partir de 2 anos até completarem 7 anos, parcela essa que se enquadra no conceito legal de reembolso creche, o qual não integra o saláriodecontribuição, conforme previsto na Lei 8.212/91, art.28, parágrafo 9°, alínea "s”, e que não foram, portanto, objeto deste lançamento. Em relação ao Auxílio Material Escolar, afirma que não há qualquer previsão legal para a exclusão da base de tributação das despesas com material escolar. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1217.935, da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 416), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 453 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, requer que seja excluído do débito, por decadência, os valores lançados entre as competências 01/1997 a 09/2002, tendo em vista a Súmula Vinculante nº 08. No mérito, tenta demonstrar que os Auxílios Educacionais e Material Escolar não se caracterizam como salário e, portanto, não se sujeitam à incidência das contribuições sociais. Argumenta que a CLT, com a redação dada pela Lei n° 10.243/2001, expressamente exclui do conceito de salário os gastos do empregador com a educação de seus empregados, incluindo material escolar, conforme se verifica no seu art. 458, § 2°, II e, tendo em vista o disposto no art. 110 do CTN, o conceito de salário não pode ser alterado pela lei tributária, que inclui a previdenciária. Cita os arts. 22, I, e 28, I, da Lei n2 8.212/91, com as redações dadas pelo art. 1º da Lei 9.876/99, e pelo art. 1º da Lei n 2 9.528/97, respectivamente, para afirmar que, ainda que a legislação previdenciária não preveja expressamente que determinada parcela Fl. 760DF CARF MF 4 não se sujeita à incidência das contribuições, ela jamais poderá sofrer tal incidência caso não tenha sido paga em retribuição ao trabalho. Assevera que, no caso, as parcelas pagas pelo empregador a título de assistência para custeio da educação dos dependentes de seus empregados (Auxílios Educacional e Material Escolar) não integram o saláriodecontribuição por não corresponderem a rendimento do trabalho, sendo a natureza dessas parcelas meramente assistencial, sem qualquer cunho contraprestativo. Traz a doutrina e a jurisprudência para reforçar seu entendimento de que os Auxílios Educacional e Material Escolar têm natureza assistencial, e não remuneratória, pelo que não cabe a exigência de contribuições sobre tais valores. A 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência, com base no art. 150,§4º do CTN, dos fatos geradores até 09/2002, anteriores a 10/2002, e determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. SALÁRIO INDIRETO AUXÍLIO EDUCAÇÃO INCIDÊNCIA. Os valores correspondentes a auxílio educação, concedidos pela empresa em favor dos filhos de seus empregados e em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 754 5 Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial visando rediscutir o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A contribuinte também apresentou recurso especial contra parte da decisão que entendeu que as verbas pagas à título de auxílio educação e reembolso de despesas com material escolar compõem o conceito de saláriodecontribuição. As partes apresentaram contrarrazões. O contribuinte requer o não conhecimento do recurso da União por ausência de similitude fática. É o relatório. Fl. 762DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora. Do conhecimento do recurso da Fazenda Nacional: Em sede de contrarrazões o contribuinte pugnou pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional sob o argumento de não cumprimento dos requisitos formais previsto no Regimento Interno deste Conselho. Afirma que os acórdãos paradigmas tratam de situações fáticas distintas daquela analisada pelo acórdão recorrido. Com relação ao primeiro paradigma, acórdão 920202.086, afirma o contribuinte que a situação ali enfrentada é diversa da ora analisada, pois envolve lançamento de obrigação acessória onde se exigiu multa isolada prevista no art. 32, IV e §5º da Lei nº 8.212/91, com redação anterior a MP 449/2008. Ocorre que, a conclusão do voto vencedor nos leva a conclusão de que as situações são exatamente a mesma. Concluiu o redator que "no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, §5º, que se refere à apresentação inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/97, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias". Assim, embora aquele lançamento envolva a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, é possível concluir que a mesma ação fiscal também deu origem ao lançamento do respectivo crédito principal, o que levou a aplicação conjunta da multa nos termos do voto do redator: A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. A situação fática analisada pelo acórdão recorrido é a mesma: uma ação fiscal encerrada em 28/09/2007, da qual foram lavrados 06 (seis) NFLDs (efls. 173) para Fl. 763DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 755 7 cobrança de crédito relacionado a obrigação principal (previdência complementar privada, auxílioacademia, auxíliobabá, auxílioexcepcional e auxíliouniversitário), e ainda o auto de infração para cobrança da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, o conhecido AI 68. E neste caso, o Colegiado a quo aplicou o art. 106 do CTN de forma diversa, o que motivou o Recurso Especial. Com relação ao paradigma Acórdão nº 2401002.453, embora se tenha auto de infração lavrado após a edição da MP 449/2008, os fatos geradores apurados ocorreram na vigência da lei antiga (período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006), o que justificou, já na lavratura do auto a aplicação do art. 106 do CTN. Ora, considerado que a legislação tributária se remete ao momento da ocorrência do fato gerador, se torna irrelevante para a presente discussão o momento a lavratura do auto de infração, nos interessa sim qual legislação regia o fato gerador quando da sua ocorrência, e tanto no paradigma quanto no presente caso os fatos geradores são anteriores à alteração legislativa, fato que levou a aplicação do art. 106 do CTN de forma distinta pelos Colegiados em questão. Diante do exposto, constata a similitude fática, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Do conhecimento do recurso do Contribuinte: Passo à análise do conhecimento do recurso especial do contribuinte juntado às efls. 551 e seguintes. Conforme citado no relatório a contribuinte apresentou recurso especial contra parte da decisão que entendeu que as verbas pagas à título de auxílio educação e reembolso de despesas com material escolar compõem o conceito de saláriodecontribuição, para tanto indicou como paradigmas os acórdãos 2403002.233 e 2403002.218. Aponta que nos casos paradigmáticos os Colegiados entenderam que “não há incidência de contribuições sobre bolsa de estudo fornecida a filhos de empregados, ante a falta de natureza remuneratória da referida verba”. Analisando o inteiro teor das decisões apresentadas não tenha dúvida quanto a similitude fática existente em relação aos valores dispendidos pela empresa no pagamento de bolsa de estudos aos dependentes dos seus respectivos empregados, fato muito bem delimitado pelo respectivo despacho de admissibilidade. Ocorre que os mesmo julgados não fazem qualquer abordagem do tema sob a ótica da incidência das contribuições sobre valores relativos ao ressarcimento de despesas de funcionários com material escolar de seus dependentes. Vejamos o teor da ementa, comum aos dois acórdãos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus Fl. 764DF CARF MF 8 filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que por ventura forem expendidos a este título não integrarão o salário decontribuição. E menciona o relator, Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto: Por tudo o que se expôs, percebese que o auxílioeducação ou “bolsas de estudo”, muitas vezes custeado pela empresa, destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos. No caso da Recorrente, por ser Instituição de Ensino, e