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Numero do processo: 15889.000320/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010
MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA- REGULARIZAÇÃO
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
A empresa é obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a mão-de-obra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade.
TAXA SELIC -INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 2301-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA- REGULARIZAÇÃO CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES A empresa é obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a mão-de-obra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade. TAXA SELIC -INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
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TAXA SELIC INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 20 /2 01 0- 79 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000320/201079 Acórdão n.º 2301003.140 S2C3T1 Fl. 189 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, à referente às contribuições devidas às Terceiras Entidades e Fundos, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, tendo como fato gerador a remuneração paga a empregados em obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica. Conforme Relatório Fiscal (fls. 08), são fatos geradores das contribuições aos lançadas a remuneração de mão de obra utilizada em obras de construção civil, apurada por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, em conformidade com a IN 971/09, disciplinados nos artigos 322 a 394, sendo tal remuneração calculada via "Simulação de Regularização de Obras". A autoridade autuante informa que a empresa, embora intimada em várias oportunidades, não apresentou os documentos solicitados, ensejando o arbitramento do débito e a lavratura do AI por descumprimento da obrigação acessória. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1434.653, da 6a Turma da DRJ/RPO, (fls. 50), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 168), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Inicialmente, requer o afastamento da multa aplicada, asseverando que todas as exigências foram cumpridas. Reitera que necessita de mais prazo para atender as diversas solicitações de documentos e esclarecimentos da fiscalização, e reafirma que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades relatadas, a recorrente jamais deixou os termos de intimação sem resposta, ainda que o mesmo concedia pouco tempo hábil para a obtenção das solicitações. Entende que deveria ter sido concedido um prazo razoável para a apresentação de tais documentos, que não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato, sem qualquer oportunidade de se conferir, verificar, analisar a documentação a ser apresentada, por pura falta de tempo para tanto. Ressalta que a falta de apresentação, no prazo fixado, dos documentos mencionados no TIAD importa a lavratura de AI, entretanto, tal prazo pode ser dilatado a critério do fiscal. Insurgese ainda contra a multa e os juros aplicados, argumentando efeito de confisco e ilegalidade e inconstitucionalidade dos mesmos. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Constatase, do recurso apresentado, que a recorrente não questiona o procedimento de aferição indireta adotado pelo fisco, e nem insurgese contra a base de cálculo, ou o valor da contribuição lançada. Ela apenas alega que teve diversos problemas com seu antigo contador e que teve pouco tempo para apresentar a documentação solicitada. Contudo, conforme informado no Relatório Fiscal, e comprovado nos autos, a autoridade lançadora prorrogou, por diversas vezes, o prazo para apresentação de documentos. Segundo consta, a empresa foi intimada, por meio do TIF nº 11, a apresentar documentos, sendo que o contribuinte protocolizou declarações em 01/02/2010 solicitando dilação de prazo, concedida por 20 dias e; em 01/03/2010, requereu nova dilação, o que foi concedido por mais 20 dias. Em 19/03/2010, mais uma vez solicitou prorrogação, o que foi concedido de forma improrrogável por mais 20 dias, por intermédio do Termo de Reintimação Fiscal nº 16. Em 01/03/2010 foi emitido o TIF nº 15, e o contribuinte também protocolizou declaração em 16/03/2010 solicitando dilação de prazo. Em 23/03/2010 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 17, concedendo 20 dias para atendimento do TIF 15. Foi então emitido Termo de Reintimagão Fiscal 16, com ciência em 31/03/2010, solicitando novamente os documentos arrolados no TIF 11 e, do Termo de Constatação Fiscal 17, ciência em 31/03/2010, concedeuse nova prorrogação por 20 dias para atendimento do TIF 15. Por meio do Termo de Constatação Fiscal 18, ciência em 12/05/2010, a fiscalização informou que, até aquela data, as intimações citadas nos itens 01 a 06 não haviam sido atendidas. Dessa forma , não há que se falar em “pouco tempo hábil’ para a obtenção das solicitações, ou que deveria ter sido concedido um prazo “razoável” para a apresentação de tais documentos, como também não procede a acusação de que “não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato”, uma vez que, conforme demonstrado nos autos, a fiscalização concedeu prazo mais que suficientes para que a empresa apresentasse a documentação solicitada, prorrogando por diversas vezes o prazo estipulado nos TIFs . Ademais, além de todas essas prorrogações de prazo, verificase, dos autos, que a autuada tomou ciência do AI em 16/12/2010, conforme AR de fls. 25, e da decisão de primeira instância em 09/09/2011 (AR fls. 165). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000320/201079 Acórdão n.º 2301003.140 S2C3T1 Fl. 190 5 Ou seja, a recorrente teve quase 09 (nove) meses para a juntada de documentos que demonstrassem a improcedência do AI em tela. Todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Todavia, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho que demonstrassem a veracidade de suas afirmações. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. Dessa forma, entendo que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI, e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. No mérito, verificase um esforço da recorrente em tentar demonstrar que a que a aplicação da Taxa SELIC e da multa é ilegal e inconstitucional. No entanto, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Portanto, não há que se falar em ilegalidade da multa e juros aplicados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722090/2011-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.722090/201194 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.582 – 3ª Turma Especial Sessão de 7 de novembro de 2012 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DACON Recorrente AVIVAR ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 90 /2 01 1- 94 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10665.722090/201194 Acórdão n.º 1803001.582 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra o sujeito passivo foi lavrada a notificação de lançamento (fls. 19), relativa a multa por atraso na entrega da declaração Dacon com exigência de crédito tributário no valor de R$ 4.048,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2/8) contra o lançamento alegando que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN.Cita julgados do Carf e da CSRF em sua defesa. Acrescenta que a CF veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade, no caso 10% do valor do imposto devido. Defende também a inaplicabilidade da taxa Selic para a atualização de tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Cita jurisprudência do STJ. Defende a necessidade da notificação do contribuinte antes da imposição da multa. Caso não sejam acolhidas suas alegações, solicita o recálculo da multa, pois entende que o valor base correto para o cálculo da multa está incorreto, pois não há Cofins devida no mês. Ante o exposto, requer seja julgada improcedente a multa imposta e insubsistente o AI impugnado. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) A decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10665.722090/201194 Acórdão n.º 1803001.582 S1TE03 Fl. 4 3 b) Pela simples análise da Dacon verificamos que o valor informado é de R$ 0,00 e não de R$ 202.418,02. c) O valor da multa seria de R$ 0,00. d) Requer que seja declarada a nulidade do julgamento, sendo determinado o retorno do procedimento à primeira instância para reapreciação da matéria, garantindo assim, o acesso da impugnante ao devido processo legal e à ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 13/12/2011 (AR de fls. 32). O recurso foi protocolado em 11/01/2012, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Contrariamente ao alegado pela recorrente, houve análise da alegação de erro na base de cálculo, in verbis: “Quanto à inadequação da base de cálculo utilizada, apesar da alegação de não haver Cofins devida no mês, o valor R$ 202.418,02 utilizado como base no cálculo da multa encontrase confessado em DCTF pelo contribuinte e confere com o valor informado em Dacon (ND 100200703861798).” No voto condutor do acórdão está claro que o valor de R$ 202.418,02 foi considerado correto por dois motivos: i) corresponder ao valor confessado na DCTF; ii) estar informado na Dacon. Segundo a decisão recorrida não há divergência entre a base de cálculo utilizada para calcular a multa e os valores declarados pela recorrente. No entanto, foi feita menção a documentos que não constam dos autos, quais sejam, a DCTF e a própria Dacon. A recorrente afirma que na Dacon o valor informado é de R$ 0,00 e não de R$ 202.418,02. A matéria é puramente fática, e seu mérito depende apenas da análise da Dacon. Há cerceamento do direito de defesa na decisão de primeira instância, porque seus argumentos baseiamse em documentos que não constam dos autos. É certo que a recorrente também não anexa a Dacon, e não comprova sua afirmação de que o valor informado é de R$ 0,00. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10665.722090/201194 Acórdão n.º 1803001.582 S1TE03 Fl. 5 4 Ocorre porém, que caberia à Delegacia de Julgamento ter providenciado a instrução. O art. 29 do Decreto nº 7.574/2011 assim dispõe: “Art.29.Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (Lei nº 9.784, de 1999, art. 37).” Se a decisão de primeira instância usou como fundamento para julgar improcedente o pedido da recorrente fatos constantes de documentos existentes na própria administração, deveria têlos anexado aos autos, para permitir tanto a defesa da recorrente quanto a análise dos fatos por este Conselho. Ante todo o exposto, voto no sentido de se anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, anexandose os documentos que deram suporte ao entendimento expresso na decisão. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 48DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13888.724488/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Caracterizado a fraude, correta a aplicação da multa no percentual de 150%.
Recurso voluntário improvido.
Numero da decisão: 1402-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Caracterizado a fraude, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. Recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 44 88 /2 01 1- 39 Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13888.724488/201139 Acórdão n.º 1402001.220 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão proferido pela DRJ/ RPO, que manteve o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 1368/1432), abrangendo fatos geradores compreendidos nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009. Por razões de economia processual, adoto o relatório da DRJ: Consta no processo que foram verificadas divergências entre os valores informados em DIPJ e Dacon com aqueles declarados em DCTF, no período de 07/2007 a 06/2009. Sendo intimada, a contribuinte não fez qualquer esclarecimento a respeito das divergências apuradas e apresentou os livros de Entradas, de Saídas e de Apuração de ICMS dos anos calendário de 2007 a 2009. A fiscalização elaborou planilhas separadas por tributo, com vistas a apurar os créditos tributários a serem constituídos de acordo com a análise dos livros fiscais apresentados e intimou a contribuinte a se manifestar e a esclarecer o motivo da retificação das DCTF apresentadas em 06/04/2010, referentes ao 2º semestre de 2007, 1º e 2º semestres de 2008 e 1º semestre de 2009, pois os valores dos débitos foram zerados. Em resposta, a contribuinte informou que parcelou os débitos referentes aos anos de 2007 e 2008, que os demais débitos estavam sendo regularizados e que desconhecia a retificação praticada, somente tomando conhecimento dela por meio do Termo de Constatação Fiscal. Informou o autuante que os débitos que a contribuinte disse ter parcelado são débitos anteriores aos períodos fiscalizados e que efetuou recentemente parcelamento apenas de débitos de PIS e Cofins dos períodos de janeiro e fevereiro de 2010 (processo nº 13888.400510/201077). Verificou a fiscalização que, depois da retificação das DCTF, em 02/06/2010, foi emitida uma certidão positiva com efeitos de negativa e uma segunda certidão foi emitida em 20/08/2010. Constatouse, assim, que a empresa agiu dolosamente apresentando DCTF retificadoras zeradas com intenção de impedir a cobrança dos débitos anteriormente declarados e escriturados nos livros fiscais apresentados, inclusive com emissão de certidão positiva com efeito de negativa. Foram lavrados os autos de infração, com exigência da multa de 150%, formalizando a Representação Fiscal para Fins Penais e o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Maurício da Silva, administrador da empresa. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13888.724488/201139 Acórdão n.º 1402001.220 S1C4T2 Fl. 4 3 Notificada da autuação a contribuinte, representada pelo procurador José Roberto de Oliveira Júnior (fls. 1445), ingressou com a impugnação de fls. 1439 a 1444, alegando: Cometeu erro em abril de 2010 ao supor que todos os débitos tributários federais vencidos até 30/11/2008 tinham sido incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, ao qual aderiu dentro do prazo; Afirma que não é reincidente e não agiu com máfé, devendose ressaltar que a irregularidade das DCTF só foi descoberta pelo cotejo com outras declarações por ela apresentadas, a saber DIPJ e Dacon, e que, por isso, houve denúncia espontânea, como prevê o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN); Impende reconhecer a ausência de dolo, pois declarou o seu faturamento de modo correto e apresentou os livros contábeis à fiscalização. As DCTF retificadoras foram lavradas por erro, na suposição que os débitos tributários já estariam inclusos no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2008, pois segundo informação do escritório de contabilidade havia parcelado seus débitos; Acatandose ou não a redução da multa de ofício, solicita a liquidação do débito tributário mediante dação em pagamento, nos termos do art. 356 do Código Civil Brasileiro. Para tanto dispõe de cinco apólices da dívida pública no valor de R$ 349.528,30 cada uma. Apresenta laudo de perito atestando a veracidade das citadas apólices; Em caso de indeferimento do pedido de liquidação do débito, requer que a apólice seja recebida como garantia, conforme estabelece o art. 827 do Código de Processo Civil (CPC), culminando ao final com a extinção do crédito tributário, nos moldes do art. 156, I e II, do CTN. Tal oferecimento é feito logrando livrar a empresa dos riscos da mora. Dessa forma, deverá cessar qualquer medida de autuação fiscal, administrativa ou judicial contra a empresa, nos termos do arts. 151, III, c/c 201 do CTN; (...). É de se notar, assim, que a impugnação apresentada pela Contribuinte apresentou argumentos, tão somente, no intuito de afastar a multa de ofício agravada. Não foram apresentados argumentos para afastar a exigência dos tributos lançados. Os membros da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1528/1534) julgaram improcedente a impugnação, mantendo a multa de ofício de 150%, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13888.724488/201139 Acórdão n.º 1402001.220 S1C4T2 Fl. 5 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea só produz efeitos se a declaração for acompanhada do pagamento dos tributos, antes do procedimento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1548/1553), repisando a totalidade dos argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A decisão recorrida não merece ser reformada. Com efeito, assim está fundamentado o acórdão recorrido: Alega a impugnante que as DCTF retificadoras foram lavradas por erro, na suposição de que os débitos tributários já estariam inclusos no parcelamento da Lei nº 11.941,de 2008. Acrescenta que não houve máfé. Inicialmente, analisando os fatos, verificase que a contribuinte no início da fiscalização, afirmou que desconhecia a retificação praticada, somente tomando conhecimento dela por meio do Termo de Constatação Fiscal. Depois, na impugnação, muda a argumentação afirmando que a retificaçãodas DCTF ocorreu por erro, supondo que os débitos já estariam parcelados. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13888.724488/201139 Acórdão n.º 1402001.220 S1C4T2 Fl. 6 5 Tal argumentação não procede, pois os débitos parcelados são anterioresaos períodos fiscalizados e o parcelamento efetuado recentemente se refere apenas a débitos de PIS e Cofins dos períodos de janeiro e fevereiro de 2010 (processo nº 13888.400510/201077). Acrescentese que, ainda que houvesse parcelamento dos débitos, tal fato não implicaria na informação de ausência de débitos nas DCTF, tal como ocorreu no presente caso. Consta, nas citadas declarações, campo específico para informar a existência de pagamento do débito por meio de parcelamento. Ademais, a conduta da autuada de prestação de informações inexatas nas declarações de apresentação obrigatória (DCTF), resultou na supressão dos tributos devidos. O dolo está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Não se pode conceber que outra tenha sido a intenção da contribuinte que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal de modo a evitar o pagamento dos tributos, o que evidencia a conduta dolosa e obriga à qualificação da penalidade. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pela contribuinte, indiscutivelmente tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário. Dessa forma, correta a multa aplicada. Argumenta, ainda, a contribuinte que apresentou a DIPJ e Dacon, e que, por isso, houve denúncia espontânea, como prevê o art. 138 do CTN. Dispõe o citado artigo, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Vêse que a denúncia espontânea só produz efeitos se a declaração for acompanhada do pagamento dos tributos. Portanto, verificase incabível a alegada existência da denúncia espontânea, eis que ausente o pagamento dos tributos declarados. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13888.724488/201139 Acórdão n.º 1402001.220 S1C4T2 Fl. 7 6 Portanto, é improcedente a alegação. Está claro que a Recorrente tentou impedir ou retardar o curso da ação fiscal e que a declaração inexata, no contexto dos autos, enseja a aplicação de multa qualificada. Assim, tomo como minhas as razões adotadas na decisão de primeira instância. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10880.025050/99-16
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 50 50 /9 9- 16 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10880.025050/9916 Acórdão n.º 9900000.598 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 03 05.840, proferido pela 3ª Turma da CSRF em 17/06/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação das demais matérias. Segue abaixo sua ementa: “FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810), no ponto em que desconsiderou que o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, fixa, sem qualquer ressalva, a data do pagamento indevido como sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional. Logo, pondera, não surte qualquer efeito a data da publicação da publicação da MP nº 1.110/1995. Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que o voto condutor do aresto declinado como paradigma entende que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 No mérito, afirma que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Observa que a decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Diz que não há na lei qualquer autorização para se considerar um outro termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.072, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10880.025050/9916 Acórdão n.º 9900000.598 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10880.025050/9916 Acórdão n.º 9900000.598 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (25/08/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 25/08/1989. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10148.001124/2008-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa
INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. PRECEDENTE DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE
RENDA.
