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Numero do processo: 10980.725586/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO.. FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO. INEXISTÊNCIA.
O artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99 autoriza ao julgador na motivação, que deve ser explícita, clara e congruente, a fazer declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada contradição ou omissão do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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(atual HSBC SEGUROS (BRASIL) S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO.. FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO. INEXISTÊNCIA. O artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99 autoriza ao julgador na motivação, que deve ser explícita, clara e congruente, a fazer declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada contradição ou omissão do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 55 86 /2 01 0- 66 Fl. 1531DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Contribuinte, sob os pressupostos de omissão e contradição. O processo administrativo em questão tem por objeto a cobrança da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a falta de recolhimento das Contribuições uma vez que, embora possuísse provimento judicial em seu favor (para afastar a aplicabilidade da Lei n. 9.718/98 no que inconstitucionalmente alargou a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS), a Contribuinte não teria oferecido à tributação receitas decorrente de prestação de serviço relacionado à sua atividadefim (securitização). Foi esse o entendimento da Fiscalização. No julgamento do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, mediante o Acórdão nº 3101001.768, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção manteve o auto de infração por entender, segundo a ementa do julgado, que "pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições." A decisão foi objeto de embargos de declaração por parte da Contribuinte, cujo conteúdo afirma que existe: i) contradição, uma vez que, diferentemente do que restou consignado na ementa, a decisão judicial transitada em julgado em favor da Embargante não se manifestou acerca da incidência sobre receitas decorrentes da atividade principal da empresa ou não; ii) omissão referente à impossibilidade da classificação de receitas securitárias como se prestação de serviços fossem; iii) omissão referente à inaplicabilidade do GATs para a caracterização de serviços; iv) omissão referente ao perfil constitucional da COFINS e da Contribuição ao PIS segundo o entendimento jurisprudencial, v) omissão referente à nova redação estipulada pela Medida Provisória n. 627/13. Tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015), propus a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifeste acerca da novel questão da decadência apresentada pela Recorrente, por despacho de fls. 1207. A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) apresentou sua manifestação em fls 1521 a 1528. Alega que os embargos de declaração endereçados pelo contribuinte interessado nada trazem de novo ao feito. Na realidade, todos os fundamentos perfilhados nos embargos de declaração teriam sido trazidos aos autos desde a impugnação e já teriam sido Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10980.725586/201066 Acórdão n.º 3402004.148 S3C4T2 Fl. 334 3 rejeitados pela DRJ de origem e pela Primeira Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. Outrossim, coloca que a jurisprudência já é se consolidado no sentido de que o julgador não precisa fundamentar de modo exauriente sua decisão rebatendo todos os pontos aduzidos pelas partes. Basta trazer aqueles fundamentos suficientes para tornar sem razão as teses contrárias . Já com relação às supostas consequências que a MP n. 627/2013 poderia produzir no caso, afirma que a matéria não foi prequestionada. Não tendo a Embargante apresentado petição nos autos antes da prolação do acórdão, a questão estaria sendo trazida de modo inaugural nos embargos de declaração. Ademais, destaca de que o presente feito trata do período de apuração de 2008 a 2010 e que a MP mencionada é de 2013. Logo, a princípio, a referida Medida Provisória não poderia apresentar repercussões sobre o caso em comento. Nesse ponto, destaca que a Embargante limitase a argumentar que a questão deve ser conhecida de ofício, sem atentar para o fato que o recurso cabível seria o especial. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os Embargos já tiverem suas condições de admissibilidade anteriormente avaliadas e acolhidas, de modo que passo à análise dos argumentos apresentados pela Embargante, na mesma ordem em que elencados em sua peça dirigida ao CARF. i) contradição, uma vez que, diferentemente do que restou consignado na ementa, a decisão judicial transitada em julgado em favor da Embargante não se manifestou acerca da incidência sobre receitas decorrentes da atividade principal da empresa ou não Para a análise desta inicial alegação da Recorrente, destaco abaixo trecho da ementa do Acórdão embargado: " BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE PRÊMIOS RECEBIDOS AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. Nas palavras de Candido Rangel Dinamarco, “contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p. ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de Fl. 1533DF CARF MF 4 indenização etc)”.1 Trazendo o instituto para o âmbito do processo administrativo fiscal federal, o artigo 65 do Regimento interno do CARF dispõe que "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." Disto já se constata que inexiste in casu a contradição alegada pela Embargante, quando alega que há incoerência entre a passagem acima sublinhada com o que fora decidido no Mandado de Segurança 2006.70.00.0040312. Tratase, isto sim, de tentativa de rediscutir o mérito do julgamento anterior, que, analisando a referida ação judicial, entendeu que ela não teria o condão de cancelar a presente autuação fical. Afinal, no contexto do presente caso, pelo que foi decidido no acórdão embargado, dizer que "ficam afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa" (como consta da ementa do Acórdão embargado) significa exatamente a mesma coisa que dizer "não sejam cobradas as Contribuições ao PIS e a COFINS nos moldes do inconstitucional §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, mas tão somente sobre receita decorrente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambas", sendo que este último é o conteúdo das decisões proferidas em sede de julgamento liminar, sentença e apelação na referida ação mandamental, exatamente nos moldes do pedido formulado pela então Impetrante (fls1199 a 1258). Com efeito, a equivalência entre as duas sentenças destacadas é justamente o conteúdo da decisão do Acórdão embargado, o qual, fazendo uso da integralidade do Parecer PGFN/CAT n. 2771/2007 como razões de decidir, julgou que as receitas auferidas pelas seguradoras (receita de prêmio de seguro) enquadramse como receitas decorrentes de serviço relacionado à contratação de seguros, sendo que este último constitui sua atividade social típica. Por esta razão, tais receitas decorrentes das atividades securitárias estão sujeitas à incidência das contribuições sociais, na forma dos artigos 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo da Lei nº 9.718, de 1998. Em outros termos, segundo a anterior decisão do CARF, a inconstitucionalidade incidentalmente declarada no bojo do Mandado de Segurança 2006.70.00.0040312 não garante o direito da Embargante nesse processo administrativo, haja vista que a autuação fiscal versa sobre receitas decorrente de "serviços" prestados pela seguradora, que são sua atividade principal, e o julgamento do mandamus afirma que as receitas decorrentes da prestação de serviços são valores que ensejam a tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Colaciono a seguir os trechos do citado Parecer PGFN/CAT n. 2771/2007 que demonstram tal alinhamento de ideias: Parte do parecer que desmente a aludida contradição 60. O direito tributário obedece ao primado da oneração da capacidade contributiva. A superada noção de mercadoria e serviço para o direito comercial e bancário não pode servir de fundamento para a desoneração tributária de um segmento empresarial que exerce o comércio e desfruta de absoluta capacidade econômica e financeira para suportar o encargo. O faturamento, sob a perspectiva tributária, e desde a Lei Complementar nº 70, de 1991, apesar da declaração de inconstitucionalidade da base ampliada, corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de 1 Instituições do Direito Processual Civil, Malheiros Editores, 2005, vol. III, páginas 687688. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10980.725586/201066 Acórdão n.º 3402004.148 S3C4T2 Fl. 335 5 serviço de qualquer natureza. Nesse sentido, compreende a totalidade das receitas advindas com as atividades principais ou acessórias que compõem a receita operacional da pessoa jurídica. O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. (...) 62. O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (destacamos) (...) 64. Especificamente com relação às seguradoras, ainda temos o § 2º do art. 3º do CDC que explicita, entre os “serviços” que a este título caracteriza, a atividade remunerada de natureza securitária. (grifei) Dessarte, não é possível o acolhimento da alegação de contradição aventada pela Embargante. Na realidade, à Embargante resta ou a interposição de recurso especial demonstrando a sua insurgência, ou fazer uso da via judicial, principalmente se entende há descumprimento de decisão judicial obtida em mandado de segurança. Contudo, por meio dos presente Embargos Declaratórios não é possível alterar o posicionamento anteriormente adotado pelo CARF. Saliento ainda que nem mesmo uma adequação do julgamento proferido no Acórdão 3101001.768 à jurisprudência dos Tribunais Superiores poderia ocorrer no presente caso, conferindo efeitos infringentes ao julgamento. Isto porque em 20/10/2016, o Plenário do Supremo Tribunal Federal deu continuidade ao julgamento do RE 400.479, contudo, sem finalizar a apreciação do caso, o qual versa justamente sobre a possibilidade de a Contribuição ao PIS e da COFINS incidirem sobre o valor recebido pelas seguradoras à título de prêmios pelos seguros que negociam. Ou seja, a questão ainda não foi pacificada pelo Poder Judiciário. ii) omissão referente à impossibilidade da classificação de receitas securitárias como se prestação de serviços fossem; omissão referente à inaplicabilidade do GATs para a Fl. 1535DF CARF MF 6 caracterização de serviços; e omissão referente ao perfil constitucional da COFINS e da Contribuição ao PIS segundo o entendimento jurisprudencial A Recorrente rememora seus argumentos a respeito de o recebimento do prêmio não caracterizar uma prestação de serviço e da inaplicabilidade do GATs para tal definição, alegando que o acórdão que julgou seu recurso voluntário não atentou devidamente sobre tal fato, uma vez que simplesmente se utilizou dos dizeres do Parecer PGFN/CAT n. 2771/2007 como fundamentação do julgamento. O mesmo diz com relação ao contexto jurisprudencial no qual está inserido o presente caso (julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 e 585.235), que teria sido desconsiderado na decisão guerreada. Contudo, devemos lembrar que o artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99 autoriza ao julgador na motivação, que deve ser explícita, clara e congruente, a fazer declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Assim é que, muito embora as palavras da Relatora do Acórdão embargado tenham sido breves, o conteúdo do Parecer PGFN/CAT n. 2771/2007, adotado expressamente como razões de decidir, abarca com profundidade todas as causas de pedir trazidas pela Contribuinte no presente processo, inclusive e principalmente sobre a classificação das receitas securitárias como prestação de serviços, seu tratamento pelo GATs e sua contextualização na jurisprudência do STF sobre o tema. Transcrevo a seguir os mais importantes trechos do Parecer PGFN/CAT n. 2771/2007 e, consequentemente, do voto condutor do Acórdão embargado, sobre tais pontos: 43. Assim, para que os arts. 119 e 120 do Código Comercial, bem como o caput do art.17 da Lei nº 4.595, de 1964, sobrevivam produzindo efeitos válidos no mundo jurídico, devem passar a ser comparados com as disposições do item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS. 44. Para conceitos definidos em leis tributárias, existe disciplina específica no que se refere ao relacionamento com os tratados internacionais. O art. 98 do CTN é compatível com o entendimento do STF de equivalência das normas quando diz que “os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna”. Assim, qualquer conceito de serviço financeiro estabelecido em leis tributárias anteriores ao GATS está com sua eficácia prejudicada. 45. Especificamente sobre as seguradoras a fundamentação é a mesma, elas foram incluídas como “serviços de seguro” na alínea “a” do item 5 do anexo do GATS, que ao contemplar as definições adotadas naquele Tratado, afirma que “os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros”, passando nos subseqüentes subitens “i” a “iv” a discriminálos. 46. Ademais, há que se considerar que a Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, que dispõe sobre o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, no seu art. 2º, III, tipifica a não incidência do referido imposto sobre o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras, ou seja, a contrario sensu é reconhecida Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10980.725586/201066 Acórdão n.º 3402004.148 S3C4T2 Fl. 336 7 a incidência sobre os mencionados serviços, em decorrência da exclusão legal. Cabe ressaltar que mencionados serviços estavam antes previstos nos itens 43 a 48 da Lista de Serviços aprovadas pela Lei Complementar nº 56, de 15 de dezembro de 1987. Somente se excepciona o que compõe a regra geral. Se intermediação financeira é exceção a tributação do ISSQN, inevitavelmente contém todos os elementos para se encaixar na regra geral, qual seja: ser serviço. (...) 