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Numero do processo: 11080.907411/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos do processo nº 11080.901050/2010-60, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1094 a 1112) interposto contra v. Acórdão (fls. 1075 a 1083) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 292), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1054) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2007.
Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 8876.88385.301009.1.3.03-0906 refere-se a R$ 2.092.282,09, dividido em no não reconhecimento de R$ 132,67 de IRRF do período e R$ 2.092.149,42 referente a estimativas compensadas.
A retenção de IRRF não é questionada pela Contribuinte nos autos, inclusive reconhecendo, já em sede de Manifestação de Inconformidade, o desconto de seu valor do crédito pretendido.
Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, ainda não findado.
Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo:
Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 0665795631, fl. 1054, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 18876.88385.301009.1.3.03-0906, fls. 1059/1070, concernente ao saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida:
A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 656.113,71, enquanto nenhum valor reconhecido pela autoridade administrativa competente. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado:
Retenções na Fonte: R$ 11.456,22 (valor informado) R$ 11.323,55 (valor reconhecido) = R$ 132,67 (valor não reconhecido)
Estimativas: R$ 3.549.956,75 (valor informado) R$ 1.457.807,33 (valor reconhecido) = R$ 2.092.149,42 (valor não reconhecido)
O fato de o crédito não haver sido reconhecido implicou na não homologação das compensações informadas no PER/DCOMP, o que tornou exigível o seguinte valor:
R$ 569.096,68 + R$ 113.819,32 + R$ 306.247,69 = R$ 989.163,69 (total exigido)
A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 14/10/2013, fl. 1071.
Não satisfeita com o que foi deliberado, em 13/11/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/29, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas.
Registrou que a negativa do Fisco se deu em razão de dois fundamentos:
[...] O primeiro diz respeito às retenções na fonte declaradas pela empresa na PER/DCOMP 18876.88385.301009.1.3.03-0906 e na sua DIPJ, que contribuíram para formar o Saldo Negativo de CSL daquele ano. Enquanto a empresa afirmava ter havido retenções no patamar de R$ 11.456,22, o Fisco afirma que ocorreram retenções somente no valor de R$ 11.323,55. Ou seja, uma diferença de R$ 132,67 a ser descontada dos créditos da Contribuinte. Quanto a este ponto, correto o entendimento fiscal.
O segundo fundamento é o fato de que nem todos os pagamentos de estimativas feitos pela Contribuinte foram reconhecidos pelo Fisco. De fato, enquanto a empresa afirma em suas declarações ter pago o valor de R$ 14.999.131,31, o Fisco somente reconhece o pagamento de um total de R$ 12.906.849,22 de estimativas.
A estimativa não reconhecida foi a do mês de dezembro/2007, que foi paga via compensação com créditos de IPI na DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910.
Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido no Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito estimativa 12/2007 da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade).
A falta de reconhecimento do direito creditório mostra-se precoce e indevida, uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre a pretendida suspensão do presente processo administrativo, até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, postulou o imediato reconhecimento do saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007 (item IV, fls. 11/28).
É o que se tem a relatar
Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito.
Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Acórdão (fls. 1075 a 1083) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 292), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1054) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2007. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 8876.88385.301009.1.3.03-0906 refere-se a R$ 2.092.282,09, dividido em no não reconhecimento de R$ 132,67 de IRRF do período e R$ 2.092.149,42 referente a estimativas compensadas. A retenção de IRRF não é questionada pela Contribuinte nos autos, inclusive reconhecendo, já em sede de Manifestação de Inconformidade, o desconto de seu valor do crédito pretendido. Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, ainda não findado. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 0665795631, fl. 1054, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 18876.88385.301009.1.3.03-0906, fls. 1059/1070, concernente ao saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 656.113,71, enquanto nenhum valor reconhecido pela autoridade administrativa competente. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Retenções na Fonte: R$ 11.456,22 (valor informado) R$ 11.323,55 (valor reconhecido) = R$ 132,67 (valor não reconhecido) Estimativas: R$ 3.549.956,75 (valor informado) R$ 1.457.807,33 (valor reconhecido) = R$ 2.092.149,42 (valor não reconhecido) O fato de o crédito não haver sido reconhecido implicou na não homologação das compensações informadas no PER/DCOMP, o que tornou exigível o seguinte valor: R$ 569.096,68 + R$ 113.819,32 + R$ 306.247,69 = R$ 989.163,69 (total exigido) A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 14/10/2013, fl. 1071. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 13/11/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/29, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas. Registrou que a negativa do Fisco se deu em razão de dois fundamentos: [...] O primeiro diz respeito às retenções na fonte declaradas pela empresa na PER/DCOMP 18876.88385.301009.1.3.03-0906 e na sua DIPJ, que contribuíram para formar o Saldo Negativo de CSL daquele ano. Enquanto a empresa afirmava ter havido retenções no patamar de R$ 11.456,22, o Fisco afirma que ocorreram retenções somente no valor de R$ 11.323,55. Ou seja, uma diferença de R$ 132,67 a ser descontada dos créditos da Contribuinte. Quanto a este ponto, correto o entendimento fiscal. O segundo fundamento é o fato de que nem todos os pagamentos de estimativas feitos pela Contribuinte foram reconhecidos pelo Fisco. De fato, enquanto a empresa afirma em suas declarações ter pago o valor de R$ 14.999.131,31, o Fisco somente reconhece o pagamento de um total de R$ 12.906.849,22 de estimativas. A estimativa não reconhecida foi a do mês de dezembro/2007, que foi paga via compensação com créditos de IPI na DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910. Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido no Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito estimativa 12/2007 da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade). A falta de reconhecimento do direito creditório mostra-se precoce e indevida, uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre a pretendida suspensão do presente processo administrativo, até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, postulou o imediato reconhecimento do saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007 (item IV, fls. 11/28). É o que se tem a relatar Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos do processo nº 11080.901050/201060, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 07 41 1/ 20 13 -2 4 Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.120 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1094 a 1112) interposto contra v. Acórdão (fls. 1075 a 1083) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 292), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1054) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2007. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 8876.88385.301009.1.3.030906 referese a R$ 2.092.282,09, dividido em no não reconhecimento de R$ 132,67 de IRRF do período e R$ 2.092.149,42 referente a estimativas compensadas. A retenção de IRRF não é questionada pela Contribuinte nos autos, inclusive reconhecendo, já em sede de Manifestação de Inconformidade, o desconto de seu valor do crédito pretendido. Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/201060, ainda não findado. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Temse no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 0665795631, fl. 1054, tratandose de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 18876.88385.301009.1.3.030906, fls. 1059/1070, concernente ao saldo negativo da CSLL do anocalendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida: Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.121 3 A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 656.113,71, enquanto nenhum valor reconhecido pela autoridade administrativa competente. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Retenções na Fonte: R$ 11.456,22 (valor informado) – R$ 11.323,55 (valor reconhecido) = R$ 132,67 (valor não reconhecido) Estimativas: R$ 3.549.956,75 (valor informado) – R$ 1.457.807,33 (valor reconhecido) = R$ 2.092.149,42 (valor não reconhecido) O fato de o crédito não haver sido reconhecido implicou na não homologação das compensações informadas no PER/DCOMP, o que tornou exigível o seguinte valor: R$ 569.096,68 + R$ 113.819,32 + R$ 306.247,69 = R$ 989.163,69 (total exigido) A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 14/10/2013, fl. 1071. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 13/11/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/29, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas. Registrou que a negativa do Fisco se deu em razão de dois fundamentos: [...] O primeiro diz respeito às retenções na fonte declaradas pela empresa na PER/DCOMP 18876.88385.301009.1.3.030906 e na sua DIPJ, que contribuíram para formar o Saldo Negativo de CSL daquele ano. Enquanto a empresa afirmava ter havido retenções no patamar de R$ 11.456,22, o Fisco afirma que ocorreram retenções somente no valor de R$ 11.323,55. Ou seja, uma diferença de R$ 132,67 a ser descontada dos créditos da Contribuinte. Quanto a este ponto, correto o entendimento fiscal. O segundo fundamento é o fato de que nem todos os pagamentos de estimativas feitos pela Contribuinte foram reconhecidos pelo Fisco. De fato, enquanto a empresa afirma em suas declarações ter pago o valor Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.122 4 de R$ 14.999.131,31, o Fisco somente reconhece o pagamento de um total de R$ 12.906.849,22 de estimativas. A estimativa não reconhecida foi a do mês de dezembro/2007, que foi paga via compensação com créditos de IPI na DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.016910. Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido no Processo Administrativo nº 11080.901050/201060, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito estimativa 12/2007 da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.016910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade). A falta de reconhecimento do direito creditório mostrase precoce e indevida, “uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/201060, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN”. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre a pretendida suspensão do presente processo administrativo, até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/201060 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, postulou o imediato reconhecimento do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2007 (item IV, fls. 11/28). É o que se tem a relatar Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.123 5 creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.124 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como relatado, a improcedência da parcela do crédito referente a R$ 132,67 de IRRF do período é incontroversa, como já reconhecido em sede de Manifestação de Inconformidade. Feita tal observação, inicialmente alega a Recorrente que a não homologação da da DCOMP agora sob análise, diante da justificativa de que o crédito de IPI e a satisfação da estimativa de CSLL de dezembro de 2007, debatido nos autos processo administrativo nº 11080.901050/201060, foi inicialmente rejeitada e encontrase, ainda, em tramite administrativo, representaria cobrança em duplicidade. Por tal motivo e considerando que ou será tal crédito reconhecido ou, se negado, a Contribuinte promoverá o pagamento do débito correspondente, deveria, então, aqui ser homologada a compensação que depende de tal outro pleito, evitandose a oneração dupla e o indevido enriquecimento da União. Pois bem, o entendimento há muito professado por essa C. 2ª Turma Ordinária é que tal correlação de dependência entre débitos não pode ensejar a denegação da compensação pretendida (como procedeu a DRJ a quo), mas, também, não basta para justificar a homologação da manobra do Contribuinte. Isso porque, de fato, no presente momento, não é ainda líquida e certa esta parcela do crédito empregado na compensação, não podendo, legalmente, confirmarse a satisfação dos débitos saldados pela DCOMP. E não há aqui propriamente o enriquecimento ilícito da União Federal ou mesmo cobrança de débitos em duplicidade, mas somente um anacronismo na apuração de Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.125 7 procedência da cadeia de créditos auferida e declarada pela própria Contribuinte, sendo a mais adequada solução o sobrestamento do feito dependente, sem a resolução instantânea do mérito, como será visto a seguir. Já passando ao enfrentamento do segundo tópico de alegações da Recorrente, é imperiosa a verificação de relação de conexão e prejudicialidade entre a presente contenda e o processo administrativo nº 11080.901050/201060 (que trata da quitação de estimativa de dezembro de 2007, que formou o saldo negativo CSLL). Nesse sentido, a dependência da procedência do crédito pretendido pela Recorrente nesse feito com a homologação da compensação da estimativa, objeto do processo administrativo mencionado, não só é fato notório e inquestionável, como também foi a motivação para a denegação da DCOMP no r. Despachos Decisório e pela sua manutenção pela DRJ a quo. Confirase trecho do v. Acórdão recorrido da DRJ: Acontece que o que deverá prevalecer, para o deslinde da controvérsia posta em julgamento, é a situação atual da compensação tratada no processo n° 11080.901050/201060, que é no sentido do reconhecimento apenas parcial do crédito e da improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, de forma que na presente conjuntura não há como se alterar o que foi decidido no despacho decisório atacado, posto que no julgamento de primeira instância não foi acatado o pedido da pessoa jurídica interessada, formulado no sentido reconhecimento integral do crédito relacionado ao IPI do primeiro trimestre/2007. Reconhecer o saldo negativo aqui discutido, sem que exista uma decisão administrativa definitiva, decretando a existência do crédito informado no PER/DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.016910, representaria inquestionável afronta ao caput do art. 170 do CTN, dada a ausência dos atributos da certeza e da liquidez, imprescindíveis para o reconhecimento do direito creditório postulado pelo sujeito passivo, senão vejamos: (...) Portanto, tendo em conta o fato de já haver ocorrido o julgamento em primeira instância da questão relacionada à estimativa de dezembro/2007 (tratada no processo administrativo de nº 11080.901050/201060, em que foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade pela empresa apresentada), o que resta patente no presente julgado é a correção do despacho decisório contraditado. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.126 8 Claramente, temse aqui uma didática relação de dependência, na forma como leciona Fredie Didier Jr1, na medida que o fundamento causal e a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, é a homologação de outra Declaração de Compensação, que saldou a estimativa de CSLL do mês de dezembro do anocalendário de 2007 (dando margem ao saldo negativo utilizado). Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. 1 A relação de dependência entre causas pendentes pode ocorrer de duas maneiras: a) uma causa é prejudicial a outra: a solução que se der a uma causa pode interferir na solução que se der a outra; b) uma causa é preliminar a outra: a solução que ser a uma pode impedir o exame da outra. (...) Essa visão autorizanos a concluir pela existência de conexão por prejudicialidade ou preliminaridade: se uma causa é prejudicial/preliminar a outra há conexão e a reunião se exige, respeitados os limites impostos para qualquer reunião. Disponível em: http://www.frediedidier.com.br/artigos/parecerconexaopreliminaridade/ Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.127 9 § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Como há muito vem decidindo esta C. 2ª Turma Ordinária, por unanimidade, não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga sem o desfecho, pelo menos em mesma instância administrativa, dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação precipitada de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Como já mencionado, não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de verdadeiro obstáculo, lógico e temporal, para tal apuração e confirmação, não podendo simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte. Posto isso, temos que o processo administrativo nº 11080.901050/201060 encontramse pendente de distribuição na C. 3ª Seção de E. CARF2. Como acima se observa, não houve em tal contenda a apreciação do mérito da procedência do crédito utilizado pela Contribuinte nessa instância recursal ordinária. 2 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf consulta realizada em 01/10/2018. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 11080.907411/201324 Resolução nº 1402000.735 S1C4T2 Fl. 1.128 10 Certamente, em face de tal circunstância e diante da patente relação de dependência preliminar no julgamento daquele outro processo, é racional, lógico e processualmente adequado aqui o sobrestamento do feito até o desfecho meritório, nessa mesma instância, de tais feitos como é o entendimento pacífico e absoluto deste N. Colegiado. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o presente feito até a prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância deste E. CARF, apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos do processo administrativo nº 11080.901050/201060, para, somente então, retomarse o julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1128DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720355/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 55 /2 01 0- 05 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10480.720355/201005 Acórdão n.º 3301005.368 S3C3T1 Fl. 3 2 decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de não homologação da compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou a ocorrência de decadência e arguiu que a hipótese em que o crédito não poderia ser utilizado se restringiria àquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, hipótese essa não verificada no presente caso, razão pela qual o indeferimento era indevido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09055.797, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegou nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.364, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.720351/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.364): O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0955.793, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Preliminarmente o Contribuinte aduz pela nulidade da decisão por entender que a Manifestação de Inconformidade foi julgada em diversos Acórdãos, de mesmo teor, cada um referente a um processo administrativo, Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10480.720355/201005 Acórdão n.