A controvérsia sobre a incidência de imposto de renda sobre indenização por dano moral foi solucionada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no bojo do REsp nº 1.152.764 CE, relator o Ministro Luiz Fux, no rito dos recursos repetitivos, em sessão de 23 de junho de 2010, unânime, transitado em julgado em 1º/09/2010, quando se decidiu que a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, não incidindo sobre ela o imposto de renda. Nos termos do art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal deJustiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF), mister reproduzir o entendimento do STJ, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas consideradas omitidas pela autoridade fiscal (indenização por dano moral). Recurso -Provido
Numero da decisão: 2802-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 29/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. PRECEDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A controvérsia sobre a incidência de imposto de renda sobre indenização por dano moral foi solucionada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no bojo do REsp nº 1.152.764 CE, relator o Ministro Luiz Fux, no rito dos recursos repetitivos, em sessão de 23 de junho de 2010, unânime, transitado em julgado em 1º/09/2010, quando se decidiu que a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, não incidindo sobre ela o imposto de renda. Nos termos do art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal deJustiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF), mister reproduzir o entendimento do STJ, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas consideradas omitidas pela autoridade fiscal (indenização por dano moral). Recurso -Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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DANO MORAL. PRECEDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A controvérsia sobre a incidência de imposto de renda sobre indenização por dano moral foi solucionada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no bojo do REsp nº 1.152.764 CE, relator o Ministro Luiz Fux, no rito dos recursos repetitivos, em sessão de 23 de junho de 2010, unânime, transitado em julgado em 1º/09/2010, quando se decidiu que a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, não incidindo sobre ela o imposto de renda. Nos termos do art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal deJustiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF), mister reproduzir o entendimento do STJ, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas consideradas omitidas pela autoridade fiscal (indenização por dano moral). Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 11 24 /2 00 8- 57 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 27/29, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2006, exercício 2007, na qual foi constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 66.548,16. Apreciada a Impugnação de fls. 1/26, a decisão de 1ª instância (fls. 73/76) manteve parcialmente o lançamento fiscal, sob fundamento de “No que se refere à parcela de R$ 35.000.00 recebida a titulo de dano moral, em face da ação judicial homologada, a despeito da contrariedade passiva sobre a tributação de tal verba, o fato é que tal valor deve efetivamente compor a base de cálculo para fins de apuração do imposto de renda, nos termos da legislação tributária.” Inconformado, o Recorrente interpôs Voluntário (fls. 36/37), com vistas a obter a reforma do julgado, argumentando que a indenização por dano moral percebida e considerada rendimento omitido não pode ensejar a cobrança de imposto de renda. Tal entendimento é esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, como se demonstra pelos arestos. vastamente colacionada à defesa. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Por tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito. O Recurso Voluntário limitase a requerer a exclusão para efeito de tributação a indenização por dano moral no valor de R$35.000,00. Sobre a natureza jurídica dos rendimentos considerados pela autoridade autuante omitidos, assim se pronunciou a decisão recorrida: “houve omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 66.548,16, decorrente de rendimentos recebidos em virtude de processo judicial trabalhista n° 01/609/99, integrando a base de calculo o valor de R$ Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10148.001124/200857 Acórdão n.º 2802001.981 S2TE02 Fl. 158 3 35.000,00, recebidos a titulo de indenização por dano moral ” (fls.74), ou seja, tratase de rendimentos auferidos no bojo de ação indenizatório, visando reparar danos morais. A controvérsia sobre a incidência de imposto de renda sobre indenização por dano moral foi solucionada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, no bojo do REsp nº 1.152.764 – CE, relator o Ministro Luiz Fux, no rito dos recursos repetitivos, em sessão de 23 de junho de 2010, unânime, transitado em julgado em 1º/09/2010 (acompanhamento e Acórdão disponível em: http://www.jf.jus.br/juris/unificada/Resposta . Acesso em 09 de novembro de 2012), que restou assim ementado: Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER INDENIZATÓRIO DA VERBA RECEBIDA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual tornase infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial. (Precedentes: REsp 686.920/MS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 19/10/2009; AgRg no Ag 1021368/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 25/06/2009; REsp 865.693/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 1017901/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 12/11/2008; REsp 963.387/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/10/2008, DJe 05/03/2009; REsp 402035 / RN, 2ª Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 17/05/2004; REsp 410347 / SC, desta Relatoria, DJ 17/02/2003). 2. In casu, a verba percebida a título de dano moral adveio de indenização em reclamação trabalhista. 3. Deveras, se a reposição patrimonial goza dessa não incidência fiscal, a fortiori, a indenização com o escopo de reparação imaterial deve subsumirse ao mesmo regime, porquanto ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio. 4. "Não incide imposto de renda sobre o valor da indenização pago a terceiro. Essa ausência de incidência não depende da natureza do dano a ser reparado. Qualquer espécie de dano (material, moral puro ou impuro, por ato legal ou ilegal) indenizado, o valor concretizado como ressarcimento está livre da incidência de imposto de renda. A prática do dano em si não é fato gerador do imposto de renda por não ser renda. O pagamento da indenização também não é renda, não Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 sendo, portanto, fato gerador desse imposto. (...) Configurado esse panorama, tenho que aplicar o princípio de que a base de cálculo do imposto de renda (ou de qualquer outro imposto) só pode ser fixada por via de lei oriunda do poder competente. É o comando do art. 127, IV, do CTN. Se a lei não insere a "indenização", qualquer que seja o seu tipo, como renda tributável, inocorrendo, portanto, fato gerador e base de cálculo, não pode o fisco exigir imposto sobre essa situação fática. (...) Atentese para a necessidade de, em homenagem ao princípio da legalidade, afastarse as pretensões do fisco em alargar o campo da incidência do imposto de renda sobre fatos estranhos à vontade do legislador." ("Regime Tributário das Indenizações", Coordenado por Hugo de Brito Machado, Ed. Dialética, pg. 174/176) 5. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 Como acima se vê, a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, não incidindo sobre ela o imposto de renda. Nos termos do art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF), mister reproduzir o entendimento do STJ, acima, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas consideradas omitidas pela autoridade fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10148.001124/200857 Acórdão n.º 2802001.981 S2TE02 Fl. 159 5 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10980.015708/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
INFRAÇÕES SUJEITAS À MULTA ISOLADA. Incabível a multa isolada, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) que deixa de fazê-lo, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado no lançamento (declaração).
Numero da decisão: 2202-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão, contradição e obscuridade apontadas, re-ratificar o Acórdão nº 2202-01.376, de 27/09/2011, mantendo a decisão original, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior, Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 INFRAÇÕES SUJEITAS À MULTA ISOLADA. Incabível a multa isolada, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) que deixa de fazê-lo, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado no lançamento (declaração).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.015708/200898 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202001.964 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado HON FAI NG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 INFRAÇÕES SUJEITAS À MULTA ISOLADA. Incabível a multa isolada, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) que deixa de fazêlo, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado no lançamento (declaração). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão, contradição e obscuridade apontadas, re ratificar o Acórdão nº 220201.376, de 27/09/2011, mantendo a decisão original, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior, Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 57 08 /2 00 8- 98 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional do v. Acórdão n° 220201.376, desta 2ª TO, da 2ª CÇâm., da 2ª Secao, proferido na sesão de 27.09.2011 que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do autuado para desagravar e desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. Sustenta nas razões de Embargos obscuridade da decisão embargada porque o voto condutor afirmou que "a decisão recorrida cancelou a multa isolada de 50% “(fl. 230 verso). “No entanto, da análise do voto da 1ª instância se verifica o contrário”. “Assim, patente que a multa isolada foi mantida pela decisão de 1ª instância, de modo oposto ao que assentado pelo colegiado.” “Esclareçase que a única desoneração feita por aquela decisão foi relativamente ao agravamento da multa de oficio.” Pede assim seja sanada a obscuridade apontando os fundamentos da decisão, caso o entendimento seja contrário à decisão de 1ª instância, que manteve a multa isolada. Não há pedido de efeitos infringentes ou modificativos do julgado. É o breve relatório. Voto. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Os Embargos de Declaração preenchem os requisitos de admissibilidade e devem ser conhecidos. A obscuridade apostada pelos Embargos é saber se a multa isolada do carne leão foi ou não mantida e os fundamentos, caso cancelada, isto porque a decisão da DRJ manteve a exigência. Assiste inteira razão à zelosa Fazenda Embargante. Esclareçase que a decisão embargada cancelou a multa isolada feita pela autuação, mas não constou, e forma adequada, no Acórdão Embargado, os fundamentos para o cancelamento dessa multa isolada. Tocante aos fundamentos para cancelar a multa isolada decorre de a exigência ser feita de forma concomitante com a multa de ofício. No entendimento deste relator e da turma julgadora não pode ser exigida a multa isolada junto com a multa de oficio por resultar em dupla penalidade pela mesma conduta. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.015708/200898 Acórdão n.º 2202001.964 S2C2T2 Fl. 3 3 A lei não traz a tipificação de forma expressa para a exigência da dupla penalidade sobre a mesma conduta omissiva ou comissiva, seja no concurso material ou formal de infrações. Dessa forma, mostrase de todo incabível penalizar o autuado com a multa de ofício de 75%, pela falta de pagamento do tributo, e pela mesma conduta omissiva, este é o ponto, exigir também a multa isolada de 50%, pela mesma falta de pagamento, pela simples fato de, essa falta omissiva, ser no chamado carnêleão. Incabível a exigência da dupla penalidade pelo mesmo fato, com a multa de oficio de 75%, acrescida de mais 50%, da multa isolada pela falta de pagamento do imposto no carnêleão, sem que lei traga a previsão expressa dessa dupla exigência, seja em concurso material ou formal de infrações. Não está tipificada na lei se essa falta omissiva cuida de concurso material (o autuado praticou duas infrações, uma pela falta de pagamento outra de ser no carnê leão?) ou formal (o autuado praticou uma infração, mas a lei exige a dupla penalidade?). A lei precisa ser clara nesse aspecto, não pode deixar margem de dúvidas. Notese, o sonegador do carnêleão é mais nocivo a sociedade e a Fazenda Publica e deve ser mais penalizado que o sonegador comum? Há diferença ente uma falta e outra, se a lei não faz assa distinção? Cabe ao interprete e aplicador da lei fazer essa distinção? São essas, cremos as falhas que o aplicador deve observar na busca do justo, tendo sempre presente de que o direito é sistema e não texto literal ou normativo de lei. Mais, por se tratar de infração, na dúvida, o interprete deve favorecer o acusado, em obediência ao art. 112, do CTN. Ante o exposto, conheço e dou provimento aos Embargos de Declaração para sanar a omissão e a obscuridade pelas razões expostas, mantendo a decisão embargada. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10640.720840/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. LIVRE CONVENCIMENTO. LIMITES.
Muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo fiscal, encontre-se resguardado, existem algumas limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade que norteia o direito tributário.
No caso dos órgãos julgadores de primeiro grau, a Portaria MF no 58, de 17 de março de 2006, determina expressamente que o julgador deve observar as normas legais e regulamentares e o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos.
Da mesma forma, as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF encontram-se vinculadas pelos arts. 62 e 62-A do Regimento Interno do CARF, assim como pelas súmulas emanadas pelo referido Tribunal.
ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO ESPECÍFICO.