50. Nesse passo, temos que a natureza jurídica dos serviços de intermediação financeira não é diferente da natureza jurídica de quaisquer outros serviços colocados, pelas instituições financeiras, à disposição de seus clientes. Ontologicamente a única diferença é a forma como se aufere a receita proveniente de tais serviços. (...) 52. Relativamente às seguradoras, o item 10.01 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 1993, como antes já constava no item 45 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 56, de 1987, contempla como tal o “agenciamento, corretagem ou intermediação de ... seguros”, não vigorante, para este tema sequer a não incidência ex lege dos serviços financeiros, como ocorre com relação às instituições financeiras. (...) d) o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840; e) a declaração de inconstitucionalidade citada na letra “d” não tem o condão de modificar a realidade de que para as instituições financeiras e as seguradoras a base de cálculo da COFINS e do PIS continua sendo a receita bruta da pessoa jurídica, com as exclusões contidas nos §§ 5º e 6º do mesmo art. 3º, sem abarcar, todavia, as receitas não operacionais, eis que o art. 2º e o caput do art. 3º não foram declarados inconstitucionais; f) no caso da COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços; g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998; h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); Fl. 1537DF CARF MF 8 i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; j) as afirmações contidas nas letras “h” e “i” decorrem: do princípio da universalidade na manutenção da seguridade social (caput do art. 195 da CR/88), do princípio da capacidade contributiva (§ 1º do art. 145 da CR/88), do item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30.12.94 (art. 98 do CTN), do inc. III do art. 2º da LC nº 116, de 2003 e dos arts. 3º, § 2º e 52 do CDC. Mais uma vez lembro as palavras de Candido Rangel Dinamarco: “omissão é a falta de exame de algum fundamento da demanda ou da defesa, ou de alguma prova, ou de algum pedido etc”. 2 Assim, pelas razões supra expostas, entendo que os três pontos levantados pela Embargante foram devidamente tratados no Acórdão 3101001.768, de modo que não há se falar em quaisquer omissões a serem sanada pelas presentes embargos de declaração. iii) omissão referente à nova redação estipulada pela Medida Provisória n. 627/13. A Embargante afirma existe omissão do Colegiado, por não ter apreciado a repercussão que a alteração legislativa, trazida pela Medida Provisória n. 627/2013 (convertida na Lei n. 12.973/2014), representou ao caso concreto. Isto porque tal diploma normativo teria, inauguralmente, abrangido as receitas da "atividade ou objeto principal da pessoa jurídica" como hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, situação esta que deveria ser analisada de ofício pelo CARF. Já se constata que inexiste in casu a omissão alegada pela Embargante, simplesmente porque tal ponto não foi trazido de forma específica em sede de recurso voluntário, razão pela qual não poderia ter sido tratado no Acórdão embargado. Porém, ainda que tivesse sido tal ponto levantado em sede recursal, com a devida vênia, equivocase a Embargante sobre a necessidade de conhecimento de ofício da matéria, uma vez que o presente feito trata do período de apuração de 2008 a 2010 e a mencionada MP foi positivada no ano de 2013. Dessarte, a referida Medida Provisória não poderia apresentar repercussões sobre o caso sub judice, especialmente tendo em vista o entendimento que foi sufragado pelo Colegiado quando do julgamento do recurso voluntário, por meio do Acórdão 3101001.768, delineado nos tópicos acima. DISPOSITIVO Por tudo quanto exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 2 Instituições do Direito Processual Civil, Malheiros Editores, 2005, vol. III, página 688. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10980.725586/201066 Acórdão n.º 3402004.148 S3C4T2 Fl. 337 9 Fl. 1539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724211/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2401-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ISENÇÃO. Recorrente LUIZA HELENA FREIRE DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 42 11 /2 01 4- 49 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 12.785,38, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 41/44), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 59.037,12, recebidos pelo titular, indevidamente declarados como isentos e/ou não tributáveis, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia grave ou da condição de aposentado. Consta da descrição dos fatos que a contribuinte pleiteia isenção dos proventos de pensão recebidos do comando da aeronáutica, mas para comprovação da moléstia grave apresentou cópia de um Laudo sem o número de matrícula do profissional emitente no órgão responsável pela emissão, não havendo como atestar que o referido Laudo tenha sido emitido por médico do Serviço Médico Oficial. Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte alega, em síntese: · Que além do Laudo Médico apresentado, foram juntados relatório elaborado por neurologista que exerce funções na Secretaria de Saúde, receituário médico emitido pela mesma neurologista, relatório elaborado por psiquiatra que também fez o diagnóstico, resultado da perícia médica do Estado (de Sergipe). · Que no modelo de Laudo Pericial constante no sítio da Receita Federal não consta em nenhum local a informação de que deve ser registrada a matrícula do médico. Somente a Instrução Normativa 1.500, publicada em 30/10/2014, após a data da entrada do pedido de isenção – 16/06/2014 – é que foi incluída tal exigência. · Que anexou Laudo Pericial com a inclusão da nova informação prestada pela médica de que sua matrícula é 484.552.96968 e que possui vínculo com a Secretaria de Estado da Saúde, exercendo suas funções na Rede Ambulatória Especializada CEMAR no Siqueira Campos. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1054.835 de fls. 50/53, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. O Laudo pericial deve conter as informações relativas ao órgão emissor; a qualificação do portador da moléstia; o diagnóstico da moléstia com a descrição do código contido na Classificação Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10510.724211/201449 Acórdão n.º 2401004.829 S2C4T1 Fl. 111 3 Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados a Saúde CID10; elementos que o fundamentaram, a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo; o prazo de validade do pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático, nos casos em que a moléstia seja passível de controle; o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial. Consta do voto do acórdão de impugnação: Com efeito, de acordo com a Solução de Consulta Interna nº 11/COSIT de 28/06/2012, publicada no sítio da Receita Federal do BrasilRFB em 03/07/2012, o laudo pericial deve conter as informações relativas ao órgão emissor; a qualificação do portador da moléstia; o diagnóstico da moléstia com a descrição do código contido na Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados a Saúde CID10; elementos que o fundamentaram, a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo; o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático, nos casos em que a moléstia seja passível de controle; o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial. No mesmo sentido, tais requisitos formais constam no art. 6º, §§ 4º e 5º, da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29/10/2014, publicada no DOU em 30/10/2014. Registrese que a Notificação de Lançamento foi lavrada em 10/11/2014, tendo o contribuinte tomado ciência em 20/11/2014. Para sanar a falha apontada pela fiscalização, o contribuinte alega ter anexado laudo médico contendo o registro da matrícula de nº 484.552.96968 e que o mesmo possui vínculo com a Secretaria de Estado da Saúde, exercendo suas funções na Rede Ambulatória Especializada CEMAR no Siqueira Campos. Ocorre que o documento anexado às fls. 12 dos autos não contém o nº de matrícula da profissional emitente no órgão responsável pela emissão. O nº apontado no laudo é relativo ao cpf cadastro de pessoas físicas na Receita Federal do Brasil. Portanto, considerando que o laudo médico apresentado não corrigiu a falha apontada pela fiscalização, o lançamento de crédito tributário deve ser mantido em sua integralidade. Fl. 113DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão em 14/7/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 104), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/7/15, fls. 57/64, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Diz que seu direito à isenção é indubitável, tendo em vista que o órgão pagador, Comando da Aeronáutica, já a isentou após passar pela Junta Médica, bem como a Junta Médica Estadual já adaptou definitivamente a servidora, ambos por restar comprovada que a mesma é portadora de doença grave incurável. Alega que o que se discute no caso é a aceitação com prova da doença grave do laudo pericial emitido por profissional habilitado no órgão onde consta a doença, o termo inicial, e a matrícula da médica subscritora no órgão onde trabalha, que é seu CPF. Afirma como questionaria o médico aduzindo que a matrícula aposta no laudo está errada ou inexiste. Questiona qual profissional iria falsear informações em um documento a ser apresentado na Receita Federal. O que foi passado pela profissional foi que no seu contracheque constava que sua matrícula perante o órgão era o seu CPF. Aduz que juntou aos autos além do documento impugnado, mais dois documentos atestando a doença grave, e informação da fonte pagadora de que é portadora de doença grave, tanto que já recebeu as restituições de dois anos posteriores ao ano do presente processo. Cita jurisprudência no sentido de que é desnecessário o laudo pericial expedido por serviço médico oficial para fins de isenção do imposto de renda. Requer seja cancelado o débito fiscal. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10510.724211/201449 Acórdão n.º 2401004.829 S2C4T1 Fl. 112 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença Fl. 115DF CARF MF 6 tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10510.724211/201449 Acórdão n.º 2401004.829 S2C4T1 Fl. 113 7 Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifo nosso) Dos documentos juntados aos autos, verificase que se trata de proventos de pensão recebidos do comando da aeronáutica. Resta averiguar então se a contribuinte é portadora da moléstia grave. Conforme laudo de fl. 12 a contribuinte apresenta quadro de Doença de Alzheimer, diagnosticada em janeiro de 2012 (moléstia considerada como alienação mental). A doença é degenerativa e progressiva, sem perspectiva de cura. Assim, em que pese a ausência de número de matrícula do médico que emitiu o laudo, o que determinou a autuação, como entendido pela fiscalização e mantido pela DRJ, entendo que a contribuinte comprovou ser portadora de moléstia grave, sendo o rendimento percebido isento, pois restaram preenchidos os requisitos legais para o gozo da isenção. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, DANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908896/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.551
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.908896/201208 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.551 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 88 96 /2 01 2- 08 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.908896/201208 Acórdão n.º 3401003.551 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 84DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.908896/201208 Acórdão n.º 3401003.551 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 86DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900812/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 19/07/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.299
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 19/07/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/07/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 12 /2 01 2- 96 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13227.900812/201296 Acórdão n.º 3301003.299 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.605, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 19/07/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900812/201296 Acórdão n.º 3301003.299 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.900812/201296 Acórdão n.º 3301003.299 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.900812/201296 Acórdão n.º 3301003.299 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.900812/201296 Acórdão n.º 3301003.299 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.720985/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 16/03/2012 a 15/05/2012
Ementa:
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002.
SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DE PREÇO. DETALHAMENTO. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO.
O arbitramento de preço a que se refere o artigo 88 da Medida Provisória no 2.158-35/2001 deve ser detalhado pela fiscalização, de modo a tornar possível à autuada saber exatamente o critério utilizado, a motivação das DI paradigmas utilizadas, e o resultado de suas verificações de valor aduaneiro, sob pena de ser afastado, por não restar devidamente lastreado documental e argumentativamente.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos artigos 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (ou coa multa que o substitui, nas hipóteses legalmente previstas, no § 3o do referido artigo 23). É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. DL 37/1966, art. 95.
A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/03/2012 a 15/05/2012
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente.
