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Numero do processo: 18186.005258/2009-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO.
A isenção dos proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave aplica-se somente a partir da data de início da doença, assim identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 9202-007.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO. A isenção dos proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave aplica-se somente a partir da data de início da doença, assim identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
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MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO. A isenção dos proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave aplicase somente a partir da data de início da doença, assim identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 52 58 /2 00 9- 83 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Tratava o presente processo, inicialmente, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2007, anocalendário de 2006, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. Em sede de Impugnação, a Contribuinte alegou isenção por moléstia grave, argumentando que, ainda que mantida a glosa das despesas médicas, teria imposto a restituir. A Impugnação foi considerada improcedente, conforme acórdão assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ISENÇÃO PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos por portador de moléstia grave só poderá ser concedida se houver comprovação de que a doença que acometeu a contribuinte encontrase entre aquelas tipificadas em lei. Não deve ser reconhecido o direito à isenção do imposto de renda, quando a interessada não comprova ser portadora de moléstia grave no anocalendário em questão. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA A matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada incontroversa, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado em sessão plenária de 15/08/2012, prolatandose o Acórdão nº 210101.823 (efls. 83 a 86), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃOTRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou pensão, desde que percebidos por portador de moléstia grave. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 18186.005258/200983 Acórdão n.º 9202007.883 CSRFT2 Fl. 112 3 “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento e determinar a restituição do IRRF de R$1.832,88 (fl. 42) e das 8 (oito) cotas pagas de R$359,79 conforme DARF’s às fls. 25/37." O processo foi encaminhado à PGFN em 05/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 87) e, em 09/10/2012, foi interposto o Recurso Especial de efls. 88 a 95 (Despacho de Encaminhamento de efls. 102), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a data de início da moléstia grave, para efeito da isenção do Imposto de Renda. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/08/2014 (efls. 103 a 105). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: na Impugnação, a Contribuinte argumenta que foi acometida de Cardiopatia Grave em 2002 e não em 2007, e que os proventos de aposentadoria estavam isentos, em sua totalidade, desde aquela data; a Contribuinte argumenta, ainda, que o Laudo Médico Pericial, que atesta que ela foi acometido da doença em 2007, é um ato de reconhecimento de que ela é portadora da doença, mas que os exames e procedimentos médicos demonstram que ela foi acometida da doença em 2002; nos termos do art. 111, II, do CTN, a lei que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, ou seja, o benefício aqui invocado não pode ser estendido a quem não preencha os requisitos exigidos pela lei que o concede; a Lei nº 9.250, de 1995, ao isentar de Imposto de Renda os rendimentos percebidos pelos portadores de moléstia grave, exigiu que a doença, entendido aqui inclusive seu marco inicial, fosse comprovada por laudo oficial; ademais, a extensão do benefício fiscal a situações não abrangidas pela norma, criando direito estranho à previsão legal, desrespeita a exegese do art. 111, do CTN, portanto não merecem reparos as conclusões externadas pela DRJ de origem. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (efls. 108). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Fl. 113DF CARF MF 4 Tratase de isenção de rendimentos recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, mais especificamente, de cardiopatia grave. A autuação referese ao ano calendário de 2006 e a Contribuinte alega ser portadora da doença desde 2002. A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que, conforme o Laudo Pericial, a moléstia grave teve início somente em 2007. Assim, cabe a este Colegiado verificar a data de início da moléstia grave, para efeito da isenção do Imposto de Renda alegada pela Contribuinte. O Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda/1999), por sua vez, assim estabelece: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifei) No presente caso, tratase de rendimentos de aposentadoria e pensão, referentes ao anocalendário de 2006, recebidos por portadora de cardiopatia grave somente a partir de 2007, embora a Contribuinte já sofresse de cardiopatia desde 2002, conforme a conclusão do laudo pericial emitido pelo Ministério da Saúde, constante às fls. 10/11: "Conclusão Perícia médica considerou que a examinada é portadora de doença especificada no parágrafo 1º, da lei 11.042/04, desde 13/04/2007." E o dispositivo legal especificado na conclusão acima assim dispõe: "Art. 1o O inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 6o ............................................................................ ........................................................................................ XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia Fl. 114DF CARF MF Processo nº 18186.005258/200983 Acórdão n.º 9202007.883 CSRFT2 Fl. 113 5 irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ......................................................................................." (NR) (grifei) Analisandose o inteiro teor do citado laudo, constatase que o marco de início da moléstia grave, representado pela data de 13/04/2007, foi o fato de, nessa data, diagnosticarse a cardiopatia como isquêmica (final de fls. 10). Nesse passo, é de se concluir que, antes disso, a cardiopatia da qual era acometida a Contribuinte não fora considerada grave, portanto não se enquadrava na isenção, tanto assim que a conclusão do laudo fixa essa data como de início da moléstia prevista em lei (cardiopatia grave). Por oportuno, esclareçase que, a despeito das considerações expendidas no acórdão recorrido, ao Julgador não cabe arvorarse a elaborar diagnóstico médico, eis que tal competência, conforme a legislação de regência, é da medicina especializada, e esta concluiu que a moléstia prevista na lei somente iniciouse em 2007. Assim, comprovado que a Contribuinte, no anocalendário de 2006, ainda não era portadora de cardiopatia grave, é de se concluir que não faz jus à isenção pleiteada. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720599/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
RECURSO DE OFÍCIO. COBRANÇA EM DUPLICIDADE
É procedente a decisão que exonera crédito tributário quando se constata cobrança em duplicidade.
Numero da decisão: 2201-005.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 RECURSO DE OFÍCIO. COBRANÇA EM DUPLICIDADE É procedente a decisão que exonera crédito tributário quando se constata cobrança em duplicidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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COBRANÇA EM DUPLICIDADE É procedente a decisão que exonera crédito tributário quando se constata cobrança em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório O presente processo trata de recurso de ofício em face do Acórdão nº 02 69.825, de 30 de agosto de 2016, exarado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, fl. 250 a 264, de cujo relatório importa destacar os seguintes pontos: Tratase de crédito resultante de glosa de compensação de contribuições previdenciárias efetuadas em relação às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 99 /2 01 5- 38 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 279 2 competências de 03/2010 a 10/2011 que foram informadas por meio de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. (...) De acordo com as respostas do contribuinte as compensações efetuadas no período foram feitas com créditos de duas origens distintas, quais sejam: a) uma parte das compensações estaria amparada por decisões judiciais exaradas nos processos de nº 2005.38.00.7039004 (compensações das competências 06/2007 a 02/2008) e 2009.34.00.0222470 (compensações das competências 11/2009 a 10/2011), tramitados nas 32ª e 20ª Varas do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, respectivamente (créditos do tipo JUD); b) a outra parte seria relativa a créditos oriundos de recolhimentos indevidos ou a maior de retenção da Lei nº 9.711, de 20/11/1998 (créditos do tipo CPIM). (...) Por meio do despacho decisório foram abordadas, apenas, as compensações cujo crédito utilizado, conforme a informação prestada, referiuse aos reconhecimentos em processos judiciais (JUD). Os créditos que teriam se originado em recolhimentos indevidos ou a maior serão objeto de análise em outro despacho decisório. As compensações feitas com créditos, supostamente originados no processo 2005.38.00.7039004/Vara 32, também, não foram apreciadas, devido a impossibilidade de se cobrar eventuais irregularidades cometidas nesse procedimento, uma vez que se encontram alcançados pela prescrição, assim como, todas os demais, referentes a competências anteriores a 02/2010. Por meio de consulta realizada no sitio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na internet, verificouse que, somente, em 23/1/2015, foi publicada, no eDJF1, a Decisão/Despacho relativa ao Processo de nº 2009.34.00.0222470 que tramitou na 20ª Vara. Constatou se, portanto, que na época em que foram feitas as compensações (posteriores a 03/2010) que seriam relativas a esse processo judicial e que foram indicadas no demonstrativo 3, não havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial. Assim, considerandose que não foi atendido o que determina a legislação tributária acerca da compensação, em especial o disposto no CTN, artigo 170A, temse que são indevidas as compensações informadas em GFIP, sujeitandose o contribuinte à incidência da penalidade constante no § 9º do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, do artigo 45 da Instrução Normativa RFB n.º 900/2008 e, posteriormente, no artigo 57 da Instrução Normativa RFB n.º 1.300/2012. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 280 3 As contribuições devidas em razão do não homologação das compensações informadas em GFIP foram lançadas por meio dessas declarações que constituem instrumento de confissão de dívida, podendose proceder à sua imediata inscrição em dívida ativa da União. Os valores das compensações glosadas foram discriminadas por competência de realização e código de FPAS por meio do Demonstrativo 3 incluído no relatório fiscal (fls. 31/32). O contribuinte teve ciência do despacho decisório em 28/4/2015 (conforme Aviso de Recebimento – AR de fls. 42/43), e apresentou manifestação de inconformidade em 27/5/2015 (fls 45/51), conforme carimbo de protocolo à fl. 45, na qual, essencialmente: ORIGEM DOS CRÉDITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTOS DO PROCESSO Nº 2009.34.00.0222470 Afirma que, consoante relatório que integra o despacho decisório sob análise, os créditos utilizados por ele foram originados devido à manutenção, até o momento, dos termos firmados no Acórdão proferido pela 8ª Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, diante do julgamento do recurso de apelação interposto nos autos do processo nº 2009.34.00.00.0222470, originalmente em trâmite perante a 20ª Vara Federal da Seção Judiciária em Brasília – DF. Aduz que referida ação tinha como objeto a discussão acerca da indevida inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias, de determinadas verbas pagas aos seus empregados. Informa que antes da emissão do Despacho Decisório em 11/2/2015, protocolizou requerimento de desistência da ação judicial relativa ao processo 2009.34.00.0222470 (Doc. 04 de fls. 67/69) e que renunciou aos direitos sob os quais ela se fundava, em razão de sua adesão ao parcelamento especial (Refis) instituído pela Lei Federal nº 11.941/2009 e prorrogado pela Lei Federal nº 12.996/2014. Diz que referido requerimento foi homologado pelo Desembargador Federal Cândido Ribeiro na decisão proferida em 17/12/2014 (Doc. 05 de fls. 70/71). Diz que “dentre os débitos abrangidos neste parcelamento, deve se ater ao fato da inclusão dos valores devidos a título das contribuições previdenciárias objeto das glosas realizadas por meio dos procedimentos fiscais que culminaram com a instauração do processo tributário administrativo” em questão. INEXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NO PERÍODO DE MARÇO DE 2010 A OUTUBRO DE 2011. INCLUSÃO DOS VALORES GLOSADOS NO PARCELAMENTO ESPECIAL – REFIS, INSTITUÍDO PELA LEI FEDERAL Nº 11.941/2009 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 281 4 Afirma que os débitos devem ter sua exigibilidade suspensa tendo em vista que se encontram abrangidos e, consequentemente, incluídos no parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, com as alterações da Lei nº 12.996/2014. Aduz que, conforme consta na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, publicada no DOU em 1/8/2014, por meio da Lei nº 12.996/2014 instituiuse a possibilidade de parcelamento ou de pagamento a vista de débitos vencidos até 31/12/2013, sendo que, para tanto, o contribuinte deveria providenciar o pagamento, relacionado à antecipação (entrada) em até 5 parcelas, vencendo a última no último dia do mês de 12/2014. Acrescenta que assim procedeu, sendo indevida a cobrança dos débitos referidos no presente processo. Ressalta que, conforme recibo (Doc. 06 de fls. 72/73), solicitou, em 28/8/2014, parcelamento de débitos na modalidade “Parcelamento de Débitos Previdenciários – RFB”, como autorizado na Lei nº 12.996/2014. Alega que foram incluídos no parcelamento os valores relativos às compensações glosadas pela fiscalização (03/2010 a 10/2011), conforme planilha que anexa (Doc. 07 de fls. 74/75). Entende que, tendo efetuado (i) o recolhimento das parcelas antecipadas, necessárias à adesão ao parcelamento; (ii) a regularidade e manutenção dos pagamentos das parcelas subsequentes (Doc. 08 de fls. 76//85), não há razão para a manutenção da cobrança dos valores lançados. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a DRJ RJO exarou o Acórdão ora recorrido, em que tratou de todos os temas expressos pela defesa e, especificamente em relação à exoneração que levou à formalização do recurso de ofício sob análise, concluiu: ... como se depreende do conteúdo dos relatórios fiscais do presente processo e do processo nº 15504.725895/201156, tem razão o impugnante quando afirma que parte das glosas a que se refere o Despacho Decisório em análise, se referem a competências e contribuições que foram objeto de lançamento por meio do AI Debcad nº 51.014.1641 tratado no processo nº 15504.725895/201156. Dessa feita, deve ser excluído parte do crédito tributário a que se refere o Despacho Decisório impugnado, relativamente às competências de 03/2010 a 08/2011, por que ele foi mantido no AI Debcad nº 51.014.1641 que foi tratado em outro processo administrativo fiscal tributário. Cientificado da decisão da DRJ em 12/09/2016, conforme AR de fl. 270, o contribuinte não se manifestou. É o relatório necessário. Voto Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 282 5 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Do recurso de ofício As glosas de compensação das quais resultaram a cobrança objeto do presente processo foram detalhadas no Despacho Decisório da DRF/BHE nº 264/2015, fl. 23 a 33. No Quadro Demonstrativo 3, fl. 31/32, é possível identificar com clareza os valores totais glosados em cada período de apuração. Seus termos foram cotejados pelo julgador de 1ª Instância com o conteúdo do processo 15504725895/201156, constatandose: Observase, com base no Despacho Decisório 264 DRF, de 11/2/2015 (fls. 23/33), que o processo em análise se refere a glosa de compensações, relativas às competências de 03/2010 a 10/2011, cuja extensão do crédito foi identificada pelo contribuinte com base no processo judicial nº 2009.34.00.0222470 em trâmite na 20ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Fiscal . Pela leitura do relatório fiscal de fls. 15/31 dos autos do processo nº 15504725895/201156, que trata do AI Debcad nº 51.014.1641, lavrado em 12/12/2011, verificase que foram lançadas contribuições em decorrência da glosa de compensações realizadas indevidamente pelo contribuinte relativamente à competências que coincidem com competências consideradas no Despacho Decisório 264 DRF, de 11/2/2015, quais sejam de 03/2010 a 12/2010 e de 01/2011 a 08/2011, cuja extensão do crédito também foi identificada pelo contribuinte com base no processo judicial nº 2009.34.00.0222470 em trâmite na 20ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Fiscal. Constatase, com base nos mesmos documentos, que o motivo das glosas tratadas em ambos os processos decorreu do fato do contribuinte ter utilizado créditos apurados com base em decisão judicial que ainda não havia transitado em julgado, em desatenção ao disposto no CTN, artigo 170A. As tabelas a seguir demonstram a coincidência entre a glosas. Tabela 1 – Lançamento de contribuições decorrentes da glosa de compensações efetuadas no período de 03/2010 a 08/2011 por meio do AI Debcad 51.014.1641, de 12/12/2011 (valor do crédito apurado pelo contribuinte com base em decisões não transitadas em julgado nos processos judiciais 2009.34.00.0222470 e 2010.34.00.9022699) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 283 6 Tabela 2 – Glosa de compensações efetuadas no período de 03/2010 a 08/2011 tratada no Despacho Decisório 264 DRF BHE (créditos apurados com base em decisão não transitada em julgado no processo judicial 2009.34.00.0222470, 20ª Vara do TRF da 1ª Região) Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 284 7 Tabela 3 Diferença entre o valor lançado no AI Debcad 51.014.1641 relativo a glosa de valor declarado em GFIP e o valor glosado de que trata o Despacho Decisório 264 DRF/BHE no período de 03/2010 a 08/2011 (valor lançado – valor objeto de glosa do despacho decisório 264). Com isso, o Julgador de primeira instância Administrativa evidencia que quase todas as competências coincidem exatamente entre os lançamentos e que, nos poucos períodos de apuração em que há divergência, os valores controlados no presente processo são menores, podendose presumir que já integram o valor lançado no DEBCAD 51.014.1641. O julgador foi ainda além, apontando circunstâncias que explicam os poucos valores divergentes, a saber: O AI Debcad nº 51.014.1641 se refere a glosa de compensações de créditos apurados pelo contribuinte com base em mais de um processo judicial (2009.34.00.0222470 e 201034.00.9022699), enquanto que o despacho em análise se refere apenas a valores de crédito decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado de apenas um processo o de nº 2009.34.00.0222470 Em relação às competências 12/2010 e 13/2010, a fiscalização, conforme relato fiscal referente ao AI Debcad nº 51.014.1641, lançou o valor decorrente da glosa da compensação relativa a 13/2010 juntamente com a da competência 12/2010 (o que não causou qualquer prejuízo ao contribuinte uma vez que o vencimento das contribuições devidas em 12/2010 é posterior ao vencimento das obrigações relativas à competência 13/2010). Diante do exposto, resta inequívoco que não merece reparo a decisão recorrida ao exonerar os valores cobrados para as competências 03/2010 a 08/2011, já que sua Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.720599/201538 Acórdão n.º 2201005.114 S2C2T1 Fl. 285 8 manutenção nos presentes autos importaria cobrança em duplicidade resultando em enriquecimento sem causa da União. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta dos autos, bem assim na descrição fatos e fundamentos legais que integram o presente, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004751/2010-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe a DAA do ano calendário 2008/exercício 2009 da contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe a DAA do ano calendário 2008/exercício 2009 da contribuinte. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe a DAA do ano calendário 2008/exercício 2009 da contribuinte. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 09 a 16), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 04 75 1/ 20 10 -1 3 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11610.004751/201013 Resolução nº 2002000.091 S2C0T2 Fl. 102 2 de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas e dedução indevida de despesas médicas. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$4.386,53, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 08 dos autos, cujas alegações da contribuinte, conforme decisão da DRJ, foram: Devidamente intimada das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fl. 03, alegando, em síntese, que: Em relação ao CNPJ 07.888.380/000191 informa que não houve omissão de rendimentos, pois não foi recebido rendimento algum dessa fonte pagadora. O valor referese ao recebimento de aluguel de imóvel do qual a contribuinte é proprietária e recolhe carnêleão; No que se refere ao CNPJ 00.875.471/000143, informa que o valor foi declarado juntamente com os demais valores de alugueis que a contribuinte recebe mensalmente e recolhe o valor de imposto por meio do carnêleão; Em relação à infração relativa à Dedução Indevida de Despesas Médicas informa: Concordo com essa infração. A impugnação foi apreciada na 22ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade, em 21/08/2012, no acórdão 1640.834, às efls. 29 a 35, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 29/06/2018, às efls. 43 a 97 no qual alega, em síntese que: · o imóvel em questão estava locado para pessoa física, em nome de Amaury Fernandes e Soraya Jamilah Hanna, sendo que os pagamentos foram tributados na sistemática do carnêleão; · reconhece e concorda com a glosa da despesa médica; · quanto a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, houve erro no nome da fonte pagadora; É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11610.004751/201013 Resolução nº 2002000.091 S2C0T2 Fl. 103 3 VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 04/06/2018, efls. 40, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/06/2018, às efls. 43, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 09 a 16), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas e dedução indevida de despesas médicas. Contudo, não consta nos autos a DAA do ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de formação do convencimento deste colegiado. Desta forma, converto o julgamento em diligência para que a unidade de origem anexe a DAA do ano calendário 2008/exercício 2009 da contribuinte. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904003/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não deve ser homologada a compensação cujo crédito não possua os atributos de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1401-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1314; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 675 1 674 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.904003/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.187 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria IRPJ Recorrente HARMAN DO BRASIL INDÚSTRIA ELETRÔNICA E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Não deve ser homologada a compensação cujo crédito não possua os atributos de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 40 03 /2 00 8- 41 Fl. 675DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do 1039.562 5 ª Turma da DRJ/POA, que por unanimidade de votos indeferir o pedido de perícia e de nova diligência, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: A manifestação de inconformidade foi apresentada pela contribuinte em 02/12/08 (fls. 197 e 198) 1. contra o despacho decisório da DRF Novo Hamburgo (DRF/NHO) que não homologou os PER/DCOMP conforme a tabela abaixo: O direito creditório necessário para as compensações pleiteadas pela contribuinte é de R$ 18.778,37 que representa o valor do litígio. O despacho decisório da DRF/NHO foi emitido em 23/10/08 (fl. 196) com ciência da contribuinte em 03/11/08 (fl. 318). O despacho decisório assinalou inconsistência entre o saldo negativo de R$ 18.779,35 informado no PER/DCOMP nº 18266.02627.300404.1.3.035649 (PER/DCOMP com demonstrativo do direito creditório) e o saldo negativo “zero” declarado pela mesma na DIPJ/2001 (anocalendário 2000). Por isso, não foram homologadas as duas compensações pleiteadas pela contribuinte. A contribuinte foi intimada a regularizar o problema em 31/08/06 (fl. 322) com ciência em 05/09/06 (fl. 323), mas não há no processo referência de que tenha tomado providências para sanar as irregularidades. A contribuinte alega, em síntese, erro no preenchimento da DIPJ original e que a teria retificado em 26/11/08 (fl. 218 a 317). Anexou também comprovante de arrecadação da estimativa mensal que originou o crédito fiscal (fl. 217). Solicitou a retificação do PER/DCOMP nº 13710.62511.170504.1.3.032774 por conter crédito já utilizado no PER/DCOMP nº 18266.02627.300404.1.3.035649. A contribuinte requereu o cancelamento do despacho decisório. Em 02/08/11, o processo foi baixado em diligência para que a DRF/NHO apurasse a liquidez e certeza do direito creditório da contribuinte (fl. 355 e 356). O relatório de diligência foi elaborado em 07/03/12 (fls. 571 a 574) e dado ciência à contribuinte para que se manifestasse sobre as informações nele contidas. A DRF/NHO, através do relatório de diligência fiscal, concluiu que não houve saldo negativo no ano calendário 2000, mas sim CSLL a pagar no valor de R$ 49.888,97. A diferença na apuração do saldo negativo de CSLL foi de R$ 83.313,21 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11065.904003/200841 Acórdão n.º 1401003.187 S1C4T1 Fl. 676 3 de CSLL mensal paga por estimativa. Essa diferença foi resultado da subtração do valor de R$ 174.421,84 que a contribuinte alega ter pago de estimativa na DIPJ/2001 (ano calendário 2000) (fl. 234) e do valor apurado na diligência fiscal (R$ 91.108,63) (fl. 574) com base nas declarações prestadas pela contribuinte. Em 26/04/12, a contribuinte enviou correspondência manifestandose sobre o relatório de diligência (fls. 608 a 610). Em síntese, argumenta que: 1) Os créditos declarados na compensação se referem ao período de 2000, não sendo possível a realização de perícia sobre os valores dos períodos anteriores (1997 a 1999) para a confirmação do crédito declarado, pois já homologadas tacitamente pelo fisco. 2) Como as respectivas declarações não receberam retificações, e não houve procedimentos de lançamento quanto as quantias informadas, a revisão daquelas declarações para fins de análise dos pedidos de compensação do crédito do ano calendário de 2000 é nula. 3) Não compete ao fisco afastar os créditos com base na revogação das declarações anteriores e respectiva alocação de valores, principalmente pela ausência de documentos da época para recomposição das bases. Apreciada a impugnação o Despacho Decisório foi mantido à unanimidade que rejeitou os pedidos de diligência e perícia, a pretexto de que as provas necessárias à comprovação da existência do crédito pleiteado seriam de responsabilidade da Recorrente, não dependendo de conhecimento técnico para qualquer esclarecimento e no mérito fundamentou a correção do conteúdo do dito despacho, considerando a falta de melhores elementos comprobatórios do direito pleiteado, trazidos pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário aduzindo que ao contrário da decidido, caberia à RFB a prova da inexistência das retenções do IRRF que amparariam o seu crédito, sendo o da fiscalização o ônus da prova da não retenção, através de buscas a serem realizadas em seus sistemas e no mérito apontou erro no preenchimento de sua DECOMP que não teria conseguido retificar após despacho decisório, mas que isso, não poderia inviabilizar a fruição de seu direito. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Em sede de voluntário a recorrente insiste no ponto de que restaria decaído do direito da fiscalização rever direito creditório com origem no ano calendário de 2000, quando o pedido de compensação fora formulado em período superior em mais de cinco anos a constituição do crédito, ainda que para aferir a sua legalidade e certeza, tendo por objetivo a Fl. 677DF CARF MF 4 homologação de PER/DCOMP transmitido em abril e maio de 2004, com despacho decisório em novembro de 2008. Conforme, considerado pela decisão recorrida: O relatório da diligência (fls. 571 a 574), efetuado para apurar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pela contribuinte, com base em suas declarações ao fisco, permite concluir que no ano calendário 2000 foi apurada uma CSLL a pagar no valor de R$ 49.888,97, inexistindo o direito creditório pleiteado. A contribuinte não contesta os valores apurados pela fiscalização, mas argumenta que não caberia esta apuração sobre valores de períodos anteriores (1997 a 1999) para a confirmação do crédito declarado, pois já estariam homologados tacitamente pelo fisco. A liquidez e certeza de direito creditório é condição fundamental para a homologação de compensação de indébitos tributários. A Lei nº 5.172/66 (CTN) determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Grifei.) Assim, não assiste razão à contribuinte a sua alegação de impossibilidade da administração proceder a análise dos anos calendário anteriores a 2000, sob o argumento de que estariam alcançados pelo instituto da decadência, já que desta análise depende a confirmação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado do anocalendário de 2000. A autoridade fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e a certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, tendo o poder e o direito de não homologar as compensações pleiteadas ou homologálas parcialmente quando constatada a inexistência ou a insuficiência do crédito. Registrese que o exame de livros e documentos não é afetado, na sua retroação temporal, ao quinquênio decadencial. O fisco não está impedido de examinar livros e documentos para verificar a regularidade (legitimidade) de créditos (saldos negativos de CSLL) que decorram de período de apuração do tributo atingido pela decadência. Assim está no art. 195 do CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação Tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Acrescentemse as disposições do art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11065.904003/200841 Acórdão n.º 1401003.187 S1C4T1 Fl. 677 5 A autoridade fiscal tão somente procedeu à verificação da origem do saldo negativo declarado de CSLL do ano calendário de 2000, com vistas a certificar a efetiva existência do direito reclamado, para o que não existe limite temporal previsto na legislação. Entendo assistir razão ao Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Dessa forma, concluiuse que o fisco pode retroagir na análise documental de períodos que excedem aos cinco anos da ocorrência do fato gerador do tributo, para conferir direitos reivindicados pelo sujeito passivo. Cabe a autoridade fiscal a análise da “certeza e liquidez” dos saldos negativos de CSLL relativos a períodos anteriores para se apurar o efetivo direito creditório da contribuinte e, se for o caso, ajustálos, corrigindo os valores informados anteriormente em suas DIPJs. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado, não havendo êxito da contribuinte em demonstrar o contrario em grau de recurso. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 679DF CARF MF
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Numero do processo: 13873.720295/2016-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 02 95 /2 01 6- 82 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720295/201682 Acórdão n.º 1201002.785 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 22.167,85, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de dezembro de 2014. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 17 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.571, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720295/201682 Acórdão n.º 1201002.785 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720295/201682 Acórdão n.º 1201002.785 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720295/201682 Acórdão n.º 1201002.785 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720289/2017-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
IRRF - PAGAMENTO SEM CAUSA.