º 3301005.368 S3C3T1 Fl. 4 3 violando o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como, o art. 59 do referido Decreto. O fato da Manifestação de Inconformidade contemplar treze processos administrativos e a autoridade administrativa ter proferido treze acórdãos sobre os PER/Dcomps, que estão sendo julgados a partir do presente processo na condição de paradigma, não implica em violação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que assim dispõe: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Assim considerado, nego provimento a preliminar por entender que não há nenhuma ofensa ao disposto no art. 31 citado e, com isso, não cabe a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 por preterição do direito de defesa como alegado pelo Contribuinte em seu recurso. O Contribuinte alega, ainda em preliminar, que como se trata de lançamento por homologação, ocorreu a decadência do direito da administração fiscal de recalcular as bases apuradas de acordo com o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim expressa (fls. 827 e 828): (...) Esta segunda preliminar foi bem enfrentada já na decisão ora recorrida e a cito como razões para decidir (fls. 810 e 811): A manifestante alega que “considerando que os fatos geradores dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação ocorreram nos anos de 2005 e 2006, o prazo decadencial para questionamento dessas apurações se encerrou em 2011, sendo vedado ao Fisco proceder, como fez, ao lançamento no ano de 2012, Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10480.720355/201005 Acórdão n.º 3301005.368 S3C3T1 Fl. 5 4 buscando revolver as bases de créditos tributários gerados em 2005 e 2006. Assim, de rigor o reconhecimento da decadência dos tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado”. (grifei) Cumpre ressaltar que o presente processo trata da análise de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação transmitidos pela empresa, portanto, não há que se falar em decadência visto que nele não existe lançamento de crédito tributário. Os débitos que estão sendo cobrados, ou os tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado na fala da manifestante, são aqueles declarados pela empresa nas respectivas Dcomps, e assim são regulados pelos §§ 5º e 6º do art. 74 da Lei 9.430/96, cujo teor transcrevo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Portanto, como a decisão do Despacho decisório se deu antes de decorridos cinco anos da transmissão da Dcomp em questão, também não há que se falar em homologação tácita dos débitos nela declarados. Portanto, acerca desta preliminar, voto por negar provimento ao recurso. A questão de mérito diz respeito a possibilidade ou não de se apurar créditos no que tange ao PIS/COFINS referentes a despesas da atividade da recorrente, serviços prestados por terminais portuários, vinculadas à exportação de mercadorias. Neste sentido cito trecho do recurso para que se elucidem os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 830 e seguintes): (...) (...) Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10480.720355/201005 Acórdão n.º 3301005.368 S3C3T1 Fl. 6 5 No que tange o mérito da questão, considero relevante trazer o entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido como forma de elucidar o entendimento da DRJ/JFA e que servem como razões para decidir (fls. 811 a 813): Como se vê no Relatório de Fiscalização que deu origem ao despacho decisório em análise, a autoridade fiscal analisou detalhadamente os créditos informados pela empresa no Dacon respectivo e apurou “créditos vinculados ao mercado interno MI, demonstrados no Anexo I, que decorreram dos custos e despesas necessárias à obtenção das receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, onde foi aplicado sobre os gastos comuns às receitas vinculadas ao mercado interno (Ml) e ao mercado externo (ME) o rateio proporcional descrito no item anterior”. Esses créditos não constam do PER analisado conforme esclarece o citado Relatório de Fiscalização: “Os saldos credores (vinculados ao mercado externo ME) utilizados nos pedidos de ressarcimento decorreram dos custos com serviços prestados pelas empresas TEAG Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá Ltda. e COSAN S/A Industria e Comércio, relativos a recepção, pesagem, análise, estocagem e carregamento do açúcar nos navios transportadores. Estes serviços estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, logo, não devem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições sociais por expressa vedação contida no art. 6º, § 4º e art. 15 da Lei n° 10.833/2003 e art. 21, § 2º da IN SRF n° 600/2005. Indevida, portanto, a utilização dos saldos nos referidos pedidos”. (grifei) Os citados arts. 6º e 15 da Lei n° 10.833/2003 estabelecem: Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10480.720355/201005 Acórdão n.º 3301005.368 S3C3T1 Fl. 7 6 Art. 6ºA COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2ºA pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3ºO disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9ºdo art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; A manifestante alega que “a hipótese em que o crédito não pode ser utilizado é aquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, sendo que a contribuinte não incorreu nessa hipótese, razão pela qual o indeferimento foi indevido”. A argumentação da empresa, carente de razoabilidade, não pode prosperar tendo em vista que o dispositivo legal é bastante claro ao afirmar que o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput. Que fim que está previsto nesse inciso? O fim específico de exportação. Ora, a empresa é comercial exportadora, nos termos DecretoLei n° 1.248/72 e os custos que deram origem aos supostos créditos, ora pleiteados, estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, como esclarece a autoridade fiscal. Assim, fica vedada a apuração e apropriação destes créditos pela empresa, como se constata da legislação acima transcrita. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela manutenção dos termos do Despacho Decisório. De fato, em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu recurso, entendo correto o processo de subsunção legal com a aplicação do disposto no art. 6º, inciso III e do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10480.720355/201005 Acórdão n.º 3301005.368 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001435/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-007.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 14 35 /2 01 0- 76 Fl. 2015DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de lançamento (DEBCAD 37.260.5087 fundamentação legal 68), para cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória decorrente do fato do Contribuinte ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Nos termos do relatório fiscal, a obrigação acessória decorre de lançamentos relativos a fatos geradores omitidos da GFIP, no período de 10/2007 à 11/2008, referentes a pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais integrantes de sua folha de pagamento e aquisição de produtor rural pessoa física. Após o trâmite processual a 3ª Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar que seja excluído da base de cálculo da multa os valores referentes à comercialização de produção rural de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas e, após, o cálculo da multa seja feito de acordo com o art. 32A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, se mais benéfico à recorrente. O acórdão 2803001.809 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/03/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. MULTA.RELEVAÇÃO.FAVOR REVOGADO As autuações lavradas após a revogação da relevação prevista no art. 291 do decreto 3.048/99 não fazem jus ao favor extinto. PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL.REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10950.001435/201076 Acórdão n.º 9202007.286 CSRFT2 Fl. 2.016 3 No julgamento do RE 363.852/MG o Pleno da Suprema Corte decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Aplicabilidade do inciso I do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256 de 22 de junho de 2009. Inexistência de fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimada a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial visando rediscutir duas matérias: 1) constitucionalidade das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural para fatos geradores posteriores a edição da Lei nº 10.256/2001, e 2) o critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. O contribuinte não apresentou contrarrazões. O processo foi pautado para a sessão de julgamento de 18/04/2018, oportunidade em que, por se tratar de lançamento de obrigação acessória cuja análise depende diretamente das informações das obrigações principais, o Colegiado converteu o julgamento em diligência e por meio da Resolução nº 920200.195 determinou que a Unidade de Origem, esclarecesse acerca da situação dos processos nºs 10950.001432/201032, 10950.001433/2010 87 e 10950.001434/201021. Em cumprimento a diligência a Autoridade Fiscal faz juntar aos autos os documentos de fls. 1853/1994 e informa que os débitos relativos aos processos citados foram incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Contribuinte se manifesta às fls. 2000/2009 ratificando a informação quanto ao parcelamento e esclarecendo que sua desistência engloba inclusive o débito relativo ao presente Debcad de nº 37.260.5087. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Fl. 2017DF CARF MF 4 Em que pese o objetivo do recurso seja a discussão acerca da constitucionalidade das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural para fatos geradores posteriores a edição da Lei nº 10.256/2001, e ainda a discussão do critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Conforme descrito no relatório e demonstrado pela Autoridade Fiscal, fato ratificado pelo Contribuinte, os débitos relativos às obrigações principais que deram origem ao lançamento para cobrança da respectiva obrigação acessória encontramse parcelados. Em sua petição o Contribuinte esclarece: Inicialmente, impõese consignar que os despachos de encaminhamento anexados às fls. 18401842 do processo eletrônico em epígrafe destacam que a Requerente tomou ciência da intimação n.º 87/2017, mas não apresentou contrarrazões ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional e/ou interpôs recurso especial. Tal posicionamento se deu motivado no fato de que, na data de 21.08.2014, a Requerente aderiu ao parcelamento especial instituído por meio da Lei n.º 12.996/2014, na modalidade DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB – CÓDIGO DE RECOLHIMENTO 4743, objetivando o pagamento, em 180 meses, dos débitos 36.651.8623, 37.260.5087, 43.998.3673, 43.998.3681 e 43.998.3690. A informação é confirmada pelo demonstrativo "Recibo de Consolidação de Modalidade de Parcelamento da Lei nº 12.996/2014 de Débitos Previdenciários no Âmbito da RFB" (fls. 2007) o qual expressamente cita o Debcad de nº 37.260.5087. Diante disto, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado, não há mais qualquer matéria em litígio. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário haja vista adesão a programa especial de parcelamento de débitos federais. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 10950.001435/201076 Acórdão n.º 9202007.286 CSRFT2 Fl. 2.017 5 Fl. 2019DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903390/2009-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.070
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, a fim de que se aprecie a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803-00.109, com posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram do recurso, entendendo não ser necessária a conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 139 1 138 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10469.903390/200974 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9101000.070 – 1ª Turma Data 9 de agosto de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA BRASILEIRA DE LOCAÇÃO E TRANSPOR Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, a fim de que se aprecie a matéria devolvida pelo paradigma nº 280300.109, com posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram do recurso, entendendo não ser necessária a conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 03 39 0/ 20 09 -7 4 Fl. 140DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 140 ___________ Relatório Tratase de recurso especial (efls. 81/93) interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1802001.564, da sessão de 06 de março de 2013 (efls. 69/79), proferido pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário interposto pela EMPRESA BRASILEIRA DE LOCAÇÃO E TRANSPOR ("Contribuinte"). Discutese reconhecimento de direito creditório. Foi encaminhado PER/DCOMP pela Contribuinte visando o aproveitamento de créditos decorrentes de pagamento a maior efetuado em DARFSIMPLES. Despacho eletrônico da DRF/NatalRN não homologou a compensação pleiteada porque o pagamento fora integralmente utilizado na extinção do débito de SIMPLES que constava nos sistemas internos. Em manifestação de inconformidade, aduziu a Contribuinte que foi transmitida declaração retificadora IRPJSIMPLES (posteriormente à ciência do despacho decisório), no qual informou a Contribuinte que teria apurado incorretamente o tributo devido porque aplicou alíquotas destinadas à prestação de serviço, quando na realidade sua atividade consiste em locação de automóveis e ônibus de passeio, que seriam operações de natureza comercial. A primeira instância (DRJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A decisão discorre que a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do despacho decisório, e se a retificação de declaração do SIMPLES foi efetuada posteriormente à ciência da decisão caberia à Contribuinte fazer a prova do erro alegado, mediante apresentação de documentação. Manifestouse também no sentido de que, no contrato social da empresa, consta atividade de "Locação de automóveis e ônibus com motorista e Locação de automóveis e ônibus sem motorista". Entendeu que no caso da locação de bens móveis sem motorista, de fato não haveria que se falar em prestação de serviços, conforme já decidido pelo STF (Súmula Vinculante nº 31). Contudo, no caso de locação com motorista, haveria incidência de prestação de serviços, com alíquota diferenciada no SIMPLES. E nos autos não consta que a Contribuinte tivesse efetuado a segregação de receitas auferidas de locação com motorista e locação sem motorista. Conclui no sentido de que mesmo que tivesse a Contribuinte apresentado a declaração retificadora antes do despacho decisório, não caberia revisão, por falta de provas. Foi interposto recurso voluntário, apreciado pela Turma Especial da 1ª Seção do CARF, decidindo no sentido de darlhe provimento, nos termos da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 30/11/2004 LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL COM OU SEM MOTORISTA.SIMPLES Constituindose a receita bruta da pessoa jurídica da locação de veículos, com ou sem motorista, não se aplicam os percentuais Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10469.903390/200974 Resolução nº 9101000.070 CSRFT1 Fl. 141 3 referidos no art. 5o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pela Lei no 9.732, de 11 de dezembro de 1998 com o acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) previsto no artigo 2º da Lei nº 10.034 de 24/10/2000, com as alterações posteriores, por não se configurar receita decorrente de prestação de serviços. COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização para a extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação/PERDCOMP, ainda que para a demonstração do crédito a Declaração Simplificada IRPJSIMPLES Retificadora seja apresentada após a emissão do despacho decisório eletrônico expedido pela autoridade administrativa. Reconhecido o direito creditório a favor da contribuinte inexiste óbice para homologação da compensação declarada no PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos O voto da decisão recorrida entendeu que o contrato de locação de veículos com motorista não configura locação de mão de obra, e tampouco desnatura do contrato de locação de bem móvel. Assim, não haveria diferença entre a locação de automóveis com ou sem motorista, e, não sendo prestação de serviços, não caberia a alíquota majorada do SIMPLES. Assim, partindo de tal premissa, e analisando a declaração da Contribuinte, entendeu que restou comprovada a existência do direito creditório pleiteado. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 81/93), apresentando os paradigmas nº 10517.143 e 280300.109. Aduz que o primeiro paradigma entendeu pela impossibilidade de inovação da lide no caso de demonstração extemporânea do crédito. Assim, não caberia a análise de documentação probatória após a decisão administrativa que indeferiu o crédito, ou seja, discorre sobre o momento de apresentação de provas quando referente à retificação de declaração. Sobre o segundo paradigma, discorre que a decisão firmou entendimento no sentido de que, após o despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a apresentação de declaração retificadora deveria estar acompanhada de documentação probatória apta a demonstrar o erro de preenchimento. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 96/101) deu seguimento ao recurso especial. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10469.903390/200974 Resolução nº 9101000.070 CSRFT1 Fl. 142 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Passo ao exame da admissibilidade. O recurso especial pretender devolver para a discussão do presente Colegiado duas matérias de ordem processual: A primeira, tendo como referência o paradigma nº 10517.143, diz respeito à impossibilidade de, em sede de processo de reconhecimento de direto creditório, se apreciar documentação probatória apresentada posteriormente, após a decisão administrativa que indeferiu a compensação. Transcrevo paradigma e excerto do recurso: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 Ementa: LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida. ............................................................................................................ Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização da DCOMP, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior, o acórdão paradigma entendeu por essa impossibilidade, tendo em vista os limites objetivos da lide delineados com o pedido/declaração inaugural de restituição/compensação, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito. Para a demonstração da divergência jurisprudencial, partese do referencial de que o paradigma ora apresentado entende pela impossibilidade de inovação da lide no sentido de demonstração extemporânea do crédito. Consoante se demonstrou, ficou assente a tese de que, “O erro alegado, se comprovado, é perfeitamente passível de retificação, mas os direitos creditórios daí oriundos não mais podem Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10469.903390/200974 Resolução nº 9101000.070 CSRFT1 Fl. 143 5 ser apreciados no presente processo”. Tratase, portanto, de momento de apresentação de provas quando referente à retificação de declaração, tal como no presente caso. Ou seja, após a emissão do despacho decisório que indeferiu o direito creditório, teria restado precluso o direito de apresentar documentação probatória, inclusive em relação à retificação da declaração. A segunda matéria, tendo como referência o paradigma nº 280300.109, discute outra situação, no qual, uma vez publicado o despacho decisório, poderia ser admitida a apresentação de declaração retificadora, desde que acompanhada de documentação probatória apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. E, no caso dos presentes autos, teria sido apresentado apenas a retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI, que a decisão recorrida considerou suficiente para retificar a declaração e reconhecer o direito creditório. Segue ementa e excerto do recurso: Ementa(s) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O DESPACHO DECISÓRIO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova do erro no preenchimento da DCTF, segundo o sistema de distribuição do ônus probatório adotado no processo administrativo federal. .............................................................................................................. De um lado, o Colegiado a quo reconheceu o direito creditório, superando a conclusão da DRJ de origem no sentido de que “a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do Despacho Decisório, pois a disponibilidade do crédito suplicado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação somente foi promovida após exarado o despacho, cabia à interessada o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. A simples retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI , desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações veiculadas em sede de manifestação de inconformidade”. Por outro lado, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, em decisão consubstanciada no acórdão nº 280300.109, firmou o entendimento de que caberia ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da declaração (que naquele caso tratavase de DCTF, em contraponto ao presente feito, que trata de DIPJ), do qual resultaria seu indébito. Enquanto no primeiro paradigma, descartase por completo a possibilidade de a declaração retificadora apresentar documentação probatória em momento posterior à emissão do despacho, por preclusão processual, no segundo paradigma, admitese a apresentação de documentação probatória em sede de declaração retificadora. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10469.903390/200974 Resolução nº 9101000.070 CSRFT1 Fl. 144 6 Ocorre que o despacho de exame de admissibilidade efetuou a análise apenas de primeira matéria, como se pode observar o excerto transcrito: Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos apontados como paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de inovação na matéria objeto de análise pelo despacho decisório, onde o crédito declarado em DCOMP apenas foi demonstrado em data posterior à sua apresentação. Ou seja, segundo as informações da DIPJ no momento da apresentação da DCOMP, o referido direito creditório invocado não era líquido e certo, somente sendo objeto de demonstração em momento ulterior à apresentação da DCOMP. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos (recorrido e paradigmas) já é possível caracterizar a divergência, haja vista que tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido entendeuse pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização da DCOMP, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior. Por sua vez, os acórdãos paradigmas manifestaramse pela impossibilidade, tendo em vista os limites objetivos da lide delineados com o pedido/declaração inaugural de restituição/compensação, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito. (Grifei) Não obstante a citação em plural, "os acórdãos paradigmas", o que se observa é que foi apreciada apenas a matéria trazida pelo paradigma nº 10517.143, inclusive com transcrição da redação do recurso especial sobre o assunto. O despacho de exame de admissibilidade não apreciou a segunda matéria, posta no paradigma nº 280300.109. No caso, aduziu a recorrente que decisão recorrida teria acatado a declaração retificadora amparada na retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI, e que o paradigma teria entendido que a declaração retificadora, para lastrear o direito creditório, deveria estar lastreada por documentação probatória. A apreciação da divergência posta pela recorrente deve ser efetuada em sede de despacho de exame de admissibilidade, falecendo ao presente Colegiado,no presente momento processual, efetuar o exame da divergência aduzida. Tratase de competência do presidente da câmara recorrida, conforme art. 68, § 1º do Anexo II do RICARF: Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10469.903390/200974 Resolução nº 9101000.070 CSRFT1 Fl. 145 7 § 1º Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negar lhe seguimento. Uma vez efetuado o exame de admissibilidade da matéria pelo presidente da câmara, caso seja negado seguimento, cabe apresentação de agravo. E, sendo admitida a matéria, passase à apreciação do presente Colegiado, que poderá avaliar novamente a admissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para devolução dos autos para a câmara recorrida, visando a elaboração de despacho de admissibilidade complementar, para apreciar a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803 00.109. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904878/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/09/2005
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/09/2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 48 78 /2 01 1- 57 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.904878/201157 Acórdão n.º 1301003.601 S1C3T1 Fl. 3 2 provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.904884/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.904878/201157 Acórdão n.º 1301003.601 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da ausência de comprovação de recolhimento indevido de estimativa e na impossibilidade de se retificar a origem do crédito pleiteado para saldo negativo de CSLL. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na PER/DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de CSLL, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que não houve mero erro no preenchimento da PER/DComp, tampouco haveria que se falar em inexatidões materiais em seu preenchimento, tratandose, em realidade, de pedido do contribuinte para alteração da natureza jurídica do pedido, uma vez que PER/DComp indicava tratarse de pagamento indevido de estimativa, mas, na realidade, de saldo negativo de CSLL. Concluiu não haver prova de recolhimento indevido de estimativa, indeferindo o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado e não homologando as compensações declaradas. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.904878/201157 Acórdão n.º 1301003.601 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.599, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.904884/2011 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.599): "O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou Per/DComp utilizandose de créditos decorrentes de IRPJ (estimativa) pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O acórdão recorrido, por sua vez, superou a fundamentação utilizada no despacho decisório em razão de posterior alteração de entendimento por parte da RFB por meio do art. 10 da IN RFB nº 900, de 2008, e da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, tanto em relação à admissão ao direito de restituição ou de compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, quanto à sua aplicação aos PER/DComp originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estivessem pendentes de decisão administrativa. Aduz que o contribuinte não trouxe prova do recolhimento a maior e que o pedido de retificação do PER/DComp para se considerar como origem do crédito o saldo negativo de IRPJ, em vez de pagamento indevido ou a maior de Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.904878/201157 Acórdão n.º 1301003.601 S1C3T1 Fl. 6 5 estimativa, não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 78 da IN RFB nº 900, de 2008 Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.904878/201157 Acórdão n.º 1301003.601 S1C3T1 Fl. 7 6 REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe." Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.904878/201157 Acórdão n.º 1301003.601 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.902386/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da nãohomologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 86 /2 01 2- 81 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02 053.106proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente. A contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER, de PIS, que foi parcialmente reconhecido após auditoria realizada pela unidade de origem da RFB. Irresignada com o reconhecimento apenas parcial de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em sede preliminar, nulidade do MPF por falha em sua prorrogação, e no mérito, a efetiva existência do direito creditório. O Colegiado a quo julgou parcialmente procedente a manifestação interposta, nos termos da decisão supracitada. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora em análise, pugnando pela reforma da decisão de primeira instância na parte vencida, o que fez com fundamento especificamente quanto às seguintes matérias: PRELIMINARMENTE – Nulidade do procedimento fiscal efetuado, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal tinha validade até 27/12/2011, enquanto a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência se deu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal, por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. E, por conseqüência, os atos posteriores ao MPF “viciado”, como o Relatório Fiscal e também o Despacho Decisório. NO MÉRITO: DO EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, uma vez que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição de insumos para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 3 aeronáutica e foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Como a aquisição dos insumos incorreu normalmente em tributação do PIS e da Cofins, a contribuinte entende serem passível de creditamento as respectivas contribuições. Aplica se a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 da Receita Federal do Brasil; DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, subsidiariamente, que seu aproveitamento então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias para aproveitamento de créditos presumidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.673, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.901477/201381, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.673): "PRESSUPOSTOS LEGAIS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tinha validade até 27/12/2011, sendo que a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência ocorreu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. Por conseqüência, o Relatório Fiscal e o Despacho Decisório igualmente estariam viciados, ensejando em nulidade. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 4 Sem razão. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou subsequentes renovações não torna nulo o lançamento. As hipóteses de nulidade do lançamento estão consignadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, as quais não restaram caracterizadas no presente caso. Com iso, está correta a decisão de primeira instância ao concluir que: "O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é um mero instrumento da Administração Fiscal para gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, servindo também para notificar o contribuinte que está sendo fiscalizado por autoridade regularmente constituída, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento, implicando, em essência, que não atingem a competência impositiva e vinculada dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. A competência para o lançamento dos Agentes Fiscais da Receita Federal está definida em Lei (art. 142 do CTN c/c o art. 6º, I, “a”, da Lei nº 10.593/2002), não podendo eventuais infrações a dispositivos de controle do procedimento fiscal, criados por atos infralegais, como o MPF, inquinar de nulidade o próprio lançamento, pois, no máximo, se poderia questionar a conduta das autoridades fiscais, se fosse o caso, no terreno disciplinar. Dessa forma, a imputação do poder dever do lançamento às autoridades fiscais federais está definida em lei, e, como tal, somente a violação de procedimentos definidos em lei poderia inquinar de nulidade o lançamento. (...) No caso desse auto, como se pode ver na tela às fls. 134/135, obtida na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), a partir do código de acesso disponível no Termo de Início de Fiscalização, sequer se pode falar em irregularidade formal nas prorrogações do MPF, pois este foi prorrogado validamente pela autoridade, em 29/08/2011, não tendo expirado por decurso de prazo. Atentese que a autoridade fiscal não está obrigada a notificar o contribuinte a cada prorrogação do MPF, dentro do prazo de validade deste, pois quem está obrigado a cumprir o prazo de prorrogação é o Delegado da Receita Federal do Brasil, este que deve prorrogálo dentro do prazo, sob pena dele expirar. E, no caso destes autos, o MPF foi validamente prorrogado, lembrando que a ciência do mandado (e de suas prorrogações), por parte do contribuinte, deve ser feita via internet, como se vê no art. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 5 4º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 3.014/2011, ou seja, não há que se falar em irregularidade por eventual notificação fora do prazo de MPF regularmente prorrogado. No mesmo sentido vem decidindo este Colegiado, concluindo que eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte, como ocorre neste litígio, uma vez que a Recorrente demonstrou em manifestação de inconformidade o domínio sobre todas as matérias que embasam a autuação. Precedentes: Acórdão 3402004.7561 e Acórdão 3402 0029092. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, iimporta renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Não Conhecido. 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. ESTOQUE DE ABERTURA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS e do PIS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência da COFINS, de acordo com a Lei nº 10.833/2003, art. 12 e do PIS, nos estoques de abertura existentes em 1º de dezembro de 2002, de acordo com o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. COFINS E PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. IRREGULARIDADES.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente. Recurso Voluntário Negado Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 6 Por tais razões, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. MÉRITO SOBRE O EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, alega a Recorrente que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição dos insumos, com tributação do PIS e da Cofins, utilizados para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria aeronáutica e, por isso, foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Invoca a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008. SUBSIDIARIAMENTE, SOBRE A POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, alega a Recorrente que o aproveitamento de crédito presumido então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias quando a incidência estivesse suspensa, com alíquota zero, isenção ou nos casos de não incidência. Sem razão à Recorrente. Como se observa da decisão de primeira instância, o crédito negado à Contribuinte decorre de ausência de comprovação de efetiva utilização de tais insumos. Importante frisar o que destacou o Eminente Relator da DRJ/BHE quanto à intimação oportunizada para que fossem apresentadas as provas necessárias: "Pelos documentos acostados aos autos, verificase que a contribuinte, a princípio, não se insurge contra o entendimento da fiscalização de que os insumos de que trata o art. 28, inciso V, da Lei nº 10.865/2004 não seriam passíveis de creditamento de suas contribuições, por estarem sujeitos à alíquota zero. Apenas informa que as referidas aquisições foram devidamente tributadas das contribuições de PIS e Cofins, por não se enquadrarem naquele dispositivo. As alegações apresentadas são no mesmo sentido das respostas anteriormente fornecidas à fiscalização, diante das intimações recebidas. Em relação aos períodos anteriores a junho de 2008, a contribuinte aduz que não teria sido aplicado tal dispositivo às referidas aquisições, por se destinarem à industrialização por encomenda; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 7 quanto as períodos de junho, julho e agosto de 2008 e janeiro de 2009, simplesmente argumenta que seriam créditos extemporâneos e, portanto, anteriores à vigência da Lei nº 10.865/2004; quanto aos demais períodos, a contribuinte não se manifesta. Diante dessas informações, a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte para que detalhasse as aquisições que alegava não terem sido tributadas à alíquota zero, mas nenhum documento foi apresentado nesse sentido. O mesmo se verifica na Manifestação de Inconformidade apresentada, em que a contribuinte não traz novos elementos aos autos. Em resumo, o deslinde da questão que aqui se apresenta passa pela verificação de alíquota da contribuição que foi efetivamente aplicada nas aquisições efetuadas nos períodos de apuração anteriores a junho de 2008. Com base no art. 28 da Lei nº 10.865/2004, a Autoridade Fiscal presumiu que essas aquisições estariam sujeitas à alíquota zero, enquanto a contribuinte afirma que dera interpretação diversa à legislação vigente, tributando normalmente aqueles valores. Ocorre que, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar o seu direito. A partir dessa perspectiva e, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que seria lícito à RFB decidir indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez. Por sua vez, o indício constitui meio de prova, admitido até mesmo no processo penal, art. 239 do Código de Processo Penal (CPP). Assim, uma vez que a contribuinte não apresentou nenhum elemento no sentido de comprovar que as alegadas aquisições haviam de fato sido tributadas, não há como reconhecer o seu direito creditório em relação aos respectivos créditos das contribuições." (sem destaque no original) Cabe ainda observar a incidência do Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996, o qual prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 8 até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Aplicase, neste caso, o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 9 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 10 DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Portanto, ao que pese a alegação sobre o direito de crédito invocado pela Recorrente ao argumentar que adquiriu os insumos com regular tributação pela contribuição ao PIS e à COFINS, com crédito declarado em DACON, o fato é que não houve a comprovação da certeza e liquidez deste crédito, o que seria indispensável para o devido reconhecimento à compensação. Destarte, como bem observou o Eminente Relator de primeira instância, não consta nos autos nenhum elemento que indique que os referidos insumos foram de fato empregados na industrialização por encomenda, conforme alegado, não sendo possível aplicar a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 citada pela Recorrente, uma vez que o fato concreto não se refere àquele sobre o qual versou a consulta em referência. Por sua vez, com relação ao argumento subsidiário, consignase que, caso fosse comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, poderia a Contribuinte se enquadrar na aquisição com tributação regular de PIS/COFINS, motivo pelo qual igualmente resta afastado o crédito presumido previsto pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por ausência de enquadramento legal. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. É como voto." Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13884.902386/201281 Acórdão n.º 3402005.683 S3C4T2 Fl. 0 11 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720975/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011
DECADÊNCIA.
Inexiste decadência se o lançamento foi efetuado antes de esgotado o prazo previsto no Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011
ALEGAÇÕES DE NULIDADE.
O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI.
Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, e juros de mora calculados pela taxa Selic.
