Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10680.002389/2005-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MANUTENÇÃO DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
Não se permite o reaproveitamento de saldo credor usado em DCOMP homologada tacitamente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1994, 1995
APURAÇÃO DE CRÉDITO. REAPRESENTAÇÃO DE DARFs. RECOLHIMENTOS CONSTANTES DA APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. DESCABIMENTO DO PEDIDO.
Improcede a alegação de irregularidade na apuração do saldo credor mediante a reapresentação de DARFs que já se encontram apreciados em primeira instância, na qual foi constatada a inclusão de tais recolhimentos na apuração do crédito a que faz jus a contribuinte.
Numero da decisão: 3301-005.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MANUTENÇÃO DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não se permite o reaproveitamento de saldo credor usado em DCOMP homologada tacitamente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1994, 1995 APURAÇÃO DE CRÉDITO. REAPRESENTAÇÃO DE DARFs. RECOLHIMENTOS CONSTANTES DA APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. DESCABIMENTO DO PEDIDO. Improcede a alegação de irregularidade na apuração do saldo credor mediante a reapresentação de DARFs que já se encontram apreciados em primeira instância, na qual foi constatada a inclusão de tais recolhimentos na apuração do crédito a que faz jus a contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.002389/2005-92
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974514
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.725
nome_arquivo_s : Decisao_10680002389200592.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 10680002389200592_5974514.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7660981
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659172577280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 280 1 279 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.002389/200592 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.725 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP CRÉDIDO DE PIS (DL'S 2.445 E 2.449/88) Recorrente CLÁSSICA DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MANUTENÇÃO DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não se permite o reaproveitamento de saldo credor usado em DCOMP homologada tacitamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994, 1995 APURAÇÃO DE CRÉDITO. REAPRESENTAÇÃO DE DARFs. RECOLHIMENTOS CONSTANTES DA APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. DESCABIMENTO DO PEDIDO. Improcede a alegação de irregularidade na apuração do saldo credor mediante a reapresentação de DARFs que já se encontram apreciados em primeira instância, na qual foi constatada a inclusão de tais recolhimentos na apuração do crédito a que faz jus a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 23 89 /2 00 5- 92 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 281 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra o Acórdão nº 0228.177, oriundo da 1ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, que considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório n° 3.255, exarado pela DRF em Belo Horizonte/MG, o qual homologou parcialmente compensações de PIS, IRPJ e CSLL efetuadas com saldo credor oriundo de pagamentos de PIS decorrentes da sistemática promovida pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88. Por relatar adequadamente os fatos, adoto o relatório de primeira instância, que reproduzo a seguir: A contribuinte acima qualificada, com fundamento em decisão judicial prolatada no mandado de segurança n° 2000.38.00.0309736/MG, transmitiu as declarações de compensação autuadas às fls. 02/05, 29/46. Conforme fls. 12/26, no supracitado feito, o Tribunal Regional Federal da lª Região, em 19/03/2002, declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, de 1988, e reconheceu o direito da autora à compensação dos recolhimentos efetuados a maior com os débitos do próprio PIS, sujeito a posterior ratificação pela autoridade fazendária. Em sede de Recurso Especial, o STJ declarou prescrito o direito à compensação do indébitos anteriores a 26/09/1990. Tendo em vista as Leis n° 7.691/1988, 7.799/1989, 8.218/1991 e 8.981/1995, que, posteriormente aos decretosleis declarados inconstitucionais, alteraram os prazos de recolhimento do PIS, e, ainda, o Parecer PGFN/CRJ n" 2.143/2006 (semestralidade da base de cálculo do PIS), a repartição de origem apurou saldo credor de R$ 72.711,86 em 31/12/1995, relativo aos pagamentos efetuados entre 02/10/1990 e 15/12/1995, e reconheceu também como pagamentos a maior os realizados em 15/01/1996, 15/02/1996 e 15/03/1996. O crédito apurado foi demonstrado às fls. 66/72. No limite dos créditos reconhecidos, a autoridade administrativa homologou a compensação com débito do próprio PIS e, nos estritos termos da decisão judicial, não homologou as compensações realizadas com débitos de IRPJ e CSLL (despacho decisório de fls. 73/77). Deste modo, conforme fl. 86, das DCOMPs tratadas no presente processo, restou homologada exclusivamente a de n° 28630.24292.151204.1.3.571053, com extinção de débito de PIS da competência de novembro de 2004 no montante de R$ 6.049,91. Cientificada cia decisão em 09/03/2010 (fl. 144), a contribuinte manifestou, em 08/04/2010 (fl. 147), sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, às fls. 148/153, que a decisão não observou a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT n° 8, de 13 de janeiro de 2005, emitida no processo administrativo n° 10680.015292/200469, e que houve a homologação tácita das DCOMPs transmitidas em 15/12/2004, 31/01/2005 e 28/02/2005. Afirma, ainda, que Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 282 3 não foram considerados, na apuração dos créditos, os recolhimentos de PIS dos períodos de 1994 e 1995 (Darfs de fls. 161/168). Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade, a 1ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE tal recurso, por meio do Acórdão nº 0228.177, nos seguintes termos (ementa e trechos do voto): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1990 a 28/02/1996 Ementa: A resposta dada à consulta vincula a Administração Fazendária até que venha a ser alterada. Sc, após a resposta ã. consulta, a Administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/10/1990 a 28/02/1996 Ementa: Ocorre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte *** [...] Por fim, dos demonstrativos de fls. 66/72, é possível constatar, de forma inequívoca, que todos os pagamentos efetuados por intermédio dos Darfs de fls. 160/168, ao contrário do que afirma a manifestante, foram sim considerados pela repartição na apuração dos créditos. Observase que, à fl. 69/71, foram confrontados os pagamentos efetuados, entre os quais se incluem os questionados pela manifestante, com os valores efetivamente devidos, demonstrados à fl. 66. Os saldos de créditos, assim apurados, foram, então, a fl. 72, atualizados até 31/12/1995. Devem, portanto, neste ponto, ser rejeitadas as alegações da manifestante. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade, para determinar a homologação das compensações efetuadas com débitos do IRPJ e da CSLL, no limite do crédito apurado pela repartição de origem, bem corno reconhecer a homologação tácita das declarações de Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 283 4 compensação de n° 35887.05962.310105.1.3.576795 e 25634.13815.280205.1.3.576670. Cientificada da decisão acima, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que apresentou os seguintes argumentos: a) Reiterou a alegação de que alguns os DARF's referentes ao recolhimento de PIS dos períodos de 1994 e 1995 foram desconsiderados pela Receita Federal na apuração de seu crédito, resultando, desse modo, em um crédito inferior àquele que realmente faz jus; e b) apesar de a Delegacia de Julgamento ter reconhecido a homologação tácita dos PER/DCOMPs n° 35887.05962.310105.1.3.576795 e 25634.13815.280205.1.3.576670, ao efetuar o encontro de contas entre o crédito da Recorrente e os valores compensados, a Receita Federal incluiu, indevidamente, os valores correspondentes aos mencionados PER/DCOMPs, devendo ser determinado, portanto, a exclusão destes do encontro de conta, pois tais compensações encontramse homologadas tacitamente. Concluiu assim o seu recurso: Exposifis, a Recorrente espera e requer que seja reformada a Decisão proferida pela 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, no que diz respeito aos valores dos DARF's anexados no presente processo que não foram considerados pela Receita Federal na apuração do credito da Recorrente, bem como sejam excluídos do encontro de contas os valores correspondentes aos PER/DCOMP's n° 35887.05962.310105.1.3.576795 e 25634.13815.280205.1.3.576670, que foram homologados tacitamente, de sorte que seja homologada integralmente a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo a atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente alega que 27 (vinte e sete) de seus recolhimentos para o PIS, às fls. 261269 (eProcesso), não foram considerados pela RFB na apuração de seu crédito. Tais recolhimentos são os mesmos apresentados anteriormente na fase de julgamento de sua Manifestação de Inconformidade, às fls. 188196 (eProcesso). No âmbito da DRJ, foi constatado, ao contrário do afirmado pela contribuinte, que todos esses recolhimentos constavam da apuração pela Receita Federal do saldo credor da Recorrente, conforme excerto do Acórdão nº 0228.177, a seguir: Por fim, dos demonstrativos de fls. 66/72, é possível constatar, de forma inequívoca, que todos os pagamentos efetuados por intermédio dos Darfs de fls. 160/168, ao contrário do que afirma a manifestante, foram sim considerados pela repartição na apuração dos créditos. Observase que, à fl. 69/71, foram Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 284 5 confrontados os pagamentos efetuados, entre os quais se incluem os questionados pela manifestante, com os valores efetivamente devidos, demonstrados à fl. 66. Os saldos de créditos, assim apurados, foram, então, a fl. 72, atualizados até 31/12/1995. Devem, portanto, neste ponto, ser rejeitadas as alegações da manifestante. De fato, basta uma simples análise nos presentes autos para notar que os recolhimentos apresentados pela contribuinte em ambos os recursos (Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário) integraram, sim, a apuração de seu saldo credor de PIS. Esses recolhimentos estão todos incluídos no documento intitulado "DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS CADASTRADOS", às fls. 9094 do eProcesso (fls. 6971 do processo físico), especificamente às fls. 9294 do eProcesso (fls. 70, 70v e 71 do processo físico), fazendo parte, portanto, da apuração do crédito aqui tratado. Não é demais acrescentar que o procedimento realizado pela repartição de origem consistiu em imputar os pagamentos realizados pela Recorrente, inclusive os apresentados em seu recurso voluntário, com os débitos correspondentes de PIS, resultando do referido procedimento o saldo credor de R$ 72.711,86, atualizado até 31/12/1995, conforme planilha à fl. 95 (eProcesso). Ressaltese, ademais, que o saldo credor apurado pela repartição de origem não se limitou ao valor acima. Englobou ainda 03 (três) recolhimentos em data posterior a 31/12/1995, de forma que o saldo credor total da Recorrente apresentase da seguinte forma: Recolhimento 0001 3885 PIS/PASEP 02/01/1996 R$ 72.711,86 Recolhimento 0002 3885 PIS/PASEP 15/01/1996 R$ 1.367,92 Recolhimento 0003 3885 PIS/PASEP 15/02/1996 R$ 5.842,44 Recolhimento 0004 3885 PIS/PASEP 15/03/1996 R$ 8.427,93 Assim, não procede o argumento de que a repartição de origem não levou em consideração os pagamentos trazidos junto ao Recurso Voluntário na apuração do saldo credor a que faz jus a Recorrente. Quanto à alegação de que os PER/DCOMPs n° 35887.05962.310105.1.3.57 6795 e 25634.13815.280205.1.3.576670 não deveriam ser objeto do encontro de contas frente ao seu saldo credor, por terem sido reconhecidos homologados tacitamente pela DRJ, também aqui não prospera a argumentação. Pelo que se conclui do argumento da Recorrente, o fato de os dois PER/DCOMPs acima terem sido homologados tacitamente permitirlheia manter o crédito (saldo credor) utilizado nessas declarações e usálo em outros PER/DCOMPs, ou até mesmo solicitar a restituição desse saldo credor se assim pretendesse. Enfim, seria como se houvesse um "prêmio" para a contribuinte em razão de o Fisco deixar transcorrer o prazo do art. 74, §5, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, sem analisar essas declarações. No entanto, não é essa a interpretação que se extrai da leitura do referido dispositivo. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 285 6 O prazo de 05 (cinco) anos concedido ao Fisco para analisar a compensação efetuada pela contribuinte lhe permite efetuar os procedimentos necessários para verificar o cumprimento dos requisitos certeza e liquidez do direito creditório e apurar a exatidão dos débitos apresentados na declaração de compensação, após o que decai tal direito, não sendo possível promover lançamento suplementar ou a execução do crédito tributário compensado/confessado, por se encontrar extinto, eis que ocorreu então a homologação tácita da declaração, a menos que, no caso da compensação de débitos próprios vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Portanto, deflui da referida sistemática que em momento algum se permite o reaproveitamento do crédito utilizado na declaração de compensação nos casos em que houver sua homologação tácita, mas sim, permitenos concluir que aquele crédito tributário objeto da declaração, e nela compensado, já não se encontra sob a interferência fiscal, visto sua extinção por homologação tácita da correspondente declaração, exceto na hipótese de compensação de débitos vincendos acima enunciada. Esclareçase, ainda, que a compensação para ter efeito necessita da existência de crédito, crédito este que, no presente caso, foi regularmente apurado pelo Fisco e usado para fazer frente aos débitos compensados, inclusive àqueles das declarações homologadas tacitamente, eis que o direito creditório é um só e não pode ser reutilizado (usado em duplicidade) pela declarante. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725712/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL.
No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003.
CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO.
CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
Numero da decisão: 3201-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGP-M, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
(assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.725712/2012-48
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983911
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.843
nome_arquivo_s : Decisao_10166725712201248.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 10166725712201248_5983911.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGP-M, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7686250
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659324620800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.047 1 1.046 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725712/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.843 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria PIS/PASEP Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DO NORTE DO BRASIL S/A ELETRONORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 57 12 /2 01 2- 48 Fl. 1048DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGPM, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 1019/1039, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0257.647 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 998/1014, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa a PIS/PASEP. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: A interessada transmitiu Per/Dcomp (fls. 02 a 06) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/05/2006. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição da contribuinte emitiu Despacho Decisório em 16/11/2012 (fls. 957 a 969), no qual não homologa a compensação pleiteada, por considerar indevidas as alterações efetuadas na retificação do Dacon, as quais resultaram em redução do valor de PIS a pagar e, conseqüentemente, no alegado pagamento a maior da contribuição. Segundo Despacho Decisório emitido pela DRF, a contribuinte recalculou o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.048 3 contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de não cumulativo para cumulativo, e, ainda, excluindo da base de cálculo da contribuição os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). No entendimento da DRF, a tributação das receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003 deve ser feita no regime nãocumulativo, tendo em vista a descaracterização de preço determinado daqueles contratos. Pelos documentos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o índice utilizado nos reajustes dos contratos foi o IGPM, o qual não se constitui em índice específico de nenhuma categoria ou produto, não se adequando, portanto, ao disposto no §3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do serviço prestado pela contribuinte e nem tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Com relação aos valores relativos a CCC, entende a DRF de origem que integram a base de cálculo da contribuição calculada na sistemática da nãocumulatividade, por caracterizarse como “receita” e não como “recuperação de despesas”. Cientificada em 11/12/2012 (fl. 973/974), a contribuinte apresentou, em 09/01/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 976 a 988, com as alegações a seguir resumidas. DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC): Explica que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) foi instituída pela Lei nº 5.899/1973, com o objetivo principal de permitir a modicidade das tarifas de energia elétrica em usinas termoelétricas, em face dos elevadíssimos custos com combustíveis derivados de petróleo, seu principal insumo. Segundo a contribuinte, essa conta funcionaria como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRÁS, a qual recebe cotas anuais de concessionárias de todo o país, utilizando esses recursos para reembolsar as empresas geradoras de energia em usinas termoelétricas (entre elas, a requerente), por parte dos seus custos de combustíveis. Neste sentido, alega que os valores recebidos se caracterizam como reembolso, nos termos do Decreto nº 744/1993, enquanto a incidência do PIS e da Cofins se dá sobre o faturamento mensal da empresa, assim compreendido o total das receitas auferidas. Ressalta que nem todo ingresso de valor constitui receita, a qual implica em algum acréscimo patrimonial, o que não se verifica no presente caso. Acrescenta às suas alegações o art. 110 do CTN, bem como jurisprudência a respeito da inclusão de receitas e Despacho da ANEEL que determina que os valores da CCC sejam contabilizados como “Recuperação de Despesas”, salientando que está sujeito a suas determinações. Fl. 1050DF CARF MF 4 DA MANUTENÇÃO DO PREÇO PREDETERMINADO – INCIDÊNCIA DO REGIME CUMULATIVO: Sobre os valores tributados com base no regime cumulativo, aduz que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza pela simples previsão de reajuste decorrente da correção monetária e que a previsão de manter a tributação cumulativa para as receitas decorrentes de contratos anteriores a 31/10/2003 alcançou aqueles como preços predeterminados, ainda que sujeitos a cláusulas de reajuste, desde que por critério prefixado e destinado à mera recomposição monetária. Nesse sentido, cita entendimentos da Terceira Turma do TRF 5 e do TRF da 3ª Região, invocando a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 468/2004, que restringiu o alcance da Lei nº 10.833/2003, cujo intuito, ao manter os contratos no regime anterior, foi manter o equilíbrio econômicofinanceiro contratual. Destaca que a IN SRF nº 468/2004 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 658/2006, que determina que, para descaracterização do preço predeterminado, é necessário o reajuste em valor superior aos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que não ocorreu no seu caso. Argumenta que o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção monetária da energia elétrica, não havendo legislação que o impeça de constituir índice específico de categoria ou produto, e que se adequa ao disposto no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados nos seus serviços prestados. Aduz que a RFB acabou por impedir que contratos usufruíssem a permanência no regime da cumulatividade, mesmo quando enquadrados nas hipóteses previstas na Lei nº 10.833/2003, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado. Argumenta que o preço predeterminado aceita reajustes, sim, pois, caso a intenção do legislador fosse não abarcar os contratos com esses reajustes, teria utilizado o termo “preço fixo” na lei. Ressalta que a sistemática da nãocumulatividade não foi considerada no reajuste das tarifas, constando expressamente as alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a Cofins, respectivamente, nos contratos de suprimentos firmados. Destaca que a ANEEL, em 2005, determinou que os impactos relativos às alterações da legislação do PIS e da Cofins deveriam ser apurados pela concessionária e validados por aquela Agência somente no reajuste de 2006, sendo que, nesse ínterim, foi editada a IN SRF nº 658/2006, estabelecendo que o mero reajuste não descaracteriza o caráter predeterminado do preço, motivo pelo qual não houve alteração no regime da apuração dos tributos nos períodos subseqüentes. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 0257.647 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 998/1014, está assim ementado: Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.049 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e Fl. 1052DF CARF MF 6 fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fiscocontribuinte. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Das Razões De forma concisa, a Recorrente alega haver comprovado nos autos que o crédito proveniente da PER/DCOMP é decorrente de recolhimento efetuado a maior: (a) em virtude do recálculo na apuração do PIS, em obediência as alterações no regime de tributação relativas as receitas auferidas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, disciplinadas nas Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; e (b) da exclusão dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) da base de cálculo do PIS. Do Mérito Quanto ao mérito, a Recorrente repisa os argumentos apresentados na primeira instância, em especial: (a) que a receita cuja tributação está sendo discutida é decorrente de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (b) que a CCC funciona como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRAS, que recebe cotas anuais das concessionárias de todo país, utilizando esse recurso para reembolsar parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas, repassando o valor correspondente diretamente a ELETROBRAS; (c) que esses valores não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a própria Lei reconhece tratarse de reembolso (Decreto 744193, art. 25), estando, portanto, excluído da base de cálculo do PIS/PASEP; (d) que a tarifa de energia elétrica é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, órgão regulador ao qual a ELETRONORTE está subordinado, não cabendo as concessionárias de serviço público de energia elétrica a decisão quanta a sua majoração; (e) que a manutenção da tributação sob o regime da cumulatividade foi bastante discutida pelo Órgão regulador, interpretando as normas legais e infralegais vigentes, entendeu e determinou as suas reguladas, a manutenção da tributação pelo regime da cumulatividade, vedando qualquer majoração do preço contratual decorrente da não cumulatividade; (f) que a caracterização do preço prédeterminado ocorre quando o reajuste dos preços não for superior ao valor correspondente aos acréscimos de custos de produção conforme disposto no § 3°, do artigo 3° da IN SRF n° 658/2006 ou mesmo quando há utilização de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do artigo 27 da Lei n° 9.069/1995; (g) que a utilização do IGPM não tem o condão de descaracterizar o preço predeterminado dos contratos. Atualmente o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.050 7 monetária da energia elétrica, não havendo legislação que determine que não pode constituir índice específico de categoria ou produto; (h) que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com preço preestabelecido e clausula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que, definitivamente, não se confunde com o preço predeterminado. (i) que houve manifesta anuência da Receita Federal do Brasil quanto a Manutenção dos respectivos contratos no regime da cumulatividade, ratificando o entendimento da empresa e legitimando a apuração realizada pela ora recorrente, conforme pode ser observado nos Processos Administrativos n.°14033 003352200818 (COFINS) e n.°10166 911300200923 (PIS). (j) que diante disso, a Eletronorte manteve a apuração dessas receitas pelo regime da cumulatividade nos períodos posteriores, em total observância a legislação incidente e também ao posicionamento da própria Receita Federal, no caso concreto. A Recorrente discorre sobre a conta de consumo de combustíveis (CCC) e a geração de energia elétrica em usinas termelétricas, em particular nos estados do Acre, Rondônia e Amapá. Argumenta que os valores da CCC não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a legislação reconhece tratarse de reembolso. Sobre o assunto cita jurisprudência do CARF. Na questão dos preços predeterminados, a Recorrente sustenta que foram mantidos no regime da cumulatividade as receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiarias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data. Argumenta que por meio da IN 658/06 a Receita Federal decidiu por manter o regime da cumulatividade para os contratos em que o reajuste de prego fosse feito em percentual não superior aquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou quando houvesse uma variação de índice mas que correspondesse proporcionalmente a variação dos custos dos insumos utilizados (Lei no 11.196/05, art. 109 e IN 658/06, art. 3°,§3°). Sustenta que os contratos objeto do processo, enquadramse no conceito de preço predeterminado estabelecido pela IN SRF 658/06. Nessa linha de argumentação discorre que o IGPM se adequa perfeitamente ao disposto no artigo 3°, parágrafo 3°, da IN 658/06, tendo em vista que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados na produção do serviço prestado. Cita jurisprudência. A Recorrente discorre sobre a determinação da ANEEL para manutenção no sistema cumulativo. Fl. 1054DF CARF MF 8 A Recorrente argui que procedeu a apuração das contribuições em obediência ao disposto na IN SRF 658/06 que revogou a IN SRF 468/04. A seu favor cita os Processos Administrativos n°14033 003352200818 (COFINS) e n°10166 911300200923 (PIS). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede a anulação do Acórdão 0257.646 proferido pela 1 a Turma da DRJ/BHE. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. De forma objetiva o Recurso recai sobre duas questões: (a) a alteração do regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo, e (b) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. (a) Alteração Regime Tributação – Contratos Anteriores a 31/10/2003 A Recorrente alega seu direito de recalcular o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo. O cerne da discussão está na permanência dos contratos dentro da exceção para a cobrança cumulativa, após o reajuste do “preço predeterminado” pelo IGPM. Em suma, a discussão analisa o uso do IGPM para o reajuste do preço da energia elétrica e o conceito de preço predeterminado. No mérito não cabe razão a Recorrente. A Lei n° 11.196/2005, Art. 109 estabeleceu forma de reajuste de preços para os contratos a preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo. Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. (grifo nosso) Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.051 9 Portanto, os reajustes para fins da manutenção no regime cumulativo devem ocorrer em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ocorre que o índice utilizado pela Recorrente foi o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que engloba desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Ou seja, tratase de índice de reajuste de preços abrangente sem associação com o custo de produção da energia elétrica. O CARF tem entendimento firmado sobre assunto. CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. [...] (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.467, de 24/02/2016, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.372, de 11/12/2015, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Como fundamento das razões de decidir peço vênia para reproduzir trechos do voto do Conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho no Processo nº 13896.721004/201524. Em 2006, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 658/2006, cujo art. 3º regulamenta o preço predeterminado para fins de apuração da PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 1056DF CARF MF 10 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, estatui o art. 3º que preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Assim, qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, como argumenta a recorrente, seja de revisão de preços, inclusive a cláusula contratual sob análise, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços se dá em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM; regra legal complementada pelo § 3º da IN, reproduzido acima, devendo este, claro, correspondência à lei, como será exposto em seção seguinte do presente voto. Assim, não tem efeito sobre o discutido a argumentação da recorrente de que o IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. Aduz também a contribuinte que preço predeterminado é aquele preço previsto contratualmente e não se equipara a preço fixo, Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.052 11 amparado no que dispõem a Instrução Normativa n° 21, de 13 de março de 1979, que disciplina a aplicação do art. 10 do Decretolei n° 1.598/1977, para fins de IRPJ. Tal norma absolutamente não se aplica ao caso em pauta, pois é anterior e menos específica que a IN 658, ou melhor, se aplica a outra espécie tributária o IRPJ. A característica de índice geral de preços, por si só, já retiraria o IGPM da exceção que não descaracterizaria o preço predeterminado. (...) Assim, de modo conclusivo, para a permanência do contrato de fornecimento de energia elétrica no regime cumulativo a Recorrente deveria ter utilizado um mecanismo de reajuste conforme determinado pela legislação, ou seja, em função do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. A utilização do IGPM na cláusula contratual de reajuste afetou o conceito de “preço predeterminado” obrigando a empresa ao recolhimento da contribuição no regime não cumulativo. (b) Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) A Recorrente alega que os valore recebidos na CCC não são receitas, mas reembolso de parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas. No mérito não cabe razão a Recorrente. O entendimento do juízo de primeira instância está em harmonia com o entendimento deste órgão de julgamento, ou seja, de considerar os valores recebidos relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), como compondo a base de cálculo do PIS. CARF Acórdão nº 1201002.128 do Processo 10283.721454/201111 – Data 12/04/2018 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. RECEITAS DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS CCC. Correta a tributação quando carecem os autos de elementos inequívocos apontando para o pagamento dos tributos correspondentes às receitas concernentes aos numerários das Solicitações de Reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCC. CARF Acórdão nº 3803002.866 do Processo 10983.911778/200920 – Data 26/04/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS Fl. 1058DF CARF MF 12 (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade. As razões de decidir são as mesmas do juízo de primeira instância de modo que peço vênia para reproduzir e comentar os principais trechos. (...) embora caiba à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) regular as tarifas e estabelecer as condições gerais de contratação do acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica por concessionário, permissionário e autorizado, bem como pelos consumidores, o entendimento por esta exarado, por meio de Notas Técnicas e Resoluções, não vincula a administração tributária, razão pela qual a análise que se segue limitarseá a legislação tributária aplicável ao caso. (efl. 694) A ANEEL não possui competência para legislar em matéria tributária. Segundo as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Como os valores não incluídos na base de cálculo das contribuições pela autuada não se encontram entre as exclusões permitidas pelo §3º do art. 1º das citadas Leis, a impugnante busca fundamentar sua contestação afirmando que os valores relativos à CCC não seriam receitas propriamente ditas, mas mero reembolso, estabelecido por lei, para viabilizar economicamente a produção de energia elétrica em usinas térmicas, em face do elevado custo de seus insumos. O que a contribuinte chama de “reembolso”, no entanto, não perde o seu caráter de receita. É o que a seguir se verá. A CCC foi instituída pelo inciso III do artigo 13 da Lei n° 5.899, de 5.07.1973. Art. 13. A coordenação operacional, que se refere o artigo anterior, terá por objetivo principal o uso racional das instalações geradoras e de transmissão existentes e que vierem a existir nos sistemas interligados das Regiões Sudeste e Sul, assegurando ainda: (...) III que os ônus e vantagens decorrentes do consumo dos combustíveis fósseis, para atender às necessidades dos sistemas interligados ou por imposição de interesse nacional, sejam rateados entre todas as empresas Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.053 13 concessionárias daqueles sistemas, de acordo com critérios que serão estabelecidos pelo Poder Executivo.” (grifouse) Constatase, assim, que foi criado um mecanismo de equalização de custos destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos consumidores finais por intermédio de uma sistemática de rateio entre as concessionárias do sistema, com o subseqüente repasse às concessionárias termoelétricas, destinado à compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis. A Lei nº 9.648/1998 dispôs que as usinas termoelétricas situadas nas regiões abrangidas pelos sistemas elétricos interligados, que iniciarem sua operação a partir de 06/02/1998, não mais farão jus aos benefícios da sistemática de rateio de ônus e vantagens decorrentes do consumo de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica. Contudo, tal sistemática foi mantida pelo prazo de vinte anos, a partir da publicação da referida lei, para as usinas termoelétricas integrantes dos sistemas isolados (tal dispositivo somente foi revogado com a edição da Medida Provisória nº 466, de 29 de julho de 2009). (efl. 698) Os valores recebidos através da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) constituem receitas, pois servem para subsidiar a geração de energia elétrica efetuada mediante o uso de combustíveis fósseis. Nesse sentido, as recuperações de despesas constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), a seguir transcrito, e, como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da COFINS: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões;” (grifouse) Desta forma, no que diz respeito aos valores recebidos relativos à conta CCC, os quais foram considerados pela autoridade fiscal, na apuração da base de cálculo da contribuição, não cabe reparos no Despacho Decisório impugnado. (efl. 699) Assim, de forma conclusiva, considerase como receita os valores recebidos na CCC. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o direito creditório. Fl. 1060DF CARF MF 14 É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Voto Vencedor Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior É de reconhecer como válida a correção do IGPM anteriores a 31/10/2003, isso, desde que firmado nas hipóteses do art. 27 da 9718/98. Ainda é correta o memorando SSF/Aneel 836/2005. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a validade de tal correção: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 Ementa: PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, o nde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimentalprobatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do CPC/2015, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 Ementa: PREÇO PREDETERMINADO. ILEGALIDADE DA IN Nº 468/2004 e 658/2006. O preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, trata se de mera atualização monetária dos valores dos contratos, e, n ão torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado. A ilegalidade da exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de bens e serviços, com prazo sup erior a 1(um) ano, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI alínea “b” da Lei 10.833/03. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O re ajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 d a Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.054 15 Assim, dou provimento no que tange esse tópico. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 1062DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903504/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/10/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.903504/2012-50
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989640
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.710
nome_arquivo_s : Decisao_10283903504201250.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283903504201250_5989640.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7698065
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659387535360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.903504/201250 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.710 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente BIC AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 35 04 /2 01 2- 50 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de COFINS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.570. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900193/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10320.900193/2011-01
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5979874
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.935
nome_arquivo_s : Decisao_10320900193201101.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10320900193201101_5979874.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7674866
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659708399616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.900193/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.935 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 93 /2 01 1- 01 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de COFINS mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.488. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. COFINS. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000668/2003-29
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4°
do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.080
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 10675.000668/2003-29
conteudo_id_s : 5982617
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.080
nome_arquivo_s : Decisao_10675000668200329.pdf
nome_relator_s : MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10675000668200329_5982617.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
id : 7680288
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659740905472
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-04T11:47:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-04T11:47:18Z; Last-Modified: 2009-09-04T11:47:18Z; dcterms:modified: 2009-09-04T11:47:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-04T11:47:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-04T11:47:18Z; meta:save-date: 2009-09-04T11:47:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-04T11:47:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-04T11:47:18Z; created: 2009-09-04T11:47:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-04T11:47:18Z; pdf:charsPerPage: 1071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-04T11:47:18Z | Conteúdo => 1.- s2-CIT1 FI.213 ff" ." ettes..„, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS *.? SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO7-.8..i•-,,,,,!..4-,:- Processo n° 10675.000668/2003-29 Recurso n° 141.037 Voluntário Acórdão n° 2101-00.080 — 1 Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente PRODUTOS ERLAN LTDA Recorrida DRJ em Juiz de Fora - MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1* turma ordinária do segunda seção de julgam• • por unanimidade de votos, em net . pri vimento ao recurso. li I / 40 CA O MARCOS CÂNDI' ç ARIA CRISTINA ROk DA 41A elatora i Ir Processo n° 10675.000668/2003-29 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 214 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, António Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3" Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 01, relativo ao 2" trimestre de 2000, no valor total de R$ fundado nos termos da Lei n" 9.363/96 e da Portaria MF n" 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SEL1C, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. Nos processos 10675.000928/2003-66 e 10675.001034/2003-93, em apenso, encontram-se as compensações vinculadas ao pleito de ressarcimento. [*excluído] Os resultados da verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estão consolidados na informação fiscal de fls. 99/102. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa. procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls.101/102. O indeferimento parcial do pedido compreende: a) um montante relativo à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio (apurado extemporaneamente - fl. 46); b) um montante relativo a diferenças na apuração efetuada pelo auditor (em valores originais), sendo a principal delas decorrente do cálculo das receitas de exportação (os valores apurados pela fiscalização são inferiores aos computados pela empresa). Por intermédio do despacho decisório de fls. 121/123 a autoridade competente da DRF/Uberlândia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 128/139, por intermédio da qual insurge-se tão-somente, contra o indeferimento proveniente da glosa da iatualizactio' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(..) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada pela Autoridade Tributária sob o vetustofundamento de G/L 2 Processo n° 10675.000668/2003-29 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 215 que não seria devida a 'atualização monetária ou acréscimo de juros compensatórios sobre o crédito presumido. haia vista a inexistência de previsão legal fr. eis que como o ressarcimento é uma espécie do género restituição. nele incide sim a Taxa Selic prevista no artigo 39. § 4". da Lei n"9.250/95 (..)". Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Selic sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integralidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre abril e junho de 2000 e foi yf protocolado em 13/03/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fundamentos se mantêm por eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não desde as aquisições dos insumos. cÁ- 3 a. Processo n° 10675.000668/2003-29 S2-CI T I Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 216 Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a titulo de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de beneficios fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O princípio da indisponibilidade da coisa pública torna imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantztm a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. 4 Processo n° 10675.000668/2003-29 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 217 O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 3° da Lei n°9.430/96. Para a segunda inexiste previsão ou permissão legal. O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. ARIA/444—RISTINA I4ZA DUTA 5 Page 1 _0049000.PDF Page 1 _0049100.PDF Page 1 _0049200.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15868.001222/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA.
A não-apresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar.
MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário.
LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE.
