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Numero do processo: 10530.900756/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%.
Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
Numero da decisão: 1801-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%. Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade completa do contribuinte, escriturada à época dos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Constatado nos autos que o Despacho Decisório descreveu fartamente a situação fática da contribuinte e as razões de indeferimento do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, e dele constou a fundamentação legal, não se caracteriza o cerceamento de defesa. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NOVA EM FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 56 /2 00 8- 81 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. COEFICIENTE DE APURAÇÃO. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1523.089/10 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, fls. 38 e 39, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 19 a 23. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente de pedido de restituição do valor de R$ 7.340,71 referente ao pagamento indevido ou a maior da CSLL lucro presumido, código 2372 do período de apuração 01/2004, requerido através do PER/DCOMP 09732.64169.191104.1.3.048649, para compensação com o débito do IRPJ lucro presumido, código 2089, do 2° trimestre de 2004, no valor de R$ 6.240,00 (fl. 22). Através do Despacho Decisório Eletrônico de fl .12, o pedido foi negado pela DRF de Feira de Santana sob a seguinte justificativa: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 7.340,71. À partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp". Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900756/200881 Acórdão n.º 1801001.740 S1TE01 Fl. 3 3 Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF a informação de que " existem pagamentos em duplicidade para o tributo CSLL (2372), referente ao período de apuração 31/01/2004, conforme descrição abaixo e documento em anexo". Cita 02 recolhimentos efetuados em 31/01/2004 no valor de R$ 7.340,71. [...] Como visto, o contribuinte pretende obter a restituição do pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 7.340,71, referente ao pagamento em duplicidade do CSLL lucro presumido, código 2372 do período de apuração 01/2004. Alega que efetuou 02 pagamentos no citado valor, em 31/03/2004. [...] A análise das DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do período, indica que o contribuinte apresentou a 1a DCTF em 14/05/2004, confessando um débito de CSLL lucro presumido para o 1o trimestre de 2004, no valor de RS 14.697,70, alocando para a quitação deste débito 03 DARF nos seguintes valores: O primeiro no valor de R$ 3.780,53. o segundo no valor de R$ 3.576,46 e o por último, um DARF no valor de R$ 7.340,71 (fls. 29 a 30). Se os efeitos da primeira DCTF permanecessem, se confirmaria alegação do contribuinte, do pagamento em duplicidade do valor de R$ 7.340,71, já que o sistema SINAL comprovou 02 recolhimentos neste valor, em 31/01/2004, e apenas um recolhimento estava alocado ao débito declarado na 1a DCTF. Ocorre, entretanto, que em 22/11/2004, o contribuinte apresentou DCTF retificadora, alterando a confissão dos seus débitos relativos ao CSLL do 1o trimestre de 2004, código 2372, de R$ 14.697,70 para R$ 22.10,22, alocando como pagamento destes débitos os seguintes DARF: O primeiro no valor de R$ 3.780,53, o segundo no valor de R$ 7.340,71, o terceiro também no valor de R$ 7.340,71, o quarto também no valor de R$ 81,81 e por último um DARF no valor de R$ 3.576,46, perfazendo um total de R$ 22.120,22, mesmo valor do Débito confessado para o período, o que confirma a inexistência de valor disponível para restituição (fls. 31 e 32). Estranhamente, em 09/05/2009, o contribuinte retifica a 2a DCTF e exclui todos os débitos antes confessados (fl. 33). Em 19/11/2009, procede a 4ª retificação da DCTF, desta vez restabelecendo a confissão de apenas um débito de CSLL no valor de R$ 3.518,51, alterando o valor que originariamente foi confessado como sendo de R$ 14.697,70, depois retificado para R$ 22.120,22 e inexplicavelmente reduzido na DCTF retificadora de enviada em 19/11/2009, e atualmente ativa, para R$ 3.518,51 (fls. 34 e 35). [...] No caso específico, o fato gerador do IRPJ (sic) do 1o trimestre de 2004, ocorreu em no último dia 31/03/2004, e o Despacho Decisório foi emitido em 09/05/2008, tendo como lastro, as informações prestadas pelo próprio contribuinte, na sua 2ª DCTF retificadora enviada em 22/11/2004 cujas informações espelhavam a inexistência de qualquer saldo disponível, já que todos os DARF recolhidos, inclusive o que é objeto do presente processo, estavam alocados ao débito do 1o trimestre de 2004 confessado em DCTF. As alterações da DCTF efetuadas em 09/05/2009 e 19/11/2009, por terem ocorrido após 05 anos da ocorrência do falo gerador, não podem produzir nenhum efeito jurídico, uma vez que o lançamento já estava homologado, não mais podendo ser objeto de retificação.” Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 41 a 47, inovando os termos da defesa exordial, em síntese: a) exerce a atividade de laboratório de análises clínicas ligada à assistência à saúde, praticando serviços hospitalares. b) entende ser o despacho decisório nulo por ausência de motivação; o indeferimento do pleito deuse por mero cruzamento de informações sem uma análise da liquidez e certeza do indébito tributário; cita doutrina sobre os atos administrativos vinculados e a necessária motivação; em um processamento eletrônico podem ocorrer falhas ocasionadas por erro de preenchimento dos contribuintes, não contemplando a verdade material, pelo que as informações veiculadas nestas declarações são inaptas para desconstituir o direito pleiteado; isto tudo causa o cerceamento de defesa e, portanto, o despacho é nulo; c) quanto ao mérito, a recorrente defende que no anocalendário em questão apurou o lucro na forma presumida utilizando o coeficiente indevido de 32% sobre a receita bruta total, quando deveria ter aplicado o percentual de 8%; d) argúi que formulou consulta à Administração Tributária e obteve parecer favorável ao seu propósito, no sentido de ser declarado que as atividades laboratoriais de análises clínicas são considerados serviços hospitalares, inclusive com caráter retroativo; cita a ementa da Solução de Consulta SRRF/5ª RF, de 16 de fevereiro de 2007, processo administrativo nº 10530.002386/200653; e) com fulcro no entendimento da Solução de Consulta, refez os cálculos de apuração do IRPJ e CSLL, utilizando o percentual de 8%, tornandose credor do indébito formado pela diferença de percentuais; f) desta forma, as DIPJ e DCTF ativas no momento do Despacho Decisório não espelhavam a verdade material dos fatos, espelhada na contabilidade; estes erros podem ser saneados de ofício, consoante dispõe o art. 147, §2º, do Código Tributário Nacional (CTN); Por fim, requer que a retificadora da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2004 seja admitida para o reconhecimento do crédito e as compensações pleiteadas sejam homologadas. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 28/07/10, fls. 40; Recurso – 24/08/10, fls. 41 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o fato de o Despacho Decisório ser emitido eletronicamente não lhe abstrai os atributos do ato administrativo. Nem tampouco a simplicidade do procedimento fiscal que faz o cotejo entre os valores declarados pelo próprio contribuinte e aqueles veiculados nos Per/Dcomp. A análise é sumária, porém plena de eficácia. Como todo ato administrativo goza dos atributos de presunção de legitimidade, legalidade e autoexecutoriedade. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900756/200881 Acórdão n.º 1801001.740 S1TE01 Fl. 4 5 A motivação do ato em questão está bem explícita em seu bojo e tanto assim que a recorrente entendeu perfeitamente que o crédito solicitado, pago por Darf, foi integralmente utilizado para quitar débito de tributo acusado nos sistemas. Os quadros demonstrativos analíticos expõem inclusive os períodos de apuração, código de receita, valor total do Darf, data da arrecadação, número do pagamento, valor original e para qual período e tributo foi alocado para quitálo. Não procede, portanto, a alegação de cerceamento de defesa, salientandose que a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade argumentando que o pagamento havia sido realizado em duplicidade, o que constatouse, nos autos, não ser a verdade material dos fatos e agora, em sede recursal, vem expor a verdadeira razão de o porquê estar pleiteando a devolução dos pagamentos efetuados para quitação de débitos então espontaneamente apurados. No mérito, a pretensão da recorrente tampouco merece acolhida. A argumentação apresentada pela recorrente em esfera recursal está ferida pela preclusão processual. O requerimento da recorrente em obter a devolução do crédito tributário porque entende praticar serviços hospitalares e haver recolhido os tributos federais pela apuração indevida do Lucro Presumido são matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, mutatis mutandis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A apreciação de matéria nova ofende o princípio do duplo grau de jurisdição. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº CSRF / 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) Todavia, pelo amor ao embate jurídico, esclareçase à recorrente que a Solução de Consulta avocada não lhe favorece, haja vista a sua ementa ser genérica para todos os casos em que há a dúvida de poder ou não enquadrarse como prestadora de serviço Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 hospitalar. Verifiquese a ementa (única parte apresentada pela recorrente da referida consulta formulada): “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ / Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. SERVIÇOS HOSPITALARES. A pessoa jurídica que exerça a atividade de laboratório de análises clinicas ligada à atenção e assistência à saúde, 9atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n°. 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n°. 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n°. 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 da Lei n°. 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrarse nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 966 do Código Civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n°. 480, de 2004. Esse entendimento aplicase retroativamente. (grifos não pertencem ao original) À época da apuração do tributo em tela, a Instrução Normativa (IN) SRF nº 480/04, em seu artigo 27, §§ 1º e 2º, estabelecia: Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 – Atividades de Atendimento Hospitalar. A norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico – que também atua em área ligada à atenção e assistência à saúde – se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir ao termo “prestação de serviço hospitalar”. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900756/200881 Acórdão n.º 1801001.740 S1TE01 Fl. 5 7 Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. ...............3. Recurso especial provido. (grifos não pertencem ao original) A recorrente, pois, não faz qualquer prova de que enquadrase no conceito de prestação de serviço hospitalar. E, nos casos de repetição de indébito tributário, o ônus da prova é da parte que requer. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Destarte, afastada a alegação de que a Solução de Consulta invocada favorece a requerente, por seu caráter genérico e não individualizado, acompanhase no todo as razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de Primeira Instância, a saber, que as retificações a destempo da DCTF atribuindo o valor 0,00 (zero) para a CSLL do 1º trimestre de 2004 não pode/deve ser admitida, pelo que corretos os pagamentos efetuados pela recorrente, cujos valores foram calculados em acordo com o percentual de 32% para a apuração do lucro na forma presumida, consoante determinação legal. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10735.901719/2010-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte.Por maioria de votos, no mérito, converter o julgamento na realização de diligências. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio Otávio Melchiades Xavier. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes- Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Cláudio Otávio Melchíades Xavier- Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte.Por maioria de votos, no mérito, converter o julgamento na realização de diligências. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio Otávio Melchiades Xavier. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cláudio Otávio Melchíades Xavier Redator Designado Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa interpôs Embargos de Declaração porque não pode acompanhar o julgamento do litígio administrativo em decorrência de erro de informação do sítio do Carf, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 01 71 9/ 20 10 -1 7 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 3 2 com relação à Turma em que se realizaria a sessão pertinente. Houve ainda a alegação de que a ConselheiraRelatora não poderia ter proferido o voto nesta Primeira Turma Especial porque está vinculada à Primeira Câmara e não à Terceira Câmara, à qual vinculase este colegiado, hierarquicamente. Aproveito o relatório e voto do acórdão embargado, os quais adoto integralmente, para historiar os fatos inerentes à lide administrativa. “A ora Recorrente apresentou Declarações de Compensação 1054.02326.130106.1.3.021251,41987.26576.100206.1.3.02493,1004.19852.231006.1. 7.021667,02200.62646.010609.1.7.026895 e 04597.42401.101106.1.3.026239 por meio do qual compensou crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 2° trimestre de 2005, com débitos nele declarados. O Despacho Decisório n° 869630983 emitido em 03/08/2010 pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP, 02200.62646.010609.1.7.026895 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 04597.42401.101106.1.3.026239, pois o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente, conforme o fundamento que transcrevemos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: [...]Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 850.416,16 Valor na DIPJ: R$ 850.416,16 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$909.762,19 IRPJ devido: R$ 59.346,03 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do Saldo negativo disponível: R$ 741.109,06 Portanto, a não homologação de parte do afirmado direito creditório oriundo do saldo negativo decorreu do não reconhecimento de retenções de fonte no valor de R$109.307,10. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente constou, em síntese, que: (i) mantinha rígido controle sistematizado das retenções de fonte, somente procedendo à formação do saldo negativo de IRPJ para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; (ii) apresentou “anexo A” em que consignou as empresas em relação às quais não se confirmara as retenções de fonte, compondo o valor de R$109.307,10;(iii) apresentou “anexo B” em que relacionou os valores retidos informados, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no segundo trimestre de 2005;(iv) alegou que fez prova de que de fato tem direito ao crédito integral de saldo negativo de IRPJ, e que as retenções estão demonstradas, devendo a Secretaria da Receita Federal, de posse das informações disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; (v) apresentou as respectivas notas fiscais, dispostas no anexo C. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 4 3 A 1a Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o fundamento de falta de comprovação do direito alegado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional. IRPJ RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRPJ retido na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida afirmouse que para que o IRRF retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário, a receita correspondente deve ter sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, computada na determinação do lucro real no referido período de apuração.Nesse sentido, seria ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os valores de IRRF referentes a pagamentos por serviços prestados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para deduzir o IRRF quando da apuração do resultado do exercício. E nos termos dos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99, a documentação apresentada produzida pela própria interessada (Planilha intitulada “Total Faturamento Recebido Personal2o Trimestre 2005 Anexo B fl. 60/74 e cópias de notas fiscais Anexo C fl. 76/293), não seria suficiente para a demonstração pretendida. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reiterou os argumentos expendidos na defesa anterior, acrescendo que: i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 5 4 vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. Fez sustentação oral pela recorrente, dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ nº 45.196. É o relatório.” VOTO VENCIDO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço dos Embargos de Declaração, por tempestivo. I) Dos Embargos de Declaração Com efeito, comprovado nos autos pelas telas copiadas do sítio, que houve o erro alegado, impedindo o patrono da recorrente de presenciar o julgamento, este realizarseá novamente. No que respeita à solicitação de nulidade do acórdão embargado porque a ConselheiraRelatora que recebeu os autos para relato e apreciação, por sorteio, não estava vinculada à 3ª Câmara, a indignação da embargante não merece prosperar. Não há no Regimento Interno do Carf – Ricarf (Portaria MF nº 256/09) qualquer dispositivo restritivo a este procedimento. A Conselheira Relatora, suplente da Primeira Seção, recebeu os autos pelo devido sorteio e possui plena competência para atuar nesta Turma ou em qualquer outra desde que na Primeira Seção. A vinculação inicial à Primeira Câmara é meramente formal e organizacional, sendo procedimento interno do Carf, que não lhe extrai a competência de julgar os litígios administrativos, por razão de distribuição em Turma diferente. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 6 5 II) Do Mérito Aproveito trecho do voto proferido por esta Turma Julgadora no Acórdão nº 1801001.308, embargado: “Conforme relatado, o despacho decisório negou o direito creditório da Recorrente,sob o fundamento de que o crédito reconhecido referente ao saldo negativo de IRPJ, foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente,uma vez que deixaram de ser comprovadas parte das retenções na fonte, relativas a seus prestadores de serviço. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, fundamentou a negativa de reconhecimento do direito creditório na ausência de certeza e liquidez do direito creditório afirmado, pois a documentação acostada aos autos não se prestaria a essa finalidade, que apenas seria atingida pela apresentação das respectivas DIRFs. Analisandose as razões do recurso voluntário apresentado, conforme relatado anteriormente, inicialmente deve ser rechaçada a alegação da Recorrente de que não é condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte, o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora. Ora, admitir tal assertiva implica o desvirtuamento do próprio conceito de compensação, enquanto ente jurídico que pressupõe relação jurídica complexa, que encerra relação de indébito do Fisco, e, por conseguinte, pressupondo o pagamento a maior ou indevido. [...] impõese que na determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica tãosomente possa deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, não se podendo deduzir o que não foi pago a maior. Assim, estabelecida essa premissa, inferese que a possibilidade de dedução do IRPJ na composição da base de cálculo no final do exercício condicionase à demonstração de efetivo recolhimento dos valores aos cofres públicos, concomitantemente ao oferecimento das respectivas receitas à tributação. Seguindose adiante, para fazer a prova da retenção, o art.55 da Lei n° 7.450/85 estabelece que: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. E nessa esteira, os arts. 942 e 943 do RIR assim determinam: Art.942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 7 6 Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). (g.n.) Art.943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §1º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 1º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(g.n.) A Recorrente, assim, deveria manter em seu poder os comprovantes de retenção do IRRF que utilizou para compor o saldo credor do IRPJ pleiteado, por expressa disposição legal, não sendo caso de mera faculdade, porém de obrigação prescrita na legislação, não podendo dela se furtar, pela mera alegação de omissão da fonte pagadora. Diante do quadro que se descortina, o pedido de restituição/compensação, deve ser acompanhado da prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o IRPJ retido, admitindose os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Essa Turma especial, inclusive, tem o entendimento firmado nesse sentido, conforme se depreende do Acórdão nº 1801001.193: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilhas com remissão a Notas Fiscais não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Assim, embora se invoque o Princípio da Verdade Material, alegando que os documentos elencados na legislação não seriam os únicos hábeis a comprovar as retenções na fonte, é certo que os documentos juntados não são suficientes para constituir a situação jurídica afirmada, pois não espelham a realidade afirmada. Para invocar referido princípio ao seu favor, deveria ter acostado documentação suficiente que demonstrasse o fato da retenção e do oferecimento das receitas à tributação, pois o Princípio da Verdade Material não opera seus efeitos à míngua de substrato probatório que espelhe determinada alegação. Nesse sentido, também não lhe assiste direito à produção de laudo técnico para a comprovação da alegação, pois este se revela despiciendo se considerado que a Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 8 7 Recorrente poderia já na primeira instância administrativa ter acostado as provas, considerandose que estas, em tese, já deveria deter desde sempre. O Princípio da Verdade Material não se presta a subverter e suplantar as regras do processo administrativo fiscal, e assim, eternizálo, substituindo o ônus processual do contribuinte. Frisese, por derradeiro, que a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.” Pelos fundamentos expostos, os quais adoto integralmente, devido à ausência de apresentação de prova hábil para comprovar as retenções de tributos, o direito creditório pleiteado não pode ser deferido, bem como as respectivas compensações não podem ser homologadas. Voto em acolher os embargos de declaração propostos, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes VOTO VENCEDOR Conselheiro Cláudio Otávio Melchíades Xavier, Redator Designado Ousei divergir do douto voto vencido, que negou o direito da Recorrente de realizar a compensação pretendida, devido a falta de apresentação dos comprovantes de retenção do IRFonte. Conclui que a Recorrente, pelas provas juntadas ao processo, efetivamente tem direito à compensação declarada, no limite do crédito, apesar de não ter apresentado os comprovantes de retenção emitidos pela fontes pagadoras É verdade que não se desconhece que é do contribuinte que pugna pela compensação o ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos . Todavia, quando, por motivos alheios à sua vontade, essa prova deixa de ser apresentada, o direito à compensação pode ser exercido de outra forma, como no presente caso. Está comprovado nos autos do processo que a Recorrente tentou junto aos seus principais clientes Petrobrás e Eletrobrás obter os comprovantes de retenção do imposto de renda no fonte. No entanto, além da negativa das referidas fontes pagadoras em fornecer aqueles documentos, uma delas, Petrobrás, informou, expressamente, que só atenderia a solicitação mediante intimação da Receita Federal do Brasil. Ora, penso que a Recorrente foi diligente, ao solicitar a apresentação dos comprovantes de retenção, os quais não obteve por razões alheias a sua vontade, como antes salientado. No entanto, mediante a prova anexa aos autos (notas fiscais e planilhas), pareceme Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 9 8 ter, em princípio, ter direito à compensação, a ser confirmado depois de uma investigação por parte das autoridades fazendárias. Entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, tudo deve ser feito para que nenhum direito seja violado, especialmente o direito de defesa. Até porque, nos casos de impostos retido na fonte, o E. Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que, É o responsável, e não contribuinte, quem recolhe os impostos os respectivos valores ao Erário Público. Conseqüentemente, os comprovantes respectivos só podem ser exigidos do responsável, não do contribuinte1. Ora, como as fontes pagadoras se recusaram a fornecer os comprovantes de retenção do imposto de renda na fonte, a Recorrente, em substituição àqueles documentos, apresentou as notas fiscais, que comprovam a apuração da receita, computada na base de cálculo do tributo retido, compensável, nela consignado. Tais documentos substituem aqueles cuja apresentação foi negada por quem tem a obrigação de reter e recolher o imposto. Aliás, enfrentando questão em tudo análoga ao caso presente, este E. Sodalício entendeu que Comprovada por documentação hábil a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificadas as fontes pagadoras, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento, de exclusiva responsabilidade daquelas, cabendo à administração tributária promover a respectiva cobrança2. Por esses fundamentos, data vênia do douto voto vencido, entendo que o princípio da verdade material tem total aplicação no presente caso, pois com a negativa das fontes pagadoras em informar o imposto retido, os documentos contábeis, especialmente notas fiscais e planilhas anexadas ao processo pela Recorrente, suprem a falta daqueles comprovantes. A propósito, tratando da verdade material, Celso Antônio Bandeira de Mello em lição que se aplica ao caso em lide, afirma que esse princípio Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita aos que as partes demonstram no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pela pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade. Portanto, penso que o princípio da verdade material não está a subverter e suplantar regras do processo administrativo fiscal, substituindo o ônus processual do contribuinte. Pelo contrário, pelo que consta dos autos, a Recorrente cumpriu sua obrigação, ao solicitar às fontes pagadoras o fornecimento dos comprovantes de retenção do IRFonte. Logo, não pode ter o seu direito à compensação negado em virtude da recusa das fontes pagadoras em cumprir uma obrigação que a lei lhes atribui. Outrossim, não ignoro que o artigo 55 da Lei n.º 7.450/85 estabelece que o IRFonte só pode ser compensado pelo contribuinte se este possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, penso que tal dispositivo deve ser interpretado cum grano salis, na medida em que a Recorrente solicitou às fontes pagadoras a apresentação daquele documento, mas seu pedido foi recusado 1 Agravo Regimental em AG 145.127/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 25/08/1997 2 Acórdão n.º 10419.446, Rel. Cons. Roberto William Gonçalves, Primeiro Consellho de Contribuintes, Quarta Câmara, formalizado em 12/09/2003. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901719/201017 Resolução nº 1801000.245 S1TE01 Fl. 10 9 Em razão disso, a falta desse comprovante pode ser surprida pela apresentação de quaisquer outros documentos hábeis e idôneos para confirmar os valores que lhe foram pagos pela prestação de serviços, segundo entendeu a Secretaria da Receita Federal do Brasil,5ª Região Fiscal Divisão de Tributação recentemente, na Solução de Consulta n.º 4, de 02 de abril de 2013, DOU de 15/04/2013, (n.º 71, Seção 1, pág. 36), cuja ementa tem o seguinte teor: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE. Mesmo não tendo recebido o comprovante de retenção anual pelos serviços prestados, pode a pessoa jurídica efetuar a dedução dos valores retidos na apuração dos correspondentes tributos. É possível utilizar como forma de comprovar à RFB o direito a essas deduções, alternativamente ao comprovante anual de retenções, quaisquer outros documentos hábeis, idôneos e suficientes para confirmar os valores efetivamente retidos.9430, DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n.º 7.450, de 1985, art. 55, Lei n.º de 1996, art. 64; Lei n.º 10.833, de 2003, arts. 33 e 34; Instrução Normativa RFB n.º 1.234, arts. 9 e 37;Instrução Normativa RFB n.º 1.297, de 2012 arts. 24 e 27, e Decreto n.º 3000, de 1999 (RIR), art. 923. Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. (assinado digitalmente) Cláudio Otávio Melchíades Xavier Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER
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Numero do processo: 10680.930837/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
A Recorrente deve produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ÔNUS DA PROVA. A Recorrente deve produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 08 37 /2 00 9- 73 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 271 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 36099.26079.080509.1.7.038390 em 08.05.2009, fls. 4659, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$1.113,17 do anocalendário de 2005 apurado pelo lucro real anual para fins de compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$1.113,17. Valor do saldo negativo informado na.DIPJ: R$4.500,76 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada [no] PER/DCOMP acima identificado. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fl. 01, argumentando: O valor informado no Per/DComp [...] tem como origem a DIPJ do ano calendário de 2005, [...]. O único equívoco referese ao preenchimento da DIPJ pois a mesma estava com a informação errada conforme informado na Ficha 17 [...], linha 53 com o valor de R$4.500,76. O valor correto do saldo negativo ao invés de R$4.500,76 é R$1.113,17, conforme na DIPJ retificadora do dia 27/08/2009 [...].Ressaltamos que não houve compensação indevida, como constatada no próprio Per/DComp que demonstra a compensação [...] do saldo negativo de R$1.113,17. Assim, solicitamos que Per/DComp [...] seja aceito, regularizando a situação descrita do despacho decisório em epígrafe. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0233.868, de 10.08.2011, fls. 7783: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 272 3 Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Notificada em 10.11.2011, fl. 92, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.12.2012 (segundafeira), fls. 94105, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que a [...] DRJ trouxe aos autos fato/direito superveniente para fundamentar a sua decisão, qual seja, a não comprovação do recolhimento das retenções sofridas pela Recorrente através da análise das DIRF’s enviadas pelos tomadores de serviços. [...] Assim, em virtude de a DRJ ter incluído nos autos fato novo e direito superveniente para fundamentar a decisão, fazse necessária e legítima a produção de novas provas documentais para defender o direito da Recorrente, não havendo, portanto, de se falar em preclusão temporal. [...] Ante o exposto, em decorrência de: (i) o acórdão proferido pela DRJ/BHE se fundamentar em fato novo e direito superveniente; (ii) existir previsão expressa em lei (art. 16, § 4°, do dec. 70.235/72) autorizando a produção de provas documentais após o prazo da impugnação e; (iii) a patente aplicabilidade do princípio da verdade material no processo administrativo, indiscutível a necessidade/plausibilidade da apresentação e apreciação de novos documentos na defesa do direito creditório da Recorrente. Suscita que a [...] fim de não pairarem dúvidas acerca da legitimidade do seu direito creditório bem como a idoneidade da sua escrita contábil, a Recorrente junta aos autos todos os documentos contábeis hábeis de comprovarem o direito pleiteado, quais sejam: (i) notas fiscais (doc. 04). Da análise de: (i) notas fiscais de serviços prestados (doc. 02); (ii) respectivas escriturações contábeis (doc. 03) e; (iii) planilha financeira elaborada pela Recorrente (doc. 04), verificase que a CSLL devida a título de antecipação fora efetivamente retida pelos tomadores da Recorrente. Ou seja, quando dos pagamentos das notas fiscais de serviço, os tomadores da Recorrente retiveram desta o valor de R$10.028,58 (a título de antecipação de CSLL). [...] Ante o exposto, uma vez que (i) a Recorrente mantém escrita contábil/fiscal idônea; (ii) apresentou os documentos fiscais que embasaram todos os lançamentos em sua contabilidade; (iii) nos termos do art. 923 do de. 3.000/99, a escrita contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis; (iv) restou criteriosamente demonstrado, pela documentação fiscal ora juntada, que os tomadores da Recorrente retiveram desta o valor de R$10.028,58 a título de antecipação de CSLL e; (v) em se tratando de saldo negativo de CSLL o momento do nascimento do direito creditório será ao final do período de apuração em que houver o pagamento indevido, patente a legitimidade do direito creditório da Recorrente, sendo a homologação da PER/DCOMP de n°. 36099.26079.080509.1.7.038390, medida que se impõe. Argui que Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 273 4 Uma vez confirmada a existência do direito creditório da Recorrente (amplamente discorrido nos tópico anterior), passase a análise da divergência apontada pela DRJ/BHE através do conflito da apuração realizada pela Recorrente e as DIRF's enviadas por seus tomadores. [...] Relativo aos tomadores CAMTER Construções e Empreendimentos S.A.; Delta Construções S.A.; Construtora Barbosa Mello; Egesa Engenharia S.A.; Construtora Queiroz Galvão; verificase que não há divergência entre o valor das retenções sofridas pela Recorrente e o valor declarado em suas respectivas DIRF's. Caso interessante, porém, é reservado para a EMPA S/A Serviços Engenharia e a ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda. Relativo à tomadora EMPA S/A Serviços de Engenharia temse que, a nota fiscal n° 83 emitida em 16/11/2005, bem como os lançamentos no Livro Razão página 298 (valor bruto) e 189 (CSLL retida) e no Livro Diário na página 296 (valor bruto e CSLL retida), comprovam a existência da prestação de um serviço no valor total de R$65.707,84 que acarreta uma retenção de CSLL no valor de R$657,08. Já relativo à tomadora ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda temse que a nota fiscal n° 3257 emitida em 06/09/2005, bem como os lançamentos no Livro Razão página 297 (valor bruto) e página 189 (CSLL retida) e no livro diário página 225 (valor bruto e CSLL retida), comprovam a existência da prestação de um serviço no valor total de R$38.070,00 que acarreta uma retenção de CSLL no valor de R$380,70. Desta forma, natural seria que ambas declarassem as contribuições sociais retidas fonte através de suas respectivas DIRF's, entretanto, não há nos autos nenhuma DIRF em nome destes tomadores, o que, obviamente, gerou divergência apurada pela DRJ/BHE. Ou seja, pelos documentos trazidos aos autos pela DRJ/BHE (DIRF's dos tomadores de serviços da Recorrente) e documentos fiscais da Recorrente (notas fiscais e registros contábeis) constatase que os tomadores EMPA S/A Serviços De Engenharia e ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda, quando do pagamento das notas fiscais, retiveram da Recorrente o valor devido a título de retenção de CSLL sem, contudo, declarar tais retenções em DIRF, caracterizando, assim apropriação indevida. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, em virtude de a DRJ/BHE fundamentar sua decisão em fato novo e direito superveniente, necessário se faz a apreciação dos documentos hora apresentados para que seja determinada: 1. A reforma do acórdão proferido, reconhecendo o direito creditório da I Recorrente e, conseqüente homologação da compensação declarada na PER/DCOMP n° 36099.26079.080509.1.7.038390; 2. A extinção do crédito tributário relativo ao processo de cobrança 10680.931164/200979 e, consequentemente, o cancelamento deste Processo Administrativo Fiscal. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 274 5 feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.208, de 11.04.2013, fls. 183191, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime (a) EMPA S/A Serviços de Engenharia, CNPJ 17.159.856/000107, em conformidade com a Nota Fiscal Fatura de Serviço n° 003283, de 16.11.2005, nos valores de R$65.707,84 e de R$657,07, respectivamente de rendimento bruto e de CSLL retida na fonte, fl. 126; e se (b) ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda, CNPJ 89.926.334/000106, em conformidade com a Nota Fiscal Fatura de Serviço n° 003257, de 06.09.2005, nos valores de R$38.070,00 e de R$380,70, respectivamente de rendimento bruto e de CSLL retida na fonte, fl. 130. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente intimar para apresentação do comprovante de retenção tendo como beneficiária a Recorrente emitido pelas seguintes fontes pagadoras para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário de 2005 do código 5952: a) EMPA S/A Serviços de Engenharia, CNPJ 17.159.856/000107, em conformidade com a Nota Fiscal Fatura de Serviço n° 003283, de 16.11.2005, no valor de R$65.707,84 de rendimento bruto e (b) ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda, CNPJ 89.926.334/000106, em conformidade com a Nota Fiscal Fatura de Serviço n° 003257, de 06.09.2005, no valor de R$38.070,00 de rendimento bruto. Foi proferido o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 223224, do qual a Recorrente foi regularmente notificada, fls. 225227 e apresentou o arrazoado, fl. 228, com os seguintes argumentos: [...] vem comprovar através do seu extrato bancário que recebeu as notas fiscais 3283 e 3257 com retenção dos impostos federais [...] DATA DE EMISSÃO Nº NF VR BRUTO IRRF PIS RETIDO COFINS RETIDO CSLL RETIDO LÍQUIDO RECEBIDO DATA DO RECEBIMENTO 06/09/2002 3257 38.070,00 571,05 247,46 1.142,10 380,70 35.728,70 08/09/2005 16/11/2005 3283 65.707,84 985,62 427,10 1.971,24 657,08 61.66,81 02/12 E 05/12/2005 Assim, solicitamos que o Per/DComp 36099.26079.080509.1.7.038390 seja aceito, regularizando [...] a situação descrita no Despacho Decisório [...]. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Eurides Veríssimo Júnior, OAB/MG nº 75.864. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 275 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sinteticamente, temse o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 efetivamente objeto de litígio nessa segunda instância de julgamento está discriminado destacadamente na Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 objeto de litígio na segunda instância de julgamento Cálculo da CSLL a Pagar de 01.01.2005 a 31.12.2005 (A) Valores da DIPJ Fls. 0927 R$ (B) Valores Reconhecidos Como Corretos pela DRJ Fls. 7783 R$ (C) Valores em Litígio na Segunda Instância de Julgamento R$ (D) CSLL Devida 113.137,20 113.137,20 113.137,20 () IRRF Órgãos Públicos (37.780,13) (37.780,13) (37.780,13) () IRRF (10.028,58) (8.778,27) (8.778,27) () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (66.441,66) (66.441,66) (66.441,66) (=) CSLL a Pagar (1.113,17) 137,15 137,15 A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida, em especial às fontes pagadoras EMPA S/A Serviços de Engenharia, CNPJ 17.159.856/000107 e ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda, CNPJ 89.926.334/000106. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 276 7 Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente3. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem os pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário4. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços, entre outros, de limpeza, conservação, manutenção, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte no código 5952 em guia única de CSLL, Cofins e PIS. O valor da CSLL, da Cofins e da PIS é determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 4 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 277 8 respectivamente. Os valores devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, até o último dia útil da quinzena subseqüente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica fornecedora dos bens ou prestadora do serviço e devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições5. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A autoridade de primeira instância de julgamento considerou como correto para o rendimento bruto total de R$877.826,41 o valor total de R$40.818,89 retido na fonte pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2005 a título do código 5952. Posto isso, foi confirmada a retenção da CSLL no importe de R$8.778,26, fl. 76, para fins de dedução da CSLL devida. No que se refere à fonte pagadora EMPA S/A Serviços de Engenharia, CNPJ 17.159.856/000107, a Recorrente diz que se que na Nota Fiscal Fatura de Serviçon° 003283, de 16.11.2005, referente a “serviços de topografia prestados na Rodovia MG275, Capela Nova, entroncamento BR040” estão descriminados os valores de R$65.707,84 e de R$657,07, respectivamente de rendimento bruto e de CSLL retida na fonte, fl. 126, em conformidade inclusive com a escrituração no Livro Razão, fls. 139, 141 e 146 e no Livro Diário, fl. 170. Por outro lado, nos registros internos da RFB está registrado que na DIRF apresentada pela fonte pagadora constam os valores referentes ao litígio, em conformidade com a Tabela 2. Tabela 2 DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras com os valores objeto de litígio em 2005 Pessoa Jurídica Fonte Pagadora (A) CNPJ Fonte Pagadora (B) Código* (c) Rendimento Bruto Fl. 71 R$ (D) IRRF Retido Fl. 71 R$ (E) EMPA S/A Serviços de Engenharia 17.159.856/000107 1708 65.707,84 657,07 *Nota Código 1708 remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 52 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985). Em relação à fonte pagadora ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda, CNPJ 89.926.334/000106, a Recorrente diz que se que na Nota Fiscal Fatura de Serviçon° 003257, de 06.09.2005, referente a “projeto de duplicação da BR381 no trecho em frente a Cenibra no município de Belo Oriente/MG” estão descriminados os valores de R$38.070,00 e de R$380,70, respectivamente de rendimento bruto e de CSLL retida na fonte, fl. 130, de acordo 5 Fundamentação legal: art. 30, art. 31, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 278 9 somente com a escrituração no Livro Razão, fls. 139, 141 e 145 e no Livro Diário, fls. 164 e 165. Nos registros internos da RFB, todavia, não está registrada a DIRF correspondente apresentada por essa fonte pagadora. Também os autos não estão instruídos com os Informe de Rendimentos que as pessoas jurídicas que efetuarem os pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária em duas vias, até o dia 31 de janeiro, esse documento de caráter declaratório e que comprova a natureza e o montante do pagamento, as deduções e o tributo retido discriminadamente por código de arrecadação atinentes ao o anocalendário anterior. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior (art. 170 do Código Tributário Nacional). Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, houve realização de diligência para esclarecer a situação fática (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972) em que a Autoridade Fiscalizadora constatou efetivamente, fls. 223224: Trata o presente processo de compensação do Saldo Negativo da CSLL referente ao anocalendário 2005 com débitos diversos, conforme demonstrado na DCOMP nº 36099.26079.080509.1.7.038390. Para análise do recurso voluntário do contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou a esta DRF que, em diligência fiscal, intimasse o contribuinte a apresentar “comprovante de retenção tendo como beneficiária a Recorrente emitido pelas seguintes fontes pagadoras para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário de 2005 do código 5952: a) EMPA S/A Serviços de Engenharia, CNPJ 17.159.856/000107, em conformidade com a Nota Fiscal Fatura de Serviço n° 003283, de 16.11.2005, no valor de R$65.707,84 de rendimento bruto e (b) ENEPLAN Projetos e Consultoria Ltda, CNPJ 89.926.334/000106, em conformidade com a Nota Fiscal Fatura de Serviço n° 003257, de 06.09.2005, no valor de R$38.070,00 de rendimento bruto”. A empresa CONSOL ENGENHEIROS CONSULTORES foi intimada a apresentar a documentação solicitada pelo CARF (fls. 194 a 196). Na resposta ao termo de intimação (fls. 197 a 199), a empresa informa que não possui os comprovantes de retenção e destaca: “Vale ressaltar que, na seção “III.3. Da apropriação indevida por parte dos tomadores de serviço da Recorrente” do Recurso Voluntário interposto, temos a demonstração de que os comprovantes demandados, não foram entregues para a Recorrente, fato que impossibilita a apresentação/entrega destes.” O contribuinte apresentou novamente documentos que já constam do recurso voluntário: planilha financeira, cópias das notas fiscais 003283 e 003257 e dos registros contábeis das receitas relativas a essas notas fiscais, das respectivas retenções do IRRF, CSLL, Pis e Cofins e do valor líquido recebido (fls. 200 a 215). Todos os valores contabilizados são coerentes com as notas fiscais. Não foram apresentados, porém, extratos bancários que comprovem os valores efetivamente recebidos. A empresa apresentou ainda, às fls. 216 a 220, documentos para comprovar que as receitas referentes às duas notas fiscais citadas foram oferecidas à tributação: cópias da Ficha 06A da DIPJ 2006 e do livro Razão Analítico, conta Venda de Serviços/Mercado Nacional, na qual constam as receitas relativas às duas notas Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 279 10 fiscais. Essa conta totaliza R$7.560.945,20, que é o valor constante na Ficha 06A da DIPJ 2006, linha 08 Receita da Prestação de Serviços. Dessa forma, foi constatado que as notas fiscais 003283 e 003257 foram corretamente contabilizadas, tanto no que se refere às receitas quanto às retenções informadas nas notas. Porém, devido à inexistência dos comprovantes de retenção e dos extratos bancários com os valores recebidos, não é possível afirmar com certeza se ocorreu de fato a retenção da CSLL no pagamento dessas notas. Nessa fase recursal a Recorrente apresenta os extratos bancários, fls. 235 238, comprovando que de fato em relação à Nota Fiscal nº 003283, emitida em 16.11.2005 a favor da Empa S/A Serviços de Engenharia e à Nota Fiscal nº 003257, emitida em 06.09.2005 a favor da Eneplan Projetos e Consultoria Ltda a CSLL recebeu as receitas sem a CSLL retida na fonte no valor total de R$1.037,78. Temse o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 efetivamente comprovado como líquido e certo está discriminado destacadamente na Tabela 2. Tabela 2 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 Cálculo da CSLL a Pagar de 01.01.2005 a 31.12.2005 (A) Valores Comprovados na Segunda Instância de Julgamento R$ (D) CSLL Devida 113.137,20 () IRRF Órgãos Públicos (37.780,13) () IRRF (9.816,05) () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (66.441,66) (=) CSLL a Pagar (900,64) Nesse sentido deve ser reconhecido o valor de R$900,64 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o valor de R$900,64 a título de saldo negativo de CSLL para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930837/200973 Acórdão n.º 1801001.734 S1TE01 Fl. 280 11 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721756/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
RECURSO INTEMPESTIVO.NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n.º 70.235/72).