Estão sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia quando a sua realização se revele prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL.
As provas documentais devem ser juntadas pelo Recorrente com a Impugnação, e não solicitada a dilação probatória no Recurso Voluntário.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCO.
Haja vista tratar-se de matéria sumulada, ex vi da Súmula CARF nº 02, inexiste competência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, alegações lastreadas nos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco etc, devem ser inadmitidas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE ADMINISTRADOR. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
Mantém-se a corresponsabilidade tributária a administrador cujo recurso voluntário, apresentado em conjunto com a empresa, não impugnou especificamente a sujeição passiva identificada no auto de infração.
Numero da decisão: 1201-002.884
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, mantendo a tributação e a responsabilização do Sr. Rodger Luis Salvatierra. b) por voto de qualidade, manter a qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por afastar a qualificação da multa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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MARKETING COMUNICAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2013, 2014, 2015 IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA. Estão sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013, 2014, 2015 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização se revele prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. As provas documentais devem ser juntadas pelo Recorrente com a Impugnação, e não solicitada a dilação probatória no Recurso Voluntário. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCO. Haja vista tratarse de matéria sumulada, ex vi da Súmula CARF nº 02, inexiste competência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, alegações lastreadas nos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco etc, devem ser inadmitidas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE ADMINISTRADOR. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 89 /2 01 7- 77 Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 3 2 Mantémse a corresponsabilidade tributária a administrador cujo recurso voluntário, apresentado em conjunto com a empresa, não impugnou especificamente a sujeição passiva identificada no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, mantendo a tributação e a responsabilização do Sr. Rodger Luis Salvatierra. b) por voto de qualidade, manter a qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por afastar a qualificação da multa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de autuação fiscal de IRRF por pagamentos sem causa com fatos geradores nos anos de 2013, 2014 e 2015, aplicada com multa qualificada de 150% totalizando R$ 22.549.007,54. Termo de Verificação Fiscal A ação fiscal derivou das investigações levadas a curso na chamada operação lavajato. Informa o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a ora recorrente integrou um núcleo dentro do esquema responsável por fornecer documentos ideologicamente falsos para justificar economicamente os pagamentos efetuados. Segundo o TVF: Os depoimentos colhidos pelas pessoas ligadas ao esquema mostraram que os serviços contratados não foram prestados, até Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 4 3 porque as empresas de fachada não possuíam capacidade operacional para tanto. Pelas informações prestadas por delatores participantes do núcleo dos empreiteiros e dos operadores, não havia pagamentos da Petrobrás sem que a propina não estivesse acertada e fosse recebida. Para as obras andarem nas diretorias de serviços, engenharia e internacional necessariamente teria que haver a propina negociada. Além disso, o núcleo realizou inúmeros saques, transportes e depósitos de grandes valores em espécie, com justificativas falsas, assim como serviuse de contratos de importação fraudulentos, de empréstimos e de investimentos no exterior fictícios para efetuar remessas de valores para o exterior. Por depoimentos colhidos, cita o TVF o Termo de Declarações nº 5 de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, o qual informa ter a IS Marketing, ora denominada IZ! Marketing Comunicação Ltda, gerado caixa 2 para a Setec Tecnologia SA por meio de emissão de notas fiscais sem a respectiva prestação de serviços. A ilustração a seguir demonstra como circulavam os recursos: A ora recorrente se situava na ilustração entre as "falsas prestadoras de serviços" que, depois, repassariam os recursos a políticos e agentes públicos. A recorrente, por sua vez, informara que desenvolvia campanhas motivacionais e era contratada por empresas que buscavam melhorar a produtividade de seus empregados em qualquer ramo de negócio. A receita da ora recorrente derivaria de um percentual a ser distribuído a título de premiação. Quanto à tributação, a recorrente era optante do Lucro Presumido, tendo sido utilizado no decorrer da fiscalização as DIPJ dos anos de 2012 a 2013 e a ECF (escrituração contábilfiscal) para os ano de 2014 a 2015. Informa o TVF que a então fiscalizada não escriturava toda a movimentação financeira, mas apenas suas "receitas", as quais seriam suas comissões pelo que chama a fiscalização "serviço de intermediação financeira". Entre os seus clientes, figuravam empresas do consórcio INTERPAR, tais como a Setec engenharia, Construções e Perfurações Ltda. Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 5 4 No que tange à saída de recursos, a fiscalização listou todos os pagamentos e respectivos beneficiários, conforme exame da contabilidade e respostas a intimações, e intimou a recorrente a comprovar a operação ou sua causa, sob pena de autuação por IRRF na modalidade pagamento sem causa. A recorrente IZ! Marketing informara à fiscalização que transferia valores aos beneficiários por conta e ordem dos contratantes: Entre as justificativas para os pagamentos identificados a partir da movimentação financeira, apontou a fiscalização duas espécies: uma, Mútuo, sendo a mutuante a IZ! Marketing, e Fornecedor Pagamento. Quanto aos beneficiários dos recursos, a fiscalização identificou que, via de regra, tais empresas não apresentavam declarações à Receita Federal do Brasil ou, quando fizeram, foram em valores desprezíveis, tendo por sócios pessoas com características de serem interpostas e inexistentes em seus endereços cadastrais. Estes beneficiários eram, na maioria dos casos, empresas que exerceriam comércio exterior (importação/exportação), transporte internacional e turismo, tendo sido diversas delas baixadas de ofício. Não foram encontradas em seus endereços cadastrais pela fiscalização as seguintes empresas beneficiárias dos pagamentos realizados pela recorrente IZ! Mkt: China Transportes e Logística Ltda, Trans Over Transportes Internacionais Ltda, Lim Cargo Logistics do Brasil, Via Mar Transportes Internacionais, Vitality Comercio exterior Ltda, Lima & Theodoro, RI Soares Armazenamento. Assim, seja por não ter atendido a recorrente às intimações para comprovar a causa de tais operações, seja pelas características dos beneficiários dos valores constatadas nas diligências, concluiu a fiscalização que não houve prestação de serviços ou venda de mercadorias que justificassem os pagamentos efetuados. Quanto ao quadro societário da recorrente IZ! Mkt, constatou ainda a fiscalização que o contador Edson Stefano, em arranjo com Rodger Salvatierra, incluiu a própria mãe como sócia interposta, tendo restado, portanto, caracterizada a interposição fraudulenta. A acusação fiscal é assim concluída no TVF: Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 6 5 A IZ! Marketing, durante o procedimento fiscal objetivou o embaraço à fiscalização através de reiteradas omissões em prestar as informações solicitadas pela fiscalização. A IZ! Marketing prestou informações inverídicas sobre a motivação dos pagamentos para os quais fora intimada a comprovar, uma vez que não dispunha de fluxo de caixa suficiente para bancar os pagamentos, adiantamento e empréstimos alegados. Na verdade, a IZ! Marketing transferiu a empresas de fachada, utilizadas para lavagem de capitais, valores vultosos e prestou a fiscalização informações falsas, as quais não pode comprovar, para acobertar sua atividade ilícita, que acontece em paralelo à atividade lícita. Nesta linha, concluise que os pagamentos realizados pela IZ! Marketing, sob a alegação pagamentos ao fornecedor, para os quais a empresa não apresentou nenhuma comprovação sujeitamse ao IRRF, visto que são considerados pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Foi arrolado como administrador e responsável tributário, conforme indicação do artigo 135, III, do CTN, o Sr. Rodger L. Salvatierra, CPF nº 100.110.67845. Decisão de primeira instância Contra a autuação fiscal a ora recorrente, bem como o responsável tributário o Sr. Rodger Luís Salvatierra apresentaram Impugnação em peça única, as quais foram julgadas improcedentes por decisão unânime da DRJ/SPO. A seguir reproduzo a ementa do acórdão de primeira instância: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2013, 2014, 2015 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013, 2014, 2015 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 7 6 Não havendo cerceamento ao direito de defesa e sendo o lançamento procedido por autoridade competente, atendendo aos requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2013, 2014, 2015 DECIZ!ÕES ADMINIZ!TRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam súmulas vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECIZ!ÕES JUDICIAIZ!. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. Contra tal decisão, insurgiuse a recorrente, cujos termos de seu Recurso Voluntário, em síntese, são os seguintes: 1. Que não criou embaraço à fiscalização, tendo em algumas situações tido dificuldade em compreender o que de fato se estava a solicitar; 2. Que se trata de empresa séria e idônea atuante no setor de campanhas de incentivo, treinamento de pessoal, etc; 3. Que foi maliciosamente contratada tendo sido induzida a erro por prepostos da Setec; 4. Que foi procurada pela Setec que desejava um sistema de premiação de empregados de empresas integrantes de seu grupo econômico; 5. Que o negócio firmado entre as partes consistia justamente na prestação de serviços, pela recorrente, de treinamento profissional e técnicas de comunicação e eficiência gerencial, cujo treinamento, a partir de um programa disponibilizado eletronicamente, seria ministrado a empregados da contratante e demais empresas integrantes do grupo econômico. Os interessados acessariam o programa, com login e senha próprias, e percorreriam os vários módulos de treinamento, cada qual abrangendo áreas específicas de sua atuação. Aqueles que cumprissem o maior número de módulos, com resultados satisfatórios, receberiam uma premiação, a partir do próprio site. 6. Contudo, foi surpreendida a recorrente com a rescisão do contrato e a solicitação que os valores excedentes recebidos fossem transferidos para outras pessoas a serem indicadas pela contratante. 