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-005.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 DECADÊNCIA. Inexiste decadência se o lançamento foi efetuado antes de esgotado o prazo previsto no Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI. Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, e juros de mora calculados pela taxa Selic. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 DECADÊNCIA. Inexiste decadência se o lançamento foi efetuado antes de esgotado o prazo previsto no Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI. Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, e juros de mora calculados pela taxa Selic. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 75 /2 01 5- 71 Fl. 1778DF CARF MF 2 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 1653/1770) interposto em face do Acórdão nº 10059.489 (efls 1625/1642), prolatado pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, em sessão de julgamento realizada em 12 de julho de 2017. 2. A compreensão do litígio devolvido pode ser obtida a partir da leitura do relatório contido na decisão recorrida: Do lançamento1 Este processo compreende os Autos de Infração: a) Debcad n° 51.082.1669, que corresponde à glosa da compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo, cuja declaração consta nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs das competências 01/2010 a 04/2011. O montante do crédito, consolidado em 28/10/2015, é de R$ 6.656.571,47 (seis milhões, seiscentos e cinqüenta e seis mil, quinhentos e setenta e um reais e quarenta e sete centavos); b) Debcad n° 51.026.4182, que foi lavrado em razão da apresentação pelo sujeito passivo, nos meses de 01/2010 a 05/2011, de GFIPs com falsidade da declaração, pois informou créditos inexistentes com o intuito de deixar de recolher 1 Efls. 1626. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.779 3 as contribuições previdenciárias devidas incidentes sobre a remuneração dos segurados. O montante da multa isolada, consolidada em 28/10/2015, corresponde R$ 6.982.938,46 (seis milhões, novecentos e oitenta e dois mil, novecentos e trinta e oito reais e quarenta e seis centavos). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 300 a 331, o sujeito passivo informou à fiscalização que operava junto à São Paulo Transportes S/A, que era co participante de um consórcio, juntamente com outras empresas de outros grupos não vinculados aos seus sócios, e que os créditos que utilizou na compensação eram decorrentes de valores retidos a maior com base no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, objeto de lançamento em face do Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes. Na ação fiscal, o contribuinte foi devidamente intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos de comprovação do direito aos créditos utilizados na compensação, tais como: notas fiscais de prestação de serviços emitidas contendo o destaque da retenção dos 11 % (onze por cento); demonstrativo de apuração dos créditos compensados (em que constassem os valores originários e atualizados, com explicações sobre os critérios de atualização utilizados) e das compensações realizadas; Contrato de Prestação de Serviços realizado com a "São Paulo Secretaria Municipal de Transporte" com todos os seus aditivos; Edital da Licitação; demonstrativo mensal por contratante e por contrato" elaborado na forma prevista no artigo 134, III, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009; demonstrativo de apuração dos créditos decorrentes da retenção em NF/FAT/REC em que constassem os valores originários e atualizados, com explicações sobre os critérios de atualização utilizados e das compensações realizadas. No entanto, dos documentos solicitados, apresentou somente a cópia do "Contrato de Constituição do Consórcio Cidade Dutra Bola Branca" firmado em 22/01/2002, de caráter emergencial, para prestação de serviços de transporte público de passageiros, na modalidade comum, para a operação da "Área 6", com prazo definido de 180 (cento e oitenta dias) a contar do dia 28 de dezembro de 2001 e com vencimento em 26/06/2002. Para subsidiar a ação fiscal, foi efetuada diligência junto à São Paulo Secretaria de Transportes (SPTrans), tendo a fiscalização concluído que a empresa Viação Bola Branca não prestou serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da área 06, no Município de São Paulo, no período de 2010, e que em nenhum momento foi integrante do Consórcio Unisul. A fiscalização relata que, dos documentos solicitados por meio do Termo de Intimação Fiscal de 07/04/2015, foram apresentados apenas o resumo da folha de pagamento, o comprovante de entrega da GFIP e RAIS do período 01/2011 a 04/2011, e folha de pagamento de 01/2010 a 04/2010 no leiaute MANAD. A conclusão no relato fiscal é de que, como o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem que era integrante do Consórcio Unisul e nem as notas fiscais, faturas ou borderôs para comprovar que o destaque dos 11% sobre a prestação de serviços foi realizado, e não comprovou a efetiva retenção do valor pela tomadora de serviços na ocasião do pagamento dos serviços prestados, não poderia ser detentor de direito de crédito do valor lançado no Auto de Infração em face do Município de São Paulo. A fiscalização observa também que neste Auto de Infração Debcad n° 51.082.1669, o lançamento se refere às competências 01/2010 a 04/2011, nas quais foi informada a compensação em GFIP, enquanto que o Auto de Infração na SPTrans foi consolidado no dia 25/10/2011. Conclui que não se sustenta a alegação do contribuinte de que a compensação foi efetuada com base no Fl. 1780DF CARF MF 4 lançamento da SPTrans, pois, à época das compensações, o fato jurídico ainda nem existia. Diante da declaração em GFIP pelo sujeito passivo de créditos inexistentes, a fiscalização efetuou a glosa da compensação indevida informada nas competências 01/2010 a 04/2011 e aplicou a multa isolada prevista no artigo 89, § 10 da Lei n° 8.212/1991. Da impugnação2 Cientificado da autuação em 09/11/2015 (AR às fls. 1.526), o sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva em 30/11/2015 (fls. 1.534 a 1.584), alegando, em síntese, que: a) o lançamento relativo aos períodos anteriores a dezembro/2010 é decadente, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. A prova de que existem recolhimentos está no próprio demonstrativo do Auto de Infração denominado RDA Relatório de Documentos Apresentados, com informação de GPS apresentadas e apropriadas, código de recolhimento 2100, período de 01/2010 a 12/2010; b) o lançamento é nulo, com fulcro no artigo 59, I, do Decreto n° 70.235/1972 e nos artigos 12 e 31 do Decreto n° 7.574/2011, já que o artigo 226 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria RFB n° 203/2012, na redação da Portaria MP n° 512/2013) estabelece que a competência para tratar de compensação é da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT, e não da DEFIS São Paulo, que não tem competência para lançamentos como o que ora impugna. A não homologação de compensação informada em GFIP é ato privativo de auditor fiscal designado pela DERAT/SP, sendo que sequer caberia a emissão de auto de infração, mas de notificação de lançamento pela não homologação da compensação, ato privativo do Chefe da Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso, Delegado da DERAT ou auditor fiscal por ele designado; c) o lançamento impugnado dá a entender que o débito foi lançado como revisão de ofício, mas o relatório fiscal é claro no sentido de que se refere a compensações não homologadas; d) o relatório fiscal que acompanha o lançamento é conflitante. Ao mesmo tempo que aponta no item 1 a Natureza do Débito como contribuições patronais à Seguridade Social devidas pela empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas, deixa de informar o salário de contribuição, a apuração das contribuições, o valor devido a titulo de segurados, o valor devido a titulo de contribuição ao GILRAT. Não informa as bases de cálculo. Não apura as contribuições, conforme está estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal. Conclui que, se não apurou, é porque homologou os valores lançados em GFIP como salário de contribuição; e) existe dubiedade entre o relatório fiscal e o relatório Fundamentos Legais do Débito, já que pelo relatório fiscal ocorreu o não pagamento de contribuições devidas pela empresa, fundamento legal previsto no artigo 22,1 e II da lei de custeio, e não o artigo 89 apontado pelo fundamento legal do débito; f) a Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011, estabelece que não será emitido MPF nos casos relativos a revisão interna de declaração, o que invalida o entendimento da decisão recorrida que tenta manter a jurisdição da compensação para a unidade que procedeu ao lançamento; 2 Efls 1628. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.780 5 g) participa do Consórcio Unisul, que tem contrato com a Prefeitura Municipal de São Paulo, e apresentou relatório justificando a compensação, mormente em relação ao processo n° 19311.720412/201145, Auto de Infração Debcad n° 51.000.4431, emitido em face da Secretaria de Transportes do Município de São Paulo São Paulo Transportes. A prova do vínculo está no próprio cadastro das empresas, já que a impugnante e a Viação Cidade Dutra Ltda, líder do Consórcio Unisul, tem o mesmo endereço cadastral perante a RFB; h) tem créditos a compensar, decorrente de compensação informada em GFIP e lançamento posterior de débito junto à Secretaria Municipal de Transportes para o mesmo período, em que o contribuinte foi alçado à qualidade de sujeito passivo tributário solidário em relação à retenção de 11% instituída pela Lei n° 9.711/1998, que deu nova redação ao artigo 31 da Lei n° 8.212/1991; i) opera como prestador de serviços, integrante do Consórcio Unisul, cuja empresa líder é Viação Cidade Dutra. Como o contrato é considerado como cessão de mãodeobra pela própria Receita Federal do Brasil e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inclusive com lançamento da contribuição previdenciária devida pelo Município, incidente sobre os valores repassados ao Consórcio e responsabilidade solidária do Consórcio Unisul e seus integrantes, é legitima a compensação dos valores devidos pelo Município e lançados em auto de infração Comprot 19311.720412/201145, Debcad 51.000.4431, período de 01/2009 a 12/2010, conforme documentação que foi apresentada durante a fiscalização e constante dos registros da Receita Federal; j) a prova de que integra o Consórcio Unisul, em que é líder a empresa Viação Cidade Dutra, vem a ser lançamentos anteriores efetuados pela Delegacia Especial de Fiscalização de São Paulo, em que a Viação Cidade Dutra figura no lançamento na condição de sujeição passiva solidária. 1) labora exclusivamente para a São Paulo Transportes/Secretaria Municipal de Transportes, não tendo qualquer outra atividade ou cliente; m) integra o Consórcio Unisul, que presta serviços ao Município de São Paulo, transporte público municipal, tendo recebido a notificação para defesa, como devedor solidário, nos seguintes processos: Comprot 19311.720396/201135, Debcad 37.323.3426, Consórcio Unisul, período de 01/2006 a 12/2008; Comprot 19311.720412/201145, Debcad 51.000.4431, Consórcio Unisul, período de 01/2009 a 12/2010; n) quando a Receita Federal do Brasil autuou o Município de São Paulo com a assertiva de que o contrato de concessão se dava nos moldes do artigo 31 da Lei 8.212/91, com cessão de mãodeobra, assegurou a alocação dos valores da retenção aos reais prestadores de serviço; o) não foram alocados corretamente os créditos decorrentes dos autos de infração lançados em face do Município de São Paulo, anexados junto à impugnação, não restando qualquer debito a ser lançado, sendo improcedente o presente lançamento, inclusive em relação à multa isolada, que é reflexa da glosa que não pode prosperar; p) cita o Parecer PGFN/CAT n° 466/2014, que teria sido emitido a partir de consulta interna da RFB especificamente para os casos da São Paulo Transportes, e que assim conclui: "Ante o exposto, mantendo o posicionamento desta CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários exposto nos Pareceres PGFN/CAT 135/2009 e 2793/2009, com a necessária adequação à jurisprudência consolidada do Fl. 1782DF CARF MF 6 STJ, concluise que: a) A natureza jurídica do instituto da retenção descrito no artigo 31 da Lei 8.212/91 é de responsabilidade tributária por substituição; b) Na hipótese de ter ocorrido a retenção, por parte da empresa contratante (tomadora) de serviços executados mediante cessão de mão de obra, do montante da contribuição previdenciária devida, será ela responsável direta e exclusivamente pelo pagamento do referido tributo, c) Não havendo a retenção, subsiste a responsabilidade da empresa cedente de mão de obra juntamente com a empresa tomadora e, d) Também se aplica esse entendimento quando o tomador de serviços executados mediante cessão de mão de obra for entidade da Administração Pública"; q) o contrato de Concessão entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê, conforme a cláusula 19.1.25, fls. 29/33, o desconto da parcela da remuneração de cada Concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, cláusula esta suspensa pelo período de transição de 90 dias, contados de 21/07/2003, aplicandose integralmente, portanto, ao período fiscalizado e com lançamento de créditos previdenciários. Este contrato está anexado no Processo 19311.720413/201190, Debcad 51.000.4440, auto de infração com lançamento em face do Município de São Paulo e sujeição passiva solidária dos integrantes do Consórcio Unisul, neles se incluindo o ora Impugnante; r) no relatório fiscal está atestado que o contribuinte já havia procedido à declaração do débito através de GFIP e pago o valor declarado através de GPS; s) no presente caso ocorre o bis in idem. A Receita Federal do Brasil, através da Procuradoria Geral da União, já vem procedendo ao lançamento das contribuições previdenciárias em relação à empresa São Paulo Transportes S/A, tomadora de serviços do prestador, ora impugnante. O fundamento são pareceres no sentido de que a responsabilidade do recolhimento pelas prestadoras é do tomador de serviços, no caso a São Paulo Transportes S/A. Referida matéria, já foi objeto de julgamento no processo cadastrado no Tribunal Regional Federal da Terceira Região, processo 200361000035764, em que aquele Tribunal, por unanimidade reconheceu o direito da Receita Federal do Brasil em proceder ao lançamento de contribuições previdenciárias em face da SÃO PAULO TRANSPORTES LTDA, em relação aos prestadores de serviço do transporte coletivo urbano da Cidade de São Paulo, reconhecendo a ocorrência da hipótese prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, redação da Lei 9.711/1998; t) o lançamento ocorreu por falta de escrituração das retenções de 11%. Entretanto, as empresas que participam dos consórcios de prestação de serviços de transporte municipal estão dispensadas da emissão de notas fiscais. Ademais, nos casos de Consórcio em licitações públicas, o registro contábil da remuneração e retenções é efetivado apenas pela empresa líder, conforme determina a própria Receita Federal do Brasil na Instrução Normativa n° 1.199/2011; u) não cabe multa isolada, porque os valores compensados estavam lastreados com créditos decorrentes do Auto de Infração aplicado na Secretaria Municipal dos Transportes de São Paulo, que lançou valores relativos à retenção de 11% sobre a mão de obra contida nos pagamentos aos prestadores de serviço do transporte público municipal; v) a multa aplicada de 170% (20% de multa de mora e 150% de multa isolada) é confiscatória, Com base no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve ser aplicada a decisão do STF no Recurso Extraordinário 582.461/SP com repercussão geral, de que não é confiscatória a multa moratória no importe de 20%, sendo abusivas as multas que superam o percentual de 100%; x) a multa, se imposta, dever ser reduzida para razoáveis e aceitáveis níveis de 2%, sob pena de violação do principio constitucional da vedação do confisco. A leitura sistemática dos artigos e fatos anteriormente descritos impõe as seguintes Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.781 7 constatações: 1) caso a contribuição que está sendo lançada seja declarada em GFIP a multa de mora será reduzida em 50%; 2) não pode o contribuinte, com a alteração da legislação em momento posterior ao da ocorrência de alegada infração, sofrer maior gravame na aplicação da multa. Tendo em vista o alegado, requer a retificação dos valores aplicados com relação à multa de mora, no que tange à redução de 50% em todo o período; z) os juros são confiscatórios; Ao final, o sujeito passivo requer: 1) o reconhecimento da nulidade do lançamento pela incompetência da Delegacia autuante, a quem não foi delegada competência para julgar processos relativos à compensação, ante a competência originária da DERAT — Delegacia Especial da Receita Federal de Administração Tributária, conforme Regimento Interno da SRF; 2) o reconhecimento da nulidade do lançamento pela incompatibilidade entre o relatório fiscal e o relatório de fundamentos legais do débito. O primeiro sugere que o auto de infração deuse em função de contribuições devidas nos termos do artigo 22, I e II da Lei 8.212/91. Já o Fundamento Legal do Débito dispõe que o lançamento deuse por glosa de compensação, com fulcro no artigo 89 da legislação de custeio; 3) o acatamento do Parecer Público PGFN/CAT n° 466/2014, aprovado em 02/04/2014 pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, emitido a partir de consulta interna da Receita Federal do Brasil especificamente para os casos da São Paulo Transportes; 4) o acatamento do direito da impugnante de proceder à compensação de créditos válidos decorrentes do crédito havido junto ao Consórcio Sete (sic) que integra, conforme artigo 112 da IN 971. Em diligência fiscal deverá ser verificado se as empresas participantes do mesmo procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível. Este crédito relativo à retenção de 11% incidente sobre as faturas ou recibos, nos termos dos artigos 44 a 48 da IN n° 900 de 30/12/2008, deve ser concedido ao impugnante independentemente de constar em GFIP, tendo em vista a documentação anexada, com determinação do procedimento de concessão do crédito pela Procuradoria Geral Especializada do INSS, vinculada à Advocacia Geral da União. O documento que contém a numeração fls. 1323/1324, relativo a processo judicial, extraído do Mandado de Segurança, noticiado é muito claro em relação ao direito da impugnante quanto ao crédito de 11% incidente sobre o faturamento para compensação de suas contribuições previdenciárias. Pelo documento, a Procuradora da AGU Dra. Sofia Mutchnik declara em documento intitulado Consulta: "A nosso ver, portanto, temse que o dever de recolher aos cofres previdenciários a retenção de 11% da Nota Fiscal relativa à cessão de mão de obra é único e exclusivo do tomador, não podendo ser cobrado tal montante do sujeito passivo direito da obrigação tributária (o detentor da folha de salários que cede a mão de obra ao tomador)". Conclui a douta procuradora com a assertiva de que há de se abater todos os débitos lançados nas prestadoras de serviço. Tratase de "coisa julgada", ante decisão do Egrégio Tribunal Regional Federal da Terceira Região que considerou válido o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional e manteve lançamento em face da São Paulo Transportes em relação à responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidente sobre a folha de pagamento dos prestadores de serviço. Fl. 1784DF CARF MF 8 2.1. Ao julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, o acórdão recorrido tem a ementa que se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 DECADÊNCIA. Inexiste decadência se o lançamento foi efetuado antes de esgotado o prazo previsto no Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI. Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, e juros de mora calculados pela taxa Selic. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. 3. O recurso interposto (efls 1653/1770) , traz nas razões, um acréscimo possível de se divisar que compreende as alegações formuladas no tópico intitulado "XX SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA 03/2013 COSIT" (efls 1706/1708) em que sustenta inobservância do rito da compensação indevida previsto na solução de consulta, assim como reitera argumentação e pedido para excluir a aplicação da multa isolada (efls 1709/1710). 4. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 6. Como relatado, parte substancial da peça recursal apresentada pelo contribuinte repete as mesmas argumentações, suscita as mesmas questões e formula os mesmos pedidos constantes na peça impugnatória. 6.1. O acréscimo possível de se divisar diz respeito à alegação acerca da inobservância do rito da compensação indevida previsto na Solução de Consulta nº 3/2013. Considero mero Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.782 9 reforço de questões procedimentais que foram bem analisadas pela decisão de primeira instância, destacadamente no tópico "Das alegações de Nulidade" (efls 1632/1636), inserto no voto do acórdão recorrido. 6.2. Assim também, os argumentos e pedido relacionados à exclusão da multa isolada, que foram bem analisados pela decisão de primeira instância ao apreciar o mérito do recurso (efls 1636/1639). 7. Por este modo, havendo coincidência entre as razões recursais e as alegações formuladas na impugnação, a análise do recurso pode ser fita utilizandose a prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577,, §§ 33ºº 8. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto3: Da decadência O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é aquele previsto no Código Tributário Nacional CTN. Em havendo pagamento antecipado da contribuição, aplicase o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4o do CTN); inexistente referido pagamento, ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I do CTN). Para justificar a aplicação da decadência com base no artigo 150, § 4o do CTN, o sujeito passivo alega ter efetuado recolhimentos por meio de GPS Guia da Previdência Social, o que poderia ser comprovado no RDA Relatório de Documentos Apresentados. Tais valores foram abatidos do crédito tributário constituído, conforme se observa dos relatórios DD Discriminativo do Débito (fls. 290 a 292) e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 293 a 295). O lançamento é decorrente da glosa da compensação declarada nas GFIPs das competências 01/2010 a 04/2011, em razão do sujeito passivo ter informado créditos inexistentes. Observase que a empresa informou no campo "compensação" o valor exato das contribuições previdenciárias devidas, o que ocasionou a ausência de valor a recolher. Ou seja, o contribuinte pretendeu, com sua declaração, ver extinta a totalidade do débito mediante compensação, ao invés de efetuar o pagamento. A conduta dolosa do contribuinte ao apresentar a GFIP com falsidade na declaração, declarando créditos inexistentes, determina a aplicação do inciso I do artigo 173 do CTN na contagem da decadência. O lançamento foi efetuado em 28/10/2015 e cientificado ao sujeito passivo em 09/11/2015, não tendo sido ultrapassado o prazo para a constituição do crédito tributário, que era, para as competências até 11/2010, 31/12/2015. Portanto, não há decadência a ser reconhecida. 3 Efls. 1632. Fl. 1786DF CARF MF 10 Das alegações de nulidade4 No âmbito do processo administrativo fiscal, os requisitos obrigatórios que devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Examinando o processo, constatase que as peças que o compõem atendem a estes requisitos e contêm elementos suficientes ao exercício do direito ao contraditório e à defesa pelo contribuinte. O Relatório Fiscal elaborado pela autoridade lançadora descreve pormenorizadamente as razões para a constituição do crédito tributário, esclarecendo que os Autos de Infração são decorrentes da glosa da compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo e da multa isolada pela comprovação da falsidade das declarações apresentadas. Nesse sentido, vejamse excertos do relatório: 3 DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Este relatório é parte integrante do Auto de Infração acima identificado que constituiu as contribuições devidas ao INSS, oriundas da glosa de compensação indevida e da empresa ter efetuado a compensação integral de valores apurados, em conformidade com a base de cálculo declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência GFIP, abatidos os valores já recolhidos nas Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS, relativo ao período de 01/2010 a 04/2011 (inclusive o décimo terceiro salário). (...) 5DO OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL (...) 5.2. O objeto do presente lançamento fiscal consistiu na glosa de compensação indevida com falsidade na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, no período de 01/2010 a 04/2011 e na Multa Isolada. (...) Os Relatórios FLD Fundamentos Legais do Débito de cada Auto de Infração informam minuciosamente os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores. Os Relatórios DD Discriminativo do Débito demonstram todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente, e também 4 Efls. 1632. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.783 11 discriminam, por competência, o valor apurado, os créditos quando existentes, o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado. Além disso, não se observam as hipóteses de nulidade relacionadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O sujeito passivo, em sua impugnação, demonstra ter perfeito conhecimento dos motivos da autuação, não se verificando qualquer prejuízo à sua defesa. Portanto, tendo os Autos de Infração sido lavrados de acordo com as disposições legais e normativas que regem a matéria, não há motivos para a declaração da nulidade do lançamento, sendo improcedentes os argumentos do sujeito passivo neste ponto. Da competência da DEFIS/SP para o lançamento A Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, estabelece, em seu artigo 32, IV, obrigação acessória para a empresa de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Esta declaração é prestada por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. O artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 dispõe que nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, as contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do artigo 11 da mesma Lei poderão ser restituídas ou compensadas, obedecidos os termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. De acordo com a regulamentação da RFB consubstanciada nos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, vigente à época dos fatos geradores, a compensação deve ser realizada por intermédio da GFIP. A teor do disposto no § 2o do artigo 32 da Lei n° 8.212/1991, na redação da Lei n° 11.941/2009, a declaração nas GFIPs constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, já que caracteriza confissão de dívida pelo sujeito passivo. No entanto, não há qualquer impedimento legal para que a RFB opte por efetuar o lançamento dos valores indevidamente compensados, não se verificando qualquer prejuízo ao sujeito passivo, que tem garantido o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. As disposições relativas à competência da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização DEFIS encontramse no artigo 227 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria n° 203, de 14/05/2012, publicado no DOU de 17/05/2012, como segue: Art. 227. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização Defis e à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior Delex, quanto aos tributos administrados pela RFB, Fl. 1788DF CARF MF 12 inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: (Redação dadapelo(a) Portaria MFn"512, de 02 de outubro de 2013) I processar lançamentos de oficio, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, bem como as correspondentes representações fiscais; II realizar o arrolamento de bens e a propositura de medida cautelar fiscal; III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; IV realizar diligências e perícias fiscais, inclusive as de instrução processual; V administrar e distribuir selos de controle e outros instrumentos de controle fiscal, bem como fiscalizar a sua utilização; VI proceder aos ajustes de ofício, decorrentes da competência da unidade, nos cadastros da RFB; VII promover a educação fiscal; e VIII analisar, acompanhar e prestar informações solicitadas por autoridades e órgãos externos, inclusive em ações judiciais, correlatas à competência da unidade. (sem grifos no original) Como se demonstra, a Delegacia de Fiscalização de São Paulo tem plena competência regimental tanto para proceder à revisão de oficio de declarações apresentadas pelo sujeito passivo como para efetuar quaisquer lançamentos de ofício e imposição de multas quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos. A Ia Turma Ordinária da 4a Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já se manifestou sobre as questões suscitadas pelo impugnante no Acórdão n° 2401004.675, de 15/03/2017, conforme excerto da ementa e do voto reproduzidos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP. COMPETÊNCIA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. DESCABIMENTO. E competente a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defls) para proceder a revisão de ofício da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de valores compensados indevidamente. Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para a exigência dos valores compensados indevidamente, em vez da adoção do procedimento de auditoria interna, por não acarretar efetivo prejuízo ao sujeito passivo, permitindolhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos da legislação em vigor. (...) Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.784 13 Voto (...) 15. Nada obstante, a despeito da possibilidade de revisão de créditos tributários declarados em GFIP mediante simples procedimento de auditoria interna, sem emissão de auto de infração, não há óbice que a RFB, avaliando o caso concreto, faça a opção pela lavratura de auto de infração para a exigência de valores indevidamente compensados. 15.1 Tal hipótese não configura nulidade do ato administrativo, até porque, embora dispensável a lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, não há expressa proibição em lei de se efetuar a cobrança dos valores indevidamente compensados utilizandose desse procedimento. 15.2 Além do que a cobrança dos valores compensados indevidamente via a expedição de um auto de infração não tem o condão de acarretar prejuízo efetivo ao contribuinte, permitindolhe o pleno exercício do direito à defesa e ao contraditório, nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 15.3 Inclusive, cabe realçar, os acréscimos moratórios incidentes sobre o valor das contribuições previdenciárias glosadas pela fiscalização são idênticos, quer na adoção do procedimento de auditoria interna, quer na hipótese de lavratura de auto de infração, correspondendo sempre a multa e aos juros de mora (art. 89, § 9o, da Lei n°8.212, de 1991). Com relação ao MPF Mandado de Procedimento Fiscal, à época do início da ação fiscal estava vigente a Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011, que determinava, em seu artigo 2o, que os procedimentos fiscais no âmbito da RFB, como é o caso sob exame, fossem instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Assim, é descabida a alegação da impugnante de que somente a DERAT teria competência para tratar da compensação, ou que há irregularidade na emissão do MPF. DO MÉRITO5 a) da glosa da compensação A impugnação do sujeito passivo está fortemente amparada em sua alegação de que participa do Consórcio Unisul, o qual tem contrato com a Prefeitura Municipal de São Paulo, e que apresentou relatório justificando a compensação, relacionandoa ao processo n° 19311.720412/201145, Auto de Infração Debcad n° 51.000.4431, emitido em face da Secretaria de Transportes do Município de São Paulo São Paulo Transportes. Estes mesmos argumentos já haviam sido apresentados à fiscalização, que os rejeitou, após análise detalhada, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Além disso, o sujeito passivo afirma que a prova do seu vínculo com o consórcio estaria no próprio cadastro das empresas, já que, junto à RFB, tem o mesmo endereço cadastral da Viação Cidade Dutra Ltda, líder do Consórcio Unisul. Sem razão. 5 Efls. 1636. Fl. 1790DF CARF MF 14 Na ação fiscal, o contribuinte foi devidamente intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos de comprovação do direito aos créditos utilizados na compensação, tais como notas fiscais de prestação de serviços emitidas contendo o destaque da retenção dos 11 % (onze por cento); demonstrativo de apuração dos créditos compensados (em que constassem os valores originários e atualizados, com explicações sobre os critérios de atualização utilizados) e das compensações realizadas; Contrato de Prestação de Serviços realizado com a "São Paulo Secretaria Municipal de Transporte" com todos os seus aditivos; Edital da Licitação; demonstrativo mensal por contratante e por contrato" elaborado na forma prevista no artigo 134, III, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009; demonstrativo de apuração dos créditos decorrentes da retenção em NF/FAT/REC em que constassem os valores originários e atualizados, com explicações sobre os critérios de atualização utilizados e das compensações realizadas. No entanto, apresentou à fiscalização somente o Contrato de Constituição do Consórcio Cidade Dutra Bola Branca, firmado em 22/01/2002. Examinado, a autoridade tributária constatou que, apesar de estar previsto que o prazo de vigência de 180 dias poderia ser prorrogado, isto não aconteceu, vencendose o prazo do contrato em 26/06/2002. Não foi apresentado nenhum aditamento ou prorrogação da continuidade do objeto do Consórcio Cidade Dutra Bola Branca. Portanto, não havia qualquer direito creditório que pudesse vir a ser reconhecido ao sujeito passivo em decorrência deste contrato. Em diligência na SPTrans, a fiscalização obteve esclarecimentos e analisou os seguintes documentos: Contrato de Concessão de Serviço de Transporte Coletivo Urbano de Passageiro na Cidade de São Paulo da área 06, n° 706/03 SMT GAB ÁREA 06, e seus anexos; Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Consórcio; "Borderôs de Pagamentos" efetuados pela SPTRANS ao Consórcio UNISUL no ano de 2010; Demonstrativo de Pagamento Mensal ano 2010 do Consórcio UNISUL área 6; Termos de Recebimento Operação Frota Ônibus Consórcio Unisul e de Recebimento Operação Atende São Paulo 2010; Remuneração Estrutural do Consórcio UNISUL 2010. Ao final, concluiu que a empresa Viação Bola Branca não prestou serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da área 06, no Município de São Paulo, no período de 2010, e que em nenhum momento foi integrante do Consórcio Unisul, pelos seguintes motivos: a) o Contrato de Concessão n° 706/2003 do serviço de transporte coletivo urbano de passageiro na cidade de São Paulo, área 06, vigente no ano de 2010, foi firmado em 21/07/2003 entre o Consórcio Unisul e a SPTrans, posteriormente ao objeto da constituição do Consórcio Cidade Dutra Bola Branca, em relação ao qual não foi apresentado nenhum aditamento ou prorrogação; b) conforme o "Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Consórcio", vigente em 2010, participavam do Consórcio Unisul apenas as empresas Viação Cidade Dutra Ltda, Tupi Transportes Urbanos Piratininga Ltda, VIM Viação Metropolitana Ltda e VIP Transporte Urbano Ltda; c) nos borderôs de pagamentos efetuados pela SPTrans ao Consórcio Unisul, no ano de 2010, não constavam pagamentos realizados à empresa Viação Bola Branca Ltda; d) no Demonstrativo de Pagamento Mensal ano 2010 do Consórcio Unisul área 06 não constavam pagamentos realizados à empresa Viação Bola Branca Ltda, somente para as quatro empresas integrantes do Consórcio; e) nos "Termos de Recebimento Operação Frota Ônibus Consórcio Unisul e de Recebimento Operação Atende São Paulo 2010" constavam os repasses dos integrantes da Concessionária Consórcio Unisul e ao líder, a Cidade Dutra. Em Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.785 15 nenhum dos documentos apresentados consta a empresa Bola Branca como participante do Consórcio Unisul; f) a SPTrans, em resposta ao questionamento sobre a empresa Bola Branca de alguma forma lhe ter prestado serviços, informou que as empresas que prestaram serviços, por meio de consórcios ou não, contratados no Subsistema Estrutural (concessão) e no Subsistema Local (permissão), no ano de 2010, eram a Viação Cidade Dutra Ltda, a Tupi Transportes Urbanos Piratininga Ltda, a VIM Viação Metropolitana Ltda, a VIP Transporte Urbano Ltda, a Cooper Pam Cooperativa Transportes Aut. Transp. De São Paulo e a Cooperlíder Cooperativa Trab. Transp. Coletivo e de Passageiros e Cargas Esp. Segundo o gerente de administração do cadastro da frota e dos operadores e condutores SCP/GCF, a empresa Viação Bola Branca Ltda não fez parte da gestão dos contratos firmados no ano de 2003, realizada pela sua Superintendência, para prestação de serviços no sistema de transporte coletivo de São Paulo. A empresa Viação Bola Branca Ltda não apresentou qualquer prova de que integrasse o Consórcio Unisul, nem durante a fiscalização, nem agora, com a impugnação. O fato de, segundo sua alegação, estar localizada no mesmo endereço que a empresa Viação Cidade Dutra Ltda não é prova hábil, pois não lhe confere, por si só, o status de participante do Consórcio Unisul. A alegação de que o seu direito creditório decorreria do processo n° 19311.720412/201145 também é descabida. Conforme a fiscalização relata, a consolidação do Auto de Infração Debcad n° 51.000.4431, que tramita naquele processo, ocorreu somente em 25/10/2011, sendo impossível que as compensações declaradas nas GFIPs cujo envio pelo sujeito passivo iniciou em 01/2010 pudessem se referir àquele processo, que ainda nem existia. Não fosse o bastante, é de se ver que não há qualquer crédito a ser reconhecido em decorrência do processo n° 19311.720412/201145, conforme sustenta o contribuinte, já que o Auto de Infração Debcad n° 51.000.4431 foi julgado improcedente e o respectivo crédito tributário exonerado, conforme pode ser verificado no sítio do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (www.carf.fazenda.gov.br), opção "consulta ao acompanhamento processual". A alegação de bis in idem não aproveita ao contribuinte que, como se viu, não comprovou participar do Consórcio Unisul. Ademais, a ação judicial citada não diz respeito aos fatos geradores e às compensações deste processo administrativo, sendo sua solução irrelevante para este julgamento. Registrese que, em seus pedidos finais, o sujeito passivo inovou e informou participar do Consórcio Sete, pedindo uma diligência para verificar se as empresas participantes do mesmo procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível. No entanto, não trouxe qualquer documentação que comprovasse esta alegação, sendo inócuo, por tudo que consta do processo, identificar se outras empresas utilizaram créditos decorrentes de outros processos administrativos ou judiciais. Ademais, não cabe a realização de diligência para examinar