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 15/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 RECURSO INTEMPESTIVO.NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n.º 70.235/72). Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 15/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n.º 70.235/72). Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 15/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 17 56 /2 00 9- 14 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.44) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de Deduções Indevidas a Titulo de Dependentes e Pensão Alimentícia Judicial. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1028.449, de 18 de novembro de 2010, que se encontra às fls. 35/38, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA – PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado daquele acórdão em 15/02/2011(fls. 42/43), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 44, em 29/03/2011. Em sua defesa, o contribuinte contestou a glosa da dedução de pensão alimentícia judicial, conforme documentos apresentados. É o relatório. Voto Conselheira DayseFernandes Leite, Relatora De início verifico que a intimação da decisão de 1ª instância via AR se deu em 15/02/2011 e o Recurso Voluntário foi protocolado em 29/03/2011, ou seja, 42 dias após a intimação. Nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 o contribuinte tem o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância para interposição de recurso voluntário: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.721756/200914 Acórdão n.º 2802002.480 S2TE02 Fl. 3 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Reconheço, portanto, a intempestividade do Recurso, de modo a impedir o seu conhecimento. Ante o exposto, não conheço do recurso, por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726187/2010-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Multa Qualificada. Omissão de Receitas.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, em parte, a preliminar de decadência dos lançamentos tributários relativos aos 1º e 2º semestres de 2005, e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular), nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Multa Qualificada. Omissão de Receitas. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso de contribuinte que informou o(s) débito(s) em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROVA. ÔNUS. O ônus da prova de fatos que ensejam o cancelamento do Auto de Infração lavrado em conformidade com as normas tributárias é da contribuinte, que os alega. Não sendo produzida, nos autos, prova capaz de ilidir o lançamento do crédito tributário, tornase este subsistente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 61 87 /2 01 0- 81 Fl. 5762DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, em parte, a preliminar de decadência dos lançamentos tributários relativos aos 1º e 2º semestres de 2005, e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular), nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe foi autuada para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas ao anocalendário de 2005, consoante Autos de Infração às efls. 5.623 a 5.664 e Termo de Verificações de efls. 5.630 a 5.637. Aproveito trechos do relatório e voto do Acórdão nº 1136.038/12 proferido pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, efls. 5.726 a 5.738, que manteve em parte os lançamentos tributários, exonerando as exigências fiscais de PIS e Cofins, para historiar os fatos: “Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente ao anocalendário de 2005, no valor total de R$ 788.738,25, incluídos multas de ofício (75% e 150%) e juros de mora. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 5625/5626), estimado com base no lucro arbitrado, encontrase registrada a seguinte infração, ao final tipificada: "001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS". No Relatório de Fiscalização de fls. 5630/5637, a autoridade autuante consignou, depois de descrever todo o procedimento fiscal: · O IRPJ e a CSLL foram apurados com base no arbitramento do lucro, uma vez que, embora regularmente intimada, a contribuinte não apresentou a sua escrituração contábil; · A contribuinte apresentou DCTFs para os 1° e 2° semestres de 2005 com valores de IRPJ e de CSLL apurados com base no lucro arbitrado. Posteriormente, apresentou algumas DCTFs retificadoras, sendo que as últimas apresentadas contêm as mesmas informações já registradas nas primeiras. Também apresentou DIPJ retificadora (lucro arbitrado) da original (lucro real), trazendo informações condizentes com as DCTFs entregues (primeiras e últimas); Fl. 5763DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.726187/201081 Acórdão n.º 1801001.682 S1TE01 Fl. 3 3 · As bases de cálculo trimestrais do IRPJ arbitrado nos 1° a 3° trimestres do anocalendário de 2005 foram apuradas pela diferença entre os valores das saídas escrituradas nos livros fiscais estaduais relativos às vendas e às revendas de mercadorias no mercado interno e externo, deduzidos das devoluções de mercadorias, e os valores declarados na DIPJ e nas DCTFs (referente ao IRPJ); · A contribuinte escriturou, quanto à filial 000250, notas fiscais de exportação que não constam no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, as quais, assim, foram consideradas como saídas para o mercado interno (Anexo n.° 003 coluna "Exportações Não Comprovadas"). Quanto à filial 000411, a fiscalização observou que, no SISCOMEX, existem, para o mês de setembro de 2005, vários Despachos de Exportação que não se encontram escriturados nos livros fiscais, daí que considerados como omissão de receitas (Anexo n.° 001); · Sobre os valores exportados e não escriturados incide a multa de 150%, porque cometida infração ao art. 1° da Lei n.° 8.137, de 1990; · Em relação ao PIS e à Cofins, formam a sua base de cálculo apenas as saídas de mercadorias, registradas nos livros fiscais, destinadas ao mercado interno, deduzidas das devoluções informadas em tais livros. Para tais tributos, a contribuinte nada declarou nas DCTFs. No prazo legal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 5688/5699, por meio da qual aduz, em síntese: · Considerando a contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, já se havia expirado, na data da ciência do lançamento, o direito da Fazenda Pública, de forma que extinto o direito de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN (reproduz escólios doutrinários e decisões do Conselho de Contribuintes); · Não cometeu qualquer conduta que possa ser qualificada de sonegação, fraude ou simulação, de modo que não pode ser aplicada a multa de 150%; · As razões que levaram o AuditorFiscal a proceder ao lançamento basearamse na constatação de que havia diferenças entre as somas dos valores trimestrais escriturados nos Livros Fiscais e a soma dos valores trimestrais apurados e já declarados em DCTF e em DIPJ. Entretanto, existem diversas possibilidades de ocorrência de tais diferenças entre o controle do SISCOMEX e os Livros Fiscais, dentre os quais os seguintes: mercadorias faturadas e não embarcadas por desistência do importador, embarques efetuados e não concretizados os recebimentos, em virtude de perecimento das frutas e outros motivos relacionados ao transporte; · Os produtos comercializados pela empresa são frutas, inexistindo, assim, tributação pelo PIS e pela Cofins, tanto nas vendas para o mercado externo (não incidência), quanto nas vendas para o mercado interno (alíquota reduzida a zero), por força do art. 28, III, da Lei n.° 10.865, de 2004. Fl. 5764DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] Sustentase, com fundamento no art. 150, § 4°, do CTN, que já se operou a decadência em relação a todos os três trimestres do períodobase, porquanto já ultrapassado o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na data em que se deu a ciência do lançamento. Sem razão, porém. Como cediço, o prazo decadencial a que estão sujeitos os tributos submetidos a lançamento por homologação, nos casos em que há pagamento antecipado, regese pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, que o fixa em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovados o dolo, a fraude ou a simulação. Inexistindo pagamento antecipado, como no caso dos autos (consulta ao sistema SINAL da RFB comprova não ter havido quaisquer pagamentos de IRPJ e de CSLL relativos aos períodos de apuração objeto do lançamento), a regra a aplicar é aquela insculpida no art. 173, I, do mesmo diploma legal, daí que, já para o 1° trimestre de 2005, o prazo decadencial, que se iniciou no primeiro dia útil de 2006, só se extinguiria no mesmo dia do ano de 2011, data posterior àquela em que a impugnante foi cientificada do lançamento. [...] Por idêntico motivo, não estaria extinto o direito do Fisco de lançar o PIS e a Cofins, os quais, contudo, como se passa a demonstrar, não poderiam ter sido lançados. Com efeito, o art. 28 da Lei n.° 10.865, de 30/04/2004, reduziu a zero, a partir de 1° de maio do mesmo ano, as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, para o mercado interno, dos produtos comercializados pela impugnante. [...] De conseguinte, devem ser cancelados os autos de infração do PIS e da Cofins. Nas razões de mérito, ainda se defende, com o claro desiderato de afastar a exigência, haver a possibilidade de mercadorias terem sido faturadas e não embarcadas e de embarques terem sido efetuados, mas não concretizados os respectivos recebimentos. Nada se comprovou, porém, embora seja na impugnação o momento adequado em que as provas documentais devem ser carreadas ao processo, consoante estabelece o art. 16, § 4°, do Decreto n.° 70.235, de 1972. Registrese, contudo, que as informações colacionadas aos autos, extraídas pela fiscalização do SISCOMEX (n.° do despacho de exportação, descrição da mercadoria, mês do embarque, mês da averbação, local em que se realizou o despacho de exportação etc.), foram oportunamente enviadas à impugnante (ver Termo de Intimação Fiscal n.° 0004, de 19/11/2010; fls. 3555/3560) e não contestadas. [...] No concernente à multa qualificada, a sua aplicação deuse unicamente sobre os valores exportados e não escriturados, ou seja, sobre uma parcela das receitas omitidas no 3° trimestre de 2005 (R$ 3.446.971,27), conforme apontam as planilhas de fls. 5676 e 5677. A parcela remanescente, constatou a fiscalização, foi escriturada nos livros, mas não compôs a declaração do períodobase da autuação (R$ 882.809,73), daí a aplicação da multa de 75%. A fiscalização, é manifesto, equivocouse ao tipificar a multa de 150% na Lei n.° 8.137, de 1990, uma vez que este diploma legal define os crimes contra a ordem tributária e contra as relações de consumo. A penalidade que se pretendeu aplicar encontra fundamento jurídico em diploma legal diverso, qual seja, o art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, que, no períodobase da autuação, tinha a seguinte redação: Fl. 5765DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.726187/201081 Acórdão n.º 1801001.682 S1TE01 Fl. 4 5 [...] A despeito do equívoco de fundamentação, nada obstaria a manutenção da multa de ofício qualificada se seus requisitos legais estivessem irremediavelmente presentes e se bem descritos nos autos (arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 1964: sonegação, fraude ou conluio), o que, contudo, não se verificou. [...] Voto Vencedor1 [...] Verificase, portanto, que a Autoridade Fiscal apresentou conjunto probatório contundente na demonstração da ação dolosa perpetrada pela contribuinte no sentido de impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conforme fatos transcritos acima. Podem ser destacados, em síntese, os seguintes: escriturar notas fiscais de exportação de mercadorias, mas que não constam no sistema Siscomex como mercadorias exportadas; no sistema Siscomex, existem vários Despachos de Exportação e suas respectivas notas fiscais que não estão escriturados como saídas de exportação nos livros fiscais; os Despachos de Exportação não escriturados nos livros fiscais estaduais e que estão relacionados no anexo n° 001 do presente Auto de Infração são omissão de receitas para fins de apuração do IRPJ. Dessa forma, ficou caracterizado o dolo da contribuinte, demonstrado por seu comportamento intencional, específico e reiterado de fraudar sua escrituração contábil e fiscal com a finalidade de causar dano à Fazenda Pública ao não escriturar notas fiscais relativas aos Despachos de Exportação e como resultado evitar o pagamento dos tributos, ora lançados de ofício. [...] Evidenciada encontrase a intenção deliberada da contribuinte em manter à margem da tributação a maior parte de suas receitas no período fiscalizado.” A empresa interpôs tempestivamente2 o Recurso de efls. 5.744 a 5.755, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) os lançamentos tributários estão decaídos, consoante disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN; cita acórdãos administrativos e doutrina que corroboram seu entendimento; b) a qualificação da multa de ofício aplicada não pode prosperar, não havendo a fiscalização logrado provar o evidente intuito de fraude; c) argúi sobre as omissões de receitas apuradas: “As razões que motivaram o Sr. Auditor Fiscal autuar a Recorrente, com base em suposta omissão de receitas, basearamse na constatação de diferenças entre as somas dos valores trimestrais escriturados nos Livros Fiscais e a soma dos valores trimestrais apurados pelo contribuinte e já declarados em DCTF e em DIPJ. 1 Matéria do Voto Vencedor: Qualificação da multa procedência 2 AR – 15/06/2012, efls. 5.742; Recurso –13/07/2012, efls. 5.744 Fl. 5766DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Entretanto, existem diversas possibilidades de ocorrência de tais diferenças entre o controle do Siscomex (base da fiscalização) e os livros fiscais, dentre as quais, as seguintes: · Mercadorias faturadas e não embarcadas, por desistência do importador; · Embarques efetuados e não concretizados os recebimentos, por perecimento da fruta; · Outras razões de transporte (pane na eletricidade, nos contêineres, mudança de rota etc). Assim, diversos foram os fatos que originaram tais diferenças, cujos motivos não foram explorados pela fiscalização.” Requer, por fim, seja oportunizada a sustentação oral por ocasião do julgamento, em sua defesa. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O objeto a ser dirimido no presente litígio, nesta esfera recursal, consiste nas autuações sofridas pela recorrente para as exigências de IRPJ e CSLL (tributação reflexa) oriundas de omissões de receitas, relativas aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005. As omissões foram classificadas em: a) oriundas de diferença entre os valores escriturados nos Livros Fiscais e aqueles declarados em DCTF e DIPJ (aplicada a multa de ofício regular – 75%); e, b) não escrituração de despachos de vendas exportadas (aplicada a multa de ofício qualificada). As autuações para exigência de PIS e Cofins foram canceladas no acórdão recorrido. O litígio erguese sobre três colunas. Em preliminar, a recorrente defende que os lançamentos tributários, cuja ciência foi efetivada em 20/12/2005 (efls. 5.679 a 5.686), estão decaídos. No mérito, argumenta que a fiscalização não investigou se os documentos encontrados realmente denunciam fatos apontados como geradores de obrigação tributária e que a qualificação da multa de ofício é descabida. I) Da Preliminar decadência A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça, em recurso representativo de controvérsia, cujo entendimento estendese aos ministros da Primeira Seção, aos Tribunais Regionais Federais, bem como aos Tribunais de Justiça dos Estados decidiu – (Data de Publicação: 18/09/2009): Recurso Especial nº 973.733/SC (2007./01769940) Relator: Min Luiz Fux Fl. 5767DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.726187/201081 Acórdão n.º 1801001.682 S1TE01 Fl. 5 7 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.055/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007 [...]) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase reguladas por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). [...] Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (grifos pertencem ao original) Observo que este órgão julgador, por força do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), está vinculado às decisões proferidas pelo STF/STJ processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Destarte, resta decidido judicialmente que o prazo para aplicarse a decadência, nos casos dos lançamentos por homologação, é aquele previsto no artigo 173, § único do CTN quando o contribuinte não paga, ou declara (confessa o débito), ainda que de forma parcial. A contrário senso, ao haver uma ou outra conduta, o prazo começa a contar de acordo com as regras estipuladas no artigo 150, § 4º do CTN. Fl. 5768DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Observese que a teoria aventada pela recorrente de que o que homologase é o lançamento e não o pagamento, ou a confissão do débito, não é acolhida na esfera judicial. Não obstante, assiste razão à recorrente no que concerne aos fatos geradores apurados em relação aos 1º e 2º trimestres de 2005. Às efls. 1.455 há a informação da Administração Tributária que a recorrente entregou DCTF, relativas aos 1º e 2º semestres de 2005, em 22/08/2005 e em 21/04/2006, respectivamente. A confissão de débitos tributários em DCTF força a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN a partir da data da entrega da referida declaração, pois é quando dáse ciência à Administração Tributária da ocorrência de fatos geradores para que possa exercer, em tempo hábil, seu direito a não homologálos, já que a sua inércia provoca a homologação tácita. Havendo entregue a DCTF relativa ao 1º semestre de 2005 em agosto daquele ano, concluise que a autoridade fiscal ultrapassou o dies ad quem (agosto de 2010) para efetuar os lançamentos tributários relacionados aos 1º e 2º trimestres de 2005. O mesmo não se verifica em relação às infrações apuradas em relação ao 3º trimestre. A DCTF (e os débitos confessados, portanto) foi entregue somente em abril de 2006, fato que fixa o termo final do direito do fisco efetuar o lançamento tributário em abril de 2011. Em vista da ciência da autuação ter sido efetivada em 20/12/2010, a decadência do lançamento referente ao 3º trimestre de 2005 está afastada. Pelo exposto, acolho, em parte, a preliminar argüida. II) Do Mérito II.a) Da multa qualificada Concordo com as considerações do voto vencido registrado no acórdão guerreado. A fiscalização não logrou comprovar com elementos além daqueles que comprovam a omissão de receitas, que a conduta da recorrente, a qual ensejou a cominação da multa qualificada, foi, ao menos, reiterada ou habitual. A despeito das bem colocadas argumentações inseridas no Voto Vencedor, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula nº 14 que deve ser aplicada no caso em apreço: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 5769DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.726187/201081 Acórdão n.º 1801001.682 S1TE01 Fl. 6 9 Destarte, a multa de ofício aplicada nos lançamentos tributários deve sofrer a redução para o percentual regular de 75%. II.b) Da omissão de receitas Equivocase a recorrente ao entender que os diversos documentos que evidenciam as vendas para exportação acostados aos autos não fazem prova suficiente das vendas realizadas e não escrituradas, nem oferecidas à tributação. Compete à recorrente o ônus de trazer provas capazes de ilidir a tributação, o que não fez em nenhum momento( art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil). As suas alegações de que diversas coisas podem ter ocorrido que descaracterizariam a obtenção de receitas espelhadas nos despachos de exportação são inócuas sem estarem corroboradas pelos documentos dos fatos que meramente alega. A impugnação e o recurso voluntário devem vir instruídos com as provas daquilo que se alega ( art. 16 e §§ do Decreto nº 70.235/72 – PAF). III) Da tributação reflexa – CSLL A tributação realizada de ofício para a exigência de CSLL é decorrente do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo da autuação reflexa, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. CONCLUSÃO Com relação ao pedido da recorrente para apresentar eventual sustentação oral, não há previsão para intimação da realização da sessão de julgamento nem no PAF, nem no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria do MF nº 256/09, que dispõe sobre a publicação da pauta no Diário Oficial, devendo a parte interessada acompanhála – parágrafo único do art. 55: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. (grifos não pertencem ao original) Fl. 5770DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 A sustentação oral é direito da recorrente a ser pleiteado na ocasião da realização da sessão, formalizada por escrito por quem possui delegação de poderes para agir em nome da recorrente. Voto, por todo o exposto, em acolher, em parte, a preliminar de decadência dos lançamentos tributários relativos aos 1º e 2º semestres de 2005, e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 5771DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13971.904718/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QORG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 47 18 /2 00 9- 88 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão de fls. 50/51, referente à Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de apuração de agosto de 2003, decorrente da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 (alargamento da base de cálculo), conforme sintetiza a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido, não compete à Administração Tributária a apreciação de argumentos sobre inconstitucionalidade de lei, cita a Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes Parecer Normativo CST/SRF de n° 329, de 1970, que assim dispõe: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904718/200988 Acórdão n.º 3301001.835 S3C3T1 Fl. 90 3 sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Ademais disto, o artigo 3°, §1 0 da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de apuração em análise, não pode este juízo afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência, não tendo a contribuinte demonstrado ser parte de nenhuma ação judicial que a beneficie, e até a presente data, o Supremo Tribunal Federal só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes. O art. 1.°, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. Cientificada em 08/06/2010 (AR fl. 53), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 54/64, em 07/06/2010, sustentando que por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, na sessão de 9 de novembro de 2005, o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1 0 da lei n° 9.718/98 e, por conseguinte, da exigência de COFINS sobre as receitas não operacionais, ou seja, diversas do produto da venda de bens ou serviços. Especificamente no caso concreto, na data de 14/12/2005, a empresa transmitiu a PER/DCOMP n°410449.47378.141205.1.3.041248, por meio da qual declarou a compensação de um crédito de COFINS (2172) relativo à competência de novembro de 2003, já que na data de 15/12/2003 recolheu indevidamente, "a maior", o valor originário de R$ 7.463,20 (calculado sobre receita não operacional da empresa, conforme bem demonstram os documentos anexos, em especial a DCTF e ficha do livro razão). Na sessão de 7 de outubro de 2011, este colegiado converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem apreciasse o mérito do pedido de restituição/compensação formulado pela /Recorrente. Realizada a diligência, restou confirmado com base nos dados constantes da DIPJ2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que, dos R$ 101.806,31 recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 11/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 7.463,20 a título de pagamento indevido ou a maior. É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido das demais condições legais pertinentes. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Conforme relatado, trata o presente recurso de pedido de restituição/compensação indeferido, tendo em vista que a recorrente pretende utilizar o indébito decorrente do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS, promovido pela art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Pleno do E. STF, conforme depreendese do seguinte julgado: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 2811 2008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP 00871 ) Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Desta forma, estando o assunto consolidado no âmbito judicial e também na via administrativa, de acordo com o teor do art. 62A do RICARF, ensejando a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem se aprecie o pedido de restituição/compensação formulado pela Recorrente. Realizada a diligência, restou confirmado com base nos dados constantes da DIPJ2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que, dos R$ 101.806,31 recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 11/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 7.463,20 a título de pagamento indevido ou a maior. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, a fim de reconhecer o indébito decorrente dos pagamentos maiores que os devidos, em virtude do Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904718/200988 Acórdão n.º 3301001.835 S3C3T1 Fl. 91 5 alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a respectiva homologação das compensações declaradas. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 16641.000034/2010-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESAS URBANAS.
