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Numero do processo: 10746.001226/2005-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2802-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto do relator, determinar que a Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF junte ao processo (digital) inteiro teor do acórdão 2802-00.694, de 15/03/2011, em seguida dê ciência à Fazenda Nacional, facultando-lhe praz o de cinco dias para manifestar-se.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto do relator, determinar que a Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF junte ao processo (digital) inteiro teor do acórdão 2802-00.694, de 15/03/2011, em seguida dê ciência à Fazenda Nacional, facultando-lhe praz o de cinco dias para manifestar-se. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 311 1 310 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.001226/200581 Recurso nº Embargos Resolução nº 2802000.119 – 2ª Turma Especial Data 22 de janeiro de 2013 Assunto IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PAULO LAZARO LACERDA DE FREITAS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto do relator, determinar que a Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF junte ao processo (digital) inteiro teor do acórdão 280200.694, de 15/03/2011, em seguida dê ciência à Fazenda Nacional, facultandolhe praz o de cinco dias para manifestarse. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Tratase de recurso de embargos de declaração interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão nº 280201.349, proferido na sessão de 08 de fevereiro de 2.012 pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, em que se decidiu: “[...] por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração e retificar o erro material na parte dispositiva do acórdão 280200.694, de 15/03/2011, para que seja restabelecida a dedução de despesas com LivroCaixa no valor de R$2.807,38 (dois mil, oitocentos e sete reais e trinta e oito centavos), nos termos do voto do relator” A embargante observa que partir da análise dos autos, constatase que faltam partes do processo, uma vez que não foi digitalizado o acórdão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .0 01 22 6/ 20 05 -8 1 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10746.001226/200581 Resolução nº 2802000.119 S2TE02 Fl. 312 2 primitivo proferido por esta Turma de julgamento. Diante disso, entende que o “acórdão ora embargado se torna obscuro pela ausência da primeira decisão, que por ele foi integrada”. É o relatório do essencial. O recurso de embargos de declaração foi tempestivamente interposto e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Embora o exame das peças que integram os presentes autos demonstre a falta de digitalização da primeira decisão proferida por esta 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF (haja vista que a numeração seguinte às fls. 138 registra o número 148), entendo que a ausência questionada, no caso concreto, não produz a obscuridade apontada pela embargante, uma vez que a relatora do Acórdão nº 28021.349, ora embargado, transcreveu integralmente o relatório e o voto da decisão examinada e sede de embargos declaratórios. Observase do exame desse último acórdão, que o recurso de embargados de declaração, originalmente interposto pela própria Fazenda Nacional, foi conhecido e, em face do erro material então questionado, houve decisão favorável à embargante tendo sido devidamente retificada a parte dispositiva da primeira decisão. Contudo, a falta de digitalização da primeira decisão proferida por esta 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF constitui falha de instrução processual que deverá ser regularizada pela secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção deste CARF (SECAM). Diante do exposto, voto por conhecer e acolher os embargos declaratórios, para que a Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF junte ao processo (digital) inteiro teor do acórdão 280200.694, de 15/03/2011, em seguida dê ciência à Fazenda Nacional, facultando lhe praz o de cinco dias para manifestarse. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 314DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901004/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça - ou venha a fazer - jus o sujeito passivo.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça - ou venha a fazer - jus o sujeito passivo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 04 /2 00 9- 88 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.901004/200988 Acórdão n.º 1803001.570 S1TE03 Fl. 112 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.901004/200988 Acórdão n.º 1803001.570 S1TE03 Fl. 113 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 74verso e 75): Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/10/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 128.246,36 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 30/09/2004, no valor originário de R$ 601.072,46. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 11/17): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL (sic), que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente, não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo à manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito, objeto de compensação, decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido (sic). d) Além do saldo credor da CSLL (sic), a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório nº 58, de 04 de abril de 2005, e no DecretoLei nº 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 – ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.901004/200988 Acórdão n.º 1803001.570 S1TE03 Fl. 114 4 Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório, a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 74): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 23/02/2011 (fls. 78 numeração digital – ND), apresenta a interessada, em 24/03/2011, Recurso de fls. 79 (ND) a 86 (ND), instruído com os documentos de fls. 87 (ND) a 106 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que, ainda que seja de competência da autoridade administrativa deferir ou não a diligência requerida, deve ser levado em consideração que se trata de um direito do litigante, em processo administrativo ou judicial (CF/88, art. 5º, inciso LV), merecendo tal pleito ser mais bem analisado pelos ilustres Conselheiros; b) que a exibição de documentos e a juntada destes aos autos administrativos depende do sujeito passivo, mas o exame, a verificação e a análise para atestar a veracidade das informações é ato discricionário da administração tributária, ao qual devem ser aplicados os princípios do devido processo legal, previstos no Decretolei nº 70.235/72, na Lei nº 9.784/99 e na Instrução Normativa nº 900/09, art. 65; c) que é dever da administração realizar as diligências, no estabelecimento do sujeito passivo, para constatar a exatidão das informações; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.901004/200988 Acórdão n.º 1803001.570 S1TE03 Fl. 115 5 d) que, do mesmo modo que o contribuinte não pode negar a exibição dos livros, o fisco também não pode negarse a examiná los para que se detecte a verdade material dos fatos alegados e efetivamente ocorridos, tanto no interesse da arrecadação e daquele que efetua o pagamento dos tributos; e) que não é prudente que a Administração negue ao contribuinte o exame de documentos para demonstrar a existência do crédito apontado no PER/DCOMP; f) que, no ano de 2004, houve pagamento do imposto de renda, nascendo o crédito objeto de restituição e informado no PER/DCOMP, não podendo ser negado pela autoridade administrativa sem antes fazer o exame dos documentos comprobatórios do pagamento e do registro dos créditos na contabilidade do contribuinte; e g) que resta demonstrado, de forma cristalina, que a Recorrente tem o direito de ver os seus livros contábeis e fiscais examinados para aferir a existência do crédito e, ao depois, depararse com a decisão da autoridade administrativa reconhecendo ou não o direito creditório e a homologação da compensação. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.901004/200988 Acórdão n.º 1803001.570 S1TE03 Fl. 116 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Objeto de julgamento 5. De início, cumpre deixar claro que é objeto do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), de fls. 1 a 5, pleito de compensação de suposto crédito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a título de “pagamento indevido ou a maior”, decorrente de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), no valor de R$ 601.072,46 (código de receita: 2362; período de apuração: 30/09/2004; data de arrecadação: 29/10/2004). 6. Dessa forma, eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus a Recorrente, e que poderiam vir a reduzir o montante do imposto a pagar, não serão aqui analisados, por se constituírem em matéria estranha aos estreitos limites destes autos. 7. Nesse sentido, concordase inteiramente com a decisão recorrida (fls. 75 verso – destacouse): Constatase, dessa forma, que, com tal mudança de sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Por decorrência, a análise de procedência da declaração de compensação deve ser efetuada em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada, também, aos exatos limites do crédito identificado originalmente pelo contribuinte como compensável. Resulta, pois, que não se faz possível, em sede de declaração de compensação, pretenderse inovar o seu conteúdo, também sendo irrelevante a existência de outros créditos do sujeito passivo em tese oponíveis à Receita Federal do Brasil, os quais, nesta qualidade, dependeriam da apresentação de Pedido de Restituição/Ressarcimento cumulado com nova DCOMP. 8. Por conseguinte, é irrelevante toda a discussão encetada pela Recorrente com relação ao Ato Declaratório nº 58, de 4 de abril de 2005 [redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004], como também a referência feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) acerca desse ato. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.901004/200988 Acórdão n.º 1803001.570 S1TE03 Fl. 117 7 Pedido de compensação 9. No presente caso, admite a própria Recorrente que deveria ter indicado o pagamento de estimativa mensal na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) devido ao final do período de apuração, compondo o saldo negativo correspondente. 10. Assim, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001843/2010-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE.
O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de vale-alimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios.
