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Numero do processo: 10980.720907/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - TERCEIROS - AFERIÇÃO INDIRETA - RECURSO INTEMPESTIVO - NÃO CONHECIDO
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972. Não sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, as razões ali descritas não devem ser conhecidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - TERCEIROS - AFERIÇÃO INDIRETA - RECURSO INTEMPESTIVO - NÃO CONHECIDO É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972. Não sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, as razões ali descritas não devem ser conhecidas. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Não sido o recurso interposto dentro do prazo normativo, as razões ali descritas não devem ser conhecidas. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 09 07 /2 01 0- 36 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720907/201036 Acórdão n.º 2401003.283 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrada sob o n. 37.265.2450 tem por objeto as contribuições sociais destinadas a terceiros, apuradas a partir de bases de cálculo arbitradas por aferição indireta. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 27 a 37, tal remuneração foi arbitrada por aferição indireta, conforme prevê a Lei 8.212, de 24/7/1991, artigo 33, com base nos valores faturados pelo sujeito passivo, uma vez que a escrituração contábil disponibilizada não atendia a todos os requisitos legais pertinentes e tendo em vista que a mão de obra declarada em GFIP seria insuficiente para a execução da obra. Pela análise do contrato firmado entre o sujeito passivo e a Companhia de Habitação do Paraná – COHAPAR, verificouse que a obra em comento corresponde à execução de um sistema de proteção contra cheias (não se refere a construção predial). Por meio da apreciação dos Livros Diário e Razão de 2006 e 2007, constatou se que a empresa deixou de contabilizar os custos referentes à obra de construção civil “COHAPAR – Zumbi dos Palmares”, matriculada com o CEI 50.021.3027874 em “centro de custo” específico. A empresa apresentou livros contábeis que não atendem as formalidades legais, especificamente, os registros contábeis de todos os fatos geradores de contribuições sociais não foram efetuados de forma individualizada por obra de construção civil (documentação deficiente). O sujeito passivo apresentou notas fiscais de serviços prestados na obra por diversas empresas, contudo, deixou de apresentar, à fiscalização, os contratos de algumas delas e de comprovar, por meio de GFIP específicas para a obra, a efetiva alocação de mão de obra de terceiros utilizada nos serviços contratados. Também não constam nas GFIP apresentadas pelo sujeito passivo, remuneração de mão de obra própria alocada nas funções e nas competências que seriam necessárias para a execução dos serviços contratados. A somatória das notas fiscais sem comprovação de alocação de mão de obra totalizou a importância de R$ 1.046.904, 80. Diante desses fatos, e pela análise das GFIP transmitidas, concluiuse que o valor de remuneração da mão de obra declarada como aquela efetivamente aplicada na obra seria insuficiente para sua conclusão. Importante, destacar que a lavratura da AIOP deuse em 24/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 25/03/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 81 a 125. O processo foi baixado em diligência, fls. 132, considerando os argumentos trazidos pelo recorrente, tendo sido emitida informação fiscal propondo a retificação parcial do lançamento, no processo 10.980.720905/201047, referente a obrigação principal patronal.. Dessa informação foi o recorrente devidamente cientificado, manifestandose às fls. 141. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A Decisão de 1 instância confirmou a procedência parcial do lançamento, acatando as retificações propostas pela informação fiscal. fls. 186 a 203. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. As bases de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, relativas à obra de construção civil, serão arbitradas pela fiscalização caso o sujeito passivo não disponibilize, após intimação, documentos suficientes para verificação da existência e regularidade dos recolhimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 210 a 255. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.720907/201036 Acórdão n.º 2401003.283 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o recibo de cientificação (Aviso de Recebimento), o mesmo foi cientificado, recebendo no dia 11 de junho de 2012, conforme documento acostado a fl. 208 e 257., Assim, considerandose que o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, bem como que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 11 de julho de 2012. A notificada interpôs o recurso no dia 16 de julho de 2012, conforme informação, fl. 210, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Contudo, considerando a data da lavratura do Auto de infração de obrigação principal a norma que rege a matéria é o Decreto 70.235/1972, que dispõe em seu artigo 56 acerca do prazo para interposição de recurso. Art. 54. O julgamento compete: III Em instância única, ao Coordenador do Sistema de Tributação, quanto às consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas: (...) Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. (grifo nosso) Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do mesmo. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900864/2012-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 64 /2 01 2- 69 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900864/201269 Acórdão n.º 3803004.934 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900864/201269 Acórdão n.º 3803004.934 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900864/201269 Acórdão n.º 3803004.934 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900864/201269 Acórdão n.º 3803004.934 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900864/201269 Acórdão n.º 3803004.934 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.909719/2011-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
GLOSAS NÃO CONTESTADAS.
Consideram-se definitivas as glosas não contestadas
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 GLOSAS NÃO CONTESTADAS. Consideram-se definitivas as glosas não contestadas COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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Consideramse definitivas as glosas não contestadas COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 97 19 /2 01 1- 50 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 260 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 261 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu parcialmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 34786.67646.241110.1.1.010006, transmitido em 24/11/2010, no valor de R$ 25.443,46, relativo ao 4º trimestre de 2006. Os motivos para o deferimento parcial foram a ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos e a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Diante disso, o valor deferido (R$ 22.282,34), foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 12.569,86, à data da emissão do citado DDE. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Quanto à glosa das aquisições feitas à empresa Flex Coat Produtos AutoAdesivos S.A., inscrita no CNPJ sob nº 48.062.707/000310, na situação de “Cancelado” no referido cadastro, alega que o estabelecimento em questão teve suas atividades encerradas em 12/2008, efetuando o encerramento/baixa nos cadastros da RFB com data retroativa e que tal fato não poderia ser lhe imputado com a glosa de créditos, porquanto adquiriu insumos com incidência de IPI. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 262 4 Esclarece que as demais diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), às fls. 200/209, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 263 5 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. Consideramse definitivas as glosas não contestadas. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de atualização monetária e de juros calculados pela Taxa Selic aos ressarcimentos de créditos do IPI. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 213 a 235, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 264 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 4º trimestre de 2006 foi parcialmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido.. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 50, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da glosas de créditos considerados indevidos e a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra glosa das aquisições feitas à estabelecimento na situação de “Cancelado” no cadastro CNPJ e a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: Preliminarmente, quanto as glosas de créditos considerados indevidos, consideramse definitivas as glosas não contestadas e em relação à glosa das aquisições feitas à empresa Flex Coat Produtos AutoAdesivos S.A., inscrita no CNPJ sob nº 48.062.707/000310, na situação de “Cancelado” no referido cadastro, a recorrente alega simplesmente que o seu encerramento/baixa nos cadastros da RFB se deu com data retroativa, fato que foi contestado pelo acórdão recorrido com base na informação constante do cadastro CNPJ, contudo sem juntar documentos comprobatórios, sendo que no caso compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, mantendose assim a glosa efetuada. A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 265 7 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 266 8 se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 267 9 REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 268 10 espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 269 11 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909719/201150 Acórdão n.º 3801002.300 S3TE01 Fl. 270 12 Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10860.722165/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2011
COMPENSAÇÃO. GLOSA. CABIMENTO EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE GFIP.
O não atendimento aos requisitos normativos necessários ao deferimento da compensação efetuada, confirma a decisão que glosou os valores compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
(Assinado digitalmente).
Oseas Coimbra Junior Redator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Oséas Coimbra Júnior.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. CABIMENTO EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE GFIP. O não atendimento aos requisitos normativos necessários ao deferimento da compensação efetuada, confirma a decisão que glosou os valores compensados. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. CABIMENTO EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE GFIP. O não atendimento aos requisitos normativos necessários ao deferimento da compensação efetuada, confirma a decisão que glosou os valores compensados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator (Assinado digitalmente). Oseas Coimbra Junior – Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 21 65 /2 01 1- 21 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 888 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Oséas Coimbra Júnior. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 889 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração – AI DEBCAD 51.008.1312, que objetiva a glosa de compensação realizada de forma indevida, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal PAF, de fls. 10 a 21, com período de apuração de 01/2008 a 0/2011, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 22 e 23. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 20/12/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 81 a 84, recebida, em 02/12/2011, conforme protocolo, de fls. 221, estando acompanhada dos documentos, de fls. 85 a 795. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 796. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0539.209 7ª Turma da DRJ/CPS, em 25/10/2012, fls. 797 a 807, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 29/11/2012, Intimação e AR, de fls. 810 e 811, respectivamente. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 812 a 862, remetido via postal, em 20/12/2012, conforme envelope, de fls. 883, acompanhados dos documentos, de fls. 863 a 882. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. · que o órgão previdenciário exigia com base na Lei 9.506/96 contribuições sobre os subsídios dos agentes políticos, neste caso Prefeito; VicePrefeito e Vereadores, porém a lei e a exigência foram consideradas inconstitucionais pelo STF; · que visando regular o procedimento o órgão fiscal expediu normas administrativas, porém estas não podem extrapolar o que estabelecido em lei, artigo 97 e 100, do CTN, no entanto tais normas foram além de sua competência, pois fizeram exigências e restrições que não constam da lei; · que a retificação da GFIP’s não é uma atividade rotineira, envolvendo documentos transferidos para depósito e envolvendo a necessidade de contratação de empresa especializada, sendo, também, de difícil execução por envolver dados transmitidos on line, não tendo a municipalidade à época como promovêla, deixando de ser atendida tal exigência por 99% dos municípios paulistas, não trazendo as Fl. 889DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 890 4 normas administrativas citadas punição pela não retificação das GFIP’s; · que apenas no caso de não atendimento dos incisos I e II, do parágrafo 1º, do artigo 6º, da IN SRP 15/2006 é que a compensação pode ser glosada; · que o prazo prescricional para repetição do indébito é de dez anos para pagamentos indevidos ocorridos até 08/06/2005, véspera da vigência da LC 118/2005 só podendo esta nova lei ser aplicada a partir de sua entrada em vigor, podendo o município efetuar a compensação utilizandose do prazo de dez anos, conforme pacificado na jurisprudência; · que o município pode com base no RE 566.621 efetuar a compensação no prazo de dez anos, anteriormente a LC 118/2005, com débitos a vencer; · A recorrente ao final espera e requer: a) acolhimento do recurso; b) com o cancelamento do débitos fiscal. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 886. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 886. É o Relatório. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 891 5 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, cabe esclarecer que parte da matéria versada nos autos foi objeto de ação judicial junto ao judiciário federal de São Paulo, culminado com decisão de mérito do TRF3, com certificação de trânsito em julgado em 24/07/2013, conforme transcrições anexas a este acórdão. Desta forma, devese primeiro limitar qual é o objeto da demanda posta à decisão administrativa, uma vez que as matérias decididas pelo judiciário, não comportam mais decisão nessa esfera administrativa, assim temse, que o judiciário, assim decidiu. · Declarou a inexigibilidade das contribuições sobre subsídios de agente político de 02/1998 a 09/2004 · O judiciário afastou a ocorrência de prescrição para a repetição do indébito; · O período de repetição é o de 02/1998 a 09/2004; ESTE PERÍODO FOI RETIFICADO PELA RETRATAÇÃO, DE 06/12/2012, PASSANDO A SER DE 06/2002 A 09/2004; · A limitação de repetição de 30%, § 3º, da Lei 8.212/91 foi afastada; O órgão fiscal e os agentes da Administração Pública tem o dever constitucional e legal de cumprirem a leis do país, que passaram pelo processo legislativo enquanto projetos, foram aprovados e receberam a sanção presidencial, artigo 37, caput¸ da CRFB/88 c/c o artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 116, III, da Lei 8.112/91. A inconstitucionalidade da alínea “h”, do inciso I, do artigo 12, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 9.506/96 é notória desde a edição da Resolução SF Nº 26/2005. Os órgãos da Administração Tributária tem competência para instituírem normas que visem a disciplinar as suas relações com os contribuintes e para facilitarem o entendimento, a aplicação e o cumprimento das leis. O direito a compensação não é algo absoluto e ele deve atender as regras e critérios determinados por lei. O primeiro requisito determinado por lei é obviamente a ocorrência de recolhimento indevido, pois caso tal recolhimento não exista não há o que repetir e isso a Fl. 891DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 892 6 decisão judicial deixou claro ao dizer que “são compensáveis os valores referentes ao período de junho de 2002 a setembro de 2004.” Desta forma, deve o órgão local manter no crédito as competências que não foram incorporadas ao MS, ou seja, 10/1997 a 01/1998, como consta do item 8.2 do REFISC, de fls. 12. Deve, ainda, ser mantida no presente crédito para fins de glosa as competências não reconhecidas pela decisão judicial, isto é, 02/1998 a 05/2002. Por último, ainda, que abrangidas pela decisão judicial as competências em que não houve comprovação de pagamento como consta dos trechos do REFISC abaixo transcritos devem continuar incluídas no lançamento, a fim de manter a glosa desses valores, haja vista que não se pode repetir, aquilo que não se pagou. 10.1 Conforme demonstrado acima, verificase que a Câmara Municipal de Silveiras não informou nas GFIP os valores pagos aos vereadores nas competências 01/2003, 05/2003, 07/2003, 08/20003 e de 11/2003 a 09/2004. A Prefeitura não informou nas GFIP os valores pagos ao prefeito e viceprefeito nas competências 01/1999 a 12/2000 e 01/2003 a 03/2003, logo os respectivos valores não foram quitados. Se não foram quitados não poderiam estar presentes nas planilhas de cálculo apresentadas pela Prefeitura. 10.2. Uma vez, que não houve informação nas GFIP, procedemos à glosa dos valores compensados referentes a Câmara nas competências 01/2003, 05/2003, 07/2003, 08/20003 e de 11/2003 a 09/2004 e dos valores referentes à Prefeitura nas competências 01/1999 a 12/2000 e 01/2003 a 03/2003 . Equivocase a recorrente quanto retificação da GFIP tal procedimento a partir da versão 8.0 do SEFIP que entre em vigor em 01/2006 é de retificação tão simples quanto a Declaração Anul de Ajuste do IR de Pessoa Física, bem como o Manual SEFIP traz todos os passos para tal retificação. Mais um equivoco é a necessidade de contração de pessoa jurídica especializada para tal, o servidor que declara a GFIP todos os meses tem plenas condições de fazer a retificação, pois a retificação nada mais é do que corrigir a informação errada ou informar os dados ausentes, informando tudo o mais que já havia sido informado anteriormente. Ou seja, basta informar a GFIP completa e correta como se fosse a primeira vez da competência procedimento bem simples. O fato de a maciça parcela de municípios paulistas terem agindo de forma incorreta e inadimplente com o fisco federal não torna tal atitude em correta e não desonera ninguém de cumprir as determinações da legislação tributária, podendo inclusive os faltosos sofreram sanções em razão de tal atitude. Novamente, a recorrente opera em equivoco não é apenas em função dos incisos I e II, do parágrafo 1º, do artigo 6º, da IN SRP Nº 15/2006 que a compensação pode ser glosada, muitas outras causas podem levar a isso e este acórdão é a prova disso. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 893 7 A questão do prazo prescricional como dito acima foi regulado na decisão judicial, não cabendo a este órgão administrativo falar sobre este assunto. O agente fiscal informou que os cálculos da municipalidade estão corretos, observese o que diz o REFISC. 8.1. Os cálculos efetuados nestas planilhas estão de acordo com e Decreto 3.048/99 e foram conferidos através do programa SALWEB, sendo que os mesmos estão corretos. Todavia, várias competências foram glosadas em razão da ausência de retificação de GFIP como a seguir consta. 10.8. Uma vez, então, que não houve retificação das GFIP, procedemos à glosa dos valores compensados referentes às competências de 01/2001 a 12/2002 e 04/2003 a 09/2004 (prefeitura) e 01/1999 a 12/2002, 02/2003 a 04/2003, 06/2003, 09/2003 e 10/2003 (câmara), com base na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 89 (com a redação dada pela Lei n° 9.129, de 20.11.95) E Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251, 253. O direito a compensação não pode ser inviabilizado pelo não cumprimento de um requisito formal, qual seja a retificação das GFIP’s, porém esta é providência que o contribuinte deve adotar da forma mais célere, possível, pois uma vez constatada a não retificação, suas informações estarão incorretas ou omissas, o que ensejará a aplicação de autos de infração. Embora, não possa o direito a compensação ser inviabilizado em razão da retificação das GFIP’s deve a autoridade administrativa fiscalizar tal situação e não tendo sido providenciada a devida retificação adotar as providências determinadas por lei em razão do não cumprimento de dever instrumental. Saliento que a órgão de origem deve verificar a necessidade de lançar o período de 02/1998 a 05/2002, uma vez que a decisão judicial não reonheceu o direito a compensação deste período. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso, para no mérito dar lhe provimento parcial determinando o afastamento da exigência de retificação da GFIP como fator de impedimento para a compensação, porém com as consequências que a lei prevê pelo não cumprimento da obrigação acessória, caso esta persista. A autoridade local, assim, deve, ainda, fazer os devidos ajustes no crédito que se fizerem necessários entre eles os seguintes: 1. Manter no crédito o período de 10/1997 a 01/1998, pois não incluído no MS; 2. Manter no crédito as competências que não foram pagas, pois não se pode repetir, o que não se pagou 01/2003, 05/2003, 07/2003, Fl. 893DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 894 8 08/20003 e de 11/2003 a 09/2004 para vereadores e 01/1999 a 12/2000 e 01/2003 a 03/2003 para prefeito e viceprefeito. 3. Excluir do crédito as competências glosadas, exclusivamente, em razão da ausência de retificação da GFIP. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. PESQUISA EFETUADA EM 15/09/2013 NO SITE DO TRF3. ANEXO AO ACÓRDÃO DO CRÉDITO 51.008.1312. DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO Edição nº 59/2010 São Paulo, segundafeira, 05 de abril de 2010 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO PUBLICAÇÕES JUDICIAIS I – TRF Subsecretaria da 5ª Turma Expediente Processual 3629/2010 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.61.03.0054160/SP RELATOR : Desembargador Federal LUIZ STEFANINI APELANTE : MUNICIPIO DE SILVEIRAS ADVOGADO : ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO e outro APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO DECISÃO Tratase de recurso de apelação em mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado no mister de obter a declaração de inexistência de relação jurídica quanto às contribuições previdenciárias patronais, referentes aos períodos de fevereiro/1998 a setembro/2004, previstas no art. 22, I e II da Lei nº 8.212/91, incidentes sobre a totalidade dos valores pagos a título de subsídios aos agentes políticos do município e o respectivo adicional para custeio de seguro de acidentes do trabalho, conforme art. 12, § 2º, I, ´h` da Lei nº 8.212/91, bem como o afastamento do limite de 30% (trinta por cento) à compensação tributária de acordo com a norma inserta no § 3º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.129/95 (fls. 02/53). A autoridade coatora prestou informações (fls.208/218). A liminar foi indeferida às fls. 219/221. O impetrante interpôs agravo de instrumento (fls. 232/284) em face da decisão liminar (fls. 219/221), o qual teve negado seu provimento (fls. 587/589). O Juízo a quo denegou a segurança e declarou resolvido o processo, com julgamento de mérito, nos termos do artigo 269, I e IV, do CPC (fls. 566/568). A impetrante interpôs recurso de apelação (fls. 576/581), reiterando os argumentos trazidos na inicial e acrescentando a adoção do prazo prescricional decenal. Com contrarazões da União (fls. 593/604), subiram os autos a este E. Tribunal. Nesta Corte, o D. Representante do Ministério Público Federal opinou pela reforma do julgado, para que seja reconhecido o direito do apelante à compensação, sem o limite de 30% imposto pelo art. 89, § 3º da Lei n.º 8.212/91, observada a prescrição das parcelas pagas há mais de 5 (cinco) anos a contar do ajuizamento da ação (fls. 606/613). É o relatório. DECIDO. Inicialmente, consigno que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 351.717/PR, declarou a inconstitucionalidade do artigo 13, §1º da Lei n.º 9.506/97, que instituiu a contribuição social para o custeio da previdência de agentes políticos, por contrariedade aos artigos 195 e 154, I da Constituição Federal. A Lei n.º 9.506/97, em seu §1º, artigo 13, acrescentou a alínea "h" ao artigo 12 da Lei n.º 8.212/91, nos seguintes termos: "Art. 13. O Deputado Federal, Senador ou suplente em exercício de mandato que não estiver vinculado ao Plano instituído por esta Lei ou a outro regime de previdência participará, obrigatoriamente, do regime geral de previdência social a que se refere a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. § 1º O inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212 passa a vigorar acrescido da seguinte alínea h: "Art. 12. (...) h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social;" Ao analisar o dispositivo citado, o Supremo Tribunal Federal, perquiriu acerca de sua constitucionalidade, concluindo que o mesmo padece de inconstitucionalidade formal e material. A primeira verificada diante da instituição de nova contribuição por meio de lei ordinária, o que não se admite diante da redação do artigo 195, § 4º que reserva a matéria à lei complementar. A segunda referente à abrangência da expressão "trabalhador" constante do artigo 195, Fl. 894DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 895 9 II da Constituição Federal. Firmouse o entendimento de que o "agente político", definido, por Celso Antonio Bandeira de Mello, como o titular de cargo estrutural à organização política do País, ou seja, ocupantes dos que integram o arcabouço constitucional do Estado, o esquema fundamental do Poder, não pode ser confundido com "trabalhador", termo utilizado para designar aquele que presta serviço para empregador privado ou até mesmo entidade de direito público, desde que abrangido pelo regime celetista, é dizer, que possui relação de emprego. Desta feita, não restaram dúvidas acerca da impossibilidade de abrangência do conceito "trabalhador", como acima explicitado. Poderseia, por outro lado, perquirir acerca das modificações ofertadas pela Emenda Constitucional n.º 20/98. Transcrevo o texto do artigo 195 da Constituição Federal, anterior à sobredita emenda, que cuida da questão debatida nos presentes autos por entender conveniente, verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores;" Posteriormente, com as alterações introduzidas pela indigitada emenda, estabeleceuse que a seguridade social seria financiada pelas contribuições sociais: 1) do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; a receita ou o faturamento e, o lucro; e, 2) do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201. A nova redação, entretanto, não teve o condão de trazer à baila nova discussão no tocante aos aspectos já definidos quando da declaração de inconstitucionalidade da Lei n.º 9.506/97, é dizer, o conceito de trabalhador, seja na redação anterior, seja na atual, permanece inalterado, não abarcando, como acima mencionado, os exercentes de mandato eletivo . As questões, contudo, que poderiam surgir se referem à extensão das expressões "entidades equiparadas" e "demais rendimentos do trabalho". Evidentemente, o Município, ente político tributável, encontrase abrangido pela expressão entidade equiparada. Contudo, no que toca à segunda locução demais rendimentos do trabalho não há como entender que seja passível de tributação a atividade desenvolvida pelos exercentes de mandato eletivo, vez que estes não desenvolvem "trabalho de prestação de serviço à entidade", senão vejamos. Os agentes políticos são componentes do Governo nos seus primeiros escalões, é dizer, investidos nos mandatos por meio de eleição para o exercício de atribuições constitucionais. Esses agentes atuam com plena liberdade funcional, desempenhando as atribuições, com prerrogativas e responsabilidades específicas para sua escolha. Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles (2000:72) os agentes políticos são as autoridades supremas do Governo e da Administração na área de sua atuação, pois não estão hierarquizadas, sujeitandose apenas aos graus e limites constitucionais e legais de jurisdição. Assim é que um estudo do tópico "direitos políticos" autoriza concluir que os exercentes de mandato eletivo estão no exercício de um poder conferido pelos cidadãos. São, portanto, representantes eleitos pelo povo, que exercem suas atividades autorizados pelos detentores da soberania popular. Não há de se dizer, portanto, que sejam prestadores de serviços ao Município. Ora, não é ao ente político que prestam seus serviços, senão atuam no exercício de um mandato a eles conferidos. Não se enquadram, assim, nos dizeres do artigo 195 da Constituição, uma vez que não prestam serviços à entidade e tampouco percebem rendimentos advindos de trabalho. Assim é que, pelas mesmas razões, também não se pode exigir do Município que recolha para a Previdência, em função do pagamento dos subsídios aos seus agentes políticos, a "contribuição patronal". Outrossim, é indevida a contribuição para Seguro de Acidentes de Trabalho, pois "ainda não sendo segurados os exercentes de mandato eletivo evidentemente que não estão sujeitos às contribuições do artigo 22 da Lei 8.212/91." Reputase, portanto, evidente o direito do impetrante de compensar os valores indevidamente recolhidos, desde que tenha agido antes do prazo prescricional previsto em lei. Impõese, então, que se analise, a questão pertinente ao prazo prescricional para o ajuizamento da ação de repetição de indébito, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, considerando que as contribuições questionadas referemse ao período de fevereiro de 1998 a setembro de 2004. Aplicase ao feito a Lei Complementar nº 118/05, haja vista que o ajuizamento deste mandado de segurança (27 de junho de 2007) é posterior ao prazo de 120 dias (vacatio legis) da publicação da referida Lei Complementar, ou seja, 09 de junho de 2005. Dispõe o art. 3º da LC nº 118/05: "Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei". Vale dizer, determina que se considere o prazo de cinco anos a contar da antecipação a cargo do contribuinte e acrescenta, em seu artigo 4º, que deverá ser observada a regra do inciso I do artigo 106 do Código Tributário Nacional, autorizadora da aplicação da lei ao fato pretérito. Todavia, o dispositivo supracitado (art. 3º), contrariando a intenção da Lei Complementar em comento, não tem eficácia retroativa, já que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no ERESP 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte da Lei Complementar. Assim, consoante entendimento do eminente Relator Ministro Teori Albino Zavascki no Incidente de Inconstitucionalidade no ERESP 644.736/PE: "...a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova". Portanto, o prazo prescricional a ser aplicado aos presentes autos é o pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, o qual entende legal a prescrição decenal do direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributos declarados inconstitucionais (05 anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco, a partir da homologação tácita), desde que se respeite o prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da LC nº 118/05. Assim, consoante se verifica dos autos, como o impetrante pretende compensar os valores recolhidos indevidamente no período de fevereiro de 1998 a setembro de 2004 e tendo sido o presente mandado de segurança ajuizado em 27 de julho de 2007, não há que se falar em prescrição das quantias pagas. Quanto à limitação da compensação imposta pelo §3º do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.129/95, a questão encontrase superada, uma vez que tal restrição à compensação de 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência, foi revogada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Por fim, entendo perfeitamente aplicável à espécie os ditames do artigo 557, do Código de Processo Civil. Referido artigo, com a redação dada pela Lei nº 9.756, de 17 de dezembro de 1998, trouxe inovações ao sistema recursal, com a finalidade de permitir maior celeridade à tramitação dos feitos, vindo a autorizar o relator, através de decisão monocrática, a negar seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior e, ainda, em seu parágrafo 1º, faculta, desde logo, dar provimento a recurso, nas mesmas hipóteses acima apontadas. Diante do exposto, com fundamento no art. 557, § 1ºA do Código de Processo Civil, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de apelação da impetrante, tão somente para determinar a inexigibilidade dos recolhimentos das contribuições previdenciárias patronais, referentes aos períodos de fevereiro/1998 a setembro/2004, previstas no art. 22, I e II da Lei nº 8.212/91, incidentes sobre a totalidade dos valores pagos a título de subsídios aos agentes políticos do município e o respectivo adicional para custeio de seguro de acidentes do trabalho, conforme art. 12, § 2º, I, ´h` da Lei nº 8.212/91; bem como, para afastar a limitação à compensação tributária, a que faz jus, prevista no § 3º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.129/95. Intimemse. Decorrido o prazo legal sem manifestação, baixem os autos à Vara de origem. São Paulo, 25 de fevereiro de 2010. LUIZ STEFANINI Desembargador Federal Fl. 895DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 896 10 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO AGRAVO LEGAL EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 000541607.2007.4.03.6103/SP 2007.61.03.0054160/SP RELATOR : Desembargador Federal LUIZ STEFANINI APELANTE : MUNICIPIO DE SILVEIRAS ADVOGADO : ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO e outro APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO AGRAVADA : DECISÃO DE FOLHAS RELATÓRIO Tratase de agravo legal interposto em face da r. decisão que, com fulcro no artigo 557, §1ºA do Código de Processo Civil, deu parcial provimento ao recurso de apelação da impetrante tãosomente para determinar a inexigibilidade dos recolhimentos das contribuições previdenciárias patronais, referentes aos períodos de fevereiro/1998 a setembro/2004, previstas no artigo 22, I e II da Lei nº 8.212/91, incidente sobre a totalidade dos valores pagos a título de subsídios dos agentes políticos do município e o respectivo adicional para custeio de seguro de acidente do trabalho, conforme artigo 12, §2º, I, "h", da Lei nº 8.212/91; bem como afastar a limitação à compensação tributária a que faz jus, prevista no §3º do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.129/95. A União Federal apresenta agravo legal trazendo à discussão o prazo prescricional para a repetição do indébito. Sustenta que o artigo 168, I, do CTN preceitua que o direito de pleitear a restituição/compensação do tributo pago indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de extinção do crédito tributário. Acrescenta que a antiga tese dos "cinco mais cinco" deve ser afastada pela interpretação autêntica efetivada pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05. Defende que nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação; o que não autoriza concluir que o pagamento se dê cinco anos depois de sua efetiva ocorrência. Assevera, ainda, que não há confundirse pagamento com quitação. O primeiro ocorre no dia em que há o recolhimento do tributo e, o segundo, em cinco anos, na hipótese de ser declarado expressamente. Conclui que os valores recolhidos há mais de cinco anos da propositura da ação competente estão prescritos. Alega, ademais, que a Lei Complementar nº 118/05 é norma interpretativa e, portanto, conta com aplicabilidade imediata, de modo que espancadas todas as dúvidas referentes ao termo a quo do prazo prescricional. Por fim, sustenta a nulidade da decisão monocrática por descumprimento da reserva de plenário, razão por que pretende seja provido o agravo legal. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 897 11 É o breve relato. VOTO Inicialmente faço consignar que, de acordo com o artigo 557, caput do Código de Processo Civil, o relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. E, ainda, consoante o § 1ºA do mesmo dispositivo se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao recurso. Sustenta a agravante que a matéria tratada nos autos não se coaduna com a jurisprudência pacífica, de modo que seria indevida a sua apreciação sob a forma do art. 557 do CPC. Ocorre que a Lei não menciona jurisprudência pacífica, o que, na verdade poderia tornar inviável a sua aplicação. Menciona o texto legal que o relator poderá negar seguimento ao recurso quando estiver em confronto com a jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior; poderá, ainda, dar provimento ao recurso quando a decisão recorrida estiver em confronto com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior. Ora, a meu ver, a referência à jurisprudência dominante revela que, apesar de existirem decisões em sentido diverso, acabam por prevalecer, na jurisprudência, as decisões que adotam a mesma orientação invocada pelo relator. Assim, após análise detida dos autos, verifico que deve ser confirmada a decisão objeto do presente agravo legal. Nesse passo, peço vênia para transcrever parte da decisão anteriormente proferida, atinente à temática da prescrição único tema trazido a debate neste agravo legal: Impõese, então, que se analise, a questão pertinente ao prazo prescricional para o ajuizamento da ação de repetição de indébito, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, considerando que as contribuições questionadas referemse ao período de fevereiro de 1998 a setembro de 2004. Aplicase ao feito a Lei Complementar nº 118/05, haja vista que o ajuizamento deste mandado de segurança (27 de junho de 2007) é posterior ao prazo de 120 dias (vacatio legis) da publicação da referida Lei Complementar, ou seja, 09 de junho de 2005. Dispõe o art. 3º da LC nº 118/05: "Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei". Vale dizer, determina que se considere o prazo de cinco anos a contar da antecipação a cargo do contribuinte e acrescenta, em seu artigo 4º, que deverá Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 898 12 ser observada a regra do inciso I do artigo 106 do Código Tributário Nacional, autorizadora da aplicação da lei ao fato pretérito. Todavia, o dispositivo supracitado (art. 3º), contrariando a intenção da Lei Complementar em comento, não tem eficácia retroativa, já que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no ERESP 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte da Lei Complementar. Assim, consoante entendimento do eminente Relator Ministro Teori Albino Zavascki no Incidente de Inconstitucionalidade no ERESP 644.736/PE: "...a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova". Portanto, o prazo prescricional a ser aplicado aos presentes autos é o pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, o qual entende legal a prescrição decenal do direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributos declarados inconstitucionais (05 anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco, a partir da homologação tácita), desde que se respeite o prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da LC nº 118/05. Assim, consoante se verifica dos autos, como o impetrante pretende compensar os valores recolhidos indevidamente no período de fevereiro de 1998 a setembro de 2004 e tendo sido o presente mandado de segurança ajuizado em 27 de julho de 2007, não há que se falar em prescrição das quantias pagas. Por fim, afasto a alegação de nulidade da r. decisão agravada por descumprimento da reserva de plenário; isto porque quando a análise do prazo prescricional, não se declarou a inconstitucionalidade da Lei Complementar 118/2008, mas apenas se limitou a aplicar o entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do AI no EREsp nº 644.736/PE, que, por unanimidade, acolheu a argüição de inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte da Lei Complementar nº 118/2005, motivo pelo qual não há que se falar em afronta à Súmula Vinculante nº 10 ou violação ao princípio da reserva de plenário. Não bastasse, a Primeira Seção desta C. Corte, em caso análogo, rejeitou embargos de declaração opostos em embargos infringentes (processo nº 1999.61.00.0435773) firmando o seguinte entendimento: PROCESSUAL CIVIL: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO AUSÊNCIA DO VOTO VENCIDO: OMISSÃO SANADA. ARTIGO 97 DA CF/88. ARTIGOS 480 A 482 DO CPC. RESERVA DE PLENÁRIO : INAPLICABILIDADE. PRO LABORE. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTIGOS 3º E 4º. NOVEL LEGISLAÇÃO. DECISÃO BASEADA EM ENTENDIMENTO ASSENTE DA JURISPRUDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO C. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. I Nos termos do artigo 535 do CPC, os embargos de declaração são cabíveis, apenas e tãosomente, nas hipóteses de contradição, obscuridade ou omissão no v. aresto guerreado. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 899 13 II Restam prejudicados os aclaratórios no tocante à omissão suscitada pela embargante pela ausência do voto vencido, eis que o e. Desembargador Federal Henrique Herkenhoff procedeu à declaração do referido voto, juntado às fls. 554/560. III Não resta caracterizada omissão quanto à alegação de que o v. aresto guerreado declarou a inconstitucionalidade dos artigos 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, ao arrepio do disposto no artigo 97 da Constituição Federal e nos artigos 480 a 482 do CPC, não observando a chamada " reserva de plenário ". IV Destarte, a C. 1ª Seção entendeu que os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005 não têm natureza interpretativa, tratandose, na verdade, de novel legislação, não ensejando qualquer efeito sobre o caso presente, com fulcro na jurisprudência assente do C. Superior Tribunal de Justiça, em arestos transcritos no v. acórdão guerreado. V Demais disso, a E. Corte Especial daquele Sodalício, ao julgar a AI no EREsp 644.736/PE, de Relatoria do. Min. TEORI ZAVASCKI (j. 06.06.2007, DJ 27.08.2007), declarou a inconstitucionalidade dos referidos dispositivos legais. VI Em sede de embargos de declaração, não é possível a inovação de matéria, sendo vedada a apreciação de questão não suscitada anteriormente, sendo admissíveis somente nas hipóteses elencadas no artigo 535 do CPC (omissão, obscuridade e contradição), ainda que para fins de prequestionamento. Precedente: STJ, EDcl no REsp 445.910/MG, 1ª Turma, Rel. Min. TEORI ZAVASCKI, DJ de 16.04.2007. VII Embargos de declaração prejudicados em parte, e, quanto ao mais, rejeitados, nos termos constantes do voto. Há outros precedentes: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO EM PARTE. OMISSÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118 /2005. CONSTITUCIONALIDADE. RESERVA DE PLENÁRIO. Embargos de declaração não conhecidos em parte, por tratar de matéria estranha àquela abordada na decisão embargada. Prejudicada a alegação de submissão do exame da matéria constitucional ao crivo do Órgão Especial desta Corte, em observância à regra contida no artigo 97 da Constituição Federal, tendo em vista a decisão proferida pela Egrégia Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça no Incidente de Argüição de Inconstitucionalidade nos embargos de Divergência em REsp nº 644.736 PE, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118 /2005. 