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Numero do processo: 35464.001682/2004-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/2001
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 155, V DO CTN. OCORRÊNCIA.
O Código Tributário Nacional reconhece a extinção do crédito tributário com o advento da decadência. Verificado pela Administração Tributária o descumprimento dos requisitos para fruição da isenção e não tendo sido lavrado o competente auto de infração, forçoso reconhecer a extinção de eventual crédito tributário quando transcorrido o lapso temporal previsto no artigo 173 do Códex Tributário.
Numero da decisão: 2201-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 155, V DO CTN. OCORRÊNCIA. O Código Tributário Nacional reconhece a extinção do crédito tributário com o advento da decadência. Verificado pela Administração Tributária o descumprimento dos requisitos para fruição da isenção e não tendo sido lavrado o competente auto de infração, forçoso reconhecer a extinção de eventual crédito tributário quando transcorrido o lapso temporal previsto no artigo 173 do Códex Tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 16 82 /2 00 4- 37 Fl. 439DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que manteve o ato cancelatório emitido em face ao descumprimento dos requisitos previstos no inciso V do artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Utilizome, em face de sua concisão e clareza de relatório constante de informação fiscal produzida pela Divisão de Fiscalização II, Equipe Fiscal 11, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, DEFIS/SPO (fls 388): "1 Tratase de cancelamento de isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91 (Ato Cancelatório n. 21.004/0001/2004, de 23/04/2004), que deu origem ao recurso ao CRPS em 27/05/2004 (Processo 35464.001682/200437). Conforme despacho 2803206 – 2ª. Seção/3ª. Turma Especial do CARF, de 25/09/2013, fls. 379 a 381, este processo de cancelamento de isenção foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para, observado o prazo decadencial, decidir se é necessária a abertura de procedimento fiscal no contribuinte, lavrandose imediatamente, se for o caso, o respectivo Auto de Infração, retornando o processo para a turma do relator original Júlio César Vieira Gomes, para julgamento. 2 Ainda segundo o despacho do CARF, este retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de origem devese às novas normas elencadas na lei 12.101/2009, que estabeleceu novo procedimento de apuração e conferência da isenção usufruída, de aplicabilidade imediata, inclusive em relação a fatos anteriores à norma jurídica, por se tratar de natureza procedimental (art. 32 da lei 12.101/2009 c/c art. 45 do Decreto 7.237/2010). 3 Assim, foi programada, em 15/12/2014, a diligência MPF 08.1.90.002014036893, para coleta de informações requeridas pelo CARF. 4 Ora, o processo em epígrafe teve origem em Informação Fiscal que abrangeu a análise do período de 1993 a 2001. Assim, para este período, os requisitos materiais devem ser observados à luz da legislação então vigente, ou seja, art. 55 da lei 8.212/91, e não o art. 29 da lei 12.101/2009. Estes requisitos foram exaustivamente observados pela fiscalização no decorrer do processo, como será adiante demonstrado. Ademais, este período está abrangido pela decadência, não sendo possível, neste momento, a lavratura de Auto de Infração, conforme novo rito estabelecido no art.32 da lei 12.101/2009. O período posterior ao ano de 2001 não é objeto do processo 35464.001682/200437. 5 Passo, a seguir, a fazer o histórico do processo. O art. 195, §7º., da CF/88 traz a imunidade relativa às contribuições para a seguridade social devidas pelas entidades beneficentes de assistência social, imunidade esta condicionada, haja vista a necessidade de lei estabelecendo as exigências necessárias para Fl. 440DF CARF MF Processo nº 35464.001682/200437 Acórdão n.º 2201003.673 S2C2T1 Fl. 440 3 seu gozo (não obstante referirse impropriamente à isenção). A partir da lei 8.212/91, para ser considerada entidade beneficente de assistência social privilegiada pela imunidade consagrada no art. 195, §7º., da CF/88, a pessoa jurídica deveria preencher os requisitos elencados no art. 55 da referida lei. 6 Em Informação Fiscal datada de 18/09/2003, a fiscalização aponta o descumprimento do inciso V, do art. 55, da lei 8.212/91, a partir de abril de 1996, pois houve aplicação de recursos na aquisição de conjuntos comerciais, vagas de garagem e flats para locação. A fiscalização conclui que a formação de patrimônio e obtenção de rendas provenientes de aluguel de conjuntos comerciais, vagas de garagem e flats para a manutenção física dos membros mais idosos não estão dentre os objetivos institucionais da associação (Atas de reuniões e contratos de compra/escritura estão no processo, bem como seu Estatuto). 7 Em 03/10/2003 foi apresentada defesa pelo sujeito passivo, em que se alega, resumidamente, que o aumento do patrimônio imobiliário com o intuito de gerar renda advinda de locação não constitui desvio de finalidade e que a manutenção dos membros mais idosos é legal. 8 Em 01/04/2004, foi proferida a Decisão Notificação n. 21404/0156/2004, que decidiu pelo cancelamento de isenção (imunidade), por descumprimento do inciso IV do art. 55 da lei 8.212/91. A justificativa para a cassação da isenção foi a não aplicação do eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, quando aplica mais recursos na compra de imóveis, salas comerciais e flats, do que no incremento de suas atividades educacionais. 9 Em 23/04/2004, foi lavrado o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 21.004/001/2004 pelos motivos especificados na Decisão Notificação, cuja ciência se deu em 30/04/2004. 10 Impetrado recurso, pelo sujeito passivo, ao CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social, em 27/05/2004, em que se pede o cancelamento do Ato Cancelatório lavrado pela Gerência Executiva do INSS São Paulo – Sul. 11 Emitidas contrarrazões pela autoridade julgadora e encaminhado processo ao CRPS para julgamento definitivo. Data de entrada no CRPS: 16/07/2004 (2ª. Câmara de Julgamento). Incluído em pauta no dia 15/04/2005 para sessão n. 43/2005 de 20/04/2005, sendo vencedor o voto divergente, que decidiu pela necessidade de se converter o julgamento em diligência (Acórdão n. 258/2005) para clarear a situação fática vivenciada pela entidade, sendo formulados quesitos para serem respondidos pela fiscalização e pela entidade. 12 Em 27/10/2005, o Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário formulou pedido de revisão do decisório n. 258/2005, de 20/04/2005, propondo a devolução dos autos à 2ª. Fl. 441DF CARF MF 4 Câmara de Julgamento do CRPS, alegando que as questões colocadas pela 2ª. Câmara de Julgamento em nada alterariam os fatos apontados pela fiscalização e que suas respostas já se encontravam nos autos. Em 09/11/2005, os autos foram devolvidos ao CRPS. 13 Em 24/08/2007, foram recebidas pelo CRPS as respostas dadas pelo contribuinte às questões formuladas. 14 Em resposta ao pedido de revisão do decisório n. 258/2005 formulado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária – São Paulo Sul/SP, foi proferido o Despacho n. 205136/2008, de 29/01/2008, pela 5ª. Câmara de Julgamento do 2º.Conselho de Contribuintes, presidente Júlio César Vieira Gomes, negando seguimento ao pedido de revisão apresentado. 15 Foi providenciada, em 14/09/2010, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – DEFIS, a programação de MPF – Diligência 08.1.90.00 2010 029981, para cumprimento, pelo AFRFB José Galeote Molero Filho, do determinado no Decisório 258, de 20/04/2005. 16 Em 11/07/2011, foi dada ciência ao sujeito passivo do Termo de Encerramento de Diligência, cujo objetivo era atender ao determinado no Decisório n. 258 da 2ª. Câmara de Julgamento do CRPS, sendo dado prazo de 10 (dez) dias, conforme art. 44, lei 9.784/99 para apresentação de contrarrazões. 17 Devolvido ao CARF, em 10/12/2012, para julgamento. Em 25/09/2013, por meio do despacho 2803216, a 2ª. Seção/3ª. Turma Especial, decidiu como indevido o retorno dos autos àquele Colegiado, em razão do novo regramento jurídico em relação à matéria, qual seja, a lei 12.201/2009 e seu Decreto regulamentador 7.237/2010, fazendo a devolução dos autos à Delegacia da Receita Federal para, como já dito, decidir, observando o prazo decadencial, se é necessária a abertura de procedimento fiscal no contribuinte e, se for o caso, lavrar o respectivo Auto de Infração, para, após, retornar para a turma do relator original Júlio César Vieira Gomes, nos termos do art. 3o do RICARF, para julgamento. 18 Programada a diligência TDPF 08.1.90.002014036893, em 15/12/2014, para coleta de informações requeridas pelo CARF." Cumprida a diligência determinada e após alguns trâmites burocráticos, os autos voltam a estes Conselho, vindo a ser sorteado eletronicamente para ser relatado por este Conselheiro em razão da extinção da Turma Especial e demais motivos mencionados em despacho de folhas 437. É relatório do necessário. Voto Fl. 442DF CARF MF Processo nº 35464.001682/200437 Acórdão n.º 2201003.673 S2C2T1 Fl. 441 5 Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Cumpridos os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o recurso. Ressalto que, embora não desconheça a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal que reconheceu, no rito de repercussão geral, a inconstitucionalidade da exigência, por meio de lei ordinária, de requisitos para fruição da imunidade prevista no artigo 195 da Carta da República, no caso em apreço, tratase de discussão de matéria preliminar e que, como será demonstrado, suficiente para que possa realizar o julgamento do presente processo administrativo tributário. Reconheço, de plano, uma questão prejudicial na análise do presente processo. Tratase, como dito de recurso interposto contra ato cancelatório que reconheceu o descumprimento de requisitos estabelecidos na Lei de Custeio da Previdência para a fruição da imunidade prevista no artigo 197 da Constituição Federal. Porém, com o advento da Lei nº 12.201/09, há uma alteração nos procedimentos com tal finalidade. Recordemos a decisão proferida no despacho 2803216 da 3ª Turma Especial e confirmada pelo Presidente da 3ª Câmara desta 2ª Seção: Tratase de retorno de diligência solicitada em julgamento. Recurso é decorrente de Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.004/001/2004 contra a recorrente em epígrafe. Temse como indevido o retorno dos autos a este Colegiado. Em razão do novo regramento jurídico em relação à matéria, Lei 12.201/2009 e seu Decreto Regulamentador de n° 7.237/2010, para situações como a ora em discussão devese observar as disposições do art. 44 do referido decreto, in verbis: Art.44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único.Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei no12.101, de 2009. Art.45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 443DF CARF MF 6 As normas elencadas na nova lei, em relação ao procedimento de apuração e conferência da isenção usufruída, têm natureza procedimental, de aplicabilidade imediata, inclusive em relação a fatos anteriores à norma jurídica. Ressaltese que a mera mudança de procedimento não prejudica em nada o contribuinte. Já os requisitos materiais, esses devem ser observados à luz da legislação vigente quando da isenção usufruída. Art. 55 da lei 8.212/91 ou lei 12.101/09. Na sistemática da legislação atual, a autoridade fiscal que comprova o não atendimento dos requisitos à isenção, imediatamente lavra o Auto de Infração respectivo, declinando todas as irregularidades pertinentes. A autoridade julgadora então, em um só procedimento decisório, julgará primeiro a pertinência da suspensão da isenção e, se positiva a hipótese, julgará a procedência do lançamento, sem considerar o favor fiscal, já então afastado. É o que estabelece o art. 45 do Decreto 7.237/2010 c/c o art. 32 da Lei 12.101/2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá, então, adotar o seguinte procedimento: 1. Encaminhar o processo de cancelamento/pedido de isenção para o Serviço de Fiscalização para que, observado o prazo decadencial, decida se é necessária a abertura de procedimento fiscal no contribuinte e, se for o caso, seja imediatamente lavrado o respectivo Auto de Infração de Obrigação Principal, cujo processo deverá ser instruído de todas as informações referentes a desconsideração da isenção ilegitimamente exercida. Após retornar para a turma do relator original Júlio César Vieira Gomes, nos termos do art. 3o do RICARF, para julgamento" (destaquei) Em cumprimento ao despacho acima, a Delegacia de Fiscalização em São Paulo, DEFIS/SPO, produziu o Relatório Fiscal de folhas 388. Tal manifestação da Autoridade Lançadora contém a seguinte conclusão (fls. 392): "19 Depois dessas idas e vindas, esta fiscalização tem a informar que, em que pese as novas normas elencadas na lei 12.101/2009, que estabeleceu novo procedimento de apuração e conferência da isenção usufruída, de aplicabilidade imediata, inclusive em relação a fatos anteriores à norma jurídica, por se tratar de natureza procedimental (art. 32 da lei 12.101/2009 c/c art. 45 do Decreto 7.237/2010), o Cancelamento de Isenção que está em julgamento teve origem em Informação Fiscal que abrangeu a análise do período de 1993 a 2001. Assim, para este período, os requisitos materiais devem ser observados à luz da legislação então vigente, ou seja, art. 55 da lei 8.212/91, e não o art. 29 da lei 12.101/2009. Ademais, este período está abrangido pela decadência, não sendo possível, neste momento, a lavratura de Auto de Infração, conforme novo rito estabelecido no art.32 da lei 12.101/2009. O período posterior ao ano de 2001 não é objeto do processo 35464.001682/200437. Os quesitos solicitados pela 5ª. Câmara de Julgamento do 2º.Conselho de Contribuintes, considerados uma necessidade Fl. 444DF CARF MF Processo nº 35464.001682/200437 Acórdão n.º 2201003.673 S2C2T1 Fl. 442 7 para esclarecer a situação fática, e também uma solução intermediária e não uma decisão propriamente dita, foram respondidos em Diligência anterior." Peremptória a informação da Autoridade Fiscal. Extinto o direito do Fisco ao lançamento de eventuais créditos tributário no período objeto do ato cancelatório em discussão. Assim, despicienda qualquer consideração sobre o mérito da informação fiscal ensejadora do cancelamento do direito à fruição da imunidade pela Recorrente. Recurso voluntário provido. CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000154/2004-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO.
À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o ano-calendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória - MP nº 2.158-35, de 2001).
Recurso Especial do Procurador provido em parte.