É devida a contribuição ao INCRA, inclusive pelas empresas urbanas, em razão do julgamento do REsp 977.058, submetido a sistemática do art. 543-C do CPC, a qual vincula a sua aplicação por este Conselho, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR.
Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; deve-se destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei nº. 8.212/91combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991, cujo inconstitucionalidade foi reconhecida em decisão plenária do STF, razão pela qual não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR.
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da autuação as verbas referentes à aquisição de produção rural de pessoas físicas assim como determinar o recálculo da multa de mora, conforme art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EMPRESAS URBANAS. É devida a contribuição ao INCRA, inclusive pelas empresas urbanas, em razão do julgamento do REsp 977.058, submetido a sistemática do art. 543C do CPC, a qual vincula a sua aplicação por este Conselho, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei nº. 8.212/91combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991, cujo inconstitucionalidade foi reconhecida em decisão plenária do STF, razão pela qual não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4 MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 34 /2 01 0- 79 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da autuação as verbas referentes à aquisição de produção rural de pessoas físicas assim como determinar o recálculo da multa de mora, conforme art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1028.667, proferido DRJ/POA, na qual se decidiu pela improcedência da Impugnação apresentada, mantendose incólume o crédito tributário, consubstanciado no DEBCAD nº.37.219.3374, cujo montante equivale a R$ 46.715,29 (quarenta e seis mil setecentos e quinze reais e vinte e nove centavos). A autuação referese a contribuições previdenciárias devidas a Terceiros, incidentes sobre a folha de pagamento, bem como as devidas ao SENAR incidentes sobre a aquisição da produção de produtores rurais pessoas físicas. Os fatos são evidenciados no Relatório Fiscal, fls. 29/34: 1. Este relatório é parte integrante do Auto de InfraçãoAI, Débito Cadastrado – DEBCAD Nº 37.219.3374 e se refere às contribuições sociais devidas pela empresa, destinadas às entidades a seguir relacionadas, não informadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP até a data de início da presente ação fiscal, relativas às competências discriminadas no período compreendido de 01/2007 a 10/2008, e não recolhidas em época própria: 1.1. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, 2,5% (dois vírgula cinco por cento); Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, 02,% (zero vírgula dois por cento); Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, 1% (um por cento); Serviço Social da Indústria – SESI, 1,5% (um vírgula cinco por cento) e Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa – SEBRAE, 0,6% (zero vírgula seis por cento) nas competências relacionadas, bem como décimo terceiro salário de 2007, incidentes sobre o valor da Folha de Pagamento dos segurados empregados e avulsos; 1.2. 0,2% (zero vírgula dois por cento) destinados ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, incidentes sobre o valor da aquisição da produção de produtores rurais pessoas físicas. (...) 3. A empresa em epígrafe foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES a partir de 01/01/2007, por meio do Ato Declaratório Executivo – ADE nº. 029, de 30 de outubro de 2009, por ter ultrapassado no ano calendário de 2006 os limites da Receita Bruta, conforme apurado no processo administrativo nº 17698.000598/200985. Os efeitos desta exclusão operaramse até 06/2007. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 4. A partir de 01/07/2007 começaram a vigorar os efeitos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Nacional – Lei Complementar nº 123. A empresa cancelou a opção pelo Simples Nacional a partir de 01/07/2007, conforme demonstrativo em anexo. (...) 12. Foi constatado que o contribuinte adquiriu a produção de pescado de pescadores artesanais – produtores rurais pessoas físicas no período de 01/2007 a 10/2008. Esta aquisição constitui fato gerador da contribuição social destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR – objeto desta autuação, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da empresa adquirente subrogação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 47/64. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, prolatou o Acórdão n. 1028.667, fls. 66/70, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2018. Auto de Infração nº DEBCAD 37.219.3374 1. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis é vinculada para a Administração Pública.2. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Excluída do SIMPLES, a empresa deve efetuar o recolhimento das contribuições patronais a seu cargo. 3. JUROS. Às contribuições sociais destinadas a terceiros não recolhidas no prazo legal aplicamse juros correspondentes à taxa SELIC, consoante a legislação vigente à época dos fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 81/98, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Ilegalidade da exigência de contribuição ao INCRA às empresas urbanas, utilizandose de precedentes do STF; Inexistência de comunicação pessoal à empresa acerca do Ato Declaratório Executivo que promoveu a sua exclusão do SIMPLES, de modo que não tinha conhecimento de efetuar os recolhimentos devidos; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 4 5 Ilegalidade da aplicação da taxa SELIC conforme entendimento do STJ. DEMAIS INFORMAÇÕES Apresentado o Recurso Voluntário, foi proferido despacho de minha autoria em 26/10/2011, fls. 110/112, na qual foi reconhecido conexão com o Processo nº. 17698.000598/200985, em que se discutia a procedência da exclusão da empresa do SIMPLES, culminando, portanto, na conversão do julgamento em diligência para que fosse informado o resultado do julgamento daquele processo, concedendo a Recorrente o prazo de trinta dias para manifestação antes de nova remessa a este Conselho, eis que tal resultado poderia ser prejudicial ao deslinde deste. Ato contínuo, em 12/04/2012, foi prolatado acórdão da DRJ, fls. 117/129, que julgou pela improcedência da Impugnação apresentada no bojo do Processo nº. 17698.000598/200985, mantendose, pois, correta a exclusão da empresa do SIMPLES. Cientificada através de intimação por edital, foi proferido termo de perempção, fl. 140, razão pela qual deuse a coisa julgada administrativa. Neste sentido, tendo em vista o julgamento do processo em menção, foi proferido despacho pela DRF em Pelotas, fls. 167/168, na qual consignou que o anexo do acórdão supracitado, bem como determinando a intimação do contribuinte para apresentação de manifestação e posterior remessa ao CARF. Entretanto, não tendo novamente sido encontrado em seu domicílio tributário, foi realizada a ciência através de edital, conforme fl. 174, porém sem que houvesse qualquer manifestação, foi determinada a sua remessa, através do despacho de fl. 176, a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls. 236, tomo o recurso como tempestivo e, por estarem presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão. DO MÉRITO CONTRIBUIÇÃO AO INCRA A Recorrente alega que, por se tratar de empresa urbana, não estaria submetida à incidência de contribuição ao INCRA, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão eminentemente rural. Entretanto, tal argumento não merece prosperar ante a apreciação da matéria por parte do Superior Tribunal de Justiça, a qual decidiu pela legalidade da referida exação em julgado submetido à sistemática do art. 543C, do Código de Processo Civil (Recurso Repetitivo), cuja ementa a seguir é transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 5 7 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice , ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. (STJ REsp: 977058 RS 2007/01903560, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 22/10/2008, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 10/11/2008) Portanto, ante a vinculação deste Conselho à aplicação dos julgados decididos sob a sistemática do art. 543C do CPC, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, não pairam dúvidas acerca da legalidade da exação tratada neste tópico. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 EXCLUSÃO DO SIMPLES A alegação de falta de ciência acerca do Ato Declaratório Executivo nº. 029, de 30/10/2009, na qual tratou sobre a exclusão da empresa da sistemática do SIMPLES, não merece prosperar. Isso porque tal argumento já foi enfrentado pela DRJ em sede de Impugnação, o que culminou nas seguintes informações consignadas no acórdão, fl. 69, in verbis: “A impugnante teve sua opção pelo SIMPLES cancelada através do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 029, de 30/10/2009, devidamente cientificado ao contribuinte, em 05/11/2009, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 405 do processo administrativo nº 17698.000598/200985, quando lhe foi oportunizada a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias da ciência desse Ato. Consta ainda à fl. 406, daquele processo, em despacho datado de 17/12/2009, que, esgotado o prazo concedido ao contribuinte, não foi apresentada manifestação. Portanto, não procede a alegação de desconhecimento de sua exclusão do SIMPLES, para o período lançado de 01/2007 a 06/2007. Quanto ao período posterior a 06/2007, quando da entrada do SIMPLES Nacional (Lei Complementar nº 123/2006), a própria defendente cancelou sua opção, conforme RFAI”. Considerando a fé de ofício das informações prestadas pelas autoridades fiscais do órgão fazendário supra, tenho que tais elementos só poderiam ser ilididos mediante a apresentação de prova apta a atestar o contrário. Isso porque, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (A Prova no Processo Administrativo, São Paulo: Dialética, 2010), quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à suposta ilegalidade na aplicação da taxa Selic, conforme o caso dos autos, cumpre esclarecer que a matéria encontrase pacificada de há muito por este Conselho, conforme a súmula nº. 04, de observância obrigatória e que, consequentemente, gera o desprovimento do argumento recursal. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 6 9 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR – AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS Um dos lançamentos realizados pela autoridade fiscal consiste na cobrança de contribuição destinada ao SENAR, incidente sobre a aquisição da produção de produtores rurais pessoas físicas. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei nº. 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A subrogação de que trata a presente autuação, conforme relatado no item 12 do Relatório Fiscal, fl. 31, respaldada no art. 30, IV, da Lei nº. 8.212/91, conforme Fundamentos Legais do Débito, fl. 25, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A alíquota aplicada de 0,2% encontra respaldo legal no art. 6º, da Lei nº. 9.528/97: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." Com base no exposto, entendese que estaria devidamente respaldado a exação presentemente tratada, acaso tal matéria não tivesse sido objeto de apreciação pela Corte Suprema, notadamente no RE nº 363.852, cujo Plenário assim ementou seu entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n°. 8.212/91, com redação dada pelas Leis nº.8.540/1992 e nº.9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CF). Em face disso, a Lei n°. 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis nº. 8.540 e nº.9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n°. 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n°. 8.212/91 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 7 11 Quanto a este ponto o egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Dita decisão merece ser levada em consideração nos presentes autos, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, § 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Verificase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. O art. 12, inciso VII da Lei n º 8.212 possuía a seguinte redação até a Lei n º 11.718 de 2008: VII – como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. (Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92). § 1º Entendese como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 A decisão do STF reconheceu inconstitucional o dispositivo até que nova lei após a Emenda Constitucional n º 20 regule a matéria. Acontece que em 2008 foi publicada lei que regulou o dispositivo. Desse modo, atualmente o art. 12, inciso VII da Lei n º 8.212 está compatível com a Constituição, não havendo mácula. A redação atual é a seguinte: VII – como segurado especial: a pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros a título de mútua colaboração, na condição de: (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). a) produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore atividade: (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008 1. agropecuária em área de até 4 (quatro) módulos fiscais; ou (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). 2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos termos do inciso XII do caput do art. 2o da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, e faça dessas atividades o principal meio de vida; (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). b) pescador artesanal ou a este assemelhado, que faça da pesca profissão habitual ou principal meio de vida; e (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). c) cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 (dezesseis) anos de idade ou a este equiparado, do segurado de que tratam as alíneas a e b deste inciso, que, comprovadamente, trabalhem com o grupo familiar respectivo. (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). § 1o Entendese como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico do núcleo familiar e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados permanentes. (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). Da mesma forma, o caput do art. 25 da Lei n 8.212/91 foi alterado pela Lei nº. 10.256/2001, portanto posterior à EC nº. 20 de 1998. Destacase que, ao alterar o caput, não houve necessidade de alteração dos incisos, haja vista as alíquotas permanecerem as mesmas por vontade do legislador. A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 8 13 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22.12.92) § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22.12.92) A maior dúvida reside, no entanto, em relação ao inciso IV do art. 30 da Lei nº. 8.212, uma vez que a redação foi determinada pela Lei n º 9.528 de 1997 – anterior à Emenda Constitucional n. 20 de 1998. A partir de 1º de outubro de 2008, não há dúvida quanto à possibilidade de subrogação, em virtude da previsão no art. 30, inciso III da Lei n. 8.212 na redação dada pela Lei 11.933, nestas palavras: III – a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I – a partir de 1º de outubro de 2008, em relação aos arts. 1º a 7º, exceto a parte do art. 4o que dá nova redação à alínea a do inciso I do caput do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991; Contudo, o art. 30, inciso IV da Lei nº. 8.212/91 é norma de atribuição de responsabilidade tributária fazendo remissão expressa ao art. 25 da Lei nº. 8.212/91. Uma vez alterado o caput deste artigo, automaticamente o aquele terá aplicação. Art. 30 (...) IV – a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 infração referese à falta de recolhimento de tais contribuições pelo sujeito passivo substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Quanto às contribuições destinadas ao SENAR, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei nº. 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei nº. 8.212, art. 3º da MP nº. 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei nº. 8.212 de 1991. Uma vez reconhecendo que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, na cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. DA MULTA APLICADA No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000034/201079 Acórdão n.º 2403002.235 S2C4T3 Fl. 9 15 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir da autuação as verbas referentes à aquisição de produção rural de pessoas físicas assim como determinar o recálculo da multa de mora, conforme art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10469.724660/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
GLOSA DE DESPESA. SIMULAÇÃO
Diante de volumoso conjunto de indícios convergentes e de uma dinâmica dos acontecimentos que levam à conclusão de que o contrato de prestação de serviços de consultoria foi um ato simulado, há que se glosar a respectiva despesa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Márcio Frizzo.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo Andrade, Waldir Rocha, Guilherme Silva e Márcio Frizzo. A Conselheira , Cristiane Costa se declarou impedida.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente ALESAT COMBUSTÍVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 GLOSA DE DESPESA. SIMULAÇÃO Diante de volumoso conjunto de indícios convergentes e de uma dinâmica dos acontecimentos que levam à conclusão de que o contrato de prestação de serviços de consultoria foi um ato simulado, há que se glosar a respectiva despesa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Márcio Frizzo. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo Andrade, Waldir Rocha, Guilherme Silva e Márcio Frizzo. A Conselheira , Cristiane Costa se declarou impedida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 46 60 /2 01 1- 05 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1138.253 da 4ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS INEXISTENTES. GLOSA. Não poderão ser computadas na apuração do resultado do exercício as despesas que não atendem às condições legais de necessidade, usualidade e normalidade, tampouco aquelas para as quais não haja a comprovação de sua efetiva realização. MULTA QUALIFICADA. Demonstradas quaisquer das condutas tipificadas nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INDÍCIOS. ANÁLISE EM CONJUNTO DE TODOS OS COMPROVADOS NA FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL OU NA IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. O conjunto probatório colacionado aos autos, na fase inquisitória do procedimento fiscal ou revelados na impugnação, pode assegurar ao julgador a certeza necessária para proferir o seu julgamento, levandoo a concluir pelo cometimento da infração apontada no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 29/10/2012 (AR a fls. 497) e interpôs recurso voluntário em 28/11/2012 (doc. a fls. 501 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, em dezembro de 2004, a Satélite Distribuidora de Combustíveis S/A firmou contrato de prestação de serviço de Assessoramento e Consultoria Estratégica com a sociedade Pirangi Assessoria Empresarial Ltda., com o propósito de orientar os sócios e a companhia acerca da estratégia e aspectos envolvidos na negociação para futura associação entre a ALE Combustíveis e a Satélite, operação esta que posteriormente veio a se concretizar em junho de 2006, quando ambas passaram a ter o controle compartilhado, evoluindo em seguida para a incorporação da Satélite pela ALE em 2007, surgindo a ALESAT Combustíveis S/A, ora Recorrente; b) que, não obstante a legalidade do contrato celebrado e a comprovação dos serviços prestados, consoante será demonstrado, foram lavrados os Autos de Infração ora impugnados, glosando as despesas com assessoria empresarial relativas ao aludido contrato, contabilizadas pela Satélite Distribuidora de Petróleo S.A. na conta 5.02.01.16 DESPESAS FINANCEIRAS COMISSÃO/CORRETAGEM, no valor de RS 1.656.703,47, correspondente aos três pagamentos efetuados pela companhia no ano de 2006, sob a alegação de que: "(...) o contrato realizado entre a SATÉLITE DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO e a PIRANGI ASSESSORIA EMPRESARIAL não passa de um ato simulado, tendo por finalidade a regularização de empréstimos realizados pelo seu DiretorPresidente (retiradas de recursos), o qual para sanear esses Fl. 618DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.724660/201105 Acórdão n.