Ainda que o imóvel rural se encontre dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular para que o contribuinte possa gozar do benefício da isenção.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2202-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso em maior extensão para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente equivalente a 9,84 ha.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO ESPECÍFICO. Ainda que o imóvel rural se encontre dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular para que o contribuinte possa gozar do benefício da isenção. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 08 40 /2 00 9- 57 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 144 2 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. LIVRE CONVENCIMENTO. LIMITES. Muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo fiscal, encontrese resguardado, existem algumas limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade que norteia o direito tributário. No caso dos órgãos julgadores de primeiro grau, a Portaria MF no 58, de 17 de março de 2006, determina expressamente que o julgador deve observar as normas legais e regulamentares e o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos. Da mesma forma, as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF encontramse vinculadas pelos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF, assim como pelas súmulas emanadas pelo referido Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso em maior extensão para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente equivalente a 9,84 ha. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 145 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 5, pela qual se exige a importância de R$3.536,97, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado "Barra das Antas Fazenda Santa Clara", cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 4.610.7207, localizado no município de Bocaina de Minas/MG. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2004 no qual foi solicitado ao contribuinte apresentar (fls. 11 e 12): · Ato Declaratório Ambiental – ADA; · Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, que comprove as áreas de preservação permanente declaradas, prevista no art. 2o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal); · Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o do Código Florestal, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; · Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhada da ART registrada no CREA. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 2 e 3, segundo o qual foi apurado falta de recolhimento do ITR decorrente das seguintes alterações na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR apresentada pela contribuinte: Área de Preservação Permanente: embora o contribuinte tenha apresentado Laudo Técnico do Perímetro e das Áreas de Preservação Permanente, elaborado por engenheiro agrônomo, no qual especifica as dimensões das áreas ambientais do imóvel, a área declarada foi glosada por falta de apresentação do ADA. Valor da Terra Nua: valor arbitrado com base no Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal – SIPT, uma vez que o contribuinte, regularmente intimada, não apresentou Laudo de Avaliação, observando o disposto nas normas da ABNT. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 146 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 33 a 44 e 46, firmada pelo procurador do espólio da Sra. Solange Cristo Muniz (vide declaração e procuração anexadas às fls. 17 e 47), instruída com os documentos de fls. 45 e 47 a 86, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 91 a 94): Cientificada do lançamento, em 14/08/2009 (extrato/Sucop de fls. 32), a inventariante interessada (Sra. Olga Sandra Cristo Muniz), através de advogado e procurador legalmente constituído (às fls. 47/49), protocolou sua impugnação, em 01/09/2009, anexada às fls. 33/44 e 46, acompanhada dos documentos de fls. 53/56, 57/58, 59, 60/61, 62 e 63/86. Em síntese, alega e requer o seguinte: • faz um breve relato dos fatos; • informa que atendeu o termo de intimação fiscal, ao juntar laudo técnico de perímetro e de área de APPs, acompanhado de ART, elaborados por profissional habilitado, que não foram aceitos única e exclusivamente por falta de apresentação do ADA; • discorre sobre o disposto no art. 138 do CTN e conclui dizendo que: “Circunscrevendo a entrega do ADA ao IBAMA, no campo das obrigações tributárias acessórias, inadmissível que se estabeleça vedação a seu cumprimento extemporâneo, a teor de que dispõe o parágrafo único do art. 175 do CTN”; • admitindose tão somente declarações posteriores com caráter estritamente retificadores, impõese ao sujeito passivo penalidades mais gravosa, que não é o objetivo da norma; • contesta a interpretação dada ao art. 111, do CTN; • assim, oportunizando a entrega do ADA extemporaneamente ao IBAMA e, ainda que posterior ao início de procedimento fiscal, seus efeitos haveriam de retroagir, ademais, tais informações seriam corroboradas por Laudo Técnico elaborado por profissional legalmente habilitado, cuja prova em contrário caberia a autoridade revisora; • a vedação à entrega extemporânea do ADA afigurase cerceamento de defesa, uma vez que o sujeito passivo da obrigação tributária não estaria deixando de prestar as informações e/ou comprovantes ao Fisco, mas sim impedido de fazêlo; situação essa vedada em nosso ordenamento jurídico a teor do que dispõe o art. 5º, LV da CF/1988; • não sendo possível a apresentação extemporânea do ADA, com retroação de seus efeitos, impõese situação mais gravosa ao sujeito passivo, cerceandolhe o direito de produzir a prova necessária a evidenciar a verdade real e material existente na propriedade; • a falta de entrega do ADA em tempo hábil em nada interfere na real situação das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, de reserva legal, etc. O descumprimento da referida obrigação acessória não torna referidas áreas inexistentes e nem autoriza a sua exploração, cuja restrição encontrase explicita na Lei 4.771/65, que indica o modo de preservação e restrição quanto a sua utilização; • o descumprimento de obrigação acessória enseja a aplicação e a cobrança de multa e não a exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 147 5 que, não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, por meio de ADA, conforme disposto no art. 3o da MP 2.166/2001, e entendimento pacificado no Conselho de Contribuintes (Acórdão 30235463, Relatora: Simone Cristina Bissoto, Sessão de 20/03/2003); • a exigência de ato específico do órgão ambiental federal ou estadual, declarando que as áreas do imóvel, situadas no limite da APA da Mantiqueira, como de interessa ambiental, afigurase desvio de exegese na aplicação da hermenêutica jurídica, decorrente da inobservância do que dispõe o art. 225 da CF/88; • ao destacar parte de sua propriedade (25,0 ha), composta de vegetação típica da região (APA da Mantiqueira), exerceu um dever constitucional consubstanciado não só no referido art. 225, mas também no art. 186, II do mesmo diploma legal; • cita definição do que seja área de relevante interesse ecológico, de Paulo de Bessa Antunes (Direito Ambiental, 10ª Ed. Lúmen Juris, RJ 2007, p. 583/584); • por prevalecer o entendimento de que a área de interesse ecológico depende de ato específico do poder público, requer que os 19,2 hectares descritos no laudo técnico como tal, sejam elevados ao status de Reserva Florestal Legal, por estar em perfeita consonância com o disposto no art. 1°, § 4°, III da Lei 4.771/65 (Código Florestal);transcrevendo, nesse diapasão, lição de Paulo de Bessa Antunes (Direito Ambiental, 10ª Edição, Lúmen Juris, RJ, 2007, p. 533/535); • quanto à área de 9,84 hectares, considerada como de preservação permanente no laudo técnico, mesma está em consonância com a Lei 4.771/65 (Código Florestal), o que dispensa os questionamentos, ressalvada a produção de prova em contrário da autoridade revisora; • o laudo técnico elaborado por profissional habilitado deverá ser acatado e levado em consideração na revisão do lançamento, pois a prova em contrário cabe à autoridade revisora. Não sendo produzidas tais provas contraditórias impõemse sua aceitação, visto que um simples documento administrativo (denominado ADA) não tem o condão de alterar a verdade real das áreas florestais evidenciadas no laudo; • embasado no art. 145, I, do CTN, c/c art. 46 do Decreto n° 4.382/2002, requer a retificação da declaração do requerente, para fazer constar, nos respectivos campos, área de preservação permanente de 9,8 ha e área de Reserva Legal de 19,2 ha, ou, caso contrário, que seja obstada a glosa das áreas de APP e de Utilização Limitada informadas pelo recorrente na declaração original, tributandose apenas a área remanescente, em conformidade com o entendimento do Eg. Conselho de Contribuintes, que teve como relatora a ilustre Conselheira Simone Cristina Bissoto; • o VTN arbitrado está além do praticado no mercado imobiliário de Bocaina de Minas MG. Com base nos valores levantados junto ao Cartório de Registro de Imóveis dessa cidade (três amostras), demonstra o valor médio, por hectare, praticado em 2004, de R$ 851,85; • esse valor é, com certeza, o que mais se aproxima da realidade do mercado imobiliário rural no citado município, pois, ainda que por amostragem, os dados foram coletados de forma direta, ao contrário do SIPT, que são dados informados de forma subjetiva pelos próprios contribuintes do ITR, com distorções que não refletem a realidade do mercado imobiliário rural; • a exigência do ADA já se encontra superada pela lei, em decorrência do que dispõe o § 7° do art. 10 da Lei 9.393/96 e, também, pelo Eg. Conselho de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 148 6 Contribuintes e, ainda, por nossos Tribunais, citando, como exemplo, decisão do STJ, nos autos do REsp 665.123/PR, 2ª Turma, Relª Minª Eliana Calmon, DJU de 05/02/2007, analisando o recurso excepcional que impugnava a decisão do TRF 4, nos autos da AMS 2000.04.01.0282336, tida como parâmetro de legalidade pela Fazenda Nacional; cuja ementa transcreve; • inclusive, há naquela Corte (STJ) um precedente que se destaca, da lavra do Min. Luiz Fux, que determina a aplicação retroativa do § 7° acima referido, com supedâneo no art. 106 do CTN (REsp 587.429/AL, lª Turma, julgado em 01/06/2004, DJU 02/08/2004, p. 323); • dito isso, concluise que se mostra prescindível a prévia comprovação do Contribuinte/declarante do ITR da existência das tais áreas ambientais em sua propriedade; • ademais, providenciou laudo técnico, elaborado por Engenheiro, com ART, declarando a existência de área de preservação permanente e de interesse ecológico, apuradas a partir de vistoria in loco do imóvel avaliando; ressalvando apenas a descrição relativa à área que se pretende ser acatada como de reserva legal, por estar em perfeita consonância com o disposto no art. 1°, § 2°, III da Lei 4771/65; • ainda que referida área não tenha sido averbada às margens da matrícula do imóvel, não exonera o recorrente de respeitála, conforme explicitado na lição de Paulo Antunes, acima citada; • conforme Certidão expedida pelo município de Bocaina de Minas, a avaliação atual do imóvel do impugnante, pelo valor de pauta mais elevado é de R$16.972,42, equivalente a R$ 303,08/ha; demonstrando, a seguir, os VTN apurados para o seu imóvel, nos períodos de até 03/07/2003, de 04/07/2003 a 14/04/2004, de 15/04/2004 a 04/05/2006 e a partir de 05/05/2006, com base nos valores de pauta da referida Prefeitura Municipal; • reforçando a HIPERAVALIAÇÃO do imóvel, demonstra os valores médios apurados, para os anos de 2004, 2005 e 2006, respectivamente, de R$ 51.005,63, R$ 34.428,87 e R$ 56.228,04, com base nos valores constantes de Certidões de escrituras de venda e compra, do Cartório de Bocaina de Minas; • pelos valores demonstrados, fica explicíto que o valor arbitrado está além da realidade do mercado imobiliário rural praticado no município de Bocaina de Minas; • ainda que o laudo apresentado, elaborado por profissional habilitado, dentro das normas da ABNT (NBR 14.6533), não tenha trazido questionamentos sobre o VTN, há de ser considerado o que acima foi evidenciado, refletindo verdadeiramente o VTN praticado pelo mercado imobiliário nas respectivas datas de ocorrência dos fatos geradores, conforme demonstrado, cujos dados poderão ser confirmados junto aos arquivos da DOI (Declaração de Operação Imobiliária), enviadas à Receita Federal; • a declaração do município de Bocaina de Minas e as Certidões expedidas pelo Cartório, são suficientes para comprovar que o valor arbitrado está muito além da realidade e que precisa ser revisto. Sendo pacífico esse entendimento na esfera administrativa, citando ementa da Decisão n° 19278, de 23/03/2000, da DRJ em Foz do Iguaçu PR; • a vista das provas produzidas fica evidente que o valor do tributo imposto ao impugnante afronta demasiadamente o disposto no art. 150, IV da Carta Magna de Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 149 7 1988, assumindo características confiscatórias; citando, nesse sentido, entendimento manifestado pelo STF, que concedeu medida liminar na ADIN MC 1.075DF, em caso análogo, e • por fim, requer o seguinte: o acatamento das áreas de preservação permanente e de reserva legal (respectivamente, de 9,8 ha e 19,2 ha), ou, caso contrário, que seja obstada a glosa das áreas de APP e de Utilização Limitada informadas pelo recorrente na declaração original, tributandose apenas a área remanescente, em conformidade com o entendimento do Eg. Conselho de Contribuintes, que teve como relatora a ilustre Conselheira Simone Cristina Bissoto; que seja adotado o VTN de R$47.703,60, para o exercício de 2004, tomandose por referência a média aritmética simples das amostras das operações imobiliárias realizadas nos exercícios, e lhe sejam deferidos os benefícios da prioridade de tramitação processual, a fim de proporcionar a adesão, até 30/11/2009, ao parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília(DF) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0335.272 (fls. 89 a 103), de 27/01/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel em data anterior ao do fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização com base no valor médio, por hectare, constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), por falta de documentação hábil, comprovando o valor fundiário do imóvel, a preços de 1°/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 04/03/2010 (vide AR de fl. 106), a contribuinte apresentou, em 24/03/2010, tempestivamente, o recurso de fls. 107 a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 150 8 123, representada pelo procurador do espólio da Sra. Solanga Cristo Muniz (vide declaração e procuração anexadas às fls. 17 e 47), no qual, após breve relato dos fatos, reitera os termos de sua impugnação e aduz os argumentos a seguir sintetizados: 1. Discorda do entendimento do julgador a quo quando afirma que “que a protocolização em tempo hábil do ADA no IBAMA, bem como a averbação tempestiva das áreas de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel, não caracterizam obrigações acessórias, posto que tais exigências não estão vinculadas ao interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos...”, defendendo que, a teor do art. 115 do CTN, fato gerador da obrigação acessória “é qualquer situação que torne obrigatória a prática ou a abstenção de atos, desde que não se transfigurem em obrigação principal, isto é, qualquer ocorrência fática prevista na legislação tributária que imponha um fazer, não fazer ou tolerar de natureza tributária excluída a obrigação de pagar o tributo que é a obrigação principal.” (fl. 109). 2. Sustenta que ao se impor a obrigatoriedade de entrega do ADA ao IBAMA, bem como, de averbação das áreas de reserva legal às margens da matrícula do imóvel, têmse uma situação fática de prática compulsória, distinto da obrigação principal de pagar o tributo e, portanto, tais práticas se situam no campo das obrigações tributárias acessórias. Aduz, ainda, que as referidas exigências estão vinculadas ao interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, pois são necessárias para fruição do incentivo fiscal; 3. No que diz respeito à referência às súmulas vinculantes do CARF, alega que seria bastante incoerente que uma mesma esfera administrativa adotasse dois pesos e duas medidas para decidir uma questão com mesma causa de pedir, não cabendo invocar as disposições do art. 472 do CPC, visto que a decisão exarada não constitui coisa julgada irrecorrível e, a isonomia entre contribuintes na esfera tributária é questão de direito material inconteste, transcrevendo doutrina sobre o assunto. 4. Argumenta que a fundamentação da decisão recorrida para rejeitar os elementos de justificativa apresentados está calcada na obrigatoriedade de apresentação do ADA em tempo hábil ao IBAMA, da averbação da reserva legal às margens da matrícula do imóvel e no fato de estar o julgador à hierarquia administrativa, sob o manto da responsabilidade funcional prevista no art. 141 do CTN. 5. Transcreve doutrina para defender que o órgão julgador não se submete à hierarquia administrativa, devendo observar os princípios gerais do Direito como fonte de legitimação da decisão, exercitando a criatividade do julgador, seu senso do razoável e sua capacidade de fazer a justiça no caso concreto. 6. Por fim, requer (fl. 123): a) Sejam aceitos os Laudos Técnicos de APP, acatandose as áreas de Preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista que não houve prova em contrário de que referidas áreas não se enquadram com APP e RFL, por parte da autoridade revisora. b) Seja a área de 19,2 hectares descrita no Laudo Técnico como sendo de interesse ecológico elevada ao status de Reserva Florestal Legal, por estar perfeita consonância com o disposto no art. 1°, § 2°, III da Lei 4771/65; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 151 9 c) Dignese V.Exa. deferir o pedido de retificação da declaração anteriormente apresentada para fazer constar 9,8 hectares de área de Preservação Permanente, 19,2 hectares de reserva legal e o valor de R$ 47.703,60, para a terra nua no exercício de 2004, tomandose por referência a média aritmética simples das amostras das operações imobiliárias realizadas no exercício, conforme comprovam cópias dos traslados em anexo; d) Indeferidos o acima pleiteado, que seja obstada a glosa das áreas de APP e de utilização limitada informadas pela recorrente na declaração original, tributandose somente o remanescente, nos termos do entendimento desse Conselho de Contribuintes, que teve como relatora a Ilustre Conselheira, SIMONE CRISTINA BISSOTO. e) Finalmente, requer a retroação dos efeitos jurídicos e tributários do ADA entregue extemporaneamente ao IBAMA aos 29/09/2009, recibo n° 10933310221235, código validador TQ42FFY8CAHQ1F2M em anexo. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 13, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 1411. 1 Na sequência foi digitalizada uma folha sem numeração contendo "Termo de Juntada" e despacho de encaminhamento ao CARF. Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 152 10 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites da decisão administrativa O recorrente se insurge quanto à motivação do julgamento e os limites da decisão de primeira instância. Não se discorda que o julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivaram (art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2o da Lei no 9.784, de 1999). Muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo fiscal, encontrese resguardado pelos arts. 29 e 31 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972, existem algumas limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade que norteia o direito tributário. As interpretações emanadas da Administração Tributária por meio de atos de caráter normativo (instruções normativas, portarias, atos declaratórios etc.) caracterizamse como normas complementares à legislação tributária (art. 100 do Código Tributário Nacional – CTN), vinculando, em algumas situações, a atuação dos agentes públicos. No caso específico das Delegacias de Julgamento da Receita Federal, primeira instância do processo administrativo fiscal federal, o art. 7o da Portaria MF no 58, de 17 de março de 2006 (reproduzido atualmente no art. 7o, inciso V, da Portaria MF no 341, de 12 de julho de 2011), determina expressamente que o julgador deve observar as normas legais e regulamentares (art. 116, inciso II, da Lei no 8.112, de 11 de novembro de 1990) e o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos. De forma semelhante, as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (segunda instância do processo administrativo fiscal federal) encontramse vinculadas pelos arts. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 153 11 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 75 do RICARF permite, ainda, que o Ministro de Estado da Fazenda atribua à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal, obrigando o julgador de primeira instância a aplicar o entendimento nela contido. Como se percebe, existe sim uma certa hierarquia administrativa imposta pela própria legislação tributária que delimita a competência do julgador administrativo. É certo que as decisões de primeira instância não são definitivas, podendo o contribuinte interpor recurso voluntário junto ao CARF, caso esta lhe seja parcial ou integralmente desfavorável (art. 33 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972 e arts. 1 e 7o do RICARF). Cabe também pedido de correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, devendo para tanto, ser proferido novo acórdão (art. 22, §1o, e art. 27 da Portaria MF no 58, de 2006). O resultado do julgamento pode não ter sido o esperado pela defesa, porém a simples contrariedade da recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado não constitui qualquer vício capaz de incorrer em sua desconsideração, tendo o contribuinte a oportunidade de expor as razões de sua irresignação no recurso voluntário ora apreciado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 154 12 Ressaltese que, caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF que dê à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 2 Exclusão das áreas não tributadas A recorrente alega que a área de preservação permanente foi glosada, exclusivamente, pela falta de apresentação tempestiva do ADA, discorrendo longamente sobre o tema e pugnando pela retroação dos efeitos jurídicos e tributários do ADA entregue extemporaneamente ao IBAMA em 29/09/2009. Requer, ainda, que seja acatado o Laudo Técnico do Perímetro e das Áreas de Preservação Permanente (fls. 21 a 27), para que seja retificada a declaração originalmente apresentada, considerandose 9,84ha como área de preservação permanente e 19,2ha como área de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III da Lei Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal). 2.1 RETIFICAÇÃO DA DITR A contribuinte havia declarado 25,0ha como área de preservação permanente (fl. 9). Com base no Laudo Técnico do Perímetro e das Áreas de Preservação Permanente (fls. 21 a 27), requer que seja retificada a declaração originalmente apresentada, considerandose 9,84ha como área de preservação permanente e 19,2ha como área de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III da Lei Lei , 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal), alegando erro no preenchimento. Ressaltese que a área de preservação permanente inicialmente declarada (25,0ha) foi glosada por falta de apresentação do ADA, não havendo qualquer questionamento por parte do fisco de sua existência material. Tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). É sabido também que, iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7o do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. Não obstante a contribuinte pugne pelo reconhecimento de uma área de reserva legal de 19,2ha, no laudo apresentado consta que esta seria uma área de interesse ecológico, pois estaria inserida no perímetro da Área de Preservação Ambiental da Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 155 13 Mantiqueira, criada pelo Decreto no 91.304, de 3 de março de 1985, integrante das Unidades de Conservação Ambiental da federação. Convém lembrar que os conceitos de reserva legal e de áreas de interesse ecológico são distintos, sem oportuno analisálos separadamente. 2.1.1 Reserva Legal Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o, inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III): Art. 1o[...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 156 14 A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 157 15 ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o, caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. Por fim, cabe lembrar que no caso de posse, o Código Florestal permite que a reserva legal seja assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, no qual esteja consignado, no mínimo, sua localização e características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (art. 16, §10). Vale mencionar, também, o art. 12, §1o Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002, que consolidou toda a legislação do ITR, assim dispondo quanto à averbação da reserva legal (grifei): Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.16667, de 2001). §1o Para efeito da legislação do 1TR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. §2o Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (Lei no 4.771, de 1965, art.16, §10, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 158 16 acrescentado pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001, art. 1o). No caso dos autos, não foi comprovada a averbação da área de reserva legal e, portanto, já é motivo suficiente para que rejeite a pretensão da contribuinte em retificar sua declaração. 2.1.2 Área de Interesse Ecológico No que se refere à exclusão das áreas de declarado interesse ecológico da área tributável para fins de apuração do ITR, cabe transcrever o art. 10, §1o, inciso II, alíneas “a” e “b”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. §1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei no 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] Como se vê, a isenção das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas está condicionada a que sejam assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual e que estas ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal. A Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) já previa em seu art. 5o a criação de Parques e Reservas Biológicas com a finalidade de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com objetivos educacionais, recreativos e científicos. Da mesma forma, a Lei no 6.902, de 27 de abril de 1981, dispunha sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental. Posteriormente, a Constituição Federal, ao tratar do Meio Ambiente, autorizou o poder público a criar espaços territoriais a serem especialmente protegidos, visando obstar qualquer utilização que comprometesse a integridade dos atributos naturais que justifiquem sua proteção, conforme disposto em seu art. 225 (grifei): Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 159 17 o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações. § 1o Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; Regulamentando o dispositivo constitucional acima transcrito, foi editada a Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que prevê a criação, por ato do Poder Público, de diversas áreas de interesse ambiental denominadas unidades de conservação da natureza, as quais se dividem em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As primeiras visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com as exceções previstas na referida lei, enquanto que as segundas, compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. O art. 55 da Lei no 9.985, de 2000, dispõe que “as unidades de conservação e áreas protegidas criadas com base nas legislações anteriores e que não pertençam às categorias previstas nesta Lei serão reavaliadas,[...]”. Ainda de acordo com a lei ambiental, cada uma das unidades de conservação da natureza pode ser dividida em setores ou zonas com objetivos e restrições próprios, o que torna necessário o reconhecimento específico do órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular, identificando as áreas que podem ou não serem exploradas economicamente e de que forma. A definição das Áreas de Proteção Ambiental encontrase no art. 15 da Lei no 9.985, de 2000, (grifos nossos): Art. 15 A Área de Proteção Ambiental – APA é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais, especialmente importantes para a qualidade de vida e bem estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. De acordo com a lei ambiental, a APA está incluída no “Grupo de Unidades de Uso Sustentável” (art. 14 da Lei no 9.985, de 2000), podendo “ser estabelecidas normas e Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 160 18 restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental.” (art. 15, §2o, da Lei no 9.985, de 2000). Determina, ainda, a referida lei, que a APA, assim como as demais unidades de conservação ambiental, seja criada por ato do Poder Público (art. 22) e deve dispor de um Plano de Manejo (art. 27) que se constitui de um documento técnico em que “se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade” (art. 2o, inciso XVII). Por zoneamento entendese a “definição de setores ou zonas em uma unidade de conservação com objetivos de manejo e normas específicos, com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que todos os objetivos da unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz” (art. 2o, inciso XVII). Concluise, assim, que nas APA não foi vedado totalmente a exploração agrícola, permitindose a utilização do imóvel rural dentro de certos limites a serem estabelecidos. Não obstante no laudo apresentado pela recorrente afirme que parte do imóvel em discussão estaria situado na Área de Proteção Ambiental da Mantiqueira, não há prova nos autos de que sua propriedade esteja inserida de fato nessa unidade de preservação e conservação legalmente instituída e, muito menos, foi apresentado o reconhecimento específico do órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular, identificando as restrições de uso impostas para fins de se caracterizar como área de interesse ecológico isenta de tributação do ITR. Destarte, concluise que a contribuinte não comprovou a existência de uma área de interesse ecológico. 2.1.3 Áreas retificadas ADA Além de a contribuinte não comprovar a averbação da área de reserva legal e/ou a existência de uma área de interesse ecológico, para o gozo da isenção pretendida é necessário, ainda, o reconhecimento pelo Poder Público de que essas áreas são de fato de interesse ambiental, por meio de Ato Declaratório Ambiental – ADA, emitido pelo IBAMA, condição geral para a não incidência tributária. A obrigatoriedade de apresentação do ADA será abordada em tópico específico a seguir. 2.2 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL De fato conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 2, a fiscalização glosou a área de preservação permanente porque “não obstante o impugnante ter apresentado Laudo Técnico do Perímetro e das Áreas de Preservação Permanente, elaborado pelo engenheiro agrônomo Eric Watson Netto de Oliveira acompanhado de ART/CREARJ, no qual especifica as dimensões das áreas ambientais do imóvel, é preciso ressaltar que esse documento não dispensa a necessidade de se comprovar que essas áreas tenham sido reconhecidas como de interesse ambiental por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA.” Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 161 19 Em síntese, a recorrente defende que: (a) as áreas de preservação permanente e de utilização limitada não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, por meio de ADA, conforme disposto no art. 3o da MP 2.166/2001 (alteração do art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996) e entendimento pacificado no Conselho de Contribuintes; (b) a vedação à entrega extemporânea do ADA representa cerceamento do direito de defesa; (c) a falta de entrega do ADA em tempo hábil em nada interfere na real situação das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, de reserva legal, etc; (d) o descumprimento da referida obrigação acessória enseja apenas a cobrança de multa. 2.2.1 Obrigatoriedade do ADA Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 24 de agosto de 2001 (item “a”), não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 162 20 legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhandoo à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente (item “a”), cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 163 21 A Súmula no 41 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em vigor desde 22/12/2009, dispondo que “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício”, aplicase tão somente aos fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, enquanto que o presente lançamento referese ao exercício 2002. Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. 2.2.2 Tempestividade do ADA Não obstante a contribuinte entenda que a vedação à entrega extemporânea do ADA representa cerceamento do direito de defesa (item “b”), pois sua entrega a destempo em nada interfere na real situação das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, de reserva legal, etc (item “c”), verdade é que a questão da tempestividade decorre de uma interpretação sistemática da legislação que rege a matéria. Inicialmente, observase que a Lei no 6.938, de 1981, não fixou qualquer limite temporal quanto ao prazo para apresentação do ADA. Considerandose que a exclusão das áreas de interesse ambiental requer o reconhecimento por parte do IBAMA, o que no caso é feito por meio da emissão do ADA, caracterizando uma isenção especial (não concedida em caráter geral), importa transcrever o art. 179 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1o Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2o O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Sendo o ITR um imposto lançado por período certo de tempo, em que a lei considera ocorrido o fato gerador em 1o de janeiro de cada ano (art. 1o da Lei no 9.393, de 1996), a princípio, a exigência de ADA contemporâneo a DITR prevista nas diversas instruções normativas editadas pela Receita Federal do Brasil (protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR) encontra amparo no art. 179 e §§ do CTN. Contudo, há que se observar as normas sobre o assunto expedidas pelo IBAMA, a quem compete a execução das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente e é responsável pela emissão e controle do ADA. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 164 22 Segundo o art. 2o da Portaria IBAMA no 152, de 1998, devem apresentar o ADA, relativo ao ITR 1998 e anos posteriores, os declarantes que informaram no Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada e quem não tenha entregue o ADA anteriormente, sendo obrigatória a apresentação de novo ADA (ADA de retificação), caso haja alteração do DIAT em relação às áreas originalmente informadas em anos anteriores. Tal determinação foi ratificada pela Instrução Normativa IBAMA no 76, de 31 de outubro de 2005, que institui prazo para a apresentação do ADA, in verbis: Art 9o O prazo de entrega do ADA será de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1o de abril a 30 de setembro de 2006. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras. Assim, a partir do exercício 2005, embora o ADA continuasse a ser apresentado uma única vez e nos casos em que fossem alteradas as informações na DITR, o IBAMA passou a definir um período para sua entrega que, em regra, era de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Excepcionalmente, para o ADA relativo a DITR/2005, o prazo foi estendido até 31 de março de 2006 (seis meses da data da entrega da DITR correspondente). Importa registrar que a necessidade de se apresentar o ADA uma única vez ou no caso de alteração de área de interesse ambiental já constava dos atos normativos da Receita Federal, desde a Instrução Normativa SRF no 75, de 20 de julho de 2000, que dispôs sobre a apresentação da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR do exercício de 2000, como se observa pelo teor do art. 11: Art. 11. O contribuinte deverá providenciar, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, no prazo de seis meses, contados do prazo estabelecido no art. 3º, o Ato Declaratório Ambiental – ADA – a que se refere o art. 17 da IN SRF 73, de 2000, se: I – o imóvel teve alterada a área de interesse ambiental em relação à área declarada no ano anterior; ou Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 165 23 II – o imóvel está sendo declarado pela primeira vez. Nas instruções normativas referentes aos exercício seguintes, existe dispositivo semelhante, até 2005. A partir da Instrução Normativa SRF no 659, de 11 de julho de 2006, referente ao exercício 2006, adotouse uma redação mais genérica (grifei): Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Apenas com a edição da Instrução Normativa IBAMA no 96, de 30 de março de 2006, com vigência a partir do exercício 2007, o órgão ambiental passou a exigir a apresentação anual do ADA, como se observa pelo teor do art. 9o (atual art. 9o da Instrução Normativa IBAMA no 31, de 3 de dezembro de 2009): Art. 9o As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. § 1o No Ato Declaratório Ambiental deverão constar, a partir de 2006, informações referentes às áreas de preservação permanente, de reserva legal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, as áreas de Relevante Interesse Ecológico ARIE e, quando for o caso, as áreas sob manejo florestal sustentável ou de reflorestamento. [...] (grifei) De acordo com a Instrução Normativa IBAMA no 5, de 25 de março de 2009, foi mantido o prazo para entrega do ADA de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, cabendo sua retificação até 31 de dezembro do mesmo exercício (art. 6o, §3o). Concluise, assim, que até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Quanto ao prazo, até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicamse os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA. Muito embora alegue a contribuinte que a intempestividade na apresentação do ADA poderia ensejar, no máximo, uma multa por descumprimento da obrigação acessória (item “d”), ressaltese que a lei condicionou a isenção ao reconhecimento das áreas de interesse ambiental por parte do IBAMA, o que no caso é feito por meio da emissão do ADA. Convém lembrar, ainda, que o ADA protocolizado junto ao IBAMA – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 166 24 prestadas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ambiental, não tendo, portanto, até sua homologação, o mesmo vigor dos Atos Declaratórios da Receita Federal que são expedidos diretamente pelas autoridades competentes. Ademais, a exigência de apresentação de ADA dentro dos prazos previstos para fins de isenção advém de disposição legal contida no art. 179, §1o, do CTN, anteriormente transcrito, segundo a qual o despacho reconhecendo o preenchimento das condições e o cumprimento dos requisitos previstos para em lei para fins da isenção pretendida “será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção.” 3 Valor da Terra Nua A fiscalização arbitrou o valor da terra nua, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou Laudo Técnico para corroborar o valor por ela declarado. Em sua defesa, a contribuinte requer que seja acatado o valor de R$47.703,60 para o VTN do exercício 2004, obtido pela média aritmética simples das amostras das operações imobiliárias realizadas no exercício, considerandose os valores de pauta apontados na Declaração da Prefeitura Municipal de Bocaina de Minas e nas Certidões (fl. 62) e nas certidões de fls. 63 a 86, expedidas pelo competente Cartório de Registro de Imóveis. Inicialmente, importa transcrever o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autorizou a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, a arbitrar o valor da terra nua (VTN) com base em sistema por ela instituído: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, cabe trazer a colação o art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, com a redação vigente à época da edição da Lei no 9.393, de 1996: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 167 25 §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. [...] Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Entendo que a utilização dos valores constantes do SIPT são válidos para fins de arbitramento do VTN, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico capaz de comprovar o valor por ele declarado e desde que os dados que alimentaram o sistemas atendam aos requisitos exigidos pela legislação, como, por exemplo, o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, apurado nas avaliações realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, em que os preços de terras são determinados levandose em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc. Ressaltese, entretanto, que o fato de para um determinado município não existirem informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN/médio por hectare por aptidão agrícola, não autoriza o fisco a utilizar o VTN médio informado nas DITR do mesmo município. Isto porque o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Dessa forma, sem que se entre no mérito das alegações da contribuinte, uma vez que o arbitramento foi feito utilizandose o VTN médio declarado pelos contribuinte do mesmo município (fl. 6), valor este que não encontra amparo na legislação, há que se restabelecer o valor originalmente declarado. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10640.720840/200957 Acórdão n.º 2202001.937 S2C2T2 Fl. 168 26 4 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar levantada pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o valor do VTN declarado. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 10410.003427/00-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Nov 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Somente foram convertidos em declarações de compensação os pedidos de compensação que estavam pendentes de análise por parte da autoridade administrativa em 31/12/2002, quando foi publicada a Lei nº 10.637/2002.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS.