3. Embargos de declaração não conhecidos em parte e na parte conhecida improvidos. (TRF 3ª Região, Primeira Seção, EI nº 689987, Registro nº 2000.61.00.0190446, Rel. Des. Fed. Johonsom di Salvo, DJ 11.01.2010, p. 129, unânime) CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. RESERVA DE PLENÁRIO. DECLARAÇÃO DE VOTO. JUNTADA. RECURSO PREJUDICADO NESTA PARTE E REJEITADO QUANTO AO REMANESCENTE. 1. Com a juntada da declaração de voto resta prejudicado o recurso nesta parte. 2. Não é omisso o acórdão que, ao afastar a aplicação do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, com base em precedente da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça que declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal, deixa de afetar a questão ao seu Plenário, pois se limita a aplicar a jurisprudência da Corte Superior acerca da matéria. 3. Embargos de declaração julgados parcialmente prejudicados e, quanto ao remanescente, rejeitados. (TRF 3ªRegião, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 1999.03.99.0959551/SP, Rel. Des. Fed. Cotrim Guimarães, DJ 16.11.2010) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO AO AGRAVO LEGAL. É o voto. LUIZ STEFANINI Desembargador Federal Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002/2001 de 24/08/2001, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil, por: Fl. 899DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 900 14 Signatário (a): LUIZ DE LIMA STEFANINI:55 Nº de Série do Certificado: 4435D548 Data e Hora: 30/03/2011 14:39:28 AGRAVO LEGAL EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 0005416 07.2007.4.03.6103/SP 2007.61.03.0054160/SP RELATOR : Desembargador Federal LUIZ STEFANINI APELANTE : MUNICIPIO DE SILVEIRAS ADVOGADO : ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO e outro APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO AGRAVADA : DECISÃO DE FOLHAS EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO LEGAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. DESNECESSIDADE. 1. A Lei não menciona jurisprudência pacífica, o que, na verdade poderia tornar inviável a sua aplicação. Menciona o texto legal que o relator poderá negar seguimento ao recurso quando estiver em confronto com a jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior; poderá, ainda, dar provimento ao recurso quando a decisão recorrida estiver em confronto com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior. 2. A referência à jurisprudência dominante revela que, apesar de existirem decisões em sentido diverso, acabam por prevalecer, na jurisprudência, as decisões que adotam a mesma orientação invocada pelo relator. 3. O prazo prescricional a ser aplicado é o pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, o qual entende legal a prescrição decenal do direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributos declarados inconstitucionais (05 anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco, a partir da homologação tácita), desde que se respeite o prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da LC nº 118/05. 4. Afastada a alegação de nulidade da r. decisão agravada; isto porque C.Turma, quando a análise do prazo prescricional, não declarou a inconstitucionalidade da Lei Complementar 118/2008, mas apenas limitouse a aplicar o entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do AI no EREsp nº 644.736/PE, que, por unanimidade, acolheu a argüição de inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte da Lei Complementar nº 118/2005, motivo pelo qual não há que se falar em afronta à Súmula Vinculante nº 10 ou violação ao princípio da reserva de plenário. 5. Agravo legal a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo legal, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 28 de março de 2011. LUIZ STEFANINI Desembargador Federal Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002/2001 de 24/08/2001, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil, por: D.E. Publicado em 08/04/2011 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 901 15 Signatário (a): LUIZ DE LIMA STEFANINI:55 Nº de Série do Certificado: 4435D548 Data e Hora: 30/03/2011 14:39:31 DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO Edição nº 3/2012 São Paulo, sextafeira, 04 de janeiro de 2013 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO PUBLICAÇÕES JUDICIAIS I – TRF Subsecretaria da 5ª Turma Expediente Processual 19992/2012 APELAÇÃO CÍVEL Nº 000541607.2007.4.03.6103/SP 2007.61.03.0054160/SP APELANTE : MUNICIPIO DE SILVEIRAS ADVOGADO : ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO e outro APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO DECISÃO Tratase de apelação e reexame necessário interpostos contra a r. sentença denegatória proferida em mandado de segurança impetrado para afastar a contribuição previdenciária patronal incidente os valores pagos a título de subsídios aos agentes políticos do município e o respectivo adicional para custeio de seguro de acidentes do trabalho, com compensação dos valores recolhidos indevidamente. Em decisão proferida nos termos do artigo 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil, foi dado parcial provimento à apelação da impetrante, para declarar a inexigibilidade da referida contribuição, bem como para determinar a compensação dos valores recolhidos indevidamente, observada a prescrição decenal. Foi interposto agravo legal, ao qual foi negado provimento. Após a interposição de Recurso Extraordinário, a VicePresidência desta Corte Regional devolveu os autos a este relator, para efeito de exame da matéria concernente à prescrição, nos termos do artigo 543C, § 7º, II, do Código de Processo Civil. DECIDO Em razão do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, relativamente à matéria da prescrição em repetição de indébito, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, promovo a retratação da decisão monocrática, posto que em desacordo com a nova orientação, nos termos do artigo 543C, § 7º, II, do Código de Processo Civil. Da prescrição Acerca do prazo prescricional para pleitear a repetição do indébito, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o C. Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04/08/2011, publicado em 11/10/2011, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118 /2005, e fixou que é válida a aplicação do prazo qüinqüenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005, aplicandose, para as ações propostas antes desse marco, o prazo prescricional decenal. Confirase a ementa do julgado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118 /2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118 /05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118 /05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118 /08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, ELLEN GRACIE, STF.) Considerando que a ação foi movida em 27 de junho de 2007, aplicável o prazo prescricional qüinqüenal, contado retroativamente da data do ajuizamento. Portanto, são compensáveis os valores referentes ao período de junho de 2002 a setembro de 2004. Diante do exposto, promovo a retratação da decisão de fls. 615/619, para limitar a compensação dos valores recolhidos indevidamente ao período de junho de 2002 a setembro de 2004, mantendo os seus demais termos. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 902 16 Publiquese e intimese. Após, devolvamse os autos à VicePresidência desta Corte, para as providências que entender cabíveis. São Paulo, 06 de dezembro de 2012. LUIZ STEFANINI Desembargador Federal DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO Edição nº 143/2013 São Paulo, quartafeira, 07 de agosto de 2013 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO PUBLICAÇÕES JUDICIAIS I – TRF Subsecretaria dos Feitos da VicePresidência Expediente Processual 23715/2013 DIVISÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO SEÇÃO DE PROCEDIMENTOS DIVERSOS RCED DECISÃO(ÕES) PROFERIDA(S) PELA VICEPRESIDÊNCIA RECURSO(S) ESPECIAL(IS) / EXTRAORDINÁRIO(S) APELAÇÃO CÍVEL Nº 000541607.2007.4.03.6103/SP 2007.61.03.0054160/SP RELATOR : Desembargador Federal LUIZ STEFANINI APELANTE : MUNICIPIO DE SILVEIRAS ADVOGADO : ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO e outro APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO DESPACHO Fls. 667/668: Face a todo processado, julgo prejudicado o Recurso Extraordinário da União Federal (fls. 647/657). [Tab] Certificado o trânsito em julgado, determino a remessa dos autos à Origem. São Paulo, 24 de julho de 2013. Salette Nascimento VicePresidente Voto Vencedor Sr Presidente, Do que consta dos autos, temos que a razão da glosa foi a não retificação das GFIP´s referentes às compensações consideradas. Assim sendo, tenho que não há reparo a ser realizado na r. decisão. A Instrução Normativa SRP 15/2006, trazia: Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: Fl. 902DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722165/201121 Acórdão n.º 2803002.795 S2TE03 Fl. 903 17 I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluirdestas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; (...). Nesse ponto foi claro o relatório fiscal: 10.7. Através das telas do CNIS e da GFIP WEB, verificamos que não houve a retificação das GFIP pela Prefeitura e Câmara Municipal, com a finalidade de excluir os agentes políticos inicialmente informados, (...). Através das mesmas, observamos que, estes agentes políticos continuam informados nos sistemas da Previdência Social, que desta maneira, podem a qualquer momento requerer, baseados nas informações ainda presentes nos sistemas, algum tipo de beneficio, como por exemplo: aposentadoria. Ressaltese que não se discute o mérito dos valores compensados, mas a glosa em decorrência da não correção das GFIP´s, requisito normativo necessário ao deferimento da compensação efetuada. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Conselheiro Oseas Coimbra Junior Fl. 903DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado dig italmente em 06/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10120.006539/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSENCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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GLOSA. AUSENCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 65 39 /2 00 9- 14 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801003.302 S2TE01 Fl. 136 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6a Turma da DRJ/BSB Por bem descrever os fatos, traduzse o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2007, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Goiânia (GO). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas,pleiteada indevidamente pela contribuinte na Declaração de Imposto de Renda. Valor: R$ 23.936,04. Motivo: Em decorrência do não atendimento à intimação, foi glosado o valor de R$ 23.936,04, deduzido indevidamente a título de despesas médicas, por falta de comprovação. A base legal do lançamento encontrase nos autos. A contribuinte teve ciência do lançamento por meio do Edital nº 00032/2008 em 03/12/2008, conforme documento de fl. 5051 e, em 18/05/2009, apresentou impugnação, em petição de fls. 02 06, acompanhada dos documentos de fls. 0735, alegando, resumidamente, o que se segue: TEMPESTIVIDADE que somente teve conhecimento da Notificação de Lançamento quando se dirigiu à Receita Federal do Brasil nos dias 23/04/09 e 07/05/09; que o servidor da Receita Federal informou que o Aviso de Recebimento (AR) foi devolvido pelo motivo de ausência; entende que a ciência somente ocorreu no dia 23/04/09, quando do seu comparecimento à Receita Federal do Brasil. Por isso, considera que a impugnação foi protocolada dentro do prazo legal, sendo, portanto, tempestiva. MÉRITO que apresenta os comprovantes das despesas médicas para comprovar ovalor de R$ 23.936,04, informado na Declaração de Ajuste Anual. Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) 6.355,90 Multa de Ofício (passível de redução) 4.766,92 Juros de Mora (cálculo até 31/10/2008) 1.068,42 Imposto Suplementar (sujeito à multa de mora) Multa de Mora (não passível de redução) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801003.302 S2TE01 Fl. 137 3 Juros de Mora (cálculo até 31/10/2008) Total do Crédito Tributário 12.191,24 Por fim, solicita o cancelamento do débito fiscal. Em 09/12/2011 foi proferido o Acórdão nº 0346.369 pela 6ª Turma da DRJ/Brasília, julgando a impugnação não conhecida e o crédito tributário mantido, tendo em vista a intempestividade da impugnação. A contribuinte em 16/01/2012,apresentou o recurso voluntário de fls. 6974 e, em 14/08/2012, foi proferido o Acórdão nº 2801 002.612 – 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que afastou a intempestividade da impugnação apresentada para que seja analisado o mérito, conforme ementa a seguir (fls. 7883): NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. EXTRAVIO DE AR. EDITAL DE NOTIFICAÇÃO. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. A inexistência nos autos do AR consubstanciando a tentativa de ciência da notificação de lançamento invalida a ciência via edital, considerandose ocorrida a ciência quando da apresentação da impugnação. Posteriormente, os autos foram remetidos à DRJ/BSB. Cabe registrar que o presente julgamento está sendo realizado, tendo em DA TEMPESTIVIDADE O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF considerou a impugnação tempestiva, conforme Acórdão nº 2801002.612 – 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento. Portanto, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 56 do Decreto n.º 7.574/2011 e dela se toma conhecimento para apreciar as razões de defesa. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de ( fls.95/101 ), nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É proferido novo acórdão quando o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declara, por unanimidade, a nulidade da decisão anterior para analisar o mérito da questão. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801003.302 S2TE01 Fl. 138 4 São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 25.03.2013( fl.107 ), a contribuinte, por seus advogados ( fl.7 ), apresentou o recurso em 10.04.2013 ( fls.110/117 ). Em sua defesa, argumentou em síntese o seguinte: ● Discorda da fiscalização em alegar que alguns recibos juntados pela Recorrente não atendem aos requisitos da legislação, pois não discriminam o beneficiário dos serviços prestados; ● Alega que os recibos ou notas fiscais anexados,contém; o nome completo do prestador dos serviços, o CPF ou CNPJ do prestador, o endereço do prestador dos serviços, a pessoa beneficiária dos serviços e a discriminação do tipo de serviço. ● Argumenta que todos os recibos ou nota fiscal glosados de despesas médicas,Odontológica e Plano de Saude, estão de acordo com a Legislação Tributrária. ● Juntou diversos documentos dos profissionais que prestarem serviços. ● Que agiu de boafé por isso não pode ser penalizado em razão de falta de preenchimento de parte documentos pelo prestador de serviços como também do plano de saúde SERCON e UNIMED Goiania. ● Transcreveu diversas ementas CARF; ● Ao final requer a procedencia do presente recurso voluntário. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, convém ressaltar que, em 14/08/2012, foi proferido o Acórdão nº 2801002.612 – Desta Turma Especial CARF, que afastou a intempestividade da impugnação. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801003.302 S2TE01 Fl. 139 5 A Controvérsia cingese na glosa de despesas médicas no valor de R$ 23.636,04, por falta de comprovação dos beneficiários das referidas despesas, dos profissionais discriminados a seguir: Bruna Drummond de Azevedo Coutinho 3.400,00 José Nildo Alves de Araújo 1.274,00 Silvia Garcia Magalhães 3.000,00 Renata Schreiber 4.000,00 Caroline Vilera 5.000,00 UNIMED Goiania 6.812,04 UTI Móvel 150,00 total 23.636,04 Convém destarcar que, a DRJ em sua decisão restabeleceu as despesas médicas com os profissionais Jaime Jorfe Murad no valor de R$ 1.600,00, Elaine G.de Andrade Rosa no valor de R$ 2.100,00 e CWA Serviços Médicos S/C Ltda no valor de 250,00. . Como sabese, um dos requisitos formais da comprovação das despesas médicas exigidos pela legislação tributária encontramse previstos no inciso II, do § 1o, do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n. 3000, de 26 de Março de 1999, ( RIR/1999 ), nos seguintes termos: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei 9.250, de 1995, art. 8o, inciso II, alínea “a”) § 1o. O disposto neste artigo (Lei 9.250, de 1995, art. 8o § 2o). (....) II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e de seus dependentes. (...) A leitura do trecho em destaque revela que um dos requisitos formais necessários à dedução de despesas médicas é o seguinte: que no recibo de pagamento conste o nome do beneficiário da despesa médica. Os recibos das despesas médicas como também o Plano de Saúde UNIMEDGoiania e UTI Móvel, não constam os nomes dos beneficiários destes serviços, o que significa dizer que tais recibos não estão revestidos das formalidades legais necessárias a dedução das respectivas despesas na declaração de ajuste anual. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.006539/200914 Acórdão n.º 2801003.302 S2TE01 Fl. 140 6 Portanto, entendo que as deduções com despesas médicas no valor de R$ 23.636,04, devem ser glosadas, haja vistas que, não atendem as exigências do inciso II, art. 8o, da Lei 9.250/1995. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 19647.003715/2010-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE AUTUADO.
Nos processos em que haja mais de uma pessoa autuada, é nula a decisão da DRJ que deixa de apreciar impugnação de um dos autuados.
Numero da decisão: 3403-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, considerando prejudicada a análise do recurso de ofício.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, considerando prejudicada a análise do recurso de ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE AUTUADO. Nos processos em que haja mais de uma pessoa autuada, é nula a decisão da DRJ que deixa de apreciar impugnação de um dos autuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, considerando prejudicada a análise do recurso de ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 37 15 /2 01 0- 27 Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre Autos de Infração (respectivamente, às fls. 6 a 12, 13 a 20, 21 a 27, e 28 a 34)1 lavrados para exigência de: (a) imposto de importação (R$ 2.509,80), acrescido de juros de mora (R$ 1.559,58), multa de ofício de 150% (R$ 3.764,70) e multa por infração administrativa ao controle das importações (R$ 464.386,81); (b) IPIimportação (R$ 9.337,94), acrescido de juros de mora (R$ 5.874,06), multa de ofício de 150% (R$ 14.006,91) e multa sobre o valor comercial (R$ 2.488.029,62); (c) COFINSimportação (R$ 48.063,02), acrescida de juros de mora (R$ 30.235,97), e multa de ofício de 150% (R$ 72.094,53); e (d) Contribuição para o PIS/PASEPimportação (R$ 10.434,72), acrescida de juros de mora (R$ 6.564,36), e multa de ofício de 150% (R$ 15.652,08). A autuação deriva de fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 24.073.694/000155, em conluio com a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA, CNPJ 01.732.373/000110, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação de OPERAÇÃO DILÚVIO. São ainda sujeitos passivos indicados na autuação: MARCO ANTONIO MANSUR, CPF no 365.153.45968; MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, CPF no 256.747.26817; ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES, CPF no 020.938.45733; e ALESSANDRA SALEWSKI, CPF no 103.112.92860. Narra a fiscalização que o importador (MERCOTEX), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI (Declaração de Importação) no 05/02719146 (adições 001 e 002), submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real da transação. E que, conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos, nas DI no 05/01986515 (adições 001 e 002), no 05/02719146 (adições 001 e 002), e 05/02867250 (adição 001). No que se refere ao IPIimportação, à COFINSimportação, e à Contribuição para o PIS/PASEPimportação, as DI autuadas, também por valor declarado abaixo do valor real da transação, mediante conluio, foram as de no 05/01986515 (adições 001 e 002), no 05/02719146 (adições 001 e 002), e 05/02867250 (adição 001). Ainda em relação à legislação que rege o IPIimportação, destacase que os produtos importados irregular e fraudulentamente foram todos entregues à CIL, real adquirente das importações, que permanecia oculta durante as transações. Esta, por sua vez, efetuou o consumo ou a entrega para tal das mercadorias que sabia serem importadas irregularmente, pois tivera participado de toda a simulação praticada desde o inicio. No Relatório de Fiscalização (fls. 38 a 120), narrase que: (a) a investigação realizada pela Receita Federal (RF), em conjunto com a Policia Federal (PF), tem por foco uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, denominada na operação de “Grupo MAM”, e que se dedicava à prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, e resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos “produtos dos crimes” realizados; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.003715/201027 Acórdão n.