º 1302001.188 S1C3T2 Fl. 618 3 compromissos, regularmente, somente o poderia fazer por meio de remuneração (prólabore) obtida no exercicio da administração, a qual estaria sujeita ao imposto de renda e à contribuição previdenciária oficial, ou mediante a percepção de lucros distribuídos, estes sim, não sujeitos às incidências tributárias na pessoa fisica. (...) No intuito de regularizar as saídas de recursos, a título de empréstimos, ao DiretorPresidente, sem que isso causasse impacto na carga tributária da empresa, planejase a constituição de uma empresa de 'prestação de serviços,’ a qual se resume ao próprio sócio, realizase um contrato, efetuase o pagamento (no presente caso, sequer os recursos transitaram pela conta corrente do DiretorPresidente, evitando a incidência de CPMF), a 'empresa' contratada opta pelo lucro presumido, à alíquota de 32% (trinta e dois por cento) já reduz a base tributável em 68% e distribui o resultado líquido ao seu sócio, que por coincidência é o DiretorPresidente da empresa contratante"; c) que, diante dessa suposta constatação, que será mais adiante desconstituída, o valor da glosa foi adicionado ao resultado do período, transformando o prejuízo fiscal de RS 26.921,01 (vinte e seis mil, novecentos e vinte e um reais e um centavo) apurado no referido exercicio de 2006, em lucro real de RS 1.629.782,46 (um milhão, seiscentos e vinte e nove mil, setecentos e oitenta e dois reais e quarenta e seis centavos), o que implicou na cobrança do equivalente a R$ 383.445,62 (trezentos e oitenta e três mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e dois centavos) a título de IRPJ e R$ 146.680,42 (cento e quarenta e seis mil, seiscentos e oitenta reais e quarenta e dois centavos) a titulo de CSLL, que, com o acréscimo de juros e da absurda multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), resulta nos montantes atualizados de R$ 1.230.716,64 (um milhão, duzentos e trinta mil, setecentos e dezesseis reais e sessenta e quatro centavos) e de R$ 470.789,13 (quatrocentos e setenta mil, setecentos e oitenta e nove reais e treze centavos), respectivamente; d) que, apresentada impugnação, na qual restou plenamente demonstrada a ausência de qualquer irregularidade ou ilicitude na celebração e execução do mencionado contrato de prestação de serviços, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da RFB em Recife/PE, julgoua improcedente, mantendo a integralidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL sob cobrança, inclusive a aplicação da multa em seu percentual qualificado de 150% (cento e cinquenta por cento), o que se mostra manifestamente equivocado diante da ausência de pretensão de fraude ou outra conduta semelhante no caso em tela; e) quanto ao direito à dedução no lucro real dos valores pagos pela recorrente mesmo na hipótese de descaracterização da operação pela RFB: e.1) que, preliminarmente, antes mesmo de se demonstrar a regularidade do contrato de prestação de serviços firmado entre a Satélite Distribuidora de Petróleo e a Pirangi Assessoria Empresarial Ltda., fazse mister demonstrar que, mesmo na hipótese de se descaracterizar tal negócio jurídico sob a alegação de simulação, o que se admite apenas a título de eventualidade, os efeitos de tal descaracterização afetam apenas a tributação incidente sobre o beneficiário dos valores, in casu, o Sr. Marcelo Alecrim; e.2) que, ao ler toda a fundamentação do auto de infração, inferese que o objetivo pretendido e alcançado até o momento pelo fiscal foi o de descaracterizar a constituição da pessoa jurídica Pirangi Assessoria Empresarial Ltda., de modo a sustentar que Fl. 619DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 os valores foram recebidos, na verdade, pela pessoa física do Sr. Marcelo Alecrim, sócio tanto da Pirangi como da Satélite; e.3) que as palavras do próprio auditor fiscal, repetidas no acórdão ora recorrido às fl. 483/484, sustenta que: “A SATÉLITE DISTRIBUIDORA utilizouse de mecanismo simulatório por meio do qual procurou remunerar, em valores aproximados aos empréstimos, o seu diretorpresidente, de forma indireta, através de um 'empresa' de propriedade deste, para fugir à tributação da pessoa fisica; O contrato de assessoria não passa de um ato simulado, tendo por finalidade a regularização de empréstimos feitos pelo Sr. Marcelo Alecrim, o qual para sanear esses compromissos, regularmente, somente o poderia fazer por meio de remuneração (prólabore obtida no exercicio da administração, a qual estaria sujeita ao imposto de renda e à contribuição previdenciária oficial, ou mediante a percepção de lucros distribuidos, estes sim, não sujeitos às incidências tributárias na pessoa fisica"; e.5) que, pela descrição dos fatos feita pelo auditor fiscal, acima transcrita, inferese que a fiscalização considerou que os valores recebidos pelo Sr. Marcelo Alecrim não possuíam a natureza de distribuição de lucros, mas sim de prólabore e, com base nisso, o fiscal lavrou o Auto de Infração, cobrando do Sr. Marcelo Alecrim o Imposto de Renda Pessoa Física sob a alíquota de 27,5%, montante este, inclusive, já parcelado pelo contribuinte; e.6) que a pretensão do fiscal na lavratura do auto de infração contra a pessoa jurídica pagadora, in casu, a Satélite Distribuidora de Petróleo (incorporada pela Recorrente) não foi (logicamente) a de cobrar o IRPF, mas sim a de glosar as deduções feitas pela Satélite na apuração de seu Lucro Real, mas por quê? e.7) que o pagamento de prólabore aos sócios, administradores e diretores é sim dedutível na apuração do lucro real da fonte pagadora, consoante se infere do disposto no art. 357 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): e.8) que o valor desta remuneração não tem qualquer influência na definição pela dedutibilidade ou não do referido pagamento como havia sob a égide dos artigos 29 e 30 do DecretoLei 2.341/1987, que limitavam a dedução a determinado valor da remuneração, pois tais dispositivos foram revogados em 1997; e.9) que, assim sendo, ainda que se admita a arguição de simulação alegada no auto de infração ora atacado, o que se argui apenas a título de eventualidade, conforme será visto mais adiante, os efeitos dessa desconsideração do negócio jurídico supostamente simulado somente acarretará consequência na esfera de tributação da pessoa física beneficiária dos valores, in casu, do Sr. Marcelo Alecrim; f) quanto aos vícios verificados pelo agente fiscal e da impossibilidade de macular a efetiva prestação de serviços: f.1) que o agente fiscal, na lavratura do auto de infração, tenta demonstrar vícios na formalização do contrato de prestação de serviços, apontando desde pequenos erros de denominação (Ltda. ao invés de S.A.) até mesmo os termos inicial e final do contrato, passando pelos eventos que determinam os pagamentos; f.2) que cabe descaracterizar cada uma das frágeis constatações e alegações da autuação, de modo a demonstrar que se está diante de atos lícitos e irretocáveis, cuja finalidade almejada é de fato aquela nele descrita, ou seja, a prestação de serviço de assessoramento especializado, e não outra escondida por trás da aparência de legalidade do ato, como tenta sugerir o agente fiscal e acatado pela Delegacia de Julgamento; Fl. 620DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.724660/201105 Acórdão n.º 1302001.188 S1C3T2 Fl. 619 5 f.3) que, no que concerne ao fato de constar o nome da SATÉLITE como limitada, quando na realidade já era uma sociedade anônima, em nada altera o conteúdo daquilo que foi contratado, pois resta claro que se tratou de mero erro de digitação ou mesmo de desatenção daquele que redigiu a minuta do instrumento particular, até mesmo porque a distinção entre um e outro tipo societário não implicará sequer em economia tributária; f.4) que, no que toca ao termo final do contrato, qual seja "a data em que forem implantados todos os passos da estrutura negocial objeto do presente contrato" , entende o ilustre fiscal (repetido no acórdão recorrido) que isto é uma expressão totalmente vaga e subjetiva, mas o entendimento fiscal é que é subjetivo, pois se ele não compreende o alcance dos termos que finalizam o contrato e os julga vagos, faz por conclusão unilateral; f.5) que o termo (data) em que se finaliza o contrato está ligado diretamente à implantação dos passos da estrutura negocial. Se as partes assim concordaram é porque ambas sabiam quais seriam tais passos, ou melhor, quais as atividades que haveriam de ser desenvolvidas para que a relação contratual chegasse a termo; f.6) que cumpre frisar que os escritos que reduzem a termo a vontade das partes contratantes dizem respeito primeiramente aos contraentes, pois, se estes se dão por satisfeitos com os termos (escritos) e entendem que representam o negócio jurídico que estão a firmar, desde que o objeto seja lícito e os agentes capazes, o instrumento será válido; f.7) que, caso uma das partes, na execução do contrato, venha a entender que a vontade final não se operou, ou seja, que todos os passos previstos não foram atingidos, somente às partes caberá a alegação de não execução plena do contrato, podendo inclusive deixar de cumprir sua parte no ajuste; f.8) que os autos de infração em tela atacam os eventos que desencadeiam o pagamento dos honorários, destacandoos com grifos, negritos e aspas e, assim, tenta, com isso, de forma indireta, por em xeque a credibilidade dos eventos; f.9) que os eventos indicados para que ocorram os pagamentos estão plenamente definidos, quer no tempo, quer na ocorrência, como se pode observar das expressões "final do trimestre", "contratação de escritórios de advocacia e empresas de consultoria estratégica, necessários a estrutura de negociação" e "trabalhos de auditoria legal"; f.10) que não poderá um terceiro, ainda que este seja a Receita Federal, através de críticas infundadas, tentar invalidar tais condições, pois, as partes contratantes são livres para pactuarem seus negócios, obedecida a licitude do objeto e todos os termos do contrato de assessoria firmado entre SATÉLITE e Pirangi atendem aos regramentos do direito civil, especialmente às condições de validade dos negócios jurídicos, sendo plenamente eficaz; f.11) que, quanto à renúncia às verbas de representação pelo exercicio da presidência da companhia pelo Sr. Marcelo Alecrim, mostrase até mesmo absurda a contestação por parte do agente fiscal, isso porque tal renúncia se deu com o intuito de demonstrar a mais clara boafé do DiretorPresidente, de sorte a restarem atendidas também as disposições do acordo de investimentos, do qual é signatário; f.12) que é oportuno notar que o pensamento do Sr. Marcelo é o de que não poderia continuar percebendo suas verbas de representação, exercendo a presidência, e prestar o serviço técnico de consultoria e assessoria especializada a que se propôs através da Pirangi, pois, se assim ocorresse estaria a ser remunerado duplamente, ferindo os padrões éticos e comprometendo a qualidade dos serviços; Fl. 621DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 f.13) que, com a renúncia à verba de representação, o Sr. Marcelo Alecrim deixou também de onerar os custos da SATÉLITE, posto que esta deixou de incorrer nas despesas com verbas de representação da presidência, substituindoa por um custo necessário e imprescindível para o objetivo da companhia, qual seja, o crescimento através da junção com a ALE; f.14) que não restam dúvidas de que invariavelmente a SATÉLITE estaria compelida a contratar uma consultoria e, se fizesse com outra empresa, que não a Pirangi, continuaria a pagar as verba de apresentação da presidência e ainda teria os custos da consultoria; f.16) que razões apresentadas são tão lógicas que, no voto do Relator do acórdão ora recorrido, aliás, sequer se faz referência a esse suposto indício de irregularidade; f.17) que o senhor fiscal lança e responde alguns questionamentos: por que da renúncia das verbas de representação? Elas não seriam suficientes para remunerar a 'condução do negócio (função do presidentej? Por que valores tão vultosos? Respondeas sem muita certeza, com um "provaveImente não", e justifica em raciocínio próprio e exclusivo: "visto que a remuneração, na forma de prólabore, é prédeterminada pela AssembléiaGeral e o Conselho de Administração, independente do tipo de negociação a qual o Diretor irá enfrentar em sua gestão"; f.18) que as questões e resposta do auditorfiscal poderiam até guardar alguma coerência se estivéssemos num regime de exceção, onde o estado de direito não tem qualquer valor f.19) que a SATÉLITE, dentro da livre iniciativa, dos cânones da atividade capitalista e da própria atuação do seu Conselho de Administração, não iria aceitar algo que somente viesse a onerar seus custos e comprometer seus resultados e, ademais, a direção dos negócios privados compete aos particulares, tal como está a liberdade de contratar para as partes; f.20) que a contestação do agente fiscal pelo fato de a Pirangi Assessoria Empresarial desenvolver suas atividades exclusivamente através da pessoa do seu controlador, Sr. Marcelo Alecrim, e não possuir quadro de funcionários, despesas operacionais etc.; f.21) que tal fato não tem o condão de caracterizar que uma empresa ou que sua constituição se deu graciosamente, isso porque a Constituição Federal, como dito alhures, consagrou o principio da livre iniciativa, elevandoo ao patamar de direito fundamental, assegurando a todos o direito de associarse. Isto representa que ao cidadão é permitido e até incentivado à constituição de empresas, com fins de promover o desenvolvimento econômico e a justiça social; f.22) que a seu turno, o parágrafo único do art. 170 da CF/88 assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei; f.23) que o Sr. Marcelo Alecrim, juntamente com seus dois filhos, resolveram constituir uma pessoa jurídica para explorar a atividade de assessoramento empresarial. Os custos inerentes a essa empreitada somente dizem respeito a eles; f.24) que, em resumo, por mais que o nobre auditor da Receita Federal tente macular uma operação lícita, os fatos que precedem a prestação dos serviços pela Pirangi se constituem em demonstrações de veracidade do negócio juridico efetivamente realizado; f.25) que é perfeitamente lícito aos contribuintes, dentro do planejamento empresarial, buscarem reduções de custos da atividade econômica e, nesse ínterim, destaquese que estamos falando aqui em redução de custos da atividade e não de mera redução tributária sem o correspondente substrato econômico; Fl. 622DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.724660/201105 Acórdão n.º 1302001.188 S1C3T2 Fl. 620 7 f.26) que é também substrato econômico da operação a redução de custos da atividade, independentemente se essa redução de custos implicará também em desoneração tributária, pois a desoneração tributária é, pois, efeito e não causa do ato praticado; f.27) que outro ponto a se rebater na linha de pensamento do fiscal da Receita Federal referese à sua conclusão de que os trabalhos de planejamento, assessoria e consultoria teriam sido realizados, na prática, por diversas empresas e profissionais, a partir de janeiro de 2006, fundamentandose, para tanto, exclusivamente no fato de o centro de custos indicar a denominação "Projeto Órion"; f.28) que a premissa do ilustre auditor e que acabou sendo acolhida pela Turma de Julgamento de lª instância, é bastante frágil, pois o fato de o centro de custo ser homônimo do projeto desenvolvido pela Pirangi não assegura que esta não realizou os serviços contratados e faturados, muito pelo contrário, tal verificação vem a corroborar que o “Projeto Órion”, estudo e análise desenvolvido pela Pirangi, foi de fato seguido e desenvolvido pelas empresas contratadas para execução da operação de incorporação, caindo por terra a alegação da autoridade fiscal de que os custos de tal consultoria não seriam necessários e imprescindíveis para a Satélite; f.29) que não se pode olvidar que a escrituração contábil de 2006 indica com regularidade os registros dos pagamentos efetuados em favor da Pirangi, com as devidas retenções dos tributos federais correspondentes a cada pagamento; f.30) que cumpre rechaçar, desde já, aparente incongruência verificada no fato de, no contrato de prestação de serviços, constar data anterior ao próprio registro do ato constitutivo da Pirangi e inscrição no CNPJ, pois a partir de uma análise inicial do contrato de prestação de serviços, verificarseia equivocadamente que tinha sido firmado em 25/11/2004, ao passo que o ato constitutivo da Pirangi, embora datado de 29/09/2004, teria sido registrado o Cartório em 08/12/2004; f.31) que foi um equívoco do responsável pela elaboração do contrato de prestação de serviço, que, ao preparar a minuta com base em outro contrato da Satélite, acabou por finalizála sem alterar a data existente no modelo; f.32) que, embora existente desde setembro de 2004, a Pirangi somente pôde firmar o contrato com a Satélite após dezembro de 2004, ou seja, após adquirir a inscrição no CNPJ, configurando qualquer incongruência mero equívoco do responsável pela elaboração da minuta do contrato, não atentado no momento da assinatura do instrumento; f.33) que, uma vez descaracterizados todos os supostos indícios de regularidade (isto mesmo, meros indícios como bem reconhece o Relator do acórdão recorrido), passemos agora a discorrer sobre o efetivo trabalho desenvolvido pela Pirangi, refletido no “Relatório de Avaliação Projeto Órion”. g) quanto a demonstração da necessidade e indispensabilidade da despesa: g.1) que, ao tratar especificamente do produto final dos serviços prestados pela Pirangi, no parágrafo 26 do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal (afirmação repetida no acórdão recorrido à fl. 484 dos autos), em uma avaliação equivocada e sem motivação, o fiscal federal diz que "O relatório é uma peça de ficção"; g.2) que nem o fiscal tampouco os ilustres julgadores de 1ª instância leram com a devida atenção o trabalho desenvolvido pela Pirangi, tanto é assim que descreve o seu conteúdo da seguinte forma: "histórico do setor de combustiveis (o sitio da ANP está repleto de Fl. 623DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 informações), a posição da satélite Distribuidora no setor (imagine se uma companhia já não dispõe de informações precisas acerca da sua posição relativa ao setor, bem como seu raio de atuação, número de postos, seu faturamento, seu valor presente e futuro, perspectivas para certo periodo etc.) e a posição da Ale Combustíveis (no sitio da empresa constam O número de postos, região e estados em que atua, etc. )"; g.3) que uma leitura atenta e despida do ranço pelo fato de a Pirangi ter apresentado o relatório dos trabalhos não levaria às conclusões e posicionamentos desdenhosos que teve o nobre auditor fazendário, conclusões estas, todavia, acolhidas in totum pela Turma Julgadora de 1º grau; g.4) que adentrandose ao relatório, observase a análise do mercado de combustíveis no Brasil, inclusive discorrendo sobre a regulação da distribuição dos produtos, com destaque para os fatos relevantes, apresentados em ordem cronológica. Nesse capítulo, a consultoria também realça a importação, a participação de cada distribuidora no mercado nacional, postos, crescimento das distribuidoras regionais (que interessa de perto à ALE e à SATÉLITE), faz a análise das tendências de mercado e da concorrência; g.5) que, além disso, aborda as estratégias possíveis que a SATÉLITE poderia trilhar, montando uma matriz em que mostra a posição da SATÉLITE e suas concorrentes em relação à Escala e Dispersão Geográfica, sendo que, nesse ponto, aventa três possibilidades: FOCANDO NA REGIÃO, EXPANSÃO DE FRONTEIRAS e DERRUBANDO LÍDERES, logo, já descarta essa última alternativa g.6) que passa a apresentar uma visão quanto aos principais pontos operacionais que iriam se destacar e proporcionar a captura de valor após a eventual fusão da SATÉLITE com a ALE; g.7) que o estudo também abordou a possibilidade de fusão/aquisição de outras distribuidoras pela ALE/SAT após a conclusão dessa união, citando as participações em market share e projetando o crescimento orgânico da nova empresa, que passaria a deter 12,4% do market share Brasil, constituindose na 3ª distribuidora do país, atrás apenas da BR e Ipiranga; g.8) que, para subsidiar a tomada de decisão pelos executivos da contratante (SATÉLITE), a contratada (Pirangi) também demonstra o aumento da cadeia de comercialização e elege a conversão de postos Bandeira Branca (ou sem bandeira de outra distribuidora) indica prós e contras , novos negócios, localizações e a taxa de retorno e, por fim, estima a necessidade de uma rede própria com 450 novos postos, passando a totalizar 1.350 postos; g.9) que abordou todas as possíveis vantagens na fusão ALE/SAT, apontando os ganhos de mercado e outros benefícios, além da economia de custos que desta fusão resultaria, logo, o respeitável auditor equivocouse ao desdenhar e desconsiderar o relatório produzido pela Pirangi e, nesse ponto, infelizmente foi seguido pela Turma de Julgamento a quo; g.10) que, por fim, cabe destacar a recomendação final da Pirangi Assessoria Empresarial: a) juntas, SAT e ALE formariam uma nova empresa com ativos superiores a RS 670 milhões; b) geração de fluxo de caixa bruto (até 2012) de mais de RS 100 milhões; c) aumento significativo de valor aos acionistas; d) impacto positivo no mercado de trabalho e na arrecadação tributária etc; g.11) que, em suma, como revelam as passagens acima, o relatório se constituiu na peça fundamental para a tomada de decisão pelos acionistas da SATÉLITE, posto que as posições nele indicadas estavam lastreadas em números reais e as projeções efetuadas obedeceram a critérios técnicos e que a recomendação final foi seguida; Fl. 624DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.724660/201105 Acórdão n.