Numero da decisão: 9303-004.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o anocalendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória MP nº 2.15835, de 2001). Recurso Especial do Procurador provido em parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 54 /2 00 4- 99 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403001.977, de 20/03/2013, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas as partes da ementa que interessam ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 (...) CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 4 3 No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra as seguintes matérias: (a) direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha; e (b) direito do contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Alega divergência de interpretação em relação ao decidido nos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 5 4 Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 6 5 insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 7 6 resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 8 7 obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. A questão encontrase disciplinada no art. 30 da Medida Provisória – MP nº 2.15835, de 2001, reedição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, cuja redação é a seguinte: “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 9 8 contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” (g.n.) No presente caso, a contribuinte optou, no períodobase a que se referem os autos, pelo regime de regime de competência na apuração de suas receitas, de modo que não há dúvida de que o mesmo regime deveria ter sido observado na apuração das variações cambiais que decorreram de suas obrigações ou de seus direitos. Não fosse pelo só fato da previsão legal (ver Súmula CARF nº 2), a tese adotada no acórdão recorrido não se sustenta: a de que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Sobre ela, assim escrevemos em obra de autoria coletiva (PIS e Cofins à luz da jurisprudência: Conselho Administrativa de Recursos Fiscais; volume 3 / Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto, Gilberto de Castro Moreira Junior, 1ª ed, São Paulo, MP Editora, 2014): Ela se apoia na ideia de que haveria um conteúdo material, de estatura constitucional, para o termo “receita”, para o qual o constituinte teria valorizado a perspectiva dos negócios jurídicos que evidenciem a capacidade econômica revelada pelo ingresso financeiro apurado de forma isolada e instantânea em cada evento. Esse conteúdo material, com a tônica no ingresso financeiro, é que teria sido colocado ao alcance do legislador federal para que sobre ele se fizesse incidir a contribuição com específica destinação, voltada para o custeio do sistema de Seguridade Social. Os fautores dessa tese trabalham ainda com a ideia de que a receita deve ser definitiva de modo a assegurar a disponibilidade e a titularidade dos recursos financeiros sem qualquer obrigação correspondente, devendo ter como causa a remuneração de negócio jurídico concernente aos atos relacionados apenas com o exercício de atividade empresarial. O argumento se fundamenta no art. 195, III, da Constituição Federal, que estabelece, como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social, a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos”, de sorte que a alusão ao vocábulo Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 10 9 “receita” só poderia estar relacionada, no seu entendimento, com o efetivo ingresso de recursos provenientes dos diferentes jogos existentes no país, vale dizer, com a possibilidade de destaque pura e simples de uma parcela a título das contribuições a serem retiradas do volume de recursos arrecadados com os referidos “concursos de prognósticos”. Assim, em tal previsão constitucional, o termo “receita” não poderia referirse a outra perspectiva que não a do efetivo ingresso financeiro, vale dizer, ao efetivo ingresso de recursos pecuniários ao qual não corresponda uma obrigação, pena de inviabilizar o próprio custeio da Seguridade Social. De conseguinte, esse conteúdo semântico do vocábulo “receita” deveria vincular o exercício da atividade legiferante, em ordem a impossibilitar que o legislador infraconstitucional venha a emprestar ao termo significado diverso. Pois bem. O argumento, embora bem apresentado, encerra, no sentido técnico do termo, uma falácia (repitase aqui: no sentido técnico do termo, já que a sua referência no presente artigo não constitui, de forma alguma, juízo de demérito de nenhum trabalho acadêmico), um raciocínio incorreto, porquanto, a nosso juízo, não se poderia, apenas na única perspectiva da norma insculpida no art. 195, inciso III, da Constituição Federal, chegar à conclusão a que se chegou. Antes de apresentar os motivos que nos levam a entender inválido o argumento, cabe ressaltar, aqui mais uma vez, que o conceito de ingresso financeiro corresponderia, na tese exposta, ao efetivo e definitivo (ao qual não corresponda uma obrigação) ingresso de recursos pecuniários derivados do exercício de atividade empresarial, excluindose, de conseguinte, as receitas que resultem de qualquer outra atividade, tal como os valores recebidos a título de crédito presumido de ICMS. Que o dispositivo constitucional avaliza a ideia da necessidade de haver efetivo ingresso de recursos financeiros na Seguridade Social, é coisa que ninguém dissente. Aliás, foi essa necessidade que conduziu o legislador constituinte a prever tantas fontes para a manutenção de seus múltiplos deveres. O que esse fato não está a autorizar é a de que também no contribuinte deve a receita representar ingresso efetivo de recursos financeiros, assim como não autoriza a ideia de que receita só é aquela que decorra da atividade empresarial. Vejamos. As falácias – os raciocínios que, embora prima facie possam parecer corretos, mas na verdade não o são – dividemse em falácias de ambiguidade e de relevância. As primeiras, como a sua denominação já indica, estão relacionadas à linguagem utilizada para construir o argumento; as segundas, com o fato de as premissas serem absolutamente irrelevantes para estabelecer a verdade da conclusão. Como se passa a comprovar, esta última encontrase plenamente configurada na tese aqui refutada. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 11 10 Não se pode analisar um caso particular e extrair dele uma regra geral como se todos os demais casos relativos à mesma matéria fossem idênticos, é dizer, não se pode estabelecer uma regra geral aplicável a todos os fatos típicos a partir de um fato inquestionavelmente atípico. É o que os estudiosos da Lógica denominam de falácia do acidente convertido ou da generalização precipitada1, sendo que a falácia do acidente, da qual deriva a aludida expressão, consiste em aplicar uma regra geral a casos particulares cujas características acidentais tornam a regra inaplicável (Exemplo: “O que você comprou ontem comerá hoje. Logo, se você comprou carne crua ontem comerá carne crua hoje”). Notese que, a partir de uma única regra constitucional – a que estabelece como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos” – os que defendem haver um conceito constitucional de receita, baseados no único e exclusivo fato de que a contribuição é retirada, neste caso, do volume total de apostas, constituindo, assim, como decorrência inarredável, efetivo ingresso de receita nos cofres da mencionada instituição (não há como a Caixa Econômica Federal deixar de recolher a contribuição aos cofres da Previdência), levam esta particular situação ao patamar de regra geral, em ordem a determinar que receita só pode representar o efetivo ingresso de recursos financeiros também na pessoa jurídica, quando os fatos que norteiam a sua tributação – as operações que esta realiza – nada têm a ver com concursos de prognósticos e com a forma de arrecadação da contribuição social sobre eles incidente (destaque do volume total de apostas, sem a necessidade de interposição do Fisco e sem depender da vontade exclusiva do apostador, incidindo as contribuições sobre um setor específico sem qualquer semelhança com o universo dos contribuintes e com as atividades por eles realizadas). E não é só: o fato de a receita constituir efetivo ingresso de recursos financeiros na pessoa jurídica não significa de modo algum que também assim deva configurarse a contribuição devida à Seguridade Social, porque depende, entre outros fatores, da vontade do contribuinte de adimplir a respectiva obrigação tributária. Portanto, em face de suas particularidades, as características que envolvem esta especial fonte de financiamento da Seguridade Social, porque atípica em relação às demais, a estas não podem ser estendidas, muito menos para estabelecer o conceito de receita a todas aplicado. O argumento é, com a devida vênia, inválido. (grifamos). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." 1 Copi, Irving Marmer. Introdução à lógica. 2ª ed. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1978, p. 83. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 9303004.789 CSRFT3 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720079/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2011
ALIENAÇÃO. PESSOA FÍSICA. SÓCIO, SIMULAÇÃO.
As transformações societárias realizadas pelas sócias da autuada e que foram o foco da presente autuação, visaram desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o atribuído pela sócia que permaneceu), para ser vendida a outra empresa, pela pessoa física do sócio; o processo de transferência para a pessoa física do sócio envolveu o valor contábil do acervo e a venda pela pessoa física se deu pelo valor de mercado, incidindo a tributação à alíquota de 15% , caracterizando que as operações foram simuladas, dado que o objetivo foi a venda de parte do acervo pela pessoa jurídica.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
IR RECOLHIDO. DEDUÇÃO.
Procede o pleito da autuada e da pessoa física que efetuou os recolhimentos, de que os valores de Imposto de Renda recolhidos pela pessoa física, em relação à mesma transação autuada na pessoa jurídica, sejam deduzidos dos valores de IRPJ exigidos da autuação, antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora, uma vez que aquela operação foi descaracterizada, porém o imposto foi recolhido espontaneamente.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2011
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação.
VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN.
Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF.
Numero da decisão: 1201-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe davam provimento. Acordam, ainda, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício, para atribuir responsabilidade aos solidários e manter a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que davam provimento ao Recurso de Ofício. Em relação à requalificação e à compensação do imposto pago, o Colegiado manteve, por maioria, a decisão de piso. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (suplente).
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente).
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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A. UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 ALIENAÇÃO. PESSOA FÍSICA. SÓCIO, SIMULAÇÃO. As transformações societárias realizadas pelas sócias da autuada e que foram o foco da presente autuação, visaram desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o atribuído pela sócia que permaneceu), para ser vendida a outra empresa, pela pessoa física do sócio; o processo de transferência para a pessoa física do sócio envolveu o valor contábil do acervo e a venda pela pessoa física se deu pelo valor de mercado, incidindo a tributação à alíquota de 15% , caracterizando que as operações foram simuladas, dado que o objetivo foi a venda de parte do acervo pela pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IR RECOLHIDO. DEDUÇÃO. Procede o pleito da autuada e da pessoa física que efetuou os recolhimentos, de que os valores de Imposto de Renda recolhidos pela pessoa física, em relação à mesma transação autuada na pessoa jurídica, sejam deduzidos dos valores de IRPJ exigidos da autuação, antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora, uma vez que aquela operação foi descaracterizada, porém o imposto foi recolhido espontaneamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 79 /2 01 5- 68 Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 3 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN. Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe davam provimento. Acordam, ainda, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício, para atribuir responsabilidade aos solidários e manter a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que davam provimento ao Recurso de Ofício. Em relação à requalificação e à compensação do imposto pago, o Colegiado manteve, por maioria, a decisão de piso. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (suplente). (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente). Relatório Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 4 3 Trata o processo dos autos de infração de págs. 944/962, relativos a fato gerador em 31/03/2011, que exigem: R$224.165.240,39 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a Omissão de Receitas não Operacional/Ganho de Capital; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$80.699.486,54, reflexo da infração descrita; foi aplicada multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (TVF) e de Encerramento, Parte Integrante e Indissociável do Auto de Infração, págs. 904/943. 2. Foram responsabilizados solidariamente, com base legal no art. 124, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966: a. Flavio Ognibene Guimarães, CPF 056.139.79880 b. Servisite Ltda, CNPJ 04.787.555/000186 c. Sestri Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 05.448.607/000152 3. Cientificados, o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações: de págs. 1.001/1.113 a Autuada; de págs. 1.296/1.311, a 1.530 a Servisite Ltda; de págs. 1.400/1.530, a Sestri Empreendimentos e Participações Ltda; de págs. 1.932/2.069, Flavio Ognibene Guimarães. 4. As impugnações foram julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE DRJ/REC, que proferiu o Acórdão nº 1152.661, em 27 de abril de 2016, págs. 2.529/2.561, nos seguintes termos: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação, para: a) manter o crédito nos valores principais, que devem ser exigidos com a aplicação de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, b) considerar improcedente a imputação de responsabilidade da Servisite Ltda, da Sestri Empreendimentos e Participações Ltda. e do Sr. Flávio Ognibene Guimarães e c) Determinar seja considerado, quando da cobrança do crédito, o valor de IRPF pago pelo Sr. Flávio Ognibene, a título de ganho de capital, pela venda da Sitesharing do Nordeste. 5. A DRJ/REC recorreu de ofício, dada a redução da multa de ofício de 150% para 75%, do total de R$457.297.090,40, para R$228.648.545,20, cancelamento das responsabilizações solidárias e dadução dos valores de IRPF recolhidos pelo sr. Flávio na operação. 6. O contribuinte foi cientificado em 08/07/2016, pág. 2.575, e apresentou recurso voluntário em 03/08/2016, tempestivo; Flavio Ognibene Guimarães, em 19/07/2016, pág. 2.580, e apresentou recurso voluntário em 26/07/2016, tempestivo; Servisite Ltda em 08/07/2016, pág. 2.809, e apresentou recurso voluntário, em 03/08/2016, tempestivo; Sestri Empreendimentos e Participações Ltda, em 19/07/2016, pág. 2.581, e apresentou recurso voluntário tempestivo em 26/07/2016. Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 5 4 SS Towers. Recurso Voluntário, págs. 2.616/2.722. 7. Diz que deve ser negado o recurso de ofício da DRJ/REC, devido aos fundamentos da própria decisão recorrida; e cancelada a autuação mantida. 