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Numero do processo: 11610.007675/2002-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.299
Decisão: Por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Mateus Gonçalves Borba Assunção, OAB/DF nº 36.586, representante do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Fez sustentação oral o Dr. Mateus Gonçalves Borba Assunção, OAB/DF nº 36.586, representante do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 26/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 8.685.021,82 relativo à recolhimentos da contribuição para a COFINS dos períodos de apuração de 01.99 a 02.2002. A requerente alega ser imune a contribuição para a COFINS. Vinculado ao pedido de restituição apresentou as DCOMPs listadas às fls. 623verso a 624verso. A interessada protocolizou ainda, em 02.10.2007, petição onde requer um valor complementar a restituir de R$ 1.549.298,63, relativos aos DARF's de recolhimentos efetuados entre 30.04.2002 a 15.07.2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 07 67 5/ 20 02 -9 8 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11610.007675/200298 Resolução nº 3101000.299 S3C1T1 Fl. 4 2 Por meio do despacho decisório da EQITD/DIORT/DERAT/SPO de fls. 635 a 640 do eprocesso, foi indeferido o pedido de restituição e não homologadas as compensações declaradas, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: 1. Considerando que a COFINS não é imposto, é improcedente a alegação de imunidade com fundamento no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal; 2. A isenção prevista no art. 15 da lei n° 9.532/97 não abrange a COFINS; 3. O contribuinte teve sua isenção cancelada por não cumprir os requisitos indispensáveis às entidades beneficentes de assistência social, conforme alega ser, exigidos nos incisos III e V do art. 55 da lei n° 8.212/91. A decisão encontrase no Acórdão n° 1613.989 da 14a Turma da DRJ/SPOl (fls. 825 a 851 do eprocesso). O cancelamento da isenção dá se a partir de 01.01.98 (Ato Cancelatório nº02/2007 às fls.630 do eprocesso); 4. Também não atende o inciso II do art. 55 da lei n° 8.212/91. Por esta razão foi expedido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2005 (fls.631 do eprocesso), em que foi cancelada a isenção das contribuições sociais a partir de 01.01.98. 5. Além disso, interpôs recurso ordinário no Mandado de Segurança n° 10.510DF, em 27.05.2008, no qual foi denegado o pleito uma vez que não há "direito adquirido a manutenção do regime fiscal" (fls. 632 a 634 do eprocesso). A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 648 a 700 do eprocesso), na qual argumenta, em síntese, que: 1. O requerente, por se tratar à época de instituição de educação sem fins lucrativos c de assistência social, portanto imune aos impostos e as contribuições sociais, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "c" e artigo 195, parágrafo 7o da Constituição da República, formalizou pedido de restituição relativo aos pagamentos realizados, indevidamente, a título de COFINS, no período de janeiro de 1999 a julho de 2002. 2. A menção aos artigos 12 e 15 da Lei n.° 9.532, de 1997 no caso do requerente foi para demonstrar que o mesmo cumpria com todos os requisitos exigidos em lei, para ser considerado como de educação e de assistência social, conforme artigo 13 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. A menção aos artigos 12 e 15 da Lei n° 9.532/97 foi apenas para demonstrar que o requerente se encaixava à época como de instituição de educação e de assistencial social, no qual o artigo 14, inciso X, da Medida Provisória n 2.15835/2001 previa a isenção à COFINS para fatos geradores ocorridos após 1º de fevereiro de 1999, como é o caso do requerente; 3. O requerente, desde sua fundação até outubro de 2005, sempre cumpriu com todos os requisitos exigidos em lei, seja pela norma tributária Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11610.007675/200298 Resolução nº 3101000.299 S3C1T1 Fl. 5 3 (artigo 14 do CTN), seja pela norma previdenciária (artigo 55 da lei n° 8.212/91), além de fazer jus ao direito adquirido pela Lei n°3.577, de 1959 e DecretoLei n.° 1.575, de 1977, sendo reconhecida inclusive pelo então INSS à época, mediante a expedição de Ato Declaratório de Isenção às Contribuições Sociais em outubro de 1998, não restando qualquer dúvida quanto à sua natureza jurídica assistencial; 4. O requerente apresenta, em suas razões, como argumento principal, o reconhecimento da imunidade/isenção às contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º da Constituição e artigo 14, inciso X da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, bem como a insubsistência dos Atos Cancelatórios n.° 01/2005 e n.° 01/2007, em face da expedição do Certificado pelo então Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) que garantem e ratificam a natureza jurídica do requerente à época do pedido; 5. Após sucessivas renovações junto ao CNAS, o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social foi deferido pela Resolução n° 49, de 17/03/05, em virtude da sua adesão ao PROUNI, instituído pela Lei n° 11.096/2005, além da última renovação do Certificado, mediante Resolução n° 11, de 09.02.2009, nos termos da Medida Provisória n° 446/2008; 6. O requerente tem todos os períodos abarcados pela imunidade tributária, seja pela concessão do CEAS pelo CNAS, seja pelo reconhecimento do próprio INSS à época, expedindose Ato Declaratório de Isenção ao mesmo; 7. Que o Ato Cancelatório n° 01/2005 sob a qual se funda o descumprimento do inciso II do artigo 55 da norma previdenciária foi devidamente restabelecido pelo Prouni, bem como que o Ato Cancelatório n° 01/2007, fundado no descumprimento dos incisos III, IV também da norma previdenciária, além de estar sob análise perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), portanto com sua exigibilidade suspensa, o CEAS para aquele período foi devidamente renovado pela Resolução CNAS n° 11, de 2009, contradizendo totalmente as alegações da RFB; 8. Em que pese o mandado de segurança n° 10.510 impetrado ao STJ ter sido denegado, os autos encontramse aguardando julgamento de recurso ordinário em mandado de segurança, RMS n° 27521 junto à Suprema Corte; 9. Que além do direito à imunidade, assiste ao ISCP o direito à isenção da Cofins, motivo pelo qual o despacho decisório lavrado deve ser reformado, já que referido tributo fora pago com base nas receitas decorrentes das mensalidades, as quais são, reconhecidamente, receitas de atividades próprias da instituição de educação; 10. Que a isenção da Cofins disposta no inciso X, do artigo 14, da MP n° 1.858 de 1999, não exige o cumprimento de nenhum requisito, bastando Fl. 907DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11610.007675/200298 Resolução nº 3101000.299 S3C1T1 Fl. 6 4 ser receita relativa à atividade própria de instituição de educação para estar abarcada por este benefício fiscal. O que deve ser levado em consideração é que todas as receitas obtidas pela entidade eram reinvestidas no cumprimento dos seus objetivos institucionais, sendo, portanto, evidente a caracterização das mesmas como receitas provenientes de sua atividade própria, logo, isentas ao recolhimento da Cofins. A 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a não homologação da compensação em litígio. O acórdão 1630.519 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pedir restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do recolhimento indevido (Ato Declaratório SRF 96/99). ISENÇÃO/IMUNIDADE. ART. 195, §7° DA CF/88. A "isenção"/imunidade insculpida no artigo 195, §7°, da Constituição Federal alcança somente as entidades beneficentes de assistência social que atendam todas as exigências estabelecidas no art. 55 da lei n° 8.212/91. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PROUNI. O CEAS concedido pelo CNAS, com base na nova legislação (PROUNI), apenas possibilita novo pedido de isenção que, se concedida, terá os seus efeitos a partir da edição da Medida Provisória 213, de 10/09/2004, conforme dispõe o § 3o, do art. 11, da Lei 11.096/05. ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO. O Ato Declaratório de Isenção é concedido tendo em vista a análise de documentos relativos aos três anos anteriores à sua emissão, e, obviamente, na concessão da isenção, fica implícita uma condição imposta por lei à entidade beneficiada, qual seja: que a mesma cumpra, no período seguinte, os requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91. Tendo descumprido requisitos do art. 55 da lei n° 8.212/91 o Ato Declaratório de Isenção foi cancelado por Atos Cancelatórios de Isenção. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11610.007675/200298 Resolução nº 3101000.299 S3C1T1 Fl. 7 5 COFINS. ISENÇÃO. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Somente as instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n 9.532, de 1997 são isentas da Cofins e exclusivamente com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos esgrimidos na manifestação de conformidade e requer o provimento de seu recurso para que seja homologada as declarações de compensação em epígrafe. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme já relatado, a controvérsia referese à não homologação da compensação informada pela recorrente, por entender à autoridade fiscal que a Cofins incidiria sobre a receita das mensalidades cobradas pelas instituições de ensino; que a imunidade prevista no artigo 150, VI, "c", da CF contemplaria apenas os impostos; e que uma entidade para ser caracterizada como filantrópica e beneficente de assistência social, teria que preencher os requisitos elencados no art. 55 da Lei n° 8.212, de 23/07/1991, cumulativamente, o que não ocorreu. Entretanto, um dos fundamentos da decisão administrativa ainda está pendente de decisão final. O Ato Cancelatório nº 02/2007 (fls.630 do eprocesso), objeto do processo 44023.000141/200714, emitido em virtude do descumprimento, pela interessada, dos requisitos previstos no inciso III e V, do Art. 55, da Lei 8.212/91, ainda está pendente de julgamento na 2ª Seção de Julgamento desse Conselho, encontrandose na situação “Para Relatar” distribuído ao Conselheiro Igor Araújo Soares da 1ªTO/4ªCÂMARA. Como se trata de um dos fundamentos do despacho decisório, tornase necessário aguardar a conclusão daquela lide para apreciarmos seus reflexos no presente processo. Em face do exposto, voto por converter o presente processo em diligência para que a repartição de origem anexe a decisão final do processo 44023.000141/200714, e caso Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11610.007675/200298 Resolução nº 3101000.299 S3C1T1 Fl. 8 6 não tenha a decisão final, que se aguarde essa decisão para juntála aos autos e posteriormente encaminhar a esse conselho. Sala das sessões, em 23 de outubro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10783.902712/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 240 1 239 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.902712/200814 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.602 – 3ª Turma Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria COFINS Base de Cálculo Desconto Padrão Agência de Publicidade Veículo de divulgação Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 12 /2 00 8- 14 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902712/200814 Acórdão n.º 9303002.602 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902712/200814 Acórdão n.º 9303002.602 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.305, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902712/200814 Acórdão n.º 9303002.602 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902712/200814 Acórdão n.º 9303002.602 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902712/200814 Acórdão n.º 9303002.602 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 36958.000897/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIDOS.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, os embargos de declaração devem ser acolhidos.
FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO.
Havendo a omissão da fundamentação do acordão, os embargos de declaração são viáveis para sanar o vício verificado.
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar a decisão para: 1) decidir o cálculo de decadência pelo artigo 173, I, do CTN; II) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e III) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32-A, da Lei 8.212/1991; nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIDOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, os embargos de declaração devem ser acolhidos. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO. Havendo a omissão da fundamentação do acordão, os embargos de declaração são viáveis para sanar o vício verificado. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar a decisão para: 1) decidir o cálculo de decadência pelo artigo 173, I, do CTN; II) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e III) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32-A, da Lei 8.212/1991; nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 249 1 248 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36958.000897/200794 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301003.803 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARTINS COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIBUIÇÃO S/A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIDOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, os embargos de declaração devem ser acolhidos. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO. Havendo a omissão da fundamentação do acordão, os embargos de declaração são viáveis para sanar o vício verificado. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar a decisão para: 1) decidir o cálculo de decadência pelo artigo 173, I, do CTN; II) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e III) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32A, da Lei 8.212/1991; nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 95 8. 00 08 97 /2 00 7- 94 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº. 230101.405, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. 2. Sustenta a embargante que o acórdão equivocouse ao reconhecer a decadência de acordo com a regra prevista no artigo 173, I, do CTN, posto que declarou estarem decaídas as competências anteriores a dezembro/2001, quando o lançamento se deu em 24/04/2006. 3. Ademais, a embargante informa que o acórdão está incompleto em razão de não consta no voto o mérito da questão. 4. Nos termos do despacho de fls. 308/309, ratificado pelo Presidente da Turma, os Embargos de Declaração foram acatados, tendo sido designado ad hoc este Conselheiro para a análise, conforme disposto no parágrafo 2º, Inciso V, Art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que deles conheço. DO MÉRITO Do Cálculo de Decadência 2. Constatado que houve equívoco no acórdão embargado quanto à contagem do prazo de decadência e à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, passo a sanar o vício. 3. De inicio, verificase que o lançamento referente às competências de janeiro de 1995 a outubro de 2005 foi levado a efeito em 24/04/2006, conforme se depreende da fl. 01 dos autos. Dessa forma, como o colegiado reconheceu, por unanimidade de votos, a decadência pelo artigo 173, inciso I, do CTN, há que se considerar que o período decaído é apenas aquele anterior à dezembro/2000, ou seja, estão decaídas as competências de janeiro de 1995 a novembro de 2000. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 250 3 4. Nessa parte, acolho aos Embargos Declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Da Ausência de Fundamentação 5. Em seus Embargos, a Fazenda Nacional aduziu que acórdão não trouxe fundamentos para a exclusão das verbas pagas referentes a agentes nocivos e a auxílio transporte. 6. De fato, verificase que razão assiste à Fazenda Nacional, posto que o voto, após a análise das questões preliminares, trouxe o seguinte parágrafo (fls. 252): “Por todo exposto, não vislumbro outra possibilidade, senão anular o presente Auto de Infração, por vício material, ocorre todavia, que como fiquei vencido nessa proposição, passo a enfrentar o mérito da questão.” 7. Após o parágrafo transcrito acima, veio a conclusão do acórdão sem, contudo, haverse declinado as razões de decidir, o que passo a fazêlo a partir de agora, com o fim de sanar a omissão verificada. Das Verbas pagas referentes a exposição a Agentes Nocivos 8. Segundo noticia o relatório fiscal (fls. 24), “A empresa infringiu o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o. da Lei nr. 8.212/91 e alterações posteriores, ao apresentar GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações â Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ou informações que alterem o valor das contribuições, deixando de informar a cada competência, desde janeiro de 1999, (...) a indicação de ocorrência de exposição a agentes nocivos que ensejam direito a aposentadoria especial de diversos motoristas entregadores.” 9. Entretanto, analisando o caso concreto, entendo que o lançamento fiscal merece ser melhor fundamentado em relação ao surgimento do fato gerador da obrigação tributária, ante a ausência de provas suficientes para demonstrar que os empregados da recorrente se submeteram efetivamente ao agente nocivo determinado nos autos. 10. A deficiência na documentação de controle do ambiente de trabalho pode efetivamente servir como um indício de prova no sentido de que a empresa pode estar expondo seus empregados à influência de agentes nocivos. Entretanto, para efeito de lançamento de tributo, a prova deve ser corroborada por uma perícia técnica que possa efetivamente comprovar a situação fática apresentada pelo auditor, pois ele (agente fiscalizador de tributos), geralmente, não possui conhecimento técnico específico para avaliar a nocividade do ambiente. 11. É bom sempre frisar que a cobrança do adicional para a aposentadoria especial implica sempre na concessão do respectivo benefício, de maneira que o fisco deve trazer claramente a demonstração de que os empregados por ele considerados, efetivamente, exerciam as atividades consideradas como aptas a gerar o direito à aposentadoria especial, conforme discriminadas no Anexo IV do Decreto n.º 3.048/99. 12. É dizer: é exigível a demonstração efetiva do fato gerador da obrigação tributária, sob pena de se cobrar tributo sem causa. O art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN é claro ao asseverar: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” 13. Vale destacar, ainda, que no presente caso, a procedência do lançamento, realizado de forma genérica, terá o condão, em verdade, de declarar e afirmar o direito à aposentadoria especial de todos os trabalhadores considerados expostos pela auditoria fiscal, de tal sorte que todo esse contingente de pessoas poderá apresentar requerimento junto às Agências da Previdência Social pleiteando o reconhecimento do tempo de contribuição para a aposentadoria especial. 14. Tal consequência não se mostra em consonância com as mudanças feitas na legislação de aposentadoria especial, que passou a exigir a efetiva exposição aos agentes nocivos para o deferimento dos benefícios. 15. É sempre bom lembrar que o lançamento por arbitramento, como todos os atos administrativos, deve observar os princípios básicos da administração pública, dentre os quais destaco o da razoabilidade, que segundo Hely Lopes Meirelles “determina nos processos administrativos, a observância do critério de adequação entre os meios e os fins, cerne da razoabilidade, e veda imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público”. 16. No presente caso, o procedimento de aferição adotado pelo fisco deve ser analisado com muita cautela, dado tratarse de medida extrema a ser utilizado somente quando reste plenamente comprovado que a empresa, pela sua atividade, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial, e não efetua ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que seus trabalhadores efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. 17. Importante mencionar, ainda, que no âmbito trabalhista, conforme reza o artigo 195, caput, a caracterização da insalubridade e da periculosidade será feita, obrigatoriamente, mediante perícia técnica por um Médico ou Engenheiro do Trabalho, o que demonstra a fragilidade do lançamento do crédito tributário em relação a eventual exposição ao agente nocivo, consoante ventilado na decisão do CRPS. Eis o teor do dispositivo celetista: “Art. 195 A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, farseão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.” 18. Firme nesses argumentos, voto pela exclusão do lançamento dos valores relativos aos agentes nocivos por vício material. Do ValeTransporte em Pecúnia 19. No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte aduz a empresa no Recurso Voluntário que “Não pairam dúvidas quanto às disposições da lei, de que, independentemente da forma em que é paga tal verba – até porque não há vedação alguma em nenhum de seus dispositivos nesse sentido – não poderá compor a base de cálculo das contribuições sociais”. (fls. 207) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 251 5 20. Tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 21. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (...)” 22. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 23. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 24. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 25. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 26. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o valetransporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em vale transporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 27. Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. 28. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 252 7 29. Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia” 30. Diante do exposto, meu voto é no sentindo da não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre pagamento de valetransporte. Da Redução do Valor da Multa Aplicada 31. No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 32. Segundo o anexo I, do relatório fiscal, o quantum da multa aplicada correspondeu a 100% do valor das contribuições devidas e não declaradas em GFIP, no período objeto da autuação. 33. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 34. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 35. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 36. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 37. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 38. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 253 9 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 39. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 40. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 41. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 42. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 43. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 254 11 Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 44. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 45. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 46. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 47. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 48. Neste ponto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte para a multa prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO 49. Diante das considerações acima, acolho os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para: a) retificar o cálculo de decadência, conforme o artigo 173, I, do CTN; b) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e c) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32A, da Lei 8.212/1991. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10882.723510/2011-95
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. ALEGAÇÃO DE ERRO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
Se o contrato social da empresa tem por objeto o ramo intermediação de locação de imóveis e houve entrega intempestiva da Dimob, com registros de comissão em operações de locação de imóveis, descabe alegar erro no envio da declaração, atribuindo responsabilidade à sócia, sem comprovação suficiente.