7. Que tal procedimento, por parte da contratante, foi repetido em 2012, isto é, após rescindir o contrato solicitou a recorrente que fosse feita a transferência dos valores pagos excedentes para outras pessoas a serem indicadas. Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Que o Termo de Verificação Fiscal se vale de uma generalização indevida contra a recorrente; 9. Que não foram observados o contraditório e a ampla defesa, devendo, portanto, ser anulada a autuação fiscal; 10. Que é normal devolver valores a clientes, dado que as campanhas apresentam normalmente resíduos de premiação; 11. Que disponibilizou todas as informações possíveis à fiscalização no sentido de provar a causa dos pagamentos, mas não contou com a boa vontade da autoridade autuante posto esta ter feito um juízo preconcebido contra a lisura das atividades da recorrente; 12. Que a sua receita correspondia a um determinado percentual do valor total a ser distribuído a título de premiação; 13. A sistemática funcionava da seguinte forma: o cliente depositava em sua na conta bancária um determinado valor o qual, deduzido o preço do serviço prestado pela empresa recorrente, era posteriormente destinado a colaboradores e premiados, mediante carregamento em cartões eletrônicos, sendo que os pontos/créditos poderiam ser trocados por mercadorias e/ou serviços no Portal de Premiação; 14. Que sua atividade era lícita porque emitia nota fiscal no valor global recebido de seus clientes, do qual era deduzida uma parte a título de receita e distribuído o restante a título de prêmios; 15. Que houve erro material por parte da fiscalização no tratamento dos pagamentos efetuados à empresa Ação Telecom Representações Ltda, dado tratarse de devolução a cliente; igualmente, haveria equívocos nos destinatários dos recursos de certos pagamentos conforme o listado pela fiscalização em sua planilha de apuração; 16. Que os pagamentos efetuados ao fornecedor Diego da Silva Lopes, pessoa física titular de EIRELI, diziam respeito a honorários de construção civil; 17. Que a multa de 150% deve ser reduzida porque a recorrente colaborou com a fiscalização; e 18. Requer a realização de prova pericial. Contrarrazões da PGFN Às fls. 2603, apresentou a d. PGFN suas contrarrazões, alegando, em síntese, que: 1. A recorrente atuava como empresa noteira dentro do esquema de pagamento de vantagens indevidas originadas da Petrobras e apuradas pela operação lava jato; Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 9 8 2. As empresas noteiras, por vezes, eram inexistentes de fato, mas havia casos em que as sociedades tinham alguma substância econômica. 3. O papel da IZ! Mkt era o de empresa noteira, o que se pode constatar pelo depoimento tomado por Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, referenciado no Termo de Verificação Fiscal; 4. Que a movimentação financeira da IZ! Mkt possuía uma série de pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, o que não se coadunava com as alegações da recorrente de sua atividade consistir em premiar pessoas físicas; 5. Que durante a fiscalização, a ora recorrente, após reiteradas intimações para comprovar a causa de pagamentos a 94 beneficiários cujas transferências bancárias mereciam ser esclarecidas, justificouas como pagamentos a fornecedores e mútuo, sem contudo, trazer qualquer documento comprobatório das classificações atribuídas; 6. A recorrente esquivouse reiteradamente de apresentar documentos comprobatórios da causa de pagamentos (contratos de mútuo, notas fiscais de serviços, etc.) ao longo do procedimento fiscal; 7. Que a movimentação financeira, os registros contábeis, e os esclarecimentos não feitos pela recorrente no curso da fiscalização corroboram os depoimentos de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto prestados na esfera criminal, no sentido de ter funcionado a recorrente como empresa noteira nos esquemas na Petrobras apurados no curso da operação lava jato. 8. Que as alegações de que as saídas se destinaram a pagamentos de fornecedores, devoluções de excesso de campanhas de incentivo ou à premiação de pessoas jurídicas estão desacompanhadas de documentação que as corrobore. 9. Que as ações praticadas pela recorrente foram de natureza dolosa, porquanto realizadas de forma intencional, planejada e reiterada, envolvendo valores vultosos, plasmadas pela falsidade ideológica da documentação, fato que importa a qualificação da penalidade. Por fim, pede a d. representante da PGFN que seja negado provimento ao recurso voluntário É o relatório. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator Admissibilidade Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 10 9 Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. Pela ordem, será conhecido do Recurso Voluntário da IZ! Marketing. Preliminar de nulidade Alega a recorrente que a autuação seria nula, por não ter sido observada, durante a fiscalização, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Que teria havido "um distanciamento entre a equipe fiscal e o contribuinte não recomendável, pois muitas informações e explicações somente podem ser compreendidas, na dimensão que o contraditório e a ampla defesa exigem, quando transmitidas verbalmente e demonstradas simultaneamente." Não assiste razão à recorrente, pois a sua defesa, que ocorre ao final da fase inquisitória, foi regularmente exercida, tendo logrado argumentar contra todas as acusações contra ela dirigidas. Assim, devese examinar o mérito da questão, a fim de se confirmar ou não as conclusões tiradas pela fiscalização e circunstanciadas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) em face do acarbouço probatório que constam dos autos. Assim, rejeito a preliminar de nulidade da autuação fiscal. Mérito Trata a autuação fiscal de IRRF por pagamentos sem causa. Alega a recorrente, em síntese, ter sido ludibriada por clientes seus, os quais rescindiram contratos e solicitaram que os excedentes já pagos fossem transferidos para contas bancárias de outras pessoas jurídicas. Estas transferências, em tese feitas por conta e ordem destes clientes específicos, foram reputadas pagamentos sem causa pela fiscalização. Esclarecendo ainda: segundo a recorrente, a sua atividade consistia em prestar serviços na forma de campanhas motivacionais para empregados de empresas. Os empregados acessavam o portal da recorrente via internet e, conforme seus desempenhos, eram premiados em espécie ou na forma de cartões com crédito, prêmios estes custeados com o recursos recebidos das empresas suas clientes. A recorrente faturava emitindo nota fiscal sobre o valor global recebido, mas reconhecia como receita apenas a parte que lhe cabia como comissão. Os demais recursos eram utilizados para carregar os cartões de premiação de empregados ou para pagamentos em dinheiro. Ao final da campanha, os excedentes não distribuídos na campanha eram devolvidos às empresas clientes. Feitos estes esclarecimentos preliminares, passo a questão principal. A questão suscitada pela recorrente, de ter sido ludibriada, é de conteúdo fático e, como tal, requer um juízo sobre as provas que constam dos autos. A este respeito, Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 11 10 convém citar o disposto no art. 29 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), Decreto 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...). Pois bem. Os elementos que constam dos autos convergem fortemente no sentido de que a recorrente voluntariamente participou do esquema que visava dificultar a percepção, pelas autoridades, dos pagamentos de vantagens indevidas oriundas da Petrobras, conforme apurado no curso da operação lava jato. Em primeiro lugar, deve ser dada por absolutamente inverossímil a alegação da recorrente de ter sido enganada pela sua cliente Setec quando esta solicitou a devolução dos pagamentos excedentes na forma de depósitos em contas de terceiros. Ora, reembolso de quantias já pagas tem como praxe, em qualquer lugar, o depósito bancário em nome do titular original e não em conta de terceiros. Isto porque a forma por excelência de se comprovar a devolução de recursos a alguém é por meio de comprovante de depósito do valor na conta bancária do verdadeiro titular. Além disso, ninguém, ao menos nos dias de hoje, dispõese a depositar valores em contas de quem quer que seja sem ter, com o destinatário, um vínculo de alguma espécie comercial ou pessoal. No caso da recorrente, os valores eram ainda vultosos, sobretudo quando comparados às suas receitas e seus resultados, o que reforçaria a natural preocupação de uma empresa idônea em querer comprovar inequivocamente o reembolso de tais valores a seus reais titulares. Somase a isto ainda o fato de o padrão da movimentação financeira da recorrente não guardar relação com suas alegações, de ter, como atividade, premiar pessoas físicas, dado a maior parte destes pagamentos serem, de fato, destinados a pessoas jurídicas. Contra tais constatações, nenhuma justificativa foi apresentada pela recorrente. E quanto à comprovação da causa dos pagamentos efetuados, a recorrente reiteradamente esquivouse em apresentar, no curso da fiscalização, documentos que sustentassem suas alegações de se tratarem de mútuos ou pagamentos a fornecedores, não o fazendo, inclusive, na fase processual. Não bastassem esses elementos identificados no curso da fiscalização, o depoimento prestado na instância criminal por Augusto Ribeiro de Mendonça Neto no julgamento das acusações geradas pela operação lava jato, conforme TVF, confirma que a recorrente, IZ! Mkt, gerava caixa dois para a Setec através da emissão de notas fiscais sem a respectiva prestação de serviços. Ou seja, o depoimento de Augusto Ribeiro de Mendonça confirma a série de indícios coligidos pela fiscalização no sentido de que a recorrente de fato atuou fornecendo notas fiscais de favor à Setec. Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 12 11 Como se não bastassem essas irregularidades, a fiscalização também constatou ter a recorrente ocultado seu real quadro societário por meio da nomeação de interpostas pessoas para figurar como sócios, o que resultou na nomeação de Rodger Salvatierra como responsável tributário por administrar, de fato, a IZ! Mkt. Assim, corretamente aplicou a fiscalização a tributação de IRRF na modalidade pagamento sem causa, cujo dispositivo está previsto no art. 61, caput e §1º, da Lei 8.981/95, cuja redação é a seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, (...). Quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, esta também foi corretamente aplicada visto ter restado caracterizado, por parte da recorrente, o intuito doloso em suas operações de forma a dificultar o reconhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária por parte da autoridade fiscal. Assim, julgo correta, em caráter geral, a autuação por IRRF na modalidade pagamento sem causa com a respectiva qualificação da multa de ofício. Por consequência, julgo desnecessário o pedido de perícia formulado pela recorrente. Dos pagamentos efetuados a Ação Telecom representações Ltda e a outras empresas Em caráter específico, alega a recorrente ter havido erro material por parte da fiscalização no tratamento dos pagamentos efetuados à Ação Telecom Representações Ltda, dado tratarse de devolução a cliente. Igualmente, haveria equívocos nos destinatários dos recursos de certos pagamentos conforme o listado pela fiscalização em sua planilha de apuração. Exemplifica os equívocos nos seguintes pagamentos: · Convida Refeições (05/05/2015, no valor de R$ 455.180,75), · Styll Optical (29/06/2015, no valor de R$ 206.547,15), · 3OHI Com. (01/06/2015, no valor de R$ 128.588,73), · Brasterápica Ind. (03/06/2015, no valor de R$ 57.727,10), · Ramalho Prods. Técn. (18/06/2015, no valor de R$ 61.274,06), · Socrel Serv. Elet. (11/09/2015, no valor de R$ 220.112,38), Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 13 12 · Ação Telecom (20/04/2015, no valor de R$ 73.358,35). Também alega equívocos no primeiro lançamento da planilha de base da autuação, de data de 17/06/2015, cujo destinatário em tese do valor de R$ 19.820,36 teria sido a empresa Inside Produções. O extrato da conta da recorrente no Banco Safra (período de 09 a 18/06/2015) informaria, resumidamente (parte final da 3a. folha do extrato), que, no dia 17, saíram de referida conta, a título de pagamento doc e ted, os seguintes valores: R$ 127.125,06, R$ 19.820,36, R$ 2.619, 91, R$ 1.000,00 e R$ 10.000,00. Na sequência, haveria o relatório analítico, fornecido pela instituição financeira, individualizando as saídas, cujo total corresponderia a R$ 160.565,33, justamente o somatório daqueles lançamentos acima especificados, sendo que nenhum deles diz respeito à empresa Inside Produções. O mesmo raciocínio se aplicaria a cada uma das linhas adotadas para demonstrar de forma exemplificativa. Ou seja, a recorrente adotou o lançamento do dia 20/05/2015 a fim de demonstrar, documentalmente, que tal premissa é equivocada. Entendo que tais questões foram integralmente respondidas no acórdão de primeira instância, não havendo apelo específico no Recurso Voluntário contra nenhum dos fundamentos da decisão recorrida. Basicamente, temse que parte destes valores sequer integram a autuação fiscal de IRRF, sendo a outra parte dada por causa não comprovada por falta de apresentação de documentação. Assim, adoto as razões de decidir da DRJ quanto a este ponto: 133. Da análise da autuação, especificamente nas fls. 2287 e 2288, verificase que nenhum desses valores integraram finalmente a presente autuação. 134. Portanto, em relação a todos os valores mencionados na defesa, temse que: • para o valor de R$ 127.125,06 em 17/06/2015, a contribuinte não comprovou a causa do pagamento; e • para os demais valores (R$ 19.820,396, R$ 2.619,91, R$ 1.000,00 e R$ 10.000,00, em 17/06/2015; R$ 51.976,66, em 20/05/2015; R$ 455.180,75 em 05/05/2015; R$ 206.547,15 em 29/06/2015; R$ 128.588,73 em 01/06/2015; R$ 57.727,10 em 03/06/2015; R$ 61.274,06 em 18/06/2015; R$ 220.112,38 em 11/06/2015; e R$ 73.358,35 em 20/04/2015), esses sequer integraram o auto de infração. 135. Dispôs ainda, a impugnante, que “o Anexo ao Termo de Verificação, intitulado Pagamentos não comprovados sobre os quais lançouse o IRRF, contém várias linhas que indicam como destinatária a empresa AÇÃO TELECOM REPRESENTAÇÕES LTDA. Todavia, conforme dito acima, aquelas saídas para referida empresa, constantes do Anexo, não procedem, tratando se de evidente equívoco (ERRO MATERIAL) cometido pela fiscalização, sem mencionar a situação, adiante tratada, de devolução ao cliente de resíduo do montante inicialmente destinado à premiação, o qual – valor residual – foi revertido, porque não implementadas as condições para a premiação”; Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 14 13 136. A contribuinte não comprova o alegado de que os valores que apontavam como beneficiária a empresa AÇÃO TELECOM REPRESENTAÇÕES LTDA teriam sido lançados equivocadamente pela fiscalização, muito menos que seriam referentes a devoluções “ao cliente de resíduo do montante inicialmente destinado à premiação, o qual – valor residual – foi revertido, porque não implementadas as condições para a premiação”. 137. Observase que no exemplo anterior acima dado pela impugnante, referente à TELECOM, sequer o valor de R$ 73.358,35, em 20/04/2015, constou da autuação. No mais, sua alegação foi genérica sem qualquer especificação de outros valores e nem qualquer comprovação da alegada devolução ao “cliente”, entretanto não acostou qualquer documento que comprove a real razão da transferência, o que corresponde a pagamento sem causa efetivamente explicada e comprovada. 138. Os impugnantes insistem que as “saídas de contas da impugnante com destino a contas de pessoas jurídicas” decorreriam de “um segundo aspecto relacionado”, que seriam as “sobras de campanhas”, que descreve como sendo que “participantes de campanhas de clientes da impugnante não atingem as metas estabelecidas, impondo à impugnante, à evidência, a devolução do excedente”. 139. Mais uma vez, os impugnantes não especificam valores de débitos e nem apresentam comprovantes especificamente para os mesmos que demonstrassem a razão das transferências. 140. Nesse sentido, não anexaram documentos hábeis, como por exemplo (se idôneos), contratos, comprovantes despesas com pessoal, despesa com material, entre outros, que atestassem a efetiva prestação de serviço e nem as alegadas devoluções de numerários. Simples alegações não comprovam razão/motivação de transferências/pagamentos. Assim, devem ser rejeitadas as alegações constantes deste item. Dos pagamentos feitos ao fornecedor Diego da Silva Lopes Alega a recorrente que os pagamentos feitos ao fornecedor Diego Ribeiro da Silva Lopes (pagamentos ocorridos em 30/06/2014, 08/07/2014, 17/07/2014, 23/07/2014 e demais, conforme planilha base do Auto de Infração intitulada lançamentos para IRRF, fls.1148 ) dizem respeito a serviços de construção civil, sendo a maior parte para pagar seus honorários e o restante para custear os insumos necessários à obra. Que requereu a produção de prova documental à DRJ, que as indeferiu. Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 15 14 Não assiste razão à recorrente, pois a prova documental deve ser juntada com a impugnação, e não solicitada a sua produção, nos termos de como requereu. Dispõe o §4º do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/72): Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Admitese, quando justificável, a juntada em momento posterior, entendimento este por vezes aplicado em alguns dos julgados do CARF. Contudo, a Recorrente não juntou os tais documentos que justificariam a causa destes pagamentos nem na Impugnação, nem no Recurso Voluntário. Também não há no processo nenhum despacho negando qualquer pedido de juntada extemporânea de documentos. Assim, não tendo sido juntado os tais documentos que comprovariam, conforme as alegações da recorrente, a causa destes pagamentos, deve ser rejeitado igualmente este ponto do Recurso Voluntário. Alegações de confisco As alegações de confisco devem ser rejeitadas, posto não ser o CARF competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 16 15 Assim, tendo restado comprovados os fatos narrados no Termo de Verificação, conforme provas carreadas aos autos, bem como verificada a correta aplicação da lei tributária, cessa a competência da instância administrativa para examinar outras questões afetas a constitucionalidade da legislação aplicada. Pedido de redução da multa qualificada Deve ser rejeitado o pedido de redução da multa qualificada pela alegação de ter a recorrente devidamente atendido as intimações dadas pela fiscalização. Isto porque o fundamento da multa qualificada é o dolo, que restou devidamente caracterizado, conforme já exposto neste voto. O não atendimento a intimações para prestar esclarecimentos eventualmente conduz ao agravamento da multa (aumento em 50%), o que não foi aplicado na autuação fiscal em análise. Portanto, tratase de alegação que não guarda pertinência com o tipo de multa aplicada nesta autuação fiscal. Recurso Voluntário do Responsável Tributário Deve ser mantida a responsabilidade tributária do Sr. Rodger Luis Salvatierra cujo Recurso Voluntário apresentado em conjunto com a empresa autuada não impugnou especificamente a atribuição de sua corresponsabilidade tributária. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários para, no mérito, negarlhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 15586.720289/201777 Acórdão n.º 1201002.884 S1C2T1 Fl. 17 16 Fl. 2654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13882.001559/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar a efetiva realização das despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-001.