8. Que a fiscalização entendeu ter a Recorrente realizado planejamento tributário abusivo ao transferir a titularidade das ações da Sitesharing do Nordeste Empreendimentos e Telecom ("Sitesharing do Nordeste") para o seu acionista Sr. Flávio Ognibene Guimarães, possibilitando o cálculo do ganho de capital a alíquota de 15%, na pessoa física, mas que a analise das operações (análise do filme) efetivamente ocorridas comprova que os atos da Recorrente, se deram da forma mais direta, correta e adequada para atingir seu objetivo final: a separação dos ativos detidos pelos seus acionistas, tendo vista a divergência de opiniões entre os sócios na condução da atividade empresarial, o que levou à ausência de interesse do Sr. Flávio em se manter como acionista da Recorrente e desenvolver o negócio; descreve a sequencia de operações e destaca que o autuante reconheceu que o sr. Flávio comprovou o pagamento da aquisição da Sitesharing do Nordeste, mediante transferências bancárias, cheques e compensação de dividendos distribuídos; aduz que a Recorrente não apurou ganho de capital com a venda das ações pelo sr. Flávio, pois o acervo cindido foi transferido pelo valor contábil e como a Sitesharing do Nordeste foi alienada apenas pelo sr. Flávio, quando este não mais possuía qualquer vínculo com a Recorrente, apenas ele apurou por isso, discorda da afirmação da DRJ de que o fato de o acervo ter sido transferido pelo valor contábil, "em nada altera a constatação do planejamento perpetrado para escaparse da tributação na pessoa jurídica"; argumenta que o Autuante ignorou também que, caso os sócios estivessem alinhados sobre a venda da companhia como um todo (por meio da alienação das ações da própria Sitesharing Brasil), o Sr. Flávio também iria tributar o seu ganho de capital sob alíquota de 15%, pois bastava a concordância dos sócios e o efeito fiscal seria exatamente o mesmo no que tange à parcela vendida pelo Sr. Flávio (tributação do ganho por ele auferido à alíquota de 15%), porém a Servisite tinha interesse na continuidade; informa que: A Sitesharing do Brasil, diferentemente do quanto afirmado pela DRJ7, participou como interveniente anuente no contrato de compra e venda celebrado apenas em razão do disposto no artigo 233 da Lei das S/A, segundo o qual a empresa cindida e a empresa que absorveu parte do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações anteriores à cisão e não como intermediadora.8 9. Argumenta que cisão parcial teve propósito negocial, de acordo com o planejamento estratégico, pois a cisão parcial foi conforme Lei das SAs, especialmente art. 229, tendo sido respeitadas todas formalidades, assembléias, laudos, etc, e destaca que não teve ganho de capital, nas operações, que permitiram ao sr. Flávio administrar sua parcela no investimento da forma que lhe fosse conveniente, pois não mais existia affectio societatis entre os acionistas: a autuada que pretendia dar continuidade e permanece até esta data, como concorrente da American Towers, e o sr.Flávio, que vendeu sua empresa a esta última. 10. Repele ingerência do Fisco na atividade do contribuinte, pois a liberdade de auto organização é resultante das garantias asseguradas pelos princípios constitucionais; havendo norma que permita à pessoa jurídica realizar a operação de determinada maneira, não se pode proibir de agir em conformidade, com base apenas em premissas arrecadatórias. Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 6 5 11. Que a alternativa de redução de capital seria uma alternativa para a alienação dos ativos detidos pela pessoa física, com o mesmo efeito fiscal, conforme descreve às págs. 2.685/2.686. 12. Defende a opção legal escolhida e a validade das operações, ainda que se tratassem de planejamento tributário/elisão fiscal; aponta que, segundo autores que cita, há opções legais ou alternativas criadas pelo ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte, para que delas se utilize, conforme a sua conveniência, e estão fora do âmbito do planejamento tributário, sendo hipóteses de conduta positivamente autorizadas pelo ordenamento; que o próprio Fiscal reconhece que essa opção legal adotada pela Recorrente é lícita, embora, em seu entendimento, não pudesse ter sido realizada em revelia à ética e da responsabilidade social (argumento que, conforme demonstrado, não é suficiente para a constituição do crédito tributário em questão); a DRJ em nenhum momento questionou a licitude da operação, inclusive reconhecendo a impossibilidade de aplicação de multa qualificada; encontramse presentes o motivo, a finalidade e congruência dos atos, pelo que não se pode admitir o entendimento do Fiscal: todos os atos praticados tiveram por motivo a reorganização societária; a finalidade da operação foi a segregação dos ativos detidos por cada um dos sócios em empresas distintas; todos os atos societários praticados se inserem congruentemente neste contexto: (i) cisão parcial da Sitesharing Brasil com a saída do Sr. Flávio da sociedade; (ii) incorporação da parte cindida da Sitesharing Brasil pela Sitesharing do Nordeste; (iii) manutenção das atividades empresarias da Sitesharing Brasil (Recorrente); e (iv) alienação da Sitesharing do Nordeste pelo Sr. Flávio (originada pela discordância entre os sócios). 13. Nega abuso de direito ou de fraude à lei, pois a reestruturação societária foi a melhor opção empresarial, sem qualquer intuito fiscal, para segregar o poder de administração de suas atividades empresariais e realizada em conformidade com a legislação societária e realizada às claras; não houve prática de ilícitos: (i) A opção exercida (cisão parcial) não se confunde com fraude à lei; (ii) Não há norma "contornada" pelas partes envolvidas na reestruturação societária, pois não há uma norma proibitiva à cisão de companhias; e (iii) Não se pode admitir a aplicação, por analogia, da figura da fraude à lei em matéria tributária, uma vez que se trata de instituto de direito civil. 14. Argui nulidade do lançamento, evidenciada pela decisão da DRJ, pois aponta: a. (i) ausência de fundamentação legal, devido a descompasso entre o suposto ato que seria abusivo (i.e. a cisão em agosto de 2010) e a suposta lesão à sociedade (i.e. suposto recolhimento a menor de tributos com a alienação da Sitesharing do Nordeste em março de 2011); que o Sr. Agente Fiscal deveria, por exemplo, ter demonstrado que a cisão se tratou de operação de compra e venda ou que não foram respeitadas as regras de distribuição disfarçada de lucros prevista nos artigos 60, 61 e 62 do DecretoLei 1.598/77, o que não ocorreu no caso concreto; esse descompasso, evidencia que não há como fundamentar em lei uma exigência tributária na qual o critério material está dissociado do critério temporal da regra matriz de incidência; o resultado da alienação da Sitesharing do Nordeste diz respeito apenas às partes envolvidas naquela relação (Sr. Flávio e American Tower do Brasil), não podendo o Fisco extrapolar o campo de incidência para atribuir responsabilidade às pessoas (como a Recorrente) alheias àquela relação jurídica, nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 7 6 ("CTN"); que a própria DRJ reconheceu que não houve fraude e que, portanto, o Sr. Flávio não poderia ser considerado devedor solidário. b. (ii) por comprovar que o Autuante elegeu fato gerador equivocado da suposta obrigação tributária, dissociado do ato societário praticado supostamente sem propósito negocial, pois foi o Sr. Flávio foi quem auferiu ganho de capital; flagrante, portanto, a violação ao princípio da capacidade contributiva e do não confisco, pois a Recorrente nem mesmo foi a titular da renda com a qual seria possível adimplir o crédito tributário objeto da presente autuação, pois que todo o benefício econômico venda para a American Towers Brasil foi auferido pelo Sr. Flávio, o que demonstra o efetivo efeito confiscatório do presente lançamento; o CARF deverá reconhecer que os autos de infração são nulos (i) seja em razão do erro na eleição do fato gerador da obrigação tributária pelo Sr. Agente Fiscal ou (ii) seja pela violação aos princípios capacidade contributiva e do não confisco. c. (iii) por violar os princípios constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva. 15. Aponta ausência de fundamento jurídico para a autuação, violação ao princípio da legalidade, porque não consta do TVF qualquer dispositivo da legislação infraconstitucional que teria sido infringido, mas apenas acusações com base em supostos "abuso de direito", "fraude à lei", "à revelia da ética e da responsabilidade social", o que foi reconhecido pela DRJ que afirmou não haver previsão legal de nulidade, devido a ausência de fundamentação legal. 16. Pugna pela legitimidade das operações efetuadas, nenhuma das quais foi apontada como ilegal, 17. Aponta equívocos na Autuação Fiscal no item "Das Constatações" do TVF: a. 1. "Das constatações acerca da venda de 80% das ações da fiscalizada para o Sr. Flávio Ognibene Guimarães no AC de 2009" (i) a suposta ausencia de comprovação, pelo Sr. Flávio, da quitação integral das ações adquiridas da Sestri, relativas ao investimento detido na Sitesharing Brasil R$25.453.754,00: R$16.900.000,00 liquidado mediante compensação de dividendos e os R$8.553.754,00 via TEF e cheques, referentes ás ações anteriormente detidas pela Sestri, sendo que a Recorrente não detém qualquer ingerência; quanto à de ações da Sitesharing Brasil, pela Serviste, totalmente comprovado o pagamento não foi questionada pela fiscalização; (ii) que o registro da transferência das ações adquiridas pelo Sr. Flávio foram realizadas em 31/07/2009 (Servisite) e 03/08/2009 (Sestri), em Livro de Transferência de Ações encerrado desde 05/12/2003, pois o Autuante não apresentou fundamentação legal para necessidade de abertura de novo Livro; que a data de encerramento em 05/12/2003 objetivou registro na Junta Comercial. (iii) que a participação societária na empresa Sitesharing do Nordeste não foi declarada na DIPJ 2010 (Anocalendário 2009), equívoco que a recorrente reconheceu e se comprometeu a efetuar a retificação. Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 8 7 b. 2. "Das constatações acerca da operação de cisão da fiscalizada seguida pela incorporação da parcela cindida pela Sitesharing Nordeste S.A. no AC de 2010" , refuta a assertiva da Autoridade Fiscal de que, mesmo após a cisão parcial, os negócios praticados pela Recorrente e a Sitesharing do Nordeste não foram separados, pela simples constatação de que a Recorrente teria figurado como "inteveniente na celebração do Contrato de Compra e Venda da Sitesharing NES.A. para a empresa American Tower do Brasil ", e que teria atuado como intermediária, em desconsideração ao art. 223 da Lei das SAs. c. 3. "Das constatações acerca da alienação da Sitesharing Nordeste S.A.", de que a cisão promovida, com a posterior incorporação da parte cindida pela Sitesharing do Nordeste, não teve outro propósito a não ser o de propiciar uma tributação menos gravosa na pessoa física do Sr. Flávio Ognibene; argumenta que a Recorrente não teve qualquer participação na negociação e que a intenção da reestruturação societária foi segregar as atividades das companhias (Sitesharing Brasil e Sitesharing Nordeste), com a consequente saída do Sr. Flávio da sociedade e a manutenção das atividades desenvolvidas pela Recorrente; portanto, impossível atribuir à Recorrente qualquer pratica de planejamento tributário abusivo. 18. Aponta equívoco na determinação do fato gerador em 31/03/2011, 1º trimestre de 2011, como sendo a data do fato gerador, pois o do fechamento da venda da Sitesharing do Nordeste pelo sr. Flávio, foi em 01/03/2011; que analisandose o contrato de compra e venda firmado entre o Sr. Flávio e a American Tower do Brasil, não é possível afirmar que na "data de fechamento estabelecida em 01/03/2011", o montante de R$ 941.043.291,56 já estaria pactuado entre as partes; no contrato de págs. 435/477 existem cláusulas com condições suspensivas, evidenciando que base de cálculo utilizada pela Fiscalização não seria exequível em março de 2011; cita as condições suspensivas, como a 2.6.l.h, que condiciona a aquisição de Sites em construção, à obtenção de suas licenças.; que o fluxo de pagamentos ocorreu em consonância com essas condições suspensivas, o que comprova que o montante de R$ 941.043.291,56 não poderia ser considerado integralmente tributável em março de 2011: 87. Portanto, a partir das informações emitida pela American Tower, chegase à conclusão de que a American Tower adquiriu as ações da Siteshanng NE por RS941.043.291,56. pagando em 11 diferiente: datas (07 distinto: meses), conforme a Tabela 8: 19. À pág. 2.712, apresenta "Tabela 14 Venda das açôes da Sitesharing NE para American Towers": mês Transferências (R$) 03/2011 697.620.000,00 04/2011 168958.377,38 07/2011 36.201.705,10 10/2011 24.068.029,29 12/2012 8.002.967,24 03/2013 3.877.369,68 07/2013 2.314.842,87 Total 951.043.291,56 Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 9 8 20. Por isso, o valor da venda no montante de R$ 941.043.291,56 não foi integralmente realizado na data do fechamento (março de 2011), razão pela qual tanto as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL como o fato gerador suscitados pela Fiscalização estão equivocados, uma vez que parte dos valores recebidos pelo Sr. Flávio somente passou a ser devido após a efetivação das condições suspensivas impostas pelo comprador. 21. Mesmo na remota hipótese de se admitir como válida a interpretação do Fiscal de que o ganho de capital deveria ter sido tributado sob a alíquota de 34%, , o fato gerador não teria ocorrido integralmente no primeiro trimestre de 2011, motivo pelo qual, mesmo se acatando as presunções desenvolvidas pela Fiscalização, são nulos os lançamentos em razão do evidente erro na determinação do fato gerador, no que concerne ao seu aspecto temporal, e pela iliquidez e incerteza das bases autuadas. 22. Aduz que, conforme reconhecido pela DRJ, o Autuante não poderia ter deixado de considerar o recolhimento de imposto realizado pelo sr. Flávio,e, não havendo liquidez e certeza do montante exigido, os autos são nulos e devem ser cancelados. 23. Aponta erro na apuração do crédito tributário, depois do Acórdão da DRJ/REC, pois esta, acertadamente, reconheceu não ter havido infração aos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e afastou a qualificação da multa de ofício, bem como reconheceu a necessidade de se deduzir do IRPJ apurado o IRPF recolhido pelo sr. Flávio; mas que no demonstrativo de débitos de pág. 2.567, a multa de ofício incidiu sobre o montante de IRPJ apurado pelo fiscal e não sobre o valor mantido na decisão DRJ. 24. Pugna pela impossibilidade de exigência de multa de ofício, no caso de dúvida, no caso em que seja decido pela manutenção dos lançamentos pelo voto de qualidade, isto é, por meio de julgamento em que houve empate de votos, em que é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração, aplicandose o art. 112 do Código Tributário Nacional; por isso, caso reste inequívoca a presença da dúvida quanto à correção das autuações, requer que este o CARF reconheça, ao menos, que não será possível manter a multa de ofício. 25. Pugna pela ilegalidade da cobrança de juros sobre multa, por ausência de previsão legal, dado que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê a cobrança apenas sobre tributos e contribuições e não se pode confundir multa com tributo. Flavio Ognibene Guimarães. Recurso Voluntário, págs. 2.583/2.589. 26. Na qualidade de responsável solidário, apresenta as suas considerações a respeito do Acórdão n° 1152.661 da DRJ/REC, a fim de que, na hipótese de restabelecimento da sua legitimidade passiva e manutenção do crédito tributário, os autos deverão retornar à DRJ para que nova decisão de mérito seja proferida, haja vista que a sua impugnação deixou de ser apreciada em parte, por que a DRJ entendeu que, uma vez que cancelou as responsabilizações solidárias, passou a faltarlhe legitimidade para impugnar. 27. Assim seria evitaria a supressão de instância e o cerceamento ao direito de defesa do requerente. 28. Aduz a necessidade de correção do valor do crédito tributário mantido pela decisão DRJ/REC, porque a Autoridade Fiscal de origem, ao quantificar o crédito tributário remanescente desconsiderou a determinação de que, do valor do IRPJ originalmente devido Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 10 9 (R$ 224.165.240,39) fosse abatido o montante de IRPF recolhido pelo Requerente (R$ 121.183.429,00), chegandose à diferença apurada de R$ 102.981.811,39, o procedimento correto teria sido a utilização deste último valor como base de cálculo da multa e não o valor de R$ 224.165.240,39 relativo ao imposto originalmente constituído. Sestri Empreendimentos e Participações Ltda. Recurso Voluntário, págs. 2.603/2.609. 29. De mesmo teor. Servisite Ltda. Recurso Voluntário, págs. 2.788/2.791 30. Na qualidade de responsável solidária, requer, na hipótese de restabelecimento da sua legitimidade passiva e manutenção do crédito tributário, os autos deverão retornar à DRJ para que nova decisão de mérito seja proferida, haja vista que a sua impugnação deixou de ser apreciada em parte, por que a DRJ entendeu que, uma vez que cancelou as responsabilizações solidárias, passou a faltarlhe legitimidade para impugnar. 31. No caso de o CARF prover o recurso de ofício e entender pela não devolução dos autos à DRJ, então requer que sejam julgadas as razões expostas pela SSTowers na respectiva impugnação. 32. E os argumentos que a requerente apresentou em sua impugnação aos autos: a. II.2.1 Da Falta de Motivação da Responsabilidade Solidária Atribuída à Impugnante b. II.3.1 Inaplicabilidade do Inciso I do Artigo 124 Não caracterização da Responsabilidade Solidária em Razão da Ausência de "Interesse Comum" 33. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, apresentou Contrarrazões, págs. 2.887/2.934. 34. Destaca a participação inicial das sócias Servsite Ltda. com 33,28% do capital social, e a Sestri Empreendimentos e Participações Ltda, 66,72% e que o aumento de capital em 21/05/2003 foi integralizado pela Servisite com bens que incluíram 132 torres (cujo valor contábil era R$27.504.123,68, enquanto que o aumento de capital foi R$3.842.846,90) que depois compuseram o patrimônio cindido em 01/09/2010, para a Sitesharing NE e, em seguida, alienado para a American Tower do Brasil Cessão de InfraEstruturas Ltda. 35. Em 03/03/2008, a Sitesharing Brasil S.A constituiu a Sitesharing do Nordeste Empreendimentos em Telecomunicações com 99,99% de participação e os 0,01% restantes de Sr. Luigi Cosenza, que atuou como diretor da Sitesharing Brasil e da Sitesharing NE; o CS inicial foi R$100.000,00; em 02/01/2009, foi efetuado aumento do CS da Sitesharing NE em R$16.519.471,00, subscrito e integralizado pela Sitesharing Brasil, com 190 torres e respectivos "sites". 