Numero da decisão: 3401-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntários apresentados, para afastar a imputação de subfaturamento e a consequente exigência da diferença de tributos, e das multas decorrentes, mantendo o lançamento referente à multa substitutiva do perdimento por detecção de interposição fraudulenta, no valor aduaneiro original declarado, a todos os sujeitos passivos indicados na autuação, tendo o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira dado provimento em maior extensão, para excluir as pessoas físicas do polo passivo, por carência de fundamentação normativa.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DE PREÇO. DETALHAMENTO. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO. O arbitramento de preço a que se refere o artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001 deve ser detalhado pela fiscalização, de modo a tornar possível à autuada saber exatamente o critério utilizado, a motivação das DI paradigmas utilizadas, e o resultado de suas verificações de valor aduaneiro, sob pena de ser afastado, por não restar devidamente lastreado documental e argumentativamente. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 09 85 /2 01 2- 85 Fl. 4636DF CARF MF 2 Nos artigos 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (ou coa multa que o substitui, nas hipóteses legalmente previstas, no § 3o do referido artigo 23). É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. DL 37/1966, art. 95. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/03/2012 a 15/05/2012 LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntários apresentados, para afastar a imputação de subfaturamento e a consequente exigência da diferença de tributos, e das multas decorrentes, mantendo o lançamento referente à multa substitutiva do perdimento por detecção de interposição fraudulenta, no valor aduaneiro original declarado, a todos os sujeitos passivos indicados na autuação, tendo o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira dado provimento em maior extensão, para excluir as pessoas físicas do polo passivo, por carência de fundamentação normativa. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 1721, datado de 05/07/2012, exigindo imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados (IPI 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4637DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.590 3 Importação) devido pela importação, Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINS importação, acrescidos de multa de ofício majorada (150%) e de juros de mora, multa de 100% sobre o valor aduaneiro pela impossibilidade de sua apreensão (as mercadorias chegaram a ser retidas pela fiscalização, mas foram entregues por força de determinação judicial, nos Mandados de Segurança no 500120280.2012.404.7008/PR, no 500140105.2012.404.7008/PR, e no 500161933.2012.404.7008/PR), por ter havido entrega a consumo, e de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, nas 25 declarações de importação (DI) de fls. 4/5 (registradas entre 16/03/2012 e 03/04/2012, e nas 44 DI de fls. 5/6 (registradas entre 05/04/2012 e 15/05/2012); multa por declaração inexata de mercadorias (valor de transação incorreto), nas 69 DI; e multa por diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, nas 69 DI; conforme relatório fiscal anexo, totalizando o lançamento o montante de R$ 29.734.696,85. No relatório fiscal (fls. 173 a 333), narra a fiscalização que: (a) o estabelecimento matriz da “ÁTILA Pneus LTDA” (doravante “ÁTILA PNEUS”), constituído em 20/03/2009, e localizado em Piraquara/PR, constou como importador e adquirente nas DI registradas em Paranaguá no período de 03/2012 a 05/2012, relacionadas às fls. 173/174, incluídas em procedimento especial de controle aduaneiro, tendo em vista a existência de indícios de ocultação do real interessado nas operações, que se referiam a importação de pneumáticos de borracha (NCM 4011.10.00, 4011.20.90, e 4011.99.90) que seriam originários da China, de Taiwan e da Ucrânia, e ostentando as marcas MAXXIS, SUNNY e ROSAVA; (b) no custo da análise das declarações de importação, direcionadas para o canal vermelho de conferência, verificouse que: (b1) a média de valores de importação (US$ 29.410.402,20) superou substancialmente os montantes estimados e autorizados na habilitação da “ÁTILA PNEUS” (US$ 14.300.000,00); (b2) nenhuma das marcas importadas, segundo consulta ao sítio eletrônico do INPI, pertence à “ÁTILA PNEUS”, sendo que havia registro, para a marca SUNNY, em nome da empresa “COMPRE Pneus Comércio e Serviços LTDA” (com cadastro CNPJ suspenso, por inatividade); (b3) um dos administradores da “ÁTILA PNEUS”, “LUIZ BONACIN NETTO”, tem vinculação familiar estreita com sócio administrador de empresa que atuou também de forma intensa no ramo de importação de pneumáticos, e notabilizada pela importação de pneumáticos usados (“BS COLWAY Pneus LTDA”, doravante “BS COLWAY”), operação possibilitada por decisões judiciais à época vigentes (a importação de pneus usados foi proibida, no Brasil pelo STF, em ação na qual a agravante era o “Instituto BS COLWAY Social”, entidade de defesa de direitos sociais e importadora de pneus usados, presidida por “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO”, também sócio administrador da “BS COLWAY”); Fl. 4638DF CARF MF 4 (b4) o imóvel sede da “ÁTILA PNEUS” é de propriedade da pessoa jurídica “BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A”, que tem como presidente “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” e como diretor “LUIZ BONACIN FILHO”; e (b5) com base no artigo 68 da Medida Provisória no 2.15835/2001, as mercadorias foram retidas, pela existência de indícios de infração punível com o perdimento, para a realização do procedimento especial de controle aduaneiro; (c) iniciado o procedimento especial em 13/04/2012, e intimada a “ÁTILA PNEUS” a apresentar documentos, da análise destes apurouse que: (c1) não foram apresentados extratos da contacorrente da conta (do banco BRADESCO) na qual foram debitados os valores referentes a contratos de câmbio apresentados (fl. 186); (c2) não foi possível identificar a origem dos recursos que comprovariam a integralização do capital social da empresa (fl. 187), todos relacionados como depósito em dinheiro não identificado, totalizando R$ 12.600.000,00; (c3) em relação ao funcionamento da empresa, foi apresentada cópia de conta de telefone praticamente sem consumo, contrato de comodato de uso de imóvel da empresa a título gratuito, com empresa cujos sócios são coincidentes com os da “ÁTILA PNEUS”; (c4) havia pagamentos de fretes efetuados por empresas do que pode ser denominado mesmo grupo empresarial familiar (com coincidência de quadro societário), inclusive a “BS COLWAY” (fl. 199); e (c5) a “ÁTILA PNEUS”, segundo a GFIP consultada em sistema , jamais teve funcionários com vínculo empregatício; (d) mesmo diante de todos esses elementos, e ainda no curso do procedimento especial, em 27/04/2012, o auditorfiscal da RFB responsável, lotado na IRF/Curitiba, que jurisdicionava o domicílio fiscal da “ÁTILA PNEUS”, de forma pouco usual, efetuou a revisão da estimativa de habilitação, para importações semestrais de US$ 41.460.000,00, e, ainda, expediu email à endereços relacionados à “BS COLWAY” (fs@bscolway.com e cavarsan@cavarsan.com.br) – fl. 300; (e) diante da situação, foi proposta e deferida solicitação para a realização de procedimento especial para as demais DI (tabela de fl. 201) da “ÁTILA PNEUS” em andamento junto à Alfândega de Paranaguá, no qual foram apurados os seguintes fundamentos para o lançamento efetuado neste processo: (e1) os dados de habilitação informavam que o imóvel onde se situava a empresa (de 8.500,00 m2) resultava de cessão não onerosa, ausente a identificação e contrato ou de número de funcionários, sendo o proprietário do imóvel apenas identificado pelo CNPJ (da “BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A”), e o principal cliente estrangeiro e fornecedor como “GOLDSTEIN International Trading Fl. 4639DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.591 5 LLC” (telas às fls. 221/222), o que aclara que “já quando da análise do pedido de habilitação para operar no comércio exterior ... o sujeito passivo não dispunha de qualquer autonomia para uso e disposição do espaço físico indicado como sendo sua sede formal”; (e2) no curso do procedimento especial, foi apresentado contrato, datado de 10/06/2011, relativo a comodato com outra empresa (“PORTAL dos Mananciais Logística LTDA”, constituída em 06/06/2011, de propriedade do mesmo grupo empresarial), mas tal contrato é apenas para estocagem de pneus, e não para escritórios ou instalações comerciais; (e3) a ausência de instalações fica mais gritante quando se verifica que o volume de importações, na casa das dezenas de milhões de dólares, de 2010 a 2012 (tabela à fl. 230), e que a unidade tida como sede sequer consta como unidade consumidora de energia elétrica no local onde restaria situada (pesquisa junto à fornecedora ainda à fl. 230), possui como ativo imobilizado um único veículo (no valor de R$ 57.900,00, sem registro no RENAVAM em nome da empresa – fl. 235), e sequer possuiu empregados ao longo dos anos (ou contrato de terceirização, como informou ao fisco – fl. 232, depois desmentindo tal informação – fl. 233, revelando textualmente que quem, de fato, operacionaliza e detém a capacidade de consecução de seu objeto social é algo que se pode denominar de “Grupo BS PNEUS, de BONACIN FILHOS & SIMEÃO FILHOS” (lista de empresas à fl. 243), pelo que se conclui que a “ÁTILA PNEUS” não detém capacidade operacional própria, assim entendida como a reunião de recursos humanos, materiais, logísticos, bens de capital, imóveis, tecnologia, entre outros, para a realização de seu objeto societário”; (e4) a integralização do capital social, como apurado, foi em dinheiro, sendo a relevante quantia de R$ 12.600.000,00, entre 14/04 e 19/05/2009, depositada, em conta do banco BRADESCO, tendo como depositante “o próprio favorecido” (fls. 239/40), em contradição com o disposto no contrato social, e sem qualquer comprovação de origem de tais recursos, sendo as declarações de IRPF apresentadas nos procedimentos (relativas aos anos de 2011 e 2012) apenas reveladoras de novos indícios de infração, a serem apurados em procedimentos próprios (remessa de R$ 95.033.400,00 – US$ 51.000.000,00, convertidos pela taxa de R$/US$ 1,8634 do dia 31/12/2011 – por três pessoas físicas que, no mesmo ano, declararam rendimentos isentos e não tributáveis que, somados, alcançaram o valor de R$ 67.877.466,77) a países com tributação favorecida (Ilhas Seychelles e Suíça), revelando ainda a contabilidade da “ÁTILA PNEUS” que todo o capital integralizado foi imediatamente convertido em créditos junto à empresa “MISSISSIPI Fomento de Negócios S.A.”, com características cadastrais (quadro societário) repetidas (fl. 253), e que atua em factoring, havendo aí nova infração (venda de títulos de crédito inexistentes) e celebrou contrato com a “ÁTILA PNEUS”, contendo diversas inconsistências (fls. 254 a 262); Fl. 4640DF CARF MF 6 (e5) as empresas que adquiriram mercadorias da “ÁTILA PNEUS” (tabela à fl. 269) possuem capacidade econômica (capital social) e operacional (empregados) incompatível com os volumes de compras efetuados no período analisado, demonstrando que a relação jurídica de fato não ocorre entre a “ÁTILA PNEUS” e tais empresas, e não foi possível identificar qualquer depósito ou pagamento de qualquer dessas empresas à “ÁTILA PNEUS”; (e6) no registro de o domínio do sítio web da “ÁTILA PNEUS” consta o nome “BS COLWAY” (fl. 279), e, pelo histórico apresentado em tal sítio (fls. 280 a 284), e em outros (v.g., fl. 295 a 299), concluise que a “ÁTILA PNEUS” representa mera continuidade dos negócios da “BS COLWAY Pneus LTDA”, havendo conveniente confusão patrimonial entre as empresas dos mesmos sócios desta e seus filhos, em simulações, que já resultaram, inclusive, em ações penais (fls. 285 a 293); (e7) o email para o qual o auditorfiscal da RFB que revisou os patamares de habilitação da “ÁTILA PNEUS”, inadvertidamente, durante o procedimento especial, enviou suas conclusões, corresponde ao do Sr. “FRANCISCO SIMEÃO”, que se apresentou, em Paranaguá, como suplente de senado e pai de membros do quadro societário (cartão de apresentação à fl. 301); (e8) sobre os fornecedores nas operações de importação, a “ÁTILA PNEUS” limitouse informar dados de contato (fl. 302) e que cada transação possuía um responsável na empresa, e era habitualmente sancionada por um diretor, mas que não usava seu telefone próprio nas transações (daí o valor irrisório da conta de telefone – fl. 303); (e9) o principal fornecedor estrangeiro (“GOLDSTEIN Trading LLC”), responsável por vender, em três anos, o equivalente a quase R$ 130.000.000,00, é meramente escritural, sem estrutura operacional e administrativa próprias, havendo, no mesmo endereço, em Delaware/USA, 985 entidades, a maioria como “LLC” (“Limited Liability Company” – sociedade de responsabilidade limitada) de membros não residentes nos Estados Unidos, em regime de tributação favorecida (“paraíso fiscal”); (e10) o fornecedor “GEBADIL S.A.” (denominada ainda de “SATC”) também divide endereço com outras empresas, no Uruguai, dentro do “Porto Livre” de Montevidéu, com benefícios tributários naquele país, apesar de ser mera empresa