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Numero do processo: 13528.000127/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 18/07/2007 a 14/11/2007
REEMBOLSO
O Requerimento de Reembolso será deferido se devidamente instruído.
Numero da decisão: 2403-001.711
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 8. 00 01 27 /2 00 7- 14 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1529.810 da 5ª Turma, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O relatório do acórdão recorrido assim descreve os fatos: Relatório Tratase de Requerimento de Reembolso de saláriomaternidade, referente às competências 07/2007 a 11/2007. O processo foi formalizado em 20/12/2007, conforme protocolo à fl. 1. O processo foi instruído com os seguintes documentos, dentre outros: Requerimento de Reembolso (RR); procuração nomeando como procuradora a Sra. Maria Ilma Cotrim Rego, empregada que gozou a licença maternidade objeto do pedido; documento de constituição da empresa; comprovante de inscrição da empresa no CNPJ; Certidão de Nascimento da criança; Atestado Médico da mãe; resumos das GFIP das competências 07/2007 a 11/2007. De acordo com o Despacho Decisório DRF/FSA n° 2735/2011 (fls. 59/63), as GFIP da empresa continham erros de informação quanto à remuneração da empregada em licença maternidade (Maria Ilma Cotrim Rego). A empresa também não teria informado nas GFIP a eventual remuneração da titular da empresa na qualidade de contribuinte individual. Assim, com base no art. 23 do Decreto n° 70.235/72 a requerente foi intimada (fls. 51/52) a retificar as GFIP, corrigindo os valores da remuneração da empregada nas competências apontadas e incluindo a remuneração da titular da empresa, salvo se apresentasse Livro Caixa que atestasse a não ocorrência de tal despesa. Enfatiza que o Livro Caixa é obrigatório para empresas optantes pelo SIMPLES, conforme art. 225, § 16, III, do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social – RPS). Acrescenta que a citada Intimação n° 310/2011 (fls. 51/52) foi devidamente recebida pelo requerente em 05/09/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 53, com prazo de 20 (vinte) dias para atendimento. No entanto , até a data de emissão do Despacho Decisório (19/11/2011) não existia qualquer manifestação da requerente relativa à documentação solicitada. Foi confirmado, na mesma data, via sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil (RFB) que a empresa não informara novas GFIP. Em vista do não atendimento da intimação, decidiuse pelo indeferimento do pleito relativo ao pedido de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13528.000127/200714 Acórdão n.º 2403001.711 S2C4T3 Fl. 3 3 reembolso, facultando ao interessado apresentar sua manifestação de inconformidade. ... Voto ... De fato, no Livro Caixa (fls. 93/129), apresentado junto com a Manifestação de Inconformidade, não constam despesas de pró labore (remuneração da titular da empresa). No entanto, constatase despesa mensal a título de honorários contábeis, conforme tabela abaixo: ... Presumese que tais valores foram pagos ao técnico em contabilidade José Ottoni de Figueiredo, que assina os Termos de Abertura (fl. 93) e de Encerramento (fl. 129) do Livro Caixa examinado e cujo registro, de n° 08910, foi confirmado no site do Conselho Regional de Contabilidade da Bahia. Considerando que se tratam de pagamentos a pessoa física, as informações deveriam constar nas GFIP dos meses correspondentes, o que não ocorreu. Assim, as mesmas não retratam a totalidade dos fatos geradores do período, não podendo ser consideradas para efeito da apuração do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Além disso, solicitouse, na referida intimação de fls. 51/52, que fosse providenciada a retificação das GFIP de 07/2007 e de 11/2007, início e fim, respectivamente, da licença maternidade da empregada Maria Ilma Cotrim Rego. ... Cumpre frisar que o prazo estipulado para a apresentação da documentação solicitada (20 dias) foi bastante razoável. Causa estranheza o fato de o contribuinte não ter sequer atendido parcialmente à intimação, apresentando parte da documentação requisitada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Tem direito ao reembolso. · Realizou todas correções apontadas no acórdão. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de erros na declaração que inviabilizavam o reembolso. A remuneração do contribuinte individual José Ottoni de Figueiredo não havia sido declarada e a remuneração da empregada Maria ima Cotrim Rego, nas competência 7 e 11/2007 estava a menor. Novas GFIPs fora entregues e os erros sanados. Entendo não haver mais óbice para o reembolso. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.013206/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO-TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos os proventos de aposentadoria, percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Hipótese em que a prova requerida pela legislação é apresentada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.998
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos os proventos de aposentadoria, percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Hipótese em que a prova requerida pela legislação é apresentada. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 32 06 /2 00 9- 15 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0344.917, proferido pela 3 Turma da DRJ Brasília (43), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação referente ao lançamento do IRPF do exercício de 2008. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: “O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas– valor: 28.800,00. Despesa com Lar Cecília Ferraz Andrade não é dedutível, por falta de previsão legal. A ciência do lançamento ocorreu em 27/11/2009 (informação Sucop às fls. 36) e a contribuinte apresentou sua impugnação em 01/12/2009 (fls. 02/03), acompanhada da documentação de fls. 04/27, alegando, em síntese, os motivos de fato e de direito abaixo resumidos: A contribuinte é idosa e portadora de doença grave prevista na Lei 7.713/88. Desde 2005 encontrase incapaz e internada na entidade Lar Cecília Ferraz de Andrade, cujos recibos foram glosados por falta de previsão legal. No ano de 2007 o Ministério das Comunicações, fonte pagadora de sua aposentadoria, reconhece oficialmente a incapacidade da contribuinte, conforme comprovante de rendimentos. O Ministério da Aeronáutica, por sua vez, fonte pagadora da pensão por ela recebida, ainda não efetivara essa isenção em comprovante de rendimentos. Isso passou a ocorrer somente em 2009, devido aos trâmites burocráticos do órgão. Solicita que sejam considerados os laudos dos médicos que a atendem diariamente, em anexo. Salienta que como o benefício é retroativo a 01/01/2005, cabe pedido de ressarcimento dos descontos em folha do IRRF, o que será solicitado posteriormente. Quanto aos recibos informados como despesa médica, aduz que as despesas de internação em estabelecimento geriátrico são dedutíveis, desde que o estabelecimento se enquadre nas normas relativas a hospitais, editadas pelo Ministério da Saúde, e desde que tenha a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes. Não era do seu conhecimento que, apesar de prestar serviços médicos, o estabelecimento não possuía tais credenciais.” A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008 Ementa: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. PEDIDO DE ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.013206/200915 Acórdão n.º 2101001.998 S2C1T1 Fl. 69 3 A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e deve estar expressamente incluída no rol de moléstias constantes do inciso XXXIII do art. 39 do RIR/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fl. 57/61), a recorrente, por sua representante legal, reitera o seu direito à isenção, junta documentos relacionados à moléstia grave “Doença de Alzheimer”, espécie de alienação mental, em que ocorre a deterioração dos processos cognitivos de tal forma que o indivíduo acometido tornase incapaz de gerir sua vida social , diagnosticada em 20/12/2002, por Junta Médica do Serviço de Assistência Medico Social do Ministério das Comunicações, que inclusive reconheceram a isenção em relação aos proventos de aposentadoria auferidos daquele ministério. Colaciona jurisprudência que reconhece a alienação mental neste caso, e decisão judicial de interdição da contribuinte. É o Relatório. Voto O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme assentado na ementa da decisão recorrida, para serem isentos do imposto de renda pessoa fisica, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas no artigo 6º, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteite deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifos acrescidos) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Do exame das peças processuais, verificase que os elementos de prova nos autos são abundantes a comprovar que a interessada era aposentada no anocalendário de 2007. Os comprovantes de rendimentos apresentados juntamente com a impugnação indicam que o Ministério das Comunicações não tributava os proventos de aposentadoria, por ser a beneficiária dos rendimentos portadora de moléstia grave (fls. 06 e 09). Com efeito, no ano de 2007 a contribuinte tinha 84 anos e era viúva. Desta forma, forçoso concluir, diferentemente do que o fez a DRJ, que os proventos auferidos do Comando da Aeronáutica tinha natureza de pensão ou aposentadoria compulsória, que no serviço público atinge os servidores ativos aos setenta anos. Em relação ao outro requisito indispensável, o órgão julgador de primeiro grau manifestouse nos seguintes termos: Para comprovar o direito à isenção da contribuinte, sua curadora trouxe aos autos o Parecer de fls. 08, emitido em 20/12/2002 pela Junta Médica do Serviço de Assistência Médico Social do Ministério dos Transportes, concluindo que aquela apresentava as doenças compreendidas nos seguintes códigos (CID): F00.0; F32.0; e S72.0. Os códigos elencados se referem, respectivamente, as seguintes doenças: F00.0 – Demência na doença de Alzheimer de início precoce. F32.0 – Episódio depressivo leve. F72.0 – Fratura do colo do fêmur. A impugnante carreou aos autos ainda a declaração de fls. 05, de 21/03/2005, e o Relatório Médico de fls. 06, de 10/06/2008, cada qual assinado por um médico do Lar Cecília Ferraz de Andrade e ambos atestando que a Sra. Clarinda Amélia Nogoceke é portadora de síndrome demencial de provável etiologia mista; osteoporose; intolerância à glicose; e dislipidemia. O relatório mais recente, de 2008, acrescenta infecções do trato urinário de repetição e hipertensão arterial sistêmica. Ambos os documentos concluem que a paciente é totalmente dependente para atividades da vida diária. Por fim, foi também trazido aos autos o Laudo Psiquiátrico de fls. 13/18, preparado pela médica psiquiatra Jussane Cabral Mendonça em 30/07/2010, com vistas à instruir o processo de interdição da contribuinte. A sentença do referido processo encontrase às fls. 19/20, com nomeação de sua filha como curadora. O Laudo de fls. 13/18 conclui que a contribuinte examinada é portadora de Demência na doença de Alzheimer, em fase grave, compatível com alienação mental que requer a interdição total e definitiva. No presente caso, nenhum dos documentos acostados aos autos preenche os requisitos legais necessários ao deferimento da isenção pretendida. Senão vejamos. O parecer de fls. 08, embora tenha sido emitido em 20/12/2002 por junta médica oficial do Ministério dos Transportes e da Comunicação, traz como diagnóstico da contribuinte Demência na doença de Alzheimer de início precoce. É cediço e notório que a Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e causa alienação mental, gênero daquela. O Laudo Médico de fls. 12/17, que conclui pelo agravamento da Doença de Alzheimer, com conseqüente instauração do quadro de Alienação Mental, robustece ainda mais a convicção deste julgador quanto ao direito à isenção Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.013206/200915 Acórdão n.º 2101001.998 S2C1T1 Fl. 70 5 pleiteada pela contribuinte. Por óbvio, o início da moléstia ocorreu em 20/12/2002 conforme reconheceu o laudo médico oficial à fl. 07. Os demais elementos e prova nos autos são convergentes e conclusivos quanto a alienação mental da contribuinte. De fato, a Declaração de fls. 04, de 21/03/2005, e o Relatório Médico de fls. 05, de 10/06/2008, corroboram o parecer da Junta Médica do Ministério das Comunicações e do Transporte, datado do ano de 2002. A culminância desta situação foi a decisão judicial de interdição da contribuinte, consoante Certidão à fl. 08: “Concedo a antecipação dos efeitos da tutela, decretando a interdição provisória da interditanda, nomeandose sua filha como curadora provisória. Lavrese o termo competente.”Em: 16.05.05 (as.) Juiz de Direito Substituto. Certifica, outrossim, que a requerente prestou o devido compromisso à fl. 37, do livro próprio, volume II, no dia 16.05.05, prometendo cumprir sem dolo, nem malícia o encargo. O referido é verdade e dou fé. Dada e passada nesta cidade de BrasíliaDF, aos 16 de maio de 2005 Com efeito, referida decisão foi posteriormente confirmada (fls. 18/19), com suporte no Laudo Psiquiátrico às fls. 12/17, que traz a seguinte conclusão: A senhora Clarinda Amélia Nogoceke, é portadora de doença ncuropsiquiátrica — Demência na doença de Alzheimer — compatível com alienação mental que determina indicação de Interdição total e definitiva. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar a exigência tributária em litígio. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 11065.003133/2005-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2002, 2003
BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS/Pasep e Cofins. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Exclui-se, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a receita não-operacional com a venda de quotas em tesouraria em outubro/2002. Exclui-se também da tributação da Cofins, a receita não operacional obtida com a cessão de direitos creditórios, (crédito-prêmio decorrente de ação judicial) em novembro de 2003. PIS/Pasep Fato Gerador:20/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI. BASE DE CALCULO.RECEITA BRUTA. Nos termos do § 1º do artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do crédito-prêmio de IPI.