º 3403002.632 S3C4T3 Fl. 952 3 (b) os procedimentos de investigação da OPERAÇÃO DILÚVIO tiveram seu inicio em 2005 e culminaram com a deflagração da parte ostensiva da operação em mais de 100 endereços comerciais e residenciais, nos quais foram localizados e apreendidos documentos/arquivos magnéticos comprobatórios das fraudes praticadas, com autorização judicial (a maioria dos documentos e arquivos foram apreendidos em 16/08/2006 pela PF, em cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão MBA emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR); (c) o Grupo MAM consiste em um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, que atuavam de forma dissimulada como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais interessados pelas operações (estes sim, reais adquirentes que compravam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como tal, tampouco como importadores, perante os controles administrativos e aduaneiros); (d) os controladores desta organização, ou seja, MARCO ANTÔNIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (MARQUITO), ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (TONY), e ALESSANDRA SALEWSKI, e seus gerentes operacionais determinavam todos os procedimentos, tais como: a forma de embarque das mercadorias; como os documentos deveriam ser emitidos (quando não eram eles mesmos que os emitiam); como seria elaborada a Declaração de Importação; como seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizadas no fluxo, até que a mercadoria fosse colocada à disposição do cliente, proporcionando amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização; (e) na figura a seguir (fl. 49) se demonstra graficamente o esquema fraudulento: (f) e, no esquema a seguir (fls. 49 a 51), demonstra as etapas do fluxo de mercadorias e do fluxo financeiro: Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.003715/201027 Acórdão n.º 3403002.632 S3C4T3 Fl. 953 5 (g) as importadoras utilizadas pelo Grupo MAM (tradings como a MERCOTEX DO BRASIL LTDA, D Opus, Mercotex, DHi Tech e Borgtec), em comum, tinham quadro societário composto por interpostas pessoas, sem capacidade econômicofinanceira ou empresas sediadas em paraísos fiscais; não comprovação da origem e integralização do capital social; ausência de bens ou qualquer outro ativo imobilizado; quadro de funcionários reduzido e ausência de capacidade operacional; não pagamento de tributos no mercado interno (somente existem recolhimentos de tributos aduaneiros, necessários para o desembaraço das mercadorias); e controle de fato exercido pelo Grupo MAM, nas pessoas de MARCO ANTÔNIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (MARQUITO), ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (TONY), e ALESSANDRA SALEWSKI; (h) Sobre a participação das empresas, a fiscalização esclarece (fls. 56 a 67) que: a. a CIL COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA, importador de fato dos produtos vindos do exterior, com patrimônio que cresceu 222% de 2001 a 2005, em grande parte por causa das importações, Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 jamais se submeteu a procedimento de habilitação perante a Receita Federal para operar no comércio exterior, o que implica dizer que não poderia atuar de forma alguma neste tipo de comercialização, seja como importadora direta, seja como adquirente (por sua conta e ordem) por intermédio de pessoa jurídica importadora, ou ainda como encomendante predeterminada; b. a empresa Feca Internacional Corporation (principal exportador utilizado pelo Grupo MAM), foi constituída com capital de U$ 50,00 (cinquenta dólares norteamericanos), sediada em Miami, e tendo como presidente o Sr. Adilson Tadeu Soares, que informava possuir o mesmo endereço da empresa no exterior; c. a importadora MERCOTEX DO BRASIL LTDA, após diversas alterações de endereço, está situada em Maringá, onde ocupa uma sala na qual ainda funciona a empresa OpusTrading América do Sul Ltda, também vinculada ao Grupo MAM, e em cujo quadro societário figurava a MERCOTEX, com 99,99% de participação (de 07/06/2002 a 04/02/2005), e tem em seu quadro societário o Sr. Joachim Otto Johannes Niemz (de nacionalidade alemã e cidadania paraguaia), com 99,99%, e o Sr. Wesley Macedo de Sousa (0,01%), que declarou rendimentos brutos anuais inferiores a R$ 17.000,00 até 2005 (a análise exaustiva de diversos emails trocados por algumas das pessoas envolvidas na organização demonstraram claramente que a MERCOTEX é efetivamente gerida e administrada por MARCO ANTONIO MANSUR e seu filho MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (MARQUITO), este, inclusive, utilizando como um de seus endereços na internet marco@mercotex.com.br); d. as distribuidoras, no esquema, eram a Control Comércio Exterior LTDA (inapta no CNPJ, com 99% de participação de empresa uruguaia, mas que era controlada pelo Grupo MAM, conforme comprovado por escutas telefônicas legalmente autorizadas, era responsável pela emissão das notas fiscais), e a Lansaret Comércio de Informática LTDA (inapta no CNPJ, por inexistência de fato, com sede em Maringá, no mesmo edifício da MERCOTEX, Opus e Boski, e quadro societário composto por duas empresas uruguaias, embora também tenha restado comprovado pelas escutas telefônica autorizadas que é gerida pelo Grupo MAM, e tinha o papel de fornecedor de documentos), enquanto que a empresa responsável pela assessoria e controle das informações no Brasil era a Interlogistic Consultoria Empresaria LTDA (registrada com CNAE de “atividades técnicas relacionadas à arquitetura”, e tendo em seu quadro societário ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES, que a comandava, e figura em diversas empresas do Grupo MAM, a empresa acompanhava os despachos de importação de empresas do grupo) e, em Miami, a empresa In Time Shipping Logística (com mesmo endereço do exportador “Feca Internacional); (i) como forma de permanecer oculta durante as operações de importação, a empresa CIL “contratava” os serviços do Grupo MAM, que, por sua vez, Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.003715/201027 Acórdão n.º 3403002.632 S3C4T3 Fl. 954 7 disponibilizava a empresa MERCOTEX para realizar as importações de interesse da CIL como sendo importações por conta própria ou por conta e ordem de outra empresa do grupo. Posteriormente, as mercadorias eram “comercializadas” para as empresas distribuidoras do Grupo, como a “Lansaret” e a “Control” (às fls. 68 a 71, explicase com maiores detalhes o modus operandi no esquema fraudulento, indicandose os elementos probatórios utilizados); (j) na comprovação da participação das pessoas físicas MARCO ANTONIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES, e ALESSANDRA SALEWSKI, acrescentase ainda excerto da denúncia oferecida pelo Ministério Público na ação judicial correspondente (fl. 73); (k) assim como a prática da simulação, realizada conjuntamente pelos autuados, também conjunta é a responsabilidade pelos tributos sonegados e pelas infrações praticadas, conforme detalha a fiscalização às fls. 73 a 82; (l) havendo fraude, sonegação e conluio (como no caso, acrescentandose que as informações prestadas nas DI pela importadora não refletem a realidade das operações comerciais efetuadas), a valoração aduaneira é efetuada conforme as disposições do art. 88 da MP no 2.15835/2001; (m) ocorreu subfaturamento nas DI no 05/01986515 (adições 001 e 002 cf. fls. 101 a 108), no 05/02719146 (adições 001 e 002 cf. fls. 108 a112), e 05/02867250 (adição 001 cf. fls. 112 a 114); (n) as considerações expostas e os elementos probatórios apresentados permitem concluir que a CIL atuou como verdadeiro comprador nas operações de importação analisadas no presente processo, feitas pela MERCOTEX, sem sequer ser habilitada para operar no comércio exterior, tendo agido em conluio com os componentes do Grupo MAM, sob o comando de MARCO ANTONIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES, e ALESSANDRA SALEWSKI. ALESSANDRA SALEWSKI, ciente da autuação em 28/04/2010 (AR à fl. 419), apresenta a impugnação de fls. 424 a 451, na qual alega que: (a) as três declarações de importação objeto do procedimento fiscal (registradas em 25/02, 16/03 e 21/03/2005) já estão alcançadas pela decadência, cf. regra do art. 150, § 4o do CTN, pois não foi comprovado dolo, fraude ou simulação; (b) não há nos autos documentos que comprovem qualquer relação da impugnante com quaisquer pessoas jurídicas mencionadas no “Relatório de Auditoria”; (c) em diversos tópicos da autuação mencionamse trocas de email e escutas telefônicas exaustivamente analisadas, mas as referidas interceptações telefônicas não foram transcritas ou mesmo identificadas para que a impugnante pudesse ter ciência/acesso ao conteúdo, o que prejudica o exercício de seu direito de defesa; e (d) o Auto de Infração é de todo nulo, pois sua base foi calcada em prova obtida em desacordo com a legislação vigente, conforme de depreende da decisão proferida pelo STJ no HC no 142.045/PR (que tem como pacientes MARCO ANTONIO MANSUR e MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO), no qual se declara a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos (certidão de julgamento anexa) na operação DILÚVIO; (e) o Relatório Fiscal não Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 individualiza a conduta que é atribuída à impugnante ou a qualquer outra pessoa física ou jurídica considerada responsável solidária; (f) não foi respeitado o prazo para conclusão da conferência aduaneira; (g) aos responsáveis solidários elencados no auto de infração foi imputado o valor total da multa aplicada à empresa autuada, o que não pode ser admitido em razão da aplicação do artigo 33 da Lei no 11.488/2007 ao caso; e (h) a aplicação da multa de 150% não teve qualquer critério lógico, e se encontra dissonante da nova posição do STF. Solicita ainda perícia contábil para demonstrar a incompatibilidade do valor apurado entre as DI objeto desta autuação e os valores lançados no memorial de cálculos. A empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA apresenta a impugnação de fls. 490 a 533, em 02/05/2010, na qual sustenta que: (a) é empresa estabelecida há mais de 10 anos no ramo de importação e exportação; (b) em relação às 3 DI objeto do procedimento fiscal, operou a decadência, devendo ainda ser observado o disposto nos arts. 44 e 54 do DecretoLei no 37/1966; (c) ainda em relação às DI, foram registradas pela empresa como mera prestadora de serviços, pois a importação foi por conta e ordem de empresa sequer citada no relatório fiscal; (d) não houve qualquer conduta dolosa por parte da impugnante; (e) o procedimento de valoração aduaneira adotado distanciouse do estabelecido no Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (AVAGATT); (f) há dupla penalização pela mesma conduta (“bis in idem”), aplicandose multa de 150% em relação à diferença de tributos a recolher, mais 100% da diferença entre os valores declarados e arbitrados, quando o correto, se fosse o caso, seria aplicar apenas multa sobre a diferença de tributos devidos. A empresa CIL COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA apresenta sua impugnação de fls. 551 a 584, em 26/05/2010, argumentando que: (a) não há nada que possa servir de sustentáculo para as especulações efetuadas no Relatório de Auditoria; (b) nenhuma falha foi apurada na contabilidade ou nos registros fiscais da empresa; (c) as importações que deram azo à autuação representam menos de 0,5% do total de aquisições da impugnante em 2005; (d) injustificadamente, não são indicados na autuação todos os pretensos envolvidos na operação relatada pelo fisco, mas tãosomente a impugnante, a MERCOTEX e pessoas físicas, o que gera nulidade absoluta, por infringência ao art. 142 do CTN e aos arts. 10, I, III, IV e V do Decreto no 70.235/1972; (e) não há como saber se os elementos utilizados nesta fiscalização têm como fonte as ordens judiciais emanadas pela Justiça Federal, visto que tais peças não existem nos autos; (f) ainda que houvesse ordem judicial para apreensão, não consta autorização para compartilhamento pela Receita Federal de tais informações colhidas pela Polícia Federal na “Operação DILÚVIO”; (g) houve decadência em relação às três DI tratadas nestes autos, seja no que se refere a crédito tributário ou a multas administrativas; (h) houve indevida aplicação da multa igual ao valor da mercadoria (art. 83, I da Lei no 4.502/1964); (i) com o arbitramento perpetrado pelo fisco, houve violação ao AVAGATT; e (j) não há motivação para a qualificação das multas, pois não houve dolo, fraude ou outro ilícito penal qualquer. MARCO ANTÔNIO MANSUR e MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO protocolizam suas impugnações em 25/05/2010, respectivamente às fls. 599 a 644, e 655 a 698, basicamente reiterando as alegações referentes a decadência; falta de comprovação do alegado no relatório fiscal; ilegalidade das provas obtidas em face do julgamento, pelo STJ, do HC no 142.045/PR; extrapolação do prazo para conclusão da conferência aduaneira; impossibilidade de exigência da multa por subfaturamento (100%), em face do artigo 33 da Lei no 11.488/2007; e falta de critério na aplicação das multas de 150%. Acrescentam ainda argumento pela impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em sede administrativa, e requerem perícia, com a mesma finalidade da referida na impugnação de ALESSANDRA SALEWSKI. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.003715/201027 Acórdão n.º 3403002.632 S3C4T3 Fl. 955 9 Por fim, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES apresenta sua impugnação em 26/05/2010 (fls. 709 a 716), sustentando que houve erro na identificação do sujeito passivo, não existindo qualquer prova de sua participação nas condutas relatadas pelo fisco, e que não se aplica a multa de 100% (art. 83, I da Lei no 4.502/1964), por haver penalidade mais específica (perdimento), sendo que o artigo 33 da Lei no 11.488/2007 passou a ser a penalidade aplicável, se houver ocorrido ocultação. Em 03/03/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 721 a 753), no qual se decide pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, excluindo da sujeição passiva a empresa CIL COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA, e as pessoas físicas (MARCO ANTONIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES e ALESSANDRA SALEWSKI), por falta de provas, e em virtude do decidido no HC no 142.045/PR, restando apenas no polo passivo a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA, por figurar nos autos como importadora, ainda assim, em relação a parte do crédito lançado, visto ter a DRJ afastado a aplicação da multa por infração administrativa ao controle das importações (R$ 464.386,81) e a multa sobre o valor comercial (R$ 2.488.029,62). Em razão da exclusão, há Recurso de Ofício. Após as notificações sobre o resultado do julgamento de primeira instância (fls. 776/854/860, 779, 781, 783, 785, 787), a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA (ciente em 02/11/2011, cf. AR de fl. 779) apresenta, em 07/11/2011 (fls. 789 a 795), documento intitulado de “embargos de declaração”, no qual identifica omissão no acórdão proferido pela DRJ, que nenhuma palavra tece sobre a impugnação apresentada pela empresa, ferindose o direito a ter a impugnação analisada, consagrado pelo art. 31 do Decreto no 70.235/1972, e pelos arts. 2o e 50 da Lei no 9.784/1899. Observa ainda existir, no mesmo acórdão, contradição, por julgar ilícitas as provas para os demais impugnantes, provas essas que embasam a autuação também contra a empresa MERCOTEX, sendo contraditório que as mesmas provas sejam ilícitas apenas para parte dos sujeitos passivos. A DRJ se manifesta sobre os “embargos” em 09/04/2012 (fls. 863 e 864), informando que não houve inexatidão material devida a lapso manifesto, nem erros de escrita, nem erros de cálculo na decisão (o que permitiria a correção pela DRJ com amparo no art. 32 do Decreto no 70.235/1972, e no art. 27 da Portaria MF no 341/2011). Solicita, por fim, ciência do despacho à empresa (o que ocorre em 20/06/2012, cf. AR à fl. 866), e que, “pela informalidade moderada e fungibilidade que norteiam o processo administrativo”, os embargos “sejam considerados como recurso tempestivo ao CARF”. Em 05/07/2012 o processo é encaminhado ao CARF, pelo despacho de fls. 937/938. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 Presentes os pressupostos para análise do recurso de ofício, cabe, de início, tecer considerações sobre a acolhida da peça recursal da empresa, na forma proposta pela DRJ. A peça foi originalmente protocolizada como “embargos de declaração” da decisão da DRJ, que, ao mesmo tempo em que se limitou a afirmar não deter competência para refazimento de seus julgados (exceto na situação descrita no art. 32 do Decreto no 70.235/1972, que não se apresentava nos autos), propugnou em despacho pelo encaminhamento da peça a este CARF como recurso voluntário. A empresa não apresenta, nem antes nem depois da ciência de tal despacho, um recurso voluntário. Assim, acolhendo a proposta do julgador a quo, passo a tratar da peça denominada de “embargos de declaração” como recurso voluntário. Sobre a apontada omissão, há que se confirmar que realmente a DRJ não faz menção alguma à impugnação da empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA, protocolizada em 02/05/2010 (fls. 490 a 533). A omissão começa pelo relatório, que trata, nas fls. 723 a 730, da autuação; nas fls. 730 a 734, da impugnação da empresa CIL COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA; na fl. 734, das impugnações de ALESSANDRA SALEWSKI, MARCO ANTONIO MANSUR e MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO; e na fl. 735, da impugnação de ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES. E se estende pelo voto, pois, embora existissem várias alegações comuns entre os impugnantes, não são apreciados os argumentos levantados exclusivamente pela MERCOTEX (como o de que atuava como mera prestadora de serviços). E entre os argumentos comuns levantados, alguns parecem ter se estendido a todos os impugnantes, exceto à MERCOTEX. É nesse ponto que a “recorrente” identifica contradição. Para verificar se houve efetivamente contradição, é preciso buscar identificar a linha mestra do voto condutor do acórdão de primeira instância, o que aqui se empreende inicialmente a partir de excertos do citado voto: “(...) De fato, conforme se observa nos autos, quase todos, senão todos, os documentos apresentados pela fiscalização para sustentar o auto de infração, e o seu entendimento das responsabilidades, são simples cópias de documentos supostamente apreendidos na "Operação dilúvio." Deste modo, é de se entender que as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente fiscal por meios lícitos; comprometendose, desta forma toda a fiscalização. Também é de se entender que a falta de tradução de documentos em língua estrangeira, em última análise, fere o direito a ampla defesa do contribuinte; na medida em que se exige do mesmo (sic) o conhecimento em língua estrangeira que este não está obrigado a ter. (...) De fato, o meu entendimento corrobora com o entendimento do Ministro Nilson Naves e do Ministro Og Fernandes em seus Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.003715/201027 Acórdão n.º 3403002.632 S3C4T3 Fl. 956 11 votos no HC n°142.045. "(...) é que toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas/telemáticas, seja, também, considerada ilícita tal o procedimento formulado na impetração)." Ao meu ver, a Fiscalização equivocouse, quando traz ao do presente processo, provas imprestáveis para a sua convicção dos supostos envolvidos. (...) Mesmo achando que toda a prova decorrente da quebra das interceptações telefônicas são ilícitas (sic), e que estas transcrições por si, não induzem a crime, foram trazidas ao processo transcrições telefônicas e telemáticas, antes da primeira interceptação autorizada que é do dia 25/05/2005, implicitamente entendido, como a data inicial da autorização judicial. Além de que a maioria dos emails estão em língua estrangeira sem tradução para a língua portugues(sic). (...) A fiscalização, além da ilegalidade da prova trazida, mesmo considerando que fosse legal a referida prova, ela mesma admiti (sic) que não bate (sic) os supostos valores combinados entre os supostos envolvidos, portanto, não tem valor probante. (sic) (...)” (grifos nossos) Pelo reproduzido, o voto condutor inequivocamente rejeita as provas obtidas por meio ilícito, provas essas que não se prestavam unicamente a vincular os sujeitos passivos, mas a confirmar o modus operandi para a prática de fraude/sonegação/conluio (necessária à qualificação da multa) e a prática de subfaturamento. Ao que parece, o voto só não acolhe a argumentação da MERCOTEX porque efetivamente não a analisa. Em outras palavras, a omissão identificada algumas linhas atrás acabou servindo de base também à contradição. Há ainda um parágrafo ao final da fl. 738 (e início da fl. 739) do voto condutor, talvez inserido por engano, que parece contradizer a conclusão expressa no acórdão, pela manutenção da multa de ofício qualificada: “Diante deste contexto, corroboro com a Fiscalização no processo n°. 10480723631201089 que não considerou a suposta com multa qualificada, deixo, portanto, de considerar na suposta infração administrativa o cunho penal, ou seja, improcede a qualificação da multa, pela ausência de dolo, fraude o que descabe a representação fiscal par fins penais. Argumento procedente.” As contradições no acórdão podem ser objeto de análise por este CARF em sede de recurso voluntário, pois, como insinuou o próprio julgador a quo, ao encaminhar o tema ao CARF, versam sobre entendimento a respeito do conteúdo do julgado. Contudo, a omissão (deixar de analisar a impugnação de uma das empresas, exatamente aquela que acaba sendo a única em relação à qual se mantém a autuação) é motivo ensejador de nulidade por cerceamento de defesa, na dicção do art. 59, II do Decreto no 70.235/1972. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 Deve, assim, ser anulada a decisão de primeira instância, incumbindo ao julgador de piso tomar em conta ao menos a omissão aqui apontada em seu novo julgamento. Diante do exposto, voto no sentido anular a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, restando prejudicada a análise do recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10880.027056/99-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 04/10/1989 a 08/01/1992
FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MAJORAÇÕES DA ALÍQUOTA. DIREITO CREDITÓRIO. CÁLCULO.
O cálculo do montante do crédito decorrente da inconstitucionalidade das majorações da alíquota do Finsocial exige a aplicação da alíquota de 0,5% seja para fins de apuração do crédito a compensar, seja para fins de determinação de eventuais débitos em caso de recolhimento a menor.