documentos que o próprio contribuinte deveria ter trazido aos autos. Assim, com base nos artigos 18 e 28 do Decreto n° 70.235/1972, indeferese o pedido de diligência, por prescindível para o deslinde do julgamento. A conclusão possível, diante dos fatos apontados, é de que o sujeito passivo não comprovou a existência de qualquer direito creditório passível de compensação, sendo correta a glosa efetuada pela fiscalização. b) da multa isolada Fl. 1792DF CARF MF 16 A compensação por meio de GFIP pressupõe a preexistência do direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. Durante o procedimento fiscal e mais uma vez, por ocasião da análise da impugnação, ficou comprovada a inexistência de créditos que legitimassem as compensações efetuadas pelo sujeito passivo nas competências 01/2010 a 04/2011. Portanto, ao se compensar, o sujeito passivo utilizou créditos sabidamente inexistentes. Em decorrência, também as declarações por ele apresentadas por meio das GFIPs, não espelharam a realidade, na medida em que continham informações de compensação, reduzindo o montante das contribuições previdenciárias a serem recolhidas, sem que fossem identificados pagamentos indevidos ou a maior nos anos anteriores e que justificassem as compensações realizadas. A falsidade das declarações apresentadas ficou perfeitamente demonstrada nos autos, na medida em que não foi comprovado qualquer destaque ou retenção em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, não houve retenção de valor ou recolhimento de importância pelo suposto tomador de serviços, e sequer houve a comprovação pelo sujeito passivo de que fizesse parte do Consórcio Unisul. Some se a isso a alegação de que os supostos créditos seriam decorrentes de um processo cujo Auto de Infração sequer havia sido consolidado à época das compensações, e percebese que o sujeito passivo agiu com o intuito de não recolher o valor das contribuições previdenciárias declaradas nas GFIPs. A conduta intencional dolosa do sujeito passivo, ao declarar nas GFIPs das competências 01/2010 a 04/2011, enviadas de 01/2010 a 05/2011, créditos sabidamente inexistentes para fins de compensação, autoriza a aplicação da multa isolada de 150% prevista no § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991. c) das demais alegações O sujeito passivo alega que a soma da multa de mora com a multa isolada e os juros aplicados ao lançamento têm caráter confiscatório. A esse respeito, é de se registrar que a vedação constitucional ao confisco dirigese ao legislador, devendo este observála no momento da elaboração da lei. A instância administrativa não é competente para pronunciarse acerca da constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico, cuja apreciação incumbe ao Poder Judiciário. A Administração Pública está vinculada à estrita legalidade e, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos seus órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto no artigo 26A do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, ressalvadas somente as situações previstas em seu § 6o, o que não é o caso sob exame. No Auto de Infração Debcad n° 51.082.1669, que corresponde à glosa da compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo e declarada nas GFIPs das competências 01/2010 a 04/2011, está sendo cobrada a multa de mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e os juros de mora equivalentes à taxa Selic, conforme previsão do § 9o do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, combinado com o artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 e com o artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Já no Auto de Infração Debcad n° 51.026.4182, que foi lavrado em razão da apresentação pelo sujeito passivo, nos meses de 01/2010 a 05/2011, de GFIPs com falsidade da declaração, pois informou créditos inexistentes com o intuito de deixar de recolher as contribuições previdenciárias devidas, a multa isolada foi aplicada no percentual de 150%, tendo como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado, a teor do § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.786 17 Vejamse os dispositivos citados: Lei n°8.212/1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas &,hecdo parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (...) §9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). § 10 Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Ide 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de Io de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 1794DF CARF MF 18 §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art. 5o (...) § 3o As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumuladas mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com relação ao Recurso Extraordinário n° 582.461/SP, citado pelo contribuinte, sua ementa trata da multa moratória de 20%, concluindo pela inexistência de efeito confiscatório, não havendo qualquer menção à multa isolada que supere o percentual de 100% quando destinada a penalizar as hipóteses de dolo ou fraude na conduta do sujeito passivo, como é o caso dos autos. Ainda que houvesse, é de se esclarecer ao sujeito passivo que, no âmbito da RFB, as decisões proferidas na forma prevista nos artigos 543B e 543C do CPC não vinculam imediatamente a RFB, devendo ser observadas as disposições do artigo 3o e § 3o da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 01/2014, publicada no DOU de 17/02/2014. (...) O pedido para que a multa de mora seja reduzida em 50% não pode ser acatado, ante a inexistência de previsão legal, a partir da edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Este diploma revogou o § 4o do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.876/1999, que estabelecia a redução de 50% para a multa de mora, no caso das contribuições terem sido declaradas em GFIP. Estando a cobrança de acordo com o que dispõe a lei que rege a matéria, cuja observância é vinculada para a Administração Pública, rejeitamse os argumentos do contribuinte que pretendam diminuir os acréscimos legais moratórios aplicados ao lançamento, bem como a multa isolada. ((ffiimm ddaa ttrraannssccrriiççããoo ddoo vvoottoo ccoonnttiiddoo nnoo AAccóórrddããoo nnºº 11005599..448899)) CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Concordando integralmente com os termos da decisão de primeira instância administrativa, VOTO por rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência do poder dever de constituir o crédito tributário e negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.720975/201571 Acórdão n.º 2301005.735 S2C3T1 Fl. 1.787 19 Fl. 1796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720210/2012-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 02 10 /2 01 2- 09 Fl. 129DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasilia de f 108/113. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 117/125. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10835.720210/201209 Acórdão n.º 2001000.762 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Reproduzo aqui trecho da Decisão da DRJ, que enfrentou com afinco a questão: "No presente caso, foi solicitado ao contribuinte que comprovasse o efetivo pagamento das despesas médicas relativa às profissionais Patrícia Aparecida Tavares (R$6.000,00) e Kelly Cristine Encenha (R$14.000,00). Diante da ausência de comprovação na forma solicitada, a dedução correspondente foi glosada. Em sua impugnação, o contribuinte informa que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente e anexa extratos bancários com saques efetuados no ano Fl. 131DF CARF MF 4 calendário de 2008 (fls. 18 a 50), no intuito de comprovar que efetua o pagamento de suas despesas em moeda corrente, sem a utilização de cheques. Constam no processo, ainda, recibos (fls. 74 a 93) e declarações (fls. 67 a 71) emitidas pelas profissionais declaradas como prestadoras dos serviços. Contudo, os documentos apresentados não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela autoridade fiscal. Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referemse às despesas declaradas, pois, da análise dos extratos bancários, não foi possível fazer o confronto entre os referidos saques com os recibos apresentados (datas e valores). Ademais, o contribuinte não apresentou nenhuma indicação de quais saques teriam sido utilizados para os recibos apresentados, limitandose a apresentar seu extrato bancário com os saques efetuados durante o ano calendário. Ressaltese que a disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e o impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados." Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10835.720210/201209 Acórdão n.º 2001000.762 S2C0T1 Fl. 4 5 indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 133DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.000107/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1101-000.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 00 10 7/ 20 10 -1 0 Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão exarado pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre que manteve a exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como os créditos tributários exigidos. No Relatório Fiscal (proc. fls. 786 a 808) o auditor fazendário esclareceu que a empresa fiscalizada tributou seus rendimentos no ano de 2005 pela sistemática do lucro real anual e no ano de 2006 optou pelo SIMPLES. A contribuinte foi intimada a apresentar sua contabilidade em meio digital, o que prontamente o fez. Analisando tais arquivos, o agente fiscal verificou que a escrituração contábil não registrava nenhuma conta bancária no período fiscalizado (anoscalendário 2005 e 2006). Foi então solicitado que a fiscalizada apresentasse cópias dos contratos celebrados com seus tomadores de serviços, extratos de contas bancárias, notas fiscais emitidas, além de outros documentos e informações. Em resposta, a interessada apresentou notas fiscais e relação de valores repassados às instituições financeiras, por conta de cobranças de títulos em atraso. Informou não possuir nenhum dos contratos celebrados com as instituições financeiras para as quais prestou serviços de cobrança e outros serviços, bem como não ter em sua posse os extratos bancários de 2005 e 2006. Justificou a não apresentação destes devido ao “lapso de tempo e até mesmo por desconhecimento da necessidade de guarda de tal documentação”. O agente fiscal reiterou o pedido de apresentação dos extratos bancário e requisitou também uma relação de valores recebidos de clientes por conta de serviço de cobrança. A contribuinte apresentou a relação e, no entanto, mais uma vez afirmou não possuir os extratos bancários. Ressalvou que alguns valores recebidos eram depositados em momento diverso ao de emissão da nota fiscal correspondente e, que, muitas vezes os valores correspondiam a soma de mais de uma nota fiscal. Em consequência, o agente fiscalizador entendeu que houve negativa de apresentação dos documentos, portanto, entendeu configurada hipótese para expedição de Requisição de Informações de Movimentação Financeira (RMF). Também foram solicitadas informações junto aos tomadores de serviço da fiscalizada. A autoridade fazendária relatou que, da análise dos livros contábeis apresentados, não se verificou o registro das contas bancárias. Por conta disso, também não havia registro de recebimento e pagamento de empréstimos, aplicações financeiras e os respectivos rendimentos, despesas bancárias, como taxas de transferência de recursos, juros, CPMF, IOF etc. Constatou ainda que “a contabilidade não possui registro do recebimento e devolução dos títulos pertencentes às instituições financeiras, para a execução da cobrança. Igualmente não há registro do recebimento dos recursos dos devedores finais, nem da Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 4 3 transferência dos mesmos às instituições financeiras titulares dos créditos cobrados. Todos os pagamentos de despesas e os recebimentos de receitas são lançados na conta ‘Caixa’”. Para apurar o valor total repassado aos tomadores de serviço, o auditor fiscal reuniu todos os valores de créditos e débitos das contas correntes de todos os bancos nos quais a contribuinte operava, classificandoos e padronizandoos em uma única planilha. Foram considerados como repasses: todos os valores informados pela empresa; todos os valores informados pelas instituições financeiras como recebidos da PROAL; e, todos os valores que, mesmo não informados, os históricos indicavam como destinatária da transferência uma das tomadoras. Chegouse ao montante de R$ 66.377.891,72. Antes de quantificar o total de créditos nas contas da contribuinte, procedeuse a exclusão das transferências recebidas de outras contas correntes do mesmo titular; dos créditos por devolução de cheques emitidos; dos créditos estornados; dos resgastes de aplicações financeiras; dos empréstimos recebidos; da redução de saldo devedor de conta garantia; e dos cheques depositados e que sofreram devolução. O resultado obtido foi de R$ 84.439.323,35. Dos créditos apurados foram deduzidos os recursos repassados, o que resultou no valor de R$ 18.061.431,63. Entendeu a fiscalização que este valor “corresponderia às entradas de recursos que não são relativos a títulos cobrados por conta e ordem de terceiros”. Ocorre que, o total de receitas contabilizadas pela PROAL, nos anoscalendário fiscalizados, foi de R$ 4.627.329,90. Concluiu então, que o montante de R$ 13.434.101,73 corresponde a outros créditos cuja origem não é sabida. Desta feita, a autoridade fazendária intimou a contribuinte para comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias movimentadas nos anoscalendário de 2005 e 2006. Após pedidos de dilação do prazo para apresentação dos documentos ora solicitados, a contribuinte forneceu planilhas em meio digital e diversos documentos. A fiscalização julgou as informações e documentos apresentados pela contribuinte e concluiu que, exceto 3 créditos bancários que foi comprovado serem de mesma titularidade, não houve comprovação da origem dos créditos bancários questionados. Assim, o agente federal entendeu que a PROAL, além de prestar serviços de cobrança bancária nos anos de 2005 e 2006, exerceu outras atividades econômicas que lhe geraram créditos em suas contas bancárias, cuja origem não restou comprovada. Em consequência, afirmou que “uma vez que o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus probatório de demonstrar que os créditos em suas contas bancárias não são provenientes de receitas, incide a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96”. Após realizar alguns cálculos, o agente fiscalizador apurou diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devidos, nos termos do art. 24, caput e § 2º da Lei nº 9.249/95. Lavrou os respectivos Autos de Infração em 13/01/2010 (proc. fls. 713 a 781). O lucro foi arbitrado com fundamento no art. 530, II, “a” do RIR/99. A autoridade lançadora alegou ainda que “a conduta do contribuinte, de não escriturar suas contas bancárias em seus livros comerciais, não pode ser atribuída a um erro”. Entendeu que “a não escrituração teve a clara intenção de ocultar do fisco outros negócios e Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 5 4 receitas, os quais ficariam diluídos em meio à movimentação de recursos oriundos da cobrança de títulos em atraso”. Ademais, ressaltouse que em resposta à solicitação enviada pela fiscalização, algumas tomadoras de serviço informaram que efetuaram pagamentos de notas fiscais que não foram escrituradas pela fiscalizada. Concluiu que “tais condutas evidenciam a intenção do agente de reduzir a base de cálculo dos tributos e contribuições devidos, causando prejuízo ao fisco”. Desta forma, aplicou a multa de ofício na sua forma qualificada. Paralelamente, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 001de 11/01/2010, procedeuse a exclusão da contribuinte do SIMPLES, com fundamento no art. 14, II da Lei nº 9.317/96 embaraço à fiscalização. Em 17/02/2012, foi apresentada Impugnação (proc. fls. 815 a 840). Preliminarmente, a contribuinte argumentou que diversos valores, tais como créditos e despesas de terceiros e valores reembolsados, não foram registrados na escrituração da empresa, por entender tratarse de importes de operações de terceiros, ou seja, os créditos oriundos das cobranças exitosas, recebidos pela fiscalizada em sua(s) conta(s) bancária(s), eram repassados aos bancos e financeiras por entender serem de titularidade daqueles. Manifestouse contra a qualificação da multa sob o argumento de que não foi configurado o dolo. Asseverou que, ainda que houvesse alguma espécie de infração à legislação tributária, seria por mero erro ou engano, por não observância da melhor técnica de apuração de resultados, ignorância do modo de proceder, inexperiência, mas nunca situação volitiva consciente. Alegou que não houve negativa de apresentação de documentos, pois foram atendidas e/ou respondidas todas as intimações emanadas da Fiscalização, tendo sido entregues os livros Diário e Razão, bem como, demais documentos para justificar os depósitos em suas contas bancárias. Alertou ainda que apenas deixou de apresentar os extratos bancários e as cópias dos contratos firmados para com os bancos e financeiras, posto que tais documentos estavam na posse destes, não obtendo êxito em apresentalos ante o curso do lapso temporal dado pelo Fisco. No mérito, alegou que frente a apresentação à auditoria dos livros Diário e Razão, inerentes ao período fiscalizado, não se justificaria a desclassificação da escrituração contábil da empresa e, consequente, o arbitramento do lucro. Ademais, não se verificou a circunstância de embaraço à fiscalização ou negativa de apresentação de extratos bancários. Estes só não foram apresentados porque a empresa não os possuía. Ressaltou que diversos documentos apresentados ao Fisco, com o intuito de comprovar a origem dos recursos, foram considerados como inidôneos. A Impugnante relatou que, no anocalendário de 2006 era optante do SIMPLES e, portanto, estava desobrigada à escrituração completa de suas operações, mas mesmo assim apresentou seus livros Diário e Razão. A contribuinte também se posicionou contra a tributação com base exclusiva em depósitos bancários, já que inexiste comprovação de acréscimo patrimonial. Desta feita, entendeu nulo o lançamento realizado, pois fundado em mera presunção de receita, o que contraria posições da jurisprudência no sentido de que a movimentação bancária, por si só, não pode solidar a omissão de rendimentos para fins de lançamento de IR. Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 6 5 Mais uma vez ressaltou que, apesar de justificar vários depósitos fiscalizados, foi subtraída do direito ao contraditório, ampla defesa e ao devido processo legal, pois teve seus documentos classificados como inidôneos. A contribuinte ainda fez menção ao disposto no DecretoLei nº 2.471/88 que em seu art. 9º, VII determina o cancelamento dos débitos relativos ao IR que tenham por base a renda presumida por meio de arbitramento baseado, exclusivamente, em valores constantes de extratos ou comprovantes bancários. Por fim, requereu: o afastamento da imputação de embaraço à fiscalização; o cancelamento da multa de 150%; o cancelamento dos lançamentos de todo o crédito tributário; o cancelamento do Ato Declaratório Executivo DRF/CSL nº 001/2010, que determinou a exclusão da empresa do SIMPLES; que se obste a continuidade de todos os processos oriundos da respectiva fiscalização operada em detrimento da empresa; que, caso não se acate a total improcedência do Auto de Infração que se exclua, na integralidade, os valores de repasses e reembolsos de despesas; e, em não sendo atendido os pedidos anteriores, que seja desclassificada a sistemática de arbitramento do lucro, por uma sistemática de tributação mais branda e menos gravosa à Impugnante. DRJ em Porto Alegre exarou Acórdão em 29/04/2011, mantendo a exclusão do SIMPLES, bem como o crédito tributário exigido (proc. fls. 1453 a 1462). Quanto ao argumento da contribuinte de que não houve embaraço a fiscalização a justificar a exclusão do SIMPLES, o colegiado alegou que de acordo com o disposto no art. 14, II da Lei nº 9.317/97, ocorre a exclusão de ofício quando, após intimação, o contribuinte deixa de fornecer sem justificativa as informações atinentes à movimentação financeira da empresa. Portanto, entendeu que como a Impugnante não apresentou tais informações e chegou até mesmo a afirmar que “mesmo que se solicitasse ao Banco este provavelmente, não disponibilizaria ditos documentos em tão curto espaço de tempo”, a Turma entendeu que a contribuinte nem mesmo chegou a solicitar tais documentos às instituições financeiras competentes, o que configuraria a negativa injustificada apta a desencadear a exclusão de ofício. O órgão julgador afirmou que, a sistemática do arbitramento foi utilizada em virtude de expressa e inafastável previsão legal. O art. 530, II, “a” do RIR/99 determina o arbitramento quando a escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Ressaltou que até mesmo as empresas optantes do SIMPLES deve registrar as movimentações financeiras e bancárias (art. 7º, § 1º, “b” da Lei nº 9.317/96). Concluiu pela improcedência da alegação da Postulante de alternância na sistemática SIMPLES/Lucro Real, como razão para a não escrituração da movimentação bancária nos livros que possuía. No que concerne à presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, a Turma asseverou que o agente fiscal agiu de conformidade com os ditames da lei (art. 42 da Lei nº 9.430/96). Relatou que não houve mera utilização dos depósitos bancários sem outros procedimentos por parte do agente fiscal. Este intimou por mais de uma oportunidade a Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 7 6 empresa a comprovar a origem dos depósitos, diligenciou junto aos bancos e clientes da fiscalizada com o intuito de apurar tais valores, expurgou os créditos indevidos, montou planilha demonstrativa dos resultados e ofereceu as mesmas à contribuinte para manifestação. Analisou as explicações da contribuinte e, motivadamente, concluiu pela não comprovação. Oportunizou, ainda, a comprovação do destino dos débitos havidos nas contas e omitidos no “caixa” e que eram compatíveis com as omissões. Quanto aos documentos juntados em sede de Impugnação, o órgão julgador asseverou que são praticamente os mesmo apreciados pela fiscalização e que já haviam sido considerados pelo fiscal. A Turma julgadora alertou que, a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é matéria de ônus probatório, a contribuinte poderia comprovar a origem e os créditos, afastandoos do montante tributário. No tocante à aplicação da multa em sua forma qualificada, entendeu o colegiado pela correta cominação. Afirmou que “o fato de não ter levado aos livros contábeis suas movimentações financeira, por pelo menos, dois anos, já deixa transparecer que houve intenção de sonegar informações que levariam à tributação pelo fisco. Somese a isso os montantes omitidos, e fica difícil não ver neste quadro a vontade consciente de fugir da tributação”. Em 06/06/2011, foi interposto Recurso Voluntário (proc. fls. 1475 a 1512). De início, a Recorrente alegou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Concernente à afirmação de embaraço à fiscalização, a Postulante afirmou que o mesmo não ocorreu. Desde o início da ação fiscal, prontamente apresentou todos os documentos que estavam em seu poder, só não logrou êxito quanto aos extratos bancários mesmo após diversas diligências, tendo em vista o lapso temporal entre os fatos e a requisição. Entendeu que o mesmo se pode dizer quanto aos contratos firmados entre a contribuinte e seus clientes. Aproveitou a oportunidade para juntar cópias dos contratos de prestação de serviços de cobrança extrajudicial firmado com VOLKSWAGEM SERVIÇOS S.A., BANCO VOLKSWAGEM S.A. e VOLKSWAGEM LEASING S.A ARRENDAMENTO MERCANTIL. Mais uma vez, a contribuinte alegou que atendeu às requisições que lhe foram dirigidas e apresentou toda documentação, informações e justificativas que estavam ao seu alcance. No entanto, foram inadmitidas e rejeitadas pelo agente fiscal. Entendeu que a autoridade fiscalizadora, por sua interpretação e suposição, enquadrou parte da movimentação financeira oriunda dos extratos bancários das contas de titularidade da Impugnante como omissão de receita por depósitos de origem não comprovada considerando, de forma indevida, valores transitados em suas contas bancárias de titularidade de terceiros, cujos valores não representam receitas efetivas da empresa, mas valores pertencentes a seus contratantes, que apenas transitaram em suas contas bancárias, como reembolso de despesas e parte dos repasses de valores cobrados de devedores inadimplentes, conforme objeto de seus negócios – serviços de cobrança e, portanto, não passíveis de tributação. Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 8 7 A Recorrente alertou que a despeito do afirmado pelo Relator do Acórdão recorrido, o agente fazendário não aceitou os documentos relativos a reembolsos e repasses por conta de cobrança. Ainda neste sentido, comunicou a juntada do contrato de prestação de serviços celebrado com o Grupo VOLKSWAGEM, o qual foi tido pelo o auditor fiscal como inexistente e, portanto, desconsiderados os repasses de valores de cobrança recebidos pela contribuinte. A Recorrente elencou diversos gastos efetuados em nome dos contratantes, os quais o Auditor considerou como receitas da contribuinte. Como documentação comprobatória menciona os documentos juntados quando da Impugnação e não analisados (mensagens de e mails entre a contribuinte e o Banco Unibanco e BV Financeira referentes a repasses e reembolsos de despesas, bem como planilhas e relatórios de reembolsos de gastos/custas de operacionalização das cobranças efetuados pela empresa em nome dos clientes durante o período fiscalizado). Asseverou que esses repasses e despesas não constam nos registros contábeis da empresa por trataremse de importes de operações de terceiros. Quanto à inversão do ônus da prova prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, a Postulante afirmou que há flagrante ofensa ao art. 142 do CTN. Entendeu que como o CTN tem status de Lei Complementar, e a Lei nº 9.430/96 é lei ordinária, esta não poderia dispor de forma diversa da previsto no CTN. Em verdade, a contribuinte entendeu que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 é ilegal como um todo, pois além de modificar o conceito do fato gerador de imposto de renda fixado no art. 43 do CTN, ao tributar a receita e não a renda, também ofendeu os princípios da legalidade, segurança jurídica e razoabilidade. Mais uma vez a contribuinte alegou que a mudança de tributação de SIMPLES para Lucro Real justifica algumas falhas que possam ser encontradas em sua escrituração, no entanto, tais falhas não podem servir de fundamento para a qualificação da multa de ofício. Afirmou que por orientação deficiente, desconhecimento, interpretou desnecessária a contabilização de valores que a ela não pertenciam, e apenas considerou valores de receita efetiva de sua atividade, mas jamais agiu com dolo. A Postulante foi enfática ao afirmar que não houve negativa de apresentação de documentos, apenas os extratos bancários não foram apresentados porque não os tinha em sua posse. Afirmou que por se tratar de operações bancárias realizadas há quase 5 anos, os bancos não disponibilizam tais documentos no curto espaço de tempo aprazado na intimação fiscal. Aduziu que não se verificou qualquer embaraço a fiscalização, bem como, inexistiu circunstância negativa de apresentação de extratos bancários. Destarte, manifestouse contra a exclusão do SIMPLES e consequente apuração do lucro por arbitramento. Por fim, a interessada mais uma vez questionou a validade do lançamento, pois fundado em “mera presunção de receita, contrariando posições da jurisprudência no sentido de que a movimentação bancária, por si só, não pode solidar a omissão de rendimentos para fins de lançamento do IR, eis que os depósitos auditados carecem de caracterização de renda absoluta auferida pela empresa, impedindo sua utilização como fato gerador de tributos ou contribuições”. Observou que a simples constatação da existência de depósitos bancários em conta da fiscalizada não é suficiente para afirmar que houve omissão de receitas, necessário a Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 9 8 presença de outros elementos que atestem a ocorrência. E semelhante à Impugnação, fez menção ao art. 9º, VII do Decreto – Lei nº 2.471/88. É o relatório. Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 10 9 VOTO Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão que manteve a exclusão da contribuinte do SIMPLES, bem como os créditos tributários exigidos. Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o Fl. 3850DF CARF MF Processo nº 11080.000107/201010 Resolução nº 1101000.084 S1C1T1 Fl. 11 10 julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. É como voto. (documento assinado digitalmente) Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 3851DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.725051/2015-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL.
Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO.
É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
Numero da decisão: 2402-006.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de piso, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa para que seja proferida nova decisão com a análise das demais questões trazidas na impugnação e que não foram objeto do acórdão originário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que negaram provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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I. MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de piso, restituindose os autos à primeira instância administrativa para que seja proferida nova decisão com a análise das demais questões trazidas na impugnação e que não foram objeto do acórdão originário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que negaram provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 50 51 /2 01 5- 39 Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.711 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1152.808, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRL) de Recife (PE), fls. 2.685 a 2.689: Tratase dos Autos de Infração – AI (fls. 3 a 24) resultantes da Ação Fiscal promovida junto ao contribuinte acima identificado: <> AI nº 37.389.9467 (contribuições previdenciárias parte empresa) no valor de R$ 40.303.275,98, <> AI nº 37.389.9475 (contribuições previdenciárias de segurados) no valor de R$ 16.121.310,26, Período de apuração: 01/2001 a 05/2005. Nos termos do relato fiscal de fls. 27 a 70, o auditor autuante informa que a presente exigência se presta a restaurar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.004.8156 (processo 12267.000338/200885), anulada, por vício formal, conforme Acórdão nº 230100.428 de 03/06/2009 – 2ª Seção de Julgamento da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decide em consonância com o provimento judicial do processo nº 2003.51.010224300 RJ. Em novo julgamento de primeira instância, realizado em 30/6/16, a DRJ de Curitiba conclui pelo provimento parcial da impugnação, reconhecendo que as contribuições referentes ao período de 09/1995 a 13/1998 estariam atingidas pela decadência e mantendo o lançamento em relação ao período de 01/1999 a 12/2002. [...] A presente exação decorre da verificação fiscal de pagamentos a segurados caracterizados empregados, tratados como se Pessoas Jurídicas fossem. Foram detalhados os elementos caracterizadores da relação de emprego em função dos contratos de prestação de serviço e das atividades desenvolvidas pelos prestadores. Neste novo procedimento fiscalizatório, a auditoria utilizou as mesmas bases de cálculo/documentação originalmente utilizadas na apuração em pauta, diante da recusa do contribuinte em atender as novas intimações fiscais. Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.712 3 Cientificado do lançamento em 01/10/2015 (AR de f. 2592), o interessado apresentou em 03/11/2015 as seguintes razões de fls. 2603 a 2624: D1 tempestividade; D2 inexistente a caracterização de vicio formal na decisão mencionada; D3 decadência do crédito lançado, em decorrência de vício material no lançamento original, nos termos do CTN artigo 173, I; D4 precária a caracterização de segurados empregados, com justificativa insuficiente para apenas algumas das pessoas jurídicas arroladas. Junta Acórdãos do CARF relativos a vício material e erro no domicílio do contribuinte. Ao julgar a impugnação, a DRJ entendeu que o lançamento estaria acometido de vício material e não de vício formal, uma vez que a fiscalização teria sido realizada em local distinto do adequado, trazendo obstáculo ao sujeito passivo e acarretando o lançamento por aferição indireta. Diante do vício material, informou que os créditos em questão restaram fulminados pela decadência e não poderiam ser objeto de novo lançamento. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos a ementa consignada no Acórdão nº 1152.808: NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. DECADÊNCIA. Caracterizado, no lançamento original, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço rejeitado, conforme pronunciamento judicial, é reconhecida a existência de vício material, devendo ser aplicada a correspondente regra decadencial. O normativo legal estabelece que a decadência opere em 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tendo em vista o montante exonerado de R$ 25.916.796,82, conforme demonstrativo abaixo, a DRJ recorreu de ofício da sua decisão, sendo o processo encaminhado a este Conselho: É o relatório. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.713 4 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Do conhecimento Tendo em vista que o crédito exonerado pela decisão de primeira instância superou o limite de alçada de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), previsto na Portaria MF nº 63, de 9/2/17, tomo conhecimento do recurso de ofício. Da nulidade do primeiro lançamento Segundo a decisão recorrida, o primeiro lançamento estaria eivado de nulidade, por vício material, e as competências, em questão, fulminadas pela decadência, nos seguintes termos: A mencionada decisão do CARF que anulou o lançamento original, de fato, não atesta que o vício foi considerado como formal. Em função de equívoco na determinação do domicilio do contribuinte, reconhecido judicialmente, o referido Conselho se convenceu do cerceamento imputado ao contribuinte, razão que expõe em seu julgado. Neste tema, há consenso jurisprudencial que o vício formal referese ao descumprimento dos requisitos estabelecidos nos artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72, causando omissão ou desatenção das solenidades necessárias à validade do ato. Ocorre que quando as referidas formalidades atingem a materialidade do lançamento é forçoso se reconhecer que houve contaminação material dos atos. Assim é que parece ter ocorrido nos autos: ao promover auditoria em local distinto daquele adequado, a fiscalização trouxe obstáculo ao sujeito passivo e acarretou lançamento, por aferição indireta, das bases de cálculo devidas. O fundamento da autuação – apuração indireta por falta de documentos – tem relação direta com o vício no desenvolvimento da auditoria em domicílio inapropriado, caracterizando comprometimento no lançamento em sua essência. [...] Tal entender força o reconhecimento de que as competências do período em tela, 01/2001 a 05/2005, encontramse fulminadas pela decadência qüinqüenal na data de ciência do lançamento em julgamento: 01/10/2015. Conforme se extrai da transcrição acima, a decisão recorrida concluiu que o vício ensejador da anulação do lançamento seria de natureza material, uma vez que o procedimento fiscal teria sido realizado em “local distinto” do “adequado”, acarretando, por tal motivo, “obstáculo” ao contribuinte quanto à apresentação de documentos e levando a fiscalização a proceder ao lançamento por aferição indireta. Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.714 5 Na ótica da decisão a quo, o “desenvolvimento da auditoria em “domicílio inapropriado” teria comprometido o “lançamento na sua essência”. Pois bem, para melhor análise do caso, vejamos, primeiramente, o que restou consignado no item 11.1 e subitens, do relatório fiscal referente ao lançamento anulado (processo 12267.000338/2008851, fls. 314 e 315): 11.1. No início dos presentes trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa MI Montreal, esta encaminhou em 24/06/2005 ao INSS um requerimento, e seus anexos, protocolado sob o nº 35301.005732/200507 (protocolo geral da Gerência Executiva do Rio de Janeiro Centro), informando a Sra. Chefe do Serviço de Fiscalização que havia manifesto equívoco quanto à Autoridade competente para a determinação da fiscalização, bem como quanto ao seu cumprimento. Justifica a empresa que, conforme consta no seu contrato social, devidamente registrado na JUCERJA, sua sede é na Rua Capitão Soares nº 04, em Rio das Flores, Volta Redonda, RJ, sendo este, portanto, seu domicílio fiscal, “sob jurisdição da GRAF de Volta Redonda”. No referido requerimento, e em seus anexos, a empresa MI Montreal não faz referência a nenhuma ação judicial, onde figure como parte autora, em que se discute o seu domicílio tributário. O requerimento, sem os seus anexos, encontrase no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 11.1.1. Encaminhado o Processo n2 35301.005732/200507 (carta e seus anexos) para Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), esta se manifestou conforme transcrição abaixo dos parágrafos 6, 7 e 9 da resposta proferida contida no Despacho Nº 17.200.310DCGD/RJ, de 18/07/2005, ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 6. Como se vê do requerimento [...] do contribuinte, foi omitida a existência de ação judicial discutindo a fixação do domicílio fiscal do requerente. Todavia, da leitura da sentença proferida na ação ordinária nº 200351010224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.29/33), notase que todos os argumentos apresentados pela empresa já foram analisados e rejeitados pelo Poder Judiciário, que considerou justificada a recusa do INSS em aceitar o domicílio eleito, aplicandose à hipótese o artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. 7. Acrescentase, nesta oportunidade, que o contribuinte propôs a Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0055337, junto ao Tribunal Regional Federal da 2º Região, visando à declaração de que o seu domicílio fiscal é em Rio das Flores/RJ, tendo a petição inicial sido indeferida, conforme se vê às fls. 34/37. 1 Segue em apenso ao presente processo. Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.715 6 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. 