em razão da função exercida pelos empregados, as bolsas não representaram nenhum dispêndio a este título, ao contrário, um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Percebemos, portanto, que nesses julgados o colegiado se restringiu a analisar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos à título de mensalidade escolar. Sob essa ótica e diante da redação do dispositivo do art. 28, §9º, ‘t’, não podemos afirmar que a decisão do Colegiado paradigmático seria a mesma se a ele tivesse sido submetida a análise acerca da incidência da contribuição sob valores relativos ao ressarcimento de material escolar, ainda mais se considerarmos que no presente caso tal benefício não era aplicado à totalidade dos dependentes. Diante do exposto, deixo de conhecer da matéria relativa à incidência da contribuição previdenciária sobre reembolso de material escolar, haja vista a mesma não ter sido enfrentada pelos acórdãos indicados como paradigmas. Do mérito: Diante da relação de causa e efeito, analiso em primeiro lugar o recurso do Contribuinte. Do Recurso do Contribuinte Da bolsa de estudos: Discutese a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo ofertadas aos dependentes dos segurados empregados, verbas que no entender desta Relatora não assumem caráter de remuneração sendo impossível classificálas como salário utilidade. Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente Fl. 765DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 756 9 com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça tratase de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, Fl. 766DF CARF MF 10 que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Observamos que no caso concreto sob qualquer prisma de análise não é possível classificar as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados como prestação de caráter remuneratório. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa, e salvo nas hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... O art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 757 11 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório e característica de contraprestação pelo trabalho. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 768DF CARF MF 12 INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Assim, com apoio da jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos dependentes dos seus empregados não possuem natureza remuneratória, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado. Do Recurso da Fazenda Nacional Da multa: Vencida quanto ao mérito do recurso do Contribuinte e diante da amplitude do lançamento, passo ao mérito do recurso da Fazenda Nacional. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 758 13 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, Fl. 770DF CARF MF 14 acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 759 15 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Fl. 772DF CARF MF 16 Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 760 17 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 774DF CARF MF 18 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, deve a retroatividade benigna ser aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, destacando para fins de execução do julgado a existência de decadência parcial do lançamento, nos termos em que declarado no acórdão recorrido. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 761 19 Conclusão: Em face ao exposto, na parte conhecida, dou provimento ao recurso do contribuinte para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas à titulo de bolsa de estudos, e dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, destacando para fins de execução do julgado a existência de decadência parcial do lançamento, nos termos em que declarado no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 776DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação principal prevista em lei acerca da exclusão da bolsa de estudos fornecida aos dependentes do conceito de salário de contribuição, bem como do alcance da lei 8212/91 em relação a matéria. Recurso Especial do Contribuinte Bolsa de Estudo aos Dependentes de Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados não constituírem salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, o arcabouço normativo pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 762 21 própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. Em seus argumentos cita o recorrente o art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, contudo, conforme já esclarecido, a existência de dispositivos específicos em matéria previdenciária para que o benefício educação fornecido aos empregados, bem como aos seus dependentes esteja excluído do conceito de salário de contribuição, não nos permite fazer uso dessa norma. Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/91, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão também não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; Fl. 778DF CARF MF 22 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador, nesse momento, que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo introduzido em 2011. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição Fl. 779DF CARF MF Processo nº 11330.001335/200712 Acórdão n.º 9202006.063 CSRFT2 Fl. 763 23 determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS aos dependentes. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, pelo vínculo contratual ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inserido no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida qualquer argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Fl. 780DF CARF MF 24 Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DO CONTRIBUINTE. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do Sujeito Passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014539/2006-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Suprido por documentação o fundamento para a glosa, deve ser restabelecida a dedução pleiteada.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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COMPROVAÇÃO. Suprido por documentação o fundamento para a glosa, deve ser restabelecida a dedução pleiteada. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 45 39 /2 00 6- 15 Fl. 102DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, são os seguintes: Apresentamos abaixo documentos e algumas passagens do Recurso Voluntário apresentados pelo contribuinte: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.014539/200615 Acórdão n.º 2001000.211 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 104DF CARF MF 4 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.014539/200615 Acórdão n.º 2001000.211 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 106DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O contribuinte apresentou documentos indicando a necessidade da realização da fisioterapia, declaração dos profissionais e atestado médico, e declaração da Unimed com a informação de que não há cobertura para fisioterapia domiciliar. Fica comprovada, em nosso entendimento, a necessidade do tratamento, que foi dos fundamentos do lançamento. Em relação à falta de comprovação do pagamento, entendemos que os recibos, sem que tenham sido indicados vícios, são documentos suficientes para comprovação. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O lançamento descreveu as despesas médicas, mas na fundamentação para a recusa é alegada a ausência de comprovação do pagamento. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras nos documentos apresentados pelo contribuinte. Não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se vê na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.014539/200615 Acórdão n.º 2001000.211 S2C0T1 Fl. 5 7 O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. E além de princípios e doutrinas, também a lei dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Fl. 108DF CARF MF 8 (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.730936/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE COMPROVADA