Numero da decisão: 1802-001.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a exigência do PIS relativo a outubro de 2002, bem como a Cofins relativa aos meses de outubro/2002 e novembro de 2003, tratada no processo apenso por anexação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS/Pasep e Cofins. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a receita nãooperacional com a venda de quotas em tesouraria em outubro/2002. Excluise também da tributação da Cofins, a receita não operacional obtida com a cessão de direitos creditórios, (créditoprêmio decorrente de ação judicial) em novembro de 2003. PIS/Pasep Fato Gerador:20/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. BASE DE CALCULO.RECEITA BRUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 33 /2 00 5- 12 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Nos termos do § 1º do artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do créditoprêmio de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a exigência do PIS relativo a outubro de 2002, bem como a Cofins relativa aos meses de outubro/2002 e novembro de 2003, tratada no processo apenso por anexação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Em 20/03/2012, mediante o Acórdão nº 3402001.692, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF declinou da competência para o julgamento do presente processo, remetendoo à Primeira Seção do CARF, consignando que o lançamento do PIS está lastreado em fatos igualmente utilizados para caracterizar a prática de infração à legislação do IRPJ. Assim, o processo foi distribuído para esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF. Consta um despacho da DRF/Novo Hamburgo/RS, à fl.246, destacando que o contribuinte apresentou uma impugnação única, para os processos 11065.003132/200578, AI IRPJ e C. Social, 11065.003133/200512, AI PIS e 11065.003134/200567, AI Cofins, sendo que o original foi juntado ao processo 11065.003132/200578 e anexada cópias autenticadas nos outros processos. E, outro despacho à fl. 250, para que seja procedida a anexação do processo n° 11065.003134/200567, em cumprimento ao disposto na Portaria n° 6129, de 2/12/2005,que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela SRF. Em 08/03/2006, à fl.253, consta despacho da juntada por anexação do processo n° 11065.003134/200567 (Cofins) a este processo. Desse modo, o presente processo será analisado conjuntamente com o mencionado processo relativo à Cofins por tratarem dos mesmos fatos. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11065.003133/200512 Acórdão n.º 1802001.373 S1TE02 Fl. 3 3 A autuada recorre, pois, das decisões de primeira instância, que julgaram procedentes em parte os lançamentos constantes dos Autos de Infração relativo aos anos calendário de 2002 e 2003, abaixo relacionados: Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), no valor principal de R$ 85 497,39, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 29/07/2005, totalizando R$ 171 680,72 (fls. fls.188/191); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor principal de R$ 155 931,69, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 29/07/2005, totalizando R$ 314 360,98 (fls.165/168, processo juntado por apensação). A empresa foi cientificada dos lançamentos em 31/08/2005 (fl. 188 e 165 – processo apensado). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e os Relatórios de Trabalho Fiscal – RTF (fls.192/199 e 169/175 processo juntado por apensação) que fazem parte integrante dos autos de infração, os lançamentos de ofício decorrem das seguintes irregularidades, tratadas no Auto de infração relativo ao PIS (fls. 188 a 191) e Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 192 a 199) e Auto de Infração relativo à Cofins, (fls. 165 a 168) e Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 169 a 176): Falta de inclusão na base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) da receita nãooperacional no valor de R$ 300.000.00 auferida em outubro de 2002 com a venda de quotas em tesouraria (item III do RTF). Apuração do PIS e da Cofins na modalidade cumulativa. Falta de inclusão pela fiscalizada, de receita nãooperacional no valor de R$ 4.897.723,26 com a cessão de direitos creditórios, (créditoprêmio decorrente de ação judicial), na base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) contabilizada em 20 de novembro de 2003, (item IV do RTF). O lançamento do PIS e da Cofins relacionado à tributação da alienação de direitos creditórios, referente ao mês de novembro de 2003, foi efetuado pela sistemática não cumulativa, criada, para o PIS, a partir da Lei 10.637/02. Já em relação à Cofins a autuação teve como fundamento o art. 2° c/c art. 3º , §1° da Lei n° 9.718/98, portanto, apuração cumulativa. O Relatório do Trabalho Fiscal anexos (fls.192/199 e 169/175 processo juntado por apensação) informa que a não inclusão da receita na base de cálculo do PIS e da COFINS decorre da interpretação de que se trata de recuperação de tributo conforme a resposta apresentada pela fiscalizada em atendimento ao item II, "b" do Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 14. Sobre o assunto consta do RTF (fls.197/198) o seguinte esclarecimento adequado à Cofins, no que couber: A fiscalizada, para justificar a não inclusão, cita, inclusive o ADI SRF 25 de 23/12/2003, que trata da tributação de valores restituídos ao contribuinte por força de sentença judicial em ação de indébito, e que, em seu art. 2ºo , esclarece que não há Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 incidência de PIS/PASEP sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Entretanto, no caso em tela, os créditos tributários que estão sendo cedidos pela fiscalizada não têm a natureza de tributo pago indevidamente. Tratamse de créditos oriundos da Ação Ordinária n° 89.00136224, cujo objeto é o créditoprêmio de IPI. O crédito prêmio de IPI, de acordo com o art. 1o do Decretolei n° 491, de 05 de março de 1969, corresponde a um estímulo fiscal a que faziam jus as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, sendo apurado sobre o total das vendas para o exterior. Ou seja, o crédito prêmio do IPI é um benefício fiscal e não um tributo pago indevidamente. Assim, concluise que, independentemente da rubrica contábil utilizada para seu registro, a venda dos direitos creditórios relativos ao créditoprêmio de IPI caracteriza uma receita nova, que, pela legislação vigente, deve compor a base de cálculo do PIS/PASEP. Ressaltase que a interpretação da norma que outorga a isenção deve ser literal, nos termos do disposto no art. 111 da Lei n° 5.172, de 25/10/1996 CTN. Portanto, por ausência de dispositivo legal isentando a receita oriunda da cessão de direitos ao créditoprêmio de IPI da tributação do PIS/PASEP, esta deve compor a base de cálculo da referida contribuição. Por fim, cabe destacar a questão relativa ao deságio de R$ 1.422.202,00 verificado por ocasião da venda, tendo em vista que os direitos creditórios, no valor de R$ 4.897.723,26 foram cedidos pelo preço de R$ 3.475.521,26. Analisandose a legislação de regência vigente à época dos fatos (art. 1º o da Lei n° 10.637/2002) verificase que não existe previsão legal que permita a exclusão do valor do deságio para fins de apuração da base de cálculo do PIS/PASEP. Também foi objeto de lançamento o valor de créditos computados em duplicidade, matéria que restou não impugnada, portanto, a questão sequer foi apreciada no julgamento de primeira instância. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) julgou procedente em parte as impugnações, para reduzir o crédito tributário de PIS correspondente ao período 11/2003 para o valor de R$ 57.346,10 e reduzir o crédito tributário de Cofins correspondente ao período 11/2003 para o valor de R$ 104.265,63. Os Acórdãos expedidos em 31/01/2011, relativos ao PIS e a Cofins, com decisões proferidas em processos distintos, estão assim ementados : Acórdão nº 1029.758, fls.261/263: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/11/2003 a 30/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11065.003133/200512 Acórdão n.º 1802001.373 S1TE02 Fl. 4 5 Nos termos do § I o do artigo 3º o da Lei nº 9.718/98, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor obtido com a venda de quotas de capital em tesouraria. REGIME DA NÃOCUMULATIV1DADE. RECEITA. CESSÃO DE DIREITOS. Nos termos da Lei n° 10.637/02, integra a base de cálculo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do créditoprêmio de IPI. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão nº 1029.759, fls.242/244 (processo n° 11065.003134/200567): Assunto:Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/11/2003 a 30/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA CUMULAT1VIDADE. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Nos termos do § I o do artigo 3 o da Lei n° 9.718/98, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere os valores obtidos com a venda de quotas de capital em tesouraria e com a alienação do direito de fruição do crédito prêmio de IPI. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte cientificado do Acórdão relativo ao PIS, em 11/03/2011 conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.267), interpôs recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 06/04/2011 e quanto ao Acórdão relativo à Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Cofins, tomou ciência nos autos (fl.244) em 18/04/2011 e interpôs recurso voluntário ao CARF, em 27/04/2011 (fls.245/254): Nos recursos, essencialmente, a empresa traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que, por economia processual transcrevo a parte pertinente do relatório da decisão recorrida, fl.261/262, a seguir: A empresa impugna o lançamento em 30/09/2005, tempestivamente (fls.207 a 245). Faz questionamentos referentes ao IRPJ e CSLL, que estão tratados em processo próprio, não fazendo parte do presente litígio. As matérias referentes ao PIS e a Cofins são abordadas em conjunto pela empresa, tendo em vista decorrerem dos mesmos fatos, embora o controle esteja em processos diversos. Discorda da tributação da venda das quotas em tesouraria, por considerála fora do campo de incidência, já que não se trataria de "receita", pois não estaria vinculada às atividades da empresa. A operação seria mutação patrimonial que diz respeito apenas à situação societária. Mesmo se o entendimento conceitual for diverso, tal valor não seria objeto de tributação em decorrência da inconstitucionalidade do "alargamento" da base de cálculo previsto na Lei 9.718/98, ao criar novo conceito para o termo faturamento e nova fonte de custeio para a seguridade social. Cita jurisprudência em apoio ao alegado. Considera que a venda de quotas de capital deve ser tratada para fins tributários da mesma forma que a venda de ações em tesouraria. Contesta também a tributação sobre a cessão dos direitos creditórios. Indica que a sentença, que transitou em julgado, concedeu valor de créditoprêmio, como apurado na época própria, sobre as exportações realizadas, período em que tal valor não seria objeto de tributação. Entende que tais ingressos sequer representariam receitas, tendo características de recuperação de custos. Considera que o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF 25/2003 fornece suporte aos seus argumentos. Destaca a natureza do créditoprêmio como ressarcimento de tributos pagos internamente. Repisa os argumentos já apontados sobre a inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo das contribuições contido na Lei 9.718/98, citando também a Lei 10.833/03. Argumenta ainda que, mesmo mantida a tributação, esta seria sobre o valor líquido das operações, citando expressamente a tributação do deságio no valor de R$ 1.422.202,00, referente a transferência do créditoprêmio (embora, na impugnação, tal argumento conste na sequência do questionamento sobre a venda de quotas em tesouraria). Requer a declaração da improcedência do auto de infração (matéria impugnada) ou, subsidiariamente, seja considerado somente o valor líquido da venda dos direitos creditórios. Cabe destacar que foram lançados valores referentes as infrações em questão tanto de PIS, neste processo 11065 003133/200512, quando de Cofins, constante do de n° 11065 003134/200567. Como os processos não se encontram juntados por anexação e os créditos tributários estão cadastrados em Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11065.003133/200512 Acórdão n.