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Numero do processo: 19515.007955/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 79 55 /2 00 8- 81 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19515.007955/200881 Acórdão n.º 9202005.024 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721438/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal no rito do Processo Administrativo Fiscal - PAF, para a de oitiva de testemunhas no contencioso administrativo.
Demonstrada a cognição do julgador quanto às provas dos autos, incabível o apontado cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova testemunhal.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NEGÓCIO SIMULADO. INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO E IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE.
Demonstrada a inexistência de prestação de serviço, restou caracterizada a simulação das operações entre a fiscalizada e os supostos prestadores de serviço, por constituírem grupo econômico de fato e irregular com prejuízo evidente para o fisco, haja vista os créditos descontados indevidamente pela fiscalizada na apuração das contribuições de PIS e COFINS.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NEGÓCIO SIMULADO. INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO E IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE.
Demonstrada a inexistência de prestação de serviço, restou caracterizada a simulação das operações entre a fiscalizada e os supostos prestadores de serviço, por constituírem grupo econômico de fato e irregular com prejuízo evidente para o fisco, haja vista os créditos descontados indevidamente pela fiscalizada na apuração das contribuições de PIS e COFINS.
Numero da decisão: 3302-003.655
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de prova testemunhal. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à redução da multa qualificada e validação do planejamento, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, em admitir, de ofício, a dedução dos valores recolhidos a título de PIS e Cofins contidos no DAS mensal relativo ao Simples Nacional, proporcional às receitas de vendas à recorrente.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto
(assinatura digital)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora
(assinatura digital)
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè, Maria do Socorro Ferreira Aguiar , Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares De Araújo Paes De Souza, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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INEXISTÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal no rito do Processo Administrativo Fiscal PAF, para a de oitiva de testemunhas no contencioso administrativo. Demonstrada a cognição do julgador quanto às provas dos autos, incabível o apontado cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova testemunhal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NEGÓCIO SIMULADO. INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO E IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE. Demonstrada a inexistência de prestação de serviço, restou caracterizada a simulação das operações entre a fiscalizada e os supostos prestadores de serviço, por constituírem grupo econômico de fato e irregular com prejuízo evidente para o fisco, haja vista os créditos descontados indevidamente pela fiscalizada na apuração das contribuições de PIS e COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NEGÓCIO SIMULADO. INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GRUPO ECONÔMICO DE FATO E IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE. Demonstrada a inexistência de prestação de serviço, restou caracterizada a simulação das operações entre a fiscalizada e os supostos prestadores de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 14 38 /2 01 2- 55 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.107 2 serviço, por constituírem grupo econômico de fato e irregular com prejuízo evidente para o fisco, haja vista os créditos descontados indevidamente pela fiscalizada na apuração das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de prova testemunhal. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à redução da multa qualificada e validação do planejamento, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, em admitir, de ofício, a dedução dos valores recolhidos a título de PIS e Cofins contidos no DAS mensal relativo ao Simples Nacional, proporcional às receitas de vendas à recorrente. (assinatura digital) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado Relatora (assinatura digital) Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè, Maria do Socorro Ferreira Aguiar , Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares De Araújo Paes De Souza, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da recorrente, resultando na exigência das contribuições de PIS e COFINS no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. A fiscalização constatou que a Calçados Mollino Ltda, ora recorrente, e a empresa Calçados Di Cristallis Ltda, integravam grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de sonegar as contribuições sociais. De acordo com a autoridade fiscal, a atuação desse grupo econômico ocorria por três empresas prestadoras de serviço Diversu's Componentes para Calçados Ltda, Mixage Calçados Ltda e Cleiton Lazaretti & Cia. Na conclusão do fiscal, essas empresas não seriam independentes, mas sim empresas interpostas, e teriam o único objetivo de criar uma situação Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.108 3 jurídica com vistas a simular a contratação de prestação de serviços de industrialização, em lugar dos serviços prestados pelas próprias empresas Mollino e Di Cristalli. Dessa forma, a fiscalizada ora recorrente , usufruiria do benefício de créditos de PIS e de COFINS na contratação de serviços de pessoas jurídicas, visto que tal benefício não seria contemplado pela mãodeobra paga a pessoas físicas em sua folha de salários. A ora recorrente foi autuada, sendo também aplicada a multa de 150%, prevista no § 1º do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, por que sua conduta estaria relacionada com as circunstâncias previstas no art. 68 c/c art. 71, ambos da Lei n. 4.502/1964, por que o único intuito da recorrente seria sonegar tributos. Por esse motivo também foi autuada em Representação Fiscal para fins penais. Notificada sobre o teor da autuação, a ora recorrente apresentou seus argumentos de defesa em tempestiva impugnação, que foi julgada improcedente pela 2ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Porto Alegre. A decisão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. DESNECESSIDADE. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, devendo a parte apresentar tais depoimentos sob a forma de declaração escrita já com a sua impugnação. Em todo o caso, tais depoimentos não se justificam a partir do momento que as questões abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de vasto conjunto probatório. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e as empresas prestadoras são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseqüência cabe a desconsideração de atos jurídicos simulados devendo o correspondente tributo ser exigido. Comprovada a simulação através de acervo indiciário convergente, identificando a verdade dos fatos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. DESNECESSIDADE. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.109 4 No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, devendo a parte apresentar tais depoimentos sob a forma de declaração escrita já com a sua impugnação. Em todo o caso, tais depoimentos não se justificam a partir do momento que as questões abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de vasto conjunto probatório. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E OS PRESTADORES DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e as empresas prestadoras são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como um único grupo econômico, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseqüência cabe a desconsideração de atos jurídicos simulados devendo o correspondente tributo ser exigido. Comprovada a simulação através de acervo indiciário convergente, identificando a verdade dos fatos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão em 16/10/2012 (Aviso de Recebimento Postal acostado à folha 1053 dos autos eletrônicos) e tempestivamente1 interpôs o recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho. 1 Solicitada a juntada do recurso em 14/11/2012, conforme certidão acostada à folha 1079 dos autos eletrônicos. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora Diante da tempestividade do recurso e presentes todos os demais requisitos formais, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR A recorrente sustenta, em preliminar, o cerceamento ao seu direito de defesa, já que requereu expressamente a oitiva de 5 testemunhas, que promoveriam a descoberta da verdade material dos fatos alegados nos autos. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.110 5 Considerando que o auditor fiscal admite como provas os relatórios de oitiva de testemunhas utilizadas na Justiça Trabalhista, em contendas não relacionadas a contribuinte ora recorrente, entendo que deveria ter sido deferido o pedido de produção de provas, na forma em que pleiteado pela recorrente. Por esse motivo, ao meu ver, a decisão recorrida merece reforma. No entanto, por tudo que será exposto, invoco o preceito contido no § 3º do inciso II do art. 59 do Decreto n. 70.235/19722, para adentrar ao mérito da contenda. MÉRITO No mérito argumenta que não praticou nenhum ilícito e que sua conduta é incentivada por órgãos do governo e adotada por empresas do setor. E assim justifica: "20 Como trabalhado alhures a RECORRENTE é empresa que se dedica ao ramo da industrialização de calçados, mais precisamente na produção de sapatos femininos. 21 Tais produtos, sofrem significativas e constantes influências das tendências de moda e comportamento, necessitando uma constante adaptação no processo produtivo gerando uma intensa capacitação dos recursos humanos empregados na sua produção. 22 Também é consenso mundial que, por mais industrializadas que estejam as fábricas, a produção de sapatos ainda é eminentemente artesanal. (...) 24 Afirmam os especialistas que o processo de produção dos calçados, pode ser dividido em 5 (cinco) etapas, quais sejam: o design/ modelagem; o corte; a costura; o solado e finalmente a montagem/acabamento. (...) 27 E com o passar dos anos os chamados ateliês ganharam força em todos os sentidos, passando a constar do planejamento fiscal de praticamente todas as grandes empresas do setor, sendo tal iniciativa, inclusive, incentivada por órgãos de governo (Sebrae)". A recorrente destaca que a autoridade fiscal não encontrou nenhum débito tributário ao longo de suas investigações, o que demonstra que a recorrente sempre arcou com todas as obrigações que a ela compete. Informa ainda que: 2 Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 3º. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.111 6 "38 Ressaltese, por fim, que os ateliês parceiros por mais 'parceiros' que sejam da empresa ancora possuem como restou e resta comprovado, sede própria, registros e inscrições fiscais próprias, possuem administração e quadro de funcionários próprios, emitem corretamente as suas Notas Fiscais, possuem contas bancárias próprias, celebram negócios de forma individual e independente, possuem ativos e maquinários específico, enfim, são empresas autônomas e independentes". E conclui, sobre a questão do mérito, que: "39 Portanto, resta evidenciado que a constituição do modelo de negócio formatado pela Recorrente está focado exclusivamente na maximização dos seus lucros e minimização dos custos, inclusive os de ordem tributária, constituindo assim um planejamento tributário lícito e em conformidade com a legislação e em igualdade com todas as grandes empresas do setor, motivos estes que impedem a procedência do Auto de Infração". Por fim, a recorrente se insurge contra a multa qualificada a que foi apenada, requerendo que, caso esta sanção não seja cancelada em sua integralidade que, ao menos, seja reduzido o percentual. O objetivo final do contribuinte é questionar a fundamentação e a imputação contra ele atribuída. Por esse motivo, trago a conhecimento trechos do Relatório Fiscal no que concerne a ora recorrente (fls. 55 a 79 dos autos eletrônicos): "2.2. CALÇADOS MOLLINO LTDA. A empresa Calçados Mollino Ltda iniciou suas atividades em 04/2008, domiciliada no município de São Francisco de Paula/RS, atuando no segmento de fabricação de calçados de couro. Seu quadro societário apresenta a mesma composição desde o início das atividades. Sócia majoritária e administradora, Daiana Sulamita de Souza Fuhrmann participa com 98% (noventa e oito por cento) do capital social. O restante do capital social foi integralizado pelo seu irmão, o senhor Jéferson Cássio de Souza. Duas constatações merecem destaque. A senhora Daiana Fuhrmann é esposa do senhor Léo Fuhrmann, sócio majoritário e administrador da DI CRISTALLI. A segunda é que o senhor Jéferson de Souza figurou como segurado empregado da DI CRISTALLI no período de 08/2005 até 05/2010, conforme extrato do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, no Anexo III. Além disso, veremos a seguir, que o senhor Jéferson também participou do quadro societário da Diversu's Componentes para Calçados Ltda." "A seguir, apresentamos a movimentação da conta BANCO DO BRASIL S.A., anocalendário 2010, o que evidencia que a Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.112 7 ingerência financeira das empresas Calçados Mollino Ltda e Calçados Di Cristalli Ltda sobre a MIXAGE se deu ao longo de todo o período auditado". "Observase que a CLEITON prestou serviços durante 2009 predominantemente para a DI CRISTALLI e para a fiscalizada, acentuando a participação da MIXAGE no ano de 2010". "Ou seja, apesar de representar mais de 75% de uma receita bruta que superou R$ 2,5 milhões nos dois anoscalendário analisados, os contratos eram verbais. Não havia qualquer documento estipulando prazos, preços, multas em caso de inadimplência, nada. Todo o acerto era eminentemente verbal". "7. DOS BENEFÍCIOS FISCAIS Assim, tendo em vista todos os fatos narrados e exaustivamente documentados no presente relatório, é mister afirmar que as sociedades Calçados DI CRISTALLI Ltda e Calçados MOLLINO Ltda constituíram grupo econômico de fato e irregular, por meio do qual exploraram a mãodeobra registrada em três empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, DIVERSU'S Componentes para Calçados Ltda, MIXAGE Calçados Ltda e CLEITON Lazaretti & Cia Ltda. O risco da atividade econômica assumido por estas três sociedades se deu de forma artificial e com o objetivo de criar uma situação jurídica com vistas a simular a 'contratação' de serviços de industrialização por encomenda, em lugar dos serviços prestados pelos próprios funcionários da Calçados Mollino Ltda. A fiscalizada vem usufruindo o beneficio de creditamento das contribuições para o PIS e da COFINS, na contratação de serviços de pessoa jurídica que geram direito a crédito. (...) Tendo em vista todos os fatos e provas acima, concluímos que os supostos serviços de industrialização prestados pelas empresas DIVERSU'S, MIXAGE e CLEITON eram, na realidade, os custos relativos à própria folha de pagamento da fiscalizada. Restou claro que essas empresas constituíamse em parte da fiscalizada, formando uma única empresa. Sendo assim, o contribuinte não poderia se creditar das contribuições em relação aos serviços dessa mãodeobra, por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (mãodeobra para a pessoa física)". "No curso da ação fiscal, constatamos que a fiscalizada, juntamente com a empresa CALÇADOS DI CRISTALLI LTDA, CNJPJ 02.452.360/000150, sediada em Três Coroas, RS, constituiu grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de sonegar contribuições sociais e contribuições de intervenção no domínio econômico, por meio de três 'prestadoras de serviço'. As empresas DIVERSU'S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas". Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.113 8 Das transcrições acima podemos concluir que os fundamentos para a autuação fiscal contra a recorrente foram: 1. A sócia majoritária e administradora da autuada (que detém 98% das cotas sociais da empresa) é casada com o Sr. Léo Fuhrmann, sócio majoritário e administrador da DI CRISTALLI. O sócio minoritário (detentor de 2% das cotas), Jéferson de Souza, além de ser irmão da sócia administradora, também figurou como segurado empregado da DI CRISTALLI no período de 08/2005 até 05/2010; 2. A documentação contábil obtida pelo Fiscal demonstraria que no ano de 2010, a ora recorrente interferia nas questões financeiras da empresa MIXAGE; 3. O fato de inexistirem contratos formais e todas as relações comerciais terem sido entabuladas por acordos verbais indica a atitude ilícita da ora recorrente; 4. A ora recorrente, de acordo com a autuação fiscal, explorava mãodeobra registradas em três empresas interpostas somente com o objetivo de simular uma situação jurídica para justificar a contratação, e a finalidade última de tal engendro é usufruir o benefício de creditamento de PIS e COFINS gerados por essas contratações. Cotejando as alegações defendidas pelo auditor fiscal autuante e os documentos acostados aos autos, cheguei as seguintes considerações: 1. O artigo 977 do Código Civil em vigor faculta aos cônjuges contratar sociedade entre si, desde que não sejam casados sob o regime da comunhão universal de bens. A sócia principal da empresa autuada é casada com o Sr. Léo Fuhrmann sob o regime da separação total de bens (fl. 773). Não há, a priori, nenhuma ilicitude na sociedade constituída entre a Sra. Daiana Sulamita e seu esposo. Também não há nos autos nenhuma demonstração de que tenha havido transferência indevida ou ilegal de recursos entre as empresas Calçados Mollino (que é detida, em sua maioria, pela Sra. Daiana) e a Di Cristalli Ltda (em que é sócio majoritário o seu esposo Sr. Léo Fuhrmann); 2. Não é possível concluir que a recorrente Calçados Mollino tenha a aptidão a interferir nas questões financeiras de outras empresas, baseado exclusivamente na prova que os auditores fiscais trouxeram a conhecimento. Isso porque, ao contrário do que sugere a opinião do fiscal, na planilha acostada às folhas 66/67 dos autos eletrônicos, existem somente registros de entrada de valores e débitos, perfeitamente adequados a uma relação comercial, como apontam os fatos; 3. O fato das relações comerciais estarem acordadas somente em contratos verbais não descaracteriza a licitude do contrato, conforme se verifica da simples leitura do artigo 107 do Código Civil3. Nos autos estão presentes todos os documentos que comprovam a existência de relações comerciais entre as empresas, de notas fiscais até os registros contábeis das duplicatas e correspondentes pagamentos. A título ilustrativo, destaco: Anexo XI Livro Razão da Diversu's Componentes para Calçados Ltda Folha 264: 3 Art. 107: "A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente exigir". Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.114 9 316/0130 30/10/2009 Rec. Dupl. NR. DP: 001505/09/ EX ADIANT 22.10.2009 (22.000,00)/ CLI : CALÇADOS MOLLINO LTDA Débito 2.004,50 317/0130 30/10/2009 Rec. Dupl. NR. DP: 001505/09/ EX ADIANT 22.10.2009 (22.000,00)/ CLI : CALÇADOS MOLLINO LTDA Débito 9.661,16 Anexo XII Livro Razão da Diversu's Componentes para Calçados Ltda Fl. 299: 300/0131 31/01/2009 Rec. Dupl. NR. 990 CALÇADOS MOLLINO LTDA Débito 196.000,00 Fl. 301: 431/0118 18/05/2009 Rec. Dupl. NR.1190 CLI : CALÇADOS MOLLINO LTDA Débito 19.500,00 435/0131 31/05/2009 Rec. Dupl. NR.1226 CLI : CALÇADOS MOLLINO LTDA Débito 66.000,00 4. Ainda sobre a ausência de provas que corroborem a conclusão do auditor fiscal, é importante considerar que no demonstrativo de apuração de créditos tributários apresentados pela autoridade fiscal (Anexo LIV, folhas 694 a 698) não há uma linha sequer sobre o suposto aproveitamento dos créditos das contribuições pela fiscalizada, ora recorrente. Assim, não há qualquer indício que leve a crer que a Calçados Mollino tenha requerido o aproveitamento dos créditos das contribuições de PIS e COFINS; 5. As fotos trazidas aos autos demonstram cabalmente que a Calçados Mollino possui uma indústria, realizando a costura e montagem dos calçados que comercializa. (fls. 775 a 805). Diante das evidencias fotográficas apresentadas tempestivamente pela recorrente, é de se admitir que a empresa terceiriza parte da sua produção, que consiste em várias etapas, sendo que a ela própria compete a criação do calçado (desenho e protótipo), e a conclusão da montagem. Assim, não é possível admitir a autuação fiscal em seus termos, já que há efetiva industrialização por parte da recorrente. 6. Afastando qualquer centelha de dúvida sobre a legitimidade da estruturação do negócio da contribuinte, está nos autos a declaração prestada pelo Presidente do Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas, que atesta "ser prática usual, adotada desde longa data pelas indústrias calçadistas, a contratação em regime de terceirização, de empresas denominadas 'atelieres', as quais executam atividades relacionadas ao processo de fabricação de calçados (fl. 1029). Sobre esse ponto, trago a conhecimento trechos da declaração emitida pelo gerente do SEBRAE na Região do Vale dos Sinos/RS (onde está situada a empresa recorrente), Sr. Marco Aurélio Copetti, que confirma que a terceirização de momentos da cadeia produtiva da indústria de calçados tem por finalidade o aumento da margem de lucro: "A ótica da terceirização e da quarteirização faz parte hoje do complexo produtivo da indústria gaúcha e nós entendemos que Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.115 10 ajudar o fornecedor, ajudar o ateliê, o terceirizado a tornarse mais forte, se complementa nessa cadeia produtiva"4. Esse projeto do SEBRAE resultou em um faturamento triplicado, bem como a própria estrutura, conforme afirma um dono de indústria de calçados. 7. Ademais, e somente com intuito de reafirmar a fragilidade da autuação fiscal, consta no Relatório Fiscal que: "Observase que a CLEITON prestou serviços durante 2009 predominantemente para a DI CRISTALLI e para a fiscalizada, acentuando a participação da MIXAGE no ano de 2010". No entanto, e ao contrário da conclusão traçada acima, as negociações entabuladas entre a recorrente e a empresa Cleiton objeto da fiscalização ocorreram em 10 meses no ano de 2009 e em apenas 2 meses no ano de 2010. Também consta no relatório que embasa a autuação que: "Ou seja, apesar de representar mais de 75% de uma receita bruta que superou R$ 2,5 milhões nos dois anoscalendário analisados, os contratos eram verbais. Não havia qualquer documento estipulando prazos, preços, multas em caso de inadimplência, nada. Todo o acerto era eminentemente verbal". Sobre esse ponto destaco que o próprio fiscal é contraditório porque na planilha por ele elaborada, está demonstrado que a relação comercial entre a empresa Cleiton e a recorrente correspondeu, nos dois anos sob investigação, a 15,46% dos valores registrados na contabilidade da Cleiton, e que esse percentual corresponde ao montante de R$ 391.071,95 (fl. 71), e não aos números superavitários registrados no Relatório Fiscal. Pois bem. É certo que para a condenação da contribuinte é necessária a apresentação de indícios consistentes e convergentes no sentido de que o responsável tributário fez uso de interposta pessoa para afastar o pagamento da contribuição devida, ou para aproveitar créditos indevidos. Na hipótese dos autos, a autoridade fiscal falhou ao comprovar que a ora recorrente tenha qualquer participação efetiva na criação das empresas Diversu's Componentes para Calçados Ltda, Mixage Calçados Ltda e Cleiton Lazaretti & Cia. Também fracassou de forma impressionante ao comprovar que essas empresas teriam sido artificialmente criadas e intencionalmente dispostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando unicamente reduzir a carga tributária. Não há nos autos nenhuma prova nessa sentido. Ao contrário, todas as provas nos autos comprovam que são empresas em funcionamento, que atuam por encomenda, que são pagas por seus serviços, que pagam seus tributos e respondem por quaisquer responsabilidades na seara trabalhista. 4 Disponível em http://pegntv.globo.com/Jornalismo/PEGN/0,,MUL161473617958,00 INDUSTRIAS+DE+CALCADOS+E+OFICINAS+SELAM+PARCERIA.html Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.116 11 Em contrapartida, as provas contidas nos autos levam as seguintes conclusões: *A contribuinte ora recorrente possui estabelecimento fabril e ocupa, sozinha, um espaço físico adequado; *A contribuinte recorrente efetivamente desenvolve o objeto social que a descreve; *A contribuinte recorrente não compartilha funcionários ou maquinários com outras empresas. Não há qualquer indício de que o Erário tenha sofrido qualquer dano, até mesmo porque todas as informações lavradas nos registros contábeis dão conta que as empresas estão em regularidade com suas obrigações tributárias. A fiscalização não aponta a ocorrência de pagamentos não contabilizados, omissão de receitas, falta de escrituração contábil, ou falta de pagamento de tributos. A suposta utilização de interpostas pessoas jurídicas, de acordo com o relato do fiscal, não visava ocultar a verdadeira contribuinte, mas sim garantir aproveitamento de créditos que, digase de passagem, não foram sequer indicados pelos auditores fiscais. A autoridade fiscal de origem que lavrou a exigência, bem como o colegiado que analisou a impugnação, consideraram que a relação comercial entre as empresas investigadas consistia, em verdade, na simulação através da utilização de interpostas pessoas. No entanto deve se ter em mente que para que a exista a simulação é necessário que, em virtude desse concluiu entre as partes se simule ato aparente com a finalidade única de enganar a terceiros (no caso, a Fazenda Nacional). Não foram consideradas as provas nos autos que confirmam que a ora recorrente efetivamente industrializa calçados e, mais importante, não se levou em conta que uma empresa tem por objetivo maximizar seus lucros minimizando seus custos. A prática de terceirização é um método legítimo para atingir o objetivo nato a qualquer pessoa jurídica e não pode ser penalizada por adotála. Assim, diante da mais absoluta falta de provas a corroborar a conclusão do auditor fiscal, dou provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte Calçados Mollino Ltda para cancelar a exigência tributária lavrada no auto de infração. Lenisa Rodrigues Prado Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora Designada PRELIMINARES Com a devida vênia à ilustre Relatora e amparada nas disposições do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 que asseguram ao julgador a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, passo então a discorrer sobre a interpretação da situação fática Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.117 12 objeto presente da lide à luz da legislação de regência da matéria e do arcabouço probatório dos autos. Da inexistência de cerceamento de defesa Afirma a Recorrente que houve flagrante desrespeito aos pressupostos constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, notadamente quando não foram ouvidas as testemunhas arroladas e qualificadas na impugnação, implicando cerceamento de defesa e consequentemente a nulidade da decisão recorrida. Ressalvese que o sistema de apreciação das provas adotado no processo administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro que é o da persuasão racional, também conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua Daniel Amorim, em consequência do livre convencimento motivado o julgador é livre para formar seu convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem existir hierarquia entre os meios de prova. Acrescentese que inexiste previsão legal na norma processual específica do Processo Administrativo Fiscal PAF, Decreto nº 70.235, de 1972 para a de oitiva de testemunhas no contencioso administrativo, como pertinentemente destacou a decisão de piso: Preliminarmente sobre o pedido de depoimentos do impugnante, digase que no rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, entre outros. O contribuinte deveria ter apresentado esses depoimentos sob a forma de declaração escrita, assim como outras provas que entendesse pertinentes, junto com sua impugnação. (grifos do original). Além de inexistir previsão na norma que rege o Processo Administrativo Fiscal para audiência de instrução, da leitura da decisão de piso constatase que a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão respaldada no suporte probatório do caderno processual, que entendeu suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, as normas emanadas dos princípios constitucionais invocados foram plenamente asseguradas, de modo que rejeito a preliminar de cerceamento de defesa suscitada pela ora Recorrente em seu Recurso Voluntário. Quanto às supostas violações aos princípios constitucionais referenciados, na esteira das disposições regimentais, prevê o Regimento Interno deste E. Conselho em seu artigo 562 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.118 13 ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no §1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da caracterização do grupo econômico de fato e irregular II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.119 14 Verificase que o cerne da contenda meritória reside na tese da recorrente de que a parceria formada entre esta e os chamados “ateliês” não se amolda ao conceito de simulação, já que [... as declarações de vontade no sentido de perfectibilizar a parceria, bem como as intenções de ambas as partes são verdadeiras, legítimas e reais], concluindo que o modelo de negócio formatado pela Recorrente está focado unicamente na maximização de seus lucros e minimização de seus custos, resultando portanto em um planejamento tributário lícito. Cabe inicialmente destacar que não se contesta a complexidade do processo produtivo de sapatos femininos, exigindo material humano qualificado nas distintas etapas a que são submetidos, como afirma a recorrente, mas sim, o modus operandi desenvolvido, o qual contraria a legislação de regência da matéria, notadamente o artigo 3º, § 2º, inciso I das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, tampouco a afirmação de [...se trata de um simples planejamento fiscal amplamente difundido em toda região calçadista do Vale dos Sinos"(...) ...incentivado por órgão de governo e utilizado por praticamente todas as empresas do setor] pode conferir a adequação das operações implementadas pelas citadas empresas à legislação de regência da matéria, como adiante se verá. Destaquese que o denominado planejamento fiscal lícito, tema onde se verifica um respeitável dissenso, seja doutrinário ou jurisprudencial, no caso em tela, sem adentrar nas correntes que atualmente se debruçam sobre o tema, analisarseá a matéria sub examine, a partir do cotejo probatório dos autos quanto à situação fática desvendada pela fiscalização. Conforme se extrai do Relatório Fiscal RF, fls.55/79, o fundamento basilar da presente autuação, pode ser assim demonstrado, em apertada síntese: No curso da ação fiscal, constatamos que a fiscalizada, juntamente com a empresa CALÇADOS DI CRISTALLI LTDA, CNPJ 02.452.360/000150, sediada em Três Coroas, RS, constituiu grupo econômico de fato e irregular, com a finalidade de sonegar contribuições sociais e contribuições de intervenção no domínio econômico, por meio de três “prestadoras de serviço”. As empresas DIVERSU´S COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, MIXAGE CALÇADOS LTDA e CLEITON LAZARETTI & CIA LTDA, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas empresas interpostas.(grifei). Ao longo do RF, discorre a fiscalização de forma minudente acerca do suporte probatório colhido na presente ação fiscal, que dá estofo de validade aos fundamentos da autuação, podendose destacar as seguintes situações de forma exemplificativa, pela relevância para o caso em exame, extraídas dentre as demais, elencadas no referido relatório, que contrariam não apenas a lógica empresarial/comercial, mas passam ao largo da normatização tributária de regência, seja quanto aos requisitos para emissão de documentos fiscais, seja quanto ao recolhimento dos tributos federais, quando da ocorrência do respectivo fato gerador: Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.120 15 1 As empresas Diversu´s Componentes Para Calçados Ltda, Mixage Calçados Ltda e Cleiton Lazaretti & Cia Ltda, apenas formalmente se caracterizam como pessoa jurídica, visto que embora tenham personalidade jurídica própria, de fato, são projeções operacionais das empresas Mollino e Di Cristalli, já que estão sob o controle administrativo e operacional destas; 2 Não há efetivamente operação comercial entre vendedor e comprador, haja vista que as notas fiscais emitidas, demonstram a confusão entre comprador e vendedor, fato que evidencia como demonstrou a fiscalização, a constituição de um grupo econômico de fato e irregular, por meio de três supostas “prestadoras de serviço”; 3 A transmissão da GFIP, das empresas Componentes Para Calçados Ltda, Mixage Calçados Ltda e Cleiton Lazaretti & Cia Ltda, que embora formalmente tenham personalidade jurídica própria foram transmitidas da mesma máquina, com o mesmo IP 192.168.1.20. Por oportuno, cabe transcrever os seguintes excertos da decisão de piso que sistematizaram a análise probatória referenciada no RF, com vistas à caracterização do grupo econômico de fato e irregular: Para ficar didaticamente melhor a exposição dos motivos que levaram a fiscalização à autuação, assim como a respectiva análise dos argumentos apresentados na impugnação pela autuada, passaremos a verificar ponto a ponto do conjunto probatório constante nos autos. Tal simulação estaria fundamentada em 20 itens, a seguir dispostos: 1º) Mesmo endereço das “prestadoras de serviço” A integrante do grupo econômico, Di Cristalli, localizase na Rua Imperatriz Leopoldina nº 26, em Três Coroas, sendo que em dezembro de 2007 abriu uma filial no nº 33 dessa mesma rua. Nesse mesmo endereço operaria a empresa Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. (ANEXO I e ANEXO VII 2). Os endereços se confundiam, assim como o funcionamento dentro da mesma área industrial, pois era utilizada a mesma sede e as mesmas instalações, demonstrando se tratarem da mesma unidade fabril. Da mesma forma as empresas Mixage e Cleiton Lazaretti foram estabelecidas no mesmo endereço (Rua Parobé, 306). A fiscalização visitou as instalações e constatou se tratar de um único imóvel, um galpão industrial, com uma única entrada e uma só portaria, o que pode ser observado nas fotos com a visão geral das instalações juntadas aos autos (Anexo XXX). Observouse um verdadeiro arranjo nos contratos de aluguel, pois esses são iguais para todas as empresas interpostas, com as mesmas datas, prazos de duração, dizeres, cláusulas, até mesmo os sinais de pontuação são ipsis litteris, sendo os reconhecimentos de firma feitos na mesma data e horário, no município de Três Coroas (Anexo XXIX). Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.121 16 O impugnante alega que no caso das empresas Mixage e Cleiton Lazaretti o prédio era grande e bem dividido, no entanto, não se verificou separação alguma entre ambas. A igualdade dos endereços dessas empresas demonstra estarmos tratando de um único grupo econômico. 