Numero da decisão: 2403-001.306
Decisão: Recurso Voluntário provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Jhonatas Ribeiro da Silva
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de valealimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios. Recurso Voluntário provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 43 /2 01 0- 47 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Jhonatas Ribeiro da Silva Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001843/201047 Acórdão n.º 2403001.306 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de janeiro I, Acórdão 1237.866 da 12ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.258.4365) relativo As contribuições devidas A Seguridade Social, correspondente A parte dos segurados empregados, não descontada pela empresa responsável no período de 01/2006 a 12/2007. 2. Consta do "Relatório Fiscal do Auto de Infração" (fls. 37/43) o seguinte: 2.1. Da matriz 2.1.1. Os fatos geradores apurados na matriz foram as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de alimentação, através do fornecimento de "TICKET'S ALIMENTAÇÃO"; 2.1.2. Após ser intimada, a empresa informou que fornece alimentação aos seus funcionários na forma de ticket alimentação, para uso mensal, em atendimento As convenções coletivas de trabalho; 2.1.3. Os valores pagos foram obtidos através dos controles de recebimento dos tickets pelos empregados (fls. 113/163 do AI n° 37.258.4357) e das notas fiscais de fornecedores, todos fornecidos pela empresa, consoante detalhado na planilha de fls. 44/69 (ANEXO I); 2.2. Das filiais 2.2.1. No caso das filiais, em que a empresa informou não possuir controle de entrega dos tickets, as importâncias dispendidas com a alimentação dos empregados foram apuradas através das notas fiscais de fornecedores (fls. 164/277 do AI n° 37.258.4357) e da conta "Alimentação" do livro contábil Razão Analítico, conforme detalhado na planilha de fls. 70/74 (ANEXO II); 2.3. Foi constatado através do exame das folhas de pagamentos que os empregados não participam do custo do auxilio alimentação; 2.4. A empresa não se encontrava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT no período objeto do débito; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que não incide tributação sobre parcelas indenizatórias, especialmente sobre o auxílio alimentação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento ocorreu em razão de a empresa fornecer a seus funcionários ticket alimentação, sem inscrição no PAT e não ofertar essa parcela à tributação. Para o auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001843/201047 Acórdão n.º 2403001.306 S2C4T3 Fl. 4 5 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento é legal e correto. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Vencedor Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, Redator Designado: Com a devida vênia, divirjo do entendimento do relator no que diz respeito à incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de auxilio alimentação, pelas razões que passo a expor. Inicialmente, esclareço que adoto o relatório do relator. A autuação em tela decorreu do fato de o recorrente fornecer a seus empregados alimentação in natura e de valealimentação sem estar inscrito Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Consoante depreendese da alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, a parcela “in natura” recebida de acordo com o programa de alimentação de que trata a Lei 6.321, de 14 de abril de 1976, não integra o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. Apesar do posicionamento inicial da administração de que o fornecimento de alimentação somente estaria fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, se viesse acompanhado da inscrição junto ao PAT, após reiterada jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, ela curvouse ao entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. É o que se vê do Ato Declaratório PGFN 3, de 2011. No caso concreto, entendemos que o fato de o alimento ser fornecido sob a forma de valealimentação ou de alimentação in natura não desvirtua a sua natureza de alimento. Isso porque os valesalimentação são simples documentos de legitimação, cuja utilização destinase, com exclusividade, à aquisição de gêneros alimentícios, não podendo lhes ser dada outra destinação. Com isso, na prática, o fornecimento de valealimentação é simplesmente uma forma alternativa de fornecer o alimento in natura, tendo, como único diferencial em relação a este, o fato de permitir que o trabalhador escolha o tipo de alimento que pretende consumir. Mas esse simples fato, por si só, não retira a sua natureza indenizatória. Nesse sentido, tanto a parcela correspondente ao fornecimento de alimentação in natura, como o valor do valealimentação não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária, motivo pelo qual, não há, por parte do empregador, qualquer infração à legislação previdenciária. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001843/201047 Acórdão n.º 2403001.306 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, nessa ordem de razões, conheço do recurso e doulhe provimento parcial para afastar a incidência da contribuição sobre as parcelas pagas a título de vale alimentação e de alimentação in natura, nos termos do voto. Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10183.004054/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2102-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER em parte os embargos de declaração, com objetivo de manter a glosa da área de reserva legal, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER em parte os embargos de declaração, com objetivo de manter a glosa da área de reserva legal, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 40 54 /2 00 5- 10 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004054/200510 Acórdão n.º 2102002.392 S2C1T2 Fl. 191 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em sessão plenária realizada em 18 de outubro de 2007 a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte FRIGORÍFICO GEJOTA LTDA, Acórdão nº 30134.112, fls. 147/159. O referido acórdão está assim ementado: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. A exigência de apresentação do ADA somente se faz valer para o ITR a partir do exercício de 2001, quando a Lei n°. 6.938, de 31/01/1981, com a nova redação dada pela Lei n°. 10.165, de 27/12/2000, assim o determinou em seu art. 170. A exigência da apresentação de tal documento para exercícios anteriores configura afronta ao princípio da reserva legal, conforme diversas vezes assim tem sido decidido por este Colegiado. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área. E é por isso que tal área deve ser necessariamente isenta do ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que haja publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas. Notificada da decisão, acima mencionada, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, fls. 164/175, apontando a existência de omissões/contradições, a saber: I) a decisão embargada pronunciouse sobre a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal que não foram objeto do recurso, de sorte que houve um julgamento extra petita, posto que os julgadores analisaram argumentos que estão fora de alcance neste processo administrativo, tendo Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004054/200510 Acórdão n.º 2102002.392 S2C1T2 Fl. 192 3 em vista que não foi objeto de questionamento específico ou de pleito expresso pelo interessado, no momento processual oportuno. II) o voto condutor da decisão recorrida afirmou que a comprovação da existência da área de utilização limitada (reserva legal) não está condicionada à sua averbação no registro de matrícula do imóvel, podendo ser comprovada a sua existência por meio de outras provas idôneas, tal como a apresentação de Laudo Técnico revestido de formalidades que lhe atribua valor probante inconteste, bem como por meio de ADA, mesmo tendo sido este protocolizado em data posterior. Contudo, compulsando os autos, verificase que o autuado não promoveu a juntada a estes autos de nenhum documento comprobatório do que declarou em sua DIAC/DIAT, muito embora regularmente intimado a fazêlo. Em 17/06/2010, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em Despacho, fls. 176, admitiu parcialmente os embargos de declaração, somente no que diz respeito à omissão apontada no item II, acima. Quanto à existência de julgamento extra petita, não admitiu os embargos, sob o fundamento de que tal alegação não está enquadrada entre as hipóteses previstas para oposição de embargos de declaração É o Relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004054/200510 Acórdão n.º 2102002.392 S2C1T2 Fl. 193 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. De imediato, cumpre dizer que neste acórdão somente será analisada a omissão/contradição descrita no item II do relatório acima, posto que a omissão descrita no item I foi rejeitada por despacho exarado pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, sendo certo que tal decisão é definitiva, nos termos do art. 66, § 1º do Anexo II do RICARF. O lançamento imputou à contribuinte a infração de falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, conforme quadro a seguir: ITR 2000 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 30.861,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 5.999,0 ha 0,00 ha 16Valor da Terra Nua R$ 40.000,00 R$ 4.205.383,48 No Auto de Infração, a autoridade fiscal fez constar na descrição dos fatos que a glosa da área de utilização limitada era decorrente de dois fatos, a saber: (i) falta de comprovação da averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente; e (ii) não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Por seu turno, na decisão recorrida a área de utilização limitada foi reconhecida para fins de cálculo do ITR devido sobre a seguinte fundamentação: Na apreciação de processos que tratam dessa matéria, esta Câmara tem, reiteradamente, adotado o entendimento de que a comprovação da existência da área de utilização limitada (reserva legal) não está condicionada à sua averbação no registro de matrícula do imóvel, podendo ser comprovada a sua existência por meio de outra provas idôneas, tal como a apresentação de Laudo Técnico revestido de formalidades que lhe atribua valor probatório inconteste, bem como por meio de ADA, mesmo tendo sido este protocolizado em data posterior à prevista no art. 10, III, § 4º da IN SRF n° 43/97, com a redação dada pela IN SRF n° 67, de 1997, desde que antes de iniciado o procedimento fiscal. (...) Diante do exposto, tendo em vista que a isenção do ITR independe de averbação da área de utilização limitada no Registro de imóveis, temse que as razões que motivaram o auto Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004054/200510 Acórdão n.