A exigência deve ser exonerada quando o contribuinte comprova nos autos que as obrigações tidas por não comprovadas possuem natureza de provisão cuja contrapartida gerou despesa que foi adicionada para fins de apuração do lucro real.
PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA
Cabível a autuação por passivo fictício, uma vez que o interessado não logrou apresentar documentação hábil que comprovasse a exigibilidade da obrigação registrada na contabilidade como dívida com a controladora.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS.
A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se, no caso, à exigência decorrente de CSLL o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da obrigação principal de IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento relativo ao passivo fictício no valor de R$ 3.278.961,97. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam total provimento ao recurso voluntário. Designada a conselheira: Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. Na parte do crédito tributário que restou exonerado, a conselheira Eva Maria Los acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE COMPROVADA A exigência deve ser exonerada quando o contribuinte comprova nos autos que as obrigações tidas por não comprovadas possuem natureza de provisão cuja contrapartida gerou despesa que foi adicionada para fins de apuração do lucro real. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA Cabível a autuação por passivo fictício, uma vez que o interessado não logrou apresentar documentação hábil que comprovasse a exigibilidade da obrigação registrada na contabilidade como dívida com a controladora. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS. A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se, no caso, à exigência decorrente de CSLL o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da obrigação principal de IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento relativo ao passivo fictício no valor de R$ 3.278.961,97. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam total provimento ao recurso voluntário. Designada a conselheira: Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. Na parte do crédito tributário que restou exonerado, a conselheira Eva Maria Los acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE COMPROVADA A exigência deve ser exonerada quando o contribuinte comprova nos autos que as obrigações tidas por não comprovadas possuem natureza de provisão cuja contrapartida gerou despesa que foi adicionada para fins de apuração do lucro real. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA Cabível a autuação por passivo fictício, uma vez que o interessado não logrou apresentar documentação hábil que comprovasse a exigibilidade da obrigação registrada na contabilidade como dívida com a controladora. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS. A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase, no caso, à exigência decorrente de CSLL o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da obrigação principal de IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 09 36 /2 01 2- 30 Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 3 2 A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento relativo ao passivo fictício no valor de R$ 3.278.961,97. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam total provimento ao recurso voluntário. Designada a conselheira: Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. Na parte do crédito tributário que restou exonerado, a conselheira Eva Maria Los acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração de IRPJ e Reflexos (fls. 267/287), relativos ao ano calendário de 2009, em razão da presunção legal de omissão de receitas caracterizada em face da manutenção, no Passivo, de obrigações cuja exigibilidade não teria sido comprovada pelo contribuinte. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 258/266): 7. Decorridos mais de 10 meses do inicio da ação fiscal o contribuinte não logrou êxito ao apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse o saldo de valores na conta contábil 2140501017 "INTERCOMPANY A PAGAR". Alega o fiscalizado que o saldo de R$ 3.278.961,97 foi gerado a partir dos seguintes lançamentos contábeis na conta 2140501017 "INTERCOMPANY A PAGAR": 31.12.2007 Saldo RS 8.730.845,00 Histórico "Projeto Temporário " Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 4 3 30.06.2008 Dividendos Transferência RS 5.451.883,03 Histórico "Transferência Princesa do Sul" 30.12.2009 Saldo RS 3.278.961,97 8. A documentação de suporte apresentada pelo contribuinte para a formação do saldo de R$ 8.730.845,00, em 31.12.2007, "Intercompany a Pagar" compõemse de diversas cópias de "Instrumentos Particulares de Autorização de Utilização de Créditos" SEM DATAS. SEM ASSINATURAS, em que Globex Utilidades S.A. seria autorizatária, Ponto Frio autorizada e Exportadora Princesa do Sul Ltda, com sede em Varginha, MG, Interveniente. O objeto de tais "contratos" seria autorização da Globex à Ponto Frio para utilizar parte dos créditos de titularidade da Exportadora Princesa para compensação de tributos apurados em 2008. 9. A escrituração da empresa registra para o mesmo lançamento contábil o seguinte texto: 31.12.2007 Texto (Histórico): Reclassificação de saldo conforme Projeto Transitório 30.06.2008 Referência: Dividendos: Texto: Transferência doc. 100001830 Princesa do Sul. 10. Em relação ao valor de R$ 19.732.699,17, "IRPJ a Pagar" que informa o contribuinte tratarse de passivo da empresa, conta contábil 2140201001, o contribuinte tão somente forneceu a cópia do lançamento contábil cujo texto referese a "Lucro Presumido". 11. As DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, relativamente ao anocalendário de 2009, não espelham o montante de "IRPJ a Pagar" escriturado pelo contribuinte. 12. Decorridos cerca de 10 meses do inicio da ação fiscal, nenhum outro documento ou esclarecimento foi fornecido, que embasasse a manutenção de tais valores no passivo da empresa. 13. Diante do exposto, esta fiscalização procederá ao ajuste, de oficio, do lucro liquido do exercício, adicionando os montantes supra, não tendo logrado, o contribuinte comprovar, não obstante formalmente e reiteradamente solicitado, a apresentar a documentação necessária à manutenção, no passivo, de tais montantes; os valores que repousam no passivo hão de ter sua exigibilidade comprovada e tais pressupostos não foram comprovados, até a presente data. 14. Consoante os artigos 281 e 288, combinados ao 247, 248, 249 inciso II, verificada a omissão de receita, a autoridade procederá ao lançamento de oficio, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período de apuração que ocorrer a omissão. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 5 4 Cientificada da autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 803/826). Alega, em síntese: (i) que o lançamento tributário padece de nulidade por vício material, haja vista que, neste caso, o fato gerador da suposta omissão de receita de R$ 3.278.961,97 não se materializou na data de 31/12/2009 como equivocadamente considerou a fiscalização , mas, quando muito, na data do ajuste ou registro contábil, ou seja, em 30/06/2008; (ii) que outro deslize menos grave cometido pelo fisco ocorreu quando da somatória dos montantes considerados como "Passivo Fictício" (R$ 3.278.961,97 e R$ 19.732.699,17). A rigor, a base de cálculo da autuação foi de R$ 23.008.038,39, quando deveria ser de R$ 23.011.661,14; (iii) a inaplicabilidade da aplicação da presunção legal sobre o montante de R$ 19.732.699,17, dada sua incontroversa natureza de "provisão para contingências". Destaca, nesse ponto, que o caráter notório de "Provisão" restou comunicado à fiscalização, tal como se observa no item 5 da resposta entregue em 1/07/2012, na qual a contribuinte destaca que esse montante, classificado no resultado do exercício como despesa operacional, foi adicionado na Parte "A" do LALUR (Doc. 10), em conformidade com o art. 13, da Lei n. 9.249/95 (fls. 233 a 235); (iv) que o montante de R$ 3.278.961,97 diz respeito ao saldo devedor de empréstimo tomado de sua controladora, conforme atesta declaração específica que preparou. O montante estava pendente de quitação devido a indisponibilidade de sobra de caixa e também encontravase registrado na escrituração contábil da parte credora; (v) que o lançamento deveria ter considerado a dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL dos valores exigidos a título de PIS e COFINS; (vi) que a fiscalização não levou em conta que as bases de cálculo do PIS e da COFINS estavam sujeitas a regime de tributação (nãocumulativo) distinto daquele utilizado para quantificar a respectiva autuação reflexa; e (vii) que a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício é incabível. Em Sessão de 25 de abril de 2013, a DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, a julgou a impugnação parcialmente procedente, por meio de decisão (fls. 895/918) que possui a seguinte ementa: NULIDADE. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DATA DO BALANÇO. Não há nulidade na autuação, já que foi considerada como data de ocorrência do fato gerador a data do balanço, por se tratar de saldo de conta patrimonial, e, ainda, foi observado o regime de tributação escolhido pelo interessado. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÃO. IRPJ A PAGAR Cabível a autuação de passivo fictício, uma vez que o interessado não logrou apresentar documentação que Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 6 5 comprovasse a exigibilidade da obrigação contabilizada como IRPJ a pagar. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÕES A PAGAR À CONTROLADORA. A falta de comprovação das obrigações a pagar à controladora, contabilizadas em conta de passivo, enseja a manutenção da autuação por caracterizar passivo fictício. BASE DE CÁLCULO DE IRPJ E CSLL. EXCLUSÃO DAS DESPESAS DE PIS E COFINS. A pretensão de excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores relativos ao PIS e à Cofins lançados de ofício não encontra amparo na legislação em vigor. CSLL. DECORRÊNCIA. Subsistindo as matérias fáticas que ensejaram o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte colhem os autos de infração lavrados por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal existente entre eles. PIS/COFINS. APURAÇÃO PELO REGIME CUMULATIVO. LUCRO REAL. DESCABIMENTO. A regra de apuração pelo lucro real enseja o cálculo do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo, conforme legislação vigente, sendo improcedente, portanto, a apuração do Pis e da Cofins pelo regime cumulativo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Mais precisamente, a decisão de primeira instância julgou procedentes os lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de 75% e juros Selic e improcedentes as cobranças reflexas de PIS e COFINS. A parte excluída foi objeto de recurso de ofício pela DRJ e a parcela mantida foi objeto de recurso voluntário pelo contribuinte (fls. 920/947), o qual junta cópia de extratos bancários, rebate alguns ponto da decisão e reitera as alegações de defesa. É o relatório. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Do recurso de ofício Em relação ao recurso de ofício apresentado pela Turma Recorrida, cumpre notar que o valor exonerado atualmente encontrase abaixo do limite previsto pela Portaria MF 63, de fevereiro de 2017, que assim dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Nesse caso concreto, a decisão de piso determinou a exoneração dos lançamentos de PIS e COFINS nos seguintes termos (fls. 896): "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 8 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: [...] 5) DAR PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e JULGAR IMPROCEDENTES os lançamentos de Programa de Integração Social (Pis), para exonerar o valor de R$ 149.552,25, a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e os juros moratórios. 6) DAR PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e JULGAR IMPROCEDENTES os lançamentos de Contribuição p/ Financ. Segurid. Social (Cofins), para exonerar o valor de R$ 690.241,15, a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e os juros moratórios. A partir do cálculo efetuado pela DRJ, percebese que a exclusão de PIS/COFINS corresponde ao valor principal de R$ 839.793,40 (R$ 149.552,25 + Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 8 7 R$ 690.241,15), valor este que, mesmo acrescido da multa de ofício de 75% (R$ 629.845,05), resulta no montante de R$ 1.469.638,45, que é inferior ao limite atual de alçada (de R$ 2.500.000,00). O recurso de ofício, portanto, não deve ser conhecido. Do recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. As autuações de IRPJ e CSLL examinadas são oriundas da imputação de infração de omissão de receita caracterizada pela manutenção continuada, no passivo contábil da empresa na data base de 31/12/2009, de obrigações cuja exigibilidade foi considerada não comprovada, respectivamente nos valores de R$ 19.732.699,17 e R$ 3.278.961,97. Omissão de Receita por Passivo Fictício Tratase de hipótese de omissão de receita enquadrada no artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) 1, aprovado pelo Decreto n. 3.000/1999, verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Os dispositivos em questão tratam de hipóteses de "Passivo Fictício", ou seja, de eventos que permitem presumir a existência de omissão de receitas a partir dos dados contábeis registrados no Passivo. A experiência demonstra que realmente o registro contábil tendente a liquidar uma obrigação já existente ou o lançamento contábil que cria uma obrigação pode servir de meio para esconder a utilização de recursos estranhos à escrita oficial. A contrapartida de registros contábeis que simulam pagamento ou criação de uma obrigação de fato pode dissimular o verdadeiro propósito, como, por exemplo a ocultação de rendimentos. 1 Nos termos do artigo 24, § 2º, da Lei n. 9.249/95, alterado pela Lei n. 11.941/2009, o valor da receita omitida será também considerado na determinação da base de cálculo das contribuições reflexas, como a CSLL, PIS e COFINS. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 9 8 Tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo, a presunção legal em questão decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo também impedir o surgimento de saldo credor de caixa ou majoração indevida de custos ou despesas. Nas palavras de André Mendes de Moura2: O passivo fictício é a manutenção na escrituração contábil de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, podendo se concretizar de duas formas: a) a empresa registra em sua contabilidade passivos reais e exigíveis, mas, com o passar do tempo, os quita com recursos não contabilizados e, justamente por esse motivo, deixa de baixálos da sua contabilidade. Portanto, mesmo depois de quitada, a obrigação é mantida nos registros contábeis da empresa, embora não seja mais exigível; ou b) a empresa constitui uma conta no passivo para dar lastro a um ativo não contabilizado. Assim, debita a conta de ativo (que até então estava sem origem) e a contrapartida deste débito é um crédito no passivo, criando uma obrigação inexistente. Assim, a manutenção nos registros contábeis de obrigações já quitadas faz presumir, nos termos dos citados artigos, que as referidas dívidas foram solvidas com emprego de recursos mantidos à margem da contabilidade. A inteligência da presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício, pois, é evitar que a manipulação contábil das contas de passivo pudesse servir de mecanismo para omitir receitas, transferindo o ônus da prova em contrário ao contribuinte. Valendose das lições do mestre José Luiz Bulhões Pedreira3, "o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso". Quanto ao aspecto temporal do fato gerador presumido no caso representado pelo período de apuração relativo à data da receita omitida , a lei prescreve que corresponde à manutenção na escrituração de obrigações já liquidadas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Para fins de interpretação do termo "manutenção" empregado no contexto da presunção legal de omissão de receita por passivo fictício, o intérprete não pode perder de vista: (i) a premissa de que o fato gerador pressupõe um marco determinado no tempo, o que afasta a possibilidade de fato gerador futuro e incerto; e (ii) a previsão constante do artigo 116, I, do CTN, segundo a qual considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I 2 Conselheiro Relator do Acórdão n. 1401001.201. 