36. Em 21/07/2009, a Servisite alienou suas 5.066.578 ações da Sitesharing Brasil, para o Sr. Flávio, págs 502/513, por R$7.500.000,00, em 5 parcelas mensais, iguais e consecutivas, a serem pagas a partir de 01/05/2010, 7 (sic) meses depois. Em 03/08/2009, págs. 490/501, a Sestri alienou para o sr. Flávio, por R$25.453.754,00, a serem pagos a partir de 01/01/2010, as 25.453.754 ações que detinha e ambas se retiraram do controle da sociedade; o sr. Flávio Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 11 10 tornouse controlador com 80% do capital da Sitesharing Brasil, ficando estrategicamente posicionado como titular dos bens que depois seriam cindidos e alienados. 37. Em 01/09/2009, foi aprovada a cisão parcial de Sitesharing Brasil, sendo a parcela cindida absorvida pela Sitesharing NE, o sr. Flávio retirouse da Sitesharing Brasil levando este patrimônio cindido (que em seguida vendeu com ágio para a American Tower) e destaca que nem a Servisite, nem a Sestri, ainda não tinham recebido qualquer valor pela venda. 38. Avalia que após ter o sr. Flávio passado a ser controlador, com 80% do capital social, foram deliberados e implementados em 19/04/2010, distribuições de R$9.308.701,02 de dividendos e cisão parcial da Sitesharing Brasil, avaliado o patrimônio cindido em R$44.382.330,00, com incorporação dos ativos cindidos na Sitesharing NE que aumentou o capital em apenas R$9.184.531,00; diz que o exame do Anexo B dos protocolos de cisão parcial e incorporação, págs. 253/255 evidencia o porquê deste aumento do CS de R$16.619.471,00, para R$25.804.02,00, com apenas mais R$9.184.531,00 explica que esse montante se trata dos ativos transferidos da Sitesharing Brasil para a Sitesharing NE, que foram as restante torres e "sites" de telefonia recebidos na integralização de aumento de capital da Autuada pela Servisite (sr. Luigi); que a cisão parcial esvaziou a Sitesharing Brasil dos ativos necessários às suas atividades operacionais conclui que o objetivo das operações societárias foi a alienação; destaca que a condição precedente para a venda para a American Tower era a cisão da Sitesharing Brasil e transferência para a Sitesharing NE de determinados ativos e contratos e; que sr. Flávio se tornou 100% proprietário desta, o que evidencia a intenção de concentrar na pessoa física do sr. Flávio o patrimônio da Autuada a ser alienado. 39. Em 30/09/2010, a American Tower realizou AGE que autorizou a aquisição de 100% das ações da Sitesharing NE; na Cláusula 4ª do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2010, consta (pág. 460), que a American Tower realizou auditoria contábil nas Sitesharing Brasil e Sitesharing NE, até 31/08/2010, evidenciando que a compra/venda já estava decidida e em andamento. 40. Sobre as preliminares de nulidade, aponta que não houve atuação de pessoa incompetente e tampouco preterição no direito de defesa a justificar o pleito e a Recorrente buscou em sede de preliminar, discutir o fundamento legal da autuação, que é matéria de mérito. 41. Aponta que planejamento tributário abusivo, no presente caso, se infere a partir das circunstâncias que envolvem a operação: (i) pela ausência de propósito negocial nas operações que culminaram com a entrega do controle societário da Sitesharing Brasil ao Sr. Flávio; (ii) pela falta de propósito negocial na cisão parcial da Sitesharing Brasil; e (iii) pelo fato de a operação se haver realizado após e em razão da assinatura do contrato de compra e venda; e que devem ser rejeitadas as alegações recursais no sentido de que a reorganização societária examinada se situa em um contexto de gestão empresarial e que a Fiscalização promoveu lançamento por presunção. 42. Sobre ausência de propósito negocial na entrega do controle societário ao sr. Flávio, aponta a grande diferença entre o valor pago e o valor da venda, não comprovação da maior parte dos pagamentos e que houve falta de propósito negocial na cisão parcial da Sitesharing Brasil, pois a a verdadeira razão da cisão foi a negociação em curso com a American Tower; e que os ativos cindidos e incorporados na Sitesharing NE eram o ativo operacional conferido pela sócia Servisite, em 2003, na constituição da Autuada e a Servisite entregou por valor Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 12 11 contábil, notoriamente abaixo do valor de mercado, bens que posteriormente, o se. Flávio vendeu a valor de mercado e a Servisite nada teve a opor! 43. Discorda das justificativas de que a Sitesharing Brasil figurou como interveniente no Contrato de Venda e Compra, devido à condição do art. 233 da Lei das SA's; aponta que a alínea "b" da cláusula 5.1 do Contrato, pág. 461, que a determina que a Sitesharing Brasil e o sr. Flávio, conjunta e solidariamente, deverão indenizar o Comprador contra quaisquer perdas sofridas ou incorridas resultantes de todo e qualquer passivo relativo a atos praticados até a data do fechamento. 44. E resume que a vantagem visada no planejamento tributário abusivo foi a tributação do ganho de capital, na pessoa física à alíquota de 15%. 45. Destaca que a Sitesharing Brasil participou de todo o planejamento tributário e discorda de que a Recorrente, não teria se beneficiado da operação de cisão, pois justamente a cisão pelo valor contábil confirma a intenção de alienar ativos relevantes por meio de pessoa física e diminuir a tributação sobre o ganho 46. Sobre o argumento de que o efeito fiscal da operação seria o mesmo se não tivesse sido realizada a cisão parcial, lembra que, para que o ganho de capital incidisse no sr. Flávio, a alienação deveria ter sido das ações da Sitesharing Brasil (Autuada) e não da subsidiária Sitesharing NE que foi o objeto do negócio. 47. O mesmo argumento também afasta a alegação de que o efeito fiscal teria sido o mesmo, caso o Grupo Sitesharing tivesse optado por realizar redução de capital da Sitesharing Brasil, com devolução das quotas da Sitesharing NE ao acionista Sr. Flávio, destacando que cabe elaborar o raciocínio a partir da situação inicial em que as sócias da Recorrente eram Servisite e a Sestri. 48. Sobre alegado erro na data do fato gerador, em razão de cláusulas suspensivas no Contrato firmado com a American Tower, porém, sem demonstrar qual parcela do pagamento feito pela American Tower seria correspondente, explica a PFN que o fato gerador da tributação do ganho de capital é a data da alienação, e consta do Contrato que a data de fechamento do negócio foi 01/03/2011. A recorrente havia optado pela tributação no regime do lucro real (sic) (trimestral), consequentemente, a tributação recaiu sobre 2011. 49. Sobre aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF, explica que o empate em uma votação não significa que há dúvida; significa, tãosomente, que as opiniões estão divididas; e que este artigo é norma de direito penal tributário, aplicável exclusivamente no contexto de ilícitos fiscais; esta regra detém natureza penal, qualificase como punitiva e somente pode ser aplicada em caso de infração penal fiscal e não em qualquer momento ou circunstância de interpretação de regras tributárias em geral. 50. Acerca da incidência de juros sobre multa, aponta que invocar a literalidade do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de posicionamento incompleto e incorreto pois ignora o termo "decorrente de" antes das palavras "tributos e contribuições", portanto, a aplicação dos juros é sobre débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições, isto é sobre o crédito tributário, o que não é o mesmo que afirmar que apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora, e cita os arts. 113 e 161, do CTN; portanto, ao se interpretar normas que prevêem a aplicação de multas, devese considerar as finalidades da multa, que são punitiva e educativa; implica dizer que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 13 12 de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício, e incentivo ao não cumprimento das obrigações tributárias; transcreve jurisprudência administrativa e judicial. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 51. Haja vista o recurso de ofício da DRJ e recursos voluntários da Autuada e dos responsáveis solidários, cabe a análise de toda a autuação e contestações. 1 Nulidade dos Autos de Infração. 52. Arguem a nulidade dos autos, argumentando falta de fundamentação e fato gerador em data errada; porém tais fatos não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulo tal ato, pois estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 53. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 54. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 55. Não se acolhe a preliminar de nulidade. 1.1.1 Falta de fundamentação 56. Os Recorrentes podem não concordar com a fundamentação legal adotada pelo Autuante, porém descabe a alegação de estaria faltando; fato é que consta a fundamentação legal da exigência de IRPJ, pág. 948: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 521, 522 e 528 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); e de CSLL, à pág. 958, além da capitulação legal da multa de ofício e juros de mora, bem como das responsabilizações solidárias, já descritas. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 14 13 1.1.2 Fato gerador equivocado 57. Consta do TVF, pág. 936, o esclarecimento: 132. De novo, no ano calendário de 2011 a fiscalizada optou pela tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pela sistemática do Lucro Presumido, e pelo regime de competência, e segundo o Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, relativo à alienação da Sitesharing NE à American Towers (vide parágrafos 82 a 87), a data de fechamento foi estabelecida em 01/03/2011. Esta data de fechamento foi confirmada pelo Sr. Flávio na sua resposta ao Termo de Reintimação 005 (2), protocolizada em 30/04/2015. Portanto, o ganho de capital deve ser computado no primeiro trimestre do ano calendário de 2011. 133. Observese que, devido à opção pelo regime de competência feita pela fiscalizada na linha 14 da Ficha 67B da DIRPJ AC 2011, o ganho de capital não poderá ser diferido para as datas dos pagamentos efetuados pela empresa compradora da Sitesharing NE. 58. A Autuada optou pelo lucro presumido, regime de competência (conforme TVF, pág. 936, § 132), por isso, a autuação tem como fato gerador o 1º trimestre de 2011, pois, obedecido o regime de competência, a realização da alienação se deu na data contratada; se empresa tivesse optado pelo lucro arbitrado, regime de caixa, seria o caso de considerar as datas de ingresso dos recursos no caixa, porém não foi esta a opção da Autuada. 2 Mérito. 59. Argumenta a Recorrente que a sua cisão parcial, com a transferência do acervo cindido, pelo valor contábil, para a Sitesharing do Nordeste, subsidiária que então passou a ser propriedade do acionista sr. Flávio, que dessa forma se retirou da empresa Recorrente, foi porque o sr. Flávio não mais queria continuar na atividade, sendo que, em seguida ele vendeu a Sitesharing do Nordeste para a American Towers, pelo valor de mercado, apurando o ganho de capital na sua pessoa física, questionado nestes autos. 60. Vejase o conjunto de operações desenvolvidas. 61. Págs. 69/79, em 08/05/2003 (data do Contrato Social, não consta data registro Jucesp), a Recorrente/Autuada foi constituída com a razão social Sitesharing do Brasil Empreendimentos em Telecomunicações Ltda (doravante Autuada; as sócias eram: 80% Sestri Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 05.448.607/000152 (doravante Sestri), representada pelo sócio Calos Augusto Costa Neto; e 20% Serviste Ltda CNPJ 04.787.555/000186 (doravante Servisite), representada pelos Diretores Luigi Cosenza (CPF 088.035.23880), Cláudio Rafaelli e Draja Mihajlovoc. 62. Pesquisando internet, consta do site http://www.consultasocio.com/q/sa/flavio ognibeneguimaraes, que Flávio Ognibene Guimarães, CPF 056.139.75880, é ou foi sócio da Sestri, desde a fundação: Sestri Empreendimentos e Participacoes Eireli CNPJ 05.448.607/000152 Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 15 14 Nome fantasia (Ausente) Razão social Sestri Empreendimentos e Participacoes Eireli Data de abertura 11/12/2002 Endereço R Pedroso Alvarenga, 900, Andar 3, Itaim Bibi, Sao Paulo, SP, CEP 04531003, Brasil Telefone (11) 31681552 Natureza jurídica Empresa Individual de Responsabilidade Limitada de Natureza Empresária Código 2305 Atividade econômica principal Holdings de instituições não financeiras CNAE 6462000 63. Haja vista os fatos a seguir descritos, podese concluir que a Autuada foi constituída por um investidor, sr. Flávio (Sestri) e por alguém que já atuava da área de torres de telecomunicações, sr. Luigi (Servisite). 64. Em 21/05/2003, págs. 92/135, houve aumento Capital Social (CS) dos R$10.000,00 inicias para R$11.552.850,00: R$7.700.000,00 (sendo R$5.300.000,00 imóvel industrial, R$2.400.000,00 em moeda) pela Sestri (sr. Flávio) que fica com 66.72%; e R$3.842.850,00 (sendo R$3,10 em moeda, R$40.000,00, terreno e R$3.804.846,90 em 132 torres e sites), pela Servisite (Sr. Luigi) que fica com 33,28%; administradores Luigi Cosenza (doravante sr. Luigi) e Draja Mihajloc, (doravante sr. Draja); destacou a PFN nas Contrarrazões que a sócia Servsite (Sr. LUigi) integralizou o montante de R$ 3.842.846,90 mediante a conferência de bens imóveis, móveis, direitos e obrigações, dentre os quais 132 torres destinadas a serviços de telecomunicações, às quais atribuiu, com expressa concordância da outra sócia (Sestri , sr. Flávio), o valor contábil de R$27.504.123,68, mesmo que a sua contribuição para o aumento do capital tivesse sido de apenas R$3.842.846,90, conforme documento de págs. 92/135. Essas torres irão compor o patrimônio cindido, em 01/09/2010, para a Sitesharing NE e, em seguida, serão alienadas para a American Tower do Brasil Cessão de InfraEstruturas Ltda, doravante America Tower. 65. Em 10/11/2003, págs. 81/91, é transformada em S/A fechada. 66. Em 29/12/2004, págs. 136/165, incorpora Z.X.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ 07.045.108/000140, avaliada em R$38.249.838,00, na data de 27/12/2004, (cujo patrimônio é 100% investimento na incorporadora (a Autuada): R$11.652.274,00 mais ágio da aquisição da mesma por R$26.597.064,00, pág. 154); Sestri e Servisite eram as únicas sócias quotistas desta incorporada (págs. 147: 66,72% Sestri; 33,28% Servisite); a Autuada aumenta o CS de R$11.552.850,00, para R$38.150.414,00, isto é, em R$26.597.564,00 assinam pela Z.X.S.P.E: Flávio Ognibene Guimarães (doravante sr. Flávio) e sr. Draja); pela Sestri, sr. Flávio; pela Servisite, srs. Luigi e Draja; resulta a participação no CS: Sestri 66,72%, R$25.453.754,00; Servisite 33,28%, R$12.696.660,00. 67. Observese que a Z.X.S.P.E, que foi constituída pelas mesmas Sestri e Servisite em data anterior, havia adquirido participação societária na Autuada, com ágio, de onde se conclui que o aumento de capital decorrente da incorporação não passou de uma reavaliação dos ativos da Autuada e aumento de capital decorrente; evidenciase a participação do sr. Flávio e sua ligação na Sestri. 68. Em 03/03/2008, págs. 172/181 e 184/236, a Autuada constitui a Sitesharing do Nordeste Empreendimentos Telecomunicações Ltda (doravante Sitesharing NE), CS R$100.000,00, em moeda, 99,99 % da Autuada e 0,01% sr. Luigi; o objeto social é o mesmo da autuada, construção, locação, operação de torres e "sites". Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 16 15 69. Em 02/01/2009, págs. 184/236, a Sitesharing NE aumenta o CS para R$14.619.471,00, totalmente subscrito pela Autuada e integralizado mediante 190 torres e respectivos "sites (134 originárias da Sevisite (sr. Luigi)). 70. Em 03/08/2009, págs. 489/501, o sr. Flávio adquire da Sestri (representada por ele mesmo, Diretor), por R$25.453.754,00 (valor em 30/06/2009), a totalidade das 25.453.754 ações da Autuada que eram detidas pela Sestri, que se retira da sociedade; condição de pagamento: 100 parcelas mensais consecutivas de R$254.537,54, a partir de 01/01/2010, via TED; em 31/07/2009, págs. 502/516, o sr. Flávio adquire da Servisite (sr. Luigi) 5.066.678 ações (a Servisite detinha 12.696.660 ações) da Autuada, por R$7.500.000,00 (valor em 30/06/2009) a serem pagas em 5 parcelas mensais consecutivas a partir de 01/05/2010, mediante cheques nominativos. 71. A partir deste momento, a Autuada passa a ser propriedade do sr. Flávio e Servisite (sr. Luigi). 72. Em 30/12/2009, págs. 238/240, foi eleito Sr. Flávio, como diretor da Autuada. 73. Em 01/09/2010, págs. 241/257, 262/279, a Autuada é objeto de cisão parcial e seletiva e a parcela cindida, avaliada em R$44.382.330,00 (R$35.197.798,80 de participação na Sitesharing NE e R$9.184.531,36 de Imobilizado), valor contábil na data de 02/08/2010, R$9.184.531,00; é incorporada pela Sitesharing NE, que aumenta o CS em R$9.184.531,00, de R$14.619.471,00 para R$25.804.002,00; este capital é totalmente subscrito pelo sr. Flávio, e integralizado com a parcela do Patrimônio Líquido cindido, constante do investimento na Sitesharing NE e de torres (incluídas as da Servisite sr. Luigi) e sites (Anexo B); o CS da Autuada é reduzido para R$7.630.082,00, retirase o sócio sr. Flávio, restando a sócia Servisite (sr. Luigi), com 100%. 