2º) Do objeto social e do vínculo societário entre as empresas Inicialmente se diga que conforme os documentos constitutivos das sociedades todas operavam na fabricação de calçados, sendo que nas empresas interpostas, cada uma tinha responsabilidade por uma etapa do processo industrial, conforme o próprio contribuinte demonstra em sua impugnação. Essa repartição do processo produtivo é mais um elemento de que na verdade o processo industrial foi dividido conscientemente para as empresas interpostas. Por outro lado, há forte vínculo familiar entre os sócios das empresas envolvidas. O exame das cópias dos contratos sociais e dos documentos acostados revela que todas as empresas têm como sócio pelo menos um integrante da família Fuhrmann/Souza, ou, ainda, funcionários das empresas por eles controladas. A Calçados Mollino tinha em seu quadro societário a Sra. Daiana Sulamita de Souza Furmann e o Sr. Jefferson Cássio de Souza, irmão de Daiana. Da empresa Calçados Di Cristallis Ltda. eram sócios o Sr. Léo Fuhrmann, esposo da Sra. Daiana, e com a saída do sócio Cléber Cavallin, assumiu Matheus Furmann, filho da Sra. Daiana e do Sr. Léo, de apenas 8 meses de idade à época (Anexo I). Jefferson, irmão de Daiana, era também sócio da empresa Diversu’s Componentes para Calçados Ltda. Da empresa Calçados Mixage Ltda. temos como sócio majoritário Daniel Fuhrmann, menor de idade, que é sobrinho de Daiana e Léo Fuhrmann, com 95% das quotas. O sócio minoritário com 5% das quotas é Diego Cavallin, irmão de Cléber Cavallin que foi sócio da Di Cristalli entre 2005 e 2008. Destaquese que Diego Cavallin era também empregado da Di Cristalli desde janeiro de 2006, como se observa em extrato do CNIS e Ficha de Registro de Empregados (Anexo XIX). A funcionária da Di Cristallis, Sra. Márcia Maria Pletsch, por sua vez, na entrega da DIRPF dos anoscalendários de 2009 e 2010, além de se declarar empregada da Di Cristalli, também informava ser administradora da empresa Diversu’s (Anexo XLIII). Tal engenharia societária facilitou todo o esquema de simulação imposto, visto que não se tratava de diversas empresas, mas de um único grupo econômico. 3º) Dados cadastrais de empresa Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.122 17 A empresa Diversu’s tinha junto ao sistema CNPJ da Receita Federal os mesmos dados cadastrais da empresa Di Cristallli que compunha o grupo econômico junto com a autuada (histórico cadastral de 19/12/2007). Isso já constava registrado três anos antes de sua incorporação3 pelo impugnante (novembro de 2010), como pode se observar à fl. 57 dos autos. Em tais dados da empresa Diversu’s o email do responsável era marli@dicristalli.com.br (funcionária da Di Cristalli), sendo que o telefone para contato (51) 35468600, também era desse grupo econômico. A autuada alega que o fato de constar nos dados cadastrais da empresa “Diversu’s” o telefone, o email corporativo e o local de trabalho da Di Cristalli não poderiam conduzir a conclusões precipitadas. Discordamos da autuada, visto que qualquer contato que se fosse fazer com a Diversu’s teria que passar pelo controle do grupo econômico Mollino/Di Cristalli, o que demonstra a ingerência desses sobre a empresa. 4º) Despesas de água, energia elétrica, telefonia No endereço utilizado pela empresa Diversu’s as faturas de fornecimento de água e de energia elétrica saiam em nome da empresa Di Cristalli (Anexo VIII). No mesmo sentido, a empresa Cleiton Lazaretti trabalhando como prestadora de serviço no segmento de calçados possuía uma média de 100 empregados, e mesmo com tantos empregados não tinha despesas com energia elétrica, telefonia ou fornecimento de água, conforme o seu Livro Razão (Anexo XXXII). O impugnante diz apenas que não tem nada a comentar sobre essas despesas de contas de água e de energia elétrica. Ora, nenhuma empresa iria pagar todas essas despesas de outra empresa sem o devido ressarcimento, os quais não ocorriam conforme verificado na contabilidade das empresas pela fiscalização. Fica claro que a autonomia dessas empresas não passava de mera simulação, pois o grupo econômico era responsável por todas as referidas despesas. 5º) Os sócios das empresas eram funcionários do grupo econômico em período concomitante Os sócios da empresa Diversu’s, Márcia Adriana Colombo e Jéferson Cássio de Souza, eram empregados do grupo econômico em período concomitante. A Sra. Márcia era empregada desde o ano de 2000, enquanto que o Sr. Jefferson de Souza, que entrou como sócio da Diversu’s em julho de 2005, foi admitido no mês seguinte pela Di Cristallis (Anexo IX). Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.123 18 Ora, é estranho que alguém que assumira num mês como sócio de uma empresa, ficando em tal situação por anos, no mês seguinte procuraria emprego numa outra empresa em “horário integral”, se não fosse pelo fato de que na verdade tal atividade societária fosse fictícia. Mesma situação se verifica no tocante a Diego Cavallin, sócio administrador da empresa Mixage, visto que o outro sócio era menor de idade. Diego era também empregado da Di Cristalli desde janeiro de 2006 (Anexo XIX). Sua jornada de trabalho conforme o registro funcional era das 6h45min às 17h30min de segundafeira a sextafeira, ficando óbvio que não administrava a empresa Mixage, ou então, a administrava representando a Mollino/Di Cristalli (visto o outro sócio ser menor). 6º) O produto da atividade das empresas ia para a Mollino e Di Cristalli A produção das empresas interpostas era direcionada para abastecer as empresas Mollino e Di Cristalli. A Diversu’s operava como uma prestadora de serviço quase que exclusivamente para o grupo econômico formado pela Mollino e Di Cristalli, com percentual de 100% em praticamente todos os períodos fiscalizados. Isso pode ser observado nas fls. 59 e 60 dos autos, assim como no Anexo XII. Da mesma forma, a empresa Mixage atuava como prestadora de serviço de acordo com a receita bruta declarada. A totalidade de seu faturamento provinha das empresas Mollino e Di Cirstallis, ou seja, trabalhava unicamente para esse grupo econômico (fl. 64 e Anexo XXI). A empresa Cléber Lazaretti, por sua vez, também prestou serviços predominantemente para a autuada e para a Di Cristallis, sendo que a partir de março de 2010 a empresa Mixage passou também a utilizar os seus serviços, visto que fazia parte do mesmo grupo econômico como já vimos (fl. 71, Anexo XXXIII). A justificativa do impugnante, no caso da empresa Mixage, alegando que não seria estranho que todas as receitas dessa sociedade viessem da sua proveniência devido a parceria entre as duas empresas, o que não descaracterizaria a independência de ambas, ao contrário, não tem como se manter, pois apenas confirma que o grupo econômico que formava adquiria toda a produção dessas empresas interpostas, demonstrando sim que havia total dependência de relação econômica. 7º) Sincronismo entre os pagamentos de despesas das empresas interpostas e os aportes financeiros feitos pela Mollino e Di Cristalli Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.124 19 Em verificação na conta Passivo Circulante – Adiantamento a Clientes da empresa Diversu’s foi possível observar que os diversos aportes financeiros feitos pela Mollino e Di Cristalli (ver Anexo XIII) apresentavam um preciso sincronismo com a saída de recursos para pagamentos das suas despesas. Em períodos que são demonstrados no Relatório Fiscal, como no caso dos movimentos do dia 06/01/2009 e 05/03/2009, observa se que os ingressos financeiros serviam para o pagamento dos salários. Essas movimentações estão demonstradas nas tabelas das fls. 61 e 62 dos autos, assim como no Anexo XIV. A fiscalização verificou o mesmo no tocante a empresa Mixage. Cópias do Livro Razão referente à conta do Banco do Brasil demonstraram um sincronismo entre os adiantamentos recebidos pela Mollino e Di Cristalli com os pagamentos de despesas feitas pela Mixage. Isso pode ser observado na tabela da fl. 65 (Anexo XXII). A constatação de que as despesas da Mixage eram pagas pela autuada fica clara visto que os recebimentos de duplicatas tinham valores similares aos que deveriam ser pagos pela interposta, como se observa em alguns exemplos juntados ao Auto de Infração, como nos lançamentos dos dias 15 e 31 de março, e 22 de junho, como pode ser observado nos registros do Livro Razão, assim como nas páginas 65 e 66 dos autos. Como se observa, estas empresas receberam aportes financeiros da autuada – na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas – que foram necessários para cobrir seus gastos operacionais. Desta forma, é patente que o liame existente entre as empresas foge totalmente de uma simples relação comercial entre pessoas jurídicas. É inevitável concluir que havia dependência econômicofinanceira entre essas empresas e o grupo econômico. 8º) Compra da matériaprima das empresas A matériaprima adquirida pelas empresas interpostas era adquirida pelo grupo econômico formado pela Mollino e Di Cristalis. No caso da empresa Diversu’s a rubrica contábil referente à matériaprima demonstra que todas as compras efetuadas no período tiveram apenas uma origem – Calçados Di Cristalli (Anexo XVI). Nada era adquirido de outro fornecedor, demonstrando que a empresa funcionava realmente como um departamento da fiscalizada. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.125 20 O mesmo acontecia com a empresa Mixage, onde todas as despesas da conta matériaprima têm como fornecedor o grupo econômico (Anexo XXIII). A própria Mollino confirma isso, ao tentar justificar que o fato dessas empresas adquirirem os seus insumos fazia parte da parceria que montara com as mesmas. A compra de insumos somente de um fornecedor demonstra algo mais que a alegada parceria, pois é uma conexão clara da dependência que havia em tais relações. 9º) Compra de materiais diversos Além do grupo econômico fornecer toda a matériaprima para a empresa Mixage também fornecia sacos plásticos, panos de limpeza, lâmpadas, papel higiênico, etc., conforme se pode se observar nas notas fiscais do Anexo XXIII. Evidente fica que a empresa Mixage não passava de um mero estabelecimento da autuada e da Di Cristaliis, pois não era responsável nem pela compra de materiais diversos. 10º) Ausência de área administrativa e de outros setores nas interpostas Os funcionários das empresas interpostas eram na sua totalidade da atividade fim, ou seja, não existiam outros setores a não ser o de produção. Por exemplo, os trabalhadores da empresa Mixage eram na sua totalidade da área de produção, conforme se observa no Anexo XXV. A tabela da fl. 68 apresenta 147 funcionários todos envolvidos na área produtiva. Com um contingente desses de funcionários é inconcebível que não houvesse funcionários alocados em outras atividades. Além disso, na contabilidade da empresa, não existe nenhum registro de prestação de serviços de qualquer outra ordem que pudesse vir a dispensar a necessidade de mãodeobra em outras áreas, como recursos humanos, contabilidade, logística, administração, etc. Da mesma forma, a empresa Cleiton Lazaretti não passava de um mero departamento ligado fisicamente a Mixage e atendendo à Mollino e Di Cristallis. O quadro de funcionários da Cleiton Lazaretti era na sua totalidade composto por “sapateiros” que trabalhavam na área de produção. Ou seja, só existiam trabalhadores na atividadefim, também sem funcionários na área administrativa. A tabela apresentada à fl. 103 demonstra que os seus 104 funcionários tinham tal incumbência (exceção feita a um porteiro), ou seja, realmente não havia nenhum funcionário em qualquer outra área da empresa (Anexo XXXVII). Não é crível que inexistissem funcionários em outras áreas. Na verdade fica nítido que toda a parte de logística, de administração e das demais atividades era feita pelas empresas Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.126 21 Mollino e Di Cristalli, que eram as reais responsáveis por todo esse corpo funcional. 11º) Notas fiscais de remessa tinham o mesmo endereço do vendedor e do comprador O esquema de simulação tomou uma proporção tão grande que vários descuidos foram cometidos, como, por exemplo, não perceberam ao emitir diversas notas fiscais fictícias que o endereço do vendedor da matériaprima era o mesmo da entrega da mercadoria, inclusive, com o mesmo telefone do destinatário (35468600). Isso pode ser observado em inúmeras notas fiscais do Anexo XVI. 12º) Não havia transporte das mercadorias, tanto que constava como transportador o próprio grupo econômico As notas fiscais de remessa de mercadorias da Diversu’s para a empresa Mollino, tinha como transportadora a Di Cristalli, sendo que não faz parte do objeto social da Calçados Di Cristalli o transporte de mercadorias. Na verdade, essas mercadorias nunca eram transportadas, pois se encontravam todas na mesma unidade fabril (Anexo XVII). Da mesma forma, as notas fiscais de remessa de mercadoria, em tese transação entre a Mixage e a Cleiton Lazaretti, eram também transportadas por empresa do grupo econômico, ou seja, o transporte das mercadorias não era feito por uma transportadora, mas sim pela própria indústria de calçados, a qual seria posteriormente destinatária de toda a produção junto com a autuada Mollino. Fica claro que se tratava da sua própria produção, objetivando tais notas fiscais de remessa apenas dar aparência de veracidade a essas transações. 13º) Responsabilidade na entrega da DANFE Tanto era que a empresa Mixage era dependente da autuada que nos documentos fiscais – DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) – quem respondia pela empresa na identificação do emitente era o grupo econômico, sendo a referência eletrônica eliane@dicristalli.com.br, funcionária da Di Cristalli (Anexo XXIV). 14º) Uma empresa interposta respondia por intimações de outra A simulação tomou uma proporção tamanha que o descontrole e a confusão entre os envolvidos foi acumulando provas, como no caso em que intimada a empresa Mixage a declarar onde se estabelecia, respondeu em nome da empresa Cleiton Lazaretti & Cia Ltda.,conforme se verifica no comprovante da fl. 69 (Anexo XXVIII). 15º) Os contratos entre o grupo econômico e as interpostas eram todos “verbais” A empresa Cleiton Lazaretti declarou que os contratos para prestação de serviços com a Mollino eram verbais. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.127 22 Intimada a empresa Mixage deu a mesma resposta, ou seja, que seu contrato com a Cleiton Lazaretti também era verbal. Ou seja, a empresa Cleiton mesmo tendo recebido no período mais de 2,5 milhões de reais, quer nos fazer acreditar que fazia apenas contratos verbais com esses compradores. Não havia previsão de multas por não entrega ou inadimplência. Não é factível esse procedimento, a não ser pelo fato de que todas essas operações eram na verdade fictícias, pertencentes a mesma unidade fabril. 16º) Telefone nas notas fiscais emitidas O telefone impresso como pertencente à empresa Cleiton Lazaretti nas notas fiscais de saída era o mesmo utilizado pela Di Cristalli (Anexos XXV e VI). Ou seja, qualquer reclamação por parte dos compradores, esses deveriam se dirigir as empresas do grupo econômico, e não a empresa Cleiton Lazaretti. 17º) Todas as empresas tinham a mesma contadora, a qual era empregada do grupo econômico Inicialmente se registre que essa contadora não se tratava de uma profissional autônoma ou pertencente a algum Escritório Contábil, mas sim de uma empregada do grupo econômico em tempo integral. A funcionária da Di Cristallis era a responsável pela contabilidade de todas essas empresas (Ver Anexos XXXIX, XL e XLI). Isso é verificável na declaração das empresas para a própria Receita Federal (fl. 84, Anexo XLI). A justificativa do impugnante de que a contadora das empresas interpostas, não significaria nenhum vínculo, podendo essa profissional ter tantos clientes quanto conseguisse atender, não procede, tendo em vista que a mesma se identificava como funcionária do grupo econômico, com email personalizado, e com o telefone para qualquer contato que se fizesse necessário. Sendo que tais atividades com órgãos públicos eram realizadas no seu horário de seu expediente. A utilização da mesma contadora serviu para facilitar o trâmite contábil dessas operações. 18º) Informações entregues nas GFIPs As informações entregues em GFIP de todas as empresas traziam o mesmo responsável, com o telefone e o endereço eletrônico da empresa Di Cristalli –márcia@dicristalli.com.br, como já vimos empregada da autuada (Anexo XLII). Por outro lado, a responsável pela entrega da GFIP da Mixage se chamava Andréa, mas o telefone e o email informados eram Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.128 23 também da Di Cristalli. Essa senhora seria Andréa Fuhrmann Lazaretti, irmã do administrador do impugnante, e funcionária da empresa Diversu’s (Anexo XLIV e XLV). A empresa Cleiton Lazaretti, por sua vez, apresentava também em sua GFIP o email e telefone da fiscalizada. O nome dado como responsável era de Loiva Terezinha da Silva Cemin, funcionária da empresa Diversu’s. A confusão era tanta entre as sociedades, que se vê que era comum as funcionárias de uma empresa fazerem trabalhos relacionados a outras, inclusive, apresentando declarações fiscais, dados que não teriam como ter acesso, se não estivéssemos tratando de uma única unidade fabril. As transmissões da GFIP da filial da Di Cristalli foram feitas pela mesma senhora Loiva Cemim, ou seja, idêntica pessoa que transmitiu as declarações da empresa Cleiton Lazaretti (Anexo XLVII). A conclusão é óbvia: as funções administrativas das prestadoras de serviço eram feitas pelos funcionários da estrutura do grupo econômico. As prestadoras não eram autônomas, não assumiam efetivamente o risco do negócio. Eram pessoas jurídicas interpostas com o único fim de beneficiar a Mollino e a Di Cristallis. Na impugnação o contribuinte confirma que a GFIP de todas as empresas teriam sido enviadas pela senhora Marli com o auxílio de seus colegas de trabalho, no caso funcionários da Di Cristalli. A observação de que a senhora Marli Maria Pletsch seria uma profissional de destaque da região não muda em nada a constatação de que ela agia em nome dos interesses do grupo econômico. 19º) Endereço IP de transmissão de documentos fiscais das empresas era o mesmo Se houvesse alguma dúvida ainda de que a transmissão de todos esses documentos fiscais vieram da mesma origem, essa foi dizimada pelo fato de que o endereço IP de todas essas declarações ser idêntico. Todas as declarações foram transmitidas da mesma máquina, cujo IP é 193.168.1.20 (fl. 75). 20º) Das reclamatórias trabalhistas Nas demandas trabalhistas movidas contra a empresa Mixage atuaram como prepostas as senhoras Marli Maria Pletsch e Loiva Terezinha da Silva Cemim, sendo que ambas não teriam nenhum vínculo com a empresa Mixage, como já vimos – a primeira empregada da Di Cristalli e a segunda da Diversu’s (Anexo XLVIII). Outra senhora chamada Cristina Inês Zumach, funcionária da Mixage, atuou como preposta da empresa Cleiton Lazaretti (Anexo LII). Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.129 24 O advogado que representava as reclamadas era o mesmo, Dr. Fausto Guido Beck (fl. 76). Ou seja, a representação das empresas na Justiça do Trabalho era feita por funcionários do grupo econômico, sendo comum funcionários de uma das empresas interpostas representando as outras. A conclusão é óbvia: as funções administrativas das prestadoras de serviço eram feitas pelos empregados da estrutura desse grupo econômico. O impugnante em sua defesa diz ser sabido que a Justiça do Trabalho possui entendimento pacificado no sentido de que a tomadora de serviços deve responder solidariamente com a prestadora de serviço pelos débitos trabalhistas, entendendo ser normal que viesse a ser incluído no pólo passivo de funcionários dos estabelecimentos que chamava ateliês. Pelo contrário! Como veremos nos processos mencionados a seguir, ficou comprovado na Justiça do Trabalho que as empresas realmente seriam interpostas, pertencendo a mesma unidade fabril. a) Do processo nº 00801200935104007 No processo trabalhista nº 00801200935104007, da 1ª Vara do Trabalho de Gramado, o reclamante que teria prestado serviço a empresa Cleiton Lazaretti, trabalhava com uniforme (avental) da empresa Mixage. Transcrevemos o que é dito em tal processo: “Necessário destacarse que ambas as empresas de fato constituem a mesma unidade fabril, com mesmo maquinário, funcionários ...” (Anexo XLIX) (gn) b) Funcionária Zimmermann Zimmer A funcionária Juliana Zimmermann Zimmer que movia processo contra a empresa Cleiton Lazaretti, afirma que trabalhava com o uniforme da empresa Mixage, declarando que ambas empresas formavam uma mesma unidade fabril, compartilhando maquinário e funcionários. E, mesmo tendo vínculo empregatício com essa empresa, quem acolheu a demanda judicial foi a empresa Mixage, de acordo com a Guia de Previdência Social relativa ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o processo, demonstrando solidariedade trabalhista tacitamente reconhecida (Anexo L). Nesse mesmo processo, a empresa Cleiton Lazaretti designou como preposto o Sr. Fernando Orestes Cicarolli que era funcionário da Di Cristalli (Anexo LI). c) Decisão da Justiça do Trabalho no processo nº 00766200935204002 Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.130 25 A própria Justiça do Trabalho reconheceu que tais empresas eram integrantes do mesmo grupo econômico, sempre estando sob a mesma direção, controle e administração dos mesmos proprietários, como se observa no processo nº 00766200935204002, da 2ª Vara de Trabalho de Gramado: “As reclamadas são solidariamente responsáveis pelos créditos trabalhistas da reclamante, eis que integrantes do mesmo grupo econômico. Com efeito, embora cada uma delas tenha personalidade jurídica própria, sempre estiveram sob a direção, controle e administração dos mesmos proprietários...” (Anexo LII) (gn) Da Operação Simulada Assim, referenciadas as provas que dão suporte ao lançamento concluiu a fiscalização: DOS BENEFÍCIOS FISCAIS Assim, tendo em vista todos os fatos narrados e exaustivamente documentados no presente relatório, é mister afirmar que as sociedades Calçados DI CRISTALLI Ltda e Calçados MOLLINO Ltda constituíram grupo econômico de fato e irregular, por meio do qual exploraram a mãodeobra registrada em três empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, DIVERSU´S Componentes para Calçados Ltda, MIXAGE Calçados Ltda e CLEITON Lazaretti & Cia Ltda. O risco da atividade econômica assumido por estas três sociedades se deu de forma artificial e com o objetivo de criar uma situação jurídica com vistas a simular a “contratação” de serviços de industrialização por encomenda, em lugar dos serviços prestados pelos próprios funcionários da Calçados Mollino Ltda. A fiscalizada vem usufruindo o benefício de creditamento das contribuições para o PIS e da COFINS, na contratação de serviços de pessoa jurídica que geram direito a crédito.(grifei). Cabe lembrar que o benefício do crédito das contribuições para o PIS e COFINS não contempla mãodeobra paga à pessoa física (folha de salários), conforme disposição expressa constante no artigo 3º, § 2º, inciso I, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, incluídos pela Lei 10.865/04, vedação essa que não ocorre com serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país (artigo 3º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03).(grifei). Tendo em vista todos os fatos e provas acima, concluímos que os supostos serviços de industrialização prestados pelas empresas DIVERSU´S, MIXAGE e CLEITON eram, na realidade, os custos relativos à própria folha de pagamento da fiscalizada.(grifei). Restou claro que essas empresas constituíamse em parte da fiscalizada, formando uma única empresa. Sendo assim, o contribuinte não poderia se creditar das contribuições em Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.131 26 relação aos serviços dessa mãodeobra, por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (mãodeobra para a pessoa física). Base legal: Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3º, § 2º, inciso I.(grifei). Nesse mister, dispondo o Código Tributário Nacional – CTN sobre as normas gerais em matéria de legislação tributária, fazse oportuno a transcrição dos artigos a seguir: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos;(grifei) II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, do minucioso exame probatório efetuado pela fiscalização, retratado na fundamentação da autuação, conforme RF, constatase que não assiste razão à recorrente, haja vista que o chamado [modelo de negócio formatado pela Recorrente, focado unicamente na maximização de seus lucros e minimização de seus custos], nas operações entre as empresas Calçados Mollino Ltda. e Calçados Di Cristalli Ltda., e os chamados “ateliês, as empresas (Diversu´s, Mixage e Cleiton) se caracterizou na realidade na simulação de transferência de produção dos supostos ateliês para as empresas Calçados Mollino Ltda. e Calçados Di Cristalli Ltda, visto que demonstrou cabalmente a fiscalização a inexistência da suposta prestação de serviços pelos chamados ateliês, já que as empresas, Diversu´s, Mixage e Cleiton, embora formalmente tenham pernsonalidade jurídica própria, são projeções operacionais pulverizadas das empresas Calçados Mollino Ltda. e Calçados Di Cristalli Ltda, formando portanto com estas, na realidade uma única empresa. O cerne da situação fática emoldurada pela fiscalização é portanto de simulação de transferência de produção dos supostos ateliês para as empresas Calçados Mollino Ltda. e Calçados Di Cristalli Ltda, com prejuízo evidente para o fisco, haja vista os créditos descontados indevidamente pela fiscalizada na apuração das contribuições de PIS e COFINS, conforme demonstrado pela fiscalização, pelo cotejo das notas fiscais, no anexo LVI, através das planilhas de fls. 694/698, situação vedada expressamente pela legislação de regência da matéria, ex vi do artigo 3º, § 2º, inciso I , das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.132 27 (...); § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;(grifei). Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) (...); § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (grifei). Nesse sentido, destaca o RF: Cabe lembrar que o benefício do crédito das contribuições para o PIS e COFINS não contempla mãodeobra paga à pessoa física (folha de salários), conforme disposição expressa constante no artigo 3º, § 2º, inciso I, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, incluídos pela Lei 10.865/04, vedação essa que não ocorre com serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país (artigo 3º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03).(grifei). (...) A partir das relações de notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, elaboramos a planilha do Anexo LIV, onde relacionamos todas as notas fiscais emitidas pelas “prestadoras de serviço” no período e, aplicando as alíquotas de 1,65% e 7,6%,apuramos os valores dos créditos de PIS e COFINS, respectivamente. (grifei). Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.133 28 Por oportuno, ilustra Alberto Xavier em Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, Ed. Dialética, São Paulo, 2001, págs.52/53: “B) Elementos essenciais do conceito de simulação A simulação é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada) procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros. Os seus elementos essências são, pois, (i) a intencionalidade da divergência entre a vontade e a declaração; (ii) o acordo simulatório ( pactum simulationis); (iii) o intuito de enganar terceiros. (...) Quando, porém, ao intuito de enganar acresce o propósito de prejudicar terceiros, causando um dano ilícito (animus nocendi), a simulação dizse fraudulenta ou maliciosa. A simulação fiscal é aquela que ocorre quando a finalidade consiste em prejudicar o Fisco, enquanto terceiro na operação.”(grifei). Pelos fundamentos acima, amparados no suporte probatório dos autos, com escopo nas diretrizes do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assegura ao julgador a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, refutase a tese da peça recursal. Da multa qualificada Conforme relatado, insurgese a Recorrente quanto à multa qualificada arguindo em síntese, que de forma voluntária, lícita e simplesmente seguindo uma tendência natural do seu mercado, optou em firmar parcerias com empresas especializadas em determinadas fases da produção de sapatos femininos, sem qualquer intenção fraudatória. Destaca ainda que na pior das hipóteses deve a multa punitiva ser reduzida para o percentual de 75%, conforme inciso I, do art. 44, da Lei nº 11.488, de 2007. Constata a fiscalização, nos fundamentos finais da autuação quando já explicitado todo o suporte fático que deu azo à autuação: Conforme demonstrado exaustivamente ao longo deste relatório, resta comprovada que a intenção do grupo econômico dirigido pela Calçados Di Cristalli Ltda e pela Calçados Mollino Ltda, ao transferir parte de sua produção para as empresas interpostas Diversu´s Componentes para Calçados Ltda, Calçados Mixage Ltda e Cleiton Lazaretti & Cia Ltda, era impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de obrigações tributárias, ou seja, sonegar contribuições sociais. Cumpre ressaltar, ainda, que o conjunto de ações implementado pelo grupo econômico descarta completamente a hipótese de erro material a essa conduta que se estende no tempo e que traz benefícios significativos e incontestes a quem dela faz uso.(grifei). Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.134 29 Nesse sentido, como já cotejado na análise meritória, o suporte fático dos autos, notadamente o modus operandi implementado pela autuada se subsume ao tipo legal previsto no artigo 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei 11.488, de 2007, hipótese legal contrária à tese defendida pela recorrente. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Dispõe o RF: A aplicação da multa qualificada de 150% está relacionada às circunstâncias previstas no artigo 68, combinado com o artigo 71, ambos da Lei 4.502/64. Destaca ainda pertinentemente a fiscalização que a aplicação da multa qualificada de 150% está relacionada às circunstâncias previstas no artigo 68, combinado com o artigo 71, ambos da Lei 4.502, de 1964. Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo.(Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (...) § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (...) Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302003.655 S3C3T2 Fl. 1.135 30 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Estanto portanto demonstrado pela fiscalização que a simulação permeia as operações entre os supostos ateliês, Diversu´s, Mixage e Cleiton e as empresas Calçados Mollino Ltda. e Calçados Di Cristalli Ltda, e entre estas e aqueles, com prejuízo evidente para o fisco, conforme demonstrado na parte meritória, com escopo nas provas acostadas pela fiscalização, inferese que a legislação foi corretamente aplicada quanto à penalidade. Quanto à redução pretendida, cabe ressaltar que a cominação de uma penalidade, é matéria adstrita à reserva legal, conforme art. 97, V, do Código Tributário Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal. Com efeito, verificando a fiscalização, que a situação fática dos autos, se subsume às hipóteses tipificadas na Lei nº 4.502, de 1964 (artigos 68 e 71), como restou consignado no excerto acima transcrito do Relatório Fiscal, incabível a redução pretendida, haja vista a caracterização da tipicidade no caso em análise. Ante o exposto, VOTO POR, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1135DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.000408/00-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1990
Ementa:
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Nos pedidos de restituição/compensação em procedimento pela via administrativa, deve incidir os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive com base no art. 62, §2º do RICARF, haja vista que tal Resolução está em sintonia com entendimento exarado pelo STJ no REsp 1.112.524/DF, julgado sob o rito de recurso representativo de controvérsia.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto, de modo que a Delegacia da Receita Federal competente novamente avalie os créditos aqui vindicados para que eles sejam corrigidos nos termos da Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1990 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Nos pedidos de restituição/compensação em procedimento pela via administrativa, deve incidir os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive com base no art. 62, §2º do RICARF, haja vista que tal Resolução está em sintonia com entendimento exarado pelo STJ no REsp 1.112.524/DF, julgado sob o rito de recurso representativo de controvérsia. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto, de modo que a Delegacia da Receita Federal competente novamente avalie os créditos aqui vindicados para que eles sejam corrigidos nos termos da Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 04 08 /0 0- 41 Fl. 512DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar o caso, adoto como meu relatório parte da manifestação apresentada pela Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente e recebida como embargos inominados (fls. 491/494), o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). 3.1. O presente processo trata de pedido de restituição/compensação de valores pagos a maior da Contribuição Finsocial, excedente à aplicação da alíquota de 0,5% nos períodos de apuração de 03/1990 a 09/1991, no valor de R$ 74.335.83, pedido protocolizado em 31/03/2000, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo STF (fls. 01/11v1), constando Pedidos de compensação dos débitos a serem compensados com o alegado crédito às fls. 02, 83,89,96,114,117,119,127,130,134 e 136 v1. 3.2. Às fls. 91/95v1, consta a Decisão DRF/PPE/SASIT nº 276 de 29/05/2000, proferidapela DRF de Presidente Prudente SP, indeferindo o pedido em razão de decadência do direito. 3.3. Às fls. 105/113v1, consta a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. 3.4. Às fls. 139/142v1, consta a Decisão DRJ/RPO nº 139, de 17/01/2001, proferida pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão PretoSP, mantendo a decisão da DRF/PPE. 3.5. Às fls. 146/167v1, consta o Recurso do contribuinte ao CARF. 3.6. Às fls. 171/176v1, consta o Acórdão nº 20176.373 de 22/08/2002, proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso do contribuinte, assegurandolhe o direito de compensar e/ou restituir os valores recolhidos acima do percentual de 0,5% do FINSOCIAL e que o direito de pleitear a restituição ou a compensação do FINSOCIAL, a teor do Parecer COSIT nº 58, de 27 de outubro de 1998, tem seu termo a quo o do início da vigência da MP nº 1.110/95. ou seja, deu provimento ao pedido entendendo pela “não decadência do direito”, assegurando à autoridade fiscal executora verificar a liquidez e a certeza do crédito reclamado. 3.7. Às fls. 192/193v1, consta o Despacho de Liquidação de 08/06/2003, que apurou e reconheceu o crédito do contribuinte no montante de R$38.062,33 (Trinta e Oito Mil Sessenta e Dois Reais e Trinta e Três Centavos). 3.8. Às fls. 247/259v2, o contribuinte impugnou o cálculo de liquidação. 3.9. Às fls. 272v2, consta o Despacho da DRJ/RPO baixando o processo em diligência para elaboração de demonstrativo, discriminando mensalmente os valores dos débitos e dos créditos Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 3402003.850 S3C4T2 Fl. 513 3 e os índices de atualização utilizado, bem como esclarecer se foi aplicada a taxa selic a partir de 1996, e dar ciência ao contribuinte. 3.10. Às fls. 288/292v2, consta o demonstrativo solicitado pela DRJ, e a ciência dada ao contribuinte. 3.11. Às fls. 293/307v2, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade em relação ao demonstrativo apresentado e pede ainda efeito suspensivo quanto aos débitos. 3.12. Às fls. 313/317v2, consta o Acórdão da DRJ, indeferindo a manifestação do contribuinte quanto aos cálculos de liquidação efetuados pela DRF entendendo pela não suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do pedido. 3.13. Às fls. 320/331v2, o contribuinte recorre ao CARF quanto a aos cálculos de liquidação. 3.14. Às fls. 364/374v2, consta o Acórdão nº 30237.558 de 25/06/2006, proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes que, em vez de analisar o recurso interposto pelo contribuinte quanto ao cálculo de liquidação, analisou o pedido original quanto a constitucionalidade e decadência do direito, matérias já analisadas no Acórdão nº 20176.373 de 22/08/2002 de fls. 171/176v1, proferida pelo Segundo Conselho de Contribuintes. 3.15. Às fls. 376/384v2, consta Recurso Especial proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão nº 302 37.558 de 25/06/2006, requerendo seja restaurada a decisão da DRF/PPE que entendeu pela decadência do direito do contribuinte. E às fls. 407/438v2, consta o Acórdão 9303 00.818 – 3ª Turma, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, dando provimento ao recurso especial da PGFN, ou seja entendendo pela decadência do direito pleiteado. (sendo que pelo Acórdão nº 20176.373 de 22/08/2002 de fls. 171/176 v1, transitado em julgado administrativo, já estava reconhecido o direito como não decadente e o processo já se encontrava na fase de liquidação). (...) (grifos constantes no original). 2. Diante deste quadro, a Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente apresentou a manifestação alhures, recebida neste CARF como embargos inominados (despacho de admissibilidade de fls. 496/499). 