O advento de decisão definitiva denegando a segurança autoriza a reversão da compensação de débitos próprios com créditos de terceiro, que fora efetuada com base em medida liminar, ainda que apenas o terceiro (cedente dos créditos) seja parte no mandado de segurança.
PRESCRIÇÃO.
O prazo de prescrição para a cobrança do crédito tributário só começa a correr se houver a conjugação dos seguintes fatores: crédito tributário passível de ser exigido e inércia da União.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Somente foram convertidos em declarações de compensação os pedidos de compensação que estavam pendentes de análise por parte da autoridade administrativa em 31/12/2002, quando foi publicada a Lei nº 10.637/2002. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. O advento de decisão definitiva denegando a segurança autoriza a reversão da compensação de débitos próprios com créditos de terceiro, que fora efetuada com base em medida liminar, ainda que apenas o terceiro (cedente dos créditos) seja parte no mandado de segurança. PRESCRIÇÃO. O prazo de prescrição para a cobrança do crédito tributário só começa a correr se houver a conjugação dos seguintes fatores: crédito tributário passível de ser exigido e inércia da União. Recurso voluntário negado.
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CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Somente foram convertidos em declarações de compensação os pedidos de compensação que estavam pendentes de análise por parte da autoridade administrativa em 31/12/2002, quando foi publicada a Lei nº 10.637/2002. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. O advento de decisão definitiva denegando a segurança autoriza a reversão da compensação de débitos próprios com créditos de terceiro, que fora efetuada com base em medida liminar, ainda que apenas o terceiro (cedente dos créditos) seja parte no mandado de segurança. PRESCRIÇÃO. O prazo de prescrição para a cobrança do crédito tributário só começa a correr se houver a conjugação dos seguintes fatores: crédito tributário passível de ser exigido e inércia da União. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 34 27 /0 0- 92 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros com data de protocolo em 24/07/2000 (fl. 2). Os créditos vinculados à compensação foram alienados pela Usina Cururipe e tiveram origem no mandado de segurança nº 2000.80.00.36851 por meio do qual a Usina obteve liminar que a autorizou a incluir no cálculo do crédito presumido do IPI, instituído pelo art. 42 da Lei nº 9.532/97, as vendas de açúcardecana para o mercado externo, assim como o aproveitamento do referido crédito sem as limitações impostas pela IN SRF nº 41/2000 (fls. 6 a 18). Em 18/08/2000, com base nessa liminar, o Delegado da Receita Federal foi intimado pelo juízo a expedir os documentos comprobatórios de compensação (DCC) dos débitos da recorrente com os créditos originados da Usina Cururipe, conforme fls. 40/41. Em 02/10/2008, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região proveu a apelação da Fazenda Nacional e decidiu que não existe o direito da Usina calcular o crédito presumido do art. 42 da Lei nº 9.532/97 sobre as vendas de açúcar para o mercado externo (fl. 83 a 85). Diante dessa decisão, a autoridade administrativa proferiu despacho em 29/10/2008, considerando as compensações não declaradas, em face da inobservância do art 170A do CTN (fl. 48/49). O contribuinte tomou ciência desse despacho em 07/04/2009 (fl. 61). Em 05/05/2009 o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, sem síntese, o seguinte: 1) a compensação foi feita com base em de decisão judicial proferida no mandado de segurança 2000.80.00.0036851, que tramitou pela 3ª Vara Federal de Alagoas; 2) a liminar, posteriormente confirmada pela sentença, assegurou o direito de compensar o crédito declarado no pedido de ressarcimento 10410.004649/9944 (de interesse da Usina Cururipe, cedente dos créditos), com débitos próprios e de terceiros; 3) não há concomitância com o processo judicial, pois a defendente não é parte no mandado de segurança; 4) o mandado de segurança foi impetrado em 8 de fevereiro de 2000, a liminar foi concedida em 27 de junho de 2000 e foi confirmada pela sentença de 21 de março de 2001; 5) o pedido de compensação foi protocolado em junho de 2000 e os DCC foram expedidos em agosto de 2000; 6) tudo se deu antes da vigência do art. 170A do CTN e da previsão legal para as hipóteses de compensação não declarada; 7) não é correto afirmar que não há decisão judicial transitada em julgado em favor da cedente do crédito, pois ela e a cessionária têm a seu favor sentença que surte efeito até o trânsito em julgado da decisão; 8) o TRF da 5ª Região deu provimento à apelação da União, mas isso não significa que os efeitos da sentença foram cassados de imediato, sendo regra processual inequívoca que os efeitos da liminar confirmada por sentença subsistem inteiramente; 9) na decisão do TRF não há nenhum trecho revogando a liminar ou os efeitos da sentença; 10) a apelação contra sentença concessiva da segurança tem efeitos meramente devolutivos, não invalidando a liminar ou os atos praticados durante sua vigência; 11) o PAF é assentado no princípio da informalidade, não podendo o particular ser prejudicado por excesso de formalidades. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10410.003427/0092 Acórdão n.º 3403001.826 S3C4T3 Fl. 10 3 Por meio do Acórdão 1134.313, de 7 de julho de 2011, da 6ª Turma da DRJ – Recife, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. A turma de julgamento considerou inaplicável ao caso concreto o instituto da compensação não declarada, em razão do processo ter sido protocolado antes do advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. No mérito, considerou que o pedido de compensação albergado neste processo não se converteu em declaração de compensação porque se referem a créditos de terceiros e decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado (aplicou entendimento que consta em Parecer da PFN). A DRJ entendeu que o Acórdão do TRF tem efeito imediato e substitutivo da sentença de primeiro grau, a teor do disposto no art. 512 do CPC. Tendo sido denegada a segurança, o crédito utilizado na compensação não existe, sendo cabível a exigência dos valores indevidamente compensados. Regularmente notificado da decisão em 21/12/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 176 a 190 em 13/01/2012. Alegou, em síntese, que ocorreu a homologação tácita da compensação, nos termos do art. 74, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96 e que, além disso, o pedido de compensação está extinto porque foram emitidos os DCC. Alegou que houve declaração da compensação em DCTF e ainda que se considere que não houve a conversão em declaração de compensação, ocorreu a prescrição da cobrança dos débitos, pois a exigibilidade do crédito tributário nunca esteve suspensa. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que a recorrente adquiriu créditos da Usina Cururipe que eram objeto de demanda judicial, antes do término do mandado de segurança. Ainda durante o processo judicial os créditos adquiridos de terceiro foram utilizados no pedido de compensação de débitos próprios que inaugurou o presente feito. O pedido foi formulado em 24/07/2000 e foi apreciado em 18/08/2000, conforme DCC de fls. 42/43, em virtude da ordem judicial provisória de fls. 15/18. Se o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa em virtude de determinação judicial antes do advento da Lei nº 10.637/2002, é óbvio que ele não foi convertido automaticamente em declaração de compensação, uma vez que o comando do art. 74, § 4º da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002, é claríssimo ao se referir aos pedidos que estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa. Assim, dada a inexistência de declarações de compensação, no caso concreto não incide a regra prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9430/96, estando este pedido de compensação sujeito ao regime jurídico das compensações que vigia anteriormente ao advento da Lei nº 10.637/2002. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O fato de terem sido expedidos os DCC em 18/08/2000, assim como o fato da ora recorrente não ser parte no mandado de segurança, não impedem a autoridade administrativa de reverter a compensação intentada, pois o Acórdão do TRF da 5ª Região denegou a segurança por considerar inexistente o crédito presumido pleiteado pela Usina Cururipe. Em consulta efetuada na página do TRF da 5ª Região na internet, verificase que o Acórdão que denegou a segurança transitou em julgado e o processo foi devolvido à Seção Judiciária de Alagoas em 07/05/2010 para baixa definitiva, tendo se tornado imutável a norma jurídica individual e concreta que não reconheceu a existência do crédito. Considerando que ninguém pode alienar mais direitos do que possui, é óbvio que a Usina Cururipe não poderia ter alienado créditos presumidos de IPI que em verdade nunca possuiu. A reversão das compensações é perfeitamente possível, pois os DCC foram emitidos com base em provimento judicial provisório, que foi revogado e substituído pela decisão definitiva materializada pelo Acórdão do TRF da 5ª Região. A recorrente alegou que a exigência dos débitos está prescrita, pois foram constituídos com a apresentação das DCTF e nunca houve cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Do fato de nunca ter havido suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não decorre logicamente a conclusão de que ocorreu a prescrição da cobrança dos débitos via DCTF. Segundo a lição de Fábio Fanucchi “(...) a decadência se traduz na perda de um direito e, a prescrição, na perda da ação que faria prevalecer um direito. Os institutos possuem em comum o princípio em que se assentam: a perecibilidade do direito pela inércia de seu titular” 1. Ora, se os fatores determinantes da prescrição são o decurso do tempo aliado à inércia do titular do direito em exercêlo, não há que se falar em prescrição no caso concreto antes do desfecho do mandado de segurança. Isto porque antes do advento do Acórdão do TRF da 5ª Região não havia crédito tributário passível de ser exigido, uma vez que ele fora extinto pela compensação ordenada em sede liminar. E inexistindo crédito a ser exigido, não se pode cogitar de inércia injustificada da Fazenda Pública. Apenas com o advento do Acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que revogou e substituiu os provimentos anteriores, é que o prazo de prescrição começou a correr contra o Fisco. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim 1 FANUCCHI, F. A decadência e a prescrição em Direito Tributário. São Paulo: RT, 1982, p. 22 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10410.003427/0092 Acórdão n.º 3403001.826 S3C4T3 Fl. 11 5 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10074.001349/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
FUNDAF. CONTRATO DE SERVIÇO PÚBLICO. PREÇO PÚBLICO. OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INCABIVEL.
A cobrança do FUNDAF decorrente de contrato celebrado entre a Administração Tributária e as operadoras de comércio exterior pra exploração de terminais alfandegados públicos, configura obrigação contratual, não sendo admitido a restituição de tais valores.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. FUNDAF. CONTRATO DE SERVIÇO PÚBLICO. PREÇO PÚBLICO. OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INCABIVEL. A cobrança do FUNDAF decorrente de contrato celebrado entre a Administração Tributária e as operadoras de comércio exterior pra exploração de terminais alfandegados públicos, configura obrigação contratual, não sendo admitido a restituição de tais valores. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 13 49 /2 00 4- 91 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância, com as devidas adições. "Trata o presente processo do Pedido de Restituição dos valores pagos ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização — Fundaf (v. fls. 01 a 24), no valor histórico de R$ 2.926.243,42, conforme documentos de arrecadação (DARFs) juntados As fls. 87 a 190. Buscando sustentar o pleito, a interessada, partindo do entendimento de que o recolhimento a titulo de contribuição ao Fundaf tem natureza tributária e, por ter sido estabelecido com vícios de inconstitucionalidade e de ilegalidade, isto a partir da atribuição de competência ao Poder Executivo para a instituição da contribuição em tela, para a definição de seu fato gerador, dos sujeitos passivos e ativo da relação obrigacional, do critério temporal para o recolhimento da Contribuição para o estabelecimento de sua base de cálculo e alíquotas, bem como sobre a penalidade no caso de recolhimento em atraso ou não recolhimento, argumenta que esses vícios acabaram por macular referidos recolhimentos em razão da caracterização da exigência de tributo indevido. Argumenta ainda, a interessada, que no caso concreto, verifica se ofensa à capacidade contributiva e à vedação ao confisco, pois levou aos cofres públicos exação sem sustentação constitucional, além de ser instituída por veiculo inidôneo e por órgão incompetente para tanto, o que a caracteriza como indevida e passível de restituição, sob pena de enriquecimento ilícito da União Federal. Nesse sentido cita alguns julgados do Terceiro Conselho de Contribuintes, trazendo a ementa de dois deles: Fl. 957DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 957 3 "Fundaf. 0 fato gerador e a base de cálculo só podem ser definidos por lei. É o principio da legalidade que assegura o Estado de Direito. Não se pode admitir que a norma inferior institua fato e base de cálculo do tributo. Contribuição ao Fundaf — É verdadeira taxa e como tal só a lei pode estabelecer a sua instituição (art. 47, I do CTN) e não uma instrução Normativa." Com isso, afirma a interessada, ser inegável que, inclusive no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade e a ilegalidade da Contribuição ao Fundaf foram reconhecidas e que maculam, por completo, a arrecadação da exação. Apreciado o pleito pela autoridade competente para o mister, Inspetor da Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro, com base em parecer constante às fls. 192 e 193, foi o mesmo indeferido, conforme se vê em despacho posto à fl. 193. Discordando do indeferimento que lhe foi dirigido, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, requerendo o seu encaminhamento a DRJ de Florianópolis (v. fls. 199 a 222). Como pode se perceber, os argumentos trazidos em dita manifestação de inconformidade são em essência aqueles oferecidos quando do ingresso do pedido de restituição, junto a IRF/Rio de Janeiro, a exceção daqueles que atacam as razões sustentadoras do indeferimento. Por entender não ser de competência das Delegacias de Julgamento apreciar o pedido em questão, haja vista tal contribuição não ter natureza tributária, matéria pacificada no âmbito administrativo, o processo foi devolvido para sua unidade de origem (v. despacho as fls.226 a 228). Retornado o processo a Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro, o mesmo foi objeto do despacho de fls. 229 a 231 que, concordando com o entender esposado pela DRJ/Florianópolis propôs o encaminhamento dos autos para SRRF/TRF. Assim, no âmbito daquela Superintendência, foi proferida decisão, com base no Parecer n° 27 (fls. 233 a 241), julgando improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, cuja ementa encontrase posta nos seguintes termos: Fundaf — Natureza Jurídica. Ressarcimento de Despesas Administrativas Decorrentes de Atividade Extraordinária de Fiscalização Aduaneira. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Os recolhimentos ao Fundaf relativos a ressarcimento de despesas administrativas decorrentes de atividades extraordinárias de fiscalização aduaneira, de que tratam a IN Fl. 958DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 SRF n° 14/1993, não tem natureza de tributo, mas de obrigação contratual em razão de permissão onerosa de serviço público. Em 09/10/2007, a interessada apresenta o Recurso Administrativo (fls.247 a 269) dirigido ao senhor Superintendente Regional da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, requerendo pelas razões aduzidas, a reconsideração da decisão de fl. 241 (Parecer n° 27 de fls. 233 a 241) e, no caso da não reconsideração fosse o processo encaminhado, nos termos do § 1° do art. 56 da Lei n° 9.784/99, a autoridade administrativa imediatamente superior para julgamento. Apreciando o Recurso Administrativo em menção, foi elaborado o Parecer n° 44 (Fls.302 a 304) tendo, com base no mesmo, sido proferida a decisão de fl.304 que deixou de acatar o pedido de reconsideração apresentado pela interessada e, determinou, com base no § 1° do art. 56 da Lei n° 9.784/1999, o encaminhamento do presente processo à CoordenaçãoGeral de Tributação, para fins de apreciação. Ocorre que, também, a interessada ingressou com mandado de segurança (v. fls. 313 a 337), junto a 1ª Vara Federal de Florianópolis, tendo como autoridade impetrada o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, para ver julgada a manifestação de inconformidade contra a decisão de indeferimento do seu pleito pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro. Notificado do mencionado mandamus, em 17/10/2007 As 17h30min (v. f1.311) sobre o indeferimento da liminar pretendida e, solicitado, o delegado da DRJ/Florianópolis prestou as informações de fls. 458 a 469, as quais foram encaminhadas, em 24/10/2007, mediante o Oficio GAB.DRJ/FNS/SC n° 39. Na sentença (v. fls. 471 a 472 e, respectivos versos), o senhor Juiz concedeu a segurança para determinar que esta Delegacia dê seguimento ao julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela impetrante, solicitando, para tanto, a remessa do respectivo processo administrativo da Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro para nova análise. Com isso, estando o processo em questão na Coordenação Geral de Tributação, foi encaminhado o Memo.GAB/DRJ/FNS/SC n° 10, de 07/03/2008 (f1.305) solicitando a remessa do mesmo para esta Delegacia o que se verificou, conforme Despacho Cosit n° 16 (v. fl. 307)." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve oindeferimento do pedido de ressarcimento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “Assunto: Restituição Fundaf Fl. 959DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 958 5 Período: 1994 a 2004 Argüição de Inconstitucionalidade. Sede Administrativa. Apreciação. Impossibilidade. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Esse oficio, é exclusivo do Poder Judiciário. Assim, impedido está o julgador administrativo de apreciar matéria relativa ao ressarcimento para o Fundaf naquilo que respeita a sua natureza jurídica e vícios de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Julgamento Primeira Instância. Atos Administrativos e Normativos. Observância. Ao julgador de primeira instância incumbe, no cumprimento de seu oficio, observar o entendimento emanado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, estabelecida a sistemática, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, para fins de cálculo e recolhimento dos valores a titulo de ressarcimento para o Fundaf, deve essa ser observada em todos os seus termos e condições. Solicitação Indeferida" Cientificada da decisão a empresa interpos recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação e pedindo a nulidade da decisão da primeira instância pela ausência de apreciação do mérito, pois aquela decisão não apreciou a integralidade dos argumentos constantes da impugnação e não analisou as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos e normas. Ao apreciar o Recurso, os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara resolveram converter o julgamento do recurso em diligência, para que fossem juntados cópias de todos os instrumentos contratuais relativos à outorga da prestação de serviço de Depósito Alfandegado Público, Estação Aduaneira Interior, Terminal Retroportuário Alfandegado e Porto Seco firmado entre a Recorrente e a União. A unidade de origem juntou os contratos conforme determinado na resolução e proferiu manifestação acerca da lide constante dos autos, defendendo a posição já adotada na DRJ de considerar o FUNDAF obrigação contratual. (fls. 657 a 663). Cientificada dos documentos e da manifestação anexados pela Unidade de Origem, a Recorrente veio aos autos e também apresentou manifestação (fls. 670 a 684), afirmando que a posição apresentada pela Unidade de Origem extrapolou o que foi determinado na Resolução do CARF, e defende os argumentos já apresentados na impugnação e no Recurso Voluntário e rebate a posição defendida pela Unidade de Origem. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Da discussão sobre a decisão da DRJ e a falta de enfrentamento dos pontos alegados na manifestação de inconformidade. Inicialmente, cabe manifestação sobre a alegação apresentada pela Recorrente sobre o acórdão exarado pela autoridade de primeira instância, que não teria enfrentado todos os argumentos constantes da impugnação. Nesta matéria não assiste razão ao Recurso. Ao julgador cabe o enfrentamento de todas as linhas de defesa presentes no recurso, entretanto, não lhe é obrigado enfrentar todos os argumentos. Sob este prima, a decisão de primeira instância não se furtou a enfrentar nenhuma das linhas de defesa constantes da manifestação de inconformidade. Alega a Recorrente que por vezes a posição da autoridade a quo, não enfrentou a totalidade das alegações constantes do Recurso. Entendo, não assistir razão ao Recurso. As razões de decidir foram externadas pela autoridade de primeira instância, e quanto a descrição da motivação, independente da extensão do voto esta claramente delineada, demarcando a posição daquela autoridade sob o tema em discussão nos autos. As posições adotadas pela turma da DRJ foram identificadas pela Recorrente, que apresentou os argumentos que julgou pertinentes para ver discutida a decisão da primeira instância. Esta nova discussão sobre os pontos e a decisão da DRJ é inerente ao Recurso Voluntários e serão analisados neste voto. O julgamento realizado em primeira instância aconteceu dentro das normas legais e atendeu todos os requisitos previstos na legislação. A autoridade a quo seguiu os ditames legais e ao enfrentar as alegações trazidas na impugnação deixando claro os seus motivos de decidir. A Recorrente não ficou satisfeita com o julgamento prolatado pela autoridade a quo, e apresentou Recurso Voluntário, no qual rebate as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, a posição adotada naquele julgamento foi claramente identificada. Ademais, a partir deste histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto a análise da decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento, bem como, os ritos do processo administrativo Fiscal. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 959 7 Os Recintos Alfandegados e as operações de armazenagem e movimentação de cargas por empresas privadas. Para a análise do mérito da lide é necessário relembrar os conceitos aduaneiros inerentes a matéria. Em um primeiro momento, detalho a atividade desenvolvida pelos Terminais Alfandegados de Uso Público. O comércio exterior operase em zona primária, que abrange os portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados e em zona secundária, que correspondem as áreas alfandegadas no restante do território nacional. Dentro das áreas alfandegadas, tanto de zona primária quanto secundaria, existem locais específicos, denominados recintos alfandegados, onde são armazenadas as mercadorias oriundas do exterior e também realizados procedimentos necessários ao despacho aduaneiro. Estes recintos são operados via de regra, por empresas autorizadas pela Receita Federal, que se submetem a regras especificas para autorização. Os art. 9º a 14 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 disciplinam o funcionamento destes recintos. Conforme consta do Regulamento, os recintos alfandegados são administrados por empresas privadas, que tendo interesse em administrar estes recintos, peticiona a Unidade da Receita Federal, responsável pela administração aduaneira, a permissão para operar estes Recinto oferecendo serviços de armazenageme movimentação de carga. A Receita Federal avaliando a necessidade do funcionamento destes recintos, inicia um processo de habilitação que ao final, sendo atendidos todos os pressupostos necessários, formaliza um ato de habilitação, permitindo que a empresa privada passe a operar este novo Recinto Alfandegado. A possibilidade do Estado permitir que empresas privadas operem serviços públicos consta do art. 175 da Constituição Federal. "Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II os direitos dos usuários; III política tarifária; IV a obrigação de manter serviço adequado." Estas permissões foram disciplinadas pela Lei nº 8.987, de 13 e fevereiro de 1995, que trata assim a permissão para a utilização de serviços público nos seus art. 1º e 2º. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 "Art. 1o As concessões de serviços públicos e de obras públicas e as permissões de serviços públicos regerseão pelos termos do art. 175 da Constituição Federal, por esta Lei, pelas normas legais pertinentes e pelas cláusulas dos indispensáveis contratos. Parágrafo único. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão a revisão e as adaptações necessárias de sua legislação às prescrições desta Lei, buscando atender as peculiaridades das diversas modalidades dos seus serviços. Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco." As duas as formas permitidas de cessão de atividades estatais para empresas privadas são a concessão e a permissão. A diferença entre estas duas modalidades segundo a Lei nº 8.987/95 estria no caráter precário da delegação dos serviços. Para a solução da demanda constante dos autos e mister definir qual a situação em que se enquadra as atividades realizadas em recintos alfandegados por empresas privadas se concessão ou permissão. Na solução desta questão podemos nos socorrer do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que ao tratar dos Recintos Alfandegados determina a forma de funcionamento dos serviços prestados por empresas privadas. "CAPÍTULO III Fl. 963DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 960 9 DOS RECINTOS ALFANDEGADOS Seção I Das Disposições Preliminares Art. 9o Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: I mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial; II bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados; e III remessas postais internacionais. Parágrafo único. Poderão ainda ser alfandegados, em zona primária, recintos destinados à instalação de lojas francas. Art. 10. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá, no âmbito de sua competência, editar atos normativos para a implementação do disposto neste Capítulo. Seção II Dos Portos Secos Art. 11. Portos secos são recintos alfandegados de uso público nos quais são executadas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias e de bagagem, sob controle aduaneiro. § 1o Os portos secos não poderão ser instalados na zona primária de portos e aeroportos alfandegados. § 2o Os portos secos poderão ser autorizados a operar com carga de importação, de exportação ou ambas, tendo em vista as necessidades e condições locais. Art. 12. As operações de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, bem como a prestação de serviços conexos, em porto seco, sujeitamse ao regime de concessão ou de permissão. Parágrafo único. A execução das operações e a prestação dos serviços referidos no caput serão efetivadas mediante o regime de permissão, salvo quando os serviços devam ser prestados em porto seco instalado em imóvel pertencente à União, caso em que será adotado o regime de concessão precedida da execução de obra pública. " Fl. 964DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 O Parágrafo único do art. 12 do RA define que as operações e a prestação dos serviços de movimentação e armazenagem de mercadorias, sob controle aduaneiro, serão efetivadas mediante o regime de permissão, salvo quando os serviços devam ser prestados em porto seco instalado em imóvel pertencente à União, caso em que será adotado o regime de concessão. Portanto, em regra geral, a prestação dos serviços de movimentação e armazenagem de carga por empresas privadas adotarão o regime de permissão. Definido, o regime a ser adotado, passo a analisar a discussão constante dos autos com base nesta premissa. A Lei 8.987/95 define no seu art. 40, que as permissões de serviço público serão formalizadas mediante contrato, que observará as normas pertinentes ao edital e a licitação. "Art. 40. A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que observará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente. Parágrafo único. Aplicase às permissões o disposto nesta Lei." No inciso art. 15, inciso II, da Lei nº 8.987/95 consta dentre os critérios para o julgamento da licitação, a maior oferta, nos casos de pagamento ao poder concedente pela outorga da concessão. "Art. 15. No julgamento da licitação será considerado um dos seguintes critérios: I o menor valor da tarifa do serviço público a ser prestado; II a maior oferta, nos casos de pagamento ao poder concedente pela outorga da concessão; " Portanto, existe a previsão de pagamento ao órgão concedente pela empresa cessionária ou permissionária. Este mesmo entendimento é exposto por Celso Bandeira de Melo. "Permissão de serviço público, segundo conceito tradicionalmente acolhido na doutrina, é o ato unilateral e precário, intuitu pesonae, através do qual o Poder Público transfere a alguém o desempenho de um serviço de sua alçada, proporcionando, à moda do que faz na concessão, a possibilidade de cobrança de tarifas dos usuários. Dita outorga se faz por licitação (art. 175 da Constituição Federal) e pode ser gratuita ou onerosa, isto é, exigindose do permissionário pagamento(s) como contraprestação."(Bandeira de Melo, Celso Antônio, Curso de Direito Administrativo, 28ª ed., Malheiros, São Paulo, p. 767) Fl. 965DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 961 11 Assim, esta previsto em lei, a possibilidade da cobrança de valores por parte do órgão cedente para a concessão da permissão. Neste caminho trilhou a Receita Federal, que ao permitir a prestação de serviços de movimentação e armazenagem de cargas por empresas privadas, formalizou por meio de contrato a cobrança de valores, consubstanciado no Recolhimento ao FUNDAF. Os contratos de permissão para prestação de serviços de armazenagem e movimentação de carga da empresa Multiterminais Alfandegados do Brasil. Conforme consta dos autos, a permissão da Recorrente para operar Recinto Alfandegado tem a data inicial em 19/02/1976 (fls. 685 a 688) esta autorização passou por mudança de titularidade, sendo a última a da empresa Multiterminais autora do pedido de ressarcimento em discussão nos autos, apesar da existência de diversas pessoas jurídicas nos diversos contratos, tratarei sempre como se pertencentes a Multiterminais em razão de que a empresa sucessora recebe a titularidade dos bens, direito e obrigações da sucedida. Voltando ao histórico das habilitações realizadas, a teor do relatado na diligência determinada pela Segunda Turma Ordinária e nos documentos apresentados pela Recorrente, inicialmente foi atribuído a Multiterminais a permissão para operar os terminais alfandegados públicos em ato de 19/02/1976, sendo esta autorização prorrogada em atos publicados no Diário Oficial da União. Esta situação foi alterada em 20/05/1998 (fls. 722 a 731), quando foi celebrado contrato de prorrogação da permissão para prestação de serviços publicos de movimentação e armazenagem de mercadorias na Estação Aduaneira Interior EADI/São Cristovão. Deste contrato extraio os trechos abaixo, onde constam o tipo de serviço a ser executado. "CLAUSULA PRIMEIRA DO OBJETO O presente Contrato tem por objeto deferir a prorrogação da permissão para prestação dos serviços públicos de movimentação e armazenagem de mercadorias na Estação Aduaneira Interior EADI / SAO CRISTOVÃO, para carga geral, localizada no município do RIO DE JANEIRO/RJ, doravante denominada simplesmente EADI." A prorrogação deste contrato faz referência expressa ao alfandegamento anterior. "PARÁGRAFO TERCEIRO DA DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR A execução dos serviços obedecerão ao estipulado neste Contrato, bem como ás disposições constantes dos documentos, que integram o Processo nº 10711.002796197 Fl. 966DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 14 e que, independentemente de transcrição, fazem parte integrante e complementar deste Contrato: PARÁGRAFO QUARTO De acordo com o disposto nos Decretos 1.910, de 21 de maio de 1996 e 2.168, de 28 de fevereiro de 1998, o objeto deste Contrato passou a denominar Estação Aduaneira Interior EADI/São Cristovão, autorizando os citados Decretos a que o prazo inicial de vigência contratual fosse prorrogado por mais cinco anos contados a partir do dia 23 de maio de 1998." Também foram definidos no contrato o pagamento a ser realizado pela empresa permissionária ao FUNDAF. "XXX pagar ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUN DAF, até o décimo dia do mês subseqüente ao da operação: a) seis por cento (6 %) da receita mensal obtida com armazenagem e movimentação de mercadorias na importação ou no trânsito aduaneiro de passagem; b) dois por cento (2 %) da receita mensal obtida com armazenagem e movimentação de mercadorias na exportação, na reexportação, na devolução ou na redestinação, inclusive quando admitidas no regime de Depósito Alfandegado Certificado DAC." Por fim, o contrato confirma que as partes são autônomas sendo de livre vontade a assinatura e aceitação das cláusulas do contrato. "CLAUSULA DÉCIMA QUARTA FORO Para dirimir todas as questões oriundas do presente Contrato, será competente o Juízo Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro. E, para firmeza e como prova de assim haverem, entre si, ajustado e contratado, foi lavrado o presente Contrato, que depois de lido e achado conforme, e assinado, em três vias de igual teor e forma, pelas partes Contratantes e pelas testemunhas abaixo nomeadas, tendo sido arquivado na D1POL da SRRF/ 7° RF, com registro de seu extrato, e dele extraído as cópias necessárias." A seguir são colecionados documentos, incluindo contrato de prorrogação e documentos de avaliação, indicando que os termos constante do contrato de prorrogação de 20/05/1998 foram mantidos com termos idênticos aqueles constates do contrato inicial.