74. Destaca a PFN nas Contrarrazões que o sr. Flávio ficou estrategicamente posicionado como titular dos bens que foram cindidos; que no momento da cisão, nem a Servisite, nem a Sestri, ainda não tinham recebido qualquer valor pela venda de suas ações ao sr. Flávio; e que esse conjunto de operações levou a Fiscalização a concluir que foram preparatórias para implementar a venda dos ativos afim de que a tributação do ganho de capital recaísse na pessoa fisica do sr Flavio (15%), em vez de na pessoa jurídica da Autuada (34%). 75. Em 19/04/2010, págs. 294/295, 296/297, a Autuada aprova a capitalização dos ativos na Sitesharing NE, a distribuição de R$9.308.701,02 de dividendos de 2008, para acionistas conforme posição em 31/01/2010; em 16/08/2010, págs. 292/293, a Autuada aprovou distribuição de dividendos relativos ano 2009, no total de R$15.260.165,60; assinaram os acionistas sr. Flávio e Serviste (sr. Luigi), e em 20/08/2010, dividendos complementares de 2009, R$7.500.000,00. 76. Em 20/12/2010, págs. 298/299, a Autuada distribui R$8.300.000,00 de dividendo relativos a resultados até 31/10/2010, em conformidade com posição societária em 31/08/2010. 77. A soma dessas distribuições resulta em R$32.068.866,62 e se computada a ultima referente a resultados até data posterior à cisão, o montante passa a ser R$40.368.866,62, sendo parcela significativa destinada à Sestri (sr. Flávio) e/ou ao sr. Flávio; o valor a pagar para a Sestri e Servisite totalizou R$25.453.754,00, a partir de 01/01/2010, mais R$7.500.000,00, a partir de 01/05/2010, isto é R$32.953.754,00; consta do TVF, pág. 916, que o sr. Flávio recebeu R$32.217.805,18, que corresponde a 80% dos R$40.368.866,62: Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 17 16 48. Em 05/02/2015. o Sr. Flávio Ognibene Guimarães respondeu que, com relação aos dividendos recebidos da empresa Sitesharing Brasil S.A., identificara os seguintes depósitos em sua conta corrente: Tabela 9 "DIVIDENDOS" segundo a resposta do Sr. Flávio Ognibene Guimarães de 05/02/2015 23/04/2010 3.723.480.50 26/05/2010 50.000.00 11/06/2010 2.000.000.00 17/06/2010 1.600.000.00 08/03/2010 3.967.643.16 17/09/2010 763.008.30 20/03/2010 763.008.30 25/03/2010 7.368.673.54 20/10/2010 2.000.000.00 23/12/2010 4.000.000.00 24/12/2010 5.981.991.38 TOTAL 32.217.805.18 78. TVF: pág. 907: 13. Importante aqui observar que na DIRPF AC 2010 do Sr. Flávio (abaixo reproduzida) consta o recebimento de dividendos no valor de R$32.295.093,48 da Sitesharing Brasil. Portanto, logo após adquirir as ações da Sitesharing Brasil (03/08/2009), mediante o valor de R$32.953.754,00, o Sr. Flávio fez jus a dividendos no valor R$32.295.093,48. 79. Avaliou a PFN, nas Contrarrazões, que após ter o sr. Flávio passado a ser controlador, com 80% do capital social, foram deliberados e implementados: a. em 19/04/2010, págs. 294/295, distribuições de R$9.308.701,02 de dividendos e cisão parcial da Sitesharing Brasil, avaliado o patrimônio cindido em R$44.382.330,00, com incorporação dos ativos cindidos na Sitesharing NE que aumentou o capital em R$9.184.531,00, págs. 246/250; i. Sobre este aumento, destaca que a explicação para esse montante se encontra no ANEXO B dos protocolos de cisão parcial e incorporação (fl. 253255 ou fls. 274276), pois tratase do exato montante do valor atribuído aos ativos transferidos da Sitesharing Brasil para a Sitesharing NE, que consistiam no restante de torres ("sites") de telefonia que ainda estavam com a Sitesharing Brasil e que lhe pertenciam desde sua constituição, págs. 92/135 e que foram recebidos na integralização de aumento de capital da Autuada pela sócia Servisite naquela data; portanto, fica evidente que a cisão parcial esvaziou a Sitesharing Brasil dos ativos necessários às suas atividades operacionais o que conduz à conclusão que o objetivo das operações societárias foi essa alienação; ii. destaca ainda que, conforme consta do contrato de venda, pelo sr. Flávio, para a American Tower, que a condição precedente era a cisão da Sitesharing Brasil e transferência para a Sitesharing NE de determinados Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 18 17 ativos e contratos e que, na mesma data da cisão, o sr. Flávio adquiriu do sr. Luigi as 10 ações que aquele detinha da Sitesharing NE, e se tornou 100% proprietário desta, o que evidencia a intenção de concentrar na pessoa física do sr. Flávio o patrimônio a ser alienado. 80. Em 01/09/2011, págs. 300/303, a Autuada aumenta CS: sócios Servisite 99,99%, sr. Luigi, 0,01%, ou seja 100% sr. Luigi. 81. Em 25/02/2011, págs. 304/305, AGE da Autuada de homologação da renúncia do diretor sr. Flávio, comunicada por escrito em 19/02/2011. 82. Somente em 25/02/2011 o sr. Flávio se desligou do processo decisório da Autuada, destacandose que assumiu a Sitesharing NE em 01/09/2010, e fechou a venda em 02/03/2011, cuja negociação, obviamente foi anterior a essa data, tendo sido a AGE de aprovação da compra pela American Tower em 30/09/2010, depois de efetuadas auditorias tanto na Autuada como na Sitesharing NE. 83. Em 31/12/2013, págs. 307/317, págs. 307/317, a Autuada altera denominação social para SS Towers Participações S/A. 84. Em 30/07/2014, págs. 318/344, a Autuada incorpora Metalpak Engenharia, Comércio e Construções Ltda, CNPJ 62.955.158/000172, doravante Metalpak, cujo único sócio quotista era o sr. Luigi, avaliada em R$13.834.842,00, valor contábil em 30/06/2014; aumenta CS de R$8.571.000,00, para em R$14.603.159,00, sendo R$5.360.449,72 pela Servisite e R$9.143.832, 00 sr. Luigi, integralizadas com créditos detidos pelos acionistas contra a Autuada; a incorporada Metalpak era titular 100% da Servisite que era titular de 99,989% da Autuada (pág. 328), e ambas são extintas; a nova composição CS da Autuada: 4.3. Em razão da Incorporação e do cancelamento das ações em decorrência da participação recíproca, o capital social da INCORPORADORA será aumentado em R$ 8.375.525,00 (oito milhões, trezentos e setenta e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais), e passará de R$ 14.603.159,00 (quatorze milhões, seiscentos e três mil, cento e cinquenta e nove reais), dividido em 14.603.159 (quatorze milhões, seiscentas e três mil, cento e cinquenta e nove) ações ordinárias nominativas, sem valor nominal para R$ 22.978.684,00 (vinte e dois milhões, novecentos e setenta e oito mil, seiscentos e oitenta e quatro reais), dividido em 22.978.684 (vinte e dois milhões, novecentas e setenta e oito mil, seiscentas e oitenta e quatro) ações ordinárias, nominativas sem valor nominal, todas de propriedade do sócio Luigi Cosenza. 85. A sócia Servisite (sr. Luigi, de se notar que se trata de pessoa física), é extinta e este passa a 100% proprietário da Autuada. 86. TVF, págs. 911/912: Em 30/09/2010, (...) a empresa AMERICAN TOWER DO BRASIL CESSÃO DE INFRAESTRUTURAS LTDA., CNPJ: 04.052.108/000189, (...) outorgou autorização para aquisição de 100% do capital social da Sitesharing NE S.A., mediante a celebração de Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 19 18 Avencas, entre a AMERICAN TOWER DO BRASIL, na qualidade de compradora, o Sr. Flávio Ognibene Guimarães, como vendedor, e a Sitesharing do Brasil, na qualidade de interveniente. 27. Em face da referida negociação, segundo a DIRPF AC 2011 do Sr. Flávio Ognibene Guimarães, a American Towers adquiriu as ações da Sitesharing NE, pagando em 05 diferentes datas, por R$ 934.851.079,01, proporcionando ao Sr. Flávio Ognibene Guimarães um ganho de capital de R$ 801.697.315,01 (Tabela 6). (...) 29. Em 30/04/2011, a Ata de Reunião de Sócios do contribuinte AMERICAN TOWER DO BRASIL CESSÃO DE INFRAESTRUTURAS LTDA. (REG JUCESP 184.840/119) aprovou a incorporação e conseqüente extinção da Sitesharing NE (vide item 5.4 da Ata em comento). 87. A empresa criada para ser vendida foi extinta por incorporação, pela adquirente, American Tower. 88. Paralelamente, o sr. Luigi tornouse dono 100% da Autuada. 89. Apontou a PFN que a realização em 30/09/2010, pela American Tower de AGE que autorizou a aquisição da Sitesharing NE; mais a na Cláusula 4ª do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2010, em que consta (pág. 460), que a American Tower realizou auditoria contábil nas Sitesharing Brasil e Sitesharing NE, até 31/08/2010, evidencia que a compra/venda já estava decidida e em andamento, quando da cisão; sobre os pagamentos à Sestri e Servisite destaca que: o Sr. Flávio se comprometeu a pagar RS 25.453.754,00 pelas ações da Sestri e R$ 7.500.000,00 pelas ações da Servisite (que venderia em seguida por quase 1 bilhão de reais a PFN manifesta estranheza que a Servisite tenha concordado em fazer tão péssimo negócio, ao vender a participação por preço tão inferior ao mercado); para comprovar os pagamentos, não apresentou, para os casos transferência bancária para a Sestri, os extratos com identificação do emitente e do destinatário, como solicitava Termo de Intimação 004 Flávio, impossibilitando a confirmação dos valores apontados por ele em sua resposta ao TI 003; tampouco a Sestri apresentou os referidos extratos de recebimento via TED; em resumo, apresentou apenas comprovação das parcelas referentes às cópias dos cheques de R$2.036.300,32 e R$1.018.150,16, totalizando R$3.054.450,48, ou seja, 12% do total; sobre a tabela de pagamentos de pág. 2.802, além de divergir dos termos pactuados, faltaram a identificação do emitente e destinatário, para comproválos; quanto ao montante de R$16.900.000,00 quitado mediante compensação com dividendos que a Sestri ainda não havia distribuído aos acionistas, fl. 606, considera comprovados; contudo, a distribuição de R$32.217.805,18 de dividendos pela Sitesharing Brasil ao sr, Flávio, ao longo de 2010, págs. 552/523, caracterizamse como financiamento dos R$32.953.754,00, para que este adquirisse as ações da própria Sitesharing Brasil, sendo que, adicionalmente, tal montante contrasta com os ínfimos valores de dividendos distribuídos em anos precedentes; da mesma forma, na AGE de 19/04/2010, sendo o sr. Flávio controlador 80%, distribuíramse R$9.308.701,02 de dividendos do ano 2008 (0,24/ação), enquanto que, quando controlada pela Servisite e Sestri, os R$152.601,66 de dividendos de 2006, perfaziam 0,004/ação; também nas distribuições seguintes se observa o valor elevado por ação: AGE 16/08/2010, dividendos 2008, R$15.260.165,60 (0,40/ação); AGE 20/08/2010, dividendos 2009, R$7.500.000,00 (0,197/ação) e AGE de 20/12/2010, que aprovou distribuição de dividendos até 31/10/2010, R$8.300.000,00 (0,218/ação), o que evidencia drástica mudança Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 20 19 na política de distribuição de dividendos que permitiu financiar o sr. Flávio, para que adquirisse as ações da Sitesharing, e evidencia que, nesta última AGE o sr. Flávio não mais fazia parte da Sitesharing, pois se desligou em 01/09/2009, portanto, recebeu dividendos de período de apuração posterior à sua saída, na proporção de 80%. 90. A PFN ainda aponta, sobre a falta de propósito negocial na cisão parcial da Sitesharing Brasil, justificada pela Autuada por divergência na condução dos negócios entre o sr. Flávio e a Servisite, o que teria levado à cisão do patrimônio na proporção de participação de cada um, ficando o primeiro com a Sitesharing NE e a segunda com a Sitesharing Brasil (Autuada), que a negociação para a venda à American Towers já se encontrava em curso e estava condicionada à cisão, e conclui que foi esta a verdadeira razão da cisão; outro aspecto destacado é que os ativos cindidos e incorporados na Sitesharing NE eram o ativo operacional conferido pela sócia Servisite, em 2003, na constituição da Autuada, então apesar de serem dissidentes os sócios Servisite e sr. Flávio, a primeira entregou por valor contábil, notoriamente abaixo do valor de mercado, bens que posteriormente, o segundo vendeu a valor de mercado e a Servisite nada teve a opor! 91. Destaca que a Sitesharing Brasil participou de todo o planejamento tributário e discorda das justificativas de que a Sitesharing Brasil foi considerada como interveniente no Contrato de Venda e Compra, apenas devido à condição do art. 233 da Lei das SA's; aponta que a alínea "b" da cláusula 5.1 do Contrato, pág. 461, determina que a Sitesharing Brasil e o sr. Flávio, conjunta e solidariamente, deverão indenizar o Comprador contra quaisquer perdas sofridas ou incorridas resultantes de todo e qualquer passivo relativo a atos praticados até a data do fechamento (que foi posterior à cisão). 92. Rebate o argumento da Recorrente, de que não teria se beneficiado da operação de cisão, pois justamente a cisão pelo valor contábil confirma a intenção de alienar ativos relevantes por meio de pessoa física e diminuir a tributação sobre o ganho se os ativos cindidos tivessem sido avaliados a valor de mercado, teria ocorrido o ganho de capital neste momento e tributados na pessoa jurídica e resume que a cisão parcial deve ser tratada como se não tivesse ocorrido, dada a ausência de propósito negocial, o que implica que a autuada era a titular das ações da Sitesharing NE alienadas à American Tower e sobre a autuada deve recair o ganho de capital: (...), notase claramente a alteração da estrutura societária, nessa sequencia: (i) no momento inicial, havia duas pessoas jurídicas controlando a SITESHARING BRASIL, que, por sua vez, controlava a SITESHARING NE; (ii) no segundo momento, uma pessoa física assume o controle direto da SITESHARING BRASIL e o indireto da SITESHARING NE; (iii) por fim, a SITESHARING BRASIL retirase da sociedade na SITESHARING NE, de modo que o controle direto desta pessoa jurídica passa a ser exercida pelo Sr. FLÁVIO GUIMARÃES. Apenas quando o controle da SITESHARING NE passou a ser exclusivo do Sr. FLÁVIO GUIMARÃES (última etapa), é que se formalizou a venda das ações da SITESHARING NE para a AMERICAN TOWER LTDA. 93. Avaliando o "filme", verificase que não há como duvidar que as transformações societárias realizadas pelas sócias da Autuada, isto é pela Sestri e Servisite e respectivos sócios e administradores, e que foram o foco da presente autuação, tiveram como objetivo desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 21 20 atribuído pela sócia que permaneceu), para ser vendida à American Towers, pela pessoa física do sócio sr. Flávio, sócio da Autuada, inicialmente, via Sestri, depois via Sitesharing NE o processo de transferência para a pessoa física do sr. Flávio envolveu o valor contábil do acervo e a venda pela pessoa física se deu pelo valor de mercado, incidindo a tributação à alíquota de 15% ; e não apenas neste caso ora em discussão, porque como relatado, também foi extinta a Serviste na incorporação da Metalplak, a qual se deu, da mesma forma, pelo valor contábil, restando o sr. Luigi, também pessoa física, como único sócio da Autuada. 