11.1.2. A empresa MI Montreal foi notificada do despacho da Procuradoria em 29/07/2005, conforme ciência firmada pelo representante legal da empresa, Sr. Paulo Sérgio de Assumpção, numa cópia do referido despacho, juntada a esta NFLD no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. Nesta mesma data foi deixado o TIAD nº 2 que formalizou o reinício dos trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa, conforme comando contido no despacho do Sr. Delegado da Receita Previdenciária datado de 21/07/2005, reproduzido no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. (Grifos no original) Conforme se observa, após iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou requerimento à Gerência Executiva do INSS, no Rio de Janeiro/RJ, por meio do processo 35301.005732/200507, apontando suposto equivoco quanto à autoridade competente para realizar a fiscalização, informando que seu domicílio seria na Rua Capitão Soares nº 4, em Rio das Flores, Volta Redonda/RJ. Em razão do alegado, a fiscalização foi interrompida e o processo 35301.005732/200507 foi encaminhado à Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), para manifestação a respeito, tendo este setor da Procuradoria informado quanto à discussão judicial acerca do domicílio tributário do contribuinte e da sentença proferida na ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que confirmou o domicílio na Capital do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, 7º andar. O contribuinte foi, então, cientificado da manifestação da Procuradoria, recebendo, na mesma oportunidade, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 2, que formalizou o reinício da fiscalização. Insta destacar que o INSS, nos autos da ação ordinária nº 2003.51.01.022430 0, fez a devida demonstração dos motivos pelos quais recusou o domicílio eleito pelo contribuinte com vistas a proceder à fiscalização na Capital do Rio de Janeiro. Por oportuno, pedimos venia para transcrevermos o seguinte trecho da decisão judicial em comento: M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA., qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, Objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, nº 4 Rio das Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.716 7 das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. [...] O feito está pronto para receber julgamento no estado em que se encontra, nos termos do artigo 330, I, do CPC. Algumas considerações introdutórias devem ser feitas. A decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela, da lavra do ilustre Dr. Carlos Alexandre Benjamin, estava fundada na alegação deduzida na inicial, no sentido de que a sede da autora estava fixada no Município de Rio das Flores, e tal assertiva foi demonstrada pela apresentação da última alteração contratual da sociedade, na qual foi alterada a cláusula primeira do contrato social da autora. Ali se lê que sua sede social está situada em Rio das Flores (cf. fls. 17 e 18 cláusula primeira denominação, sede e filiais). Tal constatação, a princípio, autorizava a aplicação do disposto no artigo 127, II, do Código Tributário Nacional. Entretanto, ofertada a defesa, todo o quadro se modificou, pois tudo indica que a fixação da sede no Município Rio das Flores foi o meio encontrado pela autora para dificultar a ação da fiscalização. Confirase excerto da contestação, que transcrevo, “in verbis”: Ao revés do noticiado pela Autora, o local onde instalado a Diretoria, o núcleo decisório da empresa, corresponde em verdade, à cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, como atesta a última alteração contratual, 37º, adunada pela Autora às fls. 15/23, local em que sediada até então. A referida ata comprova, igualmente, que a controladora da empresa MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., cláusula 4ª, fls. 19, é sediada no indigitado endereço. Igualmente significativo, que a sede indicada no instrumento de Procuração, de fls. 13, outorgada aos causídicos signatários da exordial, corresponde à Rua São José, 90, 7º ao 9º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. [...] A transferência do domicilio fiscal de uma empresa que, segundo o preambulo da exordial, fls.02, fora constituída em 1976, tendo por ramo de negócio serviços ligados à área de informática, execução de serviços de engenharia de sistemas, prestação de serviços de processamento de dados, de planejamento, de consultoria de treinamento, de impressão a laser, mercancia de equipamentos e materiais, para o Município de Rio das Flores, no interior do Estado, local alheio ao da prestação de tais serviços e distinto do em que atua sua Diretoria, só pode ter a conotação de criar embaraço à fiscalização. Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.717 8 A Circunstância de que a Autora presta serviços à Prefeitura do Rio de Janeiro, Petrobrás, Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, Empresa. Brasileira de Correios e Telégrafos, à toda evidência, efetuados em local distinto da sede de Rio das Flores, autoriza o entendimento preconizado pelo Eg. STJ de que a opção visa, tão só, criar embaraço a fiscalização, autorizandose ao INSS a recusa do domicílio eleito. (cf. fls.91/93) Tais esclarecimentos modificam todo o quadro anteriormente vislumbrado. Mas há mais: Advirtase, ainda, que a agravada se constitui numa das maiores devedoras previdenciárias, tendo lançados em seu desfavor 54 débitos que montam a R$ 42.258.006,27 (quarenta e dois milhões duzentos e cinqüenta e oito mil seis reais e vinte sete centavos), conforme atestam os extratos em anexo. A inconfessada intenção da açodada transferência de sede pela Autora, é de refugir à atuação centralizada da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, que só atua na capital do Estado, na execução fiscal dos indigitados créditos, que se encontram em fase de iminente julgamento pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, como atestam os extratos CCREDEXT adunados, que registram que a maioria dos créditos aguarda, tãosó, a expedição de acórdão para inscrição em dívida ativa. Consoante o disposto no art. 109, §1º, da CRFB/88 e art. 57B do Código [...], as execuções fiscais para cobrança dos referidos créditos, deverão ser ajuizadas no foro do domicílio do réu. Assim é de todo interesse da autora, que seja reconhecido o domicilio fiscal como Rio das Flores, em cuja circunscrição deverão ser ajuizados os executivos atinentes aos créditos que montam a mais de R$ 40 MILHÕES de reais, refugindo ao âmbito de atuação da Divisão de Grandes Devedores e, obviando a efetiva cobrança judicial, dado que não dispõe de patrimônio na comarca, ensejando a expedição de cartas precatórias, para ordinária necessidade de garantia do juízo. (grifos originais cf. fls.93) Em síntese, tais informações do INSS no sentido de que a intenção da autora, ao transferir sua sede de local situado no Centro do Rio de Janeiro (onde passou a funcionar suposta filial) para município no interior do Estado, foi impedir a atuação da Divisão de Grandes Devedores, que só atua na capital, dificultando a fiscalização e arrecadação tributária estão amparadas em farta documentação acostada aos autos (confirase, especialmente, a diligência autuada em fls.113/114, no qual foi constado que no local, indicado como sede da sociedade, não havia qualquer representante legal, mas apenas Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.718 9 uma secretária, e o local é guarnecido com aparelho de fac símile, e estantes com caixas de arquivos). Portanto, justificada está a recusa do INSS a aceitar o domicilio eleito, e tal postura tem amparo no disposto no artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. Sendo assim, o pedido é de ser julgado improcedente. II Do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO. (Grifos no original) Portanto, como se pode ver, além da recusa do domicílio eleito ter sido plenamente justificada pela autoridade tributária, esteve devidamente amparada pela Justiça Federal, quando da realização do procedimento fiscal. Lembrando que a recusa do domicílio eleito encontra fundamento no art. 127, §§ 1º e 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: [...] § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Dessa forma, restou consignado em todos os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs), como endereço para disponibilização de documentos e informação, a Rua São José, nº 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, conforme se observa no seguinte excerto do TIAD nº 11, constante do processo 12267.000338/200885, fls. 152 e 153: A documentação assinalada, relativa ao período de 01/2001 a 05/2005, e a todos os estabelecimentos da empresa, inclusive obras de construção civil, deverá ficar à disposição desta Fiscalização, no endereço RUA SAO JOSE N. 90 7 ANDAR, CENTRO, RIO DE JANEIRO RJ, a partir de 28/11/2005 às 10 horas e 00 minutos, e durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal. A referida documentação deverá, ainda, ser liberada com vistas à extração de cópias reprográficas, destinadas à instrução processual, podendo, também, o sujeito passivo, se preferir, fornecer as cópias que se fizerem necessárias. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.719 10 (Grifos no original) Pois bem, compulsando os autos do processo 12267.000338/200885, nota se, claramente, que após ter sido superada a questão quanto ao domicílio tributário, o procedimento fiscal transcorreu normalmente, tendo a empresa fornecido diversos documentos solicitados pela fiscalização. Todavia, pela não apresentação de parte da documentação solicitada e valendose da prerrogativa prevista no art. 33, § 3º, da Lei 8.212, de 24/7/91, a fiscalização procedeu à apuração das bases de cálculo, das contribuições lançadas, por aferição indireta. Insta destacar que na fase preparatória do lançamento, que corresponde a uma fase inquisitória, a fiscalização atua com amplos poderes de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe, com vistas a efetuar o lançamento. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal. O que se desenvolve nessa fase é um “procedimento preparatório do ato de lançamento tributário” 2, no qual a fiscalização coleta os elementos capazes de justificar a exação consubstanciada no lançamento. Finalizada essa etapa e consolidado o lançamento, deste é dado ciência ao contribuinte para que efetue o pagamento dos créditos lançados ou para que apresente a sua defesa (impugnação), momento em que se instala o contencioso administrativo, segundo previsto no art. 14 do Decreto 70.235, de 6/3/72. Importa ressaltar que o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta, corresponde, tão somente, a uma técnica de auditoria empregada para se apurar o montante das contribuições devidas na fase preparatória do lançamento, com inversão do ônus da prova ao contribuinte. Dessa forma, uma vez que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cumpre ao contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). De mais a mais, conforme se depreende dos autos, tanto do lançamento anulado (12267.000338/200885), quanto do lançamento substitutivo (15504.725051/201539), o relatório fiscal e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura dos Auditores Fiscais, a indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado da exação tributária, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa que utilizou dessa prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa. 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro. São Paulo: Editora Dialética, 2002, p. 260. Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.720 11 Além do mais, no caso em tela, não entendemos que a fiscalização realizada em estabelecimento da empresa, situado na Capital do Rio de Janeiro, tenha representado “obstáculo ao sujeito passivo” e provocado “contaminação material dos atos”, segundo aventado na decisão recorrida. Sem sobra de dúvida, a fiscalização foi realizada em estabelecimento importante da empresa, quiçá em estabelecimento com status material de sede, situado em localidade onde, seguramente, na época da ação fiscal, a empresa possuía o maior número de clientes e negócios no estado, sendo um de seus clientes, inclusive, a própria Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso sem mencionar o fato de que, segundo a 37ª alteração contratual da empresa3, a sua Diretoria esteve instalada na Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, endereço no qual, aliás, encontravase sediada a MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., sua controladora. Acrescentese que no papel timbrado da empresa, no qual foi comunicado à fiscalização sobre o seu domicilio eleito, no início do procedimento fiscal (processo 12267.000338/200885, fls. 940 a 948), consta, em seu rodapé, endereço na Cidade do Rio de Janeiro e não na Cidade de Rio das Flores, o que só vem a corroborar a importância do estabelecimento situado na capital do Estado: Ademais, se parte da documentação solicitada pela fiscalização esteve arquivada no Município de Rio das Flores/RJ, cabia à empresa transferir essa documentação para o seu estabelecimento situado na Cidade Rio de Janeiro/RJ, a fim de atender aos termos de intimação. Lembrando que o procedimento fiscal durou mais de um ano, ou seja, de 30/5/05 (MPF4) a 24/8/06 (TEAF5) Cabe destacar, inclusive, que em seu primeiro recurso voluntário (processo 12267.000338/200885, fls. 2.905 a 2.954), o contribuinte não fez qualquer alegação quanto ao seu domicílio tributário e nem apontou qualquer dificuldade quanto ao fornecimento de documentos. E não é só, quando do segundo procedimento fiscal, realizado na cidade de localização do novo domicílio tributário eleito pelo contribuinte, situado na Avenida Professor Magalhães Penido, 77, Aeroporto, Belo Horizonte/MG, conforme Estatuto Social Consolidado de 27/11/12, não foram apresentados os documentos solicitados, levando a fiscalização à proceder ao lançamento substitutivo com base nos documentos e esclarecimentos constantes do processo 12267.000338/200885. Vide o seguinte excerto do relatório fiscal, fls. 27 a 70: 14. Os documentos necessários à execução desta fiscalização foram solicitados primeiramente a partir do TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal emitido em 19/08/2014 com ciência pessoal do contribuinte em 25/08/2014. Como a empresa não apresentou os documentos solicitados, efetuamos nova 3 Informação extraída da sentença proferida nos autos ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, cujo excerto foi transcrito neste voto. 4 Mandado de Procedimento Fiscal constante do processo 12267.000338/200885, fl. 36. 5 Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante do processo 12267.000338/200885, fls. 284 a 287. Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.721 12 intimação através do Termo de Intimação Fiscal 01 dando, novamente, oportunidade para a empresa apresentar os documentos e esclarecimentos necessários. O Termo de Intimação Fiscal 01 foi emitido em 05/12/2014 com ciência através de Aviso de Recebimento (AR) em 11/12/2014. 15. Em resposta aos Termos de Intimação, a empresa apresentou ofícios (doc anexos) e cópias de acórdãos proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em processos distintos dos que estão sendo substituídos na presente ação fiscal. Destacamos que as decisões proferidas pelo CARF em cada processo são autônomas e, portanto, as decisões citadas pela empresa não alcançam os processos que estão sendo substituídos nesta ação fiscal. 16. Tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados por esta fiscalização, o presente crédito foi constituído com base nos documentos e esclarecimentos constantes do processo 12267.0000338/200885 (substituído), resultante da fiscalização autorizada pelo MPF n° 09241334. 17. Desta forma, foram considerados os documentos apensados aos autos pelo contribuinte, em seu Recurso Voluntário, estando o demonstrativo da revisão nos valores do crédito objeto deste Auto de Infração, em consequência dos novos elementos de prova no ANEXO XIX. 18. Portanto, na emissão destes autos, foram consideradas as revisões efetuadas nos valores apurados na NFLD 37.004.8156, conforme demonstrado nos anexos XIX e XXV. 19. Sendo assim, nestes autos de infração restaram apenas aqueles lançamentos para os quais a empresa não conseguiu comprovar a inexistência da relação empregatícia entre os sócios das empresas prestadoras de serviço e a MI MONTREAL. 20. Logo, esses valores estão sendo considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias e encontramse discriminados no anexo “Relatório de Lançamentos – RL. (Grifos no original) Em face da revisão para menor dos valores lançados, temos o seguinte comparativo entre os valores originais e os valores constantes do lançamento substitutivo: Ora, se o novo lançamento foi realizado no domicilio tributário eleito pelo contribuinte, a não apresentação dos documentos permite duas conclusões: (i) ou a empresa não possui os documentos e por isso já não os apresentou quando da primeira fiscalização, (ii) ou possui os documentos e estes fazem prova a favor do lançamento, ou seja, seriam essas as reais razões para a não apresentação dos documentos e não o domicilio tributário. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.722 13 Sendo assim, diante de todo o exposto, não vislumbramos qualquer erro de direito ou qualquer mácula na essência do lançamento fiscal capaz de ensejar a sua anulação por vício material. Todavia, tendo em vista que o lançamento foi anulado pelo CARF, de ofício, uma vez que a decisão judicial que havia acatado a recusa do domicílio tributário eleito fora reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2007, reconhecendo o domicílio do contribuinte no município de Rio das Flores/RJ, no muito, o quadro aponta para um erro de fato no instrumento do lançamento, passível de caracterizar vício formal. Nessa linha é a Solução de Consulta Interna nº 8, de 2013, da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configure erro de direito é vício material. Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Segue esse entendimento, também, o Parecer PGFN/CAT nº 278/2014: LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO DEFEITO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CASO CONCRETO. I O erro na identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar tanto um vício material quanto formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra. II Se o equívoco se der na “identificação material ou substancial” (art. 142 do CTN), o vício será de cunho “material”, por “erro de direito”, já que decorrente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato. Por outro lado, se o engano residir na “identificação formal ou instrumental” (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II, do CTN. Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 15504.725051/201539 Acórdão n.º 2402006.675 S2C4T2 Fl. 2.723 14 Convém observar, ainda, que a autoridade tributária, antes de proceder à realização do lançamento substitutivo, agiu com diligência, buscando se certificar quanto à natureza do vício que levou à anulação do lançamento original, segundo se extrai no parágrafo 12 do relatório fiscal, fl. 30: 12. Ressaltamos que em consulta formulada à Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro – PFN (Procuradoria Seccional em Volta Redonda) pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, a douta Procuradoria esclareceu que se trata de vício formal quando “o procedimento fiscal é realizado em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte”, conforme demonstrado no ANEXO XXII. Portanto, ao contrário da decisão a quo, não restou evidenciada a ocorrência de vício material no lançamento anulado e, por conseguinte, temse por correta a realização do lançamento substitutivo, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN, uma vez que os créditos lançados não foram atingidos pela decadência. Conclusão Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para anular a decisão a quo, restituindose os autos à primeira instancia administrativa, para que seja proferida nova decisão, com a análise das demais questões trazidas na impugnação e que não foram objeto do acórdão originário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 2723DF CARF MF
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