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5295451 #
Numero do processo: 10783.721080/2011-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 GFIP. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Legislação. A falta de demonstração das omissões ou incorreções caracteriza vício material. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. DISCRIMINAÇÃO O documento DAL- Diferença de Acréscimos Legais detalha os fatos que motivaram o lançamento. O acórdão não precisava reescrever o que já estava discriminado nos documentos que compõe o lançamento. ADICIONAL DE RISCO. TRIBUTAÇÃO. O conceito de salário-de-contribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. CONVENÇÕES COLETIVAS. Convenções e acordos coletivos têm eficácia normativa limitada às categorias ou pessoas convenentes ou acordantes, não podendo essa eficácia ser estendida ao Fisco. FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, I e §9 º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. DISTRIBUIR LUCROS TENDO DÉBITO NÃO GARANTIDO. Sujeita-se a multa a empresa que distribuir quaisquer bonificações a seus acionistas ou der ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou cotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos, enquanto estiver em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição.
Numero da decisão: 2403-002.320
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o afastamento do lançamento identificado pelo DEBCAD 37.309.817-0, por falta de demonstração, pelo fisco, de qual informação ficou omissa ou incorreta na GFIP, o que caracteriza vício material. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 Convenções e acordos coletivos têm eficácia normativa limitada às categorias  ou  pessoas  convenentes  ou  acordantes,  não  podendo  essa  eficácia  ser  estendida ao Fisco.  FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO.  Constitui  infração,  punível  na  forma  da  Lei,  deixar  de  preparar  folha(s)  de  pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões  e  normas  estabelecidos,  conforme  disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, I e §9 º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo  Decreto  3.048/1999.  DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO.  Constitui­se  infração  deixar  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos determinadas pela legislação.  DISTRIBUIR LUCROS TENDO DÉBITO NÃO GARANTIDO.  Sujeita­se  a  multa  a  empresa  que  distribuir  quaisquer  bonificações  a  seus  acionistas ou der ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou cotistas,  bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou  consultivos, enquanto estiver em débito, não garantido, para com a União e  suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento  de imposto, taxa ou contribuição.      Recurso Voluntário provido em Parte    Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  determinando  o  afastamento  do  lançamento  identificado  pelo  DEBCAD  37.309.817­0,  por  falta  de  demonstração,  pelo  fisco,  de  qual  informação  ficou  omissa ou incorreta na GFIP, o que caracteriza vício material.    Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator    Participaram do presente  julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees  Stringari,  Jhonatas Ribeiro  da Silva, Marcelo Freitas  de Souza Costa,  Ivacir  Julio  de Souza,  Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 3          3   Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 12­53.845  da 11ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. Abaixo apresento a ementa.    PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendêlas  necessárias,  indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  DECLARAÇÃO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO.  Incabível  a  nulidade  quando  o  crédito  tributário  apurado  foi  devidamente  motivado,  apresentandose  o  documento  lavrado  dentro das determinações legais vigentes.  TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar,  executar,  acompanhar  e  avaliar  as  atividades  relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades e fundos.  ADICIONAL DE RISCO. TRIBUTAÇÃO.  Todos os  rendimentos pagos,  devidos ou creditados a qualquer  título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer  que seja a sua forma, são considerados salário de contribuição.  Em  não  se  incluindo  nas  hipóteses  excludentes  da  incidência,  previstas  no  §  9º,  do  artigo  28,  da  Lei  8.212/91,  é  cabível  a  tributação.  CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS.  As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes,  não podem se opor à Fazenda Pública.  MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  será  aplicada  a  multa  de  75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença  de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata.  ACRÉSCIMOS  LEGAIS.  MULTA  DE  MORA.  JUROS  DE  MORA. TAXA SELIC.  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 4          5 Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, sendo estes  cobrados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e  de Custódia, SELIC.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  GFIP.  OMISSÃO  DE  FATOS  GERADORES  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  (CFL 78)  Constitui  infração  a  empresa  apresentar  a  GFIP  com  informações  incorretas  ou  omissas,  conforme  previsto  na  lei  8.212/91,  art.32A,  inciso  II,  acrescentado  pela  MP  449,  de  04/12/2008.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  OBRIGATORIEDADE  DE  PREPARAR  FOLHA  DE  PAGAMENTO  DE  ACORDO  COM  AS  NORMAS  ESTABELECIDAS  PELOS  ÓRGÃOS  COMPETENTES.  (CFL  30)  Deixar  a  empresa  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo  órgão  competente  da  Seguridade  Social,  constitui  infração  ao  artigo 32,  inciso  I da Lei nº 8212/91, c/c artigo 225,  inciso  I e  parágrafo  9º  do  Regulamento  da  Previdência  Social  RPS,  aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS.  EMPRESAS EM DÉBITO NÃO GARANTIDO COM A UNIÃO.  (CFL 52)  Constitui  infração  dar  ou  atribuir  participação  de  lucros  a  sócios  ou  quotistas,  bem  como  a  seus  diretores  e  demais  membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos, ainda que  a  título  de  adiantamento,  estando  a  empresa  em  débito  não  garantido com a União.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  NÃO  ARRECADAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  DEVIDAS  PELOS  SEGURADOS  EMPREGADOS,  MEDIANTE  O  DESCONTO  DAS REMUNERAÇÕES.  (CFL 59)  Constitui  infração  deixar  a  empresa  de  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  a  seu  serviço,  descontandoas da respectiva remuneração.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE  FORO  INADEQUADO.  O  foro  administrativo  é  inadequado  para  discussões  de  inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas, eis que cabe  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 à Administração Pública o estrito cumprimento das normas em  vigor.    Abaixo discriminação dos créditos mantidos e mantidos em parte:    DEBCAD  37.309.815­4  (DAL)  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  TOTALMENTE MANTIDO;   DEBCAD  37.309.816­2  (TERCEIROS)  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO MANTIDO EM PARTE,  conforme DADR  em  anexo, no valor originário de R$ 22.457,04 (era R$ 62.412,20),  a ser acrescido dos encargos moratórios cabíveis;   DEBCAD  37.309.817­0  (AI  78)  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  MANTIDO EM PARTE, conforme DADR em anexo, no valor  de R$ 500,00 (era R$ 63.734,00);   DEBCAD  37.309.818­9  (AI  30)  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  TOTALMENTE MANTIDO;   DEBCAD  37.309.819­7  (AI  52)  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  TOTALMENTE MANTIDO;   DEBCAD  37.309.821­9  (AI  59)  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  TOTALMENTE MANTIDO.    A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão  recorrido:    Do Lançamento   O  presente  crédito  tributário  refere­se  a  contribuições  sociais  previdenciárias,  tendo  sido  lançado  pela  fiscalização  em  nome  do  sujeito  passivo  acima  identificado, conforme segue abaixo descrito.  2. Autos de Infração da obrigação tributária principal:  a) DEBCAD 37.309.815­4 refere­se aos acréscimos legais  de  contribuições  recolhidas  em  atraso,  tendo  sido  consolidado em 30/03/2011, no valor atualizado de R$  52.800,17 e é relativo ao período de 02/2009 a 02/2010.  b) DEBCAD  37.309.816­2  refere­se  às  contribuições  da  empresa  para  outras  entidades,  quais  sejam:  FNDE  (SalárioEducação),  INCRA,  SESC,  SENAC  e  SEBRAE,  tendo  sido  consolidado  em  30/03/2011,  no  valor  atualizado  de  R$  62.412,20,  que  acrescido  dos  encargos  moratórios  totaliza  a  quantia  de  R$  109.695,10 e é relativo ao período de 01/2008 a 12/2009.  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 5          7 3. De acordo com o Relatório Fiscal:  3.1. Os autos de  infração sobre a obrigação tributária  principal  referem­se  aos  lançamentos  dos  débitos  apurados na empresa através da ação fiscal realizada,  os  quais  se  constituem  de  contribuições  previdenciárias e contribuições para Outras Entidades.  3.2. Observa­se que as contribuições patronais  foram  lançadas  no  DEBCAD  37.309.814­6  e  encontra­se  constituído em outro nº de COMPROT, qual seja o de  nº 10783.722348/2011­14.  3.3. Para fins de cobrança, o objeto da presente autuação  trata  somente  das  contribuições  que  não  estavam  declaradas em GFIP na data de  início (20/09/10) da ação  fiscal.  3.4. Os fatos geradores das contribuições lançadas no  AI  37.309.816­2  (terceiros)  foram  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados.  Os  dados  referentes  aos  segurados  empregados  foram  obtidos  dos  arquivos  digitais  das  folhas  de  pagamentos  fornecidas pela empresa.  3.5.  Além  dos  valores  informados  nas  folhas  de  pagamentos,  foram  lançados  também,  como  salários  de contribuição, valores correspondentes a diferenças  de  horas  extras,  obtidos  da  escrituração  contábil,  conforme demonstrado no Relatório Fiscal.  3.6.  Foram  lançados,  ainda,  valores  pagos  a  título  de  “adicional  de  risco”,  referentes  ao  período  de  08  a  12/2008,  rubricas 7, 604 e 605 da tabela de rubricas da empresa. Nesse  período a empresa considerou essa verba como sem incidência  de  contribuição  previdenciária,  indevidamente.  A  partir  de  01/2009  a  empresa  passou  a  fazer  incidir  a  contribuição  patronal  sobre  essa  rubrica,  mas  não  efetuou  o  desconto  da  contribuição  dos  segurados  incidente  sobre  a  mesma.  O  desconto foi apurado na ação fiscal de acordo com a faixa de  remuneração  de  cada  segurado,  abrangendo  o  período  de  08/2008 a 06/2009.  3.7. Os dados referentes aos sócios  foram obtidos dos arquivos  digitais das folhas de pagamentos.  3.8.  Os  salários  de  contribuição  dos  prestadores  de  serviço  foram obtidos da escrituração contábil, conforme demonstrativo  apresentado  anexo.  A  contribuição  devida  por  esses  segurados  foi  calculada como 11%  (onze por cento) do  respectivo salário  de contribuição, limitada ao teto.  3.9. As GFIPs que estavam em vigor na data de início da ação  fiscal  foram  emitidas  pela  empresa  e  enviadas  para  o  órgão  receptor  em  21/06/2010,  exceto  as  de  13/2008  e  13/2009,  que  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8 foram  enviadas  em  15/01/2009  e  18/01/2010,  respectivamente.  3.10. Os  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  antes  do  início  da  ação  fiscal  foram  devidamente  deduzidos  das  contribuições  apuradas. Foram também lançados a crédito do contribuinte os  valores das retenções de 11% (onze por cento) da Lei 9.711/98,  incidentes sobre os valores dos serviços prestados pela Vigserv,  valores  esses  destacados  nas  notas  fiscais  emitidas  pelo  contribuinte fiscalizado.  3.11. O Relatório Fiscal demonstra através de planilha as GFIPs  utilizadas no lançamento.  3.12. Com relação ao AI 37.309.815­4  (acréscimos  legais),  diz  respeito  a  acréscimos  legais  de  recolhimentos  efetuados,  acréscimos esses que não foram recolhidos quando da quitação  em  atraso  das  respectivas  contribuições,  sendo  relativo  às  competências 13/2008 e 13/2009.  4. Autos de Infração da obrigação tributária acessória:  a) DEBCAD 37.309.817­0 (AI 78) refere­se a omissões de  informações na GFIP, lavrado em 30/03/2011, no valor de  R$ 63.734,00.  b) DEBCAD 37.309.818­9  (AI 30)  refere­se a omissões e  incorreções  nas  folhas  de  pagamentos  de  segurados,  lavrado em 30/03/2011, no valor de R$ 3.047,14.  c) DEBCAD 37.309.819­7 (AI 52) refere­se à distribuição  de  lucro  estando  em  débito  com  a  Previdência  Social,  lavrado em 30/03/2011, no valor de R$90.278,16.  d) DEBCAD 37.309.821­9 (AI 59) refere­se à omissão de  desconto  de  contribuição  previdenciária  de  segurados,  lavrado em 30/03/2011, no valor de R$ 3.047,14.  5. De acordo com o Relatório Fiscal:  5.1. DEBCAD 37.309.817­0 (AI 78)  5.1.1.  Foi  lavrada  a  presente  autuação  utilizando­se  as GFIPs  emitidas  em  21/06/2010,  as  quais  substituíram  as  Guias  originais,  referentes  ao  período  de  01/2008  a  12/2009,  excetuando­se as guias de 13º/2008 e 13º/2009. A empresa alega  que as GFIPs retificadoras emitidas em 21/06/2010, não  foram  emitidas  pela  Vigserv  e  sim  por  outra  empresa,  sem  o  seu  conhecimento.  A  Vigserv  protocolou  requerimento  na  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB  em  24/09/2010,  após  iniciada  a  ação  fiscal,  o  que  ocorreu  em  20/09/2010,  solicitando  o  cancelamento dessas GFIP retificadoras.  5.1.2.  Nas  guias  substitutas  foi  informado,  em  quase  todas,  apenas um trabalhador, sendo que em três competências foram  informados dois  trabalhadores,  ao passo que a  empresa possui  mais de mil trabalhadores.  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 6          9 5.1.3.  O  objeto  da  presente  autuação  abrange  somente  as  contribuições que não estavam declaradas na GFIP na data de  início  da  ação  fiscal  (29/10/2010).  Não  foram  lançados  eventuais  débitos  que  estavam  declarados  em  GFIP,  à  época.  Assim  sendo,  ao  deixar  de  prestar  informações  na  GFIP,  foi  lavrada a autuação.  5.1.4.  Os  dados  das  folhas  de  pagamentos  e  da  contabilidade  foram obtidos dos  respectivos arquivos digitais  fornecidos pela  empresa.  5.1.5. Este auto de infração totalizou o valor de R$ 63.734,00.  5.2. DEBCAD 37.309.818­9 (AI 30)  5.2.1.  Ao  elaborar  suas  folhas  de  pagamento  de  empregados  o  contribuinte  não  incluiu  na  relação  de  proventos  os  valores  correspondentes  à  totalidade  das  horas  extras  realizadas,  mas  apenas uma parte delas. Esta apuração  foi  realizada com base  na escrituração contábil da empresa.  5.2.2.  Além  disto,  a  empresa  deixou  de  informar  na  Folha  o  valor do desconto da contribuição de segurados incidente sobre  os valores pagos a título de “adicional de risco”, rubricas 604,  605 e 7, da tabela de rubricas da empresa, referentes ao período  de 08/2008 a 06/2009.  5.2.3.  No  período  de  08  a  12/2008  a  empresa  considerou  essa  verba  como  sem  incidência  da  contribuição  previdenciária,  indevidamente,  entretanto.  Nesse  período  o  contribuinte  não  contabilizou nem a contribuição patronal nem a dos segurados,  incidentes  sobre  essa  rubrica.  A  partir  de  01/2009  a  empresa  passou a  fazer  incidir a  contribuição patronal  sobre a  rubrica,  mas não efetuou o desconto da contribuição dos segurados. Além  disso, relativamente aos lançamentos nas folhas de pagamentos,  a empresa deixou de incluir na Folha os prestadores de serviço  sem vínculo empregatício, conforme determina o artigo 225, I e  § 9º do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social –  RPS.  5.2.4. Assim, ao  infringir a  legislação, elaborando as  folhas de  pagamentos  em  desconformidade  com  os  dispositivos  que  normatizam o assunto, o contribuinte deu causa à  lavratura da  autuação. Os dados das folhas de pagamentos e da contabilidade  foram obtidos dos  respectivos arquivos digitais  fornecidos pela  empresa.  5.2.5. Este auto de infração totalizou o valor de R$ 3.047,14.  5.3. DEBCAD 37.309.819­7 (AI 52)  5.3.1.  Trata­se  de  infração  à  legislação  previdenciária  caracterizada  pela  distribuição  de  lucro  a  sócio,  estando  a  empresa em débito com a Previdência Social.  5.3.2. O débito da  empresa que deu causa à  lavratura do Auto  em  epígrafe  foi  a  falta  de  recolhimento,  no  prazo  legal,  da  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   10 contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  décimo  terceiro  salário  do  exercício  de  2008.  A  auditoria  apresenta  planilha  demonstrativa dos recolhimentos efetuados.  5.3.3. Ao mesmo tempo em que a empresa esteve inadimplente no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  não  deixou  de  distribuir  lucro  ao  seu  sócio Marcos  Félix  Loureiro,  conforme  lançamentos  contábeis  nas  contas  110221000001,  intitulada  “Marcos  Felix  Loureiro”,  e  1069,  intitulada  “Antecipação  de  lucros”, referentes ao período de 23/12/2008 a 28/03/2009.  5.3.4. O  total de  lucro distribuído no período em apreço  foi de  R$180.556,31.  Os  lançamentos  efetuados  encontramse  nos  Livros Diário nº 26 e 27. Os dados das folhas de pagamentos e  da contabilidade foram obtidos dos arquivos digitais fornecidos  pela empresa.  5.3.5. Este auto de infração totalizou o valor de R$ 90.278,16.  5.4. DEBCAD 37.309.821­9 (AI 59)  5.4.1.  Ao  elaborar  suas  folhas  de  pagamento  de  empregados  o  contribuinte  não  incluiu  na  relação  de  proventos  os  valores  correspondentes  à  totalidade  das  horas  extras  realizadas,  mas  apenas  uma  parte  delas.  Sobre  esses  valores,  ou  seja,  da  diferença entre o total de horas extras lançadas na contabilidade  e  o  lançado  na Folha,  a  empresa  não  efetuou  os  descontos  da  contribuição previdenciária dos empregados.  5.4.2.  Também  houve  uma  outra  verba  em  que  a  empresa  não  efetuou o desconto da contribuição dos empregados: o adicional  de  risco,  códigos  604,  605,  e  7,  da  tabela  de  rubricas  da  empresa. No período de 08 a 12/2008 a empresa considerou essa  verba  como  sem  incidência  de  contribuição  previdenciária,  indevidamente.  Em  relação  a  esse  período  a  empresa  não  contabilizou  nem  a  contribuição  patronal  nem  a  contribuição  dos  segurados,  incidentes  sobre  essa  rubrica.  A  partir  de  01/2009  a  empresa  passou  a  fazer  incidir  a  contribuição  patronal  sobre  a  rubrica,  mas  continuou  não  efetuando  o  desconto  da  contribuição  dos  segurados  incidente  sobre  a  mesma.  5.4.3.  Sendo  assim,  ao  deixar  de  efetuar  o  desconto  da  contribuição  previdenciária  dos  segurados  a  seu  serviço,  o  contribuinte deu causa à lavratura do presente Auto de Infração  de acordo com os dispositivos legais informados no Auto.  5.5.4.  Os  dados  das  folhas  de  pagamentos  e  da  contabilidade  foram obtidos dos  respectivos arquivos digitais  fornecidos pela  empresa.  5.5.5. Este auto de infração totalizou o valor de R$ 3.047,14.  6. Foi emitida RFFP – Representação Fiscal para Fins Penais  pelo  cometimento,  em  tese,  de  crime  de  sonegação  de  contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A do Código  penal.  Em  anexo  ao  Relatório  Fiscal,  constam  planilhas  de  apuração da autuação.  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 7          11 Da impugnação   7. O sujeito passivo apresenta defesa aos autos de infração em  referência,  sendo  suas  alegações  apresentadas  a  seguir,  em  síntese.  8. AI 37.309.8154 (DAL)  8.1. Alega a ilegalidade da cobrança da taxa Selic.  9. DEBCAD 37.309.8162 (TERCEIROS)  9.1.  Impugna  a  apuração  realizada  mediante  a  utilização  de  GFIPs inseridas fraudulentamente no sistema da SRFB.  9.2. Incabível a apuração da suposta diferença de horas extras.  9.3.  Incabível  a  apuração  do  adicional  de  risco.  Apresenta  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  firmada  para  os  anos  2008/2009, aduzindo que o adicional de  risco em questão  teria  natureza indenizatória e não salarial.  9.4.  As  contribuições  dos  Terceiros  não  subsistem,  haja  vista  serem  alteradas  por  reflexo,  por  possuírem  a  mesma  base  de  cálculo.  9.5.  A  multa  aplicada  de  75%  não  pode  subsistir,  vez  que  as  contribuições  devidas  pela  empresa,  assim  como  todos  os  pagamentos  efetuados  pela  impugnante  foram  corretamente  declarados em GFIPs, não havendo que se falar em lançamento  de  ofício.  Remete­se  ao  fato  de  que  o  lançamento  foi  efetuado  com base em GFIPs fraudulentas.  9.6.  A  autuação  deve  ser  anulada,  tendo  em  vista  que  a  impugnante  aderiu  ao  parcelamento  da  Lei  11.941/2009,  conforme  comprovantes  em  anexo,  tendo  incluído  todos  seus  débitos  até  novembro  de  2008.  Observa  que  todos  os  débitos  estão  devidamente  declarados  em  GFIP  (apesar  das  GFIPs  fraudulentas,  cuja  nulidade  já  foi  requerida),  razão  pela  qual  poderiam  estar  incluídos  no  parcelamento,  não  podendo  haver  autuação em relação aos supostos débitos existentes até o  final  de 2008. Somente após a consolidação deste parcelamento é os  débitos  poderiam  ser  cobrados,  a  fim  de  evitarse  dupla  cobrança.  9.7.  Solicita  o  julgamento  em conjunto  com o  auto  de  infração  37.309.814­6, por terem a mesma base de cálculo, aproveitando­ se das provas apresentadas naquela impugnação.  9.8.  Considerando  as  falhas  de  cálculo  e  tendo  em  vista  os  documentos  inconsistentes  (por  fraude  ou  erro),  é  essencial  a  realização de Perícia Contábil. Indica perito.  10. DEBCAD 37.309.8170 (AI 78)  10.1.  Impugna  a  apuração  realizada  mediante  a  utilização  de  GFIPs inseridas fraudulentamente no sistema da SRFB.  Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   12 10.2. É ilegítima a presente cobrança pela não apresentação de  GFIPs,  eis  que  a  União  possui  responsabilidades  sobre  seus  sistemas  informatizados.  Não  pode  obrigar  o  contribuinte  a  arcar  com  multa  por  erro  ou  fraude  ocorrida  no  seu  próprio  sistema, beneficiando­se de sua própria torpeza.  10.3. A multa aplicada na autuação não pode subsistir, eis que  as  contribuições  devidas,  assim  como  todos  os  pagamentos  efetuados  foram  devidamente  declarados  em  GFIP  pela  impugnante.  10.4.  Requer  o  processamento  em  conjunto  com  o  auto  de  infração  37.309.814­6  e  o  processo  administrativo  115243.002570/201001.  10.5.  Considerando  as  falhas  de  cálculo  e  tendo  em  vista  os  documentos  inconsistentes  (por  fraude  ou  erro),  é  essencial  a  realização de Perícia Contábil. Indica perito.  11. DEBCAD 37.309.818­9 (AI 30)  11.1. Incabível a apuração da suposta diferença de horas extras.  Todas as horas extras estão declaradas exatamente iguais, tanto  nas folhas de pagamento, quanto na contabilidade, não sabendo  como a autoridade  lançadora conseguiu  localizar apenas parte  dos valores declarados, demonstrando sua irresignação. Entende  que  houve  erro  no  lançamento.  As  horas  extras  não  possuem  natureza  salarial,  já  tendo  sido  objeto  de  análise  do  STF  e  do  TST.  Possuem  natureza  indenizatória  e,  portanto,  não  incide  contribuição previdenciária.  11.2. Apresenta Convenção Coletiva de Trabalho, firmada para  os  anos  2008/2009,  aduzindo  que  o  adicional  de  risco  em  questão teria natureza indenizatória e não salarial.  11.3. Da multa de ofício: A multa objeto deste auto de infração  não  pode  subsistir,  uma  vez  que  constam  tanto  nas  folhas  de  pagamento  como  nas  escriturações  contábeis  os  adicionais  e  horas extras pagos a seus empregados, não obstante a natureza  indenizatória  desta  rubrica,  tudo  corretamente  declarado  em  GFIP  e  recolhido  em  GFIP,  não  havendo  que  se  falar  em  lançamento de ofício. Verificandose os documentos apresentados  como  prova  emprestada  no  AI  37.309.8146  que  as  folhas  de  pagamento  estão  em  perfeita  sintonia  com  as  escriturações  contábeis  e  que  foi  equívoco/erro  na  apuração  que  gerou  o  presente  auto  de  infração,  deve  o  mesmo  ser  julgado  improcedente/anulado.  11.4.  Requer  o  processamento  em  conjunto  com  o  auto  de  infração 37.309.8146.  11.5.  Considerando  as  falhas  de  cálculo  e  tendo  em  vista  os  documentos  inconsistentes  (por  fraude  ou  erro),  é  essencial  a  realização de Perícia Contábil. Indica perito.  12. DEBCAD 37.309.819­7 (AI 52)  Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 8          13 12.1. Prevê o artigo 32 da Lei 4.357/64 que pessoas jurídicas em  débitos não garantidos  com a União e autarquias não poderão  “dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios”.  12.2. No  caso  em  tela,  a  auditoria  entendeu  que  a  impugnante  teria atribuído participação ao seu sócio Marcos Félix Loureiro,  administrador  da  empresa  autuada,  haja  vista  existir  na  escritura contábil contas denominadas "antecipação de lucros" e  "Marcos  Félix  Loureiro".  Entretanto,  não  há  configuração  da  violação do dispositivo citado acima, uma vez que atribuir lucro  é o mesmo que distribuir lucros, enquanto antecipação de lucros  do exercício trata­se de instituto diverso.  12.3.  Trata­se  o  artigo  32  de  norma  arbitrária  como  meio  indireto de exigência de tributos, o que é praticamente proibido  por matérias sumuladas nos Tribunais Superiores.  12.4.  Entende  que  no  caso  concreto,  por  tratar­se  de  débitos  previdenciários  com  exigibilidade  suspensa,  não  se  aplicaria  a  vedação  da  distribuição  de  lucros  disposta  no  artigo  32  da  lei  4.357/64.  12.5.  Em  síntese,  entende  que  a  multa  aplicada  é  ilegal  por  tratar­se  de  meio  coercitivo  para  a  exigência  de  tributos  da  União, que possui meios  processuais próprios  para  exigi­los,  e  ainda porque antecipação de lucros não importa em distribuição  de lucros, institutos diversos, com tratamentos diversos.  13. DEBCAD 37.309.821­9 (AI 59)  13.1. Incabível a apuração da suposta diferença de horas extras.  Todas as horas extras estão declaradas exatamente iguais, tanto  nas folhas de pagamento, quanto na contabilidade, não sabendo  como a autoridade  lançadora conseguiu  localizar apenas parte  dos valores declarados, demonstrando sua irresignação. Entende  que  houve  erro  no  lançamento.  As  horas  extras  não  possuem  natureza  salarial,  já  tendo  sido  objeto  de  análise  do  STF  e  do  TST.  Possuem  natureza  indenizatória  e,  portanto,  não  incide  contribuição previdenciária.  13.2. Apresenta Convenção Coletiva de Trabalho, firmada para  os  anos  2008/2009,  aduzindo  que  o  adicional  de  risco  em  questão teria natureza indenizatória e não salarial.  13.3. Da multa de ofício: A multa objeto deste auto de infração  não  pode  subsistir,  uma  vez  que  constam  tanto  nas  folhas  de  pagamento  como  nas  escriturações  contábeis  os  adicionais  e  horas extras pagos a seus empregados, não obstante a natureza  indenizatória  desta  rubrica,  tudo  corretamente  declarado  em  GFIP  e  recolhido  em  GFIP,  não  havendo  que  se  falar  em  lançamento  de  ofício.  Verificando­se  os  documentos  apresentados como prova emprestada no AI 37.309.8146 que as  folhas  de  pagamento  estão  em  perfeita  sintonia  com  as  escriturações contábeis e que foi equívoco/erro na apuração que  Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   14 gerou  o  presente  auto  de  infração,  deve  o  mesmo  ser  julgado  improcedente/anulado.  13.4.  Requer  o  processamento  em  conjunto  com  o  auto  de  infração 37.309.8146.  13.5.  Considerando  as  falhas  de  cálculo  e  tendo  em  vista  os  documentos  inconsistentes  (por  fraude  ou  erro),  é  essencial  a  realização de Perícia Contábil. Indica perito.  Da Primeira Diligência   14. Os autos retornaram em diligência para o auditor autuante,  a  fim  de  se  manifestar  sobre  as  alegações  do  contribuinte  a  respeito  da  inserção  de  dados  falsos  nos  sistemas  informatizados  da  RFB  por  GFIPs  fraudulentas,  sobre  as  alegações  de  erro  no  lançamento  a  respeito  do  adicional  de  horas extras e adicional de risco e também sobre a alegação de  que  a  empresa  aderiu  ao  parcelamento  da  lei  11.941/2009,  tendo  incluído  todos  os  seus  débitos  até  Novembro  de  2008,  conforme provas acostadas.  Da Informação Fiscal após a primeira Diligência   15.  O  auditor  autuante  informa  através  da  Informação  Fiscal  datada de 02/05/2012 que:  15.1. Relativamente  ao  item  1  (um)  do  despacho  da DRJ: As  GFIP’s consideradas como em vigor para os fins da ação fiscal  realizada originalmente foram as datadas de 21/06/2010, exceto  as de 13°/2008 e 13°/2009. Entretanto, tendo em vista os termos  do Ofício DRF/VITES n° 067/2011MS, de 25/04/2011, em que  se  noticia  a  constatação,  em  tese,  da  prática  de  crime  de  falsificação  de  documento  público  relativamente  a  essas  GFIP’s, as mesmas devem ser desconsideradas, restabelecendo­ se  a  vigência  daquelas  que  foram  substituídas  por  estas.  Apresenta  planilha  onde  constam  as  GFIPs  a  serem  consideradas pela  fiscalização. Observa que diante desse novo  parâmetro, o auto de infração de obrigação principal, ou seja, o  de  n°  37.309.814­6,  deve  ser  revisado,  uma  vez  que  os  valores  apurados  referem­se  exclusivamente  aos  valores  não  declarados em GFIP.  15.2. Relativamente ao item 2 (dois) do despacho da DRJ, assiste  razão à empresa quanto às horas extras estarem incluídas nas  folhas de pagamento. Assim sendo, o valor correspondente deve  ser excluído da apuração.  15.3.  O  item  3  (três)  “traz  à  baila  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  firmada  para  os  anos  2008/2009,  aduzindo  que  o  adicional de risco em questão teria natureza indenizatória e não  salarial”. Entretanto a convenção coletiva não pode se sobrepor  à  Lei.  O  adicional  de  risco  não  se  inclui  em  nenhuma  das  hipóteses  do  artigo  28,  §9º,  da Lei  n° 8212/91, com a  redação  dada  pela  Lei  n°  9528/97,  combinado  com  o  art.  214,  §9º,  do  Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto  3048/99, que elencam os valores que não integram o salário de  contribuição.  A  própria  empresa  reconheceu  o  caráter  remuneratório  dessa  verba,  já  que  passou  a  fazer  incidir  a  Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 9          15 contribuição patronal sobre a mesma a partir de 01/2009. Dessa  forma,  nada  a  reformar  nos  cálculos  da  fiscalização  a  este  respeito.  15.4.  O  item  4  (quatro)  do  despacho  da  DRJ  relata  que  “a  empresa  aderiu  ao  parcelamento  da  lei  11.941/2009,  tendo  incluído  todos  os  seus  débitos  até  Novembro  de  2008”.  Entretanto,  verificando  os  processos  de  débito  da  empresa  constata­se  que,  relativamente  ao  período  citado,  constam  apenas  dois  valores  incluídos  em  parcelamento,  os  quais  se  referem  à  competência  10/2008,  que  se  constituem  de  contribuições  previdenciárias  referentes  a  contribuintes  individuais.  Demonstra  quais  foram  os  débitos  e  aduz  que  deveriam  ser  creditados  à  empresa,  a  este  título,  apenas  estes  valores nos cálculos efetuados.  15.6. Diante do exposto, devem ser feitas as alterações a seguir  relacionadas nos dois autos de infração a seguir mencionados:  15.6.1. Quanto  ao  auto  n°  37.309.817­0  (AI  78),  referente  ao  preenchimento  da  GFIP,  as  competências  de  01  a  11/2008  devem ser excluídas da apuração.  Isto se deve ao fato de que nessas competências as GFIPs foram  entregues  antes  da  entrada  em  vigor  da  MP  449/2008,  de  03/12/2008,  DOU  04/12/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009,  que é a legislação de regência dessa autuação.  15.6.2. No auto de infração original haviam sido consideradas  as GFIPs entregues em 21/06/2010,  já no período de vigência  da  nova  legislação,  GFIPs  estas  que,  agora,  não  estão  sendo  mais consideradas.  15.6.3.Também  as  GFIPs  de  13/2008  e  do  exercício  de  2009  devem  ser  excluídas,  porque  não  ocorreu  infração  relativamente  às  mesmas,  ou  seja,  não  deixaram  de  ser  prestadas  informações  relativas  a  contribuições  recolhidas,  uma vez que passaram a ser consideradas as GFIPs entregues  anteriormente  às  de  21/06/2010,  isto  é,  nessas  GFIPs  tais  ocorrências não se verificaram.  15.6.4.  Dessa  forma,  permaneceu  apenas  a  competência  12/2008, em que houve recolhimento para o qual não houve a  informação  correspondente  na  GFIP.  O  valor  desse  auto  é  o  valor  mínimo  de  R$  500,00  (quinhentos  reais),  conforme  já  devidamente  explicado no  relatório  fiscal  do  auto  de  infração  original. O valor original era de R$ 63.734,00.  