3 Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas. JUTEC: Rio de Janeiro. 1979. P. 806. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 10 9 tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. Tendo isso em vista, forçoso concluir que a omissão de receita decorrente de manutenção de passivo fictício pode ocorrer: (i) em se tratando de passivo já liquidado, mas não "baixado" da contabilidade, no momento da liquidação; ou (ii) em se tratando de passivo inexigível, no momento do registro contábil da obrigação inexistente. O fato do sujeito passivo manter na contabilidade, por um ou mais exercícios, obrigação inexistente ou já liquidada não desloca, segundo penso, a data da presunção de omissão de receita para o futuro. Do ponto de vista jurisprudencial, prevalece no CARF o entendimento de que a presunção de omissão de receita por passivo fictício considerase ocorrida, em relação à obrigação não existente, por ocasião da data do registro contábil; e, em relação à obrigação já liquidada, no momento da quitação. Vejase as ementas dos julgados que assim se manifestaram: OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A omissão de receita decorrente de passivo fictício ou não comprovado deve ser apurada com obediência ao regime de competência, tributandose a a irregularidade no período de apuração em que se formalizou a operação que lhe deu origem. (Acórdão n. 120100.038. Sessão de 12/05/2009). IRPJ/CSLL/PIS/COFINS PASSIVO NÃO COMPROVADO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS ALCANÇE A presunção legal trazida pelo art. 40 da Lei nº 9.430/96 não dispensa o fisco de fazer prova de que a obrigação constante do balanço é inexigível. Na prova do fato indiciário não pode o fisco lançar mão de presunção simples. Provada a inexigibilidade, o fato deve produzir efeitos tributários no período em que constituída contabilmente. (ACÓRDÃO 107 09.259. Sessão de 06/12/2007). PASSIVO FICTÍCIO OMISSÃO DE RECEITAS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O passivo fictício é a manutenção na escrituração contábil de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Hipótese de presunção prevista em lei. Inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar a improcedência do mecanismo presuntivo, mediante apresentação de documentação idônea e hábil. ASPECTO TEMPORAL ESPECÍFICO PARA CADA TIPO DE PASSIVO FICTÍCIO. Na hipótese de passivo cuja existência seja verdadeira, porém a dívida já foi solvida e não foi baixada da contabilidade, o fato gerador, para fins tributários, é a data do pagamento da dívida, momento em que é constatada a omissão de receitas, presumindose que o pagamento foi feito com recursos à margem da escrituração contábil. Na hipótese de passivo cuja existência não seja comprovada (passivo inexistente), o fato gerador da obrigação tributária é a data de seu registro na contabilidade, pois a contabilização desse passivo visa lastrear um ativo adquirido com recursos sem origem (não contabilizado). (Acórdão n. 1401001.201. Sessão de 03/06/2014). Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 11 10 CONTRATO DE MÚTUO UTILIZADO PARA JUSTIFICAR PAGAMENTOS OU SALDO CREDOR DE CAIXA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA. MOMENTO DO FATO GERADOR. [...] O fato do sujeito passivo manter na contabilidade, por um ou mais exercícios, obrigação decorrente de contrato de mútuo inexistente ou já quitado não desloca a data da presunção de omissão de receita para exercícios futuros. Inteligência do artigo 116, I, do CTN. Recurso parcialmente provido para excluir da exigência do passivo fictício os valores correspondentes ao contrato de mútuo e pagamentos realizados em data anterior ao período de apuração. (ACÓRDÃO 1402001.511. Sessão de 07/11/2013) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, aliás, já se manifestou nesse mesmo sentido no Acórdão n. 9101002.340, do qual merece destaque o seguinte trecho do voto condutor da Presidente Dra. Adriana Gomes Rêgo: [...] a presunção legal de omissão de receitas por passivo não comprovado é chamada de presunção justamente porque, como não é possível conhecer o exato momento em que a receita não oferecida à tributação foi auferida, presumese a sua ocorrência omissão de receitas quando se dá o registro contábil de fato que objetive atribuir, a ela (receita), origem. De outra forma, não seria possível presumirse a omissão de receitas. Como se sabe, o ilícito tributário deve ser sempre provado. Se não há prova, não há ilícito. Mas essa prova pode se dar de forma direta ou indireta. As provas diretas são as que representam, de forma imediata, a ocorrência do fato de implicações jurídicas, seu objeto. Já, a prova indireta representa a ocorrência de fatos secundários ou indiciários, dos quais virá a implicação legal da existência ou inexistência do fato principal. Assim, a prova indireta ocorre quando se referir a um fato indiciário, diverso do fato típico, que será considerado como juridicamente existente, em virtude da relação de inferência lógica, do raciocínio dedutivo. No caso das presunções legais, o fato indiciário é o fator objetivamente provado, enquanto que o fato indiciado será provado apenas pela inferência lógica, acima mencionada, do raciocínio dedutivo. É o que ocorre com a presunção de omissão de receitas caracterizada por passivo não comprovado. O fato indiciário provado nos autos é o registro do passivo na escrituração contábil. Somente a partir desse fato e, unicamente por conta dele, é que é possível inferir (raciocínio lógico) que houve obtenção de receitas não oferecidas à tributação em momento anterior. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 12 11 Portanto, antes do registro contábil efetuado em 31/12/2001, não havia fato indiciário, e, conseqüentemente, não havia fato indiciado, ou seja, não havia como provar a ocorrência do fato gerador da omissão de receitas presumida. Curvome, assim, à tese no sentido de que, na hipótese de presunção legal de omissão de receitas caracterizada por passivo não comprovado, considerase ocorrido o fato gerador quando o contribuinte faz o registro contábil da despesa, [...] Feitas essas considerações sobre o tema "passivo fictício", passaremos a analisar o caso concreto. Passivo fictício (não exigível) de R$ 19.732.699,17 A fiscalização alega que o valor de R$ 19.732.699,17, por ter sido registrado no passivo sob o rótulo de "IRPJ a Pagar", bem como pelo fato dos documentos apresentados pelo contribuinte não fazerem prova acerca da alegada natureza de Provisão deste montante, corresponde a uma obrigação inexigível, razão pela qual enquadrou a situação em hipótese de omissão de receita. Na defesa apresentada, o contribuinte reitera que o valor questionado consiste em "provisão para contingências", conforme esclarecido no item 5 da resposta ao termo de intimação de 01/07/2012 e de acordo com o que demonstra os Livros Razão e o LALUR (Parte "A") apresentados (fls. 233 e seguintes). A decisão de piso, por sua vez, assim concluiu: [...] durante o procedimento fiscal, no Livro Razão apresentado pelo interessado, na conta contábil 2140201001, consta a descrição de "IRPJ a pagar". O lançamento contábil, no valor de R$ 19.732.699,17, foi efetuado em 30/06/2009, fazendo referência a "Lucro Presumido". Cabe lembrar que o interessado, no anocalendário de 