A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE MULTA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO
Trata-se de lançamento de ofício de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim, o prazo decadencial é o do inciso I do art. 173 do CTN.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Numero da decisão: 3301-005.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. A não-apresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar. MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE MULTA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO Trata-se de lançamento de ofício de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim, o prazo decadencial é o do inciso I do art. 173 do CTN. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15868.001222/2009-63
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988711
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.968
nome_arquivo_s : Decisao_15868001222200963.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15868001222200963_5988711.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7697920
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659914969088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 252 1 251 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.001222/200963 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.968 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Obrigações acessórias Recorrente BRACOL HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. A nãoapresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar. MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE MULTA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO Tratase de lançamento de ofício de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim, o prazo decadencial é o do inciso I do art. 173 do CTN. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 12 22 /2 00 9- 63 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 253 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de lançamento, contra a empresa qualificada em epígrafe, de multa regulamentar por falta de apresentação de arquivos magnéticos da forma legalmente prevista, no valor de R$ 6.661.596,08, conforme previsto na Lei d 8.218, de 1991, arts. 11 e 12, I, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) 2.15835, de 2001, art. 72. De acordo com a fiscalização, a autuada protocolizou pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição ao contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativos à receita de exportação, apurados no regime nãocumulativo, referentes aos primeiro e segundo trimestres de 2004. Prosseguindo na análise dos pedidos, a fiscalização solicitou, entre outros elementos, os arquivos digitais do período em questão. Após diversas intimações da fiscalização nesse sentido, a autuada apresentou dois CDR referentes aos trimestres em questão, contendo cada um diversas pastas com vários arquivos em cada pasta. No entanto, metade dos arquivos contidos nas pastas não continham dados, sendo imprestáveis para análise. Sendo assim, a fiscalização novamente intimou a contribuinte para que reapresentasse os arquivos digitais da forma devida, não sendo atendida mesmo após a realização de duas diligências na sede da contribuinte após o término do prazo concedido para reapresentação dos arquivos. Desta forma foi lavrado o auto de infração de constituição da multa por apresentação incompleta de arquivos magnéticos, acima citada. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em tese, preliminarmente, que o lançamento seria nulo, porquanto os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba não têm competência para lavrar auto de infração contra a impugnante, pois o seu domicílio fiscal é São Paulo, capital, indo, portanto, de encontro ao art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 254 3 Assim, o lançamento somente poderia ser efetuado pelos servidores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), em São Paulo, especialmente pelo fato de estar vinculado aos pedidos de ressarcimento das contribuições, haja vista que o seu recolhimento é centralizado na capital. Anexa, ainda, ementas de julgados de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que teriam esse entendimento. Também o lançamento seria nulo, segundo a autuada, porquanto não foi respeitado o local dos trabalhos indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tampouco a necessidade de os atuantes atuarem em conjunto e não isoladamente, além de não haver autorização para imposição de penalidades, já que o MPF limitarseia a questões envolvendo o PIS e a Cofins. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da Lei d. 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Argumenta que os própriosAuditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) reconheceram a apresentação de diversos documentos e arquivos digitais e, em vez de solicitar novos esclarecimentos, simplesmente lavraram o auto de infração e em nenhum momento apresentaram as razões de os arquivos não estarem em conformidade com a legislação de regência. Observa também que tais questões não têm o condão de anular o conteúdo dos arquivos que continham as informações requeridas. Deveriam, assim, os auditores ter demonstrado porque as supostas omissões causaram a desconsideração dos arquivos, como não o fizeram, caracterizou a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa. Quanto ao que ela chama de mérito, alega que o lançamento foi atingido pela decadência, a teor do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional (CTN), haja vista que as questões envolvendo arquivos magnéticos têm relação direta com a Cofins e o PIS, tributos lançados por homologação. Ainda argumenta, que, em relação ao mesmo período, a fiscalização já procedeu à glosa dos créditos das contribuições, indeferiu os respectivos ressarcimentos e não homologou as compensações, assim o lançamento da presente multa caracterizaria o bis in idem, pelo fato de a autuada estar sendo apenada em razão da mesma realidade fática. Assinala também que os AFRFB nunca contestaram a apresentação dos CD R pela impugnante, apenas constataram que havia algumas informações não solicitadas e outras em branco, assim não existiria infração, pois algumas informações a mais ou em branco não invalidam as demais constantes nos arquivos. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 255 4 No entanto, se existissem irregularidades, a fiscalização deveria ter intimado a autuada a sanálas em prazo razoável, o que não ocorreu, porquanto somente foram concedidos cinco dias para reapresentação dos arquivos magnéticos. Argumenta que considerando não haver falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), somente informações incorretas, deveria ser aplicada apenas a penalidade prevista na Instrução Normativa (IN) SRF nº 940, de 2009, haja vista a relação entre as informações contidas nesse demonstrativo e nos arquivos digitais. Ainda segundo a contribuinte, o auto deve ser cancelado porque o art. 12, I, da Lei d). 8.218, de 1991, foi revogado pelo art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Desta forma, como o citado artigo trata de infração relativa a qualquer tipo de declaração envolvendo contribuições previdenciárias e a Cotins e a contribuição ao PIS têm essa característica, deve ser aplicada a penalidade prevista na Lei nº 8.212, de 1991. Por fim, requer que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos." Em 08/01/10, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 1427.151 foi assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. A nãoapresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar. MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 256 5 de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto o voto condutor da decisão de primeira instância (Acórdão n° 1427.151), do ilustre julgador Heitor Chaud, como minha razão de decidir. Destaco, todavia, que, após a transcrição, trato de dois tópicos da autuação "A Impossibilidade de aplicação de Multa Isolada Bis In Idem" e "A Decadência" , em relação aos quais meu posicionamento difere do trazido pela decisão de piso. Não obstante, nossas conclusões finais são as mesmas, quais sejam, a de negar provimento ao recurso voluntário. Passo à reprodução dos excertos que adoto da decisão de primeira instãncia: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. Preliminarmente, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome dos advogados, pois na atual fase do procedimento, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Primeiramente, a impugnante alega que o lançamento seria nulo, porque a autoridade que jurisdicionava seu domicílio fiscal seria a Derat, em São Paulo, assim o auto não poderia ser lavrado por autoridade fiscal diversa (auditoresfiscais lotados na DRF/Araçatuba), o que contrariaria o disposto no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Para bem elucidar a questão, dentro do contexto que autoriza o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) a efetuar o lançamento, impõese fazer remissão ao conteúdo do art. 142 do CTN, que dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 257 6 determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do conceito legal expresso no citado artigo, depreendese que o lançamento é indelegável e privativo da autoridade administrativa devidamente investida nessa competência. Por outro lado, do citado parágrafo único do art. 142 do CTN, extraise que o lançamento deve ser presidido pelo Princípio da Legalidade, além de constituirse num dever indeclinável, uma vez constatada a ocorrência do fato gerador da obrigação principal ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (art. 59, inciso I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, inciso II). Verificase, no caso concreto, que o auto de infração foi lavrado por AFRFBs servidores competentes para efetuar o lançamento , perfeitamente identificados pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelos mesmos, no decorrer do procedimento fiscal. Deve ser salientado que é perfeitamente legítima a lavratura do auto de infração pela DRF/Araçatuba, conforme disposto no art. 9°, §§ 2° e 30, do Decreto n° 70.235, de 1972, que se transcreve: Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 09/12/1993) (. . .) § 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7°, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 09/12/1993) § 3° A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 09/12/1993) (grifouse) Ora, prevendo a lei que o procedimento fiscal será válido, ainda que formalizado por servidor competente de jurisdição diversa daquela do domicílio tributário do sujeito passivo, e que o ato de formalizar a exigência tem o condão de prorrogar a competência e prevenir a jurisdição da autoridade que primeiro tomar conhecimento da infração, tornase descabido qualquer debate acerca de eventual ilegitimidade da autoridade autuante, decorrente da localização do domicílio da contribuinte em outra jurisdição. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 258 7 O entendimento do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), acerca da matéria é pacífico, conforme se depreende dos seguintes Acórdãos: PROCEDIMENTO FISCAL LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para formalizar o lançamento por meio de auto de infração. O procedimento fiscal é válido mesmo que formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Estando presente os requisitos dos artigos 90 e 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há o que se falar em nulidade do lançamento." (Ac. 10614411, sessão de 23/02/2005) IRPF NULIDADES DOMICILIO FISCAL Os procedimentos relativos a créditos tributários serão válidos mesmo que formalizados por servidor de jurisdição diversa do domicilio fiscal do sujeito passivo (art. 9° ,sS 2° e 3° do Dec. 70.235/72). Afastadas também as hipóteses previstas no artigo 59 do Dec. 70.235/72, não há que se falar em nulidades." (Ac. 10416857, sessão de 29/01/1999) AUTORIDADE INCOMPETENTE. Nos termos dos §§ 2° e 3° do art. 9° do Decreto n° 70.235/72, a formalização da exigência do crédito tributário por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio do sujeito passivo previne a jurisdição. (Ac. 20177186, sessão de 09/09/2003) (realcei) A impugnante, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir a infração apurada pela fiscalização. Por fim, o contribuinte tomou ciência do auto de infração, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida. Os acórdãos de DRJ trazidos pela impugnante vêm ao encontro do acima disposto, porquanto afirmam que somente são nulos os autos lavrados por autoridade incompetente, o que não é o caso do presente lançamento, e que são válidos os lançamentos formalizados por autoridade de jurisdição diversa daquela da contribuinte. Quanto às alegações relativas a eventuais irregularidades do MPF, primeiramente fazse necessário discorrer sobre esse documento nos procedimentos de lançamento do crédito tributário. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF n 1.265, de 22/11/1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB n° 11.371, de 2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Portanto, o MPF deve ser analisado sob duas perspectivas, quais sejam, a do público interno e a do externo. No âmbito interno, tem por objetivo o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos de fiscalização dos tributos e contribuições administradas pela RFB. É uma ordem específica emitida por autoridade competente da RFB para a instauração, pelo AuditorFiscal da Receita Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 259 8 Federal do Brasil (AFRFB), dos procedimentos fiscais (art. 20 da Portaria SRF n° 11.371, de 2007). Evidenciase nessa orientação administrativa uma proibição no sentido de que o AFRFB aja por vontade própria na tomada de procedimentos fiscais, além de estabelecer, de forma específica, a obrigatoriedade de executálas. No externo, assegura ao contribuinte sob fiscalização, como agora é de seu direito, conferir a autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, possibilitando o conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem verificados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização. Assim, o MPF, bem como suas prorrogações, são atos praticados em paralelo àqueles preparatórios ou integrantes do processo administrativo fiscal, mas somente estes se submetem à regência do Decreto ri 70.235, de 1972. Acrescentese que a Portaria SRF n° 11.371, de 2007, não teve o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, prevista no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Como acima exposto, esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6° da Lei n° 10.593, de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Conseqüentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever de promover o lançamento. As portarias da RFB sobre o MPF constituemse, assim, em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, portanto, o seu descumprimento não tem o condão de provocar a nulidade de lançamento efetuado por servidor competente e com garantia do direito de defesa. Assim, o referido mandado consiste em mera ordem administrativa, emanada dos dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que os auditores executem as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Esse instrumento, em realidade, é um mecanismo de proteção para o contribuinte, já que sua veracidade e outras informações a ele relativas podem ser consultadas no sitio da Receita Federal na rede mundial de computadores. Cumpre assinalar que eventual descumprimento do MPF por parte do servidor encarregado de observálo, por caracterizar infração administrativa, deve ser apurado em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento legalmente formalizado. Nesse sentido vinha decidindo o extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF, conforme ementas a seguir transcritas: NULIDADE INEXISTÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRORROGAÇÃO O Mandado de Procedimento Fiscal, a despeito da disciplina regulada pela Portaria n” 3007/2001, não tem o condão de invalidar a expressa competência fiscalizatória da autoridade administrativa, disposta no art. 142 do CTN. TAXA SELIC As súmulas 2° e 4° deste E. Conselho já pacificaram a questão da aplicação da Taxa Selic para cálculo dos juros de mora. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 260 9 (1° CC, 1° Câmara, Rec. Voluntário n° 150723, Proc. n° 10735004911/2002 45, Rel. João Carlos de Lima Júnior, Acórdão n° 1019613 7, Sessão de 27/04/2007). (g. n.) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7°, 10 e 59 do Decreto n° 70. 235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. À luz do regramento procedimental vigente, o crédito tributário tanto pode ser formalizado através de NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como de AUTO DE INFRAÇÃO. A teor das disposições contidas nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, se AUTO DE INFRAÇÃO, deve ser lavrado por servidor competente; se NOTIFICAÇÃO, deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula n° 3, do 2° CC). Recurso negado. D. O. U. de 23/05/2008, Seção 1, pág. 65. (2° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n” 129192, Proc. n° 10882001679/2004 61, Rel. Antônio Lisboa Cardoso, Acórdão n° 20218738, Sessão de 13/02/2008). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/10/2000, 17/10/2000, 19/10/2000, 20/10/2000, 23/10/2000, 24/10/2000, 25/10/2000, 27/10/2000 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicilio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9° do PAF. PRELIMINAR DE INCOMPATIBILIDADE DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O FATO JULGADO. INEXISTÊNCIA. Os fundamentos do auto de infração não se alteram pelo fato de não terem sido considerados extintos os créditos correspondentes a ação transitada em julgado na esfera judicial. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PARA FINS DE EVITAR A DECADÊNCIA O Fisco detém não só o dever como o direito de efetuar o lançamento com fins de evitar a decadência, motivo pelo qual não há qualquer nulidade nesta situação. DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se aplica o disposto no inciso X do artigo 156 do Código Tributário Nacional nos casos em que o litígio tiver sido conseqüência de ação rescisória com concessão de medida cautelar suspensiva dos efeitos da ação judicial transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (3° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n° 133246, Proc. n” 12466. 003119/200488, Rel. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Acórdão n° 302 39526, Sessão de 18/06/2008). (g.n.) Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 261 10 Assim, não é lícito interpretar que irregularidades relativas ao mandado ou mesmo a ausência do MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade de lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN): “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ”. Dito isso, que mesmo que, em tese, o MPF fosse essencial ao lançamento, o fato de o domicílio da impugnante ser diferente do da lotação dos autuantes não impede a lavratura do auto de infração, como foi acima explicitado, e também, por esse motivo não há que se falar em transferência de competências entre as unidades da RFB. Tampouco o MPF deveria prever a imposição específica dessa penalidade, pois o mandado é de fiscalização e esta pode resultar em lançamento de crédito tributário e/ou de outras penalidades. Digase em adendo que a impugnante também se equivoca ao reclamar que todas as intimações deveriam ser assinadas por todos os auditoresfiscais discriminados no MPF, pois não há nas normas reguladoras desse documento tal exigência. Quanto a possíveis descumprimentos da Lei n' 9.784, de 1999, vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o processo administrativo Fiscal (PAF), que é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, não procedem tais alegações, porquanto o presente foi formalizado em obediência ao PAF, não restando brechas para a aplicação subsidiária da Lei nº 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela impugnante. Quanto ao mérito, a autuada alega que apresentou os arquivos, mas os autuantes em nenhum momento apresentaram as razões de estes não estarem em conformidade com a legislação, apenas lavraram o auto, em vez de solicitar novos esclarecimentos, o que caracterizaria a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa, e que algumas informações a mais ou a menos não invalidam as demais apresentadas. No entanto, contraditoriamente, na mesma peça impugnatória, a impugnante alega que não foi lhe concedido tempo suficiente para reapresentação dos arquivos magnéticos na forma devida. Ora, se a impugnante foi intimada a reapresentar os arquivos na forma devida não procede a alegação de que os autuantes não solicitaram novos esclarecimentos. Melhor sorte não merece a alegação de que os autuantes não apresentaram as razões de os arquivos não estarem em conformidade com a lei, pois a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os arquivos na forma devida, contendo essas intimações quais os arquivos requeridos e a indicação dos atos legais que contêm as especificações necessárias, conforme documentos de fls. 11 a 13, 19 a 24. Posteriormente, foi reintimada a apresentar os arquivos na forma devida, conforme intimação de fls. 26 a 28, onde foram demonstradas as inconsistências nos arquivos apresentados e ainda foram lavrados autos de embaraço à fiscalização (fls. 30 a 35 e 36 a 40), contendo também os esclarecimentos necessários. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 262 11 Assim, concluise que a autuada foi intimada a reapresentar os arquivos na forma devida e esta forma foi demonstrada nas intimações, bem assim foram citados a IN SRF nº 86, de 2001, e o Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 2001, que contêm as especificações que os arquivos devem apresentar. Quanto ao prazo concedido para reapresentação dos arquivos, de fato, foram concedidos cinco dias de prazo. Todavia, esse prazo venceu em 12/06/2009 e a fiscalização, de acordo com termos de fls. 30 a 35 e 36 a 40, esteve na sede da empresa em 02/07/2009 e 30/07/2009 solicitando os arquivos, e nessas oportunidades também não foram apresentados pela empresa. Portanto, apesar do pequeno prazo concedido inicialmente, a impugnante, na prática, obteve quase dois meses de prazo extra para apresentação dos elementos, mas não apresentou os arquivos na forma exigida. Quanto à alegação de que algumas informações a mais ou a menos não invalidam as demais, há que se dizer que cada CDR apresentado continha cerca de trinta pastas, com oito arquivos cada, e, destes, quatro estavam em branco, sendo que três deles (arquivo de cadastros de pessoas jurídicas e físicas, tabela de natureza de operações e tabela de mercadorias e serviços) foram exigidos pela fiscalização e estão previstos no ADE Cofins 15, de 2001, e, de fato, sem eles não se pode analisar a totalidade dos arquivos entregues. A obrigação de manter os arquivos digitais à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a multa pela sua nãoapresentação ou apresentação incompleta estão previstas, respectivamente pelos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) n 2.158, de 2001, verbis: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (...) (realcei) Portanto, a aplicação da multa está legalmente prevista, pois todas as empresas que utilizam processamento eletrônico de dados para registrar suas operações estão obrigadas a manter à disposição da RFB os respectivos arquivos digitais, sendo apenadas com multa a nãoapresentação ou apresentação incompleta desses registros. Como no caso em questão a apresentação dos arquivos de forma indevida restou demonstrada nos autos, não há que se falar em falta de motivação do lançamento, tampouco cerceamento do direito de defesa, porquanto a impugnante, segundo os autos, foi diversas vezes intimada a apresentar os registros e, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 263 12 posteriormente, a reapresentálos na forma solicitada, tendo ocorrido, inclusive, diligências nesse sentido, também infrutíferas. Além da oportunidade de apresentar a impugnação ao lançamento após a fase preparatória do procedimento. Também não procede a alegação de que o presente lançamento caracterizaria o bis in idem, porquanto a fiscalização já indeferiu os pedidos de ressarcimento e procedeu às glosas dos créditos. A glosa dos créditos e o indeferimento dos pedidos não se trata de constituição de crédito tributário, tampouco de penalidade, como o presente, apenas não foram deferidos os pedidos pelo fato de a fiscalização não atestar a validade dos créditos, portanto não há que se falar em bitributação, que seria o lançamento de mais de um tributo em relação ao mesmo fato gerador. Ademais, o presente tratase de multa por descumprimento de uma obrigação acessória, assim mesmo que houvesse constituição de crédito tributário relativo ao mesmo período não seria o caso de bis in idem, pois essa penalidade não possui o mesmo fato gerador de outro tributo ou contribuição. No tocante às penalidades previstas na IN SRF riº 940, de 2009, vale assinalar que essa IN trata da entrega do Dacon e das penalidades pela falta da sua apresentação ou apresentação irregular, enquanto o presente, como dito, tratase de lançamento de multa por descumprimento de outra obrigação acessória, prevista em lei específica, obrigação exigida até das empresas que não são obrigadas a apresentar o Dacon, basta a existência de processamento eletrônico de dados. Quanto à afirmação de que o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991 (com a redação da Lei nº 11.941, de 2009), teria revogado o art. 12, I, da Lei nº 8.218, de 1991, primeiramente transcrevese tal artigo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV — declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (. . .) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (. . .) Como fica evidente na transcrição acima, o art. 32A não poderia ter revogado o art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, porque obviamente aquele artigo trata das contribuições previdenciárias devidas pelas pessoas físicas e jurídicas e não das contribuições sociais, como o PIS e a Cofins, e se refere às declarações a serem entregues à RFB e ao Conselho Curador do FGTS, sendo que o art. 12 dispõe sobre arquivos digitais de empresas com escrituração eletrônica de dados, independentemente de quais tributos a empresa seja contribuinte. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 264 13 Quanto à decadência, como visto acima, o art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, determina que as empresas deixem à disposição do Fisco os arquivos digitais "pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária". Assim, há que se verificar se as contribuições envolvidas foram atingidas pelo prazo decadencial. Recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo de dez anos para lançamento das contribuições sociais, culminou na edição da Súmula Vinculante nº 8, publicada no DOU de 20/06/1998: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETOLEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Por força do art. 2° da Lei nº 11.417, de 2006, tal súmula vincula também a Administração Pública a partir de sua publicação, razão pela qual o prazo referido prazo de dez anos não subsiste mais. Posteriormente à edição dessa súmula foi prolatado o Parecer PGFN/CAT nº 1.617, de 2008, que contém as seguintes conclusões quanto à contagem do prazo decadencial: a) A Súmula Vinculante n° 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de oficio, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 40, ou 173 do CTIV, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do xercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4" do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; (ressaltei) (. . .) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 265 14 É de se ressaltar que esse parecer vincula todos os órgãos do Ministério da Fazenda, inclusive os julgadores, a teor do disposto na Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Assim, conforme conclusão do citado parecer, para a contagem do prazo decadencial, havendo antecipação do pagamento, aplicase o art. 150, § 40; não havendo, aplicase o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, há que se distinguir entre os fatos geradores em que houve pagamento antecipado e os períodos em que não houve pagamento. No caso concreto, de acordo com pesquisa nos sistemas informatizados da RFB, não houve pagamento para o período analisado. Destarte, não tendo havido pagamento, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o disposto no art. 173, 1, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como o lançamento referese aos arquivos digitais relativos ao primeiro e ao segundo trimestres de 2004, o período mais remoto é janeiro/2004, cuja data de vencimento das contribuições é 15/02/2004, a realização do lançamento de oficio seria possível a partir do dia 16/02/2004. O primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173, I, foi, portanto, 01/01/2005, a partir do qual, contados cinco anos, chegase ao prazo para lançamento de 01/01/2010. Assim, o lançamento de ofício das contribuições seria possível até 01/01/2010, como a ciência do presente se deu em 19/08/2009, o mês de janeiro de 2004 e seguintes ainda não haviam sido atingidos pela decadência quando da lavratura do presente, portanto a autuada deveria apresentar os arquivos digitais na devida forma à RFB, a teor do art. 11 da Lei n2 8.218, de 1991, estando sujeito sujeita, caso não o fizesse, às penalidades previstas no art. 12 dessa mesma lei." Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado." Trato então do temas sobre os quais há divergências entre o meu entendimento e os da fiscalização e da DRJ. Não deve prosperar o pedido de cancelamento da multa, pela aplicação do "Princípio do Non Bis In Idem". A multa pela entrega de arquivos magnéticos em desacordo com a legislação específica não se confunde com nenhuma outra multa cobrada nos processos conexos (multa isolada por não homologação de compensação e multa de ofício sobre diferenças de PIS e COFINS não lançadas e pagas), pois penaliza outro tipo de conduta. Também não a socorre a alegação de que o lançamento foi fulminado pela decadência, que também rejeito, porém por motivo diverso do apresentado pela DRJ. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 266 15 O presente feito cuida de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim sendo, não atrai a discussão trazida aos autos pela decisão de piso acerca da existência ou não de pagamento antecipado, para fins de determinação do dispositivo do CTN a ser adotado § 4° do art. 150 (cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador) ou inciso I do art. 173 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Deve ser aplicado o inciso I do artigo 173, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Uma vez que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 19/08/09, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 01/04 a 06/04, não se verifica a ocorrência de decadência. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720118/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada.
NULIDADE PARCIAL. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
REFUTAÇÃO GENÉRICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PROVAS. APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO.
A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições de exceção previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PERÍCIA. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. PEDIDO NÃO FORMULADO.
Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de indicar as providências que o impugnante pretenda sejam adotadas, expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO. PRÉVIA INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).
DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. CONTAGEM DO EXERCÍCIO SEGUINTE.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. NECESSIDADE DE PROVA.
A atribuição de responsabilidade tributária na forma dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda obrigatoriamente a comprovação do interesse comum e da infração à lei, respectivamente, relacionados com os créditos tributários constituídos.
ARROLAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109).
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTE DE FATO. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. CRÉDITOS DE IPI. GLOSA.
Os documentos emitidos em favor de terceiros interessados por pessoa jurídica inexistente de fato, cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido baixada de ofício, não produzirão efeitos tributários, ressalvado o direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços de comprovar inequivocamente a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.
Numero da decisão: 1302-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte; em rejeitar pedidos de perícia e de diligência e as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito em negar-lhe provimento; e, em dar provimento parcial aos recursos interpostos pelos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. NULIDADE PARCIAL. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. REFUTAÇÃO GENÉRICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROVAS. APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições de exceção previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de indicar as providências que o impugnante pretenda sejam adotadas, expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. PRÉVIA INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. CONTAGEM DO EXERCÍCIO SEGUINTE. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. NECESSIDADE DE PROVA. A atribuição de responsabilidade tributária na forma dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda obrigatoriamente a comprovação do interesse comum e da infração à lei, respectivamente, relacionados com os créditos tributários constituídos. ARROLAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTE DE FATO. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. CRÉDITOS DE IPI. GLOSA. Os documentos emitidos em favor de terceiros interessados por pessoa jurídica inexistente de fato, cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido baixada de ofício, não produzirão efeitos tributários, ressalvado o direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços de comprovar inequivocamente a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16095.720118/2015-71
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972822
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.399
nome_arquivo_s : Decisao_16095720118201571.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Paulo Henrique Silva Figueiredo
nome_arquivo_pdf_s : 16095720118201571_5972822.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte; em rejeitar pedidos de perícia e de diligência e as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito em negar-lhe provimento; e, em dar provimento parcial aos recursos interpostos pelos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7655480
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659945377792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 6.740 1 6.739 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720118/201571 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.399 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria IPI. Glosa de créditos. Recorrente METALLICA INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. NULIDADE PARCIAL. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. REFUTAÇÃO GENÉRICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROVAS. APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições de exceção previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de indicar as providências que o impugnante pretenda sejam adotadas, expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 18 /2 01 5- 71 Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.741 2 Anocalendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. PRÉVIA INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. CONTAGEM DO EXERCÍCIO SEGUINTE. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. NECESSIDADE DE PROVA. A atribuição de responsabilidade tributária na forma dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda obrigatoriamente a comprovação do interesse comum e da infração à lei, respectivamente, relacionados com os créditos tributários constituídos. ARROLAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTE DE FATO. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. CRÉDITOS DE IPI. GLOSA. Os documentos emitidos em favor de terceiros interessados por pessoa jurídica inexistente de fato, cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido baixada de ofício, não produzirão efeitos tributários, ressalvado o direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços de comprovar inequivocamente a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.742 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte; em rejeitar pedidos de perícia e de diligência e as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito em negarlhe provimento; e, em dar provimento parcial aos recursos interpostos pelos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1154.380, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (fls. 2.822 a 2.848), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.743 4 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamentos ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deslocase a tipificação legal do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL. ADMINISTRADOR DE FATO. Constatado que terceira pessoa não mandatária representa e administra de fato a sociedade, cabível a sua responsabilização pelo crédito tributário, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA APURAÇÃO DO IPI NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.744 5 Os documentos emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, consideramse inidôneos, não se prestam para comprovar a realização das compras de matérias primas neles discriminadas nem para aproveitamento de crédito na apuração de tributo, como também não produzem efeitos tributários em favor de terceiros. IPI. GLOSA DE CRÉDITO. LANÇAMENTO. Uma vez confirmada a inidoneidade das notas fiscais, mantémse a exigência do IPI calcada na glosa dos créditos utilizados na apuração do imposto. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência." Conforme relatório do Acórdão recorrido, é a seguinte a síntese dos autos: "Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 1242/1276, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, IPI. O crédito tributário total importou em R$ 20.785.768,78, fl. 1.242. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 1216/1241, o lançamento, que se refere aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de créditos básicos do IPI com lastro em documentos inidôneos, tendo enquadramento legal à fls. 1251/1253 e da falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado no RAIPI e declarado a menor em DCTF, enquadramento legal à fl.1249 . Foram glosadas todas as aquisições de matériasprimas que a Metallica informou como tendo sido efetuadas às empresas NEO, LINGUES E MAVERICK e, consequentemente, todos os créditos do IPI destacados nas notas fiscais emitidas pelas respectivas empresas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 1216/1241. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário o Sr. Roberto Costilas Júnior (CPF nº 056.931.13817), Sra. Nívea dos Santos Costilas (CPF nº 087.883.48857), Empresa Europarts Administração de Bens Ltda. (CNPJ nº 03.920.391/000150) e Empresa Eurocon Consultoria e Negócios Ltda. (CNPJ nº 03.430.508/000118). A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no artigo 124 c/c art. 135, inciso III e art. 17 do Código Tributário Nacional, CTN. e art. 210, inciso VI e parágrafos do RIR/1999. Apresentaram impugnação a empresa autuada às fls. 2035/2053, a Sra. Nívea dos Santos Costila, CPF n° 087.883.48857, fls. 1306/1314, as empresa Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.745 6 LTDA., CNPJ n° 03.430.508/000118 e Europarts Administração de Bens LTDA., CNPJ n° 03.920.391/000150, fls. 1452/1473 e o Sr. Roberto Costilas Júnior, CPF n° 056.931.13817, fls. 1351/1361. Nas peças impugnatórias apresentadas pela Empresa Metallica e pelos coobrigados, basicamente são repetidas as alegações feitas aos lançamentos relativos ao IRPJ e reflexos e à atribuição de responsabilidade solidária nos autos do processo nº 16095.720117/201526. Ressaltese os impugnantes fazem referência e pedem sejam consideradas as alegações e provas acostadas por ocasião das impugnações aos autos do IRPJ e reflexos. Em síntese, o núcleo dos questionamentos se concentra na afirmação de que as transações entre a Metallica e seus fornecedores existiram e foram devidamente documentadas à época dos fatos. Prejuízo causado pela retroatividade dos efeitos de atos administrativos atingindo negócios jurídicos consumados. Falta de provas da infração que se valeu de procedimento fiscal anterior. Seus sócios têm capacidade econômica embora não corresponda a expectativa do fisco. O procedimento fiscal se ateve apenas a não localização das empresas fornecedoras nos endereços declarados e não se aprofundou na investigação das transações comerciais. Não concorda com a imputação de responsabilidade solidária. Discorda da constatação de interposição fraudulenta. Pede amparo da Súmula 509 do STJ. Multa confiscatória e sem cabimento em função da glosa indevida de custos. Pede anulação do Auto de Infração. Os coobrigados alegam falta de demonstração de vínculo entre eles e o fato gerador do imposto. Utilização de provas emprestadas de outro processo que foram desqualificadas na contestação lá apresentada. Pedem anulação dos Termos de Sujeição Passiva porque o enquadramento legal não ampara a pretensão de imputação da responsabilidade solidária. Inadequada concomitância do art. 135 com o art. 124 do CTN." A decisão de primeira instância (fls. 2.822 a 2.848) rejeitou a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e ofensa a princípios constitucionais, posto que, conforme o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, em relação aos autos de infração, apenas a sua lavratura por autoridade incompetente seria caso de nulidade, o que não se observa nos autos. Indeferiu, ainda, o pedido de diligência, uma vez que entendeu não existirem dúvidas a serem sanadas nos autos, para a formação da convicção dos julgadores. Afastou a ocorrência de decadência, posto que, tendo em vista a constatação de fraude fiscal, é aplicável aos autos a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.746 7 Quanto à alegação de inconstitucionalidade da legislação aplicada, posicionouse no sentido da ausência de competência à autoridade administrativa para examinar semelhantes alegações, conforme Parecer Normativo CST n.