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Numero do processo: 11080.907411/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos do processo nº 11080.901050/2010-60, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1094 a 1112) interposto contra v. Acórdão (fls. 1075 a 1083) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 292), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1054) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2007. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 8876.88385.301009.1.3.03-0906 refere-se a R$ 2.092.282,09, dividido em no não reconhecimento de R$ 132,67 de IRRF do período e R$ 2.092.149,42 referente a estimativas compensadas. A retenção de IRRF não é questionada pela Contribuinte nos autos, inclusive reconhecendo, já em sede de Manifestação de Inconformidade, o desconto de seu valor do crédito pretendido. Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, ainda não findado. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 0665795631, fl. 1054, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 18876.88385.301009.1.3.03-0906, fls. 1059/1070, concernente ao saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 656.113,71, enquanto nenhum valor reconhecido pela autoridade administrativa competente. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Retenções na Fonte: R$ 11.456,22 (valor informado) – R$ 11.323,55 (valor reconhecido) = R$ 132,67 (valor não reconhecido) Estimativas: R$ 3.549.956,75 (valor informado) – R$ 1.457.807,33 (valor reconhecido) = R$ 2.092.149,42 (valor não reconhecido) O fato de o crédito não haver sido reconhecido implicou na não homologação das compensações informadas no PER/DCOMP, o que tornou exigível o seguinte valor: R$ 569.096,68 + R$ 113.819,32 + R$ 306.247,69 = R$ 989.163,69 (total exigido) A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 14/10/2013, fl. 1071. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 13/11/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/29, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas. Registrou que a negativa do Fisco se deu em razão de dois fundamentos: [...] O primeiro diz respeito às retenções na fonte declaradas pela empresa na PER/DCOMP 18876.88385.301009.1.3.03-0906 e na sua DIPJ, que contribuíram para formar o Saldo Negativo de CSL daquele ano. Enquanto a empresa afirmava ter havido retenções no patamar de R$ 11.456,22, o Fisco afirma que ocorreram retenções somente no valor de R$ 11.323,55. Ou seja, uma diferença de R$ 132,67 a ser descontada dos créditos da Contribuinte. Quanto a este ponto, correto o entendimento fiscal. O segundo fundamento é o fato de que nem todos os pagamentos de estimativas feitos pela Contribuinte foram reconhecidos pelo Fisco. De fato, enquanto a empresa afirma em suas declarações ter pago o valor de R$ 14.999.131,31, o Fisco somente reconhece o pagamento de um total de R$ 12.906.849,22 de estimativas. A estimativa não reconhecida foi a do mês de dezembro/2007, que foi paga via compensação com créditos de IPI na DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910. Ocorre que tal pagamento, feito via DCOMP, já está sendo discutido no Processo Administrativo nº 11080.901050/2010-60, onde foi proferido Despacho Decisório (em 2011, posteriormente às compensações aqui discutidas, que datam de 2009) negando a compensação de créditos de IPI com o débito estimativa 12/2007 da DCOMP nº 32852.07322.310108.1.3.01-6910, conforme restará demonstrado a seguir e consoante se verifica pela cópia anexa (Doc. 06 da manifestação de inconformidade). A falta de reconhecimento do direito creditório mostra-se precoce e indevida, “uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN”. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre a pretendida suspensão do presente processo administrativo, até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, postulou o imediato reconhecimento do saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007 (item IV, fls. 11/28). É o que se tem a relatar Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA

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Acórdão (fls. 1075 a 1083) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 292), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1054) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2007. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 8876.88385.301009.1.3.03-0906 refere-se a R$ 2.092.282,09, dividido em no não reconhecimento de R$ 132,67 de IRRF do período e R$ 2.092.149,42 referente a estimativas compensadas. A retenção de IRRF não é questionada pela Contribuinte nos autos, inclusive reconhecendo, já em sede de Manifestação de Inconformidade, o desconto de seu valor do crédito pretendido. Já o valor da estimativa de dezembro de 2007 teria sido saldado por meio de compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, ainda não findado. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 0665795631, fl. 1054, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 18876.88385.301009.1.3.03-0906, fls. 1059/1070, concernente ao saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007, exercício 2008, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 656.113,71, enquanto nenhum valor reconhecido pela autoridade administrativa competente. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das retenções na fonte, assim como das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Retenções na Fonte: R$ 11.456,22 (valor informado) – R$ 11.323,55 (valor reconhecido) = R$ 132,67 (valor não reconhecido) Estimativas: R$ 3.549.956,75 (valor informado) – R$ 1.457.807,33 (valor reconhecido) = R$ 2.092.149,42 (valor não reconhecido) O fato de o crédito não haver sido reconhecido implicou na não homologação das compensações informadas no PER/DCOMP, o que tornou exigível o seguinte valor: R$ 569.096,68 + R$ 113.819,32 + R$ 306.247,69 = R$ 989.163,69 (total exigido) A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 14/10/2013, fl. 1071. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 13/11/2013 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/29, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas. Registrou que a negativa do Fisco se deu em razão de dois fundamentos: [...] O primeiro diz respeito às retenções na fonte declaradas pela empresa na PER/DCOMP 18876.88385.301009.1.3.03-0906 e na sua DIPJ, que contribuíram para formar o Saldo Negativo de CSL daquele ano. Enquanto a empresa afirmava ter havido retenções no patamar de R$ 11.456,22, o Fisco afirma que ocorreram retenções somente no valor de R$ 11.323,55. Ou seja, uma diferença de R$ 132,67 a ser descontada dos créditos da Contribuinte. Quanto a este ponto, correto o entendimento fiscal. O segundo fundamento é o fato de que nem todos os pagamentos de estimativas feitos pela Contribuinte foram reconhecidos pelo Fisco. De fato, enquanto a empresa afirma em suas declarações ter pago o valor de R$ 14.999.131,31, o Fisco somente reconhece o pagamento de um total de R$ 12.906.849,22 de estimativas. 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A falta de reconhecimento do direito creditório mostra-se precoce e indevida, “uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso voluntário apresentados pela empresa no processo administrativo nº 11080.901050/2010-60, em que se discute justamente a compensação que quitou a estimativa de IRPJ de dezembro de 2007 com saldos credores de IPI, e tais recursos possuem efeito suspensivo, conforme teor do art. 151, III, do CTN”. Prosseguindo, passou a discorrer de maneira mais aprofundada sobre a pretendida suspensão do presente processo administrativo, até o efetivo julgamento do processo administrativo nº 11080.901050/2010-60 (item III, fls. 06/11), ou, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, postulou o imediato reconhecimento do saldo negativo da CSLL do ano-calendário 2007 (item IV, fls. 11/28). É o que se tem a relatar Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.

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1402­000.735  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de outubro de 2018            Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente  julgamento  deste  processo  até  prolatação  de  Acórdão  meritório  definitivo,  nesta  mesma  instância  do CARF nos  autos  do  processo  nº  11080.901050/2010­60,  vencido  o Conselheiro  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves  que  votou  pelo  sobrestamento  até  decisão  definitiva  no  âmbito administrativo.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente Substituto.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os  conselheiros: Marco Rogerio Borges,  Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  e  Paulo  Mateus Ciccone (Presidente Substituto).       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 07 41 1/ 20 13 -2 4 Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.120            2 Relatório    Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 1094 a 1112) interposto contra v. Acórdão  (fls.  1075  a  1083)  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Fortaleza/CE,  que  negou  provimento  à  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte (fls. 02 a 292), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1054) que expressamente  deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do  ano­calendário de 2007.    Em  resumo,  a  parcela  ainda  controversa  do  crédito  pretendido  por  meio  da  PER/DCOMP nº 8876.88385.301009.1.3.03­0906 refere­se a R$ 2.092.282,09, dividido em no  não  reconhecimento  de  R$  132,67  de  IRRF  do  período  e  R$  2.092.149,42  referente  a  estimativas compensadas.    A  retenção  de  IRRF  não  é  questionada  pela  Contribuinte  nos  autos,  inclusive  reconhecendo,  já  em  sede  de Manifestação  de  Inconformidade,  o  desconto  de  seu  valor  do  crédito pretendido.    Já  o  valor  da  estimativa  de  dezembro  de  2007  teria  sido  saldado  por meio  de  compensação com crédito de pagamentos de IPI, igualmente não homologada, que é objeto do  processo administrativo nº 11080.901050/2010­60, ainda não findado.    Por  muito  bem  resumir  o  início  da  lide,  adota­se  a  seguir  trechos  do  preciso  relatório elaborado pela DRJ a quo:    Tem­se  no  presente  o  Despacho  Decisório  nº  de  rastreamento  0665795631,  fl.  1054,  tratando­se  de  ato  administrativo  que  não  reconheceu  o  direito  creditório  evidenciado  no  PER/DCOMP  nº  18876.88385.301009.1.3.03­0906, fls. 1059/1070, concernente ao saldo  negativo  da CSLL  do  ano­calendário  2007,  exercício  2008,  o  que  se  deu na forma a seguir reproduzida:  Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.121            3   A  pessoa  jurídica  postulou  o  crédito  de  R$  656.113,71,  enquanto  nenhum valor reconhecido pela autoridade administrativa competente.  O  resultado  se  deu  em  razão  da  confirmação  apenas  parcial  das  retenções  na  fonte,  assim  como  das  estimativas  informadas  pela  interessada, tudo conforme abaixo quantificado:  Retenções na Fonte: R$ 11.456,22 (valor informado) – R$ 11.323,55  (valor reconhecido) = R$ 132,67 (valor não reconhecido)   Estimativas:  R$  3.549.956,75  (valor  informado)  – R$  1.457.807,33  (valor reconhecido) = R$ 2.092.149,42 (valor não reconhecido)   O  fato  de  o  crédito  não  haver  sido  reconhecido  implicou  na  não  homologação  das  compensações  informadas  no  PER/DCOMP,  o  que  tornou exigível o seguinte valor:  R$  569.096,68 + R$ 113.819,32 + R$ 306.247,69 =  R$ 989.163,69 (total exigido)   A  pessoa  jurídica  foi  notificada  da  decisão  administrativa  em  14/10/2013, fl. 1071.   Não satisfeita com o que  foi deliberado, em 13/11/2013 a  interessada  apresentou  a  sua  manifestação  de  inconformidade,  fls.  02/29,  documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas.   Registrou  que  a  negativa  do  Fisco  se  deu  em  razão  de  dois  fundamentos:   [...]  O  primeiro  diz  respeito  às  retenções  na  fonte  declaradas  pela  empresa  na  PER/DCOMP  18876.88385.301009.1.3.03­0906  e  na  sua  DIPJ, que contribuíram para formar o Saldo Negativo de CSL daquele  ano. Enquanto a empresa afirmava ter havido retenções no patamar de  R$  11.456,22,  o  Fisco  afirma  que  ocorreram  retenções  somente  no  valor  de  R$  11.323,55.  Ou  seja,  uma  diferença  de  R$  132,67  a  ser  descontada dos créditos da Contribuinte. Quanto a este ponto, correto o  entendimento fiscal.   O  segundo  fundamento  é  o  fato  de  que  nem  todos  os  pagamentos  de  estimativas feitos pela Contribuinte foram reconhecidos pelo Fisco. De  fato, enquanto a empresa afirma em suas declarações  ter pago o valor  Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.122            4 de R$ 14.999.131,31, o Fisco somente reconhece o pagamento de um  total de R$ 12.906.849,22 de estimativas.   A estimativa não reconhecida foi a do mês de dezembro/2007, que foi  paga  via  compensação  com  créditos  de  IPI  na  DCOMP  nº  32852.07322.310108.1.3.01­6910.   Ocorre que  tal pagamento,  feito via DCOMP,  já está  sendo discutido  no  Processo  Administrativo  nº  11080.901050/2010­60,  onde  foi  proferido  Despacho  Decisório  (em  2011,  posteriormente  às  compensações  aqui  discutidas,  que  datam  de  2009)  negando  a  compensação  de  créditos  de  IPI  com o  débito  estimativa  12/2007  da  DCOMP  nº  32852.07322.310108.1.3.01­6910,  conforme  restará  demonstrado a  seguir  e  consoante  se verifica pela  cópia anexa  (Doc.  06 da manifestação de inconformidade).   A  falta  de  reconhecimento  do  direito  creditório  mostra­se  precoce  e  indevida, “uma vez que há manifestação de inconformidade e recurso  voluntário  apresentados  pela  empresa  no  processo  administrativo  nº  11080.901050/2010­60,  em que  se  discute  justamente a  compensação  que  quitou  a  estimativa  de  IRPJ  de  dezembro  de  2007  com  saldos  credores  de  IPI,  e  tais  recursos  possuem  efeito  suspensivo,  conforme  teor  do  art.  151,  III,  do CTN”.  Prosseguindo,  passou  a  discorrer  de  maneira mais aprofundada sobre a pretendida suspensão do presente  processo  administrativo,  até  o  efetivo  julgamento  do  processo  administrativo nº 11080.901050/2010­60 (item III, fls. 06/11), ou, caso  não seja este o entendimento deste órgão julgador, postulou o imediato  reconhecimento  do  saldo  negativo  da  CSLL  do  ano­calendário  2007  (item IV, fls. 11/28).   É o que se tem a relatar    Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora  recorrido,  negando  provimento  às  razões  apresentadas,  mantendo  o  r.  Despacho  Decisório  recorrido:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007  SALDO  NEGATIVO.  NÃO  RECONHECIMENTO  DO  CRÉDITO.  ESTIMATIVA  COMPENSADA.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO  OU  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL  DA  COMPENSAÇÃO.  QUESTÃO  PENDENTE DE  JULGAMENTO.  AUSÊNCIA  DOS  ATRIBUTOS DE  CERTEZA E DE LIQUIDEZ.   A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos  e  certos,  vencidos ou vincendos,  do  sujeito passivo  contra a Fazenda  Pública.  Ausentes  os  atributos  de  certeza  e  de  liquidez,  dada  a  inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito  Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.123            5 creditório  utilizado  na  compensação  da  estimativa,  não  há  como  se  reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo.   Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Diante de tal revés,  foi  interposto o Recurso Voluntário, em suma,  trazendo as  mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação  sobre  análise,  requerendo  a  homologação  da  compensação  pretendida  e,  subsidiariamente,  a  suspensão do feito.    Na  sequência,  os  autos  foram  encaminhados  para  este  Conselheiro  relatar  e  votar.    É o relatório.                              Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.124            6 Voto  Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator     O Recurso Voluntário  é manifestamente  tempestivo e sua matéria  se enquadra  na  competência  desse  N.  Colegiado.  Os  demais  pressupostos  de  admissibilidade  igualmente  foram atendidos.    Como relatado, a improcedência da parcela do crédito referente a R$ 132,67 de  IRRF  do  período  é  incontroversa,  como  já  reconhecido  em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade.    Feita tal observação, inicialmente alega a Recorrente que a não homologação da  da DCOMP agora sob análise, diante da justificativa de que o crédito de IPI e a satisfação da  estimativa  de  CSLL  de  dezembro  de  2007,  debatido  nos  autos  processo  administrativo  nº  11080.901050/2010­60,  foi  inicialmente  rejeitada  e  encontra­se,  ainda,  em  tramite  administrativo, representaria cobrança em duplicidade.    Por tal motivo e considerando que ou será tal crédito reconhecido ou, se negado,  a  Contribuinte  promoverá  o  pagamento  do  débito  correspondente,  deveria,  então,  aqui  ser  homologada a compensação que depende de tal outro pleito, evitando­se a oneração dupla e o  indevido enriquecimento da União.    Pois bem, o entendimento há muito professado por essa C. 2ª Turma Ordinária é  que tal correlação de dependência entre débitos não pode ensejar a denegação da compensação  pretendida  (como  procedeu  a  DRJ  a  quo),  mas,  também,  não  basta  para  justificar  a  homologação da manobra do Contribuinte.    Isso  porque,  de  fato,  no  presente  momento,  não  é  ainda  líquida  e  certa  esta  parcela  do  crédito  empregado  na  compensação,  não  podendo,  legalmente,  confirmar­se  a  satisfação dos débitos saldados pela DCOMP.    E  não  há  aqui  propriamente  o  enriquecimento  ilícito  da  União  Federal  ou  mesmo  cobrança  de  débitos  em  duplicidade,  mas  somente  um  anacronismo  na  apuração  de  Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.125            7 procedência da cadeia de créditos auferida e declarada pela própria Contribuinte, sendo a mais  adequada solução o sobrestamento do feito dependente, sem a resolução instantânea do mérito,  como será visto a seguir.    Já passando ao enfrentamento do segundo tópico de alegações da Recorrente, é  imperiosa a verificação de relação de conexão e prejudicialidade entre a presente contenda e o  processo  administrativo  nº  11080.901050/2010­60  (que  trata  da  quitação  de  estimativa  de  dezembro de 2007, que formou o saldo negativo CSLL).    Nesse  sentido,  a  dependência  da  procedência  do  crédito  pretendido  pela  Recorrente nesse feito com a homologação da compensação da estimativa, objeto do processo  administrativo  mencionado,  não  só  é  fato  notório  e  inquestionável,  como  também  foi  a  motivação  para  a  denegação  da DCOMP  no  r.  Despachos Decisório  e  pela  sua manutenção  pela DRJ a quo.    Confira­se trecho do v. Acórdão recorrido da DRJ:    Acontece que o que deverá prevalecer, para o deslinde da controvérsia  posta  em  julgamento,  é  a  situação  atual  da  compensação  tratada  no  processo  n°  11080.901050/2010­60,  que  é  no  sentido  do  reconhecimento  apenas  parcial  do  crédito  e  da  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  de  forma  que  na  presente  conjuntura  não  há  como  se  alterar  o  que  foi  decidido  no  despacho  decisório  atacado,  posto  que  no  julgamento  de  primeira  instância  não  foi  acatado  o  pedido  da  pessoa  jurídica  interessada,  formulado no sentido  reconhecimento  integral do  crédito  relacionado  ao IPI do primeiro trimestre/2007.   Reconhecer  o  saldo  negativo  aqui  discutido,  sem  que  exista  uma  decisão  administrativa  definitiva,  decretando  a  existência  do  crédito  informado  no  PER/DCOMP  nº  32852.07322.310108.1.3.01­6910,  representaria  inquestionável  afronta  ao  caput  do  art.  170  do  CTN,  dada a ausência dos atributos da certeza e da liquidez, imprescindíveis  para  o  reconhecimento  do  direito  creditório  postulado  pelo  sujeito  passivo, senão vejamos:  (...)  Portanto, tendo em conta o fato de já haver ocorrido o julgamento em  primeira  instância  da  questão  relacionada  à  estimativa  de  dezembro/2007  (tratada  no  processo  administrativo  de  nº  11080.901050/2010­60,  em  que  foi  considerada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  pela  empresa  apresentada),  o  que  resta patente no presente julgado é a correção do despacho decisório  contraditado.   Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.126            8   Claramente,  tem­se aqui uma didática  relação de dependência, na  forma como  leciona Fredie Didier Jr1, na medida que o fundamento causal e a premissa essencial (sine qua  non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora  sob análise,  é a  homologação de outra Declaração de Compensação, que saldou a estimativa de CSLL do mês  de dezembro do ano­calendário de 2007 (dando margem ao saldo negativo utilizado).    Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes  previsões sobre conexão:    Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados  observando­ se a seguinte disciplina:   §1º Os processos podem ser vinculados por:   I  ­  conexão,  constatada  entre  processos  que  tratam  de  exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos  passivos;   II  ­  decorrência,  constatada  a  partir  de  processos  formalizados  em  razão  de  procedimento  fiscal  anterior  ou  de  atos  do  sujeito  passivo  acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem  outras matérias autônomas;e  III ­  reflexo, constatado entre processos  formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos  elementos de prova, mas referentes a tributos distintos.   §  2º  Observada  a  competência  da  Seção,  os  processos  poderão  ser  distribuídos  ao  conselheiro  que  primeiro  recebeu  o  processo  conexo,  ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão.   §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por  despacho  do  Presidente  da  Câmara  ou  da  Seção  de  Julgamento,  conforme a localização do processo.   § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo  principal  não  estiver  localizado  no  CARF,  o  colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  unidade  preparadora,  para determinar a vinculação dos autos ao processo principal.                                                               1 A relação de dependência entre causas pendentes pode ocorrer de duas maneiras: a) uma causa é prejudicial a  outra: a solução que se der a uma causa pode interferir na solução que se der a outra; b) uma causa é preliminar a  outra: a solução que ser a uma pode impedir o exame da outra.  (...)  Essa  visão  autoriza­nos  a  concluir  pela  existência  de  conexão  por  prejudicialidade  ou  preliminaridade:  se  uma  causa  é  prejudicial/preliminar  a  outra  há  conexão  e  a  reunião  se  exige,  respeitados  os  limites  impostos  para  qualquer reunião.  Disponível em: http://www.frediedidier.com.br/artigos/parecer­conexao­preliminaridade/  Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.127            9 § 5º Se o processo principal  e os decorrentes  e os  reflexos  estiverem  localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter  o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo  na  Câmara,  de  forma  a  aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal.   § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado  pelo  CARF  relativo  ao  processo  principal,  a  unidade  preparadora  deverá  devolver  ao  colegiado  o  processo  convertido  em  diligência,  juntamente  com  as  informações  constantes  do  processo  principal  necessárias  para  a  continuidade  do  julgamento  do  processo  sobrestado.   §  7º  No  caso  de  conflito  de  competência  entre  Seções,  caberá  ao  Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o  Presidente da Turma que ensejou o conflito.   §  8º  Incluem­se  na  hipótese  prevista  no  inciso  III  do  §  1º  os  lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo  procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies.    Como  há muito  vem  decidindo  esta C.  2ª  Turma Ordinária,  por  unanimidade,  não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga sem o desfecho, pelo menos em  mesma instância administrativa, dos demais processos.    Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de  verdadeira  cadeia  creditória  (esta,  fruto  das  disposições  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96  e  regulamentação  infralegal),  como  também  poder­se­ia  ensejar  a  indevida  denegação  precipitada de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode  ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos.    Como já mencionado, não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de  verdadeiro  obstáculo,  lógico  e  temporal,  para  tal  apuração  e  confirmação,  não  podendo  simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte.    Posto  isso,  temos  que  o  processo  administrativo  nº  11080.901050/2010­60  encontram­se pendente de distribuição na C. 3ª Seção de E. CARF2.    Como acima se observa, não houve em tal contenda a apreciação do mérito da  procedência do crédito utilizado pela Contribuinte nessa instância recursal ordinária.                                                              2  http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf ­ consulta realizada em 01/10/2018.  Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 11080.907411/2013­24  Resolução nº  1402­000.735  S1­C4T2  Fl. 1.128            10   Certamente,  em  face  de  tal  circunstância  e  diante  da  patente  relação  de  dependência  preliminar  no  julgamento  daquele  outro  processo,  é  racional,  lógico  e  processualmente  adequado  aqui  o  sobrestamento  do  feito  até  o  desfecho  meritório,  nessa  mesma  instância,  de  tais  feitos  ­  como  é  o  entendimento  pacífico  e  absoluto  deste  N.  Colegiado.    Diante  de  todo  o  exposto,  resolve­se  por  sobrestar  o  presente  feito  até  a  prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância deste E. CARF, apreciando  a  procedência  do  crédito  e  a  homologação  das  compensações,  nos  autos  do  processo  administrativo nº 11080.901050/2010­60, para, somente então, retomar­se o julgamento.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella   Fl. 1128DF CARF MF

