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Numero do processo: 10530.000904/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de Recurso Voluntário. No caso, não houve, no recurso, insurgência contra a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar a realização das despesas médicas deduzidas. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO 10530.000904/2005-13 Fl. 144 DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2101-002.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de Recurso Voluntário. No caso, não houve, no recurso, insurgência contra a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. 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(assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe (fls. 4 a 9), no qual foram apuradas duas infrações: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e (ii) dedução indevida de despesas médicas. Em 25 de abril de 2005, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), na qual alega que a omissão dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas decorreu de falha das fontes pagadoras, que não lhe enviaram os informes de rendimentos. Informa que todos os pagamentos a título de despesas médicas foram efetuados a beneficiários identificados; que os recibos não foram localizados durante o período da malha fiscal; entretanto, os recibos emitidos pela Dra. Deborah de Assis Oliveira foram anexados em sede de impugnação. Solicita a compensação das seis quotas parceladas na entrega da declaração, no valor de R$. 11.184,19, alterando o imposto suplementar apurado após a revisão da declaração, conforme demonstrativo e, ao final, requer seja o auto de infração julgado procedente em parte. Pleiteia o parcelamento do imposto com a redução da multa de oficio e juros. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA), mediante o Acórdão n.º 1515.176, de 19 de fevereiro de 2008, julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 132 3 Se durante a fiscalização o contribuinte reconhece expressamente que são insuficientes os comprovantes de despesas médicas então apresentados, estes mesmos comprovantes não podem ser admitidos como provas em fase de recurso administrativo. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 17.4.2008, no qual alega que o Auto de Infração é equivocado, eis que as glosas de despesas médicas não servem de base para a sua lavratura, pois não possuem amparo fáticolegal, indo de encontro ao posicionamento dos Tribunais. Além disso, os recibos de pagamentos de tratamento odontológico no valor de R$ 10.800,00 já haviam sido apresentados durante a fiscalização. Argumenta que não tem consistência o fato trazido no Auto de Infração, quanto à desistência da totalidade das despesas médicas, e que não lhe foi permitido o perfeito entendimento do teor da autuação, impossibilitando, assim, o exercício do contraditório. Por esses motivos, entende que o lançamento viola o seu direito de defesa. Sustenta que os pagamentos a prestadores de serviços pode ser feita em moeda corrente e insurgese contra o percentual da multa aplicada, por entendêlo confiscatório. Requer, ao final, seja julgada improcedente a cobrança e pede a dispensa das multas por descumprimento de obrigação principal e acessória. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. 1. Da nulidade do lançamento O recorrente alega ter havido cerceamento ao seu direito de defesa, eis que não lhe foi permitido o perfeito entendimento do teor da autuação, impossibilitando, assim, o exercício do contraditório. Examinando os autos, verifiquei que, diferentemente do alegado, o Auto de Infração que veiculou o lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física, anexado às fls. 4 a 9 dos autos do presente processo, é muito claro ao discriminar todo o teor da autuação. As infrações apuradas estão especificadas, acompanhadas do seu enquadramento legal. Além disso, particularmente no tocante à glosa de despesas médicas, esclarece que o contribuinte, intimado, só logrou comprovar as despesas efetivas de R$ 2.318,89, junto ao Bradesco Saúde e de R$ 2.743,57, junto à Unimed de Feira de Santana, totalizando R$ 5.062,46. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 São requisitos de validade do Auto de Infração previstos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Auto de Infração constante deste processo, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O ato contém local, data e hora da lavratura; o contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infrações estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida e penalidade aplicável, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito exigido está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. No caso sob análise, foi exercido o direito de defesa, consubstanciado na impugnação apresentada às fls. 1 a 3, e no presente recurso voluntário. Cumpre, por pertinente, ressaltar que, em ambas as ocasiões, o interessado manifestou perfeita compreensão do lançamento do tributo e das infrações a ele imputadas, tanto que se defendeu de forma específica, naquilo que julgou pertinente. Sendo assim, não se pode entender que houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte no momento da lavratura do Auto de Infração. No entanto, importa observar que, em que pese ter o contribuinte impugnado integralmente o Auto de Infração, o recurso voluntário resumiuse à contestação da glosa de despesas médicas, isto é, o recorrente não se insurgiu quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Sendo assim, tornouse definitiva, neste ponto, a decisão de primeiro grau. 2. Da definitividade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento naquilo que não tenha sido objeto de recurso voluntário Na impugnação, o interessado contestou o lançamento correspondente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, alegando que havia ocorrido falha das fontes pagadoras, que não lhe enviaram os respectivos informes de rendimentos. O órgão julgador a quo não acolheu seus argumentos e manteve integralmente o lançamento do imposto. Em sede recursal, contudo, o interessado não se insurgiu contra a omissão de rendimentos. Concentrou sua defesa na glosa de despesas médicas e no efeito confiscatório da multa de lançamento de ofício. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 133 5 Por esta razão, tornase definitiva a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no que manteve o lançamento do imposto sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. 2. Das despesas médicas Em sua peça impugnatória, o interessado alega que os pagamentos a título de despesas médicas foram todos efetuados a beneficiários identificados, mas, durante a ação fiscal, os recibos não foram localizados. Isso, segundo explica, só ocorreu na fase impugnatória, razão pela qual só então anexou os recibos de tratamento odontológico no valor de R$ 10.800,00, prestados pela Dra. Deborah de Assis Oliveira. A propósito do argumento suscitado pela defesa, o órgão julgador a quo sustentou que, apesar de o impugnante afirmar que somente no momento da impugnação havia localizado os recibos de pagamentos a Deborah de Assis Oliveira, verificou que estes documentos já haviam sido apresentados durante a fiscalização. Ademais, o impugnante já havia, anteriormente, desistido das deduções de despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual. Por essas razões, não admitiu como provas das despesas os documentos então apresentados. Vejamos as razões externadas pelo relator do voto condutor da decisão: “Em correspondência dirigida à fiscalização (fls. 42), o contribuinte desistira expressamente das deduções de despesas médicas declaradas em nome de LEONARDO COSTA RIZZO (R$ 2.100,00), KATIANE KILMA V. ALMEIDA (R$ 4.800,00) e DEBORAH DE ASSIS OLIVEIRA (R$ 10.800,00). E isto apesar de haver apresentado os recibos