º 329, de 1970, Decreto nº 70.235, de 1972, e Súmula CARF nº 2. O Acórdão recorrido considerou que a "fiscalização apresenta vários elementos que evidenciam a inexistência de fato das três empresas fornecedoras desde que foram fundadas, e, por consequência, a impossibilidade delas algum dia terem efetivamente efetuado fornecimento de matéria prima para a autuada". Rejeitou a alegação de que os atos declaratórios de inaptidão são ineficazes, por falta de formalidade legal, e o argumento de que não caberia à autuada fiscalizar atos de terceiros. Considerou válida, portanto, a glosa dos créditos relativos aos três fornecedores já identificados. Em relação à infração de falta de declaração/recolhimento do IPI, não tendo havido contestação por parte do sujeito passivo, considerou matéria não impugnada e definitivamente constituídos os respectivos créditos tributários. O Acórdão entendeu que a "reversão parcial do lançamento tributário relativo ao anocalendário 2008, alegada pela defesa, em nada fragiliza o presente lançamento", posto que "em todo voto o relator confirma e se diz estar plenamente convencido do esquema fraudulento praticado pelas pessoas jurídicas e físicas envolvidas", tendo a decisão invocada se restringido a considerar que a apuração relativa ao IRPJ e a CSLL deveria ter sido realizada com base no Lucro Arbitrado, e aquela referente à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, com base no regime cumulativo. A decisão recorrida não conheceu das alegações da METALLICA relacionadas com a responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas e jurídicas, por ausência de legitimidade. Considerou, ainda, correta a imposição de multa qualificada de 150%, já que estaria caracterizada a hipótese se fraude, uma vez que o "autuante demonstrou de forma consistente ter sido indiscutivelmente dolosa a prática reiterada e sistemática de contabilizar notas fiscais e operações comerciais fictícias com empresas inexistentes mediante utilização de 'laranjas' ". Finalmente, quanto à responsabilidade tributária do Sr. Roberto Costilas Júnior, da Sra. Nívea dos Santos Costilas e das pessoas jurídicas Europarts Administração de Bens Ltda. e Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda, diante da utilização de empresas de "fachada" "noteiras" para gerar custos e créditos tributários fictícios; por se utilizarem de interpostas pessoas a frente da METALLICA, para se eximir das obrigações tributárias; e pela presença de interesse comum, diante do benefício auferido, entendeu que se respaldaria a imputação da responsabilidade das pessoas físicas, com base nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, e das pessoas jurídicas, com fulcro neste último dispositivo. Após a referida decisão, os créditos considerados devidamente constituídos foram transferidos para o processo administrativo nº 16095.720118/201571, por força da Representação de fls. 2.850/2.852. Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.747 8 O sujeito passivo principal foi cientificado do Acórdão da DRJ/Recife, interpondo o Recurso Voluntário de fls. 2.905/2.946, por meio do qual: (i) refuta o entendimento de que existe matéria não impugnada, uma vez que teria deixado claro, na Impugnação apresentada, o ânimo de combater o Auto de Infração em sua totalidade; (ii) sustenta a nulidade do Auto de Infração, uma vez que parte do lançamento seria exclusivamente relacionada à Recorrente (ausência de declaração e recolhimento) e parte relativa aos coobrigados (acusação de fraude), o que implicaria a necessidade de lavratura de autos distintos; (iii) pleiteia que, no julgamento do presente processo, não sejam considerados fatos e circunstâncias apurados em processos administrativos relativos a períodos de apuração anteriores; (iv) alega a nulidade do lançamento, por prejuízos a sua defesa, uma vez que não teria acesso aos documentos das empresas investigadas exigidas pelo julgador a quo, bem como por não terem sido atendidos todos os aspectos exigidos pela legislação; (v) aponta uma série de documentos que não teriam sido considerados pela decisão recorrida; (vi) renova a alegação de decadência, já que inexistindo fraude por ela praticada, incidiria o art. 150 do CTN; (vii) sustenta que a decisão recorrida, ao não analisar a alegação de inconstitucionalidade, feriu diversos princípios constitucionais e não aplicou a Súmula nº 509 do STJ; (viii) refuta conclusões quanto à localização das pessoas jurídicas Metallica Industrial Limitada e Metallica Industrial S/A, e quanto à participação de determinadas pessoas físicas e dos responsáveis Eurocon e Europarts nos atos praticados pela Metallica; (ix) traz novamente as alegações veiculadas na Impugnação, quanto à inexistência de simulação em "negócios, empresas de fachadas e ilícitos" e contra a glosa das despesas com as pessoas jurídicas Neo, Lingues e Maverick, tratandoos com maior extensão e apontando aspectos que teriam sido desconsiderados no julgamento anterior; (x) protesta em relação à ausência de análise das razões referentes à responsabilidade tributária dos coobrigados, renovandoas; (xi) contesta a aplicação retroativa dos Atos Declaratórios que teriam declarado a inaptidão dos fornecedores; (xii) apresenta contestação específica quanto à questão da exigência pela falta de recolhimento do IPI, invocando, ainda, o suposto efeito de confisco da autuação; (xiii) finaliza, refutando a aplicação da multa qualificada, uma vez que inexistiu intuito de fraude. Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.748 9 Os responsáveis EUROCON e EUROPARTS apresentaram o Recurso Voluntário de fls. 2.968 a 3.005, em que sustentam: (i) a regularidade de suas operações e a impropriedade da declaração de inaptidão de suas atividades; (ii) a inaplicabilidade da responsabilidade prevista nos arts. 134 e 135 do CTN em relação às pessoas jurídicas; (iii) a existência de cerceamento do direito de defesa, na decisão recorrida, posto que não permitida a defesa em toda sua amplitude; (iv) a nulidade do Termo de Sujeição Passiva, uma vez que estende aos responsáveis a infração relativa à falta de declaração/recolhimento, que seria exclusiva do sujeito passivo principal; (v) a inexistência de participação, gerência ou administração em relação à METALLICA e as fornecedoras consideradas inidôneas, que seriam pessoas jurídicas em efetivo funcionamento; (vi) a nãosubsunção da EUROCON à hipótese de responsabilidade solidária veiculada pelo art. 124 do CTN, já que não possuía qualquer relação com a pessoa apontada como mentor intelectual da fraude. E de ambas pessoa jurídicas, uma vez que os recursos que auferiram da METALLICA decorreu da prestação de serviços; (vii) a nãosubsunção à hipótese de responsabilidade solidária veiculada pelo art. 135, inciso III, do CTN, em razão de não possuírem poder de direção na autuada; (viii) que as provas reunidas pela autoridade fiscal laboram em seu favor. Finalmente, os responsáveis ROBERTO e NÍVEA apresentaram o Recurso Voluntário de fls. 3.100 a 3.166, no qual: (i) alegam o cerceamento do direito de defesa, pois não tiveram a oportunidade de prestar esclarecimentos, antes da realização do lançamento tributário e não teriam acesso aos arquivos e papéis das empresas investigadas; (ii) pleiteiam a suspensão da cobrança realizada por meio do processo administrativo nº 10875.720300/201720; (iii) arguem a nulidade do Auto de Infração, em termos similares aos veiculados no Recurso do sujeito passivo principal; (iv) suscitam a omissão do julgador a quo, ao não reconhecer a referida nulidade; (v) aduzem que o Termo de Verificação Fiscal e a decisão de primeira instância não trazem imputação específica em relação à coobrigada Nívea dos Santos Costilas, apesar de atribuirlhe responsabilidade, o que impossibilitaria a defesa e constituiria hipótese de nulidade do lançamento; Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.749 10 (vi) esclarecem a atuação profissional do responsável Roberto, contestando qualquer atribuição de mando ou sociedade em relação à autuada; (vii) argumentam que as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas sob a responsabilidade do Sr. Roberto decorrem de prestação regular de serviços e que, sequer, existe prova de recursos os favorecendo nos anos de 2010, 2011 e 2012; (viii) pleiteiam a anulação do julgamento realizado pela DRJ, por ter havido representação para cobrança de crédito não impugnado, sem possibilidade de defesa; (ix) finalmente, aduzem que não haveria provas do esquema fraudulento atribuído na autuação, nem justificativa para a atribuição de responsabilidade, e apontam o que seria uma incoerência entre a responsabilidade solidária do art. 124, inciso I e a responsabilidade pessoal do art. 135, inciso III, ambos do CTN. Todos os Recorrentes pedem, ainda, que a decisão favorável do presente processo seja reproduzida no julgamento do processo nº 16095.720117/201526, e na cobrança da parte considerada não impugnada, no âmbito do processo administrativo nº 10875.720300/201720. Por meio da Resolução nº 3402001.344, de 19 de abril de 2018, tendo em vista que o lançamento constante dos presentes autos seria fundado nos mesmos fatos e elementos de prova que embasaram o lançamento relativo ao IRPJ, no âmbito do processo administrativo nº 16095.720117/201526, a competência para o seu julgamento seria da 1ª Seção, a 3ª Seção declinou a competência do julgamento a esta Seção. O processo foi, então, distribuído, mediante sorteio, a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I Da admissibilidade dos Recursos I.1 Tempestividade O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 08 de fevereiro de 2017 (fl. 2.888), tendo apresentado Recurso Voluntário em 08 de março de 2017, conforme fl. 2.903. Os responsáveis tributários Roberto, Nívea e Europarts foram cientificados em 07 de fevereiro de 2017 (fls. 2.890, 2.893, 2.897). O responsável Eurocon, em 20 de fevereiro de 2017 (fl. 2.899). Os responsáveis Eurocon e Europarts apresentaram Recurso Voluntário conjunto em 08 de março de 2017 (fl. 2.966). Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.750 11 Os responsáveis Roberto e Nívea apresentaram Recurso Voluntário conjunto em 07 de março de 2017 (fl. 3.100). Constatase, portanto, que todos os recursos foram apresentados dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. I.2 Legitimidade Os Recursos são assinados por próprios representantes legais das pessoas jurídicas e pelos coobrigados pessoas físicas. I.3 Competência Como já relatado, e reconhecido pela Resolução nº 3402001.344, de 19 de abril de 2018, o lançamento sob exame tem por base os mesmos elementos de prova que fundamentaram a autuação referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, de modo que a matéria objeto dos Recursos está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (na redação conferida pela Portaria MF nº 152, de 5 de maio de 2016. I.4 Abrangência Finalmente, é importante definir os limites da matéria devolvida para apreciação por meio dos Recursos. É que, conforme a decisão recorrida, não teria havido contestação por partes da autuada e coobrigados em relação à infração de falta de declaração/recolhimento do IPI, de modo que a matéria foi considerada não impugnada e definitivamente constituídos os respectivos créditos tributários. Os Recorrentes, por outro lado, contestam tal fato, e alegam que as Impugnações contestaram todo o lançamento. Passemos, então, ao exame da controvérsia: Na Impugnação apresentada pelo sujeito principal, há, no seu princípio, uma contestação generalizada à autuação: Todas as razões trazidas no corpo do documento, contudo, somente se voltam à infração relativa à glosa de créditos de IPI. Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.751 12 Nenhuma linha, sequer, é destinada a contestar a infração de declaração/recolhimento a menor. Infração esta que não é decorrente da glosa, sendo totalmente autônoma, e consistente na diferença entre os valores apurados no Livro Registro de Apuração do IPI e aqueles confessados/recolhidos pelo sujeito passivo. Não há, portanto, como se entender que a referida infração foi Impugnada, por parte do sujeito passivo. Por outro lado, embora as Impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários também não tragam qualquer contestação específica relacionada com a infração em questão, pedem o afastamento da responsabilidade a eles atribuída, em relação a todo o crédito tributário, uma vez que se pugna pelo cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva. Deste modo, é correta a conclusão do Acórdão recorrido no sentido de que não se instalou o contencioso em relação à infração de falta de declaração/recolhimento do IPI. Contudo, é impossível não se reconhecer que a responsabilidade dos coobrigados pela parcela do crédito tributário que foi transferida para o processo administrativo nº 10875.720300/201720 permanece sob litígio. Isto posto, os Recursos Voluntários preenchem todos os requisitos de admissibilidade, de modo que deles tomo conhecimento, ressalvadas as alegações voltadas ao mérito da infração de ausência de declaração/recolhimento, não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 II Da nulidade do auto de infração Inicio a análise dos Recursos pela preliminar invocada por todos os Recorrentes, em relação à nulidade do auto de infração. A primeira alegação é de que parte do lançamento seria exclusivamente relacionada à Metallica (ausência de declaração e recolhimento) e parte relativa aos coobrigados (acusação de fraude), o que implicaria a necessidade de lavratura de autos distintos. O exame da alegações de nulidade deve ser realizado, inicialmente, observandose o disposto no art. 142 do CTN, que estabelece regras gerais acerca dos elementos que devem estar presentes no documento de constituição do crédito tributário, na hipótese do lançamento de ofício: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." A ausência ou o equívoco em relação a um destes elementos, considerados essenciais, macula o auto de infração de vício insanável. Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.752 13 Em adição, o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, traz requisitos do auto de infração em que se mesclam critérios materiais a critérios formais do lançamento: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Finalmente, o art. 59 do mesmo Decreto dispõe acerca das hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." A alegação dos Recorrentes não encontra abrigo nos dispositivos acima transcritos. O lançamento fiscal foi realizado em nome da METALLICA, sendo as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis pela integralidade do crédito tributário. Eventual reconhecimento de que algum(ns) ou todos os responsáveis não deveriam haver sido arrolados como responsáveis tributários por parte ou todo o crédito tributário não configura erro na identificação do sujeito passivo, de modo a constituir violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mas, tão somente, conduziriam à respectiva exoneração do crédito tributário. Os Recorrente suscitam, ainda, dificuldades ou impossibilidade de realização das suas defesas, em decorrência de não possuírem acesso aos documentos das pessoas jurídicas investigadas. Os responsáveis pessoas físicas protestam, ainda, pelo fato de não haverem tido oportunidade de prestar esclarecimentos antes do lançamento. Eventual impossibilidade de se realizar plenamente a defesa conduziria, necessariamente, ao reconhecimento da nulidade, na forma do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. Não se constata tal fato, nos autos, porém. Fl. 6752DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.753 14 Inexiste qualquer vício no procedimento fiscal, sendo que o fato de os responsáveis não terem tido oportunidade de se manifestar antes da lavratura do auto de infração não é causa de nulidade, posto que a fase que antecede a lavratura é reconhecidamente inquisitorial, estando a garantia de ampla defesa assegurada ao sujeito passivo exatamente a partir da ciência da autuação, quando pode se instalar o contencioso administrativo. Nesta linha, a Súmula CARF nº 46: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." A par disso, não é procedente a alegação dos Recorrentes de que não poderiam se defender sem possuir acesso à documentação das pessoas jurídicas investigadas. Ora, os sujeitos passivos são chamados a se defender em relação à acusação constante do auto de infração e respectivo Termo de Verificação Fiscal, do qual foram cientificados, cabendo se contrapor às provas reunidas pela autoridade fiscal nos autos, às quais é garantido o seu pleno acesso. Em nada é impactada a defesa dos sujeitos passivos em razão de eventual dificuldade de acesso a documentos que não foram utilizados como prova para fundamentar o lançamento fiscal. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. III Da nulidade do Acórdão recorrido Consoante o exposto no juízo de admissibilidade dos Recursos, resta claro que a decisão de primeira instância deixou de se pronunciar, explicitamente, acerca da procedência ou não da responsabilidade dos coobrigados Roberto, Nívea, Eurocon e Europarts, em relação aos créditos tributários referentes à infração de ausência de declaração/recolhimento. Tal fato, aparentemente, foi motivado pela constatação de que não houve Impugnação à referida infração. Contudo, como já afirmado, o fato de não ter havido questionamento quanto ao mérito da referida infração, não invalida a constatação de que os responsáveis atacaram todo o Termo de Sujeição Passiva, de modo que deveria haver se pronunciado o julgador a quo, quanto ao referido vínculo de responsabilidade. A ausência de pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância trouxe prejuízo à defesa dos responsáveis. Tanto é assim, que a autoridade preparadora transferiu os créditos tributários relativos à referida parcela para o processo administrativo nº 10875.720300/201720, por meio do qual os responsáveis também estão sendo exigidos. Os procedimentos para a hipótese como a dos autos, porém, eram normatizados pelos arts. 7º e 10 da Portaria RFB nº 2.844, de 29 de novembro de 2010, revogada pela Portaria RFB nº 2.123, de 27 de dezembro de 2018: Fl. 6753DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.754 15 "Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. Art. 10. O crédito tributário será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa, somente após o término do prazo de cobrança amigável para todos os obrigados. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que houver pendência de julgamento exclusivamente quanto ao vínculo de responsabilidade, caso em que o encaminhamento deverá ocorrer em relação aos autuados que não discutem o vínculo." (Destacouse) Na mesma linha, a Instrução Normativa RFB nº 1.862, de 27 de dezembro de 2018: "Art. 5º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que produzirá efeitos somente em relação ao impugnante. § 2º O processo será encaminhado para julgamento somente depois de transcorrido o prazo concedido a todos os autuados para a apresentação de impugnação. § 3º No caso de processo em que houve impugnação relativa ao crédito tributário e ao vínculo de responsabilidade, e em que posteriormente houver interposição de recurso voluntário relativo apenas ao vínculo de responsabilidade, a exigência relativa ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. Fl. 6754DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.755 16 Art. 21. O crédito tributário será encaminhado à PGFN, para inscrição em dívida ativa, somente após o término do prazo de cobrança amigável para todos os obrigados. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que houver pendência de julgamento exclusivamente quanto ao vínculo de responsabilidade, caso em que o encaminhamento deverá ocorrer em relação aos autuados que não se insurgiram contra o vínculo." Tal fato, obviamente, configura a hipótese de nulidade de que trata o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. Observase, contudo, que a referida nulidade não alcança toda a decisão, uma vez que permanece válida a análise realizada em relação a todas as demais matérias, não havendo sentido em obrigar os julgadores a reapreciarem as alegações. Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma tem recorrentemente decidido, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), Acórdão nº 1302002.562 (de relatoria deste Conselheiro, sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018) e Acórdão nº 1302002.267 (também de relatoria deste Conselheiro, sessão de 13 de março de 2018). No caso em análise, porém, entendo que a melhor solução não passa pela declaração da nulidade parcial, posto que, conforme explicitado na análise referente à responsabilidade, é possível a aplicação do disposto no art. 59, §3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, haver decisão de mérito favorável aos responsáveis. A METALLICA suscita, ainda, a nulidade do Acórdão recorrido, pois não teria havido pronunciamento acerca de inconstitucionalidade e teria se deixado de aplicar Súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em relação à ausência de apreciação da questão constitucional suscitada, não há qualquer vício na decisão em questão. É sabido que o julgador administrativo não possui competência para a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal. Por esta razão, inclusive, o CARF editou a Súmula nº 2, evocada na decisão recorrida. De outra banda, a eventual ausência de aplicação pelo julgador de primeira instância de Súmula do STJ não é causa de nulidade, à luz da legislação já transcrita. No máximo, em caso de procedência da alegação do sujeito passivo, terseia a reforma do julgado, para adequação ao entendimento sumulado. Finalmente, é alegada a nulidade da decisão recorrida, pois não teria havido a análise dos documentos juntados ao processo. Fl. 6755DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.756 17 A leitura da decisão, porém, permite a constatação de que a autoridade julgadora analisou os autos e fundamentou coerentemente a sua decisão, sem que exista a necessidade de pronunciamento explícito sobre todos os documentos constantes do processo. Deste modo, rejeito mais esta preliminar. IV Da decadência A prejudicial de decadência suscitada pelo sujeito passivo principal é dependente da decisão acerca da existência de fraude, de modo que será examinada, em momento posterior, juntamente com a qualificação da multa. V Da glosa dos créditos de IPI A infração em pauta é decorrente da constatação pela autoridade fiscal da inidoneidade dos fornecedores Neo Comércio e Distribuição de Metais e Eletroeletrônicos Ltda, Lingues Comercio e Distribuidora de Metais Ltda e Maverick Comércio de Metais Ltda, o que implicou na glosa do IPI destacado nas notas fiscais emitidas por tais pessoas jurídicas. Ao contrário do sustentado pela Recorrente, a autoridade fiscal não se vale, para a constatação da infração, das provas colhidas em procedimento fiscal anterior, relativo ao anocalendário de 2008. No início do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.216 a 1.241, é feito um breve relato acerca da constatação realizada naquele procedimento fiscal, apenas para demonstrar que a pessoa jurídica já havia incorrido na mesma infração em relação a outros fornecedores. O responsável pelo procedimento fiscal, porém, realizou diligências junto aos fornecedores de matériasprimas da autuada, constatando: "Por outro lado, para coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto a Metallica, seus principais fornecedores foram intimados por meio dos Termos de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrados em 22/04/2014 a apresentar os seguintes documentos: 1) Contrato Social de constituição e suas alterações do ano de 2010 em diante. 2.1) Cópia de Notas Fiscais de Saídas emitidas nos períodos em questão à empresa Metallica Industrial S/A, CNPJ nº 03.282.398/0001 94. 2.2) Apresentar, em relação às Notas Fiscais de Vendas de mercadorias mencionadas no item 2, a comprovação dos RECEBIMENTOS. 2.3) Ainda em relação as Notas Fiscais acima mencionadas, esclarecer como eram feitos os pedidos pelo cliente, destacando a forma e identificando as pessoas com quem eram feitos os contatos, tais como vendedores, e ou telefone de contato. Fl. 6756DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.757 18 2.4) Apresentar as Notas Fiscais de Prestação de Serviços de Transporte (ou documento equivalente) que documente a despesa assumida pelo contribuinte com o transporte da mercadoria até o estabelecimento a que se referem as Notas Fiscais do item 2. 2.5) Apresentar ainda os comprovantes de PAGAMENTOS relacionados a esses serviços de transporte realizados. Deste procedimento e das pesquisas realizadas em nosso sistema de informação resultaramse na apuração dos seguintes fatos: 3.1) CONTRIBUINTE: NEO COM E DISTRIBUIDORA DE METAIS E ELETRO ELETRONICA LTDA CNPJ: 08.906.643/000100 ENDEREÇO: R Coronel Quatim, 247, Bairro Tatuapé, São Paulo/SP, CEP: 03077050 MPF: 0811100201400070 SITUAÇÃO DA EMPRESA E RESPONSÁVEIS A empresa foi constituída em 11/06/2007, com capital social no valor de R$ 10.000,00, e em novembro e dezembro do ano 2009 houve as seguintes alterações: do nome empresarial; do capital social para R$ 20.000,00; do quadro societário com exclusão de sócios anteriores e inclusão de Ariane dos Anjos Mattos, CPF 351.621.56825 (percentual capital social 97%) e Fatima Cristina do Carmo Dantas, CPF 723.258.95734 (percentual capital social 3%), quando também providenciou a mudança de sua atividade econômica/objeto social da sede para Comércio Atacadista de Resíduos e Sucatas NãoMetálicos, exceto de Papel e Papelão, apesar de ainda constarem as demais atividades no cadastro da Jucesp. Da pesquisa em nosso sistema de informação sua situação cadastral perante a Secretaria da Receita Federal está “ATIVA”. A empresa movimentou R$ 125.263.364,42 (fonte: notas fiscais eletrônicas – NFe de vendas) nos períodos de janeiro a novembro do anocalendário 2010. Mesmo auferindo receita bruta nesse vulto ofereceu à tributação o valor muito inferior àquela obtida com as vendas. (ver quadro abaixo) A DCTF foi apresentada dos períodos de abril a novembro de 2010. Não há entrega do DACON para os períodos. Fl. 6757DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.758 19 Para Metallica, seu principal cliente, vendeu barras e lingotes de cobre no valor total anual de R$ 59.794.126,94, o que representou 48,33% dentro do universo de todas as vendas realizadas. No entanto, não há emissão de notas fiscais de vendas de terceiros a NEO, ou seja, não há registro de compras em nome dessa empresa. Quanto à consulta de situação/perfil das sócias atuais, Ariane dos Anjos Mattos, CPF 351.621.56825 (percentual capital social 97%) e Fatima Cristina do Carmo Dantas, CPF 723.258.95734 (percentual capital social 3%), constatamos que ambas não têm capacidade econômica, uma vez que não apresentam patrimônio ou reflexos financeiros em suas vidas como segue o quadro abaixo: SITUAÇÃO CADASTRAL PERANTE A SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO Conforme a consulta a Cadastro de Contribuintes de ICMS, sua situação fiscal está “Baixada” por extinção pelo encerramento da liquidação voluntária, cuja data de inatividade é partir de 30/11/2010. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 22/04/2014 solicitamos a apresentação de documentos/elementos elencados no item 4.2 acima. Esta correspondência retornou a esta Delegacia com indicação do correio de “mudouse”. Em vista de tal fato, o Termo foi enviado em 11/07/2014 ao endereço da sócia Ariane dos Santos Mattos que, em resposta, entregou documentos/elementos conforme “Autorização e Protocolo de Entrega” de 29/07/2014. DA DILIGÊNCIA AO ENDEREÇO Verifiquei que, conforme Termo de Constatação lavrado em 24/09/2014 há no local um prédio assobradado, fechado, com placa de “Alugase. FORVM Imóveis. Telefone 29414374”. Do contato verbal com os vizinhos, do lado esquerdo de quem da rua olha o imóvel, no número predial 230, e o da frente no número 239, apesar de se negarem a se identificar, disseram que no endereço funcionou uma escola e, posteriormente, outra atividade que não conseguiram especificar. Do contato telefônico com a imobiliária não conseguimos obter informações sobre a empresa. 3.2) CONTRIBUINTE: LINGUES NEGOCIOS LTDA ME Fl. 6758DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.759 20 CNPJ: 00.008.744/000152 ENDEREÇO: Av. Celso Garcia, 3538, Bairro Tatuapé São Paulo/SP, CEP: 03064000 MPF: 0811100201400069 SITUAÇÃO DA EMPRESA E RESPONSÁVEIS A empresa foi constituída em 29/03/1994, com capital social no valor de CR$ 500.000,00, com alteração do contrato dos meses de novembro e dezembro do ano 2010: do nome empresarial; do capital social para R$ 30.000,00; para o atual endereço; do quadro societário com exclusão de sócios anteriores e inclusão de Cristiane Helena dos Santos Pinto, CPF 192.493.93806 (percentual capital social 70%) e Sandra Regina Gotichini Marques, CPF 286.365.24865 (percentual capital social 30%), quando também providenciou a mudança de sua atividade econômica/objeto social da sede para Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos e Equipamentos de Telefonia e Comunicação, entre outros, apesar de ainda constarem as demais atividades no cadastro da Jucesp. Da pesquisa em nosso sistema de informação sua situação cadastral perante a Secretaria da Receita Federal está “ATIVA”. A empresa movimentou R$ 112.332.715,45 (fonte: notas fiscais eletrônicas – NFe de vendas) relativos aos períodos de Dez/2010 a Set/2011. Mesmo auferindo receita bruta nesse vulto, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário 2010 como “inativa” e a do anocalendário 2011 com informação “zerada”. A DCTF foi apresentada dos períodos de dezembro/2010 a setembro/2011. Não há entrega do DACON para os períodos fiscalizados. Para Metallica, seu principal cliente, vendeu no valor total anual de R$ 44.307.247,34, o que representou 39% dentro do universo de todas as vendas realizadas. No entanto, não há emissão de notas fiscais de vendas de terceiros a LINGUES, ou seja, não há registro de compras em nome dessa empresa. Quanto à consulta de situação/perfil das sócias atuais Cristiane Helena dos Santos Pinto, CPF 192.493.93806 (percentual capital social 70%) e Sandra Regina Gotichini Marques, CPF 286.365.24865 (percentual capital social 30%), constatamos que ambas não têm capacidade econômica, uma vez que não apresentam patrimônio ou reflexos financeiros em suas vidas. Fl. 6759DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.760 21 SITUAÇÃO CADASTRAL PERANTE A SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO Conforme a consulta a Cadastro de Contribuintes de ICMS, sua situação fiscal está “Baixada” por baixa exclusivamente no estado, cuja data de inatividade é partir de 30/09/2011. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 22/04/2014 solicitamos a apresentação de documentos/elementos elencados no item 4.2 acima. Esta correspondência retornou a esta Delegacia com indicação do correio de “mudouse”. Em vista do tal fato, o Termo foi enviado ao endereço da sócia Cristiane Helena dos Santos Pinto e atendida mediante entrega de documentos/elementos conforme Protocolo de Entrega de 05/08/2014. DA DILIGÊNCIA AO ENDEREÇO Verifiquei que, conforme Termo de Constatação lavrado em 24/09/2014 há no local imóvel assobradado, fechado, com placa de “Alugase. FORVM Imóveis. Telefone 29414374”. Do contato telefônico com a imobiliária não consegui obter informações. O vizinho do lado esquerdo de quem da rua olha o imóvel, no número predial 3546/3552, há empresa de vendas e consertos de máquinas, na pessoa presente no local Sr. Jailton, disse que não conhece a empresa Lingues, tampouco teve contato com pessoas ligadas à empresa em questão. 3.3) CONTRIBUINTE: MAVERICK COMÉRCIO DE METAIS LTDA CNPJ: 14.448.118/000191 ENDEREÇO: Av. Jundiaí, 1500, Bairro Anhangabaú, Jundiaí SP, CEP:13208053 MPF: 0811100201400071 SITUAÇÃO DA EMPRESA E RESPONSÁVEIS A empresa foi constituída em 30/09/2011, com capital social no valor de R$ 40.000,00, tendo como sócios: Claudionor Alves dos Santos, CPF 068.962.89864, e Davi Alves da Silva, CPF 353.191.59838, na atividade econômica/objeto social de Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos e Equipamentos de Telefonia e Comunicação, entre outros. Fl. 6760DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.761 22 Da pesquisa em nosso sistema de informação sua situação cadastral perante a Secretaria da Receita Federal está “ATIVA”. A empresa movimentou R$ 101.924.064,66 (fonte: notas fiscais eletrônicas – NFe de vendas) relativos aos períodos de Out/2011 a Set/2012. Mesmo auferindo receita bruta nesse vulto, ofereceu a tributação conforme o quadro abaixo: A DCTF foi apresentada dos períodos de dezembro/2011 a novembro/2012. A de dezembro/2012 sem informação de débitos. Não há entrega do DACON para os períodos. Para Metallica, seu principal cliente, vendeu no valor total anual de R$ 51.170.238,02, o que representou 50% dentro do universo de todas as vendas realizadas. No entanto, não há emissão de notas fiscais de vendas de terceiros a NEO, ou seja, não há registro de compras em nome dessa empresa. Quanto à consulta de situação/perfil das sócias atuais Claudionor Alves dos Santos, CPF 068.962.89864, e Davi Alves da Silva, CPF 353.191.59838, constatamos que ambas não têm capacidade econômica, uma vez que não apresentam patrimônio ou reflexos financeiros em suas vidas. (vide quadra abaixo) SITUAÇÃO CADASTRAL PERANTE A SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO Conforme a consulta a Cadastro de Contribuintes de ICMS, sua situação fiscal está “Nula” por simulação de existência do estabelecimento ou da empresa, cuja data de inatividade é partir de 13/10/2011. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 22/04/2014 solicitamos a apresentação de documentos/elementos elencados no item 4.2 acima. Esta correspondência retornou a esta Delegacia com indicação do correio de “mudouse”. Fl. 6761DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.762 23 Em vista do tal fato, o Termo foi enviado em 03/07/2011 ao endereço do sócio Claudionor Alves dos Santos, CPF 068.962.89864, com atendimento com a entrega de documentos/elementos mediante “Autorização e Protocolo de Entrega” de 29/07/2014. DA DILIGÊNCIA AO ENDEREÇO Verifiquei que, conforme Termo de Constatação lavrado em 24/09/2014, há um terreno grande rodeado de ruas e avenidas, dividido em 3 (três) partes com construções. No primeiro imóvel, do lado direito de quem da rua olha o imóvel, indica o número 1500 A, em que funcionam as empresas Dream Car Veículos e Felicita Soluções Imobiliárias. O sócio dessas empresas, Sr. Adriano Colassante, RG 304205473, informa que teve início as atividades no mês de janeiro/2014 e disse que não conhece a empresa em questão. Forneceu o nome/telefone e endereço do locador, Madel Ltda, CNPJ nº 56.807.746/000166, no endereço a Rua Capitão Curado, nº 1184, Jundiaí. Do contato com o locador na pessoa do Sr. Matteo de Luca, CPF 033.197.68891, via telefônico (nº 11 9 99188190), diz que a empresa Maverick foi sublocatária do prédio na numeração 1500 que posteriormente foram divididas em 1500 A, 1500 B e 1500 C." À vista das referidas constatações, concluiu pela inexistência de fato das citadas pessoas jurídicas e providenciou a baixa de ofício das respectivas inscrições junto ao CNPJ, a partir das datas de início das emissões de notas fiscais. A autoridade fiscal dedicou item do TVF, ainda, para demonstrar que os citados fornecedores foram criados "com a finalidade de funcionar no esquema para simular o fornecimento de matéria prima, visando dar origem às compras realizadas pela METALLICA e, com isso, ocultar os reais beneficiários que se aproveitam das operações simuladas, bem como, dos recursos auferidos com a sonegação de tributos". Apontou, para tanto, os seguintes motivos: "a. Realização de operações milionárias, sem possuírem, no mundo fenomênico, qualquer condição operacional para tal; b. Sócios “laranjas” sem o suficiente poder aquisitivo para movimentar milhões de reais; c. Situação cadastral, ora nula, ora baixada; d. Em nenhuma das empresas, foi constatada a sua existência física, quando em diligências em seus endereços; e. O fato da METALLICA ser o maior (e suposto) comprador das empresas fraudulentas; f. A empresa responsável pelos imóveis supostamente utilizadas pelas empresas Lingues e Neo é a mesma (FORVM), com o mesmo escritório, fato este que é, no mínimo, um indício de que a pessoa responsável (de fato) por ambas é a mesma pessoa." Fl. 6762DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.763 24 Mostrou, ainda, por meio do quadro a seguir, a coincidência entre as datas de término da utilização de uma das pessoas jurídicas e o início de utilização da outra: Tal "coincidência" é reforçada pelos seguintes elementos: "Notase que se utilizou as notas da NEO pelo período compreendido entre janeiro a novembro de 2010, sendo que, entrada de Ariane dos anjos Mattos e Fátima Cristina do Carmo Dantas se refere aos meses de novembro e dezembro de 2009. É muito óbvio que elas somente entraram na empresa para dar início a esse planejamento ilícito de utilização de notas frias. Isso ocorre da mesma forma com as outras empresas. A NEO, conforme informações da entidade pública estadual, teve sua inscrição baixada na data de 30/11/2010 (exatamente no mês em que a METALLICA parou de utilizar as notas desta). E exatamente neste momento, já se iniciava os preparativos para dar continuidade ao modus operandi com a empresa LINGUES, o qual teve os seus sócios “laranjas” (Cristina Helena dos Santos Pinto e Sandra Regina Gotichini Marques) incluídos no mês de novembro a dezembro de 2010, ou seja, coincidentemente no mesmo período em que METALLICA se utilizou das notas da empresa LINGUES e no mesmo período do fim da empresa NEO. Fl. 6763DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.764 25 Se já não bastasse tantas coincidências, a empresa MAVERICK foi constituída no dia 30/11/2011, exatamente no mesmo DIA (repitase, NO MESMO DIA) em que a empresa LINGUES foi baixada (30/11/2011) e exatamente no mesmo mês em que começou a utilizar as notas daquela empresa. Ora, como se sabe, dois trovões só caem no mesmo lugar, por duas vezes, quando há intervenção no sentido de que isso ocorra. Ou seja, só é possível acontecerem tantas coincidências quando há um alguém que visa tal finalidade. É impossível que os fatos convergissem de tal maneira, senão pela intervenção dos beneficiários da empresa METALLICA." A Recorrente METALLICA sustenta que a decisão de primeira instância não teria considerado os documentos por ela juntados ao processo que comprovariam a efetiva aquisição das mercadorias provenientes dos referidos fornecedores. É importante, em primeiro lugar, relembrar que o auto de infração sob análise está baseado nos mesmos elementos de prova que fundamentaram o lançamento referente ao IRPJ, no âmbito do processo administrativo nº 16095.720117/201526, cujo Recurso Voluntário já foi apreciado pelo CARF, por meio do Acórdão nº 1401002.292, de 13 de março de 2018. A decisão a ser aqui proferida, portanto, deve guardar consonância com o ali decidido. No referido Acórdão, foi declarada a nulidade dos Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep, uma vez que o lançamento foi realizado consoante a sistemática de apuração sobre o Lucro Real, quando deveria ter sido realizado com base no Lucro Arbitrado. A nulidade em questão não alcança o Auto de Infração sob exame, posto que a forma de apuração do IRPJ não possui reflexo na forma de apuração do IPI (como ocorre em relação às citadas contribuições). É relevante, para a atual análise, contudo, a conclusão a que chega o relator do referido Acórdão acerca da acusação fiscal: "Ademais, não posso deixar de registrar que, para este Relator é lamentável proferir tal decisão uma vez que, da análise dos documentos e dos autos, estou plenamente convencido da existências do esquema fraudulento relatado." De fato, o responsável pelo procedimento fiscal, conforme todo o relato acima transcrito, reuniu elementos substanciais no sentido de que os fornecedores NEO, MAVERICK e LINGUES nunca existiram e serviram, em rodízio, apenas para justificar as entradas de mercadorias na METALLICA, gerando indevidamente os créditos de IPI glosados na autuação. A Recorrente, por outro lado, não conseguiu apresentar elementos que contestassem com propriedade a referida constatação. A maior parte das provas juntadas aos presentes autos se destinam à comprovação de sua efetiva existência (contas de energia elétrica, fichas de registro de seus empregados, guias de recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, notas fiscais Fl. 6764DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.765 26 de saída de mercadorias, Documentos de Arrecadação de Receitas Federais, Contrato bancários, etc). Não é disto que trata a acusação fiscal, porém, mas da inexistência de fato dos fornecedores e das aquisições de mercadorias que ensejaram os créditos de IPI. Em relação a tal fato, a Recorrente junta ao processo apenas os contratos sociais das referidas pessoas jurídicas (fls. 2.513 a 2.599), algumas poucas notas fiscais de emissão do fornecedor MAVERICK (fls. 2.737 a 2.748), uma nota fiscal de emissão da LINGUES (fls. 2.798 a 2.803) e declaração de um suposto office boy da