15.6.5. O outro auto refere­se a contribuições da empresa para  Terceiros (37.309.816­0).  Estas contribuições são relativas aos valores não declarados em  GFIP. Uma vez que foram consideradas novas GFIPs para este  fim, esses valores foram alterados.  Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   16 15.6.6.  Apresenta  planilha  retificadora  onde  refaz  a  apuração  das contribuições devidas.  15.6.7.  Apresenta  também  demonstrativo  das  contribuições,  já  considerando  os  valores  da  GFIPs  conforme  disposto  no  relatório.  Em  algumas  competências  os  valores  apurados  na  revisão foram maiores que os originalmente lançados no auto de  infração.  Entretanto,  nesses  casos,  mantiveram­se  os  valores  constantes no auto.  16.  Após  todos  os  esclarecimentos  e  cálculos  efetuados,  apresenta  os  valores  que  entende  devidos  após  as  retificações  sugeridas.  Da manifestação apresentada após Informação Fiscal   17.  A  empresa  apresenta  suas  alegações  a  respeito  do  lançamento após a ciência do resultado da diligência  fiscal, as  quais são apresentadas a seguir, em síntese:  17.1.  Alega  que  a  retificação  das  GFIP's,  com  a  alteração  do  código de recolhimento, não foi efetuada pela empresa, mas por  empresa  denominada  ALIFADER  DISTRIBUIDORA  DE  ALIMENTOS  LTDA.  ME,  consoante  confirmação  da  própria  Receita Federal no Parecer DRFES/ SAPAC de 24/11/2010, em  anexo.  Esta  conclusão  também  consta  no  relatório  de  Informação Fiscal elaborado pelo Auditor Fiscal do Serviço de  Fiscalização  da  DRF/VITES  no  processo  administrativo  referenciado em epígrafe.  17.2. Nesta mesma  Informação Fiscal,  restou concluído, dentre  outros, que "a convenção coletiva não pode se sobrepor à Lei".  No entanto, a Convenção Coletiva de Trabalho, firmada para os  anos 2008/2009, que aduz que o adicional de  risco em questão  teria  natureza  indenizatória,  tem  força  normativa  e,  portanto,  deve  ser  observado  de  igual  forma,  visando  à  reforma  do  entendimento e acolhimento da pretensão da empresa para não  haver  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  o  adicional de risco.  17.3.  A  Convenção  Coletiva  tem  natureza  normativa.  Sendo  assim,  não  há  que  se  falar  em  sobreposição  da  lei  perante  a  Convenção  Coletiva,  devendo  esta  ser  considerada  como  lei  entre  as  partes,  fundamentada  na  autonomia  das  partes  e,  conseqüentemente,  deve  haver  a  reforma  nos  cálculos  da  fiscalização  a  este  respeito.  A  Convenção  Coletiva  ao  estabelecer  o  pagamento  do  adicional  de  risco  foi  clara  ao  estabelecer que não  integrava a  remuneração dos empregados,  razão  pela  qual  não  deve  haver  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  17.4.  Com  relação  aos  adicionais  de  risco  de  vida,  além  da  previsão  na  convenção  coletiva  para  os  anos  2008/2009,  apresenta  os  fundamentos  e  razões  que  corroboram  o  entendimento pela legalidade da não incidência da contribuição  previdenciária sobre o adicional de risco, por se tratar de verba  de caráter indenizatório.  Da Segunda Diligência   Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 10          17 18. Solicitou­se  à  autoridade  lançadora  a  elaboração  de  uma  planilha de retificação, onde fossem discriminadas as bases de  cálculo retificadas, por levantamento e por competência, a fim  de  que  pudessem  ser  efetuadas  as  retificações  no  sistema  SISCOL.  Da Informação Fiscal após a Segunda Diligência   19.  Em  resposta,  a  autoridade  lançadora  informa  que  foram  elaboradas planilhas onde constam os  salários de  contribuição  de empregados.  19.1.  Foram  incluídos  nas  planilhas  os  valores  como  haviam  sido  lançados  originalmente  na  constituição  do  crédito,  conforme  constam  no  Discriminativo  do  Débito  –DD,  onde  foram utilizados os levantamentos XN e XN2, e;   19.2.  Foram  incluídos  também  os  valores  retificados,  os  quais  foram lançados nos levantamentos XD, XN e XN2;   19.3.  O  levantamento  XD  refere­se  a  valores  declarados  em  GFIP, valores estes que foram obtidos das GFIPs emitidas pelo  contribuinte,  conforme  constam no  banco de  dados  da Receita,  GFIPs  estas  válidas  em  20/09/2010,  data  do  início  da  ação  fiscal,  conforme  explicitado  na  Informação  Fiscal  de  02/05/2012. Apresenta quadro de GFIPs consideradas;   19.4.  Os  valores  declarados  em  GFIP  não  sofrerão  incidência  das  contribuições  na  ação  fiscal  em  discussão.  Quanto  aos  valores não declarados, a parcela que não tiver sido recolhida,  será objeto de incidência da contribuição.  20. Apresenta planilhas com as retificações mencionadas.  21.  O  interessado  foi  cientificado  desta  última  e  não  se  manifestou.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde alega/questiona, em síntese:    DEBCAD 37.309.815­4   O DEBCAD em questão refere­se à supostas diferenças de  acréscimos  legais  por  pagamento  em  atraso  de  contribuições  previdenciárias,  os  quais  sequer  foram  discriminados  na  decisão  recorrida,  importando  em  claro  cerceamento de defesa.   DEBCAD 37.309.816­2   Devem ser reduzidas da base de cálculos das contribuições  de  terceiros  cobrada no  auto  de  infração  todo  o  valor  de  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   18 hora  extra  (que  o  fiscal  inicialmente  incluiu  e  depois  excluiu) e ainda devem ser os valores corrigidos de acordo  com as GFIP's corretas.  Assim,  somente  persistiria  o  auto  de  infração  em  relação  ao  adicional  de  risco,  o  qual  após  a  análise  de  Vossas  Excelências  do  presente  recurso,  certamente  também  será  excluído, pois não deve incidir contribuição previdenciária  sobre esta parcela, por ser nitidamente indenizatória.  Em relação ao adicional de risco, mais uma vez não pode  haver  a  incidência  de  contribuições  para  terceiros,  visto  que a base de cálculo destes tributos também se restringem  a  verbas  de  natureza  salarial,  o  que  não  é  o  caso  o  adicional em questão, pois repita­se, a convenção coletiva  foi expressa e clara ao definir a natureza indenizatória da  citada parcela.  IV ­ DEBCAD 37.309.817­0   A  presente  DEBCAD  foi  mantida  em  parte,  reduzindo­se  a  penalidade  para  R$  500,00  sob  afirmação  de  que  haveria  a  empresa deixado de prestar informação relativa às contribuições  recolhidas na GFIP de 12/2008.  Ocorre  que,  em  total  contradição  ao  afirmado  na  própria  decisão,  os  MM.  Julgadores  a  quo  afirmaram  em  quadro  destacado  às  fls.  278  dos  autos  (fls  17  do  acórdão),  que  na  competência  de  12/2008  não  houve  pendência  em  relação  ao  salário de contribuição (SC) dos empregado.  V ­  DEBCAD 37.309.818­9  Este DEBCAD foi  totalmente mantido, pois a decisão recorrida  entendeu que a empresa não informou o adicional de hora extra,  o  adicional  de  risco  e  os  descontos  dos  segurados. Quanto  ao  adicional  de  horas  extras,  o  acórdão  corrigiu  o  equívoco,  excluindo  a  penalidade,  pois  não  incide  contribuição  previdenciária sobre esta rubrica.  Entretanto,  manteve  a  penalidade  em  relação  ao  adicional  de  risco,  sobre o qual entenderam que deve  incidir a contribuição  previdenciária, bem como sobre os descontos dos empregados.  A  convenção coletiva ao estabelecer o pagamento do adicional  de  risco  foi  clara  ao  estabelecer  que  não  integrava  a  remuneração dos  empregados,  razão  pela qual  não deve  haver  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  pois  a  base  de  cálculos  das  mesmas  é  justamente  as  verbas  salariais,  que  remuneram o salário nos  termos do art. 195,  I da Constituição  Federal.  A convenção coletiva é a lei  entre as partes, podendo  inclusive  prever  a  natureza  jurídica  de  determinado  pagamento  aos  afiliados ao sindicado obreiro.  Caráter indenizatório do adicional de risco.  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 11          19 VI ­ DEBCAD 37.309.819­7  Trata­se  de  penalidade  por  ter  a  empresa  ANTECIPADO  distribuição  de  lucro  ao  sócio  estando  SUPOSTAMENTE  em  débito com a União.  Todavia, a empresa antecipou lucro e não distribuiu, como prevê  a Lei 32 da Le9 4.357/64. Prevê o artigo 32 da Lei 4357/64 que  pessoas  jurídicas  em  débitos  não  garantidos  com  a  União  e  autarquias  não  poderão:  "dar  ou  atribuir  participação  nos  lucros a seus sócios. (...)"  Referida  constatação  deve  ser  analisada  em  consonância  com  jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF),  que em várias oportunidades rechaçou medidas previstas em leis  que  visavam  coagir  de  forma  indireta  o  contribuinte  ao  pagamento de tributos devidos.  Cita a Instrução Normativa MPS/SRP n9 03/2005, art. 649, §4º ­   § 4º Consideram­se débitos, para fins da multa prevista no  inciso  VIII  do  caput,  desde  que  não  esteiam  com  a  exigibilidade  suspensa,  a  NFLD  e  o  Al  transitados  em  julgado  na  fase  administrativa,  o  LDC  inscrito  em  dívida  ativa,  o  valor  lançado  em  documento  de  natureza  declaratória  não  recolhido  e  a  provisão  contábil  de  contribuições sociais não recolhidas.  Portanto,  tratando­se  de  débitos  previdenciários,  como  ocorre  no caso dos autos, em estando com exigibilidade suspensa, não  se aplica a vedação da distribuição de lucros disposta no artigo  32 da Lei Lei 4357/64.  No caso dos autos, mais que suspenso, sequer havia notificação  exigindo  o  tributo,  e  ites  que  a  Receita  Federal  sequer  verificasse o atraso no pagamento, a empresa impugnante quitou  integralmente  a  contribuição  devida,  em  data muito  anterior  à  autuação ora impugnada, como o próprio relatório fiscal relatou  VII­ DEBCAD 37.309.821­9  Também  esta  DEBCAD  refere­se  à  omissão  do  desconto  dos  segurados  empregados,  em  nítido bis  in  idem  com o DEBCAD  37.309.818­9,  que  também  multa  a  empresa  por  omisso  e  incorreções  sobre  o  desconto  dos  segurados  e  também  sobre  o  adicional de risco.  Nota­se,  facilmente,  que  a  empresa  está  pagando  duas  multas  pelo mesmo  fato gerador  ­ omissão do desconto dos  segurados  empregados,  o  que  não  é  admitido  pelo Ordenamento  Jurídico  pátrio,  cabendo  a  este  Eg.  Conselho  reformar  a  decisão,  para  anular este DEBCAD.  REQUER PERÍCIA.  É o relatório.  Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   20     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.      PERÍCIA    A Recorrente requer “Perícia contábil, com auxílio de assistente técnico, para  demonstração e verificação que todos os valores devidos foram corretamente declarados pela  empresa e as contribuições foram todas pagas.”  A  perícia  se  reserva  à  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  requerem  conhecimentos  especializados  para  o  deslinde  de  litígio,  não  se  justificando  a  sua  realização  quando  o  fato  probando  puder  ser  demonstrado  pela  juntada  de  documentos  e  neste  caso,  a  prova documental carreada aos autos era suficiente para o esclarecimento da questão.  A  perícia  deve  ser  deferida  apenas  quando  a  prova  do  fato  depender  de  conhecimento técnico especial, hipótese inocorrente nos autos.  Neste  processo  o  lançamento  foi  realizado  e  devidamente  retificado  dentro  dos ditames legais.  Entendo desnecessária a perícia.      DEBCAD 37.309.815­4     Diferenças  de  acréscimos  legais  por  pagamento  em  atraso  de  contribuições  previdenciárias.  A  recorrente  afirma  que  as  diferenças  “sequer  foram  discriminados  na  decisão recorrida, importando em claro cerceamento de defesa.”  Não procede a tese do cerceamento de defesa.  Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 12          21 O  documento  DAL­  Diferença  de  Acréscimos  Legais  detalha  que  o  estabelecimento 36.040.947/0001­73 recolheu 3 guias em atraso referentes à competência  13/2008,  nos  dias  26/02/2009,  27/03/2009  e  30/03/2009  e  1  guia  em  atraso  referente  à  competência  13/209  no  dia  19/02/2010,  todas  sem valor  recolhido  nos  acréscimos  legais  por recolhimento em atraso. Abaixo, como exemplo, transcrevo os dados do reclhimento  efetuado dia 27/03/2009.        Não cabe razão à recorrente pois o acórdão não precisava reescrever o  que já estava discriminado nos documentos que compõe o lançamento.       DEBCAD 37.309.816­2     Contribuição para terceiros. Obrigação principal.  Conforme DADR, o  lançamento  foi retificado de R$ 62.412,20 para R$  22.457,04 (valores originários)  Foram lançadas diferenças de horas extras e adicional de risco.  A diferença de horas extras foi excluída pela DRJ.  A  recorrente  entende  que,  em  relação  ao  adicional  de  risco,  não  pode  haver  a  incidência  de  contribuições,  ,  pois  a  convenção  coletiva  foi  expressa  e  clara  ao  definir a natureza indenizatória da citada parcela.    Não concordo com a recorrente.    Os  Acordos  e  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  ainda  que  expressamente desvinculem o adicional de risco concedido do salário, não têm força de lei  para impor a não incidência de tributos.  A Convenção  Coletiva  tem  força  de  lei  vinculando  as  partes.  Conforme  o  CTN,  entretanto,  não  vincula  a  Administração  Tributária  quando  estabelece  que  salvo  Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   22 disposições de  lei  em contrário,  as convenções particulares,  relativas à  responsabilidade pelo  pagamento de  tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição  legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.    Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.    Quanto  à  tributação  do  adicional  de  risco,  as  contribuições  para  a  seguridade  social  tem  sua  base  imponível  definida  na  Constituição  da  República  de  1988,  prevendo esta, para a empresa, a contribuição incidente sobre folha de salários e também sobre  os demais rendimentos do trabalho.    Artigo  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na forma da lei, incidentes sobre:  a)  a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;   ...  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201;    A especificação do que deve ser tributado e o que não deve está no artigo 28  da Lei 8.212/91. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou  creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer  pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços.    Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 13          23 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;  ...  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do mesmo artigo 28.    § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais,  salvo  o  salário­maternidade;(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art.  137  da Consolidação das  Leis  do  Trabalho­CLT;(Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  e)  as  importâncias:(Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97  1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias;  2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;  3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;  4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;  Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   24 5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6.recebidas  a  título  de  abono  de  férias  na  forma  dos  arts.  143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei  nº 9.711, de 1998).  8.recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;(Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9.recebidas a  título da  indenização de que trata o art. 9ºda Lei  nº7.238,  de  29  de  outubro  de  1984;(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.711, de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma doart. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de  10.12.97).  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  daLei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa de Assistência ao  Servidor Público­PASEP;(Incluída  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº  9.528, de 10.12.97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito  seja  extensivo  à  totalidade  dos  empregados  da  empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;(Incluída  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 14          25 empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couber,  osarts.  9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97)  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho para prestação dos respectivos  serviços;(Incluída pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)  s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  ao  ensino  fundamental  e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso ao mesmo;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)15 t)o  valor  relativo a plano educacional que vise à educação básica,  nos  termos  doart.  21  da  Lei  nº  9.394,  de  20  de  dezembro  de  1996,  e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes  tenham acesso ao mesmo;(Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  noart.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)    Assim, o conceito de salário­de­contribuição não se restringe apenas ao  salário base do  trabalhador,  tem como núcleo a remuneração de  forma mais ampliada,  alcançando  outras  importâncias  pagas  pelo  empregador,  sem  importar  a  forma  de  retribuição  ou  o  título.  São  vantagens  econômicas  acrescidas  ao  patrimônio  do  trabalhador decorrentes da relação laboral.    Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   26   IV ­ DEBCAD 37.309.817­0     Auto  de  infração  de  obrigação  acessória.  Entregar  GFIP  com  informações  incorretas ou omissas.  Consta  do  Relatório  Fiscal  que  em  21/06/2010  foram  apresentadas  novas  GFIPs para o período 01/2008 a 12/2009 e que  a  recorrente  afirma que  foram  entregues por  outra empresa, que não a Vigserv.     A empresa emitiu Guias de recolhimento do FGTS e Informações  à  Previdência  –GFIP  EM  21/06/2010  substituindo  suas  Guias  originais,  referentes  ao  período  de  01/2008  a  12/2009,  excetuando­se as guias de 13º/2008 e 13º/2009.  39­A  empresa  alega  que  as  GFIP  retificadoras  emitidas  em  21/06/2010, as quais substituíram os documentos originais, não  foram emitidas pela Vigserv e sim por outra empresa, sem o seu  conhecimento.  A  Vigserv  protocolou  requerimento  na  Receita  Federal  do Brasil  – RFB em 24/09/2010,  após  iniciada  a  ação  fiscal, o que ocorreu em 20/09/2010, solicitando o cancelamento  dessas GFIP retificadoras, requerimento esse para o qual ainda  não houve parecer da RFB, segundo a empresa.    A  Informação  Fiscal  informa  a  constatação  de  falsificação  de  documentos  (conforme  havia  alegado  a  recorrente)  e  que  restabeleciam­se  as  GFIPs  anteriormente  entregues pela recorrente.    Relativamente ao  item 1  (um) do despacho da DRJ: As GFIP’s  consideradas  como  em  vigor  para  os  fins  da  ação  fiscal  realizada originalmente foram as datadas de 21/06/2010, exceto  as de 13°/2008 e 13°/2009. Entretanto, tendo em vista os termos  do Ofício DRF/VITES n° 067/2011MS, de 25/04/2011, em que se  noticia  a  constatação,  em  tese,  da  prática  de  crime  de  falsificação de documento público relativamente a essas GFIP’s,  as  mesmas  devem  ser  desconsideradas,  restabelecendo­se  a  vigência daquelas que foram substituídas por estas.    Julgada  impugnação  procedente  em  parte. Crédito  tributário  reduzido  de R$ 63.734,00 para R$ 500,00 (multa mínima). Mantida autuação exclusivamente para  a competência 12/2008.  Recorrente  entende  que  houve  Ocorre  que,  em  total  contradição  ao  afirmado na própria decisão, os MM. Julgadores a quo afirmaram em quadro destacado  às  fls.  278  dos  autos  (fls  17  do  acórdão),  que  na  competência  de  12/2008  não  houve  pendência em relação ao salário de contribuição (SC) dos empregado.  Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 15          27 Concordo com a recorrente.  Registra  a  Informação Fiscal  que houve  recolhimento  para  o  qual  não  houve a informação correspondente na GFIP.    Dessa  forma,  permaneceu  apenas  a  competência  12/2008,  em  que houve recolhimento para o qual não houve a  informação  correspondente na GFIP. O valor desse auto é o valor mínimo  de  R$  500,00  (quinhentos  reais),  conforme  já  devidamente  explicado  no  relatório  fiscal  do  auto  de  infração  original.  O  valor original era de R$ 63.734,00.    Entendo que não está demonstrada a omissão ou informação incorreta, o  que caracteriza vício material.      V ­  DEBCAD 37.309.818­9    Auto  de  infração  de  obrigação  acessória.  Folha  de  pagamento  fora  dos  padrões (com omissões).  Lançamento mantido pela DRJ.  Contribuinte discorre  sobre a  exclusão da diferença das horas  extras  e  discute a tributação do adicional de risco.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  da  Infração,  constatou­se  que  a  empresa  não  informou  em  sua  folha  de  pagamento mensal  o  adicional  de  horas  extras  realizadas,  não  informou  o  valor  do  desconto  da  contribuição  de  segurados  incidente  sobre os valores pagos a título de “adicional de risco”, rubricas 604, 605 e 7, da tabela de  rubricas da empresa (referentes ao período de 08/2008 a 06/2009), assim como deixou de  incluir em sua folha de pagamento os prestadores de serviço sem vínculo empregatício.  Conforme  visto  acima,  o  adicional  de  risco  deve  ser  tributado  e  a  não  inclusão em folha dos prestadores de serviço autônomos não foi impugnada.  Para essa autuação basta um evento.  Entendo que o lançamento deve ser mantido.      Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   28  DEBCAD 37.309.819­7    Autuação por distribuir lucros tendo débito não garantido.  A fundamentação legal é a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 52, caput, com  redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, combinada  com art. 32, da Lei nº 4.357, de 16/07/1964.    Lei 8.212/91  Art.52.Às  empresas,  enquanto  estiverem  em  débito  não  garantido com a União, aplica­se o disposto no art. 32 da Lei  no4.357,  de  16  de  julho  de  1964.(Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 449, de 2008)    Lei 4.357/64  Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não  garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência  e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa  ou contribuição, no prazo legal, não poderão:   a)  distribuir  ...(VETADO)...  quaisquer  bonificações  a  seus  acionistas;   b)  dar  ou  atribuir  participação  de  lucros  a  seus  sócios  ou  quotistas,  bem  como  a  seus  diretores  e  demais  membros  de  órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos;  § 1oA  inobservância do disposto neste artigo  importa em multa  que será imposta:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  I  ­  às  pessoas  jurídicas  que  distribuírem  ou  pagarem  bonificações  ou  remunerações,  em  montante  igual  a  50%  (cinqüenta  por  cento)  das  quantias  distribuídas  ou  pagas  indevidamente; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  II  ­ aos diretores e demais membros da administração superior  que  receberem as  importâncias  indevidas,  em montante  igual a  50%  (cinqüenta  por  cento) dessas  importâncias.(Redação dada  pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  2oA multa  referida  nos  incisos  I  e  II  do  §  1odeste artigo  fica  limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor  total  do débito não garantido da pessoa  jurídica.(Incluído pela  Lei nº 11.051, de 2004)    Descreve  o  Relatório  Fiscal  que  o  débito  da  empresa  que  deu  causa  à  lavratura  do  Auto  foi  a  falta  de  recolhimento,  no  prazo  legal,  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  décimo  terceiro  salário  do  exercício  de  2008. O  prazo  Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 16          29 para recolhimento da contribuição era até o dia 19/12/2008 e para a quitação, a empresa  recolheu uma parte nessa data, outra parte  em 26/02/2009, outra  em 27/03/2009 e uma  última em 30/03/2009.    Relatório Fiscal  75­O débito da empresa que deu causa à lavratura do Auto em  epígrafe  foi  a  falta  de  recolhimento,  no  prazo  legal,  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  décimo  terceiro  salário do exercício de 2008.  76­O  prazo  para  recolhimento  da  contribuição  era  até  o  dia  19/12/2008.  A  empresa  recolheu  uma  parte  nessa  data,  outra  parte  em  26/02/2009,  outra  em  27/03/2009  e  uma  última  em  30/03/2009.  77­A  seguir  apresentamos  demonstrativo  dos  recolhimentos  efetuados pela empresa:      78­Ao mesmo  tempo  em que  a  empresa  esteve  inadimplente  no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  não  deixou  de  distribuir  lucro  ao  seu  sócio Marcos  Félix  Loureiro,  conforme  lançamentos  contábeis  nas  contas  110221000001,  intitulada  “Marcos  Felix  Loureiro”,  e  1069,  intitulada  “Antecipação  de  lucros”, referentes ao período de 23/12/2008 a 28/03/2009.  79­O  total  de  lucro  distribuído  no  período  em  apreço  foi  de  R$180.556,31.  80­Em  anexo  apresentamos  demonstrativo  dos  lançamentos  referidos, os quais  se encontram nos Livros Diário nº 26, que  abrange o período de 01/09 a 31/12/08, Termo de autenticação  da JCEES nº 09/011158­3, de 28/04/09, e nº 27, que abrange o  período de 01/01 a 31/03/09, Termo de Autenticação da JCEES  nº 10/009531­3, de 06/05/10..  Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   30 81­Os dados das folhas de pagamentos e da contabilidade foram  obtidos  dos  respectivos  arquivos  digitais  fornecidos  pela  empresa.    A tese da recorrente é que a empresa antecipou lucro e não distribuiu.  Não concordo com a recorrente.  Analisando a Lei 4.357/64, chego à conclusão que o objetivo da norma é  evitar  a  sonegação  fiscal,  punindo  a  empresa  que  dispõe  de  recursos  e  é  devedora  de  tributos  opte  por  não  pagá­los  e  retire  valores  associados  ao  lucro  de  seu  patrimônio  (bonifique  acionistas,  distribua  lucros  a  seus  sócios  ou  quotistas,  bem  como  a  seus  diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos).     A  regra  em  questão  tem  por  objetivo  "punir,  senão  coibir,  a  sonegação  de  tributo  (...)  quando  houver  meios  para  o  pagamento  e  o  devedor  optar  por  não  fazê­lo,  preferindo  distribuir  lucros,  beneficiando  seus  sócios"  (TRF  4ª  Região,  AC  n.º  2002.70.00.008814­5, 1ª Turma, Relatora: Des. Maria  Lúcia Luz Leiria, D.J.U. de 14/01/2004), conforme já  decidiu esta Turma anteriormente.  (ReEsp 1115136/SC – voto)      Com base  nessa  interpretação,  entendo que  ocorre  a  infração  tanto  na  distribuição de lucros quanto na antecipação dos lucros.    Lei 4.357/64  Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não  garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência  e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa  ou contribuição, no prazo legal, não poderão:   a)  distribuir  ...(VETADO)...  quaisquer  bonificações  a  seus  acionistas;   b)  dar  ou  atribuir  participação  de  lucros  a  seus  sócios  ou  quotistas,  bem  como  a  seus  diretores  e  demais  membros  de  órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos;  § 1oA  inobservância do disposto neste artigo  importa em multa  que será imposta:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  I  ­  às  pessoas  jurídicas  que  distribuírem  ou  pagarem  bonificações  ou  remunerações,  em  montante  igual  a  50%  Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 17          31 (cinqüenta  por  cento)  das  quantias  distribuídas  ou  pagas  indevidamente; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  II  ­ aos diretores e demais membros da administração superior  que  receberem as  importâncias  indevidas,  em montante  igual a  50%  (cinqüenta  por  cento) dessas  importâncias.(Redação dada  pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  2oA multa  referida  nos  incisos  I  e  II  do  §  1odeste artigo  fica  limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor  total  do débito não garantido da pessoa  jurídica.(Incluído pela  Lei nº 11.051, de 2004)    Colaciono  abaixo  decisão  do  STJ,  Resp  1115136/SC,  onde  o  Tribunal  referendou a proibição à distribuição de lucros por empresas para empresas com débito  não garantido. Visto que a decisão foi por unanimidade, nos termos do voto do relator,  também transcrevo trechos do voto condutor.    Processo: REsp1115136/ SC   RECURSO ESPECIAL2009/0000873­2  Relator(a): Ministro CASTRO MEIRA (1125)  Órgão Julgador: T2 ­ SEGUNDA TURMA  Data do Julgamento: 27/03/2012  Data  da Publicação/Fonte: DJe  23/04/2012, RDDT vol.  201  p.  210  Ementa  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  ART.  32  DA  LEI  4.357/65.  PESSOA  JURÍDICA  COM  "DÉBITO  NÃO  GARANTIDO". DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS.  PROIBIÇÃO  QUE  NÃO  SE  APLICA  AO  CASO  DE  PARCELAMENTO.  1. O artigo  32  da Lei  n.º  4.357/65  proíbe as  pessoas  jurídicas  com débitos não garantidos para  com o Fisco de distribuírem  lucros  e  dividendos  a  sócios  e  acionistas,  bem  como  prevê  a  aplicação de multa pelo seu descumprimento.  2. Tendo a empresa aderido a parcelamento, a exigibilidade dos  seus  débitos  encontra­se  suspensa,  nos  termos  do  previsto  no  artigo 151 do Código Tributário Nacional.  3.  O  parcelamento  não  é  mera  suspensão  de  exigibilidade  do  crédito  tributário. Para  aderir  ao  parcelamento,  o  contribuinte  se compromete a:  (a) honrar a dívida fracionadamente, com os  consectários  decorrentes  do  decurso  de  prazo;  (b)  observar  todas as imposições legais aplicáveis a esse regime especial de  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   32 pagamento; (c) renunciar a qualquer direito ou impugnação que  possa se contrapor ao crédito tributário; e (d) desistir das ações  judiciais  em  curso  e  das  impugnações  e  recursos  administrativos.  4.  O  crédito  tributário  não  é  garantido  apenas  "fisicamente",  como ocorre na penhora ou no depósito, mas por outras medidas  que  lhe assegurem exequibilidade. No caso do parcelamento, a  confissão de dívida constitui o crédito eventualmente ainda não  lançado,  que  poderá  ser  inscrito  em  dívida  ativa  e  cobrado  judicialmente  em  caso  de  inadimplemento.  Contra  o  crédito  assim  constituído  e  cobrado não  caberá,  em  tese,  impugnações  de mérito,  já  que  se  exige  renúncia  ao  direito  sobre  o  qual  se  funda  a  ação.  Ademais,  a  dívida  objeto  do  parcelamento  é  atualizada  e  sobre  ela  incidem  os  encargos  da  mora,  sem  qualquer prejuízo de ordem temporal ao Fisco.  5. A pessoa jurídica não pode ser impedida de distribuir lucros e  dividendos  a  sócios  e  acionistas  quando  está  em  situação  de  regularidade  com  o  fisco,  o  que  ocorre  quando  cumpridos  os  termos do parcelamento.  6. Caso o parcelamento  seja descumprido, nada  impede que, a  partir  da  exclusão  do  contribuinte  desse  regime  especial  de  pagamento,  seja  vedada  a  distribuição  de  lucros  e  dividendos,  até que outra garantia seja apresentada ao crédito.  7. Recurso especial não provido.    Voto:  A  questão  controvertida  é  singela,  embora  inédita  nesta  Corte. Resume­se em definir se a vedação expressa no art.  32  da  Lei  4.357/64  –  que  proíbe  a  pessoa  jurídica  em  débito  não  garantido  com a União  ou  suas  autarquias  de  distribuir  lucros  e  dividendos  a  sócios  e  acionistas  –  aplica­se,  ou  não,  ao  caso  de  parcelamento  da  dívida  tributária.  ...  Assinalo  que  a  mesma  trilha  foi  seguida  pela  Lei  nº  8.212/91 (art. 52 c/c art. 34).  O juiz de piso, ao interpretar aquele dispositivo, concedeu  em  parte  a  segurança,  amparado  nos  seguintes  argumentos:  (...)  a  expressão  'débito  não  garantido'  prevista  no  caput  do  art.  32  da  Lei  n.º  4.357/65  não  comporta  interpretação literal.  Com efeito, a interpretação sistemática da norma leva  à  conclusão de que  como  'débito não garantido' deva  se  compreender  os  créditos  tributários  cuja  Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.721080/2011­95  Acórdão n.º 2403­002.320  S2­C4T3  Fl. 18          33 exigibilidade  não  esteja  suspensa  por  uma  das  hipóteses previstas no art. 151 do CTN.  Ora, se não é dado ao Fisco cobrar crédito fiscal cuja  exigibilidade  esteja  suspensa,  não  há  também  fundamento para para se impor restrições de qualquer  ordem ao contribuinte nesta hipótese. (e­STJ fl. 118)   Essa  orientação  foi  ratificada  na  Corte  regional  com  esteio nos seguintes fundamentos:  O artigo 32 da Lei n.º 4.357/1965 prevê a proibição de  distribuição  dos  lucros  às  pessoas  jurídicas  com  débitos não garantidos para com o Fisco.  