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Numero do processo: 10480.720355/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.720355/2010­05  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3301­005.368  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de outubro de 2018  Matéria  RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  S/A FLUXO ­ COMÉRCIO E ASSESSORIA INTERNACIONAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005, 2006  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  DESPESAS  DE  EXPORTAÇÃO.  COMERCIAL  EXPORTADORA.  VEDAÇÃO LEGAL.  O  direito  de  utilizar  o  crédito  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  no  regime  não  cumulativo  não  beneficia  a  empresa  comercial  exportadora  que  tenha  adquirido mercadorias com o fim específico de exportação,  ficando vedada,  nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semíramis  de  Oliveira  Duro  e  Valcir  Gassen.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 55 /2 01 0- 05 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10480.720355/2010­05  Acórdão n.º 3301­005.368  S3­C3T1  Fl. 3          2 decisão  da  repartição  de  origem  de  indeferimento  do  Pedido  de  Ressarcimento  e  de  não  homologação da compensação declarada.  Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou a ocorrência  de decadência e arguiu que a hipótese em que o crédito não poderia ser utilizado se restringiria  àquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendê­las a outra  empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, hipótese essa não verificada  no presente caso, razão pela qual o indeferimento era indevido.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ),  por  meio  do  acórdão  nº  09­055.797,  julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de  origem.  Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso  Voluntário, alegou nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa e repisou os  argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Voto             Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3301­005.364,  de  25/10/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 10480.720351/2010­19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Resolução nº 3301­005.364):  O  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  Contribuinte,  face  a  decisão  consubstanciada  no  Acórdão  nº  09­55.793,  é  tempestivo  e  atende  os  pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido.  A decisão ora recorrida ficou assim ementada:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005, 2006  CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DESPESAS  DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.  O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo  não  beneficia  a  empresa  comercial  exportadora  que  tenha  adquirido mercadorias  com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de  créditos vinculados à receita de exportação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Preliminarmente  o  Contribuinte  aduz  pela  nulidade  da  decisão  por  entender  que  a  Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  em  diversos  Acórdãos,  de mesmo  teor,  cada  um  referente  a  um  processo  administrativo,  Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10480.720355/2010­05  Acórdão n.º 3301­005.368  S3­C3T1  Fl. 4          3 violando o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como, o art. 59 do referido  Decreto.   O  fato  da  Manifestação  de  Inconformidade  contemplar  treze  processos  administrativos  e  a  autoridade  administrativa  ter  proferido  treze  acórdãos  sobre os PER/Dcomps, que estão sendo julgados a partir do presente processo  na condição de paradigma, não implica em violação do art. 31 do Decreto nº  70.235/1972 que assim dispõe:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos de  infração e notificações de  lançamento objeto do processo, bem como às  razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.  Assim considerado, nego provimento a preliminar por entender que não há  nenhuma ofensa ao disposto no art. 31 citado e, com isso, não cabe a nulidade  prevista  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/1972  por  preterição  do  direito  de  defesa como alegado pelo Contribuinte em seu recurso.  O  Contribuinte  alega,  ainda  em  preliminar,  que  como  se  trata  de  lançamento  por  homologação,  ocorreu  a  decadência  do  direito  da  administração  fiscal  de  recalcular  as  bases  apuradas  de  acordo  com  o  previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim expressa (fls. 827 e 828):    (...)    Esta segunda preliminar foi bem enfrentada já na decisão ora recorrida e a  cito como razões para decidir (fls. 810 e 811):  A manifestante alega que “considerando que os fatos geradores dos créditos objeto  de pedidos de ressarcimento/compensação ocorreram nos  anos de 2005 e 2006, o  prazo  decadencial  para  questionamento  dessas  apurações  se  encerrou  em  2011,  sendo  vedado  ao  Fisco  proceder,  como  fez,  ao  lançamento  no  ano  de  2012,  Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10480.720355/2010­05  Acórdão n.º 3301­005.368  S3­C3T1  Fl. 5          4 buscando revolver as bases de créditos tributários gerados em 2005 e 2006. Assim,  de  rigor  o  reconhecimento  da  decadência  dos  tributos  exigidos  no  termo  de  intimação fiscal ora açoitado”. (grifei)  Cumpre  ressaltar  que  o  presente  processo  trata  da  análise  de  Pedido  de  Ressarcimento e Declaração de Compensação transmitidos pela empresa, portanto,  não há que se falar em decadência visto que nele não existe lançamento de crédito  tributário.  Os  débitos  que  estão  sendo  cobrados,  ou  os  tributos  exigidos  no  termo  de  intimação fiscal ora açoitado na fala da manifestante, são aqueles declarados pela  empresa nas respectivas Dcomps, e assim são regulados pelos §§ 5º e 6º do art. 74  da Lei 9.430/96, cujo teor transcrevo:  §  5º  ­  O  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de  compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  §  6º  ­  A  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  Portanto, como a decisão do Despacho decisório se deu antes de decorridos cinco  anos  da  transmissão  da  Dcomp  em  questão,  também  não  há  que  se  falar  em  homologação tácita dos débitos nela declarados.  Portanto, acerca desta preliminar, voto por negar provimento ao recurso.  A  questão  de  mérito  diz  respeito  a  possibilidade  ou  não  de  se  apurar  créditos no que  tange ao PIS/COFINS referentes a despesas da atividade da  recorrente,  serviços  prestados  por  terminais  portuários,  vinculadas  à  exportação de mercadorias.  Neste sentido cito  trecho do recurso para que se elucidem os argumentos  trazidos pelo Contribuinte (fls. 830 e seguintes):    (...)    (...)  Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10480.720355/2010­05  Acórdão n.º 3301­005.368  S3­C3T1  Fl. 6          5   No  que  tange  o  mérito  da  questão,  considero  relevante  trazer  o  entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido como forma  de  elucidar  o  entendimento  da  DRJ/JFA  e  que  servem  como  razões  para  decidir (fls. 811 a 813):  Como se vê no Relatório de Fiscalização que deu origem ao despacho decisório  em análise, a autoridade fiscal analisou detalhadamente os créditos informados  pela  empresa no Dacon  respectivo  e  apurou  “créditos  vinculados  ao mercado  interno ­ MI, demonstrados no Anexo I, que decorreram dos custos e despesas  necessárias  à  obtenção  das  receitas  sujeitas  à  incidência  não­cumulativa  das  contribuições, onde foi aplicado sobre os gastos comuns às receitas vinculadas  ao  mercado  interno  (Ml)  e  ao  mercado  externo  (ME)  o  rateio  proporcional  descrito no item anterior”.  Esses  créditos  não  constam  do  PER  analisado  conforme  esclarece  o  citado  Relatório de Fiscalização: “Os saldos credores (vinculados ao mercado externo  ­ ME) utilizados  nos  pedidos  de  ressarcimento  decorreram  dos  custos  com  serviços prestados pelas empresas TEAG ­ Terminal de Exportação de Açúcar  do Guarujá Ltda.  e COSAN  S/A  Industria  e  Comércio,  relativos  a  recepção,  pesagem,  análise,  estocagem  e  carregamento  do  açúcar  nos  navios  transportadores.  Estes  serviços  estão  diretamente  vinculados  ao  produto  exportado  e  conseqüentemente  à  receita  de  sua  exportação,  logo,  não  devem  compor  a base de  cálculo dos  créditos  das  contribuições  sociais  por  expressa  vedação contida no art. 6º, § 4º e art. 15 da Lei n° 10.833/2003 e art. 21, § 2º da  IN SRF n° 600/2005. Indevida, portanto, a utilização dos saldos nos referidos  pedidos”. (grifei)  Os citados arts. 6º e 15 da Lei n° 10.833/2003 estabelecem:   Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10480.720355/2010­05  Acórdão n.º 3301­005.368  S3­C3T1  Fl. 7          6 Art. 6º­A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações  de:  I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico  de  exportação.  § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o  crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de:  I  ­  dedução  do  valor  da  contribuição  a  recolher,  decorrente  das  demais  operações no mercado interno;  II ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria.  § 2ºA pessoa  jurídica que, até o  final de cada  trimestre do ano civil, não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1º  poderá solicitar o  seu ressarcimento em dinheiro, observada a  legislação  específica aplicável à matéria.  § 3ºO disposto nos §§ 1º e 2º aplica­se somente aos créditos apurados em  relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação,  observado o disposto nos §§ 8º e 9ºdo art. 3º.  § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a  empresa comercial exportadora que  tenha adquirido mercadorias com o  fim  previsto  no  inciso  III  do  caput,  ficando  vedada,  nesta  hipótese,  a  apuração de créditos vinculados à receita de exportação.  Art. 15. Aplica­se à contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa de que  trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:  (...)  III ­ nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei;   A manifestante alega que “a hipótese em que o crédito não pode ser utilizado é  aquela  em  que  uma  empresa  exportadora  adquire mercadorias  com  o  fim  de  vendê­las  a  outra  empresa  comercial  exportadora,  com  fim  específico  de  exportação,  sendo  que  a  contribuinte  não  incorreu  nessa  hipótese,  razão  pela  qual o indeferimento foi indevido”.  A  argumentação  da  empresa,  carente  de  razoabilidade,  não  pode  prosperar  tendo em vista que o dispositivo legal é bastante claro ao afirmar que o direito  de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha  adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput. Que fim que  está previsto nesse inciso?  O fim específico de exportação.  Ora, a empresa é comercial exportadora, nos termos Decreto­Lei n° 1.248/72 e  os  custos  que  deram  origem  aos  supostos  créditos,  ora  pleiteados,  estão  diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de  sua exportação, como esclarece a autoridade fiscal.  Assim,  fica  vedada  a  apuração  e  apropriação  destes  créditos  pela  empresa,  como se constata da legislação acima transcrita.  Pelo  exposto,  voto  pela  improcedência  da manifestação  de  inconformidade  e  pela manutenção dos termos do Despacho Decisório.  De  fato,  em  que  pese  os  argumentos  trazidos  pelo  Contribuinte  em  seu  recurso,  entendo correto o processo de  subsunção  legal  com a aplicação do  disposto no art. 6º, inciso III e do art. 15 da Lei nº 10.833/2003.  Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10480.720355/2010­05  Acórdão n.º 3301­005.368  S3­C3T1  Fl. 8          7 Portanto,  tendo  em  vista  a  legislação  aplicável  ao  caso  e  os  autos  do  processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Cofins,  a  decisão  ali  prolatada  se  aplica  nos  mesmos  termos  à  Contribuição  para  o  PIS,  importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram  correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado  pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                              Fl. 862DF CARF MF

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Numero do processo: 10950.001435/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-007.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2.015          1 2.014  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10950.001435/2010­76  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­007.286  –  2ª Turma   Sessão de  23 de outubro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL REGIONAL DE AVICULTORES ­  COOPERAVES    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2008  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO.  PEDIDO  DE  PARCELAMENTO. RENÚNCIA.  A  adesão  a  programa  de  parcelamento  especial  de  débitos  configura  desistência  e  renúncia  ao direito  sobre o qual  se  funda o  recurso  interposto  pelo sujeito passivo, devendo­se declarar a definitividade do crédito tributário  em litígio.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso  Especial  e,  no mérito,  em  dar­lhe  provimento,  para  declarar  a  definitividade  do  crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 14 35 /2 01 0- 76 Fl. 2015DF CARF MF   2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.    Relatório  Trata­se de lançamento (DEBCAD 37.260.508­7 ­ fundamentação legal 68),  para  cobrança  de multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  decorrente  do  fato  do  Contribuinte  ter  apresentado  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os  fatos geradores de contribuições previdenciárias.  Nos termos do relatório fiscal, a obrigação acessória decorre de lançamentos  relativos a  fatos geradores omitidos da GFIP, no período de 10/2007 à 11/2008,  referentes  a  pagamentos efetuados  a  segurados  empregados e contribuintes  individuais  integrantes de  sua  folha de pagamento e aquisição de produtor rural pessoa física.  Após  o  trâmite processual  a  3ª Turma Especial,  por unanimidade  de  votos,  deu provimento parcial  ao Recurso Voluntário para determinar que  seja excluído da base de  cálculo da multa os valores referentes à comercialização de produção rural de produtos rurais  adquiridos de pessoas físicas e, após, o cálculo da multa seja feito de acordo com o art. 32A, I  da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, se mais benéfico à recorrente. O acórdão  2803­001.809 recebeu a seguinte ementa:  Assunto: Obrigações Acessórias  Data do fato gerador: 31/03/2010  LEGISLAÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INFRAÇÃO.  GFIP.  APRESENTAÇÃO  COM  INFORMAÇÕES  INEXATAS,  INCOMPLETAS OU OMISSAS.  Apresentar  a  empresa  GFIP  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas,  constitui  infração  à  legislação  previdenciária.  MULTA  APLICÁVEL.  LEI  SUPERVENIENTE  MAIS  BENÉFICA. APLICABILIDADE   O  artigo  32  da  lei  8.212/91  foi  alterado  pela  lei  11.941/09,  traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a  qual deve  ser aplicada,  consoante art.  106,  II “c”, do CTN,  se  mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo  com  o  art.  32A,  I,  da  lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  lei  11.941/09,  e  comparado  aos  valores  que  constam  do  presente  auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.  MULTA.RELEVAÇÃO.FAVOR REVOGADO   As autuações  lavradas após a  revogação da relevação prevista  no art. 291 do decreto 3.048/99 não fazem jus ao favor extinto.  PRODUTOR  RURAL.  SUBROGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  PELO  PLENO  DO  SUPREMO  TRIBUNAL.REPERCUSSÃO GERAL.  Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10950.001435/2010­76  Acórdão n.º 9202­007.286  CSRF­T2  Fl. 2.016          3 No  julgamento  do  RE  363.852/MG  o  Pleno  da  Suprema  Corte  decidiu  pela  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  redação atualizada até a Lei nº 9.528/97.  Aplicabilidade  do  inciso  I  do  parágrafo  único  do  art.  62  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  portaria  GMF  nº  256 de 22 de junho de 2009. Inexistência de fato gerador.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Intimada a Fazenda Nacional  apresenta Recurso Especial  visando  rediscutir  duas matérias:  1)  constitucionalidade  das  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural para  fatos geradores posteriores a edição da Lei nº 10.256/2001, e  2) o critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no  artigo 106,  inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.   O contribuinte não apresentou contrarrazões.  O  processo  foi  pautado  para  a  sessão  de  julgamento  de  18/04/2018,  oportunidade em que, por se tratar de lançamento de obrigação acessória cuja análise depende  diretamente  das  informações  das  obrigações  principais,  o Colegiado  converteu  o  julgamento  em diligência e por meio da Resolução nº 9202­00.195 determinou que a Unidade de Origem,  esclarecesse acerca da situação dos processos nºs 10950.001432/2010­32, 10950.001433/2010­ 87 e 10950.001434/2010­21.  Em  cumprimento  a  diligência  a  Autoridade  Fiscal  faz  juntar  aos  autos  os  documentos de fls. 1853/1994 e informa que os débitos relativos aos processos citados foram  incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009.  Contribuinte se manifesta às fls. 2000/2009 ratificando a informação quanto  ao  parcelamento  e  esclarecendo  que  sua  desistência  engloba  inclusive  o  débito  relativo  ao  presente Debcad de nº 37.260.508­7.  É o relatório.  Voto             Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  O Recurso ora discutido preenche os  requisitos  legais,  razão pela qual dele  conheço.  Fl. 2017DF CARF MF   4 Em  que  pese  o  objetivo  do  recurso  seja  a  discussão  acerca  da  constitucionalidade  das  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  produção  rural  para  fatos  geradores  posteriores  a  edição  da  Lei  nº  10.256/2001,  e  ainda  a  discussão  do  critério  de  aplicação  do  princípio da  retroatividade benigna previsto no artigo 106,  inciso  II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991,  com as  alterações  promovidas  pela MP  449/2008,  convertida  na Lei  nº  11.941/2009,  há  nos  autos fato relevante que deve ser considerado.  Conforme  descrito  no  relatório  e  demonstrado  pela Autoridade  Fiscal,  fato  ratificado pelo Contribuinte, os débitos relativos às obrigações principais que deram origem ao  lançamento para cobrança da respectiva obrigação acessória encontram­se parcelados.  Em sua petição o Contribuinte esclarece:  Inicialmente,  impõe­se  consignar  que  os  despachos  de  encaminhamento  anexados  às  fls.  1840­1842  do  processo  eletrônico em epígrafe destacam que a Requerente tomou ciência  da intimação n.º 87/2017, mas não apresentou contrarrazões ao  Recurso interposto pela Fazenda Nacional e/ou interpôs recurso  especial.  Tal posicionamento se deu motivado no fato de que, na data de  21.08.2014,  a  Requerente  aderiu  ao  parcelamento  especial  instituído  por  meio  da  Lei  n.º  12.996/2014,  na  modalidade  DÉBITOS  PREVIDENCIÁRIOS  ADMINISTRADOS  PELA  RFB  –  CÓDIGO  DE  RECOLHIMENTO  4743,  objetivando  o  pagamento,  em  180  meses,  dos  débitos  36.651.862­3,  37.260.508­7, 43.998.367­3, 43.998.368­1 e 43.998.369­0.  A informação é confirmada pelo demonstrativo "Recibo de Consolidação de  Modalidade de Parcelamento da Lei nº 12.996/2014 de Débitos Previdenciários no Âmbito da  RFB" (fls. 2007) o qual expressamente cita o Debcad de nº 37.260.508­7.  Diante disto, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir  o lançamento efetuado, não há mais qualquer matéria em litígio.  Pelo  exposto,  conheço  e  dou  provimento  ao  Recurso  para  declarar  a  definitividade do crédito  tributário haja vista adesão a programa especial de parcelamento de  débitos federais.    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri                          Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 10950.001435/2010­76  Acórdão n.º 9202­007.286  CSRF­T2  Fl. 2.017          5   Fl. 2019DF CARF MF

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7521938 #
Numero do processo: 10469.903390/2009-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.070
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, a fim de que se aprecie a matéria devolvida pelo paradigma nº 2803-00.109, com posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram do recurso, entendendo não ser necessária a conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 139          1 138  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10469.903390/2009­74  Recurso nº            Especial do Procurador  Resolução nº  9101­000.070  –  1ª Turma  Data  9 de agosto de 2018  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ­ RETIFICAÇÃO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  EMPRESA BRASILEIRA DE LOCAÇÃO E TRANSPOR    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do  recurso  em diligência  à câmara recorrida, para complementação da  análise de  admissibilidade  do  Recurso  Especial,  a  fim  de  que  se  aprecie  a  matéria  devolvida  pelo  paradigma nº  2803­00.109,  com posterior  retorno  dos  autos  ao  relator,  para  prosseguimento,  vencidas  as  conselheiras Cristiane Silva Costa  e Viviane Vidal Wagner,  que  conheceram do  recurso, entendendo não ser necessária a conversão do julgamento em diligência.      (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo ­ Presidente em exercício      (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Relator      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura,  Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson  Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 03 39 0/ 20 09 -7 4 Fl. 140DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 140  ___________       Relatório  Trata­se de recurso especial (e­fls. 81/93) interposto pela Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1802­001.564, da sessão de 06 de março  de 2013 (e­fls. 69/79), proferido pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, no  qual foi dado provimento ao recurso voluntário interposto pela EMPRESA BRASILEIRA DE  LOCAÇÃO E TRANSPOR ("Contribuinte").  Discute­se reconhecimento de direito creditório.  Foi encaminhado PER/DCOMP pela Contribuinte visando o aproveitamento de  créditos  decorrentes  de  pagamento  a  maior  efetuado  em  DARF­SIMPLES.  Despacho  eletrônico  da  DRF/Natal­RN  não  homologou  a  compensação  pleiteada  porque  o  pagamento  fora  integralmente  utilizado  na  extinção  do  débito  de  SIMPLES  que  constava  nos  sistemas  internos.  Em manifestação de inconformidade, aduziu a Contribuinte que foi transmitida  declaração  retificadora  IRPJ­SIMPLES  (posteriormente  à  ciência  do  despacho decisório),  no  qual informou a Contribuinte que teria apurado incorretamente o tributo devido porque aplicou  alíquotas  destinadas  à  prestação  de  serviço,  quando  na  realidade  sua  atividade  consiste  em  locação de automóveis e ônibus de passeio, que seriam operações de natureza comercial.  A  primeira  instância  (DRJ)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente. A decisão discorre que a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes  do  despacho  decisório,  e  se  a  retificação  de  declaração  do  SIMPLES  foi  efetuada  posteriormente  à  ciência  da  decisão  caberia  à  Contribuinte  fazer  a  prova  do  erro  alegado,  mediante  apresentação  de  documentação.  Manifestou­se  também  no  sentido  de  que,  no  contrato  social  da  empresa,  consta  atividade  de  "Locação  de  automóveis  e  ônibus  com  motorista e Locação de automóveis e ônibus sem motorista". Entendeu que no caso da locação  de  bens  móveis  sem  motorista,  de  fato  não  haveria  que  se  falar  em  prestação  de  serviços,  conforme já decidido pelo STF (Súmula Vinculante nº 31). Contudo, no caso de locação com  motorista, haveria incidência de prestação de serviços, com alíquota diferenciada no SIMPLES.  E nos autos não consta que a Contribuinte tivesse efetuado a segregação de receitas auferidas  de  locação  com motorista  e  locação  sem motorista.  Conclui  no  sentido  de  que  mesmo  que  tivesse a Contribuinte apresentado a declaração retificadora antes do despacho decisório, não  caberia revisão, por falta de provas.  Foi interposto recurso voluntário, apreciado pela Turma Especial da 1ª Seção do  CARF, decidindo no sentido de dar­lhe provimento, nos termos da ementa:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES  Data do fato gerador: 30/11/2004  LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL COM OU SEM MOTORISTA.SIMPLES  Constituindo­se  a  receita  bruta  da  pessoa  jurídica  da  locação  de  veículos,  com  ou  sem  motorista,  não  se  aplicam  os  percentuais  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10469.903390/2009­74  Resolução nº  9101­000.070  CSRF­T1  Fl. 141          3 referidos  no  art.  5o  da  Lei  no  9.317,  de  5  de  dezembro  de  1996,  alterado  pela  Lei  no  9.732,  de  11  de  dezembro  de  1998  com  o  acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) previsto no artigo 2º da Lei nº  10.034  de  24/10/2000,  com  as  alterações  posteriores,  por  não  se  configurar receita decorrente de prestação de serviços.  COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO  Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento  indevido ou a maior,  é permitida a  sua utilização para a  extinção de  débitos  mediante  apresentação  de  Declaração  de  Compensação/PERDCOMP,  ainda  que  para  a  demonstração  do  crédito  a  Declaração  Simplificada  IRPJ­SIMPLES  Retificadora  seja  apresentada após a emissão do despacho decisório eletrônico expedido  pela autoridade administrativa.   Reconhecido o direito creditório a favor da contribuinte inexiste óbice  para  homologação  da  compensação  declarada  no  PER/DCOMP,  no  limite do crédito reconhecido.  Vistos, relatados e discutidos  O voto da decisão recorrida entendeu que o contrato de locação de veículos com  motorista não configura locação de mão de obra, e tampouco desnatura do contrato de locação  de  bem  móvel.  Assim,  não  haveria  diferença  entre  a  locação  de  automóveis  com  ou  sem  motorista, e, não sendo prestação de serviços, não caberia a alíquota majorada do SIMPLES.  Assim,  partindo  de  tal  premissa,  e  analisando  a  declaração  da  Contribuinte,  entendeu  que  restou comprovada a existência do direito creditório pleiteado.  A PGFN interpôs recurso especial (e­fls. 81/93), apresentando os paradigmas nº  105­17.143 e 2803­00.109.   Aduz que o primeiro paradigma entendeu pela impossibilidade de inovação da  lide  no  caso  de  demonstração  extemporânea  do  crédito.  Assim,  não  caberia  a  análise  de  documentação  probatória  após  a  decisão  administrativa  que  indeferiu  o  crédito,  ou  seja,  discorre  sobre  o  momento  de  apresentação  de  provas  quando  referente  à  retificação  de  declaração.   Sobre  o  segundo  paradigma,  discorre  que  a  decisão  firmou  entendimento  no  sentido de que, após o despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a apresentação de  declaração  retificadora  deveria  estar  acompanhada  de  documentação  probatória  apta  a  demonstrar o erro de preenchimento.   Despacho  de  exame  de  admissibilidade  (e­fls.  96/101)  deu  seguimento  ao  recurso especial.  Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte.  É o relatório.      Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10469.903390/2009­74  Resolução nº  9101­000.070  CSRF­T1  Fl. 142          4 Voto  Conselheiro André Mendes de Moura, Relator.  Passo ao exame da admissibilidade.   O  recurso  especial  pretender  devolver  para  a discussão  do  presente Colegiado  duas matérias de ordem processual:  A primeira,  tendo como referência o paradigma nº 105­17.143, diz  respeito à  impossibilidade de, em sede de processo de reconhecimento de direto creditório, se apreciar  documentação  probatória  apresentada  posteriormente,  após  a  decisão  administrativa  que  indeferiu a compensação. Transcrevo paradigma e excerto do recurso:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Exercício:  2002,  2003  Ementa:  LIMITES  DA  LIDE  ­  INOVAÇÃO  ­  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  EXPRESSO  NA  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  ­ Não cabe a análise de  eventual  direito  creditório  correspondente  a  saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  por  empresa  incorporada  pela  recorrente,  se  esse  pleito  não  restou  expresso  e  demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de  compensação.  A  alegação,  trazida  por  ocasião  da  manifestação  de  inconformidade,  constitui  inovação  na  lide.  Assim,  correta  a  decisão  recorrida, que dela não conheceu.  RETIFICAÇÃO  DE  DIPJ  APÓS  DECISÃO  ADMINISTRATIVA  EM  PROCESSO DE COMPENSAÇÃO  ­ DESCABIMENTO DA ANÁLISE  NO MESMO PROCESSO ­ Os eventuais direitos creditórios, oriundos  de  retificação  de  DIPJ  efetuada  após  a  decisão  administrativa  em  processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo  processo,  por  se  tratar  de  inovação  em  relação  à  matéria  originalmente discutida.  ............................................................................................................  Entretanto, em que pese  tenham enfrentado  situações  semelhantes,  os  acórdãos  cotejados  chegam  a  conclusões  inteiramente  distintas.  Isso  porque, enquanto o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de  análise  do  mérito  do  pleito  de  compensação  mesmo  diante  de  DIPJ  retificadora  apresentada  após  a  protocolização  da  DCOMP,  por  entender  possível  a  apresentação  de  prova  documental  em  momento  posterior,  o  acórdão  paradigma  entendeu  por  essa  impossibilidade,  tendo  em  vista  os  limites  objetivos  da  lide  delineados  com  o  pedido/declaração  inaugural  de  restituição/compensação,  deixando  expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se  esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando  da apresentação da declaração de compensação”. Noutros termos, não  admitiu a demonstração extemporânea do crédito.  Para  a  demonstração  da  divergência  jurisprudencial,  parte­se  do  referencial  de  que  o  paradigma  ora  apresentado  entende  pela  impossibilidade  de  inovação  da  lide  no  sentido  de  demonstração  extemporânea  do  crédito.  