LINGUES e de um auxiliar de escrita fiscal da NEO (fls. 2.804 a 2.809). Invoca, ainda, no Recurso Voluntário, os documentos que juntou ao processo administrativo nº 16095.720117/201526. Tratamse de notas fiscais emitidas pelos fornecedores, comprovantes de transferências bancárias, conhecimento de transporte rodoviário de cargas, comprovantes de pesagem e documentos de sua emissão referente a encontro de contas com os fornecedores (cópias dos documentos foram trasladadas a estes autos, às fls. 3.186 a 6.739). O exame de todos os elementos, contudo, apenas revela provas formais, de emissão no âmbito de controle da autuada e dos fornecedores. Os Conhecimentos de Transporte, que poderiam constituir prova cabal da entrada das mercadorias na Recorrente, sequer contém qualquer assinatura de recebimento, nem qualquer carimbo de postos fiscais. Os comprovantes de pesagem não contém nenhum elemento que lhes confira qualquer valor probatório. Além disso, os comprovantes de transferências entre a Recorrente e os fornecedores não guardam qualquer correlação com as notas fiscais apresentadas. Válida ao caso, a conclusão da Professora Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2016, p. 209), ao tratar da glosa de créditos de ICMS e declaração de inidoneidade de fornecedores: "Se a linguagem comprobatória da 'ocorrência da aquisição de mercadorias' mostrarse insuficiente, a operação deve ser considerada como não ocorrida, e os créditos da entrada glosados, com eventual cobrança de imposto e das sanções cabíveis a cada caso concreto." O trabalho realizado pela autoridade fiscal é contundente no sentido de que as aquisições de mercadorias não foram realizadas, e a Recorrente não se desvencilha a contento do seu ônus de fazer prova em contrário. A Recorrente invoca, ainda, em seu favor a Súmula nº 509 do STJ, que dispõe: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada Fl. 6765DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.766 27 inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda." O referido Enunciado, contudo, em nada aproveita à Recorrente, na medida em que a sua condição de adquirente de boa fé não fica demonstrada. Pelo contrário, a reiteração de prática já realizada no ano de 2008 e os elementos de coincidência colhidos na diligência fiscal (com destaque para o quadro acima apresentado) fazem prova da sua participação no esquema. Ademais, a Recorrente não consegue comprovar a veracidade das operações de compra e venda, requisito fundamental para a incidência da Súmula em questão, bem como do art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços." Neste ponto, cabe refutar outra alegação do sujeito passivo, a de que os documentos emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas somente poderiam ser considerados igualmente inidôneos, a partir da edição do ato declaratório. Sustenta que esta interpretação seria validada pelo dispositivo legal acima transcrito. A hermenêutica pretendida pela Recorrente não é válida. Ou melhor, somente o é, exatamente na situação excetuada pelo texto legal e pela Súmula adiante referida: prova da boafé do adquirente e do efetivo pagamento e recebimento dos bens ou serviços. No caso dos autos, além disso, não houve sequer a declaração de inidoneidade, mas a baixa de ofício das inscrições dos fornecedores junto ao CNPJ, conforme autorizado pela redação do art. 8º, §1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação conferida pela Lei nº 11.941, de 2009. Além disso, ao contrário do sustentado, a baixa não foi motivada pela inexistência dos fornecedores à data das diligências, mas baseada na comprovação da inexistência à época dos fatos geradores. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto a este tópico. VI Da multa qualificada Aos créditos apurados com base na infração relativa à glosa dos créditos de IPI foi aplicada a multa de 150%. Fl. 6766DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.767 28 A qualificação da multa foi fundamentada pela autoridade fiscal na "utilização de empresas laranjas e interpostas pessoas", bem como na "prática de contabilização de notas fiscais inidôneas". A decisão de primeira instância validou a aplicação da multa qualificada por entender que "restou comprovada a ilicitude da conduta da contribuinte ao reduzir indevidamente seus custos e consequentemente as bases de cálculo dos tributos devidos ao contabilizar valores constantes em notas fiscais de compras fictícias". A Recorrente apenas alega que não participou de nenhuma irregularidade e suscita a garantia constitucional prevista no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Em primeiro lugar a qualificação da multa encontra previsão legal no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, de modo que cabe invocar a já citada Súmula CARF nº 2, para deixar de analisar eventual desconformidade com o texto constitucional. Quanto ao mérito da qualificação, cumpre apenas invocar todos os fatos e razões descritos no tópico anterior deste voto, para concluir pelo acerto da decisão recorrida ao mantêla, por entender que as condutas da Recorrente se enquadram na hipótese trazida pelo art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. A autuada não consegue apresentar qualquer elemento de prova capaz de atestar a sua boa fé na utilização dos referidos documentos fiscais e infirmar as acusações que lhe são imputadas. Em decorrência da manutenção da multa qualificada, em virtude da constatação de fraude, cabe rejeitar também a prejudicial de decadência em relação aos créditos tributários constituídos em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2010, uma vez que a contagem do prazo decadencial deve ser procedida não com base no art. 150, §4º, do CTN, mas com base no art. 173, inciso I, do mesmo Código, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao que o lançamento poderia ser efetuado, conforme expressa disposição legal: "Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" Deste modo, deve ser mantida a multa qualificada em relação à referida infração e rejeitada a alegação de decadência. VII Da responsabilidade tributária Fl. 6767DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.768 29 Quanto a esta matéria, cabe relembrar mais uma vez que o presente lançamento decorre daquele tratado no processo administrativo nº 16095.720117/201526, para trazer a este julgamento a conclusão a que chegaram os julgadores da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF: "(...), no que se refere à responsabilização dos solidários, da análise do TVF não se verifica nenhuma explicação da participação dos referidos solidários no esquema fraudulento. Em verdade, parece que o fiscal autuante achou suficiente citar a existência de outro procedimento fiscalizatório para justificar a responsabilidade solidária. De fato, no TVF constante do PAF 19515.720865/201347, o agente autuante delimitou de forma bastante clara a atuação de cada um dos agentes, demonstrando claramente todo o esquema fraudulento. Entretanto, no presente lançamento, no que se refere às partes imputadas como solidárias, o agente autuante simplesmente informa que os mesmos foram indicados como solidários, não se dando ao trabalho de sequer explicar a atuação de cada agente, senão vejamos os trechos em que eles são citados: Ora, da análise do recorte do TVF nos únicos 2 trechos onde os solidários foram citados é possível perceber que o agente autuante absolutamente nada tratou sobre eles. Ao contrário do que fez em relação às fornecedoras da autuada, bem como das interpostas pessoas (laranjas) que compunham as referidas sociedade, as quais (sejam sócias ou as pessoas jurídicas), nenhuma delas integrou o lançamento como responsáveis solidários. Fl. 6768DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.769 30 Tal fato foi percebido pela DRJ, que manteve a solidariedade relatando toda a construção do esquema fraudulento e atuação de cada um dos responsáveis solidários na fraude. Entretanto, fez isso com base nas informações constantes de outro TVF, não o que fundamentou o presente lançamento." De fato, observase que, embora tenha sido extremamente diligente na caracterização da inidoneidade dos fornecedores e da artificialidade das aquisições efetuadas pela METALLICA, a autoridade fiscal, ao tratar da responsabilidade dos Srs. Roberto e Nívea Costilas e das pessoas jurídicas EUROCON e EUROPARTS, limitouse a se referir às apurações e conclusões referentes ao procedimento fiscal concernente ao anocalendário de 2008. A única referência feita para atribuir responsabilidade aos citados contribuintes é a seguinte: "Da mesma forma como ocorreu no ano de 2008, apurado pelo processo administrativo de n. processo nº 19515.720865/2013 47 e 19515.720867/201336, o mesmo modus operandi ocorreu no período entre 2010 a 2012, por meio de pessoas jurídicas e físicas (“laranjas”), porém, distintas. Em outros termos, primeiramente, os reais beneficiários que verdadeiramente administram a empresa METALLICA, conforme foi constatado e provado no procedimento supramencionado, são sr. Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas, a empresas Europarts Adm. de bens ltda. e a Eurocon Consultoria e Negócios ltda, em detrimento das interpostas pessoas Edvan Moura Queiroz, CPF 105.093.03803, Diretor, Luiz Carlos Diogo, CPF 113.879.70810, Diretor Presidente e a empresa Inversora Campo Grande S/A, CNPJ nº 05.421.449/000147, que seria sócia majoritária da fiscalizada." A autoridade fiscal não traz qualquer elemento de prova capaz de estabelecer a vinculação entre os responsáveis tributários e os fatos geradores das infrações constantes do Auto de Infração sob exame, seja por interesse comum, capaz de fazer incidir o art. 124, inciso I, do CTN, seja por infração a lei, de modo a ensejar a aplicação do art. 135, inciso III, do Código. Por esta razão, voto por, superando a nulidade da decisão de primeira instância, dar provimento aos Recursos Voluntários dos responsáveis tributários, para afastar a responsabilidade em relação ao total do crédito tributário constituído. VIII Pedidos finais Ao final dos Recursos apresentados, os recorrentes fazem diversos pedidos, a exemplo, do pedido genérico de produção de provas, juntada de documentos novos e produção de perícia contábil e diligência fiscal. Tais pedidos não encontram qualquer amparo nas regras que normatizam o processo administrativo fiscal, primeiro porque a produção de provas e os pedidos de diligência e perícia devem se dar no momento da Impugnação e mediante o cumprimento das regras processuais, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 6769DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.770 31 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" De outra parte, o pedido formulado pelos responsáveis Roberto e Nívea referente à revogação de arrolamento de bens não merece sequer ser apreciado, posto que falece competência a esta autoridade, conforme reconhecido na Súmula CARF nº 109: "O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens" IX Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e do acórdão de primeira instância, por não acolher a alegação de decadência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo principal e por dar Fl. 6770DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.771 32 provimento parcial aos Recursos Voluntários dos responsáveis tributários, para exonerálos de todo o crédito tributário constituído nos presentes autos. Cópia da presente decisão deve ser levada ao processo administrativo nº 10875.720300/201720, de modo a excluir os responsáveis tributários da cobrança do crédito ali exigido, que deverá ser cobrado, exclusivamente, do sujeito passivo principal. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 6771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001223/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a decadência.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Débora Fófano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11330.001223/2007-53
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988182
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.948
nome_arquivo_s : Decisao_11330001223200753.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DEBORA FOFANO DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11330001223200753_5988182.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a decadência. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Débora Fófano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7697592
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659953766400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 326 1 325 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001223/200753 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201004.948 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIBRA TERMINAIS SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a decadência. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 23 /2 00 7- 53 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11330.001223/200753 Acórdão n.º 2201004.948 S2C2T1 Fl. 327 2 Cuidase de Recurso de Ofício interposto contra a decisão no Acórdão nº 12 20.912 da 12ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 260/261) a qual julgou improcedente o lançamento de glosa de compensações efetuadas pela empresa, no período de apuração de maio de 1996 a novembro de 1998 (fls. 02/21), de créditos oriundos de pagamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a autônomos, administradores e avulsos, declaradas inconstitucionais pelo STF. Os créditos foram compensados com as contribuições previdenciárias devidas pela empresa em decorrência da contratação de segurados avulsos junto ao Órgão Gestor de Mão de Obra OGMO, relativas à parte patronal (15%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (3%). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo, consolidado em 22/12/2006, totaliza o montante de R$ 13.479.664,99, já inclusos multa e juros de mora. Não foi identificada no processo cópia do Aviso de Recebimento (AR) da ciência do lançamento. Todavia, de acordo com informações insertas no relatório da DRJ/RJOI (fl. 99) "a ciência do débito se deu por via postal mediante objeto RC469215466BR, recebido em 28/12/06, conforme consta dos autos". Inconformada com o lançamento a Recorrente apresentou impugnação em 12/01/2007 (fls. 46/66) requerendo a improcedência do lançamento. Em sessão de 10 de setembro de 2008, foi exarado o Acórdão nº 1220.912 12ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 260/261) que julgou improcedente o lançamento sob o argumento de que restou configurada no processo a decadência das contribuições lançadas, abrangendo o período de 05/1996 a 11/1998, nos termos da Súmula Vinculante do STF n° 8, publicada em 20/06/2008 e, por conseguinte, descabendo, por incompatível, o exame quanto ao mérito da impugnação e da diligência fiscal em virtude da liminar suscitada de ofício. Não houve apresentação de recurso voluntário por parte da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano Relatora. Do Recurso de Ofício Em virtude da exoneração total do crédito tributário, foi interposto recurso de ofício, que por preencher condições de admissibilidade, deve ser conhecido. Quanto ao tema, assim restou ementada a decisão recorrida (fl. 260): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998 AIOP DEBCAD n° 35.822.7623, de 06/12/2005. DECADÊNCIA. Em virtude da Súmula Vinculante n° 08, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/08, o art. 45 da Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional, devendo ser aplicados os artigos do C'TN que tratam da matéria aos créditos previdenciários. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11330.001223/200753 Acórdão n.º 2201004.948 S2C2T1 Fl. 328 3 Lançamento Improcedente" No que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991, editando a Súmula Vinculante n° 08 nos seguintes termos: "Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Assim, resta evidente a inaplicabilidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º e 173, inciso I da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cujo teor merece destaque: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifouse) (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" (grifouse) Para a aplicação da contagem do prazo decadencial este Conselho adota o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 e, portanto, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. No referido julgado, o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do artigo 150, §4º com o artigo 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do artigo 173, inciso I. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11330.001223/200753 Acórdão n.º 2201004.948 S2C2T1 Fl. 329 4 A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 05/1996 a 11/1998. Para tais competências, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo artigo 150, § 4º ou aquele constante do artigo 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento, tornando improcedente a autuação, em harmonia com o que decidiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Assim sendo, uma vez reconhecida a decadência, extinto o crédito tributário formalizado no lançamento com fundamento no artigo 156, inciso V, do CTN. Conclusão Em razão do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001639/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-007.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10675.001639/2008-99
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968558
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.552
nome_arquivo_s : Decisao_10675001639200899.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10675001639200899_5968558.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7638039
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659955863552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.001639/200899 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.552 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria Multa Agravada Depósitos Bancários Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LEANDRO BARBOSA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 16 39 /2 00 8- 99 Fl. 560DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2101002.983, proferido na sessão de 14 de maio de 2018, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10675.001639/200899 Acórdão n.º 9202007.552 CSRFT2 Fl. 3 3 O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Lançamento com base em depósitos bancários agravamento da multa de ofício no caso de falta de atendimento de intimação para comprovar origens dos depósitos. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Primeira Câmara, da /Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de Admissibilidade de efls. 541 a 544. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o § 2º do art. 44 prevê o agravamento da multa de ofício nos casos de desatendimento de intimação pelo sujeito passivo; que tal dispositivo não dispensa o agravamento caso a Fiscalização consiga proceder à autuação por outros meios; que a dispensa do agravamento da multa neste caso constitui injustiça em relação àqueles que atendem à intimação. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 09/02/2016 (efls. 550) e não apresentou Contrarrazões. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, o que se discute é a possibilidade de agravamento da multa de ofício no caso de desatendimento, pelo sujeito passivo, de intimação para comprovar origens de depósitos bancários. Penso que não. É certo que o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1.996, prevê o agravamento da multa nos casos que especifica. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fl. 562DF CARF MF 4 Os inciso II e III evidentemente não se aplicam ao caso, e o inciso I referese a intimação para "prestar esclarecimentos". Ora, comprovar origens de depósitos bancários, comprovar despesas dedutíveis, e afins é prestar esclarecimento? O não atendimento desse tipo de intimação causa algum embaraço à atuação fiscal? Penso que não. Ao contrário, a não intimação enseja o lançamento, seja pela glosa das despesas, seja, no caso ora analisado, o lançamento com base em depósitos bancários de origens não comprovadas. O art. 42 da mesma Lei nº 9.430, de 19.42 pé claro quanto ao ponto: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, não comprovadas as origens dos depósitos bancários em caso de intimação, seja por apresentação de elementos de provas não aceitos como tal pela Autoridade Administrativa, seja simplesmente pela não apresentação de prova algum, a consequência é dada pela lei: a presunção de omissão de rendimentos, com a multa regular pela infração cometida. Este é o entendimento que tem prevalecido neste Colegiado. Como exemplo, o Acórdão nº 9202006.999, proferido na Sessão de 21 de junho de 2018, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001449/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE
Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2º, da Lei 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 - também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO.