(fls. 732 a 752) Fl. 967DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 962 13 Portanto, existe um pacto entre a Administração Pública e a Recorrente, que trata da execução de serviços com a consequente cláusula de remuneração prevendo o recolhimento ao FUNDAF. Os contratos são pactos de vontade realizados pelas partes que fazem lei entre si. No caso da Administração Pública, os contratos possuem a exceção de poderem se realizar dentro da esfera civil, onde os contratos seguem as regras daquele ramo do direito, tais como aluguel de edifícios, etc. Já quando tratam de assuntos essencialmente públicos os contratos realizados entre a administração e terceiros regemse por controles legais diversos daquele previstos na esfera civil. Os chamados contratos administrativos possuem regras próprias e assim são tratados pela doutrina e legislação. Estamos diante de um contrato essencialmente administrativo, pois, tratase da autorização emanada pela Administração Pública para que um terceiro exerça atividade essencialmente pública. Os terminais alfandegados são utilizados para entrepostos no comércio exterior e estão sob administração da Receita Federal. ao conceder a terceiros a administração destes recintos não poderia ser outro o meio que não um contrato administrativo. Os contratos administrativos, por possuirem normas próprias trazem diversas garantias, no intuito de oferecer uma maior segurança ao Estado, que em última análise representa toda a sociedade. Ao serem permitido ao Estado uma certa prevalência sobre o terceiro que com ele faz o contrato, a legislação lhe deu guarida para fazer diversas exigência. No caso em tela, o contrato firmado entre as partes prevê o recolhimento ao FUNDAF, de percentuais aplicados sobre o valor auferido pela empresa com a prestação de serviços de entrepostamento de mercadorias, que conforme dito alhures é uma atividade essencialmente do Poder Público. Assim, ao prever o recolhimento ao Fundo, a Administração Pública, seguiu um norte ao permitir a um terceiro a exploração da atividade de entrepostamento.Buscou pormeio do recolhimento ao Fundo para aparelhar o estado e auxiliar no controle fiscal. Verificase que não existe no contrato de permissão nenhuma vinculação entre o recolhimento ao FUDAF e uma atividade a ser exercida pelo Estado, unicamente o recolhimento ao fundo sem nenhuma contraprestação especifíca do estado. Aqui não estamos falando de uma atividade de policia do estado, que ocorre de forma diversa. Para não sair da área aduaneira, podemos utilizar como exemplo a taxa cobrada para utilização do sistema Siscomex, esta sim, uma taxa ligada a utilização de um serviço público e que obriga a qualquer um, que queira se utilizar do serviço público administrado pela Administração Aduaneira, que para importar qualquer mercadoria, a pagar a taxa para utilização do sistema. Esta sim um pagamento de taxa especifica ligada a uma atividade individual e especifíca. No caso em tela, temos situação diversa, não existe contraprestação do estado ao recolhimento do FUNDAF, que foi determinado por força de um contrato realizado entre as partes. O terceiro que pretendeu obter lucro com a atividade eminentemente estatal, solicitou a Administração Pública a permissão para explorar esta atividade. A Administração Pública entendeu por bem, permitir esta exploração dentro de certas normas e critérios e obrigação de ambas as partes. Dai a existência de um pacto, formalizado por meio de um contrato, entre a Administração Pública e o interessado. Neste pacto foram definidas as obrigações de cada uma das partes e dentre as obrigações que couberam ao terceiro permissionário a obrigação de recolhimento de um percentual sobre a receita auferida com a exploração do entreposto ao FUNDAF. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 O permissionário aceitou as regras exigidas pela Administração Pública para explorar a atividade de entrepostamento e se assim, não fosse a sua vontade, poderia não aceitar o contrato e as regras definidas pela administração e não explorar a permissão concedida pela Receita Federal. A aceitação das regras previstas para a exploração do alfandegamento estão claras no contrato, conforme já exposto, e assumidas pelas partes a sua realização não há que se falar em exigência indevida ou fora de regramento. Do recolhimento ao FUNDAF O Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF foi criado pelo Decretolei nº 1.437, de 17 de dezembro de 1975 com a finalidade de fornecer recursos para financiar o reaparelhamento e reequipamento e encargos inerentes aos trabalhos de fiscalização realizados pela da Receita Federal do Brasil, conforme consta do art. 6º do citado Decreto. "Art 6º Fica instituído, no Ministério da Fazenda, o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reaparelhamento e reequipamento da Secretaria da Receita Federal, a atender aos demais encargos específicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de fiscalização dos tributos federais e, especialmente, a intensificar a repressão às infrações relativas a mercadorias estrangeiras e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante a instituição de sistemas especiais de controle do valor externo de mercadorias e de exames laboratoriais. Parágrafo único. O FUNDAF destinarseá, também, a fornecer recursos para custear: (Incluído pela lei nº 9.532, de 1997) a) o funcionamento dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, inclusive o pagamento de despesas com diárias e passagens referentes aos deslocamentos de Conselheiros e da gratificação de presença de que trata o parágrafo único do art. 1º da Lei nº 5.708, de 4 de outubro de 1971; (Incluída pela lei nº 9.532, de 1997) b) projetos e atividades de interesse ou a cargo da Secretaria da Receita Federal, inclusive quando desenvolvidos por pessoa jurídica de direito público interno, organismo internacional ou administração fiscal estrangeira. (Incluída pela lei nº 9.532, de 1997) Art 7º Os recursos provenientes do fornecimento dos selos de controle, a que se refere o art. 3º, constituirão receita do FUNDAF e à conta deste serão recolhidos ao Banco do Brasil S.A. (Vide Decretolei nº 1.754, de 1981) Art 8º Constituirão, também, recursos do FUNDAF: (Vide Decretolei nº 1.754, de 1981) Fl. 969DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 963 15 I Dotações específicas consignadas na Lei de Orçamento ou em créditos adicionais; lI Transferências de outros fundos; (Revogado pela Lei nº 7.711, de 1988) III Receitas diversas; e III receitas diversas, decorrentes de atividades próprias da Secretaria da Receita Federal; e (Redação dada pela Lei nº 7.711, de 1988) IV Outras receitas que lhe forem atribuídas por Lei. Art 9º O FUNDAF será gerido pela Secretaria da Receita Federal, obedecido o plano de aplicação previamente aprovado pelo Ministro da Fazenda." O argumento apresentado pela Recorrente, que o pagamento seria taxa, em razão de não existir lei que determinasse o recolhimento de valores ao FUNDAF, não pode prosperar, conforme detalhado, o FUNDAF foi criado como um fundo com diversas receitas para financiar as atividades de modernização da Administração Tributária. conforme consta do art. 6º, 7º e 8º do Decretolei nº 1.437/75. As origens das receitas do Fundo não são exaustivas, sendo permitido a Receita Federal criar novas fontes de financiamento e assim foi feito quando da concessão para prestação de serviços no terminal alfandegado. Quanto ao conceito do recolhimento tratarse de taxa, conforme já dito, não pode prosperar. A taxa é vinculada a uma prestação do estado, fato que não existe no presente caso, onde o recolhimento ao FUNDAF não guarda nenhum atividade especifica do estado. Neste caso estamos a falar de preço público, neste caminho a lição esclarecedora de Roque Antonio Carrazza. "Se, no entanto, o Estado pretender remunerarse pelos serviços públicos que presta ou pelos atos de policita que realiza (tudo vai depender de sua decisão política, expressa em lei), deverá obrigatoriamente, fazêlo por meio de taxas (obedecido, pois, o regime jurídico tributário). Nunca por meio de preços públicos (também chamados tarifas ou, simplesmente, preços). Apenas para tangenciarmos o assunto, os preços possuem regime jurídico diverso das taxas, não sendo dado ao legislador transformar estas naqueles, e viceversa. De feito, enquanto os preços (tarifas) são regidos pelo direito privado, as taxas obedecem ao regime jurídico público. Nelas não haja relação contratual, mas relação jurídica de conteúdo manifestamente publicístico. Noutras palavras, o preço deriva de um contrato firmado, num clima de liberdade, pelas partes, com o fito de criarem direitos e Fl. 970DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 16 deveres recíprocos. Sobremais, as cláusulas desta obrigação convencional não podem ser alteradas unilateralmente por qualquer dos contratens, que devem observar, com fidelidade, o que pactuaram. Destarte, as prestações de cada uma das partes equivalemse em encargos e vantagens, sendo umas causa e efeito das outras. É o que ocorre, por exemplo, no contrato de compra e venda, no qual uma parte paga o preço (objeto da prestação) e a outra entrega a coisa. Em suma, o preço, embora elemento essencial da compra e venda (devendo ser na lição precisa de Maria Helena Diniz certo, real, determinado, indicando contraprestação), é fixado pelos contratantes e deflui da própria relação jurídica contratual. Diferentemente ocorre com a taxa, que, nascida da lei, sobre ser compulsória, resulta de uma atuação estatal desenvolvida debaixo de um regime de direito público e relacionada, "direta e imediatamente", ao contribuinte. Sendo tal atividade realizada por imperativo de lei, não pode fazer nascer uma simples preço (uma contraprestação). Sem dúvida, eis aí duas colocações antitéticas, pois, se a atividade vem a lume por determinações legal não se opera em consequência de uma contraprestação."(Carrazza, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 26ª ed. Malheiros. São PauloSP. p. 555 a 556). Esclarecendo, mais ainda, a separação entre taxa e preço público, esclarece o doutrinador, que o preço e contrapartida de uma prestação contratual voluntária enquanto a taxa esta vinculada a uma prestação legal de um serviço público do Estado, que é obrigado a prestalo por força de lei, independentemente da existência de um pagamento para realização do serviço. "Depois, o serviço público é bem indisponível. O Estado não dispõe do serviços público: prestao, nos termos da lei, para atender, conforme determina a Constituição, ao interesse público. É, pois, res extra commercium e, nesta medida, insuscetível de negociação. Claro esta, pois, que não pode ensejar a cobrança de preço, que, além de pressupor igualdade das partes contratantes, exige disponibilidade do objeto do negócio. De fato, o preço é a contrapartida de uma prestação contratual voluntária. Serve, no nosso caso, para remunerar a venda ou a locação de coisas pertencentes ao patrimônio público. Assim, por exemplo, paga um preço quem, voluntariamente adquire do Estado viaturas inservíveis, postas em licitação. Ou quem loca um imóvel público. Em ambos os casos, facilmente percebemos a possibilidade de livre negociação. Ora, o serviço público não comporta nenhum tipo de negociação, quer da parte do Estado (que é obrigado a prestálo nos termos da lei), quer do contribuinte (que, para a ele ter acesso, deve curvarse às exigências legais pertinentes). Aliás, como já enfatizamos, o fator desencadeante do serviço público não é o pagamento que a pessoa por ele alcançada faz ao Estado, mas exclusivamente a lei, que determina sua prestação. Com ou sem pagamento de taxa, o Estado não pode eximirse de, em cumprimento à lei, Fl. 971DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 964 17 prestálo. Logo, claro está que não pode ser preço, mas só taxa, a quantia por meio da qual o Poder Público se remunera por prestar, para uma pessoa, um serviço público." ."(Carrazza, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 26ª ed. Malheiros. São PauloSP. p. 557). Assim, fica claramente delineado que a taxa esta vinculada a uma prestação de serviço público pelo Estado. Os valores recebidos pelo Estado, que constam em contratos celebrados entre a Administração Pública e particulares, com livre atuação de vontade do particular não configura taxa. Assim somente podemos falar nestes casos em preço público, o particular esta remunerando o Estado para utilização de um bem do Estado. No caso em tela, não estamos falando em um bem físico, mas a prestação de serviços de movimentação e armazenagem, com a possibilidade de aferição de lucro por parte daquele que passa a prestar o serviço. A administração "locou" um bem, que é o serviço de movimentação e armazenagem de carga, permitindo ao locador (permissionário) usufruir dele para auferir vantagens financeiras. Em não existindo a vontade do particular em prestar este serviço, não existe norma legal que o obrigue a contratar com a Administração, sendo assim, não se pode falar aqui em taxa. Ademais, para que existisse a configuração da exigência de taxa, conforme faz crer a Recorrente é preciso analisar a exigência de recolhimento para o FUNDAF, dentro das premissas legais necessárias para a configuração da taxa. Neste caminho a lição do Professor Paulo de Barros Carvalho. "Taxas são tributos que se caracterizam por apresentarem, na hipótese da norma, a descrição de um fato revelador de uma atividade estatal, direta e especificadamente dirigida ao contribuinte. Nisso diferem dos impostos, e a análise de suas bases de cálculo deverá exibir, forçosamente, a medida da intensidade da participação do Estado. Acaso o legislador mencione a existência de taxa, mas eleja base de cálculo mensuradora de fato estranho a qualquer atividade do Poder Público, então a espécie tributária será outra, naturalmente um imposto."(Carvalho, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário. 19ª ed. rev. São Paulo. Saraiva. 2007. p. 38 a 39) No caso em tela, os recolhimentos para o FUNDAF são calculados com base no faturamento da Recorrente, não existindo individualização ou quiçá mensuração do serviço porventura prestado pela Receita Federal à Recorrente. Assim falta uma característica essencial para configurar o recolhimento ao FUNDAF como uma taxa. Portanto, não prospera a pretensão da Recorrente de classificar como taxa o recolhimento para o FUNDAF, que é obrigação contratual prevista em contrato firmado entre a Recorrente e a Receita Federal, sendo os recolhimentos ali previstos, obrigação contratual. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 18 Da ausência de contrato para o período de 19/02/1976 a 19/05/1998. Quanto ao argumento que não existiria um contrato de prestação de serviços entre a Recorrente e a União, também aqui não pode prosperar as pretensões do Recurso, pois, o art. 42 da Lei 8.987/95, prevendo a situação em que a permissão ou cessão já acontecia reafirmou a validade destas permissões, considerando os prazos previstos no contrato ou no ato de outorga. "Art. 42. As concessões de serviço público outorgadas anteriormente à entrada em vigor desta Lei consideramse válidas pelo prazo fixado no contrato ou no ato de outorga, observado o disposto no art. 43 desta Lei. § 1o Vencido o prazo mencionado no contrato ou ato de outorga, o serviço poderá ser prestado por órgão ou entidade do poder concedente, ou delegado a terceiros, mediante novo contrato. § 2o As concessões em caráter precário, as que estiverem com prazo vencido e as que estiverem em vigor por prazo indeterminado, inclusive por força de legislação anterior, permanecerão válidas pelo prazo necessário à realização dos levantamentos e avaliações indispensáveis à organização das licitações que precederão a outorga das concessões que as substituirão, prazo esse que não será inferior a 24 (vinte e quatro) meses. § 3º As concessões a que se refere o § 2o deste artigo, inclusive as que não possuam instrumento que as formalize ou que possuam cláusula que preveja prorrogação, terão validade máxima até o dia 31 de dezembro de 2010, desde que, até o dia 30 de junho de 2009, tenham sido cumpridas, cumulativamente, as seguintes condições: I levantamento mais amplo e retroativo possível dos elementos físicos constituintes da infraestrutura de bens reversíveis e dos dados financeiros, contábeis e comerciais relativos à prestação dos serviços, em dimensão necessária e suficiente para a realização do cálculo de eventual indenização relativa aos investimentos ainda não amortizados pelas receitas emergentes da concessão, observadas as disposições legais e contratuais que regulavam a prestação do serviço ou a ela aplicáveis nos 20 (vinte) anos anteriores ao da publicação desta Lei; II celebração de acordo entre o poder concedente e o concessionário sobre os critérios e a forma de indenização de eventuais créditos remanescentes de investimentos ainda não amortizados ou depreciados, apurados a partir dos levantamentos referidos no inciso I deste parágrafo e auditados por instituição especializada escolhida de comum acordo pelas partes; e III publicação na imprensa oficial de ato formal de autoridade do poder concedente, autorizando a prestação precária dos serviços por prazo de até 6 (seis) meses, renovável até 31 de Fl. 973DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 965 19 dezembro de 2008, mediante comprovação do cumprimento do disposto nos incisos I e II deste parágrafo. § 4o Não ocorrendo o acordo previsto no inciso II do § 3o deste artigo, o cálculo da indenização de investimentos será feito com base nos critérios previstos no instrumento de concessão antes celebrado ou, na omissão deste, por avaliação de seu valor econômico ou reavaliação patrimonial, depreciação e amortização de ativos imobilizados definidos pelas legislações fiscal e das sociedades por ações, efetuada por empresa de auditoria independente escolhida de comum acordo pelas partes. § 5o No caso do § 4o deste artigo, o pagamento de eventual indenização será realizado, mediante garantia real, por meio de 4 (quatro) parcelas anuais, iguais e sucessivas, da parte ainda não amortizada de investimentos e de outras indenizações relacionadas à prestação dos serviços, realizados com capital próprio do concessionário ou de seu controlador, ou originários de operações de financiamento, ou obtidos mediante emissão de ações, debêntures e outros títulos mobiliários, com a primeira parcela paga até o último dia útil do exercício financeiro em que ocorrer a reversão. § 6o Ocorrendo acordo, poderá a indenização de que trata o § 5o deste artigo ser paga mediante receitas de novo contrato que venha a disciplinar a prestação do serviço. " Ademais, se considerado o tempo da primeira concessão existia um contrato de adesão, pois o ato de outorga da permissão foi publicado no diário oficial. Considerando a lição de Silvio Rodrigues, que ao conceituar o contrato, deixa evidente que a forma não é o pressuposto principal, mas sim a vontade das partes. "Dentro da teoria dos negócios jurídicos, é tradicional a distinção entre os atos unilaterais e os bilaterais. Aqueles se aperfeiçoam pela manifestação da vontade de uma das partes, enquanto estes dependem da coincidência de dois ou mais consentimentos. Os negócios bilaterais, isto é, os que decorrem de acordo de mais de uma vontade, são os contratos. Portanto, o contrato representa uma espécie do gênero negócio jurídico. E a diferença específica entre ambos consiste na circunstância de o aperfeiçoamento do contrato depender da conjunção da vontade de duas ou mais partes."