Consoante  se  demonstrou,  ficou  assente  a  tese de que, “O erro alegado, se comprovado, é perfeitamente passível  de retificação, mas os direitos creditórios daí oriundos não mais podem  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10469.903390/2009­74  Resolução nº  9101­000.070  CSRF­T1  Fl. 143          5 ser apreciados no presente processo”. Trata­se, portanto, de momento  de  apresentação  de  provas  quando  referente  à  retificação  de  declaração, tal como no presente caso.  Ou seja, após a emissão do despacho decisório que indeferiu o direito creditório,  teria  restado  precluso  o  direito  de  apresentar  documentação  probatória,  inclusive  em  relação à retificação da declaração.  A segunda matéria, tendo como referência o paradigma nº 2803­00.109, discute  outra  situação,  no  qual,  uma  vez  publicado  o  despacho  decisório,  poderia  ser  admitida  a  apresentação de declaração retificadora, desde que acompanhada de documentação probatória  apta  a  demonstrar  o  direito  creditório  pleiteado.  E,  no  caso  dos  presentes  autos,  teria  sido  apresentado  apenas  a  retificação  da  Declaração  Anual  Simplificada  –  PJSI,  que  a  decisão  recorrida  considerou  suficiente  para  retificar  a  declaração  e  reconhecer  o  direito  creditório.  Segue ementa e excerto do recurso:  Ementa(s)  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/01/2001  a  31/12/2001  ÔNUS  DA  PROVA.  FATO  MODIFICATIVO  OU  EXTINTIVO  DO  DIREITO  NO  QUAL  SE  FUNDAMENTA  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  Cabe  ao  recorrente  a  prova  do  erro  no  preenchimento  da  DCTF,  segundo  o  sistema  de  distribuição  do  ônus  probatório  adotado  no  processo administrativo federal.  ..............................................................................................................  De  um  lado,  o  Colegiado  a  quo  reconheceu  o  direito  creditório,  superando  a  conclusão  da  DRJ  de  origem  no  sentido  de  que  “a  declaração  retificadora  deveria  ter  sido  entregue  antes  do Despacho  Decisório, pois a disponibilidade do crédito suplicado é examinada no  momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação  somente foi promovida após exarado o despacho, cabia à interessada o  ônus  de  provar  o  erro  em  que  fundada  a  modificação.  A  simples  retificação  da  Declaração  Anual  Simplificada  –  PJSI  ,  desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro  de  fato,  não  tem o  condão de  comprovar as alegações  veiculadas  em  sede de manifestação de inconformidade”.  Por  outro  lado,  a  3ª  Turma Especial  da  2ª  Seção de  Julgamento, em  decisão  consubstanciada  no  acórdão  nº  280300.109,  firmou  o  entendimento  de  que  caberia  ao  contribuinte  comprovar  o  erro  no  preenchimento da declaração  (que naquele caso  tratava­se de DCTF,  em  contraponto  ao  presente  feito,  que  trata  de  DIPJ),  do  qual  resultaria seu indébito.   Enquanto no primeiro paradigma, descarta­se por completo a possibilidade de  a declaração retificadora apresentar documentação probatória em momento posterior à emissão  do  despacho,  por  preclusão  processual,  no  segundo  paradigma,  admite­se  a  apresentação  de  documentação probatória em sede de declaração retificadora.  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10469.903390/2009­74  Resolução nº  9101­000.070  CSRF­T1  Fl. 144          6 Ocorre que o despacho de exame de admissibilidade efetuou a análise apenas de  primeira matéria, como se pode observar o excerto transcrito:  Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com as  ementas e votos dos acórdãos apontados como paradigmas, é possível  se concluir que houve o dissídio  jurisprudencial.  Isso porque se  trata  da  mesma  matéria  fática  e  a  divergência  de  julgados,  nos  termos  Regimentais,  refere­se  a  interpretação  divergente  em  relação  ao  mesmo  dispositivo  legal,  que  no  caso  em  questão  é  a  discussão  da  possibilidade de inovação na matéria objeto de análise pelo despacho  decisório,  onde  o  crédito  declarado  em  DCOMP  apenas  foi  demonstrado em data posterior à sua apresentação. Ou seja, segundo  as  informações da DIPJ no momento da apresentação da DCOMP, o  referido  direito  creditório  invocado  não  era  líquido  e  certo,  somente  sendo objeto de demonstração em momento ulterior à apresentação da  DCOMP.  Assim,  o  mero  cotejo  entre  as  ementas  e  os  votos  (recorrido  e  paradigmas)  já  é  possível  caracterizar  a  divergência,  haja  vista  que  tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido entendeu­se  pela  possibilidade  de  análise  do  mérito  do  pleito  de  compensação  mesmo diante de DIPJ retificadora apresentada após a protocolização  da  DCOMP,  por  entender  possível  a  apresentação  de  prova  documental  em  momento  posterior.  Por  sua  vez,  os  acórdãos  paradigmas manifestaram­se pela  impossibilidade,  tendo em vista os  limites  objetivos  da  lide  delineados  com  o  pedido/declaração  inaugural  de  restituição/compensação,  deixando  expresso  que  “Não  cabe  a  análise  de  eventual  direito  creditório  (...)  se  esse  pleito  não  restou  expresso  e  demonstrado  desde  o  início,  quando  da  apresentação  da  declaração  de  compensação”. Noutros  termos,  não  admitiu a demonstração extemporânea do crédito. (Grifei)  Não obstante a citação em plural, "os acórdãos paradigmas", o que se observa é  que  foi  apreciada  apenas  a  matéria  trazida  pelo  paradigma  nº  105­17.143,  inclusive  com  transcrição da redação do recurso especial sobre o assunto.  O despacho de exame de admissibilidade não apreciou a segunda matéria, posta  no paradigma nº 2803­00.109. No caso, aduziu a recorrente que decisão recorrida teria acatado  a declaração retificadora amparada na retificação da Declaração Anual Simplificada – PJSI, e  que o paradigma teria entendido que a declaração retificadora, para lastrear o direito creditório,  deveria estar lastreada por documentação probatória.  A apreciação da divergência posta pela recorrente deve ser efetuada em sede de  despacho de exame de admissibilidade, falecendo ao presente Colegiado,no presente momento  processual, efetuar o exame da divergência aduzida. Trata­se de competência do presidente da  câmara recorrida, conforme art. 68, § 1º do Anexo II do RICARF:  Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte,  deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à  qual  esteja  vinculada  a  turma  que  houver  prolatado  a  decisão  recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da  decisão.   Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10469.903390/2009­74  Resolução nº  9101­000.070  CSRF­T1  Fl. 145          7 § 1º  Interposto  o  recurso especial,  compete ao  presidente  da  câmara  recorrida,  em  despacho  fundamentado,  admiti­lo  ou,  caso  não  satisfeitos  os  pressupostos  de  sua  admissibilidade,  negar­  lhe  seguimento.  Uma  vez  efetuado  o  exame  de  admissibilidade  da matéria  pelo  presidente  da  câmara,  caso  seja  negado  seguimento,  cabe  apresentação  de  agravo.  E,  sendo  admitida  a  matéria,  passa­se  à  apreciação  do  presente  Colegiado,  que  poderá  avaliar  novamente  a  admissibilidade.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  devolução  dos  autos  para  a  câmara  recorrida,  visando  a  elaboração  de  despacho  de  admissibilidade  complementar,  para  apreciar  a  matéria  devolvida  pelo  paradigma  nº  2803­ 00.109.  (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura  Fl. 146DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.904878/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/09/2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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1301­003.601  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de novembro de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 30/09/2005  RETIFICAÇÃO  DO  PER/DCOMP  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE  Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse  insuperável,  uma  situação  em  que  o  contribuinte  não  pode  apresentar  uma  nova declaração, não pode  retificar  a declaração original,  e nem pode  ter o  erro  saneado  no  processo  administrativo,  sob  pena  de  tal  interpretação  estabelecer uma preclusão que  inviabiliza a busca da verdade material  pelo  processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento  ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.  Reconhece­se  a  possibilidade  de  transformar  a  origem  do  crédito  pleiteado  em  saldo  negativo,  mas  sem  homologar  a  compensação,  por  ausência  de  análise da  sua  liquidez pela unidade de origem,  com o conseqüente  retorno  dos  autos  à  jurisdição  da  contribuinte,  para  verificação  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido  em  compensação,  oportunizando  ao  contribuinte  a  possibilidade  de  apresentação  de  documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado  em saldo negativo, e determinar o  retorno dos autos à unidade de origem para que  analise o  mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes,  a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao  final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando­se, a partir daí, o rito  processual  de  praxe.  Vencido  o  Conselheiro  Roberto  Silva  Junior  que  votou  por  negar     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 48 78 /2 01 1- 57 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.904878/2011­57  Acórdão n.º 1301­003.601  S1­C3T1  Fl. 3          2 provimento  ao  recurso.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011­12,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto,  Bianca  Felícia  Rothschild  e  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.904878/2011­57  Acórdão n.º 1301­003.601  S1­C3T1  Fl. 4          3 Relatório  MEDYCAMENTHA  PRODUTOS  ONCOLOGICOS  E  HOSPITALARES  LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ em Porto  Alegre  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  pleiteando  sua  reforma,  com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº  70.235, de 1972 (PAF).  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Acórdão  que,  por  unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte,  para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas,  em  razão  da  ausência  de  comprovação  de  recolhimento  indevido  de  estimativa  e  na  impossibilidade de se retificar a origem do crédito pleiteado para saldo negativo de CSLL.   O  presente  processo  decorre  de  pedido  de  compensação,  cujo  crédito  tem  origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais.   O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o  valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas.   Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se  deu  basicamente  na  PER/DComp,  quando  informou  como  origem  do  crédito  Pagamento  Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de CSLL, assim, requereu que sua  Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação.  O Acórdão recorrido entendeu que não houve mero erro no preenchimento da  PER/DComp, tampouco haveria que se falar em inexatidões materiais em seu preenchimento,  tratando­se,  em  realidade,  de  pedido  do  contribuinte  para  alteração  da  natureza  jurídica  do  pedido,  uma  vez  que  PER/DComp  indicava  tratar­se  de  pagamento  indevido  de  estimativa,  mas,  na  realidade,  de  saldo  negativo  de  CSLL.  Concluiu  não  haver  prova  de  recolhimento  indevido de estimativa, indeferindo o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado  e não homologando as compensações declaradas.   Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte,  tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em  sede  de manifestação  de  inconformidade,  requerendo  a  reforma  da  decisão  recorrida  com  o  consequentemente  reconhecimento  do  direito  creditório  requerido  e  a  homologação  das  compensações declaradas.  É o relatório.  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.904878/2011­57  Acórdão n.º 1301­003.601  S1­C3T1  Fl. 5          4 Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.599,  de  22/11/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10580.904884/2011­ 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.599):  "O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo  conhecimento.  A Recorrente apresentou Per/DComp utilizando­se de  créditos decorrentes de IRPJ (estimativa) pago a maior, porém,  conforme  reconheceu,  na  realidade  tratava­se  de  Saldo  Negativo.   Segundo o Despacho Decisório,   Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  foi  constatada  a  improcedência  do  crédito  informado  no  PER/DCOMP  por  tratar­se  de  pagamento  a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  caso  em  que  o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  devida  ao  final  do  período  de  apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou  CSLL do período.  O  acórdão  recorrido,  por  sua  vez,  superou  a  fundamentação  utilizada  no  despacho  decisório  em  razão  de  posterior alteração de entendimento por parte da RFB por meio  do art. 10 da IN RFB nº 900, de 2008, e da Solução de Consulta  Interna  Cosit  nº  19,  de  2011,  tanto  em  relação  à  admissão  ao  direito de restituição ou de compensação de valor pago a maior  ou  indevidamente  de  estimativa,  quanto  à  sua  aplicação  aos  PER/DComp  originais  transmitidos  anteriormente  a  1º  de  janeiro  de  2009  e  que  estivessem  pendentes  de  decisão  administrativa.  Aduz  que  o  contribuinte  não  trouxe  prova  do  recolhimento  a  maior  e  que  o  pedido  de  retificação  do  PER/DComp para se considerar como origem do crédito o saldo  negativo de IRPJ, em vez de pagamento indevido ou a maior de  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.904878/2011­57  Acórdão n.º 1301­003.601  S1­C3T1  Fl. 6          5 estimativa, não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 78 da  IN RFB nº 900, de 2008  Pois bem, passo à análise da controvérsia.  O crédito a que refere a Recorrente trata­se de Saldo  Negativo  de  IRPJ,  porém,  ao  preencher  a  Per/DComp  para  declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou  Indevidamente,  gerando  a  não  homologação  das  respectivas  compensações.  O  ponto  aqui  é  que  a  Per/DComp  apresentada  pelo  contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode  embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao  enriquecimento ilícito do Estado.  Em  relação  à  possibilidade  de  comprovação  de  erro  de  fato  no  preenchimento  da  declaração,  inclusive  na  própria  DCOMP,  o  entendimento  atual,  inclusive  da  RFB,  é  de  que  é  possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de  tal  erro,  conforme  bem  delineado  pela  RFB  no  Parecer  Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua  ementa reproduz­se a seguir:  Assunto.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.REVISÃO  E  RETIFICAÇÃO  DE  OFÍCIO  –  DE  LANÇAMENTO  E  DE  DÉBITO  CONFESSADO,  RESPECTIVAMENTE  –  EM  SENTIDO  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE.  CABIMENTO. ESPECIFICIDADES.  A  revisão  de  ofício  de  lançamento  regularmente  notificado, para reduzir o crédito  tributário, pode ser  efetuada  pela  autoridade  administrativa  local  para  crédito  tributário  não  extinto  e  indevido,  no  caso  de  ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII  e  IX  do  art.  149  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  quais  sejam:  quando  a  lei  assim  o  determine,  aqui  incluídos  o  vício  de  legalidade  e  as  ofensas  em  matéria  de  ordem  pública;  erro  de  fato;  fraude  ou  falta  funcional;  e  vício  formal  especial,  desde  que  a  matéria  não  esteja  submetida  aos  órgãos  de  julgamento  administrativo  ou  já  tenha  sido  objeto  de  apreciação destes.   A  retificação  de  ofício  de  débito  confessado  em  declaração,  para  reduzir  o  saldo  a  pagar  a  ser  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  –  PGFN  para  inscrição  na  Dívida  Ativa,  pode ser efetuada pela autoridade administrativa local  para  crédito  tributário  não  extinto  e  indevido,  na  hipótese  da  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento da declaração.  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.904878/2011­57  Acórdão n.º 1301­003.601  S1­C3T1  Fl. 7          6 REVISÃO  DE  DESPACHO  DECISÓRIO  QUE  NÃO  HOMOLOGOU  COMPENSAÇÃO,  EM  SENTIDO  FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.  A  revisão  de  ofício  de  despacho  decisório  que  não  homologou  compensação  pode  ser  efetuada  pela  autoridade administrativa local para crédito tributário  não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de  fato  no  preenchimento  de  declaração  (na  própria  Declaração  de  Compensação  –  Dcomp  ou  em  declarações  que  deram  origem  ao  débito,  como  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF  e  mesmo  a  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica –  DIPJ,  quando  o  crédito  utilizado  na  compensação  se  originar de  saldo negativo de  Imposto sobre a Renda  da Pessoa Jurídica  ­  IRPJ ou de Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL),  desde  que  este  não  esteja  submetido  aos  órgãos  de  julgamento  administrativo  ou  já  tenha  sido  objeto  de  apreciação  destes.  Dessa  forma, este Colegiado  tem tido o entendimento  de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido  de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que,  após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam  apresentados  documentos  e  estes  sejam  analisados  a  fim  de  se  averiguar  a  ocorrência  do  erro  alegado  e  consequentemente  a  aferição de seu direito de crédito.   Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade  material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal  daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar  o óbice de retificação da Per/DComp apresentada.   E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o  mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva  compensação,  bem  como  analisar  a  liquidez  e  certeza  do  referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomando­se a  partir de então o rito processual de praxe.  CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  a  possibilidade  de  transformar  a  origem  do  crédito  pleiteado  em  saldo  negativo,  e  determinar  o  retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito  do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando  ao  contribuinte,  antes,  a  apresentação  de  documentos,  esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao  final,  deverá  ser  proferido  despacho  decisório  complementar,  retomando­se, a partir daí, o rito processual de praxe."    Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.904878/2011­57  Acórdão n.º 1301­003.601  S1­C3T1  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  a  possibilidade  de  transformar  a  origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de  origem  para  que  analise  o  mérito  do  pedido  quanto  à  liquidez  do  crédito  requerido,  oportunizando  ao  contribuinte,  antes,  a  apresentação  de  documentos,  esclarecimentos  e  retificações  das  declarações  apresentadas.  Ao  final,  deverá  ser  proferido  despacho  decisório  complementar, retomando­se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima  transcrito.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                  Fl. 98DF CARF MF

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Numero do processo: 13884.902386/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.683  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de outubro de 2018  Matéria  Compensação ­ Contribuição para o PIS/Pasep  Recorrente  EMBRAER S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  EXCESSO  DE  PRAZO.  INSTRUMENTO  DE  CONTROLE  DA  ATIVIDADE  FISCAL.  INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.  O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da  atividade  fiscal,  sendo  que  eventual  irregularidade  na  sua  expedição  ou  renovação  não  gera  nulidade  do  lançamento.  O  auto  de  infração  lavrado  identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo  10  do  Decreto  nº  70.235/72)  não  caracterizada  a  preterição  do  direito  de  defesa, devendo ser mantida a autuação.  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE  CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº  70.235/1972.  Em  processos  decorrentes  da  não­homologação  de  declaração  de  compensação,  deve  o  Contribuinte  apresentar  e  produzir  todas  as  provas  necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No  âmbito do processo  administrativo  fiscal,  constando perante  a Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  a  utilização  integral  do  crédito  para  quitação  de  outro  débito,  o  ônus  da  prova  sobre  o  direito  creditório  recai  sobre  o  contribuinte, aplicando­se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 86 /2 01 2- 81 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          2   (assinado digitalmente)    Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena  de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Renato Vieira  de Ávila  (suplente  convocado  em  substituição  à  conselheira  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  02­ 053.106proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  que  julgou  procedente  em  parte  a  Manifestação  de  Inconformidade,  reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente.  A  contribuinte  transmitiu  Pedido  de Ressarcimento  ­  PER,  de  PIS,  que  foi  parcialmente reconhecido após auditoria realizada pela unidade de origem da RFB.  Irresignada com o reconhecimento apenas parcial de seu pleito, a recorrente  apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em sede preliminar, nulidade do MPF  por falha em sua prorrogação, e no mérito, a efetiva existência do direito creditório.  O Colegiado a quo julgou parcialmente procedente a manifestação interposta,  nos termos da decisão supracitada.  Regularmente  cientificada  desta  decisão,  a  recorrente  interpôs  o  Recurso  Voluntário ora  em análise,  pugnando pela  reforma da decisão de primeira  instância na parte  vencida, o que fez com fundamento especificamente quanto às seguintes matérias:    PRELIMINARMENTE  – Nulidade  do  procedimento  fiscal  efetuado,  uma  vez  que o Mandado de Procedimento Fiscal  tinha validade  até  27/12/2011,  enquanto  a  prorrogação  se deu  somente  em 31/01/2012,  com  a  emissão  do  “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”,  cuja ciência  se deu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal, por ter  descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011,  que  regulamenta  o MPF. E,  por  conseqüência,  os  atos  posteriores  ao MPF  “viciado”, como o Relatório Fiscal e também o Despacho Decisório.  NO MÉRITO:  DO EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS  CONTRIBUIÇÕES  DO  PIS  E  DA  COFINS  EM  DECORRÊNCIA  DA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  DESTINADOS  À  INDUSTRIALIZAÇÃO,  uma  vez  que  os  créditos  glosados  neste  item  decorrem  da  aquisição  de  insumos para  industrialização/montagem de peças vendidas para a  indústria  Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          3  aeronáutica  e  foram  tratados  como  insumos  para  industrialização  por  encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista  no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Como a aquisição dos insumos  incorreu  normalmente  em  tributação  do  PIS  e  da  Cofins,  a  contribuinte  entende serem passível de creditamento as respectivas contribuições. Aplica­ se a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 da Receita Federal do Brasil;  DA  POSSIBILIDADE  DE  APROVEITAMENTO  DOS  CRÉDITOS,  POR  FORÇA  DA  DISPOSIÇÃO  CONTIDA  NO  ARTIGO  17  DA  LEI  Nº  11.033/2004,  subsidiariamente,  que  seu  aproveitamento  então  estaria  respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a  saída das mercadorias para aproveitamento de créditos presumidos.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.673,  de  23  de  outubro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13884.901477/2013­81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­005.673):    "PRESSUPOSTOS LEGAIS DE ADMISSIBILIDADE  O Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  legais  de  admissibilidade,  devendo  ser  conhecido  por este Colegiado.    PRELIMINAR  DE  NULIDADE  POR  VÍCIO  NO  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL  A  Recorrente  alega  que  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  tinha  validade  até  27/12/2011,  sendo  que  a  prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do  “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”,  cuja  ciência ocorreu  em 26/04/2012. Desta  forma,  seria nulo o  procedimento  fiscal por  ter descumprido o disposto nos artigos  12  e  14  da  Portaria  RFB  nº  3.034/2011,  que  regulamenta  o  MPF.  Por  conseqüência,  o  Relatório  Fiscal  e  o  Despacho  Decisório igualmente estariam viciados, ensejando em nulidade.  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          4  Sem razão.  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  de  controle  da  atividade  fiscal,  sendo  que  eventual  irregularidade  na sua expedição ou subsequentes renovações não torna nulo o  lançamento.  As  hipóteses  de  nulidade  do  lançamento  estão  consignadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, as quais não  restaram caracterizadas no presente caso.  Com iso, está correta a decisão de primeira instância ao  concluir que:  "O Mandado  de  Procedimento  Fiscal  – MPF  é  um mero  instrumento da Administração Fiscal para gerenciamento,  controle  e  acompanhamento  do  procedimento  fiscal,  em  sua fase prévia à autuação, servindo também para notificar  o  contribuinte  que  está  sendo  fiscalizado  por  autoridade  regularmente  constituída,  sendo  que  eventuais  falhas  em  sua  emissão  ou  prorrogação  não  contaminam  o  lançamento,  implicando,  em  essência,  que  não  atingem a  competência impositiva e vinculada dos Auditores Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil.  A  competência  para  o  lançamento  dos  Agentes  Fiscais  da  Receita  Federal  está  definida em Lei  (art. 142 do CTN c/c o art. 6º, I, “a”, da  Lei  nº  10.593/2002),  não  podendo  eventuais  infrações  a  dispositivos  de  controle  do  procedimento  fiscal,  criados  por atos infralegais, como o MPF, inquinar de nulidade o  próprio  lançamento,  pois,  no  máximo,  se  poderia  questionar  a  conduta  das  autoridades  fiscais,  se  fosse  o  caso, no terreno disciplinar. Dessa forma, a imputação do  poder dever do lançamento às autoridades fiscais federais  está  definida  em  lei,  e,  como  tal,  somente  a  violação  de  procedimentos  definidos  em  lei  poderia  inquinar  de  nulidade o lançamento.          (...)  No  caso  desse  auto,  como  se  pode  ver  na  tela  às  fls.  134/135, obtida na Internet  (www.receita.fazenda.gov.br),  a partir do código de acesso disponível no Termo de Início  de  Fiscalização,  sequer  se  pode  falar  em  irregularidade  formal nas prorrogações do MPF, pois este foi prorrogado  validamente  pela  autoridade,  em  29/08/2011,  não  tendo  expirado por decurso de prazo.  Atente­se  que  a  autoridade  fiscal  não  está  obrigada  a  notificar o contribuinte a cada prorrogação do MPF, dentro  do  prazo  de  validade  deste,  pois  quem  está  obrigado  a  cumprir o prazo de prorrogação é o Delegado da Receita  Federal  do  Brasil,  este  que  deve  prorrogá­lo  dentro  do  prazo,  sob  pena  dele  expirar.  E,  no  caso  destes  autos,  o  MPF foi validamente prorrogado, lembrando que a ciência  do  mandado  (e  de  suas  prorrogações),  por  parte  do  contribuinte, deve ser feita via internet, como se vê no art.  Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          5  4º,  parágrafo  único,  da  Portaria  RFB  nº  3.014/2011,  ou  seja,  não  há  que  se  falar  em  irregularidade  por  eventual  notificação  fora  do  prazo  de  MPF  regularmente  prorrogado.  