º 2102002.392 S2C1T2 Fl. 194 5 de infração no tocante à desconsideração dessa área são insubsistentes. Como se vê, o entendimento exarado no voto embargado foi de que a área de reserva legal pode ser reconhecida, na ausência de ADA e da averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, desde que a existência de tal área esteja comprovada nos autos por outros meios, tais como a apresentação de Laudo Técnico revestido de formalidades que lhe atribua valor probatório inconteste. Contudo, conforme afirmado pelo embargante, compulsandose os autos não se verifica a existência de nenhum documento comprobatório da existência da área de utilização limitada (reserva legal), seja Laudo Técnico, ADA apresentado a qualquer data, ou comprovação da corresponde averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Logo, a existência da área de utilização limitada não foi comprovada nos autos, restando evidenciada, de forma cristalina, a contradição apontada nos embargos de declaração. Na verdade, para o exercício 2000, no que diz respeito à apresentação de ADA, existe a Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que assim dispõe: Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ocorre que, no presente caso, a glosa da área de utilização limitada decorreu não apenas pela não entrega do ADA, mas também em razão da falta de comprovação da averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ora, para o exercício 2000, as áreas de reserva legal deveriam estar devidamente averbadas, nos termos do disposto no art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, sendo, pois inadmissível o reconhecimento de área de reserva legal não averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, cuja existência sequer foi comprovada. Nestes termos, deve ser mantida a glosa da área de utilização limitada. Ante o exposto, voto para ACOLHER em parte os embargos de declaração, com objetivo de manter a glosa da área de reserva legal, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.004054/200510 Acórdão n.º 2102002.392 S2C1T2 Fl. 195 6 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006213/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MUDANÇA DE ENDEREÇO SEM COMUNICAÇÃO À RECEITA FEDERAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Demonstrando-se no início do procedimento fiscal que o contribuinte não mais residia no domicílio informado na Declaração de Ajuste Anual, sem a devida comunicação do novo endereço ao Fisco, é válida a notificação dos demais atos processuais por meio de edital.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Declarou-se impedido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MUDANÇA DE ENDEREÇO SEM COMUNICAÇÃO À RECEITA FEDERAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Demonstrando-se no início do procedimento fiscal que o contribuinte não mais residia no domicílio informado na Declaração de Ajuste Anual, sem a devida comunicação do novo endereço ao Fisco, é válida a notificação dos demais atos processuais por meio de edital. Recurso especial conhecido e provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Declarou-se impedido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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MUDANÇA DE ENDEREÇO SEM COMUNICAÇÃO À RECEITA FEDERAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Demonstrandose no início do procedimento fiscal que o contribuinte não mais residia no domicílio informado na Declaração de Ajuste Anual, sem a devida comunicação do novo endereço ao Fisco, é válida a notificação dos demais atos processuais por meio de edital. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 62 13 /2 00 7- 23 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi iniciada ação fiscal em 13/03/2007 e lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 11, em 06/12/2007, exigindose Imposto de Renda Pessoa Física, Multa de Ofício no percentual de 75% e Juros de Mora, tendo em vista a apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2002 a 2004. O Termo de Início da Fiscalização, datado de 13/03/2007 (fls. 38), foi encaminhado ao contribuinte para o endereço constante da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2007, ou seja, Rua Raimunda Reis, nº 171 – Centro – Lagarto/SE, porém a correspondência retornou com a anotação de que o destinatário havia mudado de endereço (fls. 39). O mesmo Termo de Início de Fiscalização, desta vez datado de 26/03/2007 (fls. 40), foi então encaminhado para a Rua Raimunda Reis, nº 95 – Centro – Lagarto/SE, retornando a correspondência, também com a anotação de “Mudouse” (fls. 41). Em 29/05/1997, foi afixado o Edital nº 009/2007, cientificando o contribuinte de que contra ele havia sido expedido Mandado de Procedimento Fiscal e lavrado Termo de Início de Fiscalização (fls. 43). Em 07/11/2007, foi emitido o Termo de Intimação de fls. 51, cuja comunicação foi feita por meio do Edital nº 061/2007, afixado em 08/11/2007, com ciência estabelecida em 23/11/2007 (fls. 78). O Termo de Encerramento da ação fiscal, datado de 06/12/2007 (fls. 83 a 85), teve como conseqüência a lavratura do Auto de Infração de fls. 04 a 11, cientificado ao contribuinte por meio do Edital nº 070/2007 (fls. 90), afixado em 07/12/2007, com ciência considerada em 22/12/2007. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10510.006213/200723 Acórdão n.º 9202002.417 CSRFT2 Fl. 262 3 Às fls. 91 consta termo de ciência pessoal ao contribuinte, que compareceu à Agência da Receita Federal em Lagarto/SE em 16/01/2008, tomou ciência do Auto de Infração e do Edital nº 070/2009, bem como atualizou seu endereço no Cadastro de Pessoas Físicas. Em 04/02/2008, o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 96 a 139, considerada intempestiva pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, por meio de acórdão exarado em 17/03/2008, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INTIMAÇÃO POR EDITAL. ENDEREÇO DESCONHECIDO. Demonstrandose no início do procedimento fiscal que o contribuinte residia em endereço desconhecido, é válida a notificação dos demais atos processuais através de edital. Impugnação não Conhecida” Cientificado do acórdão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário ao CARF, prolatandose, em 20/10/2010, o Acórdão 220100.866 (fls. 197 a 200), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007 PRAZO – PEREMPÇÃO. Comprovado nos autos a nulidade da intimação do auto de infração, temse o contribuinte por intimado na data em que lhe é dada “vista” dos autos e toma ciência da acusação nele contida, contandose daí o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de sua impugnação. Recurso provido.” (Embora na ementa tenha constado o exercício de 2007, tratase efetivamente dos anoscalendário de 2002 a 2004, conforme constou da ementa do acórdão de Primeira Instância). Assim, por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso, para considerar tempestiva a intimação e determinar a análise do mérito. Cientificada do acórdão do CARF em 14/06/2011 (fls. 200), a Fazenda Nacional interpôs, em 15/06/2011, o Recurso Especial de fls. 203 a 208, com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 2009. Ao recurso foi dado seguimento, conforme Despacho nº 220000.379, de 20/06/2011(fls. 212 a 216). O apelo contém, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 a Turma entendeu pela nulidade da intimação por Edital, apesar de haver sido enviada intimação via postal ao endereço constante DIRPF do contribuinte – Rua Raimunda Reis, nº 171, Centro, Lagarto/SE – em que o AR de fls. 38/39 foi devolvido com a informação “mudouse”; há previsão expressa no sentido de autorizar a fiscalização a realizar a intimação por edital se um, e apenas um, dos meios ordinariamente facultados pela lei se mostrar inócuo, conforme art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação vigente à época da intimação, dada pela Lei nº 11.196, de 2005; assim, inexistindo qualquer preferência entre os meios de intimação, e restando infrutífera a intimação por via postal diante da devolução do AR com a informação de mudança de endereço, caberia à fiscalização a intimação por Edital, até porque, mesmo que se tentasse realizar a intimação pessoal esta também seria frustrada, em função da mudança do contribuinte; vale ressaltar que, mesmo que se tentasse realizar novas intimações, por via postal ou pessoal, estas também seriam frustradas, pelo fato de o contribuinte haver mudado de endereço, sem comunicar à RFB o novo endereço, o que já é suficiente para elidir a fundamentação da decisão recorrida; o art. 30 do RIR (Decreto 3.000, de 1999), dispõe sobre a obrigatoriedade de o contribuinte comunicar à RFB a sua mudança de endereço, no prazo de 30 dias; portanto, se o contribuinte não efetuou a comunicação no prazo previsto pela legislação, somente atualizando seu endereço em 16/01/2008, sujeitouse a ser intimado por Edital. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja admitido e provido o recurso, para que seja reconhecida a intempestividade da impugnação apresentada pelo contribuinte. Cientificado, em 25/07/2011, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, bem como do despacho que lhe deu seguimento (fls. 221), o contribuinte ofereceu, em 03/08/2011, tempestivamente, as ContraRazões de fls. 238 a 258. Aduz o contribuinte, em síntese: o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido, uma vez que a recorrente não demonstrou analiticamente a divergência alegada, sobretudo lastreada em fatos análogos; as situações fáticas constantes dos acórdãos paradigmas e do recorrido são completamente distintas, portanto os paradigmas não se prestam a demonstrar o dissídio jurisprudencial; com efeito, a primeira intimação do início da ação fiscal foi enviada ao endereço constante da DIRPF – Rua Raimunda Reis, nº 171 – não logrando êxito, com a devolução constando a informação de “mudouse”; entretanto, as demais intimações foram encaminhadas para o endereço Rua Raimunda Reis, nº 95, igualmente sem êxito, sem contudo ter havido qualquer informação nos autos da alteração do endereço do contribuinte, do nº 171 para o nº 95, razão pela qual as intimações foram consideradas inválidas, admitindose como ciência do contribuinte a data que teve acesso aos autos, em 16/01/2008; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10510.006213/200723 Acórdão n.