94. Noticias veiculadas por publicações especializadas dão conta de que a SS Towers foi vendida: a. fonte: www.gp.com.br/download_arquivos.asp?id_arquivo=1F2BB91030ED 457D.. GP INVESTMENTS ANUNCIA QUE BR TOWERS CONCLUIU OPERAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO COM A SITESHARING, EMPRESA PIONEIRA NO MERCADO DE TORRES NO BRASIL 04 de fevereiro de 2013 – A GP Investments, Ltd [BOVESPA: GPIV11] (“GP Investments”), com sede em Penthouse, 129 Front Street, Hamilton HM 12, Bermudas, uma companhia líder em investimentos alternativos na América Latina, anuncia que a BRT Holding 2 S.A., empresa controlada indiretamente pelo fundo de private equity GP Capital Partners V, L.P. (“GPCPV”), gerido pela GP Investments V, Ltd., uma subsidiária integral da GP Investments, concluiu a assinatura de determinados contratos com a Sitesharing Brasil S.A. (“Sitesharing”), empresa pioneira no mercado de torres no Brasil, através dos quais a Sitesharing adquiriu parcela do capital social da BR Towers S.A. (“BR Towers”), mediante subscrição de novas ações, integralizadas com a conferência ao capital social da BR Towers, de ativos de propriedade da Sitesharing. Após a entrada da Sitesharing, o capital social total da BR Towers passa a ter a seguinte composição: 15,0% detidos pela SS Towers Participações S.A. (controlada pelos acionistas fundadores da Sitesharing), e 85,0% detidos pela BRT Holding 2 S.A., a qual, por sua vez, é controlada, indiretamente, pelo GPCPV com 70,0% do capital total e, o remanescente de 30,0% detido pelo Fundo de Investimento Multisetorial Plus, administrado pelo Banco Bradesco BBI S.A.. Fundada em 2003 por Luigi Consenza, que desde a década de 1950 esteve envolvido no setor de construção de torres de telefonia no Brasil, a Sitesharing é uma empresa brasileira pioneira na construção, aluguel e manutenção de torres de telecomunicações no país. A aquisição da Sitesharing é um passo estratégico de grande relevância para o futuro da BR Towers, porque adiciona uma unidade de negócio com expertise e reconhecida qualidade no desenvolvimento de projetos de build tosuit. A Sitesharing possui, atualmente, 100 ativos estrategicamente posicionados e um robusto pipeline de 250 torres (buildtosuit) já contratadas por operadoras de telefonia. Fl. 2976DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 22 21 A parceria com a Sitesharing agrega à BR Towers experiência operacional, sólido relacionamento com as principais operadoras de telefonia celular, além da credibilidade de uma empresa consolidada e líder em projetos de buildtosuit no mercado brasileiro. Sobre a GP Investments, Ltd. A GP Investments, uma companhia líder em investimentos alternativos na América Latina, está investindo ativamente na região desde 1993. A GP Investments já captou aproximadamente US$5 bilhões e adquiriu 51 companhias em 15 diferentes setores da economia. Em maio de 2006, a GP Investments concluiu seu IPO, tornandose a primeira companhia de private equity listada em bolsa da América Latina. Para mais informações, acesse o website da GP Investments (www.gpinvestments.com) ou entre em contato com sua assessoria. Daniella Camargos Marilia Paiotti Assessora de Imprensa Máquina da Notícia (55) 11 3147 7900 daniella.camargos@grupomaquina.com marilia.paiotti@grupomaquina.com b. fonte: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE91400620130205, a mesma notícia: BR Towers compra empresa de torres de telefonia Sitesharing segundafeira 4 de fevereiro de 2013 A SS Towers, controlada por acionistas da Sitesharing, passa a ter 15 por cento da BR Towers com o acordo A BR Towers, controlada pela GP Investments, anunciou nesta segundafeira a aquisição da empresa de torres de telefonia Sitesharing, de acordo com comunicado. “A aquisição da Sitesharing é um passo estratégico de grande relevância para o futuro da BR Towers, porque adiciona uma unidade de negócio com expertise e reconhecida qualidade no desenvolvimento de projetos de buildtosuit”, segundo o documento. A Sitesharing tem 100 torres de telefonia, além de um projeto de 250 torres já contratadas por operadoras de telefonia, informou a GP Investiments em nota. Com a aquisição, a SS Towers, controlada pelos acionistas fundadores da Sitesharing, passou a deter 15 por cento da empresa da BR Towers, de acordo com fato relevante. Não foram divulgados os termos financeiros da transação. O negócio foi feito mediante subscrição de novas ações, integralizadas com a conferência ao capital social da BR Towers, de ativos de propriedade da Sitesharing, de acordo com o documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os 85 por cento restantes continuam sob controle indireto da GP Investments. Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 23 22 A BR Towers é uma empresa especializada em torres de telecomunicações para aluguel de capacidade a operadoras móveis. (Por Sérgio Spagnuolo) c. fonte: http://www.valor.com.br/empresas/3228064/americantowercompra28 miltorresnobrasildanextel: Outra aquisição 09/08/2013 às 12h16 American Tower compra 2,8 mil torres no Brasil da Nextel d. fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,gpvendebrtowersporr 218bilhoesimp,1512696, sequência dos fatos: GP vende BR Towers por R$ 2,18 bilhões Empresa criada há um ano e nove meses para gerir torres de telefonia no País foi adquirida pela americana American Tower Marina Gazoni, O Estado de S.Paulo 16 Junho 2014 | 02h04 Criada há apenas um ano e nove meses pela gestora GP Investments, a BR Towers foi 100% vendida por R$ 2,18 bilhões para a concorrente American Tower, companhia americana presente no Brasil há 14 anos. Com a aquisição, a American Tower se torna líder no setor de construção e locação de torres para telefonia no País, com 11 mil antenas sob gestão o que faz do mercado brasileiro o terceiro maior da multinacional, atrás de EUA e Índia. O controlador da BR Towers, o fundo GPCPV vai receber US$250 milhões por sua fatia de 41% na empresa, um retorno de 2,8 vezes sobre o capital investido, em dólares. Os demais acionistas são um coinvestidor da GP, dono de 18,5%, cujo nome não foi divulgado, um fundo de private equity do Bradesco e os antigos donos da Sitesharing, empresa do setor comprada em fevereiro de 2013 pela BR Towers. As fatias do Bradesco e da Sitesharing não foram reveladas. A BR Towers nasceu com a compra de 2 mil torres da Telefônica/Vivo em setembro de 2012. A criação da empresa, hoje com 4,3 mil torres no País, foi uma aposta da GP no desenvolvimento do mercado brasileiro de gestão independente de infraestrutura para telefonia. Nesse formato, as chamadas "towers companies" constroem ou compram antenas para alugar para as operadoras de telefonia. 95. http://www.telesintese.com.br/cadeaprovacompradabrtowerpelaamerican tower/ Cade aprova a compra da BR Tower pela American Tower Negócio representou investimento de R$ 2,1 bilhões pela empresa norteamericana Lucia Berbert 28 de outubro de 2014 O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra do total de capital da BR Fl. 2978DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 24 23 Tower pela American Tower do Brasil, operação iniciada em junho deste ano. O valor da operação foi de R$ 2,1 bilhões. Fundada por fundos da GP Investments em 2012, a BR Towers opera mais de 4.300 torres em todo o país, incluindo ativos adquiridos das operadoras de telefonia Vivo e Oi. Na sua página na internet, a American Tower indica que detinha, antes da operação, de 1.400 sites para compartilhamento. 96. O noticiário aponta que a SS Towers, antiga Sitesharing Brasil, foi por fim adquirida na totalidade pela American Towers, o que contradiz o argumento de dissidência entre os sócios quanto ao futuro da empresa. 2.1 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 97. A conclusão deste voto foi que a operação consistiu em simulação, com a intenção de evitar tributação mais gravosa; que o conjunto de operações visou atribuir a pessoa física o patrimônio da empresa que foi alienado: CARF. 1º Conselho de Contribuintes 4a. Câmara/ Acórdão nº 10421498, Publicação em 06/09/2007 Simulação – conjunto probatório – Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. Ausência de motivação extra tributária – O princípio da liberdade de autoorganização,mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. CARF. Acórdão 10195409. 1º Conselho de Contribuintes 1ª Câmara, Publicação em 23/02/2006 SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. 98. À vista da intenção dolosa de reduzir indevidamente a tributação, cabe a qualificação da multa de ofício. 99. Os arts. 166 e 167 do Código Civil de 2002 possuem a seguinte redação: Art.167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 25 24 2.2 VALOR SOBRE O QUAL DEVE SER CALCULADA A MULTA DE OFÍCIO. 2.2.1 Não reconhecimento dos valores recolhidos pela pessoa física, sr. Flávio. 100. Procede a reclamação de que os valores de Imposto de Renda recolhidos pela pessoa física Flávio Ognibene Guimarães, em relação à mesma transação autuada, sejam deduzidos dos valores de IRPJ exigidos da autuação, antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora, uma vez que aquela operação foi descaracterizada, porém o imposto foi recolhido espontaneamente. 101. Destaquese que o pleito foi formalizado tanto pela Autuada, como por. Flávio Ognibene Guimarães. 2.3 ART. 112 DO CTN. 102. Sobre aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF, o empate em uma votação não significa que há dúvida; significa, tãosomente, que as opiniões estão divididas; e que este artigo é norma de direito penal tributário, aplicável exclusivamente no contexto de ilícitos fiscais; esta regra detém natureza penal, qualificase como punitiva e somente pode ser aplicada em caso de infração penal fiscal e não em qualquer momento ou circunstância de interpretação de regras tributárias em geral. 2.4 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 103. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 104. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 3. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 26 25 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 105. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 106. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 107. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 108. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 3 Responsabilizações solidárias. 3.1 FLAVIO OGNIBENE GUIMARÃES, CPF 056.139.79880 109. Responsabilizado com base no 124, I, do CTN. 3.1.1 Argumentos na impugnação que apresentou. 110. Requereu, no caso de que fosse restabelecida pelo CARF a responsabilidade tributária que a DRJ cancelou, que retornassem os autos à última, ou que fossem analisados os argumentos que apresentou na sua impugnação aos autos; cabe, portanto, a análise dos seus argumentos que foram em síntese como segue. Preliminarmente L O presente Auto de Infração é materialmente nulo haja vista que: a. o Impugnante não teve acesso ao inteiro teor dos autos, sobretudo, o inteiro teor da fiscalização, razão pela qual não é capaz de se aprofundar nas razões pelas quais lhe foi imputada responsabilidade Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 27 26 solidário o que, consequentemente, lhe impõe prejuízo em concreto ao pleno exercício do seu direito à ampla defesa e ao contraditório; 111. A legislação do processo administrativo fiscal autoriza ao contribuinte vistas dos autos ou cópias, prerrogativa que o interessado optou por não exercer, descabendo o argumento de cerceamento no direito de defesa. b. a fiscalização ancorouse em institutos não previstos no Direito Tributário Brasileiro para desconsiderar a operação Autuada. Quanto à fraude à lei tributária, temse que este teoria é inaplicável no âmbito do Direito Tributário uma vez que a lei tributária só é imperativa no plano do seu consequente e não do seu antecedente pois, caso o fosse, haveria inegável tributação analógica ou confiscatória o que é expressamente proibido pelo ordenamento jurídico tributário brasileiro. Quanto ao abuso de direito, além desta teoria não ter sido utilizada para fundamentar o lançamento de ofício, aplicála impõe o reconhecimento de que o Fisco possui o direito à arrecadação tributária antes mesmo de o contribuinte incorrer no fato gerador o que não é verdade, pois tratase, quando muito, de mera expectativa de direito. Ademais, ainda que fosse possível afirmar que este direito existe antes de se incorrer no fato gerador, da sua aplicação não é permitido que o Fisco proceda à requalificação da operação; c. a D. Autoridade Fiscal não apontou objetivamente, até o presente momento, qual foi a lei tributária infringida e qual teria sido o ato que levou à sua infração 112. Já citados os artigos do CC referentes a negócio simulado. No mérito ii. o instituto da solidariedade, previsto no artigo 124 do CTN, não tem por escopo incluir um terceiro no polo passivo da relação jurídico tributária, mas, sim, preservar a responsabilidade dos sujeitos passivos que já a compõem; iii os incisos I (interesse comum) e II (pessoas designadas por lei) do artigo 124 do CTN devem ser interpretados em conjunto com os incisos I e II do parágrafo único do artigo 121 do CTN, que conceituam a figura do contribuinte e do responsável. A hipótese do inciso I do artigo 124 do CTN se dirige exclusivamente ao contribuinte, que é sempre a pessoa que mantém relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, praticandoo. Nesse sentido, "comum" é o interesse partilhado necessariamente entre dois ou mais contribuintes, não sendo possível existir interesse comum entre contribuinte e responsável; iv. o interesse comum se configura, portanto, sempre que duas ou mais pessoas se encontrem no mesmo polo da relação jurídica privada eleita pelo legislador para definir o fato gerador da obrigação tributária e o realizem conjuntamente. Assim, o interesse visado pela norma é sempre jurídico, afastandose interesses de ordem econômica, moral ou social; v. assim, há uma impossibilidade lógicojurídica de aplicação do inciso artigo 124 do CTN no caso concreto, visto que o Impugnante: a. é terceiro estranho ao fato gerador supostamente praticado pela Autuada, não podendo ser responsabilizado com fundamento nesse dispositivo, já que não se trata de norma de responsabilização. Fosse essa a pretensão da fiscalização, deveria invocar normas dirigidas a tal fim (exemplo: o artigo 135 do CTN); b. não é contribuinte do IRPJ e da CSL, tributos exigidos especificamente de pessoas jurídicas que apuram lucro (real, presumido ou arbitrado); e c. consequentemente, não poderia praticar em conjunto com a Autuada o fato gerador da obrigação tributária objeto desta autuação Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 28 27 vi. ainda que se superem esses obstáculos jurídicos, que por si só impedem incidência da norma do inciso I do artigo 124 do CTN, não há que se falar na configuração de interesse comum entre o Impugnante e Autuada, pois: a. o simples fato de o Impugnante ter sido sócio da Autuada até o ano de 2010 não justifica a sua responsabilização solidária. Isso porque a personalidade jurídica e a responsabilidade do sócio e da sociedade são, em regra, absolutamente distintos e incomunicáveis. Apenas em hipóteses excepcionais a personalidade jurídica da empresa pode ser ultrapassada alcançar os seus sócios como é o caso do artigo 50 do Código Civil de 2002 e do artigo 135 do CTN (não invocados pela D. Autoridade Fiscal e, portanto, inaplicáveis ao caso dos autos). Assim, o sócio não possui interesse comum (jurídico) nas situações que geram tributação para a empresa, mas, no limite, mero interesse econômico (recebimento dividendos, por exemplo); b. a retirada do Impugnante do quadro societário da Autuada denota que os interesses não eram comuns, mas, sim, divergentes, especialmente pela quebra da affectio societatis. Após a cisão parcial, o Impugnante e a Autuada seguiram caminhos próprios. Uma vez formalizada a sua saída da empresa Autuada, cessou qualquer interesse (inclusive econômico) que o Impugnante poderia ter em relação às operações da Autuada; c. a venda das ações da Sitesharing Nordeste pelo Impugnante para a American Tower foi independente e não sofreu qualquer ingerência, influência ou participação da Autuada. Na verdade, a Autuada só participou do contrato de compra e venda das ações na condição de interveniente e anuente em virtude do artigo 233 da Lei n°. 6.404/76 que a responsabiliza solidariamente, na qualidade de companhia cindida, pelas obrigações anteriores à cisão; e d. finalmente, o preço recebido pela venda das ações ficou exclusivamente com o Impugnante, único interessado na sua venda. A Autuada não obteve qualquer ganho, proveito ou benefício em razão da venda, muito menos houve confusão patrimonial entre as partes, a evidenciar que todos os sujeitos passivos teriam usufruído de tais recursos; 113. Já se analisou que o sr. Flávio permaneceu como Diretor e recebeu dividendo sobre resultados, até depois da cisão; os bens objetos da cisão, transferência para a sua pessoa e posteriormente vendidos, eram, pelo menos em parte, provenientes da integralização de capital na Autuada pela Servisite (sr. Luigi); s posterior ingresso do sr. Luigi na American Towers (compradora) não confirma que houvesse divergência entre os sócios quanto ao destino da Autuada. Subsidiariamente vii As irregularidades apontadas pela fiscalização não procedem pois: a. Quanto à Ia constatação fiscal (ausência de efetiva quitação do preço fixado para a compra das ações da Sitesharing Brasil pelo Impugnante), tal objeção não procede haja vista que, conforme atestam todos os comprovantes de pagamento trazidos aos autos, todos os valores foram quitados, A parcela correspondente a R$ 16.900.000,00 devida à Sestri foi objeto de compensação, tal demonstram os lançamentos contábeis _trazidos aos autos:_ 114. Verificouse que a quase totalidade parte dos pagamentos resultou de dividendos distribuídos pela própria. b. Quanto à 2a constatação fiscal (irregularidade da lavratura da transferência das ações no Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas), a fiscalização se apega a um formalismo despropositado na tentativa de imputar à Autuada a imagem de "contribuinte Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 29 28 fraudador" desprezandose o fato de que as formalidades constatadas, acaso existentes, em nada prejudicam o fato de que, atendidos os requisitos legais previstos na segunda parte do §1° do artigo 31 da Lei das S.A. (estes sim verdadeiras formalidades essenciais ao ato), não há que se questionar os efeitos advindos da lavratura da transferência de ações no livro tratado; e 115. Cabe concordar, ser irrelevante. c. Quanto à 3a constatação fiscal (ausência de declaração na DIPJ 2010 da participação societária da Sitesharing Brasil na Sitesharing Nordeste), o que se vê é que a "irregularidade" aqui apontada teria repercussões exclusivamente no tocante à disciplina jurídica aplicável às suas obrigações acessórias que, no caso, referese à multa de R$ 20,00 prevista no artigo 6o da IN RFB n° 1.028/2010. Ademais, não houve prejuízo algum ao Fisco haja vista que a referida participação foi declarada pela Sitesharing Nordeste. 