3. Por seu turno, tais embargos inominados foram julgados procedentes (acórdão n. 9303003.356 fls. 500/504), restando a sua parte dispositiva assim prescrita: (...). Dessa forma, constatase a nulidade do Acórdão nº 30237.558, que decidiu sobre matéria que já não estava na competência daquela turma julgadora, conforme previsto no art. 59 do PAF, viciando os atos processuais subsequentes. Fl. 514DF CARF MF 4 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento aos embargos inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do Acórdão nº 30237.558 (fls.383 a 393), inclusive, com retorno dos autos à Terceira Seção de Julgamento do CARF para proceder à análise e decisão quanto a impugnação ao cálculo de liquidação de fls. 339 a 350. (...). 4. Assim, com o reconhecimento quanto à citada nulidade processual, o presente caso foi novamente distribuído nesta 3a. Seção para fins de julgamento do segundo recurso voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 339/350), sendo a mim distribuído. 5. Em síntese, neste recurso voluntário o contribuinte alega que: (i) tratandose de créditos tributários que tenham origem em recolhimentos indevidos à União, os parâmetros de correção monetária seriam os seguintes: até fevereiro de 1986 correção pela ORTN; de março de 1986 até janeiro de 1989 correção pela OTN; de fevereiro de 1989 até fevereiro de 1991 correção pelo IPC; de março de 1991 até dezembro de 1991 correção pelo INPC; (ii) em todos os casos acima devem ser considerados os expurgos inflacionários; (iii) a partir de 10 de janeiro de 1992 e até dezembro de 1995 correção pela UFIR; de 1° de janeiro de 1996 em diante correção pela taxa SELIC; e, por fim (iv) que até dezembro de 1995 deverão incidir juros de mora de 1% ao mês desde o trânsito em julgado da decisão condenatória, os quais, a partir de 10 de janeiro de 1996, estarão compreendidos pela taxa SELIC. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 7. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Da correção monetária dos créditos vindicados 8. Como visto no relatório do presente voto, o pleito do contribuinte é no sentido que, em princípio, os créditos aqui vindicados sejam submetidos aos parâmetros de correção já citados. 9. De acordo com as planilhas de fls. 291/305 e despacho de fls. 306/308, sobre os indébitos em questão foi aplicada, desde o mês do pagamento até dezembro de 1995, a atualização monetária prevista na Norma de Execução Cosit/Cosar n° 8, de 1997, a qual contempla os indexadores oficiais e juros moratórios de 1%. A partir de janeiro de 1996, o índice aplicado passou a ser a SELIC. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 3402003.850 S3C4T2 Fl. 514 5 10. Assim, a questão a ser aqui tratada diz respeito aos expurgos inflacionários para o período anterior a dezembro de 1991. Essa questão, por sua vez, já resta pacificada na seara judicial (REsp n. 1.112.524 representativo de controvérsia) e foi bem retratada no voto proferido neste CARF pelo Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, quando da lavratura do acórdão n. 3301002.623, in verbis: (...). Quanto a esse aspecto da correção dos indébitos, importa salientar que a própria Administração Tributária, por meio de sua Procuradoria da Fazenda Nacional, já se manifestou sobre a matéria, por meio do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, DOU, de 8/12/2008, cujo teor parcialmente se transcreve: Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. (...) 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: a) jan/89, IPC/IBGE, de 42,72% (em substituição ao BTN); b) fev/89, IPC/IBGE, de 10,14% (em substituição ao BTN); c) de mar/89 a fev/90, BTN; d) de mar/90 a fev/91, IPC/IBGE (em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91); e) de mar/91 a nov/91, INPC; f) em dez/91, IPCA série especial (art. 2º, § 2º, da Lei nª 8.383/91); g) de jan/92 até jan/96, utilizar a UFIR (Lei nº 8.383/91). h) a partir de jan/96, taxa SELIC e 1% na data do pagamento art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250, de 26.12.95.” Despacho do Ministro da Fazenda Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral Fl. 516DF CARF MF 6 da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, de 20 de novembro de 2008, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos, bem como pela autorização de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução Nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. Brasília, 01 de dezembro de 2008. GUIDO MANTEGA Ministro da Fazenda Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. A posição da Administração é suportada pela mais sólida jurisprudência do STJ, no sentido da necessária inclusão dos índices expurgados, considerada matéria de ordem pública, merecedora de pronunciamento ex officio. Exemplificase, no julgado unânime abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.524 DF (2009/00421318) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX DATA DO JULGAMENTO: 1º DE SETEMBRO DE 2010. EMENTA : RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 3402003.850 S3C4T2 Fl. 515 7 REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio , pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita , hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP , Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ , Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ , Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC , Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA , Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS , Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC, 1º), da função social da empresa (CF170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, 3º; 301, X; 30, 4º); incompetência absoluta (CPC 113, 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4 ª 53) ; juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). Fl. 518DF CARF MF 8 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito , quais sejam: (i) ORTN , de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986 ; (iii) OTN , de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN , de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE , de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC , de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial , em dezembro de 1991; (x) UFIR , de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ) ( Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC : RESP 1.002.932/SP , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 3402003.850 S3C4T2 Fl. 516 9 clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Entendimento este consolidado no âmbito deste Colegiado, a exemplo dos acórdãos da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais: CSRF ACÓRDÃO: 9303002.117 RELATOR: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Data de decisão: 08/04/2013 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tendo sido protocolizado antes da Lei Complementar nº 118/95. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda, portanto, cabível que seja contabilizada levandose em consideração os expurgos inflacionários. REP Negado e REC Provido. ACÓRDÃO: 9303002.130 RELATORA: Maria Teresa Martínez López Data de decisão: 30/01/2013 Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 37. Fl. 520DF CARF MF 10 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. STJ 1990. IPC. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Erário. Recursos Especiais do Procurador Provido em Parte e do Contribuinte Provido. (grifos nosso). 13. Nesse sentido, é devida a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. Dispositivo 14. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, de modo que a Delegacia da Receita Federal competente novamente avalie os créditos aqui vindicados para que eles sejam corrigidos nos termos da Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 521DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.013655/91-84
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 301-00.902
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, na forma do relatório voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Itamar Rodrigues de Souza
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Numero do processo: 10830.008723/2008-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Não deve ser qualificada a multa de ofício quando não estiver especificamente presente o intuito doloso requerido para as figuras típicas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 9101-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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QUALIFICAÇÃO. Não deve ser qualificada a multa de ofício quando não estiver especificamente presente o intuito doloso requerido para as figuras típicas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 87 23 /2 00 8- 01 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.101 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é parte interessada COMPET INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão nº 1101.000949 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária, 1a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a possibilidade de qualificação da multa de ofício para o patamar de 150%, com fundamento no art. 44, II, da Lei 9.430/96. No que é pertinente à matéria do presente recurso especial, merece destaque o seguinte trecho do acórdão a quo, colhido do voto da então Conselheira Edeli Pereira Bessa, relatora (efls. 1.030 e seg.): “Na seqüência, a contribuinte discorda da qualificação da penalidade, que somente entende possível quando o contribuinte ou responsável utilizese, intencionalmente, de expedientes ardilosos tendentes a evitar ou ocultar fatos ou informações relevantes para o lançamento do tributo devido, defendendo que o fato de ter deixado de pagar os tributos a que deu causa, por si só, não pode ser entendido como uma ação fraudulenta. A autoridade fiscal aplicou penalidade qualificada em todos os períodos de apuraçaõ autuados, e em relação a todos os tributos exigidos. Entendeu que a contribuinte agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados, pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. Acrescentou que, nas DIPJ, a fiscalizada deixou vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas.” A 4ª Turma da DRJ/CPS, por meio do acórdão nº 0525.825 (efls. 763 e seg.), julgou parcialmente procedente a impugnação administrativa apresentada (efls. 411 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa. Não ocorrendo a antecipação do pagamento, e caracterizada a presença de dolo, fraude ou simulação, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do CTN. DECADÊNCIA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não houve pagamento antecipado e caracterizado o dolo, fraude ou simulação, com a conseqüente qualificação da multa de ofício, o prazo decadencial de cinco anos regese pela norma jurídica inserta no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.102 3 O preenchimento das DCTF sem declarar os tributos e contribuições apuradas, pela própria contribuinte, em sua declaração de rendimentos, além da não apuração dos montantes relativos às contribuições, também na DIPJ, de forma reiterada, caracteriza intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das dimensões do fato gerador da obrigação tributária, configurando a hipótese prevista no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, condição necessária e suficiente para qualificar a multa aplicada. MULTA AGRAVADA. Se a pessoa jurídica é intimada na condição de sujeito passivo a apresentar livros contábeis e fiscais, além de prestar informações sobre bens, negócios e atividades próprios, caracterizado o não atendimento, deverá suportar a imposição de multa agravada, se do procedimento fiscal resultou a formalização de exigência de tributo. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRPJ. LUCRO REAL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. IRPJ E REFLEXOS. ARBITRAMENTO. Os tributos devidos serão determinados com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Configura ainda hipótese para arbitramento do lucro a não apresentação do Livro Razão ou de fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, o qual deve ser escriturado nos termos previstos em legislação específica. Cancelase a exigência fiscal do IRPJ e da CSLL, referente ao anocalendário de 2008, diante da ausência de indícios ou fatos a demonstrarem que a empresa desempenhou atividades operacionais ou auferiu receitas capazes de suportar o arbitramento efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Lançamento Procedente em Parte. Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 825 e seg.). Houve, também, recurso de ofício (efls. 945 e seg.). Ao julgálos, a Turma a quo decidiu, 1) por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência; 2) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário e dar provimento ao recurso de ofício relativamente às exigências principais; 3) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício relativamente à qualificação da penalidade; 4) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício relativamente ao agravamento da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário e dar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa de ofício de 75% (efls. 1.009 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado, com destaque à parte pertinente ao julgamento do recurso especial: Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.103 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. Contudo, as informações prestadas em DIPJ não se prestam à homologação quando o sujeito passivo, intimado, deixa de apresentar a escrituração que suporta a apuração ali declarada e sujeitase ao arbitramento dos lucros. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. No âmbito tributário, o livro Razão é de escrituração obrigatória pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, e a falta de sua apresentação é suficiente para justificar o arbitramento dos lucros. RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA. Nos períodos em que não conhecida a receita bruta, o arbitramento dos lucros pode tomar por referência quaisquer das outras hipóteses previstas na lei. AUSÊNCIA DE ATIVIDADE OPERACIONAL. ÔNUS DA PROVA. A pessoa jurídica que interrompe suas atividades e não promove regular liquidação, bem como deixa de apresentar declaração de inatividade, sujeitase ao arbitramento dos lucros enquanto tais circunstâncias perdurarem, salvo se provar sua inatividade no período autuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Afastase a qualificação da penalidade quando a acusação fiscal, e as provas que a suportam, não permitem afirmar o intuito de fraude na forma dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. AGRAVAMENTO. Reconhecido nos autos que o procedimento fiscal foi deflagrado por representação de outra Unidade da Receita Federal, na qual estariam retidos os livros e documentos exigidos nas intimações não atendidas pelo sujeito passivo, resta injustificada o agravamento da penalidade, mormente se a única justificativa suplementar apresentada pelo Fisco foi a falta de apresentação do Livro Razão, que ensejou o arbitramento dos lucros. EFEITO CONFISCATÓRIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). A PFN interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto a qualificação da multa de ofício, indicando os acórdãos paradigmas n. 20218.698 e n. 10196.446 (efls. 1.036 e seg.). Notese que a PFN não se insurgiu quanto à parte da decisão que afastou o agravamento da multa em mais 50%. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.104 5 O despacho de admissibilidade deu integral seguimento ao recurso especial da PFN (efls. 1.050 e seg.). Em suas razões recursais, a PFN sustenta, em síntese: que haveria clara divergência entre os julgados a respeito da interpretação do art. 44, inciso II, da Lei 9.430/9: “eis que, diante de um mesmo ilícito, qual seja, prestação consciente e reiterada de informações falsas ao Fisco, as Câmaras decidiram de forma contrária: a e. Turma a quo que afastou a multa agravada”, enquanto as Câmaras do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, nas decisões paradigmas, teriam a mantido no percentual qualificado; que o contribuinte teria praticado de forma reiterada a conduta de sonegar tributos, ao impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo; que a Turma a quo teria se equivocado “quando entendeu que, no ilícito cometido pela recorrida, não estaria evidenciado o intuito de fraude, a importar no agravamento da multa”, pois o contribuinte teria prestado de forma consciente, informações falsas ao Fisco, o que configuraria a conduta dolosa prevista no art. 71 da Lei 4.502/64; que jurisprudência do CARF já teria se posicionado no sentido de que a prática do contribuinte em apresentar ao Fisco declarações falsas, de modo reiterado, comprovaria o evidente intuito de fraude, pelo que seria inteiramente cabível a qualificação da multa, fazendo referência aos acórdãos de nº 101-95292, 105-14.098, 107-07.084, 108-07.569, 101- 94.230. Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso especial, bem como não foi apresentado recurso especial pelo contribuinte (efl. 1.099). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. A divergência trazida pela recorrente versa sobre a possibilidade ou não de qualificação da multa de ofício em face da falta de declaração reiterada pelo contribuinte de tributos por ele devido. No caso que ora se apresenta, a autoridade fiscal, ao lavrar Termo de Verificação Fiscal, consignou a sua conclusão de que o contribuinte “agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados, pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. 47. Além disto, nas DIPJ, a fiscalizada deixou Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.105 6 vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que, comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas” (efls. 1.015 e seg.). Por tais razões, foi aplicada a multa qualificada prevista no inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96 (art. 957, inc. II do RIR/99) O art. 44, da Lei 9.430/1996, apresentava a seguinte redação até 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A partir daquele ano, por sua vez, foi excluída pelo legislador a referência ao “evidente” intuito doloso do contribuinte para a qualificação da multa, que passou a ser prevista no art. 44, par. 1o, da aludida Lei 9.430/96 Portanto, a matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75% (Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. O art. 