º 9202002.417 CSRFT2 Fl. 263 5 a discussão travada nos autos diz respeito a irregularidade das intimações via postal, em endereço diverso do domicílio fiscal informado pelo contribuinte, o que ensejou a nulidade de tais atos; em conclusão, entendeu a Câmara recorrida que o envio de intimações via postal para endereço diverso do informado na DIRPF do contribuinte, por serem nulas, não fazem florescer a possibilidade da cientificação via Edital; os paradigmas, por sua vez, estão centrados na possibilidade da intimação via editalícia, após a devida tentativa de intimação via postal no domicílio fiscal do contribuinte; assim, inexiste divergência entre os acórdãos confrontados, já que as situações fáticas são diversas; no acórdão recorrido, o contribuinte foi considerado intimado na data em que teve vistas dos autos, uma vez que as intimações foram encaminhadas para endereço diverso de seu domicílio fiscal, o que representa irregularidade a não justificar a intimação por edital; já no caso dos paradigmas, a intimação por edital foi considerada regular, na hipótese de restar infrutífera a intimação via postal ou pessoal, no domicílio fiscal do contribuinte; no mérito, observase que várias são as formas de notificação/ciência do contribuinte relativamente ao Auto de Infração, enumeradas pela legislação, quais sejam, pessoal, via postal e, por último, esgotadas as duas anteriores, via edital (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972); no caso em tela, a autoridade lançadora comodamente lançou mão da intimação via edital, sem utilizarse primeiro de outras formas; não se constata nos autos qualquer comprovação do envio do Auto de Infração via epistolar (AR) ou mesmo tentativa de intimação pessoal no domicílio fiscal correto do contribuinte; no decorrer da ação fiscal a autoridade lançadora variou as formas e endereços das intimações, causando confusão, maculando os atos e cerceando o direito de defesa do contribuinte; a lei coloca como regra clara e expressa a necessidade de intimação pessoal do contribuinte acerca dos atos processuais dos quais deva tomar ciência; contudo, o § 1º faz ressalva expressa de que a intimação por edital somente poderá ser realizada quando restarem improfícuos e ineficientes os outros meios, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que as intimações via postal foram irregulares, em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte; a intimação para apresentação de defesa já foi realizada, diretamente, por via editalícia, sem que sequer fosse enviada comunicação ao domicílio correto do contribuinte; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 o contribuinte só foi devidamente cientificado do lançamento em 16/01/1998, passando o Auto de Infração a produzir efeitos a partir daquele momento, com a constituição do crédito tributário e o conseqüente início do prazo de impugnação; o processo fiscal, ao permitir a notificação por via postal, já concedeu grande benesse à Fazenda Pública, fugindo da tradição de que toda notificação deve ser feita pessoalmente; assim, não pode o fisco, de maneira cômoda e simplista, penalizar o contribuinte sem concederlhe o consagrado direito de defesa; ora, bastava uma simples consulta aos sistemas da RFB, a partir das declarações de IRPF e ITR, para verificar o seu endereço correto; e ainda que não tivesse sucesso nessa empreitada, caberia ao fisco proceder diligências com o fito de encontrar o verdadeiro domicílio fiscal do recorrente, mormente em um município interiorano, onde todos se conhecem; ademais, tendo a ação fiscal sido desenvolvida a partir de uma mera reportagem inserida em um jornal local, da mesma forma deveria o fiscal autuante pesquisar o verdadeiro endereço do contribuinte, oportunizandolhe o direito à defesa e ao contraditório; conforme o princípio do in dubio pro reu, o simples fato de haver dúvida quanto ao efetivo dia da ciência do Auto de Infração, deve ser considerada a data que melhor aprouver ao contribuinte, ou seja, 16/01/2008. Ao final, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso e a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo. Em sede de preliminar, o contribuinte pede o não conhecimento do apelo, argumentando que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, uma vez que o acórdão recorrido não guardaria similitude fática com os paradigmas. Alega o contribuinte que, no caso dos paradigmas, a intimação por edital foi considerada regular, por restar infrutífera a intimação via postal ou pessoal, no domicílio fiscal do contribuinte. A seu ver, teria ocorrido situação diversa no caso do acórdão recorrido, em que as intimações teriam sido encaminhadas para endereço diverso do seu domicílio fiscal , o que representaria irregularidade. Entretanto, basta examinar o primeiro dos paradigmas indicados pela Fazenda Nacional, para constatarse a identidade fática em relação ao acórdão recorrido. Com efeito, tratase do Acórdão nº 10422.835, cuja ementa consta às fls. 213 e a seguir se reproduz: “MUDANÇA DE DOMICÍLIO FISCAL SEM A DEVIDA COMUNICAÇÃO AO FISCO VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10510.006213/200723 Acórdão n.º 9202002.417 CSRFT2 Fl. 264 7 ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si.” A simples leitura da ementa acima permite concluir que, no caso desse paradigma, o contribuinte mudouse de domicílio fiscal sem efetuar a devida comunicação ao Fisco, daí a conclusão de que a notificação por Edital foi válida, uma vez que não se poderia admitir que o contribuinte obtivesse vantagem decorrente da própria desídia. E foi exatamente essa a situação verificada no caso do acórdão recorrido, conforme será a seguir demonstrado. A ação fiscal foi inaugurada com o Termo de Início da Fiscalização, datado de 13/03/2007 (fls. 38), encaminhado ao contribuinte para o endereço que vinha constando em sua DIRPF desde 2005, ou seja, Rua Raimunda Reis, nº 171 – Centro – Lagarto/SE (fls. 24). Entretanto, a correspondência retornou com a anotação de “mudouse” (fls. 39). Ora, se no início da ação fiscal, em março de 2007, o contribuinte já havia mudado de endereço, deveria comunicar o fato à Receita Federal no prazo de 30 dias, conforme estabelece o art. 30 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, inclusive aproveitando a oportunidade da entrega da Declaração de Ajuste Anual, como faculta o Parágrafo Único do citado dispositivo legal. Não obstante, em 27/04/2007, o contribuinte apresentou a DIRPF/2007, registrando o mesmo endereço, ou seja, Rua Raimunda Reis, nº 171 – Centro – Lagarto/SE (fls. 31). Assim, tal como ocorreu no paradigma, houve mudança de domicílio fiscal, sem a devida comunicação à Receita Federal, razão pela qual a correspondência retornou com a anotação de “mudouse”, o que autorizou a intimação por edital. Destarte, demonstrada a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, caracterizase a divergência jurisprudencial. No caso do paradigma, a intimação por edital foi considerada legítima, sob o fundamento de que o contribuinte não poderia obter vantagem da própria desídia. Já no caso do acórdão recorrido, mesmo reconhecendose que a primeira intimação, a despeito de haver sido enviada para o endereço informado pelo próprio contribuinte em sua DIRPF, retornara com a anotação de “mudouse”, em nenhum momento considerouse que houve desídia por parte do contribuinte. Muito pelo contrário, considerouse ilegítima a utilização da intimação por edital, uma vez que as intimações seguintes teriam sido enviadas para endereço distinto. Assim, demonstrada a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, bem como a adoção de soluções diversas, caracterizase a divergência jurisprudencial, razão pela qual CONHEÇO do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo ao mérito. O acórdão recorrido, bem como o contribuinte, em suas ContraRazões, asseveram que, após a primeira intimação, as “demais intimações” teriam sido enviadas para endereço incorreto, sem que constasse dos autos justificativa para esse novo endereço, o que tornaria nulo o procedimento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Primeiramente, cabe esclarecer que só ocorreram duas Intimações, e relativas à ciência do mesmo documento, ou seja, do Termo de Início de Fiscalização. A primeira Intimação foi enviada para o endereço constante das DIRPF do contribuinte (fls. 39), e na segunda foi registrado o mesmo endereço, alterandose apenas o número, de 171 para 95 (fls. 40). A partir daí, todo o procedimento de intimação foi efetuado por meio de editais (009/2007, às fls. 43, 061/2007, às fls. 78 e 070/2007, às fls. 90). Assim, não se vislumbra onde residiria a alegada nulidade, já que a primeira Intimação foi enviada ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte que, tendo a oportunidade de atualizálo quando da entrega da DIRPF em abril de 2007, não o fez. Ora, se a primeira Intimação retornou com a informação de mudança de endereço, em nada nulifica o procedimento, o fato de ter sido encaminhada uma segunda Intimação, relativa ao mesmo documento, para um endereço distinto. O que se quer dizer é que isso não altera o fato de que cabia ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco o seu novo endereço. Importa salientar que o contribuinte, em todas as suas manifestações, jamais negou o fato de que mudara de endereço, tampouco esclareceu o porquê de manter em sua DIRPF/2007, um endereço no qual não mais residia. Aliás, em sede de ContraRazões ele assevera que, para localizálo, bastaria uma consulta aos sistemas da RFB, a partir das declarações de IRPF e ITR. Ora, foi exatamente isso que a fiscalização fez, inclusive consultando a DIRPF entregue à época em que transcorria a ação fiscal, em abril de 2007, porém inexplicavelmente o contribuinte repetiu, nessa declaração, um endereço no qual não mais residia. Nesse passo, é oportuno trazer à colação, mais uma vez, trechos do voto condutor do Acórdão 10422.835, indicado como paradigma pela Fazenda Nacional, que dá a exata dimensão da jurisprudência vigente no CARF, no que tange à legitimidade da intimação por edital: “Se a tentativa de intimação pelo correio resulte frustrada pelo fato de o contribuinte terse mudado, sem comunicar as repartições competentes (SRF) seu novo endereço, hipótese em que também será obviamente frustrada a intimação pessoal, sendo que, neste caso, existe a possibilidade de se intimar por edital. (...) Diante da frustração de ciência pela via postal, não restou outro caminho para o fisco que não fosse o Edital. Por qual razão deveria a fiscalização dirigirse ao endereço informado pelo contribuinte como sendo o seu domicilio fiscal, se já tinha conhecimento, que lá não mais residia. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco.” Assim, não haveria qualquer sentido em encaminharse intimação do Auto de Infração, ou mesmo tentarse a intimação pessoal, em um endereço no qual já se sabia que o contribuinte não mais residia – o que em nenhum momento foi por ele contestado. Ademais, na Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10510.006213/200723 Acórdão n.º 9202002.417 CSRFT2 Fl. 265 9 própria DIRPF contemporânea à ação fiscal, quando materializouse a oportunidade de atualização, foi repetido esse mesmo endereço. Diante do exposto, entendendo que o edital, no caso em apreço, constituiu meio legítimo de intimação do Auto de Infração, já que atendeu a todas as determinações do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não vislumbro qualquer nulidade no procedimento, razão pela qual CONHEÇO do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, DOULHE provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10865.000923/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Deve ser sanado o erro material quando, em confronto com a prova dos autos, mostra-se equívoco o valor apontado na parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES. NULIDADE.