º 1802001.373 S1TE02 Fl. 5 7 processos distintos, conforme o lançamento, serão objeto de apreciação em Acórdãos independentes. Ainda, o valor não impugnado foi transferido para o controle de outro processo administrativo (fl. 247). Nos recursos voluntários a recorrente reitera os mesmos argumentos acima relatados, portanto, desnecessário repetilos Ao final requer provimento aos recursos voluntários apresentados. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, dele conheço. Conforme relatado, a autuada recorre das decisões de primeira instância que julgaram procedentes em parte os lançamentos constantes dos Autos de Infração LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/PASEP e COFINS – referentes aos anos calendário de 2002 e 2003, relativos as seguintes infrações: 1) DA RECEITA COM A VENDA DE QUOTAS EM TESOURARIA. Falta de inclusão na base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) da receita nãooperacional no valor de R$ 300.000.00 auferida em outubro de 2002 com a venda de quotas em tesouraria (item III do RTF). Apuração do PIS e da Cofins na modalidade cumulativa. 2) DA RECEITA COM A CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS Falta de inclusão pela fiscalizada, de receita nãooperacional no valor de R$ 4.897.723,26 com a cessão de direitos creditórios, (créditoprêmio decorrente de ação judicial), na base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) contabilizada em 20 de novembro de 2003, (item IV do RTF). Sobre os aludidos lançamentos, a alegação da recorrente é no sentido de que não são devidos os valores exigidos a titulo de PIS e COFINS no que se refere às dita receitas. A Recorrente alega que a questão da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins, normatizada pela Lei n.° 9.718/98, já foi decidida e afastada pelo STF, restando apenas o faturamento, assim entendido como o decorrente da prestação de serviços e venda de mercadorias. Consta do Relatório do Trabalho Fiscal (RTF) que a Lei n° 9.718/98, bem como a Lei n.° 10.637/02, definiram a base de cálculo do PIS e da Cofins, ampliando o conceito da Lei Complementar 70/91, de modo a abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A Lei n.° 10.637 de 30/12/2002 dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e a Lei nº 10.833 de 29/12/2003, instituiu o regime nãocumulativo de Cofins. As bases de cálculo de PIS/Pasep e da Cofins, no regime não cumulativo, instituído pela MP nº 66 de 29/08/2002 (Lei n.° 10.637, de 30/12/2002), com efeitos a partir de 01/12/2002 e a MP nº 135, de 30/10/2003 (Lei nº 10.833 de 29/12/2003), a partir de 01/02/2004, estão amparadas pela Emenda Constitucional nº 20 de 1998. A exigência do PIS e da Cofins sobre a falta de inclusão da receita não operacional no valor de R$ 300.000.00 auferida em outubro de 2002 com a venda de quotas Fl. 305DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11065.003133/200512 Acórdão n.º 1802001.373 S1TE02 Fl. 6 9 em tesouraria, na base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins), apurado pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da Lei 9.718/98. Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007, in verbis: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras. Cabe ainda salientar que referida matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, com dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasdedispensade contestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98,eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas Fl. 306DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet Com efeito, a receita nãooperacional no valor de R$ 300.000.00 auferida em outubro de 2002 com a venda de quotas em tesouraria não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluída da base de cálculo do PIS e da Cofins. Outrossim, a exigência da Cofins relacionada à tributação da alienação de direitos creditórios, referente ao mês de novembro de 2003, teve como fundamento o art. 2° c/c art. 3º, § 1° da Lei n° 9.718/98. Portanto, pelos mesmos fundamentos a receita nãooperacional no valor de R$ 4.897.723,26 com a cessão de direitos creditórios, (créditoprêmio decorrente de ação judicial), não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluída da base de cálculo da Cofins. Como relatado o lançamento do PIS relacionado à tributação da alienação de direitos creditórios, referente ao mês de novembro de 2003, foi efetuado pela sistemática não cumulativa, criada, para o PIS, a partir da Lei 10.637/02. Apenas para ilustrar, no regime não cumulativo, exceto às alíquotas, as normas aplicáveis são idênticas em relação ao PIS e à Cofins. Desse modo, deve ser analisada a exigência do PIS à luz da mencionada lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, em novembro de 2003. A Lei n.° 10.637/2002, que passou a regulamentar o PIS/Pasep sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/2002, assim dispõe: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 307DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11065.003133/200512 Acórdão n.º 1802001.373 S1TE02 Fl. 7 11 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) O “direito creditório” alienado tem origem na seguinte decisão judicial, transcrita à fl.195 do RTF, verbis: A sentença proferida em 30/06/94, foi nos seguintes termos (fls.45 e 46): " Isto posto, julgo procedente a ação declarando existente o direito dos autores ao CréditoPrêmio IPI, o que deverá ser aproveitado na forma dos artigos 1° e 2o do Decretolei 491/69 e regulamento, declarando ainda, o direito à dedução do IPI sobre as operações de mercado interno. Acaso encontrado excedente, permitida a compensação na forma do regulamento do IPI nos últimos 5 anos anteriores ao julgamento do presente. Tudo corrigido monetariamente, nos termos da Lei 6649/81, vencendo juros de mora nos termos do art. 167, parágrafo único, do CTN." A Procuradoria da Fazenda Nacional apelou, mas o Tribunal Regional Federal da 4ª a Região, em Acórdão proferido em 12/03/96, negou provimento à apelação, confirmando integralmente a sentença de 1º o Grau. Essa decisão transitou em julgado em 04/06/96 (fls.54). A recorrente discorda, desse lançamento por entender que o valor obtido na alienação de direitos creditórios não é considerado receita. Para tanto argumenta que “o crédito prêmio de IPI” não deve ser tributado pelo PIS, pois não se configura como receita, bem como, é parcela imune. Sobre o crédito prêmio de IPI, assim esclarece: 0 crédito prêmio de IPI, de acordo com o art. I o do DecretoLei n° 491/69, corresponde a um estímulo fiscal a que faziam jus as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, sendo que sobre o total da vendas para o exterior. 23)0 créditoprêmio do IPI é um benefício fiscal, uma mera operação escritural, onde o contribuinte, em decorrência de uma política fiscal adotada pela União, se credita em seus livros fiscais deste crédito, não havendo qualquer ingresso de receitas na empresa beneficiada. 24)Neste sentido o próprio Regulamento do IPI, Decreto n.° 7.212/2010, assim como seus antecessores, assim dispunham: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Requisitos para a Escrituração Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, a vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; (...) Normas Gerais Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3°. inciso II. e Lei n° 5.172. de 1966, art. 49). § 1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2& (Lei n° 5.172, de 1996. art. 49. parágrafo único, e Lei n° 9.779. de 1999. art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts.268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei n° 9.779, de 1999. art. 11). (...) 30) 0 próprio governo federal admite que os valores relativos a créditos presumidos de tributos não são tomados como receita, o que nos leva à conclusão de que os valores percebidos a título de crédito prêmio de IPI também não o são, por simples questão de eqüidade. 31)A contabilização destes valores não afeta o resultado da recorrente, muito menos sua cessão, já que ocorre apenas a troca de um ativo por outro de igual valor. 32)Não é outro o entendimento expedido pela Coordenação Geral de Tributação, na solução de divergência COSIT n.° 20, de 12 de novembro de 2003, onde expressamente se manifestou no sentido de que a repetição de indébito não é fato gerador do PIS e da COFINS, como vemos: (...) Fl. 309DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11065.003133/200512 Acórdão n.º 1802001.373 S1TE02 Fl. 8 13 33)0 fato do crédito prêmio de IPI ter sido cedido a terceiros não afasta a sua natureza, motivo pelo qual não pode ser tributado. Da imunidade 37)Mesmo que admitíssemos que os valores percebidos a título daquele crédito, ou sua cessão, são considerados receita, ainda assim haveria violação constitucional na sua tributação. 38)Isto porque a Constituição Federal de 1988 é clara quando imuniza as parcelas decorrentes da exportação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6ºo, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2ºo As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (...) 39)Sendo os créditos de IPI percebidos em função de exportações, a receita decorrente dele não pode ser tributada, bem com sua cessão. 40)0 então Conselho de Contribuintes já teve oportunidade de se manifestar sobre o tema, assim decidindo: PIS. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA. NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO. A incorporação de créditoprêmio de IPI pela empresa não reflete absorção de faturamento ou receita bruta, mas a inclusão de direito ao seu patrimônio, sendo impossível, portanto, falarse de faturamento ou receita bruta para efeitos de exigência do PIS. (2°CC 3ºa Turma Rec. 126.573 Rei. Cons. Cesar Piantavigna j. 16/09/2004) (...) Toda a argumentação da recorrente é no sentido de que pela natureza do “crédito prêmio de IPI” o valor obtido pela decisão judicial não integra à base de cálculo do PIS. Ora, nos exatos termos da ementa do acórdão trazido pela recorrente, depreendese que o valor adquirido de créditoprêmio de IPI pela empresa não reflete absorção de faturamento ou receita bruta porque nesse momento tratase apenas de direito que se incorpora ao patrimônio da empresa, a custo ZERO. Porém, a alienação/cessão desse direito representa Fl. 310DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 faturamento ou receita bruta pelo seu total e consequentemente deve integrar à base de cálculo do PIS, conforme disposto no artigo 1º, §§ 1º e 2º da Lei n.° 10.637/2002. No caso concreto, a decisão de primeira instância, considerou que, de acordo com a contabilidade constante nos autos e apontada no Relatório Fiscal, o preço acertado e recebido pela alienação do direito, em novembro de 2003, foi de R$ 3.475.521,26, razão pela qual foi reduzido o crédito tributário de PIS correspondente ao mencionado período para o valor de R$ 57.346,10. Esse é também o entendimento consubstanciado no específico Acórdão nº 20313.315 (sessão de 07/10/2008, recurso 140.457), do Segundo Conselho de Contribuintes, cuja ementa está transcrita na decisão recorrida, fl.263, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/05/2005 a 31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDA DE. RECEITA DO CRÉDITOPRÊMIO DE IPI E RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. BASE DE CALCULO.RECEITA BRUTA. Nos termos do § 1ºo do artigo 1ºo da Lei nº 10.637, de 2002, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do créditoprêmio de IPI. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar as exigências do PIS relativo a outubro de 2002, bem como da Cofins relativa aos meses de outubro/2002 e novembro de 2003, tratada no processo apenso por anexação. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001508/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
13o SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
Somente poderá ser deduzido do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos que compuseram a base de cálculo do referido ajuste.
O 13o salário é rendimento tributado exclusivamente na fonte e, portanto, o imposto retido na fonte sobre esses rendimentos não poderá ser deduzido do imposto apurado no referido ajuste.