No  mesmo  sentido  vem  decidindo  este  Colegiado,  concluindo  que  eventual  irregularidade  na  emissão  ou  na  prorrogação  de  mandado  de  procedimento  fiscal  não  gera  nulidade  do  lançamento,  sobretudo  quando  dela  não  tenha  decorrido prejuízo para o contribuinte, como ocorre neste litígio,  uma  vez  que  a  Recorrente  demonstrou  em  manifestação  de  inconformidade o domínio sobre todas as matérias que embasam  a autuação.   Precedentes:  Acórdão  3402­004.7561  e  Acórdão  3402­ 002­9092.                                                    1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Anocalendário: 2010  MPF  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  EXPEDIÇÃO.  PRORROGAÇÃO.  NULIDADE.  NÃO  OCORRÊNCIA. Eventual  irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não  gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte.  LANÇAMENTO  PARA  PREVENIR  DECADÊNCIA.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  SUSPENSÃO  DE  EXIGIBILIDADE. O  lançamento  realizado com a  finalidade de evitar a decadência constitui, desde o  início, o  crédito tributário com exigibilidade suspensa.  CONCOMITÂNCIA.  PROPOSITURA DE AÇÃO  JUDICIAL.  APLICAÇÃO DA  SÚMULA CARF Nº  01.  A  teor da Súmula CARF nº 01, iimporta renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de  ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de  julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Anocalendário: 2010  PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica­se  ao  lançamento  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  o  decidido  em  relação  à COFINS  lançada  a partir  da mesma  matéria fática.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004  PIS  E  COFINS.  REGIME  NÃOCUMULATIVO.  DIFERENÇA  ENTRE  O  VALOR  ESCRITURADO  E  O  DECLARADO/PAGO. ESTOQUE DE ABERTURA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  A pessoa jurídica contribuinte da COFINS e do PIS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º,  terá direito  a desconto  correspondente  ao  estoque de  abertura dos bens  de que  tratam os  incisos  I  e  II  daquele  mesmo  artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data  de início da incidência da COFINS, de acordo com a Lei nº 10.833/2003, art.  12 e do PIS, nos estoques de abertura existentes em 1º de dezembro de 2002, de acordo com o art. 11 da Lei nº  10.637/2002.  COFINS E PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. IRREGULARIDADES.NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  O  MPF  é  instrumento  de  controle  gerencial,  e  que  eventual  irregularidade  poderia,  no  máximo,  dar  azo  a  procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja  competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da  Receita Federal do Brasil.  APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA.  Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem  ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. A  diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente.  Recurso Voluntário Negado  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          6  Por  tais  razões,  rejeito  a  preliminar  suscitada  pela  Recorrente.    MÉRITO  SOBRE  O  EFETIVO  DIREITO  AO  APROVEITAMENTO  DOS  CRÉDITOS  DAS  CONTRIBUIÇÕES  DO  PIS  E  DA  COFINS  EM  DECORRÊNCIA  DA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  DESTINADOS À  INDUSTRIALIZAÇÃO,  alega  a  Recorrente  que os  créditos glosados neste  item decorrem da aquisição dos  insumos,  com  tributação  do  PIS  e  da  Cofins,  utilizados  para  industrialização/montagem  de  peças  vendidas  para  a  indústria  aeronáutica  e,  por  isso,  foram  tratados  como  insumos  para  industrialização  por  encomenda,  não  tendo  sido  aplicada,  portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28  da Lei nº 10.865/2004. Invoca a Solução de Consulta nº 144, de  14/05/2008.  SUBSIDIARIAMENTE,  SOBRE  A  POSSIBILIDADE  DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA  DISPOSIÇÃO  CONTIDA  NO  ARTIGO  17  DA  LEI  Nº  11.033/2004,  alega  a  Recorrente  que  o  aproveitamento  de  crédito presumido então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei  nº  11.033/2004,  considerando  tão  somente  a  saída  das  mercadorias  quando  a  incidência  estivesse  suspensa,  com  alíquota zero, isenção ou nos casos de não incidência.   Sem razão à Recorrente.  Como  se  observa  da  decisão  de  primeira  instância,  o  crédito  negado  à  Contribuinte  decorre  de  ausência  de  comprovação de efetiva utilização de tais insumos.  Importante  frisar  o  que  destacou  o  Eminente  Relator  da  DRJ/BHE  quanto  à  intimação  oportunizada  para  que  fossem  apresentadas as provas necessárias:  "Pelos documentos  acostados  aos  autos,  verifica­se que  a  contribuinte,  a  princípio,  não  se  insurge  contra  o  entendimento  da  fiscalização  de  que  os  insumos  de  que  trata o art. 28, inciso V, da Lei nº 10.865/2004 não seriam  passíveis  de  creditamento  de  suas  contribuições,  por  estarem  sujeitos  à  alíquota  zero.  Apenas  informa  que  as  referidas  aquisições  foram  devidamente  tributadas  das  contribuições  de  PIS  e  Cofins,  por  não  se  enquadrarem  naquele dispositivo.  As  alegações  apresentadas  são  no  mesmo  sentido  das  respostas  anteriormente  fornecidas  à  fiscalização,  diante  das  intimações  recebidas.  Em  relação  aos  períodos  anteriores  a  junho  de  2008,  a  contribuinte  aduz  que  não  teria  sido  aplicado  tal  dispositivo  às  referidas  aquisições,  por  se  destinarem  à  industrialização  por  encomenda;  Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          7  quanto  as  períodos  de  junho,  julho  e  agosto  de  2008  e  janeiro  de  2009,  simplesmente  argumenta  que  seriam  créditos  extemporâneos  e,  portanto,  anteriores  à  vigência  da  Lei  nº  10.865/2004;  quanto  aos  demais  períodos,  a  contribuinte não se manifesta.  Diante  dessas  informações,  a  Autoridade  Fiscal  intimou  a  contribuinte  para  que  detalhasse  as  aquisições  que  alegava  não  terem  sido  tributadas  à  alíquota zero, mas nenhum documento foi apresentado  nesse sentido. O mesmo se verifica na Manifestação de  Inconformidade  apresentada,  em  que  a  contribuinte  não traz novos elementos aos autos.  Em  resumo,  o  deslinde  da  questão  que  aqui  se  apresenta  passa  pela  verificação  de  alíquota  da  contribuição  que  foi  efetivamente  aplicada  nas  aquisições  efetuadas  nos  períodos  de  apuração  anteriores a junho de 2008. Com base no art. 28 da Lei  nº 10.865/2004, a Autoridade Fiscal presumiu que essas  aquisições estariam sujeitas à alíquota zero, enquanto a  contribuinte  afirma  que  dera  interpretação  diversa  à  legislação  vigente,  tributando  normalmente  aqueles  valores.  Ocorre que, em um processo de restituição, ressarcimento  ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de  viabilizar  seu  direito  ao  aproveitamento  do  crédito,  quer  por  pedido  de  restituição  ou  ressarcimento,  quer  por  compensação, em ambos os casos mediante a apresentação  do  Per/Dcomp,  de  tal  sorte  que,  se  a  RFB  resistir  à  pretensão  do  interessado,  indeferindo  o  pedido  ou  não  homologando  a  compensação,  incumbirá  a  ele  –  o  contribuinte  –,  na  qualidade  de  autor,  demonstrar  o  seu  direito.  A  partir  dessa  perspectiva  e,  levando­se  em  conta  que  o  crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo,  conclui­se que seria lícito à RFB decidir indeferir o pedido  ou não homologar a compensação, quando não há certeza  e liquidez. Por sua vez, o indício constitui meio de prova,  admitido até mesmo no processo penal, art. 239 do Código  de Processo Penal (CPP).  Assim,  uma  vez  que  a  contribuinte  não  apresentou  nenhum  elemento  no  sentido  de  comprovar  que  as  alegadas aquisições haviam de fato sido tributadas, não  há como reconhecer o seu direito creditório em relação  aos  respectivos  créditos  das  contribuições."  (sem  destaque no original)  Cabe ainda observar a incidência do Artigo 37 da Lei nº  9.430/1996, o qual prevê que "Os comprovantes da escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos  a  fatos  que  repercutam  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios  futuros,  serão  conservados  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          8  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios".  Aplica­se, neste caso, o artigo 373, inciso I do Código de  Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao  fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo  16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  3302­005.292,  proferido  pela  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Câmara  da  3ª  Seção  deste Tribuna Administrativo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  INDEFERIMENTO.  O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido  se  o  contribuinte  não  apresentar  os  documentos  necessários  a  análise  e  confirmação  do  valor  do  crédito  pleiteado/compensado.  Para  esse  fim,  o  postulante  deve  apresentar  à  fiscalização,  quando  solicitado,  os  arquivos  digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à  comprovação dos créditos apropriados.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA  O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  O  aproveitamento  de  crédito  decorrente  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  seja  sob  a  forma  de  dedução,  compensação  ou  ressarcimento,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência de juros moratórios.  COMPENSAÇÃO  DECLARADA.  ANÁLISE  ANTES  DE  COMPLETADO  O  PRAZO  DE  CINCO  ANOS.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  homologação  tácita  da  compensação  declarada  quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório  não homologatório da compensação antes de completado o  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  correspondente declaração de compensação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          9  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA..  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  NOVA  PROVA.  INDEFERIMENTO.  Se  nos  autos  há  todos  os  elementos  probatórios  necessários  e  suficientes  à  formação  da  convicção  do  julgador  quanto  às  questões  de  fato  objeto  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência  e  perícia formulado.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO  A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção  da prova pericial  somente se justifica nos casos a análise  da  prova  exige  conhecimento  técnico  especializado.  Por  não  atender  tal  condição,  a  apreciação  de  documentos  contábeis  e  fiscais  prescinde  de  realização  de  perícia  técnica.  2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra  que  a  produção  da  prova  pericial  e  realização  da  diligência  eram  desnecessárias  e  prescindíveis  para  o  deslinde da controvérsia.  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVA  IMPRESCINDÍVEL  À  COMPROVAÇÃO.  NÃO  APRESENTAÇÃO  NA  FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA  E  INTENCIONAL.  PRINCÍPIO  DO  NEMO  AUDITUR  PROPRIAM  TURPITUDINEM  ALLEGANS.  REABERTURA  DA  INSTRUÇÃO  PROBATÓRIA  NA  FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.  Se  no  curso  do  procedimento  fiscal,  após  ser  intimada  e  reintimada  a  recorrente,  de  forma  deliberada  e  como  estratégia  de  defesa,  omite­se  de  apresentar  os  arquivos  digitais  e  a  documentação  contábil  e  fiscal  necessária  à  apuração  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  da  Cofins  pleiteado,  a  reabertura  da  instrução  probatória  na  fase  recursal, inequivocamente, implicaria clara  afronta  ao  princípio  jurídico  de  que  ninguém  pode  se  beneficiar  de  sua  própria  torpeza  (ou  nemo  auditur  propriam turpitudinem allegans).  DESPACHO  DECISÓRIO  PROFERIDO  POR  AUTORIDADE  COMPETENTE.  CERCEAMENTO  DE  Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          10  DIREITO  DE  DEFESA  INEXISTENTE.  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDAE.  Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido  por  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  e  que  contenha  todos  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  suficientes  para  o  pleno  exercício do direito de defesa do contribuinte.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  em  que  formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório,  o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.  Recurso Voluntário Negado.  Portanto,  ao  que  pese  a  alegação  sobre  o  direito  de  crédito invocado pela Recorrente ao argumentar que adquiriu os  insumos  com  regular  tributação  pela  contribuição  ao  PIS  e  à  COFINS,  com crédito declarado em DACON, o  fato é que não  houve a comprovação da certeza e liquidez deste crédito, o que  seria  indispensável  para  o  devido  reconhecimento  à  compensação.  Destarte,  como  bem  observou  o  Eminente  Relator  de  primeira  instância,  não consta nos autos nenhum elemento que  indique que os  referidos  insumos  foram de  fato  empregados na  industrialização  por  encomenda,  conforme  alegado,  não  sendo  possível  aplicar  a  Solução  de  Consulta  nº  144,  de  14/05/2008  citada  pela  Recorrente,  uma  vez  que  o  fato  concreto  não  se  refere àquele sobre o qual versou a consulta em referência.  Por  sua  vez,  com  relação  ao  argumento  subsidiário,  consigna­se que, caso fosse comprovada a certeza e liquidez do  crédito  pleiteado,  poderia  a  Contribuinte  se  enquadrar  na  aquisição  com  tributação  regular  de PIS/COFINS, motivo  pelo  qual igualmente resta afastado o crédito presumido previsto pelo  artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por ausência de enquadramento  legal.    DISPOSITIVO  Ante  o  exposto,  conheço  o  Recurso  Voluntário,  rejeito  a  preliminar  suscitada  e,  no mérito,  NEGO PROVIMENTO  para  manter na íntegra o acórdão recorrido.   É como voto."    Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13884.902386/2012­81  Acórdão n.º 3402­005.683  S3­C4T2  Fl. 0          11  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão  recorrido.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 186DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.720975/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 DECADÊNCIA. Inexiste decadência se o lançamento foi efetuado antes de esgotado o prazo previsto no Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI. Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, e juros de mora calculados pela taxa Selic. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-005.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES

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2301­005.735  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  6 de novembro de 2018  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  VIACAO BOLA BRANCA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011  DECADÊNCIA.  Inexiste decadência se o  lançamento foi efetuado antes de esgotado o prazo  previsto no Código Tributário Nacional.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011  ALEGAÇÕES DE NULIDADE.  O  lançamento  que  observa  as  disposições  da  legislação  para  a  espécie  não  incorre em vício de nulidade.  NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A  SEGUNDA  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA.  CONFIRMAÇÃO  DA  DECISÃO RECORRIDA.  Não  tendo  sido  apresentadas  novas  razões  de  defesa  perante  a  segunda  instância administrativa, adota­se a decisão recorrida, mediante transcrição de  seu  inteiro  teor.  §  3º  do  art.  57  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº  343/2015 RICARF.  GLOSA  DE  COMPENSAÇÃO  EM  GFIP.  INEXISTÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.  A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações  à Previdência Social ­ GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se  não comprovada a existência do direito creditório.  ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI.  Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de  infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso,  limitada  a  vinte  por  cento,  e  juros  de  mora  calculados pela taxa Selic.     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 75 /2 01 5- 71 Fl. 1778DF CARF MF     2 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida,  quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares, não  reconhecer  a decadência do poder­dever de  constituir o crédito  tributário  e  negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  (Assinado digitalmente)  João Bellini Júnior ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Antonio Sávio Nastureles ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros:  João Maurício Vital,  Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos,  Marcelo  Freitas  de  Souza Costa, Virgilio Cansino Gil  (suplente  convocado  para  substituir  a  conselheira  Juliana  Marteli  Fais  Feriato,  ausente  justificadamente)  e  João  Bellini  Júnior  (Presidente).     Relatório  1.  Trata­se  de  julgar  recurso  voluntário  (e­fls  1653/1770)  interposto  em  face  do  Acórdão nº 10­059.489 (e­fls 1625/1642), prolatado pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em Porto Alegre,  em sessão de  julgamento  realizada  em 12 de  julho de 2017.   2.  A compreensão do litígio devolvido pode ser obtida a partir da leitura do relatório  contido na decisão recorrida:  Do lançamento1  Este processo compreende os Autos de Infração:  a)  Debcad  n°  51.082.166­9,  que  corresponde  à  glosa  da  compensação  indevidamente  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  cuja  declaração  consta  nas Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIPs  das  competências  01/2010  a  04/2011.  O  montante  do  crédito,  consolidado  em  28/10/2015, é de R$ 6.656.571,47 (seis milhões, seiscentos e cinqüenta e seis mil,  quinhentos e setenta e um reais e quarenta e sete centavos);  b)  Debcad n° 51.026.418­2, que foi lavrado em razão da apresentação pelo  sujeito  passivo,  nos  meses  de  01/2010  a  05/2011,  de  GFIPs  com  falsidade  da  declaração, pois informou créditos inexistentes com o intuito de deixar de recolher                                                              1 E­fls. 1626.  Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.779          3 as  contribuições  previdenciárias  devidas  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados. O montante da multa  isolada,  consolidada  em 28/10/2015,  corresponde  R$ 6.982.938,46 (seis milhões, novecentos e oitenta e dois mil, novecentos e trinta e  oito reais e quarenta e seis centavos).  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  300  a  331,  o  sujeito  passivo  informou à fiscalização que operava junto à São Paulo Transportes S/A, que era co­ participante de um consórcio, juntamente com outras empresas de outros grupos não  vinculados  aos  seus  sócios,  e  que  os  créditos  que  utilizou  na  compensação  eram  decorrentes de valores retidos a maior com base no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991,  objeto de lançamento em face do Município de São Paulo ­ Secretaria Municipal de  Transportes.  Na  ação  fiscal,  o  contribuinte  foi  devidamente  intimado  a  apresentar  documentos hábeis e  idôneos de comprovação do direito aos créditos utilizados na  compensação, tais como: notas fiscais de prestação de serviços emitidas contendo o  destaque  da  retenção  dos  11 %  (onze  por  cento);  demonstrativo  de  apuração  dos  créditos compensados (em que constassem os valores originários e atualizados, com  explicações  sobre  os  critérios  de  atualização  utilizados)  e  das  compensações  realizadas; Contrato de Prestação de Serviços realizado com a "São Paulo Secretaria  Municipal  de  Transporte"  com  todos  os  seus  aditivos;  Edital  da  Licitação;  demonstrativo mensal por contratante e por contrato" elaborado na forma prevista no  artigo  134,  III,  da  Instrução  Normativa  RFB  n°  971/2009;  demonstrativo  de  apuração dos créditos decorrentes da retenção em NF/FAT/REC em que constassem  os  valores  originários  e  atualizados,  com  explicações  sobre  os  critérios  de  atualização utilizados e das compensações  realizadas. No entanto, dos documentos  solicitados, apresentou somente a cópia do "Contrato de Constituição do Consórcio  Cidade Dutra ­ Bola Branca" firmado em 22/01/2002, de caráter emergencial, para  prestação de serviços de transporte público de passageiros, na modalidade comum,  para  a  operação  da  "Área  6",  com  prazo  definido  de  180  (cento  e  oitenta  dias)  a  contar do dia 28 de dezembro de 2001 e com vencimento em 26/06/2002.  Para  subsidiar  a  ação  fiscal,  foi  efetuada  diligência  junto  à  São  Paulo  Secretaria de Transportes  (SPTrans),  tendo a  fiscalização concluído que a empresa  Viação  Bola  Branca  não  prestou  serviços  de  transporte  coletivo  público  de  passageiros  do  subsistema  estrutural  da  área  06,  no Município  de  São  Paulo,  no  período de 2010, e que em nenhum momento foi integrante do Consórcio Unisul.  A fiscalização relata que, dos documentos solicitados por meio do Termo de  Intimação Fiscal  de  07/04/2015,  foram  apresentados  apenas  o  resumo da  folha de  pagamento,  o  comprovante  de  entrega  da  GFIP  e  RAIS  do  período  01/2011  a  04/2011, e folha de pagamento de 01/2010 a 04/2010 no leiaute MANAD.  A  conclusão  no  relato  fiscal  é  de  que,  como  o  contribuinte  não  apresentou  documentos  que  comprovassem  que  era  integrante  do Consórcio Unisul  e  nem  as  notas fiscais, faturas ou borderôs para comprovar que o destaque dos 11% sobre a  prestação de serviços foi realizado, e não comprovou a efetiva retenção do valor pela  tomadora de serviços na ocasião do pagamento dos serviços prestados, não poderia  ser detentor de direito de crédito do valor lançado no Auto de Infração em face do  Município de São Paulo. A fiscalização observa também que neste Auto de Infração  Debcad  n°  51.082.166­9,  o  lançamento  se  refere  às  competências  01/2010  a  04/2011, nas quais foi informada a compensação em GFIP, enquanto que o Auto de  Infração na SPTrans foi consolidado no dia 25/10/2011. Conclui que não se sustenta  a  alegação  do  contribuinte  de  que  a  compensação  foi  efetuada  com  base  no  Fl. 1780DF CARF MF     4 lançamento da SPTrans, pois, à época das compensações, o fato jurídico ainda nem  existia.  Diante da declaração em GFIP pelo sujeito passivo de créditos inexistentes, a  fiscalização efetuou a glosa da compensação indevida informada nas competências  01/2010 a 04/2011 e aplicou a multa  isolada prevista no artigo 89, § 10 da Lei n°  8.212/1991.  Da impugnação2  Cientificado da autuação em 09/11/2015 (AR às fls. 1.526), o sujeito passivo  apresentou impugnação tempestiva em 30/11/2015 (fls. 1.534 a 1.584), alegando, em  síntese, que:  a)  o  lançamento  relativo  aos  períodos  anteriores  a  dezembro/2010  é  decadente,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º  do  CTN.  A  prova  de  que  existem  recolhimentos está no próprio demonstrativo do Auto de Infração denominado RDA  ­ Relatório de Documentos Apresentados,  com  informação de GPS apresentadas e  apropriadas, código de recolhimento 2100, período de 01/2010 a 12/2010;  b)  o  lançamento  é  nulo,  com  fulcro  no  artigo  59,  I,  do  Decreto  n°  70.235/1972 e nos artigos 12 e 31 do Decreto n° 7.574/2011, já que o artigo 226 do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (Portaria  RFB  n°  203/2012,  na  redação  da  Portaria MP  n°  512/2013)  estabelece  que  a  competência  para tratar de compensação é da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de  Administração  Tributária  ­  DERAT,  e  não  da  DEFIS  São  Paulo,  que  não  tem  competência  para  lançamentos  como  o  que  ora  impugna.  A  não  homologação  de  compensação  informada  em GFIP  é  ato  privativo  de  auditor  fiscal  designado pela  DERAT/SP,  sendo  que  sequer  caberia  a  emissão  de  auto  de  infração,  mas  de  notificação de lançamento pela não homologação da compensação, ato privativo do  Chefe da Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso, Delegado da  DERAT ou auditor fiscal por ele designado;  c)  o lançamento impugnado dá a entender que o débito foi lançado como  revisão  de  ofício,  mas  o  relatório  fiscal  é  claro  no  sentido  de  que  se  refere  a  compensações não homologadas;  d)  o relatório fiscal que acompanha o lançamento é conflitante. Ao mesmo  tempo que aponta no item 1 a Natureza do Débito como contribuições patronais à  Seguridade Social  devidas pela  empresa,  incidente  sobre o  total  das  remunerações  pagas, deixa de informar o salário de contribuição, a apuração das contribuições, o  valor  devido  a  titulo  de  segurados,  o  valor  devido  a  titulo  de  contribuição  ao  GILRAT. Não  informa as bases de cálculo. Não apura as contribuições, conforme  está estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal. Conclui que, se não apurou, é  porque homologou os valores lançados em GFIP como salário de contribuição;  e)  existe  dubiedade  entre  o  relatório  fiscal  e  o  relatório  Fundamentos  Legais  do  Débito,  já  que  pelo  relatório  fiscal  ocorreu  o  não  pagamento  de  contribuições devidas pela empresa, fundamento legal previsto no artigo 22,1 e II da  lei de custeio, e não o artigo 89 apontado pelo fundamento legal do débito;  f)  a  Portaria  RFB  n°  3.014,  de  29/06/2011,  estabelece  que  não  será  emitido MPF nos casos  relativos a  revisão  interna de declaração, o que  invalida o  entendimento  da  decisão  recorrida  que  tenta manter  a  jurisdição  da  compensação  para a unidade que procedeu ao lançamento;                                                              2 E­fls 1628.  Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.780          5 g)  participa  do  Consórcio  Unisul,  que  tem  contrato  com  a  Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo,  e  apresentou  relatório  justificando  a  compensação,  mormente  em  relação  ao  processo  n°  19311.720412/2011­45,  Auto  de  Infração  Debcad n° 51.000.443­1, emitido em face da Secretaria de Transportes do Município  de São Paulo ­ São Paulo Transportes. A prova do vínculo está no próprio cadastro  das empresas, já que a impugnante e a Viação Cidade Dutra Ltda, líder do Consórcio  Unisul, tem o mesmo endereço cadastral perante a RFB;  h)  tem  créditos  a  compensar,  decorrente  de  compensação  informada  em  GFIP e lançamento posterior de débito junto à Secretaria Municipal de Transportes  para  o  mesmo  período,  em  que  o  contribuinte  foi  alçado  à  qualidade  de  sujeito  passivo  tributário  solidário  em  relação  à  retenção  de  11%  instituída  pela  Lei  n°  9.711/1998, que deu nova redação ao artigo 31 da Lei n° 8.212/1991;  i)  opera como prestador de serviços, integrante do Consórcio Unisul, cuja  empresa líder é Viação Cidade Dutra. Como o contrato é considerado como cessão  de  mão­de­obra  pela  própria  Receita  Federal  do  Brasil  e  Procuradoria  Geral  da  Fazenda Nacional, inclusive com lançamento da contribuição previdenciária devida  pelo  Município,  incidente  sobre  os  valores  repassados  ao  Consórcio  e  responsabilidade  solidária  do  Consórcio  Unisul  e  seus  integrantes,  é  legitima  a  compensação  dos  valores devidos  pelo Município  e  lançados  em  auto  de  infração  Comprot  19311.720412/2011­45,  Debcad  51.000.443­1,  período  de  01/2009  a  12/2010,  conforme  documentação  que  foi  apresentada  durante  a  fiscalização  e  constante dos registros da Receita Federal;  j) a prova de que integra o Consórcio Unisul, em que é líder a empresa Viação  Cidade Dutra, vem a ser  lançamentos anteriores efetuados pela Delegacia Especial  de Fiscalização de São Paulo, em que a Viação Cidade Dutra figura no lançamento  na condição de sujeição passiva solidária.  