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar a efetiva realização das despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Fl. 35DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, médico, na qual foi feita glosa de despesas médicas no valor de R$ 37.000,00, por falta de comprovação ou de previsão legal para a dedução. Segundo relato da Fiscalização (fls. 6), o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento e a efetiva utilização dos serviços profissionais declarados, uma vez que os recibos médicos apresentados, da forma como foram emitidos e sem as provas dos efetivos pagamentos e prestação dos serviços, careciam de idoneidade e caracterizavam indícios de irregularidades. Ainda de acordo com o relato da Fiscalização, em resposta à intimação, o contribuinte não logrou comprovar de forma inequívoca os pagamentos efetuados, apresentando apenas declarações e laudos dos profissionais relacionados para atestar a prestação de serviços e pagamentos em espécie. Em decorrência dessas constatações, foram glosadas as despesas a seguir relacionadas: a) Margareth C. Aguiar: R$ 6.000,00 b) Lilian Rose Ribeiro: R$ 7.000,00 c) Christiane T. Marton: R$ 6.000,00 d) Paulo Roberto C. Coelho: R$10.000,00 e) Ana Luiza A Prudente: R$ 6.000,00 Em 12.12.2008, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 4), e, pedindo a nulidade do “Auto de Infração”, alega, em síntese, que (a) não houve questionamento quanto à efetividade da prestação dos serviços; (b) o procedimento decorre, apenas, da pretensa falta de comprovação do "efetivo pagamento aos profissionais"; (c) inexiste obrigatoriedade legal de as pessoas efetuarem pagamentos apenas por meio de cheque, cartão de crédito, transferência bancária etc.; (d) nos termos do artigo 80, parágrafo 1°, inciso III, do RIR/99, o recibo de prestação de serviços é documento hábil a comprovar a efetividade das despesas médicas, desde que dele constem nome, endereço e número de inscrição no CPF; (e) a autoridade fiscal não pode desconsiderar recibos que preencham os requisitos da Lei, pelo simples fato de o contribuinte não ter apresentado comprovante do pagamento do valor objeto do recibo, posto que realizado em moeda corrente; (f) a comprovação da despesa médica através de recibo não é suficiente para afastar sua dedutibilidade; e (g) a comprovação de despesa médica através de recibo com falta de requisito formal, suprido na fase impugnatória, como é o caso da Dra. Lizzie Helena, impõe o restabelecimento da dedução. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13882.001559/200886 Acórdão n.º 2101001.805 S2C1T1 Fl. 2 3 A 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1738.825 de 8 de março de 2010, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Regra geral, as deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante documentos que devem ser revestidos dos requisitos legais e discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados. Mantidas demais despesas médicas, visto que o direito à suas deduções condicionase a comprovação dos correspondentes pagamentos e dos serviços prestados, a juízo da autoridade fiscal. Inteligência do artigo 11, §3°, do Decretolei n.° 5.844/43 e artigo 73 do RIR/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 27 a 30, no qual, citando e transcrevendo ementas de julgados no âmbito administrativo, alega que o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, e, no caso de pagamentos em espécie, é um absurdo ter que comprovar os saques, coincidentes em datas e valores, com os extratos bancários, pois isto significa dizer que ninguém pode reter e acumular dinheiro em seu poder e com ele efetuar pagamento válido. No tocante ao pagamento efetuado a Lizzie Helena Ribeiro de Souza, entende que o fato de se ter reconhecido a assinatura posteriormente à elaboração do documento não é, por si só, motivo para rejeitálo. Por fim, salienta que, em momento algum, foi apontado qualquer vício nos respectivos recibos. Por fim, ao contrário do que pensa o relator, o ônus da prova compete a quem acusa, e, se alguma objeção ou suspeita existisse quanto à prestação do serviço profissional e qualquer vício no tocante aos recibos, caberia ao Fisco apontálo de forma clara e objetiva. Pede que seu recurso seja acolhido e, no mérito, julgado procedente. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Fl. 37DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autorizaa a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 38DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13882.001559/200886 Acórdão n.º 2101001.805 S2C1T1 Fl. 3 5 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] (g. n.) Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que a comprovação de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, deve ser apta a demonstrar tanto a prestação do serviço propriamente dita, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, quanto o seu efetivo pagamento, feito ao profissional, pelo contribuinte, em valor correspondente à referida prestação, tudo de forma especificada. Na presente hipótese, o contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, foi instado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas, tal como informado pelo agente da Fiscalização, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante da Notificação de Lançamento (fls. 6). Todavia, não forneceu a comprovação solicitada. Verificase, do exame dos autos, que o contribuinte sequer anexou os recibos correspondentes às despesas médicas declaradas. O único documento relacionado às despesas médicas declaradas anexado aos autos é uma declaração de Lizzie Helena Ribeiro de Souza, às fls. 10. Constatase, ainda, que, além de não haver qualquer comprovação dos alegados “pagamentos em espécie”, ou a prestação dos serviços não foi comprovada por qualquer documento ou, no caso da despesa declarada com Lizzie Helena Ribeiro de Souza, o documento acostado não cumpre nem mesmo os requisitos mínimos estipulados na Lei n.º 9.250, de 1995. Não é possível, nessas circunstâncias, restabelecerse qualquer dedução a título de despesas médicas. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Não há, portanto, reparos a fazer na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 40DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.903652/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.094
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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RELATÓRIO Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP, de crédito de contribuições que teria sido recolhido a maior, com débito(s) da própria interessada. A unidade de jurisdição não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, na qual alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 03 65 2/ 20 09 -1 1 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10735.903652/200911 Resolução nº 3302001.094 S3C3T2 Fl. 3 2 Na base de cálculo do valor originalmente apurado estavam incluídos os valores relativos às comissões das vendas diretas realizadas pela Volkswagen do Brasil; Nas vendas diretas feitas pela Volkswagen do Brasil diretamente ao comprador, o Concessionário, no caso a TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S.A., recebe uma comissão por ser intermediário na operação de venda; Tratase de uma "prestação de serviços", na qual é exigida a emissão de Nota Fiscal de Serviços. Tal receita é contabilizada como "receita operacional por venda de serviços". Nesta condição, como a comissão é inferior a 9% (nove por cento), para efeito de PIS e COFINS, a tributação se dá pela alíquota zero; A fundamentação legal é a Lei n° 10.485 de 03.07.2002 (D.O.U.: 04.07.2002); Constatada a diferença na determinação da base de cálculo, foi apresentada DACON retificadora. Cabe ressaltar que não foi possível fazer a retificação da DCTF, porque o programa acusava erro quando era informado um valor diferente de débito para um pagamento a maior. Face ao exposto, a Impugnante apresenta seu pedido para que essa Delegacia de Julgamento reconheça seu direito ao crédito e declare homologada a compensação declarada. A 17ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual reproduz os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e solicita a possibilidade de juntada de novos documentos no prazo de 60 dias. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. Posteriormente, dentro do prazo requerido, apresentou os documentos: que solicita sejam analisados. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10735.903652/200911 Resolução nº 3302001.094 S3C3T2 Fl. 4 3 É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.089, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903534/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.089): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido do(a) Cofins em ago/05, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório, apenas solicitou o prazo de 60 dias para apresentar os documentos. Dentro dos 60 dias solicitados no recurso voluntário, o recorrente apresentou petição requisitando a análise dos seguintes documentos: termo de abertura e encerramento do livro 00007, folhas 32/134 do balancete analítico do período 09/2005e o comprovante de recolhimento no valor de R$ 9.278,00. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10735.903652/200911 Resolução nº 3302001.094 S3C3T2 Fl. 5 4 todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Acontece que nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, o recorrente apresentou documentos que comprovassem as questões de direito por ele alagadas que embasariam seu indébito tributário. Posteriormente, conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Ocorre que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10735.903652/200911 Resolução nº 3302001.094 S3C3T2 Fl. 6 5 indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.910739/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/07/2009
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.028