A  regra  em  questão  tem  por  objetivo  "punir,  senão  coibir,  a  sonegação  de  tributo  (...)  quando  houver  meios  para  o  pagamento  e  o  devedor  optar  por  não  fazê­lo,  preferindo  distribuir  lucros,  beneficiando  seus  sócios"  (TRF  4ª  Região,  AC  n.º  2002.70.00.008814­5, 1ª Turma, Relatora: Des. Maria  Lúcia Luz Leiria, D.J.U. de 14/01/2004), conforme já  decidiu esta Turma anteriormente.  Todavia,  tendo  a  empresa  aderido  a  parcelamento,  a  exigibilidade  dos  seus  débitos  encontra­se  suspensa,  nos  termos  do  previsto  no  artigo  151  do  Código  Tributário Nacional:  ...  Já  o  parcelamento  fiscal,  embora  não  se  assemelhe  ao  depósito  ou  à  penhora,  garante  o  crédito  tributário  de  outra forma, pois constitui confissão irretratável de dívida  e renúncia ao direito sobre o qual se funda ação.  Nesses  termos,  "débito  garantido"  não  pode  ser  interpretado restritivamente a ponto de equivaler a "débito  garantido por penhora ou depósito".       DEBCAD 37.309.821­9    Obrigação acessória. Omissão do desconto dos segurados empregados.  Alega a recorrente a ocorrência de bis in idem com o DEBCAD 37.309.818­9  (folha).  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   34 De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  da  Infração,  a  empresa  não  efetuou  o  desconto da contribuição previdenciária dos empregados sobre a totalidade das horas extras e  sobre o adicional de risco.  Conforme  já  reconhecido,  o  próprio  contribuinte  já  havia  tributado  a  diferença de horas extras, o que motivou a exclusão dessa rubrica do lançamento.  Permanece devida a tributação sobre o adicional de risco.  Entendo  caracterizada  a  infração  por  não  ter  havido  o  desconto  sobre  o  adicional de risco.  Entendo também que não é caso de bis in idem. Trata­se de autuação distinta,  com fundamentação legal distinta.      CONCLUSÃO    Voto  pelo  provimento  parcial  do  recurso,  determinando  o  afastamento  do  lançamento identificado pelo DEBCAD 37.309.817­0 por falta de demonstração, pelo fisco, de  qual informação ficou omissa ou incorreta na GFIP, o que caracteriza vício material.      Carlos Alberto Mees Stringari                                 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 19515.004011/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     2 Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  devendo  a  multa  aplicada  ser  calculada  considerando  as  disposições do art. 35,  II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o  período  anterior  à  entrada  em  vigor  da  Medida  Provisória  n.  449  de  2008,  ou  seja,  até  a  competência  11/2008,  inclusive.  Vencidos  na  votação  os  Conselheiros  Bianca  Delgado  Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem  que a multa aplicada deve ser  limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições  introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c  art. 61, da Lei n.º 9.430/96).     (assinado digitalmente)  LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente         (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice­presidente da Turma),  Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André  Luís Mársico Lombardi.   Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 373          3 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado.  Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 309/318), que  bem resume o quanto consta dos autos:  DA AUTUAÇÃO   Trata­se  de  Auto  de  Infração  (AI)  DEBCAD  nº  37.313.480­0,  lavrado  pela  Fiscalização  contra  o  Contribuinte  em  epígrafe,  relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da  empresa,  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  segurados  contribuintes individuais – sócios.  O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 174.060,90  (cento  e  setenta  e  quatro  mil  e  sessenta  reais  e  noventa  centavos),  abrangendo  o  período  de  01/2006  a  12/2006,  consolidado em 24/11/2010.  O Relatório Fiscal, de fls. 215 a 223, informa que:  • O procedimento  de  fiscalização  foi  autorizado  pelo Mandado  de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF) nº 0819000 2010  01108­0,  de  09/04/2010,  com  ampliações  de  18/10/2010  e  26/10/2010;   • A ação  fiscal  foi  iniciada  em 29/04/2010,  data  da  ciência  do  Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF;  •  O  procedimento  fiscal  foi  encerrado  parcialmente,  com  a  ciência do Contribuinte, em 21/10/2010, tendo sido emitidos o AI  relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003304/2010­37)  e o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal   • Através  da  análise  dos  extratos  bancários  fornecidos,  foram  identificados,  durante  todo  o  ano  calendário  de  2006,  lançamentos  a  débito  na  conta  Unibanco  –  Ag.  7335  –  c/c  1032294,  com  o  histórico  “PGTO  SALÁRIOS”,  apesar  de  não  haver  empregados  na  empresa,  conforme  consulta  aos  dados  constantes  da  GFIP  –  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social;   •  Uma  vez  que  a  movimentação  financeira  não  estava  escriturada  integralmente  no  Livro  Caixa,  a  empresa  foi  intimada  a  apresentar  esclarecimentos,  tendo  informado,  conforme  declarações  anexas,  que  se  tratava  de  transferências  feitas  aos  sócios  a  título  de  distribuição  de  lucros,  não  sendo  possível,  entretanto,  a  identificação  dos  valores  pagos  a  cada  beneficiário.  Estes  pagamentos  mensais,  obtidos  através  dos  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     4 extratos bancários,  encontram­se discriminados no ANEXO 3 –  LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO (fl. 228);  • O Contribuinte  entregou  a DIPJ  2007,  ano  calendário  2006,  com  opção  de  tributação  pelo  Lucro  Presumido,  mas  com  valores  zerados  nos  rendimentos  e  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições;   • No caso de opção pelo lucro presumido, entende­se como lucro  passível  de  distribuição  o  valor  deste  lucro,  diminuído  dos  impostos  e  contribuições  devidos  (IRPJ,  CSLL,  COFINS,  PIS/PASEP).  O  item  5.1.4.1.  apresenta  a  legislação  relativa  à  distribuição  de  lucros  para  as  pessoas  jurídicas  submetidas  ao  regime de tributação com base no lucro presumido;   • Ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base  na Receita Apurada, e os valores pagos aos sócios, identificados  nos  extratos  bancários,  constatou­se  que  o  Contribuinte  distribuiu lucro acima do valor permitido;   •  Tendo  em  vista  que  o  Contribuinte  não  apresentou  escrituração  contábil,  que  comprovasse  que  o  lucro  contábil  apurado  superava  o  limite  permitido,  os  valores  pagos  acima  deste  limite  foram  considerados  como  pagamento  de  remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a  título de “pro  labore”, pelo  serviço prestado. A  tabela do  item  5.1.7 do Relatório Fiscal relaciona alguns sócios que constaram  das  notas  fiscais  de  serviços  ou  dos  aditivos  de  contrato  de  prestação  de  serviços  apresentados,  e  que,  conseqüentemente,  prestaram serviços;  • Diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a  cada  sócio,  e  considerando­se  que  a  movimentação  financeira  não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não  foram  apresentados  todos  os  contratos  e  aditivos  com  a  vinculação  do  sócio  que  efetivamente  prestou  o  serviço,  as  remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base  no artigo 33, §§ 3º e 6º;   • Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro  Presumido  (32%)  sobre  o  total  das  Receitas  Apuradas,  e  deduzidos  os  tributos  correspondentes  (IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS),  resultou  no  total  permitido  de  Lucros  a  Distribuir.  Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros  distribuídos  (valores  que  constam nos  extratos  bancários  como  pagamento  de  salários),  resultando  nos  Valores Distribuídos  a  Maior, conforme tabela demonstrativa do item 5.2.2;   •  Para  determinação  da  Receita,  no  encerramento  parcial  da  fiscalização, foi apurada Omissão de Receita através das Notas  Fiscais de Prestação de Serviços e a Presunção de Omissão de  Receitas  decorrentes  dos  créditos  não  comprovados  do  extrato  bancário.  Estes  valores  encontram­se  demonstrados  nas  planilhas  anexas,  integrantes  do  processo  nº  19515.003304/2010­37, relativo ao IRPJ e reflexos: ANEXO 1 –  PLANILHA  DOS  CRÉDITOS  JUSTIFICADOS  E  NÃO  JUSTIFICADOS (fls. 224/225); ANEXO 2 – DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DAS  INFRAÇÕES  (item  1  –  RECEITAS  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 374          5 BRUTAS OMITIDAS e item 2 –PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE  RECEITAS) (fls. 226/227);  •  Conforme  o  disposto  no  artigo  725,  do  Decreto  nº  3000/99  (RIR/99),  foi  efetuado  o  reajuste  dos  Valores  Distribuídos  a  Maior, considerados como pagamento  líquido aos contribuintes  individuais – sócios, utilizando­se a fórmula de reajustamento da  base  de  cálculo  para  obtenção  do  rendimento  bruto  de  acordo  com o artigo 20 da Instrução Normativa nº 15/2001. A tabela do  item 5.2.4 demonstra o reajuste efetuado;   •  O  item  7  do  Relatório  Fiscal  relaciona  os  documentos  examinados;   • O  item  8.3  do  Relatório  Fiscal  informa  que muito  embora  o  período de apuração auditado seja anterior à edição da Medida  Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, deve­se  observar  o  principio  da  retroatividade  benigna,  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  "c"  do  CTN,  comparando­se  a  multa  imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos  geradores  e  a  imposta  pela  legislação  superveniente,  a  fim  de  verificar  qual  a  penalidade  menos  onerosa  ao  Contribuinte.  Conforme  a  planilha  comparativa  de  cálculo  constante  do  ANEXO  6  (fl.  231),  coluna  “MULTA  MAIS  BENÉFICA”,  existem duas situações:    “ANTERIOR”  –  multa  de  mora  de  24%  e  Auto  de  Infração  código 68 – competências 02/2006 a 06/2006, 08/2006; 09/2006,  11/2006 e 12/2006   “ATUAL”  –  multa  de  ofício  de  75%,  competências  01/2006,  07/2006, e 10/2006.  • O  item 10.1  relaciona  os  demais Autos  de  Infração  lavrados,  referentes à contribuições previdenciárias;   • Por não informar a remuneração dos contribuintes individuais  –sócios  na  GFIP,  ficou  configurada,  “em  tese”,  a  prática  do  crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no  artigo 337­A, inciso I e III do Código Penal, na redação da Lei  nº  9983/2000,  motivo  pelo  qual  foi  formalizada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  a  ser  encaminhada  à  autoridade  competente;   Não  foi  emitida  Relação  de  Bens  e  Direitos  (artigo  8º,  parágrafo2º,  da  IN  SRF  nº  264/2002)  tendo  em  vista  que  o  Contribuinte declarou não possuir bens passíveis de registro;   •  A  Fiscalização  foi  atendida  pelo  Sr.  Welbison  Lopes  Lima,  CPF  nº  033.610.26822,  sócio  administrador,  a  quem  foram  prestados todos os esclarecimentos necessários.  Complementam  o  Relatório  Fiscal,  e  encontram­se  anexos  ao  Auto de Infração:  IPC – Instruções para o Contribuinte, de  fls.  201  a  202; DD – Discriminativo do Débito,  de  fls.  203  a  205;  FLD  –  Fundamentos  Legais  do  Débito,  de  fls.  206  a  207;  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     6 Relatório  de  Vínculos,  de  fls.  208  a  211;  RL  –  Relatório  de  Lançamentos,  de  fls.  212  a  213;  ANEXO  1  –Planilha  dos  Créditos Justificados e Não Justificados, fls. 224/225; ANEXO 2  –  Demonstrativo  de  Apuração  das  Infrações,  fls.  226/227;  ANEXO  3  –  Lucros  Distribuídos/Pagamento  Salário,  fl.  228;  Demonstrativo “Distribuição De Lucro/Pagamento Contribuinte  Individual  —  Sócio  Com  Reajuste  Da  Base  De  Calculo”,  fls.  229/230;  ANEXO  5  –  Cálculo  da  Multa  Aplicada,  fl.  232;  ANEXO 6 – Demonstrativo do Cálculo da Multa Mais Benéfica,  fl.  231;  Termo  de  Encerramento  do  Procedimento  Fiscal  –  TEPF, fl. 233; AR – Aviso de Recebimento, fl. 234.  Também  foram  juntados,  pela  Fiscalização:  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  e  Prorrogações,  fls.  02/04,  158/159;  Termos de  Início de Procedimento Fiscal,  de  Intimação Fiscal,  de Ciência e de Continuidade da Ação Fiscal, de Constatação e  Intimação  Fiscal,  AR´s  e  respostas  da  empresa,  fls.  05/10,  77/157,  160/168,  175/176,  e  190/199;  DIPJ  2007,  fls.  11/19;  Relato da Junta Comercial, fls. 20/50; Livro Caixa, ano de 2006,  fls. 51/64; Extrato de Conta Corrente, fls. 65/76; cópia do Termo  de Verificação Fiscal – Omissão de Receita IRPJ,  fls. 169/174;  Telas do sistema GFIP WEB, fls. 177/189.  Consta Termo de Juntada por Apensação, à fl. 235, do processo  de  nº  19515.004015/2010­55  ao  presente  processo  nº  19515.004011/2010­77.  DA IMPUGNAÇÃO   Tendo  sido  cientificada  do  Auto  de  Infração  em  27/11/2010,  conforme  AR  à  fl.  234,  a  Autuada  impugnou  o  lançamento  tempestivamente,  conforme  despacho  de  fl.  305,  através  do  instrumento  de  fls.  240/244,  com  juntada  dos  seguintes  documentos: (...)  (destaques nossos)    A  11ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  do  Rio  de  Janeiro  I,  como  afirmado  anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls.  307/331).   A  recorrente  foi  intimada da decisão em 06/11/2012  (fls. 337),  apresentado  Recurso Voluntário em 29/11/2012 (fls. 349/368), no qual alega:  *  a  lavratura  decorreria  do  quanto  apurado  no  19515.003958/2010­61.  Portanto, deveria ser reconhecida a conexão;  *  a  recorrente,  no  ano­calendário  de  2006,  teria  submetido  seus  resultados  econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto  n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as  contidas  no  artigo  48  da  Instrução  Normativa  n°  93/97,  conforme  exposto  na  impugnação  interposta  no  processo  administrativo  n°  19515.003958/2010­61  e  respaldado  pelas  demonstrações contábeis ali acostadas;  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 375          7 * discorda da decisão de primeira instância que afirma que o demonstrativo  de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006 não teria o condão  de  comprovar  o  montante  do  lucro  efetivo  e  que  tais  documentos  constituiriam  meros  demonstrativos  do  resultado  final  da  escrituração  de  cada  exercício,  de  sorte  que,  somente  através  da  contabilidade  da  empresa  é  que  se  tornaria  possível  apurar  se  o  lucro  distribuído  corresponderia ao lucro efetivo da empresa. Alega que o Código Civil e a Lei das Sociedades  Anônimas amparariam a aceitação do demonstrativo de resultado e balanço patrimonial.  * aduz que, diferentemente do quanto decidido na primeira instância, o  fato  de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos  sócios  que  excederem  ao montante  do  lucro  presumido,  sem  comprovação  de  sua  natureza,  somente  pode  ser  considerado  como  remuneração  pelo  trabalho  prestado,  jamais  como  remuneração do capital. Também é inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os  sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois trata­se de direito disponível;  * quanto ao protesto da impugnação por diligência, perícia e juntada de novos  documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso  se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas;  * requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa  Selic;  *  pleiteia  seja  suspensa  a  exigibilidade  dos  juros  moratórios  no  período  compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal.  É o relatório.  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     8 Voto               Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi    Conexão. Alega a recorrente que a lavratura decorreria do quanto apurado no  processo n° 19515.003958/2010­61, de  sorte que deveria ser  reconhecida a conexão entre os  processos.  Como  já  destacado  na  decisão  de  primeira  instância,  o  processo  n°  19515.003958/2010­61  trata  da  falta  de  retenção  e  recolhimento  do  IRRF  incidente  sobre  a  mesma  remuneração paga  aos  sócios  a  título de pro  labore. Portanto,  tributo  completamente  distinto daquele de que tratam os presentes autos.  Em verdade, pelo que consta dos autos, todas as lavraturas, inclusive aquela  constante do processo n° 19515.003958/2010­61, decorrem dos fatos apurados no processo n°  19515.003304/2010­37,  que  trata  do  IRPJ  e  reflexos  incidentes  sobre  omissão  de  receita  apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de  receitas). De novo, tributo de espécie diversa daquela de que versam os presentes autos.   Aliás,  cumpre  destacar  que  não  se  tem  notícia  de  que  a  recorrente  tenha  impugnado, no Auto de Infração n° 19515.003304/2010­37, estes fatos originários, dos quais  decorreram  não  só  os  Autos  de  Infração  relativos  às  contribuições  previdenciárias,  mas  também o suscitado processo n° 19515.003958/2010­61.   De  toda  sorte,  sendo  tributos  de  natureza  diversa,  com  regulamentações  amplamente  distintas,  mesmo  havendo  origem  fática  comum,  nada  há  que  justifique  ou  determine o reconhecimento da conexão entre o processo n° 19515.003958/2010­61 e os Autos  de  Infração  relativos  às  contribuições  previdenciárias.  Demais  disso,  o  processo  verdadeiramente originário é o de n° 19515.003304/2010­37, que, como visto, trata do IRPJ e  reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem  não comprovada (presunção de omissão de receitas).      Distribuição  de  Lucros  x  Pro­labore.  Como  visto,  da  documentação  apresentada  à  fiscalização  durante  o  procedimento  fiscal,  apurou­se  que  a  recorrente  omitiu  receitas descritas  em Notas Fiscais de Prestação de Serviços, além de  ter omitido as  receitas  apuradas  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  (presunção  de  omissão  de  receitas). Destes  fatos,  decorreu,  primeiramente,  a  lavratura  do Auto  de  Infração  relativo  ao  IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003304/2010­37).  Ocorre que, da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o ano­ calendário de 2006, foram identificados também lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag  7335 – c/c 1032294 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 376          9 empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo  de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como a movimentação  financeira  não  estava  integralmente  escriturada  no  Livro  Caixa,  a  recorrente  foi  intimada  a  esclarecer  qual  o motivo  dos  pagamentos,  a  que  título  eram  pagos  e  os  beneficiários,  sendo  informado que se tratava de transferências feitas aos sócios a  título de distribuição de lucros,  não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário.  Como  a  recorrente  entregou  a  DIPJ  com  opção  de  tributação  pelo  Lucro  Presumido,  mas  com  valores  zerados  nos  rendimentos  e  na  apuração  dos  tributos  e  contribuições,  comparou­se  o  valor  do  lucro  presumido  calculado  com  base  na  Receita  Apurada  e  os  valores  pagos  aos  sócios,  identificados  nos  extratos  bancários.  De  tal  cotejamento,  apurou­se  que  a  recorrente  distribuiu  lucro  acima  do  valor  permitido.  Como  a  recorrente não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado  superava  o  limite  permitido,  os  valores  pagos  acima  deste  limite  foram  considerados  como  pagamento de  remuneração  a  contribuintes  individuais –  sócios da  empresa,  a  título de  “pro  labore”, pelo serviço prestado à empresa (art. 201, § 5°, do RPS/99).  Importante  consignar  que  as  remunerações  foram  apuradas  por  aferição  indireta,  com  base  no  artigo  33,  §§  3  º  e  6º,  diante  da  impossibilidade  de  identificação  dos  valores  pagos  a  cada  sócio,  e  considerando­se  que  a  movimentação  financeira  não  estava  integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados  todos os contratos e  aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço.  Em  seu  recurso,  a  recorrente  aduz  que  teria  submetido  seus  resultados  econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto  n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as  contidas  no  artigo  48  da  Instrução  Normativa  n°  93/97,  conforme  exposto  na  impugnação  interposta  no  processo  administrativo  n°  19515.003958/2010­61  e  respaldado  pelas  demonstrações contábeis ali acostadas. Ora, a recorrente entregou a DIPJ 2007 (ano­calendário  2006) com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. Como,  então,  pode  ter  observado  as  aludidas  prescrições  legais?  É  evidente  que  não  respeito  as  normas aplicáveis. Ademais, é preciso considerar que não apresentou escrituração contábil que  comprovasse que o  lucro contábil apurado superava o  limite permitido. Por  tal  razão, não há  como  se  aceitar  o  demonstrativo  de  resultado  e  balanço  patrimonial  levantados  em  31  de  dezembro de 2006. Como afirmado na decisão de primeira instância, somente com o exame da  contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao  lucro efetivo da empresa.  Também alega a recorrente que o fato de a empresa não ter empregados não  conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do  lucro  presumido,  sem  comprovação  de  sua  natureza,  somente  pode  ser  considerado  como  remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Acrescenta que seria  inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada  mensal de pro labore, pois trata­se de direito disponível.  Na realidade, estes argumentos do decisório de primeira instância mostram­se  apenas  como  alegações  adicionais,  a  reforçar  o  procedimento  de  aferição  indireta  e  a  demonstrar  a  obscuridade  dos  procedimentos  adotados  pela  recorrente.  Ao  final,  apenas  atestam a esdrúxula situação da empresa não ter nenhuma espécie de mão de obra remunerada  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     10 e  o  não  cumprimento  das  disposições  societárias  que  estabelecem  a  remuneração  dos  sócios  pelos serviços prestados.  O  fato  que,  verdadeiramente,  importa  destacar  é  apenas  um:  não  foi  comprovada  a  existência  de  lucro  contábil  acima  do  lucro  apurado  na  sistemática  do  lucro  presumido,  razão pela qual  foram  tributados os valores pagos acima deste  limite  (reajustados  nos termos do art. 725 do RIR/99, aprovado Decreto n° 3.000/99).   Vejamos a apuração discriminada no Relatório Fiscal:      Como  visto,  são  claros  e  acertados  os  critérios  utilizados  pela  autoridade  fiscal, não remanescendo nenhuma dúvida quanto à legitimidade do lançamento.  Nesse sentido, já se posicionou a Coordenação­Geral de Tributação da RFB,  conforme se depreende da Solução de Consulta nº 76/2010:    Solução de Consulta nº 76, de 3 de setembro de 2010   ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias   EMENTA:  SOCIEDADE  EMPRESÁRIA.  LUCRO  DISTRIBUÍDO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  BASE  DE  CÁLCULO.  Os  valores  pagos  aos  sócios  de  sociedade  empresária  a  título  de  lucro  ou  de  antecipação  de  lucro  não  integram  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  se  houver escrituração contábil regular por meio dos livros Diário  e  Razão,  com  discriminação  da  remuneração  decorrente  do  trabalho e da proveniente do capital social, independentemente  do regime de tributação adotado pelo contribuinte.   DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal, art. 195, I, "a";  Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto  Nº 3.048/1999, art. 201, §§ 1º e 5º, art. 225, II e § 13; Instrução  Normativa RFB Nº 971/ 2009, art. 57, II, e §§ 5º e 6º.  (destaques nossos)  Portanto, conclui­se que razão nenhuma assiste à recorrente.  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 377          11   Protesto por provas. A recorrente, quanto ao protesto feito na impugnação  por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão  de  primeira  instância,  aduzindo  que,  caso  se  mostrem  necessárias,  nos  termos  da  Lei  n°  9.784/99, devem ser deferidas.  Primeiramente,  deve­se  ressaltar que  a  recorrente não especifica qual prova  pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostra­se meramente teórica, sem qualquer efeito  prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do  Recurso Voluntário.  Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiu­se a ressaltar que a produção  de  provas  deve  atender  ao  artigo  16,  §  4°,  do  Decreto  n°  70.235/72,  que  já  contempla  o  princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser  apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação.  Sendo  assim,  seja  porque  a  argumentação  da  recorrente  está  despida  de  qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática,  limitou­se  a  apontar  a  regra  jurídica  aplicável  à  situação  hipotética,  o  inconformismo  da  recorrente deve ser rechaçado.     Taxa  Selic.  A  recorrente  requer  o  afastamento  da  incidência  de  juros  moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como  juros moratórios tem­se a Súmula CARF n° 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento,  por  esta  instância recursal, do pleito da recorrente.    Juros Moratórios. Suspensão da Exigibilidade. A recorrente pleiteia ainda  seja  suspensa  a  exigibilidade  dos  juros  moratórios  no  período  compreendido  entre  a  interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal.  A respeito do tema cumpre citar a Súmula CARF n° 4:  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.    Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     12 Portanto,  da  mesma  forma,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente.    Multas. Direito Intertemporal. Impõe­se a esta instância julgadora analisar  questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada.   O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha  a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício:  Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos: (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída  em  notificação  fiscal  de  lançamento:    a)  quatro  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação;    b)  sete  por  cento,  no  mês  seguinte;    c)  dez  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento  da  obrigação;    a)  oito  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº  9.876,  de  1999).   c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).   II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:   a)  doze  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação;    b)  quinze  por  cento,  após  o  15º  dia  do  recebimento  da  notificação;    c)  vinte  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social  ­  CRPS;   d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  enquanto  não  inscrito  em  Dívida  Ativa;    a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da  notificação; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social  ­  CRPS; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº  9.876,  de  1999).   III  ­  para  pagamento  do  crédito  inscrito  em  Dívida  Ativa:    a)  trinta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 378          13 parcelamento;    b)  trinta  e  cinco  por  cento,  se  houve  parcelamento;    c)  quarenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;    d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi  objeto  de  parcelamento.    a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   d) cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).   §  1º Na hipótese  de  parcelamento  ou  reparcelamento,  incidirá  um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se  refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória  nº  449,  de  2008)(Revogado  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)   §  2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº  449,  de  2008)  (Revogado  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)   §  3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §  1º  deste  artigo.(Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008) (Revogado  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)   § 4o Na hipótese de as contribuições  terem sido declaradas no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta  por  cento. (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado  pela Lei nº 11.941, de 2009)  (destaques nossos)    Verifica­se  dos  trechos  destacados  que  a  multa  prevista  anteriormente  no  artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações,  inclusive no  lançamento de  ofício  (“créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento”)  e  com  percentuais  que  avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou  procedimental  (lançamento,  inscrição  em  dívida  ativa,  ajuizamento  da  execução  fiscal,  etc.).  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     14 Nesse sentido, conclui­se que, a despeito de ser  intitulada de multa de mora, punia não só a  prática  do  atraso, mas  também a  necessidade  de movimentação  do  aparato  estatal  que  cumpria  o  dever  de  ofício  de  se mobilizar  para  compelir  o  contribuinte  ao  recolhimento  do  tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício.  Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e  a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu  duas  hipóteses  de  naturezas  jurídicas  distintas,  pouco  importa  a  denominação  utilizada  pelo  legislador  (“multa  de  mora”),  sendo  de  se  reconhecer,  conforme  o  caso,  de  que  instituto  jurídico efetivamente está se tratando.  Isso  importa  no  caso  em  comento  porque  os  dispositivos  legais  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições  previdenciárias  sofreram  profundas  alterações  pela  Medida  Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Pode­se afirmar, de  pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de  ofício,  não  incidindo  no  equívoco  terminológico  da  redação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores.  É  sabido  que  em  razão  do  que  dispõe  o  art.  144  do  CTN,  vigora  com  intensidade  no  Direito  Tributário  o  princípio  geral  de  direito  intertemporal  do  tempus  regit  actum, de sorte que o  lançamento  tributário é  regido pela lei vigente à data de ocorrência do  fato  gerador,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada.  Ocorre  que,  apesar  do  princípio  de  direito  intertemporal  citado,  o  art.  106,  II,  ‘c’  do  CTN,  prevê  a  retroatividade  benigna em matéria de infrações tributárias:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Portanto,  é  preciso  reconhecer  que  se  aplicae  a  lei  vigente  à  data  da  ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa.  Importa­nos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da  Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no  artigo 35­A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96:  Lei n° 8.212/91:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).    Lei n° 9.430/96:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004011/2010­77  Acórdão n.º 2302­002.860  S2­C3T2  Fl. 379          15 I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n°  8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos  que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é  menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação.   Sendo  assim,  entende­se  que  deveria  a  autoridade  fiscal  lançadora  ter  comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa  hoje prevista no artigo 35­A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria  pela  aplicação,  a  princípio,  da  multa  prevista  na  redação  anterior  do  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91.  Todavia,  a  autoridade  fiscal,  aplicando o Parecer PGFN CAT nº  443/2009,  efetuou  comparativo  considerando,  a  soma  da  sanção  decorrente  de  infração  à  obrigação  principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória  (declaração  em  GFIP),  como  se  ambas  tivessem  sido  substituídas  pela  multa  de  ofício  ora  estipulada  no  artigo  35­A  da  Lei  n°  8.212/91.  Assim,  foi  levada  ao  equívoco  de  que  a  legislação  superveniente  seria  mais  benéfica  (multa  de  ofício  de  75%)  em  algumas  competências.   Como  a  sanção  por  descumprimento  de  obrigação  principal  e  a  sanção  por  descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser  feito  entre  sanções  decorrentes  de  infrações  às  obrigações  principais  ou  entre  sanções  decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras.  Como  afirmado,  se  tivesse  procedido  na  forma  proposta,  concluiria  pela  aplicação, a princípio, da multa prevista na  redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91  para todas as competências. E afirma­se “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que  eventuais  e  futuras,  os  percentuais  antes  previstos  no  artigo  35  podem  se  mostrar  mais  gravosos,  na  hipótese  de  crédito  inscrito  em  dívida  ativa,  após  o  ajuizamento  da  ação  fiscal  (antigo  artigo  35,  III,  alíneas  c  e  d,  da  Lei  n°  8.212/91).  Portanto,  apenas  nestas  situações  específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer.  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL devendo,  à multa  pelo  descumprimento  de obrigação  principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela  Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de  2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive.  É como voto.    (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI     16                             Fl. 387DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI

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Numero do processo: 10880.976954/2009-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO. É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteá-lo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
Numero da decisão: 3803-004.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Esta  Contribuinte  transmitiu  a  Declaração  de  Compensação  ­  DComp  nº  34121.64661.291105.1.3.04­2095, fls. 2/6, utilizando como crédito pagamento supostamente a  maior  de  PIS  cumulativo,  relativo  ao  mês  de  maio  de  2002,  no  valor  de  R$  23.627,31,  do  DARF pago de R$ 237.704,10.  Despacho Decisório eletrônico, de 24 de agosto de 2009, da Derat/São Paulo,  fl. 7, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente  utilizado na quitação do débito declarado em DCTF.  Em manifestação de  inconformidade  apresentada,  fls.  11/19,  a Contribuinte  argüiu que:  a)  incluiu  na  base  de  cálculo,  indevidamente,  a  receita  denominada  REDECARD, contabilizada no mês de junho de 2002 (doc.5), na rubrica contábil 7.19.99.00.9  ­ sub 57.199.900.939.8, o que resultou no pagamento da Cofins no valor de R$ 237.704,10;  b) com a exclusão da dita  receita,  conforme planilha demonstrativa à  fl. 47  (doc. 4), o tributo devido passou a ser de R$ 214.076,79;  c) tal receita foi gerada pela participação da Requerente no Consórcio, onde a  REDECARD é a líder. Por força contratual, a FNC tem direito, a partir de 01 de dezembro de  1997,  a  33,3333%  das  operações  de  desconto  receptivo,  licenciados  e  aluguel  de  POS  (conforme  2ª Alteração  do  Contrato  de  Constituição  do  Consórcio  REDECARD  ­  doc.  7),  sendo  que  os  tributos  incidentes  sobre  a  referida  receita  são  recolhidos  pela  Líder  do  Consórcio, conforme cláusula quinta ­ § 1° do contrato;  d) ao fazer a inclusão da "Receita REDECARD" nas bases de cálculo do PIS  e da Cofins essa receita acabou sendo tributada em duplicidade, pois foi objeto de tributação na  REDECARD  (vide  bases  de  cálculo  de Cofins  e  do  PIS  da REDECARD  e DARF  ­  doc.8).  Sendo assim, não há que se questionar a origem do crédito utilizado pela Requerente;  e)  a  conduta  da  Administração  Pública  deve  pautar­se  pelo  princípio  da  legalidade previsto no art. 5o, II, e no art. 150, I, da CF/88, que veda a cobrança de tributos sem  previsão legal. Dessa forma, para que exista cobrança de impostos é necessária a ocorrência do  fato gerador e que todos os seus elementos estejam previstos em lei;  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976954/2009­27  Acórdão n.º 3803­004.699  S3­TE03  Fl. 173          3 f) tratando­se de fato gerador, vigora o princípio da verdade material, sendo  que neste caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a  gerar a incidência tributária;  g) ocorreu um equívoco no preenchimento da DCTF, um erro formal, na qual  a empresa lançou como débito apurado valor maior que o devido, erro este que a Requerente se  prontificou  em  retificar,  mas  ficou  impossibilitada  pois  o  recolhimento  tem  período  de  apuração de maio de 2002.   Em julgamento da lide a DRJ/São Paulo I:  a)  referiu  acerca  da  certeza  e  liquidez  que  há  de  ter  o  crédito  alegado,  documentalmente comprovada.  b)  verificou  que  foram  trazidos  aos  autos  Contrato  de  Constituição  de  Consórcio REDECARD, planilha demonstrativa da base de cálculo, cópia simples de balancete  e  DARF  da  REDECARD  Contudo,  considerou  que  esses  documentos  não  eram  suficientes  para  fazer  prova  a  favor  da  Manifestante,  pois  não  comprovam  o  alegado  erro  na  base  de  cálculo  das  contribuições,  ou  seja,  que  a  Receita  REDECARD  tenha  sido  tributada  em  duplicidade.  Aduziu  que  seria  importante  a  apresentação  prévia  da  DCTF  retificadora,  bem  como da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos  documentos que lhe dão sustentação, em obediência ao disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto n°  70.235/72;  c) ressaltou o ônus da prova pertinente à Manifestante. Uma vez dele não se  tendo desincumbido, não havia razão para deferir o pedido de diligência.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Data do fato gerador: 15/06/2002  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  RECONHECIDO.  COMPROVAÇÃO  INSUFICIENTE.  A  insuficiência  da  apresentação  de  prova  inequívoca  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  com  vistas  a  comprovar  a  existência  de  crédito  proveniente  de  recolhimento  indevido ou a maior, acarreta a negativa de  reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a  não­homologação da compensação declarada,  em  face da  impossibilidade  da  autoridade  administrativa  aferir  a  liquidez e certeza do pretenso crédito.  RETIFICAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  DE  DÉBITOS  E  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  FEDERAIS  (DCTF).  NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 Consideram­se  confissões  de dívida  os  débitos  declarados  em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no  seu  preenchimento,  cuja  correção  resulte  em  crédito  ao  Sujeito  Passivo,  precisa  ser  comprovada  mediante  documentos  contábeis  e  fiscais  que  justifiquem  as  alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  A autoridade julgadora de primeira instância determinará,  de ofício ou a  requerimento do Contribuinte, a  realização  de diligências ou perícias, quando entendê­las necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis.  Cientificada  da  decisão  em  25  de  abril  de  2012,  irresignada,  apresentou  recurso  voluntário,  103/115,  em  22  de maio  de  2012,  em  que  reitera  todos  os  fundamentos  trazidos  na  manifestação  de  inconformidade,  mencionando  os  mesmos  documentos  ali  anexados.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa ­ Relator  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  A origem do crédito de Cofins utilizado na declaração de compensação sob  análise, conforme o alegado, é pagamento efetuado em duplicidade com o também feito pela  empresa líder do Consórcio de que esta pessoa jurídica participa, denominado REDECARD.  Argumenta  a Recorrente  que  por  força  contratual,  a FNC  tem direito  a  um  terço do  resultado das operações decorrentes de desconto  receptivo,  licenciados e aluguel de  POS, conforme 2ª Alteração do Contrato de Constituição do Consórcio REDECARD (doc. 6),  sendo que os  tributos  incidentes  sobre  a  referida  receita  deviam  ser  e  foram  recolhidos  pela  Líder do Consórcio, conforme cláusula quinta ­ § 1° do referido contrato  É  fato  que  o  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  e  os  demais  tributos  incidentes  sobre  as  receitas  devem  ser  retidas  das  consorciadas,  conforme  estipulação  do  parágrafo primeiro do Contrato de Constituição de Consórcio Redecard[1],.assim pactuado entre  as Partes contratantes e formadoras do Consórcio.  Os  diversos  documentos  contábeis  anexados  à  defesa  foram  considerados  insuficientes  para  gerar  a  convicção  do  Colegiado  de  primeira  instância  quanto  à  certeza  e  liquidez  do  crédito  da  Pleiteante  perante  a  Receita  Federal  do  Brasil­RFB,  do  que,  com  fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, o Colegiado a quo exarou sua decisão                                                              1  PARÁGRAFO  PRIMEIRO:  O  ISS,  PIS,  COFINS  ,  Imposto  de  Renda  na  Fonte  e  quaisquer  outros  tributos  incidentes  sobre  as  receitas  atribuídas  às  CONSORCIADAS  serão  retidos  e  recolhidos  pela  LÍDER  DO  CONSÓRCIO,  sendo  cada  CONSORCIADA,  relativamente  às  incidências  tributárias  que  !he  digam  respeito,  solidária com a LÍDER DO CONSÓRCIO na mesma proporção de cada participação nas receitas, como definido  no Anexos I, II, III e1V deste contrato.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976954/2009­27  Acórdão n.º 3803­004.699  S3­TE03  Fl. 174          5 pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade.  Aduziu  o  Relator  que  “é  de  incumbência  do  contribuinte  comprovar  ter  recolhido  de  forma  indevida  ou  a  maior  que  o  apurado, em conformidade com as hipóteses disciplinadas pelo art. 165 do CTN”.  Ressalvado  o  equívoco  do  voto  condutor  na  apreciação  dos  documentos  anexados  à  manifestação  de  inconformidade,  no  ponto  em  que  não  avalia  o  Razão  da  Recorrente  em  que  registra  a  receita  recebida  da  líder,  REDECARD  S.A.,  documento  está  titulado  como  balancete.  Correta  a  posição  adotada  de  não  contemporizar  com  a  falta  do  mesmo  documento  contábil  (ou  o Diário)  da REDECARD S.A.  em  todos  os  processos,  que  visassem  à  comprovação  da  sua  base  de  cálculo  e,  sequencialmente,  da  duplicidade  do  pagamento da contribuição.  No  recurso  voluntário,  a  Recorrente  nada  mais  acrescenta  no  tocante  a  documentos  comprobatórios,  pelo  que,  não  pode  ser  outro  o  desfecho  do  presente  conflito,  confirmando­se o desprovimento na primeira instância.  De mais a mais, importa destacar que o direito à compensação de créditos do  contribuinte perante a RFB, como é consabido, está regulado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96,  verbis:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  Induvidosamente,  a  estipulação  dessa  norma  encontra  fundamento  de  validade no art. 170 do CTN ­ citado pela decisão recorrida ­ uma vez que o crédito apurado  por contribuinte e utilizado na compensação unilateral de débito tributário que este promove ­  com  força  extintiva  ­  vincula­se  aos  pressupostos  de  certeza  e  liquidez.  Estes  dois  atributos  pressupostos do crédito apurado hão de ser posteriormente, em tese, objeto de verificação pela  Fazenda,  tendo em vista a homologação da compensação, momento em que o crédito poderá  ser  controvertido,  não  reconhecido  e  a  compensação  não  homologada,  pelo  implemento  da  condição resolutiva.  O crédito certo é aquele que é manifesto na sua existência e que se adere ao  titular do direito subjetivo de repeti­lo, por decorrer de pagamento indevido ou a maior. Crédito  líquido  é  aquele  delimitado  na  sua  extensão.  Assim,  líquido  e  certo  é  o  crédito  apto  a  ser  exercitado no momento da sua apuração. O contribuinte só apura crédito perante a Fazenda à  luz de um direito subjetivo que julga possuir, dimensionando­o a partir do critério quantitativo  do fato gerador (base de cálculo e alíquota).  A  decisão  recorrida  ancorou  a  sua  razão  de  decidir  na  falta  da  liquidez  e  certeza  do  crédito. No  entanto,  o  fez  sob  o  prisma da  liquidez  e  ante  a  falta  de documentos  processualmente idôneos para comprovação das bases de cálculo, em especial da REDECARD  S.A..  Deixou  de  apreciar  a  questão  relativa  à  certeza  do  crédito,  quanto  a  sua  existência  e  titularidade.   Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Nesse caminho, cabe verificar se o sujeito passivo pode apurar o crédito que  alega  possuir  para  que  venha  à  existência.  Isso  se  faz  discernindo  que  o  sujeito  passivo  da  obrigação de pagar a Cofins e a contribuição para o PIS é quem aufere a receita, nos termos do  art.  1º  da  Lei  nº  9.718/98.  Regida  por  esta  lei  a  administração  dessas  contribuições  ­  e  disciplinada  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  247/2002  ­  não  há  nela  preceito  elegendo  responsável  tributário  na  hipótese  de  operações  realizadas  por  meio  de  consórcio.  Noutra  palavra, quem deve recolher as contribuições é cada consorciada, na razão de suas atividades e  faturamento em atuação pelo consórcio.   Disso  se  dessume  que  a  FNC  Comércio  e  Participações  Ltda.  pagou  devidamente  as  contribuições  sobre  as  receitas  recebidas  da  REDECARD  S.A..  Assim,  se  houve  duplicidade  de  recolhimento  quem  nela  incorrera  indevidamente  fora  a  REDECARD  S.A,  sendo  sua  a  legitimidade de pleitear  a  repetição do  indébito,  não da FNC Comércio  e  Participações.  Em  que  pese  disciplina  pontual  desta  matéria  somente  ter  ocorrido  com  a  edição da Instrução Normativa RFB nº 834, de 26 de março de 2008, sabe­se que regulamento  não  cria  direito,  mas  dispõe  sobre  direito  preexistente  já  regulado  em  lei,  no  caso  a  Lei  nº  9.718/98, sob cujo regime operaram as empresas consorciadas até o mês de novembro de 2002,  relativamente ao PIS e durante todo o ano de 2002 relativamente à Cofins. Os seus arts. 4º e 5º  dispõem que:   Art.  4º  O  faturamento  correspondente  às  operações  do  consórcio  será  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  consorciadas,  mediante  a  emissão  de  Nota  Fiscal  ou  Fatura  próprios,  proporcionalmente  à  participação  de  cada uma no empreendimento.   § 1º Nas hipóteses autorizadas pela legislação do Imposto  sobre Operações  relativas à Circulação de Mercadorias e  sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  (ICMS)  e  do  Imposto  Sobre  Serviços  de  Qualquer  Natureza,  a  Nota  Fiscal  ou  Fatura  de  que  trata  o  caput  poderá  ser  emitida  pelo  consórcio  no  valor  total.  ( Redação dada pela  IN RFB nº  917, de 9 de fevereiro de 2009 )   §  2º  Na  hipótese  do  §  1º,  o  consórcio  remeterá  cópia  da  Nota Fiscal  ou Fatura  às  pessoas  jurídicas  consorciadas,  indicando  na  mesma  as  parcelas  de  receitas  correspondentes  a  cada  uma  para  efeito  de  operacionalização do disposto no caput do art. 3º.   § 3º No histórico dos documentos de que  trata este artigo  deverá  ser  incluída  informação  esclarecendo  tratar­se  de  operações vinculadas ao consórcio.   Art.  5º  A  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins  relativas  às  operações  correspondentes  às  atividades  dos  consórcios  serão  apuradas  pelas  pessoas  jurídicas  consorciadas  proporcionalmente  à  participação  de  cada  uma  no  empreendimento,  observada  a  legislação  específica.   Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976954/2009­27  Acórdão n.º 3803­004.699  S3­TE03  Fl. 175          7 Esta  disciplina  está  reiterada  atualmente  na  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.199, de 14 de outubro de 2011.  Demais,  reza o Código Tributário Nacional que as convenções particulares,  tais como as firmadas mediante o contrato que rege o consórcio REDECARD, não podem ser  opostas à Fazenda, segundo dispõe o art. 123, verbis:  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo  pagamento de  tributos,  não podem ser opostas  à Fazenda  Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo  das obrigações tributárias correspondentes.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 23 de outubro de 2013  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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5220456 #
Numero do processo: 10120.006808/2006-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - AVERBAÇÃO EFETIVADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL NÃO APRESENTADO. A norma expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR da área de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de utilização limitada, podendo ser levado em conta para tal finalidade, dentre outros, a sua averbação ou termo de responsabilidade de averbação, tal qual ocorre neste feito. No caso, o início da ação fiscal se deu em 22/08/2006, há Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal firmado entre o interessado e o órgão ambiental competente em 13/04/2005, além da averbação feita em 07/05/2005, sendo que o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/2002. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 123          1 122  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10120.006808/2006­91  Recurso nº  340.443   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­002.933  –  2ª Turma   Sessão de  05 de novembro de 2013  Matéria  ITR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  UBALDO NEVES    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2002  ITR ­ ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ­ AVERBAÇÃO EFETIVADA  APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, MAS ANTES DO INÍCIO  DA  AÇÃO  FISCAL  ­  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL  NÃO  APRESENTADO.  A norma expressa no artigo 17­O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe  foi  dada  pela  Lei  10.165/2000,  não  é  taxativa  quanto  à  exigência  de  apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do  ITR  da  área  de  utilização  limitada.  O  ADA  restringe­se  a  informações  prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas  de interesse ecológico.  Extrai­se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item  n° 40, que  a própria Administração Pública entende que o ADA  tem efeito  meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área  de  utilização  limitada,  podendo  ser  levado  em  conta  para  tal  finalidade,  dentre outros, a sua averbação ou termo de responsabilidade de averbação, tal  qual ocorre neste feito.  No  caso,  o  início  da  ação  fiscal  se  deu  em  22/08/2006,  há  Termo  de  Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal firmado entre o interessado  e o órgão ambiental competente em 13/04/2005, além da averbação feita em  07/05/2005, sendo que o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/2002.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 68 08 /2 00 6- 91 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 124          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao  recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo  Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.    (Assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage – Relator  EDITADO EM: 13/11/2013  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice­Presidente), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos,  Gonçalo  Bonet  Allage,  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira  e Elias Sampaio Freire.  Relatório  Em face de Ubaldo Naves foi lavrado o auto de infração de fls. 23­28, para a  exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2002, em razão da glosa de  áreas de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado  Fazenda Corumbacaina, situado no município de Corumbaiba (GO).  A  autoridade  lançadora  justificou  a  constituição  do  crédito  tributário  da  seguinte forma (fls. 24­25):  Da análise dos documentos apresentados, pudemos extrair, para  efeito  fiscal  do  fato  gerador  do  ITR/2002,  referente  ao  imóvel  supraqualificado,  que  das  áreas  de  172,1ha  e  380,0ha,  informadas pelo contribuinte nos itens 02 e 03, do quadro 08, da  Ditr/2002,  respectivamente,  como  áreas  de  preservação  e  de  utilização  limitada,  do  tipo  reserva  legal,  que,  desta  última,  378,2ha  encontram­se  averbados  à  margem  da  inscrição  de  matrícula do imóvel no CRI de Corumbaiba.GO, a partir de 7 de  maio de 2.005, conforme Av­3 da matrícula 2.311, gravada por  aquele Cartório à margem da  inscrição de matrícula do  imóvel  naquela data.  Em consonância com a legislação ambiental, sobretudo, com os  dispositivos da Lei 4.771/65 (Código Florestal) e suas alterações  introduzidas  pela  MP  2.166­67,  de  24  de  agosto  de  2001,  o  Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, em especial, nos  seus  arts.  12  e  14,  caput's  e  §§,  exige,  notadamente,  para  as  áreas  de  utilização  limitada,  dos  tipos  reserva  legal  e  servidão  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 125          3 florestal, que elas devem estar averbadas à margem da inscrição  de  matrícula  do  imóvel  no  competente  registro  de  imóveis,  na  data de ocorrência do respectivo fato gerador do ITR, a  fim de  que  o  interessado  possa  gozar  do  beneficio  de  excluí­las  das  demais áreas tributáveis do imóvel.  O contribuinte não apresentou, na sua remessa de documentos,  o comprovante de entrega do Ato Declaratório Ambiental ­ ADA,  do  órgão  competente,  para  satisfazer,  plenamente,  condição de  uso da prerrogativa de exclusão daquelas áreas de preservação e  de utilização limitada como de natureza não tributável. A leitura,  feita pelo sistema da SRF no banco de dados do Ibama sobre os  Atos  Declaratórios  Ambientais  (ADA's),  objeto  de  comunicação  daquele Instituto à Coordenação de Fiscalização desta Secretaria,  em 6.2.2006, por intermédio do oficio n° 31/2006­CCGREF, não  apontou  a  certificação  do  ato  ambiental,  daquelas  áreas  de  preservação permanente e de utilidade limitada, registradas pelo  contribuinte na Ditr/2002.  A  declaração,  sob  análise,  trata­se  do  ano­de­referência  2002,  levando  à  obrigatoriedade,  para  se  fazer  valer  o  uso  da  prerrogativa  de  exclusão  de  área  tributável,  declarada  como  preservação permanente e utilização limitada, de protocolização  do  respectivo  requerimento  no  prazo  de  ate  6  (seis)  meses,  contado a partir do  término do prazo  fixado para a entrega da  Ditr  (no  caso,  Ditr  de  2002),  conforme  art.  10,  §  3°,  I,  do  Decreto  4.382/02,  que  regulamenta  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação e administração do ITR, c/c, art. 9°, § 3°, I, da IN  SRF n°  256/02,  decorrentes  da  nova  redação  conferida  ao  art.  17­0, § 5°, da Lei 6.938/81, pelo art. 1°, da Lei 10.165/00.  No caso, a ação fiscal teve início em 22/08/2006 (fls. 12), o contribuinte não  apresentou  o  ADA,  mas  efetivou  averbação  da  área  de  reserva  legal  de  378,26923  ha  em  07/05/2005 (fls. 14), em razão de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal  firmado em 13/04/2005  junto à Agência Goiana do Meio Ambiente e Recursos Naturais  (fls.  14).  As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas  de 172,1 ha para 0,0 ha e de 380,0 ha para 0,0 ha (fls. 26).  A  1ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 59­64).  Por  sua vez,  apreciando o  recurso voluntário  interposto pelo contribuinte,  a  Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF  proferiu  o  acórdão  n°  2101­00.473,  que  se  encontra às fls. 88­95, cuja ementa é a seguinte:  Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Exercício: 2002  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL  RURAL.  ISENÇÃO  CONDICIONADA.  ATO  DECLARATÓRIO  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 126          4 AMBIENTAL.  OBRIGATORIEDADE.  POSSIBILIDADE  DE  APRESENTAÇÃO ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.  A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou­se  requisito  indispensável  para  a  fruição  da  redução  da  base  de  calculo  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural,  passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista  a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do  art. 17­0, §1°, da Lei n.° 6.938/81.  Contudo,  referido  dispositivo  não  fixa  prazo  determinado  para  apresentação  de  ato  declaratório,  tampouco  a  necessidade  de  sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o  fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR.  Diante  dessa  lacuna,  na  forma  como  estatuído  pelo  art.  97,  inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a  desconsideração  da  isenção  tributária  no  caso  da  mera  apresentação intempestiva do ADA.  Considerando­se  que  a  apresentação  do  ADA  possui  papel  prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder  de polícia do IBAMA, denota­se que sua entrega até o início da  fiscalização  cumpre  sua  finalidade  maior,  ainda  que  intempestiva.  Hipótese  em  que  o  Recorrente  comprovou  documentalmente  a  existência da área de reserva legal, mediante a apresentação de  cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação.  Recurso provido em parte.  A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso  voluntário para restabelecer a área de reserva legal de 378,3 hectares, vencidos os Conselheiros  Caio Marcos Cândido e Ana Neyle Olímpio Holanda.  Intimada  do  acórdão  em  15/07/2010  (fls.  96),  a  Fazenda Nacional  interpôs  recurso  especial  às  fls.  99­103,  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  104­108,  cujas  razões  podem ser assim sintetizadas:  a) Insurge­se  a  União  (Fazenda  Nacional)  contra  acórdão  da  1ª  Turma  Ordinária da 1ª Câmara  da 2ª Seção de  Julgamento do CARF que deu  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  determinar  que  fosse  considerada como de utilização limitada, a área de 378,3 ha;  b) Divergindo  do  entendimento  da  1ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara,  os  acórdãos  paradigmas  (n°  301­34352  e  302­39144)  exigem  a  apresentação  tempestiva  do  Ato  Declaratório  Ambiental  —  ADA  ou  mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste,  junto ao  órgão  ambiental  competente,  tudo  com  vistas  ao  reconhecimento  da  isenção do ITR — exercício 2001 sobre as áreas de utilização limitada;  c) Os acórdãos recorrido e paradigma partem de premissas fáticas idênticas,  tendo em vista que  todos discutem  lançamentos  relativos  ao  ITR, para  chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado dispensa  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 127          5 a  comprovação  por meio  de ADA,  considerando  a mera  existência  de  Termo  de Responsabilidade,  os  acórdãos  paradigmas  não  dispensam  a  referida exigência a partir do exercício 2001,  tendo como base o artigo  17­O da Lei n 6.938/81;  d) Da  análise  das  alegações  e  da  documentação  apresentadas  pelo  contribuinte,  com  a  finalidade  de  justificar  a  área  de  reserva  legal,  confirma­se o não cumprimento da exigência da apresentação de ADA  perante  o  IBAMA  ou  órgão  conveniado,  relativamente  ao  ITR  do  exercício de 2001 e 2002;  e) A Lei n° 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e  reserva legal da incidência do ITR no art. 10, inciso II;  f) O primeiro ponto que se deve destacar, no tocante às áreas de preservação  permanente  e  reserva  legal,  é  que  o  citado  dispositivo  legal  trata  de  concessão  de  benefício  fiscal,  razão  pela  qual  deve  ser  interpretado  literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966  (Código Tributário Nacional ­ CTN);  g) Assim, para  efeito da  exclusão da  área de  reserva  legal da  incidência do  ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal  específica  e  individualmente  da  área  como  tal,  apresentando  o  ADA  respectivo ou protocolizando  requerimento de ADA perante o  IBAMA  ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de  seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da  declaração;  h) A  exigência  do ADA  encontra­se  consagrada  na  Lei  n°  6.938,  de  31  de  agosto de 1981, art. 17­0, § 1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n°  10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2002. De  fato, esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e  atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos  contribuintes  para  o  reconhecimento  das  áreas  de  utilização  limitada,  com vista à redução da incidência do ITR;  i)  A  obrigatoriedade  de  apresentação  do  ADA  ou  do  protocolo  de  requerimento  para  sua  emissão  é  exigência  que  sempre  decorreu  da  legislação tributária e, atualmente, encontra previsão expressa no art. 17­ 0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, já em vigor para o ITR/2002, tal como é o  caso dos autos;  j)  Da mesma forma, a  Instrução Normativa SRF n° 60, de 06/06/2001, que  revogou a Instrução Normativa SRF n° 73/2000, consolidou, em seu art.  17, caput e incisos, a exigência de lei;  k) O  Decreto  n°  4.382,  de  19/09/2002,  por  sua  vez,  que  regulamenta  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação  e  administração  do  ITR  (Regulamento  do  ITR),  e  que  consolidou  toda  base  legal  deste  tributo  que  se  encontrava  em  vigência  à  data  de  sua  edição  em  um  único  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 128          6 instrumento ­ inclusive a Medida Provisória n° 2.166­67/2001, tratou da  matéria em seu art. 10;  l)  Nos  termos  da  legislação,  o  contribuinte  teria  o  prazo  de  seis  meses,  contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do  ato declaratório junto ao IBAMA;  m)  Logo,  ao  estabelecer  a  necessidade  de  reconhecimento  pelo  Poder  Público,  a Administração Tributária,  por meio de  ato normativo,  fixou  condição para a não­incidência  tributária sobre as áreas de preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  elencadas  e  definidas  no  Código  Florestal e na legislação do ITR;  n) A exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua  exigência  não  está  vinculada  ao  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização de  tributos, nem se converte,  caso não apresentado ou não  requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2°  e  3°,  da Lei  n°  5.172/1966  (Código Tributário Nacional — CTN). Ou  seja:  a  ausência  do  ADA  não  enseja  multa  regulamentar  ­  o  que  ocorreria  caso  se  tratasse de obrigação acessória  ­, mas  sim  incidência  do imposto;  o) Por outro  lado, é  inteiramente equivocado o  entendimento, no sentido de  que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em  virtude  do  disposto  no  §  7°  do  art.  10  da Lei  n°  9.393/1996,  incluído  pelo art. 3° da Medida Provisória n° 2.166­67, de 24/08/2001;  p) A literalidade do texto dispensa maiores comentários. O que não é exigido  do  declarante  é  a  prévia  comprovação  das  informações  prestadas.  Assim,  o  contribuinte  preenche  os  dados  relativos  às  áreas  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  apura  e  recolhe  o  imposto  devido,  e  apresenta  a  sua  DITR,  sem  que  lhe  seja  exigida  qualquer  comprovação  naquele  momento. No  entanto,  caso  solicitado  pela Secretaria  da Receita Federal,  o  contribuinte  deverá  apresentar  as  provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo;  q) Registre­se que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou  seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e reserva  legal. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de  uma  obrigação  prevista  na  legislação,  referente  à  área  de  que  se  trata,  para fins de exclusão da tributação;  r) A condição supra  referida está vinculada ao  aspecto  temporal, não sendo  coerente nem prudente que a  regularização  junto ao  IBAMA das  áreas  excluídas  da  tributação  do  ITR  pudesse  ser  feita  a  qualquer  tempo,  de  acordo com a conveniência do contribuinte;  s) No caso concreto, o contribuinte não apresentou o ADA tempestivamente,  não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela  qual  deve  ser mantida  a  glosa  efetivada  pela  fiscalização  das  áreas  de  reserva legal;  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 129          7 t)  Requer seja conhecido e provido o recurso para que seja reformada, nesse  ponto, a decisão recorrida.  Admitido o recurso através do despacho n° 2100­0190/2010 (fls. 109­110), o  contribuinte  foi  intimado  e,  apenas,  interpôs  recurso  especial  às  fls.  116­117,  ao  qual  foi  negado  seguimento  em  razão  de  sua  intempestividade,  nos  termos  do  despacho  n°  2100­ 00.055/2011 (fls. 122).  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator  O  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  cumpre  os  pressupostos  de  admissibilidade e deve ser conhecido.  Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do CARF,  por maioria  de  votos,  deu  provimento  parcial ao recurso voluntário para restabelecer a área de reserva legal de 378,3 hectares.  A recorrente insurgiu­se contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área  de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver apresentado  tempestivamente o ADA, o que não ocorre no  caso em  tela,  invocando como paradigmas os  acórdãos nos 301­34.352 e 302­39.144.  