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RESOLUÇÃO N° 561 DO CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 3201-001.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Adriene Maria Miranda Veras que dava provimento. Na questão dos expurgos inflacionários, vencido o conselheiro Joel Miyazaki que negava provimento.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 04/10/1989 a 08/01/1992 FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MAJORAÇÕES DA ALÍQUOTA. DIREITO CREDITÓRIO. CÁLCULO. O cálculo do montante do crédito decorrente da inconstitucionalidade das majorações da alíquota do Finsocial exige a aplicação da alíquota de 0,5% seja para fins de apuração do crédito a compensar, seja para fins de determinação de eventuais débitos em caso de recolhimento a menor. FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RESOLUÇÃO N° 561 DO CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Adriene Maria Miranda Veras que dava provimento. Na questão dos expurgos inflacionários, vencido o conselheiro Joel Miyazaki que negava provimento. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 70 56 /9 9- 65 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 657 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. 4. O processo em exame originouse de pedido de restituição de Finsocial formulado pela interessada na fi. 1 em 15/09/1999, no qual pleiteia a repetição de parte dos recolhimentos feitos em nome da matriz e de uma filial no período de 04/10/1989 a 08/01/1992, alegando que o suposto indébito se deve à inconstitucionalidade dos diplomas legais que aumentaram a alíquota dessa contribuição, originalmente fixada em 0,5%. 5. A empresa apresentou ainda, vinculandoos a esse pedido, diversos pedidos de compensação (fis. 2, 74, 77, 80, 82, 85, 90 e 93). 6. Indeferido o pleito pela Divisão de Tributação da antiga DRF/SPO (fi. 99) e confirmada a decisão por esta Turma de Julgamento, em sessão realizada em 21/11/2001 (fis. 125/131), recorreu a Interessada ao então Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), que, em acórdão de 06/11/2003 (fis. 193/224), afastou a preliminar de decadência argüida nas decisões anteriores, devolvendo os autos para apreciação do mérito. 7. Tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional interposto recurso especial de divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negoulhe provimento em 13/02/2007 (fis. 323/341), mantendo o acórdão recorrido. 8. Em despacho decisório de 03/12/2010 (fls. 493/496), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de restituição e homologou os pedidos de compensação — convertidos em declarações de compensação nos termos da lei n° 10.637/2002 — até o limite do direito creditório reconhecido. 9. Inconformada, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade anexa às fis. 510/522, cujo teor resumo a seguir, fazendoa acompanhar de alguns documentos (fis. 523/539). Resumo 9.1 Alega inicialmente que os cálculos não foram incluídos na intimação enviada à empresa, de modo que se viu obrigada a tomar vistas do processo a fim de obter cópias deles. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 658 3 9.2 Acoima de incompreensíveis as planilhas das fis. 488/492 verso, nas quais não verifica "compatibilidade entre os valores de pagamento excedente de FINSOCIAL formadores do crédito e aqueles considerados nos cálculos"(fl. 512). 9.3 Cita como exemplo a competência de setembro de 1989, observando constar na fi. 491 que o saldo do pagamento de NCz$ 25.643,13 seria de apenas NCz$ 2.081,63, quando — considerada a alíquota de 0,5% (o pagamento foi feito com a alíquota de 1%) — o saldo credor correto seria de NCz$ 12.821,56. 9.4 Afirma que tais distorções se repetiram ao longo dos cálculos, inviabilizandolhes a compreensão e análise, o que tornou "ausente a adequada motivação do despacho decisório, no quanto alcançou um valor creditício de apenas R$ 174.564, 01 em montantes de dezembro de 1995"(fl. 512). 9.5 Salienta a "necessidade de que novos cálculos de transparente compreensão, sejam apresentados" (fi. 512), passando a transcrever jurisprudência administrativa relativa a preterição do direito de defesa e nulidade (fls. 512/513), bem como alguns excertos de doutrina que versam sobre a motivação dos atos administrativos (fis. 513/514). 9.6 Reitera a necessidade de refazer os cálculos considerando todos os valores excedentes à alíquota de 0,5%, visto que aparentemente apenas parte dos excedentes foi considerada. 9.7 Referindose ao item 26 do despacho decisório (fl. 495), em que se faz menção ao cálculo de "eventuais multas e juros", observa que os pagamentos indevidos quase sempre foram feitos antes do vencimento, como se vê nas fis. 487/488, de modo que não há que "falar nesses casos em multa e juros"(fl. 515). 9.8 Quanto aos débitos cuja compensação deseja ver homologada, assinala haver apresentado os pedidos de compensação antes ou na própria data de vencimento, "o que impede considerar multa e juros sobre os débitos"(fl. 515). 9.9 Condena o que chama de "utilização de índices expurgados de atualização monetária" (fi. 515), fato a seu ver implícito na seguinte frase do despacho decisório: "Os valores recolhidos indevidamente foram atualizados monetariamente de acordo com os mesmos índices que a RFB aplica a seus créditos'. 9.10 Alega que, aparentemente, conforme se vê na fl. 490, "no tocante aos pagamentos feitos em 1991, e até o início de 1992 (fis. 490 e seguintes), sequer foi feita qualquer atualização monetária, isso quando o índice mensal de inflação era da ordem de vinte por cento ao mês!"(fl. 515) 9.11 Requer o afastamento dos expurgos, bem como a aplicação dos índices de correção monetária que enumera nas fis. 515/516 (item 24, letras "a" a "f") e o acréscimo de juros de mora pela Fl. 658DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 659 4 SELIC a partir de 1 ° de janeiro de 1996, nos termos do a rt. 39, § 4°, da lei n° 9.250/95. 9.12 Assevera que o despacho decisório se limita a afirmar existente certo saldo credor em reais em 31/12/1995, sem esclarecer "os índices de atualizarão do crédito desde então"(fi. 516) 9.13 Transcreve a seguir duas súmulas do STJ pertinentes à atualização monetária (fi. 516), assim como farta jurisprudência desse tribunal relativa aos expurgos inflacionários (fis. 516/521), citando ainda sobre o mesmo tema um julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fi. 521) e outro do antigo 3° Conselho de Contribuintes (fis. 521/522). 9.14 Em arremate a suas considerações, requer que "sejam refeitos os cálculos sanandose os equívocos contidos nas planilhas de fig. 488 a 492verso (os quais foram acima indicados), inclusive com clara explicitarão da metodologia de cálculos empregada" (fi. 522), salientando a necessidade de afastar os expurgos inflacionários mediante a utilização dos índices de inflação e de juros já mencionados. 10. Segundo informações contidas no despacho anexo à fi. 543, antes de encaminhar os autos a esta DRJ, a autoridade preparadora procedeu ao cálculo das compensações de acordo com o despacho decisório (fis. 540/541) e incluiu o resultado assim obtido no processo n° 10880.725189/201101, a este vinculado, cujo extrato se acha na fi. 542 (frente e verso). Em consulta ao sistema SIEFWEB, apurei que o referido processo ainda se encontra nas dependências da DERAT. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 04/10/1989 a 08/01/1992 PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. DISTINÇÃO Embora constituam ambos formas de extinção do crédito tributário, o instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendose por normas distintas. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DE PAGAMENTOS As normas que disciplinam a imputação proporcional de pagamentos não prevêem a atualização monetária destes últimos, mas apenas dos débitos. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO Fl. 659DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 660 5 Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 12, I e II, do Decreto no 7.574, de 29 de setembro de 2011. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Aduz que o despacho decisório não faz nenhuma menção ao artigo 173 do CTN, ou sobre a imputação proporcional dos pagamentos, citados no acórdão recorrido, o que resultaria em cerceamento ao seu direito de defesa. Ressalta não ter sido intimado para se manifestar sobre a imputação. Afirma ainda ter ocorrido a imputação de créditos com débitos não constituídos, após transcorrido o prazo decadencial. Contesta ainda a base de cálculo adotada pelo fisco para apuração do valor devido de finsocial. Solicita a exclusão dos expurgos inflacionários. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No tocante aos argumentos da recorrente referentes a existência de um cerceamento em seu direito de defesa, a análise do despacho decisório, bem como dos cálculos procedidos pela autoridade fiscal, demonstram que foram incluídas todas as informações necessárias ao entendimento dos motivos pelos quais não foi concedido todo o valor pleiteado. Como exemplo, transcrevo trecho extraído do despacho decisório: [...] 24. Conforme mencionado anteriormente, o contribuinte atendeu ao Termo de Intimação supracitado e aduziu elementos suficientes para a comprovação do crédito alegado e para a verificação da regularidade das compensações efetuadas. 25. As bases de cálculo utilizadas para a determinação do valor a compensar foram confirmadas nos livros fiscais (planilha a fl. 486). Os recolhimentos efetuados por meio de DARF foram confirmados no SINCOR e nas microfichas e a relação encontrase às fis. 487/488 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 661 6 26. A apuração do indébito tributário foi efetuada por meio do sistema CTSJ (crédito Tributário Sub júdice), homologado pela RFB, imputandose os pagamentos e realizando a consolidação dos débitos e créditos do contribuinte, isto é, o cotejo entre a data do pagamento e a do vencimento, calculando eventuais multas e juros, aplicando as alíquotas pertinentes às bases de cálculo e por fim, realizando o encontro de contas entre valor recolhido e o devido determinando o detentor do débito e do crédito na relação. 27. Os valores recolhidos indevidamente foram atualizados monetariamente, de acordo os mesmos índices que a RFB aplica aos seus créditos, assim após o confronto dos débitos e pagamentos do período compreendido de 09/89 a 12/91, conclui se há um saldo credor de R$ 174.564,01 (cento e setenta e quatro mil, quinhentos e sessenta e quatro reais, e um centavo) atualizado até 31.12.1995. 28. Importante ainda destacar que a análise do presente processo realizouse com os documentos contidos no mesmo e informados pelo contribuinte. [...] Constatase ainda que os cálculos foram devidamente explicitados nos demonstrativos de fls. 522 a 529. Em relação ao acórdão recorrido ter inovado na fundamentação do despacho decisório, não observo nenhuma informação nova capaz de ensejar na nulidade do ato. A decisão esclareceu à recorrente a forma como foram procedidos os cálculos, todavia todas as informações já se encontravam presentes no despacho decisório e nos demonstrativos que o acompanham. O próprio procedimento de imputação proporcional encontrase devidamente informado no despacho decisório: A apuração do indébito tributário foi efetuada por meio do sistema CTSJ (crédito Tributário Sub júdice), homologado pela RFB, imputandose os pagamentos e realizando a consolidação dos débitos e créditos do contribuinte, isto é, o cotejo entre a data do pagamento e a do vencimento, calculando eventuais multas e juros, aplicando as alíquotas pertinentes às bases de cálculo e por fim, realizando o encontro de contas entre valor recolhido e o devido determinando o detentor do débito e do crédito na relação. Esclarecese ainda que a recorrente foi intimada para apresentar os cálculos de seu direito creditório, bem como anexar documentos suficientes para comproválo. Já o resultado do cálculo de seu saldo credor, promovido por meio do procedimento de imputação dos pagamentos com seus débitos, calculados à alíquota de 0,5% sobre a base de cálculo informada, foi informado no despacho decisório, devidamente contestado pela recorrente. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Em relação ao questionamento da contribuinte sobre os valores referentes a base de cálculo adotadas no cálculo, constatase que a recorrente foi intimada para apresentar Fl. 661DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 662 7 os valores que entendia ter direito, bem como que estes foram confirmados nos livros fiscais e adotados no cálculo de seu direito creditório. Insubsistente, portanto, a alegação da recorrente, tendo em vista terem sido utilizadas as informações prestadas pela própria recorrente a respeito das bases de cálculo a serem consideradas nos cálculos. No tocante a citada imputação proporcional, o direito creditório da recorrente tem por base decisão do STF, no âmbito do controle difuso, que declarou a inconstitucionalidade das normas que majoraram a alíquota da Contribuição para o Finsocial, afastando a exigência do adicional para as empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, mantendo a alíquota de 0,5%. Esta decisão do STF, que inicialmente vinculava apenas as partes, foi posteriormente ampliada para todos os contribuintes por meio da edição e publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 30/8/95, atualmente Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Ressaltase que foi reconhecida a inconstitucionalidade apenas em relação as majorações da alíquota, de forma que permanece devida contribuição, com a alíquota de 0,5%. O direito creditório, portanto, não abarca todos os valores recolhidos pelos contribuintes referentes ao Finsocial, mas apenas aqueles valores pagos em montante superior ao devido, considerandose a alíquota de 0,5%. Disso decorre que, seja para fins de apuração do crédito a compensar da recorrente, seja para fins de determinação de eventuais débitos em caso de recolhimento a menor, deve ser aplicada a alíquota de 0,5 % incidente sobre o seu faturamento. Assim, não se afigura legitima a pretensão de aplicação parcial do entendimento do STF apenas para fins de apurar o crédito do contribuinte, desconsiderandoo para fins de cobrança das diferenças nos períodos em que houve recolhimento a menor. Ressaltese que à apuração do indébito de Finsocial, em face da reconhecida inconstitucionalidade das majorações de alíquota, se enquadra na hipótese prevista no art. 144 do CTN, não havendo necessidade de novo lançamento para o fim de se exigir o débito tributário. Com efeito, sendo o Finsocial tributo sujeito ao lançamento por homologação, e tendo havido a formalização do crédito mediante instrumento de confissão de divida, é devida tão somente a revisão e adequação dos cálculos, já que é certa a ocorrência do fato gerador do tributo. Este entendimento encontra amparo em diversos acórdãos prolatados pelo TRF da 4ª Região, decididos por unanimidade (AMS nº 2007.70.09.0025190/PR; AMS n° 2007.72.03.0009511/SC; AMS nº 2007.72.01.0011720), que, em que peses tratarem da Contribuição ao PIS, enquadramse perfeitamente a hipótese em discussão, qual seja a apuração de crédito de contribuintes decorrentes de inconstitucionalidade de leis: TRIBUTÁRIO. PIS. DECISÃO JUDICIAL RECONHECENDO A INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. COBRANÇA COM BASE NA LC 07/70. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 663 8 1.Comando judicial preexistente que determinou o afastamento dos DLs nº 2.445/88 e 2.449/88 e reconheceu o direito à compensação dos valores excedentes à tributação na forma da LC nº 07/70, com expressa determinação de aplicação desta legislação. 2.Assim, não se afigura legítima, tampouco conforme ao comando judicial, a pretensão de aplicação parcial da LC nº 07/70, apenas para fins de apurar o crédito do contribuinte, desconsiderandoa para fins de cobrança das diferenças nos períodos em que houve recolhimento a menor. Quisesse a impetrante discutir essa questão deveria ter utilizado dos recursos próprios naquela ação judicial ou mesmo de ação rescisória daquele julgado. 3.Sendo o PIS tributo sujeito ao lançamento por homologação e tendo havido a formalização do crédito mediante instrumento de confissão de dívida, é devida tãosomente a revisão e adequação dos cálculos, já que inequívoca a ocorrência do fato gerador do tributo. 4.Há muito os Tribunais têm afastado a tese de que a cobrança do PIS com base na LC nº 07/70 dependeria de lançamento de ofício, nos casos em que houve o afastamento dos DLs nº 2.445/88 e 2.449/88, porquanto tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação e os débitos já foram declarados pelo sujeito passivo. (AMS nº 2007.72.01.0011720, publicado em 04/09/2008) (grifo nosso) Observese ainda que o STJ já possui orientação sedimentada, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (art. 543C do CPC), quanto à apuração do indébito de PIS, em face da reconhecida inconstitucionalidade dos DDLL 2.445/88 e 2.449/88. Ficou decidido que o caso se enquadra na hipótese prevista no art. 144 do CTN, não havendo necessidade de novo lançamento para o fim de se exigir o débito tributário nos moldes previstos na LC 7/70. Eis a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) ORIGINADA DE LANÇAMENTO FUNDADO EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA INCONSTITUCIONAL EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO (DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88). VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE NÃO PODE SER REVISTO. INEXIGIBILIDADE PARCIAL DO TÍTULO EXECUTIVO. ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA DA CDA. PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DA DECISÃO, PROFERIDA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO, QUE DECLAROU O EXCESSO E QUE OSTENTA FORÇA EXECUTIVA. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA CDA. 1. O prosseguimento da execução fiscal (pelo valor remanescente daquele constante do lançamento tributário ou do Fl. 663DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 664 9 ato de formalização do contribuinte fundado em legislação posteriormente declarada inconstitucional em sede de controle difuso) revelase forçoso em face da suficiência da liquidação do título executivo, consubstanciado na sentença proferida nos embargos à execução, que reconheceu o excesso cobrado pelo Fisco, sobressaindo a higidez do ato de constituição do crédito tributário, o que, a fortiori, dispensa a emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 2. Deveras, é certo que a Fazenda Pública pode substituir ou emendar a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos (artigo 2º, § 8º, da Lei 6.830/80), quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada, entre outras, a modificação do sujeito passivo da execução (Súmula 392/STJ) ou da norma legal que, por equívoco, tenha servido de fundamento ao lançamento tributário (Precedente do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.11.2009, DJe 18.12.2009). 3. In casu, contudo, não se cuida de correção de equívoco, uma vez que o ato de formalização do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (DCTF), encampado por desnecessário ato administrativo de lançamento (Súmula 436/STJ), precedeu à declaração incidental de inconstitucionalidade formal das normas que alteraram o critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária, quais sejam, os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. 4. O princípio da imutabilidade do lançamento tributário, insculpido no artigo 145, do CTN, prenuncia que o poderdever de autotutela da Administração Tributária, consubstanciado na possibilidade de revisão do ato administrativo constitutivo do crédito tributário, somente pode ser exercido nas hipóteses elencadas no artigo 149, do Codex Tributário, e desde que não ultimada a extinção do crédito pelo decurso do prazo decadencial qüinqüenal, em homenagem ao princípio da proteção à confiança do contribuinte (encartado no artigo 146) e no respeito ao ato jurídico perfeito. 5. O caso sub judice amoldase no disposto no caput do artigo 144, do CTN ("O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada."), uma vez que a autoridade administrativa procedeu ao lançamento do crédito tributário formalizado pelo contribuinte (providência desnecessária por força da Súmula 436/STJ), utilizandose da base de cálculo estipulada pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, tendo sido expedida a Resolução 49, pelo Senado Federal, em 19.10.1995. 6. Conseqüentemente, tendo em vista a desnecessidade de revisão do lançamento, subsiste a constituição do crédito Fl. 664DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 665 10 tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional, exegese que, entretanto, não ilide a inexigibilidade do débito fiscal, encartado no título executivo extrajudicial, na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico, o que, inclusive, encontrase, atualmente, preceituado nos artigos 18 e 19, da Lei 10.522/2002, verbis: "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei no 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores; (...) § 2o Os autos das execuções fiscais dos débitos de que trata este artigo serão arquivados mediante despacho do juiz, ciente o Procurador da Fazenda Nacional, salvo a existência de valor remanescente relativo a débitos legalmente exigíveis. contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; (...). § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)" 7. Assim, ultrapassada a questão da nulidade do ato constitutivo do crédito tributário, remanesce a exigibilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa, sem necessidade de emenda ou substituição da CDA (cuja liquidez permanece incólume), máxime tendo em vista que a sentença proferida no âmbito dos embargos à execução, que reconhece o excesso, é título executivo passível, por si só, de ser liquidado para fins de prosseguimento da execução fiscal (artigos 475B, 475H, 475N e 475I, do CPC). 