Numero da decisão: 2202-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente poderá ser deduzido do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos que compuseram a base de cálculo do referido ajuste. O 13o salário é rendimento tributado exclusivamente na fonte e, portanto, o imposto retido na fonte sobre esses rendimentos não poderá ser deduzido do imposto apurado no referido ajuste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 15 08 /2 00 8- 70 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11543.001508/200870 Acórdão n.º 2202002.131 S2C2T2 Fl. 51 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 6 a 8, pela qual se exige a importância de R$3.116,62, a título de Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, acrescida de multa de mora de 20% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 7, verifica se que o lançamento decorre da glosa parcial do imposto de renda retido na fonte declarado, no montante de R$3.116,62, tendo em vista a diferença apurada pela confronto com o valor informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 4, instruída com os documentos de fls. 5 a 8, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 21): Em 28/04/2008, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/04, afirmando que: Que a fonte pagadora omitiu o recolhimento na DIRF referente ao 13o Salário recebido pelo impugnante. Tal fato, por via de conseqüência gerou a diferença do valor de R$3.116,62 no cálculo do imposto retido. Por se tratar de mero erro de preenchimento da declaração anual de imposto de renda, necessário se faz exonerar o impugnante do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0338.830 (fls. 20 a 23), de 26/08/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. O imposto retido na fonte sobre décimo terceiro salário, por se referir ao regime de tributação exclusiva na fonte, não está sujeito a compensação na declaração de ajuste anual. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 28/12/2010 (vide AR de fl. 49), o contribuinte apresentou, em 24/01/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 26 a 33, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 46), no qual, após breve relato dos fatos, alega, em síntese, que: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11543.001508/200870 Acórdão n.º 2202002.131 S2C2T2 Fl. 52 3 · a decisão recorrida, sob a alegação de que os rendimentos pagos a título de 13o salário são tributados na fonte, a parte dos demais, manteve o lançamento; · em momento algum foram analisados os documentos carreados aos autos pela contribuinte que demonstram claramente os valores recolhidos pela fonte pagadora sob a rubrica de IRRF; · repisa que sua fonte pagadora (IPAJM – Instituto de Previdência e Assistência Jerônimo Monteiro), omitiu o valor do IRRF descontado sobre o 13o salário, gerando o crédito tributário lançado pela fiscalização; · pugna para que seja oficiado o Banestes para informar todos os valores movimentados em sua conta bancária no anocalendário 2005, bem como a IPAJM para apresentar todos os contracheques e respectivos recolhimentos do IRRF referentes aos anoscalendário 2004 e 2005; · reitera que tratase de erro no preenchimento da declaração, devendo a contribuinte ser exonerada do pagamento do crédito tributário exigido, reportandose a jurisprudência administrativa; · alega que foram violados os princípios da eficiência e da verdade material, transcrevendo jurisprudência sobre o assunto. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 1, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio digitalizado até à fl. 491. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 39 (fl. 44 da digitalização). Fl. 52DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11543.001508/200870 Acórdão n.º 2202002.131 S2C2T2 Fl. 53 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Glosa do IRRF declarado Trata o presente lançamento de glosa parcial do imposto de renda retido na fonte declarado tendo em vista a diferença apurada pelo confronto do valor informado em DIRF pela fonte pagadora. Os argumentos da defesa podem ser assim sintetizados: (a) o relator a quo teria fundamentado sua decisão na frágil alegação de que os rendimentos pagos a título de 13o salário são tributados na fonte, a parte dos demais; (b) não teria sido analisados os documentos carreados aos autos pela contribuinte que demonstram claramente os valores retidos pela fonte pagadora; (c) o Instituto de Previdência e Assistência Jerônimo Monteiro IPAJM, sua fonte pagadora, omitiu o valor do IRRF descontado sobre o 13o salário, gerando o crédito tributário lançado pela fiscalização; (d) por se tratar de erro no preenchimento da declaração, a contribuinte ser exonerada do pagamento do crédito tributário exigido. Não obstante a recorrente alegue que a decisão recorrida limitase a argumentar que os rendimentos pagos a título de 13o salário são tributados na fonte, a parte dos demais (item “a”), verdade é que este é o cerne de toda controvérsia. Como se sabe, toda pessoa física contribuinte do imposto de renda deverá apresentar anualmente a declaração de rendimentos, incluindo todos os rendimentos tributáveis recebidos no anocalendário a fim de determinar o saldo do imposto a pagar ou a restituir, de acordo com o 10 da Lei no 8.134, de 27 de dezembro de 1990 (comando legal reproduzido no art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995): Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II das deduções de que trata o art. 8°. O dispositivo legal acima transcrito deixa claro que os rendimentos isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte não compõem a base de cálculo do imposto anual. De acordo com art. 11 da Lei no 9.250, 1995, o imposto de renda devido na declaração de ajuste será calculado mediante utilização tabela progressiva (reajustada periodicamente). O art. 12, inciso V, da mesma lei, autoriza que seja deduzido do imposto Fl. 53DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11543.001508/200870 Acórdão n.º 2202002.131 S2C2T2 Fl. 54 5 apurado no ajuste anual “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo”, ou seja, apenas o imposto retido sobre rendimentos que foram incluídos na base de cálculo poderão ser deduzidos. No que diz respeito à tributação do 13o salário, devese observar as regras estabelecidas no art. 16 da Lei no 8.134, de 1990 (grifei): Art. 16. O imposto de renda previsto no art. 26 da Lei n° 7.713, de 1988, incidente sobre o décimo terceiro salário art. 7°, VIII, da Constituição), será calculado de acordo com as seguintes normas: I não haverá retenção na fonte, pelo pagamento de antecipações; II será devido, sobre o valor integral, no mês de sua quitação; III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; IV serão admitidas as deduções autorizadas pelo art. 7° desta Lei, observada a vigência estabelecida no parágrafo único do mesmo artigo; V a apuração do imposto farseá na forma do art. 25 da Lei n° 7.713, de 1988, com a alteração procedida pelo art. 1° da Lei n° 7.959, de 21 de dezembro de 1989. Ora, sendo o 13o salário rendimento tributado exclusivamente na fonte ele não é computado na base de cálculo do ajuste anual e, portanto, o imposto de renda retido correspondente não poderá ser deduzido do imposto apurado no referido ajuste. Embora a recorrente alegue que os documentos por ela carreados aos autos, que demonstrariam claramente os valores retidos pela fonte pagadora, não foram apreciados (item “b”), além da notificação de lançamento, nada mais foi juntado aos autos. Da mesma forma, não houve omissão da fonte pagadora (item “c”), pois, como se observa na cópia da DIRF (fl. 18) juntada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (vide fl. 19), foi informado R$3.126,26, como imposto de renda retido sobre o 13o salário. Não se trata de mero erro no preenchimento da declaração como alegado(item “d”), visto que confrontando os valores declarados (fl. 13) com os informados em DIRF (fl. 18), verificase que a contribuinte apesar de ter somado o imposto de renda retido sobre o 13o salário, não inclui os rendimentos correspondentes na base de cálculo do ajuste anual. Ademais, cumpre lembrar que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional, sendo oportuno destacar que o lançamento foi efetuado aplicandose apenas multa de mora de 20%. Destarte, não há reparos há fazer no lançamento. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11543.001508/200870 Acórdão n.º 2202002.131 S2C2T2 Fl. 55 6 2 Pedido de diligência Por fim, quanto ao pedido de diligência formulado pela recorrente, cabe transcrever o art. 29 do Decreto no 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. De fato, esta Câmara pode determinar todas as diligências que julgar necessárias para formar a sua convicção, entretanto, no caso em pauta, não há necessidade, pois todos os elementos essenciais estão presentes nos autos. O pedido para que sejam oficiados o Banestes, para informar todos os valores movimentados na conta bancária da contribuinte no anocalendário 2005, e a IPAJM, para apresentar todos os contracheques e respectivos recolhimentos do IRRF referentes aos anos calendário 2004 e 2005, tais providencias, diante de tudo quanto acima se expôs, são desnecessárias para o deslinde da questão, uma vez que não há dúvidas quanto aos valores do IRRF retido pela fonte pagadora, limitandose a discussão a uma questão puramente de direito. De tal sorte, cumpre que se indefira o pedido de diligência. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por INDEFERIR o pedido de diligência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 55DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.001191/2008-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2008
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA CRÉDITO NÃO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL
A utilização de crédito não administrado pela Receita Federal do Brasil, não passível de compensação conforme o art 74, § 12, alínea e, da Lei n° 9430/96, alteração da Lei nº 11.051/2004, justifica o lançamento de oficio para imposição de multa isolada.
Numero da decisão: 1803-001.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Selene Ferreira de Moraes
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2008 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA CRÉDITO NÃO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL A utilização de crédito não administrado pela Receita Federal do Brasil, não passível de compensação conforme o art 74, § 12, alínea e, da Lei n° 9430/96, alteração da Lei nº 11.051/2004, justifica o lançamento de oficio para imposição de multa isolada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2008 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — CRÉDITO NÃO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL A utilização de crédito não administrado pela Receita Federal do Brasil, não passível de compensação conforme o art 74, § 12, alínea “e”, da Lei n° 9430/96, alteração da Lei nº 11.051/2004, justifica o lançamento de oficio para imposição de multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 11 91 /2 00 8- 83 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16366.001191/200883 Acórdão n.º 1803001.501 S1TE03 Fl. 265 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 0630.710 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba PR, constante das fls. 219 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de Auto de Infração, de fls. 174/178, que exige R$ 29.743,12 de Multa Isolada, aplicada cm face de compensação considerada indevida com declaração prestada pelo sujeito passivo, pela utilização de crédito inexistente, não administrado pela RFB c concomitantemente pertencente a terceiros, relativa à Ação Judicial n° 87.00188557 da segunda Vara da Justiça Federal de Chapecó/SC. Tem como enquadramento legal o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, e Lei n° 11.488, de 2007, e no art. 31 da IN SRF n° 460, de 2004, com suas alterações, combinados com os arts. 43 e 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Consta às fls. 162/173, cópia de Despacho Decisório, datado de 23/10/2008, pelo qual o Delegado da Receita Federal em Londrina/PR, considerando as conclusões e os fundamentos legais reproduzidos no Parecer DRF/LON/Saort n° 723/2008, decide: considerar não declaradas as compensações apresentadas pela interessada nas Dcomp relacionadas no Quadro 01 constante do mesmo Parecer, pela incidência da hipótese contida no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, alterada pela Lei n° 11.051, de 2004. Segundo o referido Despacho Decisório, a contribuinte promoveu compensações, indicando como origem do crédito a ação judicial n° 87.00188557, da Segunda Vara da Justiça Federal de Chapecó/SC, que trata da desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, de unia área de terras constituída de um imóvel rural denominado Traculinga, situado nos municípios de Palma Sola e Dionísio Cerqueira SC, onde são partes o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e Alzemira Dreon e Outros. Foi salientado que a contribuinte apresentou, em 27/02/2008, pedido de habilitação de credito referente aos autos, porém foi indeferido, constando "que o crédito em questão referese à ação de desapropriação que envolve terceiros e não o interessado do presente pedido de habilitação. Não se trata, portanto, de créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." Conclui que, não havendo respaldo na legislação para as compensações pretendidas, não foi possível acatar as DCOMP transmitidas, sendo consideradas não declaradas. Cientificada, em 01/12/2008 (fl. 191), a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente habilitado (fl. 216), apresentou a impugnação de fls. 194/215, descrevendo, de forma sintética, as conclusões arroladas na conclusão do despacho decisório em causa, com as quais diz não concordar, c argumentando que: (a) providenciou a apresentação dos documentos requeridos, bem como a cópia da petição inicial e das decisões prolaladas no processo judicial n° 87.00188557, certidão de objeto e pé correlatas às Dcomp apresentadas; (b) os créditos servem perfeitamente para compensar créditos tributários Fl. 265DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16366.001191/200883 Acórdão n.