Segundo o art. 144 do CTN, o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Efetuado o lançamento em 04/07/2003, plenamente aplicável a regra do art. 42, §6º, da Lei n.º 9.430/96.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101-01.487, corrigindo o erro material apontado, sem alteração de resultado.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ERRO MATERIAL. Deve ser sanado o erro material quando, em confronto com a prova dos autos, mostrase equívoco o valor apontado na parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES. NULIDADE. Segundo o art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Efetuado o lançamento em 04/07/2003, plenamente aplicável a regra do art. 42, §6º, da Lei n.º 9.430/96. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.487, corrigindo o erro material apontado, sem alteração de resultado. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 23 /2 00 3- 04 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 2101001.981 S2C1T1 Fl. 465 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fls. 459/462 – numeração digital) interposto em 07 de maio de 2012 contra o acórdão de fls. 453/457, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O acórdão ora embargado teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTAS CONJUNTAS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00. Recurso provido.” Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 2101001.981 S2C1T1 Fl. 466 3 A União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração requerendo, em síntese: (i) a retificação de erro material cometido ao se afirmar que, entre as contas correntes analisadas, apenas a do BANESPA não era de titularidade conjunta, quando na verdade era a do BRADESCO; (ii) a inaplicabilidade do disposto no art. 42, §6º, da Lei n.º 9.430/96 ao caso vertente, eis que a necessidade de intimação de todos os cotitulares das contas, quando se tratar de omissão de rendimentos, só adveio a partir de 31/12/2002, portanto após o lançamento efetuado in casu (1998); e (iii) ainda que se intimassem os demais cotitulares, isso não faria diferença para o rateio, eis que dois deles são dependentes do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 07/05/2012, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede, em primeiro lugar, a correção de erro material cometido pelo acórdão recorrido que afirmou ser a conta corrente mantida junto ao Banespa a única de titularidade singular, quando, na verdade, apenas a do Bradesco não é de titularidade conjunta. Com efeito, essa é a única conclusão possível, consoante se extrai do próprio termo de verificação fiscal de fls. 353/360. Entretanto, o erro material incorrido, ora sanado, em nada compromete ou altera a solução da presente questão. Isso porque, conforme os termos do art. 42, §6º, da Lei n.º 9.430/96 e da Súmula n.º 29 deste CARF, tal como salientado no acórdão recorrido, o lançamento efetuado é nulo em virtude da nãointimação de todos os cotitulares das contas correntes, independentemente da existência de uma conta de titularidade única, aplicandose, ainda, à conta remanescente, o enunciado da Súmula n.º 61 do CARF. Diferentemente do que alega a União, em seus embargos, no sentido de que “mencionado dispositivo legal só se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de 31/12/2002, data da vigência do art. 58 da Lei 10.637/02, que acrescentou o § 6º ao art. 42 da Lei 9.430/96”, e que “inexistente tal previsão à época da autuação (anocalendário 1998), correto o procedimento fiscal que lançou o crédito tributário em face do contribuinte, rateado em 50% para cada um”, tal assertiva não merece prosperar, uma vez que o lançamento foi efetuado em 04/07/2003 (auto de infração de fl. 08), e, conforme determina o art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Desse modo, é cediço que a regra prevista pelo art. 42, §6º, da Lei n.º 9.430/96 já estava plenamente em vigor no momento em que o crédito tributário foi lançado, sendo nulo o lançamento efetuado, não merecendo reparos, destarte, a decisão recorrida. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000923/200304 Acórdão n.º 2101001.981 S2C1T1 Fl. 467 4 Eis os motivos pelos quais ACOLHO os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.487, esclarecendo que a conta corrente mantida junto ao Bradesco, e não ao Banespa, é de titularidade singular do contribuinte, mantendo o resultado do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 467DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10120.912149/2009-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/02/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 21 49 /2 00 9- 77 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 28948.68560.250609.1.7.047470, transmitida eletronicamente em 25/6/2008, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 29/2/2004 6912 3.578,72 15/3/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1566188941 3.578,72 DB: cód 6912 – PA 29/2/2004 3.578,72 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 71), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.018,74. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 73), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que o PER/DCOMP objeto dos autos foi transmitido com o intuito de retificar erros de preenchimentos contidos na declaração original. Acrescenta que teria havido Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 13 4 necessidade de retificação da DCTF do período a que o crédito se refere para correção de valores de débitos anteriormente declarados.A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 3801001.574 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11070.000638/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
LANÇAMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
TAXA SELIC - CORREÇÃO MONETÁRIA - CABIMENTO.
É cabível a correção monetária dos créditos objeto de discussão, da data da negativa do crédito até seu pagamento, forte no entendimento do STJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Não há que se falar de suspensão da exibi idade de crédito tributário quando se discute créditos passíveis de ressarcimento pelo contribuinte.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 3201-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, não conhecer do recurso na parte referente ao debate do crédito de receitas financeiras por concomitância, vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento à correção monetária de créditos, vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, que negava integralmente, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Wilson Sampaio Sahade Filho.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC CORREÇÃO MONETÁRIA CABIMENTO. É cabível a correção monetária dos créditos objeto de discussão, da data da negativa do crédito até seu pagamento, forte no entendimento do STJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não há que se falar de suspensão da exibi idade de crédito tributário quando se discute créditos passíveis de ressarcimento pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, não conhecer do recurso na parte referente ao debate do crédito de receitas financeiras por concomitância, vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento à correção monetária de créditos, vencida a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, que negava integralmente, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 06 38 /2 00 7- 18 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Wilson Sampaio Sahade Filho. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O presente processo foi formalizado para análise, controle e acompanhamento de PER/DCOMP com pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo vinculados ao Mercado Interno, transmitido em 05/10/2006 (fls. 01/03), depois retificado em 29/06/2007 (fls. 07/10), relativo ao terceiro trimestre de 2005, com montante ressarcível de R$ 36.163,17, bem como de DCOMPs transmitidas entre 28/06/2007 e 13/12/2007. O processo foi encaminhado à Seção competente para conferir a procedência do crédito pleiteado pela contribuinte e verificar a compensação pretendida, sendo realizada a necessária fiscalização, com emissão e anexação de documentos, tendo sido produzido o Termo de Constatação Fiscal Ressarcimento/compensação PIS de fls. 91/106, onde, em especial, restou assentado: Tratase de sociedade cooperativa de produção agropecuária com seção de consumo, tendo como atividade principal a comercialização dos produtos entregue pelos associados em suas unidades, bem como o fornecimento de insumos utilizados em suas atividades, parte da produção recebida é industrializada pela cooperativa. Em complemento, atua no ramo de supermercados, (fl. 92) Analisando as bases de cálculo do PIS e da COFINS apuradas pela contribuinte, constantes das planilhas apresentadas, verificamos que algumas exclusões da receita bruta não têm previsão legal e outras se deram em duplicidade. As exclusões admitidas às sociedades cooperativas são as constantes do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, do art. Io da Lei n" 10.676/2003 e do art. 17 da Lei n" 10.684/2003. Além das exclusões foram analisados os créditos apurados pelas regras da nãocumulatividade, onde foram verificadas situações de créditos apurados em desacordo com a legislação, bem como de apuração de créditos vedados na legislação, (fl. 93) Em relação aos créditos que a contribuinte informa estar mantendo com base no art. 17 da Lei n° 11.033/2004, nos setores da suinocultura, produtos agrícolas, fábrica de ração e leite, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 247 3 setores em que a venda é efetuada com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, existe vedação expressa nos incisos I e II do § 4o do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 de aproveitamento de créditos (crédito básico e presumido), vedação que se aplicada a partir da competência agosto/2004, (fl. 94) Como existe vedação ao aproveitamento de créditos (básicos e presumidos) nos setores em que a cooperativa vende os produtos com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, elaboramos planilhas resumo (...). (fl. 96) Fábrica de Ração (...) Assim, na fábrica de ração, as vendas de ração para associados e terceiros, bem como a parcela de ração transferida para o setor da suinocultura na proporção da venda de suínos para pessoas físicas (vendas de suínos tributadas) é passível a apuração de créditos (básicos e presumidos). Porém em relação à transferência de ração para o setor da suinocultura em que as vendas de suínos são efetuadas com suspensão das citadas contribuições verificamos que há vedação ao aproveitamento de créditos na Fábrica de Ração, conforme dispõem os incisos I e II do § 4°do art. 8o da Lei n" 10.925/2004 em relação às vendas com suspensão efetuadas pelas pessoas jurídicas relacionadas nos incisos 1 a III do § 1" do citado artigo, estando as cooperativas de produção agropecuária relacionadas no inciso I mencionado, (fls. 97/98) Receitas Financeiras (...) Como o art. 17 da Lei n" 11.033/204, prevê a manutenção de créditos em relação às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições ao PIS e a COFINS, verificamos que não está inserida nesta previsão legal a manutenção de créditos em relação à receita financeira. Portanto, na apuração do percentual de créditos passíveis de ressarcimento foi desconsiderada a receita financeira, (fls. 98/99) Produtos Agrícolas (...) Como as vendas são realizadas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS e as pessoas jurídicas adquirentes têm direito à apuração de crédito presumido, o legislador vedou o aproveitamento de créditos por parte das pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a III do § 1° do art. 8oda Lei n° 10.925/2004. Desta forma as vendas efetuadas por estas pessoas jurídicas (vendas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS), não dão direito ao aproveitamento de créditos presumidos e créditos básicos que tenham relação com as vendas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, sendo a vedação de aproveitamento de créditos expressa nos incisos I e II do § 4o do art. 8°da Lei n° 10.925/2004. (...) Diante disso, estamos glosando de oficio os créditos indevidamente apurados pela contribuinte em relação aos Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 custos, despesas e encargos vinculados à receita de venda de produtos agrícolas (soja, milho, trigo, etc.) com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS. (fls. 99/101) Leite — (...) a venda do leite é efetuada com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, existindo, quanto à apuração de créditos, vedação amplamente explicitada (...). (fl. 101) Suinocultura (integrados suínos próprios UPLs/parceiros) (...) Nos três setores da cooperativa (Integrados, Suínos Próprios e UPLs/Parceiros) as vendas dos suínos para os frigoríficos são