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Numero do processo: 10120.003290/2006-34
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por maioria, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da tributação nos anos-calendário 2000 e 2001 as quantias de R$ 1.007.531,65 e R$ 177.850,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte
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INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 32 90 /2 00 6- 34 Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.543 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por maioria, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da tributação nos anoscalendário 2000 e 2001 as quantias de R$ 1.007.531,65 e R$ 177.850,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra RUI VIEIRA MENDONÇA foi lavrado Auto de Infração, fls. 2730/2789, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000 a 2002, exercícios 2001 a 2003, no valor total de R$ 6.899.580,92, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/04/2006. Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.544 3 A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, destacandose os seguintes trechos extraídos da Descrição dos Fatos: Através de procedimento fiscal executado em nome do contribuinte JOÃO VIEIRA MENDONÇA SOBRINHO, CPF 440.226.70134, relativamente ao imposto de renda pessoa física dos exercícios de 2001 a 2003, anoscalendário de 2000 a 2002, foi solicitada a comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações dos créditos bancários efetuados na sua conta corrente 6.1158 do Banco Bradesco S/A, através do Termo de Intimação Fiscal n° 1200/2005, de 05/10/2005 (Mandado de Procedimento Fiscal n° 01201002004011719), constando o ora fiscalizado, RUI VIEIRA MENDONÇA, como procurador do fiscalizado. Durante a ação fiscal, ficou comprovado mediante declaração do próprio RUI VIEIRA MENDONÇA, que o Sr. JOÃO VIEIRA MENDONÇA SOBRINHO tratase de interposta pessoa, declarando aquele, em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal acima indicado, que tomou emprestada deste a conta corrente bancária de n° 6.1158, por ele mantida na agência 14842 do Banco Brasileiro de Descontos S/A, bem como que todas as operações havidas naquela conta foram por ele realizadas, no período de 01 de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002. (...) Foi então iniciada a ação fiscal com a lavratura em 10/02/2006 do Termo de Início de Ação Fiscal n° 106/2006, de 10/02/2006, solicitando do contribuinte em epígrafe a comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos/depósitos bancários realizadas na conta corrente e poupança n° 0000006115, da agência 01484, do Banco Bradesco S/A, em nome de João Vieira Mendonça Sobrinho, cuja movimentação foi realizada pelo contribuinte ora fiscalizado, conforme declaração prestada em 14/11/2005. (...) Aos 30/03/2006, apresentou o contribuinte uma série de documentos bancários, em sua maioria comprobatórios dos créditos efetuados em sua conta corrente, alguns discriminados por número de cheque, ou ainda por "remetente", bem como cópias de documentos de depósitos, remessas, e transferências, não logrando no entanto comprovar a origem de tais créditos bancários, como solicitado no Termo de Início de Ação Fiscal acima mencionado. Nenhuma justificativa ou explicação acompanhou referidos documentos. Isto posto, foi então emitido o Termo de Intimação Fiscal n° 304/2006, de 31/03/2006, recebido em 17/04/2006, solicitando do contribuinte: "Comprovar, através de documentação hábil e idônea acompanhada de justificativa por escrito, a origem dos Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.545 4 recursos aplicados nas operações de créditos/depósitos bancários realizadas na conta corrente e poupança n° 0000006115, da agência 01484, do Banco Bradesco S/A, de titularidade de João Vieira Mendonça Sobrinho, cuja movimentação foi realizada por V.Sa, conforme declaração prestada em 14 de Novembro de 2005, posto que os documentos apresentados por V.Sa em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal n° 106/2006, de 10/02/2006, comprovam tão somente a realização dos depósitos e não sua origem". Até a presente data, nenhuma outra alegação ou documento foi apresentado. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 2958/2978, e a autoridade julgadora de primeira instância negou o pedido de diligência, rejeitou a preliminar de decadência e julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 0319.175, de 23/11/2006, fls. 3344/3354. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 05/03/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 3365, o contribuinte apresentou, em 30/03/2007, recurso voluntário, fls. 3368/3389, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que a decisão recorrida é nula, posto que não analisou os documentos juntados aos autos pelo recorrente e negou o pedido de diligência em evidente violação ao princípio do contraditório e ampla defesa. que o crédito tributário referente ao período de 31/01/2000 a 30/04/2001 já se encontrava alcançado pela decadência na data do lançamento. que o recorrente tentou comprovar a origem dos créditos através da documentação protocolizada em 09/05/2006, que não foi analisada pela autoridade fiscal. que na referida documentação está comprovado que o contribuinte obteve empréstimo de cerca de R$ 300.000,00 junto a terceiros e através desta importância começou a realizar a compra de combustível junto às distribuidoras de petróleo, conforme comprovantes de depósitos a favor destas empresas, e revendêlo para os postos de gasolina, conforme notas fiscais em anexo, com obtenção de reduzida margem de lucro. que o recorrente juntou petição de execução promovida em seu desfavor por Marcelo Esteves dos Santos, para demonstrar que o mesmo realizou o empréstimo no valor de R$ 200.000,00 (esclarece que embora a nota promissória tenha sido emitida em nome de Marcelo Esteves dos Santos, na verdade o empréstimo foi concedido por Vanio Benedito Esteves dos Santos). que os R$ 100.000,00 restantes foram emprestados por Gilson José dos Santos, razão porque o recorrente requereu que o mesmo fosse chamado para corroborar esta afirmação. que o empréstimo recebido de Gilson José dos Santos pode ser comprovado através de depósitos e documentos de crédito – DOC feitos pelo mutuário para a distribuidora Petrosul Distribuidora Transportadora Combustíveis Ltda, a fim de pagar o combustível adquirido pelo recorrente, assim como pelas Notas Promissórias pagas pelo recorrente, juntadas ao processo. Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.546 5 que o recorrente informa algumas distribuidoras de petróleo onde o mesmo adquiriu combustível, assim como alguns postos de combustíveis que foram seus clientes e que tais pessoas jurídicas, uma vez intimadas, poderão comprovar a alegação do contribuinte. que a multa, no percentual de 75% é confiscatória, impondose sua substituição pelo percentual de 2%. que os juros calculados com base na taxa Selic é inaplicável. Em sessão plenária realizada em 16/12/2008, A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso em diligência, conforme Resolução nº 10202.463, fls. 3405/3416, nos seguintes termos: A farta documentação apensada suscita indícios importantes da prática informal de atividade de comércio. Além disso, às fls.2965 (pertencente à impugnação), o interessado apresenta uma lista contendo os nomes das distribuidoras e dos postos de combustíveis com os quais alega ter comercializado derivados de petróleo. Assim, diante dos documentos apresentados, dos relevantes valores objeto de autuação e da possibilidade da prática alegada ser efetivamente verdadeira, entendo que o julgamento do presente feito deve ser convertido em diligência, sob pena de cerceamento do direito de plena defesa, para que todas as pessoas físicas ou jurídicas, mencionadas às fls. 2965 em diante, sejam intimadas a informar (i) se praticaram operações de comércio de combustíveis com o interessado, (ii) quando praticaram, (iii) como estas operações estão contabilizadas em suas respectivas escritas fiscais, (iv) como se davam as operações entre as partes envolvidas; (v) quem eram as pessoas responsáveis pelo comércio alegado, (vi) quais os valores pagos e recebidos por aqueles que vendiam e compravam os combustíveis do interessado, e, (vii) demais informações consideradas relevantes para o deslinde do caso. Deve também ser intimado o Sr. Gilson José dos Santos para comprovar, sob as penas da Lei, o suposto empréstimo ao interessado, no valor de R$ 100.000,00. De igual modo, devem ser intimados os Srs. Vanio Benedito Esteves e Marcelo Esteves dos Santos, para que informem sob as penas da Lei, os eventuais empréstimos em favor do interessado. A motivação e origem dos empréstimos, também devem ser objeto de esclarecimento. Feitas as intimações solicitadas na mencionada Resolução, a autoridade fiscal lavrou, em 21/01/2011, Termo de Encerramento de Diligência, fls. 3750/3755, onde esclarece que das 43 pessoas jurídicas (distribuidoras e revendedoras de combustíveis) intimadas, 16 não foram localizadas, 11 não responderam à intimação, e 16 atenderam à intimação, sendo que apenas cinco confirmaram a realização de alguma operação comercial com o recorrente e destes cinco somente três apresentaram algum tipo de documento comprobatório da operação. Quanto aos empréstimos, o Sr. Vanio Benedito Esteves dos Santos confirmou que emprestou a quantia de R$ 197.673,00 para o recorrente em 20/03/2003 e o Sr. Gilson José dos Santos não foi localizado. Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.547 6 Cientificado do Termo de Encerramento de Diligência, fls. 3750/3755, o contribuinte se manifestou, resposta, fls. 3765/3768, prestando os seguintes esclarecimentos: que Vanio Benedito Esteves dos Santos faltou com a verdade quando afirmou que o empréstimo de R$ 197.673,00 é decorrente da nota promissória de 20/03/2003, posto que a relação jurídica existente é originária de julho de 2000. que Marcelo Esteves dos Santos poderá confirmar que o empréstimo foi realizado em 2000 (forneceu endereço de Marcelo). que as operações realizadas com a empresa Petrosul são muito superiores aos valores informados, conforme se comprova pelos depósitos bancários apresentados e anotações realizadas na agenda do recorrente. O contribuinte forneceu ainda em sua resposta o endereço de Gilson José dos Santos e declarações das seguintes pessoas jurídicas: Posto Sergio Barnabé de Deus, Auto Posto Trevão Ltda, FC Petróleo Ltda e Auto Posto Santa Helena Ltda, nas quais confirmase a aquisição de combustíveis com a interveniência do recorrente. Diante das alegações do contribuinte, a autoridade fiscal procedeu novas intimações e lavrou em 06/10/2011, novo Termo de Encerramento de Diligência, fls. 4198/5004, onde consolida todas as informações obtidas com as diligências realizadas junto às distribuidoras e revendedoras de combustíveis e informa que Gilson José dos Santos não foi localizado no endereço fornecido pelo recorrente, Marcelo Esteves dos Santos não respondeu às intimações e Vanio Benedito Esteves dos Santos confirmou as informações já anteriormente prestadas. Em 01/11/2011 o contribuinte protocolizou petição, fls. 4539, informando novo endereço de Gilson José dos Santos. É o Relatório. Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.548 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade da decisão recorrida, sob a alegação de violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, em razão da falta de apreciação dos documentos juntados aos autos e também porque não fora realizada a diligência solicitada. No que se refere à diligência solicitada, a autoridade julgadora de primeira instância negou o pedido formulado pelo contribuinte nos seguintes termos: Em suma, a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido de diligência pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, exigindose, portanto, o pronunciamento sobre o assunto por parte de um terceiro. A diligência junto aos distribuidores e postos de combustíveis com os quais o interessado alega ter realizado negócios é considerada prescindível por esta autoridade julgadora, uma vez que, de acordo com o inciso III, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, cabe ao contribuinte, no momento da impugnação, trazer aos autos os motivos e as provas que possuir. De acordo com o § 4º, do artigo 16 do PAF, acima transcrito, o momento oportuno de apresentação de provas é na impugnação, a não ser que se avente a existência de uma das hipóteses ali previstas. Assim, cabia ao interessado providenciar as provas que solicita sejam obtidas por meio de diligencia junto aos parceiros, e teve várias oportunidades para tanto. Desse modo, descabe o pedido de diligência formulado pelo interessado, tendo em vista ser desnecessária em face de os elementos de prova contidos nos autos serem suficientes para a formação de convicção sobre a matéria. Do trecho da decisão recorrida, acima transcrito, inferese que a não realização da diligência encontrase perfeitamente fundamentada, de modo que não restou caracterizada, neste aspecto, cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Também quanto à alegação do recorrente de que a decisão recorrida não teria analisado as provas juntadas aos autos não assiste razão ao contribuinte. Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.549 8 No voto condutor da decisão recorrida, o relator assim se pronuncia acerca dos documentos juntados aos autos pela defesa: Apesar de trazer aos autos documentos com o intuito de demonstrar haver tomado empréstimos com terceiros e que, com esses recursos teria comprado e vendido combustíveis, em momento algum, a defesa tentou, individualizadamente, vincular os depósitos em conta corrente a qualquer dessas operações, nem mesmo a título de exemplo. Por conseguinte, deve ser mantido inalterado o lançamento de omissão de rendimentos evidenciada por depósitos bancários injustificados. Vêse, portanto, que para a autoridade julgadora de primeira instância, a documentação juntada aos autos não se presta para comprovar a origem dos recursos movimentados nas contas bancárias fiscalizadas em razão de não comprovar a origem individualizadamente de nenhum dos créditos havidos nas referidas contas. Nestes termos, considerando que a decisão de primeira instância está devidamente fundamentada e que aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, afastase a alegação de nulidade da decisão recorrida. No mérito, o contribuinte afirma que o crédito tributário referente ao período de 31/01/2000 a 30/04/2001 já se encontrava alcançado pela decadência na data do lançamento. Para a análise da questão, fazse necessário observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.550 9 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Do acima transcrito, inferese que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, o prazo decadencial é aquele disposto no art. 150, §4º, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), desde que haja a antecipação do pagamento. Contudo, na ausência da antecipação do pagamento ou nos casos Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.551 10 em que restar caracterizada as hipóteses de dolo, fraude ou simulação o prazo decadencial será contado nos termos do disposto no art. 173, I, do CTN. No presente caso, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2001, anocalendário 2000, fls. 2719/2720, no modelo simplificado, não apurando saldo de imposto a pagar ou a restituir. Não ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, seja mediante retenção de imposto na fonte, seja por apuração de saldo de imposto a pagar. Assim, a contagem do prazo decadencial se dará conforme disposto no art. 173, I, do CTN. A norma do art. 173, I, manda contar o prazo decadencial do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ou seja, para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000, o termo inicial do prazo decadencial é 01/01/2002 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado) e 31/12/2006 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 23/05/2006 (Aviso de Recebimento, fls. 2792), não há que se falar em decadência do direito de lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2000. Já quanto aos fatos geradores ocorridos de 01/01/2001 a 30/04/2001 também não se verifica a decadência na data do lançamento, posto que não houve a antecipação do pagamento, conforme se comprova da DAA/2002, fls. 2721/2722. Logo, a contagem do prazo decadencial também se faz conforme disposto no art. 173, I, encerrandose em 31/12/2007. Nessa conformidade, afastase a alegação de decadência suscitada pela defesa. Isto posto, passase a análise das alegações da defesa no que concerne à comprovação dos depósitos havidos na conta bancária examinada. De pronto, cumpre lembrar que o contribuinte fez uso de interposta pessoa, posto que admitiu, durante o procedimento fiscal, que a conta bancária em questão, cujo titular era Rui Vieira Mendonça Sobrinho, era por ele movimentada. Pois bem. Ainda, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado a fazer a comprovação da origem dos recursos movimentados na referida conta, porém, conforme relatado no Auto de Infração pela autoridade fiscal, o contribuinte limitouse a apresentar uma série de documentos bancários, os quais se prestavam para comprovar o depósito, mas não a origem dos mesmos, sendo certo que tal documentação não foi acompanhada de nenhum esclarecimento. Devese, ainda dizer que o procedimento fiscal iniciouse em 10/02/2006 e que o Auto de Infração foi lavrado em 04/05/2006, com ciência por via postal em 23/05/2006. Entre a data da lavratura e a data da ciência do Auto de Infração, em 12/05/2006, o contribuinte apresentou novos documentos à autoridade fiscal, os quais foram juntados aos autos, fls. 2794/2949. Referidos documentos, mais uma vez, não foram acompanhados de nenhum esclarecimento por parte do contribuinte. Somente na impugnação e depois, no recurso voluntário, o contribuinte esclareceu que recebera empréstimo de terceiros, no valor de R$ 300.000,00, e que através Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.552 11 desta importância começou a realizar a compra de combustível junto às distribuidoras de petróleo e revendêlo para os postos de gasolina, com obtenção de reduzida margem de lucro. Nesse contexto, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso em diligência, por entender que a farta documentação apensada aos autos evidenciaria indícios importantes da prática informal de atividade de comércio. A diligência tinha basicamente dois objetivos, comprovar a prática de comércio de combustíveis por parte do contribuinte e a comprovação do empréstimo tomado, no valor de R$ 300.000,00. Procedida as diligências solicitadas na Resolução nº 10202.463, fls. 3405/3416, a autoridade fiscal elaborou dois Termos de Encerramento de Diligência, fls. 3752/3755 e 4198/5004, cujos principais trechos abaixo são transcritos: Do total de 43 pessoas intimadas, 11 não responderam à intimação, 16 não foram encontradas por algum motivo (mudou se, ausente, recusado, não existe o nº, etc.) e 16 responderam a intimação. Consta no documento ANEXO I um resumo do resultado da circularização. Das 16 pessoas que responderam à intimação somente 5 afirmaram que realizaram alguma operação com o autuado e destes 5 somente 3 apresentaram algum tipo de documento comprobatório dessa operação (cópia de notas fiscais e/ou da contabilidade). A seguir passamos a detalhar as informações das pessoas que afirmaram ter efetuado algum tipo de operação comercial com o autuado: 1) TOTAL DISTRIBUIDORA S/A, CNPJ 01.241.994/000605: A empresa Total confirmou alguns depósitos efetuados em sua conta corrente tendo como depositante o Sr. Rui Vieira Mendonça no valor total de R$ 20.400,00 no período objeto de fiscalização, conforme relação abaixo: 21/01/2002 Depósito de R$ 5.700 ref. Pagamento NF 019234; 21/02/2002 Depósito de R$ 5.700 ref. Pagamento NF 020477/020478; 29/04/2002 Depósito de R$ 4.500 ref. Pagamento NF 023212/02321; 20/05/2002 Depósito de R$ 4.500 ref. Pagamento NF 024000 O depósito efetuado em 10/02/2003 no valor de R$ 6.000 ref. ao pagamento da NF 033754/034277 está fora do período objeto de fiscalização (2000 a 2002). Os depósitos efetuados foram feitos por meio de cheques, por meio de dinheiro e transferência bancária (fl. 3.643). Fl. 4552DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.553 12 Segundo informa a empresa Total, os depósitos efetuados em sua conta prestaram para pagamento de venda de combustíveis e derivados de petróleo para as seguintes empresas: Comercial de Deriv Petr Itafertil, CNPJ 26.951.673/000110 Marcelo Esteves dos Santos, CNPJ 24.875.304/000160 Transportadora Sabino Ltda, CNPJ 02.737.690/000434 Ferreira Serviços Limpeza e Transporte Com. Pet. Ltda, CNPJ 02.881.921/000489 Apresentou cópia dos comprovantes de depósitos e cópia do livro contábil que registra o lançamento das transações (fls. 3617/3676). 2) SANTA FÉ PETRÓLEO E DERIVADOS LTDA, CNPJ 25.774.084/000141: Informou que realizou várias transações com o Sr. Rui Vieira Mendonça e descreveu o modus operandus porém não apresentou nenhum documento fiscal ou contábil que comprovasse suas alegações (fl. 3.677). 3) WALTER ZILAH LTDA, CNPJ 00.819.920/000136: Informou que comprou combustível da empresa Total Distribuidora Ltda, CNPJ 01.241.994/000605, intermediada pelo Sr. Rui Vieira Mendonça no período de 03/2001 a 04/2002; Informou ainda: Que os pagamentos eram feitos para o Sr. Rui; Que a compra era feita diretamente pelo Sr. Rui; Que o pagamento era feito às vezes em dinheiro, às vezes em cheque; Que o valor total da comercialização no período foi de aproximadamente de R$ 408.320,00. Citou uma relação de números de Notas Fiscais porém não apresentou estes documentos, nem os lançamentos em sua contabilidade, não apresentou também nenhuma comprovação dos pagamentos efetuados (fl. 3679). 4) ANTONIA PARREIRA, CNPJ 01.827.599/000102: Informou que a empresa, no período, realizava compras de petróleo da empresa UDI PETRO (Uberlânida Distribuidora de Petróleo do Triângulo Ltda, CNPJ 01.586.202/000200), tendo como intermediário o Sr. Rui Vieira Mendonça, que este se apresentava como funcionário da empresa UDI PETRO; Que os pagamentos eram feitos diretamente ao Sr. Rui por meio de cheques; Apresentou algumas Notas Fiscais de compra porém não apresentou comprovação dos pagamentos nem comprovação dos registros das transações em sua contabilidade. Apresentou cópia de Notas Fiscais de compra que totalizam R$ 40.445,00 (fls. 3680/3692). 5) SADAKO MATSUSE ME, CNPJ 02.503.452/000111: Informou que realizou transações com o Sr. Rui no ano de 2001; Que a forma de pagamento era feita por meio de cheques no valor total da nota fiscal acrescido do frete; Que o Sr. Rui era o Fl. 4553DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.554 13 transportador junto às distribuidoras de combustíveis. Apresentou algumas notas fiscais de compra de combustíveis da empresa PETROSUL DISTRIBUIDORA TRANSP. E COM. DE COMBUSTIVEIS LTDA, CNPJ 00.175.884/000204 e o lançamento dessas transações em sua contabilidade (fls.3.706/3718). Apresentou cópia de Notas Fiscais de compra que totalizam R$ 121.500,00 (fls.3.680/3732). Quanto à origem do recurso as pessoas físicas GILSON JOSE DOS SANTOS, VANIO BENEDITO ESTEVES e MARCELO ESTEVES DOS SANTOS foram diligenciadas. Abaixo apresentamos o resultado: O Sr. GILSON JOSÉ DOS SANTOS, CPF 387.377.60149, foi intimado, via correio, a esclarecer o empréstimo de R$ 100.000,00. A correspondência retornou com o motivo "mudouse". O endereço utilizado foi o constante no cadastro CPF da Receita Federal. (fl. 3.735; 3.736 e 3.740). Em diligência no endereço do Sr. Gilson na cidade de RubiatabaGO, fomos informados por um dos vizinhos que o Sr. Rui mudouse para a cidade de Goiânia e que não conhece o seu endereço e ou telefone naquela cidade. Procuramos sua irmã na cidade de RubiatabaGO, Sra. Cleide, e esta nos informou que o Sr. Rui mudouse para Goiânia e que não tem conhecimento de seu endereço/telefone (fl. 3.744/3.746). O Sr. MARCELO ESTEVES DOS SANTOS, CPF 375.361.761 04, foi intimado, via correio, a esclarecer o empréstimo no valor de R$ 200.000,00 ao Sr. Rui. A correspondência retornou com o motivo "mudouse". O endereço utilizado foi o constante no cadastro CPF da Receita Federal. (fl.3.733; 3.734 e 3.739). O Sr. VANIO BENEDITO ESTEVES DOS SANTOS, CPF 083.468.95100, foi intimado a esclarecer o empréstimo no valor de R$ 200.000,00 ao Sr. Rui, em resposta o mesmo informou que efetuou um empréstimo no valor original de R$ 197.673,00 em 20 de março de 2003. Informou ainda o seguinte: "...embora pertencendo a mim, tal Nota Promissória foi emitida em nome de MARCELO ESTEVES DOS SANTOS...". Apresentou cópia da Nota Promissória. (fl. 3.737; 3.738; 3.741 a 3.743). (...) Inicialmente foi elaborado o Termo de Encerramento de Diligência datado de 21/01/2011 (fls. 3.750/3.755) cuja ciência ao sujeito passivo se deu em 03/02/2011 (fls. 3.756/3.757)). Neste Termo foi dada a oportunidade para o sujeito passivo se manifestar, se assim desejasse. Em 14/02/2011 o sujeito passivo solicitou que fosse feita nova tentativa de intimação daquelas pessoas que por algum motivo não atenderam à solicitação da Receita Federal para apresentarem documentos e/ou esclarecimentos sobre as Fl. 4554DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.555 14 operações comerciais efetuadas com o sujeito passivo. Solicitou também prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias para apresentar endereço atualizado daquelas pessoas/empresas que não foram localizadas. (fls. 3.759/3.761). Em 28/02/2011, o sujeito passivo apresentou solicitação de atualização de seu endereço cadastral, visto que em diligência o mesmo não foi encontrado em seu endereço que consta no Cadastro Pessoa Física (CPF), (fls. 3.763/3.764). Em 10/03/2011, o sujeito passivo apresenta sua manifestação ao Termo de Encerramento de Diligência onde tece algumas considerações e requer que sejam tomadas algumas providências pela fiscalização (fls. 3.765/3.768). A seguir apresentamos, em resumo, a manifestação do sujeito passivo ao referido Termo de Encerramento de Diligência: a) Quanto à informação dada pelo Sr. Vânio de que o empréstimo de R$ 197.673,00 é decorrente de uma nota promissória de 20/03/2003, afirma que a mesma é originária de julho de 2000. Estas alegações já tinham sido apresentadas anteriormente neste processo conforme folha 2.797. Fez requerimento para que o Sr. Marcelo Esteves dos Santos fosse diligenciado para que confirmasse as operações realizadas. Em atendimento, foram feitas intimações para o