correspondentes, tanto de Deborah quanto dos demais profissionais (v. fls. 77/78). O fato de haver desistido destas deduções, quando os recibos haviam sido apresentados, equivale ao reconhecimento da insuficiência destes documentos. Uma vez reconhecidos pelo interessado como insuficientes, estes documentos não podem ser agora admitidos como provas das despesas, se não forem apresentados outros elementos que comprovem a efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados, tais como cópias de cheques, extratos bancários, exames e relatórios médicos, etc. Não é suficiente neste caso a apresentação de simples recibos. [...]” O órgão julgador de primeira instância não admitiu as provas apresentadas na impugnação, por entender que já havia ocorrido a desistência das deduções com despesas médicas, ante o reconhecimento da insuficiência dos respectivos documentos pelo próprio contribuinte, conforme documento às fls. 42, apresentado no curso da ação fiscal, em data anterior à da lavratura do Auto de Infração. Por esse motivo, exigiu fossem apresentados outros elementos que comprovassem a efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados (tais como cópias de cheques, extratos bancários, exames e relatórios médicos, etc.). Além disso, como fundamento de sua decisão, o julgador a quo alegou que a expressa desistência das deduções perante a autoridade lançadora não poderia ser desfeita após a notificação do lançamento de oficio. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 No recurso voluntário, o interessado alega que em nenhum momento negou se a prestar informações ao órgão autuante; apenas não o fez quando não foi possível, por força maior ou ainda quando não estava obrigado. Além do mais, os pagamentos das despesas médicas foram feitos “em espécie”, o valor da autuação é compatível com as informações prestadas na declaração de ajuste anual da Sra. Deborah de Assis Oliveira, e foram pagos os impostos cujas diferenças ora se cobram. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Das normas deduzidas do caput e do § 1.º do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas e glosar, mesmo sem a audiência do contribuinte, deduções consideradas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 134 7 Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. A comprovação das despesas médicas pode ser feita por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos, desde que, em seu conjunto, demonstrem, de forma inequívoca, que a despesa foi feita, nas condições admitidas na lei. No caso sob análise, foi glosado o montante de R$ 17.700,00, a título de despesas médicas, representativo da diferença entre o valor declarado e o valor que a fiscalização considerou comprovado, de R$ 5.062,46 (vide fls. 5). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Além de farta documentação estranha à lide, o interessado carreou aos autos os seguintes documentos, que versam sobre dispêndios com tratamentos médicos e seguros de saúde: a) onze recibos emitidos por Deborah de Assis Oliveira, às fls. 10 a 14, no montante de R$ 1.000,00 cada, mensalmente, de janeiro a agosto e novembro de 2002. Em dezembro, consta recebimento de R$ 800,00, tudo a título de “tratamento odontológico”, totalizando R$ 10.800,00; b) comprovante de pagamento, ao Bradesco Saúde, de mensalidades do Seguro de Reembolso de Despesas de Assistência Médica e/ou Hospitalar, no total de R$ 10.883,74 dos seguintes segurados (fls. 74): Edson Luiz Paschoalin – R$ 2.318,89 (não foi glosado) Sandra R. K. P. Paschoalin – R$ 2.679,12 Raphael Pereira Paschoalin – R$ 1.618,33 Victor Pereira Paschoalin R$ 1.618,33 Manoela Pereira Paschoalin R$ 1.618,33 Nathalia Pereira Paschoalin R$ 1.030,74 c) comprovante de pagamento a Unimed Feira de Santana, em nome de Eliza C. Paschoalin, no valor de R$ 1.828,25 (fls. 75) (não foi glosado); d) comprovante de pagamento a Unimed Feira de Santana, em nome de Edson Luiz Paschoalin, no valor de R$ 915,32 (fls. 76) (não foi glosado); e) comprovante de pagamento a Unimed Feira de Santana, em nome de MOC – Movimento de Organização Comunitária, no valor de R$ 3.698,99 (fls. 76), dando conta de dispêndio feito com mensalidade do plano de saúde de Ildes Ferreira de Oliveira; f) recibos emitidos por Leonardo Costa Rizzo (fls. 77), no valor de R$ 2.100,00, em 15.10.2002, também de despesas com tratamento odontológico e; g) recibos emitidos por Katiane Kilma V. de Almeida, no valor de R$ 4.800,00, por serviços de anestesia, em 10.4.2002 (fls. 78). Sobre a documentação acima relacionada, cumpre assinalar, por primeiro, que os recibos emitidos por: Deborah de Assis Oliveira (letra “a”), Leonardo Costa Rizzo (letra “f”) e Katiane Kilma V. de Almeida (letra “g”) não cumprem, ao menos, os requisitos exigidos no inciso III do § 2.º do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, adrede transcrito. Já as despesas correspondentes aos pagamentos efetuados ao Bradesco Saúde, com mensalidades do Seguro de Reembolso de Despesas de Assistência Médica e/ou Hospitalar, correspondente aos segurados: Sandra R. K. P. Paschoalin, Raphael Pereira Paschoalin, Victor Pereira Paschoalin, Manoela Pereira Paschoalin e Nathalia Pereira Paschoalin, não estão em discussão no presente processo, eis que não foram glosadas quaisquer deduções feitas a esse título e sequer declaradas tais despesas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual do exercício em análise. O mesmo ocorre com a despesa relativa ao Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 135 9 pagamento feito à Unimed Feira de Santana, com mensalidade do plano de saúde de Ildes Ferreira de Oliveira. Sendo assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida nesse sentido. 3. Da multa com efeito de confisco Sobre o tema, há que se destacar que, nos casos em que a Fiscalização não constata a existência de dolo, fraude ou sonegação, a multa de lançamento de ofício é de 75% sobre o valor do tributo lançado. Foi o que ocorreu na hipótese. Verificase, no Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora (fls. 9), ter sido de 75% o percentual da multa de ofício, tal como previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Em sua peça recursal, o interessado argumenta que a multa aplicada tem caráter confiscatório, insurgindose contra o percentual da multa previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, acima transcrito. Ocorre que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, tal como ocorreu na hipótese (dedução indevida de despesas médicas), o crédito tributário apurado deve vir acompanhado da multa de lançamento de oficio nos percentuais previstos em lei. Determinar os percentuais de multa a serem aplicados no caso de infração à legislação tributária é atribuição do legislador, e não do agente da Fiscalização. Não cabe à autoridade fiscal analisar se os percentuais de multa que a lei estipula são ou não são confiscatórios, afastando a sua aplicação quando entender pertinente. Nesse ponto, os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos ao princípio da vedação ao confisco, por envolverem necessariamente a análise da constitucionalidade da lei que os fixou. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Além do mais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou a respeito do assunto, por meio da Súmula CARF n.° 2, tendo firmado o posicionamento no sentido que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo ficado assim decidido no âmbito deste Conselho, é de se aplicar, na hipótese, a Súmula CARF n.° 2. Por fim, cabe esclarecer que, tal como salientado pelo recorrente, não consta a existência de declaração retificadora. No entanto, esse fato não prejudica a análise dos autos. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10980.910826/2008-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE.
A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92.