logística, passou a figurar, a partir de 2011, como grande exportador de pneus procedentes da China para o Brasil, apenas para o grupo aqui analisado; (e11) a omissão da “ÁTILA PNEUS” em esclarecer as transações comerciais e os fatos apurados em relação aos exportadores não permitem que os impressos apresentados como faturas comerciais sejam tomados em conta como prova da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor, não se podendo adotar o valor aduaneiro obtido a partir de tais documentos (conforme Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, na opinião Consultiva CTVA 10.1 e no artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001); Fl. 4641DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.592 7 (e12) com base na legislação citada, em especial o artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, foi arbitrado o valor aduaneiro das mercadorias, conforme tabela de fls. 315/316 (e termos de fls. 3467 a 3580), sendo os critérios de arbitramento previamente cientificados de modo individualizado, para fins de atendimento e cumprimento a decisões judiciais expedidas no curso da ação fiscal, que deferiram parcialmente pedido da “ÁTILA PNEUS”, tendo sido apresentadas fianças bancárias em juízo (fls. 317/318) – apenas uma DI não foi objeto de garantia, restando apreendidas as mercadorias; (e13) em relação à contabilidade da “ÁTILA PNEUS”, percebese, a partir das tabelas de fl. 320, que o capital próprio da empresa (Patrimônio Líquido) no início de cada ano era completamente incompatível com os vultosos gastos incorridos, sem qualquer exceção, donde se conclui que a empresa não possuía capacidade econômica (conforme anteriormente definido) para a realização das importações, só conseguindo efetiválas com o uso de recursos externos; e (e14) o dano ao Erário decorre de presunção legal, e culmina na aplicação da pena de perdimento, ou sua substituição por multa, se evidenciada qualquer das condutas previstas nos incisos do caput do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (no caso, a tipificada no inciso V), havendo, ainda, no caso, tributos que deixaram de ser recolhidos (tabela às fls. 326/327); e (f) tendo os fatos e condutas retratados sido praticados com o fim de dar aparência de regulares a operações que foram efetivadas “... mediante uso de diversos artifícios simulatórios e objetivando manter ocultas a empresa “BS COLWAY Pneus LTDA” e a continuidade de seus negócios” (grifo nosso), figura tal empresa também no polo passivo, na qualidade de responsável solidária, com fundamento no artigo 95, inciso I, do DecretoLei no 37/1966; e (g) dadas as situações de irregularidade expostas, “... que ao final permitiram a prática das infrações aduaneiras apresentadas, é inafastável também o cabimento da responsabilidade pessoal dos administradores listados abaixo, responsáveis tanto pela pessoa jurídica autuada quanto por aquela apontada como responsável solidária, também nos estritos termos da legislação” (Código Tributário Nacional – CTN, artigo 135, inciso III): (g1) “LUIZ BONACIN NETTO” (atual administrador da “ÁTILA PNEUS”); (g2) “GABRIELA BONETO RODRIGUES” (atual administrador da “ÁTILA PNEUS”); (g3) “LUIZ BONACIN FILHO” (atual sócio administrador da “BS COLWAY”); e (g4) “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” (atual sócio administrador da “BS COLWAY”). Fl. 4642DF CARF MF 8 A empresa “ÁTILA PNEUS” (ciente da autuação em 11/07/2012 – fl. 3619) e seus administradores “LUIZ BONACIN NETTO” (ciente da autuação em 16/07/2012 – fl. 3639) e “GABRIELA BONETO RODRIGUES” (ciente da autuação também em 11/07/2012 – fl. 3650) alegam, em impugnação conjunta, interposta em 03/08/2012 (fls. 3686 a 3749), basicamente, (a) em caráter preliminar, sobre a ausência de relação entre a “ÁTILA PNEUS” e a “BS COLWAY”, que: (a1) os sócios “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” e “LUIZ BONACIN FILHO” criaram a “BS COLWAY Remoldagem de Pneus LTDA”, que ganhou rapidamente expressiva participação no mercado de pneus remoldados, tendo em vista a qualidade de seus produtos e a vender a “...preços justos e muito competitivos”, sendo a empresa reconhecida no Brasil e no mundo, mas, tendo em vista a proibição de importação de pneus usados pelo STF, para “... proteger o mercado das indústrias multinacionais do Brasil, que temiam o crescimento continuado da empresa”, esta foi obrigada a fechar suas portas, demitindo 1.200 trabalhadores, e paralisando vários projetos sociais importantes, tendo os referidos sócios desistido de prosseguir no negócios de pneus, tarefa que, no entanto, foi levada adiante por seis herdeiros (três filhos de cada sócio), que decidiram importar pneus novos, em especial da marca MAXXIS, hoje a décima maior empresa fabricante de pneus do mundo; (a2) foi, então, criada, em 2009, a empresa “ÁTILA PNEUS”, com capital social devidamente declarado no imposto de renda, de R$ 12.600.000,00, totalmente integralizado antes de submeter a empresa à habilitação para operar no comércio exterior, perante a RFB, tendo sido concedida autorização para um limite inicial de US$ 14.000.000,00, e, posteriormente, sucederamse aumentos de capital social, todos com recursos lícitos e devidamente noticiados à Receita Federal; (a3) nada liga a “ÁTILA PNEUS” à “BS COLWAY”, salvo laços familiares entre os sócios, sendo suas instalações pertencentes a outra de suas empresas (“PORTAL dos Mananciais LTDA”); (a4) a fiscalização extrapola o poder discricionário e tece ilações injuriosas e caluniosas, demonstrando o caráter subjetivo da autuação, devendo ser desentranhadas dos autos todas as acusações levianas, estranhas à compreensão do processo instaurado, sob pena de nulidade absoluta; e (a5) os impugnantes ratificam a impugnação a ser apresentada pelo Sr. “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” em sua integralidade; (b) sobre o mérito da autuação, que: (b1) a constituição da “ÁTILA PNEUS” foi regular, tendo sido os R$ 12.600.000,00 totalmente integralizados, em dinheiro, e o fato de constar no recibo de depósito como depositante “o próprio favorecido” em nada Fl. 4643DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.593 9 tira o mérito e a comprovação do ingresso de recursos financeiros na empresa, pois o “...equívoco do funcionário que efetuou na época o depósito s dos cheques em questão (ele deveria ter listado uma um o nome dos sócios) não pode demonstrar ter havido qualquer fraude nos depósitos, uma vez que na contabilidade da empresa e em suas declarações de Imposto de Renda á Receita Federal tal integralização de capital ficou muito bem formalizada” (valores especificados à fl. 3697), sendo aceita pela RFB, que outorgou limite inicial de R$ 14.300.000,00 para as importações; (b2) houve equívoco da fiscalização ao afirmar que os irmãos (Alessandra, Luiz e Priscila) BONACIN possuem duas empresas distintas (“ORION” e “VENTURA”), uma sediada nas Seychelles e outra na Suíça, tendo sido a empresa nas Seychelles constituída com apenas US$ 3,00 (US$ 1, 00 de cada) e os valores na Suíça (US$ 8.500.000,00 cada) meros depósitos, e não abertura de empresas, sendo que a totalidade dos depósitos na Suíça se prestou a integralização de capital da “VENTURA & ORION”, nas Seychelles; (b3) em 17/11/2010, de forma espontânea, a empresa “ÁTILA PNEUS” protocolou, junto à RFB, requerimento de revisão dos limites para sua habilitação, tendo sido deferido o pleito em 27/04/2012, e alterados os limites para US$ 41.460.000,00, deixando a própria RFB de atualizar seus sistemas em tempo hábil, em desfavor da empresa, e deixando ainda a fiscalização de avisar o importador sobre ter sido ultrapassado o limite inicialmente autorizado; (b4) há equívoco da fiscalização em afirmar que é necessário que a importadora registre as marcas de pneus junto ao INPI, não se demonstrando de onde deriva tal obrigatoriedade, e o INMETRO (fl. 3705) se manifestou no sentido de ser desnecessária autorização específica para importar, no caso; (b5) a empresa “ÁTILA PNEUS” está localizada no Condomínio de Armazéns Portal dos Mananciais (cujas cotas pertencem aos mesmos sócios da “ÁTILA PNEUS”), sendo o imóvel dividido em vários armazéns e locado a outras empresas de ramos diferentes, sendo equivocada a alegação fiscal de que havia falta de autonomia na utilização do espaço; (b6) “a existência ou não de funcionários é fato irrelevante”, considerando que há a possibilidade de terceirizações, e, no caso, houve formalização de contrato de terceirização “com o Grupo empresarial denominado BSMax, composto pela Átila Pneus Ltda. e as Distribuidoras de Pneus localizadas na esmagadora maioria dos Estados brasileiros”, não havendo óbice normativo para a celebração do contrato de locação de mãodeobra, não detendo a RFB competência em relação à matéria; (b7) os extratos da conta do BRADESCO foram entregues à fiscalização em dois arquivos, para facilitar o trabalho; e Fl. 4644DF CARF MF 10 (b8) é possível e regular a utilização de sociedades empresárias administradoras de valores, mediante contratos de administração de recebíveis (com as empresas “MISSISSIPI” e “VENTURA & ORION”); (c) houve ofensa ao princípio da legalidade tributária, sendo a autuação fundada em meras suposições; (d) a autuação é nula por incorreta e imprecisa descrição da infração e ausência de adequada capitulação legal, inexistindo demonstração da composição da base de cálculo, o que ocasionou cerceamento de defesa; (e) houve abuso de direito, por aplicação de penalidade fundada em raciocínio unicamente subjetivo; (f) não pode ser aplicada a pena de perdimento com base em mera presunção; (g) houve irregularidade na valoração aduaneira (adotandose parâmetros distintos dos preços que vem sendo efetivamente praticados, com base em supostas “DI similares”), afetando o valor da multa e dos tributos exigidos; (h) a empresa provou, desde sua primeira manifestação no processo, a regularidade das operações, desincumbindose de seu ônus probatório, o que não foi feito pelo fisco, que apenas desconsiderou as provas pela empresa apresentadas; (i) a multa aplicada é confiscatória e inexigível, violando preceitos constitucionais; (j) é necessária a realização de prova pericial, no que se refere à comprovação da regularidade da constituição da empresa e à valoração aduaneira efetuada (quesitos propostos à fl. 3749); e (k) há ilegitimidade passiva das pessoas físicas para responder pela autuação, pois não houve excesso de poderes nem infração à lei pelos administradores da empresa, e a empresa autuada tem condições de honrar seus débitos. A empresa “BS COLWAY” (ciente da autuação em 18/07/2012 – fl. 3683) e seus administradores “LUIZ BONACIN FILHO” (ciente da autuação em 16/07/2012 – fl. 3661) e “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” (ciente da autuação também em 11/07/2012 – fl. 3672) alegam, em impugnação conjunta, apresentada em 06/08/2012 (fls. 4197 a 4247), basicamente, argumentos comuns aos que figuraram na impugnação aqui já relatada (especificamente, os itens “a1”, “a2”, “i” e “j”), acrescentando que: (l) não restou comprovado “interesse comum” dos responsáveis solidários, que não pode ser fundado apenas em “laços de DNA”; (m) as condutas descritas nos artigos 134 e 135 do CTN não possuem liame com a solidariedade baseada no interesse comum, e o sistema jurídico brasileiro não agasalha a responsabilidade pessoal sem culpa subjetiva; Fl. 4645DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.594 11 (n) os fundamentos para a responsabilização solidária são calcados em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, sendo nulo o termo de responsabilidade; e (o) as ofensas à honra do Sr. “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” são infundadas, devendo ser desentranhadas dos autos, que remetem a processos que não resultaram em condenações, sendo o único interesse presente, no caso, o de pai, desejando sucesso a seus filhos. A decisão de primeira instância, proferida em 14/06/2013 (fls. 4298 a 4315), foi, unanimemente, pela improcedência da impugnação, pelos seguintes fundamentos: (a) as operações de importações em causa, realizadas pela empresa “ÁTILA PNEUS” foram, de fato e efetivamente, praticadas pelo grupo “BS COLWAY PNEUS”; (b) “...restou devidamente comprovado que todo o patrimônio da Átila, bem como toda sua capacidade operacional é detida, de fato, por outras pessoas jurídicas integrantes do citado grupo empresarial, mediante o expediente de ardis simulatórios, vez que inexiste estrutura operacional e patrimônio próprios, minimamente necessários a consecução de seu objeto social, sequer tendo sido comprovada de forma clara e inequívoca a integralização do seu capital social, tal como descrito em seu instrumento constitutivo”; (c) “...restou suficientemente evidenciado que o verdadeiro objetivo da atividade mercantil da empresa, In Casu, foi o de acobertar as operações do real adquirente das mercadorias importadas em questão BS Colway Pneus Ltda”; (d) a “...continuidade da pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA., bem como sua ocultação indevida nas operações de importação restou ainda evidente quando se examinaram os certificados de adequação dos pneumáticos importados às normas brasileiras de qualidade, registrados junto ao INMETRO”; (e) o valor aduaneiro fixado pela autoridade lançadora, foi corretamente calculado e identificado, pela fiscalização, “...a partir de elementos reais, autorizados