Eis a matéria em litígio.  Pois bem, o artigo 10, § 1°,  inciso  II,  alínea “a”, da Lei n° 9.393/96  tem a  seguinte redação:  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  I ­ VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a:  a) construções, instalações e benfeitorias;  b) culturas permanentes e temporárias;  c) pastagens cultivadas e melhoradas;  d) florestas plantadas;  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 130          8 a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei nº 4.771, de 15 de  setembro de 1965,  com a  redação dada  pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;  Portanto, de acordo com tal  regra, as áreas de preservação permanente e de  reserva  legal,  previstas  no  Código  Florestal  vigente  ao  tempo  dos  fatos  em  apreço  (Lei  n°  4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR.  A  chamada  área  de  reserva  legal  ou  de  utilização  limitada  tinha  contornos  estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal anterior, com a redação que lhe foi dada pela  Medida Provisória n° 2.166­67/2001, da seguinte forma:  Art.  16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo:   I  ­  oitenta por  cento,  na  propriedade  rural  situada em área  de  floresta localizada na Amazônia Legal;   II  ­  trinta  e  cinco  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo  vinte por cento na propriedade e quinze por cento na  forma de  compensação  em  outra  área,  desde  que  esteja  localizada  na  mesma  microbacia,  e  seja  averbada  nos  termos  do  §  7o  deste  artigo;   III  ­  vinte  por  cento,  na  propriedade  rural  situada  em  área  de  floresta  ou  outras  formas  de  vegetação  nativa  localizada  nas  demais regiões do País; e   IV  ­  vinte  por  cento,  na  propriedade  rural  em  área  de  campos  gerais localizada em qualquer região do País.  § 1°. O percentual de  reserva  legal na propriedade situada em  área  de  floresta  e  cerrado  será  definido  considerando  separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo.   §  2°.  A  vegetação  da  reserva  legal  não  pode  ser  suprimida,  podendo  apenas  ser  utilizada  sob  regime  de  manejo  florestal  sustentável,  de  acordo  com  princípios  e  critérios  técnicos  e  científicos  estabelecidos  no  regulamento,  ressalvadas  as  hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais  legislações específicas.   §  3°.  Para  cumprimento  da  manutenção  ou  compensação  da  área  de  reserva  legal  em  pequena  propriedade  ou  posse  rural  familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas  ornamentais  ou  industriais,  compostos  por  espécies  exóticas,  cultivadas em sistema  intercalar ou em consórcio com espécies  nativas.   §  4°.  A  localização  da  reserva  legal  deve  ser  aprovada  pelo  órgão  ambiental  estadual  competente  ou,  mediante  convênio,  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 131          9 pelo  órgão  ambiental  municipal  ou  outra  instituição  devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo  de  aprovação,  a  função  social  da  propriedade,  e  os  seguintes  critérios e instrumentos, quando houver:   I ­ o plano de bacia hidrográfica;   II ­ o plano diretor municipal;  III ­ o zoneamento ecológico­econômico;   IV ­ outras categorias de zoneamento ambiental; e   V  ­  a  proximidade  com  outra  Reserva  Legal,  Área  de  Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área  legalmente protegida.   §  5°.  O  Poder  Executivo,  se  for  indicado  pelo  Zoneamento  Ecológico  Econômico  ­  ZEE  e  pelo  Zoneamento  Agrícola,  ouvidos  o  CONAMA,  o  Ministério  do  Meio  Ambiente  e  o  Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá:   I  ­  reduzir,  para  fins  de  recomposição,  a  reserva  legal,  na  Amazônia Legal,  para até cinqüenta por cento da propriedade,  excluídas,  em  qualquer  caso,  as  Áreas  de  Preservação  Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente  protegidos,  os  locais  de  expressiva  biodiversidade  e  os  corredores ecológicos; e   II  ­  ampliar  as  áreas  de  reserva  legal,  em  até  cinqüenta  por  cento  dos  índices  previstos  neste  Código,  em  todo  o  território  nacional.  §  6°.  Será  admitido,  pelo  órgão  ambiental  competente,  o  cômputo  das  áreas  relativas  à  vegetação  nativa  existente  em  área  de  preservação  permanente  no  cálculo  do  percentual  de  reserva  legal,  desde  que  não  implique  em  conversão  de  novas  áreas  para  o  uso  alternativo  do  solo,  e  quando  a  soma  da  vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva  legal exceder a:   I  ­  oitenta  por  cento  da  propriedade  rural  localizada  na  Amazônia Legal;   II  ­  cinqüenta  por  cento  da  propriedade  rural  localizada  nas  demais regiões do País; e  III  ­  vinte  e  cinco  por  cento  da  pequena  propriedade  definida  pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o.  § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se  altera na hipótese prevista no § 6o.   §  8°.  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada à margem da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 132          10 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.   § 9°. A averbação da reserva  legal da pequena propriedade ou  posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar  apoio técnico e jurídico, quando necessário.   §  10.  Na  posse,  a  reserva  legal  é  assegurada  por  Termo  de  Ajustamento  de Conduta,  firmado  pelo  possuidor  com  o  órgão  ambiental  estadual  ou  federal  competente,  com  força  de  título  executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal,  as  suas  características  ecológicas  básicas  e  a  proibição  de  supressão  de  sua  vegetação,  aplicando­se,  no  que  couber,  as  mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade  rural.   §  11.  Poderá  ser  instituída  reserva  legal  em  regime  de  condomínio  entre  mais  de  uma  propriedade,  respeitado  o  percentual  legal  em  relação  a  cada  imóvel,  mediante  a  aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas  averbações referentes a todos os imóveis envolvidos.  Ressalto,  novamente,  que  a  glosa  da  área  de  reserva  legal  informada  na  DITR/2002 foi promovida pela ausência de apresentação tempestiva do ADA e pelo fato de a  averbação  à  margem  da  matrícula  do  imóvel  ter  sido  efetivada  após  a  ocorrência  do  fato  gerador do tributo.  Com  relação  ao ADA,  devo destacar  que  em momento  anterior  à  alteração  promovida  no  artigo  17­O  da  Lei  n°  6.938/81  pela  Lei  n°  10.165,  de  27/12/2000,  apenas  Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação.  A  ausência  de  amparo  legal  para  a  exigência  do  ADA,  quanto  a  fatos  ocorridos  até  o  exercício  2000,  deu  origem  ao  Enunciado CARF  n°  41,  que  tem  o  seguinte  conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou  órgão  conveniado,  não  pode  motivar  o  lançamento  de  ofício  relativo  a  fatos  geradores  ocorridos até o exercício de 2000”.  No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002.  A Súmula, então, é inaplicável à espécie.  Para  fatos ocorridos  a partir  do  exercício 2001,  inclusive,  o  artigo 17­O da  Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que:  Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000)  § 1º­A. A Taxa de Vistoria a que se  refere o caput deste artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 133          11 imposto proporcionada pelo ADA  (incluído nela Lei n° 10.165.  de 2000)  §  1º.  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do  ITR é obrigatória.  (Redação dada pela Lei n°10.165,  de 2000)  Embora este  texto pareça demonstrar que a  legislação é  taxativa ao exigir a  protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas  de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a  apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma  vistoria  pelo  órgão  competente  e  a  ratificação  ou  retificação  das  declarações  ali  contidas  –  restringe­se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência  de áreas que têm algum interesse ecológico.  Segundo  penso,  com  o  advento  de  tal  regra,  o  ADA  apresentado  tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir  da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer  de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR.  Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em  referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços On­line”, na  parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais  Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida  para  comprovar  a  existência  das  áreas  de  interesse  ambiental?”),  consta  a  possibilidade  de  apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade:  ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo;  ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação  natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal  em seu artigo 3.;  ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado  da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as  Áreas  de  Interesse Ambiental  (Área  de Preservação Permanente; Área  de Reserva  Legal;  Reserva  Particular  do  Patrimônio  Natural;  Área  de  Declarado  Interesse  Ecológico; Área  de Servidão Florestal  ou Ambiental; Áreas Cobertas  por Floresta  Nativa;  Áreas  Alagadas  para  fins  de  Constituição  de  Reservatório  de  Usinas  Hidrelétricas);  ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental;  ●  Certidão  do  Ibama  ou  de  outro  órgão  de  preservação  ambiental  (órgão  ambiental  estadual)  referente  às Áreas de Preservação Permanente  e de Utilização  Limitada;  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Reserva Legal;  ●  Termo  de  Responsabilidade  de  Averbação  da  Área  de  Reserva  Legal  (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);  ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas  de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 134          12 do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área  no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para  a  agricultura  ou  pecuária,  pode  ser  solicitada  ao  órgão  ambiental  federal  ou  estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico.  ●  Certidão  de  registro  ou  cópia  da matrícula  do  imóvel  com  averbação  da  Área de Servidão Florestal;  ●  Portaria  do  Ibama  de  reconhecimento  da  Área  de  Reserva  Particular  do  Patrimônio Natural (RPPN).  Portanto,  a  própria  Administração  Pública  entende  que  o  ADA  tem  efeito  meramente  declaratório,  não  sendo  o  único  documento  comprobatório  da  área  de  utilização  limitada, podendo ser levado em conta para tal finalidade a sua averbação, eventual termo de  responsabilidade de averbação ou termo de ajustamento de conduta.  É exatamente o que ocorre no caso em apreço.  Em  razão  de  Termo  de  Responsabilidade  de  Averbação  de  Reserva  Legal  firmado  entre  o  interessado  e  a Agência Goiana  de Meio Ambiente  e Recursos Naturais  em  13/04/2005,  foi  efetivada  a  relocação da  área de  reserva  legal de 378,26923 hectares,  a qual  está averbada à margem da matrícula do imóvel desde 07/05/2005 (fls. 14).  Sob  minha  ótica,  a  averbação  da  área  de  utilização  limitada  ou  o  registro  junto à matrícula do imóvel de termo de compromisso para averbação de reserva legal pode se  dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador.  Conforme  asseverou  o  Conselheiro  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  no  julgamento  do  recurso  voluntário  n°  342.455,  “...havendo  uma  área  de  reserva  legal  preservada  e  comprovada  por  laudos  técnicos  ou  termos  do  poder  público,  mesmo  com  averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário,  quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição,  ou  seja,  uma  área  averbada  e  comprovada  em  exercício  posterior,  certamente  existia  nos  exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não  podendo  ter  sido  utilizada  diretamente  nas  atividades  agrícolas,  pecuárias  ou  extrativistas.  Ademais,  nem  a  Lei  tributária  nem  o Código Florestal  definem  a  data  de  averbação,  como  condicionante à isenção do ITR.”  Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido  pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ:  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  ITR.  ISENÇÃO.  LEI Nº  9.393/96.  AVERBAÇÃO  PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO  IMPROVIDO.  1. "A  falta de averbação da área de reserva legal na matrícula  do  imóvel,  ou  a  averbação  feita  após  a  data  de  ocorrência  do  fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento  da  isenção  de  tal  área  na  apuração  do  valor  do  ITR,  ante  a  proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965."  (REsp  nº  1.060.886/PR,  Relator  Ministro  Luiz  Fux,  in  DJe  18/12/2009).  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.006808/2006­91  Acórdão n.º 9202­002.933  CSRF­T2  Fl. 135          13 2. Agravo regimental improvido.  (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator  Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010)  Portanto, a área de reserva legal de 378,26 hectares encontra­se comprovada  e  averbada,  embora  após  a  ocorrência  do  fato  gerador,  que  ocorreu  em  01/01/2002,  desde  momento  anterior  ao  início  da  ação  fiscal,  de  modo  que  a  decisão  recorrida  merece  ser  confirmada.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda  Nacional.    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage                                Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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5251485 #
Numero do processo: 15540.720080/2013-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2009 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações e em assim não fazendo o lançamento fundamentado na glosa das despesas financeiras não comprovadas deve ser mantido. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Gilberto Baptista, Carmen Ferreira Saraiva, Roberto Armond Ferreira da Silva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2009 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações e em assim não fazendo o lançamento fundamentado na glosa das despesas financeiras não comprovadas deve ser mantido. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2096; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 436          1 435  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15540.720080/2013­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.822  –  1ª Turma Especial   Sessão de  04 de dezembro de 2013  Matéria  LUCRO REAL  Recorrente  ESTALEIRO MAUÁ PETROUM S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício:2009  NULIDADE.  No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita  compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando  a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar  em nulidade dos atos em litígio.  PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.  A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de  defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob  pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.  GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. ÔNUS DA PROVA.   Cabe  à  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações e em assim não fazendo o lançamento fundamentado na glosa das  despesas financeiras não comprovadas deve ser mantido.  DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.   LANÇAMENTO DECORRENTE.  O  lançamento  de  CSLL  sendo  decorrente  da  mesma  infração  tributária,  a  relação de causalidade que o  informa  leva a que o  resultado do  julgamento  deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 80 /2 01 3- 14 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 437          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Gilberto Baptista, Carmen Ferreira Saraiva, Roberto  Armond Ferreira da Silva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.    Relatório  Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls.  06­07,  com  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor  de R$157.090,20,  a  título  de  Imposto  Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado  pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano­calendário de 2008.  O  lançamento  fundamenta­se  na  glosa  de  despesas  financeiras  não  comprovadas. Consta no Termo de Relatório Fiscal, fls. 08­14:  Trata­se de fiscalização do imposto de renda pessoa jurídica e seus reflexos,  relativa  ao  ano­calendário  2008,  tendo  sido  o  contribuinte  intimado  através  do  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  datado  de  22/12/2011,  recebido  em  23/12/2011,  a  apresentar,  além  dos  seus  livros  e  documentos  fiscais  e  contábeis,  contratos  de  financiamentos  e  empréstimos,  contratos  de  locação,  e,  ainda,  esclarecimentos  e  comprovações  dos  valores  lançados  nas  rubricas  fornecedores,  créditos de pessoas ligadas, outras despesas financeiras e valores mobiliários, todas  de sua DIPJ 2009, ano­calendário 2008. [...]  Através de correspondência datada de 11 de fevereiro de 2012, recebida neste  Serviço  em  13  de  fevereiro,  a  contribuinte  apresentou  os  seguintes  documentos  e  esclarecimentos:  Livro  Diário  e  Razão  Contrato  Social  e  última  alteração  Contrato  de  arrendamento de imóveis Contrato de adiantamento para futuro aumento de capital e  comprovantes  bancários  relativos  às  movimentações  na  rubrica  Comprovante  dos  lançamentos bancários a  título de despesas  financeiras Comprovantes bancários de  valores mobiliários (aplicações financeiras). [...]  Após  a  análise  dos  documentos  e  esclarecimentos  apresentados,  foi  emitido  Termo de  Intimação Fiscal,  datado de 28/02/2012,  recebido nesta mesma data,  no  qual solicitamos mais alguns esclarecimentos e/ou apresentação de documentos:  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 438          3 5.1. Esclarecer a que título foram as despesas financeiras informadas em sua  DIPJ  e  constantes  nos  extratos  de  suas  contas  bancárias  como  "liquidação  empréstimo/financiamento"; [...]  Em  resposta,  datada  de  15  de  março  de  2012,  recebida  na  mesma  data,  a  fiscalizada apresentou documentação das seguintes comprovações: [...]  6.1.  Despesas  financeiras,  a  título  de  comissão  flat  e  comissão  trimestral,  relativas a fiança bancária; [...]  Relativamente  ao  item  5.1/6.1  observo  que  do  total  de R$1.348.543,74,  em  sua  quase  totalidade  ­  R$1.348.440,49  ­  relativa  a  despesas  financeiras  (conta  4.1.4.02),  a  contribuinte  apresentou  documentação  comprobatória  de  apenas  R$596.168,25. O saldo remanescente não comprovado (R$752.272,24) foi levado à  conta  de  resultado,  influenciando  desta  forma  o  resultado  apurado  no  período.  Assim, estamos glosando o valor não comprovado, alterando, portanto, o resultado  apurado pelo contribuinte, de prejuízo para lucro no período, sendo objeto dos Autos  de Infração de IRPJ e CSLL, conforme [...]:  Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexo [...]  IRPJ  Imposto        R$73.533,77 [...]  Juros de Mora (até 02/2013)    R$28.406,10 [...]  Multa Proporcional       R$55.150,33 [...]  Total          R$157.090,20   CSLL  Contribuição        R$35.112,16 [...]  Juros de Mora (até 02/2013)    R$13.563,83 [...]  Multa Proporcional      R$26.334,12 [...]  Total          R$75.010,11  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento  legal:  art.  3º  da  Lei  nº  9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 247. art. 248., art. 249, art. 277, art. 178, art. 299, art.  300 e art. 374 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de  março de 1999 (RIR, de 1999).  Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação  dos  fatos  ilícitos  tributários  foi  constituído  o  seguinte  crédito  tributário  pelo  lançamento formalizado nesse processo:  II – O Auto de Infração às fls. 32­36, com a exigência do crédito tributário no  valor de R$73.010,11 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de  mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal:  §§  do  art.  2º  da Lei  nº  7.689,  de 15  de  dezembro  de 1988,  art.  2  da Lei  nº  9.249,  de 26  de  dezembro de 1995, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 art. 1º da Lei nº 9.316,  de 22 de novembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002.  Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 439          4 Cientificada  em  28.02.2013,  fls.  06  e  32,  a  Recorrente  apresentou  a  impugnação em 01.04.2013, fls. 310­313, com as alegações a seguir sintetizadas.  Tece  esclarecimentos  sobre  os  fatos  esclarecendo  que  a  peça  de  defesa  é  apresentada tempestivamente e que tem o efeito de suspender a exigência do crédito tributário  (art. 151 do Código Tributário Nacional)..  Suscita:  9.  Diferentemente  do  que  alega  a  fiscalização,  as  despesas  financeiras  informadas  pelo  contribuinte  devem  ser  reconhecidas  em  sua  totalidade,  uma  vez  que são, de fato, existentes.  10. Na  verdade,  conforme  extensa  fundamentação  apresentada  nestes  autos,  não ficou comprovado que as despesas declaradas pelo Impugnante não existem. [...]  13. Ora, o fisco deve provar tudo aquilo que alega, assim, conforme já dito, na  fundamentação  mencionada  não  restou  comprovadamente  demonstrado  a  inexistência dos créditos em comento, razão pela qual merece o auto de infração em  questão ser integralmente cancelado.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  14.  Ante  todo  o  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  da  ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para  o fim de assim ser decidido, cancelando­se o débito fiscal reclamado.  Nestes Termos, Pede deferimento.  Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº  12­55.829, de 14.05.2013, fls. 397­400: “Impugnação Improcedente”.  Restou ementado  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2008   DESPESAS FINANCEIRAS.  Incomprovadas, documentalmente, despesas financeiras, impõe­se sua glosa.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  CSLL   Ano­calendário: 2008   REFLEXIVIDADE.  A  inexistência  de  elemento  relevante  estende  a  lançamento  tomado  por  reflexividade o mesmo decisório daquele que lhe deu origem.  Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 440          5 Notificada  por  edital  em  19.06.2013,  fl.  406,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso voluntário em 10.07.2013,  fls. 407­409, esclarecendo a peça atende aos pressupostos  de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os  argumentos apresentados na peça impugnatória.  Acrescenta:  Ao  contrário  do  que  restou  do  julgamento  da  Impugnação  já  processada  e  julgada, a empresa Contribuinte cumpriu com suas obrigações fiscais, inclusive, que  todas  as provas geradas pela mesma nestes  autos,  advieram do próprio  sistema da  Receita Federal, não existindo qualquer sombra de dúvidas quanto aos pagamentos  realizados,  não  havendo,  portanto,  qualquer  prova  de  que  os  recolhimentos  supostamente devidos de fato não foram realizados. [...]  Portanto, [...] o Fisco deve ter recaído sobre ele o ônus de provar os seus e os  argumentos do Contribuinte, no tocante ao recolhimento ou não de um tributo, o que  não  restou  evidenciado  nestes  autos  até o momento,  razão  pela  qual merece  o  ato  infracional ser cancelado integralmente.  Conclusão:  À vista de  todo o exposto, demonstrada a  insubsistência e  improcedência da  ação  fiscal,  espera  e  requer  a  Recorrente  que  seja  acolhido  o  presente  Recurso  objetivando o cancelamento do crédito fiscal.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente  alega  que  os  atos  administrativos  são  nulos  e  por  essa  razão  devem ser cancelados.   O  Auto  de  Infração  foi  lavrado  por  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a  matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou  a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente  pudesse cumpri­la ou impugná­la no prazo legal1.                                                               1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 441          6 A  decisão  de  primeira  instância  e  o  Auto  de  Infração  estão  motivados  de  forma explícita,  clara e  congruente  e da qual  a  pessoa  jurídica  foi  regularmente cientificada.  Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e  eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com as  provas  produzidas  por meios  lícitos,  em  observância  às  garantias  ao  devido  processo  legal,  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa.  O  enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita  compreensão da descrição dos  fatos  e  dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício. A  proposição  afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova, já que cabe ao  Erário o ônus da prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas,  tais como fique demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior, refira­se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões  posteriormente trazidas aos autos2.   Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação  com  as  situações  excepcionadas  pela  legislação  de  regência.  A  realização  desses  meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios  lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela  defendente, por essa razão, não se comprova.  A Recorrente discorda do lançamento de ofício.  A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos  comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibi­los e  conservá­los  até que ocorra  a prescrição dos  créditos  tributários decorrentes das operações  a  que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como  de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais,  cabendo  à  autoridade  a  prova  da  não  veracidade dos fatos registrados3.  Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios  de  contabilidade,  devem  conter  a  data  do  registro  contábil,  ou  seja,  a  data  em  que  o  fato                                                              2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  9º  do Decreto­Lei  nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977,  art.  15  e  art. 24 da Lei  nº 9.249, de 26 de  dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 441DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 442          7 contábil  ocorreu,  a  conta  devedora,  a  conta  credora,  o  histórico  que  represente  a  essência  econômica da  transação ou o código de histórico padronizado, neste  caso baseado em  tabela  auxiliar  inclusa  em  livro  próprio,  o  valor  do  registro  contábil  e  a  informação  que  permita  identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil.  Em  conformidade  com  o  regime  de  competência  e  com  o  princípio  da  independência  dos  exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas  despesas, para  serem dedutíveis, devem ser  incorridas, necessárias, usuais ou normais para a  realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção  da respectiva fonte produtora.   São consideradas incorridas aquelas de competência do período de apuração  relativos  aos  bens  empregados  nas  operações  exigidas  pela  atividade  da  pessoa  jurídica,  em  relação  aos  quais  já  tenha  nascido  a  obrigação  correspondente,  ainda  que  o  respectivo  pagamento venha a ocorrer em período subseqüente. Via de regra são comprovados mediante a  apresentação  da  nota  fiscal  correspondente.  Pode  conter  obrigações  documentadas  por  duplicata, que é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra ou  venda mercantil que tem a característica de ser causal, uma vez que sua emissão está vinculada  à  relação  jurídica  que  lhe  dá  origem.  No  momento  da  emissão  da  fatura  o  vendedor  pode  extrair  uma  duplicata  que,  sendo  assinada  pelo  comprador,  serve  como  documento  de  comprovação da dívida devidamente registrada. O pressuposto é de que a escrituração mantida  com observância das disposições legais que somente faz prova em favor do sujeito passivo dos  fatos  nela  registrados  se  estes  estiverem  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade administrativa a prova  da não veracidade dos fatos ali registrados4.   Cabe  à  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações  e  em  assim  não  fazendo  o  lançamento  fundamentado  na  glosa  das  despesas  financeiras não comprovadas deve ser mantido.  Tem cabimento a análise da situação fática.  O  lançamento  fundamenta­se  na  glosa  das  despesas  financeiras  não  comprovadas  no  valor  total  de  R$752.272,24,  que  foi  levado  à  conta  de  resultado  pela  Recorrente, influenciando dessa forma o resultado apurado no período.  A Recorrente  foi notificada do Termo de  Início do Procedimento Fiscal, de  22.12.2011,  recebido  em  23.12.2011,  fls.  159­150,  a  apresentar,  além  dos  seus  livros  e  documentos fiscais e contábeis, bem com esclarecimentos sobre as outras despesas financeiras  e  valores  mobiliários  constantes  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  do  ano­ calendário de 2008, fls. 37­64.  Atendendo à intimação, fls. 162­253, apresentou o Livro Diário, fls. 65­115,  o  Livro  Razão,  fls.  116­138,  o  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  (Lalur),  fls.  139­158  e  comprovantes bancários relativos às movimentações na rubrica Comprovante dos lançamentos  bancários  a  título  de  despesas  financeiras  Comprovantes  bancários  de  valores mobiliários  e  aplicações financeiras.                                                               4 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do  Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST  nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 443          8 Novamente foi notificada do Termo de Intimação Fiscal, de 28.02.2012, fls.  254­255,  recebido  nesta  mesma  data  a  prestar  esclarecimentos  a  respeito  das  despesas  financeiras  informadas em sua DIPJ e constantes nos extratos de suas contas bancárias como  "liquidação empréstimo/financiamento".  Em  resposta,  datada  de  15.03.2012,  recebida  na mesma  data,  a  Recorrente  apresentou  documentação  referente  às  despesas  financeiras,  a  título  de  comissão  flat  e  comissão  trimestral  relativas  a  fiança  bancária.  Do  total  de  R$1.348.543,74  das  despesas  financeiras (conta 4.1.4.02), a Recorrente apresentou documentação comprobatória de somente  R$596.168,25, fls. 256­293.  Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o  conjunto  probatório  já  produzido  nos  autos  evidencia  que  o  procedimento  de  ofício  está  correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade6.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da  Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  41  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  julho  de  2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  O  nexo  causal  entre  as  exigências  de  créditos  tributários,  formalizados  em  autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto  de um único processo no caso em que os  ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam  relativos  ao  mesmo  sujeito  passivo7.  O  lançamento  de  CSLL  sendo  decorrente  da  mesma  infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento  deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.   Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.                                                              5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972.  6 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15540.720080/2013­14  Acórdão n.º 1801­001.822  S1­TE01  Fl. 444          9 (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/01/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10783.901808/2010-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE. TERMO INICIAL. DATA DO ATO DE INDEFERIMENTO. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso do qual se conhece em parte, para dar parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 113          1 112  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10783.901808/2010­80  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­002.338  –  2ª Turma Especial   Sessão de  28 de janeiro de 2014  Matéria  DCOMP ­ Eletrônico ­ Ressarcimento de IPI  Recorrente  Gramazini Granitos e Mármores Thomazini  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  MATÉRIA  NÃO  QUESTIONADA.  PRECLUSÃO  PROCESSUAL.  NEGAÇÃO  GERAL.  NÃO  ENFRENTAMENTO  DO  OBJETO  DO  LITÍGIO  NA  PETIÇÃO  FORMALIZADA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.   