Numero da decisão: 1003-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 26 /2 00 8- 10 Fl. 143DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0629.161, de 11 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA (efls.120123), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou os Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 24185.38696.270704.1.3.033301; 41503.57205.270704.1.3.036804 e 28903.32789.160605.1.3.032348, efls. 1030, utilizando se do crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2004 (01/01/2003 a 31/12/2003) informado no PER/DCOMP nº 24185.38696.270704.1.3.033301 transmitido em 27/07/2004. Depois do encaminhamento do PER/DCOMP n° 241.85.38696.270704.1.3.033301 e antes da prolação do Despacho Decisório , a Recorrente foi intimada em 27/10/2006 a proceder a correção da DIPJ ou do PER/DCOMP, tendo em vista ter sido encontrado divergência entre os saldos negativos apurado nesses dois documentos fiscais. Foi concedido à Recorrente um prazo de 20 dias para proceder a correção (efl. 119). A Recorrente quedouse inerte, não retificando a DIPJ e também o PER/DCOMP, conforme requerido na intimação fiscal. Dessa forma o pedido de compensação não foi homologado pela DRF Curitiba pelo fato de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ estava divergente do valor informado no PER/DCOMP (efl. 5). Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada pela DRJ/FOR em acórdão foi assim ementado: DESPACHO DECISÓRIO. IMPERFEITA DESCRIÇÃO DO CRÉDITO. Tendo o contribuinte descrito no PER/DCOMP de forma incorreta o seu crédito, inviabilizando a análise pela Administração, e tendo esta solicitado, debalde, as retificações cabíveis, é correta a edição de despacho decisório que não homologa a compensação. COMPETÊNCIA DAS DRJ. Tratandose de despacho decisório relativo a não homologação de compensação, a competência da DRJ limitase a apreciar o inconformismo contra o não Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10980.910826/200810 Acórdão n.º 1003000.664 S1C0T3 Fl. 144 3 reconhecimento do direito creditório ou contra a não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão em 23/11/2010 (efl. 128), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 16/12/2010 (efls. 129141), no qual alega o seguinte: Que sempre pretendeu utilizar o saldo negativo de CSLL relativo ao ano calendário 2002 para compensar débitos das estimativas mensais de CSLL relativo as competências 07/2003, 11/2003 e 06/2004; Que por equívoco informou nas PER/DCOMPs que o saldo negativo se referia ao exercício 2004, ao invés do exercício 2003, e que também não informou a data inicial (01/01/2002) e data final (31/12/2002) do período a que se referia o crédito; Que por isso a autoridade administrativa encontrou a divergência entre o valor de saldo negativo informado na DCOMP (R$ 858,54) e DIPJ (R$ 3.942,16) do exercício 2004; Que o valor de saldo negativo que a Recorrente pretende utilizar é o informado na DIPJ 2003, que consta na linha 42 da Ficha 17, no valor de R$ 5.172,51 (conforme doc.6 apresentado por ocasião da manifestação de inconformidade), mas que tal valor não constou nos PER/DCOMPs apresentados; Que o valor do saldo negativo apurado na DIPJ 2003 (R$ 5.172,51), é exatamente a soma do valor dos saldo negativos apontados no PER/DCOMPs 24185.38696.270704.1.3.033301 (R$ 858,54) e 41503.57205.270704.1.3.036804 (R$ 4.313,97) que corresponde ao saldo negativo apurado na DIPJ 2003; Que entende que o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ 2003 é suficiente para compensar os débitos informados nos PER/DCOMPs 24185.38696.270704.1.3.033301 e 41503.57205.270704.1.3.036804 e parcialmente os débitos no PER/DCOMP n° 28903.32789.160605.1.3.03234, ficando um saldo a ser recolhido de R$ 5.294,74 (acrescido de atualização); A Recorrente tece vários comentários acerca do seu direito ao crédito, que julga líquido e certo, inobstante os equívocos que reconhece ter cometido no preenchimento dos PER/DCOMPs; Que a autoridade julgadora a quo prendeuse a mera formalidade da existência de erro no preenchimento das declarações de compensação e afastou qualquer consideração sobre as circunstâncias fáticas do caso, retirando qualquer utilidade da manifestação de inconformidade e violando o direito da Recorrente de se utilizar do referido crédito; Que não se pode negar a apreciação das questões de fato, quando da manifestação de inconformidade, sob pena de restringir o direito de defesa somente a questões de direito, amesquinhando a função do Processo Administrativo Fiscal e mitigando os Fl. 145DF CARF MF 4 princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da verdade real, que por expressa determinação constitucional se aplicam no âmbito administrativo; Requer ao final a reforma do v.acórdão e a homologação das compensações informadas nos PER/DCOMPs 24185.38696.270704.1.3.033301 e n° 41503.57205.270704.1.3.036804; e (ii) parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 28903.32789.160605.1.3.032348. Caso não seja esse o entendimento, que seja reconhecida a nulidade da r. decisão recorrida, por não ter analisado as questões fáticas do processo, determinando a remessa dos autos à DRJ/Curitiba para a realização de um novo julgamento, analisando o direito creditório à luz do princípio da verdade material, e inclusive, determinandose a realização de diligências, caso se entenda necessário. É o relatório no essencial. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Verificase que a Recorrente foi intimada, após a transmissão da PER/DCOMP nº 24185.38696.270704.1.3.033301, a retificar a DIPJ ou o PER/DCOMP uma vez constatada a divergência no saldo negativo apontado nessas duas declarações. Teve portanto a oportunidade de corrigir o erro que reconhece ter cometido Mas não o fez. No PER/DCOMP foi informado a origem do crédito pleiteado, que constava como sendo o saldo negativo na DIPJ 2004 (01/01/2003 a 31/12/2003), mas que a Recorrente informa que em verdade pretendia se referir ao exercício 2003 (01/01/2002 a 31/12/2002). A DRJ não analisou o direito creditório à luz da informação prestada pela Recorrente, de que o saldo negativo na verdade referiase ao exercício 2003 (01/01/2002 a 31/12/2002), limitando suas análises às informações prestadas pela Recorrente nos PER/DCOMPs e no saldo negativo do exercício 2004 que consta na DIPJ (que consta nos sistemas da Receita Federal). Na verdade, consta no acórdão recorrido que a Recorrente reconhece a existência de inconsistências nas informações prestadas, contudo não explica os motivos sobre a falta das retificações que poderia ter efetuado no PER/DCOMP ou DIPJ. Além disso em sede de manifestação de inconformidade não apresentou outras provas, exceto a DIPJ e cópia dos DARFs. Entendo por isso não ter a DRJ violado o direito da Recorrente ao contraditório e a ampla defesa. A Recorrente baseia o seu direito ao crédito apenas na informação contida na DIPJ do exercício 2003, informação essa de lavra da própria Recorrente, e que portanto por si só é incapaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.910826/200810 Acórdão n.º 1003000.664 S1C0T3 Fl. 145 5 A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de saldo negativo, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Esse o entendimento pacificado neste Colegiado, conforme súmula vinculante abaixo transcrito: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Concluise portanto que não é possível confirmar o direito de compensação de saldo negativo de imposto de renda apenas com informação contida na DIPJ, eis que não tem natureza jurídica de tributo lançado. Além da informação prestada na DIPJ, a Recorrente deveria ter apresentado para a defesa de seus interesses outras provas indispensáveis para atestar a legitimidade do direito vindicado, como Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, balancetes transcritos na sua escrita contábil, quadro analítico descritivo e detalhado do suposto crédito e as declarações fiscais do período com eles relacionados (DCTF, DACON, etc). O embasamento está no Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 2o). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3o). A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, no âmbito administrativo fiscal, o ônus de provar o direito ao suposto crédito, incumbe a Recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72: (...) Fl. 147DF CARF MF 6 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase: a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Constato que a Recorrente, nesta fase recursal, não apresentou outros elementos probatórios para robustecer a sua alegação quanto ao direito ao crédito de saldo negativo. Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, não cabe imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Quando a essa questão, oportuna e apropriada a transcrição de parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001.000.545 de. 17/10/2018, verbis: (...) Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dizer ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis e suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10980.910826/200810 Acórdão n.º 1003000.664 S1C0T3 Fl. 146 7 Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal o mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908440/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.067
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição (PER) de contribuição, que restou indeferido, por ausência de crédito, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, sintetizada nos seguintes termos: Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 44 0/ 20 12 -3 7 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 3 2 PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com a decisão da primeira instância administrativa, a recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 4 3 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.058, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.908418/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.058): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 5 4 indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 6 5 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000262/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação..