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/07/2009 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/07/2009 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 39 /2 01 2- 87 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13888.910739/201287 Acórdão n.º 3401006.028 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.910739/201287 Acórdão n.º 3401006.028 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.910739/201287 Acórdão n.º 3401006.028 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 13654.720119/2012-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 17.850,00, excluindo-se, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendo-se a glosa das despesas no valor de R$ 3.500,00 pelas razões explicitadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 17.850,00, excluindose, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendose a glosa das despesas no valor de R$ 3.500,00 pelas razões explicitadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 72 01 19 /2 01 2- 00 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.871,25, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas e despesas com nutricionista, estas não dedutíveis. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, bem como abatimento de despesas não dedutíveis, como segue: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 7 a 12, em 21/11/2011, referente ao exercício 2010, anocalendário 2009, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): (...) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009. Valor: R$21.350,00. Motivo da glosa: Schimenia Lourençoni (R$8.235,00), Romilda Lima Guedes (R$4.080,00) e Milene Ferreira Veiga (R$5.535,00) – falta de comprovação do efetivo pagamento; Mariana Teixeira Vilela (R$3.500,00) – a legislação não contempla despesas com nutricionista. O Aviso de Recebimento – AR referente ao auto de infração não foi juntado aos autos. Desta forma, considerase notificado o sujeito passivo na data da apresentação da impugnação (Nota/COSIT/Assessoria/nº 423/94, item 3), o que torna a impugnação tempestiva e dela se toma conhecimento. Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, vejase o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções de despesas médicas: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13654.720119/201200 Acórdão n.º 2001001.270 S2C0T1 Fl. 175 3 (...) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da autoridade lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal, é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, de acordo com a legislação acima transcrita, mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços, é licito à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Assim, a autoridade lançadora está autorizada a intimar o contribuinte para que comprove, mediante apresentação de outros documentos, o efetivo pagamento das despesas informadas nos recibos e notas fiscais ou a efetividade da prestação dos serviços. Destacase que, em relação às deduções na declaração do imposto sobre a renda, o art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, regulamentado pelo art. 73 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, a juízo da autoridade lançadora, deslocando para ele o ônus probatório. Portanto, e conforme já mencionado anteriormente, cabe ao contribuinte provar que as despesas médicas declaradas existiram, tendo em vista que a inclusão de tais despesas na declaração de ajuste anual resulta em um benefício para aquele, já que essas deduções reduzem a base de cálculo do imposto devido. Fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas incluídas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta ao contribuinte apresentar simples recibos ou declarações dos profissionais, cabendo sim, quando questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. No presente caso, foi solicitado à contribuinte que comprovasse o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como pagas a Schimenia Lourençoni (R$8.235,00), Romilda Lima Guedes (R$4.080,00) e Milene Ferreira Veiga (R$5.535,00). Diante da ausência de comprovação na forma solicitada, a dedução foi glosada. Em sua impugnação, a contribuinte anexa os recibos das despesas glosadas (fls. 23 a 28, 32 a 34 e 38 a 41), relatórios de sessões de fisioterapia (fls. 16 a 21), orçamento e prontuário odontológico (fls. 29 a 32), ficha de atendimento psicológico (fl. 36/37), declarações das Fl. 176DF CARF MF 4 profissionais informando que o pagamento foi realizado em espécie (fls. 22 e 35), e extratos bancários referentes ao anocalendário 2009 (fls. 69 a 81). Contudo, os documentos apresentados não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela autoridade fiscal. Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referemse às despesas declaradas, pois não foi possível vincular os referidos saques aos recibos apresentados (datas e valores). Ressaltese que a disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e a impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados. Devese destacar, ainda, que inexiste obrigação legal de que a contribuinte efetue os pagamentos com cheque nominal, sendo possível que os pagamentos das despesas médicas declaradas sejam feitos em dinheiro, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, a interessada abriu mão da força probatória de outros documentos bancários, dificultando a comprovação dos dispêndios. Portanto, uma vez que não houve a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os saques efetuados, não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como pagas a Schimenia Lourençoni (R$8.235,00), Romilda Lima Guedes (R$4.080,00) e Milene Ferreira Veiga (R$5.535,00). Em relação às despesas relativas a Mariana Vilela Teixeira (R$3.500,00), cumpre destacar que o motivo da glosa não foi a ausência de comprovação do efetivo pagamento, mas sim a inexistência de previsão legal para dedução de despesas com nutricionista. De fato, conforme art. 8º , II da Lei nº 9.250/95 e art. 80 do Decreto 3.000/1999, acima transcritos, podem ser deduzidos os pagamentos efetuados com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais. Não estão contemplados dispêndios realizados com profissionais nutricionistas. Portanto, deve ser mantida a glosa. Dessa forma, tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade fiscal e que estas não foram realizadas satisfatoriamente, concluise que a glosa objeto deste lançamento encontrase perfeitamente embasada. Diante de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 5.871,25, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13654.720119/201200 Acórdão n.º 2001001.270 S2C0T1 Fl. 176 5 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Segundo o Acórdão nº 036.858, pág. 5, ...”Devese destacar, ainda, que inexiste obrigação legal de que a contribuinte efetue os pagamentos com cheque nominal, sendo possível que os pagamentos das despesas médicas declaradas sejam feitas em dinheiro, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Ainda nesta mesma linha de raciocínio (mesma folha 5), os julgadores entram em contradição com o exposto acima: ...”Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, a interessada abriu mão da força probatória de outros documentos bancários, dificultando a comprovação dos dispêndios.” Então, na realidade, eles não consideraram o pagamento efetuado em dinheiro como legítimo, o que cerceia minha defesa a partir do momento em que partem de suposição de que não houve qualquer pagamento aos profissionais citados e também por suposição que a retirada total de meus vencimentos no Banco do Brasil não se destinaram a este fim, dificultando a comprovação dos dispêndios.” Ora, não se condena ninguém por supor algo, e o que dificultou não condenou. Não foi aberto mão desta força probatória de despesas bancárias a partir do momento que comprovei a origem do dinheiro destinado mensalmente aos pagamentos com despesas médicas. Então, se não há ilegalidade em pagamento a despesas médicas com dinheiro, e se a contribuinte provou a fonte de recursos necessários e legais para efetuar este pagamento, como julgar que os mesmos não foram efetuados apenas porque os julgadores consideraram que foi dificultado o processo? Não há provas que determinem inveracidade do pagamento a estas despesas médicas, pois tanto a interessada quanto os profissionais de saúde aqui citados comprovaram com documentação específica a veracidade dos mesmos. Mais ainda: os mesmos valores foram declarados como recebidos pelas profissionais Schimenia Lourençoni (seis pagamentos mensais), Romilda Lima Guedes (doze pagamentos mensais), e Milene Ferreira Veiga (12 pagamentos mensais) que nem alcançam o valor dos saques comprovados todo mês no Banco do Brasil. Analisando as documentações solicito análise para que haja justiça e não sejam pagos os mesmos impostos duas vezes, visto que foram comprovados os atendimentos médicos, os mesmos declarados pelos profissionais que procederam aos atendimentos e a origem do Fl. 178DF CARF MF 6 dinheiro que efetuou os pagamentos, e não há consistência na alegação sobre suposição de que não houve pagamentos efetuados. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13654.720119/201200 Acórdão n.º 2001001.270 S2C0T1 Fl. 177 7 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal Fl. 180DF CARF MF 8 do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13654.720119/201200 Acórdão n.º 2001001.270 S2C0T1 Fl. 178 9 sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Neste sentido, deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. O Contribuinte apresentou declaração técnica com prontuário de atendimento da profissional habilitada Milene Aparecida Ferreira Veiga, conforme fls. 16/22, e os recibos de prestação de serviços fls. 23/28, no valor de R$ 5.535,00; prontuário de atendimento da profissional habilitada Schimênia Lourençoni, fls. 29/31, e recibos de prestação de serviços fls. 32/34, no valor de R$ 8.235,00; e declaração e prontuário de atendimento da profissional habilitada Romilda Lima Guedes, fls. 35/37 e recibos de prestação de serviços fls. 38/41, no valor de R$ 4.080,00; bem como juntou extratos bancários requeridos pela fiscalização, conforme fls. 69 a 81, com valores compatíveis com os desembolsos para cobrir despesas médicas, ficando comprovada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie. Referidos documento foram reapresentados em sede de Recurso Voluntário. Assim, constatado o atendimento da exigência legal da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total de R$ 17.850,00, conforme comprovantes fornecidos pelos prestadores dos serviços. A decisão do Acórdão da DRJ contestado na defesa do Recorrente adota critério subjetivo que somente considera válidos os recibos com data de emissão próxima aos saques bancários não encontra abrigo na legislação tributária e tal exigência não pode ser aplicada ao Recorrente sem lei que a estabeleça. Além disso, a data da emissão do recibo não garante que o pagamento tenha ocorrido naquele exato momento. Por isso, o critério adotado é subjetivo e inconsistente pelos motivos expostos. Fl. 182DF CARF MF 10 Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante documentos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declaração, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Verificase, neste caso, que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 17.850,00. Contudo, conforme explicitado do Acórdão da DRJ as despesas com recibos fornecidos pela profissional Mariana Vilela Teixeira no valor de R$ 3.500,00, referente a tratamento e acompanhamento nutricional não estão abrangidas no que dispõe o inciso II, art. 8º da Lei nº 9.250/95, devendo ser mantida a glosa da referida despesa porque não dedutível legalmente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 17.850,00, excluindose, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendose a glosa das despesas no valor de R$ 3.500,00 pelas razões explicitadas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 183DF CARF MF
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