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. LEGALIDADE. MP N° 2.158/2001. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.766/2012. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Descabe alegar ilegalidade na instrução normativa que define multa por atraso na entrega da Dimob, já que a penalidade tem base legal no art. 57 da MP 2.158/2001, impondo-se, no entanto, a redução da multa, por força da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 1801-001.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. ALEGAÇÃO DE ERRO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. Se o contrato social da empresa tem por objeto o ramo intermediação de locação de imóveis e houve entrega intempestiva da Dimob, com registros de comissão em operações de locação de imóveis, descabe alegar erro no envio da declaração, atribuindo responsabilidade à sócia, sem comprovação suficiente. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOB. LEGALIDADE. MP N° 2.158/2001. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.766/2012. RETROATIVIDADE BENIGNA. Descabe alegar ilegalidade na instrução normativa que define multa por atraso na entrega da Dimob, já que a penalidade tem base legal no art. 57 da MP 2.158/2001, impondose, no entanto, a redução da multa, por força da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 35 10 /2 01 1- 95 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de Multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), à fl. 30, relativa ao ano calendário 2008. Foi lavrada a multa por atraso na entrega da Dimob, relativa ao ano calendário 2008, no valor de R$ 160.000,00. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Campinas, conforme acórdão de fls. 139/143, prolatado em 26/07/2012. Cientificada da decisão em 08/08/2012, conforme AR de fl. 147, tempestivamente, em 06/09/2012, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fl. 150/170, por meio de seu procurador (procuração às fl. 171/172), acompanhado dos documentos de fls. 173/188, que se resume a seguir: Preliminar a. Cita o art. 113 do CTN e tece comentários sobre obrigações acessórias; b. Alega que as obrigações tributárias, sejam elas principais, sejam acessórias, apenas podem ser instituídas mediante lei, nos termos do artigo 97, III, do CTN e artigo 5o, II da CF/88; c. Entende que a Instrução Normativa n° 694 que veio regular e regulamentar a Dimob e a aplicação de multa, foi indevidamente aplicada no caso vertente; d. Anota que a Medida Provisória 2.15835/2001 não foi submetida ao processo legislativo prévio à sua formação. Assim, a instituição e a obrigatoriedade da apresentação da Dimob por força da Medida Provisória em comento, não encontra nenhum respaldo no nosso ordenamento jurídico, pois sendo obrigação de fazer/cumprir há a necessidade de estar prevista em lei; Mérito. e. Assevera que a multa aplicada pode ser considerada como confiscatória. Há inequívoca desproporção entre o alegado desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica, a multa, evidenciando um caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio da contribuinte, em contrariedade ao sistema legal vigente. Isto porque é sabido que o fisco não pode dispor de forma descontrolada sobre obrigações acessórias, objetivando o enriquecimento sem causa; f. Cita decisão do STJ e doutrina; g. Ratifica que a Sócia LUISA ROSANA VARONE JEREZ se encontra regularmente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sob n° 44.604, sendo certo que a mesma pode realizar negócio tanto por intermédio de uma sociedade pessoa jurídica , como na qualidade de pessoa física, o que de fato tem ocorrido; h. Explica que a RECORRENTE realiza apenas a atividade de Administração de Condomínios, sendo que todos os trabalhos que envolvem intermediação na Fl. 193DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.723510/201195 Acórdão n.º 1801001.766 S1TE01 Fl. 193 3 Locação de Imóveis são realizados única e exclusivamente pela pessoa física de LUISA ROSANA VARONE JEREZ. Quando da apresentação da IMPUGNAÇÃO a RECORRENTE apresentou cópias dos recibos de intermediação na Locação de Imóveis que comprovam que os trabalhos foram realizados pela LUISA ROSANA VARONE JEREZ, na qualidade de pessoa física, logo, não havendo, portando, a obrigatoriedade de apresentação da Dimob ano calendário 2.008 pela recorrente; i. Ratifica que os serviços de intermediação recebidos no ano de 2.008, que totalizam a quantia de R$ 1.660,16 (um mil seiscentos e sessenta reais e dezesseis centavos), não foram realizados pela RECORRENTE, mas sim por sua sócia LUISA ROSANA VARONE JEREZ, na qualidade de pessoa física; j. Cita a Instrução Normativa SRF n° 694 de 13 de dezembro de 2.006, art. 1°, e conclui que somente as pessoas jurídicas, bem como as pessoas equiparadas às jurídicas, é que estão obrigadas a entrega da DIMOB. Também não se pode alegar que a pessoa física LUISA ROSANA VARONE JEREZ se equipara a pessoa jurídica, pois nos termos da legislação em vigor temos como equiparadas às pessoas .jurídicas a seguinte hipótese: "Quando efetuar incorporação ou loteamento, nos termos dos artigos Io e 3o, inciso III do Decreto Lei n° 1.381 de 23 de dezembro de 1.974 e art. 10, inciso I do DecretoLei n° 1.510 de 27 de dezembro de 1.976"; k. Repisa que, caso fosse devido alguma multa, essa não poderia ultrapassar o limite do razoável. O certo é que os sócios da RECORRENTE não podem ser levados à ruína em virtude de uma multa fixada além dos limites do razoável. Pois ao fixar multa sem utilizar os limites da razoabilidade, estaremos diante de uma multa imoral, sendo certo que um dos princípios que norteiam a administração é o da moralidade, como bem preceitua o artigo 37 da nossa Caria Magna de 1.988. Assim de qualquer ângulo que se analise a aplicação da multa, temos que esta é indevida, e a medida que se impõe é o seu cancelamento; Pedido l. Ao final, requer seja acolhido e provido o presente recurso, acatandose em preliminar a ilegalidade da exigência da multa, nos termos solicitados. Alternativamente, requer o cancelamento e a extinção da notificação de lançamento e seja considerado o valor de R$ 1.660,16 como efetivamente receita da LUISA ROSANA VARONE JEREZ. Alternativamente, requer que a multa seja minorada com base no princípio da razoabilidade para no máximo R$ R$ 1.660,16. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O contribuinte recebeu notificação de lançamento de multa por atraso na entrega da declaração DIMOB relativa ao exercício 2008, com exigência de penalidade no valor de R$ 160.000,00. Conforme consta na notificação, à fl. 30, a declaração foi enviada em 21/10/2011, sendo que o prazo final de entrega era 27/02/2009, totalizando 32 meses de atraso. A DRJ/Campinas manteve integralmente o lançamento, em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DIMOB. ATRASO NA ENTREGA.MULTA O contribuinte obrigado a entregar a Dimob sujeitase à cobrança da multa de R$ 5000,00 (cinco mil reais) por mês calendário de atraso a contar da data limite estabelecida em ato normativo. No recurso voluntário, preliminarmente, a recorrente pugna pela ilegalidade da multa, alegando que as obrigações acessórias devem estar previstas em lei, e que a MP n° 2.15835/2001 não foi submetida ao processo legislativo prévio à sua formação, motivo pelo qual a multa não encontra respaldo no ordenamento jurídico. A tese não vinga. A MP n° 2.15835/2001 encontrase plenamente em vigor. Tanto assim que o art. 57, base legal das multas por descumprimento de obrigações acessórias, foi recentemente alterada pela Lei n° 12.766, de 27/12/2012, o que traz repercussão no presente julgamento conforme se verá ao final do voto. O fato de a medida provisória ainda não ter sido convertida em lei não retira sua força normativa, já que resulta do disposto no art. 2° da Emenda Constitucional n° 32, de 11/09/2001, a qual modificou substancialmente o trâmite legislativo das MPs: Art. 2º As medidas provisórias editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional. No mérito, a litigante afirma que exerce apenas a atividade de Administração de Condomínios, e que todos os trabalhos de intermediação na Locação de Imóveis são realizados única e exclusivamente pela pessoa física de Luisa Rosana Varone Jerez. Na fase de impugnação, foram juntados a Declaração de Ajuste Anual da sócia, ano calendário 2008 (fls. os contratos de fls. 37/43), cópia de contratos de locação e recibos (fls. 45/133). As provas juntadas, entretanto, são insuficientes para comprovar a alegação, sobretudo quando há elementos no processo que indicam que a apresentação da declaração era devida. De fato, de acordo com o contrato social, o objeto social da empresa é “intermediação na compra, venda, hipoteca, permuta, locação, administração de imóveis e condomínios, incorporação e loteamento, assessoria jurídica e empresarial”, conforme fl. 183. O rol de pessoas jurídicas obrigadas à apresentação da Dimob é estipulado no art. 1° da Instrução Normativa SRF nº 694, de 13 de dezembro de 2006: Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.723510/201195 Acórdão n.º 1801001.766 S1TE01 Fl. 194 5 I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. Assim, se a empresa explora o ramo de intermediação de locação de imóveis, então está obrigada à apresentação da Dimob, com base no art. 1° inciso II acima. Tanto assim que o contribuinte assim o fez, devendo ser observado que, na Dimob por ele apresentada, às fls. 32/36, constam registros de operações de intermediação de locação, com dados do locador e locatário. Nos contratos de locação juntados na impugnação, apesar de haver identificação do locador e locatário, que coincidem com o informado na Dimob, inexiste qualquer informação sobre o intermediário do negócio. Os recibos, apesar de figurar no nome da sócia, são, na verdade, extratos retirados de programa de computador, para controle interno, sem validade fiscal. Na DIRPF juntada, consta que a sócia recebeu R$ 4.910,00 da Varone Administração e Assessoria e R$ 16.200,00 de pessoas físicas. Por outro lado, na Dimob foi informado o recebimento de R$ 1.660,16 a título de comissões, que a recorrente alega ter sido destinada à sócia. Como não há prova segura de que as intermediações foram de fato contraídas diretamente pela pessoa física de Luisa Rosana Varone Jerez, entendo que devem prevalecer as informações contidas na Dimob. Quanto ao caráter de confisco da multa, importa compreender que a apreciação da inconstitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. No CARF, tratase de matéria sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, há que se observar que a MP n° 2.15835/2001, base legal das multas por descumprimento de obrigações acessórias, sofreu profundas alterações, com o advento da Lei nº 12.766, de 27/12/2012, que reduziu os valores dessas penalidades, normas essas que retroagem por força do princípio da retroatividade benigna prevista no art. 103, inciso II “c” do CTN: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos Fl. 196DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) No caso, como o contribuinte é optante do lucro presumido, vale a regra do art. 57, inciso I, “a”, combinado com o §3°, ou seja, R$ 500,00 por mêscalendário ou fração, reduzido à metade. De acordo com a notificação de fl. 30, houve 32 meses de atraso, de modo que a penalidade a ser exigida passa a ser de R$ 8.000,00. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir exigência para R$ 8.000,00. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.723510/201195 Acórdão n.º 1801001.766 S1TE01 Fl. 195 7 (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10283.720718/2012-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
COFINS. CREDITAMENTO. IMPORTAÇÃO. ZFM. HIPÓTESES.
O direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP-importação e à COFINS-importação aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços.
COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES. ZFM. VEDAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
É vedado o direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS nas aquisições de insumos por empresas situadas na Zona Franca de Manaus, por ser tal aquisição tributada à alíquota zero, ainda que o fornecedor seja de outros pontos do território nacional.
É vedado o direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS nas aquisições de insumos por empresas situadas na Zona Franca de Manaus, por ser tal aquisição tributada à alíquota zero, ainda que o fornecedor seja de outros pontos do território nacional.