Numero da decisão: 1201-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, por unanimidade.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, por unanimidade. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
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ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, por unanimidade. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 02 62 /2 00 9- 18 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 37633.98668.110208.1.3.042230, de 11/02/2008, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos de CSLL (código de receita 2484) do mês de maio/2003, recolhimento este efetuado em 30/06/2003 (R$ 1.960,97).). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 932/2009 (efls. 10/12), de 11/12/2009, que decidiu que a estimativa mensal não pode ser considerada como indébito tributário, não retornando à disponibilidade os pagamentos ou créditos a ela vinculados.: "Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN, no art. 74, parágrafo 3o da Lei 9.430, de 1996 e na Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 116/120): a) aduz que em 30/06/2003 recolheu indevidamente R$ 1.960,97 de estimativa de CSLL; que o pagamento indevido ocorreu em face de o Departamento Financeiro da AFEPON, diante das guias emitidas por escritório de contabilidade externa, com base nas notas fiscais do período, ter efetuado mencionado pagamento; b) que o DARF foi recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; que não apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem utilizou valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida; c) que tem direito à repetição do valor indevidamente recolhido e que a compensação requerida constitui a melhor forma de apurar e reaver este crédito; d) junta relatório de auditoria externa, demonstrando que durante a gestão anterior, no período de 2001/2004, ocorreram pagamentos indevidos à Receita Federal; e) requer a reforma da decisão de não homologação da declaração de compensação, com reconhecimento do direito à restituição do valor indevidamente recolhido, conforme arts. 165 do CTN e 876 do Código Civil, corrigido monetariamente consoante jurisprudência pacífica dos tribunais superiores. A Delegacia de Julgamento (Acórdão n. 0631.404 1ª Turma da DRJ/CTA, efls. 119/123) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que: a) não foram apresentada provas do crédito alegado pelo recorrente; b) qualquer pagamento a Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16403.000262/200918 Acórdão n.º 1201002.906 S1C2T1 Fl. 151 3 maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do IR/CSLL e traduzse no "Saldo Negativo" de IRPJ ou CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/09/2011 (efl. 124) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/11/2011 (efl. 125), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, imperativo considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas o Despacho Decisório entendeu de forma diversa, ao prescrever que: "Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN, no art. 74, parágrafo 3o da Lei 9.430, de 1996 e na Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Esta liquidez deve ser avaliada a partir daquele Despacho Decisório. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 152DF CARF MF 4 Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.900353/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO.
A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação.
DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
Numero da decisão: 1401-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 03 53 /2 00 8- 63 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 65 a 79) interposto contra o Acórdão nº 0824.741, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 55 a 60), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 4 3 " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em decorrência da não homologação do pedido de compensação, conforme despacho decisório emitido eletronicamente, fls. 19. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O pedido de compensação envolve créditos e débitos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 05/05/2008, fls. 20, tendo apresentado a contestação em 03/06/2008, fls. 02/18, contrapondose ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. Informa que ingressou em 09/07/2004 com PER/DCOMP, cópias acostada nos autos, requerendo a compensação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida por estimativa no mês de maio de 2003 no valor total de R$ 2.126,47 (dois mil cento e vinte seis reais e quarenta e sete centavos), com pagamento indevido ou maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurada em 28/02/2000, código de receita 2484, data de vencimento 31/03/2000 e data de arrecadação de 31/03/2000, no montante de R$ 1.286,82 (um mil duzentos e oitenta e seis reais e oitenta e dois centavos). O referido crédito consta em DARF, cópia acostada nos autos. O citado crédito está devidamente comprovado conforme documentação ora anexada aos autos no valor indicado no PER/DCOMP, não existindo vinculação em DCTF para o referido crédito, assim o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. O indeferimento da compensação não está em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Afirma: a exigência tributária deve ser realizada mediante a efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido nos moldes legais (Art. 142 CTN). O lançamento em discussão, que, obrigatoriamente, deveria decorrer de toda uma série de investigações e procedimentos administrativos legalmente previstos, encontrase embasado apenas em não homologar compensação declarada em PER/DCOMP, com fundamento de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, fato que não é verdade, uma vez que o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. Em seguida a defesa faz uma breve análise sobre a questão do ônus da prova em matéria tributária para efeito de deslinde da presente controvérsia. Nesse sentido, afirma que, na atividade de lançamento, a caracterização da matéria tributável há de estar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. A caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, como, aliás, se pode ver no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, quando se refere às Bases do Lançamento, o qual é bastante rígido em relação à impugnação dos esclarecimentos. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 5 4 Alega que, no caso em análise não teria restado caracterizado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, haja vista, que os valores objeto da exigência, cuja base de argumentação para a cobrança foi a não confirmação do pagamento indevido da CSLL apurada em 29/02/2000, que na verdade não ocorreu, porque o valor do pagamento indevido existe e está devidamente comprovado, conforme prova acostada nos autos. Continua. O princípio da verdade material é tão forte e base de todo o Estado de Direito, que já se escreveu, noutra ocasião: Enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta. Considera a defendente que as conclusões da autoridade administrativa para não homologar a compensação efetuada não teriam fundamento lógico e faltaria a prova material do fato, ou seja, a inexistência do pagamento indevido. Assim, o fisco não teria cumprido com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária. Em seguida, a defesa faz um breve comentário sobre os 43 e 44 do Código Tributário Nacional – CTN, para concluir que não estaria correto o procedimento de se exigir tributos sob a alegação de que o crédito não foi comprovado. Indaga: Como admitir em tal situação que ocorreu o fato gerador da obrigação tributária? Tal exigência estaria fazendo incidir o imposto sobre o patrimônio, em evidente desconsideração à Constituição Federal (art. 150, IV, "a") e ao Código Tributário Nacional (art. 44), que autoriza a incidência do imposto sobre o acréscimo patrimonial e não sobre o próprio patrimônio. Considera que no caso em comento, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, compensação indevida. Diante do exposto, entende que fica demonstrado e provado que é indevido o crédito tributário exigido através do despacho decisório no valor original total de R$ 696,55 (seiscentos e noventa e seis reais e cinqüenta e cinco centavos), em razão da não homologação da PER/DCOMP apresentada pelo requerente, tendo em vista que a referida cobrança foi objeto de compensação, conforme devidamente comprovado nos autos. Assim, requer seu cancelamento. " Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise repisando que o suposto lançamento realizado careceria de motivação e comprovação, bem como defendendo a existência do crédito que diz possuir. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 6 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em breve síntese do já relatado, o presente feito trata das compensações realizadas pela Recorrente de débito de CSLL por estimativa correspondente ao período de Maio de 2003 com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior realizado. O Despacho Decisório de fls. 19 não reconheceu o crédito pleiteado porquanto o mesmo já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito anterior e intimou o Contribuinte a providenciar o pagamento, em até 30 dias, do débito indevidamente compensado, acrescido dos encargos devidos. A Contribuinte, por sua vez, fundamentou sua defesa no presente feito alegando que o lançamento que, supostamente, teria sido realizado no citado Despacho Decisório careceria de motivação vez que a autoridade fiscal não teria realizado qualquer verificação quanto a efetiva ocorrência do fato gerador, tampouco comprovado a existência do débito. Nesta toada, entende que o "lançamento" estaria viciado, sendo, portanto, nula a cobrança. Ainda, alega apenas genericamente que havia crédito para suportar a compensação intentada. A decisão da DRJ de piso negou provimento à Manifestação da Interessada corroborando a prévia alocação dos créditos em outros débitos, conforme citado pelo Despacho Decisório, bem como afastando as alegações de nulidade da cobrança. Por fim, a Recorrente traz a está instância recursal argumentos semelhantes aos já esposados na instância a quo. Primeiramente, insta esclarecer que por se tratar o presente feito de processo de compensação de iniciativa da própria Recorrente cabe a esta a comprovação da existência de crédito suficiente para amparar a operação realizada. Outrossim, importa salientar que a CSLL tem seu lançamento realizado pelo próprio contribuinte no momento em que apura seu resultado e tributos devidos ao fim de cada período de atividade. Desta forma, não há que se falar em "lançamento" por ocasião do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Em verdade, o que ocorre é apenas a cobrança do débito que a própria Recorrente já havia lançado e restou sem pagamento consignado, face a insuficiência de crédito. Notese que, conforme dicção do art. § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a declaração de compensação constitui confissão de divida. Ou seja, a própria Recorrente realizou o lançamento, confessou o débito e tentou adimplilo pela via da compensação. Uma vez que não havia crédito suficiente para a quitação, não há qualquer óbice para a cobrança, sendo desnecessária qualquer outra medida, apuração ou comprovação por parte da autoridade fiscal. Por fim, ainda que a Recorrente não tenha apresentando qualquer documento no intuito de demonstrar a existência do crédito que diz possuir, aponto que a DRJ de origem trouxe aos autos tela do sistema SIEF que demonstra a utilização do recolhimento apontado em outro débito anterior à compensação ora analisada. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 7 6 Destarte, entendo não assistir razão à Recorrente pelos mesmos fundamentos já esposados pela DRJ de origem. Assim, por economia processual, e em atenção ao §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) De início, cabe transcrever o fundamento constante no despacho decisório para indeferir o pleito em análise: “(...) foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Conforme regra consagrada pelo art. 333, do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Desta forma, o ônus sobre a existência de um pagamento indevido a ser utilizado em processo de compensação é do titular do crédito que apresenta a petição. À autoridade local (no caso, a DRF Teresina) incumbe verificar a disponibilidade do crédito pretendido, em conformidade com os sistemas de controle da Receita Federal, proferindo despacho decisório, devidamente fundamentado, justificando o acolhimento ou não do pleito do contribuinte. Conforme se verifica às fls. 19, o despacho decisório está devidamente motivado, com a indicação do fato que impediu o reconhecimento do direito do autor do pedido (crédito já utilizado para quitação de débitos do contribuinte). De acordo com o extrato do sistema SIEF – Fisc. Eletrônica – Analisar Valores, o pagamento foi alocado para amortizar parte do débito do contribuinte, relativo à CSLL, conforme demonstrativo abaixo: Com efeito, caberia ao contribuinte nesta fase recursal demonstrar a suposta incorreção no fundamento da autoridade que indeferiu o pleito, que no caso Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 8 7 envolveria a existência de débitos para os quais o pagamento foi alocado, conforme indicação acima, fato que não ocorreu no presente processo. Daí porque, não faz sentido às referências feitas pela defesa ao ônus da prova na presente relação e que estaríamos “diante de mera presunção simples, não de prova”. Embora a Receita Federal do Brasil RFB permita que o contribuinte indique na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF a forma que pretende utilizar determinado pagamento, este não é o único critério de que os sistemas da RFB se utilizam para proceder ao controle de débitos e créditos. Por exemplo, se para determinado débito não são indicados, na DCTF, pagamentos suficientes para amortizar a dívida, buscase a existência de pagamentos disponíveis na base de dados que possuam a mesma característica do débito (mesmo número de inscrição e código de receita, por exemplo). O Código Tributário Nacional – CTN no seu art. 163 apresenta regra específica para imputação de pagamentos, dando lastro aos procedimentos adotados pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal, a saber: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Outro aspecto que merece ser destacado é que, ex vi do disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a existência da obrigação tributária referente aos débitos incluídos na PER/DCOMP é inconteste, salvo se o próprio contribuinte posteriormente comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração (o que não ocorreu no presente caso). Portanto, não guardam qualquer relação com o litígio as referências feitas pela impugnante ao “lançamento em discussão” ou que “o fisco não cumpriu o ônus de produzir prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária”. Destarte, não tendo a defesa comprovado a existência de saldo disponível, não há como homologar a compensação pleiteada. (...)" Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 9 8 Finalmente, com base em tudo que foi exposto acima entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10903.720019/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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Recorrente VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 03 .7 20 01 9/ 20 15 -4 1 Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente de Auto de Infração de IRPJ e CSLL, anos de 2010 e 2011, relativo a ajustes de Preço de Transferência, no valor total do crédito tributário de R$ 482.126.344,84. Os ajustes refeitos de ofício pela fiscalização dizem respeito aos do Preço de Revenda menos o Lucro, nas margens de 20% e 60%, conforme TVF às fls. 20 a 99, constantes nos seguinte anexos:: Método Documento AC Fls. PRL20 TVF Anexo 01 2010 100 a 131 PRL60 TVF Anexo 02 2010 132 a 205 PRL20 TVF Anexo 03 2011 206 a 235 PRL60 TVF Anexo 04 2011 236 a 286 Cientificada do lançamento a ora Recorrente, interpôs impugnação de fls. 1975 a 2067, que foi julgada improcedente pela DRJ/Ribeirão Preto em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que os autos de infração e seus anexos foram formalizados de modo a permitir à contribuinte a perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, tanto que delas se defendeu de forma detalhada e consistente. REVISIBILIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. A revisibilidade do lançamento fiscal em sede de contencioso administrativo está legitimada pelo disposto no inciso I do artigo 145 do Código Tributário Nacional (CTN). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 4 3 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. Cientificado em 10/07/2017 (fls. 2.919), interpôs a recorrente Recurso Voluntário (fls. 2.922 a 2.990), em 09/08/2017, a seguir resumido: Em preliminares e prejudiciais: 1. Nulidade por falta de fundamentação adequada; 2. Para o PRL60, que a sistemática prevista na IN 243 é ilegal por contrariar o art. 18, II, da Lei 9.430/60; 3. Para o PRL60 no ano de 2010, que houve uma interrupção na vigência deste método por conta de mudanças inseridas por Medida Provisória no final de 2009. Assim, pelo princípio da anterioridade, apenas a partir de 2011 o PRL60 poderia voltar a ser aplicado, sendo, portanto, nula a autuação quanto a este ponto; 4. Nulidade dos ajustes efetuados onde se adotou mais de um preço parâmetro (tanto pelo PRL20, quanto pelo PRL60) para um mesmo item nas situações em que este era destinado ao tanto à comercialização, quanto à industrialização, em vez de adotar o "PLR Ponderado", previsto na IN 243; 5. Alega que a fiscalização descumpriu o previsto no art. 20A da Lei 9.430/96, que dispõe da necessária intimação do sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo método caso o escolhido originariamente venha a ser desqualificado pela fiscalização; Em questões de fundo: 6. Pede a aplicação do PRL Ponderado entre os métodos PRL20 e PRL60 nas situações em que um mesmo item foi destinado tanto à fabricação quanto à revenda, caso esta nova apuração resulte menor valor; 7. A retificação dos seguintes erros de cálculo cometidos pela autoridade autuante: Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 5 4 7.1. Computou em duplicidade os estoques iniciais no cálculo do preço médio praticado; 7.2. Utilizou o preço FOB no cálculo do Preço Parâmetro pelo PRL60, quando deveria ter utilizado o preço CIF+II; 8. Que autoridade autuante, ao proceder à reclassificação de determinados itens do método PRL60 para o PRL20, alterou o Preço Parâmetro de destes de modo que o novo ajuste calculado passou a ser maior do que se tivesse sido aplicado o método PIC, opção esta feita pela recorrente na DIPJ para outros itens e não desclassificada pela fiscalização. Ao informar à autoridade autuante que possuía os cálculos feitos pelo PIC para estes itens reclassificados do PRL60 para o PRL20, teve o seu pedido ignorado pela autoridade autuante, que manteve a adoção do PRL20; assim, pede que sejam recebidos seus cálculos pelo PIC em substituição ao PRL60 adotado pela fiscalização; 9. Que deve ser aplicado o art. 112 do CTN em caso de voto de qualidade diante da existência de dúvida; 10. Requer diligência tendente a elucidar questões de fato suscitadas. Conversão do feito em diligência Conforme Resolução de fls. 3.021, decidiu a Turma converter o feito em diligência tendente a elucidar os seguintes pontos: a. Esclarecer se a autoridade autuante considerou em duplicidade os estoques iniciais na fórmula (EI EF + C) quando da apuração da quantidade de itens consumidos no período; b. esclarecer qual preço (se FOB ou CIF+II) foi adotado na apuração da proporção do bem importado no custo total, no caso do PRL60; se efetivamente foi utilizado preço FOB, refazer as planilhas de apuração, com o preço CIF; c. Anexar planilhas detalhadas de apuração dos preços parâmetro PRL60 e PRL20, calculando o preço médio ponderado de cada item que se submeta simultaneamente aos métodos PRL20 e PRL60; d. Elaborar relatório conclusivo, dando ciência à recorrente para manifestação. Relatório de Diligência Em resposta às solicitações feitas na Resolução, a autoridade diligenciante, em resumo, assim informou: Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 6 5 a. Que, de fato, para o ano de 2010, houve duplicidade no cômputo do Estoque Inicial na apuração do consumo no período pela fórmula EI EF + C, o que foi retificado na diligência; b. Confirmou que o lançamento considerou o preço CIF+II na apuração do PRL60. Para o ano de 2011, foram apurados corretamente os ajustes; para o ano de 2010, contudo, houve apuração incorreta a menor, porém ainda maior do que se tivesse aplicado o preço FOB; c. Refez os cálculos pelo "PRL Ponderado" para os itens os quais a recorrente tanto destinou à comercialização, quanto à industrialização. Informa que não juntou planilhas por contarem estas com mais de 46,4 milhões de registros, tornandose inviável a anexação de arquivonão paginável em razão do tamanho; d. Tendo efetuado estas retificações solicitadas pelo CARF, a autuação deveria ser reduzida de R$ 446.856.086,53 para R$ 328.570.651,86 (fls. 3.046). Manifestação sobre Resultado da Diligência Em manifestação sobre o resultado da diligência, alegou a recorrente que novos erros de cálculo foram cometidos, a seguir resumidos: 1. Foram feitos indevidamente ajustes de Preço de Transferência para itens que não constaram da relação original do Auto de Infração; 2. O cálculo do "PRL Ponderado" majorou indevidamente os ajustes para mais de 700 produtos autuados, quando, para os itens em que isto viesse a acontecer, deveria ter sido mantido o valor do ajuste pelo PRL20, por já se ter operado a decadência; 3. Reitera que foi confirmado, com o resultado da diligência, ter a autuação fiscal descumprido disposição expressa da IN 243 e que, por tal razão, deve ser reconhecida a nulidade material da autuação fiscal nos pontos onde tal irregularidade ocorreu. Voto Admissibilidade O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 7 6 Resultado da Diligência Tendo em vista as alegações feitas pela Recorrente em sua Manifestação sobre o resultado da diligência, voto pela conversão do julgamento em nova diligência, tendente a: 1. Elucidar se os cálculos efetuados na diligência de Relatório às fls. 3.033 a 3.047 incluíram itens não constantes da autuação fiscal, conforme Manifestação da recorrente às fls. 3.444. Acaso positivo, refazer os cálculos de modo a efetuar ajustes apenas nos itens de que tratou a autuação fiscal originariamente; 2. No caso dos itens destinados tanto à comercialização, quanto à industrialização, refazer os cálculos pelo "PRL Ponderado" apenas para os itens em que o ajuste anterior, adotado pela autoridade autuante, tiver sido maior; 3. No caso dos itens destinados tanto à comercialização, quanto à industrialização, refazer os cálculos pelo "PRL Ponderado" apenas para os itens em que o ajuste anterior, adotado pela autoridade autuante, tiver sido menor; 4. No caso dos itens destinados tanto à comercialização, quanto à industrialização, refazer os cálculos pelo "PRL Ponderado", independente de ter resultado o ajuste a maior ou a menor; 5. Elaborar novo relatório conclusivo, apresentando ao final 3 tabelasresumo para cada uma das hipóteses 2, 3 e 4 supra. A tabelapadrão deverá conter linhas que discriminem, por PRL20 e PRL60, o subtotal dos ajustes por espécie de correção procedida nas diligências (i.e., uma linha da tabela totalizando os ajustes referentes aos registros que sofreram correção no valor do estoque inicial; outra, totalizando os ajustes onde se retificou o valor FOB pelo CIF; outra, totalizando a adoção do PRL Ponderado na hipótese 2, 3 ou 4, conforme for a tabela). Acaso tenha havido itens que tenham sofrido 2 (duas) ou mais correções ao mesmo tempo nas diligências, dedicar linhas próprias para estes casos de interseção, deixando o saldo para as linhas em que a correção dos registros foi singular. Após as linhas indicando as correções, as duas últimas devem indicar o saldo dos ajustes originalmente feitos na autuação fiscal respectivamente pelos PRL60 e PRL20, relativos aos registros que não sofreram qualquer tipo de correção. Em todos os casos, por óbvio, devese comparar ainda com a margem admissível de divergência de 5%, item a item, prevista no art. 38 da IN 243, bem como com os ajustes feitos oferecidos à tributação pela recorrente. Por fim, esta tabela também deverá conter mais 2 colunas, uma para cada anocalendário, indicando o total de exonerações sugeridas em sede de diligência por conta das espécies de correção efetuadas. Ressaltase que, como já explicado, não é apenas para somar as correções feitas, mas para subtotalizar os ajustes por classe de correção a fim possibilitar ao CARF, em decisão colegiada, analisar as que puderem ser aceitas à luz dos artigos 145, 146 e 149 do CTN. Ao final, dar ciência do Relatório de Diligência à recorrente a fim de que esta aduza eventuais considerações, no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 8 7 É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 3490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10331.720177/2013-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE.
Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração.
O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
Numero da decisão: 2002-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que votou pelo não conhecimento. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que votou pelo não conhecimento. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 45 1 44 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10331.720177/201361 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.934 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria IRPF. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. Recorrente FRANCISCO DAS CHAGAS DO NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que votou pelo não conhecimento. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 72 01 77 /2 01 3- 61 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10331.720177/201361 Acórdão n.º 2002000.934 S2C0T2 Fl. 46 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/8), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2012. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$11,00 para saldo de imposto a pagar de R$2.589,93. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$33.613,94, consignando: Glosa do valor de R$ 33.613,94, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia, visto que o contribuinte intimado apresentou acordo homologado judicialmente datado de 02/12/2011 e conforme consta da DIRF do anocalendário 2011, da Polícia Militar, CNPJ07.444.159/000144, todos os pagamentos foram feitos antes de dezembro de 2011, portanto, antes da Decisão Judicial. Cabe esclarecer que, tratandose de sociedade conjugal a dedução de Pensão Alimentícia somente se aplica, quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução daquela sociedade. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 18/6/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 4/7/2013, às fls. 2/8 dos autos, na qual o contribuinte defendeu que faria jus a deduzir o valor declarado, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 18/20): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. As importâncias pagas a título de pensão alimentícia são dedutíveis somente se previstas em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou em escritura pública, em caso de divórcio consensual. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. DATA DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DO ACORDO. EFEITO. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10331.720177/201361 Acórdão n.º 2002000.934 S2C0T2 Fl. 47 3 No caso de acordo homologado judicialmente, somente a pensão alimentícia paga após a data da homologação é passível de dedução da base de cálculo. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 12/5/2015 (fl. 25), o contribuinte, em 10/6/2015 (fl. 26), apresentou recurso voluntário, às fls. 26/34, no qual discorre sobre problemas de saúde que lhe acometem, alegando que faria jus à isenção prevista para os portadores de moléstia grave e indicando a juntada de documentação comprobatória. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A autuação recaiu sobre a pensão alimentícia judicial informada pelo sujeito passivo. Em seu recurso, o contribuinte alega que seus rendimentos seriam isentos, citando as Leis os 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, e a 9.250, de 1995, em seu artigo 30, parágrafo 2º. Esses dispositivos tratam da isenção dos rendimentos de pensão e aposentadoria percebidos por portadores de moléstias graves. Registro que, na autuação, não houve alteração dos rendimentos informados pelo contribuinte. Assim, a natureza tributável dos rendimentos não compõe a lide. Tal pleito se configura num pedido de retificação da Declaração de Ajuste, cuja competência para análise não é das instâncias de julgamento. Não obstante, entendo que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação/recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10331.720177/201361 Acórdão n.º 2002000.934 S2C0T2 Fl. 48 4 Isto porque, no caso, uma eventual alteração do montante dos rendimentos tributáveis tem reflexo direto na base de cálculo do imposto devido e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções, objeto da autuação. Passando a análise do pedido, para reconhecimento da isenção pleiteada, é necessária a comprovação da existência de duas condições concomitantes: (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e (ii) que o contribuinte seja portador de uma das patologias previstas pela legislação de regência, atestado em laudo médico expedido por serviço médico oficial de Município, Estado, União ou Distrito Federal, que cumpra os requisitos legais. No caso, nenhuma das condições encontrase comprovada nos autos. O documento de identificação juntado consigna como situação "Ativa",o que me leva a concluir que ele não estaria aposentado, reformado ou na reserva (fl.30). A DIRF aponta que os rendimentos decorrem do trabalho assalariado (fl.17). Acrescentese que também não foi juntado laudo oficial atestando a existência de moléstia grave prevista na letra da lei. Concluo, assim, que não estão reunidos elementos suficientes para análise do seu pleito nestes autos. Por fim, cabe esclarecer que, se assim desejar e entender pertinente, o contribuinte poderá direcionar o pleito para retificação dos rendimentos declarados à Delegacia da Receita Federal do Brasil do seu domicílio tributário, a quem compete a análise de pedidos de retificação das Declarações de Ajuste entregues. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.720001/2011-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRESCRIÇÃO.
O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário.
A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11.
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (CTN - art. 150, § 4o).
Numero da decisão: 2002-000.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PRESCRIÇÃO. O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (CTN - art. 150, § 4o).