º 1302001.188 S1C3T2 Fl. 621 9 g.12) que os aspectos e procedimentos contábeis foram objeto de análise e emissão de Relatório pela empresa de auditoria Pricewaterhouse Coopers, igualmente contratada pela SATÉLITE; h) quanto a alegada incompatibilidade entre o exercício das funções de DiretorPresidente e o fato de figurar como sócio de empresa que presta serviços à companhia: h.1) que a interpretação fiscal está equivocada, pois, em primeiro lugar, a SATÉLITE não firmou um contrato que simplesmente iria somente elevar seus custos; em segundo, o presidente não iria renunciar suas verbas de representação se não tivesse a missão maior de emprestar seus conhecimentos para uma fusão com outra companhia, que, ressaltese, redundou em excelentes resultados para ambas, como está a olhos vistos nos dias atuais; h.2) que a condução de negociações é algo totalmente diferente da representação da sociedade, pois a representação, no caso, é se fazer presente nos atos que envolvam a sociedade; h.3) que o diretorpresidente estava em posição mediana, sem a autoridade do exercício do cargo (face à renúncia das verbas de representação), mas dialogando e aproximando as partes interessadas no negócio e não estava naquele momento representando a SATÉLITE; i) quanto a alegação de simulação: i.1) que o interesse na fusão, a partir das recomendações da Pirangi, passou a ser comum e se concretizou em fevereiro/2007, fazendo nascer a ALESAT COMBUSTÍVEIS S.A; i.2) que, dessa forma, não há como se falar que a contratação da Pirangi foi apenas para resolver um problema fiscal; i.3) que efetivamente foi realizado um serviço, pagos os tributos, cumpridas as obrigações acessórias e todas as demais formalidades legais; i.4) que os valores pagos pela Satélite à Pirangi não se deram à margem da tributação, pois foram tributados pelo PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e ISS; i.5) que, na hipótese sub examine, há uma série de atos visíveis e registrados que visaram claramente a proporcionar a realização de um negócio a partir da liberdade negocial e do princípio da livre iniciativa, tendo sido praticadas as seguintes condutas: abertura de uma empresa de prestação de serviços pelo Sr. Marcelo Alecrim e filhos, devidamente registrada no órgão competente, a Pirangi Assessoria Empresarial Ltda.; autorização do Conselho de Administração da Satélite para que a sua diretoria contratasse a Pirangi para prestar o assessoramento na fusão com a ALE, cuja possibilidade se aventava à época; o Conselho tinha conhecimento da composição societária da Pirangi e dos impedimentos do diretorpresidente; foi apresentado, quando solicitado pela RFB, o contrato de prestação de serviços entre a Satélite e a Pirangi; a renúncia do diretorpresidente às verbas de representação relativas ao exercício da função, comunicada ao Conselho de Administração com suas fundamentadas razões; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 realização dos serviços contratados, cujos estudos, conclusões e propostas foram formalizados através do Relatório de Avaliação – Projeto Órion; emissão dos documentos fiscais (notas fiscais) para faturamento dos serviços; recolhimento das diferenças de tributos em razão da apuração pelo lucro presumido (Pirangi); e regular contabilização, por parte da Satélite, dos serviços tomados, dos pagamentos, das retenções de tributos e da forma de liquidação dos mútuos etc.; i.6) que inúmeros aspectos apontam para a veracidade da realização dos serviços e da sua necessidade para o aumento da fonte de receita: empresa prestadora dos serviços idônea; serviço prestado de acordo com o laudo de avaliação apresentado – Projeto Órion; emissão das notas fiscais de prestação de serviços; retenção e recolhimento dos tributos federais; distribuição de lucros aos sócios, somente após a tributação federal; necessidade de parecer especializado para a realização da fusão; i.7) que, se o negócio jurídico fosse simulado, não se haveria de produzir um relatório substancioso e recolhido R$ 744.673,32 em tributos federais e as partes teriam ocultado tais informações dos seus registros contábeis e de declarações prestadas a órgãos públicos, especialmente à Receita Federal; j) que o parágrafo único do art. 116 do CTN é inaplicável, por não ter sido editada a norma procedimental que o dispositivo exige, logo, a desconsideração dos negócios jurídicos, pela autoridade fiscal, foi feita ao arrepio da lei; m) quanto a multa qualificada: m.1) que, diante dos aspectos fáticos e probatórios arrolados nas peças do lançamento, não logrou o fiscal demonstrar que a recorrente praticou quaisquer das condutas típicas para a majoração da penalidade aplicável; m.2) que, ainda que houvesse ocorrido a simulação, não existiram quaisquer dos elementos ensejadores das condutas apenadas com o rigor estabelecido na capitulação legal; m.3) que as próprias definições dos art. 71 e 72 da Lei 4.532/64 não se moldam aos tipos de conduta adotadas pela Satélite; m.4) que a simples elisão fiscal não é motivo suficiente para qualificação da multa; m.5) que a fiscalização não comprovou a simulação, mas, por dedução, atribuiu à Satélite e a seu presidente a intenção de reduzir o pagamento de impostos, pois serviuse da presunção para exigir os tributos, porém presunção não pode se prestar para tipificar as condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.724660/201105 Acórdão n.º 1302001.188 S1C3T2 Fl. 622 11 O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 530, razão pela qual dele conheço. A questão a ser analisada por este Colegiado está bem resumida no seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal a fls. 356, in verbis: “31. Dos fatos expostos acima, concluise que o contrato realizado entre a SATÉLITE DISTRIBUIDoRA DE PETRÓLEO e a PIRANGI ASSESSORIA EMPRESARIAL não passa de um ato simulado, tendo por finalidade a regularização de empréstimos realizados pelo seu DiretorPresidente (retiradas de recursos), o qual para Sanear esses compromissos, regularmente, somente o poderia fazer por meio de remuneração (prólabore) obtida no exercício da administração, a qual estaria sujeita ao imposto de renda e à contribuição previdenciária oficial, ou mediante a percepção de lucros distribuídos, estes sim, não sujeitos às incidências tributárias na pessoa fisica. No entanto, para distribuir lucros, a pessoa juridica deve, primeiramente, submetêlos à tributação do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), o que acarreta uma subtração de cerca de 34% (trinta e quatro por cento) do seu resultado, conforme já mencionado acima. 32. No intuito de regularizar as saídas de recursos, a título de empréstimos, ao DiretorPresidente, sem que isso causasse impacto na carga tributária da empresa, planejase a constituição de uma empresa de “prestação de serviços”, a qual se resume ao próprio sócio, realizase um contrato, efetuase o pagamento (no presente caso, sequer os recursos transitaram pela conta corrente da contratada, foram creditados diretamente na conta corrente do Diretor Presidente, evitando a incidência de CPMF), a “empresa” contratada opta pelo lucro presumido, à alíquota de 32% (trinta e dois por cento) já reduz a base tributável em 68% e distribui o resultado líquido ao seu sócio, que por coincidência é o DiretorPresidente da empresa contratante.” Assim, estamos diante de uma acusação de simulação em matéria fiscal, assunto que foi bem enfrentado no Parecer CST 46/87, do qual retiro duas conclusões, quais sejam, que as operações simuladas são: a) ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; b) devem prevalecer os efeitos do negócio dissimulado. Com efeito, a primeira questão a ser dirimida é se o ato supostamente simulado (contrato de prestação de serviço entre a Pirangi e a Satélite) gerou efeitos tributários menos onerosos do que aqueles que seriam decorrentes do ato supostamente dissimulado (liquidação do mútuo celebrado entre o Diretorpresidente Marcelo Alecrim e a Satélite). Isso porque, se os efeitos tributários do ato supostamente dissimulado não forem mais onerosos do que os do ato supostamente simulado, podemos até estar diante de uma simulação, mas que não ensejaria qualquer lançamento tributário, razão pela qual não haveríamos que adentrar na análise do suposto pacto simulatório. Conforme informa o TVF, a Satélite emprestou ao seu DireitorPresidente, acionista e presidente do Conselho de Administração, Sr. Marcelo Alecrim, o montante de R$ 4.522.587,88, conforme registrado na conta contábil nº 1.02.01.01 – Créditos c/pessoas ligadas, sendo que tal empréstimo foi pago justamente com os recursos originados do suposto ato simulado. Assim, caso o Sr. Marcelo tivesse apenas liquidado o mútuo sem a realização do ato supostamente simulado, não teria sido gerada a despesa de prestação de serviços ora glosada. Aí está então a vantagem fiscal, para a Satélite, de se ter realizado o ato supostamente simulado – contrato de prestação de serviço com a Pirangi. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Alega a recorrente de que o fato de os valores pagos terem sofrido a incidência tributária, na Pirangi, do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E ISS nega a existência dessa vantagem tributária para a Satélite. Assim não entendo, pois notese que, como bem aponta o autuante, se os valores pagos ao Sr. Marcelo foram, em verdade, a título de dividendos, houve a vantagem de ter gerado uma despesa dedutível da base que os diviendos não gerariam; por outro lado, se foram pagos a título de prolabore, deixaram de gerar uma tributação na pessoa física, seja do IR ou da contribuição previdenciária, mais onerosa do que a tributação sobre o lucro presumido a que estava submetida a Pirangi. De qualquer sorte, tal alegação será novamente enfrentada, quando analisarmos se restou demonstrado o pacto simulatório. Como bem sustenta Beleza dos Santos (A Simulação em Direito Civil, ed. Lejus, p. 211): “Para que exista a simulação relativa é portanto necessário que, em virtude de um conluio das partes, se simule um ato aparente para enganar terceiro e que sob essa aparência se dissimule outro correspondente à vontade real e séria das partes”. Assim, para restar configurada a simulação, não basta verificar que o ato supostamente simulado gerou uma vantagem de ordem tributária para a recorrente, mas deve estar devidamente demonstrado o conluio das partes, in casu, do Sr. Marcelo com a recorrente. Assim, o que se deve perquirir é se a fiscalização logrou demonstrar o pacto simulatório, o que só se pode constatar a partir de uma análise do conjunto probatório, em especial, aquele apontado pelo autuante no TVF. Ressaltese que dificilmente a simulação é sustentada a partir de uma prova direta, pois, no mais das vezes, ela resta demonstrada pela dinâmica dos fatos que aflora da análise das provas. Vejamos, então, quais os fatos restaram demonstrados no TVF e que conclusão se pode chegar a partir deles. A primeira, questão que aponto é que o quadro societário da Pirangi era formado pelo Sr. Marcelo Alecrim, com participação de 99,8% no capital, e os seus filhos menores impúberes, com a participação cada um de 0,1% no capital social. Ressalto que, se houve ou não simulação na constituição da Pirangi não é algo que devamos perquirir no deslinde da questão ora em julgamento, mas é um indício relevante de que a Pirangi não se constituía efetivamente em uma pessoa jurídica com a finalidade de prestar serviços de consultoria, mas de uma empresa constituída ad hoc, ou seja, apenas para formalizar um único contrato, refirome ao contrato com a recorrente. Isso mesmo, conforme atestou o autuante e não refutou a recorrente, a Pirangi funcionou apenas no período de 2005 até, aproximadamente, junho/2006, tendo prestado serviço unicamente à Satélite, como provam as notas fiscais apresentadas. Com efeito, vale trazer à colação a Cláusula 1 do documento a fls. 160, in verbis: “Cláusula 1 A PIRANGI por meio do presente instrumento autoriza a SATÉLITE a debitar do valor devido pela prestação de serviços contratada o valor referente ao pagamento dos tributos que pela mesma são devidos na qualidade de responsável tributário, bem como os tributos federais apurados na modalidade de lucro presumido ao percentual de presunção 32% (trinta e dois por cento) para o IRPJ e CSLL, remetendo o valor remanescente para MARCELO HENRIQUE RIBEIRO ALECRIM ou a sua ordem. Declara a PIRANGI, por fim, que os referidos pagamentos e a conseqüente remessa do saldo credor constituirão outorga in continente de plena, rasa, geral e irrevogável quitação, para nada mais reclamar nesse juízo ou fora dele, que diga respeito ao pagamento dos valores descritos no presente instrumento.”. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.724660/201105 Acórdão n.º 1302001.188 S1C3T2 Fl. 623 13 Ora, tal documento deixa claro que a Pirangi era uma “empresa de fachada”, sem qualquer finalidade empresarial, seja porque os pagamentos feitos pela Satélite iam direto para a conta bancária do Sr. Marcelo Alecrim, seja porque ficava a Satélite responsável por fazer os recolhimentos devidos pela Pirangi a título de IRPJ e CSLL, tanto que só remetia ao Sr. Marcelo Alecrim o valor líquido de tais tributos. Notese que não estamos falando de tributos recolhidos na fonte, mas de tributos diretos que caberiam à Pirangi apurálos e recolhê los. Ademais, vale ressaltar que estamos diante de uma situação em que foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre duas empresas (Pirangi e Satélite), mas decorrente da vontade de uma única pessoa, refirome ao Sr. Marcelo Alecrim, pois, embora o contrato a fls. 154, tenha sido assinado pelo Sr. Marcelo Alecrim, pela Pirangi, e pelo Sr. Jucelino Sousa, pela Satélite, a Reunião do Conselho de Administração da Satélite que deliberou pela contratação da Pirangi foi presidida pelo Sr. Marcelo Alecrim (doc. a fls. 158), ou seja, o controlador da companhia deliberou pela sua própria contratação para prestar o serviço de consultoria, se não vejamos excerto da Ata da referida reunião, in verbis: “Conselho aprovou por unanimidade, com a abstenção do Presidente do Conselho, para o comando estratégico de uma possível associação com a Ale, que demanda maiores reflexões, a contratação da Consultorial estratégica da PIRANGI ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., sociedade empresária, constituída sob a forma de sociedade limitada, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 07.227.619/000182, estabelecida na Avenida Botafogo, n.° 64, Centro, Cidade de Santana do Parnaiba, Estado de São Paulo, em virtude da necessidade de escolha de boa estruturação, para qual imprescindível conhecimento técnico do market share, habilidade esta, reconhecida pelo Conselho, em seu principal acionista, o Sr. Marcelo Alecrim, ao custo máximo de 2,5% (dois virgula cinco por cento) sobre o valor da transação, garantido o valor mínimo para a transação de RS 5.000.000,00 (cinco milhões de reais).” A abstenção do senhor Marcelo Alecrim revela, em verdade, apenas um ardil com o fito de dar ao ato praticado legitimidade, porém insuficiente diante de tal situação fática, pois não é razoável imaginar que o DiretorPresidente de uma companhia seja remunerado como consultor para exercer as funções que são próprias do seu cargo. O exercício da função de Presidente de uma Companhia (seja executivo ou do Conselho de Administração) já pressupõe que tal pessoa usará de todas as informações e dados que detém para as tomadas de decisões da companhia, sendo absurdo imaginar que tais informações e dados possam ser objeto de um contrato de prestação de serviço de consultoria desta pessoa com a companhia, a qual já lhe remunera e lhe mantém em relevante posição corporativa em razão do conhecimento que detém. Assim sendo, entendo irrelevante, para o aclaramento da questão posta, a análise do teor do Relatório de Avaliação, denominado Projeto Órion (doc. a fls. 60 e segs.). Por último, vale ressaltar que há outros indícios relevantes apontados pelos autuantes, quais sejam: a) as pessoas que assinaram como testemunhas no contrato social da Pirangi (doc. a fls. 133) eram sócios de consultorias à época (vide doc. a fls. 263 e 271), as quais constavam dos registros do cadastro do CNPJ como domiciliadas no mesmo endereço onde a Cláusula Segunda do Contrato Social da Pirangi declara ser a sua sede (Avenida Botafogo, 64, Centro, Santana de Parnaíba, São Paulo); Fl. 629DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 b) que os trabalhos de planejamento, assessoria e consultoria foram realizados por diversas empresas e profissionais a partir de janeiro de 2006, conforme atesta a contabilização das despesas com a prestação de serviços de empresas conhecidas no mercado, tais como a Deloitte, Pricewaterhouse, Banco Bradesco, dentre outros profissionais da área de advocacia, resultando em um custo de cerca de R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), enquanto foram pagos R$ 7.000.000,00 pela consultoria prestada pelo Sr. Marcelo Alecrim, a qual produziu apenas o Relatório a fls. 60 e segs; c) por último, vale salientar coincidência entre o valor da dívida que o Sr. Marcelo Alecrim tinha com a Satélite (R$ 4.522.587,88) e o valor fixado pelo Conselho de Administração da Satélite, como pagamento mínimo pela alegada consultoria do Sr. Marcelo Alecrim (R$ 5.000.000,00). Assim, esse volumoso conjunto de indícios convergentes e a dinâmica dos acontecimentos levam à conclusão de que o contrato de prestação de serviços de consultoria celebrado entre a Pirangi e a Satélite foi um ato simulado com o fito de dissimular a quitação de créditos que a Satélite tinham com o Sr. Marcelo Alecrim, gerando uma simulada despesa de prestação de serviço, a qual reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, razão pela qual perfeita a glosa efetuada pela Fiscalização. Com relação à multa qualificada, equivocase a recorrente, pois a simulação ora analisada teve o condão de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal, razão pela há que ser mantida a multa qualificada. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 630DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10935.720391/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR
A sub-rogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97:
O egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar.