Sr.Marcelo Esteves dos Santos porém o mesmo não atendeu às intimações efetuadas; b) Em relação à empresa Petrosul Distribuidora Transp. e Com. de Combustíveis esclareceu que o valor foi superior ao informado pela empresa. Apresentou comprovantes de depósitos bancários realizados em favor da empresa Petrosul (fls. 3.769/3.787) e sua agenda pessoal onde afirma ter realizado anotações das operações (fls. 3.804/3.954). Os comprovantes bancários apresentados tem como remetentes o Sr. João Viera Mendonça e Gilson José dos Santos; c) Apresentou o endereço do Sr. Gilson José dos Santos. Em diligência, o mesmo não foi encontrado no endereço indicado; d) Apresentou declarações das empresas Sergio Barnabé de Deus, Auto Posto Trevão, FC Petróleo Ltda, Santa Fé Petróleo e Derivados e Auto Posto Santa Helena Ltda onde estas declaram terem efetuado operações comerciais com o Sr. Rui Vieira Mendonça (fls. 3.798/3.801). e) Apresentou cópia de uma agenda onde disse registrar todas as operações comerciais (fls. 3804/3954); f) Parte dos documentos apresentados na manifestação já tinham sido apresentados anteriormente no processo conforme folhas 2.873/2.822; 2.798;2.985. Durante o procedimento, todas as pessoas indicadas pelo sujeito passivo às folhas 2.965/2.968 do processo (distribuidoras e revendedoras de combustíveis e derivados de petróleo) foram intimadas a apresentar esclarecimentos e documentos sobre as Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.556 15 operações comerciais realizadas com o sujeito passivo, especialmente: 1) Se praticaram operações de comércio com o Sr. Rui, indicando o período em que tais operações ocorreram; 2) Como essas operações estão contabilizadas em sua escrita fiscal; 3) Como se davam as operações entre as partes envolvidas, em especial, quanto forma de pagamento das mesmas; 4) Quem eram as pessoas responsáveis pelas operações de compra e venda; 5) Quais os valores pagos e recebidos por aqueles que compravam e vendiam os combustíveis do Sr. Rui; 6) Demais informações que dispuserem e considerem relevantes para o caso; Do total de 43 pessoas jurídicas intimadas a apresentarem documentos e esclarecimentos sobre as operações comerciais realizadas com o sujeito passivo, a maioria afirmaram não terem realizado operações com o sujeito passivo. (...) A seguir apresentamos de forma mais detalhada o resultado da diligência: I) QUANTO ÀS EMPRESAS QUE RELATARAM TER TIDO ALGUMA RELAÇÃO COMERCIAL COM O SUJEITO PASSIVO: a) TOTAL DISTRIBUIDORA S/A, CNPJ 01.241.994/000605: (...) b) SANTA FE PETRÓLEO E DERIVADOS LTDA, CNPJ 25.774.084/000141: (...) c) WALTER ZILAH LTDA, CNPJ 00.819.920/000136: (...) d) ANTONIA PARREIRA, CNPJ 01.827.5991000102: (...) e) SADAKO MATSUSE ME, CNPJ 02.503.452/000111: (...) f) SERGIO BARNABE DE DEUS, CNPJ 01.765.559/000175: Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.557 16 Afirmou que comprou combustível da empresa "Total Distribuidora Ltda", CNPJ 01.241.994/000605, intermediada pelo Sr. Rui Vieira Mendonça no período de 03/2001 a 04/2002; Que os pagamentos eram feitos diretamente ao Sr. Rui, em dinheiro ou cheque; Que o valor total da comercialização no período foi de R$ 417.540,55; Apresentou notas fiscais de compra de combustível da empresa "Total" e livros contábeis com os registros das operações. (fls. 4.061/4.145). g) AUTO POSTO SANTA HELENA, CNPJ 02.904.894/000170: Declarou que adquiriu combustível nos anos de 2000 a 2001 das Distribuidoras Petrosul, Udipetro — Uberlânida Distribuidora, Buffalo Petróleo do Brasil e outras, mediante intermediação do Sr. Rui Vieira Mendonça; que os pagamentos eram feitos em cheque e depósitos em conta do seu irmão João Vieira Mendonça Sobrinho; que não possui mais os livros fiscais e contábeis do período. (fls. 4.193/4.194). h) FC PETROLEO LTDA, CNPJ 02.645.614/000156: Afirmou que no período de 2000 a 2001 manteve relações comerciais com o Sr. Rui Vieira; que efetuava pagamento para as distribuidoras Petrosul e Udipetro por meio de depósitos em conta do Sr. João Vieira. Não apresentou documentos que comprovassem sua declaração. (fls. 4.191/4.192). i) RONILDO AUGUSTO DA SILVA ME, CNPJ 00.406.837/000135: Afirmou que a empresa de sua propriedade atua apenas no ramo de confecção de blocos e notas fiscais e que entre os anos de 2000 e 2002 confeccionou blocos de notas fiscais para a empresa Transportadora Nossa Senhora da Glória Ltda ME, de propriedade do Sr. Rui Vieira. (fls. 4.146/4.149). II) QUANTO ÀS EMPRESAS QUE AFIRMARAM NÃO TER NENHUMA RELAÇÃO COMERCIAL COM O SUJEITO PASSIVO: a) EXXCEL BRASILEIRA DE PETRÓLEO, CNPJ 00.653.747/000149, afirmou que negocia apenas com pessoas jurídicas e não logrou identificar o Sr. Rui dentre os seus fornecedores/clientes; (fls. 4.171); b) VALDECI DE OLIVEIRA RESENDE, CNPJ 03,379.762/0001 39, a pessoa física que consta no sistema como responsável pela empresa (Sr. Valdeci), afirmou que no período de 2000 a 2002 não era mais responsável pela empresa; que não sabe informar sobre a documentação da empresa no período ou sobre algum negócio firmado com o Sr. Rui; (fls. 4.182/4.183); c) POSTO QUINCA MARIANO LTDA, CNPJ 21.546.577/0001 73, afirmou que a única operação que realizou com o Sr. Rui foi a de locação de imóvel comercial de sua propriedade para atividade de posto de gasolina no período de 04/2001 a 10/2001. Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.558 17 Não realizou compra ou venda de combustível com o Sr. Rui; (fls. 4.149/4.152); d) MINAS DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, CNPJ 01.447.829/000142, afirmou que não realizou nenhuma operação com o autuado. (fls. 3516/3518). e) PETROSUL DISTR. TRANSP. COM.COMB. LTDA, CNPJ 00.175.884/000204, não confirmou nenhuma operação, disse que não possui registros do período de 2001 a 2002. fls. 3519/3540. f) EXPRESS DISTR. COMB. DERIV. PETR. LTDA / PETROEXPRESS DISTR. DE COMB., CNPJ 02.924.588/0001 03, disse não ter conhecimento sobre qualquer operação com o autuado. Fls. 3541/3582. g) MARCELO ESTEVES DOS SANTOS, CNPJ 24.875.304/0001 60, a empresa, por meio de seu responsável legal, afirmou que não realizou nenhuma operação comercial com o autuado. Fls. 3583/3584. h) COMERCIAL DE DERIVADO DE PETR. ITAFERTIL, CNPJ 26.951.673/000110, afirmou que não realizou nenhuma operação comercial com o autuado. Fls. 3585/3586. i) COMERCIAL DE COMB. CANADA PLUS LTDA (COMERCIAL DE COMBUSTÍVEIS LN LTDA), CNPJ 02.673.534/000104, afirmou que não realizou nenhuma operação comercial com o autuado. Fls. 3587/3588. j) MENDONÇA & IBLER LTDA, CNPJ 03.299.732/000112, afirmou que não realizou nenhuma operação comercial com o autuado. Fls. 3589/3590. k) A J SANTOS E CIA .LTDA, CNPJ 01.126.242/000199, afirmou que não realizou nenhuma operação comercial com o autuado. Fls. 3591/3593. l) REVENDEDORA DE COMB. AVENIDA LTDA, CNPJ 02.330.843/000181, disse que não realizou nenhuma operação comercial com o autuado no período de 2001 a 2002. Fls. 3594/3595. m) AUTO POSTO CORUMBA ALMEIDA E LELIS LTDA (ALMEIDA E LELIS LTDA), CNPJ, 00.794.122/000105, não tem conhecimento sobre qualquer operação com o autuado. Fls. 3596/3597. n) AUTO POSTO MONTE ALEGRE LTDA, CNPJ 00.145.573/000103, não confirmou nenhuma operação com o autuado no período. Fls. 3598/3616. o) POSTO URUAÇU LTDA, CNPJ 02.664.043/000105, afirmou que encerrou suas atividades em junho/2000; que nunca praticou atos de comércio com o Sr. Rui Vieira Mendonça (fls. 4.184/4190). Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.559 18 p) AUTO POSTO RIO QUENTE LTDA, CNPJ 03.089.684/0001 38, a pessoa física intimada Sr. Sergio Loureiro Valente, CPF 028.379.20860, afirmou que no período de 2000 a 2002 não fazia parte da administração da empresa (fls. 4.172/4.181). III) DAS OPERAÇÕES DE EMPRÉSTIMOS (ORIGEM DOS RECURSOS): 1. O Sr. GILSON JOSÉ DOS SANTOS, CPF 387.377.60149, foi intimado, via correio, a esclarecer o empréstimo de R$ 100.000,00. A correspondência retornou com o motivo "mudouse". O endereço utilizado foi o constante no cadastro CPF da Receita Federal. (fl. 3.735/3.736 e 3.740). Em diligência no endereço do Sr. Gilson na cidade de RubiatabaGO, o mesmo não foi encontrado e obtivemos informação de que havia mudadose para a cidade de Goiânia porém em endereço desconhecido conforme termo de constatação às fls. 3.744/3.746. Posteriormente, o Sr. Rui apresentounos um endereço que afirmou ser do Sr. Gilson. Efetuamos a intimação via edital (fl. 4.013). Para certificar, encaminhamos cópia do Edital de Intimação do Sr. Gilson para o endereço indicado pelo Sr. Rui e as correspondências retornaram com o motivo "endereço insuficiente". (fls. 4.002; 4.018;). Foram lavrados dois autos de infração contra o Sr. Gilson por não atendimento às intimações fiscais; 2. A pessoa física MARCELO ESTEVES DOS SANTOS, CPF 375.361.76104, foi intimado, via correio, a esclarecer o empréstimo no valor de R$ 200.000,00 ao Sr. Rui. A correspondência retornou com o motivo "mudouse". O endereço utilizado foi o constante no cadastro CPF da Receita Federal. (fl. 3.733; 3.734 e 3.739). Posteriormente o Sr. Rui apresentou nos o endereço do Sr. Marcelo Esteves. Efetuamos a ciência via Edital (fl. 3.993). Para certificarmos, encaminhamos cópia do edital de intimação para o endereço indicado pelo Sr. Rui, a correspondência foi recebida pelo próprio Marcelo Esteves (fl. 4.195) que posteriormente, por telefone, confirmou o recebimento do edital como também confirmou o endereço para o qual foi encaminhado cópia do Edital. Tendo certeza do endereço, encaminhamos via postal com Aviso de Recebimento duas intimações fiscais para o Sr. Marcelo Esteves, as correspondências foram recebidas (fls. 4.196/4.197) mas não houve nenhuma resposta por parte do Sr. Marcelo Esteves. Efetuamos então lavratura de dois Autos de Infração contra o Sr. Marcelo pelo não atendimento as intimações fiscais. 3. O Sr. VANIO BENEDITO ESTEVES DOS SANTOS, CPF 083.468.95100, foi intimado a esclarecer o empréstimo no valor de R$ 200.000,00 ao Sr. Rui, em resposta o mesmo informou que efetuou um empréstimo no valor original de R$ 197.673,00 em 20 de março de 2003. Informou ainda o seguinte: "...embora pertencendo a mim, tal Nota Promissória foi emitida em nome de MARCELO ESTEVES DOS SANTOS...". Apresentou cópia da Nota Promissória. (fl. 3.737; 3.738; 3.741 a 3.743). Após ter conhecimento da declaração do Sr. Vanio, o Sr. Rui afirmou que a Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.560 19 data da nota promissória não é março de 2003 como disse o Sr. Vanio e sim de julho de 2000. O Sr. Rui afirmou que a nota promissória foi dada em garantia das operações de compra e venda de petróleo e teve o seu preenchimento em data posterior pelo Sr. Vânio. Estas alegações já tinham sido apresentadas anteriormente neste processo pelo Sr. Rui. Como se vê, das diligências realizadas não restaram comprovados os empréstimos que o contribuinte afirma ter tomado, muito menos que tais quantias houvessem sido depositadas na conta bancária investigada. Ressaltese que somente restou devidamente confirmado o empréstimo de R$ 197.673,00, tomado de Vânio Benedito Esteves dos Santos, em 20/03/2003, data posterior aos períodos fiscalizados. Já quanto à atividade de compra e venda de combustíveis, as diligências promovidas e os documentos acostados aos autos evidenciam que de fato o contribuinte desempenhava tal atividade. Contudo, devese ter em mente que o que se busca para fins de cancelamento do Auto de Infração é a comprovação da origem dos depósitos efetivados na conta bancária investigada. E nesse sentido, a diligência foi infrutífera, pois não restou comprovado sequer um dos depósitos levados à tributação no lançamento. Por outro lado, restou demonstrado, dos documentos acostados aos autos, fls. 3769/3780, (há erro na numeração do processo, de modo que existem duas fls. com numero 3780, no caso estou me referindo à segunda, incluindo a primeira), que o contribuinte transferiu recursos depositados na conta bancária investigada para distribuidoras de combustíveis, cujos comprovantes de depósitos perfazem os seguintes valores: anocalendário 2000 – R$ 1.007.531,65 e anocalendário 2001 – R$ 177.850,00. Diante de tal fato, é razoável admitir que restou comprovado que parte dos recurso depositados nas contas bancárias do contribuinte foram de fato utilizados na atividade comercial de compra e venda de combustível. Logo, devem ser excluídas da tributação as quantias de R$ 1.007.531,65 e R$ 177.850,00, nos anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente, posto que tiveram sua origem comprovada, ainda que de forma indireta. No que concerne aos demais valores creditados na conta bancária investigada, devese manter o lançamento, posto que permanece, mesmo depois de realizada a diligência, não comprovada a origem dos referidos créditos. Sobre o percentual de 75% da multa de ofício, que foi aplicada conforme disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o recorrente afirma ser confiscatório. Vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.003290/200634 Acórdão n.º 2102002.467 S2C1T2 Fl. 4.561 20 Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da tributação nos anos calendário 2000 e 2001 as quantias de R$ 1.007.531,65 e R$ 177.850,00, respectivamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 36624.006071/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2004
REVISÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação.