º 1803001.501 S1TE03 Fl. 266 3 vencidos e vincendos, inclusive existem muitas empresas que estão utilizando junto à SRF, nos termos da EC n° 30/00, que alterou o art. 78 do ADCT; (c) requereu o cancelamento das Perdcomp e assim os débitos ficaram cm aberto e, por isso, a multa máxima devida poderia ser de quando muito igual a 20%, e ainda assim somente quando a dívida fosse enviada para a dívida ativa, mas jamais ser equiparada a uma sonegador contumaz. A seguir, no item "2 Da Realidade Fática. Direito Líquido e Certo da Contribuinte. Direitos Creditórios com possibilidade de Compensação", salienta que seu procedimento está amparado pela Emenda Constitucional n° 30/00, que alterou o art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) que, dentre outros fins, pretendeu eliminar a espera indefinida pelo recebimento do crédito; que a compensação vem expressamente prevista no parágrafo segundo, o qual determina que a prestação anual devida pelo Estado, se não liquidada até o final do exercício a que se refere, torna exigível o crédito, como qualquer outra obrigação inadimplida; e que, através da cessão de créditos, havia passado a figurar como titular do credito, tratandose, portanto, de crédito próprio. Nos tópicos 3 a 5, fala sobre a compensação aludida no art. 170 do CTN, que pressupõe a existência de credito líquido c certo c sobre as modalidades de lançamento, para concluir que a compensação autorizada pelo art. 170 do CTN diz respeito aos casos de lançamento por homologação, já que é atribuição do contribuinte e não da autoridade administrativa: c sobre o fundamento constitucional de compensar, já que nenhuma norma inferior pode negar esse direito, seja diretamente, seja por via oblíqua, enumerando diversos princípios aos quais a administração deve obedecer. Nos tópicos 6 e 7, reclama da multa de ofício aplicada, já que não é uma sonegadora, apenas informou à SRF através de declaração de compensação ser possuidora de créditos para serem compensados, lembrando a existência da denúncia espontânea onde há o benefício para o contribuinte que informa o débito antes de qualquer procedimento fiscal; faz considerações gerais acerca de multas consideradas escorchantes, da aplicação às multas fiscais, das limitações constitucionais ao poder de tributar, do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade e do princípio do nãoconfisco em matéria tributária. Ao final, requer o cancelamento da multa de ofício”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba PR, na sessão de 16/03/2011, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0630.710, entendendo “por unanimidade de votos, pelo nãoprovimento das razões de impugnação opostas ao lançamento de ofício, para que seja julgado procedente a exigência de RS 29.743,12 de multa de ofício isolada”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/2005, 30/09/2005, 31/03/2008 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16366.001191/200883 Acórdão n.º 1803001.501 S1TE03 Fl. 267 4 Consideradas não declaradas as compensações com crédito não administrado pela RFB e, concomitantemente, pertencente a terceiros, aplicável, por previsão legal, a multa isolada de 75%. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/06/2011 (terçafeira), (AR constante das fls. 227v) a FUGANTI CIA LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0625.776, recorreu em 14/07/2011 (248 e segs) a esse Conselho, objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da manifestação de inconformidade. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentrar no mérito do presente processo, uma afirmação da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba PR, constante da parte inicial do Acórdão nº 06 30.710 que merece ser ressaltada: “De início, cabe demarcar o objeto do litígio, uma vez que as argumentações trazidas em relação às Declarações de Compensação já foram matérias analisadas no processo n° 13884.002463/200572, onde foi decidido por considerar não declaradas as compensações pleiteadas, por meio do Parecer Saort/DRF/LON nº 723/2008,trazendo a seguinte ementa: ‘DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CRÉDITO DE TERCEIROS. COMPESNSAÇÕES NÃO DECLARADAS. E de se considerar não declaradas as compensações com crédito não administrado pela RFB e. concomitantemente, pertencente a terceiros, objeto do processo judicial nº 87.00188557. sem qualquer provimento judicial que as autorize, pela incidência na hipótese contida no § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, alterada pela Lei nº 11.051/2004.’ Dessa forma, apenas os argumentos apresentados na impugnação que tenham relação direta com a multa isolada serão apreciados, posto que os demais não podem interferir na exação contestada”. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16366.001191/200883 Acórdão n.º 1803001.501 S1TE03 Fl. 268 5 E, por incrível que parece, o recurso voluntário não faz qualquer menção ao processo administrativo nº. 13884.002463/200572, citado pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba – PR. Buscando informações no comprot (http://comprot.fazenda.gov.br), consegui o extrato do processo abaixo: O mérito dos presentes autos trata de uma compensação realizada pela Recorrente supostamente lastreada nos créditos decorrentes de tributos não administrados pela RFB em decorrência da ação judicial n° 87.00188557, que tramita da Segunda Vara da Justiça Federal de Chapecó/SC, cujo objeto era a emissão de TDA’s (Titulos da Divida Agrária) em decorrência da desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, de área de terras constituída de um imóvel rural denominado Traculinga, situado nos municípios de Palma Sola e Dionísio Cerqueira SC, onde são partes o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e Alzemira Dreon e Outros. Diante da compensação pleiteada e não acatada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba PR foi imputada a Recorrente multa isolada de 75%, motivada por compensação indevida com base na Lei nº. 9.430/96, modificada em face das Leis nºs. 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04. A evolução legislativa a respeito do lançamento de multa isolada pela compensação irregular de tributos, deixa claro que a sua aplicação na ocorrência de créditos indevidamente compensados foi prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/03 (conversão da MP 135/200.3), com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e 11.196/2005. Os valores compensados indevidamente ficaram sujeitos ao lançamento da multa isolada nos casos do crédito não ser passível de compensação, em virtude de se referirem a tributos e contribuições não administrados pela Receita Federal do Brasil. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16366.001191/200883 Acórdão n.º 1803001.501 S1TE03 Fl. 269 6 O caso em voga diz respeito a declarações de compensação protocolada em 15/06/2005, referente ao período de 30/06/2005, portanto sob a vigência da Lei n° 11,051/2004 e Lei n° 11,196/2005 não homologadas por se tratarem de créditos de Titulos da Divida Agrária TDA’s, nos homologados e não administrados pela Receita Federal do Brasil. Diante da Declaração de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR, proferiu em 09/10/2008, o despacho decisório, fls, 155, a seguir transcrito: Observando a fundamentação do despacho acima, constato que ao comunicar ao Fisco a compensação de valores sobre o qual não tinha direito pela legislação em vigor, a Recorrente ficou sujeita ao lançamento de oficio para a imposição da multa isolada de 75%, conforme determina a legislação em vigor. Isso porque a imposição da multa de oficio de 75%, na hipótese de compensação indevida, teve por base no que determina o art. 18 da Lei n° 10.8.33, de 2003, com as alterações introduzidas pelas leis nº. 11.051/2004 e 11.196/2005. Desse modo, pelo próprio texto legal, constatandose compensação indevida, pela utilização de créditos de tributos não administrados pela Receita Federal do Brasil, aplica se a multa isolada de 75%. As alegações apresentadas pelo recorrente a respeito da inaplicabilidade da multa de oficio, por ferir normas e princípios constitucionais, o seu efeito confiscatório, não podem aqui ser analisadas, porque não cabe a este Conselho discutir validade de lei. Diante de tudo que foi visto acima e pelas razões apresentadas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário pela necessidade expressa de liquidez e certeza e a devida homologação para que seja efetivada a extinção do crédito tributário, através do instituto da compensação (art. 156, II do CTN). Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10805.901083/2008-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/05/2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE
É defeso ao contribuinte a retificação de PER/DCOMP, antes do primeiro despacho que o examine, sendo vedado à retificação de oficio, salvo os casos previstos em lei.
Numero da decisão: 3803-003.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, quanto ao mérito, acompanhou o relator por suas conclusões.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/05/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE É defeso ao contribuinte a retificação de PER/DCOMP, antes do primeiro despacho que o examine, sendo vedado à retificação de oficio, salvo os casos previstos em lei.
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RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE É defeso ao contribuinte a retificação de PER/DCOMP, antes do primeiro despacho que o examine, sendo vedado à retificação de oficio, salvo os casos previstos em lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, quanto ao mérito, acompanhou o relator por suas conclusões. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP nº 21326.10862.140504.1.3.046052, fls. 2/6, através do qual foi requerida a compensação de PIS pago a maior, do período de apuração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 83 /2 00 8- 18 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Novembro de 2003, no valor original de R$ 3.719,30, com débito de COFINS no valor total de R$ 3.895,22da competência Abril de 2004. A DRF em Santo Andre não homologou o PER/DCOMP em Despacho Decisório eletrônico, fls. 10, em razão da inexistência do credito alegado pela contribuinte. Irresignada a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a. Informou, em PER/DCOMP, possuir credito de PIS decorrente do Processo administrativo n° 10805.001.618/200417. b. O credito está pendente de decisão administrativa c. A decisão foi precipitada e ilegal. d. Requer por fim a revisão da decisão da DRF e a suspensão da exigibilidade do debito. A DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de provas. Constata que os créditos requeridos no processo mencionado, n° 10805.001618/200417, são referentes a saldos negativos de IRPJ e da CSLL do ano calendário 2002, portanto, nem o tributo, nem o período, guardariam conexão com o credito informado no PER/DCOMP em discussão. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntario a esta turma julgadora onde preliminarmente ataca a decisão da DRF alegando erro formal em consequência de falta de fundamentação dos dispositivos, requerendo o reconhecimento de sua nulidade. No mérito, insiste nos mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, ressaltando que a Receita Federal deveria aguardar a decisão administrativa definitiva do processo indicado. Conclui pedindo a reforma da decisão, o reconhecimento do credito em pendência no processo administrativo anexado e ainda a sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preencho os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. I – Preliminar de Nulidade Preliminarmente a recorrente alega nulidade no Despacho Decisório que não homologou o seu pedido de compensação. A nulidade se daria em decorrência do erro formal por ausência de fundamentação dos dispositivos infligidos no enquadramento legal. O sujeito passivo colaciona parte do texto que traz a fundamentação legal do Despacho Decisório em discussão, que se lê: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.901083/200818 Acórdão n.º 3803003.602 S3TE03 Fl. 11 3 “Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Destaco abaixo o art. 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN): ”Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Grifamos. O art. 170 do CTN, mencionado na fundamentação legal do Despacho Decisório, é claro em afirmar que somente créditos líquidos e certos do sujeito passivo poderão ser utilizados para compensar créditos tributários. A inexistência do credito declarado torna impossível sua compensação. No mesmo sentido e em cumprimento ao que determina o artigo 170 do CTN, a Lei 9.430/96, no seu artigo 74, determina: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.” Ressalto que o Despacho Decisório em discussão é eletrônico, e é produzido automaticamente, seguindo um modelo prédeterminado, onde consta toda a fundamentação legal para suas decisões. O fato de estarem expostos dispositivos que vão alem da matéria, não o faz nulo. Pelo exposto, afasto a preliminar de nulidade. II Do Mérito O PER/DCOMP em análise indicou credito de PIS pago a maior. A recorrente em sua defesa alega que o crédito tem origem noutro processo administrativo. Em analise, chegamos à conclusão que o processo administrativo anexado, n° 10805.001.618/200417, discute credito diferente do indicado no pedido de compensação, não tendo qualquer vinculo possível com o presente processo. Discordamos dos argumentos trazidos pela contribuinte por se pautarem exclusivamente na tentativa de mudar a fonte de crédito indicada, apontando para tal, outro processo administrativo. Entendemos que a administração tributária não pode retificar, de oficio, declaração feita pela contribuinte para atribuir crédito diferente daquele originalmente alegado, ainda mais quando o processo administrativo no qual alega a existência do crédito encontravase pendente de análise. A Lei nº 9.430/96, no seu artigo 74, parágrafo 1º, atribuí expressamente ao sujeito passivo que deseje a compensação com créditos passíveis de restituição e ressarcimento, a obrigação de fazêlo mediante entrega de declaração com todas as Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 informações necessárias e indispensáveis, tanto do crédito quanto do débito a ser compensado, vejamos: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002).” Grifo nosso. Ainda é facultado ao contribuinte o direito de retificar a PER/DCOMP, mediante a apresentação de documento retificador, mas isto, antes da análise do seu pedido de compensação e não em sede de manifestação de inconformidade, como tenta fazêlo. Entendemos, portanto, impossível a tese do sujeito passivo, na tentativa de retificar de oficio o PER/DCOMP em discussão, alterando o crédito alegado. Por outro lado, a contribuinte, não logrou êxito em comprovar a existência do credito alegado no PER/DCOMP em análise, ou seja, de PIS recolhido a maior ou indevidamente, não sendo possível divergir das decisões das instâncias a quo. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer direito creditório requerido. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10725.001467/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não restando demonstrada, de forma inequívoca, a incorreção dos dados contidos em DIRF, deve prevalecer o lançamento que constatou rendimentos omitidos pela contribuinte.