Em função de a sub-rogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração refere-se à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento.
Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; deve-se destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991.
Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR.
SENAR - INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR - INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais.
As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE.
A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos EI1, PF1 e PF2. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que somente excluíam os levantamentos PF1 e PF2. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Carolina Wanderley Landim Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 03 91 /2 01 2- 37 Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 SENAR INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos EI1, PF1 e PF2. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que somente excluíam os levantamentos PF1 e PF2. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Carolina Wanderley Landim – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.328.1242 e 37.328.1250, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pela empresa na condição de agroindústria, bem como parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT e contribuições das exportações indiretas. DEBCAD 37.328.1242 –Contribuições sobre a Receita bruta proveniente da produção da agroindustria 01/2007 A 12/2008, (PATRONAL – 2,5%, contribuições destinadas ao FPAS e 0,1% contribuições destinadas ao SAT), CONTENDO OS SEGUINTES LEVANTAMENTOS:EI1 (EXPORTAÇÃO INDIRETA), M21(MERCADO INTERNO NÃO DECLARADO EM GFIP), M22 (MERCADO INTERNO NÃO DECLARADO EM GFIP), PF1 E PF2 (PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS – SUBRROGAÇÃO), Contribuição de 2% destinadas aos FPAS e 0,1% e SAT, sobre a receita bruta proveniente da produção do empregador rural PF e do segurado especial, subrogadas na pessoa jurídica adquirente de produção rural. DEBCAD 37.328.1250 01/2007 a 12/2008 (– CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS, CONTENDO OS SEGUINTES LEVANTAMENTOS:ED1 (EXPORTAÇÃO DIRETA), ED2 (EXPORTAÇÃO DIRETA), EI1 (EXPORTAÇÃO INDIRETA), M21(MERCADO INTERNO NAÕ DECLARADO EM GFIP), M22 (MERCADO INTERNO NÃO DECLARADO EM GFIP), PF1 (MERCADO INTERNO NÃO DECLARADO EM GFIP), PF1 E PF2 (PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS – SUBROGAÇÃO) Segundo Relatório Fiscal (fls. 89 e seguintes), da análise dos elementos documentalcontábeis, cotejados principalmente com as notas fiscais, demonstrou que no período fiscalizado, as receitas obtidas pela autuada provieram basicamente da comercialização de madeira compensada, com parcela significativa decorrente de operações comerciais de exportações. Não foi constatada o exercício da atividade de transporte rodoviários. (...) A auditoria constatou, também, que a autuada recolheu as contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários como empresa agroindustrial. Em termos de declarações ao fisco, ficou constatado que o setor rural da empresa utilizou o código FPAS 604, o setor industrial utilizou o código 833 e o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção foi declarado no FPAS 744, relativamente a receitas obtidas no mercado interno. Contudo, conforme adiante detalhado, a auditoria fiscal observou que a autuada deixou de prestar todas as informações em Guias de Recolhimento do FGTS – GFIP, em consequência deixou de recolher todas as contribuições sociais devidas. A empresa agroindustrial para efeitos de incidência das contribuições encontrase conceituada no art. 22 da lei 8212/91. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 As empresa agroindustriais à exceção daquelas que atuam nos ramos da psicultura, carnicultura, suinocultura e avicultura, sujeitamse quanto as contribuições patronais incidentes sobre a folha de salários a uma substituição por contribuições incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Ocorre que para ser considerada agroindustrial, para efeitos das contribuições sociais destinadas à seguridade, os fatos jurídicos contábeis, devem demonstrar que o contribuinte produtor rural pessoa jurídica industrializa a produção própria ou a produção própria e de terceiros. Quanto as demais contribuições sociais destinadas à seguridade social, as empresas agroindustriais estão sujeitas a outras hipóteses de incidência , tais como aquelas descontadas dos segurados e as contribuições sociais destinadas a entidades conveniadas (FNDE e INCRA para o setor rural FPAS 604 e FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE para o setor industrial FPAS 833. Relativo ao autoenquadramento previdenciário da autuada, a auditoria constatou a existência das áreas rurais relacionadas em planilha do relatório, próprias e arrendadas, com a condução e exploração constante de madeiras de pinus, motivo pelo qual pode atestar enquadramento como empresa agroindustrial para efeitos das contribuições sociais destinadas a seguridade social, fl. 93. Em razão das receitas da atividade econômica terem sido escrituradas majoritariamente em operações comerciais de exportação, a auditoria necessitou realizar uma análise mais detalhada o que motivou a emissão de TIF. A análise fiscal foi realizada no escritório administrativo da autuada na cidade de Palmas nos dias 28 e 29/11, ocasião em que se conferiu documentos fiscais e de comércio exterior. A auditoria atestou que a autuada efetivamente realizou as operações de exportações registradas em sua contabilidade operacionalizadas por meio dos estabelecimentos matriz (000198 e Santa Cecília (000350). Foram assim, então separados os levantamentos: a) Contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da produção da agroindústria não relacionada no decreto lei 1148/70. Ocorre que a auditoria constatou que a autuada deixou de recolher as contribuições destinadas ao SENAR, incidentes sobre as operações comerciais de exportações. Constatou, também, que não foram recolhidas contribuições sobre as receitas decorrentes das vendas a empresas comercialexportadoras (denominadas exportações indiretas), já que neste caso a legislação dispõe que se trata de receita proveniente do comércio interno e não de exportação. b) Contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da produção do empregador rural pessoa física e do segurado especial, subrrogadas na pessoa jurídica adquirente de produto rural, nos termos do art. 30, da lei 8212/91. Constatou que a empresa deixou de prestar as informações em GFIP, deixando também de recolher as contribuições sociais devidas. Informa, ainda que realizou o cotejamento das multas de acordo com as previsões legais (art. 32, §5º e art. 35, II, a, ambos da lei 8212/91, com os valores dispostos pelo art. 44 da lei 9430/96. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 24/02/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 27/02/2012. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 4 5 Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 1019 a 1043. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 1068 a 1081 que confirmou a procedência do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DA DISCUSSÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às situações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir constitucionalidade. SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. É devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação, em virtude de a sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, não alcançada pela imunidade. PRODUÇÃO RURAL DESTINADA A EXPORTAÇÃO VENDIDA NO COMÉRCIO INTERNO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA Por se tratar de operação de mercado interno e não negócio realizado diretamente com o importador, não se inclui na imunidade tributária prevista no art. 149, § 2°, I, da Constituição Federal, a produção rural quando vendida para empresa comercial exportadora, ainda que com o fim específico de exportação, devendo incidir a contribuição previdenciária sobre o valor da respectiva receita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUTOR RURAL. SUBRROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa, na condição de adquirente de produto rural, é responsável pelo recolhimento das contribuições devidas pelos segurado produtor rural pessoa física e pelo segurado especial, consoante previsto na legislação previdenciária, ficando subrrogada, para esse fim, nas obrigações destes segurados. Impugnação Improcedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 1084 a 1112 . Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as alegações da impugnação, quais sejam: 1. PRELIMINARMENTE: AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA LANÇAR CONTRIBUIÇÃO (SUPOSTAMENTE) NO INTERESSE DE CATEGORIA PROFISSIONAL OU ECONÔMICA INCIDENTE SOBRE EXPORTAÇÕES DIRETAS Alega em primeiro lugar que a contribuição ao SENAR não é no interesse de Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 categoria profissional ou econômica, portanto, também estaria abrangida pela imunidade do art. 149, §2º, I da CF/88. 2. Afirma que houve discrepância insanável no auto de infração, uma vez que consta do Refisc “a autuação decorreu da verificação dos “fatos geradores” das CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL, cujas “operações fiscais” foram comandadas no referenciado MPF, relativas ao período de 2007 até dezembro de 2010” e como é cediço, que não incide nenhuma contribuição à Seguridade Social sobre as receitas decorrentes de exportação direta, não há justificativa jurídica para incluílas no procedimento fiscal. Salienta que a documentação referente à exportação direta não é objeto do MPF, não podendo servir de elemento de prova para os fins determinados pela autoridade superiora e consignados pelo Auditor. 3. Entende que a contribuição para o SENAR somente poderia ser lançado se o elemento de prova fosse o mesmo dos tributos elencados no MPF, conforme art. 9º da Portaria MPS/SRP Nº 3.031/2005. 4. Afirma que a autuação ocorreu devido ao não recolhimento de contribuição ao SENAR incidente sobre as receitas de exportações diretas e indiretas, porém entende que é improcedente, uma vez que deve ser aplicado no caso a imunidade prevista no art. 149, §2º, I da CF/88. 5. Alega que a contribuição no interesse de categorias profissionais ou econômicas está prevista no art. 149 da CF/88, e é considerada uma contribuição especial que tem a finalidade: servir de instrumento de atuação da União no interesse das categorias profissionais ou econômicas, provendo os recursos necessários. 6. Carrazza sobre a outra característica fundamental para caracterizar a contribuição corporativa “custear entidades (pessoas jurídicas de direito público ou privado) que têm por escopo fiscalizar e regular o exercício de determinadas atividades profissionais ou econômicas, bem como representar, coletiva ou individualmente, categorias profissionais, defendendo seus interesses" (Curso de direito constitucional tributário. 19a ed. rev. ampl. São Paulo: Malheiros, 2003).” Nesse sentido, cita julgado no RE nº 396.266/SC. 7. Afirma que não qualquer intervenção ou atuação do Estado na economia que gera impacto sobre as categorias que justifica a criação de uma contribuição corporativa, não fosse isso, não haveria razão para a existência das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico. Ressalta que havendo o atendimento a interesse de uma categoria, a contribuição instituída seria corporativa, e não uma CIDE. 8. Alega que o Estado não pode ampliar a contribuição corporativa como forma de prover recursos para a intervenção do Estado sobre o domínio econômico e social com impacto direto nas categorias. Embora é sutil, a diferença é relevante e envolve graves conseqüências jurídicas como resultado da recurso ora em discussão. 9. Informa que em observância do art. 62 da ADCT, a Lei nº 8.315/91 criou o SENAR, estabelecendo em seu art. 3º, I a contribuição mensal compulsória e que a Lei nº 10.256/01, incluiu na Lei nº 8.212/91 o art. 22A. 10. Ressalta que a legislação utilizou a expressão “adicional”, porém foi a criação de um novo tributo para as agroindustriais, com nova materialidade e base de cálculo, em Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 5 7 substituição à contribuição inicialmente criada pela Lei nº 8.315/91, incidente sobre a folha de salários. 11. Aduz que a contribuição recaiu sobre duas materialidades completamente diferentes, sendo dois tributos autônomos, que no caso a contribuição ao SENAR incidiu sobre a receita bruta da comercialização da produção. 12. Entende que a contribuição ao SENAR não apresenta referibilidade e tampouco representa tributo para o custeio de entidades com a finalidade de organizar, fiscalizar ou regulamentar determinada categoria profissional. 13. Em primeiro ponto, é tributo cobrado das agroindústrias e não da categoria profissional diretamente beneficiada, é contribuição voltada a custear a atividade com grande relevância social e econômica para toda a sociedade, para as agroindústrias e para a categoria profissional. 14. Afirma que o SENAR promove diversas atividades de formação, mas nada relacionada à defesa, organização, regulamentação ou fiscalização dos profissionais rurais como categoria, apenas tem como norte o aperfeiçoamento técnico de seus integrantes, para o avanço social e econômico. 15. Salienta que muito mais que gerar benefício para um categoria profissional ou econômica, a contribuição tem por objetivo estimular a economia, gerando trabalhadores aptos a atuar nas agroindústrias. 16. Por tais motivos, alega que alguns autores a classificam como CIDE e outros como contribuições sociais gerais – ambas abrangidas pela imunidade. Entende assim que não é possível enquadrar tal contribuição como no interesse das categorias profissionais ou econômicas. 17. Alega que deve ser rejeitado a interpretação consolidada na Nota Cosit que afirma ser a contribuição ao SENAR uma contribuição no interesse de categorias, uma vez que na Nota, o órgão demonstrou não conhecer o conceito de contribuição de intervenção no domínio econômico, erro comum alertado por Luís Eduardo Schoueri. 18. Entende que não sendo uma contribuição no interesse de categorias, não há dúvidas de que a contribuição ao SENAR não pode ser instituída e cobrada sobre as receitas decorrentes de comercialização para o exterior, assim, deve ser reformado o auto de infração. Ressalta que uma vez afastada a discussão sobre a imunidade das exportações diretas, não há razão para limitar o que a Constituição não limitou. 19. Afirma que a imunidade constitucional tinha a finalidade de exonerar as exportações, pois não discriminou ou limitou a imunidade às exportações diretas, porque em ambas, direta e indireta, a tributação acarreta na exportação de tributos. Cita jurisprudência que não é permitido diferenciar duas modalidades de exportação que a Constituição não diferenciou. Neste sentido, entende que não deve prevalecer o disposto nas instruções normativas MPS/SRP nº 3/2005 e RFB nº 971/2009, pois extrapolam o conteúdo constitucional. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 20. Alega que a contribuição cobrada do contribuinte em relação receita bruta pela aquisição já foi afastado por manifesta inconstitucionalidade pelo STF, em julgamento de Recurso Extraordinário em anexo. 21. Entende que a jurisprudência do STJ já sedimentou que a pessoa jurídica adquirente tem legitimidade para discutir a legalidade e constitucionalidade da exação, sendo fundamental que o Poder Executivo incorpore tais rendimentos, devido aos custos da sucumbência. Cita julgados neste sentido. 22. Afirma que é contrária à jurisprudência do Tribunais Superiores a tributação de contribuições incidentes sobre a “receita bruta” proveniente da produção do empregador rural pessoa física e do segurado especial, subrogadas na pessoa jurídica adquirente do produto rural, nos termos do art.25 da Lei nº 8.212/91, devendo ser reformado ou anulado a autuação. 23. PEDIDO. I. preliminarmente, declarar nulo o lançamento da contribuição ao SENAR sobre as receitas de exportação direta, por extrapolar as competências expressamente elencadas pelo Auditor Fiscal no Termo de Verificação Fiscal, conforme fundamentação; a. caso não acolhido o pedido anterior, declarar nulo o lançamento da contribuição ao SENAR sobre as exportações diretas, em aplicação da imunidade prevista no artigo 149, § 2°, I da Constituição Federal; II. declarar nulo o lançamento da contribuição ao SENAR sobre as exportações indiretas, em aplicação plena da imunidade prevista no artigo 149, § 2°, I da Constituição Federal; III. declarar nulo o lançamento de contribuições incidentes sobre a "receita bruta" proveniente da produção do empregador rural pessoa física e do segurado especial, subrrogadas na pessoa jurídica adquirente do produto o rural, nos termos da jurisprudência pacífica dos Tribunais Superiores; IV. em havendo reforma do ato de lançamento por qualquer um dos pedidos acima arrolados, reduzir proporcionalmente a multa de ofício e os juros referentes aos valores indevidamente glosados de ambos os exercícios; A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1113. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO MPF DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SENAR SOBRE A EXPORTAÇÃO Com relação a nulidade requerida de ausência de previsão no MPF para lançamento de contribuições destinadas ao SENAR sobre a exportação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Aliás a autoridade fiscal já enfrentou a questão, tendo explicitado inclusive o posicionamento adotado por este conselho, quanto a função do MPF. Ou seja, nos dias atuais a interpretação acerca da função do MPF, é bem mais branda, destacando os julgadores que mesmo que haja ausência de cobertura em relação ao MPF, possível a manutenção do crédito, desde que evidenciado nos demais relatório, a descrição dos fatos geradores e a devida fundamentação, oportunizando o exercício do amplo direito de defesa. Transcrevo a decisão do julgador de primeira instância, que muito bem enfrentou a questão: Inicialmente devese refletir sobre o Mandado de Procedimento Fiscal –MPF, que é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. Predomina, no Conselho de Contribuintes, entendimento no mesmo sentido, conforme ementas extraídas do repertório daquele tribunal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1º CC nº 10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1º CC nº 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira). MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. nº 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess). PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. Nº 10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do Inicialmente devese refletir sobre o Mandado de Procedimento Fiscal –MPF, que é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DO MÉRITO Diversos foram os fatos geradores lançados, bem como os argumentos apresentados pelo recorrente, mesmo que reprisados quase que integralmente no recurso. Contudo, para facilitar a abordagem entendo melhor abordar os fatos geradores um a um: DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 7 11 Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. Em parte o presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2000 a 07/2000. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal, não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 8 13 iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Dita decisão merece ser levada em consideração nos presentes autos, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Embora entenda, que a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, entendo que ainda persiste um ponto que deve ser melhor apreciado. Quanto a este ponto, valhome de parte do voto do ilustre Conselheiro Kleber Araújo, (proferido em situações análogas) no qual o mesmo abordou com precisão o problema decorrente da declaração de inconstitucionalidade, principalmente no que pertine ao mecanismo de retenção previsto no art. 30, IV da lei 8212/91. A decisão do STF reconheceu inconstitucional o dispositivo até que nova lei após a Emenda Constitucional n º 20 regule a matéria. Acontece que em 1999 foi publicada lei que regulou o dispositivo. Desse modo, atualmente o art. 12, inciso V da Lei n º 8.212 está compatível com a Constituição, não havendo mácula. A redação atual é a seguinte: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 10 e 11 deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa, quando mantidos pela entidade a que pertencem, salvo se filiados obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade ou a outro regime previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativos; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 9 15 c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). d) revogada; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). O art. 12, inciso VII da Lei n º 8.212 possuía a seguinte redação até a Lei n º 11.718 de 2008: VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. (Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92). § 1º Entendese como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados. A decisão do STF reconheceu inconstitucional o dispositivo até que nova lei após a Emenda Constitucional n º 20 regule a matéria. Acontece que em 2008 foi publicada lei que regulou o dispositivo. Desse modo, atualmente o art. 12, inciso VII da Lei n º 8.212 está compatível com a Constituição, não havendo mácula. A redação atual é a seguinte: VII – como segurado especial: a pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 que com o auxílio eventual de terceiros a título de mútua colaboração, na condição de: (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). a) produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore atividade: (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). 1. agropecuária em área de até 4 (quatro) módulos fiscais; ou (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). 