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O artigo 72 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “fraude” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.106 7 A conduta fraudulenta, que dolosamente intente impedir ou retardar a ocorrência do fato jurídico, a que se refere o enunciado acima, é tutelada pelo art. 1º da Lei 8.137/90, segundo o qual: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Por fim, o artigo 73 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “conluio” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. É da essência dos atos em questão o propósito de ocultar, impedir ou retardar de forma artificial a ocorrência do fato gerador ou, ainda, o conhecimento da autoridade administrativa a respeito da ocorrência do fato jurídico, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte que lhe digam respeito. É importante observar, para a solução do presente caso, que o art. 44, inciso I, tipifica a “falta de declaração” ou “declaração inexata” como sujeitas à multa de 75%, harmonicamente com o inciso II daquele dispositivo: ausente o “dolo”, a falta de “declaração” ou “declaração inexata” não deve ser penalizada com multa qualificada de 150, devendo ser aplicada a multa de ofício (75%). O dolo, elemento necessário para que se caracterize a sonegação, pode ser verificado em uma série de fatores que evidenciam a intuito de privar o Estado de arrecadação tributária a que faria jus. Contudo, nenhum desses fatores estão presentes nos autos sob julgamento. Acolho os fundamentos do acórdão a quo, mantendoo, sendo pertinentes os seguintes trechos: “Na seqüência, a contribuinte discorda da qualificação da penalidade, que somente entende possível quando o contribuinte ou responsável utilizese, intencionalmente, de expedientes ardilosos tendentes a evitar ou ocultar fatos ou informações relevantes para o lançamento do tributo devido, defendendo que o fato de ter deixado de pagar os tributos a que deu causa, por si só, não pode ser entendido como uma ação fraudulenta. A autoridade fiscal aplicou penalidade qualificada em todos os períodos de apuraçaõ autuados, e em relação a todos os tributos exigidos. Entendeu que a contribuinte agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados, pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. Acrescentou que, nas DIPJ, a fiscalizada deixou vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas. Quanto às exigências de IRPJ e CSLL do 1o trimestre/2007 ao 2o trimestre/2008, o lançamento foi formalizado a partir da presunção legal de auferimento de lucro a partir de um dos referenciais Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.107 8 estabelecidos pela lei em face das pessoas jurídicas contra as quais não se pode afirmar a existência de receita bruta conhecida. Apenas a partir desta evidência não é possível dizer que o sujeito passivo agiu com intuito de fraude para não recolher os tributos que assim restaram devidos. Portanto, deve ser afastada a qualificação da penalidade no que tange a estas exigências, devendo ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto, e NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício, na parte em que exonerou, também, a parcela qualificada da multa aplicada sobre os débitos do anocalendário 2008. Com referência as̀ exigências do 2o trimestre/2003 ao 4o trimestre/2006, a autoridade lançadora, no preâmbulo do Termo de Verificaçaõ Fiscal, faz referen̂cia ao fato de a empresa estar instalada em uma sala de 31m2, ter como sócios empresas uruguaias, e apresentar livros contábeis assinados por representante legal distinto daquele apontado em seu contrato social. Disse que a ação fiscal foi motivada por representaca̧õ da Alfândega de Viracopos, que levantou suspeição sobre as atividades da empresa, contudo, para além disso, somente descreveu a falta de atendimento às intimações, a não localização da empresa em seu domicílio fiscal, a falta de declaracã̧o dos débitos em DCTF e a falta de apresentaçaõ de DIPJ nos anos calendário 2006 e 2007. Eventuais irregularidades praticadas no âmbito do comércio exterior não foram incorporadas a estes autos, nem sequer referenciadas na acusação para justificar a qualificaca̧õ da penalidade. Até mesmo a inaptidão, contra a qual a recorrente se manifesta, não foi mencionada pela autoridade lançadora, e assim dispensa a apreciaçaõ da defesa correspondente. As irregularidades em sua escrituração justificam o arbitramento dos lucros, e a falta de atendimento a intimações tem conseqüências específicas previstas na legislação, que serão mais à frente abordadas. A falta de recolhimento e de declaraca̧õ em DCTF integram a hipótese de aplicação da multa de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96. Eventualmente a reiteração da conduta poderia conduzir à hipótese do art. 71 da Lei no 4.502/64, mas como dizer que o sujeito agiu para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendaŕia quando é apresentada DIPJ revelando sua apuração e sua receita bruta à Administração Tributária? Vejase, porém, o destaque feito pela autoridade lançadora acerca de vários meses de apuração do PIS e da COFINS estarem em branco na DIPJ, o que se confirma nos meses de janeiro/2003 a dezembro/2003, relativamente à Contribuição ao PIS (fls. 269/280), e de janeiro/2003 a março/2003, relativamente à COFINS. Contudo, os livros fiscais da contribuinte não revelaram atividade de janeiro/2003 a março/2003 (fls. 281/292), de modo que a omissão, na DIPJ, restringese à apuração da Contribuica̧õ ao PIS de abril/2003 a dezembro/2003. E, à primeira vista, a classificação das receitas da atividade como provenientes de exportacã̧o, no âmbito do IRPJ, como fez a recorrente (fl. 257), poderia ser uma forma de ocultar da autoridade fazendária a existência de receitas tributáveis no âmbito da Contribuição ao PIS. Todavia, ao Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.108 9 indicar a existência de receitas decorrentes de revenda de mercadorias na mesma DIPJ, mas no âmbito da COFINS, o intuito de fraude na forma dos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/64 resta descaracterizado. Acrescentese, por oportuno, que os valores dos débitos de Contribuica̧õ ao PIS e de COFINS informados na DIPJ em vários períodos de apuraçaõ superam aqueles exigidos nestes autos, evidenciando que as operações reveladas em sua DIPJ guardam grande proximidade do que estava registrado em seus livros fiscais. Somente destoa deste contexto a conduta da contribuinte ao longo do ano calendário 2006, quando não apresentou DIPJ, nem DCTF, embora os registros nos livros fiscais evidenciassem seu conhecimento de que auferiu receita tributável. Contudo, a acusação fiscal não distingue tal circunstância, como resta claro na reproduçaõ dos dois parágrafos do Termo de Verificação Fiscal que sustentam a qualificaca̧õ da penalidade: 46. Sobre os tributos apurados foram aplicadas as multas previstas no artigo 957, II, por entendermos que a fiscalizada agiu com dolo e simulaçaõ ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. 47. Além disto, nas DIPJ, a fiscalizada deixou vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que, comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas. Não sendo possível inovar a exigência sem prejuízo ao direito de defesa da interessada, mormente quando já transcorrido o prazo decadencial para tanto, resta concluir que a acusacã̧o fiscal não reúne eviden̂cias suficientes para qualificação da penalidade nos demais períodos autuados de abril/2003 a dezembro/2006. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a qualificaca̧õ da penalidade sobre as exigências de IRPJ, CSLL, Contribuica̧õ ao PIS e COFINS nos períodos de abril/2003 a dezembro/2006.” A questão que se coloca é: há um acervo de provas que evidencie a pratica de atos dolosos, vocacionados a ocultar o fisco o conhecimento quanto à ocorrência do fato gerador (sonegação) ou mesmo fraudar a ocorrência deste? A detalhada análise levada a termo pelo acórdão recorrido, especialmente no trecho acima transcrito no voto da então Conselheira Edeli Pereira Bessa, demonstra que os indícios apontados pela fiscalização não são suficientes para demonstrar a ocorrência de dolo, fator determinante, como se viu, para a caracterização das aludidas figuras típicas. Em especial, ao prestar informações em DIPJ, o contribuinte não pode ser acusado de ter omitido a ocorrência do fato gerador do tributo. A entrega de DIPJ, realizada pela contribuinte, levou ao conhecimento da administração fiscal a prática do fato gerador, reclamando seja aplicada, na hipótese de não entrega ou de entrega incompleta de DCTF, a multa de ofício do prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/96. Nas palavras da então Conselheira Edeli Pereira Bessa, “eventualmente a reiteracã̧o da conduta poderia conduzir à hipótese do art. 71 da Lei no 4.502/64, mas como dizer que o sujeito agiu para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorren̂cia do Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 9101002.568 CSRFT1 Fl. 1.109 10 fato gerador por parte da autoridade fazendária quando é apresentada DIPJ revelando sua apuração e sua receita bruta à Administraçaõ Tributária?” Além disso, no Termo de Verificação Fiscal (efls. 84), o Fisco descreve a suposta conduta que geraria a qualificação da multa da seguinte forma: “Sobre os tributos apurados fora aplicadas as multas previstas no artigo 957, II, por entendermos que a fiscalizada agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados, pelo próprio contribuinte, e informado em DIPJ.” Esta e. CSRF, no acórdão 9101002.189, proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação , fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). No caso concreto, o i. agente fiscal qualificou as condutas do contribuinte genericamente, sem realizar a devida diferenciação entre os dois ou até mesmo identificar como se enquadrariam nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Conforme decidido no acórdão n. 9101002.189, para a qualificação da multa, deverá ser identificada especificamente a “conduta do contribuinte: se sonegação, fraude ou conluio – respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964”. Portanto, por não ter sido discriminada a conduta dolosa imputada ao contribuinte (sonegação, fraude ou conluio), há mais uma razão para afastarse a qualificação da penalidade. Deste modo, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial, de forma a ser mantida a decisão da Turma a quo. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1109DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.001194/2002-08
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1997
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
A compensação se perfaz com a comprovação efetiva de existência de crédito a maior para compensar com os demais débitos. Em não havendo créditos ou já ocorrida a compensação integral, restando os débitos, estes serão efetivamente cobrados
Numero da decisão: 1803-001.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1997 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A compensação se perfaz com a comprovação efetiva de existência de crédito a maior para compensar com os demais débitos. Em não havendo créditos ou já ocorrida a compensação integral, restando os débitos, estes serão efetivamente cobrados
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A compensação se perfaz com a comprovação efetiva de existência de crédito a maior para compensar com os demais débitos. Em não havendo créditos ou já ocorrida a compensação integral, restando os débitos, estes serão efetivamente cobrados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Fl. 111DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10735.001194/200208 Acórdão n.º 180301.048 S1TE03 Fl. 112 2 Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração que constitui crédito tributário referente à CSLL, incluindo multa de ofício e juros de mora atinente ao período de apuração de 04/1997 a 05/1997. A empresa recorrente vinculou os débitos à compensação com DARF sem processo, mas como os pagamentos não foram localizados, o auto de infração foi lavrado. A empresa recorrente afirma que compensou os valores tidos como devidos com créditos de tributos que possuía. A autoridade administrativa refuta as assertivas da recorrente afirmando que não restariam procedentes as informações trazidas aos autos a respeito da compensação realizada com DARF, referente a pagamento indevido ou a maior, já que os documentos de arrecadação, supostamente utilizados, se encontram regularmente alocados aos débitos a que se referem, não podendo ser a eles atribuídos condição de recolhimento indevido ou a maior. Atenta, o julgador de primeira instância, que os DARFs, citados pela recorrente, estão alocados aos respectivos débitos e que por isso não poderiam ser utilizados para compensação. Ademais, aduz que a empresa não comprova que esses pagamentos tenham sido efetuados indevidamente, nem apresenta o registro na escrituração da compensação. Por fim, a autoridade observa que a Impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário e nega provimento à impugnação apresentada. A recorrente, cientificada da decisão de primeira instância, apresenta tempestivamente suas razões em recurso voluntário alegando, em apertada síntese, ser nula a exigência tributária, porquanto se encontrar em dissonância com as condições estabelecidas nos artigos 142 e 221 do CTN. Ainda, refere que foi ferido o artigo 5°, LV da CF/88, haja vista não ter sido assegurado o contraditório e a ampla defesa. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10735.001194/200208 Acórdão n.º 180301.048 S1TE03 Fl. 113 3 Prossegue a empresa elencando os princípios constitucionais que entende terem sido desrespeitados pelo auto de infração lavrado contra a mesma. Discorre sobre o Estado de Direito, o princípio da legalidade, o princípio da restritividade e cita fortes doutrinadores. Isso tudo para insurgirse contra a utilização, pelo fisco, do sistema de processamento de dados para a lavratura do auto de infração, porquanto entender que deveria ter intimado a empresa recorrente a comprovar as devidas compensações, bem como esclarecer a DCTF. Entende que o procedimento adotado pela fiscalização é ilegal e por isso o lançamento deveria ser considerado ilegítimo. E que para evitar a decadência, a fiscalização abre mão do devido formalismo exigido pelo artigo 142 do CTN, passando ao largo do princípio constitucional da moralidade, lançando tributos e/ou contribuições efetivamente pagos e/ou compensados que por um erro qualquer do sistema de processamento de dados da própria Receita Federal foi tido como não pago. Em ato contínuo, a recorrente dispõe que a mesma possui todos os livros e documentos contábeis pertinentes e devidos, estando pois válida a sua escrituração e à disposição do Fisco. A empresa requer um exame pericial contábil, alegando ser um direito seu consagrado no artigo 5° da Constituição Federal. Cita doutrinadores sobre o tema e por fim requer a anulação do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração cobrando CSLL dos períodos de abril e maio de 1997, apurados em DCTF e não pagos. A empresa aduz que efetivamente pagou através de compensações, salienta transgressão de vários princípios constitucionais, requer perícia contábil e pede que o auto seja anulado por descumprir os requisitos formais para a sua constituição. Entendo que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada, o fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10735.001194/200208 Acórdão n.º 180301.048 S1TE03 Fl. 114 4 No que diz respeito às trangressões aos príncípios constitucionais, atento para o fato de que a esfera administrativa não é a esfera competente para julgar e processar supostos dissensos constitucionais, entando pois adstrita a cumprir os dispositivos imputados na lei. A esfera do Poder Judiciário, mais especificamente o Supremo Tribunal Federal, seria a mais competente para receber e julgar as objeções inconstitucionais dispostas pela empresa recorrente, ainda que essa julgadora não tenha vislumbrado transgressão a princípio algum possivelmente ocasionado tanto pelo auto de infração, quanto pela decisão de primeira instância. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Por fim, entendo que o auto de infração é procedente, haja vista que os supostos créditos de CSLL, aos quais a empresa recorrente aduz terem sido pagos a maior e que fariam frente para o pagamento do crédito cobrado pelo presente auto, na realidade foram utilizados com pagamentos anteriores de CSLL relativos aos períodos de junho e dezembro de 1996 e janeiro e fevereiro de 1997, mas que estão na realidade alocados para pagamento de seus respectivos débitos, não se prestando para mais nenhum pagamento. Em outras palavras, os supostos créditos que a empresa refere que teria para compensar com os débitos objeto desse auto de infração, na realidade não existem, pois se consumiram com os seus próprios débitos, deixando em aberto os valores ora cobrados. Ademais, tenho que a empresa teve oportunidade para apresentar sua contabilidade e comprovar que efetivamente pagou os débitos ou que os compensou, não só em seara de impugnação como também em seara de recurso voluntário, sendo inócuo o pedido de realização de perícia contábil no presente momento. Dianto do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 114DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10735.001194/200208 Acórdão n.º 180301.048 S1TE03 Fl. 115 5 Fl. 115DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001365/2005-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL.
A apresentação de declaração de compensação retificadora, uma vez admitida, importa na substituição integral da declaração original, inclusive a modificação do termo inicial do lapso temporal previsto para configuração da homologação tácita, consoante inteligência do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISPONIBILIDADE PARA COMPENSAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL.