116. É um indício, pelo fato de ocultar a operação realizada. viii A operação societária Autuada não pode ser caracterizada como "planejamento tributário" (ou hipótese de "elisão fiscal") haja vista que: a. a cisão seguida da incorporação eram absolutamente desnecessárias para que houvesse a tributação do ganho de capital na pessoa do sócio (pessoa física) pelo IRPF incidente à alíquota de 15%, já que era plenamente possível que o sócio alienasse diretamente as suas ações a terceiros. Assim, não é verdadeira a premissa fiscal de que somente mediante a operação Autuada é que este fim poderia ser alcançado, razão pela qual inexistiu economia tributária decorrente da operação; b. os resultados econômicos da operação proposta pela fiscalização e da operação Autuada são distintos, uma vez que, na primeira hipótese, todo o ganho de capital da operação seria forçosamente alocado no patrimônio da Autuada só dele fazendo jus o Impugnante ao percentual de 80%, ao passo em que, no segundo caso, todo o ganho de capital (100%) foi alocado no patrimônio do sócio (Flávio Guimarães). Havendo resultados econômicos forçosamente distintos, a conclusão a que se chega é que não se trata de planejamento tributário no caso concreto pois, para a sua caracterização, impõese a constatação de que rora adotado um caminho alternativo chegandose a um mesmo resultado, o que não ocorreu no caso concreto; e c tratase do exercício de uma opção fiscal qual seja: o artigo 22 da Lei n° 9.249/95 que, por ser uma conduta positivamente autorizada pelo ordenamento jurídico, à luz da jurisprudência recente do E. CARF, não caracteriza prática de planejamento tributário; ix. A operação Autuada possui propósito negocial e outras razões extratributárias que a justificam, a saber: a. a quebra do affectio societatis: o cerne das divergências entre as partes dizia respeito ao interesse quanto à continuidade da exploração da atividade econômica: ao passo em que o Impugnante buscava sair do ramo de sites mediante a alienação da sua parcela do negócio a terceiros, sobretudo, em vista da crescente concorrência no mercado brasileiro e do sufocamento exercido por grandes grupos empresariais, Servsite desejava dar continuidade à exploração da atividade econômica até então desempenhada por Sitesharing Brasil e Nordeste fato que ocorreu por diversos anos até a sua posterior venda para grupo investidor. b. a operação foi realizada entre partes independentes e há significativo lapso temporal (em regra, mais de 1 ano) entre todas as etapas que a caracterizaram; Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 30 29 c. A alegação fiscal de que venda da Sitesharing Nordeste para a American Towers teria ocorrido em 30/09/2010: nesta data houve, tão somente, a autorização pelos sócios da American Tower, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, para a aquisição da participação societária da Sitesharing Nordeste, ao passo em que 17/02/2011 ou seja, quase seis meses após a autorização acima aludida , houve a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes aqui consideradas. Durante o período acima aludido, o Impugnante negociava a alienação das suas ações com outras interessadas. As negociações ocorridas neste interregno, bem como a própria celebração do contrato de compra e venda com a American Towers, revelam não só que a autorização para a negociação e a compra em si não se confundem como também que não havia qualquer premeditação por parte do Impugnante previamente à sua entrada no quadro societário da Sitesharing Brasil; e 117. O conjunto das operações societárias foi analisado neste voto, no item Mérito. d. a participação da Autuada como interveniente decorre da Lei das S.A. (artigo 233) e se prestava, apenas, a assegurar o comprador contra passivos ocultos ou potenciais. 118. Este voto concordou com a observação feita pela PFN. Questões Complementares x. se restar mantida a autuação, bem como o vínculo de solidariedade entre os sujeitos passivos, então a C. Turma Julgadora deverá, ao menos, aplicar consistentemente todos os efeitos do instituto da solidariedade e abater o imposto pago pelo Impugnante no crédito tributário exigido, consoante o inciso I do artigo 125 do CTN. Ademais, o lançamento tributário não pode incorrer em incoerência interna: uma vez definido que todos os atos e negócios jurídicos devem ser desconsiderados, cabe reconhecer que o imposto pago pelo Impugnante era indevido; 119. Esta questão foi analisada e considerado procedente o pleito xi Impõese, em caráter subsidiário às demais questões, a redução da base de cálculo em RS 283.423.291,56, em vista do erro cometido pela fiscalização ao (i) inobservar que boa parte do ganho de capital estava sujeito ao implemento de condições contratuais suspensivas e (ii) desconsiderar que parte do valor correspondia estava retido em conta garantia não se reputando disponível para Flávio Guimarães; 120. Esta questão foi analisada e considerado improcedente o pleito xiL também deve ser desqualificada a multa punitiva aplicada, reduzindoa para 75%, pois: a D. Autoridade Fiscal não apontou qual teria sido a conduta praticada pelo Impugnante, deixando de observar o seu dever de motivar os atos administrativos que imponham sanções ao sujeito passivo. A formulação de uma acusação imprecisa, genérica e vaga conduz à nulidade material do auto de infração neste ponto, já que não pode o Impugnante exercer o seu direito de defesa, refutando a acusação que lhe é imputada; ainda que superado o ponto anterior, o fato é que o Impugnante não praticou qualquer ação ou omissão dolosa que tenha resultado em sonegação, fraude ou conluio. Com efeito, todos os atos, operações e negócios jurídicos foram devidamente documentados e registrados nos órgãos competentes; todas as transações financeiras possuem substância; e as partes assumiram todos os efeitos c consequências decorrentes das figuras jurídicas eleitas, não havendo neles qualquer desvirtuamento, falsidade ou artificialidade; Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 31 30 c. não obstante, a D. Autoridade Fiscal não comprovou a existência de dolo específico do Impugnante em praticar condutas ilícitas que resultassem em lesão ao Fisco; e rf. por fim, o Impugnante atuou com inequívoca boafé, já que declarou o ganho de capital apurado em decorrência da venda das ações da Sitesharing Nordeste e recolheu integralmente o imposto devido; apresentou os documentos e prestou os esclarecimentos exigidos em fiscalização; e tinha a convicção de que agia em conformidade com a legislação societária e tributária; xiiL outrossim, não se sustenta a multa de 150% na medida em que o STF sedimentou o entendimento, no âmbito do controle concentrado de constitucionalidade (ADI n°. 551/RJ) e da repercussão geral (REs n°s. 582.461/SP e 833.106/GO), que as multas tributárias não podem superar o valor do tributo devido, mesmo que o seu objetivo seja punir atos de sonegação, fraude ou conluio. Assim, por força dessas decisões, cabe à C. Turma Julgadora observálas; 121. Esta questão foi analisada e considerado improcedente o pleito x/v. em caso de empate no julgamento desta Impugnação, deverá a C. Turma Julgadora reconhecer a objetivação de dúvida quanto à prática do ilícito e, consequentemente, aplicar o artigo 112 do CTN para afastála integralmente; 122. Esta questão foi analisada e considerado improcedente o pleito xv. deve ser reconhecida, ademais, a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, já que não existe base legal para tal expediente; 123. Esta questão foi analisada e considerado improcedente o pleito. xvL finalmente, na hipótese de a Impugnação não ser decidida dentro do prazo de 360 dias, como manda o artigo 24 da Lei n°. 11.457/07, deverá ser reconhecida a inércia do credor e a ausência de qualquer fato ou omissão imputável ao Impugnante, suspendendose a fluência dos juros. 124. O interessado apresentou impugnação tempestiva aos autos de infração em 04/08/2015, julgada pela DRJ em Acórdão proferido em 27/04/2016, que lhe foi cientificado em 19/07/2016, descabendo a reclamação; apresentou o recurso voluntário em 26/07/2016 e o presente processo foi pautado para julgamento em 05/2017, transferido para a pauta de 07/2017, a pedido da PFN, devido a coincidência com outros julgamentos em outras câmaras, portanto, a reclamação também não se aplica. 125. Cabe destacar que o citado artigo visa aumento de eficiência na tramitação do PAF, contudo, não há previsão para sanções no caso do descumprimento deste prazo. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n° 923, 8o andar, em atenção ao DR. RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante dos autos. 126. A legislação do PAF determina que as intimações sejam dirigidas ao contribuinte no seu domicílio tributário. 127. Mesmo tendo sido excluído do pólo passivo pela DRJ/REC, requer que o valor do IRPJ que pagou relativamente ao ganho de capital que apurou na pessoa física seja deduzido da Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 32 31 autuação contra a pessoa jurídica em relação à qual os impugnantes e recorrentes alardeiam não ter mais qualquer ligação. 128. O sr. Flávio foi responsável e participante do conjunto de operações societárias que resultou na situação que gerou o fato gerador ora autuado; por isso, cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois demonstrado que não apenas era sócio de fato da autuada, como responsável principal como diretor/administrador, pelas decisões que geraram a situação alvo da autuação. 3.2 SEVISITE LTDA, CNPJ 04.787.555/000186 129. Responsabilizada com base no 124, I, do CTN. 130. Tratase da empresa que era sócia da Autuada, cujo principal proprietário era o sr. Luigi, que participou das transformações societárias que resultaram na autuação; foi extinta em 2014, quando na incorporação da Metalplak pela Autuada, restando o sr. Luigi, também pessoa física, como único sócio da Autuada, portanto, a responsabilização solidária recai sobre a sucessora, tornandose inócua, pois esta é a própria Autuada. 3.2.1 Argumentos na impugnação que apresentou. 131. Requereu, no caso de que fosse restabelecida pelo CARF a responsabilidade tributária que a DRJ cancelou, que retornassem os autos à última, ou que fossem analisados os argumentos que apresentou na sua impugnação aos autos. 132. Cabe, portanto, a análise dos seus argumentos que foram os da Autuada pois: "requerse que a defesa apresentada pela SS Towers seja parte integrante da presente defesa", e ainda: 133. A sua responsabilização solidária padece de nulidade insanável, por falta de motivação, falta de demonstração de interesse comum; que o Inciso I do Artigo 124 não se aplica em razão da ausência de "Interesse Comum" 134. Apesar de ser extremamente vaga a imputação da responsabilidade solidária pela Fiscalização, imaginase que a solidariedade teria sido atribuída com base na presunção de que a Impugnante, por ser sócia da Sitesharing Brasil (atual SSTowers), teria contribuído no suposto "planejamento tributário abusivo"que, nas palavras da Autoridade Fiscal, "possibilitou o cálculo a uma menor alíquota sobre o ganho de capital, 15% ao invés de 34%, sem nenhum propósito negociaras. 01 do TVF). 135. Destaca estruturas societárias, mencionadas pela Fiscalização no TVF, relativas aos anos de 2009 a 2011, para destacar que a simples análise das operações leva à conclusão que tal reestruturação societária jamais poderia ser enquadrada como um "planejamento tributário", pois o negócio jurídico em questão não foi motivado por razões tributárias; as operações possuíam nítido propósito negocial, pelo que não se pode admitir o entendimento de que a reorganização societária visou a "supressão do IRPJ e CSLL devidos sobre o ganho de capitai"apurado peio Sr. Flávio (Fls. 36 do TVF). 136. Destaca que em nada se beneficiou com a venda das ações pelo Sr. Flávio. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 33 32 137. Ainda, meros vínculos societários (existentes antes da cisão parcial entre o Sr. Flávio e a Impugnante, na medida em que ambos eram acionistas da Sitesharing Brasil) não seriam indicadores necessários e suficientes de que existe um interesse comum, para fins de aplicação do artigo 124, I, do CTN. 138. Com efeito, é certo que a expressão "interesse comum" adotada pelo legislador do Código Tributário Nacional se dirige às pessoas que participam do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Não por outra razão o inciso I do artigo 124 do CTN determina serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, sendo imperioso, portanto, que as pessoas solidárias tenham participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária, o que, no caso em tela, não se verifica, pois o fato gerador foi praticado pelo sócio dissidente (Sr. Flávio) da Sitesharing Brasil e, em princípio, devidamente tributado por ele sob a alíquota correta de 15% (fato este que não é de conhecimento da Impugnante, mas também não foi questionado pelo Sr. Agente Fiscal). 139. Destarte, para que restasse caracterizado o interesse comum da Impugnante, necessário seria que fosse efetivamente demonstrado pela Autoridade Fiscal que o suposto benefício advindo da infração alegadamente cometido fosse aproveitado também pela Impugnante. Entretanto, a Fiscalização não anexou aos autos qualquer prova nesse sentido e tampouco fez qualquer demonstração que levasse a essa conclusão. Assim, não há que se falar em interesse comum no presente caso! 140. O interesse comum do art. 124, I não se trata de que tenha usufruído de benefício econômico, mas como definido na argumentação dela mesma, que tenha participado do fato que constitui a hipótese de incidência tributária, sendo o caso da Servisite, ora extinta pela incorporação da Metalplak pela Autuada. 3.3 SESTRI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 05.448.607/000152 141. Responsabilizada com base no 124, I, do CTN. 142. Requereu, no caso de que fosse restabelecida pelo CARF a responsabilidade tributária que a DRJ cancelou, que retornassem os autos à última, ou que fossem analisados os argumentos que apresentou na sua impugnação aos autos. 143. Cabe, portanto, a análise dos seus argumentos que foram os mesmos que os apresentados pelo sr. Flávio Ognibene Guimarães, exceto nos seguintes: a. a retirada da Impugnante do quadro societário da Autuada (03.08.09) é muito anterior à ocorrência da operação Autuada (01.03.2011). Assim, no momento em que alienou a participações societária detida na Autuada para Flávio Guimarães, cessou qualquer possível interesse que pudesse existir por parte da Impugnante (inclusive o econômico), sendo improcedente a pretensão da D. Autoridade Fiscal; b. outrossim, a Impugnante não participou das operações subsequentes realizadas pela Autuada, especialmente aquelas que foram contestadas pela fiscalização. O mesmo vale para a venda das ações realizadas por Flávio Guimarães. Significa dizer que todas as operações contestadas eram absolutamente Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201001.778 S1C2T1 Fl. 34 33 irrelevantes e desconhecidas pela Impugnante; e c. finalmente, o preço recebido pela venda das ações ficou exclusivamente com Flávio Guimarães, único interessado na sua venda. A Impugnante não obteve qualquer ganho, proveito ou benefício em razão da venda, muito menos houve confusão patrimonial entre as partes, a evidenciar que todos os sujeitos passivos teriam usufruído de tais recursos. 144. Descabe a nulidade do ato de responsabilização solidária, por lavrado por autoridade competente, como já se explicou no intróito deste voto 145. Tratase da empresa, sócia da Autuada, de propriedade do sr. Flávio, e que participou das transformações societárias que resultaram na autuação, foi por meio dela que o sr, Flávio era sócio da Autuada; o processo decisório da Sestri que conduziu as operações societárias da qual foi parte, foi do sr. Flávio, ou seja, a Sestri participou nas operações descritas; à vista deste fato fundamental, cabe manter a responsabilização solidária. 4 Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário e dar parcial provimento ao recurso de ofício, para atribuir responsabilidade aos solidários e manter a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 2989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907930/2012-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.825
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.824, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 30 /2 01 2- 01 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10875.907930/201201 Acórdão n.º 9303004.825 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10875.907930/201201 Acórdão n.º 9303004.825 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907930/201201 Acórdão n.º 9303004.825 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000595/2001-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.
CAUSA MADURA - A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância (no caso, a apreciação do conteúdo dos documentos entendidos como intempestivos naquela ocasião), não implica em supressão de instâncias. desde que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera-se tacitamente homologada a compensação efetuada.
Numero da decisão: 1401-001.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto que propunham retorno a DRJ para análise dos documentos não conhecidos.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN - Relator.