2009, optou pelo lucro real anual, não havendo explicação para constar Lucro Presumido. Os documentos apresentados pelo interessado na fase processual, tampouco corroboram as alegações efetuadas na peça impugnatória de que a referida conta contábil seria de provisão para contingências. No Balancete anual apresentado (DOC 7), à fl. 767, verificase que a descrição para a conta contábil 2140201001 é "IRPJ a pagar", constando, inclusive, o lançamento contábil, no valor de R$ 19.732.699,17, em junho/2009; as contas que supostamente se refeririam a contingências seriam as de n° 2230201011 (CONTIGIR/CS/CPMF) e 2230201015 (CONTIG PIS/COFINS), as quais, inclusive, estão ZERADAS. Devese ressaltar que a única referência à natureza contingencial do valor R$ 19.732.699,17 foi feita na Nota Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 13 12 Explicativa 12 "INVESTIMENTOS EM CONTROLADAS E TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS" (fl. 645), das Demonstrações Financeiras Consolidadas da controladora do interessado (empresa Via Varejo S/A, antiga Globex S/A). Contudo, tal Nota, produzida por sua controladora, não tem o condão de infirmar a sua própria escrituração contábil. Portanto, pelo exposto, a escrituração contábil, até prova em contrário, cujo ônus é do próprio interessado, denota que o valor de R$ 19.732.699,17 se referiria à IRPJ a pagar (conta contábil 2140201001), e não a provisão para contingências. [...] Notase pela Ficha 05A Despesas Operacionais PJ em Geral, da DIPJ 2010, ano calendário de 2009, na linha 25 (Demais Provisões), que o interessado, de fato, informou despesas (contrapartida de provisões) no montante de R$ 19.932.340,38, sendo que R$ 19.732.699,17 foram consideradas parcelas não dedutíveis, e, portanto, foram adicionadas na apuração do lucro real (Linha 05 "Despesas Operacionais Soma das Parcelas Não Dedutíveis" da Ficha 09 "Demonstração do Lucro Real PJ em Geral") e na apuração da base da CSLL (Linha 04 "Provisões Não Dedutíveis" da Ficha 17 "Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido"). Pelo exposto, a parcela de despesa adicionada na apuração do lucro real e da base da CSLL originouse de contrapartida de conta de provisão, que, pela sua natureza, é mesmo indedutível, salvo algumas exceções (provisão para férias, 13° sal., etc.). Contudo, no presente caso, a conta contábil autuada como passivo fictício, data venia, não foi uma conta de provisão, mas sim, um contas a pagar (conta n° 2140201001 IRPJ a pagar). Em que pese os valores serem os mesmos, as contrapartidas, como já o dissemos, não se confundem: a despesa de IRPJ (conta de resultado), contrapartida do IRPJ a pagar, é dedutível, enquanto que a despesa com provisão para contingências (conta de resultado), contrapartida da provisão para contingências, é indedutível. [...] Portanto, face a não comprovação da exigibilidade da obrigação IRPJ a pagar, no valor de R$ 19.732.699,17, a autuação de IRPJ é procedente. Por ocasião do recurso voluntário, o contribuinte questiona as premissas utilizadas pelas autoridades julgadoras, bem como anexa os lançamentos contábeis relativos à contrapartida do valor que sustenta possuir natureza de provisão, e não efetiva obrigação a pagar. E da análise dessa documentação, verificase que o registro de R$ 19.732.699,17 na conta de passivo #2140201001 "IRPJ a Pagar" ocorreu em contrapartida Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 14 13 das seguintes contas de resultado (fl. 956): #3112110201 (R$ 2.945.308,00 Multas Dedutíveis Rec. Espontaneo fl. 953), #3113010116 (R$ 2.060.851,14 Juros Passivos fl. 954) e #3114020199 (R$ 14.726.540,03 Outras Despesas Operacionais fl. 955). Notase também que todos esses lançamentos (crédito/débitos) recebem a identificação do número 0100001807, como forma de vinculação do valor do "Passivo/Provisão" e suas contrapartidas no resultado. Os lançamentos contábeis demonstram também que não existe uma simples coincidência de valores, como afirma a DRJ, mas sim que o registro de R$ 19.732.699,17, embora tenha sido erroneamente feito em conta denominada de "IRPJ a Pagar" e com o estranho descritivo de "lucro presumido", operouse em contrapartida às contas de resultado, contas estas que foram consideradas indedutíveis para fins de apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. A própria contabilidade, portanto, faz prova em sentido favorável ao tratamento conferido, de provisão, e não de passivo relacionado a tributos devidos e não pagos. Outro fato que milita em favor do contribuinte é o de que a natureza jurídica de provisão do montante de R$ 19.732.699,17 foi atestada expressamente em Nota Explicativa da empresa controladora da Recorrente (Via Varejo, cf. fls. 645). Finalmente, a origem de provisão do referido montante ainda pode ser detectada em face da Linha 25 da Ficha 05A da DIPJ (fl.8). Confirase: Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 15 14 Diante desse conjunto probatório, considero que restou comprovada a natureza jurídica de provisão do montante de R$ 19.732.699,17, razão pela qual afasto a caracterização de passivo fictício. Passivo fictício (não exigível) de R$ 3.278.961,97 Aduz o fisco que o contribuinte não logrou êxito na comprovação do saldo contábil da conta 2140501017 "INTERCOMPANY A PAGAR", de RS 3.278.961,97, indicado no Balanço de 30/12/2009. Já o contribuinte sustenta que o passivo sempre foi exigível e que houve erro material na identificação do fato gerador, que deveria ser a data do registro contábil e não a data do balanço contábil levantado em ano posterior. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento, da qual merece destaque a seguinte passagem: Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 16 15 Em resumo, uma vez que não restaram comprovados os lançamentos contábeis, efetuados em 31/12/2007 (R$ 8.730.845,00), e em 30/06/2008 (R$ 5.451.883,03), por conseguinte, não está comprovada a exigibilidade da obrigação escriturada na conta contábil 2140501017 Intercompany a Pagar, conta de passivo, no valor de R$ 3.278.961,97, presumindose a ocorrência de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício. [...] De todo modo, ad argumentandum tantum, ainda que a obrigação tivesse se originado na escrituração contábil do ano calendário de 2008, como afirma o interessado, nada impediria que fosse objeto de questionamento no anocalendário de 2009, exceto, por óbvio, se já tivesse dado causa à autuação naquele calendário (bis in idem), o que não parece seja o caso. Isto porque, uma obrigação, conta patrimonial, contabilizada a crédito no Passivo, enquanto não liquidada, repercute em diversos exercícios. No caso em concreto, a referida obrigação, no valor de RS 3.278.961,97, referente à conta contábil "INTERCOMPANY A PAGAR" (n° 2140501017), consta no balanço patrimonial do anocalendário de 2009. Logo, como está produzindo efeito contábil e jurídico neste anocalendário, poderá ser objeto de questionamento fiscal. Frisese que a data de ocorrência do fato gerador será a data do balanço (31/12/2009), por se tratar de saldo de conta patrimonial, uma vez que o interessado optou pelo regime de tributação do lucro real anual, o que foi observado pela fiscalização, não havendo, portanto, nulidade na autuação. Com efeito, o registro contábil da dívida questionada teria origem no ano calendário de 2007, conforme se observa do balancete analítico levantado em 31/12/2007, em virtude de obrigação contraída junto à sua controladora (VIA VAREJO), de R$ 8.730.845,00. Em 30/06/2008 parcela relevante (R$ 5.451.883,03) foi utilizada para amortizar a dívida original, originando, assim, o saldo remanescente no Passivo de R$ 3.278.961,97. No TVF a fiscalização se certificou de que a documentação de suporte apresentada pelo contribuinte para justificar o montante originário de R$ 8.730.845,00, em 31.12.2007, "Intercompany a Pagar" compõemse de diversas cópias de "Instrumentos Particulares de Autorização de Utilização de Créditos", sem menção a datas, sem assinatura e que teria como objeto