O  não  enfrentamento  da matéria  na  primeira  instância  recursal  implica  em  preclusão  processual,  a  teor  do  disposto  no  artigo  17  do  Decreto  nº  70.235/72. Ademais, meras negativas gerais apresentadas na peça vestibular  não  caracterizam  recurso.  O  não  enfrentamento  expresso  da  matéria  na  petição inicial retrata a concordância tácita do sujeito passivo com os fatos ali  relatados.  Tal  matéria  deverá  ser  considerada  como  não  impugnada,  posto  não haver sido contestada expressamente pelo impugnante.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  DÉBITOS  DECLARADOS  EM  DCOMP.  INTERRUPÇÃO  DA  PRESCRIÇÃO.   A  prescrição  se  interrompe,  dentre  outras  hipóteses,  pela  caracterização  de  “qualquer  ato  inequívoco  ainda  que  extrajudicial,  que  importe  em  reconhecimento  do  débito  pelo  devedor”  (CTN,  artigo  174,  inciso  IV).  Por  seu  turno,  a  declaração  de  compensação  “constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996).  Considerando  a  realidade  fática,  em  que  a  interessada,  em  21/07/2010,  foi  cientificada  do  despacho  decisório  que  homologou  apenas  em  parte  os  débitos  declarados  na  declaração  de  compensação  formalizada  em  11/08/2005,  resta  evidente  que,  quando  da  ciência  da  decisão  em  questão     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 18 08 /2 01 0- 80 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     2 ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado  no caput do artigo 174 do CTN.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  PEDIDO  DE  RECONHECIMENTO  DE  DIREITO  CREDITÓRIO.  INDEFERIMENTO  DE  PARTE  DO  DIREITO  ADUZIDO.  DESCARACTERIZAÇÃO  DA  NATUREZA  ESCRITURAL.  JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS  CRÉDITOS  OUTRORA  INDEFERIDOS.  POSSIBILIDADE.  TERMO  INICIAL. DATA DO ATO DE INDEFERIMENTO.   Segundo  jurisprudência  consolidada  no  Superior  Tribunal  de  Justiça  o  indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por  ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo  credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os  créditos  objeto  da  oposição  oficial,  calculada  a  partir  da  data  do  indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do  art. 62­A do Regimento Interno do CARF.  Recurso do qual se conhece em parte, para dar parcial provimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso para dar­lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que  integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano Damorim ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Adriana  Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn  e Waldir Navarro Bezerra.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ  Juiz de Fora  (fls. 70/83 do processo eletrônico – numeração a qual adotaremos como padrão  nas referências feitas aos autos doravante), que, por unanimidade de votos, julgou procedente  em  parte  a  manifestação  de  inconformidade  formalizada  pelo  sujeito  passivo,  no  seguinte  sentido:  Acordam  os  membros  da  3ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  considerar  PROCEDENTE  EM  PARTE  a  manifestação  de  inconformidade para RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório  da  ordem  de  R$  21.831,32  e  HOMOLOGAR  EM  PARTE  a  DCOMP  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901808/2010­80  Acórdão n.º 3802­002.338  S3­TE02  Fl. 114          3 26530.72173.110805.1.3.01­5217,  até  o  limite  do  direito  creditório  reconhecido,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.   Transcrevo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida:  Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho  Decisório de fl. 13, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da  DCOMP n° 26530.72173.110805.1.3.01­5217, transmitida pelo contribuinte  retro identificado em 11/08/2005, por meio da qual se pretendeu a extinção  de débitos no montante de R$ 31.253,68, tendo por lastro crédito originário  de  Saldo  Credor  do  IPI  apurado  no  2°  trimestre/2005,  no  valor  de  R$  31.253,68  (fl.  19).  Referido  saldo  credor  é  composto  por  crédito  básico  e  crédito presumido escriturado no período, conforme informações extraídas  da referida DCOMP (fls. 45/50).   A  citada  DCOMP  foi  baixada  para  tratamento  manual/análise  fiscal  com  a  finalidade  de  verificação  da  legitimidade  e materialidade  do  crédito  utilizado,  do  qual  resultou  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  54/61  e  Demonstrativos  de Apuração de  fls.  62/64,  que  concluiu  pela  procedência  parcial  do  saldo  credor  apurado  ao  final  do  trimestre,  pelos  seguintes  motivos:   Quanto ao crédito básico:   •  Não  houve  apuração  de  qualquer  irregularidade,  tendo  sido  legitimado na sua totalidade;  Quanto ao crédito presumido:  • Exclusão, da Receita de Exportação, do valor atinente as vendas  para  empresas  comerciais  exportadoras  (exportações  indiretas)  com o  fim  especifico  de  exportação,  por  restar  configurado  o  não  cumprimento  das  disposições  legais  e  normativas  para  caracterização  da  saída  para  comercial exportadora com  fim especifico de  exportação, nos  termos do §  1°, do art. 42 do RIPI/2002;   • Exclusão, da Relação de Notas Fiscais de Aquisição de MP, PI e  ME, dos valores correspondentes ao valor do IPI;   Quanto  aos  demais  componentes  da  apuração  do  crédito  presumido  (Receita  Operacional  Bruta  e  Receita  de  Exportação  Direta)  informa a autoridade fiscal que não apresentaram qualquer irregularidade,  tendo  sido  considerados  os  valores  informados  pelo  contribuinte  na  memória de cálculo do beneficio.   Procedida a apuração dos créditos pleiteados considerando­se as  glosas retro indicadas, conforme Demonstrativos de fls. 62/64 reconheceu­ se a procedência dos seguintes valores, relativamente ao crédito presumido:     Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     4    Destacou­se,  ainda,  no  Relatório  Fiscal,  o  ajuste  procedido  pela  Fiscalização no  saldo credor  do  período  anterior,  em  face  da divergência  entre  o  valor  informado  no  RAIPI  escriturado  [R$  51.220,63,  fl.  23]  e  o  valor informado no RAIPI da DCOMP [R$ 155.115,97, fl. 45v], ajuste esse  realizado  mediante  lançamento,  no  Demonstrativo  de  Créditos  e  Débitos,  coluna  "1"  [fl.  51],  do  débito  no  valor  de  R$  103.895,34  [resultante  da  diferença entre R$ 155.115,97 e R$ 51.220,63].     Alimentado  o  sistema  SCC  –  Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações,  foram  gerados  o  DEMONSTRATIVO  DE  CRÉDITOS  E  DÉBITOS,  o  DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DO  SALDO  CREDOR  RESSARCÍVEL  [que  evidencia  a  apuração  de  saldo  credor  ressarcível  de  R$ 4.406,86] e o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO APÓS O PERÍODO  DO  RESSARCIMENTO  [anexados  as  fls.  51/52],  disponibilizados  ao  contribuinte no site da RFB juntamente com o Despacho Decisório de fl. 13  que  concluiu  pelo  RECONHECIMENTO  PARCIAL  DO  DIREITO  CREDITÓRIO  [R$  3.295,68]  E  PELA  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL  DA  DCOMP, em razão dos seguintes motivos:   i)  Constatação  de  que  o  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  é  inferior ao valor pleiteado.   ii) Constatação de utilização  integral ou parcial,  na escrita  fiscal,  do  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  em  períodos  subseqüentes  ao  trimestre em referência, até a data da apreciação do PER/DCOMP.   iii) Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em  procedimento fiscal.   iv)  Redução  do  saldo  credor  do  trimestre,  passível  de  ressarcimento,  resultante de débitos apurados em procedimento fiscal.      Cientificado  do  Despacho  Decisório  e  intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  decorrente  da  não  homologação  parcial  da  compensação,  em  21/07/2010  (fl.  43),  manifestou  a  pleiteante  a  sua  inconformidade  em  20/08/2010  (fl.  01),  por  meio  do  arrazoado  de  fls.  01/05,  no  qual,  em  síntese:   => alega que o  saldo  credor de período anterior  considerado na 01­ 04/2005 recuperado por ajustes dos créditos reconhecidos em DCOMPs de  trimestres anteriores não coincide com a realidade, uma vez que o correto é  R$ 51.220,83, conforme RAIPI cópia anexa;   => acrescenta  que  verificando  o Demonstrativo  de Apuração Após  o  Período  de Ressarcimento  nota­se  que  o  saldo  credor  em  31/07/2005  não  está  de  acordo  com  o  que  consta  do  RAIPI,  haja  vista  que  no  despacho  decisório da DCOMP relativa ao  trimestre posterior  [o 3°/2005, DCOMP  ...2127]  houve  alteração  dos  valores  dos  saldos,  sendo  que  o  referido  despacho encontra­se em processo de defesa administrativa;   => lembra que o ressarcimento refere­se ao 2° trimestre/2005 e alega  que "diante da demora do fisco em reconhecer o Crédito do contribuinte, o  que foi feito somente após 4 anos de sua solicitação em 11/08/2005 é mais  do que justo que esse crédito seja calculado com correção monetária, sendo  aplicada a taxa Selic";   =>  pondera  que  ao  se  proceder  a  atualização  monetária  do  crédito  pela  taxa  Selic  [da  mesma  forma  que  a  RFB  corrige  os  seus  débitos]  o  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901808/2010­80  Acórdão n.º 3802­002.338  S3­TE02  Fl. 115          5 mesmo será suficiente para amortizar todo o saldo devedor, restando, ainda,  saldo credor;   =>  acrescenta  que  a  jurisprudência  reconhece  o  direito  à  correção  monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito e reproduz  excerto de julgado que entende amparar a sua tese;   Ao final requer:   1 ­ sejam ajustados os saldos credores do período anterior e os saldos  após o período do ressarcimento, a fim de se proceder a correta apuração  do crédito;   2­seja  reconhecido  o  direito  de  correção  do  crédito  e  homologada  a  compensação;  3­ seja suspensa a cobrança até que os recursos sejam definitivamente  julgados;  Nestes termos vieram os autos a esta DRJ para julgamento.   O  acórdão  que  deferiu  em  parte  o  pleito  do  sujeito  passivo  foi  assim  ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI   Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005   I­ RESSARCIMENTO. CRÉDITOS GLOSADOS. NÃO CONTESTAÇÃO.  Considera­se não  impugnada a matéria que não  tenha sido expressamente  contestada  pelo  impugnante,  tornando­se  a  glosa  definitiva  na  esfera  administrativa.   II­  SALDO  CREDOR  RESSARCÍVEL.  REDUÇÃO  EM  VIRTUDE  DE  DÉBITO LANÇADO PELA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.   É  de  se  tomar  por  improcedente  a  sistemática  adotada  pela  autoridade  fiscal  mediante  lançamento  de  débito  na  apuração  do  saldo  credor  ressarcível para corrigir diferença entre o saldo credor de período anterior  escriturado no RAIPI e aquele informado no RAIP/DCOMP, uma vez que a  partir  da  certificação  do  valor  pleiteado  ou  de  parte  dele  é  realizado  um  ajuste, pelo SCC, no Livro de Apuração Reconstituído, no último período do  trimestre a que se refere o pedido, por meio da redução do saldo credor em  montante  idêntico  ao  valor  certificado/reconhecido.  Assim,  ao  processar  a(s) DCOMP(s) do  trimestre  subseqüente considera como  saldo credor do  período anterior o valor do saldo credor legitimado no período anterior já  deduzido  do  valor  utilizado  na(s)  DCOMP(s)  do  trimestre  anterior,  desconsiderando o valor do saldo credor de período anterior informado no  RAIPI/DCOMP.   II­  SALDO  CREDOR  PASSÍVEL  DE  RESSARCIMENTO.  REDUÇÃO  EM  VIRTUDE  DE  UTILIZAÇÃO  PARCIAL  NA  ESCRITA  FISCAL  PARA  ABATER DÉBITOS. PROCEDÊNCIA.   Ratifica­se o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando  restar  comprovado  que  parte  dos  créditos  passíveis  de  ressarcimento  apurados  ao  fim  do  trimestre­calendário  a  que  se  refere  o  pedido  (Saldo  Credor  Passível  de  Ressarcimento)  foi  utilizada  para  abater  débitos  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     6 informados no RAIP/PGD, não se mantendo, pois, na escrita, até o período  imediatamente anterior ao da transmissão da DCOMP.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005   COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEFERIDO EM PARTE.   A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com  créditos  líquidos  e  certos,  conforme art.  170 do CTN. Uma  vez  indeferido  em parte o direito creditório  indicado pela  interessada para compensar os  débitos objeto da DCOMP sob exame, cabe a sua homologação parcial.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   Cientificada  da  referida  decisão  em  11/07/2012  (fls.  86),  a  interessada,  em  10/08/2012  (v.  fls.  87),  apresentou  o  recurso  voluntário  de  fls.  87/111,  onde  reitera  os  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade,  manifestando­se  ainda  expressamente:  a)  em  favor  da  correção monetária  dos  créditos  da  autora,  no  valor  de R$  31.253,68,  pela  taxa  SELIC,  quando  da  transmissão  da  declaração,  em  11/08/2005, até a data do despacho decisório, em 06/07/2010;  b)  contra a exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes  às  vendas  para  empresas  comerciais  exportadoras  com  o  fim  específico  de  exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME;  c)  pela remissão dos débitos, uma vez que o valor a ser pago é inferior a R$  10.000,00,  portanto  estaria  o  contribuinte  amparado  pelo  artigo  14  da MP  449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009;  d)  em prol da prescrição,  já que a  simples declaração de compensação não  tem  o  condão  de  suspender  o  prazo  prescricional,  devendo  ser  decretada  a  prescrição  dos  débitos  em  obediência  ao  preconizado  pela  Súmula  Vinculante nº 8, do STF, bem como pela Súmula 409 do STJ.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade do recurso   Conforme  relatado,  a  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  se  deu  em  11/07/2012  (fls.  86).  Por  sua  vez,  o  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  10/08/2012,  tempestivamente, portanto.   Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso,  os  mesmos  foram atendidos.  Todavia,  há  alguns  argumentos  que  só  foram  apresentados  na  presente  instância  recursal: o primeiro diz  respeito ao pedido de remissão dos débitos, uma vez que o  contribuinte  estaria  supostamente  amparado  pelo  artigo  14  da  MP  449,  de  03/12/2008,  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901808/2010­80  Acórdão n.º 3802­002.338  S3­TE02  Fl. 116          7 convertida na Lei nº 11.941, de 2009; o segundo é relativo à aduzida prescrição, posto que a  simples declaração de compensação não teria o condão de suspender o prazo prescricional; há,  ainda,  a  discordância  contra  a  exclusão,  das  receitas  de  exportação,  dos  valores  correspondentes  às  vendas  para  empresas  comerciais  exportadoras  com  o  fim  específico  de  exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME.  No  que  concerne  ao  pedido  de  remissão  de  débitos,  dele  não  tomo  conhecimento, já que a matéria está preclusa (artigo 17 do Decreto no 70.235/72)1. O mesmo se  diga quanto à exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes às vendas para  empresas  comerciais  exportadoras  com  o  fim  específico  de  exportação,  bem  como  do  IPI  incidente na aquisição de MP, PI e ME. Aliás, sobre esse último assunto, o sujeito passivo se  limita  a  afirmar  que  as  glosas  “não  podem  prosperar,  uma  vez  que  estão  perfeitamente  enquadrado (sic) no conceito de MP, PI e ME, estando de acordo com a legislação vigente e a  jurisprudência atual”.  Vê­se, pois, não obstante a preclusão processual, que parte da argumentação  aborda  apenas  alegações  genéricas  e  imprecisas,  o  que  não  se  pode  admitir.  Com  efeito,  a  impugnação,  a  teor  do  disposto  no  inciso  III  do  artigo  16  do Decreto  nº  70.235/72,  deverá  contemplar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e  as  razões  e  provas  que  possuir”.  Assim,  não  poderá  ser  considerada,  como  recurso,  argumentação  genérica  que  esteja  privada  da  necessária  fundamentada  discordância  com  os  argumentos  apresentados  pelo  fisco,  isso,  repita­se,  ainda  que  a matéria  em  tela  não  tivesse  sido atingida pela preclusão processual.  Todavia,  inerente  à  reclamada  prescrição, muito  embora  o  assunto  também  não  tenha  sido  ventilado  na  primeira  instância,  impende  sejam  examinados  os  argumentos  nesse sentido apresentados pela recorrente, isso em vista do disposto no artigo 195 do Código  Civil,  segundo o qual  “a prescrição pode ser alegada em qualquer grau de  jurisdição, pela  parte a quem aproveita”.  Assim,  conheço  do  recurso  para  exame,  unicamente,  da  reclamada  necessidade de correção monetária dos créditos da autora  e da aduzida prescrição do crédito  tributário.  Da reclamada prescrição  Por  coerência  lógica,  examino  primeiramente  a  alegação  de  que  os  débitos  tributários objeto dos autos estariam prescritos.  Alega  a  interessada  que,  diante  das  datas  dos  vencimentos  dos  débitos,  relativos a fatos geradores de 2004 e 2005, os mesmos já se encontravam prescritos quando da  prolação do despacho decisório, em 06/07/2010.  Ocorre que, relativamente aos débitos em tela, a recorrente formulou pedido  de compensação por meio de PER/DCOMP, meio mediante o qual intentava extinguir aludidos                                                              1  Esclareça­se,  contudo,  a  título  pedagógico,  que  a  remissão  limitada  a  R$  10.000,00,  objeto  do  artigo  14  da  Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, é restrita a  “[...] débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de  2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais[...]”. Os débitos indicados pelo sujeito passivo na DCOMP não  poderiam se subsumir à hipótese normativa em tela, seja porque são da competência do mês de abril de 2005, seja  porque extrapolam o limite prescrito pela lei (ver fls. 58).   Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     8 créditos tributários. A declaração de compensação, como se sabe, “[...] constitui confissão de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996).  Por  seu  turno,  o  parágrafo  único  do  artigo  174  do  CTN,  ao  tratar  das  hipóteses  de  interrupção  da  prescrição,  contempla,  em  seu  inciso  IV,  a  caracterização  de  “qualquer ato  inequívoco ainda que extrajudicial, que  importe em reconhecimento do débito  pelo devedor”.   Considerando  a  realidade  fática,  em  que  a  interessada,  em  21/07/2010,  foi  cientificada do despacho decisório que homologou apenas em parte os débitos declarados na  declaração de compensação formalizada em 11/08/2005, resta evidente que, quando da ciência  da  decisão  em  questão  ainda  não  havia  transcorrido  o  prazo  de  prescrição  de  cinco  anos  capitulado no caput do artigo 174 do CTN.  É relevante destacar também que não há que se falar em homologação tácita  do pedido de compensação formulado pela interessada.  Estabelece  o  §  5º  do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96,  que  “o  prazo  para  homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado  da data da entrega da declaração de compensação”. O despacho decisório (nº de rastreamento  868485748),  como  já  dito,  foi  proferido  em  06/07/2010  (v.  fls.  14).  Dele  o  sujeito  passivo  tomou  ciência  em  21/07/2010  (fls.  44).  Quanto  à  declaração  de  compensação,  a mesma  foi  transmitida em 11/08/2005 (conf. fls. 18).  Vê­se, portanto, que a ciência do resultado do pleito de compensação ocorreu  dentro do prazo quinquenal previsto no art. 74, § 5º, da Lei no 9.430/96.  Enfim, não há que se falar nem em prescrição do direito de ação da Fazenda  Pública,  nem  em  homologação  tácita  da  declaração  de  compensação  formulada  pela  reclamante.  Da correção monetária dos créditos da autora  A  Recorrente  defende  o  direito  à  atualização  do  valor  do  crédito  a  ser  ressarcido com base na taxa Selic, calculada a partir da data da transmissão da declaração de  compensação.  Sobre a questão, o STJ tratou da possibilidade legal de correção monetária de  créditos escriturais do IPI, como sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado  em  julgado  em  03/03/2010),  onde  referida Corte,  sob  o  regime previsto  no  artigo  543­C  do  CPC, consolidou entendimento segundo o qual, apesar de reconhecer a inexistência de previsão  legal  para  a  correção  monetária  de  créditos  escriturais  do  imposto,  entendeu  que  o  impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do  IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá­ los monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.  Referido acórdão ficou assim ementado:  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901808/2010­80  Acórdão n.º 3802­002.338  S3­TE02  Fl. 117          9 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos  escriturais),  por  ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte em sua escrita contábil.   3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele  o  contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância que acarreta demora  no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos  judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo  legítima a necessidade de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547∕PR,  Rel.  Ministro  Luiz Fux,  julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953∕PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796∕PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto  Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel.  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da  Fazenda Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do CPC,  e  da Resolução  STJ  08∕2008.  (REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  24/06/2009, DJe 03/08/2009)  Em sintonia com o julgado supra, a Primeira Seção do STJ aprovou a Súmula  nº  411,  cujo  enunciado  dispõe  que  “é  devida  a  correção monetária  ao  creditamento  do  IPI  quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”.  Concernente ao julgado proferido pelo STJ sob o regime do recurso repetitivo  previsto no artigo 543­C do CPC, tal entendimento há que ser obrigatoriamente observado por  este Conselho por força do disposto no caput do artigo 62­A do Anexo II do Regimento Interno  do  CARF2.  Todavia,  ressalte­se  que  o  precedente  jurisprudencial  de  que  trata  o  Recurso  Especial nº 1.035.847/RS determina a  incidência da correção monetária a partir do momento  em que houve “a oposição constante de ato estatal”. Não se pode, pois, reconhecer tal direito a  partir da data da formalização da DCOMP, como quer a recorrente.  Assim, no caso dos autos, a correção monetária só poderá ser admitida sobre  a  parte  dos  créditos  cujo  reconhecimento  do  direito  ocorreu  por  força  do  acórdão  proferido pela DRJ Juiz de Fora (já que sobre estes é que ocorreu a oposição estatal – parte  indeferida pelo despacho decisório), e, mesmo assim, somente a partir de 06/07/2010, data  em que foi proferido o despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito.                                                              2 Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal  de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de  11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no âmbito do CARF.  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     10 Portanto,  por  força  do  disposto  no  art.  62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  deste  Conselho,  adoto  o  inteiro  teor  do  acórdão  proferido  pelo  STJ  no  âmbito  do  julgamento  do  REsp  nº  1.035.847/RS,  e,  alicerçado  nos  fundamentos  jurídicos  nele  consignados,  reconheço  o  direito  à  atualização  do  crédito  do  IPI  reconhecido  pela  primeira  instância,  com  base  na  variação  da  taxa  Selic  calculada  a  partir  de  06/07/2010,  conforme  disposto no § 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.  Da conclusão  Por todo o exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso, dando­lhe  parcial  provimento  unicamente  para  reconhecer  o  direito  à  atualização  do  crédito  do  IPI  reconhecido pela primeira instância, com base na variação da taxa Selic calculada a partir de  06/07/2010, conforme prescrito pelo § 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/95.   Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2014.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM

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Numero do processo: 10945.900875/2012-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 76          1 75  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10945.900875/2012­49  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.944  –  3ª Turma Especial   Sessão de  26 de novembro de 2013  Matéria  COMPENSAÇÃO ­ COFINS  Recorrente  CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002  ICMS  NA  BASE  DE  CÁLCULO.  LEGALIDADE.  EXCLUSÃO.  INCABÍVEL.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da  contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte  integrante do preço  das  mercadorias  e  dos  serviços  prestados,  exceto  quando  for  cobrado  pelo  vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto  tributário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso. Vencidos os Conselheiros  Jorge Victor Rodrigues  e  Juliano Eduardo  Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior  Melo de Sousa.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Juliano Eduardo Lirani ­ Relator    (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Redator Designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis,  João Alfredo Eduão Ferreira,  Juliano  Eduardo Lirani E Jorge Victor Rodrigues.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 75 /2 01 2- 49 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito  de  reformar  a  decisão  prolatada  pela  DRJ  de  Foz  do  Iguaçu  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição,  sob  o  argumento  de  que  não  haveria  direito  crédito  suficiente  para  extinção  do  débito informado.   Em  seu  recurso  o  contribuinte  repisa  os  argumentos  contidos  em  sua  Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído  da base de cálculo do PIS e da Cofins.   O ponto central de sua defesa encontra­se no argumento de que o conceito de  faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar  tributáveis meros ingressos em sua  contabilidade, como ocorre com o  ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua  pretensão,  cita  doutrina  de  Geraldo  Ataliba,  Cléber  Giardino, Marçal  Justen  Filho  e Marco  Aurélio.  Reclama  pela  observação  do  princípio  da  capacidade  contributiva  e  do  princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do  ICMS  representa  efetivar  tributação  sobre  fatos  que  não  são  signo­presuntivos  de  riqueza,  razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal.  Por  fim,  o  contribuinte  requer  a  reforma  da  decisão  de  primeiro  grau  e  o  deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic,  desde a data do pagamento indevido até a data da compensação.  É o relatório.   Voto Vencido  Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Assiste razão ao contribuinte.  Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de  cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937,  Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito:   Tributário.  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in  idem.  Não  ocorrência.  Suporte  direto  da  contribuição  do  importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da  CF,  acrescido  pela  EC  33/01).  Alíquota  específica  ou  ad  valorem.  Valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  ICMS  e  das  próprias  contribuições.  Inconstitucionalidade.  Isonomia.  Ausência  de  afronta.  1.  Afastada  a  alegação  de  violação  da  vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF.  Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e  simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900875/2012­49  Acórdão n.º 3803­004.944  S3­TE03  Fl. 77          3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de  destinação.  2.  Contribuições  cuja  instituição  foi  previamente  prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos  incisos do  art.  195  da  Constituição  validamente  instituídas  por  lei  ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da  Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições  em questão ser necessariamente não­cumulativas. O fato de não  se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração  do PIS  e da COFINS pelo  regime não­cumulativo não chega a  implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A  sujeição ao  regime do  lucro presumido, que  implica  submissão  ao  regime  cumulativo,  é  opcional,  de  modo  que  não  se  vislumbra,  igualmente,  violação  do  art.  150,  II,  da  CF.  4  Ao  dizer  que  a  contribuição  ao  PIS/PASEP­  Importação  e  a  COFINS­Importação poderão  ter alíquotas  ad valorem e base  de  cálculo  o  VALOR  ADUANEIRO,  o  constituinte  derivado  circunscreveu  a  tal  base  a  respectiva  competência.  5.  A  referência  ao  valor  aduaneiro no  art.  149,  §  2º,  III,  a  ,  da CF  implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco,  porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar  a  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Importação.  6.  A  Lei  10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP ­Importação e a COFINS ­ Importação,  não  alargou  propriamente  o  conceito  de  valor  aduaneiro,  de  modo  que  passasse  a  abranger,  para  fins  de  apuração  de  tais  contribuições,  outras  grandezas  nele  não  contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional  de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham  alíquota  ad  valorem  sejam  calculadas  com  base  no  valor  aduaneiro,  extrapolando  a  norma  do  art.  149,  §  2º,  III,  a,  da  Constituição  Federal.  7.  Não  há  como  equiparar,  de  modo  absoluto,  a  tributação  da  importação  com  a  tributação  das  operações  internas.  O  PIS/PASEP  ­Importação  e  a  COFINS  ­ Importação  incidem  sobre  operação  na  qual  o  contribuinte  efetuou  despesas  com  a  aquisição  do  produto  importado,  enquanto  a  PIS  e  a  COFINS  internas  incidem  sobre  o  faturamento  ou  a  receita,  conforme  o  regime.  São  tributos  distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não  como concretização do princípio da isonomia, mas como medida  de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos  desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas  sediadas  no  País,  visando,  assim,  ao  equilíbrio  da  balança  comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º,  inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre  Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  –  ICMS  incidente  no  desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições  ,  por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC  33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  Todavia,  é  verdade  que  o  caso  em  exame  não  se  trata  de  PIS/COFINS  –  IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao  presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da  Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual  interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na  base de cálculo das contribuições para o mercado interno.   De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para  apreciar  a  pretensão  do  contribuinte,  tendo  em  vista  que  não  há  necessidade  de  sobrestar  o  julgamento do presente processo.   Assim,  refletindo  a  respeito  do  tema,  manifesto  posicionamento  de  que  o  ICMS  não  integra  o  faturamento  da  Recorrente,  basicamente  porque  os  valores  correspondentes a este  imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não  podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins.   Neste  passo,  data  vênia,  parto  da  premissa  de  que  “faturamento”  é  receita  própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins  faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro.  Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de  que  o  imposto  estadual  configura  uma  “despesa”  e  jamais  receita,  pois  faturamento  deve  implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame.   Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º:   TRIBUTÁRIO.  PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  NÃO  CABIMENTO.  