em lei, face à impossibilidade evidente de se utilizar os documentos que instruíram os despachos de importação abrangidos pelo procedimento”; (f) “...o interesse comum dos participantes nos acontecimentos em questão assomou claro e satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade tributária passiva ensejadora da responsabilidade capitulada no Art. 124, I, do CTN”, e decorreu “...do proveito direto que cada uma delas auferiu a partir da utilização da Átila Pneus Ltda como interposta empresa importadora”; (g) “...em face da gravidade das infrações praticadas, empregando artifícios simulatórios reprováveis em lei, impõese a responsabilidade pessoal dos administradores, responsáveis tanto pela pessoa jurídica autuada, ora impugnante, quanto por aquela apontada como responsável solidária, consoante estabelecido pela legislação de regência e, em especial, o disposto no art.135, III, do CTN”; e (h) “...os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e julgamento do feito, demonstrandose despicienda e meramente procrastinatória a providência solicitada pela defendente de realização de perícia”. A empresa “ÁTILA PNEUS” (ciente da decisão em 09/07/2013 – fls. 4403 a 4405) e seus administradores “LUIZ BONACIN NETTO” (também ciente da decisão em 09/07/2013 – fls. 4403 a 4405) e “GABRIELA BONETO RODRIGUES” (ciente da decisão em 08/07/2013 – fl. 4402) apresentam recurso voluntário conjunto, em 05/08/2013 (fls. 4504 a 4595), repisando argumentos externados na impugnação aqui já relatada (especificamente, os itens “a1” a “a4”, “b1” a “b8”, “c”, “d”, “e”, “f”, “g”, “h”, “i” e “k”), e agregando que: Fl. 4646DF CARF MF 12 (p) houve nulidade na decisão de piso, por violação à ampla defesa e ao contraditório, pois foi desprezada pelo julgador, que meramente ratificou as razões da fiscalização, a demonstração da capacidade operacional da empresa “ÁTILA PNEUS”, e foi negada a prova pericial requerida; (q) houve nulidade da decisão de piso, por ter sido o processo julgado pela DRJ do Recife, prejudicando o acompanhamento do processo e a sustentação oral, anexando notícia de decisão judicial que teria considerado nulo um julgamento da DRJ São Paulo por ausência de possibilidade de sustentação oral, violando preceitos constitucionais; (r) a DRJ não analisou o pedido de desentranhamento efetuado na impugnação, ou a informação de que foram fornecidos os extratos do banco BRADESCO; e (s) a “ÁTILA PNEUS” não é uma empresa de fachada, como quer fazer crer a decisão recorrida. A empresa “BS COLWAY” (ciente da decisão da DRJ em 08/07/2013 – fls. 4400/4401) e seus administradores “LUIZ BONACIN FILHO” (ciente da autuação em 30/07/2013 – fl. 4407) e “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” (ciente da decisão em 08/07/2013 – fl. 4399) apresentam recurso voluntário conjunto, em 05/08/2013 (fls. 4409 a 4472), reiterando argumentos expostos nas impugnações e no recurso voluntário aqui já relatado (especificamente, os itens “a1”, “a2”, “i”, “k”, “l”, “m”, “n”, “o”, “p”, “q” e “r”), e agregando que: (t) ratificam o recurso apresentado pela “ÁTILA PNEUS” e seus administradores, em sua integralidade. Atestada a tempestividade das peças recursais (fl. 4628), o processo é enviado ao CARF em 13/08/2013, e distribuído em 30/01/2014, e em 10/12/2015, a conselheiros que não mais fazem parte do colegiado, tendo sido enviado a novo sorteio em 08/07/2016. Em julho de 2016, o processo foi a mim distribuído, no novo sorteio. O processo foi indicado para a pauta nos meses de janeiro a maio de 2017, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Esclarecimentos iniciais Fl. 4647DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.595 13 Apesar de termos aqui relatado individualizadamente as alegações de cada grupo de recorrentes, é relevante destacar que, doravante, faremos menção a argumentos “das recorrentes” ou “da defesa”, pois uma peça recursal endossa explicitamente o que dispõe a outra, como se atesta, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário interposto pela BS COLWAY” e seus administradores “LUIZ BONACIN FILHO” e “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO”, que ratificam, em sua integralidade, o recurso apresentado pela “ÁTILA PNEUS” e seus administradores LUIZ BONACIN NETTO” e “GABRIELA BONETO RODRIGUES”. De qualquer sorte, todos os argumentos de defesa aqui relatados, e suscitados pelas recorrentes, serão objeto de análise neste voto. Há que se esclarecer, ainda em caráter inicial, que a demanda por desentranhamento de documentos em razão de serem entendidos como ofensivos – e até caluniosos, injuriosos ou difamatórios – não assume, no presente contencioso, a relevância que teria em outras modalidades processuais. Isso porque aqui se está a analisar específica e objetivamente a aplicação de penalidades aduaneiras e a exigência de tributos, sendo absolutamente irrelevante a utilização de adjetivos para designar pessoas ou coisas (tanto pela fiscalização quanto pelas defesas), adjetivos esses que serão simplesmente ignorados no presente julgamento, independente de estarem ou não desentranhados dos autos. O julgamento administrativo deve se pautar na prova obtida a partir do registrado nos autos, e do juízo objetivo e subjetivo do julgador a respeito dos fatos, não meramente do juízo subjetivo das partes, que tem o condão apenas de ser eventualmente sopesado junto aos elementos objetivos apontados no processo. Assim, esclarecida a forma de julgamento aqui adotada, entendo que não deve haver desentranhamento de qualquer eventual imputação subjetiva, seja da fiscalização, seja das recorrentes, sobre pessoas ou coisas (argumento de defesa designado no relatório pela letra “o”). Compreendo ser este juízo administrativo maduro o suficiente para discernir os elementos objetivos dos elementos subjetivos do processo, sem qualquer prejuízo às partes. E considero irrelevante o fato de a DRJ sequer ter se manifestado explicitamente sobre a matéria, visto que não houve, também naquele julgamento, qualquer prejuízo às partes na presença ou ausência das expressões entendidas como ofensivas pela defesa (argumento designado no relatório pela letra “r”). Da mesma forma, deve ser expurgada do presente contencioso administrativo a argumentação de defesa (designada no relatório pela letra “i”) que demanda o afastamento de aplicação de norma legal vigente em função de alegação de inconstitucionalidade / violação a princípios constitucionais, considerando já estar o tema sumulado no seio deste tribunal: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Ademais, adicionese, em relação ao argumento de defesa relatado sob a letra “i”, que a vedação constitucional é à instituição de tributos com efeito de confisco (artigo 150, IV), e a alegação de defesa remete o princípio à exclusão de multa, o que não se pode dar por analogia. No que se refere a menções a precedentes administrativos e judiciais, tanto pela fiscalização quanto pelas recorrentes, tenho que devem ser tomados em conta na medida de sua pertinência ao caso analisado, mas exercendo vinculação na atividade de julgamento apenas nas hipóteses expressamente previstas em lei. Fl. 4648DF CARF MF 14 Dito isso, passase a analisar a temática que remanesce contenciosa nos autos, que pode ser agrupada da seguinte forma: argumentos de defesa referentes a nulidade da decisão de piso (relatados sob as letras “p”, “q”, “r” e “j”); preliminares referentes a nulidade da autuação (sob as letras “c”, “d”, “e”, “g”, “h” e “f”); imputação de ocultação do real adquirente (letra “s”); imputações de subfaturamento (com argumentos de defesa sob as letras “a” e “b”, e seus desmembramentos); e responsabilidade (letras “l”, “m”, “n” e “k”). Tais agrupamentos operam como guia a respeito dos entendimentos a seguir externados. Das preliminares referentes à nulidade da decisão de piso As recorrentes suscitam quatro razões pelas quais entendem nula a decisão de piso, sendo que uma delas já se revelou aqui ser irrelevante (a ausência de manifestação sobre eventuais desentranhamentos de juízos subjetivos das partes sobre coisas e pessoas, que seriam ofensivos). É desalentadora (essa adjetivação, aqui, é do julgador) a descrença das recorrentes no processo administrativo (principalmente, de piso), ao qual se submetem, e pelo qual optam, visto que é livre, a qualquer momento, a submissão do tema ao Poder Judiciário, com prejudicialidade à análise administrativa (conforme Súmula no 1 do CARF). Mas, por outro lado, é alvissareira a crença na isenção do tribunal administrativo recursal. Tanto a crença quanto a descrença estão patentes na defesa (fl. 4511): Afora a alegação sobre o desentranhamento de documentos (repitase, irrelevante ao deslinde do contencioso), não vislumbro nenhuma que não tenha sido analisada pela DRJ. Não podem confundir as recorrentes a não análise de alegações com a análise considerada inconsistente ou injusta. Descontentamento com a decisão de piso não provoca silogisticamente nulidade, mas, no máximo, improcedência. O julgador de piso analisou cada um dos argumentos que a defesa afirma terem sido ignorados pela DRJ, bastando a leitura do acórdão recorrido para tal percepção. Não houve, assim, a alegada (item “p” da defesa) violação à ampla defesa e ao contraditório, pois os argumentos de defesa não foram simplesmente desprezados, mas fundamentadamente rechaçados. E, se há discordância das recorrentes em relação à fundamentação apresentada pelo julgador, então não se está diante de nulidade, mas de discussão de mérito, a ser travada oportunamente, neste voto. A negativa de acolhida da perícia demandada na impugnação (item “j” da defesa, e sequer reiterada detalhadamente nas peças recursais) é também fundamentada pela DRJ, e, a nosso ver, correta, visto que a perícia então solicitada se prestava a mera dilação probatória, a trazer para os autos elementos que poderia a própria defesa ter acostado tempestivamente. Fl. 4649DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.596 15 Em relação à derradeira nulidade suscitada (item “q” da defesa), cabe informar que as DRJ possuem competência temática e jurisdição voltadas ao atendimento das demandas processuais existentes, e que são adaptadas pela CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo de Judicial, em função do volume de contenciosos. Isso resta esclarecido nos artigos 2o e 3o da Portaria RFB no 1.006/2013 (e, atualmente, nos artigos 2o e 3o da Portaria RFB no 2.231/2017). Ademais, não houve, em tal julgamento, como exposto, qualquer preterição ao direito de defesa, cabendo destacar que não há previsão normativa para que sejam efetuadas sustentações orais nos julgamentos efetuados pelas DRJ, sendo a existência de decisões judiciais pontuais sobre o tema aplicáveis aos casos por ela regidos. Sendo insubsistentes as razões de defesa atinentes a eventuais nulidades no julgamento de piso, passase a analisar a argumentação das recorrentes no sentido de haver preliminares referentes à nulidade do próprio lançamento. Das preliminares referentes à nulidade da autuação Alguns dos argumentos referentes a nulidades interseccionam o próprio mérito da autuação, e, nesse ponto, serão analisados no tópico referente ao mérito. Mas, desde já, reiterase a patente confusão pela defesa, entre ausência de elementos probatórios e discordância em relação a seu teor. A autuação, nitidamente, não é fundada em meras presunções ou até suposições, visto que traz uma série de elementos probatórios, inclusive citados pelo julgador de piso em sua formação de convicção (fl. 4309). E o descontentamento, por parte das recorrentes, em relação a tais elementos probatórios, não pode ser entendido meramente como a ausência de tais elementos, mas como inconformidade em relação a seu conteúdo. Improcedentes, então, as alegações (letras “c” e “e” do relatório) de nulidade por ofensa à legalidade em virtude de ser a autuação fundada em meras suposições/presunções, e de nulidade por abuso de direito, por aplicação de penalidade fundada em raciocínio unicamente subjetivo. Tanto a fiscalização, em seu papel de investigar e checar a materialidade da ocorrência da infração, quanto as recorrentes, em seu papel de afastar cada uma das alegações fiscais, trabalharam buscando cumprir seus desideratos, não se identificando abusos juridicamente puníveis, ou que afetem a análise do presente contencioso. E, aqui já se disse, caso tenham excessivamente (ambas as partes) adjetivado coisas e pessoas, tal fato é considerado, neste julgamento, alheio ao presente contencioso, e sequer será objeto de análise, pois, repitase incessantemente, o que se está aqui a julgar é a aplicação de penalidades aduaneiras, cumuladas com a exigência de tributos. Se as recorrentes conseguiram ou não provar a regularidade das operações (argumento de defesa relatado sob a letra “h”), resta claro que havia alegações de irregularidade, e que tais alegações foram objeto de refutação individualizada (e novamente serão, no enfrentamento do mérito, neste voto) pela defesa, o que torna ilógica a demanda por nulidade diante da ausência de fundamento. Como aqui enfaticamente destacado, a ausência de concordância da defesa com os argumentos da fiscalização pode, na melhor das hipóteses (para Fl. 4650DF CARF MF 16 a defesa) afastar integralmente a autuação, no mérito, caso se comprove a regularidade da operação. Não se vê, aí, caso de nulidade. Improcedente, assim, tal