2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos termos do inciso XII do caput do art. 2o da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, e faça dessas atividades o principal meio de vida; (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). b) pescador artesanal ou a este assemelhado, que faça da pesca profissão habitual ou principal meio de vida; e (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). c) cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 (dezesseis) anos de idade ou a este equiparado, do segurado de que tratam as alíneas a e b deste inciso, que, comprovadamente, trabalhem com o grupo familiar respectivo. (Incluído pela Lei nº 11.718, de 2008). § 1o Entendese como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico do núcleo familiar e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados permanentes. (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). Da mesma forma, o caput do art. 25 da Lei n 8.212 foi alterado pela Lei n 10.256 de 2001, portanto posterior à Emenda Constitucional n 20 de 1998. Destacase que, ao alterar o caput, não houve necessidade de alteração dos incisos, haja vista as alíquotas permanecerem as mesmas por vontade do legislador. A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22.12.92) Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 10 17 § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22.12.92) A maior dúvida reside, no entanto, em relação ao inciso IV do art. 30 da Lei n º 8.212, uma vez que a redação foi determinada pela Lei n º 9.528 de 1997 – anterior à Emenda Constitucional n. 20 de 1998. A partir de 1º de outubro de 2008, não há dúvida quanto à possibilidade de subrogação, em virtude da previsão no art. 30, inciso III da Lei n. 8.212 na redação dada pela Lei 11.933, nestas palavras: III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2008, em relação aos arts. 1º a 7º, exceto a parte do art. 4o que dá nova redação à alínea a do inciso I do caput do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991; Contudo, o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 é norma de atribuição de responsabilidade tributária fazendo remissão expressa ao art. 25 da Lei n 8.212. Uma vez alterado o caput do art. 25, automaticamente o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 terá aplicação. Art. 30 (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento de tais contribuições pelo sujeito passivo substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento, mesmo que se considere a nova decisão proferida, no sentido de que os fatos geradores aaui descritos referemse a compra de produção de segurados especiais. Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez reconhecendo que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, na cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao Senar. Contudo, afora, a expressa previsão regimental em afastar a declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo STF. Acerca de outras indagações sobre ilegalidade ou aplicação de normas cuja constitucionalidade vem sendo questionada, vale ressaltar que não compete a este colegiado, afastar a aplicação de lei, cuja constitucionalidade vem sendo questionada. Para tanto, bastanos observar o disposto na súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO PARA EMPRESA EXPORTADORA NO MERCADO INTERNO A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) Conforme expressa previsão constitucional, somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. A operação com as empresas adquirentes é uma operação interna, que não se confunde com a exportação. Para a Secretaria da Receita Previdenciária, a imunidade somente alcança as exportações diretas, conforme previsto no art. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 11 19 245 da Instrução Normativa nº 03/05, que deseja ver o recorrente afastada. O que não concordo. Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º, do art. 149, da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto". Desse modo, a abrangência da imunidade limitase às operações desenvolvidas diretamente entre o produtor e o comprador estrangeiro, não albergando as comercializações efetuadas entre produtor e adquirentes sediados no país. Nesse sentido, também é o entendimento da Procuradoria Federal, conforme Nota Técnica n. 30 de 2004 (NOTA TÉCNICA PFEINSS/CGMT/DCMT Nº 30/2004), nestas palavras: 7. Nesse diapasão, muito embora atenda plenamente ao tão visado incremento da política exportadora a isenção da receita decorrentes da operação que remete a empresa comercial exportadora produtos com fim específico de exportação (conforme consignado na Nota Técnica que se objetiva rever, a qual bem assevera o efeito nocivo aos pequenos produtores da inexistência de isenção nessa operação), tanto é que a Receita Federal desoneroua através das leis outrora mencionadas, não há lei específica que a preveja em relação às contribuições previdenciárias, por isso que os atos normativos editados no âmbito do INSS tampouco a prevêem. Logo, ante a ausência de supedâneo legal para se reconhecer a inexistência do fato gerador das contribuições previdenciárias nas operações internas que remetam às tradings produtos com fim específico e comprovado de exportação, são devidas as contribuições arrecadadas pelo INSS. 8. Por todo o exposto, atestamos a perfeita adequação da Nota Técnica PROCGER/CGCONS/DCT Nº 521/2002 ao entendimento desta Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, do que decorre a desnecessidade de sua revisão. QUANTO A SUPOSTA INCOMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO DE SENAR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA A EXPORTAÇÃO O recorrente alega que a imunidade tributária das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação, Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 também, se aplicariam as contribuições ao SENAR, pelo fato destas não serem contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas. Neste ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. Bastanos observar o art. 1 da Lei 8.315/91, para que se identifique a natureza da entidade, senão vejamos: Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. Assim, entendo estar correto a decisão de primeira instância, que afastou a pretensão do recorrente. Realmente as contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que entende o recorrente, constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. A Emenda Constitucional nº 33/01, o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição Federal passou a ter a seguinte redação: Art. 149. (…) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Assim o art. 149, § 2º, inciso I, da CF deixa claro que retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. Este entendimento está normatizado no art. 245 da IN MPS/SRP nº 03/2005 e no âmbito da Receita Federal pelo § 3o do art. 170 da Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009, trazido pelo julgador na decisão proferida. Dessa forma, entendo que não há qualquer reparo a ser feito no lançamento realizado. QUANTO A MULTA APLICADA O pedido do recorrente quanto a multa imposta, resumiuse a sua diminuição, considerando a exclusão, mesmo que parcial, de quais dos fatos geradores que entendia indevidas. Vale lembrar apenas, que segundo o relatório fiscal a autoridade fiscal informou que realizou o cotejamento das multas de acordo com as previsões legais (art. 32, §5º e art. 35, II, a, ambos da lei 8212/91, com os valores dispostos pelo art. 44 da lei 9430/96. Dessa forma, estando dentro dos limites legais, deve prevalecer a multa imposta. Esclareço ao recorrente que a redução da multa de acordo com a exclusão das fatos geradores é medida normal, na medida que a multa, enquanto acessória é calculada de acordo com cada contribuição devida. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 12 21 Por fim, destaque que não houve recurso expresso em relação a contribuição devida pela agroindustrial na comercialização no mercado interno, razão porque em sendo o AI aplicado dentro dos estritos ditames legais, não há o que ser apreciado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento os levantamentos PF1 e PF2. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Redatora Designada Conforme se verifica do detalhado relatório da eminente Conselheira Relatora, o lançamento ora discutido contempla, dentre outros, a cobrança da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a receita bruta decorrente da exportação, a qual foi afastada da regra da imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal pelo fato de tais exportações terem sido efetuadas através de empresa comercial exportadora, e não diretamente pela Recorrente. Entendeu a ilustre relatora pela manutenção do lançamento nesse tocante, concordando, assim, que a imunidade constitucionalmente prevista não abarca as operações de exportação intermediadas por empresa comercial exportadora, com base nos argumentos bem lançados em seu voto. Ouso, contudo, discorda desse posicionamento. Como se sabe, o art. 149 da Constituição determinou a não incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Vejamos o que diz o referido dispositivo legal: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Como se vê, o legislador ordinário estabeleceu que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Ocorre, contudo, que, embora a Constituição Federal não tenha restringido o conceito de receita de exportação abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do art. 149 da CF, a Receita Federal, ao regulamentar esta previsão constitucional, através da IN SRP nº 03/2005, estabeleceu que apenas haverá a imunidade quando a receita de exportação decorrer de comercialização diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Vejamos o que diz o §1º do art. 245 do referido ato normativo: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 13 23 § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Diante disso, o ponto fundamental para o deslinde da presente demanda reside em definir se a receita decorrente da transação comercial de venda de mercadorias para empresa comercial exportadora pode ser considerada como receita decorrente de exportação e, por conseqüência lógica, se tal receita é imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. De início, é importante esclarecer que, diferente do que entendeu a DRJ, a imunidade não deve ser interpretada de forma restritiva, mas sim de modo a atingir a finalidade do legislador constitucional ao criála. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal entende que é necessário estender o alcance dos dispositivos imunitórios em prol da observância da finalidade da norma criada pelo constituinte, senão vejamos: Agravo regimental no agravo de instrumento. Imunidade tributária da entidade beneficente de assistência social. Imprescindibilidade de o imóvel estar relacionado às finalidades essenciais da instituição. Interpretação teleológica das normas de imunidade tributária, de modo a maximizar o seu potencial de efetividade. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem flexibilizando as regras atinentes à imunidade, de modo a estender o alcance axiológico dos dispositivos imunitórios, em homenagem aos intentos protetivos do constituinte originário. 2. A Corte já reconhece a imunidade do IPTU para imóveis locados e lotes não edificados. Nesse esteio, cumpre reconhecer a imunidade ao caso em apreço, sobretudo em face do reconhecimento, pelo Tribunal de origem, do caráter assistencial da entidade. 3. Agravo regimental não provido. (STF, AI 742230 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 12/03/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe082 DIVULG 02052013 PUBLIC 03052013) Seguindo esta mesma linha, o Professor Roque Carrazza, ao apreciar as regras de imunidade, a define como um limite constitucional à ação estatal de criar tributos e, sendo assim, desenvolve o seguinte raciocínio: Vai daí que as imunidades tributárias têm assento constitucional, motivo pelo qual o tema reclama análise sob a exclusiva óptica da Carta Magna. Deveras, o alcance desses benefícios não deve ser construído com base na normatividade infraconstitucional (v.g., no Código Tributário Nacional), mas apenas com apoio na própria Constituição Federal, que há de ser entendida e aplicada de acordo com os valores por ela consagrada. As normas imunizantes limitam e impedem que as normas de tributação atuem, por isso criam situações permanentes de não incidência, que nem mesmo a lei pode anular. É que a imunidade é, em si mesma, um princípio constitucional, que protege os interesses e valores fundamentais da sociedade. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 Como corolário, a Administração Fazendária não pode pretender tributos das categorias imunes, por impossibilidade jurídica de lei válida a respaldar tal pretensão. 1 (Grifamos) Desse modo, verificase que a norma constitucional que institui a imunidade não pode ser mitigada por lei, muito menos por ato normativo expedido pela autoridade administrativa. É preciso, então, que seja respeitada a limitação do exercício da competência imposta pelo legislador constituinte. Diante disto, cabe analisar o intuito do constituinte derivado ao instituir a imunidade das receitas de exportação em relação às contribuições sociais. Neste particular, é pertinente citar a justificativa da Proposta nº 277B/2000, que resultou na Emenda Constitucional n° 33/01: O dispositivo que desonera as receitas de exportação das contribuições sociais e das contribuições de intervenção no domínio econômico é bastante pertinente, e até mesmo imprescindível, pois, dada a acirrada concorrência no comércio internacional não se pode admitir qualquer forma de agregação de tributos a bens e serviços exportados. Verificase, portanto, com bastante clareza, que a intenção do legislador constituinte ao introduzir essa norma imunizante foi a de desonerar os produtos brasileiros destinados ao exterior, com o objetivo de tornálos competitivos no mercado internacional. Diante disto, interpretandose de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, inferese que a imunidade consagrada neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. Ressaltese, inclusive, que nas vezes em que o legislador infraconstitucional se debruçou sobre o tema, sempre conferiu às vendas realizadas para comerciais exportadoras, com o fim específico de exportar, o mesmo tratamento tributário das exportações diretas. É o que se verifica do Decretolei nº 1.248/72, que, em seu art. 3º, é expresso em assegurar ao produtorvendedor os mesmos benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Esta mesma postura também se observa nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que, respectivamente, em seus arts. 5º, III e 6º, III, prevêem a não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes das operações de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. É importante observar que a matriz constitucional da não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas de exportação é exatamente a mesma que a das contribuições previdenciárias, qual seja: art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. 1 CARRAZZA, Roque Antonio. ICMS. 15ª edição, revista e ampliada, até a EC 67/2011, e de acordo com a Lei Complementar 87/1996, com suas ulteriores modificações. Editora Malheiros. 2011. Pg. 527528. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 2401003.072 S2C4T1 Fl. 14 25 Portanto, não haveria razão para o legislador infraconstitucional estabelecer uma sistemática para as contribuições previdenciárias diferente da estabelecida para o PIS e a COFINS, uma vez que se está diante de uma mesma previsão constitucional que possui um único objetivo: desonerar os produtos brasileiros destinados ao exterior das contribuições sociais e de intervenção do domínio econômico. Diante deste cenário, entendo que a Receita federal do Brasil extrapolou sua função meramente regulamentadora, ao limitar a abrangência da referida norma imunizante para as operações de exportação direta, no §1º do art. 245 do IN SRP nº 03/2005, vigente à época dos fatos geradores. Ou seja, se o legislador constituinte estabeleceu, no art. 149 da CF, que as receitas decorrentes de exportação são imunes às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, não cabe à autoridade administrativa expedir ato normativo limitando tal imunidade apenas aos casos em que a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Ademais, restringir a imunidade constitucionalmente prevista às exportações efetuadas diretamente pelo produtor rural ou agroindústria implicaria na limitação do benefício às grandes empresas que possuem estrutura hábil a promover diretamente as suas exportações, deixar de contemplar, portanto, pequenos produtores rurais e agroindústrias que dependem dos serviços de comerciais exportadoras para esse fim. Certamente não foi essa a intenção do constituinte derivado, ao imunizar as receitas decorrentes da exportação das contribuições sociais. Vale registrar, ainda, que a aplicação da imunidade à Recorrente não implica a sua aplicação em duplicidade, já que a comercial exportadora não recolhe as contribuições previdenciárias devidas com base no faturamento, mas sim considerando a folha de pagamento, de modo que, na prática, a comercial exportadora não se beneficiará desta imunidade em relação ao recolhimento das contribuições sociais por ela devidas. Assim, entendo que as receitas decorrentes das vendas realizadas às comerciais exportadoras não devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Seguindo este entendimento, tampouco há que se falar na incidência das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para julgar também IMPROCEDENTE a parte do Auto de Infração que se refere à inclusão das receitas oriundas de exportação indireta, por intermédio de empresa comercial exportadora (levantamento EI1). É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000351/2010-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 03 51 /2 01 0- 14 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 32 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.462,44 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 25.08.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de abril do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 22.06.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. De acordo com a legislação, o Município de Araras passou a utilizar o sistema de lançamento 1.7 do DCTF Mensal, e não mais o DCTF Semestral que utilizávamos em anos anteriores, tomamos conhecimento ao encaminhar as informações após a alteração do Regime de Semestral para Mensal, que estaríamos sendo multado pelo encaminhamento das informações em atraso referente ao período de Abril de 2010, ao qual ocorreu através da Notificação em 25/08/2010. [...]Fazse necessário analisar que o Município de Araras efetua os pagamentos do PASEP mensalmente, portanto, não estando inadimplente com os pagamentos mensais do PASEP, ao qual se refere o DCTF mensal. [...]Pretendese questionar a legalidade da multa regulamentar imposta pelo descumprimento Fl. 32DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 33 3 extemporâneo da obrigação acessória de entregar DCTF, com base [no art. 161 do Código Tributário Nacional]. o artigo 161 do CTN fixa a regra geral de que a inadimplência acarreta o pagamento agravado de juros de mora, correção monetária e multas pela mora, sem prejuízo da imposição de penalidades previstas em lei. O artigo 138 define exceção a esta regra, sendo claro ao estabelecer que o inicio de qualquer medida de fiscalização afasta a aplicação do instituto da denuncia espontânea. [...]O art. 138 do CTN estatui que se o contribuinte, espontaneamente e antes do inicio de qualquer medida de fiscalização relacionados com a infração, reconhece e confessa a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade (multa) pela infração à legislação tributária. A aplicação do artigo 138 exige a presença de seus pressupostos cumulativos de exclusão de responsabilidade: a) confissão espontânea; b) desistência do proveito da infração; c) deve ser feita antes do início de qualquer medida de fiscalização relacionada com a infração; d) deve ser feito o pagamento simultâneo do principal corrigido, acompanhado dos juros de mora ou o depósito da importância arbitrada; e) não se tratar de responsabilidade acessória autônoma, sem vínculo direto com o fato gerador. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: Do exposto, podese concluir que a multa regulamentar cobrada pela Administração Tributária não está em harmonia com a legislação, posto que: a) a denúncia espontânea alcança as obrigações acessórias autônomas, decorrente do poder de polícia da administração; b) ainda que a Autuada preenche os pressupostos cumulativos de exclusão de responsabilidade, tendo em vista que não houve prévio início de medida de fiscalização relacionada com a infração e houve recolhimento do PASEP mensal relativo ao DCTF em questão. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, p. deferimento. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 34 4 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.724, de 17.02.2012, fls. 1719: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega da declaração se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Notificada em 30.03.2012, fl. 23, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.04.2012 (segundafeira), fls. 2428 e 30, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 34DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 35 5 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 36 6 A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 37 7 confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 38 8 (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 25.08.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de abril do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 22.06.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000351/201014 Acórdão n.º 1801001.661 S1TE01 Fl. 39 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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