DECLARAÇÃO DE NÃO RECONHECIMENTO DE DIRPF. Declarando a contribuinte expressamente que não foi ela, ou outra pessoa com poderes específicos outorgados em procuração, quem apresentou a Declaração de Ajuste Anual, resta suprida a necessidade de assinatura da Declaração de Não Reconhecimento de DIRPF, prevista no Anexo I da Norma de Execução COFIS/CORAT/COTEC/COPEI no 2004/009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.000,00.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
EDITADO EM: 10/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Não restando demonstrada, de forma inequívoca, a incorreção dos dados contidos em DIRF, deve prevalecer o lançamento que constatou rendimentos omitidos pela contribuinte. DECLARAÇÃO DE NÃO RECONHECIMENTO DE DIRPF. Declarando a contribuinte expressamente que não foi ela, ou outra pessoa com poderes específicos outorgados em procuração, quem apresentou a Declaração de Ajuste Anual, resta suprida a necessidade de assinatura da Declaração de Não Reconhecimento de DIRPF, prevista no Anexo I da Norma de Execução COFIS/CORAT/COTEC/COPEI no 2004/009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.000,00. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 10/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 14 67 /2 00 8- 11 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração de fls.05/07, relativo ao IRPF, exercício 2004, para lhe exigir crédito tributário no montante de R$5.816,38, dos quais R$2.519,01 referemse a imposto suplementar; R$ 1.889,25 a multa de ofício de 75%; e R$1.408,12 a juros de mora calculados até 31/03/2008, originado da apuração de omissão de rendimentos no valor de R$15.975,40, recebidos da fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, conforme Informe de Rendimentos Pagos de fls.08. No demonstrativo de apuração do imposto devido de fls.07, além do valor R$15.975,40, foi considerado o valor declarado, recebido de pessoa física, no montante de R$12.000,00. Levado o processo a julgamento em primeira instância, foi determinada a conversão em diligência, nos termos do despacho de fls.19: “O sujeito passivo acima identificado insurgiuse contra o lançamento do IRPF/2004 (anocalendário 2003), consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls.05/07v, que lhe exigiu crédito tributário total de R$ 5.816,38, tendo em vista a omissão de rendimentos. Inconformado, apresentou a impugnação de fls. 01/03, requerendo a revisão do lançamento efetuado e juntando o documento de fls. 08. Em síntese, alega que não recebeu rendimentos de pessoa física e que a declaração de rendimentos do exercício de 2004 foi elaborada a sua revelia, não assinou a referida declaração e desconhece o endereço que consta da mesma. Assim, a fim de possibilitar a adequada instrução do processo e propiciar as condições necessárias ao julgamento do contencioso administrativo, proponho, amparada pelo disposto no art. 18 (com a redação dada pelo art. I o da Lei n° 8.748/93) c/c o artigo 29, ambos do Decreto n° 70.235/72, o seu encaminhamento à Agência da Receita Federal em Itaperuna/RJ, para que o contribuinte acima identificado, seja intimado a comparecer na referida Agência, no prazo de 20 (vinte) dias, para preencher, datar e assinar a declaração de fls. 17/18, consoante previsto na Norma de Execução COFIS/CORAT/COTEC/COPEI n° 009/2004.” Cabe destacar que a declaração indicada, acostada às fls.17/18, referese a Declaração de não reconhecimento de DIRF Anexo I à Norma de Execução COFIS/CORAT/COTEC/COPEI no2004/ 009, de 24 de setembro de 2004. Sem cumprimento da referida diligência, foi determinado: “Retornese o presente processo a DRJIISECOJ para prosseguimento esclarecendo que a interessada em sua petição requer o cancelamento da notificação não da declaração.” Em sua impugnação acostada ás fls. 01/03, a contribuinte alega in verbis: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001467/200811 Acórdão n.º 2201001.726 S2C2T1 Fl. 42 3 “OS FATOS 1. Na NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO N° 2004/607450716684708, para sua lavratura, foi alegado contra a ora impugnante, que: " Confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras na declaração do imposto de renda retido na fonte DIRF, para o titular e ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.975,40. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 123,03." II O DIREITO 2. Que ocorreu em ERRO DE FATO no preenchimento da declaração de rendimentos do exercício de 2004, ano base de 2003. A impugnante não recebeu rendimentos de pessoa física, no montante de R$ 12.000,00, como constou de sua declaração de rendimentos. Ela exerce a profissão de professora do Estado do Rio de Janeiro e não trabalha em outro local, não auferindo nenhuma renda extra. Os seus rendimentos tributáveis durante o ano base de 2003, foi de R$ 15.975,40, tendo sido retido na fonte o valor de R$123,03, proveniente de seu emprego de professora no Estado do Rio de Janeiro, conforme comprovante de rendimentos pagos, do ano base de 2003 ( em anexo ). 3. Acresce que a impugnante não assinou sua declaração de rendimentos do exercício de 2004. A declaração de rendimentos foi elaborada à revelia da impugnante. Inclusive constou como endereço a Av. Sete de Setembro n° 490 4o andar, em Campos dos Goytacazes, local que desconhece, pois sua residência é na rua José Tavares Figueiredo n° 36. III PERÍCIA 4. Caso V.Sa . Considere necessário desde já requer a Instalação de Perícia, como previsto no Decreto n° 70.235/72. IV REVISÃO DE OFÍCIO 5. A hipótese é de Revisão de ofício do lançamento, conforme previsto no código Tributário Nacional. ANTE TODO O EXPOSTO, espera a impugnante que V.Sa. considerando todos os fundamentos de fato e de direito, Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 argumentados e recebendo a presente IMPUGNAÇÃO, se digne em julgála procedente, determinando o cancelamento da Notificação de Lançamento. Após analisar a matéria, os Membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por maioria qualificada, em não conhecer da impugnação, por entender que “a matéria do lançamento não foi por ela expressamente contestada, nos termos do disposto no artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há de se apreciar o seu mérito, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n° 03/02/2011, de 03/02/2011, fls.21/24”. Os julgadores vencidos votaram por retornar o processo em diligência para a contribuinte assinar a Declaração de Não Reconhecimento de DIRPF. A contribuinte foi cientificada dessa decisão em 21/03/2011, (fl. 27) e, com ela não se conformando, interpôs na data de 11/04/2011, o Recurso Voluntário de fls.28/30, através do qual ratifica os termos apresentado na impuganacao, afirmando que a declaração de rendimentos foi elabora a sua revelia, inclusive o endereço constante da mesma é diferente do seu e entende que o lançamento foi totalmente impugnado. Quanto ao entendimento exarado pela autoridade recorrida, cabe transcrever os argumentos apresentados: “IV – ERRO GROSSEIRO DE INTERPRETAÇÃO 4. Ficou decidido no acórdão "que é incabível neste momento a retificação da declaração de rendimentos" Porém, não foi requerida na impugnação a aludida retificação. Conforme consta do item IV da impugnação, ficou consignado que a hipótese é de Revisão de ofício do lançamento, conforme previsto no Código Tributário Nacional. Revisão de ofício, exatamente porque o lançamento já tinha sido efetuado, através do auto de infração. Em nenhum momento se falou em retificação da declaração.” Por fim, requer o cancelamento da Notificação do lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, cabe destacar que a contribuinte em sua defesa assevera que a DAA, constante das fls.14/16, foi elaborado à sua revelia. Por essa razão o processo foi convertido em diligência, nos termos do despacho de fls.19, acima transcrito. O entendimento da decisão recorrida para não conhecer da impugnação está assim consubstanciado: Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001467/200811 Acórdão n.º 2201001.726 S2C2T1 Fl. 43 5 “Pretende, apenas, que sua declaração seja retificada para exclusão dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Frisese que este não foi o objeto do lançamento. No entanto, cabe esclarecer que incabível neste momento, a retificação da declaração, pelo que dispõe o art. 147. § I , do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966): (...)” Ora efetivamente a recorrente não quer a retificação sua declaração, pois ela afirma que a mesma foi apresentada a sua revelia, mas requer a revisão de ofício do lançamento. A finalidade precípua da contribuinte assinar a declaração de fls. 17/18, é declarar sob as penas da lei que não foi ela, ou outra pessoa, com poderes específicos outorgados em procuração, quem apresentou a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004. Conforme se observa no processo, a contribuinte alega veemente em suas peças impugnatórias, que a declaração foi feita à sua revelia, tornando despiciendo a assinatura da referida declaração, cujo valor material e a finalidade seriam os mesmos. Dessa forma deve ser cancelada a declaração apresentada e mantido o lançamento de ofício referente ao valor de R$15.975,40, recebidos da fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e sobre o qual a contribuinte não se insurge. Isto posto, voto de dar provimento parcial lançamento para excluir da base de cálculo R$12.000,00 declarado como recebido de pessoa física, mantida a omissão do valor incontroverso de R$15.975,40. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 10/11/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10469.905556/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DECADÊNCIA - Nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional- CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000, na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009.
Numero da decisão: 1802-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DECADÊNCIA - Nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional- CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000, na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DECADÊNCIA Nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000, na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 56 /2 00 9- 97 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.26) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP de fls. 15/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ código 2089 com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 4.921,65 seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2° trimestre do anocalendário 2000. Através do despacho de fl. 13, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/05), fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o crédito é fruto da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares de 32% para 8%, descreve sobre a matéria is fls. 01/04; não procedeu à retificação da DCTF por ocasião da compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento foi a maior, porque já havia transcorrido o tempo hábil para retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação "após cinco anos da data prevista"; o crédito subsiste porque o descumprimento de obrigação acessória, não interfere na principal; requer a procedência da manifestação de inconformidade, homologação das compensações e a retificação de oficio das DCTFs com base no art. 149, inciso II do CTN, transcrito à fl. 05. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.905556/200997 Acórdão n.º 1802011.532 S1TE02 Fl. 3 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.673, de 24 de agosto de 2011 (fls.25/28), cientificado ao interessado em 08/11/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.25): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 25/11/2011. Eis a defesa da Recorrente: (...) O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente a uma formalidade do procedimento das compensações, não se pretendendo, pois, discutir o mérito dos crédito tributários respectivos. Não há que se falar em inexistência dos créditos, isto pelo fato de que os tributos pagos forma a maior resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá los para posteriores compensações. Entretanto, efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Nesse contexto, a obrigação de apresentar a DCTF é uma obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida, Fl. 54DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se tenha procedido às retificações, o crédito subsiste. Observase que as compensações não foram homologadas somente em virtude do mero descumprimento de obrigação acessória, havendo crédito suficiente para legitimar as compensações. IIIDO PEDIDO: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, fundada na lavratura do auto de infração, espera e requer a Recorrente que seja acolhido o presente Recurso Administrativo, homologandose as compensações administrativas realizadas e cancelando os débitos ora determinados. Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 15070.84542.150509.1.7.040487 (fls.11/15), transmitido em 15/05/2009, em que a contribuinte pretende compensar débitos de Cofins: R$ 3.493,44, código 2172, e PIS: R$ 389,00, código 8109, relativos ao mês de janeiro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/06/2000; Vencimento: 31/07/2000, Valor: R$ 6.312,00). Conforme o despacho decisório de fl.13, emitido em 07/10/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 23/11/2009 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1134.673, de 24 de Fl. 55DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.905556/200997 Acórdão n.º 1802011.532 S1TE02 Fl. 4 5 agosto de 2011 (fls.25/28), mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que, não há falar em inexistência do crédito, pelo fato de que o tributo pago a maior foi resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizálos para posteriores compensações. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débitos de Cofins e PIS com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/06/2000, Vencimento: 31/07/2000, Valor: R$ 6.312,00). Verificase que a Recorrente se reporta a crédito relativo ao 1º trimestre de 2000, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 2º trimestre/2000, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso. Sobre o pagamento a maior, a Recorrente aduz que efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. E, quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Ainda que se admita como equívoco da Recorrente ao se reportar ao 1º trimestre de 2000 e não ao 2º trimestre de 2000, depreendese de suas alegações que a contribuinte pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com o PER/DCOMP. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, a declaração de compensação deve estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 3.825,74, adotando a via do PER/DCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 2º trimestre do ano calendário de 2000. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 15/05/2009, tomou ciência do despacho decisório expedido em 07/10/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/11/2009 (fls.01/05). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos da entrega do PERDCOMP. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Ademais, nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.905556/200997 Acórdão n.º 1802011.532 S1TE02 Fl. 5 7 Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000 (fl.18), na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009, portanto, 9 (nove) anos após a data de arrecadação do tributo. No tocante à revisão de ofício da DCTF, aventada pela interessada, como bem ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que não se discute no presente processo lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de lavratura do auto de infração como aduzido pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13855.720095/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. DEFINIÇÃO. Nos casos de subavaliação do imóvel, a autoridade administrativa poderá exigir a comprovação do VTN declarado mediante laudo de avaliação, podendo, se for o caso, proceder ao arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT. Sendo relativamente pequena a diferença entre o VTN declarado e aquele apurado com base no SIPT, não se configura a subavaliação, devendo prevalecer em tais situações o valor declarado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 12/07/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. DEFINIÇÃO. Nos casos de subavaliação do imóvel, a autoridade administrativa poderá exigir a comprovação do VTN declarado mediante laudo de avaliação, podendo, se for o caso, proceder ao arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT. Sendo relativamente pequena a diferença entre o VTN declarado e aquele apurado com base no SIPT, não se configura a subavaliação, devendo prevalecer em tais situações o valor declarado. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Gustavo Lian Haddad.