1)  labora exclusivamente para a São Paulo Transportes/Secretaria Municipal  de Transportes, não tendo qualquer outra atividade ou cliente;  m)  integra  o  Consórcio  Unisul,  que  presta  serviços  ao  Município  de  São  Paulo, transporte público municipal, tendo recebido a notificação para defesa, como  devedor  solidário,  nos  seguintes  processos:  Comprot  19311.720396/2011­35,  Debcad  37.323.342­6, Consórcio Unisul,  período  de  01/2006  a  12/2008;  Comprot  19311.720412/2011­45,  Debcad  51.000.443­1,  Consórcio  Unisul,  período  de  01/2009 a 12/2010;  n) quando a Receita Federal do Brasil autuou o Município de São Paulo com a  assertiva  de  que  o  contrato  de  concessão  se  dava  nos moldes  do  artigo  31  da Lei  8.212/91, com cessão de mão­de­obra, assegurou a alocação dos valores da retenção  aos reais prestadores de serviço;  o)  não  foram  alocados  corretamente  os  créditos  decorrentes  dos  autos  de  infração  lançados  em  face  do  Município  de  São  Paulo,  anexados  junto  à  impugnação,  não  restando  qualquer  debito  a  ser  lançado,  sendo  improcedente  o  presente  lançamento,  inclusive  em  relação  à multa  isolada,  que  é  reflexa  da  glosa  que não pode prosperar;  p) cita o Parecer PGFN/CAT n° 466/2014, que teria sido emitido a partir de  consulta interna da RFB especificamente para os casos da São Paulo Transportes, e  que  assim  conclui:  "Ante  o  exposto,  mantendo  o  posicionamento  desta  Coordenação­Geral  de  Assuntos  Tributários  exposto  nos  Pareceres  PGFN/CAT  135/2009 e 2793/2009, com a necessária adequação à jurisprudência consolidada do  Fl. 1782DF CARF MF     6 STJ, conclui­se que: a) A natureza jurídica do instituto da retenção descrito no artigo  31 da Lei 8.212/91 é de responsabilidade tributária por substituição; b) Na hipótese  de ter ocorrido a retenção, por parte da empresa contratante (tomadora) de serviços  executados  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  do  montante  da  contribuição  previdenciária devida, será ela responsável direta e exclusivamente pelo pagamento  do  referido  tributo,  c)  Não  havendo  a  retenção,  subsiste  a  responsabilidade  da  empresa cedente de mão de obra juntamente com a empresa tomadora e, d) Também  se  aplica  esse  entendimento  quando  o  tomador  de  serviços  executados  mediante  cessão de mão de obra for entidade da Administração Pública";  q)  o  contrato  de Concessão  entre  a  Secretaria Municipal  de Transportes  de  São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê, conforme a cláusula 19.1.25, fls.  29/33, o desconto da parcela da remuneração de cada Concessionária a ser destinado  ao pagamento do INSS, cláusula esta suspensa pelo período de transição de 90 dias,  contados de 21/07/2003, aplicando­se integralmente, portanto, ao período fiscalizado  e  com  lançamento  de  créditos  previdenciários.  Este  contrato  está  anexado  no  Processo  19311.720413/2011­90,  Debcad  51.000.444­0,  auto  de  infração  com  lançamento  em  face  do Município  de  São  Paulo  e  sujeição  passiva  solidária  dos  integrantes do Consórcio Unisul, neles se incluindo o ora Impugnante;  r)  no  relatório  fiscal  está  atestado  que  o  contribuinte  já  havia  procedido  à  declaração do débito através de GFIP e pago o valor declarado através de GPS;  s) no presente caso ocorre o bis in idem. A Receita Federal do Brasil, através  da  Procuradoria  Geral  da  União,  já  vem  procedendo  ao  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  em  relação  à  empresa  São  Paulo  Transportes  S/A,  tomadora de serviços do prestador, ora impugnante. O fundamento são pareceres no  sentido de que a  responsabilidade do recolhimento pelas prestadoras é do  tomador  de serviços, no caso a São Paulo Transportes S/A. Referida matéria, já foi objeto de  julgamento  no  processo  cadastrado  no  Tribunal  Regional  Federal  da  Terceira  Região,  processo  200361000035764,  em  que  aquele  Tribunal,  por  unanimidade  reconheceu  o  direito  da Receita  Federal  do Brasil  em  proceder  ao  lançamento  de  contribuições previdenciárias em face da SÃO PAULO TRANSPORTES LTDA, em  relação aos prestadores de serviço do  transporte coletivo urbano da Cidade de São  Paulo,  reconhecendo  a  ocorrência  da  hipótese  prevista  no  artigo  31  da  Lei  n°  8.212/91, redação da Lei 9.711/1998;  t)  o  lançamento  ocorreu  por  falta  de  escrituração  das  retenções  de  11%.  Entretanto, as empresas que participam dos consórcios de prestação de serviços de  transporte municipal  estão  dispensadas  da  emissão  de  notas  fiscais. Ademais,  nos  casos  de  Consórcio  em  licitações  públicas,  o  registro  contábil  da  remuneração  e  retenções  é  efetivado  apenas  pela  empresa  líder,  conforme  determina  a  própria  Receita Federal do Brasil na Instrução Normativa n° 1.199/2011;  u) não cabe multa isolada, porque os valores compensados estavam lastreados  com créditos decorrentes do Auto de Infração aplicado na Secretaria Municipal dos  Transportes de São Paulo, que  lançou valores  relativos à  retenção de 11% sobre a  mão  de  obra  contida  nos  pagamentos  aos  prestadores  de  serviço  do  transporte  público municipal;  v)  a  multa  aplicada  de  170%  (20%  de  multa  de  mora  e  150%  de  multa  isolada) é confiscatória, Com base no artigo 62­A do Regimento Interno do CARF,  deve  ser  aplicada  a  decisão  do  STF  no  Recurso  Extraordinário  582.461/SP  com  repercussão geral, de que não é confiscatória a multa moratória no importe de 20%,  sendo abusivas as multas que superam o percentual de 100%;  x) a multa, se imposta, dever ser reduzida para razoáveis e aceitáveis níveis de  2%,  sob  pena  de  violação  do  principio  constitucional  da  vedação  do  confisco.  A  leitura  sistemática  dos  artigos  e  fatos  anteriormente  descritos  impõe  as  seguintes  Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.781          7 constatações: 1) caso a contribuição que está sendo lançada seja declarada em GFIP  a multa de mora será reduzida em 50%; 2) não pode o contribuinte, com a alteração  da  legislação  em momento  posterior  ao  da  ocorrência  de  alegada  infração,  sofrer  maior gravame na aplicação da multa. Tendo em vista o alegado, requer a retificação  dos valores aplicados com relação à multa de mora, no que tange à redução de 50%  em todo o período;  z) os juros são confiscatórios;  Ao final, o sujeito passivo requer:  1)  o  reconhecimento  da  nulidade  do  lançamento  pela  incompetência  da  Delegacia  autuante,  a  quem  não  foi  delegada  competência  para  julgar  processos  relativos  à  compensação,  ante  a  competência  originária  da  DERAT — Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  de  Administração  Tributária,  conforme  Regimento  Interno da SRF;  2)  o  reconhecimento  da  nulidade  do  lançamento  pela  incompatibilidade  entre  o  relatório  fiscal  e  o  relatório  de  fundamentos  legais  do  débito.  O  primeiro  sugere que o auto de infração deu­se em função de contribuições devidas nos termos  do artigo 22, I e II da Lei 8.212/91. Já o Fundamento Legal do Débito dispõe que o  lançamento deu­se por glosa de compensação, com fulcro no artigo 89 da legislação  de custeio;  3)  o  acatamento  do  Parecer  Público  PGFN/CAT  n°  466/2014,  aprovado  em  02/04/2014  pela  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional,  emitido  a  partir  de  consulta interna da Receita Federal do Brasil especificamente para os casos da São  Paulo Transportes;  4)  o acatamento do direito da impugnante de proceder à compensação de  créditos  válidos  decorrentes  do  crédito  havido  junto  ao  Consórcio  Sete  (sic)  que  integra, conforme artigo 112 da IN 971. Em diligência fiscal deverá ser verificado se  as  empresas  participantes  do mesmo  procederam  à  alocação  do  crédito  dentro  do  limite disponível. Este crédito relativo à retenção de 11% incidente sobre as faturas  ou  recibos,  nos  termos dos  artigos 44  a 48 da  IN n°  900 de 30/12/2008, deve ser  concedido ao impugnante independentemente de constar em GFIP, tendo em vista a  documentação anexada, com determinação do procedimento de concessão do crédito  pela  Procuradoria  Geral  Especializada  do  INSS,  vinculada  à  Advocacia  Geral  da  União. O documento  que contém  a  numeração  fls.  1323/1324,  relativo  a  processo  judicial, extraído do Mandado de Segurança, noticiado é muito claro em relação ao  direito da impugnante quanto ao crédito de 11% incidente sobre o faturamento para  compensação de suas contribuições previdenciárias. Pelo documento, a Procuradora  da AGU Dra. Sofia Mutchnik declara em documento intitulado Consulta: "A nosso  ver, portanto, tem­se que o dever de recolher aos cofres previdenciários a retenção  de  11%  da Nota  Fiscal  relativa  à  cessão  de mão  de  obra  é  único  e  exclusivo  do  tomador,  não  podendo  ser  cobrado  tal  montante  do  sujeito  passivo  direito  da  obrigação  tributária  (o  detentor  da  folha  de  salários  que  cede  a  mão  de  obra  ao  tomador)". Conclui a douta procuradora com a assertiva de que há de se abater todos  os  débitos  lançados  nas  prestadoras  de  serviço.  Trata­se  de  "coisa  julgada",  ante  decisão  do Egrégio Tribunal Regional  Federal  da Terceira Região  que  considerou  válido o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional e manteve lançamento  em face da São Paulo Transportes em relação à responsabilidade pelo recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidente  sobre  a  folha  de  pagamento  dos  prestadores de serviço.  Fl. 1784DF CARF MF     8 2.1.  Ao  julgar  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido,  o  acórdão recorrido tem a ementa que se transcreve:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011  DECADÊNCIA.  Inexiste decadência  se o  lançamento  foi  efetuado antes de  esgotado o prazo  previsto no Código Tributário Nacional.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011  ALEGAÇÕES DE NULIDADE.  O  lançamento  que  observa  as  disposições  da  legislação  para  a  espécie  não  incorre em vício de nulidade.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011  GLOSA  DE  COMPENSAÇÃO  EM  GFIP.  INEXISTÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.  A compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à  Previdência Social ­ GFIP pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não  comprovada a existência do direito creditório.  ACRÉSCIMOS LEGAIS. PREVISÃO EM LEI.  Na glosa de compensação de contribuições previdenciárias, objeto de auto de  infração, incidem multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso,  limitada  a  vinte  por  cento,  e  juros  de  mora  calculados pela taxa Selic.  MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida,  quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.  3.  O recurso interposto (e­fls 1653/1770) , traz nas razões, um acréscimo possível de  se divisar que compreende as  alegações  formuladas no  tópico  intitulado  "XX  ­ SOLUÇÃO DE  CONSULTA INTERNA 03/2013 ­ COSIT" (e­fls 1706/1708) em que sustenta inobservância do rito  da compensação indevida previsto na solução de consulta, assim como reitera argumentação e  pedido para excluir a aplicação da multa isolada (e­fls 1709/1710).  4.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Antonio Sávio Nastureles  5.  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.  6.  Como  relatado,  parte  substancial  da  peça  recursal  apresentada  pelo  contribuinte  repete  as mesmas  argumentações,  suscita  as mesmas questões  e  formula  os mesmos pedidos  constantes na peça impugnatória.  6.1.  O acréscimo possível de se divisar diz respeito à alegação acerca da inobservância  do rito da compensação indevida previsto na Solução de Consulta nº 3/2013. Considero mero  Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.782          9 reforço  de  questões  procedimentais  que  foram  bem  analisadas  pela  decisão  de  primeira  instância, destacadamente no tópico "Das alegações de Nulidade" (e­fls 1632/1636), inserto no  voto do acórdão recorrido.  6.2.  Assim também, os argumentos e pedido relacionados à exclusão da multa isolada,  que foram bem analisados pela decisão de primeira instância ao apreciar o mérito do recurso  (e­fls 1636/1639).  7.  Por  este  modo,  havendo  coincidência  entre  as  razões  recursais  e  as  alegações  formuladas  na  impugnação,  a  análise  do  recurso  pode  ser  fita  utilizando­se  a  prerrogativa  conferida pelo Regimento Interno do CARF.  RRIICCAARRFF::  AARRTTIIGGOO  5577,,  §§  33ºº   8.  De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015  –  RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões  de defesa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de  seu voto3:  Da decadência  O  prazo  para  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  é  aquele  previsto no Código Tributário Nacional ­ CTN. Em havendo pagamento antecipado  da  contribuição,  aplica­se  o  prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador (artigo 150, § 4o do CTN); inexistente referido pagamento, ou nos casos de  dolo, fraude ou simulação, aplica­se o prazo de cinco anos a contar do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo  173, inciso I do CTN).  Para  justificar  a  aplicação  da  decadência  com  base  no  artigo  150,  §  4o  do  CTN, o sujeito passivo alega ter efetuado recolhimentos por meio de GPS ­ Guia da  Previdência  Social,  o  que  poderia  ser  comprovado  no  RDA  ­  Relatório  de  Documentos Apresentados.  Tais  valores  foram  abatidos  do  crédito  tributário  constituído,  conforme  se  observa dos  relatórios DD  ­ Discriminativo  do Débito  (fls.  290  a  292)  e RADA  ­  Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 293 a 295).  O lançamento é decorrente da glosa da compensação declarada nas GFIPs das  competências 01/2010 a 04/2011, em razão do sujeito passivo ter informado créditos  inexistentes. Observa­se que a empresa informou no campo "compensação" o valor  exato das contribuições previdenciárias devidas, o que ocasionou a ausência de valor  a  recolher.  Ou  seja,  o  contribuinte  pretendeu,  com  sua  declaração,  ver  extinta  a  totalidade  do  débito  mediante  compensação,  ao  invés  de  efetuar  o  pagamento.  A  conduta dolosa do contribuinte ao apresentar a GFIP com falsidade na declaração,  declarando créditos inexistentes, determina a aplicação do inciso I do artigo 173 do  CTN na contagem da decadência.  O lançamento foi efetuado em 28/10/2015 e cientificado ao sujeito passivo em  09/11/2015,  não  tendo  sido  ultrapassado  o  prazo  para  a  constituição  do  crédito  tributário, que era, para as competências até 11/2010, 31/12/2015. Portanto, não há  decadência a ser reconhecida.                                                              3 E­fls. 1632.  Fl. 1786DF CARF MF     10 Das alegações de nulidade4  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  os  requisitos  obrigatórios  que  devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.°  70.235/1972:  Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da  verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:  1­ a qualificação do autuado;  II­ o local, a data e a hora da lavratura; III ­ a descrição do fato;  IV­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V ­ a determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la  no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Examinando o processo, constata­se que as peças que o compõem atendem a  estes  requisitos  e  contêm  elementos  suficientes  ao  exercício  do  direito  ao  contraditório e à defesa pelo contribuinte.  O  Relatório  Fiscal  elaborado  pela  autoridade  lançadora  descreve  pormenorizadamente as razões para a constituição do crédito tributário, esclarecendo  que os Autos de Infração são decorrentes da glosa da compensação  indevidamente  efetuada pelo sujeito passivo e da multa isolada pela comprovação da falsidade das  declarações apresentadas. Nesse sentido, vejam­se excertos do relatório:  3 ­DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS  Este relatório é parte integrante do Auto de Infração acima identificado que  constituiu  as  contribuições  devidas  ao  INSS,  oriundas  da  glosa  de  compensação indevida e da empresa ter efetuado a compensação integral de  valores apurados, em conformidade com a base de cálculo declarada na Guia  de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência ­ GFIP, abatidos  os valores já recolhidos nas Guias de Recolhimento da Previdência Social ­  GPS, relativo ao período de 01/2010 a 04/2011 (inclusive o décimo terceiro  salário).  (...)  5­DO OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL (...)  5.2.  O  objeto  do  presente  lançamento  fiscal  consistiu  na  glosa  de  compensação  indevida  com  falsidade  na  GFIP  ­  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social, no período de 01/2010 a 04/2011 e na Multa Isolada.  (...)  Os Relatórios FLD ­ Fundamentos Legais do Débito de cada Auto de Infração  informam  minuciosamente  os  dispositivos  legais  que  fundamentam  o  lançamento  efetuado, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores.  Os  Relatórios  DD  ­  Discriminativo  do  Débito  demonstram  todas  as  características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações  que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente, e também                                                              4 E­fls. 1632.  Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.783          11 discriminam,  por  competência,  o  valor  apurado,  os  créditos  quando  existentes,  o  valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado.  Além disso, não se observam as hipóteses de nulidade relacionadas no artigo  59 do Decreto n° 70.235/1972:  Art. 59. São nulos:  I  ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os despachos  e decisões proferidos por autoridade  incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  O sujeito passivo, em sua  impugnação, demonstra  ter perfeito conhecimento  dos motivos da autuação, não se verificando qualquer prejuízo à sua defesa.  Portanto,  tendo  os  Autos  de  Infração  sido  lavrados  de  acordo  com  as  disposições  legais  e  normativas  que  regem  a  matéria,  não  há  motivos  para  a  declaração  da  nulidade  do  lançamento,  sendo  improcedentes  os  argumentos  do  sujeito passivo neste ponto.  Da competência da DEFIS/SP para o lançamento  A Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, estabelece, em  seu  artigo  32,  IV,  obrigação  acessória  para  a  empresa  de  declarar  à  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo  de  Serviço  ­  FGTS,  na  forma,  prazo  e  condições  estabelecidos  por  esses  órgãos,  dados  relacionados  a  fatos  geradores,  base  de  cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse  do  INSS  ou  do  Conselho  Curador  do  FGTS.  Esta  declaração  é  prestada  por  meio  da  Guia  de  Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ­GFIP.  O artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 dispõe que nas hipóteses de pagamento ou  recolhimento indevido ou maior que o devido, as contribuições sociais previstas nas  alíneas a, b e c do parágrafo único do artigo 11 da mesma Lei poderão ser restituídas  ou compensadas, obedecidos os termos e condições estabelecidos pela Secretaria da  Receita Federal do Brasil.  De acordo com a regulamentação da RFB consubstanciada nos artigos 44 a 48  da  Instrução Normativa RFB n°  900/2008,  vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  a  compensação deve ser realizada por intermédio da GFIP.  A teor do disposto no § 2o do artigo 32 da Lei n° 8.212/1991, na redação da  Lei n° 11.941/2009, a declaração nas GFIPs constitui instrumento hábil e suficiente  para  a  exigência  do  crédito  tributário,  já  que  caracteriza  confissão  de  dívida  pelo  sujeito passivo. No entanto, não há qualquer impedimento legal para que a RFB opte  por  efetuar  o  lançamento  dos  valores  indevidamente  compensados,  não  se  verificando qualquer prejuízo ao sujeito passivo, que tem garantido o seu direito ao  contraditório e à ampla defesa.  As  disposições  relativas  à  competência  da  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal do Brasil de Fiscalização ­ DEFIS encontram­se no artigo 227 do Regimento  Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil ­ RFB, aprovado pela Portaria n°  203, de 14/05/2012, publicado no DOU de 17/05/2012, como segue:  Art. 227. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização ­ Defis e à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de  Comércio  Exterior  ­  Delex,  quanto  aos  tributos  administrados  pela  RFB,  Fl. 1788DF CARF MF     12 inclusive os  destinados  a outras  entidades  e  fundos,  compete,  no âmbito  da  respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização, de tecnologia  e  segurança  da  informação,  de  programação  e  logística  e  de  gestão  de  pessoas, e, especificamente: (Redação dadapelo(a) Portaria MFn"512, de 02  de outubro de 2013)  I  ­  processar  lançamentos  de  oficio,  imposição  de multas  e  outras  penas  aplicáveis às infrações à legislação tributária, bem como as correspondentes  representações fiscais;  II ­ realizar o arrolamento de bens e a propositura de medida cautelar fiscal;  III  ­  proceder  à  revisão  de  ofício  de  lançamentos  e  de  declarações  apresentadas  pelo  sujeito  passivo  e  ao  cancelamento  ou  reativação  de  declarações a pedido do sujeito passivo;  IV­  realizar  diligências  e  perícias  fiscais,  inclusive  as  de  instrução  processual;  V  ­  administrar  e  distribuir  selos  de  controle  e  outros  instrumentos  de  controle fiscal, bem como fiscalizar a sua utilização;  VI  ­  proceder  aos  ajustes  de  ofício,  decorrentes  da  competência  da  unidade, nos cadastros da RFB;  VII  ­ promover a educação fiscal; e  VIII  ­  analisar,  acompanhar  e  prestar  informações  solicitadas  por  autoridades  e  órgãos  externos,  inclusive  em  ações  judiciais,  correlatas  à  competência da unidade.  (sem grifos no original)  Como  se  demonstra,  a  Delegacia  de  Fiscalização  de  São  Paulo  tem  plena  competência  regimental  tanto  para  proceder  à  revisão  de  oficio  de  declarações  apresentadas pelo sujeito passivo como para efetuar quaisquer lançamentos de ofício  e  imposição  de  multas  quanto  aos  tributos  administrados  pela  RFB,  inclusive  os  destinados a outras entidades e fundos.  A  Ia  Turma  Ordinária  da  4a  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  já  se  manifestou  sobre  as  questões suscitadas pelo impugnante no Acórdão n° 2401­004.675, de 15/03/2017,  conforme excerto da ementa e do voto reproduzidos abaixo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008  GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. REVISÃO DE OFÍCIO DA GFIP.  COMPETÊNCIA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. DESCABIMENTO.  E  competente  a  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Fiscalização em São Paulo (Defls) para proceder a revisão de ofício da Guia  de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações  à Previdência Social (GFIP) apresentada pelo sujeito passivo, na hipótese de  valores compensados indevidamente.  Não há nulidade no ato administrativo de lavratura de auto de infração para  a  exigência  dos  valores  compensados  indevidamente,  em  vez  da  adoção  do  procedimento  de  auditoria  interna,  por  não  acarretar  efetivo  prejuízo  ao  sujeito  passivo,  permitindo­lhe  o  pleno  exercício  do  direito  à  defesa  e  ao  contraditório, nos termos da legislação em vigor.  (...)  Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.784          13 Voto  (...)  15.  Nada  obstante,  a  despeito  da  possibilidade  de  revisão  de  créditos  tributários declarados em GFIP mediante simples procedimento de auditoria  interna, sem emissão de auto de infração, não há óbice que a RFB, avaliando  o  caso  concreto,  faça  a  opção  pela  lavratura  de  auto  de  infração  para  a  exigência de valores indevidamente compensados.  15.1  Tal hipótese não configura nulidade do ato administrativo, até porque,  embora  dispensável  a  lavratura  do  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento, não há expressa proibição em lei de se efetuar a cobrança dos  valores indevidamente compensados utilizando­se desse procedimento.  15.2  Além do que a cobrança dos valores compensados indevidamente via a  expedição  de  um  auto  de  infração não  tem  o  condão  de  acarretar  prejuízo  efetivo ao contribuinte, permitindo­lhe o pleno exercício do direito à defesa e  ao contraditório, nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.  15.3  Inclusive,  cabe  realçar,  os  acréscimos moratórios  incidentes  sobre  o  valor  das  contribuições  previdenciárias  glosadas  pela  fiscalização  são  idênticos,  quer  na  adoção  do  procedimento  de  auditoria  interna,  quer  na  hipótese de lavratura de auto de infração, correspondendo sempre a multa e  aos juros de mora (art. 89, § 9o, da Lei n°8.212, de 1991).    Com relação ao MPF ­ Mandado de Procedimento Fiscal, à época do início da  ação fiscal estava vigente a Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011, que determinava,  em seu artigo 2o, que os procedimentos  fiscais no âmbito da RFB, como é o caso  sob  exame,  fossem  instaurados  com  base  em  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF).  Assim, é descabida a alegação da impugnante de que somente a DERAT teria  competência  para  tratar  da  compensação,  ou  que  há  irregularidade  na  emissão  do  MPF.  DO MÉRITO5  a) da glosa da compensação  A impugnação do sujeito passivo está fortemente amparada em sua alegação  de  que  participa  do  Consórcio  Unisul,  o  qual  tem  contrato  com  a  Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo,  e  que  apresentou  relatório  justificando  a  compensação,  relacionando­a ao processo n° 19311.720412/2011­45, Auto de Infração Debcad n°  51.000.443­1,  emitido  em  face  da Secretaria  de Transportes  do Município  de  São  Paulo  ­  São  Paulo  Transportes.  Estes  mesmos  argumentos  já  haviam  sido  apresentados  à  fiscalização,  que  os  rejeitou,  após  análise  detalhada,  conforme  descrito no Termo de Verificação Fiscal.  Além  disso,  o  sujeito  passivo  afirma  que  a  prova  do  seu  vínculo  com  o  consórcio  estaria  no  próprio  cadastro  das  empresas,  já  que,  junto  à  RFB,  tem  o  mesmo endereço cadastral da Viação Cidade Dutra Ltda, líder do Consórcio Unisul.  Sem razão.                                                              5 E­fls. 1636.  Fl. 1790DF CARF MF     14 Na  ação  fiscal,  o  contribuinte  foi  devidamente  intimado  a  apresentar  documentos hábeis e  idôneos de comprovação do direito aos créditos utilizados na  compensação, tais como notas fiscais de prestação de serviços emitidas contendo o  destaque  da  retenção  dos  11 %  (onze  por  cento);  demonstrativo  de  apuração  dos  créditos compensados (em que constassem os valores originários e atualizados, com  explicações  sobre  os  critérios  de  atualização  utilizados)  e  das  compensações  realizadas; Contrato de Prestação de Serviços realizado com a "São Paulo Secretaria  Municipal  de  Transporte"  com  todos  os  seus  aditivos;  Edital  da  Licitação;  demonstrativo mensal por contratante e por contrato" elaborado na forma prevista no  artigo  134,  III,  da  Instrução  Normativa  RFB  n°  971/2009;  demonstrativo  de  apuração dos créditos decorrentes da retenção em NF/FAT/REC em que constassem  os  valores  originários  e  atualizados,  com  explicações  sobre  os  critérios  de  atualização  utilizados  e  das  compensações  realizadas.  No  entanto,  apresentou  à  fiscalização somente o Contrato de Constituição do Consórcio Cidade Dutra ­ Bola  Branca, firmado em 22/01/2002. Examinado, a autoridade tributária constatou que,  apesar de estar previsto que o prazo de vigência de 180 dias poderia ser prorrogado,  isto  não  aconteceu,  vencendo­se  o  prazo  do  contrato  em  26/06/2002.  Não  foi  apresentado  nenhum  aditamento  ou  prorrogação  da  continuidade  do  objeto  do  Consórcio  Cidade  Dutra  ­  Bola  Branca.  Portanto,  não  havia  qualquer  direito  creditório que pudesse vir a ser reconhecido ao sujeito passivo em decorrência deste  contrato.  Em diligência na SPTrans, a fiscalização obteve esclarecimentos e analisou os  seguintes  documentos:  Contrato  de  Concessão  de  Serviço  de  Transporte  Coletivo  Urbano de Passageiro na Cidade de São Paulo da área 06, n° 706/03 SMT  ­GAB  ÁREA  06,  e  seus  anexos;  Instrumento  Particular  de Alteração  e  Consolidação  de  Consórcio;  "Borderôs  de  Pagamentos"  efetuados  pela  SPTRANS  ao  Consórcio  UNISUL  no  ano  de  2010;  Demonstrativo  de  Pagamento  Mensal  ­  ano  2010  do  Consórcio  UNISUL  ­  área  6;  Termos  de  Recebimento  Operação  Frota  Ônibus  Consórcio  Unisul  e  de  Recebimento  Operação  Atende  São  Paulo  ­2010;  Remuneração  Estrutural  do  Consórcio  UNISUL  ­  2010.  