(Rodrigues, Silvio. Direito Civil, vol. III. 29ª ed. atualizada. São Paulo. Saraiva. 2003. p. 9) Assim, o ato de outorga publicado no diário oficial configura um contrato e nele já constava o compromisso assumido pela Recorrente em aceitar as regras impostas pela administração Pública, neste caminho a lição de Celso Bandeira de Mello. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 20 "Tradicionalmente entendese por contrato a relação jurídica formada por um acordo de vontades, em que as partes obrigam se reciprocamente a prestações concebidas como contrapostas e de tal sorte que nenhum dos contratantes pode unilateralmente alterar ou extinguir o que resulta da avença. Daí o dizerse que o contrato é uma forma de composição pacífica de interesses e que faz lei entre as partes." ."(Bandeira de Melo, Celso Antônio, Curso de Direito Administrativo, 28ª ed., Malheiros, São Paulo, p. 620) Conforme a lição do nobre doutrinador, o contrato busca a satisfação das partes por meio de acordo consensual. A publicação do ato de permissão para o funcionamento do terminal alfandegado publicado no diário oficial, confirma a vontade das partes e as suas obrigações em relação ao objeto, que no caso em tela, seria a prestação de serviços de movimentação e armazenagem de cargas. Assim, para o período de 19/02/1976 a 19/05/1998 fica comprovado a existência de um contrato entre as partes, consubstanciado em ato publicado no Diário Oficial da União. Corroborando a existência deste pacto, nos contratos seguintes é sempre confirmado a existência de um contrato anterior e que este novo instrumento nada mais é, do que uma prorrogação deste antecedente. Todos estes contratos foram aceitos pela Recorrente, dentro dos termos ali lavrados e conhecidos e de forma pacífica, não existindo em nenhum destes momentos, desde a outorga inicial e as prorrogações posteriores, questões quanto as clausulas ali apresentadas. Não podendo agora, depois de tantas prorrogações, vir a Recorrente aos autos e alegar que não existe um contrato anterior. Mesmo que fosse aceito o argumento, que entre 19/02/1976 a 19/05/1998 não existiria um contrato, mesmo assim, tal fato não poderia socorrer a Recorrente. O fato de não existir contrato se tivesse alguma implicação seria do ponto de vista administrativo. Tal fato não teria o condão de tratar de forma diferente a relação entre a Recorrente e a União no que concerne a prestação de serviços de terminais alfandegados, o que restou comprovado por meio dos contratos públicos celebrados a partir de 20/05/1998. Quanto a exigência do recolhimento para o FUNDAF para este período, que alega a Recorrente por legislação infralegal. Aqui não vejo ilegalidade, pois o inciso III, do art. 8º do DecretoLei 1.433/75 que criou o FUNDAF, incluiu dentre as contribuições para este fundo, “receitas diversas, decorrente de atividades próprias da Secretaria da Receita Federal”. Assim, a formalização da exigência do FUNDAF, por Decretos teve como fulcro legal as definições do DecretoLei nº 1.437/75. Aclarando a legalidade da exigência, basta a leitura do DecretoLei nº 1.455/76, que no seu art. 22 inclui a determinação que o recolhimento ao FUNDAF pelos permissionários de recintos alfandegados seria disciplinado em Regulamento. “Art 22. O regulamento fixará a forma de ressarcimento pelos permissionários beneficiários, concessionários ou usuários, das despesas administrativas decorrentes de atividades extraordinárias de fiscalização, nos casos de que tratam os artigos 9º a 21 deste Decretolei, que constituirá receita do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Fl. 975DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 966 21 Atividades de Fiscalização FUNDAF, criado pelo Decretolei número 1.437, de 17 de dezembro de 1975.” Posteriormente, foi editado o Decreto nº 78.450/1976, que no seu art. 29, disciplina o recolhimento para o FUNDAF. “Art. 29. O permissionário do regime de entreposto aduaneiro na importação, de uso público, deverá recolher contribuição mensal para o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, criado pelo Decretolei nº 1.437, de 17 de dezembro de 1975, calculada mediante a aplicação de percentual mínimo, fixado pela Secretaria da Receita Federal, sobre a receita bruta operacional do entreposto aduaneiro, como forma de ressarcimento das despesas administrativas decorrentes de atividade extraordinárias de fiscalização. § 1º O percentual oferecido para cálculo da contribuição mensal devida ao FUNDAF constituirá um dos critérios a ser levado em conta no julgamento das propostas apresentadas na concorrência pública a que se refere o artigo 4º deste Decreto. § 2º No caso dos regimes de entreposto aduaneiro na importação, de uso público, concedidos anteriormente a vigência deste Decreto, caberá à Secretaria da Receita Federal estabelecer o percentual para efeito do cálculo da contribuição mensal destinada ao FUNDAF, bem como determinar a data de início do respectivo recolhimento. § 3º O beneficiário do regime de entreposto aduaneiro na importação, concedido na forma do artigo 11 do presente Decreto, não estará sujeito ao disposto neste artigo. § 4º A Secretaria da Receita Federal fixará o montante da contribuição mensal, devida pelos beneficiários de locais alfandegados de que trata o artigo 26 deste Decreto e pelos concessionários das lojas francas a que se refere o artigo 15 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, que constituirá receita do FUNDAF.” Decreto que foi posteriormente revogado pelo Decreto nº 91.030/1985, que aprovou o Regulamento Aduaneiro, mas que manteve a contribuição para o FUNDAF, desta feita, no art. 566, deste Decreto. “Art. 566. O Secretário da Receita Federal estabelecerá a contribuição que será devida ao Fundo de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (FUNDAF), criado pelo DecretoLei nº 1.437, de 17 de dezembro de 1975 , pelos permissionários de entreposto aduaneiro de uso público, Fl. 976DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 22 de lojas francas e de outros locais alfandegados, e pelos beneficiários do regime de trânsito aduaneiro ou de outros regimes aduaneiros especiais ou atípicos, se for o caso. § 1º. O Secretário da Receita Federal poderá dispensar da contribuição de que trata este artigo os permissionários do regime de entreposto aduaneiro na exportação. § 2º. A contribuição destinase ao ressarcimento das despesas administrativas com os serviços de fiscalização decorrentes das permissões, concessões e benefícios autorizados.” Assim, fica cristalino que o recolhimento ao FUNDAF era matéria prevista em Decretos emitidos pelo Poder Executivo. Afastar a exigência do recolhimento, por ilegalidade nos decreto é discussão que não pode acontecer neste colegiado, em obediência ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que não permite aos membros das turmas de julgamento deste Conselho, afastar a aplicação de tratado, Leis ou Decretos. “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” Assim, por mais, que possam ser relevantes e importantes os argumentos constantes do recurso. Este colegiado é compelido a seguir nos seus julgados, as determinações legais e conforme descrito alhures, a exigência da contribuição para o FUNDAF, foi baseado em atos normativos e nos contratos de permissão e outorga celebrados entre a Recorrente e Administração Pública. Quanto ao pedido de correção do indébito, deixo de apreciar a matéria, por estar prejudicada, em razão do indeferimento total do pedido. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10074.001349/200491 Acórdão n.º 3102001.621 S3C1T2 Fl. 967 23 Winderley Morais Pereira Fl. 978DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15586.001866/2010-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator. A multa deve ser aquela prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela MP nº. 449/08, convertida na Lei nº. 11.941/09, por se tratar de situação mais benéfica para o contribuinte, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima, quanto à comparação da multa que entende ser pelo art. 35-A da Lei 8.212/91.
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator. A multa deve ser aquela prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela MP nº. 449/08, convertida na Lei nº. 11.941/09, por se tratar de situação mais benéfica para o contribuinte, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima, quanto à comparação da multa que entende ser pelo art. 35-A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator. A multa deve ser aquela prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela MP nº. 449/08, convertida na Lei nº. 11.941/09, por se tratar de situação mais benéfica para o contribuinte, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima, quanto à comparação da multa que entende ser pelo art. 35A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 66 /2 01 0- 51 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 186 2 (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 187 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CAFÉ MERIDIANO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela autuada e manteve o lançamento de débito referente ao Auto de Infração (AIDEBCAD: 37.316.5820, CFL 30) por descumprimento a legislação previdenciária. 2. Consta no relatório fiscal da infração (ff. 11/12) que o crédito tributário referese à multa imposta à contribuinte em razão de descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista que a fiscalização identificou que a empresa deixou de preparar folhas de pagamento contendo a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados a seu serviço, no período de 01/2006 a 12/2006. Do relatório fiscal constam: “RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: A empresa deixou de lançar nas folhas de pagamento durante o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2006 as remunerações pagas, a titulo de alimentação aos segurados empregados a seu serviço. As remunerações pagas aos segurados empregados enquadradas no conceito de saláriodecontribuição, contido no Art. 28, incisos I, da Lei n° 8.212/91 e no art. 214, inciso I, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99; Ocorrência do fato gerador: De acordo com o § 9º, letra "c" do no Art. 28, da Lei n° 8.212/91, somente não integra o saláriode contribuição, a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no caso, o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. A empresa não se encontrava inscrita no PAT no período do presente lançamento. BASES DE CÁLCULO CARACTERIZADAS COMO SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO: Foram utilizados como base de cálculo das contribuições lançadas, os valores da despesa com ALIMENTAÇÃO, tendo em vista que o contribuinte informou em 29.11.2010, o seguinte: " A relação mensal por empregado dos valores de Auxilio Alimentação, deixa de ser apresentada, pois não temos o registro individual do fornecimento deste beneficio". (...). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 188 4 Conforme verificado através das Folhas de Pagamento os empregados não participam do custo do auxílio alimentação, conforme cópias anexas por amostragem. Assim, a empresa infringiu a Lei 8.212, de 24.07.1991, art. 32, inciso I, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo nono, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06.05.1999.” (ff. 11/12). 3. A empresa foi cientificada do Auto de Infração em 14/12/2010 (f. 2), e, em seguida apresentou impugnação tempestiva às fls. 17/57. No entanto, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação da empresa, mantendo o lançamento tributário, por considerar que a autuada não provou ter incluído em folhas de pagamento os valores pagos aos empregados a título de fornecimento de alimentação e cupons/alimentação, sem adesão ao PAT, no período correspondente aos fatos geradores. 4. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração deixar a empresa de informar em folha de pagamento a totalidade dos valores pagos aos segurados empregados a seu serviço. (...). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (f. 146). 5. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 155/183), no qual aduz em síntese: a) que os pagamentos efetuados pela recorrente a título de alimentação aos seus empregados, não devem ser considerados na base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelas empresas, uma vez que não se tratam de verbas remuneratórias, mas sim de verba de natureza indenizatória; b) sustenta que as parcelas de vale alimentação ou demais despesas com alimentação, para o caso de ser fornecido pela empresa não tem contraprestação de serviço e por isso mesmo não podem sofrer a incidência do INSS. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 189 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA REGULARIDADE DA INSCRIÇÃO NO PAT 2. A decisão recorrida convalidou o lançamento fiscal referente à multa, por ter deixado a empresa de lançar em folhas de pagamento os valores pagos aos empregados a título de fornecimento de alimentação e cupons/alimentação, no período de 01/2006 a 12/2006, configurando infração ao art. 30, I, da Lei nº. 8.212/1991, combinado com o art. 225, I, parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS (Dec. 3.048/1999). 3. Não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco o débito não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria é firme o entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação “in natura” ou fornecido por meio de valerefeição não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 4. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não se revestir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 5. A seguir trago a colação recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 190 6 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...). 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.). 6. É oportuno fazer referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 191 7 da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso]. 7. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 8. E recentemente, reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/n.º 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001866/201051 Acórdão n.º 2803001.912 S2TE03 Fl. 192 8 9. No mesmo sentido, cito o Ato declaratório n.º 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. 10. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº. 8.212/91 que determina a não integração do salário de contribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, § 9º, letra “e”, número 7). 11. É oportuno salientar que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. Ressaltase que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 12. É o caso, portanto, de dar provimento ao recurso, tendo em vista que o lançamento não pode se fundamentar em rubricas – Despesas com alimentação que não detenham caráter salarial, não sujeitas, portanto, à incidência de contribuições sociais previdenciárias.. CONCLUSÃO 13. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, devendo a multa ser a prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela MP nº. 449/08, convertida na Lei nº. 11.941/09, por se tratar de situação mais benéfica para o contribuinte, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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