EDITADO EM: 13/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes De Oliveira Neto, Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. CAUSA MADURA A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância (no caso, a apreciação do conteúdo dos documentos entendidos como intempestivos naquela ocasião), não implica em supressão de instâncias. desde que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 05 95 /2 00 1- 89 Fl. 500DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto que propunham retorno a DRJ para análise dos documentos não conhecidos. (assinado digitalmente) ANTÔNIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN Relator. EDITADO EM: 13/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes De Oliveira Neto, Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13804.000595/200189 Acórdão n.º 1401001.764 S1C4T1 Fl. 501 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão n. 1618.502 4 8 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo direito creditório em favor do contribuinte, relativo ao IRPJ apurado no AC 1999, no valor original de R$ 369.421,11, e homologar tacitamente a compensação dos débitos que constam dos Pedidos de Compensação de fls. 02, 55, 57, 59, 61, 62, 63, 65, 67, 80, 96, 100, 101, 103, 109 deste processo, e homologar a compensação dos demais débitos, limitada ao saldo remanescente. Por bem delimitar os contornos da lide, transcrevo parte do relatório que acompanhou a decisão de piso: A Interessada protocolou Pedido de Restituição, em 1210312001, no valor de R$ 470.734,96, tendo como motivo do pedido: "Saldo Negativo de IRPJ apurado conforme declaração do anocalendário de 1999" (fl. 01), cumulado com Pedidos de Compensação (fls. 02, 55, 57, 59, 61, 62, 63, 65, 67, 79, 80, 82, 83, 94, 96, 100, 101, 103, 109 e 119), e Declarações de Compensação (DCOMP) formalizadas nos processos a este apensados (11831.003462/200373, 11831.000422/200370, 11831.000278/200371 e 11831.007541/200272). 2. O contribuinte anexou, entre outros documentos, cópia da DIPJ2000 (AC 1999; fls. 05 a 44). 3. Em 18/05/2007, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO, INDEFERINDO o Pedido de Restituição formulado, conforme a seguir resumido (fls. 137 a 140). 3.1. A empresa em epígrafe solicita restituição do IRPJ no valor de R$ 470.734,96 (saldo negativo de IRPJ apurado no AC 1999). Os pedidos de compensação e as DCOMP estão condicionados ao deferimento do pedido de restituição. 3.2. Analisandose a DIPJ2000 verificase que o interessado optou pela apuração anual do lucro real, e que apurou R$ 469.042,77 sic a título de imposto devido sobre o lucro real no período em questão. Apresentou várias deduções, que serão a seguir analisadas. Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF; linha 13 da ficha 13A) 3.3. O interessado informou o valor de R$ 401.323,00 nesta linha (IRRF) da ficha 13 (Cálculo do Imposto de Renda Sobre o Lucro Real). A consulta ao sistema SIEF/DIRF (extrato de fl. 135) demonstra que houve retenção em valor superior a este valor. Quanto aos rendimentos correspondentes, estes foram oferecidos à tributação, conforme se verifica à linha 24 da ficha 7A (Outras Receitas Financeiras). Fl. 502DF CARF MF 4 3.4. Deste modo, procede a dedução a este título nos valores apurados pelo contribuinte. Imposto de Renda mensal pago por estimativa (linha 16 da ficha 13A) 3.5. O interessado indicou o valor de R$ 469.042,77 nesta linha. Conforme verificado nos diversos meses da ficha 12 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) em conjunto com o extrato do sistema DCTF/GER (fls. 124/134), este valor é assim constituído: 3.5.1. meses de janeiro a julho: montante total = R$ 288.505,54. Origem => compensação sem darf — processo/DCOMP 13811.000438/9916 — A pesquisa ao sistema SINCOR/PTOFISC indica que não foi compensado neste processo nenhum débito de IRPJ (extrato fl. 123). Não há, então, como se deferir a dedução deste valor. 3.5.2. meses de agosto e setembro: montante total = R$ 85.992,00. Origem => compensação sem darf — processo/DCOMP 13804.003529/9901 — A pesquisa ao sistema SINCORIPTOFISC indica que não foi compensado neste processo nenhum débito de IRPJ (extrato fl. 122). Não há, então, como se deferir a dedução deste valor. 3.5.3. meses de outubro e novembro: montante total = R$ 62.643,34. Origem => pagamento com DARF — recolhimentos comprovados no sistema SINALO8 (extrato fl. 136). Deste modo, há que se considerar como dedução a título de estimativa o valor de R$ 62.643,34. 3.6. O saldo credor de IRPJ do anobase de 1999 fica assim constituído: FICHA 13A — CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Alíquota 15% 295.825,66 Adicional 173.217,11 ()imposto de renda retido na fonte 401.323,00 ()IR pago por estimativa 62.643,34 Imposto de Renda a Pagar 5.076,43 3.7. Assim, apurase IR a pagar (positivo), que não poderá ser lançado devido à ocorrência da decadência. 3.8. A Autoridade Administrativa assim decidiu: "... INDEFIRO o pedido de restituição de fls. 01, com a conseqüente não homologação das compensações ... apensados, bem como de outras vinculadas ao presente processo'. 4. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 31/05/2007 (AR; fl. 143v), e apresentou defesa a DRJ, em 29/06/2007, sobre a qual sobreveio o Acórdão 1618.502 4 8 Turma da DRJ/SPOI assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO: CINCO ANOS. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13804.000595/200189 Acórdão n.º 1401001.764 S1C4T1 Fl. 502 5 Será considerada tacitamente homologada a Declaração de Compensação que não tenha sido objeto de Despacho Decisório proferido no prazo de cinco anos, contado do protocolo do pedido. Ao ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURíDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. Reconhecido crédito em favor do contribuinte, decorrente do Saldo de IRPJ referente ao anocalendário de 1999, porém em valor inferior ao pleiteado pelo contribuinte. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário buscando a análise da prova tida por intempestiva, por ter sido apresentada em momento posterior à impugnação, contudo anterior a decisão de primeira instancia, documentos de fls. 314 a 317. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Por meio de Despacho Decisório, a Receita Federal do Brasil indeferiu o "Pedido de Restituição decorrente de saldo credor de IRPJ apurado na DIPJ 2000, no valor original de R$ 401.323,00, tendo em vista que do valor de R$ 469.042,77, informado na linha 16 da Ficha 13A (Imposto de Renda mensal pago por estimativa), foi confirmado apenas R$ 62.643,34 — em face de não terem sido comprovadas as compensações sem darf informadas nos processos 13811.000438/9916 (meses de janeiro a julho), e 13804.003529/9901 (agosto a setembro), o que gerou `IRPJ a Pagar' de R$ 5.076,43 (positivo)". Da prova intempestiva Aduz a recorrente que a prova da compensação esta nos documentos de fls. 314 a 317, representados pelo Pedido de Compensação processos 13811.000438/9916 (meses de janeiro a julho), e 13804.003529/9901 (agosto a setembro), datados de 15 de setembro de 1999, seguido de um pedido de substituição de folha do PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS, referente ao Processo n° 13.804.003.52919901, datado de 02/05/2000, que não foram analisados por terem sido considerados preclusos. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da Fl. 504DF CARF MF 6 verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. Recurso provido. Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”. (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa e em prol da verdade material, aceito referidos documentos de fls. 314 a 317, como suficientes a comprovação sobre a existência dos pedidos de compensação objeto dos processos 13811.000438/9916 (meses de janeiro a julho), e 13804.003529/9901 (agosto a setembro), de 1999, pois embora juntados após o prazo da impugnação, demonstram a formalização do pedido de compensação em 15 de setembro de 1999, impondo a obrigatoriedade de sua análise dentro do prazo de cinco anos, sob pena da ocorrência de homologação tácita, mesmo considerada a substituição de folha, realizada em 02 de mio de 2000. Da possibilidade de análise do mérito Teoria da Causa Madura. A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância (no caso, a apreciação do conteúdo dos documentos entendidos como intempestivos naquela ocasião), não implica em supressão de instâncias. No âmbito processual, importante avanço foi a inclusão do inciso LXXVIII no art. 5º da Carta Magna pela EC 45/2004, que erigiu a celeridade processual a uma garantia constitucional, antes prevista apenas em legislação esparsa e que, não raro, cedia a formalismos que apenas prejudicavam injustificadamente a efetividade da tutela jurisdicional. O julgamento com base na teoria da causa madura exige a presença de dois pressupostos, que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento. Neste caso, temse uma questão exclusivamente de direito (possibilidade de análise ou não dos documentos juntados intempestivamente). Em outros termos, são causas nas quais a situação fática se comprova de plano nos autos, restando como matéria de discussão tão somente se determinado direito incide ou não sobre o fato de plano comprovado. O segundo pressuposto para utilização da teoria da causa madura é que a causa esteja em condições de imediato julgamento. A causa chegará ao tribunal em condições de imediato julgamento quando todas as provas já houverem sido produzidas em primeira instância e se não fosse a extinção do processo sem julgamento do mérito em razão de uma das causas elencadas no art. 267 do CPC, teria o juízo a quo, plenas condições de proferir decisão de mérito. Nesta fase do processo, uma vez considerada a possíbilidade de juntada posterior de novas provas que permitam conferir veracidade material ou não ao lançamento, Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13804.000595/200189 Acórdão n.º 1401001.764 S1C4T1 Fl. 503 7 ainda que elas tenham sido consideradas intempestivas e sendo possível neste momento processual a análise do mérito com julgamento em favor do contribuinte, respeitado o principio da economia processual e da causa madura, entendo perfeitamente possível prosseguir o julgamento neste instancia. Homologação tácita. No que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 15/09/1999, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologa se tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Neste caso, o Pedido de Compensação (em papel) de págs. 314/317, foram protocolizados em 15/09/2015. A ciência do despacho decisório que indeferiu as compensações pleiteadas pelo contribuinte foi em 15/05/2007 (ARfl.143). Ao contrário da decisão de piso, em respeito ao principio da verdade material acolho os documentos de fls. 314/317 como prova da formalização dos pedidos de compensação em 15/09/1999 e sua subsequente retificação em 02/05/2000, para reconhecer a ocorrência de homologação tácita em relação a eles, posto que o despacho decisório para a compensação somente se operou em 15/05/2007, ou seja, em período superior ao prazo de cinco anos, contados da data do protocolo do pedido. Fl. 506DF CARF MF 8 Anoto que esse posicionamento também foi consignado pelo D. Presidente Antônio Bezerra Neto dessa Turma, no Acórdão de Embargos 1401001.518, datado de 01/02/2016, de sua relatoria e acompanhado por unanimidade pelos conselheiros presentes naquela ocasião, cuja ementa constou a seguinte redação: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:1993,1994,1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário para analisar os documentos de fls. 314/317, juntados posteriormente à impugnação e reconhecer a ocorrência de homologação tácita das compensações formalizadas em 15/09/1999, uma vez que o sujeito passivo teve ciência do despacho decisório, que analisou suas compensações, após o prazo de cinco anos estabelecido no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 e as alterações promovidas pela Lei nº 10.833/03. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907896/2012-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.805
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.803, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 96 /2 01 2- 66 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 9303004.805 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 9303004.805 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 9303004.805 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967267/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha
Relatório
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0265.804, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 30 de abril de 2015, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála parcialmente procedente, para reconhecer um direito creditório adicional, no valor de R$ 181.278,10 e, por conseqüência HOMOLOGAR as compensações pleiteadas pelo contribuinte até o limite do direito creditório reconhecido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 67 26 7/ 20 09 -1 1 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.967267/200911 Resolução nº 1301000.422 S1C3T1 Fl. 230 2 A interessada apresentou, em 18 de agosto de 2005, a Declaração de Compensação (DCOMP) numerada 13145.27283.180805.1.7.024647, alegando dispor de direito creditório derivado de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2004. Tal DCOMP foi examinada pela DRF de origem, que lavrou o Despacho Decisório nº 844677327, datado de 11 de agosto de 2009, abaixo reproduzido (fl. 2): À fl. 5 dos autos, encontrase o seguinte demonstrativo: Ciente em 18 de agosto de 2009 (fl. 6), a interessada apresentou, em 16 de setembro de 2009, a manifestação de inconformidade de fls. 31 a 38, alegando a efetividade das retenções glosadas e apresentando documentos com que busca comprovar suas alegações. Esclarece que um destes documentos aponta como beneficiária a sociedade FERTIZA COMPANHIA NACIONAL DE FERTILIZANTES S/A, a qual foi extinta ao ser incorporada, em 30 de novembro de 2001, por SOLORRICO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, que alterou a denominação social para CARGILL FERTILIZANTES S/A, atual MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL S/A. Acrescenta: Cumpre observar que as retenções do IRPJ foram devidamente informadas na ficha 53 (doc. 8) da DIPJ, sendo que as respectivas receitas foram devidamente submetidas à tributação, consoante atesta a ficha 6A da DIPJ (doc. 9), demonstrandose, assim, o seu direito creditório dentro dos parâmetros estabelecidos na lei. Protesta, outrossim, com fundamento no artigo 16, § 4º, do Decreto n° 70.235/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial pela realização de perícia contábil apta a comprovar o alegado. Protesta também pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Requer, por fim, a que todas as intimações relativas ao. presente feito sejam feitas exclusivamente na pessoa de seu representante legal no seguinte "endereço: Avenida Morumbi, n° 8.234, Brooklin, São PauloSP. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.967267/200911 Resolução nº 1301000.422 S1C3T1 Fl. 231 3 A DRF de origem juntou aos autos os extratos de fls 85 a 100, obtidos a partir dos arquivos do Sistema DIRF da Receita Federal do Brasil, que controla as declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza, cabendo ao sujeito passivo a apresentação de provas neste sentido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Ciente do acórdão recorrido e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, acostando documentos que supostamente comprovam o direito creditório perseguido, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Documentos apresentados no recurso voluntário ausência de preclusão Preliminarmente deve ser analisada a possibilidade ou não de juntada de documentos, quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, destaco disposições contidas no art. 16 do Decreto 70.235/72, que, estabelece as específicas regras relativas ao processo administrativo fiscal federal, assim, inclusive, especificamente assenta: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.967267/200911 Resolução nº 1301000.422 S1C3T1 Fl. 232 4 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas.( Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (g.n) De fato, o §4º do art. 16 do PAF determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.967267/200911 Resolução nº 1301000.422 S1C3T1 Fl. 233 5 Registrese que estas provas são basicamente dois comprovantes de ações escriturais para declaração de rendimentos do anocalendário de 2003, emitidos pela fonte pagadora CNPJ 19.443.985/000158, sendo que um dos documentos já se encontrava aos autos nas fls. 50. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão, além de ser documento essencial para comprovação parcial do alegado direito creditório. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, por meio de declaração de compensação (Dcomp) numerada 13145.27283.180805.1.702.4647), o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 1.447.656,68, para compensações com débitos próprios. Conforme se verifica, tal crédito é decorrente de antecipações de IRPJ e IRRF. A autoridade preparadora do despacho decisório constatou insuficiência dos créditos pleiteados, reconhecendo integralmente os pagamentos das antecipações e parcialmente os valores das retenções informadas, resultando em um direito creditório de R$ 1.238.775,81. O fundamento utilizado para glosar parte IRRF reside na não comprovação dos valores retidos. Com isso, homologouse apenas parcialmente as compensações pleiteadas. De acordo com essa decisão, a composição das glosas de IRRF, no valor de R$ 208.880,87, encontrase assim discriminada: Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgála parcialmente procedente, reconhecendo direito creditório adicional no valor de R$ 181.278,10. Nos termos da decisão recorrida que analisou os comprovantes apresentados, foram aceitos apenas os de emissão das pessoas jurídicas de CNPJ 01.394.187/000118 e 33.124.959/000198, nos valores respectivos de R$ 131.403,46 e R$ 49.874,64, conforme quadro a seguir reproduzido: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.967267/200911 Resolução nº 1301000.422 S1C3T1 Fl. 234 6 Assim, a lide diz respeito a glosa de IRRF, no valor de R$ 27.602,77, sob o fundamento de que não foram comprovadas as retenções, através de documentação idônea. Ainda inconformado, o recorrente apresenta peça recursal, pugnando apenas pelo reconhecimento do direito creditório adicional no R$ 20.911,62. Para comprovar o direito alegado, a recorrente acosta ao recurso comprovantes de ações escriturais para declaração de rendimentos do anocalendário de 2003, conforme segue: Ressalta que do exame dos referidos comprovantes, as empresas Solorrico S.A Indústria e Comércio e Fertiza Cia. Nac. de Fertilizantes aparecem como beneficiadas, porém, em 30/11/2001 (sic.)1, a Fertiza foi extinta e incorporada pela empresa Solorrico, que posteriormente alterou sua denominação social para Cargil Fertilizantes S.A, atual Mosaic Fertilizantes do Brasil Ltda. Analisando os comprovantes apresentados (fls. 204205) verificase que tratam se de informes de rendimentos, acompanhados de documentos comprobatórios das transações de incorporações (fls. 53), portanto, devem ser aceitos na qualidade de comprovantes de retenção. Por outro lado, não deve se perder de vista que o pleito do contribuinte é relacionado à direito creditório e, nesses casos, a premissa que deve ser adotada, no meu entendimento, é que só se devolve aquilo que se paga. Ou seja, além de comprovar as retenções informadas, através de documentos hábeis e idôneos, há a necessidade de também ser comprovado que as receitas que deram causa às retenções foram oferecidas à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto. De fato, é necessário que o contribuinte demonstre, por meio de sua escrituração contábil e documentos pertinentes, que os rendimentos que originaram as retenções de R$ 20.911,62 efetivamente foram computados na apuração do lucro real e devidamente oferecidos à tributação. Sem tal prova, as referidas retenções não podem ser computadas na formação do saldo negativo passível de compensação. 1 segundo documento de fls. 52, tal baixa ocorreu na data de 21/11/2001 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.967267/200911 Resolução nº 1301000.422 S1C3T1 Fl. 235 7 Nesse sentido, é firme a jurisprudência no âmbito deste CARF: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova por excelência do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a respaldam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB. (Acórdão nº 3401002.487) COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte o ônus de provar o que alega. Não tendo este instruído o processo com a documentação necessária à comprovação dos seus argumentos, tornamse insubsistentes e vazias as razões formuladas.” (Acórdão 20309342) Porém, é fato que até o presente momento não se tratou deste assunto, sendo a discussão travada em torno da análise dos documentos comprobatórios das referidas retenções e nada se exigiu do contribuinte sobre provas a respeito desse segundo requisito, previsto, inclusive, na Súmula CARF 802. Nessas condições, entendo que não deve ser negado o pleito do contribuinte, sob o fundamento de inexistência de provas nesse sentido, pois não se deu oportunidade de fazer provas de que tais receitas foram oferecidas à tributação. Por outro lado, também não se deve exigir da Administração Pública devolução na forma de direito creditório em favor do contribuinte sem que ele comprove que as receitas que deu causa a aquelas retenções foram devidamente tributadas. Desta forma, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade de origem; 1. intime o contribuinte para que demonstre, por meio de sua escrituração contábil e documentos pertinentes, que os rendimentos que deram causa as retenções de R$ 20.911,62 (20.426,29 + 485,13) efetivamente foram computados na apuração do lucro real e devidamente oferecidos à tributação. 2. após, a Unidade Preparadora deve se manifestar, conclusivamente, sobre os documentos apresentados, e se efetivamente comprovam que as referidas receitas foram oferecidas à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto. 3. concluída a diligência, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza 2 Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906634/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.089
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/10/2006 a 31/12/2006, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 34 /2 01 0- 39 Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10830.906634/201039 Acórdão n.º 3302004.089 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.812 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.751, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10830.906634/201039 Acórdão n.º 3302004.089 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000090/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 90 /2 00 8- 59 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.799, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 983DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 985DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 986DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 987DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 988DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 989DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 990DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 991DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 993DF CARF MF Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 9303005.129 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 994DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.902201/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2009
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 22 01 /2 01 2- 95 Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10820.902201/201295 Acórdão n.º 3401003.623 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/03/2009 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10820.902201/201295 Acórdão n.º 3401003.623 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10820.902201/201295 Acórdão n.º 3401003.623 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10820.902201/201295 Acórdão n.º 3401003.623 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1079DF CARF MF
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