Processo Anulado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício material, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pelo provimento parcial do Recurso. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 382 1 381 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.006071/200549 Recurso nº 260.546 Voluntário Acórdão nº 230102.079 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MADEREIRAS PINHEIRO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2004 REVISÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício material, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou pelo provimento parcial do Recurso. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro De Moraes Redator designado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36624.006071/200549 Acórdão n.º 230102.079 S2C3T1 Fl. 383 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal e complementos (fls. 93 e 262), os valores que serviram de base para o débito foram obtidos a partir das folhas de pagamentos e das GFIPs, tendo sido deduzidos os recolhimentos registrados no conta corrente da entidade auditada no sistema do Ministério Previdência Social. A autoridade lançadora informa, ainda, que a empresa sofreu revisão de ação fiscal, autorizada pela Coordenação Geral de Fiscalização e DIPROF — Divisão de Análise e Revisão de Procedimentos Fiscais e determinada pela Chefe da Seção de Fiscalização — GEXSP OESTE, em virtude da Ação de Auditoria Ordinária, que deu origem ao processo 35462.001357/200494. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na Informação Fiscal de fl.262, na qual o agente notificante informa que a classificação para a NFLD é: "Declarado em GFIP (com redução de multa)", e propõe a retificação do débito, tendo em vista a comprovação, pela recorrente, da compensação efetuada em decorrência de ação judicial transitada em julgado. Cientificada do resultado da diligência fiscal por meio do Despacho n° 21.003.0/0124/2006, da SRP (fl. 264), a recorrente se manifestou (fls 273), requerendo que fosse demonstrado, de forma pormenorizada, quais foram os índices de atualização monetária utilizadas pelo Douto Fiscal para correção do crédito, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Em atendimento ao pleito da recorrente, a fiscalização juntou, aos autos, a planilha de fls. 276/277 e, devidamente cientificada, a recorrente manifestouse ciente da nova informação fiscal (fls. 287) A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1614.679, da 14a Turma da DRJ/SPOI, (fls. 296), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização, e afastando os demais argumentos trazidos em sede de impugnação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 337 e seguintes), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, alega inexigibilidade do depósito prévio de 30% do valor da exigência fiscal e impossibilidade de caracterização dos sócios como coresponsáveis pelo suposto débito. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 No mérito, alega a ocorrência da decadência em relação a cobrança das contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 1999 e ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da cobrança de contribuições ao SAT, INCRA, SEBRAE, TAXA SELIC e dos juros por ela calculados sobre indébitos tributários. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36624.006071/200549 Acórdão n.º 230102.079 S2C3T1 Fl. 384 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a notificada alega inexigibilidade do depósito prévio de 30% do valor da exigência fiscal. De fato, o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. Ainda em preliminar, a recorrente alega impossibilidade de caracterização dos sócios como coresponsáveis pelo suposto débito. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido na NFLD em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório da NFLD, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, a fim de afastar a coresponsabilidade dos representantes legais. No entanto, mantenho a lista nominal apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos de imediato em dívida ativa, somente com base na indicação trazida pelo fisco. A recorrente alega, ainda, decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Conforme já exposto acima quando se tratou da decadência, o art. 62, da Portaria 256/2009 veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade, determinando, porém, no inciso I do § único, que o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36624.006071/200549 Acórdão n.º 230102.079 S2C3T1 Fl. 385 7 disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso presente, houve recolhimento antecipado de parte do débito, já que a própria fiscalização informa que o débito se refere à diferença de contribuições devidas. A NFLD foi consolidada em 09/06/2005, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 10/06/2005. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para os valores lançados nas competências entre 01/1999 a 05/2000, inclusive. Dessa forma, reconheço a decadência de parte do débito. No mérito, verificase que recorrente não nega que tenha deixado de recolher a totalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações informadas por ela mesmo em GFIP. Ela apenas alega inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições ao SAT e aos Terceiros, e da aplicação da taxa SELIC ao presente caso. Entretanto, a cobrança das contribuições aos terceiros e ao SAT possui previsão legal, e a legislação que ampara tais exações consta discriminada no Relatório de Fundamento Legal do Débito – FLD Da mesma forma, a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados possuem respaldo em dispositivos legais vigentes à época do lançamento. Assim, as contribuições devidas ao SAT e aos Terceiros, INCRA e SEBRAE, estão previstas nas Leis 2.613/55; 8.029/90 com as alterações posteriores e na Lei 8.212/91 regulamentada pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, e demais normas legais assinaladas no FLD, que estão em pleno vigor, e a aplicação da taxa SELIC encontra fundamento no mesmo diploma legal. Portanto, não há que se falar em ilegalidade das referidas exações ou da utilização da taxa Selic no presente caso. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Cumpre esclarecer que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36624.006071/200549 Acórdão n.º 230102.079 S2C3T1 Fl. 386 9 E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Esse também é o entendimento manifestado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. De fato, a empresa pode até alegar a inconstitucionalidade de lei, mas a autoridade administrativa está impedida de afastar dispositivos legais sob esse fundamento. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Portanto, as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária. Dessa forma, são devidas, pela recorrente, as contribuições ao SAT, INCRA e SEBRAE. A utilização da taxa SELIC também é objeto de súmula do Conselho Pleno do CSRF: Súmula nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/1999 a 05/2000, inclusive, por decadência, e para deixar Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto.. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes – Redator designado Não obstante o bom arrazoado trazido pela douta Conselheira relatora, peço venia para discordar do seu posicionamento, pois tenho entendimento no sentido de que a ausência de motivação para a revisão fiscal é causa suficiente para a nulidade do lançamento. Além do mais, não consta nos autos provas suficientes para determinar o ato revisional, limitandose o fisco a fazer referência ao processo número 35366.001462/200331 de 10/06/2003, da Corregedoria. É o que consta da descrição sumária do Mandado de Procedimento Fiscal ao asseverar que a fiscalização deveria proceder a uma “FISCALIZAÇÃO SELETIVA PARA ATENDER AS RECOMENDAÇÕES DO PROCESSO 35366.001462/200331 DE 10/06/2003 DA CORREGEDORIA REGIONAL DO INSS EM SÃO PAULO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE VALIDADE DO MPF”. (fl.88) Conforme narrado no relatório fiscal, “a empresa sofreu revisão de ação fiscal em virtude de Ação de Auditoria Ordinária, que deu origem ao processo 35462 001357/200494, Fiscalização esta autorizada pela Coordenação Geral de Fiscalização e DIPRDF – Divisão de Análise e Revisão de Procedimentos Fiscais e determinada pela Chefe da Seção de Fiscalização – GEXSP OESTE, à fl. 31, respectivamente, do mencionado processo” (fl. 93). Contudo, as referidas folhas sequer foram carreadas aos autos. E tendo em vista a determinação de revisão, tornase importante ressaltar que a regra da imutabilidade do lançamento determina que este somente poderá ser alterado de ofício nos casos em que a lei expressamente assim o autorizar, exatamente como descrito nos artigos 146 e 149 do CTN, in verbis: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36624.006071/200549 Acórdão n.º 230102.079 S2C3T1 Fl. 387 11 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.’ E não se trata de regra puramente formal. Vai além, pois contém duas regras básicas para a proteção: a) para o contribuinte, porque assegura que não haja eventuais perseguições por parte dos agentes do fisco; b) para o próprio agente fiscal, que terá a validade de seu trabalho respeitada. Esse é o posicionamento da doutrina mais abalizada: "O art. 146/CTN determina que os critérios jurídicos adotados pela autoridade no lançamento não poderão ser modificados. Já o art. 149/CTN estipula os casos em que o lançamento será revisto de ofício e somente nesses é que poderá um mesmo fato ser refiscalizado. A fiscalização, nos demais casos, não poderá ser alterada sob pena de violar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Ressalta que a imutabilidade do ato contém dupla proteção. Uma, ao contribuinte que tem a garantia de não ser perseguido pelo fisco, e, duas, ao funcionário que terá a validade de seu trabalho respeitada." (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 3. ed., rev. atual., Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2001, p. 712) É dizer: o Código Tributário Nacional assevera expressamente que os critérios jurídicos adotados pela autoridade no lançamento fiscal não poderão ser modificados ao alvedrio do fisco, salvo nas hipóteses em que o lançamento poderá ser revisto de ofício. E mesmo nessa hipótese o fisco deverá motivar devidamente a revisão do lançamento. Essa é a segurança que o contribuinte tem para não ser constantemente surpreendido pelo fisco. Assim, a propósito de garantir o direito do contribuinte à informação dos procedimentos adotados pelo fisco, vejo como necessário, para a realização da revisão do lançamento que o auditor assevere justificadamente e de maneira clara no relatório fiscal as razões que o levaram novamente a adotar procedimento fiscalizatório na empresa, abarcando período compreendido em notificação de débito anterior. E mais ainda, vejo como Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 indispensável que haja a devida fundamentação legal, sob pena de infringir a autoridade fiscal princípios basilares do direito tributário. Ocorre que não consta nos autos qualquer razão expressa para que o agente fiscalizador tenha revisto o lançamento anterior, além do mais a ausência de provas que validem a ação fiscal colocam a exigência fiscalista em rota de colisão com a legalidade, razão pela qual não pode subsistir. E no meu entender, a falha no relatório fiscal apontada é suficiente para a anulação do lançamento, pois cerceia a defesa do contribuinte, ante a necessidade de que o documento fiscal traga a motivação suficiente para que haja a revisão do lançamento. A seu turno, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 assevera que os atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” Celso Antônio Bandeira de Mello in Curso de Direito Administrativo, traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto: “Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36624.006071/200549 Acórdão n.º 230102.079 S2C3T1 Fl. 388 13 racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar.” (BANDEIRA DE MELLO, 2000, p. 433) A propósito, a citada Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. Nesse contexto, entendo que o lançamento deve ser anulado por vício material, uma vez que o relatório fiscal tem como função a demonstração, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pelo auditor fiscal para o lançamento do débito em desfavor do contribuinte. No mesmo sentido, sito jurisprudência deste Egrégio Conselho, que anula, por vício material, lançamento fiscal: “RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da notificação, mormente tratandose de caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. PROCESSO ANULADO. (Recurso n. 146.594, Acórdão n 240100.544, 4ª Câmara, Relator Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 19 de agosto de 2009.) Assim, como no caso concreto restou demonstrado o cerceamento de defesa do contribuinte, bem como a ausência de motivação do ato praticado (revisão de lançamento), tenho como certo que o lançamento deve ser anulado por vício material. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por ANULAR o lançamento fiscal por vício material. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Damião Cordeiro de Moraes – Redator designado Fl. 14DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 19515.720510/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 51 0/ 20 11 -9 6 Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.720510/201196 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.334 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório e Voto: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). Cuida o presente de lançamentos, que foram muito bem apresentados pelo Acórdão a quo: 1. O presente processo administrativo é constituído por oito Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração paga a empregados e contribuintes individuais, nas competências 01/2006 e 13/2006, constantes n a Folha de Pagamento, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, a saber: • DEBCAD nº 37.309.0382 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da emp resa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I e II , da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 97.811,07 (noventa e sete mil, oitocentos e onze reais e sete centavos), consolidado em 29/06/2011; • DEBCAD nº 37.309.0374 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição dos segurados empregados, não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos empr egados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 20.317,94 (quatrocentos e cinqüenta e cinco mil novecentos e vinte e um reais e sessenta e seios centavos), consolidado em 29/06/2011; • DEBCAD nº 37.309.0366 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (INCRA e SEBRAE)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 3.399,22 (três mil trezentos e noventa e nove reais e vinte e dois centavos) consolidado em 29/06/2011 • DEBCAD nº 37.309.0340 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição dos segurados não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. O crédito corresponde ao montante, incluindo juro s e multa, de R$ 8.360,61 (oito mil trezentos e sessenta reais e sessenta e um centavos), consolidado em 29/06/2011; • DEBCAD nº 37.309.0358 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição devida à Seguridade Social: parte Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.720510/201196 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.334 S2C3T1 Fl. 4 3 da empresa, prevista no art. 22, inciso III , da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 59.248,2 3 (cinqüenta e nove mil duzentos e quarenta e oito reais e vinte e três centav os), consolidado em 29/06/2011 DEBCAD nº 37.309.0447 (AIOA CFL68), por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos gerado res de todas as contribuições previdenciárias. A descrição da infração e o discriminativo de cálculo da multa, relacionados aos subitens acima, constam do ANEXO 1 e 2 do Relatório Fiscal. O crédito corresponde ao montante de R$ 266.624,75 (duze ntos e sessenta e seis mil seiscentos e vinte e quatro reais e setenta e cinco ce ntavos). DEBCAD nº 37.309.0331 (AIOA CFL 22), por apresentar a empresa, que utiliza arquivos e sistemas das informações em meio digital c orrespondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção Vide ANEXO 3 do Rela tório Fiscal. O crédito corresponde ao montante de R$ 16.800,22 (dezesseis mil oitocentos reais e vinte e dois centavos). DEBCAD nº 37.309.0315 (AIOA CFL 59), por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Vide ANEXO 4 do Relatório Fiscal . O crédito corresponde ao montante de R$ 1.523,57 (mil quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos). (...) 1.2. Para os lançamentos dos créditos tributários foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: a) Levantamento EM: remuneração a segurado empregado reconhecida, pela empresa como base d e calculo de Contribuições Previdenciárias em folha de pagamentos, mas não declarada em GFIP. Fatos geradores e bases de calculo no ANEXO A, do Relatório Fiscal. b) Levantamento CI: remuneração a segurado contribuinte individual, reconhecida pela empresa como base de calculo de Contribuições Previdenciárias em folha de pagamentos, mas não declarada em GFIP. Fatos geradores e bases de calculo no ANEXO B do Relatório Fiscal. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.720510/201196 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.334 S2C3T1 Fl. 5 4 Após tomar ciência postal da autuação em 30/06/2011, fls. 1161, a recorrente apresentou impugnação, fls. 1164/1362, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 14ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 1384/1397, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 17/01/2012, fls. 1399. O recurso voluntário, apresentado em 14/02/2012, fls. 1408/1420, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta ter ocorrido ilegalidade na fixação das multas, por conta da aplicação equivocada do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Insiste que juntou planilhas na ocasião de sua impugnação que não foram apreciadas e que demonstrariam que não existiriam débitos, citando exemplos de 01 e 13/2006, fls. 1418. Reclama da Representação Fiscal para Fins Penais (RFPFP) por entender não haver motivação para sua existência. Iniciando a análise, verificamos que o tratamento dado pelo Acórdão a quo aos documentos juntados pela então impugnante pode deixar dúvidas quanto ao exercício da ampla defesa, uma vez que aquele decisório apenas informou que os documentos nada acrescentavam, sem ouvir a autoridade fiscal.m Ademais, a apreciação feita pela decisão de primeira instância levou em conta acesso a sistemas da SRF que não estão disponíveis para o Colegiado. Portanto, não temos meios para avaliar se as conclusões daquele Acórdão afastam ou não os argumentos da recorrente. Assim, nossa posição é por pedir uma apreciação da autoridade fiscal das provas apresentadas juntamente com a impugnação para que possamos chegar à conclusão quanto à influência destas em nosso convencimento. Logo, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal aprecie os documentos juntados no momento da impugnação e manifestese sobre a influência destes nas presentes autuações. Após cumprida a diligência, a recorrente deve ser intimada a apresentar aditamento de seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Concluídas tais providências, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000525/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DEDUÇÕES. GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada.
Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. O CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam, sempre,
a reapreciação de questões postas ao juízo de primeiro grau. O pedido para reconhecimento de benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa com instrução do ano- calendário de 2002, no montante de R$410,00.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. O CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam, sempre, a reapreciação de questões postas ao juízo de primeiro grau. O pedido para reconhecimento de benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa com instrução do ano calendário de 2002, no montante de R$410,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1016.472 4a Turma da DRJ Porto Alegre (fl. 286), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência do imposto suplementar decorrente das glosas de médicas e de instrução, relativos aos exercícios de 2001 a 2003, consoante descrição dos fatos no auto de infração às fls. 06/08. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF o recorrente inicialmente requer o restabelecimento das despesas de instrução relativos aos valores pagos à Caixa Econômica Federal, a titulo de crédito educativo; que seja considerado o pagamento efetuado com a GEAP — Fundação de Seguridade Social descontados no contracheque, que não confere com o montante informado pelo INSS no comprovante para fins de declaração de imposto de renda; quanto ao pagamento para à Unimed e aos médicos Sr. Jairo Airton Guarienti e Sr. Fausto Alberto Finge Filho, não foi analisada a declaração de imposto de renda deles, pois se assim tivesse feito, a fiscalização comprovaria o recebimento de tais valores. Por fim, aduz que no exame do caso a 4ª Turma de Julgamento não analisou e não se pronunciou acerca dos comprovantes juntados aos autos, relativo aos valores pagos a Fundação Universidade de Caxias do Sul, no anocalendário de 2002. Ao final, requer que a reforma integral da decisão recorrida e também seja aplicado o contido no art. 20, da Lei n.° 10.522, de 2002, ou seja, o arquivamento da presente cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação à despesa com instrução incorrida com a Universidade de Caxias do Sul, o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2003, ano calendário de 2002, o montante de R$492,00 (fl. 23). Contudo, juntamente com a impugnação ao lançamento o contribuinte apresentou o documento à fl. (fl. 284), que comprova o montante Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.000525/200546 Acórdão n.º 210101.795 S2C1T1 Fl. 2 3 de R$410,00. Ns termos do artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, restabeleço a parte comprovada da despesa com instrução. No que tange às quantias pagas à Caixa Econômica Federal, a titulo de crédito educativo, não procede a alegação do recorrente, no sentido de que tais valores seriam dedutíveis como despesa com instrução. Com efeito, nos termos do artigo 8º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Durante o período em que o contribuinte ou seu dependente estiver freqüentando um dos cursos que a legislação permite a dedução, poderão ser deduzidos os pagamentos das mensalidades à instituição educacional, independentemente de terem sido efetuadas com recursos próprios ou com recursos financiados pela Caixa Econômica Federal, através do programa de crédito educativo. O crédito educativo caracterizase como empréstimo oneroso, com "ônus” e encargos próprios desses contratos. Tratase de uma operação financeira, estando correta a glosa da despesa com instrução relacionada aos pagamentos efetuados à Caixa Econômica Federal. Relativamente a glosa das despesas médicas, o contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamento, consoante dispõe o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, razão pela qual devem ser mantidas as glosas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Com efeito, com exceção do pagamento das mensalidades e participação em consultas etc, relacionadas ao plano de saúde GEAP – Fundação de Seguridade Social, consideradas no lançamento pelo seu montante comprovado (descrição dos fatos às fls. 06/08), em consonância com os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto Retido na Fonte expedidos pelo INSS e contracheques nos autos, não foram apresentados comprovantes das demais despesas médicas. Não cabe à fiscalização consultar os beneficiários dos pagamentos para confirmar as despesas pleiteadas pelo contribuinte em sua DIRPF. Por fim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam sempre a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Neste diapasão tem se manifestado a Jurisprudência administrativa. Confirase: PRECLUSÃO Matéria não argüida na impugnação quando se estabelece o litígio e vem a ser demandada apenas na petição recursal, constitui matéria preclusa da qual não toma conhecimento em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. (Recurso nº 012959, 2ª Câmara, Processo nº 10580.005843/93 91, Sessão de 14/05/98, Relator José Clóvis Alves, Acórdão nº 10243008, por unanimidade). Ao discorrerem sobre e tema o ilustre Dr. Marcos Vinicius Neder e Dra. Maria Teresa Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – Dialética – 2002, afirmam: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa e às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre em relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. (grifei) Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau.(grifei) O lançamento em exame referese, tãosomente, a glosas de deduções pleiteadas pelo contribuinte em suas DIRPF dos exercício de 2001 a 2003. A remissão de que trata o artigo 20 da Lei n° 10.522, de 19/07/2002, ou outra que lhe seja posterior, é matéria estranha não só aos autos, mas também à própria apuração do imposto de renda. O pedido para reconhecimento do referido benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido e decisão. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.000525/200546 Acórdão n.º 210101.795 S2C1T1 Fl. 3 5 Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa com instrução do anocalendário de 2002, no montante de R$410,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13629.001841/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. Não tendo o contribuinte apresentado os recibos das despesas, deve ser mantida a glosa.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do
pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos que davam PARCIAL provimento apenas para serem restabelecidas as deduções das despesas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira
Chaves, no valor de R$ 4.080,00, durante o ano-calendário 2004. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. Não tendo o contribuinte apresentado os recibos das despesas, deve ser mantida a glosa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos que davam PARCIAL provimento apenas para serem restabelecidas as deduções das despesas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, no valor de R$ 4.080,00, durante o anocalendário 2004. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 154 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Redatora designada EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fl. 150, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 139 a 146, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 02 a 09, relativo aos anoscalendário 2004 e 2005, lavrado em 28/10/2008, com ciência do RECORRENTE em 04/11/2008 (fl. 138). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.794,09, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora no percentual de 150%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 06, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS I. CONTEXTO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, de acordo com o disposto nos artigos 835, 904, 905, 910, 911, 915, 926 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, em procedimento de Revisão de Declaração da Pessoa Física, promovemos a análise da Dedução de Despesas com Saúde pleiteada pelo contribuinte nos exercícios de 2005 a 2007, anos calendário 2004 a 2006, conforme a seguir relatado. II. INFRAÇÕES Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 155 3 Em investigação interna, verificamos a necessidade de comprovar a efetividade da prestação de serviços da profissional de saúde Sâmara Silvia de Oliveira Chaves, CPF nº 036.442.62683, fisioterapeuta, em vista de sua recorrência. Para tanto, levantamos a lista de todos os contribuintes que declararam pagamentos a ela. Encaminhamos a lista a ela, intimandoa a confirmar ou infirmar a efetiva prestação dos serviços. Em resposta, a profissional informou todos os contribuintes para os quais confirmava a prestação dos serviços, aqueles para os quais não confirmava e ainda aqueles que prestou serviços, mas em valores diferentes dos declarados por eles em DIRPF. Em seguida, todos os declarantes foram intimados a apresentar o recibo do pagamento, e, no amparo do artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99 RIR/99, intimados ainda a comprovar o efetivo pagamento dos valores constantes nos recibos, por meio de cópia de cheques, extratos bancários ou outra forma qualquer. O contribuinte trouxe apenas os recibos, não trazendo outros elementos a comprovar o efetivo pagamentos das despesas. A profissional de saúde nega a prestação dos serviços, nos valores declarados. Desse modo, considerando que : 1 As despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; 2 o contribuinte não comprova o pagamento; 3 há dezenas de contribuintes já constatados com recibos inidôneos em nome da profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves; 4 a profissional nega a prestação dos serviços: então efetuamos a glosa da parcela de despesas de saúde não confirmadas pela profissional e não comprovadas pelo contribuinte, com o decorrente lançamento de juros de mora (art. 61 da Lei 9.430/96) e multa de ofício. Além das despesas relacionadas à profissional de saúde em foco, foram também glosadas outras despesas médicas para as quais o contribuinte não trouxe os respectivos recibos, conforme relacionado na planilha "Despesas Médicas Resumo", em anexo. Neste caso, a multa de ofício será de 75%, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. III MOLÉSTIA GRAVE O contribuinte havia alegado ser portador de moléstia grave, o que poderia ensejar a isenção dos rendimentos de aposentadoria. Entretanto a fonte pagadora informou que o contribuinte não esteve aposentado nos anos de 2004 e 2005. III QUALIFICAÇÃO DA MULTA E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em vista da constatação de uso de documento inidôneo, nos termos do artigo 44, §1° da Lei 9.430/96 e art. 71, inciso II da Lei 4.502/64, a glosa das despesas de saúde não comprovadas Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 156 4 foi acompanhada de multa de 150%. Ainda, juntamente com a lavratura do Auto de Infração, a fiscalização, de acordo com o art. 83 da Lei n° 9.430/96 e Portaria SRF n° 326/05, formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, posto a constatação, EM TESE, de fraude, com dedução de despesas de saúde fictícia, sem comprovação dos pagamentos e/ou apresentando recibos que, conforme os indícios demonstrados, não lastreiam qualquer prestação de serviços, nos termos do artigo 73 do RIR/99, o que subsume em crime tipificado pelos arts. 1° e 2° da Lei 8.137/90. O Processo de Representação Fiscal para Fins Penais tramita sob n° 13629.003002/200881. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2005 31/12/2005 R$ 394,36 R$ 100,00 R$ 910,00 R$ 136,00 R$ 320,00 R$ 4.080,00 R$ 450,00 R$ 36,67 R$ 130,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 150,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73 e 80 do RIR/99.” A autoridade fiscal elaborou as planilhas “Despesas Médicas Resumo” (fls. 10 e 11) indicando quais as despesas médicas glosadas nos anoscalendário 2004 e 2005 além daquela relacionada à profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves. A declaração da profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves informando não haver prestado serviços para o RECORRENTE foi acostada às fls. 13 a 17. Relevante informar que o documento de fl. 29, emitido pelo Diretor da secretaria de Pessoal do TRT da 3ª Região, informa que o RECORRENTE foi aposentado por invalidez a partir de 10/02/2006 em vista de laudo da Junta Médica do TRT da 3ª Região expedido em 15/12/2004. Ademais, prevê expressamente que o RECORRENTE não esteve aposentado nos anos de 2004 e 2005. Os recibos de despesas médicas apresentados pelo RECORRENTE foram acostados às fls. 37 a 111; declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2005 às fls. 112 a 115; declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2004 às fls. 117 a 120. Em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 1.803,18, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora, conforme demonstrativo de cálculo de fls. 07 a 09. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 157 5 Em 03/12/2008, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 133 (vide fl. 138). Em suas razões, alegou haver equívoco na declaração prestada pela profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves à Receita Federal. Assim, apresentou declaração firmada pela profissional em 11/11/2008, onde a mesma atesta “a existência de erros nas informações prestadas na correspondência de 31/03/2008 protocolada na Delegacia da Receita Federal de Coronel Fabriciano no dia 02/04/2008”, e declara que “houve prestação de serviços de fisioterapia conforme recibos emitidos em nome do Sr. Cristiano de Assis Morais Neto, CPF/MF 30518512649 no exercício 2005 (ano calendário 2004) no valor de R$ 4.080,00 (...) em seu domicílio à Av. Galiléia, nº 60, bairro Canãa, IpatingaMG, CEP 35164165”. Alegou que apresentou os comprovantes de pagamento conforme determinação legal, ou seja, mediante documentos contendo o nome, endereço e CPF ou CNPJ do beneficiário. Assim, impugnou todo o conteúdo do auto de infração, por sua inconstitucionalidade, e requereu fossem considerados os comprovantes já apresentados bem como a declaração da profissional apresentada na ocasião. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 139 a 146 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2005, 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se manter a glosa fiscal quando o contribuinte não comprova com documentação pertinente os gastos com serviços médicos pleiteados como deduções em sua Declaração de Ajuste Anual. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EXERCÍCIO: 2005, 2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 158 6 A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações do RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 10/02/2009, conforme AR de fl. 147v. dos autos, apresentou recurso voluntário de fl. 150, em 09/03/2009 (fl. 151). Em suas razões de apelo, reitera todo a alegado em sua impugnação. Em adição, afirma que apresentou extrato de contas bancárias, os quais não foram analisados nem levados em consideração. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Quanto à inconstitucionalidade genérica do lançamento, invoco a Súmula CARF nº 02, cujo texto é: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ao comparar as declarações de ajuste do RECORRENTE (fls. 112 a 120) com os recibos de despesas médicas de fls. 37 a 111, a autoridade fiscal efetuou a glosa das seguintes despesas médicas: 1) anocalendário 2004: R$ 394,36 pagos à Clínica São Judas Tadeu; R$ 100,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 910,00 pagos ao Espaço Mental LTDA.; R$ 136,00 pagos à Fundação São Francisco Xavier; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 159 7 R$ 320,00 pagos à GV Clínicas; e R$ 4.080,00 pagos à profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves. 2) anocalendário 2005: R$ 450,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 36,67 pagos à Trter Saúde; e R$ 130,00 pagos ao Espaço Mental LTDA. Da leitura da descrição dos fatos do auto de infração, interpretase que as únicas despesas para a qual a autoridade fiscal exigiu a comprovação da efetiva prestação dos serviços foram aquelas relacionadas à profissional médica Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, no valor de R$ 4.080,00, para o anocalendário 2004. Quanto às demais despesas médicas glosadas, a autoridade fiscal apenas exigiu a apresentação dos respectivos recibos, os quais não foram apresentados, ou foram apresentados de forma insuficiente, como atestam as planilhas de fls. 10 e 11, relativas aos anoscalendários 2004 e 2005, respectivamente. Sendo assim, em relação a essas últimas despesas, o RECORRENTE não apresentou nem recibos nem alegações. No que tange às despesas incorridas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, entendo que deve ser reformado o lançamento, pelas razões adiante expostas. O Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 160 8 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos emitidos por Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves (fls. 108 a 111) foram rejeitados pela fiscalização visto que a profissional fisioterapeuta declarou – durante procedimento fiscal – não ter prestado serviços para o RECORRENTE (fls. 13 a 17). Posteriormente, o RECORRENTE juntou aos autos declaração prestada pela mesma profissional fisioterapeuta, à fl. 134, com firma reconhecida, onde a mesma alega ter cometido erro em sua declaração anterior entregue à fiscalização. Assim, declarou que “houve prestação de serviços de fisioterapia, conforme recibos emitidos em nome do Sr. Cristiano de Assis Morais Neto, CPF/MF 30518512649, no exercício 2005 (ano calendário 2004), no valor de R$ 4.080,00”. Além da retificação da declaração anterior, o RECORRENTE juntou diversos recibos da profissional, que indicam número de sessões, mês, e valores, sem qualquer indício de que não tenham sido preenchidos quando do efetivo pagamento. Ademais, o contribuinte acostou aos autos laudo médico – subscrito por médico servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 3a Região – (fl. 34), demonstrando que não possuía saúde regular no período Em consulta a histórico de processo tributário vinculado a CPF, perante o sítio, na internet, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não localizei processo vinculado à profissional fisioterapeuta que dê indícios de que contra ela já fora expedida Representação Fiscal para Fins Penais. Feitos estes esclarecimentos, passo a decidir. Em oposição ao alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pela fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves (fls. 108 a 111), aliados à declaração expedida pela profissional (fl. 134), devem sim ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões para efetivação da glosa. Contudo, tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 161 9 Sobre a discricionariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicada. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do RIR/99, as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Quando intimado pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou os recibos de fls. 108 a 111 que, em meu sentir, em conjunto com a declaração de fl. 134, comprovam a efetividade das despesas de serviços de fisioterapia. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas sem motivar legalmente o seu ato. Ressalte que a motivação da glosa (declaração da profissional de que não prestou os serviços) deixou de existir quando a mesma apresentou novo documento se retratando e corrigindo a declaração anterior. Apesar de não ser comum erros desse tipo, eles também não são impossíveis. Ademais, no caso, não há que se falar em deduções exageradas (art. 73, § 1º, do Decreto nº 3.000/99), tendo em vista que o RECORRENTE possuía, no anocalendário em questão, rendimento líquido (R$ 102.937,84) suficiente para arcar com as despesas de R$ Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 162 10 4.080,00, durante um ano, com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves (vide fls. 117 a 120). O conjunto das despesas médicas do RECORRENTE no ano calendário 2004 são pouco superiores a 10% de seus rendimentos anuais; demonstrando a capacidade econômica de arcar com tais despesas. Desta forma, o pedido de dedução das despesas médicas com a profissional fisioterapeuta, formulado pelo RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados e a retificação da declaração motivadora da glosa (prestada antes pela profissional), somados ao laudo médico (fl. 34), são documentos aptos a recomendar o restabelecimento da despesa com esta profissional. Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR/94 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra demonstração fundamentada, por parte da autoridade administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, deve ser reformado o lançamento no que diz respeito à glosa do valor de R$ 4.080,00 pagos à Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, durante o anocalendário 2004. Como a multa qualificada de 150% incide tãosomente sobre o crédito tributário decorrente da glosa das despesas médicas com Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, a mesma também deve ser afastada, por efeito direto. Assim, o presente lançamento deve ser mantido quanto às glosas das deduções das despesas médicas abaixo indicadas, sendo necessário refazer os cálculos de apuração do imposto (fls. 07 a 09), nos seguintes termos: 1) anocalendário 2004: R$ 394,36 pagos à Clínica São Judas Tadeu; R$ 100,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 910,00 pagos ao Espaço Mental LTDA.; R$ 136,00 pagos à Fundação São Francisco Xavier; R$ 320,00 pagos à GV Clínicas; e 2) anocalendário 2005: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 163 11 R$ 450,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 36,67 pagos à Trter Saúde; e R$ 130,00 pagos ao Espaço Mental LTDA. Os valores acima indicados sujeitamse, ainda, à multa de 75% e aos respectivos juros de mora. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade do lançamento e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, apenas para serem restabelecidas as deduções das despesas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves efetuadas pelo RECORRENTE, no valor de R$ 4.080,00 durante o ano calendário 2004. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatoradesignada Divirjo do ilustre Relator somente quanto ao seu entendimento no que diz respeito às despesas médicas relativas a profissional fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves. De pronto, devese observar que a mencionada fisioterapeuta foi investigada pela autoridade fiscal, restando comprovado nos autos que a mesma emitiu vários recibos graciosos, que respaldaram indevidamente deduções da base de cálculo do imposto devido de vários contribuinte nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Muito embora, não se tenha notícia nos autos da existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, verificase em pesquisa no sítio do Ministério da Fazenda a existência de duas Representações Fiscais para Fins Penais, contra a fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, cujos números dos processos são: 13629.004605/200808 e 13629.004606/200844. Ora, a existência das duas Representações Fiscais para Fins Penais, contra a fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, põem em suspeita a declaração, fls. 134, trazida pela defesa quando da apresentação de sua impugnação. A simples declaração da fisioterapeuta, emitente de recibos graciosos, afirmando que incorreu em erro quando negou a prestação de serviços ao recorrente, não é suficiente para garantir ao contribuinte o benefício da dedução de tais despesas médicas, mormente quando tal declaração vem desacompanhada de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 164 12 Destaquese que, no caso, as Representações Fiscais para Fins Penais assemelhamse a Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, para as quais existe Súmula deste CARF, com o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) E mais, o contribuinte também teve glosadas outras despesas médicas, conforme a seguir discriminado: Ano calendário Profissional Glosa (em Reais) Motivação 2004 Clinica São Judas Tadeu 395,36 Não apresentou comprovação 2004 Odonto Fácil 100,00 Recibo a menor (de R$ 33,00 em lugar de R$ 133,00). 2004 Espaço Mental Ltda 910,00 Não apresentou comprovação 2004 Fundação S. Francisco Xavier 136,00 Recibo a menor (de R$ 36,00 em lugar de R$ 172,00). 2004 G V Clínicas 320,00 Não apresentou comprovação 2005 Odonto Fácil 450,00 Recibo a menor (de R$ 50,00 em lugar de R$ 500,00). 2005 Trter Saúde 36,67 Não apresentou comprovação 2005 Espaço Mental Ltda 130,00 Não apresentou comprovação Observase que reiteradamente o contribuinte pleiteou despesas para as quais sequer possuía recibos e quando os possuía eram de valores inferiores aqueles pleiteados como deduções de despesas médicas. Por fim, vale destacar que o contribuinte recebeu no anocalendário 2004, DAA, fls. 117/120, rendimento líquido de R$ 51.916,94 (rendimento tributável menos contribuição previdenciária e imposto retido na fonte) e deduziu despesas médicas, que totalizam R$ 12.039,36, de sorte que 23% de sua renda líquida teria sido comprometida com despesas médicas. Destaquese os rendimentos isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte não foram significativos. Já para o anocalendário 2005, DAA, fls. 112/115, observase que o percentual acima mencionado é de 25% (rendimento líquido de R$ 77.852,69 e despesas médicas de R$ 19.606,18). Nessa conformidade, considerando os fatos acima expostos, devese manter a glosa de despesas médicas, conforme consubstanciado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 165 13 Núbia Matos Moura Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10725.002874/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios - Súmula CARF no 63.
Hipótese em que o contribuinte não comprovou nenhum dos requisitos da isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63. Hipótese em que o contribuinte não comprovou nenhum dos requisitos da isenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 28 74 /2 00 7- 64 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 84 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 19 a 22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para tributar rendimentos do trabalho originalmente declarados como isentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$64.250,76, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 9), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 58v a 59v): Do Direito à Isenção do Imposto de Renda. 1.ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, o contribuinte atendeu todas as intimações feitas pela fiscalização tributária, apresentando todos os documentos requisitados, inclusive laudos de médicos especializados que comprovam ser portador de moléstia grave, que o tornam isento do imposto de renda ( doc.4); 2.é portador de cardiopatia grave, insuficiência renal crônica terminal e diabetes mellitus e aposentado, sendo, portanto, detentor do direito à isenção do imposto de renda pessoa física nos termos do art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88; 3.os rendimentos que deram origem ao presente lançamento foram oriundos de ação indenizatória movida pelo contribuinte em face da extinta CERJ, que tramitou na Justiça do Trabalho; 4.os valores recebidos pelo contribuinte foram declarados em sua DIRPF 2003/2004 como rendimentos isentos e não tributáveis; 5.declarou os rendimentos recebidos como isentos e não tributáveis, consubstanciado não só nos dispositivos legais acima citados, mas também na decisão que homologou o acordo indenizatório realizado na RT 112/99 que tramitou na 2ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes/RJ, onde o MM.Juiz do Trabalho determinou que os valores recebidos pelo contribuinte gozavam de isenção do imposto de renda, por ser portador de moléstia grave e atender aos requisitos do art. 6, inciso XIV da Lei nº 7.713/88 e alterações posteriores; 6.entende que a supracitada isenção não se refere a aposentadorias concedidas por moléstia grave, mas sim, a contribuintes aposentados que sejam portadores de moléstias graves, que é o que ocorre no caso concreto; 7.quanto à necessidade de laudo pericial oficial, cabe destacar que o STJ vem entendendo que o termo inicial da isenção ora pleiteada é a data de comprovação da doença mediante diagnóstico médio especializado e não a data de emissão do laudo oficial; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 85 3 8.para corroborar seu entendimento cita ementa exarada pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial nº 780.122PB; 9.ademais, o MM.Juiz da 2ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes/RJ ao declarar que as verbas recebidas no acordo indenizatório realizado na RT 112/99 eram isentas do imposto de renda, baseouse em informações, laudos e provas constantes dos autos; 10. portanto, entende que o presente lançamento é contrário ao direito adquirido do contribuinte e à coisa julgada, devendo, assim, ser desconstituído. Da multa de ofício e dos Juros Selic 1.se o lançamento for considerado procedente, a multa de ofício de 75% e a taxa SELIC aplicados como juros moratórios devem ser revistos; 2.a multa de 75% agride ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado explicitamente pela Constituição em seu artigo 5º,XXII que dispõe: “Art.5º ........................................... XXII É garantido o direito de propriedade” 3.suscita o estudo do Professor Sacha Calmon Navarro Coelho especificamente sobre a impossibilidade de fixação de multas que caracterizam confisco; 4.nesta linha de raciocínio, argumenta que a multa de ofício de 75% é excessivamente onerosa, acarretando a transferência de propriedade das mãos deste para as do Estado pela via fiscal; 5.cita Ementas do Egrégio Supremo Tribunal Federal que tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias, não podem exceder a 30% (trinta por cento) do valor do tributo devido; 6.acrescenta que o Superior Tribunal de Justiça, utilizando como paradigma a decisão do Supremo Tribunal Federal que limita a multa no percentual de 30% (trinta por cento), adotou um parâmetro de 20 % (vinte por cento) para multa por infração fiscal; 7.em matéria tributária, a natureza dos juros moratórios visa recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demorado devedor em adimplir a mora; 8. a Taxa Selic não foi prevista por lei mas sim pelas Circulares Bacen 2.868/99 e 2900/99, que em seu art. 2º §1º que determina: “Definise Taxa Selic como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ( SELIC) para títulos federais”. 9. na seqüência, o contribuinte cita ementa exarada pelo STJ a fim de corroborar seu entendimento quanto à impossibilidade da utilização da Taxa Selic como juros moratórios; 10.argui que o art. 161,§1º do Código Tributário Nacional, com força de lei complementar, diz que os juros serão de 1% se a lei não dispuser em contrário e ressalta que a lei ordinária não criou a Taxa Selic mas somente estabeleceu seu uso; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 86 4 11.conseqüentemente, somente seria possível a aplicação de juros correspondente a exato 1%, conforme dispõe o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional; 12.sendo assim, requer a exclusão da presente autuação da taxa SELIC, prevista pelo artigo 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/96, a que faz remissão o artigo 43,§ único, do citado diploma legal. É de se ressaltar que , em 06/07/2009, a inventariante do espólio do Sr. Mauricio Vianna Cordeiro (fl.49), com intuito de informar o falecimento do contribuinte (Certidão de Óbito à fl.50), acostou aos autos a petição de fls.45/46, reiterando o pedido formulado na SRL, que consiste no cancelamento do lançamento de ofício, em face de entender que restou comprovado no presente que o falecido era portador de moléstia grave. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 61v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. Correta a aplicação de multa de ofício de 75%, quando constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic, na forma da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÃO DOUTRINÁRIA NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegação mediante juízo subjetivo, uma vez que a atividade administrativa Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 87 5 deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 03/03/2011 (fl. 65), o contribuinte apresentou, em 1/4/2011, o recurso de fls. 66 a 76, onde afirma que: a) os documentos anexados aos autos, tanto na fase de fiscalização como na peça impugnatória, especialmente aqueles referentes ao processo trabalhista, o laudo emitido pelos Cardiologistas do SUS Sistema Único de Saúde e o atestado de óbito do impugnante comprovam que o falecido era portador de moléstia grave, bem como que os rendimentos eram decorrentes de aposentadoria (ação judicial RT112/99); b) que o acórdão recorrido é contrário ao conteúdo das Súmulas CARF nos 42 e 63. Ao final, pugna pelo provimento do recurso, considerandose improcedente o lançamento de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 82, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte sustenta que os rendimentos lançados como tributáveis são, na verdade, isentos por ser portador de moléstia grave. Os incisos XXXI e XXXIII, e parágrafo 4°, do art. 39, do Decreto n° 3.000, de 26 de março 1999 – Regulamento do Imposto de Renda regulam a matéria da seguinte maneira: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 88 6 XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4o Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). Nesse sentido, foi publicada a Súmula CARF no 63 com o seguinte conteúdo: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, para o gozo da isenção, existem três condições cumulativas: (a) os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, (b) eles devem ser percebidos por portador de moléstia grave enumerada na legislação, e (c) a doença deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tanto a autoridade lançadora quanto o julgador de 1a instância não reconheceram o direito à isenção, porque o contribuinte não comprovou que os rendimentos Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 89 7 eram decorrentes de aposentadoria, nem trouxe laudo médico oficial de que era portador de moléstia grave. De fato, os documentos acostados ao processo não socorrem o pleito do recorrente. Não existe nos autos qualquer indicação de quando o contribuinte se aposentou. Somente com essa data é possível aferir se os rendimentos recebidos decorrem de aposentadoria. O contribuinte afirma que os R$ 256.736,73 informados como isentos em sua declaração de ajuste do exercício de 2004 (fl. 37) foram recebidos em uma reclamatória trabalhista. Para comprovar seu direito, traz apenas cópia de petição apresentada na Justiça Trabalhista, onde afirma que cogitava fazer um acordo para por fim a demanda, onde receberia 60% dos valores apurados pela contadoria judicial, e que a empresa ficaria responsável por toda a contribuição trabalhista e por 50% do imposto de renda (fls. 27 a 32) Nessa peça, afirma que é portador de moléstia grave, e solicita que os rendimentos sejam considerados como isentos, tendo o pedido sido deferido. Entretanto, não existe a informação de a qual período se referem as verbas trabalhistas discutidas. Esclareçase que é possível se reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos em ação judicial, desde que se refiram a verbas de aposentadoria, e a período em que o beneficiário já possuía moléstia grave. Assim, mesmo se no momento do recebimento dos valores o contribuinte já for isento do imposto de renda por ser portador de moléstia grave, se as verbas recebidas se relacionarem a complemento de salários anteriores à aposentadoria, ou a proventos de aposentadoria anteriores ao reconhecimento da moléstia grave, então estaremos diante de rendimentos tributáveis. Desta forma, não há a comprovação de que os rendimentos recebidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, tendo sido descumprido o primeiro dos requisitos para a isenção. Igualmente, há que se reconhecer que também não foi cumprido o terceiro requisito da isenção, pois a doença não foi devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ao contrário, o recurso busca comprovar as doenças com declarações de médicos individuais, que não estavam na função de serviço médico oficial, sem a indicação do início da doença (fls. 25 a 26 e 74 a 76). Esclareçase que não se duvida da gravidade da enfermidade que acometeu o contribuinte, fato comprovado pelo seu óbito, mas é inafastável a conclusão de que não foram cumpridos os requisitos previstos na lei, que deve ser interpretada literalmente nos casos de outorga de isenção, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 90 8 Não se pode esquecer que é de quem pleiteia a isenção a obrigação de comprovála, pois é do autor o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13971.004816/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
INTIMAÇÃO - SOLIDÁRIO - NÃO OCORRÊNCIA - VÍCIO - SANEAMENTO
Representa cerceamento de defesa a não intimação do responsável solidário da existência do lançamento. Para o saneamento de tal vício, torna-se necessário anular a decisão recorrida para que o responsável solidário seja intimado e apresente impugnação se desejar
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2402-003.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO - SOLIDÁRIO - NÃO OCORRÊNCIA - VÍCIO - SANEAMENTO Representa cerceamento de defesa a não intimação do responsável solidário da existência do lançamento. Para o saneamento de tal vício, torna-se necessário anular a decisão recorrida para que o responsável solidário seja intimado e apresente impugnação se desejar Decisão Recorrida Nula
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Para o saneamento de tal vício, tornase necessário anular a decisão recorrida para que o responsável solidário seja intimado e apresente impugnação se desejar Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 48 16 /2 00 8- 32 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 61/63), os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços ao grupo econômico, assim considerado pela auditoria fiscal, como aquele formado pela empresas HS Ind. e Com. de Peças para Bicicletas Ltda e Wester Indústria e Comércio Ltda. A Wester Indústria e Comércio Ltda é mencionada no Relatório Fiscal como responsável solidária pelo crédito lançado. Segundo o auditoria fiscal, foi realizada ação fiscal nas empresas relacionadas ao grupo econômicos Wester, o que determinou a exclusão da HS do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo nº 50/2008, processo 13971.004392/200814, por constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas. Os fatos geradores foram apurados nas folhas de pagamento e não foram declarados em GFIP, uma vez que a HS informou condição de optante pelo SIMPLES naquela declaração. A HS teve ciência do lançamento em 18/11/2008 e apresentou defesa (fls. 84/100), onde alega que apresentou manifestação de inconformidade contra o ato que a excluiu do SIMPLES e, antes mesmo que tivesse corrido o prazo para apresentação de tal manifestação, a auditoria fiscal efetuou o lançamento contra a impugnante. Segundo a autuada, sua exclusão do SIMPLES se deu sob o argumento de que a HS e a Wester constituem um grupo econômico e de que as pessoas físicas sócias da HS não têm poder de gerência na sociedade, sendo, laranjas. Alega a nulidade do auto de infração por ter sido exarado antes da decisão definitiva do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES. Argumenta que houve vício procedimental pelo fato de ter recebido as cinco autuações resultantes da ação fiscal no dia 18/11/2008 e o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF somente em 21/11/2008. Afirma que inexiste o grupo econômico de fato caracterizado pela auditoria fiscal e que o que ocorreu foi um planejamento tributário. Aduz a inocorrência dos motivos legais para a exclusão da autuada do SIMPLES. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.004816/200832 Acórdão n.º 2402003.331 S2C4T2 Fl. 3 3 Pelo Acórdão nº 0727.287 (fls 233/238) a 6ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde repete as alegações de defesa. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso apresentado pela HS Indústria e Comércio de Peças para Bicicletas Ltda é tempestivo e pode ser conhecido. Da análise das peças que compõem os autos, sobretudo o Relatório Fiscal, verificase que o lançamento em questão ocorreu com base no instituto da responsabilidade solidária em razão da caracterização de grupo econômico de fato entre a HS Indústria e Comércio de Peças para Bicicletas Ltda e a empresa Wester Indústria e Comércio Ltda. Apesar do Relatório Fiscal ser claro no sentido de que a empresa Wester integraria o pólo passivo do lançamento, esta não foi intimada do lançamento para apresentação de defesa. Asseverese que a decisão de primeira instância não faz qualquer menção à responsável solidária como sujeito passivo da obrigação. A meu ver, a ausência de intimação da solidária é vício que não causa a nulidade do lançamento, mas deve ser saneado para garantir à responsável solidária o direito à ampla defesa e ao contraditório. Para tanto, tornase necessário anular a decisão recorrida para que seja dada ciência do lançamento à empresa Wester Indústria e Comércio Ltda, com oferecimento de prazo de defesa para que esta apresente impugnação se assim o desejar. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR A DECISÃO RECORRIDA para que seja dada ciência do lançamento responsável solidária. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.909260/2010-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma de julgamento, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma de julgamento, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma de julgamento, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 92 60 /2 01 0- 74 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu declaração de compensação n. 20750.61068.230407.1.3.041761 referente a crédito originado de pagamento a maior de CSLL paga por estimativa, para compensação de débito no valor de R$ 32,21. O Despacho Decisório n. 880509511 de 06/09/2010 não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito informado pela Recorrente. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou, em síntese, que teria cometido erro no preenchimento da respectiva DCOMP, pois teria informado “pagamento a maior ou indevido”, quando deveria ter informado que o direito creditório adviria de “saldo negativo de CSLL”, conforme espelhado na DIPJ2007, ano calendário 2006, acostada aos autos. Nesse sentido, estaria comprovada a boafé da Recorrente, bem como a ausência de lesão ao Erário. A 2a Turma da DRJ/BHE, através do Acórdão 0235.670 julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente pode utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.909260/201074 Acórdão n.º 1801001.307 S1TE01 Fl. 9 3 prescrita na legislação tributária vigente e para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na decisão ora recorrida, entendeuse, em síntese, que a Recorrente não teria indicado o saldo negativo como origem de crédito e por essa razão, a DRF não procedera à análise para a verificação da formação de eventual saldo negativo apurado pelo contribuinte em sua DIPJ, acrescendo que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito, para exercer o direito à compensação. A DRJ não poderia, em sede de julgamento suprir esta omissão sob pena de usurpação da competência da DRF, e, assim sendo, foi negado provimento à manifestação de inconformidade apresentada. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reafirmou que apurara saldo negativo no exercício de 2006, o que estaria devidamente comprovado pela DIPJ2007, de maneira que a DRJ não poderia negar o seu direito sob o argumento da incompetência. Pugnou pela baixa em diligência do processo, para que a DRJ analisasse a referida DIPJ2007, para reconhecer a existência de saldo negativo, em vista de se estar diante de hipótese de erro formal, ausente dano ao Erário e comprovada a boafé da Recorrente. Nada mais acrescentou ou juntou ao processo. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório, porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração do IRPJ anual, seja para dedução do IRPJ devido ou na composição do respectivo saldo negativo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Observese que esse tema já é pacificado nessa Turma Especial, citandose o Acórdão n° 180100.490, de 22/02/2011, em que foi Relatora a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez , no qual se fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Nesse sentido, pedese vênia para a transcrição do referido voto, que expõe mais detalhadamente o entendimento deste Colegiado sobre o tema: “[...] Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: [...] Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: [...] Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: [...] Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: [...] Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.909260/201074 Acórdão n.º 1801001.307 S1TE01 Fl. 10 5 É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: [...] Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instâncias administrativas a quo estabeleceram como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à turma julgadora, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000580/00-21
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/12/1989 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/12/1989 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 80 /0 0- 21 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 26/05/2000, relativo ao período de apuração de 01/12/1989 a 30/09/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10240.000580/0021 Acórdão n.º 9900000.651 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda parcial do direito a se pleitear a restituição em relação à uma parcela do período objeto da solicitação. Assim, está prescrito o direito em relação ao período de 01/12/1989 a 30/04/1990. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora, para a análise do mérito do período não prescrito.. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 632DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16327.910470/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
APURAÇÃO ANUAL. REGIME DE ESTIMATIVA MENSAL. VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, norma legal de regência da matéria, possibilita ao sujeito passivo a utilização do valor pago indevidamente ou a maior no transcorrer do ano-calendário, antes mesmo da apuração do resultado do período.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL DURANTE A FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. SUBSTITUIÇÃO ATRAVÉS DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Com a apresentação do pedido de compensação de tributos ou contribuições se instaura o litígio entre o fisco e contribuinte. Incabível a substituição do pedido original de declaração de compensação através de apresentação de defesa administrativa (impugnação, manifestação de inconformidade, recurso voluntário, etc.).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1101-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Declararam-se impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, substituídos pelos Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto e João Carlos de Figueiredo Neto.