argumento de defesa, fundado na mesma confusão, aqui já explanada, entre desconsiderar “algo” e analisar (este mesmo algo”) de forma distinta da defendida pelas recorrentes. Quanto à imprecisão ou incorreção na descrição da infração e ausência de adequada capitulação legal, inexistindo demonstração da composição da base de cálculo, o que ocasionou cerceamento de defesa (argumento externado no relatório sob a letra “d”), e quanto à irregularidade na valoração aduaneira, adotandose parâmetros distintos dos preços que vem sendo efetivamente praticados, com base em supostas “DI similares”, afetando o valor da multa e dos tributos exigidos (letra “g”), a discussão é novamente deslocada indevidamente do reino da eventual improcedência para o restrito vilarejo da nulidade. A descrição da infração e a capitulação legal são, ao longo da autuação e do relatório fiscal, minuciadas a ponto de a defesa ter plena ciência de cada uma das imputações que lhe é efetuada, manifestando inconformidade item a item, permitindo a apreciação integral de mérito por este colegiado administrativo. A base de cálculo é externada em demonstrativos aos quais a defesa teve pleno acesso, e a discussão sobre seu conteúdo (correção na aplicação do acordo de valoração aduaneira ou nas disposições de norma interna, como a MP no 2.158 35/2001) é de mérito, e não preliminar, referente a nulidade. Assim, afastase a preliminar de nulidade suscitada pela defesa no item relatado sob a letra “d”, reconhecendose que tal alegação, assim como a referente ao item relatado como letra “g”, trata, em verdade, do mérito da autuação. Eventual erro na determinação da base de cálculo, digase, pode constituir razão de improcedência, e não de nulidade da autuação. Aproveitase, assim, para adentrar na análise de mérito da autuação, que incluirá, ainda, dois temas de transição, externados no relatório como preliminares, pela defesa, sob as letras “g” (de que houve irregularidade na valoração aduaneira) e “f” (de que não pode ser aplicada a pena de perdimento com base em mera presunção), pelo qual iniciamos. Da imputação de ocultação do real adquirente A afirmação de que não pode ser aplicada a pena de perdimento com base em mera presunção merece, já de início, veemente apara. Isso porque a própria norma de ordem legal traz presunções que podem implicar a aplicação da pena de perdimento. Vejase, por exemplo, a redação do artigo 23, inciso V e §§ 1o a § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) (...) Fl. 4651DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.597 17 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002, na redação vigente à data da prática de parte das infrações) (grifo nosso) O § 2o do citado artigo 23 traz clara hipótese de aplicação da pena de perdimento que decorre de presunção. Basta que a importadora não comprove origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. No momento em que a fiscalização se depara com tal não comprovação, pode ela simplesmente lavrar o auto de infração para aplicação da pena de perdimento, naquilo que denominamos de “interposição presumida”, e é cumulável com a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa interposta. A fiscalização pode, no entanto (e normalmente o faz), verificar quem efetivamente é o detentor dos recursos utilizados na importação, visto ser incapaz a importadora ostensiva de comprovar origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. E, por força de outra presunção de ordem legal, a operação é considerada como efetuada por conta e ordem do detentor dos recursos, para fins de aplicação de determinados controles aduaneiros especiais e penalidades (artigo 27 da Lei no 10.637/2002): “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001”. (grifo nosso) Identificado o terceiro, detentor dos recursos, e real adquirente na importação, presumida por conta e ordem, inaplicável a declaração de inaptidão ao ocultante, por força do disposto no parágrafo único do artigo 33 da Lei no 11.488/2007, que criou multa específica para a hipótese: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (grifo nosso) (Dispõe o artigo 81 da referida Lei sobre a declaração de inaptidão de CNPJ de empresa) Fl. 4652DF CARF MF 18 Assim já se decidiu por reiteradas vezes neste CARF, sempre de forma unânime, inclusive recentemente, com substancial parte da atual composição desta turma: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) "INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, conjunta ou isoladamente, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. (Acórdão no 3403003.319, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 14.out.2014) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.598 19 acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. (Acórdão no 3401003.092, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23.fev.2016) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado." (Acórdão no 3401003.172, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.mai.2016) (grifo nosso) Não se tem dúvida, assim, de ser a pena de perdimento passível de aplicação em função de presunção estabelecida em norma de estatura legal. Resta saber, no caso concreto, a qual modalidade de interposição (regular ou irregular) se refere o caso em análise, ou até se sequer haveria interposição. A fiscalização, no caso em análise, nitidamente não se contenta em comprovar a inexistência de capacidade operacional da empresa (pelas características das instalações, da operação, do número de funcionários, e pela ausência de prova da própria integralização do capital social), buscando ainda evidenciar quem seria o real responsável pela operação, chegando à conclusão de que seriam a empresa “BS COLWAY” e seus administradores. Não se trata, assim, de imputação de penalidade por interposição presumida, mas de exigência fundada em entendimento da fiscalização de que houve interposição comprovada. E, para verificar o cabimento do lançamento, incumbese analisar se restou comprovada, no mérito, a imputação fiscal. Afirma a fiscalização, inicialmente, que um dos fatores que motivou a instauração de procedimento especial de controle aduaneiro foi a média de valores de importação (US$ 29.410.402,20), que superou substancialmente os montantes estimados e autorizados na habilitação da “ÁTILA PNEUS” (US$ 14.300.000,00), e questiona os próprios montantes autorizados, remetendo à ausência de regular prova da própria integralização do capital social. Nisso, é bastante convincente a fiscalização, ao detectar que todo o capital social da empresa, de R$ 12.600.000,00, foi integralizado em dinheiro (à exceção de um cheque, da própria empresa), em depósitos sucessivos de quantias de R$ 600.000,00, R$ 700.000,00, R$ 1.000.000,00, v.g., sem qualquer identificação do depositante, que permitisse Fl. 4654DF CARF MF 20 saber quem efetivamente estaria a eventualmente integralizar capital e de onde provinham os recursos, até para verificar sua licitude e compatibilidade com o alegado na composição societária. Percebese, na tabela abaixo (fl. 240), a sequência de depósitos, nenhum deles com identificação específica: As recorrentes, por seu turno, alegam que (fl. 4532): No entanto, jamais aclararam quem teria depositado qual quantia, em qual data, limitandose a demandar, em sede de impugnação, perícia para tanto, e alegando que a tabela comprova a integralização, e que os sócios possuíam patrimônio para tanto (fl. 3749): O máximo que faz a defesa é remeter ao registro na Junta Comercial, que tem apenas as quantidades totais por sócio, o que já se sabia pela própria composição societária (fl. 4534): A defesa alega que os sócios possuem patrimônio com fundamento em suas declarações de IRPF, mas não se esforça fazer qualquer vínculo individualizado entre os depósitos e de onde foi sacado o dinheiro para efetuálos (o que, reconheçase, não demanda qualquer perícia externa à própria empresa), ou mesmo a origem das quantias relacionadas em Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.599 21 eventuais cheques. Difícil crer que os sócios da empresa integralizassem o capital em depósitos quase que diários em montantes expressivos, sem qualquer preocupação de identificação, ousando atribuir a falha ao próprio funcionário encarregado. No máximo, podemos concordar com a empresa no sentido de que esta deveria ter tomado as providências para obter os dados individualizados junto ao banco, que, por sua vez, deveria tomar as providências julgadas necessárias diante do(s) funcionário(s) que diariamente recebia(m), no caixa, quantias robustas, registrandoas sem sequer informar o nome da pessoa física que portava as ditas quantias, efetuando o depósito. Confundem as recorrentes declaração de existência de recursos com efetiva comprovação de origem, disponibilidade e transferência de recursos, algo significativamente diferente. Adicionese que a eventual existência, em tese, de patrimônio por parte dos sócios (digo eventual, e em tese, porque a fiscalização aprofunda o estudo sobre o patrimônio dos sócios, verificando que seus valores mais significativos remontam a participações em empresas estrangeiras, mormente sediadas em países de tributação favorecida – “paraísos fiscais”, cujos sócios seriam eles próprios, entre outros) não comprova, a nosso ver, origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados na operação de comércio exterior pela “ÁTILA PNEUS”, tendo em vista que não é possível identificar e detalhar, em relação à empresa, a regular origem dos recursos para a própria integralização de capital social. Ademais, acrescenta a fiscalização incompatibilidade ainda nos lançamentos contábeis referentes à integralização, que remete a integralidade do capital a uma conversão em créditos de empresa diversa (fl. 253), de factoring, que tem como sócios “LUIZ BONACIN FILHO” (diretor) e “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” (presidente), também sócios da “BS COLWAY”: Fl. 4656DF CARF MF 22 Não tenho dúvidas, assim, sobre a irregularidade na constituição da empresa “ÁTILA PNEUS”, e que tal irregularidade não pode ser sanada pela existência de eventual habilitação para importar (seja para qual quantia for a habilitação). O procedimento de habilitação, sujeito a rito próprio, não se confunde com a atividade de fiscalização a posteriori, que pode apurar, inclusive, fatos que não eram de conhecimento da autoridade responsável pela habilitação. A habilitação para operar no comércio exterior (seja para qual limite for e sob qual modalidade for) não se constitui em salvo conduto para cometimento de infrações, nem homologa em instância final administrativa qualquer informação prestada pela empresa. O fato de ter a empresa pleiteado (e obtido deferimento) para pedido de revisão de limites de importação é distinto e autônomo, em relação ao procedimento fiscal aqui analisado, e com ele não se confunde, pelo que se tem como irrelevante a afirmação (“b3”) de que em 17/11/2010, de forma espontânea, a empresa “ÁTILA PNEUS” protocolou, junto à RFB, requerimento de revisão dos limites para sua habilitação, tendo sido deferido o pleito em 27/04/2012, e alterados os limites para US$ 41.460.000,00, deixando a própria RFB de atualizar seus sistemas em tempo hábil, em desfavor da empresa, e deixando ainda a fiscalização de avisar o importador sobre ter sido ultrapassado o limite inicialmente autorizado. Ainda que houvesse a RFB “atualizado seus sistemas” (se é que não o fez), isso em nada garantiria o direito à não revisão, ou à não autuação por irregularidade apurada em procedimento autônomo da Aduana, realizado por autoridade competente e dentro do exercício regular do poder de fiscalização. Em virtude do exposto, tenho como improcedentes as razões de defesa descritas no relatório com as letras/números “a2” e “b1”, sobre a regularidade da constituição da empresa “ÁTILA PNEUS”. E considero também irrelevante a informação (“b2”) de que houve equívoco da fiscalização ao afirmar que os irmãos (Alessandra, Luiz e Priscila) BONACIN possuem duas empresas distintas (“ORION” e “VENTURA”), uma sediada nas Seychelles e outra na Suíça, tendo sido a empresa nas Seychelles constituída com apenas US$ 3,00 (US$ 1, 00 de cada) e os valores na Suíça (US$ 8.500.000,00 cada) meros depósitos, e não abertura de empresas, sendo que a totalidade dos depósitos na Suíça se prestou a integralização de capital da “VENTURA & ORION”, nas Seychelles, assim como a afirmação de que efetivamente foram fornecidos extratos do Banco BRADESCO (“b7”). Isso porque tais informações/afirmações em nada afetam o cerne da imputação fiscal, de irregularidade na constituição da empresa, e de falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. A empresa limitase, ainda, a afirmar a licitude, em tese (‘b8”) da utilização de sociedades empresárias administradoras de valores, mediante contratos de administração de recebíveis, mas não refuta objetivamente a imputação fiscal, aclarando de que forma efetivamente foi integralizado o capital social, em operação que implicou outra, em relação a tais empresas de recebíveis. Em síntese, a defesa apresenta argumentos que operam em tese, sem explicar claramente de que forma se deu atividade tão elementar quanto o nascimento da empresa, mediante a integralização de seu capital social. Utilizase a defesa de argumentos que parecem sugerir que seja normal todo o cenário evidenciado pela fiscalização, aqui descrito, e