Ao  final,  concluiu  que  a  empresa Viação Bola Branca não prestou serviços de transporte coletivo público de  passageiros  do  subsistema  estrutural  da  área  06,  no Município  de  São  Paulo,  no  período de  2010,  e  que  em  nenhum momento  foi  integrante do Consórcio Unisul,  pelos seguintes motivos:  a)  o Contrato de Concessão n° 706/2003 do serviço de transporte coletivo  urbano de passageiro na cidade de São Paulo, área 06, vigente no ano de 2010, foi  firmado  em  21/07/2003  entre  o Consórcio Unisul  e  a  SPTrans,  posteriormente  ao  objeto da constituição do Consórcio Cidade Dutra ­ Bola Branca, em relação ao qual  não foi apresentado nenhum aditamento ou prorrogação;  b)  conforme  o  "Instrumento  Particular  de  Alteração  e  Consolidação  de  Consórcio", vigente em 2010, participavam do Consórcio Unisul apenas as empresas  Viação  Cidade  Dutra  Ltda,  Tupi  Transportes  Urbanos  Piratininga  Ltda,  VIM  ­  Viação Metropolitana Ltda e VIP Transporte Urbano Ltda;  c)  nos  borderôs  de  pagamentos  efetuados  pela  SPTrans  ao  Consórcio  Unisul,  no  ano  de  2010,  não  constavam  pagamentos  realizados  à  empresa Viação  Bola Branca Ltda;  d)  no  Demonstrativo  de  Pagamento  Mensal  ­  ano  2010  do  Consórcio  Unisul  ­  área  06  não  constavam  pagamentos  realizados  à  empresa  Viação  Bola  Branca Ltda, somente para as quatro empresas integrantes do Consórcio;  e)  nos "Termos de Recebimento Operação Frota Ônibus Consórcio Unisul  e de Recebimento Operação Atende São Paulo ­ 2010" constavam os repasses dos  integrantes  da  Concessionária  Consórcio  Unisul  e  ao  líder,  a  Cidade  Dutra.  Em  Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.785          15 nenhum  dos  documentos  apresentados  consta  a  empresa  Bola  Branca  como  participante do Consórcio Unisul;  f) a SPTrans, em resposta ao questionamento sobre a empresa Bola Branca de  alguma  forma  lhe  ter  prestado  serviços,  informou  que  as  empresas  que  prestaram  serviços,  por  meio  de  consórcios  ou  não,  contratados  no  Subsistema  Estrutural  (concessão)  e  no  Subsistema  Local  (permissão),  no  ano  de  2010,  eram  a  Viação  Cidade Dutra Ltda, a Tupi Transportes Urbanos Piratininga Ltda, a VIM  ­ Viação  Metropolitana  Ltda,  a VIP  Transporte Urbano  Ltda,  a  Cooper  Pam  ­  Cooperativa  Transportes Aut. Transp. De São Paulo e a Cooperlíder ­ Cooperativa Trab. Transp.  Coletivo  e  de  Passageiros  e  Cargas  Esp.  Segundo  o  gerente  de  administração  do  cadastro da frota e dos operadores e condutores SCP/GCF, a empresa Viação Bola  Branca  Ltda  não  fez  parte  da  gestão  dos  contratos  firmados  no  ano  de  2003,  realizada  pela  sua  Superintendência,  para  prestação  de  serviços  no  sistema  de  transporte coletivo de São Paulo.  A empresa Viação Bola Branca Ltda não apresentou qualquer prova de que  integrasse  o  Consórcio  Unisul,  nem  durante  a  fiscalização,  nem  agora,  com  a  impugnação. O fato de, segundo sua alegação, estar localizada no mesmo endereço  que a empresa Viação Cidade Dutra Ltda não é prova hábil, pois não  lhe confere,  por si só, o status de participante do Consórcio Unisul.  A  alegação  de  que  o  seu  direito  creditório  decorreria  do  processo  n°  19311.720412/2011­45  também  é  descabida.  Conforme  a  fiscalização  relata,  a  consolidação  do  Auto  de  Infração  Debcad  n°  51.000.443­1,  que  tramita  naquele  processo, ocorreu somente em 25/10/2011, sendo  impossível que as compensações  declaradas nas GFIPs cujo envio pelo sujeito passivo iniciou em 01/2010 pudessem  se referir àquele processo, que ainda nem existia. Não fosse o bastante, é de se ver  que  não  há  qualquer  crédito  a  ser  reconhecido  em  decorrência  do  processo  n°  19311.720412/2011­45, conforme sustenta o contribuinte, já que o Auto de Infração  Debcad n° 51.000.443­1  foi  julgado  improcedente e o  respectivo crédito tributário  exonerado,  conforme  pode  ser  verificado  no  sítio  do  CARF  ­  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  (www.carf.fazenda.gov.br), opção "consulta ao  acompanhamento processual".  A alegação de bis in idem não aproveita ao contribuinte que, como se viu, não  comprovou participar do Consórcio Unisul. Ademais, a ação judicial citada não diz  respeito aos fatos geradores e às compensações deste processo administrativo, sendo  sua solução irrelevante para este julgamento.  Registre­se que, em seus pedidos finais, o sujeito passivo inovou e informou  participar do Consórcio Sete, pedindo uma diligência para verificar se as empresas  participantes  do  mesmo  procederam  à  alocação  do  crédito  dentro  do  limite  disponível.  No  entanto,  não  trouxe  qualquer  documentação  que  comprovasse  esta  alegação,  sendo  inócuo,  por  tudo  que  consta  do  processo,  identificar  se  outras  empresas  utilizaram  créditos  decorrentes  de  outros  processos  administrativos  ou  judiciais. Ademais, não cabe a  realização de diligência para examinar documentos  que o próprio contribuinte deveria ter trazido aos autos. Assim, com base nos artigos  18  e  28  do  Decreto  n°  70.235/1972,  indefere­se  o  pedido  de  diligência,  por  prescindível para o deslinde do julgamento.  A conclusão possível, diante dos fatos apontados, é de que o sujeito passivo  não comprovou a existência de qualquer direito creditório passível de compensação,  sendo correta a glosa efetuada pela fiscalização.  b) da multa isolada  Fl. 1792DF CARF MF     16 A  compensação  por  meio  de  GFIP  pressupõe  a  preexistência  do  direito  líquido  e  certo  ao  crédito  apto  a  extinguir  a  obrigação  tributária.  Durante  o  procedimento  fiscal  e mais uma vez,  por ocasião da análise da  impugnação,  ficou  comprovada a inexistência de créditos que legitimassem as compensações efetuadas  pelo  sujeito  passivo  nas  competências  01/2010  a  04/2011.  Portanto,  ao  se  compensar, o sujeito passivo utilizou créditos sabidamente inexistentes.  Em  decorrência,  também  as  declarações  por  ele  apresentadas  por  meio  das  GFIPs,  não  espelharam  a  realidade,  na medida  em que  continham  informações  de  compensação,  reduzindo  o  montante  das  contribuições  previdenciárias  a  serem  recolhidas, sem que fossem identificados pagamentos indevidos ou a maior nos anos  anteriores e que justificassem as compensações realizadas.  A  falsidade  das  declarações  apresentadas  ficou  perfeitamente  demonstrada  nos autos, na medida em que não foi comprovado qualquer destaque ou retenção em  nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, não houve retenção de valor ou  recolhimento  de  importância  pelo  suposto  tomador  de  serviços,  e  sequer  houve  a  comprovação pelo sujeito passivo de que fizesse parte do Consórcio Unisul. Some­ se a isso a alegação de que os supostos créditos seriam decorrentes de um processo  cujo Auto de Infração sequer havia sido consolidado à época das compensações, e  percebe­se  que  o  sujeito  passivo  agiu  com  o  intuito  de  não  recolher  o  valor  das  contribuições previdenciárias declaradas nas GFIPs.  A  conduta  intencional  dolosa  do  sujeito  passivo,  ao declarar  nas GFIPs  das  competências  01/2010  a  04/2011,  enviadas  de  01/2010  a  05/2011,  créditos  sabidamente  inexistentes  para  fins  de  compensação,  autoriza  a  aplicação  da multa  isolada de 150% prevista no § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991.  c) das demais alegações  O sujeito passivo alega que a soma da multa de mora com a multa isolada e os  juros aplicados ao lançamento têm caráter confiscatório.  A  esse  respeito,  é  de  se  registrar  que  a  vedação  constitucional  ao  confisco  dirige­se ao legislador, devendo este observá­la no momento da elaboração da lei. A  instância  administrativa  não  é  competente  para  pronunciar­se  acerca  da  constitucionalidade das normas  inseridas no ordenamento  jurídico, cuja apreciação  incumbe  ao  Poder  Judiciário.  A  Administração  Pública  está  vinculada  à  estrita  legalidade e, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos seus órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  conforme  disposto no  artigo 26­A do Decreto 70.235/1972,  com a  redação dada pela Lei n°  11.941/2009, ressalvadas somente as situações previstas em seu § 6o, o que não é o  caso sob exame.  No Auto  de  Infração Debcad  n°  51.082.166­9,  que  corresponde  à  glosa  da  compensação  indevidamente  efetuada  pelo  sujeito  passivo  e  declarada  nas  GFIPs  das competências 01/2010 a 04/2011, está sendo cobrada a multa de mora de 0,33%  ao  dia,  limitada  a  20%,  e  os  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  Selic,  conforme  previsão do § 9o do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, combinado com o artigo 35 da  Lei n° 8.212/1991 e com o artigo 61 da Lei n° 9.430/1996.  Já no Auto de Infração Debcad n° 51.026.418­2, que foi lavrado em razão da  apresentação pelo sujeito passivo, nos meses de 01/2010 a 05/2011, de GFIPs com  falsidade da declaração, pois informou créditos inexistentes com o intuito de deixar  de recolher as contribuições previdenciárias devidas, a multa isolada foi aplicada no  percentual  de  150%,  tendo  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente compensado, a teor do § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991.  Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.786          17 Vejam­se os dispositivos citados:  Lei n°8.212/1991  Art.  89.  As  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  &,hecdo  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior  que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009).  (...)  §9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos  moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.941, de  2009).  § 10 Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da  declaração apresentada pelo  sujeito passivo,  o contribuinte  estará  sujeito à  multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44  da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como  base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído  pela Lei n° 11.941, de 2009).  (...)  Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  a,  b e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11 desta Lei,  das  contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a  terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos  previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação  dada pela Lei n° 11.941, de 2009).  Lei n° 9.430/1996  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  oficio,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)  I­de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de  falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°  11.488, de 2007)  (...)  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem a partir de Io de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo  ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.  Fl. 1794DF CARF MF     18 §3°  Sobre  os  débitos  a  que  se  refere  este  artigo  incidirão  juros  de  mora  calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia  do  mês  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês do pagamento.  Art. 5o  (...)  §  3o  As  quotas  do  imposto  serão  acrescidas  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC,  para  títulos federais, acumuladas mensalmente, calculados a partir do primeiro dia  do segundo mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até  o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do  pagamento.    Com  relação  ao  Recurso  Extraordinário  n°  582.461/SP,  citado  pelo  contribuinte,  sua  ementa  trata  da  multa  moratória  de  20%,  concluindo  pela  inexistência de efeito confiscatório, não havendo qualquer menção à multa  isolada  que supere o percentual de 100% quando destinada a penalizar as hipóteses de dolo  ou  fraude  na  conduta  do  sujeito  passivo,  como  é  o  caso  dos  autos.  Ainda  que  houvesse, é de se esclarecer ao sujeito passivo que, no âmbito da RFB, as decisões  proferidas  na  forma  prevista  nos  artigos  543­B  e  543­C  do  CPC  não  vinculam  imediatamente a RFB, devendo ser observadas as disposições do artigo 3o e § 3o da  Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 01/2014, publicada no DOU de 17/02/2014.  (...)  O  pedido  para  que  a  multa  de  mora  seja  reduzida  em  50%  não  pode  ser  acatado, ante a inexistência de previsão legal, a partir da edição da MP n° 449/2008,  convertida na Lei n° 11.941/2009. Este diploma revogou o § 4o do artigo 35 da Lei  n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.876/1999, que estabelecia a redução de  50%  para  a  multa  de  mora,  no  caso  das  contribuições  terem  sido  declaradas  em  GFIP.  Estando a cobrança de acordo com o que dispõe a lei que rege a matéria, cuja  observância é vinculada para a Administração Pública, rejeitam­se os argumentos do  contribuinte que pretendam diminuir os  acréscimos  legais moratórios  aplicados  ao  lançamento, bem como a multa isolada.  ((ffiimm  ddaa  ttrraannssccrriiççããoo  ddoo  vvoottoo  ccoonnttiiddoo  nnoo  AAccóórrddããoo  nnºº  1100­­5599..448899))   CCOONNCCLLUUSSÃÃOO   9.  Concordando  integralmente  com  os  termos  da  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  VOTO  por  rejeitar  as  preliminares,  não  reconhecer  a  decadência  do  poder­ dever de constituir o crédito tributário e negar provimento ao recurso voluntário.  (Assinado digitalmente)  Antonio Sávio Nastureles ­ Relator                Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.720975/2015­71  Acórdão n.º 2301­005.735  S2­C3T1  Fl. 1.787          19               Fl. 1796DF CARF MF

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Numero do processo: 10835.720210/2012-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA

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Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 02 10 /2 01 2- 09 Fl. 129DF CARF MF     2 Trata­se de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa  Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, ano­calendário  de 2008, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00.  O  contribuinte  apresentou  impugnação,  que  foi  julgada  improcedente,  mediante Acórdão da DRJ Brasilia de f 108/113.   Cientificado, o  interessado apresentou recurso voluntário de f. 117/125. Em  síntese,  alega  que  atendeu  ao  que  foi  solicitado  pela  autoridade  fiscal,  apresentando  os  respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova  dos  pagamentos  realizados  a  este  título. Argumenta  que  não  está  obrigado  a  apresentar  seus  exames médicos  e  laboratoriais.  Sustenta  ainda  que  não  é  razoável  exigir  a  apresentação  de  extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a  ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna  pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro José Ricardo Moreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  O  lançamento  cinge­se  à  glosa  de  despesas  médicas.  O  interessado,  no  recurso, insurge­se contra estas glosas, pelas razões que enumera.  Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999:   Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­ Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).    Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira  instância,  que  é  necessária  a  apresentação  de  documentação  do  efetivo  pagamento  para  comprovação das despesas médicas.  Desta  forma,  verifica­se  que  o  recibo,  ao  contrário  do  que  defende  a  recorrente,  não  faz  prova  absoluta  da  real  ocorrência  do  pagamento. A  autoridade  fiscal,  se  entender  necessário,  pode  solicitar  outros  elementos  de  convicção  da  efetiva  realização  da  despesa que se pretende deduzir.  Não poderia ser de outra  forma. Entender o contrário seria  tolher a ação da  fiscalização,  que  ficaria  impossibilitada  de  exercer  sua  atividade  investigativa,  na  busca  de  Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10835.720210/2012­09  Acórdão n.º 2001­000.762  S2­C0T1  Fl. 3          3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser  frisado que aqui não se  trata de  mera  prerrogativa, mas  de  um  dever  da  autoridade  fiscal,  haja  vista  tratar­se  de  dedução  da  base de cálculo e, portanto, de redução do tributo.  Com  efeito,  as  solicitações  de  documentos  devem  atender  à  razoabilidade,  devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção.  Analisando  a  Notificação  de  Lançamento,  verificamos  que  foram  glosadas  despesas  médicas  de  valores  significativos,  que  justifica  a  solicitação  de  informações  adicionais.  A  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  legal  do  Lançamento  encontra­se  devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram  apresentadas  provas  do  efetivo  pagamento  das  despesas,  não  houve  suficiente  descrição  do  tratamento ou dos exames realizados.   Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em  provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita.  Não  há  que  se  falar  em  quebra  de  sigilo  ou  de  invasão  à  privacidade  do  cidadão.  Não  há  quebra  de  sigilo  perante  o  fisco,  cuja  atividade  primordial  é  justamente  investigar  a  veracidade  dessas  despesas  que  resultam  em  redução  de  tributo.  Ademais,  ao  intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das  despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada  na  intimidade  da  pessoa,  mas  está  cumprindo  o  dever  legal  de  investigar  a  veracidade  das  declarações prestadas. Trata­se de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode  ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais.  Da mesma  forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de  extratos  bancários.  Pode  ocorrer  de  o  contribuinte  haver  pago  as  despesas  em  cheques  ou  mediante  saques  da  conta  corrente,  o  que  seria  facilmente  comprovado  pela  existência  de  saques  de  valores  compatíveis  em  datas  aproximadas  das  da  efetivação  das  despesas.  O  contribuinte  poderia  requerer  à  instituição  financeira  os  referidos  extratos  (em  alguns  casos,  obtém­se extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria  de difícil execução.   O  recorrente  afirma  que  efetuou  o  pagamento  das  despesas  em  dinheiro.  Analisando a documentação (extratos bancários), verifica­se que não se mostra suficiente para  amparar  as  alegações  do  contribuinte.  Reproduzo  aqui  trecho  da  Decisão  da  DRJ,  que  enfrentou com afinco a questão:    "No  presente  caso,  foi  solicitado  ao  contribuinte  que  comprovasse  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas  relativa  às  profissionais  Patrícia  Aparecida  Tavares  (R$6.000,00)  e  Kelly  Cristine  Encenha  (R$14.000,00).  Diante da ausência de comprovação na forma solicitada, a  dedução correspondente foi glosada.  Em  sua  impugnação,  o  contribuinte  informa  que  os  pagamentos  foram  efetuados  em  moeda  corrente  e  anexa  extratos  bancários  com  saques  efetuados  no  ano­ Fl. 131DF CARF MF     4 calendário de 2008 (fls. 18 a 50), no intuito de comprovar  que  efetua  o  pagamento  de  suas  despesas  em  moeda  corrente,  sem  a  utilização  de  cheques.  Constam  no  processo, ainda, recibos (fls. 74 a 93) e declarações (fls. 67  a  71)  emitidas  pelas  profissionais  declaradas  como  prestadoras dos serviços.  Contudo,  os  documentos  apresentados  não  são  suficientes  para demonstrar o  efetivo pagamento,  requisito  solicitado  pela  autoridade  fiscal.  Não  é  possível  concluir  que  os  saques  em  conta  apresentados  nos  extratos  bancários  referem­se  às  despesas  declaradas,  pois,  da  análise  dos  extratos bancários, não foi possível fazer o confronto entre  os  referidos  saques  com  os  recibos  apresentados  (datas  e  valores).  Ademais,  o  contribuinte  não  apresentou  nenhuma  indicação  de  quais  saques  teriam  sido  utilizados  para  os  recibos apresentados, limitando­se a apresentar seu extrato  bancário  com  os  saques  efetuados  durante  o  ano­ calendário.  Ressalte­se  que  a  disponibilidade  financeira,  por  si  só,  não  comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas.  Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e o  impugnante  não  logrou  êxito  em  fazer  a  vinculação  entre  as  despesas realizadas e os saques efetuados."    Desta  forma,  reitero  a  motivação  do  voto  exposto  na  decisão  de  primeira  instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas.     CONCLUSÃO:  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário,  e,  no  mérito, negar­lhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado.   (assinado digitalmente)  José Ricardo Moreira  Voto Vencedor  Discordo  do  Relator  em  relação  às  despesas  médicas.  Os  recibos  não  tem  valor  absoluto  para  comprovação  de  despesas  médicas,  podendo  ser  solicitados  outros  elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados  outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar  fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado  devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de  Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10835.720210/2012­09  Acórdão n.º 2001­000.762  S2­C0T1  Fl. 4          5 indicações  desabonadoras,  na  falta  de  fundamentação  na  recusa,  os  recibos  comprovam  despesas médicas.  No  caso,  não  foram  solicitados  outros  elementos  de  prova  de  maneira  objetiva,  e  o  fundamento  para  lançar  limita­se  a  que  recibos  não  comprovam pagamento  de  despesas médicas.  O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia  intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF:  Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito  tributário.  No  entanto,  a  recusa  a  documentos  usuais  não  pode  prescindir  de  justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do  direito do contribuinte.  Não  deixo  de  fazer  aqui  uma  fundamentação  do  entendimento  expresso  acima,  pois  a  falta  de  fundamentação  é  a  matéria  em  discussão. Muitas  vezes  a  autoridade  fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­ Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).  Tal  artigo  indica  que  determinados  documentos  não  fazem  prova  absoluta,  podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto,  isso não significa  que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado.  E  tal  obrigação,  a  motivação  na  edição  dos  atos  administrativos,  encontra­se  tanto  em  dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira  mais  importante  em  disposições  gerais  em  respeito  ao Estado Democrático  de Direito  e  aos  princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional.  A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período  em  que  foi  concebido  do  que  para  os  dias  atuais.  Além  disso,  mesmo  na  vigência  do  referido  Decreto­Lei  a  austeridade  do  instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo  diploma  legal  lhe  impunha  limitações,  no  seguinte  dizer:  “Art.  79.  Far­se­á  o  lançamento  ex­officio:  §  1º  Os  esclarecimentos  prestados  só  poderão  ser  impugnados  pelos  lançadores,  com  elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade  ou inexatidão.”.  Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos  usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas.   Fl. 133DF CARF MF     6 Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Redator Designado.                  Fl. 134DF CARF MF

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7541214 #
Numero do processo: 11080.000107/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1101-000.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica

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1101­000.084  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  11 de julho de 2013  Assunto  Sobrestamento  Recorrente  PROAL ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  SOBRESTAR  o  julgamento,  por  se  tratar  de  tema  em  repercussão  geral,  nos  termos  do  relatório e voto que integram o presente julgado.  (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente   (documento assinado digitalmente)  NARA CRISTINA TAKEDA TAGA ­ Relatora.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira  Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice­Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto  Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 00 10 7/ 20 10 -1 0 Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO    Versam  estes  autos  sobre  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Acórdão  exarado  pela  5ª  Turma  da DRJ  em  Porto Alegre  que manteve  a  exclusão  da Recorrente  do  SIMPLES, bem como os créditos tributários exigidos.   No Relatório Fiscal (proc. fls. 786 a 808) o auditor fazendário esclareceu que a  empresa  fiscalizada  tributou  seus  rendimentos  no  ano de 2005 pela  sistemática do  lucro  real  anual e no ano de 2006 optou pelo SIMPLES.   A  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  sua  contabilidade  em meio  digital,  o  que prontamente o  fez. Analisando  tais arquivos, o agente  fiscal verificou que a escrituração  contábil não registrava nenhuma conta bancária no período fiscalizado (anos­calendário 2005 e  2006). Foi então solicitado que a fiscalizada apresentasse cópias dos contratos celebrados com  seus tomadores de serviços, extratos de contas bancárias, notas fiscais emitidas, além de outros  documentos e informações.   Em  resposta,  a  interessada  apresentou  notas  fiscais  e  relação  de  valores  repassados  às  instituições  financeiras,  por  conta  de cobranças de  títulos em atraso.  Informou  não  possuir  nenhum  dos  contratos  celebrados  com  as  instituições  financeiras  para  as  quais  prestou  serviços  de  cobrança  e outros  serviços,  bem como não  ter  em  sua  posse os  extratos  bancários de 2005 e 2006. Justificou a não apresentação destes devido ao “lapso de tempo e até  mesmo por desconhecimento da necessidade de guarda de tal documentação”.  O  agente  fiscal  reiterou  o  pedido  de  apresentação  dos  extratos  bancário  e  requisitou  também  uma  relação  de  valores  recebidos  de  clientes  por  conta  de  serviço  de  cobrança.   A  contribuinte  apresentou  a  relação  e,  no  entanto, mais  uma  vez  afirmou  não  possuir  os  extratos  bancários.  Ressalvou  que  alguns  valores  recebidos  eram  depositados  em  momento diverso ao de emissão da nota fiscal correspondente e, que, muitas vezes os valores  correspondiam a soma de mais de uma nota fiscal.  Em  consequência,  o  agente  fiscalizador  entendeu  que  houve  negativa  de  apresentação  dos  documentos,  portanto,  entendeu  configurada  hipótese  para  expedição  de  Requisição  de  Informações  de Movimentação  Financeira  (RMF).  Também  foram  solicitadas  informações junto aos tomadores de serviço da fiscalizada.  A  autoridade  fazendária  relatou  que,  da  análise  dos  livros  contábeis  apresentados,  não  se  verificou  o  registro  das  contas  bancárias.  Por  conta  disso,  também não  havia  registro  de  recebimento  e  pagamento  de  empréstimos,  aplicações  financeiras  e  os  respectivos  rendimentos,  despesas  bancárias,  como  taxas  de  transferência  de  recursos,  juros,  CPMF, IOF etc.   Constatou  ainda  que  “a  contabilidade  não  possui  registro  do  recebimento  e  devolução  dos  títulos  pertencentes  às  instituições  financeiras,  para  a  execução  da  cobrança.  Igualmente  não  há  registro  do  recebimento  dos  recursos  dos  devedores  finais,  nem  da  Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 4          3 transferência dos mesmos às instituições financeiras titulares dos créditos cobrados. Todos os  pagamentos de despesas e os recebimentos de receitas são lançados na conta ‘Caixa’”.  Para  apurar  o  valor  total  repassado  aos  tomadores  de  serviço,  o  auditor  fiscal  reuniu todos os valores de créditos e débitos das contas correntes de todos os bancos nos quais  a contribuinte operava, classificando­os e padronizando­os em uma única planilha.   