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VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. DEFINIÇÃO. Nos casos de subavaliação do imóvel, a autoridade administrativa poderá exigir a comprovação do VTN declarado mediante laudo de avaliação, podendo, se for o caso, proceder ao arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT. Sendo relativamente pequena a diferença entre o VTN declarado e aquele apurado com base no SIPT, não se configura a subavaliação, devendo prevalecer em tais situações o valor declarado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 95 /2 00 8- 38 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Gustavo Lian Haddad. Relatório CÍCERO JUNQUEIRA FRANCO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 140) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 01/06, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 9.706,01, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 22.148,13. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da revisão da DITR/2004 da qual foi alterado o Valor da Terra Nua – VTN, de R$ 6.792.499,90 para R$ 10.104.550,17. Reproduzo a seguir, para maior clareza, a descrição dos fatos da notificação de lançamento: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado.' No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descrição dos Fatos: 0 contribuinte, após regularmente intimado, apresentou Laudo de Avaliação do imóvel rural denominado FAZENDA BARREIRO, situada no Município de Morro Agudo SP. Conforme exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal n° 08123/00006/2008, o laudo deverá ter fundamentação e grau de precisão II, e conter todos os elementos de pesquisa identificados. A pesquisa de elementos comparativos apresentados não assegura a qualidade da amostra, conforme seção 7.4, 7.7 e 11.1 letra "h" da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, conforme as informações apresentadas a seguir (AMOSTRA MATRÍCULA INFORMAÇÃO FISCAL): 1 17.253 Não corresponde a uma venda e sim uma meação. No laudo foi utilizado o valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$1.981.560,05); Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13855.720095/200838 Acórdão n.º 2201001.673 S2C2T1 Fl. 3 3 2 17.274 No laudo foi utilizado o valor de pauta mínimo para cobrança de emolumentos, R$ 106.241.77, e não o valor da venda que corresponde a R$ 202.000,00; 3 17.503 Não corresponde a uma venda e sim uma divisão amigável e cujo valor utilizado no laudo foi o valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$ 379.057,11); 4 17.553 Não corresponde a uma venda e sim uma doação de 50% do imóvel onde consta como doadora a Sra. Elza Marçal da Silveira. No laudo foi utilizado o valor de R$ 395.139,90, mas o valor de transação na escritura de doação R$ 197.569,95; 5 17.554 Não corresponde a uma venda e sim uma doação de 50% do imóvel onde consta como doadora a Sra. Elza Margal da Silveira. No laudo foi utilizado o valor de R$ 494.860,00, mas o valor de transação na escritura de doação R$ 247.430,05; 6 5.552 Não corresponde a uma venda e sim uma doação com reserva de usufruto vitalício onde consta como doadora a Sr' Yvone Neves Martins e registrada no valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$448.119,99); 7 9.187 Não corresponde a uma venda e sim uma doação com reserva de usufruto vitalício onde consta como doadora a Sr' Yvone Neves Martins e registrada no valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$130.260,00); 8 3.697 Não corresponde a uma venda e sim uma doação com reserva de usufruto vitalício onde consta como doadora a Sr' Yvone Neves Martins e registrada no valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$ 465.380,01); 9 1.103 Não corresponde a uma venda e sim uma doação com reserva de usufruto vitalício onde consta como doadora a Sr' Yvone Neves Martins e registrada no valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$ 280.904,01); 10 2.702 Não corresponde a uma venda e sim uma doação com reserva de usufruto vitalício onde consta como doadora a Sra Regina Celia Prado Guimarães e registrada no valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos (R$ 594.927,87); 11 3.377 No laudo foi utilizado o valor informado da venda que é R$ 28.900,00. área de 5,36 ha. 12 14.660 No laudo foi utilizado o valor informado da venda que R$ 40.000,00, entretanto, o valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos de R$60.000,00. área de 8,45 ha. 13 2.589 No laudo foi utilizado o valor informado da venda que • R$15.000,00. área de 3,71 ha. 14 15.707 No laudo foi utilizado o valor informado da venda que R$19.750,00, entretanto, o valor venal é de R$33.907,10. área de 4,84 ha. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 15 15.753 No laudo foi utilizado o valor informado da venda que é R$10.000,00, entretanto, o valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos de R$16.953,55. área de 2,42 ha. A maioria das amostras não correspondem a uma transação de venda normal e sim doações, como as amostras 4 a 10, além de que, as amostras 4 e 5 referemse a uma mesma doadora, o mesmo ocorre com as amostras 6 a 9. A amostra 1 é uma meação e a amostra 3 a uma divisão amigável. Estas foram registradas pelo valor venal que corresponde ao valor mínimo de pauta para cobrança de emolumentos. A amostra 2 corresponde a uma venda, no qual o laudo utilizou o valor de pauta mínimo para cobrança de emolumentos, R$ 106.241,77, que dá o valor de R$4.339,94 VTN/ha, e não o valor de venda que corresponde a R$ 202.000,00 que daria o valor de R$ 8.251,63 VTN/ha. As amostras de 11 a 14 correspondem a propriedades muito pequenas, havendo uma discrepância muito grande entre a área do contribuinte, sendo que não foi utilizado o fator de dimensão de área. A amostra 15, com área de 2,42 ha, não pode ser considerada imóvel rural, pois a Fração Mínima de Parcelamento (FMP) no município de são Joaquim da Barra/SP é de 3 ha. O laudo não demonstra se as amostras são de terras de campo, de menor valor, ou terras de cultura, de maior valor, e também não descreve o tipo de uso destas propriedades. Por outro lado, utilizou, nas amostras 12, 14 e 15 o valor declarado para a venda que é bem menor que o valor mínimo para fins de cobrança de emolumentos. O laudo também não comprova a especificação atingida, com relação ao grau de precisão, conforme seções 9.3 e 11.1 letras "i" e "1" da NBR 14.6533. O contribuinte selecionou amostras que não refletem o real valor de sua propriedade, utilizando valores sem um padrão definido, ora o valor venal ora o valor da transação. Por exemplo, na amostra 14 o contribuinte utilizou o valor declarado de venda e achou o valor de R$ 4.080,58 (19.750,00/4,84) VTN/ha, caso tivesse utilizado o valor venal o valor seria de R$ 7.005,60 (33.907,10/4,84) VTN/ha. Na amostra 2, adotou critério diverso, conforme visto no parágrafo anterior. De acordo com o laudo apresentado o Valor da Terra Nua da Fazenda Barreiro de R$ 4.568,01/há. Tal 'valor incorreu em subavaliado, considerando que 89,1% da área aproveitável do imóvel destinase ao cultivo de canadeaçúcar e tendo em vista a grande demanda de terras para plantio de cana, tal valor de terra nua incompatível com a realidade do mercado de terras na região do imóvel. Para confirmar tal incompatibilidade, basta consultar publicações oficiais de pesquisa de Valor de Terra Nua (VTN), como as realizadas e publicadas pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), na qual o valor médio para terra de cultura de segunda em municípios da região de Morro Agudo no ano de 2004 é de R$ 13.223,14/ha. Do exposto, não consideramos as amostras selecionadas, desclassificamos o presente laudo e conforme art. 14 da Lei Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13855.720095/200838 Acórdão n.º 2201001.673 S2C2T1 Fl. 4 5 9.393/96 em havendo subavaliação procedeuse & determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando as informações sobre pregos de terras constantes do Sistema de Pregos de Terra (SIPT), instituído pela Portaria SRF N° 447, de 28 de março de 2002, o qual está alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agriculturas das Unidades Federadas. Portanto, considerando que o laudo de avaliação apresentado não seguiu as exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal n ° 08123/00006/2008, não há como utilizálo para comprovação do Valor da Terra Nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR Diat/2004. Desta forma, o Valor da Terra Nua foi arbitrado com base no menor valor médio de aptidão agrícola do município do imóvel, constante nas informações do SIPT, no valor de VTN/ha R$7.438,02, conforme tela do SIPT abaixo: SIPT,5.CONSULTA,CONSVTN ( CONSULTA VTN ) SRF USUARIO: 07/07/2008 14:44 VTN MEDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA EXERCÍCIO : 2004 UF : SP NOME DO MUNICÍPIO : MORRO AGUDO ORIGEM INFORMAÇÃO : SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA VTN DITR : 6.736,21 APTIDÃO AGRÍCOLA VTN MEDIO/HA PASTAGEM/PECUÁRIA 11.019,29 CAMPOS 7.438,02 TERRA DE CULTURA DE PRIMEIRA 14.738,29 TERRA DE CULTURA DE SEGUNDA 13.223,14 O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a Receita Federal não possui respaldo legal para arbitrar e exigir laudo técnico com grau de fundamentação e precisão II, pois inexiste tal previsão na legislação que trata do ITR, bastando que o laudo atenda a fundamentação e grau de precisão I, conforme o item 10.12 da NBR 14.6533 da ABNT; que o lançamento feriu preceitos constitucionais e legais e está eivado de nulidade, assim como o termo de intimação, conforme art. 59 do Decreto n° 70.235/72, devendo ser declarada sua nulidade, em obediência ao Ato Declaratório COS1T nº 00002/99; que a autoridade fiscal também feriu vários princípios administrativos; que os dados apresentados no laudo de avaliação asseguram confiabilidade pois foram obtidos através de documentos que procedem de Cartórios de Registro de Imóveis, não devendo o Fisco questionar a confiabilidade dessa instituição pública; que o laudo apresentado foi elaborado de acordo com determinações da NBR 14.6533; que foram realizadas pesquisas junto ao cartório de registro de imóveis da região e foi utilizado preço praticado nas transações realizadas e registradas em cartório em data contemporânea à data de referencia da avaliação, observada a capacidade de uso dos solos, localização, distância, melhoramentos públicos, dentre outras determinações dessa norma; que para o cálculo do valor da terra nua devem ser utilizados os valores de terras levantados pelo município em que se localiza o imóvel, conforme prescreve o art.14, § 1° da Lei 9.393196, dispositivo utilizado na fundamentação legal do lançamento; que a base de dados utilizada para o VTN, informada pelo IEA, é nula, pois se refere a junho de 2004, infringindo o § 2°, art. 8º da Lei nº9.393/96; que no arbitramento do VTN não foi feito com base no menor valor de aptidão agrícola do município do imóvel, visto que ao realizar pesquisa junto ao IEA constatase que o menor valor atribuído à regido de Orlândia é de R$ 4.132,23/ha e, conforme parecer solicitado pelo engenheiro avaliador ao IEA, fica evidente que Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 os mesmos critérios solicitados na intimação, quanto a grau de fundamentação e precisão, não são utilizados nos levantamentos feitos pelo Instituto, os quais são singelos e sem rigor, cabendo a RFB rever suas exigências por não possuírem base legal; que o VTN encontrado e comprovado em certidões de matriculas registradas nos mesmos cartórios foi de R$ 3.616,44/ha., valor esse indicado em outros laudos de avaliação, acatados pelo Fisco, realizados pelo mesmo engenheiro para o exercício de 2004, em trabalhos técnicos elaborados na mesma região do imóvel em comento, utilizandose dos mesmos critérios e fontes de informação que estão sendo desconsiderados pelo auditor, o que acaba infringindo o art. 37 da Constituição Federal; que o VTN lançado e questionados pelo contribuinte deve ser revisto com base o laudo de avaliação apresentado, com amparo nos artigos 29 e 30 do Decreto 70.235/72, art. 148, da Lei n°5.172/66 e § 40, art. 30, da Lei nº 8.847/94. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A decisão de primeira instância ressaltou, inicialmente, que o lançamento observou todos os requisitos do Decreto nº 70.235, de 1972, não se cogitando de nulidade do procedimento ou do lançamento dele decorrente. Sobre o pedido de juntada posterior de prova, a DRJ observou que, de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal, não é possível deferir o pedido, de forma genérica, sem a justificativa para a não apresentação das provas com a impugnação. Quanto ao mérito, a DRJ considerou correta a posição adotada pela autoridade lançadora que concluiu pela subavaliação do imóvel e pela insuficiência do laudo de avaliação apresentado. Observou que o VTN medido apurado com base nas DITR apresentadas para os imóveis do mesmo município e exercício indicam que o laudo apresentado não apresenta valores que reflitam a realidade de mercado para o imóvel, que apresenta deficiências que o desqualificam como de grau de precisão II, da ABNT. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/11/2010 (fls. 149) e, em 25/11/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 151/175, que ora se examina, e no qual reitera em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: Em tais condições, e diante de todo o exposto, vem requerer a V. Sa. o recebimento do presente Recurso Administrativo por ser tempestivo, nos moldes do artigo 56 e seguintes da LEI n.° 9784/99. O subscritor desta requer a V. Sa.que todas as intimações advindas do RECURSO ora proposta sejam remetidas por carta "A.R." para o escritório deste. sito à Rua Pascoal Pais, no 155, Brooklin, São Paulo, Capital, CEP. 04581060, fone (11) 3807.7681. Desta forma, diante de todo o exposto, preliminarmente requer a Vossas Senhorias que seja deferida a pretensão do RECORRENTE, anulando todos os procedimentos praticados pela RECORRIDA junto a RECORRENTE, qual sejam, TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL 08123/00006/2008 que se refere à comprovação de dados informados na Declaração de Imposto Territorial RuralITR, NIRF nº 0.772.8026, referentes ao exercício de 2.004, e os seguintes atos dele decorrentes, NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO N° 08123/00087/2008, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13855.720095/200838 Acórdão n.