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Carlos de Figueiredo Neto, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). Declararam-se impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 APURAÇÃO ANUAL. REGIME DE ESTIMATIVA MENSAL. VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, norma legal de regência da matéria, possibilita ao sujeito passivo a utilização do valor pago indevidamente ou a maior no transcorrer do ano-calendário, antes mesmo da apuração do resultado do período. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL DURANTE A FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. SUBSTITUIÇÃO ATRAVÉS DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Com a apresentação do pedido de compensação de tributos ou contribuições se instaura o litígio entre o fisco e contribuinte. Incabível a substituição do pedido original de declaração de compensação através de apresentação de defesa administrativa (impugnação, manifestação de inconformidade, recurso voluntário, etc.). Recurso provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2181; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910470/200987 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.664 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2012 Matéria PER/DCOM ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente BANCO ITAÚ UNIBANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 APURAÇÃO ANUAL. REGIME DE ESTIMATIVA MENSAL. VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, norma legal de regência da matéria, possibilita ao sujeito passivo a utilização do valor pago indevidamente ou a maior no transcorrer do anocalendário, antes mesmo da apuração do resultado do período. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL DURANTE A FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. SUBSTITUIÇÃO ATRAVÉS DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Com a apresentação do pedido de compensação de tributos ou contribuições se instaura o litígio entre o fisco e contribuinte. Incabível a substituição do pedido original de declaração de compensação através de apresentação de defesa administrativa (impugnação, manifestação de inconformidade, recurso voluntário, etc.). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Declararamse impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, substituídos pelos Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 04 70 /2 00 9- 87 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Carlos de Figueiredo Neto, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). Declararamse impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por BANCO ITAÚ S.A., (fls. 28/40, v. 1), contra decisão da 8ª Turma da DRJ de São Paulo I, consubstanciada no Acórdão nº 1626.934, de 29 de setembro de 2010 (fls. 22/24), que julgou improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Consta dos autos que o Recorrente, após entregar, via Internet, sua Declaração de Compensação (fls. 16/20), na qual declara a compensação de crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, relativo ao período de apuração encerrado em 31/05/2005, foi cientificado, em 18/08/2009 (fls. 15), do Despacho Decisório, que não homologou seu pleito, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em virtude de a Recorrente ter sido intimada a recolher o débito indevidamente compensado, apresentou, em 17/09/2009, Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 02/06, v. 1), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o fundamento utilizado pela Receita Federal, a fim de negar a homologação de sua compensação, foi o art. 10 da IN 600/05; que, contudo, a utilização da IN como fundamento para a improcedência da compensação é indevida, haja vista que desvirtua o §3º, do art. 74, da Lei 9.430/96, que trata, de forma taxativa, das vedações da utilização da Declaração de Compensação; que a MP 449/08 incluía no §3º, do art. 74, da Lei 9.430/96, outras vedações à compensação, dentre elas “os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, apurados na forma do art. 2º”. Contudo, informa que a mesma não foi convertida em Lei; que ao dispor que o pagamento indevido, ou a maior, não poderá ser objeto de Declaração de Compensação, mas deverá compor o saldo negativo, a IN 600/05 não permite a atualização, a partir do mês subseqüente, pela Selic, o que contraria o art. 73 da Lei 9.532/97; Após resumir os fatos constantes da decisão da autoridade administrativa e as principais razões apresentadas na manifestação de inconformidade, os membros da Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o Despacho Decisório está de acordo com a legislação de regência, pois na DCOMP o contribuinte pretende compensar crédito de pagamento indevido ou a maior referente ao recolhimento de estimativa de CSLL (cód. receita 2469), o que era vedado pelo art. 10 da IN 600/2005; que não se cogita questionar a legalidade do dispositivo em comento, haja vista que aos julgadores das Delegacias de Julgamento cabe observar a interpretação da legislação tributária expressa nos atos normativos da Receita Federal do Brasil (art. 7º da Portaria MF n°58, de 17/03/2006); que ao contribuinte, portanto, seria permitido utilizar o referido pagamento apenas para deduzir na apuração da contribuição devida no ajuste anual, ou ainda para compor o saldo negativo de CSLL, adotandose a respectiva forma de atualização pela taxa Selic, ou seja, a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Não se admite, porem, considerálo como crédito de pagamento indevido ou a maior, tal como pleiteado pelo interessado; que, ademais, cumpre esclarecer que a vedação do art. 10 da IN 600/2005 não se confunde com a vedação do inc. IX, do §3°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, que produziu efeitos no breve período de vigência da MP n° 449/2008 (pois o dispositivo foi revogado por ocasião da conversão na Lei n° 11.941/2009). A proibição prevista na IN 600/2005 diz respeito ao crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa, enquanto a vedação da MP 449/2008 referese à compensação do débito de estimativa. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2005 ESTIMATIVA MENSAL. VALOR PAGO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DA CSLL DEVIDA OU COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a titulo de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância (fls. 27) e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil o recurso voluntário no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que em vista de caber a administração pública o controle da legalidade de seus atos administrativos competente, tendo como fundamento o princípio constitucional da Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 4 5 legalidade, não procede o argumento utilizado pela autoridade julgadora de primeira instância, no sentido de que somente lhe caberia observar a interpretação da legislação tributária expressa nos atos normativos da Receita Federal, conforme o art. 7º da Portaria MF 58, de 17/03/2006; que, assim, calcada na súmula 473/STF e na decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 010866, de 14/04/89, cabe a administração pública afastar o art. 10 da IN SRF 600/05, em vista de ser ilegal; que o art. 62 do Regimento Interno deste Colendo Conselho somente vedaria o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade. Contudo, por se tratar de atos administrativos ilegais, como é o caso do art. 10 da IN 600/05, nenhuma vedação existiria; que quanto a liquidez e certeza de seu crédito alegado, informa que o art. 32 da Lei 11.052/2004 trouxe alterações quanto à forma de tributação dos resultados positivos e negativos auferidos e incorridos nas operações realizadas em mercado de liquidação futura, determinando o recolhimento de tais resultados pelo “regime de caixa”; que após a IN SRF 575/05, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei 11.051/04 passou a ser aplicável a partir de abril de 2005; que, em 30/06/2005, o recolhimento da CSLL foi efetuado no montante de R$ 11.857.112,02, contudo, por conta da IN SRF 575/05 e da Lei 11.051/04, efetuou um novo cálculo e apurou a base de cálculo de CSLL no valor de R$ 116.805.922,14, a qual foi aplicada a alíquota de 9%, resultando no valor devido de R$ 10.512.532,99; que tendo em vista o valor efetivamente devido e o valor recolhido a maior, temse o crédito de R$ 1.344.579,03; que o reprocessamento do cálculo do tributo foi efetuado antes da elaboração da DIPJ AC 2005, sendo que neste documento consta o valor correto; que no PER/DCOMP inicial (n° 10.308.04635.280705.1.3.049666) foi informado o valor de R$ 587.394,14 como credito original, quando o correto seria informar o valor de R$ 1.344.579,03; que no momento da elaboração do PER/DCOMP 10617.05399.230806.1.3.046037, ora em análise (crédito original de R$ 757.184,89), efetuou se uma nova composição, informandose como PER/DCOMP inicial o de n°10617.05399.230806.1.3.046037, e não o de n° 10.308.04635.280705.1.3.049666, que era realmente o PER/DCOMP inicial; que o crédito em questão foi informado em DCTF, entretanto, por equivoco, foi indicado o valor do DARF como sendo de R$ 11.269.717,88, quando o correto a ser informado era o valor recolhido, no montante de R$ 11.857.112,02; que a observância ao princípio da verdade material permite que as provas ora trazidas aos autos sejam acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento do PER/DCOMP e da DCTF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar dos autos do processo verificase, que o recorrente apresentou em 23/08/2006, o PER/DCOMP nº 10617.05399.230806.1.3.046037, correspondente ao crédito pelo recolhimento mensal a maior de CSLL, relativa ao mês de maio de 2005, com débitos de estimativa do mesmo tributo. O pedido foi rejeitado sob o seguinte argumento: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período." A motivação da recusa do pleito do contribuinte deuse com base no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do lRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A seguir o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 03, vol. 01, requerendo a não aplicação do artigo 10 da IN SRF n° 600/05. A decisão proferida pela turma julgadora da DRJ manteve a não homologação da compensação sob o argumento de que "Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a titulo de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo". Consta ainda do voto condutor da decisão recorrida a respeito da ilegalidade da aplicação do art. 10 da IN SRF 600/05 que, no seu entendimento, os julgadores das Delegacias de Julgamento devem observar a interpretação da legislação tributária expressa nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme previsto no art. 7° da Portaria MF n°58, de 17/03/2006. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 5 7 Diante disso, restou ao contribuinte, unicamente a possibilidade de utilizar o referido pagamento mensal a maior apenas para deduzir na apuração da contribuição devida no ajuste anual, ou ainda para compor o saldo negativo de CSLL, tendo sido, portanto, rejeitado o entendimento de crédito de pagamento indevido ou a maior. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento dos julgadores de primeira instância, visto que, o disposto na mencionada instrução normativa fez parte do escopo da MP 449/08, tendo sido incluído no parágrafo terceiro da mesma, com outras hipóteses de vedação à compensação das estimativas. A instrução normativa, que, por sua vez, é um desses atos normativos deve apenas explicitar os preceitos legais, ou instrumentar o cumprimento de obrigações fiscais e não inovar as determinações da lei. Ou seja, a instrução normativa não pode trazer disposições diversas da própria lei que pretende explicitar. No tocante a esse assunto, o professor Luciano Amaro faz a seguinte afirmação: "É obvio que, havendo desconformidade entre o que um de tais atos estabeleça e o que a lei determina, o ato será invalido". Nesse mesmo sentido, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AGRAVO REGIMENTAL IMPUGNAÇÃO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA DO DEPARTAMENTO DA RECEITA FEDERAL ALEGADA VULNERAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS SEGUIMENTO NEGADO – NATUREZA DAS INSTRUÇÃO NORMATIVAS CARÁTER ACESSÓRIO DO ATO IMPUGNADO JUÍZO PRÉVIO DE LEGALIDADE. (...) As instruções normativas, editadas por Órgão competente da administração tributaria, constituem espécies jurídicas de caráter secundário. Cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configura cão jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade esta diretamente subordinada aos atos de natureza primaria, como as leis e as medidas provisórias, a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do código tributário nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. (STF Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 365/DF, de 07/11/1990). Ora, a vedação à compensação contida na Medida Provisória nº 449/08, não foi convertida em lei, visto que rejeitada pelo Congresso Nacional. Assim sendo, entendeu o legislador que a vedação proposta pelo Executivo para a compensação de débitos mensais de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 estimativas não deveria ser mantida. Em outras palavras, foi permitida a realização da compensação levada a efeito pelo recorrente. Aliás, na época em que foi feito o pedido de compensação, encontravase em pleno vigor o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que possuía a seguinte redação: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637/2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637/2002). § 2º A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n°10.637/2002). § 3° Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § I°: (Redação dada pela Lei n° 10.833/2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei n" 10.637/2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei IV 10.637/2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União; (Incluído pela Lei n° 10.833/2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei no 11.051/2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei n° 11.051/2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 6 9 Assim sendo, somente nas hipóteses acima transcritas (previstas pela norma legal), que estabelecem a vedação à utilização da Declaração de Compensação é que poderia ser negado o direito pleiteado pelo recorrente. Com relação a restituição de tributos pagos indevidamente, o Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 165, inciso I prevê que o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em montante maior que o devido. Por fim, alega o recorrente que por conta da mencionada alteração legislativa (determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei n° 11.051/04 passou a ser aplicável a partir de abril de 2005) e considerando o período de apuração maio de 2005, o Recorrente efetuou o reprocessamento do cálculo da base de cálculo da CSLL, apurando um novo valor devido a titulo desse tributo. Ou seja, o Recorrente efetuou, em 30/06/2005, o recolhimento da CSLL no montante de R$ 11.857.112,02 (doc. 03). Todavia, considerando o disposto na Lei n° 11.051/04 e na IN SRF ri° 575/05, o Recorrente efetuou um novo cálculo e apurou base de cálculo de CSLL no montante de R$ 116.805.922,14 (doc. 04), à qual foi aplicada a alíquota de 9%, resultando no valor devido de R$ 10.512.532,99, conforme informado em sua DIPJ (doc. 05). Sendo assim, o recorrente entende que em razão do valor efetivamente devido (R$ 10.512.532,99) e o valor recolhido a maior (R$ 11.857.112,02), temse o crédito de R$ 1.344.579,03, objeto do presente pedido de compensação e não o valor constante do Pedido de Compensação de fls. 14/15, crédito original no valor de R$ 754.184,90. Entretanto, com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, entendo, que neste caso em especial, não se torna possível a simples modificação do pedido original (Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação – fls. 13/17) após a decisão de primeira instância. Ora, a análise do pedidos de restituição ou compensação de tributos e contribuições devem ficar restritos ao âmbito do pedido original, no caso em discussão o PER/DCOMP (fls. 13/17), cujo valor original é de R$ 754.184,90. Entendo, que a fixação do termo inicial para a análise dos pedidos de PER/DCOMP estão estritamente vinculados ao momento em que o contribuinte ingressa com o respectivo pedido, não sendo razoável e nem lógico a sua mudança no decorrer da análise pelas autoridades julgadoras, como se pretende no presente processo, já que somente na fase recursal e através de alegações na peça recursal o contribuinte pretende inovar o seu pedido modificando o respectivo valor. Nessas condições, sou pelo provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação do pedido original de fls. 13/17. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de compensação conforme o pedido constante às fls. 13/17. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA
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