Foram considerados como repasses: todos os valores informados pela empresa;  todos os valores informados pelas instituições financeiras como recebidos da PROAL; e, todos  os  valores  que,  mesmo  não  informados,  os  históricos  indicavam  como  destinatária  da  transferência uma das tomadoras. Chegou­se ao montante de R$ 66.377.891,72.  Antes de quantificar o total de créditos nas contas da contribuinte, procedeu­se a  exclusão das transferências recebidas de outras contas correntes do mesmo titular; dos créditos  por  devolução  de  cheques  emitidos;  dos  créditos  estornados;  dos  resgastes  de  aplicações  financeiras; dos empréstimos recebidos; da redução de saldo devedor de conta garantia; e dos  cheques depositados e que sofreram devolução. O resultado obtido foi de R$ 84.439.323,35.  Dos créditos apurados  foram deduzidos os  recursos  repassados, o que resultou  no  valor  de  R$  18.061.431,63.  Entendeu  a  fiscalização  que  este  valor  “corresponderia  às  entradas de recursos que não são relativos a títulos cobrados por conta e ordem de terceiros”.  Ocorre que, o  total de  receitas contabilizadas pela PROAL, nos anos­calendário  fiscalizados,  foi de R$ 4.627.329,90. Concluiu então, que o montante de R$ 13.434.101,73 corresponde a  outros créditos cuja origem não é sabida.  Desta  feita,  a  autoridade  fazendária  intimou  a  contribuinte  para  comprovar,  mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas  contas bancárias movimentadas nos anos­calendário de 2005 e 2006. Após pedidos de dilação  do prazo para apresentação dos documentos ora solicitados, a contribuinte forneceu planilhas  em meio digital e diversos documentos.   A  fiscalização  julgou  as  informações  e  documentos  apresentados  pela  contribuinte e concluiu que, exceto 3 créditos bancários que foi comprovado serem de mesma  titularidade, não houve comprovação da origem dos créditos bancários questionados.   Assim,  o  agente  federal  entendeu  que  a  PROAL,  além  de  prestar  serviços  de  cobrança  bancária  nos  anos  de  2005  e  2006,  exerceu  outras  atividades  econômicas  que  lhe  geraram  créditos  em  suas  contas  bancárias,  cuja  origem  não  restou  comprovada.  Em  consequência,  afirmou  que  “uma  vez  que  o  contribuinte  não  se  desincumbiu  de  seu  ônus  probatório de demonstrar que os créditos em suas contas bancárias não são provenientes de  receitas, incide a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96”.  Após realizar alguns cálculos, o agente fiscalizador apurou diferenças de IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS devidos, nos termos do art. 24, caput e § 2º da Lei nº 9.249/95. Lavrou  os respectivos Autos de Infração em 13/01/2010 (proc. fls. 713 a 781).   O lucro foi arbitrado com fundamento no art. 530, II, “a” do RIR/99.   A  autoridade  lançadora  alegou  ainda  que  “a  conduta  do  contribuinte,  de  não  escriturar suas contas bancárias em seus livros comerciais, não pode ser atribuída a um erro”.  Entendeu que “a não escrituração  teve a clara  intenção de ocultar do fisco outros negócios e  Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 5          4 receitas, os quais ficariam diluídos em meio à movimentação de recursos oriundos da cobrança  de  títulos  em  atraso”.  Ademais,  ressaltou­se  que  em  resposta  à  solicitação  enviada  pela  fiscalização,  algumas  tomadoras  de  serviço  informaram  que  efetuaram  pagamentos  de  notas  fiscais que não foram escrituradas pela fiscalizada. Concluiu que “tais condutas evidenciam a  intenção do agente de reduzir a base de cálculo dos tributos e contribuições devidos, causando  prejuízo ao fisco”. Desta forma, aplicou a multa de ofício na sua forma qualificada.  Paralelamente,  por  meio  do  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/POA  nº  001de  11/01/2010, procedeu­se a exclusão da contribuinte do SIMPLES, com fundamento no art. 14,  II da Lei nº 9.317/96 ­ embaraço à fiscalização.  Em  17/02/2012,  foi  apresentada  Impugnação  (proc.  fls.  815  a  840).  Preliminarmente,  a  contribuinte  argumentou  que  diversos  valores,  tais  como  créditos  e  despesas  de  terceiros  e  valores  reembolsados,  não  foram  registrados  na  escrituração  da  empresa,  por  entender  tratar­se  de  importes  de  operações  de  terceiros,  ou  seja,  os  créditos  oriundos  das  cobranças  exitosas,  recebidos  pela  fiscalizada  em  sua(s)  conta(s)  bancária(s),  eram repassados aos bancos e financeiras por entender serem de titularidade daqueles.   Manifestou­se  contra  a  qualificação da multa  sob o  argumento de que não  foi  configurado  o  dolo.  Asseverou  que,  ainda  que  houvesse  alguma  espécie  de  infração  à  legislação tributária, seria por mero erro ou engano, por não observância da melhor técnica de  apuração  de  resultados,  ignorância  do modo  de  proceder,  inexperiência, mas  nunca  situação  volitiva consciente.   Alegou  que  não  houve  negativa  de  apresentação  de  documentos,  pois  foram  atendidas e/ou respondidas todas as intimações emanadas da Fiscalização, tendo sido entregues  os livros Diário e Razão, bem como, demais documentos para justificar os depósitos em suas  contas bancárias.   Alertou ainda que apenas deixou de apresentar os extratos bancários e as cópias  dos contratos firmados para com os bancos e financeiras, posto que tais documentos estavam  na posse destes, não obtendo êxito em apresenta­los ante o curso do lapso temporal dado pelo  Fisco.  No  mérito,  alegou  que  frente  a  apresentação  à  auditoria  dos  livros  Diário  e  Razão,  inerentes  ao  período  fiscalizado,  não  se  justificaria  a  desclassificação  da  escrituração  contábil  da  empresa  e,  consequente,  o  arbitramento  do  lucro.  Ademais,  não  se  verificou  a  circunstância  de  embaraço  à  fiscalização  ou  negativa  de  apresentação  de  extratos  bancários.  Estes só não foram apresentados porque a empresa não os possuía.   Ressaltou  que  diversos  documentos  apresentados  ao  Fisco,  com  o  intuito  de  comprovar a origem dos recursos, foram considerados como inidôneos. A Impugnante relatou  que,  no  ano­calendário  de  2006  era  optante  do  SIMPLES  e,  portanto,  estava  desobrigada  à  escrituração  completa  de  suas  operações, mas mesmo  assim  apresentou  seus  livros Diário  e  Razão.  A contribuinte também se posicionou contra a tributação com base exclusiva em  depósitos  bancários,  já  que  inexiste  comprovação  de  acréscimo  patrimonial.  Desta  feita,  entendeu  nulo  o  lançamento  realizado,  pois  fundado  em  mera  presunção  de  receita,  o  que  contraria posições da jurisprudência no sentido de que a movimentação bancária, por si só, não  pode solidar a omissão de rendimentos para fins de lançamento de IR.   Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 6          5 Mais  uma vez  ressaltou que,  apesar  de  justificar  vários  depósitos  fiscalizados,  foi  subtraída  do  direito  ao  contraditório,  ampla  defesa  e  ao  devido  processo  legal,  pois  teve  seus documentos classificados como inidôneos.   A contribuinte ainda fez menção ao disposto no Decreto­Lei nº 2.471/88 que em  seu art. 9º, VII determina o cancelamento dos débitos  relativos ao  IR que  tenham por base a  renda presumida por meio de arbitramento baseado, exclusivamente, em valores constantes de  extratos ou comprovantes bancários.  Por  fim,  requereu:  o  afastamento  da  imputação  de  embaraço  à  fiscalização;  o  cancelamento da multa de 150%; o cancelamento dos lançamentos de todo o crédito tributário;  o  cancelamento  do  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/CSL  nº  001/2010,  que  determinou  a  exclusão da empresa do SIMPLES; que se obste a continuidade de todos os processos oriundos  da  respectiva  fiscalização  operada  em detrimento  da  empresa;  que,  caso  não  se  acate  a  total  improcedência do Auto de  Infração que se exclua, na  integralidade, os valores de  repasses e  reembolsos  de  despesas;  e,  em  não  sendo  atendido  os  pedidos  anteriores,  que  seja  desclassificada a sistemática de arbitramento do lucro, por uma sistemática de tributação mais  branda e menos gravosa à Impugnante.  DRJ em Porto Alegre exarou Acórdão em 29/04/2011, mantendo a exclusão do  SIMPLES, bem como o crédito tributário exigido (proc. fls. 1453 a 1462).  Quanto ao argumento da contribuinte de que não houve embaraço a fiscalização  a justificar a exclusão do SIMPLES, o colegiado alegou que de acordo com o disposto no art.  14,  II da Lei nº 9.317/97, ocorre a exclusão de ofício quando, após intimação, o contribuinte  deixa  de  fornecer  sem  justificativa  as  informações  atinentes  à  movimentação  financeira  da  empresa.   Portanto,  entendeu que  como a  Impugnante não apresentou  tais  informações  e  chegou até mesmo a afirmar que “mesmo que se solicitasse ao Banco este provavelmente, não  disponibilizaria  ditos  documentos  em  tão  curto  espaço  de  tempo”,  a  Turma  entendeu  que  a  contribuinte  nem  mesmo  chegou  a  solicitar  tais  documentos  às  instituições  financeiras  competentes,  o  que  configuraria  a  negativa  injustificada  apta  a  desencadear  a  exclusão  de  ofício.   O  órgão  julgador  afirmou  que,  a  sistemática  do  arbitramento  foi  utilizada  em  virtude  de  expressa  e  inafastável  previsão  legal.  O  art.  530,  II,  “a”  do  RIR/99  determina  o  arbitramento  quando  a  escrituração  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.  Ressaltou que até mesmo as empresas optantes do SIMPLES deve  registrar as  movimentações  financeiras  e bancárias  (art.  7º,  § 1º,  “b” da Lei nº 9.317/96). Concluiu pela  improcedência da alegação da Postulante de alternância na sistemática SIMPLES/Lucro Real,  como razão para a não escrituração da movimentação bancária nos livros que possuía.   No  que  concerne  à  presunção  de  omissão  de  receita  com  base  em  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada,  a  Turma  asseverou  que  o  agente  fiscal  agiu  de  conformidade com os ditames da lei (art. 42 da Lei nº 9.430/96).   Relatou  que  não  houve  mera  utilização  dos  depósitos  bancários  sem  outros  procedimentos  por  parte  do  agente  fiscal.  Este  intimou  por  mais  de  uma  oportunidade  a  Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 7          6 empresa  a  comprovar  a  origem  dos  depósitos,  diligenciou  junto  aos  bancos  e  clientes  da  fiscalizada  com  o  intuito  de  apurar  tais  valores,  expurgou  os  créditos  indevidos,  montou  planilha demonstrativa dos resultados e ofereceu as mesmas à contribuinte para manifestação.  Analisou  as  explicações  da  contribuinte  e,  motivadamente,  concluiu  pela  não  comprovação.  Oportunizou, ainda, a comprovação do destino dos débitos havidos nas contas e omitidos no  “caixa” e que eram compatíveis com as omissões.   Quanto  aos  documentos  juntados  em  sede  de  Impugnação,  o  órgão  julgador  asseverou que são praticamente os mesmo apreciados pela  fiscalização e que  já haviam sido  considerados pelo fiscal.   A Turma julgadora alertou que, a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é  matéria  de  ônus  probatório,  a  contribuinte  poderia  comprovar  a  origem  e  os  créditos,  afastando­os do montante tributário.  No tocante à aplicação da multa em sua forma qualificada, entendeu o colegiado  pela  correta  cominação.  Afirmou  que  “o  fato  de  não  ter  levado  aos  livros  contábeis  suas  movimentações financeira, por pelo menos, dois anos, já deixa transparecer que houve intenção  de  sonegar  informações  que  levariam  à  tributação  pelo  fisco.  Some­se  a  isso  os  montantes  omitidos, e fica difícil não ver neste quadro a vontade consciente de fugir da tributação”.  Em 06/06/2011, foi interposto Recurso Voluntário (proc. fls. 1475 a 1512).   De  início,  a Recorrente  alegou a  ilegalidade da quebra do  sigilo bancário  sem  autorização judicial.  Concernente à afirmação de embaraço à fiscalização, a Postulante afirmou que o  mesmo  não  ocorreu.  Desde  o  início  da  ação  fiscal,  prontamente  apresentou  todos  os  documentos  que  estavam  em  seu  poder,  só  não  logrou  êxito  quanto  aos  extratos  bancários  mesmo após diversas diligências, tendo em vista o lapso temporal entre os fatos e a requisição.  Entendeu que o mesmo se pode dizer quanto aos contratos firmados entre a contribuinte e seus  clientes.  Aproveitou  a  oportunidade  para  juntar  cópias  dos  contratos  de  prestação  de  serviços de cobrança extrajudicial firmado com VOLKSWAGEM SERVIÇOS S.A., BANCO  VOLKSWAGEM  S.A.  e  VOLKSWAGEM  LEASING  S.A  ARRENDAMENTO  MERCANTIL.  Mais uma vez, a contribuinte alegou que atendeu às requisições que lhe foram  dirigidas  e  apresentou  toda  documentação,  informações  e  justificativas  que  estavam  ao  seu  alcance. No entanto, foram inadmitidas e rejeitadas pelo agente fiscal.   Entendeu  que  a  autoridade  fiscalizadora,  por  sua  interpretação  e  suposição,  enquadrou  parte  da  movimentação  financeira  oriunda  dos  extratos  bancários  das  contas  de  titularidade da Impugnante como omissão de receita por depósitos de origem não comprovada  considerando, de forma indevida, valores transitados em suas contas bancárias de titularidade  de  terceiros,  cujos  valores  não  representam  receitas  efetivas  da  empresa,  mas  valores  pertencentes  a  seus  contratantes,  que  apenas  transitaram  em  suas  contas  bancárias,  como  reembolso de despesas e parte dos repasses de valores cobrados de devedores  inadimplentes,  conforme  objeto  de  seus  negócios  –  serviços  de  cobrança  e,  portanto,  não  passíveis  de  tributação.  Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 8          7 A  Recorrente  alertou  que  a  despeito  do  afirmado  pelo  Relator  do  Acórdão  recorrido, o agente fazendário não aceitou os documentos relativos a reembolsos e repasses por  conta de cobrança.   Ainda neste sentido, comunicou a juntada do contrato de prestação de serviços  celebrado  com  o  Grupo  VOLKSWAGEM,  o  qual  foi  tido  pelo  o  auditor  fiscal  como  inexistente  e,  portanto,  desconsiderados  os  repasses  de  valores  de  cobrança  recebidos  pela  contribuinte.  A Recorrente elencou diversos gastos  efetuados  em nome dos  contratantes,  os  quais o Auditor considerou como receitas da contribuinte. Como documentação comprobatória  menciona os documentos juntados quando da Impugnação e não analisados (mensagens de e­ mails  entre  a  contribuinte  e  o  Banco  Unibanco  e  BV  Financeira  referentes  a  repasses  e  reembolsos  de  despesas,  bem  como  planilhas  e  relatórios  de  reembolsos  de  gastos/custas  de  operacionalização  das  cobranças  efetuados  pela  empresa  em  nome  dos  clientes  durante  o  período  fiscalizado).  Asseverou  que  esses  repasses  e  despesas  não  constam  nos  registros  contábeis da empresa por tratarem­se de importes de operações de terceiros.  Quanto  à  inversão  do  ônus  da  prova prevista no  art.  42  da Lei  nº  9.430/96,  a  Postulante afirmou que há flagrante ofensa ao art. 142 do CTN. Entendeu que  como o CTN  tem status de Lei Complementar, e a Lei nº 9.430/96 é lei ordinária, esta não poderia dispor de  forma diversa da previsto no CTN.   Em verdade,  a  contribuinte  entendeu que o  art.  42 da Lei nº 9.430/96 é  ilegal  como um todo, pois além de modificar o conceito do fato gerador de imposto de renda fixado  no  art.  43  do  CTN,  ao  tributar  a  receita  e  não  a  renda,  também  ofendeu  os  princípios  da  legalidade, segurança jurídica e razoabilidade.   Mais uma vez a contribuinte alegou que a mudança de tributação de SIMPLES  para Lucro Real  justifica algumas falhas que possam ser encontradas em sua escrituração, no  entanto, tais falhas não podem servir de fundamento para a qualificação da multa de ofício.   Afirmou  que  por  orientação  deficiente,  desconhecimento,  interpretou  desnecessária  a  contabilização  de  valores  que  a  ela  não  pertenciam,  e  apenas  considerou  valores de receita efetiva de sua atividade, mas jamais agiu com dolo.  A Postulante foi enfática ao afirmar que não houve negativa de apresentação de  documentos, apenas os extratos bancários não foram apresentados porque não os tinha em sua  posse. Afirmou que por se tratar de operações bancárias realizadas há quase 5 anos, os bancos  não  disponibilizam  tais documentos  no  curto  espaço  de  tempo  aprazado na  intimação  fiscal.  Aduziu  que  não  se  verificou  qualquer  embaraço  a  fiscalização,  bem  como,  inexistiu  circunstância negativa de apresentação de extratos bancários. Destarte, manifestou­se contra a  exclusão do SIMPLES e consequente apuração do lucro por arbitramento.  Por fim, a interessada mais uma vez questionou a validade do lançamento, pois  fundado em “mera presunção de receita, contrariando posições da jurisprudência no sentido de  que a movimentação bancária, por si só, não pode solidar a omissão de rendimentos para fins  de  lançamento  do  IR,  eis  que  os  depósitos  auditados  carecem  de  caracterização  de  renda  absoluta  auferida  pela  empresa,  impedindo  sua  utilização  como  fato  gerador  de  tributos  ou  contribuições”. Observou que a  simples  constatação da existência de depósitos bancários em  conta da fiscalizada não é suficiente para afirmar que houve omissão de receitas, necessário a  Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 9          8 presença  de  outros  elementos  que  atestem  a  ocorrência.  E  semelhante  à  Impugnação,  fez  menção ao art. 9º, VII do Decreto – Lei nº 2.471/88.   É o relatório.  Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 10          9 VOTO  Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora  O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  a  decisão  que  manteve  a  exclusão da contribuinte do SIMPLES, bem como os créditos tributários exigidos.  Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazem­se necessárias algumas  observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF.  A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite  às  instituições  financeiras, por meio de RMF, as  informações pertinentes ao contribuinte  sob  fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei.   A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle  concentrado  de  constitucionalidade  como  em  Recurso  Extraordinário,  estando  ambos  pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal.  De  acordo  com  o  previsto  no  art.  62­A,  §  1º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho ­ RICARF (Portaria MF nº 256/2009),  reconhecida a repercussão geral em sede de  Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser  sobrestados. Confira­se:  Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B. (grifei)  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.   Ocorre  que  desde  23/10/2009,  o  STF  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir:  “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre  Movimentação  Financeira,  diretamente  ao  Fisco,  sem  prévia  autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de  aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência.  Relevância  jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”.  Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre  RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o  Fl. 3850DF CARF MF Processo nº 11080.000107/2010­10  Resolução nº  1101­000.084  S1­C1T1  Fl. 11          10 julgamento  da  repercussão  geral  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  tendo  em  vista  que  cabe  a  este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico.  É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Nara Cristina Takeda Taga ­ Relatora        Fl. 3851DF CARF MF

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Numero do processo: 15504.725051/2015-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
Numero da decisão: 2402-006.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de piso, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa para que seja proferida nova decisão com a análise das demais questões trazidas na impugnação e que não foram objeto do acórdão originário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que negaram provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de piso, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa para que seja proferida nova decisão com a análise das demais questões trazidas na impugnação e que não foram objeto do acórdão originário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que negaram provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.

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2402­006.675  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de outubro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  M. I. MONTREAL INFORMÁTICA S.A.     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005  DOMICÍLIO  TRIBUTÁRIO.  INSTRUMENTO  DO  LANÇAMENTO.  ERRO. VÍCIO FORMAL.  Vício  no  instrumento  do  lançamento,  correspondente  a  erro  no  domicílio  tributário do contribuinte, possui natureza formal.  LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO.  É  de  cinco  anos  o  prazo  para  a  autoridade  tributária  substituir  lançamento  anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar  definitiva a anulação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  ao  recurso  de  ofício  para  anular  a  decisão  de  piso,  restituindo­se  os  autos  à  primeira  instância  administrativa  para  que  seja  proferida  nova  decisão  com  a  análise  das  demais  questões  trazidas  na  impugnação  e  que  não  foram  objeto  do  acórdão  originário.  Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata  Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que negaram provimento ao recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 50 51 /2 01 5- 39 Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.711          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Gregório  Rechmann  Júnior,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Luís  Henrique  Dias  Lima,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Maurício  Nogueira  Righetti e Renata Toratti Cassini.   Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  decisão  de  primeira  instância,  reproduzo o relatório do Acórdão nº 11­52.808, proferido pela Delegacia da Receita Federal de  Julgamento (DRL) de Recife (PE), fls. 2.685 a 2.689:  Trata­se dos Autos de Infração – AI  (fls. 3 a 24) resultantes da  Ação Fiscal promovida junto ao contribuinte acima identificado:  <>  AI  nº  37.389.946­7  (contribuições  previdenciárias  parte  empresa) no valor de R$ 40.303.275,98,   <>  AI  nº  37.389.947­5  (contribuições  previdenciárias  de  segurados) no valor de R$ 16.121.310,26,  Período de apuração: 01/2001 a 05/2005.  Nos  termos  do  relato  fiscal  de  fls.  27  a  70,  o  auditor  autuante  informa  que  a  presente  exigência  se  presta  a  restaurar  a  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  nº  37.004.815­6  (processo  12267.000338/2008­85),  anulada,  por  vício  formal,  conforme Acórdão nº 2301­00.428 de 03/06/2009 – 2ª Seção de  Julgamento  da  3ª  Câmara  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, que decide em consonância com o provimento  judicial do processo nº 2003.51.01022430­0 ­RJ.  Em  novo  julgamento  de  primeira  instância,  realizado  em  30/6/16, a DRJ de Curitiba conclui pelo provimento parcial da  impugnação,  reconhecendo  que  as  contribuições  referentes  ao  período  de  09/1995  a  13/1998  estariam  atingidas  pela  decadência e mantendo o lançamento em relação ao período de  01/1999 a 12/2002.  [...]  A presente exação decorre da verificação fiscal de pagamentos a  segurados caracterizados empregados, tratados como se Pessoas  Jurídicas  fossem.  Foram  detalhados  os  elementos  caracterizadores  da  relação  de  emprego  em  função  dos  contratos de prestação de serviço e das atividades desenvolvidas  pelos prestadores.  Neste  novo  procedimento  fiscalizatório,  a  auditoria  utilizou  as  mesmas bases de cálculo/documentação originalmente utilizadas  na  apuração  em  pauta,  diante  da  recusa  do  contribuinte  em  atender as novas intimações fiscais.  Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.712          3 Cientificado  do  lançamento  em  01/10/2015  (AR  de  f.  2592),  o  interessado apresentou em 03/11/2015 as seguintes razões de fls.  2603 a 2624:  D1­ tempestividade;   D2­  inexistente  a  caracterização  de  vicio  formal  na  decisão  mencionada;  D3­  decadência  do  crédito  lançado,  em  decorrência  de  vício  material no lançamento original, nos termos do CTN artigo 173,  I;  D4­  precária  a  caracterização  de  segurados  empregados,  com  justificativa  insuficiente  para  apenas  algumas  das  pessoas  jurídicas arroladas.  Junta  Acórdãos  do  CARF  relativos  a  vício  material  e  erro  no  domicílio do contribuinte.  Ao julgar a impugnação, a DRJ entendeu que o lançamento estaria acometido  de vício material e não de vício formal, uma vez que a fiscalização teria sido realizada em local  distinto  do  adequado,  trazendo  obstáculo  ao  sujeito  passivo  e  acarretando  o  lançamento  por  aferição  indireta.  Diante  do  vício  material,  informou  que  os  créditos  em  questão  restaram  fulminados pela decadência e não poderiam ser objeto de novo lançamento.  Para  maior  clareza  quanto  à  decisão  a  quo,  transcrevemos  a  ementa  consignada no Acórdão nº 11­52.808:  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  VÍCIO  MATERIAL.  DECADÊNCIA.  Caracterizado, no lançamento original, o cerceamento de defesa  na  realização  de  auditoria  em  endereço  rejeitado,  conforme  pronunciamento  judicial,  é  reconhecida  a  existência  de  vício  material,  devendo  ser  aplicada  a  correspondente  regra  decadencial.  O  normativo  legal  estabelece  que  a  decadência  opere em 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Tendo  em  vista  o  montante  exonerado  de  R$  25.916.796,82,  conforme  demonstrativo abaixo, a DRJ recorreu de ofício da sua decisão, sendo o processo encaminhado  a este Conselho:    É o relatório.    Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.713          4 Voto             Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator.  Do conhecimento  Tendo em vista que o  crédito  exonerado pela decisão de primeira  instância  superou o limite de alçada de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), previsto  na Portaria MF nº 63, de 9/2/17, tomo conhecimento do recurso de ofício.  Da nulidade do primeiro lançamento  Segundo  a  decisão  recorrida,  o  primeiro  lançamento  estaria  eivado  de  nulidade, por vício material, e as competências, em questão, fulminadas pela decadência, nos  seguintes termos:  A  mencionada  decisão  do  CARF  que  anulou  o  lançamento  original,  de  fato,  não  atesta  que  o  vício  foi  considerado  como  formal. Em função de equívoco na determinação do domicilio do  contribuinte,  reconhecido  judicialmente, o  referido Conselho se  convenceu do cerceamento imputado ao contribuinte, razão que  expõe em seu julgado.  Neste  tema,  há  consenso  jurisprudencial  que  o  vício  formal  refere­se  ao  descumprimento  dos  requisitos  estabelecidos  nos  artigos  10  e  11  do  Decreto  70.235/72,  causando  omissão  ou  desatenção das solenidades necessárias à validade do ato.  Ocorre  que  quando  as  referidas  formalidades  atingem  a  materialidade do lançamento é forçoso se reconhecer que houve  contaminação material dos atos. Assim é que parece ter ocorrido  nos  autos:  ao  promover  auditoria  em  local  distinto  daquele  adequado,  a  fiscalização  trouxe  obstáculo  ao  sujeito  passivo  e  acarretou  lançamento,  por  aferição  indireta,  das  bases  de  cálculo devidas. O fundamento da autuação – apuração indireta  por  falta  de  documentos  –­  tem  relação  direta  com  o  vício  no  desenvolvimento  da  auditoria  em  domicílio  inapropriado,  caracterizando  comprometimento  no  lançamento  em  sua  essência.  [...]  Tal entender força o reconhecimento de que as competências do  período  em  tela,  01/2001  a  05/2005,  encontram­se  fulminadas  pela  decadência  qüinqüenal  na  data  de  ciência  do  lançamento  em julgamento: 01/10/2015.  Conforme se extrai da transcrição acima, a decisão recorrida concluiu que o  vício  ensejador  da  anulação  do  lançamento  seria  de  natureza  material,  uma  vez  que  o  procedimento fiscal teria sido realizado em “local distinto” do “adequado”, acarretando, por tal  motivo,  “obstáculo”  ao  contribuinte  quanto  à  apresentação  de  documentos  e  levando  a  fiscalização a proceder ao lançamento por aferição indireta.  Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.714          5 Na ótica da decisão a quo,  o  “desenvolvimento  da  auditoria  em  “domicílio  inapropriado” teria comprometido o “lançamento na sua essência”.  Pois bem, para melhor análise do caso, vejamos, primeiramente, o que restou  consignado  no  item  11.1  e  subitens,  do  relatório  fiscal  referente  ao  lançamento  anulado  (processo 12267.000338/2008­851, fls. 314 e 315):  11.1. No  início  dos  presentes  trabalhos  de Auditoria Fiscal  na  empresa MI Montreal, esta encaminhou em 24/06/2005 ao INSS  um  requerimento,  e  seus  anexos,  protocolado  sob  o  nº  35301.005732/2005­07  (protocolo  geral  da Gerência Executiva  do Rio de Janeiro ­ Centro), informando a Sra. Chefe do Serviço  de  Fiscalização  que  havia  manifesto  equívoco  quanto  à  Autoridade  competente  para  a  determinação  da  fiscalização,  bem como quanto ao seu cumprimento. Justifica a empresa que,  conforme consta no seu contrato social, devidamente registrado  na JUCERJA, sua sede é na Rua Capitão Soares nº 04, em Rio  das  Flores,  Volta  Redonda,  RJ,  sendo  este,  portanto,  seu  domicílio  fiscal,  “sob  jurisdição  da GRAF de Volta Redonda”.  No  referido  requerimento,  e  em  seus  anexos,  a  empresa  MI  Montreal  não  faz  referência  a  nenhuma  ação  judicial,  onde  figure  como  parte  autora,  em  que  se  discute  o  seu  domicílio  tributário. O requerimento,  sem os  seus anexos, encontra­se no  ANEXO  ALTERAÇÃO  DE  DOMICÍLIO  FISCAL  a  este  REFISC.  11.1.1.  Encaminhado  o  Processo  n2  35301.005732/2005­07  (carta  e  seus  anexos)  para Divisão  de  Cobrança  de  Grandes  Devedores da Procuradoria­Geral Federal (Advocacia­Geral da  União),  esta  se  manifestou  conforme  transcrição  abaixo  dos  parágrafos 6, 7 e 9 da resposta proferida contida no Despacho  Nº  17.200.310­DCGD/RJ,  de  18/07/2005,  ANEXO  ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC.  6.  Como  se  vê  do  requerimento  [...]  do  contribuinte,  foi  omitida a existência de ação judicial discutindo a fixação  do domicílio  fiscal do  requerente. Todavia,  da  leitura da  sentença  proferida  na  ação  ordinária  nº  200351010224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio  de  Janeiro  (fls.29/33),  nota­se  que  todos  os  argumentos  apresentados  pela  empresa  já  foram  analisados  e  rejeitados  pelo  Poder  Judiciário,  que  considerou  justificada a recusa do INSS em aceitar o domicílio eleito,  aplicando­se à hipótese o artigo 127, §§ 1º e 2º do Código  Tributário Nacional.  7.  Acrescenta­se,  nesta  oportunidade,  que  o  contribuinte  propôs  a  Medida  Cautelar  Inominada  nº  2005.02.01.005533­7, junto ao Tribunal Regional Federal  da 2º Região, visando à declaração de que o seu domicílio  fiscal é em Rio das Flores/RJ, tendo a petição inicial sido  indeferida, conforme se vê às fls. 34/37.                                                              1 Segue em apenso ao presente processo.  Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.715          6 9. Conclui­se, pois, que o requerimento do contribuinte já  é objeto de demanda  judicial, que  julgou  improcedente a  alteração  do  domicílio  fiscal,  devendo  a  ação  fiscal  proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta  Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes.   11.1.2. A  empresa MI Montreal  foi  notificada  do  despacho  da  Procuradoria  em  29/07/2005,  conforme  ciência  firmada  pelo  representante  legal  da  empresa,  Sr.  Paulo  Sérgio  de  Assumpção,  numa  cópia  do  referido  despacho,  juntada  a  esta  NFLD no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a  este REFISC. Nesta mesma  data  foi  deixado  o  TIAD  nº  2  que  formalizou  o  reinício  dos  trabalhos  de  Auditoria  Fiscal  na  empresa,  conforme  comando  contido  no  despacho  do  Sr.  Delegado  da  Receita  Previdenciária  datado  de  21/07/2005,  reproduzido  no  ANEXO  ALTERAÇÃO  DE  DOMICÍLIO  FISCAL a este REFISC.  (Grifos no original)  Conforme  se  observa,  após  iniciado  o  procedimento  fiscal,  o  contribuinte  apresentou  requerimento  à Gerência Executiva do  INSS,  no Rio  de  Janeiro/RJ,  por meio  do  processo 35301.005732/2005­07, apontando suposto equivoco quanto à autoridade competente  para realizar a fiscalização, informando que seu domicílio seria na Rua Capitão Soares nº 4, em  Rio das Flores, Volta Redonda/RJ.  Em  razão  do  alegado,  a  fiscalização  foi  interrompida  e  o  processo  35301.005732/2005­07  foi  encaminhado  à  Divisão  de  Cobrança  de  Grandes  Devedores  da  Procuradoria­Geral  Federal  (Advocacia­Geral da União),  para manifestação a  respeito,  tendo  este setor da Procuradoria informado quanto à discussão judicial acerca do domicílio tributário  do contribuinte e da sentença proferida na ação ordinária nº 2003.51.01.022430­0, pelo juízo da  19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que confirmou o domicílio na Capital do Rio de Janeiro, na  Rua São José, 90, 7º andar.   O  contribuinte  foi,  então,  cientificado  da  manifestação  da  Procuradoria,  recebendo, na mesma oportunidade, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos  (TIAD) nº 2, que formalizou o reinício da fiscalização.  Insta destacar que o INSS, nos autos da ação ordinária nº 2003.51.01.022430­ 0,  fez  a  devida  demonstração  dos  motivos  pelos  quais  recusou  o  domicílio  eleito  pelo  contribuinte com vistas a proceder à fiscalização na Capital do Rio de Janeiro.   Por  oportuno,  pedimos  venia  para  transcrevermos  o  seguinte  trecho  da  decisão judicial em comento:  M.  I.  MONTREAL  INFORMÁTICA  LTDA.,  qualificada  na  inicial,  ajuíza  a  presente  ação  em  face  do  INSTITUTO  NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, Objetivando a declaração  de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada  na  Rua  Capitão  Jorge  Soares,  nº  4  ­  Rio  das  Flores  ­  RJ.  Postula, ainda, seja determinado que seus  requerimentos  sejam  recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação  e  Fiscalização  de  Volta  Redonda,  ao  qual  o Município  de  Rio  Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.716          7 das  Flores  está  vinculado,  e,  ainda,  que  todos  os  atos  administrativos  praticados  pelo  réu  sejam  provenientes  da  referida Gerência Regional de Volta Redonda.  [...]  O feito está pronto para receber julgamento no estado em que se  encontra, nos termos do artigo 330, I, do CPC.  Algumas considerações introdutórias devem ser feitas. A decisão  que deferiu o pedido de antecipação de tutela, da lavra do ilustre  Dr.  Carlos  Alexandre  Benjamin,  estava  fundada  na  alegação  deduzida na  inicial,  no sentido de que a  sede da autora  estava  fixada  no  Município  de  Rio  das  Flores,  e  tal  assertiva  foi  demonstrada  pela  apresentação  da  última  alteração  contratual  da  sociedade,  na  qual  foi  alterada  a  cláusula  primeira  do  contrato  social  da  autora.  Ali  se  lê  que  sua  sede  social  está  situada em Rio das Flores (cf. fls. 17 e 18 ­ cláusula primeira ­  denominação,  sede  e  filiais).  Tal  constatação,  a  princípio,  autorizava a aplicação do disposto no artigo 127, II, do Código  Tributário Nacional.  Entretanto, ofertada a defesa,  todo o quadro se modificou, pois  tudo  indica que a fixação da sede no Município Rio das Flores  foi  o  meio  encontrado  pela  autora  para  dificultar  a  ação  da  fiscalização. Confira­se excerto da contestação, que transcrevo,  “in verbis”:  Ao revés do noticiado pela Autora, o local onde instalado  a Diretoria,  o  núcleo  decisório  da  empresa,  corresponde  em verdade, à cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José,  90,  grupos  708/9,  como  atesta  a  última  alteração  contratual,  37º,  adunada  pela Autora  às  fls.  15/23,  local  em  que  sediada  até  então.  A  referida  ata  comprova,  igualmente,  que  a  controladora  da  empresa  ­  MISC  PARTICIPAÇÕES  LTDA.,  cláusula  4ª,  fls.  19,  é  sediada  no indigitado endereço.  Igualmente  significativo,  que  a  sede  indicada  no  instrumento  de  Procuração,  de  fls.  13,  outorgada  aos  causídicos signatários da exordial, corresponde à Rua São  José, 90, 7º ao 9º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ.  [...]  A  transferência  do  domicilio  fiscal  de  uma  empresa que,  segundo o preambulo da exordial, fls.02, fora constituída  em  1976,  tendo  por  ramo  de  negócio  serviços  ligados  à  área de  informática, execução de  serviços de  engenharia  de  sistemas,  prestação  de  serviços  de  processamento  de  dados, de planejamento, de consultoria de treinamento, de  impressão  a  laser,  mercancia  de  equipamentos  e  materiais, para o Município de Rio das Flores, no interior  do Estado, local alheio ao da prestação de tais serviços e  distinto  do  em  que  atua  sua  Diretoria,  só  pode  ter  a  conotação de criar embaraço à fiscalização.  Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.717          8 A  Circunstância  de  que  a  Autora  presta  serviços  à  Prefeitura do Rio de Janeiro, Petrobrás, Serviço Federal  de Processamento de Dados  ­  SERPRO, Banco Nacional  de  Desenvolvimento  Econômico  e  Social  ­  BNDES,  Empresa.  Brasileira  de  Correios  e  Telégrafos,  à  toda  evidência, efetuados em local distinto da sede de Rio das  Flores, autoriza o entendimento preconizado pelo Eg. STJ  de que a opção visa, tão só, criar embaraço a fiscalização,  autorizando­se ao  INSS a  recusa do domicílio  eleito.  (cf.  fls.91/93)  Tais  esclarecimentos  modificam  todo  o  quadro  anteriormente  vislumbrado. Mas há mais:  Advirta­se,  ainda,  que  a  agravada  se  constitui  numa  das  maiores devedoras previdenciárias, tendo lançados em seu  desfavor  54  débitos  que  montam  a  R$  42.258.006,27  (quarenta  e dois milhões duzentos  e  cinqüenta  e oito mil  seis  reais  e  vinte  sete  centavos),  conforme  atestam  os  extratos em anexo.  A inconfessada intenção da açodada transferência de sede  pela  Autora,  é  de  refugir  à  atuação  centralizada  da  Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, que só atua  na  capital  do Estado, na  execução  fiscal  dos  indigitados  créditos, que se encontram em fase de iminente julgamento  pelo Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social,  como  atestam os extratos CCREDEXT adunados, que registram  que  a maioria  dos  créditos  aguarda,  tão­só,  a  expedição  de acórdão para inscrição em dívida ativa.  Consoante o disposto no art. 109, §1º, da CRFB/88 e art.  57B  do Código  [...],  as  execuções  fiscais  para  cobrança  dos  referidos  créditos,  deverão  ser  ajuizadas  no  foro  do  domicílio do réu. Assim é de todo interesse da autora, que  seja  reconhecido o domicilio  fiscal como Rio das Flores,  em cuja circunscrição deverão ser ajuizados os executivos  atinentes  aos  créditos  que  montam  a  mais  de  R$  40  MILHÕES  de  reais,  refugindo  ao  âmbito  de  atuação  da  Divisão  de  Grandes  Devedores  e,  obviando  a  efetiva  cobrança judicial, dado que não dispõe de patrimônio na  comarca,  ensejando  a  expedição  de  cartas  precatórias,  para  ordinária  necessidade  de  garantia  do  juízo.  (grifos  originais ­ cf. fls.93)  Em  síntese,  tais  informações  do  INSS  ­  no  sentido  de  que  a  intenção  da  autora,  ao  transferir  sua  sede  de  local  situado  no  Centro  do  Rio  de  Janeiro  (onde  passou  a  funcionar  suposta  filial)  ­  para  município  no  interior  do  Estado,  foi  impedir  a  atuação  da  Divisão  de  Grandes  Devedores,  que  só  atua  na  capital,  dificultando  a  fiscalização  e  arrecadação  tributária  ­  estão  amparadas  em  farta  documentação  acostada  aos  autos  (confira­se, especialmente, a diligência autuada em fls.113/114,  no  qual  foi  constado  que  no  local,  indicado  como  sede  da  sociedade, não havia qualquer  representante  legal, mas apenas  Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.718          9 uma  secretária,  e  o  local  é  guarnecido  com  aparelho  de  fac­ símile, e estantes com caixas de arquivos).  Portanto, justificada está a recusa do INSS a aceitar o domicilio  eleito, e tal postura tem amparo no disposto no artigo 127, §§ 1º  e 2º do Código Tributário Nacional.  Sendo assim, o pedido é de ser julgado improcedente.  II  Do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO.  (Grifos no original)  Portanto,  como  se  pode  ver,  além  da  recusa  do  domicílio  eleito  ter  sido  plenamente  justificada  pela  autoridade  tributária,  esteve  devidamente  amparada  pela  Justiça  Federal, quando da realização do procedimento fiscal.  Lembrando que a recusa do domicílio eleito encontra fundamento no art. 127,  §§ 1º e 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66:  Art. 127. Na  falta de  eleição, pelo contribuinte ou  responsável,  de  domicílio  tributário,  na  forma  da  legislação  aplicável,  considera­se como tal:  [...]  §  1º  Quando  não  couber  a  aplicação  das  regras  fixadas  em  qualquer  dos  incisos  deste  artigo,  considerar­se­á  como  domicílio  tributário  do  contribuinte  ou  responsável  o  lugar  da  situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram  origem à obrigação.  § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito,  quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização  do tributo, aplicando­se então a regra do parágrafo anterior.  Dessa  forma,  restou  consignado  em  todos  os  Termos  de  Intimação  para  Apresentação de Documentos (TIADs), como endereço para disponibilização de documentos e  informação, a Rua São José, nº 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, conforme se observa  no seguinte excerto do TIAD nº 11, constante do processo 12267.000338/2008­85, fls. 152 e  153:  A  documentação  assinalada,  relativa  ao  período  de  01/2001  a  05/2005,  e  a  todos  os  estabelecimentos  da  empresa,  inclusive  obras  de  construção  civil,  deverá  ficar  à  disposição  desta  Fiscalização,  no  endereço  RUA  SAO  JOSE N.  90  ­  7  ANDAR,  CENTRO, RIO DE JANEIRO ­ RJ, a partir de 28/11/2005 às 10  horas  e  00  minutos,  e  durante  todo  o  desenvolvimento  do  procedimento fiscal. A referida documentação deverá, ainda, ser  liberada  com  vistas  à  extração  de  cópias  reprográficas,  destinadas  à  instrução  processual,  podendo,  também,  o  sujeito  passivo,  se  preferir,  fornecer  as  cópias  que  se  fizerem  necessárias.  Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.719          10 (Grifos no original)  Pois bem,  compulsando os  autos do processo 12267.000338/2008­85, nota­ se,  claramente,  que  após  ter  sido  superada  a  questão  quanto  ao  domicílio  tributário,  o  procedimento fiscal transcorreu normalmente, tendo a empresa fornecido diversos documentos  solicitados  pela  fiscalização.  Todavia,  pela  não  apresentação  de  parte  da  documentação  solicitada  e  valendo­se  da  prerrogativa prevista  no  art.  33,  §  3º,  da Lei  8.212,  de  24/7/91,  a  fiscalização procedeu à apuração das bases de cálculo, das contribuições lançadas, por aferição  indireta.  Insta destacar que na fase preparatória do lançamento, que corresponde a uma  fase inquisitória, a fiscalização atua com amplos poderes de investigação, tendo liberdade para  interpretar os elementos de que dispõe, com vistas a efetuar o lançamento. Portanto, não há que  se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal.  O que se desenvolve nessa fase é um “procedimento preparatório do ato de  lançamento  tributário”  2,  no  qual  a  fiscalização  coleta  os  elementos  capazes  de  justificar  a  exação consubstanciada no lançamento.  Finalizada  essa  etapa  e  consolidado  o  lançamento,  deste  é  dado  ciência  ao  contribuinte para que  efetue o pagamento dos  créditos  lançados ou para  que apresente  a  sua  defesa  (impugnação),  momento  em  que  se  instala  o  contencioso  administrativo,  segundo  previsto no art. 14 do Decreto 70.235, de 6/3/72.  Importa ressaltar que o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição  indireta,  corresponde,  tão  somente,  a  uma  técnica  de  auditoria  empregada  para  se  apurar  o  montante das contribuições devidas na fase preparatória do lançamento, com inversão do ônus  da prova ao contribuinte. Dessa forma, uma vez que o  lançamento, devidamente motivado, é  ato  administrativo  que  goza  do  atributo  de  presunção  relativa  de  legalidade  e  veracidade,  cumpre ao contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e  inequívoca em contrário,  essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972).  De  mais  a  mais,  conforme  se  depreende  dos  autos,  tanto  do  lançamento  anulado (12267.000338/2008­85), quanto do lançamento substitutivo (15504.725051/2015­39),  o  relatório  fiscal  e  seus  anexos  são  perfeitamente  compreensíveis,  estando  devidamente  motivado  o  lançamento  e  cumprindo  todas  as  formalidades  essenciais  relacionadas  à  sua  lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das  contribuições devidas  e dos períodos  a que se  referem; o valor do  crédito  lançado e o prazo  para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura dos Auditores­ Fiscais, a  indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do  art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN).  Nesse  contexto,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa,  máxime  quando  há  nos  autos  prova  de  que  o  contribuinte  foi  regularmente  cientificado  da  exação  tributária,  tendo  tido  acesso  a  todas  as  informações  necessárias  para  elaborar  a  sua  defesa.  Tanto  foi  possível  o  pleno  exercício  do  direito  de  defesa  que  utilizou  dessa  prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos  formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa.                                                              2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro. São Paulo: Editora Dialética, 2002, p. 260.  Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.720          11 Além do mais, no caso em tela, não entendemos que a fiscalização realizada  em  estabelecimento  da  empresa,  situado  na  Capital  do  Rio  de  Janeiro,  tenha  representado  “obstáculo  ao  sujeito  passivo”  e  provocado  “contaminação  material  dos  atos”,  segundo  aventado na decisão recorrida.  Sem  sobra  de  dúvida,  a  fiscalização  foi  realizada  em  estabelecimento  importante  da  empresa,  quiçá  em  estabelecimento  com  status  material  de  sede,  situado  em  localidade onde, seguramente, na época da ação fiscal, a empresa possuía o maior número de  clientes e negócios no estado, sendo um de seus clientes, inclusive, a própria Prefeitura do Rio  de Janeiro. Isso sem mencionar o fato de que, segundo a 37ª alteração contratual da empresa3, a  sua Diretoria esteve instalada na Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9,  endereço  no  qual,  aliás,  encontrava­se  sediada  a  MISC  PARTICIPAÇÕES  LTDA.,  sua  controladora.  Acrescente­se que no papel timbrado da empresa, no qual foi comunicado à  fiscalização  sobre  o  seu  domicilio  eleito,  no  início  do  procedimento  fiscal  (processo  12267.000338/2008­85, fls. 940 a 948), consta, em seu rodapé, endereço na Cidade do Rio de  Janeiro  e  não  na  Cidade  de  Rio  das  Flores,  o  que  só  vem  a  corroborar  a  importância  do  estabelecimento situado na capital do Estado:    Ademais,  se  parte  da  documentação  solicitada  pela  fiscalização  esteve  arquivada no Município de Rio das Flores/RJ, cabia à  empresa  transferir  essa documentação  para o seu estabelecimento situado na Cidade Rio de Janeiro/RJ, a fim de atender aos termos de  intimação. Lembrando que o procedimento fiscal durou mais de um ano, ou seja, de 30/5/05  (MPF4) a 24/8/06 (TEAF5)  Cabe destacar,  inclusive,  que  em  seu  primeiro  recurso  voluntário  (processo  12267.000338/2008­85, fls. 2.905 a 2.954), o contribuinte não fez qualquer alegação quanto ao  seu  domicílio  tributário  e  nem  apontou  qualquer  dificuldade  quanto  ao  fornecimento  de  documentos.   E não é só, quando do segundo procedimento  fiscal,  realizado na cidade de  localização do novo domicílio tributário eleito pelo contribuinte, situado na Avenida Professor  Magalhães Penido, 77, Aeroporto, Belo Horizonte/MG, conforme Estatuto Social Consolidado  de  27/11/12,  não  foram  apresentados  os  documentos  solicitados,  levando  a  fiscalização  à  proceder ao lançamento substitutivo com base nos documentos e esclarecimentos constantes do  processo 12267.000338/2008­85. Vide o seguinte excerto do relatório fiscal, fls. 27 a 70:  14.  Os  documentos  necessários  à  execução  desta  fiscalização  foram  solicitados  primeiramente  a  partir  do  TIPF  –  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  emitido  em  19/08/2014  com  ciência pessoal do contribuinte em 25/08/2014. Como a empresa  não  apresentou  os  documentos  solicitados,  efetuamos  nova                                                              3  Informação  extraída  da  sentença  proferida  nos  autos  ação  ordinária  nº  2003.51.01.022430­0,  cujo  excerto  foi  transcrito neste voto.  4 Mandado de Procedimento Fiscal constante do processo 12267.000338/2008­85, fl. 36.   5 Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante do processo 12267.000338/2008­85, fls. 284 a 287.  Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.721          12 intimação  através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  01  dando,  novamente,  oportunidade  para  a  empresa  apresentar  os  documentos  e  esclarecimentos  necessários.  O  Termo  de  Intimação  Fiscal  01  foi  emitido  em  05/12/2014  com  ciência  através de Aviso de Recebimento (AR) em 11/12/2014.  15. Em resposta aos Termos de Intimação, a empresa apresentou  ofícios  (doc  anexos)  e  cópias  de  acórdãos  proferidos  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  em  processos  distintos  dos  que  estão  sendo  substituídos  na  presente  ação  fiscal.  Destacamos  que  as  decisões  proferidas  pelo  CARF  em  cada  processo  são  autônomas  e,  portanto,  as  decisões  citadas  pela  empresa  não  alcançam  os  processos  que  estão  sendo  substituídos nesta ação fiscal.  16.  Tendo  em  vista  a  não  apresentação  dos  documentos  solicitados  por  esta  fiscalização,  o  presente  crédito  foi  constituído  com  base  nos  documentos  e  esclarecimentos  constantes  do  processo  12267.0000338/2008­85  (substituído),  resultante da fiscalização autorizada pelo MPF n° 09241334.  17. Desta forma,  foram considerados os documentos apensados  aos autos pelo contribuinte, em seu Recurso Voluntário, estando  o  demonstrativo  da  revisão  nos  valores  do  crédito  objeto  deste  Auto  de  Infração,  em  consequência  dos  novos  elementos  de  prova no ANEXO XIX.  18.  Portanto,  na  emissão  destes  autos,  foram  consideradas  as  revisões efetuadas nos valores apurados na NFLD 37.004.815­6,  conforme demonstrado nos anexos XIX e XXV.  19.  Sendo  assim,  nestes  autos  de  infração  restaram  apenas  aqueles  lançamentos  para  os  quais  a  empresa  não  conseguiu  comprovar  a  inexistência  da  relação  empregatícia  entre  os  sócios das empresas prestadoras de serviço e a MI MONTREAL.  20.  Logo,  esses  valores  estão  sendo  considerados  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  encontram­se  discriminados no anexo “Relatório de Lançamentos – RL.  (Grifos no original)   Em  face  da  revisão  para  menor  dos  valores  lançados,  temos  o  seguinte  comparativo entre os valores originais e os valores constantes do lançamento substitutivo:    Ora,  se  o  novo  lançamento  foi  realizado  no  domicilio  tributário  eleito  pelo  contribuinte,  a  não  apresentação  dos  documentos  permite  duas  conclusões:  (i)  ou  a  empresa  não possui os documentos e por isso já não os apresentou quando da primeira fiscalização, (ii)  ou possui os documentos e estes fazem prova a favor do lançamento, ou seja, seriam essas as  reais razões para a não apresentação dos documentos e não o domicilio tributário.  Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.722          13 Sendo assim, diante de  todo o exposto, não vislumbramos qualquer  erro de  direito ou qualquer mácula na essência do  lançamento fiscal capaz de ensejar a sua anulação  por vício material.  Todavia, tendo em vista que o lançamento foi anulado pelo CARF, de ofício,  uma vez que a decisão  judicial que havia acatado a  recusa do domicílio  tributário eleito  fora  reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2007,  reconhecendo o domicílio  do contribuinte no município de Rio das Flores/RJ, no muito, o quadro aponta para um erro de  fato  no  instrumento  do  lançamento,  passível  de  caracterizar  vício  formal.  Nessa  linha  é  a  Solução de Consulta Interna nº 8, de 2013, da Coordenação­Geral de Tributação da Secretaria  da Receita Federal do Brasil (RFB):  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ANULAÇÃO.  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  VÍCIO  FORMAL  OU MATERIAL.  Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não  prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato  de lançamento.  A  ocorrência  de  defeito  no  instrumento  do  lançamento  que  configure  erro  de  fato  é  convalidável  e,  por  isso,  anulável  por  vício formal.  Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra­ matriz  de  incidência  que  configure  erro  de  direito  é  vício  material.  Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto nº 70.235, de  1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II,  da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN).  Segue esse entendimento, também, o Parecer PGFN/CAT nº 278/2014:  LANÇAMENTO.  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  DA  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  NATUREZA  DO  DEFEITO.  POSSIBILIDADE  DE  CARACTERIZAÇÃO  DE  VÍCIO  FORMAL  OU  MATERIAL.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE DO CASO CONCRETO.   I  ­  O  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  quando  do  lançamento,  pode  caracterizar  tanto  um  vício  material  quanto  formal,  a  depender  do  caso  concreto,  não  se  podendo  afirmar,  aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra.   II  ­  Se  o  equívoco  se  der  na  “identificação  material  ou  substancial”  (art.  142  do  CTN),  o  vício  será  de  cunho  “material”,  por  “erro  de  direito”,  já  que  decorrente  da  incorreção  dos  critérios  e  conceitos  jurídicos  que  fundamentaram  a  prática  do  ato.  Por  outro  lado,  se  o  engano  residir  na  “identificação  formal  ou  instrumental”  (art.  10  do  Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”,  eis  que  provenientes  de  “erro  de  fato”,  hipótese  em  que  se  afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II,  do CTN.  Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 15504.725051/2015­39  Acórdão n.º 2402­006.675  S2­C4T2  Fl. 2.723          14 Convém  observar,  ainda,  que  a  autoridade  tributária,  antes  de  proceder  à  realização  do  lançamento  substitutivo,  agiu  com  diligência,  buscando  se  certificar  quanto  à  natureza do vício que levou à anulação do lançamento original, segundo se extrai no parágrafo  12 do relatório fiscal, fl. 30:  12. Ressaltamos que em consulta  formulada à Procuradoria da  Fazenda  Nacional  no  Rio  de  Janeiro  –  PFN  (Procuradoria  Seccional em Volta Redonda) pela Delegacia da Receita Federal  em Volta Redonda, a douta Procuradoria esclareceu que se trata  de  vício  formal  quando  “o  procedimento  fiscal  é  realizado  em  domicílio  diverso  do  eleito  pelo  contribuinte”,  conforme  demonstrado no ANEXO XXII.   Portanto, ao contrário da decisão a quo, não restou evidenciada a ocorrência  de vício material no lançamento anulado e, por conseguinte, tem­se por correta a realização do  lançamento substitutivo, nos  termos do art. 173,  inciso  II, do CTN, uma vez que os créditos  lançados não foram atingidos pela decadência.  Conclusão  Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para anular a  decisão  a  quo,  restituindo­se  os  autos  à  primeira  instancia  administrativa,  para  que  seja  proferida nova decisão, com a análise das demais questões trazidas na impugnação e que não  foram objeto do acórdão originário.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                              Fl. 2723DF CARF MF

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