º 2201001.673 S2C2T1 Fl. 5 7 Acórdão n° 22212, em consonância aos dispostos legais do art. 59, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1.972. Por derradeiro, protesta pela juntada de todos os meios de provas admitidos em direito para a comprovação dos fatos acima alegados. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre tãosomente do arbitramento do VTN. Entendeu a autoridade lançadora que o VTN declarado, no valor de R$ 6.792.499,90, estava subavaliado, posto que discrepante do valor constante do SIPT, de R$ 10.104.550,17, o qual foi utilizado como base para o lançamento. Vale registrar que o SIPT utilizado trazia dados de aptidão agrícola. A autoridade lançadora não acolheu laudo de avaliação apresentada pelo Contribuinte que apurou um VTN de R$ 6.205.641,58 sob a alegação de que o mesmo não satisfazia critérios técnicos que o qualificasse como tendo grau de precisão II, segundo definido pela ABNT. Questionou, especialmente, as amostras utilizadas como base para aferição do preço, conforme detalhado no relatório. Sob os mesmos fundamentos a DRJ também deixou de reconhecer a validade do laudo. O deslinde deste processo, portanto, gira em torno da validade do laudo como prova do VTN. É o que passo a examinar. Antes de adentrar nessa questão, contudo, convém ressaltar que o arbitramento somente se justifica em casos de subavaliação do imóvel, caracterizado pela discrepância entre o valor declarado e aquele apurado por meio de elementos objetivos. Esta discrepância, que justificaria o arbitramento, por certo, não é qualquer diferença, que certamente pode ocorrer, por diferentes razões. Embora não se possa apontar um parâmetro objetivo para se aferir a existência da subavaliação, é evidente que quanto maior a diferença, mais se pode falar em subavaliação, sendo verdadeiro também a situação oposta. Assim, em casos em que a diferença entre o valor declarado e o valor apurado por meio de critérios técnicos para a região se situa em níveis pouco expressivos, com as ressalvas acima referidas, a acusação de subavaliação perde força. Pois bem, neste caso, penso que a diferença entre o valor declarado pelo Contribuinte e aquele encontrado pela Fiscalização com base no SIPT encontrase dentro de uma faixa que, a meu juízo, se situa no limiar entre aquilo que poderia ser considerada subavaliação e aquilo que não poderia ser considerado como tal. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Por outro lado, compulsando o laudo apresentado pelo Contribuinte, verifico que este, do ponto de vista formal, atende aos requisitos de validade geralmente aceitos: foi assinado por profissional habilitado, com a devida ART. E quanto aos critérios técnicos de validade, que definiriam o grau de precisão, embora a autoridade lançadora tenha feito ressalvas quanto aos dados utilizados, o fato é que o laudo baseiase, para definir o valor do imóvel, em operações de alienação de imóveis na região de localização do imóvel. Nessas condições, considerando a relativamente pequena diferença entre o valor do VTN declarado e o valor apurado pela Fiscalização, e as características técnicas e formais do laudo apresentado pelo Contribuinte que, apesar de alguma ressalva que possa ser levantada, apresenta um conjunto de dados técnicos que lastreiam suas conclusões, pendo que não deve prosperar o arbitramento do VTN, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13855.720095/200838 Acórdão n.º 2201001.673 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13855.720095/200838 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.673. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 02/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10283.720018/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos efetuados por entidade criada pelo Estado do Amazonas. Compete ao Estado do Amazonas o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os benefícios previdenciários de que trata a Lei Complementar n° 30, de 27 de dezembro de 2001.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2202-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, nego provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Compete ao Estado do Amazonas o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os benefícios previdenciários de que trata a Lei Complementar n° 30, de 27 de dezembro de 2001. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 18 /2 01 0- 36 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720018/201036 Acórdão n.º 2202001.977 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, AMAZONPREV FUNDO PREVIDENCIÁRIO DO ESTADO DO AMAZONAS, foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Retido na fonte(IRRF), referente ao anocalendário de 2005 com o lançamento de R$ 69.828.728,94 Fundamentouse a imputação na falta de recolhimento do IRRF sobre trabalho assalariado: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE TRABALHO ASSALARIADO FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE TRABALHO ASSALARIADO O contribuinte foi intimado através do Programa DIRF x DARF/2006 Ano de Retenção/2005 (TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL 08912009) e com ciência mediante Aviso de Recebimento . AR, a comparecer à Delegacia da Receita Federal/Manaus, munido de seu Estatuto Social e última alteração, dos documentos de identificação de seu representante legal, do Recibo de Entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido. na Fonte . DIRF12006 Ano de Retenção12005, dos Comprovantes de Entrega das Declarações de Contribuições e Tributos Federais / DCTFs do Anocalendário/2005, além dos Documentos de Arrecadação das Receitas Federais DARF's de recolhimentos do Imposto Retido na Fonte do Ano de Retenção/2005, que NÃO constassem da "RELAÇÃO DOS RECOLHIMENTO IENTOS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE, anexa àquele TERMO, o qual foi recebido no estabelecimento do intimado em 01/12/2009. Segundo o termo de verificação fiscal: A recorrente informou que, em vista. do que dispõe a Lei Delegada (Estadual) M 02, de 1410412005, o AMAZONPREV integraria a Administração Indireta do Poder Executivo do Estado do Amazonas, pelo que o IRRF s/a Folha de Pagamento dos servidores públicos aposentados e de pensionistas seria recolhido, no seu entendimento, ao Tesouro Estadual, através de Documento de Arrecadação DAR. Consoante estabelecido na Constituição Federal, em seu Art.157, I e no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.00011999, Ari. 868), somente os Órgãos da Administração Direta dos Estados e do Distrito Federal suas Autarquias e Fundações, têm a prerrogativa de incorporar, ao seu património, o produto da retenção IMPOSTO NA FONTE. O AMAZONPREV possui personalidade jurídica de direito privado, não sendo mantido: exclusivamente pelo Governo do Amazonas, uma vez que sua receita originandose, dentre outras fontes, do produto das aplicações e investimentos realizados corn os recursos do FPREV e FFIN, da alienação, de aluguéis e outros rendimentos derivados dos bens integrantes daqueles Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Fundos que compõem seu património. Portanto, o I.RFONTE do intimado deveria ter sido recolhido aos cofres da União, na forma e razos estabelecidos pela legislação aplicável (Art. 1 ° do Decreto—lei 1.755/1979; Art. 32 da Lei 7.73811989; Art. 83, Inciso I "d", da Lei 8.98111995; Art. 865, II, 872 e 873, todos do Decreto 3.00011999 Regulamento do Imposto de Renda11999), o que não foi feito. Permanece, por conseguinte e como ficou constatado, SEM comprovação o recolhimento de parte do IMPOSTO DE RENDA/FONTE /RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO Código de retenção 0561 informado em sua DIRF Retificadora/2006 . Ano de Retenção12005] (Recibo N° 40.92.16. 55.1425), razão pela qual efetuamos o lançamento de oficio do valor de R$ 30.582.193,93 (TRINTA MILHÕES, QUINHENTOS E OITENTA E DOIS MIL, CENTO E NOVENTA E TRÊS REAIS E NOVENTA E TRÊS CENTAVOS) que não foi recolhido nem confessado na correspondente DCTF, conforme discriminado adiante e que melhor se detalha no "DEMONSTRATIVO DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE" e no! • "DEMONSTRATIVO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE A RECOLHER", os quais fazem parte integrante deste AUTO DE INFRAÇÃO. Para fins de constituição do crédito tributário a Fiscalização considerou a ocorrência do fato gerador do Imposto sempre no último dia de cada mês informado na DIRF do anocalendário sob exame. O valor apurado corresponde à diferença entre o, Imposto retido e o recolhido, em razão de não ter sido confessado na DCTF qualquer valor a título Imposto de Renda Relido na fonte – 0561. Em 18/02/2010, O contribuinte apresentou impugnação, iniciando com uma nota questionando a validade das provas apresentadas no processo que teriam sido entregues por particulares e produzidas por inquérito policial, diversos do objetivo de apuração de imposto sobre a renda para o ganho de capital. 3 PRELIMINARMENTE 3.1 —NULIDADE É nulo o auto de infração que ora se hostiliza, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura conta a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, tampouco a constante na peça acusatória. 4 — DO MÉRITO 4.1 Diferente que afirma a Auditora, A AMAZONPREV é incumbido da gestão de previdência de servidores públicos, assim como das suas contribuições. Ou seja, administra a coisa pública e exerce atividade exclusiva de Estado, não podendo ser equiparada à instituições financeiras, mas sim à uma entidade autárquica ou fundacional para todos os fins, inclusive tributários. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720018/201036 Acórdão n.º 2202001.977 S2C2T2 Fl. 4 5 4.2 Tanto é verdade que o Governo Estadual o colocou como ente vinculado à Secretaria de Estado da Administração desde a sua criação e conforme o disposto no art. Y, V, a da Lei Delegada Estadual n ° 75 de 18/05/2007(norma que revogou a Lei Delegada n° 36 de 29 de julho de 2005) c/c artigo 11 da Lei Delegada Estadual n° 67 de 18/05/2007 ( norma que revogou a Lei Delegada n° 2, de 14 de abril de 2005), em anexo, sendolhe assegurada, por sua vez, o privilégio Constitucional da imunidade de imposto no âmbito Estadual e municipal. 4.3 Devese ter em mente que, em que pese a natureza jurídica de serviços social autônomo do Recorrente, este fundo em nada se assemelha aos denominados " serviços sociais autônomos", que se referem aos serviços sociais da industria e do comércio, ou até mesmo os Fundos Privados de Previdência. 4.4 A fundamentação legal utilizada para embasar a cobrança em questão não se coaduna com os serviços prestados pelo AMAZONPREV, visto que não se trata de uma "empresa", logo não pode ser tratado como tal, mas como uma entidade governamental gestora de serviços essenciais ao Estado, sobre o qual deve recair os privilégios e prerrogativas atribuíveis a entidades estatais centralizadas. 4.5 Não restam dúvidas que a manutenção do AMAZONPREV, trazida na composição do seu patrimônio, reflete a natureza pública e essencial dos serviços executados. Assim, é forçoso concluir que uma Instituição criada e mantida pelo poder público, que assume a gestão de uni serviço estatal (previdência destinada aos agentes públicos estaduais titulares de cargos efetivos, seus dependentes e pensionistas), deve se submeter ao regime jurídico administrativo e tributário próprio dos entes federados, fazendo jus aos favores do art. 157, 1, da Constituição Federal, 4.6 Para consubstanciar a sua defesa, a Recorrente cita Decisões de Tribunais Judiciais A DRJ Belém julgou a impugnação procedente, afastando parte significativa do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos efetuados por entidade criada pelo Estado do Amazonas. Compete ao Estado do Amazonas o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os benefícios previdenciários de que trata a Lei Complementar n° 30, de 27 de dezembro de 2001. Impugnação Procedente Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Crédito Tributário Exonerado A autoridade recorrida recorre de ofício tendo em vista o montante exonerado. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.720018/201036 Acórdão n.º 2202001.977 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço Segundo a autoridade recorrida: Por meio da Lei Complementar n 2 30, de 27 de dezembro de 2001, o Estado do Amazonas transformou o Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado do Amazonas (IPEAM), em uma instituição, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado, com a finalidade de gerir o Sistema de Seguridade Funcional, segundo regime de benefícios e serviços previsto nesta lei, vinculandose ao Estado do Amazonas, por intermédio da SEAD — Secretaria de Administração e Gestão de Recursos Humanos, por um contrato de Gestão. Ocorre que o art. 157, inciso I, da Constituição Federal destinou aos Estados o produto da arrecadação do IRRF sobre os rendimentos pagos a qualquer título por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. O art. 157, inciso I, da Constituição Federal estabelece: "Art. 157, Pertencem Gros Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; " A Lei Complementar n° 30, de 2001, que transformou a autarquia responsável pelo sistema de previdência, antiga IPEAM, em instituição sem fins lucrativos, atual AMAZONPREV, outorga poderes à esta para que, em nome do Estado do Amazonas, a AMAZONPREV administre o sistema de previdência. O mandato configurase como um poder dado ou outorgado a alguém para praticar atos que são de sua atribuição ou de seu direito. Notese que a responsabilidade pelo pagamento dos rendimentos é do Estado do Amazonas, sendo que a AMAZONPREV figura como mera mandatária, operando os pagamentos dos rendimentos em nome do Estado. Sendo o Estado do Amazonas considerado fonte pagadora dos benefícios em questão, aplicase o disposto no art. 157, inciso I, da CF e, portanto, pertence a ele o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre esses pagamentos. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Uma vez que não identifico qualquer reparo a realizar na fundamentação do acórdão da autoridade recorrida, não há por que alterar o seu julgado. Em face dos elementos postos nos autos, e tendo em vista a legislação pertinente, não haveria como prosperar o lançamento original. Nesse sentido acertada a decisão da DRJ. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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