Numero da decisão: 3403-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido de reconhecer também o direito ao crédito no regime da suspensão, por não haver previsão legal expressa vedando o crédito nesta hipótese.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PERÍODO DE APURAÇÃO NÃO INDICADO NA AUTUAÇÃO. Deve ser afastado o lançamento de montante correspondente a período de apuração não indicado na autuação. CONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 Ementa: PIS. CREDITAMENTO. IMPORTAÇÃO. ZFM. HIPÓTESES. O direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEPimportação e à COFINSimportação aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. PIS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES. ZFM. VEDAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. É vedado o direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS nas aquisições de insumos por empresas situadas na Zona Franca de Manaus, por ser tal aquisição tributada à alíquota zero, ainda que o fornecedor seja de outros pontos do território nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 18 /2 01 2- 92 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 COFINS. CREDITAMENTO. IMPORTAÇÃO. ZFM. HIPÓTESES. O direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEPimportação e à COFINSimportação aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES. ZFM. VEDAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. É vedado o direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS nas aquisições de insumos por empresas situadas na Zona Franca de Manaus, por ser tal aquisição tributada à alíquota zero, ainda que o fornecedor seja de outros pontos do território nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido de reconhecer também o direito ao crédito no regime da suspensão, por não haver previsão legal expressa vedando o crédito nesta hipótese. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente processo sobre Autos de Infração lavrados em 10/05/2012 (fls. 2 a 39), com ciência na mesma data (fls. 4 e 15) para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de janeiro de 2007 a novembro de 2008, totalizando R$ 21.632.077,37 a título de Contribuição para o PIS/PASEP, e R$ 98.241.732,92 em relação à COFINS, já acrescidos os montantes referentes a multa de ofício (75%) e juros de mora. Narra a fiscalização que a recorrente: (a) descontou indevidamente créditos das contribuições em novembro de 2008, em decorrência de aproveitamento de ofício em outubro de 2008; e (b) apropriouse indevidamente de créditos decorrentes de: (b1) importações de insumos adquiridos com suspensão das contribuições (cf. art. 14A da Lei no 10.865/2004, acrescentado pela Lei no 10.925/2004), suspensão posteriormente convertida em “alíquota zero” (cf. art. 8o da Lei no 11.051/2004); (b2) aquisições de insumos produzidos na Zona Franca de Manaus com “alíquota zero” das contribuições (cf. art. 5oA da Lei no Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.079 3 10.637/2002, com a redação dada pela Lei no 10.865/2004); e (b3) aquisições de mercadorias (com alíquota zero das contribuições, cf. art. 2o da Lei no 10.996/2004) destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus. Em sua impugnação, datada de 06/06/2012 (fls. 821 a 859), a empresa alega, em síntese, que: (a) a autoridade fiscal não descreveu de forma clara e precisa os fatos que levaram a seu entendimento e a infração imputada; (b) os critérios adotados pela fiscalização (amostragem e utilização de legislação não aplicável ao caso) não são razoáveis e coerentes com os fatos verificados; (c) houve cobrança em duplicidade de valores pela fiscalização; (d) parte dos valores está extinta pela decadência (fatos geradores até 10 de maio de 2007); (e) não há comprovação nos autos da utilização de ofício dos créditos em outubro de 2008, cobrados em duplicidade pela fiscalização; (f) não há vedação legal ao creditamento em relação às importações efetuadas com suspensão; (g) todas as aquisições internas de insumo na ZFM dão direito a crédito, em decorrência da nãocumulatividade, desde que as saídas sejam tributadas, como no caso em análise; (h) também as aquisições de insumos de outras partes do território nacional gera crédito, desde que as saídas sejam tributadas, não existindo disposição legal em sentido diverso; (i) não é procedente o entendimento de que tenha que haver pagamento para que se gere o direito a crédito, pois a nãocumulatividade passou a ser assegurada constitucionalmente em 2003 (pela Emenda no 42), não podendo sofrer restrições de ordem legal; (j) no caso da ZFM, as empresas devem ter tratamento diferenciado e privilegiado, que só seria assegurado mantendose o direito de creditamento; e (l) nas aquisições realizadas em 2004/2005, o direito a crédito era expressamente assegurado pela legislação. Na decisão de primeira instância, proferida em 09/10/2012 (fls. 921 a 941), acordase unanimemente que: (a) a autoridade administrativa não tem competência para análise de constitucionalidade de norma tributária; (b) a decadência regese (conforme Súmula Vinculante STF no 08) pela regra do art. 150, § 4o do CTN, tendo havido pagamento; (c) não houve duplicidade de lançamento (conforme se percebe pelas planilhas constantes na autuação); e (d) não se pode apurar crédito se na aquisição (da ZFM ou de fora dela) ou importação (com alíquota zero ou suspensão que nela se converte) não houve pagamento das contribuições. Assim, como no caso em análise houve pagamento para os meses de janeiro e fevereiro de 2007, a DRJ acorda ter operado a decadência em relação a tais períodos, e em função do crédito exonerado recorre de ofício a este CARF. Cientificada do julgamento de piso em 13/11/2012 (AR à fl. 951), a empresa apresenta seu Recurso Voluntário em 12/12/2012 (fls. 953 a 1008), sustentando que: (a) a recorrente teve seu direito de defesa cerceado, tendo ocorrido indevida inversão no ônus da prova, e ofensa ao art. 142 do CTN, repisando o argumento de que a autoridade fiscal não descreveu de maneira clara e precisa os fatos que levaram a seu entendimento e a infração imputada, tendo atuado por amostragem; (b) os critérios adotados pela fiscalização não são razoáveis e coerentes, e o auto de infração contempla períodos geradores de créditos de 2004 e 2005 (até março), que só foram utilizados em 2007, mas sequer se preocupou em verificar a legislação vigente à época da formação dos créditos, que expressamente reconhecia o direito ao creditamento (Lei no 10.865/2004, art. 16), e tentouse impor este ônus à recorrente no julgamento de primeira instância; (c) a autuação é ilíquida, pois os valores indicados para o mês de julho de 2007 a título de COFINS (R$ 8.068.088,44) e de Contribuição para o PIS/Pasep (R$ 1.753.214,51) não são indicados em nenhum documento fiscal da recorrente; (d) em análise histórica da legislação, é possível perceber que não há vedação legal ao creditamento, seja nas importações, ou nas aquisições (de empresas da ZFM ou de outros locais), nas hipóteses de saídas cujas receitas são tributadas (independente do tratamento Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 tributário na aquisição), em razão do princípio da nãocumulatividade; (e) a recorrente não suscita a inconstitucionalidade das disposições legais (arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 15, § 1o da Lei no 10.865/2004), mas sua análise sistemática à luz do princípio da nãocumulatividade, para que não haja negativa de prestação jurisdicional, citando exemplos de situações em que há previsão legal para o creditamento em hipóteses específicas (como o art. 16, § 1o da Lei no 10.865/2004); e (f) os contribuintes localizados na Zona Franca de Manaus devem gozar de tratamento diferenciado e privilegiado, regime específico que prevalece sobre o mais genérico, garantindo a própria preservação da ZFM, nos moldes dos arts. 40 e 92 do ADCT (CF/1988). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos de ofício e voluntário apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. 1. Do recurso de ofício O recurso de ofício se dá em decorrência da constatação de decadência, pelo legislador a quo, em relação aos períodos de janeiro e fevereiro de 2007. Como a decisão foi adotada em estrita observância à Súmula Vinculante no 08 do Supremo Tribunal Federal, de observância obrigatória por este colegiado administrativo, tendo em vista o art. 103A da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional no 45/2004, não merece reforma. Voto, assim, no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. 2. Do recurso voluntário 2.1. Da (in)existência de nulidades na autuação Alega a recorrente que teve seu direito de defesa cerceado, tendo ocorrido indevida inversão no ônus da prova, e ofensa ao art. 142 do CTN, repisando o argumento de que a autoridade fiscal não descreveu de maneira clara e precisa os fatos que levaram a seu entendimento e a infração imputada, tendo atuado por amostragem. Contudo, não é o que se percebe na autuação. Embora se compreenda a discordância do autuado em relação a praticamente todo o conteúdo da autuação, o que é absolutamente normal no contencioso (que é exatamente por isso denominado “contencioso”), não se vê razão para a alegação de que houve cerceamento de defesa, pois estão presentes na autuação todos os requisitos legalmente estabelecidos. As infrações são claramente descritas na autuação, amparada por planilhas detalhando a exigência fiscal, estando ainda expressos os enquadramentos legais das penalidades imputadas. E a atuação por amostragem, comum às auditorias, não ocasionou prejuízo à recorrente, pois não se operou no presente caso presunção em relação a documentos não analisados. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.080 5 Ademais, a autuação não representa violação, mas estrito cumprimento do art. 142 do CTN, pois a autoridade competente constituiu o crédito tributário, na forma nele estabelecida, com observância ainda do disposto no Decreto no 70.235/1972. Não se vê, assim, mácula formal que eive de nulidade a autuação. 2.2. Da (i)liquidez da autuação Sustenta a recorrente ser a autuação ilíquida, pois os valores indicados para o mês de julho de 2007 a título de COFINS (R$ 8.068.088,44) e de Contribuição para o PIS/Pasep (R$ 1.753.214,51) não constam em nenhum documento fiscal da recorrente. Há que se esclarecer aqui, inicialmente, que a iliquidez não se confunde com a inserção de valores incorretos na autuação: auto de infração ilíquido é figura absolutamente distinta de auto de infração com valores eventualmente calculados de forma errônea. E a alegação de fato da recorrente parece ser no sentido de que os valores constantes da autuação são absolutamente divergentes dos declarados em DACON, o que pouca relação tem com iliquidez. A alegação de iliquidez efetuada em sede de impugnação (ainda sem o exemplo concreto apresentado no recurso voluntário) foi rechaçada pela DRJ diante da ausência de materialidade, e da impropriedade em relação ao exemplo então empregado (de duplicidade em relação ao mês de novembro de 2008), o que aqui se endossa. Agora, com o exemplo apresentado no recurso voluntário, percebese que, diferentemente dos demais meses constantes nas planilhas de fls. 40/41 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP de 2007) e de fls. 44/45 (correspondente à COFINS de 2007), partes integrantes da autuação, os dados de junho e julho encontramse totalizados para efeito de lançamento na coluna referente ao mês de julho: Junho/2007 Julho/2007 23. Bens utilizados como insumos (ficha 6B/linha2‐DACON)‐ PIS R$ 49.757.761,82 R$ 56.497.663,04 44. Créditos descontados no mês referentes a importações (ficha 13A)‐PIS R$ 821.003,07 R$ 988.819,19 55. Valor lançado de ofício‐PIS ‐ R$ 1.753.214,51 23. Bens utilizados como insumos (ficha 6B/linha2‐DACON)‐ COFINS R$ 49.885.036,05 R$ 56.274.022,33 44. Créditos descontados no mês referentes a importações (ficha 13A)‐PIS R$ 3.791.262,74 R$ 4.276.825,70 55. Valor lançado de ofício‐COFINS ‐ R$ 8.068.088,44 Checandose as DACON dos períodos correspondentes (fls. 650/651, 654/655, 659/660 e 663/664), percebese que os valores das linhas 23 e 44 da tabela aqui reproduzida estão totalmente de acordo com o informado pela recorrente em suas declarações. A discrepância devese exclusivamente ao fato de o valor ter sido lançado todo em julho de 2007, somandose o apurado (e informado em DACON) tanto em junho quanto em julho de 2007 (sem motivação explícita na autuação). Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Entendese, aqui, que houve em relação ao apurado em junho de 2007 ou uma incorreção (de período lançado) ou uma omissão de justificativa (do porquê da reunião dos lançamentos no segundo período). Em qualquer dos casos, impõese afastar da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). 2.3. Da (in)existência de vedação legal ao creditamento das contribuições Após efetuar análise histórica da legislação, a recorrente conclui que não há vedação legal ao creditamento, seja nas importações, ou nas aquisições (de empresas da ZFM ou de outros locais), nas hipóteses de saídas cujas receitas são tributadas (independente do tratamento tributário na aquisição), em razão do princípio da nãocumulatividade. E sustenta que isso não implica suscitar a inconstitucionalidade das disposições legais (arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 15, § 1o da Lei no 10.865/2004), mas sua análise sistemática à luz do princípio da nãocumulatividade, para que não haja negativa de prestação jurisdicional, citando exemplos de situações em que há previsão legal para o creditamento em hipóteses específicas (como o art. 16, § 1o da Lei no 10.865/2004). Como narra a recorrente, a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) É preciso destacar já de início que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.081 7 É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que a recorrente afirma serem constitucionais: art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e art. 15, § 1o da Lei no 10.865/2004, abaixo reproduzidos: “Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003: (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)” (grifos nossos) “Lei n. 10.865/2004: (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis n os 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.” (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos transcritos, extraise nitidamente que é vedado o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento das contribuições. Para que haja creditamento, deve ter havido efetivo pagamento. Tentar ler algo gritantemente diferente disso no texto, mesmo a pretexto de uma interpretação sistemática ou finalística, é negarlhe vigência. Não há como disfarçar retoricamente a discordância da recorrente em relação ao que dispõe o texto legal, que expressamente veda o creditamento na hipótese em apreço. Quando se realiza uma interpretação sistemática dentro das possibilidades do texto legal (em face de sua ambiguidade ou vagueza), é perfeitamente compreensível sustentar a constitucionalidade de todo o conjunto normativo. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Mas aqui o texto constitucional estabelece a nãocumulatividade, a ser tratada na lei ordinária. E entender que a lei ordinária não pode restringir os casos de não cumulatividade é umbilicalmente ligado a reconhecer a inconstitucionalidade da lei que o faça (ou, retoricamente, dizer que ela é constitucional, mas deve ser lida digase, de forma diversa ou oposta à expressa em seu texto à luz do texto constitucional). Com o conceito alargado de constitucionalidade defendido na peça recursal, seria difícil encontrar norma inconstitucional, pois toda norma (até as flagrantemente inconstitucionais) poderiam “ser lidas à luz da Constituição Federal”, sendo o sentido do texto adaptado aos comandos/princípios da Lei Maior. E ainda, com tal conceito alargado, restaria inútil todo o esforço deste colegiado em sumular a impossibilidade de apreciação de constitucionalidade no âmbito do tribunal administrativo: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não se está, com o exposto, afirmando que seja impossível a leitura de um comando legal (ambíguo ou vago) à luz do texto constitucional (em que pese haver declarações de inconstitucionalidade também para esses casos, com ou sem redução de texto). O que se está aqui a sustentar é tãosomente a impossibilidade de o julgador administrativo afastar comando legal vigente, sob o pretexto de que não se coaduna com a (ou deve ser lido, com sentido alterado, à luz da) Constituição Federal. E isso está longe de constituir negação de tutela à reclamação da autuada. Há que se fazer uma diferenciação entre negação de tutela e incompetência para a tutela. Um tribunal que não é competente para apreciação de determinada matéria jamais poderia apreciá la simplesmente sob o pretexto de não negar tutela, pois a tutela prestada certamente seria inócua, em face da incompetência. No caso em análise, a autuação refutou o creditamento nas importações de insumos adquiridos com suspensão das contribuições (posteriormente convertida em “alíquota zero”), nas aquisições de insumos produzidos na Zona Franca de Manaus com “alíquota zero” das contribuições, e nas aquisições de mercadorias com “alíquota zero” das contribuições, destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus. E em nenhum desses casos a legislação permite o creditamento (em verdade, para todos, a legislação expressamente veda o creditamento). 2.3.1. Do creditamento nas importações As mercadorias importadas para a ZFM são disciplinadas pelos arts. 14 e 14 A da Lei no 10.865/2004, este acrescentado pela Lei no 10.925/2004: “Art. 14. As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições de que trata o art. 1o desta Lei. § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às importações, efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, de Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.082 9 que trata o art. 5oA da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1o deste artigo.” “Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA”. (grifos nossos) O art. 14A, que não difere substancialmente do art. 14, entrou em vigor em 27/06/2004, data de publicação da Lei no 10.925/2004, conforme disposição expressa no art. 18 de tal lei, e produz efeitos a partir da mesma data (27/06/2004), conforme art. 17, II “d”. Assim, se há qualquer confusão entre a entrada em vigor e a produção de efeitos da lei, não deriva do autuante, mas do texto da própria lei, que, como já dito, não pode simplesmente ser afastada mediante leitura (diversa da que cristalinamente estabelece) à luz da Constituição Federal, sem que isso implique o reconhecimento da inconstitucionalidade do dispositivo legal. Na autuação (fls. 32 e 33), expressamente se afirma que com a redação dada pela Lei no 10.865/2004 aos arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, a partir de 01/08/2004 (para a Contribuição para o PIS/PASEPimportação) e a partir de 30/07/2004 (para a COFINSimportação), não mais se poderiam descontar créditos referentes a aquisições de insumos importados sem o pagamento da contribuição. Como aqui já tratado, a interpretação do fisco está em perfeita consonância com os ditames dos dispositivos legais que estão constitucionalmente autorizados a tratar da matéria. E há que se acordar ainda com a providência informada pelo fisco de que reconheceu o creditamento a uma filial da empresa, que ao invés de importar com suspensão, efetivamente pagou as contribuições (fl. 32). Isso porque “suspensão” do crédito tributário (CTN, art. 151) e “pagamento” (modalidade de extinção do crédito tributário CTN, art. 156, I) são institutos tributários notoriamente distintos. Ao final do período de suspensão, pode ser devido ou não (dependendo das circunstâncias) o pagamento. Incabível, assim, o creditamento se não houve efetivo pagamento da contribuição na aquisição do insumo importado. A autuação segue (fl. 33), ainda no que se refere a insumos importados, contemplando outra hipótese prevista na legislação: a conversão da suspensão em “alíquota zero”. Tal hipótese surge no art. 8o da Lei no 11.051/2004: “Art. 8o A suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a importação de bens, na forma dos arts. 14 e 14A da Lei n o10.865, de 30 de abril de 2004, será convertida em alíquota zero quando esses bens forem utilizados: Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 I na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa; II – como matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa.” (grifos nossos) Também a Lei no 11.051/2004 expressamente se manifesta sobre a vigência (30/12/2004 art. 34, caput) e sobre a produção de efeitos (30/12/2004 art. 34, III) do artigo reproduzido. Assim, afirmase na autuação que não é admissível o creditamento nem no caso de suspensão, nem no caso de conversão da suspensão em “alíquota zero”, pois nem uma nem outra correspondem a efetivo pagamento. Diante da impugnação da recorrente, que sustentou que era possível o creditamento até o advento da Lei no 11.051/2004, pois a suspensão convertiase em “isenção”, a DRJ incorre, a nosso ver, em equívoco duplo, ao afirmar que caberia à impugnante demonstrar “por intermédio de prova hábil, que as aquisições realizadas até 30/12/2004 tiveram suas suspensões de exigibilidade efetivamente convertidas em isenção”. Nesse tópico, e falandose do primeiro equívoco, assiste razão à recorrente quando alega que a DRJ tenta lhe impor ônus probatório em tema que a própria autuação admitia como incontroverso. De fato, na autuação, em mais de uma passagem, como demonstrado no recurso voluntário, a questão é assumida como incontroversa. Contudo, equívoco mais grave é acordar com a tese da recorrente (a menos que meramente ad argumentandum tantum) de que antes de converterse em “alíquota zero” a suspensão era convertida em isenção. A natureza jurídica dos regimes aduaneiros especiais (e aplicados em áreas especiais, como a ZFM) é bastante controversa. Há basicamente três teses: a de que tais regimes constituem (a) casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, (b) casos de não incidência condicional, ou (c) casos de isenção condicional, desmembrandose esta de acordo com a pluralidade de formas pelas quais é definida a “isenção” (à teoria clássica, adotada por Rubens Gomes de Souza e Amílcar de Araújo Falcão, e na elaboração do Código Tributário Nacional, de que a isenção é a dispensa legal do pagamento do tributo, opõemse, basicamente, com algumas variantes, as teorias que a qualificam como não incidência legalmente qualificada, a partir dos pensamentos de Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, e como paralisação da atuação da regramatriz de incidência tributária, conforme Paulo de Barros Carvalho). Poucas são as obras brasileiras que buscaram investigar a natureza jurídica dos regimes aduaneiros especiais (e aplicados em áreas especiais, recordando que até 2002 a ZFM era considerado um regime aduaneiro especial/em verdade atípico, depois passando a ser classificada como regime aduaneiro aplicado em área especial pelo Regulamento Aduaneiro). E os resultados de tais investigações estão longe de apontar para uma posição consensual, ou mesmo semelhante. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.083 11 O primeiro estudo acadêmico sobre a natureza dos regimes aduaneiros especiais foi feito por OSÍRIS DE AZEVEDO LOPES FILHO (Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 148149) que, calcandose nos textos de direito positivo e no posicionamento de juristas estrangeiros, encampa a tese da suspensão, concluindo que: “Não é de se empregar a teoria da isenção aos regimes aduaneiros especiais, como previstos na legislação brasileira, exatamente porque lhe é característico ter sido instaurada a obrigação tributária e o crédito consequente. [...] Os elementos temporais da hipótese de incidência do Imposto de Importação são ficções, estabelecidas para fornecer certos graus de precisão jurídica, que, sem a sua utilização, seriam difíceis de se alcançar. Surgindo, no processo de desenvolvimento da relação jurídica referente aos regimes suspensivos, um novo elemento temporal da hipótese de incidência, por consequência da ficção, desaparece o anterior. O atendimento da finalidade do regime de realização da reexportação do produto é causa de extinção do crédito tributário anteriormente constituído.” (grifos nossos) ROOSEVELT BALDOMIR SOSA (A Aduana e o Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 1996, p. 149) condenou a tese da suspensão, aliandose à corrente que defende a não incidência, afirmando que: “Dar aos regimes de ingressos temporários caráter tributariamente suspensivo é, com efeito, trazêlos ao campo da tributação, quando em verdade pareceria que muitos desses ingressos colocamse aquém do fenômeno da imposição tributária. E isto pela singular razão que certas mercadorias ingressadas sob égide desses regimes não se destinam a consumo. O fenômeno de imposição fiscal, destarte, condicionase à apresentação de uma declaração para consumo, nos termos da legislação vigente (art. 87 do RA), o que caracteriza e elemento temporal do fato gerador. (grifos nossos) Em estudo especificamente voltado aos regimes aduaneiros especiais, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 356357) adota a tese da isenção condicional, entendendo que: “os regimes aduaneiros especiais não constituem modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas se enquadram como isenções tributárias condicionais cujos objetos ficam sujeitos a controle aduaneiro. [...] no caso de bens em regime especial na modalidade isenção sob condição resolutiva, se o sujeito passivo promover novo despacho para consumo resolvese a isenção e passam a ser devidos os impostos sobre a importação; contudo, ocorre alteração do critério temporal da regra de incidência desses impostos para a Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 data do registro da declaração pertinente ao segundo despacho aduaneiro.” (grifos nossos) Vejase que se está longe de concluir, em qualquer das vertentes de pensamento apresentadas, que o término regular de um regime aduaneiro especial (ou aplicado em área especial) resultaria em considerar que a importação foi efetuada com isenção, ou que se converte em “uma importação isenta”. Mesmo quem defende a tese da isenção condicional não considera aquele primeiro momento como a importação definitiva. E isso remete a outra alegação da recorrente, de que os critérios adotados pela fiscalização seriam irrazoáveis e incoerentes, tendo em vista que o auto de infração contempla períodos geradores de créditos de 2004 e 2005 (até março), que só foram utilizados em 2007, mas sequer se preocupou a autoridade fiscal em verificar a legislação vigente à época da formação dos créditos, que expressamente reconhecia o direito ao creditamento (Lei no 10.865/2004, art. 16). Além da legislação que a recorrente defende assegurar o direito ao creditamento, já analisada neste tópico, cabe aqui destacar que o art. 16 da Lei no 10.865/2004, em qualquer de suas redações (original ou alterada pela Lei no 11.945/2009), trata de importação com isenção, o que definitivamente não ocorre no presente processo, no qual as importações ou foram efetuadas com suspensão, ou com efetivo pagamento (caso da filial que sequer foi objeto de lançamento). De qualquer forma, e descartada a aduzida irrazoabilidade/incoerência, é certo que nas importações objeto da autuação não houve “efetivo pagamento”, nos termos do art. 15, § 1o da Lei no 10.865/2004, não cabendo falarse em creditamento nas aquisições dos insumos importados. 2.3.2. Do creditamento nas aquisições da ZFM Defende o fisco que não há direito a creditamento nas aquisições de insumos produzidos na Zona Franca de Manaus com “alíquota zero” das contribuições (cf. art. 5oA da Lei no 10.637/2002, com a redação dada pelo art. 37 da Lei no 10.865/2004): “Art. 5oA Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA.” (grifos nossos) Em vigor e produzindo efeitos desde 30/04/2004, tal dispositivo, combinado com a redação dada pela mesma Lei no 10.865/2004 aos arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (“não dará direito ao crédito o valor ... da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”), implica afirmar que por serem tributadas à alíquota zero, não havendo pagamento, tais aquisições não geram direito a creditamento das contribuições. Novamente, seria absolutamente retórico refutar as disposições expressas das leis sem sustentar sua inconstitucionalidade, crendo que é possível, na alíquota zero (onde há ausência de pagamento) ler uma possibilidade de creditamento no texto que afirma que sem pagamento não há direito ao crédito. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.084 13 2.3.3. Do creditamento nas aquisições de fora da ZFM De forma semelhante ao tópico anterior, sustenta o fisco que não há direito a creditamento nas aquisições de mercadorias de empresas situadas fora da ZFM, por haver redução de alíquota a zero pelo art. 2o da Lei no 10.996/2004: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (...) § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...)” (grifos nossos) Resultado da conversão da Medida Provisória no 202/2004, em vigor desde 26/07/2004, o dispositivo gera a mesma consequência que o analisado no tópico anterior, quando combinado com a redação dada pela Lei no 10.865/2004 aos arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003: a impossibilidade de creditamento. As receitas de vendas para a ZFM passam a ser tributadas com alíquota zero justamente para impossibilitar o creditamento da contribuição pela empresa compradora, na ZFM, tendo em vista que não houve pagamento na etapa anterior (MP no 202/2004, art. 2o, parágrafo único, transformado em art. 2o, § 2o pela Lei no 10.996/2004). O foco da MP fica claro em sua Exposição de Motivos: “(...) 7. A presente Medida Provisória contempla, também, a inserção de dispositivo reduzindo a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), quando efetuadas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. 8. O parágrafo único do referido dispositivo manda aplicar às operações de que trata o caput as disposições do inciso II do § 2° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2° do art. 3° da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 9. Com isso, Senhor Presidente, as mercadorias serão remetidas para a ZFM com a incidência de alíquota zero. Porém, por não haver efetivo pagamento na fase anterior, não gerarão crédito na apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativas pelas empresas situadas na ZFM. 10. Obtémse, com essa medida, tratamento isonômico e neutralidade tributária, compatível com o sistema não Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 14 cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, que tem por pressuposto o creditamento do valor das contribuições efetivamente pago na etapa anterior.”(grifo nosso) Tal Exposição de Motivos sintetiza praticamente todo o exposto até aqui, e que pode ser visualizado de duas formas: como uma sucessão de dispositivos legais que buscam unissonamente um objetivo, dentro da permissão constitucionalmente outorgada, ou como uma sucessão de dispositivos legais que exorbitam da permissão constitucionalmente concedida, estabelecendo restrições inadmissíveis. Ocorre que nessa segunda hipótese (que, destaquese, parece ser defendida eufemisticamente pela recorrente, careceria de competência este tribunal administrativo para apreciação da matéria). Filiandonos à primeira linha de entendimento adotada no parágrafo anterior, entendemos ser incabível o creditamento nas três hipóteses ventiladas neste tópico (importações e aquisições internas e externas). 2.4. Dos benefícios da Zona Franca de Manaus Aduz derradeiramente a recorrente que os contribuintes localizados na Zona Franca de Manaus devem gozar de tratamento diferenciado e privilegiado, regime específico que prevalece sobre o mais genérico, garantindo a própria preservação da ZFM, nos moldes dos arts. 40 e 92 do ADCT (CF/1988). É de se transcrever, assim, preliminarmente, tais dispositivos constitucionais: “Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus.” “Art. 92. São acrescidos dez anos ao prazo fixado no art. 40 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (grifo nosso) Objetivando representar uma área de livre comércio com o exterior, e constituindose em uma área aduaneira especial1, a Zona Franca de Manaus foi contemplada com benefícios fiscais na importação, na exportação e na internação (termo que corresponde à entrada de produtos procedentes da Zona Franca de Manaus no restante do território nacional). Há que se reconhecer que, dada a estatura de lei do principal comando disciplinador da ZFM (DecretoLei no 288/1967), lei posterior poderia dispor de forma diversa. Assim, é de se rechaçar a alegação da recorrente de que a matéria é afeta a lei complementar. Vejase o entendimento externado pelo STJ sobre o tema: 1 Conforme Decisão CMC n. 8/1994 (Art. 6). Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.587 S3C4T3 Fl. 1.085 15 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. (...) PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. (...) 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decretolei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. (...).” 2 (grifo nosso) Assim, não se visualiza nos arts. 40 e 92 do ADCTCF/1988 um impedimento à vedação dos creditamentos aqui tratados. Contudo, caso tais dispositivos efetivamente impedissem que leis ordinárias disciplinassem restritivamente a matéria, o que se admite para argumentar, estaria este tribunal administrativo novamente diante de matéria de apreciação vedada (análise de constitucionalidade de lei vigente), em face da Súmula no 2. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Rosaldo Trevisan 2 REsp 1084380/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2009, DJe 26/03/2009. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 16 Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10845.906760/2011-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 76 0/ 20 11 -1 3 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906760/201113 Resolução nº 3801000.588 S3TE01 Fl. 377 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906760/201113 Resolução nº 3801000.588 S3TE01 Fl. 378 3 É o importa relatar. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906760/201113 Resolução nº 3801000.588 S3TE01 Fl. 379 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906760/201113 Resolução nº 3801000.588 S3TE01 Fl. 380 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906760/201113 Resolução nº 3801000.588 S3TE01 Fl. 381 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910813/2010-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 13 /2 01 0- 31 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910813/201031 Acórdão n.º 3801002.796 S3TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511435 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 41422.31695.250107.1.3.041661 (doc. de fls. 1316). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.738,11, representado por Darf recolhido em 12/05/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 30/04/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 12/05/2004 no valor de R$ 3501,42; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 763,31, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910813/201031 Acórdão n.º 3801002.796 S3TE01 Fl. 39 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910813/201031 Acórdão n.º 3801002.796 S3TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 30/04/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910813/201031 Acórdão n.º 3801002.796 S3TE01 Fl. 41 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13867.720154/2011-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2012
ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Indefere-se o pedido de isenção do IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico, quando não demonstrada disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o veículo informado como aquele que se pretende adquirir.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2012 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Indefere-se o pedido de isenção do IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico, quando não demonstrada disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o veículo informado como aquele que se pretende adquirir. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
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DEFICIENTE FÍSICO. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Indeferese o pedido de isenção do IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico, quando não demonstrada disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o veículo informado como aquele que se pretende adquirir. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 7. 72 01 54 /2 01 1- 34 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13867.720154/201134 Acórdão n.º 3802002.153 S3TE02 Fl. 54 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. ‘O interessado em epígrafe pleiteou, na qualidade de portador de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 24/26, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que não houve comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido. Devidamente cientificado da decisão, o interessado interpôs manifestação de inconformidade (fls. 27/28), por meio da qual alegou que desistiu da compra do veículo Cruze LT, optando pelo GM/Meriva 1.8, no valor de R$ 35.935,00, e apresentou declaração da firma Dinei Veículos de interesse na compra de veículo de sua propriedade, no valor de R$45.000,00. Acrescentou que, segundo relato do despacho decisório, referido veículo estaria financiado, mas há mais de cinco meses ele se acha quitado, conforme pesquisa do Detran. Defendeu que o valor que recebe da Previdência Social (R$ 1.460,00 por mês) é suficiente para sua manutenção e eventual prestação de financiamento.’ A DRJ/RPO decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2012 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. É de se indeferir o pedido de isenção do IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico quando não demonstrada nos autos a disponibilidade financeira ou patrimonial.” Ciente do acórdão da DRJ, a interessada apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade, insistindo que possui disponibilidade financeira para adquirir o veículo, tendo em vista que utilizará para pagamento um veículo próprio, que não possui restrição administrativa ou tributária, e que não financiará nenhuma parte do valor do veículo a ser adquirido. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13867.720154/201134 Acórdão n.º 3802002.153 S3TE02 Fl. 55 3 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A comprovação da disponibilidade patrimonial ou financeira, como requisito para a fruição da isenção do IPI na aquisição de veículos por deficientes físicos, foi instituída pelo art. 5º da Lei nº 10.690, de 2003. Vejase: “Art. 5º Para os fins da isenção estabelecida no art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a nova redação dada por esta Lei, os adquirentes de automóveis de passageiros deverão comprovar a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido.” A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, por meio Instrução Normativa RFB nº 988, de 22/12/2009, dispõe sobre esta comprovação. Vejase: “Art. 2º As pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). § 1º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995 com redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 1995, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com alterações posteriores; e (...)” Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): (...) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13867.720154/201134 Acórdão n.º 3802002.153 S3TE02 Fl. 56 4 II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; (...) A apresentação de declaração de disponibilidade financeira ou patrimonial é requisito para habilitação à fruição da isenção e esta disponibilidade deve ser compatível com o veículo pretendido. No presente caso, o veículo inicialmente pretendido foi substituído por outro de valor menor, como forma de superar a incompatibilidade da disponibilidade financeira ou patrimonial com o valor do veículo a ser adquirido. Por isto, as condições inicialmente analisadas pela DRF de origem foram alteradas. Estáse diante de nova solicitação de habilitação à fruição da isenção que não foi submetida à autoridade competente para decidir sobre o pedido. Também a capacidade financeira da requerente sofreu alteração, por causa da mudança das condições do veículo que pretende dar em pagamento pelo veículo novo. No momento da solicitação possuía restrições que, agora, aparentemente, não possui. Pareceme que seria o caso de se fazer nova solicitação, considerandose as alterações das condições iniciais para a habilitação. Sobre as decisões atacadas, o despacho decisório e o acórdão da DRJ/RPO, devem ser mantidas. A primeira, tendo em vista a não comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o veículo então pretendido, está correta à luz daquilo que lhe foi solicitado. A segunda porque, baseandose em documento apresentado com a manifestação de inconformidade, fl. 33, constatou que o veículo que se pretendia dar em pagamento possuía restrição tributária que impedia sua alienação, não podendo ser considerado disponível. No recurso voluntário não foram apresentados documentos que pudessem afastar as razões da decisão recorrida. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não concedeu isenção de IPI à recorrente para aquisição de veículo automotor. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13867.720154/201134 Acórdão n.º 3802002.153 S3TE02 Fl. 57 5 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.721504/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
Preliminar rejeitada
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$9.707,59 no ano calendário 2007.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Preliminar rejeitada Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 04 /2 01 0- 16 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$9.707,59 no ano calendário 2007. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado). Fl. 956DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.721504/201016 Acórdão n.º 2202002.525 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, RAUMIRO FREIRE BEZERRA, foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 529/538), referente aos exercícios 2006, 2007 e 2008, anos calendário 2005, 2006 e 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 529): Imposto R$ 1.274.652,09 Multa Proporcional (Passível de Redução) R$ 955.989,06 Juros de Mora (calculados até 30/06/2010) R$ 454.710,77 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 2.685.351,92 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Enquadramento legal e detalhamento da infração nos autos (fls. 520/538). O contribuinte apresenta impugnação, protocolada em 10/08/2010 (fls. 547/565), na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Aquilo que a Fiscalização entendeu ser omissão de receita, na verdade, referese a movimentações financeiras não tributáveis, que não apresentam acréscimo do patrimônio. É evidente a nulidade do presente Auto de Infração, porque a Auditora Fiscal supostamente relaciona os valores utilizados como base para tributação, por meio dos anexos I e II. Ocorre que tais documentos nem de longe cumprem o seu dever de trazer elementos que permitam ao contribuinte identificar o fato gerador que originou o crédito tributário e, conseqüentemente, apresentar defesa com relação ao montante que entende devido. A mera listagem de valores não permite ao contribuinte saber de onde eles foram retirados, o que os gerou, nem qual seria a desconformidade supostamente presente no que foi apresentado por ele, o que viola princípios constitucionais como o da ampla defesa e do contraditório. Foi efetuada, erroneamente, tributação de receitas provenientes da transferência entre contas da mesma titularidade. Foram tributadas receitas destinadas a reembolsar o impugnante por despesas da pessoa jurídica Noleto e Filhas, pagas por ele. No ano de 2007, na conta do Unibanco, consta o valor de R$109.548,33, que foi depositado em sua conta corrente, com o fim do pagamento da fatura de cartão de crédito Fl. 957DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 do próprio contribuinte, já que foi este utilizado para pagamento de despesas da empresa. Por ora, tal comprovação se faz por amostragem, já que não houve tempo hábil para preparar o demonstrativo detalhado de todas as despesas. Registrese, entretanto, a solicitação no sentido de que seja recebido o restante da documentação (a ser apresentada o mais rápido possível). O mês que ora se apresenta é suficiente para comprovar o que se alega, ou seja, que os valores tributados buscavam reembolsar o impugnante pelo pagamento de despesas da pessoa jurídica Noleto e Filhas, por meio de seu cartão pessoal. Observase nos extratos anexados que diversos cheques depositados em Contacorrente de titularidade do contribuinte (Unibanco – ag. 507 – c/c 2063208) foram devolvidos por ausência de provisão de fundos. Por certo que, se o cheque foi devolvido, não houve acréscimo ao patrimônio, o que impede a incidência do tributo. A Fiscalização autuou também valores de resgates de numerários oriundos de previdência privada, efetuados em sua conta corrente do Banco Real (ag. 0678 – c/c 9.7180170), no montante de R$9.701,59. Outro equívoco cometido diz respeito à tributação de empréstimos bancários efetuados pelo impugnante. Efetuou dois empréstimos bancários junto a instituições financeiras. O primeiro deles, no montante de R$150.150,00 (Unibanco), conforme se comprova pela Cédula de Crédito Bancário empréstimo pessoa física. Tal empréstimo foi feito em nome do contribuinte, mas foi repassado à pessoa jurídica Noleto e Filhas. Mensalmente, a empresa fazia depósitos bancários na conta do impugnante para que saldasse as parcelas do empréstimo. Todas essas alegações podem ser comprovadas pelos extratos bancários e demais documentações acostadas. Verificase que, no final do ano de 2006 e no ano de 2007, foram feitos, pela empresa, depósitos mensais na conta do impugnante para pagar as parcela do empréstimo, exatamente no valor da parcela de R$7.813,42, conforme consta da cédula de crédito acostada e dos extratos do Unibanco. Obteve também um empréstimo pessoal, junto ao Banco Real, no montante de R$150.000,00. O contrato comprova esta alegação. Ocorre que, apesar de reconhecer o montante depositado na conta corrente do impugnante se trata de empréstimo bancário, a Auditora Fiscal tributou esse valor, conforme consta do Anexo I da Fiscalização. A Fiscalização procedeu à autuação com base no permissivo legal da presunção de omissão de receita. Ocorre que, conforme se demonstrou nesta impugnação, referida presunção deve ser afastada diante das provas apresentadas. Os documentos acostados demonstram a origem dos recursos e, por conseguinte, comprovam a ausência de acréscimo patrimonial e de fato gerador do imposto de renda. Como é sabido, impera no procedimento administrativo fiscal o princípio da verdade material. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.721504/201016 Acórdão n.º 2202002.525 S2C2T2 Fl. 4 5 Requer seja julgada totalmente procedente a impugnação; provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas e realização de diligência. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (PARCIAL). Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após análise da autoridade de primeira instância foram excluídos depósitos que tinham origem em contas corrente de mesma titularidade. Embora tenha sido feitos os ajustes, ainda restam valores que não foram excluídos. Em relação à conta do Banco Real, agência 0678, c/c 9.7180170, serão excluídos de tributação todos os valores indicados na impugnação (fl. 569), totalizando no ano calendário 2005, R$105.199,98; em 2006, R$101.200,00; e em 2007, R$105.900,00. No tocante à conta corrente mantida no HSBC, agência 1347, c/c 1093302, a Auditora Fiscal já excluiu de tributação os valores indicados no Termo de Verificação Fiscal, restando a excluir os seguintes valores. A autoridade recorrida também reconheceu vários cheques devolvidos. Da mera verificação dos extratos bancários, notase que não foram excluídos de tributação os valores dos cheques devolvidos, os quais estão claramente indicados nesses documentos (fls. 20/408, 568/912). Assim, devem ser excluídos de tributação os cheques devolvidos pelo Unibanco, nos valores totalizados, no anocalendário 2005, de R$124.209,48 (em 13/09 o Fl. 959DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 cheque devolvido foi de R$87,50 e não R$5.087,50); no ano calendário 2006, o valor de R$84.388,71; e no ano calendário 2007, de R$41.415,00 (fls. 823/833). Foram devolvidos pelo Banco HSBC, no ano calendário 2007, o valor total de R$2.300,00 (fl. 660). Com base nos ajustes realizados, considerando as transferências de contas de mesma titularidade e os cheques devolvidos, decidiuse excluir de tributação o montante de R$258.671,28 (ano calendário 2005), R$190.088,71 (ano calendário 2006) e R$149.615,00 (ano calendário 2007). Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Da Preliminar de nulidade do auto de infração; Dos Depósitos da pessoa jurídica referentes a reembolsos de despesas; Dos cheque devolvidos; Da não incidência do IRPF no resgate da Previdência Privada; Da Transferência de Recurso de mesma titularidade; Do caráter confiscatório da multa. É o relatório. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.721504/201016 Acórdão n.º 2202002.525 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Ante ao exposto rejeito a preliminar de nulidade. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi Fl. 961DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Das Matérias da Mérito Dos Depósitos da pessoa jurídica referentes a reembolsos de despesas Conforme a autoridade recorrida as provas apresentadas pelo recorrente não foram capazes de afastar a presunção. De acordo a autoridade recorrida: Argumenta o impugnante que foram tributadas receitas destinadas a reembolso por despesas da pessoa jurídica Noleto e Filhas, pagas por ele. Acrescenta que tal comprovação, neste momento, fará por amostragem, já que não houve tempo hábil para preparar o demonstrativo detalhado de todas as despesas. Registra, entretanto, solicitação no sentido de que seja recebido o restante da documentação, que será apresentada o mais rápido possível. O mês que ora se apresenta é suficiente para comprovar o que se alega, ou seja, que o valores tributados buscavam reembolsar o impugnante pelo pagamento de despesas da pessoa jurídica Noleto e Filhas, por meio de seu cartão pessoal. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.721504/201016 Acórdão n.º 2202002.525 S2C2T2 Fl. 6 9 Da análise da documentação acostada, observase que não há qualquer elemento indicativo de que os depósitos apontados, a exemplo da folha 823, decorrem de reembolso da pessoa jurídica com o fim de pagar a fatura do cartão de crédito, ou seja, não há como vincular os valores dos créditos bancários às contas supostamente pagas para tal fim. Em suma, não restaram identificas a origem e natureza dos depósitos Dos cheque devolvidos O recorrente questiona a existência de mais cheques devolvidos mas não os relaciona. Apenas genericamente afirma que a haveria outros cheques. Porém revisando todo os extratos, e os cheques apontados como devolvidos do HSBC (fls 660) e Unibanco (fls.823/833), não se identificou qualquer outro depósito passível de ser excluído. Da não incidência do IRPF no resgate da Previdência Privada Ao apreciar essa matéria, o autoridade julgadora afirmou: Afirma igualmente que a Fiscalização autuou também valores de resgates de numerários oriundos de previdência privada, efetuados em sua conta corrente do Banco Real (ag. 0678 – c/c 9.7180170), no montante de R$9.701,59. Não há, nos autos, qualquer elemento probatório hábil e idôneo que identifique tal resgate como sendo de resgate de previdência privada, razão pela qual fica mantida a tributação por não comprovação da origem e natureza do crédito. Inobstante, respeitável opinião da autoridade recorrida, entendo que a denominação RESG PREV é suficiente para presumir que o alegado pelo recorrente, representa a realidade material. Da Transferência de Recurso de msma titularidade O recorrente questiona que a autoridade deveria considerar todo o restante de depósitos indicados com sendo originados de outra conta de sua titularidade. Entendo que esse procedimento não se compatibiliza com a natureza do tipo de lançamento de depósitos bancários. Onde todos os valores devem ser individualizamente comprovados. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; Fl. 963DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Multa Confiscatória No que toca a suposta natureza inconstitucional da multa, e eventuais efeitos confiscatórios. Citese ,ainda, a súmula n 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF No.2) Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e , no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo das infrações R$ 9.701,59 no ano calendário de 2007. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 964DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13805.004276/98-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1993
IRPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO CANCELADO.
Constatada na escrituração a existência de prejuízos compensáveis que, se computados, tornariam inexistente o resultado positivo do exercício, acolhe-se a alegação de erro no preenchimento da DIRPJ, ensejando a exoneração do crédito tributário constituído em função dessa base equivocada.
Numero da decisão: 9101-001.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima e Valmir Sandri.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1993 IRPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO CANCELADO. Constatada na escrituração a existência de prejuízos compensáveis que, se computados, tornariam inexistente o resultado positivo do exercício, acolhe se a alegação de erro no preenchimento da DIRPJ, ensejando a exoneração do crédito tributário constituído em função dessa base equivocada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima e Valmir Sandri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 42 76 /9 8- 11 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Tratase de recurso especial de divergência (fls. 189/195) apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 180300.462 (fls. 175/180), com fulcro no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, onde protestou contra a decisão recorrida que considerara insubsistente o lançamento, com base em erro de preenchimento da declaração alegado pelo contribuinte no recurso voluntário, sem suporte probatório em livros contábeis e fiscais. O voto condutor da decisão recorrida está assim redigido (fls. 178): (...). Não obstante, é o próprio art. 147 do CTN, em seu § 2°, que prevê: Art. 147. [...]. [...]. 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Verificandose atentamente a declaração da Recorrente (fls. 39 e verso), constatase que não foi preenchida a Linha 48 do Quadro 04 do Anexo 2 (Lucro Real em Ufir). Da mesma forma, não foram inseridos quaisquer valores no Quadro 15 do Formulário I (Imposto de Renda a Pagar Ufir Diária) (fls. 36). Do que se conclui ter havido, realmente, erro de preenchimento na declaração de rendimentos respectiva, quando os valores indicados na Linha 47 do Quadro 04 do Anexo 2 deveriam ter sido informados nas Linhas 40 a 44 (Compensação de Prejuízos Fiscais). Não procede o lançamento efetuado. O recurso especial foi admitido através do Despacho nº 140000.312 (fls. 252/255), tendo sido apresentados dois acórdãos paradigmas, nos quais é afirmada a necessidade de que a alegação de erro no preenchimento da DIPJ deve vir acompanhada de provas documentais, tendo o recurso sido admitido por considerar existente a divergência argüida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 231 a 235), levantando inicialmente a preliminar de decadência do lançamento, por ser uma questão de ordem pública e, no mérito, para requerer a manutenção da decisão recorrida pela cabal demonstração de que o caso se trata mesmo de erro no preenchimento da DIPJ. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13805.004276/9811 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 5 3 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. O recurso preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, segundo o qual a decisão recorrida teria, indevidamente, exonerado o crédito tributário lançado de ofício, sob a justificativa de que o mesmo teria se originado de mero erro no preenchimento da DIRPJ do exercício 1994, períodobase 1993, sem que a então impugnante tivesse apresentado qualquer elemento comprobatório do alegado erro de preenchimento. Compulsandose os autos, verificase que foram juntadas cópia da Parte B (controle de valores que constituirão ajuste do lucro líquido em exercícios futuros) do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (fls. 44 a 47), referente à conta de prejuízos fiscais, no qual encontramse consignadas suas mutações mensais, ficando perfeitamente demonstrado que os prejuízos acumulados e ali controlados seriam suficientes, com sobras, para absorver todo o lucro real mensal que dera causa ao presente lançamento de ofício, de cujas compensações, quando efetuadas, restaria saldo de prejuízo fiscal acumulado passíveis de compensação em períodosbase futuros. Cumpre ressaltar que a decisão de primeiro grau, proferida no ACÓRDÃO/DRJ/SPOI Nº 003952, de 15/09/2003 (fls. 91/99), não faz alusão a eventual inexistência da comprovação de que trata o presente recurso especial da PFN, tendo o argumento impugnativo sobre a existência de prejuízos a compensar sido rechaçados naquela instância sob o argumento de que não compete à autoridade administrativa compensar de ofício resultados sobre o qual o contribuinte não manifestou sua opção (...), não havendo a indicação de qualquer valor nas linhas 40 a 44 (compensação de prejuízos) (fls. 97), no Anexo 2 da DIRPJ. De outra forma, a decisão recorrida entendeu que o fato de não ter sido preenchida a Linha 48 do Quadro 04 do Anexo 2 (Lucro Real em Ufir), assim como não ter sido inseridos quaisquer valores no Quadro 15 do Formulário I (Imposto de Renda a Pagar – Ufir Diária) (fls. 36), demonstra ter havido, realmente, erro de preenchimento na declaração de rendimentos respectiva, quando os valores indicados na Linha 47 do Quadro 04 do Anexo 2 deveriam ter sido informados nas Linhas 40 a 44 (Compensação de Prejuízos Fiscais). Vêse, pois, que a questão posta é se seria falta de opção pela compensação de prejuízos fiscais existentes, ou erro no preenchimento da DIRPJ, ao não inserirse qualquer valor nas linhas 40 a 44 (compensação de prejuízos). Sem embargo, entendo que fazse necessária a efetivação da compensação desses prejuízos, providência que não fora devidamente indicada na DIRPJ no seu campo próprio, muito embora tenha sido escriturada no livro LALUR, consoante se pode verificar, por exemplo, nos meses de junho, julho, agosto e outubro de 1993, em cujos meses, equivocadamente, foi registrado, no Anexo 2 da DIRPJ, base de cálculo positiva quando, na Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 realidade, levandose em conta a compensação dos prejuízos existentes, essa base de cálculo positiva deixara de existir, sendo esse o motivo pelo qual nada foi declarado na linha 48 do acima citado Anexo 2 da DIRPJ (Lucro Real em UFIR), sendo de se considerar que, de fato, houve erro no preenchimento da DIRPJ. Deixo de me manifestar sobre outras alegações apresentadas pela contribuinte em suas contrarrazões, inclusive a argüição de decadência do lançamento de ofício, por despiciendo. Por essas razões, entendo correta a decisão recorrida e, portanto, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 19/08/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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