uma autorização da Globex à Ponto Frio para utilizar parte dos créditos de titularidade da Exportadora Princesa para compensação de tributos apurados em 2008. A DRJ, após questionar a falta de clareza da origem do Passivo, esclarece que: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 17 16 Inicialmente, no que diz respeito à declaração da empresa Via Varejo de que seria titular de direito de crédito contra o interessado, e que tal direito estaria demonstrado em sua contabilidade, impende esclarecer que a mesma, a juízo deste julgador, não é suficiente, por si só, para comprovar a exigibilidade das obrigações do interessado. Isso por uma razão muito simples: a empresa Via Varejo é a controladora do interessado, pertence ao mesmo grupo econômico, e, portanto, tem todo o interesse no deslinde favorável da controvérsia. Ou seja, não foi prova produzida a partir de terceiro independente. Ademais, consultando as demonstrações da controladora do interessado (Via Varejo S/A), juntada aos autos, especificamente à fl. 594, no item b) Transações com partes relacionadas, nota se uma divergência nos valores de direito de crédito, sob o título REPASSE INTERMEDIAÇÃO DE SERVIÇOS, contra o interessado. Isto porque, na referida demonstração, na coluna anocalendário de 2007, consta o direito creditório de R$ 8.806 (mil), enquanto que na escrituração do interessado, no mesmo período, consta uma obrigação a pagar de R$ 8.730 (mil). O interessado alega que o saldo de R$ 3.278.961,97 teria sido gerado a partir dos seguintes lançamentos contábeis na conta 2140501017 "INTERCOMPANY A PAGAR": 31.12.2007 Saldo RS 8.730.845,00 Histórico "Projeto Temporário " 30.06.2008 Dividendos Transferência RS 5.451.883,03 Histórico "Transferência Princesa do Sul" 30.12.2009 Saldo RS 3.278.961,9 7 Neste sentido tem o ônus de comprovar esses saldos. [...] Devese registrar que não há provas nos autos de que tenha ocorrido pagamento da empresa controladora Via Varejo à sua controlada (interessado), seja a que título for, na medida em que não foi juntada documentação comprobatória para este fim (Ex: extratos bancários da controladora e da controlada, coincidente em datas e valores). A Recorrente, no recurso voluntário, anexa cópia de extrato financeiro que comprovaria as transferências de recursos de conta de sua titularidade para a empresa controladora Globex Utilidades, como forma de comprovar a legitimidade do passivo. Da análise dos autos, entretanto, não é possível identificar com clareza a natureza do passivo considerado inexistente. A causa do lançamento contábil não restou comprovada com documentação hábil, o que prejudica concluir que o passívo é de fato exigível. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 18 17 Diante da inversão do ônus da prova, caberia ao contribuinte comprovar a exigibilidade e a efetiva existência do saldo contábil caracterizado como passivo fictício com provas contundentes. Não foram apresentados contratos de prestação de serviços de intermediação, registros de pagamentos com datas e valores coincidentes, eventual operação de mútuo, as condições dos negócios que geraram a obrigação, enfim, não houve cumprimento do ônus de prova acerca do passivo. Os extratos financeiros juntados no recurso na tentativa de demonstrar uma amortização do passivo não possui relação direta com o registro contábil do passivo, este sim cuja exigibilidade foi considerada não demonstrada e que foi tomado como referência na presente autuação fiscal. Não obstante, para efeitos de lançamento tributário fundado em presunção de omissão de receita por passivo fictício "inexistente", não custa repetir que a infração deve ter por marco temporal o trimestre ou o ano calendário em que a obrigação se originou. Conforme visto, é no momento do registro contábil que nasce a omissão de receita. É esta a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador, segundo o artigo 114 do CTN. Nessa linha, não se pode admitir, como pretendeu a DRJ, que uma "obrigação, conta patrimonial, contabilizada a crédito no passivo, enquanto não liquidada, repercute em diversos exercícios". Segundo penso, a presunção de omissão de receitas fundada na constatação de passivo fictício por falta de comprovação de sua exigibilidade é ato instantâneo, pontual, que ocorre em face do seu registro na escrituração contábil. Admitir a existência de fato gerador futuro e incerto permitiria, além de perpetuar a ocorrência da hipótese de presunção de omissão de receita, dá azo a estranha figura de um tributo não sujeito à decadência, o que não se sustenta. Isso significa dizer que, sendo a Recorrente optante pelo regime de tributação pelo Lucro Real Anual, o fato gerador para efeitos de lançamento de IRPJ e CSLL sobre a receita omitida materializouse em 31/12/2008, tendo em vista o saldo contábil tomado como parâmetro datar de 30/06/2008. A fiscalização, todavia, considerou a data do fato gerador o dia 30/12/2009, correspondente à data do balanço auditado. A questão que se coloca, nesse contexto, é a seguinte: o erro na caracterização da data do fato gerador para efeitos de lançamento tributário, ainda que não gere prejuízo financeiro ao contribuinte, constitui vício que macula o lançamento? Como destaca Manoel Antonio Gadelha Dias4, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: (i) os requisitos fundamentais ou estruturais, e (ii) os requisitos complementares ou formais. Nas suas palavras: 4 O vício formal no lançamento tributário. in Direito tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 19 18 À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. [...] Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. Quando o lançamento apresentar falhas em seus requisitos fundamentais ou estruturais (fundamentação jurídica, determinação da matéria objeto de tributação, identificação do fato gerador, metodologia de apuração e identificação do sujeito passivo etc.), a hipótese verificada é de nulidade do ato por vício material. Apoiado nesses ensinamentos, entendo que o lançamento ora debatido é nulo em razão do erro material na identificação do momento de ocorrência do fato gerador. O aspecto temporal do lançamento constitui elemento essencial para a validade e eficácia da cobrança e não admite erros como o cometido pelo fisco. A omissão de receita decorrente de passivo fictício deve ser apurada com obediência ao regime de competência, tributandose a irregularidade no período de apuração em que se formalizou a operação que lhe deu origem, sob pena de nulidade. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER o RECURSO DE OFÍCIO e por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 20 19 É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Voto Vencedor Conselheira Eva Maria Los, Redatora designada O voto vencedor se refere à questão da data do fato gerador, no caso do passivo autuado como fictício R$3.278.961,97 Passivo Intercompany a Pagar; o Relator concluiu que efetivamente não estava comprovada a exigibilidade deste passivo, porém, entende que: A omissão de receita decorrente de passivo fictício deve ser apurada com obediência ao regime de competência, tributando se a irregularidade no período de apuração em que se formalizou a operação que lhe deu origem, sob pena de nulidade. Uma vez que o Acórdão decidiu considerar manter o lançamento relativo ao passivo fictício no valor de R$ 3.278.961,97, restou para análise também a questão levantada no recurso voluntário, sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício. 1 Passivo fictício fato gerador Há acórdãos do próprio CARF, no sentido de que cabe a autuação de receita omitida, presumida a partir da constatação de passivo fictício, somente em relação ao período em que o passivo foi quitado, ou em que foi registrado sem ser exigível, momento em que ocorre a omissão de receita, a exemplo do Acórdão 9101002.340 de 5 de maio de 2016, citado pelo Relator. Contudo, também há decisões em sentido oposto: Nº Acórdão 1401001.586, de 05 de abril de 2016 