efetuadas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFMS. Portanto, a cooperativa está vedada de apurar crédito em relação às vendas de suínos efetuada com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS. Dessa forma estamos glosando de oficio os créditos apurados indevidamente pela cooperativa em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita destes três setores (...). (fls. 101/102) Nas fls. 132/135 está anexado o Despacho Decisório DRF/SAO n° 097, de 22/02/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo (RS) decidiu: a) reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte na importância de R$ 3.501,56, correspondente aos saldos credores de PIS do 3o trimestre do anocalendário 2005, a que se referem os pedidos de ressarcimento objeto do presente processo, nos termos da fundamentação; b) homologar parcialmente as compensações realizadas pela contribuinte através de DCOMP, até o limite do crédito existente. Determinou fosse a contribuinte cientificada do Despacho Decisório, das planilhas elaboradas pela Fiscalização e do Termo de Constatação Fiscal, assegurando o direito de apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. A seguir foi anexado Extrato de Processo e Demonstrativo de Débito (fls. 137/139), sendo emitido Despacho II DRF/SAO, de 10/03/2008 (fl. 140), e Carta Cobrança (fls. 141/142), dos quais a contribuinte foi cientificada em 17/04/2008 (fl. 143). Não se conformando com o decidido administrativamente, apresentou ela em 16/05/2008 fls. 144/167 sua manifestação contrária, onde assenta, em síntese, suas alegações: Dos FATOS • é sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo como atividade principal o beneficiamento através dos processos de limpeza, secagem, padronização e armazenagem, além da comercialização dos produtos agropecuários entregues pelos seus associados em suas unidades, assim como o fornecimento para estes dos insumos utilizados em suas atividades. Em complemento, atua no ramo de supermercados; no que tange ao recolhimento do PIS e da COFINS, está sujeita ao regime da não cumulatividade, na totalidade de suas receitas, Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 248 5 de acordo com os critérios fixados pelas leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, gerando créditos acumulados decorrentes de vendas no mercado externo com isenção (imunidade) e de vendas no mercado, apreendidas operações (vendas) com suspensão, alíquota zero e nãoincidência; ingressou com pedido de ressarcimento de créditos decorrentes de vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e nãoincidência, sendo que a autoridade administrativa não reconheceu todos os créditos pleiteados, indeferindo parcialmente os pedidos; a autoridade fazendária indeferiu os créditos sobre insumos, custos, despesas e encargos por estarem vinculados às receitas das vendas efetuadas com suspensão. Tal entendimento é equivocado e está em desacordo com as normas legais vigentes e aplicáveis à questão, motivo pelo qual é solicitada a reforma do Despacho para reconhecer o direito pleno da Cooperativa. DAS RAZÕES DE REFORMA: O DIREITO AOS CRÉDITOS DA BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS • a atividade exercida pela Cooperativa é o beneficiamento através dos processos de limpeza, secagem, padronização e armazenagem, além da comercialização dos produtos agropecuários fornecidos pelos seus cooperados em suas unidades, assim como o fornecimento para estes dos insumos utilizados em suas atividades. Industrializa parte da produção recebida de cooperados. Se sujeita, pois, à incidência de PIS e COFINS pelo regime da nãocumulatividade (Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003); • apresenta legislação normatizadora da nãocumulatividade; em suas vendas, efetua operações com suspensão, alíquota zero e nãoincidência das contribuições, fazendo jus aos créditos acumulados, de acordo com o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005; apurou créditos autorizados pelas leis referentes à aquisição de insumos de pessoas jurídicas de bens e serviços aplicados na produção de seus produtos, entre outros custos e encargos permitidos. Colaciona entendimentos administrativos; a Cooperativa possui amplo direito aos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão de PIS e COFINS, que foram indeferidos pelo agente fazendário. A Lei n° 11.033, de 2004 (art. 17), prevê a manutenção dos créditos. DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS E COFINS • traça arrazoado acerca do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, entendendo não restar dúvidas de que a Cooperativa tem direito de manter em sua escrituração as bases de cálculo utilizadas sem excluir na proporção, as vendas com suspensão; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 • solicita a reinclusão de todos os valores excluídos da base de cálculo dos créditos e, consequentemente, o ajuste na apuração dos saldos de créditos e débitos, tendo em vista o cumprimento da legislação vigente, além de evitar o enriquecimento ilícito da União à custa do contribuinte. DO DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS, INCLUSIVE REFERENTE A VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA a Cooperativa escriturou os créditos de direito, bem como apurou os débito devidos sobre suas rendas. No confronto de ambos apurou saldo credor, o qual foi obj o de pedido de ressarcimento com fundamento nos arts. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, e 16 da Lei n° 11.116, de 2005. Agiu, portanto, na forma da lei, eis que solicitou os créditos existentes após a dedução dos débitos, ou seja, somente o valor que excedeu o montante devido a título de PIS e COFINS. Tais créditos foram acumulados em face das operações da Cooperativa estarem abrangidas pela suspensão, alíquota zero e nãoincidência; o agente fiscal entendeu que o crédito não poderia ser apurado devido ao fato das vendas terem sido efetuadas com suspensão, mas a legislação é clara ao permitir a apuração de créditos em caso de venda com suspensão; conforme o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, está cristalino que as vendas com suspensão dão à Cooperativa o direito de manter os créditos de PIS e COFINS nas aquisições de insumos, despesas, custos e encargos vinculados a essas vendas; a autoridade fiscal alega que o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, não revogou a vedação de aproveitamento de créditos constantes dos incisos I e II do § 4o do art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004. Disse que esta última trata do assunto suspensão de forma específica, tendo, desta forma, prevalência, eis que a Lei n° 11.033, de 2004, trata o tema de forma genérica. Ainda, que no mesmo sentido a IN SRF n° 635, de 2006, veda a apuração de créditos de PIS e COFINS nas vendas com suspensão em relação a custos, despesas e encargos; tal argumento não procede, eis que normas posteriores revogam normas anteriores, mormente como no caso em tela onde não há qualquer ressalva específica (LICC) e a última trata especificamente do assunto, de forma incompatível com a anterior, porquanto são antagônicas; a lei nova, em artigo específico, tratou totalmente do tema, de forma diversa da tratada pela lei anterior. Logo, restou revogado (derrogado) o artigo da lei anterior que tratava genericamente do assunto, de forma diversa; também não procede o argumento de que a lei anterior seria mais específica, eis que ambas tratam do mesmo assunto. O art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, trata especificamente de aproveitamento de créditos relativamente a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e nãoincidência de PIS e COFINS. Tal é a sua clareza que o argumento invocado é desconcertante; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 249 7 não há como prevalecer a lei anterior e mais genérica sobre a posterior e mais específica, essa com redação de meridiana clareza, merecendo reparos a decisão recorrida; se a intenção do legislador ao criar a nova lei fosse apenas de manter as restrições contidas nos incisos I e II do § 4o do art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004, não haveria necessidade de nova lei. Ao criar a Lei n° 11.033, de 2004, o legislador, ao invés de revogar expressamente aqueles incisos, preferiu tratar o assunto de forma genérica, donde o art. 17 desta Lei der^çou os incisos daquela, eis que conflitantes; são manifestas a ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF n° 635, de 2^n¿ (art 34, § 4°), que restringiu a apuração de créditos decorrentes de custos, insumos e entaryC» utilizados em produtos vendidos com suspensão. Esta instrução, bem como a Decisão comovia, estão tentando revogar a legislação e frustrar a nãocumulatividade estabelecida em lei, alendose de interpretação que usurpa a função legislativa, o que não está dentre as competências do Fisco. Logo, há violação do primado da legalidade e reserva constitucional de competência, que garantem um Estado Democrático de Direito; a Cooperativa busca o reconhecimento de que a IN SRF n° 635, de 2006, na parte que veda o direito aos créditos, bem como a Decisão recorrida, apresentam manifesta ilegalidade, na medida em que agridem matéria reservada à lei, restringindo o direito da Cooperativa estampado na legislação pertinente; diante de tal arbitrariedade não pode prosperar qualquer tentativa de interpretação que restrinja o direito da Cooperativa, consoante materializa a RFB através da IN referida. Com efeito, interpretar não pode restringir o que o próprio texto legal não restringiu, nem alterar (em sede de Direito Público) conceitos de direito privado, donde o pedido de reforma. DA NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E COFINS DO ATO COOPERADO as sociedades cooperativas possuem tratamento diferenciado das demais empresas, sendo que a Cooperativa realiza operações com cooperados e, por esta razão, acumulou, também, créditos pela não incidência, resultantes das exclusões da receita bruta, permitidas às sociedades cooperativas, conforme legislação vigente, que podem ser ressarcidos ou compensados com débitos de tributos administrados pela RFB; as operações com cooperados antes de serem abrangidas pela suspensão estão fora do campo da incidência do PIS e da COFINS, decorrentes das exclusões da receita bruta permitidas às sociedades cooperativas, de acordo com o art. 15 da MP n° 2.15835, de 2001, e do art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003; se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da nãoincidência tributária. Estas exclusões constituem operações com cooperados, que estão fora do campo de incidência do PIS e Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 8 da COFINS. Assim, as vendas classificadas como não incidentes não possuem nenhuma vedação na legislação para manutenção dos créditos; não enquadrar tais operações em qualquer uma das formas tributárias vigentes é extrapolar todos os limites legais, desde a CF que determinou caber à lei complementar dar tratamento adequado às cooperativas, como também todas as demais normas infraconstitucionais, pois dá a tais receitas uma forma de tributação (exclusão) até então inexistente; . • a Cooperativa agiu na forma da lei, estando duplamente autorizada a apurar os créditos que solicitou. Primeiro pelo fatos destas receitas estarem enquadradas como suspensas; segundo pelo fato de que ao mesmo tempo estas receitas serem decorrentes de atos cooperados autorizados a serem excluídos da base de cálculo do PIS a da COFINS, portanto abrangidos pela nãoincidência. Desta forma, não há restrições na manutenção destes créditos,conforme a Lei n° 11.033, de 2004. PROPORÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS a base de cálculo do PIS e COFINS de acordo com o art. Io das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, corresponde à totalidade de suas receita, independente de sua classificação contábil. Desta forma, as receitas financeiras fazem parte da base de cálculo. A partir do advento do Decreto n° 5.164, de 2004, as receitas financeiras tiveram as alíquotas para aquelas contribuições reduzidas a zero; as proporções utilizadas para apuração dos créditos obedeceram aos critérios fixados em lei (art. 3°, §§ 7° a 9o das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), que consideram o total dos créditos realizados e o total das saídas à alíquota zero e saídas sem incidência; é improcedente a intenção da autoridade fazendária de excluir da base de cálculo dos créditos a proporção das receitas que estão sujeitas à alíquota zero apuradas, vez que os arts. Io das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não fazem esta distinção; • os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções das receitas financeiras devem ser anulados, se devendo considerar as receitas financeiras incidentes pela alíquota zero, na proporção das receitas não tributadas. DA ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS PELA