8. Consectariamente, dispensase novo lançamento tributário e, a fortiori, emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPCe da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.115.501/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 30/11/2010) (grifo nosso), Esta decisão tem sido utilizada no STJ para negar seguimento a Recurso Especial em decisões de Tribunais Regionais que correspondem ao entendimento exposto neste voto, referente a ilegitimidade da aplicação parcial da LC nº 07/70 apenas para fins de apurar o crédito do contribuinte, desconsiderandoa para fins de cobrança das diferenças nos períodos em que houve recolhimento a menor, como a colecionada abaixo: Fl. 665DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 666 11 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO COM BASE NOS DDLL 2.445/88 E 2.449/88. APURAÇÃO DO INDÉBITO. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO NOS MOLDES DA LC 7/70. DESNECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.115.501/SP. COISA JULGADA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 7/STJ E 284/STF. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 354 DO CC À COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 960.239/SC. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. (Resp 1.154.237/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 29/06/2011) Desta forma, mostrase correto o procedimento do Fisco. No tocante à divergência entre o cálculo efetuado pela recorrente e aquele produzido pela DRF, está nos meses de março/90, abril/90 e maio/90, quando a DRF não apropriou integralmente os percentuais de 84,32%, 44,80% e 7,87%, respectivamente. Ocorre que, face à edição do Ato Declaratório PGFN 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal. O citado Ato Declaratório PGFN 10/2008 assim estabelece: (..) DECLARA que .fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. Nesse sentido, aliás, é o posicionamento adotado por este Conselho, como vemos na decisão proferida à unanimidade no acórdão n° 320200.009, cujo voto condutor é da lavra do Conselheiro José Luiz Novo Rossari: No mérito, verificase que por meio da Norma de Execução Conjunta SRF/Casit/Cosar nº 8, de 1997, a Administração Fazendária instituiu índices especificas para efeitos de atualização monetária dos créditos sujeitos à restituição. Em decorrência, este relatar vinha até então defendendo que à vista de existência de ato especifico disciplinado,da matéria e considerando a falta de amparo legal para a aplicação dos denominados expurgas inflacionários, estes não poderiam ser aplicados na esfera administrativa.. E mais, que a aplicação dos referidos expurgas na via processual administrativa somente pode ser implementaria se houvesse determinação judicial nesse sentido. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 667 12 Cumpre destacar, no entanto, que essa matéria foi tratada no Parecer PGFN/CRJ Nº 2.601, aprovado pelo PGFN em 20/11/2008, que, submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, foi por este aprovado conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, do que decorreu a expedição do Ato Declaratório nº 10, de 17/12/2008, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, que assim dispõe, verbis: "(..) DECLARA que .fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. No mesmo Parecer o Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional também determina que ‘COM a publicação, dêse ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Receita Federal, para a finalidade prevista nos §§ 4° e 5° do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19.07.2002.’ Destarte, verificase que a matéria foi tratada de forma mais benéfica pela Administração Fazendária nas hipóteses de pedidos de restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente, tratandose de fato novo que tem plena aplicação ao presente processo, pendente de julgamento, por não se justificar a existência de tratamento disforme entre as esferas judicial e administrativa. Diante do exposto, e com base no retrotranscrito Ato Declaratório, voto por que seja dado provimento ao recurso, devendo ser aplicados como índices de atualização monetária para os meses de março a abril (sic) (a maio) de 1990 os coeficientes de atualização fixados pela Resolução n° 2.561 do Conselho da Justiça Federal, nos percentuais de 84,32%, 44,8% e 7,87%, respectivamente, dos quais deverão ser subtraídos os percentuais já aplicados correspondentes a esses meses, constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 28, de 27/6/1997. (Processo n° 10805.002784/9921, Recurso Voluntário n° 125.594, Terceira Seção, Segunda Câmara, Segunda Turma). Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo ser aplicados como índices de atualização monetária para os meses de março a maio de 1990 os coeficientes de atualização fixados pela Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal, nos percentuais de 84,32%, 44,8% e 7,87%, respectivamente, dos quais deverão ser subtraídos os percentuais já aplicados correspondentes a esses meses, constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 28, de 27/6/1997. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 667DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.027056/9965 Acórdão n.º 3201001.461 S3C2T1 Fl. 668 13 Fl. 668DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10215.000246/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). A área declarada a título de utilização limitada (reserva legal) que se encontra devidamente comprovada nos autos por meio de averbação na matrícula do registro do imóvel, mesmo efetuada em data posterior ao da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da área tributável para efeito de cálculo do ITR.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pela contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pela Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo-se exclusivamente 1600,00 ha de áreas isentas, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Pietro, Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negaram provimento. Designada para redigir o voto a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO- Presidente e Relator ad hoc
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES- Redatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Recorrida DRJRECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). A área declarada a título de utilização limitada (reserva legal) que se encontra devidamente comprovada nos autos por meio de averbação na matrícula do registro do imóvel, mesmo efetuada em data posterior ao da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da área tributável para efeito de cálculo do ITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pela contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pela Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendose exclusivamente 1600,00 ha de áreas isentas, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Pietro, Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negaram provimento. Designada para redigir o voto a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator ad hoc IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Redatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 02 46 /2 00 4- 51 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 84 2 Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE – DRJ/REC, através do Acórdão nº 1120.009, de 24 de agosto de 2007. Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 51/52, que transcrevo, a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2000, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Madesa III”, localizado no município de Rurópolis PA, com área total de 2000,0 hectares, cadastrado na SRF sob o nº 4.964.3452, no valor de R$ 5.733,72, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total de R$ 13.746,59. A ciência do lançamento ocorreu em 21.06.2004, conforme AR de fl. 24. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, em 20.07.2004, conforme fl. 27, em síntese: Confirma a área do Plano de Manejo Florestal Sustentável de 1.991,0 hectares, PMFS nº 0668/97, sem denominação, conforme Autorização para Exploração Florestal de nº 131/97, concedida pelo IBAMA em 01.07.1997. Esse Projeto de Manejo recebeu nova Autorização para Exploração de nº 178/98 do IBAMA, com validade de 11.11.98 até 11.11.99. A autorização foi para 1.445,5 hectares de floresta manejada, sem novos créditos adicionais para exploração florestal. Esclarece o que seja um Plano de Manejo Florestal Sustentável e o seja Manejo Florestal citando especialistas sobre o assunto. Informa que neste caso há que se considerar toda a área envolvida no PMFS e não apenas a área na qual, em dado momento, esteja havendo corte de espécimes florestais, haja vista que é um todo integrado. O valor da terra nua – VTN deve corresponder ao valor de mercado da época. Assim, o valor da terra nua, para efeito de lançamento do ITR em causa, deve ser considerado em 01.01.1999 (sic), ano a que se refere a DITR/2000. Parece equivocado o valor de R$ 33,51 por hectare para o VTN em janeiro de 1999 na região onde está localizado o imóvel, sem acesso adequado por estrada e por outros problemas. Só para efeito de comparação anotou que o imóvel de 2.000,0 hectares foi adquirido em 20.12.1996 pelo preço de R$ 3.000,00, cujo valor não sofreu qualquer impugnação do Poder Público para efeito de pagamento do imposto intervivos. Tinha pouco valor comercial a terra nua na região do Oeste do Pará, como também no Baixo e Médio Amazonas, no período que antecedeu a chamada “febre da soja” ocorrida a partir do ano de 2001, com a chegada de colonos do sul interessados na produção do grão.” A DRJRecife/PE não acolheu as alegações da autuada e considerou procedente o lançamento efetuado, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 85 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, sem a aplicação de índices de rendimento por produto, a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo Ibama até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA. Mantémse a glosa da área declarada como de exploração extrativa e nãocomprovada pelo contribuinte, recalculandose, conseqüentemente, o ITR, devendo a diferença apurada ser acrescida das cominações legais, por meio de lançamento de ofício suplementar. VALOR DA TERRA NUA ACEITO PARA O CÁLCULO DO ITR. O Valor da Terra Nua VTN para o exercício de 2000 refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro de 2000. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente.” Seguiuse recurso voluntário, de fls. 59/65, em que a recorrente reitera os argumentos apresentados em sua impugnação, aduzindo, ainda, que: o PMFS, no todo, é uma área de utilização limitada (Reserva Legal), portanto há de se reconhecer que a área de reserva legal, quando averbada à margem da escritura do imóvel, no Registro de Imóveis competente ou outorgada por órgão de reconhecida capacitação técnica e mantido pelo poder público, no caso o IBAMA, deve ser excluída da base de cálculo do ITR, conforme jurisprudência administrativa; a afirmação, contida na decisão ora recorida, de que a recorrente não cumpria o cronograma de Plano de Manejo, não merece lograr êxito, pois restou evidente o empenho da MADESA na execução efetiva do Plano de Manejo, caso contrário já teria abandonado a área do PMFS, o que não fez, ao contrário, cumpriu o cronograma pré estabelecido e que a Autorização para Exploração Florestal – PMFS tinha validade de 11/11/98 até 11/11/99 e não de 11/11/98 até 11/11/98, como mencionado na decisão a quo; a compreensão dos julgadores de primeira instância de que a recorrente não justificou o valor da terra nua, não merece subsistir, uma vez que os documentos que Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 86 4 instruíram a impugnação, bem como o presente recurso, são suficientemente elucidativos para comprovar as razões expostas pela empresa e que não foram analisadas devidamente. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro CELSO LOPES PEREIRA NETO, Relator A recorrente tomou ciência da decisão hostilizada em 24/09/2007 (Aviso de Recebimento de fls. 58) e protocolou seu recurso em 23/10/2007 (fls. 59) sendo, portanto, tempestivo. A fiscalização lavrou o auto de infração por ter apurado falta de recolhimento do ITR, decorrente de: 1 glosa parcial da área originalmente informada como de exploração extrativa (Declarado: 1.991,0 ha, Apurado: 450,0 ha), objeto de plano de manejo, por não haver sido comprovada a execução do cronograma; 2 determinação de ofício do VTN, pelo fato de o valor declarado ser subavaliado em relação ao Sistema de Preços de Terra – SIPT, sem prova de que este imóvel teria valor de mercado diferenciado em relação aos demais imóveis circunvizinhos. Da área de exploração extrativa Para efeitos de apuração do ITR, de acordo com o inciso V, alínea “c”, do art. 10 da Lei n° 9.393/96, para que uma área objeto de exploração extrativa seja considerada efetivamente utilizada, devem ser observados os índices de rendimento, por produto, e a legislação ambiental. Neste caso, dispõe o parágrafo 5° do artigo em exame que, havendo plano de manejo aprovado pelo órgão competente, cujo cronograma esteja sendo cumprido, a área total do plano será considerada como utilizada: “Art. 10 – (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea ‘c’ do inciso V do § 1º , será considerada a área total objeto de plano de manejo Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 87 5 sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...)” (grifei) Dos autos, verificase que foi anexada, pelo contribuinte, às fls. 34/36, cópia do Ofício nº 396/97, de 15/07/1997, da Superintendência Estadual do Pará do IBAMA, em que é comunicada a aprovação do Projeto de Manejo Florestal Sustentado, que abrangia uma área de 1.991,0 ha, com a exigência de que deveria “... a área onde será implantado o referido Projeto, ser vinculado ao empreendimento, mediante averbação feito junto a matrícula do Registro de Imóveis correspondente, conforme Termo de Responsabilidade da Floresta Manejada.” (sic). Não consta dos autos comprovação de que tal Termo de Responsabilidade tenha sido averbado à margem da matricula do imóvel a que se refere o presente Auto de Infração. Constam, ainda, do processo as “Autorizações para Exploração Florestal PMFS” nº 178/98 (fls. 10 e 33), emitida em 15/07/97, com validade de 11/11/98 a 11/11/98 e nº 131/97 (fls. 11 e 32), emitida em 01/07/97, com validade de 06/06/97 a 06/06/98. O Parecer nº 44/97 (fls. 35/36), com a análise técnica do projeto de manejo, e que embasou a aprovação do mesmo, estabeleceu exigências a serem cumpridas pela Madesa – Madeireira Santarém, entre as quais destacamos: o envio de “... relatório detalhado das atividades desenvolvidas na área do projeto no final de cada período de exploração.” e a apresentação anual “... do plano de exploração referente ao talhão a ser explorado.” Ao final do Parecer, o contribuinte é alertado que o não cumprimento das atividades previstas no projeto da Empresa levaria à aplicação das sanções previstas na legislação em vigor. A legislação transcrita anteriormente é clara ao estabelecer que somente pode ser aceita, como área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que, no ano anterior, tenha sido objeto de exploração extrativa, se estiver sendo cumprido pelo contribuinte o cronograma do plano de manejo. Não há, nos autos, Laudo técnico sobre a execução do plano autorizado nem relatórios detalhados de atividades desenvolvidas, que possam comprovar o cumprimento do cronograma. À guisa de Relatório de Atividades Executadas consta apenas uma folha (de nº 47) referindose ao ano de 1998, em que se relata acreditar “...ter conseguido cumprir o previsto...” . A fiscalização reconheceu 450,0 ha de área de exploração extrativa. Pelos documentos constantes dos autos, entendo que sequer esta área deveria ter sido reconhecida, mas como é vedado o reformatio in pejus, deverá ser mantida a glosa, apenas parcial, efetuada pela fiscalização que reduziu a área de exploração extrativa dos 1.991,0 ha declarados para 450,0 ha. A recorrente alegou, ainda, que a área abrangida pelo Plano de Manejo Florestal Sustentado da recorrente é uma área de utilização limitada (Reserva Legal), averbada Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 88 6 à margem da escritura do imóvel, no Registro de Imóveis competente, devendo, portanto, ser excluída da base de cálculo do ITR. A respeito desta última alegação, encontramos Certidão do Cartório de Rurópolis – Pará, atestando a averbação, em 07 de julho de 2000, de Termo de Compromisso para Averbação de Reserva Legal de 80% (oitenta por cento) do imóvel rural MADESA III, com área de 2.000,0 ha, ou seja, uma área de reserva legal de 1.600,00 ha. O entendimento que adoto, quanto à necessidade de averbação da área de reserva legal, é que não se pode reconhecer a existência da referida área, antes das respectivas demarcação e averbação à margem da matrícula do imóvel, ou seja, a averbação da área de reserva legal tem caráter constitutivo e não meramente declaratório. A meu ver, o ponto fulcral para a solução dessa questão sobre a necessidade de averbação da área de reserva legal, foi abordado brilhantemente pelo i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto vencido do acórdão 30334.883, de 07 de novembro de 2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que adoto parcialmente, nos termos em que transcrevo a seguir: “Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbála junto ao órgão competente). Vejase a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas . 2003. 15ª ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bemestar social.(destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência “negativa”, que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Nesse sentido, lembro a lição de Alberto Xavier (Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100) Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 89 7 portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges, a seu turno (Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191), citando Sainz de Bujanda, não destoa: É o fato gerador, consoante se demonstrou, urna entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo.(os grifos não constam do original) Mais uma vez, na esteira do Mestre lusitano (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo. Dialética, 2001, 1ª ed. p 19), trago à discussão o princípio da determinação, essencial na interpretação dos conceitos gizados na norma isentiva. O princípio da determinação ou da tipicidade fechada (o Grundsatz der Bestimmtheit de que fala FRIEDRICH) exige que os elementos integrantes do tipo sejam de tal modo precisos e determinados na sua formulação legal que o órgão de aplicação do direito não possa introduzir critérios subjetivos de apreciação na sua aplicação concreta. Por outras palavras: exige a utilização de conceitos determinados, entendendose por estes (e tendo em vista a indeterminação imanente a todo o conceito) aqueles que não afetam a segurança jurídica dos cidadãos, isto é, a sua capacidade de previsão objetiva dos seus direitos e deveres tributários. Sem o aperfeiçoamento da condição expressa no fato gerador isento ou na hipótese de “não” incidência, prevalece a regra geral, onde a propriedade, posse ou domínio de imóvel rural, faz nascer a obrigação. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 90 8 Nesse diapasão, a questão fundamental que se coloca é a reserva legal se aperfeiçoa independentemente da adoção de qualquer providência por parte do sujeito passivo? A pacífica jurisprudência deste Terceiro Conselho de Contribuintes inclinase no sentido de responder positivamente a tal indagação e o principal ponto em que se baseia para tal interpretação, salvo engano, seria a convicção acerca do objetivo da exigência de averbação. Transcrevo trechos do voto proferido nos autos do recurso voluntário nº 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman, que representou o caso líder com relação à interpretação que se pacificou perante esta corte administrativa. Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65(Código Florestal) (...) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área.(destaquei) Ou seja, segundo ficou consignado nos respectivo voto condutor, analisando se a norma sob um matiz teleológico, seria possível concluir que a averbação da reserva legal à margem da matrícula teria o objetivo acessório de assegurar publicidade àquele ato de limitação, perfeitamente constituído pelo Código Florestal. Indiscutivelmente, razão assiste ao i. Conselheiro naquilo que tange às conclusões acerca da impossibilidade de, com base no direito posto, ou seja, no Código Florestal vigente à época do fato gerador, instituir obrigação acessória cujo descumprimento levaria ao afastamento de tratamento tributário diferenciado. Entretanto, nessa linha, que, salvo se houvesse lei em sentido contrário (e não há), o conceito de Reserva Legal a ser aplicado pela legislação que disciplina o cálculo do Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 91 9 Imposto Territorial Rural é exatamente aquele fornecido pelo Código Florestal, observadas as condições e limites por ele instituídos. Entendo, entretanto que isso não impede que a legislação de cunho tributário se apóie nos conceitos estabelecidos no Código Florestal, para efeito de cálculo do Valor da Terra Nua Tributável, cálculo da área aproveitável e, conseqüentemente, do respectivo Grau de Utilização da propriedade. Ou seja, embora a Reserva Legal não seja um instituto próprio do Direito Tributário, este ramo necessita socorrerse desse conceito para a definição da base de cálculo do ITR, assim como, faz o Direito Agrário para avaliação da produtividade do imóvel. Em suma, a Reserva Legal não é um instituto do Direito Ambiental, mas do Ordenamento Jurídico. Justamente por conta desse aspecto multifacetário do instituto jurídico objeto de litígio, é que penso que o critério teleológico que orientou o voto do qual ora se diverge, a meu ver, demonstrase, com o máximo respeito, insuficiente, pois restringe a aplicação da norma a um contexto inferior ao seu verdadeiro universo de aplicação. Nesse ponto, é sempre salutar a lição de Alfredo Augusto Becker (Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo Lejus, 3ª ed. p.p. 116/123), acerca do que se denominou cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico: A regra jurídica embutese no sistema jurídico e tal inserção não é sem conseqüências para o conteúdo da regra jurídica, nem sem conseqüências para o sistema jurídico. “Daí, quando se lê a lei, em verdade se ter na mente o sistema jurídico, em que ela entra, e se ler na história, no texto e na exposição sistemática. (...) Não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador civil ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Esta interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico.(destaquei) (...) Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. (destaquei) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 92 10 Partindo dessa premissa, penso que não se pode pretender buscar a exegese de texto normativo “isolando” ou “tentando isolar” sua finalidade, dentro de um único subsistema. A esse respeito, precisa é a lição de Tércio Sampaio Ferraz. (Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo. 1994, Atlas, 2ª ed. p.p. 291 e ss) Em suma, a interpretação teleológica e axiológica ativa a participação do intérprete na configuração do sentido. Seu movimento interpretativo, inversamente ao da interpretação sistemática que também postula uma cabal e coerente unidade do sistema, parte das conseqüências avaliadas das normas e retorna para interior do sistema. É como se o intérprete tentasse fazer com que o legislador fosse capaz de mover suas próprias previsões, pois as decisões dos conflitos parecem basearse nas previsões de suas próprias conseqüências...”. (destaquei) Busco ainda apoio na lição de Eros Roberto Grau (Ensaio e Discurso sobre a Interpretação/Aplicação do Direito. São Paulo. Malheiros. 2006, 4ª ed., p.133), que perfilha: Não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços. (...) Por isso insisto em que um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum. As normas — afirma Bobbio — só têm existência em um contexto de normas, isto é, no sistema normativo. A interpretação do direito — lembrese — desenrolase no âmbito de três distintos contextos: o lingüístico, o sistêmico e o funcional. No contexto lingüístico é discernida a semântica dos enunciados normativos. Mas o significado normativo de cada texto somente é detectável no momento em que se o toma como inserido no contexto do sistema, para após afirmarse, plena mente, no contexto funcional. (destaquei) Ou seja, a visão fragmentária da interpretação teleológica, a meu ver, restringe o universo da aplicação da norma, como se ela não fosse parte de um sistema maior (o ordenamento jurídico), capaz de atribuirlhe finalidades que não foram aventadas pelo legislador, mas que são igualmente reguladas por meio daquela regra jurídica. Justamente em função da pesquisa acerca da aplicação do instituto da reserva legal em outros ramos do direito, foi que passei a concluir, apoiado na pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que a averbação não tem, como supus em outros votos em que acompanhei o entendimento deste Terceiro Conselho, mero caráter declaratório e, o que é mais importante, somente se aperfeiçoa após a correspondente averbação. No Pretório Excelso, tal posição firmouse a partir do julgamento do Mandado de Segurança nº 226889/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 93 11 Tal caso é emblemático, em razão de que enfrenta justamente duas possíveis interpretações dos dispositivos do Código Florestal que disciplinam a matéria. Na esteira da interpretação majoritária deste Terceiro Conselho, ponderou o Ministro Marco Aurélio: A teor do disposto no § 2º do artigo 16 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, temse a obrigatoriedade de observarse, deixandose de explorála, área de no mínimo vinte cento da propriedade, não sendo permitido o corte raso. Indagase: o fato de não haver sido averbada a citada área à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no cartório competente, afasta a procedência da defesa apontada pelos Impetrantes? A resposta pode ser colhida fazendose outra pergunta: a omissão do proprietário descaracteriza a citada reserva legal? A resposta é, desenganadamente, negativa. Incumbia ao INCRA subtrair, quando da elaboração do laudo atinente à exploração do imóvel, vinte por cento deste. Assim é porquanto a formalidade prevista no § 2º do artigo 16 averbação da reserva legal na matrícula do imóvel não se mostra essencial, ou seja, indispensável a ter se como configurada a reserva legal. Ao contrário do que ocorre, por exemplo, na transmissão da propriedade, quando o registro da escritura de compra e venda afigurase essencial ao fenômeno, a averbação citada não sendo formalidade que não modifica a substância da matéria. Vinga, de qualquer maneira, o entendimento de que, tenha havido, ou não, a averbação citada, vinte por cento da propriedade não podem ser objeto de exploração. Em sentido oposto, acompanhando o Relator, ponderou o Ministro Sepúlveda Pertence, em votovista: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 94 12 nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.3702/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A “reserva legal”, prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.629/93, art. 10, IV), sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Além de delimitar o conceito fixado pelo Código Florestal, a jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal deve orientar a interpretação da legislação que rege a cobrança do ITR à luz do princípio constitucional gizado no art. 153, § 4º da Constituição Federal de 1988, que atribui a este imposto a função extrafiscal de desestimular a manutenção da propriedade improdutiva. Ou seja, tanto no julgamento que tramitou perante a Excelsa Corte quanto no vertente processo, o que se pretende avaliar é o reflexo das áreas de reserva legal sobre o cálculo da produtividade do imóvel. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 95 13 Nessa esteira, com a máxima vênia, discordo de um dos pontos fundamentais do voto proferido do caso líder. Amparado na jurisprudência da mais alta corte deste País, penso que, sem demarcação e averbação, não estão determinadas as áreas de reserva legal superficialmente definidas no Código Florestal, que se limita a definir a obrigação de demarcá las e os efeitos do descumprimento dessa obrigação. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área..(destaquei) Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Vejamos a opinião da doutrina de Luís Paulo Sirvinskas (Manual de Direito Ambiental. São Paulo. Saraiva, 2006, 4ª ed. p 269), verbis: “A escolha das áreas deverá ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, observandose sempre a função social da propriedade (art. 16, § 4º da Lei nº 4.771, de 1965), e sua finalidade é identificar a área mais importante para o meio ambiente, evitandose que a escolha da reserva recaia em área inadequada e sem valor ambiental. Ressaltese, por fim, que a inexistência de vegetação na propriedade não afasta a obrigação do proprietário recompor a reserva florestal, conduzila a regeneração ou compensála por outra área equivalente em importância ecológica e extensão...”(os destaques não constam do original) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 96 14 O último trecho da citação doutrinária acima transcrita, a meu ver, torna ainda menos consistente a tese da prédefinição legal das áreas que serão computadas como de reserva. Tanto não é verdade que as áreas ou suas características estejam pré determinadas e que essas mesmas áreas seriam inalteráveis antes da sua averbação, que o art. 44 da Lei nº 4.771, de 1965, após sua alteração pela mesma Medida Provisória nº 2.166, passou a permitir que o proprietário ou possuidor que desrespeitasse os percentuais (e não as áreas) estabelecidos no art. 16 adquirisse Servidão Florestal em propriedade de terceiros ou Cotas de Reserva Florestal, a fim de compensar desmatamento realizado em área da sua propriedade ou posse. Senão vejamos: Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5º e 6º, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: (...) III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento.(destaquei) (...) §5oA compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. Art. 44B. Fica instituída a Cota de Reserva Florestal CRF, título representativo de vegetação nativa sob regime de servidão florestal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural ou reserva legal instituída voluntariamente sobre a vegetação que exceder os percentuais estabelecidos no art. 16 deste Código. (destaquei) Há que se reforçar, de outra banda, que diferentemente da definição vaga da área de reserva legal, os artigos 2º e 3º do Código Florestal define precisamente o que caracteriza uma área como de preservação permanente, seja “pelo só efeito” da lei, seja em função de declaração pelo poder público. Comparando os conceitos, inclusive com os de área de utilidade pública, de interesse social da Amazônia Legal, previstas nos incisos IV, V e VI do mesmo parágrafo 2º, penso que fica confirmado que, efetivamente, o Código Florestal não demarcou ou previu de que forma seriam demarcadas as áreas sujeitas a proteção diferenciada, atribuindo ao seu proprietário ou posseiro a tarefa de fazêlo, segundo os meios indicados. Ou seja, no caso do instituto em debate, não se atribuiu características à fauna, à flora, coordenadas geográficas, distância de nascentes, ou qualquer outro meio de pré Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 97 15 definição da área que deveria ser onerada pela préfalada limitação, disse apenas, em conjunto com o disposto nos art. 16, que determina exclusivamente o percentual da propriedade a ser demarcado pelo proprietário ou posseiro e utilizado nas finalidades estabelecidas no já transcrito inciso III do parágrafo 2º do art. 1º. Não se pode perder de vista, finalmente, o raciocínio até certo ponto contraditório que orienta o voto do qual se diverge. Se a reserva legal se constituísse pelo só texto da lei, a averbação em cartório não produziria qualquer efeito com relação a terceiros. A uma porque a publicidade da lei nos meios oficiais certamente alcança muito mais indivíduos do que os possíveis interessados em pesquisar informações sobre o imóvel nos competentes cartórios de registro. A duas porque, seguindo aquele raciocínio, a inexistência de averbação não alteraria em nada responsabilidade de terceiros. Se a lei que a criou foi promulgada, publicada e entrou em vigor, àquele terceiro cabe cumprila, independentemente de averbação à margem da matrícula, ex vi do art. 3º da LICC (ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece). Se a restrição se impusesse pela simples publicação da lei, certamente não faria sentido exigirse a sua averbação no mesmo intuito, principalmente porque esse ato não é exigido para as áreas de preservação permanente, onde o descumprimento da restrição impõe sanções bem mais sérias ao infrator.” Portanto, a área, que somente foi averbada em 07 de julho de 2000, não pode ser reconhecida em relação ao exercício de 2000 pois, à data de ocorrência do fato gerador do ITR daquele exercício, 1º de janeiro de 2000, tal averbação não havia ocorrido. Do Valor da Terra Nua – VTN A Lei nº 9.393/1996, estabelece em seu art. 8º, § 2º que: “O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado”. A fiscalização adotou como preço de mercado, de acordo com a legislação, o valor constante do Sistema de Preços de Terras – SIPT, que era de R$ 33,51 por hectare, para o município de Rurópolis, no exercício de 2000 (fls. 05). A recorrente não justificou o valor da terra nua declarado de R$ 10.000,00 para seu imóvel de 2.000,0 hectares (R$ 5,00/hectare), através de Laudo técnico ou outros documentos. Tampouco existe, no processo, qualquer prova de que o imóvel em questão teria localização ou outras características desfavoráveis que justificassem sua avaliação por preço abaixo da média do mercado. Portanto, deve ser mantido o VTN apurado pela fiscalização. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 98 16 LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO – Relator ad hoc Voto Vencedor Conselheira IRENE DE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Redatora Manifesto discordância em relação ao voto do i. Relator tãosomente em relação à área de reserva legal, não havendo qualquer dissonância quanto ao entendimento manifestado pelo Relator no que tange ao valor da terra nua. In casu, o requerente apresentou averbação de uma área de reserva legal de 1.600ha, efetuada em 07 de julho de 2000. Sobre tal questão, conforme afirma o i. Relator, ao assentar que “encontramos Certidão do Cartório de Rurópolis – Pará, atestando a averbação, em 07 de julho de 2000, de Termo de Compromisso para Averbação de Reserva Legal de 80% (oitenta por cento) do imóvel rural MADESA III, com área de 2.000,0 ha, ou seja, uma área de reserva legal de 1.600,00 ha”. Na linha de pensamento manifestada pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, entendo que não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada à margem da matrícula do registro do imóvel. Porém, atendido o requisito legal específico do §8º do art. 16 da Lei nº. 4.771/1965, que estabelece a necessidade de averbação das áreas de reserva legal, entendo que há de ser considerado, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área que foi averbada mesmo em data posterior à ocorrência do fato gerador, pois a averbação é cumprimento de exigência formal da lei, e, feita em data posterior, não invalida a existência da área à época do fato gerador. O contribuinte, portanto, apresentou documento idôneo de comprovação da existência da área de reserva legal, qual seja, a averbação no registro imobiliário, o que foi desconsiderado pela autoridade fiscal tãosomente em função da data em que foi efetuada referida averbação, merecendo a decisão ser reformada neste ponto. Nesse sentido, farta é a jurisprudência da já citada Primeira Câmara, da qual, apenas a título ilustrativo, transcrevo as seguintes ementas: Número do Recurso: 132259 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10140.003670/200398 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrida/Interessado: DRJCAMPO GRANDE/MS Data da Sessão: 23/08/2006 14:00:00 Relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES Decisão: Acórdão 30133100 Resultado: DPU DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso. Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal devidamente averbada deve ser reconhecida como tal, independentemente da data da sua averbação. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10215.000246/200451 Acórdão n.º 3201000.030 S3C2T1 Fl. 99 17 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. O reconhecimento de toda a área do imóvel, pelo IBAMA, como Reserva Particular do Patrimônio Natural, por si só, autoriza a exclusão da área tributável do ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Número do Recurso: 129038 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10670.000331/200108 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrida/Interessado: DRJBRASILIA/DF Data da Sessão: 15/04/2005 14:00:00 Relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES Decisão: Acórdão 30131784 Resultado: PPU DADO PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR não está sujeita à averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador, por não se constituir tal restrição de prazo em determinação legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO PARCIAL PARA ADMITIR A ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBADA Assim, comprovada a existência da área de reserva legal por meio da averbação na matrícula do registro do imóvel, deverá esta ser excluída no cálculo do ITR para fins de apuração do imposto devido, conforme previsto na lei, razão pela qual voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo exclusivamente 1600,00 ha de área isenta. É como voto. IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Redatora Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13656.720347/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
PROVA EMPRESTADA. ÚNICO DOCUMENTO PROBANTE. PROCESSO JUDICIAL SEM PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Prova emprestada somente pode servir com início de prova ou indício, quando não foi produzida com a participação do contribuinte. O lançamento deve apoiar-se em outros elementos probatórios, para formação de conjunto probatório que não afete os princípios da ampla defesa, contraditório, verdade material, e devido processo legal.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que entende que a Justiça Federal reconheceu o benefício previdenciário e determinou a fiscalização e levantamento tributário do valor devido, ressaltando a necessidade de haver a existência de custeio em relação ao benefício.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ÚNICO DOCUMENTO PROBANTE. PROCESSO JUDICIAL SEM PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Prova emprestada somente pode servir com início de prova ou indício, quando não foi produzida com a participação do contribuinte. O lançamento deve apoiarse em outros elementos probatórios, para formação de conjunto probatório que não afete os princípios da ampla defesa, contraditório, verdade material, e devido processo legal. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que entende que a Justiça Federal reconheceu o benefício previdenciário e determinou a fiscalização e levantamento tributário do valor devido, ressaltando a necessidade de haver a existência de custeio em relação ao benefício. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 03 47 /2 01 1- 71 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13656.720347/201171 Acórdão n.º 2803002.833 S2TE03 Fl. 96 2 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13656.720347/201171 Acórdão n.º 2803002.833 S2TE03 Fl. 97 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra crédito tributário de obrigação principal e acessória com base em vínculo empregatício entre a segurada(Nair Digitalina Campos) e o recorrente reconhecido em ação judicial proposta pela primeira contra o INSS para obtenção de benefícios securitários. Em recurso voluntário, tempestivo, apenas recorre alegando que esse vínculo trabalhista seria inexistente, em que a segurada (autora da indicada ação) seria na verdade filha filha de criação de seu parceiro agrícola (Sr. João Batista da Mota), e que o vínculo de contrato de parceria teria vigência entre 1998 e 2005, conforme contratos juntados nos autos. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13656.720347/201171 Acórdão n.º 2803002.833 S2TE03 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Efetivamente, entendo que as provas angariadas pela fiscalização, em especial os termos de audiência com homologação de acordo da ação judicial movida pela Sra. Nair Digitalina Campos contra o INSS, não pode estender efeitos ao recorrente, que em momento algum participou do processo, nem como testemunha ou informante. Isso está inscrito no art. 472, do Código Tributário Nacional: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Ressaltese, em especial quanto aos depoimentos os quais não foram efetivamente apreciados pelo Juízo, em razão do acordo realizado entre a autora e o INSS. A utilização dos depoimentos feitos em juízo, em especial do Sr. João Batista da Mota, seriam contraditórios à documentação trazida nos presentes autos, em que ele não era empregado, mas sim declarouse parceiroagrícola, conforme os contratos assinados e com firma reconhecida em data anterior à própria ação movida pela beneficiária. Ou seja, se o INSS reconheceu em acordo judicial com terceiros, sem a apreciação judicial das oitivas das testemunhas, ou seja, não foram sequer admitidas como provas pelo juízo. Dessa foram, tais depoimentos e homologação de acordo não tem condão de ser reconhecida como prova absoluta contra pessoas não participantes da relação processual. Deveria a fiscalização ter agariado mais documentos para formação de tal certeza, do vínculo entre a beneficiária (autora) naquela ação e o recorrente. Pois a utilização de tal prova emprestada, produzida em processo sem a participação do recorrente ataca o princípio da ampla defesa, contraditório e devido processo legal. Se o INSS aceitou, sem apreciação judicial anterior, as alegações da beneficiária, sem qualquer participação do ora recorrente, a responsabilidade única de tais atos é do próprio instituto. A prova emprestada de autos de processo de terceiros, pode ser utilizada, desde que devidamente apreciada em harmonia o conjunto probatório do com o processo com a qual é transladada aquela, sendo fundamental a participação da parte em sua produção em processo originário, como parte, testemunha, perito ou outra forma de colaboração nos autos, caso contrário apenas serve como início de prova ou indício da mesmo, podendo abalroar inclusive o princípio da verdade material. Isso é o que se extrai da jurisprudência a respeito (RHC n. 106.398/SP, Rel. Min. Celso de Melo, da 2a. Turma do STF, DJ 03.04.2012). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13656.720347/201171 Acórdão n.º 2803002.833 S2TE03 Fl. 99 5 Logo, se o lançamento apóiase apenas em acordo judicial em processo em que o recorrente não teve qualquer participação, não serve como fundamento probatório único para o mesmo. Isso posto, voto para conhecer recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, declarando os autos de infração objetos do processo como insubsistentes. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720817/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
SHOPPING CENTER. CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decreto-lei nº 1.381/74).
Os co-proprietários, ao se organizarem para explorar Shopping Center em condomínio pro indiviso, tornam-se sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 SHOPPING CENTER. CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decreto-lei nº 1.381/74). Os co-proprietários, ao se organizarem para explorar Shopping Center em condomínio pro indiviso, tornam-se sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo.