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS. A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Recurso de Ofício Provido (...) A DRJ entendeu que a presunção de omissão de receita com base na existência de passivo fictício deve ser consubstanciada nos períodos de apuração em que se verifica: (i) o momento em que a obrigação foi paga quando se está diante da hipótese Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 21 20 normativa que trata da manutenção no passivo de obrigações já pagas: e (ii) o momento em que ocorreu o lançamento contábil da obrigação quando se está diante da hipótese normativa que trata da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Nada obstante, discordo dessa opinião. Entendo que a presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja. a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Confirase. nesse sentido, o inciso III do artigo do 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): (...) Portanto, não há nada na norma que permita inferir, como fez a instância a quo. que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Por bem esclarecer a fundamentação desse raciocínio, peço vénia para reproduzir o trecho que trata do assunto no voto condutor do Acórdão n° 1102001.075, de 29/04/2014. da lavra do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé: "Tanto nas situações que a recorrente denomina de passivo "fictício" (manutenção no passivo de obrigações já pagas) quanto nas de passivo "insubsistente" (manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada), a lei não fixou propriamente o momento em que o passivo em questão tornase "fictício" ou "insubsistente", referindose apenas à "manutenção" no passivo de obrigações naquelas condições. Tratase, no caso, de uma presunção de omissão de receitas. Por óbvio o momento em que a verdadeira omissão de receitas ocorreu é desconhecido, funcionando a "manutenção" no passivo de obrigações já pagas ou não comprovadas apenas como um "marcador" que aponta para a ocorrência de uma omissão de receitas em período anterior. De fato, nas presunções legais de omissão de receitas, a verdadeira receita auferida (e omitida) sempre se dá em momento anterior àquele que é tomado em consideração para se efetuar o lançamento. Tomese o exemplo de um pagamento não escriturado. Ao identificar a data em que ocorreu tal pagamento, tomase esta data como a da ocorrência do fato gerador, por presunção. Contudo, cediço que pagamento nada tem a ver com receita, senão antes com despesa ou custo. O pressuposto da presunção é de que aquele pagamento foi efetuado com recursos mantidos à margem da escrituração. De onde provieram tais recursos? Certamente de vendas, ou de outras receitas, auferidas em período pretérito, contudo também não contabilizadas. Importante registrar que este período pretérito em que se deu a efetiva omissão de receita pode se encontrar em momento tão distante no tempo que até abrangido pela decadência se encontraria o respectivo período de apuração, contudo, a presunção legal em Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 22 21 comento desloca o momento da ocorrência da omissão de receita para o momento da verificação da existência do pagamento não escriturado. Da mesma forma se dá com o saldo credor de caixa. O saldo da conta caixa somente tomase credor justamente quando os pagamentos superam os recebimentos. Mais uma vez, o momento da ocorrência do saldo credor, por óbvio, nada tem a ver, portanto, com o momento da efetiva omissão de receita, que lhe é anterior. Assim também com o passivo "fictício" ou "insubsistente". Ainda que se tomasse, como sugere a recorrente, e ao arrepio da lei, a data do registro contábil do passivo como a referência temporal para a aplicação da presunção, isto não significa que seria naquele momento que teria ocorrido a efetiva omissão de receitas. Isto porque é cediço que a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou não comprovadas, no mais das vezes, tem por objetivo justamente impedir o surgimento de saldo credor de caixa. E assim, mais uma vez estamos tratando de omissões de receita pretéritas. Neste sentido, portanto, enquanto "mantiver" o contribuinte um registro contábil de um passivo já pago ou não comprovado, está ele sujeito à autuação ante a constatação, pela fiscalização, desta situação, a qual, conforme acima referido, funciona como um "marcador" da existência de omissões de receita pretéritas, ocorridas em período(s) impreciso(s)." E. para completar esse raciocínio, vale a pena também reproduzir a ementa do Acórdão n° 120100.213, de 28/01/2010, da lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2001 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO o passivo fictício é infração continuada. Não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado. Todavia, um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita. Assim, não se pode dar guarida aos argumentos da decisão recorrida que serviram de fundamento para exonerar a maior parte das bases de cálculo utilizadas para apuração, tanto do IRPJ e da CSLL. quanto do PIS e da COFINS.". A transcrição supra vem ao encontro a como esta julgadora interpreta o dispositivo legal que embasa a autuação. Constatado passivo, cuja exigibilidade o contribuinte não comprova (e a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, se apoiada por documentos hábeis e idôneos) fica caracterizada a omissão. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 23 22 O dispositivo legal não estabelece marco temporal constatado o passivo fictício, presumese a omissão de receitas descabe perquirir o momento em que tal passivo foi quitado e deixou de ser exigível, ou o momento em que foi registrado sem ser real. No máximo se pode se concluir que, se tal passivo foi contabilizado em data passada, eventualmente há mais de 5 (cinco) anos, e só agora foi constatada omissão, então, o contribuinte infrator foi beneficiado pela constituição do imposto devido sobre valor defasado da receita omitida e com menor incidência de juros de mora. Tampouco procede argumento que alguns apresentam de que, se fiscalizado o contribuinte em períodos sucessivos, seria objeto de reiteradas autuações relativas ao mesmo passivo fictício; ora, não seria difícil ao autuado provar a duplicidade ou multiplicidade das autuações, cancelando as demais e mantendo uma delas. Citamse Acórdãos do CARF no mesmo sentido: Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão 03/05/2016 Nº Acórdão 1401001.604 Tributo / Matéria Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS.A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício.OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PROVA.Afastase a omissão de receita quando há elementos suficientes para desqualificar a existência do fato indiciário da presunção legal ensejadora do lançamento, qual seja, a existência de passivo fictício.Recurso de Ofício Negado Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 26/01/2017 Nº Acórdão 1401001.777 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 (...)DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA. A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida.PASSIVO Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 24 23 FICTÍCIO. A presença escritural de passivo não comprovado conduz à presunção legal de omissão de receita.PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. 2 Da incidência de juros sobre a multa de ofício A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 25 24 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 19/01/2018 Nº Acórdão 9101003.374 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 08/11/2017 Nº Acórdão: 9101003.222 Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioAnocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 18470.730936/201230 Acórdão n.º 1201001.976 S1C2T1 Fl. 26 25 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos, contribuições e multas aplicadas. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1119DF CARF MF
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