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DEDUÇÕES. LIVROCAIXA Recorrente APARECIDO PEREIRA DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PRESCRIÇÃO. O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (CTN art. 150, § 4o). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 00 01 /2 01 1- 14 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13910.720001/201114 Acórdão n.º 2002000.947 S2C0T2 Fl. 116 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 20/23), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.074,53 para saldo de imposto a pagar de R$3.829,66. A notificação noticia a dedução indevida de livrocaixa, no valor de R$11.588,00, consignando que teria sido glosada a diferença entre o valor recebido de pessoas físicas (R$65.666,10) e o valor pleiteado a título de dedução de livrocaixa (R$77.254,10) (fl.21). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 24/2/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 25/3/2011, à fl. 3/85 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação alegando em síntese que os comprovantes idôneos de despesas de livrocaixa apresentados demonstram de forma inequívoca o direito à dedução, tendo em vista que o advogado autônomo requer investimentos para atuação, sendo suas despesas operacionais constantes e seus ganhos muitas das vezes esporádicos, devendo a glosa ser cancelada. Complementa sua defesa com transcrição de excertos do Manual de Perguntas e Respostas relativos ao IRPF e ementas de acórdãos de 1ª instância administrativa. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 93/96): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. LIMITE. O valor das despesas dedutíveis, escrituradas em livrocaixa, está limitado ao valor da receita decorrente de rendimentos do trabalho não assalariado, recebido de pessoa física ou pessoa jurídica. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 4/8/2016 (fls. 100/101), o contribuinte, em 2/9/2016 (fl. 105), apresentou recurso voluntário, às fls. 105/112, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13910.720001/201114 Acórdão n.º 2002000.947 S2C0T2 Fl. 117 3 teria apresentando impugnações a duas autuações, uma vez que os procedimentos não teriam obedecido preceitos constitucionais, jurisdicionais e decisões proferidas pelo CARF. sua defesa só teria sido analisada mais de 5 anos da sua formalização, o que violaria a disposição constitucional que obriga a observância da duração razoável do processo. a administração pública teria extrapolado todos os prazos a qual tinha direito, a teor da Lei nº11.457, de 2007, e do CTN, em seus artigos 173 e 174. ao final, requer o acolhimento do seu recurso para ser declarada a nulidade e extinção do débito imposto ao contribuinte, em função dos dispositivos suscitados. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Em seu recurso voluntário, o contribuinte limitase a requerer o cancelamento da exigência, dado o tempo decorrido entre a protocolização de sua defesa e o julgamento. Quanto ao prazo para julgamento, é certo que existem muitas dificuldades (insuficiência de recursos humanos e materiais, por exemplo) para apreciação dos inúmeros processos existentes, seja na esfera administrativa, seja na esfera judicial. Entretanto, a demora na apreciação de sua defesa não enseja o cancelamento da exigência. Destaco que a exigência do crédito tributário apurado encontrase suspensa, inexistindo qualquer prejuízo ao sujeito passivo. No tocante ao artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa, tratase do chamado prazo impróprio, uma vez que inexiste qualquer previsão sancionatória relacionada ao seu descumprimento, não havendo que se cogitar da nulidade da exigência. Entendo que o dispositivo busca dar efetividade aos princípios constitucionais da eficiência e da razoável duração do processo, mas sem estipular sanção ou determinar a extinção do crédito tributário em litígio. Quanto ao CTN, os artigos mencionados no recurso recaem sobre os prazos decadencial e prescricional. No caso, a exigência recai sobre o anocalendário 2008 e, a teor do artigo 150, §4º, do CTN, o Fisco teria até 31/12/2013 para formalizar a exigência. Tendo sido o contribuinte cientificado da autuação em 24/2/2011, não há que se cogitar em decadência do crédito exigido Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13910.720001/201114 Acórdão n.º 2002000.947 S2C0T2 Fl. 118 4 Nos termos do caput do art. 174 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), o prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir, do devedor, a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. Assim, havendo impugnação (como no caso em tela), fica postergado o começo da fruição do prazo prescricional até a decisão do último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. Como se considera constituído o crédito em tela na data de ciência da autuação, e a apresentação da impugnação e do recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário, ex vi do disposto no art. 151, inciso III, do CTN e, conseqüentemente, a fluência do prazo prescricional, que só começa a fluir depois de decidido o último recurso administrativo, também impertinente essa alegação do Contribuinte. Também não há que se falar na denominada prescrição intercorrente, matéria já sumulada neste CARF e de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Dessa feita, afastase esse argumento. Quanto à glosa das despesas de livrocaixa, o recorrente nada alegou. Por consequência, incabível qualquer manifestação deste colegiado sobre a matéria. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908271/2012-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luiz Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luiz Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035313 emitido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 27 1/ 20 12 -6 1 Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13888.908271/201261 Resolução nº 3001000.192 S3C0T1 Fl. 3 2 eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 05686.27711.281111.1.3.042496. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$8.768,59, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/11/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13888.908271/201261 Resolução nº 3001000.192 S3C0T1 Fl. 4 3 manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13888.908271/201261 Resolução nº 3001000.192 S3C0T1 Fl. 5 4 Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1012). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13888.908271/201261 Resolução nº 3001000.192 S3C0T1 Fl. 6 5 Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13888.908271/201261 Resolução nº 3001000.192 S3C0T1 Fl. 7 6 julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13888.908271/201261 Resolução nº 3001000.192 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 972DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720701/2016-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
O contribuinte só poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados informado no comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora, ou outro documento hábil e idôneo.
Numero da decisão: 2002-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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O contribuinte só poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados informado no comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora, ou outro documento hábil e idôneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 28 4. 72 07 01 /2 01 6- 06 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 17284.720701/201606 Acórdão n.º 2002001.058 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51/52) contra decisão de primeira instância (fls. 42/44), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: 1. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 8 a 11, na qual é cobrado, relativamente ao ano calendário de 2012, exercício 2013, o Imposto de Renda Pessoa Física código 0211 no valor de R$ 4.771,08, sujeito à multa de mora, acrescidos ainda de juros de mora (calculados até 31/08/2016), perfazendo um crédito tributário total de R$ 7.503,47. 1.1. O contribuinte apurou em sua DIRPF/2013 um saldo de imposto a restituir no valor de R$ 11.037,10. 2. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 9, o motivo que deu ensejo ao lançamento acima: 2.1. Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 15.808,18, por falta de comprovação da efetiva retenção. 3. Devidamente cientificado da autuação em 10/08/2016, fl. 23, o contribuinte apresentou em 01/09/2016 a impugnação de fls. 2 e 3 para alegar, em síntese, que: O valor contestado referese ao imposto de renda retido na fonte incidente sobre verbas recebidas em virtude de ação judicial que foram devidamente oferecidas a tributação na declaração de ajuste anual. O contribuinte, declara que é portador de doença grave (neoplasia maligna – Câncer) conforme atestado médico. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 17284.720701/201606 Acórdão n.º 2002001.058 S2C0T2 Fl. 4 3 É de se manter a compensação do imposto de renda retido na fonte apenas quando comprovada a efetividade de retenção. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a revisão e o cancelamento do crédito tributário exigido e restituições devidas, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 09/03/2017 (fl. 49); Recurso Voluntário protocolado em 10/04/2017 (fl. 51), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 53). Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Relata o Sr. AFRF: Contribuinte intimado a apresentar: Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente; planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença; ...; DARF do recolhimento IRRF; e recibos de honorários advocatícios. Não o fez. A r. decisão revisanda, assim se manifestou: “Diante da análise de todos os documentos apresentados, entendo que o contribuinte não logrou comprovar a data e o efetivo valor do recebimento de verbas judiciais. Ademais, em nenhum dos documentos extraídos do processo judicial consta a indicação do imposto de renda que teria sido retido na fonte”. Em julgamento, manteve integralmente o crédito tributário. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, solicitando nova análise, juntando documentos. Pois bem, o recorrente, após regularmente notificado para apresentar os documentos necessários para o deslinde da controvérsia, quedouse silente, não o fazendo. Em sede de recurso, o recorrente, junta outros documentos que não lhe favorece, deixando novamente de apresentar os documentos aptos para buscar o seu direito. Para que o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos incluídos na base de cálculo seja compensado, é necessário que o contribuinte apresente o comprovante Fl. 72DF CARF MF Processo nº 17284.720701/201606 Acórdão n.º 2002001.058 S2C0T2 Fl. 5 4 de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos ou outro documento hábil e idôneo que comprove a efetiva retenção, como os que foram pedidos pelo agente fiscal. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 73DF CARF MF
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