TAXA SELIC: RESTRIÇÃO CRIADA PELO FISCO E VIOLAÇÃO AO DECRETO 2.138/97 não bastasse a interpretação equivocada da legislação pertinente, os valores já reconhecidos e homologados não foram atualizados pela taxa SELIC; o ressarcimento do crédito, acrescido do valor da correção monetária, nada mais é que a reposição das perdas monetárias decorrentes dos efeitos inflacionários sofridos no tempo. É direito da Cooperativa. Em termos práticos, significa que o Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 250 9 crédito solicitado deverá ser corrigido a partir da data de seu protocolo até a data do efetivo pagamento ou compensação; a Cooperativa tem direito à incidência de correção monetária pela SELIC tanto sobre os valores deferidos, quanto sobre os indeferidos, já que quanto a estes é manifesta a oposição injustificada do Fisco; em função da mora da RFB (o que de fato ocorreu) em processar os pedidos de ressarcimento e por sua oposição injustificada, a Cooperativa esteve e está sendo impedida de acessar o seu crédito na magnitude e no quantum legalmente previsto e que é seu direito; entre a data dos pedidos formulados, as datas em que os ressarcimentos deveriam ter ocorrido e a data do efetivo ressarcimento, bem como dos ilegitimamente indeferidos, se passaram diversos meses e anos, sem qualquer tipo de correção monetária; o STF tem entendido que o não creditamento ou acesso ao crédito ou beneficio oportuno por restrição ilegítima do Fisco, que é o caso dos autos, não pode no prejuízo para os contribuintes; o obstáculo posto pelo Fisco Federal, impedindo a Cooperativa de se ver ressalva em valores deferidos pela lei, ocasiona lesão ao patrimônio daquela, que, por justiça, me se vêlo recomposto com atualização monetária plena, sob pena da União valerse da própria torpeza e em benefício próprio; cabe evidenciar os preceitos fixados pelo art. 1o do Decreto n° 2.138, de 1997, que equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento e autoriza, portanto, a aplicação da taxa SELIC. Não corrigir ou corrigir o crédito da Cooperativa por qualquer outro índice, viola o Decreto nº 2.138, de 1997. Registra entendimentos do Conselho de Contribuintes e do STJ. DA SELIC COM BASE NA TN 600/2005, ART. 52 a simples demora para se proceder ao ressarcimento sem culpa da Cooperativa já é motivo suficiente para que ela veja seus créditos corrigidos, eis que houve oposição injustificada do Fisco em satisfazer o direito da interessada; o direito da Cooperativa se encontra na IN SRF n° 600, de 2005, que em seu art. 52 determina a incidência da taxa SELIC nas hipóteses de restituição. Como o Decreto n° 2.138, de 1997, equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento, está autorizada a aplicação da taxa SELIC tal qual preceituado no caput daquele artigo; não se deve invocar o § 5o do art. 52 da IN SRF n° 600, de 2005, para oporse à pretensão da Cooperativa, na medida em que ele se refere a juros no mês de competência do pagamento. Mesmo que assim não fosse, isso não poderia ser oposto e subsistir Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 10 validamente ante o Decreto, eis que seria manifesta a violação ao primado da hierarquia das normas; a decisão impugnada deve não só ser reformada, como também deve ser determinada a incidência da taxa SELIC sobre a totalidade dos créditos da Cooperativa (seja em relação aos deferidos ou mesmo em relação aos indeferidos em primeira instância). Dos DÉBITOS DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS • além de não autorizar parcialmente os créditos pretendidos pela Cooperativa, o agente fiscal identificou débitos que estão sendo exigidos através de Carta Cobrança, sendo ilegal a exigência de tais débitos, face a preceitos contidos no CTN, que em seu art. 151 determina as situações que suspendem a exigência do crédito tributário pela RFB; • cita legislação; • tanto o CTN como a IN SRF n° 600, de 2005, suspendem a exigência dos débitos, pois no caso em debate não se aplica, em hipótese alguma, as disposições do art. 48, § 3o, inciso II, daquela IN, já que a utilização de créditos de PIS e de COFINS na própria DACON não excedeu o limite autorizado pela legislação vigente. O valor do crédito não está definido e é objeto de manifestação de inconformidade, o que remete o presente caso ao inciso I do § 3o da IN SRF n° 600, de 2005; a decisão proferida no processo em discussão além de não reconhecer o crédito da Cooperativa determina, ainda, a cobrança de débitos, gerados a pariu ^e supostas diferenças de créditos. Tais débitos foram objetos de Carta Cobrança, tendo todos origem nas modificações efetuadas pelo agente fiscal; os processos guardam relação entre si, pois um decorre do outro. A presente manifestação de inconformidade suspende a exigência dos débitos constantes da Carta Cobrança, até que se julgue o presente processo, ou seja, até que se julgue o direito ou não da Cooperativa aos créditos; • a decisão atacada deve ser reformada para o fim de reconhecer integralmente os créditos e anular supostos débitos a ela vinculados, eis que o pedido de ressarcimento foi realizado de forma legítima e correta. DO PEDIDO • ao finalizar, requer: seja recebida e processada a sua manifestação de inconformidade; seja reformada a decisão proferida no processo em epígrafe, para, ao final, ser julgado procedente o pedido de ressarcimento de créditos de PIS do 3o trimestre de 2005, bem como seja reconhecido integralmente o crédito solicitado pela Cooperativa, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 251 11 sem qualquer glosa ou exclusão, eis que lançados na forma da lei; sejam mantidos os créditos na proporção das vendas efetuadas com suspensão, de acordo com o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004; seja determinada a incidência da taxa SELIC sobre a totalidade dos créditos da Cooperativa (seja em relação aos deferidos ou mesmo em relação aos indeferidos em primeira instância), a partir do mês subseqüente ao período de apuração até o efetivo pagamento; 5. seja vinculada a presente manifestação de inconformidade à Carta Cobrança emitida neste processo administrativo, eis que esta resulta de interpretação equivocada do pedido em debate. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 168/189. A repartição jurisdicionante anexou o Termo de Juntada de Documento de fl. 190 e despachou na fl. 191. A DRF de origem anexou o extrato de fl. 192 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 193). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/STM n.º 11.344, de 30/09/2009: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 1NCONSTITUCIONALIDADES. ILEGALIDADES. A apreciação de alegações que se refiram à inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas ou atos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio Texto Maior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIAS. VENDA DE PRODUTOS COM SUSPENSÃO. DIREITO À APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VEDAÇÃO. No regime da nãocumulatividade, não é encontrado fundamento legislativo para que cooperativas de produção agropecuária que efetuem, vendas de produtos com suspensão da contribuição, possam apurar créditos, sejam eles básicos ou presumidos, porquanto o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, que prevê a manutenção de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos incorridos na atividade de empresas sujeitas ao PIS, vinculados a vendas efetuadas com suspensão, não revogou o art. 8o. §§ e incisos, da Lei n° 10.925, de 2004. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 12 RECEITA BRUTA TOTAL. SEGREGAÇÃO DE CRÉDITOS. NÃO INCLUSÃO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não devem ser adicionadas na receita bruta total utilizada na apuração de percentual para a segregação de créditos de PIS não cumulativo, uma vez que não há previsão legal para apuração de créditos vinculados a tais receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recorrente discute créditos de PIS que teria direito, por apurar a contribuição pela sistemática não cumulativa. Dos créditos de PIS As matérias debatidas no recurso voluntário tem relação com o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 e o art. 11da IN n.º 635/2006 quando tratamos do direito ao crédito de PIS. Ocorre que, da análise do recurso voluntário da recorrente, vemos a informação de que a empresa ingressou com discussão judicial sobre o tema, processo que tramita sob o n.º º 2009.71.05.0014658/RS. Analisando as decisões proferidas naquele processo, vemos que é debatida a mesma matéria que este tópico, como bem podemos observar do acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 252 13 Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda. impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, contra o Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo, objetivando o reconhecimento do direito líquido e certo de tratar como isenções parciais as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas relacionadas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, repisadas na IN SRF nº 635/2006, consequentemente, possibilitar a compensação desses créditos com débitos próprios ou pedir ressarcimento em dinheiro, na forma prevista pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005. A autoridade coatora prestou as informações. O MM. Juízo, sentenciando, concedeu em parte a segurança para declarar que as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS arroladas no artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 635/2006 caracterizamse como hipóteses de isenção e declarar o direito da impetrante ao aproveitamento de créditos de PIS e COFINS relativos às receitas arroladas no art. 11 da IN SRF nº 635/2006, apurados a partir de 06/03/2004. Outrossim, autorizou o ressarcimento ou a compensação dos créditos não aproveitados. Irresignada, apelou a impetrante, sustentando ser devida a correção monetária dos créditos escriturais decorrentes da não cumulatividade. A União também apelou, sustentando que a "isenção parcial" não é isenção, nos termos do art. 176 do CTN, sendo, pois, inaplicável o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. (...) Acrescento, apenas, que o disposto no art. 17 da Lei n.º 11.033/04, anteriormente referido, considerado o contexto em que inserido, não se aplica à parte autora, mas às operações comerciais envolvendo máquinas, equipamentos e outros bens adquiridos pelos beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO, implicando a sua extensão a situações diversas daquelas nele contidas em privilégio indevido para certas atividades econômicas. Esta Corte veda a análise de questões atinentes a processos judiciais em face da concomitância: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da concomitância, deixo de analisar as questões supra levantadas. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 14 Da correção monetária É certo que a legislação que trata sobre os créditos de PIS e COFINS não permitem a correção monetária dos valores. Entretanto, o presente caso é diferente, pois discutese o direito à correção monetária entre o pedido e o recebimento em face da resistência do fisco, matéria já decidida pelo STJ pelo rito dos recursos repetitivos: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS. RESP 1.035.847/RS. SÚMULA 411/STJ. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), reiterou entendimento no sentido de que não incide correção monetária nos créditos escriturais de IPI, por ausência de previsão legal. 2. Contudo, no mesmo julgado, ficou ressalvado que o ressarcimento efetuado com demora por parte da Fazenda Pública justifica a incidência da correção monetária, visto que caracterizada a chamada "resistência ilegítima". 3. Aplicase ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Agravo regimental improvido. (STJ – 2ª Turma AgRg no REsp 1265457/RS – Rel. Min. Humberto Martins – Dje 14/10/2011) Assim, neste caso, é de ser deferida a correção monetária dos créditos pretendidos, caso sejam julgados procedentes junto ao Poder Judiciário. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário A discussão travada nestes autos diz tão somente em relação ao crédito pretendido pela recorrente, não havendo como ser analisado e julgado questão referente à suspensão da exigibilidade dos valores compensados, como bem decidiu a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por não conhecer parte do recurso por concomitância na parte relativa ao crédito de receitas financeiras e, na parte conhecida, referente à correção monetária de créditos, dou provimento e, quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nego provimento, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 24 de outubro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11070.000638/200718 Acórdão n.º 3201001.121 S3C2T1 Fl. 253 15 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 15586.000984/2010-42
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI.
Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE..
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO
O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida.
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA.
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilioeducação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIOSAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 84 /2 01 0- 42 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 554 2 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 555 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.309 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls.289 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente às contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (SESI, SENAI, Salário Educação, SEBRAE, INCRA e a contribuição do transportador autônomo ao SEST/SENAI, recolhida pela empresa tomadora), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2006 a 12/2007. Os créditos foram constituídos quanto aos segurados empregados com base em diferenças entre a folha de pagamento e GFIP´s (EF e EF1), pagamentos a título de cestas básicas e vales alimentação (AL e AL1), valores decorrentes de planos de assistência médíca hospitalar e odontológica pago a dependentes dos empregados (MD e MD1), Segurdo de Vida em Grupo sem previsão em Acórdo Coletivo de Trabalho, no período de 10.2006 a 12.2007 (SV e SV1), aluguel de imóvel residencial ao empregado Charles Lussier entre 01.2006 e 06.2007 (ME e ME1), reenbolsos em folha de pagamento oriundos do Programa de Qualidade de Vida a funcionarios com gastos com atividades físicas (QV e QV1), abonos salariais anual conforme Acordo Coletivo de Trabalho (AA e AA1); auxílio educação a dependentes dos funcionários (AE e AE1), valores furtos de participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, sem regras e programs pactuados previamente e pagamentos sem a devida aferição para os cargos de gerência, coordena;áo, engenheiros, lideres, diretoria da empresa (PR, PR1, PL). No caso de segurados contribuintes individuais, levantaramse valores pagos a taxistas autônomos e contribuintes individuais (AF, AF1, F, FF1), valores pagos ao sócio administrador (Sr. Daren Lee Hunchak) não informado em GFIP na competência de 08.2007 (SF1), aluguel de imóvel residencial para o sócio administrador (Sr. Daren Lee Hunchak) de 04.2006 a 12.2007 (AC e AC1). A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010 (fls. 174, dos autos digitais). Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: Diante de todo o exposto, REQUER, REQUER, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD no 37.258.4217, em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados, dos terceiros. Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 556 4 indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória, a natureza indenizatória do fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória, pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais, que o aluguel de imóvel residencial para Charles Lussier era para fins de habita;áo fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência, os valores referentes ao programa de qualidade não de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212), que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílio alimentação(art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212), que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autua;áo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 557 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF III – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários há qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. IV – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 558 6 No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada Fl. 358DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 559 7 auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o Fl. 359DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 560 8 saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Assim, nesse ponto merece acolhimento o recurso. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) mas as regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto. VI – Por se tratar de questão consolidada com a autorização da alínea a, o inciso II,parágrafo único do art. 62, do Regimento Interno do CARF, c/c o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011, podendose apreciar a matéria de ofício, quanto no que tange fornecimento de alimentação in natura (vale/ticket alimentação e cestas básicas), em desconformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, esse auxílioalimentação mantêm a sua natureza indenizatória. Tais verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriode contribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 561 9 Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois Fl. 361DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000984/201042 Acórdão n.º 2803001.771 S2TE03 Fl. 562 10 somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. VII – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em forneciemento a título de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados (levantamentos MD e MD1). Sala de Sessões, 16 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 362DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10665.722093/2011-28
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-001.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 93 /2 01 1- 28 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10665.722093/201128 Acórdão n.º 1803001.585 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra o sujeito passivo foi lavrada a notificação de lançamento (fls. 19), relativa a multa por atraso na entrega da declaração Dacon com exigência de crédito tributário no valor de R$ 24.587,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2/8) contra o lançamento alegando que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN.Cita julgados do Carf e da CSRF em sua defesa. Acrescenta que a CF veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade, no caso 10% do valor do imposto devido. Defende também a inaplicabilidade da taxa Selic para a atualização de tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Cita jurisprudência do STJ. Defende a necessidade da notificação do contribuinte antes da imposição da multa. Caso não sejam acolhidas suas alegações, solicita o recálculo da multa, pois entende que o valor base correto para o cálculo da multa está incorreto, pois não há Cofins devida no mês. Ante o exposto, requer seja julgada improcedente a multa imposta e insubsistente o AI impugnado.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) A decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10665.722093/201128 Acórdão n.º 1803001.585 S1TE03 Fl. 4 3 b) Pela simples análise da Dacon verificamos que o valor informado é de R$ 0,00 e não de R$ 245.879,26. c) O valor da multa seria de R$ 0,00. d) Requer que seja declarada a nulidade do julgamento, sendo determinado o retorno do procedimento à primeira instância para reapreciação da matéria, garantindo assim, o acesso da impugnante ao devido processo legal e à ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 13/12/2011 (AR de fls. 32). O recurso foi protocolado em 11/01/2012, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Contrariamente ao alegado pela recorrente, houve análise da alegação de erro na base de cálculo, in verbis: “Quanto à inadequação da base de cálculo utilizada, apesar da alegação de não haver Cofins devida no mês, o valor R$ 245.879,26 utilizado como base no cálculo da multa encontrase confessado em DCTF pelo contribuinte e confere com o valor informado em Dacon (ND 100200703861793).” No voto condutor do acórdão está claro que o valor de R$ 245.879,26 foi considerado correto por dois motivos: i) corresponder ao valor confessado na DCTF; ii) estar informado na Dacon. Segundo a decisão recorrida não há divergência entre a base de cálculo utilizada para calcular a multa e os valores declarados pela recorrente. No entanto, foi feita menção a documentos que não constam dos autos, quais sejam, a DCTF e a própria Dacon. A recorrente afirma que na Dacon o valor informado é de R$ 0,00 e não de R$ 245.879,26. A matéria é puramente fática, e seu mérito depende apenas da análise da Dacon. Há cerceamento do direito de defesa na decisão de primeira instância, porque seus argumentos baseiamse em documentos que não constam dos autos. É certo que a recorrente também não anexa a Dacon, e não comprova sua afirmação de que o valor informado é de R$ 0,00. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10665.722093/201128 Acórdão n.º 1803001.585 S1TE03 Fl. 5 4 Ocorre porém, que caberia à Delegacia de Julgamento ter providenciado a instrução. O art. 29 do Decreto nº 7.574/2011 assim dispõe: “Art.29.Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (Lei nº 9.784, de 1999, art. 37).” Se a decisão de primeira instância usou como fundamento para julgar improcedente o pedido da recorrente fatos constantes de documentos existentes na própria administração, deveria têlos anexado aos autos, para permitir tanto a defesa da recorrente quanto a análise dos fatos por este Conselho. Ante todo o exposto, voto no sentido de se anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, anexandose os documentos que deram suporte ao entendimento expresso na decisão. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 48DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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