COMPENSAÇÃO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA. TAXA SELIC E  JUROS DE MORA.I. O PIS  e a  COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas  auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de  cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo  do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida  com  a  operação  mercantil  ou  similar.  O  conceito  de  faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso  nos  cofres  de  quem  procede  à  venda  de  mercadorias  ou  a  prestação  dos  serviços,  implicando,  por  isso  mesmo,  o  envolvimento  de  noções  próprias  ao  que  se  entende  como  receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS  faturam,  em  si,  o  ICMS.  O  valor  deste  revela,  isto  sim,  um  desembolso à entidade de direito público que tem a competência  para  cobrá­lo  (RE  240.785/MG,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio,  em  julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min.  Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das  contribuições  sociais  previstas  no  art.  195,  I, CF  e  receita  do  Erário Estadual,  é  injurídico  tentar  englobá­lo na hipótese de  incidência destas exações, posto que configuraria a tributação  de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que  se  dá  parcial  provimento.  IV.  São  compensáveis  créditos  decorrentes  do  indevido  recolhimento,  a  título  do  PIS  e  da  COFINS,  devidamente  corrigidos,  com  qualquer  outro  tributo  arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal,  sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros  de  mora  de  1%  até  31/12/95,  seguindo­se  exclusivamente  a  SELIC.V. Apelação provida." (grifo)  AMS nº 2007.38.03.002873­3/MG, 8ª Turma TRF­1ª Região, em  14/08/2007  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900875/2012­49  Acórdão n.º 3803­004.944  S3­TE03  Fl. 78          5 Por  outro  lado,  é  verdade  em  que  o  STJ  tem  se  manifestado  no  sentido  contrário,  ou  seja,  de  que  o  ICMS  integra  a  base  de  cálculo  da COFINS  e  cito  o AgRg  no  AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os  julgados  do STJ,  compreendo que  não  há  a  obrigatoriedade  de  submissão  dos  julgadores  do  CARF a estes julgados.   Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara  Superior  no  sentido  de  que  as  receitas  de  “roaming”  não  integra  a  base  de  cálculo  das  contribuições.               EMENTA   COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR.  "ROAMING"  As  receitas  de  "roaming"  mesmo  recebidas  pela  operadora  de  serviço  móvel  pessoal  ou  celular  com  quem  o  usuário  tem  contrato  não  se  incluem  na  base  de  cálculo  da  COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a  receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores  globais,  nele  incluídos  os  recebidos  por  responsabilidade  e  destinados  desde  sempre  à  terceiros,  como  pretendido  "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO)  Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo  n.º  10166.000888/2001­31,  Conselheiro  ROGÉRIO  GUSTAVO  DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006   Por  fim,  trago a baila ainda a discussão  referente à base de cálculo do  ISS,  mais  especificamente  no  tocante  a  incidência  deste  imposto  sobre  os  serviços  de  locação  de  mão  de  obra.  Contudo,  aqui  cabe  a  ponderação  de  que  apesar  de  se  tratarem  de  tributos  diversos  e  com  sistemática  de  incidência  também distinta,  por  outro  lado  observa­se  que  os  Municípios  também  tiveram  a  intenção  de  ampliar  indevidamente  a  base  de  cálculo  do  ISS,  pois  interpretavam  que  esta  era  composta  por  todos  os  valores  que  ingressavam  na  contabilidade das prestadoras de serviços.   Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso  constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre  as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte.   Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso  Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010:   TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  IMPOSTO  SOBRE  SERVIÇOS  DE  QUALQUER  NATUREZA  –  ISSQN.  AGENCIAMENTO  DE  MÃO­DE­OBRA  TEMPORÁRIA.  ATIVIDADE­FIM  DA  EMPRESA  PRESTADORA  DE  SERVIÇOS.  BASE  DE  CÁLCULO.  PREÇO  DO  SERVIÇO.  VALOR  REFERENTE  AOS  SALÁRIOS  E  AOS  ENCARGOS  SOCIAIS.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP  1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME  DO ART. 543­C DO CPC.  1.  A  base  de  cálculo  do  ISS  é  o  preço  do  serviço,  consoante  disposto no artigo 9°, caput, do Decreto­Lei 406/68.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 2.  As  empresas  de mão­de­obra  temporária  podem  encartar­se  em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados:  (i)  como  intermediária entre o  contratante da mão­de­obra e o  terceiro  que  é  colocado  no  mercado  de  trabalho;  (ii)  como  prestadora  do  próprio  serviço,  utilizando  de  empregados  a  ela  vinculados mediante contrato de trabalho.  3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão,  base  de  cálculo  do  fato  gerador  consistente  nessas  "intermediações".  4.  O  ISS  incide,  nessa  hipótese,  apenas  sobre  a  taxa  de  agenciamento,  que  é  o  preço  do  serviço  pago  ao  agenciador,  sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas  para  o  pagamento  dos  salários  e  encargos  sociais  dos  trabalhadores.  Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e  despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e  entrada para fins financeiro­tributários (...). (GRIFO)  Com efeito, extrai­se do julgado acima que em regra geral deve­se admitir a  incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente  riqueza  nova  do  sujeito  passivo,  sob  pena  da  exação  violar  o  princípio  da  capacidade  contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de  cálculo das contribuições.    Ante o exposto, dou provimento ao recurso.   É como voto.  Sala das sessões, 26 de novembro de 2013.   (assinado digitalmente)  Juliano Eduardo Lirani ­ relator    Voto Vencedor  A  presente  controvérsia  cinge­se  à  inclusão  dos  valores  de  ICMS  no  faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins.  Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a  tese  abraçada  pelo  voto  vencido,  de  impossibilidade  da  dita  inclusão,  cujo  pano  de  fundo  encerra  o  que  se  atribui  ser  um  desvalor  que  se  entende  não  dever  existir  no  nosso  sistema  tributário, vale dizer,  a cobrança de  tributo  sobre  tributo, na espécie  a cobrança das aludidas  contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro.  Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para  o  presente  julgamento  ­,  que  a  carga  valorativa  a  se  aplicar  na  interpretação  da  legislação  tributária  relativa  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  ­  no  exercício da competência que cabe ao CARF ­, deve ser dosada no estreito espaço do controle  de legalidade das decisões administrativas.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900875/2012­49  Acórdão n.º 3803­004.944  S3­TE03  Fl. 79          7 O  nobre  Relator  inicia  o  seu  voto  erigindo  um  paradigma  ­  com  o  fim  de  alavancar a tese abraçada ­, consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep­Importação  e  da  Cofins­Importação.  Embora  tendo  ele  reconhecido  que  aquele  julgado  não  se  aplica  ao  presente  julgamento  qualifica­o como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali,  do  conceito  de  valor  aduaneiro  ao  que  entende  ocorrer  aqui:  a  ampliação  do  conceito  de  faturamento.  Oponho­me  ao  paradigma.  Nada  obstante  tratarem,  semelhantemente,  da  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  das  citadas  contribuições  (PIS/Cofins  Cumulativos;  PIS/Cofins­Importação),  a  decisão  no  RE  n.º  559.937  não  vejo  que  seja  indicativa  do  prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção  que tomou aquela.  Isso,  porque  a  decisão  no  RE  n.º  559.937  não  tratou  de  alargamento  do  conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/Pasep­Importação  e a Cofins­Importação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF  “o  que  fez  [a  dita  lei]  foi  desconsiderar  a  imposição  constitucional  de  que  as  contribuições  sociais  sobre  a  importação  que  tenham  alíquota  ad  valorem  sejam  calculadas  com  base  no  valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”.   A  expressão  valor  aduaneiro,  conforme  acentuado  por  aquela  Corte,  é  utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico­ positivo  preexistente  à  sua  edição”,  e  circunscreve  integralmente  a  base  de  cálculo  a  ser  observada  pelo  legislador  ordinário  na  instituição  das  ditas  contribuições,  no  que  foi  extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS.   Servir­se a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente  no  apontamento  dessa  expressão  (valor  aduaneiro)  como  uma  das  bases  de  cálculo  do  PIS/Cofins­Importação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita  pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária pré­existente.  Naquele  caso,  a definição  legal  fora  recepcionada  pela Carta Magna,  passando  a  se  ter uma  definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de  detalhamento  constitucional  do  que  viesse  a  ser  faturamento  esse  mister  haveria  de  estar  a  cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da  Lei nº 9.718/98.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  em  apreciação  da  matéria  aqui  sob  exame,  sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da  precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto  é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de                                                              1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:   [...]  a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o  valor aduaneiro;  2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso,  tendo em vista a decisão proferida na ADC 18­5/DF.  Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro  Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art.  3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3].   Com a perda da  eficácia da Medida Cautelar na ADC,  em 21/9/2010, nada  obsta o julgamento da matéria pelo CARF.  A instituição da Cofins pela LC 70/91[4]  inaugurou a delimitação da palavra  faturamento afirmando ­ quanto a tributos ­ que nele não se integra o IPI, quando destacado em  separado no documento  fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na  Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo ­ quanto a tributos ­ que nele não se incluem o  IPI  e  o  ICMS  retido  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário.   A  Lei  nº  9.718/98[6]  unificou  a  base  de  cálculo  das  contribuições  e  o  fez  destacando as grandezas que devem ser excluídas da  receita bruta,  a  teor do seu o parágrafo  segundo.  Sabe­se  que  o  ICMS  é  imposto  que  via  de  regra  incide  na  entrega  de  mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI;  a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº  9.718/98 informa que excluem­se da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora,  se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como  não  se  considerar  que  ficou  definido  ­  a  contrario  sensu  e  de  forma  implícita  –  que  ele  (o  ICMS)  integra  o  faturamento.  Adite­se  que  o  seu  histórico  cálculo  “por  dentro”,  segundo  o  ditame do Decreto­Lei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão.                                                              3  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:   I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal,  assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer  natureza.  Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da  contribuição, o valor:  a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal;  b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente.  5 Art. 3o  Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera­se faturamento a receita bruta, como definida pela  legislação  do  imposto  de  renda,  proveniente  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  do  preço  dos  serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia.  Parágrafo  único.    Na  receita  bruta  não  se  incluem  as  vendas  de  bens  e  serviços  canceladas,  os  descontos  incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI, e o imposto sobre operações relativas  à  circulação  de mercadorias  ­  ICMS,  retido  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário.  6  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:     I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é:   § 7º O montante do  impôsto de circulação de mercadorias  integra a base de cálculo a que se  refere êste artigo,  constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle.   8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900875/2012­49  Acórdão n.º 3803­004.944  S3­TE03  Fl. 80          9 Exemplificando:  · ICMS por dentro  · Mercadorias em estoque = R$ 830,00  · Alíquota do ICMS = 17%   · Cálculo  do  preço  de  venda  cujo  montante  final  resultará  no  faturamento=830,00/83 % (100% ­ 83%) = R$ 1.000,00  · Valor do ICMS = 170,00  · ICMS por fora  · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10;  · O  preço  de  venda  será  o  valor  da mercadoria  em  estoque,  cujo  montante resultará no faturamento.  Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte  do preço da mercadoria  como custo. E  este  é o desenho constitucional deste  imposto  após  a  declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na  forma do transcrito abaixo:  TRIBUTÁRIO.  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  VALOR  DO  IMPOSTO  COMO  ELEMENTO  INTEGRATIVO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  POSSIBILIDADE JURÍDICA.  A  base  de  cálculo  dos  tributos  e  a  metodologia  de  sua  determinação,  porque  constituem  elementos  de  conhecimento  indispensáveis para a definição do quantum  debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei,  em  obediência  ao  princípio  da  legalidade  (CF,  arts.  146,  III,  “a”,  150,  I,  e  CTN,  art.  97,  IV).  Inexiste  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade,  se  a  própria  lei  complementar e a lei local permitem que entre os elementos  componentes  e  formativos da base de cálculo do  ICMS se  inclua o valor do próprio imposto.  É demais  sabido que a ampliação do conceito de  faturamento pelo § 1º, do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98  foi  foco  da  disputa  que  resultou  na  declaração  da  sua                                                                                                                                                                                           § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada  pela Lcp 114, de 16.12.2002)  I ­ o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle;  § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização,  configurar fato gerador de ambos os impostos.  9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio  imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado  à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     10 inconstitucionalidade  pelo  STF,  prevalecendo  a  definição  abrangente  apenas  das  receitas  provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da  pessoa jurídica.   Em  vista  de  subsistir  uma  definição  legal  de  faturamento  que  permite  considerar  nele  contido  o  ICMS  normal  ­  segundo  os  dispositivos  acima  destrinçados  ­,  o  Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade  do  §  1º,  do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  poderia  ter  declarado  a  inconstitucionalidade  sem  redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita  bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazê­lo e não o fez, para tornar  livres  de  mais  questionamentos  os  seus  contornos,  o  juízo  que  proferiu,  tendo  como  alvo  apenas  o  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98,  ao  contrário  de  se  reputá­lo  omisso,  endossa  o  entendimento  de  inclusão  do  ICMS  no  faturamento.  Entender  diferente  está  a  depender  de  novo posicionamento daquele Tribunal.  A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é  a  de  que  o  imposto  é  ‘cobrado’  do  comprador  pelo  vendedor,  e,  assim,  representa  um  ônus  tributário  que  é  repassado  ao  Estado;  logo,  por  não  configurar  circulação  de  riqueza,  não  ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a  suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo  i. Relator.  A  tese  já  foi  contraposta  com  sólido  argumento  por  Hugo  de  Brito  Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS  componente  do  preço  é  receita  do  Estado  é  um  equívoco  conceitual  relacionado  à  sujeição  passiva  do  ICMS. O  vendedor  é  o  contribuinte  de  direito,  não  atua  como  um  intermediário  entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não  do  adquirente.  O  ônus  correspondente  ao  valor  do  imposto  é  suportado  pelo  adquirente  somente  por  meio  do  pagamento  do  preço,  que  é  a  contrapartida  do  fornecimento  de  mercadorias  e  serviços.  Resultante  dessa  continência,  tal  valor  ingressa  no  patrimônio  do  alienante e compõe o seu faturamento11.  Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro  Eros Grau manifestou­se nesse mesmo sentido, verbis:  O Min.  Eros Grau,  em  divergência,  negou  provimento  ao  recurso por considerar que o montante do ICMS integra a  base  de  cálculo  da  COFINS,  porque  está  incluído  no  faturamento,  haja  vista  que  é  imposto  indireto  que  se  agrega ao preço da mercadoria.  Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e,  via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se  desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por  implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo:                                                              10  Citado  por  Anselmo  Henrique  Cordeiro  Lopes,  in  A  inclusão  do  ICMS  na  Base  de  Cálculo  da  COFINS,  disponível  em  http://jus.com.br/artigos/9674/a­inclusao­do­icms­na­base­de­calculo­da­cofins/2;  data  de  acesso:  22.12.2013.  11 No ICMS­ST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de  Normas Gerais do  ICMS, LC 87/96,  ao manter  na  relação  jurídica  tributária o  adquirente,  por  legitimá­lo para  repetir  indébito  ou  pagamento  a  maior  do  imposto  recolhido  pelo  substituto,  subverte  a  lógica  própria  desse  regime e  faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e  torna de  terceiro os  custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado  pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900875/2012­49  Acórdão n.º 3803­004.944  S3­TE03  Fl. 81          11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta  de destaque do  imposto  e de posterior  recolhimento,  não  afeta  a  relação  jurídica de  sujeição  passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários;  b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão  da  nota  fiscal  não  configura  o  crime  de  apropriação  indébita,  mas  o  de  sonegação  fiscal,  previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71,  I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento  fiscal terá como sujeito passivo o vendedor.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 26 de novembro de 2014  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10783.903263/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 09/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 225          1 224  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10783.903263/2008­21  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­002.641  –  3ª Turma   Sessão de  13 de novembro de 2013  Matéria  COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO.  DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE  Recorrente  TELEVISÃO VITÓRIA S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 15/10/2002  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VEÍCULOS  DE  DIVULGAÇÃO.  DESCONTO  DEVIDO  ÀS  AGÊNCIAS  DE  PUBLICIDADE.  O  desconto  padrão  pago pelo  veículo  de divulgação  à  agência  de publicidade  integra  a  base de cálculo da COFINS. Não se aplica o  art. 19 da Lei nº 12.232/2010  nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de  agências de publicidade pela Administração Pública.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros    Rodrigo  Cardozo  Miranda  e  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez.    LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ­ Presidente em exercício.     JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 32 63 /2 00 8- 21 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903263/2008­21  Acórdão n.º 9303­002.641  CSRF­T3  Fl. 226          2 EDITADO EM: 09/12/2013  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Maria  Teresa  Martínez  López,  Susy  Gomes  Hoffmann  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.    Relatório  A  sociedade  empresária  acima  identificada  formalizou  diversas  declarações  de  compensação  visando  utilizar  como  direito  creditório  a  COFINS  recolhida  sobre  o  “desconto de agência”, recolhimento que entendeu indevido. Todas elas são anteriores à edição  da Lei 12.232/2010.  As compensações não foram homologadas pela DRFB Vitória, o que ensejou  a  apresentação  de  manifestações  de  inconformidade,  que  foram  analisadas  e  decididas  pela  DRJ Rio de Janeiro II contrariamente à pretensão da interessada. Tanto a manifestação quanto  o  julgamento  pela DRJ  também ocorreram  antes  da  edição  da Lei  12.232,  de modo que  em  ambos não há qualquer referência a ela.  Em virtude dessa decisão, apresentou ela  recurso voluntário em que  apenas  reitera os mesmos argumentos já expostos em sua cópia da manifestação de inconformidade e  devidamente  contraditados  no  acórdão  então  recorrido.  Embora  datado  de  julho  de  2010,  quando já vigia a Lei 12.232, o recurso voluntário também não faz a ela qualquer referência. A  ele,  a  2ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Câmara  desta  Terceira  Seção  do  CARF  negou  provimento  com  os  mesmos  argumentos  já  expendidos  pela  DRJ  e  que  não  haviam  sido  especificamente  contraditados  pela  recorrente,  mas  acresceu  um  último  tópico  enfrentando  especificamente a aplicabilidade da Lei 12.232, que sequer constara do recurso voluntário.  Ainda insatisfeita, apresenta agora ela recurso especial no qual aponta que a  Segunda Turma da Quarta Câmara desta Terceira Seção entendeu que o tal desconto não deve  ser  incluído na base de cálculo por aplicação do mesmo dispositivo da Lei 12.232 que havia  sido  mencionado  “de  ofício”  na  decisão  recorrida.  O  recurso  limita­se  a  demonstrar  a  divergência e postular a aplicação do entendimento a que chegou a Quarta Câmara sem sequer  se dar ao trabalho de expender algum argumento na direção do postulado de modo a se opor  àqueles esposados no acórdão que pretendia contestar.   É o Relatório.    Voto             Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903263/2008­21  Acórdão n.º 9303­002.641  CSRF­T3  Fl. 227          3 Como  procurei  demonstrar  no  relatório,  o  processo  apresenta  como  “peculiaridade” o fato de que a decisão recorrida se manifestou sobre matéria não argüida pelo  contribuinte. Entretanto, fê­lo não para conceder o que não fora pedido, o que configuraria, a  princípio, hipótese de decisão ultra­petita, mas para negá­lo (?). Em outras palavras, o único  efeito de tal inclusão foi propiciar a apresentação do recurso especial que ora analisamos, visto  que  é  exatamente  sobre  essa  parte  do  acórdão  que  se  instaura  a  divergência  que  veio  a  ser  aceita no exame de admissibilidade.  Assim, apesar dessa estranheza quanto à inclusão da matéria não deduzida na  defesa, concordo que o recurso especial deve ser admitido na medida em que, uma vez incluída  ela, resta patente a divergência de entendimentos entre a câmara recorrida e a quarta câmara.  Dele conheço, pois.  E  sem  maiores  delongas,  a  ele  nego  provimento  com  os  argumentos  expendidos  pelo  conselheiro  Henrique  Pinheiro  Torres  em  julgamento  de  recursos  em  tudo  semelhantes  realizados  na  última  reunião  dessa  Câmara  Superior.  Peço  vênia,  pois,  para  transcrevê­los na  íntegra  a  seguir,  considerando­os bastantes na medida  em que o  recorrente  nada de novo traz em relação ao seu recurso voluntário, a não ser a pretensão de ver aplicada a  mencionada  Lei  12.232  argumento  muito  bem  enfrentado  pelo  dr.  Henrique,  a  quem  rendo  minhas homenagens. Transcrevo:  A  teor  do  relatado,  a  questão  que  se  apresenta  a  debate  diz  respeito  à  base  de  cálculo  da  Cofins  devida  pelo  veículo  de  divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição  incide  sobre  o  total  da  receita  proveniente  do  faturamento  constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto  esta  defende  a  exclusão  do  desconto  padrão  pago  por  ela  às  agências  de  propaganda.  A  meu  sentir,  não  merece  reparo  o  acórdão  recorrido,  pois  a  Cofins,  diferentemente  do  que  acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos  geradores  objeto  destes  autos,  incidia  sobre  o  total  do  faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda  de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou  a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com  esses dois tributos.  No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou,  tão­somente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela  recorrente,  com  base  nas  Notas  Fiscais  de  serviços  por  ela  emitidas,  como  determinava  a  legislação  dessa  contribuição,  vigente  à  época  dos  fatos  geradores  objeto  do  lançamento  em  análise.  É  incontroverso  nos  autos  que  os  valores  lançados  correspondem  aos  das  faturas  emitidas  pela  Fiscalizada.  A  discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da  base de  cálculo os valores  correspondentes aos pagamentos de  desconto padrão às agências de propaganda.  A  defesa  socorre­se  do  art.  19  da  Lei  12.232/2010  que  dispõe  sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores  correspondentes  ao  desconto  padrão  de  agência.  Acontece,  porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplica­ se, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com  a  Administração  Pública.  Não  dispõe  sobre  o  tratamento  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903263/2008­21  Acórdão n.º 9303­002.641  CSRF­T3  Fl. 228          4 tributário  das  pessoas  que menciona,  como não  poderia  ser. A  incidência  das  contribuições  devidas  pelas  agências  publicitárias  e  pelos  veículos  de  divulgação,  á  época  dos  fatos  em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas,  sem qualquer regalia ou diferenciação.  No caso em exame, o  veículo de divulgação  recebeu o  total  do  valor  negociado,  emitindo  uma  fatura  comercial  em  nome  do  anunciante e, após a agência de publicidade emitiu uma  fatura  comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações  negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o  anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de  divulgação.  E  cada  uma  dessas  relações  negociais  haverá  repercussão  financeira,  e,  por  conseguinte,  tributária.  No  caso  específico  dos  autos,  a  relação  entre  anunciante  e  veiculo  de  divulgação gera  receita  para  este,  no  valor  total  da  fatura  por  ele  emitida  contra  àquele.  Já  na  relação  estabelecida  entre  a  agência  de  propagada  e  o  veículo  de  divulgação,  a  receita  gerada  será da agência,  também, no  valor da  fatura  comercial  emitida contra o veículo anunciante.   Quanto  à  tributação  dessas  receitas  em  relação  ao  PIS  e  à  Cofins,  não  há  novidade,  comporão  o  faturamento  tanto  da  agência  quanto  do  veículo  de  divulgação,  e  por  conseguinte,  integrarão  a  base  de  cálculo  dessas  contribuições,  devidas  por  essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura  emitida pelo veiculo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida  à  tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento  é  esperado  da  agência  de  publicidade,  em  relação  à  receita  recebida do veículo de divulgação.  Note­se que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação  contra o a anunciante quanto à da agência contra o veiculo de  divulgação,  referem­se  a  serviços  prestados  por  duas  pessoas  jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço  prestado. Essa  remuneração,  qualquer  que  seja  a  classificação  adotada,  contábil,  fiscal,  econômica,  não  importa,  representa  faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à  incidência do PIS e da Cofins.  Poder­se­ia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os  valores correspondentes ao desconto­padrão não seriam receitas  do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº  12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas  razões  de  veto  do  parágrafo  único  desse  dispositivo  legal,  a  norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade  com  a  Administração  Pública,  não  se  aplicando  às  relações  entre particulares.  MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010.                                                              1  Art.  19.  Para  fins  de  interpretação  da  legislação  de  regência,  valores  correspondentes  ao  desconto­padrão  de  agência  pela  concepção,  execução  e  distribuição  de  propaganda,  por  ordem  e  conta  de  clientes  anunciantes,  constituem  receita  da  agência  de  publicidade  e,  em  consequência,  o  veículo  de  divulgação  não  pode,  para  quaisquer  fins,  faturar e contabilizar  tais valores como receita própria,  inclusive quando o repasse do desconto­ padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus)  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903263/2008­21  Acórdão n.º 9303­002.641  CSRF­T3  Fl. 229          5 Senhor  Presidente  do  Senado  Federal,  Comunico  a  Vossa  Excelência que,  nos  termos do § 1o do  art.  66 da Constituição,  decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público,  o Projeto  de Lei  no  197,  de  2009  (no  3.305/08  na Câmara  dos  Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e  contratação  pela  administração  pública  de  serviços  de  publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda  e dá outras providências”.  Ouvido,  o  Ministério  da  Justiça  manifestou­se  pelo  veto  ao  dispositivo abaixo:  Parágrafo único do art. 19   “Art. 19. .......................................................................  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  se  aplica  inclusive  à  contratação de serviços entre particulares, observadas normas de  orientação  expedidas  pelo  Conselho  Executivo  das  NormasPadrão CENP.”  Razão  do  veto  “O  projeto  de  lei  disciplina  a  contratação  de  agências  de  publicidade  pela  administração  pública,  não  adentrando  nas  relações  entre  os  particulares  que  exercem  atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18  de junho de 1965.”  Essa,  Senhor  Presidente,  a  razão  que  me  levou  a  vetar  o  dispositivo  acima mencionado  do  projeto  em  causa,  a  qual  ora  submeto  à  elevada  apreciação  dos  Senhores  Membros  do  Congresso Nacional.  Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da  Lei  nº  12.232/2010,  é  inaplicável  ao  caso  sob  exame,  por  ser  específica  para  as  contratações  com  a  Administração  Pública,  conforme explicado nas  razões de veto do parágrafo único que  previa  a  extensão  para  as  relações  entre  os  particulares.  As  atividades  publicitárias  entre  particulares  permanecem  regidas  com  fundamento na Lei  nº 4.680, de 18 de  junho de 1965, que  não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins,  do  desconto­padrão  pago  às  agências  de  publicidade  pelos  veículos de divulgação.   Em  outro  giro,  o  que  a  recorrente  pretende,  na  realidade,  é  tributar  apenas  a  receita  líquida,  deduzindo  as  despesas  incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia  encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda  da  Pessoa  Jurídica  ou  ainda  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de  lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as  contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da  Cofins,  que  tem  como  base  de  cálculo  as  receitas  oriundas  da  venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas  são  somente  aquelas  listadas,  numerus  clausus,  na  lei  instituidora  da  contribuição,  in  casu,  a  Lei  Complementar  70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903263/2008­21  Acórdão n.º 9303­002.641  CSRF­T3  Fl. 230          6 a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se  encontra a pretendida pelo sujeito passivo.   Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder  à  exclusão  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  Cofins  do  desconto­ padrão  pago  às  agências  de  publicidade  pelo  veículo  de  comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor  a base de cálculo das contribuições citadas.  Além  das  razões  enumeradas  nas  linhas  precedentes,  peço  emprestado  os  argumentos  da  nobre  relatora  do  acórdão  recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e  a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro  das merecidas homenagens à ilustre Conselheira.  Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial  apresentado pelo sujeito passivo.  E assim também faço­o eu aqui.    JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS                                  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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5295607 #