que, sem sombra de dúvidas, está longe do que se tem por normal na atividade de qualquer empresa. Fl. 4657DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.600 23 Emprega ainda a defesa paradoxal tese de simbiose em relação a seu grupo empresarial, em determinadas oportunidades (v.g., a que se refere à localização física da empresa, aos recebíveis, ao compartilhamento de corpo de funcionários), para, em outras, afirmar a total desconexão entre a “ÁTILA PNEUS” e a “BS COLWAY” (v.g., no que se refere a serem apenas coincidências o fato de haver comunhão societária e familiar, e participação de/em empresas estrangeiras com corpo societário comum). Apesar de serem pouco relevantes, diante do cenário geral evidenciado, a defesa não afasta as alegações fiscais de que o local onde opera a “ÁTILA PNEUS” não é de propriedade da empresa, mas “do grupo empresarial” (contrato de comodato de uso de imóvel da empresa a título gratuito) e de que a “ÁTILA PNEUS” não possui funcionários. Ou, ainda de que a conta de telefone está praticamente sem consumo, ou a unidade não consumia energia elétrica. Ou de que havia pagamentos de fretes efetuados por empresas do que pode ser denominado mesmo grupo empresarial familiar (com coincidência de quadro societário), inclusive a “BS COLWAY” (fl. 199). Limitamse os recorrentes a afirmar que a empresa está situada em condomínio cujas cotas pertencem aos mesmos sócios da empresa, havendo autonomia da “ÁTILA PNEUS” na utilização do espaço, discorrendo extensamente sobre o empreendimento imobiliário, relacionado ao grupo “Ventura & Orion”, destacando que é detentor de substancial patrimônio, e que controla a “ÁTILA PNEUS”, que é grande recolhedor de tributos (“b5”), e que “a existência ou não de funcionários é fato irrelevante”, considerando que há a possibilidade de terceirizações, e que esta existiu, com o grupo (“b6”) “com o Grupo empresarial denominado BSMax, composto pela Átila Pneus Ltda. e as Distribuidoras de Pneus localizadas na esmagadora maioria dos Estados brasileiros”, não detendo a RFB competência para a disciplina da matéria, ou, ainda, que, atualmente, a empresa possui funcionários. Além de contradizer alegações anteriores da própria empresa prestadas à fiscalização, no sentido de que não havia contrato de terceirização, vejase que tanto a justificativa de defesa para a questão referente à ausência de funcionários quanto para a ausência de local próprio da empresa são alicerçadas na já referida simbiose. Ademais, basta ler o relatório fiscal para perceber que a RFB não está a discutir as normas que regem terceirização, e sua adequação à legislação civil ou trabalhista, mas a simples ausência de capacidade operacional da “ÁTILA PNEUS”, considerada de forma autônoma, sem a multicitada simbiose. Aliás, a simbiose alastrase, como destaca a autuação, pelo registro de marcas junto ao INPI e pelo próprio sítio eletrônico da “ÁTILA PNEUS”. Como informa a fiscalização, nenhuma das marcas importadas, segundo consulta ao sítio eletrônico do INPI, pertence à “ÁTILA PNEUS”, sendo que havia registro, para a marca SUNNY, em nome da empresa “COMPRE Pneus Comércio e Serviços LTDA” (com cadastro CNPJ suspenso, por inatividade); e no registro de o domínio do sítio web da “ÁTILA PNEUS” consta o nome “BS COLWAY”, e, pelo histórico, percebese que a “ÁTILA PNEUS” representa mera continuidade dos negócios da “BS COLWAY Pneus LTDA”, havendo conveniente confusão patrimonial entre as empresas dos mesmos sócios desta e seus filhos. A defesa sustenta apenas que não é obrigatório o registro de marcas junto ao INPI (“b4”), e junta ofícios do Ministério do Desenvolvimento afirmando que há registro no INMETRO. Nesse aspecto, mais uma vez os recorrentes distorcem a imputação fiscal, que não Fl. 4658DF CARF MF 24 afirma estarse diante de importações de mercadoria proibida ou sem licença de importação, mas somente que a “ÁTILA PNEUS” não corresponde à importadora de fato das mercadorias, e sequer possui estrutura autônoma para levar a cabo tais importações, o que endossa com vários elementos, entre os quais os aqui já apresentados. Adicionese, acolhendose os argumentos da fiscalização não refutados especificamente pela defesa, que as empresas que adquiriram mercadorias da “ÁTILA PNEUS” (tabela à fl. 269) possuem capacidade econômica (capital social) e operacional (empregados) incompatível com os volumes de compras efetuados no período analisado, demonstrando que a relação jurídica de fato não ocorre entre a “ÁTILA PNEUS” e tais empresas, e não foi possível identificar qualquer depósito ou pagamento de qualquer dessas empresas à “ÁTILA PNEUS”. E que o principal fornecedor estrangeiro (“GOLDSTEIN Trading LLC”), responsável por vender, em três anos, o equivalente a quase R$ 130.000.000,00, é meramente escritural, sem estrutura operacional e administrativa próprias. Peca, então, a defesa, ao tentar descaracterizar a relação entre a “ÁTILA PNEUS” e a “BS COLWAY” (v.g., “a3”), que parece, por ocasiões, endossar, paradoxalmente. Não afirma a fiscalização que o “grupo empresarial” não possui patrimônio ou capacidade operacional, ou estaria a ocultar alguém, mas tão somente que a “ÁTILA PNEUS” estaria a fazêlo, em continuidade a operações da “BS COLWAY”. E a narrativa da história da “BS COLWAY”, ou das vicissitudes pelas quais passou em decorrência de ações judiciais apenas operam para acrescentar elementos ao cenário, a serem sopesados com os trazidos pela fiscalização. Nesse cenário, não tenho dúvidas de que restou configurada, no caso, a conduta tipificada no artigo 23, V, do DecretoLei no 1.455/1976. E, diante da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, e da disposição expressa do artigo 23, § 3o, do Decreto Lei no 1.455/1976, cabível a aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento, no valor aduaneiro das mercadorias importadas. Cabível ainda, em adição, a exigência dos tributos incidentes na importação que eventualmente tenham deixado de ser recolhidos. No entanto, cabe discorrer sobre a formação da base de cálculo não só da multa (valor aduaneiro das mercadorias importadas), como dos tributos que seriam devidos, o que se faz no tópico a seguir. Da imputação de subfaturamento e das exigências decorrentes Afirma a recorrente, em sua peça recursal, que “houve irregularidade na valoração aduaneira”, utilizada como base para a multa imposta e para a exigência de tributos, e que o preço declarado foi o efetivamente praticado, não havendo que se falar em subfaturamento, e que (fl. 4574): A simples juntada da tabela de preços está realmente distante de comprovar as alegações de defesa, mas é seguida da afirmação com a qual aqui se concorda, em tese, de que não pode a fiscalização presumir subfaturamento. Fl. 4659DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.601 25 Resta saber, então, se, no presente caso, a fiscalização presumiu ou efetivamente comprovou o subfaturamento. O relatório fiscal, o fisco afirma que a omissão da “ÁTILA PNEUS” em esclarecer as transações comerciais e os fatos apurados em relação aos exportadores não permitem que os impressos apresentados como faturas comerciais sejam tomados em conta como prova da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor, não se podendo adotar o valor aduaneiro obtido a partir de tais documentos (conforme Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, na opinião Consultiva CTVA 10.1 e no artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001), e que com base na legislação citada, em especial o artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, foi arbitrado o valor aduaneiro das mercadorias, conforme tabela de fls. 315/316 (e termos de fls. 3467 a 3580), sendo os critérios de arbitramento previamente cientificados de modo individualizado, para fins de atendimento e cumprimento a decisões judiciais expedidas no curso da ação fiscal, que deferiram parcialmente pedido da “ÁTILA PNEUS”, tendo sido apresentadas fianças bancárias em juízo (fls. 317/318). Não se está, então, a tratar do procedimento previsto no artigo 148 do CTN, como parece entender a defesa, mas de norma legal específica, que figura no artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, podendo o preço determinado com base em tal dispositivo ser objeto de contraditório. Aliás, como informa a fiscalização, houve ciência da defesa sobre a sistemática utilizada para determinação do preço, e também o presente contencioso se presta a tal discussão, por todos os recorrentes. É nesse sentido a afirmação de defesa constante à fl. 4579: Com a finalidade de verificar a consistência da alegação de defesa, recorro aos termos de arbitramento de preço de mercadoria (fls. 3332 a 3580), nos quais percebo que Fl. 4660DF CARF MF 26 são indicadas DI/adições paradigmas, para fins de prestação de garantia, efetivamente sem colacionar aos autos o teor de tais DI (ainda que de forma a ocultar o nome do importador, ou dados sigilosos), ou sequer informar canal de conferência, se houve procedimento de valoração, qual seu resultado, período aproximado, e o porquê da seleção de tais DI como paradigma. Vejase, a título exemplificativo, o termo de arbitramento da DI no 12/04984362 (fl. 3347): Os termos de arbitramento podem até se prestar à finalidade para a qual foram emitidos, naquele momento processual (constituição de garantia em processo judicial), mas são absolutamente inaptos para comprovar ter havido subfaturamento, ou mesmo possibilitar de forma segura o recálculo dos tributos devidos na importação, ou na multa aplicada, em um lançamento fiscal. O arbitramento de preço a que se refere o artigo 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001 deve ser detalhado pela fiscalização, de modo a tornar possível à autuada saber exatamente o critério utilizado, a motivação das DI paradigmas utilizadas, e o resultado de suas verificações de valor aduaneiro, sob pena de ser afastado, por não restar devidamente lastreado documental e argumentativamente. É o que ocorre no caso em análise. Assim, afasto o arbitramento efetuado, o que implica o cancelamento da exigência de tributos, visto que não haverá diferenças quantificáveis comprovadas, e a redução da multa substitutiva do perdimento ao valor aduaneiro declarado, diante a ausência de comprovação da exata quantificação das diferenças. Não implica, contudo, o afastamento da multa substitutiva do perdimento, que não tem por fundamento qualquer razão tributária. O auto de infração foi lavrado, entre outros, com enquadramento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976. Dada a impossibilidade de apreensão da mercadoria, o perdimento foi substituído por multa com base no § 3o do mesmo art. 23: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 4661DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.602 27 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) ...” (grifos nossos) É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente, podese afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967): “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”, como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido já me manifestei em diversos processos, sempre com acolhida unânime do colegiado.2 Da responsabilidade 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013; Acórdão n. 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 30.jan.2014; Acórdão n. 3403002.842, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.mar.2014; Acórdão n. 3403002.865, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 26.mar.2014; e Acórdão n. 3403003.188, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 20.ago.2014. Fl. 4662DF CARF MF 28 Resta, por fim, analisar a responsabilidade dos sujeitos passivos relacionados na autuação. No tópico referente a “responsabilidade solidária”, registrase, no relatório fiscal (fl. 328) que: A responsabilidade, apesar de denominada como “solidária”, é imputada com fundamento no artigo 95 do DecretoLei no 37/1966, que versa sobre responsabilidade conjunta ou isolada, pela infração, por quem a pratique ou dela se beneficie. É a responsabilidade por infrações prevista na mais conhecida norma de ordem legal aduaneira, o DecretoLei no 37/1966. Apesar da sensível semelhança com o comando do artigo 124 do Código Tributário Nacional, a disposição aduaneira traz a terminologia “conjunta ou isoladamente”, e não se refere a “interesse comum”, mas a “concorrer para a prática” da infração “ou dela se beneficiar”. E não se tem, pelo já exposto no tópico referente à ocultação do real adquirente, neste voto, dúvidas de que tanto a “ÁTILA PNEUS” quanto a “BS COLWAY” efetivamente não só concorreram para a prática da infração prevista no artigo 23, V do DecretoLei no 1.455/1976, mas também dela se beneficiaram. Ademais, registrese que a imputação fiscal não tem por fundamento o ventilado artigo 124 do CTN, pelo que as alegações de defesa em torno da expressão “interesse comum” (aqui relatadas sob a letra “l”) são desconectadas das razões de autuação. Cabe, sem embargo, registrar que também o “interesse comum” resta patente, dada não só a simbiose quanto à continuidade negocial entre as empresas, que restou devidamente comprovada pela fiscalização, e não é, nem de longe, calcada em meras presunções, como alega a defesa (letra “n” do relatório). Adicionese que as responsabilidades pelo recolhimento de tributos, e consectários, em função do afastamento da imputação de subfaturamento, padecem de sentido neste momento do voto, permanecendo importante, no entanto, a responsabilidade aduaneira, relativa à multa substitutiva do perdimento. A responsabilidade dos administradores de ambas as empresas, por seu turno, é calcada ainda no artigo 135, III do Código Tributário Nacional (fl. 328): E, pelas partes sublinhadas pelo autuante, na transcrição do referido dispositivo legal, no relatório, deduzse que se imputa responsabilidade pessoal dos administradores das duas empresas (“ÁTILA PNEUS” e “BS COLWAY”), por atos praticados com infração a lei: Fl. 4663DF CARF MF Processo nº 10907.720985/201285 Acórdão n.