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Recorrente CONDOMÍNIO CIVIL IGUATEMI BELÉM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SHOPPING CENTER. CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decretolei nº 1.381/74). Os coproprietários, ao se organizarem para explorar “Shopping Center” em condomínio pro indiviso, tornamse sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 17 /2 00 8- 18 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0123.033 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receitas de aluguéis e outras decorrentes do exercício de atividades manifestamente empresariais, equiparase à pessoa jurídica contribuinte do IRPJ relativamente a tais atividades, sujeitandose à incidência tributária respectiva. CONDOMÍNIO CIVIL. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Na hipótese do desempenho de atividades comerciais típicas, a receita decorrente integra o resultado tributável, base de cálculo do IRPJ devido pelo condomínio, sem prejuízo da eventual incidência do referido imposto sobre o ulterior lucro auferido pelos condôminos, não havendo que se falar em bitributação, haja vista tratarse de pessoas jurídicas e receitas absolutamente distintas e independentes. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. O meio hábil de opção pelo Lucro Presumido é o pagamento da primeira ou única quota do IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada anocalendário. CSLL. Aplicase à CSLL o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 03/11/2011 (cf. AR a fls. 1109) e interpôs recurso voluntário em 02/12/2011 (doc. a fls. 1.110 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o auto de lançamento em questão considerou que o recorrente auferiu renda decorrente da receita de aluguéis e da cessão de uso de lojas em Shopping Center; b) que a tese é que o Condomínio, apesar de não se constituir pessoa jurídica, deve ser tributado como tal no momento em que exerce atividade empresarial, que seria estranha à finalidade de sua constituição; c) que o Auditor indica a existência de receitas que foram computadas no cálculo do valor lançado, mas não especifica quais receitas seriam essas, limitandose a informar a existência de “Demais Receitas”; d) que o referido lançamento não só dificulta como impossibilita a realização da defesa, já que o contribuinte não pode identificar a relação entre os dados de sua Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302001.296 S1C3T2 Fl. 1.150 3 contabilidade e os valores lançados, o que impõe a total anulação do lançamento, em razão da ofensa ao princípio da ampla defesa; e) que o fato de a recorrente ter contabilizado os valores sob a rubrica “outras receitas” não tem o condão de caracterizar a existência de faturamento ou receita tributável, condição essencial para a validade do auto de infração; f) que os valores contabilizados sob a rubrica “outras receitas” nada mais são do que valores provenientes de aluguéis que receberam destinação no orçamento condominial e que, por razões diversas, não foram utilizados na realização das despesas correspondentes; g) que a recorrente se constitui condomínio ordinário regulado pelos artigos 1.314 a 1.326 do Código Civil de 2002; h) que o condomínio não pode ser tachado de sujeito de direito, mas de bem jurídico diferenciado face às particularidades que o cercam; i) que se trata de uma universalidade de direito, decorrente de um bem inserido na propriedade de diversas pessoas, sendo cada uma delas responsável pelos ônus e benefícios decorrentes da fração dominial de sua titularidade; j) que são os próprios condôminos os beneficiários e empreendedores da atividade locação dos imóveis de propriedade comum, sendo o condomínio ordinário constituído a parte de uma situação de fato que proporciona a existência de um ente despersonalizado dotado de convenção destinada a disciplinar os direitos e deveres inerentes aos direitos imobiliários correspondentes; m) que a atividade de administração de locações é explorada diretamente pelos proprietários, representados pela pessoa jurídica por eles contratada para os fins de desempenho das funções de administradora, conforma contrado juntado aos autos; n) que os repasses às pessoas jurídicas condôminas estão lançados no livro razão da recorrente sob a rubrica “remessa de aluguel empreendedores”, além disso, consta dos autos comprovantes de depósitos bancários e/ou extratos que atestam que os valores contabilizados efetivamente foram enviados aos condôminos; o) que o ônus a que a propriedade comum estiver sujeita devem ser suportados individualmente pelo condômino, nos termos do art. 1.315 do Código Civil, sendo responsabilidade de cada um dos coproprietários o cumprimento das obrigações legais decorrentes dos benefícios que auferiu com a utilização do bem coletivamente titularizado; p) que somente as pessoas jurídicas e as empresas individuais podem ser sujeito passivo do imposto de renda e da CSLL; q) que a recorrente não auferiu renda, pois a receita é destinada aos condôminos; r) que, pelo princípio da eventualidade, caso seja mantida a autuação, no que não se acredita, r.1) que a base de cálculo a ser considerada deve ser apenas o valor que não foi remetido aos condôminos, já que, por óbvio constitui receita dos condôminos; r.2) que há uma bitributação, pois os tributos ora exigidos não deixaram de ser recolhidos, já que foram pagos pelos condôminos, conforme prova, por exemplo, os recolhimentos feitos pela CAPAF juntados aos autos; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 r.3) que os valores contabilizados como recebimento Lojas Visão referemse a valores que sendo restituídos referentes à contribuição dessa empresa à execução de intervenções condominiais, cujo valor teria sido adiantado pelo Condomínio; r.4) que a recorrente tem o direito de optar pelo lucro presumido; r.5) que é incabível a multa de ofício, pois não se pode exigir do recorrente que previsse a interpretação dada pelos autuantes, se não havia lei expressa que o obrigasse. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 374, razão pela qual dele conheço. O art. 226 do Código Civil dispõe que: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Notese que a escrituração contábil faz prova contra o contribuinte, mas, para ser alegada em seu favor, deverá ser confirmada por outro elemento de prova, o qual, ordinariamente, é o lastro documental que suporta os lançamentos contábeis. Aliado a isso, vejamos também o art. 378 do Código de Processo Civil, o qual assim dispõe: Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Os dispositivos acima, embora bem semelhantes, são complementares, pois, da combinação deles, deduzse que a escrituração sempre inverte o ônus da prova, de tal sorte que caberá sempre ao contribuinte ao qual ela pertence provar que é verdadeira ou então que ela contém imprecisões quanto ao registro de fatos a que se refere. Assim, não era ônus do autuante provar que os valores contabilizados, pela própria recorrente, como “Demais Receitas” não eram efetivamente receitas suas, razão pela qual afasto a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, a questão posta para o exame desse colegiado é saber se deve ser considerada existente uma sociedade em comum dos condôminos, quando houver exploração de atividade de “Shopping Center” em condomínio pro indiviso. Vale a pena pinçar alguns trechos do Relatório Fiscal a fls. 302 e segs., para o melhor entendimento da situação posta, se não vejamos o que se segue: “Em auditoria procedida junto ao Condomínio Civil Iguatemi Belém, CNPJ 83.368.894/000102, foi constatado que, durante o ano calendário de 2.003, o mesmo exerceu atividade empresarial, conforme Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302001.296 S1C3T2 Fl. 1.151 5 atesta a documentação contábil apresentada, auferindo diversas receitas passíveis de tributação. As receitas de aluguéis supra referidas, bem como as demais receitas auferidas foram apuradas mensalmente e devidamente escrituradas, porém não oferecidas à tributação, conforme verificado durante o procedimento fiscal ora encerrado. Sendo assim, foi procedido de ofício o lançamento tributário de IRPJ, CSLL (Reflexo), PIS/pasep e COFINS incidentes sobre as receitas contabilizadas pelo sujeito passivo, conforme consubstanciado no presente Auto de Infração, ao qual encontramse anexos, os Demonstrativos de Apuração dos tributos, da Multa, dos Juros e Termo de Encerramento. ................................................................................................................... A administração de um verdadeiro condomínio em imóveis edificados tem por objetivo zelar pelas áreas comuns, tornando possível o aproveitamento das unidades exclusivas, sendo suas despesas divididas entre os condôminos. Tratase, portanto, de um rateio de custos imprescindíveis à utilização do patrimônio comum, não sendo objetivo deste tipo de entidade a busca de receitas próprias, muito menos a atividade comercial ou a prestação de serviços. Nesse sentido, cabe informar que as atividades típicas de administração de condomínio vêm sendo desempenhadas por parte de outra entidade denominada de CONDOMÍNIO SHOPPING CENTER IGUATEMI BELÉM, CNPJ 84.154.160/000185, a qual foi objeto de outro procedimento fiscal, MPF 155/2008. Já com relação ao contribuinte em epígrafe não constatamos a prática de qualquer atividade pertinente a um condomínio propriamente dito. ................................................................................................................... Além do aluguel o locador recebe uma quantia que a doutrina denomina de res sperata, coisa esperada ou prometida. Esta última modalidade constitui uma retribuição ao empreendedor pela cessão do fundo de comércio, com toda a estrutura que o acompanha. É o que se chama de "sobrefundo de comércio", representando pelos bens imateriais de que o empreendimento é detentor, permanentemente. Daí por que se considera existir um fundo comércio no próprio centro comercial em si, cuja parcela é cedida ao lojista. Este valor também se caracteriza em faturamento auferido pelo contribuinte, devendo, portanto, compor a base de cálculo dos impostos e contribuições federais. ................................................................................................................... O entendimento adotado pelo contribuinte de não recolher os tributos devidos em razão da atividade empresarial desenvolvida acarreta em competição desleal com as demais entidades que exploram o mesmo ramo de atividade no Município de Belém. Isto porque os demais empresários do ramo de "shopping center" exploram essa atividade constituídos sob a forma de sociedade empresária, recolhendo Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 expressiva carga tributária, além de estarem sujeitos a ações fiscais variadas.” Analisemos, então, cada uma dessas questões postas acima. Inicialmente, peço vênia, para ressaltar que, pessoalmente, verifico que a figura do “Shopping Center” ainda não recebeu um tratamento específico que certamente merecia, pela importância que tem para o setor varejista nacional, o que, por vezes, gera confusões acerca das relações que envolvem a exploração dessa atividade. Ao se compulsar a literatura especializada, constatase que há três formas de investidores se organizarem para constituir “Shopping Center”: por meio de condomínio pro indiviso; por meio de condomínio edilício; ou por sociedade. No condomínio pro indiviso, o imóvel onde é explorada a atividade é de coproprietários, sendo que cada condômino (coproprietários) é titular de uma fração ideal. Assim, nessa figura só existe uma propriedade, pois o imóvel não está dividido em unidades autônomas. Nesse sentido, é esclarecedora a lição de Venosa, quando assim professa: “Os cotitulares exercemno ao mesmo tempo em quotas ideais sobre a propriedade indivisa. A divisão não é material, mas idealizada. Nesse diapasão, cada condômino excerce a propriedade em sua plenitude, respeitando o direito dos demais, No sistema romano a quota é a medida da propriedade. De acordo com essa fração, repartemse os benefícios e ônus, direitos e obrigações entre os comunheiros. ................................................................................................. A tradição românica adotada por nosso ordenamento traduz a natureza do condomínio como modalidade de propriedade em comum com partes ideais. Afastase a idéia de pessoa jurídica ou sociedade por lhe faltar ou não ser essencial a devida affectio. Existe uma coletividade de proprietários no mesmo bem, regulada pelo direito. A sociedade pode ser criada para administrar o bem comum, mas com o condomínio não se confunde. Portanto, o ordenamento não pode deixar de reconhecer o exercício simultâneo da propriedade por mais de um sujeito. Importa estabelecer seu regime legal para que a propriedade atinja suas funções sociais, em benefício dos comunheiros e da coletividade. A aplicação da noção romana facilita também a distribuição equitativa de direitos de forma homogênea, em relação à noção exclusivista do direito de propriedade. Cada condômino é proprietário, pode exercer os poderes inerentes à propriedade sobre a coisa; no entanto, seu ius utendi, fruendi et abutendi apresenta limitação imposta pela convivência dos mesmos direitos com outros consortes . Com relação a terceiros, todavia, como regra geral, não se limita o direito de propriedade de cada um.” É justamente essa limitação ao ius utendi, fruendi et abutendi, que torna a exploração de “Shopping Center” algo diferente de um simples prédio comercial com várias unidades autônomas, pois, nele, é possível impor uma unidade direcional determinante da política empresarial adotada para o empreendimento, o que torna adequada a constituição, pelos investidores, de um condomínio pro indiviso. Sobre essa característica dos “Shopping Centers”, vale trazer à colação trecho do voto do Ministro José Delgado nos Eresp 662.978/PE, quando sustenta que: “O lojista deve obedecer às normas de administração impostas pelo empreendedor, sob pena de subverter a ordem do negócio e prejudicar o empreendimento: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302001.296 S1C3T2 Fl. 1.152 7 deve obedecer a horários de trabalho, campanhas promocionais, decoração homogênea etc. A estas disposições normativas adere o lojista, as quais ficam fazendo parte integrante da relação jurídica. O desatendimento a essas regras, que regulam essa minicomunidade, constituirá infração contratual, permitindo o despejo (art. 9º, II), e será óbice à renovação (art. 71, II).”. Assim, entendo equivocado o Relatório Fiscal quando trata a recorrente como um condomínio edilício, pois, a recorrente não está dividida em unidades autônomas (lojas, box etc.) pertencentes cada uma a um proprietário. O bem em tela é uno, indivisível, pois que forma um condomínio pro indiviso. Aliás, vale ressaltar que, ao compulsar os autos, não encontrei a convenção de constituição do Condomínio Civil Iguatemi Belém. A fls. 76, consta uma convenção datada de 16/03/1994, na qual está dito que a MULTICORP e a PREBEG são titulares de partes ideais correspondentes, respectivamente, a 94,00% (noventa e quatro por cento) e 6,00% (seis por cento) das unidades autônomas (à exceção da loja âncora "D" e das lojas "satélites" nºs 147, 247 e 247A), integrantes do Shopping Center Iguatemi Belém, e que estabelecem um condomínio pro indiviso sobre as frações ideais de terreno, edificações, áreas e instalações comuns pertinentes às lojas. Já a fls. 50, consta um contrato datado de 19/09/2001, celebrado entre os condôminos da recorrente com AD Shopping (contratada para administrar o “Shopping Center”), onde podemos perceber que a Multicorp já não é mais condômina e que a CAFAF, PREBEG, REFER. MESBLA, FUNCEF, SCRB, PARTICIPA e SMA são coproprietárias de todos os direitos das áreas comerciais e das áreas comuns do “Shopping Iguatemi Belém”. Como não foi levantada qualquer dúvida sobre a regular constituição da recorrente, tomo como verdade os dados colhidos no contrato a fls. 50, para concluir que se trata de um condomínio pro indiviso de todas as áreas do “Shopping Iguatemi Belém”. Entender a natureza jurídica da recorrente, para diferenciála dos condomínios edílicios é vital para o bom entendimento da quaestio iuris ora em exame, razão pela qual vale a transcrição do art. 1.332 do Código Civil, que trata da constituição de condôminio edilício, in verbis: “Art. 1.332. Instituise o condomínio edilício por ato entre vivos ou testamento, registrado no Cartório de Registro de Imóveis, devendo constar daquele ato, além do disposto em lei especial: I a discriminação e individualização das unidades de propriedade exclusiva, estremadas uma das outras e das partes comuns; II a determinação da fração ideal atribuída a cada unidade, relativamente ao terreno e partes comuns; III o fim a que as unidades se destinam.” Como se vê, o imóvel que se constitui em um condomínio edilício está dividido em unidades de propriedades exclusivas e área comuns. Assim, é que, v.g., em um edifício residencial, os apartamentos são unidades de propriedades exclusivas, enquanto, por exemplo, o corredor de entrada, salão de festas, etc. são partes comuns. Notese que, nesse caso, a propriedade individual sobre determinado bem imóvel existe paralelamente com a propriedade comum das partes fundamentais à solidificação da comunhão dominial. No caso, em tela, o imóvel não está dividido em unidades de propriedades exclusivas e partes comuns. Não obstante, para continuar tratando desse tema, peço a vênia dos senhores para construir situações semelhantes, porém, por serem mais tangíveis, talvez, possam nos ajudar a responder algumas questões. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Suponhamos que um casal, ao se divorciar, não queira vender a única casa que possua e, assim sendo, fica estabelecido, em sentença, a formação de um condomínio pro indiviso. Posteriormente, resolvem alugar este imóvel. Notem que, embora o art. 981 do CC preceitue que “Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados, seria absurdo falar que tal exploração econômica levaria a que tais receitas fossem consideradas como de uma sociedade em comum daqueles indivíduos que antes formavam um casal, pelo simples fato de que, in casu, faltaria aquilo que se chama de “elemento de empresa”, ou seja, uma organização econômica para combinação de fatores de produção com o fito de lucro. Tratarseia, unicamente, de um aluguel, aliás, se assim não fosse, deveria ser hipótese de equiparação à pessoa jurídica, o simples fato de uma pessoa física alugar um imóvel. Logo, se os condôminos da recorrente tivessem alugado todo o imóvel para um terceiro, já afastaríamos de plano qualquer alegação de existência de exploração econômica por meio de sociedade em comum. Todavia, essa não é a situação em tela, pois, no presente caso, os condôminos alugaram os espaços para vários locatários e contrataram uma outra pessoa jurídica para administrar o imóvel, conforme contrato a fls. 50 e segs. Ajustando a situação ilustrativa anterior, seria o caso, então, de os divorciadoscondôminos alugarem quartos da casa para diversas pessoas e ainda contratarem uma empresa para administrar o imóvel, cobrando os aluguéis, providenciando a limpeza das áreas de uso comum dos locatários etc.. Será que isso já faria surgir um contrato de sociedade entre os divorciadoscondôminos? Será que, nestas condições, obrigatoriamente existirá um contrato de sociedade entre os condôminos? Será que obrigatoriamente terão que apurar IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em vez de apurarem apenas IRPF sobre a participação de cada um no resultado dos aluguéis? Essa, certamente, é uma situação menos tranquila do que a ilustração anterior, mas, se respondermos positivamente, ou seja, que há efetivamente a formação de uma sociedade, isso significará dizer que nenhum bem imóvel pertencente a um condomínio pro indiviso poderá ser explorado economicamente sem a formação de uma sociedade em comum. Isso não me parece razoável. Vale uma nova ilustração. Suponhamos, agora, que irmãos herdem uma propriedade rural e, não querendo vendêla, constituam um condomínio pro indiviso. Ocorre que essa propriedade rural gera receitas e despesas a cada safra colhida, além disso tem empregados e toda uma organização dos seus fatores de produção. Será que obrigatoriamente terão que apurar IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em vez de apurarem apenas IRPF sobre a participação de cada um no resultado da atividade rural? Não me parece que ocorra obrigatoriamente a formação de uma sociedade em comum, pois, repito, se assim fosse, significaria dizer que nenhum bem imóvel pertencente a um condomínio pro indiviso poderia ser explorado economicamente sem a formação de uma sociedade em comum. A sociedade em comum, disciplinada pelo Código Civil de 2002, engloba as antigas figuras das sociedades de fato e irregulares, na qual ou o contrato de sociedade não foi devidamente arquivado na Junta Comercial ou no Registro Público das PJ, ou então, sequer existe um contrato formalizado entre as partes, não obstante os sócios estejam efetivamente exercendo uma empresa. Ora, não se pode dizer que a simples exploração de um imóvel pelos seus coproprietários, tornemnos sócios, assim entendido aqueles que celebram contrato que os obriga a contribuir com bens e serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha de resultados (art. 981, CC). No caso em tela, o que temos é a exploração de um imóvel pertencente a um condomínio pro indiviso, o qual, ao ser explorado economicamente, logicamente, gera receitas e despesas que são dos condôminos na proporção de sua participação no condomínio. Assim, os coproprietários, ao se organizarem para explorar “Shopping Center”, no condomínio pro Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302001.296 S1C3T2 Fl. 1.153 9 indiviso, tornamse sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento, já que o condomínio não tem personalidade jurídica e os contratos de aluguel são celebrados pelos próprios condôminos. É verdade que o objeto de uma sociedade pode ser simplesmente a exploração econômica de um bem imóvel, mas isso não significa dizer que seja sempre necessário constituir uma sociedade para explorar economicamente uma copropriedade. Na verdade, parece que estamos diante de opções legais colocadas ao alvedrio dos co proprietários. Resta, então, um único ponto, o qual reside em saber se o fato de os co proprietários serem pessoas jurídicas que já exploram empresas implicaria em dizer que haveria obrigatoriamente um contrato de sociedade, ainda que em comum, para exploração da sociedade em comum. Tanto esse ponto como todo o entendimento até agora esposado, encontra resposta e amparo no art. 155 do RIR/99, cuja base legal é o art. 7º do Decretolei nº 1.381/74, in verbis: “Art. 7º Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas. Parágrafo único. A cada condômino, pessoa física, serão aplicados os critérios de caracterização da empresa individual e demais dispositivos legais como se fosse ele o único titular da operação imobiliária, nos limites de sua participação.”. Ou seja, ainda que os condôminos pessoas jurídicas explorem economicamente a copropriedade, não se formará por causa de tal atividade uma sociedade de fato. Reforça ainda tal entendimento o parágrafo único acima transcrito, pois ainda que o condomínio explore a atividade de incorporação imobiliária, quem responderá pelos tributos serão os condôminos, os quais, sendo pessoa física, serão equiparados a pessoa jurídica, por conta legislação do IR. Fica claro assim que o legislador não só deu opções de que a co propriedade fosse explorada economicamente pelos condôminos, como vedou qualquer possibilidade de se impor um tratamento de sociedade em comum (ou “de fato” na dicção daquela época) para a empresa exercida. Por último, equivocase o autuante quando fala que haveria uma competição desleal. Isso não é verdade, pois, ao não se constituir como sociedade, os condôminos se colocaram com sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o resultado econômico do “Shopping Center”. Por sua vez, se tivessem se constituído como sociedade, como queria o autuante, haveria a tributação na pessoa jurídica da sociedade e todo o resultado líquido seria distribuído aos sócios sem tributação. Vale lembrar que, no Brasil, os lucros distribuídos não são tributados na pessoa dos sócios, nem sofrem a incidência de IRRF quando pagos, por força do art. 10 da Lei 9.249/95. A depender da situação, a formação do condomínio pro indiviso pode ser até mais gravosa para os contribuintes, pois sabemos que a tributação de pessoas jurídicas (sociedades), às vezes, leva a uma carga tributária menor, mesmo considerando o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, do que se os mesmos rendimentos fossem tributados apenas pelo IRPF. No caso em tela, não existe esse problema, pois os condôminos eram todos pessoas jurídicas, logo, nominalmente, a carga tributária era a mesma, estivessem organizados como sociedade ou como condomínio pro indiviso. Aliás, a recorrente alega que há um bis in idem, pois, como diz, “os tributos ora exigidos não deixaram de ser recolhidos, já que foram pagos pelos condôminos, conforme Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 prova, por exemplo, os recolhimentos feitos pela CAPAF juntados aos autos”. Ora, se isso for verdade algo que não me cabe agora verificar, já que investigo apenas a sujeição passiva significa dizer que as pessoas jurídicas condôminas estavam isentas dos tributos sobre as mesmas bases ora lançadas, já que, ao ser deslocada a sujeição passiva para uma sociedade em comum, parte dos valores recebidos pelos condôminos era lucro e não podiam ser tributados. Notese que tudo o que analisamos foi apenas a sujeição passiva, sem adentrar no mérito se os valores oferecidos à tributação pelos condôminos foram efetivamente o correspondente ao resultado da sua participação nas receitas e despesas do condomínio. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, por entender que houve erro na identificação do sujeito passivo. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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