Numero do processo: 23034.031690/2002-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que DRF no Rio de Janeiro I informe: a) se realmente os valores relativos ao processo em epígrafe (23034.031690/2002-27) encontram-se totalmente parcelado. Em caso afirmativo não retornar os autos para julgamento, dando o destino ao mesmo; b) se ainda existir competência na notificação que não foram parceladas, informar quais são, juntando comprovação das informações aos autos (parcelamento e desistência do contribuinte) e encaminhar para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 244          1 243  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  23034.031690/2002­27  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2803­000.222  –  3ª Turma Especial  Data  23 de janeiro de 2014  Assunto  Diligência  Recorrente  CONSERVADORA LUSO BRASILEIRA S/A COM. E CONSTRUÇÕES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência para que DRF no Rio de Janeiro I informe: a) se realmente os valores  relativos ao processo em epígrafe (23034.031690/2002­27) encontram­se totalmente parcelado.  Em caso afirmativo não  retornar os autos para  julgamento, dando o destino ao mesmo; b) se  ainda  existir  competência  na  notificação  que  não  foram  parceladas,  informar  quais  são,  juntando comprovação das informações aos autos (parcelamento e desistência do contribuinte)  e encaminhar para julgamento.   (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Helton  Carlos  Praia  de  Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira  Júnior e Natanael Vieira dos Santos.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 31 69 0/ 20 02 -2 7 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.031690/2002­27  Resolução nº  2803­000.222  S2­TE03  Fl. 245          2   Relatório  Trata­se  de  processo  administrativo  fiscal  referente  à  contribuição  social  do  Salário­Educação, constituído pelo FNDE com base na Lei 9.876, de 26 de novembro de 1999,  e  Lei  8.212/1991,  constantes  da  fundamentação  legal  nos  autos,  em  razão  da  existência  de  irregularidade  no  recolhimento  relativo  à  regularização  das  informações  dos  alunos  indenizados  ­  RAI,  período  de  01/1995  a  11/1999,  conforme  Oficio  Circular  071/2002  ­  GEARC/FNDE (cópia anexa aos autos).  Foi emitida em 11/11/2002,  fl. 49, Notificação Para Recolhimento de Débito  ­  NRD n° 863/2002, competências 01/1995 a 11/1999 (fls. 70/73).   O  contribuinte  foi  cientificado  da  notificação  em  18/11/2002,  fl.  39,  apresentando defesa em 04/12/2002, fls. 40/42.  A  decisão  de  primeira  instância  administrativa  indeferiu  a  impugnação  e  considerou  notificação  procedente,  conforme  Informação  174/2005/DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC  e  Ofício  89/2006/DIADE/CGACEDIFIN/FNDE/MEC, de 17/03/2006, fls. 74/78.  O contribuinte  foi  cientificado da decisão  em 27/03/2006,  fl.80,  inconformado  apresentou de recurso voluntário, em 27/04/2006 (fl. 88), fls. 81/214.  O  FNDE  registra  o  recebimento  do  recurso,  entretanto,  não  informa  se  é  tempestivo  ou  não.  O  contribuinte  alega  a  tempestividade.  Não  consta  data  exata  do  recebimento do recurso nos autos. Assim, o recurso será considerado tempestivo.  Consta do recuso, em síntese:  ­ o tempo da inspeção foi exíguo;  ­ não conseguiu transmitir o arquivo ­ RAI pela internet em razão no sistema do  FNDE;  ­  somente  foi  possível  gerar  as  informações  pertinentes  em  13/11/2002,  mas  enfim  os mesmos  foram  gerados,  povoando  o  sistema  RAÍ.  Contudo,  na  fundamentação  da  decisão que indeferiu o recurso anteriormente protocolado, informou que tais argumentos não  procediam,  vez  que  o  simples  fato  de  informar  a  RAI,  sem  a  apresentação  da  declaração  correspondente não legitimaria a dedução;  ­ a Lei 9.766/98 que alterou a legislação que rege o salário educação e todas as  Resoluções pertinentes  lançadas posteriormente não exige o envio de qualquer declaração ao  FNDE, apenas a guarda da documentação durante dez anos;  ­ por fim, requer a anulação da notificação.  Consta despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I,  DICAT/DRF/RJOI  ­ Eqcdp,  em 15 de  julho de 2011,  fl.  242, que o  crédito  está  incluído no  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.031690/2002­27  Resolução nº  2803­000.222  S2­TE03  Fl. 246          3 parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, conforme tela sistema SICOB (fl. 241),  entretanto, não consta nos autos desistência expressa do recurso interposto.  É o relatório.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.031690/2002­27  Resolução nº  2803­000.222  S2­TE03  Fl. 247          4 Voto  Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator   O  FNDE  registra  o  recebimento  do  recurso,  entretanto,  não  informa  se  é  tempestivo  ou  não.  O  contribuinte  alega  a  tempestividade.  Não  consta  data  exata  do  recebimento do recurso nos autos. Assim, o recurso será considerado tempestivo.  Consta despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I,  DICAT/DRF/RJOI  ­ Eqcdp,  em 15 de  julho de 2011,  fl.  242, que o  crédito  está  incluído no  parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, conforme tela sistema SICOB (fl. 241),  entretanto, não consta nos autos desistência expressa do recurso interposto.  É  dever  da  autoridade  administrativa  zelar  pela  legalidade  de  seus  atos  e  de  respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que  trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto, em converter o julgamento em diligência para que DRF no Rio de  Janeiro  I  informe:  a)  se  realmente  os  valores  relativos  ao  processo  em  epígrafe  (23034.031690/2002­27) encontram­se totalmente parcelado. Em caso afirmativo não retornar  os  autos  para  julgamento,  dando  o  destino  ao  mesmo;  b)  se  ainda  existir  competência  na  notificação  que  não  foram  parceladas,  informar  quais  são,  juntando  comprovação  das  informações  aos  autos  (parcelamento  e  desistência  do  contribuinte)  e  encaminhar  para  julgamento.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima    Fl. 247DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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5240908 #
Numero do processo: 19647.001895/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.636
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro e Winderley Morais Pereira. RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão refutado, in verbis: Trata-se de lançamento de oficio, fls. 04 a 07, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência da multa de oficio aplicada sobre o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, no valor de R$ 152.602,39, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2002. Na Descrição dos Fatos, fl. 05, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias foi apurada a falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados por erro de classificação fiscal e/ou com classificação fiscal correta, mas sem destaque do imposto. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 18/36, a fiscalização, após discorrer sobre o princípio da não-cumulatividade prevista no art. 153, § 3º, II da Constituição Federal de 1988, a falta de destaque do IPI e a classificação fiscal dos produtos: rótulo; imagem adesiva; notas fiscais; pasta persona; envelope e mala direta, consignou também que: - a partir dos dados obtidos em meio magnético ficou caracterizada a infração cometida pela contribuinte: falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saídas, planilhas de folhas 59 a 99, conforme disposição prevista no art. 461 do RIPI/98, com fundamento legal no art. 80, I, da Lei n° 4.502, de 1964, com redação dada pela art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996; - será cobrada tão somente a multa isolada, sem lançamento do IPI, em virtude dos saldos credores de sua escrita fiscal serem superiores aos débitos apurados, conforme se observa da planilha de "Reconstituição da Escrita", fl. 101 a 104. Encontram-se às folhas 08 a 16 os Demonstrativos de Apuração, de Débitos Apurados e Não Lançados e de Multa, e à folha 17 o Termo de Encerramento. Cientificada da decisão em 08/03/2007, fl. 04, a autuada apresentou, em 09/04/2007, a impugnação de folhas 174 a 199, alegando em síntese que: - as notas fiscais e blocos estão enquadrados na posição 4820.40.00, pois outra opção não há senão subsumi-los na tipificação "formulários contínuos com dizeres impressos"; - as pastas personalizadas possuíam classificação 4920.10.00 (atualmente esta subposição não existe mais), com alíquota de 0%, tratava-se de "blocos de papel para cartas com dizeres impressos"; - os envelopes, os que são impressos pela impugnante são sim "com dizeres impressos", isto é, timbrados, razão pela qual a subposição correta seria 4817.10.00, inexistindo qualquer incorreção também neste particular. Requer produção de prova pericial para confirmar a classificação na TIPI correta para os produtos acima mencionados. Em atendimento ao inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235, de 1973, formula quesitos a serem submetidos à perícia, referentes a classificação e alíquota dos produtos: imagem adesiva, notas fiscais, pastas personalizadas e envelopes, nomeia a gerente administrativa, Sra. Sandra Gláucia Teixeira Bonifácio, CPF 004.987.345-87, para assistir a impugnante na prova pericial. No caso de superado o fundamento de defesa anteriormente elencado, deve-se considerar outro fundamento que se sobrepõe à questão da classificação dos produtos na TIPI, pois se trata da não incidência do IPI sobre os produtos tributados no despacho decisório (valores conseqüentemente subtraídos do crédito requerido), frutos da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS). O serviço gráfico encontra-se arrolado no item 77 da lista de serviços anexa ao Decreto-lei n° 406, de 1968, logo, fica afastada a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o § 1°, do art. 8°, do citado Decreto. Afirma que diante da caudalosa jurisprudência, o entendimento pela não incidência do IPI no caso em foco foi sedimentado nas súmulas 156 do STJ e 143 do TRF. Cita diversas decisões do STJ, e decisão do 2° Conselho de Contribuintes que corroboram com a tese de incidência isolado do ISS nos serviços gráficos. Afirma que os produtos foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, e que está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI, inexiste valores a serem subtraídos do crédito submetido à homologação, em conformidade com o § 1°, do art. 8° do Decreto-lei n° 406, de 1968. Por fim, pede a improcedência do lançamento, seja por: a) constatar a correta classificação na TIPI adotada pela impugnante e, conseqüentemente, inexistindo IPI a recolher nas cogitadas operações; b) constatar a não incidência pura do IPI sobre os produtos base da autuação, posto se tratar de produtos decorrentes da prestação de serviço gráfico, personalizados e sob encomenda, submetidos isoladamente ao ISS; e c) requer a produção de prova pericial. A 4ª Turma da DRJ de Salvador (BA) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 15-14738, de 28 de dezembro de 2007, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços gráficos prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decreto-lei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IPI, operações que se caracterizam dentre as modalidades de industrialização previstas nos Decretos n° 2.092, de 1996, n°3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Dentre os produtos industrializados pela contribuinte, as "notas fiscais" classificam-se no código 4820.9000, os "blocos", no código 4820.1000, "pasta personalizada", no código 4820.9000 e o "envelope", no código 4817.1000, com alíquota de 15%. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Inconformado com a decisão de primeiro grau, o recorrente protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: O indeferimento da prova pericial requerida pela recorrente macula de nulidade o processo administrativo fiscal por tolher o pleno exercício do direito de defesa; Não procede a classificação adotada pela fiscalização e ratificada pela decisão combativa. As notas fiscais e os blocos devem ser enquadrados na posição TIPI 4820.40.00 em vista de serem formulários contínuos com dizeres impressos. Já as pastas personalizadas possuíam a classificação 4920.10.00, que não existe mais. Os envelopes por serem timbrados, ou seja, com dizeres impressos, deve ser classificado na posição 4817.10.00; Os produtos da Recorrente foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, conforme aliás aponta a própria descrição dos produtos constantes dos anexos do auto de infração, onde se vê a expressão personalizados. Evidente que pastas, adesivos, envelopes, blocos, notas fiscais, são itens elaborados de acordo com o pedido dos clientes, porquanto, feitos sob encomenda. Afinal, não é crível supor que a Recorrente venderia notas fiscais se não fossem previamente contratadas de acordo com o pedido do cliente; ou tampouco que vendesse pastas personalizadas sem que o cliente definisse as características do produto, ou mesmo envelopes timbrados sem os dados do cliente. Nessas condições, caracterizado que a prestação de serviço gráfico, seja sob encomenda ou não - em que pese no caso toda produção da Recorrente ser sob encomenda - está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI. Nos termos do § 1º do art. 8º do Decreto-Lei nº 406/68, se o serviço estiver arrolado na lista anexa ao citado ditame legal, ficará afastada a incidência de qualquer outro imposto que não seja o Imposto sobre Serviços – ISS. Termina a petição recursal requerendo: a nulidade da decisão combatida em virtude do cerceamento do direito de defesa; Alternativamente, que seja reformada a decisão para decretar a improcedência do lançamento, ou pela correta classificação fiscal ou pela não incidência do IPI nas saídas de produtos gráficos industrializados de forma personalizada e sob encomenda. É o Relatório. VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Na Descrição dos Fatos, fl. 05, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias foi apurada a falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados por erro de classificação fiscal e/ou com classificação fiscal correta, mas sem destaque do imposto. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 18/36, a fiscalização, após discorrer sobre o princípio da não-cumulatividade prevista no art. 153, § 3º, II da Constituição Federal de 1988, a falta de destaque do IPI e a classificação fiscal dos produtos: rótulo; imagem adesiva; notas fiscais; pasta persona; envelope e mala direta, consignou também que: - a partir dos dados obtidos em meio magnético ficou caracterizada a infração cometida pela contribuinte: falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saídas, planilhas de folhas 59 a 99, conforme disposição prevista no art. 461 do RIPI/98, com fundamento legal no art. 80, I, da Lei n° 4.502, de 1964, com redação dada pela art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996; - será cobrada tão somente a multa isolada, sem lançamento do IPI, em virtude dos saldos credores de sua escrita fiscal serem superiores aos débitos apurados, conforme se observa da planilha de "Reconstituição da Escrita", fl. 101 a 104. Encontram-se às folhas 08 a 16 os Demonstrativos de Apuração, de Débitos Apurados e Não Lançados e de Multa, e à folha 17 o Termo de Encerramento. Cientificada da decisão em 08/03/2007, fl. 04, a autuada apresentou, em 09/04/2007, a impugnação de folhas 174 a 199, alegando em síntese que: - as notas fiscais e blocos estão enquadrados na posição 4820.40.00, pois outra opção não há senão subsumi-los na tipificação "formulários contínuos com dizeres impressos"; - as pastas personalizadas possuíam classificação 4920.10.00 (atualmente esta subposição não existe mais), com alíquota de 0%, tratava-se de "blocos de papel para cartas com dizeres impressos"; - os envelopes, os que são impressos pela impugnante são sim "com dizeres impressos", isto é, timbrados, razão pela qual a subposição correta seria 4817.10.00, inexistindo qualquer incorreção também neste particular. Requer produção de prova pericial para confirmar a classificação na TIPI correta para os produtos acima mencionados. Em atendimento ao inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235, de 1973, formula quesitos a serem submetidos à perícia, referentes a classificação e alíquota dos produtos: imagem adesiva, notas fiscais, pastas personalizadas e envelopes, nomeia a gerente administrativa, Sra. Sandra Gláucia Teixeira Bonifácio, CPF 004.987.345-87, para assistir a impugnante na prova pericial. No caso de superado o fundamento de defesa anteriormente elencado, deve-se considerar outro fundamento que se sobrepõe à questão da classificação dos produtos na TIPI, pois se trata da não incidência do IPI sobre os produtos tributados no despacho decisório (valores conseqüentemente subtraídos do crédito requerido), frutos da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS). O serviço gráfico encontra-se arrolado no item 77 da lista de serviços anexa ao Decreto-lei n° 406, de 1968, logo, fica afastada a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o § 1°, do art. 8°, do citado Decreto. Afirma que diante da caudalosa jurisprudência, o entendimento pela não incidência do IPI no caso em foco foi sedimentado nas súmulas 156 do STJ e 143 do TRF. Cita diversas decisões do STJ, e decisão do 2° Conselho de Contribuintes que corroboram com a tese de incidência isolado do ISS nos serviços gráficos. Afirma que os produtos foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, e que está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI, inexiste valores a serem subtraídos do crédito submetido à homologação, em conformidade com o § 1°, do art. 8° do Decreto-lei n° 406, de 1968. Por fim, pede a improcedência do lançamento, seja por: a) constatar a correta classificação na TIPI adotada pela impugnante e, conseqüentemente, inexistindo IPI a recolher nas cogitadas operações; b) constatar a não incidência pura do IPI sobre os produtos base da autuação, posto se tratar de produtos decorrentes da prestação de serviço gráfico, personalizados e sob encomenda, submetidos isoladamente ao ISS; e c) requer a produção de prova pericial. A 4ª Turma da DRJ de Salvador (BA) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 15-14738, de 28 de dezembro de 2007, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços gráficos prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decreto-lei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IPI, operações que se caracterizam dentre as modalidades de industrialização previstas nos Decretos n° 2.092, de 1996, n°3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Dentre os produtos industrializados pela contribuinte, as "notas fiscais" classificam-se no código 4820.9000, os "blocos", no código 4820.1000, "pasta personalizada", no código 4820.9000 e o "envelope", no código 4817.1000, com alíquota de 15%. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Inconformado com a decisão de primeiro grau, o recorrente protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: O indeferimento da prova pericial requerida pela recorrente macula de nulidade o processo administrativo fiscal por tolher o pleno exercício do direito de defesa; Não procede a classificação adotada pela fiscalização e ratificada pela decisão combativa. As notas fiscais e os blocos devem ser enquadrados na posição TIPI 4820.40.00 em vista de serem formulários contínuos com dizeres impressos. Já as pastas personalizadas possuíam a classificação 4920.10.00, que não existe mais. Os envelopes por serem timbrados, ou seja, com dizeres impressos, deve ser classificado na posição 4817.10.00; Os produtos da Recorrente foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, conforme aliás aponta a própria descrição dos produtos constantes dos anexos do auto de infração, onde se vê a expressão personalizados. Evidente que pastas, adesivos, envelopes, blocos, notas fiscais, são itens elaborados de acordo com o pedido dos clientes, porquanto, feitos sob encomenda. Afinal, não é crível supor que a Recorrente venderia notas fiscais se não fossem previamente contratadas de acordo com o pedido do cliente; ou tampouco que vendesse pastas personalizadas sem que o cliente definisse as características do produto, ou mesmo envelopes timbrados sem os dados do cliente. Nessas condições, caracterizado que a prestação de serviço gráfico, seja sob encomenda ou não - em que pese no caso toda produção da Recorrente ser sob encomenda - está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI. Nos termos do § 1º do art. 8º do Decreto-Lei nº 406/68, se o serviço estiver arrolado na lista anexa ao citado ditame legal, ficará afastada a incidência de qualquer outro imposto que não seja o Imposto sobre Serviços – ISS. Termina a petição recursal requerendo: a nulidade da decisão combatida em virtude do cerceamento do direito de defesa; Alternativamente, que seja reformada a decisão para decretar a improcedência do lançamento, ou pela correta classificação fiscal ou pela não incidência do IPI nas saídas de produtos gráficos industrializados de forma personalizada e sob encomenda. É o Relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.001895/2007­15  Resolução nº  3402­000.636  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Para  elucidar  os  fatos  ocorridos  nos  autos  transcrevo  o  relatório  do  Acórdão  refutado, in verbis:  Trata­se  de  lançamento  de  oficio,  fls.  04  a  07,  lavrado  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  com  a  exigência  da  multa  de  oficio  aplicada  sobre  o  valor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  no  valor  de  R$  152.602,39,  relativo  ao  período  de  janeiro  a  dezembro de 2002.  Na Descrição dos Fatos, fl. 05, o autuante relata que no procedimento  fiscal  de  verificação  do  cumprimento  das  obrigatórias  tributárias  foi  apurada a falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados  por  erro  de  classificação  fiscal  e/ou  com  classificação  fiscal  correta,  mas sem destaque do imposto.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls.  18/36,  a  fiscalização,  após  discorrer sobre o princípio da não­cumulatividade prevista no art. 153,  § 3º, II da Constituição Federal de 1988, a falta de destaque do IPI e a  classificação  fiscal  dos  produtos:  rótulo;  imagem  adesiva;  notas  fiscais; pasta persona; envelope e mala direta, consignou também que:  ­ a partir dos dados obtidos em meio magnético ficou caracterizada a  infração  cometida  pela  contribuinte:  falta  de  lançamento  do  imposto  nas  notas  fiscais  de  saídas,  planilhas  de  folhas  59  a  99,  conforme  disposição prevista no art. 461 do RIPI/98, com  fundamento  legal no  art. 80, I, da Lei n° 4.502, de 1964, com redação dada pela art. 45 da  Lei n° 9.430, de 1996;  ­ será cobrada tão somente a multa isolada, sem lançamento do IPI, em  virtude dos saldos credores de sua escrita fiscal serem superiores aos  débitos apurados, conforme se observa da planilha de "Reconstituição  da Escrita", fl. 101 a 104.  Encontram­se  às  folhas  08  a  16  os  Demonstrativos  de  Apuração,  de  Débitos Apurados e Não Lançados e de Multa, e à folha 17 o Termo de  Encerramento.  Cientificada da decisão em 08/03/2007,  fl.  04,  a autuada apresentou,  em  09/04/2007,  a  impugnação  de  folhas  174  a  199,  alegando  em  síntese que:  ­  as notas  fiscais e blocos  estão enquadrados na posição 4820.40.00,  pois outra opção não há senão subsumi­los na tipificação "formulários  contínuos com dizeres impressos";   ­  as  pastas  personalizadas  possuíam  classificação  4920.10.00  (atualmente  esta  subposição  não  existe  mais),  com  alíquota  de  0%,  tratava­se de "blocos de papel para cartas com dizeres impressos";  ­  os  envelopes,  os  que  são  impressos  pela  impugnante  são  sim  "com  dizeres  impressos",  isto  é,  timbrados,  razão  pela  qual  a  subposição  correta  seria  4817.10.00,  inexistindo  qualquer  incorreção  também  neste particular.  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.001895/2007­15  Resolução nº  3402­000.636  S3­C4T2  Fl. 102          3 Requer produção de prova pericial para confirmar a classificação na  TIPI correta para os produtos acima mencionados. Em atendimento ao  inciso  IV,  do  art.  16,  do  Dec.  70.235,  de  1973,  formula  quesitos  a  serem  submetidos  à  perícia,  referentes  a  classificação  e  alíquota  dos  produtos:  imagem  adesiva,  notas  fiscais,  pastas  personalizadas  e  envelopes,  nomeia  a  gerente  administrativa,  Sra.  Sandra  Gláucia  Teixeira  Bonifácio,  CPF  004.987.345­87,  para  assistir  a  impugnante  na prova pericial.  No caso de superado o fundamento de defesa anteriormente elencado,  deve­se  considerar  outro  fundamento  que  se  sobrepõe  à  questão  da  classificação dos produtos na TIPI, pois se trata da não incidência do  IPI  sobre  os  produtos  tributados  no  despacho  decisório  (valores  conseqüentemente  subtraídos  do  crédito  requerido),  frutos  da  prestação  de  serviço  gráfico,  submetido  exclusivamente  ao  Imposto  Sobre Serviço (ISS).  O serviço gráfico encontra­se arrolado no item 77 da lista de serviços  anexa ao Decreto­lei n° 406, de 1968, logo, fica afastada a incidência  de qualquer outro imposto,  inclusive o IPI, conforme disciplinava o §  1°, do art. 8°, do citado Decreto.  Afirma  que  diante  da  caudalosa  jurisprudência,  o  entendimento  pela  não  incidência  do  IPI  no  caso  em  foco  foi  sedimentado  nas  súmulas  156 do STJ e 143 do TRF. Cita diversas decisões do STJ, e decisão do  2° Conselho de Contribuintes que corroboram com a tese de incidência  isolado do ISS nos serviços gráficos.  Afirma  que  os  produtos  foram  industrializados  a  pedido  dos  seus  clientes, sob encomenda, e que está  sujeita  isoladamente à  incidência  do  ISS,  afastada  a  incidência  do  IPI,  inexiste  valores  a  serem  subtraídos do crédito submetido à homologação, em conformidade com  o § 1°, do art. 8° do Decreto­lei n° 406, de 1968.  Por fim, pede a improcedência do lançamento, seja por: a) constatar a  correta  classificação  na  TIPI  adotada  pela  impugnante  e,  conseqüentemente, inexistindo IPI a recolher nas cogitadas operações;  b) constatar a não  incidência pura do  IPI  sobre os produtos base da  autuação,  posto  se  tratar  de  produtos  decorrentes  da  prestação  de  serviço  gráfico,  personalizados  e  sob  encomenda,  submetidos  isoladamente ao ISS; e c) requer a produção de prova pericial.  A 4ª Turma da DRJ de Salvador (BA) julgou a impugnação improcedente, nos  termos  do  Acórdão  nº  15­14738,  de  28  de  dezembro  de  2007,  cuja  ementa  foi  vazada  nos  seguintes termos:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002  IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS.  Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços  gráficos  prestados  por  contribuinte  estão  catalogados  em  lista  anexa  ao Decreto­lei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.001895/2007­15  Resolução nº  3402­000.636  S3­C4T2  Fl. 103          4 de incidência do ISS não se confunde com a do IPI, operações que se  caracterizam dentre as modalidades de  industrialização previstas nos  Decretos n° 2.092, de 1996, n°3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002.  IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Dentre  os  produtos  industrializados  pela  contribuinte,  as  "notas  fiscais"  classificam­se  no  código  4820.9000,  os  "blocos",  no  código  4820.1000,  "pasta  personalizada",  no  código  4820.9000  e  o  "envelope", no código 4817.1000, com alíquota de 15%.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA.  Constando  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência.  Inconformado com a decisão de primeiro grau, o recorrente protocolou recurso  voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que:  a)  O  indeferimento  da  prova  pericial  requerida  pela  recorrente macula de nulidade o processo administrativo  fiscal por tolher o pleno exercício do direito de defesa;  b)  Não procede  a  classificação  adotada pela  fiscalização e  ratificada pela decisão  combativa. As notas  fiscais  e os  blocos  devem  ser  enquadrados  na  posição  TIPI  4820.40.00  em  vista  de  serem  formulários  contínuos  com  dizeres  impressos.  Já  as  pastas  personalizadas  possuíam  a  classificação  4920.10.00,  que  não  existe  mais. Os  envelopes  por  serem  timbrados,  ou  seja,  com  dizeres  impressos,  deve  ser  classificado  na  posição  4817.10.00;  c)  Os  produtos  da  Recorrente  foram  industrializados  a  pedido dos seus clientes, sob encomenda, conforme aliás  aponta  a  própria  descrição  dos  produtos  constantes  dos  anexos  do  auto  de  infração,  onde  se  vê  a  expressão  personalizados.  Evidente  que  pastas,  adesivos,  envelopes, blocos, notas  fiscais, são  itens elaborados de  acordo com o pedido dos clientes, porquanto, feitos sob  encomenda. Afinal, não é crível supor que a Recorrente  venderia  notas  fiscais  se  não  fossem  previamente  contratadas  de  acordo  com  o  pedido  do  cliente;  ou  tampouco que vendesse pastas personalizadas sem que o  cliente definisse as características do produto, ou mesmo  envelopes  timbrados  sem  os  dados  do  cliente.  Nessas  condições,  caracterizado  que  a  prestação  de  serviço  gráfico,  seja  sob  encomenda  ou  não  ­  em  que  pese  no  caso  toda produção da Recorrente  ser  sob  encomenda  ­  está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a  incidência do IPI.  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.001895/2007­15  Resolução nº  3402­000.636  S3­C4T2  Fl. 104          5 d)  Nos termos do § 1º do art. 8º do Decreto­Lei nº 406/68,  se  o  serviço  estiver  arrolado  na  lista  anexa  ao  citado  ditame  legal,  ficará  afastada  a  incidência  de  qualquer  outro  imposto que não seja o  Imposto  sobre Serviços –  ISS.  Termina a petição recursal requerendo:  1)  a  nulidade  da  decisão  combatida  em  virtude  do  cerceamento do direito de defesa;  2)  Alternativamente,  que  seja  reformada  a  decisão  para decretar a improcedência do lançamento, ou  pela  correta  classificação  fiscal  ou  pela  não  incidência do IPI nas saídas de produtos gráficos  industrializados  de  forma  personalizada  e  sob  encomenda.  É o Relatório.    VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  Preliminarmente,  ressalto  que  há  uma  questão  prejudicial  a  ser  solucionada  imprescindível para o deslinde da causa.  Na decisão vergastada,  o Colegiado afirma que  “embora  tais produtos  tenham  sido encomendados de acordo com uma série de especificações, não houve a industrialização  por encomenda”.  Já  o  recorrente  afirma  que  todos  as  operações  tributadas  foram  derivadas  da  industrialização por encomenda.   Na  minha  visão,  saber  se  os  autos  tratam  apenas  de  operações  de  industrialização por encomenda é primordial para a sorte da lide.   Assim  sendo,  converto  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  Unidade  de  Origem da RFB apure se todas as operações que deram origem ao auto de infração, objeto da  lide,  se  referem  à  industrialização  por  encomenda  e  se  houve  algum  processo  de  industrialização por parte da recorrente nos produtos recebidos de terceiros.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.001895/2007­15  Resolução nº  3402­000.636  S3­C4T2  Fl. 105          6   É como voto.  Sala das Sessões, em 28/11/2013.  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO    Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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