Os serviços de fretes, na aquisição de insumos, não se subsumem no conceito de insumos de forma autônoma. O seu crédito somente é permitido quando agregam valores ao custo de aquisição dos insumos. Esse crédito somente pode ser apropriado na mesma proporção do crédito previsto para os insumos.
Numero da decisão: 9303-008.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam em dar-lhe provimento parcial nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reverter a glosa quanto ao frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de crédito integral do frete utilizado na aquisição de leite, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (iii) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, para reconhecer a aplicação do percentual de 60% do crédito presumido da agroindústria em função dos produtos fabricados pelo sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao item (ii), o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2º, da Lei 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 - também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. Os serviços de fretes, na aquisição de insumos, não se subsumem no conceito de insumos de forma autônoma. O seu crédito somente é permitido quando agregam valores ao custo de aquisição dos insumos. Esse crédito somente pode ser apropriado na mesma proporção do crédito previsto para os insumos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11065.001449/2009-01
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986887
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.215
nome_arquivo_s : Decisao_11065001449200901.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 11065001449200901_5986887.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam em dar-lhe provimento parcial nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reverter a glosa quanto ao frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de crédito integral do frete utilizado na aquisição de leite, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (iii) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, para reconhecer a aplicação do percentual de 60% do crédito presumido da agroindústria em função dos produtos fabricados pelo sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao item (ii), o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7693553
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659959009280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001449/200901 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.215 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria CONCEITO DE INSUMOS COFINS/PIS CREDITO PRESUMIDO Recorrente VIP S.A. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2º, da Lei 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 49 /2 00 9- 01 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 3 2 Os serviços de fretes, na aquisição de insumos, não se subsumem no conceito de insumos de forma autônoma. O seu crédito somente é permitido quando agregam valores ao custo de aquisição dos insumos. Esse crédito somente pode ser apropriado na mesma proporção do crédito previsto para os insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam em darlhe provimento parcial nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reverter a glosa quanto ao frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de crédito integral do frete utilizado na aquisição de leite, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (iii) por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, para reconhecer a aplicação do percentual de 60% do crédito presumido da agroindústria em função dos produtos fabricados pelo sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao item (ii), o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3801001.992, de 24 de julho de 2013 (fls. 219 a 233 do processo eletrônico), proferido Primeira Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 4 3 A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento e declarações de compensação de créditos de Cofins não cumulativa protocolados pela empresa Unileite Laticínios Ltda., depois denominada Avipal S/A Alimentos, tendo em vista incorporação daquela empresa e atualmente pela empresa Vip S/A Empreendimentos e Participações Imobiliárias. O direito creditório foi parcialmente reconhecido, sendo homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A interessada apresentou conjuntamente duas manifestações de inconformidade contra as glosas implementadas. Na primeira delas, alega preliminarmente ausência de motivação do Despacho Decisório, afirmando que esse não conteria as razões que motivaram o indeferimento do crédito pleiteado. Acredita que o crédito pleiteado teria sido devidamente comprovado. Logo a seguir, contesta as glosas efetuadas, defendendo o direito creditório apurado. Entende que estaria correta a aplicação do percentual de 60% sobre as aquisições de lenha, pois essa seria utilizada exclusivamente nas operações de fabricação de leite. Aponta confusão por parte da Fiscalização, uma vez que ao sustentar a aplicação do percentual de 35%, teria indicado dispositivo legal (art. 8º, § 3º, II da Lei nº 10.925/2004) que determinaria o percentual de 50%. Defende o creditamento integral dos valores referentes ao frete na aquisição de leite, pois o preço do frete estaria incluído no valor do bem (leite) adquirido para revenda. Cita como base legal o art. 3º, I, da Lei nº 10.833/2003. Afirma que não foram indicados “os créditos distintos daqueles supostamente utilizados”. Acredita estar equivocado o entendimento da Fiscalização, pois contrário àquele defendido pela Receita Federal. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário em relação ao percentual de 35% (trinta e cinco por cento) adotado Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 5 4 pela fiscalização como crédito presumido nas aquisições de lenhas de pessoas físicas; por maioria de votos, negou provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos fretes sobre aquisições de leite de pessoas físicas; e por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em relação à matéria direito de descontar créditos em relação aos fretes decorrentes das transferências realizadas por falta de objeto; conforme acórdão assim ementado in verbais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO LENHA ADQUIRIDA DE PESSOA FÍSICA ALÍQUOTA APLICÁVEL Aplicase o percentual de 60% (sessenta por cento) somente as aquisições de insumos relacionadas no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, isto é, produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, por exclusão para os demais produtos adotase o percentual de 35%. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. As despesas de frete não são autônomas e integram os custos dos insumos adquiridos de pessoas físicas, portanto não geram direito de descontar créditos, visto que o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Recurso Voluntário Negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.237 a 267) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito às seguintes matérias: 1 ao conceito de insumo aplicável para tomada de créditos da COFINS não cumulativa; 2 direito ao crédito presumido quanto às aquisições de insumos efetuadas de pessoas físicas e o percentual Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 6 5 aplicável; e 3) ao montante do crédito sobre os fretes pagos nas aquisições de leite (insumo sujeito ao crédito presumido), adquirido de pessoa física. Para comprovar as divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou os seguintes paradigmas: 1 em relação à insurgência sobre o conceito de insumo, colacionou o acórdão nº 930301.035; 2 do direito ao crédito presumido sobre as aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas e do percentual aplicável, colacionou o acórdão nº 3401002.178 e 3 do montante do crédito sobre os fretes pagos nas aquisições de leite (insumo sujeito ao crédito presumido), adquirido de pessoa física, colacionou o acórdão nº 3302001.916. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documento de fls. 268 a 342. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 397 a 402, sob os seguintes argumentos: 1 Referente à primeira matéria: O acórdão recorrido aplicou ao caso o conceito de insumo dado pela legislação do IPI, que alcança os insumos que se enquadrem nos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez o acórdão paradigma, entendeu diversamente, rechaçando a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI. 2 Referente à segunda matéria: Entendeuse que a ementa do acórdão paradigma seria bastante esclarecedora a respeito do parâmetro utilizado na aplicação do percentual, partiuse da natureza e classificação do produto elaborado pelo sujeito passivo, e não dos insumos adquiridos para utilização na produção. Por outro lado, verificouse que o entendimento adotado na decisão recorrida seria o inverso ao do acórdão paradigma. 3 Referente à terceira matéria: No acórdão paradigma não apenas se entendeu que o frete é despesa suficiente/autônoma para ensejar a tomada do crédito, como também que ele não sofre a limitação correspondente aos insumos transportados. Por sua vez, no acórdão recorrido o Colegiado divergiu em relação às conclusões do acórdão paradigma, tendo a decisão recorrida adotado o entendimento de que o frete em comento (pago a pessoas físicas na aquisições de leite in natura insumo sujeito ao crédito presumido) só enseja direito ao crédito presumido (calculado à alíquota de 60%), não sendo possível a tomada de crédito pelo valor total do frete pago. Desta forma, entendeuse que restaram comprovadas as divergências jurisprudenciais. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 7 6 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às 404 às 408, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 397 a 402. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 397 a 402, sob os seguintes argumentos: 1 Referente à primeira matéria: O acórdão recorrido aplicou ao caso o conceito de insumo dado pela legislação do IPI, que alcança os insumos que se enquadrem nos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez o acórdão paradigma, entendeu diversamente, rechaçando a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI. 2 Referente à segunda matéria: Entendeuse que a ementa do acórdão paradigma seria bastante esclarecedora a respeito do parâmetro utilizado na aplicação do percentual, partiuse da natureza e classificação do produto elaborado pelo sujeito passivo, e não dos insumos adquiridos para utilização na produção. Por outro lado, verificouse que o entendimento adotado na decisão recorrida seria o inverso ao do acórdão paradigma. 3 Referente à terceira matéria: No acórdão paradigma não apenas se entendeu que o frete é despesa suficiente/autônoma para ensejar a tomada do crédito, como também que ele não sofre a limitação correspondente aos insumos transportados. Por sua vez, no acórdão recorrido o Colegiado divergiu em relação às conclusões do acórdão paradigma, tendo a decisão recorrida adotado o entendimento de que o frete em comento (pago a pessoas físicas na aquisições de leite in natura insumo sujeito ao crédito presumido) só enseja direito ao crédito presumido Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 8 7 (calculado à alíquota de 60%), não sendo possível a tomada de crédito pelo valor total do frete pago. Do Mérito As matérias enfrentadas pela Contribuinte em sede de apelo especial são referentes à: 1 Referente à primeira matéria: conceito de insumo; 2 Referente à segunda matéria: Da aplicação ou não do percentual de 60% em função dos produtos fabricados pelo sujeito passivo. 3 Referente à terceira matéria: frete pago a pessoas físicas nas aquisições de leite in natura. 1 Do conceito do insumo Inicialmente, destaco que sempre tive o entendimento que é necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. E que diante disto, sempre entendi não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Essa discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa, até que sobreveio a decisão do STJ, no REsp 1.221.170, em sede de recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devendo observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 9 8 Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Diante desta decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, traz que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ademais, ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se entender que determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Para melhor elucidar, transcrevo trechos da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 10 9 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Diante disto, o conceito de insumo deve portando ser considero como os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 11 10 ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Assim, há de se conhecer o crédito em relação à matéria direito de descontar créditos em relação aos fretes decorrentes das transferências realizadas. 2Da aplicação ou não do percentual de 60% em função dos produtos fabricados pelo sujeito passivo. Relativamente ao tema em debate, entendo que o cálculo do crédito presumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas, e não dos insumos adquiridos. Frisese tal entendimento com o art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04 (Grifos meus): “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) (Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 12 11 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n º 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura ; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;” Portanto, por evidente que o valor do crédito presumido para agroindústria deve ser aplicada a alíquota de 60% sobre as aquisições, nos termos do art. 8º, § 2º, inciso I, da Lei 10.925/04, e art. 2º da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, tendo em vista tratarse de pessoa jurídica produtora de mercadorias de origem animal. Eis que o art. 8º da Lei 10.925/04 determina que o benefício da dedução do PIS e da Cofins decorre da produção de mercadorias de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 13 12 misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Considerando que o produto final fabricado pelo sujeito passivo estão devidamente classificados no NCM do capítulo 2 a 4, 16, entre outros, e se destina a alimentação humana, imperioso assim considerar a aplicação do percentual de 60% previsto no art. 8º, § 3º, inciso I, da Lei 10.925/04 para fins de apuração do crédito presumido a ser calculado sobre a totalidade dos insumos utilizados no processo produtivo. No presente caso, a lenha utilizada seria exclusivamente nas operações de fabricação de leite, devendo ser considerada insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. 3 Frete pago a pessoas físicas nas aquisições de leite in natura. O Contribuinte suscitou a divergência jurisprudencial, em relação ao direito de apurar créditos sobre as despesas com fretes, suportados pela própria contribuinte, incorridas com o transporte de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. Nos termos do inciso II e § 3º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, considero que tais despesas geram créditos passiveis de desconto da contribuição devida mensalmente: Lei nº 10.833, de 29 de Dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 14 13 importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei." As despesas com fretes para o transporte de insumos, integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, se enquadram no conceito de insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente. E também, devemos considerar que na atividade comercial, compra e revenda de mercadorias, e na atividade industrial, fabricação de produtos para venda, as despesas com fretes nas aquisições das mercadorias vendidas e dos insumos (matériaprima, embalagem e produtos intermediários), quando suportadas pelo adquirente, integram o custo de suas vendas e o custo industrial de produção, nos termos do art. 13, caput, § 1º, "a", do Decretolei nº 1.598/1977, assim dispondo: "Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 15 14 a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...]." E de acordo com os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR99), os custos com o transporte (frete) também devem estar compreendidos no custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda e no custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção. Como vimos, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, a meu ver, este frete é o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Assim, de forma indireta, não autônoma, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, em decorrência da permissão legal contida nos incisos I e II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000/1999. Com base no acima exposto, voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados às despesas com fretes em compras de insumos. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, ouso discordar parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. No caso concreto, a divergência do contribuinte está relacionada (i) à redução, de 60% para 35%, do percentual utilizado para cálculo do crédito presumido na aquisição de lenhas de pessoas físicas; (ii) à redução, de 100% para 60%, do percentual para o cálculo do crédito com gastos com frete no transporte do leite in natura adquirido de pessoas físicas e (iii) à glosa dos fretes na transferência de produtos acabados. Acompanho a i. Relatora do processo no que diz respeito à redução, de 60% para 35%, do percentual utilizado para cálculo do crédito presumido na aquisição de lenhas de pessoas físicas item “i”, acima. Com efeito, a própria legislação jogou uma pá de cal nessa discussão ao esclarecer, em caráter interpretativo, que o percentual a ser aplicado depende do produto acabado e não da matériaprima utilizada, conforme disposto no § 10º da Lei nº 10.925/2004, incluído pela Lei nº 12.865, de 2013, como a seguir se lê. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Conceito de Insumos Antes de adentrar aos itens específicos deste processo, necessário se faz abordar alguns pontos genéricos a respeito do conceito de insumos: Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 17 16 expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 18 17 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 19 18 se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 20 19 Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão: (ii) à redução, de 100% para 60%, do percentual para o cálculo do crédito com gastos com frete no transporte do leite in natura adquirido de pessoas físicas O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese o disposto no Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 21 20 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Sobressai incontroverso da legislação aplicável que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está compreendido no custo de aquisição desses insumos. Assim, levandose em conta os critérios contábeis aceitos e própria legislação tributária não vejo razão para que esse dispêndio seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Contudo, a própria lógica que remete a tal conclusão vincula inexoravelmente o gasto com frete ao insumo que será empregado no processo produtivo. Em hipótese alguma poderseia tratar o frete como um dispêndio autônomo, capaz de gerar ele próprio o direito à apropriação de crédito e seguir seu próprio regime, independente da mercadoria transportada. Os gastos com frete, como acima se viu, devem ser agregados ao custo do insumo empregado no processo produtivo, avolumando, desta forma, a base sobre a qual serão calculados os créditos do contribuinte. Com base nessas premissas, considero que agiu corretamente a Fiscalização Federal ao reduzir para 60% (sessenta por cento) o percentual aplicável no cálculo do crédito Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11065.001449/200901 Acórdão n.º 9303008.215 CSRFT3 Fl. 22 21 do contribuinte associado ao frete, pois é esse o percentual do crédito a que tem direito o contribuinte na aquisição de leite in natura de pessoas físicas, insumo transportado e que será aplicado no processo produtivo da empresa. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, em relação a esta matéria. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