Nas hipóteses admitidas pela legislação de regência, em especial quando houver operações de exportação, a disponibilidade dos créditos para utilização na compensação de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil deve observar o rateio proporcional previsto no art. 3º, § 8º da Lei nº 10.833/03, limitando-se a sua utilização aos créditos relativos aos custos, despesas e encargos atrelados àquelas operações.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que entendeu haver, no caso, homologação tácita parcial, e declarou a intenção de apresentar declaração de voto.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. A apresentação de declaração de compensação retificadora, uma vez admitida, importa na substituição integral da declaração original, inclusive a modificação do termo inicial do lapso temporal previsto para configuração da homologação tácita, consoante inteligência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISPONIBILIDADE PARA COMPENSAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. Nas hipóteses admitidas pela legislação de regência, em especial quando houver operações de exportação, a disponibilidade dos créditos para utilização na compensação de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil deve observar o rateio proporcional previsto no art. 3º, § 8º da Lei nº 10.833/03, limitando-se a sua utilização aos créditos relativos aos custos, despesas e encargos atrelados àquelas operações. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. A apresentação de declaração de compensação retificadora, uma vez admitida, importa na substituição integral da declaração original, inclusive a modificação do termo inicial do lapso temporal previsto para configuração da homologação tácita, consoante inteligência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DISPONIBILIDADE PARA COMPENSAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. Nas hipóteses admitidas pela legislação de regência, em especial quando houver operações de exportação, a disponibilidade dos créditos para utilização na compensação de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil deve observar o rateio proporcional previsto no art. 3º, § 8º da Lei nº 10.833/03, limitandose a sua utilização aos créditos relativos aos custos, despesas e encargos atrelados àquelas operações. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que entendeu haver, no caso, homologação tácita parcial, e declarou a intenção de apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 13 65 /2 00 5- 39Fl. 416DF CARF MF 2 Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação homologada parcialmente, referente a crédito de COFINS não cumulativa, período de apuração março/2005, em razão de ajuste na apuração do rateio proporcional (art. 3º, § 8º da Lei nº 10.833/03). As DCOMPs albergadas nestes autos foram entregues em 27/04/2005 e 03/05/2005, sendo retificadas em 08/08/2006 e 20/10/2006. Em manifestação de inconformidade o contribuinte defendeu a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96; a inaplicabilidade da regra do rateio proporcional, ante a submissão exclusiva à incidência não cumulativa da COFINS; subsidiariamente, a reversão dos créditos para abatimento da contribuição devida nas operações internas; e, por fim, erro material no cálculo realizado pela unidade preparadora. A DRJ Campinas/SP reputou improcedente a manifestação de inconformidade, verbis: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICADORA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, exceto quando inadmitida pela Administração. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. RATEIO. PERCENTUAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, inexistindo apropriação direta, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. Verificado erro no cálculo do percentual do rateio, não se homologa a compensação da parcela correspondente.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a argumentação da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10875.001365/200539 Acórdão n.º 3401003.538 S3C4T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Respeitante à ocorrência de homologação tácita das compensações, temse que as declarações de compensação originais foram entregues em 27/04/2005 e 03/05/2005, sendo retificadas, ambas, em 08/08/2005 e 20/10/2006, como relatado. A declaração retificadora prestada pelo contribuinte, uma vez admitida, substitui integralmente a original retificada, não sendo admissível que seja considerada a data desta última, para a finalidade de se tomar como termo inicial do prazo de fluência para a homologação tácita prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, como pretende o recorrente, simplesmente porque a declaração que consubstancia a compensação é a retificadora e não a original. Notese que o dispositivo em tela não estabelece que o termo a quo corresponda à data de protocolo da primeira declaração enviada, mas que “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”, de modo que, ao mencionar a data da entrega, está a referirse à data da declaração objeto de análise, que no caso vertente são as retificadoras apresentadas em 08/08/2006. Nesse passo, o art. 59 da IN SRF 460/2004, reproduzido na IN RFB 1.300/2012, ao prever que o termo inicial da contagem do lapso decadencial corresponderia à data de apresentação da declaração retificadora não inovou o sistema jurídico, em violação ao princípio da reserva legal, mas tão somente exerceu a sua atribuição para disciplinar o procedimento, atribuição esta devidamente outorgada pelo art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96. Assim, entregues indigitadas declarações de compensação retificadoras em 20/10/2006 e a ciência do despacho decisório ocorrido antes de 19/10/2011, não há que se falar em homologação tácita. Outrossim, a discussão sobre decadência do direito de lançar é estranha aos autos, ao passo que não se trata de lançamento propriamente dito, como definido no art. 142 do Código Tributário Nacional, mas de instituto distinto, consubstanciando a declaração de compensação confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos nele insertos e indevidamente compensados, o que dispensa sua constituição mediante auto de infração ou notificação de lançamento, de modo que a sua regência se faz pelas regras do predito art. 74 da Lei nº 9.430/96, não se lhe aplicando os arts. 150 ou 173 do CTN. Na seqüência, assevera o recorrente que teria direito ao aproveitamento integral do saldo credor disponível para realização da compensação, porquanto o art. 3º, § 8º da Lei nº 10.833/03 se aplicaria exclusivamente aos contribuintes submetidos, concomitantemente, à incidência cumulativa e não cumulativa da contribuição, o que não seria o seu caso. Fl. 418DF CARF MF 4 Para melhor visualizar a discussão, reproduzo o preceptivo: “§ 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” Em princípio, o raciocínio do recorrente estaria correto, porque essa é a mensagem do texto legal, entretanto, não é a única hipótese de emprego do rateio proporcional, como bem destacou a decisão reclamada, haja vista que o art. 6º do mesmo diploma remete a sua utilização à apuração do montante a ser disponibilizado para compensação com outros tributos administrados pela RFB, no caso de receitas decorrentes de operações de exportação, como segue: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; ... § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. ... § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º.” (destacado) Como se extrai dos excertos compilados, não é a integralidade dos créditos verificados na apuração das contribuições não cumulativas que se permite compensar com outros tributos, como sugere o contribuinte, mas apenas uma parcela deste valor e, ainda assim, nas situações legalmente catalogadas. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10875.001365/200539 Acórdão n.º 3401003.538 S3C4T1 Fl. 12 5 No caso das exportações, os créditos passíveis de compensação restringemse àqueles referentes aos custos, despesas ou encargos vinculados a essas operações, daí a necessidade do cálculo da proporcionalidade. Concernente ao pretenso erro material, na apuração realizada pelas autoridades fiscais, esquadrinhei os cálculos do demonstrativo de efl. 232 e não encontrei qualquer inconsistência que pudesse macular o trabalho, tendo a fiscalização aplicado exatamente o percentual de rateio definido, no caso, 18,49%, sobre os custos, despesas e encargos atrelados às operações de exportação, não merecendo qualquer reparo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Peço vênia aos respeitáveis Conselheiros, principalmente o relator, o ilustre Dr. Robson José Bayerl, para apresentar minhas considerações a respeito da homologação tácita aplicada a pedido ou declaração de compensação a que adveio retificadora. Como já havia exposto nesta Turma em ocasiões anteriores, procurarei nesta declaração de voto, mais uma vez, defender o entendimento de que a interpretação das leis aplicáveis à situação impõem tratamento individual, caso a caso, verificando a ocorrência da homologação tácita no que respeita ao teor e conteúdo constante do pedido ou declaração original, apartados do que trouxe a retificadora. Por amor à brevidade e à exigüidade de tempo para aprofundar e detalhar argumentos e demonstrações, deixarei de expor os prolegômenos para ir diretamente ao ponto. Por isso, deixo de comentar a natureza, funções, requisitos e condições do pedido e da declaração de compensação, bem como as providências de verificação de admissibilidade, de saneamento, de instrução, de comprovação e de decisão. Para os fins dessa declaração de voto, sernosá suficiente considerar o pedido ou a declaração de compensação como pedido administrativo que encontra fundamento e previsão em lei, quais sejam: inciso II do artigo 156, artigo 165, artigo 170, todos do CTN, e no artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996, e no art. 66 da Lei n. 8.383, de 1991, (c/c Lei n. 9.069, de 1995, e Lei n. 9.250, de 1995). Como bem explicitou a SCI COSIT n. 16, de 2012: "Em seu art. 156, inciso II, o CTN se refere à compensação como causa de extinção do crédito tributário e prevê, no art. 170, a possibilidade de a lei autorizar a compensação de créditos tributários com créditos Fl. 420DF CARF MF 6 líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse contexto, vem o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, disciplinar o instituto, submetendo a extinção a condição resolutória da ulterior homologação da compensação realizada pelo sujeito passivo. Tem o fisco prazo qüinqüenal para que proceda à respectiva homologação". Reproduzo a seguir alguns desses artigos para que possamos aferir a extensão e o sentido amplo e preciso dessa autorização legal. Além disso, eles evidenciam a clara coerência dessa autorização com os prazos previstos para a autoridade fiscal e a da administração cumprirem suas atribuições neste âmbito. Vejamos: Lei n. 5.172, de 1966 CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; [...] Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10875.001365/200539 Acórdão n.º 3401003.538 S3C4T1 Fl. 13 7 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei n. 9.430, de 1996: Seção VII Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Fl. 422DF CARF MF 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [..] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Nas próximas linhas pretendo argumentar por que esses dispositivos legais permitem que pedido ou declaração de compensação seja retificado, sem que com isso ele tenha alterado o termo inicial do prazo para homologação. Partamos do pressuposto que a retificação foi promovida pelo contribuinte sob o domínio da boa fé, da confiança, da probidade e do seu comportamento de zelo para com suas obrigações. Caso haja evidências de que a retificação não se pauta por este pressuposto, ou que esteja havendo fraude, dolo ou simulação, naturalmente que o procedimento deve ser outro, diverso do que está sendo descrito e analisado nas linhas seguintes. Constato que há quem creia que a data da retificação de declaração de compensação deve se constituir, sempre, no termo inicial para a autoridade de administração tributária decidir a homologação. Mas esse entendimento, data vênia, além de não ter base expressa em lei, conflita com o sentido e a teleologia do texto que autoriza a compensação e estabelece prazo para sua homologação, e redunda em prejuízo dos direitos das partes. Espero conseguir demonstrar isso, apesar da estreiteza dessas linhas. Passamos a analisar duas possibilidades de situações de retificação, com o fito de demonstrar que não há como dar tratamento genérico e uniforme aos casos de retificação deliberada pela contribuinte, nas situações em que se possa verificar a ocorrência de homologação tácita de compensação. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10875.001365/200539 Acórdão n.º 3401003.538 S3C4T1 Fl. 14 9 Primeira hipótese, a retificação pode se referir a informações que não impliquem em alteração do objeto do pedido ou declaração de compensação. Seriam exemplos nesse sentido as emendas e as correções de lapsos nas informações, tais como: códigos de tributos, ou datas de vencimentos, ou períodos de apuração, ou erros de cálculo. Esse tipo de retificação manteria intacto o núcleo substancial do objeto: um pedido que alega um determinado direito creditório relacionado a um pedido de homologação do uso desse direito creditório para extinguir determinado(s) débito(s). Nessa hipótese, a retificadora pretende expurgar os defeitos e os equívocos das informações descritivas e identificadoras. Recordemos que, na administração do bem público, nas relações tributárias e nas aduaneiras, valorizase o Princípio da Veracidade. E nesse aspecto justificase que retificar seja um dever. E a retificação das informações e das declarações prestadas ao Poder Público concorre não só ao interesse da contribuinte, mas ao interesse da administração pública. Deveria a administração pública impor um ônus ou uma penalidade para o contribuinte que procura, em boa fé, corrigir as informações que prestou? Naturalmente que não. Mas temo que isso possa estar ocorrendo com as situações de retificação de PER DCOMP tratadas de forma uniforme, impondo unilateralmente para todas as retificações a mudança automática do termo inicial do prazo para homologação, sem identificar o que foi identificado, e em que extensão, e sua natureza. Tornar inválida a data do protocolo original, e assumir a data do protocolo da retificação, como dies a quo para aferir prazo para homologação tácita, é prejudicar os direitos da requerente, e é também prejudicar a legitimidade institucional da Fazenda Pública, que estaria impondo ao contribuinte o dilema de escolher entre preservar o dies a quo, apesar de ter percebido erro em sua declaração (ou em seu pedido), ou perder esse termo inicial para cumprir o dever de prestar informações corretas à administração pública. Embora eu entenda e aponte que não há prejuízo à confiança e lealdade e moralidade na relação entre administração fazendária e contribuintes, receio que possa vir a existir quem suscite que tal dilema estaria obscurecendo ou ocultando a moralidade administrativa. A segunda hipótese, a retificação alcançará o substancial do pedido ou declaração de compensação: ou a causa de pedir, ou o pedido. A retificação poderá alterar, reduzir ou adicionar elemento substancial. E isso poderá se dar na parte do direito creditório, e/ou na parte do que foi compensado. Como primeiro desdobramento dessa segunda hipótese, temos as mudanças que se constituem em redução objetiva da demanda. Notemos que elas não implicam em alargamento do campo de análise da Fazenda Nacional para decidir a homologação pleiteada. Pedir direito creditório de 100, ou pedir direito creditório de 50, significa a mesma extensão de apreciação. Extinguir débito de 100, ou de 50, significa a mesma extensão de apreciação. Neste desdobramento, da mesma forma que concluímos com relação à primeira hipótese, a retificadora não acrescenta novos elementos ao pedido ou à declaração original da contribuinte, e pelas mesmas razões, o dies a quo para se apurar a ocorrência de homologação tácita não deveria ser a da apresentação da retificadora. Não há justificativa Fl. 424DF CARF MF 10 razoável para desqualificar a data do protocolo original, uma vez que o pleito tem a mesma causa, mas agora com menor valor objetivo. Como segundo desdobramento da segunda hipótese, temos as mudanças que adicionam causas e as que constituem em aumento objetivo da demanda. Entendo que devemos excluir as situações que, apesar de aparentemente mudanças desses tipos, se possa demonstrar serem erros materiais ou de cálculo, enquadráveis na primeira hipótese ou seja, os elementos que compõem a declaração original são os mesmos, mas as informações estão sendo corrigidas. Ora, os acréscimos reais de causas ou de demandas devem ter seu termo inicial para homologação tácita na data dessa retificação. Entretanto, para a parcela e para as causas constantes da petição ou declaração original, devemos resguardar o dies a quo na data de seu protocolo ou transmissão. Ou seja, o aditivo recebe novo termo inicial, mas se preserva o termo inicial para aquilo que já constava originariamente. O prazo de cinco anos para a administração decidir a respeito do pedido de homologação é medida salutar, pois concorre para se reconhecer responsabilidades, prioridades e critérios de efetividade e eficiência na prestação de serviço público. Por isso, todos trabalham para prestigiálo. É visível a possibilidade de conciliação desse prazo com a retificação do pedido/declaração de compensação, sem prejuízo do direito do contribuinte. Retornando ao dispositivo que estabelece essa regra, podemos ver que não há, a meu ver, base legal para tratar as retificadoras de pedidos e declarações de compensação de modo uniforme, e invalidar automaticamente a data de protocolo original como dies a quo para definir esse prazo de cinco anos do § 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996. Notemos que o texto da lei não indica que a retificadora teria termo inicial diferente da declaração original, nem ele propõe que a retificadora tenha natureza distinta ou existência independente da declaração original. Lei n. 9.430, de 1996: Artigo 74 .... § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Também não há em outra lei qualquer dispositivo expresso que dite o contrário do entendimento posto nesta declaração de voto. Aliás, a legislação tributária e a aduaneira, em linhas gerais, tratam a retificadora como ato jurídico que integra aquele que foi retificado (apenas como analogia, recordemos que: (i) a DCTF retificadora integra a DCTF original, e ela não é considerada como nova DCTF a ser tratada como se a anterior tivesse deixado de existir entendimento inclusive assentado nas Altas Cortes; (ii) A DI (declaração de importação) retificadora integra a DI original, e ela não é considerada como nova DI registrada fora do prazo; e assim por diante). Notemos que a solução encontrada pela Receita Federal para a retificação da DCTF é bem semelhante à preconizada por esta declaração de voto: IN RFB n. 1.599, de 2015 DA RETIFICAÇÃO DA DCTF Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10875.001365/200539 Acórdão n.º 3401003.538 S3C4T1 Fl. 15 11 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 5º O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. § 4º Não produzirão efeitos as informações retificadas: I enquanto pendentes de análise; e II não homologadas. § 5º É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias contado da data da ciência da decisão que não homologou a DCTF retificadora, apresentar impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de sua jurisdição, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Na verdade, ao consultarmos decisões judiciais por exemplo com relação à DCTF, à DIPJ veremos que elas afirmam que a retificadora tem a mesma natureza declaração retificada (a original). Mais uma vez, por amor à brevidade, deixo de reproduzir aqui o sem número de decisões que já pacificaram esse entendimento. E ao consultarmos o CPC veremos que ele afirma a possibilidade da emenda e alteração da inicial e ou petição. Norma ou ato infralegal que pretenda definir que o termo inicial do prazo de homologação é o da retificação da declaração de compensação estará trazendo limite que diverge do sentido primevo desse texto legal, e ao invés de disciplinar estará criando prejuízo às partes e à ordem jurídica por (1) não reconhecer as diferenças de retificação e (2) tratálas uniformemente. Fl. 426DF CARF MF 12 No caso aqui em análise é gritante o descabimento de se invalidar a data de protocolo da original para se considerar como dies a quo do prazo de cinco anos para homologação. Notem, senhores Conselheiros, que o contribuinte registrou retificadora para apenas corrigir o valor informado como crédito, e para reduzir esse valor (!) [por exemplo, corrigir de R$ 447.675,20 para R$ 447.644,66, em alguns dos processos; ou de R$ 575.935,21 para R$ 488.469,81, em outro processo. Ele reduziu o crédito.]