º 3401003.843 S3C4T1 Fl. 1.603 29 A defesa alega que as condutas descritas nos artigos 134 e 135 do CTN não possuem liame com a solidariedade baseada no interesse comum, e o sistema jurídico brasileiro não agasalha a responsabilidade pessoal sem culpa subjetiva (“m”), e que há ilegitimidade passiva das pessoas físicas para responder pela autuação, pois não houve excesso de poderes nem infração à lei pelos administradores da empresa, e a empresa autuada tem condições de honrar seus débitos (“k”). No caso, são quatro as pessoas físicas arroladas como responsáveis: “LUIZ BONACIN NETTO” (administrador da “ÁTILA PNEUS”); “GABRIELA BONETO RODRIGUES” (administrador da “ÁTILA PNEUS”); “LUIZ BONACIN FILHO” (sócio administrador da “BS COLWAY”); e “FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO” (sócio administrador da “BS COLWAY”). Não se pode olvidar que restou comprovada a interposição fraudulenta, no presente processo, e também não se pode esquecer que pessoas jurídicas não praticam efetivamente atos, assim como não se locomovem, ou não planejam, dependendo de pessoas físicas, principalmente de seus administradores, que efetivamente decidem sobre os comportamentos da empresa. Assim, infração à lei houve, por parte de tais administradores, no cometimento das condutas que levaram à simulação consistente na interposição fraudulenta detectada no presente processo, não havendo ainda que se falar em mera responsabilização objetiva, mas em prática de condutas, nos dizeres do artigo 95 da norma de ordem legal aduaneira, conjunta ou isoladamente, concorrendo para a prática da infração e dela se beneficiando. Tendo sido as condutas tomadas pelos administradores no sentido de submeter declarações em nome de determinada empresa, com tratativas para que as importações fossem, de fato, efetuadas por outra, como restou imputado nos Termos de Sujeição Passiva (fls. 3629 a 3672 – transcrevese abaixo o termo relativo a “LUIZ BONACIN NETTO”, mas os demais são de idêntico teor), resta caracterizada a responsabilidade dos administradores, não só tributária, mas aduaneira: Fl. 4664DF CARF MF 30 E a imputação de responsabilidade pessoal aos gestores não exclui, por certo, a responsabilidade das empresas, como revela a jurisprudência deste colegiado administrativo: SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária. (Acórdão no 3403002.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, sessão de 22 out. 2013) (Acórdão no 3403001.763 e 764, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 set. 2012) Tal premissa parece admitida pela defesa, ao alegar que a empresa autuada tem condições de honrar seus débitos, não havendo razões para imputação aos administradores, No entanto, o eventual poder de saldar seus débitos da empresa certamente é irrelevante para exclusão dos administradores do polo passivo, pois a responsabilização não se dá por temor de não pagamento, mas por disposição expressa do artigo 135, III, do CTN, aliado, na seara aduaneira, ao artigo 95 do DecretoLei no 37/1966. Resta, assim, a nosso ver, caracterizada a responsabilidade dos quatro administradores arrolados no polo passivo da autuação, cabendo endossar, nesse aspecto, as conclusões da fiscalização e da decisão de piso. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para afastar a imputação de subfaturamento e a consequente exigência da diferença de tributos, e das multas decorrentes, mantendo o lançamento referente à multa substitutiva do perdimento por detecção de interposição fraudulenta, no valor aduaneiro original declarado, a todos os sujeitos passivos indicados na autuação. Rosaldo Trevisan Fl. 4665DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901074/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 74 /2 01 3- 67 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901074/201367 Acórdão n.º 1302002.228 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901074/201367 Acórdão n.º 1302002.228 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901074/201367 Acórdão n.º 1302002.228 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910108/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2009
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 01 08 /2 01 2- 32 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11020.910108/201232 Acórdão n.º 3402004.057 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.821, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11020.910108/201232 Acórdão n.º 3402004.057 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.002465/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.865
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido.
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IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 24 65 /2 01 0- 70 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15165.002465/201070 Acórdão n.º 3301003.865 S3C3T1 Fl. 122 2 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15165.002465/201070 Acórdão n.º 3301003.865 S3C3T1 Fl. 123 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15165.002465/201070 Acórdão n.º 3301003.865 S3C3T1 Fl. 124 4 Relatório A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação e Cofins Importação, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o colegiado de primeira instância não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer seu provimento interpretandose o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PISImportação e da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e os das próprias Contribuições Sociais, deferindose o pedido de restituição e a homologação da compensação. Em primeira assentada o colegiado do Carf deliberou por converter o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento, incumbindome, por sorteio, relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15165.002465/201070 Acórdão n.º 3301003.865 S3C3T1 Fl. 125 5 Desde já é de se registrar que encontramse sob apreciação nessa oportunidade um conjunto doze processos do mesmo sujeito passivo, versando sobre a mesma matéria litigada (alargamento da base de cálculo), diferenciandose quanto às datas dos fatos geradores, conforme planilha a seguir, todos regularmente pautados para julgamento. Processo Modalidade de importação Tributo Período das DI 15165.000271/200904 Conta Própria PIS Importação 2004 a 2005 15165.000272/200941 Conta Própria Cofins Importação 2004 a 2005 15165.000278/200918 Conta Própria PIS Importação 2006 15165.002153/201066 Conta e Ordem PIS Importação Janeiro a maio 2010 15165.002155/201055 Conta e Ordem Cofins Importação Janeiro a maio 2010 15165.002465/201070 Conta e Ordem PIS Importação Maio a junho 2010 15165.002466/201014 Conta e Ordem Cofins Importação Maio a junho 2010 15165003291/201062 Conta e Ordem PIS Importação Agosto 2010 15165003292/201015 Conta e Ordem Cofins Importação Agosto 2010 15165003285/201013 Conta e Ordem PIS Importação Junho a setembro 2010 15165003284/201061 Conta e Ordem Cofins Importação Junho a setembro 2010 15165720786/201131 Conta Própria e Conta e Ordem Cofins Importação 2011 Assim, visando celeridade processual e procedimental, o voto que ora submeto a apreciação do colegiado contempla, simultaneamente, o conjunto dos processos suso relacionados, preservandose contudo a individualidade e autonomia de cada um. 1 Do Mérito 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE NO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Conforme relatado, a matéria posta em controvérsia diz respeito à alegação de inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004, ao incluir o ICMS, bem como as próprias contribuições, na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Nesse pormenor, faço meus os fundamentos de recente voto proferido pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duro nos autos do processo 15165720784201141, Acórdão 3301003.240, de 28 de março de 2017, nos seguintes termos: Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15165.002465/201070 Acórdão n.º 3301003.865 S3C3T1 Fl. 126 6 ressaltese que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15165.002465/201070 Acórdão n.º 3301003.865 S3C3T1 Fl. 127 7 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, e conseqüentemente acolher o Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Dispositivo Ante o exposto voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da Cofins Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.722569/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
Numero da decisão: 2202-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 25 69 /2 01 4- 22 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 30/37), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas com plano de saúde, pagos à Unimed do Estado de São Paulo, no valor de R$ 22.745,20, por falta de comprovação dos valores pagos por beneficiário do plano. A Notificação abrangeu também a omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 1.441,63. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, alegando que o plano de saúde da Unimed é despesa do próprio contribuinte, comprovada pela declaração anual de quitação de débitos e os comprovantes mensais de recolhimento. Não impugnada a omissão de rendimentos. A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 56/60, pois a legislação permite a dedução de despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes e os documentos apresentados não comprovam que os pagamentos se referem apenas ao plano do próprio declarante. Cientificado dessa decisão por via postal em 27/04/2015 (A.R. de fls. 63), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 26/05/2015 (fls. 65/66), argumentando que os documentos anexados indicam o nome e CPF do usuário do serviço (o declarante) e os valores mensais do plano de saúde. Anexa também os comprovantes de quitação mensal das parcelas e, por entender que a despesa foi comprovada, questiona quais outros documentos deveria juntar e que nenhum documento complementar lhe foi exigido. Assevera ter cumprido as exigências do art. 8º da Lei nº 9.250/1995 citadas pelo Julgador. Requer o provimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas com plano de saúde pagas pelo declarante, por falta de discriminação dos valores pagos por beneficiário. Quando da Intimação fiscal para apresentação de documentos Termo de Intimação Fiscal nº 2012/092987546946414, o contribuinte foi instado a apresentar "comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiários (titular e dependente)" (grifei), o que não foi atendido. Em sua impugnação apresentou os comprovantes de pagamento mensais à Unimed SP, nos quais não há qualquer identificação de tratarse de plano individual ou familiar, de modo que apenas comprovou a quitação dos valores pagos em nome do titular, mas Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.722569/201422 Acórdão n.º 2202003.869 S2C2T2 Fl. 98 3 não atendeu à solicitação de apresentação de comprovantes com valores discriminados por beneficiário (titular e dependentes). Em seu recurso anexou além dos documentos já trazidos anteriormente aos autos, a declaração anual de quitação de débitos, emitida pela Priority Adm. de Planos de Saúde Ltda, (fls. 71) informando os valores recolhidos pelo titular do plano de saúde, durante o ano de 2011 em favor da Unimed do Estado de São Paulo. Ocorre que esta declaração não informa se o plano abrange apenas o titular ou outros beneficiários, conforme exigido. Conforme já reproduzido no acórdão recorrido, o II do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina que a dedução de despesa com plano de saúde restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e aos de seus dependentes. Para comprovar o que foi exigido, bastaria que o interessado apresentasse também, o contrato com o plano de saúde ou declaração que expressamente informasse se o plano abrange outros beneficiários, além do titular, com a identificação de todos os beneficiários, em caso positivo. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720151/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.919
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 51 /2 01 2- 36 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720151/201236 Acórdão n.º 3302003.919 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.088. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720151/201236 Acórdão n.º 3302003.919 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720151/201236 Acórdão n.º 3302003.919 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720151/201236 Acórdão n.º 3302003.919 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11516.720151/201236 Acórdão n.º 3302003.919 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 245DF CARF MF
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