. A retificação não está acrescendo valores superlativos, ou novos períodos de apuração, ou novas causas de pedir; está apenas corrigindo para menor o montante de crédito. Sua iniciativa concorre inteiramente para o interesse público, pois expurga os erros e lapsos das informações a serem apreciadas pela autoridade fiscal. As retificações feitas nesses pedidos/declarações de compensação se enquadrariam na primeira hipótese de tipo de retificação argüida acima, e não importam em nova demanda de homologação, mas continua exatamente a formulada originariamente. Portanto, não deveriam implicar em mudança do termo inicial desse prazo de homologação. Com essas considerações é que propomos que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a homologação tácita quanto à parte e às causas constante do pedido e da declaração original e que não foram suprimidas pela retificadora. Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 427DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.902356/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0247.156, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, em 14 de agosto de 2013, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para: Reconhecer ao contribuinte o direito à utilização do crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2005 no valor de R$ 20.031,03. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 02 35 6/ 20 11 -0 1 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13603.902356/201101 Resolução nº 1301000.401 S1C3T1 Fl. 368 2 Homologar parcialmente a compensação em litígio, mediante a utilização do direito de crédito acima reconhecido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de parte do pretenso “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2005 no valor de R$41.347,25. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: Despacho Decisório da DRF 3. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 932661367, que apurou: 3.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2005 identificadas no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 1.607.524,68, para uma CSLL devida igual a R$ 1.596.050,50. 3.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que as antecipações do imposto indicadas pelo contribuinte e a parcela confirmada pelo fisco: 3.2 Tendo em vista as constatações acima, DRF apurou o Saldo Negativo de CSLL disponível para compensação no valor de R$ 11.474,18; utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte na DCOMP, resultando na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da compensação declarada, em função da insuficiência do crédito. Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 16/06/2011, conforme documento à fl. 23. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/07/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 24 a 37, onde, em síntese, argumenta: 4.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2 A conclusão do fisco mostrase equivocada, uma vez que o crédito considerado como disponível não abarcou a totalidade dos valores que efetivamente devem compor o saldo negativo do ano calendário de 2005. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13603.902356/201101 Resolução nº 1301000.401 S1C3T1 Fl. 369 3 4.2.1 Informa que a quitação do valor devido às estimativas ocorreu por meio de pagamentos em DARF e compensação com saldo negativo de períodos anteriores. 4.2.2 Quanto às compensações, esclarece que não subsistem quaisquer fundamentos plausíveis para que as compensações que não tenham sido homologadas, uma vez que havia lastro suficiente vinculado aos pedidos. A seguir detalha a procedência da compensação efetuada. 4.2.3 No que diz respeito ao imposto pago no exterior os comprovantes das retenções realizadas na Argentina são aptos a provar a quantia destinada ao IRPJ no exterior ao longo do ano calendário de 2005. Esclarece que o valor deduzido está em consonância com o art 21, caput e parágrafo único da MP nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001. 4.2.4 O manifestante procura demonstrar a origem do Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2005, concluindo que o valor apurado importa em R$ 41.347,25. Invoca o art. 170 do CTN e 2°, 28, 30 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para argumentar que é “totalmente plausível e cabível a compensação requerida pela Requerente”. 4.2.4 Subsidiariamente acrescenta que o valor do saldo negativo alegado como disponível deve necessariamente ser corrigido monetariamente com base na taxa SELIC acumulada até a presente data. 4.3 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação pretendida. 4.3.1 Protesta ainda pela juntada posterior do instrumento de procuração, nos termos do art. 37 da Lei nº 5.869, de 1972 (Código de Processo Civil). A procuração mencionada encontrase anexada às fls. 31/32 do processo. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl. 205). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela procedência em parte da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Para efeito de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A pessoa jurídica fica dispensada dessa obrigação quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13603.902356/201101 Resolução nº 1301000.401 S1C3T1 Fl. 370 4 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Consoante relatado, por meio da PER/DCOMP n.º 09926.17605.270307.1.7.03 9655, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, no valor de R$ 41.347,25, sendo composto por IR pago no exterior (R$ 7.518,02), retenções na fonte (R$ 256,30), pagamentos com DARF (R$ 1.513.069,40) e estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores (R$ 116.554,03). De acordo com o despacho decisório, não foi reconhecida a parcela referente ao IR pago no exterior, no valor de R$ 7.518,02, e reconheceuse apenas R$ 94.199,22 dos R$ 116.554,03 informado a título de estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores, glosando o valor de R$ 22.354,81. O fundamento utilizado para rejeitar o IR pago no exterior reside que a receita correspondente não foi oferecida a tributação. Com relação às anteditas estimativas compensadas, justificouse a glosa com a seguinte mensagem: DCOMP homologada parcialmente (25860.49502.270307.1.7.031056) e DCOMP não homologada (05975.89457.311005.1.3.039360). Sendo assim, a soma das parcelas admitidas no despacho é igual a R$ 1.607.524,68. Considerandose que a CSLL anual devida é igual a R$ 1.596.050,50, o despacho decisório reconheceu saldo negativo de CSLL disponível no valor de R$ 11.474,18. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, para restabelecer a importância de R$ 20.031,03, com referência ao item estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. Segundo se extrai da decisão recorrida, a autoridade julgadora reconheceu parcialmente o crédito pleiteado pelo simples fato de existir em outro processo, decisão administrativa, ainda não definitiva, que igualmente reconheceu parte do crédito do ano anterior. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13603.902356/201101 Resolução nº 1301000.401 S1C3T1 Fl. 371 5 Com efeito, sendo a presente glosa atinente a estimativas compensadas com saldo negativos de períodos anteriores, e, verificando a autoridade julgadora de primeira instância que o direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL AC 2004 está sendo discutido no processo nº 13603.901573/201095, reproduziu neste processo, o resultado lá proferido, ainda que não definitivo. Confirase trecho da decisão recorrida quanto ao ponto\; • A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte no processo 13603.901573/201095, que trata das DCOMPs 25860.49502.270307.1.71.00536 e 05975.89457.311005.1.39.30630 já foi analisada pela DRJ em Belo Horizonte, originando o Acórdão 0232168, de 04 de maio de 2011 que julgou procedente em parte a manifestação do contribuinte. • A situação atual das compensações glosadas pela DRF quando da emissão do Despacho Decisório combatido neste processo: 19.1 Em síntese, da parcela glosada pelo fisco, cabe restabelecer a importância de R$20.031,03, correspondente às compensações homologadas pela DRJ quando da prolação do Acórdão 0232168, de 04 de maio de 2011. Quanto à parcela restante, cabe esclarecer que ainda que a CSLLEstimativa Mensal declarada em DCOMP cujo ato foi invalidado pelo fisco (NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação) integre a apuração do Saldo Negativo de CSLL, este somente passa a ser passível de restituição/compensação após a sua efetiva extinção. (Grifos do original) Sem dúvida, há nítida a correlação entre aquele e o presente processo, pois a antecipação aqui tratada só integrará a composição do saldo negativo de CSLL AC 2005, acaso seja reconhecido a totalidade do direito creditório lá demandado Vejase que a DRJ apenas reconheceu um valor adicional de R$ 20.031,03, na composição do crédito ora em discussão, porque naquele processo ocorreu decisão administrativa que reconheceu idêntico valor na composição do direito creditório lá pleiteado. Realmente, a origem da diferença objeto de discussão no presente processo reside em outro processo, que discute a regularidade da compensação de parcelas das estimativas de CSLL, computadas na formação do saldo negativo de CSLL, AC 2004. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá, vez que os créditos lá tratados são responsáveis pela formação do direito creditório discutido nestes autos, razão pela qual se impõe estender o resultado do julgamento daquele processo ao caso em análise. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13603.902356/201101 Resolução nº 1301000.401 S1C3T1 Fl. 372 6 1. Os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 13603.901573/201095. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 13603.901573/201095. 3. A Unidade Preparadora se manifeste, conclusivamente, acerca da extinção, ou não, das estimativas mensais formadoras do direito creditório discutido nestes autos, quanto ao item estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. Concluída a diligência, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.019438/2002-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
PRESCRIÇÃO. PRAZO. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI.
O prazo para solicitar ressarcimento é de cinco anos, podendo o pedido ser formalizado no primeiro dia após o encerramento do trimestre. No caso concreto o pleito foi protocolado após decorrido o interregno de cinco anos, sendo assim, ao tempo do protocolo de solicitação aplica-se o disposto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, impõe desse modo reconhecer a perda do direito de pleitear o ressarcimento.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3302-003.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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PRAZO. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. O prazo para solicitar ressarcimento é de cinco anos, podendo o pedido ser formalizado no primeiro dia após o encerramento do trimestre. No caso concreto o pleito foi protocolado após decorrido o interregno de cinco anos, sendo assim, ao tempo do protocolo de solicitação aplicase o disposto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, impõe desse modo reconhecer a perda do direito de pleitear o ressarcimento. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 94 38 /2 00 2- 70 Fl. 417DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão de piso que manteve na integra o Despacho Decisório indeferindo ressarcimento de saldo credor de IPI instituído pela Lei nº 9.363/1996, e, sistematizado pela Portaria nº 38 do Ministério da Fazenda, inerente ao Terceiro Trimestre de 1997, cuja solicitação foi protocolada em 15 de outubro de 2002, ao argumento da perda do direito de pleitear por decurso de tempo, prescrição. O indeferimento do ressarcimento deuse com arrimo no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932, isto é, o pedido teria ultrapassado o prazo de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual teria originado o indébito. O Interessado debate no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, conta da data do encerramento do balanço anual, no seu entendimento iniciase no primeiro dia útil do exercício seguinte a apuração do saldo credor de IPI. Insatisfeito com o desfecho apresentou o voluntário, mantendo os argumentos tecidos na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo tomase conhecimento. A contenda é puramente de direito, e, restringe a discussão na contagem prescricional do direito de pleitear ressarcimento de saldo credor de IPI. O argumento da Fazenda Nacional que o prazo começa no primeiro dia do trimestre subseqüente, quando o Contribuinte pode usufruir do benefício. O direito de o contribuinte buscar repetição ou compensação, seja qual for o seu fundamento, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, matéria disciplinada pela norma do art. 168 do Código Tributário Nacional. A jurisprudência e a doutrina são unânimes em afirmar que no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados o prazo prescricional dáse em conformidade com o disposto no artigo primeiro do Decreto nº 20.910 de 1932, desde que, não verse hipótese de restituição, pois neste caso tratase de pagamento indevido ou a maior No caso concreto tratase de reconhecimento de aproveitamento decorrente da não cumulatividade fixado pelo texto constitucional, não é o caso de aplicação da regra inserta no artigo 168 do CTN, e, sim do Decreto nº 20.910/1932. A Secretária da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições editou a Portaria n 38/1997 normatizando o procedimento necessário ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, exigindo, para tanto, declaração por parte do contribuinte Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11610.019438/200270 Acórdão n.º 3302003.656 S3C3T2 Fl. 5 3 relativo aos trimestres encerrados, respectivamente, nos meses de março, junho, setembro e dezembro, fixando como prazo limite da solicitação o último dia útil do mês de abril, julho, outubro e janeiro, veja: “Art. 6º A empresa produtora e exportadora beneficiada com o crédito presumido deverá apresentar ao órgão da Secretária da Receita Federal de seu domicilio fiscal, até o último dia útil dos meses de abril, julho, outubro e janeiro, demonstrativo referente à fruição do benefício nos trimestres encerrados, respectivamente, nos meses de março, junho, setembro e dezembro, imediatamente anterior, em que deverá constar:” A Portaria nº 38, de 27 de fevereiro de 1997 restou revogada pela Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003. O art. 6º da novel Portaria ao tratar do assunto no inciso V deixou de estipular prazo, veja: “V – o valor, acumulado desde inicio do ano até o final do trimestre em que houver apurado crédito presumido, de MP, de PI e de ME adquiridos;” Não assiste razão a Recorrente quando afirma que o prazo conta a partir do primeiro dia útil após encerramento do balanço. Considerando, que a Recorrente apresentou o pedido de ressarcimento na vigência da Portaria nº 38, cujo prazo de pleitear restou fixado até o último dia útil do mês subquente ao encerramento do trimestre, penso que nesse caso não assiste razão a Recorrente, haja vista, que o pedido foi protocolado em 15 de outubro de 2002, no interregno fixado pela Autoridade Fiscal. O prazo de cinco anos iniciouse a contar no primeiro dia ao enceramento do trimestre, isto é, no dia primeiro do mês de outubro de 1997, completando o decurso de cinco anos no dia 30.09.2002. Constatado que o pedido só restou protocolado em 15 de outubro de 2002, esse foi efetivado após cinco anos. Desse modo, tenho que se aplica o disposto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, quando constatar a transcorrência do prazo fixado pela Portaria nº 38/97. Não há espaço a vislumbrar melhor interpretação da contagem do prazo prescricional ou decadencial por tratarse de direito. Com essas considerações, concluo no sentido não dar razão ao Recurso interposto pela recorrente e manter a prescrição motivadora do indeferimento contido no Despacho Decisório e ratificado pela decisão recorrida. Assim sendo, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 419DF CARF MF 4 r Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.001760/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rubem Mauro Silva Rodrigues, OAB/DF 31.251, advogado da recorrente.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.001760/200111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.897 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de fevereiro de 2017 Assunto Regimes Aduaneiros Recorrente Salazar C. Dias & Filhos Ltda. Recorrida União Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rubem Mauro Silva Rodrigues, OAB/DF 31.251, advogado da recorrente. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJSão Paulo II (acórdão n. 1715.624 fls. 502/511), o que passo a fazer nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 14 .0 01 76 0/ 20 01 -1 1 Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Resolução nº 3402000.897 S3C4T2 Fl. 3 2 Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Resolução nº 3402000.897 S3C4T2 Fl. 4 3 2. Referida impugnação foi julgada improcedente, nos termos do já citado acórdão, cuja ementa restou assim prescrita: Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Resolução nº 3402000.897 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Inconformada com a decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 515/536, oportunidade em que repisou as alegações externadas em impugnação. 4. Por seu turno, referido recurso foi julgado parcialmente procedente pelo acórdão n. 30239.691 (fls. 563/574), cuja ementa segue abaixo transcrita: Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Resolução nº 3402000.897 S3C4T2 Fl. 6 5 5. Em suma, este Tribunal, de ofício, reconheceu a impropriedade da multa por importação desamparada de guia de importação pelo fato do contribuinte não ter se responsabilizado por esta obrigação no momento da assinatura do termo de responsabilidade decorrente de Declarações de Trânsito Aduaneiro DTA's. 6. Contra esta decisão, a União e o contribuinte apresentaram seus respectivos recursos voluntários, o que suscitou o acórdão n. 9303002.132 (fls. 878/883), assim ementado: Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Resolução nº 3402000.897 S3C4T2 Fl. 7 6 7. Esta decisão foi objeto de embargos inominados interpostos pelo Presidente da 24º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 1 (fls. 895/898), o qual foi conhecido e provido pelo acórdão n. 9303004.129 (fls. 916/918), nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 20/05/1996 a 02/07/1996 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo inexatidões materiais devidas a lapso manifesto devese proceder ao saneamento mediante a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos. 8. É o relatório. Resolução 9. Como visto alhures, o acórdão proferido pela turma ordinária deste Tribunal foi anulado pela Câmara Superior, ao fundamento de que, ao afastar de ofício a multa por importação desamparada de guia de importação, teria promovido um julgamento extra petita, já que a questão não teria sido objeto de impugnação por parte do recorrente. 10. Sem adentrar no mérito do acerto ou não da decisão da Câmara Superior, questão que não compete mais a este colegiado, o que resta aqui é novamente analisar todas as questões desenvolvidas pelo recorrente em sede de recurso voluntário. 11. Nesse esteio, uma das alegações desenvolvidas pelo contribuinte é no sentido de que seria parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente exigência fiscal, uma vez que as importações aqui analisadas teriam sido suportadas por DTA's fraudadas por um exfuncionário seu, o Sr. João Gouveia. Alega, inclusive, que assim que tomou ciência da Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10814.001760/200111 Resolução nº 3402000.897 S3C4T2 Fl. 8 7 fraude, demitiu o funcionário por justa causa (fl. 484), promoveu o seu descredenciamento para atuar em seu nome perante a RFB (fl. 482) e, ainda, prestou informações em sede de inquérito policial instaurado em desfavor do referido funcionário (fl. 480). 12. Diante deste quadro, é possível perceber que uma das questões que sustenta a defesa da recorrente é no sentido de que não teria participado da conduta fraudulenta, motivo pela qual não seria parte legítima para figurar no polo passivo da presente exigência fiscal. 13. Entendo, todavia, que para o desenvolvimento de uma análise mais aprofundada desta fundamentação, tornase essencial a análise de cópias do Inquérito Policial n. 69/96, referido a fl. 480, bem como de eventual ação penal correlata. 14. Nesse sentido, resolvo baixar o presente caso em diligência para que a unidade preparadora intime o contribuinte para que este providencie: · cópia do Inquérito Policial n. 69/96, referido a fl. 480, bem como de eventual ação penal correlata, até seu final desfecho, cabendo ao contribuinte manifestarse acerca do conteúdo desta documentação já no ato de sua juntada aos autos. 15. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 940DF CARF MF
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